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A ARQUITETURA DA OPINIÃO EM TEXTOS DE ALUNOS SECUNDARISTAS E
UNIVERSITÁRIOS: A MODALIZAÇÃO COMO ESTRATÉGIA
GT7 – Educação, Linguagens e Artes
Débora Reis Aguiar 1
Fernando da Cunha Mendonça 2
Leilane Ramos da Silva3
RESUMO
Estudos pragmáticos têm validado o princípio de que a linguagem é essencialmente argumentativa e,
como tal, prescinde de elementos linguísticos dos quais o locutor se utiliza para produzir seu discurso.
Entre essas estratégias, estão aquelas relacionadas à modalização linguística, que alude ao modo como
o que se diz é dito. Ancorado nessa perspectiva, o objetivo deste trabalho é analisar as marcas
linguísticas utilizadas pelo locutor para marcar seu posicionamento no texto de opinião. Tomamos
como corpus um conjunto de 10 textos opinativos de alunos do ensino médio e 06 textos de
universitários, cujo foco se centrou na discussão sobre o aproveitamento das notas do ENEM como
forma de ingresso nos cursos superiores oferecidos pela UFS. Dentre as modalizações identificadas, os
informantes se utilizaram, em sua maioria, da modalização avaliativa, remetendo-nos que nos seus
textos fizeram um juízo de valor perante o conteúdo proposicional.
PALAVRAS CHAVES: Modalizadores. Textos opinativos. Enem.
ABSTRACT
Pragmatic studies have validated the principle that language is essentially argumentative and, as such,
it has linguistics elements of which the speaker use to produce your speech. Among these
artifices, there are those related to linguistic modalization, which alludes to how what one says is
said. Anchored in this perspective, the objective of this work is to analyze the linguistics marks used
by speaker to mark your position in your text of opinion. We take as a corpus a set of 10 texts of
opinion written by high school students and 06 universities students’ texts, whose focus in the
discussion was centered about harnessing of grades of the ENEM, as a form of admission in the
undergraduate courses offered by the UFS. Among the identified modalizations, the informers used, in
your majority, the modalization evaluative, leading us to understand that in their texts they made a
value judgment face with the propositional content.
KEYWORDS: Modalizations. Opinionated Texts. ENEM.
1 Considerações Iniciais
A linguagem é um fenômeno social e essencialmente argumentativa, da qual o homem
se vale na relação com o outro, utilizando de seus ricos artifícios linguísticos para assim
produzir um discurso que carregue a sua marca, a sua intenção, colocando em evidência seu
1
Graduanda em Letras, UFS, PIBIC, [email protected]
Graduando em Letras, UFS, PIBIC, [email protected]
3
Doutora em letras, UFS, Orientadora PIBIC, [email protected]
2
2
posicionamento, seu comprometimento ou não com o que diz para que seu interlocutor
interaja e entenda sua mensagem.
Este artigo é um recorte do plano de trabalho intitulado “O espaço da modalização em
textos opinativos de alunos secundaristas e universitários: o Enem como pano de fundo”,
orientado pela Professora Doutora Leilane Ramos da Silva, o qual aborda o estatuto da
modalização linguística, aludindo para o registro da atitude do locutor (de comando, de
apreciação ou de adesão) em relação ao conteúdo proposicional que expressa.
De modo geral, a presente proposta se enquadra nos estudos que tomam a linguagem
em seu poder de argumentação, entendendo-se esta como característica essencial de
intervenção e mediação dos sentidos dos homens entre si. Para tanto, enquadra-se, em sentido
amplo, nos estudos classificados como do âmbito da Pragmática e, portanto, vê o texto como
o lugar onde a intencionalidade se manifesta. Assim sendo, destaca o fato de o enunciador
inscrever, nos enunciados que produz, elementos linguísticos que podem determinar o “modo
como aquilo que se diz é dito”. (KOCH, 1987).
Diante dessa abordagem, o presente artigo apresenta resultados da análise do uso de
modalizadores em 16 textos opinativos, sendo 10 produzidos por alunos secundaristas e 06
produzidos por alunos universitários, coletados na Escola Estadual Murilo Braga e no
Campus Professor Alberto Carvalho, respectivamente, situadas na cidade de Itabaiana-SE, no
período de julho a setembro de 2011. O uso de modalizadores implica diretamente nos
enunciados criados pelos discentes, e como são utilizados para marcar seu posicionamento
perante a polêmica abordada.
A seguir, apresentamos alguns dos pressupostos da teoria aqui adotada como base para
aplicarmos nas análises realizadas.
2 Modalidade e Modalização
Tomamos os termos modalidade e modalização como sinônimos baseados em Castilho
e Castilho (1993), pois os termos estão tão intrinsecamente ligados que sua distinção e seus
limites ficam difíceis de se estabelecerem concretamente.
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Para Castilho e Castilho (1993),
há sempre uma avaliação prévia do falante sobre o conteúdo da proposição
que ele vai veicular, decorrendo daqui suas decisões sobre afirmar, negar,
interrogar, ordenar, permitir, expressar a certeza ou a dúvida sobre esse
conteúdo. (p.217)
Os modalizadores são trabalhados na perspectiva de apontar o ponto de vista do
locutor e sua atitude diante do ouvinte e a proposição apresentada. Assim, afirmamos que a
própria enunciação já implica no ato de modalizar.
Corroborando com a definição apresentada acima, Koch (2002) apresenta os
modalizadores como sendo todos os elementos linguísticos que estão vinculados à produção
do enunciado e que funcionam como “indicadores de intenções, sentimentos e atitudes do
locutor com relação ao seu discurso”.
A fim de especificar o campo teórico estudado, apresentaremos os tipos de
modalidades, as quais foram utilizadas como base para a análise do corpus e suas respectivas
nomeações.
2.1 Classificação das Modalidades
No estudo da modalização linguística são apresentadas tradicionalmente três
modalidades: alética, deôntica e epistêmica.
Segundo Cervoni (1987), a modalidade alética
reporta ao eixo da existência, à verdade do conteúdo preposicional. É a
modalidade lógica, por excelência, sendo a deôntica e epistêmica
“decorrentes de um esforço dos lógicos para levar em conta analogias
evidentes que apresentam em muitas línguas a expressão do dever e do saber
e a do verdadeiro (com seus diferentes graus)” (p.59, grifos do autor).
De acordo com Neves (2002), as modalidades deôntica e epistêmica representam “a
modalização linguística strictu sensu, isto é, a modalização ocorrente e analisável nos
enunciados efetivamente produzidos” (p. 180).
Para a nossa análise, usaremos as modalidades deôntica e epistêmica. A primeira
dessas relaciona-se aos valores de permissão, obrigação e volição. Logo, é pertencente ao eixo
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da conduta, sendo seus modalizadores conduzidos pela ideia de que o locutor tem a
proposição como algo que precisa acontecer.
Já a modalidade epistêmica, segundo Koch (2002), “refere-se ao eixo da crença”, ou
seja, diz respeito ao conhecimento que o falante expressa sobre o conteúdo de seu discurso.
Os modalizadores epistêmicos revelam, pois, a atitude do locutor em relação ao que vai ser
dito.
A modalização epistêmica é subdivida em três classes de acordo com Castilho e
Castilho (1993): os asseverativos, os quase-asseverativos e os delimitadores.
a) Os asseverativos constituem uma necessidade epistêmica, o que o falante
considera verdadeiro ou falso do conteúdo proposicional, a maneira como o afirma ou o nega
o mesmo sem deixar margem a dúvidas. Exemplos: i) afirmativos: realmente, evidentemente,
naturalmente, efetivamente, claro, certo, lógico e outros; ii) negativos: de jeito nenhum, é
claro que não, de forma alguma, etc.
b) Os quase-asseverativos indicam que o falante não tem total certeza acerca do
conteúdo proposicional, por isso não assume responsabilidade perante o que está sendo
expresso. Exemplos: eu acho, eu suponho, talvez, assim, possivelmente, provavelmente,
eventualmente.
c) Os delimitadores estabelecem os limites em que se deve entender a proposição.
Exemplos de delimitadores: quase, um tipo de, em geral, em princípio, do ponto de vista de +
adj., basicamente e praticamente, etc.
Além das três modalidades apresentadas anteriormente, tidas como autoafirmadas
pelos estudiosos nesse campo de estudo, incluímos uma vinculada como “nova”, a qual não
tem uma nomenclatura adotada fixamente.
Koch (2002) afirma que a modalização “pode indicar juízos de valor”. Assim, além
dessas modalizações apresentadas anteriormente, usaremos em nossa análise um “novo” tipo
de modalização, a que evidencia um julgamento de valor por parte do locutor perante a
proposição ou parte dela. (p.80).
Tomamos a denominação estabelecida por Silva (2005), “modalização avaliativa”,
pois vai além da expressão emocional do falante e indica uma avaliação dele para o conteúdo
proposicional.
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Após vermos a orientação teórica desta investigação, o tópico 3 apresentará a o
Corpus que selecionamos para análise.
3 O Corpus em análise
O nosso corpus consiste, como informado anteriormente, num conjunto de 16 textos
opinativos, 10 produzidos por alunos secundaristas da Escola Estadual Murilo Braga e 06 por
universitários do Campus Professor Alberto Carvalho, situados na cidade de Itabaiana-SE,
cujo foco da escrita dos discentes voltou-se para a polêmica da adoção do resultado do
ENEM, enquanto mecanismo de aferição das habilidades dos concludentes de Educação
Básica, como forma de ingresso nos cursos oferecidos pela Universidade Federal de Sergipe,
conforme aprovado na Resolução 027/2009/CONEPE e revogado na Resolução 068/2010, a
partir de 2013.
Na próxima seção, apresentamos um recorte dos textos4 selecionados para análise
realizada, com apresentação da discussão do uso dos modalizadores mais recorrentes e o que
implicou nos textos e no contexto abordado.
3.1 Identificação dos Modalizadores
Realizamos nossa análise e classificação dos textos opinativos tomando como base os
teóricos citados anteriormente neste artigo.
(1)
Informante (MOP 1)
As novas regras, tem seus lados positivos e negativos.
Eu tenho certeza que facilitara, mas a frente. Para contribuir com a (UFS).
Eu acho que assim será, melhor para alguns e pessimo para os outros.
Por que de acordo com as novas medidas, as notas servirão para o próximo ano de acordo com o que
passou. Por exemplo a inscrição sera de R$30,00 reais e a taxa da (UFS) é de 15 por mês. Eu concordo
com essa medida.
Isso é para nós. Queremos uma Educação boa e não de pecima qualidade. (sic)
Informante Masculino, Texto Opinativo, 1º ano do Ensino Médio.
O texto opinativo (1) apresenta adjetivos avaliativos (em grifo), os quais caracterizam
um juízo de valor à polêmica abordada, tais como, lados positivos e negativos, melhor e
pessimo, novas, etc.
4
Os textos foram transcritos como os originais.
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Estes adjetivos avaliativos caracterizam que há uma avaliação local dos enunciados e
uma avaliação global, já que eles atribuem juízo de valor aos enunciados.
No segundo e terceiro parágrafo, há uma modalização epistêmica asseverativa que se
sobrepõe a uma quase-asseverativa e toda a contextualização representa uma avaliação, razão
de podermos dizer que temos a modalização avaliativa global alicerçando, nesse caso,
modalizações epistêmicas
i)
inicialmente, asseverativa (eu tenho certeza).
ii)
com a situação de polêmica, aparece a quase-asseverativa (eu acho), o que
denota um afastamento do falante diante do que afirma.
(2)
Informante (MOP 2)
Bom, na minha opinião, como já está citado no texto, há aspectos negativos e positivos com relação a
UFS querer adotar o ENEM como exame seletivo, para que alguns possam ingressar na mesma.
Entre suas vantagens, creio que para mim é uma forma mais viavel e digamos que mais fácil para
ingressar na faculdade.
Pois como há sitado no texto, a prova em si não vai ser focada em apenas uma respectiva matéria.
Mas como há vantagens, há também suas disvantagens. Vamos ter acho que uma certa dificuldade,
porque também não iremos estudar para apenas uma só matéria, e sim para várias, além do que
deveremos fazer duas inscrições.
Mas ainda acho legal a UFS adotar o ENEM como processo seletivo. Mas acho também que eles têm
que rever essa decisão, e depois adotá-lo com cuidado. (sic)
Informante Masculino, Texto Opinativo, 1º ano do Ensino Médio
Este segundo texto também apresenta adjetivos avaliativos, que expressam a avaliação
do locutor perante a discussão abordada, como em aspectos negativos e positivos, mais viável
e mais fácil.
No segundo parágrafo, o escritor faz uso do modalizador creio que que é classificado
como epistêmico quase-asseverativo, revelando uma maior adesão do informante ao conteúdo
proposicional.
Há uma sequência de uso da modalização epistêmica quase-asseverativa nos 3º e 4º
parágrafos respectivamente: acho que, ainda acho e acho também, o que expressa a falta de
certeza em relação ao que fala.
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No último parágrafo, ainda faz-se uso de um modalizador classificado como deôntico
têm que, sendo o conteúdo apresentado entendido como uma obrigação a ser cumprida pelo
outro.
(3)
Informante (MOD 12)
Particularmente, sou a favor da mudança do exame que levará o estudante ao mundo estudantil
avançado, ou melhor, universitário. Ainda não tive acesso a todos os termos que regem o ENEM,
porém pelo que estou informando, este exame está apto a ser aplicado, senão a melhor maneira de se
fazer a seleção dos alunos que entrarão na Universidade.
O ENEM, é obviamente cansativo. Mas, entendo este fato não sendo um ponto rígido (rigoroso) e sim
como um ponto característico flexível, que traz enormes benefícios.
Outro ponto é que preciso focar, está no fato de conter, por inteiro, questões de múltipla escolha, que
fará com que o participante esteja mais preparado (apto) a fazer um bom exame.
Entendo também que a concorrência aumentará sem sombra de dúvida por inúmeros motivos que acho
que não precisam ser ditos e sim vistos, na prática.
É, portanto, através destes argumentos que descrevo a minha opinião em relação ao ENEM. (sic)
Informante Masculino, Texto Opinativo, 2º ano do Ensino Médio.
Para marcar que expressará sua opinião efetivamente, o informante em (3) faz uso de
um advérbio modalizador delimitador particularmente e das expressões sou a favor e a minha
opinião, as quais são denominadas como modalização epistêmica delimitadora.
Ele utiliza-se também da modalização avaliativa, como no exemplo a melhor maneira.
Neste caso seu uso remete a uma forma de avaliação favorável ao tema discutido, trazendo o
adjetivo no grau superlativo a fim de convencer o leitor que a informação passada é
verdadeira.
(4)
Informante (MOT 25)
No meu ponto de vista acho que os alunos seram prejudicados com a chegada do ENEM, mas por
outro lado serão beneficiado aqueles que se destacam na interpretação de textos. Acho errado usar a
nota do ENEM que foi realizado no ano anterior para poder engressar na universidade.
O ENEM ficará mais rigoroso do que o próprio vestibular, além de certa forma banir os assuntos
retratados pela região nordeste.
Com o ENEM em Sergipe a concorrência vai aumentar, com isso o alunado vai sofrer mais para entrar
na UFS, acho que o ENEM trás mais prejuiso do que beneficio para os alunos de Sergipe. (sic)
Informante Masculino, Texto Opinativo, 3º ano do Ensino Médio.
O informante em (4) demonstra incerteza no que escreve, pois emprega muito a
modalização epistêmica quase-asseverativa acho que. Os seus argumentos não dão total
certeza do que está expressando e consequentemente levar o seu interlocutor a acreditar.
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Logo, faltam argumentos persuasivos, pois o locutor não assume responsabilidade perante o
que está sendo dito.
Quanto ao uso da modalização avaliativa, ele usa de adjetivos “negativos” para
expressar uma avaliação negativa de adotar o ENEM como forma de ingresso na
Universidade.
Tal constatação pode ser vista em (...) trás mais prejuiso do que beneficio (...). Aqui o
locutor entende que o novo modelo adotado não será favorável, sendo-o como uma forma
desigual.
(05)
Informante (FOT 27)
Minha opinião a respeito da mudança em adotar o Enem na prova do vestibular é positiva. Segundo
muitos alunos já declararam, e que eu também acho, é que a prova do Enem é boa, pois as perguntas
são bem mais fáceis de entender e fala sobre varias matérias, não tem específica.
Muitos alunos quando vão fazer o vestibular, antes mesmo já ficam nervosos, porque imaginam que
não deve ser fácil. Já, sabendo da nova mudança principalmente quem já fez o Enem, certamente fica
mais tranqüilo.
Para mim está aprovada a nova mudança, se fosse eu no poder disso com certeza já teria mudado, o
Enem é uma prova ampla, e facilitará, pra muitos jovens, que eu tenho certeza que também aprovaram.
(sic)
Informante Feminino, Texto Opinativo, 3º ano do Ensino Médio.
O informante inicia seu texto empregando uma modalização epistêmica delimitadora
minha opinião, a qual delimita o conteúdo a seu pensamento. Mas ao longo do texto faz uso
de opiniões de outras pessoas segundo muitos alunos já declararam (...), para em seguida
afirmar não com total certeza sua opinião, utilizando-se uma modalização epistêmica quaseasseverativa (...) eu também acho (...), assim não expressa certeza no que pensa.
Ao longo do texto, o locutor emprega a modalização avaliativa, em geral faz uso de
adjetivos ‘positivos’ para expressar suas ideias no que diz respeito à adoção da nota do ENEM
para entrar na Universidade, registrando uma avaliação positiva em relação ao conteúdo
proposicional, podemos perceber isso no seguinte exemplo “Para mim está aprovada a nova
mudança”.
No último parágrafo ele traz as expressões (...) com certeza já teria mudado (...) e (...)
eu tenho certeza (...), para dar convicção da sua opinião, fazendo uso da modalização
epistêmica asseverativa, a qual faz com que o leitor/interlocutor entenda a informação como
verdadeira e que o interlocutor não deixou as ideias sujeitas a dúvidas.
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(06)
Informante (mos32)
Em particular, gostei muito da notícia pois acredito que com mais um método de avaliação, a UFS
dificultará ainda mais o ingresso na mesma fazendo assim com que os alunos se esforcem mais e se
dediquem mais para participar de uma forma a conseguir disputar efetivamente uma vaga na
Universidade Sergipana.
Creio também que a implantação de mais um método de avaliação para entrada na universidade, não
vá prejudicar o método de avaliação, levando em conta que o ENEM é uma avaliação consolidada em
todo o país e fiscalizada por um órgão de respaudo nacional, apesar de alguns incidentes acontecidos
nos últimos anos como por exemplo vazamento de provas.
Para fechar, concluo que para que a preparação do vestibulando seja bem feita, quantas mais
“peneiras” o aluno passar, mas preparado ele estará para encarar os desafios da universidade.
Informante masculino, texto opinativo, nível superior.
Encontramos modalizações epistêmicas asseverativas acredito que e efetivamente no
1° parágrafo e creio também, no 2° parágrafo) afirmando a certeza do locutor diante do seu
enunciado. O epistêmico delimitador em particular estabelece limites frente a opinião
levantada, e os advérbios avaliativos locais muito, bem feita, mais confirmam que o
informante faz uma avaliação global do conteúdo e com o uso dos adjetivos manifesta uma
avaliação local.
(07)
Informante (mos33)
É fato que toda e qualquer atitude, e ou projeto que tenha como objetivo alguma melhoria no processo
seletivo, o vestibular, seja bem vinda, porém, antes de simplismente dar boas vindas e agraciar o novo
sistema de seleção, faz-se necessário, saber como os estudantes e as instituições de ensino vão lidar.
Com a novidade, se estes, os estudantes sergipanos aceitaram tal mudança e se as escolas e cursinhos
preparatórios, estão preparados para essa nova etapa.
Particularmente não concordo com esse novo processo de seleção pois o Enem é um projeto nacional
que foi elaborado como opção ara as instituições de ensino superior em seus processos de seleção e
que não segue padrões regionais em seus critérios e assuntos avaliados, sendo assim, para que
funcionasse, ou melhor, para ser implantada e adotada, essa mudança teria que ser gradativa, e o Enem
adotasse critérios de prova regionalizados para ai sim, ser usado com ferramenta do processo seletivo
em Sergipe.
Informante masculino, texto opinativo, nível superior.
No 1° parágrafo, o locutor deixa margem de dúvidas quanto aquilo que está afirmando
utilizando-se dos modalizadores delimitadores que tenha, faz-se necessário e dos avaliativos
locais alguma, nova, nova.
No 2° parágrafo, utiliza-se ainda dos delimitadores (particularmente) e da modalização
avaliativa (novo) remetendo sua posição contrária ao assunto discutido, confirmando com os
modalizadores deônticos teria que ser, ai sim.
10
(08)
Informante (mos34)
No texto “UFS adota Enem para vestibular 2013”, mostra que serão adotadas as notas do Enem para o
ingresso nas Universidades Federais, mas quais serão os verdadeiros motivos? O que realmente tem de
positivo nessa mudança?
As pontuações do Enem são usadas basicamente para promover bolsas para estudantes em
Universidades Particulares. E as Federais tinham suas próprias avaliações para que houvessem as
seleções. Só que, o governo diz que está havendo gastos e resolveram unificar esses dois sistemas sem
se preocupar com o lado dos alunos. Mas todos nós sabemos que essas provas fazem parte da
arrecadação dos impostos absordos que pagamos, tenho certeza, que existem desvios muito maiores
que deveriam ser erradicalizados ao invez das provas.
Dizem que existe o lado positivo, só se for para eles, pois pra quem vai fazer a prova, só tem a questão
da quantidade. E sem falar que esse novo processo será injusto, pois é uma única prova pra toda a
nação, eles não sabem que o Brasil é extenso e que tem muitas culturas e costumes diferentes. O ideal
seria uma prova por região para pelo ou menos minimizar as desvantagens.
Informante masculino, texto opinativo, nível superior.
O informante utiliza-se da modalização epistêmica asseverativa realmente, no 1°
parágrafo e tenho certeza, no 2° parágrafo), para demonstrar sua posição contrária a adoção
do ENEM e com o uso dos modalizadores deônticos deveriam ser, o ideal seria apresenta
aquilo que deveria ser feito segundo o seu juízo de valor perante o tema discutido. Os
avaliativos locais - positivo, novo, desvantagens reforçam a posição contrária do informante.
(09)
Informante (mos35)
Enem e vestibular da UFS
Com essa nova medida, adotada pela Universidade Federal de Sergipe, que passará a utilizar as notas
obtidas no Enem como principal meio para o ingresso de alunos no vestibular 2013 causará mudanças
tanto na sua forma de aplicação quanto no aproveitamento dos conteúdos estudados pelos alunos do
Ensino Médio.
O Enem explora assuntos da atualidade, de forma contextualizada, abranjendo
assim acontecimentos contemporâneos e de forma parcial os acontecimentos específicos.
Devido à mudança torna-se necessário uma modificação na preparação dos alunos do Ensino Médio,
onde as instituições de ensino e os professores precisam disseminar e orientar os alunos para que
façam o Enem com uma boa preparação.
Fica evidente que o Enem é uma ótima forma de ingresso à Universidade, por explorar diversos temas
e situações da atualidade, facilitando o entendimento dos jovens em relação aos assuntos tratados.
Informante masculino, texto opinativo, nível superior.
Identificamos modalizações avaliativas nova, principal, meio, ótima, nas quais o
informante faz uma avaliação positiva ao novo meio de exame adotado como vestibular. Há
presença também de modalizações deônticas de ordem, ou seja, o informante tem convicção
11
dos seus argumentos e expressa como os professores devem preparar os alunos do Ensino
Médio.
(10)
Informante (fos36)
A mudança em relação método de seleção no vestibular a partir de 2013 não é favoravel aos
vestibulandos que sonham em um dia entrarem na faculdade. A prova do Enem apresenta conteúdo
amplo mas pouca avaliação em relação ao conhecimento adquirido na sala de aula. Além disso, o novo
sistema de inscrição dificultá o acesso aos vestibular, ainda mais.
O Exame Nacional do Ensino Medido, exige conhecimentos amplos e quase não adquiridos no proprio
ensino médio, a maneira como mede a capacidade do vestibulando concerteza não colaboram muito
com seu desempenho, pois as provas são difíceis de serem, interpretadas a extensas.
A maneira como seram disponibilizadas as inscrições é prova de como essa substituição implantará
barreiras disfarçadas em relação a entrada dos vestibulandos na universidade. Sem conta ainda que a
comcorrência aumentará bastante.
Dessa forma, a mudança implkantada não é favorável aos que querem entrar na faculdade, pois as
provas do Enem são dificeis e amplas e dificultam a vida do vestibulando, ou seja, o acesso fica cada
vez mais dificultosa.
Informante feminino, texto opinativo, nível superior.
Nesse texto aparecem muitos modalizadores avaliativos marcando sua posição
contrária ao tema proposto. Utiliza-se também de modalizador epistêmico, indicando algo que
deve acontecer precisamente.
A seguir, apresentamos de maneira quantitativa os dados da classificação estabelecida.
4 Os tipos de Modalizadores identificados no corpus
Do corpus analisado, pôde-se constatar a presença de 216 modalizadores, 104
classificados como avaliativos, 30 como deônticos, 23 como epistêmicos asseverativos, 34
como epistêmicos delimitadores e 25 como epistêmicos quase asseverativos, correspondentes
a 48%, 14%, 11%, 11%, 16%, respectivamente.
Essa distribuição, ao mesmo tempo, pode ser conferida no gráfico 01, o qual
demonstra os números em forma de porcentagem.
12
Percebemos que dentre as 216 modalizações inicialmente identificadas, os informantes
se utilizaram em sua maioria da modalização avaliativa, remetendo-nos que nos seus textos
fizeram um juízo de valor perante o conteúdo proposicional.
5 Considerações Finais
A análise do corpus nos leva a reforçar a ideia de que a língua traz diversos recursos
linguísticos, e que dentre estes há a argumentatividade. Percebemos que os informantes
utilizaram-se de marcas linguísticas para expressar suas opiniões e assim atingir seu
interlocutor.
Os textos, os quais constituíram o corpus para análise, embora escritos por alunos de
níveis diferentes, ensino médio e universitários, são marcados por modalizações praticamente
idênticas e a opinião se efetiva de modo a verificar a falta de argumentos do produtor do
texto.
Nas análises feitas foi percebida grande marca da utilização da modalidade avaliativa,
na qual o locutor traça um juízo de valor perante a proposição abordada.
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REFERÊNCIAS
CASTILHO, Ataliba F. de e CASTILHO, Célia M. M. de. Advérbios Modalizadores. In:
ILARI, Rodolfo (org) Gramática do português falado. 2ª Ed. Campinas – SP: Editora da
UNICAMP, 1993.
CERVONI, Jean. A enunciação. (Tradução de L. Garcia dos Santos). São Paulo: Ática, 1987.
HOFFNAGEL, Judith C. A modalização epistêmica no processamento textual da fala. In:
Koch, Ingedore G. Villaça e KAZUÊ, Saito Monteiro de Barros. Tópicos em linguística e
análise da conversação. Natal: EDUFRN, 1997.
KOCH, Ingedore G. Villaça. Argumentação e linguagem. 7 ed. São Paulo: Cortez Editora,
2002.
KOCH, Ingedore G. Villaça. Linguagem e Argumentação. In: A inter-ação pela linguagem.
7 ed. São Paulo: contexto, 2010. p. 29-73.
SILVA, Leilane Ramos da. O estatuto discursivo das CLCD(s): um diálogo com a Teoria
dos Atos de Fala. Tese de Doutorado. João Pessoa: PPGL, 2005.
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1 Considerações Iniciais