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CADERNO DE RESUMOS:
III COLÓQUIO INTERNACIONAL POÉTICAS
DO IMAGINÁRIO AMAZÔNIA: LITERATURA
E CULTURA
Allison Leão
Otávio Rios
(Org.)
Universidade do Estado do Amazonas
Cátedra Amazonense de Estudos Literários
CADERNO DE RESUMOS:
III COLÓQUIO INTERNACIONAL POÉTICAS
DO IMAGINÁRIO AMAZÔNIA: LITERATURA
E CULTURA
Allison Leão
Otávio Rios
(Organizador)
Manaus - AM
2012
III COLÓQUIO INTERNACIONAL POÉTICAS DO IMAGINÁRIO
AMAZÔNIA: LITERATURA E CULTURA
Caderno de Resumos dos Trabalhos Apresentados
Universidade do Estado do Amazonas
Reitor
José Aldemir de Oliveira
Comissão organizadora
Allison Leão (Coordenador Geral)
Universidade do Estado do Amazonas
Roberto Augusto Ferro (Co-organização)
Universidad de Buenos Aires
Maged El Gebaly (Co-organização)
Universidade Ain Shams
Gabriel Arcanjo dos Santos Albuquerque – UFAM
Gleidys Maia – UEA
Juciane dos Santos Cavalheiro – UEA
Lorena Nobre- UEA
Mauricio Gomes de Matos – UEA
Michele Brasil – UFRJ/UFAM
Nicia Zucolo - UFAM
Otávio Rios – UEA
Renata Nobre – UEA
Caderno de Resumos: III Colóquio Internacional Poéticas do Imaginário:
Amazônia: literatura e cultura / Allison Leão, Otávio Rios (orgs.).
Manaus: UEA Edições, 2012.
88 p.
ISBN 978-85-7883-204-9
1. Ensaios Brasileiros. 2 Cultura Amazônica. I. Título. II. Leão, Allison. III. Rios,
Otávio.
CDD B869.4
Osconceitos,asafirmaçõeseoserrosgramaticaiscontidosnosartigossãodeinteiraresponsabilidadedos
autores,assimcomoquaisquerimagensinseridasnostextos.Deigualmodo,osorganizadoresrestringirama
revisãoformaldostextosapenasàformataçãoestabelecidanascirculares.Assim,asincorreçõesquantoàs
normas da ABNT que extrapolam esse referencial são de inteira responsabilidade dos autores.
Editora Universitária da
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UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
MINICURSOS
Registro e análise de narrativas orais: problemas e método
Ministrante: Prof. Dr. Devair Antônio Fiorotti (Universidade Estadual de
Roraima/PPGL - Universidade Federal de Roraima)
Ementa:Partindodaexperiênciadoprojeto“NarrativaOralIndígena:Registro
e análise nas Terras Indígenas São Marcos e Raposa Serra do Sol”, em
funcionamentodesde2008,esteminicursoexpõecomoforamrealizadosos
registros das narrativas orais nesse projeto. Ainda apresenta e analisa as
principaisdificuldadesencontradasnoprocessodecoletaetrabalhocomas
narrativas.Todoprocessoderegistroancorou-senametodologiaoriundada
HistóriaOral,sendoqueasanálisesposterioressustentam-senumaperspectiva
interdisciplinar.AdimensãometodológicadaHistóriaOraltempermitido,além
do registro, o trabalho com os dados, que resumidamente pode ser assim
apresentado:transcrição,conferênciadefidelidade,copidesqueeposterior
disponibilizaçãoparaconsulta.Considerandoqueoquestionáriodeentrevista
foiestruturadodeformaaminimamentedarcontatantodeaspectossóciohistóricos quanto mitológicos e lendários, a análise das narrativas tem se
apresentadocomoumproblemaàparte,jáqueasinformaçõespresentesdizem
respeitoaváriasáreasdoconhecimento,taiscomoaAntropologia,Sociologia,
História,TeoriadaLiteratura,Linguística.Porenquanto,ofocodaanálisetem
recaídoemquestõesdeidentidadeindígenaeaspectosmitológicoselendários.
Memória e oralidade na Amazônia
Ministrante: Josebel Akel Fares (Universidade do Estado do Pará)
Ementa:Esteminicursodivide-seemduaspartes.Aprimeirapretendequestões
ligadasàmemória,apartirdeautoresedetemasconsideradosfundamentais;
taiscomomemóriamítica,tradiçãoeesquecimento,memóriaindividuale
coletiva.Asegundapartepropõeumaleiturapráticadealgumasexperiências
depesquisa na Amazônia envolvendo as poéticas da oralidade, a partir de
construçõesnarrativasderepertóriosmíticos,testemunhos,históriadevida.
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 9
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O Acre “rur-bano” no século XX: poderes, imaginários e discursos
Ministrantes:Profa.Dra.LucianaMarinodoNascimento,Prof.Dr.Francisco
Bento da Silva e Profa. Ms. Ana Carla Clementino (Universidade Federal do
Acre)
Ementa:Apresentaredesenvolverjuntoaosparticipantesdominicursoreflexões
acercadosprocessossociaisrelacionadosàproduçãoetransformaçãodo
espaçourbanonaAmazôniaacreana,bemcomodosmúltiplosaportesteóricos
quepossibilitamaconstruçãodacidadecomoobjetodahistória.Discutire
debaterquestõesrelacionadasaosdiscursoseimagináriosconstituídosao
longodostemposcomsuastransformaçõesepermanências,usosedesusos
ao longo do século XX.
Memória intercultural no Relato de um certo oriente
Ministrante: Prof. Dr. Maged El Gebaly (Universidade Ain Shams – Egito)
Ementa: O minicurso será dividido em duas partes:
1. EmbasamentoTeórico: Discutiremos a memória como local da
“narrativadaidentidade”(PaulRicoeur,1984)esuarelaçãocomonarrador
testemunha–sobrevivente(WalterBenjamin,1936).Tambémanalisaremos
a relação entre a“memória autobiográfica”(Alan Braddeley, 2011), que se
aproximadarealidadefatual,eanarrativada“memóriaficcional”,umaforma
artísticasubjetivaqueprocuratrazerparaaconsciênciaarealidadepsíquica
de uma“memória inconsciente”, local de contato entre as identidades e as
diferenças (Márcio Seligmann-Silva, 2005). Na situação da narrativa da
imigração, a“memória cultural”(Joel Candau, 2011) – diferentemente da
“memória histórica”(Jaques Le Goff, 1992) – surge como um modo póscolonialdeintersubjetividadequesuperaaretóricaholísticadasnarrativas
totalitáriasdonacionalismo,docolonialismoedoorientalismo.Mas,sendoa
memóriaolocaldasidentidadesedasdiferenças,elapassaaexistirapartirdo
contatocomoutrasculturas,oquequerdizerqueamemórianãoécultural,
mas intercultural (Anthony Pym, 1998).
2. Oficina Literária: No Relato de um certo oriente (Milton Hatoum,
1989),essamemóriainterculturalseconfigurapormeioda“polifonia”daficção
(Mikhail Bakhtin, 1929; Marília Amorim, 2004), da“memória involuntária”
proustiana,deexperiênciaspessoaiscomobjetossensoriais(fotos,cadernos,
10|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
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cartas,cheirosmarcantes),daevocaçãodeimagensdopassadoedopresente
misturadasesuaslembrançasentrearealidadefatualeaficção(JohanLehrer,
2007).NoRelato,amemóriainterculturalnãoseconstróidemodocronológico
elinear,masassociativopormeiode“monólogosdialogantes”entreomundo
dacasa(famíliaecomunidade)eomundodarua(asociedade)(DenisLeandro
Francisco, 2007).
Haikai: de Matsuo Bashou a Luiz Bacellar
Ministrante:Profa.Dra.MicheleBrasil(UniversidadeFederaldoRiodeJaneiro/
Universidade Federal do Amazonas)
Ementa:Oshaikai(ouhaiku),poemaslíricosdeorigemjaponesaformados
de 17 sílabas (dentro do padrão três versos com cinco, sete e cinco sílabas,
respectivamente),sãoumademonstraçãodaartededizermuitocompoucas
palavras.Asugestão,maisqueadescrição,fazemdesteverdadeiroexercício
desíntesealgomuitorico,apesardeaparentementesimples.Muitosforam
osescritoresnoOcidenteatraídospelasingelezadoshaikai.NoBrasil,onde
temosatéconcursosliteráriosdehaikai,nomescomoosdeAfrânioPeixoto
eMillôrFernandessãosemprelembradosentreoshaicaístasbrasileiros.Na
literaturaamazonense,aofalarmosdehaikaisemprenoslembramosdeLuiz
Bacellar,especialmentepeloseulivroSatori.Esteminicursopropõeestudar
oshaikaiapartirdesuasorigens,atravésdepoemasdeMatsuoBashou(seu
maiorrepresentantenoJapão),observandooskigo(palavrasqueremetemàs
estaçõesdoano)eseuapeloànatureza,dialogandocomospoemasdoescritor
amazonense Luiz Bacellar.
Fractais do ser na lírica de Astrid Cabral
Ministrante: Profa. Ms. Nicia Petreceli Zucolo (Universidade Federal do
Amazonas)
Ementa:AstridCabraléamazonense,integrantedoClubedaMadrugadapor
“confissãoartística”,radicadanoRiodeJaneiro.Suavastaobralíricaabarca,
alémdediversoslivrosdepoemas,umlivrodecontoscujolirismoseevolade
umaprosasurpreendente,revelandoumasensívelpercepçãodanatureza,antes
monopolizadapeloolharmasculino.Apropostadesteminicursoéidentificarem
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 11
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
quemedidaoser–figuradonaobradaautora–éarepresentaçãofractaldo
universopercebidocosmogonicamentepeloeu-lírico,sempreapôremquestão
o agora, o aqui, o devir, o eu. Entendendo fractais como a multiplicação da
autossemelhançadeumtodoreproduzidoaoinfinitonumaparte,pretende-se
refletirsobreodobramentodosercaptadopelalentedodemiurgofeminino,
emseuprosaicoquotidianobanalizadopelosensocomum,porémcapazde
reproduziremsiocosmos.Aênfasenaautoriafemininaédeterminantenuma
abordagemdegêneroaqualpretendeavaliarasrelaçõesqueseestabelecem
nessa perspectiva fractal.
Fronteras móviles e inestables en La vorágine de José Eustasio
Rivera: notas acerca de la problemática de los géneros literarios
Ministrante: Prof. Dr. Roberto Ferro (Universidad de Buenos Aires)
Ementa:En La voráginese traman un conjunto de registros narrativos que
exhibenmarcasquesecorrespondenconunagrandiversidaddegéneros
discursivosyliterarios:testimonio,denuncia,autobiografía,diariodeviaje,
fragmentosepistolares,entreotros;latensiónentrediscursosycontextos
abre esa diversidad a intercambios y contaminaciones, que a su vez se
complicaenlasfiguracionesficcionalesqueatraviesanlanarraciónnovelesca.
El curso se propone una aproximación a la novela de José Eustasio Rivera
conelobjetivodereflexionarespeculativamenteacercadelaespecificidadde
losgénerosliterarios,queenLavorágineaparecenvinculadosporfronteras
móvileseinestables.Elcursoapuntaapromoverunalecturacríticadeltexto
centradaenlaexigenciaderevisarlascuestionesteóricasrelacionadasconla
caracterizacióndelosgénerosliterarios.Laideabásicaconsisteenalentarla
intervencióndelosparticipantesentornodeaquellasrelacionesentreteóricay
críticaquepermitanunaadecuadaaproximaciónalobjetodeestudiodelcurso.
Bibliografía sumaria:
Ferro, Roberto. Da literatura e dos restos, Florianópolis, UFSC, 2010.
GarridoGallardo,Miguel(ed.).Teoríadelosgénerosliterarios,Arco,Madrid,
1988.
Schaeffer, Jean-Marie. ¿Qué es un género literario?, Madrid, Akal, 2006.
12|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
Ecos de Os Lusíadas na Amazônia: Muhuraida, de Henrique João
Wilkens
Ministrante: Profa. Ms. Verônica Prudente (Universidade do Estado do
Amazonas)
Ementa: Partindo da análise do texto fundador da poesia amazonense, a
Muhuraidaouotriumfodafénabemfundadaesperançadaenteiraconversão,e
reconciliaçãodagrande,eferóznaçãodogentioMuhúra(1785),que,inspirada
n’OsLusíadas,deLuísdeCamões,cantaaempreitadacolonizadoranonorte
do Brasil e a conversão da nação Mura, este minicurso pretende analisar
assemelhançasdotextodeWilkenscomodeCamões,eabordaraquestão
colonizadoxcolonizador,centrandoadiscussãonasideiasdeWalterBenjamin
a respeito de uma outra versão da História —“a história vista de baixo”. Da
mesmaforma,pretendemosabordaroutrasnarrativasamazônicasnasquaisa
naçãoMurasefazpresente,asaber:noromanceOsSelvagens,deFrancisco
Gomes de Amorim e no conto “A decana Mura”, de Alberto Rangel.
Leitura e comentário de Chove nos campos de Cachoeira, de
Dalcídio Jurandir
Ministrante: Prof. Dr. Willi Bolle (Universidade de São Paulo)
Ementa: O romance Chove nos Campos de Cachoeira (1941), de Dalcídio
Jurandir (1909-1979), é o livro inicial do conjunto de dez romances, que o
escritorparaensedenominou“CiclodoExtremoNorte”(1941-1978)ecom
o qual realizou o seu projeto de criar um amplo retrato dos habitantes da
Amazônia,focalizandoadécadade1920a1930apartirdecenárioslocalizados
nailhadeMarajó,emBelémenoBaixoAmazonas.Ametadedosromances
passa-senaperiferiadeBelém,queéolugardemoradiadosmigrantesqueali
seinstalaramapartirdofimdoCiclodaBorracha.Oobjetivodominicursoé
proporcionarumaintroduçãoaocicloromanescointeiroapartirdosprincipais
elementosconstitutivosdoromancefundador:oprotagonista(umoudois)
comopersonagemcentral,figuradesondagemedemediação;afamíliaeseus
problemas;escola,formaçãoeaprendizagem;tipossociais,classessociaise
relaçõesdepoder;aspectoseconômicosepolíticos,inclusiveprojetospseudosociais;ocontextohistórico;costumes,tradições,rituaisefestas;componentes
eróticos;oimaginário,sonhoseimagensdedesejo;asfalasdospersonagense
o projeto dalcidiano de um dictio-narium dos habitantes da Amazônia.
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 13
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
Panorama da Literatura Amazônica para a formação de um
pensamento crítico
Ministrante: Prof. Dr. Yurgel Pantoja (Universidade Federal do Amapá)
Ementa: Qual representação se quer da Amazônia no contexto atual da
construçãodeumpensamentocríticonaregião?Arigor,onome“Amazônia”
constitui-se recentemente, pois a designação desse imenso e riquíssimo
territóriodatadeumdiscursocolonialquepassouaformularasCapitanias
do Maranhão e Grão-Pará (1621), Grão-Pará e Maranhão (1751) e GrãoParáeRioNegro(1772).Taisdesignaçõesparaaquiloqueseriadepoistidae
havidacomo“Amazônia”aindapercorriaoperíodorepublicanoquando,àépoca
do RegimeMilitar(1964-1984), a Amazônia passa então a ser reconhecida
comoestaregiãoqueabsorveváriasrepresentaçõesemdiversoscampos
doconhecimento.Nopercursoliterárioamazônico,háváriosexemplosde
narrativasquesemovemnumespaçoondesãoencenadaslutasferrenhas
entreabarbárieconcretadeumageografiadesconhecidaeohomemmoderno
ecivilizador.Nessecontexto,chamamaatençãoalgumasobrasbasilaresna
formaçãodoconceitodeespaçosobrearegião,desdeosprimeiroscronistas,
comooFreiCarvajal(séc.XVI)atéosromancesdeDalcídioJurandir(séc.XX)
eMiltonHatoum(sécs.XX-XXI),passandoporobrasemblemáticas,comoo
poemaépicoMuhuraida(H.J.Wilkens,séc.XVIII)eaprosadeInglêsdeSouza
(séc.XIX).Assim,apropostadesteminicursoé,aoapresentarumpanorama
daliteraturadeexpressãoamazônica,aplicarumalógicadecunhocríticoaessa
produçãoapartirdealgunsmodelosdedesenvolvimentoqueseimpuseram
sobreoespaçoamazônico,tantodopontodevistaestético-literárioquantodo
político-econônimo.
14|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
SESSÕES DE COMUNICAÇÃO
SESSÃO 1
Coordenadora: Cátia Monteiro Wankler
TOPOFILIA À BEIRA DO RIO: BOAVISTA EM BEIRAL, DE ZECA PRETO
Cátia Monteiro Wankler (UFRR)
Resumo:OlivrodepoemasBeiral,dopoetaZecaPreto,paraenseradicadoem
Roraima,cantaacidadedeBoaVistaapartirdeimagensqueseconstroemem
tornodoRioBranco,enfocandoolocalconhecidocomo“Beiral”,cujocotidiano
envolvepescadores,lavadeiras,prostitutaseoutrospersonagens.OBeiralde
ZecaPretotrazaobservaçãodeumaBoaVistaribeirinhaapartirdeumolhar
quetransitaentreasubjetividadeeaobjetividade,masque,emcertamedida,
éapaixonadoerevelafortessentimentostopofílicos.Paratratardatopofilia,
tomamoscomobaseaobrahomônimadeYi-FuTuan,que,atravésdeconceitos
epontosdevistadaGeografiaCultural,subsidiaasdiscussõesacercadapercepção do lugar pelo(s) sujeito(s) poético(s).
Palavras-chave:PoesiadeRoraima;LiteraturaeIdentidade;TopofiliaePoesia.
BOA VISTA/RR: UMA CIDADE VIVIDA E CONTADA
Carla Monteiro de Souza (UFRR)
Resumo:BoaVistasetornacapitaldoantigoTerritórioFederaldoRioBranco
em 1943, e de 1944 a 1959 passou por mudanças significativas, espaciais/
urbanísticasenasrelaçõessociais/culturais,asquaisconfiguraramacidade
dehoje.Estetrabalhoapresentaumadiscussãosobreesteprocessoapartir
daleituradolivroBoaVista1950:umahistóriaquequerocontar,deWalmir
Pimentel(2010),quepormeiodepequenosrelatosesquadrinhaacidadede
então,enfocandopersonagens,lugaresepráticas.Estávinculadaaoprojeto
“Memória e História de BoaVista na década de 1950”(apoiado pelo CNPq),
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 15
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
queconcebeacidadecomo“umtecidosemprerenovadoderelaçõessociais”,
pensadaapartirdasrepresentaçõessociaisqueseproduzemeseobjetivam
empráticassociais”(Pesavento,2007).Discutetambémopapeldamemória
edosseusrelatosnoestudodasquestõesurbanas,namedidaemqueestes
projetamopassadonopresente,poisotempodamemóriaqueospreside,
descontínuoeflexível,perpassaotextonomomentodasuaescritaenoda
lembrança, a matéria-prima da narrativa, aspecto que torna estes textos
fontes tão fecundas e válidas para pensar a cidade da atualidade.
Palavras-chave: Cidade; Memória; Narrativa; Boa Vista.
A REPRESENTAÇÃO DO ESPAÇO EM PORÃO DAS ALMAS, DE
ANTÍSTHENES PINTO
Francisco Alves Gomes (UnB/CAPES)
Sidney Barbosa (UnB)
Resumo: OescritoramazonenseAntísthenesPinto(1929-2000)foipoeta,
prosadorejornalista.FezpartetambémdoClubedaMadrugadaedaAcademia
AmazonensedeLetras.Produziuumaliteraturasingular,noqualapaisagem
amazônica,comtodososseuselementosmíticos,dialogadeformadiretacomos
dilemasdohomemmoderno,sujeitoemconstanteprocessodeafirmaçãonuma
realidadeemqueaflorestaeacidade,aomesmotempoqueestãocoadunadas,
levamatransformaçõessócioculturaismarcantes.Apartirdotítulodanovela
PorãodasAlmas,apresentandoumaverticalidadeoposta,“porão”quelevaao
submundo,àdepressão,aosufoco,ouseja,aquiloqueestáemprocessode
degradaçãoemoposiçãoa“alma”,simbolicamenteinterpretadacomoaquilode
maisaltaneiro,sublimeeluminosoexistentenohomem,faremosumaanálise
daespacialidadeutilizadanaarquiteturadanovela,tendoemvistasuasfunções
naproduçãodosváriossentidosdotexto.Nonossoentendimento,ajunção
das categorias deespaço são fundamentais para a tessitura da novela, seu
desenrolareforça,caracterizadapeladensidadepoéticapresentenolivro.
Palavras-chave: Literatura; Espacialidade;Topo-análise; Porão das almas.
16|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
SESSÃO 2
Coordenadora: Roseli Anater
UM OLHAR SOBRE A ARTE NAÏF DA ÍNDIA MACUXI CARMÉZIA
EMILIANO
Roseli Anater (IFRR/PPGL-UFRR)
Resumo:Opresentetrabalhopretendediscorrersobreumestilodeartemuito
peculiar:aArteNaïf.Umaartequesedesenvolveuespecialmentenapintura.
Comcaracterísticasmuitopróprias,échamadadearteingênua,espontânea
ouprimitiva.Utilizabasicamenteascoresprimáriasesecundáriasemgrande
profusão,porissonasuagrandemaioriasãobastantecoloridas,comformas
ecoresuniformesechapadas.Umacaracterísticaemespecialresidenaopção
estéticaeética,darepresentaçãocaprichosa(nosdoissentidosdotermo),de
umimagináriofantasiosoeescapistadoartistanaïf,conformeafirmaAnatole
Jacovsky,conhecidoespecialistaemnaïfs.Éumaartebaseadanaculturadoseu
povo,emespecialnosaspectosreligiososesociais,destacandoasimplicidade,
purezaeingenuidadedosartistasqueapraticam.Roraimatemnaíndiamacuxi
e artista plástica Carmézia Emiliano sua representante naïf. É exemplo de
umfenômenodetransição,detransculturaçãopormigração.Trazconsigoa
memóriadoseucotidianonamaloca,darelaçãocomosindígenaseanatureza,
das lendas e mitos, as cenas de caça e pesca, plantio, colheitas e festas. Essa
memóriapictográficaimpregnadaemseuservaiservirdebasee“inspiração”
para grande parte de sua produção artística.
Palavras-chave:ArteNaïf;CarméziaEmiliano;Imaginário;Transculturação;
Memória.
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 17
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
BRINQUEDOSDEMIRITI:CULTURA,IMAGINÁRIO,ORALIDADEEEDUCAÇÃO
Claudete do Socorro Quaresma da Silva (UEPA)
Nazaré Cristina Carvalho (UEPA)
Resumo:Esteartigoapresentareflexõesiniciaisacercadobrinquedodemiritie
suasinterfacescomacultura,aoralidade,aeducaçãoeoimaginárioamazônico.
Talbrinquedoéumartesanatoseculartipicamenteamazônicoquetrazemsua
materialidadeumconjuntodeexperiências,valores,crenças,sentimentos,
símbolosesignificadosquesãohistoricamentevivenciados,construídose
partilhadoscotidianamenteporcaboclosribeirinhosamazônidas.Sãocobras,
tatus, casas, dançarinos, pássaros, peixes, barcos, canoas, entre tantas
outraspeçascriadaseproduzidaspelosartesãosqueexpressamoimaginário
localeenriquecemcomseucolorido,levezaeencantamentoasfestividades
religiosas,principalmenteadeNossaSenhoradeNazaré,emBelém,capitaldo
Pará.Porsuasignificabilidadeculturaltalobjetoéreconhecidocomopatrimônio
imaterialecultural.Osartesãosdobrinquedodemiriticomsuaformasingular
deensinaratravésdaoralidadeedaobservaçãoperpetuamdeumageração
aoutraossaberesefazeresqueconduzemdiariamenteoritmoeoestilode
vidadascomunidadesribeirinhaseconstroemaeducaçãonaregiãoAmazônica.
Ressalta-sequeestetrabalhoéumrecortedapesquisaBrinquedosdeMiriti:
IdentidadeeSaberesCotidianos,queestásendorealizadanoProgramadePósGraduação em Educação da Universidade do Estado do Pará.
Palavras-chave: Brinquedo de miriti; Cultura; Imaginário; Educação.
CUIAS DE SANTARÉM: A BELEZA GRAFADA POR MÃOS DE ARTESÃS DA
ASARISAN
Ádrea Gizelle Morais Costa (UFOPA)
Resumo:OsprimeirosregistrossobreascuiasdeSantarémforamfeitosno
finaldoXVIIpornaturalistasquevisitaramaregiãoamazônica,eatualmente
sãoconhecidascomoartesanatodetradição,ecomoimportantetradutorda
identidadedaquelequeoproduziusejacomoindividuooucomocoletividade.
AbordonestetrabalhooestudosobreasfamosascuiasdeSantarém,ascuias
estudadassãoprocedentesdaregiãodoAritapera,aspeçasforamanalisadas
18|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
duranteoprocessodecriação,pormeiodoregistrofotográfico.Apesquisafoi
desenvolvidaemmarçode2011,nestapesquisaprocureianalisaraiconografia
dascuiaseaformaqueédesenvolvidapelasartesãsdaAsarisan,tendoporobjetivodescreverasetapasdoprocessodeconfecçãodacuia,eprincipalmente
asdiferentesformasdegrafismoutilizadasnaiconografiadascuias,analisando
osmaisrecorrentes,grafismos,estesfeitospelashabilidosasmãosdasartesãs
daAsarisan,cooperativademulheresqueconfeccionamcuiaspretas,tendo
comodecoraçãoatécnicadaincisão.AscuiasdeSantarémretratamnãosomenteomodoculturaldaregião,masaidentidadedemulheresquepormeiodo
artesanato contribuem com o suporte econômico de suas famílias.
Palavras-chave: Cuias; Icnografia; Asarisan.
SESSÃO 3
Coordenador: Zemaria Pinto
TRAGÉDIA E CHANCHADA NO TEATRO DE MÁRCIO SOUZA
Zemaria Pinto (PPGL-UFAM)
Resumo:RetomandocomunicaçãoqueapresentamosnoIIColóquio,em2010,
divulgaremosacontinuidadedaqueletrabalho,queseiniciaracomoOteatro
mítico de Márcio Souza. Com base nas peças publicadas em três volumes
(MarcoZero,1997),analisaremososgruposqueclassificamoscomotragédias
amazônicasechanchadasamazônicas.APaixãodeAjuricaba,aprimeirapeça
deMárcioSouzalevadaàcena,abreocapítulodastragédias,comahistória
ficcionaldoheróiamazonense.Pequenoteatrodafelicidade,ambientadadurante
aguerraentrecabanoselegais,tratadatragédiacoletiva,damesmaforma
queContatosamazônicosdeterceirograu,umaalegoriadopoderdestruidor
dacolonização.Homenageandoasorigenscinéfilasdoautor,agrupamosentre
aschanchadasamazônicasacotadasuaobraqueseria,talvez,maisapropriado
chamar de farsas históricas: As Folias do Látex, uma alegre e contundente
análise sobre nossas origens e nosso caráter; A resistível ascensão do boto
Tucuxi,umretratodaartemenordapolíticaamazonensenosanospós-Vargas/
Maia;eTempiranhanopirarucu,umpainelrisonhoefrancodaManauspósLivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 19
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
moderna.Entreosdeusesdaprimeiraabordagemeosheróisebufõesdesta,
oraniza-se o universo dramático do autor amazonense.
Palavras-chave: Márcio Souza; Teatro; História; Política; Amazonas.
POÉTICAS TEATRAIS MODERNAS NA AMAZÔNIA PARAENSE
José Denis de Oliveira Bezerra (PPHIST/UFPA- UEPA)
Resumo: Este trabalho tem como fulcro as poéticas teatrais modernas na
Amazôniaparaense.Paratanto,éfundamentalcompreenderasrepresentações
sociais,políticas,ideológicaseestéticasnaregiãoamazônica.Estudarcomose
constituiu,emumaperspectivahistórica,oteatromodernonaregiãoajudará
aperceberaformaçãodopensamentoartístico-culturalnoesobreoespaço
amazônico,noséculoXX.Assim,estacomunicaçãodepesquisadedoutorado
centraliza-seemumaquestãofundamental:comosederamastransformações
naprodução erecepção das práticas cênicas no século XX, ou seja, o teatro
moderno,noPará.Alémdisso,problematizatambémahistoriografiateatral
noBrasil,ediscutealgunsconceitos:teatro/dramaturgia/encenação;moderno/
modernismo/tradição; história/memória/historiografia.
Palavras-chave: Teatro; Moderno; História; Amazônia.
LENDASAMAZÔNICAS: ORALIDADESNAESCRITURADRAMATICA
Gislaine Regina Pozzetti (UEA)
Resumo: A lenda é um elemento indissociável da identidade amazônica;
figuracomoexperiênciadevidaememóriacoletiva.Comraízeseobjetivos
semelhantes,lendaseteatrosurgemcomohomemprimitivo,umparaexplicar
osfenômenosdanatureza,outrocomotentativadecontrolá-los.Contudo,só
épossívelcompreenderalendaporelaprópria,assim,aescrituradramática,
aoexploraraslendascomotemática,apresenta-secomoumaestratégiade
permanênciaereflexãoacercadoambientedospovosamazônicos,alimentando
o imaginário e estruturando os atos humanos. O desafio, neste processo
20|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
criativo,apresenta-senapreservaçãodaespontaneidadecriativaqueaoralidade
comporta,ressaltandosuarelevância,enquantomemória,eoferecendooutras
possibilidades de enunciação, para além das práticas orais.
Palavras-chave: Escritura Dramática; Oralidade; Lenda; Teatro.
SESSÃO 4
Coordenadora: Maria da Luz Soares da Silva
BAÍRA: AMBIGUIDADE DE UM HERÓI CIVILIZADOR
Maria da Luz Soares da Silva (PPGL-UFAM)
Resumo:Estacomunicaçãotemcomoobjetivogeralaanálisedasfunções
desempenhadaspelopersonagemburlãoemrelatosmíticosretiradosdolivro
ExperiênciaseestóriasdeBaíra–ograndeburlão,deNunesPereira,afimde
determinaraambiguidadedascaracterísticasdeherói-civilizadoredeburlão
nasaçõesdessepersonagem.Aanáliseserádesenvolvidaàluzdosestudos
etnográficosdeClaudeLévi-StrausscontidosemsuasobrasAntropologia
Estrutural (2008)e Ocrueocozido (2010),nasquaisoantropólogofrancês
põeempráticaseuspreceitosteóricosestruturaissobrenarrativasmitológicas
do continente americano. De posse deste e de outros estudos da teoria da
narrativa,analisaremosostextosliterários,procurandoidentificarelementos
característicosdoheróimíticoBaíra,personagemdosrelatosnaobradeNunes
Pereira.
Palavras-chave: Herói-civilizador; Relatos Míticos; Ambiguidade.
A ESTRUTURA DO UNIVERSO:
ORIGEM DO KAHPÍ E DAS FLAUTAS MINÃPORÃ
Juliana Mitoso Belota (PPGSC-UFAM)
Resumo: Os Desâna organizam seu cosmos a partir da relação espaçoLivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 21
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
temporalcircunscritanosciclosdevidaenvolvidosnosprocessosdemorte
erenascimento,quesãoexpressospelocaminhoespiritualdoSolprimordial
pelasuperfíciedaterraemoposiçãoàmortecarnal.Aunidaderepresentativa
douniversoéamaloca.Amúsica,quetemexpressãonasflautasetrompetes
denominadosMiñapõrã(flautasdeJurupari)éaunidaderepresentativado
caminho do Solprimordial pela terra. O kahpí, ingerido por yaiwas (pajés),
kumus (conhecedores da medicina tradicional), e bayaroas (mestres de
músicaecerimônia),abreemsuacorporalidadecanaisdecomunicaçãocomas
dimensõesdouniverso.Ésobrearelaçãodosmahsá(gentedouniverso),com
aorigemdamedicinasagradaoualimentodoscriadores(Kahpí),edasflautas
sagradasqueversaomito.Osaber-fazerbiodiversodestepovoécalcadono
usodesteenteógeno,comofontedesabedoriaedevida.Estetrabalhoobjetiva
analisar o mito de origem do Kahpí e das flautas Miñapõrã, no contexto da
cosmologia Desâna.
Palavras-chave: Cosmologia; Gênese; Mito; Xamanismo; Música.
NARRATIVA MÍTICA EM ÓRFÃOS DO ELDORADO
Werner Vilaça Batista Borges (PPGL-UFAM)
Resumo:OprópriotítulodanovelaÓrfãosdoEldoradodeMiltonHatoumjá
sugere uma imersão nas questões míticas. O que se propõe neste artigo é
considerarestaobracomoumareleiturademitosamazônicos.Eistopormeio
donarrador-personagemqueconduzanarrativaemumacaracterísticaem
quesepredominaaoralidade(contandosobresuavida),enisto,repercutindo
eressoandohistóriasmíticas.Destaforma,compõem-seumaliteraturaque
estabelecerelaçõescomamitologia,entendendoestacomoaquiloquedá
sentidoàvida.Assim,otrabalhopropostoéanalisarcomoestasnarrativas
míticasestãosendoentrelaçadasnaobraecomoinfluenciamaestruturaea
maneira de pensar e agir das personagens.
Palavras-chave: Narrativa; Mito; Oralidade.
22|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
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SESSÃO 5
Coordenador: Carlos Rogerio Duarte Barreiros
RUMO AO CRUZEIRO: O ACRE, O BRASIL E O MUNDO NA
URBANIDADE AMAZÔNICA DOS LOS PORONGAS
Carlos Rogerio Duarte Barreiros (USP)
Resumo:AbandaderockLosPorongas,formadaemRioBranco,noAcre,tem
alcançadosucessodecríticaedepúbliconoquesetemconvencionadochamar
cenaindependentedacançãopopularbrasileira.Oconceitodeurbanidade
amazônica,exploradopeloconjuntoemseuprimeiroálbum,lançadoem2007;
as condições específicas em que se formaram os Los Porongas e que lhes
permitiramaprojeçãonacional;opontodevistaapartirdoqualasletrasda
bandaexpressamaculturadoAcreedoBrasil,querevelamaisarespeitodo
paísdoquepoderiasuporcertoregionalismoanacrônico;asdiferençasentre
ascançõesdoprimeiroálbum,especialmenteligadoaoespaçodoAcre,easdo
segundo,largamenteinfluenciadopelotempoaceleradodacidadedeSãoPaulo,
para a qual a banda se transferiu no ano de 2008 – todos esses serão temas
investigadosnaapresentaçãoquepropomos,cujopontodefugaéahipótesede
queaexpressãodascontradiçõesentrevidaideológicaevidamaterialdoBrasil,
apartirdopontodevistaamazônicodascançõesdosLosPorongas,ganha
extensão e complexidade no plano da forma e do conteúdo.
Palavras-chave:LosPorongas;Cançãopopularbrasileira;Urbanidadeamazônica; Rock brasileiro; Canção independente.
A MEMÓRIA NAS TOADAS DOS BOIS-BUMBÁS
Maria Celeste de Souza Cardoso (PPGLA-UEA)
Resumo:Esteartigoexplicitacomoamemóriaseapresentanastoadasdos
bois-bumbásdeParintins,demonstraopensamentodealgunspesquisadoresa
respeitodatemáticaeenfatizaaquestãodapreocupaçãocomotradicionale
omodernopresentesatualmentenascomposiçõesmusicaisdosbois-bumbáse
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 23
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
astransformaçõesocorridasnosúltimosanos.Ahistóriadoboi-bumbáestána
memóriadosbrincantesmaisantigosedaquelesqueacompanhamaevoluçãodos
bumbáseosurgimentodenovosmodelosnasagremiaçõesfolclóricas.Assim,
oartigoevidenciaqueamemóriaestávivaeatuantenomeioculturaletrazem
sitodoumprocessodetransformaçõespeloqualpassaramassociedadesno
diasatuais.Nastoadasdosbumbásparintinenses,essastransformaçõessão
evidenciadas quando se comparam as toadas antológicas com as atuais.
Palavras-chave: Memória; Toadas; Boi-bumbá de Parintins.
INVISÍVEL LIRA: MÚSICA E ESTRUTURA MUSICAL DE PENSAMENTO
EM FRAUTA DE BARRO
Valquíria Luna (UEA/FAPEAM)
Resumo:Visando aprofundar os estudos sobre a obra de Luís Bacellar, esta
comunicaçãodepesquisasevoltaaumaspectonotóriodesuapoesia:amúsica.
A relação entre esta e sua obra, no entanto, vai além das marcas musicais
observáveisemseusversos.Ocarátermusicalquesepretendedesvendaréo
dopensamentoquecompõeasuaobra,acosmovisãomusical,movimentosnão
apenascaptáveissensorialmente,masapartirdeumadinâmicaespecíficado
jogoentreasimagens.Ofundamentodessacosmovisãomusicaléjustamente
o ritmo, não o da medida, apreensível e aparente, mas o ritmo anterior à
linguagem,odopensamentoquegeraafrase,invisíveleincorpóreo.Oquese
busca,dessaforma,éapreenderemdiversosníveis,apresençaeasignificação
damusicalidade–desdeoselementosmusicaisaparentes,paraalémdestes–e
desse ritmo invisível na obra do poeta amazonense.
Palavras-chave: Frauta de barro; lírica; música.
24|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
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SESSÃO 6
Coordenador: Miguel Nenevé
UMA LEITURA PÓS-COLONIAL DA AMAZÔNIA DESCRITA
POR JÚLIO VERNE EM A JANGADA
Andréia Mendonça dos Santos Lima (UNIR)
Miguel Nenevé (UNIR)
Regiani Leal Dalla Martha Couto (UNIR)
Resumo:AAmazôniatemsidodescrita,investigadaeanalisadapormuitos
escritoresejornalistasháséculos.Muitosdosescritossobrearegiãoforam
“inventados”comoafirmaNeideGondim,umavezquefazempartedeuma
rede discursiva sobre a região. Assim, a imagem produzida e reproduzida
nem sempre é baseada no que se vê, mas no que se quer ver, ou no que se
esperaqueoleitorqueiraver.Assim,temosvisõesdistorcidas,desfiguradas
dependendodointeressedequeminterpreta,divulgaereproduzestasvisões.
Considerandoestesaspectos,nossapesquisatemporobjetivoanalisarsobuma
perspectivapós-colonialaAmazôniadescritaporJúlioVernenaobraAjangada
–800léguaspeloAmazonas.Paraestruturaçãodotrabalhousamosobrasde
estudiosossobreaAmazôniaeautoresquediscutemopós-colonialismoea
literaturadeviagem.NossapesquisanospermiteargumentarquenaobraA
Jangada,JúlioVernenãorepeteumaimagemestereotipadadaAmazôniaque
foitransmitidaemsuaépoca,masapresentaumaAmazôniamaiscomplexacom
fatorespositivosenegativos.Podemosdizerque,decertaforma,Vernetem
posturadescolonizadoraseconsiderarmosoespaçogeográficoeaépocaem
que viveu e escreveu.
Palavras-chave: Pós-colonialismo; Amazônia; Júlio Verne.
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 25
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
ASPECTOS MNEMÔNICOS PRESENTES NA CONSTRUÇÃO DO
IMAGINÁRIO AMAZÔNICO: A INVENÇÃO DA AMAZÔNIA,
DE NEIDE GONDIM
Maria Luiza Germano de Souza (UFAM)
Resumo:Oimaginárioamazônicofoiconstruído,segundoNeideGondim,nos
doisprimeiroscapítulosdeAinvençãodaAmazônia,apartirdasmemórias
e rastros deixados pelos viajantes que visitaram outro lugar: a Índia. A
autoranospossibilitaverificarformasmnemônicasusadasnaconstruçãodas
representaçõesedoimaginárioamazônicodeixadosnascrônicasdosprimeiros
viajantesqueaquiestiveram:GaspardeCarvajal,AlonsodeRojas,Cristóbalde
AcuñaeLaCondamine.Esteartigopretendeverificaraconstruçãodamemória
eimaginárioamazônicoapartirdosrelatosdosprimeirosviajantes,usando
comorecorteaabordagemdeNeideGondimnosprimeiroscapítulosdolivro
mencionado.AsbasesteóricasusadasserãoasinferênciasdePaulRicoeurem
Amemória,ahistória,oesquecimento,quandooautortratadalembrança,da
imaginação, da memória e do testemunho.
Palavras-chave:Imaginárioamazônico;Cronistas;PaulRicoeur;Memória.
QUANDOESCREVERÉNARRARAPOSSE:ACOLONIZAÇÃODAAMAZÔNIA E A ESCRITA DA HISTÓRIA
Kigenes Simas Ramos (UFF/FAPEAM)
Resumo:Opresenteartigobuscaanalisararelaçãoentreposseenarrativa
no relato colonial na Amazônia. Trata-se de uma questão de leitura e de
itinerário,umavezqueapenasoespaçolegíveladquiriuestatutodepossee
presença ao colonizador e somente a escrita dessa presença nos é dada a
saberpormeiodeseusrelatosdeconquista.Assim,analisaremosa“Relação
donovodescobrimentodofamosoriograndequedescobriuocapitãoFrancisco
Orellana”,documentoquerelataaviagemdaprimeiraexpediçãoacruzaroRio
Amazonas e chegar até sua foz, buscando relacionar a escrita da viagem à
narração da posse a partir do estatuto de linguagem do século XVI.
Palavras-chave: Amazônia; Narração; Colonização.
26|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
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SESSÃO 7
Coordenador: John Fletcher
AUSÊNCIASPOÉTICAS?:APONTAMENTOSSOBREAARTECONTEMPORÂNEA DE BELÉM, PA
John Fletcher (UFPA)
José Afonso Medeiros (UFPA)
Resumo:Compreenderumaproduçãovisualnosdiasatuaisébuscarumaforma
desituartalpoéticacomoumregistrodosprocessosculturaiscontemporâneos,
umavezquesualógicadecriaçãoseinsereemumcontextodeculturalidades
híbridasedeencurtamentodefronteiras.Nessecontexto,apresentepesquisa
trata de um recorte de processos artísticos visuais em Belém, PA, os quais
têm se utilizado de premissas sobre a ausência para espelhar e discutir
problemáticascontemporâneasrelacionadasàculturamaterialeimaterial;
problemáticasaliadasàsnossasestruturasdesentimentosemdeformaçãoe
transformação.
Palavras-chave: Arte Contemporânea; Processos Culturais; Hibridismo.
CRÍTICA E HISTORIOGRAFIA DAS ARTES NA AMAZÔNIA:
MEMÓRIA DOCUMENTAL E VISUAL
Ana Lídia da Conceição Ramos Maracahipe (UFPA)
Camila Ferreira dos Santos Freire (UFPA)
Edison Farias (UFPA)
John Fletcher Couston Junior (UFPA)
Resumo:Apresentepesquisatemcomoobjetivoapresentarumadiscussão
sobreopapeldamemóriadocumentalevisualcomocomplementopremente
paraahistoriografiaculturaldeumdadocontexto,eutilizacomopontode
partidaoprojetointitulado“CríticaeHistoriografiadasArtesnaAmazônia”
(CHAA). O material em questão, neste trabalho, foi adquirido a partir de
impressos sobre artes visuais, publicados no período de 1970 a 2010, os
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 27
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
quaisvêmsendoorganizadoseanalisadoscomointuitodecriarumbancode
dadosvisualqueestaráàdisposiçãodeprocedimentoscientíficos,artísticos
eeducacionaisemtornodasmanifestaçõesartísticasproduzidasnoPará,e,
maisespecificamente,nacidadedeBelém.Apesquisa,alicerçadaemconceitos
relacionadoscommemóriaeantropologiacultural,buscaretratarocontexto
artísticodeumaépocalocalemsuasformulaçõestransformadorasemutantes
podemgerarindíciosdecomoseentenderopresentecomotemporalidade
híbrida.
Palavras-chave: Artes Visuais; Memória; Historiografia Cultural.
CRÍTICAEHISTORIOGRAFIADAARTENAAMAZÔNIA:UMPROJETO
HISTORIOGRÁFICO E CULTURAL DAS ARTESVISUAIS PARAENSES A
PARTIR DE IMPRESSOS DE 1970 A 2010
Edison Farias (UFPA)
John Fletcher Couston Junior (UFPA)
Samantha Raissa Cunha da Silva (UFPA)
Resumo:Esteartigotemporobjetivoapresentarumapremissahistoriográfica
e cultural de um dos eixos do projeto de pesquisa intitulado “Crítica e
HistoriografiadasArtesnaAmazônia”(CHAA).Apartirdeimpressosedemais
publicaçõesocorridasnoperíodode1970a2010,quevisaorganizardadose
traçarumacartografiavisualeassimcontribuirparaacompreensãodoprocesso
deprodução,transmissãoepercepçãodaartenoParáe,maisespecificamente,
na cidade de Belém. Sendo assim, a presente pesquisa, baseada em uma
análiseteóricadosestudosculturaisehistoriográficos,propõe-seemlançar
algumasdasrotasteóricasparaidentificarosprocessoshíbridos,confluentes,
refluentes,assimétricosenãolinearesdaproduçãoartísticaparaofocolocal.
Palavras-chave: Historiografiadaarte;Críticaparaensesobrearte;Arteno
Pará.
28|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
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SESSÃO 8
Coordenadora: Auricléa Oliveira das Neves
AMAZÔNIA E AS CRÔNICAS MARIOANDRADIANAS, DE 1927
Auricléa Oliveira das Neves (ESBAM/UNINORTE)
Resumo: O recorte a ser tratado neste artigo são os escritos de Mario de
Andradenoperíodode7demaioa15deagostode1927, queoautorrelatou
naobraOTuristaAprendiz,tendocomosubtítulo“ViagempeloAmazonas
até o Peru, pelo Madeira até Bolívia e por Marajó até dizer chega”, em clara
referênciaparodísticaaosextensostítulosdadosàscrônicassobreoBrasilno
períododesuacolonização.Osincidentesdaviagem,asdificuldadesenfrentadas
paraarealizaçãodeseuintentodepesquisador,oconhecimentoempíricode
fauna,floraepaisagemdiversificadas,ocontatocomculturasdiferentesea
minúciadanarraçãodecadapassagem,destinadaatemasespecíficos,dão
aostextosaspectosdecrônicashistóricasqueasseguramapermanênciade
registronofuturo.Ascrônicasmarioandradianas representam, portanto, a
memóriadaquelaépoca,sobaóticadeumintelectualquebuscounessaviagem
material estético para algumas de suas obras.
Palavras-chave:MáriodeAndrade;Amazônia;Literaturabrasileira;Crônica.
EU SOU TU: A AMAZÔNIA SURREAL NO DISCURSO
MODERNISTA BRASILEIRO
Gleidys Maia (CESP-UEA)
Resumo:Costuma-seestudaraVanguardacomoumaspectodaModernidade.
Poresseprisma,elacompreendemovimentos,ações,geralmentecoletivas,
reunindoartistas/escritores,sobressaindo-seporumantagonismoradical
faceàordemestabelecidanodomínioartístico(formasetemas)enoplano
geral(político-social).OModernismobrasileiro,enquantomovimentode
renovaçãoartística,nãopodesersituadonomesmoplanoqueosmovimentos
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 29
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
davanguardaeuropéiacomooCubismo,oFuturismo,oExpressionismoouo
Surrealismo.Essesmovimentosdiferemteóricaeestilisticamenteentresi,
masapresentamcaracterísticascomuns:possuem,individualmente,unidade
estilísticaeafirmam,explícitaouimplicitamente,umavisãocríticacomrespeito
àprópriamodernidadeouatodaartedopassado.Essascaracterísticassão
encontradasnoModernismobrasileirodeformaincipiente-quetem,aliás,
nessadiferença,suaespecificidade.Anegaçãoiconoclastadosmodernistas
explicitainfluênciasdaVanguardahistórica,massevoltaparaaconstrução
deumperfildebrasilidade,paraaartenacional,cujocaráternãopassapelo
binômiodestruição/construção,maspeloresgatedahistóriadopaís,pela
valorizaçãodoprimitivoedaculturapopular,priorizandoasformasdevidaeas
condiçõessociaispré-modernas,aomesmotempo,queatualizaessasformas
econdiçõesàrealidadebrasileira,numabuscaincessantedeautenticidadeda
identidadenacional.Esseestudoqueranalisarodiscursomodernistaquando
sevoltaparaavalorizaçãodoprimitivoedaculturapopular,considerandoas
influênciasdavanguardahistórica,principalmentedoSurrealismo,norelatode
viagem O Turista Aprendiz, de Mário de Andrade.
Palavras-chave: Modernidade; Surrealismo; Primitivismo.
RETRATOSDETRABALHADORESAMAZÔNICOS:DASNARRATIVASDE
VIAGENS ÀS NARRATIVAS FICCIONAIS
Ane Caroline Rodrigues de Souza (UEA-CESP/FAPEAM)
Gleidys Meyre da Silva Maia (UEA-CESP)
Dilce Pio Do Nascimento (UEA-CESP)
Resumo: Este trabalho aborda aspectos que visam identificar e descrever
perfisdetrabalhadoresamazônicospintadosnosrelatosdeviajantesdurante
oséculoXIXeiníciodoséculoXX.Apartirdaanálisedetalhistadosdiscursos
dessesnarradores,apresentepesquisaparte,então,paraabuscaderesíduos
dessesperfisnaliteraturacontemporâneadetemáticaamazônica,apoiada
teoricamentenosestudosdaanálisedodiscursodasnarrativashistóricase
dasnarrativasficcionais.Naperspectivadeencontrarfatoreseescritosque
comprovemerelatem a ação do trabalhador amazônida, este trabalho de
pesquisajustifica-sepelofatodequeasliteraturasdeviagensnãoserestringem
àsviagensdedescobrimento,elatambémenglobaviagensdeperegrinação,
30|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
viagenscomerciaise,ainda,viagensimaginárias,umavezqueasnarrativasde
viagensremetemaolongodosséculosaumaabundânciatextualdeterminada
pelofatoqueessedeslocamentomoldouomundoeahumanidade.Dessaforma,
comestetrabalho,objetiva-seanalisar,identificaredescreverosprocessosde
construçãodeperfisdetrabalhadoresamazônicosnosdiscursosdenarrativas
deviagenseparatalprocessoutilizar-se-ádapesquisabibliográficaquedefinirá
o corpus da análise e determinará a seleção de textos a serem analisados.
O principal critério para essa seleção será a inscrição do texto no gênero
Narrativa deViagem, ficcional ou histórica, documental ou monumental.
Palavras-chave:Trabalhadores;Narrativasdeviagensimagináriaseetnográficas.
SESSÃO 9
Coordenador: Kenedi Santos Azevedo
A CIDADE NOS POEMAS DE ASTRID CABRAL E AL BERTO
Kenedi Santos Azevedo (UERJ)
Resumo: O presente trabalho tem como propósito fazer uma leitura
comparativa das obras de Astrid Cabral e Al Berto, Visgo daTerra, de 2005 e
HortodeIncêndio,de2000,respectivamente,apontandoaimagempoéticada
cidade(des)construídaporambos.Enquantonolivrodapoetisaamazonensea
cidadeérecuperadapormeiodamemória–“CaricaturadaGrécia/aManausda
minhainfância/essaAtenastropical/plantadadepára-quedas/entrevegetais
e colunas/ e doces mares singrados/ das proas de canoas e catraias/ pelo
Peloponeso dos baré”(p. 56) –, no livro do poeta português destaca-se a
imagemdeumacidadesubvertidanopresente:“maslisboaéfeitadefiosde
sangue/deprovíncias/deesperasdiantedoscafés/devaziosobumcéuplúmbeo
queensombra/osjardinsdeestátuaspartidas”(p.46).Alémdisso,pretendesemostrarqueambosospoetassãocontemporâneos,emesmoassim,suas
visõesacercadacidadecontrapõem-se,apesardeosdoisvislumbraremde
longeoespaçourbano,Astridpelaslembrançaspueris,AlBertopelamelancolia.
Palavras-Chave:Cidade;AstridCabral;AlBerto;PoesiaAmazonense;Poesia
Portuguesa.
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 31
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
A (DE)GRADAÇÃO DO “EU” EM “A AGONIA DA ROSA”
Adriana Gonzaga de Moura (PPGLA-UEA)
Resumo:Noestudopropostodesenvolveremosreflexõesemtornodoconto
“Aagoniadarosa”,contidonolivroAlameda,daescritoraamazonenseAstrid
Cabral.Emtodasasvintecurtasnarrativaspresentesnestaobra,hámáscaras
vegetais para a representação dos dramas humanos. E o que o trabalho
apresentarásãoasváriasfacetasinerentesàcondiçãodaexistênciaatravés
dequatromomentosdispostosemdiferentes‘eus’dapersonagem,tendocomo
objetivomostrarqueanarrativaoperaumagradaçãoemanticlímax.Paraa
demonstraçãodessedesgasteoquesedegradaráéo“eu”emdetrimentodo
“outro”,eissoaconteceránasgradaçõesqueseseguem:eumaiorqueooutro
(o desdém da rosa frente às suas“irmãs de mentira”); eu menor que o outro
(ainvejadarosaanteosseus“irmãosfelizes”);euconjuntovazio(anulidade
darosaaosolhosdoshumanos); euigualamenosEU(aiminênciadamorte
pressentida).AquaseausênciadeenredodoscontosdeAstridcontribuipara
queessesextraordináriosseresvegetaisimprimamnatelanarrativaasmais
finas ironias e as mais profundas reflexões existenciais.
Palavras-chave: Astrid Cabral; Ser; Existência; Morte.
A POÉTICA DA MORTE
Sônia Maria Vasques Castro (PPGL-UFAM)
Resumo:“Amorteéumarealidadedaqualnenhumhomempodesefurtar.Éum
fatonatural,comoonascimento,asexualidade,oriso,afome,asede.Diante
dela, jovens e velhos, homens e mulheres, ricos e pobres, ateus e crentes,
todossucumbem.Diantedela,ascondiçõessociaissãorelativizadase,noque
dizrespeitoàfinitude,ficaevidenteaabsolutaigualdadequeregeodestino
doshomens.Todosmorrem”(MARANHÃO,1998,p.7).Refletirsobreotema
damortepalmilhandooterritóriodereminiscênciasdonarradordeSôbolos
riosquevão(2010),obradoromancistaportuguêsAntónioLoboAntunese
cotejarotratamentodadoaomesmotemapelaescritoraamazonenseAstrid
32|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
CabralnaobraAlameda(1998),maisespecificamentenocontoAagoniada
rosa,éapretensãodestacomunicação.Paratanto,serãotomadasasopiniões
dosociólogoefilósofoJoséLuizMaranhão Oqueéamorte?edoteóricode
literatura e estudos culturais Terry Eagleton no livro Depois da teoria.
Palavras-chave: Astrid Cabral; Lobo Antunes; Poética da morte.
SESSÃO 10
Coordenadora: Ana Maria de Carvalho
CORDEL: A ESCRITURA DA MEMÓRIA DAS VOZES
Ana Maria de Carvalho (UFPA)
Resumo: Falar de memória e oralidade remete ao folheto de cordel, nele
conformeSantos(2006)apalavra,aimagemeavozsecruzam.Aseurespeito
é possível dizer que eles se situam entre a fronteira da escritura e da voz,
fronteiraquenãodeveserentendidacomoseparação,mascomocontinuidade
ecomplementação.Nessecaso,oversoimpressoseriaessacontinuaçãoe
complementaçãodooral,tendoemvistaqueemborasejaumaproduçãoescrita,
suatransmissãonãoocorriasomentepormeiodaleiturasilenciosaeindividual.
Elatambémsedavaatravésdaleituraoralquesematerializavanasleituras
comunitáriasfeitasnasrodasdeterreiros.Aleituraemvozaltatambémera
um meio do poeta vender seus folhetos nas feiras, uma vez que eram lidos
algunstrechosdasnarrativasparachamaraatençãodopúblicoleitor.Noque
dizrespeitoàtemáticadestacomunicação,dareidestaqueàsnarrativasque
versamacercadomovimentomigratóriodosnordestinosparaosseringaisea
relação com o que eles deixaram para trás.
Palavras-chave: Oral; Escrito; Migração; Representação.
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 33
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
CARTOGRAFIAS DA CULTURA: ORALIDADE E ESCRITURA EM
NARRATIVAS DA AMAZÔNIA
Danieli dos Santos Pimentel (UEPA)
Resumo:Apesquisaestudaaspoéticasorais/escritasnasvozesdenarradores
daAmazônia.Partindodarelaçãoentreoralidadeeescrituraseobservade
quemodoaobraÓrfãosdoEldorado(2008)deMiltonHatoumserelaciona
às matrizes poéticas orais da região. Para tanto, o desenho cartográfico da
referidaabordagemestárelacionadoaoconceitodecartografiadacultura
cunhadoporJesusMartín-BarberoemsuaobraOfíciodecartógrafotravessias
latino americanas da comunicação na cultura (2002). Nessa perspectiva,
aproximar então os textos orais/impressos da cultura é observar que as
fronteirasqueosunemseinterconectamnosmapasculturais,poisnamaioria
dasvezesosregistrosimpressosjáestiveramemvozesdenarradores,mas
foramnovamentereelaboradosapartirdoescritoepassadosnovamentepela
oralidade.Assim,paraanalisarasrelaçõesentreoralidadeeescrituraliterária,
o respectivo recorte fundamenta-se, sobretudo, nos estudos Escritura e
nomadismo(1985)dePaulZumthorArmadilhasdamemória(2003)deJerusa
PiresFerreira,nosentidodeentendercomoasnarrativassemovem,variame
se adaptam a outros códigos culturais.
Palavras-chave: Cartografia; Cultura; Poéticas; Oralidade; Escritura.
POÉTICAS DO ORAL/IMPRESSO NO IMAGINÁRIO AMAZÔNICO:
DALCÍDIO JURANDIR E MILTON HATOUM EM DIÁLOGO
Danieli dos Santos Pimentel (UEPA)
Luiz Guilherme dos Santos Júnior (UFPA)
Resumo:Pretende-senestacomunicaçãodepesquisaestabelecerumdiálogo
entreaobraMarajó(1947),deDalcídioJurandireÓrfãosdoEldorado(2008),
deMiltonHatoum,notocanteàsmatrizesoraisquecompõemosdoistextos
literários. As referidas produções apresentam em sua estrutura signos da
culturaamazônicaeumamitopoéticafundadaapartirdasnarrativasorais
34|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
gregas,peninsulareseindígenas.Esseprocessodereelaboraçãodasmatrizes
européiase/ouindígenasevidenciaumjogodeapropriação,aomesmotempoem
queseobservaacirculaçãodemitoselendasuniversaiselocais,“escrituras
moventesemistas”.Observa-seaindaacorrespondênciaentreimaginários
esignos culturais que se reescrevem no contexto da escritura dos autores,
configurando-senumfenômenodetraduçãocultural.Aanáliseaquiproposta
pauta-seemconceitosdaSemióticadacultura,nosentidodeentendercomo
essasmatrizesseadaptamàtessituratextualliteráriaeseengendramemnovos
códigosculturais.Nestesentido,recorre-se,teoricamenteaosestudosde
EleazarMeletínski,emOsarquétiposliterários(2002),Escrituraenomadismo
(2005)dePaulZumthor,Armadilhasdamemória(2003),deJerusaFerreira,
EscoladeSemiótica(2003),deIreneMachado,alémdeoutrosimportantes
estudiosos que referenciam este trabalho.
Palavras-chave: Poéticas; Matrizes orais/impressas; Semiótica da cultura.
SESSÃO 11
Coordenador: Marcelo Sabino Martins
O ENCANTO DA ENCANTARIA: CULTO AOS ENCANTADOS
EM PORTO VELHO/RO
Marcelo Sabino Martins (UNIR)
Leonardo Lucas Britto (UNIR)
Resumo: Este trabalho tem como objetivo desenvolver estudos sobre a
prática dos cultos de encantados em terreiros de Porto Velho/RO. Com o
título de“O Encanto da Encantaria: culto aos encantados em PortoVelho/
RO”,apresentaremosumabrevepesquisasobreaorganizaçãodecultosem
comunidadesreligiosasdePortoVelho.AcreditamosqueaEncantariaéum
cultopresentenarealidadereligiosaafro-brasileiradaAmazônia.Essetema
justifica-sepordarvisibilidadeàquestãodaspráticasdoEncantadoe,oque
defendemos,oencantoqueeleprovocasobreumaparceladapopulaçãode
PortoVelho.Iremosmapearalgunslugaresondeessecultoérealizadoecomo
sedãoessaspráticas.Ametodologiaestáfundamentadaemumapesquisa
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 35
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
bibliográficasobrereligiosidadeeculturapopularamazônicaeafro-brasileira,
alémdeestudossobreacontextualizaçãodocultodeencantadosnosterreiros
dePortoVelho.Trabalhamoscomdepoimentoseentrevistasdepraticantes
desse culto.
Palavras-chave: Encantaria; Cultura; Religiosidade.
MITO, FOLCLORE E LITERATURA: O VOO DO PÁSSARO
DE ENCONTRO À SERPENTE
Elaine Pereira Andreatta (PPGL-UFAM)
Resumo:Nestetrabalhoabordamosalgunsaspectosreferentesàpresençado
mitoedofolclorenaliteratura,apartirdaanálisedoconto:“Acauã”,deInglês
deSousa,buscandocompreendercomosedáoprocessodemitologização
naliteratura.Primeiramente,procuramosentenderosconceitosdemitoe
mitologizaçãoapartirdasobrasdeMirceaEliadeeMielietinski,bemcomo
arelaçãoindissociáveldomitocomalinguagem,abordadaporCassirer.Em
seguida,tratamosdosconceitosrelacionadosaomitoemcontraposiçãoao
conceito de folclore, abordando as principais diferenças entre essas duas
formasdeexpressão.Porúltimo,realizamosumaanálisedoconto“Acauã”,
deInglêsdeSouza,estabelecendopontosdecontatocomomitoeofolclore,
emespecial,emtornodedoisanimaisparadigmáticospresentesnoconto:a
serpenteeaaveacauã,observandoasmodificaçõesocorridasnopercursoque
nospropomosaanalisar,asquais,mesmotransmutadas,evidenciamaspectos
da mitologização observada na literatura.
Palavras-chave: Mito; Folclore; Literatura; Ave; Serpente.
36|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
HISTÓRIASDEMULHERESEENCANTADOSNAVÁRZEAAMAZÔNICA
Ádria Fabíola Pinheiro de Sousa (UFOPA)
Resumo:Estetrabalhopropõeanalisardequemaneiraoimaginárioamazônico
interferenavidadasmulheresribeirinhasdaRegiãodoAritapera,localizadaàs
margensdoRioAmazonas,quetemcomosedeacidadedeSantarém.Pormeio
deregistrosoraisdashistóriasdevidadessasmulheres,pretendemosanalisar
comoosistemadecrençaemencantados(sobrenaturais,botos,visagens)
eemcuradores,pajés,benzedeiras,dentreoutroselementosdoimaginário
amazônico,configuramoespaçoeaidentidadefemininanumalocalidadede
várzea.Tambémbuscamosentenderatéquepontoessesistemadecrenças
influi no modo de organizar, entender, tomar consciência e, enfim, de se
representar como mulher ao narrar para si e para outros suas histórias de
vidacomoumasériedeacontecimentosencadeados,nosquaisaquelesentes
aparecem fortemente ligados a fatos e passagens da vida.
Palavras-chave: Imaginário amazônico; História de vida; Registros orais;
Crenças.
SESSÃO 12
Coordenadora: Verônica Prudente
INVESTIGAÇÕES SOBRE O POEMA MUHURAIDA
Débora de Lima Santos (CEST-UEA/FAPEAM)
Verônica Prudente Costa (CEST-UEA)
Resumo: O poema épico Muhuraida, escrito por Henrique João Wilkens
nasegundametadedoséculoXVIII,éconsideradooprimeiropoemaescrito
emlínguaportuguesasobreaAmazônia.Opoemacelebraa“pacificação”e
canta o triunfo da fé sobre o gentio Mura, um povo guerreiro e feroz que
resistiuàdominaçãodosportuguesespormaisdecinquentaanosatéodiada
pacificaçãomilagrosacantadaporWilkensnoépico.Percebe-sequenopoema
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 37
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
MuhuraidaháaspectosformaisdaobracamonianaOsLusíadas,porexemplo,
oepisódiodoMuraVelhoqueremeteaoVelhodoRestelo,ambosretratama
vozdasabedoria,ouseja,daexperiência.Opresentetrabalhotambémdiscute
diferentesolharessobreapacificaçãodosMuranoquedizrespeitoàsversões
docolonizadoredehistoriadoresquepesquisamaversãodocolonizado,como
Francisco Jorge dos Santos.
Palavras-chave: Muhuraida; Colonização; Pacificação.
AREPERCUSSÃODOPENSAMENTOEUROPEUARESPEITODOCRISTIANISMO NA VIDA DO INDÍGENA: UMA ABORDAGEM COM BASE
NO ROMANCE OS SELVAGENS
Sâmua Menezes Campos Lankford (UFAM)
Ligiane Pessoa dos Santos Bonifácio (SEMED-MANAUS)
Resumo:Nestetrabalho,analisamos,apartirdoromanceOsSelvagens,publicado
porFranciscoGomesdeAmorimem1875,comoocristianismo,importadodo
pensamentoeuropeueprincipalmenteluso,repercutiuprofundamentesobreo
universoindígena,transmudandoseusvaloresemtodasasdimensões,sejam
elasculturais,identitárias,econômicas,religiosasetc.Paratanto,tecemos
considerações sobre o cristianismo a fim de relacioná-las e/ou aplicá-las a
essaobradaliteraturaamazonense,elencamosepisódiosdanarrativaemque
se evidencia a ideia de que o índio é um selvagem e de que a conversão ao
catolicismoo“civilizaria”.Amaneiracomooritoindígena,evidenciadoemuma
passagemdanarrativa,éinterpretadopelonarradordaobrajustifica-sena
perspectivaporeleassumida.Notexto,talperspectivapodeseridentificada
através das escolhas linguísticas, evidentes nas expressões de horror e
depreciativasqueeleutiliza.Quandovemosoíndioficcionalizadonoromance,
vemo-lo sobas lentes de um narrador aferrado a valores cristãos dos quais
nãoconseguedesvencilhar-se,detalmodoquevaloresalheiostornam-separa
eleindiferentes.Assim,osistemadevidaepensamentotribalédesqualificado,
porqueosprincípioscristãos,inerentesaonarradoretomadossemprecomo
referenciais, são considerados como melhores ou mais “adequados”.
Palavras-chave: Universo indígena; Cristianismo; Os Selvagens;Valores.
38|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
REPRESENTAÇÕESCOLONIAIS,PODERECONTRADIÇÃOEMCINZAS
DO NORTE, DE MILTON HATOUM
Estrela Dalva Amoedo Viotto (UNIR)
Resumo:Oobjetivodapresentepesquisaemandamentoéanalisaromodo
de ser e agir do sujeito cultural colonial representado no romance Cinzas
do Norte, de Milton Hatoum. Partindo da análise do discurso e das teorias
pós-coloniais,procuraremoscompreenderdequemodooslugaresdefala
revelamatessituradaredederelaçõesecomosedesenvolve,nessarede,a
práticadopoderqueenvolveaspersonagenseasociedaderepresentadana
obra,e,então,identificaremosasrepresentaçõescoloniaisimplícitasnestas
relaçõesepráticasnoromance.Aexploraçãodotempodamatérianarrada,
noquedizrespeitoaoselementoshistórico,socialeeconômico,nospermitirá
contextualizarascontradiçõesprovocadaspelamodernizaçãoemtermosde
Brasiledemundoeseusconsequentesreflexosnoespaçoamazônicoexplorado
pelaobra,bemcomonosajudaráaverificarseháounãoummovimentode
descolonização (resistência) por parte dos personagens centrais da obra.
Palavras-chave: Colonialismo; Poder; Contradição; Descolonização.
SESSÃO 13
Coordenadora: Marinilce Oliveira Coelho
CENÁRIOS DA BELÉM DO PÓS-GUERRA NOS CONTOS DE SULTANA
LEVY E DE MÁRIO FAUSTINO
Marinilce Oliveira Coelho (UFPA)
Resumo: Este estudo analisa os contos de dois escritores: Sultana Levy
Rosenblatt (1910-2008) e Mário Faustino (1930-1962) com o objetivo de
verificar a literatura produzida em Belém após a Segunda Grande Guerra
Mundial. Os contos foram publicados entre os anos de 1946 a 1952, em
periódicoslocaiserepresentamdocumentosimportantesparaosestudosda
histórialiterárianopaís.Essescontosrevelamimagensdefacesmasculinase
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 39
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
femininasangustiadaspelascondiçõessócio-históricasdeummundoconturbado
peloshorrorescausadospelaguerra.Oolhardoscontistassobreocotidiano
fragmentadonosgestosdospersonagens,noscaminhosporondecirculam,
noscenáriosdacapitalparaense.Essesautoresnarraram,então,conflitos,
intrigas,traumasdeumtempohistórico.Issodimensionaumareflexãopara
osestudossobrealiteraturadaAmazôniadiantedoprocessodeinterpretaro
mundo nas dimensões temporais e territoriais.
Palavras-chave:históriadaliteratura;literaturaparaense;periódico;conto.
VER-O-PESO: CORAGEM E RESISTÊNCIA NA
POÉTICA DE MAX MARTINS
Helenice Silva (UFPA)
Resumo:Opresentetrabalhovisaaapresentarumestudosobrealgumasdas
característicasdepoesia-resistênciacomotradução,quesupomosencontrar
naobra“Ver-O-Peso”,deMaxMartins.Opoemaéaquientendidocomouma
manifestaçãosocialdecoragemeresistênciaculturalqueparecereveladano
decorrerdetodootextoemsi.Entende-seopoemacomoumaresistência
ao que está predeterminado por uma sociedade capitalista. Segundo as
concepçõesdeBosiemNarrativaeResistência(2002)eaobrafoulcautiana
ACoragemdaverdade(2008),ocorreumaconexãocomaéticadointelectual
onderevelaseupapelpolítico-social.Emseutexto,Maxinscreveohomemdo
“Ver-O-Peso”,atravésdolirismopoético,onderevelaseupapelético-políticosocialnumaconstruçãodesentidodesuaresistência.Éohomemuniversalque
surge,que“étrazido”paranaconstruçãodopoema,apartirdeumambiente.
Quantoàrevelaçãopoética,ressignifica,pois,umprocessoqueligaespaço,
tempo,língua,cultura,costumeecrença,ondeocorreoencontro,odiálogoe
arelaçãoentreépocasnumdeterminadotempohistórico.Otextoemergeem
seusaspectosmaisparticulares,entreacoragem,resistênciaeverdadede
umavida,reveladanohomemindividualenaimagemurbanadeumacoletividade.
Palavras-chave:Tradução;Coragem;Resistência;Ver-O-Peso;MaxMartins.
40|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
MADAMESAATAN:OHEAVYMETALCOMOMEDIAÇÃOSIMBÓLICA
ENTRE A PERIFERIA E O CENTRO DO CAPITALISMO
Carlos Rogerio Duarte Barreiros (USP)
Resumo: Madame Saatan, banda de Belém do Pará, acaba de lançar dois
videoclipesdirigidosporP.R.Brown,consagradopelostrabalhoscomgrandes
conjuntosdorockinternacional.Épeculiaracomposiçãodecançõesdeheavymetalcomletraemlínguaportuguesa,emversossemalinearidadeadolescente
tradicionalmenteassociadaaessegênero.Alémdisso,édignodenotaquea
bandaguarderaízesnaRegiãoNorte,povoandoaobradealusõesàcultura
popularurbanadeBelém,sempreconfinadaeeivadapeloselementoseculturas
dafloresta,ressignificadosquandoconfrontadoscomaculturaurbanaea
indústriafonográfica.Finalmente,alinguagemvisualadotadapelodiretordos
videoclipespermiteinvestigaraobradabandaemduasperspectivas–ambas
tentativasbemacabadas,esteticamente,demediaroconflitoentreogênero
oriundodocentrodocapitalismoesuasexpressõesespecíficasnoespaço
periférico:deumlado,opontodevistadabanda,quesereconhece“desterrada
emsuaprópriaterra”,naexpressãodeSérgioBuarquedeHolanda,fazendo
rockemcidadedelimitadapelafloresta,semprescindirdasletrasemportuguês
edaafirmaçãodospatrimôniosdaculturalocalenacional;deoutro,avisada
deP.R.Brown,cujapercepçãodaqueleconflitopermitiu-lheformularlinguagem
visualque,longedeadaptarabandaaosmodelosestrangeiros,aclimata-osde
modo a alçá-la à categoria de banda internacional.
Palavras-chave:MadameSaatan;Cançãopopularbrasileira;Heavy-metalbrasileiro; Rock brasileiro; Canção independente.
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 41
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
SESSÃO 14
Coordenadora: Lucila Bonina Teixeira Simões
BIOGRAFEMAS EM LIVROS INFANTIS: ENTRE A PALAVRA ARTE E A
PALAVRA INFORMAÇÃO
Lucila Bonina Teixeira Simões (PPGLA-UEA)
Resumo: As obras de literatura infantil apresentam, em geral, elementos
paratextuais bastante diversificados, mas verifica-se em livros infantis a
recorrênciadeumparatextocominformaçõessobreoautoreoilustrador,
muitasvezescomotítulo:“Sobreoautor”ou,buscandomaiorproximidade
comalinguageminfantil,simplesmente“QueméFulano(autordolivro)”.Este
trabalho tem como objetivo verificar como esses textos“Sobre o autor”,
enquanto registro de certos biografemas da vida do autor, podem revelar
muitomaisdoquedadosrelevantesdocurrículodoautordolivro.Taistextos
podemproporcionarumaantecipação–tardiadopontodevistadaediçãodo
livro, mas anterior do ponto de vista da criação literária – de dois aspectos
fundamentaisnodesenvolvimentodaliteraturainfantil:aconcepçãodecriança
sobreaqualseconstróieafunçãosocialatribuída(oupraticada)peloautorà
sualiteraturainfantil.OsobjetosdeanálisesãoobrasinfantisdeElsonFarias,
autoramazonenseque,naúltimadécada,publicoumaistítulosparacrianças
noAmazonas.Paraefeitoscomparativos,escolhemosostextosbiográficosda
autoraRuthRocha,porseremâmbitonacional,dasautorasmaisconhecidase
mais produtivas da literatura infantil.
Palavras-chave: Literatura amazonense; Literatura infantil; Biografema.
SUPORTE ELETRÔNICO: UMA PROPOSTA DE ARQUIVAMENTO DA
LITERATURA INFANTO-JUVENIL AMAZONENSE
Delma Pacheco Sicsú (UEA)
Resumo:Ocenárioliterárioamazonensetrazàtonaumaquestãohámuitotempo
presente:anãoexistênciadaliteraturainfanto-juvenilnoAmazonas,produzida
42|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
porescritoresamazonenses.Essarealidade,porém,vemsemodificando.Elson
Farias,porexemplo,em2002,lançapelaEditoraValeracoleção“Aventuras
deZezénaFlorestaAmazônica”,comdeznarrativasemquetomacomoespaço
privilegiadoaAmazônia,aproveitandodessemeioaslendas,osmitoseomodo
deviverdaspessoasqueaquihabitam.Falta,porém,umarcabouçoteóricoque
possaservirdefontedepesquisaparafuturosinvestigadoresdessaliteratura.
Acriaçãodeumarquivo,pormeiodesuporteeletrônico,éumaalternativa
que pode ajudar a criar um suporte teórico, através de guias de leitura e de
discussõesteóricas.Opresenteestudotemoobjetivodediscutiraimportância
do suporte eletrônico para o arquivamento da literatura Infanto-Juvenil
produzidanoAmazonas,atravésdeanálisedasnarrativasdacoleçãooracitada.
Tomar-se-ácomosuporteteóricoosestudosdeMeneses(1999),Colombo
(1991) e outros que possam ajudar na elucidação do tema em questão.
Palavras-chave: Literatura infanto-juvenil; Amazonas; Arquivo; Suporte
eletrônico.
O QUE LEEM OS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO NA REGIÃO
FRONTEIRIÇA RORAIMA–GUIANA
Joemia Gomes Sarmento (UFRR)
Resumo: Com base na análise parcial de alguns questionários do projeto
“Literatura e Ensino em Roraima: O Cânone e a invenção escolar da
Amazônia”,fomentadopeloCNPq,surgiuotrabalhofrutodeumainiciação
científicaquesepreocupaemobservaroquantoasituaçãodefronteiraimplica
numarelaçãodiaspóricaparaestudantesdeorigemestrangeiraemrelaçãoà
culturaveiculada/propostapelaescolabrasileira,nocasodealunosestrangeiros
queresidemouestudamnacidadedeBonfim(fronteiraBrasil/Guiana),partindo
dapergunta“comoeoqueleemestesalunos?”,apontandoquepercursofazem
eoqueleemdenossaliteratura“nacional”canônica,assimcomoseemnossas
escolas há aulas de literatura.
Palavras-chave: Literatura; Cânone; Ensino; Fronteira; Diáspora.
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 43
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
SESSÃO 15
Coordenadora: Norma Wimmer
L’EXPOSITION COLONIALE: CONSIDERAÇÕES SOBRE
O OLHAR FRANCÊS SOBRE A AMAZÔNIA
Norma Wimmer (IBILCE/UNESP)
Resumo: Em 1988, o romancista francês Erik Orsenna publicaL’exposition
coloniale,paineldequaseumséculodehistóriadaFrançarepresentadasoba
óticadoprotagonistaGabriel,apaixonadopelaborrachaquedescobre,durante
suaviagemaoBrasil,aAmazônia.ChegandoaBelémemoutubrode1913,
Gabrielvivenciaa“magia”dapaisagemamazônica,testemunhaaadmiraçãodos
habitanteslocaispelopositivismodeComte,convivecomodeclíniodaeconomia
daregiãoemdecorrênciadaquedadovalordolátexnosmercadosinternacionais
eéatingidoporprofundadepressãoapósapartidadacompanheiraClara,
paraquemvivertãolongedaEuropaetãopróximoàselvaconfigurou-seuma
experiênciainsuportável.OromancedeOrsennaapresenta,notadamente
noscapítulosintituladosUmamordeGabriel,Anotaçõesdaflorestapluviale
Futebol,consideraçõesacercadequestõesdeidentidade,deintertextualidade,
dasrelaçõeshistória-ficção,captandooolhar“estrangeiro”sobreaAmazônia
atravésdeimagensqueregistramoestranhamentodoencontrodoeucom
ooutro,docentrocomaperiferia.Finalmente,oobjetivodacomunicaçãoa
serapresentadaéodeapontarreflexõesfundamentadasteoricamentesobre
textosdeT.Todorov,JennyLaurent,MariaTeresadeFreitasacercadoolharde
um escritor francês do século XX sobre a Amazônia.
Palavras-chave:Orsenna;L’expositioncoloniale;Amazônia;Identidade.Intertextualidade.
44|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
O ALTO-JURUÁ DE TASTEVIN E PARRISSIER: REFLEXÕES
COMPARATIVAS SOBRE OS RELATOS, AS VIAGENS E A
OCUPAÇÃO DO RIO
Camila Bylaardt Volker (UFAC/UFMG)
Resumo:Opresentetrabalhofazreflexõescomparativassobredoisrelatosde
viagemàregiãodoAlto-Juruá,orelatodeJean-BaptisteParrissier,de1898,e
odeConstantTastevin,de1914.Osmissionáriosespiritanosvisitaramaregião
para“reconhecer”oscaminhosqueafécatólicaalitomava.Osrelatosforam
remetidosàCongregaçãodoEspíritoSantoesãodocumentosimportantíssimos
queretratam–mesmoqueparcialmente–comoviviaapopulaçãolocal.O
objetivodotrabalhoéperceberquaisosmétodosqueosautoresutilizampara
descreversuasandanças,demodoacompreenderarelaçãoqueosviajantes
estabelecemcomoespaçoecomapopulaçãolocal.Mesmoutilizandométodos
diferentes, os relatos deTastevin e Parrissier representam um imaginário
semelhante da Amazônia e de seus habitantes. Inspirado nas teorias de
RolandBarthes(OEfeitodeReal)eMikhailBakhtin(ORomancedeEducação
esuaimportâncianahistóriadoRealismo),otrabalhoanalisanostextosas
característicasdogênerorelatodeviagem,oposicionamentodosnarradorese
oselementosdanarrativa,pararefletirsobrecomoosrelatosdessasviagens
descrevemimportantesprocessosdeformaçãodeumpovo,deumlocale,até
mesmo, de um imaginário literário.
Palavras-chave: Relato de viagem; Parrissier; Tastevin; Acre; Rio Juruá.
CÔNSUL ROGER CASEMENT NO BRASIL DE EUCLIDES DA CUNHA
Freddy Orlando Espinoza Cárdenas (CESTB-UEA)
Resumo:Estetrabalhotemopropósitoderefletirsobreoperíododeserviço
consular de Roger Casement no Brasil, através da sua correspondência
brasileirarecopiladapeloprofessorAngusMitchell,nosarquivosdaNational
LibraryofIreland.Seuobjetivo:construir,oudevanear,umitineráriodesua
missãodiplomáticaemSantos,BelémdoParáeRiodeJaneiro,entre1906e
1909,afimdeoferecerumensaionarrativosobreasaçõesmaissignificativas
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 45
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
queCasementfezemterrasbrasileiras.Assimcomotambémdesvelararelação
quetevecomEuclidesdaCunhaque,jáem1905,haviadenunciadoatriste
condiçãohumanadosnordestinosbrasileiros,que,porsuacondiçãodepresos
nosseringais,estariampagandoessegrandepecado:odeterabandonado
o Sertão, o de ter mudado da civilização à barbárie, em prol de uma ilusória
fortuna. Além de vincular os ensaios de Euclides sobre a Amazônia com os
relatórios amazônicos de Roger Casement.
Palavras-chave: Literatura; História.
SESSÃO 16
Coordenadora: Maria Lúcia Tinoco Pacheco
DOCHOCOLATEÀGOMA,DASVAZANTESÀSCHEIAS,UMALEITURA
SÓCIO-HISTÓRICA DA AMAZÔNIA A PARTIR DA PROSA FICCIONAL
DO NORTE PRODUZIDA ENTRE 1850 E 1930
Maria Lúcia Tinoco Pacheco (PPGSCA-UFAM)
Resumo:CommétodospróprioscomoHistóriadaLiteratura,CríticaLiterária,
entreoutros,aLiteraturavempossibilitandodebatesquecompreendemas
relaçõescomosistemaliterário,bemcomocomaquelasrelacionadasàquestão
contextualesociológica.Partindo-sedestenovocenário,otrabalhoqueora
seconstituibusca,emumaperspectivaqualitativa,produzirumaleiturada
Amazônia,emseusaspectoshistóricos,sociológicoseliterários,tomando
a literatura como método principal de análise. Neste sentido, o corpus do
trabalhorelaciona-seaobraspublicadasentre1850e1930eligadasaosciclos
econômicoshistoricamenteapontadosnahistóriadaAmazônia,assimcomo
aquelesquesemprefizerampartedavidadeseushabitantescomooregime
daságuas.Alémdestaquestão,ressalta-seaindaqueemboramuitosestudos
tenham sido feitos sobre o lócus amazônico, há ainda lacunas referentes a
sua história cultural em perspectiva literária, fato pelo qual o texto poderá
contribuir sobremaneira.
Palavras-chave: Literatura; Amazônia; Ciclos Econômicos.
46|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
O PROJETO LITERÁRIO AMAZÔNICO DE ALBERTO RANGEL
Rafael Voigt Leandro (UnB)
Resumo:Háumsentidoestritodeprojetoliterárionoscontosamazônicosde
AlbertoRangel.EmborasejarelativamenteconhecidoeestudadoseuInferno
Verde:cenasecenáriosdoAmazonas(1908),épraticamentedestituídade
recepçãoliteráriasuacontraparte,Sombrasn’água:vidaepaisagensnoBrasil
equatorial (1913). Alinhada ao positivismo e naturalismo de sua época, a
tendênciainfernistadaprosarangelianademonstrarumospossíveisdaliteratura
brasileiranoiníciodoséculo20.Seuprojetoliteráriopossuifortevinculação
comaobra“vingadora”einconclusaUmparaísoperdido,deEuclidesdaCunha,
alémdeÀmargemdahistóriaeoutrosescritosamazônicoseuclidianos.Muitos
traçospodemserapontadosparaacaracterizaçãodessaprosadeRangelno
que tange a três grandes eixos temáticos: natureza, etnografia e conflitos
histórico-econômicos.Dentrodessasperspectivas,opositivismo-naturalismo
deInfernoVerdeeSombrasn’águarevelaumnarradorematitudedialética
comatradiçãohistórico-científicaeculturaldaregião,bemcomocomoslimites
definidoresdaidentidadenacionaldeascendênciaamazônica,semdesconsiderar
aencruzilhadahistóricaarmadapeloaugedoCiclodaBorrachaepelapolíticada
primeira república nas cidades do Norte.
Palavras-chave:AlbertoRangel;InfernoVerde;Sombrasn’água;Projetoliterário amazônico.
CONSTRUÇÃODOIMAGINÁRIODERONDÔNIA,NADÉCADADE80,
ATRAVÉS DO ROMANCE DE OURO E DE AMAZÔNIA
Neila da Silva de Souza (UNIR)
Resumo:ApresentecomunicaçãoapresentaoromanceDeouroedeAmazônia,
deOswaldoFrançaJúnior,sobaperspectivadeexporaexploraçãodegarimpo
emRondônianadécadade1980. Escritoem1989,oromancetemcomofio
condutoroprotagonistaAdailtonquedeixasuaterranatalembuscaderiqueza
fácilerápida.Encontramosumapersonageminquietaquesedeslocadeum
lugarparaoutro.Dessestrajetos,surgearelaçãohomemesociedade.Começa,
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 47
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então,umabuscaporidentidadenasociedade.Issofazcomquehajaconflitos
internos,passandoarefletirsobreaexistênciahumana.Osmovimentosda
personagem,ouasdescriçõesdoambienteconduzemoleitornaapreensãodos
cenárioscompostosporPortoVelho,Abunã,Vilhena,entreoutros.Ogarimpo
podeserrepresentado,comparandoosempecilhosvivenciadosporAdailtone
suasobrevivênciacomosváriosbrasileirosquesaíram,esaemdeseusestados
embuscadefortunaligeira,epormelhorescondiçõesdevidaenfrentamos
perigosdasmatas,escavaçõesprofundasdosrios,adistânciadafamília,enem
sempre conseguem alcançar seus objetivos.
Palavras-chave: Garimpo; Rondônia; De ouro e de Amazônia.
SESSÃO 17
Coordenadora: Telma Borges
ENCONTROSCULTURAIS:UMAREFLEXÃOSOBREALITERATURADE
MILTON HATOUM E A DE GABRIEL GARCÍA MARQUEZ
Telma Borges (Unimontes)
Resumo:Estetrabalhoobjetiva,apartirdeDoisirmãos,deMiltonHatoum,e
Cemanosdesolidão,deGabrielGarcíaMárquez,analisaraatuaçãodosfilhos
bastardosdessasnarrativas.Dequemodosuasidentidadessãocompreendidas
comoumaalegoriadaAméricaLatina–BrasileColômbia–emcontraponto
àquela imposta pelo colonizador. No emaranhado das culturas brasileira,
indígena e árabe, nasce Nael, personagem-narrador de Dois irmãos, que
buscaaidentidadepaterna,negadapelamãeeporeletambém.Essecurumim
herdaonomeárabedobisavôpaterno,masoptaporsuacondiçãobastarda,
fazendoseurelatonascercomoumdiscursonãolegitimado,semaassinatura
dopai.EmCemanosdesolidão,abastardiacondicionaoaparecimentode
pergaminhosescritosemlínguasimpenetráveis,somentedecifradosporaquele
que,colocadoàmargem,buscaalgumsinalquepossaindicá-locomoagentede
umahistóriaquedesejaverrecontadaenaqualnãoestejarelegadoaoporão,
devendofigurar,portanto,nomesmoplanodos“donos”daHistória.Avozdo
bastardo,portanto,emergecomoresultadodatransculturação.Comela,pode
48|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
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contarasversõesnão-oficiaisdesuahistória.Apartirdessasvozespretendese problematizar quando foi e se existiu o pós-colonial na América Latina.
Palavras-chave:MiltonHatoum;GabrielGarcíaMarquez;Pós-colonial;Transculturação; Alegoria.
EL ZORRO DE ARRIBA Y EL ZORRO DE ABAJO, DE JOSÉ MARÍA
ARGUEDAS:RESGATEDEUMAUTOPIAARCAICAOUREVELAÇÃODE
UMA TOTALIDADE CONTRADITÓRIA E HETEROGÊNEA?
Juliana Bevilacqua Maioli (UNIR/ UNESP)
Resumo: O trabalho propõe discutir o embate entre divergentes leituras
críticaselaboradaspelosintelectuaisMarioVargasLlosaeAntonioCornejo
Polar a respeito do romance El zorro de arriba y el zorro de abajo, de José
MaríaArguedas.Publicadaem1971,aobraficcionalizaastransformações
sócio-econômicasexperimentadaspeloPeru,apartirdametadedoséculo
XX,motivadasprincipalmentepelointensofluxomigratórioquerapidamente
promoveráaurbanizaçãodopaís.AmbientadoemChimbote,orelatorevelaa
edificaçãodeumnovomundosobreasbasesdocapitalismoconsumistaedo
individualismo.Logo,oromanceobjetivarepresentarofuturodaculturaandina/
quéchuaemmeioàsdemandasdamodernizaçãoimplementadasnoterritório
peruano.Ouniversoficcionaltecidonanarrativasuscitadiferentesapreciações
críticas. De um lado, Vargas Llosa assinala a perspectiva reacionária de El
zorro... que, ao refletir os sofrimentos do Peru e dos demais países latinoamericanos,tendearessuscitaroarcaísmodaculturaincaicaemumautopia
literária,hostilaodesenvolvimentoindustrialeamodernizaçãodopaís.Nopólo
oposto,CornejoPolarbuscaenfatizar,pormeiodaconstataçãodapresença
dosujeitomigrante,ocaráterinovadordoromance,segundoele,capazde
representar a totalidade contraditória e heterogênea da cultura peruana.
Palavras-chave: El zorro de arriba y el zorro de abajo; Mario Vargas Llosa;
Utopia arcaica; Antonio Cornejo Polar; Sujeito migrante.
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 49
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
ESCREVER, RELEMBRAR E ESQUECER: O CICLO ARGUEDIANO
Isadora Xavier (UEA)
Resumo: No romance Los ríos profundos, de José María Arguedas, o
protagonista, Ernesto, sofre por não estar inserido em um campo cultural
preciso.Omeninobrancocomcriaçãoeformaçãoindígenapossuitambém
traumasfamiliaresrelacionadosaoabandonodesuamãe,suaeducaçãomestiça
e,principalmente,aconturbadarelaçãocomseupai.Arespeitodestarelação,
sabe-sequeJoséMariaArguedasfazumapossívelreleituradesuavida,jáque,
assimcomoErnesto,foitambémórfão,quepelofalecimentodesuamãeea
desatençãodeseupai,buscourefúgioecuidadosaproximando-sedosíndiosda
serraperuana.Aanálisepropostaé,primeiramente,adedescobrir,naobra
emquestão,atéquepontosualiteraturapodefuncionarcomoumespelho
desuaexperiência,tantorelacionadaàinfância,quantoaotraumaexistente
porsuanacionalidadefragmentadadevidoàmesclaculturalquesofreuainda
emseusprimeirosanosdevida.Emseguida,pretende-seanalisarcomoesta
rememoração,propostaporArguedasaoescreveroromance,sugerequea
reconquistadeseupassadoestejafortementeligadaaopoderlíricodoromance,
equeaformacomoconstróiessamemóriadeseupassadoultrapasseolimite
ficcional de Los ríos profundos.
Palavras-chave: Arguedas; Los ríos profundos; Transculturação.
SESSÃO 18
Coordenadora: Débora Renata de Freitas Braga
NOTAS SOBRE UMA CONSTRUÇÃO DA IMAGEM DE AMAZÔNIA EM
PORTUGAL: FERREIRA DE CASTRO
Débora Renata de Freitas Braga (PPGLA-UEA)
Resumo: Esta pesquisa tem como objetivo investigar de que maneira foi
construídaumaimagemdeAmazôniaemPortugal.Paraisso,elencamoso
escritorportuguêsFerreiradeCastro,cujaapreciaçãopelatemáticaamazônica
nasnarrativasASelvaeOInstintoSupremogarantiu-lheumlugartantonas
50|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
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letraslusasquantonasbrasileiras.Especialmenteapartirdaleituradosensaios
deHernâniCidadeeFernandoCristóvãoescritosemhomenagemaoautor,
problematizaremosarespeitodarecepçãodestaimagemdeAmazôniacriadano
textoliterárioeinterpretadapelacrítica,discutindoasquestõesdeidentidade
eoconceitodecomunidadelusófona.Pretendemos,destaforma,investigar
sehávestígiosdedominaçãoculturaldePortugalemrelaçãoàAmazôniana
interpretação realizada sobre a obra castriana.
Palavras-chave:Ferreira de Castro; Amazônia; Portugal; Literatura; Crítica
literária.
EXPERIÊNCIA E SIMBOLO: FIGURAÇÕES DO RIO-MAR NO
IMAGINÁRIO POÉTICO LUSÓFANO
Renir Reis de Oliveira (CESP/UEA-PAIC)
Resumo:Oencontrodessaspoéticasdaságuasfoipromovidoatemaparaa
formaçãodeumalinhadepesquisaquesevoltasseparaliteraturacomparada
e para as poéticas do espaço. A partir das poéticas de Elson Farias, poeta
amazonense,eSophiadeMelloBreynerAndresen,poetisaportuguesa,este
projetoestende-sealémmarequeranalisarasfiguraçõesdorio-marnuma
atitudecomparatistanapoéticacabo-verdianaemoçambicana,espaços
privilegiadosdaculturadelínguaportuguesa,espaço,portanto,lusófono.Este
projetoéumainiciativadeintroduçãodetrabalhoparaaCátedraAmazonense
de Estudos Literários (UEA), articulado à linha de pesquisa de literatura e
história,cujametaéestabelecerpontosconceituaisentreasliteraturasda
mesmalíngua.Escolhemosessetemaporquereúneesintetizagrandesfulcros
da poética do espaço e da viagem na poesia desses autores, pela presença
permanentedomarcomtodososseusmundos,vivências,metaforizaçõese
alegorizações,viagens,espantoseespera.Comomotivomaiordapesquisa
espera-seampliaroestudodasfiguraçõesdoRio-Marnoimagináriopoético
lusófono,principalmenteaspoéticasdeCaboVerdeeMoçambique,numa
atitude comparatista, a partir dos estudos sistematizados nas poéticas de
ElsonFarias,poetaamazonense,eSophiadeMelloBreynerAndresen,poeta
portuguesa.
Palavras-chave: Lusofonia; Figurações; Mar; Poética; Imaginário.
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 51
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
CIDADES LÍRICAS: A MEMÓRIA ERGUE AS RUÍNAS DE MANAUS E
LISBOA, EM LUIZ BACELLAR E AL BERTO
Fadul Moura (UFAM)
Resumo:MuitoemboraManauseLisboafaçampartedeculturasdistintas,
uma conexão entre ambas se torna possível através das representações
criadaspelopoetabrasileiro,denaturalidadeamazonense,LuizBacellar,e
pelo português Al Berto.Tanto em Frauta de barro (1963) como em Horto
deincêndio(1997),ascidadessãorepresentadascomamesmaimagem:a
das ruínas. Este trabalho se propõe a analisar a edificação dessas cidades e
estabelecerseueixocomunicante.Paratanto,oconceitodememóriadeWalter
BenjamineasconsideraçõessobreacidadedeRenatoCordeiroGomesserão
importantes.É,pois,nointervaloentreacidadeeamemóriaqueháosujeito,
capazdenãosomenteconfigurarosseussignificados,comotambémdeasunir.
Palavras-chave: cidade; memória; ruínas; Luiz Bacellar; Al Berto.
SESSÃO 19
Coordenadora: Maisa Navarro
DESLOCAMENTOE(RE)CONSTRUÇÃODAMEMÓRIA:UMALEITURA
DE RELATO DE UM CERTO ORIENTE, DE MILTON HATOUM
Maisa Navarro (UFPA)
Resumo:OromancedeMiltonHatouminscreve-senoespaçogeográficode
Manauseapresenta-secomoumrelatocuriosodaexperiênciadohibridismo
cultural brasileiro que se deu no Norte do Brasil, quando da chegada de
imigrantes,noiníciodoséculoXX.Provenientesdeváriospaísesdomundoe,
comoilustraolivrodeHatoum,tambémdoLíbano,osimigrantestornaramseforçadetrabalhonafundaçãodasociedadebrasileira,influenciandohábitos
sociaiseculturais.Aolongodahistória,noBrasilsemisturaramraças,crenças,
religiõesecomidas,compondoo“caldeirãodeculturas”,earelaçãoespaçoidentidadepassouaseconfundircomabuscadafelicidade.Atreladoàhistória
52|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
familiar,noromancedeHatoumoindividuoestáàprocuradesimesmoedo
outro. O presente trabalho se propõe a analisar a noção de deslocamento
evocadanoromance,bemcomoohibridismocultural,elementofundadorque
marcouaformaçãodopovobrasileiro.Tambémsepretenderefletiradinâmica
narrativa que envolve a descoberta dos personagens, sua importância na
reconstruçãodamemóriaemumacasadesotaquesmúltiplos,emquevozese
atitudes subjetivas se entrecruzam.
Palavras-chave: imigração, cultura, identidade.
IDENTIDADESCRUZADAS:UMALEITURADAOBRACIDADEILHADA
DE MILTON HATOUM
Maria Alice Sabaini de Souza (UNIR)
Resumo:Opresentetrabalhotemporobjetivoanalisar,apartirdaperspectiva
do narrador, questões referentes à cultura e à identidade desenvolvida na
literaturamanauara.Paratanto,utilizaremosaobraCidadeIlhada,doescritor
MiltonHatoum,comocorpusdessapesquisa.Nessaobra,oautorcontextualiza
a maioria de seus contos em Manaus. No entanto, o fato de o espaço físico
ondeasestóriassepassamseromesmo,aculturaeaidentidadedemuitasdas
personagensnãoéhomogênea,namedidaemqueemummesmoconto,como
é o caso de“uma estrangeira em minha rua”, é possível verificar a presença
de três culturas numa mesma casa, já que a personagem Lyris vive imersa
namiscigenaçãocultural,pelofatoderesidiremManauseserfilhadeuma
peruanaedeuminglêsouirlandês.Nessesentido,observa-sequenoscontos
emqueháumhibridismocultural,umanovaidentidadeseprojetanoindividuo
que interage com cultura manauara.
Palavras-chave:Cultura;Identidade;Literatura;MiltonHatoum;CidadeIlhada.
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 53
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
ARQUEOLOGIA DA MEMÓRIA: ENTRE CIDADES E CINZAS
Cristiana Mota (PPGLA-UEA)
Resumo:Oqueseconvémchamardepós-modernidadelegaaohomema
fragmentaçãoidentitária,asensaçãodeincompletudeemarcaumaintensa
problematizaçãoacercadoconceitodehistória,reconstituídaconstantemente
pormeiodamemóriaedoarquivo.Aliteratura,enquantoexpressãohumana,
é um viés usado para se refletir sobre a desconstrução e reconstrução da
História.Nesseprocesso,asnarrativasdoescritorMiltonHatoumpermitemnosumaabordagemcríticasobreotema,umavezqueamatériausadapara
estruturá-las,baseia-senojogoentrememória,históriaeficção.Diantedisso,
esteartigopropõeanalisarasobrasCinzasdonorteedoiscontosdeAcidade
ilhada,soboprismadaconcepçãodenarradorpropostaporWalterBenjamine
apartirdaideiadearquivopropostaporJacquesDerrida.Comisso,objetiva-se
perscrutaraescritadeHatoumembuscadolugardoarquivoedamemóriana
formulação dos discursos histórico-literários.
Palavras-chave: Memória; Arquivo; Cinzas do Norte; A cidade ilhada.
SESSÃO 20
Coordenador: Yomarley Lopes Holanda
O BOI-BUMBÁ DE FONTE BOA (AM) OU DE COMO A CIDADE QUE O
BARRANCO LEVOU SE ENCENA NA SUA CULTURA POPULAR
Yomarley Lopes Holanda (UEA)
Manoel Domingos de C. Oliveira (UEA)
Resumo:AAmazôniavemsendoocentrodosdiscursosrepresentacionais
contemporâneos,sobretudo,noquedizrespeitoàpreservaçãosustentável
domeioambienteedeseusrecursosnaturais.Sãoessesdiscursoseimagens
quetêmsidoredimensionadospelasfestaspopularesnointeriordaAmazônia,
enquantofontesdeatraçãoparaosvisitantes,configurando-seemalternativas
econômicasinteressantesondeaexotizaçãodoselementoshumanosenaturais
54|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
regionaisservedematéria-primaparataisexpressões.FonteBoa-AM,322
anosdehistória,éopalcodeumamanifestaçãosocioculturalqueremonta
ameadosdoséculoXX:abrincadeiradoboiqueaolongodotempopassou
pelosterreirosequintais,pátiosdeescolasatéchegaràarena.Apesquisaque
alicerçaasreflexõesdesteartigopartedeumestudoetnográficosobreesta
festapopularquecongregaemovimentaumconjuntodeinstituiçõessociais,
demonstrandoformasdeproduçãoartísticadiversas,chamandoaatençãoas
suas continuidades e simbolizações.
Palavras-chave: Cultura Popular; Boi-bumbá; Fonte Boa.
A IDENTIDADE SATERÉ-MAWÉ NAS TOADAS DE BOI BUMBÁ
Josy Magno de Deus e Silva (CESP-UEA/PAIC)
Resumo:EstetrabalhovisaregistrartraçosculturaisdopovoSateré-Mawé
encontradosnastoadasdeboibumbáinvestigardequeformaécontadaahistória
dessaetnianasobrassupracitadas,tendoemvistaoconhecimentorepassado
poressascomposições,bemcomooestudoparatalprodução.Porquanto,a
reproduçãodessastoadasimplicaumaexploraçãoteatral,oregistrodessa
pesquisaalmejaoferecerconhecimentocientíficodessegrupoétnicoemarcar
dadosrelativosàliteraturalocal.OestudoestáreferenciadoemDemo(2009);
Laraia (2001); Marconi (2007); Nogueira (2008); Silva (2009); Silva (2000)
Somanlu(2002);Valentin (2005), Ribeiro (2010) e outros. Na metodologia,
anaturezaéqualitativa.Tem-sepesquisabibliográficapeloembasamentonos
estudiososdaáreaabordada.Osmétodosdeprocedimentossãooestudode
caso,analisandominuciosamenteastoadasdeboibumbá.Portanto,estemote
buscaavalorizaçãoeafirmaçãodaculturalocal,noâmbitodatoadadeboi
bumbá, e indígena, Sateré-Mawé.
Palavras-chave:Identidade;Sateré-Mawé;BoiBumbá;Cultura;Literatura.
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 55
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
TOADA DO BOI BUMBÁ DE PARINTINS: AVALORIZAÇÃO CULTURAL
DA IDENTIDADE DE UM POVO
Cláudia Célia Duarte de Souza (PAIC/UEA-CESP)
Resumo:Estetrabalhoapresentaparcialmenteoresultadodapesquisacujo
temaé“ToadadoBoiBumbádeParintins:avalorizaçãoculturaldaidentidadede
umpovo”.Apesquisatemopropósitodeinvestigarcomoécontadaahistória
dopovoparintinensenatoadadeboibumbá,vislumbrandooconhecimento
transmitidopelascomposições,bemcomooestudoparatalprodução,poisa
repercussãodessasproduçõessugereumaexploraçãoteatralaserencenada
a céu aberto, tornando-se um material rico e acessível, podendo até ser
exploradoemdiferentescontextosdeaprendizagem.Nestaperspectivao
estudo tem como referência: Demo (2009); Laraia (2001); Marconi (2007);
Monteiro (2004); Nogueira (2008); Silva (2009); Somanlu (2002);Valentin
(2005)eoutros.Anaturezadapesquisaéqualitativa;ométododeabordagem
éodialéticoedeprocedimentoéoestudodecaso.Ouniversodapesquisasão
astoadasdoBoiBumbádeParintins.Oestudotemrelevânciacientíficapela
importânciaeutilizaçãodamesmaparaserretratadaaidentidadeculturalde
um povo.
Palavras-chave: Toada; Literatura; Cultura; Boi Bumbá; Identidade.
SESSÃO 21
Coordenadora: Carla Monteiro de Souza
NARRATIVAS ORAIS: A ARTEVERBALTRADUZIDA PELASVOZES DE
NARRADORES INDÍGENAS
Maria Georgina dos Santos Pinho e Silva (UERR/UFRR)
Carla Monteiro de Souza (UFRR)
Resumo: As narrativas orais são marcadas por fragmentos de textos
pertencentesaopassadoeestãoimbricadasnaprópriaorigemdohomem,
apresentandosaberesquedãosignificadosàvidaatual.Porseremdesvalorizadas
56|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
socialmenteemrelaçãoaotextoescrito,buscamosnasvozespoéticasdos
narradoresindígenasdaComunidadeSãoJorge-RR,conheceredesvendaros
segredosdashistóriasoraispresentesnamemóriadosnarradores.Paratanto,
estetrabalhoqueépartedapesquisasobreasnarrativasoraisdaComunidade
São Jorge, localizada na Terra Indígena Raposa Serra do Sol – Roraima,
vinculadaaoProgramadePós-GraduaçãoemLetras(UFRR),buscaperceber
osrastrosidentitáriosnasnarrativasorais,comafinalidadedeverificarcomo
anarrativaconcorreparaapropagaçãodepráticasculturaisànovageração.
Portrabalharcomaoralidade,registrandoaslembrançasdosnarradoresque
sãocoletivamentecompartilhadas,adoteiosprocedimentosmetodológicosda
história oral.
Palavras-chave: Narrativa oral; Narrador; Cultura; Comunidade Indígena.
A POÉTICA-POLÍTICA DE UM CANTO DA TUCANDEIRA
Mário Geraldo Rocha da Fonseca (UFMG)
Resumo:Oartigodesenvolveanoçãode“esperto”apartirdocantoa“Origem
daTucandeira”,colhidoporNunesPereira,nadécadade40doséculopassado,
eaindahojeexecutadonascomunidadessateré-mawé,tantodasáreasdos
riosMaraueAndirá(Amazonas),quantonaquelasinstaladasnascidadesde
Maués,IrandubaeManausentreoutras.Paratanto,fazumpercursohistórico
dossateré-mawé,mapeandoapresençadelesemregistrosdahistóriacultural
daAmazônia,demodoaobservaracapacidadequeaquelegrupoindígena
demonstrou para estreitar o contato com índios de outros grupos e com a
populaçãonão-indígena.Acapacidadedefazerdeslocamentoscomrelativa
frequência,queénotadopeloshistoriadoresdaAmazôniaindígena,merece
registroaindamaiscontundentesporpartedepesquisadoresinteressados
emanalisaroprocessoidentitáriodoschamadosíndiosurbanos.Oconceito
de“esperto”,portanto,torna-seumaferramentainteressanteparaverificar
comoumritualtãoantigo,comoéocasodaTucandeira,demonstraumagrande
capacidadeplásticadedialogarcomasmaisvariadassituaçõespelasquaisos
sateré-mawétêmpassadoaolongodasuaaventurahistóricaesócio-cultural.
Palavras-chave: Esperto; Ritual da tucandeira; Poética/política.
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 57
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
A PERFORMANCE E A MEMÓRIA DO NARRADOR ORAL
SATERÉ-MAWÉ
Dilce Pio Nascimento (UEA/PPGLA-UEA)
Resumo: No presente artigo, pretende-se analisar e refletir sobre a
performancedonarradordasnarrativasoraisdosíndiosSateré-Mawé,doBaixo
Amazonas,numaperspectivaliterária.Paradarsustentabilidadeaessaanálise,
estabeleceu-seumdiálogoentredoisautores:PaulZumthoreWalterBenjamin.
Oprimeiro,porserumdosmaisconceituadosestudiososdeliteraturasorais,
apresentandoumaampladiscussãoemtornodaperformancedonarradororal;
eosegundo,poranalisaraquelequeseriaonarradorporexcelência,noque
serefereà maneira de contar histórias, ao se aproximar dos narradores das
tradiçõesorais.Umadasestratégiasdonarradororalestámomododenarrar,
pois,aoutilizarocomplexoedinâmicoprocessoentreavozeocorpoelucida
umenunciadovivo,cheiodedigressões,levandoosouvintesparaumtempo
distante,fazendoumalongaviagempelosmeandrosdamemóriaquere-criaa
história,aconselhando-osafimdequeogruposocialcontinueunificadoevivo,
dessaforma,valorizasuaculturaparaqueoutrasgeraçõesnãodeixequeessa
prática, de narrar suas crenças e costumes, caia no esquecimento.
Palavras-chave: Performance; Memória; Narrador oral; Sateré-Mawé.
SESSÃO 22
Coordenadora: Rita Barbosa de Oliveira
MITOS DA AMAZÔNIA NA PERSONAGEM DE JOANA, DE GALVEZ,
IMPERADOR DO ACRE
Rita Barbosa de Oliveira (UFAM)
Resumo:Nestacomunicação,seráapresentadoomodocomoonarradorpersonagemdoromanceGalvez,imperadordoAcre(1976),deMárcioSouza,
reconstrói alguns mitos da Amazônia, tais como as icamiabas, Jurupari e
Ajuricaba,pormeiodapersonagemJoana,levantandoquestionamentossobre
58|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
amitologiaeahistoriografiadamencionadaregião,recolocandoemdiscussão
ochoqueentreacosmogoniadosprimeiroshabitantesdoterritórioamazônico
eadoscolonizadores.Emprega-secomofundamentaçãoteóricaapolifonia
poéticadeMikhailBakhtin,naqualseverificam,dentreoutras,ascategorias
daestilizaçãoedacarnavalização.Esteestudointegraalinhadeinvestigação
Prosa de ficção do Grupo de Estudos e Pesquisas em Literaturas de Língua
Portuguesa (GEPELIP).
Palavras-chave: Galvez, Imperador do Acre; Romance.
AMAZÔNIA: MITOS E MEMÓRIA
Mônica Vieira (UFPA)
Resumo: Este trabalho visa pesquisar, estudar e compreender os mitos
amazônicospresentesemcomunidadesindígenasafetadaspelaconstruçãode
hidrelétricas,tendoestesmitoscomorepresentantesdaformaçãodamemória
edaidentidadedascomunidadesescolhidasparaestapesquisa,ereconhecer
talrepresentaçãoculturalcomoportadoradesignificadosexplícitoseimplícitos
paraacomunidadeeseusindivíduos.Otemadoestudodosmitostemganhado
maioratençãoereconhecimentoemdecorrênciadavalorizaçãodosestudos
dasrepresentaçõesculturaisdascomunidades,poristo,justificominhaescolha
pretendendoagregarconhecimentoaestaáreadepesquisaquevisaaprofundar
conhecimentonoquedizrespeitoaoimaginário,aosimbólicoeàformaçãoda
memória e identidade de uma comunidade.
Palavras-chave: Mitos; Memória; Identidade.
ASPECTOSTRÁGICOSEMITOLÓGICOSEMAPAIXÃODEAJURICABA
DE MÁRCIO SOUZA E ECOS DO MITO DE REI ARTUR
Mary Ellen Rivera Cacheado (PPGL-UFAM)
Resumo: Neste artigo, fazemos uma análise dos aspectos trágicos e
mitológicosdapeçaAPaixãodeAjuricabadoautoramazonenseMárcioSouza.
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 59
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
Comoembasamentoteórico,usamosprincipalmenteasobras Poéticade
Aristóteles,MitoeRealidadedeMirceaEliadeeAmazônia:mitoeliteratura
de Marcos Frederico Krüger. Nesse artigo, encontramos alguns pontos de
convergência entre a tragédia de Márcio Souza e a tragédia clássica, assim
comoalgumasrupturas.Analisamostambémalgunsaspectosmitológicosda
peçaeencontramosalgunsmitoslocais,assimcomoecosdomitolongínquo
de Rei Artur.
Palavras-chave: Tragédia grega; Mito; Herói; Rei Artur.
SESSÃO 23
Coordenador: José Luiz Foureaux de Souza Júnior
CHUVA BRANCA: TRAVESSIA AMAZÔNICA
José Luiz Foureaux de Souza Júnior (UFOP)
Resumo: O presente trabalho apresenta leitura do romance amazonense
deautoriadePauloJacob,naperspectivacomparatista.Ocontrapontoda
comparação é Grande sertão: veredas. Ambos, de certa forma propiciam
visãoficcionaldeambiênciasnaturais,cadaumemsuaregiãode“origem”.
Trata-sedearticulaçãointerpretativadealgunsíndicestextuais,semomenor
desejodeesgotaraspossibilidadeshermenêuticasoferecidasporambosos
textos.Alinguagemdeambos,sustentáculodediscursospróximos–noquediz
respeitoàconstruçãodorelatoficcional–,éopontodefugadosapontamentos
apresentadosnabuscadeconstruirumhorizontedeexpectativascomumentre
as duas obras.
Palavras-chave: Comparatismo; Leitura; Linguagem; Discurso.
60|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
A AMAZÔNIA ILUSTRADA: O QUE SE CAMUFLA POR ENTRE
O VERDE D’A SELVA
Adriana Aguiar (UFAM/FAPEAM)
Resumo:UmpasseiopelaspinturasnointeriordoTeatroAmazonasoupelas
quasemilobrasdaPinacotecadoEstadorevelamosmuitosolharesqueartistas
lançaramsobreaAmazônia.Pormãosdeestrangeirosebrasileiros,oespaço
tomaaformadeumcoloridomosaicodepercepções.Astemáticasquepermeiam
essasimagenssãoquasesempreprovidasdeumimaginárioconstruídopelo
europeueintensificadopelosdiferentesereforçadosconceitosqueselançavam
sobrearegião,fundandooquesepodechamardeumatradiçãoimagéticada
Amazônia.Nãoraramente,aextensaárealocalizadaaonortedaAméricadoSul
éarquivadacomoselva,comomassaverde,camuflandorealidadessubjacentes
nointeriordoecossistema.Quandotaisimagenssãoprodutosdotextoliterário,
queAmazôniaémetaforizada?Sãoquestionamentoscomoestequesedesejam
problematizarnesseartigo.Partindodasrelaçõesentreliteraturaepintura,
buscar-se-áanalisaraAmazôniailustradanoromanceASelva,especificamente
nasediçõesde1939,encomendadaporRobertoNobre,ede1955,realizada
porCândidoPortinari.Dessaforma,pensa-senãoapenasarelaçãodefidelidade
entreoscontextossemióticos,mas,sobretudo,asrelaçõesentreosefeitos
queotextoliterárioefetuanopintor,eambos(literaturaepintura),noleitor.
Palavras-chave: Amazônia; Literatura; Pintura; A Selva.
VOZES SILENCIADAS: NARRATIVAS DE MILTON HATOUM E MIA
COUTO EM DIÁLOGO
José Benedito dos Santos (PPGL-UFAM)
Resumo:Pormeiodestacomunicaçãopretendemosrealizaraintertextualidade
entreaobradeMiltonHatoumeadeMiaCouto,especialmente,nosaspectos
dosilenciamentoaqueamulheréobrigadanosistemasocialemquevive,
fazendoareflexãosobresuacondiçãoeprocurandocompreenderolugarque
amesmaocupanessasociedade,bemcomo,aomesmotempo,mostrarque
háumaformaderesistêncianasduasnarrativasàdominaçãocolonial.Para
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 61
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
isso,temoscomoobjetosdeanáliseapersonagemAnastáciaSocorrodaobra
Relato de um certo Oriente (1989), do primeiro autor, e Miserinha de Um
riochamadotempo,umacasachamadaterra(2003),dosegundo.Osuporte
teóricoempregadoseráaconcepçãodeMikhailBakhtinsobreodialogismo.
Palavras-Chave:MiltonHatoum;MiaCouto;LiteraturasemLínguaPortuguesa;
Dialogismo.
SESSÃO 24
Coordenador: José Denis de Oliveira Bezerra
LITERATURAAMAZÔNICA:IDENTIDADES,PRODUÇÃOERECEPÇÃO
José Denis de Oliveira Bezerra (PPHIST/UFPA- UEPA)
Resumo:Falardeliteraturadeexpressãoamazônicaéumgrandedesafio,e
emmuitasvezesjásetornoualgoenfadonho,poisacreditoquetaldiscussão
deve ter outros rumos, não que ela deva ser esgotada, mas que o campo
dasreflexõesseamplieouatémesmoseja(re)descoberto.Nãoseobjetiva
aquicriarnovosparadigmas,masrefletirsobreosconceitosdeliteratura,de
Amazôniaedoquechamamos,nacontemporaneidade,depráticasculturais
artísticas,focandoaarteliterária.Pensoqueaofalardasquestõespertinentes
àproduçãoliterárianaAmazônia,devemosdestacartrêsquestões:aprodução,
o produto e a recepção. Baseio-me na análise de Antonio Cândido, em a
FormaçãodaLiteraturaBrasileira,quandodefinealiteraturaenquantosistema,
distinguindo,apartirdoNeoclassicismo,aliteraturademanifestaçõesliterárias.
Candidopensaaliteraturaenquantoelementoorgânicodacivilização,equehá
elementosdenaturezasocialepsíquicaquesemanifestamhistoricamente.
Assim,estetrabalhopretenderefletiraidentidadeliteráriaamazônicaapartir
da produção e da recepção.
Palavras-chave: Literatura; Amazônia; Produção; Recepção.
62|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
NOTAS SOBRE A PRIMEIRA FASE DA FORTUNA CRÍTICA DETHIAGO
DE MELLO
Pollyanna Furtado Lima (UFAM)
Resumo:Esteestudoapresentaaspectosdaprimeirafasedafortunacríticade
ThiagodeMello.Apósolevantamentogeraldostextoscríticossobreaobrado
poeta,decidiu-seadotarcomocorpusdeanáliseapenasaquelesproduzidosde
1951a1960. Partedomaterialdeanálisefoiencontradanasegundaedição
doVentoGeral;aoutrafoidescobertaembancosdedados,bibliotecas,acervos
particularessobdomíniopúblico.Comopressupostoteórico,emprega-seos
conceitosdiscutidosporPascaleCasanova,emARepúblicaMundialdasLetras,
queanalisaatensãonasrelaçõesentreautorecrítico,asnoçõesdeliteratura
(nacionaleuniversal)easdificuldadescomunsàgrandepartedosescritores
para se impor no espaço literário. Em função da natureza da pesquisa, fezsenecessárioohistóricodosdiferentesperfisdacríticabrasileirapresente
nosestudosdeAfrânioCoutinho,AntonioCandidoeFloraSüssekind.Como
resultado da coleta e seleção de dados, constam as críticas de Álvaro Lins,
EmanueldeMoraes,GilbertoFreyre,SérgioMilliet,ManuelBandeira,entre
outros.Aanálisedessestextosapresentaaspectosreveladoresdadinâmicado
sistema literário nacional.
Palavras-chave: Thiago de Mello; Fortuna Crítica; Literatura Brasileira
Contemporânea.
A CONSOLIDAÇÃO IDENTITÁRIA EM PERSONAGENS DO BEIRAL:
SERÃO AS BRISAS DO RIO BRANCO SEI LÁ...
Sheila Praxedes Pereira Campos (UERR/PPGL-UFRR)
Resumo: Dentre as diversas simbologias criadas para representar o Beiral
(bairro às margens do Rio Branco, em Boa Vista-RR), cinco personagens
que dão título a poemas ocupam lugar de realce no cenário discursivo do
conjuntodaobrahomônimadeZecaPreto,artistaroraimensequepublicaessa
coletâneadepoemasem1987,duranteoMovimentoRoraimeira.Aoeleger
estescincopersonagens(Genésio,ChicoRibeiro,Xikinha,SimeãoeMaria),é
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 63
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
interessanteindagarcomoelesforamapreendidospelopoetaequaisimagens
foramconstruídasemtornodeles.Estasindagaçõesserãorespondidastendo
emvistaapluralidadedeconstruçõessobreestespersonagens,cujasimagens
serãocolocadasemdiálogosobaóticadaconsolidaçãoidentitáriaapartirdo
local onde vivem – o Beiral.
Palavras-chave: Beiral; Identidade; Personagens.
SESSÃO 25
Coordenador: Marcio Roberto Vieira Cavalcante
A NARRATIVA LITERÁRIA CONSTRUINDO O IMAGINÁRIO URBANO
Marcio Roberto Vieira Cavalcante (UFAC)
Deuzilene de Lima Costa (UFAC)
Resumo: A história que propomos se confunde com a literatura, já que
correspondeanarrativasexplicativasdorealqueserenovamnotempoeno
espaço,masquesãodotadasdetraçodepermanênciaancestral.Oquenos
interessaédiscutirodiálogodahistóriacomaliteratura,comoumcaminhoque
sepercorranastrilhasdoimaginário.Emlinhasgerais,nossapropostaédeler
ahistóriacomoliteratura,vernaliteraturaahistóriaseescrevendo.Queremos
evidenciar,pormeiodenarrativasliterárias,oslugaresdevidairregular,de
boemia,deprostituição,nosentidodepensarque“viverourbano”impõeuma
sériedeinterditosenãolugares.Pormeiodostextosliterárioschegaremos
aessesinterditos,assensibilidadesquefazemacidadesetornaroredutode
novas/velhassensibilidades.Acidadecomolugardohomem,ondeelerealiza
seus projetos, vai ser evidenciada neste trabalho, para que os conflitos, as
relaçõessociais,aspráticasdeinteraçãovenhamàtona,voltemafazersentido
nopresente,queseconstituicomotempohistórico,nosentidodeconhecermos
um pouco mais dos enredos de uma memória tão carente de estudo.
Palavras-chave: Literatura; Cultura; Amazônia.
64|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
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RETRATOS IMAGINADOS: A AMAZÔNIA NAS PÁGINAS DA
LITERATURA
Marcelo Sabino Martins (UNIR)
Resumo: Grandes e densas matas, animais silvestres, indígenas, aldeias,
silêncio,granderio,verde,imensidão...sãoalgumasdasimagens,formase
coresquepovoamoimagináriosobreaAmazônianoBrasilenomundo.Porém,
oretratoimaginadonaspáginasdaliteraturaamazônicanãocorresponde
apenasaessascores,formasesons.CinzasdoNorte,DoisirmãoseÓrfãosdo
EldoradosãoalgumasdasobrasdeMiltonHatoumqueapresentamum“outro”
retratodaAmazônia:porvezescinza,escura,barulhenta,urbana,devárias
etnias,transitória.Assim,propomoscomesteartigocontraporaideiadeuma
Amazôniaverde,desconhecida,comaAmazôniacinza,urbanadeManaus.A
AmazôniadoEldorado,daslendasedosmitos,comaAmazôniadosdesencontros,
damodernidade,damelancolia.QualdessasAmazôniasérepresentativada
realidadelocal?QualdessasAmazôniaséoresultadodeumretratoimaginado?
EsteéumtrabalhoquesesituanoâmbitodaHistóriaCulturalelevaemconta
oconceitochavede“representação”,talcomopropostoporRogerChartier
em“HistóriaCultural:entrepráticaserepresentação”.Asobrasliteráriassão
tomadascomofonte,sendoescolhidosparaanálisetrechosdeobrasdeumdos
autores amazonenses mais lidos da atualidade.
Palavras-chave: Amazônia; Literatura; Imaginário; Representação.
ALDÍSIO FILGUEIRAS E ARNALDO ANTUNES: DIÁLOGO SOBRE O
IMAGINÁRIO DA CIDADE
Maria das Graças Vieira da Silva (UFAM)
Resumo:Esteartigoapresentaumaanálisecomparativaentreapoéticade
AldisioFilgueiras,dolivronovasubúrbios,lançadoem2006,eadeArnaldo
Antunes em 2 ou + corpos no mesmo espaço, da Coleção Signos, lançado
em1997,pelaeditoraPerspectiva. Afundamentaçãoteóricabaseia-senas
concepçõesdecidadeenaimagemdacidadedeManausevocadanapoesiade
Aldísio,segundoAllisonLeão,em“Acidadequeexisteemnós”,bemcomo,nas
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 65
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
visõesliteráriasdourbanoapresentadasporSandraPesaventoemOImaginário
dacidade.EsteestudointegraalinhadepesquisaPoesiaemLínguaPortuguesa,
do Grupo de Estudos e Pesquisas em Literaturas de Língua Portuguesa
(GEPELIP).
Palavras-chave: Aldisio Filgueiras; Arnaldo Antunes; Poesia.
SESSÃO 26
Coordenadora: Priscila Gomes Rodrigues
O SAGRADO NOS CONTOS DE SOPHIA ANDRESEN E MAX
CARPHENTIER
Priscila Gomes Rodrigues (PPGL-UFAM)
Resumo:Osagradoacompanhaahistóriadahumanidade,conformeseobserva
nasorganizaçõessociais,inclusivenasproduçõestextuais.Otrabalhoconsiste
emrealizarumestudocomparadodoscontosdaautoraportuguesaSophia
deMelloBreynerAndresenedoautoramazonenseMaxCarphentierLuizda
Costa.Ointuitoéidentificarelementosquerepresentamosagradonoscontos
OjantardoBispo,daprimeira,e OsínodoemTefé,aascensão,dosegundo.
Trilharumconceitodesagradoemsuaessênciaébastantecomplexoeamplo,
maséprimordialentenderqueaabordagemcontidanoenredodoscontos
refere-seaumsagradocristão.Apartirdasíntesedecadaconto,oselementos
identificadosserãoanalisadoseinterpretadoscombasenaideiadosagrado
paraMirceaEliade,nolivroOsagradoeoprofano,eparaRogerCaillois,emO
homem e o sagrado.
Palavras-chave: Conto; Sagrado; Cristianismo.
66|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
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ANA HATHERLY E ALDISIO FILGUEIRAS: DUAS EXPERIMENTAÇÕES
Matthews Carvalho Rocha Cirne (UFAM)
Resumo: A literatura amazonense tem se mostrado inovadora devido ao
rompimentocomotradicionalismonofazerpoéticodealgunsescritores.
Juntamentecomodesvelamentodaurbanidadeemmeioàfloresta,verifica-sea
notoriedadedapalavraemumaperspectivametalinguística,ondeasexperiências
comaarteconcretainterligamospoemasdeAldisioFilgueirascomosdeAna
Hatherly,precursoradomovimentodePoesiaExperimentalemPortugal.Neste
contexto,seráanalisadaaformacomqueFilgueirasconstróiseuspoemas
através de experimentações com o concretismo e serão identificadas as
semelhançasentreosseuspoemaseosdapoetaportuguesa.Estetrabalho
estáfundamentadoem“TeoriadaPoesiaConcreta”,manifestodosautoresdo
concretismoAugustodeCampos,DécioPignatarieHaroldodeCamposeestá
inseridonalinhadeinvestigação“PoesiaemLínguaPortuguesa”doGrupode
EstudosePesquisasemLiteraturasdeLínguaPortuguesa(GEPELIP/UFAM).
Palavras-chave: Poesia; Experimentações; Concretismo.
A LÍRICA DE BACELLAR EM FORMA DE RONDEL
Giele Vieira dos Santos (UniNorte)
Resumo:OpoetaLuizBacellardevetercertificadopelosleitoresamazonenses
olugarpreponderantequelhecabenacriaçãoliterária.Areflexãoserá,aolongo
dosparâmetrosorientadoresqueaobraSoldefeiraofereceenaidentificação
dealgunsfatoresdeterminantesdamodernidade,noideárioestético-literário,
quedemandaráumapréviacontextualizaçãodenaturezahistórico-literária
dasuaprodução.Estudar-se-á,pelavisãosemiótica,asfrutasofertadasem
poesia.Éimportanteessaconsciênciaconsubstanciantequeenvolveapoética
inovadoraeclara,equesepropõeassentenaconsciênciadoleitoramazônico:
odeperceberospoderesdaartequeenvolveasvozes,ossabores,oscheiros,
os odores na feira, do pomar para a quitanda. O rigor formal foi herdado de
ondeestudou,emSãoPaulo,aliadoaosentirromânticopeloquerepresenta
suainfância:qualquerescritorsofre,maiscedooumaistarde,ofascíniodas
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 67
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suasorigens,eaescritasefazmemória.Pelaevocaçãodapaisagem,dolugar
edaatmosfera,Bacellarpõeapresença-memóriadasfrutasqueopomarse
ofertaesetransmudaemsensualidadefeminina.Éoquesepodeobservarem
seus poemas.
Palavras- chave: Luiz Bacellar; Poesia; Sensualidade; Memória.
SESSÃO 27
Coordenadora: Viviane Dantas Moraes
IDENTIDADESDESENRAIZADAS:DOISIRMÃOSEOCASOTODOROV
Viviane Dantas Moraes (Unama)
Resumo:OobjetivodestetrabalhoédiscutiraquestãodaIdentidadeculturalna
modernidade,apartirdaperspectivadoimigrante,questionandoaconfiguração
identitária e cultural no mundo globalizado. Deste modo, pensa-se na
representaçãodaidentidadeculturaldoimigrantenaliteratura,especialmente
nocenárioamazônico,apartirdaobraDoisIrmãos,deMiltonHatoum,onde
odesenraizamentogeraconflitosqueperpassamoslimitesdaidentidade.Por
outrolado,aexperiênciadocríticoliterárioeprofessorhúngaroTzvetanTodorov,
radicadonaFrança,sobreseuconflitoemtornodaaceitaçãodesuaprópria
identidadedeorigem,nosservirádeexemploparaengendraradiscussão.
Em autobiografia crítica, em que retrata seu processo de transculturação,
Todorovnosdáumadimensãorealeuniversaldodramadoimigrantequando
desenraizadodoseulocaldeorigem.Assim,temosdoisexemplosqueilustram
odebateemtornodaaquisiçãodeumanovaculturaeadecisãoemadmiti-la
enquantoprimeira,masporoutro,anãoadaptaçãoàculturaestrangeiragera
umentrave.ApartirdavisãodeautorescomoCancliniesuateoriasobreas
“culturashíbridas”edosociólogopolonêsZygmuntBauman,épossívelainda
refletir sobre uma questão primordial que é a identidade em si mesma.
Palavras-chave: Identidade; Todorov; Imigrante; Modernidade.
68|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
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A ARTE DE NARRAR EM RELATO DE UM CERTO ORIENTE
Fabricio M. Souza (PPGLA-UEA/SEDUC-AM)
Resumo: Este artigo pretende versar sobre como a arte narrativa oral é
representadananarrativadeficçãodoromanceRelatodeumcertoOriente
(2008),doescritorMiltonHatoum,partindo-sedoensaioOnarrador...[1936],
dofilósofoWalterBenjamin.Nesseensaio,Benjaminescrevequea“artedenarrar
estáemviasdeextinção”.Seelaestáemviasdeextinçãoporqueaspessoas
nãosabemmais“contar”,entãocomoreportaressaafirmação,examinando-a
àluzdeumtextoficcional-literário,maisapropriadamente,odenossareflexão?
Asreflexõespostasemdiapelofilósofonosdãoaentenderque,sejafazendo
comparaçõesdesemelhançasounãoentreanarrativaoraleescrita,ficaem
relevoqueoRomancepõedeladoessemododetransmitiraexperiênciadedar
eouvirconselhos(narrativaoral)emtrocadeumapergunta:sobreosentido
davida(relato).Tendoemseuinteriorpersonagensqueesboçamumatradição
oraldoOrienteeAmazônica,éumanarradoraanônimaquemdáoprimeiro
gestoquefundaanarração,representando-secomoorganizadoradosrelatos
queformamsuaprópriaperplexidadediantedossegredosdessahistória.
Palavras-chave: Narrador; Narrativa oral/escrita; Relato.
NARRAÇÃO, MITO E INFORMAÇÃO EM ÓRFÃOS DO ELDORADO
Elton Emanuel Brito Cavalcante (UNIR)
Resumo:Benjamin,emONarrador,afirmaqueaformadeexpressãoliterária
representativadoperíodopré-capitalistaeraaNarração.Estapermeava-sepor
mitos,osquaisconstituíamumsaberoralarmazenadonumamemóriacoletiva.
ComoCapitalismo,aNarraçãoforasubstituídapelaInformação,maiscélere,
menos moralizante. O homem deixara de crer no mito e passara a adorar a
Razão.Benjamin,entretanto,fazestaanálisesobumaperspectivaurbanae
eurocêntrica,comoseemoutrasregiõesnãohouvesseformasdistintasdese
narrarevivenciarosmitos.Estes,naAmazônia,porexemplo,segundoLoureiro,
constituem-seemfonteoraldesaber,fazendopartedoimagináriocaboclo.
Assim, em livros como Órfãos do Eldorado, de Mitton Hatoum, haveria a
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 69
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
manifestaçãofenomenológicadomito.Entretanto,comoocorrenessaobratal
manifestação?Representariaestaaformarealcomoosmitossãovivenciados
no meio rural ou reforça a visão racionalista e urbana de que os mitos são
apenascrendices?Hipótese:nolivro,mitoslocaismesclam-seaosdatradição
judaico-cristãemanifestam-secomoparteintegrantedapersonalidadedas
personagens.
Palavras-chave: Mito; Narração; Informação.
SESSÕES COORDENADAS
SC1 – EXPERIÊNCIAS LITERÁRIAS DE AUTORIA INDÍGENA
Coordenadora: Cynthia de Cássia Santos Barra
Resumo:FazempartedestasessãotrêstrabalhosdepesquisadorasdoGrupo
dePesquisaTransdisciplinarLiteraterras:escrita,leitura,traduções(FALE/
UFMG),atualizandoquestõesrelativasàspassagensculturais,àletra,àvoz,
aosdeslocamentosqueosconceitosdelivroedeexperiêncialiteráriasofrem
quandoemcontatocompoéticasindígenas.EmOLivroVivo,MariaInêsde
Almeidaacompanhaoprocessodeediçãodaspesquisasdosprofessorese
agentesdesaúdeKaxinawádoRioJordão,compreendendoaspectosdapoética
quemostramcomoostextosseligamcomosbichos,asplantas,o“espíritoda
floresta”,eatuamnacura(nisunemhatxakuinoulínguakaxinawá).Em“Livros
Maxakali:método,horizonteindígenaeexperiênciatradutória”,CinaradeAraújo
abordaaconvergênciadopoéticonosprocessostradutóriosenafeiturade
livrosesitecomaetniaMaxakali:Hitupmã’ãx(Curar),TikmuunMaxakaniYõg
MimãtiÃgtuxYõgTappet(OLivroMaxakalicontasobreaFloresta)eBiografias
Maxakali(emedição).Em“UmaliteraturaporvirYanomami”,CynthiaBarra
interrogaasarticulaçõespossíveisentretextos(mitos,poemaserelatos)de
autoria Yanomami publicados em português e a criação literária.
Palavras-chave:Autoriaindígena;Experiêncialiterária;Traduçãointercultural.
70|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
UMA LITERATURA POR VIR YANOMAMI
Cynthia de Cássia Santos Barra (UNIR/RO)
Resumo:AexistênciadeummovimentoliteráriodeautoriaindígenanoBrasil
contemporâneopareceserumfenômenoestéticoepolíticobastantecomplexo
(ALMEIDA,2004).Cadavezmaisevidentecomofenômenocultural,oslivros
da floresta têm sido pouco discutidos pela crítica literária especializada. A
presentecomunicaçãoalmejaessadiscussão,indagando:oquesabemos
sobreostextoscriativosdeautoriaYanomamiesuapenetraçãonoespaço
literário?Ajustamosnossoolharaoenquadramentodaspalavrascanibaisde
AntônioRisério:“Nãohápovoquenãoostente,noelencodosseussignosmais
expressivos,objetosdelinguagem,correspondentesaoque,emnossomundo,
chamamos poesia”(RISÉRIO, 1993 p. 25). Passamos à leitura de duas obras
escritas–MitopoemasYãnomam(1978)eAcriaçãodomundosegundoos
índiosIanomami(1994)–,eaosrelatosdeDaviKopenawapublicadosnaweb,
comoquemencontrapassagemabertaentremundos.Porumveiohistórico,o
sentidointensivodapalavraescritaadentrounaclareiraemmeioàflorestados
Yanomami.Quantoaossentidosextensivosdaescrita,comoatodeescrever
indígenaeaspossíveisórbitasdescentradasdalíngua/lógicacolonizadora,
apostamosnaemergênciadeumaliteraturadeautoriaYanomamiemnosso
mundo como “nó a desatar-se no olhar” (LLANSOL, 1997, p. 9).
Palavras-chave:LiteraturaYanomami; Livros da Floresta; Davi Kopenawa.
LIVROSMAXAKALI:MÉTODO,HORIZONTEINDÍGENAEEXPERIÊNCIA
TRADUTÓRIA
Cinara de Araújo Soares Iannini (Literaterras/UFMG)
Resumo: Reflexão sobre a prática do NúcleoTransdisciplinar de Pesquisa
Literaterras,designandoaconvergênciadopoéticonosprocessostradutórios
enafeituradelivroscomaetniaMaxakali.Apontamentossobretécnicasde
produçãoeediçãocoletivasdoslivrosHitupmã’ãx(Curar),TikmuunMaxakani
YõgMimãtiÃgtuxYõgTappet (OLivroMaxakalicontasobreaFloresta)edo
siteBiografiasMaxakali.Análisedaslinhasdepensamentoquesustentamo
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 71
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
métodoinprogressdoslaboratóriosinterculturais.Ressaltamos,nocontexto
de formação de professores indígenas, acaba-se formando também, e de
formacontundente,pesquisadoresnão-índios.“Nãoéaculturaqueprecisa
da poesia, para se enriquecer, é a poesia que precisa de uma cultura que a
permita.” (LOPES, 2003. p. 192). Uma inversão do olhar sobre o próprio
camporeflexivoquenosédado.AfrasedateóricaRodriguesLopesdeixa-nos
questões.Afinal,qualpoesiaanossaculturapermite/permitiu/permitirá?Os
inúmerosprocessosdetradução(linguística,intersemióticaeintercultural),
suassoluçõeseimpossibilidades,apontam-nosjustamenteparaesteponto.
Nãosetratasomentedeafirmarumadissemelhançaestética,masdegrafar
umaoutramaneiradehabitaromundoouosmundos.Permitir,semadulterar
e/ou domesticar, a potência indígena que perdemos.
Palavras-chave: Maxakali; Livros; Método tradutório; Literaterras.
O LIVRO VIVO
Maria Inês de Almeida (FALE/UFMG)
Resumo:NosentidodecontinuaraexperiênciadoNúcleoLiteraterrascom
astextualidadesindígenas,estamosrealizandoumtrabalhoqueconsiste
em acompanhar e editar as pesquisas dos professores e agentes de saúde
KaxinawádoRioJordãosobreocomplexopoético/narrativoqueenvolveseus
textoseseusprocessosdecuratradicionais.Aspesquisasdizemrespeitoao
universoconceitualdaAyauascaeaosensinamentosdaJibóia(Yube),naforma
comoseapresentamnosrituais,bemcomoàpossibilidadedetraduzi-lospara
alínguaportuguesa.Assim,as“medicinas”dopovohunikuin,oukaxinawá,
são ensinadas aos jovens pesquisadores por alguns mais velhos. Ensinam
asmedicinas(apalavraéusadaporelesequivalendoàsplantasmedicinais)
tradicionais,oscantos,onixipae,eosbanhos.Ocampoliterárioabre,assim,
espaço para conceber a ciência sem cindir: o canto e a biologia, a cura e a
funçãodaescrita.Pretendemos,apoiandoaediçãodoLivroVivo,organizado
peloPajéAgostinhoManduca,compreenderaspectosdapoéticaquemostram
como os textos se ligam com os bichos, as plantas, o“espírito da floresta”, e
atuam na cura (nisun em hatxa kuin ou língua kaxinawá).
Palavras-chave: Kaxinawá; Livro Vivo; Poética.
72|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
SC2 – NARRATIVA ORAL E IMATERIALIDADE: IMAGINÁRIO
INDÍGENA E GARIMPEIRO DE RORAIMA EM QUESTÃO
Coordenador: Devair Antônio Fiorotti
Resumo:Essasessãocoordenadaobjetivadiscutiraspossibilidadesdepesquisa
apartirdanarrativaoralgarimpeiraeindígena.Ostrabalhosapresentados
partemdedoisprojetosdepesquisasobacoordenaçãodeDevairAntônio
Fiorotti: Do diamante ao carvão, que registra e analisa narrativas orais dos
antigosgarimpeirosdalendáriaregiãodoTepequém,Roraima;eNarrativaoral
indígena: registro e análise na Terra Indígena do Alto São Marcos, esse
últimofinanciadopeloCNPQ.Apartirdessesprojetos,sãoapresentadosdois
trabalhos,umsobreoimagináriogarimpeiroeoutrosobreoimaginárioindígena
emcontatocomnãoindígenas.Ambosbuscamtrabalharcomessesaspectos
aprincípiodistintos,quetambémcompõemaspectosculturaisdeRoraima.A
metodologiadecoletaetrabalhodasnarrativaséoriundadaHistóriaOral,ea
análise ancora-se na perspectiva multidisciplinar dos Estudos Culturais.
Palavras-chave:Narrativaoralindígenaegarimpeira;Imaginário;Imaterialidade.
DO CLÁSSICO AO REGIONAL: UMA INVESTIGAÇÃO ENTRE AS
HISTÓRIAS CLÁSSICAS E AS NARRATIVAS INDÍGENAS DE RORAIMA
Ana Maria Alves de Souza (PPGL-UFRR)
Devair Antônio Fiorotti (UERR e PPGL-UFRR)
Resumo:SendopartedoProjetodePesquisaNarrativaOralIndígena:registro
eanálisenaTerraIndígenaAltoSãoMarcos-RR,opresentetrabalhoinvestiga
anarrativaoraldenominadaMariazinhaBorralheira,contadaporDonaArlene,
índiaMacuxidacomunidadeSabiá.Nessanarrativa,ainformantenarrauma
história com riqueza em detalhes literários que remete ao conto clássico
GataBorralheira.Assim,estacomunicaçãocentra-senoreconhecimentodas
semelhanças e diferenças entre a literatura clássica e a literatura regional
relacionadasaestahistória,umavezqueconhecimentoereconhecimentode
aspectosregionaissãoimportantesnavalorizaçãoculturaldospovosindígenas,
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 73
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
principalmentediantedoprocessodetransculturalização,quevêmsofrendo
tais povos.
Palavras-chave: Narrativa oral; Mariazinha Borralheira; Comparação.
OIMAGINÁRIODOGARIMPONACONSTRUÇÃODESUAPAISAGEM
Paulino Batista Neto (UFRR)
Devair Antônio Fiorotti (UERR e PPGL-UFRR)
Resumo:Ogarimpeiro,atualmente,éfiguraestigmatizadapordeterminados
segmentosdasociedaderoraimense,contudo,éelementoimportanteda
nossaculturaeda nossaidentidade,razãoquejustificaeste trabalho.Nele
procuramosrefletiracercadofenômenodoimagináriodogarimpeiroedesua
importânciacomoumdosrecursosparaaformaçãodapaisagemgarimpeira.
Paratanto,buscamosnarrativasoraisdeex-garimpeirosqueaindamoramna
regiãodoTepequém,alémdacontribuiçãodojornalistaLaucidesOliveira,que,
poralgumtempo,nadécadade50,testemunhouarelaçãodessesatoresnessa
região.Parareferendarestetrabalhotrazemostambémabordagensteóricas
quejustificamessarelaçãoentreohomemeomeiofísico,umavezcadaqual
atua e molda o outro.
Palavras-chave: Narrativas orais; Garimpeiro; Imaginário; Paisagem.
SC3 – IMATERIALIDADE, ORALIDADE E IMAGINÁRIO REFERENCIADOS NO PROJETO IFNOPAP
Coordenador: Maria do Socorro Simões
Resumo: O projeto IFNOPAP (O imaginário nas formas narrativas orais
popularesdaAmazôniaparaense),implantadonoantigoCentrodeLetras,da
UFPA,em1994,contacomumacervodemaisde5.300(cincomiletrezentas)
narrativasrecolhidasem118municípiosdoPará,comaparticipaçãodemaisde
2.000(doismil)informantes.Aolongodessesanosdetrabalhojáparticiparam
74|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
do projeto, 130 (cento e trinta) estudantes, responsáveis pela recolha de
depoimentoseproduçãodetrabalhosacadêmicos,emníveisdiferenciados.O
projetojáfoicontempladocommaisde80bolsasdeIC(UFPA/CNPq)econta
comumaproduçãoacadêmicarepresentativa:20DissertaçõesdeMestrado,
07TesesdeDoutorado,inúmerosTCCseMonografiasdecursoslatosensu,
16livrospublicados,maisdeoitentaartigosemlivroserevistascientíficas,
alémdeterpromovido16eventos,dealcanceregional(02),nacionais(12)e
internacionais(02).NoIIICOLÓQUIOINTERNACIONALPOÉTICASDOIMAGINÁRIO
—AMAZÔNIA:LITERATURAECULTURA,apresentar-se-áumaretrospectiva
dasprincipaisproduçõeseatividadesdoprojetoIFNOPAP,nestesdezoitoanos
de existência.
Palavras-chave: Narrativas; Amazônia; Imaginário; Cultura; Tradição.
IMATERIALIDADE,ORALIDADEEIMAGINÁRIOREFERENCIADOSNO
PROJETO IFNOPAP
Maria do Socorro Simões (UFPA)
Resumo: Há cerca de mais ou menos vinte anos, autoridades uniram-se a
estudiososepesquisadoresparareconheceremquehámuitomaisquepedrae
calcomoreferênciadopatrimônioculturaldahumanidade.Daí,aconsideração
daexistênciadeumpatrimônioculturalimaterialreferenciadoemelementos
intangíveis,masigualmenterepresentativosdohomem,noseupercurso
terrestre,materiaisestesidentificadosnastradições,nossaberes,naslínguas,
nasfestas,naslendasemitoseemoutrastantasmanifestações,transmitidas
degeraçãoemgeração.OprojetoIFNOPAPconstitui,comumacervodemais
de5.300narrativas,umdosmaiscarospatrimôniosimateriaisdaAmazônia
paraense,umavezqueneleseencontramreferênciasaohomemamazônida
emsuasmanifestaçõesmaisricasediferenciadas,queatendemdesdeoseu
particularimaginárioatéasuasobrevivência,“entreoRioeaFloresta”,deste
espaço indescritível.
Palavras-chave: Amazônia; Narrativas; Imaginário; Patrimônio imaterial.
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 75
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
PROJETO IFNOPAP: DO TRABALHO CIENTÍFICO DE DESIGNAÇÃO
TEMÁTICA DAS NARRATIVAS À PESQUISA DOS CASOS DE
METAMORFOSES EM BELÉM DO PARÁ
Natasha de Queiroz Almeida (UFPA/ CAPES)
Resumo:Diantedastranscriçõesde1.439narrativascatalogadasnoacervo,
oprojetoIFNOPAPassentouaimportânciadaorganizaçãodestasnarrativas
portemasetipostextuais,afimdeviabilizaroacessoeapesquisadopúblico
edacomunidadeacadêmicaaoacervodenarrativascoletadasnaAmazônia
paraense.Destafeita,osresultadosdoprévioestudotemáticoetipológico
dasnarrativasdoscampideAbaetetuba,deBelémedeBragançasinalizarama
relevânciaeanecessidadedoestudonarratológico,comênfaseàidentificação
deelementosligadosàmemóriaeàtradiçãodecomunidades,passíveisde
serem encontrados entre contadores de outroscampi da região que, sem
dúvida,possuemumcorpusdiversoesingular.Areferidapesquisaclassificatória
foirealizadanocampusBelém,comaleituraedesignaçãoteórico-metodológica
de 824 narrativas, assim como no campus Marajó que salvaguarda 122
narrativas. Mediante o estudo cabal de ambos oscampi, verificou-se que
umnúmeroconsideráveldenarrativas,asaber,20%destas,apresentamo
dilemadametamorfosecomotema.Considerou-se,portanto,aimportância
doprosseguimentodesseviésdepesquisadecunhostrictusensu,cujofoco
presentificaosdiálogosqueasmetamorfosescirculantesnaAmazôniaparaense
estabelecemcomosmitosgregosclássicosdemetamorfose,comaverificação
dos índices de memória presentes nestes mitos.
Palavras-chave: Narrativa; Tema; Metamorfose.
SANTA CRUZ DO ARARI: MITO COMO REFERÊNCIA DE IDENTIDADE
Rosa Bentes (UFPA)
Resumo: Este trabalho trata de um relato de experiência sobre o estudo
desenvolvidocomacomunidadedeSantaCruzdoArari-Marajó.Oobjetivodo
estudofoiadentrarnaspeculiaridadesconstituintesdeumimagináriocoletivo
herdadodoancestralíndio,aliadosaoambientefísicoedodesenvolvimento
76|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
culturalqueseprocessounaregião.Nesseestudo,apresentam-seasrelações
e significações subjacentes nas histórias de vaqueiros e pescadores da
comunidadesanta-cruzense,utilizandoosconceitosdeimaginárioesímbolo,de
Gilbert Durand (1997), e de oralidade, segundo Paul Zumthor (1993).
Palavras-chave: Vozes caboclas, superstição, fenômenos climáticos.
MEMÓRIA E TRADIÇÃO EM MONUMENTOS ORAIS
DA AMAZÔNIA PARAENSE
Antonia Priscila Fernandes Araújo (UFPA)
Alex Dax de Sousa (UFPA)
Resumo:Esteestudoapresentaaidentificaçãodeíndicesquerefirammemóriae
tradiçãoamazônicas,emnarrativasoraisdeBragança,fazendoumaabordagem
analíticacircunstancialdasnarrativascoletadasnoreferidomunicípio,pelo
projeto de pesquisa IFNOPAP (O Imaginário nas Formas Narrativas Orais
PopularesdaAmazôniaParaense).Pretende-seumainvestigaçãodarecorrência
de tais índices na dinamicidade das relações entre indivíduos e hábitos,
costumes,tradiçõeseideologiasqueseentrecruzamnosfazeresindividuale
coletivodoamazônidaparaense,evidenciadosemtaisnarrativas.Aotratara
memóriacomoprocessocontínuo,nãolinear,cheiodeconexõesqueformamum
todosignificativo,compreende-sequeestefenômenoatua,emcolaboraçãocom
atradiçãooral,paraamanutençãodeumaidentidadecultural,considerando,
para tanto, o aspecto temporal que marca tal processo. Neste sentido, as
narrativasoraisdeBragançaconsistemumcorpusdeanáliseoportunoparao
estudooraproposto,namedidaemqueresgatamelementosdahistóriados
primeirospovosemcontatocomaformaçãodeumaidentidadelocal,durante
eapósoperíododecolonizaçãopeloqualpassou.Conclui-se,então,que,além
depossibilitaraidentificaçãodoselementossupracitados,esteestudopode
servircomobaseparaaverificaçãodoexercíciodatradiçãooral,constanteno
cotidiano dos povos da Amazônia Paraense.
Palavras-chave: Narrativa oral; Memória; Tradição.
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 77
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
A SOBREVIVÊNCIA DE TEMAS MEDIEVAIS EUROPEUS EM
NARRATIVAS ORAIS DA AMAZÔNIA PARAENSE
Priscila Oliveira Ramos (UFPA)
Resumo: O corpus do projeto IFNOPAP possui um acervo extremamente
ricodenarrativasoraiscaracterizandooqueSocorroSimõesafirmaserum
“modosupremodaexperiênciadevida”noqualsevêhomensdividindosuavida
entreorioeafloresta,transmigrandoparamundosnosquaisexistemseres
encantadoscomquemtambémdividemsuavidaesuasexperiências.Nesse
sentido,Simõesafirmaser“indispensávelqueselembredaherançarecebida,
pela narrativa escrita, das formas de produção oral da Grécia antiga e o do
NortedaEuropa”,ressaltando-sequesetratadeumaarteverbal,que,umas
vezes,serevelanasuaformaoraleoutras,nasuafeiçãoescrita.Valeressaltar
queessasproduçõesoraisseapresentamtambémcomoumdepoimentovivoda
presençadocolonizadordentrodoEstadodoPará.Dessaforma,tendo-seum
contatomaisaprofundadocomasnarrativasdessecorpus,percebe-se,dentre
outrosaspectos,oquãosãorecorrentesressonânciasmedievaiseuropeiasnas
“narrativasoraisparaenses”.Comisso,pretende-se,nestecolóquio,fazeruma
comunicaçãonaqualserãoabordadastaiscaracterísticasprópriasdacultura
desses povos estrangeiros dentro do imaginário amazônico.
Palavras-chave: Narrativas; Medievalismo Europeu; Memória, Tradição.
PAINEL MIDIÁTICO: UM OLHAR NO PASSADO COM OLHOS NO
PRESENTE E FUTURO DO PROJETO IFNOPAP
Eurico Lucas Cruz Bezerra (UFPA)
Lázaro Klenner de Paiva (UFPA)
Maria do Socorro Simões (UFPA)
Resumo:OprojetoIFNOPAPdesdeasuaconcepção,contribuiu,primeiramente,
paraaformaçãodeumcorpusrepresentativodedepoimentoscomnarrativas
oraispopulares,e,posteriormente,oacervotransformou-seemimportante
fontedepesquisaedeproduçãocientífico-acadêmicaparainúmerostrabalhos,
emníveisdiferenciados,desdecomunicações,emeventoslocais,aconferências
78|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
emesas-redondasem encontros locais,nacionaiseinternacionais;desde
produçãomonográfica,nagraduação,atétesesdeDoutorado.Desde2006,
tem-setrabalhadonaorganizaçãodeumabasededadosdoacervoIFNOPAP,
com o objetivo de digitalizar as narrativas, ainda em base analógica, e
disponibilizaressematerialparaasfuturaspesquisas,considerandoumabase,
apartirdasmaisdecincomilnarrativasrecolhidas.Essetrabalhoderecolha
e posterior tratamento das narrativas orais feitas pelo projeto IFNOPAP ao
longodessesdezesseisanosseráexpostopormeiodeumpainelmidiático,com
fotos,vídeos,bannereseaapresentaçãodeumdocumentárioproduzidoem
umdoseventos.Aexposiçãodotrabalhomostraráaretrospectivadoseventos
etrabalhosjárealizadospeloprojetonessesanos“navegandoentreorioea
floresta”,comexplicaçõesinterpessoaisnodecorrerdoevento.Essaexposição
pretendemostraroscaminhostrilhadospeloscomponentesquejuntamente
comprofessoraSocorroSimões,fizeram(eaindafazem)doprojetoIFNOPAP
umdosmaioresemaisimportantesprojetosdepesquisaeextensãoemcurso
na Universidade Federal do Pará.
Palavras-chave: Narrativas; Amazônia; Imaginário; Cultura; Tradição.
SC4 – QUESTÕES SOBRE IDENTIDADE: (DES) ENCONTROS
IDENTITÁRIOS NA AMÉRICA LATINA AMAZÔNICA E CARIBENHA
Coordenadora: Maria Helena Valentim Duca Oyama
Resumo:Asessãocoordenada“Questõessobreidentidade:(des)encontros
identitáriosnaAméricaLatinaAmazônicaecaribenha”temoobjetivodiscutire
apresentarreflexõesacercadatemáticaidentidade,levandoemconsideração
conceitos(re)elaboradoseobrasliteráriasdeintelectuais/ficcionistasdesta
região,ligadosaos encontrosdeculturas.Conceitoscomotransculturação,
crioulizaçãoehibridaçãoalimentamasdiversasrepresentaçõesdohomem,dos
lugares,daspaisagensedosdiscursosquedialogamcomoutrasconstruções,
outrosimaginários,tendoemvistanovosrecursosliteráriosutilizadosnaficção
contemporâneadaAméricaLatina,maisespecificamentedaAmazôniaedo
Caribe.
Palavras-chave: América Latina; Identidade; Cultura; Transculturação,
Romance Contemporâneo.
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 79
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
CONSIDERAÇÕES SOBRE IDENTIDADES EM QUAND LES MUR
TOMBENT: L´IDENTITÉ NATIONALE HORS LA LOI?
Maria Helena Valentim Duca Oyama (UFRR)
Resumo:OensaioQuandlesmurstombent:l´identiténationalehorslaloi?,
deEdouardGlissantePatrickChamoiseau(2009),retomaquestõesiniciadas
porelesmesmosnosanos1990sobreidentidades.Partindodasconsiderações
dessesautores,estacomunicaçãopretendediscutiraspectosteóricosque
envolvemoimagináriocaribenhoapartirdanoçãodecrioulização,elaboradapor
Glissant,quenosconvidaavalorizaradiversidadepoéticanaregiãoamazônica
enomundo.Anoçãodecrioulizaçãonospermiteconsideraraspossibilidades
deaproximaçõesliteráriasentreoCaribeeasAmazônias,resguardandoas
opacidades regionais, locais.
Palavras-chave:Identidades;Crioulização;AméricaLatina;Amazônias;Caribe.
REFLEXÕES SOBRE A NARRATIVA CONTEMPORÂNEA EM ERA UMA
VEZ O AMOR MAS TIVE QUE MATÁ-LO
Aline Cavalcante Ferreira (IFRR/PPGL-UFRR)
Resumo:Apresentecomunicaçãotemointuitoderefletirsobreoselementos
constitutivos da estrutura narrativa contemporânea a partir da análise do
romanceEraumavezoamormastivequematá-lo,doescritorcolombiano
EfraimMedinaReyes.Paratanto,verifica-secomooautorvaidesconstruindoo
texto,abalandoascaracterísticasdoromancetradicionalpormeiodoemprego
denovosrecursosliterários,própriosdoromancecontemporâneo.Estaanálise
procuraseefetivartendocomofundamentaçãoteóricaasconsideraçõesde
Anatol Rosenfeld e ErwinTheodor Rosenthal sobre o romance moderno
Palavras-chave: Efraim Medina Reyes; Romance moderno; Identidade;
Fragmentação; Polifonia.
80|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
A ABORDAGEM TRANSCULTURAL INDÍGENA
NA NARRATIVA DE ARGUEDAS
Leidejane Machado Sá (PPGL-UFRR)
Resumo:AAméricaLatinaconstituiumimensocenáriodediversidadecultural,
dadaaaltataxademiscigenaçõesdentrodocontinente.Consideradoum
paísmultiétnico,oPerucontacomaproximadamente73%decontribuição
indígenaparaaformaçãodesuapopulação.Nessecontexto,umdosgrandes
representantes da palavra latino-americana do século XX e renovador da
literaturadeinspiraçãoindigenista,cujasobrasmaisrepresentativastematizam
aquestãoculturalindígena,JoséMaríaArguedas,tratadosconflitosculturais
doindígenaperuano.Considerandoessadinâmicainterculturaldocontinente
latino-americano,entende-sequeArguedas,aoabordarafiguraindígena,nos
brindacomumapossibilidadedeanalisaresseeoutroscenários,aparentemente
compostos por elementos similares, como por exemplo, países latinoamericanosqueconcentremgrandevariedadedeetniasindígenas.Apartir
daabordagemqueoautorfazemtornodoespaçoocupadopeloíndio,tanto
físico,social,culturalouidentitário,Arguedasnosinstigaparaumainvestigação
baseadaprincipalmentenaideiadeidentidadeedoreconhecimentodosujeito
inseridoemculturashíbridas.Portanto,pretende-seanalisarcomooautor
peruanoapresentaopersonagemindígenaecomoestesedesenvolvedentro
da narrativa, considerando sua identidade nacional e cultural.
Palavras-chave: América Latina; Identidade; Cultura; Transculturação.
SC5 – LITERATURA EM RORAIMA: RECEPÇÃO, REPRESENTAÇÃO
CULTURAL E ENSINO
Coordenador: Roberto Mibielli
Resumo:Apropostainicialdestasessãocoordenadaédiscutirosprocessos
derecepçãoederepresentaçãoculturaldaliteraturalocal,alémdeanalisar
parcialmente o ensino da literatura na Cidade de BoaVista, RR. O primeiro
trabalhoaserapresentadotratadarecepçãodaproduçãolitero-musicaldo
MovimentoRoraimeira(movimentoculturaliniciadoem1984,quebuscou
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 81
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
discutir o problema da identidade roraimense) entre leitores de escolas
públicasdeensinomédiodaCidadedeBoaVistaqueiniciaramsuavidaescolar
naprimeiradécadadoséculoXXI.Essacomunicaçãotemoseguintetítulo:
MovimentoRoraimeira:ProcessosdeRecepção.Osegundotrabalhoabordao
conhecimentoliteráriodosalunosdeensinomédiodaCidadedeBoaVista,e
temoseguintetítulo:AspectosIdentitários:conhecimentoliteráriodosalunos
deensinomédiodeBoaVista,RReprocuramostraroperfilidentitáriodestes
alunos a partir de suas escolhas literárias. O terceiro trabalho, com o título:
OEnsinodeLiteraturaemBoaVista-RR:ApredizagemLiterárianasEscolasde
Ensino Médio apresenta dados relacionados a um breve
‘ estudosobrecomoo
ensinodeLiteraturaérealizadopelosprofessoresdasescolasdeensinomédio
e como isso contribui ou não para a formação de uma imagem do literário.
Palavras-chave:LiteraturaLocal;EstéticadaRecepção;EnsinodeLiteratura.
ASPECTOSIDENTITÁRIOS:CONHECIMENTOLITERÁRIODOSALUNOS
DE ENSINO MÉDIO DE BOA VISTA, RR
Roberto Mibielli (PPGL/UFRR)
Resumo: Nossa pesquisa Literatura e Ensino em Roraima: o cânone e a
invençãoescolardaAmazônia,fomentadapeloCNPq(emsuaprimeiraetapa
viaeditaldeCiênciasHumanaseSociaisAplicadaseemsuasegundaetapa
através do edital Universal) procura, entre outras coisas montar o perfil
identitáriodealunosdeensinomédiodaCidadedeBoaVistaapartirdesuas
escolhasliterárias.Intitulado:AspectosIdentitários:conhecimentoliteráriodos
alunos de ensino médio de BoaVista, RR, este trabalho, recorte do projeto
maior,buscaobservarqueimagemdoliterárioéconstruídanoimaginário
destesalunosequalosautoresapartirdosquaisestaimageméformulada,
procurandoperceberseosautorescitadospertencemaummodelocanônico
de literatura nacional. Discutimos, entre outras coisas, que aspectos das
escolhasapontadasrefletemumsaberconstituídoapartirdoespaçoescolar,
qualéopanoramadestaimagem,comoelainfluinaconstruçãodaidentidade
e,emcasosemqueprevalecemasescolhaspessoais,queimagemdoliterário
estesalunostrazememsuabagagemextra-escolar.Adiscussãodaconstrução
82|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
deummodelocanônicooriginadonosbancosescolarestambéméobjetodeste
trabalho,namedidaemqueocorpusanalisadopertenceaouniversoescolar.
Palavras-chave:Literatura;Cânone;ImagemdoLiterário;LiteraturaeEscola;
Identidade.
MOVIMENTO RORAIMEIRA: RECEPÇÃO E IDENTIDADE
Suênia Kdidija Araújo Feitosa (PPGL-UFRR)
Resumo:Apropostainicialdestacomunicaçãooralédiscutirosprocessosde
recepçãodaliteraturalocal,especificamentedoRoraimeira(movimentocultural
iniciadoem1984,quebuscoudiscutiroproblemadaidentidaderoraimense),
entreleitoresdeescolaspúblicasdeensinomédiodaCidadedeBoaVistaque
iniciaramsuavidaescolarnaprimeiradécadadoséculoXXI.Nessesentido,
discute-searecepçãodessaproduçãolocalemtrêsaspectos:identificação,
apropriação e construção identitária. Uma das questões analisadas é a
seguinte:passadosmaisdeduasdécadasdoiníciodoMovimentoRoraimeira,
quealgunspesquisadoreslocaisapontamcomoumdosprincipaisproponentes
daconstruçãodeumaimagemidentitáriadeRoraima,quaisrepresentações
destaidentidadeefetivamentepermanecemnoimagináriodenossosjovens
estudantesdeensinomédio?Éimportanteressaltarqueestetrabalhosevolta
paraaspectosreceptivoseidentitários,semmargensparaquestõesdidáticopedagógicas.
Palavras-chave: Estética da Recepção; Literatura Local; Identidade.
O ENSINO DE LITERATURA EM BOA VISTA-RR: APRENDIZAGEM
LITERÁRIA NAS ESCOLAS DE ENSINO MÉDIO
Herica Maria Castro dos Santos (PPGL-UFRR)
Resumo:Estetrabalhoapresentadadosimportantesnoquetangeoensinode
LiteraturapraticadoemBoaVista–RR.Apesquisaenfatizouprincipalmenteo
papeldoprofessor.Foramvisitadas21(vinteeuma)escolasdeEnsinoMédio
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 83
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
regular,aamostradapesquisafoide15(quinze)educadoresqueatuamnas
disciplinasdeLínguaPortuguesaeLiteratura.Asinformaçõesapresentamum
breveestudoteóricosobreoensinodeLiteratura,descrevendoasconcepções
doensinoeumbreveretrospectohistórico.Nasequência,descrevooqueos
documentosbalizadoresdoensinodeliteraturaregemnosúltimosanos,eao
final,relatoosdadoscoletadosnapesquisarealizadacomosprofessores.As
informaçõesdemonstramarealidadevivenciadaporumaparcelasignificativade
educadores roraimenses.
Palavras-chave:EnsinodeLiteratura;EstudosLiterários;Formaçãodeleitores.
SC6 – LITERATURA E FILOSOFIA II – MITO E FILOSOFIA
Coordenadora: Maria do Socorro da Silva Jatobá
Resumo:Desdeaantiguidadeclássica,afilosofiasedebruçasobreosmitosafim
deinvestigá-los,analisá-loseteorizá-los.Nossopropósitoé,pois,apresentar
algunsmitosealgumasreflexõesfilosófico-literáriassobreosmesmos,afimde
estabelecermosumamplodebatecomáreasafinseprovocarmos,dessemodo,
umareflexãosobrealgunsaspectosdamitologiaamazônica,ressaltandosuas
característicaprincipais,desenvolvendoumacategoriamínimadeanáliseede
conceitosfundamentaisaseremtematizadoseexploradospelospesquisadores
dotema.Demonstrarsuariquezaecomplexidadeapartirdoexameereflexão
sobreumaliteraturaindígenavivaericaqueestáemprocessodeconstrução
edesenvolvimento,ocupandopoucoapoucoocenárioliterárionacionalé,
também, uma das tarefas que nos propomos a realizar.
Palavras-chave: Mito; Mitologia; Escrita e Oralidade.
SERES QUE VÊM DA MATA: UMA LEITURA DO MITO TIKUNA
Maria do Socorro da Silva Jatobá (UFAM)
Resumo:Otrabalhotemporobjetivoapresentarumateoriadomitoefazer
umaanálisedosmitosdoCurupiraedoMapinguariconformeapresentadono
84|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
LivrodasÁrvores,elaboradopormembrosdaetniaTikuna.Namedidaemque
CurupiraeMapinguariseconfiguramcomoprotetoresdaflorestaedouniverso
queaconstitui,nossaleiturapretendeexploraroconceitodevidaedegente
queatuamcomoumaespéciedesubstratofundamentaldasatividadeseda
natureza desses dois seres.
Palavras-Chave: Mito; Mitologia; Antropologia; Oralidade.
SOBRE HOMENS E PEIXES NA MITOLOGIA AMAZÔNICA
Marilina Conceição Oliveira Bessa Serra Pinto (UFAM)
Resumo: O trabalho pretende mostrar a relação de proximidade entre os
homenseospeixesnamitologiaamazônica,sobretudo,quandosetratados
mitoscosmogônicos.Tomaremoscomoobjetodeanáliseasnarrativasdedois
povosdistintosquevivemnaAmazônia,osticuna,cujaterraindígenasituase na região do Alto Solimões e os tukano que vivem na região do Alto Rio
Negroedemaisafluentes.Otrabalhocomparativodestasnarrativasconfirma
asrecorrênciasnorepertóriotemáticodosmitosqueemborasejamuniversais
semanifestamdediferentesmodosemcontextossociaisdistintos.Nestecaso
oenfoqueserádadoaosimbolismoaquáticoquefiguracomoumdosprincipais
na constituição do imaginário amazônico.
Palavras-chave: Simbolismo aquático; Homens; Peixes; Mitologia.
ACOMPREENSÃOEREPRESENTAÇÃODOSASTROSPELOSWAHARI
DIPUTIRO PORÁ, OS AVÔS DO MUNDO DESANA
Lucas Jatobá do Lago (UFAM)
Resumo:Orecentedesenvolvimentodocampodasetnociênciaseapublicação
deobrassobrepopulaçõesindígenasregionais,proporcionaaelaboraçãode
estudosantropológicosrelacionandosaberesepráticastradicionaisàdiversas
áreasdoconhecimento.Aelaboraçãodesteestudoobjetiva,então,analisare
compreenderarelaçãoentreaetniaDesana,eseuconhecimentosobreos
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 85
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
céus,eseussaberesepráticascotidianas.Paratanto,foiutilizadametodologia
qualitativa baseada somente na leitura de textos, principalmente da obra
“BueriKãdiriMaririye:Osensinamentosquenãoseesquecem”,quedescreve
osistemaderepresentaçãoastronômicaDesanaeaestruturadocicloanual
queseconstróiapartirdele.Comoresultadoobteve-seumaanálisedosistema
derepresentaçãoastronômicaDesanaedosaspectossócio-culturaisaele
relacionados,alémdeconclusõesacercademetodologiasdepesquisaede
construçãodoconhecimento,relacionandoautoresclássicosecontemporâneos
do campo das ciências sociais.
Palavraschave:Desana;Etnoastronomia;Antropologia;Mitologia;Cosmologia.
BANNERS
O ASPECTO LIBERTÁRIO NOS VERSOS DE ASTRID CABRAL E LUIZA
NETO JORGE
Carolina Alves Ferreira de Abreu (UFAM)
Resumo:Nestebanner,objetivamosfazerumestudodirecionadoàcomparação
entreopoema“SemMaquilagem”,presentenaobraLiçãodeAlice,dapoetisa
amazonenseAstridCabral,eopoema“Minibiografia”,inseridoemALume,da
portuguesaLuizaNetoJorge.Estapropostatemcomointençãoconsiderar,por
meiodeumalinguagempoéticaeparticular,oespíritorevolucionárioelibertador
tratadopeloseu-líricosdosdoispoemas,abordandodeformacontestadorao
universofemininoadversoaoscostumesvigentesdecadamomento:amulher,
comoumindivíduomoldadoàscondiçõessociaisdevidamenteimpostasaela,e
aliberdadedoser,condiçãohumanaopostaàsubmissãooudomíniodeoutro.
Paraisso,utilizamoscomofundamentaçãoteóricaacríticatemáticaquepropõe
a investigação da relação do sujeito com o mundo.
Palavras-chave: Crítica temática; Literatura Comparada; Liberdade.
86|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
MEMÓRIA,UMAEMOÇÃOQUESEFORTALECEAOLONGODOTEXTOE
DO TEMPO
Matheus José Santos da Silva (UF AM)
Resumo:Nestebanner,propõe-sefazerumaanálisetemáticaecomparada
entre o poema“Soneto”, de autoria da poetisa Astrid Cabral, presente em
“Copo de Mar”, primeira parte do livro Rasos d’Água, e o poema“Poema ao
filho”,doautorportuguêsJorgeReis-Sá,inseridanoseguimento“Caminhode
Candeeira”dolivroBiologiadoHomem,arespeitodarelaçãoafetivaefamiliar.
Comofundamentaçãoteórica,seráempregadaaideiadememóriadiscutida
pelofilósofofrancêsHenriBergsonnolivroMemóriaeVida–textosescolhidos,
enfatizandoosegundocapítulodaobra,“Amemóriaouosgrauscoexistentes
daduração”,noqualoautorescrevequeessefenômenosemanifestanaarte
emdecorrênciadaexplosãodeintensasemoçõesimaginadasoureinventadas,
as quais estão correlacionadas à vivência.
Palavras-chave: Análise temática e comparada; Memória.
UM FLÂNEUR NAS MUITAS CIDADES
Stéphanie Rodrigues da Cunha (UFAM)
Resumo:Nestebannerobjetivamosidentificaraimagemdialéticadoflâneur
naobra“Arepúblicamuda”,dopoetaamazonenseAldisioFilgueiras,tendoem
vista as observações críticas que o autor expõe sobre a cidade de Manaus,
vítimadosrecentesprocessosdeurbanizaçãoeindustrializaçãopromovidos
pelamodernidade,empregandocomofundamentaçãoteóricaotextodeWalter
BenjaminCharlesBaudelaireumlíriconoaugedocapitalismo,complementada
com o comentário de Ricardo Maia sobre a obra em questão, objeto desta
pesquisa.EsteestudointegraasinvestigaçõesdoprojetoFiodelinhodapalavra
do Departamento de Língua e Literatura Portuguesa (DLLP) – UFAM.
Palavras-chave:AldisioFilgueiras;Flâneur;WalterBenjamin;Modernidade;
Manaus.
LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:Literatura
e Cultura.| 87
UniversidadedoEstadodoAmazonas-CátedraAmazonensedeEstudosLiterários
88|LivrodeResumos:IIIColóquioInternacionalPoéticasdoImaginárioAmazônia:
Literatura e Cultura.
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Caderno de Resumos do III Colóquio - uea