LEVANTAMENTO PRELIMINAR DE DIATOMÁCEAS DO RIBEIRÃO CAFEZAL DA CIDADE DE LONDRINA, PR, BRASIL Nayara Moryama (Iniciação Científica), Francisco Striquer Soares (Orientador), e-mail: [email protected] Universidade Estadual de Londrina/Centro de Ciências Biológicas Palavras-chave: diatomácea, diatomoflórula, Londrina, Ribeirão Esperança. Resumo As diatomáceas são importantes organismos algais do perifiton. Neste trabalho foi estudada diatomoflórula do ribeirão Esperança. Foram encontradas 21 espécies de diatomáceas de 14 gêneros e 10 famílias. Gomphonema jereformosum é uma citação nova para a região de Londrina. Introdução As diatomáceas (filum Bacillariophyta) são algas unicelulares com carapaça silicosa. Elas constituem um grupo biológico cosmopolita, podendo ser encontradas nos oceanos, em água doce e em superfícies úmidas. São muito importantes na cadeia trófica como produtores primários e boas indicadoras ambientais da qualidade da água (Round et al., 1990). O objetivo deste trabalho foi fazer um levantamento da diatomoflórula no ribeirão Esperança, bacia hidrográfica urbana na região sul de Londrina, PR, que é uma das fontes de abastecimento de água da cidade. Materiais e Métodos As coletas no ribeirão Esperança foram na primavera de 2008, conforme metodologia de multi-habitat (Porter et al. 1993), selecionando uma extensão de 30 m de rio, a jusante da região povoada, incluindo sedimentos consolidados (epiliton), sedimentos não consolidados (epipélico e epipsâmico) e sedimentos vegetais (epifítico e epidêndrico). As lâminas permanentes foram montadas com Naphax como meio de inclusão. Os táxons foram identificados em microscópio binocular Zeizz. Para o enquadramento taxonômico das espécies estudadas utilizou-se a terminologia genérica de Round et al. (1990) e Simonsen (1979), além de bibliografia especializada. Resultados e Discussão Abaixo listamos os táxons encontrados, as medidas e preferências ecológicas. 01) Craticula cf cuspidata (Kützing) Mann Medidas: eixo apical 77,6μm; eixo transapical 19,4μm;17 estrias em 10μm. Anais do XVIII EAIC – 30 de setembro a 2 de outubro de 2009 02) Cyclotela meneghiniana Kützing (fig.2) Diâmetro de 15,0μm, aproximadamente 8 estrias em 10μm. Preferência ecológica: Moderadamente tolerante à poluição orgânica, caracteriza ambientes em condições α-mesossapróbicas segundo Kobayasi & Mayama (1989). Sládecek (1973) classificou como indicadoras de ambientes β-mesossapróbicos. 03) Eunotia cf bilunaris (Ehrenberg) Mills var. bilunaris Medidas: eixo apical 39,8μm; eixo transapical 3,9μm; 14 estrias em 10μm. Preferência ecológica: Sládecek (1973) diz que a espécie indica ambientes oligossapróbicos. Figura 1 -Hidrografia de Londrina e o local de coleta ( ), no ribeirão Esperança (Bacia do ribeirão Cafezal). Fig. 2Cyclotela meneghiniana. Fig. 3- Frustulia vulgaris. Fig. 4- Gomphonema parvulum . Fig. 5- Gyrosygma scalproides. Fig. 6-Luticola goeppertiana. Fig. 7-Luticola mutica. Fig. 8- Melosira varians. Fig. 9- Navicula rostellata. Fig. 10:Pinnularia doeringii. Fig. 11-Pinnularia gibba. Fig. 12- Pinnularia viridis. Fig. 13-Sellaphora pupula. Fig. 14Surirella angusta. Só foram colocadas figuras de espécies com identificação confirmada. 04) Frustulia vulgaris (Theaites) De Toni (fig.3) Medidas: eixo apical 48,5μm; eixo transapical 9,7μm. Preferência ecológica: Espécie indicadora de condições β-mesossapróbicas, meso-eutróficas de acordo com Van Dam et al. (1994). 05) Gomphonema cf affine Medidas: eixo apical 65,9μm; eixo transapical 12,6μm; 8 estrias em 10μm. 06) Gomphonema cf jereformosum Medidas: eixo apical de 23,3-38,8μm; eixo transapical de 6,8 - 9,7μm; 12 14 estrias em 10μm. 07) Gomphonema parvulum Kützing (fig.4) Medidas: eixo apical de 22,3 - 27,2μm; eixo transapical 6,8-8,7μm; 11-13 estrias em 10μm. Preferência ecológica: Espécie indicadora de condições αmeso/polissapróbicas, eutróficas segundo Van Dam et al. (1994). LangeBertalot (1979), Kobayasi & Mayama (1989) e Lobo et al. (1996) tratam a espécie como altamente tolerante à poluição orgânica e portanto condições polissapróibicas. 08) Gyrosigma scalproides (Rabenhorst.) Cleve (fig.5) Medidas: eixo apical 54,3μm ; eixo transapical 9,7μm. Anais do XVIII EAIC – 30 de setembro a 2 de outubro de 2009 Preferência ecológica: Espécie altamente tolerante à poluição, condições polissapróbicas, segundo Lobo et al. (2002). 09) Luticola goeppertiana (Bleish) D.G. Mann (fig.6) Medidas: eixo apical de 17,5 - 31,0μm; eixo transapical de 5,8 - 9,7μm. Preferência ecológica: Segundo Lange-Bertalot (1979), Steinberg & Schiefele(1988) e Lobo et al. (2002) a espécie é altamente tolerante à poluição. 10) Luticola mutica (Kützing) D.G. Mann (fig.7) Medidas: eixo apical de 14,5 - 25,2μm; eixo transapical de 4,8 - 6,8μm; 15 estrias em 10μm. Preferência ecológica: Van Dam et al. (1994) traz a espécie como indicadora de condições α-mesossapróbicas e eutróficas. 11) Melosira varians Agardh (fig.8) Diâmetro de 9,7 - 14,55μm. Preferência ecológica: Lange-Bertalot (1979) afirma que é uma espécie moderadamente tolerante à poluição orgânica. Kobayasi & Mayama (1989) dizem que é uma espécie sensível à poluição. Para Lobo et al.(2002) a espécie é altamente tolerante à poluição o que indica condições polissapróbicas. 12) Navicula rostellata Kützing (fig.9) Medidas: eixo apical 37,83μm; eixo transapical 9,7μm; 12 estrias em 10μm. Preferência ecológica: Van Dam et al. (1994) trata a espécie como de ambiente β-mesossapróbicos e eutróficos. Kobayasi & Mayama (1989) diz que a espécie é sensível à poluição e Lobo et al. (2002) trata a espécie como tolerante à poluição orgânica. 13) Nitzschia cf lorenziana Grunow Medidas: eixo apical 63,0μm; eixo transapical 3μm;10 fíbulas em 10μm; 18 estrias em 10μm. 14) Nitzschia cf palea (Kützing) W. Smith Medidas: eixo apical de 28,13 - 35,89μm; eixo transapical de 4,8 - 6,8μm; 10 fíbulas em 10μm. Preferência ecológica: Vam Dam et al. (1994) traz a espécie como indicadora de ambientes polissapróbicos e hipereutróficos. 15) Pinnularia doeringii (Frenguelli) F.W. Mills (fig.10) Medidas: eixo apical de 48,5 - 56,3μm; eixo transapical de 13,6 - 14,5μm; 10 estrias em 10μm. 16) Pinnularia gibba Ehrenberg (fig.11) Medidas: eixo apical 84,4μm; eixo transapical 11,6μm; 10 estrias em 10μm. 17) Pinnularia cf obscura Krasske Medidas: eixo apical 19,4μm; eixo transapical 4,85μm; 10 estrias em 10μm. Preferência ecológica: Van Dam et al. (1994) trata a espécie como indicadora de oligossaprobidade. 18) Pinnularia viridis (Nitzsch) Ehrenberg (fig.12) Medidas: eixo apical 117,5μm; eixo transapical 20μm; 9 estrias em 10μm. 19) Sellaphora pupula Kützing (fig.13) Medidas: eixo apical de 26,3-30,0μm; eixo transapical de 7,3 - 9,7μm; 20 estrias em 10μm. Anais do XVIII EAIC – 30 de setembro a 2 de outubro de 2009 Preferência ecológica: Lange-Bertalot (1979) e Kobayasi & Mayama(1989) trazem a espécie como tolerante à poluição. Espécie indicadora de αmesossaprobidade segundo Van Dam et al. (1994). 20) Surirella angusta Kützing (fig.14) Medidas:eixo apical 31,0μm; eixo transapical 10,7μm; 8 canais alares em 10μm. Preferência ecológica: Kobayasi & Mayama (1989) e Lobo et al. (2002) consideraram a espécie tolerante à poluição. Van Dam et al. (1994) traz a espécie como indicadora de ambientes β-mesossapróbicos e eutróficos. 21)Ulnaria ulna (Nitzsch) Lange-Bertalot (fig.15) Medidas: eixo apical de 150,0 - 232,5μm; eixo transapical de 7,5 – 10,0μm. Preferência ecológica: Segundo Lobo et al.(2002) essa espécie é altamente tolerante à poluição orgânica. Kobayasi & Mayama (1989) dizem que é moderadamente tolerante à poluição. Conclusões Foram encontradas 21 espécies de diatomáceas distribuídas em 14 gêneros e 10 famílias. Os gêneros com mais de uma espécies foram Pinnularia (4), Gomphonema (3), Luticola (2) e Nitzschia (2). Gomphonema jereformosum é uma citação nova para a região de Londrina.Todos as espécies identificadas foram consideradas, por pelo menos um autor, como indicadoras de ambientes poluídos. Referências Kobayasi,H.; Mayama, S. Evaluation of river water quality by diatoms. The Korean Journal of Phycology.1989, 121-133. Lange-Bertalot, H. Pollution tolerance of diatoms as a criterion for water quality estimation. Nova Hedwigia, 1979, 64, 285-304. Lobo, E.A.; Callegaro,V.L.M.; Bender; E.P. Utilização de algas diatomáceas epilíticas como indicadores da qualidade de água em rios e arroios da região hidrográfica do Guaíba,RS,Brasil. EDUNISC, 2002, 127. Porter, S.D.; Cuffney, T.F.; Gurtz, M.E.; Meador, M.R. Methods for collecting algal samples as part of the National Water-Quality Assessment Program. U.S. Geological Survey.1993. Round, F.E.; Crawford, R.M.; Mann, D.G. The diatoms. Biology and morphology of the genera. Cambridge University Press,Cambridge, 1990. Simonsen, R. The diatom plankton of the Indian Ocean Expedition of R/V Meteor,1964-65. Meteor Forsch.-Ergeb. Reihe D-Biol.,Berlin,1974, 19, 66. Sládecek, V. System of water quality from the biological point of view. Archiv fut hydrobiology-Ergebnisse der Limnologie,1973, 7, 218. Steinberg, C.; Schiefele, S. Biologycal indication of trophy and pollution of running Waters. Wasser-abwasser Forsch.1988, 21, 227-234. Van Dam,H.; Mertens, A.; Sikeldam, J. A coded checklist and cological indicator values of freshwater diatoms from the Netherlands. Netherlands Journal of Aquatic Ecology.1994, 28, 117-133. Anais do XVIII EAIC – 30 de setembro a 2 de outubro de 2009