PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO PUC-SP LUCIANE TUDDA O CURRÍCULO PROJETADO E O CURRÍCULO VIVIDO NO CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO: O Projeto Pedagógico e o Ensino e Aprendizagem da Pesquisa sob a Ótica dos Professores DOUTORADO EM EDUCAÇÃO: CURRÍCULO SÃO PAULO - SP 2011 PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO PUC-SP LUCIANE TUDDA O CURRÍCULO PROJETADO E O CURRÍCULO VIVIDO NO CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO: O Projeto Pedagógico e o Ensino e Aprendizagem da Pesquisa sob a Ótica dos Professores Tese apresentada à Banca Examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, como exigência parcial para obtenção do título de Doutora em Educação: Currículo, sob a orientação da Professora Doutora Marina Graziela Feldmann. SÃO PAULO - SP 2011 PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO PUC-SP Luciane Tudda O CURRÍCULO PROJETADO E O CURRÍCULO VIVIDO NO CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO: O Projeto Pedagógico e o Ensino e Aprendizagem da Pesquisa sob a Ótica dos Professores BANCA EXAMINADORA ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ Data de aprovação: _____/____/______ Dedico esta tese aos meus amores Ernesto e Gabriel que possibilitaram a superação dos desafios que encontrei nesta jornada, símbolos de amor, presença, apoio e inspiração em minha vida. AGRADECIMENTOS A Deus, pelo privilégio à VIDA. Ao meu pai, Agostinho, que sempre valorizou a educação e incentivou o meu desenvolvimento pessoal e profissional; e a minha mãe, Nadir, por toda a dedicação e carinho. A minha orientadora, Profa. Dra. Marina Graziela Feldmann, por toda sua competência e amorosidade, verdadeira educadora, que me encaminhou nesta tese com carinho e dedicação. A todos os professores do Programa de Educação: Currículo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, que me acolheram e enriqueceram meu olhar com sua sabedoria. As professoras Dra. Regina Lúcia Giffoni Luz de Brito, Dra. Hiloko Ogihara Marins e Dra. Maria Aparecida de Menezes, por suas sugestões na qualificação. Aos professores e gestores entrevistados do Departamento de Administração da PUC-SP que prontamente aceitaram participar desta pesquisa e que com os „seus olhares‟ enriqueceram este trabalho. Aos professores João Gonçalves Monteiro Junior, Mauro Maia Laruccia e Maria Sidnéa Rodrigues, pelas conversas prazerosas e sugestões valiosas em relação ao objeto deste trabalho. Aos professores da PUC-SP com os quais convivo e aprendo cotidianamente, e que direta ou indiretamente contribuíram com esta construção, e especialmente àqueles que incentivaram a finalização desta pesquisa. À Coordenação do Curso e Chefia do Departamento de Administração da FEAPUCSP, pelo apoio para a realização da pesquisa de campo. Ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da PUC-SP pela concessão de horas de pesquisa – capacitação docente, durante o 2º semestre de 2009. Aos alunos do Curso de Graduação em Administração da PUC-SP, que estimulam, continuamente, o meu desenvolvimento enquanto educadora. (...) a educação precisa estar dentro da pesquisa e a pesquisa dentro da educação, inseparável e naturalmente; esse equilíbrio (ainda que seja de meio e fim) constitui a arte de “educar pela pesquisa” Demo RESUMO Este trabalho tem como tema central a implantação de atividades de pesquisa no Currículo do curso de graduação em Administração da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e o objetivo de desvelar o Currículo na ação sob a ótica dos professores do curso, e subsidiar a construção de um processo contínuo de avaliação do ensino e aprendizagem da pesquisa que possa dar sustentabilidade à consolidação destas atividades no curso e contribuir para o seu aprimoramento Os principais autores que subsidiam o trabalho são: Andrade, Amboni, Covre, Demo, Imbernón, Martins, Pimenta, Anastasiou, Sacristán, Severino, Sguissardi, Szymanski, Almeida, Prandini, Tardif e Lessard. A opção metodológica para trilhar este caminho foi a abordagem qualitativa, com o auxílio da pesquisa quantitiva, da pesquisa bibliográfica e documental, e da pesquisa de campo. Como estratégia para a coleta de dados foram realizadas entrevistas reflexivas individuais semiestruturadas, para compreender como estas atividades foram propostas no Projeto Pedagógico do Curso, como foram implantadas no curso e como estão sendo vivenciadas por seus professores. A análise bibliográfica e documental permitiram mostrar a importância atribuída à pesquisa, historicamente, no ensino superior, nos cursos de graduação em Administração no Brasil e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). A análise dos dados obtidos possibilitou mostrar os resultados da pesquisa de campo, onde a inserção das atividades de pesquisa no curso é compreendida pela maioria de seus gestores e professores como um avanço na formação do aluno e são apresentados os desafios encontrados no cotidiano dessas atividades e indicados possíveis caminhos para subsidiar o aprimoramento e consolidação da pesquisa no curso de graduação em Administração da PUC-SP. Palavras-chave: Currículo. Pesquisa. Curso de Graduação em Administração. Formação de Professores. Ensino e Aprendizagem da Pesquisa. ABSTRACT The central theme of this work is the inclusion of research activities in the undergraduate Administration Curriculum of the Pontifical Catholic University of São Paulo (PUC-SP). The object is to show the curriculum in action as seen by the faculty; and to support the building of a continuous evaluation process of both the teaching and the learning of research, so as to sustain and consolidate the programme's activities, and to contribute to its improvement. The main sources are Andrade, Amboni, Covre, Demo, Imbernón, Martins, Pimenta, Anastasiou, Sacristán, Severino, Sguissardi, Szymanski, Almeida, Prandini, Tardif e Lessard. The writer has opted for a qualitative approach, incorporating subsidies from quantitative research; as well as from bibliographic, documental and field research. As a strategy for the collection of data, reflexive semi-structured interviews were conducted, in order to generate understanding of how these activities were proposed in the programme's Educational Project, how they were implanted, and how they are experienced by the docents. Bibliographic and documental analysis of the data obtained has made it possible to display the results of field research. The insertion of research activities into the programme is understood by the majority of the programme's managers and faculty members as an advance in terms of the students' education; and as a means of presenting the challenges encountered in the day-to-day, as well as alternative paths proposed for the enhancement and consolidation of research within the undergraduate Administration programme of PUC-SP. Key-words: Curriculum. Research. Undergraduate Administration programme. Faculty Education. Research, Teaching and Learning. LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Divisão percentual do sexo entre os professores entrevistados ............................ 129 Gráfico 2 – Percentual da faixa etária dos professores entrevistados...................................... 130 Gráfico 3 – Percentual da titulação dos professores entrevistados .......................................... 131 Gráfico 4 – Percentual do tempo na instituição dos professores entrevistados ....................... 133 Gráfico 5 – Percentual do período de atuação nas atividades de Pesquisa 1 e 2 dos professores entrevistados ..................................................................................... 134 Gráfico 6 – Percentual da atuação nas atividades TCC 1 e 2 no período de 2010 a 2011 dos professores entrevistados ..................................................................................... 135 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Expansão dos Cursos de Administração na Cidade de São Paulo por Gestão Presidencial – Período de 1961 a 2009.................................................................. 48 Quadro 2 – Número de cursos de graduação em Administração no Brasil em 2011, por região geográfica ............................................................................................................... 50 Quadro 3 – Número de instituições com cursos de graduação em Administração na cidade de São Paulo, em 2009, por Categoria Administrativa ................................................ 51 Quadro 4 – Número de instituições com cursos de graduação em Administração da cidade de São Paulo, em 2009, por tipo de instituição ........................................................... 52 Quadro 5 – Cursos de graduação em Administração da cidade de São Paulo com melhores índices de avaliação, segundo o Provão 2003, o ENADE 2006 e o IGC 2008 ...... 55 Quadro 6 – Índice Geral de Cursos – IGC 2009 (Triênio 2007/2008/2009) das IES do Estado de São Paulo ............................................................................................................... 56 Quadro 7 – Avaliação dos cursos de graduação em Administração a Distância – EAD - das instituições do Município de São Paulo .................................................................. 58 Quadro 8 – Início dos Cursos de Graduação da PUC-SP .......................................................... 72 Quadro 9 – Grupos de Pesquisa vinculados à FEA - PUC-SP ................................................... 76 Quadro 10 – Princípios e Pressupostos do PPI .......................................................................... 82 Quadro 11 – Número de Alunos matriculados no Curso de Graduação em Administração da PUC-SP no 2º Semestre de 2011, por período ...................................................... 84 Quadro 12 – Número de Alunos matriculados e Turmas das Atividades de Pesquisa - Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2 do Curso de Graduação em Administração da PUC-SP - 2º Semestre de 2011................................................................................................... 85 Quadro 13 – Disciplinas do Curso de Graduação em Administração por Área de Conhecimento – 1968 a 1970 - Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Atuariais “Coração de Jesus”................................................................................................. 86 Quadro 14 – Currículo do Curso de Administração da PUC-SP – Matutino - Implantado em 2007 ........................................................................................................................ 91 Quadro 15 – Currículo do Curso de Administração da PUC-SP – Noturno - Implantado em 2007 ................................................................................................................................ 93 Quadro 16 – Ementas, Objetivos, Conteúdos e Bibliografia das disciplinas TCC1 e TCC2 ..... 98 Quadro 17 - Posições Ocupadas na PUC-SP pelos Gestores Acadêmicos Entrevistados ..... 125 Quadro 18 - Forma de participação dos Gestores na concepção e implantação do Currículo 128 Quadro 19 – Caracterização dos Gestores entrevistados quanto a sexo, faixa etária, tempo na instituição e formação acadêmica ........................................................................ 128 Quadro 20 – Identificação relativa ao gênero dos professores entrevistados .......................... 129 Quadro 21 – Identificação da faixa etária dos professores entrevistados ................................ 130 Quadro 22 – Identificação da titulação dos professores entrevistados .................................... 131 Quadro 23 – Identificação da formação dos professores entrevistados ................................... 132 Quadro 24 – Identificação do tempo de atuação na PUC-SP dos professores entrevistados . 133 Quadro 25 – Identificação do período de atuação dos professores entrevistados nas atividades de Pesquisa 1 e Pesquisa 2 ................................................................................. 134 Quadro 26 - Professores entrevistados que atuaram nas atividades TCC 1 e TCC 2 no período de 2010 a 2011 ..................................................................................................... 135 Quadro 27 – Currículo Projetado e Implantado: Compreensão da Importância e Objetivos das Atividades de Pesquisa no Curso pelos Gestores Acadêmicos ........................... 139 Quadro 28 – Percepção dos Gestores sobre o Formato e o Conteúdo Propostos e Implantados inicialmente nas Atividades de Pesquisa 1 e 2 .................................................... 143 Quadro 29 – Percepção dos Gestores sobre o Formato e Conteúdo Atuais das Atividades de Pesquisa 1 e 2 ...................................................................................................... 146 Quadro 30 - Percepção dos Gestores em relação aos Problemas do Formato e Conteúdo Atuais das Atividades de Pesquisa 1 e 2 e Propostas para Solução ................... 147 Quadro 31 – Percepção do Gestor 4 sobre Problemas em Relação ao Trabalho de Conclusão e Atividades TCC 1 e TCC 2 / Propostas de Aprimoramento do TCC no Curso .... 154 Quadro 32 – Percepção e Expectativas dos Gestores em Relação às Atividades de Pesquisa .............................................................................................................................. 155 Quadro 33 - Ações, Avaliação e Propostas dos Gestores Acadêmicos para a Formação dos Professores das Atividades de Pesquisa na Percepção dos Gestores ............... 158 Quadro 34 – Estratégias de Ensino e Aprendizagem da Pesquisa no Curso de Administração na Percepção dos Gestores ................................................................................. 161 Quadro 35 – Infraestrutura de Ensino e Aprendizagem da Pesquisa no Curso de Administração na Percepção dos Gestores ................................................................................. 163 Quadro 36 – Currículo Projetado e Implantado: Compreensão da Importância e Objetivos das Atividades de Pesquisa no Curso pelos Professores ........................................... 165 Quadro 37 – Percepção dos Professores sobre o Formato e Conteúdo Atuais das Atividades de Pesquisa 1 e 2 ...................................................................................................... 175 Quadro 38 - Percepção dos Professores: Formato e Conteúdo das Atividades de Pesquisa 1 e 2 - Número de Alunos por Turma – Problemas e Propostas............................... 177 Quadro 39 - Percepção dos Professores: Formato e Conteúdo das Atividades de Pesquisa 1 e 2 - Definição de Temas pelo Aluno ou Professor –Problemas e Propostas ........ 178 Quadro 40 - Percepção dos Professores: Formato e Conteúdo das Atividades de Pesquisa 1 e 2 - Horários – Problemas e Propostas.................................................................. 179 Quadro 41 - Percepção dos Professores: Formato e Conteúdo das Atividades de Pesquisa 1 e 2 - Período – Problemas e Propostas................................................................... 179 Quadro 42 - Percepção dos Professores: Formato e Conteúdo das Atividades de Pesquisa 1 e 2 – Integração com as demais Disciplinas e Conhecimentos – Problemas e Propostas......................................................................................... 181 Quadro 43 - Percepção dos Professores em relação ao Trabalho de Conclusão de Curso Atividades TCC 1 e 2 - Percepção, Problemas e Propostas ................................ 182 Quadro 44 – Percepção e Expectativas e Propostas dos Professores em Relação às Atividades de Pesquisa – Aumento do Número de Projetos de Iniciação Científica ............. 186 Quadro 45 – Percepção e Expectativas e Propostas dos Professores em Relação às Atividades de Pesquisa – Melhoria da Qualidade dos Trabalhos de Conclusão de Curso ... 187 Quadro 46 – Percepção e Expectativas e Propostas dos Professores em Relação às Atividades de Pesquisa – Vínculo entre as atividades de Pesquisa e o Mercado e o Desenvolvimento Econômico e Social.................................................................. 189 Quadro 47 – Percepção e Expectativas e Propostas dos Professores em Relação às Atividades de Pesquisa – Vínculo entre as Graduação e Pós-Graduação ............................ 190 Quadro 48 – Percepção e Expectativas e Propostas dos Professores em Relação às Atividades de Pesquisa – Vínculo entre as Graduação e Pós-Graduação ............................ 191 Quadro 49 – Percepção e Expectativas e Propostas dos Professores em Relação às Atividades de Pesquisa – Publicação e Exposição dos Trabalhos de Pesquisa do Curso ... 192 Quadro 50 – Percepção e Expectativas e Propostas dos Professores em Relação às Atividades de Pesquisa – Gestão e Valorização da Pesquisa do Curso ............................... 195 Quadro 51 – Percepção dos Professores sobre a Formação de Professores para as Atividades de Pesquisa 1 e 2 ................................................................................................. 197 Quadro 52 – Percepção dos Professores sobre o Ensino da Pesquisa e Explicitação da Metodologia Utilizada............................................................................................ 199 Quadro 53 – Percepção dos Professores sobre o Perfil do Aluno do Curso de Graduação em Administração e a Motivação para a Pesquisa .................................................... 200 Quadro 54 – Relação Professor- Aluno nas Atividades de Pesquisa ....................................... 201 Quadro 55 – Desafios ao Ensino e Aprendizagem da Pesquisa no Curso .............................. 203 Quadro 56 – Estratégias Específicas Desenvolvidas pelos Professores para o Ensino e a Aprendizagem da Pesquisa no Curso .................................................................. 205 Quadro 57 – Infraestrutura para o Ensino e a Aprendizagem da Pesquisa no Curso .............. 208 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Evolução do Número de Instituições da Educação Superior por Categoria Administrativa – Brasil – 2004 - 2009 ..................................................................... 39 Tabela 2 – Evolução do Número de Instituições de Educação Superior no Brasil nas últimas quatro décadas ....................................................................................................... 40 Tabela 3 – Grau de Formação dos Professores do Ensino Superior – Ano 1990 – Brasil ........ 44 LISTA DE SIGLAS ANPEd Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação BISUS Boletim de Inovação e Sustentabilidade da PUC-SP CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CEPE Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da PUC-SP CES Câmera de Educação Superior CEFETs Centros Federais de Educação Tecnológica CFA Conselho Federal de Administração CFE Conselho Federal de Educação CNE Conselho Nacional de Educação CNPq Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico COGEAE Coordenadoria Geral de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão da PUC-SP CONAES Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior CONSAD Conselho de Administração da PUC-SP CONSULTEC Consultoria Técnico-Acadêmica da PUC-SP CONSULTEG Consultoria Técnica de Apoio à Gestão Acadêmica da PUC-SP CONSUN Conselho Universitário da PUC-SP CPC Conceito Preliminar de Cursos CRA Conselho Regional de Administração DOU Diário Oficial da União DASP Departamento de Administração do Serviço Público EAD Educação a Distância EAESP Escola de Administração de Empresas de São Paulo EBAPE Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas ENADE Exame Nacional de Desempenho de Estudantes ENC-Provão Exame Nacional de Cursos FAPESP Fundação de Amparo à Pesquisa FEA Faculdade de Economia, Administração, Contábeis e Atuariais ICIM International Conference on Innovation and Management IDD Indicador de Diferença entre o Desempenho Observado e o Esperado IES Instituições de Ensino Superior IGC Índice Geral de Cursos da Instituição INEP Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais LDBEN Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional MEC Ministério da Educação MOODLE Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment NEF Núcleo de Estudos do Futuro da PUC-SP OCDE Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico ONG‟s Organizações não Governamentais PBL Aprendizagem Baseada em Problemas PDI Plano de Desenvolvimento Institucional da PUC-SP PIBIC Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica PPC Projeto Pedagógico do Curso PPI Projeto Pedagógico Institucional da PUC-SP PROUNI Programa Universidade para Todos PUC-SP Pontifícia Universidade Católica de São Paulo RAD Revista Administração em Diálogo da PUC-SP RISUS Revista de Inovação e Sustentabilidade da PUC-SP SAE Sistema de Administração Escolar da PUC-SP Sesu/MEC Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação SIGA Sistema Integrado de Gestão Acadêmica da PUC-SP SINAES Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior TCC Trabalho de Conclusão do Curso UNESCO Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura SUMÁRIO INTRODUÇÃO ................................................................................................. 19 1 O ENSINO SUPERIOR E A EXPANSÃO DOS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO NO BRASIL ................................................................ 30 1.1 O Ensino Superior no Brasil ................................................................. 30 1.2 Surgimento e Reconhecimento da Profissão de Administrador ....... 41 1.3 Expansão dos Cursos de Graduação em Administração no Brasil .. 47 1.4 Do Currículo Mínimo às Diretrizes Curriculares ................................. 59 2 A PUC-SP E O CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO ............ 69 2.1 A PUC-SP e a Pesquisa ......................................................................... 69 2.1.1 A Pesquisa no Plano de Desenvolvimento Institucional - PDI ........... 78 2.1.2 A Pesquisa no Projeto Pedagógico Institucional - PPI ...................... 81 2.2 O Curso de Graduação em Administração da PUC-SP ...................... 83 2.3 Currículo e Pesquisa no Curso: Aproximações e Distanciamentos . 85 2.4 A Pesquisa no Projeto Pedagógico do Curso - PPC .......................... 90 3 APORTES TEÓRICOS: O CURRÍCULO, A PESQUISA E A PRÁTICA DOCENTE ...................................................................................................... 101 3.1 Educação e Currículo.......................................................................... 101 3.2 Pesquisa e Conhecimento na Universidade ..................................... 110 3.3 Ensino da Pesquisa e Ensino pela Pesquisa: o Professor como Mediador entre o Conhecimento e a Aprendizagem do Aluno .............. 117 4 CENÁRIO DA PESQUISA: CONCEPÇÕES E PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ....................................................................................... 122 4.1 Caracterização da Pesquisa ............................................................... 122 4.1.1 A Abordagem do Problema: Pesquisa Qualitativa ........................... 122 4.1.2 Caracterização do Ponto de Vista dos Objetivos: Pesquisa Descritiva e Interpretativa ......................................................................................... 123 4.1.3 Procedimentos Técnicos (ou Opção Metodológica): Pesquisa Bibliográfica, Pesquisa Documental e Pesquisa de Campo ..................... 123 4.1.4 Instrumento de Coleta de Dados: Entrevista Reflexiva ................... 124 4.2 Professores Entrevistados: Critérios e Seleção da Amostra .......... 125 4.3 Identificação do Perfil Acadêmico e Profissional dos Professores Entrevistados ............................................................................................. 127 4.3.1 Perfil dos Gestores Entrevistados ................................................... 127 4.3.2 Perfil dos Professores Entrevistados ............................................... 128 4.4 As Entrevistas: O Processo de Coleta, Apresentação e Análise Inicial dos Dados Obtidos.................................................................................... 136 4.5 As Categorias de Análise ................................................................... 137 5 O CURRÍCULO PROJETADO E O CURRÍCULO VIVIDO – UM OLHAR SOBRE A PESQUISA NA GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO DA PUC-SP ....................................................................................................................... 138 5.1 Análise do Currículo Projetado e Implantado pelos Gestores ........ 139 5.1.1 Concepção sobre a Pesquisa no Curso .......................................... 139 5.1.1.1 Importância e Objetivos ............................................................. 139 5.1.1.2 Formato e Conteúdo .................................................................. 142 5.1.1.3 Resultados: Percepção, Expectativas e Propostas .................... 155 5.1.2 Ensino e Aprendizagem da Pesquisa no Curso .............................. 157 5.1.2.1 Formação dos Professores ........................................................ 157 5.1.2.2 Estratégias Didático-Pedagógicas ............................................. 160 5.1.2.3 Infraestrutura .............................................................................. 162 5.2 Análise do Currículo Vivido pelos professores ................................ 164 5.2.1 Concepção sobre a Pesquisa no Curso .......................................... 164 5.2.1.1 Importância e Objetivos ............................................................. 164 5.2.1.2 Formato e Conteúdo .................................................................. 174 5.2.1.3 Resultados: Percepção, Expectativas e Propostas.................... 186 5.2.2 Ensino e Aprendizagem da Pesquisa no Curso .............................. 196 5.2.2.1 Formação de Professores .......................................................... 196 5.2.2.2 Estratégias Didático-Pedagógicas ............................................. 198 5.2.3 Infraestrutura ................................................................................... 207 5.3 O Currículo Projetado e o Currículo Vivido: Subsídios para o Aprimoramento da Pesquisa no Curso de Graduação em Administração da PUC-SP.................................................................................................. 209 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................... 213 REFERÊNCIAS .............................................................................................. 216 ANEXO A – TERMO DE APROVAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA ................. 221 ANEXO B - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO DESENVOLVIDO PELA PESQUISADORA E ASSINADO INDIVIDUALMENTE POR TODOS OS GESTORES ENTREVISTADOS ....................................... 222 ANEXO C - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO DESENVOLVIDO PELA PESQUISADORA E ASSINADO INDIVIDUALMENTE POR TODOS OS PROFESSORES ENTREVISTADOS ................................ 224 ANEXO D - QUESTIONÁRIO ELABORADO PELA PESQUISADORA, APLICADO AOS GESTORES ENTREVISTADOS ........................................ 226 ANEXO E - QUESTIONÁRIO ELABORADO PELA PESQUISADORA, APLICADO AOS PROFESSORES ENTREVISTADOS ................................ 230 ANEXO F - PROGRAMA DAS ATIVIDADES DE PESQUISA 1 E 2 ............. 233 APÊNDICE A – CRIAÇÃO E AVALIAÇÃO DOS CURSOS DE ADMINISTRAÇÃO DA CIDADE DE SÃO PAULO ........................................ 237 APÊNDICE B – ENTREVISTAS COM GESTORES ...................................... 252 APÊNDICE C – ENTREVISTAS COM PROFESSORES ............................... 292 19 INTRODUÇÃO Refletir sobre o curso de graduação em Administração da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, especificamente sobre como as atividades de pesquisa foram propostas no Projeto Pedagógico do Curso de Administração, como foram implantadas no Currículo, e como estão sendo vivenciadas na prática pelos professores, vêm ao encontro de questionamentos decorrentes da minha trajetória pessoal, profissional e acadêmica em relação ao processo de ensino e de aprendizagem na universidade. Pensar em minha história pessoal, formação acadêmica e profissional, meus ambientes formais e informais de aprendizagem, e minha história de vida nos últimos vinte e nove anos, levam-me a um lócus privilegiado: a PUC-SP, onde tive a possibilidade de atuar como funcionária, aluna de graduação e pós-graduação e como professora do Curso de Administração. Nesta trajetória, entre as diferentes experiências e oportunidades que vivenciei – e que contribuíram para minha formação – destacam-se: em 1990, graduada em Administração e iniciando meu mestrado, meu ingresso no quadro docente da universidade, junto ao Departamento de Administração da FEA, como professora do curso de graduação em Administração; no período de 2001 a 2003 fui nomeada Assessora da Vice-Reitoria Administrativa, quando pude contribuir para a gestão administrativa da universidade e aprofundar meus conhecimentos acerca da complexidade de uma universidade de tal porte com extrema importância acadêmica; em 2002, a conclusão do curso de mestrado em Administração, junto ao Programa de Pós-Graduação em Administração; em 2006, o início do meu doutorado, voltando meu olhar para o processo de ensino e aprendizagem e formação do aluno do curso de graduação em Administração; em 2010 a vivência dos desafios da gestão acadêmica do curso, coordenando a área epistemológica de „Gestão Estratégica e das Organizações‟ do Curso de Graduação em Administração. Como professora, sempre refleti sobre “o meu fazer” buscando encontrar ou criar estratégias de ensino que contribuíssem para a aprendizagem do aluno, levando em conta os objetivos e conteúdos propostos nas diferentes disciplinas que lecionei. 20 Em 1998, quando fui convidada para lecionar a disciplina „Criatividade nos Negócios‟ - disciplina optativa oferecida para o último ano do curso que trazia como objetivo o desenvolvimento da criatividade do aluno –, percebi que as estratégias de ensino e aprendizagem que eu já havia desenvolvido para as demais disciplinas não eram suficientes para mobilizar o principal recurso para o desenvolvimento da criatividade: o comprometimento do aluno com a sua aprendizagem. Portanto, naquele momento já se apontava a necessidade da construção de um novo processo de ensino e aprendizagem, cujas estratégias didáticopedagógicas convencionais já não se adaptavam ao contexto da disciplina que demandava como produto final - o desenvolvimento da capacidade criativa dos alunos e sua aplicação aos negócios. Eu, particularmente, buscava estratégias de ensino e aprendizagem que pudessem ser utilizadas na aula da disciplina „Criatividade nos Negócios‟, e que realmente possibilitassem o desenvolvimento da criatividade no aluno. Os desafios estavam relacionados às estratégias didáticopedagógicas e ao estabelecimento de novas relações de ensino e aprendizagem, mais adequadas à formação do aluno. A especificidade dos objetivos da disciplina „Criatividade nos Negócios‟ esboçava uma concepção de formação do aluno, integrando, desta forma, o pensamento crítico, a ação gerencial e o conhecimento, onde a pesquisa surgia como um dos principais componentes do ensino. Formar indivíduos mais criativos pressupunha abordar o conhecimento de maneira diferenciada em relação ao ensino e a aprendizagem: ensinar aprendendo, aprender pesquisando, entender o processo de aprendizagem da pesquisa, ensinar a pesquisar para aprender e gerar conhecimento... Eu trabalhava com a mediação entre o aluno e a aprendizagem, buscando encontrar, a cada momento, novas estratégias que pudessem contribuir nesse processo - criativo e criador. É verdade que não conhecia formalmente, naquele momento, tais terminologias educacionais – relação ensino-aprendizagem, mediação pedagógica, e outras mais -, porém empregava os mesmos desafios em minha prática de professora e educadora. Em 2001, após três anos de pesquisa bibliográfica sobre o tema „Criatividade na Administração‟, tive a oportunidade de ministrar a disciplina novamente e de compartilhar conhecimentos com outra professora, cujo resultado foi à elaboração de um artigo (BASSINELLO; SARAIVA, 2001), onde partimos do pressuposto do 21 potencial criativo inerente ao ser humano, refletimos sobre os fatores ambientais que exerciam influência no desenvolvimento e manifestação da criatividade, constatamos a possibilidade de contribuir para o desenvolvimento da criatividade do aluno e do professor, acenamos para o papel das universidades na tarefa de formar indivíduos mais criativos e, por fim, expomos a necessidade de novos questionamentos e novos caminhos para o ensino e aprendizagem da criatividade. A minha dissertação de mestrado (SARAIVA, 2002) teve como principal objetivo identificar as abordagens, teorias, métodos e técnicas propostos para o desenvolvimento da criatividade – individual e organizacional – e seus critérios de avaliação que pudessem ser aplicados à área da administração entendida como o ambiente organizacional e o processo de formação do administrador. Em relação ao processo de formação do administrador, como resultado da pesquisa, identifiquei barreiras pessoais e culturais, mencionadas por diferentes autores: Alencar (1990), Fernandes (1998), Kneller (1978), Teixeira (1998) e Predebon (1998) - que eram reforçadas pelo sistema educacional e que acenavam para a necessidade do estabelecimento de novas relações no processo de ensino e aprendizagem: a) barreiras pessoais e culturais, que podem explicar comportamentos, sentimentos e atitudes do aluno em sala de aula e sua postura diante de atividades que requeiram questionamento e senso crítico: apatia ou desânimo, insegurança ou timidez, medo de parecer ridículo, medo do fracasso, sentimentos de inferioridade, autoconceito negativo, necessidade de aceitação, falta de persistência; b) barreiras educacionais relacionadas à visão do ensino e às relações de ensino e aprendizagem que são estabelecidas em sala de aula: visão tradicional do ensino onde o professor transmite o conhecimento e o aluno apenas memoriza, falta de situações que levem o aluno a pensar e raciocinar, ênfase no conteúdo da disciplina e no „bom comportamento‟ do aluno, baixa expectativa do professor em relação ao aluno, excesso de críticas, falta de abertura à novas ideias, falta de clima adequado à criação, intolerância ao erro, valorização do pensamento analítico convergente, valorização do resultado em detrimento do processo. O reconhecimento da necessidade do estabelecimento de novas relações de ensino e aprendizagem entre professor e aluno, que concedessem ao aluno a autonomia necessária na busca e desenvolvimento de novos conhecimentos científicos e profissionais do campo da Administração, e os incentivasse à adoção de uma postura diferenciada em relação ao conhecimento, ou seja, uma postura crítica, 22 capaz de compreender com profundidade os problemas, desafios e oportunidades organizacionais e sociais que se apresentavam, motivou o meu ingresso no doutorado, junto ao Programa de Estudos Pós-Graduados: Currículo. Desta forma, ingressei em 2006 e fui encaminhada à linha de Pesquisa Formação de Professores - onde tive a oportunidade de ampliar e aprofundar minhas reflexões, sob a luz da educação, buscando um caminho que contribuísse para o aprimoramento contínuo da formação do aluno do Curso de Graduação em Administração da PUC-SP. Passei então a repensar no papel da universidade e do ensino superior, enquanto lócus privilegiado de produção do conhecimento; no Currículo do Curso de Administração como oportunidade de formação do aluno para o desenvolvimento de sua autonomia em relação ao conhecimento, considerando que os egressos serão os futuros agentes de desenvolvimento das organizações e de transformação social; e na essencialidade da formação e atuação dos professores do curso, na construção de relações de ensino e aprendizagem que possibilitem a formação pretendida. Ainda, neste mesmo ano, como professora do Curso de Graduação em Administração da FEA/PUC-SP, participei de uma reunião do Departamento onde tomei ciência da aprovação do Projeto Pedagógico do Curso e da implantação de um novo Currículo que seria introduzido a partir de 2007. O novo Currículo trazia como componentes duas atividades complementares Pesquisa 1 e Pesquisa 2 - com 34 (trinta e quatro) horas cada, inseridas na grade curricular no segundo ano do curso - no terceiro e quarto semestres, respectivamente; e duas disciplinas de Orientação do Trabalho de Conclusão de Curso, TCC 1 e TCC 2, com 34 (trinta e quatro) horas nos último dois semestres do Curso. Historicamente, os cursos de graduação em Administração no Brasil e os currículos mínimos estabelecidos não privilegiaram a pesquisa enquanto componente curricular. Em relação ao curso de graduação em Administração da PUC-SP, a pesquisa vinha conquistando, de forma tímida, o seu espaço no Currículo: com o TCC – Trabalho de Conclusão de Curso, incluído em 2002, como conteúdo da disciplina Orientação de Estágio II no último semestre do curso; com a inclusão da disciplina 23 Pesquisa em Marketing; e com poucos trabalhos de „Iniciação Científica‟, opcional aos alunos. A inserção destas atividades despertou minha atenção pois vinham ao encontro das questões que considero essenciais para a formação do Administrador da PUC-SP: a concepção do ensino superior como formação científica, profissional e política, e a universidade como local priorizado da produção do conhecimento e articuladora das dimensões ensino, pesquisa e extensão (SEVERINO, 2007, p. 24); e que “o espírito científico da escola depende, sumamente, do espírito científico dos professores (...) e a educação científica supõe reformulação completa da formação docente, além de mudanças radicais na rotina escolar” (DEMO, 2010, p. 11). A proposta de reforma curricular do curso foi desenvolvida tendo como principais premissas: a revogação do currículo mínimo (Parecer CNE/CES número 67, de 11 de março de 2003); a instituição das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Administração (Resolução CNE/CES número 4, de 13 de julho de 2005); e o Projeto Pedagógico Institucional (PPI) que estabeleceu diretrizes específicas para os cursos de graduação da PUC-SP. Todos os documentos acenavam para a construção de um Projeto Pedagógico que articulasse as dimensões ensino, pesquisa e extensão, e para o desenvolvimento da autonomia do aluno em relação ao conhecimento. Deste modo, os seguintes questionamentos delinearam o objeto deste estudo: Qual é a concepção das atividades de pesquisa inseridas no Currículo do Curso de Graduação em Administração? Como estas atividades foram propostas aos professores e como estão sendo vivenciadas por eles? Como foi planejado e como tem se dado o ensino e aprendizagem destas atividades? Quais foram as expectativas da inserção destas atividades no Currículo e quais expectativas e resultados têm sido vivenciados por seus professores? Problema Partimos do reconhecimento de que o Currículo do Curso de Graduação em Administração, implantado em 2007, apresentou outras substanciais alterações em relação à formação do aluno – duração do curso, conteúdo, avaliação, entre outros e que deveria ser analisado como um todo, cuja análise global não seria exequível. 24 Nesse sentido, Pescuma e Castilho (2005) alegam que delimitar o problema é um dos maiores e mais importantes desafios para a realização da pesquisa, e que um problema de pesquisa mal delimitado estará além das condições do pesquisador, enquanto que um problema modesto e bem definido poderá ser solucionado com mais profundidade, precisão e facilidade. Ainda, conforme enunciado nesta introdução, a essencialidade da articulação das dimensões ensino, pesquisa e extensão são aqui reconhecidas e ratificadas. No entanto, para a análise do objeto deste estudo optamos por priorizar a pesquisa como estratégia operacional para investigação do problema. A problemática central desta pesquisa refere-se à busca por respostas para a seguinte questão: Como as atividades de pesquisa – Pesquisa 1, Pesquisa 2, TCC 1 e TCC 2 - foram propostas no Projeto Pedagógico do Curso, como foram implantadas no Currículo do Curso de Graduação em Administração e como estão sendo vivenciadas por seus professores? Tal problemática apresenta três dimensões que se desdobram em questões específicas: 1) Como as atividades de pesquisa foram idealizadas no Projeto Pedagógico do Curso de Graduação em Administração, em 2006? a. Como estas atividades foram concebidas e propostas no Currículo do Curso? b. Como o ensino e aprendizagem destas atividades foram planejadas? c. Quais foram os objetivos e expectativas em relação aos resultados destas atividades? 2) Como as atividades de pesquisa foram implantadas no Currículo do curso, pelos gestores acadêmicos? a. Como estas atividades foram compreendidas e implantadas no Currículo do Curso? b. Quais ações voltadas ao ensino e aprendizagem destas atividades foram adotadas no momento de implantação, em 2008? c. Ocorreram ajustes ou alterações nestas atividades no período entre 2008 e 2011? d. Quais foram e quais são os objetivos e expectativas em relação aos resultados destas atividades? 25 3) Como as atividades de pesquisa vêm sendo vivenciadas por seus professores? a. Como estas atividades foram compreendidas e como são propostas para os alunos do Curso? b. Como tem se dado o ensino e a aprendizagem da pesquisa, por meio destas atividades? c. Quais são os objetivos e expectativas em relação aos resultados destas atividades? d. Quais problemas têm sido identificados, por meio da vivência nestas atividades e quais ações podem contribuir para a sua superação? Tais questões trazem pressupostos que desdobram-se em hipóteses. Pressupostos O novo currículo e a seleção de conteúdos curriculares representam um recorte em relação ao conhecimento em geral, como uma seleção cultural do que é considerado legítimo (APPLE, 2006) e como uma seleção particular de cultura (SACRISTÁN, 2000). Dessa forma, quanto maior a autonomia da escola e a consciência de seus agentes em relação à seleção e organização desses conteúdos culturais, maior será o espaço para a formação pretendida pela escola. A implantação de qualquer ação depende da compreensão, aceitação, comprometimento e participação de todos os sujeitos envolvidos no processo. A inserção das atividades de pesquisa no Currículo do curso de Administração passou por três diferentes etapas: Projeção – por meio do Projeto Pedagógico do Curso; Implantação – por intermédio de ações adotadas pela Coordenação do Curso; e Vivência – por meio da atuação de professores e alunos do curso. Tal como citado, o significado que as atividades de pesquisa propostas e implantadas no Currículo adquirem na prática – no momento em que tais atividades são realizadas - dependem da compreensão e consciência dos sujeitos envolvidos no processo – professores e alunos -, ou seja: da significação individual e coletiva que os professores atribuem à formação científica, à atividade em si e aos 26 conteúdos propostos; da visão dos professores e alunos em relação à problematização e crítica da realidade social, cultural, econômica e científica; do desenvolvimento de competências discentes e docentes para o ensino e aprendizagem da pesquisa; e do estabelecimento de uma relação professor-aluno, diferentes daquelas desenvolvidas em um currículo que privilegie o ensino como função dissociada da pesquisa. Ao confrontar o que foi idealizado e implantado com o que é vivenciado pelos professores, é possível compreender os significados que estas atividades vêm adquirindo na prática e como a pesquisa está se configurando na graduação. Hipóteses As atividades de pesquisa inseridas no currículo podem estar sendo concebidas pelos professores como instrumento de desenvolvimento da autonomia do aluno em relação ao conhecimento, e contribuindo para o desenvolvimento de novas relações no processo de ensino e aprendizagem no curso. O processo de ensino e aprendizagem da pesquisa podem configurar-se continuamente, na prática, porque ao realizar a atividade o professor se depararia com a situação concreta, ou seja: a) A atividade do Currículo seria significada e transformada em plano de aula, pois para interagir com os alunos teria que desenvolver estratégias didático-pedagógicas adequadas à atividade acadêmica; b) Perceberia assim, as expectativas e dificuldades dos alunos, enquanto desenvolveria novas estratégias de ensino e de aprendizagem; c) Sentiria a articulação do aluno com o conhecimento por meio de suas dificuldades, expectativas e de seu próprio conhecimento; d) Avaliaria em que medida as estratégias adotadas e o ambiente de aprendizagem foram ou não adequadas ao desenvolvimento da pesquisa; e) Ao final do processo, teria condições de avaliar a aprendizagem do aluno e a qualidade da pesquisa, enquanto seu produto final, ao mesmo tempo em que reavaliaria o próprio processo de ensino e aprendizagem dessas atividades. 27 Objetivo Geral Desvelar o Currículo na ação na perspectiva dos professores do curso, e subsidiar a construção de um processo contínuo de avaliação do ensino e aprendizagem da pesquisa na graduação em Administração, por meio do processo participativo e reflexivo – entre gestores e professores – que possa dar sustentabilidade à consolidação destas atividades no curso e contribuir para o seu aprimoramento, bem como para o desenvolvimento das condições necessárias no cotidiano escolar, para que a pesquisa se estabeleça como princípio científico e princípio educativo, inerente ao papel do ensino superior e da universidade, reafirmados no Projeto Pedagógico Institucional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP. Objetivos Específicos a) Compreender os fatores que historicamente levaram ao distanciamento entre pesquisa e graduação no ensino superior e, em especial, nas universidades e nos Cursos de Administração no Brasil; b) Levantar junto à literatura os fundamentos teóricos sobre o Currículo, a pesquisa na graduação e o ensino e aprendizagem da pesquisa; c) Compreender a pesquisa na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e como ela é proposta para a graduação; d) Perceber como as atividades de pesquisa foram propostas no Projeto Pedagógico do Curso, como foram implantadas no Currículo e como têm sido avaliadas pelos gestores acadêmicos; e) Analisar como estas atividades estão sendo vivenciadas por seus professores; f) Descrever como tem se dado o ensino e a aprendizagem da pesquisa nestas atividades, visando identificar o papel do professor e do aluno na pesquisa, as competências pedagógicas para o ensino da pesquisa, e o ambiente favorável ao desenvolvimento das atividades no curso; 28 g) Reconhecer as situações vividas em relação às atividades de pesquisa no curso que representem oportunidades ou problemas atuais, e identificar ações que possam contribuir para o aprimoramento da pesquisa no curso, na perspectiva de seus professores. h) Subsidiar a construção de um processo de reflexão sobre a pesquisa na graduação, por meio da visão dos professores e gestores acadêmicos e do compartilhamento das experiências dos professores em relação às atividades de pesquisa. Metodologia Para atingir os objetivos pretendidos e buscar respostas para o problema enunciado elegi como opção metodológica a pesquisa qualitativa com alguns subsídios da quantitativa - tais como gráficos e tabelas. A abordagem e técnicas utilizadas estão devidamente explicitadas no item 4. Estrutura do Trabalho A fim de alcançar os objetivos propostos, este trabalho foi estruturado da seguinte forma: A primeira parte trabalha o Referencial Teórico, focando os conceitos, princípios e pressupostos presentes na revisão da literatura, na pesquisa bibliográfica e na legislação referentes ao ensino superior no Brasil, e a expansão dos cursos de graduação em Administração. O item 2 aborda a PUC-SP e o Curso de Graduação em Administração, lócus deste trabalho, e contextualiza a importância que vem sendo atribuída à pesquisa na universidade e no curso, por meio da análise dos seguintes documentos institucionais: PDI - Plano de Desenvolvimento Institucional, PPI – Projeto Pedagógico Institucional e PPC – Projeto Pedagógico do Curso. . 29 O terceiro tópico detalha os aportes teóricos sobre o Currículo, a pesquisa, e o ensino e aprendizagem da pesquisa na universidade. Os Aspectos Metodológicos são relatados na quarta parte do trabalho. No tópico 5 apresenta-se a pesquisa de campo: Perfil dos professores entrevistados; Coleta, apresentação e análise inicial dos dados obtidos; Análise do Currículo Projetado e Implantado; Análise do Currículo Vivido; Propostas para o aprimoramento da pesquisa no curso. Seguem, então, as considerações finais, onde se tecem comentários necessários e possíveis contribuições deste trabalho. Por fim, apresentam-se as referências que indicam a base utilizada no desenvolvimento desta tese, seguido pelos anexos, apêndices e protocolos, onde constam dados e informações adicionais relevantes. 30 1 O ENSINO SUPERIOR E A EXPANSÃO DOS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO NO BRASIL Conforme já enunciado, este tópico contextualiza o ensino superior no Brasil, analisa o surgimento e reconhecimento da profissão de administrador e a expansão dos cursos de graduação em Administração no Brasil, enfatizando as condições de oferta e de avaliação desses cursos, e verifica, ainda, a legislação referente ao ensino superior e aos cursos de graduação em Administração. O propósito foi o de contextualizar, historicamente, a importância atribuída à pesquisa na graduação no processo de desenvolvimento do ensino superior no Brasil e no curso de Administração. Para tanto, apoiou-se nos seguintes autores: Andrade e Amboni (2004), Bernardes e Marcondes (2003), Covre (1991), Demo (2011), Martins (1989, 2009), Nunes (2007), Oliveira e Sauerbronn (2007), Pimenta e Anastasiou (2002), Pinto (2004), Rothen (2008), Segenreich e Castanheira (2009) e Sguissardi (2004, 2009). 1.1 O Ensino Superior no Brasil O surgimento e o desenvolvimento do ensino superior no Brasil estão estreitamente vinculados às transformações econômicas, sociais, culturais, políticas e ideológicas ocorridas no país. Assim, torna-se impossível analisar o surgimento e desenvolvimento das universidades, cursos, currículos e a docência no Ensino Superior, desconsiderando sua historicidade. Pimenta e Anastasiou (2002) identificam a influência dos modelos europeus – o jesuítico, o francês e o alemão - que tiveram predominância em diferentes momentos históricos. Segundo as autoras, o modelo jesuítico encontra-se na gênese das práticas e modos de ensinar, presentes ainda hoje nas universidades. Para a elaboração do método de ensino, os jesuítas tomaram como referência o método escolástico e o modus parisiensis da Universidade de Paris, baseados na abordagem exata e analítica dos temas a serem estudados, clareza nos conceitos e definições, argumentação precisa e sem digressões, expressão rigorosa, lógica e 31 silogística, onde “o conhecimento, tomado como algo posto, indiscutível, pronto e acabado, devia ser assim repassado, e a memorização era concebida como operação essencial e recurso básico de ensino e aprendizagem” (PIMENTA; ANASTASIOU, 2002, p. 146). Considerando o modelo jesuítico que determina claramente a relação entre professores e alunos, e seus respectivos papéis no processo de ensino e de aprendizagem, não é possível conceber a pesquisa na formação do aluno da graduação, porque o modelo estabelece centralidade na autoridade do professor e propõe uma relação de distanciamento entre professores e alunos no processo de ensino e aprendizagem, totalmente desfavoráveis à criação de um ambiente adequado para a pesquisa. Provavelmente caberia ao professor que detém o conhecimento, além do ensino, a construção de novos conhecimentos por meio da pesquisa, e aos alunos a aprendizagem, obtida a partir da recepção do conhecimento „pronto e acabado‟. No período colonial, até 1808, os estudos eram feitos na Europa, principalmente na Universidade de Coimbra. Nunes (2007) relata que com a chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro, afastando-se das guerras napoleônicas, tornou-se inevitável uma nova organização da corte, formando-se quadros administrativos na então Colônia, o que levou à criação dos primeiros cursos superiores. Segundo o autor, neste processo de estruturação houve três marcantes características: a) o formato da estruturação da educação superior foi derivado do Governo Federal – ascendência do governo central sobre as províncias e, posteriormente, sobre os estados – e para que escolas ou faculdades livres pudessem conceder grau superior era necessária sua equiparação às oficiais, por ato do governo; b) ensino provido para a formação e reprodução de elites – em função das necessidades da burocracia civil e militar - e foram criados os cursos de medicina, direito e engenharia; c) estruturação da educação a partir de faculdades e escolas isoladas. Em 1808, com a criação de escolas isoladas, o modelo adotado foi o franconapoleônico, caracterizado por “uma organização não universitária, mas profissionalizante, centrado em cursos e faculdades, visando à formação de burocratas para o desempenho das funções do Estado” (PIMENTA; ANASTASIOU, 2002, p. 148-149). Segundo as autoras, o modelo - centralizado e fragmentado tinha como finalidade proceder a uma unificação ideológica, sua estrutura 32 impossibilitava e dificultava processos divergentes de pensamento, e ainda atendia prioritariamente a elite. O modelo não altera a forma pela qual se efetiva a relação entre professor, aluno e conhecimento, presentes no modelo jesuítico. Nunes (2007) observa que na reforma da década de 1930, introduziu-se a sistemática de autorização e reconhecimento de cursos e instituições, mediante a qual o Governo Federal regulava e controlava a expansão do setor. Considera, ainda, que apenas na segunda metade do século XX a educação superior foi se expandindo para os segmentos médios da população - fenômeno facilitado pela ascensão de corporações e pela regulamentação das profissões vinculadas à educação superior, com privilégios e prerrogativas decorrentes -, e que iniciou o esboço de uma primeira divisão de trabalho institucional - predominando nos setores públicos federais e estaduais o formato universitário, e no setor privado as faculdades isoladas e integradas. O surgimento de universidades ocorre a partir da década de 1930 – Universidade de Minas Gerais (1930), Universidade de São Paulo (1934), Universidade do Distrito Federal (1934). O desenvolvimento do ensino universitário é fortalecido com a Lei de Diretrizes e Bases - LDB - de 1961, e a reforma universitária de 1968. Rothen (2008) alega que a discussão, elaboração e a aprovação da LDB de 1961 - quando foi instituído o Conselho Federal de Educação, por meio da Lei no 4.024/1961 - ocorreram no período entre 1947 e 1961, que teve como cunho fundamental o acirrado confronto entre os escolanovistas e os católicos, principalmente em relação às seguintes questões: centralização ou não pela União do Processo Educativo; defesa da escola pública versus escola privada; e a vinculação ou não da educação no desenvolvimento econômico. Martins (1989) identifica a expansão do ensino superior no Brasil no período de 1964 a 1980, fazendo a leitura do surgimento de um „novo‟ ensino superior privado a partir da década de 1970, com o surgimento de centenas de novos estabelecimentos que passaram a se organizar como faculdades isoladas, sem adotarem uma estrutura universitária. O autor aborda o ensino superior que emergiu neste processo de expansão como sendo 33 um „campo complexo‟, no qual as instituições universitárias e os novos estabelecimentos surgidos a partir da década de setenta, geralmente como faculdades isoladas privadas, estabelecem não só relações de luta e de concorrência visando a maximização de uma rentabilidade simbólica, mas também a complementaridade em termos de divisão do trabalho intelectual (MARTINS, 1989, p. 12). O autor analisa algumas condições que possibilitaram o surgimento do „novo‟ ensino universitário e as consequências que sua constituição trouxe à estrutura e dinâmica do ensino superior no Brasil, destacando as modificações ocorridas no campo político, em 1964, e sua incidência na elaboração de uma política educacional. Com a derrubada do governo Goulart, o projeto de uma universidade crítica de si mesma e da sociedade, presentes no período populista, sofreria grandes modificações. (...) perderia sua conexão com a criação de um capitalismo „autônomo‟, de coloração nacionalista, para tornar-se um fator instrumental da consolidação de um projeto de desenvolvimento „associado‟ e dependente de centros hegemônicos do capitalismo internacional (MARTINS, 1989, p. 13). Ainda, segundo o autor, a política educacional adotada pelo regime políticomilitar buscou pautar sua ação no sentido de despolitizar o campo acadêmico, neutralizando as ações de grupos estudantis, reprimindo os sindicatos, os partidos políticos e outras associações da sociedade civil, e mantendo rígido controle sob as instituições de ensino. Paralelamente, intensificou o processo de internacionalização do mercado interno, incentivou os investimentos estrangeiros, estreitou laços com os centros hegemônicos do capitalismo internacional e, ao mesmo tempo, estimulou a formação de grandes empresas nacionais – privadas e estatais – identificadas como fontes de tecnologia avançada e fator estratégico. O regime autoritário dedicou-se ao planejamento da reestruturação do ensino universitário, pressionado tanto pelas instituições de ensino - movimentos de professores e estudantes para a modificação das modalidades dos cursos e currículos existentes – quanto por pressões externas no sentido de ampliação do acesso ao ensino superior. Em 1966, o Ministério da Educação e Cultura encomendou ao professor norte-americano Rudolf Atcon a realização de um estudo sobre o ensino superior, o qual configurou-se na escolha dos pensamentos e experiências pedagógicas americanas para reorientar o ensino superior brasileiro e na explicação da influência das experiências norte-americanas para o 34 direcionamento da política educacional nesse período. Além destas recomendações neste estudo, foram constituídas comissões no período entre 1965 e 1968 Comissão Mista1 (1965), Comissão Meira Matos (1967) e o Grupo de Trabalho da Reforma Universitária (GTRU – 1968) – que subsidiaram a elaboração da Lei no 5.540/1968, conhecida como a Lei da Reforma Universitária, fixada pelo Governo Federal, em 28 de novembro de 1968. Em 1968, com esta lei conduzindo as reformas educacionais neste período de ditadura militar, a universidade brasileira recebeu também a influência do modelo alemão ou humboldtiano, assimilados ao sistema de ensino superior norteamericano, cujos elementos destacam a produção do conhecimento e o processo de pesquisa. Pimenta e Anastasiou (2002) afirmam que no período anterior à ditadura militar, as universidades latino-americanas viviam um clima de trabalho que propiciava um pensamento científico, crítico e participativo, até mesmo entre os graduandos dos diversos cursos - cultura esta modificada com a implantação da lei. Segundo as autoras é no período da ditadura militar que ocorre a ruptura entre pesquisa e ensino na graduação. Separa-se aí a pesquisa do ensino, deixando à graduação a responsabilidade de formação dos quadros profissionais – o que reforça o caráter profissionalizante do modelo napoleônico – e destinando à pósgraduação a responsabilidade da pesquisa [...] Reforça-se todo um ambiente adequado a uma pedagogia calcada na transmissão de saberes, num papel docente centralizador, numa relação de reprodução do conhecimento tido como verdadeiro e na não-problematização e crítica da realidade social, cultural, econômica e científica (PIMENTA; ANASTASIOU, 2002, p. 152-153). O modelo humboldtiano das universidades de pesquisa poderiam dar destaque ao processo de pesquisa e produção do conhecimento na graduação, mas como antecipa Sguissardi (2009): Em verdade, o modelo humboldtiano das universidades de pesquisa tem sido muito mais uma vontade registrada em lei do que um fato real. (...) A associação ensino-pesquisa apenas excepcionalmente se verifica fora das IES universidades e mesmo nestas em geral isto ocorre nas que possuem sistemas de pós-graduação consolidados, o que reduz esse percentual a talvez 5% das IES do país ou 30% das universidades, públicas em sua quase totalidade (SGUISSARDI, 2009, p. 31). 1 Nomeada pelo Ministério da Educação e pela agência educacional norte-americana Usaid, em 1965 – formada por cinco assessores educacionais americanos e cinco professores brasileiros. 35 Em função do objetivo deste trabalho, ao analisar o surgimento e reconhecimento da profissão de administrador e o processo de expansão dos cursos de Administração - abordados nos itens 1.2 e 1.3, a seguir - nota-se que a regulamentação da profissão ocorreu em 1967 e que a expansão dos cursos se deu a partir da década de 1970. Assim, a maioria dos cursos foram criados após a Lei no 5.540/1968 e, portanto, em um momento de reforço do caráter profissionalizante do ensino superior e de distanciamento entre o ensino - na graduação, e a pesquisa na pós-graduação. Martins (2009) identifica que a Reforma Universitária de 1968 teve efeitos paradoxais em relação ao ensino superior no Brasil. Entre as vantagens, identifica: a modernização de uma parte significativa das universidades federais e determinadas instituições estaduais e confessionais, que incorporaram gradualmente as modificações acadêmicas propostas pela Reforma; a criação de condições propícias para a articulação das atividades de ensino e de pesquisa; a extinção das cátedras vitalícias e a introdução do regime departamental; a institucionalização da carreira acadêmica e a legislação pertinente que acoplou o ingresso e a progressão docente à titulação acadêmica; a criação de uma política nacional de pós-graduação, que gerou seu fortalecimento tornando-se um instrumento fundamental de renovação do ensino superior no país, impulsionando o programa de iniciação científica que tem contribuído para articular pesquisa e ensino de graduação; e, a formação de novas gerações de pesquisadores. Por outro lado: [...] abriu condições para o surgimento de um ensino privado que reproduziu o que Florestan Fernandes denominou o „antigo padrão brasileiro de escola superior‟, ou seja, instituições organizadas a partir de estabelecimentos isolados, voltados para a mera transmissão de conhecimentos de cunho marcadamente profissionalizante e distanciados da atividade de pesquisa, que pouco contribuem com a formação de um horizonte intelectual crítico para a análise da sociedade brasileira e das transformações de nossa época (FERNANDES, 1975 apud MARTINS, 2009, p.15). Segundo Martins (1989), a iniciativa privada não confessional, depois de ter desfrutado de condições propícias para a expansão do ensino primário e secundário durante as décadas de 1940 e 1950, encontrava-se comprimida no final da década de 1960 em função do crescimento da rede pública. Percebendo a existência de uma demanda reprimida no ensino superior, assim como uma atitude favorável dos 36 governantes à entrada da iniciativa privada para neutralizar a questão dos „excedentes‟, passaram a investir na abertura de novas instituições. Diferencia ainda, o „novo‟ ensino superior no Brasil – sistema estruturado nos moldes de empresas educacionais voltadas para a obtenção do lucro econômico e para o rápido atendimento de demandas do mercado educacional, convertendo sua clientela em consumidores educacionais - das instituições particulares que já vinham desenvolvendo suas atividades no campo pedagógico, desde o período anterior a sua expansão. Segundo o autor: Estes estabelecimentos eram basicamente mantidos pelas universidades confessionais, principalmente pelas universidades católicas, e, enquanto tendência, não se pautavam como empresas capitalistas regidas pela lógica de acumulação do capital econômico (MARTINS, 1989, p. 39). Oliveira e Sauerbronn (2007) alegam que a década de 1970 foi marcada por um crescimento desordenado do ensino de graduação, sem qualquer subordinação à regras de qualidade ou de avaliação de desempenho. Nesse sentido, houve uma multiplicação de escolas isoladas e faculdades com pouca qualidade, levando o Conselho Federal de Educação a suspender o recebimento de registro dessas instituições e promovendo a revisão das normas. Segundo as autoras, durante quase uma década o sistema de ensino superior ficou estagnado e no período de 1980 a 1990, já que o ensino superior público não acompanhou o crescimento populacional, as matrículas nas instituições privadas de ensino superior elevaram-se de forma exponencial como forma de atender esta reprimida demanda. Em 1996 foi aprovada a LDBEN – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei no 9.394/1996. Segenreich e Castanheira (2009) analisaram o processo de expansão, privatização e diferenciação da educação superior no Brasil pós LDBEN/96, a partir de publicações do INEP, que apresentava uma série de dados do Censo da Educação Superior no período entre 1991 e 2004, e o processo de análise realizada por pesquisadores ligados ao Grupo de Trabalho de Políticas da Educação Superior da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação – ANPEd. Os autores avaliaram os indicadores do ensino superior no Brasil – número de instituições e de cursos, vagas oferecidas, candidatos inscritos, ingressantes, 37 matrícula, concluintes, funções docentes, e funcionários técnico-administrativos referentes a dois períodos: de 1991 a 1996 - período anterior a LDBEN -, e de 1996 a 2004. Constataram que todos os índices apresentaram crescimento nos dois períodos, havendo significativo aumento no período pós LDBEN, sendo que o índice de crescimento de vagas foi muito superior ao índice de crescimento de candidatos inscritos e estava associado ao processo de privatização do ensino superior. Segundo os autores, tal procedimento “está trazendo novos atores para o processo de expansão da educação superior” (SEGENREICH; CASTANHEIRA, 2009, p. 58). Em relação ao número de cursos existentes, os autores identificaram o aumento da oferta de novos cursos de graduação: até 1996 existiam 6.644 cursos de graduação e, em 2006, o Censo de Educação identificou 22.101 cursos em funcionamento - crescimento atribuído principalmente à iniciativa privada. Analisando o período como um todo, os autores observaram que embora a oferta de vagas tenha aumentado substancialmente, o número de inscritos sofreu uma queda no percentual de crescimento, que pode ser atribuída “à incapacidade por parte da população de arcar com o financiamento de sua educação superior nas IES privadas” (SEGENREICH; CASTANHEIRA, 2009, p. 64), o que também justifica o aumento significativo de vagas ociosas nas IES privadas. Em relação à taxa de crescimento das instituições de ensino superior por categoria administrativa, os autores verificaram um crescimento de 146,2% em dez anos, associado à expansão do ensino privado. No período de 1996 a 2001 identificaram a retração do setor público em 14,3%, em contraste com a expansão de 69,9% de IES da iniciativa privada. Pinto (2004) observa que a participação do setor privado nas matrículas no Brasil é quase três vezes maior do que a média dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE -, e conclui: (...) o modelo de expansão da educação superior adotado no Brasil, em o especial a partir da Reforma Universitária de 1968 (Lei n 5.540/68), em o plena ditadura militar, e intensificado após a aprovação da LDB (Lei n 9.394/96), no governo Fernando Henrique Cardoso, que teve como diretriz central a abertura do setor aos agentes do mercado, não logrou sequer resolver o problema do atendimento em níveis compatíveis com a riqueza do país além de ter produzido uma privatização e mercantilização sem precedentes, com graves conseqüências sobre a qualidade do ensino oferecido e sobre a eqüidade (PINTO, 2004, p. 730). 38 No período entre 2001 e 2006 houve uma pequena recuperação do setor público, principalmente em função da criação de Centros de Educação Tecnológica. A ênfase das políticas públicas de expansão voltou-se para o setor público da educação superior, forçando um processo de diferenciação de cursos e modalidades de ensino, tanto nas universidades federais como nos centros de educação tecnológica. No caso das universidades federais, a Universidade Aberta do Brasil é uma das políticas mais incisivas de inserção da EAD na educação superior, como expansão, caracterizada no discurso oficial com estratégia de democratização do ensino. O Programa, iniciado em 2006, envolve hoje 74 instituições (WEBER, 2008), dispõe de 562 polos espalhados por todo o país e oferece 67 mil vagas (SEGENREICH; CASTANHEIRA, 2009, p. 82). Enquanto política pública de expansão da educação superior, por intermédio da Medida Provisória no 213, de 2004, e da Lei no 11.096, de 2005, foi criado o Programa Universidade para Todos – PROUNI -, que oferece bolsas de estudos em IES privadas, com desconto parcial ou integral para estudantes de baixa renda, sem diploma de nível superior. Na opinião de Segenreich e Castanheira (2009) o programa recebeu muitas críticas por representar o aprofundamento da privatização no ensino superior. Observam ainda que até 1996, em termos de classificação das IES, não havia diferenciação da rede privada. A partir da LDBEN/96 novas formas de organização foram institucionalizadas. Nesse sentido, em 1997 as estatísticas do INEP passam a apresentar dois subgrupos: instituições privadas particulares, com fins lucrativos, e instituições privadas confessionais, comunitárias e/ou filantrópicas, que se declaram sem fins lucrativos. A partir de tal classificação, constataram o crescimento de faculdades isoladas, o movimento de migração das IES em termos de organização acadêmica em função do processo de evolução de algumas dessas faculdades integradas até tornarem-se universidades, e o surgimento de três novas formas de IES: Centros Universitários, a partir de 1997; Centros de Educação Tecnológica; e Faculdades de Tecnologia, a partir de 1999. (...) a expansão das instituições particulares, principalmente universidades e centros universitários, vem trilhando caminhos alternativos, em termos de tipo de curso oferecido – cursos superiores de tecnologia – e/ou modalidade de ensino – educação a distância. Nesse ponto, privatização e diferenciação se complementam, na perspectiva mercadológica que domina a expansão do ensino superior no Brasil (SEGENREICH; CASTANHEIRA, 2009, p. 58). 39 Outro relevante aspecto destacado pelos autores é a tendência de encurtamento da formação superior e sua vinculação imediatista ao mercado de trabalho, como, por exemplo, os cursos superiores de tecnologia, considerados como cursos de graduação, no mesmo nível do bacharelado e licenciatura, que garantem a continuidade dos estudos em pós-graduação – lato sensu e strito sensu – tal fato representa um perigo para o sistema de educação superior, visto por Sguissardi (2004) como o lócus de construção e socialização do conhecimento e de formação do cidadão crítico. Analisando o número total de instituições por dependência administrativa, em 1988 as instituições públicas correspondiam a 27%. Após dez anos, 1998, em função da expansão do ensino superior privado, 78% eram privadas e 22% públicas. Os dados do Censo da Educação Superior de 2009 indicam a existência de 2.314 instituições de ensino superior no país, 28.671 cursos de graduação presenciais e a distância, e 5.954.021 alunos matriculados, sendo 2.065.082 ingressantes e 959.197 concluintes. Os cursos presenciais representam 85,92% do total de matrículas, enquanto que para a Educação a Distância o percentual é de 14,07%. O relatório aponta a distribuição de IES por categoria administrativa em 2009, sendo 89,4% de instituições privadas e 10,6% de instituições públicas - não apresentando alterações significativas em relação aos anos anteriores -, conforme é demonstrado na tabela a seguir. Tabela 1 – Evolução do Número de Instituições da Educação Superior por Categoria Administrativa – Brasil – 2004 - 2009 Ano Total Pública Total % Federal % Privada Estadual % Municipal % % 2004 2.013 224 11,1 87 4,3 75 3,7 62 3,1 1.789 88,9 2005 2.165 231 10,7 97 4,5 75 3,5 59 2,7 1.934 89,3 2006 2.270 248 10,9 105 4,6 83 3,7 60 2,6 2.022 89,1 2007 2.281 249 10,9 106 4,6 82 3,6 61 2,7 2.032 89,1 2008 2.252 236 10,5 93 4,1 82 3,6 61 2,7 2.016 89,5 2009 2.314 245 10,6 94 4,1 84 3,6 67 2,9 2.069 89,4 2 Fonte: Censo da Educação Superior/DEED/MEC/INEP . 2 Disponível em: <http://download.inep.gov.br/download/superior/censo/2009/resumo técnico2009.pdf>. p. 13. Acesso em: 26 jul. 2011 40 No entanto, os dados da Evolução da Educação Superior – graduação3 – para o período de 1980 a 2007 do Censo Educação Superior, e o Resumo Técnico4 do Censo da Educação Superior de 2009, demonstram a continuidade da expansão do ensino superior privado, principalmente na última década, conforme exposto na tabela que segue. Tabela 2 – Evolução do Número de Instituições de Educação Superior no Brasil nas últimas quatro décadas Ano Total Geral Instituições de Educação Superior - Brasil Públicas % Cresc. % Privadas % Cresc. % 1980 882 200 22,68 - 682 77,32 - 1990 918 222 24,18 11,00 696 75,82 2,05 2000 1.180 176 14,92 -20,72 1.004 85,08 44,25 2009 2.314 245 10,59 39,20 2.069 89,41 106,07 Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Evolução da Educação Superior – Graduação – Período de 1980 a 2007 do Censo Educação Superior. Resumo Técnico – Censo da Educação Superior de 2009. As Instituições de Educação Superior estão classificadas por organização acadêmica: 186 universidades (8%), 127 centros universitários (5,5%), 1.966 faculdades (85%) e 35 Institutos Federais e CEFETs – Centros Federais de Educação Tecnológica (1,5%). A análise efetuada demonstra alguns fatores que são necessários considerar em função da natureza deste trabalho. O Governo Federal, historicamente, é o órgão responsável pelo ensino superior no Brasil, e sua expansão, a partir da década de 1970, sucedeu-se em função das políticas públicas que privilegiaram a iniciativa privada. Este processo de expansão foi prolongado nas décadas seguintes, por meio da criação de novas instituições privadas, cuja organização acadêmica predominante é a de faculdade. Os dados apresentados demonstram, ainda, que a maioria destas instituições permanece como faculdade até a presente data. Pimenta e Anastasiou (2002) afirmam que as faculdades integradas reúnem instituições 3 de diferentes áreas do conhecimento, oferecendo ensino e, Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/web/censo-da-educacao-superior/evolucao-1980-a-2007>. Acesso em: 29 jul. 2011. 4 Disponível em: < http://download.inep.gov.br/download/superior/censo/2009/resumo_tecnico2009.pdf>. Acesso em: 29 jul. 2011. 41 ocasionalmente, extensão e pesquisa, já os centros universitários são caracterizados pelo ensino de excelência, e os institutos ou escolas superiores, além do ensino, podem ou não fazer pesquisa. Portanto, somente as universidades são caracterizadas pelo compromisso com o ensino, extensão e pesquisa, e contam com um número expressivo de mestres e doutores; e como já abordado, mesmo nestas instuições normalmente a pesquisa cabe à pós-graduação. O crescimento quantitativo de instituições e cursos superiores, por um lado, permitiu o acesso a tal nível de educação para os segmentos da sociedade menos favorecidos; por outro, o formato que se configurou no ensino superior na graduação no Brasil foi o de uma formação profissionalizante voltada para o atendimento das demandas do mercado de trabalho. O censo de Educação de 2009 aponta, ainda, que o curso de graduação em Administração ocupa a primeira colocação em número de matrículas nos cursos presenciais, e segunda colocação em EAD – Educação a Distância, totalizando 1.102.579 matrículas, o que corresponde a 18,5% do total - sendo 874.076 (79,28%) em cursos presenciais e 228.503 (20,72%) em EAD. Assim, o curso de Administração, em função de sua alta demanda, tornou-se atrativo à iniciativa privada, e a expansão dos cursos de Administração se dá nesse cenário, conforme é analisado nos tópicos subsequentes. 1.2 Surgimento e Reconhecimento da Profissão de Administrador O Conselho Regional de Administração de São Paulo5, ao resgatar o histórico da implantação da profissão no Brasil, afirma que foram necessários quase 25 anos desde a criação do primeiro curso no país, em 1941, até a promulgação da Lei nº 4769, em 09 de setembro de 1965, que instituiu como profissão de nível superior, pois até então seus profissionais eram “Técnicos em Administração” - denominação que transmitia conotação de formação escolar de nível médio. 5 Disponível em: <http:// www.crasp.com.br>. Acesso em: 04 abr. 2008. 42 Ainda assim, a justa aspiração dos formandos em cursos de administração no Brasil, e dos que, embora não graduados, já se dedicavam à atividade só foi totalmente atendida mais de dois anos após a publicação da Lei, através da edição do Decreto nº 61.934, de 22 de dezembro de 1967 que a regulamentou. Bernardes e Marcondes (2003), ao abordarem a institucionalização da Administração no Brasil, afirmam que a regulamentação da profissão no país ocorreu por intermédio de Lei Federal que criou o Conselho Federal da Administração – CFA – na forma de autarquia subordinada ao Ministério do Trabalho, para fiscalizar o exercício da ocupação do administrador, coordenando cada Conselho Regional de Administração nos Estados da Federação, os CRAs. Em relação ao início das escolas de Administração no Brasil, os autores alegam que depois de regulamentar a profissão era preciso legislar sobre os cursos do bacharelado correspondente, o que foi realizado em 1966 pelo Ministério da Educação. E complementam: Essa rápida pincelada na institucionalização do administrador não pode deixar de lado as Escolas de Administração no Brasil. Seu início remonta à década de 50, quando as empresas multinacionais passaram a construir fábricas no país e o Governo a investir maciçamente na fundação de empresas estatais dentro do „modo de produção capitalista do Estado‟, momento esse que surgiu a necessidade do administrador profissional. Com isso as escolas se multiplicaram para fornecer mão-de-obra para os cargos gerenciais médios, com possibilidade de ascensão na carreira, especialmente nas grandes empresas. Por essa origem, os modelos ensinados eram os americanos, com ênfase em multinacionais como General Motors e outras (BERNARDES e MARCONDES, 2003, p. 24) [grifos nossos]. O surgimento dos cursos de graduação em Administração está atrelado ao processo de desenvolvimento econômico, à implantação de empresas multinacionais no país, e à criação de empresas estatais. Assim, é um curso de cunho prático que vêm atender a demanda de formação de pessoal para estas organizações. Com as multinacionais, os modelos e técnicas de gestão desenvolvidos em outros países são utilizados para o ensino da Administração, o que explica a predominância de disciplinas instrumentais e de formação profissional no currículo mínimo fixado a partir do reconhecimento da profissão, conforme é analisado no item 1.4 deste trabalho. Para Andrade e Amboni (2004) o ensino da Administração no Brasil tem uma história muito breve, principalmente se comparada à dos Estados Unidos, onde os primeiros cursos na área surgiram no final do século XIX. No Brasil iniciou-se em 43 1952, com a criação da Escola Brasileira de Administração Pública (EBAPE), no Rio de Janeiro, pela Fundação Getúlio Vargas. Os autores concordam com Covre (1991) no sentido de que a origem do ensino em Administração está vinculada ao processo de desenvolvimento econômico e formação social do país, e a consequente necessidade de formação de especialistas. Segundo a autora, a implantação e evolução dos cursos de Administração apresentam-se como uma faceta do desenvolvimento da ideologia neocapitalista. A complexidade do processo de desenvolvimento está relacionada ao uso crescente da técnica, seja ela maquinaria ou organizatória, o que torna imprescindível a necessidade de um contingente cada vez maior de profissionais especializados para as diferentes funções de controlar, analisar e planejar as atividades empresariais, e para as atividades do planejamento estatal (COVRE, 1991, p. 60). Nessa perspectiva, a autora afirma que para a compreensão da formação e ideologia do administrador de empresa, torna-se necessário uma abordagem da conceituação de ideologia capitalista e da burocracia, tendo em vista que os administradores são ou serão futuros componentes da máquina burocrática e incorporadores desta ideologia. Também considera os cursos de Administração como centros criadores e prováveis transmissores desta ideologia. Como foi explicitado no item 1.1, o surgimento e o reconhecimento da profissão podem ser associados ao momento da ditadura militar, após a Lei nº 5.540/68, onde ocorreu uma ruptura entre ensino e pesquisa na graduação – um ensino profissionalizante na graduação e destinando a responsabilidade da pesquisa para a pós-graduação -, fatores que propiciam um clima desfavorável ao pensamento científico, crítico e participativo no curso, bem como um ensino centrado no professor e voltado à reprodução do conhecimento. Outrossim, a experiência profissional do professor do curso se sobrepôs à titulação, predominando a existência de professores e especialistas sem pós-graduação, conforme é demonstrado por meio dos dados históricos no Censo da Educação 6, ratificando quase vinte e cinco anos após a criação do curso, em 1990, o grau de formação dos professores do ensino superior no Brasil. 6 Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/web/censo-da-educacao-superior/evolucao-1980-a-2007>. Acesso em: 29 jul. 2011. 44 Tabela 3 – Grau de Formação dos Professores do Ensino Superior – Ano 1990 – Brasil Grau de Formação Total % % Acumulada Sem Pós-Graduação 45.352 34,5 34,5 Especialização 41.597 31,6 66,1 Mestrado 27.753 21,1 87,2 Doutorado 16.939 12,9 100 Total 131.641 100% - Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Evolução da Educação Superior – Graduação – Período de 1980 a 2007 do Censo Educação Superior. Analisando a criação do curso e sua expansão na década de 1970, Covre (1991) entende que devemos buscar suas raízes no processo do desenvolvimento econômico, iniciado de forma embrionária com a revolução de 1930, no governo Getúlio Vargas, e prosseguindo em curso ascendente no governo Kubitschek (19561960). A autora afirma: Os governos Vargas (1930-1945 e 1950-1954) são representativos de um projeto social de desenvolvimento, progressista, „não negador do capitalismo‟, mas com a opção do possível histórico – capitalismo „autônomo‟, tendo como eixos a „industrialização‟ e o „planejamento‟ econômico do Estado. A valorização do planejamento estatal e implícita a defesa do técnico, que possibilitará à ação estatal maior racionalidade (COVRE, 1991, p. 62-63). Ainda, segundo Covre (1991), os governos Vargas (1930-1945 e 1950-1954) tiveram como eixos a industrialização e o planejamento econômico do Estado. Alguns aspectos marcam este período, tais como: a valorização do planejamento estatal, com a incorporação de técnicas; a emergência „de uma nova figura - o assessor técnico‟, tendo como objetivo a busca de maior racionalidade no processo de industrialização; e a valorização do processo de burocratização. Andrade e Amboni (2004) consideram a importância do “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova” que, em 1932, abordava a necessidade de outros cursos universitários, até então restritos à formação de engenheiros, médicos e advogados. Para os autores, a grande preocupação com os assuntos econômicos teve seu marco em 1943, com a realização do primeiro Congresso Brasileiro de Economia, que manifestou grande interesse pela industrialização do país, postulando iniciativas concretas por parte do Estado com o intuito de motivar a 45 pesquisa de assuntos econômicos, estudos que até então eram realizados no curso de Direito, na disciplina de Economia, considerada de „formação geral‟. Em 1945, Gustavo Capanema propôs a criação de dois cursos universitários: Ciências Contábeis e Ciências Econômicas. Segundo os autores, o documento encaminhado à Presidência da República fez com que os cursos de Economia tivessem um caráter de especialização e não de natureza genérica, alegando que “(...) as atividades de direção e orientação, tanto dos negócios públicos como empresariais, haviam atingido um nível de maior complexidade, exigindo de seus administradores e técnicos conhecimentos especializados” (ANDRADE; AMBONI, 2004, p. 2). Destacam, ainda, a criação do Departamento de Administração do Serviço Público – DASP -, em 1938, com a finalidade de estabelecer um padrão de eficiência no serviço público federal e criar canais mais democráticos no recrutamento de recursos humanos para a administração pública por meio de concursos de admissão, e a criação da Faculdade de Economia e Administração – FEA - da Universidade de São Paulo - USP, com o objetivo de “formar funcionários para os grandes estabelecimentos de administração pública e privada” (MARTINS, 1989, apud ANDRADE; AMBONI, 2004, p. 3-4). Conforme relatam os autores, o DASP sugeriu ao Governo Federal a criação de uma entidade que se ocupasse „do estudo racional do trabalho e do preparo de pessoal qualificado para a administração pública e privada‟, e que deu origem à Fundação Getúlio Vargas, em 1944, pelo Decreto-Lei nº 6.693, onde surgiram os primeiros institutos de investigação sobre assuntos econômicos do país, com o propósito de fornecer resultados para as atividades do setor estatal e privado. Andrade e Amboni (2004) observam, ainda, que a criação da Fundação Getúlio Vargas ocorreu em um momento no qual o ensino superior brasileiro deslocava-se de uma tendência europeia para uma tendência norte-americana. Em 1948, representantes da FGV visitaram 25 universidades norte-americanas e realizaram encontros com estes professores, com o objetivo de criar uma escola voltada ao treinamento de especialistas em administração pública, resultando na criação da Escola Brasileira de Administração Pública - EBAPE -, em 1952, no Rio de Janeiro. Posteriormente, preocupou-se com a criação de uma escola destinada especificamente à preparação de administradores de empresas vinculada ao mundo empresarial, resultando na criação da Escola de Administração de Empresas de São Paulo – EAESP -, em 1954. Embora o reconhecimento da profissão somente ocorra 46 na década seguinte, Covre (1991) identifica que no período de 1955 a 1958 a EAESP realizou seu primeiro curso de graduação em Administração de empresas. Covre (1991) considera que o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1960) representou uma importante fase de nosso desenvolvimento, em função da política econômica de tipo internacionalista que adotou. O Plano de Metas contemplava um programa de formação de pessoal técnico, existindo grande ênfase na necessidade do „ensino profissionalizante‟, que só foi concretizado após 1968. Segundo a autora, no pensamento representado por Kubitschek, a industrialização somente seria possível no contexto da interdependência e associação. (...) Enquanto o projeto „nacionalista‟ de desenvolvimento do modelo anterior teve suas realizações a nível estrutural (Petrobrás é o exemplo marcante), o compromisso com o nacionalismo, no governo Juscelino, foi apenas ideológico, com suporte na atuação dos partidos, de eleições, dos sindicatos, enquanto estruturalmente estava grandemente engajado ao capital estrangeiro, principalmente com o desenvolvimento da indústria automobilística (COVRE, 1991, p. 66). Assim, após 1968 concretizava-se um projeto de desenvolvimento capitalista „interdependente‟ ou „associado‟, com o tipo de desenvolvimento baseado na tendência à grande empresa - basicamente multinacionais e estatais. A referida autora acrescenta que apenas no Governo Castelo Branco iniciou-se um processo de burocratização „racional‟ e a utilização de uma técnica administrativa „racional‟, condizente com o desenvolvimento brasileiro. Nesse contexto se dá o reconhecimento da profissão de administrador, em 1965, e a regulamentação da profissão em 1967, associado ao processo de desenvolvimento econômico, marcado por grandes empresas nacionais e multinacionais, pelo processo de „burocratização‟ e „racionalização‟ de empresas, e pela necessidade de mão-de-obra especializada para atender a demanda do mercado, que conforme observa a autora, o ensino superior volta-se para o propósito de atender „os interesses imediatos‟ do processo econômico, cujo resultado é o ensino profissionalizante. A autora enfatiza: É a transformação do estudante em um professor pouco „pensante‟, e é principalmente a sua transformação em técnico aplicador de tecnologia em sua maior parte importada, e não mais em um possível, também, futuro pesquisador, cientista (COVRE, 1991, p. 76). 47 A história do surgimento e o reconhecimento da profissão de administrador relacionam-se ao processo de industrialização e desenvolvimento econômico no país. Com o ingresso das multinacionais e a criação de empresas estatais, torna-se necessária a qualificação de mão-de-obra para os cargos gerenciais médios dessas organizações, surgindo a necessidade do administrador profissional. Os modelos utilizados para a gestão das empresas americanas são utilizados como referência à formação do administrador. O processo de industrialização no país ocorreu mediante a importação de tecnologias desenvolvidas em tais países. Este modelo demonstra que com a ênfase no ensino de técnicas de gestão já desenvolvidas em outros países, predomina uma formação prática para o atendimento das necessidades de mão-de-obra destas organizações, onde podemos pressupor a „pesquisa‟ como a apreensão dos conhecimentos já produzidos em outros países, a formação do administrador concebida por meio do ensino destes modelos, e, ainda, a experiência profissional como principal requisito de formação de professores. Assim, esta formação representa, neste momento, o ensino de modelos já desenvolvidos em outros países para que possam ser reproduzidos nessas organizações, onde nota-se que não há a preocupação com a produção do conhecimento na Administração, ou seja, é proposta uma formação técnica que deva ser aprendida e aplicada à gestão das organizações para o atendimento de suas necessidades – principalmente para as multinacionais e empresas estatais. 1.3 Expansão dos Cursos de Graduação em Administração no Brasil Como a expansão do ensino superior está vinculada às políticas educacionais do Governo Federal, a partir da análise da criação dos cursos de Administração na cidade de São Paulo (Apêndice A) foi elaborado o quadro que segue, considerando os períodos de gestão do Governo Federal e a taxa de crescimento da oferta do curso de graduação em Administração. 48 Quadro 1 – Expansão dos Cursos de Administração na Cidade de São Paulo por Gestão Presidencial – Período de 1961 a 2009 Período Presidente Novos Cursos Cursos Existentes Taxa Crescimento (%) 1961-1964 João Goulart 02 04 100 1964-1967 Castelo Branco (militar) 01 05 25 1967-1969 Costa e Silva (militar) 01 06 20 1969-1969 Junta Governativa Provisória (militar) - - - 1969-1974 Emilio Médici (militar) 15 21 250 1974-1979 Ernesto Geisel (militar) 03 24 14,29 1979-1985 João Figueiredo (militar) 01 25 4,16 - Tancredo Neves - - - 1985-1990 José Sarney 05 30 20 1990-1992 Fernando Collor 02 32 6,67 1992-1995 Itamar Franco 03 35 9,38 1995-2003 Fernando Henrique Cardoso 38 73 108,56 2003-2009 Luís Inácio Lula da Silva 26 99 35,62 Fonte: Elaborado pela pesquisadora. É possível constatar que até 1969 havia 06 (seis) cursos de Administração na cidade de São Paulo. Na década de 1970 foram criados 15 (quinze) novos cursos, representando uma expansão de 250% que vêm a atender as necessidades de formação de mão-de-obra para as empresas que estavam se estabelecendo no país. Nesse sentido, Covre (1991) analisa o „surto do ensino superior‟, na década de 1970 - no qual o ensino de Administração, Economia e Ciências afins tiveram grande destaque quantitativo em função do processo de concentração de empresas, resultante do transplante das subsidiárias das empresas multinacionais para o país, e do embate da indústria nacional frente à concorrência, cujas consequências são a associação entre empresas nacionais ou associação ao capital estrangeiro e o processo de burocratização de empresas. Na medida em que as empresas ultrapassam certa dimensão, se „modernizam‟, passam a utilizar mais técnica capital-intensivo, liberando conseqüentemente mão-de-obra direta, tendo de aumentar o „pessoalindireto‟, o que significa burocratização e racionalização da empresa, maior demanda de profissionais habilitados a exercer funções administrativas complexas (COVRE, 1991, p. 72). 49 A autora presume que a política de „democratização do ensino‟ e o incentivo do governo às faculdades particulares na ampliação de oferta atendem não só ao problema de vagas, ao acesso ao ensino superior enfrentado pelo Governo Federal, e à busca de ascensão social das classes médias por meio da universidade, mas também à necessidade de mão-de-obra especializada exigida pelo processo econômico. No período entre 1981 e 1990, observamos uma retração na expansão dos cursos de Administração na cidade de São Paulo. No entanto, percebemos que no período de 1974 a 1990, a criação de novos cursos de Administração sucedeu de forma gradativa: em 1974 havia 21 cursos e, em 1990, 35 cursos, representando um crescimento de 66,66% em dezesseis anos. Bernardes e Marcondes (2003) afirmam que a saturação do mercado de administradores - causada pelo aumento desmedido do número desses profissionais e pela recessão econômica -, iniciada na década de 1980, fez com que o número de escolas se estabilizasse e, ao mesmo tempo, o ensino sofreu ampliação ao incluir outros modelos administrativos, a exemplo do modelo japonês de administração, e ao enfatizar a empresa brasileira, inclusive as de pequeno e médio porte. Nesta situação apresenta-se, também, o fato de algumas escolas mais conhecidas terem incluído em seus currículos disciplinas destinadas a formar administradores capazes de gerir seus próprios negócios, como empreendedores ou empresários, para não mais permanecerem como simples empregados. A ampliação de modelos administrativos nos currículos do curso na década de 1980 acontece dentro de um contexto de estabilização do número de instituições de ensino superior, com uma preocupação voltada aos assuntos relacionados às empresas no Brasil, e com uma formação voltada ao empreendedorismo. Tal ampliação representou uma oportunidade para o desenvolvimento de novas propostas de formação do administrador, com a abordagem de outros conteúdos voltados à administração de outros tipos de organização. Apesar dessa retração, segundo o Censo da Educação (análise da evolução no período de 1988 a 1989), o curso de Administração já ocupava em 1988 o segundo lugar em maior número de inscrições no vestibular no Brasil, com 9,65% do total. Em 1998, ocupava o segundo lugar em inscrições no vestibular (9,7%), no total de matrículas (12,1%) e de concluintes (11,5%), e o primeiro lugar em vagas com 12,8% do total. 50 Segundo o Conselho Federal de Administração – CFA, em 2009 havia 1.682 cursos de Bacharelado em Administração no Brasil, em 25 Estados da Federação, demonstrados no quadro a seguir. Quadro 2 – Número de cursos de graduação em Administração no Brasil em 2011, por região geográfica Estado Nº de Cursos % % Acumulado SP 480 28,54 28,54 PR 168 9,99 38,53 MG 163 9,69 48,22 RS 114 6,78 55,00 RJ 99 5,89 60,89 BA 98 5,83 66,72 SC 96 5,71 72,43 GO 65 3,86 76,29 ES 62 3,67 79,96 DF 47 2,79 82,75 MT 41 2,44 85,19 PA 29 1,72 90,83 PI 22 1,31 92,14 RO 22 1,31 93,45 RN 21 1,25 94,70 PB 19 1,13 95,83 TO 17 1,01 96,84 AL 16 0,95 97,79 AM 15 0,89 98,68 SE 11 0,65 99,33 RR 06 0,36 99,69 AC 05 0,31 100 TOTAL 1.682 100 100 7 Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Conselho Federal de Administração . O incentivo do governo às faculdades particulares na ampliação de oferta, abordado por Covre (1991), é predominante em 2009. Dos 480 (quatrocentos e oitenta) cursos de bacharelado em Administração no Estado de São Paulo, 99 7 Disponível em: <http://www.cfa.org.br>. Acesso em: 14 ago. 2009. 51 (noventa e nove) são ofertados na cidade de São Paulo e oferecidos por instituições classificadas, a seguir, quanto à Categoria Administrativa. Quadro 3 – Número de instituições com cursos de graduação em Administração na cidade de São Paulo, em 2009, por Categoria Administrativa Categoria Administrativa Nº de Instituições % Total Pública Estadual 01 1 Privada Confessional Filantrópica e/ou Comunitária 19 19,2 Privada Particular 79 79,8 Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Segundo o artigo 19 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, as instituições de ensino são classificadas nas seguintes categorias administrativas: públicas, assim entendidas as criadas ou incorporadas, mantidas e administradas pelo Poder Público, e privadas, assim entendidas as mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. Em seu artigo 20, as instituições privadas enquadram-se nas seguintes categorias: particulares no sentido estrito, assim entendidas as que são instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado e que não apresentem as características dos incisos abaixo; comunitárias, as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas, inclusive cooperativas educacionais, sem fins lucrativos, que incluam, na sua entidade mantenedora, representantes da comunidade (Redação dada pela Lei nº 12.020, de 2009); confessionais, as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendam a orientação confessional e ideologia específica e ao disposto no inciso anterior; e filantrópicas, na forma da lei. Esta análise reforça a continuidade da política de expansão do ensino superior, iniciada na década de setenta e baseada em faculdades isoladas, onde aproximadamente 80% das instituições que oferecem o curso de graduação em Administração na cidade de São Paulo são privadas e particulares. O quadro a seguir demonstra a classificação das instituições, segundo as prerrogativas acadêmicas. Podemos observar que 57,6% Administração em São Paulo são oferecidos por faculdades. dos cursos de 52 Quadro 4 – Número de instituições com cursos de graduação em Administração da cidade de São Paulo, em 2009, por tipo de instituição Tipo de Instituição Nº de Instituições % Total % Acumulado Faculdades 57 57,6 - Escolas 07 7,0 64,6 Institutos 02 2,0 66,6 Centros Universitários 16 16,2 82,80 Universidades 17 17,2 100 Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Em relação à organização e respectivas prerrogativas acadêmicas, as instituições de educação superior são credenciadas como faculdades, centros universitários e universidades, de acordo com o Decreto nº 5.773/06, que dispõe o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores de graduação e sequenciais no sistema federal de ensino8. De acordo com o referido decreto, as universidades e centros universitários credenciados têm autonomia para criar, organizar e extinguir cursos e programas de educação superior em sua sede. As universidades caracterizam-se pela indissociabilidade das atividades de ensino, de pesquisa e de extensão, e são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do saber humano, que retratam a produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes, tanto do ponto de vista científico e cultural quanto regional e nacional; um terço do corpo docente, pelo menos, possui titulação acadêmica de mestrado ou doutorado; um terço do corpo docente atua em regime de tempo integral. Os centros universitários são instituições de ensino superior pluricurriculares, abrangendo uma ou mais áreas do conhecimento, que caracterizam-se pela excelência do ensino oferecido, comprovada pela qualificação do seu corpo docente e pelas condições de trabalho acadêmico oferecido à comunidade escolar. Em função dos objetivos deste trabalho, identifica-se a importância da pesquisa atribuída basicamente às universidades, por intermédio das características 8 Disponível em: <http://portal.mec.gov.br>. Acesso em: 01 dez. 2009. 53 aqui mencionadas, e pelo fato de que 17% dos cursos de Administração da cidade de São Paulo são oferecidos por universidades. Ainda, segundo o decreto mencionado, a criação de universidades privadas se dará por meio da transformação das instituições de ensino superior já existentes, que atendam o disposto na legislação pertinente. Assim, a predominância de oferta do curso de graduação em Administração nas faculdades pode ser justificada em função das instituições serem credenciadas, originalmente, como faculdades, e o credenciamento como universidade depende da avaliação da instituição já credenciada, em funcionamento regular, e com padrão satisfatório de qualidade. Para identificar como os cursos de graduação em Administração e as instituições de ensino superior estão sendo avaliados pelo MEC, utilizaram-se os seguintes indicadores: o Provão 2003, o ENADE 2006, e o IGC 2008. O Exame Nacional de Cursos de Graduação (ENC - Provão) foi aplicado aos formandos no período de 1996 a 2003 com o objetivo de avaliar os cursos de graduação da Educação Superior, no que tange aos resultados do processo de ensino-aprendizagem, e tinha como propósito alimentar os processos de decisão e de formulação de ações voltadas para a melhoria dos cursos de graduação. Segundo o INEP, o exame visava complementar as avaliações dos cursos de graduação e das instituições de educação superior, em relação à qualidade e à eficiência das atividades de ensino, pesquisa e extensão. Os dados do Exame Nacional de Cursos, juntamente com as informações do Censo da Educação Superior, da Avaliação das Condições de Ensino e da Avaliação Institucional, constituíram o Sistema de Avaliação da Educação Superior. Os conteúdos do exame foram definidos por uma comissão específica para cada curso, considerando a diversidade dos elementos compartilhados pelos projetos pedagógicos das instituições. Em 14 de abril de 2004, por meio da Lei n° 10.861, foi instituído o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – SINAES – que, segundo o artigo 1º, tem o objetivo de assegurar o processo nacional de avaliação das instituições de educação superior, dos cursos de graduação e do desempenho acadêmico de seus estudantes. A Portaria do MEC nº 2.051, de 09 de julho de 2004, regulamenta os procedimentos de avaliação do SINAES e estabelece o ENADE - Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes, conforme o artigo 24, para a avaliação do 54 desempenho dos estudantes, realizada pelo INEP, sob a orientação da Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior - CONAES. O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE -, que substituiu o ENC – Provão trouxe o objetivo de aferir o rendimento dos alunos dos cursos de graduação em relação aos conteúdos programáticos, suas habilidades e competências. Segundo o artigo 23 da Portaria do MEC nº 2.051, o ENADE tem como objetivo acompanhar o processo de aprendizagem e o desempenho dos estudantes em relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares do respectivo curso de graduação, suas habilidades para ajustamento às exigências decorrentes da evolução do conhecimento, e suas competências para compreender temas ligados à realidade brasileira e mundial e à outras áreas do conhecimento. O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – SINAES – é formado por três componentes principais de avaliação: das instituições, dos cursos e do desempenho dos estudantes. Segundo o INEP, o SINAES avalia todos os aspectos que giram em torno dos componentes citados: o ensino, a pesquisa, a extensão, a responsabilidade social, o desempenho dos alunos, a gestão da instituição, o corpo docente, as instalações, e vários outros aspectos. Os resultados destas avaliações possibilitam traçar um panorama da qualidade dos cursos e instituições de educação superior no país. Os processos avaliativos são coordenados e supervisionados pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior – CONAES – e a operacionalização é de responsabilidade do INEP. O Índice Geral de Cursos da Instituição – IGC – é um indicador de qualidade das instituições de educação superior, que considera em sua composição a qualidade dos cursos de graduação e pós-graduação (mestrado e doutorado). No que se refere à graduação, utiliza-se o Conceito Preliminar de Curso – CPC –, que é uma média de diferentes medidas da qualidade de um curso. As medidas utilizadas são: o Conceito ENADE - que mede o desempenho dos concluintes e o desempenho dos ingressantes -, o Conceito IDD, e as variáveis de insumo. As variáveis de insumo – que considera o corpo docente, a infraestrutura e o programa pedagógico – são avaliadas com informações do Censo da Educação Superior e por meio de respostas do questionário socioeconômico do ENADE. Para a avaliação dos cursos de pós-graduação é considerado o conceito da CAPES. O resultado final aparece em valores contínuos (que vão de 0 a 500) e em faixas (de 1 a 5). 55 A forma do cálculo do CPC tem implicações sobre a representatividade do IGC. Para que um curso tenha CPC é necessário participar do ENADE com alunos ingressantes e alunos concluintes. Portanto, o IGC é representativo dos cursos que participaram das avaliações do ENADE, com alunos ingressantes e concluintes. Como cada área do conhecimento é avaliada de três em três anos no ENADE, o IGC leva em conta sempre um triênio. Assim, o IGC 2008 considerou os CPC‟s dos cursos que participaram do ENADE em 2008, 2007 e 2006. A medida de qualidade da graduação que compõe o IGC é igual a média dos CPC‟s para o triênio de interesse. Em relação à avaliação da qualidade dos cursos de graduação em Administração, constatou-se que a maioria deles não apresenta avaliação satisfatória. Considerando as avaliações obtidas no Provão 2003, ENADE 2006 e o IGC 2008, elaborou-se a classificação a seguir, demonstrando que apenas 11 (onze) cursos apresentam os melhores índices nas avaliações, o que corresponde a 11,11% dos cursos de graduação de Administração da cidade de São Paulo. Vale ressaltar que apenas 03 (três) destes cursos são oferecidos por universidades. Quadro 5 – Cursos de graduação em Administração da cidade de São Paulo com melhores índices de avaliação, segundo o Provão 2003, o ENADE 2006 e o IGC 2008 Instituição Início Provão Enade IGC Curso 2003 2006 2008 Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia – CEUNIMT 1996 A 4 4 Centro Universitário Álvares Penteado – FECAP 1966 A 5 4 Escola de Administração de Empresas de São Paulo – FGVEAESP 1954 A 5 5 Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo – ESPM 1990 A 5 4 Escola Superior de Negócios (Faculdade Trevisan) – TREVISAN 1999 A 4 4 Faculdade de Administração da Fundação Armando Álvares Penteado – FAE-FAAP 1972 A 4 4 INSPER Instituto de Ensino e Pesquisa (Faculdade IBMEC São Paulo) – INSPER 1999 A 5 5 Faculdade de Administração de São Paulo – Faculdade Campos Elíseos – FCE 1995 A 4 4 Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP 1971 A 4 4 Universidade de São Paulo – USP 1963 A NC NC 1976 A 5 4 Universidade Presbiteriana Mackenzie – MACKENZIE 9 10 Fonte: Elaborado pela pesquisadora. MEC e INEP . 9 Disponível em: <http://emec.mec.gov.br>. Acesso em: 10 dez. 2009. Disponível em: <http://www.educaçãosuperior.inep.gov.br>. Acesso em: 10 dez. 2009. 10 56 Apenas três dos cursos melhores avaliados são ofertados por universidades entre eles o curso de Administração da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, que foi avaliada pelo MEC como a melhor universidade privada do Estado de São Paulo, conforme demonstrado a seguir. Quadro 6 – Índice Geral de Cursos – IGC 2009 (Triênio 2007/2008/2009) das IES do Estado de São Paulo (continua) IES Sigla Município Dep. IGC IGC Sede Adm. Contínuo Faixas UNIFESP São Paulo Pública 440 5 UFSCAR São Carlos Pública 406 5 UNESP São Paulo Pública 378 4 PUCSP São Paulo Privada 370 4 MACKENZIE São Paulo Privada 293 3 PUC CAMPINAS Campinas Privada 274 3 UNIMAR Marília Privada 263 3 Universidade do Sagrado Coração USC Bauru Privada 262 3 Universidade São Judas Tadeu USJT São Paulo Privada 261 3 Universidade de Ribeirão Preto UNAERP Ribeirão Preto Privada 259 3 UNIP São Paulo Privada 258 3 UMESP São Bernardo do Campo Privada 257 3 UNINOVE São Paulo Privada 252 3 Universidade de Sorocaba UNISO Sorocaba Privada 251 3 Universidade do Vale do Paraíba UNIVAP São José dos Campos Privada 250 3 Universidade Cruzeiro do Sul UNICSUL São Paulo Privada 249 3 Universidade Metodista de Piracicaba UNIMEP Piracicaba Privada 248 3 Universidade Municipal de São Caetano do Sul USCS São Caetano do Sul Pública 245 3 Universidade do Oeste Paulista UNOESTE Presidente Prudente Privada 239 3 Universidade Santa Cecília UNISANTA Santos Privada 239 3 Universidade Federal de São Paulo Universidade Federal de São Carlos Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Universidade Presbiteriana Mackenzie Pontifícia Universidade Católica de Campinas Universidade de Marília Universidade Paulista Universidade Metodista de São Paulo Universidade Nove de Julho 57 IES (conclusão) IGC Município Dep. IGC Sede Adm. Contínuo Faixas UNISANTOS Santos Privada 238 3 Universidade Metropolitana de Santos UNIMES Santos Privada 238 3 Universidade Cidade de São Paulo UNICID São Paulo Privada 235 3 Universidade de Franca UNIFRAN Franca Privada 235 3 Universidade de Taubaté UNITAU Taubaté Pública 230 3 Universidade de Mogi das Cruzes UMC Mogi das Cruzes Privada 229 3 Universidade São Francisco USF Bragança Paulista Privada 225 3 UNISA São Paulo Privada 220 3 UAM São Paulo Privada 216 3 UNICASTEL O São Paulo Privada 212 3 Universidade Braz Cubas UBC Mogi das Cruzes Privada 210 2 Universidade São Marcos USM São Paulo Privada 205 3 Universidade Guarulhos UNG Guarulhos Privada 201 3 UNIBAN São Paulo Privada 193 2 UNIB São Paulo Privada 191 2 UNIABC Santo André Privada 190 2 Universidade Católica de Santos Universidade de Santo Amaro Universidade Anhembi Morumbi Universidade Camilo Castelo Branco Universidade Bandeirante de São Paulo Universidade Ibirapuera Universidade do Grande ABC Sigla 11 Fonte: Elaborado pela pesquisadora. INEP . Foi observado, ainda, que embora predomine a modalidade de ensino presencial, a partir de 2004 seis instituições com sede no município de São Paulo passaram a ofertar a graduação em Administração na modalidade de EAD – Ensino a Distância. Em relação ao ensino a distância, Segenreich e Castanheira (2009) alertam sobre a qualidade dos novos cursos ministrados dessa forma: 11 Disponível em: <http://inep.gov.br/web/guest/indice-geral-de-cursos>. Acesso em: 13 ago. 2011. 58 Apesar do MEC dispor desde 2004 de um sistema de avaliação reguladora, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), somente agora, em 2008, ele está avaliando o trabalho que vem sendo desenvolvido nas centenas de polos de EAD espalhados por todo o país, como mostra essa manchete: „MEC desativa 1.337 centros de educação a distância. Medida atinge quatro instituições que, juntas, concentram 54,7% dos 760.599 alunos atendidos em todo o país‟ (apud WEBER, 2008, p. 5). Espera-se que estas medidas reflitam uma “nova” tendência do MEC no sentido de se preocupar de fato com a expansão quantitativa sem negligenciar a qualidade do ensino; até o momento esta preocupação se refletiu mais nos discursos do que na prática (SEGENREICH; CASTANHEIRA, 2009, p. 82). As primeiras avaliações referentes às instituições com sede no município de São Paulo a oferecerem cursos de graduação em Administração na modalidade a distância – EAD – são apresentadas a seguir. Quadro 7 – Avaliação dos cursos de graduação em Administração a Distância – EAD - das instituições do Município de São Paulo Instituição Organização IGC Início do ENADE Acadêmica 2009 Curso (EAD) 2009 Faculdade - 2004 3 Universidade Anhembi Morumbi - UAM Universidade 3 2008 3 Universidade Cidade de São Paulo Universidade 3 2007 2 Universidade de Santo Amaro – UNISA Universidade 3 2005 2 Universidade Nove de Julho – UNINOVE Universidade 3 2007 - Universidade Paulista – UNIP Universidade 3 2006 4 Instituto Uvb.br Fonte: Elaborado pela pesquisadora. MEC 12 . Conforme é possível observar, além do aumento do número de instituições ofertando o curso de graduação em Administração na cidade de São Paulo, houve também a ampliação do número de vagas e de campus, onde tais cursos são oferecidos. Embora o Governo Federal tenha criado um sistema de avaliação das instituições e cursos, cursos com avaliação abaixo da média permanecem em funcionamento na cidade, e em função dos preços praticados continuam atraentes para a população de baixa renda. Finalmente, poucas são as instituições que estão diversificando a modalidade do curso de Administração e oferecendo ensino a distância. Estas são compostas por universidades que têm autonomia para criação 12 Disponível em: <http://emec.mec.gov.br>. Acesso em: 13 ago. 2011. 59 de novos cursos – cujos cursos presenciais em Administração não estão entre os melhores avaliados, como pode ser observado no Apêndice A. Esta análise demonstra que o crescimento da oferta dos cursos de graduação em Administração acompanha o movimento do ensino superior no Brasil. A maioria dos cursos são oferecidos por faculdades e avaliados em função da qualidade do ensino – conforme a classificação de categoria administrativa do MEC. Os cursos de graduação em Administração dessas faculdades estão voltados à formação de mãode-obra para atender as demandas do mercado de trabalho e demonstram um caráter muito mais profissionalizante do que científico. A avaliação da produção científica, o desenvolvimento do conhecimento, a integração entre ensino, pesquisa e extensão, e a exigência de qualificação docente são critérios de avaliação das universidades. Nesse sentido, „investir‟ no desenvolvimento de pesquisa, nas diversas faculdades, não representa melhoria em sua avaliação, a não ser que a mesma tenha a pretensão de ser enquadrada como universidade. Mesmo nas universidades, a realização de pesquisas e a produção científica estão vinculadas à pós-graduação – mestrado e doutorado – e à produção docente. 1.4 Do Currículo Mínimo às Diretrizes Curriculares A regulamentação da profissão de administrador no Brasil ocorreu na metade da década de 1960, pela Lei nº 4.769, de 09 de setembro de 1965, durante o Governo Castelo Branco, bem como a criação do Conselho Federal de Administração - CFA - e dos Conselhos Regionais de Administração dos Estados e Territórios – CRAs. Segundo o Art. 3º, da referida Lei, o exercício da profissão de administrador passa a ser privativo dos bacharéis em Administração pública ou de empresas, diplomado no Brasil, em cursos regulares de ensino superior, oficial, oficializado ou reconhecido; dos diplomados no exterior, em cursos regulares de Administração, após a revalidação do diploma no Ministério da Educação, bem como dos diplomados por cursos de bacharelado em Administração, devidamente reconhecidos, até a fixação do currículo pelo Conselho Federal de Educação; e para 60 aqueles que, embora não diplomados, ou diplomados em outros cursos superiores, tivessem na data de vigência da Lei no mínimo 05 (cinco) anos de exercício de atividades no campo profissional de administrador. Igualmente, para o provimento e exercício de cargos de administrador na Administração Pública Federal, Estadual ou Municipal passa a ser obrigatória a apresentação de diploma de Bacharel em Administração, conforme o Art. 4º. A Lei nº 4.769, por meio do artigo 3º, determinou que o Currículo fosse fixado pelo Conselho Federal de Educação, nos termos da Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Dessa forma, o primeiro currículo mínimo do curso de Administração foi fixado pelo Conselho Federal de Educação, conforme o Parecer nº 307/66, constituído das seguintes matérias: matemática, estatística, contabilidade, teoria econômica, economia brasileira, psicologia aplicada à administração, sociologia aplicada à administração, instituições de direito público e privado, legislação social, legislação tributária, teoria geral da administração, administração financeira e orçamento, administração de pessoal e administração de material. Era constituído, ainda, pelas matérias: direito administrativo ou administração de produção e de vendas - segundo a opção do aluno. Também, foi instituído o estágio supervisionado de seis meses, em órgão do serviço público ou empresa privada, segundo a Portaria Ministerial nº 159/65. Andrade e Amboni (2004) observam que o referido Currículo apresentava liberdade para que as escolas ministrassem as matérias com diferentes dosagens de tempo, conforme seus objetivos. Alegam ainda: Tal currículo procurou agrupar matérias de cultura geral, objetivando o conhecimento sistemático dos fatos e das condições institucionais em que se inseria o fenômeno administrativo; matérias instrumentais, oferecendo os modelos e técnicas de natureza conceitual ou operacional, e matérias de formação profissional” (ANDRADE; AMBONI, 2004, p. 7) [grifo nosso]. Cabe observar que desde o primeiro currículo a necessidade de vínculo entre a formação do administrador e o mercado de trabalho já é estabelecido por meio da obrigatoriedade do Estágio Supervisionado. No entanto, nenhuma de suas matérias sugere a formação do aluno capacitado à produção de conhecimento. 61 Em 198213, a Sesu/MEC constituiu o Grupo de Trabalho com o propósito de produzir um anteprojeto de Reformulação Curricular dos Cursos de Administração e submetê-lo à avaliação crítica das universidades, faculdades, associações de profissionais e outros segmentos da área da Administração. Tal reforma era justificada em função da rapidez de alterações dos paradigmas da área de Administração e a consequente necessidade de agilidade na revisão dos pressupostos que orientavam a construção das propostas curriculares. Nesse sentido, incorporando-se ao movimento, o Conselho Federal de Administração promoveu um Seminário Nacional e Seminários Regionais, que contaram com a participação de universidades e faculdades nos níveis estadual e municipal. Em 1991, foi realizado o Seminário Nacional sobre Reformulação Curricular dos Cursos de Administração, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, cujo resultado foi a apresentação de uma proposta formal de um currículo mínimo para o curso, encaminhado ao Conselho Federal de Administração . Como resultado, o Conselho Federal de Educação, por meio da Resolução nº 02/93, de 04 de outubro de 1993, incorporando o Parecer nº 433/93, aprovado em 05 de agosto de 1993, estabelece um novo currículo mínimo para o curso de graduação em Administração, que passa a ser ministrado com a carga horária de 3.000 horas-aula, constituído por grupos nucleares de matérias que compõem o currículo mínimo a ser trabalhado no currículo pleno de cada instituição: a) Formação Básica e Instrumental - correspondendo a 720 h/a (24%), incluindo: Economia, Direito, Matemática, Estatística, Contabilidade, Filosofia, Psicologia, Sociologia e Informática; b) Formação Profissional - correspondendo a 1.020 h/a (34%), contando com as disciplinas: Teoria da Administração, Administração Mercadológica, Administração de Produção, Administração de Recursos Humanos, Administração Financeira e Orçamentária, Administração de Recursos Materiais e Patrimoniais, Administração de Sistemas de Informação, Organização, Sistemas e Métodos; c) Disciplinas Eletivas e Complementares - totalizando 960 h/a (32%), a cargo da escola; d) Estágio Supervisionado - com 300 h/a (10%). As linhas de formação específicas nas diversas áreas da Administração são fortalecidas com a possibilidade de incorporação das habilitações existentes – Comércio Exterior e Administração Hospitalar – à nova proposta curricular, e, 13 Segundo a justificativa do relatório de aprovação do Parecer nº 433/93, aprovado em 05 de agosto de 1993, do Conselho Federal de Educação. 62 segundo o relatório do referido Parecer (nº 433/93, p. 7) “a estrutura, em sua construção, convida inclusive as instituições à proposição de novas habilitações, algumas delas, talvez, já reclamadas hoje, pela fecunda área da Administração”. Este Parecer parte da preliminar de que qualquer mudança curricular não implique em simples alterações de uma listagem de matérias, disciplinas e carga horária, e que aborde, ainda, reflexões que acenem para a construção de um currículo pleno, que deve ser entendido dentro de sua dimensão mais ampla de desempenhos esperados, de desejado relacionamento com o meio a que serve suas instituições, organizações, professores, alunos, empresas, devendo sobrepujarse ao pragmatismo da própria escola, envolvendo-se com sua ideologia e filosofia de educação. Nesse sentido, o referido Parecer considera que: (...) a escola tem que construir suas propostas curriculares, com elevado comprometimento metodológico com o permanente repensar do seu cotidiano, que responda não somente às necessidades do mercado, mas também mudar seu enfoque de solucionador de problemas, reprodutor de forças produtivas e das relações sociais, para promotor de novas relações produtivas e sociais (...) (Parecer nº 433/93, p. 4). Neste caso há o reconhecimento do papel da educação e do ensino superior na construção da sociedade, que segundo Pimenta e Anastasiou se constituem em um “processo de busca, de construção científica e de crítica ao conhecimento produzido” (2002, p. 164) e ampliam a concepção sobre a formação superior. Entendemos a universidade como instituição educativa cuja finalidade é o permanente exercício da crítica, que se sustenta na pesquisa, no ensino e na extensão. Ou seja, na produção do conhecimento por meio da problematização dos conhecimentos historicamente produzidos, de seus resultados na construção da sociedade humana e das novas demandas e desafios que ela apresenta (PIMENTA; ANASTASIOU, 2002, p. 161-162). Nesse sentido, embora o Parecer nº 433/93 recomende o estabelecimento de um currículo mínimo, algumas considerações reforçam a autonomia da escola por meio do currículo pleno: 32% de disciplinas eletivas e complementares a cargo da escola, além do reconhecimento de que esta deve constituir-se em um agente transformador capaz de ajustar-se rapidamente aos avanços da ciência e da tecnologia, e que a síntese de sua metodologia deve implicar na integração dos conhecimentos parciais, em um todo orgânico e lógico, podendo dar origem a um novo conhecimento ou a novas formas de ação. Existem recomendações para que 63 haja permanente atualização de ações educacionais, bem como o reconhecimento de que é fundamental que se consolide, na ação educativa, e a convicção de que precisamos educar para o conhecido e também para o desconhecido, diante da complexidade e constantes transformações. Educar para o conhecido e desconhecido pressupõe o desenvolvimento do senso crítico e da capacidade de aprendizagem autônoma e contínua no aluno, assim como o reconhecimento do conhecimento como algo inacabado e a necessidade de sua reconstrução por meio do questionamento sistemático. A metodologia científica e a pesquisa poderiam contribuir para a formação do aluno neste complexo contexto de incertezas e transformações constantes. Demo (2011) afirma: (...) metodologia científica com “saber pensar”, significa sobretudo a formação da capacidade de se fazer sujeito com história própria. (...) exigindo sempre a reconstrução do conhecimento, não é admissível apenas engolir teorias, autores, dados, embora possa ser inteligente aprender de todos e de tudo, para poder, tanto mais, reforçar o sentido da autonomia. Lemos, pois, autor, para nos tornarmos autor, não discípulo (DEMO, 2011, p. 11). De acordo com o referido Parecer, o currículo mínimo passa a ser concebido como um instrumento a serviço da aprendizagem e não um fim em si mesmo. Considera as diferentes demandas do meio ambiente e os objetivos gerais e específicos dos diversos cursos, dando autonomia às escolas em sua composição. A carga horária das disciplinas obrigatórias fica a critério de cada escola, bem como a escolha das disciplinas eletivas e a composição do currículo pleno. Propõe, igualmente, uma estrutura curricular que incorpore algumas características intelectuais consideradas indispensáveis para um moderno curso de Administração, tais como: comunicação interpessoal, ética profissional, capacidade de adaptação, vida acadêmica ativa, motivação para atualização contínua, competência conceitual e capacidade de integração. Apresenta, ainda, alguns tópicos emergentes que já se apresentavam em 1993: a ética administrativa, a globalização, o meio ambiente, a administração da tecnologia, os sistemas de informações e o controle da qualidade total. As disciplinas eletivas e complementares permitiram flexibilidade e representaram uma oportunidade para que as instituições de ensino incluíssem em seus currículos do curso de Administração conteúdos compatíveis com os tópicos 64 emergentes citados, e aproximassem o Projeto Pedagógico do Curso à formação pretendida, conforme a vocação da instituição de ensino. O Parecer CNE/CES n° 67, de 11 de março de 2003, eliminou a exigência de currículos mínimos nacionais, dando autonomia às universidades, conforme o artigo 53, na fixação do conteúdo dos cursos e programas, observadas as diretrizes curriculares. A Resolução nº 04, de 13 de julho de 2005, do Ministério da Educação Conselho Nacional de Educação – Câmera de Educação Superior, instituiu as diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em Administração a serem observadas pelas instituições de ensino superior em sua organização curricular, e revogou a Resolução CFE nº 02, de 04 de outubro de 1993, e a Resolução CNE/CES nº 01, de 02 de fevereiro de 2004. Quanto aos conteúdos da organização curricular são priorizadas as interrelações com a realidade nacional e internacional. Tais conteúdos são classificados nos seguintes campos interligados de formação: a) Conteúdos de Formação Básica – considerados os estudos antropológicos, sociológicos, filosóficos, psicológicos, ético-profissionais, políticos, comportamentais, econômicos, contábeis, relacionados com a tecnologia da informação e das ciências jurídicas; b) Conteúdos de Formação Profissional - áreas específicas da Administração: teorias da administração e das organizações, administração de recursos humanos, mercado e marketing, materiais, produção e logística, financeira e orçamentária, sistemas de informação, planejamento estratégico e serviços; c) Conteúdos de Estudos Quantitativos e suas Tecnologias – pesquisa operacional, teoria dos jogos, modelos matemáticos e estatísticos, e aplicação de tecnologias inerentes à Administração; d) Conteúdos de Formação Complementar – estudos de caráter transversal e interdisciplinar. O artigo 3º trata do perfil desejado do formando e reafirma a necessidade de formar os alunos para o conhecido e o desconhecido por meio do desenvolvimento de flexibilidade intelectual. 65 (...) capacitação e aptidão para compreender as questões científicas, técnicas, sociais e econômicas da produção e de seu gerenciamento, observados níveis graduais do processo de tomada de decisão, bem como para desenvolver gerenciamento qualitativo e adequado, revelando a assimilação de novas informações e apresentando flexibilidade intelectual e adaptabilidade contextualizada no trato de situações diversas, presentes ou emergentes, nos vários segmentos do campo de atuação do administrador (Resolução CNE/CES nº 01, de 02 de fevereiro de 2004, artigo 3º) [grifo nosso]. Como pode ser observado, não são mais indicadas as matérias que devem compor o currículo, mas sim conteúdos e „campos interligados de formação‟, conferindo liberdade para que as instituições de ensino definam o formato do currículo que deverá ser explicitado por meio do Projeto Pedagógico do Curso. As habilidades e competências que deverão ser desenvolvidas na formação profissional do administrador, mencionadas no Artigo 4º são amplas, entre elas destacam-se: capacidade de reconhecer, definir e equacionar problemas; refletir e atuar criticamente sobre a esfera da produção; expressar-se de modo crítico e criativo diante dos diferentes contextos organizacionais e sociais; ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e administrativa, desejo de aprender, abertura às mudanças, consciência das implicações éticas de sua atuação profissional; capacidade de transferência de conhecimentos da vida e da experiência cotidianas para o ambiente de trabalho. Em função do objetivo deste trabalho, entendemos que as atividades de pesquisa inseridas no curso podem contribuir para o desenvolvimento destas habilidades e competências, possibilitando maior autonomia na aprendizagem e formação do aluno. Segundo a resolução, o projeto pedagógico deveria conter os seguintes elementos estruturais: objetivos gerais do curso, contextualizados em relação às suas inserções institucional, política, geográfica e social; condições objetivas de oferta e a vocação do curso; cargas horárias das atividades didáticas e da integralização do curso; formas de realização da interdisciplinaridade; modos de integração entre teoria e prática; formas de avaliação do ensino e da aprendizagem; modos de integração entre graduação e pós-graduação, quando houver; incentivo à pesquisa, como necessário prolongamento da atividade de ensino e como instrumento para a iniciação científica; concepção e composição das atividades do estágio curricular supervisionado, suas diferentes formas e condições de realização, 66 observado o respectivo regulamento; concepção e composição das atividades complementares; e, inclusão opcional de trabalho de curso sob as modalidades de monografia, projeto de iniciação científica ou projetos de atividades, centrados em área teórico-prática ou de formação profissional. Em seu artigo 2º, a Resolução nº 04, de 13 de julho de 2005, instituiu que o projeto pedagógico do curso deverá abranger o perfil do formando, as competências e habilidades, os componentes curriculares, o estágio curricular supervisionado, as atividades complementares, o sistema de avaliação, o projeto de iniciação científica ou o projeto de atividade como trabalho de curso - componente opcional da instituição, além do regime acadêmico de oferta. O estágio curricular supervisionado (obrigatório) e o trabalho de curso (opcionais - sob as modalidades de monografia, projeto de iniciação científica ou projetos de atividades, centrados em área teórica-prática ou de formação profissional), direcionados à consolidação dos desempenhos desejados inerentes ao perfil do formando, devem ser regulamentados pelas instituições. Embora como componentes opcionais, as atividades de pesquisa são propostas explicitamente, o que representa uma sugestão para que realmente sejam incluídas no Projeto Pedagógico do Curso. A referida resolução amplia a flexibilidade curricular para a realização de atividades que complementem a formação do administrador, incluindo atividades realizadas fora do ambiente escolar e as ações de extensão junto à comunidade. As atividades complementares são descritas da seguinte forma: As Atividades Complementares são componentes curriculares que possibilitam o reconhecimento, por avaliação, de habilidades, conhecimentos e competências do aluno, inclusive adquiridas fora do ambiente escolar, incluindo a prática de estudos e atividades independentes, transversais, opcionais, de interdisciplinaridade, especialmente nas relações com o mundo do trabalho e com as ações de extensão junto à comunidade (Resolução CNE/CES nº 04, 13 de julho de 2005, artigo 8º) [grifos nossos]. Nas diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em Administração há o reconhecimento de outros ambientes de aprendizagem na formação do aluno, dentro e fora das instituições de ensino, e de seu vínculo com as empresas e a sociedade. 67 Os modos de integração entre graduação e pós-graduação, quando houver, passam a ser explicitados no Projeto Pedagógico do Curso, o que leva as instituições de ensino a reverem suas estruturas para proporcionar tal integração. Assim, atividades de pesquisa e extensão são consideradas complementares à formação do administrador, e os conteúdos de formação complementar são definidos como estudos de caráter transversal e interdisciplinar. O incentivo à pesquisa é abordado como necessário prolongamento da atividade de ensino e como instrumento para a iniciação científica. Assim, embora não obrigatória, há o reconhecimento de que a inclusão da pesquisa no currículo possa constituir-se como um princípio científico e educativo na formação do administrador, condizente com o objetivo geral deste trabalho. A Secretaria de Educação Superior - Sesu/MEC -, publicou no Diário Oficial da União, de 17 de maio de 2006, o Despacho do Departamento de Supervisão do Ensino Superior, no qual foram apresentadas orientações para que as IESs adaptassem, até o dia 19 de julho de 2007, seus respectivos projetos pedagógicos dos Cursos de Bacharelado em Administração à Resolução CNE/CES nº 4/2005. Em relação à duração dos cursos de bacharelado em Administração, o Parecer CNE/CES nº 8/2007 do Conselho Nacional de Educação efetua ampla análise sobre a duração e integralização dos cursos de bacharelado, recomendando carga horária e duração mínima dos cursos de graduação, bacharelados, na modalidade presencial. A Resolução CNE/CES nº 2, de 18 de julho de 2007, acatou o referido Parecer fixando a carga horária mínima de 3.000 horas e tempo mínimo de 04 (quatro) anos para a integralização dos cursos presenciais de Administração, no bacharelado. Em relação aos estágios e atividades complementares, já incluídos no cálculo da carga horária total do curso, estas não devem exceder 20% do total. Em função do propósito deste trabalho, foi demonstrado que a concepção de ensino e o modelo de universidade, historicamente constituídos, ocasionaram um distanciamento entre graduação e pós-graduação, entre ensino, pesquisa e extensão, como também entre teoria e prática. A análise do surgimento do curso de graduação em Administração demonstrou que sua origem está vinculada ao estabelecimento de multinacionais no país e à fundação de empresas estatais no Brasil. O curso foi criado com o principal objetivo de formar administradores para atender às necessidades do mercado, ou seja, a mão-de-obra para os cargos gerenciais das empresas e o currículo mínimo 68 estabelecido para a formação do administrador tem como objetivo atender a estas necessidades. A rápida expansão, garantida por uma política governamental de incentivo à iniciativa privada, foi possibilitada principalmente pela oferta do curso por faculdades particulares, cuja organização e regulação pelo MEC não estão condicionadas à indissociabilidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão. Nesse contexto, a formação profissionalizante se sobrepôs à uma formação crítica, como também as necessidades do mercado foram priorizadas em relação às sociais. A separação entre as atribuições da graduação e da pós-graduação nas universidades também levou ao distanciamento entre pesquisa e graduação, predominando uma formação profissionalizante também nessas instituições. A partir de 1993 iniciou-se um processo de maior autonomia às instituições de ensino superior na composição de seus currículos, consolidado pela Resolução CNE/CES nº 01, de 02 de fevereiro de 2004, cuja ênfase recai no Projeto Pedagógico de cada curso, bem como a formação pretendida, e com maior abertura para o desenvolvimento da pesquisa na graduação, conforme a vocação da instituição de ensino. Embora concebidas como atividades complementares, a pesquisa e a extensão são propostas pelas Diretrizes Curriculares do Curso, o modo de integração entre graduação e pós-graduação, quando houver – ou seja, nas universidades – deve ser explicitado no Projeto Pedagógico do Curso, e a pesquisa – atribuição fundamental da pós-graduação – pode representar um caminho para esta integração. As universidades – minoria entre as instituições de ensino superior – que se caracterizam por desenvolver ensino, pesquisa e extensão, e que contam com um número expressivo de professores mestres e doutores, dispõem de melhores condições para proporcionar uma formação no curso de graduação em Administração que integre essas dimensões. A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP – é uma universidade tradicional e reconhecida pela qualidade de seus cursos, pela pesquisa e produção de conhecimentos e por atividades de extensão – ambiente favorável para a consolidação desta pesquisa no Curso de Administração – conforme é abordado a seguir. 69 2 A PUC-SP E O CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO O propósito desta parte é o de contextualizar, historicamente, a importância atribuída à pesquisa na graduação no processo de desenvolvimento do ensino superior e do curso de Administração no Brasil. Discute-se a importância que a pesquisa adquiriu, historicamente, na PUC-SP – universidade caracterizada por sua vocação e tradição na produção do conhecimento, em diferentes áreas epistemológicas. Por meio de análise dos documentos institucionais – PDI – Plano de Desenvolvimento Institucional e PPI – Projeto Pedagógico Institucional, identifica-se como a pesquisa é abordada institucionalmente, com o objetivo de compreender as premissas e motivações da inserção das atividades de pesquisa no Projeto Pedagógico do Curso de Administração, em 2007. A partir da contextualização do curso de graduação em Administração da PUC-SP, analisa-se de que forma a pesquisa foi concebida nos currículos anteriores do curso em questão, no período entre 1971 e 2006 – destacando-se momentos de aproximação e distanciamento, e os fatores que possibilitaram tais movimentos - até a implantação do currículo de 2007, onde a pesquisa é inserida como componente curricular. Em função da problemática central desta pesquisa, identifica-se, ainda, como as atividades de pesquisa – Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2 – foram propostas no Projeto Pedagógico do Curso de Administração – PPC, por meio de análise documental. 2.1 A PUC-SP e a Pesquisa Tendo em vista como objeto de análise o currículo, analisa-se neste trabalho a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP -, enquanto lócus no qual o curso de graduação em Administração está inserido. Conforme abordado na primeira parte, a PUC-SP foi conceituada pelo MEC como a melhor universidade privada do Estado de São Paulo. 70 Segundo as diretrizes pedagógicas do Plano de Desenvolvimento Institucional da PUC-SP – PDI, a pesquisa é considerada atividade essencial e articuladora do ensino e da extensão, assim como entende que o processo de ensino e de aprendizagem está garantido por meio da pesquisa. A PUC-SP tem na pesquisa, atividade essencial e articuladora do ensino e da extensão e que, em conjunto, interagem e se alimentam reciprocamente. Na concepção da PUC-SP, ensino e aprendizagem só serão eficazes e motivadores se seu processo se der como processo de pesquisa. A extensão, por sua vez, também constitui uma atividade articuladora entre ensino e pesquisa, pois leva à sociedade, conhecimentos produzidos na Universidade no sentido de sua transformação e nesse movimento, interagem com o ensino e a pesquisa criando um vínculo fecundo entre universidade e sociedade (PDI, 2005-2009, p.11) [grifos nossos]. A universidade reconhece que sua projeção se dá em função de seu porte, qualidade de ensino, qualificação de seu corpo docente, função social, produção do conhecimento, e de seu investimento em pesquisa. A PUC-SP tem se projetado pela formação oferecida aos seus 22 mil alunos, pela competência de seu corpo docente – composto por 2.001 professores ativos, a maioria com título de doutor ou mestre – e pela presença ativa no estudo e na discussão das grandes questões sociais. O rigor da produção do conhecimento, o compromisso com a sociedade e a qualidade de ensino são pilares da proposta educacional da Universidade. Além de possuir os melhores cursos de graduação e pós-graduação do Brasil, a PUC-SP vem contribuindo para a melhoria da qualidade do ensino fundamental no país, através da formação de professores nas diversas áreas do conhecimento. A PUC-SP investe maciçamente recursos próprios em pesquisa e mantém programas de Educação Continuada para treinamento, reciclagem, 14 aperfeiçoamento e atualização de todas as áreas. A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, fundada em 1946, a partir da união da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Bento e da Faculdade Paulista de Direito15 é uma universidade particular que, em função de suas características – católica, democrática, humanista, filantrópica e comunitária –, coloca-se a serviço do bem público, conforme é declarado em sua missão: 14 15 Disponível em: <http://www.pucsp.br/conteudo/proposta-educacional>. Acesso em: 15 jul. 2011. Disponível em: <http://www.pucsp.br/universidade>. Acesso em: 15 jul. 2011. 71 No cumprimento de sua missão a PUC-SP orienta-se, fundamentalmente, pelos princípios da doutrina católica. Dentro desse espírito, assegura a liberdade de investigação, de ensino e de manifestação de pensamento, objetivando sempre a realização de sua função social, considerada a 16 natureza e o interesse público de suas atividades. As características mencionadas podem ser consideradas princípios que regem os documentos institucionais: Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), Projeto Pedagógico Institucional (PPI) e Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPC). Ao analisar a história da universidade17, apresentando como referência a discussão desta pesquisa, destacam-se alguns importantes aspectos. Em 1969, a universidade criou o primeiro curso organizado de pós-graduação do país, e em 1971 - com a implantação do Ciclo Básico de Ciências Humanas, academicamente -, „a instituição passava a funcionar como uma verdadeira universidade ao valorizar e considerar indissociáveis o ensino, a pesquisa e a extensão‟. Como abordado anteriormente, com a reforma universitária de 1968, houve uma separação entre pesquisa e ensino, fazendo com que a graduação fosse responsável pela formação dos quadros profissionais, e destinando a responsabilidade da pesquisa à pósgraduação. No entanto, apesar de ser pioneira na implantação da pós-graduação no país, manteve na graduação - no período de 1971 a 1989, por meio do Ciclo Básico de Ciências Humanas -, o vínculo entre ensino, pesquisa e extensão. Segundo Abbud (2006), as possibilidades de entendimento da Reforma Universitária proposta pela Lei nº 5.540/68, com a implantação do Ciclo Básico, eram múltiplas e diversificadas, e foi pautada pela percepção de que era necessária „uma teoria de ensino superior que privilegiasse a criatividade e o espírito crítico‟ no lugar da tradicional ênfase na acumulação de conhecimentos especializados. Dessa forma, o Ciclo Básico apresentou uma proposta de caráter geral, humanista e educativa, possibilitando uma mudança institucional centralizada no aspecto pedagógico com seus desdobramentos em termos de organização metodológica e curricular. Em 2006, iniciou um processo de modernização de sua estrutura acadêmicoadministrativa, com o objetivo de „ampliar a qualidade da produção científica e dos serviços prestados à sociedade‟, processo que culminou com a aprovação do novo 16 17 Disponível em: <http://www.pucsp.br/universidade/missao>. Acesso em: 10 jul. 2011. Disponível em: <http://www.pucsp.br/universidade/historia>. Acesso em: 15 abr. 2011. 72 Estatuto (2008) e do novo Regimento Geral da Instituição (2009). Portanto, é dentro deste contexto que, em 2006, a proposta de reforma curricular do curso de graduação em Administração - que deu origem ao atual Projeto Pedagógico do Curso -, foi desenvolvida. O quadro, a seguir, tem como objetivo resgatar o histórico da criação dos cursos de graduação na universidade. Quadro 8 – Início dos Cursos de Graduação18 da PUC-SP Cursos de Bacharelado (continua) Campus Início Faculdade Filosofia 1946 Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes (Origem: 1908 - Faculdade de São Bento e Sedes Sapientiae) Perdizes Direito 1946 Faculdade de Direito da PUC-SP (Origem: 1945: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Bento) Perdizes Serviço Social 1947 Faculdade de Ciências Sociais (Origem: 1936 – Escola de Serviço Social) Perdizes Ciências Econômicas 1948 Faculdade de Economia, Contábeis e Atuariais Administração, Perdizes Ciências Contábeis 1951 Economia, Administração, Contábeis e Atuariais (Origem: 1951 - Faculdade Liceu Coração de Jesus) Perdizes Ipiranga Medicina 1951 Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde Sorocaba Enfermagem 1953 Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde Sorocaba Ciências Atuariais 1954 Faculdade de Economia, Administração, Contábeis e Atuariais (Origem: 1952 Faculdade Coração de Jesus) Perdizes NC Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia (Origem: data de criação 1942) MP Matemática Fonoaudiologia 18 1962 Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde Disponível em: <http://www3.pucsp.br>. Acesso em: 10 ago. 2011. Perdizes 73 Cursos de Bacharelado Início (continuação) Campus Faculdade Psicologia 1964 Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde Ciências Sociais 1964 Faculdade de Ciências Sociais Pedagogia 1971 Faculdade de Educação Letras 1971 Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes Perdizes Administração 1971 Faculdade de Economia, Administração, Contábeis e Atuariais (Origem: 1968 Faculdade Coração de Jesus Perdizes, Santana, Barueri e Ipiranga Geografia 1971 Faculdade de Ciências Sociais Perdizes História 1971 Faculdade de Ciências Sociais Perdizes Jornalismo 1978 Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes Perdizes Secretario Executivo Trilíngue: Português/Inglês/ Espanhol 1978 Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes Perdizes Ciência da Computação 1986 Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia MP Engenharia Elétrica 1992 Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia MP Ciências Biológicas 1992 Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde Sorocaba Publicidade e Propaganda 1993 Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes Perdizes Relações Internacionais 1995 Faculdade de Ciências Sociais Perdizes Comunicação das Artes do Corpo 1999 Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes Perdizes Comunicação em Multimeios 2000 Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes Perdizes Turismo 2000 Faculdade de Ciências Sociais Perdizes Tecnologia e Mídias Digitais 2001 Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia MP Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia MP Física (com Ênfase em Física Médica) Perdizes e Barueri Perdizes Perdizes e Santana Ciências Econômicas com Ênfase em Comércio Exterior 2007 Faculdade de Economia, Contábeis e Atuariais Administração, Superior de Tecnologia em Jogos Digitais 2007 Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia Barueri MP 74 (conclusão) Campus Cursos de Bacharelado Início Faculdade Superior de Tecnologia em Comércio Exterior 2007 Faculdade de Economia, Contábeis e Atuariais Administração, Santana Superior de Tecnologia em Marketing 2007 Faculdade de Economia, Contábeis e Atuariais Administração, Santana Arte: História, Curadoria e 2008 Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes MP e Perdizes Superior de Tecnologia em Gestão Ambiental 2008 Faculdade de Economia, Contábeis e Atuariais Administração, Santana Superior de Tecnologia Conservação e Restauro 2008 Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes MP e Perdizes Engenharia de Produção 2008 Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia MP Sistemas de Informação 2008 Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia MP Engenharia Biomédica 2009 Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia MP Teologia 2009 Faculdade de Teologia (Origem: 1949 Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, que pertencia à PUC-SP. Separado na década de 1970 e reintegrado em 2009) Matemática (EAD) 2009 Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia Fisioterapia 2009 Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde Crítica Santana (2009) Ipiranga (2011) MP Barueri MP – Marques de Paranaguá. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Como pode ser identificada, a universidade atua em diferentes áreas do conhecimento, dispondo de 42 (quarenta e dois) cursos de graduação, sendo 02 (dois) na modalidade Educação a Distância – EAD, 04 (quatro) cursos tecnológicos e 09 (nove) faculdades. A PUC-SP dispõe dos seguintes campi: Perdizes, Marquês de Paranaguá, Sorocaba, Barueri, Santana e Ipiranga. Conta, ainda, com 47 (quarenta e sete) departamentos, 42 (quarenta e dois) cursos de graduação e 27 (vinte e sete) programas de pós-graduação (27 mestrados acadêmicos, 1 mestrado profissional e 19 doutorados). Em nível de aperfeiçoamento, especialização e extensão, a PUC-SP oferece cerca de 330 cursos por meio da Coordenadoria Geral de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão - COGEAE, criada em 1983. Possui aproximadamente 22.000 mil alunos e 2.000 professores, a maioria com título de mestre e/ou doutor 19. 19 Disponível em: <http://www.pucsp.br/universidade/estrutura>. Acesso em: 15 jun. 2011. 75 Em relação à estrutura administrativa, a Fundação São Paulo é a mantenedora da PUC-SP. O Arcebispo Metropolitano de São Paulo é o presidente da Fundação e Grão-Chanceler da Universidade. É dirigida por uma Reitoria, com o apoio de dois Conselhos Superiores (Conselho Universitário, CONSUN, e Conselho de Administração, CONSAD) e cinco Pró-Reitorias: Graduação, Pós-Graduação, Educação Continuada, Cultura e Relações Comunitárias e, por fim, Desenvolvimento, Planejamento e Gestão. Em termos de gestão, estão previstos no Regimento Geral da Universidade, Diretorias de Faculdade, compostas por um diretor e um diretor adjunto, com mandato de 04 (quatro) anos; Chefia de Departamento, composta por um chefe de departamento e um suplente; Coordenação de Curso de Graduação, composta por um coordenador de curso e seu vice; e Coordenação de Programa de PósGraduação, composta por um coordenador de programa e seu vice. O mandato de chefia de departamento, coordenação de curso e de programa é de 02 (dois) anos. É permitida uma recondução sucessiva para todos os cargos. As Diretorias de Faculdades, as Chefias de Departamento, a Coordenação de Cursos de Graduação e a Coordenação de Programas de Pós-Graduação são eleitas pelo corpo docente, discente e administrativo, sendo os dois primeiros nomeados pelo Reitor e os demais pelo Diretor de Faculdade. Em função do objetivo deste trabalho, foi identificado que a universidade dispõe de 220 (duzentos e vinte) grupos de pesquisa20, vinculados às faculdades e abertos à participação, com certificação institucional junto aos diretórios de grupos do CNPq, coordenados por professores da universidade e compostos, principalmente, por professores e alunos da pós-graduação. Como ao ingressar na graduação a maioria dos alunos não possui familiaridade com o conhecimento científico, pressupõe-se que as atividades de pesquisa inseridas no currículo do curso deveriam ter como objetivo a inserção do aluno na pesquisa, tendo como foco a „aprendizagem da pesquisa‟. Em relação aos grupos de pesquisa da universidade, estes são compostos por alunos da pósgraduação (mestrado e doutorado) e professores da graduação e pós-graduação – já inseridos no ambiente de pesquisa -, voltados ao estudo de temáticas específicas 20 Disponível em: http://www.pucsp.br/pesquisa/grupos-pesquisa>. Acesso em: 15.mar.2011. 76 de diversas áreas do conhecimento e que tem como propósito a produção e divulgação do conhecimento. As faculdades de Economia, Administração, Contábeis e Atuariais dispõem de 20 (vinte) grupos de pesquisa, sendo que 06 (seis) deles – destacados a seguir – são coordenados por professores vinculados ao Departamento de Administração, e que atuam nos cursos de graduação e pós-graduação em Administração da PUCSP. Quadro 9 – Grupos de Pesquisa 21 vinculados à FEA - PUC-SP Grupos de Pesquisa MARCO - Núcleo de Pesquisa em Marketing e Comunicação Alexandre Luzzi Las Casas 2005 Anita Kon 1994 Desenvolvimento Econômico e Política Econômica Antonio Carlos Correa de Lacerda 2005 Estado e Políticas Públicas Antonio Carlos de Moraes 1995 Núcleo de Estudos do Futuro Arnoldo José de Hoyos Guevara 2002 Estudos da Competitividade e Estratégia Internacional Belmiro do Nascimento João 2010 Moeda, Finanças e Desenvolvimento Econômico Carlos Eduardo Ferreira de Carvalho 1996 Grupo de Estudos da Marca - GEMA Francisco Antonio Serralvo 2004 Economia Política Marxista Jason Tadeu Borba 2006 José Luiz Munhós 2008 Economia Industrial, Trabalho e Tecnologia Contabilidade Internacional e Novas Normas Contábeis Brasileiras 21 Coordenação (continua) Formação Disponível em http://www.pucsp.br/pesquisa/grupos-pesquisa. Acesso em: 15 mar. 2011. 77 Grupos de Pesquisa Coordenação (conclusão) Formação Núcleo de Estudos em Administração e Finanças José Odálio dos Santos 2004 Gestão de Carreiras e Transformações no Trabalho Leonardo Nelmi Trevisan 2001 Núcleo de Estudos Avançados do Terceiro Setor Luciano Antônio Prates Junqueira 1998 Marcel Guedes Leite 2006 Regulação econômica e estratégias organizacionais Maria Cristina Sanches Amorim 2008 Contabilidade Corporativa Nena Geruza Cei 2008 Cultura, Valores, Desempenho e Governança nas Organizações Neusa Maria Bastos F. dos Santos 2008 Políticas para o Desenvolvimento Humano Rosa Maria Marques 2004 Rosa Maria Vieira Berriel 2005 Sérgio de Ludícibus 2008 Investigação Temática em Economia História, Memória e Pensamento Econômico - HIMEPE Teoria da Contabilidade Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Para divulgação do conhecimento, a universidade dispõe de revistas dedicadas a diferentes temáticas e áreas do conhecimento publicadas eletronicamente22. Em relação à área da Administração, três revistas são destinadas à publicação da produção científica, descritas a seguir. O „Caderno de Administração‟23 é um periódico do Departamento de Administração da FEA/PUC que tem a missão de publicar artigos, resenhas e resultados de pesquisas desenvolvidas por seus professores, alunos e colaboradores, e com o objetivo de contribuir para o estímulo à pesquisa e para divulgação e geração do conhecimento. Dispõe de 04 (quatro) edições impressas, publicadas no período de 1997 a 2001: Nº 01 (1997), Nº 02 (1998), Nº 03 (2000) e 22 23 Disponível em: <http://revistas.pucsp.br/index.php/index/index>. Acesso em: 15.mar.2011. Disponível em: <http://revistas.pucsp.br/index.php/caadm>.Acesso em:15.mar.2011. 78 Nº 04 (2001). Atualmente, encontra-se em fase de reativação, devendo ser disponibilizada, por meio eletrônico, no ano de 2012. A „Revista Administração em Diálogo – RAD‟24 do Programa de Estudos PósGraduados em Administração da PUC-SP, em seu 13° ano - sendo desde 2006 exclusivamente em formato eletrônico, e, agora, com publicações quadrimestrais -, tem como finalidade publicar a produção do programa de professores e alunos, de especialistas e de professores de outras universidades. O objetivo é disponibilizar a pesquisa e socializar a produção dos especialistas e pesquisadores da PUC e de outras instituições envolvidas com este objeto de pesquisa. A „Revista de Inovação e Sustentabilidade – RISUS‟25, organizada pelo Núcleo de Estudos do Futuro NEF/PUC-SP, tem por objetivo publicar trabalhos de pesquisa relacionados à „Inovação e Sustentabilidade‟ e é resultado da parceria e estreita colaboração entre a Wuhan University of Technology, da China, a Yamaguchi University, do Japão, a Tilburg University, da Holanda, e a PUC-SP, do Brasil - grupo este que anualmente vem organizando os Congressos Internacionais de Inovação e Gestão: International Conference on Innovation and Management ICIM. Conta também com o apoio da rede de pesquisadores internacionais do Projeto Milênio - Millennium Project. A análise de como a pesquisa é concebida institucionalmente desenvolve-se no próximo tópico deste trabalho, por meio de análise documental que tem como referência o Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI e o Projeto Pedagógico Institucional – PPI. 2.1.1 A Pesquisa no Plano de Desenvolvimento Institucional - PDI O PDI – Plano de Desenvolvimento Institucional foi elaborado pela ViceReitoria Acadêmica da universidade e teve como principal objetivo estabelecer as diretrizes institucionais e pedagógicas para gestão da universidade no período entre 2005 e 2009, em consonância com as Diretrizes Curriculares. Estabelece objetivos, metas e ações a curto, médio e longo prazo, conforme as seguintes diretrizes: 2005 – sustentabilidade da universidade; 2006 – implantação de projetos acadêmicos, 24 25 Disponível em: <http://revistas.pucsp.br/index.php/rad>. Acesso em: 15. mar.2011. Disponível em: <http://revistas.pucsp.br/index.php/risus>. Acesso em: 15.mar.2011. 79 administrativos e comunitários; 2007 – implantação de projetos e consolidação; 2008 – consolidação; de 2005 a 2015 – plano estratégico da PUC-SP. Como mencionado anteriormente, a pesquisa é considerada, no PDI, como sendo uma „atividade essencial e articuladora do ensino e da extensão‟, bem como entende que o processo de ensino e de aprendizagem é garantido por meio da pesquisa. Conforme abordado na introdução, ao analisar a inserção das atividades de pesquisa – Pesquisa 1 e 2, TCC 1 e 2 – o foco deste trabalho esteve na compreensão de como tais atividades foram propostas, implantadas e como vem sendo vivenciadas no currículo do curso de Administração. A análise isolada destas atividades refere-se a uma estratégia operacional de realização do trabalho e não à dissociação das dimensões pesquisa, ensino e extensão, tanto que neste documento a pesquisa é concebida como „atividade articuladora do ensino e da extensão‟. A análise final sobre a concepção da pesquisa no curso, apresentada na última parte, reforça a indissociabilidade destas dimensões. O PDI reforça o Estatuto e o Regimento Geral da Universidade que dispõe sobre a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, e sobre a necessidade de um planejamento articulado entre os cursos de graduação, pós-graduação e formação continuada garantindo, desta forma, a articulação entre estas dimensões: ensino-pesquisa-extensão. O referido documento estabelece três diretrizes norteadoras das atividades da universidade, sendo a primeira delas „valorizar a pesquisa‟; a segunda, „responder as demandas sociais – locais, regionais e nacionais, no sentido de contribuir para a transformação qualitativa da sociedade‟; e, a terceira, „criar condições para que setores da universidade com vocação para prestação de serviços técnicos, sociais e comunitários possam exercê-la‟. A valorização da pesquisa é enfatizada como princípio de formação do professor e de ensino e aprendizagem do aluno, tendo em vista que a necessidade de „aprender a aprender‟ é proposta como a maior função contemporânea e que o conhecimento da realidade de cada área do saber, que subsidia a ação docente, é considerado decorrente da pesquisa científica. 80 (...) sem a articulação entre ensino, pesquisa e extensão não será possível fazer do ensino senão uma reprodução do conhecimento existente. A ação do docente é fundada no contato estreito com a realidade de cada área do saber conseguido através da pesquisa científica. A descoberta da ciência deve ser alvo de cada aluno, pela construção do aprender a aprender – essa é a maior função contemporânea. Diante da rapidez dos avanços científicos e tecnológicos de hoje, o saber acumulado é processo em contínua transformação. Apoiar a pesquisa de qualidade, inserindo-a em políticas científicas, tecnológicas e sociais em curso e buscando recursos que garantam trabalho competente (PDI, 2005-2009, p.14) [grifo nosso]. Destaca-se a importância da aprendizagem pela pesquisa na formação do aluno e do professor. A pesquisa é concebida como princípio de formação do professor. Por meio de seu contato, obtido por intermédio da pesquisa científica aplicada à realidade de sua área de conhecimento, o docente garante sua atualização contínua e a articulação entre pesquisa e ensino, principalmente. Em contato com a realidade, a relação entre teoria e prática também é estabelecida. A pesquisa também é concebida como princípio de formação do aluno. Enquanto princípio educativo é necessário que o aluno „aprenda a aprender‟ e para que isso ocorra „a descoberta da ciência deve ser alvo de cada aluno‟. Dessa forma, para que a pesquisa se estabeleça como princípio formativo torna-se necessário que os currículos dos cursos proporcionem atividades acadêmicas que favoreçam essa descoberta da ciência pelo aluno, onde procedimentos científicos se apresentem como um meio para atingir o objetivo. Compreende-se que para a inserção do aluno da graduação no universo da pesquisa é necessário que ela também seja concebida como princípio científico. As diretrizes aqui apresentadas podem gerar novas estratégias de ensino e de aprendizagem e o estabelecimento de outras formas de relação entre professores e alunos nos cursos de graduação, com o objetivo de assegurar a aprendizagem necessária para o desenvolvimento da autonomia do aluno evitando que o ensino represente uma reprodução de conhecimentos. As seguintes metas relacionadas à pesquisa e à graduação foram estabelecidas no PDI, com o propósito de ampliar a qualidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão na universidade: a) Implementação do PPI – Projeto Pedagógico Institucional para os cursos de graduação e implementação do processo de revisão curricular, em 2006-2007; 81 b) Implementação e implantação do projeto de auto-avaliação institucional, no período de 2005 a 2008; c) Ampliação de 10% dos grupos de pesquisa nos programas de pósgraduação e nas faculdades, com seu cadastramento e certificação junto ao CNPq, dando sequência ao esforço permanente em garantir a excelência na pesquisa; d) Ampliação da produção científica dos docentes da PUC-SP e sua avaliação, com início em 2006; e) Ampliação de 10% do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), tanto do CEPE – Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da PUC-SP – quanto do CNPq. Paralelamente à ampliação da qualidade das atividades da universidade, o PDI estabelece, ainda como metas, a criação de novos campi na cidade de São Paulo, aumento das atividades internacionais nos cursos de graduação e pósgraduação, o desenvolvimento da educação a distância, consolidação de programas de mestrado (stricto sensu) - com vista à implementação do doutorado, e criação de novos cursos de mestrado. O planejamento articulado entre os cursos da universidade é garantido, segundo o PDI, por intermédio do PPI – Projeto Pedagógico Institucional, que estabelece as diretrizes para elaboração dos PPC‟s - Projetos Pedagógicos dos Cursos. 2.1.2 A Pesquisa no Projeto Pedagógico Institucional - PPI O PPI – Projeto Pedagógico Institucional expressa a política de graduação da PUC-SP para orientar a elaboração dos PPC‟s – Projetos Pedagógicos dos Cursos, estabelecendo diretrizes para a graduação da PUC-SP. (...) o Projeto Pedagógico Institucional da Graduação deve ser capaz de definir rumos inovadores para a formação superior na PUC-SP, incorporando novos desenhos curriculares em direção a práticas mais dinâmicas e integradoras do conjunto de experiências que caracterizam o percurso formativo do estudante (PPI, 2004, p.7) [grifos nossos]. 82 O PPI estimula um profundo processo de reforma curricular dos cursos de graduação e incentiva esta inovação por meio de novos desenhos curriculares e práticas dinâmicas e integradoras. Apresenta como pressupostos o exercício da vida acadêmica com pluralismo e interdisciplinaridade de modo a assegurar a diversidade de conhecimento por meio do debate das tendências teórico-metodológicas presentes no processo de produção de conhecimento, no direcionamento social e na formulação de respostas profissionais às complexas demandas da realidade social contemporânea, e o compromisso com os valores humanísticos e éticos como princípio formativo, perpassando o Projeto Pedagógico de cada curso. O documento apresenta, ainda, alguns pressupostos e princípios com o intuito de nortearem o processo de reforma curricular e elaboração dos projetos pedagógicos de seus cursos, reforçando a indissociabilidade das dimensões do ensino, pesquisa e extensão, e situando a pesquisa como elemento articulador entre tais dimensões, conforme é analisado a seguir. Quadro 10 – Princípios e Pressupostos do PPI Princípios e Pressupostos Dimensões O exercício do pluralismo e da interdisciplinaridade como condições essenciais da vida acadêmica e profissional, assegurando a apropriação da diversidade do conhecimento, impondo-se o necessário debate acadêmico sobre as várias tendências teóricas presentes na definição da produção do saber, na direção social da formação e na formulação de respostas profissionais às complexas demandas da realidade social. Pesquisa-Ensino-Extensão (Pesquisa como Princípio Educativo) Formação generalista e abrangente assegurada pelo rigor teórico e metodológico na apreensão dos conhecimentos, pelos padrões elevados de competência técnica e profissional, mediante a articulação do conjunto de conhecimentos básicos e específicos de cada área. (Pesquisa como Princípio Científico) Ensino que assegure elevados padrões de competência profissional pelo domínio do instrumental técnico, operativo e das habilidades de cada área de formação, capacitando para a atuação nas diversas realidades e âmbitos de pesquisa e exercício profissional. Ensino-Extensão-Pesquisa Articulação das dimensões investigativas e interventivas próprias das áreas de formação profissional, como expressão da relação teoria e realidade, por intermédio da constituição de um espaço de pensar crítico, da dúvida, da autonomia, da investigação e da busca por soluções. Pesquisa-Extensão-Ensino (Pesquisa como Princípio Educativo) Fonte: Elaborado pela pesquisadora. 83 Ainda, é recomendado o dinamismo na organização dos currículos plenos de cada curso, possibilitando a definição de organização dos vários componentes curriculares – disciplinas, oficinas, estágios supervisionados, núcleos temáticos, atividades complementares – como forma de garantir o acompanhamento das transformações sociais, científicas e tecnológicas. Portanto, o PPI estabelece as diretrizes „Política de Graduação da PUC-SP‟ e concede autonomia aos cursos de graduação para a elaboração e proposição de seus Projetos Pedagógicos. 2.2 O Curso de Graduação em Administração da PUC-SP A Administração é a subárea das Ciências Sociais Aplicadas e composta por cinco áreas epistemológicas: Gestão de Pessoas, Finanças, Operações e Serviços, Marketing e Gestão Estratégica e das Organizações. Segundo a Proposta de Reforma Curricular do Curso (2006), o curso de Administração da PUC-SP foi criado em 1971, e durante sua existência passou por 04 (quatro) reformas que alteraram sua estrutura curricular e acadêmica: 1975, 1981, 1990 e 2007. Em termos de reconhecimento, o curso de Administração da PUC-SP, foi reconhecido pelo Decreto Lei nº 74.241, de 27 de junho de 1974, publicado no Diário Oficial da União (DOU) em 01 de julho de 1974. Em documento – adendo ao Regimento Interno da Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Atuariais Coração de Jesus – datado de 13 de junho 1972, o então secretário Sr. Antonio Francisco Gianerini da Silva propõe necessárias adaptações ao Regimento Interno da Faculdade, em função da aprovação do Curso de Administração de Empresas por meio da reunião do Conselho Universitário realizada em 28 de fevereiro de 1969 (livro 3, folhas 7 a 10). O curso de graduação em Administração26 está vinculado ao Departamento de Administração da FEA - Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da PUC-SP. 26 Disponível em: <http://www3.pucsp.br/administracao>. Acesso em: 15.jun.2011. 84 Nos dias atuais, 2º semestre de 2011, dispõe de 2.868 (dois mil, oitocentos e sessenta e oito) alunos matriculados em quatro campi: Monte Alegre, Santana, Barueri e Ipiranga, conforme exposto no quadro a seguir. Quadro 11 – Número de Alunos matriculados no Curso de Graduação em Administração da PUC-SP no 2º Semestre de 2011, por período CAMPUS Perdizes Período Total Matutino Noturno 1º PER 138 58 80 2º PER 593 252 3º PER 168 4º PER Santana Barueri Ipiranga Noturno Matutino Noturno Vespertino Noturno 235 39 14 27 8 18 48 94 26 562 197 272 47 17 29 5º PER 158 36 78 40 4 6º PER 527 128 310 51 10 28 7º PER 157 20 93 44 8º PER 497 79 325 47 8 38 9º PER 68 8 18 TOTAIS 2.868 40 818 1.487 334 28 53 150 Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Fonte: Relatório de Matrícula, emitido em 11 ago. 2011. De acordo com estes dados, ingressaram no curso, em 2011, 731 (setecentos e trinta e um) alunos. Em função dos objetivos deste trabalho, são apresentados os dados referentes às atividades de pesquisa – Pesquisa 1, Pesquisa 2, TCC 1 e TCC 2 – inseridas no currículo do curso de graduação em Administração da PUC-SP, a partir de 2007. 85 Quadro 12 – Número de Alunos matriculados e Turmas das Atividades de Pesquisa - Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2 do Curso de Graduação em Administração da PUC-SP - 2º Semestre de 2011 Campus Atividade Número de Alunos No. de Turmas PERDIZES Pesquisa 1 e 2 627 32 SANTANA Pesquisa 1 e 2 78 04 BARUERI Pesquisa 1 e 2 24 01 IPIRANGA Pesquisa 1 e 2 0 0 Pesquisa 1 e 2 729 37 PERDIZES TCC1 e 2 505 67 SANTANA TCC1 e 2 77 7 BARUERI TCC1 e 2 63 8 IPIRANGA TCC1 e 2 0 0 TCC1 e 2 645 82 Total Total Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Fonte: Relatório de Matrícula, emitido em 11 ago. 2011. As atividades de pesquisa – Pesquisa 1 e 2 – inseridas no currículo no 3º e 4º períodos, são cursadas anualmente por aproximadamente 729 (setecentos e vinte e nove) alunos. Considerando, que o Trabalho de Conclusão de Curso - TCC é desenvolvido nos últimos dois semestres do curso, e que a duração para a integralização do curso é distinta entre os dois turnos, as atividades curriculares TCC 1 e TCC 2 são realizadas no 7º e 8º períodos do turno matutino e no 8º e 9º períodos do turno noturno. Ponderando ainda, que do total de alunos matriculados nestas atividades – 645 (seiscentos e quarenta e cinco) alunos - nem todos concluem os seus trabalhos - são produzidos, aproximadamente, 500 (quinhentos) Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação em Administração da PUC-SP ao ano, o que corresponde ao total de egressos. O número elevado de turmas e de alunos nas atividades de pesquisa, conforme demonstrado, sugere a complexidade da gestão de tais atividades. 2.3 Currículo e Pesquisa no Curso: Aproximações e Distanciamentos No currículo adotado nos anos letivos de 1968, 1969 e 1970, o curso de Administração de Empresas da Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e 86 Atuariais “Coração de Jesus” – incorporado à PUC-SP -, que habilitava ao exercício da profissão a formação de Técnico de Administração, era anual e os dois primeiros anos eram considerados „básicos‟ e os demais aplicados à Administração de Empresas. O curso dispunha de uma carga horária de 2.720 horas em disciplinas, e de acordo com a Portaria Ministerial nº 159 de 14 de julho de 1965, para obterem diploma os alunos de Administração de Empresas deveriam realizar um estágio supervisionado de seis meses, junto à algum órgão público ou empresas privadas. Analisando a grade curricular observamos que a formação privilegiava a área de conhecimento técnica-conceitual (áreas de Economia, Métodos Quantitativos, Contabilidade e Direito) que representava 66% do curso, onde destaca-se a predominância das disciplinas da área de Métodos Quantitativos, com 26,25%. A área de conhecimento funcional era representada por 21,25%, enquanto que a área de conhecimento humana por apenas 10%. Efetuou-se a seguinte classificação, visando demonstrar os aspectos mencionados: Quadro 13 – Disciplinas do Curso de Graduação em Administração por Área de Conhecimento – 1968 a 1970 - Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Atuariais “Coração de Jesus” (continua) Área Epistemológica Economia Métodos Quantitativos Contabilidade Direito Disciplinas Introdução à Economia – 04 créditos – 1º ano Geografia Econômica – 02 créditos – 1º ano Análise Microeconômica – 03 créditos – 2º ano Economia Brasileira – 04 créditos – 4º ano Matemática – 06 créditos – 1º ano Matemática Comercial e Financeira – 03 créditos – 2º ano Estatística Metodológica – 04 créditos – 2º ano Estatística Econômica – 04 créditos – 3º ano Cálculo Econômico Empresarial – 04 créditos – 4º ano Contabilidade Geral – 03 créditos – 1º ano Contabilidade de Custos – 04 créditos – 2º ano Estrutura e Análise de Balanços – 03 créditos – 2º ano Instituições de Direito – 02 créditos – 1º ano Legislação Social – 03 créditos – 3º ano Legislação Tributária – 04 créditos – 3º ano Direito Administrativo – 02 créditos – 4º ano Total de Créditos % 13 16,25 21 26,25 10 12,5 11 13,75 87 (conclusão) Administração (áreas funcionais) Humanas Introdução à Administração – 02 créditos – 2º ano Administração Financeira – 04 créditos – 3º ano Administração de Vendas – 03 créditos – 3º ano Administração da Produção – 02 créditos – 3º ano Administração de Pessoal – 03 créditos – 4º ano Administração de Material – 03 créditos – 4º ano Sociologia – 02 créditos – 1º ano Cultura Religiosa – 01 crédito – 1º ano Doutrina Social – 01 crédito – 2º ano Psicologia (Aplicada à Administração) – 02 créditos – 4º ano Problemas Brasileiros – 02 créditos – 4º ano TOTAL 17 21,25 08 10,0 80 100 Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Portanto, a formação proposta na graduação em Administração se configura inicialmente, na PUC-SP, com um caráter profissionalizante e direcionado para uma formação que atenda às necessidades de mercado, em conformidade com o currículo mínimo estabelecido com o reconhecimento da profissão, analisados anteriormente. As disciplinas da área de humanas, que poderiam subsidiar uma formação humanística e crítica, característica da vocação da PUC-SP, correspondiam a apenas 10%. Com a inclusão do Ciclo Básico na PUC-SP, o currículo de 1971 do curso de Administração de Empresas passou por novas alterações - de anual a semestral -, organizado em nove períodos, ou seja, quatro anos e meio. A carga horária total do curso foi estabelecida em 2.850 horas. Com o Ciclo Básico, o currículo passou a propor uma formação geral e abrangente, com grande ênfase na formação humanística, que antecedia os conhecimentos específicos da área da Administração. As turmas de graduação eram compostas por alunos de diversos cursos da área de Ciências Humanas da PUCSP, proporcionando uma integração acadêmica e social dos alunos de diferentes áreas do conhecimento. O Ciclo Básico era composto pelas seguintes disciplinas: Problemas Filosóficos e Religiosos (posteriormente, Teológicos) do Homem Contemporâneo, Psicologia, Metodologia Científica e Sociologia (posteriormente, Antropologia). A proposta do Ciclo Básico baseou-se em um princípio de trabalho conjunto dos professores, com atribuições de responsabilidades docentes e técnicas. Destaca-se aqui a disciplina de „Metodologia Científica‟, que aproximava o aluno do processo histórico de construção do conhecimento e da pesquisa. 88 Nos dois primeiros semestres dedicados ao Ciclo Básico, apenas duas disciplinas específicas do curso de Administração eram ministradas e pertenciam à área técnica: Contabilidade e Métodos Quantitativos. No terceiro e quarto períodos, predominavam outras disciplinas da área técnica: Contabilidade, Métodos Quantitativos e Economia, e também foram inseridas disciplinas da área de humanas: Psicologia e Sociologia, e de Direito: Instituições de Direito Público e Privado. As disciplinas funcionais do curso de Administração eram ministradas a partir do quinto período, ou seja, a partir do terceiro ano do curso. Portanto, durante o período em que o curso contou com o Ciclo Básico, houve um fortalecimento da formação humanística, e por meio da Metodologia Científica houve uma aproximação entre a formação do administrador e o processo de produção do conhecimento. Dessa forma, uma formação crítica e humanística fomentava princípios para a construção do conhecimento, dissipados nos demais anos do curso. Em 1989, com a extinção do Ciclo Básico, o curso de Administração adotou um currículo provisório – apenas para os alunos que ingressaram naquele ano, mantendo a duração do curso: oito períodos, ou seja, 04 (quatro) anos e 2.850 horas. Na área de Sociologia houve o acréscimo de 02 (dois) créditos para cada disciplina: Sociologia Aplicada à Administração no I e II, do III e IV períodos, foram antecipadas para o I e II períodos e tiveram sua carga horária duplicada (04 créditos), e Sociologia Geral, do III período foi excluída do currículo. A área de Psicologia teve um acréscimo de 04 (quatro) créditos: as disciplinas Psicologia Aplicada à Administração I e II, do V e VI períodos, com 02 créditos, foram antecipadas para o I e II períodos e tiveram sua carga horária duplicada (04 créditos). A disciplina Introdução ao Pensamento Teológico I e II, com 04 e 02 créditos, respectivamente, foram incluídas no III e IV períodos, em substituição à disciplina Problemas Filosóficos e Teológicos do Homem Contemporâneo I e II, com 03 créditos, do Ciclo Básico. No entanto, a extinção do Ciclo Básico representou a disponibilização de 30 (trinta) créditos, considerando o 1º e 2º períodos, em disciplinas da área de humanas. Considerando que apenas as disciplinas PFTHC I e II foram incluídas no novo currículo (Pensamento Teológico I e II), observamos que 24 (vinte e quatro) 89 créditos – na área de humanas - foram alocados em disciplinas específicas do curso de Administração. Considerando o aumento de 06 (seis) créditos nas áreas de Psicologia e Sociologia, houve uma redução de 18 (dezoito) créditos em disciplinas da área de humanas. Nesse sentido, com a redução de disciplinas da área de humanas e exclusão da disciplina Metodologia Científica, há um distanciamento entre o conhecimento e a produção do conhecimento, uma vez que por meio dela o aluno tinha acesso ao processo histórico de construção do conhecimento e da pesquisa. Igualmente, cabe enfatizar que o Ciclo Básico tinha o objetivo de uma formação integral, generalista, cuja estrutura funcionava de forma independente da formação especialista, proposta nas demais disciplinas do currículo do curso. Observa-se, ainda, que com o final do Ciclo Básico, mesmo com a manutenção da Psicologia e Sociologia no currículo do curso de Administração, há um novo enfoque aplicado à área do conhecimento, tendo em vista que as disciplinas passam a ser denominadas „Psicologia Aplicada à Administração‟ e „Sociologia Aplicada à Administração‟, reforçando um caráter instrumental para o exercício da profissão. A grade curricular adotada em 1989 ofereceu os subsídios para a reforma curricular de 1990. Com esta reforma de 1990, o curso de Administração passou de 08 (oito) para 10 (dez) períodos, ou seja, de 04 (quatro) para 05 (cinco) anos. Os últimos 02 (dois) períodos – IX e X - eram compostos por disciplinas optativas, 05 (cinco) em cada. A cada semestre, diferentes disciplinas optativas foram oferecidas pelas áreas funcionais e o aluno podia escolher sua área de concentração: Administração Geral, Finanças, Marketing, Produção e Recursos Humanos. A orientação de estágio, concentrada no VIII período com 02 créditos, teve sua carga horária duplicada e passou a constar na grade curricular como Orientação de Estágio I e II, no IX e X períodos. Com o acréscimo de dois semestres no curso para as disciplinas optativas, esta reforma, em consonância com as mudanças ocorridas na década de 1980 explicitadas na primeira parte deste trabalho, garantiu a abordagem das questões emergentes e a atualização contínua do curso, assim como possibilitou ao aluno maior concentração em uma das áreas funcionais de acordo com o seu interesse. As demais disciplinas do currículo tiveram como objetivo uma formação generalista e as optativas representaram uma „especialização‟ na formação do aluno. 90 Em 2002 o Trabalho de Conclusão de Curso - TCC foi inserido como conteúdo da disciplina Orientação de Estágio II, no último semestre do curso. No período de 2002 a 2006, o TCC configurou-se como uma atividade individual, realizada em apenas um semestre e no último período do curso. Dessa forma, a partir de 2002, a disciplina “Orientação de Estágio II”, buscou integrar teoria e prática, por intermédio da elaboração do TCC – Trabalho de Conclusão de Curso -, um trabalho monográfico que por sua natureza requer um conhecimento metodológico e de pesquisa, e que não são proporcionados pelas demais disciplinas do currículo. O currículo passou por pequenas alterações no período de 1990 a 2006 e o curso de Administração manteve o total de 3.120 horas, quando ocorreu a última reforma curricular, em 2007. 2.4 A Pesquisa no Projeto Pedagógico do Curso - PPC O Projeto Pedagógico do Curso e o currículo implantado em 2007 foram decorrentes da necessidade de reformulação do curso de Administração, atendendo às diretrizes curriculares instituídas em 2005 e ao Projeto Pedagógico Institucional PPI da universidade. Os currículos do curso de Administração apresentam duração de oito períodos (quatro anos) para o turno matutino e nove períodos (quatro anos e meio) para o noturno, e estão organizados conforme exposto no quadro que segue. 91 Quadro 14 – Currículo do Curso de Administração da PUC-SP – Matutino - Implantado em 2007 (continua) Período Disciplinas/Atividades Cód. Créditos CH Área Pedagógicas Disc. Epistemológica Psicologia Aplicada à Administração 06760 04 68 Psicologia I Ciências Sociais Aplicadas à 06762 04 68 Ciências Sociais Administração I (Sociologia) 1º Microeconomia 06764 04 68 Economia Estatística I 06767 04 68 Métodos Quantitativos Matemática Aplicada à 06770 04 68 Métodos Administração I Quantitativos Teoria da Administração 06773 04 68 Gest. Estr. das Organiz. Psicologia Aplicada à Administração 06761 02 34 Psicologia II Ciências Sociais Aplicadas à 06763 02 34 Ciências Sociais Administração II (Antropologia) 2º Filosofia das Ciências 06775 02 34 Filosofia Macroeconomia 06765 04 68 Economia Matemática Aplicada à 06771 02 34 Métodos Administração II Quantitativos Contabilidade Geral 06776 04 68 Ciências Contábeis Estatística II 06768 02 34 Métodos Quantitativos Teoria das Organizações 06774 04 68 Gest. Estr. das Organiz. Instituição de Direito Público e 06778 02 34 Direito Privado Introdução ao Pensamento 00403 02 34 Teologia Teológico I Contabilidade de Custos 06777 04 68 Ciências Contábeis 3º Matemática Financeira 06772 04 68 Métodos Quantitativos Direito Comercial 06779 02 34 Métodos Quantitativos Gestão Estratégica e das 06780 02 34 Gest. Estr. das Organizações I Organiz. Gestão de Finanças I 06786 02 34 Gestão de Finanças Gestão de Marketing I - Funções de 06792 02 34 Gestão de Marketing Marketing Gestão de Pessoas I 06798 02 34 Gestão de Pessoas Gestão de Operações I 06804 02 34 Gestão de Operações Atividades Complementares 06810 02 34 Todas as Áreas Pesquisa I 92 Período 4º 5º 6º 7º Disciplinas/Atividades Pedagógicas Cód. Disc. Créditos CH Introdução ao Pensamento Teológico II Ética nos Negócios 00404 06812 04 02 68 34 Economia Brasileira Estatística III 06766 06769 02 02 34 34 Legislação Social Gestão Estratégica e das Organizações II Gestão de Finanças II 06813 06781 02 02 34 34 06787 02 34 Gestão de Marketing II - Pesquisa e Sist. de Informações Gestão de Pessoas II Gestão de Operações II 06793 02 34 06799 06805 02 02 34 34 Atividades Complementares Pesquisa II Planejamento Contábil e Tributário Gestão Estratégica e das Organizações III Gestão de Finanças III 06811 02 34 06814 06782 02 04 34 68 06788 04 68 Gestão de Marketing III - Gestão de Produtos e Marcas Gestão de Pessoas III Gestão de Operações III 06794 04 68 06800 06806 04 04 68 68 Gestão Estratégica e das Organizações IV Gestão de Finanças IV 06783 04 68 06789 04 68 Gestão de Marketing IV - Canais de Marketing Gestão de Pessoas IV Gestão de Operações IV 06795 04 68 06801 06807 04 04 68 68 Orientação de Estágio Gestão Estratégica e das Organizações V Gestão de Finanças V 06815 06784 02 04 34 68 06790 04 68 Gestão de Marketing V 06796 04 68 Gestão de Pessoas V Gestão de Operações V 06802 06808 04 04 68 68 TCC I - Trabalho de Conclusão de Curso 06816 02 34 (continuação) Área Epistemológica Teologia Gest. Estr. das Organiz. Economia Métodos Quantitativos Direito Gest. Estr. das Organiz. Gestão de Finanças Gestão de Marketing Gestão de Pessoas Gestão de Operações Todas as Áreas Ciências Contábeis Gest. Estr. das Organiz. Gestão de Finanças Gestão de Marketing Gestão de Pessoas Gestão de operações Gest. Estr. das Organiz. Gestão de Finanças Gestão de Marketing Gestão de Pessoas Gestão de Operações Todas as Áreas Gest. Estr. das Organiz. Gestão de Finanças Gestão de Marketing Gestão de Pessoas Gestão de Operações Todas as Áreas 93 Período 8º Disciplinas/Atividades Pedagógicas Cód. Disc. Créditos CH Sustentabilidade 06818 04 68 Tecnologia da Informação 06819 04 68 (conclusão) Área Epistemológica Gest. Estr. das Organiz. Gest. Estr. das Organiz. Todas as Áreas Todas as Áreas Todas as Áreas Todas as Áreas Optativa 06825 04 68 Optativa 06826 04 68 Optativa 06827 04 68 TCC II - Trabalho de Conclusão de 06816 02 34 Curso Carga Horária Parcial do Curso Atividades Complementares Livres - desde que validadas pela coordenação, pois essas horas integram a carga horária total do curso. Estágio Supervisionado Obrigatório Total Geral da Carga Horária do Curso Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Fonte: Projeto Pedagógico do Curso. 3128 32 200 3360 Quadro 15 – Currículo do Curso de Administração da PUC-SP – Noturno - Implantado em 2007 (continua) Período Disciplinas/Atividades Cód. Créditos CH Área Pedagógicas Disc. Epistemológica Psicologia Aplicada à Administração I 06760 04 68 Psicologia Ciências Sociais Aplicadas à 06762 04 68 Ciências Sociais Administração I (Sociologia) 1º Contabilidade Geral 06776 04 68 Ciências Contábeis Matemática Aplicada à Administração I 06770 04 68 Métodos Quantitativos Teoria da Administração 06773 04 68 Gest. Estr. das Organiz. Psicologia Aplicada à Administração II 06761 02 34 Psicologia Ciências Sociais Aplicadas à 06763 02 34 Ciências Sociais Administração II (Antropologia) 2º Contabilidade de Custos 06777 04 68 Ciências Contábeis Estatística I 06767 04 68 Métodos Quantitativos Matemática Aplicada à Administração II 06771 02 34 Métodos Quantitativos Teoria das Organizações 06774 04 68 Gest. Estr. das Organiz. Instituição de Direito Publico e Privado 06778 02 34 Direito 94 Período Disciplinas/Atividades Pedagógicas Cód. Disc. 06764 06772 Créditos CH 04 04 68 68 Direito Comercial Gestão Estratégica e das Organizações I Gestão de Finanças I 06779 06780 02 02 34 34 06786 02 34 Gestão de Marketing I - Funções de Marketing Gestão de Pessoas I Gestão de Operações I 06792 02 34 06798 06804 02 02 34 34 Atividades Complementares Pesquisa I Introdução ao Pensamento Teológico Macroeconomia Estatística II 06810 02 34 00403 06765 06768 02 04 02 34 68 34 Gestão Estratégica e das Organizações II Gestão de Finanças II 06781 02 34 06787 02 34 Gestão de Marketing II - Pesquisa e Sist. de Informações Gestão de Pessoas II Gestão de Operações II 06793 02 34 06799 06805 02 02 34 34 Atividades Complementares Pesquisa I Introdução ao Pensamento Teológico II Filosofia das Ciências Economia Brasileira Estatística III 06811 02 34 00404 06775 06766 06769 04 02 02 02 68 34 34 34 Gestão Estratégica e das Organizações III Gestão de Finanças III 06820 02 34 06821 02 34 Gestão de Marketing III - Gestão de Produtos e Marcas Gestão de Pessoas III Gestão de Operações III 06822 02 34 06823 06824 02 02 34 34 Gestão Estratégica e das Organizações IV Gestão de Finanças IV 06783 04 68 06789 04 68 Gestão de Marketing IV - Canais de Marketing Gestão de Pessoas IV Gestão de Operações IV 06795 04 68 06801 06807 04 04 68 68 Microeconomia Matemática Financeira 3º 4º 5º 6º (continuação) Área Epistemológica Economia Métodos Quantitativos Direito Gest. Estr. das Organiz. Gestão de Finanças Gestão de Marketing Gestão de Pessoas Gestão de Operações Todas as Áreas Teologia Economia Métodos Quantitativos Gest. Estr. das Organiz. Gestão de Finanças Gestão de Marketing Gestão de Pessoas Gestão de Operações Todas as Áreas Teologia Filosofia Economia Métodos Quantitativos Gest. Estr. das Organiz. Gestão de Finanças Gestão de Marketing Gestão de Pessoas Gestão de Operações Gest, Estr. das Organiz. Gestão de Finanças Gestão de Marketing Gest. de Pessoas Gestão de Operações 95 Período 7º 8º 9º Disciplinas/Atividades Pedagógicas Cód. Disc. Créditos CH Gestão Estratégica e das Organizações V Gestão de Finanças V 06784 04 68 06790 04 68 Gestão de Marketing V 06796 04 68 Gestão de Pessoas V 06802 04 68 Gestão de Operações V 06808 04 68 Orientação de Estágio Ética nos Negócios 06815 06812 02 02 34 34 Legislação Social Tecnologia da Informação 06813 06819 02 04 34 68 Gestão Estratégica e das Organizações VI Gestão de Finanças VI 06785 02 34 06791 02 34 Gestão de Marketing VI 06797 02 34 Gestão de Pessoas VI 06803 02 34 Gestão de Operações VI 06809 02 34 TCC I - Trabalho de Conclusão de Curso Sustentabilidade 06816 02 34 06818 04 68 Planejamento Contábil e Tributário 06814 02 34 (conclusão) Área Epistemológica Gest. Estr. das Organiz. Gestão de Finanças Gestão de Marketing Gestão de Pessoas Gestão de Operações Todas as Áreas Gest. Estr. das Organiz. Direito Gest. Estr. das Organiz. Gest. Estr. das Organiz. Gestão de Finanças Gestão de Marketing Gestão de Pessoas Gestão de Operações Todas as Áreas Gest. Estr. das Organiz. Ciências Contábeis Todas as Áreas Todas as Áreas Todas as Áreas Todas as Áreas Optativa 06825 04 68 Optativa 06826 04 68 Optativa 06827 04 68 TCC II - Trabalho de Conclusão de 06817 02 34 Curso Carga Horária Parcial do Curso Atividades Complementares Livres - desde que validadas pela coordenação, pois essas horas integram a carga horária total do curso. Estágio Supervisionado Obrigatório Total Geral da Carga Horária do Curso Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Fonte: Projeto Pedagógico do Curso. 3128 32 200 3360 Como destacado no quadro anterior, quatro atividades pedagógicas de pesquisa foram inseridas no currículo do curso: duas atividades complementares de pesquisa – Pesquisa 1 e Pesquisa 2, e duas atividades de Trabalho de Conclusão de Curso – TCC 1 e TCC 2. Segundo o PPC – Projeto Pedagógico do Curso – são previstas 100 (cem) horas para atividades complementares, sendo 68 (sessenta e oito) cumpridas em 96 atividades complementares de pesquisa citadas, ligadas às áreas epistemológicas do curso - e as demais 32 (trinta e duas) horas, em atividades „livres‟, que poderão ser integralizadas, validadas pela coordenação do curso. Dessa forma, a integração das dimensões ensino, pesquisa e extensão são propostas por meio de atividades complementares, constituídas pelas atividades de pesquisa aqui analisadas e por atividades „livres‟ voltadas à extensão. São definidas as áreas epistemológicas do curso - Gestão Estratégica e das Organizações, Gestão de Finanças, Gestão de Marketing, Gestão de Operações e Gestão de Pessoas, e cedida autonomia para que cada área crie suas linhas de pesquisa, como é descrito no PPC: cada uma das áreas epistemológicas acima descritas terá autonomia para criar as linhas de pesquisa que se fizerem necessárias para a adequação da pesquisa com o ensino. As linhas de pesquisa, por sua vez, aglutinarão os grupos de pesquisa que se organizarão em torno de eixos temáticos dentro da área epistemológica. De forma análoga, uma linha de pesquisa pode ter mais de um grupo de pesquisa a ela vinculado. Por fim, os grupos de pesquisa serão os responsáveis pelo desenvolvimento dos projetos de pesquisa dos professores do curso (PPC, 2006, p. 14) [grifos nossos]. Nesse sentido, a concepção inicial das atividades de pesquisa no PPC era a inserção do aluno no projeto do professor, propondo uma organização para a criação das linhas de pesquisa, dos grupos e dos projetos dos professores. Assim, tais atividades não foram consideradas disciplinas, mas atividades acadêmicas complementares cujo conteúdo e organização dependeriam da criação da estrutura proposta. Em termos de organização curricular, as atividades de pesquisa seriam conduzidas por professores das áreas epistemológicas, em turmas compostas por 20 (vinte) alunos, com uma carga horária de dois créditos (34 horas) e não haveria pré-requisitos Os propósitos específicos seriam o de integrar os alunos com as práticas administrativas e a fundamentação conceitual do campo da administração e envolveria tanto atividades de pesquisa bibliográfica quanto pesquisa de campo. Segundo o projeto: 97 As atividades complementares de pesquisa podem estar voltadas tanto para o desenvolvimento teórico-conceitual das ciências administrativas, com produção de trabalhos para publicação em revistas ou livros, ou ainda apresentação e publicação em anais de eventos científicos da área de administração, quanto para o desenvolvimento prático-conceitual, com a produção de estudos de casos para futura utilização nas aulas das disciplinas da área funcional e/ou disponibilização para o mercado, por meio de publicações específicas (PPC, 2006, p.15). As atividades complementares livres poderão ser integralizadas a qualquer tempo e sua validação deverá ser requerida perante a coordenação do curso. Podem ser consideradas atividades aquelas que envolvam: palestras, participação em eventos acadêmicos ou científicos (na própria PUC ou em outra instituição), atividades de extensão ligadas ao campo da administração (projetos em ONG‟s ou outras organizações de cunho social), serviços à comunidade, entre outros. Segundo o PPC, “a integração do ensino e pesquisa se dará principalmente por meio das atividades complementares, onde a ênfase maior será no desenvolvimento de atividades voltadas para a pesquisa” (PPC, 2006, p. 19) [grifo nosso]. As seguintes expectativas são: a) Maior envolvimento dos alunos com as atividades de pesquisa da pós-graduação (mestrado em Administração), seja por meio da articulação dos projetos de iniciação científica com as atividades da pósgraduação, seja por meio das linhas e projetos de pesquisa fomentados no âmbito do curso nas áreas epistemológicas; b) Integração do ensino e extensão, que por sua vez será incentivada pela participação dos alunos em projetos comunitários por meio de atividades de iniciação científica ou por iniciativas da PUC Júnior, ou ainda em atividades articuladas por professores do curso e pela constante participação da comunidade acadêmica (docentes e discentes) em ações que oportunizem a interação com a comunidade externa, seja ela carente ou não; c) Desenvolvimento de Projetos de Iniciação Científica; d) Participação nas atividades da PUC Júnior. O Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, que no currículo anterior era desenvolvido como conteúdo da disciplina „Orientação de Estágio II‟ foi oficializado, passando a constar como atividade regular e obrigatória do curso. Sua carga horária foi duplicada para 68 (sessenta e oito) horas e compõem as atividades dos dois últimos semestres do curso. Em relação ao TCC, são inseridas duas disciplinas de Orientação do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso 1 e 2), com dois créditos cada uma, e turmas 98 compostas por 10 (dez) alunos, obrigatórias a todos os alunos do curso, cujo único requisito é estarem matriculados no período no qual a atividade é proposta. A natureza do Trabalho de Conclusão de Curso proposta é de cunho monográfico e a orientação é que seja realizada por algum professor do departamento vinculado à área epistemológica que o aluno escolher (linha de pesquisa). A avaliação do trabalho é realizada pelo professor orientador, por meio de atribuição de nota - zero a dez -, não sendo submetido à banca avaliadora. Quadro 16 – Ementas, Objetivos, Conteúdos e Bibliografia das disciplinas TCC1 e TCC2 (continua) Ementa Trabalho de Orientação metodológica e acompanhamento para elaboração do Projeto Conclusão de de Pesquisa que dará origem ao Trabalho de Conclusão de Curso: Curso I definição de tema, problema de pesquisa, objetivos finais e intermediários, justificativa, hipóteses, metodologia da pesquisa (meios e instrumentos), bibliografia, estruturação do TCC e cronograma. Objetivos Levar o aluno a refletir sobre os fenômenos que norteiam a campo da administração e suas implicações para o campo dos negócios. Conteúdos Contexto das ciências; Problematização do objeto; Mapeamento teórico. Referências COOPER, D. R.; SHINDLER, P. S. Métodos de Pesquisa em Administração. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2003. GIL, A. C. Como elaborar Projetos de Pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002. GONÇALVES, C. A.; MEIRELLES, A. M. Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. São Paulo: Atlas, 2004. ROESCH, S. M. A. Projetos de Estágio e de Pesquisa em Administração. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2005. VERGARA, S. C. Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2005. 99 (conclusão) Trabalho de Conclusão de Curso II Ementa Orientação metodológica e acompanhamento para elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso. Objetivos Aprofundar as reflexões sobre a importância da teoria no desenvolvimento do contexto da gestão das organizações. Conteúdos Meios e técnicas da investigação científica; Formas de abordagens e levantamento do campo; Estruturação e redação da monografia. Referências MARION, J. C.; DIAS, R.; TRALDI, M. C. Monografia para os cursos de Administração, Contabilidade e Economia. São Paulo: Atlas, 2002. MARTINS, G. de A.; LINTZ, A. Guia para Elaboração de Monografias e Trabalhos de Conclusão de Curso. São Paulo: Atlas, 2000. MARTINS, G. de A. Estudo de Caso: Uma estratégia de Pesquisa. São Paulo: Atlas, 2006. Fonte: PPC (2006, p. 55). O PPC previa, ainda, a criação de um Conselho de Pesquisa, de uma Central de Estudos de Casos e de uma Cátedra. O Conselho de Pesquisa - instância acadêmica de avaliação das atividades dos Grupos de Pesquisa, Monitorias e Projetos de Iniciação Científica (CEPE e/ou CNPq), é composta por 3 (três) professores doutores, sendo que esta composição restringe-se somente a titulares e associados, indicados pela Coordenação do Curso – cabendo as seguintes atribuições: 1) avaliação da pertinência e oportunidade de grupos de pesquisa, projetos de I.C. e monitorias, bem como sua adequação às linhas de pesquisa do Departamento; 2) avaliação das sugestões de grupos e temas de pesquisa no mesmo escopo do item anterior; 3) avaliação, do ponto de vista formal e de conteúdo, dos projetos e produtos dos grupos de pesquisa, e pesquisas individuais, e que serão submetidas ao CEPE e ao CNPQ.; 4) proposição e sugestão de linhas, grupos e projetos de pesquisa, ao Departamento (PPC, 2006, p. 24). A Central de Casos do Departamento de Administração é definida como um núcleo que tem como responsabilidade permitir a elaboração de casos de estudo e de incentivar a utilização de casos como metodologia durante as aulas nas diversas disciplinas do curso de Administração, e com o objetivo de permitir que a importante 100 ferramenta didática - que é o estudo de caso - seja utilizada de maneira ampla em todas as disciplinas do curso de Administração. A Cátedra tem a finalidade de integrar as diversas áreas epistemológicas do curso de Administração da PUC-SP, com a missão de fomentar a pesquisa e a produção do conhecimento institucionalizado, alargando as fronteiras do curso por meio de convênios com outras instituições de ensino do Brasil e do exterior, bem como é a maior responsável por toda a articulação dos campos de atuação (negócios empresariais e ambiente social – terceiro setor) do curso, reunindo e direcionando todos os grupos de pesquisas existentes (e também os que fossem criados) com suas linhas e projetos de pesquisa. Com a implantação do currículo e a inserção das atividades de Pesquisa Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2 – foram dedicadas 128 (cento e vinte e oito) horas voltadas às atividades de pesquisa. Outrossim, o contato do aluno com a pesquisa e, consequentemente, com a produção do conhecimento, passou a ocorrer em um período de dois anos do curso. Nesse sentido, é possível compreender que a ênfase na pesquisa, proposta no Projeto Pedagógico do Curso de graduação em Administração, representa um avanço na formação dos alunos, em uma perspectiva crítica, onde há uma reaproximação do curso em relação ao papel da universidade, entendida como instituição social e corresponsável na construção da sociedade enquanto produtora de conhecimento e que vem ao encontro das diretrizes e dos princípios estabelecidos no Projeto de Desenvolvimento Institucional e no Projeto Político Pedagógico da PUC-SP. 101 3 APORTES TEÓRICOS: O CURRÍCULO, A PESQUISA E A PRÁTICA DOCENTE Neste tópico são abordados os aportes teóricos que refletem as concepções consideradas acerca do currículo, da pesquisa na graduação e da docência na universidade. A partir da análise do currículo como construção social e intencional, discute-se a pesquisa e o conhecimento na universidade, onde o conceito de formação adquire novos contornos e a pesquisa passa a ser analisada como princípio científico e educativo na formação do aluno. Tal concepção influencia e transforma o papel do aluno e do professor no processo de ensino e de aprendizagem, no „ensino da pesquisa‟ e no „ensino pela pesquisa‟. O modelo de análise de desenvolvimento curricular proposto por Sacristán (2000) embasa a teoria da pesquisa realizada neste trabalho. Para tanto, apoia-se nos seguintes autores: Apple (2006), Chauí (2006), Chizzotti (2006), Demo (2004, 2010, 2011), Forquin (1993), Gil (2010), Hamilton (1992), Imbernón (2010), Lima (2004), Pádua (1988), Pescuma e Castilho (2005), Pimenta e Anastasiou (2002), Sacristán (2000), Salomon (1991), Severino (2001, 2007), e Tardif e Lessard (2007). 3.1 Educação e Currículo Como a problemática central deste trabalho está relacionada à compreensão do processo de inserção e vivência das atividades curriculares de pesquisa no curso de graduação em Administração da PUC-SP, este item discute o papel da educação – por meio de sua relação com as práticas produtiva, política e simbolizadora – visando estabelecer a relação entre educação e formação proposta no curso. Igualmente tem o propósito de conceituar o currículo e embasar, teoricamente, a análise das etapas de projeção, implantação e vivência destas atividades no curso. Severino (2001) entende que é a prática que constrói a educação e que ao agir de modo prático para educar, o educador edifica a educação em sua condição real, compartilhando-a com os educandos. No entanto, a prática humana é intencional, porém nem sempre transparente, camuflada sob disfarces ideológicos 102 ou outras formas de alienação, de tal forma que o sujeito, em sua cotidianidade, nem sempre possui a consciência do sentido de suas ações. Segundo ele, toda explicação teórica deve ter a prática como referência fundamental. A teoria, em sentido amplo, é o esforço para realizar essa leitura e explicitar o sentido imanente à prática. Nesse sentido, a prática humana só pode ser esclarecida e significada pela consciência e expressão teórica da subjetividade e no âmbito educacional, e a teoria tem por finalidade esclarecer os elementos envolvidos na prática. Segundo o autor, a condição de existir dos seres humanos está integralmente instaurada e historicamente construída pela prática intencionalizada que se transfigura na práxis. (...) pela práxis o homem opera e age. Ela é o movimento que articula dialeticamente a operação e a reflexão, a teoria e a prática. Para que a ação humana seja criadora e transformadora, precisa ser uma prática intencionalizada pela teoria e pela significação (SEVERINO, 2001, p. 46). A primeira dimensão da existência efetiva-se por meio das relações do homem com a natureza, da prática produtiva, atualmente denominada “trabalho”, onde a natureza é transformada de modo a se adaptar e a atender às necessidades do sujeito, não sendo mais ele quem se adapta às imposições naturais. Como foi identificado na primeira parte, o surgimento do curso de graduação em Administração está atrelado ao processo de desenvolvimento econômico e ocorreu com o objetivo de formar profissionais para atender às necessidades das organizações que estavam se estabelecendo no país. A formação proposta, inicialmente, – com foco em empresas multinacionais e estatais – foi se modificando conforme as transformações da sociedade e o estabelecimento de outros tipos de organização como, por exemplo, empresas familiares, empresas de pequeno e médio porte, ONG‟s – Organizações Não Governamentais – representadas pelo terceiro setor. Consequentemente, outras habilidades e competências foram requeridas para a formação do administrador, visando atender a estas novas necessidades do mercado de trabalho e da sociedade. Assim, a essência da formação do administrador está vinculada à capacidade de formar profissionais para atender à prática produtiva que na Administração se dá por meio do trabalho e da atuação desses profissionais nas organizações. 103 A segunda dimensão mencionada por Severino (2001) refere-se à prática política associada às relações dos homens entre si, enquanto sujeitos históricos, sociais e coletivos, que em função da hierarquia na construção dessas relações, e tendo como base a prática produtiva, fixam-se as questões de poder e de dominação. A terceira dimensão refere-se à prática simbolizadora, onde todas as relações produtivas e sociais, e todos os objetos a elas relacionados, recebem uma caracterização simbólica, destinada a ceder-lhes uma significação e legitimação, e dessa maneira torna-se um recurso humano para a construção do mundo. A educação está situada na terceira dimensão da prática humana, e diz respeito à construção do universo simbólico e cultural que oferece significação às relações dos homens com o mundo produtivo e político. É responsável pela articulação dos sujeitos com o conhecimento. Severino (2001) defende que a educação é um processo intergeracional, onde a geração adulta é responsável pela transmissão de valores e conhecimentos para as gerações futuras. A especificidade humana, a subjetividade do homem e a existência humana são mediadas – somente são elaboradas e realizadas por meio de ações concretas, mediante atividades relacionadas ao trabalho, à sociabilidade e à cultura, em uma relação intencional, dinâmica e dialética. Nesse sentido, a educação é prática simbolizadora - inter-relacionada com as práticas produtiva e social - e o currículo é um poderoso instrumento de mediação. Por um lado, a educação está situada na terceira dimensão - como prática simbolizadora humana. Por outro, o curso de Administração vem a atender às necessidades de formação profissional e demandas das empresas, e está vinculado diretamente à prática produtiva. Assim, por meio do currículo realiza-se a articulação entre as práticas produtiva, política e simbolizadora. Dessa forma, diversos autores – entre eles, Apple (2006), Chauí (2006), Sacristán (2000) e Severino (2001) – defendem que não existe neutralidade na educação, nas escolas e nos currículos, e que pela própria natureza da instituição, o educador – ciente ou não - está envolvido em um ato político. A hegemonia e a coesão expressam-se na prática cotidiana pelo senso comum, e na instituição de ensino por meio do currículo formal e oculto. O currículo é derivado do Projeto Pedagógico do Curso que, por sua vez, vem a atender ao Projeto Político-Pedagógico da instituição de ensino. É por intervenção deste que surge a possibilidade da universidade realizar seu papel social de 104 articulação das atividades de ensino, de pesquisa e de extensão, e também de produção intelectual institucionalizada. Ainda, a pesquisa na área da Administração tem como objeto os fenômenos das organizações e do trabalho, e pode configurarse como um caminho de integração entre teoria e prática enquanto constrói novos conhecimentos, e contribui tanto para o estabelecimento de novas relações de trabalho como para o desenvolvimento da sociedade. Enquanto artefato social, o currículo é construído por homens e para homens, em um dado momento histórico e em um contexto político, econômico e social. Hamilton (1992) analisa as origens dos termos „classe‟ e „currículo‟ e alega que o surgimento destes vocábulos está relacionado à ruptura do ensino medieval baseado em uma relação de ensino individualizado mestre-discípulo -, a partir da modernidade, com o surgimento do Estado liberal, dando resposta à sociedade para a formação do cidadão, incluindo a ideia de sequência nos estudos, avaliação e controle. Para Forquin (1993) toda a educação escolar supõe a seleção organizada da cultura e elaboração de tais conteúdos culturais a serem transmitidos às novas gerações. O autor reflete sobre a questão da cultura em torno da seleção, das razões para a seleção, e das relações de desigualdades na sociedade. O currículo é aqui compreendido como uma construção social e intencional de caráter processual e dialético -, que se constitui no interior de um contexto histórico, social, político e econômico, e que continuamente readquire significados, mediante a ação e reflexão crítica dos sujeitos envolvidos no sistema educacional, dentro das subjetividades envolvidas, da historicidade e da cultura escolar. Para Sacristán (2000, p. 15) “o currículo é uma prática, expressão, da função socializadora e cultural que determinada instituição tem (...)”, e ainda: (...) a análise do currículo é uma condição para conhecer e analisar o que é a escola como instituição cultural e de socialização em termos reais e concretos. O valor da escola se manifesta fundamentalmente pelo que faz ao desenvolver um determinado currículo, independentemente de qualquer retórica e declaração grandiloqüente de finalidades. Nessa mesma medida, o currículo é um elemento nuclear de referência para analisar o que a escola é de fato como instituição cultural e na hora de elaborar um projeto alternativo de instituição (SACRISTÁN, 2000, p. 17-18). Apple (2006) analisa o currículo, estabelecendo a relação entre educação e estrutura econômica e as conexões entre conhecimento e poder. Defende a tradição 105 neomarxista de argumentação, como modelo mais convincente para organizar o pensamento e a ação relativos à educação, buscando demonstrar as maneiras concretas que os sistemas estruturais prevalecentes (alienantes) – as maneiras fundamentais pelas quais as instituições, as pessoas e os modos de produção, distribuição e consumo são organizados e controlados – dominam a vida cultural, incluindo as práticas do cotidiano, assim como as instituições de ensino e os currículos que adotam. O autor propõe, ainda, que se localize e contextualize o conhecimento que é ensinado, as relações sociais que dominam as salas de aula, a escola como mecanismo de preservação e distribuição cultural e econômica e, finalmente, nós mesmos como pessoas que trabalham nessas instituições. Assim, é possível analisar alguns aspectos relacionados ao currículo: 1) O que é ensinado nas instituições de ensino: o que é considerado conhecimento legítimo, para entender a posição cultural, econômica e política da instituição. Neste aspecto, devem-se problematizar as formas de currículo encontradas nas instituições de ensino, buscando desvelar seu conteúdo ideológico latente; 2) Questões sobre tradição seletiva: de quem é o conhecimento, quem o selecionou, por que é organizado e ensinado dessa forma e a esse grupo em particular. Por sua vez, Sacristán (1999, 2000) analisa a diversidade das questões culturais envolvidas Entre elas destaca-se a relação entre a cultura na escola e a cultura escolar, que ao invés de servir como reprodutora da ideologia dominante pode optar pela transmissão da tradição cultural, adotando uma atitude crítica e construtiva em relação à forma e conteúdo curriculares, ampliando seu espaço de participação e se valendo do currículo para a transformação social, com posicionamento político voltado à democratização da educação. Sacristán (2000) organiza as diversas definições, acepções e perspectivas, e alega que o currículo vem sendo analisado a partir de âmbitos formalmente diferenciados, tais como: a) Sua função social, como ponte entre sociedade e escola; b) Projeto ou plano educativo, composto por diferentes aspectos, experiências, conteúdos, etc.; c) A expressão formal e o material do projeto educativo, que deve apresentar, sob determinado formato, seus conteúdos, suas orientações e suas sequências; d) Campo prático, que supõe a possibilidade de analisar os processos instrutivos e a realidade da prática, estudá-lo como território 106 de intersecção de práticas diversas e sustentar o discurso sobre a interação entre a teoria e a prática na educação. Ao analisar o currículo como confluência de práticas, o autor o compreende como um objeto que se constrói no processo de configuração, implantação, concretização e expressão de determinadas práticas pedagógicas e em sua própria avaliação como resultado das diversas intervenções que nele se realizam. Reconhece que as diferentes concepções sobre o que é currículo são decorrentes, em parte, do fato de centrarem-se em diferentes fases ou momentos do processo de transformação curricular e de seu caráter processual. Assim, todas as concepções são parciais e, de alguma forma, contém parte da verdade do que realmente é o currículo. Segundo o autor: O currículo pode ser visto como um objeto que cria em torno de si campos de ação diversos, nos quais múltiplos agentes e forças se expressam em sua configuração, incidindo sobre aspectos distintos (...). O conceito currículo adota significados diversos, por que, além de ser suscetível a enfoques paradigmáticos diferentes, é utilizado para processos ou fases distintas do desenvolvimento curricular (SACRISTÁN, 2000, p. 101 e 103). Considerando que a educação ocorre a partir da práxis, pesquisar e teorizar sobre currículo pressupõe conhecê-lo no lócus no qual se desenvolve a universidade. Tardif e Lessard (2007) alegam que desde o início da década de 1980, a maioria dos pesquisadores em ciências da educação reconhece a importância de analisar in situ o processo concreto da atividade docente em seus diversos aspectos - interação com os alunos, planejamento e gestão do ensino, avaliação, relacionamento com os colegas, transformações curriculares, etc. – bem como partir da análise dos contextos cotidianos nos quais atuam os agentes da educação, para melhor descrever e compreender suas atividades, com suas peculiares dificuldades e seus pontos fortes. Sacristán defende que em função de seu caráter processual, o currículo prescrito não incide diretamente na prática docente. (...) As orientações ou prescrições administrativas costumam ter escasso valor para articular a prática dos docentes, para planejar atividades de ensino ou para dar conteúdo definido a objetivos pedagógicos, que por muito específicos que sejam e por mais concreta definição que tenham, não podem transmitir ao professor o que é preciso fazer com os alunos, o que lhes ensinar (2000, p. 103). 107 Em função da problemática central deste trabalho - compreender como as atividades de pesquisa foram propostas, implantadas e como estão sendo vivenciadas por seus professores, no curso de graduação em Administração da PUC-SP -, para fundamentar esta tese foi utilizado o modelo de análise de desenvolvimento curricular proposto por Sacristán (2000), que considera o currículo como confluência de práticas. (...) o currículo é um objeto que implantação, concretização e pedagógicas e em sua própria intervenções que nele se operam se constrói no processo de configuração, expressão de determinadas práticas avaliação, como resultado das diversas (SACRISTÁN, 2000, p. 101). Conforme o modelo de análise de desenvolvimento curricular proposto por Sacristán (2000) desentranhar o processo de „construção curricular‟ é uma condição não apenas para a compreensão, mas para a identificação de pontos nevrálgicos que afetam a transformação processual e que incidem mais decisivamente na prática. Propõe a distinção de seis momentos, níveis ou fases no processo de desenvolvimento do currículo, que descobrem campos de pesquisas peculiares e que ajudam a compreender as conexões entre tais níveis e a prática pedagógica: o currículo prescrito, o currículo apresentado aos professores, o currículo moldado pelos professores, o currículo em ação, o currículo realizado, e o currículo avaliado. O currículo prescrito está relacionado à política curricular e às decorrentes prescrições e orientações estabelecidas pelos órgãos governamentais. Segundo Sacristán (2000) a política curricular é definida da seguinte forma: (...) é um aspecto específico da política educativa, que estabelece a forma de selecionar, ordenar e mudar o currículo dentro do sistema educativo, tornando claro o poder e a autonomia que diferentes agentes têm sobre ele, intervindo, dessa forma, na distribuição do conhecimento dentro do sistema escolar e incidindo na prática educativa, enquanto apresenta o currículo a seus consumidores, ordena seus conteúdos e códigos de diferentes tipos (SACRISTÁN, 2000, p. 109). Em relação ao „currículo prescrito‟, o Parecer CNE/CES n° 67, de 11 de março de 2003 -, que eliminou a exigência de currículos mínimos nacionais, dando autonomia às universidades na fixação do conteúdo dos cursos e programas, observadas as diretrizes curriculares -, bem como a Resolução CSE/CNE nº 1, de 02 108 de fevereiro de 2004 -, que instituiu as diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em Administração, bacharelado -, possibilitaram ao curso a flexibilidade e autonomia necessárias na composição de seu currículo, favorecendo a inserção das atividades de pesquisa condizentes com os objetivos da própria universidade, expressos no Projeto Pedagógico Institucional. Para Sacristán (2000) o „currículo apresentado aos professores‟ tem a finalidade de traduzir para os professores o significado e conteúdos do currículo prescrito. Este trabalho, em função de seus objetivos, está representado pela análise do „currículo projetado‟, que tem o propósito de compreender como as atividades de pesquisa foram propostas no Projeto Pedagógico do Curso e como foram implantadas no currículo pelos gestores acadêmicos. Em relação ao „currículo moldado pelos professores‟, Sacristán (2000) afirma que independente do papel que o professor assuma no processo de planejamento da prática, ele é „um tradutor‟ que intervém na configuração das propostas curriculares, e o currículo é um elemento mediador entre teoria e ação. (...) o currículo, através de seu formato pedagógico e à medida que uma determinada elaboração do mesmo sugira ou facilite atividades aos professores e aos alunos, é um elemento mediador entre teoria e a ação, ponte entre princípios e realidades, pois são as tarefas que modelam a prática. O professor, ao escolher e modelar tarefas delimita o cenário da relação teoria-prática que pode expressar-se nesta última (SACRISTÁN, 2000, p. 262). A importância da análise do „currículo em ação‟ é justificada pelo autor, da seguinte forma: Se o currículo é ponte entre teoria e ação, entre intenções ou projetos e realidade (...) um currículo se justifica na prática, enfim, por pretensos efeitos educativos e estes dependem das experiências reais que os alunos têm no contexto da aula, condicionadas pela estrutura de tarefas que cobrem seu tempo de aprendizagem (...). Tarefas de ensino (do professor) e tarefas para aprender (do aluno) se envolvem de forma característica numa trama que preenche a prática. O papel dos professores e o dos alunos, fora e dentro de aula, se entrecruzam nas tarefas praticadas na sala de aula, na escola e fora desta (SACRISTÁN, 2000, p. 202 e 215). Em função do objetivo geral desta pesquisa – desvelar o currículo na ação, na perspectiva dos professores do curso, e subsidiar a construção de um processo contínuo de avaliação do ensino e aprendizagem da pesquisa na graduação em Administração - por meio de um processo participativo e reflexivo entre gestores e 109 professores - que possa dar sustentabilidade à consolidação dessas atividades no curso e contribuir para seu aprimoramento, bem como para o desenvolvimento das condições necessárias no cotidiano escolar para que a pesquisa se estabeleça como princípio científico e princípio educativo, inerente ao papel do ensino superior e da universidade, reafirmados no Projeto Pedagógico Institucional da PUC-SP – e do objetivo específico de compreender como as atividades de pesquisa estão sendo vivenciadas por seus professores, obteve-se como foco principal a análise do „currículo moldado pelos professores‟ e do „currículo em ação‟ que aqui se denomina „currículo vivido‟. Os objetivos que orientaram a pesquisa e análise do „currículo projetado‟ junto aos gestores foram o de compreender como as atividades de pesquisa foram concebidas – importância, objetivos, formato e conteúdo propostos, e como foram propostas aos professores, ou seja, como foi planejada a formação dos professores para o ensino dessas atividades no curso. Para a pesquisa e análise do „currículo vivido‟ junto aos professores dessas atividades os objetivos foram o de compreender como as atividades de pesquisa estão sendo concebidas e vividas pelos professores – importância, objetivos, formato e conteúdo, e quais têm sido as estratégias didático-pedagógicas utilizadas pelos professores para o ensino e aprendizagem dessas atividades no curso. Sobre o „currículo realizado‟, Sacristán considera que: Como consequência da prática se produzem efeitos complexos dos mais diversos tipos: cognitivo, afetivo, moral etc. São efeitos aos quais, algumas vezes, se presta atenção porque são considerados „rendimentos‟ valiosos e proeminentes do sistema ou dos métodos pedagógicos (SACRISTÁN, 2000, p. 106). Ao refletirem sobre sua prática - por meio do „currículo vivido‟ – os professores analisaram como tem se dado o ensino e aprendizagem da pesquisa, e identificaram situações e problemas atuais relacionados às atividades de pesquisa no curso – objetivos deste trabalho - que se relacionam ao „currículo realizado‟ e que são abordados na última parte deste trabalho. Igualmente, gestores e professores ao refletirem sobre a importância e objetivos das atividades de pesquisa no curso manifestaram expectativas e percepções sobre os resultados desejados dessas atividades, bem como reconheceram situações e problemas, e sugeriram ações para o aprimoramento da 110 pesquisa no curso que podem ser relacionados ao „currículo avaliado‟. Portanto, tal reflexão não se limitou aos aspectos de avaliação do aproveitamento e dos resultados produzidos pelos alunos, mas também incluiu a análise de possibilidades e as condições de realização dessas atividades de forma mais ampla, defendida por Sacristán: (...) É difícil que o currículo que não se avalia, o que o faz somente através da avaliação dos professores, entre numa dinâmica de aperfeiçoamento constante. Sem informação sobre o funcionamento qualitativo do sistema escolar e curricular, os programas de inovação ou reformas podem ficar na expressão de puro voluntarismo ou em submissão a iniciativas que poderiam não responder as necessidades reais do sistema escolar, dos alunos e dos professores. (...) O sistema de controle do processo exige peremptoriamente, numa sociedade democrática, manter dispositivos paralelos de diagnóstico do sistema se se quer conhecer sua qualidade como meio de oferecer informação a todos os interessados (SACRISTÁN, 2000, p. 313). Ao abordar a questão da inserção das atividades de pesquisa no currículo do curso de graduação em Administração da PUC-SP, duas categorias de análise nortearam a realização desta pesquisa junto aos gestores e professores dessas atividades: „Concepção sobre a Pesquisa no Curso‟ e „Ensino e Aprendizagem da Pesquisa no Curso‟, que são fundamentadas nos próximos tópicos. 3.2 Pesquisa e Conhecimento na Universidade Diversas definições são apresentadas para o termo „pesquisa‟, segundo os diferentes autores abordados neste trabalho. De acordo com o dicionário Aurélio, o termo „pesquisa‟ consta da seguinte forma: 1. Ato ou efeito de pesquisar. 2. Indagação ou busca minuciosa para averiguação da realidade; investigação e estudo, minudentes e sistemáticos, com o fim de descobrir ou estabelecer fatos ou princípios relativos a um campo qualquer do conhecimento (FERREIRA; J.E.M.M., 1986, p. 1320). Nesta definição, três aspectos caracterizam a natureza da pesquisa: 1) A indagação da realidade; 2) A busca minuciosa, a investigação e o estudo sistemático pressupondo uma metodologia de pesquisa; 3) O objetivo de descobrir ou 111 estabelecer fatos e princípios pressupondo que a metodologia da pesquisa contemple a análise e interpretação do fenômeno estudado. A definição de Pescuma e Castilho (2005) traz as características citadas, tendo em vista que a pesquisa é definida como uma metodologia de investigação e análise que tem como objetivos solucionar problemas - e, portanto, possui um caráter teórico-prático –, ampliando-os a partir da possibilidade de se reconstruir, incrementar ou criar conhecimento novo e fidedigno com finalidade específica e relevância teórica e social. Pesquisa é um conjunto de atividades, tais como buscar informações, explorar, inquirir, investigar, indagar, argumentar e contra-argumentar. Seus objetivos são: solucionar e esclarecer dúvidas e problemas; comprovar hipóteses; elaborar, reconstruir, ampliar conhecimento ou conjunto de conhecimentos e criar conhecimento novo, fidedigno, relevante teórica e socialmente, que ultrapasse o entendimento imediato, indo além dos fatos; fundamentar escolhas e orientar ações. (...) Utiliza procedimentos próprios, racionais, sistemáticos, intensivos, científicos que possibilitam o confronto entre o conhecimento teórico acumulado sobre um assunto e dados e informações coletados sobre ele, ou seja, o confronto entre teoria e prática (PESCUMA; CASTILHO, 2005, p. 12) [grifos nossos]. Chizzotti (2006) nos lembra ao caráter ideológico da pesquisa e de sua natureza histórica, social, intencional e processual: (...) genericamente pode-se definir como um esforço durável de observações, reflexões, análises e sínteses para descobrir as forças e as possibilidades da natureza e da vida, e transformá-las em proveito da humanidade. Este esforço não é fruto de uma inteligência isolada em um tempo abstrato, mas é um produto histórico e social porque resulta de um esforço coletivo e permanente da humanidade, no curso do tempo, para construir todas as dimensões da vida (CHIZZOTTI, 2006, p. 17). Lima (2004, p. 7) afirma que “não tem sido tarefa muito simples conceituar „pesquisa‟ ou „investigação científica‟, pois ao longo do tempo formulou-se uma multiplicidade de significados para referir-se a estes termos”, questão esta abordada pelos autores a seguir: Há uma tendência generalizada em rotular “pesquisa” e “trabalho científico” em certas práticas acadêmicas, cuja natureza é apenas didática (...). Geralmente são atividades repetitivas de experiências já feitas, sínteses de textos e semelhantes. Rigorosamente não se lhes pode atribuir o caráter científico por faltar-lhes alguns conceitos básicos: a criatividade, a contribuição substancial no processo cumulativo do conhecimento científico e, às vezes, até o nível de abstração e generalização que se exige para a 112 investigação propriamente dita (SALOMON, 1991, p. 109 apud LIMA, 2004, p. 8). Na vida acadêmica, o termo “pesquisa” tem designado uma ampla variedade de atividades desde a coleta de dados para a realização de seminários à realização de pastas-arquivo com recortes de jornais e revistas sobre um assunto escolhido pelo professor, ou mesmo uma forma de resumo, coleta indiscriminada de trechos de vários autores sobre um determinado tema, resultando numa “colcha de retalhos” praticamente inútil ao processo de aprendizagem (PÁDUA, 1988, p. 149, apud LIMA, 2004, p. 8). (...) Tem-se chamado de pesquisa qualquer soluço reprodutivo, até mesmo copiar dados da internet ou “fichar livro” (GATTI, 2002 apud DEMO, 2004, p. 49). Lima (2004) afirma que é o método de abordagem do problema em estudo que caracteriza o aspecto científico de uma pesquisa, e pondera: (...) a pesquisa acadêmico-científica não é produto de mera reprodução do conhecimento socialmente acumulado, devemos entendê-la no contexto da formação como a realização concreta de uma investigação planejada, desenvolvida e redigida de acordo com as normas da metodologia consagradas pela ciência (LIMA, 2004, p. 8). Gil (2010, p. 26) define pesquisa como: “o processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico” e que tem como fundamental objetivo “descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos”. Desse modo, os seguintes aspectos estão associados às definições de pesquisa científica: a) Caráter teórico-prático, tendo em vista como objetivo as soluções de problemas; b) Contribuição para o processo cumulativo do conhecimento, uma vez que reconstrói, amplia ou cria novos conhecimentos relevantes, teórica e socialmente; c) Envolvimento do método científico – investigação planejada, por meio de observações, reflexões, análises e sínteses, e redação de acordo com as normas formais da metodologia científica; d) Possui caráter ideológico, de natureza histórica, social, intencional e processual. Demo conclui uma distinção entre pesquisa como „princípio científico‟ e como „princípio educativo‟. Enquanto princípio científico “a pesquisa assinala compromisso com a produção de conhecimento fundada em método científico e no contexto do questionamento reconstrutivo” (DEMO, 2010, p. 14). O autor sugere o termo „questionamento reconstrutivo‟ como definição mínima de pesquisa, que traz o duplo desafio: o de questionar a realidade ou o conhecimento existente, e o de reconstrutir 113 um texto próprio. Como princípio educativo, “a pesquisa ressoa o apelo formativo: enquanto se produz conhecimento, há que educar o estudante no contexto da produção educativa do conhecimento” (DEMO, 2010, p. 16), e recomenda que “seria viável armar „educação científica‟ que coloque nos devidos lugares o procedimento científico (meio) e o procedimento pedagógico (fim) (DEMO, 2010, p. 19) [grifos nossos]. Demo, ainda, alega que a pesquisa pode ser entendida “tanto como procedimento de fabricação do conhecimento, como procedimento de aprendizagem (princípio científico e educativo)” (DEMO, 2011, p. 20) [grifos nossos]. Dentro da universidade, tanto o „ensino pela pesquisa‟ como o „ensino da pesquisa‟ adquirem importância. A aprendizagem precisa desenvolver no aluno habilidades de pesquisa, elaboração própria, argumentação, espírito crítico e comunicação desimpedida e bem-educada, e por intermédio da pesquisa a aprendizagem faz com que o aluno desenvolva habilidades de „dentro para fora‟. Ao defender a pesquisa como uma habilidade a ser desenvolvida no processo de aprendizagem, o autor aborda a formação e o perfil profissional a ser desenvolvido. (...) com ela o aluno põe em marcha a capacidade de manejar conhecimento próprio, questionar, argumentar, fundamentar, duvidar; não se busca, necessariamente, o pesquisador profissional, mas o profissional pesquisador, que sabe reconstruir conhecimento com autonomia na condição de sujeito autopoiético; trata-se, antes de tudo, do valor pedagógico da pesquisa, seu sentido formativo, educativo, à medida que conclama o sujeito participativo, envolvido, contributivo (DEMO, 1996, apud DEMO, 2004, p.33) [grifos nossos]. (...) pesquisa é „ambiente de aprendizagem‟, não somente disciplina ao longo dos cursos, ou oportunidade esporádica; quem não pesquisa, não aprende, pois continua copiando, reproduzindo, imitando (...) (DEMO, 2004, p. 33) Foi identificado na primeira parte desta tese que a partir da Lei nº 5.540/68 a pesquisa foi sistematizada na pós-graduação (mestrado e doutorado). Dessa forma, pesquisa e produção intelectual foram vinculadas aos setores de pós-graduação das universidades, decorrentes das pesquisas e produções de seu corpo docente e discente. Se por um lado, a pós-graduação é por excelência reconstrutora de conhecimento, formadora do „pesquisador profissional‟, e responsável pela produção intelectual institucionalizada, cabe à graduação a formação do „profissional 114 pesquisador‟, por meio do desenvolvimento de sua autonomia em relação ao conhecimento e aprendizagem. A importância da pesquisa, a produção intelectual e a qualificação do corpo docente são requisitos inquestionáveis na universidade uma vez que está é caracterizada pela indissociabilidade entre pesquisa, ensino e extensão. Para Severino (2001) os objetivos do ensino superior são: a) A formação de profissionais, mediante o ensino e a aprendizagem de habilidades e competências técnicas; b) A formação do cientista; e c) A formação do cidadão. Ao se propor em atingir tais objetivos, a educação superior expressa sua finalidade que é a de contribuir para o aprimoramento da vida humana em sociedade, e a universidade – funcionária do conhecimento – destina-se a prestar serviço à sociedade. Para conseguir atingir este compromisso, a universidade desenvolve atividades específicas de ensino, pesquisa e extensâo, que devem ser efetivamente articuladas entre si. (...) no âmbito universitário, dada a natureza específica de seu processo, a educação superior precisa ter na pesquisa o ponto básico de apoio e de sustentação de suas outras tarefas, o ensino e a extensão. (...) a educação pode ser mesmo conceituada como o processo mediante o qual o conhecimento se produz, se reproduz, se conserva, se sistematiza, se organiza, se transmite e se universaliza, disseminando seus resultados no seio da sociedade (SEVERINO, 2007, p. 23) [grifos nossos]. Para o autor, as atividades de ensinar e aprender estão vinculadas ao processo de construção do conhecimento e “educar (ensinar e aprender) significa conhecer; e conhecer, por sua vez, significa construir o objeto; mas construir o objeto significa pesquisar” (SEVERINO, 2001, p. 25). É possível compreender que a proposta de uma formação crítica na graduação, tanto na dimensão humanística quanto na funcional, pressupõe a pesquisa como um poderoso instrumento para tal finalidade. Pimenta e Anastasiou (2002) conceituam a universidade como instituição educativa que presta serviço público de educação, efetivado pela docência e investigação, e que tem por finalidades: 115 (...) a criação, o desenvolvimento, a transmissão e a crítica da ciência, da técnica e da cultura; a preparação para o exercício de atividades profissionais que exijam a aplicação de conhecimentos e métodos científicos e para a criação artística; o apoio científico e técnico ao desenvolvimento cultural, social e econômico das sociedades (PIMENTA; ANASTASIOU, 2002, p. 102). Segundo as autoras, o ensino na universidade é caracterizado como um processo de busca e de construção científica e crítica de conhecimentos. Nessa perspectiva, o próprio conceito de ensino é caracterizado pela pesquisa. Salomon (1991) afirma que um dos principais objetivos da universidade é a produção da ciência em dois níveis: o primeiro, o da produção do conhecimento científico - caracterizado pelo nível de interioridade, da subjetividade do produtor do conhecimento; e o segundo, o da produção da ciência propriamente dita caracterizado pelo nível da exterioridade, da objetividade e da ciência enquanto instituição e prática social do saber. Considera que “há necessidade de o aluno produzir seu conhecimento científico, por mais especializado, técnico ou prático que seja o seu curso” (SALOMON, 1991, p. 9). Demo (2004) defende que a universidade deveria ser a entidade do „saber pensar por excelência‟. Considera a educação como o mandato crucial da universidade, sob os horizontes da aprendizagem e do conhecimento, e a formação para a cidadania - seu âmago mais profundo. Segundo o autor, o conhecimento não se distingue apenas pela habilidade racional analítica, mas seu cerne é principalmente político, definido da seguinte forma: Politicidade significa a habilidade de não ser apenas saco de pancadas de pressões externas, mas angariar, com dor e jeito, aprendendo e conhecendo criticamente, cada vez maior espaço de manobra, no sentido de tornar-se sujeito capaz de história própria (DEMO, 2004, p. 11). O autor considera o conhecimento como „habilidade indomável de questionamento‟, e a aprendizagem como „dinâmica tipicamente reconstrutiva‟, e para ele discutir aprendizagem torna-se procedimento estratégico e a universidade deveria rever radicalmente a aprendizagem que nela ocorre. 116 O que se faz na universidade, como regra, é instrucionismo de alto a baixo, à medida que todas as propostas são, no fundo e em essência, gestos de fora para dentro. Grande parte dos professores só da aula, contando para os alunos o que estes poderiam encontrar por aí. Como não reconstrói conhecimento, repassa sua sucata, mera informação já desatualizada (DEMO, 2004, p. 29-30). Enquanto princípio científico e educativo, a pesquisa influencia o comportamento e postura do aluno em relação ao próprio conhecimento: ao pesquisar, o aluno aprende a aprender; e ao ensinar a pesquisar o professor ensina o aluno a pensar e a reconstruir conhecimento. Assim, formar para o exercício profissional – o principal aspecto valorizado pelas instituições - pressupõe não só um contexto de transmissão, mas essencialmente de produção de conhecimentos baseados em uma visão humanística, apoiadora do desenvolvimento da sociedade em suas diferentes dimensões, onde a pesquisa adquire um papel ainda mais fundamental na universidade e no processo de aprendizagem do aluno de Administração. O referencial teórico apresentado fundamenta a hipótese declarada na introdução deste trabalho: a inserção das atividades de pesquisa enquanto componentes curriculares podem estar sendo concebidas pelos professores como instrumento de desenvolvimento da autonomia do aluno em relação ao conhecimento, e contribuindo para o desenvolvimento de novas relações no processo de ensino e aprendizagem no curso de graduação em Administração da PUC-SP. Ainda, embasa teoricamente o objetivo geral de que, por meio da consolidação dessas atividades, a pesquisa pode se estabelecer como princípio científico e educativo, inerente ao papel do ensino superior e da universidade. Dessa forma, entende-se o „ensino da pesquisa‟ na universidade como um possível caminho para o „ensino pela pesquisa‟, onde a aprendizagem do aluno possa ocorrer pela prática da pesquisa, e onde a mesma represente um „ambiente de aprendizagem‟. Ao mesmo tempo, para que o „ensino pela pesquisa‟ seja possível, é necessário que o aluno tenha condições de desenvolver essas habilidades, onde os subsídios teóricos e metodológicos (princípio científico) para sua realização são também indispensáveis, e a atitude do professor no processo de ensino e aprendizagem da pesquisa – enquanto educador - é fundamental, conforme abordado no próximo item. 117 3.3 Ensino da Pesquisa e Ensino pela Pesquisa: o Professor como Mediador entre o Conhecimento e a Aprendizagem do Aluno Para Imbernón (2010, p. 9) a instituição educativa e a profissão docente desenvolvem-se em um contexto incrementado por radicais mudanças das estruturas científicas, sociais e educativas, em sentido amplo, que dão apoio e sentido ao caráter institucional do sistema educativo. Pondera que “se a educação dos seres humanos pouco a pouco se tornou mais complexa, o mesmo deverá acontecer à profissão docente”. Para tanto, torna-se inquestionável a necessidade de uma nova forma de enxergar a instituição educativa, novas funções do professor com maior participação social do docente, e mudança nos posicionamentos de todos os que trabalham na educação. O autor defende que a profissão docente e as instituições educativas devem modificar-se radicalmente e adaptarem-se às enormes mudanças ocorridas no final do século XX. Devem, também, abandonar a concepção de mera transmissão do conhecimento acadêmico que se tornou totalmente obsoleta para a educação dos futuros cidadãos em uma sociedade democrática – plural, participativa, solidária e integradora, e afirma que: (...) Para educar realmente na vida e para a vida, para essa vida diferente, e para superar desigualdades sociais, a instituição educativa deve superar definitivamente os enfoques tecnológicos, funcionalistas e burocratizantes, aproximando-se ao contrário, de seu caráter mais relacional, mais dialógico, mais cultural-contextual e comunitário (IMBERNÓN, 2010, p. 7-8). Em relação à formação docente, Imbernón (2010) considera que: a) O professor possui conhecimentos objetivos e subjetivos, onde é necessário que sejam trabalhados os conteúdos e as atitudes; b) A aquisição de conhecimentos por parte do professor é um processo amplo que se realiza a partir de sua reflexão sobre as situações práticas reais, e nesse sentido a formação deve se consumar no interior da instituição de ensino e partir de situações-problemas concretas; c) A aquisição de conhecimentos por parte do professor é um processo complexo, adaptativo e experiencial e, por isso, um dos objetivos de toda formação válida deve ser o de poder ser experimentada e também proporcionar a oportunidade de desenvolver uma prática reflexiva competente. 118 Ao refletir sobre os papéis do aluno e do professor no ensino e sobre a aprendizagem da pesquisa, tais aspectos consentem com as ideias de Pimenta e Anastasiou (2002) que defendem uma relação de equilíbrio entre reprodução e criação. As autoras entendem que o pensamento científico, crítico e participativo dos alunos propõem alterações nos processos de ensino e aprendizagem e que a busca da criatividade toma o estudo como situação construtiva e significativa, e representa a passagem de uma situação em que predomina a transmissão para um equilíbrio entre reprodução da herança cultural e análise, com o desenvolvimento de pensamento claro, crítico, construtivo e independente. Ao refletir sobre o „ensino da pesquisa‟ e o „ensino pela pesquisa‟ passa-se a questionar as competências necessárias ao professor de pesquisa e compreende-se o significado atribuído à estas atividades que também são decorrentes da aprendizagem do professor, de sua concepção acerca do conhecimento e de sua vivência na pesquisa. Nesse sentido, Perrenoud (2000) define competência como a capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos para enfrentar um tipo de situação. Segundo o autor, tal definição insiste nos seguintes aspectos: 1. As competências não são elas mesmas saberes, savoir-faire ou atitudes, mas mobilizam, integram e orquestram tais recursos; 2. Essa mobilização só é pertinente em „situação‟, sendo cada situação singular, mesmo que se possa tratá-la em analogia com outras, já encontradas; 3. O exercício da competência passa por orientações mentais complexas, subentendidas por „esquemas de pensamento‟ (ALTET, 1996; PERRENOUD, 1996l, 1998g), que permitem determinar (mais ou menos consciente e rapidamente) e realizar (de modo mais ou menos eficaz) uma ação relativamente adaptada à situação; 4. As competências profissionais constroem-se, em formação, mas também ao sabor da „navegação‟ diária de um professor, de uma situação de trabalho à outra (LE BOTERF, 1997 apud PERRENOUD, 2000, p. 15). Perrenoud (2000) aborda dez domínios de competências reconhecidas como prioritárias na formação contínua de professoras e professores do ensino fundamental, dos quais foram considerados nove domínios na análise das competências do professor universitário e, especialmente, do professor de pesquisa do curso de Administração: 1) Organizar e dirigir situações de aprendizagem; 2) Administrar a progressão das aprendizagens; 3) Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação; 4) Envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho; 5) Trabalhar em equipe; 6) Participar da administração da escola; 7) 119 Utilizar novas tecnologias; 8) Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão; e 9) Administrar sua própria formação contínua. Severino contempla que no ensino superior e na universidade o conhecimento deve se dar mediante a construção dos objetos que ainda devem ser conhecidos, “deve ser adquirido não mais através de seus produtos, mas de seus processos” (SEVERINO, 2007, p. 25) [grifo nosso]. O conhecimento deve ser construído pela experiência ativa do estudante e não mais assimilado passivamente. Nesse contexto, a pesquisa torna-se elemento fundamental no processo de ensino e aprendizagem. O professor precisa da prática da pesquisa para ensinar eficazmente; o aluno precisa dela para aprender eficaz e significativamente; a comunidade precisa da pesquisa para poder dispor de produtos do conhecimento; e a Universidade precisa da pesquisa para ser mediadora da educação. (...) ensino e aprendizagem só serão motivadores se seu processo se der como processo de pesquisa (SEVERINO, 2007, p. 25-26). Neste caso a pesquisa pode ser associada à duas diferentes perspectivas: como ambiente de aprendizagem - considerando o processo de produção do conhecimento, e como produto final de divulgação do conhecimento gerado. O autor entende que para alcançar os objetivos da própria aprendizagem “os alunos ainda na fase de graduação devem ser envolvidos em procedimentos sistemáticos de produção do conhecimento científico, familiarizando-os com as práticas teóricas e empíricas da pesquisa” (SEVERINO, 2007, p. 265). Tardif e Lessard compreendem o estudo da docência como profissão de interações humanas (...) como uma forma particular de trabalho sobre o humano, ou seja, uma atividade em que o trabalhador se dedica ao seu „objeto‟ de trabalho, que é justamente um outro ser humano, no modo fundamental da interação humana. Podemos chamar de interativo esse trabalho sobre e com outrem (2007, p. 8). . Severino (2007) afirma que pesquisa exige, por um lado, uma mudança de postura didático-pedagógica do professor e impõe-se que o mesmo valorize a pesquisa em si como mediação do conhecimento e do ensino, e por outro “a aquisição de uma postura investigativa por parte dos estudantes universitários não se dá espotaneamente por osmose, nem artificialmente por um receituário técnico, mecanicamente incorporado” (SEVERINO, 2007, p. 267). 120 Assim, segundo Severino (2007), o processo de construção do conhecimento pressupõe: a) Justificativa político-educacional do processo, demonstrando que a habilidade em lidar com o conhecimento é pré-requisito imprescindível para qualquer profissão e, por isso, todos os currículos devem contar com componentes de natureza filosófica, capaz de assegurar o esclarecimento crítico acerca das relações entre o epistêmico e o social; b) Fundamentação epistemológica, assegurando o domínio do próprio processo de construção do conhecimento, tendo em vista que o ensino de métodos e técnicas não terá validade se o aluno não tiver presente a significação epistêmica do processo investigativo; c) Metodologia do trabalho científico, onde se tratará da iniciação às práticas do trabalho acadêmico; d) Metodologia técnico-científica, que trata dos meios aplicados ao trabalho investigativo, específico de cada área do conhecimento. Portanto, para o autor o ensino da pesquisa pressupõe a criação de um ambiente de aprendizagem embasado pela universidade e pelo currículo. Salomon (1991, p. 6) alega que só é possível aprender a produzir conhecimento, produzindo, e a fazer trabalho científico, fazendo. Assim sendo, considera necessária a transmissão de experiência no processo de aprendizagem no sentido de dar diretrizes, caminhos, e fornecer os instrumentos e técnicas operacionais mais indicadas à pesquisa. No entanto, segundo ele, “o conhecer – por ser um processar – faz criar o método de conhecer”. Dessa forma, o método é derivado de um possível caminho delineado a partir do problema e do objetivo a ser alcançado. Demo (2004) defende que o „educador‟ será peça-chave do futuro da sociedade, onde a demanda de aprendizagem irá aumentar exponencialmente, além da expectativa formal (escola e universidade) como desafio para a vida toda. Considera que o professor pode contribuir para fomentar em cada aluno a habilidade de reconstruir conhecimento por meio de: a) Pesquisa; b) Desenvolvimento da capacidade de elaboração própria; c) Exercício da habilidade de argumentação, principalmente de questionar e de se autoquestionar; d) Desenvolvimento do espírito crítico, por meio de leituras críticas assíduas e profundas; e) Comunicação desimpedida e bem-educada, uma vez que o diálogo crítico precisa desembocar em possíveis consensos e pressupõe saber conviver. Para o desenvolvimento das habilidades de aprendizagem de pesquisa, segundo Demo (2004), espera-se do professor as seguintes atitudes: a) Orientação - 121 orientar é motivar, solicitar, convidar, empurrar, tendo em vista que o professor não pode pensar, elaborar, pesquisar e argumentar pelo aluno; b) Avaliação contínua da aprendizagem do aluno; c) Produção própria de conhecimento; d) Aprendizagem permanente. Refletir sobre o cotidiano do ensino e aprendizagem da pesquisa sob a ótica dos professores pode representar uma possibilidade de repensar a formação docente e o papel do professor e do aluno para a consolidação da pesquisa no curso enquanto princípio científico e educativo. 122 4 CENÁRIO DA PESQUISA: CONCEPÇÕES E PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A presente parte deste trabalho apresenta o caminho metodológico percorrido para a realização das pesquisas bibliográfica, documental e de campo, que permitiram a realização desta tese. 4.1 Caracterização da Pesquisa 4.1.1 A Abordagem do Problema: Pesquisa Qualitativa O caminho trilhado levou à adoção de uma metodologia qualitativa. Richardson (1989) alega que, em um tratamento de caráter qualitativo, tanto o comportamento como as atitudes dos indivíduos são analisadas dentro de um contexto mais amplo para aprofundar a explicação das relações descobertas. O método qualitativo difere, em princípio, do quantitativo à medida que não emprega um instrumental estatístico como base do processo de análise de um problema. Não pretende numerar ou medir unidades ou categorias homogêneas (...). A abordagem qualitativa de um problema, além de ser uma opção do investigador, justifica-se, sobretudo, por ser uma forma adequada para entender a natureza de um fenômeno social (RICHARDSON, 1989, p. 38). Demo (2011) discorre sobre a complexidade dos fenômenos e sua dinâmica não linear, alegando que a aproximação dialética supõe que todo fenômeno não se deixa aprisionar totalmente em ação e que Todas as pesquisas são ideológicas, pelo menos no sentido de que implicam posicionamento implícito por trás de conceitos e números; a pesquisa prática faz isso explicitamente. Todas as pesquisas carecem de fundamento teórico e metodológico e só têm a ganhar se puderem, além da estringência categorial, apontar possibilidades de intervenção ou localização concreta (DEMO, 2011, p. 22). 123 Em relação à pesquisa participativa, Chizzotti (2006) afirma: A pesquisa participativa assume que as pessoas, membros de comunidades, detêm conhecimentos e, potencialmente, são capazes de identificar seus problemas, ter consciência de suas necessidades e das condições que os determinam, esclarecer o contexto em que vivem e formular os meios necessários para afrontá-los, desde que auxiliados adequadamente para reunir o conjunto de forças da coletividade (CHIZZOTTI, 2006, p. 94). 4.1.2 Caracterização do Ponto de Vista dos Objetivos: Pesquisa Descritiva e Interpretativa O presente trabalho possui caráter explicativo, descritivo e interpretativo, com uma abordagem qualitativa, apoiada pelas pesquisas bibliográfica, documental e de campo. Segundo Severino, a pesquisa explicativa é aquela que, além de registrar e analisar os fenômenos estudados, busca identificar suas causas, seja através da aplicação do método experimental/matemático, seja através da interpretação possibilitada pelos métodos qualitativos (2007, p. 123). 4.1.3 Procedimentos Técnicos (ou Opção Metodológica): Pesquisa Bibliográfica, Pesquisa Documental e Pesquisa de Campo Utilizou-se como métodos: a pesquisa bibliográfica, subsidiando a construção de referencial teórico; a pesquisa documental, por meio de análise do conteúdo dos seguintes documentos internos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo: PDI – Plano de Desenvolvimento Institucional, PPI – Projeto Pedagógico Institucional, e PPC – Projeto Pedagógico do Curso; e pesquisa de campo, realizada por meio de entrevistas com os professores do Curso de Graduação em Administração da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, 124 responsáveis pela elaboração e implantação do PPC, e com os professores das atividades acadêmicas: Pesquisa 1, Pesquisa 2, TCC 1 e TCC 2. 4.1.4 Instrumento de Coleta de Dados: Entrevista Reflexiva Para a realização da pesquisa de campo, foi utilizada a técnica de entrevistas reflexivas, com a coordenação do curso e com professores das atividades de pesquisa. Trata-se de uma modalidade de entrevista utilizada em pesquisas qualitativas que considera a entrevista como sendo uma situação de trocas intersubjetivas. Segundo Szymanski, Almeida e Prandini (2010), o que caracteriza este tipo de entrevista é a disposição do pesquisador em compartilhar continuamente sua compreensão dos dados junto ao participante. Considera os „critérios de representatividade‟ da fala e a questão da interação social que está em jogo na interação pesquisador-pesquisado. Segundo os autores, estas ideias estão de acordo com a concepção de que o significado é construído na interação. (...) Há algo que o entrevistador está querendo conhecer, utilizando-se de um tipo de interação com quem é entrevistado, possuidor de um conhecimento, mas que irá dispô-lo de uma forma única, naquele momento, para aquele interlocutor. Muitas vezes, esse conhecimento nunca foi exposto numa narrativa, nunca foi tematizado. O movimento reflexivo que a narração exige acaba por colocar o entrevistado diante de um pensamento organizado de uma forma inédita até para ele mesmo (SZYMANSKI, ALMEIDA e PRANDINI, 2010, p. 14). Szymanski, Almeida e Prandini (2010), considerando a entrevista como um encontro interpessoal, no qual está envolvida a subjetividade do entrevistador e entrevistados, entendem que a entrevista reflexiva pode estabelecer-se em um momento de construção de um novo conhecimento, que, nos limites da representatividade da fala, leva em conta a recorrência de significados durante qualquer ato comunicativo, bem como busca uma horizontalidade nas relações de poder. 125 Reflexividade tem aqui também o sentido de refletir a fala de quem foi entrevistado, expressando a compreensão da mesma pelo entrevistador e submeter tal compreensão ao próprio entrevistado, que é uma forma de aprimorar a fidedignidade (...). Ao deparar-se com sua fala, na fala do pesquisador, há a possibilidade de um outro movimento reflexivo: o entrevistado pode voltar para a questão discutida e articulá-la de uma outra maneira em uma nova narrativa, a partir da narrativa do pesquisador (SZYMANSKI, ALMEIDA e PRANDINI, 2010, p. 15). 4.2 Professores Entrevistados: Critérios e Seleção da Amostra A coleta de dados foi realizada por intermédio de 14 (quatorze) entrevistas reflexivas junto aos professores do curso de graduação em Administração da PUCSP. As entrevistas foram feitas nas próprias dependências da universidade com dois grupos de professores: o primeiro, gestores responsáveis pela elaboração e implantação do PPC e, consequentemente, das atividades de pesquisa no Currículo do curso; o segundo, professores que ministraram as atividades de pesquisa, no período de 2008 ao primeiro semestre de 2011. Os gestores foram escolhidos pela pesquisadora em virtude de suas posições na universidade durante o período da pesquisa. Quadro 17 - Posições Ocupadas na PUC-SP pelos Gestores Acadêmicos Entrevistados G1 – Gestor 1 Foi membro e coordenador geral do grupo responsável pela condução dos trabalhos para a reforma e elaboração do Projeto Pedagógico do Curso e do Currículo do Curso de graduação em Administração, implantado em 2007. G2 – Gestor 2 Foi Vice-Coordenadora do Curso e Coordenadora do Curso. Participou como gestora acadêmica na implantação das atividades de pesquisa – Pesquisa 1 e 2 – no curso. G3 – Gestor 3 G4 – Gestor 4 Foi membro do grupo responsável pela condução dos trabalhos para a reforma e elaboração do Projeto Pedagógico do Curso e também Coordenadora do Curso. Participou como gestora acadêmica na implantação das atividades de pesquisa – Pesquisa 1 e 2 – no curso. No 1º semestre de 2011 era a responsável pela gestão dessas atividades. É Coordenador do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC 1 e 2) desde 2008. Participou como gestor acadêmico na implantação das atividades de pesquisa – TCC 1 e 2 – no curso e atualmente é responsável pela gestão dessas atividades. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. 126 As entrevistas com os gestores tiveram o objetivo de analisar como foram os processos de planejamento e de implantação das atividades de pesquisa no curso de graduação em Administração, e qual foi o papel desses gestores, desde a implantação dessas atividades (2008) até o momento da realização de pesquisa de campo (1º semestre de 2011). Para analisar como as atividades de pesquisa vêm sendo vivenciadas por estes professores, foram realizadas 10 (dez) entrevistas individuais reflexivas. Como as atividades de Pesquisa 1 e 2 foram introduzidas no curso do 1º semestre de 2008, 70 (setenta) professores foram alocados para a atividade no período de 2008 ao 1º semestre de 2011. Foi observado que 50% (cinquenta por cento) desses professores não ministraram as atividades por mais de dois semestres nesse período; e dos professores que permaneceram por três ou mais semestres, 56% (cinquenta e seis por cento) deles foram contratados nos últimos 5 (cinco) anos. Com o propósito de analisar como os professores estão vivenciando as atividades de pesquisa, utilizaram-se os seguintes critérios de seleção de professores: a) 60% de professores contratados nos últimos cinco anos; b) professores que permaneceram por três anos, no mínimo, com as atividades „Pesquisa 1 e 2‟, ou trabalharam por um semestre, no mínimo, com as atividades „Pesquisa 1 e 2‟, mas que orientaram os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) nos anos de 2010 e 2011. Para a seleção da amostra, foi identificado que 30 (trinta) professores atendiam aos critérios aqui definidos. Foram privilegiados para a seleção aqueles que tiveram o maior número de turmas de pesquisa no período entre 2008 e 2011, e que continuam vinculados ao curso de Administração no 1º semestre de 2011. Dessa forma, totalizaram-se 10 (dez) professores entrevistados, o que corresponde a 33% desse universo. A proposta de uma ação reflexiva definiu o formato das entrevistas em um ou dois encontros com cada professor. No primeiro encontro, após contato inicial, realizou-se a entrevista quando foram apresentadas as questões desencadeadoras, elaborada de acordo com o objetivo da pesquisa, que segundo Szymanski “(...) A questão tem por objetivo trazer à tona a primeira elaboração, ou um primeiro arranjo narrativo que o participante pode oferecer sobre o tema que é introduzido” (2010, p. 28). 127 Os roteiros semiestruturados para a entrevista com a Coordenação do Curso de Graduação em Administração e professores encontram-se nos Anexos D e E, respectivamente. 4.3 Identificação do Perfil Acadêmico e Profissional dos Professores Entrevistados Os dados referentes ao perfil dos entrevistados foram coletados por meio do Questionário de Identificação, Anexos D e E, respondido pelos professores. Os nomes dos professores entrevistados foram mantidos em sigilo, conforme condições estabelecidas no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, Anexos B e C, aprovado pelo Comitê de Ética da PUC-SP, em 20 de junho de 2011, Anexo A. Os dados são apresentados em duas categorias: a) Gestores - constituída pelos professores que participaram da Comissão Didática, responsáveis pela elaboração do Projeto Pedagógico do Curso, e os que participaram ou participam da Coordenação do Curso e Coordenação das atividades de Pesquisa – Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2 -, responsáveis pela implantação e gestão dessas atividades no curso; b) Professores - constituída pelos professores das atividades de Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2. 4.3.1 Perfil dos Gestores Entrevistados A seguir são apresentados os dados sobre o Perfil Acadêmico e Profissional dos gestores entrevistados. Estes dados relacionam-se aos seguintes aspectos: Forma de participação dos Gestores na concepção e implantação do Currículo, sexo, idade, formação e tempo de atuação na PUC-SP. 128 Quadro 18 - Forma de participação dos Gestores na concepção e implantação do Currículo Gestores Comissão Didática para Elaboração do PPC G1 X Coordenação do Curso G2 Coordenação das Atividades de Pesquisa Coordenação dos TCC‟s X G3 X X X G4 X Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Pesquisa realizada no 1º semestre de 2011. Quadro 19 – Caracterização dos Gestores entrevistados quanto a sexo, faixa etária, tempo na instituição e formação acadêmica Gestores Sexo Faixa Etária (anos) Tempo na Instituição (anos) Formação Graduação G1 M 56-60 20-25 Administração G2 F 41-45 20-25 Psicologia Formação Pós-Graduação Pós-Doutorado em Administração Doutorado em Ciências Sociais Mestrado em Administração Doutorado em Ciências Sociais Mestrado em Psicologia Social Filosofia e Mestrado em Administração Administração Pública Administração e Mestrado em Administração Ciências G4 M 52-55 15-20 Contábeis Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Pesquisa realizada no 1º semestre de 2011. G3 F 56-60 10-15 4.3.2 Perfil dos Professores Entrevistados A seguir são expostos os dados sobre o Perfil Acadêmico e Profissional dos professores entrevistados. Os dados obtidos relacionam-se aos seguintes aspectos: sexo, idade, formação, tempo de atuação na PUC-SP, período de atuação nas atividades de Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2. 129 Quadro 20 – Identificação relativa ao gênero dos professores entrevistados PROFESSORES FEMININO MASCULINO P1 X P2 X P3 X P4 X P5 X P6 X P7 X P8 X P9 X P10 X Valor Absoluto 2 8 Valor Relativo 20% 80% Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Pesquisa realizada no 1º semestre de 2011. SEXO 20% Feminino Masculino 80% Gráfico 1 – Divisão percentual do sexo entre os professores entrevistados Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Pesquisa realizada no 1º semestre de 2011. 130 Quadro 21 – Identificação da faixa etária dos professores entrevistados PROFESSORES 30-35 36-40 41-45 46-50 51-55 P1 X P2 X P3 56-60 61 ou mais X P4 X P5 X P6 X P7 X P8 X P9 X P10 X Valor Absoluto 1 1 1 4 3 Valor Relativo 10% 10% 10% 40% 30% Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Pesquisa realizada no 1º semestre de 2011. FAIXA ETÁRIA 10% 30% 10% 30-35 anos 41-45 anos 10% 46-50 anos 51-55 anos 61 anos ou mais 40% Gráfico 2 – Percentual da faixa etária dos professores entrevistados Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Pesquisa realizada no 1º semestre de 2011. 131 Quadro 22 – Identificação da titulação dos professores entrevistados PROFESSORES MESTRADO P1 X DOUTORADO P2 X P3 X P4 PÓS-DOUTORADO X P5 X P6 X P7 X P8 X P9 X P10 X Valor Absoluto 3 6 1 Valor Relativo 30% 60% 10% Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Pesquisa realizada no 1º semestre de 2011. TITULAÇÃO 10% 30% Mestrado Doutorado Pós-Doutorado 60% Gráfico 3 – Percentual da titulação dos professores entrevistados Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Pesquisa realizada no 1º semestre de 2011. 132 Quadro 23 – Identificação da formação dos professores entrevistados PROFESSORES GRADUAÇÃO MESTRADO DOUTORADO P1 Administração Administração P2 Administração Administração Comunicação e Semiótica P3 Ciências Sociais Ciências Sociais Ciências Sociais P4 Psicologia Psicologia Social - P5 Administração Ciências Econômicas Ciências Sociais P6 Ciências Econômicas Administração - P7 Ciências Econômicas Administração Ciências Sociais PÓSDOUTORADO Letras P8 Ciências Econômicas Ciências Econômicas Administração P9 Comunicação Social Publicidade e Propaganda Comunicação e Semiótica Comunicação e Semiótica P10 Engenharia Engenharia Nuclear Estatística Química Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Pesquisa realizada no 1º semestre de 2011. Estatística 133 Quadro 24 – Identificação do tempo de atuação na PUC-SP dos professores entrevistados PROFESSORES 01-05 P1 11-15 16-20 26 ou mais X P2 X P3 X P4 X P5 X P6 X P7 X P8 X P9 X P10 X Valor Absoluto 6 1 2 1 Valor Relativo 60% 10% 20% 10% Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Pesquisa realizada no 1º semestre de 2011. Gráfico 4 – Percentual do tempo na instituição dos professores entrevistados Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Pesquisa realizada no 1º semestre de 2011. 134 Quadro 25 – Identificação do período de atuação dos professores entrevistados nas atividades de Pesquisa 1 e Pesquisa 2 PROFESSORES 01-02 Semestres 03-04 Semestres 05-06 Semestres P1 X P2 X P3 X P4 X P5 X P6 07 Semestres X P7 X P8 X P9 X P10 X Valor Absoluto 4 1 5 0 Valor Relativo 40% 10% 50% 0% Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Pesquisa realizada no 1º semestre de 2011. Gráfico 5 – Percentual do período de atuação nas atividades de Pesquisa 1 e 2 dos professores entrevistados Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Pesquisa realizada no 1º semestre de 2011. 135 Quadro 26 - Professores entrevistados que atuaram nas atividades TCC 1 e TCC 2 no período de 2010 a 2011 PROFESSORES SIM P1 X NÃO P2 X P3 X P4 X P5 X P6 X P7 X P8 X P9 X P10 X Valor Absoluto 7 3 Valor Relativo 70% 30% Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Pesquisa realizada no 1º semestre de 2011. Gráfico 6 – Percentual da atuação nas atividades TCC 1 e 2 no período de 2010 a 2011 dos professores entrevistados Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Pesquisa realizada no 1º semestre de 2011. 136 4.4 As Entrevistas: O Processo de Coleta, Apresentação e Análise Inicial dos Dados Obtidos Conforme o instrumento de coleta dos dados proposto – entrevista reflexiva -, e a partir das respostas obtidas, foram efetuadas intervenções, no ato da entrevista, por meio de questões que sintetizavam as respostas logradas e que expressavam a compreensão da pesquisadora, bem como questões de esclarecimento, aprofundamento e/ou focalizadoras, com o propósito de trazer o discurso para o foco desejado na pesquisa. As entrevistas com os gestores e professores foram realizadas nas dependências da universidade, no Campus Monte Alegre e Barueri, nos meses de maio e junho de 2011. Todas as entrevistas foram gravadas e após o primeiro encontro, os depoimentos foram transcritos em protocolos, onde foram explicitados seus significados - atribuídos pela pesquisadora aos depoimentos da entrevista. Os „Protocolos de Significados‟ de todos os gestores e professores entrevistados encontram-se no Apêndice B e C deste trabalho. A partir dos depoimentos e transcrição das entrevistas, os „Protocolo de Significados‟ foram elaborados. Tais protocolos dispõem da transcrição dos depoimentos dos entrevistados – Texto de Referência; uma primeira interpretação realizada pela pesquisadora aos depoimentos concedidos pelos professores – Explicitação dos Significados; e, em alguns casos, algumas questões adicionais de esclarecimento, aprofundamento e/ou focalizadoras surgiram a partir da reflexão e da análise inicial da pesquisadora que demonstraram-se oportunas. Os protocolos foram encaminhados aos gestores e professores entrevistados para a verificação dos significados atribuídos, complementação de respostas e acréscimos de outras considerações, que porventura tivessem surgido a partir de suas próprias reflexões, proporcionada pela entrevista e análise inicial. Com o encaminhamento da análise inicial - „Protocolo de Significados Atribuídos‟ - os entrevistados tiveram as seguintes oportunidades: a) Refletir sobre suas falas e analisar o significado atribuído pela pesquisadora – garantindo a fidedignidade da pesquisa; b) Esclarecer questões que eventualmente tenham surgido a partir da análise e interpretação da entrevista; e c) Acrescentar outros 137 aspectos não mencionados no momento da entrevista, e/ou complementar ou efetuar ajustes em suas respostas. A proposta inicial era que a devolutiva dos entrevistados se desse por meio de um segundo encontro. No entanto, os entrevistados preferiram encaminhar suas devolutivas por escrito, e em função da riqueza das entrevistas realizadas obteve-se material adequado e satisfatório que atendiam aos objetivos deste trabalho. 4.5 As Categorias de Análise As categorias de análise não foram definidas a priori, porém decorreram da análise e devolutiva dos discursos dos entrevistados, conforme mencionado anteriormente. Partiu-se do „modelo aberto‟, que segundo Laville e Dionne: “as categorias não são fixas no início, mas tomam forma no curso da própria análise” (1999, p. 219). Após a devolutiva dos „Protocolos de Significados‟, a partir da análise dos discursos dos entrevistados e de seus significados, os „Significados Atribuídos‟ foram reagrupados por assunto, de onde emergiram as seguintes categorias e subcategorias de análise: a) Concepção sobre a Pesquisa no Curso Importância e Objetivos; Formato e Conteúdo; Resultados: percepção, expectativas e propostas. . b) Ensino e Aprendizagem da Pesquisa no Curso Formação de Professores; Estratégias Didático-Pedagógicas; Infraestrutura. As categorias e subcategorias identificadas foram utilizadas para análise e conclusão da pesquisa, e são apresentadas a seguir. 138 5 O CURRÍCULO PROJETADO E O CURRÍCULO VIVIDO – UM OLHAR SOBRE A PESQUISA NA GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO DA PUC-SP Estamos manejando intensidades, não extensões. Nesse sentido, há que dizer também que os depoimentos não “somam” propriamente, por mais que tenham por trás roteiro comum de perguntas. Esse roteiro comum é essencial, porque se torna impraticável analisar universos disparatados, mas não permite “soma”, porquanto intensidades potencializam-se, exponencializam, multiplicam, saltam, emergem. É nesse contexto que se poderia dizer: pesquisa qualitativa não permite generalizar extensivamente, mas intensivamente (DEMO, 2011, p. 156). Esta parte apresenta a análise dos resultados obtidos nesta pesquisa, que teve como foco a problemática central desta pesquisa, a de compreender como as atividades de pesquisa – Pesquisa 1, Pesquisa 2, TCC 1 e TCC 2 foram propostas no Projeto Pedagógico do Curso, como foram implantadas no Currículo do Curso de Graduação em Administração da PUC-SP pelos gestores acadêmicos e como estão sendo vivenciadas por seus professores.. A reorganização dos significados atribuídos em função de cada categoria e subcategoria de análise possibilitou a comparação entre os depoimentos dos entrevistados e a construção deste tópico. Utilizam-se os Protocolos de Significados (Apêndice B e C) e a partir da síntese da „Explicitação de Significados‟, apresenta-se a „Explicitação de Significados II‟, utilizada na análise. Foram descritos e analisados: a) O processo de planejamento e implantação das atividades de Pesquisa – Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2 – no currículo do curso, a partir de sua proposta no Projeto Pedagógico e Curso – PPC - e das entrevistas realizadas com os gestores responsáveis, identificando o „Currículo Projetado‟ e o „Currículo Implantado‟; b) Como tais atividades estão sendo vivenciadas no curso de graduação em Administração da PUC-SP sob a ótica de seus professores, que aqui denomina-se ´Currículo Vivido‟. A partir destas análises foi efetuada uma reflexão sobre o „Currículo Projetado‟ e o „Currículo Vivido‟, com o objetivo de estabelecer subsídios que possam contribuir para o aprimoramento da pesquisa no curso de graduação em Administração da PUC-SP. 139 5.1 Análise do Currículo Projetado e Implantado pelos Gestores 5.1.1 Concepção sobre a Pesquisa no Curso 5.1.1.1 Importância e Objetivos O quadro a seguir possibilita a análise comparativa, mediante os significados atribuídos aos depoimentos dos gestores entrevistados em relação à importância e objetivo das atividades de pesquisa no curso. Quadro 27 – Currículo Projetado e Implantado: Compreensão da Importância e Objetivos das Atividades de Pesquisa no Curso pelos Gestores Acadêmicos (continua) CURRÍCULO PROJETADO PESQUISA 1 E 2 G EXPLICITAÇÃO DE SIGNIFICADOS II G1 NA FORMAÇÃO DO ALUNO 1. Previa o desenvolvimento da visão científica da Administração e sua iniciação na metodologia científica e na reflexão crítica da Administração. 2. Possibilitaria um conhecimento mais organizado e científico. 3. Melhoraria a reflexão: desenvolve visão crítica em relação à prática do mercado de trabalho, a ser levada à realidade empresarial. 4. Desenvolveria uma visão mais orgânica do que é a pesquisa, por meio da participação em pesquisas mais estruturadas. 5. Subsidia o aluno para investigações futuras de fenômenos da Administração. NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR 6. Favoreceria e incentivaria continuamente o desenvolvimento de pesquisas pelos professores. PARA O CURSO DE ADMINISTRAÇÃO E PARA A PUC-SP 7. Favoreceria e proporcionaria condições para o aumento da produção acadêmica. TCC 1 E 2 PARA O CURSO DE ADMINISTRAÇÃO E PARA A PUC-SP 8. O TCC não é obrigatório no curso, mas é fator de avaliação positiva pelo MEC. 140 (conclusão) CURRÍCULO IMPLANTADO PESQUISA 1 E 2 G2 1. Representa a valorização formal da pesquisa no curso. 2. Favorece a aproximação dos alunos às questões acadêmicas e à produção do conhecimento. 3. O aluno torna-se mais aberto à compreensão da ciência. 4. Desenvolve a maturidade, a partir da compreensão da importância da produção do conhecimento. 5. Propicia condições para a produção de conhecimento na área da Administração. 6. É importante porque a própria natureza da graduação em Administração coloca o aluno um pouco fora desse âmbito científico. G3 Desperta o interesse do aluno por pesquisa em geral e na área da Administração. É importante porque o curso de Administração não tem foco na Pesquisa Acadêmica. PESQUISA 1 E 2 e TCC 1 e 2 G4 Cria oportunidade do aluno vivenciar quatro semestres de pesquisa. É importante para o aluno, para o professor, para a faculdade e para a universidade. Permite aumentar a reflexão. As informações e a descoberta de situações aumentam a percepção das pessoas à respeito dos problemas. Teve como objetivo conciliar os estudos teóricos das diversas áreas epistemológicas com a prática, por meio de estudos organizados com uma metodologia que pudesse aumentar a reflexão sobre o campo de estudos da Administração. Propicia o desenvolvimento de trabalhos acadêmicos. Incentiva professores e alunos para o desenvolvimento de trabalhos acadêmicos com significativa importância e qualidade, que possam contribuir para o desenvolvimento da sociedade. As atividades de pesquisa já estão consolidadas no curso de Administração. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. A inserção das atividades de pesquisa no curso de graduação em Administração da PUC-SP foi considerada essencial por todos os gestores entrevistados e representam um grande avanço em relação aos currículos anteriores do curso. Com relação à relevância das atividades de pesquisa na graduação, três aspectos foram mencionados: a) Na formação do aluno; b) Na formação do professor; c) Para o curso de Administração e para a PUC-SP. 141 Nesse sentido, como procedimento de aprendizagem na formação do aluno, a pesquisa é considerada importante como princípio científico e como princípio educativo, conforme conceitos abordados no item 3. Enquanto princípio científico há uma ênfase no ensino da pesquisa, como procedimento de fabricação do conhecimento (subsídios teóricos e metodológicos da pesquisa); e como princípio educativo predominam aspectos relacionados ao apelo formativo, ao ensino pela pesquisa, como: melhorar a reflexão, desenvolver visão crítica, desenvolver maturidade intelectual, e desenvolver abertura à ciência. Conforme foi abordado na primeira parte, desde sua criação, o curso de Administração teve como principal objetivo „formar o administrador para o mercado de trabalho‟ e os currículos nacionais estabelecidos não sugeriram a formação do aluno capacitado à produção do conhecimento. Para ratificar a importância da pesquisa na formação do aluno, dois gestores expõem este aspecto: (...) conforme ele vai avançando na leitura e na discussão sobre a ciência, sobre o paradigma científico, sobre a questão mesmo do conhecimento, aí a coisa ganha outro patamar, porque ele se torna muito mais aberto à compreensão da ciência, porque a própria natureza da graduação em Administração coloca o aluno um pouco fora desse âmbito científico, o que é muito diferente em outros cursos, em outras graduações, por exemplo, mesmo o curso superior em Tecnologia em Gestão Ambiental, o aluno já tem, digamos, essa pegada científica, ele já está preocupado na resolução de um problema que demanda um olhar mais científico. Já no caso da Administração, não. Não, necessariamente. Ele vem muito preocupado com o dilema do mercado, em dar respostas rápidas. Já uma reflexão científica não é tão cobrada, até porque os professores não têm, muitas vezes, essa formação. Então eu acho que, com a inserção da pesquisa, isso acaba quebrando um pouco e trazendo muitos benefícios científicos, não é? Há carência de produção de conhecimento científico mesmo, em torno da Administração (GESTOR 2) [grifo nosso]. (...) a pesquisa no Curso de Administração, na graduação, é sempre muito importante, porque o curso de Administração não tem esse foco na pesquisa acadêmica. (...) a preocupação do aluno de Administração não é com atividade acadêmica, mesmo, não é? Eles têm uma preocupação muito mais prática. Poderia dizer que a pesquisa pode ajudar eles nessa preocupação prática, nesse entusiasmo e, aí, vai do talento do professor, do orientador-professor, fazer com que ele veja essa vinculação com o assunto do momento. (GESTOR 3) [grifos nossos]. Em relação aos objetivos da pesquisa na formação do aluno, os seguintes aspectos foram mencionados: a) Desenvolver a maturidade intelectual; b) Desenvolver o interesse pela pesquisa na Administração; 142 c) Vincular teoria e prática na Administração; d) Aproximar o aluno do conhecimento científico; e) Contribuir para a sua atuação profissional; f) Melhorar o desempenho acadêmico; g) Incentivar o desenvolvimento de trabalhos acadêmicos de qualidade; h) Estimular a produção de conhecimento científico. Quanto à formação do professor, a inserção das atividades de pesquisa teve como objetivos: a) Favorecer e incentivar o desenvolvimento contínuo de pesquisas pelos professores; b) Aumentar a produção acadêmica docente. Na concepção dos gestores, a pesquisa é importante para o curso e para a PUC-SP em termos de: a) Aumento da produção acadêmica do curso e da Universidade; b) Colaboração para o desenvolvimento social; c) Contribuição para a avaliação do curso e da Universidade. 5.1.1.2 Formato e Conteúdo O formato e os conteúdos propostos para as atividades de Pesquisa 1 e 2 foram alterados em relação ao modo de como foram propostos no Projeto Pedagógico do Curso e implantados no currículo. O formato proposto para as atividades Pesquisa 1 e 2 no PPC previa a inserção dos alunos nas diferentes etapas dos projetos de pesquisa dos professores, na qualidade de pesquisadores juniores. O conteúdo seria pertinente à etapa da pesquisa em que o aluno ingressasse na atividade. Neste formato, as 143 atividades não eram sequenciais e não haveria necessidade de pré-requisitos. Assim, as atividades pressupunham: a) Projetos de pesquisas dos professores; b) Inserção do aluno na pesquisa do professor. Embora Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2 sejam atividades voltadas à pesquisa, foram concebidas como atividades integradas, porém independentes, ou seja, em Pesquisa 1 e 2 o aluno participaria de projetos de pesquisa dos professores (Projeto do Professor) e, em TCC 1 e 2 desenvolveria seu projeto para realização da pesquisa e elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso (Projeto do Aluno). O quadro a seguir possibilita a análise comparativa, mediante os significados atribuídos aos depoimentos dos gestores entrevistados em relação ao formato e conteúdo propostos para as atividades de pesquisa: Pesquisa 1 e Pesquisa 2. Quadro 28 – Percepção dos Gestores sobre o Formato e o Conteúdo Propostos e Implantados inicialmente nas Atividades de Pesquisa 1 e 2 (conclusão) FORMATO PROPOSTO (PPC) FORMATO CONTEÚDO Inserção dos alunos nas diferentes etapas dos projetos de pesquisa dos professores, na qualidade de pesquisadores juniores; Inserida como atividade complementar; Sem pré-requisitos. O conteúdo seria pertinente à etapa da pesquisa no qual o aluno fosse inserido. DIAGNÓSTICO G EXPLICITAÇÃO DOS SIGNIFICADOS II G1 Não mencionado pelo entrevistado. G2 A gestão acadêmica tornou-se impossível, em função do número de alunos e professores e das limitações do Sistema SAE (Sistema de Administração Escolar) para matrícula dos alunos; A coordenação alterou seus critérios acadêmicos, em função das limitações de matrícula dos alunos no Sistema SAE; O número elevado de alunos no curso e as limitações do sistema para matrícula inviabilizaram a escolha dos alunos por projeto e temas de interesse; O projeto foi abandonado em função das limitações administrativas. 144 (conclusão) G3 G4 A tentativa de vincular os alunos de Pesquisa 1 e 2 às pesquisas dos professores foi descontinuada pelos seguintes motivos: poucos professores de pesquisa possuem pesquisas aprovadas e consolidadas junto ao CNPq; a perspectiva de trabalhar com os temas de interesse do aluno – questão considerada primordial para a motivação para a pesquisa – não poderia ser contemplada; A pós-graduação possui poucos grupos de pesquisa em Administração, que não suportaria o vínculo de um número elevado de alunos da graduação; Embora nem todos os professores da pós-graduação e coordenadores dos grupos de pesquisa atuem no curso de graduação em Administração, dispõe-se de outros professores vinculados a estes grupos. Não mencionado pelo entrevistado. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. O formato inicial pressupunha o desenvolvimento de projetos de pesquisas feitos pelos professores destas atividades para que os alunos pudessem, então, escolher os temas de interesse e participar da pesquisa. Conforme análise do Projeto Pedagógico do Curso, apresentada no item 2 deste trabalho, para favorecer e orientar o desenvolvimento dos projetos de pesquisa pelos professores subsidiando a prática destas atividades - e para atingir os objetivos idealizados, foi proposto um processo de formação de professores e planejada a criação de uma estrutura acadêmico-administrativa, que são abordados no item 5.1.2. Embora as atividades de pesquisa tivessem como principal objetivo a formação do aluno, o referido formato vinha de encontro, também, aos objetivos de favorecer e incentivar o desenvolvimento contínuo de pesquisas pelos professores e aumentar a produção acadêmica docente, como afirma o Gestor 1: (...) a gente tinha uma dupla finalidade, ou seja, não só a gente estaria preparando o aluno, o objetivo final era preparar o nosso aluno, mas a gente teria que preparar o nosso professor também. Então, a gente estaria com uma massa crítica do nosso corpo docente melhor preparada para produzir, publicar e aumentar a nossa exposição externa com as nossas publicações, com as publicações dos nossos professores, oriundos desses projetos de pesquisa que eles trabalhariam com os alunos. Então, a cada três anos o professor teria lá a finalização de um projeto que poderia gerar um livro, mas ao longo desse percurso ele poderia estar publicando artigos, poderia estar gerando insumos para a elaboração de estudos de casos. Foi pensado em termos de produção acadêmica, ou seja, quando nós pensamos a pesquisa, era para formar o nosso aluno, mas era para a gente dar massa crítica para o nosso corpo docente, dar maturidade acadêmica para o nosso corpo docente, para que ele pudesse interagir melhor nessa estrutura (GESTOR 1) [grifos nossos]. As atividades de pesquisa – Pesquisa 1 e 2 – foram implantadas no curso durante o 1º e 2º semestres de 2008. A tentativa de implantação destas atividades, 145 conforme o formato previsto no Projeto Pedagógico do Curso, ocorreu no 2º semestre de 2008. O Gestor 2 recorda e analisa o interesse dos alunos em relação aos temas propostos nos projetos de pesquisa dos professores. Muitos alunos interessados em alguns projetos, em outros nem tanto, por exemplo, [d]os projetos de métodos quantitativos os alunos fugiam, [d]os projetos ligados a Finanças os alunos fugiam. Eles têm medo da matemática, eles têm medo do raciocínio lógico, do cálculo... Também, ele está no segundo ano e normalmente pegou muita „DP‟ no primeiro ano, de Matemática, de Estatística. Então, ele vem cercado de problemas, mais de imaginário mesmo, de mitos, medo dessas matérias (GESTOR 2). O Gestor 3 afirma que no início da implantação da Pesquisa 1 e 2 no curso, houve uma tentativa de vincular os alunos às pesquisas dos professores, conforme a concepção inicial dessas atividades, por meio das linhas de pesquisa em Administração e que a tentativa foi descontinuada em função dos seguintes motivos: a) Poucos professores de pesquisa possuem pesquisas aprovadas e consolidadas junto ao CNPq; b) Impossibilidade de trabalhar com temas de interesse dos alunos, fator considerado motivacional; c) Os grupos de pesquisa em Administração da pós-graduação não suportariam o vínculo de um número elevado de alunos da graduação. O Gestor 2 entende que os principais motivos que inviabilizaram a continuidade do projeto inicial foram de natureza administrativa, impossibilitando a gestão acadêmica dessas atividades: d) Número elevado de professores e alunos inviabilizou a escolha dos alunos por projetos e temas de interesse; e) Limitações do Sistema SAE para matrícula dos alunos por Projeto do Professor. O Gestor 1 acrescenta outro motivo: f) Poucos professores apresentaram Projetos de Pesquisa. 146 Em função dos motivos aqui expostos, a partir de 2009 a coordenação do curso propôs um novo formato: a) Projeto de pesquisa do aluno; b) Metodologia científica para subsidiar o desenvolvimento da pesquisa pelo aluno. Os programas das atividades encontram-se no Anexo F, e a análise da percepção dos gestores em relação ao novo formato proposto é apresentada no quadro a seguir. Quadro 29 – Percepção dos Gestores sobre o Formato e Conteúdo Atuais das Atividades de Pesquisa 1 e 2 FORMATO ATUAL (Anexo F) FORMATO Metodologia Científica para elaboração, desenvolvimento e realização de pesquisa pelo aluno, conforme tema de seu interesse. G G1 Pesquisa 1 - orientação para desenvolvimento do projeto de pesquisa do aluno e realização de pesquisa de campo, bibliográfica e documental; Pesquisa 2 – orientação para melhoria do projeto de pesquisa ou elaboração de produto final: relatório de pesquisa, artigo ou estudo de caso e apresentação dos resultados da pesquisa. EXPLICITAÇÃO DOS SIGNIFICADOS II G2 CONTEÚDO Houve uma descaracterização em relação à proposta dessas atividades no PPC, vinculadas ao Projeto do Professor; O formato das atividades de pesquisa foi transformado, alterando o seu foco para o Projeto do Aluno que passaram a ser individuais; Os projetos passaram a ter uma duração muito menor do que um ano – o tempo de duração das atividades de Pesquisa 1 e 2 – implicando em sua simplificação; Esta simplificação impossibilitou a utilização de metodologias mais robustas e reduziu a possibilidade de aprofundamento de um tema, condições necessárias para possibilitar ao aluno o desenvolvimento de uma visão mais crítica em relação ao problema; As atividades de pesquisa adquiriram o mesmo formato do TCC. Os planos de aula para as atividades de pesquisa, elaborados e implantados pela coordenação do curso, são considerados claros e explicitam os objetivos; Muitos professores não cumprem os planos definidos; Não há como a coordenação aferir se os planos estão sendo cumpridos. G3 Em 2010, foi identificado pelo MEC, que segundo as disposições regulamentares, faltavam horas para o curso de Administração: as atividades de Pesquisa 1 e 2 permaneceram com 34 (trinta e quatro) horas cada, passaram a ser consideradas disciplinas regulares do curso e deixaram de compor as Atividades Complementares; e, as Atividades Complementares Livres passaram de 32 (trinta e duas) para 68 (sessenta e oito) horas. G4 Questão não abordada pela pesquisadora. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. 147 O diagnóstico dos problemas identificados e as soluções propostas pelos gestores, em relação a cada aspecto, são analisados, comparativamente, a seguir. Quadro 30 - Percepção dos Gestores em relação aos Problemas do Formato e Conteúdo Atuais das Atividades de Pesquisa 1 e 2 e Propostas para Solução (continua) Número de Alunos por Turma G Problemas Proposta G1 É difícil operacionalizar a orientação de 20 projetos por turma. Não mencionada pelo entrevistado. G2 Não mencionado entrevistado. como problema, pelo -x- G3 Não mencionado entrevistado. como problema, pelo -x- G4 Considerado adequado. -x- Definição de Temas pelo Professor G1 Questão não abordada pela pesquisadora. G2 Muitos professores continuam determinando seus temas, segundo sua linha de pesquisa. Não se chegou a um consenso sobre se o tema deveria ou não ser do professor, prevalecendo a liberdade do docente. Encontrar um meio de compatibilizar as escolhas dos professores e a matrícula dos alunos: uma forma seria seguir as linhas de pesquisa oriundas do Projeto Pedagógico do Curso. Isso certamente aumentaria a produção acadêmica dos docentes e discentes. G3 Alguns professores ainda estão dirigindo o interesse de todos os alunos, determinando os temas de pesquisa e impossibilitando a liberdade de escolha do aluno. O professor tem que respeitar a opção de tema do aluno, possibilitando o seu interesse e motivação para a pesquisa. G4 Questão não abordada pela pesquisadora. -x- -x- Conteúdos G1 As atividades de pesquisa adquiriram o mesmo formato do TCC. -x- G2 Não há um nivelamento, pelo professor, acerca da Metodologia de Pesquisa. Necessidade de um desenho mais claro para a pesquisa, que defina objetivos. 148 (continuação) G3 G4 Embora os programas e planos de aula tenham sido elaborados e divulgados pela coordenação do curso, não são respeitados por todos os professores, como por exemplo em relação aos conteúdos onde a atividade de elaboração de artigos, prevista em Pesquisa 2 é solicitada em Pesquisa 1, sendo que o aluno fica sem a formação em Metodologia Científica; O professor devem respeitar os programas e os planos de aula das atividades, o que garante a equidade de conteúdo em casos de mudança de turma ou turno pelos alunos. É necessário rever os conteúdos de Pesquisa 1 e TCC 1. Os conteúdos propostos e os materiais indicados para Pesquisa 1 são os mesmos do TCC 1. Quando o aluno opta, em Pesquisa 2, por desenvolver um Projeto mais substancioso para o TCC, ele não tem o que fazer no TCC 1, mas o problema é restrito a alguns alunos, porque a maioria muda o tema de pesquisa no decorrer do curso. Questão não abordada pela pesquisadora. -x- Horários G1 Questão não abordada pela pesquisadora. G2 O PPC não contempla as atividades na grade regular do curso para o período noturno. Atividades antecedentes ao horário das aulas do noturno, ou aos sábados, não são frequentadas por todos os alunos, porque a maioria trabalha. G3 Não mencionado entrevistado G4 Questão não abordada pela pesquisadora. como problema -x- pelo Haveria mais notoriedade para a pesquisa se as atividades fossem inseridas no horário regular do período noturno. -x- -x- Período G1 Questão não abordada pela pesquisadora. G2 Identifica as atividades de pesquisa como sequenciais e concatenadas (Pesquisa 1 e 2 TCC 1 e 2). -xNão mencionado como problema pelo entrevistado 149 (continuação) G3 G4 Pesquisa 1 é introduzida no 3º período do curso, quando os alunos estão no 1º módulo das áreas funcionais: Gestão Estratégica e das Organizações, Finanças, Marketing, Operações e Pessoas; A limitação de conhecimento das áreas funcionais não representa um obstáculo ao interesse dos alunos; A partir do 2º ano, com o início do conhecimento das áreas funcionais, o aluno começa a ter uma noção da abrangência da Administração e, portanto, ainda não apresenta maturidade intelectual para a pesquisa. Pesquisa 1 e 2 devem ser mantidas como estão, talvez em outro período; Propõe que na revisão do PPC, a Pesquisa 1 e 2 sejam transferidas para o 5º e 6º períodos, por dois motivos: maior maturidade intelectual dos alunos, em função dos aprofundamento dos conteúdos das disciplinas das áreas funcionais; e, proximidade com o TCC 1 e 2 – no 7º e 8º períodos – possibilitando a continuidade do Projeto desenvolvido em Pesquisa 1 e 2 e melhoria da qualidade do TCC. Questão não abordada pela pesquisadora. -x- Ausência de Pré-Requisitos G1 Questão não abordada pela pesquisadora. -x- G2 A ausência de pré-requisitos não compromete as atividades: 90% dos alunos cursam as atividades de forma sequencial. -x- G3 Não mencionado entrevistado -x- G4 Questão não abordada pela pesquisadora. como problema pelo -x- Integração com as demais disciplinas e conhecimentos G1 Questão não abordada pela pesquisadora. G2 Não mencionado entrevistado. como problema -xpelo -x- 150 (conclusão) G3 G4 Os alunos desenvolvem, no decorrer do curso de Administração, uma visão global das áreas epistemológicas, mas não percebem a aplicação dos conhecimentos das áreas de suporte, como Estatística, por exemplo, não estabelecendo relação entre os conteúdos de „Estatística‟ e de „Pesquisa‟; O aluno só reconhece a aplicação da Estatística à Administração no momento em que necessita destes conhecimentos para a realização da Pesquisa; Os conteúdos das disciplinas de suporte são genéricos e os alunos não conseguem compreender sua aplicação à Administração; Embora o Projeto Pedagógico do Curso de Administração tenha definido os conteúdos e conhecimentos necessários à Administração em relação às disciplinas das áreas de suporte, nem todos os professores vinculam o conteúdo de suas disciplinas às necessidades especificadas. É necessário vincular os conteúdos das disciplinas de suporte, como Estatística, à aplicação à Administração. Questão não abordada pela pesquisadora. -x- Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Como explicitado no tópico 4, o Gestor 1 foi entrevistado com o propósito de análise da inserção das atividades de pesquisa no curso. Igualmente, o Gestor 4 – coordenador das atividades de TCC - foi entrevistado com o objetivo de expor as questões referentes às atividades voltadas ao desenvolvimento dos Trabalhos de Conclusão de Curso – TCC 1 e 2. Dessa forma, as questões relacionadas ao formato e ao conteúdo atuais das atividades de Pesquisa 1 e 2 não foram abordadas pela pesquisadora em função dos objetivos das entrevistas realizadas. O Gestor 1 acredita que “é difícil operacionalizar a orientação de 20 (vinte) projetos por turma”. No entanto, o programa dessas atividades não impõe a realização de projetos individuais e os demais gestores não indicaram tal questão como sendo um problema. Os Gestores 2 e 3 apontam como problema a determinação de temas de pesquisa pelos professores: “Alguns professores determinam temas de pesquisa, impossibilitando a liberdade de escolha do aluno”. Conforme a percepção dos gestores, alguns dos problemas relacionados ao conteúdo e tema são decorrentes da proposta inicial dessas atividades concebidas, que previa outro formato e diferentes conteúdos. Embora a atividade tenha adquirido 151 um novo formato, algumas práticas decorrentes da proposta inicial continuam sendo adotadas por alguns professores como, por exemplo, a determinação de temas pelo professor segundo sua linha de pesquisa. Em relação à determinação de temas pelos professores, o Gestor 2 acrescenta uma importante informação: “Não se chegou a um consenso se o tema deveria ou não ser do professor, prevalecendo a liberdade do docente”. O Gestor 3 entende que: “O professor deve respeitar a opção de tema do aluno como fator de interesse e motivação para a pesquisa”. Os Programas das Atividades de Pesquisa 1 e 2 não explicitam se o tema deve (ou pode) ser determinado pelo professor ou escolhido pelo próprio aluno. Com o novo formato das atividades de Pesquisa 1 e 2, o conteúdo da Pesquisa 1 passou a ser o mesmo do TCC 1, conforme observam os entrevistados: (...) os projetos se transformaram em projetos individuais(...) teriam que ser projetos mais simples, teriam que ser, na verdade, TCC‟s. E a proposta (original) era que a coisa fosse mais ampla, ou seja, que se trabalhasse com metodologias mais robustas (...) (GESTOR 1). (...) no primeiro semestre, do 3º período, ele tem „Metodologia Científica‟ para poder fazer o pré-projeto e o projeto, aí, ele vai fazer a pesquisa de campo, pesquisa bibliográfica, documental; aí, no segundo semestre, ele vai escrever isso sob alguma forma: ou na forma de Artigo ou de Relatório de Pesquisa (...) Bem, acontece que no TCC 1 ele tem a mesma coisa (...) Tanto que o material é o mesmo. (GESTOR 3). Ainda em relação aos conteúdos de Pesquisa 1 e 2 os seguintes problemas são identificados pelos gestores: a) Não há nivelamento, pelo professor, acerca da Metodologia de Pesquisa; b) Programas e planos de aulas não são respeitados pelos professores. Quanto às propostas de solução dos problemas relacionados aos conteúdos, o Gestor 2 entende que “há a necessidade de um desenho mais claro, que explicite os objetivos”; enquanto que o Gestor 3 percebe que “os professores devem respeitar os programas dessas atividades”. Quanto aos horários das atividades de Pesquisa, TCC 1 e 2 foram inseridos no horário regular do curso. Pesquisa 1 e 2 encontram-se na „terceira aula‟, das 11h10 às 12h50, no período matutino, desde sua inserção no currículo. No período 152 noturno, inicialmente, Pesquisa 1 e 2 foram inseridas antes do horário regular do curso, das 17h40 às 19h20. Posteriormente, Pesquisa 1 foi incluída nos horários regulares do curso, e Pesquisa 2 aos sábados. O Gestor 2 percebe que “as atividades de Pesquisa 1 e 2 deveriam ser inseridas no horário regular do curso”. As atividades de Pesquisa 1 e 2 foram inseridas no 2º ano do curso – 3º e 4º períodos, e o Gestor 3 entende que com o novo formato destas atividades, seria mais adequado que fossem transferidas para o 5º e 6º períodos do curso, apresentando as seguintes vantagens: a) Maior maturidade intelectual dos alunos, em função do aprofundamento dos conteúdos das disciplinas das áreas funcionais; b) Maior proximidade com TCC 1 e 2, possibilitando a continuidade dos projetos desenvolvidos em Pesquisa 1 e 2. Embora haja a recomendação para que os alunos cursem Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2 nos respectivos períodos indicados na grade curricular, não há prérequisitos para as atividades de pesquisa. Em relação à Pesquisa 2, o Gestor 2 considera que 90% dos alunos cursam as atividades de forma sequencial e que a ausência de pré-requisitos não compromete a atividade. Quanto ao TCC 2, o Gestor 4 considera uma falha grave no Projeto Pedagógico do Curso, que deverá ser reavaliado na próxima reforma. (...) eu sinto que isso é uma falha grande. Isso nós tivemos que ajustar: a proposta foi que o aluno faça no mesmo semestre TCC 1 e o TCC 2 e isso tem provocado alguns dilemas, alguns questionamentos, mas o que nós precisamos é solucionar algo que está „plantado‟, algo que está em vigor e tem falhas (GESTOR 4). Os critérios de avaliação de Pesquisa 1 e 2 não foram mencionados pelos entrevistados. O Trabalho de Conclusão de Curso – TCC – foi introduzido no currículo do curso em 2002, em um único semestre, como conteúdo da disciplina Orientação de Estágio II e, segundo os Gestores 1 e 4, sempre houve o reconhecimento da necessidade de aumentar o tempo para sua realização - de um para dois semestres. Com a reforma curricular, as atividades acadêmicas TCC 1 e TCC 2 são inseridas como disciplinas regulares no currículo do curso, nos últimos dois 153 semestres do curso, representando a oficialização das atividades no curso e a duplicação de sua carga horária - em relação ao currículo anterior. As ementas, objetivos, conteúdos e bibliografia propostos para estas atividades foram previamente apresentadas no item 2. TCC 1 e 2 mantém a concepção original, com as seguintes características: a) Trabalhos individuais realizados pelos alunos; b) Formato de monografia; c) Temas escolhidos pelos alunos, acompanhados e aprovados por professores orientadores da área epistemológica relacionada ao tema do aluno; d) Turmas de 02 (dois) créditos com 10 (dez) alunos, sob a orientação do professor; e) Avaliação realizada pelos professores orientadores. O Gestor 4, coordenador do Trabalho de Conclusão de Curso, pondera que é no momento da implantação e na vivência das atividades que algumas situações críticas são evidenciadas, e que as ações precisam ser adotadas para adaptarem-se à realidade apresentada, e que este é o momento para reflexão sobre a pesquisa no curso, que considere a vivência de seus professores. Destaca ainda, que embora exista um formato definido, há liberdade do professor para conduzir os trabalhos com seus alunos e que existe um grande espaço para reflexões e discussões. Em relação aos trabalhos desenvolvidos pelos alunos nas atividades de Pesquisa 1 e 2, o Gestor 4 esclarece que “a sugestão é que os alunos de TCC dêem continuidade aos projetos de pesquisa desenvolvidos em Pesquisa 1 e 2” [grifos nossos]. Assim, elenca alguns problemas identificados encaminhamento das questões, conforme quadro posterior. e propostas para o 154 Quadro 31 – Percepção do Gestor 4 sobre Problemas em Relação ao Trabalho de Conclusão e Atividades TCC 1 e TCC 2 / Propostas de Aprimoramento do TCC no Curso Determinação de Temas Problemas Alguns temas são pouco importantes para a área da Administração. Proposta Não mencionado pelo entrevistado. Formato Problemas Proposta O TCC é individual e dependendo de sua natureza como, por exemplo, um Plano de Negócios poderia ser realizado em grupos. Poderíamos refletir e propor que o TCC seja em grupo, considerando que as empresas estimulam o trabalho coletivo. Número de Alunos por Turma Problemas Proposta O número de alunos previstos para as atividades de pesquisa e TCC são adequados, mas temos problemas administrativos e, em alguns casos, o limite de alunos por turma é ultrapassado. Não mencionado pelo entrevistado. Ausência de Pré-Requisitos Problemas Proposta Há uma falha no PPC que implica que o aluno Deverá ser revisto na próxima reforma do curso. possa cursar TCC 2 sem ter feito TCC1, como pré-requisito; O ajuste efetuado foi o de possibilitar ao aluno cursar as duas atividades simultaneamente, no mesmo semestre. A coordenação precisa implantar algo que está em vigor e que tem falhas, o que causa dilemas e questionamentos. Critérios de Avaliação Problemas Embora haja critérios objetivos, ainda há muita subjetividade na avaliação; Temos excelentes alunos e professores e o produto final do TCC nem sempre reflete essa excelência. Proposta Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Há necessidade de reflexão sobre os critérios de avaliação dos TCC‟s; As exigências para os TCC‟s merecem uma redefinição, reclassificação, por meio de reflexões sobre como melhorar a qualidade dos trabalhos; A avaliação final poderia ser realizada por mais de um professor, talvez, com a criação de bancas para avaliação; É necessário avaliarmos os resultados do TCC em termos de processo e de produto. 155 5.1.1.3 Resultados: Percepção, Expectativas e Propostas As seguintes percepções, expectativas e propostas foram apresentadas em relação à inserção das atividades de pesquisa no curso, conforme demonstrado a seguir. Quadro 32 – Percepção e Expectativas dos Gestores em Relação às Atividades de Pesquisa (continua) Aumento do Número de Projetos de Iniciação Científica pelos Alunos G1 Com a iniciação em Pesquisa no 2º Ano o aluno teria uma janela para o desenvolvimento de Projetos de Iniciação Científica. G2 A inserção das atividades de Pesquisa 1 e 2 aumentou o interesse dos alunos da graduação pela pesquisa e sua participação em Projetos de Iniciação Científica. G3 G4 Como aspecto positivo, sente que há um crescimento no interesse pelos alunos para a Iniciação Científica, porém difícil de quantificar, porque o crescimento do interesse não implica, necessariamente, em sua efetivação; Os alunos encontram dificuldades para achar um professor orientador para a Iniciação Científica, que trabalhe com o assunto e que tenha disponibilidade; A falta de disponibilidade dos professores para orientação de Iniciação Científica ocorre em função de dois fatores: sobrecarga de trabalho lotação, quando já estão realizando outras orientações, ou falta de vontade; Propõe a criação e divulgação de um ranking positivo de professores orientadores – de Estágio, Pesquisa e Iniciação. Não mencionado pelo entrevistado. Melhoria da Qualidade dos Trabalhos de Conclusão de Curso G1 Desenvolvimento de maior grau de maturidade intelectual para a elaboração do TCC. G2 As atividades de pesquisa têm contribuído para o aumento da qualidade dos TCC‟s. G3 Não mencionado pelo entrevistado. G4 Percebe que Pesquisa 1 e 2 têm contribuído de forma muito positiva para a melhoria dos TCC‟s. Os alunos têm tido aprimoramento em relação à metodologia para o desenvolvimento da pesquisa, bem como em termos de qualidade dos trabalhos. Aumento da Produção Acadêmica G1 O conhecimento gerado pela pesquisa seria transformado em produção acadêmica, por intermédio de publicações ou como insumo para elaboração estudos de casos. 156 (continuação) G2 Há necessidade de aumentar a produção docente e discente no curso. Os cursos que produzem tem notoriedade do CNPq e da FAPESP. Segundo os indicadores da CAPES, quantitativamente a produção científica na área de Administração da PUCSP é considerada baixa. Há uma deficiência na produção científica em Administração, que impede acesso dos professores aos órgãos fomentadores de pesquisa; O produto final, decorrente das atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2), poderiam gerar uma produção de conhecimentos. Por meio destas atividades, o departamento poderia melhorar sua produção científica, mediante a publicação de artigos; A produção do conhecimento no campo da Administração deve ser estabelecida como prioridade no curso; A Direção da Faculdade deve definir estratégias e políticas relacionadas à pesquisa na área da Administração. G3 Não mencionado pelo entrevistado. G4 Os TCC‟s poderiam ser melhor utilizados e divulgados para a comunidade acadêmica e empresarial, por meio de publicações de artigos, Planos de Negócios e Cases para utilização do mercado. Reconhece como ponto negativo o fato de encontrarem excelentes pesquisas que poderiam ser aproveitadas para publicação e para gerar estudos de casos. Integração entre as Áreas do Conhecimento G1 Integração dos conhecimentos por meio de temas dos projetos dos professores que relacionassem diferentes áreas do conhecimento à Administração. G2 Não mencionado pelo entrevistado. G3 Não mencionado pelo entrevistado. G4 Não mencionado pelo entrevistado. Exposição dos Trabalhos de Pesquisa G1 Não mencionado pelo entrevistado. G2 A exposição das pesquisas dos alunos poderia ser um meio de dar visibilidade e aferir, minimamente, os resultados obtidos por intermédio do produto final G3 Não mencionado pelo entrevistado. G4 Não mencionado pelo entrevistado. 157 (conclusão) Vincular Pesquisa ao Mercado e ao Desenvolvimento Econômico e Social G1 Não mencionado pelo entrevistado. G2 Não mencionado pelo entrevistado G3 Não mencionado pelo entrevistado. G4 Aproximar o mundo acadêmico ao empresarial por meio de TCC‟s; É necessário vincular a pesquisa ao mercado em função da praticidade que o campo da Administração apresenta, contribuindo para as empresas e para o desenvolvimento da sociedade; Muitas situações poderiam ser levadas a outros agentes macroeconômicos - como o Governo, as famílias e as empresas, para que estes trabalhos pudessem apresentar sugestões e propostas que melhorassem a vida das pessoas em todos os sentidos; O potencial dos trabalhos realizados do curso – não só de pesquisa - poderiam ser melhor explorados. Os trabalhos desenvolvidos no mundo acadêmico podem aproximar-se muito do mundo real – de negócios, escolas, hospitais, em diversos segmentos – contribuindo com propostas para o desenvolvimento econômico e social. Aumento da Motivação do Aluno pela Pesquisa G1 Não mencionado pelo entrevistado. G2 Não mencionado pelo entrevistado. G3 Não mencionado pelo entrevistado. G4 O TCC representa uma grande realização para o aluno que transforma todo o aprendizado do curso em um estudo, em um documento; Os melhores trabalhos das áreas epistemológicas são premiados com uma placa de homenagem ao aluno e um diploma ao professor. De 500 a 600 trabalhos, 05 (cinco) são premiados. São trabalhos considerados excelentes; Reconhece que outros trabalhos também são primorosos e poderiam gerar produção acadêmica. Fonte: Elaborada pela pesquisadora. 5.1.2 Ensino e Aprendizagem da Pesquisa no Curso 5.1.2.1 Formação dos Professores Os Gestores 1 e 2 identificaram as necessidades de formação de professores para o desenvolvimento de Projetos de Pesquisa, para a inserção das atividades de Pesquisa no curso, antes de sua implantação. 158 O currículo proposto pelo PPC foi implantado em 2007 e as atividades de pesquisa em 2008. Neste intervalo previa-se a criação da infraestrutura – que é abordada no item 5.1.2.3 – e a Formação de Professores, por meio de „Oficinas de Pesquisa com os professores para desenvolvimento dos projetos de pesquisa pelos professores‟. Pelos motivos apresentados no item 5.1.1.2, o formato e conteúdo dessas atividades foi alterado. Quando sucedeu a implantação para a seleção de professores voltados à estas atividades, foi dada preferência àqueles com experiência em produção do conhecimento e em pesquisa. A implantação do formato atual das atividades para formação dos professores - para a pesquisa os programas de ensino das atividades Pesquisa 1 e 2 - foram elaborados pela coordenação e divulgados aos professores. Os seguintes problemas têm sido identificados pelos gestores, aclarados no quadro posterior: a) Em relação à atuação dos professores; b) Em relação à seleção de professores; c) Em relação à gestão dessas atividades. Como as atividades para a elaboração do TCC já eram desenvolvidas desde o currículo anterior, não houve problemas relatados pelos gestores em relação à estas atividades. As orientações foram assumidas pelo Gestor 4, conforme explicitado em seguida. Quadro 33 - Ações, Avaliação e Propostas dos Gestores Acadêmicos para a Formação dos Professores das Atividades de Pesquisa na Percepção dos Gestores (continua) NO FORMATO PROPOSTO NO PPC G PESQUISA 1 E 2 EXPLICITAÇÃO DE SIGNIFICADOS II G1 Foi identificada a necessidade de formação de professores para o desenvolvimento de Projetos de Pesquisa. PROPOSTA: Sugerida a realização de oficinas de pesquisa. Prazo: um ano, entre a implantação do Currículo (2007) e o início das atividades de pesquisa (2008). Competência: Coordenação do Curso. 159 (continuação) G2 Os critérios iniciais para a seleção de professores para as atividades de pesquisa foram: experiência em produção do conhecimento e em pesquisa. Foi dada preferência aos professores da pós-graduação e os professores da graduação que orientavam TCC; Foram realizadas reuniões com a pós-graduação, os idealizadores da pesquisa no PPC e os professores de Pesquisa, com o objetivo de integrar graduação e pósgraduação e explicar a proposta das atividades de pesquisa; Foi solicitada aos professores a indicação de suas linhas de pesquisa ou temas para que os alunos pudessem escolher pela afinidade com o projeto. AVALIAÇÃO: Experiência considerada positiva e implantada por um semestre. PARA IMPLANTAÇÃO DO FORMATO ATUAL DAS ATIVIDADES G PESQUISA 1 E 2 G1 Questão não abordada pela pesquisadora. G2 Os programas e os planos de aula para as atividades de pesquisa foram elaborados e divulgados aos professores pela coordenação do curso. AVALIAÇÃO: a) em relação à atuação dos professores: Não há cobrança para o desenvolvimento de uma reflexão científica, pois ela também não está presente no cotidiano da maioria dos professores; Muitos professores não têm compromisso com a pesquisa ou não compreendem o processo de ensino e aprendizagem da pesquisa; A aula não acontece de fato e os alunos não são orientados adequadamente; Alguns professores não compreendem o papel de orientação: confundem a autonomia do aluno na pesquisa com a necessidade de orientação efetiva; Muitos professores não cumprem os planos definidos; Os professores do curso não têm tempo efetivo para dedicação à pesquisa, pelo excesso de alunos por sala de aula no curso. b) em relação à seleção dos professores: Em função da maximização dos contratos docentes, as atividades de pesquisa passaram a representar horas para complementação dos contratos, comprometendo a qualidade da formação em pesquisa no curso e a produção do conhecimento. c) em relação à gestão das atividades de Pesquisa 1 e 2: ver categoria 1 – Subcategoria: Infraestrutura PROPOSTA: Criação de Infraestrutura (ver próxima subcategoria) G3 Os conteúdos pedagógicos foram definidos pela coordenação do curso desde a implantação. Acredita que as atividades de pesquisa já estão consolidadas, pelo menos para os professores que estão desde o princípio. G4 Questão não abordada pela pesquisadora. 160 (conclusão) G G4 TCC 1 E 2 Ocorreu um processo de conscientização dos professores que se deu por meio de conversações com estes e disponibilização de manuais para as atividades de Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2; Os materiais foram disponibilizados inicialmente, por meio do site da Faculdade e, posteriormente, no MOODLE (Modular Object – Oriented Dynamic Learning Environment); Estas conversas ocorrem com os coordenadores de curso, que passam as informações e orientações gerais para os coordenadores de área, que por sua vez passam aos professores; Eventualmente, há a necessidade de orientar algum professor recém admitido. AVALIAÇÃO: O TCC dispõe de espaço para discussões e reflexões; É preciso envolver os professores orientadores e os coordenadores dos cursos para tais ajustes; Os professores, que efetivamente vivenciam a rotina das orientações, devem acumular durante esse período muitas experiências que podem ser revertidas para a melhoria dos trabalhos acadêmicos. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. 5.1.2.2 Estratégias Didático-Pedagógicas Em relação ao ensino e aprendizagem da pesquisa as seguintes concepções foram explanadas pelos gestores: a) Aprendizagem na prática; b) Orientação individualizada e acompanhamento contínuo pelo professor; c) Estabelecimento de vínculo entre teoria e prática, pelo professor; d) Descoberta do tema de interesse pelo aluno; e e) Vínculo com os assuntos do momento, como fator motivacional ao aluno. Destacam-se aqui dois aspectos observados pelo Gestor 3: a) Os alunos preferem a pesquisa de campo à pesquisa bibliográfica; b) O entusiasmo dos alunos por temas de áreas específicas está relacionado à atuação dos professores das disciplinas funcionais, que influencia as escolhas dos alunos. Ainda, as seguintes ações foram mencionadas pelo Gestor 4 como necessárias ao aprimoramento do ensino e aprendizagem da pesquisa no curso: A) Melhoria contínua na metodologia; 161 B) Conscientização crescente de professores e alunos sobre a importância dos aspectos metodológicos para defender uma reflexão; C) Professores e alunos devem continuamente aprender a aprender; D) Necessário encontrar um meio para reduzir a lacuna entre a objetividade e a subjetividade da pesquisa. O quadro a seguir demonstra os principais aspectos mencionados pelos gestores em relação ao ensino e aprendizagem da pesquisa no curso. Quadro 34 – Estratégias de Ensino e Aprendizagem da Pesquisa no Curso de Administração na Percepção dos Gestores (continua) Ensino e Aprendizagem da Pesquisa: Estratégias Didático-Pedagógicas PESQUISA 1 E 2 e TCC 1 e 2 NO FORMATO PROPOSTO NO PPC G1 G2 G3 G4 EXPLICITAÇÃO DE SIGNIFICADOS II Na prática, por meio da participação dos alunos nas diferentes etapas da pesquisa do professor, os alunos seriam inseridos ao contexto da pesquisa, recebendo um relatório para conhecimento das etapas anteriores, atual e futura. Para o TCC, orientação individual, conforme o currículo anterior. Proposta de um trabalho de orientação mais individualizado, para familiarização do aluno com o ambiente de produção científica. Não mencionado pelo entrevistado. Não mencionado pelo entrevistado. NO FORMATO ATUAL DAS ATIVIDADES G1 G2 G3 Questão não abordada pela pesquisadora. Não mencionado pelo entrevistado. O estabelecimento de vínculo entre teoria e prática, por meio da pesquisa, depende da postura do professor-orientador; A importância da pesquisa é reconhecida pelo aluno quando ele encontra um tema de interesse; Por meio da escolha do tema de pesquisa o aluno tem a oportunidade de aprofundar aquele conhecimento; Vinculando a pesquisa aos assuntos do momento e àqueles que interessam aos alunos, o professor aumenta a motivação do aluno para a pesquisa. Os alunos demonstram comprometimento e motivação com os assuntos do momento, tais como: „Mídia Social‟, „Redes‟, „Yahoo‟, „Peixe Urbano‟, „Marketing Digital‟, „Risco em Finanças‟, „Finanças Pessoais‟, entre outros; Os alunos preferem a pesquisa de campo à pesquisa bibliográfica; Identifica que o entusiasmo dos alunos por temas de áreas específicas está relacionado à atuação dos professores das disciplinas funcionais, que „traz‟ novos temas de interesse ao aluno; A atuação do professor influencia as escolhas dos alunos, em relação à vida acadêmica e profissional: escolha do tema de pesquisa, área onde realizará o estágio e tema para o TCC – Trabalho de Conclusão de Curso; Os alunos de 1º e 2º ano do curso de Administração não sabem o que é pesquisa, para eles, pesquisa é „entrar‟ no Google e ver tudo o que existe sobre um determinado assunto. 162 (conclusão) G4 Deve haver melhoria contínua na metodologia, por intermédio da conscientização crescente de professores e alunos de que os aspectos metodológicos são fundamentais para defender uma reflexão, um pensamento; Por meio da Metodologia de Pesquisa, os professores e alunos devem continuamente aprender a aprender durante a vida para que possam utilizar o método em todas as suas decisões para sustentar os resultados esperados; Os TCC‟s nem sempre são explorados em toda sua potencialidade; É necessário reconhecer os limites dos alunos e até que ponto os professores entendem a proposta do aluno e conseguem transformá-la em relatórios, em resultados; Encontrar meios para diminuir a lacuna entre a subjetividade e objetividade dos relatórios. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. 5.1.2.3 Infraestrutura A Infraestrutura necessária à pesquisa depende do formato e conteúdo em que é proposta. A análise realizada no item 2 abordou, ao analisar o Projeto Pedagógico do Curso, a previsão da criação de estrutura acadêmico-administrativa para o desenvolvimento e suporte das atividades de pesquisa, no formato em que foram concebidas inicialmente, no curso, que são também mencionadas pelo Gestor 1. O Gestor 3 esclarece que a Central de Estudo de Caso ainda não foi implantada, analisa as condições para sua criação e propõe a criação de grupos para o desenvolvimento dos casos que serão utilizados. A Infraestrutura para o ensino e aprendizagem para a pesquisa entende que “há a necessidade de manter o mesmo professor em Pesquisa 1 e 2, como também em TCC 1 e 2”. Afirma que “só tem um feedback formal dos aspectos negativos dessas atividades, por meio das reclamações recebidas dos alunos”. Reconhecendo esta demanda, o Gestor 2 entende que há a necessidade do acompanhamento e aprimoramento das atividades de Pesquisa 1 e 2 no curso, e que a coordenação do curso não tem condições de atender a essa demanda, sugerindo a criação de um cargo de „Coordenador de Pesquisa‟ junto ao departamento de Administração para coordenar tais atividades. Para que a pesquisa seja valorizada na Administração, o Gestor 2 percebe que existe a necessidade de que a Direção da Faculdade defina estratégias e políticas relacionadas à pesquisa na área da Administração e que a produção do 163 conhecimento no campo da Administração seja estabelecida como prioridade no curso. O quadro a seguir demonstra os principais aspectos mencionados pelos gestores em relação à Infraestrutura para o ensino e aprendizagem da pesquisa no curso. Quadro 35 – Infraestrutura de Ensino e Aprendizagem da Pesquisa no Curso de Administração na Percepção dos Gestores (continua) Ensino e Aprendizagem da Pesquisa: Infraestrutura PESQUISA 1 e 2 e TCC 1 e 2 NO FORMATO PROPOSTO NO PPC EXPLICITAÇÃO DE SIGNIFICADOS II G1 O PPC previa a criação de linhas de pesquisa da graduação vinculadas às áreas epistemológicas do curso de Administração; Os professores apresentariam projetos de pesquisa, vinculados e aprovados pelas linhas de pesquisa das áreas epistemológicas; A Central de Estudos de Casos seria responsável pela elaboração dos casos, tendo como base as pesquisas desenvolvidas que apresentassem uma visão mais prática, uma intervenção mais direta na realidade de algumas empresas; A articulação entre a pesquisa e a produção acadêmica seria realizada por um Comitê de Pesquisas ou pelos Núcleos de Pesquisa da graduação. NO FORMATO ATUAL DAS ATIVIDADES G1 Questão não abordada pela pesquisadora. G2 É necessário que a pesquisa seja definida como prioridade no curso. As reclamações dos alunos representam um „feedback‟ à coordenação que mapeia parcialmente a prática. Não há como a coordenação aferir se os planos estão sendo cumpridos. A coordenação do curso não tem condições de assumir a coordenação dessas atividades. PROPOSTAS: Que a direção da Faculdade defina estratégias e políticas relacionadas à pesquisa na área da Administração; Que a produção do conhecimento na área da Administração seja estabelecida como prioridade no curso; Criação de cargo de „Coordenador de Pesquisa‟, junto ao departamento, com 05 HS/A, no mínimo, para coordenar as atividades de Pesquisa 1 e 2. 164 (conclusão) G3 PARA A CRIAÇÃO DA CENTRAL DE ESTUDO DE CASO: O Projeto Pedagógico do Curso de Administração estabelece a criação de uma Central de Estudo de Caso e a pesquisa está vinculada diretamente à elaboração e realização de pesquisa, com vistas a dar suporte aos Estudos de Caso. A Central de Estudo de Caso prevista no Projeto Pedagógico não foi implantada no curso até o momento; A implantação de uma Central de Estudo de Caso é complexa: a „Getúlio Vargas‟ levou 14 (catorze) anos para sua implantação; A Coordenação do Curso dispõe da metodologia de desenvolvimento de „Estudos de Caso‟ que necessita de aprimoramento; A implantação da Central de Estudos de Caso depende da disponibilização dos Estudos de Caso, desenvolvidos e utilizados em sala de aula pelos professores, e há resistência destes na disponibilização desse material. Os Estudos de Caso elaborados pelos professores são propriedade intelectual deles mesmos, que dispõem de direitos autorais. PARA AS ATIVIDADES DE PESQUISA: A mudança arbitrária de professor é considerada outro aspecto negativo: as turmas devem manter o mesmo professor em Pesquisa 1 e 2, como também em TCC 1 e 2; A Coordenação só tem o „feedback‟ formal dos aspectos negativos, por meio de reclamações dos alunos; Em função de sua preocupação com a pesquisa, a coordenação acompanha informalmente e por meio de comentários dos alunos, o que ocorre com a Pesquisa 1 e 2 nas demais turmas. PROPOSTA: PARA A CRIAÇÃO DA CENTRAL DE ESTUDOS DE CASO: Propõe que os Estudos de Caso, desenvolvidos pelos professores, não sejam utilizados pela Central de Estudos de Casos, evitando problemas jurídicos para a universidade; Propõe que a Central de Estudos de Caso desenvolva Casos próprios, por meio do aprimoramento da metodologia disponível; Propõe a criação de grupos para o desenvolvimento dos casos da Central de Estudos de Caso. G4 Não mencionado pelo entrevistado. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. 5.2 Análise do Currículo Vivido pelos professores 5.2.1 Concepção sobre a Pesquisa no Curso 5.2.1.1 Importância e Objetivos 165 O quadro a seguir possibilita a análise comparativa, por meio dos significados atribuídos aos depoimentos dos professores entrevistados, em relação à importância e objetivo das atividades de pesquisa no curso. Quadro 36 – Currículo Projetado e Implantado: Compreensão da Importância e Objetivos das Atividades de Pesquisa no Curso pelos Professores (continua) CURRÍCULO VIVIDO PESQUISA 1 E 2 P P1 EXPLICITAÇÃO DE SIGNIFICADOS II O embasamento científico, necessário à pesquisa, possibilita o desenvolvimento de uma postura de humildade perante os fenômenos da Administração, na formação do aluno. O senso crítico torna possível uma postura de humildade em relação ao fenômeno – o questionamento sobre o próprio conhecimento; a relatividade e temporalidade do conhecimento; o reconhecimento das limitações na construção do conhecimento; e a percepção acerca da importância da contribuição da Pesquisa na construção do conhecimento; A vivência do aluno da graduação com a metodologia da pesquisa permite uma maior imparcialidade em relação ao conhecimento e certo distanciamento em relação ao fenômeno a ser investigado, possibilitando uma maior neutralidade; O caráter científico é importante para o aluno de Administração porque ele passa a questionar o conhecimento. O questionamento proporcionado pela Pesquisa possibilita ao aluno uma postura de investigação em relação a um determinado fenômeno, gerando uma nova concepção a respeito do mesmo e possibilitando a construção do conhecimento; A pesquisa pode despertar no aluno o interesse pela produção do conhecimento; A PUC é reconhecida por sua produção científica. ANÁLISE PARA A UNIVERSIDADE A PUC é reconhecida por sua produção científica. NA FORMAÇÃO DO ALUNO AUTONOMIA EM RELAÇÃO AO CONHECIMENTO (PRINCÍPIO EDUCATIVO POR MEIO DO PRINCÍPIO CIENTÍFICO) Desenvolvimento de senso crítico; Questionamento do conhecimento; Maior distanciamento em relação aos fenômenos da Administração; Postura de investigação. INTERESSE PELA PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 166 (continuação) P2 P3 Por meio da Pesquisa o aluno aprende a aprender; O aluno, futuros gerentes ou gestores das organizações, precisam realizar pesquisas para compreender os fenômenos da Administração; Por meio da Pesquisa sobre os problemas e fenômenos, os estudos da Administração são aprofundados e o conhecimento ampliado; O aluno pode utilizar a Pesquisa para resolver problemas que tenha no trabalho; Um importante objetivo da Pesquisa é a aprendizagem do aluno na integração dos fenômenos da Administração aos fenômenos da Ciência. Teoria e prática se integram por intermédio da Pesquisa. NA FORMAÇÃO DO ALUNO AUTONOMIA EM RELAÇÃO AO CONHECIMENTO (PRINCÍPIO EDUCATIVO POR MEIO DO PRINCÍPIO CIENTÍFICO) O aluno aprende a aprender; Aprofundamento e ampliação do conhecimento. Considera muito importante a pesquisa no curso de graduação em Administração; O administrador do século XXI terá que ser um bom pesquisador. Precisamos investir na formação de gestores inteligentes – „analistas simbólicos‟, pessoas capazes de encontrar soluções que necessitam ser capazes de formular questões e problemas. As classes médias não são empreendedoras, são reféns do mercado de trabalho; O aluno tende a se acomodar no trabalho – por meio de uma relação passiva -, mesmo quando não gosta do que faz. A pesquisa de um tema no qual o aluno apresente motivação pode representar um estímulo para que encontre sua posição no mercado de trabalho; O Brasil necessita de administradores autônomos e empreendedores que saibam pensar. Nesse sentido, a Pesquisa contribui para a formação do aluno; A pesquisa possui caráter transversal e ao abordar um tema, os conhecimentos das diferentes disciplinas são relacionados. A redução do isolamento do conhecimento por áreas epistemológicas e a interdisciplinaridade podem ser propiciadas por meio da pesquisa. A função-pesquisa deve estimular o pensamento e a autonomia do aluno. O curso de Administração e a Pesquisa devem propiciar autonomia ao aluno; A formação na PUC-SP deve sempre desenvolver: autonomia, responsabilidade, um projeto ético-político e opções mais amplas de atuação profissional. NA FORMAÇÃO DO ALUNO AUTONOMIA EM RELAÇÃO AO CONHECIMENTO (PRINCÍPIO EDUCATIVO) O administrador do século XXI deverá ser um bom pesquisador; Estimula o pensamento e autonomia do aluno; Desenvolve responsabilidade. VINCULAR TEORIA E PRÁTICA NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIR PARA A SUA ATUAÇÃO PROFISSIONAL Aplicação da pesquisa na compreensão dos fenômenos da Administração e na solução de problemas do trabalho. DESENVOLVIMENTO DE VISÃO INTERDISCIPLINAR A PARTIR DA PESQUISA AMPLIA O HORIZONTE DE OPÇÕES DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL 167 (continuação) P4 A pesquisa é importante em toda área do conhecimento e em toda carreira; PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL Durante a pesquisa as pessoas adquirem uma visão de futuro: as pessoas desenvolvem produtos, programas e pesquisas para „o hoje‟ e para „o amanhã‟; Desenvolvimento Científico e Tecnológico; As pessoas desenvolvem produtos, programas e pesquisa para „o hoje‟ e para „o amanhã‟. A pesquisa e a convivência em um ambiente de pesquisa permitem que o aluno possa, a partir da compreensão da complexidade do conhecimento, visualizar os problemas, os planos cotidianos e os problemas sociais com maior profundidade; Em função da abrangência da Administração, a pesquisa pode ser uma ferramenta de aprofundamento ou especialização em alguma de suas sub-áreas da Administração. NA FORMAÇÃO DO ALUNO AUTONOMIA EM RELAÇÃO AO CONHECIMENTO (PRINCÍPIO EDUCATIVO) A pesquisa permite ao aluno visualizar os problemas do cotidiano profissional, bem como os sociais com maior profundidade; VISÃO ESPECIALISTA NUMA FORMAÇÃO GENERALISTA P5 A maior parte dos alunos de Administração não tem vontade e nem vocação para a Pesquisa; Para que o aluno faça Pesquisa é necessária vontade e mais do que talento - desejo de ser pesquisador. A maior parte dos alunos não tem vontade de fazer Pesquisa e está apenas cumprindo a obrigação. A maioria dos alunos de Administração não possui perfil para a Pesquisa, mas existem alunos – que não representam a maioria - que gostam e tem capacidade para a Pesquisa; O PPC, por meio das atividades Pesquisa 1 e 2, quer criar uma mentalidade de Pesquisa no aluno que não está procurando por isso. O PCC pressupõe, equivocadamente, que todo aluno de Administração será pesquisador; A Atividade de Pesquisa deveria ser uma das opções das Atividades Complementares; O aluno deveria ter a opção de escolher outra atividade complementar, como jogos, participação em eventos ou outra disciplina. Em função da abrangência da Administração, a pesquisa pode ser uma ferramenta de aprofundamento ou especialização em alguma subárea da Administração. NA FORMAÇÃO DO ALUNO FORMAÇÃO DO ALUNO PESQUISADOR Pesquisador-Administrador A maior parte dos alunos de Administração não tem vontade e nem vocação para a Pesquisa; Existem alunos – que não representam a maioria - que gostam e tem capacidade para a Pesquisa; A Pesquisa não deveria ser obrigatória, porém uma das opções das Atividades Complementares. 168 (continuação) P6 Sem a Pesquisa os alunos aprendem a fazer os trabalhos acadêmicos do curso e o TCC aos „trancos e barrancos‟; NA FORMAÇÃO DO ALUNO AUTONOMIA EM RELAÇÃO AO CONHECIMENTO O aluno que se dedicar e tiver um bom desempenho em Pesquisa 1 e 2, cria condições mínimas, não só para o TCC, para o desenvolvimento mais autônomo enquanto estudante da PUC e no seu posicionamento no mercado; (PRINCÍPIO EDUCATIVO POR MEIO DO PRINCÍPIO CIENTÍFICO) Acadêmica e Profissional Aprender a pesquisar ou ensinar a pesquisar é também ensinar a pessoa a autonomia acadêmica e profissional; A pesquisa deve ser usada para reflexão. Se não for dessa forma, o aluno acaba tendo uma aprendizagem formal também da pesquisa; Em Pesquisa é descortinado um horizonte que o aluno percebe sua própria potencialidade e por onde ele pode trilhar. Desenvolvimento crítico; Capacidade de reflexão; Descoberta potencial. de do senso próprio DESENVOLVIMENTO DE TRABALHOS ACADÊMICOS DE QUALIDADE Aprendem a fazer os trabalhos acadêmicos do curso e o TCC. CONTRIBUIR PARA A SUA ATUAÇÃO ACADÊMICA E PROFISSIONAL P7 Para a universidade é indiscutível a importância da pesquisa. As universidades brasileiras têm dificuldades em relação ao apoio à pesquisa. Há uma boa intenção no PPC em implantar as atividades de pesquisa no curso de graduação em Administração; PARA A UNIVERSIDADE Os alunos têm dificuldade de compreender o papel da pesquisa em sua formação; AUTONOMIA EM RELAÇÃO AO CONHECIMENTO Os alunos não são levados a pensar em pesquisa desde o início do curso, ficando em uma posição passiva em relação ao conhecimento; (PRINCÍPIO EDUCATIVO POR MEIO DO PRINCÍPIO CIENTÍFICO) As informações recebidas não são apropriadas pelo aluno e isso é demonstrado nos resultados das avaliações. É indiscutível a importância da pesquisa. NA FORMAÇÃO DO ALUNO A Pesquisa desenvolve uma postura ativa em relação ao conhecimento e à aprendizagem; Favorece a apropriação conhecimento. do 169 (continuação) P8 A pesquisa é fundamental em qualquer curso de nível superior; O sistema educacional brasileiro é muito pobre e a maioria dos cursos superiores não apresenta condições para que sejam classificados como ensino superior; A pesquisa é uma oportunidade, para o aluno, de estabelecer contato com o campo, durante o curso; O professor é avaliador do MEC de cursos de graduação em Economia e Administração, e considera a pesquisa como um primeiro aspecto na avaliação do curso. No momento da pesquisa, todas as disciplinas convergem; A grande utilidade e a qualidade da pesquisa acadêmica estão na possibilidade de interatividade dos conteúdos das diferentes disciplinas; PARA A UNIVERSIDADE A pesquisa é fundamental em qualquer curso de nível superior; A maioria dos cursos superiores não apresenta condições para que sejam classificados como ensino superior; Aspecto positivo de avaliação do curso pelo MEC; As instituições vão criando sua cultura, segundo a sua expertise. NA FORMAÇÃO DO ALUNO O aluno não estuda diariamente e de forma gradual e o processo de aprendizagem é muito fragmentado; O aluno aprende, por meio da Pesquisa, a desenvolver e a apresentar metodologicamente um trabalho; Algumas atividades no mercado profissional requerem uma formatação similar, como no caso de participação num processo de licitação, de Concorrência Pública; DESENVOLVIMENTO DE VISÃO INTERDISCIPLINAR A PARTIR DA PESQUISA Por meio da pesquisa e da realização e apresentação de outros trabalhos nas disciplinas do curso, o aluno tem condições de desenvolver habilidades de escrita e oralidade; É essencial que o aluno apresente oralmente seu trabalho para aprender a defender o seu ponto de vista; A habilidade de comunicação é um diferencial que o aluno pode apresentar para o mercado de trabalho; APLICAÇÃO DA PESQUISA PARA MELHOR APRENDIZAGEM NO CURSO O processo de pesquisa vem se aprimorando nas instituições. As instituições vão criando sua cultura, segundo a sua expertise. (PRINCÍPIO CIENTÍFICO) INTEGRAÇÃO ENTRE TEORIA E PRÁTICA Utilização da metodologia para atuação profissional. (PRINCÍPIO EDUCATIVO) Interatividade dos conteúdos das diferentes disciplinas. CONTRIBUIR PARA A SUA ATUAÇÃO ACADÊMICA E PROFISSIONAL Aprende a desenvolver e a apresentar metodologicamente outros trabalhos acadêmicos nas demais disciplinas do curso; Desenvolvimento de habilidades de comunicação: escrita e oral. 170 (conclusão) P9 A pesquisa na graduação é importante para a universidade e para o aluno; O mérito do curso sempre foi a formação para o mercado de trabalho; Para que a universidade se mantenha dentro dos requisitos, tanto de mercado quanto acadêmicos, é necessário produzir conhecimentos; A maioria dos alunos não se dá bem com a abordagem da pesquisa. No Brasil, as pessoas buscam o ensino superior para aprender a trabalhar; A pesquisa deveria ser direcionada aos alunos que tem vontade de pesquisar, que teriam mais atenção e poderiam produzir conhecimento; O aluno do curso precisa de uma noção básica de pesquisa, mas não deve ser obrigado a produzir ciência; Pesquisa 1 e 2 devem ser mantidas como obrigatórias, enfocando metodologia; A metodologia deveria ser exigida em todos os trabalhos realizados no curso. PARA A UNIVERSIDADE Para que a universidade se mantenha dentro dos requisitos, tanto de mercado quanto acadêmicos, produzindo conhecimentos; NA FORMAÇÃO DO ALUNO FORMAÇÃO DO ALUNO PESQUISADOR (Pesquisador-Administrador) A maioria dos alunos não se dá bem com a abordagem da pesquisa. No Brasil, as pessoas buscam o ensino superior para aprender a trabalhar; O aluno não deve ser obrigado a produzir ciência; A pesquisa deveria ser direcionada aos alunos que têm vontade de pesquisar. APLICAÇÃO DA PESQUISA PARA MELHOR APRENDIZAGEM NO CURSO (PRINCÍPIO CIENTÍFICO) Pesquisa 1 e 2 devem ser mantidas como obrigatórias, enfocando metodologia; A metodologia deveria ser exigida em todos os trabalhos realizados no curso. P10 Fundamenta o ensino e a aprendizagem das atividades de Pesquisa 1 e 2, por meio dos quatro pilares da Educação definidos no Relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI da UNESCO: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser; A natureza das atividades de Pesquisa 1 e 2 facilitam a aplicação dos quatro pilares; A Pesquisa possibilita ao aluno o desenvolvimento da maturidade intelectual, um senso mais crítico e uma melhor visão da realidade e da cultura que agregam em maturidade, e que serão importantes para aproveitar melhor o conhecimento que irão adquirir nas demais disciplinas do curso. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. NA FORMAÇÃO DO ALUNO AUTONOMIA EM RELAÇÃO AO CONHECIMENTO (PRINCÍPIO EDUCATIVO) Aprender a aprender; Aprender a fazer; Aprender a conviver; Aprender a ser; Desenvolvimento de senso crítico; Desenvolvimento de maturidade intelectual; Visão maior da realidade e da cultura. APLICAÇÃO DA PESQUISA PARA MELHOR APRENDIZAGEM NO CURSO Aproveitar melhor o conhecimento que irão adquirir nas demais disciplinas do curso. 171 Como pode ser constatado no quadro anterior, a inserção das atividades de Pesquisa no curso de graduação em Administração foi considerada importante pela maioria dos professores entrevistados. Em relação à importância, dois aspectos foram mencionados: a) Na formação do aluno; b) Para a universidade. Como procedimento de aprendizagem na formação do aluno, a pesquisa é considerada importante como princípio educativo e científico. Os professores 1, 2, 4, 6, 7 e 8 expressam explicitamente a possibilidade de conseguir atingir os princípios educativos por meio da metodologia científica - princípios científicos, ou seja, o ensino da pesquisa é considerado um caminho para desenvolver, na formação do aluno, a autonomia necessária e o questionamento reconstrutivo em relação ao conhecimento, para que se realize o ensino por meio de pesquisa. O Professor 3 ao abordar a importância da pesquisa explicita em seu depoimento os princípios educativos da pesquisa. No entanto, ao analisar as demais questões, o ensino da pesquisa e os princípios científicos também são entendidos como um caminho para o desenvolvimento dos princípios educativos. O Professor 9 atribui importância aos princípios científicos na formação do aluno. O Professor 10 concede importância aos princípios educativos da pesquisa, apoiado na concepção sobre „Educação para o Século XXI da UNESCO‟: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. Enfatiza o ensino pela pesquisa e entende que a metodologia da pesquisa e o ensino da pesquisa devem ser disponibilizados ao aluno no momento em que estes demonstram interesse. 172 É o seguinte, eu acho que o que interessa realmente é o fim e nem tanto o meio. Então, na medida em que você vê que você pode procurar caminhos alternativos para chegar àquilo que faz sentido: chegar à maturidade e à busca para a solução do problema, eu acho que isso é o que realmente interessa. Que os alunos façam com maturidade aquilo que eles fazem e um senso de confiança sobre o potencial que ele tem. Para mim, é isso que é importante. Então, eu parto dessa base, passo a informação que eles querem, que normalmente tem nos manuais, aí quer ler vai ler, mas não é necessário começar por aí, se aprende fazendo: aprender a aprender e aprender a fazer. Isso é uma presença minha. Eu não entendo assim, que eles têm que aprender o que é metodologia. É algo mais simples, simplesmente ver, por exemplo, como são as coisas: eles começaram a se interessar, o que é fundamental, dá um sentido para eles. Ajudar eles a ir colocando as coisas de uma forma, num formato que possa ser acessível também, um tema de leitura para as outras pessoas, de divulgar essas ideias que eles têm. Eu acho que é isso que interessa. Em relação à metodologia, eu passo o material e se eles quiserem está aí. Mas eu acho que é isso, vamos ao ponto, ao concreto, para fazer (PROFESSOR 10) [grifos nossos]. Nessa direção, o Professor 6 embora reconheça a importância dos princípios científicos, enfatiza os princípios educativos da mesma, alertando que „se a pesquisa não for utilizada para reflexão, o aluno acaba tendo uma aprendizagem formal também da pesquisa‟. O Professor 5 compreende a inserção das atividades de Pesquisa 1 e 2 no intuito de formar o „Pesquisador-Administrador‟. O professor vivenciou as atividades apenas em 2008, momento em que se buscava implantá-las no formato proposto no Projeto Pedagógico do Curso, e que previa a inserção do aluno no projeto do professor. Entende que Pesquisa 1 e 2 não deveriam ser obrigatórias na formação do aluno, mas sim atividades optativas destinadas aos alunos com interesse e vocação à pesquisa. No entanto, compreende ser importante manter o TCC. Segundo ele: Eu acho que o Projeto Pedagógico quer quase que criar uma mentalidade de pesquisa num aluno que não está procurando isso. Eu entendo que a gente precisa manter a finalidade do trabalho de TCC, é importante o aluno aprender a escrever o trabalho, mas achar que todo aluno vai ser pesquisador, eu acho que é um pouco um erro que a gente teve quando fez o projeto (PROFESSOR 5). O Professor 9, que também vivenciou as atividades apenas em 2009, concorda com o Professor 5 no sentido de que a pesquisa deveria ser direcionada aos alunos que tem vontade de pesquisar e que a maioria dos alunos não se dá bem com a abordagem da pesquisa, alegando que: 173 eu acho que nós não podemos perder o enfoque gerencial (...) acho que a pesquisa poderia ainda ser mais pensada e um pouco mais direcionada, para que a gente tivesse um enfoque assim, separando alunos que querem mesmo ir para a pesquisa daqueles que não querem. Aqueles que querem teriam uma atenção mais focada e, aí sim, eles produziriam conhecimento de fato. (...) mas obrigá-los a produzir ciência, como a gente está tentando obrigar, não é algo que está funcionando muito bem (PROFESSOR 9). No entanto, o Professor 9 reconhece a importância da pesquisa para a universidade, mas entende que o mérito do curso sempre foi a formação para o mercado de trabalho e que, no Brasil, as pessoas buscam o ensino superior para aprender a trabalhar. Ao contrário do Professor 5, entende que as atividades de Pesquisa 1 e 2 devem ser obrigatórias no curso, porém com ênfase na metodologia científica, que vai de encontro ao formato atual da disciplina. A importância da pesquisa para a universidade e para o ensino superior foi mencionada apenas por quatro dos professores entrevistados e é percebida em função das seguintes necessidades: a) Produção do conhecimento; b) Avaliação Institucional; c) Para o desenvolvimento econômico e social. Observa-se que a importância na formação do professor identificada pelos gestores não é mencionada pelos professores destas atividades. Entende-se que tais objetivos estavam vinculados ao formato da atividade proposto no Projeto Pedagógico do Curso e que, o formato atual, enfatiza a importância da pesquisa na formação do aluno. Em relação aos objetivos da pesquisa na formação do aluno, foram mencionados os seguintes aspectos: a) Desenvolver maturidade intelectual; b) Contribuir para a sua atuação profissional; c) Vincular teoria e prática na Administração; d) Aprofundar e ampliar o conhecimento do aluno; e) Melhorar o desempenho acadêmico; f) Possibilitar o desenvolvimento de trabalhos acadêmicos de qualidade; 174 g) Despertar o interesse do aluno para a produção de conhecimento; h) Integrar os fenômenos da Administração aos fenômenos da ciência; i) Ampliar o horizonte de opções de atuação profissional do aluno por meio do conhecimento; j) Contribuir para o desenvolvimento do empreendedorismo na Administração; k) Visualizar os problemas sociais; l) Desenvolver e aprofundar uma „visão especialista‟ em uma formação generalista; m) Desenvolver uma postura ativa em relação ao conhecimento e à aprendizagem; n) Desenvolver uma visão interdisciplinar. Nesse sentido, outros objetivos são acrescidos aos identificados pelos gestores, e os professores reconhecem a contribuição da pesquisa para o desenvolvimento de outras competências na formação do aluno. 5.2.1.2 Formato e Conteúdo Os quadros apresentados a seguir possibilitam uma análise comparativa, mediante os significados atribuídos aos depoimentos dos professores entrevistados, em relação ao formato e conteúdo das atividades de pesquisa – Pesquisa 1 e 2. 175 Quadro 37 – Percepção dos Professores sobre o Formato e Conteúdo Atuais das Atividades de Pesquisa 1 e 2 (continua) FORMATO E CONTEÚDO P EXPLICITAÇÃO DOS SIGNIFICADOS II P1 P2 Considera o conteúdo pertinente; A formatação da Pesquisa como disciplina padronizada é vista como um caminho que pode auxiliar na construção de uma visão científica, podendo mudar a postura do aluno no processo de investigação de um determinado fenômeno; Considera o formato de disciplina adequado, mas considera que o formato da pesquisa como disciplina e a sequência dos conteúdos propostos pode limitar a aprendizagem do aluno. Entende que o progresso da pesquisa na graduação necessita de um vínculo maior com pesquisas reais; PROPOSTAS: Propõe outro formato para a disciplina, por meio da vinculação dos alunos de graduação às pesquisas realizadas na pós-graduação em Administração, com os alunos desempenhando atividades de apoio, como a computação de dados; Sugere a revisão do formato da disciplina, proporcionando estreitamento entre as atividades de pesquisa da graduação e pós-graduação; Poderia haver outra estrutura, onde o professor proporia linhas de pesquisa – temas „guarda-chuva‟ – e o aluno escolheria os temas em função de seu interesse. Considera ruim, não produtivo, que o aluno curse Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2 com diferentes professores (já incluído em TCC); O professor entende Pesquisa 1 e 2, TCC 1 e 2 como disciplinas sequenciais e encadeadas. PROPOSTAS: No TCC o aluno integraria teoria e prática, por intermédio da metodologia do estudo de caso realizado na empresa. Em Pesquisa 1, aprende a fazer o projeto; em Pesquisa 2 desenvolve o projeto; em TCC 1 desenvolve a pesquisa bibliográfica; e em TCC 2 realiza a pesquisa de campo na empresa, agregando a experiência do trabalho ao projeto; Pesquisa 1 e 2, TCC 1 e 2 deveriam funcionar como a orientação no mestrado e doutorado, permanecendo com o mesmo professor no decorrer do curso. Tal fato possibilitaria maior afinidade entre professor e aluno e a continuidade do projeto. P3 Os conteúdos das atividades devem ser repensados. Há a necessidade de explorar mais o potencial das atividades de pesquisa; Pesquisa 1 tem se tornado mais instrumental, pragmática e menos aderente ao aluno; Há um risco de se cair mais no formato do que na exploração da profundidade do tema; Os conteúdos propostos em Pesquisa 1 – Metodologia Científica – são considerados burocráticos: formular uma hipótese, formular um tema, que pressupõem conhecimentos prévios que os alunos não demonstram ter. PROPOSTAS: Os Fundamentos da Pesquisa – pesquisa bibliográfica, elaboração de referências e pesquisa teórica -, considerado currículo mínimo de Pesquisa, poderiam permanecer no 3º período, em Pesquisa 1, desde que alterado seu conteúdo; Os conteúdos atuais de Pesquisa 1 – Metodologia Científica – poderiam migrar para o semestre posterior, quando o aluno já tivesse adquirido mais conhecimento em relação às diversas áreas epistemológicas da Administração; O conteúdo e a sequência mais adequada para Pesquisa 1 seria: Teoria da Pesquisa, formulação de hipóteses, pesquisa exploratória inicial, avaliação, revisão de hipóteses e geração de um problema de pesquisa. 176 P4 (conclusão) A sequência e conteúdos das atividades de pesquisa devem ser repensados. PROPOSTAS: Repensar a sequência e conteúdos das atividades de pesquisa: Pesquisa 1 - para o desenvolvimento do conceito e inicio da elaboração do projeto; Pesquisa 2 – para elaboração do projeto e encaminhamento ao Comitê; TCC 1 – Pesquisa de Campo e conclusão; e em TCC 2 – Publicação. P6 P7 P8 P10 A metodologia ajuda na Pesquisa. No currículo, metodologia está em Pesquisa 1, que introduz o aluno no 2º ano ao trabalho de Pesquisa. PROBLEMAS: Não há clareza em relação aos objetivos e conteúdos de Pesquisa 1 e 2; Percebe que os alunos ficam „perdidos‟ – por responsabilidade dos professores e da estrutura instaurada, do quadro estabelecido. Os conteúdos das atividades de Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2 precisam ser revistos. Não identifica problemas com relação ao conteúdo. A estrutura proposta em Pesquisa 1 e 2 dificultam a aplicação dos princípios de aprendizagem definidos pela UNESCO: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Oito professores se manifestaram em relação ao formato e ao conteúdo das atividades de pesquisa e apenas 01 (um) entende que o conteúdo é adequado e não se manifestou com relação ao formato. Apenas os Professores 1 e 10 se manifestaram em relação ao formato atual das atividades. O Professor 1 entende que ele é um possível caminho de contribuição para a formação do aluno, mas defende a revisão e propõe um maior estreitamento com as pesquisas realizadas na pós-graduação e o vínculo do aluno à linha de pesquisa do professor. A proposta se aproxima do formato inicial concebido no Projeto Pedagógico do Curso. O Professor 10 entende que o formato proposto não favorece aplicação dos princípios de aprendizagem definidos pela UNESCO. Os demais professores propõem ações voltadas à revisão de conteúdos e sequência das atividades. Os Professores 2 e 4 entendem que os conteúdos de Pesquisa 1 e 2 devam ser integrados aos de TCC 1 e 2, sendo que o Professor 2 recomenda a manutenção do mesmo professor para tais atividades. O Professor 6 expressa a necessidade de maior clareza em relação aos objetivos e conteúdos propostos nas atividades. 177 Ainda, em relação ao formato e conteúdo, os seguintes aspectos foram mencionados pelos professores: a) Número de alunos por turma; b) Definição de temas pelo aluno ou professor; c) Horários; d) Período; e) Ausência de pré-requisitos; f) Integração com as demais disciplinas e conhecimentos; g) Critérios de avaliação das atividades; h) Carga horária. Os critérios de avaliação e a carga horária das atividades de pesquisa – Pesquisa 1 e 2 - não foram mencionados pelos gestores. Quadro 38 - Percepção dos Professores: Formato e Conteúdo das Atividades de Pesquisa 1 e 2 - Número de Alunos por Turma – Problemas e Propostas Número de Alunos por Turma P Percepção Problemas/Propostas P3 O é -x- P4 O limite de 20 alunos em Pesquisa 1 e 2 é -x- número de alunos considerado adequado. por turma adequado porque as orientações são gerais e não individuais. Para orientações individuais este limite representaria um problema. P5 A pesquisa deve ser individual ou em Para o novo formato da Pesquisa é pequenos grupos. Inicialmente, o formato da atividade de pesquisa considerava o aluno da graduação como um auxiliar para realização de pesquisa de campo, vinculado às Pesquisas da PUC-SP e o limite de alunos estabelecido nessas condições. P9 O P10 O número de alunos por turma é considerado adequado, em função de seu conteúdo que pressupõe aulas teóricas de metodologia, possibilitando o desenvolvimento de trabalhos em grupo. número de alunos considerado adequado. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. por turma difícil coordenar 20 (vinte) alunos com desejos, percepções e vontades diferentes. -x- é O número de alunos por turma – 20 (vinte) – foi mencionado por cinco dos professores entrevistados e considerado adequado por quatro deles, em função do 178 formato e conteúdos atuais dessas atividades: a) As orientações não são individuais; b) Os conteúdos pressupõem aulas teóricas de metodologia; c) Os trabalhos são desenvolvidos em grupos. O Professor 5 observa que é difícil coordenar 20 (vinte) alunos com desejos, percepções e vontades diferentes. No entanto, não vivenciou a atividade após a definição de seu formato atual. Quadro 39 - Percepção dos Professores: Formato e Conteúdo das Atividades de Pesquisa 1 e 2 - Definição de Temas pelo Aluno ou Professor –Problemas e Propostas Definição de Temas pelo Aluno ou Professor Percepção Problemas/Propostas P P1 P2 P7 A maioria dos alunos ainda é imatura O professor propõe rever o para propor um tema, embora a proposição de temas pelos alunos seja considerada positiva. O tema de pesquisa deve ser escolhido pelo aluno e não pelo professor. formato da atividade. Os temas devem derivar da O professor entende que o aluno deva escolher o tema. A liberdade de escolha do tema pelo aluno e a identificação da utilidade da pesquisa, favorece uma investigação mais abrangente. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. demanda da empresa onde o aluno trabalha, ou representar um tema de interesse de aprendizagem do aluno. É necessário definir se o professor é quem indica o tema ou se o aluno tem a liberdade de escolha. Na opinião de 03 (três) professores entrevistados, o tema deve ser escolhido pelo aluno. Os demais professores não mencionaram tal aspecto. O Professor 2 entende que os temas devam derivar da demanda da empresa onde o aluno trabalha ou do interesse de aprendizagem do aluno. O Professor 7 expressa a necessidade de que haja uma definição explícita sobre quem deve indicar o tema - o professor ou o aluno. 179 Quadro 40 - Percepção dos Professores: Formato e Conteúdo das Atividades de Pesquisa 1 e 2 - Horários – Problemas e Propostas Horários P P3 P6 Percepção Problemas/Propostas As atividades vêm sofrendo modificações em relação aos horários da grade. As atividades deveriam estar nos horários regulares do curso. Os horários irregulares das atividades de pesquisa prejudicam o desenvolvimento de sua potencialidade. Inadequação dos horários das Entende que as atividades de Pesquisa devam constar na grade regular do curso e não em horários especiais; A maioria dos alunos não frequenta, efetivamente, as turmas das atividades de Pesquisa em horários que não sejam os regulares. Pesquisa 1 e 2 estão um pouco „marginalizadas‟ na configuração do horário, pois estão fora do horário regular do curso. No período da manhã, após o horário normal de aula os alunos devem ficar um horário extra para fazer Pesquisa 1 e 2. Parece que a turma da noite freqüenta as aulas de Pesquisa aos sábados. atividades. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Dois professores entrevistados reconhecem a necessidade de inserção das atividades de pesquisa nos horários regulares do curso, para possibilitar a presença de todos os alunos matriculados. Quadro 41 - Percepção dos Professores: Formato e Conteúdo das Atividades de Pesquisa 1 e 2 - Período – Problemas e Propostas (continua) Período P P3 Percepção P4 Como Pesquisa 1 está no 3º período da grade, os alunos apresentam um repertório limitado e superficial, porque eles ainda somente dispõem de noções introdutórias; O aluno traz um conhecimento limitado da área de Administração e de um tema de interesse: uma visão superficial, pouca capacidade de integração e reflexão e a função pesquisa, que é transversal. O espaçamento entre Pesquisa 1 e 2, no 3º e 4º semestres e TCC no 8º e 9º semestres, fazem com que muitos alunos não dêem continuidade aos projetos desenvolvidos em Pesquisa 1 e 2. Problemas/Propostas O conhecimento que o aluno traz para Pesquisa 1 é superficial, tendo em vista que está começando a conhecer os temas das áreas epistemológicas, no 3º período do curso; Há uma interrupção entre as atividades de pesquisa e o TCC: seria interessante que todo o curso tivesse a produção e o fortalecimento do conhecimento, tendo o aluno como sujeito. -x- 180 (conclusão) P6 Considera importante estar na grade no -x- 3º e 4º semestres, porque é exatamente a fase na qual o aluno, de certa forma, já fez a sua introdução acadêmica na universidade, porque ele ainda está muito com aquela visão do ensino médio, que muda sensivelmente quando entra na universidade. É uma fase exatamente de conquista de autonomia; Entende que a distância entre as atividades de Pesquisa 1 e 2 e o TCC não favorece a continuidade dos temas de pesquisa, mas considera que a pesquisa deva permanecer no 2º ano porque há uma importante influência no sentido de dar autonomia ao aluno e antecipar seu amadurecimento intelectual. Fonte: Elaborado pelo pesquisadora. Três aspectos são considerados nestes depoimentos: a) As limitações em termos de conhecimento apresentadas pelos alunos no início do curso; b) A expectativa de continuidade dos projetos desenvolvidos em Pesquisa 1 e 2 no decorrer do curso, especialmente em TCC 1 e 2; c) A importância de desenvolver a autonomia do aluno e antecipar seu amadurecimento intelectual. Os dois primeiros aspectos supõem que as atividades sejam transferidas para os semestres sequentes, enquanto que o último considera adequados os períodos em que as atividades estão inseridas. Assim, entende-se que é importante definir a priori quais são as expectativas e objetivos dessas atividades na formação do aluno para que o período mais adequado seja estabelecido. A ausência de pré-requisitos foi mencionada por apenas 03 (três) dos professores – Professores 2, 3 e 10 – que entendem que não há necessidade de pré-requisitos em função da possibilidade do professor utilizar as aulas iniciais de Pesquisa 2 para retomar os principais conteúdos, na ocasião em que pode indicar materiais para o aluno acompanhar a turma. O Professor 10 adota um formato que não enfatiza a metodologia e possibilita ao aluno cursar as atividades em qualquer sequência. 181 Quadro 42 - Percepção dos Professores: Formato e Conteúdo das Atividades de Pesquisa 1 e 2 – Integração com as demais Disciplinas e Conhecimentos – Problemas e Propostas Integração com as demais Disciplinas e Conhecimentos Percepção Problemas/Propostas P P1 Em função da Administração ser uma ciência aplicada, predominam as visões técnica e funcional; A formação mais ampla, proposta na PUC, amplia a integração entre os conhecimentos das diferentes áreas. O aluno demonstra esta integração em todas as disciplinas do curso, como algo subjacente à sua formação. P2 Na Pesquisa, o aluno escolhe o tema e relaciona disciplinas que tem mais afinidade. O aluno não percebe a interdisciplinaridade presente na Pesquisa; Os alunos não possuem visão interdisciplinar. O aluno descobre por meio da Pesquisa a possibilidade de integração do conhecimento das diferentes áreas da Administração. P3 Embora haja potencial para a integração das áreas técnica, humana e funcional na Administração, por meio da Pesquisa, os trabalhos de Pesquisa 1 e 2 demonstram que esta integração é pequena; A integração entre as áreas técnica, humana e funcional só é possível mais adiante no curso. P6 A Pesquisa não pode ficar isolada das demais disciplinas e acaba ficando fora do contexto geral daquilo que os alunos estão fazendo; Na Pesquisa é possível relacionar os temas que os alunos gostam na Administração e unir diferentes áreas do conhecimento à Administração P7 Alguns alunos demonstram integração de conhecimentos e outros não. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Cabe ao professor estimular esta integração. O professor pode compreendê-la, refletindo e estabelecendo vínculo entre as diferentes atividades propostas no currículo do curso. -x- Pesquisa deve estar integrada com as demais disciplinas. Por exemplo, o formato do trabalho acadêmico, capa e contra capa, utilização das normas da ABNT para a realização de trabalhos, não são cobradas pelos professores das demais disciplinas. Os seguintes aspectos foram abordados em relação à integração do conhecimento por meio da pesquisa: a) Em função da Administração ser uma ciência aplicada, predominam as visões técnica e funcional; b) A formação proposta na PUC-SP amplia a integração de conhecimentos; c) Alguns alunos demonstram essa integração; 182 d) Cabe ao professor estimular essa integração; e) O aluno descobre por meio da pesquisa a possibilidade de integração; f) É possível relacionar temas de interesse do aluno de outras áreas à Administração; g) Os trabalhos de Pesquisa 1 e 2 demonstram que a integração é pequena e que ocorre mais adiante do curso; h) É necessário que os conhecimentos adquiridos nas atividades de pesquisa sejam cobrados nas demais disciplinas e nas atividades acadêmicas do curso. Em relação ao Trabalho de Conclusão de Curso e atividades TCC 1 e 2, os aspectos indicados no quadro a seguir foram os abordados pelos professores. Quadro 43 - Percepção dos Professores em relação ao Trabalho de Conclusão de Curso Atividades TCC 1 e 2 - Percepção, Problemas e Propostas (continua) Integração com as demais Disciplinas e Conhecimentos Percepção P P2 O TCC deve ser mais abrangente do que as atividades de Pesquisa 1 e 2 e pode integrar os diversos conhecimentos desenvolvidos no decorrer do curso de Administração; Por meio do desenvolvimento do TCC, o aluno pode atribuir valor aos diferentes conhecimentos obtidos no decorrer do curso, retomando conteúdos que forem necessários. COMENTÁRIO: O professor teve experiências, em outras instituições, em que a proposta do TCC – P3 P6 Definição de Temas Percepção P P2 um plano de negócios – envolvia toda a grade curricular do curso de Administração. É necessário saber se os TCC‟s demonstram a integração de conhecimentos entre as áreas e de que forma as atividades de pesquisa podem fornecer subsídios. No TCC o aluno já chega „meio preparado‟ para isso, para fazer essa interdisciplinaridade, integrando os diversos conhecimentos e pesquisas, articulando reflexões e pensamentos. Os temas de interesse para a Pesquisa emergem dos conteúdos de disciplinas que o aluno cursou, quando houve motivação em função das aulas e do professor; Os temas de maior interesse dos alunos estão relacionados às Relações Humanas e aos fenômenos mais qualitativos; É incomum o interesse dos alunos em relação aos temas de Macroeconomia, Estatística, Matemática e Finanças. 183 (continuação) P6 P8 Acredita que não deve ser obrigatória a continuidade do tema desenvolvido em Pesquisa no TCC, porém recomendável. Muitos temas desenvolvidos em TCC não têm nenhuma utilidade prática. PROPOSTA: O TCC deve estar voltado para o atendimento das necessidades das empresas. Formato e Conteúdo do TCC Percepção P P3 P4 P5 P7 P9 Os TCC‟s apresentam o projeto e o desenvolvimento: um merge entre o projeto e o relato dos resultados da pesquisa. O TCC não deveria ser a soma do projeto e execução, mas ter um corpo próprio e independente, com um fio condutor do início ao fim, e que apresentasse a ordem lógica dos resultados da pesquisa. PROPOSTA: O TCC deve contemplar uma introdução, uma metodologia, os resultados da pesquisa empírica e as considerações finais. Para os alunos que se dedicaram em Pesquisa 1 e 2, o TCC 1 é repetitivo. Eles vêm com o projeto pronto e o professor pede para enriquecer este projeto, mas o aluno quer partir para a pesquisa de campo. É importante manter o TCC para o aluno aprender a escrever um Trabalho Científico. O TCC deve permanecer como obrigatório. PROBLEMA: O manual para elaboração do TCC não esclarece dúvidas específicas dos alunos. Nem sempre o professor tem disponibilidade de tempo para orientar o aluno em relação ao problema específico que ele está passando. PROBLEMA: O TCC 1 replica conteúdos de Pesquisa 1 e 2 e alguns alunos reapresentam o projeto de Pesquisa, desenvolvido em Pesquisa 1 e 2 e no TCC 1. PROPOSTA: No TCC o trabalho científico não deveria ser obrigatório: o aluno deveria optar entre uma monografia ou um trabalho aplicado a uma situação de mercado, projeto para a empresa, ou Plano de Negócios. Carga Horária Percepção P P7 P9 P1 P4 O currículo anterior não apresentava condições adequadas para o desenvolvimento do TCC. O ganho esperado com a duplicação do TCC não tem ocorrido. Deve haver maior peso (conteúdo) no TCC 1, pois os alunos deixam quase tudo para o TCC 2; Os alunos não aproveitam as férias para leituras, fichamentos e desenvolvimento do TCC. Não identifica melhoria em relação à qualidade do TCC; Embora o TCC tenha passado para dois semestres, também melhorou muito pouco, porque eles deixam tudo para o segundo. Falta pressão dos professores do curso. Ausência de Pré-Requisitos Percepção P P1 O professor julga adequada a ampliação do TCC para dois semestres; Alguns alunos deixam para o semestre final (TCC 2) a elaboração do TCC. A carga horária é considerada adequada para o TCC. Apresenta como problema a ausência de pré-requisito para matrícula em TCC 2; Alguns alunos fazem TCC 1 e TCC 2 no mesmo semestre, porque não há pré requisito. Assim é necessário estabelecer contato com o outro professor para o desenvolvimento de um trabalho conjunto; A superação dessa dificuldade depende muito da relação professor-aluno. 184 (continuação) P4 P9 É incoerente que não haja pré-requisito para o TCC 2 e o aluno poder cursar as duas disciplinas – TCC 1 e 2 – simultaneamente. Considera péssima a ausência de pré-requisito para o TCC 2. Não há sentido em cursar TCC 1 e TCC 2 simultaneamente. Critérios de Avaliação do TCC Percepção P P3 PROPOSTA: Deveria haver mais espaço para apresentação ou publicação dos TCC‟s. P4 Cada professor tem seu critério de avaliação do TCC e os critérios de avaliação são subjetivos. PROPOSTA: Julga extremamente importante ter uma banca: para o aluno representa um ritual motivacional que faz diferença; para o professor e o aluno, compartilhar com outros professores seniores agregam outras perspectivas teóricas e ampliam a forma de ver o problema. P8 PROPOSTA: Os trabalhos de TCC deveriam ser apresentados para uma banca, composta por outros professores. P9 Desenvolveu um critério pessoal de avaliação do TCC 1: nota acima de 7,0 (sete) apenas para os alunos que desenvolvem pelo menos um capítulo da monografia; O critério de avaliação é determinado por cada professor; A maioria dos alunos, não se dedicada à pesquisa, se conforma com a nota mínima - 5,0 (cinco). Número de Alunos por Turma P P9 Percepção O número de alunos por turma é considerado adequado. PROBLEMA: Frequentemente o limite é extrapolado oficialmente e extra-oficialmente: há turmas com o número de alunos acima do limite, e há alunos que são orientados, embora não matriculados com o professor; É necessário respeitar o número de alunos, em função da natureza e volume do trabalho de orientação. Mudança de Professores P Percepção P2 PROBLEMA: Considera ruim, não produtivo, que o aluno curse Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2 com professores diferentes. P9 PROBLEMA: Temos problemas administrativos: não há nenhuma „amarração‟ para que o aluno continue matriculado com o mesmo professor de TCC 1, em TCC 2. Processo de Seleção dos TCC para Premiação P Percepção P9 PROBLEMA: Na premiação dos melhores TCC‟s, identificam-se falhas no processo de escolha dos melhores trabalhos das áreas pelos coordenadores. PROPOSTA: Sugere uma Comissão para eleger o melhor e fazer comparativos. 185 (conclusão) P P9 Articulação entre os TCC das Áreas Epistemológicas Percepção PROBLEMA: Há vários temas comuns entre as áreas epistemológicas. O professor está montando um Banco de Dados por tema de produção de sua área. PROPOSTA: Maior articulação entre as coordenações de áreas. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Em relação à integração com as demais disciplinas e conhecimentos, o Professor 3 observa que no TCC o aluno já chega preparado para fazer esta integração, e o Professor 2 entende que é necessário identificar de que forma as atividades de pesquisa podem contribuir para sua realização. Os temas de interesse apresentados pelos alunos estão relacionados à influência das aulas e dos professores das demais disciplinas, como é observado pelo Professor 2 e como foi colocado pelo Gestor 3. Também percebe que há preferência por assuntos relacionados a Ciências Humanas e aos fenômenos mais qualitativos, que reafirma as impressões do Gestor 2, relatadas anteriormente. Destacamos os seguintes aspectos em relação ao formato e conteúdo citados: a) Rever o formato final do Relatório de Pesquisa elaborado; b) Reconsiderar o conteúdo das atividades de Pesquisa 1 e 2 - para os alunos que utilizam os projetos desenvolvidos nestas atividades, o conteúdo é repetitivo; c) Melhorar o manual para elaboração do TCC. Embora a duplicação de carga horária e ampliação do prazo para realização do TCC - de um para dois semestres - seja considerada adequada, os Professores 1 e 9 observam que deve haver maior rigor dos professores quanto ao desenvolvimento do TCC 1, porque os alunos não tem demonstrado aproveitamento e continuam realizando a maior parte do trabalho em TCC 2. A ausência de pré-requisito para a matrícula em TCC 2 e a realização das atividades TCC 1 e TCC 2, simultaneamente, é considerado um aspecto negativo e incoerente pelos Professores 1, 4 e 9. Conforme identificado com o Gestor 4, este aspecto será novamente examinado no momento de revisão do currículo do curso. Os critérios de avaliação são determinados pelos professores, o que reforça a visão do Gestor 4 em relação à subjetividade do processo. É sugerida a criação de 186 bancas de avaliação, consideradas importantes para os professores e para os alunos. O número de alunos – 10 (dez) – é considerado adequado, mas há a apreciação de que frequentemente estes limites são ultrapassados. Recomenda-se a criação de mecanismos de controle para evitar o excesso de alunos por turma. Ainda, é sugerida a criação de Comissão para avaliação e indicação de premiação dos melhores TCC‟s das áreas epistemológicas. 5.2.1.3 Resultados: Percepção, Expectativas e Propostas As seguintes percepções, expectativas e propostas foram apresentadas pelos professores em relação à inserção das atividades de pesquisa no curso, conforme demonstramos: Quadro 44 – Percepção e Expectativas e Propostas dos Professores em Relação às Atividades de Pesquisa – Aumento do Número de Projetos de Iniciação Científica (continua) Aumento do Número de Projetos de Iniciação Científica no Curso P1 Identifica o potencial de contribuição da pesquisa para o desenvolvimento de Iniciação Científica. Considera que inicia-se um movimento nessa direção, mas não sabe quantificar este avanço. P2 Alunos que desenvolveram projetos de Iniciação Científica têm um desempenho em pesquisa superior em relação aos demais alunos. Deveria-se incentivar os alunos para o desenvolvimento de Iniciação Científica; Pesquisa 1 e 2 ajudam na elaboração dos projetos de Iniciação Científica; Para melhorar a qualidade dos projetos de pesquisa, propõe incentivar o aluno para a realização de Iniciação Científica. P4 P6 Há um gap na instituição – necessidade de encontrar meios mais adequados para divulgar a Iniciação Científica; Não vê os alunos desenvolvendo ou interessados em Iniciação Científica; Muitos professores estão interessados em orientar projetos de Iniciação Científica, mas não podem, pois não são professores enquadrados na carreira. O período entre Pesquisa 1 e 2 e TCC pode ser utilizado para o desenvolvimento de trabalhos de Iniciação Científica pelos alunos e acredita que o professor possa indicar esse caminho. 187 (conclusão) Percebe que há um aumento de interesse do aluno por Iniciação Científica. P7 P8 É necessário mostrar ao aluno a utilidade prática e profissional da Iniciação Científica. Com maior visibilidade, boa parte dos alunos irá demonstrar interesse no desenvolvimento de Projetos de Iniciação Científica. P9 Não consegue avaliar as contribuições para o desenvolvimento de Projetos de Iniciação Científica. P10 Poucos alunos apresentam em Pesquisa 1 e 2 maturidade e interesse para o desenvolvimento de Projetos de Iniciação Científica. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Destacamos os seguintes aspectos identificados pelos professores quanto à perspectiva de aumento do número de projetos de Iniciação Científica: a) Há o reconhecimento do potencial e contribuição das atividades de pesquisa para o desenvolvimento e elaboração destes projetos; b) Indicada a necessidade de se encontrar meios mais adequados à divulgação da Iniciação Científica; c) É preciso mostrar ao aluno a utilidade prática e profissional desta atividade. Quadro 45 – Percepção e Expectativas e Propostas dos Professores em Relação às Atividades de Pesquisa – Melhoria da Qualidade dos Trabalhos de Conclusão de Curso (continua) P1 Melhoria da Qualidade dos Trabalhos de Conclusão de Curso A formatação da pesquisa como disciplina pode melhorar o desempenho do aluno na elaboração do TCC; No TCC, nem todos os alunos incorporam o conhecimento obtido em Pesquisa 1 e P2 2, e as dificuldades metodológicas permanecem; Para poucos alunos o conhecimento obtido em pesquisa é utilizado no TCC. A maior parte dos alunos não se recorda do conteúdo de Pesquisa 1 e 2. Os alunos demonstram volatilidade em relação aos temas e problemas da Administração, ou seja, não dão continuidade ao projeto elaborado em Pesquisa 1. P3 P4 O professor tem visto TCC‟s de todas as áreas epistemológicas da Administração, com conteúdos de primeira linha, elaborados por alunos qualificados; Os TCC‟s demonstram maturidade dos alunos e sofisticação do conhecimento; As questões abordadas em Pesquisa 1 e 2 poderão trazer novas questões e agendas, impactando positivamente a elaboração dos TCC‟s; A minoria dos alunos é quem dá continuidade aos projetos; O professor de TCC deve resgatar e rever os conteúdos de Pesquisa para orientar os alunos na elaboração dos projetos de TCC. 188 P5 P6 P7 P9 P10 (conclusão) A maioria dos alunos não dá continuidade aos projetos iniciados nas atividades de Pesquisa 1 e 2, mas os alunos que prosseguem apresentam maior maturidade e motivação; Os melhores TCC‟s são decorrentes dos alunos que realizaram Iniciação Científica ou de alunos com experiência profissional na área ou daqueles que encontraram um tema relacionado à sua realidade. Acredita que as atividades de pesquisa deveriam contribuir para o TCC, mas a minoria dos alunos aproveitam as atividades de pesquisa para o TCC. Os alunos vivem um período de muita ebulição em suas vidas, e o tema pode modificar-se de acordo com sua motivação e interesse; Pondera que o amadurecimento do aluno pode levá-lo a encontrar outras dúvidas e outros problemas a serem pesquisados e que lhes motivem mais; A ponte que deve ser feita entre as atividades de Pesquisa e o TCC não é tanto do tema, mas com relação a autonomia. Se Pesquisa conseguir formar e passar um pouco mais de autonomia para os alunos, cumpriu a sua função, e se o aluno tiver mais autonomia a Iniciação Científica e o TCC serão consequências; A ideia é que na medida em que o aluno se aproxime do que gosta, maior será a motivação para fazer a Pesquisa e maior a possibilidade de se fazer uma ponte entre a Pesquisa 1 e 2 e o TCC. Os alunos que dão continuidade no TCC aos projetos desenvolvidos em Pesquisa 1 e 2, já superaram a dificuldade inicial, porém os alunos que escolhem outros temas no TCC, reapresentam as mesmas dificuldades encontradas em Pesquisa 1; A Pesquisa contribui para a melhoria da qualidade do TCC, em função da noção que o aluno já tem e da maturação sobre a técnica e os componentes da pesquisa; A maioria dos alunos dão sequência no TCC aos temas trabalhados em Pesquisa 1 e 2. Os alunos das primeiras turmas de Pesquisa estão iniciando o TCC agora e ainda não há como avaliar os resultados; Há uma melhoria em relação ao currículo anterior, porque os alunos chegam ao TCC pelo menos com uma noção de projeto. O professor ainda não recebeu nenhum aluno de TCC que desse continuidade ao projeto desenvolvido em Pesquisa 1 e 2. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Em relação à perspectiva de melhoria da qualidade dos Trabalhos de Conclusão de Curso, na perspectiva dos professores a minoria dos alunos dão continuidade ao tema desenvolvido em Pesquisa 1 e 2, e as dificuldades metodológicas se reapresentam em TCC. Por outro lado, acreditam que as questões abordadas em Pesquisa 1 e 2 poderão trazer novas questões e agendas, com impactos positivos para a elaboração do TCC. Os alunos que dão continuidade aos temas desenvolvidos em Pesquisa 1 e 2 apresentam maior maturidade e motivação o aluno chega ao TCC com noção de projeto e maturação sobre a técnica e os componentes de pesquisa. O Professor 5 observa que os melhores TCC‟s são os desenvolvidos pelos os alunos que realizaram Iniciação Científica, os que possuem experiência profissional na área, e aqueles que encontraram um tema relacionado a sua realidade. 189 O Professor 6 observa que a ponte que deve ser feita entre as atividades de Pesquisa 1 e 2 e o TCC não é de tema, mas da autonomia para a realização da pesquisa. Quadro 46 – Percepção e Expectativas e Propostas dos Professores em Relação às Atividades de Pesquisa – Vínculo entre as atividades de Pesquisa e o Mercado e o Desenvolvimento Econômico e Social Vínculo entre as Atividades de Pesquisa- Mercado-Desenvolvimento Econômico e Social P2 Os projetos também poderiam ser apresentados para as empresas, estimulando o vínculo entre a universidade e o mercado, por meio da pesquisa; Acredita que a ligação entre universidade e mercado pela pesquisa facilita o acesso à empresa para a pesquisa; PROPOSTA: Propõe um processo gradual de integração com o mercado, por meio do „Ateliê de Pesquisa‟. P7 P8 Muitos alunos desenvolvem pesquisas nas empresas onde trabalham; Muitas pesquisas são de interesse das empresas, o que torna as condições de acesso mais favoráveis; A universidade deveria dispor de meios institucionais para apresentar os projetos de pesquisa dos alunos às empresas; A pesquisa pode aproximar a universidade e o aluno das empresas. As atividades de pesquisa teriam um cunho mais prático se houvesse convênio com as empresas. PROPOSTA: Sugere a criação de um banco de dados com as demandas de pesquisa das empresas, para desenvolvimento dos TCC‟s. Para o aluno, saber que sua pesquisa terá aplicação imediata é um fator motivacional. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Para a integração entre a universidade e a empresa, por meio da pesquisa, duas sugestões são explicitadas: a) Um ateliê de pesquisa, dando visibilidade ao mercado em relação às pesquisas desenvolvidas no curso; b) Criação de um banco de dados com as demandas de pesquisa. Outrossim, a possibilidade de estreitar o vínculo entre graduação e pósgraduação por meio das atividades de pesquisa é mencionada pelos professores, conforme identificado no quadro a seguir. 190 Quadro 47 – Percepção e Expectativas e Propostas dos Professores em Relação às Atividades de Pesquisa – Vínculo entre as Graduação e Pós-Graduação Vínculo entre Graduação e a Pós-Graduação P1 P9 Em função da importância da pesquisa na PUC, podem ser desenvolvidos outros modelos para as disciplinas de pesquisa da graduação em Administração, que estabeleçam vínculo com pesquisas realizadas ou em andamento; Uma percepção mais aprofundada do que a pesquisa pode trazer por meio da vivência com pesquisadores mais maduros; Os alunos da graduação poderiam contribuir na Pesquisa da pós-graduação. Em função da imaturidade do aluno, estes trabalhos poderiam contribuir para a compreensão da pesquisa pelo aluno da graduação; A pós-graduação poderia criar os meios para o vínculo dos alunos de graduação às pesquisas da pós-graduação; As pesquisas da pós-graduação em Administração seriam evidenciadas mediante o vínculo com a graduação; É necessário ampliar a discussão sobre pesquisa na graduação e aproximar as pesquisas da graduação às linhas de pesquisa da pós-graduação; É necessário criar outras linhas de pesquisa, rever as existentes, e estimular a pesquisa. A gente teria que ter também um link maior com a pós-graduação, até para estimular o aluno para a pesquisa, „pensar maior‟; A gente já premia os melhores TCC‟s; Os melhores trabalhos e os indicados poderiam ser utilizados para encaminhar o aluno e ter algum benefício na pós, como facilitação no ingresso e/ou utilização do TCC como projeto para o ingresso; Não se trata de benefício financeiro porque muitos alunos podem pagar, mas no sentido dele ser „convidado à‟, por ter se destacado. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. A maioria dos professores considera importante a participação dos alunos da graduação em grupos de pesquisa e em eventos científicos da área da Administração. No entanto, reconhece-se que a participação é baixa e que deveria ser incentivada. O principal problema apresentado refere-se à falta de informação que o aluno tem sobre os grupos de pesquisa da universidade, reforçando a necessidade de se criar mecanismos de divulgação em relação aos grupos e projetos de professores existentes, conforme é demonstrado no quadro que segue. 191 Quadro 48 – Percepção e Expectativas e Propostas dos Professores em Relação às Atividades de Pesquisa – Vínculo entre as Graduação e Pós-Graduação (continua) Aumento de Participação de Alunos da Graduação em Grupos de Pesquisa ou Eventos Acadêmicos P1 P2 P3 Deveríamos incentivar a participação dos alunos em eventos, com apresentação de trabalhos; A participação de alunos da graduação em grupos de pesquisa faz com que o mesmo aprenda a linguagem e a importância da pesquisa, e por meio dela o aluno descobre a importância de aprofundar o conhecimento e ler mais; A participação em grupos de pesquisa faz com que o aluno desenvolva a maturidade intelectual necessária à Pesquisa. Isso representaria um salto qualitativo da pesquisa na graduação. Os alunos que participam desses eventos aprendem a abstrair, a entender e a desenvolver o objeto, e esse conhecimento influencia seu comprometimento e postura em relação ao conhecimento como um todo, refletindo nas demais aulas; Participação em eventos internos (Semana de Iniciação Científica e Grupos de Pesquisa da PUC-SP) e externos; A participação de alunos da graduação ou pós-graduação em grupos de pesquisa contribui para a aprendizagem do aluno; Nos grupos de pesquisa os alunos demonstram motivação na discussão dos assuntos; Considera importante a participação de alunos em eventos científicos com a apresentação de seus trabalhos. PROPOSTA: Propõe a realização de atividades para que os alunos exponham seus projetos de pesquisa, como a „Semana de Projeto de Pesquisa‟ ou o „Ateliê de Pesquisa‟. P4 Acredita que a participação dos alunos em grupos de pesquisa é incipiente. O aluno não tem uma participação ativa nos grupos de pesquisa, embora por meio dela possa adquirir experiência. Deveríamos estimular a participação dos alunos em eventos acadêmicos em várias áreas do conhecimento. Não identifica a participação de alunos em eventos. PROBLEMA/PROPOSTA: Falta informação em relação aos grupos de pesquisa e também uma melhor articulação da universidade com esses grupos, fundamentando o objetivo do grupo de pesquisa, tendo um fluxo de quem é o orientador e quem são os coorientadores. P5 P7 PROBLEMA/PROPOSTA: Os alunos demonstram interesse em participar de grupos de pesquisa e outros eventos, mas há uma falha na divulgação e orientação aos alunos em relação à existência de projetos dos professores e a forma de como podem ser inseridos. Seria necessário divulgar os projetos, os professores responsáveis e o número de vagas para a participação dos alunos da graduação. P9 Não identifica a participação de alunos em grupos de pesquisa ou outros eventos relacionados. Não vê alunos da graduação participando de grupos de pesquisa ou outras atividades acadêmicas. 192 (conclusão) A participação de alunos em grupos de pesquisa poderia estimulá-los para fazer pós-graduação. Muitos eventos e simpósios estão ocorrendo na atualidade, o que representa um bom momento para a participação dos alunos em outros eventos. PROBLEMA/PROPOSTA: A maioria dos alunos da graduação não sabe da possibilidade de participação em grupos de pesquisa da pós-graduação. Falta informação. É necessário dar maior divulgação e visibilidade ao aluno da possibilidade de participação em grupos de pesquisa da PUC-SP da pós-graduação: o que temos e como eles podem estar se integrando. Além da participação dos alunos nos núcleos de pesquisa da pósgraduação, há a possibilidade de realização de estágio na pós. Outra forma de aproximação do aluno da graduação e da pós-graduação poderia ser por meio da promoção eventos (palestras e seminários) para os alunos, trazendo as temáticas da pós-graduação em Administração, em que a participação dos alunos poderia contar como créditos para Atividades Complementares Livres. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. P10 As possibilidades de produção acadêmica, a partir dos resultados dos trabalhos desenvolvidos nas atividades de pesquisa, são apresentados no quadro posterior. Entendem a produção acadêmica como aspecto importante tanto para o aluno quanto para o professor. Reconhecem que os TCC‟s desenvolvidos pelos alunos poderiam ser transformados em produção. Propõem ações para possibilitar e incentivar a publicação das pesquisas do curso. Quadro 49 – Percepção e Expectativas e Propostas dos Professores em Relação às Atividades de Pesquisa – Publicação e Exposição dos Trabalhos de Pesquisa do Curso (continua) Produção Acadêmica: Publicação e Exposição dos Trabalhos de Pesquisa do Curso P1 Publicações dos alunos ocorrem excepcionalmente. A publicação é importante porque por meio dela o aluno compreende o significado da pesquisa; O aluno da graduação deveria apoiar o desenvolvimento de pesquisas da universidade, principalmente da pós-graduação. Portanto, os artigos não seriam elaborados por eles; A maioria dos alunos opta por elaborar relatórios de pesquisa em Pesquisa 1 e 2, que poderão ser utilizados no TCC. Poucos alunos produzem artigos; A maior parte das pesquisas dos alunos, decorrentes de Pesquisa 1 e 2, não possuem aplicação concreta. 193 P2 P3 P4 P5 (continuação) Poucos alunos de pesquisa conseguem fazer um trabalho com qualidade para publicação; O professor encaminhou artigos dos alunos para publicação em revista indexada; O „feedback‟ sobre a publicação poderá ser utilizado como retroalimentação para melhoria do projeto de pesquisa; A publicação motiva o aluno; Para melhorar a qualidade dos projetos de pesquisa, propõe publicações mais simples, como capítulo de livro, resenhas ou artigo. PROPOSTA: Seria importante criar uma revista ou caderno do Departamento de Administração para publicação dos projetos de pesquisa dos alunos da graduação. Propõe o sistema OJS – Open Journal – como formato da revista ou „Caderno de Pesquisa‟; Um caderno de projetos possibilitaria ao aluno identificar as diferenças entre os projetos. PROPOSTA: Se os TCC‟s se tornassem um relato de resultado de pesquisas, poderiam ser apresentados e/ou publicados. A publicação seria excelente: é uma possibilidade para o aluno e para o professor, que tem seu nome vinculado à publicação. PROPOSTA: As pesquisas e os TCC‟s da Administração não são publicados. A organização das atividades de pesquisa – Pesquisa 1 e 2, TCC 1 e 2 – de forma sequencial e com um rigor maior poderia estar voltada à publicação. PROBLEMAS: Faltam informações sobre a Revista de Administração: essas coisas não estão claras, nem para o professor e muito menos para o aluno. A produção é importante para o professor e para o aluno; Para o aluno que gosta de pesquisa, a perspectiva de publicação representa um fator motivador – um desafio e uma recompensa – que pode incentivá-lo a fazer o Stricto Sensu. AÇÃO: Irá produzir um artigo com um dos alunos, decorrente do TCC para publicação. P6 Com uma fonte de publicação os alunos iriam ter acesso aos seus trabalhos e aos dos demais alunos. Seria referência para os alunos. Qual é a forma ideal? Como foi uma pesquisa melhor avaliada? Essa referência é importante para a aprendizagem; A possibilidade de publicação poderia motivar o aluno e seria muito bom para os professores. PROBLEMAS: Quando o aluno faz um artigo ele deve ter uma perspectiva de publicação, e nós não temos. Não ter uma perspectiva de publicação é um elemento desanimador para o aluno; Embora haja a Revista da Administração, não há a sua articulação com as atividades de pesquisa para publicação; A PUC, o departamento e o curso de Administração perdem muito, porque tem muita coisa boa sendo feita nos TCC‟s, com qualidade, desenvolvendo pesquisas que podem se equiparar às de mestrado e que servem para o aluno entregar um TCC. Acho que isso de certa forma pode frustrar o aluno, e mesmo se não frustra pelo menos poderia motivá-lo. PROPOSTA: Sugere a publicação em mídia digital em um fórum ou blog institucional de pesquisa da Administração da PUC-SP; O departamento deveria disponibilizar algum caminho para que o professor pudesse trabalhar junto com os alunos e canalizar os trabalhos para publicação. 194 P7 P9 P10 (conclusão) Identifica a premiação do TCC como o único momento em que há alguma divulgação e reconhecimento do trabalho dos alunos; Alguns alunos têm demonstrado interesse em publicar seus trabalhos de pesquisa. A publicação é gratificante e representa um reconhecimento, após um árduo trabalho, resultado do esforço realizado. Acredita que as atividades de Pesquisa 1 e 2 não geram produção para publicação; Quanto à produção, o aluno se formou e quer se livrar logo daquilo, se formar e ir embora. Então, dificilmente ele volta e continua produzindo em cima daquilo que ele fez. No TCC, quando ele já está mais maduro, ele vai embora. PROPOSTA: Caberia aos professores transformar os TCC‟s em produção, em parceria com o aluno ou dando o crédito à ele; Pode ser uma coisa mais simples, não precisa ser um livro ou um artigo. Sugere pegar a revista que nós temos e fazer edições especiais sobre as monografias, ou pegar os TCC‟ s premiados e publicar. Considera possível a produção para publicação de alunos de TCC ou aqueles que desenvolveram Iniciação Científica; A produção de trabalhos para publicação requer dedicação do aluno e a maioria não dispõe de tempo, em função da sobrecarga das demais atividades do curso e por trabalhar. AÇÕES: Os trabalhos voltados para os temas “Inovação e Sustentabilidade” são publicados eletronicamente; Foi criado o BISUS – Boletim de Inovação e Sustentabilidade - no site da PUC Inovação, para divulgação dos trabalhos dos alunos da PUC-SP, relacionados a essa temática, a partir de 2010; Gostaria que o BISUS – Boletim de Inovação e Sustentabilidade fosse divulgado para os demais professores; Saber que o trabalho será publicado representa para o aluno reconhecimento e faz com que amadureçam e criem um senso de responsabilidade; A perspectiva da publicação dos temas relacionados à Inovação e Sustentabilidade é um fator que entusiasma os alunos para que esses temas sejam abordados; A publicação é uma forma de compartilhar os trabalhos não só com os outros alunos, mas com o mundo. PROPOSTA: O Caderno de Administração será reativado e poderá ser utilizado como um meio de publicação dos alunos da graduação. Exposição dos Trabalhos de Pesquisa P2 AÇÕES: O professor está desenvolvendo um caderno em PDF para publicações de pesquisa de seus alunos. PROPOSTA: Propõe a criação de um repositório de pesquisas da graduação em Administração na PUC-SP. P9 Pela experiência que teve e pela maturidade dos alunos, entende que o material produzido em Pesquisa 1 e 2 possa ser divulgado internamente, mas não publicado. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. 195 Ainda, apresentam-se no quadro a seguir as questões relacionadas à necessidade da gestão e da valorização da pesquisa no curso, e de aprovação do Comitê de Ética das pesquisas desenvolvidas no curso. Quadro 50 – Percepção e Expectativas e Propostas dos Professores em Relação às Atividades de Pesquisa – Gestão e Valorização da Pesquisa do Curso Gestão e Valorização da Pesquisa no Curso P3 Se a gestão da pesquisa for abordada como uma questão estratégica no curso, terá maior repercussão sobre todas as disciplinas; É necessário que haja um amadurecimento processual da função-pesquisa no curso, inclusive nas demais disciplinas. P6 P7 PROBLEMA: Faltam orientações institucionais sobre como fazer. Não temos um manual que contenha informações suficientes para orientar os professores e os alunos; É necessário ampliar a discussão entre os gestores e os professores das atividades de pesquisa, em relação às exigências e conteúdos para cada atividade; Algum órgão da universidade deveria estabelecer os caminhos para a publicação; Há o discurso do departamento de Administração acerca da necessidade e interesse de desenvolvimento de pesquisa na Administração; Os professores apresentam pouca produção científica e a parceria entre professores e alunos para a publicação dos resultados do TCC poderia ser um dos caminhos; É necessário criar instrumentos, na prática, para tal desenvolvimento. Deve haver maior articulação entre as atividades de pesquisa, TCC e estágio. É necessário propiciar uma maior articulação dos professores das atividades de pesquisa, para que possam compartilhar suas experiências. PROBLEMA: A pesquisa em Administração está deixando a desejar em função da falta de articulação. Acredita que a pesquisa está totalmente solta e falta alguém, ou algum cargo, que pudesse chamar essa articulação para si - o cargo seria exatamente esse: „Coordenador de Pesquisa‟. Comitê de Ética P4 Há a necessidade de aprovação do Comitê de Ética para a realização de pesquisas na graduação. Os trabalhos de pesquisa da graduação em Administração não estão sendo submetidos ao Comitê de Ética. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. A necessidade da pesquisa ser abordada como uma questão estratégica no curso é abordada pelo Professor 1, como já havia mencionado o Gestor 2. Os seguintes aspectos foram citados: a) Necessidade de amadurecimento processual da função-pesquisa no curso, inclusive nas demais disciplinas; b) Maior articulação entre as atividades de pesquisa, TCC e estágio; c) Maior articulação entre os professores das atividades de pesquisa; e d) Estabelecimento de estrutura acadêmico-administrativa para a gestão e o aprimoramento da pesquisa no curso. 196 Ressalta-se a necessidade de estrutura acadêmico-administrativa, mencionada pelos Professores 6 e 7 que também havia sido citada pelo Gestor 2. Assim, visando subsidiar a construção de um processo contínuo de avaliação do ensino e aprendizagem da pesquisa na graduação em Administração, objetivo geral deste trabalho, é possível certificar que o formato proposto atende às expectativas, principalmente em relação à formação do aluno. No entanto, ao repensar as atividades de pesquisa é necessário definir e explicitar os objetivos que se pretende atingir com tais atividades e propor um formato adequado a estes objetivos. Um dos objetivos do Projeto Pedagógico do Curso era o de favorecer e incentivar o desenvolvimento contínuo de pesquisas e produção acadêmica pelos professores por meio destas atividades. O formato atual das atividades de Pesquisa 1 e 2 não atendem a este objetivo, mas na percepção dos professores os Trabalhos de Conclusão de Curso apresentam potencial para a produção acadêmica. A análise da percepção, expectativa e propostas dos professores apresentam subsídios para o aprimoramento das atividades de pesquisa no curso. O ensino e aprendizagem da pesquisa no curso são abordados no próximo item. 5.2.2 Ensino e Aprendizagem da Pesquisa no Curso 5.2.2.1 Formação de Professores Embora não tenha sido foco da pesquisa realizada com os professores, quatro deles mencionaram questões relacionadas à necessidade de formação para o ensino da pesquisa no curso. Os Professores 1 e 6 citam as experiências que vivenciaram com as atividades de pesquisa, quando alunos da graduação, e reconhecem que contribuíram para o desenvolvimento de caráter científico e autonomia em relação à aprendizagem. Destacamos os seguintes aspectos, apresentados no quadro a seguir: a) Todos os professores são iniciados em Pesquisa em função de sua titulação; 197 b) O professor que pesquisa influencia a aprendizagem do aluno; c) É necessária maior dedicação dos professores à pesquisa: Que formem grupos de pesquisa; Que participem dos grupos de pesquisa da pós-graduação. d) Os professores precisam de maior orientação em relação aos objetivos das atividades de pesquisa; e) É necessário o compartilhamento de experiências entre os professores das atividades. Quadro 51 – Percepção dos Professores sobre a Formação de Professores para as Atividades de Pesquisa 1 e 2 Formação de Professores P EXPLICITAÇÃO DOS SIGNIFICADOS II A vivência do professor com a pesquisa, quando aluno da graduação, contribuiu para o desenvolvimento de seu caráter científico, por meio da metodologia da pesquisa; O professor que pesquisa influencia a aprendizagem do aluno; A produção docente também é reconhecida pela universidade por intermédio do plano de carreira; Todos os professores são iniciados em Pesquisa, em função de sua titulação, mesmo havendo ênfase em sua atuação no mercado de trabalho. PROPOSTAS: Propõe maior dedicação docente à Pesquisa: que os professores formem grupos de pesquisa e participem dos grupos de pesquisa da pós-graduação. Professores pesquisadores conseguem motivar mais os alunos para a pesquisa: P3 bons trabalhos acabam significando bons orientadores. O professor cursou Economia na PUC-SP e em sua graduação não teve Pesquisa, P6 mas Metodologia Científica na época do Ciclo Básico, que o ajudou no desenvolvimento de autonomia em relação ao conhecimento. PROBLEMAS: Considera que a liberdade que a PUC concede aos professores é importante, mas que não se pode deixar cada professor fazer o que quiser; Os professores deveriam ter algumas linhas mestras a seguir - um eixo de orientação, a definição do que ele tem que cumprir; Embora exista um programa formal das atividades de pesquisa, falta maior orientação, por exemplo: a conclusão de Pesquisa 2 é um artigo? Eu tenho exigido um artigo, mas o que o aluno irá fazer? Ele irá fazer um pré-projeto e depois desenvolver um Projeto de Pesquisa? Ou essencialmente ele irá trabalhar para um artigo? PROPOSTAS: P10 Reconhece a necessidade de compartilhamento de experiências com os demais professores da atividade de pesquisa; Experiências inovadoras vivenciadas por esses professores podem contribuir para a evolução do processo de formação dos alunos. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. P1 Os aspectos aqui citados poderiam subsidiar o processo de seleção de professores para as atividades de pesquisa bem como criar mecanismos que favoreçam e incentivem o comprometimento dos professores com a pesquisa. 198 A necessidade de compartilhamento de experiências entre os professores das atividades, mencionada pelo Professor 10, sugere a necessidade de articulação entre os professores e a criação de estrutura para a gestão dessas atividades. 5.2.2.2 Estratégias Didático-Pedagógicas Como menciona o Professor 1, a estratégia para o ensino da pesquisa depende do perfil do professor e do aluno. Nesse sentido, ela é construída na prática, na vivência dessas atividades. Igualmente observa que embora haja orientação da coordenação para a realização das atividades de pesquisa, quem define o trabalho que será realizado em sala de aula é o professor. Não há uma avaliação em relação ao o que é vivenciado em sala de aula. Algumas das estratégias didático-pedagógicas utilizadas pelos professores para o ensino e aprendizagem da pesquisa no curso são demonstradas nos quadros a seguir, que expressam: a) Percepção sobre o ensino da pesquisa e metodologia utilizada; b) Percepção sobre o perfil do aluno de graduação em Administração e a motivação para a pesquisa; c) Relação professor-aluno nas atividades de pesquisa; 199 Quadro 52 – Percepção dos Professores sobre o Ensino da Pesquisa e Explicitação da Metodologia Utilizada (continua) Percepção sobre o Ensino da Pesquisa pelos Professores e Explicitação da Metodologia utilizada para o Ensino da Pesquisa P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 É necessário auxiliar o aluno no estabelecimento do problema de pesquisa, considerando o seu interesse e a relevância da pesquisa. Os cursos de graduação em Administração deveriam dar maior importância a um ensino baseado em problemas e em pesquisa – PBL – Aprendizagem Baseada em Problemas; O professor estimula os alunos a estudarem problemas com causa e efeito, relacionando fenômenos presentes em diferentes disciplinas e áreas de atuação da Administração; O ensino da pesquisa faz com que o aluno aprenda sozinho ou de forma autônoma, libertando-se do professor; O processo de aprendizagem da pesquisa para o aluno é motivador quando parte da prática para a teoria; O aluno entende a pesquisa e sua importância ao fazê-la; Necessidade de ênfase na pesquisa exploratória e na formulação de um problema; O aluno aprende a pesquisar quando ele aprende a formular o problema e usa meios informáticos para gerar informações. O aluno tem que aprender, no mínimo, o que é, para que serve, e quais são as fases de uma pesquisa. É necessário que o aluno aprenda a desenvolver uma ideia, enxergar o problema, compreender o seu contexto, testar uma hipótese e procurar uma solução. Entende a metodologia sob o ponto de vista geral, buscando literalmente a autonomia do aluno, do estudante, em relação à pesquisa e à sua profissão; Metodologia é „o como fazer‟, „o como estudar‟ e „o como pesquisar‟; Quem não sabe metodologia, não sabe estudar, não sabe entender e continua decorando os conteúdos; Com a metodologia o aluno desenvolve um pouco mais o seu autodidatismo. Há necessidade de orientação oficial do ponto de vista metodológico. A pesquisa se ensina na prática. O professor disponibiliza a metodologia e as técnicas de pesquisa e o aluno realiza a pesquisa fora do ambiente de sala de aula. A pesquisa se aprende fazendo, escrevendo, errando e refazendo; O primeiro passo é aprender metodologia; A troca de textos entre professor e aluno possibilita a orientação para o desenvolvimento do trabalho. 200 (conclusão) P10 Baseado nos princípios de aprendizagem definidos pela UNESCO: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. Para aprender a aprender é necessária a definição de um problema, a pergunta. Cabe ao professor orientar o aluno na busca de informações: onde podem procurar, o tipo de material adequado e o que está sendo discutido na atualidade sobre o tema; Para aprender a fazer, considera: a) Que todos somos „buscadores‟ e, portanto, todos somos pesquisadores; b) O sentido da vida é fundamental para o sucesso na carreira; c) O desafio de buscar a resposta para os seus problemas, com autonomia, entusiasma os alunos; Para aprender a conviver, estimula uma metodologia que pressupõe a participação, por meio da apresentação periódica dos trabalhos individuais para o grupo, para compartilhamento e troca de ideias, onde a produção individual torna-se um tanto coletiva; Para aprender a ser é criado um ambiente psicológico, à medida que o aluno avança, sente que atingiu certa maturidade e que tem um conhecimento real do assunto; O objetivo principal das atividades de pesquisa é o desenvolvimento da maturidade do aluno na busca de soluções para um problema; Há caminhos alternativos para atingir os objetivos propostos pelas atividades de pesquisa; O importante é que os alunos adquiram maturidade e senso de confiança em relação ao próprio potencial; Aprender a aprender e aprender a fazer são objetivos mais importantes do que a metodologia da pesquisa; A metodologia da pesquisa é indicada aos alunos no momento em que eles demonstram interesse; Os alunos aprendem à medida que fazem a pesquisa; Aprendem sozinhos e de forma natural, apenas com a orientação do professor e com o material disponibilizado; O professor disponibiliza um formulário com a estrutura do projeto de pesquisa: Justificativa, Importância, Objetivo. Eles começam a desenvolver o Pré-Projeto e vão avançando; Em Pesquisa 2, o aluno pode aprofundar o tema desenvolvido em Pesquisa 1 ou iniciar um novo projeto; A pesquisa é individual e desenvolvida em outros ambientes e momentos fora da sala de aula. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Quadro 53 – Percepção dos Professores sobre o Perfil do Aluno do Curso de Graduação em Administração e a Motivação para a Pesquisa (continua) Perfil do Aluno e Motivação para a Pesquisa P1 A maioria dos alunos não se compromete com a pesquisa e não compreende o seu significado, embora hajam turmas mais comprometidas; Para o aluno, é necessário vivenciar as diferentes etapas da pesquisa para conseguir compreendê-la; Lidamos com a diversidade e alunos com diferentes graus de maturidade; O professor deve orientar a pesquisa considerando a possibilidade de desenvolvimento de cada aluno, individualmente; Para muitos alunos de graduação, a universidade constitui-se também como um fórum social de convivência e relacionamentos, o que compete com a dimensão do ensino da universidade; A motivação e comprometimento do aluno com a pesquisa dependem da compreensão do significado da atividade e da oportunidade em obter um produto final; Muitas vezes, o aluno prefere a aprovação à aprendizagem da Pesquisa. 201 P2 P3 P5 (conclusão) O aluno não tem maturidade intelectual para compreender o potencial da pesquisa, em função de sua idade e pela falta de experiência no trabalho; O aluno só atribui valor à pesquisa quando compreende sua aplicação à Administração; O aluno fica motivado e começa a gostar da pesquisa, quando compreende a possibilidade de associação de diferentes fenômenos, a metodologia e quando visualiza o resultado da pesquisa. Por meio da prática da pesquisa. Apenas cerca de 20 a 25% dos alunos demonstraram interesse pela pesquisa, a qual exige curiosidade e vontade para a ação; A maioria dos alunos fica desorientada e não compreende seu papel na pesquisa. O perfil do aluno demonstra que ele busca no curso desenvolver a capacidade de enxergar e resolver problemas. P7 O aluno compartilha os temas desenvolvidos em Pesquisa e TCC com os pais, parentes e amigos, e contam com a contribuição deles. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Quadro 54 – Relação Professor- Aluno nas Atividades de Pesquisa (continua) Relação Professor-Aluno nas Atividades de Pesquisa P1 P2 P3 P4 O diálogo e a motivação são importantes estratégias na Pesquisa; A pesquisa depende de estímulo e capacidade de reflexão. Uma relação professoraluno positiva e produtiva não garante que o resultado do trabalho seja positivo; O comprometimento do aluno motiva o professor; O professor precisa compreender que na pesquisa cada aluno tem o seu tempo; O professor de pesquisa desempenha o papel de orientador. Na pesquisa o professor não é transmissor de conteúdo. O aluno aprende a pesquisar conteúdos e a relacioná-los aos fenômenos da Administração; Os papéis do professor de pesquisa são: fazer com que o aluno compreenda a importância desta e motive o aluno para sua realização; A didática do professor deve fazer com que o aluno passe a gostar de criar problemas de pesquisa. A pesquisa representa um espaço do pensar, onde o aluno é sujeito ativo do processo de aprendizagem; Precisamos criar estratégias junto aos alunos, considerando as diferenças entre gerações. Embora o curso de Administração tenha professores jovens, há um gap de experiências entre professor e aluno. A orientação de pesquisas gera uma sobrecarga para o professor: e-mail toda semana, todos os alunos te procuram, te „caçam‟ na faculdade; A relação com os alunos é considerada boa, em Pesquisa e TCC. 202 (conclusão) O professor exerce literalmente a função de orientador, não indica tema, só auxilia na definição quando percebe a necessidade do aluno, mas buscando identificar os temas de interesse do aluno; É uma relação de amor e ódio, frequentemente; Para formar para a vida e para o mercado é necessário formar alunos sensíveis, que tenham percepção; Acha que é como encarar um sacerdócio - trabalhar com os alunos e tirá-los de uma situação às vezes de acomodação, uma situação em que se estuda muito, mas de forma errada; Acredita que a aula deve ser mais dialogada, onde o professor deve apresentar experiências concretas e de sua própria vida - positivas e negativas; Entende que tanto os professores como os alunos são detentores de diferentes conhecimentos; Valorizar o conhecimento do aluno é uma forma de resgatar a autoestima em sala de aula, e que um aluno com autoestima elevada produz muito mais do que um aluno com baixa autoestima; O professor tem que aproveitar os trabalhos dos próprios alunos para fazer a crítica, se não for possível a coletiva, pelo menos a individual; O aluno dessa „geração Internet‟, „geração Y‟, gosta muito de ter a coisa pronta e acabada. Eles são muito práticos e essa praticidade tende a reduzir um pouco a sensibilidade das pessoas; Acha que à medida que você se torna mais prático você se distancia da abstração, e a academia não pode perder a abstração, ela deve estar ligada ao mercado; P7 A liberdade de escolha do tema pelo aluno proporciona o estabelecimento de uma boa relação para o ensino e aprendizagem da pesquisa. P8 A motivação e o interesse do aluno são as melhores estratégias para sua aprendizagem; Demandas na vida profissional e em sua carreira ajudam na motivação do aluno para a realização da pesquisa; Muitos alunos só realizam as atividades de pesquisa para obter nota e nesses casos não há aproveitamento; Os professores devem tomar cuidado com a autoestima dos alunos no momento das apresentações dos trabalhos: os elogios fazem bem aos alunos e as críticas negativas devem ser construtivas e cuidadosas. P9 A relação entre professor e aluno é excelente, embora o desempenho seja considerado um pouco ruim; O TCC é um trabalho que requer dedicação e o professor deve gostar da atividade de orientação. P10 Os alunos de Pesquisa 1 e 2 apesar de jovens, demonstram maturidade para a pesquisa; Os alunos compartilham, também, suas ideias para a pesquisa com pessoas de fora da universidade – pais e parentes – o que representa um processo de importante crescimento; Os alunos respondem positivamente e vão demonstrando entusiasmo, gradativamente, ficando cada vez mais próximos do professor; A aula de pesquisa é um momento de orientação e convivência, do compartilhamento das pesquisas; Os alunos passam a voltar a sua atenção para a atividade à medida que vão sentindo gosto pelo trabalho realizado. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. P6 Foram mencionados, ainda, aspectos identificados por esses professores em sua prática cotidiana, em relação aos desafios do ensino e aprendizagem da pesquisa no curso, e estratégias específicas desenvolvidas no decorrer de sua vivência nas atividades, que podem contribuir para o compartilhamento de 203 experiências docentes e para o aprimoramento da pesquisa no curso - objetivo deste trabalho. Quadro 55 – Desafios ao Ensino e Aprendizagem da Pesquisa no Curso (continua) Dificuldades e Problemas dos Alunos - Estratégias para Superação: Formato e Conteúdo da Pesquisa Rigor Metodológico P1 P2 P3 P6 P7 O rigor metodológico em relação aos padrões e objetivos da pesquisa é uma dificuldade que desestimula o aluno; Os alunos apresentam dificuldades quanto à metodologia de pesquisa; O aluno compreende melhor quando as questões metodológicas da pesquisa são associadas aos fenômenos da Administração. Dessa forma, autores que associam metodologia à Administração devem ser incorporados à bibliografia. Ensinar padrões ABNT e normas no início constitui-se em obstáculo à motivação e aprendizagem do aluno; Os padrões e normas surgem da necessidade que o aluno apresenta ao desenvolver sua pesquisa; O foco da pesquisa é o problema, hipótese e metodologia; A sequência de conteúdo é proposta a partir da definição do problema e a metodologia da pesquisa emerge do problema; O aluno precisa aprender o raciocínio lógico de como fazer a relação entre problema, resposta e método da pesquisa. Por meio da prática da pesquisa, com o bom uso das fontes bibliográficas e metodologia, o aluno aprende mais do que por intermédio do modelo formal; Precisamos resignificar o papel que o modelo formal cumpre na pesquisa. A metodologia é ensinada aos alunos de maneira muito formal, muito voltada à Pesquisa Acadêmica; O que está acontecendo é que a preocupação do professor é com o conteúdo e não com a forma. As atividades de pesquisa devem seguir o rigor das normas impostas pela ABNT e pela Metodologia Científica, e cabe ao professor dar esta orientação ao aluno; A primeira dificuldade, identificada na atividade de Pesquisa 1, é que os alunos não compreendem a utilidade da pesquisa em suas próprias vidas . Construção da Hipótese da Pesquisa P7 A maior dificuldade que os alunos apresentam é a construção da hipótese da pesquisa; Os alunos demonstram que não compreendem o que é pesquisa, querendo desenvolver a solução do problema sem a delimitação do problema e das hipóteses. Definição do Problema de Pesquisa P1 P2 É necessário auxiliar o aluno no estabelecimento do problema de pesquisa, considerando o seu interesse e a relevância da pesquisa. Uma das maiores dificuldades do aluno de pesquisa é o desenvolvimento do problema da mesma; O aluno tem dificuldades para entender o que é um problema e o que é um fenômeno. Tem dificuldade para identificar os problemas da Administração; A metodologia do PBL – „Aprendizagem Baseada no Problema‟, é adequada para a identificação dos fenômenos na Administração. O PBL auxilia na compreensão da lógica do problema. 204 P3 P6 P7 P9 P10 (continuação) Localizar centros de interesses nas áreas epistemológicas da Administração, buscando questões atuais e polêmicas; É importante trabalhar o „campo do desejo‟, ou seja, temas que os alunos gostariam de estudar. O aluno deve definir o tema; A partir do tema, por meio da escolha do título, o aluno qualifica a pesquisa, estabelecendo condicionais de tempo e espaço e passa a compreender o que é pesquisar, bem como a selecionar fontes de dados; Estrategicamente, é necessário „gastar tempo‟ para que o aluno formule o tema da pesquisa. Por meio dessa formulação, o aluno compreende-se como sujeito na disciplina. A pesquisa tem que ser transmitida aos alunos pelos professores como algo integrador e como oportunidade de aprender a pesquisar e de fazer alguma coisa que eles gostem; A primeira pergunta que faz aos alunos é: „O que você gosta de fazer?‟; Vale a pena o professor investir algum tempo no sentido de instigar o aluno a ir buscar „lá no fundo‟ os temas de seu interesse; O aluno se motiva quando estabelece vínculo entre a academia e a vida; A pesquisa depende do rigor metodológico. O trabalho científico depende da inspiração do pesquisador e de sua liberdade de escolha. A qualidade da pesquisa depende do interesse do aluno no tema abordado. É necessário que o aluno desenvolva um tema que realmente goste para que haja estímulo à pesquisa; Alguns alunos pesquisam temas relacionados ao trabalho e como estão em uma fase de transição, acabam mudando de emprego e perdem o interesse pelo assunto. É importante que o aluno se identifique com o tema, que goste e tenha interesse; O importante é que o aluno busque sua felicidade e realização (Folllow to bless!); É importante a busca de temas da atualidade que façam bem para a humanidade e para o planeta; O professor indica os temas de Inovação e Sustentabilidade para o desenvolvimento das pesquisas dos alunos da turma, mas respeita o interesse e a escolha de outros temas pelos alunos; É importante pensar em qualquer problema, por meio de uma análise crítica que considere sua historicidade, a atualidade e as perspectivas no futuro; Há muito material de qualidade disponível na Internet sobre os temas de Inovação e Sustentabilidade. Leitura, Interpretação e Redação P2 P3 P4 P9 O aluno lê pouco e tem dificuldade de sintetizar; Português Instrumental poderia ajudar os alunos; A pesquisa bibliográfica é limitada porque os alunos têm dificuldade em relacionar vários autores e diferentes abordagens; Por meio de sínteses de diversos autores os alunos percebem a relação entre eles. Os alunos não sabem formular textos: efetuam cópias e misturas de textos encontrados no Google; Os alunos têm dificuldades na redação de textos acadêmicos para juntar informações, efetuar as devidas citações e apropriar-se delas enquanto autores; Por meio da leitura de bons artigos acadêmicos, o aluno pode despertar para o prazer da produção científica. A geração Y tem dificuldades de concentração para a leitura e interpretação de textos para compreender qual é a linha de raciocínio do autor; A estratégia utilizada é sentar e construir o projeto junto ao aluno, analisar o material que o aluno selecionou, indicar e trazer livros, textos que falam sobre pesquisa. Em função da pressa e do tempo os alunos acabam lendo muito pouco. 205 (conclusão) Plágio P7 P9 Na pesquisa um dos graves problemas é o plágio. O plágio é a saída que o aluno tem quando não possui o espírito e a orientação sobre a importância de pesquisa; O plágio também é decorrente do aluno não compreender a utilidade da pesquisa que ele está fazendo. O aluno está habituado a pesquisar copiando e colando, o que é facilitado pelo uso da Internet. O plágio é um dos problemas mais sérios identificados no TCC; Desde o ensino fundamental o aluno não aprende o significado da pesquisa: para eles pesquisar é encontrar informações sobre um assunto e copiar; Alguns alunos agem de má fé, mas a maioria age por desconhecimento; A preguiça e a pressa são fatores que impulsionam o plágio; Os alunos deveriam saber que estão cometendo um crime quando copiam; Todos os textos são colocados no Google; O professor corre risco pois não possui uma ferramenta confiável para identificar o plágio. Ele aprende na „raça‟; Utiliza o site plagio.com que considera bom porque pega trechos inteiros buscando identificar plágios; Não há como pegar trabalhos feitos sob medida; É um trabalho operacional dificílimo e de „detetive‟, você fica gastando um tempo enorme para procurar coisas. A estratégia utilizada é colocar medo para que o plágio não ocorra. Ausência de Fundamentos de Pesquisa P3 Identifica que os alunos não apresentam maturidade para os conteúdos propostos, em função da ausência de Fundamentos de Pesquisa: saber fazer pesquisa bibliográfica, fichamento e ter a capacidade de formular um tema de pesquisa. Falta de Dedicação e de Recursos P8 A dedicação dos alunos para o estudo está restrita aos momentos de provas, de pesquisa e ao TCC; Os alunos não têm recursos para fazer uma pesquisa. Faltam recursos financeiros aos alunos para realizarem pesquisa de campo. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Quadro 56 – Estratégias Específicas Desenvolvidas pelos Professores para o Ensino e a Aprendizagem da Pesquisa no Curso (continua) Estratégias Específicas para o Ensino e a Aprendizagem da Pesquisa Comunicação P6 Deve haver uma padronização. Se o aluno não aprende a padronizar, ele também tem dificuldade de se comunicar, porque comunicação também é padrão; Se o aluno não se comunica adequadamente na academia, ele não consegue transmitir suas ideias e a metodologia da pesquisa ajuda nessa comunicação. Acesso e Manuseio de Informações P1 P2 Precisamos utilizar estratégias que estimulem o aluno, considerando a idade. Os alunos mais jovens preferem a Internet à biblioteca, e os alunos mais velhos compreendem melhor o significado e atribuem maior valor à pesquisa; Uma das maiores dificuldades do aluno de pesquisa é a busca por informações. 206 P3 P4 P5 P6 (continuação) É importante que o professor passe a ensinar ao aluno como utilizar as ferramentas virtuais para a construção do texto acadêmico; O professor precisa criar novas estratégias de ensino e aprendizagem „nos tempos do Google‟. A Internet disponibiliza muita informação com qualidade em diferentes níveis; Encontrar, analisar e qualificar fontes que disponibilizam informações sobre o tema proposto, ou sugerir aos alunos problemas que não possam encontrar respostas prontas no Google, pode representar estratégias para que os alunos aprendam a pesquisar; Usar a Internet de forma crítica, um uso mais qualificado, por exemplo, buscando argumentos a favor e contra um determinado tema; O professor tem que aceitar o uso da Internet, dialogar com ela, mas qualificar seu uso para o aluno; A Internet pode ser usada como um recurso para o aluno estudar; Os alunos tendem a buscar materiais prontos que servem como base para formulação de hipóteses de pesquisa, ou, a partir de qualquer formulação, buscar um material que se adeque à formulação. Para a pesquisa, o aluno precisa aprender a encontrar, separar, organizar, classificar e reter a informação; Vivemos em uma sociedade de excesso de informações, onde o que é importante deve ser retido, para que possamos gerir o conhecimento; O professor de pesquisa deve cumprir o papel de auxiliar o aluno na busca e retenção da informação, dando maior eficiência ao tempo despendido na Internet; Na pesquisa, o professor deve desconstruir algumas crenças do aluno em relação à pesquisa: o aluno acredita que o Google é informação e que a Wikipedia é uma biblioteca; Ir à biblioteca, pesquisar em livros e ler artigos em revistas para buscar informações era um hábito presente nos alunos das gerações anteriores e não dos alunos atuais; A pesquisa deve partir do reconhecimento do conhecimento existente sobre determinada ideia; Fazer o aluno aprender a usar a biblioteca; Os alunos demonstram pouca familiaridade com a Pesquisa Bibliográfica, tanto fisicamente, na biblioteca, quanto na Internet; Os alunos apresentam uma maior resistência ao papel, o que limita o uso da biblioteca; Existem professores que renegam a Internet. Podem não renegar oficialmente, porque é um discurso politicamente incorreto, mas por suas dificuldades, dizem que não aceitam documentos da Internet, não aceitam pesquisa feita na Internet; Acredita que a porta de entrada dessa juventude é a Internet e se você coloca óbices de pesquisa na Internet, você está alijando 90%, diria talvez 100%, da potencialidade, da capacidade de pesquisa desses alunos; O professor tem que tomar cuidado e mostrar aos alunos os riscos da Internet: a facilidade do „copiar e colar‟, a qualidade e a confiabilidade das informações que se tem. Levantamento de Dados P1 Aponta a necessidade de demonstrar aos alunos como fazer levantamento de dados e identifica no survey um recurso para esta finalidade. Compartilhamento das Pesquisas com os Demais Alunos P2 É enriquecedor que os alunos apresentem seus problemas para a sala e sempre há cooperação entre eles. O aluno que aprende passa a ensinar aos demais como se faz um problema. 207 (conclusão) Indicação de Bibliografia P2 O professor encontra dificuldades para a indicação de bibliografia, quando o problema escolhido pelo aluno é de outra área epistemológica; Propõe, quando necessário, parcerias com professores das demais áreas epistemológicas; O Google Books é sugerido como estratégia didática para seleção de bibliografia para a pesquisa; Quando a bibliografia selecionada pelo aluno é muito abrangente, é papel do professor selecionar obras que compilem estes autores como estratégia de aprendizagem. Disponibilização de Trabalhos de Referência P3 P6 O professor de pesquisa pode orientar o aluno, no sentido de fazer com que ele acesse trabalhos científicos e bancos de dissertações e teses, para que possa se apropriar do formato e conteúdo, buscando superar suas dificuldades na redação de textos acadêmicos. O professor leva aos alunos trabalhos de semestres anteriores para referência. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. Em relação aos critérios utilizados para a avaliação das atividades de pesquisa, estes são declarados pelos professores como qualitativos e subjetivos. Igualmente é mencionada a necessidade de avaliação Processual e Contínua para que o aluno possa melhorar seu trabalho. Entendem que o feedback recebido dos alunos é heterogêneo e que os mais preparados e motivados à pesquisa apresentam melhores resultados. Os diferentes caminhos encontrados para o ensino das atividades de pesquisa pelos professores, tanto para o ensino da pesquisa quanto para o ensino pela pesquisa foram aqui explicitados pelos professores, que podem ser utilizados para o compartilhamento de experiências entre os demais professores das atividades, bem como subsidiar um processo de reflexão sobre a vivência destas atividades no curso. 5.2.3 Infraestrutura Seguem os principais recursos mencionados pelos professores para o ensino e aprendizagem da pesquisa. 208 Quadro 57 – Infraestrutura para o Ensino e a Aprendizagem da Pesquisa no Curso (continua) Infraestrutura Biblioteca P1 Considerada adequada. P2 Considerada adequada, mas recomenda Base de Dados, como, por exemplo o da EBSCO Publishing, pois ajuda os alunos na pesquisa. O acervo da biblioteca de Barueri é menor do que o da Monte Alegre, mas considerado proporcional ao número de alunos. Avalia as bibliotecas da PUC-SP como boas em „Obras Clássicas‟, ruim em „Periódicos‟ e muito ruim em „Banco de Dados‟; Bons TCC‟s relacionados aos temas da área de Finanças e que necessitem de dados do mercado financeiro em tempo real só são desenvolvidos por alunos que tem acesso a essas informações, fora da universidade; A pesquisa em Administração não necessita de laboratório experimental, mas depende da qualidade das informações; Ausência de artigos digitalizados e Base de Dados na biblioteca, voltados à área de Economia e Finanças; Identificar carência das seguintes Bases de Dados: Euromonitor, Economática e Blum; Falta uma base de informação em tempo real do Mercado Financeiro. Alguns assuntos são muito novos e não há informação na Biblioteca; Considera uma falha coletiva porque frequentemente pedem sugestões de bibliografia atualizada para se comprar, e poucos professores indicam títulos para aquisição da Biblioteca; Disponibilizar os TCC‟s em um Banco de Dados na biblioteca, seria uma coisa muito simples de digitalizar e os alunos teriam acesso, até mesmo para verem como é a estrutura de uma monografia; Faltam softwares de suporte ao professor, por exemplo, para apanhar plágios. P4 P5 P9 Acesso aos Meios Informatizados e Espaço Físico P1 P2 O aluno tem acesso às informações necessárias, mas falta espaço físico com acesso à Internet para as aulas de pesquisa. O professor entende que os ambientes mais adequados à pesquisa seriam o laboratório (70%) e as salas de aula (30%); É difícil controlar em sala de aula a utilização de notebooks pelos alunos; Normalmente não há disponibilidade de laboratório para as aulas de pesquisa. P3 O uso do Laboratório de Informática é justificado em função da necessidade de que o professor tem de dialogar com a Internet e compreender como ela é utilizada pelo aluno. O laboratório seria utilizado parcialmente, com algumas horas voltadas ao estudo orientado, estudo dirigido; Necessidade de sala de aula com recursos audiovisuais disponíveis (computador, data-show e acesso à Internet). P4 A infra-estrutura para pesquisa em Barueri é considerada adequada: laboratórios com acesso à Internet, Wireless. P5 Ter Wireless para todas as salas, porque hoje nós encontramos ainda muitos problemas de acesso à Internet em algumas salas de aula da PUC. P8 Sente falta de maior número de laboratórios. Canais de Comunicação entre Graduação e a Pós-Graduação P1 Faltam canais de comunicação entre graduação e Stricto Sensu. 209 (conclusão) Tempo para Dedicação dos Professores e Alunos à Pesquisa P8 Instituições com um número menor de alunos têm uma infraestrutura melhor para o desenvolvimento de atividades de pesquisa; A PUC-SP é mais democrática e menos elitista e dá acesso a um maior número de estudantes. A maioria dos nossos alunos não tem dedicação exclusiva ao curso e trabalham para pagar a universidade e precisamos trabalhar com essa realidade; Nessas escolas menores, mesmo com um preço mais elevado, são os pais dos alunos quem pagam as mensalidades. Nessas escolas menores o curso é integral e pode haver maior exigência para a dedicação integral e exclusiva do aluno; A dedicação do professor também é parcial e não exclusiva. A maioria dos professores trabalha em outras instituições ou empresas. As escolas voltadas exclusivamente à pesquisa dispõem de professores pesquisadores acadêmicos, profissionais exclusivos e disponíveis. Clima da PUC-SP Outras universidades apresentam estrutura física melhor que a PUC-SP; Hoje em dia os alunos têm diversos meios de acesso à tecnologia fora da universidade. Portanto, a infraestrutura da PUC-SP não é um fator negativo no desenvolvimento da pesquisa; O clima da PUC é o principal aspecto favorável ao desenvolvimento da pesquisa. Fonte: Elaborado pela pesquisadora. P10 Os aspectos mencionados pelos professores representam possibilidades de melhoria da infraestrutura para a pesquisa no curso. Apesar das dificuldades, o Professor 10 destaca um dos aspectos mais importantes e favoráveis ao desenvolvimento da pesquisa no curso de graduação em Administração: o clima da PUC-SP. A partir da pesquisa realizada por meio deste trabalho, das descobertas efetuadas, é indicado no próximo tópico alguns subsídios para a construção de um processo de avaliação e melhoria contínua das atividades de pesquisa do Curso de Graduação em Administração da PUC-SP. 5.3 O Currículo Projetado e o Currículo Vivido: Subsídios para o Aprimoramento da Pesquisa no Curso de Graduação em Administração da PUC-SP Houve uma valorização da pesquisa no currículo do curso de graduação em Administração da PUC-SP, implantado a partir de 2007, por meio da inserção das atividades de Pesquisa – Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2. 210 A inserção destas atividades no curso é compreendida pela maioria de seus gestores e professores como um avanço na formação do aluno, tanto como princípio científico – no apoio de desenvolvimento dos trabalhos acadêmicos do curso e aprendizagem da metodologia científica, ou seja, aprendizagem da pesquisa – quanto como princípio educativo – no desenvolvimento de maturidade intelectual, autonomia e aprendizagem pela pesquisa. Também é reconhecida pelos gestores e professores a consolidação dessas atividades no curso e a necessidade de seu aprimoramento. As atividades de pesquisa foram concebidas no „Currículo Projetado‟ com o foco na formação do aluno, mas com a intenção de proporcionar condições para o desenvolvimento de pesquisa pelos professores e gerar produção acadêmica ao curso. A implantação e vivência dessas atividades no curso tem demonstrado que sua configuração vem adquirindo outro formato, voltado ao desenvolvimento de princípios científicos e educativos na formação do aluno. Todos os entrevistados, gestores e professores, acreditam que é fundamental que o aluno tenha, no decorrer do curso, desenvolvido algum trabalho acadêmico de pesquisa e reconhecem que o curso de graduação em Administração deve proporcionar ao aluno sua inserção na pesquisa. Também, o TCC é identificado como uma oportunidade no momento em que o aluno já apresenta maior grau de maturidade intelectual para sua realização. A possibilidade de produção acadêmica nos níveis de qualidade desejados se aproxima muito mais do Relatório de Pesquisa decorrente do TCC do que dos produtos gerados em Pesquisa 1 e 2, considerado um momento precoce para produção científica. Para isso, é importante que tenha os subsídios metodológicos, que vêm sendo proporcionados por meio da metodologia científica, proposta como conteúdo das atividades de Pesquisa 1 e 2. Assim, Pesquisa 1 e 2 estão se consolidando como atividades de apoio à aprendizagem do aluno, como base metodológica, para o desenvolvimento de pesquisas posteriores, aplicadas ao contexto acadêmico e profissional. O curso de Administração pela natureza de sua formação tem uma vocação muito mais para a formação do aluno na sua atuação no mercado do que formação do „Pesquisador-Administrador‟. 211 A maioria dos entrevistados defendem a continuidade das atividades de pesquisa – Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2 – e o desenvolvimento do „AdministradorPesquisador‟ Embora parte dos professores identifique que a maioria dos alunos não demonstra vocação ou interesse pela pesquisa, reconhecem também que uma minoria, aproximadamente 20% (vinte por cento), tem perfil para o desenvolvimento de pesquisa em Administração e que esses alunos apresentam resultados muito superiores em suas produções em Pesquisa e TCC em relação aos demais. Portanto, há espaço para o aprimoramento desses alunos na pesquisa, e tais considerações sugerem que poderia haver Atividades Complementares Optativas, no último período, voltadas à participação dos alunos em Projetos e Grupos de Pesquisa, com a inserção dos alunos em pesquisas desenvolvidas na graduação e pós-graduação – para atender aos objetivos iniciais do „Currículo Projetado‟, proporcionando desenvolvimento de projetos de pesquisa pelos professores da graduação, produção acadêmica e, ao mesmo tempo, aproximando esses alunos com dedicação à pesquisa na pós-graduação, estreitando o vínculo entre graduação e pós-graduação, e incentivando esses alunos para a continuidade de sua formação para seu ingresso nos programas de mestrado e doutorado da PUC-SP. Alguns trabalhos de TCC apresentam potencial para serem transformados em artigos e publicados ou em novos Projetos de Pesquisa para ingresso no mestrado. Tal possibilidade acena para que TCC 1 e 2 sejam transferidos para o antepenúltimo e penúltimo semestre, e que outras atividades complementares optativas sejam oferecidas no último semestre. Esta antecipação do TCC também contribuiria para aumentar o rigor de avaliação pelos professores quanto à qualidade destes trabalhos, uma vez que os alunos teriam o último semestre para refazer o TCC 2, em caso de aproveitamento insatisfatório. Considerando que aproximadamente quinhentos TCC‟s são produzidos anualmente no curso, se 10% (dez por cento) desses alunos optassem por atividades voltadas à elaboração de artigos e publicação, seriam publicados cerca de cinquenta trabalhos anuais, decorrentes da produção discente – em parceria com os professores - que poderiam ser publicados, inclusive, no Caderno de Administração do Departamento e gerar produção acadêmica docente e discente. É necessário refletir sobre a mudança de período para as atividades de Pesquisa 1 e 2. Por um lado, poderiam aproximar-se das atividades de TCC 1 e 2 212 para que o aluno desse continuidade ao tema de seu interesse, permitindo maior aprofundamento e aumento da qualidade dos Trabalhos de Conclusão de Curso que subsidiariam a produção e divulgação do conhecimento na área da Administração. No entanto, quando considerados os princípios educativos da pesquisa e sua contribuição no processo de ensino e de aprendizagem do aluno, deveria ser mantida no 3º e 4º períodos ou até antecipadas para o 1º período. A diversidade das atividades curriculares, em geral, e abrangência do curso, tornam sua gestão mais complexa. Tal limitação é identificada pelos gestores e professores das atividades de pesquisa do curso que sugerem a definição da pesquisa como prioridade no curso e a criação de estrutura acadêmicoadministrativa, justificadas, também, pela importância da pesquisa no ensino superior e na PUC-SP. A análise do ensino e a aprendizagem da pesquisa apontam aspectos importantes para o aprimoramento da pesquisa no curso, em relação à formação de professores, os desafios encontrados no cotidiano das atividades de pesquisa no curso e os caminhos encontrados para a superação ou convivência com as limitações. 213 CONSIDERAÇÕES FINAIS A problemática central desta pesquisa refere-se à busca por respostas para a seguinte questão: Como as atividades de pesquisa – Pesquisa 1, Pesquisa 2, TCC 1 e TCC 2 - foram propostas no Projeto Pedagógico do Curso, como foram implantadas no Currículo do Curso de Graduação em Administração e como estão sendo vivenciadas por seus professores? Parte-se do pressuposto de que a implantação de qualquer ação depende da compreensão, aceitação, comprometimento e participação de todos os sujeitos envolvidos no processo e foi considerado que a inserção dessas atividades no Currículo do curso de Administração passou por três diferentes etapas: Projeção – por meio do Projeto Pedagógico do Curso; Implantação – por intermédio de ações adotadas pela Coordenação do Curso; e Vivência – por meio da atuação de professores e alunos do curso; e da hipótese de que as atividades de pesquisa poderiam estar sendo concebidas pelos professores como instrumento de desenvolvimento da autonomia do aluno em relação ao conhecimento, e contribuindo para o desenvolvimento de novas relações no processo de ensino e aprendizagem no curso. A análise do ensino superior no Brasil, do surgimento e a expansão do curso de graduação em Administração demonstraram que a concepção de ensino e o modelo de universidade, historicamente constituídos, ocasionaram um distanciamento entre a graduação e pós-graduação, entre o ensino, pesquisa e extensão, como também entre a teoria e prática, predominando uma formação profissionalizante também nas universidades. A partir de 1993 iniciou-se um processo de maior autonomia às instituições de ensino superior na composição de seus currículos, cuja ênfase recai no Projeto Pedagógico de cada curso, bem como a formação pretendida, e com maior abertura para o desenvolvimento da pesquisa na graduação, conforme a vocação da instituição de ensino. As universidades – minoria entre as instituições de ensino superior – que se caracterizam por desenvolver ensino, pesquisa e extensão, e que contam com um número expressivo de professores, mestres e doutores, são identificadas como as instituições que dispõem de melhores condições para proporcionar uma formação no curso de graduação em Administração que integre tais dimensões. 214 A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP – é uma universidade tradicional e reconhecida pela qualidade de seus cursos, pela pesquisa e produção de conhecimentos, e por atividades de extensão – ambiente favorável para a consolidação da pesquisa no curso de Administração. A análise dos documentos institucionais da PUC-SP - Projeto Pedagógico do Curso (PPC), Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) e Projeto Pedagógico Institucional (PPI) - resgata uma concepção de formação humanística que busca integrar as dimensões ensino, pesquisa e extensão na universidade e no curso. A proposta de inserção das atividades de pesquisa no currículo do curso de graduação em administração da PUC-SP representa um avanço, à medida que demonstra intencionalidade de aproximar a formação do aluno ao papel da universidade e reconhece a necessidade de desenvolver, nos alunos, competências para a „busca e construção do conhecimento‟. Identifica o aluno como sujeito coresponsável em sua aprendizagem, favorece o desenvolvimento da autonomia, na formação do aluno, acena para a construção de novas relações de ensino e aprendizagem entre professores e alunos no curso, aproxima ensino, pesquisa e extensão, e graduação e pós-graduação na universidade. As entrevistas com os gestores e professores permitiram a compreensão de como essas atividades foram propostas no Projeto Pedagógico do Curso, como foram implantadas no Currículo, e como têm sido vividas por seus professores. O reconhecimento das situações vividas nas atividades de pesquisa no curso traz à tona questões sobre as oportunidades e os problemas atuais, e indicam as ações que têm sido desenvolvidas pelos professores para o enfrentamento destas situações. Por meio da análise da vivência e reflexão de seus professores sobre as atividades, foi possível descrever as estruturas de significados que a experiência vivida por eles vem assumindo. Os professores apontam elementos relacionados aos reflexos do currículo e da gestão administrativo-acadêmica na prática dessas atividades, especialmente em relação ao formato, conteúdo e infraestrutura, propondo ações para o seu aperfeiçoamento. Os professores, também, explicitam elementos diretamente relacionados ao processo de ensino e a aprendizagem da pesquisa no curso, as dificuldades enfrentadas, as ações por eles adotadas e os desafios que precisam ser superados. 215 Apresentam, ainda, suas expectativas em relação aos resultados e produtos dessas atividades e apontam caminhos em direção aos objetivos esperados. A análise comparativa entre os depoimentos dos gestores e dos professores demonstraram que: a) no „Currículo Projetado‟ e inicialmente implantado a inserção das atividades de pesquisa – Pesquisa 1 e 2 - tinha como pressuposto a formação do aluno por meio do „ensino pela pesquisa‟; b) o formato atual proposto para as atividades priorizou o „ensino da pesquisa‟, embora os gestores reconheçam a importância do „princípio educativo‟ das atividades de pesquisa; c) a vivência dessas atividades demonstrou a presença das concepções da pesquisa como „princípio científico‟ e como „princípio educativo‟ na formação do aluno; foi atribuída maior importância a um ou a outro princípio, conforme as crenças e valores dos professores em relação à educação e aos objetivos dessas atividades. Um aspecto importante identificado por meio dos depoimentos dos professores foi a consideração da possibilidade do desenvolvimento dos „princípios educativos‟ da pesquisa por meio dos „princípios científicos‟ na formação dos alunos do curso. A percepção dos gestores e professores sobre os resultados das atividades de pesquisa – TCC 1 e TCC 2 – sugerem que seus produtos podem gerar produção científica para o curso e que dependem de ações de gestão para sua viabilização. Este trabalho recomenda o compartilhamento dessas experiências entre os professores e gestores dessas atividades, por meio de um processo reflexivo, que possa dar suporte ao ensino da pesquisa e pela pesquisa e subsidiar um processo contínuo de melhoria e consolidação da pesquisa no curso de graduação em Administração da PUC-SP. DEMO, P. Universidade, Aprendizagem e Avaliação: horizontes reconstrutivos. Porto Alegre: Mediação, 2004. COVRE, M. D. L. M. A Formação e a Ideologia do Administrador de Empresa. 3. ed. 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Dra. Marina Graziela Feldmann, do curso de Doutorado do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: Currículo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP. Fui informado que esta pesquisa tem como objetivo analisar como as atividades de pesquisa inseridas no currículo do curso de graduação em administração de 2007 – estão sendo vivenciadas pelos professores e quais ações podem contribuir para o aprimoramento da pesquisa na graduação. Minha participação se dará por meio de entrevistas reflexivas que serão gravadas. Após o primeiro encontro meu depoimento será transcrito em protocolo, onde serão explicitados os significados obtidos pelo pesquisador. Receberei esse protocolo para análise e terei a oportunidade de apresentar modificações, ratificando, retificando ou incluindo novas considerações, eventualmente geradas pelo processo de reflexão ou em função da necessidade de esclarecimento da compreensão e interpretação efetuada pelo pesquisador em relação ao meu depoimento. Meus dados serão mantidos sob a guarda e responsabilidade da pesquisadora Luciane Tudda. Estou ciente que meus depoimentos serão gravados, transcritos e na publicação e divulgação dos resultados, NÃO SERÃO GARANTIDOS MEU SIGILO E ANONIMATO, em função do cargo de coordenação que ocupo ou ocupei junto ao curso de Administração da PUC-SP. Fui informado de que posso me recusar a participar do estudo ou retirar meu consentimento a qualquer momento, sem precisar justificá-lo, e de que, por desejar sair da pesquisa, não sofrerei qualquer prejuízo. Também fui alertado sobre os possíveis desconfortos e riscos decorrentes do estudo, tais como, a transcrição e interpretação de meus depoimentos pelo pesquisador. 223 Foi-me assegurada toda a assistência referente à pesquisa, bem como o livre acesso a informações e esclarecimentos adicionais sobre o estudo e suas consequências. Poderei estes esclarecimentos antes, durante e após a conclusão da pesquisa, através dos contatos que seguem: Pesquisador(a) – orientando(a) Luciane Tudda Tel. (11) 4169-6164 Cel. (11) 7130-9517 e-mail: [email protected] Pesquisador – Orientador Marina Graziela Feldmann Tel. (11) 3670-8436 e-mail: [email protected] Comitê de Ética em Pesquisa 27 Comitê de Ética em Pesquisa da PUC/SP R. Ministro Godói, 969 – sala 63C 05015-001 – Perdizes – São Paulo – SP Tel. (11) 3670-8466 e-mail: [email protected] Enfim, tendo sido orientado quanto ao teor de tudo o que aqui é mencionado e compreendido a natureza e o objetivo do referido estudo, manifesto meu livre consentimento em participar, estando totalmente ciente de que não há nenhum valor econômico a receber ou a pagar por minha participação. Por estar assim ciente, assino o presente termo em 02 (duas) vias de igual teor. Luciane Tudda Autor(a) da pesquisa CPF: 083.961.938-35 RG: 15.275.652-8 – SSP Nome do Sujeito Pesquisado CPF: _______________________________ RG: ________________________________ Testemunha 1: CPF: RG: Testemunha 2: CPF: RG: 27 Esta pesquisa foi encaminhada para análise e revisão ética do Comitê de Ética em Pesquisa da PUC/SP – campus Monte Alegre, obtendo aprovação em 20/06/2011, sob o protocolo de pesquisa e parecer nº 164/2011. 224 ANEXO C - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO DESENVOLVIDO PELA PESQUISADORA E ASSINADO INDIVIDUALMENTE POR TODOS OS PROFESSORES ENTREVISTADOS PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA Sede Campus Monte Alegre TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO (Professores) Declaro, por meio do presente termo, que consinto livremente em participar da pesquisa intitulada: O Currículo Projetado e o Currículo Vivido no Curso de Graduação em Administração da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo: O Projeto Pedagógico e o Ensino e Aprendizagem da Pesquisa sob a Ótica dos Professores, desenvolvida por Luciane Tudda, sob orientação da Profa. Dra. Marina Graziela Feldmann, do curso de Doutorado do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: Currículo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP. Fui informado que esta pesquisa tem como objetivo analisar como as atividades de pesquisa inseridas no currículo do curso de graduação em administração de 2007 – estão sendo vivenciadas pelos professores e quais ações podem contribuir para o aprimoramento da pesquisa na graduação. Minha participação se dará por meio de entrevista reflexiva que será gravada. Após o primeiro encontro meu depoimento será transcrito em protocolo, onde serão explicitados os significados obtidos pela pesquisadora. Receberei esse protocolo para análise e terei a oportunidade de apresentar modificações, ratificando, retificando ou incluindo novas considerações, eventualmente geradas pelo processo de reflexão ou em função da necessidade de esclarecimento da compreensão e interpretação efetuada pela pesquisadora em relação ao meu depoimento. Meus dados serão mantidos sob a guarda e responsabilidade da pesquisadora Luciane Tudda. Na publicação e divulgação dos resultados, serão garantidos meu sigilo e anonimato, não sendo divulgados dados que possam levar a minha efetiva identificação pelos que vierem a ter conhecimento deste estudo. Fui informado de que posso me recusar a participar do estudo ou retirar meu consentimento a qualquer momento, sem precisar justificá-lo, e de que, por desejar sair da pesquisa, não sofrerei qualquer prejuízo. Também fui alertado sobre os possíveis desconfortos e riscos decorrentes do estudo, tais como, a transcrição e interpretação de meus depoimentos pelo pesquisador. 225 Foi-me assegurada toda a assistência referente à pesquisa, bem como o livre acesso a informações e esclarecimentos adicionais sobre o estudo e suas consequências. Poderei estes esclarecimentos antes, durante e após a conclusão da pesquisa, através dos contatos que seguem: Pesquisador(a) – orientando(a) Luciane Tudda Tel. (11) 4169-6164 Cel. (11) 7130-9517 e-mail: [email protected] Pesquisador – Orientador Marina Graziela Feldmann Tel. (11) 3670-8436 e-mail: [email protected] Comitê de Ética em Pesquisa 28 Comitê de Ética em Pesquisa da PUC/SP R. Ministro Godói, 969 – sala 63C 05015-001 – Perdizes – São Paulo – SP Tel. (11) 3670-8466 e-mail: [email protected] Enfim, tendo sido orientado quanto ao teor de tudo o que aqui é mencionado e compreendido a natureza e o objetivo do referido estudo, manifesto meu livre consentimento em participar, estando totalmente ciente de que não há nenhum valor econômico a receber ou a pagar por minha participação. Por estar assim ciente, assino o presente termo em 02 (duas) vias de igual teor. Luciane Tudda Autor(a) da pesquisa CPF: 083.961.938-35 RG: 15.275.652-8 - SSP Nome do Sujeito Pesquisado CPF:____________________________ RG:_____________________________ Testemunha 1: CPF: RG: Testemunha 2: CPF: RG: 28 Esta pesquisa foi encaminhada para análise e revisão ética do Comitê de Ética em Pesquisa da PUC/SP – campus Monte Alegre, obtendo aprovação em 20/06/201,1 sob o protocolo de pesquisa e parecer nº 164/2011. 226 ANEXO D - QUESTIONÁRIO ELABORADO PELA PESQUISADORA, APLICADO AOS GESTORES ENTREVISTADOS COLETA DE DADOS DA TESE DE DOUTORADO (GESTORES ENTREVISTADOS) QUESTIONÁRIO PERFIL ACADÊMICO/PROFISSIONAL a) NOME: __________________________________________________________ b) IDADE: 30-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 61 ou mais c) SEXO: ( ) Feminino ( ) Masculino d) TITULAÇÃO: ( ) Mestrado ( ) Doutorado ( ) Pós-Doutorado e) FORMAÇÃO: Curso(s) de Graduação: __________________________________________ ___________________________________________________________ ___________________________________________________________ Curso(s) de Mestrado: ___________________________________________ ___________________________________________________________ ___________________________________________________________ Curso(s) de Doutorado: __________________________________________ ___________________________________________________________ ___________________________________________________________ Curso(s) de Pós-Doutorado: _______________________________________ _____________________________________________________________ 227 f) TEMPO DE ATUAÇÃO NO ENSINO SUPERIOR (EM ANOS): 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31 ou mais PUC-SP Outras Instituições g) TEMPO DE ATUAÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO, ocupando cargo ou função relacionado à Administração (EM ANOS): 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31 ou mais h) FORMA DE PARCIPAÇÃO NA CONCEPÇÃO E IMPLANTAÇÃO DO CURRÍCULO – PERÍODO DE 2007 AO 1º SEMESTRE DE 2011: Sim Foi membro da Comissão Didática responsável pela elaboração do Projeto Pedagógico do Curso? Foi ou é Coordenador do Curso de Graduação em Administração? Foi ou é Coordenador das Atividades de Pesquisa 1 e 2? Foi ou é Coordenador do Trabalho de Conclusão do Curso (TCC)? Não 228 ROTEIRO DA ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA REALIZADA COM OS GESTORES GESTOR 1 1. O PPC insere ao currículo duas atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2) e amplia o TCC de um para dois semestres. Nesse sentido, há uma valorização da pesquisa no curso de graduação em Administração? Como foi o processo de inserção de tais atividades no PPC e quais foram os objetivos? 2. Qual foi o conteúdo que vocês pensaram para essas atividades? 3. Qual é a relação das atividades de pesquisa com os demais componentes curriculares? O PPC prevê, por exemplo, a criação de uma Central de Estudos de Casos. Qual vínculo foi estabelecido entre essas atividades e os demais componentes curriculares? 4. A inserção das atividades de pesquisa também teve como objetivo o desenvolvimento de uma quantidade maior de projetos de Iniciação Científica? 5. O que vocês pensavam sobre produção acadêmica e publicação das pesquisas? 6. De alguma forma vocês tinham a intenção de que a pesquisa pudesse proporcionar ao aluno a integração entre as diferentes áreas do conhecimento? 7. Qual foi a intenção da duplicação de carga horária para o TCC? GESTORES 2, 3 E 4 1. Como você entende a pesquisa na graduação e no curso de Administração? (importância e objetivos) 2. Como você compreende as atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2) propostas no Projeto Pedagógico do Curso? (conteúdo, carga horária, período, número de alunos por turma, ausência de pré-requisitos, critérios de avaliação) 3. Quais ações foram ou tem sido adotadas para a implantação e gestão dessas atividades no currículo? 229 4. Quais aspectos positivos ou negativos em relação à pesquisa no curso são (ou foram) percebidos ou trazidos a essa coordenação? 5. Em sua opinião, existem futuras ações que devam ser implantadas e a que prazos? 230 ANEXO E - QUESTIONÁRIO ELABORADO PELA PESQUISADORA, APLICADO AOS PROFESSORES ENTREVISTADOS COLETA DE DADOS DA TESE DE DOUTORADO (PROFESSORES ENTREVISTADOS) QUESTIONÁRIO PERFIL ACADÊMICO/PROFISSIONAL i) NOME: __________________________________________________________ j) IDADE: 30-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 61 ou mais k) SEXO: ( ) Feminino ( ) Masculino l) TITULAÇÃO: ( ) Mestrado ( ) Doutorado ( ) Pós-Doutorado m) FORMAÇÃO: Curso(s) de Graduação: __________________________________________ ___________________________________________________________ Curso(s) de Mestrado: ___________________________________________ ___________________________________________________________ Curso(s) de Doutorado: __________________________________________ ___________________________________________________________ Curso (s) de Pós-Doutorado: ______________________________________ ___________________________________________________________ 231 n) TEMPO DE ATUAÇÃO NO ENSINO SUPERIOR (EM ANOS): 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31 ou mais PUC-SP Outras Instituições o) TEMPO DE ATUAÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO, ocupando cargo ou função relacionado à Administração (EM ANOS): 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31 ou mais p) TEMPO DE ATUAÇÃO NAS ATIVIDADES DE PESQUISA – PESQUISA 1 E 2 (EM SEMESTRES): 01-02 03-04 05-06 07 q) ORIENTOU TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC 1 OU 2) NOS ANOS DE 2010 OU 2011? ( ) Sim ( ) Não 232 ROTEIRO DA ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA REALIZADA COM OS PROFESSORES 1. Como você entende a pesquisa na graduação e no curso de Administração? (importância e objetivos) 2. Como você compreende as atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2) propostas no Projeto Pedagógico do Curso? (conteúdo, carga horária, período, número de alunos por turma, ausência de pré-requisitos, critérios de avaliação) 3. Em sua opinião, como o aluno aprende a pesquisar? Quais estratégias didáticopedagógicas são necessárias ao ensino da pesquisa? 4. Como tem sido sua relação com os alunos (relação professor-aluno) nas atividades de Pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2)? 5. Em sua opinião, qual é a infraestrutura necessária ao desenvolvimento das atividades de pesquisa? O que a universidade dispõe e o que precisa ser desenvolvido para essas atividades? 6. Em sua opinião, os alunos demonstram integração entre os conhecimentos das áreas técnica, humana e funcional nos trabalhos de pesquisa que realizam? 7. Em sua experiência, você identifica alguma contribuição das atividades de pesquisa na melhoria da qualidade do TCC, desenvolvimento de projetos de Iniciação Científica, participação dos alunos da graduação nos grupos de pesquisa da universidade, participação dos alunos em outros eventos relacionados à pesquisa? Quais são (se houver)? 8. Segundo o Projeto Pedagógico do Curso, as atividades de pesquisa podem estar voltadas para produção de trabalhos para publicação – em revistas, livros ou anais de eventos científicos da área – ou produção de estudos de caso, para utilização em aulas ou disponibilização para o mercado. Em sua experiência, isso tem ocorrido? Qual é sua opinião sobre a divulgação e/ou publicação da produção dos alunos da graduação e o que é necessário para sua viabilização? 233 ANEXO F - PROGRAMA DAS ATIVIDADES DE PESQUISA 1 E 2 FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO, CONTABILIDADE E ATUÁRIA PROGRAMA DE ENSINO Curso: Administração Semestre/Ano: 1/2011 Disciplina: PESQUISA 1 Código: 016611 Créditos: 2 Carga Horária: 34 H/A EMENTA Iniciação à pesquisa bibliográfica e de campo; Introdução à Metodologia Científica para a elaboração de projetos de pesquisa; Entendimento das implicações da interdisciplinaridade e transversalidade no Campo da Administração. OBJETIVOS GERAIS Esta atividade tem como objetivo: 1) preparar e auxiliar os alunos, do ponto de vista metodológico, para a observação da realidade empresarial e organizacional, bem como para a pesquisa bibliográfica; 2) propiciar a capacitação teórico-metodológica dos alunos para estruturação e elaboração de projetos de pesquisa. Os projetos de pesquisa darão origem, no quarto período, ao conteúdo de Pesquisa 2, que se constituirá de atividades redacionais para a elaboração de relatórios de pesquisa, artigos e estudos de caso, no campo de conhecimento da Administração e suas interfaces com outros campos de conhecimento, com o enfoque de aplicação no mundo do trabalho e na sociedade. OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1. Conduzir os alunos na reflexão sobre os fenômenos que norteiam o campo da administração e da gestão de instituições, notadamente os relacionados às áreas epistemológicas do Curso de Administração (Gestão Estratégica e das Organizações, Finanças, Marketing, Operações e Pessoas), e suas implicações para o campo dos negócios, para o mundo do trabalho e para a sociedade; 2. Capacitar os alunos no entendimento e utilização da metodologia necessária para elaborar o Projeto de Pesquisa para transformá-lo, no 4º período, em artigos, estudos de caso e relatórios de pesquisa; 3. Orientar o aluno na utilização da metodologia para pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo; 4. Auxiliar o aluno para que tenha instrumentos de vinculação entre teoria e prática. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO Elaboração do Pré-Projeto de Pesquisa – conforme formulário preparado. Noções de metodologia para a elaboração e redação do Projeto de Pesquisa: entendimento das normas e diretrizes, e regras da Metodologia Científica; Definição do tema, problema da pesquisa, objetivos finais e intermediários, justificativa, hipóteses, metodologia da pesquisa (meios e instrumentos), bibliografia e estruturação do Projeto de Pesquisa, cronograma; Orientação quanto à pesquisa bibliográfica e de campo; Redação Final do Projeto de Pesquisa. 234 BIBLIOGRAFIA BÁSICA COLLIS, Jill; HUSSEY, Roger. Pesquisa em Administração. Porto Alegre: Bookman, 2005. COOPER, Donald R.; SHINDLER, Pamela S. Métodos de Pesquisa em Administração. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2003. DIEHL, Astor A.; TATIM, Denise C. Pesquisa em Ciências Sociais Aplicadas – Métodos e Técnicas. São Paulo: Prentice Hall, 2004. EASTERBY-SMITH, Mark; THORPE, Richard; LOWE, Andy. Pesquisa Gerencial em Administração - Um guia para Monografias, Dissertações, Pesquisas Internas e Trabalhos em Consultoria. São Paulo: Pioneira, 1999. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar Projetos de Pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002. GONÇALVES, Carlos A.; MEIRELLES, Anthero M. Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. São Paulo: Atlas, 2004. MARTINS, Gilberto de Andrade. Estudo de Caso – Uma estratégia de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2006. VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. 7. ed São Paulo: Atlas, 2006. VERGARA, Sylvia Constant. Métodos de Pesquisa em Administração. São Paulo: Atlas, 2005. YIN, Robert K.. Estudo de Caso – Planejamento e Métodos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ARAÚJO, Luis César G. Teoria Geral da Administração – Aplicação e Resultados nas Empresas Brasileiras. São Paulo: Atlas, 2004. CASTRO, Cláudio de Moura. A Prática da Pesquisa. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006. CRESWELL, John W. Projeto de Pesquisa – Métodos qualitativo, quantitativo e misto. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2007. DAFT, Richard L. Organizações – Teoria e Projetos. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008. GIBSON, J. L. et al. Organizações – Comportamento, Estrutura e Processos. 12. ed. São Paulo: McGrawHill, 2006. MEDEIROS, João Bosco; ANDRADE, Maria Margarida de. Manual de Elaboração de Referências Bibliográficas – A Nova NBR 6023:2000 da ABNT. São Paulo: Atlas, 2001. ROESCH, Sylvia Maria A. Projetos de Estágio e de Pesquisa em Administração. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999. SAMPIERI, Roberto Hernández; COLLADO, Carlos Fernández; LUCIO, Pilar Baptista. Metodologia de Pesquisa. 3. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2006. METODOLOGIA Sessões coletivas e individuais de apoio e orientação, a partir de plantões (2 horas em 1 dia da semana) agendados previamente. 235 FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO, CONTABILIDADE E ATUÁRIA PROGRAMA DE ENSINO Curso: Administração Semestre/Ano: 1/2011 Disciplina: PESQUISA 2 Código: 016612 Créditos: 2 Carga Horária: 34 H/A EMENTA Consolidação da pesquisa bibliográfica e de campo, desenvolvida na Pesquisa 1; Estruturação dos relatórios de pesquisa, artigos e estudo de caso; Elaboração (escrita) do relatório de pesquisa ou projeto de Iniciação Científica ou Artigo ou Estudo de Caso. OBJETIVOS GERAIS Esta atividade tem como objetivo: 1) preparar e auxiliar os alunos, do ponto de vista metodológico, para a escrita do conteúdo (finalização) dos pré-projetos e/ou projetos de pesquisa desenvolvidos na disciplina Pesquisa 1, e 2) se constituirá de atividades redacionais para a elaboração de relatórios de pesquisa, artigos e estudos de caso, no campo de conhecimento da Administração e suas interfaces com outros campos de conhecimento, com o enfoque de aplicação no mundo do trabalho e na sociedade. OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1. Auxiliar os alunos na consolidação e ajuste fino de seus projetos de pesquisa desenvolvidos em Pesquisa 1; 2. Capacitar os alunos no entendimento e utilização da metodologia necessária para transformar o Projeto de Pesquisa em artigos, estudos de caso e relatórios de pesquisa; 3. Orientar o aluno na utilização do fluxograma e da metodologia para a escrita adequada no produto final escolhido. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO Noções de metodologia para a transformação e consolidação do Projeto de Pesquisa: entendimento das normas e diretrizes, e regras da Metodologia Científica; Técnicas para elaboração do Relatório de Pesquisa, Artigo Científico, Ensaio, Paper, Estudo de Caso, Projeto e Relatório de Iniciação Científica; Esboço do TCC; Acompanhamento e orientação para a redação do produto escolhido. BIBLIOGRAFIA BÁSICA COLLIS, Jill; HUSSEY, Roger. Pesquisa em Administração. Porto Alegre: Bookman, 2005. COOPER, Donald R.; SHINDLER, Pamela S. Métodos de Pesquisa em Administração. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2003. DIEHL, Astor, A.; TATIM, Denise C. Pesquisa em Ciências Sociais Aplicadas – Métodos e Técnicas. São Paulo: Prentice Hall, 2004. EASTERBY-SMITH, Mark; THORPE, Richard; LOWE, Andy. Pesquisa Gerencial em Administração - Um guia para Monografias, Dissertações, Pesquisas Internas e Trabalhos em Consultoria. São Paulo: Pioneira, 1999. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar Projetos de Pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002. GONÇALVES, Carlos A.; MEIRELLES, Anthero M. Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. 236 São Paulo: Atlas, 2004. MARTINS, Gilberto de Andrade. Estudo de Caso – Uma estratégia de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2006. MARTINS Jr, Joaquim. Como escrever trabalhos de conclusão de curso. Petrópolis: Vozes, 2008. PESCUMA, Derna; CASTILHO, Antonio Paulo F. Trabalho Acadêmico – O que é? Como fazer? São Paulo: Olho d‟Água, 2003. ROESCH, Sylvia Maria A.; FERNANDES, Francisco. Como escrever casos para o ensino de Administração. São Paulo: Atlas, 2007. VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2006. VERGARA, Sylvia Constant. Métodos de Pesquisa em Administração. São Paulo: Atlas, 2005. YIN, Robert K.. Estudo de Caso – Planejamento e Métodos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ANGRAD (Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração). Regras para artigo científico – Disponível em: <http://www.angrad.org.br/revista/artigos/insert/>. ARAÚJO, Luis César G. Teoria Geral da Administração – Aplicação e Resultados nas Empresas Brasileiras. São Paulo: Atlas, 2004. DAFT, Richard L. Organizações – Teoria e Projetos. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008. GIBSON, J. L. et al. Organizações – Comportamento, Estrutura e Processos. 12. ed. São Paulo:McGrawHill, 2006. MEDEIROS, João Bosco; ANDRADE, Maria Margarida de. Manual de Elaboração de Referências Bibliográficas – A Nova NBR 6023:2000 da ABNT. São Paulo: Atlas, 2001. MOTTA, Valter T.; HESSELN, Ligia Gonçalves; GIALDI, Silvestri. Normas Técnicas para apresentação de trabalhos científicos. 3. ed. Caxias do Sul: Educs, 2004. REVISTA DE ADMINISTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA – ANPAD. Regras para artigos – Disponível em: <http://anpad.org.br/periodicos/content/frame_base.php?revista=1>. ROESCH, Sylvia Maria A. Projetos de Estágio e de Pesquisa em Administração. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999. SAMPIERI, Roberto Hernández; COLLADO, Carlos Fernández; LUCIO, Pilar Baptista. Metodologia de Pesquisa. 3. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2006. METODOLOGIA Sessões coletivas e individuais de apoio e orientação, a partir de plantões (2 horas em 1 dia da semana) agendados previamente. Centro Univ. das Fac. Metropolitanas Unidas – FMU Idem Idem Idem Idem Centro Univ. do Instituto Mauá de Tecnologia – CEUN-IMT 05 Privada Comunitária Priv. Part. Privada Filantrópica Priv. Part. Priv. Part. Privada Confessional Filantrópica Categ. Adm. - - Adm. Empresas Adm. Empresas (em extinção) - Administração Adm. Empresas (em extinção) Administração Adm. Empresas Finanças Marketing Recursos Humanos Adm. Marketing Adm. Serviços Adm. Sistemas de Informação Administração Adm. Marketing (em extinção) Adm. Serviços (em extinção) Adm. Sistemas de Informação (em extinção) - Habilitação 230 240 230 230 230 80 ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. 562 - - 680 680 680 480 60 60 180 60 180 Vagas ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES ENS.PRES. ENS.PRES. Modalid. 4020 4020 4020 4020 3180 4020 3168 3168 3168 2880 2880 2880 3200 3506 3506 3506 3506 3506 C/H Fev/2009 Jul/1968 Ago/2009 Fev/2009 Fev/1996 Ago/2009 Mar/1941 Mar/1941 Mar/1941 Abr/1970 Abr/1970 Abr/1970 Fev/1987 Fev/2001 Fev/2001 Fev/2001 Fev/2001 Fev/2001 Início Jul/1968 Jul/1968 Abr/2009 Abr/2009 Jul/1995 Ago/2008 - - Abr/1970 Abr/1970 Abr/1970 Jan/1985 Ago/2000 Ago/2000 Ago/2000 Ago/2000 Ago/2000 Criação Maio/1972 Maio/1972 Mar/1999 - Jan/1961 Jan/1961 - Maio/1973 Maio/1973 Maio/1973 Set/1988 Nov/2004 Nov/2004 Nov/2004 Nov/2004 Nov/2004 Reconhec. - - Jan/2002 Jan/2002 - - - Set/2005 - - - Renov. 4 3 3 3 3 IGC 2008 3 (continua) Fontes: Elaborado pela pesquisadora. Disponível em: <http://www.educaçãosuperior.inep.gov.br>; <http://www.portal.mec.gov.br>. Acesso em: jan. 2010. Legenda: NC: A instituição não consta no IGC 2008, publicado em 02 set. 2009. NA: Não atribuído – Embora tenham participado do ENADE, alguns cursos não contaram com a participação mínima de dois alunos ingressantes e dois alunos concluintes. Desse modo, não recebem o conceito do ENADE e, portanto, não recebem o Conceito Preliminar de Curso (CPC). 06 Centro Univ. da Fundação Educacional Inaciana Pe. Sabóia de Medeiros – FEI Idem Idem Idem Idem Centro Univ. Assunção – UNIFAI Centro Universitário Capital – UNICAPITAL Idem Idem Idem Idem Centro Univ. Adventista de São Paulo – UNASP 04 03 02 01 Instituição APÊNDICE A – CRIAÇÃO E AVALIAÇÃO DOS CURSOS DE ADMINISTRAÇÃO DA CIDADE DE SÃO PAULO 237 Centro Universitário São Camilo – SÃO CAMILO (Pompéia) Idem (Brooklin) Idem (Interlagos) Idem (Marajoara) Idem (Moema) Idem (Mooca) Idem (Pinheiros) Idem (Santo Amaro) Idem (Vila dos Remédios) Idem (Vila Formosa) Centro Univ. Salesiano de São Paulo – UNISAL Idem Centro Universitário Fecap – FECAP Centro Univ. IberoAmericano UNIBERO Idem Idem Idem Idem Idem Centro Univ. ÍtaloBrasileiro – UNIÍTALO Centro Univ. Paulistano – UNIPAULISTANA Centro Univ. Radial –RADIAL Idem Idem (Brooklin) Privada Confessional Filantrópica Privada Confessional Filantrópica Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Categ. Adm. ENS.PRES. Comércio Exterior Marketing Adm. Empresas ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. - Administração ENS.PRES. 220 100 300 350 350 360 350 350 350 350 350 450 310 360 ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. 310 300 230 180 80 80 720 - 975 Vagas ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. Modalid. - Recursos Humanos Administração Análise de Sistemas Marketing Adm. Brooklin - - Com. Exterior Adm. Hoteleira Adm. Hoteleira - - - Habilitação 3260 3000 3000 3000 3000 3000 3000 3000 3000 3000 3000 3000 3260 3000 3000 3180 3100 3100 3320 3100 3100 3140 3000 3700 C/H Ago/1999 Fev/2001 Fev/2001 Jul/2008 Ago/2007 Fev/1991 Jul/2008 Jul/2008 Fev/2009 Fev/2008 Fev/2008 Fev/2010 Mar/1998 Fev//1991 Mar/1998 Ago/1994 Fev/1998 Fev/1980 Fev/2008 Mar/1995 Mar/1995 Ago/1972 Mar/2009 Mar/1966 Início Ago/1998 Ago/1999 Ago/1999 Mar/2008 Jan/2007 Jan/1990 Mar/2008 Nov/2007 Nov/2008 Abr/2007 Abr/2007 Abr/2008 Fev/1998 Jan/1990 Fev/1998 Jul/1994 Nov/1987 Fev/1980 Maio/2007 Dez/1994 Dez/1994 Maio/1972 Maio/2007 - Criação Abr/2003 Nov/2004 Nov/2004 - - Dez/1995 - Jun/2003 Dez/1995 Jun/2003 Mar/2000 Nov/1992 Maio/1983 Ago/1999 Ago/1999 Maio/1976 - Dez/1972 Reconhec. - - - - - - - - - Dez/2004 Dez/2004 Dez/2004 Dez/2004 - Maio/200 6 - 3 3 3 3 3 IGC 2008 4 (continuação) Renov. Fontes: Elaborado pela pesquisadora. Disponível em: <http://www.educaçãosuperior.inep.gov.br>; <http://www.portal.mec.gov.br>. Acesso em: jan. 2010. Legenda: NC: A instituição não consta no IGC 2008, publicado em 02 set. 2009. NA: Não atribuído – Embora tenham participado do ENADE, alguns cursos não contaram com a participação mínima de dois alunos ingressantes e dois alunos concluintes. Desse modo, não recebem o conceito do ENADE e, portanto, não recebem o Conceito Preliminar de Curso (CPC). 13 12 11 10 09 08 07 Instituição 238 Escola de Administração de Empresas de São Paulo – FGV-EAESP Idem Idem Idem Idem Idem Idem Centro Univ. FiamFaam – UniFIAMFAAM Idem Idem Idem Centro Univ. SENAC – SENACSP Centro Univ. Sant´Anna – UNISANTANA Idem Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Categ. Adm. Adm. Empresas Administração Pública Adm. Geral Com. Exterior Marketing Rec. Humanos Administração Adm. Geral (em extinção) Adm. Empresas Adm. Pública - ENS.PRES. Adm. Desportiva (em extinção) Adm. Desportiva Comércio Exterior Gestão de Negócios Hotelaria Marketing Recursos Humanos Sist. Inform. Gerenciais Adm. (em extinção) ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. Modalid. - - Habilitação 300 100 400 300 20 300 140 300 - 1790 - 460 350 Vagas 3600 3600 3600 3600 3180 3180 3180 3020 3600 3020 3100 3340 3020 3008 C/H Set/1954 Set/1954 Set/1954 Fev/2010 Mar/1999 Mar/1999 Mar/1999 Ago/2006 Fev/2009 Maio/1970 Maio/1970 Ago/1999 Ago/2007 Fev/2005 Início Nov/1963 Nov/1963 Nov/1963 Jun/1998 Jun/1998 Jun/1998 Jun/1998 Mar/1970 Jun/1998 Mar/1970 Mar/1970 Jul/1999 Mar/1970 Set/2004 Criação Nov/1963 Nov/1963 Nov/1963 Abr/2005 Abr/2005 Abr/2005 Ago/1974 Abr/2005 Ago/1974 Ago/1974 Out/2004 Ago/1974 - Reconhec. Jun/2005 Jun/2005 Jun/2005 - - - - - - - 5 3 2 IGC 2008 4 (continuação) Renov. Fontes: Elaborado pela pesquisadora. Disponível em: <http://www.educaçãosuperior.inep.gov.br>; <http://www.portal.mec.gov.br>. Acesso em: jan. 2010. Legenda: NC: A instituição não consta no IGC 2008, publicado em 02 set. 2009. NA: Não atribuído – Embora tenham participado do ENADE, alguns cursos não contaram com a participação mínima de dois alunos ingressantes e dois alunos concluintes. Desse modo, não recebem o conceito do ENADE e, portanto, não recebem o Conceito Preliminar de Curso (CPC). 17 16 15 14 Instituição 239 Escola Superior Nacional de Seguros de São Paulo Trevisan – Escola Superior de Negócios – TREVISAN Idem Idem Idem Instituto Superior de Educação Alvorada Plus – ISEAP Idem Idem Idem Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação do Morumbi Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação de Perdizes – ESAMC PERDIZES Escola Superior de Engenharia e Gestão de São Paulo – ESEG Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo – ESPM Idem Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Categ. Adm. Priv. Part. ENS.PRES. Adm. Com Ênfase em Mercadologia Administração com Ênfase em Mercadológica (em extinção) ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. Adm. Empresas Adm. Empresas Adm. Empresas Adm. Empresas Administração Adm. Geral Adm. Geral (em extinção) ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. Modalid. Administração - - - Habilitação 150 150 50 50 50 150 50 90 200 400 400 300 160 160 Vagas 3000 3000 3600 3000 3600 3000 3600 - 3888 3888 3888 3500 3556 - C/H Jan/2003 Jan/2003 Ago/1999 Ago/1999 Ago/1999 Jul/2006 Ago/1999 - Mar/1990 Mar/1990 Mar/1990 Jul/2006 Fev/2009 - Início Nov/2001 Nov/2001 Jun/1999 Jun/1999 Jun/1999 - Jun/1999 Jan/2009 Jul/1989 Jul/1989 Jul/1989 Fev/2006 Abr/2008 Jun/2009 Criação Mar/2007 Mar/2007 Out/2003 Out/2003 Out/2003 - Out/2003 - Maio/1994 Maio/1994 Maio/1994 - - - Reconhec. - - - - Nov/2005 Nov/2005 Nov/2005 - - - 2 4 NC 4 NA NC IGC 2008 NC (continuação) Renov. Fontes: Elaborado pela pesquisadora. Disponível em: <http://www.educaçãosuperior.inep.gov.br>; <http://www.portal.mec.gov.br>. Acesso em: jan. 2010. Legenda: NC: A instituição não consta no IGC 2008, publicado em 02 set. 2009. NA: Não atribuído – Embora tenham participado do ENADE, alguns cursos não contaram com a participação mínima de dois alunos ingressantes e dois alunos concluintes. Desse modo, não recebem o conceito do ENADE e, portanto, não recebem o Conceito Preliminar de Curso (CPC). 24 23 22 21 20 19 18 Instituição 240 Fac. Brasileira de Recursos Humanos – FBRH Fac. Brasília de São Paulo – FABRASP Idem Idem Idem Idem Fac. Associada Brasil – FAB Facs. Associadas de São Paulo – FASP Idem Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Privada Filantrópica Priv. Part. Priv. Part. Categ. Adm. ENS.PRES. ENS.PRES. Marketing ENS.PRES. ENS.PRES. 100 100 140 525 525 186 525 ENS.PRES. ENS.PRES. ENS. PRES. 186 50 350 50 50 ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. 200 120 60 ENS.DIST. ENS.DIST. ENS.PRES. 120 Vagas ENS.DIST. Modalid. Adm. Geral Comércio Exterior (em extinção) Adm. Em Análise de Sistemas Administração Administração com Habilitação em Comércio Exterior Adm. Análise de Sistemas - Análise de Sistemas Comércio Exterior Finanças Gestão de Serviços Turísticos Marketing Recursos Humanos - Adm. Empresas Marketing Administração Adm. Empresas (em extinção) Adm. Empresas Comércio Exterior Informática Marketing Adm. Empresas Administração Habilitação 3180 3180 3000 3200 3520 3520 3200 3200 3096 3500 3520 3500 3520 3228 3228 3228 C/H Jan/2000 Fev/1999 Ago/1985 Dez/1974 Dez/1974 Dez/1974 Dez/1974 Dez/1974 Fev/2002 Jan/1999 Ago/1999 Fev/2001 Ago/1999 Mar/2004 Mar/2004 Mar/2004 Início Dez/1999 Set/1998 Ago/1985 Ago/1976 Maio/1976 Dez/1974 Ago/1976 Ago/1975 Jul/2001 Out/1998 Maio/1999 Mar/2000 Maio/1999 Maio/2003 Maio/2003 Criação Dez/2004 Jul/2003 Jul/1989 Mar/1980 Mar/1980 Out/1978 Mar/1980 Out/1978 Jul/2006 Out/2003 Jul/2004 Ago/2006 Jul/2004 - - Reconhec. - - - - - - - - - - - - - 2 3 2 3 NC 2 IGC 2008 NA (continuação) Renov. Fontes: Elaborado pela pesquisadora. Disponível em: <http://www.educaçãosuperior.inep.gov.br>; <http://www.portal.mec.gov.br>. Acesso em: jan. 2010. Legenda: NC: A instituição não consta no IGC 2008, publicado em 02 set. 2009. NA: Não atribuído – Embora tenham participado do ENADE, alguns cursos não contaram com a participação mínima de dois alunos ingressantes e dois alunos concluintes. Desse modo, não recebem o conceito do ENADE e, portanto, não recebem o Conceito Preliminar de Curso (CPC). 31 30 29 28 Idem Fac. Anglo Latino – FAL Idem Fac. Albert Einstein de São Paulo – FAESP 26 27 Instituto Uvb.Br – IUVB Idem Idem 25 Instituição 241 Idem Idem Fac. De Administração da Fundação Armando Álvares Penteado – FAE-FAAP Idem Fac. Chafic – CHAFIC Idem Fac. Centro Paulistano Fac. Cruz Azul FACRAZ Fac. Das Américas – FAM Fac. De Administração – IPH Idem Idem Idem Fac. Campos Elíseos – FCE Idem Fac. Carlos Drummond de Andrade – FCDA Idem Idem Privada Filantrópica Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Categ. Adm. Adm. Empresas Adm. Desportiva Bancos e Finanças Comércio Exterior Marketing Negócios Internacionais Administração Adm. Desportiva Adm. Empresas Hotelaria - - - ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. 680 80 50 780 80 200 160 200 240 100 100 450 75 200 450 ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. 120 200 ENS.PRES. ENS.PRES. Adm. Empresas Administração Geral Marketing Adm. Empresas Gestão de Sistemas de Informação Negócios Internacionais Administração Adm. Empresas (em extinção) Adm. Geral (em extinção) - 120 Vagas ENS.PRES. Modalid. Adm. Empresas Habilitação 3600 3180 3180 3260 3180 3570 3180 3340 - 3340 3300 3300 3300 3300 3300 3040 3300 3040 C/H Dez/1972 Fev/1997 Fev/2002 Dez/1972 Fev/1997 Ago/2002 Ago/2009 Ago/2005 - Ago/2005 Mar/2002 Jul/1998 Fev/2000 Mar/2001 Jul/1998 Jan/1995 Mar/2001 Jan/1995 Início Dez/1972 Abr/2001 Out/2001 Dez/1972 Abr/2001 Abr/1999 Out/2008 Fev/2005 Dez//2008 Fev/2005 Jan/2002 Mar/1998 Jul/1999 Fev/2001 Mar/1998 Jul/1994 Fev/2001 Jul/1994 Criação Jan/1977 Out/2003 Jan/1977 Out/2003 Set/2005 - - - Ago/2005 Mar/2002 Ago/2004 Ago/2005 Mar/2002 Out/1997 Ago/2005 Out/1997 Reconhec. Dez/2005 Dez/2005 - - - - - - Out/2005 - Out/2005 - Mar/2005 4 2 2 NC NC 2 3 IGC 2008 4 (continuação) Renov. Fontes: Elaborado pela pesquisadora. Disponível em: <http://www.educaçãosuperior.inep.gov.br>; <http://www.portal.mec.gov.br>. Acesso em: jan. 2010. Legenda: NC: A instituição não consta no IGC 2008, publicado em 02 set. 2009. NA: Não atribuído – Embora tenham participado do ENADE, alguns cursos não contaram com a participação mínima de dois alunos ingressantes e dois alunos concluintes. Desse modo, não recebem o conceito do ENADE e, portanto, não recebem o Conceito Preliminar de Curso (CPC). 39 38 37 36 35 34 33 32 Instituição 242 Fac. De Administração da FESPSP – FADFESPSP Fac. De Administração e Ciências Contábeis Luzwell – LUZWELL Idem Fac.de Administração São Paulo – FAPI Fac.de Ciências Econômicas e Adm. Santa Rita de Cássia – FACEAS Fac. De Educação e Ciências Gerenciais de São Paulo – FECG-SP Fac. Educação e Cultura Montessori – FAMEC Idem Idem Idem Fac. de Informática e Administração Paulista – FIAP Idem Fac. de Tecnologia IBTA – IBTA Fac. Escola Paulista de Direito – FACEPD Fac. Flamingo Fac. Guaianás – FAG Fac. Horizontes – FH Fac. Ibmec São Paulo – IBEMEC Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Privada Filantrópica Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Categ. Adm. - - - ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. 300 200 150 200 80 100 200 ENS.PRES. ENS.PRES. - 120 80 150 100 ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. Administração Administração Adm. Empresas Marketing Sist. Inform. Gerencial Administração - 150 80 ENS.PRES. ENS.PRES. 100 160 80 160 100 Vagas Adm. Empresas Marketing ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. Adm. Empresas Produção Industrial - ENS.PRES. ENS.PRES. Modalid. Adm. Empresas - Habilitação 3220 3196 3100 3500 3180 3520 3113 2880 3000 2880 3520 2880 3000 3200 3000 3180 2720 3260 C/H Mar/1999 Ago/2006 Fev/2001 Fev/2004 Abr/1995 Fev/1992 Jan/2008 Fev/1999 Ago/1998 Fev/1999 Fev/1992 Fev/1999 Ago/1998 Set/1994 Out/1972 Fev/1999 Out/1972 Fev/2004 Início Jul/1998 Fev/2006 Jun/2000 Nov/2003 Fev/1995 Dev/1991 Nov/2007 Jan/1999 Fev/1998 Jan/1999 Dez/1991 Jan/1999 Fev/1998 Ago/1994 Ago/1972 Jun/1998 Ago/1972 Out/2002 Criação Jul/2003 - Jul/2005 - Abr/2000 Mar/1997 - Mar/2004 Dez/2004 Mar/2004 Mar/1997 Mar/2004 Dez/2004 Out/2000 Out/1976 Set/2003 Out/1976 Nov/2008 Reconhec. - - - - Jun/2005 - Fev/2006 Dez/2005 Jun/2005 Dez/2005 Fev/2006 Set/2005 - - - 5 NA 2 NA NC 3 3 2 3 NA 2 2 IGC 2008 NA (continuação) Renov. Fontes: Elaborado pela pesquisadora. Disponível em: <http://www.educaçãosuperior.inep.gov.br>; <http://www.portal.mec.gov.br>. Acesso em: jan. 2010. Legenda: NC: A instituição não consta no IGC 2008, publicado em 02 set. 2009. NA: Não atribuído – Embora tenham participado do ENADE, alguns cursos não contaram com a participação mínima de dois alunos ingressantes e dois alunos concluintes. Desse modo, não recebem o conceito do ENADE e, portanto, não recebem o Conceito Preliminar de Curso (CPC). 52 51 49 50 48 47 46 45 44 43 42 41 40 Instituição 243 Facs. Integradas Paulista – FIP Idem Facs. Integradas Rio Branco – FRB Facs. Integradas Teresa Martin – FATEMA Facs. Integradas Tibiriçá – FATI 57 58 Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Privada Filantrópica Privada Filantrópica Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Categ. Adm. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. Adm. Empreses Comércio Exterior Administração Adm. Empresas (em extinção) Administração Adm. Empresas Com. Exterior Marketing Administração Adm. Empresas Marketing Adm. Empresas Adm. Pública Comércio Exterior Administração Adm. Empresas Adm. Pública - - Comércio Exterior Gestão de Serviços de Turismo - ENS.PRES. ENS.PRES. Administração Administração 150 150 150 200 ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. 450 225 100 300 500 500 180 150 150 180 250 480 330 100 100 Vagas ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. Modalid. Com. Exterior Gestão de Tecnologia da Informação - Habilitação 3720 3720 3180 3720 3580 3500 3500 - 3500 3500 3144 3200 3200 3180 3180 3180 3180 3600 3180 3600 3180 3200 C/H Mar/1996 Mar/1996 Fev/2003 Mar/1996 Mar/1973 Mar/1973 Mar/1973 Fev/1999 Mar/1973 Dez/1998 Ago/2000 Fev/2005 Fev/2006 Fev/1999 Ago/2000 Ago/2000 Fev/1999 Maio/1973 Fev/1999 Maio/1973 Abr/1999 Ago/2003 Início Jul/1995 Jul/1995 Mar/2003 Jul/1995 Nov/1972 Dez/1972 Dez/1972 Fev/1998 Dez/1972 Dez/1998 Dez/1999 Jul/2001 Jul/2001 Ago/1998 Mar/2000 Ago/1998 Maio/1973 Ago/1998 Maio/1973 Abr/1999 Mar/2003 Criação Jul/2000 Jul/2000 Jul/2006 Jul/2000 Ago/1976 Ago/1976 Ago/1976 Maio/2002 Ago/1976 Out/2003 Maio/2004 - - Mar/2004 Out/2005 Mar/2004 Nov/1977 Mar/2004 Nov/1977 Jun/2005 - Reconhec. Out/2005 Out/2005 Fev/2007 - - - - - Jan/2007 Jan/2007 Jan/2007 - - - 3 3 3 3 2 3 3 2 3 2 IGC 2008 NA (continuação) Renov. Fontes: Elaborado pela pesquisadora. Disponível em: <http://www.educaçãosuperior.inep.gov.br>; <http://www.portal.mec.gov.br>. Acesso em: jan. 2010. Legenda: NC: A instituição não consta no IGC 2008, publicado em 02 set. 2009. NA: Não atribuído – Embora tenham participado do ENADE, alguns cursos não contaram com a participação mínima de dois alunos ingressantes e dois alunos concluintes. Desse modo, não recebem o conceito do ENADE e, portanto, não recebem o Conceito Preliminar de Curso (CPC). 63 62 61 60 59 56 Idem Idem Idem Fac. Integral Cantareira – FIC Fac. Interlagos de Educação e Cultura – FINTEC Idem Idem Fac. Joana D´Arc Fac. Independente Butantã – FIB Facs. Integradas Campos Salles – FICS Idem Facs. Integradas IPEP – FIPEP Idem Idem Idem Idem 54 55 Fac. Impacta de Tecnologia – FIT 53 Instituição 244 Fac. Mozarteum de São Paulo – FAMOSP Idem Facs. Oswaldo Cruz – FOC Fac. Paulista de Ciências Aplicadas – FPCA Idem Idem Fac. Paulista de Pesquisa e Ensino Superior – FAPPES Fac. Paschoal Dantas – FPD Fac. Renascença – FACRENA Fac. Santa Izildinha – FIESI Idem Fac. Mário de Andrade – FMA Fac. Módulo Paulista – FMP Fac. Morumbi Sul – FMS Idem Idem Idem Fac. Magister – MAGISTER Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Categ. Adm. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. Adm. Empresas Análise de Sistemas Comércio Exterior Marketing Adm. Empresas (em extinção) Adm. Geral Administração - - ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. Administração Adm. Empresas - ENS.PRES. Adm. Empresas ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. Modalid. Administração - Adm. Empresas Comércio Exterior Marketing Adm. Empresas (em extinção) - Administração Habilitação 200 150 100 100 100 300 100 383 80 60 240 240 100 100 60 180 180 Vagas 3400 3200 3000 3020 3060 3020 3180 3100 3180 3300 3300 3800 3520 3180 3180 3180 3180 C/H Fev/2006 Jul/1998 Ago/2009 Fev/2007 Ago/2006 Fev/2007 Fev/1999 Mar/1974 Fev/1999 Ago/1999 Ago/1999 Ago/1999 Fev/2001 Fev/2002 Fev/2000 Fev/2000 Fev/2000 Início Nov/2005 Jun/1998 Jan/2008 Jan/2004 Jan/2004 Fev/2006 Jan/2004 Dez/1998 Fev/1974 Dez/1998 Jun/1999 Jun/1999 - Mar/2000 Maio/2000 Dez/1999 Dez/1999 Dez/1999 Criação - Abr/2002 - - - Abr/1978 Abr/2004 Mar/2004 Mar/2004 - Mar/2006 Abr/2007 Jun/2004 Parecer 770/2004 SESu Jun/2004 Reconhec. - Jun/2005 - - - - - - - - - - - - - 3 2 NC NC NC 3 3 2 3 2 IGC 2008 3 (continuação) Renov. Fontes: Elaborado pela pesquisadora. Disponível em: <http://www.educaçãosuperior.inep.gov.br>; <http://www.portal.mec.gov.br>. Acesso em: jan. 2010. Legenda: NC: A instituição não consta no IGC 2008, publicado em 02 set. 2009. NA: Não atribuído – Embora tenham participado do ENADE, alguns cursos não contaram com a participação mínima de dois alunos ingressantes e dois alunos concluintes. Desse modo, não recebem o conceito do ENADE e, portanto, não recebem o Conceito Preliminar de Curso (CPC). 74 73 72 71 70 69 68 67 66 65 64 Instituição 245 Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Privada Confessional Filantrópica Privada Confessional Filantrópica Categ. Adm. Gestão de Sistema de Informação Análise de Sistemas Administração Estratégia de Negócios Marketing Administração Comércio Exterior Gestão de Negócios Hotelaria Marketing Administração Administração Administração Comércio Exterior Hotelaria Comércio Exterior Gestão de Negócios Hotelaria Marketing Administração Administração Informática Adm. de Empresas Adm. Empresas (em extinção) - Administração - Habilitação 200 75 200 ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. 150 80 80 250 550 250 100 100 550 200 150 150 150 150 150 100 Vagas ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. Modalid. 3200 3500 3200 3500 3000 3000 2400 3300 3300 3300 3180 3180 3180 3200 3200 3200 3200 3200 3340 C/H Fev/2004 Fev/2000 Fev/2004 Fev/2000 Jan/1998 Jan/1998 Fev/2004 Ago/2005 Ago/2005 Ago/2005 Fev/2005 Mar/2000 Maio/2007 Mar/1963 Mar/1963 Jan/1999 Mar/1963 Jan/1999 Fev/2001 Início Out/2003 Jun/1999 Out/2003 Jun/1999 Fev/1997 Fev/1997 Out/1999 Out/1999 Out/1999 Out/1999 Out/1999 Out/1999 Maio/2007 Dez/1972 Mar/1988 Dez/1972 - Out/1998 Criação Maio/2009 Jun/2004 Maio/2009 Set/2003 - - Maio/2003 2003 Maio/2003 Maio/2003 Maio/2003 Maio/2003 - Jun/1977 Maio/2002 Jun/1977 - Abr/2005 Reconhec. - - - - - - - - Jan/2000 Jan/2000 - - NA NA 3 3 NC 3 IGC 2008 3 (continuação) Renov. Fontes: Elaborado pela pesquisadora. Disponível em: <http://www.educaçãosuperior.inep.gov.br>; <http://www.portal.mec.gov.br>. Acesso em: jan. 2010. Legenda: NC: A instituição não consta no IGC 2008, publicado em 02 set. 2009. NA: Não atribuído – Embora tenham participado do ENADE, alguns cursos não contaram com a participação mínima de dois alunos ingressantes e dois alunos concluintes. Desse modo, não recebem o conceito do ENADE e, portanto, não recebem o Conceito Preliminar de Curso (CPC). Idem Fac. Tancredo Neves – FTN Idem Fac. União – UNIÃO 80 81 Faculdade Sudoeste Paulistano – FASUP Idem Idem (Tatuapé) Idem Idem Idem (Imirim) Idem (Imirim) Fac. São Paulo – FACSP Fac. Sumaré – ISE Idem 79 78 77 Fac. São Luis – FSL 76 Idem Idem Idem Fac. Santa Marcelina – FASM 75 Instituição 246 Universidade Bandeirante de São UNIBAN 85 Priv. Part. Priv. Part. Privada Confessional Filantrópica Privada Comunitária Categ. Adm. Mb li Mc Mr Rg TP VM Administração (Ensino à Distância) CI Administração Administração Adm. Empresas Adm. Empresas (em extinção) Adm. Empresas (em extinção) - ENS.PRES. Adm. Financeira Comércio Eletrônico Comércio Exterior e Serviços Adm. Financeira Adm. Empresas ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.DIST. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES ENS.PRES ENS.PRES ENS.PRES ENS.PRES. ENS.PRES ENS.PRES. Modalid. Administração Habilitação 90 90 270 90 90 90 270 160 240 160 30 160 600 50 500 600 100 100 200 400 100 Vagas 3040 3040 3040 3040 3040 3040 3040 3200 3200 3200 3020 3200 3360 3360 3360 3360 3360 3520 3360 3520 3520 C/H Fev/2006 Fev/1999 Fev/2000 Fev//1998 Fev/2009 Fev/2008 Fev/2002 Jan/1998 Jan/1985 Jan/2009 Jan/2008 Jul/2002 Mar/1971 Mar/1971 Mar/1971 Mar/1971 Mar/1971 Fev/2004 Mar/1971 Fev/2004 Fev/2004 Início Abr/1991 Fev/1998 Jun/1998 Abr/1991 Abr/1991 Abr/1991 Dez/1997 Ago/1985 Ago/1985 Set/2004 Dez/2001 Fev/1969 Fev/1969 Jul/1974 Fev/1969 Fev/1969 Dez/2002 Fev/1969 Dez/2002 Dez/2002 Criação Jun/1993 Jun/1993 Mar/1993 Jun/1993 Jun/1993 Jun/1993 Jun/1993 Dez/1989 Dez/1989 Dez/1989 - Dez/1989 Jun/1974 Jun/1974 Jul/1974 Jun/1974 Jun/1974 Jun/1974 Mar/2009 Mar/2009 Reconhec. - - - - Maio/2006 Maio/2006 Jan/2000 Maio/2006 Maio/2006 3 3 4 IGC 2008 NA (continuação) Maio/2006 - - Renov. Fontes: Elaborado pela pesquisadora. Disponível em: <http://www.educaçãosuperior.inep.gov.br>; <http://www.portal.mec.gov.br>. Acesso em: jan. 2010. Legenda: NC: A instituição não consta no IGC 2008, publicado em 02 set. 2009. NA: Não atribuído – Embora tenham participado do ENADE, alguns cursos não contaram com a participação mínima de dois alunos ingressantes e dois alunos concluintes. Desse modo, não recebem o conceito do ENADE e, portanto, não recebem o Conceito Preliminar de Curso (CPC). Idem Idem Idem Idem Idem Idem Univ. Anhembi Morumbi – UAM Idem Idem Idem Idem Idem Idem Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUCSP Idem Idem Idem Idem Fac. Zumbi dos Palmares – FAZP Idem 84 83 82 Instituição 247 Univ. de Guarulhos – UNG Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Univ. Cidade de São Paulo Idem Idem Univ. Cruzeiro do Sul – UNICSUL Idem Idem Univ. Camilo Castelo Branco – UNICASTELO Idem Priv. Part. Priv. Part. Priv. Part. Privada Filantrópica Categ. Adm. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. EAD ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. Adm. Empresas Adm. Hospitalar Com. Exterior Hotelaria, Turismo e Lazer Marketing Adm. Empresas Marketing Administração Adm. Empresas Adm. Empresas Adm. Marketing Comércio Exterior Administração Administração Adm. Empresas Comércio Exterior Administração Adm. Empresas (em extinção) Adm. Empresas (em extinção) Adm. Empresas (em extinção) Adm. de Marketing (em extinção) Gestão de Negócios Administração 100 120 100 ENS.PRES. ENS.PRES. - - - 450 - 180 360 450 180 360 440 215 600 440 400 400 Vagas ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. Modalid. Administração Habilitação 3180 3180 3180 3000 3000 3000 3002 3000 3002 3002 3002 3002 3002 2992 3200 3002 3580 2992 3580 3580 C/H Ago/2008 Fev/2005 Fev/2005 Jan/2001 Fev/2004 Fev/1973 Fev/1973 Jan/2001 Fev/2004 Jan/2001 Fev/1973 Fev/2008 Jan/2001 Ago/1972 Mar/2007 Fev/2004 Fev/1972 Ago/1972 Fev/1972 Fev/1972 Início Jan/2008 - Maio/2004 Jun/2000 Dez/2003 Nov/1972 Jun/2000 Nov/1972 Out/2007 Jun/2000 Jan/2007 Dez/2003 Jun/1972 Maio/1972 Jun/1972 Nov/1975 Criação - - Mar/2005 Fev/1977 Fev/1977 Fev/1977 Fev/1977 Fev/1977 Fev/1977 Nov/1975 Jan/1977 Nov/1975 Nov/1975 Reconhec. - - - - - - - - Maio/200 4 - - - 2 3 3 IGC 2008 3 (continuação) Renov. Fontes: Elaborado pela pesquisadora. Disponível em: <http://www.educaçãosuperior.inep.gov.br>; <http://www.portal.mec.gov.br>. Acesso em: jan. 2010. Legenda: NC: A instituição não consta no IGC 2008, publicado em 02 set. 2009. NA: Não atribuído – Embora tenham participado do ENADE, alguns cursos não contaram com a participação mínima de dois alunos ingressantes e dois alunos concluintes. Desse modo, não recebem o conceito do ENADE e, portanto, não recebem o Conceito Preliminar de Curso (CPC). 89 88 87 86 Instituição 248 Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Universidade de Santo Amaro – UNISA Idem Idem Universidade de São Paulo – USP Idem Universidade Ibirapuera – UNIb Idem Idem Idem Universidade Nove de Julho – UNINOVE Idem Idem Univ. de Mogi das Cruzes – UMC Priv. Part. Privada Filantrópica Pública Estadual Privada Filantrópica Priv. Part. Categ. Adm. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. Administração Comércio Exterior Comércio Exterior Adm. Marketing Adm. Geral Administração em Comércio Exterior Adm. Em Comércio Exterior Adm. Geral Adm. Marketing Administração Administração Administração Administração Administração Administração Administração Administração Administração Administração ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.DIST. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.DIST. ENS.PRES. ENS.PRES. - (em extinção) - Administração ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. Modalid. Comércio Exterior Gestão Marketing Gestão Negócios Gestão Serviços Gestão Financeira Gestão Pública e Privada Administração Administração Habilitação 1610 583 560 280 140 478 1610 1814 650 280 583 527 1190 478 1190 280 50 50 50 527 110 - 150 320 100 480 560 550 Vagas 3780 3780 3780 3780 3780 3780 3780 3780 3780 3780 3780 3780 3780 3780 3780 3780 3000 3000 3000 3780 3480 3000 3200 3020 3480 3252 3252 3252 C/H Fev/1993 Fev/1998 Fev/1998 Fev/2008 Fev/2007 Fev/1986 Fev/1993 Fev/1993 Fev/1986 Mar/2004 Fev/1998 Mar/2002 Mar/2002 Fev/1986 Mar/2002 Mar/2004 Fev/2000 Ago/1973 Fev/2000 Mar/2002 Jan/1963 Ago/1973 Out/2005 Fev/1995 Jan/1963 Fev/2007 Ago/2004 Fev/2003 Início Dez/1992 Nov/1997 Out/2006 - Out/1985 - Dez/1998 Jul/1973 Dez/1998 - Dez/1961 Abr/1988 Jul/2005 Jan/1995 Dez/1961 Nov/2002 Jan/2005 Nov/2002 Criação Maio/1997 Dez/2002 Mar/2004 - Abr/1989 Maio/1997 Abr/1989 Set/1976 Set/1976 Set/1976 Dez/2000 Dez/1961 Set/1976 Out/1999 Dez/1961 Nov/2006 Out/1999 Nov/2006 Reconhec. Mar/2004 - - Mar/2004 - Out/2005 Out/2005 Out/2005 Out/2005 Dez/2004 - Dez/2004 - 3 2 NC 2 IGC 2008 3 (continuação) Renov. Fontes: Elaborado pela pesquisadora. Disponível em: <http://www.educaçãosuperior.inep.gov.br>; <http://www.portal.mec.gov.br>. Acesso em: jan. 2010. Legenda: NC: A instituição não consta no IGC 2008, publicado em 02 set. 2009. NA: Não atribuído – Embora tenham participado do ENADE, alguns cursos não contaram com a participação mínima de dois alunos ingressantes e dois alunos concluintes. Desse modo, não recebem o conceito do ENADE e, portanto, não recebem o Conceito Preliminar de Curso (CPC). 94 93 92 91 90 Instituição 249 Idem (Indianópolis) Idem (Marginal Pinheiros) Idem (Marquês) Idem (Marquês) Universidade Paulista – UNIP (Anchieta) Idem (Chácara Santo Antonio Priv. Part. Categ. Adm. ENS.PRES. ENS.PRES. Comércio Exterior ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. - Adm. Marquês Comércio Exterior ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. Modalid. Adm. Geral Adm. Geral Adm. em MKT Adm. Comércio Exterior Administração Comércio Exterior (em extinção) Administração Comércio Exterior (em extinção) Administração Comércio Exterior (em extinção) Administração em Marketing (em extinção) Administração em Marketing (em extinção) Administração em Marketing (em extinção) Adm. Geral (em extinção) Adm. Geral (em extinção) Adm. Geral (em extinção) Adm. Geral (em extinção) - Habilitação 690 690 230 460 690 460 1814 280 1610 1190 560 527 583 280 478 650 280 1814 560 650 Vagas 4200 3000 3000 3000 3000 3000 3780 3780 3780 3780 3780 3780 3780 3780 3680 3780 3780 3780 3780 3780 C/H Fev/1999 Fev/1999 Ago/1996 Fev/2000 Ago/1996 Fev/2001 Fev/1993 Fev/2008 Fev/1993 Mar/2002 Fev/1998 Mar/2002 Fev/1998 Mar/2004 Fev/1986 Fev/1986 Fev/2008 Fev/1993 Fev/1998 Fev/1986 Início Nov/1998 Nov/1998 Nov/1988 - Nov/1988 - Dez/1992 Dez/1992 Dez/1992 - Nov/1998 - Nov/1997 - Out/1985 Out/1985 Dez/1992 Dez/1992 Nov/1997 Out/1985 Criação Jun/1993 Jun/1993 Jun/1993 Set/1993 Jun/1993 Set/1993 Maio/1997 Maio/1997 Maio/1997 Maio/1997 Dez/2000 Dez/2000 Dez/2000 Abr/1989 Abr/1989 Abr/1989 Maio/1997 Maio/1997 Dez/2000 Abr/1989 Reconhec. - - - - Mar/2004 Mar/2004 Mar/2004 Mar/2004 - - - - - - Mar/2004 Mar/2004 - 3 IGC 2008 (continuação) Renov. Fontes: Elaborado pela pesquisadora. Disponível em: <http://www.educaçãosuperior.inep.gov.br>; <http://www.portal.mec.gov.br>. Acesso em: jan. 2010. Legenda: NC: A instituição não consta no IGC 2008, publicado em 02 set. 2009. NA: Não atribuído – Embora tenham participado do ENADE, alguns cursos não contaram com a participação mínima de dois alunos ingressantes e dois alunos concluintes. Desse modo, não recebem o conceito do ENADE e, portanto, não recebem o Conceito Preliminar de Curso (CPC). 95 Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Idem Instituição 250 Universidade São Marcos – USM Idem Idem Idem Idem Universidade São Judas Tadeu – USJT Idem Idem Idem Idem Universidade Presbiteriana Mackenzie – MACKENZIE Idem Universidade São Francisco – USF Priv. Part. Privada Confessional Filantrópica Priv. Part. Privada Filantrópica Categ. Adm. ENS.PRES. ENS.PRES ENS.PRES. - ENS.PRES. 240 340 240 - - 600 1080 - ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. - 410 70 ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. 60 525 460 460 920 ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. EAD ENS.PRES. 460 230 460 690 Vagas ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. ENS.PRES. Modalid. Adm. Empresas Comércio Exterior Administração Administração Adm. Empresas Comércio Exterior Adm. Empresas (em extinção) Adm. Empresas (em extinção) - Adm. Empresas - Adm. (Região Sudoeste) Adm. Vergueiro Comércio Exterior Vergueiro Administração Adm. Empresas Comércio Exterior Habilitação 3126 3126 3126 3800 3800 3800 3800 3800 3800 3331 3020 3000 3570 3000 3000 3000 3000 3000 3000 3200 C/H Fev/2008 Fev/1972 Fev/2003 Fev/2007 Ago/1971 Fev/2007 Ago/1971 Ago/1971 Fev/2007 Jan/1976 Set/1972 Abr/2006 Jan/1976 Jun/2001 Fev/1989 Fev/1989 Fev/1995 Fev/1989 Fev/1999 Ago/1996 Início Jul/1972 Jul/1972 Jun/2002 Jun/2006 Jul/1971 Jun/2006 Jul/1971 Jul/1971 Jun/2006 Jan/1965 Set/1972 Nov/2004 Jan/1965 Nov/1988 Nov/1988 Nov/1988 Nov/1988 - Criação Out/1975 - Jul/1974 Jul/1974 Jul/1974 Jul/1974 Jul/1974 Jul/1974 Jan/1976 Jul/1977 Jan/1976 Jun/1993 Set/1993 Set/1993 Jun/1993 Jun/1993 Set/1993 Jun/1993 Reconhec. - - 3 3 3 4 IGC 2008 (conclusão) Jan/2006 Jan/2006 Jan/2006 Jan/2006 Jan/2006 Jan/2006 Jan/2000 Mar/2004 Jan/2000 - - Renov. Fontes: Elaborado pela pesquisadora. Disponível em: <http://www.educaçãosuperior.inep.gov.br>; <http://www.portal.mec.gov.br>. Acesso em: jan. 2010. Legenda: NC: A instituição não consta no IGC 2008, publicado em 02 set. 2009. NA: Não atribuído – Embora tenham participado do ENADE, alguns cursos não contaram com a participação mínima de dois alunos ingressantes e dois alunos concluintes. Desse modo, não recebem o conceito do ENADE e, portanto, não recebem o Conceito Preliminar de Curso (CPC). 99 98 97 96 Idem (Norte) Idem (Paulista) Idem (Pinheiros) Idem (Região Sudoeste) Idem (Tatuapé) Idem (Vergueiro) Idem (Vergueiro) Instituição 251 252 APÊNDICE B – ENTREVISTAS COM GESTORES PROTOCOLO DE SIGNIFICADOS – ENTREVISTA – GESTOR 1 Questão 1: O PPC insere ao currículo duas atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2) e amplia o TCC de um para dois semestres. Nesse sentido, há uma valorização da pesquisa no curso de graduação em Administração? Como foi o processo de inserção de tais atividades no PPC e quais foram os objetivos? Texto de Referência (Depoimento) - Perfeito. A inserção da pesquisa foi intencional. A gente, quando nós começamos a discutir a questão da reforma do curso, a premissa que a gente tinha era o que a gente poderia fazer para diferenciar o nosso curso, já que a reforma anterior, havida no início dos anos [19]80, tinha trazido a questão das disciplinas optativas, que gerava, de certa forma, uma espécie de especialização dos nossos alunos. Não chegava a ser uma especialização, mas formava o Administrador generalista, que sempre foi a nossa proposta – o nosso curso nunca teve, na época em que existiam as habilitações, nunca teve habilitação, nós sempre focamos a questão do generalista – e, aí, levava a uma vertente pelas cinco áreas funcionais. Com a proposta da reforma, o que nós discutíamos? Nós discutíamos, inicialmente, uma readequação da distribuição de horas que permitisse às nossas áreas funcionais terem um aumento de espaço na grade curricular, ou seja, a premissa que nós estabelecemos ao iniciar a revisão da estrutura curricular foi a seguinte: olha, as áreas funcionais têm que ter, pelo menos, 50% da grade horária do curso. Naquela época pelo menos, a gente tinha uma determinação da CONSULTEC na época, hoje CONSULTEG, que era assim: obviamente nós não podemos ultrapassar para baixo o limite inferior que era 3.000 horas da nossa diretriz curricular, mas também não poderíamos ultrapassar um teto, que era o número de horas que o curso já tinha; e nessa, quando a gente estava fazendo a reforma, houve a mudança dos créditos nossos, que passaram de quinze para dezessete semanas, então a premissa que nós tínhamos era 3.420 horas como limite superior e 3.000 horas, o nosso limite inferior. E deveríamos introduzir, nessa estrutura curricular, as atividades complementares que estavam começando a ser inseridas nos currículos dos cursos de graduação no Brasil. Então, diante de muitas reflexões do grupo que estava estudando a reformulação do currículo do curso falou[-se] como é que a gente poderia, então, numa premissa, então, o que nós temos hoje de optativas [que] de certa forma se incorporam na grade, já que a gente reduziu o Explicitação dos Significados A inserção das atividades de pesquisa no curso de graduação em Administração foi intencional; A pesquisa foi inserida como um diferencial na formação do aluno; O curso de graduação em Administração da PUC-SP sempre teve como proposta uma formação generalista; O desenvolvimento de uma visão especialista foi garantido no currículo anterior por meio das disciplinas optativas; A premissa estabelecida foi de que pelo menos 50% da grade horária do curso seria destinada às áreas funcionais; Houve uma redução do espaço de exatas, matemáticas e de outras disciplinas auxiliares no curso de Administração; No currículo atual, os conteúdos das disciplinas optativas foram incorporados às disciplinas obrigatórias visando à formação de um Administrador generalista; O limite mínimo para a carga horária total do curso, estabelecido pelas Diretrizes Curriculares da Administração, era de 3.000 horas; e o máximo, de 3.420 horas; Houve uma determinação da CONSULTEC em relação à carga horária total do curso; Atividades complementares 253 espaço das exatas, das matemáticas e das outras disciplinas auxiliares. O nosso foco era: se nós queremos formar um Administrador generalista, não podem ser optativas, têm que ser obrigatórias essas disciplinas. Então, não é bem realista a ideia [de que] acabaram as optativas; não é que essas optativas acabaram, elas foram incorporadas na estrutura curricular como obrigatórias. A outra questão, então, é: bom, como é que a gente diferencia? Então, surgiu a ideia da pesquisa, ou seja, os nossos alunos têm pouca prática, pouca experiência na pesquisa. Então, o que nós procuramos foi, justamente, trazer para o aluno, para que ele leve a sua realidade empresarial, mesmo um estagiário, um funcionário ao iniciar sua vida profissional, a importância do conhecimento mais organizado, que a gente busque o conhecimento científico dentro dessa perspectiva para melhorar a sua reflexão, já que, quando nós discutimos a estrutura do curso, tínhamos como premissa formar o gestor e, aí, dentro de toda aquela perspectiva do projeto pedagógico, a questão da análise, da execução. É, então, a pesquisa ela entra, a proposta era que ela entrasse como um elemento estruturante dessa visão crítica, que a gente esperava que o aluno pudesse ter com a formação do curso. estavam começando a ser inseridas nos currículos dos cursos de graduação no Brasil; Os alunos tinham pouca experiência na pesquisa; O objetivo da inserção das atividades de pesquisa no currículo foi trazer para o aluno a importância de um conhecimento mais organizado, científico, que pudesse melhorar sua reflexão, atuando como um elemento estruturante de uma visão crítica que pudesse ser levada para a sua realidade empresarial. Questões Emergentes (1ª Questão) QA – Então as atividades de pesquisa propostas no PPC foram pensadas para atender às necessidades de formação do aluno e voltadas para sua atuação no mercado de trabalho? - A pesquisa científica, ou seja, ela foi pensada com o rigor da Academia, mas que isso pudesse dar condições para que ele desenvolvesse uma reflexão crítica, uma visão crítica sobre a prática do mercado de trabalho. Porque não é a pesquisa de mercado em si, é exatamente a pesquisa voltada, orientada para um problema e não para a solução do problema, ou seja, o fundamento era: vamos inserir a pesquisa – era Pesquisa 1 e 2 e ampliação do TCC – nesse sentido, orientação ao problema e não à solução do problema. A solução do problema, a pesquisa de marketing é que deve resolver, não é? A pesquisa inserida no contexto do curso era, exatamente, trabalhar a questão científica acadêmica na abordagem das questões da Administração. Explicitação dos Significados A pesquisa tinha como objetivo trabalhar a questão científica e acadêmica na abordagem das questões da Administração; além disso, desenvolver uma visão e uma reflexão crítica em relação à prática do mercado de trabalho. 2ª Entrevista QE – Qual foi a determinação da CONSULTEC? - A CONSULTEC (hoje CONSULTEG) estabeleceu como limites para a carga horária do curso, no caso de reforma dos projetos pedagógicos (cabe lembrar que diversos cursos da Universidade encontravam-se em fase de revisão de seus projetos), os seguintes parâmetros: 254 mínimo (piso) o determinado pelas diretrizes curriculares da área e máximo (teto) o número atual do curso que entrava em revisão (desde que, obviamente, esse número fosse superior ao das diretrizes). A carga horária do curso de Administração na época da atual reforma contava com 3.400 horas. Logo, o piso ficou entre 3.000 horas (mínimo estabelecido pelas Diretrizes Curriculares da Administração) e 3.400 horas (carga horária do curso à época da reforma). A comissão optou por trabalhar pelo limite superior; assim, mantivemos a carga do curso em 3.400 horas. Cabe salientar, no entanto, que essa norma não foi sustentada posteriormente pela CONSULTEC (isso era uma premissa da PUC e não do MEC). Isso queria dizer, portanto, que se quiséssemos aumentar a carga horária do curso nós poderíamos. Mas essa posição só foi mudada depois que a reforma estava concluída e o novo projeto implantado. Questão 2: Qual foi o conteúdo que vocês pensaram para essas atividades? Texto de Referência (Depoimento) - Então, dentro da nossa perspectiva a gente tinha, em princípio, duas abordagens. A abordagem original era a seguinte: o professor tem o projeto de pesquisa e ele incorpora os alunos nesse projeto de pesquisa. Incorpora. Então, eu tenho lá um projeto de pesquisa, como eu tinha lá A Trajetória do Ensino do Marketing no Brasil. Por quê desse projeto? Esse projeto quer dizer qual é o papel da Academia na formulação de termos teóricos para aplicação na atividade, na intervenção das organizações. O projeto teve exatamente essa trajetória. Um projeto que deveria durar, em média, três anos, então os alunos das diferentes turmas iriam participar das diferentes etapas. Eles não seriam auxiliares, mas seriam pesquisadores juniores, é verdade, mas pesquisadores por quê? O papel do professor é inserir os alunos em alguma etapa, na revisão da teoria, tudo que tinha sido produzido em termos de modelos teóricos dentro dessa perspectiva aqui no Brasil. Então, essa foi uma etapa que foram quase dois anos, quase quatro semestres. E depois [teve] uma fase no campo, onde eles foram às principais escolas de Administração de São Paulo, presencialmente, que foi uma pesquisa que teve uma parte exploratória e uma parte quantitativa e, aí, eles encaminharam questionário para todas as escolas de Administração do Brasil. Obviamente que a taxa de respostas foi baixa, mas fizemos aí uma distribuição censitária. Então, a questão era: o professor tem o projeto e ele insere os alunos no projeto, mas não é simplesmente fazer com que eles sejam mão-de-obra nesse projeto. É inseri-los no contexto da pesquisa. Então, independentemente da etapa que o aluno estivesse participando da pesquisa, ele ia olhar o que já tinha acontecido, recebia os relatórios e era apresentado: olha, fizemos essa etapa aqui e o que vai acontecer de agora para frente. Então dá esse contexto, no sentido de, ao participarem de um projeto de pesquisa com uma estrutura melhor, eles tivessem essa visão mais orgânica do que é a pesquisa, como ele encaixa essa questão da investigação de Explicitação dos Significados O formato original das atividades de Pesquisa 1 e 2 era a inserção dos alunos em projetos de pesquisa dos professores; Como os projetos de pesquisa dos professores teriam duração superior a um semestre, os alunos participariam em diferentes etapas do projeto; Os alunos não seriam mão-de-obra, mas pesquisadores juniores que atuariam nas diferentes etapas do projeto; Ao serem recepcionados pelo professor, em Pesquisa 1 e 2, os alunos seriam inseridos no contexto da pesquisa, recebendo um relatório para conhecimento das etapas anteriores, atuais e futuras; A participação do aluno em pesquisas mais estruturadas possibilita o desenvolvimento de uma visão mais orgânica do que é a pesquisa, bem como subsidia o aluno para investigações futuras de fenômenos da Administração em sua vida acadêmica e profissional. 255 fenômenos relacionados à Administração, como ele pode lidar com essas situações quando ele for se deparar em sua vida lá na frente. Questão 3: Qual é a relação das atividades de pesquisa com os demais componentes curriculares? O PPC prevê, por exemplo, a criação de uma Central de Estudos de Casos. Qual vínculo foi estabelecido entre essas atividades e os demais componentes curriculares? Texto de Referência (Depoimento) - É, a gente sonhou um pouquinho alto, mas a ideia era justamente que nós tivéssemos, a gente até tinha pensado um pouco mais amplo, mas aí não passou nas outras instâncias, que era uma Central de Estudos de Casos e uma Cátedra. A Cátedra seria responsável por organizar a pesquisa no curso... no departamento e no curso. E a central [deveria] aproveitar o conhecimento produzido para a elaboração de estudos de casos que revertessem, essa era a ideia, que teriam a função de reverter em instrumento de trabalho para os próprios professores, ou seja, a pesquisa com a finalidade de criar conhecimento, de gerar conhecimento. E esse conhecimento gerado, então, além da questão de publicações científicas, etc, enfim, acadêmicas, dependendo da característica do estudo, ele poderia se transformar em elemento para a estruturação de estudos de casos. Isso dentro da estrutura proposta: o aluno vinculado à pesquisa do professor. E, aí, esses insumos, esses resultados desses projetos de pesquisa, eles veriam aqueles que tivessem uma visão mais prática, uma intervenção mais direta na realidade de algumas empresas, eles gerariam os estudos de casos e esses estudos de casos seriam utilizados no ensino da própria PUC e, quem sabe, até a gente disponibilizar isso para outras instituições. E uma outra fonte para a Central de Estudos de Casos seriam os próprios TCCs. Os melhores TCCs - com melhor estruturação - podem efetivamente gerar subsídio para isso ser transformado em estudos de casos. Obviamente que isso precisaria de autorização das empresas para que isso fosse divulgado, enfim, respeitando aí todos os trâmites da ética em pesquisa. Então, basicamente, a ideia era justamente essa, ou seja, ter de forma articulada, fosse pela Cátedra, fosse pela Central de Estudos de Casos, nas áreas epistemológicas nós teríamos a discussão dos projetos e a aprovação desses projetos da área articulado, seria inicialmente pela Cátedra, mas como a Cátedra não aconteceu, por um comitê de pesquisa do departamento ou pelos núcleos de pesquisa. Explicitação dos Significados O projeto previa a criação de uma Cátedra e de uma Central de Estudos de Casos; A Cátedra seria responsável pela organização da pesquisa no curso de Administração; A Central de Estudos de Casos aproveitaria o conhecimento produzido pelas pesquisas realizadas pelos professores para o desenvolvimento de estudos de casos, que seriam revertidos como instrumentos de trabalho para os próprios professores; A pesquisa geraria produção de conhecimento; Esse conhecimento seria transformado em produção acadêmica – por meio da publicação – e em estudos de casos; Os projetos de pesquisa que apresentassem uma visão mais prática, uma intervenção mais direta na realidade de algumas empresas, seriam insumos que gerariam os estudos de casos, desde que autorizados pelas respectivas empresas; Os estudos de casos poderiam ser utilizados no ensino da própria PUC-SP e até disponibilizados para outras instituições; A Cátedra, que seria responsável pela articulação entre pesquisa e produção acadêmica, não foi aprovada pelas demais instâncias da PUC-SP; 256 As áreas epistemológicas discutiriam e aprovariam os seus projetos de pesquisa; Como a Cátedra não foi aprovada, a articulação entre pesquisa e produção acadêmica deveria ser realizada por um comitê de pesquisa ou pelos núcleos de pesquisa. Questões Emergentes (3ª Questão) QE – Então os núcleos de pesquisa da pósgraduação estariam ligados às linhas de pesquisa das áreas epistemológicas da graduação, os projetos dos professores vinculados a essas linhas e os alunos de Pesquisa 1 e 2 vinculados aos projetos? Foi isso? - A gente não pensou bem nessa questão, porque até aquela época a gente ainda tinha uma divisão entre a graduação e a pós-graduação, que hoje não existe mais, mas naquela época a gente tinha, ainda, essa divisão. Tanto que tinham núcleos de pesquisa aqui na pós e alguns na graduação, né, ou seja, não eram vinculados. O meu grupo de pesquisa, por exemplo, nasceu na graduação e não aqui na pós-graduação. Então, essa articulação, o que nós tínhamos pensado era assim: que tivesse uma coordenação no âmbito do departamento, do curso na graduação. Por quê? Porque a gente tinha até discutido as linhas de pesquisa que o curso deveria ter e nessas linhas de pesquisa deveriam se vincular os projetos de pesquisa dos professores para serem desenvolvidos. A proposta era essa. Explicitação dos Significados Na época da elaboração do PPC, havia uma separação entre as atividades da graduação e da pósgraduação que impossibilitava a vinculação dos alunos da graduação aos núcleos de pesquisa da pós-graduação; O PPC previa a criação de linhas de pesquisa da graduação vinculadas às áreas epistemológicas do curso de Administração; Os alunos seriam inseridos nos projetos de pesquisa dos professores e estes, por sua vez, vinculados às linhas de pesquisa das áreas epistemológicas. Questão 4: A inserção das atividades de pesquisa também teve como objetivo o desenvolvimento de uma quantidade maior de projetos de Iniciação Científica? Texto de Referência (Depoimento) - Sim. Por quê? À medida que a gente conseguisse, não sei se você vai perguntar isso lá na frente, a gente pensou isso: claro, nós vamos ter que ter professor para fazer isso. A gente sabia que a gente não tinha. Então, o que a gente ia fazer e até chegamos a fazer quando a Myrt assumiu a coordenação do curso, ela começou a fazer algumas reuniões, foram duas, mas parou, a gente ia fazer oficinas de pesquisa com os nossos professores para preparar a elaboração desses Explicitação dos Significados Foi identificada a necessidade de formação de professores para o desenvolvimento de projetos de pesquisa vinculados às atividades de pesquisa; A coordenação do curso de graduação em Administração realizou duas reuniões voltadas à formação dos professores para as 257 projetos de pesquisa, para que esses projetos de pesquisa acontecessem e os alunos se inscreveriam nos projetos que eles tivessem interesse, respeitando aquele limite que a gente havia estabelecido de 20 alunos por turma. O problema foi justamente que esses grupos, esses grupos de estudo, acabaram não acontecendo. Então, a gente acabou tendo poucos professores apresentando projeto e isso acabou virando o projeto do aluno. Aí, você perde força, porque o aluno, quer dizer, como é que um professor orienta 15 projetos? 20 projetos? Então, não tinha como a gente operacionalizar os projetos, e o pior, os projetos se transformarem em projetos individuais. Se ainda fossem quatro ou cinco projetos que grupos de alunos desenvolvessem, poderia ser um pouco menos, mas veja, a gente teria uma duração muito menor do projeto, ou seja, teriam que ser projetos mais simples, teriam que ser, é, na verdade, TCCs. E a proposta era que a coisa fosse mais ampla, ou seja, que se trabalhasse com metodologias mais robustas, que era justamente para permitir ao aluno ter essa reflexão mais crítica, né, da questão. Quando você trabalha numa perspectiva de um ano, você restringe muito a possibilidade de aprofundamento do tema e a metodologia tem que ser mais superficial, não dá para você aprofundar o tanto que a gente precisaria aprofundar. Então, esse descompasso é que acabou levando à descaracterização da proposta que a gente tinha no início, que era que o projeto [fosse] do professor e não do aluno. Foi com outra caracterização que as atividades de Pesquisa 1 e 2 foram previstas no 3º e 4º período do curso. Era ali no segundo ano que ele teria, então, toda essa preparação, porque aí ele não só teria essa visão científica da Administração, mas ele estaria sendo iniciado na metodologia científica, na reflexão científica da Administração. Passaria depois por uma Iniciação Científica – ele teria uma janela para passar por uma Iniciação Científica – e chegaria ao TCC num grau de maturidade bem diferente. Foi pensado como atividades integradas: Pesquisa 1 e 2, com a possibilidade de desenvolvimento de Iniciação Científica, e TCC 1 e 2. Mesmo o aluno que não fizesse a Iniciação Científica, mas ele já teria essa iniciação na pesquisa para chegar ao TCC com uma estrutura mais madura. E aí a gente tinha uma dupla finalidade, ou seja, não só a gente estaria preparando o aluno, o objetivo final era preparar o nosso aluno, mas a gente teria que preparar o nosso professor também. Então, a gente estaria com uma massa crítica do nosso corpo docente melhor preparada para produzir, publicar e aumentar a nossa exposição externa com as nossas publicações, com as publicações dos nossos professores, oriundos desses projetos de pesquisa que eles trabalhariam com os alunos. Então, a cada três anos o professor teria lá a finalização de um projeto que poderia gerar um livro, mas ao longo atividades de pesquisa; Não houve continuidade desse trabalho; A proposta era a realização de oficinas de pesquisa para o desenvolvimento dos projetos de pesquisa dos professores, mas tais grupos de estudo acabaram não acontecendo; Poucos professores apresentaram algum projeto de pesquisa; O formato das atividades de pesquisa foi transformado, alterando o seu foco para projetos de alunos; Os projetos dos alunos passaram a ser individuais; É difícil operacionalizar a orientação de 20 projetos por turma, quantidade proporcional ao número de alunos previsto; Os projetos passaram a ter duração muito inferior a um ano – o tempo de duração das atividades de Pesquisa 1 e 2 – implicando sua simplificação; Essa simplificação impossibilitou a utilização de metodologias mais robustas e reduziu a possibilidade de aprofundamento de um tema, condições necessárias para possibilitar ao aluno o desenvolvimento de uma visão mais crítica em relação ao problema; As atividades de pesquisa adquiriram o mesmo formato do TCC; Houve uma descaracterização em relação à proposta dessas atividades no PPC, no qual eram vinculadas ao projeto do professor; A proposta inicial previa, na formação do aluno, o desenvolvimento da visão científica da Administração e sua iniciação na metodologia científica e na reflexão crítica da Administração, no segundo ano do curso; O aluno teria uma janela para o 258 desse percurso ele poderia estar publicando artigos, poderia estar gerando insumos para a elaboração de estudos de casos. Foi pensado em termos de produção acadêmica, ou seja, quando nós pensamos a pesquisa, era para formar o nosso aluno, mas era para a gente dar massa crítica para o nosso corpo docente, dar maturidade acadêmica para o nosso corpo docente, para que ele pudesse interagir melhor nessa estrutura. Assim, os nossos docentes estariam sempre pesquisando, estariam sempre com um projeto de pesquisa, coisa que, por exemplo, aqui na pós-graduação é obrigatório, nenhum professor pode dar aula na pós-graduação sem projeto de pesquisa. E nós teríamos a mesma coisa na graduação com uma boa parte dos nossos docentes. desenvolvimento de projetos de Iniciação Científica ou para o amadurecimento de um projeto de TCC; O aluno chegaria ao TCC com maior grau de maturidade intelectual; A proposta inicial tinha dupla finalidade: preparar o aluno – como objetivo principal – e preparar o professor; Essa formação do professor para o desenvolvimento de projetos de pesquisa e para a realização das atividades de pesquisa levaria, consequentemente, ao aumento da produção acadêmica dos professores e à melhor exposição externa oriunda das publicações; Os projetos de pesquisa dos professores poderiam gerar artigos científicos durante o processo e livros ao término do projeto; A proposta incentivaria e proporcionaria condições para que os professores pesquisassem continuamente. Questões Emergentes (4ª Questão) QA – E que infraestrutura foi pensada para viabilizar essa proposta? - Foi justamente isso, ou seja, a infraestrutura física a gente sabia que a gente não teria, né? Então, foi pensado assim: nós temos que preparar os nossos professores especificamente. Implantado o currículo, como as atividades de pesquisa se iniciavam no 2º ano do curso, nós teríamos um ano para preparar os nossos professores. Mas isso não foi feito. QA – Quem deveria fazer? - A coordenadora do curso. Tanto é que quando foi a disputa para a coordenação de curso eu tinha colocado a minha candidatura e a Bete também se Explicitação dos Significados Na proposta, a infraestrutura necessária era o tempo para preparar os professores para o desenvolvimento de projetos de pesquisa, que seriam utilizados nessas atividades; Haveria um período de um ano – entre a implantação do currículo e o início das atividades de pesquisa – para a realização de encontros de pesquisa para a formação dos professores; A formação dos professores para as atividades de pesquisa não foi realizada. Caberia à coordenação do curso viabilizar a realização desses encontros. 259 colocou. Eu falei: nós temos uma proposta de trabalho, essa proposta de trabalho é complexa – eu estou falando isso para você porque eu falei isso para a própria Bete e falei isso na reunião. Ela falou que participou do projeto, e de fato ela participou, mas não fez a lição de casa que deveria ter sido feita. Quando a gente fez a apresentação da proposta, do PPC, ou seja, o que a gente havia pensado antes da proposta final, isso foi explicitamente colocado. Tenho claro que a gente tinha isso: uma vez implantado o currículo, a gente tinha um ano fazendo encontros de pesquisa, preparando os professores para que no ano seguinte os próprios projetos já estivessem prontos e a gente pudesse caminhar nesse sentido. Questão 5: O que vocês pensavam sobre produção acadêmica e publicação das pesquisas? Texto de Referência (Depoimento) - Em termos de publicação, nós pensávamos em divulgação da produção acadêmica do professor. A ideia é que a gente tivesse uma produção pesada. O papel do aluno seria trabalhar em cada uma das fases da pesquisa. Explicitação dos Significados Havia uma perspectiva de uma produção acadêmica de peso, por meio da produção acadêmica dos professores, decorrentes dos projetos e das atividades de pesquisa. Questão 6: De alguma forma vocês tinham a intenção de que a pesquisa pudesse proporcionar ao aluno a integração entre as diferentes áreas do conhecimento? Texto de Referência (Depoimento) - A ideia era essa. Porque é assim: quando a gente lança uma pesquisa, a pesquisa ela é em todos os seus sentidos. Tanto é que não era nem fechado só para as áreas funcionais. Todo professor poderia, por exemplo, um professor de Direito poderia fornecer um projeto voltado à questão do Direito na Administração, do Direito do Consumidor, por exemplo. Também para Psicologia, Sociologia. Era amplo, desde que o projeto fosse de um professor vinculado que desse continuidade e relacionado aos assuntos da Administração. O objetivo era que vários alunos e turmas passassem pelas diversas etapas da pesquisa daquele projeto. Aliás, inclusive, até para o aluno era interessante que ele participasse de um projeto num semestre e de outro projeto no outro semestre, porque ele veria diferentes contextos. Nesse sentido, não haveria problemas em relação a pré-requisitos, porque não Explicitação dos Significados Todo professor poderia apresentar projetos de pesquisa, inclusive os de Direito, Psicologia ou Sociologia, que poderiam propor temas relacionando diferentes áreas do conhecimento à Administração; Seria interessante que o aluno participasse de diferentes projetos, um em Pesquisa 1 e outro em Pesquisa 2, para ter a visão de diferentes contextos; Na formação proposta não haveria a necessidade de pré-requisitos para o aluno, uma vez que o professor seria responsável pela continuidade do projeto. 260 seria uma continuidade. A ideia é que ele fizesse em cada semestre. Ia falar: o passado foi esse, o presente é esse e o futuro será aquele. Só não teria que falar quando não tivesse mais futuro (risos). Mas, ao longo da duração do projeto, seria essa contextualização. Questão 7: Qual foi a intenção da duplicação de carga horária para o TCC? Texto de Referência (Depoimento) - Quando a gente inseriu o TCC no curso – porque o TCC não é obrigatório na Administração, mas ele era um fator de uma avaliação qualitativa do curso – [foi] no final de 2002, quando a gente recebeu a Comissão de Avaliação do MEC. Eu era o coordenador do curso naquele momento. Na época nós não tínhamos TCC, nós tínhamos Orientação de Estágio I e II. Em 2002, a gente recebeu a comissão no final do ano, então já estava marcado e eu reuni os coordenadores – não eram áreas epistemológicas na época, mas eram os coordenadores das áreas funcionais, mais os de Direito, Psicologia e Sociologia, [no total] eram oito coordenadores e mais o coordenador de estágio. Eu tinha vindo de uma reunião da ANGRAD, no Rio de Janeiro, em que essa coisa tinha sido discutida, então eu falei: olha, nós vamos receber a avaliação, então qual é a proposta: vamos mudar o conteúdo da Orientação de Estágio II, então, ao invés de ser um relatório de estágio essa segunda parte – porque ficava uma enrolação, já pensou? - então, transformamos a Orientação de Estágio II em TCC. Como a gente teria que tramitar essa coisa e não ia dar tempo, então a gente mudou: olha, na Orientação de Estágio II, o conteúdo vira TCC. E foi assim, recebemos a comissão e falamos assim: aqui a gente chama de Orientação de Estágio II, mas na verdade é TCC. E já tínhamos alguns TCCs lá: aqui estão os nossos TCCs e tal. Tanto é que a gente recebeu o que seria equivalente à nota 5,0 (cinco) hoje nos três quesitos, nas três dimensões e até infraestrutura a gente conseguiu (risos) receber nota 5,0 (cinco) de tão impressionada que ficou a comissão, os dois avaliadores. Então, nos [quesitos] projeto pedagógico, no corpo docente e na infraestrutura, nós recebemos nota 5,0 (cinco), o que foi muito bom na época. Então, introduzimos o TCC em um semestre, que era o espaço que nós tínhamos. Quando a gente foi fazer a revisão, a gente sabia, claramente, que não dava para a gente fazer TCC em três meses. Eles faziam um relatório „meia-boca‟, ou seja, com muitas fragilidades que acabavam acontecendo, tanto é que em anos posteriores a gente começou a fazer o que: olha, em Orientação de Estágio I, dois meses para você Explicitação dos Significados Embora o TCC não seja obrigatório no curso de graduação em Administração, consiste em fator de avaliação positiva do MEC; Antes da avaliação do curso de Administração pelo MEC, realizada em 2002, as coordenações do curso e das áreas epistemológicas decidiram alterar o conteúdo da Orientação de Estágio II para desenvolvimento do TCC; Em 2002, o curso recebeu a melhor avaliação nas três dimensões: PPC, corpo docente e infraestrutura; O TCC foi introduzido em um único semestre, como Orientação de Estágio II, porque era o espaço possível no currículo; Sempre houve o reconhecimento da necessidade de aumentar o tempo para a realização do TCC de um para dois semestres; Reconhecendo essa limitação de tempo e para minimizar os problemas decorrentes, parte das horas da atividade de Orientação de Estágio I também foram destinadas para elaboração do projeto de pesquisa para o TCC. 261 fazer o relatório de estágio, faz rapidinho e pega pelo menos um mês para fazer o projeto e preparar o TCC, independente de quem vai fazer a orientação. Era uma forma de a gente tentar minimizar um pouco a coisa, mas estava muito claro para gente que o TCC precisaria efetivamente de dois semestres. Questões Emergentes (7ª Questão) QA – No PPC, o TCC foi concebido como uma atividade mais prática, como uma monografia ou não foi definido o formato? - Monografia. Tanto é que, quando nós pensamos, a gente até queria tirar o nome, quer dizer, a gente não colocou como TCC, a gente colocou como monografia. Quando você vê o projeto pedagógico, está lá monografia, porque a gente queria tirar esse estigma de TCC: oh, meu Deus do céu, TCC, eu não faço mais nada, etc e tal! (risos). Então, a gente queria colocar: não, vai fazer uma monografia e tem dois semestres para fazer a monografia, ou seja, vai avançando nessa estrutura. No primeiro semestre estruturar o objeto de estudo e a fundamentação teórica e ter o segundo semestre para fazer o campo. Basicamente era essa a estrutura que a gente tinha como proposta. Eu não sei como está acontecendo (risos). Explicitação dos Significados O formato do TCC no PPC foi definido como uma monografia; TCC 1 estaria voltada para a estruturação do objeto de estudo e desenvolvimento da fundamentação teórica; e TCC 2, para a realização da pesquisa de campo; Há um estigma por parte dos alunos em relação ao TCC e às dificuldades para sua realização; O grupo responsável pela elaboração do PPC chegou a pensar em mudar o nome do trabalho para monografia. Encerramento: Você gostaria de acrescentar algo ou algum aspecto que a gente não abordou aqui? Texto de Referência (Depoimento) Explicitação dos Significados - Não, eu acho que não. Eu acho que é por aí mesmo. Fonte: Elaborado pela pesquisadora, a partir da transcrição e análise inicial da entrevista. QA – Questão de Aprofundamento QE – Questão de Esclarecimento QF – Questão Focalizadora 262 PROTOCOLO DE SIGNIFICADOS – ENTREVISTA – GESTOR 2 Questão 1: Como você entende a pesquisa na graduação e no curso de Administração? (importância e objetivos) Texto de Referência (Depoimento) - A inserção da disciplina de pesquisa no curso de graduação em Administração, aqui da PUC, foi da maior relevância, porque anteriormente, no currículo velho, não era dada nenhuma ênfase à pesquisa, nem informalmente. A ênfase na pesquisa já está rendendo frutos: nosso índice de Iniciação Científica tem aumentado, o interesse do aluno de graduação pela pesquisa tem aumentado significativamente durante o semestre e isso tem sido observado nos TCCs também – o aluno que faz uma boa pesquisa, o TCC dele tende a ser melhor. Eu tenho conversado com alguns professores de TCC e eles têm dado esse tipo de feedback. A importância de você iniciar uma pesquisa mesmo, com os aspectos metodológicos, com as normas da ABNT, até mesmo essa correlação, essa iniciação, digamos assim, com a questão acadêmica, com a produção de conhecimento já no segundo ano, isso representa algo, embora eles não tenham maturidade, digamos assim, isso não traz prejuízo, pelo contrário. Explicitação dos Significados A inserção da disciplina representa a valorização formal da pesquisa no curso; Tal inserção aumentou o interesse dos alunos da graduação pela pesquisa e sua participação em projetos de Iniciação Científica; As atividades de pesquisa têm contribuído para o aumento da qualidade dos TCCs, posto que proporcionam aos alunos a aquisição de conhecimentos sobre metodologia do trabalho científico; É importante a iniciação do aluno na pesquisa no início do curso, favorecendo sua aproximação às questões acadêmicas e à produção do conhecimento. Questões Emergentes (1ª Questão) QA - O que você entende por maturidade? - Essa maturidade é a compreensão da importância da produção acadêmica, da produção de pesquisa mesmo, acadêmica. Então, quando o aluno ele está na Pesquisa 1, ele vem sem a menor compreensão. Ele entende que é uma matéria, é alguma coisa que ele tem que fazer um trabalho e, conforme ele vai avançando na leitura e na discussão sobre a ciência, sobre o paradigma científico, sobre a questão mesmo do conhecimento, aí a coisa ganha outro patamar, porque ele se torna muito mais aberto à compreensão da ciência, porque a própria natureza da graduação em Administração coloca o aluno um pouco fora desse âmbito científico, o que é muito diferente em outros cursos, em outras graduações, por exemplo, mesmo o curso superior em Tecnologia em Gestão Ambiental, o aluno já tem, digamos, essa pegada científica, ele já está preocupado na Explicitação dos Significados O aluno adquire maturidade a partir da compreensão da importância da produção do conhecimento; Com a pesquisa, o aluno torna-se mais aberto à compreensão da ciência; A natureza da formação em Administração distancia o aluno do âmbito científico; Em outras áreas do conhecimento, a resolução dos problemas demanda um olhar mais científico; O aluno busca uma formação mais voltada ao atendimento das necessidades do mercado; Não há cobrança para o desenvolvimento de uma reflexão 263 resolução de um problema que demanda um olhar mais científico. Já no caso da Administração, não. Não, necessariamente. Ele vem muito preocupado com o dilema do mercado, em dar respostas rápidas. Já uma reflexão científica não é tão cobrada, até porque os professores não têm, muitas vezes, essa formação. Então eu acho que, com a inserção da pesquisa, isso acaba quebrando um pouco e trazendo muitos benefícios científicos, não é? Há carência de produção de conhecimento científico mesmo em torno da Administração. científica, pois ela também não está presente no cotidiano da maioria dos professores; A inserção da pesquisa traz benefícios na medida em que propicia condições para a produção de conhecimento na área da Administração. Questão 2: Como você compreende as atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2) propostas no Projeto Pedagógico do Curso? (conteúdo, carga horária, período, número de alunos por turma, ausência de pré-requisitos, critérios de avaliação) Texto de Referência (Depoimento) - Eu não participei diretamente da reforma do projeto pedagógico. Eu peguei o projeto pedagógico em andamento. Eu comecei a trabalhar na primeira turma, já coordenando o curso lá em Santana na primeira turma em 2007, quando o projeto pedagógico foi implementado. Quando houve a primeira turma de Pesquisa 1, eu ainda não estava na coordenação geral, mas já coordenava lá em Santana. Eu peguei Pesquisa 2 aqui (na Monte Alegre). Ela foi muito cercada de cuidados. A Professora Bete começou trabalhando numa perspectiva de colocar... de realmente fazer algo diferente, onde o aluno pudesse ter um trabalho mais individualizado de orientação, onde fugisse desse esquema de sala de aula, onde ele pudesse ser familiarizado com o ambiente de produção científica. Isso já foi colocado desde o início, não é? Através de reuniões, uma espécie de marco regulatório. Então, eu me lembro muito bem que o Professor Y realizou uma reunião com o intuito de integrar a pós com a graduação e os professores foram convidados a inscreverem linhas de pesquisa ou não só linhas de pesquisa, mas temas de seu interesse, que eles pudessem desenvolver. Então o professor escreveu um mini-projeto onde o aluno escolheria pela afinidade com o projeto em si e não simplesmente para fazer a disciplina e tudo mais. Isso foi implementado em um semestre e deu muito certo, só que a gestão acadêmica disso é algo impossível, tendo em vista a quantidade de alunos e de professores. Por exemplo, a SAE não teria como fazer, ter um campo específico para cadastrar esses projetos dos professores. Então os alunos não tinham como efetivamente conhecer esses Explicitação dos Significados Acompanhou a implantação das atividades de pesquisa do currículo, como coordenadora e professora; A implantação das atividades de pesquisa foi cercada de cuidados; O seguinte princípio norteou a implantação: a proposta de um trabalho de orientação mais individualizado, para familiarização do aluno com o ambiente de produção científica; Foi realizada uma reunião com a pósgraduação e com os idealizadores da pesquisa no PPC, com o objetivo de integrar graduação e pós-graduação; Foi solicitada aos professores a indicação de suas linhas de pesquisa ou temas para que os alunos pudessem escolher pela afinidade com o projeto – experiência considerada positiva e implantada em um semestre; A gestão acadêmica tornou-se inviável em razão do número de alunos e professores e das limitações do sistema da SAE para matrícula dos alunos; O projeto foi abandonado em função das limitações administrativas. 264 projetos. Então, ficou algo que não tinha como se operacionalizar. Deu muito trabalho, porque o aluno tinha que vir até o departamento, olhar as ementas, a pequena descrição de cada um dos projetos e escolher. Então, nem todo mundo estava disposto a fazer isso numa época em que havia a troca de sistema, do antigo SIGA para o RM. Então foi exatamente no momento mais crítico, num momento crucial aí como um todo e em especial para o curso de Administração. Então as coisas não estavam totalmente informatizadas e justamente por isso teve que abandonar essa perspectiva de escolha pelo projeto do professor, mas o respaldo que a gente teve foi de algo muito positivo, nesse sentido. Questões Emergentes (2ª Questão) Explicitação dos Significados QE - Então, essa escolha dos alunos pelo projeto do professor, por temas de interesse, foi feita só por um semestre? - Isso. Só foi feito por um semestre e „feito na unha‟, literalmente na unha. Cada aluno, algo em torno de 500 alunos, manhã e noite, 300 noturno e 200 matutino. Algo em torno de 500 mesmo. Então, cada um deles escolhendo um projeto. É algo inviável, mas isso aconteceu. O número elevado de alunos e as limitações do sistema para matrícula inviabilizou a escolha dos alunos por projetos/temas de interesse. QA - E como foi o interesse dos alunos pelos projetos? - Muitos alunos interessados em alguns projetos, em outros nem tanto, por exemplo, [d]os projetos dos métodos quantitativos os alunos fugiam, [d]os projetos ligados a Finanças os alunos fugiam. Eles têm medo da matemática, eles têm medo do raciocínio lógico, do cálculo... Também, ele está no segundo ano e normalmente pegou muita „DP‟ no primeiro ano, de matemática, de estatística. Então, ele vem cercado de problemas, mais de imaginário mesmo, de mitos, medo dessas matérias. Os alunos demonstraram receio com relação a projetos ligados aos temas referentes a métodos quantitativos ou Finanças; Tal receio relaciona-se a mitos a respeito dessas matérias, mas igualmente a dificuldades enfrentadas no primeiro ano do curso. 265 Questão 3: Quais ações foram ou têm sido adotadas para a implantação dessas atividades no currículo? Texto de Referência (Depoimento) - Sim. Aí, posteriormente, foi no 1º semestre de 2009, teve que mudar. Teve que fazer um ajuste em função da SAE, mas muitos professores continuam até hoje adotando a sua própria perspectiva. O ajuste foi o seguinte: tem a turma e eles se matriculam por turma, então eles não escolhem mais. Então, o que acontece, o professor é alocado depois. Então faz o ajuste por turma, então turma ND, a ND1 e, sei lá, a ND2. Divide a turma ND em duas. Então, o critério passou a ser meramente de sistema e não o critério acadêmico, da pesquisa, da produção do conhecimento. Para facilitar, para ajustar – na verdade houve uma inversão de valores – nós que tivemos que abrir mão dos nossos princípios para nos adequarmos ao sistema e perdemos muito com isso. Agora, na prática, os professores – muitos deles – continuam trabalhando com seus temas. Por exemplo, o Professor X não abre mão de trabalhar com [o tema] Sustentabilidade e os alunos que estão trabalhando com ele não vão trabalhar outros temas, vão trabalhar com Sustentabilidade e ponto. Explicitação dos Significados A coordenação alterou seus critérios acadêmicos em função das limitações de matrícula dos alunos no Sistema SAE; Muitos professores continuam determinando seus temas segundo sua linha de pesquisa; Os alunos são matriculados por turmas e os professores alocados depois; desse modo, os alunos não escolhem nem definem os temas, depende da perspectiva do professor. Questões Emergentes (3ª Questão) Explicitação dos Significados QA - E como você avalia isso (o professor determinar o tema) no contexto atual da disciplina? - Eu acho isso positivo por um lado, mas ele teria que escolher, ao meu ver. O aluno teria o direito de escolher se ele quer trabalhar com Sustentabilidade, a priori. Então, se ele for para o Professor X, que trabalha esse tema, ele tem que ter tido essa escolha. A determinação do tema pelo professor é um fator positivo, do ponto de vista acadêmico; A impossibilidade de o aluno escolher seus temas de pesquisa é um fator negativo, em função de sua motivação e interesse. QA - A determinação de um tema pelo professor é um caso isolado ou outros professores fazem isso? - Fazem. Nós temos outros professores que fazem isso também. Eles normalmente são pesquisadores que já seguem a sua linha de pesquisa e eu acho que isso é positivo, ou seja, o fato de ter uma linha de pesquisa, mas é negativo o fato do aluno não escolher. Então, ele chega lá em Sustentabilidade ou Meio A determinação do tema pelo professor é um fator positivo, do ponto de vista acadêmico, porque os professores seguem sua linha de pesquisa; O aluno fica frustrado quando não se identifica com o tema proposto; É necessário encontrar um meio de compatibilizar as escolhas dos 266 Ambiente e aí ele fica frustrado com a disciplina. Então eu acho que teríamos que encontrar algum outro meio de gerenciarmos isso, da escolha dele e da escolha do professor. Ficou no meio do caminho: a ditadura do sistema. professores e a matrícula dos alunos. 2ª Entrevista QE – A coordenação orientou esses professores? Como? Que ações foram adotadas? - Foram realizadas reuniões objetivando ouvir os professores sobre a experiência que tiveram no primeiro momento e, posteriormente, muitas sugestões foram acatadas. Entretanto, não se chegou a um consenso sobre se o tema deveria ou não ser do professor, prevalecendo a liberdade do docente. QA – De que forma as escolhas poderiam ser compatibilizadas? - Seguindo as linhas de pesquisa oriundas do Projeto Pedagógico do Curso. Isso certamente aumentaria a produção acadêmica dos docentes e discentes. Questão 4: Quais aspectos positivos ou negativos em relação à pesquisa no curso são (ou foram) percebidos ou trazidos a essa coordenação? Texto de Referência (Depoimento) - „N‟ reclamações. Ao meu ver, os mais graves se referem à postura do professor. Porque, infelizmente, muitos professores não entenderam o âmago da questão da pesquisa. Não entenderam o compromisso com a pesquisa. Então, o que acontece na prática, no relato do aluno, eu não sei como isso se dava em sala de aula, mas o aluno chegava com o seguinte relato: “o professor chega às 11h05m, ele faz a chamada e pergunta: „vocês têm dúvidas?‟ Se não têm dúvidas, 11h10m, 11h15m está todo mundo indo embora”. A aula não acontece. O aluno não sabe o que é uma metodologia de pesquisa, então o professor não nivela no início um pouco de conhecimento que o aluno não tem familiaridade. Então isso frustra muito o aluno, porque ele chega falando: “tal, o que é pesquisa? Eu vou fazer o projeto „x‟, tá, mas o que é um projeto, o que é um instrumento de pesquisa, o que é uma hipótese? Eu não sei o que é uma hipótese”. Então ele chega pedindo. Muitas vezes eu tive que sentar com ele, rabiscar literalmente, como coordenadora e fazendo isso. Explicitação dos Significados Muitos professores não têm compromisso com a pesquisa ou não compreendem o processo de ensino e aprendizagem da pesquisa; A aula não acontece de fato e os alunos não são orientados adequadamente; Não há um nivelamento, pelos professores, acerca da metodologia de pesquisa; Alguns alunos ficam frustrados com a disciplina, porque não compreendem a pesquisa; Os alunos têm a atribuição de desenvolver os projetos de pesquisa, mas não são devidamente orientados; A coordenação chegou a orientar alguns alunos. 267 Questões Emergentes (4ª Questão) QA - Como coordenadora, o que foi feito em relação a esses professores? - Na medida do possível, a gente conversava com eles, pedia para fazer um pouco esse trabalho de metodologia científica, nivelar um pouco, mas muitos argumentavam o seguinte: “olha, o aluno tem que se virar, é um trabalho de orientação”. Então, eu me sentia, muitas vezes, frustrada em ter essa percepção dos professores. Explicitação dos Significados Alguns professores não compreendem o papel de orientação: confundem a autonomia do aluno na pesquisa com a falta de necessidade de orientação efetiva; A coordenação sente-se frustrada com a percepção dos professores. 2ª Entrevista QE – Alguma ação foi realizada para mudar essa percepção dos professores? - Algumas reuniões foram feitas nesse sentido, mas não houve consenso sobre que posicionamento deveria ser tomado, o que prevaleceu foi a liberdade do docente em conduzir o processo. QA - Como os professores de pesquisa eram selecionados? - Na primeira e segunda turma, nós tentamos selecionar primeiro por experiência em produção do conhecimento e orientação – professores da pós de preferência, professores que já haviam orientado TCC, alguma coisa desse tipo. Entretanto, com o tempo, com todos esses problemas da maximização da PUC, a pesquisa passou a ser um „tapaburaco‟, não é? Passou a ser alguma coisa que alocasse horas para aquele professor que não tinha as cinco horas para completar as dezoito horas de seu contrato de trabalho. E isso comprometeu significativamente a qualidade da pesquisa no decorrer do semestre. Eu não sei como isso está hoje, mas creio eu que não pode ser por aí, na verdade isso traz um prejuízo muito sério para a Universidade e para os alunos em relação à produção do conhecimento. Os critérios iniciais de seleção de professores para as atividades de pesquisa foram: experiência em produção de conhecimento e em pesquisa; Foi dada preferência aos professores da pós-graduação e aos professores da graduação que orientavam TCC; Em função da maximização dos contratos docentes, as atividades de pesquisa passaram a representar horas para complementação dos contratos, comprometendo a qualidade da formação em pesquisa no curso e a produção do conhecimento. 2ª Entrevista QE – Alguma ação foi realizada para preservar os critérios iniciais de escolha dos professores para a atividade? - Foram solicitados aos coordenadores de área, responsáveis pela distribuição da grade horária. Mas em virtude da maximização imposta pela Universidade, não houve condição de manter a fidelidade das turmas. 268 Questão 5: Na sua opinião, existem futuras ações que devam ser implantadas e a que prazos? Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que tem que ter um desenho mais claro. Primeiro esse projeto pedagógico, ele é complicado, sabe? Por exemplo, a turma da manhã tem a possibilidade de ter a Pesquisa 1 e a Pesquisa 2 na grade. A turma da noite tem a Pesquisa 1 na grade, mas a Pesquisa 2 ela está num horário extra. Nós sabemos que o horário extra – que é o horário das 17h40m e que foi para o sábado no último semestre – é complicadíssimo. O aluno realmente vai? Ele tem condições de chegar antes ou ir aos sábados? Muitos trabalham. Enfim, eu acho que se quisesse realmente dar uma notoriedade para a pesquisa, ela tinha que estar num horário nobre, no horário da grade, que é aquele horário que o aluno realmente está aí, em especial. Eu acho que há um prejuízo sim ter um horário extra, quer seja aos sábados ou mesmo durante a semana, no horário de turma especial. Outra questão é que ela precisa estar com um desenho claro, o que queremos com a pesquisa, onde queremos chegar? Explicitação dos Significados O projeto pedagógico é complicado em relação à pesquisa, porque não contempla as atividades na grade regular do curso para o período noturno; Atividades antes do horário das aulas do noturno ou aos sábados não são frequentadas por todos os alunos, porque a maioria trabalha; Haveria mais notoriedade para a pesquisa se as atividades fossem inseridas no horário regular do noturno; É necessário um desenho mais claro para a pesquisa, que explicite seus objetivos. Questões Emergentes (5ª Questão) QE - O programa e planos de aula elaborados pela coordenação não trazem essa clareza? - Eles deveriam trazer. Nós temos um Plano de Aula que foi elaborado pela Professora X já para a primeira turma, e ele contempla isso. Lá está contemplado, está muito claro. Só que o que nós sabemos é que existe um gap entre o plano de aula e aquilo que é dado em aula. Nós não sabemos de fato se o objetivo está sendo cumprido, porque nós não temos como aferir. Por exemplo, se pudéssemos fazer uma exposição com as pesquisas dos alunos, o produto final, não é? Se tivesse uma vazão desse produto final, uma visibilidade, nós teríamos como aferir, minimamente, qual o resultado que estamos tendo. No entanto, cada professor faz lá o que bem entende e não tem um feedback. Quando o aluno vem com a queixa, isso é bom para a coordenação, porque ele está entendendo o que está acontecendo na prática. Só que nem todos vêm. Então é difícil mapear, muito difícil. Eu acho que, assim, teria que ter um coordenador de pesquisa, um Explicitação dos Significados Os planos de aula para as atividades de pesquisa elaborados e implantados pela coordenação do curso são considerados claros e explicitam os objetivos; Muitos professores não cumprem os planos definidos; Não há como a coordenação aferir se os planos estão sendo cumpridos; As reclamações dos alunos representam um feedback à coordenação, que mapeia parcialmente a prática; A exposição das pesquisas dos alunos poderia ser um meio de dar visibilidade e aferir, minimamente, os resultados obtidos, por meio do produto final; A coordenação do curso não tem condições de assumir a coordenação dessas atividades; 269 coordenador que recebesse cinco horas que seja para ele coordenar essa atividade de pesquisa, como tem no estágio. O coordenador do curso não tem „pernas‟ para isso, não tem como, é humanamente impossível, porque ele tem vinte horas para coordenar um curso de 4.000 alunos, é impossível. Seria interessante a criação do cargo de coordenador de pesquisa junto ao departamento, com 5 HS/A, no mínimo, para coordenar as referidas atividades. 2ª Entrevista QA – Na sua opinião, por que os planos não são cumpridos por todos os professores? - A PUC-SP prima pela liberdade de cátedra e pela liberdade de expressão. Isso é excelente, mas muitos professores confundem a falta de planejamento e compromisso pedagógico com liberdade. Questões Emergentes (5ª Questão) Explicitação dos Significados QA - Essa „coordenação de pesquisa‟ seria também para TCC? - A orientação de estágio parece que está dando certo, acho que deve ficar como está. Eu não sei se o TCC está tudo concentrado com o Professor X, mas acho que tem um modus operandi mais funcional do que a pesquisa. O TCC funciona mais no final. Só que nós temos uma deficiência de produção científica mesmo, números. Por que nós não recebemos muitas verbas? Por que o nosso professor não tem acesso ao fomento de pesquisa? Porque nós não produzimos. Há uns dois anos, nós tivemos aqui um encontro com o pessoal do CNPq e da FAPESP e é muito claro: Ciências Sociais e Psicologia têm notoriedade porque produzem, eles estão lá nos indicadores. O TCC tem um modus operandi mais funcional do que a pesquisa e pode permanecer com a Coordenação de Estágios; Há uma deficiência na produção científica em Administração, que impede o acesso dos professores aos órgãos fomentadores de pesquisa; QE - A produção a que você se refere é a do professor ou a do aluno, da pós ou da graduação? - De todo mundo, porque tudo isso conta, tanto a produção docente como a discente. Porque a produção do aluno, ela é conjunta com o professor: um aluno não produz sozinho, ele tem que ter orientação. Então, assim, nós não produzimos, porque nós estamos ocupados demais apagando incêndios, apagando incêndios pontuais ali. Então, não há tempo efetivo para dedicação à pesquisa. Nós estamos exaustos, temos 50 a 60 alunos em nossas salas. E, aí, se nós pudéssemos usar pesquisa, de forma que o aluno pudesse ter o conhecimento da metodologia científica, pudesse já ir escrevendo artigos, realizando pesquisa de campo, em TCC ele conceituaria isso de uma forma mais profunda e os TCCs poderiam sim gerar produção de conhecimento, que possam realmente ser escritos e gerar artigos para publicação. Há necessidade de aumentar a produção docente e discente no curso; Os professores do curso não têm tempo efetivo para dedicação à pesquisa, em função do excesso de alunos por sala de aula no curso; O produto final, decorrente das atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2), poderiam gerar produção de conhecimentos; Por meio dessas atividades, o departamento poderia melhorar sua produção científica, por intermédio da publicação de artigos. Os cursos que produzem têm notoriedade do CNPq e da FAPESP. 270 QE - Você vê Pesquisa 1, 2, TCC 1 e 2 de forma sequencial? - Sim, claro. Eu vejo Pesquisa 1 e 2 concatenada depois com TCC. As atividades de pesquisa são consideradas sequenciais e concatenadas (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2). QA - A questão de não haver pré-requisito (voltando à questão 2) dificulta isso? - Mais ou menos, não muito, porque o aluno já faz isso, ele faz sequencialmente Pesquisa 1, Pesquisa 2. Só quando chega um aluno de transferência é que faz a 2 e vira aquele „samba‟. Mas, normalmente, o aluno regular, que é 90%, ele faz isso. Então eu acho que não atrapalha muito. 90% dos alunos cursam as atividades de forma sequencial; A ausência de pré-requisitos não compromete as atividades. Encerramento: Você gostaria de acrescentar algo ou algum aspecto que a gente não abordou aqui? Texto de Referência (Depoimento) - Na verdade, só a preocupação, na minha avaliação, com a produção do conhecimento dentro da Administração. Eu acho que a gente ainda não acordou para o fato que estamos sendo deixados para trás. As pessoas de outras universidades estão produzindo. Nós temos a GV, a USP, a UFA, a Federal do Rio Grande do Sul, e eu tive a oportunidade de conhecer e estar trabalhando com algumas pessoas e realmente a produção do conhecimento no campo da Administração está andando, está andando, está „anos-luz‟ de nós. Nós estamos aqui ainda „patinando‟. Explicitação dos Significados A produção do conhecimento no campo da Administração deve ser estabelecida como prioridade no curso; Outras universidades demonstram resultados muito melhores em relação à produção do conhecimento na área da Administração. Questões Emergentes (Encerramento) Explicitação dos Significados QA - Por que você acha que nossa produção é ruim ou baixa? - É baixa, ela não é ruim. Qualitativamente falando eu não sei como mensurar, mas quantitativamente falando, ela é pouca, numericamente falando, se pegar os indicadores da CAPES você vai ver. Segundo os indicadores da CAPES, quantitativamente a produção científica na área de Administração da PUC-SP é considerada baixa. QA - Na sua opinião, por que nossa produção é baixa? - Ela é baixa porque nós não temos incentivos. Por exemplo, hoje nós fomos maximizados e não recebemos horas de pesquisa pra nada praticamente. Nós temos um grupo de pesquisa aqui muito sério, tentamos implementar As condições de trabalho dos professores e a ausência de incentivos à pesquisa na Administração são os fatores responsáveis pela baixa produção científica; São poucos os projetos que solicitam 271 pesquisa, pedimos um fomento ao departamento, aquela Pesquisa Institucional, 10 horas para a pesquisa, e não conseguimos. Nosso projeto foi julgado no mérito, estava bom, só que ninguém deu explicação porque não foram aprovadas as horas para a pesquisa. Algum órgão aqui da PUC não aprovou. Eu vejo, conheço a PUC praticamente inteira, e as pessoas estão pesquisando, o fomento sai sim, os professores das Ciências Sociais continuam recebendo verbas, continuam pedindo e recebendo, Psicologia idem, Jornalismo idem. A gente aqui, quando ousa pedir, recebe um não. QA - Por que? - Acho que não faz parte de uma estratégia, de uma política maior. Por exemplo, a Direção, ela deveria deixar claro o lugar da pesquisa. Qual é o lugar da pesquisa? A pesquisa é intocável, é isso que nos garante prestígio e notoriedade. Só dar aulas não constitui uma universidade. Nós não somos uma faculdade. QA – Questão de Aprofundamento QE – Questão de Esclarecimento QF – Questão Focalizadora horas para Pesquisa Institucional na PUC-SP e nem sempre são aprovados; Não há transparência em relação aos critérios de avaliação, aprovação e concessão de horas para Pesquisa Institucional na PUC-SP. Existe a necessidade de que a Direção da Faculdade defina estratégias e políticas relacionadas à pesquisa na área da Administração; Dar aulas não constitui uma universidade; A pesquisa garante notoriedade e prestígio ao curso e à universidade. 272 PROTOCOLO DE SIGNIFICADOS – ENTREVISTA – GESTOR 3 Questão 1: Como você entende a pesquisa na graduação e no curso de Administração? (importância e objetivos) Texto de Referência (Depoimento) - Bom, a pesquisa no curso de Administração, na graduação, é sempre muito importante, porque o curso de Administração não tem esse foco na pesquisa acadêmica. Então é uma maneira que a gente tem de fazer com que os alunos se interessem por pesquisa em geral e por pesquisa em Administração em particular. A introdução, então, da questão da pesquisa, eu acho que foi um grande avanço dos currículos anteriores para esse nosso, apesar de que quando entrou, em 2007, entrou fora, como uma atividade complementar, [a atividade de] Pesquisa 1 e 2. Então, pesquisa entrou nesse bojo da atividade complementar e aí a gente foi fazer os conteúdos pedagógicos e foi interessante, porque eu vi que acabou ao longo do tempo se consolidando e hoje acho que está – pelo menos para os professores que estão desde o início – como uma atividade mais concreta, a gente sabe o que faz. No 1º semestre se faz o pré-projeto e no 2º semestre você faz um artigo ou um estudo de caso ou um projeto melhor de TCC ou alguma coisa. Mas, incentivou também os alunos a se preocuparem – não vou dizer todos não, porque a preocupação do aluno de Administração não é com atividade acadêmica mesmo, não é? Eles têm uma preocupação muito mais prática. Poderia dizer que a pesquisa pode ajudar eles nessa preocupação prática, nesse entusiasmo e, aí, vai do talento do professor, do orientador-professor, fazer com que ele veja essa vinculação com o assunto do momento, com assuntos que ele gostaria de ver. Uma questão anterior, também, que a gente mudou ao longo do tempo, era que o antigo coordenador, quando se discutia o que era a pesquisa, ele achava que essa Pesquisa 1 e 2 deveria estar vinculada com a pesquisa do professor e ao longo do tempo a gente sentiu também que não era isso, que isso não entusiasmava o aluno. Eu acho, então, resumindo, que é importantíssimo, principalmente no curso de Administração – que não tem uma vocação para isso – e Explicitação dos Significados O curso de Administração não tem foco na pesquisa acadêmica; A partir da introdução da pesquisa como disciplina regular, os alunos passam a se interessar por pesquisa em geral e por pesquisa em Administração; A inserção das disciplinas de pesquisa no currículo de Administração representa um avanço em relação aos currículos anteriores; Quando o currículo foi implantado, Pesquisa 1 e 2 foram inseridas como atividades complementares e, posteriormente, foram excluídas de tais atividades; Ao longo do tempo, as atividades de pesquisa do curso de Administração foram consolidando-se; Os conteúdos pedagógicos foram definidos pela coordenação do curso desde a implantação: Pesquisa 1 para elaboração do pré-projeto e Pesquisa 2 para elaboração de produto concreto, que pode ser um artigo, um estudo de caso ou um projeto melhor de TCC; No início da implantação da Pesquisa 1 e 2 no curso, houve uma tentativa de vincular os alunos às pesquisas dos professores, porém essa proposta inicial não entusiasmou os alunos; A maioria dos alunos de Administração não se preocupa com pesquisa acadêmica, está mais interessada na prática da Administração; O estabelecimento de vínculo entre teoria e prática, por meio da pesquisa, depende da postura do professor-orientador; Vinculando a pesquisa aos assuntos do momento e àqueles que interessam aos alunos, o professor aumenta a motivação deles para a pesquisa; A importância da pesquisa é reconhecida 273 ela vai ser importante para o aluno se ele encontrar essa importância: se ele encontrar no tema que ele quer desenvolver uma possibilidade de aprender mais sobre ele, não é? Eles estão gostando, eles saem a campo, fazendo pesquisa de campo, mais do que pesquisa bibliográfica – a gente sabia disso, que o entusiasmo maior seria por pesquisa de campo e não por pesquisa bibliográfica, e por assuntos do momento, como Mídia Social, Redes, sei lá, o Yahoo, o Peixe Urbano, não? Eles saem com a maior felicidade para fazer esse tipo de coisa, ou Marketing Digital, ou Risco em Finanças, Finanças Pessoais, os assuntos do momento. pelo aluno quando ele encontra um tema de seu interesse; Pela escolha do tema de pesquisa, o aluno tem a oportunidade de aprofundamento daquele conhecimento; Os alunos preferem a pesquisa de campo à pesquisa bibliográfica; Os alunos demonstram comprometimento e motivação com os assuntos do momento, tais como Mídia Social, Redes, o Yahoo, o Peixe Urbano, Marketing Digital, Risco em Finanças, Finanças Pessoais, entre outros. . Questões Emergentes (1ª Questão) Explicitação dos Significados QE – Você diz que Pesquisa 1 e 2 entrou fora e como atividade complementar em 2007? Como? - Entrou fora. Entrou dentro de atividades complementares, por [conta de] uma visão, eu acho que distorcida, que a CONSULTEG teve na época e depois retomou. Eles nos disseram que deveria ter uma parte de atividades complementares que não estariam, necessariamente, dentro da grade horária. Portanto, a gente pensou em 100 (cem) horas, 68 (sessenta e oito) horas dentro da grade e 32 (trinta e duas) fora. E agora nós estamos tendo problemas com isso, porque os alunos que entraram em 2007 ou que vieram de outras instituições e pediram as equivalências se basearam nas 32 (trinta e duas) horas de atividades complementares externas e faltaram horas para o nosso curso. Quando o MEC resolveu pedir que nós todos víssemos o que nós tínhamos de horas que estavam dentro das disposições regulamentares lá do MEC, a gente viu, a CONSULTEG viu que faltavam horas no curso. Então, o que era atividade complementar ficou sendo Pesquisa 1 e 2, sem o título de atividade complementar. Além disso, a gente precisa ter 68 (sessenta e oito) horas de atividade complementar fora da grade. Aquelas 32 (trinta e duas) viraram 68 (sessenta e oito). Pesquisa 1 e 2 foram implantadas no curso como atividades complementares, conforme previsto no Projeto Pedagógico do Curso: AC - Pesquisa 1 e 2, com 34 (trinta e quatro) horas cada e 32 (trinta e duas) horas de atividades complementares livres, totalizando 100 (cem) horas; Em 2010, foi identificado pelo MEC que, segundo as disposições regulamentares, faltavam horas ao curso de Administração; assim, as atividades de Pesquisa 1 e 2 permaneceram com 34 (trinta e quatro) horas cada, passaram a ser consideradas disciplinas regulares do curso e deixaram de compor as atividades complementares; por sua vez as atividades complementares livres passaram de 32 (trinta e duas) para 68 (sessenta e oito) horas. QE – Isso aconteceu depois da implantação do projeto pedagógico? - Bem depois. Isso aconteceu o ano O acréscimo de 36 (trinta e seis) horas em atividades complementares livres tem ocasionado problemas à coordenação no que 274 passado (2010). Então, os alunos tinham lá disciplinas a cumprir, horas a cumprir: 32 (trinta e duas) horas de atividades complementares. E eles foram atrás dessas 32 (trinta e duas) horas e agora estão faltando mais 36 (trinta e seis) horas, certo? Eu estou com um „bolo‟ de documentos lá, de alunos que já fizeram a colação de grau, mas faltam as horas para complementar de atividades complementares, que é fora da grade. Então nós temos 3.128 (três mil, cento e vinte e oito) horas dentro da grade, e fora da grade mais horas de estágio e mais atividades complementares. Bom, esse é um grande problema. diz respeito às horas faltantes dos alunos em fase de conclusão de curso, que não tiveram essa orientação; O curso de Administração totaliza 3.128 (três mil, cento e vinte e oito) horas em disciplinas regulares, mais as horas de estágio e de atividades complementares livres. QA – Esse projeto de vincular o aluno à pesquisa do professor foi abandonado em função do desinteresse do aluno? - Não, pô. Se eu tenho pesquisa, tudo bem, e se eu não tenho pesquisa consolidada, aprovada no CNPq e tal? Então, o mais interessante – a gente viu isso logo no 3º semestre, no 1º semestre de pesquisa do 2º ano – que era interessante a gente trabalhar com o interesse do aluno. Claro que se o aluno não tiver interesse nenhum, você dirige o interesse dele, mas ainda tem professores que estão dirigindo o interesse de todos e os alunos estão reclamando. Então, essa reclamação no início provocou a gente a mudar a forma de trabalhar essa questão. A tentativa de vincular os alunos de Pesquisa 1 e 2 às pesquisas dos professores foi descontinuada em função dos seguintes motivos: poucos professores têm pesquisas aprovadas e consolidadas junto ao CNPq; a perspectiva de trabalhar com os temas de interesse do aluno – questão considerada primordial para a motivação para a pesquisa – não poderia ser contemplada; Embora a proposta inicial tenha sido substituída, alguns professores ainda estão dirigindo o interesse de todos os alunos. QA – Os alunos apresentam interesse em assuntos específicos de áreas epistemológicas, como Finanças, Marketing, Operações, mesmo não tendo ainda muito conhecimento, uma vez que estão começando no 3º período a ter disciplinas funcionais? - Eles se interessam, porque eles estão tendo também muitos professores que estão no 1º módulo das áreas: Gestão Estratégica I; Finanças I; Gestão de Pessoas I; Marketing I e Operações I. Então, depende do professor que está dando essa „Disciplina I‟, a gente percebe que eles tendem para uma área. Eu estou com uma turma de pesquisa agora, que é interessante: muitos alunos da classe se entusiasmam por Finanças e aí eu fui ver o professor: é o professor, entendeu? Que traz assunto novo e os caras: “opa, isso é legal”. Então eu estou achando que essa turma, dessa turma vai sair muita gente que vai fazer TCC em Finanças, que vai Pesquisa 1 é introduzida no 3º período do curso, quando os alunos estão no 1º módulo das áreas funcionais: Gestão Estratégica e das Organizações, Finanças, Marketing, Operações e Pessoas; A limitação de conhecimento das áreas funcionais não representa obstáculo ao interesse dos alunos; O entusiasmo dos alunos por temas de áreas específicas está relacionado à atuação dos professores das disciplinas funcionais, que apresentam novos temas que interessem ao aluno; A atuação do professor influencia as escolhas dos alunos em relação à vida acadêmica e profissional: escolha do tema de pesquisa, área em que realizará o estágio e tema para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). 275 fazer o estágio em Finanças, já estão fazendo, alguns. QE – Você disse que o aluno de Administração da PUC não tem vocação para a pesquisa. Por quê? - Quando ele busca o curso de Administração, primeiro que ele não tem muita noção – eu tenho uma aluna em Pesquisa 1 que está fazendo esse trabalho: Escolhas Acadêmicas é o nome do trabalho dela, e ela está pesquisando todo mundo para ver porque ele entrou no curso de Administração, o que ele queria, ou foi o pai que falou: “aí, vamos fazer Administração”. Então, quando ele chega no início do 2º ano, em pesquisa, no 1º semestre do 2º ano, ele não tem ideia do que é esse curso ainda, não é? Ele está tomando contato agora com as áreas epistemológicas, ele está vendo que é uma coisa mais abrangente do que aquilo que ele imaginava e agora que ele está tomando, tendo uma noção, um conceito, do que seja o curso. Ele vem para o curso de Administração porque (isso eu estou fazendo uma hipótese, que é uma hipótese dela também, do trabalho dela) é um curso abrangente: "ah, eu vou pra lá porque alguma coisa eu vou gostar” – entendeu? – “Eu não sei o que eu quero, mas de alguma coisa eu gosto, porque é tão aberto, tem Finanças, tem Pessoas, tem Marketing, tem tanta coisa que não é possível que eu não goste de nada”. É diferente de um aluno que entra aqui na Economia e que ele sabe que ele vai ter Economia Política, e é um pessoal mais maduro, eu acho, é um pessoal que é vinculado mais em pesquisa, ou mesmo em Atuárias, que ele sabe que está indo para um curso que tem um diferencial no mercado, que vai trabalhar com Estatística, que ele tem que explorar tudo em Estatística, o que é duro, é difícil, é árduo. Em Administração não. A pesquisa em Administração – vou dizer dos que eu conheço aqui, FAAP e GV – todos do 1º e 2º ano tem mais ou menos o mesmo perfil e pesquisa, para eles, hoje, é entrar no Google e ver tudo o que tem sobre aquele assunto, o que é uma boa entrada, sem dúvida nenhuma, mas saber o que é pesquisa de campo, como é que se faz uma amostra estatística, probabilística, não-probabilística; eles não ligam ainda o que eles tiveram de Estatística ou o que eles estão tendo com a Pesquisa. Eu acho que isso é uma falha no nosso curso, A atuação do professor influencia as escolhas dos alunos em relação à vida acadêmica e profissional: pesquisa, estágio e TCC; A abrangência do curso de Administração e a possibilidade de atuação em diversas áreas são os fatores que parecem motivar o ingresso dos alunos; Os fatores que parecem motivar a escolha do aluno pelo curso de Administração são: não ter identificado uma vocação para uma carreira específica, a abrangência do curso e a possibilidade de atuação em diferentes áreas; A partir do 2º ano, com o início do conhecimento das áreas funcionais, o aluno começa a ter uma noção da abrangência da Administração e, portanto, ainda não apresenta maturidade intelectual para a pesquisa; Alunos de outros cursos, como Economia ou Atuariais, ingressam no curso com maior maturidade intelectual, tendo maior dimensão sobre a profissão e seus conteúdos; Os alunos de 1º e 2º ano do curso de Administração não sabem o que é pesquisa; para eles, pesquisar é entrar no Google e buscar tudo o que tem sobre um determinado assunto; Os alunos desenvolvem, no decorrer do curso de Administração, uma visão global das áreas epistemológicas, mas não percebem a aplicação dos conhecimentos das áreas de suporte, como Estatística, por exemplo, não estabelecendo, a priori, relação entre os conteúdos de Estatística e de Pesquisa. 276 porque você não dá uma visão global para ele, você dá uma visão global das áreas epistemológicas, mas as áreas de suporte elas não têm entrada. QA – A pesquisa suscita essa ligação entre as áreas para que o aluno tenha a visão global? - Claro. Aí ele vai voltar atrás. Tem alguns professores de Atuariais que foram ou não professores deles e que estão disponíveis aí, o tempo todo, para ajudar, agora que eles já passaram por Estatística, a montar uma amostra não-probabilística, certo? (risos). Então, essas coisas se elas não tiverem todos... E por isso que é interessante quando você tem o domínio de todas as áreas dentro do teu curso. E eu acho que Economia está com certa razão nisso, eles trouxeram Estatística para dentro do curso, porque eles querem ter o domínio: eles têm que ter Economia Estatística, porque ele vai saber em quê estatística vai ajudar na pesquisa em economia que ele vai fazer. Nós não, nossos alunos conhecem genericamente estatística, certo? O aluno só reconhece a aplicação da Estatística à Administração no momento em que necessita desses conhecimentos para a realização da pesquisa; Os conteúdos das disciplinas de suporte são genéricos e os alunos não estão conseguindo compreender sua aplicação à Administração; É necessário vincular os conteúdos das disciplinas de suporte, como Estatística, com sua aplicação à Administração. QA – E o que nós podemos fazer para que essas disciplinas sejam aplicadas à Administração? Nós temos que discutir com eles. Eles têm o nosso conteúdo, todo o conteúdo do nosso projeto pedagógico está voltado para isso. E já várias vezes a gente fez a junção deles com algumas áreas nossas. Então, Marketing tem que dizer para eles o que é de Estatística que Marketing tem como importante e que o aluno vai usar, não só em pesquisa, mas também nas disciplinas, dali pra frente. Gestão de Pessoas, o aluno tem que saber algumas coisas para poder fazer um levantamento de necessidades de treinamento, fazer uma base estatística para montar um plano de salários, certo? Precisa ser customizado, ainda não está customizado, tem o básico – eles também deveriam se preocupar com isso, afinal de contas nós somos clientes deles: o que o meu cliente precisa, não é? Alguns professores se preocupam, outros não. Embora o Projeto Pedagógico do Curso de Administração tenha definido os conteúdos e conhecimentos necessários à Administração em relação às disciplinas das áreas de suporte, nem todos os professores vinculam o conteúdo de suas disciplinas às necessidades especificadas. 277 Questão 2: Como você compreende as atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2) propostas no Projeto Pedagógico do Curso? (conteúdo, carga horária, período, número de alunos por turma, ausência de pré-requisitos, critérios de avaliação) Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que nós temos um problema, certo? Eu estou pensando nisso já faz uns três meses, que eu estou sentindo muito forte isso: quando foi pensado em atividade complementar Pesquisa 1 e 2, pelo coordenador anterior, quando ele era o coordenador e a gente começou a discutir a pesquisa – era até bom você falar com ele – ele pensou nisso: a atividade de pesquisa vai ser uma atividade que vai ser utilizada pelos nossos professores, pra que componham grupos de alunos pra ajudarem nas atividades de pesquisa dos professores. Era essa a concepção e eu tenho essa documentação toda, antiga, que eu vou passar para o próximo coordenador agora. E, mais, a gente tem também o projeto, dentro do nosso projeto pedagógico, da Central de Estudos de Casos. Então, essa atividade de pesquisa estava vinculada diretamente à elaboração de realização de pesquisa, com vistas a dar suporte aos estudos de casos. Também [existe] a vinculação [das atividades de pesquisa] às linhas de pesquisa da pós. Por quê? Não dá pra você obrigar o aluno a se vincular ao núcleo de pesquisa ou ao grupo de pesquisa. Normalmente, esses grupos estão vinculados à pós, nós temos poucos: dois de Marketing, dois de Gestão de Pessoas, um de Gestão de Pessoas não está aqui na graduação, porque a professora que é coordenadora não está, apesar dos mestrandos estarem aqui na graduação, como professores nossos, mas o líder do grupo não está. O líder do Grupo de Carreira também não está. Ele está na Economia, mas eu estou. Então, o Grupo de Carreira tem uma vinculação aqui. Os dois grupos de Marketing também têm uma vinculação aqui. O Grupo de Internacionalização tem o Professor X. Mas são poucos grupos de pesquisa, são poucos núcleos de pesquisa e não dá pra você colocar todos os alunos – que dá uma média de 500 de manhã e 500 à noite, não, acho que são 250 e 250, 500 no total – para trabalharem em poucos grupos da pós-graduação. Eles teriam que se vincular aos professores que já estão. Mas a relação era estreita com o estudo de caso. Explicitação dos Significados A concepção inicial das atividades complementares de Pesquisa 1 e 2 previa o vínculo dos alunos à pesquisa dos professores, por meio das linhas de pesquisa em Administração da pós-graduação; A pós-graduação tem poucos grupos de pesquisa em Administração, que não suportariam o vínculo de um número elevado de alunos da graduação; Embora nem todos os professores da pósgraduação, coordenadores dos grupos de pesquisa, atuem no curso de graduação em Administração, dispomos de outros professores vinculados a tais grupos; Os alunos teriam que se vincular aos professores que pertencem aos grupos de pesquisa da pós-graduação; O Projeto Pedagógico do Curso de Administração estabelece a criação de uma Central de Estudos de Casos, sendo que a pesquisa estaria vinculada diretamente à elaboração e realização de pesquisas, com vistas a dar suporte aos estudos de casos; Com a mudança da concepção da pesquisa no curso, em Pesquisa 1 o aluno aprende metodologia científica, à medida que desenvolve o projeto de pesquisa e realiza a pesquisa de campo, bibliográfica e documental; em Pesquisa 2, o aluno apresenta os resultados de sua pesquisa de diferentes formas, como artigos ou relatórios de pesquisa; Os conteúdos propostos em TCC 1 são os mesmos de Pesquisa 1. 278 Como a gente teve que retomar, ou seja, dar outro sentido para a coisa e deixar a opção para o aluno, nós tivemos que instrumentalizar esse aluno. Então, por isso que no primeiro semestre, do 3º período, ele tem metodologia científica, pra poder fazer o pré-projeto e o projeto, aí ele vai fazer a pesquisa de campo, pesquisa bibliográfica, documental. Aí, no segundo semestre, ele vai escrever isso sob alguma forma: ou na forma de artigo ou de relatório de pesquisa ou o que quer que seja. Bem, acontece que no TCC 1 ele tem a mesma coisa. Questões Emergentes (2ª Questão) Explicitação dos Significados QE – No TCC, o aluno não dá continuidade ao projeto de pesquisa, desenvolvido em Pesquisa 1 e 2? - É, ele pode até dar, se ele resolver no 2º semestre de pesquisa, Pesquisa 2, fazer um projeto mais substancioso para o TCC dele, aí que a coisa pega, porque o que ele vai fazer no primeiro semestre de TCC? Tanto que o material é o mesmo, de metodologia. Eu acho que é um ponto para revisão do projeto, sem dúvida nenhuma. O problema também é que muitos dos alunos – e é por isso que o problema não é tão grande – eles mudam. O que eu acho é que no 1º [semestre] de TCC tem que ser uma revisão rápida de metodologia, aí umas duas ou três semanas no máximo, e centrar fogo no projeto mais amplo, né? Em TCC, o aluno pode ou não dar continuidade ao projeto de pesquisa desenvolvido em Pesquisa 1 e 2; Quando o aluno opta, em Pesquisa 2, por desenvolver um projeto mais substancioso para o TCC, ele não tem o que fazer em TCC 1; O problema é restrito a alguns alunos, porque a maioria muda o tema de pesquisa no decorrer do curso; Os conteúdos e materiais indicados para Pesquisa 1 e TCC 1 são os mesmos; QA – A Central de Estudos de Casos, prevista no projeto pedagógico, não chegou a ser implantada? - Ela não chegou, não chegou e eu vou contar para você da experiência que nós tivemos na GV [Fundação Getúlio Vargas]: foram 14 (quatorze) anos. Central de Estudos de Casos é um problema. Aqui a gente não saiu do papel, não é? A gente tem a metodologia, que eu acho que tem que ser aprimorada. Eu estou com o material, inclusive eu peguei da GV, para a gente aprimorar a metodologia, mas o que a gente tem que ter é uma disponibilidade apresentada pelos professores, daquilo que eles utilizam em sala de aula. Eu sei que tem muitos professores que escrevem estudos de caso, apresentam em sala, A Central de Estudos de Casos, prevista no projeto pedagógico, não foi implantada no curso até o momento; A implantação de uma Central de Estudos de Casos é complexa: a Fundação Getúlio Vargas levou 14 (quatorze) anos para sua implantação; A coordenação do curso dispõe da metodologia de desenvolvimento de estudos de casos, que necessita, no entanto, de aprimoramento; A implantação da CEC depende da disponibilização dos estudos de casos desenvolvidos e utilizados em sala de aula pelos professores; Em TCC 1 deveria haver uma revisão de metodologia científica – duas ou três semanas – e dedicação do restante do tempo para desenvolvimento do projeto, com orientações individuais. 279 mas eles não deixam à nossa disposição. QA – Por que os professores não deixam seus estudos de caso à disposição do curso? - A mesma coisa que aconteceu na GV. Foram 14 (quatorze) anos por causa disso. Porque eles acham que aquilo é propriedade deles, e [de fato] é; mas a GV acabou encontrando uma saída, que é dando autoria pro professor. Se ele entra na Justiça e pede reconhecimento autoral? Então, é um problema para a Universidade, entendeu? O interessante é que a gente faça – por isso que eu peguei os documentos agora – que a gente faça por grupos, utilizando uma metodologia, e não aproveite os casos que os professores já têm. Porque, senão, a gente pode correr esse risco. Então, isso traz um problema jurídico que a GV já passou por ele e eu acho que a gente não vai „inventar a roda‟, não é? Já que outro passou, que a gente faça usando mais ou menos as mesmas „armas‟ e faça por grupos. Então, Pesquisa 2 é um bom espaço para fazer isso. Há resistência dos professores na disponibilização de seus estudos de casos. Os estudos de casos elaborados pelos professores são propriedade intelectual deles, que dispõem de direitos autorais; Os estudos de casos desenvolvidos pelos professores não devem ser utilizados por uma Central de Estudos de Casos, evitando problemas jurídicos para a Universidade; A referida Central de Estudos de Casos deve desenvolver casos próprios, por meio do aprimoramento da metodologia disponível; Seria interessante a criação de grupos para o desenvolvimento dos casos da CEC. Questão 3: Quais ações foram ou têm sido adotadas para a implantação dessas atividades no currículo? Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que a pesquisa no curso de Administração já está consolidada. Ela teve esse tempo de transição, complicado, que muito... é chato a gente falar [que] não é culpa nossa. É culpa nossa no sentido da gente não ter confrontado aquilo que uma área da PUC disse para nós que era com aquilo que o MEC dizia que tinha que ser. Houve uma interpretação errada da CONSULTEG e ela insistiu que ela estava com a interpretação correta e a gente também não foi atrás para ver se era correta ou não. A gente só fez o que foi pedido e estava errado, não é? A questão das horas-relógio pras horas-aula. Então, quando a gente foi fazer essa mudança de horas-aula para horas-relógio, faltaram essas horas todas e tiveram que ser embutidas no curso, certo? Que entraram como atividades complementares, sem o nome mais de atividades complementares, Explicitação dos Significados A pesquisa já está consolidada no curso de Administração; Pesquisa 1 e 2 sofreram alterações e deixaram de ser consideradas atividades complementares, em função da interpretação equivocada que a PUC teve em relação às horas previstas no projeto pedagógico: a CONSULTEG compreendeu como horasaula, enquanto o MEC determinou horasrelógio; As horas faltantes foram incluídas em atividades complementares livres e estágio, que apresentava, no Projeto Pedagógico do Curso, um número muito reduzido de horas; Quando da elaboração do PPC, houve uma pressão da Reitoria para redução da carga horária total do curso, ficando no limite estabelecido pelo MEC de 3.000 horas; 280 aí teve que tirar o nome de Atividade Complementar e entraram como Pesquisa 1 e 2. Aumentamos o número de horas de estágio, que também estava pouco demais. Na verdade, o que aconteceu com o nosso currículo? Nós fomos obrigados, e acho que você lembra disso, apesar que na época era o Professor X o coordenador de área que participava da comissão, mas ele deve ter comentado com vocês que nós tínhamos uma exigência, uma insistência da Reitoria anterior, de redução da carga horária do currículo como um todo, ficar no limite do MEC, 3.000 horas, e não valeu a nossa discussão dizendo que nós não éramos iguais aos outros cursos, das „Unes da vida‟, não é? Que o nosso curso, o grande concorrente nosso, a gente sabe, é a GV, certo? E a GV [Fundação Getúlio Vargas] sabe que nós somos. E nós temos a mesma carga horária, agora nós estamos com menos. Por quê? Claro que eles têm outro formato, mas a carga horária faz uma diferença muito grande. Nós tínhamos 10 (dez) optativas, tivemos que pular para 3 (três). Reduzimos a carga horária do estágio. Eu acho que nós enxugamos demais o curso e eu acho que nós empobrecemos. Embora o curso tenha um formato diferente, tínhamos uma carga horária similar à nossa principal concorrente, a Fundação Getúlio Vargas; Em função da necessidade de redução da carga horária total do curso, o PPC reduziu o número de disciplinas optativas de 10 (dez) para 3 (três) e a carga horária de Orientação de Estágio; A redução da carga horária total do curso tem um impacto negativo na formação e na qualidade do curso, que consistem em seu diferencial competitivo; assim sendo, houve uma relativa desvalorização do curso. Questão 4: Quais aspectos positivos ou negativos em relação à pesquisa no curso são (ou foram) percebidos ou trazidos a essa coordenação? Texto de Referência (Depoimento) - Bom, os positivos: como a gente está dividido em áreas epistemológicas. Para a coordenação do curso, só chegam os aspectos negativos (risos). Na verdade, eu me preocupo muito com pesquisa, eu gosto muito, não é? Eu tenho todo o material, eu gosto de trabalhar com isso e tenho me preocupado. Então, no horário que eu venho para a minha Pesquisa 1, em frente tem um professor, mais pra frente tem dois, e eu fico o tempo todo circulando com eles e me preocupa em saber dos alunos como é que estão os outros e aí é que vêm as notícias, não? Na quarta-feira mesmo, anteontem, os alunos chegaram: “pô, professora, por que que a gente não faz, já, um artigo?”. Eu falei: „mas por que tem que fazer o artigo?‟ – “Não, porque o professor fulano já trouxe os temas”. E eu Explicitação dos Significados A coordenação só tem o feedback formal dos aspectos negativos, por conta das reclamações dos alunos; Em função de sua preocupação com a pesquisa, a coordenação acompanha, informalmente e mediante comentários dos alunos, o que acontece com a Pesquisa 1 e 2 nas demais turmas; Embora os programas e planos de aula tenham sido elaborados e divulgados pela coordenação do curso, não são respeitados por todos os professores; É fato conhecido que um dos professores determina os temas de pesquisa, impossibilitando a liberdade de escolha do aluno; 281 falei: „e o que ele vai fazer em Pesquisa 2?‟. – “Ah, nós não sabemos também, acho que ele vai ter outro grupo”. Eu falei: „não, é o mesmo grupo. Eles vão fazer o que em Pesquisa 2?‟. O professor trouxe os temas, que são os temas dele, que interessam a ele e eu já falei sobre isso, desse professor no semestre passado, e ele continua fazendo a mesma coisa. Que eu saiba esse é um caso isolado, é só ele. Os outros estão seguindo, que eu sei, estão seguindo o curso. Porque, de repente, o aluno sai da manhã e vai para a noite, pega um outro professor. Ele tem que „estar no mesmo pé‟. Então, todos têm que „estar no mesmo pé‟. Então eu acho que esse é o grande aspecto negativo. O professor não pode fazer o que ele bem entende. Ele tem que primeiro respeitar a opção dos alunos, o que o aluno quer pesquisar, para que ele tenha motivação pra isso; e segundo ele tem que seguir o mesmo passo que os outros, o que é garantido pelo Plano de Aula, ele tem que respeitar isso, certo? Alguns não estão respeitando, porque eu sei. O outro aspecto negativo é a mudança, isso também acontece em TCC 1 e 2, é a mudança arbitrária de professor. Se o aluno quer mudar, problema dele, mas a mesma turma tem que ficar com o mesmo professor. Então, eu acho que isso a gente precisa levar mais a sério. Agora, outra coisa que eu vejo como positiva, que eu estou sentindo, também não tenho nenhum dado pra te falar, é pura intuição. Eu acho que está crescendo muito o interesse por Iniciação Científica. Não dá para quantificar. A funcionária X, talvez. Mas eu peguei uns números outro dia e não sei. Acho que aumentou o interesse, não a conclusão, a efetivação. Porque, às vezes, os coitados chegam aí e não tem professor pra orientar. Eu fiquei zanzando com um menino e ele não conseguiu fechar nada, porque o assunto que ele queria desenvolver, os dois professores já estavam lotados de alunos para Iniciação [Científica] ou não quiseram – também teve isso. Então, nós temos esse problema. Eu acho que a gente tem que ter um ranking – hoje eu estava falando isso com o coordenador de estágio – tem que ter um ranking positivo, não negativo, de professores que não nos dão trabalho em orientação de estágio e tem que ter um ranking daqueles que não nos dão trabalho em pesquisa também. E Os conteúdos dos programas não são respeitados por todos os professores – como, por exemplo, a atividade de elaboração de artigos, prevista em Pesquisa 2, é solicitada em Pesquisa 1, sendo que o aluno fica sem a formação em metodologia científica; O professor tem que respeitar a opção de tema do aluno para que o mesmo o desenvolva de acordo com seu interesse, possibilitando a motivação para pesquisa; O professor tem que respeitar os programas e os planos de aula das atividades, o que garante a equidade de conteúdo em casos de mudança de turma ou turno pelos alunos; A mudança arbitrária de professor é considerada outro aspecto negativo: as turmas devem manter o mesmo professor em Pesquisa 1 e 2, como também em TCC 1 e 2; Como aspecto positivo, há um crescimento do interesse dos alunos pela Iniciação Científica, que é difícil quantificar, porque o crescimento do interesse não implica, necessariamente, sua efetivação; Os alunos encontram dificuldades para encontrar um professor-orientador para a Iniciação Científica que trabalhe com o assunto e tenha disponibilidade; A falta de disponibilidade dos professores para orientação de Iniciação Científica se dá em função de dois fatores: lotação, quando já estão realizando outras orientações; ou falta de vontade; Propõe a criação e divulgação de um ranking positivo de professores orientadores – de estágio, pesquisa e iniciação; Demonstra indignação e explicita a necessidade de identificar quem são os professores – que trabalham com determinado assunto e nunca estão disponíveis – que se recusam a aceitar orientação de Iniciação Científica. 282 Iniciação Científica. Quem é o professor que se nega a fazer isso, sendo que ele trabalha o assunto? Nunca está disponível? Questões Emergentes (4ª Questão) QE – Por que há essa mudança de professor? - Eu também não sei. Não sei por que isso acontece. Juro, sinceramente, que eu não sei. Eu acho que seria mais... o Professor X que reclama muito disso: “eu nunca pego a mesma turma. Aí, eu pego uns caras que vieram de um outro professor, está todo mundo numa situação diferente um do outro”. Eu não sei, no ano passado eu peguei a mesma turma. Talvez seja o próprio professor que esteja errado. Pode ser que o professor escolha o horário. A gente precisaria ver quem é o professor que deu e qual é o horário que ele disponibilizou, para trazer essa turma para esse horário dele. O curso é semestral e essa programação não é feita para o ano. Explicitação dos Significados Como o curso é semestral e as atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2) pressupõem a continuidade de orientação pelo mesmo professor durante dois semestres consecutivos na mesma turma, é preciso adequar a grade horária à disponibilidade do professor. Questão 5: Na sua opinião, existem futuras ações que devam ser implantadas e a que prazos? Texto de Referência (Depoimento) - Bom, eu acho que deve ser só em pesquisa. Pesquisa está dentro de um projeto, não é? E eu acho que tem que fazer uma revisão do projeto, tem que manter como está, eu acho, Pesquisa 1 e 2; não sei se no 3º semestre é o melhor. E incentivar. Eu tinha feito, em 2009, eu fiz uma lista – acho que ali na parede – perguntando para cada professor que temas que eles gostariam de trabalhar: que eles gostam, que se sentem mais à vontade, que faz parte do mestrado, doutorado, não sei o que; e eles, cada um disse o que era. Eu fiz e pus a lista lá fora. Então, eu acho que a gente tem que fazer de novo isso: o aluno vai lá, tanto pra Pesquisa, quanto pra TCC, quanto pra Iniciação Científica, ele sabe que Marketing Digital ele tem que falar com o professor X, mesmo que ele esteja Explicitação dos Significados Pesquisa 1 e 2 estão inseridas no Projeto Pedagógico do Curso, que deve ser revisto como um todo; Pesquisa 1 e 2 devem ser mantidas como estão, talvez em outro período; É fundamental a revisão e divulgação para os alunos de lista com professores e temas, para que os alunos saibam quem são os professores que podem ajudá-los em Pesquisa, TCC e Iniciação Científica; A lista seria útil à pesquisa, tendo em vista que, em função de seu conteúdo – metodologia científica – e da liberdade de escolha de assuntos pelos alunos, há uma diversidade de temas na turma. 283 matriculado numa turma de outro professor, porque às vezes Pesquisa 1, por exemplo, é um professor de metodologia, então tem gente que está fazendo Finanças, como eu conheço os professores eu falo: olha, você vai lá falar com o professor X, porque ele vai te dar uma ajuda aí na bibliografia. Agora, em professor de Pesquisa que não conhece, então, o aluno ou o professor vão ali fora: olha, Finanças Pessoais é com o professor X ou com o professor Y. Certo? Questões Emergentes (5ª Questão) QA – Em qual semestre seria mais apropriada a inserção da Pesquisa no curso de Administração? - Talvez na hora que ele tivesse um pouco mais maduro com os conteúdos das áreas funcionais. Talvez no 5º e 6º. Se for no 5º e 6º, no matutino, o 6º vai encavalar com Orientação de Estágio, mas tudo bem, eu acho. Certo? Agora o 7º e 8º serão os de TCC. Isso dá uma continuidade e fica muito próximo: ele faz uma revisão do semestre anterior, do 5º, e pode melhorar a qualidade do TCC. É o que eu penso. Explicitação dos Significados Na revisão do PPC, Pesquisa 1 e 2 devem ser transferidas para o 5º e 6º períodos em função de dois motivos: maior maturidade intelectual dos alunos, em função do aprofundamento dos conteúdos das disciplinas das áreas funcionais; e proximidade com TCC 1 e 2 – no 7º e 8º períodos – possibilitando a continuidade do projeto desenvolvido em Pesquisa 1 e 2, com consequente melhoria da qualidade do TCC. Encerramento: Você gostaria de acrescentar algo ou algum aspecto que a gente não abordou aqui? Texto de Referência (Depoimento) - Não, acho que não, a não ser que você queira. QA – Questão de Aprofundamento QE – Questão de Esclarecimento QF – Questão Focalizadora Explicitação dos Significados 284 PROTOCOLO DE SIGNIFICADOS – ENTREVISTA – GESTOR 4 Questão 1: Como você entende a pesquisa na graduação e no curso de Administração (importância e objetivos) Texto de Referência (Depoimento) - No início dessa nova estrutura, foi quando nós comparamos com o currículo antigo, onde nós percebemos que existia uma falha em termos de pesquisa mesmo, de trabalho acadêmico na estrutura anterior, onde não existiam as atividades de pesquisa ou metodologia e os alunos eram já submetidos a desenvolverem um trabalho acadêmico sem a base teórica para esse fim. Essa nova proposta, esse novo projeto, ele então veio para tentar resgatar essa falha em todo o processo anterior. E, a partir das definições do que era importante para um estudante de Administração, conseguir conciliar toda essa parte de estudos, as diversas áreas epistemológicas, em termos de Marketing, Finanças, Recursos Humanos, a parte de Estratégia, com uma visão, na medida do possível, de mercado. Traduzir isso de uma forma metodológica, de uma forma esquemática para aumentar a reflexão, em termos de vivenciar algum estudo, algum plano, para conciliar essa parte teórica com a parte prática, desenvolvendo estudos que viessem ao encontro das nossas propostas em sala de aula. Vivenciar, desenvolver reflexões sobre o campo de estudos em Administração. Então, essa foi a base que teve aí como fundamentação para a proposta do projeto pedagógico incluir Pesquisa 1, Pesquisa 2, depois o Trabalho de Conclusão 1 e o Trabalho de Conclusão 2. Quer dizer, de uma situação inicial [em] que o estudante vivenciava um semestre sobre o campo de reflexão tão importante na Administração, ele passou a ter a oportunidade de vivenciar quatro semestres. Então, nós entendemos que essa é uma parte muito importante no curso e essa importância foi refletida agora nessa proposta, implementada em 2007. Então esse foi o principal motivo dessa mudança. Explicitação dos Significados Havia falha no currículo anterior em termos de pesquisa, pela inexistência de atividades de pesquisa ou metodologia para desenvolvimento do trabalho acadêmico; A nova proposta tenta resgatar essa falha, partindo das definições do que era importante para a formação do Administrador; Teve como objetivo conciliar os estudos teóricos das diversas áreas epistemológicas com a prática, por meio de estudos organizados com uma metodologia, que pudessem aumentar a reflexão sobre o campo de estudo da Administração; O PPC incluiu as atividades de Pesquisa 1 e 2 e o TCC 1 e 2, criando a oportunidade de o aluno vivenciar quatro semestres de pesquisa. 285 Questão 2: Como você compreende as atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2) propostas no Projeto Pedagógico do Curso? (conteúdo, carga horária, período, número de alunos por turma, ausência de pré-requisitos, critérios de avaliação) Texto de Referência (Depoimento) - Como foi, assim, uma primeira proposta, do projeto, claro que está em vigor, ele certamente está sujeito a situações que no momento da implantação, no momento da vivência, são verificadas essas situações e a gente fala: puxa, nós poderíamos ter pensado antes de implantar. O número de alunos por turma, eu acho que está adequado. Eu acho que é possível serem conduzidos os trabalhos, as reflexões, os desenvolvimentos, tanto em Pesquisa como para o TCC. Eu acho que dentro do projeto é possível, claro que há vícios ou riscos, há problemas administrativos que geram uma confusão ou incompatibilidade com o número de alunos, orientandos por professor, mas que certamente com o tempo, e agora que nós terminamos as turmas antigas, agora isso deverá ser ajustado. Os critérios de avaliação que são utilizados no TCC, eu acho que ainda é motivo, talvez, de uma reflexão, pontos que nós poderíamos pensar: ao invés de um professor apenas tomar a decisão sobre a avaliação final, talvez isso poderia ser constituído [de] mais professores. Então, os critérios de avaliação eu acho que, apesar de uma parte bastante objetiva, mas entendo, ainda, que existe muita subjetividade, que existem temas ainda que talvez são pouco importantes para a nossa área, e como às vezes fica apenas o professor, sem nenhum outro tipo de necessidade de submeter a uma segunda avaliação, eu entendo que é um ponto de melhoria. E nós avaliarmos os resultados em termos de processo e produto, eu acho que é um ponto, ainda, a ser discutido. Poderíamos propor uma revisão, talvez trabalhos que envolvessem, é... trabalhos em grupo, eventualmente, planos de negócios, uma visão mais de empreendedorismo. Talvez, pensarmos em uma banca para avaliarmos os trabalhos. Pensar em como esses trabalhos poderiam ser melhor aproveitados, os trabalhos da PUC, publicados, virarem artigos, virarem planos de negócios, virarem cases, para que o próprio mercado pudesse utilizar; que nós pudéssemos estar mais próximos das empresas, para vivenciarmos mais o mundo empresarial e não ficar apenas no mundo acadêmico. Então, eu acho que o processo tem que ser melhorado e, por consequência, o produto final. O que é exigido, hoje, sobre os trabalhos de conclusão, eu acho que merecem Explicitação dos Significados No momento da implantação e no momento de vivência das atividades, algumas situações críticas são evidenciadas; O número de alunos previstos para as atividades de pesquisa e TCC são adequados, mas existem problemas administrativos e, em alguns casos, o limite de alunos por turma é ultrapassado; Há necessidade de reflexão sobre os critérios de avaliação dos TCCs; A avaliação final poderia ser realizada por mais de um professor; uma possibilidade seria criação de Bancas para avaliação; Embora haja critérios objetivos, ainda há muita subjetividade na avaliação; Alguns temas são pouco importantes para a área da Administração; É necessário avaliar-se os resultados do TCC em termos de processo e de produto; Os trabalhos são individuais e, dependendo da natureza do trabalho, como um plano de negócios, poderiam ser realizados em grupos; Deve haver um melhor aproveitamento dos TCCs, com a publicação de artigos, planos de negócios e cases para utilização do mercado; Os trabalhos acadêmicos, incluindo os TCCs, devem aproximar o mundo acadêmico do empresarial; As exigências para os TCCs merecem uma redefinição, reclassificação, por meio de reflexões sobre como melhorar a qualidade dos trabalhos; Há excelentes alunos e professores e o produto final do TCC nem sempre reflete 286 uma redefinição, uma reclassificação, novas reflexões, para melhorar a qualidade dos nossos trabalhos. Eu vejo, ainda, que nós temos muitas oportunidades, que nós temos excelentes alunos, excelentes professores e entendo que esse produto, ainda, precisa ser muito melhorado. Eu acho que ele não atende, ainda, o que poderia ser apresentado como um Trabalho de Conclusão do Curso de Administração da PUC-SP. essa excelência. Questões Emergentes (2ª Questão) Explicitação dos Significados QA – Que tipo de situação? O que nós poderíamos ter pensado antes da implantação? - Por exemplo, os pré-requisitos, que é algo que, talvez na revisão, isso deverá ser revisto, não é? E, claro, mudado. Na nova estrutura, que contemple essa necessidade de prérequisito. Então, hoje, eu sinto, por exemplo, um aluno fazendo o trabalho de conclusão sem ter feito o TCC 1. Então, isso é uma falha grande. Isso nós tivemos que ajustar: a proposta foi que o aluno faça no mesmo semestre o TCC 1 e o TCC 2 e isso tem provocado alguns dilemas, alguns questionamentos, mas o que nós precisamos é solucionar algo que está „plantado‟ (risos), algo que está em vigor e que tem falhas. Então, essa, eu entendo que é uma situação que deverá ser revista no tempo adequado, mas que eu entendo que um problema grave. Há uma falha no PPC que implica que o aluno possa cursar TCC 2 sem ter feito TCC1 como pré-requisito; tal fato deve ser revisto; O ajuste efetuado foi possibilitar ao aluno cursar as duas atividades simultaneamente, no mesmo semestre; A coordenação precisa implantar algo que está em vigor e que tem falhas, o que causa dilemas e questionamentos. QE – Em termos de formato, você falou em Plano de Negócios para o TCC. Existe um formato definido ou é um formato livre e professor e aluno definem como vão trabalhar a temática? - Hoje existe uma sugestão de formato. No entanto, o professor ele tem liberdade para conduzir os estudos da forma como o aluno, eventualmente, propor uma temática. Então, existe essa liberdade. Eu acho que, felizmente, é um campo que não é nem um pouco engessado, tem espaço para reflexão e tem espaço para discussões. O que não é, vamos dizer assim, permitido, ainda pela nossa forma de estrutura, é [que] o trabalho não seja individual. O que eu acho que pode ser mudado, eventualmente, como as empresas elas permitem e estimulam esses trabalhos em grupo e talvez essa poderia ser uma proposta, aproveitada num segundo momento de reflexão sobre a estrutura do Trabalho de Conclusão de Curso. Existe um formato definido, mas há liberdade do professor em conduzir os trabalhos com seus alunos; O TCC apresenta espaço para discussões e reflexões; No formato atual, o TCC é um trabalho individual; É possível refletir e propor que o TCC seja em grupo, considerando que as empresas estimulam o trabalho coletivo. 287 QF – E em relação à carga horária? - Houve um aumento substancial da carga para trabalhar essa atividade, que antes nós trabalhávamos com 30 (trinta) horas num semestre. Era uma atividade de 2 horas, orientação 2 horas por semana. Então nós alteramos para... na verdade ficaram atividades de Pesquisa 1 com 34 (trinta e quatro) horas; Pesquisa 2 com 34 (trinta e quatro) [horas]; TCC 1, 34 (trinta e quatro) [horas]; e TCC 2, 34 (trinta e quatro) [horas]. Então, nós estamos falando de 68 (sessenta e oito) horas para cada uma, então, 136 (cento e trinta e seis) horasaula. E, os alunos em TCC, a nossa sugestão é que eles tragam o conteúdo lá da Pesquisa 1, Pesquisa 2, que esse trabalho desenvolvido lá [nos] 3º e 4º semestres possa ser aproveitado nos últimos dois semestres do curso também. Então, essa é a proposta do projeto em termos de carga horária. Com a implantação do novo currículo, houve um aumento substancial nas horas destinadas para as atividades de pesquisa: de 30 (trinta) horas do currículo anterior para 136 (cento e trinta e seis) no atual; A sugestão é que os alunos de TCC dêem continuidade aos projetos de pesquisa desenvolvidos em Pesquisa 1 e 2. Questão 3: Quais ações foram ou têm sido adotadas para a implantação dessas atividades no currículo? Texto de Referência (Depoimento) - As ações que nós fizemos foi uma conscientização dos professores da mudança. Explicitação dos Significados Questões Emergentes (3ª Questão) QA – Como foi esse processo de conscientização dos professores para essa mudança? - Nós conversamos com os professores, enviamos e foram desenvolvidos manuais, os manuais de TCC 1 e 2, os manuais de Pesquisa 1 e 2. Ficaram disponíveis no site da PUC. Antes, nós tínhamos lá um site da Faculdade de Administração e essas informações ficavam disponíveis para todos os professores. Num segundo momento, esse site foi desativado e hoje nós utilizamos o Moodle para deixar os manuais de orientação com os professores. Então, mais ou menos nessa direção. Nós procuramos sempre conversar com os professores, com os coordenadores de curso, que por sua vez passam aos coordenadores de área, que por sua vez passam para os professores as orientações gerais, como devem ser feitas. Como isso teve a primeira turma em 2008, então esse processo parece que já está absorvido na estrutura. Ocorreu um processo de conscientização dos professores. Explicitação dos Significados A conscientização se deu mediante conversas com os professores e disponibilização de manuais para as atividades de Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2; Os materiais foram disponibilizados, inicialmente, pelo site da faculdade e, posteriormente, no Moodle; Essas conversas se dão entre os coordenadores de curso, que passam as informações e orientações gerais para os coordenadores de área, que por sua vez as repassam aos professores; Considerando que a primeira turma de Pesquisa adveio em 2008, esse processo já está consolidado; Eventualmente, há a necessidade de orientar algum professor recém admitido. 288 Então, hoje parece que caminha sem grandes problemas, uma vez ou outra com um professor recém admitido, então fazemos as orientações. QE – Você poderia comentar sobre a implantação do prêmio para o melhor TCC, por área epistemológica? - Existe na Administração, foi implantado pela Professora Bete Adami e nós demos continuidade para premiar os melhores trabalhos nas áreas de estudo: Marketing, Recursos Humanos, Gestão Estratégica de Negócios, Finanças. É feita uma seleção dos melhores Trabalhos de Conclusão de Curso e nós fazemos uma premiação: oferecemos uma placa de homenagem para o estudante, um diploma para o professor orientador e fazemos aqui, a cada semestre, uma cerimônia, onde nós entregamos essas homenagens e na colação de grau nós também homenageamos os alunos que tiveram os seus melhores trabalhos. Então, a gente tem incentivado bastante essa prática e temos percebido que têm excelentes trabalhos, mas que entre 500 a 600 trabalhos vão sair 5 (cinco), são os cinco melhores trabalhos do semestre. Desses outros trabalhos, devem ter pesquisas muito boas, fantásticas e aí, talvez, seja um outro ponto negativo, porque a gente poderia ainda aproveitar melhor esses trabalhos para publicações, para estudos de casos, que certamente hoje nós estamos negligenciando. Aí é um ponto ainda negativo, talvez seria um ponto que poderia ser melhorado, poderia ser discutido como utilizar melhor esses trabalhos e divulgá-los para a comunidade acadêmica e, porque não, para a comunidade empresarial. A premiação foi implantada antes do professor assumir a Coordenação de Estágio Supervisionado e TCC; Os melhores trabalhos das áreas epistemológicas são premiados: com uma placa de homenagem ao aluno e um diploma ao professor; De 500 a 600 trabalhos, 5 (cinco) são premiados; Os trabalhos premiados são excelentes; Reconhece como ponto negativo o fato de serem encontradas, nos demais trabalhos, pesquisas muito boas que poderiam ser aproveitadas para publicação e para gerar estudos de casos; Os TCCs poderiam ser melhores utilizados e divulgados para a comunidade acadêmica e empresarial. Questão 4: Quais aspectos positivos ou negativos em relação à pesquisa no curso são (ou foram) percebidos ou trazidos a essa coordenação? Texto de Referência (Depoimento) - O que eu tenho percebido, comparando com a situação anterior, é que o feedback tem sido positivo, uma vez que os alunos conseguem uma melhoria em termos da importância da metodologia para o desenvolvimento da pesquisa. Então isso tem, pelo menos por o que eu tenho percebido, tem melhorado a qualidade dos trabalhos. No entanto, é um aspecto que tem que ter melhoria contínua, quer dizer, essa conscientização de que aspectos metodológicos são fundamentais para sustentar uma pesquisa, são fundamentais para defender uma reflexão, para defender um Explicitação dos Significados Pesquisa 1 e 2 têm contribuído de forma muito positiva para a melhoria dos TCCs; Os alunos têm apresentado melhoria em relação à metodologia para o desenvolvimento da pesquisa, bem como em relação à qualidade dos trabalhos; Tem que haver melhoria contínua na metodologia, por meio da conscientização crescente de 289 pensamento. Eu acho que ela deve ser cada vez mais difundida no nosso meio acadêmico, tem que os professores cada vez mais se conscientizarem dessa importância. Daí, a proposta de Pesquisa 1 e Pesquisa 2 que antecedem a realização dos trabalhos de conclusão. O que eu tenho percebido é que essa nova estrutura, a nova metodologia, ela tem contribuído de forma muito positiva para a melhoria da qualidade dos nossos trabalhos. Mas, como eu falei, isso tem que ser contínuo, isso não pode ser esquecido, é algo que tem que fazer parte do cotidiano dos professores e dos nossos alunos. Que eles possam, com essa forma de aprender a aprender, levar isso para a vida, em todas as decisões e procurar utilizar o método para que isso possa sustentar os resultados esperados. Então, eu acho que essa parte, ela deve continuar na nossa estrutura e deve ser incentivada a permanecer nas estruturas. Então, eu acho que cada vez mais, eu acho que a Universidade PUC-SP e a Administração, especificamente, eu acho que ela precisa manter essa estrutura e dar a importância dos aspectos da pesquisa para o desenvolvimento dos trabalhos acadêmicos. Aí, certamente, tentar vincular essa pesquisa com o mercado, como dar uma praticidade que é o nosso campo de estudo, a Administração, que possa dar uma contribuição cada vez maior para as empresas e para o desenvolvimento da sociedade de uma maneira geral. professores e alunos de que os aspectos metodológicos são fundamentais para defender uma reflexão, um pensamento; Por meio da metodologia de pesquisa, os professores e alunos devem continuamente aprender que podem utilizar o método em todas as decisões para sustentar os resultados esperados; O curso de Administração e a Universidade precisam manter as atividades de pesquisa para o desenvolvimento dos trabalhos acadêmicos; É necessário vincular a pesquisa ao mercado em função da praticidade que o campo da Administração apresenta, contribuindo para as empresas e para o desenvolvimento da sociedade. Questão 5: Na sua opinião, existem futuras ações que devam ser implantadas e a que prazos? Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que sim. Eu acho que as ações, elas precisam ser, as ações que nós estamos atualmente exercendo, elas precisam ser vistas, elas precisam ser aprimoradas e adaptadas às novas realidades. Eu acho que nós já estamos a quatro anos e eu acho que esse é momento de uma nova reflexão sobre o tema, sobre esse assunto e já promover os ajustes necessários na forma como nós conduzimos essa atividade. Envolver os professores orientadores, os coordenadores dos cursos, para que também dêem sugestões de melhorias, porque os professores são quem, efetivamente, vivenciam a rotina das orientações e, certamente, nesse período, eles devem ter acumulado muitas experiências que podem ser revertidas, positivamente, para as nossas próximas orientações, contribuindo com a qualidade dos nossos trabalhos acadêmicos. Pontos Explicitação dos Significados As ações precisam sempre se adaptar às novas realidades; É momento oportuno para reflexão sobre a pesquisa no curso e para promover os ajustes necessários; É preciso envolver os professores orientadores e os coordenadores dos cursos para esses ajustes; Os professores, que efetivamente vivenciam a rotina das orientações, devem ter acumulado nesse período muitas experiências que podem ser revertidas para a melhoria dos trabalhos acadêmicos; Os TCCs nem sempre são explorados 290 negativos, com relação às orientações ou em relação aos trabalhos de conclusão, talvez, ainda que eu não consiga enxergar os aspectos subjetivos, eu acho que talvez eles não são explorados em toda a sua potencialidade e, certamente, devemos reconhecer limites, até onde os alunos podem chegar e até onde os professores entendem as propostas dos alunos e conseguem transformar essas propostas, efetivamente, em relatórios, em resultados. Então, eu acho que os pontos negativos seriam esses, quer dizer, como diminuir essa lacuna entre subjetividade e objetividade dos relatórios. Eu acho que esse é um ponto que talvez nós poderíamos trabalhar, trabalhar mais com os professores, dada a importância do tema, que significa para os alunos uma satisfação, uma realização muito grande, porque transforma todo o aprendizado dele, a vivência dele em quatro anos, em quatro anos e meio, em alguns casos mais, aqui na Universidade, mas que é transformado em um estudo, em um documento. Esse documento ele leva para a vida dele, é a base que pode sustentar muitas decisões na vida. Então, se bem orientado, se não existir essa lacuna, isso pode representar muito na vida do nosso estudante. em toda sua potencialidade; É necessário reconhecer os limites dos alunos e saber até que ponto os professores entendem a proposta do aluno e conseguem transformá-la em relatórios, em resultados; É fundamental encontrar meios para diminuir a lacuna entre a subjetividade e a objetividade dos relatórios; O TCC representa uma realização muito grande para o aluno, posto que transforma todo o aprendizado do curso em um estudo, em um documento. Questões Emergentes (5ª Questão) QE – Você ocupa o cargo de Coordenador de Orientação de Estágio e TCC? Você também coordena as atividades de Pesquisa? - A minha atividade, nesse momento, é como Coordenador de Trabalho de Conclusão de Curso e de Estágio Supervisionado também. A parte de atividade de pesquisa, ela fica mais subordinada à Coordenação do Curso, que coordena essa parte de pesquisa, mas que eu também participo da coordenação. Então, é uma atividade bastante prazerosa, uma atividade onde é possível aprender muito a conviver com diversas vertentes, com diversos pensamentos, com diversas sugestões, propostas, e que agrega muito, um aprendizado fantástico e que eu tenho desenvolvido aqui na PUC já há três anos e tem, realmente, trazido aí muitas contribuições. Eu faço essa parte de coordenação e para constatar, para verificar, pra vivenciar esse momento prazeroso, eu também faço orientações, tanto de Estágio como de TCC, que é justamente para vivenciar o que é sugerido para os professores. Explicitação dos Significados O professor é coordenador de Trabalho de Conclusão de Curso e de Estágio Supervisionado há três anos; Considera que, sendo coordenador e professor-orientador de estágio e TCC, sua vivência é prazerosa, contribui para o seu aprendizado e lhe permite vivenciar o que é sugerido aos professores; As atividades de pesquisa estão vinculadas à coordenação do curso, mas o professor também participa da coordenação dessas atividades. 291 Encerramento: Você gostaria de acrescentar algo ou algum aspecto que a gente não abordou aqui? Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que é uma atividade muito importante para o estudante, para o professor, para a faculdade e para a universidade. Eu acho que é algo que contribui positivamente para o desenvolvimento pessoal. Eu acho que isso, essa atividade, leva as pessoas a refletirem, a pesquisarem, a descobrirem situações, a descobrirem situações que talvez ela não percebesse antes. Então, eu entendo que é uma atividade que nós devemos prestigiar e incentivar muito os professores e os alunos a desenvolverem cada vez mais trabalhos com qualidade, trabalhos com significativa importância, que possam efetivamente contribuir para a sociedade de uma maneira geral, quer dizer, o que nós poderíamos propor para mudar uma situação e como melhorar essa situação. Muitas situações poderiam ser levadas a todos os agentes macroeconômicos, [o] Governo, as famílias, as empresas, se a gente pudesse, nesses trabalhos, apresentar sugestões e propostas que pudessem sempre vir ao encontro de melhorar a vida das pessoas, de melhorar a vida em todos os sentidos. Então, eu acho que nós temos um potencial muito grande, que talvez poderia ser melhor explorado e que ainda não é. Então, eu acho que esse é o grande ponto: o que nós fazemos com os trabalhos que são desenvolvidos. Talvez pouco, muito pouco em relação ao que nós poderíamos fazer. Não diria que seria só em relação aos Trabalhos de Conclusão de Curso, mas talvez em tantos outros trabalhos que são desenvolvidos em todo o mundo acadêmico e esses trabalhos poderiam se aproximar muito do mundo real, de negócios, de escolas, de hospitais, de todos os segmentos da área de negócios, que certamente isso contribuiria ainda mais para o nosso desenvolvimento econômico e social. QA – Questão de Aprofundamento QE – Questão de Esclarecimento QF – Questão Focalizadora Explicitação dos Significados A pesquisa no curso é importante para o aluno, para o professor, para a faculdade e para a universidade; A atividade de pesquisa permite aumentar a reflexão, as informações e a descoberta de situações que aumentam a percepção das pessoas sobre os problemas; É importante incentivar professores e alunos para o desenvolvimento de trabalhos acadêmicos com significativa importância e qualidade, que possam contribuir para o desenvolvimento da sociedade; Muitas situações poderiam ser levadas a outros agentes macroeconômicos, como o Governo, as famílias e as empresas, para que esses trabalhos pudessem apresentar sugestões e propostas que pudessem melhorar a vida das pessoas em todos os sentidos; O potencial dos trabalhos realizados no curso – não só de pesquisa – poderia ser melhor explorado; Os trabalhos desenvolvidos no mundo acadêmico podem se aproximar muito do mundo real – de negócios, escolas, hospitais, em diversos segmentos – contribuindo com propostas para o desenvolvimento econômico e social. 292 APÊNDICE C – ENTREVISTAS COM PROFESSORES PROTOCOLO DE SIGNIFICADOS – ENTREVISTA – PROFESSOR 1 Questão 1: Como você entende a pesquisa na graduação e no curso de Administração (importância e objetivos) Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que a pesquisa na graduação é interessante, porque dá um embasamento mais científico à formação do aluno e desenvolve humildade perante os fenômenos. No nosso curso, especificamente, pela PUC ter uma marca de pesquisa, é interessante uma proposta, uma forma da gente se vincular à instância que efetivamente vive disso, faz pesquisa, que seria nosso stricto sensu, nosso doutorado e mestrado. Explicitação dos Significados O embasamento científico, necessário à pesquisa, possibilita o desenvolvimento de uma postura de humildade perante os fenômenos da Administração, na formação do aluno; A PUC é reconhecida por sua produção científica; Quem efetivamente faz pesquisa é a pós-graduação; É necessário estabelecer um vínculo do aluno da graduação em Administração com a pós-graduação. 2ª Entrevista QE – O que você quer dizer com „efetivamente‟? Na sua opinião, a pós-graduação é quem deve fazer pesquisa? Sim, necessariamente, e esse fazer pode nos vincular. Questões Emergentes (1ª Questão) QE - Como você concebe o vínculo, a partir da pesquisa, entre graduação e pósgraduação? - Olha, eu acho que isso não se realizou. Eu acho que ficou estanque, a gente não conseguiu ainda chegar num nível, digamos, de aproximação das linhas de pesquisa atuais, criar outras linhas e discutir pesquisa aqui de dentro. Eu acho que a implantação acabou encontrando um caminho de tornar isso realmente como uma disciplina, que pode auxiliar nessa construção de uma visão científica e proporcionar aos alunos essa postura que eu falei. Ao mesmo tempo, pode auxiliá-lo, também, no seu desempenho acadêmico, talvez culminando em seu trabalho de conclusão de curso. Explicitação dos Significados É necessário ampliar a discussão sobre pesquisa na graduação; É necessário aproximar as pesquisas da graduação às linhas de pesquisa da pósgraduação; É necessário criar outras linhas de pesquisa, rever as existentes e estimular a pesquisa; A formatação da Pesquisa como disciplina é vista como um caminho que pode auxiliar na construção de uma visão científica, mudar a postura do aluno no processo de investigação de um determinado fenômeno e melhorar seu desempenho na elaboração do TCC. 293 2ª Entrevista QA – Quais outras linhas de pesquisa precisam ser criadas? Na graduação ou na pósgraduação? Isso merece discussão. O que temos atinge graduação e pós? Como nos vinculamos? Quais as linhas de pesquisa e como se inserem na graduação? QE - O que você quer dizer por caráter científico? - Quando eu fiz a minha graduação, a gente estudou um pouco metodologia, no começo, e eu achei muito interessante, porque toca na questão da imparcialidade. Aquilo que eu tive um pouquinho na minha escola foi uma coisa que me ajudou, me fez abrir, porque eu estudei paralelamente algumas coisas que eu gostei. E, hoje, eu acho que essa caracterização científica para o aluno de Administração é importante porque ele não compra qualquer coisa. Quando você tem uma postura de pesquisador, se você se desenvolve como pesquisador, você cria um certo distanciamento, você busca, embora isso não venha [a] acontecer necessariamente, essa neutralidade. A vivência do professor com a pesquisa, quando aluno da graduação, contribuiu para o desenvolvimento de seu caráter científico, por meio da metodologia da pesquisa; A vivência do aluno da graduação com a metodologia da pesquisa permite uma imparcialidade maior em relação ao conhecimento e um certo distanciamento em relação ao fenômeno a ser investigado, possibilitando uma neutralidade maior; O caráter científico é importante para o aluno de Administração porque ele passa a questionar o conhecimento. Questões Emergentes (1ª Questão) Explicitação dos Significados QA - Me fala um pouco mais sobre esse questionamento. - O questionamento é uma postura também. Eu não vou comprar uma ideia, eu vou investigar o que é aquele fenômeno. Vou tentar me apropriar daquilo que acontece para tentar enxergar aquela coisa de uma maneira melhor. O questionamento proporcionado pela pesquisa possibilita ao aluno uma postura de investigação em relação a um determinado fenômeno, gerando uma nova concepção acerca do mesmo e possibilitando a construção do conhecimento. QE - Você está associando essa postura ao desenvolvimento do senso crítico? - Isso. Um senso crítico apurado, mas apurado em que nível? Alto, vamos dizer, que traz essa postura científica. A crítica, aquela coisa, é uma coisa mais rasa. Mas, sim, uma crítica que eu acho que envolve uma espécie de humildade da pessoa perante o fenômeno. Afinal, o que é a realidade? Então, quando você vai conhecer a realidade, você fala assim: bom, eu conheci isso, mas será que ainda é assim? A gente pode chegar a alguns termos, alguns paradigmas, mas, ainda assim, talvez isso seja explicado de uma outra forma amanhã. Eu acho que, além disso, através do caráter científico desenvolvido pela pesquisa, isso gera construção do conhecimento. Então, você não colocou nenhum tijolinho na parede do A postura científica proporcionada pela pesquisa possibilita o desenvolvimento de um senso crítico apurado, que extrapola uma crítica rasa; O senso crítico possibilita uma postura de humildade em relação ao fenômeno – o questionamento sobre o próprio conhecimento; a relatividade e temporalidade do conhecimento; o reconhecimento das limitações na construção do conhecimento; e a percepção acerca da importância da contribuição da pesquisa para construção do conhecimento. 294 conhecimento do que é a Administração, mas você está colocando um pouquinho a mais de cimento, para alguma coisa que vem depois. Essa parede você vai ajudar a constituir. Questão 2: Como você compreende as atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2) propostas no Projeto Pedagógico do Curso? (conteúdo, carga horária, período, número de alunos por turma, ausência de pré-requisitos, critérios de avaliação) Texto de Referência (Depoimento) - Nesse fosso de implantação do que é pesquisa aqui na graduação, se procurou criar um caminho. Está se seguindo um determinado padrão, mas isso acabou ficando com uma cara muito de disciplina mesmo, mais um buraquinho a ser preenchido, e por mais que possa haver esforço de uma coordenação envolvida nisso, acaba ficando muito na mão do docente o trabalho que ele vai fazer em sala de aula. Então, por mais que você possa simular com o professor tal, assim: olha, a gente ter que ir nessa linha, ele sempre pode ir por uma outra. Vamos dizer que você não tenha uma condição de avaliação boa em relação a isso. Explicitação dos Significados O caminho encontrado para a implantação da pesquisa no curso adotou um formato de disciplina padronizada; Embora haja orientação da coordenação para a realização das atividades de pesquisa, quem define o trabalho que será realizado em sala de aula é o professor; Não há uma avaliação em relação ao que é vivenciado em sala de aula. Questões Emergentes (2ª Questão) QE – Você considera inadequado o formato de disciplina adotado na implantação das atividades de pesquisa? - Eu acho que até pode ser uma disciplina, mas de acordo com a experiência que estamos vivendo, através de outro arranjo, talvez pudéssemos ter um progresso maior. Uma busca da pesquisa realmente se instalar mais na graduação, seria uma vinculação maior com uma pesquisa real. Não o aluno propor um tema, o que é ótimo, mas você vê que muitos deles ainda são imaturos. Muitos trabalhos são bons. Quando eu coordenei a área, eu recebi trabalhos de TCC muito bons, muito bem feitos. Mas, na minha limitação de professor de Pesquisa 1 e 2, já vi muito desleixo de aluno também, por exemplo. Eu acho que o índice de aprovação, não sei no geral, mas acredito que seja baixo. Os alunos vêem isso como mais uma matéria que ele vai ter que passar. Neste semestre, especialmente, eu estou com uma turma muito interessante, eles estão muito a fim de fazer o trabalho. Em relação ao TCC, do ponto de vista da pesquisa, não é pra todo mundo que aquele ganho – aquele Explicitação dos Significados O formato da disciplina é adequado, mas o progresso da pesquisa na graduação necessita de um vínculo maior com pesquisas reais; A maioria dos alunos ainda é imatura para propor um tema, embora a proposição de temas pelos alunos seja considerada positiva; A maioria dos alunos não se compromete com a pesquisa e não compreende o seu significado, embora hajam turmas mais comprometidas; Em geral, o índice de aprovação é baixo; No TCC, nem todos os alunos incorporam o conhecimento obtido em Pesquisa 1 e 2, de forma que as dificuldades metodológicas permanecem. 295 conhecimento que ele obteve em Pesquisa 1 e 2 – é acoplado ao TCC. Eu estou lecionando TCC também, e tenho visto bastante dificuldade em muitos alunos em relação à metodologia, sabe, tratando TCC como se fosse um mero trabalho aí, que tem que resolver para passar. É do pessoal da noite que estou falando. 2ª Entrevista QE – O que você quer dizer com „uma vinculação maior com pesquisa real‟? - Entendo a pesquisa da graduação vinculada ao programa de pós. QE - Você falou no começo da entrevista sobre a maturidade do aluno. Você acha que essa falta de comprometimento está associado a isso? - Então, isso é a diversidade que a gente tem que lidar no nosso curso, não é? É, assim, além dessa imaturidade – talvez em relação à imaturidade tenha muita coisa que eu estou querendo dizer por trás dessa palavra – há o pessoal que já é de uma outra geração e que você tem que estimular de outra forma, por exemplo, se você falar: você vai à Internet que você pesquisa ou você vai à biblioteca, onde ele vai preferir? Ele vai para a Internet. Assim, a gente tem que aprender a lidar com esse pessoal que apresenta esses sinais. Agora, outros alunos, assim, aluno até de mais idade, você percebe esse casamento, na verdade, essa maturidade com a importância que aquilo tem e acho que se o professor puxar o cara responde. Mas uma boa parte dos alunos ainda está aqui, vendo a graduação que envolve um lado mais social, mas festa também, sabe, não todos, mas é a idade, eles são muito jovens ainda. Lidamos com a diversidade e com alunos em diferentes graus de maturidade; A maturidade está, muitas vezes, relacionada à idade e geração do aluno; É preciso utilizar estratégias que estimulem o aluno, considerando sua idade; Os alunos mais jovens preferem a Internet à biblioteca; Os alunos mais velhos compreendem melhor o significado e atribuem maior valor à pesquisa; O professor deve orientar a pesquisa considerando a possibilidade de desenvolvimento de cada aluno, individualmente; Para muitos alunos de graduação, a Universidade se constitui também como um fórum social de convivência e relacionamentos, o que compete com a dimensão do ensino da Universidade. Questão 3: Na sua opinião, como o aluno aprende a pesquisar? Quais estratégias didático-pedagógicas são necessárias ao ensino da pesquisa? Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho bastante problemático, por exemplo, você pegar uma coisa que é super normatizada para o ensino da pesquisa, como, por exemplo, determinar onde é que o trabalho deve chegar. Então ele vai ter uma determinada forma, um determinado padrão e tal. Eu acho isso Explicitação dos Significados O rigor metodológico em relação aos padrões e objetivos da pesquisa é uma dificuldade que desestimula o aluno. 296 desestimulante para o aluno, por ele tem que formatar algumas coisas, com um rigor que é complicado. Questões Emergentes (3ª Questão) Explicitação dos Significados QE - E qual é esse rigor? - É a linguagem da ciência. Você tem que produzir a coisa de uma determinada forma. Eu acredito que, talvez, outras experimentações fossem possíveis, por exemplo: eu sei que está sendo feita uma pesquisa sobre Internacionalização – eu tenho bastante contato com o Professor Belmiro – que tem vários dados a serem computados. Então, vamos supor que o aluno se engaje nisso, aí ele vai ver o sentido do que ele está fazendo e mesmo que o tempo da disciplina se acabe, ele vai ver aquela pesquisa virar um artigo, mais dia menos dia. Talvez, ele participando em relação a isso e o seu nome estando vinculado a um projeto desse tipo, também o estimule. A gente também ganha com isso, no sentido de trazer pessoas para o meio acadêmico, com um ensino um pouco mais acadêmico, não como um lado mais técnico do Administrador. A produção proposta em Pesquisa 1 e 2 depende da apreensão da metodologia, que se constitui em dificuldade para o aluno; Seria interessante outro formato para a disciplina, por meio da vinculação dos alunos de graduação às pesquisas realizadas na pós-graduação em Administração, desempenhando atividades de apoio, como a computação de dados; A motivação e comprometimento do aluno para a pesquisa depende da compreensão do significado da atividade e da oportunidade em obter um produto final; A pesquisa pode despertar no aluno o interesse pela produção do conhecimento. QA - Você acha, então, que esse formato proposto não tem significado para o aluno? - Por exemplo, quando você vai estudar, que abordagem metodológica você pode ter? Então, tudo bem, você pode dar uma aula disso e o aluno pode estudar, mas como se aplica isso? Eu costumo adotar como referência bibliográfica uma pessoa, que é o Mattar. Ele tem um livro de pesquisa em Marketing – por acaso eu fui aluno desse cara no meu mestrado e foi uma experiência importante – e no livro você encontra tudo ali. É uma coisa que conversa com o nosso universo. Diferentemente, embora seja altamente aproveitável e às vezes muito mais até porque você sai do nosso meio, você pega lá o Severino, você vai ver as mesmas coisas, vamos dizer, mas em comparação algo que converse com nosso universo traz uma coisa mais próxima ao aluno. O aluno compreende melhor quando as questões metodológicas da pesquisa são associadas aos fenômenos da Administração; dessa forma, autores que associam metodologia à Administração devem ser incorporados à bibliografia. QA - Você acha que, dependendo da linguagem, a dificuldade é maior para o aluno? - Sim. Eu procuro, dentro da formatação que a disciplina tem, auxiliar o aluno a ver o desejo É necessário auxiliar o aluno no estabelecimento do problema de pesquisa, considerando o seu interesse e a relevância da pesquisa; 297 que ele tem de estar desvendando alguma coisa, que não seja o óbvio, ou ele tentar chegar em alguma coisa dentro do que é o óbvio, mas que tenha uma riqueza ali que nunca ninguém viu. Eu acho importante essa estratégia de dialogar com aluno, estimulandoo. Porque, assim, eles compreendem que precisam realizar uma coisa, mas é qualquer coisa? Não, eu não estou ali para auxiliar o aluno a fazer qualquer coisa e mostro para ele essa função da parede do conhecimento, que eu acho que dá para evoluir, e mostro para ele, também, que ele pode fazer mais limonada com os limões que ele tem. QF - Se você comparar a pesquisa com outras disciplinas, as estratégias para o ensino e a aprendizagem são diferentes? - Eu acho que isso sempre depende um pouco do perfil do professor, que num certo sentido é igual. Porque eu, na minha postura, sempre procuro instigar e fazer refletir. Mas isso é uma característica minha, própria. Agora, por ser a pesquisa o que é dentro da PUC, eu acho que tem que ser diferente. Inclusive ela pode ter, talvez, outros modelos. Como eu falei, talvez uma vinculação com coisas reais que estão acontecendo ou que já aconteceram aqui, dentro desta Casa, que pudessem trazer mais um campo de desenvolvimento do saber, do conhecimento em pesquisa. A estratégia para o ensino depende do perfil do professor ao ser construída; A pesquisa depende de estímulo e capacidade de reflexão; O diálogo e a motivação são estratégias importantes na pesquisa; Devem, professor e aluno, delimitar o nível de qualidade esperado na pesquisa, que contribua para o desenvolvimento do conhecimento em Administração. Em função da importância da pesquisa na PUC, podem ser desenvolvidos outros modelos para as disciplinas de Pesquisa da graduação em Administração, que estabeleçam vínculo com pesquisas realizadas ou em andamento. Questão 4: Como tem sido sua relação com os alunos (relação professor-aluno) nas atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC1 e 2)? Texto de Referência (Depoimento) - TCC eu voltei a orientar neste semestre e ainda não sei o resultado que vai dar. Meu papel é estimular e eu tenho um rigor, que não dá para escapar. Esse é meu jeito de fazer. Então, embora a relação seja positiva e produtiva, às vezes o resultado do trabalho é muito ruim. Quando eu comecei a lecionar Pesquisa, ainda estava sendo buscado um modelo, e foi legal. Eu trabalhei dentro de uma linha minha de pesquisa e foi interessante. Os alunos gostaram muito e eles viram vários efeitos, por exemplo, o que acontece com o pesquisador. O pesquisador também é torcida, se ele quer que alguma coisa dê certo e dá errado, ele fica torcendo para aquilo. Assim, tem coisas que o aluno jamais vai entender em sua vida, porque ele não vivenciou aquilo de uma maneira concreta. Mas, quando ele vai fazer um trabalho mais isolado ou em Explicitação dos Significados Cabe ao professor estimular o aluno e delimitar o nível de qualidade esperado; Uma relação professor-aluno positiva e produtiva não garante que o resultado do trabalho seja bom; Para o aluno, é necessário vivenciar as diferentes etapas da pesquisa para compreendê-la; Uma percepção mais aprofundada do que a pesquisa pode trazer pode ser possível por meio da vivência com pesquisadores mais maduros. 298 pequenos grupos onde a maturidade é a mesma, talvez fique difícil ele realmente ter uma percepção mais aprofundada do que a pesquisa pode trazer. Questões Emergentes (4ª Questão) Explicitação dos Significados QA - Você está dizendo que muitas vezes o resultado do trabalho é ruim? - A maioria, certamente. Se há alguém mais maduro na equipe, nós damos uma puxada no grupo. A gente deve fazer esse papel. Só que, aí, quem responde é o aluno e você tem que entender um pouco o tempo dele. Por exemplo, na aula passada pouca gente ficou – porque eles tiveram prova e foram embora cedo –, mas quem ficou, que maravilha, que gostoso! Sabe, você realmente ter um papel de orientador, ali, no trabalho, pode ser recompensador. Essa condução, o cara precisando de você, você é uma bússola: me dê um norte por favor. Então, é legal. Agora, quando você falou na relação, vem uma coisa para mim que é muito forte. Eu sou, pela minha personalidade, uma pessoa que tem relacionamento fácil, tenho uma acolhida, eu gosto muito das pessoas, mas o que eu tenho recebido às vezes de resposta dos alunos foi muito acanhado, porque, por mais difícil que seja e por mais que você acompanhe o trabalho, o cara se queixa toda hora, o que gera muita repetência. O cara não consegue entender a reprovação e mesmo quando você dá uma nova chance, solicitando ao aluno que corrija seu trabalho e reveja a questão metodológica ele diz: “pô, professor, você está sendo muito rigoroso”. É papel do professor delimitar o nível de qualidade do trabalho conforme a maturidade do aluno ou grupo; O professor precisa compreender que na pesquisa cada aluno tem o seu tempo; O comprometimento do aluno motiva o professor; O professor de pesquisa desempenha o papel de orientador; Os alunos apresentam dificuldades quanto à metodologia de pesquisa; Em função do relacionamento professoraluno, há uma expectativa do professor de um produto final melhor que o apresentado pelos alunos; Muitas vezes, o aluno prefere a aprovação à aprendizagem da pesquisa. QA- O que você está percebendo em relação ao TCC deste currículo, comparando-o ao anterior? - Em relação ao antigo currículo, quando eu já orientava, eu sinto um fenômeno muito semelhante. Às vezes, em TCC 2 é que o aluno está fazendo o trabalho dele, mesmo tendo um ano para fazer agora, ele está deixando para o semestre final. Nem todos, e então eu acho que essa organização temporal foi bastante legal, só que esbarra em pré-requisito e outras questões que ficam, às vezes, um problema pra gente resolver. A ampliação do TCC semestres foi adequada; Alguns alunos deixam a elaboração do TCC para o semestre final (TCC 2); A ausência de pré-requisito para matrícula em TCC 2 é um problema, pois alguns alunos fazem TCC1 e 2 concomitantemente, ou seja, teoria e prática ao mesmo tempo. QA - Que outras questões você tem que resolver? - Porque ele chega para você e fala: “estou fazendo as duas juntas, professor, e você é o de TCC 2”. Como é que faz? Então, o que eu Alguns alunos fazem TCC 1 e TCC 2 no mesmo semestre, porque não há prérequisito; assim, é necessário estabelecer contato com o outro professor para o desenvolvimento de um para dois 299 faço? Eu estimulo, falo para conversar com o outro professor e normalmente entro em contato com o professor de TCC 1. É bastante complicado, mas vai muito da personalidade do professor, que é marcante, quando ecoa a conversa, porque o aluno consegue catalisar uma etapa que ele deixou para trás com o TCC 1, já que ele não fez e está fazendo agora. Então, o professor aí, não tem como, não é? trabalho conjunto; A superação dessa dificuldade depende muito da relação professor-aluno. Questão 5: Na sua opinião, qual é a infraestrutura necessária ao desenvolvimento das atividades de pesquisa? O que a Universidade dispõe e o que precisa ser desenvolvido para essas atividades? Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que a gente tem o básico, o essencial para poder fazer a pesquisa. Além da atitude do professor de fazer um bom trabalho, temos esse instrumental mais a descoberto, quer dizer, ele tem uma biblioteca e, normalmente, acesso a outros meios informatizados para isso. O que eu acho que talvez falte mesmo é essa comunicação: a pesquisa ser fundamentada na pós-graduação, mas como uma coisa só em relação ao stricto sensu, ter uma vinculação maior, vasos comunicantes. Explicitação dos Significados O aluno tem acesso às informações necessárias à pesquisa; A biblioteca e as condições de acesso informatizadas são importantes para as atividades de pesquisa; Faltam canais de comunicação entre graduação e stricto sensu. Questões Emergentes (5ª Questão) QA - Você está se referindo ao vínculo com a pós-graduação? - Sim, ainda mais um problema de lá: falta às vezes quem faça. E para um aluno que está no terceiro semestre do curso, quer dizer, está andando ainda devagarinho no curso, está no comecinho, aliás é um jovenzinho, pode-se explorar o benefício. Não é só o sentido daquilo, ele tem que ficar confabulando coisas, tem às vezes um trabalho mais operacional, mas se ele tiver aquele entendimento, é legal. E mais, por exemplo, uma coisa que seria interessante, numa turma de pesquisa: vamos supor que tivéssemos um laboratório ou que cada sala tivesse um monte de notebooks ou, ainda, que cada aluno disponibilizasse o seu, você conseguiria, logo na primeira aula, fazer um survey e dizer: olha aqui, gente, como se faz um levantamento e como se progride nisso. Então, é assim, tem coisa que talvez deixe a desejar dentro de uma certa formatação enquanto disciplina, quer dizer, você tem lá um, Explicitação dos Significados Os alunos da graduação poderiam contribuir na pesquisa da pósgraduação; Em função da imaturidade do aluno, esses trabalhos poderiam contribuir para a compreensão da pesquisa pelo aluno da graduação; Espaço físico com acesso à Internet é uma necessidade para as aulas de Pesquisa; É necessário demonstrar aos alunos como fazer levantamento de dados, sendo que o survey é um recurso para essa finalidade; O formato da Pesquisa como disciplina e a sequência dos conteúdos propostos podem limitar a aprendizagem do aluno; 300 dois, três para dar numa certa hora. Claro que isso, no seu plano de aula, pode ser renovado, mas acho que essa combinação que poderia ter com o stricto sensu traria um subsídio muito maior e esse seria um papel, talvez, do próprio pessoal que está lá, na vinculação da turma. A pós-graduação poderia criar meios para o vínculo dos alunos de graduação às pesquisas da pós-graduação. QA - Na sua opinião esse vínculo com a pós-graduação melhoraria a formação do aluno? - Acho que cumpriria o papel de sublinhar, ilustrar e deixar isso reluzente em termos de pesquisa que a PUC faz em Administração. As pesquisas da pós-graduação em Administração seriam evidenciadas mediante o vínculo com a graduação. Questão 6: Na sua opinião, os alunos demonstram integração entre os conhecimentos das áreas técnica, humana e funcional nos trabalhos de pesquisa que realizam? Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que sim, embora eu tenha algumas dúvidas. Como nós trabalhamos com uma ciência que é aplicada, normalmente existe uma visão mais técnica, mais instrumental, de aplicação de uma fórmula, de um sistema ou de um modelo. Mas ao mesmo tempo, eu acredito que o aluno PUC é localizado dentro do curso e desde o primeiro dia que ele entra numa sala de aula, com essa formação de um jeito mais ampliada, pega ele em outras dimensões que não meramente „pegue a chave Philips e aperte o parafuso‟. Explicitação dos Significados A formação mais ampla, proposta na PUC, amplia a integração entre os conhecimentos das diferentes áreas. Questões Emergentes (6ª Questão) QA - O aluno demonstra essa integração no momento da pesquisa? - Ele demonstra, mas acredito que isso é uma coisa que vai aparecer em todos os trabalhos que ele fizer. Ele mesmo não faz essa crítica, ela está meio subjacente. Agora, cabe a gente lembrar: olha, você tem o verde, o amarelo e o vermelho. Cabe a gente falar: isso aqui tem isso, entende? Se o professor refletir sobre o próprio currículo, ele pode falar isso aqui tem a ver com isso, não é verdade? Ele pode estimular o aluno a ter essa percepção mais integrada. Em função da Administração ser uma ciência aplicada, predominam as visões técnica e funcional; Explicitação dos Significados O aluno demonstra essa integração em todas as disciplinas do curso, como algo subjacente à sua formação; Cabe ao professor estimular essa integração; O professor pode compreender essa integração, refletindo e estabelecendo vínculo entre as diferentes atividades propostas no currículo do curso. 301 Questão 7: Em sua experiência, você identifica alguma contribuição das atividades de pesquisa na melhoria da qualidade do TCC, desenvolvimento de projetos de Iniciação Científica, participação dos alunos da graduação nos grupos de pesquisa da Universidade, participação dos alunos em outros eventos relacionados à pesquisa? Quais são (se houver)? Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que a gente tem um potencial que já está acontecendo: são três alunos meus, mais quatro seus, cinco do outro, ali e tal. Eu acho que isso teoricamente está acontecendo. Tanto para a melhoria da qualidade do TCC, quanto um aproveitamento disso para Iniciação Científica, acho que está acontecendo, mas eu não sei comparar isso. Por exemplo, como tem sido esse progresso? Quantitativamente quanto que avançou? Eu não sei te dizer. Explicitação dos Significados Existe um potencial de contribuição da pesquisa para o desenvolvimento dessas atividades; Há um início de movimento nessa direção; Não sabe quantificar esse avanço. Questões Emergentes (7ª Questão) QA - Mas você acha que aumentou o interesse do aluno para isso? - No TCC, que é o que eu vivencio, eu noto lá uma „perninha‟ em alguns, do passado. Em outros, o cara fez uma disciplina que tinha que cumprir e esqueceu. Não fica. Então, como fazer para ficar? Eu digo: você lembra não sei o que? Você fez anotações? Ele nem lembra, sabe. Então, digo: você vai ter que voltar um pouco nessa etapa para se instrumentalizar melhor e, ao mesmo tempo, veja um trabalho bem feito, olha aqui como é. Para o aluno poder fazer alguma ponte. Agora, tem uma questão também. Eu estou lidando com o pessoal da noite, em TCC, e todo mundo trabalha. Então, uma coisa que é complicada é ele conseguir um tempo mais reflexivo, para retomar, para se situar melhor. Agora, eu acho que certamente deve haver exceções, mas eu acho que a gente cai no mesmo problema. Porque, na minha visão de pesquisa, vai funcionar muito mais se a gente conseguir estreitar o eixo melhor com o stricto sensu, dentro de uma instituição que pode ter qualquer caráter e, ao mesmo tempo, com os professores, também, se instrumentalizando mais dentro de sua produção. Porque todos os professores aqui – não posso dizer de todos – são iniciados na pesquisa, mesmo não tendo propensão à pesquisa, embora sendo caras mais de mercado, mais práticos, eles sabem o que é, porque todos os professores aqui têm nível, são mestres e já passaram por uma série de coisas. Explicitação dos Significados Para poucos alunos o conhecimento obtido em Pesquisa é utilizado no TCC; A maior parte dos alunos não se recorda do conteúdo de Pesquisa 1 e 2; Trabalhos de referência ajudam o aluno a elaborar o TCC; Os alunos do noturno têm dificuldades de tempo para retomar os conteúdos obtidos nas disciplinas anteriores; Deve ser feita uma revisão do formato da disciplina, proporcionando estreitamento entre as atividades de pesquisa da graduação e pósgraduação; Todos os professores são iniciados em pesquisa, em função de sua titulação, mesmo havendo ênfase em sua atuação no mercado de trabalho; Deve existir uma maior dedicação docente à pesquisa. 302 QE - Você está dizendo que nem sempre a pesquisa faz parte da vida do professor? - Se ele tiver, imagina, por exemplo, vamos supor, formamos um grupo, estamos aí cinco pessoas, seis pessoas, estamos aí e tal, isso te traz outra dimensão enquanto professor, para esse olhar que é importante. Então, você vivendo isso, você vai transmitir essa onda e esse calor para o aluno. O que eu acho que também falta para fechar essa questão da pesquisa é a questão da estimulação do professor, também, na sua produção e isso é necessário até para nossa carreira aqui dentro. Os professores devem formar grupos de pesquisa; O professor que pesquisa influencia a aprendizagem do aluno; QA - Você pensa na participação de professores em grupos de pesquisa? - Exatamente, em grupos de pesquisa, para produzir, para escrever artigo. Já em relação à participação do aluno eu não sei medir, mas acredito que ela seja ainda incipiente. Sabe aquela história, assim, tinha dois virou quatro, puxa, cresceu 100%, mas, assim, em números absolutos, eu acho que teria que ser medido para ver essa evolução. Os professores devem participar de grupos de pesquisa da pós-graduação para promover e influenciar a participação dos alunos em atividades de pesquisa; A produção docente, além disso, é reconhecida pela Universidade pelo plano de carreira. A participação dos alunos em grupos de pesquisa é incipiente. Questão 8: Segundo o Projeto Pedagógico do Curso, as atividades de pesquisa podem estar voltadas para produção de trabalhos para publicação – em revistas, livros ou anais de eventos científicos da área – ou produção de estudos de caso, para utilização em aulas ou disponibilização para o mercado. Em sua experiência, isso tem ocorrido? Qual é sua opinião sobre a divulgação e/ou publicação da produção dos alunos da graduação e o que é necessário para sua viabilização? Texto de Referência (Depoimento) - Olha, sinceramente, o que eu acho que o que fica são os alunos fazendo mais os relatórios de pesquisa deles, como o TCC. Talvez, um ou outro preocupado com um artigo, buscando dar uma outra formatação ao trabalho; e ninguém, no meu modo de ver – embora nem eu procure estimular – produzindo pesquisa que possa ser utilizada, que possa ter uma aplicação concreta. Em relação à publicação, já vi acontecer isso aqui, mas me parece assim: olha, aconteceu ali um fenômeno! É excepcional. Explicitação dos Significados A maioria dos alunos opta por elaborar relatórios de pesquisa que poderão ser utilizados no TCC; Poucos alunos produzem artigos; A maior parte das pesquisas dos alunos não tem aplicação concreta; Publicações dos excepcionalmente. Questões Emergentes (8ª Questão) QA - Qual é sua opinião em divulgar e publicar esses trabalhos, tanto de pesquisa quanto de TCC? alunos ocorrem Explicitação dos Significados A publicação é importante porque por meio dela o aluno compreende o significado da pesquisa; 303 - Eu acho que seria bastante importante, excelente, porque aí traz sentido para aquilo que a gente está falando. Onde é que vai chegar tudo isso, não é? Porque, por exemplo, mesmo que um aluno diga assim: “fui mão-deobra, mas entendi o que é pesquisa e meu nome está sendo levado ali; daquilo derivou um artigo e aquele artigo foi publicado”. Chega num ápice da coisa, numa terminalidade, de um estado ao outro, que o aluno acaba aprendendo. Como TCC, acho que o resultado pode ser um pouco diferente, porque às vezes o aluno está fazendo o projeto da vida dele, por exemplo um plano de negócios, ou está preocupado com uma questão, preocupado em talvez dar uma contribuição. Agora, aqui, a gente precisa até divulgar mais isso. QA – Questão de Aprofundamento QE – Questão de Esclarecimento QF – Questão Focalizadora Os alunos da graduação apoiariam o desenvolvimento de pesquisas da Universidade, principalmente da pósgraduação; portanto, os artigos não seriam elaborados por eles; Os alunos, mesmo não sendo autores dos artigos, aprenderiam por conta de participarem de uma pesquisa concreta, com um significado real e com aplicabilidade. 304 PROTOCOLO DE SIGNIFICADOS – ENTREVISTA – PROFESSOR 2 Questão 1: Como você entende a pesquisa na graduação e no curso de Administração? (importância e objetivos) Texto de Referência (Depoimento) - A importância da pesquisa na graduação é que o aluno aprende a aprender. Aprende a descobrir fenômenos. Então, por exemplo, baseado no PBL – o [método do] aprendizado por problema –, você pode trazer a pesquisa no sentido de fazer com que o aluno descubra por si só o fenômeno – um fenômeno do curso de Administração, especialmente. Então, o objetivo maior é fazer com que o aluno entenda. E ao fazer a pesquisa o aluno passa a descobrir porque é importante pesquisar. Hoje, a pesquisa é importante na Administração porque um gerente, um gestor, precisa entender um fenômeno, externo ou interno. Por exemplo, porque o meu funcionário está motivado ou desmotivado; porque um líder atua assim ou assado; então, não adianta mais ficar no „achismo‟, ele tem que fazer uma pesquisa fundamentada, uma pergunta com tentativas de respostas e, aí, o aluno pode perceber, pode tentar desvelar esse fenômeno que está no curso de Administração. Então, a princípio, parece que o aluno não dá muito valor à pesquisa, porque ele não vê uma perspectiva nisso, mas é muito importante. Eu faço [com] que ele aprenda sozinho, digamos assim, ou de forma autônoma. Eu acho que a pesquisa faz com que a pessoa se liberte do professor, nesse sentido. Porque na sala de aula, o professor vai lá como transmissor de conteúdo. Aqui não, o aluno passa a pesquisar conteúdo e tentar relacionar com os fenômenos que ele quer pesquisar, que pode ser na graduação em qualquer curso e no curso de Administração é importantíssimo. Eu vejo, por exemplo, que eu não tive isso no curso de graduação, mesmo aqui nessa escola. Na época, era dada Metodologia Científica. Hoje eu vejo Pesquisa muito mais ampla que Metodologia. Então, você tem um objeto, um tema, um problema de pesquisa e uma hipótese que eu vou tentar desenvolver a partir de um problema e, a partir disso, você vai descobrir algo, desvelar algo, não vai velar, vai desvelar, no sentido de abrir o conhecimento. Então, eu acho que a pesquisa, ela é muito importante e atinge o objetivo de aprofundar os estudos da Administração. Em relação à pesquisa eu acho: primeiro, o aluno aprende a aprender; segundo, o aluno pode relacionar disciplinas que ele tem mais afinidade para desenvolver uma pesquisa ou ele pode, a partir de um problema que ele tenha na empresa, pesquisar e descobrir uma solução para esse problema. Então, são várias as possibilidades. Em relação aos objetivos, o Explicitação dos Significados O aluno aprende a aprender por meio da pesquisa; A metodologia do PBL – Aprendizagem Baseada no Problema – é adequada para identificação dos fenômenos na Administração; O aluno entende a pesquisa e sua importância ao fazê-la; Os alunos – futuros gerentes ou gestores das organizações – precisam realizar pesquisas para compreender os fenômenos da Administração; O aluno só atribui valor à pesquisa quando compreende sua aplicação à Administração; O ensino da pesquisa faz com que o aluno aprenda sozinho ou de forma autônoma, se libertando do professor; Na pesquisa o professor não é transmissor de conteúdo: o aluno aprende a pesquisar conteúdos e a relacioná-los aos fenômenos da Administração; Pesquisa é mais ampla que Metodologia Científica, comparando sua experiência como aluno da PUC na época do Ciclo Básico; Por meio da pesquisa sobre os problemas e fenômenos, os estudos da Administração são aprofundados e o conhecimento ampliado; Na pesquisa, o aluno escolhe e relaciona disciplinas que tem mais afinidade; O aluno pode utilizar a pesquisa para resolver problemas que tenha 305 importante é a aprendizagem, ele aprende a integrar os fenômenos da Administração e os fenômenos aí da ciência. Eu acho que é nesse sentido, incentivar esse convite. Então, eu vejo que o aluno de graduação não tem maturidade. Essa falta de maturidade faz com que ele não veja, não consiga perceber a importância da pesquisa. Então, provavelmente, como o professor vai atuar nessa disciplina de Pesquisa, eu acho que esse professor tem que fazer com que desperte no aluno essa motivação de entender que a pesquisa é importante. Acho que esse é o papel do professor que vai atuar na pesquisa. Então, eu acho que esse aluno de graduação, ele não tem maturidade para entender a importância da pesquisa. Ele acha que é mais uma disciplina da grade curricular. no trabalho; Um objetivo importante da pesquisa é a aprendizagem do aluno na integração dos fenômenos da Administração aos fenômenos da Ciência; O aluno de graduação não tem maturidade para perceber a importância da pesquisa; Os papéis do professor de Pesquisa são: fazer com que o aluno compreenda a importância da pesquisa; e motivar o aluno para sua realização. Questões Emergentes (1ª Questão) Explicitação dos Significados QE - Você está se referindo ao Ciclo Básico? - Sim, eu peguei o Ciclo Básico aqui na PUC, em [19]79. Então, aqui era Metodologia Científica. Você aprendia a formatação da ABNT, o que é ciência, mas nunca entrava no foco da pesquisa. O conteúdo de Metodologia Científica (Ciclo Básico da PUC, cursado pelo professor) não abordava o foco da pesquisa. QE - O que você está entendendo por maturidade? - Então, ele não tem maturidade porque ele não sabe nem o que é um problema, tem dificuldade para desenvolver um problema de pesquisa, tem dificuldade para entender o que é um fenômeno. Então, eu acredito que a falta de experiência, assim, de idade, tem pouco tempo, nunca trabalhou, ele entrou na faculdade tem dois anos que ele está aí fazendo uma pesquisa, um ano, dois anos. Então, é um aluno que não tem maturidade intelectual para entender o potencial dessa disciplina. Como a disciplina é mais livre do que as outras disciplinas – ele tem que escutar o professor jogando pra ele o que é produção, o que é marketing, uma teoria – aqui não, ele vai tentar desenvolver um problema de pesquisa. É a parte dele. Ele que vai buscar. É uma coisa que ele tem que desenvolver. Acho que aqui é a maior dificuldade do aluno. Engraçado, na Administração, por exemplo, na graduação ele não tem maturidade e na pós-graduação ele acha que já tem maturidade, mas não fizeram uma aula de pesquisa. Tem muitos alunos que vão ter na pósgraduação a experiência de pesquisa ou vão ter pela primeira vez uma experiência de pesquisa, porque eu acho que a maioria dos cursos de graduação não dá valor ou a importância devida a essa questão da pesquisa, ou a um ensino baseado em problema ou em pesquisa. Então, eu acho que aí é o „X‟ da questão, e o aluno não percebe que aqui está O aluno tem dificuldade para entender o que é um problema e o que é um fenômeno; O aluno não tem maturidade intelectual para compreender o potencial da pesquisa, em função de sua idade e da falta de experiência no trabalho; Não há transmissão de conhecimento pelo professor, mas busca pelo aluno; A maior dificuldade do aluno de Pesquisa é a busca de informações e o desenvolvimento do problema de pesquisa; Falta ao aluno da pós-graduação o conhecimento de pesquisa; Normalmente, é na pós-graduação que o aluno vai ter a primeira experiência de pesquisa; Os cursos de graduação em Administração deveriam dar maior importância a um ensino baseado em problema e em pesquisa; 306 embutida toda a interdisciplinaridade, que ele pode tentar relacionar campos ou áreas de atuação da Administração diferentes, por exemplo, eu estimulo os alunos a tentarem fazer problemas com causas e efeitos, qual é a importância, como a motivação afeta, como o estilo de liderança do chefe afeta a motivação do funcionário. Então, eles vão aprender dois fenômenos: a motivação e a liderança. Eles não percebem que na pesquisa eu posso associar disciplinas diferentes, motivação e liderança, ou, por exemplo, como a motivação do funcionário impacta no resultado da empresa. Então, quando o aluno percebe isso ele fala: “puxa, legal fazer pesquisa”. Principalmente, depois que ele descobre lá a metodologia, como fazer levantamentos, criar questionários, essas coisas assim. Aí sim, quando ele começa a ver o resultado, que ele passa a gostar. Antes, na forma de teoria, às vezes o aluno ele não gosta de ficar vendo o que é ABNT, metodologia científica, exploratória, descritiva, sei lá o que... Então o aluno, ele começa a confundir e na hora que ele põe em prática, ele vê o resultado, ele passa a dizer: “puxa, isso é gostoso de fazer”. Eu acho que é nesse sentido que a importância e o objetivo, eles vem lá, atender ou aprofundar o curso de Administração na graduação. O aluno não percebe a interdisciplinaridade presente na pesquisa; O professor deve estimular os alunos a estudarem problemas com causa e efeito, relacionando fenômenos presentes em diferentes disciplinas e áreas de atuação da Administração; O aluno fica motivado e começa a gostar da pesquisa quando compreende: a possibilidade de associação de diferentes fenômenos; a metodologia; e quando visualiza o resultado da pesquisa; O aluno aprende pesquisa a partir da prática: o processo de aprendizagem da pesquisa para o aluno é motivador quando parte da prática para a teoria. Questão 2: Como você compreende as atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2) propostas no Projeto Pedagógico do Curso? (conteúdo, carga horária, período, número de alunos por turma, ausência de pré-requisitos, critérios de avaliação) Texto de Referência (Depoimento) - Eu vejo, assim, como uma tentativa de continuidade, porque como se fosse uma pósgraduação em quatro anos. Seria, assim, por exemplo, num ano eu daria Pesquisa 1, no outro Pesquisa 2, no outro TCC 1 e no outro TCC 2. Eu vejo como uma continuidade, então o aluno entra num ele faz o projeto. Sei lá, como se fosse um, dois, três e quatro, como se fosse uma sequência. Então, eu vejo a Pesquisa 1, 2 e TCC 1, 2 como se fossem disciplinas encadeadas, numa sequência lógica, que o aluno vem num desenvolvimento do que é a pesquisa. Então, por exemplo, Pesquisa 1 ele aprende a fazer um projeto; em Pesquisa 2 ele vai tentar desenvolver o projeto; no TCC 1 seria ou o projeto ou uma coisa mais prática... aqui na faculdade eu não fiz nenhuma orientação de TCC. Acredito eu que ele vai pegar a Pesquisa 1, vai desenvolver a pesquisa na Pesquisa 2 e no TCC, até usando uma metodologia de estudo de caso ele pegaria um caso da empresa onde ele trabalha para tentar até fundamentar, fazendo a relação da teoria e da prática. Então, ele fez um monte de teoria, desenvolveu uma pesquisa bibliográfica e no TCC 2 Explicitação dos Significados Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2 são entendidas como disciplinas sequenciais e encadeadas; O professor acredita que no TCC o aluno dará continuidade ao projeto desenvolvido em Pesquisa 1 e 2, embora ainda não tenha ministrado TCC; No TCC o aluno integraria teoria e prática, por meio da metodologia do estudo de caso realizado na empresa; Em Pesquisa 1, o aluno aprende a fazer o projeto; em Pesquisa 2, desenvolve o projeto; em TCC 1, desenvolve pesquisa bibliográfica; e em TCC 2 realiza pesquisa de campo na empresa, agregando a experiência do trabalho ao projeto; 307 ele poderia ou fazer um levantamento ou, é... pegar uma empresa que ele já trabalha, a partir da experiência do trabalho e trazer essa experiência para o projeto. Então, eu acredito que ficaria essa coisa teoria e prática mais livre, porque senão fica muito solto, um foca muito na Pesquisa e o outro só no estágio ou no TCC, para fazer uma coisa voltada para a empresa. Agora, por exemplo, Pesquisa 1, eu acho que eu tenho mais experiência aqui na faculdade em Pesquisa 1: eu pego o modelo de projeto e divido ele em partes, então, o que é hipótese, o que é problema de pesquisa, o que é tema, uma discussão bibliográfica, como fazer uma metodologia, os tipos de procedimentos metodológicos, para que o aluno possa desenvolver sua pesquisa. Cronograma, tudo isso. Então o aluno começa a ver, ele vai, a partir dessas atividades, ao término dessas atividades, ele vê que tem um projeto. Ele tem uma coisa que ele pode desenvolver. E eu sempre digo para os alunos: façam um projeto com tema de pesquisa relacionado a eles e não ao professor. Porque eu vi muito professor que dá tema para o aluno, e eu acho que o tema não tem que sair do professor, o tema aqui tem que sair de uma demanda da empresa em que o aluno trabalha ou da demanda que o aluno tenha de aprender alguma coisa. Aí ele estaria muito mais motivado, a não ser, por exemplo, que eu tenha um projeto de pesquisa „guarda-chuva‟, que o aluno vai entrar no meu tema, como se fosse Iniciação Científica. Aí sim ele vai ter que entrar no meu tema, dentro do meu problema de pesquisa, ele vai ajudar a desenvolver o meu problema de pesquisa. Mas eu acho que, no caso do aluno, para motivar na Pesquisa 1 e 2 e no TCC 1 e 2, acredito eu que dentro dessas atividades o aluno tem que desenvolver o tema, o problema, a hipótese e a metodologia de acordo com a demanda dele, com o problema que ele tenha. Quer dizer, um problema da empresa, por exemplo como motivar o funcionário, então ele vai fazer essa pesquisa e isso talvez não deu tempo de fazer numa disciplina de motivação que ele teve na aula. Então, aqui ele vai aprender relacionar, em termos de pesquisa, a teoria e a prática de uma demanda lá da empresa. Eu acho que o conteúdo e a carga horária são pertinentes. O que eu acho que é ruim aqui na faculdade é que professores diferentes, então, por exemplo, eu dei Pesquisa 1 e o aluno desenvolveu um projeto comigo, vem um outro professor no segundo semestre e vai dar Pesquisa 2, aí ele olha para o projeto do aluno e fala “eu não gostei do seu projeto” e o aluno tem que fazer de novo. Esse é um problema sério que tem, então o aluno começa do zero na Pesquisa 2 de novo; ou, uma coisa diferente, o aluno passa a descobrir depois de um semestre que aquele tema que ele fez com a Pesquisa 1, ele também já não gosta mais, ele é muito volátil. Então, os alunos são muito voláteis com temas e problemas, eles pegam um problema Teoria e prática se integram por meio da pesquisa; Com o conteúdo de Pesquisa 1, o aluno produz um projeto que pode ser desenvolvido posteriormente; O tema de pesquisa deve ser escolhido pelo aluno e não pelo professor; Os temas devem derivar da demanda da empresa onde o aluno trabalha ou representar um tema de interesse de aprendizagem do aluno; Poderia haver outra estrutura, na qual o professor proporia linhas de pesquisa – temas „guarda-chuva‟ – e o aluno escolheria os temas em função de seu interesse; O conteúdo e a carga horária são pertinentes; Não é produtivo que o aluno curse Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2 com professores diferentes; Os alunos demonstram volatilidade em relação aos temas e problemas da Administração, ou seja, não dão continuidade ao projeto elaborado em Pesquisa 1; Pesquisa 1 e 2, TCC 1 e 2 deveriam funcionar como a orientação do mestrado e doutorado, permanecendo com o mesmo professor no decorrer do curso, o que possibilitaria maior afinidade entre professor e aluno e a continuidade do projeto; Observa-se uma carência de conhecimento sobre pesquisa dos alunos de TCC do currículo anterior, decorrente provavelmente do prazo escasso de um semestre para o aluno aprender o que é pesquisa e desenvolver o TCC; Não há necessidade de prérequisitos para as atividades de Pesquisa; O critério de avaliação da pesquisa é qualitativo e subjetivo, depende da qualidade e desencadeamento 308 simples e no outro semestre: “ah, o professor deu teoria do conhecimento e informação, então eu quero fazer pesquisa de informação”. Então, ele é muito volátil em temas e demandas da Administração, porque tudo é interessante. Então eu acho que deveria ter um encadeamento, como se fosse uma orientação no mestrado e doutorado. Então, o aluno entrou na Pesquisa 1 e vem fazendo comigo a Pesquisa 1 e 2. Isso seria o ideal. E no TCC 1 e 2 também pegar o mesmo professor da pesquisa, porque teria a questão da afinidade, seria a questão de continuidade do projeto de pesquisa. O que eu percebo, porque eu estou dando orientação de TCC 2 do currículo antigo, é que tem aluno que está, às vezes, com o projeto zero, ele não tem nada. Por quê? Ele veio desencadeado e ele não teve pesquisa. Eu percebo a diferença hoje, eu vejo que o aluno que tem já Pesquisa 1 e 2 e TCC 1, provavelmente ele vai estar muito mais preparado ao final do que os alunos que não tinham isso no currículo. Porque eu estou dando aula de TCC neste semestre para um aluno que está no último semestre, vai começar do zero e em quatro meses tem que fazer um trabalho de pesquisa. É difícil para o professor e é difícil para o aluno. Então, eu vou ter que fazer uma coisa „tampão‟, para o aluno aprender o que é pesquisa e TCC em quatro meses. Eu acho muito pouco. Pré-requisito, eu acho que não deveria ter pré-requisito mesmo, o pré-requisito é entender um pouco de metodologia, desde a Pesquisa 1. O critério de avaliação, para finalizar, eu acho que ele é mais qualitativo. Eu, por exemplo, não uso prova para avaliar, é o projeto. Então, é uma avaliação mais abstrata, mais qualitativa, mais subjetiva, para ver se o aluno aprendeu a desencadear um projeto. É diferente de uma prova, em que eu fizer dez questões e o cara tem que ter o conhecimento das questões. Aqui não, a avaliação é para saber se o aluno tem organização, se o aluno tem disciplina para fazer um projeto. Então, a avaliação aqui, o critério de avaliação é mais qualitativo, não é tão quantitativo, quando ele fez pesquisa. É comum o aluno perguntar: quantas páginas que precisa ter? Vai depender do que você está pesquisando, não é? Acho que o número de páginas vem em detrimento da sua pesquisa. É uma pergunta comum dos alunos: “quantas páginas, professor?”. Não sei, não posso te falar quantas páginas, podem ser de vinte a cem, a duzentas. É qualitativo, não é quantitativo. É isso. do projeto; Questões Emergentes (2ª Questão) QA - Mas, sem o pré-requisito, o aluno pode fazer Pesquisa 2 sem ter feito Pesquisa 1. - Eu acho que sim. Por quê? Eu acredito que mesmo o professor, entrando em sala de aula para dar Pesquisa 1 e 2 ou TCC 1 e 2, eu acho que as aulas O aluno está habituado à avaliação quantitativa. Explicitação dos Significados A ausência de pré-requisitos é possível, quando o professor utiliza as aulas iniciais das atividades de Pesquisa para retomar seus conteúdos principais; 309 iniciais são para retomar o que é uma pesquisa. Então, por exemplo, uma aula inicial teria: ah, vocês lembram o que é uma hipótese, um problema, um método, metodologia científica, ABNT? Ah, o aluno não sabe, então você vai ter que retomar e passar uns materiais para ele acompanhar a turma. Isso é possível, não é impossível o aluno acompanhar. QA - E você não vê problemas em fazer depois Pesquisa 1? - Ficaria até melhor, porque se ele voltar na Pesquisa 1, aí, é como se fosse uma repetência. Sabe, ele retoma com um ressignificado maior. Porque ele já teve uma experiência que é um projeto, um capítulo iniciado, que ele pode até melhorar metodologia, reformular hipóteses, pode reformular o problema de pesquisa. Eu acho que não teria problema nenhum. No TCC vai depender, se for um TCC mais prático, por exemplo, um plano de negócios, não é? Que o aluno, ele enxergue toda a empresa, todo o projeto pedagógico do curso. Já tive experiências que o TCC, em outras escolas, era um TCC que desenvolvia toda a grade curricular. Então, para fazer um plano de negócios, o aluno tem que entender de marketing, de finanças, de administração, de informática. O aluno vai montar um plano de negócios todo encadeado, com todas as atividades que ele teve no curso de graduação. Ele consegue enxergar, ao montar um plano de negócios ou o planejamento estratégico do negócio, que todas as atividades que ele aprendeu ao longo do curso de graduação foram importantes, ele só percebe no final. Isso é importante. Daí a importância dessas atividades de TCC 1 e 2 ou de pesquisa. A pesquisa, às vezes, ela fica focada em algum aspecto só da Administração, mas no TCC eu acho que ele é mais abrangente. O aluno vai começar a ver: “puxa, como era importante aquela parte que eu tive no primeiro ano, no segundo ano, no terceiro ano...”. Aí é que ele retoma algumas coisas. Eu acho que é importante. O professor pode indicar materiais para o aluno acompanhar a turma. O aluno que cursa Pesquisa 1 depois de Pesquisa 2 pode retomar o projeto, atribuindo um ressignificado maior; O TCC deve ser mais abrangente que as atividades de Pesquisa 1 e 2, pois pode integrar os diversos conhecimentos desenvolvidos no decorrer do curso de Administração; O professor teve experiências, em outras instituições, em que a proposta do TCC – um plano de negócios – envolvia toda a grade curricular do curso de Administração; O aluno pode atribuir valor aos diferentes conhecimentos obtidos no decorrer do curso, retomando conteúdos que forem necessários, por meio do desenvolvimento do TCC. Questão 3: Em sua opinião, como o aluno aprende a pesquisar? Quais estratégias didático-pedagógicas são necessárias ao ensino da pesquisa? Texto de Referência (Depoimento) - Como eu tinha dito antes, eu acho que o aluno só aprende que nem naquele modelo do PBL, ou seja, eu acho que ele só aprende quando ele faz o problema e ele faz a resposta. A hipótese provisória, a resposta provisória. Então, ali que ele consegue entender logicamente o que ele vai fazer. Aí, a hora que ele começa com o problema de pesquisa, bem Explicitação dos Significados O aluno precisa compreender a lógica da pesquisa para poder problematizar; A maior dificuldade para o aluno é identificar os problemas da Administração; 310 elaborado, bem claro, e que ele... eu sempre digo: o seu problema de pesquisa tem que estar em sua mente, não tem que estar no papel. Então, eu pergunto para você: qual é o seu problema de pesquisa? Você tem que me responder na hora. Porque se ele sabe qual é o problema de pesquisa, ele já está buscando a solução. Então ele aprendeu a buscar a solução. Então, tem alunos que não têm na pesquisa, ele não sabe qual é o problema dele. Se ele não sabe qual é o problema, como ele sabe a resposta? Ele não vai desenvolver a resposta, porque ele não sabe nem o problema que ele tem. Então, o aluno aprende a pesquisar a partir do entendimento do problema que ele tem. Então, eu acho que é a parte mais importante do projeto de pesquisa é ele elaborar bem o problema de pesquisa. Então, eu acho que quando o professor cria uma didática, é para fazer o aluno gostar de criar problema, criar problema no sentido de problema de pesquisa, o aluno começa a aprender a fazer pesquisa. Eu tive uma aluna agora, numa turma, que eu expliquei lá, eu criei lá, esse método de desenvolver o problema de pesquisa entre causa e efeito – então pega uma causa e um efeito, é, então, por exemplo, como a motivação impacta na liderança ou como a liderança impacta na motivação, ou como a criatividade impacta na inovação – aí, eu expliquei para os alunos: é só mudar a causa e efeito e você cria qualquer problema. Então, por exemplo, como a publicidade impacta no resultado, os próprios „causa e efeito‟ são fenômenos que eu estou tentando estudar. Eu peço para os alunos comentarem quais são seus problemas, faço uma rodada com todos os alunos, uma das alunas até argumentava: “não, o seu problema está errado, você argumentou errado, porque você não faz assim, assim, assado”. Então, você começa a perceber que o aluno entendeu. Aquela aluna aprendeu. Ela está até ensinando, tentando ensinar o colega. Então, isso eu acho que é motivador, é fazer com que os outros alunos tentem explicar para outro como que se faz um problema. A parte mais difícil que eu acho da estratégia é explicar para o aluno não se preocupar com norma da ABNT. Eu acho que a norma, padrões, essas coisas, mais para o final. Primeiro desenvolver, eu acho que a melhor metodologia, estratégia didático-pedagógica, é aquela que faz o aluno entender que ele tem um problema e que ele tem que buscar a resposta. Depois disso, é que ele vai tentar por dentro do padrão da ABNT. Tem professor que começa pelo ABNT, então assusta muito o aluno, ele trava, ele não vai para frente, não é? Então, ele não aprende a aprender e ele detesta a pesquisa. Ele fala assim: “estudar ABNT eu não gosto”. Então eu acho que se o professor começar com que o que é problema, hipótese, que tipo de metodologia eu posso desenvolver e como fazer essa pesquisa, o aluno vai. Depois, ele traz: “tem um problema, agora eu tenho que fazer a citação, agora A parte mais importante do projeto de pesquisa é a elaboração do problema de pesquisa; O PBL auxilia na compreensão da lógica do problema; O aluno aprende a pesquisar a partir do entendimento do problema que ele tem; Ao saber qual é o problema de pesquisa o aluno já está buscando a solução; A didática do professor deve fazer com que o aluno passe a gostar de criar problemas de pesquisa; O PBL e o desenvolvimento de problemas de pesquisa, associando causa e efeito em relação aos fenômenos da administração, facilitam a compreensão dos alunos; É enriquecedor que os alunos apresentem seus problemas à sala e há cooperação entre eles; O aluno que aprende passa a ensinar aos demais como se faz um problema; A melhor estratégia didáticopedagógica é aquela que faz com que o aluno entenda o problema e busque a resposta; Ensinar padrões ABNT e normas no início se constitui em obstáculo à motivação e aprendizagem do aluno; Os padrões e normas surgem da necessidade que o aluno apresenta ao desenvolver sua pesquisa; O foco da pesquisa é o problema, a hipótese e a metodologia; A sequência de conteúdo é proposta a partir da definição do problema; dessa forma, a metodologia da pesquisa emerge do problema; O aluno precisa aprender o 311 eu tenho que fazer a referência”. Aí, nós vamos trabalhar, pegar aulas de pesquisa para entender a ABNT, mas isso não tem que ser o foco da aula. O padrão da ABNT não tem que ser o foco da aula, o foco é o problema, hipótese e metodologia e a partir daí o aluno vai em frente. Porque na empresa, voltando lá na questão 1, a empresa não vai pedir metodologia científica, ela quer que você desenvolva um problema, a solução de um problema. Se vai ser com metodologia ou não, não é científica na empresa, mas ele tem que aprender a lógica, o raciocínio lógico, de como fazer a relação problemaresposta e método de pesquisa. Eu acho que aqui é que você consegue ganhar o aluno na estratégia didático-pedagógica. raciocínio lógico de como fazer a relação problema-resposta-método de pesquisa. Questões Emergentes (3ª Questão) QA - E o PBL? - O PBL, é por isso que se chama Aprendizado Baseado no Problema, porque se ele aprende a fazer um bom problema ele faz como o professor, ele busca, ele tenta descobrir hipóteses que são as respostas provisórias. Aí que ele vê: “nossa, é fácil!”. Eu posso dar uma resposta, uma hipótese provisória e vou ver, vou negar ou confirmar. Então, ele começa a perceber o que? “Puxa, a pesquisa é o trabalho mais gostoso”. Alguns alunos me falam: “se eu soubesse, eu gostaria de fazer só pesquisa, porque eu lanço um problema e busco uma resposta”. Aquela coisa dialética, problema-resposta, problema-resposta. Explicitação dos Significados Por meio do PBL o aluno compreende a relação dialética entre problema e resposta e passa a gostar de fazer pesquisa. Questão 4: Como tem sido sua relação com os alunos (relação professor-aluno) nas atividades de Pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2)? Texto de Referência (Depoimento) - Olha, o que eu percebo é, na Pesquisa 1 eu me sinto muito confortável porque eu deixo os alunos tranquilos e eles ficam tranquilos comigo. Na Pesquisa 2 é onde eu tenho encontrado maior dificuldade, porque o aluno, ele tem que desenvolver já um capítulo, uma discussão bibliográfica, e aqui eu acho que o professor, ele tem que puxar o aluno pra ler mais, você tem que dar mais referencial bibliográfico, e o aluno, aí eu não sei se é maturidade, se é falta de leitura ou se não sabe sintetizar, então o aluno, aí ele entra com a... aqui precisaria ter uma ajuda de um professor, talvez de português instrumental. Então, você pega cinco ou seis autores, qual é a ideia principal daquele autor, o aluno não consegue abstrair. Então a maior Explicitação dos Significados O aluno lê pouco e tem dificuldade para sintetizar em Pesquisa 2; Português instrumental poderia ajudar os alunos; A pesquisa bibliográfica é limitada porque os alunos têm dificuldade em relacionar vários autores e diferentes abordagens; O professor encontra dificuldade para indicação de bibliografia quando o problema escolhido pelo aluno é de outra área 312 dificuldade na Pesquisa 2 é fazer com que o aluno, quando ele começar a desenvolver a discussão teórica, é começar a descobrir que a abordagem ou o autor tal, vamos dizer qual é a escola da Administração, dessa escola da Administração, quais são os autores principais que trabalham naquela escola e que desenvolvem aquele conceito. Quando você vai pegar, por exemplo, a Teoria do Conhecimento, voltando lá na primeira pergunta, quais são os autores que trabalham a Teoria do Conhecimento, ah, ele só conhece um, o „Nonaka‟ por exemplo, porque ele teve um professor que trabalhou só o „Nonaka‟. Então ele pega na discussão bibliográfica e só fica com um autor. Então, eu acho que a maior dificuldade aqui é fazer o aluno entender que tem um, que existe uma riqueza de autores que pesquisam o mesmo assunto, que pesquisam uma teoria, desenvolvem uma teoria e que esse aluno está muito longe, ele é muito deficiente nisso. Como nós professores, também, às vezes é difícil você relacionar vários autores dentro de um contexto, dentro de uma teoria. Então, que autores trabalham aí, sei lá, a Didática. São vários, como é que eles se relacionam? Quais as escolas deles? Que linha que eles estão? Então, o aluno não consegue, ele pega um autor de um lado, puxa na Internet e acha que aquilo é válido. E aí que eu acho a maior dificuldade para o professor, que às vezes o aluno tem, aí, voltando a problema baseado, o PBL, Aprendizagem Baseada em Problema, o aluno pegou um problema de Operações, que eu não domino, talvez aí eu tenha dificuldade de achar quais autores para ele pesquisar, por exemplo, ou o cara pegou um problema de Finanças, não então o aluno vai trabalhar com um assunto que não é a nossa área. Então, o aluno, você talvez tenha que trabalhar com um colega, parceiro, para ajudar na descoberta de bibliografia, não é? Eu tenho usado muito, para facilitar minha relação com o aluno, é, o Google Books; poucos alunos conhecem, então, até como uma estratégia didática, eu peço para o aluno botar a palavra chave no Google Books, então vem lá dez livros de Finanças e, provavelmente, aqueles dez livros são os livros mais indicados. Então, eu peço para eles trazerem aqueles dez livros e qual é a síntese deles, pra depois eles perceberem como esses autores estão relacionados. Então eles começam a ver, é, no Google Books ou aqui na biblioteca, que tem diversos autores. Um aluno falou: “puxa, eu puxei um verbete no Google Books e apareceram sete mil livros, brasileiros a maioria, porque eu pus uma palavra lá que tenha uma grande motivação, tem um monte de livros. Eu falei: então, o papel agora é refinar e pegar os principais autores, não é? Por isso que é importante aqui o professor pegar obras que compilam esses autores para o aluno aprender, mas essa aqui é a maior dificuldade. E no TCC 1, aqui na faculdade, eu não tive muita experiência, ainda. Eu não sei qual seria a minha epistemológica; Assim, quando necessário, devem ocorrer parcerias com professores das demais áreas epistemológicas; O Google Books é sugerido como estratégia didática para seleção de bibliografia para a pesquisa; Fazendo a síntese de diversos autores os alunos percebem a relação entre eles; Quando a bibliografia selecionada pelo aluno é muito abrangente, é papel do professor selecionar obras que compilem esses autores como estratégia de aprendizagem; Os alunos de TCC também apresentam dificuldade para a interpretação de texto. 313 maior dificuldade com eles. Eu acho que talvez seria a questão de interpretação de texto. Acho que deve ser a maior dificuldade. Não tenho essa experiência, não tenho opinião formada pra te ajudar. Questão 5: Em sua opinião, qual é a infraestrutura necessária ao desenvolvimento das atividades de pesquisa? O que a Universidade dispõe e o que precisa ser desenvolvido para essas atividades? Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que primeiro o aluno precisa aprender a fazer o projeto. Precisa ter estrutura de computadores no laboratório. Então, por exemplo, o laboratório com base de dados, como o EBSCO, e a biblioteca ajudam muito o aluno fazer a pesquisa. Então, eu acho que o professor, ele teria que carregar os alunos 70% laboratório e biblioteca e 30% em sala de aula. A sala de aula seria para dar um start, dar um projeto, discutir algumas coisas, mas fazer o aluno ficar no laboratório, para não ter dispersão. Porque sala de aula, eu percebo que os alunos aqui, com o computador que eles levam para as aulas, eles dispersam muito, eles ficam olhando outras coisas que não a pesquisa. Talvez no laboratório teria um maior controle ou, pelo menos, um foco maior na pesquisa. Eu acho que seria importante. Mas a PUC, ela, pelo menos aqui em Barueri, eu acho que está muito bem, Barueri e Santana na minha experiência os laboratórios estão bem equipados e a biblioteca também. O problema é fazer a pesquisa, eu acho que essa é a dificuldade. Explicitação dos Significados A PUC dispõe de biblioteca e laboratórios adequados; Bases de dados, como o EBSCO, ajudam os alunos na pesquisa; Os ambientes mais adequados à pesquisa, de acordo com o professor, seriam o laboratório (70%) e as salas de aula (30%); Normalmente não há disponibilidade de laboratório para as aulas de pesquisa; É difícil controlar em sala de aula a utilização de notebooks pelos alunos. Questão 6: Em sua opinião, os alunos demonstram integração entre os conhecimentos das áreas técnica, humana e funcional nos trabalhos de pesquisa que realizam? Texto de Referência (Depoimento) - Não tenho essa certeza. Eu acho que eles dominam algumas áreas técnicas, mas eu não sei se eles conseguem enxergar a integração desses conhecimentos. Eu vejo assim, que eles têm um conhecimento, por exemplo, de marketing, então acham que marketing é só marketing, aí, por exemplo estratégia eles acham que estratégia é só estratégia, é, pesquisa eles acham que pesquisa é uma aula separada e não é. Então os alunos não enxergam e quando você fala pra eles definirem a relação: qual é o impacto do marketing no desempenho da empresa, associando propaganda com desempenho financeiro da empresa, então o Explicitação dos Significados Os alunos não têm uma visão interdisciplinar; O aluno descobre, por meio da pesquisa, a possibilidade de integração do conhecimento das diferentes áreas da Administração; Os temas de interesse para a pesquisa emergem dos conteúdos de disciplinas que o aluno cursou, quando houve motivação em função das aulas e do professor; 314 aluno fala: “Puxa, é possível, aqui na Pesquisa”. Então, eu vejo que eles não têm ainda essa integração ou essa visão interdisciplinar dos módulos que são dados no curso. Na verdade, eu acho que a pesquisa ajuda bastante. Sobre a área funcional e humana, eu não vejo que os alunos tenham essa visão. Eu percebo que eles gostaram de alguma disciplina, com algum professor, então eu percebi agora em Pesquisa 1 que os alunos tiveram uma aula com algum professor de Psicologia ou de TGA, por exemplo, e eles querem estudar motivação, porque eu acho que esse professor motivou eles, mas eu não vejo eles relacionando finanças, por exemplo. Então é raro, acho que de todos os alunos... tinha uma aluna que queria estudar o impacto do discurso ou do... até eu fico com dúvida. Ela queria saber o impacto das variáveis macroeconômicas no desempenho do país. Então, é uma aluna que veio querendo estudar as questões macroeconômicas ou de economia. A maioria vem muito focada em relações humanas, coisas mais... é, fenômenos mais qualitativos, tá? São poucos alunos que têm uma visão mais técnica, mais operacional no projeto, a não ser quando a gente explica que dá para relacionar e aí: “puxa, quero fazer isso”. Não sei se respondeu. Questões Emergentes (6ª Questão) QA - Você acha que eles se interessam por temas específicos? - Não, eles tiveram uma aula no semestre passado que teve motivação e eles gostaram dessa aula de humanas e eles querem pesquisar isso para fugir de estatística, fugir de matemática ou fugir de finanças. Os temas de maior interesse dos alunos estão relacionados às relações humanas e a fenômenos mais qualitativos. Explicitação dos Significados É incomum o interesse dos alunos em relação aos temas de macroeconomia, estatística, matemática e finanças. Questão 7: Em sua experiência, você identifica alguma contribuição das atividades de pesquisa na melhoria da qualidade do TCC, desenvolvimento de projetos de Iniciação Científica, participação dos alunos da graduação nos grupos de pesquisa da Universidade, participação dos alunos em outros eventos relacionados à pesquisa? Quais são (se houver)? Texto de Referência (Depoimento) - Olha, eu percebo que se o aluno participar de núcleo de pesquisa, por exemplo, eu participei a semana passada de um grupo de pesquisa que tinha alunos de graduação e do latus sensu, do mestrado e do doutorado. Então, eu percebi que o aluno da graduação, quando ele está num grupo de pesquisadores, ele aprende a linguagem da pesquisa, ele aprende a importância, que eu falei lá na questão 1, de se fazer uma pesquisa bem fundamentada. Então, ele passa a descobrir que é Explicitação dos Significados A participação de alunos da graduação em grupos de pesquisa faz com que eles aprendam a linguagem e a importância da pesquisa; Em razão da participação nos grupos de pesquisa, o aluno descobre a importância de aprofundar o conhecimento e ler 315 importante ler um pouquinho mais, aprofundar o conhecimento. Eu acho que o aluno que participa do desenvolvimento de um projeto de Iniciação Científica - eu tenho uma aluna no TCC que tem projeto de Iniciação -, eu vejo que eles são muito mais adiantados do que um aluno que não tem projeto nenhum. Então, ela já tem o problema de pesquisa, ela já fez uma discussão preliminar de autores, ela ainda não consegue relacionar muito, mas ela está muito mais adiantada do que os alunos que vem começar a fazer projeto de Pesquisa 1 e 2. Então, tem alunos de Pesquisa 1 e 2 que comparados com aluno que já fez Iniciação Científica, eles estão muito atrasados. Então eu acho que se a gente incentivasse os alunos a participarem da Iniciação e de eventos, com apresentação de trabalhos, nossa! Mas talvez apresentando uma pequena discussão eles cresçam bastante, eles ficam mais maduros, como eu comentei na resposta da pergunta 1. Então, eu acho que o desenvolvimento de projetos mais a participação em grupos de pesquisa e a Iniciação Científica fazem com que o aluno desenvolva maturidade em pesquisa. Eu acho que isso seria um salto qualitativo na Universidade. Porque senão a maioria vai sair, vai trabalhar no mercado e tchau. Mas esses alunos que fazem Iniciação, que participam apresentando trabalhos, eles crescem muito mais, são muito mais focados até nas aulas normais, aulas simples que não tenham pesquisa, porque o aluno aprende a abstrair, aprende a entender, a desenvolver o objeto. mais; Alunos que desenvolveram projetos de Iniciação Científica têm um desempenho em pesquisa superior em relação aos demais alunos; Deve-se incentivar os alunos para o desenvolvimento de Iniciação Científica e participação em eventos, com apresentação de trabalhos; O desenvolvimento de projetos, a participação em grupos de pesquisa e o desenvolvimento de Iniciação Científica fazem com que o aluno desenvolva a maturidade intelectual necessária à pesquisa; A ampliação da pesquisa representaria um salto qualitativo para a Universidade e formação de futuros pesquisadores na Administração; Os alunos que participam desses eventos aprendem a abstrair, a entender e a desenvolver o objeto, sendo que esse conhecimento influencia seu comprometimento e postura em relação ao conhecimento como um todo, refletindo nas demais aulas. Questões Emergentes (7ª Questão) Explicitação dos Significados QE - Você fala em participar de eventos internos ou externos? - Externos e internos. Então, a faculdade, eu vi no calendário, tem um evento de Iniciação Científica, mas a gente tem diversos eventos. Nós podemos levar os alunos, não é? Então, eu acho que, se não der para participar de eventos, vamos participar de grupos de pesquisa formais, eu acho que isso é importante. Participação em eventos internos (Semana de Iniciação Científica e grupos de pesquisa da PUC-SP) e externos. QE - Você fala em participar de núcleos de pesquisa da pós-graduação? - Da pós, esses que tem do CNPq. Eu tenho um grupo de pesquisa, eu vejo com meus alunos, quem participa é diferenciado de quem não participa. Eu tenho um grupo, não daqui da faculdade. São seis ou sete alunos do mestrado, dependendo das reuniões. Uma vez por mês são seis ou sete alunos, mas esses sete alunos comparados com os outros dez que tem lá no grupo de classe do mestrado, eles A participação de alunos da graduação ou pós-graduação em grupos de pesquisa contribui para a aprendizagem do aluno; Os alunos de graduação de outros cursos participam em igualdade em relação aos alunos da pósgraduação. 316 estão muito à frente. E aqui eu já percebi, eu fui num encontro de um grupo de pesquisa de um colega aqui da PUC e ele, eu percebi que os alunos da graduação participam sem medo e sem vergonha de fazer uma pergunta. QE São alunos da graduação em Administração? - Eu não sei se eram de Administração, eu não consegui identificar. Não sei se é de Letras, Administração... era a pós-graduação em Letras, em Língua Portuguesa. Então, eu não sei quais alunos que estavam lá. Eu só sei que os alunos, na última reunião, tinham alunos que era o primeiro encontro e tinham alunos que já participavam e eles estavam muito motivados a discutir. Nos grupos de pesquisa, os alunos demonstram motivação na discussão dos assuntos. QA - Então você está dizendo aqui que há, nesses alunos, uma postura diferenciada frente ao conhecimento? - Sim, o aluno que tem experiência em fazer pesquisa ou Iniciação ou fazer projeto de Pesquisa 1 e 2, ele muda o comportamento dele para assistir à aula normal, que não é de pesquisa, que é uma aula, sei lá, de TGA, GEO I, GEO II, GEO III. Então eu acho que esse aluno cresce muito mais do que um aluno que não tenha Pesquisa 1 e 2 e o próprio TCC 1 e 2. O aluno que tem experiência em pesquisa apresenta um comportamento mais comprometido em relação aos demais conteúdos do curso. Questão 8: Segundo o Projeto Pedagógico do Curso, as atividades de pesquisa podem estar voltadas para produção de trabalhos para publicação – em revistas, livros ou anais de eventos científicos da área – ou produção de estudos de caso, para utilização em aulas ou disponibilização para o mercado. Em sua experiência, isso tem ocorrido? Qual é sua opinião sobre a divulgação e/ou publicação da produção dos alunos da graduação e o que é necessário para sua viabilização? Texto de Referência (Depoimento) - Muito pouco. No semestre passado, acho que de quinze alunos só dois conseguiram fazer um trabalho com qualidade de publicação. Então, por exemplo, um grupo ou dois alunos que fizeram comigo no semestre passado o trabalho final, nós mandamos para uma revista indexada e está em avaliação ainda. Mas eu já comentei com os alunos que, independente da avaliação do próprio artigo, de ser positiva ou negativa, eles vão aprender. Porque o resultado da avaliação dos pares vai ser até um feedback para aquilo que eles precisam melhorar. Então eu falei para os alunos: não fiquem preocupados se o trabalho for reprovado na revista, porque esse feedback vai ser importante como retroalimentação para você melhorar o projeto de Explicitação dos Significados Poucos alunos de Pesquisa conseguem fazer um trabalho com qualidade para publicação; O professor encaminhou artigo dos alunos para publicação em revista indexada; O feedback sobre a publicação pode ser utilizado como retroalimentação para melhoria do projeto de pesquisa; Pesquisa 1 e 2 ajudam elaboração dos projetos na de 317 pesquisa. Então nós estamos esperando, eu também estou esperando ansiosamente que esse trabalho vingue. Eu percebi no semestre passado que tinha uma aluna no Campus Santana que fez pesquisa de Iniciação Científica e o projeto, Pesquisa 1 e 2, ajudou muito ela. E ela propôs um artigo para o orientador. Eu acho que a discussão teórica dela estava muito boa. Eu não sei o que aconteceu, mas eu acredito que é importante, seria importante aqui no departamento a gente ter uma revista ou um caderno para publicar projetos de pesquisa. Eu estou tentando desenvolver um caderno em PDF, um caderno de pesquisa dos meus alunos. Então, independente de ter formalmente na escola, eu vou pegar neste semestre todos os projetos e fazer um caderno de projetos, até para os alunos lerem e levarem para casa, daqui um ano ler de novo, para ver o projeto dos outros. Eu acho que a publicação é muito importante até para os alunos entenderem o que o outro está fazendo, para ele ver as diferenças de um projeto. Então, eu acho que estudo de caso eu nunca vi aqui. Eu acho que é muito difícil o aluno fazer um estudo de caso, porque é muito complexo, mesmo no TCC eu nunca vi nenhum projeto vingar e virar um estudo de caso, entendeu, pelo menos que eu tenha visto, nem soube de ninguém que conseguiu fazer. Em eventos científicos, os alunos participam, mas como ouvintes, eles nunca participaram apresentando. Então, talvez a gente tivesse que desenvolver algumas atividades que o aluno exponha um pouquinho mais o seu projeto para a comunidade. Isso seria uma coisa que o aluno perderia o medo de fazer pesquisa. Então, falar qual é o problema dele, que hipótese ele desenvolveu, que método ele quer utilizar. Então, apresentar um projeto de pesquisa, semanas de projeto de pesquisa, talvez semana. É, eu tenho uma experiência na outra escola que a gente chama de Ateliê de Pesquisa, então nós fazemos um ateliê [em] que os alunos, todos os alunos que fizeram projetos, eles vão apresentar os projetos entre eles e para convidados da faculdade, de outros cursos, para os alunos perceberem o que é possível fazer com a pesquisa. Isso tem saído um diálogo bem interessante. Talvez a gente pudesse fazer isso, até trazendo empresas, eu não sei ainda, mas eu acho que para estimular a ligação entre faculdade e mercado, isso acho que seria um avanço na pós-graduação até. Eu acho que é possível até criar aqui dentro uma forma de publicação on-line ou na Internet, enfim, eu acho que é possível. Dá para se fazer, mas eu nunca vi nenhum aluno publicar nada, nem professor. Então eu acho que às vezes eu tento fazer algumas coisas, mas de forma incipiente aqui dentro. Acho que é nesse sentido, não sei se te ajuda a minha resposta. Nós poderíamos colocar no ar uma revista, um caderno de pesquisa só dos alunos de graduação, de Pesquisa 1 e 2, usando aquele sistema OJS que é das revistas do Open Journal. Iniciação Científica; Seria importante criar uma revista ou caderno do departamento de Administração para publicação dos projetos de pesquisa dos alunos da graduação; Propõe o sistema OJS – Open Journal – como formato da revista ou caderno de pesquisa; O professor está desenvolvendo um caderno em PDF para publicação da pesquisa de seus alunos; Um caderno de projetos possibilitaria ao aluno identificar as diferenças entre os projetos; A complexidade da elaboração de um estudo de caso inviabiliza sua realização pelos alunos; É importante a participação de alunos em eventos científicos com a apresentação de seus trabalhos; Seria muito interessante a realização de atividades para que os alunos exponham seus projetos de pesquisa, como Semana de Projeto de Pesquisa ou Ateliê de Pesquisa; Os projetos poderiam ser apresentados também para as empresas, estimulando o vínculo entre a Universidade e o mercado, por intermédio da pesquisa 318 Questões Emergentes (8ª Questão) Explicitação dos Significados QE - Então o resultado final é pobre? - É pobre. É pobre porque eles ainda não valorizaram isso, a pesquisa. O resultado final dos projetos de pesquisa é pobre, porque os alunos não valorizam a pesquisa. QA - Você acha que é possível estreitar essa ligação entre a Universidade e o mercado por meio da pesquisa? - É, da pesquisa. Mostrar que, por exemplo, uma coisa simples, motivação e liderança. Toda empresa tem essa discussão se o líder é eficaz no sentido de motivar os funcionários. Acho que se eles perceberem que os alunos aqui, por meio da empresa júnior, nem sei se na empresa júnior, mas eu acho que se os grupos de pesquisa da graduação apresentarem seus projetos para a comunidade, esses trabalhos de Pesquisa 1, falarem: “olha, meus alunos estão desenvolvendo esses projetos e eles vão apresentar de forma simples, qual é o tema, qual é o problema, as hipóteses que eles levantaram e como eles gostariam de fazer a pesquisa”. Talvez alguma empresa se dispusesse até a disponibilizar sua empresa para fazer estudo de caso. Então, é muito difícil o aluno conseguir alguém que abra os dados para se fazer um estudo. Eu acho que isso está muito longe deles, está mais lá para a pósgraduação. Então, eu acho que talvez aqui na graduação a gente pudesse fazer isso, tentar devagarinho, em forma de ateliê, começar devagarinho. A ligação entre a Universidade e o mercado por meio da pesquisa, da disponibilização da empresa para a pesquisa, é difícil na graduação; Deve ocorrer um processo gradual de integração com o mercado, por meio de um Ateliê de Pesquisa por exemplo. QE - Mas você disse que a qualidade dos trabalhos dos alunos da graduação não é adequada à publicação. - Mas aí nós poderíamos fazer o seguinte: esses projetos virarem Iniciação Científica e a gente começar publicar resenha de um livro ou do capítulo de um livro ou um artigo pequeno, simples, não precisa ser muito complexo, mas colocar no ar, para o aluno ver que o artigo dele foi publicado. Quando ele vê o resultado, ele fica motivado. É como nós, eu mesmo, quando um artigo meu sai numa revista eu fico motivado, então eu acho que o aluno também ficaria, quando ele perceber que o resultado dele todo mundo está vendo, ele vai pesquisar, ele vai falar: “puxa, isso é legal!”. Seria um plus da faculdade, como se fosse um repositório de pesquisa. Ao invés do aluno guardar todas as pesquisinhas dele no computador dele, ele poderia guardar no repositório da PUC, guardar aqui como um repositório de conhecimento, de trabalhos de alunos. É isso que eu acho que falta ter, que tenha isso. Como eu faço um projeto? Então deixa eu colocar no ar, para o aluno ver o que os alunos do Para melhorar a qualidade dos projetos de pesquisa, é preciso incentivar o aluno para realização de Iniciação Científica e publicações mais simples, como capítulos de livro, resenhas ou artigos; A publicação motiva o aluno; Uma opção para a publicação seria a criação de um repositório de pesquisas da graduação em Administração na PUC-SP. 319 semestre passado fizeram, o que os outros fizeram, o que foi desenvolvido. Puxa, ficaria motivador. Encerramento: Você gostaria de acrescentar algo ou algum aspecto que a gente não abordou aqui? Texto de Referência (Depoimento) Explicitação dos Significados - Não, eu acho que não. Fonte: Elaborado pela pesquisadora, a partir da transcrição e análise inicial da entrevista. QA – Questão de Aprofundamento QE – Questão de Esclarecimento QF – Questão Focalizadora 320 PROTOCOLO DE SIGNIFICADOS – ENTREVISTA – PROFESSOR 3 Questão 1: Como você entende a pesquisa na graduação e no curso de Administração (importância e objetivos)? Texto de Referência (Depoimento) - Bom, eu acho muito importante. Dentro dos cursos de Administração tem que ter, necessariamente. Tem sido muito interessante observar como está sendo construída essa perspectiva da pesquisa no curso de Administração. Nota-se que se está gerindo essas atividades, modificando carga horária, modificando o lugar onde estão situadas na grade, então, [resolve-se] aquele problema de onde alocar a atividade de pesquisa. Mas aí, acho que são questões mais de horário, questões mais técnicas, mas que interferem muito: se ela tem um horário que não é nobre, evidentemente, isso prejudica muito; aquele horário das 17h40m ou mesmo no sábado de manhã. Mas eu acho extremamente importante. Acho também que, talvez, a gente não esteja explorando todo o potencial que Pesquisa 1 e Pesquisa 2 têm. Sobre TCC 1 e 2, eu posso falar somente de ouvir falar, de ler alguns TCCs, mas eu teria comentários a fazer sobre a qualidade de Pesquisa 1 e 2 mais do que sobre o processo e a qualidade do TCC 1 e 2. Neste momento, eu diria que sinto como muito importantes esses dois conjuntos de atividades, que estão em construção. Os horários dificultam muito explorar todas as potencialidades, não é? Mas acho que são extremamente relevantes. Explicitação dos Significados A pesquisa no curso de graduação em Administração é muito importante; As atividades vêm sofrendo modificações em relação aos horários da grade; As atividades de pesquisa deveriam estar situadas nos horários regulares do curso, pois seus horários irregulares prejudicam o desenvolvimento de sua potencialidade; É necessário explorar mais o potencial das atividades de pesquisa; Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2 são considerados dois conjuntos de atividades de pesquisa. Questões Emergentes (1ª Questão) QA – Qual seria esse potencial não explorado? - Bom, eu sou da área de Sociologia. Pesquisa 1 fica no 3º semestre, no 3º período, não é? Acho que pode articular mais os dois: Sociologia e Pesquisa. E pensar que Sociologia/Antropologia podem contribuir com Pesquisa. Pode pensar Pesquisa 1 a partir de sua base em Teoria de Pesquisa, Metodologia de Pesquisa, assim, ou liga mais com Sociologia ou dá Fundamentos de Pesquisa de uma forma mais consistente. Além de reafirmar a importância da pesquisa, pode reforçar também os aspectos de sua construção, inclusive os aspectos formais, por exemplo o uso de referências bibliográficas. O que eu Explicitação dos Significados Seria interessante a articulação entre Sociologia e Pesquisa 1; Os conteúdos propostos em Pesquisa 1 – metodologia científica – são considerados burocráticos (formular uma hipótese, formular um tema), que pressupõem conhecimentos prévios que os alunos não demonstram ter; Os alunos não apresentam maturidade para os conteúdos propostos, em função da ausência de fundamentos de pesquisa: saber fazer pesquisa bibliográfica, fichamento e ter a capacidade de formular um tema de 321 percebi dando Pesquisa 1 é que os alunos chegam numa perspectiva um pouco burocrática, pois o ato de formular uma hipótese, formular um tema, ainda não pressupõe que ele sabe fazer pesquisa bibliográfica, que ele tem condições de fazer um fichamento, uma separação ordenada de elementos substantivos, nem pressupõe que ele está capacitado para formular um tema de pesquisa. Talvez o perfil do aluno não esteja ainda tão maduro e consistente para essa atividade. Então, se isso é verdade, Pesquisa 1 talvez fosse mais eficaz um pouquinho mais à frente. Assim, para dar o pleno sentido de uma disciplina de 3º e 4º, poderia fortalecer um pouquinho o programa para trabalhar mais fundamentos da pesquisa. Não se vê os alunos formulando um texto e colocando as referências bibliográficas de forma adequada. Muitas vezes eles fazem a lista das fontes no fim do trabalho, com referências imprecisas, além do mau uso da citação e indexação das ideias dos autores no texto escrito. Algumas vezes também fazem a redação de um texto que no Google você pode achar partes, cheio de pequenas cópias e misturas, o que não seria necessariamente muito ruim se essas tivessem bastante a ver com o tema, evidenciando o acerto da busca-escolha. Então, a gente tem que se precaver e ensiná-lo a utilizar essas ferramentas virtuais para a construção do texto acadêmico. Eu acho que a gente ainda não está fazendo isso. pesquisa; Os alunos não sabem formular textos: efetuam cópias e misturas de textos encontrados no Google; É importante que o professor passe a ensinar ao aluno como utilizar as ferramentas virtuais para a construção do texto acadêmico. Questão 2: Como você compreende as atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2) propostas no Projeto Pedagógico do Curso (conteúdo, carga horária, período, número de alunos por turma, ausência de pré-requisitos, critérios de avaliação)? Texto de Referência (Depoimento) - [Sobre] conteúdo eu acabei de abordar algum aspecto, mas talvez tenha ficado um pouco abstrato. A carga horária é adequada. O período eu acho que para ser eficiente no terceiro período do curso, a gente teria que ter um pouco mais de preocupação com o currículo mínimo de Pesquisa 1. O currículo mínimo: pesquisa bibliográfica, elaborar referências, fichamentos e fazer a pesquisa exploratória, para só aí o aluno construir o tema, a estratégia e os resultados realmente esperados. O tema não nasce pronto, e o repertório acumulado do aluno nas outras disciplinas ainda não é consistente. Ele teve um pouquinho de Marketing, um pouquinho de Psicologia, um pouquinho de Teoria da Explicitação dos Significados A carga horária de Pesquisa 1 e 2 é considerada adequada; Os fundamentos da pesquisa – pesquisa bibliográfica, elaboração de referências e pesquisa teórica –, considerados currículo mínimo de Pesquisa, poderiam permanecer no 3º período, em Pesquisa 1, desde que alterado seu conteúdo; Os conteúdos atuais de Pesquisa 1 – metodologia científica – poderiam migrar para semestre posterior, quando o aluno já tivesse adquirido mais conhecimento em relação às diversas áreas epistemológicas da Administração; 322 Administração, ou seja, um pouquinho de várias coisas, mas que não serão sempre suficientes para formular. Então ele vai se apegar a um tema, é, um tema que ele sabe que pode ser legal, só; sem a consistência de ter palmilhado, ter percorrido esse tema, de ter tido maior contato com a própria bibliografia desse tema. Nesse sentido, se torna uma coisa mais instrumental, mais pragmática, menos aderente, não é? Somado a não ter a ênfase na pesquisa exploratória e no que é a formulação de um problema de pesquisa, gera, talvez, uma dissipação de energia importante, que, no limite, pode gerar o risco de desqualificar a importância da pesquisa, e aí, a gente cai naquela situação mais comum que é os alunos mais vocacionados, mais preparados, com mais background, fazem muito bem e os outros não fazem muito bem. Isso é um sinal de que a Pesquisa não estaria cumprindo integralmente o plano, que é sua função, porque ela tem que atender a todos os alunos de uma forma mais homogênea, não é? Com relação à carga horária, eu acho que ela não deveria ir além de 2 HS/A, pela própria característica, da natureza da disciplina. Em relação ao número de alunos, 20 alunos por turma é um número bom, 20 alunos é um número excelente. A ausência de prérequisitos, não tem como, nesse momento, ter pré-requisito. Os critérios de avaliação eu acho que não estão bem parametrizados. Quais são os critérios de avaliação? Não estão muito parametrizados, eu notei que vários professores trabalham com diferentes padrões de desempenho na disciplina, não? Eu gosto de terminar Pesquisa 1 com um esquema da formulação do problema, de uma metodologia proposta, mas sem executar. No máximo, uma pesquisa exploratória, que você tenha lá um material para poder dar continuidade em Pesquisa 2. O que eu vi, quando eu fiz Pesquisa 2, é que os alunos trazem como resultado uma coisa muito formal, às vezes com pequenas pesquisas frágeis quanto à amostra e à sua estrutura e questões, ao invés de um conhecimento da pesquisa que ele fez, construiu estudando o assunto. Então traz a estrutura formal, ABNT, capa, sobrecapa, tudo isso está muito bem resolvido, agora, o nervo, o pensamento sobre um tema, descrição, problematização, eu não vejo não, eu não vejo tanto. Eu acho que a gente tem que investir na formação de gestores inteligentes. Eu falo muito no semestre (em Sociologia) do „analista simbólico‟ de Lasch, pessoas capazes de encontrar as soluções que eles precisam, capazes de formular as questões e problemas requeridos por sua função de gestores no âmbito do capitalismo. Então, a gente, o aluno O conhecimento que o aluno traz para Pesquisa 1 é superficial, tendo em vista que está começando a conhecer os temas das áreas epistemológicas, no 3º período do curso; Pesquisa 1 tem se tornado mais instrumental, pragmática e menos aderente ao aluno; A falta de ênfase na pesquisa exploratória e no que é a formulação de um problema gera dissipação de energia e motivação que pode desqualificar a importância da pesquisa para o aluno; O feedback recebido dos alunos é heterogêneo: os alunos mais preparados, com maior background ou mais vocacionados apresentam melhores resultados e desempenhos; Pesquisa 1 deve atender a todos os alunos de forma homogênea: é necessário nivelar o conhecimento por meio da disciplina; A carga horária e o número de alunos são considerados adequados; Considera que neste momento não tem como haver pré-requisitos; Os critérios de avaliação não estão parametrizados: os professores trabalham com diferentes padrões de desempenho na disciplina; É comum os alunos trazerem para Pesquisa 2 trabalhos em que é perceptível uma maior preocupação com a estrutura formal do trabalho acadêmico do que com a profundidade em relação ao conhecimento do tema relacionado à pesquisa realizada pelo aluno; É preciso investir na formação de gestores inteligentes – „analistas simbólicos‟, pessoas capazes de encontrar soluções, capazes de formular questões e problemas; O Administrador do Século XXI terá que ser um bom pesquisador; As questões abordadas em Pesquisa 1 e 2 podem gerar novas questões e agendas, impactando positivamente na elaboração dos TCCs; 323 de Administração do Século XXI, dos anos 2010-2020, ele vai ter que ser um bom pesquisador, vai ter que lidar com isso, melhorar e crescer nessa competência específica das matérias generalistas, do pensamento crítico. Isso teria um impacto positivo em TCC 1 e 2, principalmente trazendo novas questões e repercutindo as transformações na/da agenda desse campo temático. A gente percebe que alguns professores que têm uma trajetória de pesquisa mais consolidada, isso gera trabalhos de TCC maravilhosos para os alunos. Então, quando o professor é pesquisador, ele consegue insuflar o aluno e, aí, eu já tenho visto bons TCCs em diversas áreas, não é? Em várias áreas, sendo um dos motivos para isso, portanto, a presença de bons orientadores de várias áreas, sem demagogia. Mas eu acho que, ainda assim, a gente tem que pensar a pesquisa como estratégica e, talvez, no departamento como um todo. Talvez muitos gestores e docentes não tenham essa clareza do potencial. Se a considerar como estratégica, eu acho que tem repercussões sobre Sociologia e Antropologia, não é? Passa a ter mais repercussão sobre todas as disciplinas, de alguma maneira. Professores pesquisadores conseguem motivar mais os alunos para a pesquisa: bons trabalhos acabam significando bons orientadores; Se a gestão da pesquisa for abordada como uma questão estratégica no curso, terá maior repercussão sobre todas as disciplinas. Questões Emergentes (2ª Questão) QA – Você está falando em integrar as áreas do conhecimento através da pesquisa? Sim, deveria transversalizar mais, porque na hora em que você vai fazer o tema, essas coisas, você se apropria das disciplinas, mas as disciplinas não estão „pensando em serem trabalhadas‟ dentro do curso. São pensadas mais isoladas: eu sou Marketing, eu faço Psicologia, eu faço Sociologia – enfim, eu acho que ela é importante para transversalizar, para achar as relações entre as diferentes disciplinas, coisas desse tipo. A pesquisa é transversal sempre. Por que as pesquisas não poderiam mobilizar e articular mais os conhecimentos dos vários campos disciplinares? Explicitação dos Significados A pesquisa tem caráter transversal e ao abordar um tema os conhecimentos das diferentes disciplinas são relacionados; A redução do isolamento do conhecimento por áreas epistemológicas e a interdisciplinaridade podem ser propiciadas por meio da pesquisa. 324 Questão 3: Na sua opinião, como o aluno aprende a pesquisar? Quais estratégias didático-pedagógicas são necessárias ao ensino da pesquisa? Texto de Referência (Depoimento) - Hoje em dia, aprende a pesquisar. Eu acho que a gente precisa entender e reelaborar as formas como eles aprendem a pesquisar nos tempos do Google. Há muita informação, de qualidade tão diversa, que é disponibilizada na Internet. É um imenso hipermercado de ideias, em que se misturam níveis de rigor e seriedade completamente díspares. A gente tem que retomar o que é pesquisar, inclusive com o próprio aluno, que tem uma forma de olhar o mundo diferente da nossa geração. E olha que nós temos professores muito jovens aqui na Administração, não é? E mesmo assim tem um gap de experiência muito grande e que aumentará mais, dada a velocidade das mudanças no mundo contemporâneo. Então, o que eu diria, eu acho que o aluno aprende a pesquisar quando ele aprende a formular o problema e quando ele usa os meios informáticos para seguir alguns passos para gerar informações. Por exemplo, pedir para ele qualificar, para ele encontrar fontes aonde tem informações sobre um tema e escrever o que essas fontes trazem, qual é a potencialidade dessas fontes, não é? Por exemplo, colocar problemas que não possam ser resolvidos. Colocar problemas que eles não possam encontrar respostas prontas no Google. Imagine, com números ou informações factuais que impeçam achar as respostas ou que obriguem a formular em sala de aula. Explicitação dos Significados O professor precisar criar novas estratégias de ensino e aprendizagem „nos tempos do Google‟; A Internet disponibiliza muita informação com qualidade em diferentes níveis; Precisamos criar estratégias junto com os alunos, considerando as diferenças entre gerações; Embora o curso de Administração tenha professores jovens, há um gap de experiências entre professor e aluno; O aluno aprende a pesquisar quando ele aprende a formular o problema e quando usa meios informáticos, seguindo alguns passos, para gerar informações; Encontrar, analisar e qualificar fontes que disponibilizam informações sobre o tema proposto, ou sugerir aos alunos problemas que não possam encontrar respostas prontas no Google, podem representar estratégias para que os alunos aprendam a pesquisar. Questões Emergentes (3ª Questão) QA – Qual tipo de questão? Você consegue formular? Eu consigo, consigo imaginar, embora muitas vezes os professores das áreas possam fazê-lo bem melhor. Acho que os alunos, eu acho que a pesquisa pode se agarrar às áreas da Administração e dentro das áreas encontrar centros de interesse. Dentro desses centros de interesse, sempre há questões que possam ser respondidas de uma forma mais autêntica, a partir do próprio repertório. Você pode pedir para o aluno pesquisar cinco coisas interessantes sobre aquilo, ou quanto você concorda e quanto você discorda sobre o assunto. Ou seja, você testa a curiosidade do aluno, você usa de forma Explicitação dos Significados Localizar centros de interesse nas áreas epistemológicas da Administração, buscando questões atuais e polêmicas; Usar a Internet de forma crítica, um uso mais qualificado, por exemplo, buscando argumentos a favor e contra um determinado tema; O professor tem que aceitar o uso da Internet, dialogar com ela, mas qualificar seu uso para o aluno; A Internet pode ser usada como um 325 crítica a Internet. Marketing e Administração: existe, por exemplo, uma visão do consumidor como passível de ser persuadido, encontre três argumentações na Internet que apresentam essa visão (equivocada) do consumidor, apresente três em que se apresenta uma visão melhor. Então, você obriga ele a fazer um uso mais qualificado da Internet e não trazer a resposta que o professor quer. Ele também deve estudar na Internet. Esse eu acho que é um excelente exemplo, porque o que ele tende a fazer, ele tende a buscar um material pronto e depois formular a hipótese de pesquisa em cima de um material pronto. Formular às vezes qualquer coisa que vier à cabeça para cumprir um compromisso, e depois buscar um material que se adeque, e ele vai te apresentar uma coisa, mesmo que seja bastante diferente, até confiando em que o professor poderá lê-lo sem suficiente detimento, sem visão crítica. Em suma, eu acho que tem que qualificar o uso da Internet, tem que aceitar que ela existe, tem que dialogar com ela, mas não na linha de um uso, de um uso, de fornecer a resposta pronta, de „comprar‟ trabalho (editar algo rapidinho, interpretando o que o professor quer), o que acaba acontecendo, mas não „comprar‟ financeiramente, mas achar a resposta que o cara acha que o professor quer. recurso para o aluno estudar; Os alunos tendem a buscar materiais prontos que servem como base para formulação de hipóteses de pesquisa, ou, a partir de qualquer formulação, buscar um material que se adeque à formulação. Questão 4: Como tem sido sua relação com os alunos (relação professor-aluno) nas atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC1 e 2)? Texto de Referência (Depoimento) - Eu tive poucas experiências e todas elas muito diversas. Eu não fui professor regular de pesquisa várias vezes. Eu tenho agora uma turma que é heterogênea, que é encontro de vários programas. Tenho gente que está iniciando Pesquisa 1, gente que terminou TCC 1, gente que está terminando TCC 2, misturado na mesma turma de Pesquisa 1. Essa turma que peguei aos sábados. Então, eu estou estabelecendo diferentes relações com diferentes subgrupos. Então, isso é uma excrescência de uma resolução de problemas curriculares do passado, não é? Estou achando ótimo, porque a faculdade está resolvendo um problema curricular, dos alunos, seria péssimo você formar uma turma para cinco alunos. Eu acho que tem que lidar com o real mesmo. Não tem problema. Agora, é, então, as poucas experiências que eu tive não me permitem dizer muito, de ter tido a oportunidade de testar essas sugestões que Explicitação dos Significados O professor tem assumido turmas heterogêneas – com alunos em diferentes níveis de formação –, estabelecendo diferentes relações com os subgrupos; É necessário lidar com a situação como ela se apresenta; Não é possível estabelecer uma forma única para lidar com turmas heterogêneas; O professor teve poucas turmas homogêneas, mas entende que o conteúdo e a sequência mais adequados para Pesquisa 1 seria: teoria da pesquisa, formulação de hipóteses, pesquisa exploratória inicial, avaliação, revisão de hipóteses e geração de um problema de pesquisa; 326 eu te falei (eu acho que outros professores já fazem isso de formas interessantíssimas, eu ainda estou iniciando, tenho muito a aprimorar), de começar mostrando a teoria da pesquisa, trabalhar a formulação de hipóteses, avaliar a pesquisa exploratória inicial, rever a hipótese, gerar um problema de pesquisa. Eu testei muito pouco, sempre em turmas heterogêneas e nos horários confusos, nesses horários críticos. Foram quatro turmas, eu tive uma das 17h40m... Quando eu tive às 19h40m, lá em Santana, ela rendeu bastante bem, os temas saíram do leque previsível, porque estava no „horário nobre‟, porque dividiram a classe em dois e ficou metade da classe. Então, eu trabalhei muito o campo do desejo, do que eles gostariam de estudar. Que o aluno defina a temática dele é importante. Eu trabalhei muito com o conceito de título, porque título é uma, é uma, o título é uma coisa que qualifica muito, por exemplo, um enunciado-tema acrescido de uma condicional de tempo, uma condicional de espaço. Então, quando você começa a cercar o tema, o aluno começa a fazer a experiência de entender a pesquisa como ela é. O aluno quer falar de desemprego. Falar de desemprego é uma coisa, agora falar do desemprego de pessoas de baixa instrução na América Latina nos anos [19]90 já é uma coisa bem diferente, porque remete a várias questões históricas, a varias questões de políticas públicas, que essas questões podem ser encontradas em certas fontes de dados. Então, a formulação de um tema de pesquisa é, é um momento essencial. Eu não acompanhei os alunos em Pesquisa 2, mas eu tenho a impressão que esse gastar tempo, usar tempo para que o aluno se perceba como sujeito na disciplina, eu acho muito estratégico, muito estratégico, tem grande dividendos para diante. Até em consideração de que talvez, nas outras disciplinas, a relação possa ser mais passiva, de receber conteúdos. Talvez o curso de Administração seja um curso mais conteudista, talvez ele seja um pouco mais conteudista, de conteúdo, não é? Por exemplo, os alunos estão sempre sofrendo com Contabilidade e com certas disciplinas mais técnicas, por assim dizer. Ele tem muito conteúdo. Então, eu acho que o espaço do pensar é muito importante e pesquisa têm um papel importante para esse equilíbrio. Então, já falamos no papel integrador e agora falamos no papel de fomentar o pensar, não é? Acho que a disciplina de Sociologia padece do mesmo problema, ela precisa caminhar mais em direção a fomentar esse pensamento. Não sei se eu estou respondendo. As atividades de Pesquisa devem estar na grade regular do curso e não em horários especiais; É importante trabalhar o „campo do desejo‟, ou seja, temas que os alunos gostariam de estudar; assim, o aluno deve definir o tema; A partir do tema, pela escolha do título, o aluno qualifica a pesquisa, estabelecendo condicionais de tempo e espaço e passa a compreender o que é pesquisar, bem como selecionar fontes de dados; Estrategicamente, é necessário „gastar tempo‟ para o aluno formular o tema da pesquisa, pois por meio dessa formulação, o aluno se percebe como sujeito na disciplina; A pesquisa representa um espaço do pensar, na qual o aluno é sujeito ativo do processo de aprendizagem; As demais disciplinas do curso de Administração, inclusive Sociologia, são consideradas mais conteudistas, nas quais o aluno desempenha um papel passivo na aprendizagem, e tais disciplinas precisam caminhar mais em direção ao fomento do pensamento. 327 Questões Emergentes (4ª Questão) QA – Você disse que sempre teve turmas heterogêneas e que sua experiência é maior em Pesquisa 1? - Sempre tive situações anômalas, exceto uma vez em Santana. Pesquisa 2 eu dei em Santana, numa turma de horário ruim e dei aqui numa turma de horário ruim, às 17h40m. Eu começo com três alunos e quando vai dando as 19h00m estou com quinze e já começam a ir embora, então é muito sofrido, muito sofrido. Explicitação dos Significados A maioria dos alunos não frequenta, efetivamente, turmas das atividades de Pesquisa em horários que não sejam os regulares. Questão 5: Na sua opinião, qual é a infraestrutura necessária ao desenvolvimento das atividades de pesquisa? O que a Universidade dispõe e o que precisa ser desenvolvido para essas atividades? Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que é uma disciplina que justificaria o uso de Laboratório de Informática, porque a gente precisa dialogar com o uso que o aluno faz da Internet, a gente precisa dialogar com eles. Explicitação dos Significados O uso do Laboratório de Informática é justificado em função da necessidade que o professor tem de dialogar com o uso que o aluno faz da Internet. Questões Emergentes (5ª Questão) QE – Todas as aulas em laboratório? - Não, de jeito nenhum, seria uma parte ou mesmo algumas horas de estudo orientado, um estudo dirigido. O Professor X acho que fez um pouco isso lá em Barueri, acho que ele fazia um pouco isso. Levava os alunos para o laboratório, colocava algumas questões e depois deixava eles respondendo. Então, eu acho que esse tipo de coisa pode ser muito interessante, porque o aluno tem que aprender a encontrar, separar, classificar a informação, reter essa informação. Eu costumo dizer que a gente vive numa sociedade do excesso de informação, tudo passa e a gente não retém nada. Então, qual o esforço tem que ser feito? É ele separar as coisas importantes, guardar, classificar, organizar as que são úteis já e as que serão úteis mais adiante. A gente não pode confiar que a coisa que a gente viu hoje a gente vai poder lembrar e retomar amanhã. Então, nós vamos ter que desenvolver a capacidade de gerir o conhecimento, gestionar, gerir o conhecimento. Eu acho que é o que acontece, pessoalmente comigo e com a maioria de nós, que estamos tão Explicitação dos Significados O referido laboratório seria utilizado parcialmente, com algumas horas voltadas ao estudo orientado, estudo dirigido; O aluno precisa aprender a encontrar, separar, organizar, classificar e reter a informação; Em uma sociedade com excesso de informações, o que é importante deve ser retido, para que seja possível gerir o conhecimento; O professor de Pesquisa deve cumprir o papel de auxiliar o aluno na busca e retenção da informação, dando maior eficiência ao tempo despendido na Internet; Os alunos têm dificuldades na redação de textos acadêmicos para juntar informações, efetuar as devidas citações e se apropriar delas enquanto 328 expostos a essa nova realidade virtual, tão desafiados a renovar os moldes de nossa produção científica e acadêmica, então, imagine com eles. Então, eu acho que a gente tem que cumprir esse papel de ajudá-los procurando dar maior eficiência a esse tempo grande que ele já tem na Internet. É impressionante, agora eu fico assustado que os alunos têm dificuldade em fazer uma lauda dizendo: “eu vou fazer um texto sobre Economia, segundo o autor tal...”. E aí a referência bibliográfica do autor e uma sentença do autor, depois de acordo com o site tal, enfim, juntar informações e se apropriar delas enquanto autor, colocando coisas de terceiros, o meu e o alheio, o próprio e o alheio, eles não conseguem resolver isso, porque algum erro nosso tem, alguma falha nossa que não está necessariamente em Pesquisa, está no amadurecimento da função-pesquisa no curso. O amadurecimento eu acho que é processual. Acho que cabe na pesquisa, mas processualmente. Não é uma coisa que a gente nasce sabendo, eu acho que a gente vai ter que caminhar para isso, ser mais transversal para ela ajudar realmente a construir a informação relevante que vai integrar as pesquisas. Veja uma coisa: quando você tem um problema com o aluno, direciona ele para o banco de dissertações e teses da PUC-SP, aí ele vai pegar dissertações em PDF e, rapidamente, vai poder se apropriar e dar um resultado. A gente faz sempre isso em Pesquisa? Será? Acho que não, acho que não. Então, alguns macetes e algumas coisas pra ajudá-los a fazer isso. Acho que isso seria rico. Mas, então, infraestrutura: um pouco de laboratório de informática acho que seria legal, é, e, naturalmente, na sala de aula tem que ter o data- show. Eu participo de grupos na GV [Fundação Getúlio Vargas] e você tem que entrar numa sala de aula e põe o seu pen drive, você abre o seu e-mail, puxa sua informação, numa tela que todos vêem. Acho que isso hoje é muito necessário. Isso é muito necessário. Ficar pedindo isso para o setor de audiovisual, ficar disputando, entendeu? Não é correto. autores; É necessário que haja um amadurecimento processual da funçãopesquisa no curso, inclusive nas demais disciplinas; O professor de Pesquisa pode orientar o aluno, no sentido de fazer com que ele acesse trabalhos científicos e bancos de dissertações e teses, para que possa se apropriar do formato e conteúdo, buscando superar suas dificuldades na redação de textos acadêmicos; É necessário que o professor tenha uma sala de aula com recursos audiovisuais disponíveis (computador, data-show e acesso à Internet). Questão 6: Na sua opinião, os alunos demonstram integração entre os conhecimentos das áreas técnica, humana e funcional nos trabalhos de pesquisa que realizam? Texto de Referência (Depoimento) - Justamente, eu acho que não. Acho que eles vão para uma área técnica, com um pouquinho do repertório que eles conseguiram, Explicitação dos Significados Como Pesquisa 1 está no 3º período da grade, os alunos apresentam um repertório limitado e superficial, porque 329 principalmente porque é no 3º, 4º período. Então eles só tiveram ainda, noções introdutórias; sem grande rigor de avaliação, porque o primeiro ano não convida a uma avaliação muito rigorosa. Acho que ela vai vindo, processualmente. Então, o grau de participação e apreensão do conteúdo é menor. O aluno vem de uma forma, ele tem conhecimento superficial de uma área e é nessa área que nós entramos com a função pesquisa, e aí, então, gera uma espécie de diálogo de surdo com mudo: uma visão superficial da disciplina-base, pouca capacidade de integração (que ainda não seria mesmo possível) e a função pesquisa também não explorando a profundidade desse tema mais superficial que o aluno pegou. E aí, pelo fato de ser uma área da Administração, cair mais para o lado do formalismo. Tanto que no TCC fomos observar a estrutura de exposição do TCC: é o projeto elaborado antes, seguido do desenvolvimento da pesquisa, ao invés de ser, como numa tese de mestrado, a ordem lógica dos resultados: referencial teórico, metodologia, „o que eu pensei‟, „o que eu fiz‟... Então, grosso modo, os TCCs apresentam, assim, o projeto de pesquisa feito no início do TCC 1, acrescentado dos resultados. Às vezes tem o cronograma no fim. Então, a gente faz um merge, uma imbricação de TCC 1 e 2, do projeto com o relato dos resultados da pesquisa... Vou citar novamente a GV, mas a GV de quando eu era criança, jovem. Eu tenho a lembrança de amigos que faziam GV, eles tinham que fazer um estudo de caso de verdade: desenvolver um produto, inventar um produto, fazer uma estratégia de marketing, a pesquisa de mercado, embalagem, estratégia de mercado. No final, não aparecia projeto nenhum, aparecia “sabão em pó”, aparecia uma resposta, um relato de uma pesquisa acabada. Não aparecia mais o projeto. O TCC era: justificativa do que fizemos, metodologia, resultados, estratégia de marketing, custos, recomendações, conclusão. Eu acho que a gente não pensa que o produto final do TCC não é a soma do projeto mais execução, mas é um corpo próprio e independente, que tem um fio condutor do começo ao fim (não estou me explicando bem). Então, eu acho que a integração entre os conhecimentos é pequena, tem potencial para fazer mais; me parece que a tendência é o aluno ficar numa disciplina que ele gostou mais, mas como o conhecimento é superficial, aí ele vai fazer uma pesquisa muitas vezes mais formalista do que propriamente pensada e refletida e isso pede que Pesquisa 1 seja mais exploratória, ajude a usar os meios eletrônicos, o laboratório, etc. Integração dos conhecimentos das áreas técnica, humana e ainda só dispõem de noções introdutórias; O aluno traz um conhecimento limitado de uma área da Administração e um tema de interesse, quando o professor entra com a função-pesquisa, gerando uma espécie de „diálogo do surdo com o mudo‟: uma visão superficial, pouca capacidade de integração e reflexão e a função-pesquisa, que é transversal; Há um risco de se cair mais no formato que na exploração da profundidade do tema; A exposição dos TCCs apresenta o projeto e o desenvolvimento: um merge entre o projeto e o relato dos resultados da pesquisa; O TCC não deveria ser a soma do projeto mais a execução, mas deveria ter um corpo próprio e independente, com um fio condutor do início ao fim, que apresentasse a ordem lógica dos resultados da pesquisa; Embora haja potencial para a integração das áreas técnica, humana e funcional da Administração, por intermédio da pesquisa, os trabalhos de Pesquisa 1 e 2 demonstram que essa integração é pequena; A integração entre as áreas técnica, humana e funcional só é possível mais adiante no curso; É necessário saber se os TCCs demonstram a integração entre as áreas e de que forma a Pesquisa pode fornecer subsídios; Há uma interrupção entre as atividades de pesquisa e o TCC: seria interessante que todo o curso tivesse a produção do conhecimento e o fortalecimento do conhecimento, tendo o aluno como sujeito; A Pesquisa, bem como a Sociologia e a Antropologia, ocupariam um espaço maior. 330 funcional, essa integração só é possível mais adiante, eu acho. Restaria saber se os TCCs revelam essa integração e se não revelam, o que a Pesquisa pode fornecer de subsídios. Temos um gap entre Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2. Talvez, melhorar esse fluxo e fazer que todo o curso tenha algum fio condutor, que é da produção do conhecimento e do fortalecimento sabe do quê? Do empoderamento, do conhecimento do aluno, do empoderamento do aluno como sujeito do conhecimento. Nessa perspectiva de pensar que, talvez, os cursos comuns de Administração, que são para muitos alunos, muito técnicos, são mais conteudistas, então, não permitem tanto a emergência do aluno. Nesse sentido, essa disciplina teria um espaço enorme, assim como Sociologia e Antropologia também. Questões Emergentes (6ª Questão) QE – Como deveria ser o TCC? - Como é o projeto? O projeto... o que é que pede? Ele pede objetivos, metodologia, cronograma, hipótese, justificativa... Quando o aluno termina o TCC ele coloca ali o projeto. O projeto fica exibido no documento. Você acha que o projeto deveria ser exibido no documento? Talvez, num anexo. Mas o começo, não vai ter que começar pelo projeto, pelas intenções. Inclusive, pude ver algumas vezes, muitas vezes as intenções não correspondem ao desenvolvimento. Então, se o projeto tem que estar, que esteja num anexo. Fica fora. Que comece por uma introdução, uma metodologia, os resultados da pesquisa e as conclusões, as considerações finais. Resultados não de uma reflexão, mas de uma pesquisa empírica mesmo. Apresentação de resultados: começo, meio e fim. É que você reelabora o projeto inicial. O projeto inicial vai sendo transformado ao longo do processo. Então, seria de se esperar que eu não apresentasse a intenção inicial para que o leitor se depare com grande desvio padrão que há entre o proposto e o efetivamente conseguido. Mas isso eu não tenho certeza, porque não li muitos TCCs. Estou vendo alguns agora, porque eles me apresentam – os que estão fazendo pesquisa 2 que ficou faltando – e então, eles estão terminando TCC 2 e me mandam pra eu ver e conhecer. Agora, os alunos são qualificados, conteúdos são de primeira linha em todas as áreas: de Finanças, você tem Resecuritização; de Pessoal, você tem Técnicas Novas de Recrutamento; enfim, tem uma sofisticação do conhecimento inegável, inegável no TCC, que demonstra uma maturidade dos alunos: mas Explicitação dos Significados Na execução do TCC o projeto de pesquisa é reelaborado; O TCC deve contemplar uma introdução, uma metodologia, os resultados da pesquisa empírica e as considerações finais; O professor tem visto TCCs de todas as áreas epistemológicas da Administração, com conteúdos de primeira linha, elaborados por alunos qualificados; Os TCCs demonstram maturidade dos alunos e sofisticação do conhecimento. 331 que a enorme maioria das vezes está ligada a experiências desenvolvidas no mercado de trabalho, concomitantes ao desenvolvimento da pesquisa ou anteriores, implicando vivências estruturadas que migram, nesse momento, para a Academia. Vale perguntar: o que fazemos com esse conhecimento riquíssimo e essa maturidade de alunos com 2 a 5, até seis, sete anos de trabalho? E, inversamente, quantos casos podemos contar de pesquisas que representam a produção de conhecimento e a construção da maturidade dos alunos, dentro do processo pedagógico – e, ainda, podendo essa prática ser valorizada e estimulada? Questão 7: Em sua experiência, você identifica alguma contribuição das atividades de pesquisa na melhoria da qualidade do TCC, desenvolvimento de projetos de Iniciação Científica, participação dos alunos da graduação nos grupos de pesquisa da Universidade, participação dos alunos em outros eventos relacionados à pesquisa? Quais são (se houver)? Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que projeto de Iniciação Científica, eu tenho pouquíssima experiência. Tentei fazer uma vez com uma aluna, o projeto foi aprovado e ela achou um emprego, numa ótima posição e ela declinou. Eu fiquei, digamos, „a ver navios‟. Foi lá em Barueri. E, projeto de professor, o aluno também não palpita tanto, ele vem mais para somar e ganhar experiência, o que também representa um grande desafio de gestão. Mas, de fato, eu acho que a gente não explora bastante a agenda acadêmica, os eventos acadêmicos – de várias áreas –, estimulando os alunos. Deveríamos fazer mais. Deveríamos apresentar a eles bons artigos acadêmicos, bons artigos científicos, que despertem o prazer da produção científica. E, também, o bom uso das fontes bibliográficas e a metodologia de pesquisa, aprender também mais na prática, do que o modelo formal. Eu acho que o modelo formal cumpre um papel que a gente está sempre convidado a ressignificar, eu tenho essa impressão. A gente manda por e-mail a norma e depois pensa que eles vão dar conta. É isso. Explicitação dos Significados O aluno não tem uma participação ativa nos grupos de pesquisa, embora possa adquirir experiência por meio dela; Os professores devem estimular a participação dos alunos em eventos acadêmicos de várias áreas do conhecimento; Por meio da leitura de bons artigos acadêmicos, o aluno pode despertar para o prazer da produção científica; Mediante a prática da pesquisa, com bom uso das fontes bibliográficas e metodologia, o aluno aprende mais do que por meio do modelo formal; É preciso ressignificar o papel que o modelo formal cumpre na pesquisa. 332 Questão 8: Segundo o Projeto Pedagógico do Curso, as atividades de pesquisa podem estar voltadas para produção de trabalhos para publicação – em revistas, livros ou anais de eventos científicos da área – ou produção de estudos de caso, para utilização em aulas ou disponibilização para o mercado. Em sua experiência, isso tem ocorrido? Qual é sua opinião sobre a divulgação e/ou publicação da produção dos alunos da graduação e o que é necessário para sua viabilização? Texto de Referência (Depoimento) - É, isso já leva um pouco àquela suspeita que eu tinha do TCC 1 e 2, na sua estrutura final de organização do trabalho. Ele não vira um corpo autônomo de relato de resultado de uma pesquisa. Acentua ainda mais a importância e necessidade de ter uma excelente introdução, de ter um bom referencial teórico, etc, mas não repõe aquilo que foi pensado no início, não repõe. Você diz o quanto atingiu o seu objetivo A ou B, mas você não diz que você tinha os tais objetivos, naquele momento. Você repõe todas as formulações iniciais, o percurso não provoca modificação nas teses iniciais. Pois, então, o formato poderia ser mais orgânico, acho que a palavra é orgânico ao invés de duplo, e, estimulando a divulgação, estimulando a apresentação e não temos muitos espaços para essa divulgação e apresentação. Então, eu acho que dá para ganhar mais nesse aspecto. Agora, eu citaria dois pontos que eu acho: a fluidez, a função pesquisa ao longo do curso todo, esse seria um ponto que eu frisaria, e o outro ponto é que essa função pesquisa ela estimulasse o pensamento e autonomia do aluno, superando um pouco um perfil um pouco mais conteudista, necessário ao curso, e, então, que o aluno fica muito dependente dessa experiência profissional concreta. Se a gente conseguir dar mais autonomia ao pensar do aluno, você vai encontrar muitas vezes... O que você tende a encontrar? Você tende a encontrar alunos que estando num trabalho, que não é o trabalho dos sonhos, conseguem pensar um tema dos sonhos, entre a necessidade prática da empresa e a especulação teórica da Academia. Portanto, conseguiriam se estimular mais para buscar alguma, para buscar sua posição no mercado de trabalho. O Brasil, diferentemente dos Estados Unidos, por exemplo, tem uma relação muito passiva dos empregandos, do sujeito que busca emprego. Ele vai onde é oferecido, ele não faz o seu próprio emprego, não tem facilidades para ter informações, não é estimulado a fazer o seu próprio percurso... Eles têm dificuldade enorme de pedir demissão. Se fala muito na Geração Y, mas eu digo para os alunos: eu duvido que vocês fiquem incomodados e „se mandem do emprego‟, acho que vocês na maioria das vezes Explicitação dos Significados Se os TCCs se tornassem um relato de resultado de pesquisas, poderiam ser apresentados e/ou publicados; O formato dos TCCs poderia ser mais orgânico; É preciso mais espaço para apresentação ou publicação dos TCCs; É necessário que haja fluidez da pesquisa no decorrer do curso; A função-pesquisa deve estimular o pensamento e a autonomia do aluno; O aluno tende a se acomodar no trabalho – por meio de uma relação passiva –, mesmo quando não gosta do que faz; A pesquisa de um tema que o aluno apresente motivação pode representar um estímulo para que busque sua posição no mercado de trabalho; O curso de Administração e a pesquisa devem propiciar autonomia ao aluno; O Brasil precisa de Administradores autônomos e empreendedores que saibam pensar; nesse sentido, a pesquisa contribui para a formação do aluno; As classes médias não são empreendedoras, são reféns do mercado de trabalho; Formação na PUC-SP deve desenvolver sempre: a autonomia, a responsabilidade, um projeto éticopolítico e opções mais amplas de atuação profissional. 333 permanecem no emprego, mesmo que seja ruim: “se o empregador topar, a gente fica”, “em time que está ganhando não se mexe”. Então, eu penso que o curso de Administração e o curso de pesquisa, eles devem também proporcionar a autonomia do indivíduo. O País também precisa de administradores autônomos, que pensem, que pensem no País, que pensem no empreendedorismo, na gestão social, compreendam o processo de desenvolvimento brasileiro, de geração de empregos, de crescimento e expansão das empresas, do papel dos administradores nesta tarefa maior de garantir a oferta qualificada de profissionais, em número e qualidade compatíveis com os diferentes segmentos do mercado de trabalho. O empreendedorismo no Brasil vem de gente ou que tem capital ou dos setores mais pobres da sociedade. As classes médias não são empreendedoras no mesmo grau, são mais reféns de um mercado de trabalho préestabelecido, pouco flexível e permeável ao tipo de negócios que este segmento social pode aportar. A PUC-SP poderia ter um papel importante de estimular nessas classes médias essa função empreendedora. Assim como a PUC Júnior tem um potencial grande, mas, enfim, aquilo que a PUC deve fazer sempre: autonomia, responsabilidade, projeto éticopolítico e que o trabalho seja uma consequência de opções mais amplas. QA – Questão de Aprofundamento QE – Questão de Esclarecimento QF – Questão Focalizadora 334 PROTOCOLO DE SIGNIFICADOS - ENTREVISTA - PROFESSOR 4 Questão 1: Como você entende a pesquisa na graduação e no curso de Administração? (importância e objetivos) Texto de Referência (Depoimento) - Bem, primeiramente na graduação eu entendo que em toda área, em toda carreira, é importantíssimo você pensar a pesquisa, não é? Eu sempre gostei muito de pesquisa, fiz a Iniciação Científica no 2º ano de faculdade e na minha experiência, por exemplo, eu pude notar a diferença que se tem quando se tem oportunidade de conviver num universo de pesquisa, com pessoas que pensam não só no hoje, mas pensam no amanhã também, desenvolvem produtos, programas e pesquisas para isso, não é? Para esse desenvolvimento. Isso faz com que o aluno, na minha experiência, possa ter uma maior complexidade no que ele estuda, aprofundar de forma diferenciada, olhar para o problema, os planos cotidianos, os problemas sociais, enfim, da carreira que ele escolheu, de uma forma diferente. Na graduação, eu acredito que não seja diferente disso e acho que até na própria Administração, por ter essa característica tão geral, tão abrangente, que muitas vezes se torna uma armadilha para o aluno falar que é tudo e não é nada, ele não se aprofunda muitas vezes em nenhuma subárea, acho que talvez seja mais uma forma, mais uma ferramenta para o aluno descobrir ali algum universo, alguma possibilidade para ele efetivamente aprofundar e se tornar especialista em uma grande área, ou até saber, no mínimo, quais são as fases de uma pesquisa, o que é uma pesquisa, para que serve uma pesquisa. Ainda mais nos dias atuais, que no meu tempo, já estou me sentindo velha, mas você ia para uma biblioteca, você pesquisava em livros, você esperava uma revista sair com artigos para você buscar uma informação. Hoje em dia, a maior dificuldade que um professor tem é desconstruir o que é o Google. Porque o Google não é uma informação, é uma informação X que é postada por alguém, que você não sabe quem é esse alguém. Inclusive, nas minhas orientações, a coisa mais difícil do mundo é colocar na cabecinha deles que Wikipédia não é uma biblioteca, né? Então, eu acho que o rigor da pesquisa talvez agregue, também, no curso de Administração, nesse sentido. Precisa sim ter um objetivo por trás disso. Explicitação dos Significados A pesquisa é importante em todas as áreas do conhecimento e em todas as carreiras; Na pesquisa, as pessoas têm uma visão de futuro: as pessoas desenvolvem produtos programas e pesquisas para o hoje e para o amanhã; A pesquisa e a convivência em um ambiente de pesquisa permitem que o aluno possa, a partir da compreensão da complexidade do conhecimento, visualizar os problemas, os planos cotidianos e os problemas sociais com maior profundidade; A abrangência da Administração às vezes se torna uma armadilha para o aluno falar que é tudo e não é nada; em função dessa abrangência, a pesquisa pode ser uma ferramenta de aprofundamento ou especialização em alguma subárea da Administração; O aluno tem que aprender, no mínimo, o que é, para que serve e quais são as fases de uma pesquisa; Ir à biblioteca, pesquisar em livros e ler artigos em revistas para buscar informações era um hábito presente nos alunos das gerações anteriores e não nos alunos atualmente; Na pesquisa, o professor tem que desconstruir algumas crenças do aluno em relação à pesquisa: o aluno acredita que o Google é informação e que a Wikipédia é uma biblioteca. 335 Questão 2: Como você compreende as atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2) propostas no Projeto Pedagógico do Curso? (conteúdo, carga horária, período, número de alunos por turma, ausência de pré-requisitos, critérios de avaliação) Texto de Referência (Depoimento) - Falando de uma forma geral – Pesquisa e TCC – e aí eu sou novata e confesso que é minha primeira experiência na PUC, Pesquisa 1 e 2 e TCC 1. TCC 2 eu ainda não ministrei, mas o que eu senti nesse primeiro momento foi que para os bons alunos, os alunos que realmente se dedicaram em Pesquisa 1 e 2, o TCC 1 acaba sendo um pouco repetitivo: “Puxa, eu já tenho o meu projeto aqui”. „Não, mas você vai enriquecer, você vai aprofundar um item, aprofundar outro‟. Mas muitas vezes eles já têm vontade de ir à campo. E, também, da forma como está disposto – Pesquisa 1 e 2 no 3º e 4º semestres e TCC no 8º e 9º semestres – tem um espaçamento que talvez: “ah, eu não me lembro mais o que eu pesquisei”. Em Pesquisa 1 e 2, eu entendo que ali é uma disciplina bem introdutória, você fala o „geralzão‟, né? Eu acho que a carga horária, em princípio, está OK, até porque o número de alunos que a gente recebe – eu acho que se esses alunos viessem para orientação, eu acho que aí a gente teria mais dificuldades em termos de atendimento aos alunos. Em relação aos períodos, na minha vivência isso é um gap. Eu acho que deveria ser sequencial. O fato de não ter pré-requisitos é incoerente. Como é que vai para o TCC 2 – inclusive eu ouvi isso de um aluno: “não, eu vou reprovar no TCC 1, mas tudo bem, eu faço junto – faço TCC 1 em Perdizes e TCC 2 aqui em Barueri”. Eu disse: „não pode fazer isso‟. Ele disse: “não professora, pode porque não é pré-requisito”. Então eu falei: „não estou falando em ser legítimo ou não, mas como é isso para você?‟. Então, eu acho complicado, não é coerente. Os critérios de avaliação, eu acho que a PUC deixa de forma livre, para o professor avaliar com o seu critério. Eu acho que existem algumas oportunidades – eu não sei se eu estou sendo racional demais para a PUC, né? – mas eu julgo extremamente importante ter uma banca para o TCC. Eu acho que é um ritual tão importante para o aluno. Por mais que, para a logística, para a organização de bancas é um pouco complicada, agenda de professor é insana – mas eu acho que é um ritual que para o aluno faz diferença: todo o medo, que depois se transforma num alívio, que se transforma numa satisfação. E até para eleição dos melhores trabalhos, que vão ganhar o prêmio do concurso. Então, eu acho que isso deveria ser revisto, até porque – por mais que exista aí que o professor Explicitação dos Significados Para os alunos que se dedicaram em pesquisa 1 e 2, o TCC 1 é repetitivo; Quando o aluno se dedicou em Pesquisa 1 e 2 e vem com o projeto pronto, o professor pede para enriquecer esse projeto, mas o aluno quer partir para a pesquisa de campo; O espaçamento entre Pesquisa 1 e 2, no 3º e 4º semestres e TCC 1 e 2, no 8º e 9º semestres, faz com que muitos alunos não dêem continuidade aos projetos desenvolvidos em Pesquisa 1 e 2; A carga horária é considerada adequada para Pesquisa e TCC; O limite de 20 alunos em Pesquisa 1 e 2 é adequado porque as orientações são gerais e não individuais; Para orientações individuais, esse limite representaria um problema; Com relação ao período, Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2 deveriam ser atividades sequenciais; É incoerente não haver pré-requisito para o TCC 2 e o aluno poder cursar as duas disciplinas – TCC 1 e 2 – simultaneamente; Cada professor tem seu critério de avaliação do TCC e tais critérios são subjetivos; É extremamente importante ter uma banca: para o aluno representa um ritual motivacional que faz diferença – todo o medo, que depois se transforma num alívio, que se transforma numa satisfação; para o professor e o aluno, compartilhar com outros professores seniores agrega outras perspectivas teóricas e amplia a forma de ver o problema. 336 orientador é quem conhece o trabalho do aluno e é quem melhor pode julgar o trabalho do aluno, por outro lado se torna um pouco subjetivo, na medida em que você não compartilha com outros professores mais seniores da área. Então, eu tenho uma perspectiva teórica, eu tenho uma forma de ver o problema que numa banca poderia ser agregada outras perspectivas para o professor e para o aluno. Questões Emergentes (2ª Questão) QE – Então, em TCC alguns alunos já vêm com o projeto praticamente pronto desenvolvido em Pesquisa 1 e 2 e outros abandonaram os projetos anteriores? - Perderam. Não sabe para onde vai, como vai e começam de novo. Aí é toda aquela dificuldade de estruturar um projeto. Na realidade, eu tive um aluno, infelizmente só um, que tinha o projeto pronto e queria ir um pouco além e uns quatro ou cinco que estão perdidos: “o que eu faço agora, o que é problema de pesquisa?”. Você tem que resgatar tudo. Explicitação dos Significados A minoria dos alunos dá continuidade aos projetos; O professor de TCC tem que resgatar e rever os conteúdos de pesquisa para orientar os alunos na elaboração dos projetos de TCC. Questão 3: Na sua opinião, como o aluno aprende a pesquisar? Quais estratégias didático-pedagógicas são necessárias ao ensino da pesquisa? Texto de Referência (Depoimento) - Puxa, é um desafio essa geração Y, que eu já não me enquadro, que tem essa dificuldade de sentar com um livro, pensar sobre cada parágrafo, né? Deixa eu entender aqui qual é a linha de raciocínio do autor... É um desafio diário, porque cada aluno vem com uma questão, cada aluno vem com uma vivência, uma necessidade, um desejo. O que eu particularmente tento fazer muitas vezes, depende do aluno, é sentar junto com o aluno: „o que você pegou aí?‟. – “Eu peguei o material da Wikipedia”. „Vamos pegar um livro?‟. Eu trago o livro, eu leio junto com ele. Alguns textos que falam sobre pesquisa, o que é pesquisar, o que é ir a campo, que eu gosto bastante. O Peter Spink, que tem uma linguagem tão tranquila, tão gostosa de se pensar o que é campo de pesquisa. Eu procuro meio que utilizar dessas estratégias: fazer junto, construir o projeto junto. Só que tem uma sobrecarga tremenda para o professor, quando você tem essa aplicação, porque é e-mail toda semana, todos os alunos te procuram, te caçam na faculdade. Mas eu acho que faz parte da pesquisa. Explicitação dos Significados A geração Y tem dificuldades de concentração para leitura e interpretação de textos e para compreender qual é a linha de raciocínio do autor; Ensinar a pesquisar é um desafio, pois as orientações são individuais e cada aluno vem com uma questão, uma necessidade, um desejo; A estratégia utilizada é sentar e construir o projeto junto com o aluno, analisar o material que o aluno selecionou, indicar e trazer livros, textos que falam sobre pesquisa; O Peter Spink possui uma linguagem tranquila para se pensar o que é campo de pesquisa; A orientação de pesquisas gera uma sobrecarga para o professor, em razão do excesso de e-mails e da intensa procura por parte dos alunos. 337 Questão 4: Como tem sido sua relação com os alunos (relação professor-aluno) nas atividades de Pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2)? Texto de Referência (Depoimento) - Tem sido boa. Eu acho também que pela minha experiência ser aqui em Barueri, os alunos aqui são um pouco mais disciplinados do que em Perdizes. Então, eu conheço os alunos de três, quatro semestres, que eu já dou aula a eles. No TCC, eu tive um grupo que saiu da minha orientação: eles estavam mais perdidos porque eles tinham uma visão que Gestão de Pessoas era uma área que era para pesquisar qualquer coisa de pessoas, inclusive alguns vieram com a perspectiva de ser Psicologia também. Então eles estavam um pouco perdidos. Agora, Pesquisa 1 e 2 foi muito tranquilo, eu não posso falar nada. Acho até que, às vezes, eles abusam um pouco em Gestão de Pessoas: “você me entende, né, você é de Gestão de Pessoas”. Aí você chama ele para a realidade . Explicitação dos Significados A relação com os alunos é considerada boa, em Pesquisa e TCC; Os alunos do campus Barueri são mais disciplinados do que os de Perdizes; Alguns alunos escolheram indevidamente o TCC na área de Gestão de Pessoas e depois saíram da turma. Questão 5: Na sua opinião, qual é a infraestrutura necessária ao desenvolvimento das atividades de pesquisa? O que a Universidade dispõe e o que precisa ser desenvolvido para essas atividades? Texto de Referência (Depoimento) - Bem, aí falando de Barueri especificamente. A infraestrutura aqui é muito boa. Você tem um laboratório com fácil acesso, você tem salas para discussão isoladas, você tem uma acústica bacana, você tem Internet e wireless tranquilos para acessar. Um ponto é a biblioteca, que aqui naturalmente é uma biblioteca com menos acervo – é proporcional ao número de alunos. Como novata na instituição, pode haver coisas que ainda não tenha notado que faltaram. Para esse número de alunos eu não senti falta de nada. Explicitação dos Significados A infraestrutura para pesquisa em Barueri é considerada adequada: laboratórios com acesso à Internet, wireless; O acervo da biblioteca de Barueri é menor do que o da Monte Alegre, mas proporcional ao número de alunos. Questão 6: Na sua opinião, os alunos demonstram integração entre os conhecimentos das áreas técnica, humana e funcional nos trabalhos de pesquisa que realizam? Texto de Referência (Depoimento) - Nada, nada, nada. Inclusive, não só na pesquisa, mas em provas: nada. Isso é assustador. O aluno se formando lá no TCC que Explicitação dos Significados Os alunos não demonstram nenhuma integração entre esses conhecimentos; 338 não consegue articular uma coisa com a outra. É impressionante. Eu tenho uma aluna que está pesquisando o trabalho de mulheres executivas nas empresas. O problema de pesquisa é até interessante, mas: vamos olhar os números dessa empresa, que empresa é essa, qual é a estratégia dessa organização? Por que ela tem uma mulher na presidência? Será que é só porque essa mulher é boa? Será que não está vinculado a uma estratégia de negócios, de marketing?. Então, apesar da Administração, eu imagino porque eu sou Psicóloga, que tenha uma grade substancial em termos de negócios, de estratégias, na área financeira. Não vem naturalmente, o professor tem que puxar. O professor tem que estabelecer essas relações. Questão 7: Em sua experiência, você identifica alguma contribuição das atividades de pesquisa na melhoria da qualidade do TCC, desenvolvimento de projetos de Iniciação Científica, participação dos alunos da graduação nos grupos de pesquisa da Universidade, participação dos alunos em outros eventos relacionados à pesquisa? Quais são (se houver)? Texto de Referência (Depoimento) - Em relação à melhoria da qualidade do TCC, como eu já respondi, a maioria abandona o projeto e começa tudo de novo. Não vejo os alunos desenvolvendo projetos de Iniciação Científica e nem se interessando por, mas em relação à Iniciação Científica, acho que tem um gap na instituição. Eu acho que tem uma divulgação que não sei se é a mais adequada e existe até o corpo docente – e eu me incluo nisso, eu teria muito interesse em fazer uma Iniciação Científica, de orientar uma Iniciação Científica – mas a maioria dos professores não pode fazer um projeto de Iniciação Científica porque a gente não está na carreira. Então, depende da alteração do contrato de trabalho e até conversando com alguns [percebo que] tem muito disso. Quanto à participação em grupos de pesquisa, os que têm vontade estão perdidos: falta informação, falta uma articulação melhor da Universidade com esses grupos de pesquisa, fundamentando o objetivo do grupo de pesquisa, tendo um fluxo de quem é o orientador, quem são os co-orientadores. Também não vejo nada em termos de participação em eventos. Explicitação dos Significados Não se observam alunos desenvolvendo ou interessados em Iniciação Científica; Há um gap na Instituição – necessidade de encontrar meios de divulgação mais adequados; Muitos professores estão interessados em orientar projetos de Iniciação Científica, mas não podem porque não são professores enquadrados na carreira; Falta informação em relação aos grupos de pesquisa e falta uma articulação melhor da Universidade com esses grupos, fundamentando o objetivo do grupo de pesquisa, tendo um fluxo de quem é o orientador e quem são os co-orientadores; Não se identifica a participação de alunos em eventos. Questões Emergentes (7ª Questão) QA – Essa limitação começa a partir da condição do professor que não pode orientar? Explicitação dos Significados O professor já foi procurado por alunos interessados no desenvolvimento de Iniciação Científica. 339 - Exato. Eu já fui procurada por alguns interessados, aqui em Barueri. Eles perguntaram se eu não teria bolsa de Iniciação Científica, se eu não gostaria de orientá-los. Eu disse: vou me informar, tenho muito interesse, mas eu acho que eu não teria bolsa. Mas eu não posso porque eu não estou na carreira. Questão 8: Segundo o Projeto Pedagógico do Curso, as atividades de pesquisa podem estar voltadas para produção de trabalhos para publicação – em revistas, livros ou anais de eventos científicos da área – ou produção de estudos de caso, para utilização em aulas ou disponibilização para o mercado. Em sua experiência, isso tem ocorrido? Qual é sua opinião sobre a divulgação e/ou publicação da produção dos alunos da graduação e o que é necessário para sua viabilização? Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que seria bárbaro se a gente conseguisse fazer isso. A publicação seria demais, por vários motivos. Um, para o próprio estudante ver que isso é possível; dois, pela própria experiência de publicação que é dificílima; três, para o próprio professor, no sentido que ele também vai ser co-orientador e também vai ter seu nome vinculado à publicação; e o próprio estudo de caso: puxa, foi um aluno que produziu isso. Então eu acho que isso é bárbaro, mas infelizmente isso não acontece. A gente tem pesquisas e TCCs que não são publicados. Explicitação dos Significados A publicação seria excelente: uma possibilidade para o aluno e para o professor, que teria seu nome vinculado à publicação; As pesquisas e TCCs da Administração não são publicadas. Questões Emergentes (8ª Questão) QA – O que poderia ser feito para a viabilização? - Então, eu acho que a gente cai pouco em diversos fatores, entre eles eu destaco a organização como as atividades de pesquisa estão dispostas: a continuidade entre Pesquisa 1 e 2, TCC 1 e 2. Com um rigor maior – que talvez seria a banca – ou não, talvez o TCC 2 poderia ser para ter uma publicação obrigatória. Outro gap que eu vejo é que a Revista de Administração da PUC, conversando com alguns professores, sobre como se publica, qual é o fluxo, eles não sabem. Então, eu fui atrás disso, pergunta pra um e pra outro para saber e ninguém sabe como é que é. Parece que é mais da pós-graduação do que da graduação. Você tem que sair da PUC para publicar? Então, eu acho que essas coisas não estão claras, nem para o professor e muito menos para o aluno. Explicitação dos Significados A organização das atividades de pesquisa – Pesquisa 1 e 2, TCC 1 e 2 – de forma sequencial e com um rigor maior poderia favorecer a publicação; Faltam informações sobre a Revista de Administração: as informações não estão claras, nem para o professor e muito menos para o aluno. 340 Encerramento: Você gostaria de acrescentar algo ou algum aspecto que a gente não abordou aqui? Texto de Referência (Depoimento) Explicitação dos Significados - Acho que não. Acho que eu já dei bastante trabalho para você (risos). Ah, lembrei de uma coisa: o Comitê de Ética. A submissão do trabalho de pesquisa para a aprovação do Comitê de Ética, principalmente quando envolve o ser humano, na Psicologia isso é um rigor na graduação: você não pode fazer nenhuma pesquisa sem a aprovação do Comitê de Ética. Há necessidade de aprovação do Comitê de Ética para a realização de pesquisas na graduação; Os trabalhos de pesquisa da Administração não estão sendo submetidos ao Comitê de Ética. QA – Nós temos aproximadamente 500 alunos fazendo TCC... - Mas se Pesquisa 1, Pesquisa 2, TCC 1 e TCC 2 fossem uma continuidade, teria tempo para isso. [Em] Pesquisa 1 você desenvolve o conceito e começa a elaborar o projeto; [em] Pesquisa 2 você faz o projeto e manda para o Comitê; [em] TCC 1 você faz a pesquisa e conclui; e em TCC 2 [você] publica. Seria uma possibilidade. Seria relevante repensar a sequência e conteúdo das atividades de pesquisa: Pesquisa 1 – desenvolvimento do conceito e início da elaboração do projeto; Pesquisa 2 – projeto e encaminhamento ao Comitê de Ética; TCC 1 – pesquisa de campo e conclusão; e TCC 2 – publicação. QA – Questão de Aprofundamento QE – Questão de Esclarecimento QF – Questão Focalizadora 341 PROTOCOLO DE SIGNIFICADOS – ENTREVISTA – PROFESSOR 5 Questão 1: Como você entende a pesquisa na graduação e no curso de Administração? (importância e objetivos) Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que a pesquisa no curso de graduação, hoje, avaliando pela experiência que eu tive, eu acho que a maior parte dos alunos não tem vocação e vontade para pesquisar. Eu acho que o Projeto Pedagógico quer quase que criar uma mentalidade de pesquisa num aluno que não está procurando isso. Eu entendo que a gente precisa manter a finalidade do trabalho de TCC, é importante o aluno aprender a escrever o trabalho, mas achar que todo aluno vai ser pesquisador, eu acho que é um pouco um erro que a gente teve quando fez o projeto. Explicitação dos Significados A maior parte dos alunos de Administração não tem vontade, nem vocação para a pesquisa; O PPC quer criar uma mentalidade de pesquisa no aluno que não está procurando isso; É importante manter o TCC para o aluno aprender a escrever um trabalho científico; O PPC pressupõe, equivocadamente, que todo aluno de Administração vai ser pesquisador. Questões Emergentes (1ª Questão) QE – Você acha que esse „erro‟ está na forma como a atividade é proposta, com um enfoque acadêmico? Deveria ter um enfoque mais prático ou você acha que Pesquisa 1 e 2 não deveriam estar no Currículo? - Eu acho que a atividade de Pesquisa deveria ser optativa. Ela deveria ser uma das opções das Atividades Complementares, porque a pesquisa é uma... Exige que você tenha vontade de pesquisar, exige um... um certo, é mais que talento, é uma certa vontade de, um desejo de querer ser pesquisador e esse não é o perfil da maior parte dos nossos alunos, não é? Eu acho que tem bastante aluno que gosta, que tem capacidade de pesquisar, mas eles não são a maioria. Eu acho que a gente deveria pensar a atividade de Pesquisa como uma das possibilidades optativas, quando ele tem que fazer as Atividades Complementares. Explicitação dos Significados A Pesquisa deveria ser uma das opções das Atividades Complementares; Para que o aluno faça pesquisa é necessário mais que talento: desejo de ser pesquisador; A maioria dos alunos de Administração não tem perfil para a pesquisa; Existem alunos – que não representam a maioria – que gostam e têm capacidade para a pesquisa. 342 Questão 2: Como você compreende as atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2) propostas no Projeto Pedagógico do Curso? (conteúdo, carga horária, período, número de alunos por turma, ausência de pré-requisitos, critérios de avaliação) Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que a atividade de Pesquisa, ela tem que ser em grupos pequenos, não é? A pesquisa ela é individual ou ela é em grupo pequeno, não é? Eu acho que a forma como a gente montou a atividade de Pesquisa, a menos quando um professor tem uma atividade de Pesquisa que exige um número muito grande de auxiliares, ou seja, de gente que vai fazer a pesquisa de campo, fica difícil você coordenar uma turma de vinte [alunos], né? Com desejos diferentes, percepções diferentes, vontades, principalmente você tem pessoas que estão com vontade de fazer pesquisa, misturadas com a maior parte dos alunos, que está lá simplesmente para cumprir a obrigação e estavam preferindo fazer outra atividade. Eu acho que a gente tem que deixar essas atividades mais livres, porque são atividades do tipo jogo, participação em outros eventos ou até mesmo outra disciplina, não é? Eu acho que abrir a atividade, deixar a atividade de pesquisa como uma atividade optativa, eu acho que é melhor. Só deixar o TCC como obrigatório. Explicitação dos Significados A pesquisa deve ser individual ou em pequenos grupos; Inicialmente, o formato da atividade de Pesquisa considerava o aluno da graduação como um auxiliar para realização de pesquisas de campo, vinculado às pesquisas da PUC-SP; assim, o limite de alunos foi estabelecido nessas condições; Para o novo formato da Pesquisa, é difícil coordenar 20 (vinte) alunos com desejos, percepções e vontades diferentes; A maior parte dos alunos não tem vontade de fazer Pesquisa e está apenas cumprindo a obrigação; O aluno deveria ter a opção de escolher outra atividade complementar, como jogos, participação em eventos ou outra disciplina; O TCC deve permanecer como obrigatório. Questão 3: Na sua opinião, como o aluno aprende a pesquisar? Quais estratégias didático-pedagógicas são necessárias ao ensino da pesquisa? Texto de Referência (Depoimento) - Eu tenho feito, na minha experiência, a primeira coisa e que envolve uma resistência de uma parcela razoável de alunos, é fazer eles aprenderem a usar a biblioteca. Não sei se é uma coisa geracional, também, mas existe pouca familiaridade com a pesquisa bibliográfica, né? Até a pesquisa bibliográfica pela Internet, embora eles sejam menos avessos, se tem uma resistência, né? E a pesquisa na biblioteca física, né, é um número bastante, é a maioria, um número substancial que tem quase que uma resistência ao papel. Então, é a primeira coisa que eu costumo fazer é tentar fazer eles aprenderem a olhar, aprenderem que toda ideia alguém já Explicitação dos Significados Uma estratégia para ensinar a pesquisar é fazer o aluno aprender a usar a biblioteca; Os alunos demonstram pouca familiaridade com a pesquisa bibliográfica, tanto fisicamente na biblioteca, quanto na Internet; Os alunos apresentam uma resistência maior ao papel, o que limita o uso da biblioteca; A pesquisa deve partir do reconhecimento do conhecimento existente sobre 343 escreveu, não é? E que a pesquisa tem que começar por lá. determinada ideia. Questão 4: Como tem sido sua relação com os alunos (relação professor-aluno) nas atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC1 e 2)? Texto de Referência (Depoimento) - Eu tive uma vez a atividade de Pesquisa, foi uma vez só que eu tive essa atividade, e não foi uma experiência gratificante, tá? Eu tive, dos vinte, quatro ou cinco [alunos] que tinham interesse. Realmente eram uns quatro ou cinco que tinham o perfil de pesquisa, né? Uma delas inclusive está fazendo TCC, continuando aquilo que foi pra atividade de Pesquisa, enquanto os demais estavam „personagem em busca de um autor‟, querendo que a gente desse alguma atividade para ele fazer, né? Se a gente fosse da área de Química (risos) eles podiam lavar os tubos de ensaio, se fosse da Biologia, preparar a lâmina, né, que é o máximo de interesse que eles tinham, quer dizer, não tinham interesse. Porque a pesquisa exige uma curiosidade, exige uma vontade de atravessar a rua pra ver o que é que tem do outro lado da rua, né? E a maioria das pessoas não tem isso e o curso de Administração não é um curso que, necessariamente, tenha que formar pessoas que são pesquisadoras, quer dizer, a grande maioria, não vou dizer a grande maioria, mas uma parte substancial dos nossos alunos – que eu acho até que é a maioria, mas pode não ser – vê o curso dentro de uma perspectiva de um curso que vai dar instrumental para ele agir e não pra ele pesquisar, conhecer coisa nova. Explicitação dos Significados Ministrou Pesquisa apenas uma vez e não teve uma experiência gratificante com a atividade; Apenas 20% a 25% dos alunos demonstraram interesse pela pesquisa; A maioria dos alunos fica desorientada e não compreende seu papel na pesquisa; A pesquisa exige curiosidade e vontade para a ação; O curso de Administração não tem que, necessariamente, formar pesquisadores; A maioria dos alunos busca no curso um instrumental para a ação e não para pesquisar e conhecer coisas novas. Questões Emergentes (4ª Questão) QE – E você acha que a Pesquisa não traz instrumental para o aluno agir na prática? - Ele vem em busca de um modelo, como a maioria, ele não quer ele [próprio] descobrir, né? Às vezes, talvez, tem um lado acho que também nosso de não conseguir, pelo menos de não ter tido essa capacidade de despertar nele a curiosidade, né? Mas existe um perfil de aluno, como eu falei, na minha avaliação mais [do] que a metade [deles] – é a maioria – que o que ele quer e que a gente tem que despertar é a capacidade dele de resolver o Explicitação dos Significados O aluno vem em busca de um modelo: ele não quer descobrir; Nem sempre o professor tem a capacidade de despertar no aluno a curiosidade necessária à pesquisa; O perfil do aluno demonstra que ele busca no curso desenvolver a capacidade de enxergar e resolver problemas; Não formar um Administrador Pesquisador 344 problema, enxergar [o] problema e resolver; e não, necessariamente, pesquisar, criar, desenvolver ideias novas. E eu não acho que com isso a gente esteja formando um mal profissional, né, desde que a gente crie conteúdos e ensine ele a pensar, a enxergar o problema e achar uma solução. Essa é uma característica do curso da gente, quer dizer, não adianta, a gente não é um curso que é fundado numa ciência, né? A gente forma, a gente forma alguém que vai ter um conhecimento multidisciplinar e para resolver problemas. Quer dizer, o que é administrar? Coordenar, organizar, analisar, né? Eu acho que se a gente conseguir formar isso, mesmo que a gente não esteja formando um pesquisador, a gente está formando bem um egresso, não é? E a atividade de pesquisa vai render mais se a gente deixar ela para aqueles que realmente tenham essa perspectiva. Eles não vão ser como a gente que resolveu (risos), resolveu ir atrás disso. QF – E como é sua relação com os alunos em TCC? - No TCC, tem dois pontos: primeiro tem uma vantagem que ele já está mais maduro, por conta da idade e de estar no fim do curso. Muitos ainda se ressentem de não ter nenhuma, não só não ter vontade, como não ter nenhum instrumental, uma dificuldade em pesquisar enorme. Mas eu acho que ter o requisito de ele aprender a escrever um trabalho científico, da forma como está o trabalho científico, aprender a desenvolver uma ideia, aprender a testar uma hipótese... Eu acho que essa atividade deve continuar como obrigatória, já que a atividade de resolver problemas significa ele ter a capacidade de enxergar o problema, destacar da paisagem o problema, para procurar a solução, não é? E eu acho que no TCC, como ele já está no último ano, ele tem mais condições do que na atividade de Pesquisa, quando ele estava no 2º para o 3º, não é? Estava mais novo e ele não tinha uma perspectiva de pesquisa stricto sensu. No TCC, ele tem um pouco mais de abertura pra tentar fazer um trabalho científico sobre um Plano de Negócios ou para resolver um problema. não significa má formação, desde que crie conteúdos, ensine o aluno a pensar, enxergar o problema e achar uma solução; A Administração não é um curso fundado em uma ciência, mas uma formação multidisciplinar para resolver problemas; As atividades de Pesquisa vão gerar melhores resultados se dedicada aos alunos interessados; Ser professor universitário é uma escolha que pressupõe ser pesquisador, enquanto ser Administrador não. O TCC deve permanecer como atividade obrigatória: o aluno deve aprender a produzir um trabalho científico; É necessário que o aluno aprenda a desenvolver uma ideia, enxergar o problema, compreender o seu contexto, testar uma hipótese e procurar uma solução; No TCC permanecem as dificuldades e muitos alunos não apresentam motivação para a pesquisa; No TCC, os alunos apresentam maior maturidade para o desenvolvimento de atividades de pesquisa do que nas atividades de Pesquisa 1 e 2; No último ano os alunos apresentam alguma perspectiva de pesquisa stricto sensu; Plano de Negócios ou Resolução de Problemas são objetos do TCC. 345 Questão 5: Na sua opinião, qual é a infraestrutura necessária ao desenvolvimento das atividades de pesquisa? O que a Universidade dispõe e o que precisa ser desenvolvido para essas atividades? Texto de Referência (Depoimento) Explicitação dos Significados - Para a nossa área, o que eu ressinto muito é de uma base de consulta na biblioteca. Ela é muito insuficiente em artigos digitalizados e base de dados hoje disponíveis. A gente está muito, muito carente. Eu vejo outras instituições que eu conheço em São Paulo, menores que a gente, mas que têm bases de dados que nós não temos: Euromonitor, tem um caso da minha área, então, Economática, Blum. São fontes de dados disponíveis em assinaturas pagas ou busca de artigos que a gente está muito atrasado frente às outras. Se a gente for olhar, vou falar só uma, se a gente olhar para a ESPM a gente está muito aquém, não é? Nós não temos especificamente na minha área. A falta de uma base de informação em tempo real ou em tempo curto do mercado financeiro é uma coisa que limita, sobremaneira, os TCCs, sobremaneira. Tanto que, por exemplo, TCCs de mercado financeiro, os que acabam fazendo um trabalho bom são aqueles que já fazem estágio ou trabalham no mercado e acabam tendo acesso por conta de seus trabalhos, porque eles não têm esse acesso aqui, certo? Porque, olha, basicamente nós não precisamos de laboratório experimental, quer dizer, o que a gente precisa é biblioteca. Nós temos biblioteca boa em obras clássicas, mas ruim em periódicos, né? E muito ruim em acesso a banco de dados. Isso pra mim é uma dificuldade. Um problema de infraestrutura seria a ausência de artigos digitalizados e base de dados na biblioteca voltados à área de Economia e Finanças; Existe, ainda, uma carência das seguintes bases de dados: Euromonitor, Economática e Blum; A ausência de uma base de informação em tempo real do mercado financeiro limita os TCCs da área de Finanças; Bons TCCs relacionados aos temas que necessitem de dados do mercado financeiro em tempo real só são desenvolvidos por alunos que têm acesso a essas informações fora da Universidade; Outras instituições menores que a PUCSP dispõem dessas bases de dados; A pesquisa em Administração não necessita de laboratório experimental, mas depende da qualidade das informações; As bibliotecas da PUC-SP são boas em obras clássicas, porém ruins em periódicos e muito ruins em banco de dados. Questão 6: Na sua opinião, os alunos demonstram integração entre os conhecimentos das áreas técnica, humana e funcional nos trabalhos de pesquisa que realizam? Texto de Referência (Depoimento) - Tem nuances individuais. Ainda existem alunos fragmentados, mas normalmente eu não faço orientação e não estimulo o trabalho fragmentado, não é? Quer dizer, eu não vou falar que a gente é sempre 100% e depois vai querer 100% de sucesso e não tem, mas eu procuro exatamente forçar que ele, na hora que está fazendo um projeto, um tema, um problema e quando o problema está dentro de Explicitação dos Significados Nem todos os alunos apresentam uma visão integrada das áreas administrativas; O professor deve auxiliar o aluno no desenvolvimento de uma visão sistêmica dos problemas, tanto nas atividades de pesquisa quanto nas demais disciplinas do curso; 346 um sistema que ele não consegue resolver o sistema por uma parte. Toda solução, muitas vezes, causa problema num outro pedaço do sistema, e não adianta ele pensar que... Isso eu faço, no dia a dia, nas próprias disciplinas, não é? Eu procuro, o máximo possível, fazer ele enxergar a disciplina dentro do conjunto. E no TCC – eu não consegui fazer isso na atividade de Pesquisa, na minha experiência, que foi essa única experiência – mas no TCC, isso eu forço muito já na fase de projeto, tanto que eu oriento TCC e, às vezes, o aluno fala: “ah, mas isso não é mais Economia?”. E eu falo: olha, não existe isso. “Isso não é mais Área Estratégica, Planejamento Estratégico? É Planejamento Financeiro?” (risos). Isso é Administração, então o planejamento estratégico envolve você entender a organização, entender como se decide na organização, como as pessoas se relacionam. Entender a dimensão financeira, a dimensão operacional, a dimensão mercadológica. Você não pode arbitrariamente achar que essas coisas estão distantes, não é? E eu nem vou dizer que todo mundo pensa assim entre os nossos colegas. Mas eu sempre tive essa preocupação: pra gente formar um bom Administrador a gente tem que ter a capacidade de pensar no conjunto. Aliás, a grande virtude do nosso curso é essa. A gente não ser especialista em nada, não é? Exatamente, a gente ser um generalista. Esse é o trunfo do nosso curso. Então, eu acho que na atividade, em qualquer atividade, quer seja atividade de pesquisa, TCC ou qualquer atividade da docência, o que a gente tem que incentivar é exatamente essa, essa que é a grande vantagem estratégica e competitiva do nosso curso: ter um curso no qual você não é especialista em nada, você é um generalista e que tem capacidade de ver que a realidade de qualquer organização onde você está é uma realidade que é composta por vários elementos. Entender esse conjunto, esse sistema. A partir do projeto do TCC é importante a intervenção do professor para que o aluno possa ampliar sua visão em relação ao problema e estabelecer as relações necessárias; Na Administração, os problemas e as decisões implicam a compreensão das diferentes dimensões: de pessoas, estratégica, operacional, financeira e mercadológica; No TCC, os alunos e alguns professores limitam a abordagem do problema em uma única dimensão; Para formar um bom Administrador, professores e alunos precisam ter uma visão sistêmica, de conjunto, para compreender a realidade de qualquer tipo de organização; O diferencial do curso de Administração da PUC-SP – a grande vantagem estratégica e competitiva - é a formação do Administrador generalista. Questão 7: Em sua experiência, você identifica alguma contribuição das atividades de pesquisa na melhoria da qualidade do TCC, desenvolvimento de projetos de Iniciação Científica, participação dos alunos da graduação nos grupos de pesquisa da Universidade, participação dos alunos em outros eventos relacionados à pesquisa? Quais são (se houver)? Texto de Referência (Depoimento) - Olha, eu vou falar da minha experiência. Eu não tenho uma avaliação geral, eu nunca me debrucei pra olhar. Aliás, você que está Explicitação dos Significados No TCC, os alunos que dão continuidade aos projetos iniciados nas atividades de Pesquisa 1 e 2 apresentam maior 347 fazendo isso no seu trabalho (risos). Eu, particularmente, eu tive um caso de uma aluna, né, e conheço o caso de um outro, que não é meu orientando de TCC – é de outra área – que estão continuando com os projetos que iniciaram em Pesquisa e, obviamente, que estão se dando bem, ou seja, já chegaram para o TCC com uma ideia já madura, com vontade e com uma ideia mais madura. Mas esse não é o caso, não foi o caso da maioria. Em relação aos projetos de Iniciação Científica, de novo eu tenho um caso desses, que gerou um trabalho de Iniciação a partir da atividade de Pesquisa e estou pegando um caso, que não foi minha aluna de atividade de Pesquisa, nem orientanda de Iniciação, mas está sendo minha orientanda de TCC e que fez todo o projeto, começou na atividade de Pesquisa, fez uma Iniciação e continua desenvolvendo a mesma ideia agora no TCC. O trabalho está ficando muito rico, mas é aquilo que eu te falei: esses são os casos de sucesso. Eu acho que os casos de sucesso devem ser uns 20%, parte dos alunos. São aqueles que têm esse perfil, têm essa vontade de ser pesquisador. Isso não é a maior parte dos alunos e eu não sei se isso é defeito, não, eu tenho dúvida se a gente precisa. Eu acho que a gente precisa obrigar que eles saibam escrever um trabalho científico, ele precisa fazer um TCC. Eu acho inconcebível alguém acabar a universidade e não saber que uma ideia de outro tem que ser citada, que a sua afirmação tem que ser comprovada, você não pode fazer afirmações vãs, ou seja, entender como se estrutura um trabalho científico. A gente tem obrigação de colocar isso no nosso egresso. Agora, a gente não é obrigada a ter um egresso que seja pesquisador, ele pode ser um bom Administrador e não ter vocação para a pesquisa, como eu acho que a maioria não tem, e eu não acho que a gente deva pretender que todo mundo... Eu acho que, hoje, a atividade de Pesquisa, da forma como a gente colocou, pareceu uma pretensão de que todo nosso aluno vai sair com um perfil de pesquisador. Quer dizer, hoje eu faço uma autocrítica dessa colocação da gente. Não tenho percebido a participação dos alunos em grupos de pesquisa e em outros eventos, mas não sei o quanto minha opinião vai ter uma amostra representativa, mas não, não tenho visto. Aliás, os meus melhores TCCs foram ou trabalho individual que veio de Iniciação Científica ou de alguém que tem uma atividade profissional há muito já, já consolidada, ou o profissional que acabou conseguindo achar um tema dentro de sua realidade e fez um bom TCC. maturidade e motivação; A maioria dos alunos não dão continuidade aos projetos iniciados em Pesquisa 1 e 2; Tem uma aluna em TCC que percorreu todo o processo: fez Pesquisa 1 e 2, desenvolveu um projeto de Iniciação Científica e está dando continuidade ao tema no TCC; A maioria dos alunos não tem vocação para a pesquisa e buscam uma formação para atuação no mercado de trabalho; Os casos de sucesso em pesquisa – os alunos que têm perfil e vontade de ser pesquisador – devem representar, aproximadamente, 20% do total de alunos do curso; É essencial a manutenção do TCC no curso, porque é fundamental formar um egresso que tenha desenvolvido um trabalho científico; O curso de Administração não é obrigado a ter um egresso que seja pesquisador: um bom Administrador não precisa, necessariamente, ter vocação para a pesquisa; As atividades de Pesquisa 1 e 2 deveriam ser optativas – para os alunos que apresentam vocação à pesquisa – e não obrigatórias; Não identifica a participação de alunos em grupos de pesquisa ou outros eventos relacionados; Os melhores TCCs são dos alunos que realizaram Iniciação Científica ou de alunos com experiência profissional na área ou daqueles que encontraram um tema relacionado à sua realidade. 348 Questão 8: Segundo o Projeto Pedagógico do Curso, as atividades de pesquisa podem estar voltadas para produção de trabalhos para publicação – em revistas, livros ou anais de eventos científicos da área – ou produção de estudos de caso, para utilização em aulas ou disponibilização para o mercado. Em sua experiência, isso tem ocorrido? Qual é sua opinião sobre a divulgação e/ou publicação da produção dos alunos da graduação e o que é necessário para sua viabilização? Texto de Referência (Depoimento) Explicitação dos Significados - Olha, eu vou ter a minha primeira experiência, que eu estou concluindo a orientação de um TCC que está muito bom; sugeri para o aluno: olha, a gente poderia mexer aqui e tentar produzir. Eu já falei para ele, vamos esperar acabarem as aulas e vou tentar. Vai ser minha primeira experiência. Eu acho que ele tem um material bom, aparentemente dá um bom artigo. Vai ser minha primeira, meu the bet (risos). Eu espero que dê certo, porque é um material muito bom. Eu acho isso muito legal, eu acho importante, quer dizer, é bom pra gente, não é? Mas, principalmente, eu acho que isso pra esse aluno, que são aqueles que gostam de pesquisa, para eles é uma injeção de ânimo muito grande, ou seja, eles se sentem desafiados e sentem uma recompensa, quer dizer, a chance dele ter vontade de continuar, de fazer stricto sensu eu acho que é grande, não é? A professora vai produzir um artigo com um dos alunos, decorrente do TCC, para publicação; QA – Questão de Aprofundamento QE – Questão de Esclarecimento QF – Questão Focalizadora A produção é importante para o professor e para o aluno; Para o aluno que gosta de pesquisa, a perspectiva de publicação representa um fator motivador – um desafio e uma recompensa – que pode incentivá-lo a fazer o stricto sensu. 349 PROTOCOLO DE SIGNIFICADOS – ENTREVISTA – PROFESSOR 6 Questão 1: Como você entende a pesquisa na graduação e no curso de Administração? (importância e objetivos) Texto de Referência (Depoimento) - Bom, a minha formação ela não foi em Administração, o meu mestrado que é em Administração, mas mesmo na Economia a gente não tinha Pesquisa. Eu acho que quando chega no último ano, que o aluno tem que fazer o seu TCC e mesmo nos trabalhos que pegam o 3º e 4º ano, o aluno não tem muita noção. Ele acaba aprendendo aos „trancos e barrancos‟, né? Claro, quando ele tem metodologia, a metodologia ajuda, e eu tive, na época, no curso básico, eu tive metodologia. Então, isso me ajudou na pesquisa, mas dentro do currículo novo – que eu acho que não tem metodologia – está dentro de Pesquisa 1. Então, eu acho que Pesquisa 1 vem introduzir o aluno no 2º ano ao trabalho de pesquisa. Então, acho que isso foi uma grande mudança, uma importante mudança que aconteceu no currículo, do ponto de vista de reforço da pesquisa. Do ponto de vista de objetivos, eu vejo assim: que o aluno que se dedicar e tiver um bom desempenho em Pesquisa 1 e 2, ele criou as condições mínimas não só para o TCC, mas para o desenvolvimento mais autônomo enquanto estudante da PUC. Não só autônomo enquanto estudante da PUC, mas inclusive – não que tenha diretamente a ver – mas para o seu posicionamento no mercado, porque eu acho que aprender a pesquisar ou ensinar a pesquisar é também ensinar a pessoa a se virar, ter autonomia. Acho que essa é a grande questão e eu acho que isso pode – não quero aqui fazer nenhuma afirmação – mas eu sinto algumas vezes que é dada a metodologia para as pessoas de uma forma muito formal, de uma forma muito a „Pesquisa Acadêmica‟. Quando eu falo com os alunos sobre metodologia, eu falo metodologia sob o ponto de vista geral, buscando literalmente a autonomia do aluno, do estudante, em relação à pesquisa e também em relação à sua profissão. Explicitação dos Significados O professor cursou Economia na PUC-SP e em sua graduação não teve Pesquisa, mas Metodologia Científica na época do Ciclo Básico, que o ajudou no desenvolvimento de autonomia em relação ao conhecimento; Sem a Pesquisa, os alunos aprenderiam a fazer os trabalhos acadêmicos do curso e o TCC com muitos percalços; A metodologia ajuda na pesquisa; No currículo, metodologia está em Pesquisa 1, que tem por objetivo introduzir o aluno ao trabalho de pesquisa no 2º ano; A inserção da Pesquisa foi uma grande e importante mudança que aconteceu no Currículo, do ponto de vista de reforço da pesquisa; O aluno que se dedicar e tiver um bom desempenho em Pesquisa 1 e 2 cria as condições mínimas não só para o TCC, mas para o desenvolvimento mais autônomo enquanto estudante da PUC e no seu posicionamento no mercado; Ensinar a pesquisar é também ensinar o aluno a ter autonomia acadêmica e profissional; Muitas vezes a metodologia é ensinada aos alunos de maneira muito formal, muito voltada à pesquisa acadêmica; A metodologia, vista de um modo geral, favorece a autonomia do estudante não só em relação à pesquisa, mas igualmente em relação à sua profissão. 350 Questões Emergentes (1ª Questão) Explicitação dos Significados Metodologia é o como fazer, o como estudar e o como pesquisar; Quem não conhece metodologia não sabe estudar, não sabe entender e continua decorando os conteúdos; Com a metodologia, o aluno desenvolve um pouco mais o seu autodidatismo; Não há clareza em relação aos objetivos e conteúdos de Pesquisa 1 e 2; Os alunos ficam confusos – tanto por responsabilidade dos professores quanto da estrutura instaurada; A liberdade que a PUC concede aos professores é importante, mas não se pode permitir que cada professor faça o que quiser; Os professores deveriam ter algumas linhas mestras a seguir. QA – Que tipo de coisas? - Eu acho que é essa questão da pesquisa, não é? Eu entendo o que é metodologia, mas eu não lembro nos diversos momentos que tenha sido falado em pesquisa que tenha sido dito, explicitamente: olha, Pesquisa 1 é metodologia e, portanto, nós teremos que ter, no mínimo, tais e tais e tais assuntos ministrados. Pesquisa 1 e 2 é metodologia, mas tal fato não é explicitamente esclarecido, bem como não são especificados os assuntos a serem ministrados minimamente. QE – Você tem conhecimento do programa formal dessas atividades? - Não, não. O programa formal das atividades de Pesquisa 1 e 2 é desconhecido pelo professor. QE - A metodologia tem um rigor acadêmico. Como ela poderia ser mais informal? - Eu acho que ela poderia ser menos formal, porque cá entre nós metodologia é um „saco‟, quando ela vira coisa formal, porque afinal de contas, o que é metodologia? É o como fazer, é o como estudar, é o como pesquisar. Se você não sabe fazer isso, você não sabe estudar, você tem que continuar decorando, enfim, é a famosa „decoreba‟. Se você sabe, você consegue desenvolver um pouco mais o seu autodidatismo, não é? Então, eu particularmente, que sempre li, sempre estudei, independente de estar ou não na escola, o que me ajudou muito foi a metodologia que eu aprendi no meu curso na PUC. Foi ótimo, foi na época do ciclo básico, não é? Isso me deu uma autonomia e é o que eu busco passar para os alunos. Entendo que isso não está muito claro, eu acho que precisa ser melhor trabalhado [em] Pesquisa 1 e Pesquisa 2. Eu percebo, ainda, que ou os alunos ficam perdidos – claro que um pouco por responsabilidade da gente – mas não é só por responsabilidade da gente, mas a responsabilidade da estrutura instaurada, o quadro instaurado. Então, eu acho que esse quadro não pode deixar cada professor fazer o quer. Eu acho que essa liberdade da PUC é importante, mas em certas coisas a gente teria que pelo menos traçar algumas linhas mestras, para que os professores seguissem. 351 Questão 2: Como você compreende as atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2) propostas no Projeto Pedagógico do Curso? (conteúdo, carga horária, período, número de alunos por turma, ausência de pré-requisitos, critérios de avaliação) Texto de Referência (Depoimento) - A Pesquisa 1 está no 3º semestre. Eu acho, assim, a Pesquisa 1 e Pesquisa 2, isoladamente, eu acho que é um problema. Eu acho que elas estão um pouco marginalizadas, até na configuração do horário. Me parece que não é um ou outro caso, são todos os casos. Pesquisa 1 e 2 são deixadas para fora do horário normal de aulas. Então, você tem o horário normal de aula na manhã e depois os alunos têm que ficar um horário extra para fazer Pesquisa 1 e 2. Isso acontece pela manhã, eu não sei como acontece à noite. Parece que o pessoal está fazendo aos sábados, não é? Mas eu acho que a Pesquisa 1 e 2 é importante estar na grade no 3º e 4º semestres, porque é exatamente a fase que o aluno, de certa forma, já foi feita a sua introdução acadêmica na Universidade, porque ele ainda vem muito com aquela visão do ensino médio, ainda do posicionamento dele no ensino médio que muda sensivelmente quando ele entra na universidade, na faculdade. Eu acho que é uma fase exatamente de conquista de autonomia, mas a impressão que eu tenho é que as Pesquisas estão soltas na grade, elas não estão integradas com as demais disciplinas. Eu perguntei para os alunos – não me lembro se foi na última ou penúltima aula – em que Pesquisa 1 os ajudou e eles falaram assim: - “nos ajudou a aprender a pesquisar”. Vocês já tinham ouvido falar em normas da ABNT? Alguns não e outros muito vagamente. Eu acho que, por exemplo, capa e contracapa que é uma coisa básica, não é? Os alunos, alguns trouxeram a parte final agora do trabalho com capa e contra-capa. Aí eu perguntei: mas nenhum outro professor cobra de vocês seguir as normas da ABNT? “Não”. O que está acontecendo é que a preocupação do professor é com o conteúdo e não com a forma. Mas a gente tem que pensar o seguinte, como a gente trabalha com metodologia, não é questão de „puxar a brasa‟ para o nosso lado, mas é pensar assim: por que é que tem a metodologia? Porque você tem que ter também uma padronização. Se o aluno não aprende a padronizar, ele também tem dificuldade de se comunicar, porque comunicação também é padrão. Então, isso vira uma Torre de Babel, não é? Então se você não se comunica adequadamente na Academia, você não consegue transmitir as suas ideias e a metodologia da pesquisa ajuda nessa comunicação. Por isso a Pesquisa não pode ficar isolada das demais disciplinas e essa é a impressão que eu tenho. Eu estou dizendo em Pesquisa e não em TCC, porque a Pesquisa ela acaba ficando numa situação fora do horário e fora do contexto geral do que os alunos estão fazendo. Eu tenho feito um esforço, acredito até que Explicitação dos Significados Pesquisa 1 e 2 estão um pouco marginalizadas na configuração do horário, porque estão fora do horário regular do curso; No período da manhã, os alunos têm que ficar um horário extra depois do horário normal de aulas para fazer Pesquisa 1 e 2; Os alunos do noturno possivelmente fazem Pesquisa aos sábados; É importante Pesquisa estar na grade nos 3º e 4º semestres, porque esta é exatamente a fase de conquista da autonomia, quando o aluno já mudou sensivelmente a visão do ensino médio e de certa forma já fez a sua introdução acadêmica na universidade; Pesquisa deve estar integrada com as demais disciplinas; por exemplo, o formato do trabalho acadêmico, capa e contra-capa, utilização das normas ABNT, entre outros, não são cobrados pelos professores das demais disciplinas; A preocupação do professor é, geralmente, com o conteúdo e não com a forma; Tem que haver uma padronização, pois se o aluno não aprende a padronizar, ele também tem dificuldade de se comunicar, porque comunicação também é padrão; A metodologia da pesquisa ajuda nessa comunicação e pode fornecer subsídios para que o aluno possa se comunicar adequadamente na Academia, senão ele não consegue transmitir bem as suas ideias; 352 seja um esforço de outros professores também, de buscar levantar para o aluno: por favor, não olhem para Pesquisa 1 e Pesquisa 2 para cumprir tabela, olhem como algo integrador, olhem como uma oportunidade e não como uma ameaça. Olhem Pesquisa como uma oportunidade: oportunidade de aprender a pesquisar e oportunidade de fazer alguma coisa que vocês gostem. Exemplo, eu estava com uma aluna, aliás, duas alunas: uma delas adora Psicologia – está fazendo Administração, mas adora Psicologia –, a outra adora Dança. Eu percebia que elas fugiam da minha aula e fugiam da minha aula e fugiam da minha aula até que um dia eu peguei elas de lado e falei assim: vocês vão ser reprovadas. Não tem produção, não adianta. Aqui não é presença essencialmente, é produção. E eu falei assim: vocês têm que fazer isso, isso e isso. E aí: “ah, professor, nós estamos com muita dificuldade”. Eu disse: o que vocês gostam de fazer? “Ah, eu gosto de dançar”. E por que você não une a Administração com a Dança e pensa em alguma coisa sobre isso? – “Nossa, mas Administração e Dança?” Sim, é possível. Pensem nisso. Eu até sugeri Produção Cultural, Captação de Recursos, sugeri Gestão da Cultura, enfim. E a outra, Psicologia e Administração. Eu falei assim: esse é um campo maravilhoso, magnífico dentro das organizações, que falta muito. Ou você tem só o Psicólogo que conhece pouco de Administração ou o Administrador que conhece pouco de Psicologia. Então, se você consegue unir esses dois conhecimentos é um prato cheio, não é? As duas, portanto, estão fazendo trabalhos que eu considero excelentes trabalhos para Pesquisa 1 e acho que em Pesquisa 2, dando continuidade, vão sair excelentes trabalhos. A Pesquisa não pode ficar isolada das demais disciplinas, mas acaba ficando fora do contexto geral do que os alunos estão fazendo; A Pesquisa tem que ser transmitida aos alunos pelos professores como algo integrador e como oportunidade de aprender a pesquisar e de fazer alguma coisa que eles gostem; Na Pesquisa é possível relacionar os temas que os alunos gostam à Administração e unir diferentes áreas do conhecimento. Questões Emergentes (2ª Questão) QA – Então, são os alunos que escolhem os temas? - Com certeza. Eu exerço literalmente a função de orientador. Eu não indico tema para ninguém. Claro, que dentro do que eu percebo eu ajudo, porque muitas vezes o aluno chega com uma gama de possibilidades. A primeira pergunta que eu faço para os alunos é: o que você gosta de fazer? Sabe que essa resposta não é difícil, porque o que eu gosto de fazer é assim: “eu gosto de futebol”. Então, você escreve sobre futebol. Claro, você não vai escrever sobre futebol enquanto Educação Física, mas na ótica da Administração. Então, como Administração Esportiva, Gestão Esportiva, Gestão de Clubes, Captação de Recursos, Patrocínio. Eu tenho vários alunos que estão escrevendo sobre esses assuntos. E, aí, a ideia é na medida em que quanto mais você se aproximar do que gosta maior a motivação para você fazer e maior a possibilidade de você fazer uma ponte entre a Pesquisa 1 e 2 e o TCC. Porque um dos grandes problemas que eu percebo é que em função da distância na grade – que eu não acho ruim não, eu Explicitação dos Significados O professor exerce literalmente a função de orientador, não indica tema, só ajuda na definição quando percebe a necessidade do aluno, mas buscando identificar os temas de interesse do aluno; Nesse sentido, a primeira pergunta que deve ser feita para os alunos é sobre o que eles gostam de fazer; A ideia é que à medida que o aluno se aproximar do que gosta maior será sua motivação para fazer a pesquisa e maior a possibilidade de se fazer uma ponte entre a Pesquisa 1 e 2 e o TCC; 353 acho que é bom porque isso tem uma influência importante no sentido da autonomia para os alunos em Pesquisa, e se for colocado mais à frente acaba perdendo um pouco. Acho que ganha no amadurecimento, mas perde no sentido de não acelerar mais o amadurecimento do aluno. Eu acho que é isso, o mundo hoje exige um amadurecimento mais rápido e maior, no mercado principalmente. Eu vejo assim, alunos que se motivam tanto com a sua pesquisa que já meio que ficam imaginando o seu TCC. Eu recebo, também, quando estou em TCC e pergunto: o que você fez em Pesquisa? – porque agora tem as turmas que já fizeram Pesquisa – “ah, nem lembro, nem sei, eu me desfiz”. A maioria dos alunos. Para a maioria dos alunos o tema não permanece. Eu acho que isso é uma coisa – não para gente obrigar, mas para buscar que a gente trabalhe em Pesquisa para fazer um link com o TCC, porque com isso você pode ter um ganho da pesquisa acadêmica. Você pode ter trabalhos de Iniciação Científica que fiquem entre a Pesquisa 1 e 2 e o TCC. E aí você pode ter as Bolsas PIBIC, que sejam feitas nessa trilha e eu acho que é até legal a gente criar essa trilha, o que ajuda o aluno. Muitas vezes o aluno não sabe o que fazer, mas eu acho errado a gente dizer: faça isso! Eu acho que: você poderia fazer... Vale a pena a gente investir um tempo no sentido de instigar o aluno a ir buscar lá no fundo, como essas meninas, elas estão no final do semestre e definiram o tema delas, faz um mês, mas em compensação elas estão, sabe assim, motivadas. Então, você se motiva não quando está cumprindo tabela, mas quando você enxerga: puxa, isso aqui tem um vínculo com a minha vida. Quando você liga, exatamente, a Academia com a vida. A distância entre as atividades de Pesquisa 1 e 2 e o TCC não favorece a continuidade dos temas de pesquisa, porém as disciplinas de Pesquisa devem permanecer no 2º ano porque têm uma influência importante no sentido de dar autonomia ao aluno e antecipar seu amadurecimento intelectual; A continuidade do tema desenvolvido em Pesquisa não deve ser obrigatória no TCC, mas recomendável; O professor de Pesquisa 1 e 2 deve fazer um link com o TCC, para que haja um ganho da pesquisa acadêmica; O período entre Pesquisa 1 e 2 e TCC pode ser utilizado para desenvolvimento de trabalhos de Iniciação Científica pelos alunos, sendo que o professor é o responsável por indicar esse caminho; Vale a pena o professor investir um tempo para instigar os alunos a buscarem os temas de interesse deles; O aluno se motiva quando vislumbra um vínculo com a sua vida: quando ele liga, exatamente, a vida acadêmica com a pessoal. Questão 3: Na sua opinião, como o aluno aprende a pesquisar? Quais estratégias didático-pedagógicas são necessárias ao ensino da pesquisa? Texto de Referência (Depoimento) - Bom, primeira coisa, a pior coisa que eu acho é o professor – eu acho que até já não deve ter tantos que fazem isso, mas eu sei que ainda tem – que renega a Internet. Pode não renegar oficialmente, porque é um discurso politicamente incorreto, não é? Mas por suas dificuldades, dizer que não aceita documentos da Internet, não aceita pesquisa feita na Internet. Pois eu acho exatamente o contrário, eu acho que a porta de entrada dessa juventude é a Internet e se você coloca óbices de pesquisa na Internet, você está alijando 90%, eu diria talvez 100% da potencialidade, da capacidade Explicitação dos Significados Existem professores que renegam a Internet, não oficialmente, porque é um discurso politicamente incorreto, mas por impor dificuldades, não aceitando documentos da Internet, não aceitando pesquisa feita na Internet; A porta de entrada da juventude atual é a Internet e colocar 354 de pesquisa desses alunos. Então, eu acho que é assim, é a Internet: olha gente, nós vamos à Internet pesquisar. O que eu acho que a gente tem que tomar cuidado é que o problema da Internet é a facilidade do copiar e colar, é a qualidade do que existe na Internet, é a confiabilidade do que se tem na Internet. Então eu acho que a gente tem mais que mostrar para eles os riscos da Internet ao invés de dizer: não, não aceito Internet ou criar qualquer dificuldade para a pesquisa na Internet. Então, eu acho que a porta de entrada é a Internet. A segunda coisa é que eu acho, assim, não sei se eu devo falar em relação à PUC, porque é o universo que eu tenho hoje condições de dizer com um certo conhecimento de causa. Eu acho que as orientações na PUC são muito desencontradas: cada professor age de um jeito, voltando àquilo que eu disse lá no começo, eu acho que a gente teria que ter um eixo de orientação. QA – Existe o programa dessas atividades. - Então, mas existe um programa e a gente percebe assim que existe no formal. Por exemplo, a conclusão de Pesquisa 2 é um artigo? Eu tenho exigido um artigo, mas o que o aluno vai fazer? Ele vai fazer um préprojeto e depois desenvolver um projeto de pesquisa? Ou essencialmente ele vai trabalhar para um artigo? Eu tenho dito que é um artigo, mas dependendo do encaminhamento do aluno eu acabo deixando ele com a estrutura mais formal de uma pesquisa, não é? Eu não restrinjo ao artigo, até porque quando você faz um artigo você tem que ter uma perspectiva de publicação e nós não temos essa perspectiva de publicação. Eu acho que isso é um elemento desanimador. Quando você tem um fórum onde você pode publicar, você pelo menos fala assim: olha, a sua pesquisa ela foi aprovada e vai ser publicada numa mídia digital, num blog ou alguma coisa do tipo. Eu já me propus algumas vezes em fazer isso, mas eu acho que: primeiro, eu não tenho tempo para isso; segundo, que eu acho que não adianta – adiantaria só para os meus alunos. Eu acho que a gente tem que ter alguma coisa mais unificada, alguma coisa mais institucional. Que a gente conseguisse ter um blog de pesquisa da PUC, de Administração da PUC, onde os alunos iriam ver os seus, ter acesso aos seus trabalhos, porque uma das questões que o pessoal fala: “ah não, porque isso aí vai ser mais uma fonte de recorta e cola”. Não, é só você saber também fazer as pesquisas e fazer os caminhos de pesquisa que você descobre quem é que está copiando, quem é que não está copiando, porque vai ser uma forma, eu acho que até de referência para os alunos. Qual é a forma ideal? Como foi uma pesquisa melhor avaliada? Foi essa. Então, deixa eu dar uma olhada para ver no que eu me referencio, não é? Essa referência é importante para a aprendizagem. Eu acho que nós não temos, mas podemos ter referências de anos passados. Eu até levo para os alunos: olha, eu tenho esses trabalhos que estão bacanas, para vocês darem uma olhada e tal. Mas, enfim, eu acho que acaba ficando uma coisa a critério de cada professor. Não acho que obstáculos de pesquisa na Internet é alijar talvez 100% da potencialidade de pesquisa desses alunos; O professor tem que tomar cuidado e mostrar para os alunos os riscos da Internet: a facilidade do copiar e colar, a qualidade e a confiabilidade das informações encontradas; As orientações na PUC são muito desencontradas: cada professor age de um jeito. Os professores deveriam ter um eixo de orientação. Embora exista um programa formal das atividades de pesquisa, falta maior orientação, por exemplo, sobre a conclusão de Pesquisa 2 ser um artigo; As orientações não devem ter precisamente o que o professor deve fazer, mas devem indicar um eixo mínimo norteador do trabalho que o professor tenha que estar cumprindo; Quando o aluno faz um artigo, ele tem que ter uma perspectiva de publicação, que ainda não existe no curso de Administração; Não ter uma perspectiva de publicação é um elemento desanimador para o aluno; Seria interessante a criação de um meio para publicação em mídia digital num fórum ou blog institucional de pesquisa da Administração da PUC-SP; Com uma fonte de publicação os alunos iriam ter acesso aos seus trabalhos e dos demais alunos; As pesquisas melhor avaliadas seriam referências de forma ideal para os alunos. Tal referência é importante para a aprendizagem; O professor deve levar para os 355 tenha quer ser alguma coisa orientando precisamente o que o professor tem que fazer. Acho que tem que ter alguma coisa batendo mais em cima de um eixo mínimo, que a gente tenha que estar cumprindo. Para concluir, eu acho que a principal estratégia que a gente tem é ajudar o aluno a despertar para a pesquisa e esse ajudar a despertar para a pesquisa a estratégia é de um lado descobrir do que ele gosta, permitir a ele escrever sobre o que ele gosta e colocar a Internet não como base fundamental, mas começar pela Internet. alunos trabalhos de semestres anteriores para referência; A principal estratégia identificada é ajudar o aluno a despertar para a pesquisa: permitir a ele escrever sobre o que ele gosta e colocar a Internet não como base fundamental, mas como um ponto de partida. Questão 4: Como tem sido sua relação com os alunos (relação professor-aluno) nas atividades de Pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2)? Texto de Referência (Depoimento) - É uma relação de amor e ódio, muitas vezes. Porque eu tive um aluno – eu não estou orientando TCC oficialmente neste semestre, mas eu estou orientando TCC. Eu tenho três alunos que me procuraram para eu orientar TCC. E aí, para um dos alunos eu cheguei e falei: olha, seu trabalho está com uma cara que foi copiado, não sei, mas está com jeito de que foi copiado. Ele tinha dito que ele fez a pesquisa e tinha uns cem questionários que ele aplicou. Aí eu falei assim: então, vamos fazer o seguinte, você me traga esses cem questionários aplicados e você, no seu TCC, aqui não está exatamente a compilação desses dados. Então é preciso que você compile esses dados, aplicou o questionário para quê? Para fazer essa conclusão de uma página só? E o trabalho de análise você não fez. O aluno ficou desesperado, ficou desesperado e na semana seguinte ele me trouxe as pesquisas e a compilação. Pelo sim ou pelo não – eu ainda não tive a oportunidade de ler, porque foi no sábado – eu acho que essa relação de amor e ódio faz parte. Quando eu digo amor e ódio é um exagero até. Mas eu acho que é meio como encarar como um sacerdócio a gente trabalhar com os alunos, não é? É meio que a gente tirá-los de uma situação às vezes de acomodação, uma situação de – eu não diria nem de estudar pouco – eu acho assim, estuda-se às vezes até muito, mas de forma errada. As aulas, eu acho que ainda são dadas muito no método do „cuspe e giz‟: o professor fala muito, não ouve nada ou ouve pouco e escreve muito. Eu acho que hoje as novas tecnologias, elas, se você pegar caderno dos meus alunos você vai ficar horrorizada, porque eu pouco escrevo na lousa. Não quer dizer que isso seja certo, mas a minha aula é muito dialogada. E aí os alunos falam assim: “professor, o que vai cair na prova?”. O que eu dei. – “Mas, o que você deu?”. Você não sabe o que eu dei? Converse com seus colegas e venha na última aula de revisão então. Claro, nós temos livros e eu digo: então você estuda pelos capítulos tais e tais. Mas eu acho que a Explicitação dos Significados A relação professor-aluno nas atividades de pesquisa é, muitas vezes, contraditória; Tal relação é encarada meio como um sacerdócio, de ter que tirar os alunos de uma situação às vezes de acomodação ou uma situação em que se estuda às vezes até muito, mas de forma errada; A maior parte das aulas ainda são dadas de forma oral e escrita na lousa, o método do „cuspe e giz‟: o professor fala muito, não ouve nada ou ouve pouco e escreve muito; O ideal é que a aula seja mais dialogada, na qual o professor apresente experiências concretas; O professor não tem que ter vergonha de apresentar experiências de sua vida, positivas e negativas; A relação do professor em questão com os seus alunos é uma relação muito de doação, aberta, na qual compartilha suas experiências com eles; Entende que tanto os professores como os alunos são detentores de diferentes conhecimentos; 356 aula deve ser mais dialogada e tem que ser mais apresentando experiências concretas. É claro que o professor não tem que ter vergonha de apresentar experiências de sua vida, experiências positivas e experiências negativas: ah, mas isso você está se expondo. Puxa vida, mas se você não quiser se expor, escolha outra profissão (risos). Então, a minha relação com os alunos é uma relação muito de doação – na verdade todo mundo doa – eu acho que todo professor doa, mas é uma relação muito aberta. Eu me exponho para os alunos mesmo. Às vezes eu coloco situações até muito pessoais em alguns casos e em conversas mais reservadas. Eu uso essas situações como experiências. Eu tenho experiências passadas que foram muito ricas no meu aprendizado e porque não passar isso para os alunos? Quando eu falo de Plano de Negócios, por exemplo, nossa, eu tive vários insucessos de negócios e já tive parcerias com alunos e até sociedade. Eu acho que isso acontece exatamente pela forma como eu atuo com os alunos. A visão sócioconstrutivista de que nós, professores, não somos os plenos detentores do conhecimento. Nós temos um conhecimento concentrado numa determinada área e por conta disso é que nós somos contratados para trabalhar nessas disciplinas. Mas os alunos são detentores de uma série de outros conhecimentos e que, se você valoriza isso, você consegue resgatar a autoestima em sala de aula, porque eu acho que o aluno com autoestima elevada, ele produz muito mais do que um aluno com baixa autoestima. Por conta do conhecimento específico do professor em determinada área é que é contratado para trabalhar nessas disciplinas; Valorizar o conhecimento do aluno é uma forma de resgatar a autoestima em sala de aula, levando em conta que um aluno com autoestima elevada produz muito mais do que um aluno com baixa autoestima. Questão 5: Na sua opinião, qual é a infraestrutura necessária ao desenvolvimento das atividades de pesquisa? O que a Universidade dispõe e o que precisa ser desenvolvido para essas atividades? Texto de Referência (Depoimento) - Na realidade, eu acho que talvez o maior problema da PUC hoje – do ponto de vista da Pesquisa – seja a biblioteca. Acho que a nossa biblioteca, pela crise que a PUC passa e se aprofundou num determinado momento mais recente, me parece que influenciou muito na compra de livros. Explicitação dos Significados Questões Emergentes (5ª Questão) QE – Você já chegou a solicitar a aquisição de algum livro? - Cheguei a solicitar a aquisição de livros, inclusive em Barueri eu solicitei também e fui atendido, não tive maiores problemas. Eu acho que essa é uma diferença da PUC em relação a outros lugares, não é? Por mais que tenha crise você tem uma atenção maior à pesquisa, ao aluno e à Academia. Eu acho que é O maior problema da PUC hoje – do ponto de vista da pesquisa – é a biblioteca, no que concerne à aquisição de novos livros. Explicitação dos Significados A solicitação de aquisição de livros à biblioteca é atendida; A ideia de deixar de dar aulas tipo „cuspe e giz‟ requer uma maior utilização de recursos audiovisuais. 357 diferente em outros lugares, onde a contenção acaba, bom, a primeira coisa que se corta é a compra de livros, ou se corta ou se reduz. Na PUC, eu já solicitei livros para a Monte Alegre e em Barueri eu tive uma experiência mais recente de pedir um livro que não tinha. O livro que eu estava adotando em Sustentabilidade não tinha. É um livro muito bom e que precisava ter na biblioteca. Eu usei aqui da biblioteca, inclusive filmes de Sustentabilidade. Eu acho que esse é um outro recurso. Essa ideia de você fugir da aula tipo „cuspe e giz‟, você tem que trazer mais para recursos audiovisuais. Eu acho que quanto mais recursos audiovisuais você trouxer, maior a possibilidade de ganhar com esse recurso. Outra coisa são as provas. Eu acho que a prova, a forma como ela sempre foi dada em todas as escolas, não mede conhecimentos do aluno, mas a prova se bem utilizada pode ser útil para reflexão. Eu não uso prova só para medir o conhecimento – embora também tenha que medir o conhecimento, não tem outro jeito – mas eu uso como reflexão. QF – Você aplica provas nas atividades de pesquisa? - Não, eu não aplico prova. A pesquisa ela tem que ser usada para reflexão. Se a pesquisa não for usada para reflexão, o que acaba acontecendo é que o aluno acaba tendo uma aprendizagem formal também da pesquisa. Então, ensinar metodologia com „cuspe e giz‟ vira uma coisa maçante, uma coisa muito burocrática. A gente tem que trazer para a sala de aula experiências e aproveitar os trabalhos dos próprios alunos – claro que com sua permissão – para poder fazer a crítica, se não for possível coletiva, mas pelo menos para o aluno. A pesquisa tem que ser usada para reflexão, senão o aluno acaba tendo uma aprendizagem formal também da pesquisa; Ensinar metodologia com „cuspe e giz‟ torna a aula muito cansativa e burocrática; O professor tem que trazer para a sala de aula experiências e aproveitar os trabalhos dos próprios alunos para fazer a crítica, se não for possível coletiva, pelo menos individual. QF – Em relação a infraestrutura, além da biblioteca e sala de aula você identifica algum outro recurso necessário? - Aí o restante. Para a pesquisa, apresentação em PowerPoint... eu acho que é interessante. É que como é uma área que sempre foi trabalhada de forma burocrática, eu confesso a você que eu ainda não consegui sair muito, por exemplo, se eu soubesse de algum filme que eu pudesse trazer para a sala de aula e que pudesse ajudá-los na pesquisa, seria maravilhoso. É um recurso bacana. PowerPoint a gente usa, mas eu acho que se pudéssemos sair disso seria melhor ainda. Eu acho que a essência que eu tenho usado e tem dado certo é o diálogo, o recurso principal é esse. Por isso que eu acho que na PUC, em Pesquisa 1 e 2 e até nos TCCs, não precisa de grande infraestrutura. Acho que na PUC, até pela história e tradição da PUC de pesquisa, eu acho que o essencial é o diálogo entre o professor e os alunos. Então, eu acho que do ponto de vista de infraestrutura, eu acho O PowerPoint é um recurso interessante e disponível, utilizado pelo professor nas atividades de pesquisa, mas seria melhor ainda se houvesse a possibilidade de utilizar outros recursos; Como a pesquisa é uma atividade burocrática, é difícil sair muito do tradicional; Seria interessante identificar filmes que possam ser levados para a sala de aula para ajudar os alunos nas pesquisas; O recurso principal que o professor utiliza é o diálogo; 358 que é assim: é ter Wireless para todas as salas, porque hoje nós encontramos ainda muitos problemas de acesso à Internet em algumas salas de aula da PUC. Determinadas áreas são áreas sem acesso à Internet. Eu acho que isso seria o essencial, hoje, que eu vejo de infraestrutura da PUC. Wireless para todos. Do ponto de vista de infraestrutura, o ideal é ter Wireless para todas as salas, pois hoje são encontrados ainda muitos problemas de acesso à Internet em algumas salas de aula da PUC. Questão 6: Na sua opinião, os alunos demonstram integração entre os conhecimentos das áreas técnica, humana e funcional nos trabalhos de pesquisa que realizam? Texto de Referência (Depoimento) - Nas atividades de Pesquisa e em TCC são níveis bem diferentes. Em Pesquisa, eu acho que esse é um outro aspecto importante para a gente ressaltar, a minha preocupação, claro que entendendo e percebendo os limites dos alunos no 3º semestre e no 4º, mas é de fazer a transversalidade das disciplinas. Acho que também essa é uma das funções da pesquisa. No TCC, aí não tem como fugir. O aluno, ele já chega meio que preparado para isso, para fazer essa interdisciplinaridade, botar para conversar os diversos conhecimentos e pesquisas, articulando reflexões, pensamentos. Mas em Pesquisa 1 e 2, o aluno ainda tem uma dificuldade considerável nesse sentido. Então, a função do professor em Pesquisa 1 e 2 é de „bater em cima dessa tecla‟. Então, eu acho que não dá para pensar Pesquisa 1 e 2 sem a transversalidade e sem a preocupação do professor em despertar isso mais nos alunos. Explicitação dos Significados Uma das funções da pesquisa é fazer a transversalidade das disciplinas; Em Pesquisa 1 e 2 há uma dificuldade maior do aluno e o professor deve entender e perceber os limites dos alunos dos 3º e 4º semestres, bem como despertar suas potencialidades; No TCC o aluno já chega meio que preparado para fazer essa interdisciplinaridade, relacionar os diversos conhecimentos e pesquisas, articulando reflexões, pensamentos. Questão 7: Em sua experiência, você identifica alguma contribuição das atividades de pesquisa na melhoria da qualidade do TCC, desenvolvimento de projetos de Iniciação Científica, participação dos alunos da graduação nos grupos de pesquisa da Universidade, participação dos alunos em outros eventos relacionados à pesquisa? Quais são (se houver)? Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que essa é a função, esse é o papel, mas os alunos eles resistem. Os alunos resistem muito. O aluno dessa geração Internet, geração Y, eles gostam muito em algumas coisas de ter a coisa pronta e acabada. Eles são muito práticos e essa praticidade ela tende a reduzir um pouco a sensibilidade das pessoas, não é? Eu acho isso ruim, quer dizer, pessoas muito práticas são pouco sensíveis e na Academia você tem que fazer com que as pessoas sejam mais sensíveis. Elas percebam mais as coisas, consigam abstrair. Eu acho que na medida em que você se torna mais prático você se distancia da abstração e a Academia não pode Explicitação dos Significados O aluno dessa geração Internet, geração Y, aprecia ter a coisa pronta e acabada: eles são muito práticos e essa praticidade tende a reduzir um pouco sua sensibilidade; À medida que a pessoa se torna mais prática, ela se distancia da abstração e a Academia não pode perder a abstração; 359 perder a abstração. Embora cada vez mais ela tenha que estar ligada ao mercado, porque se ela não estiver ligada ao mercado ela perde uma parte fundamental de sua função de formação para a vida e para o mercado. Mas para formar para a vida, tem que formar alunos sensíveis, alunos que tenham percepção. Eu acho isso. Eu acho que uma parcela dos professores acaba ficando muito numa visão mais formal da coisa. Eu acho que a contribuição da pesquisa, com certeza, ela teria um papel essencial para o TCC. A oportunidade que eu tive de ver dos alunos quantos e quais aproveitaram a pesquisa para o TCC, eu diria que foi mínima, mínima. Eu me lembro talvez de um ou outro caso. Mas. também, eu acho assim, o amadurecimento do aluno pode levá-lo a encontrar outras dúvidas e outros problemas a serem pesquisados e que lhes motivem mais. Eles vivem um período de muita ebulição nas suas vidas, não é? Então, eu não acho que a gente tenha que dizer para eles: aproveitem para o TCC. Na medida do possível é bom aproveitar, porque já tem um pouco de pesquisa, mas se tem algo que lhes motiva mais hoje, eu não vejo problema em mudar. O que acho importante é o seguinte: a ponte que tem que ser feita não é tanto do tema, mas da autonomia. Eu acho que se Pesquisa conseguir formar e passar um pouco mais de autonomia para os alunos, conseguir desenvolver a autonomia e ajudá-los a desenvolver essa autonomia, eu acho que cumpriu a sua função. Aí, TCC, Iniciação Científica é tudo consequência. A Pesquisa é importante para você mostrar para o aluno que ele pode. Porque as outras disciplinas são disciplinas técnicas – que tem que ter –, mas o aluno vai saber se gosta ou não no decorrer. Em Pesquisa, é onde é descortinado um horizonte que se ele percebe a potencialidade dele e por onde ele pode trilhar... Nossa! É uma asa, é uma ave. Essa abstração tem que estar ligada ao mercado; Para formar para a vida e para o mercado, é necessário formar alunos sensíveis, alunos que tenham percepção; Na Pesquisa, uma parcela dos professores acaba ficando muito numa visão mais formal; As atividades de pesquisa deveriam contribuir para o TCC; A experiência tem demonstrado que um mínimo de alunos aproveita a pesquisa para o TCC; Os alunos vivem um período de muita ebulição nas suas vidas e o tema pode mudar de acordo com sua motivação e interesse; O amadurecimento do aluno pode levá-lo a encontrar outras dúvidas e outros problemas a serem pesquisados e que lhes motivem mais; A ponte que tem de ser feita entre as atividades de Pesquisa e o TCC não é tanto do tema, mas da autonomia; Se Pesquisa conseguir formar e passar um pouco mais de autonomia para os alunos cumpriu a sua função; Se o aluno tiver mais autonomia, a Iniciação Científica e o TCC serão consequências; Em Pesquisa é descortinado um horizonte que se o aluno percebe a potencialidade dele e por onde ele pode trilhar abre seu caminho para descobertas maiores. 360 Questão 8: Segundo o Projeto Pedagógico do Curso, as atividades de pesquisa podem estar voltadas para produção de trabalhos para publicação – em revistas, livros ou anais de eventos científicos da área – ou produção de estudos de caso, para utilização em aulas ou disponibilização para o mercado. Em sua experiência, isso tem ocorrido? Qual é sua opinião sobre a divulgação e/ou publicação da produção dos alunos da graduação e o que é necessário para sua viabilização? Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que a atividade de pesquisa, a atividade de TCC, de estágio, elas deveriam ter uma articulação maior. Deveria ter uma articulação maior, um trabalho onde você pudesse ter um blog, porque isso é uma base importante. Uma articulação maior dos professores dessa área tem que ter isso, porque as experiências às vezes a gente fica quebrando a cabeça e tem um professor que já encontrou a solução. Não importa se foi fácil ou não a forma como ele encontrou a solução, o que importa é que ele [a] encontrou. Enquanto equipe, se você socializa isso você facilita, porque permite que esse professor encontre solução até para outras dificuldades, outros problemas. Então, eu acho que é um problema de articulação que nós temos muito forte e não é só nessa atividade de metodologia. E acho, assim, que a pesquisa em Administração ela está deixando a desejar. Acho que ela deixa a desejar. A revista que tem. Eu acho que falta articulação, acho que falta alguém ou algum cargo que pudesse chamar essa articulação para si, eu acho que o cargo seria exatamente esse: Coordenador de Pesquisa. Acho que se a coisa tomar um volume maior cria-se um anexo, mas precisa se fazer. O que não pode é ficar do jeito que está. Acho que está totalmente solto. Acho que a PUC, que o departamento e o curso de Administração perdem muito, porque tem muita coisa boa sendo feita. Eu mesmo acompanhei trabalhos de pesquisa maravilhosos, adorei e vi os alunos muito envolvidos, com qualidade de pesquisa, desenvolvendo uma pesquisa que pode se equiparar até a pesquisas de mestrado e que serviu para que? Serviu para o aluno entregar um TCC. Morreu e morreu e eu acho que isso de certa forma pode frustrar o aluno. Se não frustra, pelo menos poderia motivá-lo bem mais. Isso poderia representar publicação para a gente. Tem alunos que estão motivados e se a gente falar: seu trabalho está bom e a gente gostaria de fazer uma publicação... Nossa! Explicitação dos Significados Deve haver maior articulação entre as atividades de pesquisa, TCC e estágio; É necessário propiciar uma articulação maior dos professores das atividades de pesquisa, para que possam compartilhar suas experiências; A pesquisa em Administração está deixando a desejar em função da falta de articulação; A Pesquisa está totalmente desarticulada, de modo que os pontos positivos se perdem; Falta algum fator que possa fazer essa articulação, por exemplo um Coordenador de Pesquisa; Embora haja a Revista da Administração, não há articulação com as atividades de pesquisa para publicação; A PUC, o departamento e o curso de Administração perdem muito, porque tem muitos alunos envolvidos e muita pesquisa de qualidade sendo feita, equivalentes a pesquisas de mestrado. A falta de visibilidade pode, de certa forma, frustrar o aluno; a possiblidade de publicação pelo menos poderia motivá-lo; A publicação seria igualmente positiva para os professores. 361 Questões Emergentes (8ª Questão) QE – Você já conseguiu fazer alguma parceria com aluno para publicação? - Não consegui porque o meu problema é que eu não sou um acadêmico, eu sou uma pessoa de mercado e acadêmico. Às vezes eu sou um acadêmico de mercado (risos). Mas a minha origem – vamos dizer assim – é mais mercado do que acadêmico. Então, eu tenho muita facilidade de mostrar para os alunos experiências, mas o trânsito no mundo acadêmico eu confesso que tenho algumas dificuldades. Confesso a você que eu tenho um pouco de dificuldade. Então é assim, se eu souber e tiver algum caminho para trabalhar junto e canalizar os trabalhos, eu faria com enorme prazer e me disporia inclusive a escrever junto com os alunos, em fazer parcerias. Como eu não vejo, eu acabo indo pelo caminho mais fácil, o de elogiar o aluno: pô, bacana, seu trabalho está legal! É isso. Agora, se nós tivéssemos outros fóruns, outros encaminhamentos, outros caminhos, eu não teria nenhum problema em participar. Eu veria com grande alegria e satisfação encaminhar isso. Explicitação dos Significados O departamento deveria disponibilizar algum caminho para que o professor pudesse trabalhar junto com os alunos e canalizar os trabalhos; Se houvesse fóruns, outros encaminhamentos, outros caminhos, o professor não teria nenhum problema em participar e veria isso com grande alegria e satisfação. Encerramento: Você gostaria de acrescentar algo ou algum aspecto que a gente não abordou aqui? Texto de Referência (Depoimento) - Não, eu acho que não. QA – Questão de Aprofundamento QE – Questão de Esclarecimento QF – Questão Focalizadora Explicitação dos Significados 362 PROTOCOLO DE SIGNIFICADOS – ENTREVISTA – PROFESSOR 7 Questão 1: Como você entende a pesquisa na graduação e no curso de Administração? (importância e objetivos) Texto de Referência (Depoimento) - Para a Instituição é indiscutível a importância da pesquisa, principalmente considerando que se trata de uma universidade brasileira, onde a gente tem um problema sério de apoio à pesquisa. A gente fala aí dos países chamados primeiro mundo e tal e no fundo está a pesquisa. Em termos da Universidade, eu vejo da parte do aluno uma dificuldade de compreender o papel da pesquisa. Na minha percepção, os alunos não são levados desde o início do curso universitário a pensar em pesquisa. Eles ainda ficam naquela posição do pólo passivo de receber a informação, não fazem uma apropriação dessa informação e [a] devolvem mal no momento da prova, no momento da conversa, no momento do debate. Quando chega o semestre que eles começam a estudar alguma coisa de pesquisa, eles não têm uma visão de para quê serve isso, o que eu vou fazer com isso na minha vida. Acho que está aí, já, uma grande dificuldade da parte deles para progredir numa coisa que durante um ano vai ser estudada por eles. Depois, uma das ferramentas que se usa é a tal da ameaça: que eles vão precisar disso para o TCC (risos). Fica no polo passivo, não é? Não aderem por não entenderem do que se trata. Explicitação dos Significados Para a Universidade, é indiscutível a importância da pesquisa; As universidades brasileiras têm dificuldades com relação ao apoio à pesquisa; Os alunos têm dificuldades para compreender o papel da pesquisa em sua formação; Os alunos não são levados a pensar em pesquisa desde o início do curso, ficando em uma posição passiva em relação ao conhecimento; As informações recebidas não são apropriadas pelo aluno e isso é demonstrado nos resultados das avaliações; A primeira dificuldade, identificada na atividade de Pesquisa 1, é que os alunos não compreendem a utilidade da pesquisa na vida deles; Um recurso de sensibilização utilizado é a conscientização de que os alunos vão precisar da pesquisa para a elaboração do TCC. Questão 2: Como você compreende as atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2) propostas no Projeto Pedagógico do Curso? (conteúdo, carga horária, período, número de alunos por turma, ausência de pré-requisitos, critérios de avaliação) Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que as propostas que estão no Projeto Pedagógico representam um esforço, a boa intenção de querer implantar isto na FEA, na Administração. Não posso pensar em termos de Universidade. O conteúdo em si e a carga horária passam por uma necessidade de revisão, no meu modo de entender. Por exemplo, nós não temos um manual em que o aluno e o professor possam ter uma conversa em comum, não é? Mas Explicitação dos Significados Há uma boa intenção no PPC em implantar as atividades de pesquisa no curso de graduação em Administração; Os conteúdos das atividades de Pesquisa 1 e 2 e TCC 1 e 2 precisam ser revistos; 363 instruções de como fazer. Está bom, a gente pode recomendar que ele pegue autores para isso. Mas me parece que o conteúdo cria uma certa dificuldade de professor para professor, e essa dificuldade de professor para professor vai para os alunos e os alunos têm uma dificuldade bastante grande em entender, por exemplo, a questão do conteúdo de Pesquisa 1 para Pesquisa 2 e em TCC 1 e TCC 2. Precisa apresentar, por exemplo, o projeto. Fala-se projeto, ante-projeto, seja lá o que for, mas esse produto final do primeiro semestre, que é o projeto, se for bem feito, se for bem compreendido, tanto da parte do professor quanto da parte do aluno, chega-se ao final do primeiro semestre do TCC 1 com algo bem feito e esse algo bem feito dá condições do indivíduo, no segundo semestre, produzir aquilo que se espera como produto final, que será um artigo, uma monografia, sei lá. Me parece que seria necessário existir da parte da Instituição, no caso da Administração, do curso de Administração, uma discussão mais ampla com os professores envolvidos, não é? Por exemplo, há professores que exigem que o aluno siga aquele tema e o aluno se sente constrangido. Ora, isso no meu modo de entender faz parte de um desnivelamento de conteúdo, é livre ou não é livre? O professor deixa o aluno escolher o seu tema com liberdade ou „é por aqui que você vai‟. No meu modo de entender, isso é assunto de conteúdo. Faltam orientações institucionais sobre como fazer: não existe um manual que contenha informações suficientes para orientar os professores e os alunos; É necessário ampliar a discussão entre os gestores e os professores das atividades de pesquisa, no que concerne, principalmente, às exigências e conteúdos para cada atividade; É necessário definir se o professor é quem indica o tema ou se o aluno tem liberdade de escolha. Questões Emergentes (2ª Questão) QA – O que é melhor, o aluno ou o professor escolher o tema? - Livre, porque estudar as regras do projeto e depois realizar o projeto é algo de muito rigor, não é? São normas externas, seguem algumas orientações até mundiais, traduzidas aqui no Brasil pela ABNT, mas são normas externas e a disciplina tem que ser seguida. Agora, isso torna o serviço chato. Chato e obrigatório? Ninguém merece! (risos). Então, no meu modo de entender o tema tem que ser livre, do gosto do aluno, que ele escolha dentro daquelas condições do bem-fazer quanto ao conforto e cabe ao professor dar os parâmetros, o encaminhamento metodológico. Ele livre, ele se inspira mais, tanto nas atividades de Pesquisa, quanto no TCC. Se me obrigar a pesquisar, não vai sair nada! (risos). Explicitação dos Significados Na opinião do professor, é o aluno que deve escolher o tema; As atividades de pesquisa devem seguir o rigor das normas impostas pela ABNT e pela metodologia científica, cabendo ao professor dar essa orientação ao aluno; Temas de escolha do aluno são mais inspiradores e ajudam a superar as dificuldades metodológicas. 364 Questão 3: Na sua opinião, como o aluno aprende a pesquisar? Quais estratégias didático-pedagógicas são necessárias ao ensino da pesquisa? Texto de Referência (Depoimento) - Eu começo dizendo a ele que a pesquisa é um comportamento preciso quanto à metodologia, comportamento que tem as suas regras, seus parâmetros, que se não forem seguidos ela não acontece. Acontece um apanhado de dados e você não faz nada com eles. Então, a primeira abordagem que eu acho fundamental é dizer isso para o aluno: nós vamos ter que passar por isso. Aí vem a ameaça: senão você não sai da faculdade (risos). E a base da inspiração que um cientista precisa ter, já que é um trabalho científico, e essa inspiração, tendo o conforto da liberdade, acontece. Se ela for obrigada, vai sair do jeito que alguém quer, mas não sai boa, não sai da melhor forma que o pesquisador poderia fazer. Ele só consegue produzir algo na melhor forma se for do gosto dele. Imagina, um doutorando receber da universidade que tem que pesquisar „aquilo‟, não vai sair o melhor que ele poderia produzir. Mas se a universidade disser: o curso é esse, você está nesse ramo da ciência, qual é o seu tema? Desse tema vai sair o seu problema, a sua hipótese. Com liberdade vai sair muita boa vontade, muito entusiasmo. Eu mostro isso para os alunos. Explicitação dos Significados A pesquisa depende do rigor metodológico; O trabalho científico depende da inspiração do pesquisador e de sua liberdade de escolha; A qualidade da pesquisa depende do interesse do aluno pelo tema abordado. Questão 4: Como tem sido sua relação com os alunos (relação professor-aluno) nas atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC1 e 2)? Texto de Referência (Depoimento) - Eu classifico como uma relação de nível bom. Talvez, porque eu dê a eles a liberdade de escolher o tema, não é? Então, o indivíduo avança no conhecimento naquilo que ele quis estudar. Isso facilita o relacionamento e facilita a absorção daqueles pontos difíceis. O mais difícil que eu tenho percebido nos meus alunos é a passagem pela hipótese. Tema, tudo bem e tal, o problema já enrosca um pouco e quando chega na hipótese, aí pára mesmo. Há alunos que ficam três semanas sem conseguir redigir a hipótese. Então, a minha relação com eles é muito boa, a partir da liberdade de escolha e, principalmente, depois que passa pela hipótese, porque, daí, as leituras exploratórias são leituras dentro daquele campo que já está delimitado: o problema e a hipótese. Explicitação dos Significados A liberdade de escolha do tema pelo aluno proporciona o estabelecimento de uma boa relação para o ensino e aprendizagem da pesquisa; A maior dificuldade que os alunos apresentam é a construção da hipótese da pesquisa. 365 Questões Emergentes (4ª Questão) QA – Você percebe essa dificuldade com a hipótese tanto na Pesquisa quanto no TCC? - Se o produto final do TCC for sobre o mesmo tema do projeto que ele desenvolveu na Pesquisa, se o cara não mudou, a hipótese está ali, ela já está elaborada. Se ele mantiver o mesmo tema, o mesmo problema, diminui essa dificuldade, porque se ele estudou em julho, por exemplo – eu oriento que em julho não tem férias de TCC, tem férias das aulas só – se ele fez a leitura exploratória, deu uma melhoradinha na hipótese, as coisas são mais fáceis. Mas se ele mudar, ele começa tudo de novo praticamente e vai enroscar na hipótese. Eles não conseguem captar que essa fase de definição do problema, delimitação, sujeito, objeto e tal, e a hipótese é o alicerce da construção do trabalho deles. Tem gente que já chega com cinco ou seis páginas escritas, achando que aquilo já é a solução do problema dele. Não é. Ele está perdendo tempo, está lendo coisas que são desnecessárias porque não estão dentro da hipótese. Explicitação dos Significados Os alunos que dão continuidade no TCC aos projetos desenvolvidos em Pesquisa 1 e 2 já superaram a dificuldade inicial; Os alunos que escolhem outros temas no TCC reapresentam as mesmas dificuldades encontradas em Pesquisa 1; Os alunos demonstram que não compreendem o que é pesquisa, optando por desenvolver a solução do problema sem antes proceder à delimitação do problema e das hipóteses. Questão 5: Na sua opinião, qual é a infraestrutura necessária ao desenvolvimento das atividades de pesquisa? O que a Universidade dispõe e o que precisa ser desenvolvido para essas atividades? Texto de Referência (Depoimento) - Primeiro, uma orientação oficial do ponto de vista metodológico. Por exemplo, a UNESP tem o seu caderno de procedimentos para o mestrado e doutorado, mas com observações aplicáveis à graduação. No caso da PUC, existe orientação de algum professor, mas eu não conheço uma orientação, um manual de elaboração, detalhado, por exemplo, para o aluno pegar aquilo e seguir, exatamente aquilo lá. Fica uma possibilidade do professor: usa esse livro aqui. Olha, o Gil orienta dessa maneira. O fulano tem este aqui. O Tashizawa tem esse aqui. Aí, surgem resultados finais que a gente percebe que o mesmo produto tem características diferentes quanto à aplicação da ABNT. No meu modo de entender, em termos de infraestrutura, teria que ter uma bibliografia mínima metodológica ou a Universidade ter a sua metodologia. Explicitação dos Significados Há necessidade de orientação oficial do ponto de vista metodológico; É importante a criação de um manual detalhado de elaboração para o TCC, com uma bibliografia mínima metodológica; Os professores indicam diferentes autores para orientação metodológica da pesquisa; O produto final tem características diferentes quanto à aplicação das normas da ABNT. 366 Questões Emergentes (5ª Questão) Explicitação dos Significados QE – Mas o programa das atividades de pesquisa e os planos de aula não trazem essas orientações, como bibliografia básica? - É, traz a indicação, mas a metodologia mesmo não. Eu pergunto para os alunos assim: você entrou no site. – “Entrei, mas não resolve essas coisas que a gente tem dúvida. Aquele manual lá não resolve”. Então, o aluno fica sem esse ferramental. Se o professor entender do assunto, bem: nós vamos seguir por aqui. Se o professor entender do assunto e não tiver aquela carga, aquele tempo suficiente para debruçar sobre o problema que o aluno está vivendo, o aluno fica meio abandonado nisso daí, não é? Depois, o tempo vai passando, o prazo de entrega vai chegando e chegam umas coisas, assim, quase do tipo „prato feito‟. Nós temos problemas sérios na pesquisa, por exemplo, de informações que passam pelo plágio, não é? No meu modo de entender, o plágio é a saída que o aluno tem por não ter o espírito e a orientação sobre a importância de pesquisar. O manual para elaboração do TCC não esclarece dúvidas específicas dos alunos; Nem sempre o professor tem disponibilidade de tempo para orientar o aluno em relação ao problema específico que ele está vivendo; Um dos problemas graves da pesquisa é o plágio; O plágio é a saída que o aluno tem quando não tem o espírito e a orientação sobre a importância de pesquisar. QA – Você acha que o plágio acontece por uma questão de falta de ética ou de uma forma inconsciente? - Eu acho que ele faz por não saber, faz por safadeza também. Escrever na testa do professor „bobo‟ (risos). Por não saber para que serve aquilo, qual é a importância daquilo. Tem que fazer mesmo? Então, fez isso já no passado e ninguém pegou e hoje há muita facilidade e o indivíduo comete essa questão de plágio, não é? Copiando e colando. Simplesmente, fazendo aquelas indecências: começam uma frase aqui, copiam mais umas palavras de lá. Sai aquela frase sem sentido, sem nada, bem „franksteiniana‟, não é? Mas essa é uma questão de início: ele não sabe para que serve a pesquisa que ele está fazendo. O aluno está habituado a pesquisar „copiando e colando‟, o que é facilitado pelo uso da Internet, ainda mais quando não há precedentes de flagra; O plágio também é decorrente de o aluno não compreender a utilidade da pesquisa que ele está fazendo. Questão 6: Na sua opinião, os alunos demonstram integração entre os conhecimentos das áreas técnica, humana e funcional nos trabalhos de pesquisa que realizam? Texto de Referência (Depoimento) - Pouco. Há alunos, eu tive alguns alunos que fazem essa relação, que tem uma visão de conjunto do que estão estudando. Há outros que focam somente determinado aspecto, por exemplo, Gestão de Pessoas, ele não consegue derivar os Explicitação dos Significados Alguns alunos demonstram integração de conhecimentos e outros não; A liberdade de escolha do tema pelo 367 ferramentais da Gestão de Pessoas com a aplicação em outros ramos funcionais, não é? Mas com a liberdade de escolha de tema, eu tenho percebido que isso é mais aplicável, eles vão encontrando as relações. Eu acho que a postura é a seguinte: eu quero estudar isso e isso me é útil para este ramo, a empresa do meu pai, se um dia eu entrar no ramo empresarial tal. Quer dizer, ele vê a utilidade daquilo que ele está fazendo, não muita, mas vê. aluno e a identificação da utilidade da pesquisa favorecem uma investigação mais abrangente. Questão 7: Em sua experiência, você identifica alguma contribuição das atividades de pesquisa na melhoria da qualidade do TCC, desenvolvimento de projetos de Iniciação Científica, participação dos alunos da graduação nos grupos de pesquisa da Universidade, participação dos alunos em outros eventos relacionados à pesquisa? Quais são (se houver)? Texto de Referência (Depoimento) - Nós estamos há pouco tempo com essa experiência, mas melhorou a qualidade do TCC. Melhorou porque o indivíduo tem mais tempo de maturação sobre a técnica, sobre os componentes. Ele já tem noção. Naquela época a gente tinha que fazer tudo num semestre só e o sujeito saía da faculdade com um TCC feito, sem saber o que era aquilo. A maioria dos alunos dá sequência no TCC aos temas trabalhados em Pesquisa 1 e 2. Em relação à Iniciação Científica, acho que aumentou o interesse deles, mas dentro da liberdade de escolha, não é? Ele escolheu aquilo, sentiu-se feliz, sentiu-se bem. Tem gente que comenta em casa, com os familiares: “olha, eu estou estudando isso aqui!”. E tem contribuições de fora da Universidade: contribuições em casa, contribuições espontâneas de parentes ou de amigos, como se fosse, assim, uma ação solidária (risos) o objeto dele e ele se sente feliz. Em relação à participação em grupos de pesquisa e outros eventos, eu percebo não muita participação, mas percebo manifestações de vontade dos alunos em querer participarem desses grupos de pesquisa. O que talvez esteja muito falho nisso, seja a divulgação para eles da existência de projetos por parte dos professores. Não sei como funciona muito bem isso, mas eu já recebi vários comentários de alunos dizendo: “Eu queria me inscrever, mas eu não sei onde e como eu busco isso. Quem é o professor”. É mais ou menos igual à propaganda da PUC fora da PUC. Aqui dentro da PUC a gente é cheio de informações, sobre tudo que é coisa. Saiu no pátio, se a gente não olhar para a placa da PUC, os alunos não tem informação não. Então, não há divulgação de qual o professor, qual o projeto, para quantas vagas. Não há essa divulgação. Explicitação dos Significados A Pesquisa contribui para a melhoria da qualidade do TCC, em função da noção que o aluno já tem e da maturação sobre a técnica e os componentes da pesquisa; O currículo anterior não apresentava condições adequadas ao desenvolvimento do TCC; A maioria dos alunos dá sequência no TCC aos temas trabalhados em Pesquisa 1 e 2; Houve um aumento de interesse dos alunos por Iniciação Científica; O aluno compartilha os temas desenvolvidos na Pesquisa e TCC com os pais, parentes e amigos e contam com a contribuição deles; Os alunos demonstram interesse em participar de grupos de pesquisa e outros eventos; Há uma falha na divulgação e orientação para os alunos em relação à existência de projetos dos professores e a forma como podem inserir-se; Seria necessário divulgar os projetos, os professores responsáveis e o número de vagas para participação dos alunos da graduação. 368 Questões Emergentes (7ª Questão) QE – Você alega que não há informações para os alunos sobre os projetos desenvolvidos pelos professores, tanto em relação aos projetos dos professores da graduação quanto aos projetos da pós-graduação? - É. Não sei o que é isso, porque que existe isso, mas isso existe. Ou, não existe? (risos). Explicitação dos Significados Existe a percepção de que as informações sobre os projetos desenvolvidos na Universidade não são suficientemente divulgados; porém, não é uma certeza. Questão 8: Segundo o Projeto Pedagógico do Curso, as atividades de pesquisa podem estar voltadas para produção de trabalhos para publicação – em revistas, livros ou anais de eventos científicos da área – ou produção de estudos de caso, para utilização em aulas ou disponibilização para o mercado. Em sua experiência, isso tem ocorrido? Qual é sua opinião sobre a divulgação e/ou publicação da produção dos alunos da graduação e o que é necessário para sua viabilização? Texto de Referência (Depoimento) - Não, não tem. Tirando a premiação do TCC – a semana passada teve uma seção de premiação –, tirando aquele momento ali, eu não vejo outra divulgação, tipo revista impressa ou revista na Intranet ou na Internet. Alguns alunos me perguntaram se existe a possibilidade de ser publicado o que eles fazem, não é? Eu estou percebendo que existe assim, uma, surgindo um clima – não para todos, é claro – mas, surgindo um clima de interesse de que, depois de tanto trabalho, tanto esforço, tanta pegação no pé, que haja uma correspondência desse esforço em termos de publicação. Isso seria muito gratificante, como é gratificante a sessão de premiação, mas ela pára ali, não é? Eu acho que tinha que ser algo que envolvesse órgãos internos da Universidade, centro acadêmico, centro de pesquisa de graduação, voltado para os alunos, não é? De maneira que, com o passar do tempo, o indivíduo aqui, na primeira aula de Pesquisa, ele visse o caminho que ele tem que seguir e onde ele poderia chegar, se for um sujeito que goste de produzir. Então: “ah, eu posso chegar lá!”. Eu sei lá, prêmio, divulgação, seja lá o que for, mas que ele veja o caminho e o resultado do esforço, porque senão fica simplesmente aquele negócio: se você não fizer não se forma, você precisa do TCC, você precisa do TCC (risos). Explicitação dos Significados Identifica a premiação do TCC como o único momento em que há alguma divulgação e reconhecimento do trabalho dos alunos; Alguns alunos têm demonstrado interesse em publicar seus trabalhos de pesquisa; A publicação é gratificante e representa um reconhecimento após um árduo trabalho, o resultado do esforço realizado; Algum órgão da Universidade deveria estabelecer os caminhos para a publicação; Os trabalhos já publicados seriam referência de onde o aluno poderia chegar com a pesquisa. 369 Questões Emergentes (8ª Questão) Explicitação dos Significados QA – Como você acha que a gente poderia viabilizar essas publicações? - Não tenho muitas ideias não, mas eu acho que deveria ter uma coerência entre o discurso e a prática. Já foi falado nas reuniões do departamento sobre o interesse da Universidade, interesse e necessidade de desenvolver o espírito da pesquisa. Nós temos aí um problema sério, já a partir dos professores, como pouca produção. Passar desse discurso de reconhecimento da necessidade para a prática, criando os instrumentos. Não sei como seria feito tudo isso. Há o discurso do departamento de Administração acerca da necessidade e interesse de desenvolvimento de pesquisa na Administração; Os professores apresentam pouca produção científica; É necessário criar instrumentos, na prática, para esse desenvolvimento. QA – Através dos resultados do TCC e de uma parceria entre aluno e professor poderia ser um caminho? - Sem dúvida. Eu acho que uma coisa que nós poderíamos pensar seria consultar os alunos, não é? Você não vai consultar todos, mas fazer uma consulta seletiva com os alunos que já estão no projeto de pesquisa. Os alunos que estão nos últimos semestres já têm uma massa crítica formada sobre o papel da Universidade na vida deles. Eu acredito muito que o aluno que já esteja trabalhando colha frutos lá nas empresas onde estão, advindos da faculdade que fez. Então, esses alunos, na minha percepção, podem dar ideias de como a Universidade, a FEA no caso, poderia fazer para apresentar esses produtos, os trabalhos científicos deles. Existem vários alunos que fazem pesquisa dentro da empresa onde trabalham: “posso pesquisar na empresa onde eu trabalho?”. Claro que pode. Veja lá se você tem acessibilidade. Tem, tem apoio. Tem alguns temas que são de interesse das áreas das empresas, não é? Então, são franqueadas portas de acesso. Então, eu acho que esse pessoal, esses alunos que estão nesse clima, podem dar ideias para a Universidade de como materializar a publicação disso. Documento a ser entregue na empresa mesmo, com a apresentação da Universidade e não só do aluno: “está aqui, chefe, o que eu fiz”. Não um negócio institucional. O aluno cresce. Eu tenho uma experiência de um ex-aluno meu, não aqui na PUC, um aluno de segundo semestre do curso fez um artigo. Ele queria fazer um artigo, não é? Sem estar na metodologia científica, na pesquisa, nada. Ele queria fazer um artigo. Então eu passei as orientações metodológicas e ele fez um artigo. Ele fez um artigo dos problemas vividos dentro da empresa. Eu corrigi o artigo, aquele negócio todo. Foi um trabalho de disciplina normal, não tinha nada a ver com a pesquisa ou o TCC. Simplesmente: “posso fazer um artigo disso?” A parceria entre professores e alunos para a publicação dos resultados do TCC poderia ser um dos caminhos; Os alunos dos últimos anos podem contribuir dando ideias de como a Universidade pode apresentar esses produtos, os trabalhos científicos deles; Muitos alunos desenvolvem pesquisas nas empresas onde trabalham; Muitas pesquisas são de interesse das empresas, o que torna as condições de acesso mais favoráveis; A Universidade deveria dispor de meios institucionais para apresentar os projetos de pesquisa dos alunos às empresas; A pesquisa pode aproximar a Universidade e o aluno às empresas; O professor teve um aluno que escreveu um artigo relacionado aos problemas que encontrava na empresa onde trabalhava e obteve o reconhecimento da própria empresa; É necessário criar caminhos disponíveis às pessoas que tem vontade de seguir. 370 Pode. – “Eu gostaria de fazer, mas como eu faço?”. Eu passei as instruções para ele, uma certa bibliografia e as orientações metodológicas e ele fez. Esse aluno trabalhava no BANESPA. Fez o problema que ele vivia lá na seção dele. Fez um artigo, um artigo simples de seis ou sete páginas, tal, bem feitinho, e levou para o superior dele, o chefe dele. O chefe dele gostou muito e ficou com o artigo. Depois de um tempo, ele foi chamado na diretoria e estava lá o artigo dele. O diretor queria conversar sobre o artigo dele. Passado um tempo ele foi chamado à sala da presidência e trouxe – eu vi, eu li – um documento da presidência do BANESPA, um documento que a presidência escreveu para todo o banco informando que aquele aluno fez aquele trabalho na faculdade, da importância para o Banco, e pediu para que os gerentes lessem aquilo. Reconhecimento, não é? Para ele foi bom em termos de reconhecimento do trabalho que ele fez, não é? Ele ficou muito contente com aquilo. Representou uma menção honrosa, e é. Então veja, existe material humano para isso, existe possibilidade. No meu modo de entender está faltando abertura de caminhos e nesses caminhos colocar as pessoas que tem vontade de seguir. Encerramento: Você gostaria de acrescentar algo ou algum aspecto que a gente não abordou aqui? Texto de Referência (Depoimento) - Especificamente não. Eu acho que os pitacos que eu tinha que dar, ao longo do meu pronunciamento, saíram. Acho o seu trabalho interessante e penso até mesmo que o seu trabalho, a sua tese, depois de materializada, possa vir a ser um desses ferramentais para ajudar a Instituição a pensar nisso. Se você conseguir isso, está feito o seu doutorado com a prática, não é? Porque a gente tem muito esforço e pouca materialização prática. Coisas bonitas, faladas, e que não saem, não saem. São sonhos declarados e deles muita frustração. QA – Questão de Aprofundamento QE – Questão de Esclarecimento QF – Questão Focalizadora Explicitação dos Significados Ratifica a importância deste trabalho, que poderá ter um caráter prático e ferramental para pensar a pesquisa no curso de Administração. 371 PROTOCOLO DE SIGNIFICADOS – ENTREVISTA – PROFESSOR 8 Questão 1: Como você entende a pesquisa na graduação e no curso de Administração? (importância e objetivos) Texto de Referência (Depoimento) - Em qualquer curso, a pesquisa é fundamental. O nosso sistema educacional é muito pobre, né? O nosso curso superior, de superior não tem nada. Mas é com o que a gente conta no momento. Então, a gente tem que aproveitar as provas, as pesquisas e os trabalhos de conclusão, que são as horas em que eles alunos estudam. Eles só estudam nesse momento. Então, eles têm que ser muito caprichados, porque o pouco tempo que o aluno dedica à matéria é nessas atividades. Então, elas têm que ser muito caprichadas. E é um contato com o campo, com a pesquisa, que o aluno tem essa oportunidade, durante a faculdade. Então, eu acho que elas são de vital importância. Eu sou avaliador de curso de graduação, tanto de Economia quanto de Administração. A primeira coisa que eu vejo é a atenção que as escolas, para as quais eu dar a autorização de funcionamento, dão a esses tipos de atividades, porque elas são fundamentais. Explicitação dos Significados A pesquisa é fundamental em qualquer curso de nível superior; O sistema educacional brasileiro é muito pobre e a maioria dos cursos superiores não apresentam condições para que sejam classificados como ensino „superior‟; A dedicação dos alunos para o estudo está restrita aos momentos de provas, de pesquisa e ao TCC; Essas atividades devem ser muito bem elaboradas; A pesquisa é uma oportunidade para o aluno de estabelecer contato com o campo durante o curso; O professor é avaliador do MEC de cursos de graduação em Economia e Administração e considera a pesquisa como um primeiro aspecto na avaliação do curso. Questão 2: Como você compreende as atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2) propostas no Projeto Pedagógico do Curso? (conteúdo, carga horária, período, número de alunos por turma, ausência de pré-requisitos, critérios de avaliação) Texto de Referência (Depoimento) Explicitação dos Significados - O MEC, ele determina os mínimos e a PUC está sempre acima desses mínimos. A PUC é bastante rigorosa nessa parte, em relação à carga horária e ao próprio conteúdo. A PUC é bastante exigente nisso aí, tanto que os projetos de todos os cursos da PUC nunca tiveram nenhuma restrição. Então, quanto a essa parte, a PUC cumpre direitinho o que o MEC exige e até com uma certa reserva. Os cursos da PUC-SP estão sempre acima do limite mínimo de carga horária estabelecida pelo MEC. 372 Questões Emergentes (2ª Questão) Explicitação dos Significados QF – Mas, em relação às atividades de pesquisa você considera esses critérios suficientes? - O problema não é nem conteúdo nem carga horária. O problema é o recurso. Os alunos não têm recursos para fazer uma pesquisa, pesquisa mesmo. Eles fazem dentro daquelas limitações e dentro dessas limitações, a gente está trabalhando com o máximo. Não identifica problemas em relação à carga horária ou conteúdo; Os alunos não têm recursos para fazer uma pesquisa; Dentro das limitações apresentadas pelos alunos o professor tenta trabalhar e extrair o máximo possível nas atividades de pesquisa. QE – Quais recursos que os alunos não têm? - Financeiro. De ir para o campo, fazer uma pesquisa real. Você vai pesquisar custo de vida, você vai pesquisar comportamento do consumidor, é interessante você ir para fora, né? Eles ficam restritos ali dentro, entre os colegas, e, certamente, por falta de recursos. Faltam recursos financeiros aos alunos para a realização de pesquisa de campo. Questão 3: Na sua opinião, como o aluno aprende a pesquisar? Quais estratégias didático-pedagógicas são necessárias ao ensino da pesquisa? Texto de Referência (Depoimento) - A melhor estratégia é a motivação. O aluno tem que estar motivado. O aluno que vai fazer a pesquisa só para ganhar nota não vai aproveitar nenhum pouco, não é? Agora, se ele está motivado, está interessado, já teve uma demanda desse tipo na sua vida profissional, na sua carreira de executivo, isso vai ajudar bastante, vai motivar bastante e é a motivação que vai levá-lo a concluir uma pesquisa com um bom aproveitamento. Se for só atrás da nota, aí, a gente vê muito disso, infelizmente a gente vê muito disso. Explicitação dos Significados A motivação e o interesse do aluno são as melhores estratégias para sua aprendizagem; Demandas na vida profissional e em sua carreira ajudam na motivação do aluno para realização da pesquisa; Muitos alunos só realizam as atividades de pesquisa para obter nota e, nesses casos, não há aproveitamento. Questões Emergentes (3ª Questão) QF – Como se ensina pesquisa? - Colocando em prática. A pesquisa é colocando em prática. Você dá aquele ferramental estatístico para ele trabalhar, saber fazer a técnica de entrevista, montar o seu questionário, o seu formulário e depois colocar na rua. Explicitação dos Significados A pesquisa se ensina na prática; O professor disponibiliza a metodologia e as técnicas de pesquisa e o aluno realiza a pesquisa fora do ambiente de sala de aula. 373 QE – Você utiliza o programa das atividades de Pesquisa e TCC? - Utilizo. Os programas das atividades de Pesquisa e de TCC são utilizados pelo professor. Questão 4: Como tem sido sua relação com os alunos (relação professor-aluno) nas atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC1 e 2)? Texto de Referência (Depoimento) - Nessas atividades, no meu caso específico, todos os que fizeram a Pesquisa comigo foi sobre o São Paulo Futebol Clube (risos). Porque eles querem fazer a pesquisa na área do surgimento dos clubesempresa. Um clube-empresa é um sistema inovador de organização dos clubes de futebol, que o Brasil tem o futebol como paixão nacional, né? Mas não tinha a organização dessa paixão dentro dos termos econômicos, da deficiência administrativa. Foi criada essa figura, essa instituição chamada clubeempresa, que é a profissionalização dos clubes de futebol, no caso específico do Brasil. Então, esses clubes já estão se tornando – e o São Paulo foi o primeiro deles – e os resultados apareceram. Explicitação dos Significados Foi professor de Pesquisa em 2009, quando havia definição do tema pelo professor; Orientou trabalhos para o tema: o Surgimento dos Clubes-Empresa. Questões Emergentes (4ª Questão) Explicitação dos Significados QE – Mas todos os alunos têm interesse em fazer pesquisa sobre esse tema? - Os alunos que me procuram já me procuram porque eu ofereço essa área, esse tipo de pesquisa. Já fiz com várias turmas. Os alunos se matriculavam na atividade conforme o tema oferecido pelo professor. QE – Isso é para os TCCs ou para as atividades de Pesquisa? - TCC e Pesquisa 1 e 2. Eu já tive várias turmas nessa área e eles gostam, porque é motivador, a gente arruma um churrasco lá no Centro de Treinamento, pega autógrafo dos jogadores, conhece o estádio, tem oportunidade de entrar num campo (risos). Isso para o aluno, essa é a parte da motivação que eu falei, quando eles pegam algum tema com o qual eles se identificam, facilita muito. O professor já teve alunos de TCC e de Pesquisa que desenvolveram trabalhos relacionados a essa temática. QE – Mas você já teve turmas em que alguns alunos tinham interesse em outros temas? - Não. São eles que me procuram, que se matriculam formalmente. Eu ofereço o tema e aí as classes se formam em função desse tema: a Gestão do Clube-Empresa. O professor ministrou pesquisa em 2009, quando os alunos se inseriam no projeto do professor. 374 QE – Isso não acontece nas demais áreas epistemológicas... - Não? Quem me pediu isso, todas as três vezes em que eu participei, foi a coordenação do curso que me pediu para dar um tema para colocar na Pesquisa, em 2008 ou 2009. A solicitação de definição dos temas pelo professor foi feita pela coordenação do curso em 2008 e 2009. QE – E no TCC? - No TCC não. No TCC eu já fico mais aberto. Aí o aluno me procura, dentro da minha área, mais ampla. Ele já me procura. Você vê, neste semestre eu estou com a parte de Marketing, que não é a minha área, né? E a parte de Produção, que é minha área. Aí os alunos já vêm com os temas de linha de produção, por exemplo. Aí, está bem dentro. Mas a de Marketing não, ela me procurou pessoalmente e perguntou se eu teria condições de orientá-la formalmente. No TCC, o aluno escolhe um tema relacionado à área epistemológica do professor, qual seja a produção; O professor também está orientando, a pedido da aluna, um TCC de outra área: Marketing. Questão 5: Na sua opinião, qual é a infraestrutura necessária ao desenvolvimento das atividades de pesquisa? O que a Universidade dispõe e o que precisa ser desenvolvido para essas atividades? Texto de Referência (Depoimento) - Hoje você tem instituições um pouco à frente da PUC-SP nessa área. Tem. A PUC está indo para uma linha mais, mais, vamos dizer assim, populista, né, mais democrática. Democrática. Então, isso dificulta. Você tem escolas menores, né. O INSPER, por exemplo, é bem pequeno; a FGV (Fundação Getúlio Vargas) são turmas pequenas de 50 (cinquenta) alunos. Isso facilita muito a pesquisa ser mais científica e mais completa. O nosso não, o nosso são muitos alunos, então fica um pouco a desejar, embora a gente esteja muito acima do mínimo exigido pelo MEC. Explicitação dos Significados Instituições com um número menor de alunos têm uma infraestrutura melhor para o desenvolvimento de atividades de pesquisa; A PUC-SP é mais democrática e menos elitista, oportunizando o acesso de um número maior de estudantes. Questões Emergentes (5ª Questão) QE – Você está se referindo ao número total de alunos que fazem pesquisa, que é menor nessas outras instituições? - E o nosso tipo de alunado, também, não é um alunado dedicado ao curso. Ele também faz o curso, não é? É diferente de quem está só, com exclusividade, fazendo um curso superior. E nessas escolas menores, os alunos são totalmente dedicados ao curso, tanto que tem aula de manhã e à tarde, não é? O nosso alunado, a gente tem que trabalhar com essa realidade, não dá para dar dois Explicitação dos Significados A maioria dos nossos alunos não tem dedicação exclusiva ao curso; A maioria dos nossos alunos trabalha para pagar a Universidade e é preciso trabalhar com essa realidade; Nessas escolas menores, mesmo com um preço maior, são os pais dos alunos quem pagam as 375 períodos de aula, não tem como. Eles têm que trabalhar, inclusive para pagar a mensalidade. A nossa mensalidade não é tão cara quanto a essas outras, mas o nosso alunado é ele quem paga e nas outras, apesar de ser muito mais caro, são os pais que pagam. Tem uma diferença muito grande e a escola pode exigir tempo integral e no tempo integral, logicamente, você vai se dedicar muito mais, embora a PUC-SP esteja muito acima do mínimo. Portanto, estou falando em termos de número de alunos e disponibilidade. Esses outros alunos têm tempo integral, dedicado ali, exclusivamente, à faculdade. QF – Alguma outra consideração em relação à infraestrutura para a pesquisa? Você sente falta de algum recurso? - Nós estamos acima do mínimo. Sinto falta de mais laboratórios, mais atenção do próprio professor. Os professores nessas escolas são tempo parcial e integral e estão lá. Na PUC-SP você acabou a aula você vai embora. Você vai trabalhar também, você e seu aluno vão trabalhar também, os dois. Nessas outras escolas são pesquisadores acadêmicos, profissionais exclusivos e disponíveis. Exatamente essa é a diferença entre escolas totalmente voltadas com exclusividade para essa área e escolas que também fazem isso. Nós estamos nessa área. Por quê? Porque os nossos professores também fazem isso. mensalidades; Nessas escolas menores o curso é integral e pode haver maior exigência para a dedicação integral e exclusiva do aluno. Em infraestrutura, a PUC-SP também está acima do mínimo; São necessários mais laboratórios; A dedicação do professor é parcial e não exclusiva; A maioria dos professores trabalha em outras instituições ou empresas; As escolas voltadas exclusivamente à pesquisa dispõem de professores pesquisadores acadêmicos, profissionais exclusivos e disponíveis. Questão 6: Na sua opinião, os alunos demonstram integração entre os conhecimentos das áreas técnica, humana e funcional nos trabalhos de pesquisa que realizam? Texto de Referência (Depoimento) - Essa é a grande utilidade da pesquisa acadêmica, é a interatividade das cadeiras. Você consegue integrar todas as matérias com a pesquisa. Essa é a grande vantagem, a grande qualidade da pesquisa. Tem alunos que apresentam isso, aproveitam bastante e nós temos que aproveitar esse momento, porque a gente sabe que é o único que ele vai se dedicar para fazer alguma coisa individualmente. Não adianta você dizer: está aqui a matéria e você estuda para a semana que vem. Se não tiver prova na semana que vêm, ele não vai estudar. Ele vai deixar juntar toda a matéria e um dia antes da prova ele vai estudar. Não vai estudar gradualmente, não vai estudar diariamente, né? Aí, o processo de aprendizagem é muito segmentado, né? Tem que ser diariamente, como você faz ginástica, você toca um instrumento, é diariamente. No momento da pesquisa, todas as disciplinas convergem, nesse trabalho, por isso que é Explicitação dos Significados A grande utilidade e a qualidade da pesquisa acadêmica está na possibilidade de interatividade dos conteúdos das diferentes disciplinas; O aluno não estuda diariamente e gradualmente e o processo de aprendizagem é muito fragmentado; No momento da pesquisa, todas as disciplinas convergem; O aluno aprende, por meio da pesquisa, a desenvolver e apresentar metodologicamente um trabalho; Algumas atividades no mercado profissional requerem uma 376 importante. Ele aprende, inclusive, ordenar, apresentar metodologicamente um trabalho, um relatório. Essa formatação é que você usa, por exemplo, em concorrências públicas. Você vai atender a um edital, a formatação é muito próxima do trabalho acadêmico. Tudo isso é importante aprender. Inclusive nos nossos trabalhos, durante o curso, eu exijo bastante isso. Por quê? Porque é a oportunidade que os alunos têm não só de apresentarem os trabalhos, porque muitos vêm com uma certa dificuldade em falar – e eu exijo bastante isso – se você tiver muita dificuldade, então vou exigir mais de você, porque a chance de você aprender, porque hoje você tem que saber apresentar o que você está fazendo. Você tem que expor, se você não expuser, vem quinhentos na sua frente e expõem melhor do que você e você vai ficar para trás. Então, é a oportunidade que você tem para treinar a apresentação daquilo que você sabe fazer. É necessária a apresentação escrita e oral. Não adianta só a apresentação escrita. Você tem que ir lá e justificar seu ponto de vista, porque no escrito quem tiver lendo logicamente vai ter alguma dúvida, e a oportunidade é a pessoa estar presente e, oralmente, justificar aquilo. Então é importante. Você vê que é um conjunto de habilidades que a pesquisa exercita no aluno. formatação similar, como no caso de participação num processo de licitação, de concorrência pública; Por intermédio da pesquisa, da realização e da apresentação de outros trabalhos nas disciplinas do curso, o aluno tem condições de desenvolver habilidades de escrita e oralidade; É essencial que o aluno apresente oralmente seu trabalho para aprender a defender o seu ponto de vista; A habilidade de comunicação é um diferencial que o aluno pode apresentar para o mercado de trabalho. Questões Emergentes (6ª Questão) Explicitação dos Significados QE – Os alunos apresentam oralmente as pesquisas e o TCC? - Não, eu estou dizendo nos trabalhos das demais disciplinas. Eu treino esses aspectos, porque é uma dimensão a mais, uma expertise a mais. Ele vai utilizar isso na prática. Vai ser cobrado para isso. Os TCCs não são apresentados pelos alunos. QA – Você acha que eles deveriam apresentar os TCCs? - Deveriam e deveria ter uma banca com três ou quatro, põe dois professores, mas deveria ter uma banca. Porque treina uma dimensão a mais que é a apresentação. Bom, para você ver a importância que eles dão, nesses trabalhos durante o curso, eles mudam a roupa. Você vê as meninas bem vestidas, melhores. Os „caras‟ põem gravata (risos), para apresentar o trabalho do curso. Você vê a importância que eles têm, como todo artista, veja o valor que ele dá para a arte dele na hora de apresentar. Por isso que eu acho errado o professor arrasar o aluno na apresentação, o que a gente às vezes vê com alguns colegas. A gente vê muitos colegas arrasando: esse trabalho é uma porcaria! Não, não pode ser assim, você vai ofender o aluno, a autoestima do aluno. Você tem que levantar essa autoestima: olha, não tá, mas tá bom. Você pode melhorar um pouquinho! Porque é Os trabalhos de TCC deveriam ser apresentados para uma banca, composta por outros professores; O professor percebe que os alunos mudam seu comportamento nos momentos de apresentação de trabalhos das disciplinas: mudam até a roupa; Os alunos atribuem importância aos momentos de apresentação de trabalhos; Os professores devem estar atentos para preservar a autoestima dos alunos no momento das apresentações dos trabalhos; Os elogios fazem bem aos alunos e 377 importantíssimo para ele. Você pode até traumatizar o aluno. Você deve dar um elogio e tudo, logicamente, sabendo dimensionar o negócio. É fundamental para ele, já começou com a roupa dele. Ele trocou a roupa para se apresentar e aí você faz isso, não pega bem para ele, não é? (risos) as críticas negativas devem ser construtivas e cuidadosas. Questão 7: Em sua experiência, você identifica alguma contribuição das atividades de pesquisa na melhoria da qualidade do TCC, desenvolvimento de Projetos de Iniciação Científica, participação dos alunos da graduação nos grupos de pesquisa da Universidade, participação dos alunos em outros eventos relacionados à pesquisa? Quais são (se houver)? Texto de Referência (Depoimento) - Eu leciono já há trinta e cinco anos e acho que o processo foi aprimorando. As próprias instituições vão criando a sua cultura, a sua expertise. Explicitação dos Significados O processo de pesquisa vem se aprimorando nas instituições; As instituições vão criando sua cultura, segundo a sua expertise. Questões Emergentes (7ª Questão) Explicitação dos Significados QF – Mas em relação à contribuição das atividades de pesquisa da PUC? - Eu estou teorizando, só. Eu não teria esse histórico todo. Mas vendo por todas as outras escolas por onde eu passei, o processo evolui bastante. O professor não tem o histórico necessário para avaliar essa contribuição. QF – Você percebe o envolvimento ou o interesse dos alunos no desenvolvimento de projetos de Iniciação Científica? - Não. Isso tem que ser mostrado para eles. Eles, de livre e espontânea vontade, não vão ter interesse. Você precisa mostrar a utilidade disso na prática, inclusive a utilidade na carreira profissional. Dizer que é um processo de licitação pública, de concorrência pública, eles vão participar disso aí na vida, várias vezes, dezenas de vezes. É necessário mostrar ao aluno a utilidade prática e profissional da Iniciação Científica. QE – E como isso deveria ser divulgado? - Aí, eu acho que cada professor deve ter o seu sexy appeal para mostrar esse negócio. Para mostrar essa atividade, mostrar essa aplicação. E, mostrando isso, uma boa parte do alunado pega, viu? Cada professor deve ter sua forma particular para mostrar a atividade e sua aplicação; Com maior visibilidade, boa parte dos alunos vai demonstrar interesse no desenvolvimento de projetos de Iniciação Científica. 378 QF – Você vê a participação de alunos em grupos de pesquisa da Universidade e em outros eventos acadêmicos? - No caso da PUC, eu não tenho condições de responder isso aí, eu não tenho essa experiência ainda. Inclusive eu nunca estive no prédio da pós. Eu não sei quem está lá, quem não está. Então, eu estou restrito à graduação. Eu estou há três anos só, então essa parte eu não tenho experiência. O professor está há três anos no curso e desconhece a estrutura da pós-graduação. Questão 8: Segundo o Projeto Pedagógico do Curso, as atividades de pesquisa podem estar voltadas para produção de trabalhos para publicação – em revistas, livros ou anais de eventos científicos da área – ou produção de estudos de caso, para utilização em aulas ou disponibilização para o mercado. Em sua experiência, isso tem ocorrido? Qual é sua opinião sobre a divulgação e/ou publicação da produção dos alunos da graduação e o que é necessário para sua viabilização? Texto de Referência (Depoimento) - Não tem ocorrido. Você deveria dar um cunho mais prático para isso, fazer uma pesquisa mais conveniada com as empresas. Você deveria ter um banco das demandas das empresas, dentro do curso, e direcionar esses TCCs para essas demandas. Se você fizesse essa conjugação, se trouxesse mais as empresas aqui para dentro, que demandassem: eu preciso de uma pesquisa nessa área... eu preciso de uma pesquisa naquela outra área. Tanto em Marketing quanto na Linha de Produção, em Recursos Humanos, isso seria mais prático. O nosso caso está muito voltado para cumprir a tabela. Explicitação dos Significados As atividades de pesquisa teriam um cunho mais prático se houvesse convênio com as empresas; Sugere a criação de um banco de dados com as demandas de pesquisa das empresas, para desenvolvimento dos TCCs. Questões Emergentes (8ª Questão) Explicitação dos Significados QA – Então você acha que o TCC deve estar voltado para o atendimento das necessidades das empresas? - Na Administração isso é total: tem que trazer as empresas para dentro aqui da escola, para elas criarem as necessidades e até estimularem mais os alunos, não é? A motivação viria daí. É importante para o aluno saber que a pesquisa que ele está fazendo vai ter uma aplicação imediata. É importante isso. O TCC deve estar voltado para o atendimento das necessidades das empresas; Para o aluno, saber que sua pesquisa terá aplicação imediata é um fator motivacional. QF – E quanto à publicação? - Nós estamos muito fora da realidade nesse ponto. A quantidade de temas que a gente vê sem utilidade prática nenhuma [é] muito grande, Muitos temas desenvolvidos em TCC não têm nenhuma utilidade prática; Uma boa parte dos alunos não tem 379 muito grande. Uma boa parte está só cumprindo a tabela. Devia ter mais praticidade, não é? Mais aplicabilidade disso. interesse no TCC: somente cumpre requisito. Encerramento: Você gostaria de acrescentar algo ou algum aspecto que a gente não abordou aqui? Texto de Referência (Depoimento) - Só se eu lembrar depois e certamente eu vou te avisar. QA – Questão de Aprofundamento QE – Questão de Esclarecimento QF – Questão Focalizadora Explicitação dos Significados 380 PROTOCOLO DE SIGNIFICADOS – ENTREVISTA – PROFESSOR 9 Questão 1: Como você entende a pesquisa na graduação e no curso de Administração? (importância e objetivos) Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho importante. Vamos separar em duas partes, não é? É importante para a Universidade e é importante para o aluno. Para a Universidade, claro, nós precisamos de produção acadêmica. O mérito do nosso curso até agora, até antes da nova proposta, era mais de colocar pessoas no mercado de trabalho, um enfoque mais gerencial – que eu acredito que nós não podemos perder – , mas todo mundo sabe que nós estávamos perdendo pontos em pesquisa em Administração. Então, nesse aspecto eu acho fundamental para a Universidade, para que ela se mantenha dentro dos requisitos tanto de mercado quanto acadêmicos, produzindo conhecimentos. Esse é um aspecto. Por outro lado, eu acho que nós não podemos perder o enfoque gerencial e o que eu tenho percebido pelos alunos é que uma parte deles chega no momento do TCC e da pesquisa, eles se dão bem com aquela abordagem, mas a grande maioria não se dá bem com a abordagem de pesquisa. O Brasil não tem esse histórico, as pessoas estão aqui para aprender a trabalhar, na grande maioria. Então, eu acho que a pesquisa poderia ainda ser mais pensada e um pouco mais direcionada, para que a gente tivesse um enfoque assim, separando alunos que querem mesmo ir para a pesquisa daqueles que não querem. Aqueles que querem teriam uma atenção mais focada e, aí sim, eles produziriam conhecimento de fato. Hoje eu vejo que nós estamos produzindo mais volume de pesquisa, mas a qualidade não acompanha o volume. Então, eu entendo que seja importante para os dois lados, mas ainda tem que melhorar. Explicitação dos Significados A pesquisa na graduação é importante para a Universidade e para o aluno; O mérito do curso sempre foi a formação para o mercado de trabalho; A Universidade tem de se manter dentro dos requisitos tanto de mercado quanto acadêmicos, produzindo conhecimentos; A maioria dos alunos não tem afinidade com a abordagem da pesquisa; No Brasil, as pessoas buscam o ensino superior para aprender a trabalhar; A pesquisa deveria ser direcionada aos alunos que têm vontade de pesquisar, pois teriam mais atenção e poderiam produzir conhecimento; Há um aumento de volume de pesquisa, não acompanhado pela qualidade. Questões Emergentes (1ª Questão) QE – Você acha que a pesquisa deveria ser optativa e direcionada apenas aos alunos interessados? - Eu acho que eles têm que ter a noção básica, porque eles estão saindo de uma Academia, mas obrigá-los a produzir ciência, como a gente está tentando obrigar, não é algo que está funcionando muito bem para uma parte dos alunos. Eu acho que Pesquisa 1 e 2 deveriam ser obrigatórias, sim, para dar essa noção fundamental, com metodologia mesmo. Eles Explicitação dos Significados O aluno do curso precisa ter uma noção básica de pesquisa, mas não deve ser obrigado a produzir ciência; Pesquisa 1 e 2 devem ser mantidas como obrigatórias, enfocando metodologia; A metodologia deveria ser exigida em todos os trabalhos realizados no curso; 381 estão dentro de uma Academia e tem que aprender a escrever artigos, e isso deveria ser desenvolvido não só depois, lá no final no TCC, mas como exigência de todos os trabalhos acadêmicos que são feitos durante o curso. Quando eles chegassem ao TCC, aí sim deveria ter uma opção: “eu quero fazer uma monografia, um trabalho científico ou quero fazer um trabalho aplicado numa situação de mercado, quero fazer um projeto na minha empresa, quero fazer um Plano de Negócios”. E aí não teria, necessariamente, o enfoque científico. Eu entendo que deveria ser o desenvolvimento da coisa. No TCC, o trabalho científico não deveria ser obrigatório: o aluno deveria optar entre uma monografia ou um trabalho aplicado a uma situação de mercado, projeto para a empresa ou plano de negócios. Questão 2: Como você compreende as atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2) propostas no Projeto Pedagógico do Curso? (conteúdo, carga horária, período, número de alunos por turma, ausência de pré-requisitos, critérios de avaliação) Texto de Referência (Depoimento) - Eu tenho coisas para comentar em cada um desses itens. Pesquisa 1 e 2: eu acho que o conteúdo está bem definido. O TCC 1 replica algumas coisas de Pesquisa 1 e 2. O TCC 2, ok, sem problemas, ele é a monografia efetivamente. O que acontece que eu acho que nós precisamos ainda um pouco mais de peso no TCC 1, porque o ganho que nós queríamos ter tido, comparando com o currículo antigo, que era o de tirar aquele peso enorme de fazer o TCC em um semestre, que deveria ter sido amenizado com o TCC 1 e aí você teria um ano inteiro para fazer uma monografia, [tal ganho] ainda não está ocorrendo. Pela minha experiência no TCC 2, o aluno chega no TCC 2 quase zerado para fazer a monografia. Está começando outra vez. Ele chega com um projeto ruim, ele muda o projeto no meio do caminho, ele não lê durante as férias, não faz fichamento de livro. No TCC 1 ele faz um projeto mais ou menos para passar, ele não chega a escrever nem um capítulo da monografia. Eu tive experiências assim, eu tenho pedido para os alunos, eu consigo aprovar um aluno tendo o projeto pronto, mas ele passa, no máximo, com 7,0 (sete). Se ele escrever um capítulo, eu consigo dar uma nota acima de 7,0 (sete). Esse é um critério meu, pessoal, não é um critério da Universidade. Outra coisa é o problema administrativo. Os alunos fazem TCC 1 com um professor e eles são remanejados ou fazem matrícula errada, não tem nenhuma amarração operacional para que ele continue matriculado com o mesmo professor ou que ele tenha uma orientação durante as férias. Então, por exemplo, o aluno terminou TCC 1 em novembro, ele volta Explicitação dos Significados O TCC 1 replica conteúdos de Pesquisa 1 e 2; Alguns alunos reapresentam o projeto de pesquisa, desenvolvido em Pesquisa 1 e 2, no TCC 1; O ganho esperado com a duplicação do TCC não tem ocorrido; Tem que haver maior peso (conteúdo) no TCC 1; Os alunos estão deixando quase todas as etapas da monografia para o TCC 2; Os alunos não aproveitam as férias para leituras, fichamentos e desenvolvimento do TCC; Foi desenvolvido um critério pessoal de avaliação do TCC 1: nota acima de 7,0 (sete) apenas para os alunos que desenvolvem pelo menos um capítulo da monografia; Existem problemas administrativos: não há nenhuma atrelamento para que o aluno continue matriculado com o mesmo professor de TCC 1 em TCC 2; A ausência de pré-requisito para o TCC 2 é considerada muito ruim: não há sentido em cursar TCC 1 e TCC 2 382 em março para fazer o TCC 2 e ficou quatro meses parado, sem fazer nada. Ele volta e vai começar a fazer na metade de março, ele vai começar a escrever em maio e aí sai uma produção ruim. Então, eu acho que a gente tem problemas aí. Então, o TCC 1 está repetindo Pesquisa 1 e 2, eles retomam aquele projeto lá, dão uma melhoradinha e entregam para o professor, para passar. É o que eu vejo muito acontecer e o TCC 2 continua, então, sobrecarregado. Falta de pré-requisito é péssimo nesse aspecto. Por exemplo, eu tenho alunos matriculados em TCC 1 e 2, simultaneamente, e aí não faz muito sentido. Ele fala: “para que eu tenho que fazer o TCC 1 se eu já estou fazendo o TCC 2? Para que eu vou fazer Pesquisa se eu já fiz a monografia?”. Não faz sentido. Você tem que ensinar a metodologia, fazer o projeto, fazer a monografia em um semestre e o restante ele entrega partes. O professor que fica com o TCC 2 resolve todos os problemas passados, de uma vez só e em três meses. A produção só pode ser ruim. O número de alunos por turma, eu acho que o número oficial de 10 (dez) alunos por turma está bom, se ele não for extrapolado. Frequentemente ele é extrapolado. Oficial e extra-oficialmente. Oficialmente porque tem turmas que chegam a 12 (doze), 14 (quatorze) alunos, mesmo que isso não seja permitido. E extra-oficialmente porque o aluno vai lá e diz: “olha, eu só posso cursar nesse horário. Posso fazer com você e mandar a nota para o outro professor?”. Aquela história e a gente acaba cedendo e fica com 15 (quinze), 18 (dezoito) alunos por turma. Então acontecem esses problemas. Eu estou falando mais de TCC. Eu trabalhei com as atividades de pesquisa só no primeiro semestre. Eu acho que ainda dá para trabalhar com 20 (vinte), porque como você tem muita aula teórica de metodologia, hoje, dentro da proposta dá para trabalhar com 20 (vinte) e até dá para pensar em artigos conjuntos, como uma produção, não é? Principalmente na Pesquisa 1. Na Pesquisa 2 já deveria individualizar, mas eu acho que dá para trabalhar 20 (vinte) alunos, principalmente para ensinar metodologia. Então, tudo bem. Quanto ao critério de avaliação é difícil falar, porque é de cada professor. Eu trabalho desse modo, eu procuro dar, especificamente no TCC 1, essa meta, para tentar fazer, entrar um pouco mais na monografia já no TCC 1, mas eles se conformam com nota 5,0 (cinco) (risos). Aí tem a questão do estímulo: se fosse um trabalho, se fossem pessoas dedicadas à pesquisa, eles se esforçariam um pouco mais. Teriam um esforço maior. Acho que é isso. simultaneamente; O número de alunos por turma é considerado adequado, mas frequentemente o limite é extrapolado oficialmente e extra-oficialmente: há turmas com número de alunos acima do limite e há alunos que são orientados, embora não matriculados com o professor; Em Pesquisa 1 e 2, o número de alunos por turma é adequado em função de seu conteúdo, que pressupõe aulas teóricas de metodologia e possibilita o desenvolvimento de trabalhos em grupo; O critério de avaliação é determinado por cada professor; A maioria dos alunos não se dedica à pesquisa e se conforma com a nota mínima, ou seja, nota 5,0 (cinco). 383 Questão 3: Na sua opinião, como o aluno aprende a pesquisar? Quais estratégias didático-pedagógicas são necessárias ao ensino da pesquisa? Texto de Referência (Depoimento) - Só se aprende fazendo. Então, assim, aqueles que efetivamente eu posso garantir que aprenderam, aprenderam fazendo, errando, escrevendo, escrevendo de novo, escrevendo de novo, escrevendo de novo. Então, eu trabalho com troca de textos, que eu acho que é a coisa mais eficaz. Explicitação dos Significados Questões Emergentes (3ª Questão) QE – Como é essa troca de texto? - Estou falando num estágio um pouco mais avançado. Aprender metodologia é: primeiro você tem aquela orientação básica, mas só na hora que ele formula um problema é que a gente pode dizer se está ruim ou não, muda esta frase, veja o objetivo. Eu entendo que só escrevendo e o professor dizendo para ele onde aquela escrita está errada, o que ele deve dizer naquele ponto, naquele momento, não é? É só desse modo a troca de textos entre professor e aluno e é por isso que não dá para passar de 20 (vinte) alunos na Pesquisa e 10 (dez) alunos no TCC 1 e 2. Você vê a quantidade de monografias que eu li. Acabei de ler 23 (vinte e três) monografias, mas eu li de abril para cá. Todas elas eu leio e devolvo lá com a correção do Word, eu mando para eles cheio de „vermelhinhos‟, corrigidos e tal. Daí eles escrevem de novo, eu leio de novo, vai e volta, vai e volta, até ficar razoável. Eu entendo que é desse modo que eles aprendem. A outra estratégia é a pressão, eu ponho medo mesmo. Outra estratégia é passar todos os textos em Google, não só no Google, mas em plágio.com e coisas assim, porque eu acho que eles têm que saber que estão cometendo um crime, quando copiam coisas, que eu acho que é o maior problema que eu enfrento hoje. Eu começo acreditando que o aluno está fazendo isso porque ele aprendeu desse jeito e acha que está correto, porque desde o ensino fundamental a gente vê isso. Eu faço isso com a minha filha de 8 (oito) anos. Eu falo: não pode copiar, põe a fonte, põe entre aspas, mas a professora dela não está ensinando isso lá no fundamental. Então, eu acho que primeiro a grande maioria faz, achando que pode e eles jogam na bibliografia. Tanto que eles são tão inocentes que eles jogam na bibliografia aquilo que eles acabaram de copiar. Então, eu acredito nessa A pesquisa se aprende fazendo, escrevendo, errando e refazendo. Explicitação dos Significados O primeiro passo é aprender metodologia; A troca de textos entre professor e aluno possibilita a orientação para o desenvolvimento do trabalho; É necessário respeitar o número de alunos, em função da natureza e do volume do trabalho de orientação; Os alunos têm que saber que estão cometendo um crime quando copiam; O plágio é um dos problemas mais sérios identificados no TCC; Todos os textos são passados no Google; Desde o ensino fundamental, o aluno não aprende o significado da pesquisa: para eles pesquisar é encontrar informações sobre um assunto e copiar; Alguns alunos agem de má-fé, mas a maioria age por desconhecimento; A preguiça e a pressa são fatores que impulsionam o plágio; O professor corre risco porque não tem ferramenta confiável para identificar o plágio: ele aprende na prática constante; O professor não tem como saber se um aluno pediu para alguém fazer o TCC; 384 boa fé. A preguiça e a pressa acho que são fatores que impulsionam a fazer isso. Agora, quando o aluno não aparece na orientação e chega três meses depois com o trabalho pronto e fala: “professora, eu fiz porque eu sabia fazer. Está perfeito”. Aí, eu acho que isso é má fé. Aí você pode comprovar que, geralmente, esse trabalho é copiado. O que eu acho que é difícil é que a gente não tem ferramenta difundida para fazer isso. Você aprende na raça, você vê o que é plágio e o que não é, e aí vai correndo o risco. Fora aqueles que alguém fez para ele, aí você não sabe. Eu não „ponho minha mão no fogo‟ 100%. Então, eu acho que é um problema. Então, o lado da pressão é esse, eu coloco um pouco de medo sobre a questão do plágio: isso é crime, eu vou pegar e tal, tira isso daqui. Então, coisas assim. A outra questão é assim, a primeira pergunta que eu faço para eles é: você está pesquisando um assunto [de] que você gosta? Porque tem muita gente que vem com a coisa da pressa e acaba pesquisando alguma coisa sobre o trabalho. Mas eles estão numa fase de transição e ficam pouquíssimo tempo no trabalho. Então, eles começam a fazer e já estão mudando de emprego e não gostam mais daquele assunto, mas tem que terminar porque já estavam falando daquilo e falta um pouco de paixão. Então, a primeira coisa que eu falo é: você vai escrever sessenta páginas sobre esse assunto. Tem que gostar. Acho que a primeira orientação que tem que dar é essa, para estimular o aluno a pesquisar, senão não tem graça. A estratégia utilizada é colocar medo para que o plágio não ocorra; É necessário que o aluno desenvolva um tema de que ele goste para que haja estímulo à pesquisa; Alguns alunos pesquisam temas relacionados ao trabalho e como estão numa fase de transição acabam mudando de emprego e perdem o interesse pelo assunto. Questão 4: Como tem sido sua relação com os alunos (relação professor-aluno) nas atividades de Pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2)? Texto de Referência (Depoimento) - Olha, em pesquisa eu só tive uma experiência e não foi lá muito boa. Eu acho que acabou passando para os alunos, porque a situação era muito difícil. Eu dei pesquisa no segundo semestre que a disciplina estava sendo oferecida e o primeiro semestre tinha sido um pouco atrapalhado, porque alguns professores deram metodologia, alguns mandaram fazer um artigo, alguns deram pesquisa de mercado, que não tinha nada a ver. Então, eu lembro que nós fizemos uma reunião com um professor responsável pelo projeto, que retomou a proposta de como tinha sido elaborada a coisa. Ele falou assim: “a ideia era que a gente usasse isso até para fomentar a produção dos professores. Então, quem fosse dar pesquisa, pegasse um tema que lhe interessasse e sugerisse aos Explicitação dos Significados Ministrou Pesquisa 2 apenas no 1º semestre em que a atividade estava sendo implantada; Quando Pesquisa 1 foi implantada, faltou orientação e os professores ministraram diferentes conteúdos em Pesquisa 1, como metodologia, produção de artigos e pesquisa de mercado; Houve uma reunião realizada com um dos professores responsáveis pelo PPC em que a ideia inicial era, inclusive, para fomentar a produção dos professores; 385 alunos que realizassem uma pesquisa dentro desse tema. Aí se faz pesquisa quanti, quali e tal”. E como a disciplina é dada no terceiro semestre, eu peguei um assunto – que inclusive eu estava trabalhando na época – dei uma bibliografia bem curta para que eles desenvolvessem e que eles escrevessem a partir dali. Então, eu comecei fazendo resenha dos textos e depois sim tentando produzir alguma coisa de conjunto, coletivo. Ofereci um objeto de pesquisa sobre propaganda, era Propaganda e Marcas, só que eles não tinham tido nenhuma aula de Marketing ainda, porque é oferecida no segundo ano, no terceiro semestre. Então, os alunos ficaram extremamente perdidos, porque eles estavam lendo um assunto que eles não tinham conhecimento ainda teórico suficiente para defender um argumento, mesmo que com um artigo pequeno. Então, a experiência acabou sendo ruim nesse sentido. Ruim, assim, para mim. Eu fiquei um pouco frustrada com o resultado. Eu tive alunos que tiveram um bom desempenho, tive aqueles que atingiram o mínimo e tive gente completamente, absolutamente perdida. Então, eu achei que a experiência não foi legal. Fizemos uma retomada disso depois. Na época a Professora X era coordenadora, eu mandei um relatório para ela, mostrei o resultado do artigo, do que tinha acontecido e aí houve aquela ideia de retomar e oferecer no primeiro semestre a metodologia, justamente porque não servia para isso. Era muito prematuro tentar fazer isso e só a prática provou. Então, são esses alunos que estão chegando agora, eles vão fazer TCC agora. Eles estão no TCC 1 e vamos ver o resultado deles, não é? Foi essa turma que eu peguei em Pesquisa, eles estão fazendo o TCC agora. Eu acho que o desempenho em Pesquisa foi ruim, era muita carga de uma vez só. Foi a única experiência que eu tive, eu não sei como está agora, com metodologia, como é que ficou. Foi sugerido ao professor que selecionasse um tema de seu próprio interesse e sugerisse aos alunos que realizassem uma pesquisa dentro daquela temática; O assunto selecionado estava sendo trabalhado na época pela professora, que apresentou uma bibliografia bem curta para que eles desenvolvessem e escrevessem a partir desse texto; Começou com resenhas de texto e depois partiu-se para a produção coletiva; Como a atividade é oferecida no 4º semestre, considera que os alunos ainda não tinham conhecimento teórico suficiente para defender um argumento, mesmo com um artigo pequeno; A experiência acabou sendo ruim nesse sentido e o resultado foi um pouco frustrante; Alguns alunos tiveram bom desempenho, outros atingiram o mínimo e teve ainda os que ficaram completamente, absolutamente perdidos; Encaminhou-se um relatório para a coordenadora de curso mostrando o resultado do artigo, demonstrando o que tinha acontecido e, então, houve a ideia de retomar e oferecer no primeiro semestre a metodologia; Era muito prematuro tentar fazer isso e só a prática provou; O desempenho em Pesquisa foi ruim, pois era muita carga de uma vez só; Os alunos das primeiras turmas de Pesquisa estão chegando ao TCC agora e ainda não há como avaliar os resultados. Questões Emergentes (4ª Questão) QF – E como é sua relação com os alunos no TCC? - No TCC é ótima, tanto no 1 como no 2, mesmo considerando o desempenho um pouco ruim, a relação é excelente. Eu não tenho do que Explicitação dos Significados A relação entre professor e aluno é excelente, embora o desempenho seja considerado um pouco ruim; Embora o TCC tenha sido inserido nos 386 reclamar e vejo que eles também saem satisfeitos. Eu me esforço, vou dizer para você. Depois que o TCC veio para a grade, com as aulas no horário regular, eu vejo algumas situações em que 20h30m o professor está indo embora, já orientou as duas turmas e já acabou tudo. Eu não saí daqui antes das 22h00m nem um dia, com as duas turmas, 22h00m, 22h40m. É um trabalho que requer dedicação, mas eu gosto de fazer. Eu acho que a relação é muito boa. horários regulares da grade, alguns professores não têm apresentado a dedicação necessária; Há algumas situações em que os professores terminam a orientação antes do tempo previsto; O TCC é um trabalho que requer dedicação; O professor gosta da atividade de orientação do TCC. Questão 5: Na sua opinião, qual é a infraestrutura necessária ao desenvolvimento das atividades de pesquisa? O que a Universidade dispõe e o que precisa ser desenvolvido para essas atividades? Texto de Referência (Depoimento) - Faltam recursos. Faltam recursos. Eu senti falta de biblioteca, por exemplo. Não tinha as fontes atualizadas que nós precisávamos. Mas eu acho que isso é uma falha coletiva. Eu não estou acusando a Universidade, porque frequentemente vem pedido para a gente sugerir bibliografia atualizada para se comprar e eu vejo que pouquíssima gente manda, inclusive eu não pedi muita coisa, mas agora eu quero mandar. Senti falta forte este semestre aqui. Os assuntos são muito novos, os assuntos que vieram e não tem informação. Faltaram livros. Eu acho que uma coisa que a gente estava conversando: disponibilizar os TCCs passados para um banco de dados na biblioteca, seria uma coisa muito simples de digitalizar e os alunos teriam acesso, até para ver como é a estrutura de uma monografia, não é? Eu pego e trago para ele, mas eu pego porque eu tenho lá as bancas que eu participei e mostro como é, mas não tem isso disponível, facilmente, para eles lá. Falta para nós esse tipo de suporte de, por exemplo, para pegar plágios. Seria uma coisa legal. Softwares que pudessem nos ajudar. Explicitação dos Significados Alguns assuntos são muito novos e não há informação disponível na biblioteca; Considera uma falha coletiva porque, frequentemente, é solicitado aos professores sugestões de bibliografia atualizada para se comprar e poucos professores o fazem; Disponibilizar os TCCs em um banco de dados na biblioteca seria algo muito simples de digitalizar e os alunos teriam acesso, até para ver como é a estrutura de uma monografia; Faltam softwares de suporte ao professor, por exemplo, para localizar plágios. Questões Emergentes (5ª Questão) QA – Tem algum software que você poderia recomendar? Eu conheço coisa gratuita na Internet. Tem lá plagio.com, tem mais um que eu não me lembro, mas que usei esta semana. Eu acabo passando no Google, mas esses são bons porque eles passam o trabalho inteiro. Eles pegam trechos e rastreiam o trabalho inteiro. Agora, não dá para Explicitação dos Significados O site plagio.com é considerado eficiente porque passa o trabalho inteiro, pega trechos e rastreia o trabalho inteiro; Não há como rastrear trabalhos feitos sob medida; 387 pegar esses „zés molezas‟ porque aí são trabalhos sob medida. Isso não dá para pegar. Mas é um trabalho de detetive, você fica ali, gastando um tempo enorme para procurar coisas. Imagina, eu fiz isso com vinte e três trabalhos agora. É um trabalho operacional dificílimo. É um trabalho operacional, , no qual se gasta um tempo enorme. QF – Mais algum aspecto em relação à infraestrutura? - A gente teria que ter também um link maior com a pós-graduação, até para estimular o aluno para a pesquisa, pensar maior, não é? Por exemplo, a gente já premia os melhores TCCs e a gente deveria já fazer um indicativo disso para encaminhar o aluno, ter algum benefício na pós, como facilitação no ingresso, utilizar o TCC como já o projeto para o ingresso, não é? Alguma coisa assim, não digo nem financeiramente, porque muitos alunos podem pagar, mas nesse sentido, dele ser „convidado à‟, por ter se destacado. Talvez, não só os melhores, mas os indicados. Esse processo de avaliação, também, acho que é falho. Eu fiquei numa saia justa o semestre passado, porque eu queria indicar o meu, mas eu não me senti a vontade porque eu estava coordenando a área e deveria escolher o melhor. Quase ninguém mandou, só eu mandei para mim mesma. Tinha mais um e eu pedi a outro professor da área que escolhesse. Eu falei: olha, professor, lê aí e vê qual você escolhe. Então, um processo, assim, com uma comissão para eleger o melhor, fazer um comparativo. Eu acho que nós poderíamos nos articular através das coordenações de área, por exemplo, tem vários temas comuns e eu estou montando um banco de dados por tema de produção, mas a gente teria que transformar isso em artigos, colocar numa revista, enfim. Deveria haver um link maior com a pós-graduação, até para estimular o aluno para a pesquisa e incentivá-lo a crescer na Academia; Os melhores TCCs são premiados; Os melhores trabalhos e os indicados poderiam ser utilizados para encaminhar o aluno e ter algum benefício na pós, como facilitação no ingresso e/ou utilização do TCC como o projeto para o ingresso; Não se trata de benefício financeiro, porque muitos alunos podem pagar, mas no sentido dele ser convidado por ter se destacado; Identifica falhas no processo de escolha dos melhores trabalhos das áreas pelos coordenadores; Sugere uma comissão para eleger o melhor e fazer comparativos; Há vários temas comuns entre as áreas epistemológicas e deveria haver mais articulação entre as coordenações de áreas; O professor está montando um banco de dados por tema de produção; Os professores deveriam transformar os TCCs em artigos e publicá-los em revistas. Questão 6: Na sua opinião, os alunos demonstram integração entre os conhecimentos das áreas técnica, humana e funcional nos trabalhos de pesquisa que realizam? Texto de Referência (Depoimento) - A maioria escolhe temas específicos da área e articulam pouco. A maioria está muito centrada numa coisa só, num assunto específico e dentro da própria área epistemológica. Mas aí eu acho Explicitação dos Significados Há pouca articulação entre os conhecimentos das áreas técnica, humana e funcional nos trabalhos de pesquisa realizados pelos alunos; 388 também que tem a dimensão da monografia, só. É uma monografia de graduação. Então, até na hora de enxugar, pela pressa, falta de tempo para absorver o que é uma monografia, eles acabam dando conta de ler muito pouco. A maioria escolhe temas específicos da área e está muito centrada num assunto específico; Cabe considerar que tais trabalhos têm a dimensão da monografia de graduação; Em função da pressa e do tempo os alunos acabam lendo muito pouco. Questão 7: Em sua experiência, você identifica alguma contribuição das atividades de pesquisa na melhoria da qualidade do TCC, desenvolvimento de projetos de Iniciação Científica, participação dos alunos da graduação nos grupos de pesquisa da Universidade, participação dos alunos em outros eventos relacionados à pesquisa? Quais são (se houver)? Texto de Referência (Depoimento) - Em relação à melhoria da qualidade do TCC, muito pouco. O que vem melhorando é, assim, pelo menos eles chegam ao TCC com uma noção de projeto. Mesmo que o projeto não seja maravilhoso ele chega com uma noção. Isso eu acho que melhorou em relação ao currículo anterior, mas é um processo muito lento ainda. Embora o TCC tenha passado para dois semestres, também melhorou muito pouco porque eles estão deixando tudo para o segundo. Eu acho que falta pressão dos professores do curso. Em relação à Iniciação Científica, eu tive pouquíssima experiência nessa direção. Nesse tempo todo eu peguei uma aluna só que já tinha feito Iniciação durante o curso; ela chegou ao TCC, na realidade o TCC foi uma evolução da monografia, mas eu tive só um caso, eu não consigo perceber. Não vejo alunos da graduação participando de grupos de pesquisa ou outras atividades acadêmicas. Explicitação dos Significados Não foi identificada melhoria em relação à qualidade dos TCCs após a inserção das atividades de Pesquisa; Há uma melhoria em relação ao currículo anterior, porque os alunos pelo menos chegam ao TCC com uma noção de projeto; Embora o TCC tenha passado para dois semestres, os alunos estão deixando o trabalho em si para o segundo semestre. Falta pressão dos professores do curso; Não é possível avaliar as contribuições para o desenvolvimento de projetos de Iniciação Científica: teve apenas uma aluna que já tinha feito Iniciação durante o curso e o TCC foi uma evolução da monografia de IC; Não observou a participação de alunos da graduação em grupos de pesquisa ou outras atividades acadêmicas. 389 Questão 8: Segundo o Projeto Pedagógico do Curso, as atividades de pesquisa podem estar voltadas para produção de trabalhos para publicação – em revistas, livros ou anais de eventos científicos da área – ou produção de estudos de caso, para utilização em aulas ou disponibilização para o mercado. Em sua experiência, isso tem ocorrido? Qual é sua opinião sobre a divulgação e/ou publicação da produção dos alunos da graduação e o que é necessário para sua viabilização? Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que tem acontecido pouco e se acontece. E para melhorar isso depende da atuação nossa – dos professores – porque não adianta a gente ficar esperando por incentivos, infraestrutura e tudo mais. Então, quando acontecem situações de produção efetiva e de estudos de casos para a sala de aula. Estudos de caso para a sala de aula, talvez não na forma ideal de estudo de caso, mas pelo menos a título de exemplo, discussões em aula, certamente todo mundo aproveita. Os professores aproveitam aquilo que leram nas monografias para utilizar em sala de aula, na forma de estudo de caso ou mais informalmente mesmo. Quanto à produção, acho que era aquilo [que] eu comecei a comentar: o aluno se formou e ele quer se livrar logo daquilo, se formar e ir embora. Então, dificilmente ele volta e continua produzindo em cima daquilo que ele fez, não é? No TCC, quando ele já está mais maduro, ele vai embora. Então, caberia a nós transformar isso em produção, em parceria com o aluno ou dar o crédito para o aluno, mesmo que seja uma coisa mais simples, não precisa ser um livro, um artigo para a revista. Pegar a revista que nós temos aí, fazer edições especiais sobre as monografias, ou pegar os TCCs premiados e publicar. Isso nós temos que fazer, porque o aluno sozinho não vai fazer e a Universidade também não vai ficar passando a mão na nossa cabeça e dizendo: faça. Acho que as atividades de pesquisa não chegam a isso, eu não tenho visto produção, mas como eu falei eu dei pesquisa por um semestre só e tentei chegar a um artigo. Chegamos até a uma análise, mas eu fiquei com receio de usar isso para frente, por causa da questão do plágio, num primeiro momento, fiquei com receio de usar pela imaturidade e como era um trabalho coletivo também, seria complicado. Então, a divulgação foi só aqui mesmo, eu divulguei aqui no departamento só um artigo que saiu dali, um artigo entre aspas. Foi só um texto gerado. Eu divulguei até como forma de mensuração para a coordenação do curso. Então, foi só para isso que funcionou. O que eu tenho visto hoje é que eles têm produzido, feito projetos de pesquisa. O produto final de Pesquisa 2, quando eles chegam ao TCC, eles pegam como modelo para fazer o Explicitação dos Significados A viabilização depende da atuação dos professores, não adianta esperar por incentivos, infraestrutura, entre outros; Estudos de casos devem ser aproveitados – pelo menos a título de exemplo ou para discussões em sala de aula; Os professores aproveitam o conteúdo das monografias para utilizar em sala de aula, na forma de estudo de caso ou mais informalmente mesmo; Quanto à produção, o aluno se forma e abandona a sua produção, dificilmente ele volta e continua produzindo em cima do que ele fez. No TCC, quando já está mais maduro intelectualmente, o aluno vai embora; Caberia aos professores transformar os TCCs em produções em parceria com o aluno ou dando o crédito para ele; Pode ser uma coisa mais simples, não precisaria ser um livro ou um artigo; Uma possibilidade seria fazer edições especiais das revistas já existentes na Universidade sobre as monografias ou sobre os TCCs premiados ; Provavelmente não existem produções com condições de publicação geradas nas atividades de Pesquisa 1 e 2; Pela experiência que teve e pela maturidade dos alunos, entende que o material produzido em Pesquisa 1 e 2 possa ser divulgado internamente, mas não publicado; O produto final de Pesquisa 2 é utilizado como modelo para desenvolver o projeto de pesquisa da monografia de final de curso (TCC). 390 projeto de pesquisa da monografia. Aí que está, alguns querem cortar o caminho e pegam o mesmo trabalho e reapresentam no TCC 1. Eles meio que pulam um semestre com essa história e também não produzem o suficiente para melhorar o projeto e aí chegam atrasados no TCC 2. Então é isso, acho que não têm produzido, eu não vi pelo menos grandes produções. Eu posso estar enganada, porque eu tive menos contato com alunos de Pesquisa 2 depois daquele semestre. Encerramento: Você gostaria de acrescentar algo ou algum aspecto que a gente não abordou aqui? Texto de Referência (Depoimento) - Acho que é tudo. QA – Questão de Aprofundamento QE – Questão de Esclarecimento QF – Questão Focalizadora Explicitação dos Significados 391 PROTOCOLO DE SIGNIFICADOS – ENTREVISTA – PROFESSOR 10 Questão 1: Como você entende a pesquisa na graduação e no curso de Administração? (importância e objetivos) Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que teria que pensar nos quatro pilares da UNESCO, no início deste Século [XXI], na verdade. Quais são os quatro pilares? Aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. Ok? Eu acho que se a gente focasse um pouco nesses quatro pilares, já teríamos uma base maravilhosa. Parece-me que essa área de pesquisa facilita um pouco isso, porque a gente não deveria ter essa estrutura, para facilitar que esse processo se dê. Como você vai aprender a aprender? Então, como orientar os alunos para que eles busquem, procurem. Hoje em dia, tem tanto material. Como procurar, como orientar para que eles... ou mesmo a pergunta que eles fazem. Você tem que começar por uma pergunta e essa pergunta que vai te levar para um caminho de busca. A gente começa a estimular isso e já dar um fio para o caminho que ele tem que seguir: aonde eles podem procurar, qual tipo de material que tem, o que pode estar aparecendo. Então, eles aprendem a aprender. Então, o segundo é aprender a fazer. Eu acho que, normalmente, a razão da pesquisa é também uma disciplina que permite muito que isso aconteça. Por quê? Porque, na verdade, todos somos buscadores, todos somos pesquisadores. Hoje em dia, a gente vê como âncora da carreira. Uma das coisas importantes é o sentido da vida, o sentido da vida é fundamental; e a outra são os desafios, quando eles enfrentam uma situação que eles têm que ir atrás representa um desafio que entusiasma eles. Então, a procura, então, deles desenvolverem alguma coisa por eles mesmos, isso é muito importante, eles mesmos irão desenvolver alguma coisa, esse é o processo de aprender a fazer. Eles vão encontrar um caminho, uma solução para essa dúvida ou essa questão que eles têm, esse problema que eles querem abordar. Então, eles aprendem a fazer, aprendem a fazer pesquisa, como eu realmente tenho visto. Aí, aprender a conviver. Isso é importante, porque da forma como a gente lida com o trabalho é importante e participativo. Então, os alunos, como eu faço, por exemplo: estabeleço um formato para simplificar o processo. Estabeleço um formato para os trabalhos deles, de forma a organizar uma certa disciplina em torno desses trabalhos: o que eu quero é que vocês tenham um modelo de Explicitação dos Significados O ensino e aprendizagem das atividades de Pesquisa 1 e 2 fundamentam-se a partir dos quatro pilares da Educação, definidos no Relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI da UNESCO: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser; A natureza das atividades de Pesquisa 1 e 2 facilitam a aplicação dos quatro pilares; A estrutura proposta (formato das atividades) em Pesquisa 1 e 2 dificultam a aplicação dos princípios de aprendizagem definidos pela UNESCO; Para aprender a aprender é necessário a definição de um problema, ou seja, a pergunta. Cabe ao professor orientar o aluno na busca das informações: onde podem procurar, o tipo de material adequado e o que está sendo discutido na atualidade sobre o tema; Para aprender a fazer, considera: a) que todos são „buscadores‟ e, portanto, pesquisadores; b) o sentido da vida é fundamental para o sucesso na carreira; c) o desafio de buscar a resposta para os seus problemas, com autonomia, entusiasma os alunos; Para aprender a conviver, utiliza uma metodologia que estimula a participação por meio da apresentação periódica dos avanços nos trabalhos individuais para o grupo, para compartilhamento e troca de ideias, na qual a produção individual se torna um tanto coletiva; Para aprender a ser é criado um ambiente psicológico que proporciona ao aluno sentir, à medida que avança, que atingiu uma certa maturidade e que tem um conhecimento real sobre o 392 sumário, no início. Podem fazer as perguntas, podem fazer a estrutura em geral e, vamos supor, que estabeleçam três capítulos. Até três capítulos é possível ter um modelo simples: aqui estão alguns modelos. Vocês podem procurar modelos que estão disponíveis na página dos trabalhos dos próprios alunos. E, a partir daí, eu vou pedindo, periodicamente, em cada mês, que eles apresentem para os outros alunos o seu trabalho, em relação a esses capítulos. Então, nesse sentido, eles começam a trocar ideias, a sentirem-se no grupo, começam a compreender e a criar uma certa ideia de compartilhar e conviver com o resto do grupo nessa produção individual, mas que também se torna um tanto coletiva, porque todos participam também. Eu acho que isso cria uma amostra de convivência, compartilhar com o grupo. Você não faz ideia, mas é uma ferramenta poderosa. Então, isso cria uma convivência que é muito importante. E depois, aprender a ser. À medida que eles vão avançando e eles têm que atingir... a gente pensa um pouco para criar esse movimento psicológico, de formar esse adolescente. Chega um momento em que se pede aos alunos, eles têm que entregar um trabalho escrito, mas tem que fazer uma apresentação também, uma apresentação para todos. Então, eles preparam PowerPoint e eles apresentam para as pessoas. Qual é o objetivo disso? Isso é para ele sentir que atingiu uma certa maturidade, mas também que eles têm um conhecimento real do assunto que eles trataram. Então, eles respondem por eles mesmos e aprendem a se manifestar como pessoas. Então, aprendem também, nesse sentido, a ser. Então, dessa forma, eu sinto que estamos cumprindo, aproveitando os quatro pilares da UNESCO como um trabalho que além do mais, no nosso caso, estimula muito que eles trabalhem com temas da atualidade, por exemplo, a gente foca os temas de Inovação e Sustentabilidade. E o motivo é: você tem que fazer um trabalho bom, porque o seu trabalho vai ficar aberto para todo mundo ler, porque na verdade ele vai ficar numa pasta da PUC. Então, você tem a possibilidade de outras pessoas e de você mesmo estar se vendo aí. assunto; Os alunos são orientados a trabalharem com temas da atualidade, voltados à Inovação e Sustentabilidade; Os trabalhos voltados para os temas Inovação e Sustentabilidade são publicados eletronicamente. Questões Emergentes (1ª Questão) QE – Nós temos um meio para divulgação da pesquisa? - Nós temos uma página com os trabalhos deles. A gente criou um boletim chamado BISUS – Boletim de Inovação e Sustentabilidade, com os temas que para nós são importantes, estimula muito e tem muita coisa com nível hoje em dia na Internet. Em particular, no dia-a-dia aparecem Explicitação dos Significados Foi criado o BISUS – Boletim de Inovação e Sustentabilidade – no site da PUC Inovação, para divulgação dos trabalhos dos alunos da PUC-SP, datados a partir de 2010, relacionados a essa temática; Há muito material bom disponível na 393 coisas novas e com isso é fácil eles encontrarem um tema que eles se relacionem e, além do mais, que tenham motivos para se relacionar com ele, o que eu acho que é muito importante, fundamental. E com isso, nesse sentido, eles vêem que o seu trabalho vai ter um certo reconhecimento e isso os amadurece e faz com que criem um senso de responsabilidade. É interessante, porque eles são jovens e a gente acha que eles não têm maturidade, mas vai descobrindo que eles têm, eles procuram, vão conversar com os pais, com os parentes, tendo assim uma aprovação de várias pessoas da família, que também estão começando a contribuir para esse trabalho. Então, é um processo de crescimento importante, que pode ser facilitado através de uma aproximação deles com o saber fazer, com o aprender a fazer, e a gente está acompanhando o processo de aprender a fazer. Então é isso, basicamente, eu gostaria que em algum momento esse boletim ficasse mais disponível para os outros professores, onde estão disponibilizados os trabalhos de nossos alunos. QE – Onde encontramos o BISUS – Boletim de Inovação e Sustentabilidade? - Está na página da PUC, [na parte] de Inovação. Esse boletim, a gente tem dois números do ano passado e agora vamos ter que fazer pelo menos quatro, porque temos muitos trabalhos. Eu acho que nós já temos uns doze trabalhos. Então, vão ser tantos quanto a gente quiser. A gente prepara, com um formato padrão – o que a gente pede é Times New Roman, 12, que são as informações básicas da formatação. Depois temos uma pessoa que coloca, facilmente, no site, nessa página da PUC. Então, é isso, eu acho que tem que haver isso, o aluno se entusiasma muito, eu acho que isso os motiva também para focar esses temas que são tão importantes para hoje e para o futuro; e cria uma forma apropriada de compartilhar entre eles, para fazer, e que dá sentido para eles todos. Então, eu acho que é um fato importante de ficar em exposição dos outros colegas, de outros alunos e, por estarem compartilhando, também se abrem para o mundo. Internet e relacionado com os temas Inovação e Sustentabilidade, considerados importantes na atualidade; A disponibilidade de informações sobre esses temas incentiva o aluno a escolher temas relacionados; É fundamental que o aluno encontre um tema com o qual ele tenha motivo para relacionar-se; Saber que o trabalho será publicado representa para o aluno reconhecimento e faz com que amadureça e crie um senso de responsabilidade; Os alunos de Pesquisa 1 e 2, apesar de jovens, demonstram maturidade para a pesquisa; Os alunos compartilham, também, suas ideias para a pesquisa com pessoas de fora da Universidade – pais e parentes – o que representa um processo de crescimento importante; Seria interessante que o BISUS – Boletim de Inovação e Sustentabilidade – fosse divulgado para os demais professores. Os trabalhos relacionados à Inovação e Sustentabilidade passaram a ser publicados no BISUS – Boletim de Inovação e Sustentabilidade – no site da PUC Inovação; É exigida uma formatação mínima para os trabalhos; A perspectiva da publicação dos temas relacionados à Inovação e Sustentabilidade é um fator que entusiasma os alunos para que esses temas sejam abordados; A publicação é uma forma de compartilhar os trabalhos não só com os outros alunos, mas com o mundo. 394 Questão 2: Como você compreende as atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC 1 e 2) propostas no Projeto Pedagógico do Curso? (conteúdo, carga horária, período, número de alunos por turma, ausência de pré-requisitos, critérios de avaliação) Texto de Referência (Depoimento) Explicitação dos Significados QA – Eu estou percebendo que o conteúdo que você propõe aos alunos é diferente do estabelecido no Programa e Plano de Aula das atividades de Pesquisa 1 e 2? - É o seguinte, eu acho que o que interessa realmente é o fim e nem tanto o meio. Então, na medida em que você vê que você pode procurar caminhos alternativos para chegar àquilo que faz sentido: chegar à maturidade e à busca para a solução do problema, eu acho que isso é o que realmente interessa. Que os alunos façam com maturidade aquilo que eles fazem e um senso de confiança sobre o potencial que ele tem. Para mim, é isso que é importante. Então, eu parto dessa base, passo a informação que eles querem, que normalmente tem nos manuais, aí quer ler vai ler, mas não é necessário começar por aí, se aprende fazendo: aprender a aprender e aprender a fazer. Isso é uma presença minha. Eu não entendo assim, que eles têm que aprender o que é metodologia. É algo mais simples, simplesmente ver, por exemplo, como são as coisas: eles começaram a se interessar, o que é fundamental, dá um sentido para eles. Ajudar eles a ir colocando as coisas de uma forma, num formato que possa ser acessível também, um tema de leitura para as outras pessoas, de divulgar essas ideias que eles têm. Eu acho que é isso que interessa. Em relação à metodologia, eu passo o material e se eles quiserem está aí. Mas eu acho que é isso, vamos ao ponto, ao concreto, para fazer. O objetivo principal das atividades de Pesquisa é o desenvolvimento da maturidade do aluno na busca de soluções para um problema; Há caminhos alternativos para atingir os objetivos propostos pelas atividades de Pesquisa; O importante é que os alunos adquiram maturidade e senso de confiança em relação ao próprio potencial; Aprender a aprender e aprender a fazer são objetivos mais importantes do que a metodologia da pesquisa; A metodologia da pesquisa é indicada aos alunos a partir do momento em que eles demonstram interesse. QA – Você define temas para os alunos de Pesquisa 1 e 2? - Sim, basicamente é o seguinte, eu falo: vocês têm exemplos aí - na revista, no boletim – que podem ser vistos, mas eu gostaria que você escolhesse um tema que tem a ver com você. Também eu falo uns quatro exemplos. E aí, então, o que acontece? Eles vão aprendendo na medida em que eles vão fazendo. Essa é a forma como eles aprendem. Eu vou corrigindo algum detalhe, vou explicando como fazer as coisas e vou mostrando outros exemplos, com o material que nós já temos aí. Então, eles aprendem naturalmente, sem ter que fazer um esforço louco, eles têm que ler um formato, assim, geral. Eles aprendem sozinhos, não precisa disso. Os temas relacionados à Inovação e Sustentabilidade são sugeridos aos alunos; O BISUS – Boletim de Inovação e Sustentabilidade – é disponibilizado para que o aluno tenha referências na escolha do tema; É importante que o aluno identifique-se com o tema; Os alunos aprendem à medida que fazem a pesquisa; Eles aprendem sozinhos e de forma natural, apenas com a orientação do 395 professor e com o material disponibilizado. QF – Qual conteúdo você propõe para Pesquisa 1 e 2? - Tanto na Pesquisa 1 como na Pesquisa 2, os dois já vão direto ao ponto: eu quero que vocês façam um trabalho de pesquisa sobre um tema que interesse a vocês e que tenha a ver com Inovação e Sustentabilidade. Como exemplos podem ser este, este, este e este. Na outra semana, ou daqui a duas semanas, eles já começam a trazer um tema, utilizando um formulário: qual é a pergunta, qual é a justificativa, qual é a importância. É por aí. Eles já começam desenvolvendo o pré-projeto e aí vão avançando. Quando eles terminam a Pesquisa 1, eles já têm outro trabalho pronto para o semestre seguinte. Eu falo que no segundo semestre, em Pesquisa 2, tem duas possibilidades: ou você aprofunda isso aí ou você escolhe um novo tema que você quer, para desenvolver novamente um outro objeto. O conteúdo de Pesquisa 1 e 2 é o mesmo e requer que o aluno realize um trabalho sobre um tema relacionado à Inovação e Sustentabilidade; O professor disponibiliza um formulário com a estrutura do projeto de pesquisa, que consta de justificativa, importância e objetivo; Eles começam a desenvolver o préprojeto e vão avançando; Em Pesquisa 2, o aluno pode aprofundar o tema desenvolvido em Pesquisa 1 ou iniciar um novo projeto. QF – Em termos de carga horária, é compatível com as necessidades dos alunos? - Eu acho que sim, porque os alunos, hoje em dia, não aprendem só na disciplina. Então, eu acho que calcar eles demais não é o que vai ajudar muito. Eu acho, que nesse sentido, o „mas para mais‟. A possibilidade mais voltada para eles é reduzir o máximo de tempo seu, para passar as instruções, porque o trabalho vai ser pessoal, o trabalho vai ser feito, basicamente, em casa, nos fins de semana, o momento que eles têm para fazer. O que importa não é ele estar aí na sala sentado. Eu acredito que tem que reduzir ao mínimo esse tempo de colocação das coisas, de como tem que ser; e também ter tempo para eles irem comentando o trabalho que estão fazendo, porque isso é importante. Mas, sem alongar. Então, acho que o tempo é adequado. A carga horária é considerada adequada; A pesquisa é individual e desenvolvida em outros ambientes e momentos fora da sala de aula; A aula de pesquisa é um momento de orientação e convivência, do compartilhamento das pesquisas. QF – O período (3º e 4º semestres para Pesquisa 1 e 2, respectivamente) é o mais adequado? - Aliás, eu tenho ficado cada vez mais impressionado com a maturidade desses jovens que estão chegando. Porque eu penso: eles são muito jovens, será que vão conseguir? E eu percebo que eles realmente têm capacidade para fazer e que isso agrega muito, digamos, para eles em termos de maturidade, que vai ser importante para o resto do trabalho e do curso, inclusive, porque, na medida em que eles fazem nesse momento, eles já adquirem uma outra É surpreendente o grau de maturidade encontrado em alunos tão jovens; É adequado que Pesquisa 1 e 2 sejam oferecidas no 2º ano do curso; A pesquisa possibilita ao aluno o desenvolvimento de maturidade intelectual, um senso mais crítico e uma visão maior da realidade e da cultura, que agregam em maturidade, fator importante para aproveitar melhor o conhecimento que os alunos irão 396 visão do mundo, eu acho que começam a aproveitar melhor o material que outras disciplinas possam estar requerendo, um senso mais crítico, uma visão maior da realidade e de cultura também. adquirir nas demais disciplinas do curso. QF – O número de alunos por turma é adequado? - Eu acho que esse número está bom. Mais do que isso é um pouco complicado, porque hoje em dia os alunos tem um problema de déficit de atenção, então, se são muitos eles começam a dispersar um pouco. Tem que concentrar um pouco a atenção deles. No início, eles são assim, bastante desatentos, mas aos pouquinhos vão sentindo o gosto pelo trabalho e vão se aproximando cada vez mais e mais e vão deixando esses papos e se aproximando mais. Então, eu acredito que o número é adequado. O número de alunos por turma é considerado apropriado; Turmas maiores não são consideradas adequadas, tendo em vista que os alunos apresentam déficit de atenção, dificuldade de concentração e facilidade de dispersão; Os alunos passam a voltar sua atenção para a atividade na medida em que vão sentindo gosto pelo trabalho realizado. QF – O fato de não ter pré-requisitos não atrapalha? - Em nada, em absoluto. Não há necessidade de pré-requisitos, em função do formato que o professor adota para as atividades de Pesquisa. QF – Em termos de avaliação, como você avalia a pesquisa que eles realizam? - Eu falo o seguinte: é o trabalho de vocês e o trabalho de vocês conta 70% e isso vocês têm que ir mostrando ao longo do tempo, a cada mês você vai falar sobre um dos capítulos e, no final, vocês vão apresentar um relatório, com um trabalho com um certo número de páginas, e aí esses 70% vocês vão conseguir no decorrer desse tempo. Os outros 30% vai ser uma avaliação oral, você vai apresentar para o grupo. Essa apresentação final conta 30%, porque é a forma que eu tenho para sentir se o aluno, realmente, conseguiu assimilar tudo isso que ele está expondo, se saiu dele mesmo e se ele se sente seguro sobre isso que ele fez. Então, isso vale 30%. Os alunos são avaliados continuamente: mensalmente, por meio da exposição de seus trabalhos e, ao final, mediante trabalho escrito e apresentação para o grupo; A apresentação final permite ao professor avaliar o conhecimento assimilado, a autoria e a confiança em relação ao tema desenvolvido pelo aluno. Questão 3: Na sua opinião, como o aluno aprende a pesquisar? Quais estratégias didático-pedagógicas são necessárias ao ensino da pesquisa? Texto de Referência (Depoimento) - Há um tempo atrás, não sei se você viu uma entrevista em que Bill Moyers fez com o autor do Poder do Mito, Joseph Campbell. Você leu? Tem um vídeo de uma entrevista que Bill Moyers fez sobre esse trabalho maravilhoso. Tem um momento em que o Bill Moyers pergunta para ele: o Explicitação dos Significados O fundamental é que o aluno encontre um tema que goste e tenha interesse; O importante é que o aluno busque sua felicidade e realização (follow to 397 que você acha que seria indicado para os jovens, como um caminho para as suas vidas? Como buscariam uma carreira? Como é que fazem? Qual ideia que você daria para eles nesse sentido? E a resposta de Joseph Campbell, que eu ainda guardo sempre: Follow to bless! Eu falo para os jovens. Disse Campbell, que é muito avançado nesse sentido, ele disse: O melhor é que os jovens sigam aquilo que é o bless – eu não estou achando a palavra em português, mas é aquilo que faz você se sentir feliz, realizado. Então, é isso o que interessa. Quando eu falo que é isso basicamente o que interessa, são as coisas novas que tem que estar surgindo e que façam bem para a humanidade e para todos. Para toda a humanidade e para o planeta. Então, busque um tema que você goste, que você se interesse. bless); Questões Emergentes (3ª Questão) QE – Ele deve buscar um tema – desde que se interesse – mas tem que ser atual e relacionado à Inovação e Sustentabilidade? - É isso. Nem sempre isso acontece, mas em todo caso é isso que eu falo para eles, mas uns dois ou três escolhem outros temas. Esse menino, que esteve aqui, pensou naturalmente na aviação, porque esse é um tema muito forte para ele. Ele está seguindo o seu bless, mas é um trabalho praticamente de avaliação da história do transporte aéreo brasileiro. Mas para a Pesquisa 2 eu falei: agora, você vai fazer uma pesquisa sobre o Futuro da Aviação. Para onde que vai o transporte aéreo? Tudo que aconteceu até agora, em particular no Brasil, uma análise crítica, da bagunça aqui no Brasil. Ele disse: “tá bom!”. Porque ele trabalhou na Lufthansa e é natural que ele tenha essas raízes profundas com a aviação. Deve ser um aviador que viveu em outros tempos (risos). Porque é assim, às vezes a pessoa tem um tema que é muito dele: follow to bless, follow to bless também. O mais importante é isso. É importante a busca de coisas novas que façam bem para a humanidade e para o Planeta. Explicitação dos Significados O professor sugere os temas de Inovação e Sustentabilidade para o desenvolvimento das pesquisas dos alunos da turma, mas respeita o interesse e a escolha de outros temas pelos alunos; É importante pensar qualquer problema por meio de uma análise crítica que considere sua historicidade, a atualidade e as perspectivas no futuro. Questão 4: Como tem sido sua relação com os alunos (relação professor-aluno) nas atividades de pesquisa (Pesquisa 1 e 2; TCC1 e 2)? Texto de Referência (Depoimento) - Excelente! Eles respondem, dão feedback e conforme vai passando o tempo eles vão ficando mais entusiasmados, ficam cada vez mais perto da gente. Explicitação dos Significados Os alunos respondem positivamente e vão demonstrando entusiasmo, gradativamente, ficando cada vez mais próximos do professor. 398 Questão 5: Na sua opinião, qual é a infraestrutura necessária ao desenvolvimento das atividades de pesquisa? O que a Universidade dispõe e o que precisa ser desenvolvido para essas atividades? Texto de Referência (Depoimento) - É... Eu acho que na verdade a infraestrutura, eu penso que outras universidades – a [Fundação Getúlio Vargas] GV, o Mackenzie, talvez, tenham uma estrutura muito melhor do que a PUC. Nossa infraestrutura física nem se fala (risos), mas o clima da PUC, ele faz toda a diferença. Eu acho que, nesse sentido, mesmo que tenhamos mesa e cadeira, eles vivem esse clima. A melhor infraestrutura é o clima que a gente já tem! (risos). Hoje em dia, todo mundo tem seu laptop, seu celular, acesso à Internet. Então, o negócio já é diferente hoje em dia. Explicitação dos Significados Outras universidades apresentam estrutura física melhor que a PUCSP; Hoje em dia os alunos têm diversos meios de acesso à tecnologia fora da Universidade. Portanto, a infraestrutura da PUC-SP não é um fator negativo no desenvolvimento da pesquisa; O clima da PUC é o principal aspecto favorável ao desenvolvimento da pesquisa. Questão 6: Na sua opinião, os alunos demonstram integração entre os conhecimentos das áreas técnica, humana e funcional nos trabalhos de pesquisa que realizam? Texto de Referência (Depoimento) - Eu diria que é relativo tudo isso aí. Alguns conseguem mais, outros menos. Na verdade, eu acho que esse grande passo para uma cultura de interdisciplinaridade não existe. A pesquisa pode auxiliar, mas depende do aluno. Fica muito a critério daquele aluno que consegue ter um pouco mais de visão. Eles já passaram por um processo de aculturação que é difícil para eles ter uma visão interdisciplinar. Isso talvez com a maturidade eles possam adquirir. A gente tenta dar esse senso aí, sempre tenta dar alguma coisa, mas nem sempre fica para ele. Eu acho que o professor pode aprofundar isso, esse é o papel dele. O bom dessa disciplina é que permite essa abertura. Então, o professor pode dar um pouco desse conteúdo para aqueles que têm uma visão mais ampla. Explicitação dos Significados Alguns alunos demonstram maior integração entre os conhecimentos, outros não; O desenvolvimento de uma visão interdisciplinar é difícil em função do processo de aculturação do aluno; As atividades de pesquisa favorecem e dão abertura para a discussão de questões interdisciplinares; A maturidade auxilia na integração dos conhecimentos; O professor tenta ajudar o aluno nesse processo de integração do conhecimento para aqueles que apresentam uma visão mais ampla do problema. 399 Questão 7: Em sua experiência, você identifica alguma contribuição das atividades de pesquisa na melhoria da qualidade do TCC, desenvolvimento de projetos de Iniciação Científica, participação dos alunos da graduação nos grupos de pesquisa da Universidade, participação dos alunos em outros eventos relacionados à pesquisa? Quais são (se houver)? Texto de Referência (Depoimento) - Não sei se já orientei TCC no currículo novo. É tão confuso, currículo antigo, currículo novo. Pode ser que sim, pode ser que não. Mas eu entendo que quando os alunos vão fazer o TCC eles já passaram por outros momentos e a maioria está sempre atrasada. Eles falam: “já era para eu ter terminado e a única coisa que me falta é que com esse tema eu não posso fazer o trabalho porque eu tenho algumas coisas aí para resolver”. Sempre vêm com algum comentário sobre porque que eles não fizeram o TCC (risos). Alguns eu sinto que têm maturidade e outros não. O fato de eles terem feito Pesquisa 1 e 2, até agora eu não recebi nenhum TCC que desse continuidade aos temas abordados pelo aluno em Pesquisa. Em relação à Iniciação Científica eu não sei se os alunos fizeram, mas agora eu tenho uma aluna que se chama Rita, que está fazendo Pesquisa comigo e eu sinto que ela – depende do aluno muito – ela já tem maturidade para a Iniciação Científica. Talvez a maioria ainda não tenha maturidade para isso. Em relação à participação de alunos em grupos de pesquisa da Universidade, eu acho que seria importante, mas eu não sei o que mais tem que ser feito, porque, pelo seguinte: a gente está querendo estimular o aluno cada vez mais para fazer pós-graduação e aí seria interessante, talvez, que participassem – não sei de que forma, mas talvez, organizando seminários para eles, que contem créditos para eles – seminários dos grupos da pós-graduação, trazendo temáticas para eles que possam contar como atividades complementares livres. Eu acho que seria um caminho para fazer a ponte entre os alunos da graduação e pós-graduação. Também é possível a participação deles nos grupos de pesquisa da pós-graduação, só que teria que ser estabelecida uma forma mais visível para eles. Um aluno, por exemplo, acho que é um aluno de Economia, o Leonardo, ele está querendo participar em alguns encontros do NEF – Núcleo de Estudos do Futuro. Então, teria que ter alguma coisa um pouco mais explícita para eles sobre essa possibilidade. Eu acho que não está clara essa possibilidade para eles, o que nós temos e como eles podem estar se integrando. Eu diria que tem essa possibilidade, mas a maior parte não sabe disso e teria que ter um pouco mais de orientação sobre isso. Em relação à participação em outros eventos, agora, neste milênio, é que estão Explicitação dos Significados No TCC, alguns alunos demonstram interesse e maturidade, outros não; O professor ainda não recebeu nenhum aluno de TCC que desse continuidade ao projeto desenvolvido em Pesquisa 1 e 2; Poucos alunos apresentam, em Pesquisa 1 e 2, maturidade e interesse para o desenvolvimento de projetos de Iniciação Científica; A participação de alunos em grupos de pesquisa poderia estimulá-los a fazerem pós-graduação; A maioria dos alunos da graduação não sabe da possibilidade de participação em grupos de pesquisa da pós-graduação; É necessário dar maior divulgação e visibilidade ao aluno da possibilidade de participação em grupos de pesquisa da PUC-SP da pósgraduação: falta informação sobre o que existe e como eles podem estar integrando-se; Outra forma de aproximação do aluno da graduação e da pósgraduação poderia ser por meio da promoção de eventos (palestras e seminários) para os alunos, trazendo as temáticas da pós-graduação em Administração, em que a participação dos alunos poderia contar créditos como atividades complementares livres; Muitos eventos e simpósios estão ocorrendo na atualidade, o que representa um bom momento para a participação dos alunos nesses acontecimentos. 400 organizando muitos eventos e simpósios e talvez esse seja o momento para isso. Questões Emergentes (7ª Questão) QE – Eu vou aproveitar o seu conhecimento: a estrutura que nós temos na pós-graduação comportaria a recepção desse número elevado de alunos da graduação? - Sim, sem dúvida, porque muitas vezes alguns grupos como o NEATS – Núcleo de Estudos Avançados do Terceiro Setor – já tem conseguido estagiário. Os alunos também podem fazer estágio nos núcleos. Explicitação dos Significados Além da participação dos alunos nos núcleos de pesquisa da pósgraduação, há a possibilidade de realização de estágio. Questão 8: Segundo o Projeto Pedagógico do Curso, as atividades de pesquisa podem estar voltadas para produção de trabalhos para publicação – em revistas, livros ou anais de eventos científicos da área – ou produção de estudos de caso para utilização em aulas ou disponibilização para o mercado. Em sua experiência, isso tem ocorrido? Qual é sua opinião sobre a divulgação e/ou publicação da produção dos alunos da graduação e o que é necessário para sua viabilização? Texto de Referência (Depoimento) - Eu mesmo divulgo o trabalho de meus alunos de Pesquisa no BISUS – Boletim de Inovação e Sustentabilidade, da PUC Inovação. Eu acho o seguinte: também tem que ver a limitação de tempo dos alunos. Por o que eu vejo, tem uma sobrecarga de disciplinas e isso demandaria a dedicação de um certo tempo para isso. Não vou dizer que todos conseguiriam, porque muitos também trabalham. No BISUS, nós divulgamos o trabalho que o aluno produziu, só damos uma formatação para ficar com o mesmo padrão. Tem muitos trabalhos, por exemplo, tem estudos de caso da Natura, Magazine Luiza. Começam a se aproximar do tipo de estudo de Portugal, vamos dizer, alguns discípulos, tem um aluno que fez uma pesquisa sobre Responsabilidade Social ou Economia Aberta, ele foi entrevistar porque tinha uma pessoa amiga em Portugal. Então, alguns deles já começam um pouco a dar o primeiro passo para poder fazer isso aí. Não sei se seria massa possível, alguns para Iniciação Científica, aí sim, aí eu acredito que nesses casos seria possível; ou mesmo no TCC. Mas o problema, eu acho que muitas vezes os alunos estão sobrecarregados. Em termos de estrutura para publicação, não sei se você ficou sabendo que o nosso novo coordenador é o responsável pelo Caderno de Administração, que será reativado. Então, talvez tenha outros meios, mas o BISUS está como uma coisa Explicitação dos Significados Os trabalhos produzidos pelos alunos passam por uma formatação para padronização e são publicados no BISUS – Boletim de Inovação e Sustentabilidade –, desde que relacionados aos respectivos temas; A produção de trabalhos para publicação requer dedicação do aluno e a maioria não dispõe de tempo, em função da sobrecarga das demais atividades do curso e do trabalho fora; É possível a produção de TCCs ou projetos de Iniciação Científica para publicação; O Caderno de Administração será reativado e poderá ser utilizado como um meio de publicação dos alunos da graduação. 401 intermediária para ele sentir o que pode ser feito, para divulgação, que também serve como fonte de consulta para os demais alunos. Encerramento: Você gostaria de acrescentar algo ou algum aspecto que a gente não abordou aqui? Texto de Referência (Depoimento) - Eu acho que o seu trabalho, em particular, pode ser bastante útil. Porque eu estou sentindo que falta um compartilhamento dessas experiências dos professores. Acho que isso é fundamental. Não é estabelecer de cima para baixo, deve surgir de baixo para cima e isso está faltando. Sinto que toda a estrutura vem, assim, quando tem experiências, digamos, inovadoras que podem estar surgindo e que podem contribuir muito mais para a evolução do processo de formação dos alunos. E eu acho que o seu trabalho pode trazer essa compreensão. QA – Questão de Aprofundamento QE – Questão de Esclarecimento QF – Questão Focalizadora Explicitação dos Significados Reconhece a necessidade de compartilhamento de experiências com os demais professores da atividade de Pesquisa; Experiências inovadoras vivenciadas por esses professores podem contribuir para a evolução do processo de formação dos alunos; Entende que este trabalho pode ser útil nessa compreensão.