1 A ARQUITETURA DA OPINIÃO EM TEXTOS DE ALUNOS SECUNDARISTAS E UNIVERSITÁRIOS: A MODALIZAÇÃO COMO ESTRATÉGIA GT7 – Educação, Linguagens e Artes Débora Reis Aguiar 1 Fernando da Cunha Mendonça 2 Leilane Ramos da Silva3 RESUMO Estudos pragmáticos têm validado o princípio de que a linguagem é essencialmente argumentativa e, como tal, prescinde de elementos linguísticos dos quais o locutor se utiliza para produzir seu discurso. Entre essas estratégias, estão aquelas relacionadas à modalização linguística, que alude ao modo como o que se diz é dito. Ancorado nessa perspectiva, o objetivo deste trabalho é analisar as marcas linguísticas utilizadas pelo locutor para marcar seu posicionamento no texto de opinião. Tomamos como corpus um conjunto de 10 textos opinativos de alunos do ensino médio e 06 textos de universitários, cujo foco se centrou na discussão sobre o aproveitamento das notas do ENEM como forma de ingresso nos cursos superiores oferecidos pela UFS. Dentre as modalizações identificadas, os informantes se utilizaram, em sua maioria, da modalização avaliativa, remetendo-nos que nos seus textos fizeram um juízo de valor perante o conteúdo proposicional. PALAVRAS CHAVES: Modalizadores. Textos opinativos. Enem. ABSTRACT Pragmatic studies have validated the principle that language is essentially argumentative and, as such, it has linguistics elements of which the speaker use to produce your speech. Among these artifices, there are those related to linguistic modalization, which alludes to how what one says is said. Anchored in this perspective, the objective of this work is to analyze the linguistics marks used by speaker to mark your position in your text of opinion. We take as a corpus a set of 10 texts of opinion written by high school students and 06 universities students’ texts, whose focus in the discussion was centered about harnessing of grades of the ENEM, as a form of admission in the undergraduate courses offered by the UFS. Among the identified modalizations, the informers used, in your majority, the modalization evaluative, leading us to understand that in their texts they made a value judgment face with the propositional content. KEYWORDS: Modalizations. Opinionated Texts. ENEM. 1 Considerações Iniciais A linguagem é um fenômeno social e essencialmente argumentativa, da qual o homem se vale na relação com o outro, utilizando de seus ricos artifícios linguísticos para assim produzir um discurso que carregue a sua marca, a sua intenção, colocando em evidência seu 1 Graduanda em Letras, UFS, PIBIC, [email protected] Graduando em Letras, UFS, PIBIC, [email protected] 3 Doutora em letras, UFS, Orientadora PIBIC, [email protected] 2 2 posicionamento, seu comprometimento ou não com o que diz para que seu interlocutor interaja e entenda sua mensagem. Este artigo é um recorte do plano de trabalho intitulado “O espaço da modalização em textos opinativos de alunos secundaristas e universitários: o Enem como pano de fundo”, orientado pela Professora Doutora Leilane Ramos da Silva, o qual aborda o estatuto da modalização linguística, aludindo para o registro da atitude do locutor (de comando, de apreciação ou de adesão) em relação ao conteúdo proposicional que expressa. De modo geral, a presente proposta se enquadra nos estudos que tomam a linguagem em seu poder de argumentação, entendendo-se esta como característica essencial de intervenção e mediação dos sentidos dos homens entre si. Para tanto, enquadra-se, em sentido amplo, nos estudos classificados como do âmbito da Pragmática e, portanto, vê o texto como o lugar onde a intencionalidade se manifesta. Assim sendo, destaca o fato de o enunciador inscrever, nos enunciados que produz, elementos linguísticos que podem determinar o “modo como aquilo que se diz é dito”. (KOCH, 1987). Diante dessa abordagem, o presente artigo apresenta resultados da análise do uso de modalizadores em 16 textos opinativos, sendo 10 produzidos por alunos secundaristas e 06 produzidos por alunos universitários, coletados na Escola Estadual Murilo Braga e no Campus Professor Alberto Carvalho, respectivamente, situadas na cidade de Itabaiana-SE, no período de julho a setembro de 2011. O uso de modalizadores implica diretamente nos enunciados criados pelos discentes, e como são utilizados para marcar seu posicionamento perante a polêmica abordada. A seguir, apresentamos alguns dos pressupostos da teoria aqui adotada como base para aplicarmos nas análises realizadas. 2 Modalidade e Modalização Tomamos os termos modalidade e modalização como sinônimos baseados em Castilho e Castilho (1993), pois os termos estão tão intrinsecamente ligados que sua distinção e seus limites ficam difíceis de se estabelecerem concretamente. 3 Para Castilho e Castilho (1993), há sempre uma avaliação prévia do falante sobre o conteúdo da proposição que ele vai veicular, decorrendo daqui suas decisões sobre afirmar, negar, interrogar, ordenar, permitir, expressar a certeza ou a dúvida sobre esse conteúdo. (p.217) Os modalizadores são trabalhados na perspectiva de apontar o ponto de vista do locutor e sua atitude diante do ouvinte e a proposição apresentada. Assim, afirmamos que a própria enunciação já implica no ato de modalizar. Corroborando com a definição apresentada acima, Koch (2002) apresenta os modalizadores como sendo todos os elementos linguísticos que estão vinculados à produção do enunciado e que funcionam como “indicadores de intenções, sentimentos e atitudes do locutor com relação ao seu discurso”. A fim de especificar o campo teórico estudado, apresentaremos os tipos de modalidades, as quais foram utilizadas como base para a análise do corpus e suas respectivas nomeações. 2.1 Classificação das Modalidades No estudo da modalização linguística são apresentadas tradicionalmente três modalidades: alética, deôntica e epistêmica. Segundo Cervoni (1987), a modalidade alética reporta ao eixo da existência, à verdade do conteúdo preposicional. É a modalidade lógica, por excelência, sendo a deôntica e epistêmica “decorrentes de um esforço dos lógicos para levar em conta analogias evidentes que apresentam em muitas línguas a expressão do dever e do saber e a do verdadeiro (com seus diferentes graus)” (p.59, grifos do autor). De acordo com Neves (2002), as modalidades deôntica e epistêmica representam “a modalização linguística strictu sensu, isto é, a modalização ocorrente e analisável nos enunciados efetivamente produzidos” (p. 180). Para a nossa análise, usaremos as modalidades deôntica e epistêmica. A primeira dessas relaciona-se aos valores de permissão, obrigação e volição. Logo, é pertencente ao eixo 4 da conduta, sendo seus modalizadores conduzidos pela ideia de que o locutor tem a proposição como algo que precisa acontecer. Já a modalidade epistêmica, segundo Koch (2002), “refere-se ao eixo da crença”, ou seja, diz respeito ao conhecimento que o falante expressa sobre o conteúdo de seu discurso. Os modalizadores epistêmicos revelam, pois, a atitude do locutor em relação ao que vai ser dito. A modalização epistêmica é subdivida em três classes de acordo com Castilho e Castilho (1993): os asseverativos, os quase-asseverativos e os delimitadores. a) Os asseverativos constituem uma necessidade epistêmica, o que o falante considera verdadeiro ou falso do conteúdo proposicional, a maneira como o afirma ou o nega o mesmo sem deixar margem a dúvidas. Exemplos: i) afirmativos: realmente, evidentemente, naturalmente, efetivamente, claro, certo, lógico e outros; ii) negativos: de jeito nenhum, é claro que não, de forma alguma, etc. b) Os quase-asseverativos indicam que o falante não tem total certeza acerca do conteúdo proposicional, por isso não assume responsabilidade perante o que está sendo expresso. Exemplos: eu acho, eu suponho, talvez, assim, possivelmente, provavelmente, eventualmente. c) Os delimitadores estabelecem os limites em que se deve entender a proposição. Exemplos de delimitadores: quase, um tipo de, em geral, em princípio, do ponto de vista de + adj., basicamente e praticamente, etc. Além das três modalidades apresentadas anteriormente, tidas como autoafirmadas pelos estudiosos nesse campo de estudo, incluímos uma vinculada como “nova”, a qual não tem uma nomenclatura adotada fixamente. Koch (2002) afirma que a modalização “pode indicar juízos de valor”. Assim, além dessas modalizações apresentadas anteriormente, usaremos em nossa análise um “novo” tipo de modalização, a que evidencia um julgamento de valor por parte do locutor perante a proposição ou parte dela. (p.80). Tomamos a denominação estabelecida por Silva (2005), “modalização avaliativa”, pois vai além da expressão emocional do falante e indica uma avaliação dele para o conteúdo proposicional. 5 Após vermos a orientação teórica desta investigação, o tópico 3 apresentará a o Corpus que selecionamos para análise. 3 O Corpus em análise O nosso corpus consiste, como informado anteriormente, num conjunto de 16 textos opinativos, 10 produzidos por alunos secundaristas da Escola Estadual Murilo Braga e 06 por universitários do Campus Professor Alberto Carvalho, situados na cidade de Itabaiana-SE, cujo foco da escrita dos discentes voltou-se para a polêmica da adoção do resultado do ENEM, enquanto mecanismo de aferição das habilidades dos concludentes de Educação Básica, como forma de ingresso nos cursos oferecidos pela Universidade Federal de Sergipe, conforme aprovado na Resolução 027/2009/CONEPE e revogado na Resolução 068/2010, a partir de 2013. Na próxima seção, apresentamos um recorte dos textos4 selecionados para análise realizada, com apresentação da discussão do uso dos modalizadores mais recorrentes e o que implicou nos textos e no contexto abordado. 3.1 Identificação dos Modalizadores Realizamos nossa análise e classificação dos textos opinativos tomando como base os teóricos citados anteriormente neste artigo. (1) Informante (MOP 1) As novas regras, tem seus lados positivos e negativos. Eu tenho certeza que facilitara, mas a frente. Para contribuir com a (UFS). Eu acho que assim será, melhor para alguns e pessimo para os outros. Por que de acordo com as novas medidas, as notas servirão para o próximo ano de acordo com o que passou. Por exemplo a inscrição sera de R$30,00 reais e a taxa da (UFS) é de 15 por mês. Eu concordo com essa medida. Isso é para nós. Queremos uma Educação boa e não de pecima qualidade. (sic) Informante Masculino, Texto Opinativo, 1º ano do Ensino Médio. O texto opinativo (1) apresenta adjetivos avaliativos (em grifo), os quais caracterizam um juízo de valor à polêmica abordada, tais como, lados positivos e negativos, melhor e pessimo, novas, etc. 4 Os textos foram transcritos como os originais. 6 Estes adjetivos avaliativos caracterizam que há uma avaliação local dos enunciados e uma avaliação global, já que eles atribuem juízo de valor aos enunciados. No segundo e terceiro parágrafo, há uma modalização epistêmica asseverativa que se sobrepõe a uma quase-asseverativa e toda a contextualização representa uma avaliação, razão de podermos dizer que temos a modalização avaliativa global alicerçando, nesse caso, modalizações epistêmicas i) inicialmente, asseverativa (eu tenho certeza). ii) com a situação de polêmica, aparece a quase-asseverativa (eu acho), o que denota um afastamento do falante diante do que afirma. (2) Informante (MOP 2) Bom, na minha opinião, como já está citado no texto, há aspectos negativos e positivos com relação a UFS querer adotar o ENEM como exame seletivo, para que alguns possam ingressar na mesma. Entre suas vantagens, creio que para mim é uma forma mais viavel e digamos que mais fácil para ingressar na faculdade. Pois como há sitado no texto, a prova em si não vai ser focada em apenas uma respectiva matéria. Mas como há vantagens, há também suas disvantagens. Vamos ter acho que uma certa dificuldade, porque também não iremos estudar para apenas uma só matéria, e sim para várias, além do que deveremos fazer duas inscrições. Mas ainda acho legal a UFS adotar o ENEM como processo seletivo. Mas acho também que eles têm que rever essa decisão, e depois adotá-lo com cuidado. (sic) Informante Masculino, Texto Opinativo, 1º ano do Ensino Médio Este segundo texto também apresenta adjetivos avaliativos, que expressam a avaliação do locutor perante a discussão abordada, como em aspectos negativos e positivos, mais viável e mais fácil. No segundo parágrafo, o escritor faz uso do modalizador creio que que é classificado como epistêmico quase-asseverativo, revelando uma maior adesão do informante ao conteúdo proposicional. Há uma sequência de uso da modalização epistêmica quase-asseverativa nos 3º e 4º parágrafos respectivamente: acho que, ainda acho e acho também, o que expressa a falta de certeza em relação ao que fala. 7 No último parágrafo, ainda faz-se uso de um modalizador classificado como deôntico têm que, sendo o conteúdo apresentado entendido como uma obrigação a ser cumprida pelo outro. (3) Informante (MOD 12) Particularmente, sou a favor da mudança do exame que levará o estudante ao mundo estudantil avançado, ou melhor, universitário. Ainda não tive acesso a todos os termos que regem o ENEM, porém pelo que estou informando, este exame está apto a ser aplicado, senão a melhor maneira de se fazer a seleção dos alunos que entrarão na Universidade. O ENEM, é obviamente cansativo. Mas, entendo este fato não sendo um ponto rígido (rigoroso) e sim como um ponto característico flexível, que traz enormes benefícios. Outro ponto é que preciso focar, está no fato de conter, por inteiro, questões de múltipla escolha, que fará com que o participante esteja mais preparado (apto) a fazer um bom exame. Entendo também que a concorrência aumentará sem sombra de dúvida por inúmeros motivos que acho que não precisam ser ditos e sim vistos, na prática. É, portanto, através destes argumentos que descrevo a minha opinião em relação ao ENEM. (sic) Informante Masculino, Texto Opinativo, 2º ano do Ensino Médio. Para marcar que expressará sua opinião efetivamente, o informante em (3) faz uso de um advérbio modalizador delimitador particularmente e das expressões sou a favor e a minha opinião, as quais são denominadas como modalização epistêmica delimitadora. Ele utiliza-se também da modalização avaliativa, como no exemplo a melhor maneira. Neste caso seu uso remete a uma forma de avaliação favorável ao tema discutido, trazendo o adjetivo no grau superlativo a fim de convencer o leitor que a informação passada é verdadeira. (4) Informante (MOT 25) No meu ponto de vista acho que os alunos seram prejudicados com a chegada do ENEM, mas por outro lado serão beneficiado aqueles que se destacam na interpretação de textos. Acho errado usar a nota do ENEM que foi realizado no ano anterior para poder engressar na universidade. O ENEM ficará mais rigoroso do que o próprio vestibular, além de certa forma banir os assuntos retratados pela região nordeste. Com o ENEM em Sergipe a concorrência vai aumentar, com isso o alunado vai sofrer mais para entrar na UFS, acho que o ENEM trás mais prejuiso do que beneficio para os alunos de Sergipe. (sic) Informante Masculino, Texto Opinativo, 3º ano do Ensino Médio. O informante em (4) demonstra incerteza no que escreve, pois emprega muito a modalização epistêmica quase-asseverativa acho que. Os seus argumentos não dão total certeza do que está expressando e consequentemente levar o seu interlocutor a acreditar. 8 Logo, faltam argumentos persuasivos, pois o locutor não assume responsabilidade perante o que está sendo dito. Quanto ao uso da modalização avaliativa, ele usa de adjetivos “negativos” para expressar uma avaliação negativa de adotar o ENEM como forma de ingresso na Universidade. Tal constatação pode ser vista em (...) trás mais prejuiso do que beneficio (...). Aqui o locutor entende que o novo modelo adotado não será favorável, sendo-o como uma forma desigual. (05) Informante (FOT 27) Minha opinião a respeito da mudança em adotar o Enem na prova do vestibular é positiva. Segundo muitos alunos já declararam, e que eu também acho, é que a prova do Enem é boa, pois as perguntas são bem mais fáceis de entender e fala sobre varias matérias, não tem específica. Muitos alunos quando vão fazer o vestibular, antes mesmo já ficam nervosos, porque imaginam que não deve ser fácil. Já, sabendo da nova mudança principalmente quem já fez o Enem, certamente fica mais tranqüilo. Para mim está aprovada a nova mudança, se fosse eu no poder disso com certeza já teria mudado, o Enem é uma prova ampla, e facilitará, pra muitos jovens, que eu tenho certeza que também aprovaram. (sic) Informante Feminino, Texto Opinativo, 3º ano do Ensino Médio. O informante inicia seu texto empregando uma modalização epistêmica delimitadora minha opinião, a qual delimita o conteúdo a seu pensamento. Mas ao longo do texto faz uso de opiniões de outras pessoas segundo muitos alunos já declararam (...), para em seguida afirmar não com total certeza sua opinião, utilizando-se uma modalização epistêmica quaseasseverativa (...) eu também acho (...), assim não expressa certeza no que pensa. Ao longo do texto, o locutor emprega a modalização avaliativa, em geral faz uso de adjetivos ‘positivos’ para expressar suas ideias no que diz respeito à adoção da nota do ENEM para entrar na Universidade, registrando uma avaliação positiva em relação ao conteúdo proposicional, podemos perceber isso no seguinte exemplo “Para mim está aprovada a nova mudança”. No último parágrafo ele traz as expressões (...) com certeza já teria mudado (...) e (...) eu tenho certeza (...), para dar convicção da sua opinião, fazendo uso da modalização epistêmica asseverativa, a qual faz com que o leitor/interlocutor entenda a informação como verdadeira e que o interlocutor não deixou as ideias sujeitas a dúvidas. 9 (06) Informante (mos32) Em particular, gostei muito da notícia pois acredito que com mais um método de avaliação, a UFS dificultará ainda mais o ingresso na mesma fazendo assim com que os alunos se esforcem mais e se dediquem mais para participar de uma forma a conseguir disputar efetivamente uma vaga na Universidade Sergipana. Creio também que a implantação de mais um método de avaliação para entrada na universidade, não vá prejudicar o método de avaliação, levando em conta que o ENEM é uma avaliação consolidada em todo o país e fiscalizada por um órgão de respaudo nacional, apesar de alguns incidentes acontecidos nos últimos anos como por exemplo vazamento de provas. Para fechar, concluo que para que a preparação do vestibulando seja bem feita, quantas mais “peneiras” o aluno passar, mas preparado ele estará para encarar os desafios da universidade. Informante masculino, texto opinativo, nível superior. Encontramos modalizações epistêmicas asseverativas acredito que e efetivamente no 1° parágrafo e creio também, no 2° parágrafo) afirmando a certeza do locutor diante do seu enunciado. O epistêmico delimitador em particular estabelece limites frente a opinião levantada, e os advérbios avaliativos locais muito, bem feita, mais confirmam que o informante faz uma avaliação global do conteúdo e com o uso dos adjetivos manifesta uma avaliação local. (07) Informante (mos33) É fato que toda e qualquer atitude, e ou projeto que tenha como objetivo alguma melhoria no processo seletivo, o vestibular, seja bem vinda, porém, antes de simplismente dar boas vindas e agraciar o novo sistema de seleção, faz-se necessário, saber como os estudantes e as instituições de ensino vão lidar. Com a novidade, se estes, os estudantes sergipanos aceitaram tal mudança e se as escolas e cursinhos preparatórios, estão preparados para essa nova etapa. Particularmente não concordo com esse novo processo de seleção pois o Enem é um projeto nacional que foi elaborado como opção ara as instituições de ensino superior em seus processos de seleção e que não segue padrões regionais em seus critérios e assuntos avaliados, sendo assim, para que funcionasse, ou melhor, para ser implantada e adotada, essa mudança teria que ser gradativa, e o Enem adotasse critérios de prova regionalizados para ai sim, ser usado com ferramenta do processo seletivo em Sergipe. Informante masculino, texto opinativo, nível superior. No 1° parágrafo, o locutor deixa margem de dúvidas quanto aquilo que está afirmando utilizando-se dos modalizadores delimitadores que tenha, faz-se necessário e dos avaliativos locais alguma, nova, nova. No 2° parágrafo, utiliza-se ainda dos delimitadores (particularmente) e da modalização avaliativa (novo) remetendo sua posição contrária ao assunto discutido, confirmando com os modalizadores deônticos teria que ser, ai sim. 10 (08) Informante (mos34) No texto “UFS adota Enem para vestibular 2013”, mostra que serão adotadas as notas do Enem para o ingresso nas Universidades Federais, mas quais serão os verdadeiros motivos? O que realmente tem de positivo nessa mudança? As pontuações do Enem são usadas basicamente para promover bolsas para estudantes em Universidades Particulares. E as Federais tinham suas próprias avaliações para que houvessem as seleções. Só que, o governo diz que está havendo gastos e resolveram unificar esses dois sistemas sem se preocupar com o lado dos alunos. Mas todos nós sabemos que essas provas fazem parte da arrecadação dos impostos absordos que pagamos, tenho certeza, que existem desvios muito maiores que deveriam ser erradicalizados ao invez das provas. Dizem que existe o lado positivo, só se for para eles, pois pra quem vai fazer a prova, só tem a questão da quantidade. E sem falar que esse novo processo será injusto, pois é uma única prova pra toda a nação, eles não sabem que o Brasil é extenso e que tem muitas culturas e costumes diferentes. O ideal seria uma prova por região para pelo ou menos minimizar as desvantagens. Informante masculino, texto opinativo, nível superior. O informante utiliza-se da modalização epistêmica asseverativa realmente, no 1° parágrafo e tenho certeza, no 2° parágrafo), para demonstrar sua posição contrária a adoção do ENEM e com o uso dos modalizadores deônticos deveriam ser, o ideal seria apresenta aquilo que deveria ser feito segundo o seu juízo de valor perante o tema discutido. Os avaliativos locais - positivo, novo, desvantagens reforçam a posição contrária do informante. (09) Informante (mos35) Enem e vestibular da UFS Com essa nova medida, adotada pela Universidade Federal de Sergipe, que passará a utilizar as notas obtidas no Enem como principal meio para o ingresso de alunos no vestibular 2013 causará mudanças tanto na sua forma de aplicação quanto no aproveitamento dos conteúdos estudados pelos alunos do Ensino Médio. O Enem explora assuntos da atualidade, de forma contextualizada, abranjendo assim acontecimentos contemporâneos e de forma parcial os acontecimentos específicos. Devido à mudança torna-se necessário uma modificação na preparação dos alunos do Ensino Médio, onde as instituições de ensino e os professores precisam disseminar e orientar os alunos para que façam o Enem com uma boa preparação. Fica evidente que o Enem é uma ótima forma de ingresso à Universidade, por explorar diversos temas e situações da atualidade, facilitando o entendimento dos jovens em relação aos assuntos tratados. Informante masculino, texto opinativo, nível superior. Identificamos modalizações avaliativas nova, principal, meio, ótima, nas quais o informante faz uma avaliação positiva ao novo meio de exame adotado como vestibular. Há presença também de modalizações deônticas de ordem, ou seja, o informante tem convicção 11 dos seus argumentos e expressa como os professores devem preparar os alunos do Ensino Médio. (10) Informante (fos36) A mudança em relação método de seleção no vestibular a partir de 2013 não é favoravel aos vestibulandos que sonham em um dia entrarem na faculdade. A prova do Enem apresenta conteúdo amplo mas pouca avaliação em relação ao conhecimento adquirido na sala de aula. Além disso, o novo sistema de inscrição dificultá o acesso aos vestibular, ainda mais. O Exame Nacional do Ensino Medido, exige conhecimentos amplos e quase não adquiridos no proprio ensino médio, a maneira como mede a capacidade do vestibulando concerteza não colaboram muito com seu desempenho, pois as provas são difíceis de serem, interpretadas a extensas. A maneira como seram disponibilizadas as inscrições é prova de como essa substituição implantará barreiras disfarçadas em relação a entrada dos vestibulandos na universidade. Sem conta ainda que a comcorrência aumentará bastante. Dessa forma, a mudança implkantada não é favorável aos que querem entrar na faculdade, pois as provas do Enem são dificeis e amplas e dificultam a vida do vestibulando, ou seja, o acesso fica cada vez mais dificultosa. Informante feminino, texto opinativo, nível superior. Nesse texto aparecem muitos modalizadores avaliativos marcando sua posição contrária ao tema proposto. Utiliza-se também de modalizador epistêmico, indicando algo que deve acontecer precisamente. A seguir, apresentamos de maneira quantitativa os dados da classificação estabelecida. 4 Os tipos de Modalizadores identificados no corpus Do corpus analisado, pôde-se constatar a presença de 216 modalizadores, 104 classificados como avaliativos, 30 como deônticos, 23 como epistêmicos asseverativos, 34 como epistêmicos delimitadores e 25 como epistêmicos quase asseverativos, correspondentes a 48%, 14%, 11%, 11%, 16%, respectivamente. Essa distribuição, ao mesmo tempo, pode ser conferida no gráfico 01, o qual demonstra os números em forma de porcentagem. 12 Percebemos que dentre as 216 modalizações inicialmente identificadas, os informantes se utilizaram em sua maioria da modalização avaliativa, remetendo-nos que nos seus textos fizeram um juízo de valor perante o conteúdo proposicional. 5 Considerações Finais A análise do corpus nos leva a reforçar a ideia de que a língua traz diversos recursos linguísticos, e que dentre estes há a argumentatividade. Percebemos que os informantes utilizaram-se de marcas linguísticas para expressar suas opiniões e assim atingir seu interlocutor. Os textos, os quais constituíram o corpus para análise, embora escritos por alunos de níveis diferentes, ensino médio e universitários, são marcados por modalizações praticamente idênticas e a opinião se efetiva de modo a verificar a falta de argumentos do produtor do texto. Nas análises feitas foi percebida grande marca da utilização da modalidade avaliativa, na qual o locutor traça um juízo de valor perante a proposição abordada. 13 REFERÊNCIAS CASTILHO, Ataliba F. de e CASTILHO, Célia M. M. de. Advérbios Modalizadores. In: ILARI, Rodolfo (org) Gramática do português falado. 2ª Ed. Campinas – SP: Editora da UNICAMP, 1993. CERVONI, Jean. A enunciação. (Tradução de L. Garcia dos Santos). São Paulo: Ática, 1987. HOFFNAGEL, Judith C. A modalização epistêmica no processamento textual da fala. In: Koch, Ingedore G. Villaça e KAZUÊ, Saito Monteiro de Barros. Tópicos em linguística e análise da conversação. Natal: EDUFRN, 1997. KOCH, Ingedore G. Villaça. Argumentação e linguagem. 7 ed. São Paulo: Cortez Editora, 2002. KOCH, Ingedore G. Villaça. Linguagem e Argumentação. In: A inter-ação pela linguagem. 7 ed. São Paulo: contexto, 2010. p. 29-73. SILVA, Leilane Ramos da. O estatuto discursivo das CLCD(s): um diálogo com a Teoria dos Atos de Fala. Tese de Doutorado. João Pessoa: PPGL, 2005.