Maria Christina Lima Nunes Rafael Lucian De Boca em Boca Como Restaurantes devem gerenciar sua audiência em Redes Sociais 1ª Edição Recife Editora DeVry 2015 [2] [3] Catalogação na fonte Biblioteca da Faculdade Boa Viagem, Recife/PE L963b Lucian, Rafael De boca em boca / Rafael Lucian e Maria Christina Lima Nunes. -- Recife : FBV /Devry, 2015. 105 p. ISBN - . 978-85-69035-04-6 Contém Bibliografia – Livro eletrônico 1. Restaurante – Marketing digital. I. Nunes, Maria Christina Lima. II.Título. CDU 641.5 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário: Jadinilson Afonso CRB-4/1367 [4] Introdução ................................................................. 7 O Consumidor de Restaurantes ........................... 18 O Marketing Digital ................................................. 39 A Comunicação Boca a Boca ................................. 47 Os Restaurantes e as Redes sociais ................... 59 O caso Dalí Cocina ..................................................... 62 Bibliografia ................................................................ 89 [5] “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas. ” Mário Quintana De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Dedicatórias Maria Christina Lima Nunes Em primeiro lugar agradeço a Deus, pela coragem me fornecida ao longo dessa caminhada. Aos meus pais, por serem exemplos de vida, força e perseverança. Por depositarem tanta confiança nos meus passos. Especialmente a minha mãe Daisy Lima por ter me incentivado em cada momento, mesmo quando pensava em desistir. Por ser companheira de longas horas diurnas e noturnas me mostrando que sou capaz de muito mais do que eu imaginava. Rafael Lucian Esse vai para os professores Felipe Veloso, Pablo Montenegro, Danilo Galvão, Roberto Frijoles e os retirantes Diego Moura e Raphael Casotti. [7] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Introdução Como se destacar com tantos concorrentes oferecendo sempre os mesmos produtos com facilidades similares? Atualmente tudo está tão parecido que quando ocorre alguma mínima diferença os clientes se entusiasmam e rapidamente procuram disseminar o “novo”. Observando que nos produtos da cultura de massa há o controle do polo emissor, é pertinente destacar que, nos meios “pós-massivos”, os usuários têm a possibilidade de acessar, produzir e circular informação em tempo real, o que corresponde afirmar que as novas mídias, entendidas neste trabalho como as redes sociais na plataforma web, permitem a publicação e disseminação de informação espontânea, de forma não controlada por empresas. O usuário passa a ser não só um consumidor, como também um produto da própria informação. É justamente esta divulgação espontânea, o diferencial para outros possíveis consumidores na hora de escolher o seu produto. Partindo dessas premissas, o tema que será abordado aqui converge para a investigação sobre a importância da comunicação boca a boca (buzz marketing) apoiada na tecnologia digital, mais precisamente as mídias sociais, para fidelizar e conquistar clientes. O ato de consumir é uma prática essencial de toda a sociedade capitalista e consiste na necessidade de adquirir bens ou serviços para usufruí-los. Há uma necessidade de consumir desde produtos básicos a aqueles considerados supérfluos. A escolha deles varia de acordo com cada indivíduo, sendo [8] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian influenciado pelo seu conhecimento, atitude, motivação, personalidade, valores e recursos disponíveis. Configura-se aqui a primeira delimitação temática desta obra, que tem como alvo o consumidor que compra para si. A compra de um produto ou bem ocorre de forma racional quando o indivíduo compra o que precisa, pagando um valor por ele aceitável. Nesse tipo de abordagem, a transação comercial é realizada depois da análise detalhada acerca dos benefícios do produto, levando-se em consideração a sua qualidade, desempenho, durabilidade e preço, entre outros. A compra racional é geralmente associada à aquisição de bens de alto valor, como imóveis. Há outra modalidade de compra, motivada pela emoção, pelo impulso. Aqui nem sempre há uma necessidade real do produto, que termina sendo adquirido pelo apelo emocional que exerce sobre o indivíduo. Há várias estratégias de marketing aplicadas com a finalidade de destacar o produto e atrair o consumidor. Como exemplo, o caso do design diferenciado do produto, a sua disposição em local mais visível na vitrine de alguma loja ou a sua apresentação como um item em promoção. Com base nessas considerações, situa-se o segundo enfoque teórico que será abordado neste trabalho, no qual através de um fenômeno em particular posteriormente explicitado, o comportamento do consumidor será estudado, investigando-se a influência da compra pela razão e pelo impulso. [9] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian A informação é um fator decisivo no processo de aquisição de um produto, ela é inicialmente pesquisada na memória do consumidor onde o mesmo irá buscar experiências prévias registradas. A outra fonte de informação é o ambiente externo através de anúncios publicitários em panfletos, jornais, televisão, rádio, outdoors, outbus, websites, redes sociais, entre outros. Na compra de produtos básicos de consumo como alimentos, material de limpeza e higiene pessoal, o consumidor geralmente busca informação no próprio ponto de venda representado habitualmente pelo supermercado. Consequentemente, a informação dentro da loja pode exercer uma forte influência na tomada de decisão do consumidor. Atualmente, as fontes públicas de informação dominam grande parte da mídia, sobretudo na plataforma web, onde revistas, jornais, blogs e canais de televisão emitem opiniões sobre determinado produto ou serviço. Contudo, ganha cada vez mais espaço a publicidade espontânea que representa a exposição obtida por uma empresa de forma não paga nos meios de comunicação como a internet, o que ocorre de forma bastante expressiva através das redes sociais. As redes sociais são canais de relacionamento digitais, onde os membros, conectados através da internet se encontram para discutir assuntos em comum. De um modo geral essa interação se faz de modo ininterrupto. De acordo com Bill Tancer, especialista em comportamento online e CEO da Hitwise Serasa Experian (agência que oferece [ 10 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian informações sobre a interação das pessoas em websites) a estimativa é que os sites de relacionamento sejam responsáveis por 62% da atividade na internet. Neste sentido, é emblemática a pesquisa recente nominada Student's Online Usage: Global Market Trends Report, realizada com base nos depoimentos dos participantes do QS World Grad School Tour entre 2012 e evento que ocorre em diferentes cidades do mundo, promovendo o contato de estudantes e graduados com universidades de diversos países. O relatório foi baseado na resposta dos indivíduos a um questionário aplicado em 26 países da Europa, Ásia, África, América Latina e América do Norte. Três pontos chaves foram considerados: tempo gasto online, dispositivo usado para acessar a internet e preferência por redes sociais globais. O estudo mostrou que os latino-americanos se comportam de forma similar aos estudantes de outros continentes, com uma exceção: a frequência do uso das redes sociais. De acordo com a pesquisa, mais de 70% dos latinos afirmaram usar sites como Facebook, Twitter, LinkedIn, Pinterest e YouTube "o tempo todo". Entre as redes de maior uso na América Latina estão o Facebook e YouTube, obtendo em conjunto 96% das respostas para a pergunta "qual rede social você usa o tempo todo?". Na Europa, esses sites foram preferidos em 81% e 84%, respectivamente, e na América do Norte, a escolha dos mesmos ocorreu em 78% e 85%. Ainda segundo a QS, o uso do Facebook no Brasil cresce mais de 173% por ano. O Facebook é a rede social mais utilizada no Brasil, com 71,1% de usuários, seguido pelo Youtube e o Twitter, estes dois últimos com 10,5% e 1,5% das preferências respectivamente. [ 11 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Estes dados mostram com clareza que há uma mudança de hábitos das pessoas, que estão cada vez mais interagindo entre si e já não apreciam tanto receber a informação “pronta”, de modo estático como aquela veiculada pela televisão ou rádio. Este estudo compartilha do entendimento de Ardnt (1967, p.293) que conceitua uma forma específica de divulgação de um produto considerada espontânea: “o marketing boca a boca é uma comunicação de pessoa para pessoa por via oral entre um receptor e um comunicador onde o receptor percebe como não comercial a informação a respeito de uma marca, produto ou serviço”. No contexto das novas mídias, esta forma de comunicação, ausente de um “vínculo comercial”, tem se mostrado bastante eficaz com relação ao impacto entre os receptores, principalmente por proporcionar uma maior carga de confiabilidade entre os usuários que trocam tais informações. A bibliografia sobre o assunto já encontra respaldo em autores como Rosen (2001), que classifica este fenômeno como buzz marketing, por utilizar estímulos para se criar um “zumbido” (buzz) sobre um determinado produto, lembrando as abelhas quando voam de flor em flor. Em paralelo com essa imagem, os seres humanos são naturalmente falantes e assim, procuram difundir o seu entusiasmo, a sua experiência, comentando entre si sobre as qualidades ou vantagens de uma determinada marca ou serviço. Para Chetochine (2006), o buzz marketing é a própria ciência do boca a boca. [ 12 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Outros pesquisadores descrevem a importância do boca a boca no marketing, assinalando que os consumidores procuram frequentemente amigos e membros da família para obter opiniões sobre produtos e serviços. A credibilidade do boca a boca parece em principio ser maior do que as demais fontes de informação, pois há uma exposição do comunicador de forma não remunerada, que finda por colocar em risco sua própria reputação ao recomendar um produto. Este modo de promover produtos e serviços é geralmente praticado pelos próprios consumidores que relatam suas experiências, sejam elas positivas ou negativas. Já não se pode afirmar que a comunicação boca a boca em ambiente web é recente. Ainda em 1995, a Amazon introduziu as avaliações dos clientes no seu site no segundo semestre daquele ano. Seguindo o exemplo, fizeram o mesmo uma infinidade de outras empresas varejistas. Houve também o desenvolvimento de sites especializados em avaliações de produtos, dedicados a compartilhar a opinião do consumidor. Eles fornecem um registro enorme e permanente do boca a boca a respeito de quase todos os produtos e serviços imagináveis. As vantagens da comunicação boca a boca virtual são inúmeras, tais como a facilidade e a velocidade na coleta e disseminação das informações, as discussões a respeito de produtos e serviços, a troca de comentários instantâneos e o seu registro permanente. Em síntese, toda informação outrora de difícil acesso ao cidadão comum, agora pode ser encontrada [ 13 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian facilmente pelo consumidor, convertido em usuário. Outro fator multiplicador das ações na internet é a utilização crescente dos smartphones e tablets, mas, mais acessíveis à população. A comunicação boca a boca no ambiente virtual ocorre nas comunidades online, nos fóruns e nas redes sociais que operam em diferentes níveis e plataformas. Estas redes sociais devem ser entendidas de forma abrangente como interações sociais que estão presentes desde os primórdios da civilização, quando os indivíduos se reuniam para compartilhar interesses em comum, aprofundando laços de afetividade. Quando essas interações sociais acontecem no ambiente online são conhecidas como redes sociais digitais que apresentam como diferencial a interação de indivíduos independente das fronteiras geográficas, ligados por afinidades políticas, culturais e ideológicas. Para um melhor entendimento, essas redes virtuais são compostas por pessoas ou organizações que partilham informações, conhecimentos, interesses e esforços em busca de objetivos comuns. Depois da introdução do e-mail, considerado o primeiro modelo de comunicação e troca de arquivos entre os usuários da internet, houve uma evolução significativa no sistema de interação entre os indivíduos, com uma maior abrangência nas redes de contatos. Em 1995 nos E.U.A. surgiu o ClassMates, considerada a primeira rede social online, com o propósito inicial de pesquisar e possibilitar o encontro de antigos colegas da escola ou da faculdade. A partir daí vários modelos foram desenvolvidos, destacando-se em 2002 o Friendster, bastante [ 14 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian conhecido na época, possibilitando um estreitamento nas relações de amizade dos usuários com interesses em comum; esta rede possibilitava a criação e a divulgação de perfis além de listas de contatos. No ano de 2003 foi lançado o MySpace com áreas destinadas ao arquivamento de músicas, fotos e um blog que poderia ser personalizado por cada usuário. O MySpace, por ser totalmente interativo, se tornou uma das redes sociais mais populares do mundo, principalmente nos Estados Unidos da América. O Linkedin apareceu em 2003 com uma proposta diferente das demais redes sociais, tendo como foco a conexão entre profissionais ou empresários. Em 2004 foram criados o Orkut e o Facebook, sinônimos de sucesso mundial. Posteriormente em 2006 surgiu o Twitter, representando também uma das redes mais acessadas. Já o Instagram foi lançado oficialmente em 2010 e tem como diferencial a possibilidade de o usuário capturar imagens, aplicar filtros e publicá-las gratuitamente. A mais recente rede social a entrar nessa disputa é o Google+, lançado oficialmente em 2011, com 400 milhões de inscritos, mas com apenas 25% de contas ativas. Apesar do volume ainda pequeno de informações compartilhadas no Google+, a empresa aposta nesse serviço e não tem poupado investimentos no setor. Além das redes sociais, outras ferramentas de marketing digital são os blogs autônomos e os aplicativos específicos para troca de informações entre consumidores como o tripadvisor, kekanto, foursquare, foodspotting, entre outras. [ 15 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Dados da consultoria Social Bakers de 2012 apontam que o Brasil foi o país onde mais cresceu o número de usuários do Facebook com 29.723.760 de novos usuários naquele ano (BRASIL..., 2013). Segundo estatísticas do próprio Facebook divulgadas pela Reuters em 2013, o Brasil é o principal mercado latino-americano neste segmento, com 76 milhões de usuários ativos mensais até o dia 30 de junho de 2013. Estes números comprovam a importância das redes sociais como plataforma de marketing, fornecendo uma maior visibilidade do produto ou marca alvos da divulgação. Outro fator atrelado ao fenômeno das redes sociais contribuindo para a sua expansão cada vez maior é a comercialização ascendente dos smartphones nos quais o Facebook baseia a sua estratégia comercial. Pela sua complexidade, as interações nas redes sociais digitais e seus impactos no ambiente do marketing ainda se configuram como um território relativamente novo para a academia. É importante ressaltar que no cenário da gastronomia, existem peculiaridades com relação à funcionalidade do boca a boca que devem ser observadas. Neste sentido, registra-se que “quando se trata de pedir recomendações sobre lugares onde comer e beber, recorremos a pessoas cujos hábitos e gostos espelham os nossos. Se nossos amigos apreciam a comida do Restaurante, é provável que apreciemos também. Tal afirmação leva a entender que o impacto da comunicação boca a boca na escolha final dos receptores (entendidos neste contexto como potenciais clientes) tende a influenciar tanto ou [ 16 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian até mais na atitude do consumidor do que uma ação de marketing tradicional, já que este formato agrega valores subjetivos, como a familiaridade na informação e nas referências que se supõem mais sincera, pela proximidade. [ 17 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian O Consumidor de Restaurantes A busca da informação e o processo decisório de compra são algumas das etapas na escolha de produtos pelos consumidores. Simultaneamente à grande demanda de consumo, as opções de compra são inúmeras, com uma ampla variedade de marcas competindo entre si. Estes aspectos devem ser observados conduzindo a uma maior atenção dos consumidores às informações atreladas a cada produto objeto do seu desejo, antes de finalizar a compra. Na atualidade, é de extrema relevância conhecer, estudar e monitorar constantemente o comportamento dos consumidores, pois, com essa preocupação, os profissionais de marketing e gestores empresariais podem detectar oportunidades e ameaças aos seus negócios com a possível insatisfação ou recusa de seus clientes. Em princípio é a necessidade de algum produto ou serviço que desperta o desejo do consumidor, ainda que esta necessidade seja sugestionada pelo mercado. O reconhecimento dessa necessidade surge quando o indivíduo tem a percepção da situação ideal e comparando-a com a situação real, sente a necessidade de algum produto ou serviço. É o estado de desejo que implica no processo decisório e isso ocorre através da interação de diferenças individuais e influências ambientais. [ 18 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Etapas do processo de decisão de compra Fonte: Engel, Miniard e BLACKWELL (2005) O modelo de comportamento do consumidor de Engel, Miniard e Blackwell (2005) resumido no quadro anterior compreende as várias etapas do processo decisório de compra. Inicialmente, o indivíduo reconhece a necessidade de um determinado bem, passa a buscar mais informações sobre o mesmo e avalia as opções para obtê-lo. Após a compra pode haver ou não o consumo – caso ele ocorra, através de uma avaliação póscompra identifica-se se aquele produto atendeu às expectativas e satisfez a necessidade inicial. Por último, depois do produto utilizado, há o despojamento que representa o descarte do produto não consumido ou o que dele restou. De acordo com Engel, Miniard e Blackwell (2005), o reconhecimento da necessidade é a primeira etapa do processo de compra de produtos e serviços e é o resultado de uma discrepância entre o estado desejado e o estado real. Esse [ 19 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian reconhecimento pode ocorrer devido a um estímulo interno do indivíduo ou a um estímulo apresentado no ambiente. Os estímulos internos são percebidos pelo indivíduo como um estado de desconforto devido a uma carência, enquanto que os estímulos externos são aqueles que possibilitam a percepção da existência do problema. Segundo Churchill e Peter (2000), no momento em que os consumidores percebem que têm uma carência, vem o impulso para atendê-la, é o que se conhece como motivação. Para Engel, Blackwell e Miniard (2000), as variáveis que influenciam no processo de decisão de compra compreendem os fatores ambientais, as diferenças individuais e os fatores pessoais. Para Solomon (2002), o indivíduo, como consumidor, sofre influências psicológicas, pessoais, sociais e culturais. A cultura é um determinante fundamental dos desejos e do comportamento de uma pessoa. Refere-se à soma das crenças, valores e costumes aprendidos, que servem para direcionar o comportamento de consumo dos membros de uma determinada sociedade. A classe social está inserida dentro dos fatores culturais e elas correspondem a divisões relativamente homogêneas e duradouras de uma sociedade, onde os membros compartilham valores, interesses e comportamentos similares. Os fatores sociais compreendem os grupos de referência, papéis e posições sociais que acabam por influenciar o comportamento de compra. Os grupos de referência correspondem a grupos de pessoas que influenciam os pensamentos, os sentimentos e o comportamento do [ 20 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian consumidor. Kotler (1998) considera os grupos de afinidade como primários e secundários: os grupos primários são constituídos pela família, pelos amigos, pelos vizinhos e pelos colegas de trabalho, em que o indivíduo interage de modo mais informal e contínuo. Já os grupos secundários incluem as igrejas, sindicatos e profissões, onde o contato entre as pessoas é mais formal e menos constante. Os papéis e posições sociais dentro do grupo são adquiridos no decorrer da vida e segundo Kotler (1998) vão repercutir na escolha de produtos que devem comunicar a posição, o status do indivíduo. Os fatores pessoais representam as características particulares das pessoas, ou seja, momentos e vivências pelas quais um indivíduo está passando, os quais acabam por interferir nos seus hábitos e nas suas decisões de consumo. Kotler (1998) apresenta cinco elementos que constituem os fatores pessoais: idade e estágio do ciclo de vida, ocupação, condições econômicas, estilo de vida e personalidade. Considerando a personalidade, Richers (1984) afirma que a mesma é composta por uma multiplicidade de componentes tais como valores, atitudes, crenças, motivos, intenções, preferências, opiniões, interesses, preconceito e normas culturais. Estes exercem uma influência marcante no ato da escolha de um produto. Os fatores psicológicos compreendem a motivação, percepção, aprendizagem, crenças e atitudes. Como já referido anteriormente e, de acordo com Schiffman e Kanuk (2000), a motivação é a força motriz interna do indivíduo que o impele à ação, é determinada por um estado de tensão por uma [ 21 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian necessidade não satisfeita. É neste momento que surge o impulso de adquirir o produto alvo do desejo. O segundo passo no processo decisório de compra é a busca de informações sobre o bem que se deseja obter e ocorre quando as crenças e atitudes existentes são reconhecidas como inadequadas. De acordo com Choo (2003, p.66) “a busca e o uso da informação são um processo dinâmico e socialmente desordenado que se desdobra em camadas de contingências cognitivas, emocionais e situacionais”. Kinnear, Bernhardt e Krentler (1995, p. 149) afirmam que “a busca de informações levará o consumidor a armazenar um conjunto de ideias (ou grupo de marcas) que ele levará em consideração no momento da decisão da compra”. O modelo de uso de informação segundo Choo (2003) envolve três etapas: a necessidade de informação, a busca de informação e o uso da informação. Para este autor há inicialmente a sensação de inquietação pela falta de conhecimento e a sua incapacidade de dar significado a uma experiência. Essa deficiência tem como consequência a procura intencional de outras fontes de informações que possam mudar seu estado de conhecimento. Finalmente o indivíduo seleciona e processa as informações captadas que produzem mudanças na sua capacidade de vivenciar, agir ou reagir a novas informações. O resultado do uso da informação se caracteriza pela mudança no estado de conhecimento do indivíduo e na sua capacidade de agir. A relevância da informação e o seu uso efetivo dependerão de como o indivíduo avalia cognitivamente e emocionalmente a informação recebida assim como determina objetivamente a [ 22 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian sua aplicabilidade na resolução de um problema específico apresentado, respondendo a uma determinada pergunta. A busca de informação apresenta dois componentes: a informação conseguida na memória do indivíduo (busca interna) e a aquisição de informações do ambiente externo. A busca interna abrange um conjunto de processos onde o sujeito identifica, analisa e seleciona as informações relevantes na sua memória. Somente depois o indivíduo determina se há ou não a necessidade de adquirir informação adicional do ambiente externo, que incluem pessoas íntimas que já conhecem ou experimentaram o produto, fontes de marketing como propaganda e mostruário de produtos, fontes públicas como as classificações realizadas por organizações independentes sobre produtos e finalmente fontes de experimentação, onde o consumidor é estimulado a provar um determinado produto, testando-o. As principais fontes de informação da busca externa são aquelas manipuladas pela mídia e profissionais de marketing, dependentes em última análise dos fabricantes ou fornecedores do produto. No entanto, as informações mais eficazes procedem de fontes pessoais ou espontâneas, sem influência da mídia. Usualmente as fontes comerciais desempenham um papel informativo e as fontes pessoais exercem uma função legitimada, confiável de avaliação. Dentre as fontes espontâneas o chamado boca a boca é considerado uma das mais importantes. [ 23 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Ressalta-se que entre buscar informação e comprar um produto há um longo percurso. O indivíduo inicialmente é exposto às informações externas veiculadas pela mídia como outdoors e comerciais. Para exercer atração o conteúdo desse material deve ser considerado relevante para aquele consumidor em particular. Se a mensagem for aceita poderá ser retida na memória. Desse modo, em uma etapa posterior poderá emergir na busca interna de informações ao se decidir pela compra. O momento a seguir é representado pela avaliação précompra, quando o indivíduo julga determinado produto comparando os seus atributos com os padrões e especificações desejados. Essa avaliação é ditada pelas diferenças particulares de cada pessoa, dependendo das suas necessidades, valores e estilo de vida. Contudo, de acordo com Kotler (1998), outros fatores entre eles a atitude de outras pessoas, influenciam a decisão do consumidor. Exemplificando, quando o indivíduo recebe uma informação positiva ou negativa de um amigo sobre o produto que deseja adquirir, esta opinião pode alterar a sua decisão final. Outro aspecto que deve ser considerado é o comportamento dos vendedores nos pontos comerciais, pois a sua atenção e disponibilidade de solucionar as dúvidas sobre alguns itens do produto contribui para a finalização da compra. A avaliação pós-compra é obtida pela experiência na utilização do produto ou serviço pelo consumidor, que pode gerar um sentimento de satisfação ou insatisfação. A satisfação é [ 24 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian consequente à avaliação de que a alternativa escolhida foi consistente com as crenças prioritárias. A satisfação do cliente quando o bem adquirido excede as expectativas são de grande importância para os profissionais de marketing, uma vez que contribui para vendas futuras. Isso pode decorrer do senso de lealdade desenvolvido por alguns consumidores com uma marca específica de um produto ou através do seu poder de influenciar familiares e conhecidos sobre a sua experiência de compra e uso do produto. O último estágio do processo decisório de compra é o despojamento, quando após a utilização do produto, o consumidor decide como vai descartá-lo. As opções mais comuns são o descarte sumário, a reciclagem e o remarketing que tem crescido cada vez mais (venda no mercado de usados). Todas as etapas listadas acima são essenciais no processo de compra de um bem. Contudo, o foco desta pesquisa será dirigido ao papel exercido pela busca de informações nesse contexto. A busca externa de informações ocorre sob duas perspectivas. Na primeira o consumidor faz a consulta no ambiente externo apenas quando há a necessidade de compra de um produto, é a chamada busca pré-compra. A outra forma é a aquisição de informações numa base regular, contínua, independente da necessidade de compra no momento atual. O processo de busca externa pode ser dimensionado quanto ao grau, direção ou sequência. Com relação ao grau entende-se a quantificação da informação adquirida e a mensuração do tempo gasto nessa busca. Portanto, o grau da busca é [ 25 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian relacionado ao número de consultas realizadas pelo indivíduo e simultaneamente quanto tempo foi gasto nessa pesquisa. Desta forma, a busca pode ser de alto ou baixo grau de complexidade, dependendo do nível de envolvimento do consumidor com a compra; quando o envolvimento com o produto é alto, a compra necessita de reflexão e avaliação detalhada e consequentemente há um maior consumo de tempo na pesquisa das informações. A direção da busca consiste na priorização de atributos e benefícios específicos durante seu processo. Nesse tipo de enfoque há uma busca dentro das fontes de informações sobre as características do produto a ser comprado, considerando as várias marcas disponíveis no mercado. A direção da busca de informações prioriza a pesquisa dos atributos desejados e benéficos complementares, tendo como foco itens como comodidade, segurança, assistência técnica, entre outros. O estudo desses aspectos auxilia o profissional de marketing a filtrar as informações que devem ser enfatizadas numa campanha de publicidade de um determinado produto, para diferenciá-lo dos demais concorrentes. Já a sequência de busca consiste no ordenamento das prioridades no processo de coleta de informações. Inclui a análise da sequência de atributos do produto ou das marcas. É o que acontece quando um consumidor se foca em uma marca de determinado produto pesquisando todos os seus atributos para depois, numa segunda sequência, buscar os atributos do produto que deseja comprar independente da marca. [ 26 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Ainda considerando a busca de informações, essa pode se contextualizada de acordo com seu caráter em fontes comerciais e não comerciais. Ambas podem ser de natureza pessoal ou impessoal, conforme o quadro abaixo. Tipos de busca de informação Comercial Impessoal Pessoal Mídia de massa (outdoor, Vendedores nas jornal, TV, rádio, website promotores de venda, da empresa) plataformas de redes lojas, sociais da empresa Não-comercial Clientes no interior da Outros contatos sociais, loja, websites de avaliação plataformas de produtos sociais pessoais de redes Segundo o quadro acima as fontes comerciais são aquelas manipuladas pelo profissional de marketing. Consistem de publicidade, vendedores, literatura e folhetos sobre o produto, além de exposições dentro das lojas. As fontes não comerciais permanecem fora do controle dos profissionais de marketing e são representadas por amigos e outros conhecidos com experiência anterior com o produto e que aconselham sobre a compra. Estas últimas fontes são mais confiáveis. A internet [ 27 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian ocupa uma posição de destaque, uma vez que pode ser incluída nos tipos de informação comercial e não comercial, do tipo pessoal e impessoal. Tomando em consideração os elementos descritos, após o reconhecimento de uma necessidade o indivíduo fica mais receptivo à propaganda, que antes poderia ser ignorada completamente. Apesar dos seus baixos escores de confiabilidade, a publicidade pode contribuir com a exposição em destaque do produto, estimulando o consumidor a consultar outras fontes de informação que podem resultar na compra do produto (BROSSARD, 1998). Algumas vezes as decisões de compra ocorrem diretamente no ponto de venda pela influência de vendedores. A sua importância se dá no sentido de esclarecer dúvidas e negociar preços, tornando o produto mais atraente para o cliente. Há inúmeros fatores determinantes da busca de informações. Podem ser situacionais quando a necessidade de um produto é emergencial, resultando na redução do tempo habitualmente gasto na pesquisa de informações. Quando as características do produto são muito similares, independente da marca, a busca de informações pode ser menor. O valor econômico do produto é outro aspecto que deve ser considerado, onde produtos caros geram maior tempo na busca de informações pelo risco de prejuízo financeiro na sua aquisição. Há também a questão dos chamados produtos instáveis que são aqueles em constante mutação como computadores, smartphones entre outros, que [ 28 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian conduzem a uma busca mais ampla e atualizada de informações. Considerando a compra de bens e serviços, estes últimos conduzem a uma maior demanda de tempo na busca, sendo particularmente importantes as fontes pessoais. É o que acontece quando o indivíduo procura a assistência de um médico, em determinada especialidade. Entre os determinantes do varejo se configura como exemplo a distância entre as lojas, o que influencia no maior ou menor número de visitas antes da compra. Os determinantes do consumidor são as características pessoais de cada indivíduo, quanto maior o grau de conhecimento interno, menor a busca de informações de fontes externas. O envolvimento psicológico com o produto também é um importante fator na busca de informações, com um maior consumo de tempo. As crenças e atitudes dos indivíduos refletem as suas decisões como consumidor. Para alguns comprar é uma atividade temida e consequentemente minimizada o máximo possível, enquanto outros transformam em verdadeiro ritual e prazer o ato de comprar. Habitualmente, quanto maior for o desejo por determinado produto, mais intensas serão as buscas. A relação custo-benefício também desempenha um papel importante para guiar a busca. Características demográficas como faixa etária, gênero e outros determinantes representam fatores que influenciam na busca de informações e compra. Assim, os indivíduos idosos geralmente pesquisam menos antes [ 29 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian de comprar, porque são fiéis a determinadas marcas que já consomem há muitos anos. Outro modelo determinante são os consumidores mais instruídos que possuem uma maior habilidade para buscar através de diferentes meios as informações requeridas. Apesar de a busca e avaliação pré-compra serem estágios separados, é importante entender que eles são interligados: uma busca mais profunda de informações resultará numa melhor avaliação pré-compra, quando comparada a uma pesquisa superficial ou inadequada. Através da busca é que se obtêm as respostas importantes para a tomada de decisão. Com relação aos atributos do produto na decisão de compra (por exemplo, utilidade, desempenho, confiabilidade, durabilidade, preço, acabamento, inovação, vínculo cultural entre outros) estes são considerados itens relevantes. Muitas vezes, a importância do fator “preço” é superestimada, uma vez que a satisfação pela qualidade do produto pode suplantálo. Outro aspecto importante no processo de decisão de compra diz respeito não somente à escolha do produto, mas também à seleção da marca. Segundo Kotler e Keller (2006) o produto representa qualquer coisa que pode ser oferecida a um mercado para aquisição ou consumo, incluindo objetos físicos, serviços, personalidades, lugares, organizações ou ideias. A marca, de acordo com a American Marketing Association, é definida como um nome, termo, signo, símbolo ou desenho, ou a combinação destes elementos, com a intenção de identificar [ 30 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian os produtos e serviços de um vendedor, ou vendedores, e diferenciá-los dos concorrentes. Kotler e Keller (2006), por outro lado, consideram a marca uma oferta de uma fonte conhecida. Em algumas ocasiões, a marca se converte em um sinônimo da qualidade do produto. Este fenômeno acontece quando algumas marcas criam vantagens competitivas adquiridas pelo desempenho excelente ou características inovadoras dos seus produtos e passam a liderar dentro da sua categoria por décadas. Nesse caso, algumas marcas chegam a se confundir com a própria categoria, fato bem demonstrado pelas marcas Gillette, Jeep e Lego entre outras. O posicionamento da marca no mercado não é apenas o resultado da qualidade do produto que representa, mas envolve ainda a aplicação de inúmeros recursos de comunicação com o objetivo de ampliar a consistência da mensagem da marca. Ainda de acordo com Kotler e Keller (2006), o posicionamento integra os três fatores que determinam o futuro de uma empresa: estratégia competitiva, domínio setorial e atributos da marca. Finalmente, do ponto de vista do consumidor, é interessante observar que as marcas “conhecidas” são consideradas habitualmente “boas marcas” e são percebidas como sinal de status para os indivíduos que as adquirem. A saliência dos critérios de avaliação é a influência potencial que cada atributo pode exercer durante o processo de [ 31 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian comparação e compra. Se a influência potencial se materializa ou não, depende de como os consumidores percebem o desempenho das alternativas em julgamento, ao longo de um critério de avaliação. Os atributos salientes são comumente chamados de “atributos determinantes”. Os determinantes de critérios de avaliação podem ser diversos. A motivação da compra é um determinante forte. Considerações utilitárias causam mais pesquisa e avaliação do produto, já a consideração hedonista termina eliminando esse passo pela sensação ou emoção embasada na compra de determinado produto. Quanto maior o envolvimento dos consumidores com a decisão de compra, maiores serão os critérios de avaliação. Consumidores se baseiam mais fortemente no nome da marca ou recomendações de terceiros quando não têm o conhecimento necessário para avaliar a qualidade do produto diretamente. Os consumidores também recebem uma influência muito forte dos fatores situacionais. Segundo Churchill e Peter (2003), estes compreendem ambiente físico, ambiente social, tempo, tarefa (razões de compra) e as condições momentâneas. Quando um indivíduo sente fome e no local onde se encontra não é possível a transação por cartão de credito, apenas em dinheiro, a sua escolha por um determinado alimento resulta do numerário em espécie que possui naquele dado momento em particular. Este exemplo traduz uma condição momentânea no contexto dos fatores situacionais. Quando a compra de um produto se destina a terceiros, o valor da compra pode ser [ 32 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian influenciado pelo grau de afetividade com o indivíduo presenteado. Neste caso, a tarefa (razões da compra) é o fator situacional envolvido. Na similaridade de alternativas de escolha, ou seja, quanto mais similares os produtos, maior importância será dada ao preço. Deste modo, fornecedores que desejam vender produtos mais caros devem provar que fornecem produtos diferenciados. Nas alternativas situacionais dentre as quais deverá ser feita uma escolha, existe o conjunto de consideração (conjunto de evocação), que já está na memória do consumidor, referindose a marcas específicas dentro de uma categoria de produtos. Profissionais de marketing devem, portanto, agir para conseguir que seus produtos sejam alvo de consideração durante a tomada de decisão. Quando não há informação suficiente na busca interna, o consumidor terá que buscar informações externas para criar um conjunto de consideração, o que, muitas vezes, é realizado através de consultas a outras pessoas, páginas amarelas das listas telefônicas, revistas especializadas, pesquisa de todas as marcas do produto na loja, entre outras. A escolha entre as alternativas de compra é realizada conforme já descrito, com base na avaliação do conjunto de evocação. A seguir a escolha é decidida de acordo com a saliência dos critérios de avaliação e regras bem estabelecidas. Quanto às regras de decisão, compreendem as regras não compensatórias [ 33 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian e as compensatórias. A regra de decisão não compensatória é aplicada na escolha de produtos com pouco envolvimento do consumidor, onde fortes crenças quanto a um atributo podem vir a não compensar as crenças fracas em relação a outro atributo. Este tipo de decisão simples é mais provável de ocorrer quando se considera a escolha na compra de produtos repetitivos. Uma regra simples pode ser condensada no pensamento: “se é caro é melhor”. Entre as regras não compensatórias são incluídas as lexicográficas, onde o consumidor coloca os atributos de dois produtos em ordem de importância e escolhe o produto melhor avaliado no atributo considerado mais importante. Em caso de empate recorre ao segundo atributo mais importante, e assim por diante. Já as regras de decisão compensatórias, conforme Solomon (2011), elas são geralmente utilizadas na tomada de decisão na compra de produtos onde o consumidor se sente particularmente envolvido emocionalmente. Estas regras de escolha são mais elaboradas ou complexas, exigindo um maior esforço de processamento. Nas regras de decisão compensatórias mesmo que um atributo não consiga atingir a expectativa do consumidor, os seus outros atributos compensam essa falha. As regras compensatórias dividem-se em aditiva simples e aditiva ponderada: na aditiva simples o consumidor analisa todos os atributos do produto fornecendo uma nota para cada atributo; a seguir é calculada a soma das notas de todos os [ 34 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian atributos, sendo obtida a nota final. O produto com o maior escore será o escolhido. Na regra aditiva ponderada, é estipulado um peso para cada atributo considerado relevante pelo consumidor, este peso é considerado junto com a nota dada para cada atributo, e no final o produto escolhido é aquele com a maior soma nos atributos ponderados. No processo de decisão pela escolha do produto, muitas vezes é utilizado o critério de corte que é uma delimitação das restrições conforme a vontade do consumidor. Compreendem as regras de decisão não compensatória conjuntiva, disjuntiva e eliminação por aspecto. Na primeira, o consumidor estabelece um critério mínimo aceitável para um ou mais atributos do produto, como ponto de corte. Qualquer produto que não alcance este padrão mínimo é descartado. Se no final desse processo houver mais de um produto, o consumidor realiza outro processo enfocando outro atributo, para fazer a sua escolha. A regra disjuntiva é similar à regra conjuntiva já que também estabelece um limite mínimo aceitável. Porém na regra disjuntiva qualquer produto que supere o nível mínimo em qualquer atributo é considerado como prioritário na hora da escolha. Na eliminação por aspectos é utilizado o processo lexicográfico, porém agora com cortes. Se o produto for bom no atributo necessário, mas não passar no corte, a marca é descartada na tomada de decisão. [ 35 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Existem estratégias de decisão em fases, também, que ocorrem quando existe o uso sequencial de pelo menos duas regras de decisão diferentes para lidar com as diversas alternativas de escolha. Há várias etapas eliminatórias onde as marcas que levarem ponto de corte não irão para a fase seguinte. Os conceitos de processamento por marca (PPM) e processamento por atributo (PPA) são muitas vezes aplicados como parâmetros na compra de determinados produtos. O PPA reúne informações de várias marcas diferentes, contanto que tenham os mesmos atributos, já o PPM coleta todas as informações possíveis de uma só marca, para então passar às outras. As regras de decisão na escolha por determinado produto ou marca podem ser construídas no momento da decisão e armazenadas na memória, especialmente quando o resultado da escolha se mostrou satisfatória. Em um momento futuro, quando houver necessidade de compra do mesmo produto, será realizada a busca interna de informações, cancelando-se a necessidade de se estabelecer novas regras de decisão. É o que se conhece como referencial de afeto pelo produto ou marca. Existem duas estratégias básicas de investimento e comunicação de marketing: empurrar e puxar (push and pull). A estratégia de puxar consiste em investir pesadamente em campanhas voltadas aos consumidores, para que seja criada demanda pelos produtos nos canais de venda. Ou seja, o consumidor é “bombardeado” por meio da mídia, gerando [ 36 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian demanda pela marca e forçando os varejistas a comprarem os produtos. Essa estratégia é a mais comum. Estratégia de investimento e comunicação de marketing: “puxar” Enfoque no cliente A segunda estratégia, de empurrar, consiste em investir nos canais de distribuição tornando-os responsáveis para atrair os consumidores. Esta é a forma mais utilizada para os produtos com pouca diferenciação entre marcas, como é o caso do arroz, sal de cozinha entre outros. Nesse caso, o trabalho eficaz nos canais de venda se torna um elemento chave para que o consumidor compre e encontre o produto disponível. Vale ressaltar que as promoções de vendas ampliam o espaço da estratégia de empurrar. Estratégia de investimento e comunicação de marketing: “empurrar” [ 37 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian O Marketing Digital Em linhas gerais, marketing pode ser conceituado como os esforços das empresas em informar e comunicar. De acordo com Kotler e Keller (2006), o marketing pode ser visto como a identificação, a criação, a comunicação, a entrega e o monitoramento do valor para o cliente. Outra definição mais [ 38 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian detalhada e atualizada é aquela da AMA que diz que o marketing representa uma função organizacional e uma série de processos para a criação, comunicação e entrega de valor para clientes, e para a gerência de relacionamentos com eles de forma que beneficie a organização e seus stakeholders. O foco do marketing agora são os clientes, aqueles que compram os produtos e não os que vendem. Considerando especificamente o marketing virtual ou digital, este pode ser definido como um conjunto de estratégias e ações utilizando ações tecnológicas, ou melhor, a informática e especialmente a internet, tendo como objetivo uma maior eficácia na comunicação com o público. No marketing virtual, os dispositivos conectados à internet são utilizados na realização de ações promocionais, que têm a finalidade de divulgar produtos, negócios, serviços ou atributos de marca. A internet, a maior fonte de informação em nível global, tem como características adicionais e diferentes das mídias tradicionais, o acesso livre à informação, a rapidez na divulgação das informações e a possibilidade de interação entre os usuários através de várias ferramentas como e-mail, redes de relacionamento, entre outras. Com a disponibilidade de tais recursos, há uma mudança no comportamento do consumidor, passando de elemento passivo para participar [ 39 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian ativamente, gerando informações úteis às empresas que disponibilizam os produtos e serviços. As empresas, agências de publicidade e profissionais liberais representam alguns dos setores que perceberam o potencial da internet na divulgação dos seus produtos e ideias, passando a utilizá-la em massa. Esta expansão não tem limites, já que continuamente as agências de publicidade e marketing exploram e desenvolvem novas estratégias para atrair o público. O marketing virtual, por sua vez, apresenta as seguintes propriedades: interação, relacionamento, mobilidade, agilidade e tecnologia. Com o desenvolvimento tecnológico um elemento foi adicionado a esse marketing virtual, o telefone celular. Este dispositivo que tem na mobilidade a sua característica mais atraente fornece uma maior visibilidade ao marketing virtual, utilizando recursos como SMS, MMS entre outros. Com a internet, o comportamento de compra foi mudado drasticamente: os clientes podem agora pesquisar online tudo que desejam e inclusive finalizar a compra no mesmo local. A mídia eletrônica interativa permite que literalmente, qualquer um, vasculhe o mundo e faça pedidos de acordo com a sua comodidade e conveniência. Nunca antes na história da humanidade tantas pessoas tiveram a possibilidade de encontrar tantas informações sobre tantas coisas em um único [ 40 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian local. Por outro lado, o uso da internet como ferramenta importante na busca de qualquer tipo de informação deixou de ser uma novidade e se tornou um hábito para as pessoas em qualquer parte do globo. O marketing soube identificar nessa rede mundial de computadores um potencial canal de promoção e distribuição de produtos e serviços. O marketing virtual é calcado nos mesmos conceitos do marketing tradicional onde os indivíduos têm as suas necessidades identificadas e supridas através da criação, divulgação, oferta e troca de produtos. O e-marketing, contudo, apresenta como vantagens o seu baixo custo com possibilidade de participação de pequenas empresas, a disponibilização de um espaço praticamente ilimitado para a propaganda, o acesso rápido e a sua abrangência independente da área geográfica. A maioria das empresas precisará alterar drasticamente os alicerces que as guiaram até aqui, reformulando seus conceitos. Lojistas estão sendo forçados pelos compradores a repensarem seus negócios e a oferecer aos clientes o que eles esperam na forma de serviços, variedade e assistência de venda. [ 41 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Muito se fala atualmente sobre o marketing digital. Há sete estratégias bem conhecidas como as principais formas deste tipo de marketing. As sete estratégias do marketing digital Conteúdo Publicidade Monitoramento Mídias Sociais Mailing Viral Pesquisa A estratégia referida como conteúdo engloba a produção de material relevante em sites ou em alguma rede social com o objetivo de oferecer aos consumidores conhecimento sobre diferentes temas, ampliando a exposição da empresa na ferramenta de busca. Com relação às redes sociais no âmbito digital, Kozinetz (1998) considera que uma comunidade representa um grupo de pessoas que compartilham interações sociais, laços sociais e [ 42 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian um "espaço" comum, ainda que mediado por um computador. As interações online afetam cada vez mais o comportamento das pessoas como cidadãos, membros de comunidades e consumidores. Segundo Kozinetz (1998), as comunidades virtuais de consumo são um subgrupo específico de comunidades virtuais, cujos interesses são explicitamente centrados em consumo; neste tipo de comunidade, a conversa mais informal entre os participantes amplia a exposição da marca e o relacionamento com o cliente. A premissa é que o cliente satisfeito compartilha com seus amigos a satisfação obtida com determinada empresa e isso gera benefício direto e visibilidade de forma econômica e eficaz. Comunidades virtuais como o Facebook e o Twitter além de possibilitar o encontro com estranhos apresentam um diferencial em relação a outras mídias, pois dão ênfase à articulação e visibilidade de redes sociais pré-existentes. O e-mail marketing é outra ferramenta, poderosa quando direcionada para campanhas específicas. O marketing viral também tem a finalidade de divulgar a marca e é realizado através de ações criativas que despertam emoção no públicoalvo. A palavra viral se refere, de acordo com Godin (2000), a uma ideia-vírus, ou seja, uma ideia intrigante, irresistível, que chama a atenção do indivíduo e que desperta no mesmo o desejo de compartilhá-la. É o que acontece quando se envia um videoclipe ou uma mensagem pela internet a um determinado [ 43 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian alvo. A mensagem deve ser curiosa, engraçada, com a finalidade de despertar algum tipo de emoção no indivíduo estimulando-o a compartilhá-la, o que ocorre através do reenvio para outros indivíduos, e assim sucessivamente. A publicidade online tradicional é mais similar à antiga publicidade convencional, sendo utilizados geralmente banners em sites importantes para aumentar a visibilidade da marca. Quanto à ferramenta de pesquisa online é outra estratégia que visa conhecer melhor o perfil do consumidor e entender as suas necessidades e motivações de compra. O sucesso do marketing virtual é aferido através do monitoramento dos resultados do conjunto das diferentes estratégias utilizadas, sendo um subsidio imprescindível para possíveis reajustes das mesmas tornando-as mais eficientes. Neste estudo o enfoque será dado às mídias sociais, precisamente o Facebook, uma vez que exerce uma forte influência na propagação da comunicação boca a boca. No Facebook as interações entre os participantes ocorrem sob a forma de perfil ou linha do tempo pessoal, páginas de fãs e grupos. As páginas de fãs (fanpages) são utilizadas por uma organização ou empresa para marcar presença no facebook. Com relação às diferentes ferramentas utilizadas pelo facebook [ 44 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian e de particular importância na fanpage, merecem destaque o feed de notícias e o botão “curtir”. O feed de notícias avalia os seguintes parâmetros: 1. Afinidade, ou seja, o nível de interação do usuário com a pessoa ou organização que criou o conteúdo, obtido através da análise do número de interações das pessoas que visitam a fanpage, deixando mensagens no mural, visualizando fotos, curtindo, comentando ou compartilhando conteúdo; 2. Relevância, quantas interações (comentários, “curtidas”, compartilhamentos) o conteúdo gerou; 3. Tempo, há quanto tempo o conteúdo foi postado. Mensagens mais novas possuem prioridade e são exibidas à frente das mensagens mais antigas. A Comunicação Boca a Boca O conceito de comunicação boca a boca tradicional é discutido por diferentes autores. Em um dos primeiros trabalhos relevantes sobre o tema, Arndt (1967, p. 190) definiu boca a boca como “uma comunicação oral e pessoal entre um emissor [ 45 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian percebido como não comercial e um receptor, tratando de uma marca, um produto ou um serviço oferecido para venda”. De acordo com Engel, Miniard e Blackwell (2005) na comunicação boca a boca ocorre a transmissão informal de ideias, comentários, opiniões e informações entre duas pessoas, ressaltando-se que nenhuma delas é um profissional de marketing. Para Sernovitz (2012, p. 29), a comunicação boca a boca é “dar às pessoas um motivo para falar a respeito dos seus produtos ou serviços, e tomar medidas para facilitar a ocorrência dessas conversas”. O processo boca a boca é certamente a forma mais antiga de comunicação de marketing porque pressupõe a troca de informações positivas ou negativas diretamente entre indivíduos, sem a necessidade de suporte de meios. A pesquisa de marketing sobre a comunicação boca a boca começou na década de 1940, após a Segunda Guerra Mundial (BUTLE, 1998) e nos últimos anos o tema tem sido objeto de múltiplos estudos no campo de marketing. De um modo geral os estudiosos definem o fenômeno como um intercâmbio, um fluxo de informação, comunicação ou conversa pelo menos entre dois indivíduos. A comunicação boca a boca se fundamenta nas teorias do fluxo de informações que podem ser de dois tipos: na primeira, a informação caminha em duas etapas (teoria do fluxo de duas etapas) migrando em uma única direção, no sentido dos veículos de comunicação para os indivíduos formadores de opinião e daí para a massa de consumidores. Já a teoria do fluxo multicanal de informação, considera que a mídia atinge [ 46 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian tanto os líderes de opinião quanto as massas, despertando nas pessoas a atenção sobre a existência de um produto. Essa busca, segundo Arndt (1967), de consultar a opinião das pessoas para confirmar opiniões de fontes impessoais como a mídia e a transmissão dessa recomendação de uma pessoa para outra é chamada de boca a boca. Outros autores consideram que o fenômeno da comunicação boca a boca se explica através da força dos laços ou das relações sociais, a inter-relação entre as mesmas e seu fluxo de informação. Nesta teoria, os indivíduos com atributos similares como idade, sexo, educação, status social e outros traços, habitualmente se atraem e trocam mais informações entre si do que as pessoas que não têm muito em comum. Esses laços ou relações podem ser de dois tipos: de forma e de conteúdo. A forma indica a força de ligação entre os laços e o conteúdo representa a informação ou mensagem transmitida de uma pessoa para outra. Os laços também podem ser divididos em primários e secundários. Os laços primários ou fortes são caracterizados pelas interações frequentes que ocorrem geralmente entre familiares e amigos próximos. Os laços secundários ou fracos, por outro lado, representam os contatos que se estabelecem entre conhecidos, como participantes de uma igreja ou associação. Estes laços interagem entre si. Laços fortes criam pequenas redes onde circulam informações, que são ampliadas pelos laços fracos que criam pontes entre essas redes ampliando imensamente o seu alcance. Os laços fracos são responsáveis [ 47 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian pela difusão da informação, possibilitando a expansão do seu alcance. Os laços fortes têm maior poder de influenciar no processo de decisão do consumidor, devido ao seu caráter mais acessível e confiável. O boca a boca é uma das formas mais confiáveis de promoção, porque as pessoas que não têm nada a ganhar pessoalmente em promover algo, colocam muitas vezes a sua reputação em risco a cada vez que fazem uma recomendação. As fontes das informações consideradas mais confiáveis pelo consumidor são representadas por familiares e amigos, e são mais influentes na escolha de serviços como assistência médica, restaurantes e escolas. Para que o consumidor seja considerado participante de uma conversa tipo boca a boca a mensagem que está sendo transmitida e o meio de transmissão da mensagem devem ser desvinculados ou independentes da influência da companhia que o lançou no mercado. Para Godin (2000), o consumidor está saturado das formas clássicas do interruption marketing, uma prática que visa bombardear o cliente, o alvo, com publicidade, promoções e estímulos de todos os tipos até interromper o fluxo do seu raciocínio e de seus hábitos e fazê-lo sucumbir à oferta imposta. Esse autor propõe uma mudança nesse pensamento, introduzindo o chamado marketing de permissão, onde é o cliente que procura e solicita as informações sobre o produto que deseja à empresa, para se convencer a comprar o produto ou marca. [ 48 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Entre as formas de marketing de permissão, Rosen (2001) considera que a melhor maneira de divulgar ou vender produtos e serviços é aquela em que os consumidores comentam entre si (comunicação boca a boca) sobre as qualidades e vantagens daqueles itens. Em seu livro de referência, Rosen (2001) descreve o buzz marketing como a organização industrial do rumor, do boca a boca, em favor de uma marca ou de um produto. Este modelo de marketing parte do princípio que todas as pessoas se comunicam constantemente, “tecendo” comentários sobre os mais diferentes temas, opinando, concordando, discordando, enfim difundindo ideias. Neste ponto é importante fazer a diferenciação entre o chamado boca a boca orgânico e o boca a boca amplificado ou de influência linear. O primeiro é aquele que ocorre quando as pessoas falam a respeito de um produto unicamente porque estão satisfeitos com ele, sem a influência direta ou monitoramento do profissional de marketing. Já a comunicação boca a boca amplificada se desenvolve quando há uma tentativa dos profissionais de marketing de encorajar e acelerar o fenômeno. Neste modelo alguns consumidores são vistos como potenciais “líderes de opinião” que podem disseminar e influenciar de modo mais rápido a mensagem inicial. Este tipo de marketing diz respeito à utilização de técnicas orientadas para incentivar e ajudar as pessoas a falarem umas com as outras sobre produtos e serviços, porém sem jamais manipular ou falsificar informações. Há inicialmente um [ 49 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian estímulo para capturar a atenção do consumidor que se torna um agente de venda, transformando-o de um receptor passivo para um emissor ativo que passa a influenciar a sua rede social. De uma forma simples, pode-se dizer que o marketing boca a boca é atuar na conversa de maneira a fazer com que as pessoas falem sobre você. Um exemplo é quando um produto ou serviço é apresentado a pessoas influentes, formadoras de opinião, na expectativa delas apreciarem o produto, divulgarem a sua opinião no seu círculo de influência estimulando o boca a boca. Através do respeito e aprovação dos clientes, eles farão o boca a boca sem exigirem qualquer compensação financeira. As comunicações boca a boca podem ocorrer de modo presencial ou através de outros meios de comunicação como telefone e internet. Há fontes pessoais e impessoais de recomendações. No primeiro grupo são incluídos os amigos e a família. Os veículos de marketing boca a boca impessoais compreendem artigos e comentários de jornalistas, consumidores e experts encontrados em jornais, revistas, publicações especializadas e fóruns de discussão online. Novamente aqui, ressalta-se que os consumidores não devem perceber qualquer intenção comercial ou de propaganda por trás das recomendações; se isto ocorrer essas comunicações não representa boca a boca. É este lado informal e independente do boca a boca que o torna único. [ 50 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Com o advento da internet, o boca a boca tem recebido novas terminologias. Assim, tem sido empregado por alguns autores como sinônimos de marketing viral, e-mail marketing, boca a boca internet, boca a boca eletrônico e boca a boca digital. A internet é o componente central deste tipo de marketing sendo o elemento que o distingue do boca a boca convencional. A internet possibilita uma comunicação mais intensa e de forma mais rápida, em razão das facilidades de interligação entre as pessoas. No boca a boca eletrônico os consumidores realizam negócios com as empresas somente depois de comparar as informações oficiais provenientes das empresas, com aquelas não oficiais derivadas de outros consumidores, veiculadas nos canais virtuais de consumo. Cada consumidor atua como parte da comunicação do marketing, ação esta potencializada pelo efeito multiplicador da internet. No marketing viral há um estímulo inicial induzido pelo praticante de marketing que captura a atenção do consumidor tornando-o um agente de venda que por sua vez passa a influenciar outros consumidores e assim sucessivamente. A internet amplia o alcance da mensagem através de inúmeras ferramentas já registradas anteriormente, entre elas as redes sociais. Um aspecto importante da comunicação boca a boca digital é que a mensagem e os comentários dos participantes por ser escritos, permanecem no tempo, arquivados, podendo ser consultados por outros usuários. No boca a boca eletrônico os participantes podem não ter vínculos ou relações prévias entre si representando laços fracos, portanto, conferindo menor credibilidade à mensagem [ 51 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian divulgada. Este aspecto o diferencia da comunicação boca a boca tradicional que é mais confiável. No quadro a seguir apresentam-se as principais características pertinentes à comunicação boca a boca tradicional e virtual. Conforme já referido, observa-se que esta última tem um maior potencial de abrangência, disseminando-se de modo mais rápido em função da multiplicidade de ferramentas disponíveis. Contudo, ressalta-se a maior credibilidade da comunicação boca a boca tradicional devido à maior confiabilidade das fontes de informação. Características da comunicação boca a boca tradicional e virtual [ 52 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Há divergências conceituais no que se refere ao buzz marketing. Enquanto Rosen (2000) o considera como qualquer boca a boca a respeito de uma marca, outros autores o definem como uma iniciativa produzida pelo marketing com a intenção de capturar a atenção das pessoas e criar o boca a boca. Não é fácil delimitar teoricamente marketing viral do buzz marketing, sendo muitas vezes aplicados como sinônimos. Contudo, alguns autores apontam o buzz marketing como o efeito obtido pelas ações do marketing viral, que podem ser complementadas por outras estratégias inclusive envolvendo o marketing tradicional. A internet e o desenvolvimento de inúmeras ferramentas têm contribuído indiscutivelmente para [ 53 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian a disseminação da prática do boca a boca, ou seja, do buzz. Esse veículo permite uma comunicação mais ampla, mesmo entre pessoas que não se conhecem pessoalmente. Outro aspecto importante do boca a boca virtual é a sua velocidade, disseminando informações quase que instantaneamente. Através da internet pode ser oferecida uma plataforma para agregar as pessoas que falam dos produtos ou serviços oferecidos por uma determinada empresa, dando uma maior visibilidade a uma conversa que sempre existiu. As redes sociais online assim como os blogs são exemplos dessa nova tendência do boca a boca no mundo virtual, representando um espaço para que as pessoas compartilhem as suas ideias. O boca a boca virtual também tem como uma característica relevante a possibilidade de rastrear e avaliar as opiniões emitidas online. [ 54 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Razões para a divulgação interpessoal de produtos e serviços Você Diz respeito aos produtos e serviços: O negociante e os produtos Elas adoram você (e os seus produtos e serviços) Elas odeiam você Você deu a elas uma coisa a respeito do que falar Você tornou fácil para elas falar sobre você Eu Nós Diz respeito a quem está falando: Fazendo com que elas se sintam bem Diz respeito ao grupo: sensação de entrosamento Elas se sentem inteligentes Elas fazem parte da família da marca Elas se sentem importantes Elas pertencem a uma comunidade Elas querem ajudar as pessoas Elas fazem parte de uma equipe Elas querem se expressar Elas têm informações privilegiadas Fonte: Sernovitz (2012) De acordo com Sernovitz (2012), há cinco elementos básicos para o funcionamento da comunicação boca a boca: divulgadores (quem vai falar com os amigos a seu respeito?), temas (sobre o que eles vão falar?), ferramentas (como você pode ajudar a mensagem a se propagar?), participação (de que maneira você deve participar da conversa?) e acompanhamento (o que as pessoas estão dizendo a seu respeito?). [ 55 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Os divulgadores são os seus clientes e amigos que espalham a mensagem da sua marca através do boca a boca habitual ou através da internet. A mensagem em questão, ou o tema, não precisa ser sofisticado, pode ser um serviço fora do comum, um sabor exclusivo, uma embalagem bonita, um nome engraçado, entre outros. Parte fundamental para a disseminação do processo são as ferramentas utilizadas na comunicação boca a boca. Tipos de estratégias incluem a distribuição de cartões ou cardápios aos frequentadores de um restaurante, a criação de blogs ou a implantação de comunidades online. A participação do responsável pela marca ou de seu representante legal nas conversas deve ser contínua, não deixando as pessoas sem respostas. Esta participação pode ser realizada através de e-mails e fóruns de discussão. Precisa-se ressaltar que, especialmente, uma reclamação sobre um determinado produto não deve ser relevada, pelo contrário, deve ser dada uma maior atenção ao cliente na tentativa de minimizar a sua insatisfação. Finalmente o acompanhamento do boca a boca para avaliar e entender o que as pessoas estão dizendo sobre você ou o produto que você representa pode ser aferido nos blogs e outras comunidades online, onde os participantes publicam as suas opiniões. Monitorar essa comunicação permite que se entenda o que os consumidores realmente pensam a respeito de um produto ou serviço e proporciona um nível de entendimento genuíno muito mais autêntico e imediato do que as informações técnicas das pesquisas tradicionais. [ 56 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian As mídias sociais são um campo fértil para a disseminação ampla da mensagem e nenhuma ferramenta tem o seu potencial de expansão. Grande parte da conversa do dia a dia a respeito de produtos e serviços se deslocou para essa área. Pode-se criar uma comunidade ou fórum para os clientes de um determinado produto em apenas poucos minutos em uma rede social popular como o Facebook ou MySpace. Esse espaço representa um lar instantâneo para os divulgadores que querem participar. A partir daí a comunidade estabelece um arquivo público que tem o poder de atrair novos indivíduos para futuras discussões. Neste modelo alguns pontos devem ser respeitados na relação com o consumidor: as suas opiniões não devem ser filtradas, as suas perguntas e as suas dúvidas devem ser respondidas e esclarecidas prontamente e com sinceridade, e a sua opinião deve ser valorizada seja ela positiva, neutra ou negativa. [ 57 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Os Restaurantes e as Redes sociais O presente capítulo reúne as principais discussões acerca dos resultados obtidos na pesquisa de dissertação de mestrado da autora que foi realizada em 2013 e publicada internacionalmente em 2014. O objetivo geral deste trabalho foi verificar como a comunicação boca a boca exercida pelos frequentadores da fanpage do restaurante Dalí Cocina poderia influenciar na atração de novos divulgadores no Facebook. Com esta finalidade foi criado um experimento (explicado em detalhes no próximo capítulo). Os resultados do experimento evidenciaram uma amplificação da comunicação boca a boca com a adesão de novos participantes em curto intervalo de tempo a partir de um estímulo inicial. O boca a boca atingiu o seu clímax no dia do experimento com uma queda abrupta nos dias subsequentes, mostrando que o fenômeno é efêmero, caso não haja a criação de novos estímulos. Esses dados apontam a necessidade de dar continuidade ao processo, tornando o público ansioso por novidades. É neste ponto que uma equipe profissional de marketing se faz necessária, por ser especializada e engajada nesse tipo de ação. A comunicação boca a boca, então, é considerada atualmente uma das mais importantes ferramentas de marketing na divulgação de Restaurantes. Com a expansão das redes sociais digitais, essa técnica de marketing encontra um ambiente [ 58 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian propício para a sua aplicação. Dentro desse contexto, o foco da daquela pesquisa de mestrado foi centralizado na aplicabilidade prática da comunicação boca a boca dirigida especificamente ao restaurante Dalí Cocina no Facebook, tida como a rede social com maior número de usuários e que mais cresce no Brasil. Os dados obtidos pela pesquisadora na própria fanpage, por meio do webanalytics, foram analisados para estabelecer os resultados do experimento. Esse perfil inovador do Facebook faz dele um instrumento importante e promissor em pesquisas acadêmicas. Outro aspecto importante foi a identificação através do questionário aplicado aos usuários de restaurantes quanto aos principais elementos que influenciam na divulgação e na provável afluência a esses estabelecimentos. Exemplo disto é dado pela resposta dos entrevistados quando consideram que o atendimento é a prioridade entre os vários itens oferecidos pelo restaurante. A pesquisa se torna relevante, assim, em função da possibilidade de extrapolar esses dados para a prática dos restaurantes na cidade de Recife, tornando estas empresas mais eficientes em gerir o seu negócio. [ 59 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Principais elementos que influenciam na divulgação e na provável afluência em consumo de Restaurantes CARACTERÍSTICAS IMPORTÂNCIA PARA O CLIENTE DO RESTAURANTE ATENDIMENTO 1º QUALIDADE DOS PRATOS 2º TIPO DE COMIDA 3º AMBIENTE 4º PREÇO COMPATÍVEL 5º LIMPEZA 6º LOCALIZAÇÃO 7º APRESENTAÇÃO DOS PRATOS 8º ESTACIONAMENTO 9º VARIEDADE DO CARDÁPIO 10º BOA MÚSICA 11º Para que a mensagem veiculada pelos emissores seja atraente causando um impacto, é necessário que o tema seja de interesse da comunidade. O contexto é considerado um suporte, um amplificador da causa. Na presente pesquisa, o estímulo desencadeador da comunicação boca a boca correspondeu ao atendimento do restaurante, uma vez que foi o item de maior destaque considerando a análise do questionário. [ 60 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Comprova-se que é o atendimento precário nos estabelecimentos de alimentação fora do lar o contexto que amplia a repercussão da mensagem. Portanto, uma discussão acerca do tema iniciada pelos convidados a participar como coadjuvantes na realização do experimento pareceu a forma mais atraente de capturar a atenção e a aceleração da comunicação boca a boca. O estímulo desencadeador do fenômeno boca a boca foi específico desta pesquisa, não sendo possível assegurar a sua aplicabilidade em estudos posteriores. O aumento significativo no número de indivíduos que ingressaram na fanpage do restaurante Dalí Cocina no dia do experimento comprova que foi a experiência da comunicação boca a boca digital o fator de atração desses novos elementos. Reforça-se novamente a força da comunicação boca a boca na mudança dos padrões usuais de comportamento. [ 61 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian O caso Dalí Cocina Neste capítulo é apresentada a pesquisa de dissertação da autora que explorou o tema comunicação boca a boca em redes sociais através do estudo de caso de um restaurante chamado Dalí Cocina de Recife - PE. Para melhor compreensão, serão discriminadas quais variáveis se sobressaem no fenômeno estudado em relação ao objeto de pesquisa, na primeira fase descritiva. A seguir a pesquisa é complementada pela fase explicativa que se preocupa em identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos, visando o porquê das coisas através dos resultados oferecidos. Nesta etapa serão aplicados testes de verificação que têm por finalidade revelar os relacionamentos causais entre as variáveis levantadas a priori. A seguir o diagrama operacional representando de forma esquemática as etapas que foram desenvolvidas na pesquisa [ 62 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Etapas da pesquisa Fase Descritiva População alvo da pesquisa Coleta de dadoselaboração de questionário Fase Explicativa Criação de hipóteses formulada através dos resultados da fase descritiva Elaboração e execução de uma campanha experimental no Facebook do Dalí Cocina Análise dos resultados obtidos no experimento Tabulação dos dados Tratamento e análise dos dados Conclusão A figura acima demonstra que a metodologia foi dividida em duas partes. Na primeira fase, conhecida como descritiva, foi realizado um questionário para coletar informações necessárias para serem introduzidas na segunda fase (explicativa) auxiliando na criação de proposições que futuramente seriam o foco da campanha artificial. ANÁLISE DE DADOS – FASE DESCRITIVA O instrumento de coleta de dados elaborado compreendeu sete questões, sendo seis formuladas de modo objetivo e uma [ 63 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian alternativa subjetiva possibilitando o respondente a descrever as suas ideias. É importante ressaltar que três das questões do formulário contemplou dados relativos ao perfil sócioeconômico-cultural dos participantes. Após a validação do questionário, nos dias 06, 07 e 08 de dezembro de 2013 foi realizada a aplicação do instrumento para coleta de dados. A amostra compreendeu indivíduos com idade superior a 18 anos, frequentadores de restaurantes que utilizam regularmente plataformas de redes sociais. O questionário foi distribuído pela pesquisadora em dois locais distintos: 1. Faculdade Senac de Pernambuco, escolhida por conveniência da pesquisadora, uma vez que a mesma é funcionária desta instituição de ensino, onde os participantes compreenderam professores, alunos e funcionários das áreas administrativa e operacional. 2. Praia de Boa Viagem, selecionada em função da grande afluência de um público heterogêneo. A participação dos indivíduos foi voluntária não ocorrendo qualquer tipo de incentivo para a sua colaboração. Após uma breve explicação quanto a formatação do seu conteúdo, os questionários foram entregues individualmente a cada participante que emitiram as suas respostas, sem a participação da pesquisadora durante esse processo. Foram distribuídos 150 questionários aos indivíduos, que não demonstraram qualquer objeção à sua participação, não havendo, portanto, nenhuma recusa. Entretanto, vinte e um dos questionários foram respondidos parcialmente, provavelmente pela falta de observação dos respondentes às [ 64 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian perguntas adicionais contidas no verso da folha de papel. Assim, os mesmos foram eliminados da pesquisa. Todos os formulários válidos que corresponderam a cento e vinte e nove foram objeto da análise. O questionário foi desenvolvido com a finalidade de atender a dois objetivos. Primeiramente, testar a premissa da pesquisa, que acreditava ser a comunicação boca a boca à modalidade mais confiável como fonte de informação na escolha de um restaurante específico. Em seguida, identificar as principais características de um restaurante que estimulam a comunicação boca a boca. Com relação ao perfil dos respondentes os seguintes resultados foram encontrados. Quanto à idade dos participantes assinalamos que a mesma foi agrupada em classes, para evitar uma grande extensão da tabela o que dificultaria a leitura e a interpretação dos resultados obtidos. Além disso, a distribuição da idade em classes também auxilia a visualização do comportamento do fenômeno como um todo, bem como sua variação. Observou-se uma frequência relativamente uniforme entre os grupos, excetuando-se aqueles com idade abaixo dos 20 anos. Ressalta-se que apesar desta observação, houve um maior contingente de indivíduos na faixa etária entre 21 e 30 anos. Tomando-se como indicador o número de salários mínimos que em 2013 correspondia a R$ 678,00. A renda familiar se faz através de faixas considerando o número de salários mínimos [ 65 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian com o intuito de diminuir a amplitude das respostas proporcionando uma visão panorâmica do comportamento da variável. Além disso, possibilita detectar uma possível tendência da série em se concentrar em torno de um valor central. Novamente aqui, percebeu-se uma distribuição relativamente homogênea no número de indivíduos considerando os diferentes níveis da renda familiar, com uma ligeira concentração na faixa entre 1-5 salários mínimos. A exceção compreende o grupo de menor poder aquisitivo (até 1 salário mínimo) com um número reduzido de indivíduos. É interessante observar que os resultados aparentemente guardam uma sintonia com os dados obtidos na primeira questão. O maior número de indivíduos na faixa etária entre 21-30 anos e a maior frequência da renda familiar entre 1-5 salários mínimos (SM) sugere que se trata do mesmo contingente de indivíduos. Para certificar este pensamento foi construída a tabela abaixo que correlaciona as diferentes faixas etárias com a renda familiar entre 1-5 salários mínimos. [ 66 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Distribuição da renda familiar entre 1-5 salários mínimos por faixa etária dos respondentes Faixa etária Frequência Frequência Relativa Até 20 anos 6 13,04% 21 – 30 anos 18 39,13% 31 – 40 anos 11 23,91% Acima de 40 anos 11 23,91% Foi demonstrado, de acordo com o pensamento inicial, que o grupo etário entre 21-30 anos de idade é aquele que possui mais frequentemente a renda familiar entre 1-5 salários mínimos. Apesar de se tratar de uma renda familiar relativamente baixa deve ser ressaltado que este aspecto provavelmente não compromete a sua ida a restaurantes, uma vez que habitualmente correspondem a indivíduos solteiros, recém-casados ou tendo poucos filhos. Ou melhor, não há habitualmente o comprometimento da renda com despesas de maior porte por se tratar de uma família pequena. Fez-se necessário aferir a escolaridade dos entrevistados para melhor contextualizar a amostra, mesmo sabendo que não há prévia restrição entre a escolaridade e o potencial para ser consumidor de restaurantes. [ 67 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian O nível de escolaridade dos participantes identificou que uma proporção muito significativa daqueles, compreendendo 56,6%, tem nível de escolaridade superior e de pós-graduação. Se computarmos também os indivíduos com ensino superior incompleto, obtém-se a totalidade de 93%. Dos entrevistados, apenas 7% possuem exclusivamente ensino médio. Partindo da ideia que o nível de escolaridade não interfere na ida a restaurantes, procedeu-se a um estudo mais minucioso do grupo de participantes que tinham concluído até o ensino médio. Pela tabela abaixo, diferentemente do que foi hipotetizado, observa-se que há uma relação entre o nível de escolaridade baixa e a menor frequência no comparecimento a restaurantes, aproximadamente uma vez por mês em cerca de 56% dos casos. Nível médio de escolaridade e a sua frequência na ida a restaurantes dos respondentes Frequência Casos % 1 vez por mês Uma vez de 15 em 15 dias 1 vez por semana 2 vezes por semanas Mais de 2 vezes por semana 55,56% 22,22% 22,22% 0% 0% Daí foi questionado se essa associação era real ou fictícia, apenas refletindo a situação econômica desse grupo, uma vez que é notório que o nível de escolaridade impacta na renda familiar. Com essa finalidade foi construída uma tabela [ 68 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian adicional abaixo que mostra claramente que os participantes possuindo nível médio de escolaridade têm em mais de 55% renda familiar até 1 salário mínimo. Estes dados indicam que a questão econômica dos indivíduos é mais importante do que o nível de escolaridade dos mesmos, na frequência quanto ao seu comparecimento a restaurantes. Nível médio de escolaridade e renda familiar dos respondentes Renda Casos % Até 1 salário 1 – 5 salários 6 – 10 salários Acima de 10 salários 55,56% 22,22% 11,11% 11,11% Quanto à questão formulada no intuito de hierarquizar a confiança nas fontes de informação, as alternativas apresentadas foram graduadas de 1 a 5 pelos participantes de acordo com o modelo de escala Likert. Nesta escala, o número 1 representa a escolha mais confiável e o número 5 a menos confiável, portanto, a resposta com o menor índice na sua totalidade corresponde a mais confiável. Os índices individuais para cada alternativa foram somados para obter a sua frequência relativa ao total de respostas. As fontes de informação incluídas entre as possíveis respostas são justificáveis, pois cobrem quase a totalidade das fontes acessíveis, além do interesse explícito desta pesquisa que é conhecer a importância da indicação de amigos (boca a boca). Sendo assim, a análise deste resultado poderia servir como [ 69 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian base para avaliar a importância das mídias sociais na comunicação boca a boca em comparação com os outros canais de comunicação, etapa posterior da presente pesquisa. Abaixo os dados coletados. Tipos de informação mais confiáveis na escolha de um restaurante pelos respondentes Fontes de informação Casos Ranking Indicação de amigos e parentes 191 1º Guias como Veja Recife e Quatro Rodas 369 2º Notícias da imprensa 380 3º Anúncios na internet e em redes sociais 404 4º Anúncios em revistas e jornais 418 5º Como demonstrado pela tabela acima a alternativa “indicação de amigos e parentes”, ou seja, a comunicação boca a boca, representou a fonte mais confiável de informação. Por outro lado, os anúncios na mídia tradicional (revistas e jornais) e anúncios na mídia eletrônica (internet e em redes sociais) são os menos confiáveis. Ressalta-se que anúncios na internet e em redes sociais representam material publicitário geralmente pago, disponibilizado na plataforma online, muitas vezes aparecendo sob a forma de banners ou posts em blogs, portanto não correspondem à comunicação boca a boca. [ 70 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Com a finalidade de tornar mais compreensiva e reiterar a importância da indicação de amigos e parentes como fonte de informação na indicação de um restaurante foi criada uma nova tabela, abaixo. Frequência dos tipos de informação mais confiáveis pelos respondentes Fontes de informação Casos Ranking Indicação de amigos e parentes Notícias da imprensa Guias como Veja Recife e Quatro Rodas Anúncios em revistas e jornais Anúncios na internet e em redes sociais 101 15 14 12 10 1º 2º 3º 4º 5º Considerando o item definido pelos participantes como o mais confiável, verifica-se que a indicação de amigos e parentes obteve mais de 66% das respostas, em segundo lugar aparecem as notícias da imprensa como veículo mais confiável de informação. Porém, nota-se uma diferença expressiva relativa aos números obtidos nas duas alternativas individualmente. Outro dado relevante é a demonstração nesta tabela que a indicação de amigos e parentes atingiu uma cifra bem maior que a totalidade das respostas considerando a soma obtida nas demais alternativas. Considerando as características de um restaurante, definidas como mais atraentes para os clientes, resultando numa [ 71 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian possível divulgação do mesmo para terceiros, solicitou-se um posicionamento por escrito dos respondentes. Ocorreu uma multiplicidade de respostas, sendo selecionadas aquelas que se repetiam com maior frequência, no mínimo em seis ocasiões. No caso de os respondentes indicarem vários aspectos, os mesmos também foram considerados e quantificados. Na tabela abaixo são registrados os parâmetros mais relevantes na opinião dos pesquisados. Características que influenciam na indicação de um restaurante pelos respondentes Características do restaurante Casos % Atendimento Qualidade dos pratos Tipo de comida Ambiente Preço compatível Limpeza Localização Apresentação dos pratos Estacionamento Variedade do cardápio Boa música 25,39% 23,38% 15,37% 9,8% 8,9% 7,13% 3,6% 2% 1,78% 1,34% 1,34% Fica claro pela tabela acima que os fatores mais relevantes na divulgação de um restaurante, na opinião dos clientes, compreendem o atendimento e a qualidade dos pratos oferecidos; a somatória de ambos atingindo o percentual de [ 72 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian 48,77%, ou seja, quase a metade dos outros itens relacionados. Fica evidente a importância do serviço de um restaurante que se traduz pela gentileza, rapidez e personalização do atendimento aos clientes, um aspecto que vem sendo ressaltado em outras pesquisas. É interessante observar que inesperadamente o preço dos pratos oferecidos ocupou a quinta posição como fator influenciador na divulgação de um restaurante. Este dado informa que o cliente não se sente explorado quando paga o preço justo pelo prato e serviço consumido. A qualidade dos pratos geralmente é um ponto em comum entre os vários restaurantes, configurando-se praticamente como um quesito obrigatório. Dessa forma, surge de acordo com as expectativas da pesquisadora, o atendimento do restaurante como o item de maior destaque pelos respondentes. Esses dados apontam a necessidade de qualificar a mão de obra local para atuar em estabelecimentos de alimentação fora do lar, aspecto que é geralmente subestimado. Em síntese, os dados reforçados pela escolha do ambiente do restaurante em quarto lugar de importância pelos respondentes apontam que é de suma importância a experiência vivenciada dentro de cada restaurante. A mensuração desses resultados fornece a possibilidade de priorizar alguns pontos para a sua aplicação em restaurantes, permitindo um possível aumento na divulgação e crescimento da clientela em potencial. [ 73 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Verificou-se, entre os respondentes, uma maior frequência de visitas, quase 30%, de apenas uma vez por mês. É interessante registrar que as cifras relativas de idas a restaurante uma vez por semana e uma vez a cada duas semanas (15 em 15 dias) representam o total de 48,06%. Estes números ressaltam que há um público regular que frequenta restaurantes em nossa cidade, refletindo os dados que apontam Recife como o terceiro polo gastronômico nacional. O menor índice registrado correspondeu à frequência de duas vezes por semana na ida a restaurantes. Finalmente, considerando a utilização da rede social digital Facebook pelos respondentes, o seu uso frequente, com 86,8% deles registrando o seu uso diário. Estes resultados estão de acordo com as pesquisas que mostram que no âmbito mundial os brasileiros ocupam frequentemente a posição de liderança na média de horas conectadas às redes sociais. Os dados obtidos guardam um paralelo com os frequentadores da fanpage do restaurante Dalí Cocina, os quais foram alvos do experimento realizado posteriormente. Com base nos resultados obtidos através da entrevista discriminada detalhadamente nas linhas acima, as seguintes proposições podem ser formuladas: Proposição 1: Uma experiência positiva dos clientes quanto ao bom atendimento em um restaurante possivelmente resultará na divulgação do mesmo, estabelecendo-se uma comunicação boca a boca; [ 74 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Proposição 2: Refletindo esta comunicação positiva dos clientes do restaurante, ocorrerá um aumento na audiência da fanpage do mesmo. ANÁLISE DO EXPERIMENTO – FASE EXPLICATIVA O experimento tradicionalmente deve escolher entre o cenário de laboratório ou campo para ocorrer. O ambiente laboratorial é a escolha preferencial dos pesquisadores devido à possibilidade de maior controle das variáveis. Contudo, diante da introdução de novas tecnologias, ambientes digitais reais se tornaram lugares possíveis de realização de experimento, pois, seu escopo original permite um necessário controle de variáveis além de dispor do maior realismo possível, que é a observação do fenômeno em ambiente natural. No caso desta pesquisa, o experimento ocorreu na plataforma digital do Facebook, especificamente na fanpage do restaurante Dalí Cocina. A seguir é apresentada uma breve história da relação do restaurante com o Facebook, para melhor contextualização do tema. Apesar de o Restaurante Dalí Cocina ter iniciado as suas atividades em novembro de 2009, foi apenas em setembro de 2011 que a sua fanpage foi criada. A fanpage no Facebook foi desenvolvida pela proprietária com o objetivo de atuar como veículo de divulgação do restaurante e como resposta à solicitação constante dos clientes que buscavam uma fonte de informação do restaurante além de um canal que possibilitasse um feedback sobre o serviço oferecido. [ 75 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian No seu início, a fanpage adotou uma estratégia contingencial orientada pelo sentimento da proprietária do restaurante e pelo retorno observado nos clientes. A mesma editava e monitorava a página criando posts aleatórios para divulgação dos serviços do restaurante ou introduzindo temáticas que acreditava ser de interesse dos seguidores no Facebook. Apesar de a proprietária perceber um aumento na frequência da fanpage do restaurante desde a sua implantação, foi somente a partir de novembro de 2011, após a contratação de uma equipe profissional de marketing, que a página apresentou um afluxo de participantes de modo mais veloz e uniforme. Neste período ocorreu a primeira ação promocional através da fanpage, onde foi sorteado um smartphone da marca Samsung, modelo Galaxy S2, objeto de desejo na ocasião. Esta promoção movimentou um grande número de pessoas e gerou um enorme interesse e divulgação por parte dos próprios clientes. A ação estimulava os clientes a comparecerem ao restaurante, onde fotografavam o prato que consumiam, divulgando no próprio Facebook. A fotografia mais “curtida” da fanpage teria o seu autor como ganhador do smartphone. Esta foi a primeira ação desenvolvida no restaurante com o intuito de estimular a comunicação boca a boca e claramente revelou a sua importância na divulgação da marca Dalí Cocina no mercado. Observou-se nitidamente durante a promoção a convergência de novos clientes em potencial buscando o restaurante tanto pela promoção quanto para averiguar se as [ 76 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian informações disseminadas pelo boca a boca eram, de fato, reais. Houve outras ações pontuais que forneceram uma maior visibilidade da fanpage, estimulando o seu crescimento vertical. Na atualidade a mesma congrega um total de 7.224 curtidores. Conforme a figura 6, comparando-se a fanpage do Dalí Cocina com aquela de outros restaurantes com proposta similar, na cidade de Recife, verifica-se que o restaurante estudado ocupa o segundo lugar em número de participantes. Percebe-se também que a diferença entre os dois primeiros lugares é insignificante. Comparativo da fanpage do Dalí Cocina e do restaurante concorrente Após a elaboração das hipóteses desenvolvidas através da análise dos resultados do questionário, decidiu-se pela [ 77 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian realização de um experimento que buscava a confirmação ou negação das premissas. Uma vez que o atendimento no restaurante foi considerado o principal fator desencadeador de uma comunicação boca a boca, a estratégia do experimento consistiu na solicitação a alguns indivíduos em divulgar na sua timeline um elogio ao atendimento do restaurante Dalí Cocina, na tentativa de impulsionar a comunicação boca a boca. Cada convidado criou sua interação de maneira pessoal, não padronizada. Contudo, todas as participações foram realizadas no mesmo dia, 12 de dezembro de 2013. Foi estipulado o período de uma semana, entre os dias 10 e 17 de dezembro de 2013, para a análise fidedigna dos resultados, uma vez que seria necessária para efeito comparativo a avaliação dos dados obtidos antes, durante e depois do experimento. De um total de 15 indivíduos inicialmente convidados, doze efetivamente participaram da intervenção como pesquisadores-atores, que cumpriram tarefas previamente determinadas relativas ao experimento. A sua participação foi solicitada de forma aleatória por serem conhecidos da pesquisadora e, consequentemente, de fácil acesso. Posteriormente foi descoberto que alguns destes indivíduos eram considerados formadores de opinião ou “evangelistas” (aqueles cujo entusiasmo pela marca exerce alto poder de persuasão entre as demais pessoas) pela tamanha repercussão ocorrida no experimento. [ 78 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Os “evangelistas” podem ser conectores, mavens ou persuasoras. Os conectores são indivíduos que possuem uma ampla gama de pessoas conhecidas com as quais mantém contato; mavens são aqueles considerados especialistas em algum assunto e, finalmente, persuasoras são pessoas que possuem o dom de convencer e entusiasmar novos indivíduos a participarem da “corrente”. Sabe-se hoje que o impacto de uma mensagem depende em grande parte da qualidade ou ainda da credibilidade do emissor e não apenas do conteúdo. O “evangelista” é quem fornece credibilidade à mensagem. Se a participação inicial na divulgação da causa fosse realizada por pessoas não influentes, provavelmente o efeito da comunicação boca a boca aconteceria, porém de modo mais insidioso. Com base no experimento, acreditava-se que ocorreria uma comunicação boca a boca positiva sobre o atendimento no restaurante Dalí Cocina, o que por sua vez desencadearia um crescimento na audiência da fanpage do restaurante demonstrado pelo maior número de “curtidores”. Finalmente a ação culminaria no possível aumento do número de clientes do restaurante. Destaca-se que este último aspecto não foi mensurado, por não fazer parte do escopo proposto por esta pesquisa de dissertação de mestrado; entretanto dados relativos a esta questão serão provavelmente trabalhados em futuras investigações. [ 79 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Os comentários realizados pelos convidados participantes do experimento foram os mais diversos possíveis, porém sempre focando o atendimento do restaurante Dalí Cocina. Alguns comentários causaram um maior impacto, com maior repercussão entre os internautas gerando um maior aporte de interações. Em resposta aos posts criados pelos convidados obteve-se um total de 235 “curtidas”, 86 interações e 2 “compartilhamentos”. Na fanpage do restaurante houve concomitantemente após a realização da intervenção, 323 “curtidas”, 36 interações e 9 “compartilhamentos”. Ainda se observou uma adição de 25 novos seguidores na fanpage. A título de esclarecimento, “curtidas” significa que os internautas leram a publicação, ou melhor, que a publicação gerou empatia nos visitantes. Quanto às interações, entende-se que o assunto despertou a atenção do visitante de modo mais intenso, ao ponto do mesmo se dar ao trabalho de redigir um comentário. Finalmente, o “compartilhamento” em linhas gerais significa que o assunto foi tão atraente para o internauta que resultou no seu envio para outros indivíduos a ele relacionados. Assim sendo, todas estas ações supracitadas configuram-se como a comunicação boca a boca esperada pela pesquisadora, sendo o resultado do estímulo fornecido pelos pesquisadores-atores do experimento. Conforme já referido anteriormente, apesar de o experimento ter sido realizado no dia 12 de dezembro de 2013, os dados [ 80 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian resultantes do mesmo foram avaliados durante o período de uma semana, entre os dias 10 e 17 de dezembro de 2013. Tomou-se como referência esse limite de tempo devido ao conhecimento acerca da sazonalidade do restaurante como empreendimento. Obteve-se o controle da variável externa (intervenção dos convidados) através da correlação dos dados apurados durante o mesmo período de tempo no ano anterior (2012), relativos à audiência e a interação no facebook associados ao restaurante Dalí Cocina. Para reiterar este ponto, o estudo comparativo teve a finalidade de identificar a resposta e a sua intensidade decorrente do estimulo aplicado no experimento. O gráfico a seguir, mostra o número de indivíduos que comentaram sobre o restaurante Dalí Cocina no período compreendido entre 10 e 17 de dezembro de 2013. Número de indivíduos comentando sobre o Dalí Cocina (2013) [ 81 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Verifica-se como esperado uma ascensão abrupta do número de indivíduos que comentaram sobre o restaurante Dalí Cocina, um acréscimo de mais de 300%, demonstrado através do pico no ponto 3 do gráfico acima, que corresponde exatamente a data do experimento, dia doze de dezembro de 2013. É perceptível também a queda instantânea no número de participantes do Facebook, imediatamente nos dias subsequentes, aproximando-se daquele visto anteriormente ao experimento. Estes dados demonstram indubitavelmente que a intervenção realizada no dia 12 de dezembro de 2013 foi o fator desencadeante do fenômeno. O gráfico a seguir demonstra a sobreposição dos dados obtidos no período de 10 a 17 de dezembro dos anos de 2012 e 2013, relativos ao número de indivíduos que comentaram sobre o restaurante Dalí Cocina. Este gráfico corrobora os resultados obtidos anteriormente. Número de indivíduos comentando sobre o Dalí Cocina (2012-2013) [ 82 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Há uma tendência à linearização dos números no ano de 2012, diferentemente do pico evidenciado em 2013 por ocasião do experimento. Excetuando-se o dia da intervenção, observa-se uma similaridade no padrão do gráfico em ambos os períodos avaliados. O único evento destoante nos dois anos analisados correspondeu à realização do experimento, sendo, portanto óbvio que este procedimento foi o responsável pela mudança do comportamento dos frequentadores do Facebook. Ressalta-se ainda que após a conclusão do experimento, os números declinaram aos patamares anteriores demonstrando assim, que caso não haja a continuidade da comunicação boca a boca não ocorrerá uma perpetuação do fenômeno. Identificase que no ponto 8 do gráfico do ano de 2013 há um aumento no número de indivíduos que comentaram sobre o restaurante sem causa conhecida, porém tal movimentação é própria do negócio e não atenta contra a validade do experimento. [ 83 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian O terceiro gráfico demonstra o número de visualizações do restaurante Dalí Cocina no Facebook no período entre 10 e 17 de dezembro de 2013. Evidencia-se um padrão semelhante aos gráficos anteriores com um pico por ocasião do experimento, porém atingindo um nível superior. O número de visualizações nos dias precedentes à intervenção que correspondia a menos de 1.500, ultrapassou 36.000 visualizações no dia do experimento. Nos dois dias subsequentes houve uma queda acentuada dos números especialmente no segundo dia, com retorno às cifras originais relativas ao período que antecedeu à intervenção. A visualização dos posts é mais simples e rápida para o internauta do que o exercício de interagir com comentários, o que provavelmente justificaria o pico mais acentuado no gráfico 3 com relação aos antecedentes. Número de visualizações do Dalí Cocina (2013) [ 84 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Por sua vez, o gráfico Número de visualizações do Dalí Cocina (2012-2013), traça um comparativo entre o número de visualizações do Dalí Cocina no Facebook no período compreendido entre os dias 10 e 17 de dezembro de 2012 e 2013. É patente a diferença entre o número de visualizações nos dois momentos avaliados. Enquanto no ano de 2012 os números permaneceram estáveis, no dia 12 de dezembro de 2013 ocorreu uma elevação abrupta das cifras correspondentes à data da intervenção. No dia seguinte ao experimento houve uma queda expressiva no número de visualizações que se acentuou progressivamente no decorrer dos dias. A rapidez na mudança do padrão numérico de visualizações do restaurante Dalí Cocina no facebook no momento e imediatamente após o experimento demonstra indubitavelmente que a comunicação boca a boca é o elemento chave do fenômeno. Número de visualizações do Dalí Cocina (2012-2013) [ 85 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian O gráfico Número de novas curtidas do Dalí Cocina (2013) mostra o número de pessoas que ingressaram na fanpage do restaurante Dalí Cocina no mesmo período avaliado por ocasião do experimento. Reproduziu-se o padrão verificado nos gráficos anteriores. No dia 12 de dezembro de 2013, vinte e cinco novos indivíduos passaram a seguir a fanpage do restaurante. Houve, portanto um acréscimo significativo nos números quando comparados àqueles relativos às datas anteriores, com a entrada de no máximo 2 pessoas ao dia. Observa-se que nos dois dias posteriores, apesar do declínio na quantidade de novos “curtidores”, ainda eram em número maior que na fase anterior ao experimento. A partir daí as cifras retornaram ao padrão original. Número de novas curtidas do Dalí Cocina (2013) [ 86 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian O gráfico Número de novas curtidas do Dalí Cocina (2012-2013) correlacionou o número de entradas de novos participantes na fanpage do restaurante Dalí Cocina nos dois anos subsequentes (2012 e 2013) no mesmo período, entre 10 e 17 de dezembro. Embora a linha dos gráficos não seja uniforme, em 2013 houve uma nítida elevação a um patamar acentuado, guardando relação estreita com a data do experimento. A instabilidade dessa variável demonstrada pela oscilação das linhas, especialmente em 2012, pode ser justificada pela subjetividade no interesse do público aos temas divulgados na fanpage. Número de novas curtidas do Dalí Cocina (2012-2013) [ 87 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Através da análise dos dados coletados na etapa empírica deste trabalho podem-se perceber inúmeros aspectos referentes à questão de pesquisa proposta inicialmente. Uma das principais respostas encontradas é que a comunicação boca a boca virtual tende a ser uma ferramenta tão ou até mais eficiente do que a publicidade tradicional, para chamar a atenção de clientes do Dalí Cocina. Esta evidência vai ao encontro do que afirma Arndt (1967), ao destacar a eficácia das fontes impessoais na influência do consumidor. A maior interação entre consumidores no ambiente da fanpage do restaurante faz com que o relacionamento entre cliente e empresa se torne um fator primordial no sucesso das ações. [ 88 ] De Boca em Boca por Maria Christina Lima Nunes e Rafael Lucian Bibliografia ALEXANDRE, C. História das redes sociais. 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