Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos DESENVOLVIMENTO DE UM SISTEMA DE AQUISIÇÂO DE DADOS PARA AGILIZAR O EMPREGO DO ENSAIO DE CORRENTES PARASITAS EM TROCADORES DE CALOR Ricardo de Oliveira Carneval PETROBRAS S.A. Trabalho apresentado no XXI Congresso Nacional de Ensaios Não Destrutivos, Salvador, agosto, 2002. As informações e opiniões contidas neste trabalho são de exclusiva responsabilidade do(s) autor(es) . Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos SINÓPSE A inspeção de trocadores de calor para detecção de processo corrosivo emprega principalmente a técnica de correntes parasitas. Um trocador de calor possui um número de tubos ao redor de 500 com comprimento na faixa de 4 a 10 metros. A velocidade de inspeção para um deslocamento de sonda máximo normalizado é algo como um tubo por minuto. Para atender a essas condicionantes e apresentar um laudo rápido que permita ao pessoal de manutenção agilizar as soluções que coloquem o trocador de volta em operação num prazo o mais curto possível é importante que o ensaio conte com o apoio computacional na avaliação dos resultados do ensaio nãodestrutivo. Esse trabalho mostra os esforços realizados pelo grupo de inspeção da gerência de materiais e equipamentos do centro de pesquisas da PETROBRAS, no intuito de desenvolver um sistema computacional para agilizar a apresentação dos resultados do ensaio de correntes parasitas na inspeção de tubos de trocadores de calor. Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos 1. Introdução A busca incessante por métodos ou processos mais rápidos, mais precisos e com menores custos é a razão de ser da engenharia. A atividade de ensaios não-destrutivos é uma atividade, que na maioria das situações, demanda tempo para sua realização. Normalmente o elemento sensor (sonda ou transdutor) tem uma dimensão reduzida (para aumentar a sensibilidade da técnica) e precisa ser movido por todas as regiões do equipamento a inspecionar. Esforços têm sido feitos no intuito de desenvolver técnicas de inspeção que permitam uma avaliação mais global do equipamento, mas infelizmente, os métodos até hoje apresentados possuem sensibilidade reduzida (comparada às técnicas pontuais) em virtude da maior região de cobertura. Uma etapa muito importante da atividade de inspeção de equipamentos é a confecção do relatório de ensaios não-destrutivos. Da perfeita retratação da situação real existente no equipamento é que a conseqüente avaliação de integridade e a tomada de decisão quanto a reparo serão mais bem executadas. No entanto, quem trabalha nessa área não tem duvidas ser essa etapa também extremamente consumidora de tempo. A agilização do processo de coleta de informações é uma tarefa complicada visto que mesmo com a grande evolução da microinformática ela depende da mecanização do processo de movimentação da sonda que infelizmente não teve uma evolução tão acentuada quanto a eletrônica e a informática. Já a documentação esta sim pode ser bastante automatizada, pois passamos dos velhos formulários impressos para emissão de relatórios para os bancos de dados em computadores onde mesmo imagens podem ser catalogadas. Dessa forma é nessa área (emissão de relatórios) que procuraremos mostrar nesse trabalho as possibilidades de aumento de velocidade no processo. A inspeção por correntes parasitas de feixes tubulares de trocador de calor deve atender prioritariamente as seguintes questões feitas pelo responsável pela integridade do permutador: - quais tubos, e em qual quantidade, devem ser substituídos ou retirados de operação (“plugueados”). Em outras palavras, quais tubos apresentam perda de espessura de parede acima de um valor pré-estabelecido (usualmente 50%); - qual o lado da parede do tubo no qual o processo corrosivo de deterioração se originou (interno ou externo); - existe uma localização preferencial para ocorrência do dano, na seção transversal (posição no espelho) e/ou longitudinal (ao longo comprimento do tubo) do feixe; - qual o tipo de fenômeno de dano presente (trincamento, corrosão alveolar, corrosão pitiforme, etc...). O ensaio de correntes parasitas tem perfeitas condições de fornecer respostas para as três primeiras perguntas e alguma dificuldade de responder a última, pois vejamos: - o ensaio se baseia na introdução de corrente elétrica (induzida, parasita) no trecho do tubo inspecionado e a redução de espessura causada pelo processo corrosivo provoca perturbações nessa corrente, podendo ser medida e localizada, figura 1; Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos - a sonda é introduzida a partir de um espelho de referência (fixo ou flutuante) em todo o comprimento do tubo e durante a extração da mesma os sinais gerados são registrados, foto 1; Figura 1 – Princípio do Ensaio de Correntes Parasitas Foto 1 – Inspeção de Tubo de Feixe de Trocador de Calor por Correntes Parasitas. - as componentes horizontal (x) e vertical (y) do sinal (sistema de coordenadas cartesianas) indicam a amplitude e fase dos sinais (sistema de coordenadas polares), figura 2; Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos Figura 2 – Sinal do Ensaio de Correntes Parasitas - a amplitude do sinal da indicação permite definir (procedimento de ensaio) a necessidade do seu registro e a fase permite definir a posição da descontinuidade em termos de lado da parede (interna ou externa, curva de calibração), figuras 2 e 3; Figura 3 – Tubo de Calibração e Curva de Calibração. Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos - a posição das indicações nas componentes do sinal (x e y) indica a localização da descontinuidade no comprimento do tubo, figuras 2 e foto 2; Foto 2 – Localização da descontinuidade com base nas componentes do sinal. - é comum o relatório de inspeção apresentar a compilação dos resultados do teste sob a forma gráfica, no qual empregando um padrão numérico ou de cores a máxima redução de espessura dos tubos é indicada, figura 4. Figura 4 – Resultados da inspeção por correntes parasitas em trocador de calor apresentado sob a forma gráfica Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos 2. A Planilha Eddy_Trocador A distribuição ou posicionamento dos tubos no espelho de um trocador de calor atende a uma organização (coordenadas cartesianas: x, y) em tudo semelhante às tabelas informáticas, planilhas eletrônicas ou do inglês “spreadsheets”. Conforme já citado anteriormente utilizaram-se os recursos dos programas de planilha eletrônica para tentar agilizar a emissão de relatórios de inspeção por correntes parasitas de feixes tubulares de trocadores de calor. No caso desse trabalho empregou-se o programa Microsoft Excel na sua versão 2000. Passa agora a descrever os detalhes da planilha, chamada Eddy_Trocador, desenvolvida. As planilhas Excel podem ser subdivididas em outras sub-planilhas e/ou gráficos e esse é caso da aqui apresentada. A primeira sub-planilha a ser preenchida antes da realização da inspeção é a denominada Especificação, figura 5, nela estão contidas as principais informações relevantes à inspeção do trocador de calor: - características dos tubos (material, especificação, com ou sem costura, diâmetro externo, espessura, comprimento, tubo reto ou em “U”); - características do feixe (TAG number, tipo de empilhamento, número de passes, número e posições das “chicanas”); - características dos produtos internamente e externamente aos tubos; Figura 5 – Sub-planilha Especificação. Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos - parâmetros de calibração do ensaio (freqüência, ângulo de fase, ganho eletrônico, escala do osciloscópio ou tela); dados reais para construção da curva de calibração (reduções de espessura das descontinuidades do tubo de calibração e respectivas amplitudes e fases dos sinais correspondentes). A montagem dos tubos no espelho de um trocador de calor pode atender a um dos três tipos de empilhamentos possíveis, figura 6: - quadrado (os tubos de uma fileira estão sempre sobre ou sob os tubos das fileiras adjacentes); - triangular par (os tubos de uma fileira ocupam os interstícios entre os tubos das fileiras adjacentes e os tubos das linhas (x) pares estão posicionados nas fileiras (y, colunas) pares, enquanto que as linhas impares têm ocupadas as fileiras impares); - triangular impar (os tubos de uma fileira ocupam os interstícios entre os tubos das fileiras adjacentes e os tubos das linhas (x) pares estão posicionados nas fileiras (y, colunas) impares, enquanto que as linhas impares têm ocupadas as fileiras pares). Figura 6 – Tipos de empilhamentos de tubos possíveis em um trocador de calor. Com a introdução dos dados do tubo padrão e dos sinais, obtidos na calibração a planilha constrói a curva de calibração que será usada durante a inspeção para avaliação dos sinais, figura 7. Figura 7 – Curva de calibração construída pela planilha Eddy_Trocador. Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos As sub-planilhas Espelho Quadrado (figura 8), Espelho Triangular Par e Espelho Triangular Impar permitem a introdução dos números dos tubos iniciais e finais de cada fileira do trocador. Os valores introduzidos permitem a construção do assim chamado mapa do espelho do trocador, que indica graficamente onde estão posicionados os tubos. O mapa do espelho servirá para apresentação dos resultados da inspeção após a realização da mesma e introdução dos resultados individuais dos tubos. A planilha desenvolvida permite representar a existência de intervalo sem a presença de tubos. São explicitados os valores de tubos existentes em uma linha e o total de tubos da primeira até a linha considerada. Figura 8 – Construção do mapa do espelho na planilha Eddy_Trocador. Em outra região da sub-planilha espelho (quadrado, triangular par ou triangular impar, figura 9) permite definir os códigos que serão utilizados para informar o resultado do ensaio em termos de situação de cada tubo inspecionado (não inspecionado, valor de redução de espessura – interna ou externa, obstruído, amassado, “plugueado”, à pluguear – se redução de espessura está acima de um valor pré-estabelecido). Figura 9 – Códigos dos Resultados da Inspeção. Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos Ainda na mesma sub-planilha existe uma tabela (figura 10) onde aparecem os tubos presentes no espelho do trocador em função das posições iniciais e finais (dos tubos das linhas) introduzidas anteriormente. Como é mais fácil para o operador, que é responsável pela introdução e extração da sonda, localizar os tubos seqüencialmente nas linhas a tabela os indica em associação com o sistema de identificação matricial (linhas-X-horizontais “versus” colunas-Y-verticais). Nessa tabela preenche-se o resultado da inspeção dos tubos em termos de: redução de espessura (%), localização ao longo do comprimento do tubo (referenciada a “chicanas”, por exemplo) e código (figura 9). À medida que o código é preenchido, automaticamente o mapa do espelho vai sendo construído com o resultado da inspeção (figura 11). Figura 10 – Tabela com a seqüência de tubos nas linhas (para facilitar a inspeção) e local para preenchimento dos resultados. Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos Figura 11 – Mapa do espelho com o resultado da inspeção. Devido às facilidades da informática, durante e após o encerramento da inspeção é possível ter ainda uma avaliação estatística do estado de dano do trocador (figura 12) e da produtividade do ensaio (figura 13). Durante a execução do ensaio é possível ainda ter-se uma estimativa da hora de encerramento do ensaio. 5. Conclusões Apresentou-se o desenvolvimento de uma planilha eletrônica para facilitar a atividade de inspeção de tubos de feixes tubulares de trocadores de calor bem como na emissão do relatório com os resultados do ensaio. A adoção dessa planilha permite agilizar a tomada de decisão quanto à necessidade de troca ou “plugueamento” de tubos. Modificações dos programas de aquisição de dados em correntes parasitas podem permitir que os arquivos com os resultados da inspeção gerados por esses programas sejam introduzidos diretamente na planilha Eddy_Trocador para emissão do relatório. Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos Figura 12 – Resumo Estatístico do Estado do Trocador de Calor (distribuição das perdas de espessura e posicionamento da maior perda no comprimento do feixe). Figura 13 – Produtividade da Inspeção por Correntes Parasitas (tubos inspecionados por tempo, tempo para inspeção de um tubo, velocidade de deslocamento da sonda durante a inspeção).