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Trabalho 812 - 1/3
PRINCIPAIS DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM IDENTIFICADOS
NA VISITA DOMICILIÁRIA A PROSTITUTAS
Barbosa, Isadora Marques1
Coelho, Cássia Fernandes2
Santos, Ana Carla Bonfim dos2
Ribeiro, Samila Gomes³
Aquino, Priscila de Souza4
Pinheiro, Ana Karina Bezerra5
Introdução: Desde o surgimento da profissão, as prostitutas sofrem preconceitos
e são acusadas de disseminar doenças, além de ferir as regras dos costumes
sociais. Estigmas são impostos de maneira brutal sobre essas mulheres que
utilizam o sexo para ganhar dinheiro 1. Com isso, acabam sofrendo discriminação,
seja por parte da população, ou até mesmo por parte de alguns profissionais da
área da saúde. No atendimento a essas mulheres, muitas vezes, são focados os
fatores de risco, em detrimento da vulnerabilidade semelhante às demais
mulheres. A prática do autocuidado nessa população deve ser observada, uma
vez que estão suscetíveis a alterações ou problemas quanto à higiene, nutrição,
comunicação, atividade, repouso e busca aos serviços de saúde, devido à
ausência de orientações focadas em suas principais necessidades, gerando
déficit de conhecimento. Os diagnósticos de enfermagem surgem como um
método de abordagem sistemático e dinâmico, capaz de identificar problemas
potenciais ou reais, manifestações ou atitudes de promoção da saúde e de bem
estar que passariam despercebidos e, a partir disso, pode-se criar um plano de
cuidados individualizado, com orientações de acordo com as necessidades do
indivíduo2. Conhecer os diagnósticos de enfermagem mais prevalentes nessa
população permitirá elaborar estratégias educativas direcionadas aos principais
problemas identificados. Objetivo: Identificar os principais diagnósticos de
enfermagem encontrados durante visita domiciliária a prostitutas. Metodologia:
Trata-se de um estudo descritivo, exploratório, realizado com cinco prostitutas em
exercício, escolhidas por conveniência. As mesmas eram associadas da APROCE
(Associação de Prostitutas do Ceará) e exerciam atividades laborais em
ambientes fechados, localizados no centro e na periferia de Fortaleza. As
1. Acadêmica de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará (UFC). Bolsista Programa de
Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde). E-mail: [email protected].
2. Acadêmicas de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará (UFC). Bolsistas Funcap.
3.
4.
5.
Acadêmico de Enfermagem da UFC. Bolsista (PET).
Enfermeira. Doutoranda em Enfermagem pela UFC. Bolsista PROPAG.
Doutora em Enfermagem. Professora Adjunto III da UFC. Vice-coordenadora do Programa de PósGraduação da UFC.
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Trabalho 812 - 2/3
entrevistam ocorreram em seus próprios locais de trabalho, no período de
fevereiro a abril de 2009, mediante um formulário de entrevista semi-estruturado,
baseado nos requisitos de autocuidado de Orem. Foram realizadas três visitas.
Os dados coletados foram analisados e os diagnósticos de enfermagem foram
identificados segundo a Taxonomia II da NANDA3 (North American Nursing
Diagnosis Association). Os aspectos éticos e legais foram respeitados de acordo
com a Resolução 196/96. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa da UFC (Universidade Federal do Ceará), sob protocolo de nº261/08.
Resultados: Foram encontrados 19 diagnósticos de enfermagem mediante o
observado e registrado nas visitas realizadas. Os principais diagnósticos foram:
Nutrição desequilibrada: menos que as necessidades corporais, 2(10,5%); Estilo
de vida sedentário, 5(26,3%); Risco de solidão, 3(15,7%); Manutenção ineficaz da
saúde, 4(21%); Comportamento de saúde propenso a risco, 1(5,2%); Disposição
para aumento do autocuidado, 1(5,2%). Os fatores relacionados encontrados
foram:
Falta
de
motivação,
5(26,3%);
Fatores
psicológicos,
2(10,5%);
Enfrentamento individual, 4(21%); Privação afetiva, 3(15,7%); Atitude negativa em
relação aos cuidados de saúde, 1(5,2%). Observou-se que os principais fatores
relacionados eram referentes a aspectos psicológicos. Com relação às
características definidoras, as mesmas incluíram: Conceitos errados, 2(10,5%);
Escolher uma rotina diária sem exercícios físicos, 5(26,3%); História de ausência
de comportamento de busca de saúde, 3(15,7%); Desejo de aumentar o
conhecimento de estratégias de autocuidado, 1(5,2%); Expressão de desejo de
aumentar o autocuidado, 1(5,2%). Conclusão: Concluiu-se que os diagnósticos
de enfermagem identificados estavam enquadrados nos domínios: Promoção da
Saúde, Nutrição, Atividade/Repouso, Autopercepção e Enfrentamento/Tolerância
ao Estresse. Tal fato já era esperado uma vez que os autores se propuseram a
avaliar as ações de autocuidado. Percebe-se a importância de se ter realizado o
estudo com esse público, pois identificou-se semelhança nas deficiências do
autocuidado presentes nessa população. Algumas limitações para a realização
desse estudo foram: a compatibilidade de horários, falta de confiança da clientela
nas pesquisadoras (principalmente no primeiro encontro), receio de divulgação de
1. Acadêmica de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará (UFC). Bolsista Programa de
Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde). E-mail: [email protected].
2. Acadêmicas de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará (UFC). Bolsistas Funcap.
3.
4.
5.
Acadêmico de Enfermagem da UFC. Bolsista (PET).
Enfermeira. Doutoranda em Enfermagem pela UFC. Bolsista PROPAG.
Doutora em Enfermagem. Professora Adjunto III da UFC. Vice-coordenadora do Programa de PósGraduação da UFC.
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Trabalho 812 - 3/3
suas identidades, dentre outros. Sugere-se a realização de outros estudos com
esse público, tendo em vista os poucos estudos que abordam essa temática, bem
como a facilidade de detecção de suas reais necessidades.
Referências bibliográficas
1.BRASIL. Profissionais do sexo: documento referencial para ações de prevenção
das DST e da AIDs. Brasília, DF, 2002.
2.ALFARO-LEFEVRE,R. Aplicação do Processo de Enfermagem: promoção do
cuidado colaborativo. 5º edição. Porto Alegre: Artmed, 2005.
3. North American Nursing Diagnosis Association. Diagnósticos de enfermagem
da NANDA: definições e classificação 2007-2008. Porto Alegre: Artmed; 2008.
Descritores:
Autocuidado;
Cuidados
de
Enfermagem;
Diagnóstico
de
Enfermagem.
1. Acadêmica de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará (UFC). Bolsista Programa de
Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde). E-mail: [email protected].
2. Acadêmicas de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará (UFC). Bolsistas Funcap.
3.
4.
5.
Acadêmico de Enfermagem da UFC. Bolsista (PET).
Enfermeira. Doutoranda em Enfermagem pela UFC. Bolsista PROPAG.
Doutora em Enfermagem. Professora Adjunto III da UFC. Vice-coordenadora do Programa de PósGraduação da UFC.
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