DESENVOLVIMENTO PONDERAL EM OVINOS DESLANADOS DO NORDESTE. Prof. Adelmo Ferreira de Santana – Caprinocultura e Ovinocultura E-mail [email protected] Departamento de Produção Animal Escola de Medicina Veterinária Universidade Federal da Bahia CEP – 40210170 Salvador – Bahia Sanderson Renato Barreto de Oliveira – Acadêmico de Medicina Veterinária Monografia apresentada como parte de conclusão do curso de Medicina Veterinária- julho/1998 1. INTRODUÇÃO O rebanho ovino do Brasil está constituído por cerca de 20 milhões de cabeças, sendo que aproximadamente 7 milhões são criadas na região Nordeste ( IBGE 1989 ).Esse total é representado pelas raças deslanadas Santa Inês, Morada Nova, Somalis Brasileira e, principalmente, pelos ovinos sem raça definida (SRD), os quais constituem o potencial da ovinocultura do semi-àrido nordestino (FIGUEREDO et al 1979). No nordeste do Brasil, a ovinocultura é um importante componente dos sistemas de produção e serve como excelente fonte de proteína animal para a alimentação humana, principalmente nas camadas mais pobres da população. Geralmente, a ovinocultura apresenta baixa produtividade, basicamente em razão das condições adversas do meio, do baixo nível tecnológico aplicado ao manejo e do baixo potencial genético das raças. O aumento da produtividade poderá ser obtido no curto ou médio prazo, com a melhoria do manejo, nutrição e controle sanitário, ou a longo prazo, com a melhoria do potencial genético do rebanho (SILVA et al 1995) SILVA et al 1964, na exploração da pecuária ovina de corte na região semi-àrida do Nordeste brasileiro há necessidade de se identificar animais de maior produtividade com vistas no melhoramento dos rebanhos, o que possibilitará aumento de abastecimento dos mercados interno e de exportação. 2 Nos programas de melhoramento de ovinos os parâmetros peso ao nascer e peso a desmama tem merecido especial destaque. O peso ao nascer é um indicativo importante da viabilidade do produto enquanto o peso a desmama revela a habilidade materna da matriz bem como a própria capacidade dos cordeiros de fazerem uso eficiente dos alimentos disponíveis (ALBUQUERQUE, ROLA 1976). O peso ao nascimento indica o vigor e o desenvolvimento intra-uterino do animal, sendo também a primeira informação importante para acompanhar o seu desenvolvimento (LOBO et al 1992). Segundo TEIXEIRA et al 1976, o peso dos cordeiros ao nascer é uma característica que tem recebido especial atenção nos planos de melhoramento da espécie, pois encontra-se relacionado com a viabilidade do produto. Esta revisão tem como objetivo buscar na literatura informações a respeito do desenvolvimento ponderal de ovinos deslanados do nordeste, bem com conhecer os principais fatores que influencia, na performance ponderal destes animais. 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1. Desenvolvimento ponderal do nascimento à desmama em diferentes raças LIMA et al 1991, avaliaram o desenvolvimento ponderal de borregos Santa Inês no Agreste paraibano de 1983 a 1990 e encontraram pesos médios ao nascer e à desmama de 3,36 e 23,6 Kg, respectivamente. No entanto SILVA et al 1995, estudaram ovinos dessa raça criados sob regime alimentar de pastagem nativa, no município de Sobral, no Ceará e encontraram pesos médios de 3,49;7,77;11,21;14,61 e 16,09 Kg para ganhos de peso, ao nascer, aos 28, aos 56, aos 84 e aos 112 dias de idade(desmama), respectivamente. Ainda em relação a raça Santa Inês BARBIERE et al 1991, trabalhando nas mesmas condições de pastagem e no mesmo local, encontraram para peso ao nascer, aos 28, aos 56, aos 84 e aos 112 dias de idade valores médios respectivos de 3,64;8,24;10,56;13,51 e 14,36Kg. OLIVEIRA 11992, analisou dados colhidos da raça Morada nova, variedade branca, criadas em pastagem nativa melhorada e pastagem cultivada no município de Pentecoste, 3 Ceará, durante o período de 1982 a 1989 e observou que o peso médio ao nascimento e à desmama (112 dias de idade) foram 2,79 e 13,10 Kg, rspectivamente. Por outro lado OLIVEIRA et al 1992, estudando ovinos dessa raça, no mesmo município, encontraram médias de pesos de 3,07 e 14,70 para peso ao nascimento e aos 112 de idade(desmama), respectivamente. Já LÔBO et al 1992, analisando dados de 226 ovinos deslanados da raça Morada Nova nascidos de agosto a novembro de 1994, no sertão do Ceará, observaram que o peso médio ao nascimento foi de 1,82 Kg. SIMPLÍCIO et al 1982, estudando o desempenho produtivo de ovelhas Somalis brasileira criadas em pastagem nativa e pequena área de capim-de-planta (Panicum) no município de Sobral, Ceará, verificaram que a média do peso ao nascer foi de 2,02 Kg e ao desmame de 10,50 Kg. Já BARBIERE et al 1991, avaliando ovinos dessa raça, no Ceará, mantidos em pastagem nativa e submetidas a uma estaçãop de acasalamento pôr ano, durante o período de 1984-1990,encontraram pesos médios de 2,39 e 14,52 Kg para peso ao nascer e peso à desmama, respectivamente. ALBUQUERQUE, ROLA 1976, trabalharam com 182 cordeiros deslanados oriundos de partos simples e gemelar filhos de três reprodutores criados em regime de pastagem nativa, no Ceará e encontraram para peso ao nascer variação de 1,8 a 4,6 Kg e peso à desmama (100 dias de idade) média de 16,7 Kg. FIGUEREDO et al 1985, analizaram peso ao nascer e peso à desmama diferentes entre os cordeiros, sendo a raça Santa Inês superior as demais raças. 2.2. Fatores que influenciam o desenvolvimento ponderal O peso ao nascer do cordeiro depende do sexo, tipo de parto e peso da ovelha à cobertura e ao parto e durante o período de amamentação, depende da produção de leite da matriz, e após a desmama, do potencial genético e manejo nutricional, relacionando-se com a raça, tipo de parto e idade da matriz ao parto ou ordem de parto (SANTANA, MARTINS FILHO 1996). Diversos fatores de ordem ambiental e ligadas ao animal podem influenciar no desenvolvimento corporal dos cordeiros jovens desde o nascimento e nas demais idades (SANTANA 1996). 4 2.2.1.Tipo de parto A influência do tipo de parto sobre a variação do peso ao nascer e nas demais idades em ovinos tem sido observada pôr vários autores, deixando claro que os animais oriundos de partos simples são mais pesados que os de partos múltiplos ( SANTANA, MARTINS FILHO 1996). SILVA et al 1995, trabalhando com características de crescimento e de reprodução em ovinos Santa Inês, no município de Sobral, Ceará, observaram que as crias oriundas de partos simples foram 19,4%; 42,8%; 40,1%; 35,7% e 31,5% mais pesadas do que as de partos duplos, ao nascer, aos 56, aos 84 e nos 112 dias de idade, respectivamente. Por outro lado SANTANA, MARTINS FILHO 1996, analisando dados colhidos das raças Santa Inês e Somalis no mesmo local encontraram peso médio ao nascimento para animais oriundos de parto simples e duplo de 3,15 e 2,31 Kg, respectivamente. PEREIRA et al 1987, trabalhando com ovinos Morada Nova, variedade branca, no município de Pentecoste, Ceará observaram que as crias nascidas de partos simples foram mais pesadas do que aquelas oriundas de partos duplos em 32,3; 11,2 e 12,6% ao nascimento, 100 e 240 dias de idade, respectivamente, não sendo notada diferença significativa para o peso aos 360 dias de idade. OLIVEIRA 1992, analisou o desempenho de ovinos dessa raça no mesmo município e concluiu que as crias oriundas de partos simples foram mais pesadas do que aquelas de partos duplos em todos os pesos, bem como para maior ganho de peso do nascimento à desmama. Enquanto LÔBO et al 1992, avaliando ovinos deslanados da raça morada Nova no município de Banabuiu, Ceará, verificaram que o efeito do tipo de parto foi significativo para peso ao nascimento, sendo que o peso médio para os animais nascidos de parto simples e parto duplo foi de 2,02 e 1,63 Kg, respectivamente. BARBIERE et al 1991, analisando informações de nascimento de cordeiros da raça Somalis no período de 1984-1990 em Independência, no Ceará, verificaram que as crias oriundas de partos simples foram mais pesadas (2,50 Kg) que as de partos múltiplos (2,06 Kg). Por sua vez ALBUQUERQUE, ROLA 1976 trabalhando com o peso ao nascer e aos 100 dias de ovinos deslanados brancos, em Pentecoste, Ceará, vericaram que os cordeiros oriundos de partos simples foram mais pesados do que os nascidos de partos gemelar nos 5 pesos estudados. A mesma tendência foi observada por MUNIZ et al 1997, que compararam o crescimento ponderal de cordeiros de diferentes genótipos no ano de 1982 e verificaram que animais nascidos de partos duplos apresentaram um menor desenvolvimento do que os animais nascidos de partos simples até o desmame. ARAÚJO NETO, SIQUEIRA 1992, trabalhando com as raças Santa Inês, Morada Nova e Barriga Negra nas condições de cerrado em Roraima, mantidas em pastagem nativa suplementada com volumoso e concentrado e observaram que os animais suplementados, produziam cordeiros com menor peso ao nascer devido ao aumento significativo de partos múltiplos influenciados pela suplementação. Estudos realizados com ovinos deslanados de várias raças constataram que os pesos às diversas idades são afetados pelo tipo de parto, sendo os animais de partos simples mais pesados que os de partos duplos (SILVA et al 1992; SIMPLÍCIO et al 1982; FIGUEREDO et al 1985). 2.2.2. Efeito do sexo da cria SILVA et al 1995, verificaram que o sexo da cria exerceu influência somente sobre o peso ao nascer, sendo que o peso médio dos machos foi 6,5% superior ao peso médio das fêmeas quando do nascimento, em ovinos da raça Santa Inês e Suffolk no município de Gália, São Paulo, verificaram que o peso ao desmame foi afetado pelo sexo do cordeiro, com os machos pesando mais do que as fêmeas na raça Santa Inês. Já LIMA et al 11987, avaliando o desempenho produtivo dos meio sangue ( F1) Santa Inês x Crioula no município de Quixadá, Ceará, no ano de 1985, verificaram que o efeito do sexo não foi significativo sobre o peso ao nascer e peso aos 56 dias, porém exerceu influência sobre os pesos aos 84 e aos 112 dias de idade. SILVA et al 1981, trabalhando com o rebanho de ovinos deslanados Morada Nova, variedade branca, no município de Pentecoste, Ceará, constataram que os machos foram mais pesados que as fêmeas no nascimento, aos 100, aos 240 e aos 360 dias de idade. Fato também registrado por PEREIRA et al 1987, que analisaram o desempenho produtivo dessa raça no mesmo município e observaram que os machos foram 4,3; 10,3;11,6 e 12,3% mais pesados que as fêmeas ao nascimento, 100, 240 e 360 dias de idade, respectivamente. Ainda 6 em relação a raça Morada Nova OLIVEIRA 1992, constatou que o peso ao nascer e à desmama foram significativamente afetados pelo sexo do animal, onde os machos foram superiores as fêmeas. Por sua vez LÔBO et al 1992, constataram que o sexo da cria influenciou significativamente o peso ao nascimento dos cordeiros da raça Morada Nova no Ceará havendo superioridade o peso ao nascimento dos cordeiros da raça Morada Nova no Ceará, havendo superioridade de 0,18 Kg dos machos sobre as fêmeas. BARBIERI et al 4, analisaram informações de nascimento de cordeiros ocorridos de 1984 a 1990 no Ceará e observaram que o efeito do sexo da cria influenciou o peso ao nascer em ovinos da raça Somalis, onde os machos foram 5,2% mais pesados que as fêmeas. Vários trabalhos com ovinos deslanados de diferentes raças relataram influência significativa sobre peso ao nascimento e à desmama atribuídas ao efeito do sexo das crias, sendo os machos superiores as fêmeas nos pesos estudados (LIMA et al 1991; OLIVEIRA et al 1992; PEREIRA et al 1987). 2.2.3. Idade da matriz ou ordem de parto A ovelha está sujeita a alterações anatômo-fisiológicas durante a sua vida reprodutiva, as quais podem influenciar no comportamento intra-uterino e na produção de leite, produzindo cordeiros com diferentes pesos (SANTANA 1996). O efeito da ordem de parição sobre o peso ao nascimento deve-se, principalmente, aos processos fisiológicos, que se fazem presente no organismos materno, referentes ao desenvolvimento, amadurecimento e senescência das estruturas(ovário, hipófise, útero, sistema cardio-respiratório e locomotor, glândula mamária, etc.) que são responsáveis pela atividade reprodutiva (LÔBO et al 1992). LIMA et al 1991, estudando os fatores ambientais que afetam o crescimento de borregos Santa Inês até os oito meses de idade no Agreste paraibano, verificaram que a influência da ordem de parição não se estendeu além da desmama. Já SILVA et al 1990, estudando a influência dos efeitos ambientais sobre as características de crescimento de mestiços Santa Inês no Ceará, verificaram que a idade da mãe ao parto exerceu efeito significativo sobre o peso ao nascer. Fato também registrado por SILVA et al 1993, onde 7 concluíram que a idade da mãe ao parto exerceu efeito significativo somente sobre o peso das crias mestiças ao nascer. Por sua vez SILVA et al 1995, trabalhando com ovinos da raça Santa Inês variedade vermelha no Ceará, observaram que a idade da ovelha influenciou positivamente o peso total das crias ao desmame. Em trabalho realizado no ano de 1994 com ovinos deslanados no Ceará, SANTANA, MARTINS FILHO 1996, demonstraram que a ordem do parto influenciou o peso ao nascer, o mesmo não ocorrendo em outras idades. Por outro lado SILVA et al 1981, observaram em ovinos da raça Morada Nova, que a idade da ovelha ao parto afetou significativamente o peso ao nascer, sendo o máximo obtido por filhos de fêmeas com 56 meses de idade. Ainda em relação a raça Morada Nova FERNANDES et al 1985, analisando dados no período de 1979 a 1984 em Quixadá, observaram que a idade da mãe exerceu efeito significativo na primeira fase de vida do cordeiro (até a desmama). SILVA et al 1990, trabalhando com mestiços Santa Inês no Ceará, observaram que o peso da mãe ao parto influenciou significativamente o peso ao nascer. Já BARBIERI et al 1991, analisaram 91 exposições de fêmeas ao acasalamento, com 78 partos e 103 nascimentos de crias de ovinos Santa Inês variedade preta, no município de Sobral, Ceará, durante o período de 1987-1989, mantidas em pastagem nativa e, encontraram valores de 31,17 a 42,12 Kg para peso à cobertura e peso ao parto, e observaram ainda que o peso à cobertura influenciou significativamente a prolificidade. Por outro lado SILVA et al 1993, analisaram o desempenho produtivo de mestiços Santa Inês mantidas em pastagem nativa no Estado do Ceará, de 1982 a 1987 e concluíram que o peso da mãe ao parto exerceu efeito sobre o peso dos cordeiros ao nascer, aos 56, aos 84 e aos 112 dias de idade, bem como entre os ganhos diários de peso nestes intervalos. A mesma tendência foi observada por SILVA et al 1995, que avaliando 313 informações de reprodução e 605 de crescimento de crias Santa Inês mantidas em pastagem nativa no município de Sobral, Ceará, durante o período de 1983 a 1991, observaram que o peso da mãe ao parto, influenciou os pesos ao nascer, aos 28, aos 84 e aos 112 dias de idade, e os ganhos de peso, do nascimento aos 28 e dos 28 aos 56 dias de idade. 8 2.2.5. Efeito do ano de nascimento O ano de nascimento tem causando variações de peso e ganhos de peso em ovinos de corte às diferentes idades. Estas variações podem ser devidas às oscilações nos fatores climáticos, principalmente pluviosidade, temperatura e umidade do ar, de ação direta sobre os animais e indireta nas pastagens, ao uso de diferentes reprodutores de ano para ano, alterando a composição e o isolamento desses efeitos são praticamente impossíveis, porém é necessário o ajustamento de dados para o efeito de ano de nascimento a fim de obter-se estimativas mais precisas dos parâmetros genéticos (OLIVEIRA 1992). BARBIERI et al 1991, observaram efeito significativo do ano de nascimento sobre o peso ao nascer, aos 28, aos 56, aos 84 e aos 112 dias de idade em ovinos Santa Inês de pelagem preta mantidos em pastagem nativa no município de Sobral, Ceará. Por sua vez SILVA et al 1995, trabalhando no mesmo município, constataram que o ano de nascimento exerceu influência na variação de peso total das crias Santa Inês desmamadas de 14,99 a 21,39 Kg, no período de 1984 a 1991. SILVA et al 1981, trabalhando com ovinos Morada Nova variedade branca em Pentecoste no Ceará, verificaram que o ano de nascimento afetou significativamente os peso do nascimento até 360 dias de idade. Ainda em relação a raça Morada Nova, PEREIRA et al 1987, trabalhando na mesma região, concluíram que o ano de nascimento influiu significativamente em todos os pesos do nascimento aos 360 dias de idade. Trabalhos realizados com ovinos deslanados de várias raças confirmaram que o efeito do ano de nascimento exerce influência significativa na variação de peso às diversas idades (SILVA et al 1993; BARBIERI et al 1991; LIMA et al 1991; Oliveira et al 1992; SILVA et al 1990; FIGUEREDO et al 1985). 2.2.6. Efeito do mês ou estação de nascimento As variações das condições climáticas entre meses ou estações influem sobre peso e ganhos de peso, notadamente por atuarem na qualidade e disponibilidade de forragens. Nas regiões tropicais, o contraste existente entre a estação seca e a estação chuvosa reflete sobre 9 o crescimento animal, principalmente, naqueles criados em condições extensivas (OLIVEIRA 1992). LIMA et al 1991, trabalhando com ovinos Santa Inês no Agreste Paraibano. verificaram que o mês de nascimento exerceu efeito significativo sobre o peso ao desmame e peso aos 8 meses de idade, e que o período de agosto-outubro é o mais adequado para monta, pois os animais estão em boas condições nutricionais e a parição irá coincidir com a época de abundância de forragens. SILVA et al 1981, verificaram que a influência da estação chuvosa para peso ao nascer e peso aos 360 dias em ovinos Morada Nova criados a campo em Pentecoste, Ceará, foi significativamente menor comparando-se com o efeito significativo maior para peso aos 100 e 240 dias de idade. Por sua vez PEREIRA et al 1987, estudaram 855 dados de ovinos Morada Nova, variedade branca, nascidos na estação das águas (janeiro-junho) e estação seca (julhodezembro) nessa região e verificaram diferenças significativas entre as estações de nascimento para peso aos 100 dias de idade, sendo os indivíduos nascidos na estações das águas 14,70% mais pesados que os nascidos na seca. Nos demais pesos estudados não foram observados diferenças significativas, mas notou-se ligeira vantagem para borregos nascidos nas águas, a exceção do peso aos 360 dias de idade. Ainda em Pentecoste, Ceará, OLIVEIRA et al 1992, constataram que os efeitos da estação das chuvas (janeiro a junho) e seca (julho a dezembro) foram significativos para peso ao nascimento e peso aos 112 dias de idade, bem como para o ganho de peso durante esse intervalo. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS Baseado nas informações dos trabalhos consultados, pode-se chegar ás seguintes considerações: Os ovinos das raças Santa Inês, Morada Nova e Somalis apresentam pesos diferentes do nascimento à desmama, existindo variações devido a particularidades inerentes a cada raça e a fatores diversos. 10 O tipo de parto exerce uma importante influência sobre o desenvolvimento ponderal em ovinos deslanados, sendo que os cordeiros oriundos de partos simples apresentam melhor desempenho do que as crias nascidas de partos duplo no intervalo ao desmame. O sexo da cria afeta significativamente a performance ponderal em ovinos deslanados com os machos obtendo maiores pesos do que as fêmeas do nascimento à desmama. A influência do peso da matriz e da ordem de parição são bastante significativos para o desnvolvimento ponderal em cordeiros deslanados, pois as condições anatômo-fisiológicas e estado nutricional da ovelha podem afetar os pesos e ganhos de peso das crias, principalmente durante a fase de amamentação. Os efeitos do mês e ano de nascimento exercem significativa influência no crescimento ponderal de ovinos deslanados, onde o desenvolvimento do animal está intimamente relacionado com as oscilações dos fatores climáticos e disponibilidade de alimentos ao longo do tempo. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. ALBUQUERQUE, J.L., ROLA, Y. B. Peso ao nascer e aos 100 dias de ovinos deslanados brancos do nordeste. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 13, 1976, Salvador. Anais...Salvador: SBZ, 1976. p. 46-47. 2. ARAÚJO NETO, R.B., SIQUEIRA, S.C.P.Peso ao nascer de ovinos deslanados das raças Santa Inês, Morada Nova e Barriga Negra em pastagem nativa suplementada e não suplementada nas condições do cerrado de Roraima. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 29, 1992, Lavras. Anais... Lavras: SBZ, 1992. p. 269. 3. BARBIERE, M. E. et al. Avaliação de alguns parâmetros produtivos e reprodutivos de ovinos Santa Inês, de pelagem preta. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 28, 1991, João Pessoa. Anais... João Pessoa: SBZ, 1991.p.594. 11 4. BARBIERE, M.E. SILVA, F.L.R., FIGUEREDO, E.A.P. Avaliação de ovinos da raça Somalis, no Ceará, II. Crescimento e mortalidade das crias. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 28, 1991, João Pessoa. Anais...João Pessoa: SBZ, 1991.p.596. 5. FERNANDES, A . A. O . et al. Fatores genéticos e ambientais como fonte de variação no crescimento de cordeiros da raça Morada Nova. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 22,1985, Balneário de Camboriú. Anais... Balneário de Camboriú: SBZ, 1985.p.174. 6. FIGUEREDO, E. A . P. et al. Estudo comparativo do crescimento de ovinos de diferentes raças no período de aleitamento, In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 22, 1985, Balneário de Camboriú. Anais... Balneário de Camboriú: SBZ, 1985. p. 170. 7. FIGUEREDO, E. A. P., SIMPLÍCIO, A.A., PANT, K.P. Evaluation of sheep breeds for early growth in tropical North-East Brazil. Tropical Animal Health Production, v.14, p.219223,1982. 8. FIGUEREDO, E. A . P., OLIVEIRA, E. R., BELLAVER, C. Performance dos ovinos deslanados no Brasil. Sobral: EMBRAPA – CNPC., 1979.32P.( Circular Técnica, 1). 9. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA(IBGE). Rio de Janeiro.V.49, 1986.739p. 10. LIMA, F. A . M., SILVA, F. L. R., SANTOS, J.W. Desempenho produtivo de ovinos Santa Inês x Crioula, criados no Estado do Ceará. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 24,1987, Brasília. Anais... Brasília: SBZ, 1987. p.322. 11. LIMA, D. et al. Fatores ambientais que afetam o desenvolvimento ponderal de borregos Santa Inês. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 28,1991, João Pessoa. Anais...João Pessoa: SBZ, 1991.p.486. 12 12. LÔBO, R. N. B., MARTINS FILHO, R., FERNANDES, A . A. O. Efeitos de fatores genéticos e de ambiente sobre o peso ao nascimento de ovinos da raça Morada Nova no sertão do Ceará. Ciência Animal, Fortaleza, v.2, n.1, p.95 – 104, 1992. 13. MUNIZ, E. N. et al. Efeito do número de cordeiros pôr parto e do sexo do cordeiro no crescimento ponderal. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 34, 1997, Juiz de Fora. Anais...Juiz de Fora: SBZ, 1997. p.266-268. 14. OLIVEIRA, S. M. P. Desempenho de ovinos da raça Morada Nova variedade branca no Estado do Ceará: parâmetros genéticos e de ambiente. Belo Horizonte, 1992.69p. Tese(Mestrado) – UFMG, 1992. 15. 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Análise de efeitos ambientais sobre características de ovinos mestiços Santa Inês, no Ceará. IN: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA. 27, 1990, Campinas. Anais... Campinas: SBZ, 1990.p.521. 24. SILVA, F.L.R. et al. Efeitos ambientais e de reprodutor sobre características de crescimento e de reprodução em ovinos Santa Inês, no Estado do Ceará. Revista da Sociedade Brasileira de Zootecnia, v.24,n.4,p.559-568,1995. 25. SILVA, F.L.R. et al. Parâmetros genéticos e fenotípicos dos pesos pré-desmama em ovinos da raça Somalis brasileira, no Ceará. Revista da Sociedade Brasileira de Zootecnia, v.23, n.3, p.377-382, 1994. 26. SILVA, F.L.R., LIMA, F.A.M., FIGUEREDO, E.A.P. Desempenho produtivo de ovinos mestiços Santa Inês, no Estado do Ceará. Sobral: EMBRAPA – CNPC, 1993. 36p.(Boletim de Pesquisa, 16). 27. SIMPLÍCIO, A . A. et al. Desempenho produtivo de ovelhas da raça Somalis brasileira no Nordeste do Brasil. 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