UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA DE UM SOLO RESIDUAL GRANÍTICO ESTABILIZADO COM CIMENTO Dissertação apresentada à Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro para a obtenção do Grau de Mestre em Engenharia Civil Autor Cláudia Andreia Cardoso Fernandes Orientadores Nuno Miguel Cordeiro Cristelo Professor Auxiliar da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Paulo Alexandre Lopes Figueiredo Coelho Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra Vila Real, Dezembro de 2012 AGRADECIMENTOS AGRADECIMENTOS Quero de uma forma muito especial expor os meus mais profundos e sinceros agradecimentos, tanto aos que contribuíram direta como indiretamente na concretização de mais uma etapa da minha vida. Ao professor Nuno Cristelo, pela orientação prestada ao longo da realização desta Dissertação. Ao professor Paulo Coelho, pela disponibilidade, compreensão e amizade demonstrada durante o desenvolvimento deste trabalho. Aos meus Pais, exemplo de seres humanos vencedores, pelos valores que sempre me transmitiram, muito obrigado por serem meus Pais e tenham a certeza de que esta etapa que se conclui seria impossível sem o vosso apoio e participação. A ti pelo carinho, ajuda, incentivo e pela amizade transmitida nos momentos de maior fragilidade. Sem sombra de dúvida uma pessoa esforçada e que sabe o que quer! À Mónica Dias, por ter partilhado comigo também esta jornada, um muito obrigado. Ao Laboratório de Geotecnia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, que me disponibilizou o equipamento para a realização de muitos ensaios que foram levados a cabo nesta Dissertação. Ao Departamento de Química da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em particular, à Lisete Fernandes, pela ajuda na realização das análises químicas e mineralógicas. E por fim mas não menos importante, ao Sr. José, o meu muito obrigado pela paciência, dedicação e disponibilidade manifestadas. Fica aqui, o meu respeito e grande admiração pela capacidade profissional demonstrada e prestada por este amigo, é assim que o considero após estes meses de convivência. i RESUMO RESUMO Nos últimos tempos tem-se assistido a uma crescente preocupação relativamente ao aproveitamento de solos, devido ao elevado crescimento populacional, consequente ocupação do solo e questões ambientais. Tal facto contribuiu decisivamente para o desenvolvimento de técnicas de melhoramento e reforço de solos nas diversas aplicações de engenharia, em particular das técnicas de melhoramento ou estabilização química de solos. O presente trabalho pretende contribuir para o conhecimento relativamente a uma técnica já há muito utilizada para fins rodoviários, mas agora analisando e quantificando os seus benefícios no aproveitamento e melhoramento de solos com características particulares. Assim, o estudo desenvolvido neste trabalho incide nas potencialidades do processo de estabilização com cimento de um solo residual granítico, proveniente da zona de Guimarães. Para o efeito, foi feita uma abordagem ao estado de arte no que respeita ao comportamento e caracterização geotécnica do solo em estudo, bem como, aos métodos de estabilização de solos, em particular da estabilização química com cimento, identificando e caracterizando os fatores que afetam as propriedades dos solos estabilizados com cimento. Foi desenvolvido um programa experimental que se apresenta em duas partes. Na primeira foi feita a caracterização geotécnica do solo natural (não estabilizado) e na segunda foram desenvolvidos todos os procedimentos laboratoriais inerentes ao processo de estabilização do solo residual granítico por adição de cimento. No final foram quantificados os benefícios atingidos tendo por base o método da estabilização por adição de cimento para perceber a influência de diferentes parâmetros, nomeadamente do teor em água, da baridade seca, da percentagem de ligante e do tempo de cura sobre as propriedades mecânicas do solo estabilizado. Os resultados obtidos indicam que o uso de cimento para a estabilização do solo residual estudado é um método que permite obter melhorias muito significativas na resistência à compressão simples do solo. Para as dosagens estudadas, verificou-se que quanto maior a percentagem de cimento, maior a resistência obtida. Como seria de esperar face à técnica estudada, o tempo de cura também é fundamental no valor da resistência das misturas de solocimento. Verificou-se ainda que o comportamento mecânico das misturas solo-cimento também é bastante influenciado pelo teor em água e peso volúmico seco das mesmas. iii ABSTRACT ABSTRACT In recent times, there has been a growing concern regarding the occupation rate of the earth’s surface, due mainly to the high population growth, which requires the use of less capable soils for construction purposes. This has decisively contributed to the development of several techniques concerning the improvement and reinforcement of soils in various engineering applications, with a significant focus on chemical stabilization. The present work aims to contribute to the knowledge of a technique that has for long been used for road purposes, but also analyzing and quantifying their benefits on the use and improvement of soils with particular characteristics. So, the study here developed focuses on the potential of the stabilization process, using cement, of a residual granitic soil, from the area of Guimarães. For this purpose, a state of the art review was initially made concerning the behavior and geotechnical characterization of the studied soil, as well as the stabilization methods (in particular, the chemical stabilization with cement), including identification and characterization of the factors affecting the properties of soils stabilized with cement. An experimental program, divided in two parts, was developed. In the first part, a geotechnical characterization of the natural soil (unstabilized) was made and in the second part, all the laboratory procedures inherent to the process of residual granitic soil stabilization by addiction of cement were developed. At the end, the benefits were quantified in order to understand the relative influence of different parameters, specifically the moisture content, the dry density, the cement percentage and cure time on the mechanical properties of the stabilized soil. The results show that the use of cement for the stabilization of this particular soil allows very significant strength improvements. For the studied dosages, it was found that the higher the percentage of cement used, the greater the strength obtained. As would be expected, taking into account the studied technique, the cure time is also essential on the resistance value of soil-cement mixtures. It was verified that the mechanical behavior of soil-cement mixtures is also very influenced by the moisture content and by the dry volume weight of those mixtures. v ÍNDICE DE TEXO ÍNDICE DE TEXTO AGRADECIMENTOS ........................................................................................................... i RESUMO ..............................................................................................................................iii ABSTRACT........................................................................................................................... v ÍNDICE DE TEXTO ........................................................................................................... vii ÍNDICE DE FIGURAS ........................................................................................................ xi ÍNDICE DE QUADROS ..................................................................................................... xv SIMBOLOGIA .................................................................................................................. xvii ABREVIATURAS.............................................................................................................. xix 1 - INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 1 1.1 - Enquadramento .............................................................................................................. 1 1.2 - Objetivos........................................................................................................................ 2 1.3 - Organização da dissertação ........................................................................................... 2 2 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ......................................................................................... 5 2.1 - Considerações gerais ..................................................................................................... 5 2.2 - Caracterização geológica-geotécnica de um solo residual granítico ............................. 6 2.2.1 - Processo de formação e composição ...................................................................... 6 2.2.2 - Estrutura e plasticidade dos solos residuais............................................................ 8 2.2.3 - Compressibilidade dos solos residuais ................................................................... 9 2.2.4 - Resistência ao corte dos solos residuais ................................................................. 9 2.3 - Estabilização de solos .................................................................................................. 12 2.3.1 - Necessidade de recorrer à estabilização de solos ................................................. 12 2.3.2 - Métodos de estabilização de solos ........................................................................ 13 2.3.2.1 - Estabilização mecânica ..................................................................................... 13 2.3.2.2 - Estabilização física ............................................................................................ 14 2.3.2.3 - Estabilização química ........................................................................................ 14 2.4 - Interações físico-químicas do processo de estabilização química de um solo ............ 15 2.4.1 - Reações pozolânicas e de hidratação .................................................................... 16 2.4.2 - Troca iónica .......................................................................................................... 17 vii Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 2.5 - Estabilização química com cimento............................................................................ 18 2.5.1 - Tipo de misturas de solo e cimento...................................................................... 18 2.5.2 - Especificações para o solo a ser tratado ............................................................... 19 2.5.3 - Fatores com influência nas propriedades das misturas de solo e cimento ........... 19 2.5.3.1 - Propriedades físico-químicas do solo ............................................................... 19 2.5.3.2 - Teor em cimento ............................................................................................... 20 2.5.3.3 - Porosidade da mistura ....................................................................................... 21 2.5.3.4 - Teor em água da mistura compactada .............................................................. 22 2.5.3.5 - Condições de cura ............................................................................................. 23 2.5.3.6 - Tempo de cura .................................................................................................. 24 2.6 - Ensaios utilizados para avaliação do comportamento mecânico do solo estabilizado quimicamente ........................................................................................................................... 25 2.6.1 - Compressão simples............................................................................................. 25 2.6.2 - Análise da microestrutura e composição do solo estabilizado............................. 26 2.6.2.1 - Microscopia Eletrónica de Varrimento (SEM) ................................................. 26 2.6.2.2 - Difração por Raios X ........................................................................................ 28 2.6.2.3 - Espectrometria de Dispersão de Energia (EDS) ............................................... 29 2.7 - Parâmetros utilizados para avaliar a eficácia das misturas solo-cimento ................... 29 2.7.1 - Razão água/cimento ............................................................................................. 29 2.7.2 - Razão vazios/cimento .......................................................................................... 30 2.8 - Aplicabilidade da técnica estabilização com cimento ................................................ 34 3 - CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA DO SOLO NATURAL .................................. 37 3.1 - Consideração iniciais .................................................................................................. 37 3.2 - Ensaios de caracterização e identificação do solo ...................................................... 37 3.2.1 - Propriedades físicas ............................................................................................. 37 3.2.1.1 - Teor em água .................................................................................................... 37 3.2.1.2 - Densidade das partículas sólidas ...................................................................... 38 3.2.2 - Características de identificação ............................................................................ 38 3.2.2.1 - Composição mineralógica ................................................................................ 39 3.2.2.2 - Composição química ........................................................................................ 41 3.2.2.3 - Teor em matéria orgânica ................................................................................. 42 3.2.2.4 - Análise granulométrica ..................................................................................... 43 viii ÍNDICE DE TEXO 3.2.2.5 - Limites de consistência ..................................................................................... 46 3.3 - Classificação do solo ................................................................................................... 48 3.4 - Determinação do teor ótimo de humidade................................................................... 49 3.5 - Considerações Finais ................................................................................................... 50 4 - ESTABILIZAÇÃO DO SOLO NATURAL .................................................................. 53 4.1 - Considerações iniciais ................................................................................................. 53 4.2 - Metodologia laboratorial ............................................................................................. 54 4.2.1 - Descrição dos materiais e equipamentos .............................................................. 54 4.2.1.1 - Solo natural ....................................................................................................... 54 4.2.1.2 - Ligante ............................................................................................................... 54 4.2.1.3 - Equipamento...................................................................................................... 54 4.2.1.4 - Moldes ............................................................................................................... 55 4.2.2 - Ponderação da quantidade dos vários componentes ............................................. 56 4.2.2.1 - Moldagem dos pontos analisar .......................................................................... 56 4.2.2.2 - Obtenção das quantidades dos vários componentes das misturas ..................... 59 4.2.3 - Preparação das amostras ....................................................................................... 60 4.2.3.1 - Tratamento prévio do solo natural .................................................................... 60 4.2.3.2 - Preparação das misturas .................................................................................... 61 4.2.3.3 - Compactação ..................................................................................................... 63 4.2.3.4 - Cura dos provetes .............................................................................................. 63 4.2.4 - Avaliação da resistência dos provetes .................................................................. 65 4.2.4.1 - Controle dos provetes ........................................................................................ 65 4.2.4.2 - Velocidade de deformação do ensaio ................................................................ 66 4.2.4.3 - Ensaio de compressão simples .......................................................................... 66 4.2.5 - Considerações finais ............................................................................................. 70 4.3 - Análise da composição e microestrutura do solo ........................................................ 72 4.3.1 - Caracterização mineralógica por difração de raios X (DRX) .............................. 72 4.3.2 - Microscopia eletrónica de varrimento (SEM/EDS) ............................................. 74 5 - APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS ............................. 77 5.1 - Considerações iniciais ................................................................................................. 77 5.2 - Ensaios de compressão simples ................................................................................... 79 5.2.1 - Influência do tempo de cura ................................................................................. 79 ix Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 5.2.2 - Influência do teor em cimento ............................................................................. 82 5.2.3 - Influência do teor em água ................................................................................... 89 5.2.4 - Influência da baridade seca .................................................................................. 94 5.3 - Análise da microestrutura e composição .................................................................... 98 5.3.1 - Microestrutura e composição química do solo estabilizado (SEM/EDS) ............ 98 5.3.1.1 - Influência do tempo de cura ............................................................................. 98 5.3.1.2 - Influência do teor em ligante .......................................................................... 102 5.3.1.3 - Influência do teor em água.............................................................................. 104 5.3.2 - Análise mineralógica ......................................................................................... 108 6 - CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................... 111 6.1 - Principais conclusões ................................................................................................ 111 6.2 - Trabalhos futuros ...................................................................................................... 113 7 - BIBLIOGRAFIA ......................................................................................................... 115 x ÍNDICE DE FIGURAS ÍNDICE DE FIGURAS Figura 2.1 - Perfil típico de um solo residual (Fernandes, 2006) ............................................... 7 Figura 2.2 - Fotografia com microscópia binocular de um solo residual do granito, onde é possível observar a sua estrutura cimentada (Fernandes, 2006; adaptado de Fonseca, 1988) ......................................................................................................... 9 Figura 2.3 - Curvas envolventes de rotura típicas de solos residuais em condições saturadas Tensões efetivas, por Vargas em 1971 (Fonseca, 1988) ....................................... 10 Figura 2.4 - Curvas envolventes de rotura típicas de solos residuais em condições não saturadas-Tensões totais, por Vargas em 1971 (Fonseca, 1988) ........................... 10 Figura 2.5 - Agente estabilizador a utilizar em função do tipo de solo (Little, 1995; adaptado de Cruz e Jalali, 2008) ........................................................................................... 15 Figura 2.6 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento (Consoli et al., 2007) ................................................................................................................ 21 Figura 2.7 - Variação da resistência à compressão simples com a porosidade (Consoli et al., 2007) ...................................................................................................................... 22 Figura 2.8 - Efeito do teor de humidade na resistência à compressão simples (Consoli et al., 2007) ...................................................................................................................... 23 Figura 3.1 - Difratograma relativo ao solo natural ................................................................... 40 Figura 3.2 - Imagens do solo natural obtidas por microscópio ótico ....................................... 40 Figura 3.3 - Espetro da composição química do solo natural obtido por EDS ........................ 41 Figura 3.4 - Imagens SEM do solo natural obtidas por microscópio de varrimento ................ 42 Figura 3.5 - Material retido em cada peneiro ........................................................................... 45 Figura 3.6 - Curva granulométrica do solo em estudo ............................................................. 45 Figura 4.1 - Algum equipamento laboratorial utilizado: a) Prensa com capacidade de carga de 600 KN; b) Misturadora da marca Sammic, modelo BM II (potência de 550W) . 55 Figura 4.2 - Pontos de moldagem para o solo: misturas de cimento ........................................ 56 Figura 4.3 - Preparação do solo natural para posterior realização das misturas com cimento: a) Secagem; b) Desagregação dos torrões; c) Peneiração.......................................... 61 Figura 4.4 - Principais procedimentos na preparação das misturas: a) Pesagem do solo; b) Pesagem da água; c) Preparação da homogeneização da mistura ......................... 62 Figura 4.5 - Principais procedimentos na preparação das misturas: a) Primeiro envolvimento do solo com o cimento; b) Mistura homogeneizada; d) Repartição da amostra em três partes iguais .................................................................................................... 63 xi Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Figura 4.6 - Desmoldagem dos provetes: a) Provete após compactação; b), c), d) Desmoldagem; e) Aspeto visual do provete após desmoldagem .......................... 64 Figura 4.7 - Provetes armazenados em câmara húmida ........................................................... 65 Figura 4.8 - Ensaio de compressão simples a provetes com 1 dia: a) 5% Cimento, b) 10% Cimento ................................................................................................................. 67 Figura 4.9 - Ensaio de compressão simples a provetes com 3 dias: a) 5% Cimento, b) 7,5% Cimento ................................................................................................................. 68 Figura 4.10 - Ensaio de compressão simples a provetes com 7 dias: a) 5% Cimento, b) 10% Cimento ................................................................................................................. 68 Figura 4.11 - Ensaio de compressão simples a provetes com 30 dias: a) 7,5% Cimento, b) 10% Cimento......................................................................................................... 69 Figura 4.12 - Aspeto visual de provetes com 60 dias depois sujeitos a ensaio de compressão simples: a) 7,5% Cimento, b) 10% Cimento ......................................................... 69 Figura 4.13 - Ensaio de compressão simples a provetes com 90 dias: a) 5% Cimento, b) 10% Cimento ................................................................................................................. 70 Figura 4.14 - Aspeto visual dos provetes antes do ensaio de compressão simples.................. 71 Figura 4.15 -Forma de rotura dos provetes: a) Provete com 1 dia; b), c) Provetes com 30 dias; d) Provete com 60 dias .......................................................................................... 71 Figura 4.16 - Equipamento de difração por Raios X: a) Imagem exterior do equipamento; b) Interior do equipamento ........................................................................................ 73 Figura 4.17 - Amostra no porta amostras padrão, para posterior realização da difração por Raios X .................................................................................................................. 73 Figura 4.18 - Microscópio Eletrónico de Varrimento (SEM/EDS) ......................................... 74 Figura 4.19 - Amostras no interior da câmara para posterior realização da análise (SEM/EDS) ............................................................................................................................... 75 Figura 5.1 - Evolução da resistência à compressão simples com o tempo de cura para o ponto de moldagem A1 ................................................................................................... 79 Figura 5.2 - Evolução da resistência à compressão simples com o tempo de cura para o ponto de moldagem B1 ................................................................................................... 80 Figura 5.3 - Evolução da resistência à compressão simples com o tempo de cura para o ponto de moldagem B2 ................................................................................................... 80 Figura 5.4 - Evolução da resistência à compressão simples com o tempo de cura para o ponto de moldagem B3 ................................................................................................... 81 Figura 5.5 - Evolução da resistência à compressão simples com o tempo de cura para o ponto de moldagem C1 ................................................................................................... 81 xii ÍNDICE DE FIGURAS Figura 5.6 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento para o ponto de moldagem A1.......................................................................................... 83 Figura 5.7 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento para o ponto de moldagem B1 .......................................................................................... 83 Figura 5.8 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento para o ponto de moldagem B2 .......................................................................................... 84 Figura 5.9 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento para o ponto de moldagem B3 .......................................................................................... 84 Figura 5.10 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento para o ponto de moldagem C1 .......................................................................................... 85 Figura 5.11 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento nas misturas com 1 dia ................................................................................................. 86 Figura 5.12 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento nas misturas com 3 dias ............................................................................................... 86 Figura 5.13 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento nas misturas com 7 dias ............................................................................................... 87 Figura 5.14 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento nas misturas com 30 dias ............................................................................................. 87 Figura 5.15 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento nas misturas com 60 dias ............................................................................................. 88 Figura 5.16 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento nas misturas com 90 dias ............................................................................................. 88 Figura 5.17 - Variação da resistência à compressão simples em função do teor em água nas misturas com 1 dia ................................................................................................. 90 Figura 5.18 - Variação da resistência à compressão simples em função do teor em água nas misturas com 3 dias ............................................................................................... 90 Figura 5.19 - Variação da resistência à compressão simples em função do teor em água nas misturas com 7 dias ............................................................................................... 91 Figura 5.20 - Variação da resistência à compressão simples em função do teor em água nas misturas com 30 dias ............................................................................................. 91 Figura 5.21 - Variação da resistência à compressão simples em função do teor em água nas misturas com 60 dias ............................................................................................. 92 Figura 5.22 - Variação da resistência à compressão simples em função do teor em água nas misturas com 90 dias ............................................................................................. 92 Figura 5.23 - Variação da resistência à compressão simples com a baridade seca nas misturas com 1 dia................................................................................................................ 94 xiii Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Figura 5.24 - Variação da resistência à compressão simples com a baridade seca nas misturas com 3 dias ............................................................................................................. 95 Figura 5.25 - Variação da resistência à compressão simples com a baridade seca nas misturas com 7 dias ............................................................................................................. 95 Figura 5.26 - Variação da resistência à compressão simples com a baridade seca nas misturas com 30 dias ........................................................................................................... 96 Figura 5.27 - Variação da resistência à compressão simples com a baridade seca nas misturas com 60 dias ........................................................................................................... 96 Figura 5.28 - Variação da resistência à compressão simples com a baridade seca nas misturas com 90 dias ........................................................................................................... 97 Figura 5.29 - Imagens da mistura C3_(A1): a) Obtida recorrendo a microscópio ótico; b), c) e d)Imagens SEM obtidas por microscópio de varrimento ...................................... 98 Figura 5.30 - Imagens da mistura C30_(A1): a) Obtida recorrendo a microscópio ótico; b), c) e d) Imagens SEM obtidas por microscópio de varrimento .................................. 99 Figura 5.31 - Espetro da composição química da mistura C3_(A1) com 3 dias de cura, obtido por EDS ............................................................................................................... 100 Figura 5.32 - Espetro da composição química da mistura C30_(A1) com 30 dias de cura, obtido por EDS .................................................................................................... 101 Figura 5.33 - Imagens da mistura A30_(A1): a) Obtida recorrendo a microscópio ótico; b), c) e d) Imagens SEM obtidas por microscópio de varrimento ................................ 102 Figura 5.34 - Espetro da composição química da mistura A30_(A1) com 30 dias de cura, obtido por EDS .................................................................................................... 103 Figura 5.35 - Imagens da mistura C30_(B1): a) Obtida recorrendo a microscópio ótico; b), c) e d) Imagens SEM obtidas por microscópio de varrimento ................................ 104 Figura 5.36 - Imagens da mistura C30_(B3): a) Obtida recorrendo a microscópio ótico; b), c) e d) Imagens SEM obtidas por microscópio de varrimento ................................ 105 Figura 5.37 - Espetro da composição química da mistura C30_(B1) com 30 dias de cura, obtido por EDS .................................................................................................... 106 Figura 5.38 - Espetro da composição química da mistura C30_(B3) com 30 dias de cura, obtido por EDS .................................................................................................... 107 Figura 5.39 - Comparação entre os difratogramas do solo natural e as misturas em análise 108 Figura 5.40 - Ampliação do difratograma da Figura 5.39 ..................................................... 109 xiv ÍNDICE DE QUADROS ÍNDICE DE QUADROS Quadro 3.1 - Composição granulométrica do solo em estudo .................................................. 45 Quadro 3.2 - Resultados obtidos para os limites de consistência do solo em estudo ............... 48 Quadro 3.3 - Parâmetros de análise da curva granulométrica do solo em estudo .................... 48 Quadro 3.4 - Valores ótimos obtidos no Proctor Normal para o solo em estudo ..................... 49 Quadro 3.5 - Resumo dos resultados de caracterização e identificação do solo em estudo ..... 51 Quadro 4.1 - Valores da baridade seca e teor em água para cada ponto de moldagem............ 57 Quadro 4.2 - Identificação das misturas a realizar ................................................................... 58 Quadro 4.3 - Parâmetros e respetivos pontos de moldagem em estudo em ambas as análises 72 Quadro 5.1 - Resumo dos valores obtidos em laboratório para o solo estabilizado ................. 78 Quadro 5.2 - Média da resistência de cada teor em água para cada tempo de cura ................. 93 xv SIMBOLOGIA SIMBOLOGIA a Al Al2O3 aw C Ca CaO Cc Ce Cev C-H C-S-H Cu D10 - Massa de água - Alumínio - Óxido de Alumínio - Teor em cimento (definido como a razão entre as massas secas de ligante e de solo) - Teor em cimento (expresso em relação à massa de solo seco) - Cálcio - Óxido de cálcio - Coeficiente de curvatura - Massa de cimento - Teor em cimento volumétrico expresso em relação ao volume total da amostra - Hidróxido de cálcio - Silicato de cálcio hidratado - Coeficiente de uniformidade - Diâmetro efetivo, dimensão abaixo da qual se situam 10 % em peso das partículas do solo D30 - Diâmetro abaixo do qual se situam 30 % em peso das partículas do solo D60 - Diâmetro abaixo do qual se situam 60 % em peso das partículas do solo Fe - Ferro Gs - Densidade das partículas sólidas IP - Índice de plasticidade K - Potássio LL - Limite de liquidez LP - Limite de plasticidade Mg - Magnésio MH - Silte com alta plasticidade ML - Silte com baixa plasticidade Na - Sódio OM - Teor em matéria orgânica Phum - Massa do provete húmido Ps - Massa do provete seco PVC - Policloreto de Vinilo Pw - Massa de água qu, qumáx - Resistência à compressão não confinada S - Enxofre Si - Silício SiO2 - Dióxido de Silício SO3 - Óxido ou trióxido de enxofre (o teor em sulfatos é expresso em % de SO3) Ti - Titânio xvii Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Vce Vv w wót 𝛾𝑑 xviii - Volume de cimento - Volume de vazios - Teor em água - Teor ótimo em água - Peso volúmico seco ABREVIATURAS ABREVIATURAS ASTM – American Society for Testing and Materials BS – British Standards EDS – Espectrometria de Dispersão de Energia (do inglês: Energy dispersive spectroscopy) EN – Norma Europeia FCTUC – Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil NP – Norma Portuguesa SEM – Microscopia Eletrónica de Varrimento (do inglês: Scanning electron microscopy) UCS – Ensaio de compressão não confinada (do inglês: Uniaxial Compressive Strength) XRD – Difração por Raios X (do inglês: X-ray Diffraction) xix INTRODUÇÃO 1 - INTRODUÇÃO 1.1 - ENQUADRAMENTO Tendo em conta a expansão, quer social, quer industrial dos últimos tempos, desencadeouse um notável desenvolvimento da construção, concretamente das técnicas de construção, sendo de destacar as técnicas de melhoramento e reforço de solos, pois estas possibilitam a ocupação de novas áreas de solo, caracterizadas por fracas propriedades geotécnicas (baixa resistência e elevada deformabilidade). Os solos do Norte de Portugal são maioritariamente graníticos, com uma baixa fração de argila, composta principalmente por caulinite (Fonseca,1988), portanto não são adequados a serem utilizados para construção em terra sem estabilização. Este tipo de solo não possui coesão suficiente que permita a sua viabilidade na referida aplicação, daí a necessidade de melhorar o solo original. Contudo a baixa atividade do mesmo não favorece o uso da cal, o que obriga a recorrer a outro tipo de componente químico. Uma escolha óbvia seria o cimento. No entanto, o processo de estabilização com cimento deste tipo de solo, ainda não está completamente compreendido, pois poucos estudos têm sido publicados e os poucos que existem são para aplicações rodoviárias e ferroviárias (Cruz et al., 2011; Rios et al., 2011; Silva, 2011). A estabilização dos solos é um processo mais recente, que tem como finalidade obter dos solos um melhor comportamento mecânico, uma melhor coesão, reduzir a porosidade, aumentando a impermeabilidade, e reduzir a erosão provocada pelo vento e chuva. Os estabilizantes mais utilizados são o cimento e a cal (Marques, 2002). Tendo como base os seguintes conceitos: solo residual granítico, reutilização e estabilização química com ligantes, surge este trabalho de investigação, inserido num projeto mais vasto que envolve a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, a Universidade do Minho e a Universidade de Coimbra. 1 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 1.2 - OBJETIVOS Esta Dissertação de Mestrado tem como objetivo contribuir para um melhor conhecimento e compreensão do comportamento mecânico de um solo residual granítico estabilizado com cimento. Pretende-se assim, quantificar os benefícios alcançados com a estabilização química e otimizar o processo de estabilização de solos residuais graníticos. Para o efeito, o trabalho que se apresenta visa a caracterização geotécnica do solo residual granítico, típico do Norte de Portugal, bem como a caracterização geotécnica e estrutural da sua mistura com cimento. Os principais objetivos deste estudo são: Identificar as principais variáveis no desenvolvimento da resistência da mistura de solo-cimento; Avaliação da influência do teor em cimento e do tempo de cura na resistência à compressão simples; Influência do teor em água sobre a resistência à compressão simples do solo estabilizado com cimento; Influência do peso volúmico seco sobre a resistência à compressão simples do solo estabilizado com cimento. 1.3 - ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO O solo utilizado foi recolhido perto das instalações da Universidade do Minho, em Guimarães. Foi definido um programa experimental, constituído por duas partes. Uma primeira parte em que foi feita uma caracterização geotécnica do solo natural, tendo sido este submetido a ensaios para análise da granulometria, dos limites de consistência e dos parâmetros de compactação. Foi também feita uma caracterização adicional através de Microscopia Eletrónica de Varrimento (SEM), acompanhada da técnica designada por Espectrometria de Dispersão de Energia (EDS) e análise por Difração de Raios X (DRX). Para ser possível obter imagens que permitam visualizar os aspetos da microestrutura do material e fazer a identificação qualitativa e semiquantitativa dos elementos químicos presentes no mesmo, bem como, a sua caracterização mineralógica. 2 INTRODUÇÃO Na segunda parte é colocado em prática o processo de estabilização com cimento, sendo aqui descritas todas as técnicas de moldagem e cura das amostras, bem como, os ensaios de compressão simples, utilizados para avaliar a resistência mecânica do solo estabilizado. Nesta fase, foi também realizada a caracterização adicional do solo estabilizado, como forma de avaliar a influência de alguns parâmetros, tendo por base, as técnicas já utilizadas na análise do solo natural. Como tal, a presente dissertação está organizada em 6 Capítulos, sendo o primeiro dos quais constituído pela presente introdução. A revisão bibliográfica, que incorpora o Capitulo 2, apresenta estudos já elaborados relativamente à técnica de estabilização de solos, bem como, alguns conceitos inerentes ao assunto em estudo e sua envolvente. O Capítulo 3 diz respeito à metodologia laboratorial da caracterização do solo natural, onde os ensaios são apresentados e o solo em estudo caracterizado. No Capítulo 4 é desenvolvido todo o trabalho laboratorial referente ao melhoramento do solo com cimento, sendo apresentados os equipamentos utilizados, o método de preparação das amostras, o processo de cura e os ensaios a que estas foram sujeitas. Este também apresenta todos os trabalhos relativos à caracterização do solo estabilizado, com recurso à Microscopia Eletrónica de Varrimento acompanhada da técnica de Espectrometria de Dispersão de Energia e à Difração por Raios X. No Capítulo 5 são apresentados e discutidos os resultados do trabalho experimental. São realizadas várias representações gráficas para avaliar a resistência à compressão simples em função do tempo de cura, teor em cimento, teor em água e baridade seca das misturas solocimento. São apresentados também os resultados da análise da microestrutura e composição do solo-cimento. Por fim, no Capítulo 6 serão resumidas as principais conclusões recolhidas ao longo do trabalho e serão apresentadas algumas propostas de continuidade e de desenvolvimento do trabalho efetuado. 3 REVISÃO BIBIOGRÁFICA 2 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 - CONSIDERAÇÕES GERAIS De acordo com Woodward (2005), citado por Cristelo (2009), o solo natural constituí um material complexo que varia de acordo com a sua localização. No entanto, devido ao seu baixo custo e universalidade, tem uma elevada utilidade como material de engenharia. Não é invulgar que o solo de um determinado local não cumpra, total ou parcialmente, os requisitos necessários para ser usado como material de engenharia. Nesse caso, uma decisão tem de ser tomada em relação à solução mais adequada para cada situação: Aceitar o material original e ajustar o projeto às restrições por ele impostas; Remover o solo do seu local original e substitui-lo por material de qualidade superior; Alterar as propriedades do solo original de forma a criar um material capaz de satisfazer os requisitos do projeto. Esta última possibilidade é usualmente designada por estabilização de solos. O desenvolvimento desta técnica resultou do elevado crescimento populacional e consequente avanço da tecnologia, ocorrendo assim uma maior ocupação do solo. Tornandose por vezes esta ocupação do solo um desafio para o ato de engenharia, devido às fracas características geotécnicas do solo a ocupar. São várias as técnicas de melhoramento e reforço atualmente existentes, podendo simplesmente serem agrupadas em técnicas de melhoramento e técnicas de reforço (Cardoso, 1987, cit in Correia 2011). As primeiras, também muitas vezes designadas de estabilização, dizem respeito à alteração de pelo menos uma das propriedades intrínsecas do solo, podendo o efeito do tratamento do solo ser, temporário ou permanente, e de natureza química, física, ou mecânica. Neste grupo encontram-se técnicas como as injeções, o aquecimento ou a congelação, os drenos verticais, a compactação, a pré-carga, etc. Já nas técnicas de reforço de um solo, o efeito é essencialmente estrutural, uma vez que são introduzidos no solo determinados elementos resistentes que, dadas as suas características, tornam possível que o 5 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento maciço suporte solicitações às quais por si só não está habilitado a resistir. Neste grupo incluem-se as técnicas de pregagens, ancoragens, estacas, etc. (Correia, 2011). A técnica de melhoramento ou estabilização química de um solo, tendo em conta o aproveitamento do mesmo, será assunto a destacar neste estudo, sendo feita a apresentação de alguns conceitos e fenómenos nas secções seguintes de modo a fazer um enquadramento do estudo em causa. Inicia-se o Capítulo pela apresentação das características geológicas e geotécnicas do solo a aproveitar, solo residual granítico, oriundo do Norte de Portugal, é feita também uma breve explicação da técnica em estudo e o porquê do seu uso. Seguindo-se uma descrição dos fenómenos envolvidos no processo de estabilização química com ligante de um solo, bem como, os fatores e parâmetros que influenciam quer a mistura, quer o material resultante, tendo em conta alguns estudos efetuados até a data. 2.2 - CARACTERIZAÇÃO GEOLÓGICA-GEOTÉCNICA DE UM SOLO RESIDUAL GRANÍTICO Em parte significativa do Norte de Portugal, em particular nas regiões de Entre Douro e Minho e na Beira Alta, as formações geológicas predominantes são as rochas graníticas. Cidades como o Porto, Braga, Guimarães e Viseu encontram-se literalmente fundadas em solos residuais do granito (Fernandes, 2006). 2.2.1 - PROCESSO DE FORMAÇÃO E COMPOSIÇÃO Fonseca (1988), define solos residuais, como sendo aqueles que resultam da decomposição "in situ" das rochas que lhe são originárias. O autor realça que, decomposição, significa uma transformação gradual por fragmentação e alteração química da rocha mãe, resultando um solo constituído por cristais, microcristais e fragmentos da rocha mais ou menos alterada. Como refere Townsend (1985) e exposto por Fonseca (1988), solos residuais graníticos são solos resultantes de ações químicas ou térmicas no tempo e, por isso, dependem dos fatores climáticos, materiais de origem, topografia e condições de drenagem e idade. 6 REVISÃO BIBIOGRÁFICA Segundo Vargas (1971), (em Fonseca, 1988), no produto de decomposição da rocha, temos: fragmentos da rocha que resistem ao processo; cristais de quartzo (SiO2) também resistentes e que se destacam da rocha original; minerais de argila (caulinite, haloisite e montmorilonite) provenientes das reações que atacam os feldspatos, feldspatoides e micas da rocha original e elementos acidentais precipitados, dos quais salienta-se a gibsite e a limonite, cuja presença condiciona muito as propriedades geotécnicas do solo. O autor refere ainda que a cada um destes elementos corresponde uma dimensão estatística das partículas. Assim, aos fragmentos da rocha correspondem diâmetros de grãos maiores que 2 mm (peneiro ASTM n.º 10), aos cristais de quartzo, correspondem diâmetros entre 2 e 0,02 mm, aos cristais de argilas corresponde, um diâmetro inferior a 0,002 mm, sendo a faixa compreendida entre 0,02 e 0,002 mm, preenchida pelos elementos de natureza acidental. Não fazem parte desta organização, as palhetas de mica, de comprimento e espessura aleatórias, as concreções de limonite (óxidos de ferro hidratados) e outros cristais esporádicos. A Figura 2.1 realça um perfil típico de um maciço rochoso, com zona superficial alterada e com recobrimento de solos residuais. Figura 2.1 - Perfil típico de um solo residual (Fernandes, 2006) 7 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento A meteorização do granito em climas temperados não implica em regra uma modificação da estrutura original do maciço rochoso. Para os solos residuais que no essencial conservam a estrutura da rocha-mãe são normalmente usados os termos arenas ou saprólitos, correspondentes à tradução dos termos usados nas literaturas francesa e inglesa, respetivamente, arène e saprolite (Fernandes, 2006). 2.2.2 - ESTRUTURA E PLASTICIDADE DOS SOLOS RESIDUAIS Fernandes (2006) salienta o facto de este tipo de solos apresentar uma estrutura particularmente interessante, pois sendo solos de granulometria muito extensa, as partículas não têm uma distribuição espacial uniforme. É composto por uma estrutura primária, formada pelas partículas mais grossas, em geral os grãos de quartzo, enquanto as partículas finas formam pontes ou ligações cimentícias nos pontos de contacto dos grossos. Aquelas podem corresponder a ligações da antiga rocha não destruídas ou a outras reconstruídas no âmbito do processo químico de decomposição da rocha. Diz-se então que estes solos apresentam estrutura cimentada (Figura 2.2). O mesmo autor afirma que a fração de argila presente neste tipo de solo é reduzida, sendo os minerais desta pouco ativos, sendo assim, em geral os solos residuais graníticos são solos pouco plásticos ou mesmo, nos casos em que a alteração química não se encontra muito avançada, não-plásticos. Designam-se por não-plásticos os solos em relação aos quais não é possível a determinação dos limites de Atterberg (NP-143, 1969). 8 REVISÃO BIBIOGRÁFICA Figura 2.2 - Fotografia com microscópia binocular de um solo residual do granito, onde é possível observar a sua estrutura cimentada (Fernandes, 2006; adaptado de Fonseca, 1988) 2.2.3 - COMPRESSIBILIDADE DOS SOLOS RESIDUAIS Estes solos apresentam uma baixa variação de índice de vazios, por unidade logarítmica de pressões aplicadas, antes de uma determinada pressão (a chamada tensão de préconsolidação), sendo muito maior depois da mesma. Esta existência de tensão de préconsolidação não pode ser explicada da forma convencional. Esta tensão poderá ter origem na estrutura do esqueleto grosso, constituído por fragmentos de rocha sã alterada de diâmetro maior que 2 mm e grãos de areia, cristais de quartzo, de diâmetro entre 50 µm e 2 mm. Atingida a tensão de pré-consolidação "virtual" o esqueleto deixa de se deformar só por si, passando a comprimir-se em conjunto com a matriz argilosa (Fonseca, 1988). 2.2.4 - RESISTÊNCIA AO CORTE DOS SOLOS RESIDUAIS Vargas (1971), cit in Fonseca (1988), apresentou alguns estudos para tal resistência, tendo como base curvas envolventes de Mohr de amostras cilíndricas de solo residual saturado, nas três condições clássicas do ensaio: drenado com amostra intacta, S; não drenado com amostra intacta, Q; e drenado com amostra remexida e recompactada, R (Figura 2.3 e 2.4). 9 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Figura 2.3 - Curvas envolventes de rotura típicas de solos residuais em condições saturadas - Tensões efetivas, por Vargas em 1971 (Fonseca, 1988) A mesma análise foi feita pelo autor para ensaios nas mesmas circunstâncias mas em condições não saturadas. Figura 2.4 - Curvas envolventes de rotura típicas de solos residuais em condições não saturadasTensões totais, por Vargas em 1971 (Fonseca, 1988) O autor salienta o acentuado pronunciamento da parte curva, o qual corresponde a coesões maiores do que as observadas nos solos não saturados comuns. A explicação para este facto reside em que, para além da coesão adicional devida a tensões neutras negativas - sucção nas amostras de solo não saturado, a presença de água nas amostras saturadas diminui a cimentação do esqueleto grosso por fluidificação das coloides aglutinantes. 10 REVISÃO BIBIOGRÁFICA O mesmo autor afirma ser possível definir três situações: a) As curvas dos ensaios S,R e Q são semelhantes porque não se desenvolvem pressões neutras em nenhum deles devido à grande dimensão dos vazios; b) A diminuição dos vazios devido às elevadas tensões leva ao aparecimento de pressões neutras, tornando-se o comportamento dos solos residuais não saturados semelhantes aos saturados. Recorda-se o facto, atrás referido, de que os solos residuais apresentam geralmente graus de saturação elevados; c) Situação intermédia em que se situa a maior parte dos casos, já que a pressão necessária para saturar o solo é muito elevada. Fonseca (1988) apresenta a ideia de Vaughan et al. (1987), que defende que devido à aglomeração de partículas por cimentação química, característica dominante dos solos residuais, aparece uma envolvente de resistência ao corte drenado com uma coesão efetiva, c', isto mesmo apesar da elevada porosidade do solo e das características granulares. Os solos residuais encontram-se num estado de saturação parcial, com tensões neutras negativas (sucção), ou seja, tensões efetivas na massa do solo maiores que as devidas ao peso de solo sobrejacente, originando resistências adicionais aparentes (Fonseca, 1988). Tendo em conta o trabalho de Fonseca (1988) é possível afirmar as seguintes ideias acerca da resistência ao corte apresentada por este tipo de solos: - O ângulo de atrito só será influenciado por dois fatores: O grau de saturação (a água poderá lubrificar as partículas apresentando menor atrito o solo saturado); O grau de remeximento (o remeximento e compactação podem quebrar ligações entre partículas finas de argila que tinham formado aglomerados grossos, alterando o valor de atrito da condição intacta para a recompactada). 11 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento - A coesão poderá ser de dois tipos: Coesão efetiva - eventualmente resultante da formação de partículas argilosas no processo de decomposição da rocha mãe, as quais conferem uma certa coesão ao solo. Esta coesão é sobretudo devida às ligações existentes entre as partículas (pontes de cimentação química) e desaparece com o remeximento total da amostra. Coesão aparente - parcela adicional existente no caso do solo não se encontrar saturado, como já foi explicado atrás. Fonseca (1988) comprova que parte da coesão destes solos perde-se quando o material é remexido, sendo a resistência adicional obtida para os graus mais baixos da tensão de confinamento devida, possivelmente, às referidas ligações entre partículas remanescentes. 2.3 - ESTABILIZAÇÃO DE SOLOS Quando os solos naturais não possuem os requisitos necessários para cumprir adequadamente a função a que estão destinados, quer quando utilizados no seu estado natural, em fundações ou escavações, quer quando utilizados como material de construção, uma das soluções possíveis é a alteração das suas características de maneira a melhorar o seu comportamento, tornando-os capazes de responder de forma satisfatória às solicitações previstas. Esta alteração é o que se designa por estabilização de solos (Cruz e Jalali, 2008). 2.3.1 - NECESSIDADE DE RECORRER À ESTABILIZAÇÃO DE SOLOS A resistência do solo a uma determinada carga não depende apenas das características intrínsecas do solo, mas também do estado de tensão instalado antes da solicitação e do teor em água. Sendo assim, a estabilização de um solo onde o estado de tensão é constante em toda a sua massa e a variação do teor em água é mínima, é diferente de estabilizar a superfície de um declive em que a variação de humidade é considerável, ou mesmo em estabilizar a base de um pavimento rodoviário onde estado de tensão e teores de humidade apresentam significativas variações. O método de melhorar as propriedades do solo precisa de ser compatível com a carga que irá receber e para o ambiente em que é colocado. Por exemplo, a compactação de um solo expansivo irá aumentar a sua resistência, mas em contacto com a água por um longo período, é capaz de absorvê-la e expandir, diminuindo novamente a resistência. A estabilização deve contribuir para a modificação das propriedades naturais do 12 REVISÃO BIBIOGRÁFICA solo, mas também deve assegurar em termos de medidas preventivas contra condições adversas desenvolvidas quer durante a construção quer durante a vida útil da obra (Cristelo, 2009). As propriedades de maior interesse para um engenheiro geotécnico são o controle da expansibilidade, da deformabilidade, a resistência, a durabilidade dessa resistência e a permeabilidade. Sendo assim, será necessário recorrer á estabilização de solos para controlar este tipo de fenómenos. 2.3.2 - MÉTODOS DE ESTABILIZAÇÃO DE SOLOS As alterações às propriedades de um solo podem ser de ordem química, física e mecânica. Contudo, devido à grande variabilidade dos solos nenhum método será bem sucedido em todos os tipos de solos. A estabilização não é necessariamente um processo infalível através do qual toda e qualquer propriedade do solo é alterada para melhor. Uma aplicação correta de qualquer método exige assim a identificação clara de quais as propriedades do solo que se pretendem melhorar (Cristelo, 2001). Um fator a ter em conta na escolha da técnica a adotar é o impacto ambiental, existindo hoje em dia fortes pressões para a sua consideração e minimização. Sendo assim, será de aproveitar os materiais existentes no local da obra, independentemente da sua qualidade e adequabilidade ao projeto em questão. Surge então o conceito, técnica de melhoramento ou estabilização química de um solo com materiais que possuem propriedades aglomerantes (ligantes) (Correia, 2011). 2.3.2.1 - Estabilização mecânica Consiste na melhoria das propriedades do solo através de uma reorganização da posição relativa das suas partículas, com ou sem introdução de novas partículas, por forma a obter uma massa mais densa, heterogénea. Compactação Vibroflutuação Compactação dinâmica Compactação por explosivos 13 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Aceleração da consolidação (Pré-carga e drenos verticais) Correções granulométricas 2.3.2.2 - Estabilização física As propriedades dos solos são alteradas através do uso do calor ou da aplicação de um potencial elétrico. Electro-osmose Tratamento Térmico (Aquecimento e congelação) 2.3.2.3 - Estabilização química Consiste na adição de componentes químicos tais como, cimento ou cal, ao solo original, tendo em vista a melhoria das propriedades do solo em geral. Quando se utiliza o cimento ou a cal, as partículas do solo são coladas por meio de produtos químicos e não reações físicas. Cimento Cal Ativação alcalina Produtos betuminosos Os agentes estabilizadores podem ter maior ou menor eficiência, consoante o tipo de solo em causa, dada a sua enorme variedade, quer a nível físico, quer a nível químico. A Figura 2.5 esquematiza quais os agentes mais indicados, mediante os resultados dos ensaios de análise granulométrica e dos limites de Atterberg (Cruz e Jalali, 2008). 14 REVISÃO BIBIOGRÁFICA Figura 2.5 - Agente estabilizador a utilizar em função do tipo de solo (Little, 1995; adaptado de Cruz e Jalali, 2008) 2.4 - INTERAÇÕES FÍSICO-QUÍMICAS DO PROCESSO DE ESTABILIZAÇÃO QUÍMICA DE UM SOLO Segundo Correia (2011) ao introduzir materiais com propriedades aglomerantes num solo desenvolvem-se interações físico-químicas que conduzem à alteração do seu comportamento mecânico, sendo estas alterações muito dependentes do tipo e da quantidade de ligante, assim como das características e condições do solo base. Estas interações físico-químicas podem ser agrupadas segundo 3 categorias: Reação de hidratação (ou reação primária); Reação pozolânica (ou reação secundária); Troca iónica. As que mais contribuem para a alteração do comportamento mecânico do solo são as duas primeiras. As reações de hidratação são as que acontecem entre o ligante e a água existente no 15 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento solo, terminando estas ao fim de algumas horas. Temos depois as reações pozolânicas ou secundárias, correspondendo à combinação de alguns dos produtos das reações primárias com os minerais pozolânicos (sílica e alumina) existentes no solo ou contidos nos ligantes. Simultaneamente com estas reações, as partículas de argila eventualmente existentes no solo podem sofrer uma alteração da sua estrutura por troca iónica, efeito este que pode contribuir para a estabilização do solo. No entanto, o efeito estabilizador associado à troca iónica é em geral modesto quando comparado com o resultante das reações de hidratação e pozolânicas. Este efeito estabilizador pode em qualquer dos casos ser entendido como uma cimentação do solo (Correia, 2011). 2.4.1 - REAÇÕES POZOLÂNICAS E DE HIDRATAÇÃO Em função da reatividade do ligante quando em contacto com a água, desenvolvem-se reações de hidratação e reações pozolânicas. Esta reatividade do ligante traduz-se pela capacidade de o material se combinar com a água, usualmente traduzida pela razão cal:sílica (Cao:Sio2). Quando esta capacidade é elevada diz-se que o ligante é hidráulico, sendo exemplo disso o cimento Portland e a cal viva, ocorrendo neste caso reações de hidratação de forma espontânea. Quando esta é modesta as reações de hidratação do ligante só ocorrem se forem ativadas, sendo classificado o ligante como hidráulico latente, por exemplo, a escória granulada de alto forno. A capacidade é quase nula, quando o ligante não exibe qualquer tipo de reação primária, sendo o ligante pozolânico (onde se incluem a cinza volante, a pozolana natural e a sílica de fumo) (Correia, 2011). As principais reações que se desenvolvem na estabilização de um solo com o cimento Portland podem ser resumidas através das equações seguintes (Correia, 2011): (2.1) (2.2) (2.3) 16 REVISÃO BIBIOGRÁFICA Apresentam-se as reações referentes aos silicatos tricálcico (3CaO.SiO2) e bicálcico (2CaO.SiO2) (Equação 2.1), pois são estes os materiais responsáveis por cerca de 75% dos constituintes do cimento Portland e os que mais contribuem para o aumento da resistência mecânica. Ao mesmo tempo que se desenvolve esta reação de hidratação primária, ocorre a dissolução de parte do hidróxido de cálcio (Equação 2.2). Este combinado com os minerais de sílica (SiO2) e/ou de alumínio (Al2O3) presentes no solo (Equação 2.3), dá origem a uma reação pozolânica secundária (reação que se desenvolve com reduzida velocidade, sendo responsável em parte pelo aumento da resistência mecânica no tempo). Os principais produtos resultantes das reações são um gel aglomerante de silicatos de cálcio hidratados (CaO.SiO2.H2O), que cristalizam sob a forma de agulhas, envolvendo-se e colando-se uns aos outros e às partículas de solo (construindo um esqueleto sólido resistente), sendo os grandes responsáveis pelo aumento da resistência do solo estabilizado (Correia, 2011). O cimento Portland é o grande responsável pelo aumento de resistência mecânica (cerca de 50% do cimento Portland reage até ao 3º dia, 60% até ao 7º dia e 90% até aos 30 dias) (Janz e Johansson, 2002). 2.4.2 - TROCA IÓNICA As partículas de argila presentes num solo podem sofrer uma alteração da sua estrutura por troca iónica, efeito este que pode contribuir para a estabilização do solo. No entanto, este efeito apenas assume particular importância na presença de solos muito argilosos, estabilizados com moderadas quantidades de ligante (Correia, 2011). Para o solo em estudo este género de interação, troca iónica, será modesta relativamente às já abordadas, tendo em conta a pequena fração de argila ativa presente no solo, que influencie o comportamento do mesmo. Sendo assim, o mecanismo inerente a este tipo de reações não será explorado, neste estudo. 17 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 2.5 - ESTABILIZAÇÃO QUÍMICA COM CIMENTO A estabilização com cimento melhora a estrutura do solo, reforçando as ligações de cimentação e reduzindo assim os espaços porosos (Horpibulsuk et al., 2010). A estabilização com cimento aplica-se tanto a solos coesivos como a solos incoerentes, mas para estes obtêm-se melhores resultados. Há duas vias para a utilização deste tipo de estabilização. Uma com pequenas quantidades de cimento (3% ou 4% de teor em cimento), em que se visa essencialmente diminuir a suscetibilidade do solo à água, com aumentos ligeiros da resistência. Trata-se da chamada técnica de "solo tratado com cimento". A segunda opção consiste na utilização de maiores dosagens de cimento, conduzindo a um material de resistência mais elevada, com características já significativamente diferentes daquelas verificadas no solo original, o chamado "solo-cimento" (Branco et al., 2006). 2.5.1 - TIPO DE MISTURAS DE SOLO E CIMENTO Santos (1967) afirma que a estabilização com cimento consiste na preparação duma mistura íntima de solo pulverizado, cimento Portland e água, em proporções determinadas e distingue três tipos de misturas: − Solo-cimento: material endurecido obtido pela cura duma mistura íntima e devidamente compactada de solo pulverizado, cimento Portland e água, em proporções devidamente determinadas. − Solo modificado por cimento: material não endurecido ou semi-endurecido obtido pela mistura íntima de solo pulverizado, cimento Portland e água. A percentagem de cimento é sensivelmente menor do que a requerida no solo-cimento. A compactação e cura não são fundamentais para o processo físico e químico da estabilização. − Solo-cimento plástico: material endurecido obtido pela cura duma mistura íntima de solo pulverizado, cimento Portland e água em quantidade suficiente para assegurar uma consistência de argamassa na altura da mistura e colocação. A percentagem de cimento empregada é superior à requerida no solo-cimento e as especificações dos solos a empregar são semelhantes às exigidas naquele tipo de mistura. 18 REVISÃO BIBIOGRÁFICA 2.5.2 - ESPECIFICAÇÕES PARA O SOLO A SER TRATADO A Especificação E243-1971 do LNEC, indica as características que devem ter os solos antes do tratamento para fins rodoviários. Deverão ser isentos de raízes, capim ou qualquer outra substância prejudicial para o cimento Portland Poderão conter no máximo 2% de matéria orgânica e 0,2% de sulfatos expressos em SO3 O diâmetro máximo das partículas não poderá exceder 75 mm Percentagem que passa no peneiro de 4,75 mm (nº 4) ASTM ≥ 45% Percentagem que passa no peneiro de 50 mm ASTM ≥ 80% Limite de Liquidez ≤ 45% 2.5.3 - FATORES COM INFLUÊNCIA NAS PROPRIEDADES DAS MISTURAS DE SOLO E CIMENTO Apesar das numerosas aplicações desta técnica, não existem metodologias de dosagem com base em critérios racionais, como no caso da tecnologia do betão, onde a proporção água/cimento desempenha um papel fundamental na avaliação da resistência desejada. Em trabalhos recentes a relação solo-cimento tem sido avaliada recorrendo a numerosos testes de laboratório que visam encontrar a quantidade mínima de cimento que conduz às propriedades pretendidas em termos de resistência e durabilidade. Esta abordagem provavelmente resulta do facto do solo-cimento apresentar um comportamento complexo motivado por vários fatores, como as propriedades físico-químicas do solo, a quantidade de cimento, e a porosidade e humidade no momento da compactação (Consoli et al., 2007). 2.5.3.1 - Propriedades físico-químicas do solo As características do solo podem conduzir ao sucesso ou insucesso do processo de estabilização com cimento, ou pelo menos influenciam os aspetos económicos. Sendo assim, revela-se importante escolher este processo de estabilização somente quando os solos forem adequados. Segundo a especificação E243 (1971) do LNEC, a seleção do tipo de solo depende de duas propriedades físicas, a granulometria e os limites de consistência, e de 19 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento propriedades químicas, tais como, a presença de matéria orgânica e a presença de sulfatos, além das condições gerais que estes solos devem possuir (Cruz e Jalali, 2008). Santos (1967) afirma que um solo próprio para a estabilização com cimento deve respeitar estas duas condições essenciais: - A sua granulometria e plasticidade devem ser tais que permitam a estabilização com percentagens económicas de cimento e o manuseamento conveniente da mistura com o tipo de equipamento de mistura e compactação disponíveis. - Deve estar suficientemente livre de substâncias químicas suscetíveis de prejudicar o endurecimento da mistura de solo, cimento e água, ou de provocar uma diminuição de durabilidade pela destruição das ligações devidas ao cimento. 2.5.3.2 - Teor em cimento Consoli et al. (2007) concluíram que o teor em cimento exerce um grande efeito sobre a resistência do solo-cimento, pois pequenas adições de cimento são suficientes para melhorar a resistência do solo. Para tal demonstraram que, para teores em cimento (C) até 7% a resistência à compressão simples apresenta um crescimento aproximadamente linear, mantendo o teor em água constante como mostra a Figura 2.6. Segundo os mesmos autores, é possível concluir que a taxa de aumento de resistência, representada pela inclinação da linha ajustada, é também influenciada pelo aumento da densidade seca do solo-cimento compactado, indicando que a eficácia do cimento é maior em misturas mais compactadas. Tendo em conta que o solo usado neste estudo foi uma areia argilosa. 20 REVISÃO BIBIOGRÁFICA Figura 2.6 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento (Consoli et al., 2007) Também Porbaha et al. (2000), citado por Cristelo (2009), mostraram alguns resultados de resistência obtidos em diferentes tipos de solo no Japão, que revelam claramente que um aumento no teor de cimento aumenta a resistência final do material de estabilização. 2.5.3.3 - Porosidade da mistura O estudo efetuado por Consoli et al. (2007), mostra como a porosidade (ƞ) da mistura afeta a resistência à compressão simples do solo-cimento, esta aumenta exponencialmente com a redução da porosidade da mistura compactada, mantendo o teor em água constante (Figura 2.7). Os mesmos autores afirmam que este efeito benéfico na redução da porosidade da mistura tem sido abordado por vários investigadores (Felt, 1955; Ingles and Metcalf, 1972; Clough et al., 1981; Ismail et al., 2002; Consoli et al., 2006). O mecanismo pelo qual a redução da porosidade influencia a resistência do solo-cimento pode estar relacionado com a existência de um maior número de pontos de contacto na mistura (Consoli et al., 2007). 21 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Figura 2.7 - Variação da resistência à compressão simples com a porosidade (Consoli et al., 2007) 2.5.3.4 - Teor em água da mistura compactada A influência do teor em água na resistência ou rigidez de uma mistura solo-cimento pode ser condicionada pela distribuição do tamanho dos grãos de solo não cimentado e cimentado. É sabido que o teor de finos tem uma influência significativa sobre o comportamento de um solo e especialmente sobre o teor em água do mesmo. Sendo um material fino, o cimento pode aumentar o teor de finos do solo. Assim, se uma comparação é estabelecida entre um solo não cimentado e o mesmo solo cimentado, é possível afirmar que a distribuição do tamanho dos grãos dos dois solos não será a mesma, pois a mistura de solo-cimento tem maior teor de finos (Silva, 2011). Outros autores (Consoli et al., 2007) mostram que a resistência à compressão simples em função do teor em água para amostras com a mesma baridade seca sofre um aumento, mas este acréscimo é verificado até um valor máximo para teores crescentes em água. Após este valor ser atingido verifica-se uma redução da resistência da mistura, como é possível verificar na Figura 2.8. Esta demonstra que é possível obter valores de resistência máxima para teores em água de 10% para o solo-cimento em estudo, tratando-se o solo natural de uma areia argilosa. 22 REVISÃO BIBIOGRÁFICA Este comportamento da mistura, no que diz respeito à resistência, provavelmente está relacionado com a estrutura criada no momento de moldagem, tendo a quantidade de água adicionada um papel fundamental na formação dessa mesma estrutura. O teor de humidade tem um efeito marcante, sobre a resistência à compressão simples, em misturas compactadas com a mesma baridade seca (Consoli et al., 2007). Figura 2.8 - Efeito do teor de humidade na resistência à compressão simples (Consoli et al., 2007) Segundo Santos (1967), o teor em água na altura da compactação, deve ser tal que permita atingir um grau adequado de compactação, com boa trabalhabilidade da mistura, densidade conveniente e massa homogénea. A água necessária à hidratação do cimento é automaticamente assegurada se estiverem satisfeitas as necessidades da compactação, desde que não haja perdas durante o período de cura. 2.5.3.5 - Condições de cura Relativamente às condições de cura, em especial a temperatura, sabe-se que esta exerce grande influência sobre a velocidade com que se desenvolvem as reações entre o solo e o ligante. Maior temperatura corresponde a maior velocidade no desenvolvimento das reações solo-ligante (Correia, 2011). 23 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento A temperatura prevalecente durante a cura tem também influência apreciável. Duma maneira geral, temperaturas altas favorecem as qualidades do solo-cimento. Muito provavelmente, será esta uma das razões que explicam parcialmente o sucesso do uso do solocimento em climas quentes (Santos, 1967). A cura das amostras em laboratório dever ser efetuada, preferencialmente, em câmaras de temperatura controlada, reproduzindo-se a temperatura de campo (Correia, 2011). 2.5.3.6 - Tempo de cura A resistência à compressão de uma mistura de solo-cimento aumenta com o tempo, devido ao progressivo endurecimento do cimento. As amostras são normalmente ensaiadas, pelo menos, aos 7 dias de cura, quando cerca de 60% do cimento reagiu, e aos 28 dias após a mistura, altura em que a reação de estabilização estará quase concluída (EuroSoilStab, 2001). Tal como o betão, o solo-cimento precisa de algum tempo de cura antes que possa ser estruturalmente solicitado. Correia (2011) refere o estudo de Kawasaki et al. (1981), o qual defende que com o aumento do tempo de cura ocorre uma melhoria no comportamento mecânico do solo estabilizado, fruto do desenvolvimento de reações pozolânicas. Este efeito está evidenciado na Figura 2.9, relativo à estabilização de 8 diferentes tipos de solos japoneses com cimento Portland. Nesta figura a quantidade de ligante aplicada encontra-se expressa pelo parâmetro teor em ligante, aw, definido como a razão entre as massas secas de ligante e de solo. É assim possível concluir que, independentemente do solo, a resistência qu cresce com o tempo de cura, crescendo este efeito com o teor em ligante (o que se deve ao facto de a uma maior quantidade de ligante corresponder uma maior quantidade de hidróxido de cálcio adicionado, que potencia as reações pozolânicas). 24 REVISÃO BIBIOGRÁFICA Figura 2.9 - Evolução da resistência à compressão não confinada com o tempo de cura (Correia, 2011; adaptado de Kitazume e Terashi, 2002) 2.6 - ENSAIOS UTILIZADOS PARA AVALIAÇÃO DO COMPORTAMENTO MECÂNICO DO SOLO ESTABILIZADO QUIMICAMENTE A estabilização de um solo mediante a sua mistura com ligantes dá origem a um novo material, de comportamento mecânico diferente do solo original. A caracterização mecânica deste novo material é, em geral, efetuada a partir de ensaios laboratoriais, recorrendo-se a ensaios de compressão simples não confinada (UCS), edométricos, triaxiais, técnicas de difração por raios X, microscopia eletrónica de varrimento, entre outros (EuroSoilStab, 2001; EN 14679, 2005). 2.6.1 - COMPRESSÃO SIMPLES Os ensaios de compressão simples têm sido usados na maioria dos programas experimentais descritos na literatura, a fim de avaliar a eficácia da estabilização com cimento, e mesmo para perceber a importância de fatores específicos na resistência das misturas. Uma das razões para a utilização de ensaio de compressão simples é a experiência acumulada com este tipo de ensaios para o betão (Fonseca et al., 2009). 25 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento A resistência à compressão simples de construções em terra, mostra ser a propriedade física mais importante e necessária para avaliar a capacidade de carga de solos estabilizados quimicamente, especialmente sob cargas de gravidade (Reddy e Kumar, 2011). 2.6.2 - ANÁLISE DA MICROESTRUTURA E COMPOSIÇÃO DO SOLO ESTABILIZADO É possível analisar o desenvolvimento da força de um solo estabilizado com base em considerações microestruturais (Horpibulsuk et al., 2010). 2.6.2.1 - Microscopia Eletrónica de Varrimento (SEM) A Microscopia Eletrónica de Varrimento consiste no varrimento da superfície do material a analisar, por um feixe de eletrões finamente focado, com uma determinada energia. Os eletrões ao colidirem com a superfície do material libertam radiações captadas por detetores apropriados, a partir das quais é possível construir uma imagem da superfície do material com uma elevada resolução (Correia, 2011). No fundo, esta técnica permite analisar as eventuais alterações ocorridas ao nível da microestrutura do solo estabilizado. Fylak et al. (2006) efetuaram uma investigação por forma a identificar os vários produtos da hidratação do cimento, recorrendo à análise da microestrutura de amostras com cimento Portland, sendo estas preparadas para proporções de água-cimento entre 0.35 a 0.4, utilizando a técnica de Microscopia Eletrónica de Varrimento. Os autores obtiveram imagens SEM que permitiram visualizar os produtos e respetivas fases da hidratação do cimento, sendo de destacar a primeira fase cristalina, correspondente à formação da etringite (Figura 2.10), apresentando esta uma rápida formação no tempo. Vinte e quatro horas após a hidratação do cimento uma acentuada rede de C-S-H domina as imagens obtidas pelos autores e diferentes morfologias são verificáveis. Uma estrutura densa formou-se em torno dos grãos de clinquer, onde as primeiras fases da hidratação do cimento ainda são visíveis (Figura 2.11). 26 REVISÃO BIBIOGRÁFICA Figura 2.10 - Formação da etringite (Fylak et al., 2006) Figura 2.11 - Imagem SEM que demonstra as fases de crescimento do C-S-H e ainda alguns cristais sob a forma de agulhas de etringite (Fylak et al., 2006) Portanto os autores afirmam existir uma interessante morfologia dos produtos de reação do cimento, exercendo estes alguma influência sobre a configuração e endurecimento do cimento, o que é visível através da Microscopia Eletrónica de Varrimento e da Difração por Raios X. São assim observadas as seguintes fases: formação da etringite (hidróxo-sulfato de alumínio e cálcio hidratado, Ca6Al2(SO4)3(OH)12•26H2O); formação da portlandite (hidróxido de cálcio, Ca(OH)2) e por fim a formação de silicatos de cálcio hidratados (CaOSiO2H2O). 27 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 2.6.2.2 - Difração por Raios X A Difração por Raios X (DRX) é uma técnica analítica não destrutiva e versátil, que permite identificar as fases cristalinas presentes num dado material sólido ou em pó, sendo amplamente utilizada na investigação e a nível industrial (Duarte, 2008). Os raios X, visando estudos de difração, são produzidos quando se estabelece um elevado potencial elétrico (>35 KV), entre um cátodo e um alvo metálico (ânodo ou anticátodo). Os raios emitidos pelo alvo metálico de natureza eletromagnética possuem um comprimento de onda de 0,1 a 100 Å (Pinto, 2004). Um feixe de raios X de comprimento de onda conhecido é direcionado para a superfície do material. Este feixe interage com os átomos presentes no material, ocorrendo assim o fenómeno de difração. Para tal é necessário satisfazer certas condições definidas pela lei de Bragg (Figura 2.12), que estabelece a relação entre o ângulo de incidência (θ), o comprimento de onda dos raios X (λ) e distância entre planos dos materiais (d hkl) (Correia, 2011). Figura 2.12 - Esquema representativo da geometria de Bragg-Brentano (Pinto, 2004) A análise de difração por raios X também foi realizada por Fylak et al. (2006), tendo em conta o estudo já frisado anteriormente, para demonstrar a existência dos produtos de hidratação do cimento, sendo exemplo disso a Figura 2.13. 28 REVISÃO BIBIOGRÁFICA Figura 2.13 -Difratograma obtido por difração de raios X: produtos resultantes da hidratação do cimento (Fylak et al., 2006) 2.6.2.3 - Espectrometria de Dispersão de Energia (EDS) A interpretação dos resultados obtidos com as técnicas já frisadas poderá ser substancialmente melhorada mediante a combinação da técnica SEM com a técnica designada por Espectrometria de Dispersão de Energia (EDS). Esta permite a identificação qualitativa e quantitativa dos elementos químicos presentes na imagem da superfície da amostra (Correia, 2011). 2.7 - PARÂMETROS UTILIZADOS PARA AVALIAR A EFICÁCIA DAS MISTURAS SOLO-CIMENTO 2.7.1 - RAZÃO ÁGUA/CIMENTO Consoli et al. (2007) concluíram que a razão água/cimento (a/ce), definida como a massa de água dividida pela massa de cimento, usada para betão, é inadequada para a análise do comportamento de misturas solo-cimento. Isto porque, a principal diferença entre o solocimento e misturas de betão (para além do teor em cimento) é que, durante a cura do betão todos os espaços vazios são completamente cheios de água, e portanto, o comportamento tensão-deformação do betão não é dependente da proporção de vazios, mas sim do conteúdo em água, pois a quantidade de água reflete os espaços vazios. Já quando se trata do estudo de 29 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento misturas, os vazios são apenas parcialmente preenchidos pela água, não havendo assim uma relação única entre os vazios e a quantidade de água. Os papéis desempenhados pela porosidade e pela humidade são diferentes. Enquanto a água afeta a força, alterando a estrutura do solo, a porosidade afeta a força através da modificação do número de pontos de contacto entre as partículas do solo. Segundo os autores, a razão (a/ce) não é um bom parâmetro para avaliar a resistência à compressão de misturas solo-cimento no estado não saturado. 2.7.2 - RAZÃO VAZIOS/CIMENTO A razão vazios/cimento (Vv/Vce), definida como o volume de vazios divididos pelo volume de cimento, também foi analisada por Consoli et al. (2007) através de ensaios de compressão simples (Figura 2.14). Os autores concluíram que este parâmetro é o mais adequado para avaliar a resistência das misturas solo-cimento, para teores em água constantes. Figura 2.14 - Variação da resistência à compressão simples em função da razão Vv/Vce (modificado de Consoli et al., 2007) Segundo Consoli et al (2009), esta relação constitui um bom parâmetro para analisar os resultados de ensaios de compressão triaxial, a rigidez inicial e os parâmetros de resistência efetiva de pico de uma areia artificialmente cimentada 30 REVISÃO BIBIOGRÁFICA A Figura 2.15 mostra uma boa aproximação dos resultados obtidos quer para ensaios de compressão simples, quer para ensaios triaxiais sujeitos a diferentes tensões confinantes em função da razão volume de vazios para o volume de cimento (Vv/Vce). Figura 2.15 - Variação da resistência à compressão simples (qu) e tensão desviadora de pico (q - para tensões efetivas confinantes de 20, 200 e 400 KPa) em função da razão Vv/Vce (Consoli et al., 2009) As curvas relativas aos resultados dos ensaios triaxiais estão posicionadas acima da curva do ensaio de compressão simples, isto devido ao efeito da pressão confinante na resistência. Na Figura 2.16 são apresentados os resultados para os parâmetros de resistência de pico, ou seja, é feita a interpretação da coesão, bem como do ângulo de atrito, tendo como base os resultados dos ensaios de compressão triaxial e a razão volume de vazios para o volume de cimento (Vv/Vce), como mostra a figura. 31 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Figura 2.16 - Relação entre Vv/Vce com os parâmetros de resistência efetiva de pico: coesão e ângulo de atrito (Consoli et al., 2009) Os mesmos autores também estabeleceram um ajuste ótimo das curvas de resistência à compressão simples, com o qual é possível obter o módulo de rigidez inicial em função da razão volume de vazios para o volume de cimento, permitindo assim estabelecer uma relação G0/qu como função de Vv/Vce, como mostra a Equação (2.4). Uma relação entre o módulo de rigidez inicial e Vv/Vce, tendo em consideração todas as pressões efetivas confinantes, foi também estabelecida pelos mesmos autores, como mostra a Figura 2.17. G0 VV 0.56 ≅ 345 � � qu Vce (2.4) Figura 2.17 - Relação entre G0 e Vv/Vce, considerando todas as pressões confinantes (Consoli et al., 2009) 32 REVISÃO BIBIOGRÁFICA A Figura 2.18 mostra a variação da resistência das diferentes misturas definidas no estudo de Consoli et al. (2007) com as diferentes variações, relativamente a baridade seca e teor em água das mesmas, verificando-se um bom ajuste entre os resultados experimentais e a razão proposta. Razão esta que usa agora a porosidade expressa como percentagem do volume total da amostra em vez de o volume de vazios, e em vez de volume em cimento teor de cimento volumétrico, também este expresso como percentagem do volume total da amostra. Assim, a razão porosidade da mistura compactada (ƞ) dividida pelo teor de cimento volumétrico (Cev), ajustado por um expoente de 0,28 para o solo analisado (areia argilosa), é válido para todos os teores de humidade considerados. Os autores alertam para o facto de este expoente poder variar em função do tipo de cimento e solo usados. Figura 2.18 - Valores de todos as misturas em função da razão ƞ/(Cev)0.28 (Consoli et al., 2007) Os resultados apresentados no estudo de Consoli et al. (2009), sugerem que a utilização da razão volume absoluto de vazios divididos pelo volume absoluto de cimento, permite escolher a quantidade de cimento e porosidade adequada para fornecer uma mistura que atenda a resistência e rigidez exigidas pelo projeto em causa. 33 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 2.8 - APLICABILIDADE DA TÉCNICA ESTABILIZAÇÃO COM CIMENTO Segundo Santos (1967), a estabilização de solo com cimento apresenta algumas aplicabilidades consoante o tipo de mistura. Os principais usos do solo-cimento podem enumerar-se como se segue: - Construção de camadas de base para estradas, ruas e pistas de aviação; - Construção de camadas de sub-base em pavimentos rígidos ou flexíveis; - Pavimentação de bermas em estradas e aeródromos; - Pavimentação de áreas de estacionamento; - Pavimentação de áreas de armazenamento para agregados, materiais diversos ou equipamento; - Pavimentação de passeios ou pistas de ciclistas; - Revestimentos de taludes sujeitos a inundações ou ação de vagas, ou de taludes de barragens de terra; - Construção de núcleos de barragens de terra; - Revestimento de reservatórios de água; - Fundações para alguns tipos de estruturas; - Blocos para construção de habitações; - Construção de paredes compactadas de habitações económicas; - Conservação ou reconstrução de bases em solos granulares; - Modificação de solos suscetíveis à ação do gelo; - Aplicações diversas, como drenos superficiais, aquedutos, pequenos pontões em arco, etc. No caso do solo modificado por cimento, convém distinguir os diferentes usos conforme se trate de solos granulares ou de solos siltosos e argilosos. Assim, quanto aos solos granulares temos: - Camadas de base e sub-base em pavimentos de estradas, ruas e pistas de aviação; - Tratamento da sub-base e do leito do pavimento sob pavimentos rígidos para evitar o efeito de pumping sob lajes de betão; - Conservação ou reconstrução de camadas de base em solos granulares que sofreram roturas; 34 REVISÃO BIBIOGRÁFICA - Reforço de conservação de leitos do pavimento e camadas de sub-base em operações de reparação; - Melhoria de solos granulares suscetíveis ao gelo. E quanto aos solos siltosos e argilosos: - Tratamento para reduzir a retração e expansão de solos em leitos de pavimentos; - Melhoria das características de resistência de leitos de pavimentos. O solo-cimento plástico é utilizado para obviar às dificuldades de colocação em obra em certos trabalhos. As principais aplicações são: - Revestimentos de valetas de estradas; - Revestimento de canais de rega; - Proteção de taludes contra a erosão. 35 CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA DO SOLO NATURAL 3 - CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA DO SOLO NATURAL 3.1 - CONSIDERAÇÃO INICIAIS O solo em estudo é proveniente da região Norte de Portugal, em concreto da zona de Guimarães. Tendo em conta o seu aspeto visual, é possível dizer que este apresenta uma cor amarelada, sendo constituído por algumas partículas grossas e uma grande percentagem de finos. Pode-se afirmar que apresenta alguma homogeneidade granulométrica à vista desarmada. Quanto à presença de matéria orgânica, dado a sua cor clara, não apresentar cheiro e ao tato não ser esponjoso, não parece haver existência da mesma, mas este aspeto foi verificado neste trabalho e é referido mais à frente neste Capítulo. O solo apresenta alguma alteração, pois desagrega-se facilmente quando pressionado entre os dedos, o que possivelmente ira conduzir a um solo mais siltoso que arenoso. O solo apresenta alguma plasticidade, mas pouca. Segue-se uma breve descrição da metodologia laboratorial, dos ensaios de caracterização e identificação do solo original. São também, apresentados os principais resultados obtidos nos ensaios, com os quais se obtiveram características físicas e de identificação que possibilitaram a classificação do solo em estudo. 3.2 - ENSAIOS DE CARACTERIZAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DO SOLO 3.2.1 - PROPRIEDADES FÍSICAS As características físicas que foram alvo de determinação laboratorial foram as seguintes: teor em água e densidade das partículas sólidas. 3.2.1.1 - Teor em água A determinação do teor em água natural do solo foi realizada de acordo com a Norma Portuguesa NP-84 (1965). 37 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Segundo a Norma, o teor em água de um provete de solo é o quociente expresso em percentagem, da massa da água que se evapora do provete entre 105 °C e 110 °C, pela massa do provete depois de seco. 𝑊 (%) = 𝑃𝑊 𝑃ℎ𝑢𝑚 − 𝑃𝑆 = 𝑃𝑆 𝑃𝑆 (3.1) O teor em água obtido para uma secagem em estufa do solo a 105 ºC foi de 1,3%. 3.2.1.2 - Densidade das partículas sólidas O conhecimento da densidade das partículas do solo com dimensões inferiores a 4,76 mm, foi efetuado tendo em conta a Norma Portuguesa NP-83 (1965), pois o solo em estudo é constituído na sua maioria por partículas com dimensões respeitantes à Norma. Segundo a Norma, na maior parte dos casos correntes de Mecânica dos Solos é suficiente o conhecimento da densidade das partículas do solo que passam no peneiro de malha quadrada de 4,76 mm de abertura (ASTM n.º 4). A densidade das partículas sólidas é obtida a partir do peso de uma amostra seca e do volume ocupado pelas suas partículas sólidas, medido pelo volume de água por elas deslocado num recipiente designado por picnómetro. De referir que, em solos finos, é necessário garantir um adequado envolvimento das partículas sólidas por água, por eliminação completa do ar, para o que é necessário embeber a amostra em água durante 12 horas, e após este período, ferver a mistura para facilitar a saída do ar (Coelho, 2000). O resultado obtido para a densidade das partículas sólidas (Gs) foi 2,61. 3.2.2 - CARACTERÍSTICAS DE IDENTIFICAÇÃO As características de identificação analisadas são: o teor em matéria orgânica do solo, a composição granulométrica, plasticidade e composição mineralógica. Os principais resultados são apresentados em seguida. 38 CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA DO SOLO NATURAL 3.2.2.1 - Composição mineralógica A composição mineralógica de um solo é habitualmente estabelecida por técnicas de difração por raios X, que permitem obter qualitativamente a constituição mineralógica do solo, ou através de microscópico eletrónico, o que requer equipamento caro e sofisticado (Coelho, 2000). A identificação mineralógica das partículas constituintes do solo em estudo foi realizada num difratómetro de raios-X, PANalytical, modelo X’Pert PRO com detetor X’Celerator. A tensão de aceleração usada foi de 40kV e a intensidade de corrente de 30mA, segundo uma geometria de Bragg-Brentano, para uma gama de ângulos entre 5º < 2θ <85º. O procedimento de preparação das amostras para esta técnica será abordado no Capítulo 4, Secção 4.3.1. Estes ensaios não permitem mais do que uma análise qualitativa da composição mineralógica do solo. Portanto, através da análise do difratograma obtido (Figura 3.1), mineralogicamente o solo em estudo é essencialmente constituído por quartzo, micas (muscovite), gibsite e clinocloro. Foram identificadas as seguintes fases comparando o difratograma indexado com as fichas identificativas JCPDS de cada fase, sendo as fichas utilizadas as seguintes: 01-083-2465 (Quartzo); 01-077-2255 (Muscovite); 01-076-1782 (Gibsite) e 01-079-1270 (Clinocloro). 39 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Q M 16000 C - Clinocloro G - Gibsite M - Muscovite Q - Quartzo Intensidade (Contagens) 14000 12000 10000 8000 M 6000 M M 4000 Q 2000 C G C Q C 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 2θ Figura 3.1 - Difratograma relativo ao solo natural A Figura 3.2 foi obtida por microscópio ótico, onde é possível identificar no solo minerais de quartzo e mica. Figura 3.2 - Imagens do solo natural obtidas por microscópio ótico 40 CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA DO SOLO NATURAL 3.2.2.2 - Composição química A composição química do solo foi avaliada recorrendo à Microscopia Eletrónica de Varrimento (SEM) acompanhada da técnica de Espectrometria de Dispersão de Energia (EDS). Em que a caracterização ao nível dos elementos químicos (Figura 3.3) foi obtida com a técnica de EDS e a técnica de SEM permitiu obter imagens (Figura 3.4) para a análise visual da microestrutura do solo. Para tal, foi utilizado um microscópio eletrónico de varrimento, FEI QUANTA - 400. Relativamente a forma como foi preparada a amostra de solo, esta encontra-se descrita no Capítulo 4, Secção 4.3.2 (Figura 4.19). Elemento Peso molecular,Wt Químco (%) 25,99 Al Si 64,52 K 7,17 Ca 0,27 Fe 2,05 Figura 3.3 - Espetro da composição química do solo natural obtido por EDS Verifica-se que os elementos químicos predominantes no solo são o Silício (64%) e o Alumínio (26%), existindo também Potássio, Ferro e Cálcio mas em baixas percentagens relativamente aos outros. A Figura 3.4 permite visualizar a microestrutura do solo natural, apresentando ser um solo pouco coeso, com pouca agregação. 41 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Figura 3.4 - Imagens SEM do solo natural obtidas por microscópio de varrimento 3.2.2.3 - Teor em matéria orgânica Coelho (2000) classifica os diversos métodos utilizados para a determinação do teor em matéria orgânica em 3 grupos, que se distinguem pela forma como a matéria orgânica é eliminada do solo: métodos de perdas na ignição, método oxidimétrico e métodos de oxidação seca. Para efeitos de engenharia, o método de perdas na ignição é o mais comum para determinação laboratorial do teor em matéria orgânica, embora não exista um procedimento universal normalizado que defina as condições de ensaio. O método baseia-se na eliminação da matéria orgânica a altas temperaturas (Tignição), sendo a quantidade de matéria orgânica 42 CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA DO SOLO NATURAL estimada pela perda de massa relativamente à do solo seco à temperatura de referência (Tref) (Coelho, 2000). Este ensaio foi realizado tendo por base o conduzido pelo autor referido, no qual aconselha a realização da ignição a uma temperatura de 400 °C, durante pelo menos, 12 horas, assim como a aplicação de uma pequena correção aos resultados obtidos para ter em conta as perdas por desidratação, as quais, independentemente do tipo de mineral argiloso presente, constituem apenas 2% em peso. Sendo assim, o autor sugere a seguinte expressão para determinação do teor em matéria orgânica, nas condições já frisadas. 𝑃𝑆400°𝐶 𝑂𝑀 = 1 − 1,02 × 50°𝐶 𝑃𝑆 (3.2) O resultado deste ensaio confirmou que o solo não contém matéria orgânica, pois o valor obtido foi de 0%. 3.2.2.4 - Análise granulométrica A análise granulométrica foi realizada por peneiração - para as partículas mais grosseiras (cascalho e areia), e sedimentação - para as partículas mais finas (silte e argila), segundo a Especificação E196-1966 do LNEC. A preparação da amostra de solo para os ensaios de identificação foi feita com base na Especificação E195-1966 do LNEC. A peneiração consiste em fazer passar o solo por uma série normalizada de peneiros de malha quadrada e de dimensões progressivamente menores, os quais promovem a separação das partículas do solo, retendo em cada um deles as partículas de dimensão superior à sua e inferior à do peneiro anterior (Figura 3.5). Este procedimento só é exequível até a uma determinada dimensão (0,075 mm), que coincide aproximadamente com a separação entre silte e areia. O material que ainda atravessa o peneiro de malha mais fina é posteriormente sujeito ao processo de sedimentação em água destilada, o qual permite estabelecer indiretamente a distribuição granulométrica das partículas mais finas (Coelho, 2000). 43 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento A amostra de solo, tal como veio do campo, foi exposta ao ar para secagem da mesma. Depois procedeu-se a desagregação dos torrões, com auxílio de um almofariz e pilão com mão revestida de borracha, com o objetivo de promover a separação das partículas, sem alteração da granulometria. Em seguida, a amostra selecionada foi separada em duas porções por intermédio do peneiro de 2,00 mm (n.º 10), sendo que a fração que passou neste peneiro foi misturada pelo método do esquartelamento, de forma a ser dividida em duas partes aproximadamente iguais, em que uma delas foi posteriormente utilizada na análise granulométrica. A partir do material assim obtido foi pesada uma porção com cerca de 70,254 g, à qual foi adicionado 100 cm3 de antifloculante, tendo sido depois tudo fervido durante 15 minutos. Esta mistura foi depois transferida para o recipiente do agitador por meio de um jato de água destilada. Durante todo este processo foi tida especial atenção para não se exceder os 150 cm3 de solução. Foi depois colocado em funcionamento o agitador durante 15 a 20 minutos. Após, o processo de agitação da mistura, esta foi transferida para o peneiro de 0.075 mm (n.º 200), onde se procedeu à lavagem do solo, usando novamente água destilada e tendo o cuidado de não exceder os 500 cm3. A porção que passou no peneiro estava a ser recolhida por uma proveta, que depois foi preenchida com água destilada até à marca de 1000 cm3. A solução da proveta foi utilizada para a sedimentação seguindo todos os passos da especificação E196-1966 do LNEC, Secção 6.2.4. Já o material que ficou retido no peneiro n.º 200 foi integralmente retirado através da devida lavagem do peneiro, para que não ficasse nenhum agregado no mesmo tendo sido posteriormente colocado na estufa a 105 °C, durante 24h, para evaporação total da água e posterior realização da análise granulométrica por via seca. Foi obtida a seguinte curva granulométrica (Figura 3.6) e respetiva composição granulométrica (Quadro 3.1). Notar que se trata da distribuição em percentagem ponderal (isto é, em percentagem do peso total) das partículas do solo de acordo com as suas dimensões (Fernandes, 2006). 44 CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA DO SOLO NATURAL Figura 3.5 - Material retido em cada peneiro Figura 3.6 - Curva granulométrica do solo em estudo Quadro 3.1 - Composição granulométrica do solo em estudo Argila % 2 Silte % 20 Areia % 78 Cascalho % 0 45 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 3.2.2.5 - Limites de consistência A Norma Portuguesa NP-143 (1969) destina-se a definir os processos de determinação dos limites de consistência de solos, pelo que foi utilizada neste trabalho para a determinação do limite de liquidez e do limite de plasticidade. A determinação dos limites de consistência foi efetuada porque o solo pareceu apresentar alguma percentagem de argila, embora à vista desarmada não fosse possível concluir, com certeza, acerca da existência de argila. Sendo assim, foi preparado solo para a realização dos limites de consistência, de modo a verificar se este apresentava alguma plasticidade. A amostra de solo utilizada foi proveniente do solo que passou no peneiro de 2,00 mm (n.º 10), tendo esta sido posteriormente passada no peneiro de 0,425 mm (n.º 40). O material que passou neste peneiro foi utilizado para levar a cabo os ensaios, tendo o material retido sido rejeitado. Inicialmente tentou-se a determinação do limite de liquidez a partir do ensaio da concha de Casagrande, mas o solo em estudo não apresentou plasticidade suficiente para recorrer a este método. Pode-se afirmar que estamos perante um solo com alguma facilidade de moldagem, mas com uma plasticidade tão baixa que tornou este ensaio não exequível, como é possível observar na Figura 3.7. Figura 3.7 - Tentativa de realização do ensaio concha de Casagrande Sendo assim, determinou-se o limite de liquidez recorrendo ao método do cone penetrómetro, obedecendo ao disposto na Norma Britânica BS 1377 (1975). Trabalhos 46 CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA DO SOLO NATURAL recentes têm proposto a utilização do cone penetrómetro para a determinação do limite de liquidez, exemplo disso é o estudo de Coelho (2000). Este método consiste na queda de um cone com peso, dimensões e altura de queda normalizadas, sendo obtido o limite de liquidez a partir da relação linear existente entre o teor em água do solo (determinado segundo a Norma NP-84 (1965)) e a penetração do cone. O limite de liquidez é definido, como o teor em água para uma penetração do cone de 20 mm (Figura 3.8). 30 Penetração do cone (mm) 28 26 24 22 y = 6,0648x - 182,63 20 18 16 14 31,0 32,0 33,0 LL 34,0 Teor em água, w (%) 35,0 36,0 Figura 3.8 - Resultados do ensaio de Cone Penetrómetro para obtenção do limite de liquidez O limite de plasticidade é definido como o teor de humidade abaixo do qual o solo passa do estado plástico para o estado semi-sólido. Ou seja, quando se pretende fazer cilindros com 3mm de diâmetro o solo perde a capacidade de ser moldável e passa a ficar quebradiço. Este método, preconizado pela NP-143 (1969), foi exequível no solo em estudo, obtendo-se assim os resultados indicados no Quadro 3.2. O solo em estudo apresenta um baixo índice de plasticidade, o que seria de esperar tendo em conta que não foi possível executar o ensaio da concha de Casagrande pela fraca plasticidade apresentada pelo solo. 47 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Quadro 3.2 - Resultados obtidos para os limites de consistência do solo em estudo LL % LP % IP % 33 29 4 3.3 - CLASSIFICAÇÃO DO SOLO O solo foi classificado tendo por base o Sistema de Classificação Unificada elaborado por Casagrande e segundo a Norma Americana ASTM D 2487 (2000). Este sistema utiliza duas características do solo: granulometria e limites de consistência. Sendo assim, e de acordo com o estabelecido pelo referido sistema de classificação, estamos perante um solo grosso, pois mais de metade das partículas, em peso, possuem dimensão superior ao peneiro n.º 200 da série ASTM (0.075 mm de malha), ou seja, mais de 50% de material ficou retido neste peneiro. Tendo depois em conta, que mais de 50% desta fração grossa passa no peneiro n.º 4 e que mais de 12% passam no peneiro n.º 200, conclui-se que estamos perante uma areia com uma quantidade apreciável de finos. A fração fina foi caracterizada em função dos limites de consistência, tendo por base, a Carta de Plasticidade de Casagrande, que permitiu classificar os finos como ML ou MH. Estamos perante uma areia com uma quantidade apreciável de finos, ou seja, uma areia siltosa, SM. Observando a curva granulométrica, também é possível afirmar que estamos perante uma granulometria extensa e consequentemente uma areia bem graduada, tendo também em conta os valores do Quadro 3.3. Quadro 3.3 - Parâmetros de análise da curva granulométrica do solo em estudo 48 D10 mm D30 mm D60 mm Cu Cc 0,011 0,130 0,620 56 2,48 CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA DO SOLO NATURAL 3.4 - DETERMINAÇÃO DO TEOR ÓTIMO DE HUMIDADE A determinação da relação entre o teor em água e a baridade seca do solo foi obtida recorrendo ao ensaio de compactação leve em molde pequeno, tendo como base normativa a Especificação E197-1966 do LNEC. De acordo com a referida especificação, apenas foi utilizado o molde pequeno, porque a fração retida no peneiro de 4,76 mm (n.º 4) nunca é superior a 20%, pelo que não se justificava o uso do molde grande. Foram adotados os valores de ensaio correspondentes ao Proctor Normal, sendo posteriormente traçada uma curva de variação da baridade seca com o teor em água, esta designada por curva de compactação, como mostra o gráfico da Figura 3.9. 19,00 Baridade Seca, γd (kN/m3) 18,50 17,00 Pontos da Curva de Compactação Pontos da Curva de Compactação Curva de Saturação Sr=100% 16,50 Curva de Saturação Sr=90% 18,00 17,50 16,00 Curva de Saturação Sr=80% 15,50 15,00 10,0 12,0 14,0 16,0 18,0 Teor em Água, w (%) 20,0 22,0 Figura 3.9 - Representação gráfica dos resultados do ensaio de Proctor Normal Tendo por base a representação gráfica foi possível auferir os seguintes valores ótimos: Quadro 3.4 - Valores ótimos obtidos no Proctor Normal para o solo em estudo Proctor Normal Solo Natural wót (%) 16,10 γd máx (kN/m3 ) 17,30 49 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Conhecidos os valores da humidade ótima e máxima massa especifica seca é possível definir as condições de moldagem dos provetes a ensaiar posteriormente. Ou seja, estes valores servirão de referência para o trabalho laboratorial relativo às misturas solo-cimento, em concreto os valores de teor em humidade e baridade seca das misturas em estudo. 3.5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados obtidos em todos os ensaios efetuados ao longo deste Capítulo estão de acordo com o que é normalmente obtido para os solos residuais graníticos da região Norte de Portugal, tendo em conta a pesquisa bibliográfica realizada acerca deste tema no Capítulo anterior. O solo analisado apresenta uma curva granulométrica extensa, pelo que estamos perante um solo bem graduado, o que é corroborado pelo coeficiente de uniformidade, Cu, superior a 6 e pelo coeficiente de curvatura, Cc, entre 1 e 3. A fração fina apresenta limites de liquidez e de plasticidade relativamente baixos, bem como um baixo índice de plasticidade, o que faz com que esta fração se situe abaixo da linha A na Carta de Plasticidade. Após todas as determinações e tendo como suporte o Sistema de Classificação Unificada, o solo em estudo classifica-se como uma, Areia siltosa (SM). Os resultados obtidos na composição mineralógica vão de encontro ao que foi referido no Capítulo anterior acerca de solos residuais, pois o solo em estudo é mineralogicamente constituído por: quartzo, micas (muscovite), gibsite e clinocloro. Quimicamente, apresenta essencialmente Silício e Alumínio, com menores percentagens de Potássio, Ferro e Cálcio. Em seguida são apresentados, no Quadro 3.5, todos os resultados obtidos nos ensaios realizados para a caracterização do solo original. 50 CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA DO SOLO NATURAL Quadro 3.5 - Resumo dos resultados de caracterização e identificação do solo em estudo Propriedade G Resultado Obtido 2,61 Propriedade Resultado Obtido Cu 56 Cc 2,48 Matéria Orgânica (%) 0 LL (%) LP (%) IP (%) 33 29 4 % passados no peneiro n.º 4 99,79 Argila (%) 2 % passados no peneiro n.º 10 91,09 Silte (%) 20 % passados no peneiro n.º 40 50,73 Areia (%) 78 % passados no peneiro n.º 200 22,82 Cascalho (%) 0 Tendo em conta as normas relativas ao dimensionamento de pavimentos rodoviários, os quais incluem há muito a estabilização com cimento na sua composição, o solo original possui as características necessárias para a estabilização As tendências comportamentais do grupo SM da Classificação Unificada, segundo Lambe & Whitman (1979), quando usados em obras de aterro são as seguintes: - Quando compactado apresenta um comportamento semipermeável a impermeável; - Apresenta uma boa resistência ao corte quando compactado e saturado; - Baixa compressibilidade quando compactado e saturado; - Razoável trabalhabilidade como material de construção. 51 ESTABILIZAÇÃO DO SOLO NATURAL 4 - ESTABILIZAÇÃO DO SOLO NATURAL 4.1 - CONSIDERAÇÕES INICIAIS Neste Capítulo irá ser abordado o processo de estabilização química por adição de cimento ao solo residual granítico, já caracterizado e classificado no Capítulo anterior. A estabilização é obtida com a mistura simultânea do solo, no estado seco, do cimento e da água, na quantidade especificamente necessária para a compactação. O solo, na presença de humidade e de um agente de cimentação, transforma-se num novo material. Isto é, as partículas agrupam-se devido às interações físico-químicas entre o cimento, solo e água. A compactação é necessária para obrigar as partículas do solo a deslizar umas em relação às outras, obtendo-se assim um novo arranjo estrutural das partículas. Em resumo, as partículas do solo são agrupadas e ligadas por químicos (cimentação), constituindo um novo material de engenharia (Horpibulsuk et al., 2010). Neste capítulo é apresentada toda a metodologia laboratorial utilizada, incluindo todo o procedimento de preparação das misturas, desde a quantificação das quantidades necessárias dos vários componentes até ao processo de moldagem e cura, bem como os ensaios adotados para avaliar a resistência mecânica dos provetes. O trabalho laboratorial foi desenvolvido no Laboratório de Geotecnia, do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Este Capítulo apresenta também uma caracterização adicional, realizada ao solo-cimento. Esta caracterização foi feita recorrendo à técnica de Difração por Raios X (DRX) e à Microscopia Eletrónica de Varrimento (SEM), acompanhada da técnica designada por Espectrometria de Dispersão de Energia (EDS). A técnica de Difração por Raios X, foi utilizada com o intuito de fazer a caracterização mineralógica do solo, ou seja, distinguir os seus minerais. Por outro lado, a Microscopia Eletrónica de Varrimento (SEM/EDS) permite obter imagens a partir das quais é possível uma avaliação qualitativa da microestrutura do material e semiquantitativa dos elementos químicos presentes na amostra. 53 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Com estas análises pretende-se assim identificar as alterações provocadas no solo estabilizado, tendo em conta diferentes parâmetros: tempo de cura, teor em ligante e teor em água. Todas as análises inerentes a esta caracterização, foram realizadas na Unidade de Microscopia Eletrónica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. 4.2 - METODOLOGIA LABORATORIAL 4.2.1 - DESCRIÇÃO DOS MATERIAIS E EQUIPAMENTOS 4.2.1.1 - Solo Natural O solo utilizado neste estudo é um solo residual granítico proveniente do Norte de Portugal, o qual foi estudado no Capítulo anterior e classificado como uma areia siltosa (SM). 4.2.1.2 - Ligante O cimento Portland é um ligante hidráulico (resistente à água), isto é, é um material inorgânico finamente moído que, quando misturado com água, forma uma pasta que faz presa e endurece devido a reações e processos de hidratação e que, depois do endurecimento, conserva a sua resistência mecânica e estabilidade mesmo debaixo de água (NP EN 1971:2001). O endurecimento de cimentos CEM deve-se sobretudo à hidratação de silicatos de cálcio embora outros compostos, tais como os aluminatos, possam intervir no processo. O ligante utilizado, foi um Cimento Portland, Tipo II, da Classe 32.5 N (CEM II/B-L 32,5 N), permanentemente armazenado em local seco para evitar a alteração das suas propriedades. 4.2.1.3 - Equipamento Os principais equipamentos utilizados foram: Um forno elétrico de temperatura constante (105ºC), para aferição e controle dos teores de humidade, 54 Balança eletrónica com precisão de 0,1g; Uma misturadora para garantir uma correta homogeneização das misturas, Prensa, com célula de capacidade de carga de 600 KN. ESTABILIZAÇÃO DO SOLO NATURAL Foi feita uma verificação da célula de carga da prensa utilizando uma célula de 10 KN, o que permitiu traçar uma reta de calibração com as leituras efetuadas. Esta apresentou uma boa correlação e assemelhável à obtida com a célula de capacidade de carga de 600 KN (R2=0.99; R2=1). Procedeu-se a esta verificação para garantir a fiabilidade dos resultados, pois estamos perante um equipamento com capacidade de carga elevada para as resistências típicas dos provetes a ensaiar, ou seja, esta verificação teve como principal objetivo garantir que a célula da prensa possuía suficiente precisão. Figura 4.1 - Algum equipamento laboratorial utilizado: a) Prensa com capacidade de carga de 600 KN; b) Misturadora da marca Sammic, modelo BM II (potência de 550W) 4.2.1.4 - Moldes O ensaio de compressão simples deve ser realizado sobre provetes cilíndricos com diâmetro compreendido entre os 30 e 100mm e uma relação altura:diâmetro compreendida entre 2 e 2.5 (ASTM D 2166, 2000). Sendo assim, e observando igualmente o disposto na Especificação E264-1972 do LNEC, foram utilizados provetes cilíndricos com 70 mm de diâmetro e 140 mm de altura, ou seja, uma relação altura:diâmetro de 2:1, fabricados em moldes de PVC. 55 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 4.2.2 - PONDERAÇÃO DA QUANTIDADE DOS VÁRIOS COMPONENTES 4.2.2.1 - Moldagem dos pontos analisar Tendo por base o ensaio de Proctor Normal efetuado ao solo natural, e descrito no Capítulo anterior, foram definidos os parâmetros de moldagem a utilizar na execução dos provetes a ensaiar à compressão simples. Os parâmetros de moldagem referidos foram os valores da baridade seca máxima e do teor em água ótimo. Sendo assim, e de acordo com a Figura 4.2, foram escolhidos dois valores (B1 = 10,3% e A1 = B2 = C1 = 13,2%) para o teor em água inferiores ao ótimo de 16,10%, para além do próprio valor ótimo (ponto B3). Foram adotados estes valores para o teor em água para assim ser possível comparar estes resultados com os resultados obtidos em ensaios no mesmo solo estabilizado com cinzas ativadas. Da mesma forma, foram adotados três níveis para a baridade seca, todos inferiores ao valor ótimo de 17,30 KN/m3 (A1 = 16,4 KN/m3, B1 = B2 = B3 = 15,6 KN/m3 e C1 = 14,7 KN/m3). A escolha de valores para a baridade seca inferiores ao ótimo foi motivada pela dificuldade em conseguir, no terreno, e para a maioria das aplicações, uma baridade seca igual aquela obtida nas condições ideais do ensaio de Proctor. Foram assim definidos cinco pontos de moldagem, identificados no Quadro 4.1. Figura 4.2 - Pontos de moldagem para o solo: misturas de cimento 56 ESTABILIZAÇÃO DO SOLO NATURAL Quadro 4.1 - Valores da baridade seca e teor em água para cada ponto de moldagem Proctor Normal Solo Natural A1 B1 B2 B3 C1 γd (kN/m3 ) w (%) 17,30 16,10 16,4 15,6 15,6 15,6 14,7 13,2 10,3 13,2 16,1 13,2 Para cada ponto de moldagem foram realizados três provetes, sendo o resultado final constituído pela média dos três resultados obtidos. Cada mistura realizada foi assim suficiente para moldar três provetes. No Quadro 4.2 estão identificadas e caracterizadas todas as misturas realizadas, tendo em conta vários teores de ligante, vários tempos de cura, diferentes baridades secas e teores em água. 57 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Quadro 4.2 - Identificação das misturas a realizar 58 15,6 15,6 15,6 16,4 Densidade Tempo de seca cura 3 (dias) (KN/m ) 1 3 7 30 60 90 1 3 7 30 60 90 1 3 7 30 60 90 1 3 7 30 60 90 1 3 7 30 60 90 14,7 10,3 13,2 Teor em água (%) 13,2 C1_(A1) C3_(A1) C7_(A1) C30_(A1) C60_(A1) C90_(A1) C1_(B1) C3_(B1) C7_(B1) C30_(B1) C60_(B1) C90_(B1) C1_(B2) C3_(B2) C7_(B2) C30_(B2) C60_(B2) C90_(B2) C1_(B3) C3_(B3) C7_(B3) C30_(B3) C60_(B3) C90_(B3) C1_(C1) C3_(C1) C7_(C1) C30_(C1) C60_(C1) C90_(C1) Teor em cimento (%) 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 16,1 Designação 13,2 15,6 15,6 15,6 16,4 Densidade Tempo de seca cura 3 (dias) (KN/m ) 1 3 7 30 60 90 1 3 7 30 60 90 1 3 7 30 60 90 1 3 7 30 60 90 1 3 7 30 60 90 14,7 10,3 13,2 Teor em água (%) 13,2 B1_(A1) B3_(A1) B7_(A1) B30_(A1) B60_(A1) B90_(A1) B1_(B1) B3_(B1) B7_(B1) B30_(B1) B60_(B1) B90_(B1) B1_(B2) B3_(B2) B7_(B2) B30_(B2) B60_(B2) B90_(B2) B1_(B3) B3_(B3) B7_(B3) B30_(B3) B60_(B3) B90_(B3) B1_(C1) B3_(C1) B7_(C1) B30_(C1) B60_(C1) B90_(C1) Teor em cimento (%) 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 16,1 Designação 13,2 15,6 15,6 15,6 16,4 Densidade Tempo de seca cura (dias) (KN/m3 ) 1 3 7 30 60 90 1 3 7 30 60 90 1 3 7 30 60 90 1 3 7 30 60 90 1 3 7 30 60 90 14,7 16,1 13,2 10,3 13,2 Teor em água (%) 13,2 Teor em Designação cimento (%) A1_(A1) 5,0 A3_(A1) 5,0 A7_(A1) 5,0 A30_(A1) 5,0 A60_(A1) 5,0 A90_(A1) 5,0 A1_(B1) 5,0 A3_(B1) 5,0 A7_(B1) 5,0 A30_(B1) 5,0 A60_(B1) 5,0 A90_(B1) 5,0 A1_(B2) 5,0 A3_(B2) 5,0 A7_(B2) 5,0 A30_(B2) 5,0 A60_(B2) 5,0 A90_(B2) 5,0 A1_(B3) 5,0 A3_(B3) 5,0 A7_(B3) 5,0 A30_(B3) 5,0 A60_(B3) 5,0 A90_(B3) 5,0 A1_(C1) 5,0 A3_(C1) 5,0 A7_(C1) 5,0 A30_(C1) 5,0 A60_(C1) 5,0 A90_(C1) 5,0 ESTABILIZAÇÃO DO SOLO NATURAL 4.2.2.2 - Obtenção das quantidades dos vários componentes das misturas Antes da preparação das misturas e tendo em conta os pontos de moldagem definidos anteriormente, foi necessário efetuar alguns cálculos, para obter as quantidades adequadas de solo e de água a serem misturadas. Com base no teor em água do solo, na sua humidade higroscópica, nas percentagens de ligante, na baridade seca e no teor em água pretendido, calcularam-se as quantidades de solo, cimento e de água necessárias para o fabrico de cada provete de 70 mm de diâmetro e 140 mm de altura. Foi feito um acréscimo de 10% à quantidade necessária para a realização das misturas, para ter em conta possíveis desperdícios. O teor em cimento foi previamente definido e os outros dois valores, baridade seca e teor em água, obtidos de acordo com o que já foi referido na Secção 4.2.2.1. Com o apoio destes e das dimensões dos moldes a utilizar, foram obtidas as respetivas quantidades. Assim sendo, as misturas com ligante foram realizadas para três proporções distintas de cimento em relação à massa de solo seco. Estas percentagens de cimento foram adotadas tendo por base o estudo de Muhunthan e Sariosseiri (2008), no que diz respeito à interpretação de propriedades geotécnicas de solos tratados com cimento, onde estes defendem que a utilização de elevados teores em cimento (>10%), não é aconselhável para aplicações em campo, pois a utilização de elevados teores em cimento pode ser altamente prejudicial ao comportamento do solo estabilizado, o que foi demonstrado pelos autores recorrendo a ensaios triaxiais, os quais mostraram que para elevados teores em cimento as pressões intersticiais sofrem um aumento rápido relativamente às pressões de confinamento, o que resulta assim em pressões de confinamento nulas e na consequente divisão vertical das amostras. 5,0%:95,0% 7,5%:92,5% 10%:90% Sendo a conduta de cálculo para saber a quantidade de cimento a seguinte: q ce = % Cimento�100 × Pesopartículas sólidas solo (4.1) 59 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Estando já definidas as percentagens em cimento, obtêm-se as percentagens de solo a adicionar à mistura da seguinte forma: q solo seco = % Solo�100 × Pesopartículas sólidas solo q solo adicionar = q solo seco �1 + whigroscópica � (4.2) (4.3) No que se refere à quantidade de água a adicionar à mistura, esta quantidade já tem de ter em conta o teor em água higroscópica do solo à temperatura ambiente. A quantidade de água necessária para a mistura é assim obtida através da seguinte equação: q água adicionar = wótimo × (q solo seco + q ce ) − q solo adicionar × whigroscópica (4.4) 4.2.3 - PREPARAÇÃO DAS AMOSTRAS Podemos encontrar alguns documentos normativos que definem o processo de fabrico e cura de provetes cilíndricos de solo-cimento, sendo disso exemplo a Especificação E264-1972 do LNEC ou as Normas Norte Americanas ASTM D 1633 (2000), ASTM D 2166 (2000), ASTM D 4609 (2002). Para a realização das amostras de solo estabilizado o procedimento adotado foi simples, tendo em conta alguns aspetos normativos, mas também baseado em estudos anteriores relacionados com a temática solo-cimento. 4.2.3.1 - Tratamento prévio do solo natural O solo natural, antes de ser utilizado para a preparação das amostras, foi exposto ao ar para secagem e redução da humidade higroscópica. Para além do cuidado anterior, antes da realização das misturas, foi também feita uma desagregação dos torrões com auxílio do martelo de borracha, mas sem reduzir o tamanho individual das partículas. Posteriormente peneirou-se o solo com o peneiro de 3/8'', malha quadrada de 9,50 mm, por forma a obter a mesma classificação, distribuição em todas as misturas realizadas. Optou-se por este peneiro para a seleção do solo em estudo porque foi 60 ESTABILIZAÇÃO DO SOLO NATURAL observado, aquando da representação da curva granulométrica do solo, que cerca de 99.79% da massa inicial definida para o estudo da granulometria passou no peneiro nº 4, correspondente a uma abertura de malha de 4,76 mm. Tendo-se também optado pelo aproveitamento da fração de solo retida no peneiro nº 4, para assim, o solo estabilizado possuir todo o fuso granulométrico que serviu para a classificação granulométrica. Figura 4.3 - Preparação do solo natural para posterior realização das misturas com cimento: a) Secagem; b) Desagregação dos torrões; c) Peneiração 4.2.3.2 - Preparação das misturas A realização dos provetes de solo-cimento baseou-se num procedimento simples e facilmente reproduzível, que consistiu numa mistura mecanizada do solo com o ligante e a água, seguido de uma compactação estática em molde cilíndrico. O procedimento praticado para a preparação de todas as misturas, foi o seguinte: a) Pesagem do solo natural em balança eletrónica, com uma precisão de 0,1g; b) Pesagem do ligante (Cimento Portland, 32,5N), na mesma balança e posterior envolvimento deste ao solo natural já pesado, com auxílio de uma espátula, antes de se proceder à mistura mecanizada. Este primeiro envolvimento do solo com o ligante já foi efetuado no balde da misturadora; c) Em seguida foi efetuada a pesagem da água, utilizando a mesma balança, sendo depois adicionada as pesagens já efetuadas de solo e ligante; d) Depois de efetuadas todas as pesagens, foi ligada a misturadora, durante 5 minutos, tempo suficiente para obter uma mistura homogénea; 61 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento e) Para cada mistura preparada foram efetuadas pesagens suficientes para a realização de três amostras/provetes e uma porção da amostra para duas cápsulas com o fim de aferir o teor de humidade da mistura (estas cápsulas devem ser pesadas de imediato em balança com uma sensibilidade de 0,001g, pois quanto mais tempo estiverem expostas ao ar, maior teor em água vão perdendo e maior será o erro de leitura desse teor). f) Após o término da homogeneização da mistura, esta foi retirada do balde da misturadora e procedeu-se as pesagens das quantidades estimadas para a moldagem de cada molde, para ter uma precisão da quantidade de mistura necessária para cada molde, tendo por base as quantidades já calculadas; e) Cada amostra que foi retirada e pesada da mistura integral, foi espalhada em cima de um tabuleiro e dividida em três porções, sendo estas três parcelas correspondentes às três fases de compactação dos provetes cilíndricos. Os respetivos moldes antes de utilizados, foram devidamente lubrificados com óleo descofrante, para assim, facilitar o desmolde do provete. O processo de compactação será abordado no subcapítulo 4.2.3.3. . Figura 4.4 - Principais procedimentos na preparação das misturas: a) Pesagem do solo; b) Pesagem da água; c) Preparação da homogeneização da mistura 62 ESTABILIZAÇÃO DO SOLO NATURAL Figura 4.5 - Principais procedimentos na preparação das misturas: a) Primeiro envolvimento do solo com o cimento; b) Mistura homogeneizada; d) Repartição da amostra em três partes iguais 4.2.3.3 - Compactação Procedeu-se a uma compactação estática, aplicando uma carga estática, com auxílio da prensa que posteriormente foi usada para os ensaios de compressão simples. A compactação estática foi aplicada em três camadas a partir do fundo do molde, dividindo-se para tal a mistura em três porções iguais e assim, preencher a totalidade do molde. Antes de colocar as sucessivas camadas o topo de cada uma foi escarificado, como forma de melhorar a ligação entre camadas. A principal preocupação no processo de compactação incidiu, no controle da massa do material de cada provete, de modo a atingir a densidade seca desejada em cada um deles, sendo a carga aplicada a necessária para atingir a baridade pretendida. O processo de mistura e compactação do solo-cimento, em quantidade suficiente para a preparação de três provetes, não demorou mais de 30 minutos, isto tendo por base a Especificação E264-1972 do LNEC. 4.2.3.4 - Cura dos provetes Após o processo de mistura até ao de compactação, os provetes foram deixados no interior do molde e devidamente embalados em sacos plásticos para evitar variações significativas de teor de humidade, durante pelo menos 24 horas. Os moldes com os provetes foram ainda armazenados em câmara húmida com temperatura interior entre os 18 e os 22 °C e humidade relativa não inferior a 90%. 63 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Após o período, de cerca de 24 horas, as amostras foram removidas dos moldes, recorrendo a um extrator de provetes, e novamente armazenadas em câmara húmida dentro de um saco selado, como forma de evitar ao máximo as trocas de humidade com o exterior. Foram adotados períodos de 1, 3, 7, 30, 60 e 90 dias. Segundo a Especificação E264-1972 do LNEC, após o período de cura, o provete poderá ser imediatamente ensaiado ou ser ainda submetido a outras operações antes do ensaio de compressão, tais como, imersão em água, secagem ao ar ou em estufa, ciclos alternados de molhagem e secagem, etc. Tendo em vista o caso em estudo nenhuma destas operações foi adotada, ou seja, os provetes não foram submetidos a nenhum tratamento após a cura em câmara e o ensaio de compressão foi realizado o mais rápido possível após serem retirados da câmara. Figura 4.6 - Desmoldagem dos provetes: a) Provete após compactação; b), c), d) Desmoldagem; e) Aspeto visual do provete após desmoldagem 64 ESTABILIZAÇÃO DO SOLO NATURAL Figura 4.7 - Provetes armazenados em câmara húmida 4.2.4 - AVALIAÇÃO DA RESISTÊNCIA DOS PROVETES Tendo em conta a pesquisa bibliográfica já efetuada, é possível constatar que o ensaio mais utilizado, pela simplicidade, rapidez e domínio do mesmo, para avaliação da resistência à compressão simples é o ensaio de compressão simples não confinado Os provetes foram sujeitos a ensaios de compressão simples (UCS), cujo resultado é a resistência à compressão não confinada, qu, para assim ser possível analisar a influência do peso unitário seco, teor em água, teor em cimento e tempo de cura, sobre a referida resistência. 4.2.4.1 - Controle dos provetes Começou-se por fazer a verificação dos topos dos provetes, com auxílio de uma régua, para garantir que os mesmos estão planos aquando a realização do ensaio. Estes foram também medidos por forma a certificar as suas dimensões e registar as suas massas, para ser possível controlar as baridades secas. Só foram admitidas para ensaio os provetes que verificaram os seguintes critérios: Baridade seca ± 2% do valor de referência; 65 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Diâmetro ± 1 mm; Altura ± 2 mm. 4.2.4.2 - Velocidade de deformação do ensaio Um dos aspetos a ter em conta nos ensaios de compressão não confinada é a velocidade de deformação. Os valores usualmente recomendados situam-se no intervalo 0,5 a 2%/min, referido à altura da amostra (ASTM D 2166 2000). A Especificação E264-1972 do LNEC, aconselha que quando se utilizam equipamentos em que se controla a velocidade de deformação e para provetes com 70 mm de altura e 140 mm de diâmetro, o ensaio deve ser feito á velocidade de cerca de 1 mm/min. Tendo como suporte estas recomendações adotou-se uma velocidade de deformação de 1,2 mm/min, ou cerca de 1%/min atendendo às dimensões do provete em estudo. 4.2.4.3 - Ensaio de compressão simples Durante a fase de ensaio dos provetes, seguiram-se algumas normas e procedimentos laboratoriais, para que os resultados obtidos fossem o mais homogéneos possível. Segue-se a descrição de alguns dos passos mais relevantes desta fase de procedimentos laboratoriais. a) Retira-se os provetes do meio de cura no momento do ensaio, pois estamos a avaliar teores em humidade, e sua permanência no meio ambiente fará diminuir esse teor; b) Coloca-se o provete na prensa, tendo o cuidado de verificar que fica bem centrado, ajusta-se o prato superior cuidadosamente e aplica-se a força duma forma contínua, sem incrementos bruscos (E264-1972 do LNEC); c) Aproxima-se o provete o mais possível da célula de carga, sem que haja medição de força aplicada por essa célula. Nesse momento, coloca-se a zero o valor medido pelo transdutor de deslocamento e o valor medido pela célula de carga, e inicia-se o ensaio de compressão sendo ajustada a velocidade de deformação já mencionada na Secção 4.2.4.2; d) Dá-se o ensaio por concluído, após a obtenção da tensão máxima de resistência mecânica do provete (qumáx); 66 ESTABILIZAÇÃO DO SOLO NATURAL e) Retira-se o provete da prensa para extrair alguns fragmentos (de preferência do seu interior), e assim ser possível avaliar o seu teor de humidade. As Figuras 4.8 a 4.13 apresentam alguns provetes a serem sujeitos ao ensaio de compressão simples e aspeto visual dos mesmos após o ensaio. As figuras mostram que os provetes apresentam um modo de rotura do tipo frágil, com pouca deformação e planos de rotura bem definidos, sendo possível verificar que o aumento do tempo de cura conduz à diminuição dos planos de rotura. Figura 4.8 - Ensaio de compressão simples a provetes com 1 dia: a) 5% Cimento, b) 10% Cimento 67 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Figura 4.9 - Ensaio de compressão simples a provetes com 3 dias: a) 5% Cimento, b) 7,5% Cimento Figura 4.10 - Ensaio de compressão simples a provetes com 7 dias: a) 5% Cimento, b) 10% Cimento 68 ESTABILIZAÇÃO DO SOLO NATURAL Figura 4.11 - Ensaio de compressão simples a provetes com 30 dias: a) 7,5% Cimento, b) 10% Cimento Figura 4.12 - Aspeto visual de provetes com 60 dias depois sujeitos a ensaio de compressão simples: a) 7,5% Cimento, b) 10% Cimento 69 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Figura 4.13 - Ensaio de compressão simples a provetes com 90 dias: a) 5% Cimento, b) 10% Cimento 4.2.5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS O procedimento laboratorial da preparação das amostras adotado, tendo em conta algumas bases normativas de misturas solo-cimento e investigações em estabilização de solos, revelouse satisfatório quando aplicado ao solo em estudo, tendo em conta a inspeção visual dos provetes. Com auxílio da Figura 4.14 podemos dizer que os provetes apresentam uma superfície lateral, com alguma uniformidade, com as dimensões pretendidas e sem cavidades. Mesmo a forma de rotura dos provetes, do tipo frágil, foi a esperada, tendo em conta a rigidez média dos provetes em análise, conforme é possível observar na Figura 4.15. 70 ESTABILIZAÇÃO DO SOLO NATURAL Figura 4.14 - Aspeto visual dos provetes antes do ensaio de compressão simples Figura 4.15 -Forma de rotura dos provetes: a) Provete com 1 dia; b), c) Provetes com 30 dias; d) Provete com 60 dias 71 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 4.3 - ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO E MICROESTRUTURA DO SOLO 4.3.1 - CARACTERIZAÇÃO MINERALÓGICA POR DIFRAÇÃO DE RAIOS X (DRX) A identificação mineralógica foi realizada num difratómetro de raios-X, PANalytical, modelo X’Pert PRO com detetor X’Celerator (Figura 4.16). A tensão de aceleração usada foi de 40kV e a intensidade de corrente de 30mA, segundo uma geometria de Bragg-Brentano, para uma gama de ângulos entre 5º < 2θ <85º. Para a identificação mineralógica, foram preparadas amostras de solo estabilizado, conforme o procedimento já descrito na Secção 4.2.3.2. Estas amostras não foram sujeitas a compactação. Após a sua correta homogeneização mecânica, foram colocadas em sacos plásticos na câmara húmida, para assim serem mantidos constantes os parâmetros em análise ao longo dos respetivos tempos de cura. Para a análise destes parâmetros (tempo de cura, percentagem de ligante e teor em água), foram selecionados os pontos de moldagem definidos no Quadro 4.3. Quadro 4.3 - Parâmetros e respetivos pontos de moldagem em estudo em ambas as análises Parâmetros a analisar Influência do tempo de cura Influência da % de ligante Influência do teor em água Pontos moldagem C3_(A1) C30_(A1) A30_(A1) C30_(A1) γd = 16,4 kN/m3 w = 13,2 % γd = 16,4 kN/m3 w = 13,2 % C30_(B1) γd = 15,6 kN/m3 w = 10,3 % C30_(B3) γd = 15,6 kN/m3 w = 16,1 % Para a obtenção dos difratogramas de raios X foi retirada uma porção à amostra homogeneizada, suficiente para realização desta análise. As amostras analisadas foram reduzidas a pó, para assim ser possível a sua moldagem num porta-amostras padrão (Figura 4.17), inserido posteriormente no equipamento já descrito neste capítulo. 72 ESTABILIZAÇÃO DO SOLO NATURAL Após cada análise procedeu-se à indexação dos difratogramas. Figura 4.16 - Equipamento de difração por Raios X: a) Imagem exterior do equipamento; b) Interior do equipamento Figura 4.17 - Amostra no porta amostras padrão, para posterior realização da difração por Raios X 73 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 4.3.2 - MICROSCOPIA ELETRÓNICA DE VARRIMENTO (SEM/EDS) A análise do solo estabilizado através da Microscopia Eletrónica de Varrimento (SEM/EDS), permite a obtenção de imagens, com as quais foi depois possível a análise visual da microestrutura do solo e as respetivas caracterizações ao nível de elementos químicos. Esta técnica foi já descrita no Capítulo 2, Secção 2.6.2.1. O microscópio eletrónico de varrimento utilizado foi um, FEI QUANTA - 400 (Figura 4.18). Figura 4.18 - Microscópio Eletrónico de Varrimento (SEM/EDS) A porção de cada mistura para análise SEM/EDS foi retirada das mesmas amostras que já tinham sido utilizadas para realização da difração por raios X, visto que foi preparada quantidade suficiente para a realização de ambas as análises. Para levar a cabo esta análise e como primeiro passo, seccionou-se uma amostra (tendo em consideração que as dimensões superiores a 200mm são desaconselháveis) de cada ponto em análise e as mesmas foram colocadas num porta amostras, sobre pinos de alumínio e fixadas com fita de carbono (Figura 4.19), para evitar a influência do teor de alumínio da amostra com o do porta amostras. Seguidamente as amostras foram colocadas dentro do microscópio 74 ESTABILIZAÇÃO DO SOLO NATURAL em sistema de Baixo Vácuo, sendo a pressurização parcial no interior da câmara de 1,33mbar e a tensão de aceleração do feixe de eletrões de 20kV. Figura 4.19 - Amostras no interior da câmara para posterior realização da análise (SEM/EDS) Foram obtidas várias imagens SEM com diferentes resoluções, para assim analisar a influência dos diferentes parâmetros já mencionadas na Secção anterior. Os principais resultados da identificação mineralógica, bem como da Microscopia Eletrónica de Varrimento (SEM/EDS), encontram-se no Capítulo seguinte. 75 ARESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS 5 - APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS 5.1 - CONSIDERAÇÕES INICIAIS No Capítulo anterior foram mostrados os principais aspetos relacionados com a formulação das misturas solo-cimento, fabrico dos provetes e posterior ensaio dos mesmos à compressão simples. São agora apresentados e analisados os resultados obtidos nos ensaios de compressão simples, realizados como forma de analisar a evolução da estabilização de um solo residual granítico com cimento. São aqui apresentados também os resultados obtidos nas análises efetuadas ao solo com cimento, para identificação da composição mineralógica, química, e análise das eventuais alterações morfológicas das diferentes estabilizações. Todas as representações gráficas para avaliar a resistência à compressão simples, foram delineadas tendo em conta os valores obtidos em laboratório (Quadro 5.1). Os teores em humidade determinados no momento de ensaio ficaram um pouco aquém dos inicialmente definidos, o que pode ter sido devido a perdas de água no decorrer do processo de moldagem das misturas. 77 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Quadro 5.1 - Resumo dos valores obtidos em laboratório para o solo estabilizado Teor em Designação cimento (%) A1_(A1) 5,0 A3_(A1) 5,0 A7_(A1) 5,0 A30_(A1) 5,0 A60_(A1) 5,0 A90_(A1) 5,0 A1_(B1) 5,0 A3_(B1) 5,0 A7_(B1) 5,0 A30_(B1) 5,0 A60_(B1) 5,0 A90_(B1) 5,0 A1_(B2) 5,0 A3_(B2) 5,0 A7_(B2) 5,0 A30_(B2) 5,0 A60_(B2) 5,0 A90_(B2) 5,0 A1_(B3) 5,0 A3_(B3) 5,0 A7_(B3) 5,0 A30_(B3) 5,0 A60_(B3) 5,0 A90_(B3) 5,0 A1_(C1) 5,0 A3_(C1) 5,0 A7_(C1) 5,0 A30_(C1) 5,0 A60_(C1) 5,0 A90_(C1) 5,0 78 Teor em água (%) 12,3 11,9 12,3 12,3 12,2 12,2 9,9 9,9 9,9 9,9 9,9 9,9 12,1 12,1 12,1 12,1 12,4 12,4 15,8 14,9 14,6 15,6 15,6 15,6 12,0 12,0 11,9 13,8 12,7 12,8 Densidade Resistência seca (Kpa) 3 (KN/m ) 16,3 537,88 16,4 1213,48 16,4 1629,23 16,5 2684,20 16,4 3453,34 16,5 5217,68 15,6 379,37 15,7 493,71 15,7 964,02 15,6 1184,89 15,5 1494,11 15,5 1811,12 15,7 561,26 15,7 1553,87 15,7 2161,91 15,6 2161,91 15,6 2465,93 15,5 2681,60 15,6 348,19 15,5 696,38 15,3 1054,10 15,1 1679,90 15,6 15,7 2161,91 14,8 245,55 14,7 375,48 14,7 1027,69 14,5 1365,48 14,5 1403,16 14,6 1525,29 Teor em Designação cimento (%) B1_(A1) 7,5 B3_(A1) 7,5 B7_(A1) 7,5 B30_(A1) 7,5 B60_(A1) 7,5 B90_(A1) 7,5 B1_(B1) 7,5 B3_(B1) 7,5 B7_(B1) 7,5 B30_(B1) 7,5 B60_(B1) 7,5 B90_(B1) 7,5 B1_(B2) 7,5 B3_(B2) 7,5 B7_(B2) 7,5 B30_(B2) 7,5 B60_(B2) 7,5 B90_(B2) 7,5 B1_(B3) 7,5 B3_(B3) 7,5 B7_(B3) 7,5 B30_(B3) 7,5 B60_(B3) 7,5 B90_(B3) 7,5 B1_(C1) 7,5 B3_(C1) 7,5 B7_(C1) 7,5 B30_(C1) 7,5 B60_(C1) 7,5 B90_(C1) 7,5 Teor em água (%) 12,2 12,2 12,2 12,2 12,5 12,5 9,9 9,9 9,3 9,9 10,0 10,0 11,9 12,2 11,9 12,2 12,0 12,0 14,2 14,7 14,9 15,5 15,1 15,1 11,8 11,9 12,2 13,0 12,3 12,3 Densidade Resistência seca (Kpa) 3 (KN/m ) 16,3 834,10 16,5 2154,11 16,5 3707,99 16,5 4105,55 16,4 5677,61 16,2 5794,54 15,6 735,36 15,6 1213,48 15,7 1439,54 15,6 1935,84 15,5 2247,66 15,6 2536,09 15,7 1008,20 15,6 1699,39 15,7 2858,29 15,7 4300,43 15,7 4234,17 15,7 4432,95 15,3 340,40 15,6 814,18 15,7 1872,18 15,2 2530,89 15,6 3500,11 15,7 3733,97 14,7 456,46 14,6 704,18 14,8 1337,33 14,6 2525,69 14,7 2543,88 14,8 2837,51 Teor em Designação cimento (%) C1_(A1) 10,0 C3_(A1) 10,0 C7_(A1) 10,0 C30_(A1) 10,0 C60_(A1) 10,0 C90_(A1) 10,0 C1_(B1) 10,0 C3_(B1) 10,0 C7_(B1) 10,0 C30_(B1) 10,0 C60_(B1) 10,0 C90_(B1) 10,0 C1_(B2) 10,0 C3_(B2) 10,0 C7_(B2) 10,0 C30_(B2) 10,0 C60_(B2) 10,0 C90_(B2) 10,0 C1_(B3) 10,0 C3_(B3) 10,0 C7_(B3) 10,0 C30_(B3) 10,0 C60_(B3) 10,0 C90_(B3) 10,0 C1_(C1) 10,0 C3_(C1) 10,0 C7_(C1) 10,0 C30_(C1) 10,0 C60_(C1) 10,0 C90_(C1) 10,0 Teor em água (%) 12,1 12,1 12,1 12,1 12,0 12,0 9,4 9,2 9,2 9,2 9,5 9,9 12,0 12,4 12,3 12,3 12,2 12,2 14,6 14,7 14,8 14,4 15,6 15,6 12,0 12,3 12,3 12,0 13,1 12,5 Densidade Resistência seca (Kpa) (KN/m3) 16,4 1229,07 16,4 3146,72 16,5 5495,72 16,5 5911,47 16,5 6594,86 16,5 7745,97 15,6 1151,11 15,6 1312,22 15,7 1974,82 15,7 2289,23 15,6 2419,16 15,7 3355,90 15,7 1585,05 15,7 2881,68 15,7 3965,23 15,6 4284,84 15,6 4573,27 15,6 4791,54 15,6 545,67 15,8 1190,09 15,7 2369,78 15,4 2660,81 15,4 4386,18 15,7 6314,23 14,8 873,08 14,8 1015,99 14,8 2712,78 14,8 5194,30 14,8 3696,29 14,7 3996,41 ARESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS 5.2 - ENSAIOS DE COMPRESSÃO SIMPLES 5.2.1 - INFLUÊNCIA DO TEMPO DE CURA Para perceber a influência do tempo de cura no comportamento mecânico das misturas em análise, procedeu-se à representação gráfica que relaciona resistência à compressão em função do tempo de cura (Figura 5.1 a 5.5). Esta representação foi elaborada para todos os pontos de moldagem em análise, como forma de perceber até que ponto os diferentes parâmetros de moldagem se sobrepõem ao fator tempo de cura. 8000 C=5% 7000 C=7,5% 6000 qu (KPa) C=10% 5000 4000 3000 2000 1000 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 Tempo de cura (Dias) Figura 5.1 - Evolução da resistência à compressão simples com o tempo de cura para o ponto de moldagem A1 79 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 8000 7000 qu (KPa) 6000 5000 4000 3000 2000 1000 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 Tempo de cura (Dias) Figura 5.2 - Evolução da resistência à compressão simples com o tempo de cura para o ponto de moldagem B1 8000 C=5% 7000 C=7,5% qu (KPa) 6000 C=10% 5000 4000 3000 2000 1000 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 Tempo de cura (Dias) Figura 5.3 - Evolução da resistência à compressão simples com o tempo de cura para o ponto de moldagem B2 80 ARESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS 8000 C=5% 7000 C=7,5% qu (KPa) 6000 C=10% 5000 4000 3000 2000 1000 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 Tempo de cura (Dias) Figura 5.4 - Evolução da resistência à compressão simples com o tempo de cura para o ponto de moldagem B3 8000 C=5% 7000 C=7,5% qu (KPa) 6000 C=10% 5000 4000 3000 2000 1000 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 Tempo de cura (Dias) Figura 5.5 - Evolução da resistência à compressão simples com o tempo de cura para o ponto de moldagem C1 81 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Observando os gráficos é possível concluir que no geral todos eles demostram que, qualquer que seja o ponto de moldagem, a resistência à compressão simples aumenta com o tempo de cura. Este efeito é mais evidente numas situações que noutras, mas persiste sempre em quase todas as misturas. É possível observar que grande parte do ganho de resistência para qualquer ponto de moldagem, ocorreu entre 1 e 7 dias de cura, pois a resistência alcançada para certas situações foi próxima à de 30 dias de cura, sendo exemplo disso os gráficos das Figuras 5.2 e 5.3. É notório em algumas situações ainda o aumento de resistência até aos 60 dias, por exemplo a situação do gráfico da Figura 5.1. Na generalidade dos casos já existe uma estabilização do aumento da resistência dos 60 para os 90 dias. Salienta-se que a percentagem da resistência aos 7 dias de cura é de 61%, aos 30 dias é de 78% e de 90% até aos 60 dias, o que significa que, em média, a cura entre os 60 e os 90 dias permitiu um aumento de resistência de apenas 10% da resistência máxima. Da mesma forma, verifica-se que aos 30 dias a resistência era já superior a 75% do valor final. Para a maioria dos casos em análise e salientando apenas o fator tempo de cura, é percetível que este é um parâmetro importante no ganho da resistência à compressão simples não confinada, independentemente das condições para as quais foram moldadas as misturas. 5.2.2 - INFLUÊNCIA DO TEOR EM CIMENTO De forma a analisar a influência da variação do teor de cimento na resistência à compressão simples foram elaborados gráficos com os valores da resistência máxima dos provetes em função do respetivo teor em cimento (Figura 5.6 a 5.10). 82 ARESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS 9000 8000 1 Dia 7000 3 Dias qu (KPa) 6000 7 Dias 5000 30 Dias 4000 60 Dias 3000 90 Dias 2000 1000 0 3 4 5 6 7 8 9 10 Teor em cimento (%) 11 12 Figura 5.6 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento para o ponto de moldagem A1 9000 8000 1 Dia 7000 3 Dias qu (KPa) 6000 7 Dias 5000 30 Dias 4000 60 Dias 3000 90 Dias 2000 1000 0 3 4 5 6 7 8 9 10 Teor em cimento (%) 11 12 Figura 5.7 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento para o ponto de moldagem B1 83 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 9000 8000 1 Dia 7000 3 Dias qu (KPa) 6000 7 Dias 5000 30 Dias 4000 60 Dias 3000 90 Dias 2000 1000 0 3 4 5 6 7 8 9 10 Teor em cimento (%) 11 12 Figura 5.8 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento para o ponto de moldagem B2 9000 8000 1 Dia 7000 3 Dias qu (KPa) 6000 7 Dias 5000 30 Dias 4000 60 Dias 3000 90 Dias 2000 1000 0 3 4 5 6 7 8 9 10 Teor em cimento (%) 11 12 Figura 5.9 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento para o ponto de moldagem B3 84 ARESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS 9000 8000 1 Dia 7000 3 Dias qu (KPa) 6000 7 Dias 5000 30 Dias 4000 60 Dias 3000 90 Dias 2000 1000 0 3 4 5 6 7 8 9 10 Teor em cimento (%) 11 12 Figura 5.10 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento para o ponto de moldagem C1 A partir da análise dos gráficos é possível concluir que o aumento do teor de cimento provoca um acréscimo da resistência à compressão simples, sendo que este aumento não acontece de uma forma linear para todas as situações em estudo. Verifica-se um ligeiro aumento nas resistências entre os 5% e 7,5% de cimento, de cerca de 62%, sendo este aumento superior entre os 7,5% e 10% de cimento, cerca de 76%. Nas misturas com 10% de cimento, atingem-se maiores resistências para o mesmo tempo de cura em relação às percentagens de 5 e 7,5%, devendo-se isto ao facto de nestas misturas existir uma maior quantidade de cimento disponível, necessária para que ocorram as reações químicas que possibilitam o desenvolvimento da resistência. Nas representações gráficas das Figuras 5.11 a 5.16, a relação entre a resistência à compressão simples e o teor em cimento é apresentada para cada uma das três baridades de moldagem, permitindo perceber a importância da percentagem de cimento nas misturas solocimento. 85 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 9000 14,7 KN/m3 8000 15,6 KN/m3 7000 qu (KPa) 6000 16,4 KN/m3 5000 4000 3000 2000 1000 0 3 4 5 6 7 8 9 Teor em cimento (%) 10 11 12 Figura 5.11 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento nas misturas com 1 dia 9000 14,7 KN/m3 8000 7000 15,6 KN/m3 qu (KPa) 6000 16,4 KN/m3 5000 4000 3000 2000 1000 0 3 4 5 6 7 8 9 Teor em cimento (%) 10 11 12 Figura 5.12 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento nas misturas com 3 dias 86 ARESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS 9000 14,7 KN/m3 8000 7000 15,6 KN/m3 qu (KPa) 6000 16,4 KN/m3 5000 4000 3000 2000 1000 0 3 4 5 6 7 8 9 Teor em cimento (%) 10 11 12 Figura 5.13 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento nas misturas com 7 dias 9000 14,7 KN/m3 8000 15,6 KN/m3 7000 qu (KPa) 6000 16,4 KN/m3 5000 4000 3000 2000 1000 0 3 4 5 6 7 8 9 Teor em cimento (%) 10 11 12 Figura 5.14 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento nas misturas com 30 dias 87 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 9000 14,7 KN/m3 8000 15,6 KN/m3 7000 qu (KPa) 6000 16,4 KN/m3 5000 4000 3000 2000 1000 0 3 4 5 6 7 8 9 Teor em cimento (%) 10 11 12 Figura 5.15 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento nas misturas com 60 dias 9000 14,7 KN/m3 8000 15,6 KN/m3 7000 qu (KPa) 6000 16,4 KN/m3 5000 4000 3000 2000 1000 0 3 4 5 6 7 8 9 Teor em cimento (%) 10 11 12 Figura 5.16 - Variação da resistência à compressão simples com o teor em cimento nas misturas com 90 dias 88 ARESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS Esta representação gráfica torna a evidenciar o efeito do teor em cimento, pois à medida que este aumenta a resistência das misturas sofre um aumento, sendo de destacar a influência da baridade das misturas, quanto maior a baridade maior a resistência, este efeito é mais evidente para maiores tempos de cura. Depois de analisar os dois tipos de representações gráficas torna-se evidente que o aumento do teor em cimento influencia o comportamento mecânico do solo estabilizado, independentemente dos tempos de cura e das variações na baridade e teor em água das misturas. 5.2.3 - INFLUÊNCIA DO TEOR EM ÁGUA Como forma de analisar a resistência à compressão simples em função do teor em água, a média do peso específico seco das amostras foi mantida aproximadamente igual a 15,6 KN/m3 enquanto os teores em água assumiram diferentes valores na fase de moldagem: 10,3%, 13,2% e 16,1%. Imediatamente após o ensaio o teor em água de cada provete foi novamente medido, tendo sido detetadas variações aos valores inicialmente adotados. Estas variações eram mais ou menos expectáveis devido à perda de água constituinte que inevitavelmente ocorre durante as operações que envolvem o manuseamento dos provetes, necessárias para o seu armazenamento e para preparação e execução do ensaio de compressão. Com os resultados obtidos delinearam-se os seguintes gráficos (Figura 5.17 a 5.22), para assim ser possível observar a influência do teor em água nas misturas solo-cimento. 89 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento qu (KPa) 7000 6000 C=5% 5000 C=7,5% 4000 C=10% 3000 2000 1000 0 8 9 10 11 12 13 14 Teor em água (%) 15 16 17 Figura 5.17 - Variação da resistência à compressão simples em função do teor em água nas misturas com 1 dia qu (KPa) 7000 6000 C=5% 5000 C=7,5% 4000 C=10% 3000 2000 1000 0 8 9 10 11 12 13 14 Teor em água (%) 15 16 17 Figura 5.18 - Variação da resistência à compressão simples em função do teor em água nas misturas com 3 dias 90 ARESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS qu (KPa) 7000 6000 C=5% 5000 C=7,5% 4000 C=10% 3000 2000 1000 0 8 9 10 11 12 13 14 Teor em água (%) 15 16 17 Figura 5.19 - Variação da resistência à compressão simples em função do teor em água nas misturas com 7 dias qu (KPa) 7000 6000 C=5% 5000 C=7,5% 4000 C=10% 3000 2000 1000 0 8 9 10 11 12 13 14 Teor em água (%) 15 16 17 Figura 5.20 - Variação da resistência à compressão simples em função do teor em água nas misturas com 30 dias 91 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento qu (KPa) 7000 6000 C=5% 5000 C=7,5% 4000 C=10% 3000 2000 1000 0 8 9 10 11 12 13 14 Teor em água (%) 15 16 17 Figura 5.21 - Variação da resistência à compressão simples em função do teor em água nas misturas com 60 dias qu (KPa) 7000 6000 C=5% 5000 C=7,5% 4000 C=10% 3000 2000 1000 0 8 9 10 11 12 13 14 Teor em água (%) 15 16 17 Figura 5.22 - Variação da resistência à compressão simples em função do teor em água nas misturas com 90 dias 92 ARESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS A resistência à compressão aumenta com o aumento do teor em água de moldagem, verificando-se que a partir de certo teor em água começa a haver um decréscimo da resistência, tal e qual como observado no ensaio de Proctor. Os valores médios da resistência para cada teor em água para os diferentes tempos de cura estão representados no Quadro 5.2. Quadro 5.2 - Média da resistência de cada teor em água para cada tempo de cura Média do teor em água (%) 9,7 12,2 15,1 Tempo de Resistência (KPa) cura (dias) 1 3 7 30 60 90 1 3 7 30 60 90 1 3 7 30 60 90 755 1006 1459 1803 2054 2568 1052 2045 2995 3582 3758 3969 411 900 1765 2291 3943 4070 Os gráficos são elucidativos no sentido de perceber que é possível obter resistências máximas para teores em água de cerca de 12% para o caso em estudo. A partir deste ponto, o aumento do teor em água não irá permitir que a compactação se realize de forma eficaz, sendo aconselhável trabalhar abaixo do valor ótimo, ou seja, do lado seco da curva de compactação. O gráfico da Figura 5.22 mostra uma exceção que não vai ao encontro do concluído até agora para a situação com 10% de cimento, provavelmente esta deve-se aos resultados experimentais obtidos não serem os melhores, deveria repetir-se o ponto máximo dos 10% com cimento. 93 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 5.2.4 - INFLUÊNCIA DA BARIDADE SECA Para perceber a influência da baridade no processo de estabilização com cimento, procedeu-se à representação gráfica que relaciona, resistência à compressão simples e baridade seca. Esta análise foi feita para um teor em água médio das misturas de cerca de 12% e para o respetivos pesos unitários secos obtidos experimentalmente. 9000 8000 C=5% 7000 C=7,5% qu (KPa) 6000 C=10% 5000 4000 3000 2000 1000 0 14 14,5 15 15,5 16 Baridade seca (KN/m3) 16,5 17 Figura 5.23 - Variação da resistência à compressão simples com a baridade seca nas misturas com 1 dia 94 ARESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS 9000 8000 C=5% 7000 C=7,5% qu (KPa) 6000 C=10% 5000 4000 3000 2000 1000 0 14 14,5 15 15,5 16 Baridade seca (KN/m3) 16,5 17 Figura 5.24 - Variação da resistência à compressão simples com a baridade seca nas misturas com 3 dias 9000 C=5% 8000 C=7,5% 7000 C=10% qu (KPa) 6000 5000 4000 3000 2000 1000 0 14 14,5 15 15,5 16 Baridade seca (KN/m3) 16,5 17 Figura 5.25 - Variação da resistência à compressão simples com a baridade seca nas misturas com 7 dias 95 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 9000 C=5% 8000 C=7,5% 7000 C=10% qu (KPa) 6000 5000 4000 3000 2000 1000 0 14 14,5 15 15,5 16 Baridade seca (KN/m3) 16,5 17 Figura 5.26 - Variação da resistência à compressão simples com a baridade seca nas misturas com 30 dias 9000 C=5% 8000 C=7,5% 7000 C=10% qu (KPa) 6000 5000 4000 3000 2000 1000 0 14 14,5 15 15,5 16 Baridade seca (KN/m3) 16,5 17 Figura 5.27 - Variação da resistência à compressão simples com a baridade seca nas misturas com 60 dias 96 ARESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS 9000 C=5% 8000 C=7,5% 7000 C=10% qu (KPa) 6000 5000 4000 3000 2000 1000 0 14 14,5 15 15,5 16 Baridade seca (KN/m3) 16,5 17 Figura 5.28 - Variação da resistência à compressão simples com a baridade seca nas misturas com 90 dias Analisando as Figuras 5.23 a 5.28, verifica-se que a resistência à compressão simples é sensível à baridade seca, pois a resistência aumenta com o aumento da baridade. Tendo em conta os mesmos gráficos é de notar que este efeito da baridade se destaca a partir dos 7 dias de cura, não sendo tão evidente para 1 e 3 dias. A partir destes resultados é evidente que o teor de cimento tem uma influência significativa na resistência à compressão simples, ou seja, este parâmetro tem vindo a destacar-se como tendo uma grande influência no comportamento mecânico das misturas de solo-cimento, sobrepondo-se a qualquer outra alteração (baridade seca e teor em água). Mas também é possível verificar que este aumento parece ser mais importante nas espécies mais densas onde há mais pontos de contacto entre as partículas, e assim a eficácia de cimentação é melhorada. 97 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 5.3 - ANÁLISE DA MICROESTRUTURA E COMPOSIÇÃO 5.3.1 - MICROESTRUTURA E COMPOSIÇÃO QUÍMICA DO SOLO ESTABILIZADO (SEM/EDS) 5.3.1.1 - Influência do tempo de cura A análise dos aspetos microestruturais das misturas que a seguir se apresenta (Figuras 5.29 e 5.30) refere-se a misturas com diferentes tempos de cura, sendo eles 3 e 30 dias. Desta forma pretendem-se verificar as principais alterações que possam ocorrer em função dos diferentes tempos de cura, para misturas com o mesmo teor em água e cimento. Figura 5.29 - Imagens da mistura C3_(A1): a) Obtida recorrendo a microscópio ótico; b), c) e d)Imagens SEM obtidas por microscópio de varrimento 98 ARESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS Figura 5.30 - Imagens da mistura C30_(A1): a) Obtida recorrendo a microscópio ótico; b), c) e d) Imagens SEM obtidas por microscópio de varrimento A imagem a) da Figura 5.29 apresenta menor microporosidade, menos vazios que a imagem a) da Figura 5.30, sendo estes aspetos também reforçados pelas imagens b) de ambas as Figuras. Mas estas imagens também mostram que com o tempo de cura a agregação dos inertes aumenta, sendo depois o índice de vazios existentes (devido a agregação dos inertes), reduzido recorrendo a um processo de compactação, aumentando assim a resistência do solocimento com o tempo de cura. É de destacar a imagem d) da Figura 5.29, onde é possível observar a presença de cristais sob a forma de agulhas, a chamada etringite. O aparecimento desta é comum no início do processo de hidratação do cimento, aspeto já mencionado no Capitulo 2, Secção 2.6.2.1. 99 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Comparando ambas as imagens d) são notórias diferenças, pois na imagem d) da Figura 5.30 é possível observar o aumento dos cristais sob a forma de agulhas, ou seja, estamos na presença de uma estrutura cristalina em placas que irá conferir maior rigidez à mistura. Esta imagem apresenta outra fase cristalina que também é normal aparecer na hidratação do cimento, o aparecimento de silicatos de cálcio hidratados (C-S-H). A formação destes é mais significativa com o tempo, por isso a justificação de termos misturas mais resistentes aos 30 dias, pois a formação de C-S-H irá diminuir a porosidade das misturas. Com a análise química realizada para todas as misturas em estudo conseguimos obter a composição global das misturas, porque foi feito um EDS global. Sendo assim, só podemos mencionar os elementos químicos presentes nas misturas e não discutir a variação das quantidades presentes nas mesmas. Com base nas Figuras 5.31 e 5.32, que representam o espetro e quantificação percentual dos elementos químicos das misturas, é possível saber os elementos químicos predominantes nas mesmas, para os diferentes tempos de cura. Figura 5.31 - Espetro da composição química da mistura C3_(A1) com 3 dias de cura, obtido por EDS 100 ARESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS Elemento Peso molecular,Wt Químco (%) 0,88 Mg Al 26,42 Si 30,15 S 2,08 K 5,49 Ca 31,86 Fe 3,13 Figura 5.32 - Espetro da composição química da mistura C30_(A1) com 30 dias de cura, obtido por EDS Verifica-se que os elementos químicos predominantes nas misturas são o Silício e o Alumínio, apresentando a mistura aos 30 dias de cura maior quantidade de Cálcio que a de 3 dias. 101 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 5.3.1.2 - Influência do teor em ligante As imagens das Figuras 5.30 e 5.33 de misturas com 30 dias de cura, permitem avaliar as diferenças morfológicas, tendo em conta diferentes percentagens de cimento. Figura 5.33 - Imagens da mistura A30_(A1): a) Obtida recorrendo a microscópio ótico; b), c) e d) Imagens SEM obtidas por microscópio de varrimento Em termos de macroporosidades não parece haver grandes diferenças comparando as imagens a), b) e c) das Figuras 5.30 e 5.33, todas elas apresentam alguma agregação dos inertes e alguns vazios. A diferença na percentagem de ligante das misturas, sem serem compactadas, não apresenta diferenças significativas na microestrutura do solo-cimento. As imagens d) das Figuras 5.30 e 5.33 apresentam algumas placas de hidróxido de cálcio já cobertas por alguns tufos de silicatos de cálcio hidratados (C-S-H). Nestas imagens não se 102 ARESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS encontram significativas mudanças devido ao aumento da percentagem de ligante de 5% para 10%, talvez pelo facto de este aumento não ser representativo tendo em conta a pequena quantidade de amostra necessária para está análise ou mesmo a fração escolhida para a análise. Continuam a ser identificadas nas imagens SEM as várias fases devido ao processo de hidratação do cimento. As Figuras 5.32 e 5.35, permitem identificar os elementos químicos predominantes das misturas com diferentes percentagens de cimento, para o período de 30 dias de cura. Elemento Peso molecular,Wt Químco (%) 0,61 Mg Al 30,62 Si 37,80 S 1,26 K 5,38 Ca 20,84 Fe 3,50 Figura 5.34 - Espetro da composição química da mistura A30_(A1) com 30 dias de cura, obtido por EDS Verifica-se que os elementos químicos predominantes na mistura A30_(A1), são o Silício (38%), o Alumínio (31%) e o Cálcio (21%). A mistura C30_(A1) apresenta 32% de Cálcio, 30% de Silício e 26% de Alumínio. 103 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 5.3.1.3 - Influência do teor em água Nas Figuras 5.35 e 5.36, apresentam-se as diferenças microestruturais das misturas preparadas para diferentes teores em água e 30 dias de cura. Figura 5.35 - Imagens da mistura C30_(B1): a) Obtida recorrendo a microscópio ótico; b), c) e d) Imagens SEM obtidas por microscópio de varrimento 104 ARESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS Figura 5.36 - Imagens da mistura C30_(B3): a) Obtida recorrendo a microscópio ótico; b), c) e d) Imagens SEM obtidas por microscópio de varrimento As imagens a) das Figuras 5.35 e 5.36 evidenciam que as partículas de ambas as misturas estão envolvidas, parecendo esta ligação ser mais solta na Figura 5.35. Mas não significa que a microestrutura mostrada pela imagem a) da Figura 5.36 confira ligações entre partículas mais fortes, isto pelo aspeto pouco firme que apresentam. É de salientar a presença de tufos de silicatos de cálcio hidratados em ambas as imagens d) das Figuras 5.35 e 5.36, mas na imagem da Figura 5.36 as cristalizações parecem muito incipientes, tendo em conta que estamos a falar do mesmo tempo de cura, apresentando assim uma cristalização mal formada. Ou seja, a mistura com maior teor em água manifesta poucas cristalizações que não favorecem as propriedades do material, como foi demonstrado laboratorialmente (Quadro 5.1). 105 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento Com base nas Figuras 5.37 e 5.38, que representam o espetro e quantificação percentual dos elementos químicos da mistura, é possível analisar os elementos químicos presentes na mesma, tendo em conta diferentes teores em água e para um período de cura de 30 dias. Elemento Peso molecular,Wt Químco (%) 1,12 Mg Al 23,03 Si 29,94 S 1,64 K 4,25 Ca 35,57 Fe 4,44 Figura 5.37 - Espetro da composição química da mistura C30_(B1) com 30 dias de cura, obtido por EDS 106 ARESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS Elemento Peso molecular,Wt Químco (%) 0,51 Mg Al 16,91 Si 51,46 S 0,83 K 8,92 Ca 18,71 Ti 0,85 Fe 1,81 Figura 5.38 - Espetro da composição química da mistura C30_(B3) com 30 dias de cura, obtido por EDS Confrontando as respetivas Figuras e complementando com a informação dos Quadros que contêm a percentagem de cada elemento químico é de frisar a existência na mistura C30_(B3) de um elemento químico até agora não evidenciado nas restantes misturas, o Titânio. No que diz respeito aos restantes elementos químicos, verifica-se a presença do mesmo tipo de elementos em ambas as misturas. 107 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento 5.3.2 - ANÁLISE MINERALÓGICA É possível observar os espetros (Figura 5.39) referentes à análise mineralógica efetuada ao solo residual granítico utilizado no presente trabalho bem como às misturas que já foram alvo de análise através de SEM/EDS, sendo assim possível a comparação de resultados entre as várias misturas. QM M M Q G C - Clinocloro G - Gibsite M - Muscovite Q - Quartzo M Q C30_(B3) Intensidade (u.a) C30_(B1) A30_(A1) C30_(A1) C3_(A1) C 5 C 10 Solo Natural C 15 20 25 30 2θ 35 40 45 50 Figura 5.39 - Comparação entre os difratogramas do solo natural e as misturas em análise Conclui-se ser de dificil interpretação a análise dos difratogramas de amostras de solo estabilizado, pelo facto de as mesmas serem influenciadas pela matriz do solo e de os produtos de reação do cimento serem em geral estruturas amorfas, com picos de difração muitos difusos, de difícil indexação. É de notar a existência de um pico com a alguma intesidade θ para um 2 de aproximadamente igual a 27,5 que existe no solo natural e com alguma intesidade em algumas misturas, mas este não foi possível identificar com precisão. 108 ARESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS Para provar as fases que se desenvolvem nas misturas solo-cimento foi feita uma ampliação (Figura 5.40) aos espetros da Figura 5.39, para ser possível detetar os picos de CC pequena intensidade e assim confirmar as fases identificadas em SEM. E E - Etringite CC - Carbonato de Cálcio P - Portlandite P C30_(B3) Intensidade (u.a) C30_(B1) A30_(A1) C30_(A1) C3_(A1) Solo Natural 10 15 20 25 2θ 30 35 40 Figura 5.40 - Ampliação do difratograma da Figura 5.39 A análise permitiu identificar para além das fases já existentes no solo, identificadas no Capítulo 3, fases de etringite (hidróxo-sulfato de alumínio e cálcio hidratado, Ca6Al2(SO4)3(OH)12•26H2O), portlandite (hidróxido de cálcio, Ca(OH)2) e carbonato de cálcio (CaCO3), tendo por base as fichas JCPDS (00-041-1451, 01-078-0315 e 01-083-1762, respetivamente) 109 CONSIDERAÇÕES FINAIS 6 - CONSIDERAÇÕES FINAIS 6.1 - PRINCIPAIS CONCLUSÕES O presente trabalho foi elaborado com o objetivo de avaliar as potencialidades do processo de estabilização química com cimento na resistência à compressão simples de um solo residual granítico. Tendo em conta os resultados obtidos, pode-se concluir que o objetivo foi alcançado, pois neste processo verificou-se que o teor em ligante usado na mistura com o solo influencia positivamente o seu comportamento mecânico, que depende ainda das condições de cura, baridade seca e do teor em água. As principais conclusões que emergem do trabalho experimental são as seguintes: O tipo de solo em estudo é adequado para a estabilização com cimento, tendo em conta a sua classificação como areia siltosa. Indo assim de encontro a estudos desta temática, por exemplo o postulado por Reddy e Kumar (2011) os quais recomenda o uso de solos arenosos para estabilizações com cimento. A resistência à compressão simples aumenta com o teor em cimento, independentemente da densidade das misturas, sendo este aumento alterado significativamente aquando o incremento de pequenas percentagens de cimento. Sendo também de destacar que a resistência à compressão simples para o mesmo tempo de cura, é mais elevada para teores de cimento maiores. Isto deve-se à formação de maiores quantidades de material cimentício, pois existe maior percentagem de cimento disponível o que leva a serem atingidas resistências maiores. Relativamente ao tempo de cura, à medida que este evolui existe um aumento da resistência à compressão simples das misturas solo-cimento, sendo este aumento mais significativo na generalidade dos casos até aos 7 dias. Até aos 60 dias existe um acréscimo, mas já não apresenta ser tão significativo sendo a partir dos 60 dias reduzido. Em média, a cura entre os 60 e os 90 dias permitiu um aumento de 111 Caracterização geotécnica de um solo residual granítico estabilizado com cimento resistência de apenas 10% da resistência máxima. Da mesma forma, verifica-se que aos 30 dias a resistência era já superior a 78% do valor final. Tendo em conta o tipo de solo em estudo (solo arenoso), podemos dizer que a quantidade de água que conduz à máxima resistência das misturas encontra-se abaixo do teor ótimo determinado no ensaio de compactação leve, ou seja é preferível efetuar a compactação no processo de moldagem de solos estabilizados quimicamente com cimento do lado seco da curva de compactação. A realização da compactação do lado húmido, ou seja para valores superiores ao teor ótimo em água não é eficaz, porque com o aumento contínuo de água deixa de haver contacto de determinadas zonas do ar do solo com a atmosfera ficando o ar retido entre o solo e a água. Assim o aumento do teor em água conduz à diminuição do peso volúmico seco. A resistência à compressão simples do solo-cimento compactado aumenta para pequenos aumentos da densidade seca, isto deve-se ao facto de haver melhor contacto entre as partículas e com isto uma redução da porosidade das amostras compactadas, portanto mais eficaz a cimentação. Assim, a resistência e o desempenho da estabilização química com cimento do solo residual granítico são influenciadas pelo teor em cimento, tempo de cura, teor em água e baridade seca da mistura compactada. A caracterização feita quer ao solo natural como ao estabilizado recorrendo à técnica de Microscopia Eletrónica de Varrimento (SEM), permitiu perceber algumas diferenças microestruturais ocorridas. Comparando as imagens SEM do solo natural com as do solo estabilizado é possível perceber algumas modificações na morfologia do solo. Com a adição de cimento ao solo natural ficamos com uma microestrutura mais agregada, sendo também possível identificar as várias fases ocorridas no solo-cimento inerentes à adição de cimento. 112 CONSIDERAÇÕES FINAIS 6.2 - TRABALHOS FUTUROS Em relação ao prosseguimento dos trabalhos realizados no âmbito desta dissertação, que possa vir a contribuir para uma maior clarificação da temática abordada, apresenta-se em seguida algumas ideias. Seria importante desenvolver um trabalho de campo, para assim verificar se no campo os resultados diferiam muitos dos obtidos laboratorialmente. Validar o procedimento laboratorial de preparação das amostras a outro tipo de solos. Fazer uma experiência relativamente aos teores em humidade, passando esta pelo acréscimo nos teores em humidade de 1%, por exemplo, para ter em conta as perdas no processo de moldagem e assim garantir a proximidade dos teores obtidos laboratorialmente com os estipulados. Para caracterizar melhor o comportamento destes solos estabilizados seria interessante realizar ensaios triaxiais, com estes conseguem-se resultados mais realistas como os de campo devido ao confinamento. Relativamente à parte da microscopia seria interessante fazer uma preparação mais minuciosa das misturas, para assim poder esclarecer a viabilidade da técnica no que diz respeito a análise das alterações morfológicas ocorridas nas diferentes estabilizações. 113 BIBLIOGRAFIA 7 - BIBLIOGRAFIA ASTM D 1633 (2000). Standard Test Methods for Compressive Strength of Molded SoilCement Cylinders. American Society for Testing and Materials. ASTM D 2166 (2000). Standard test method for unconfined compressive strength of cohesive soil. American Society for Testing and Materials. ASTM D 2487 (2000). Standard Practice for Classification of Soils for Engineering Purposes (Unified Soil Classification System). American Society for Testing and Materials. ASTM D 4609 (2001). Standard guide for evaluating effectiveness of admixtures for soil stabilization. American Society for Testing and Materials. Branco, F., Pereira, P., & Santos, L. P. (2006). Pavimentos Rodoviários. Edições Almedina, SA, Coimbra. 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