NÚMERO 06 - NOVEMBRO 2014 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT Muitas ideias, estratégia garantida Pelo viés da inovação, P&D contribui com os objetivos estratégicos da Light Entrevistado da edição Carlos Rufin, professor em Boston e pesquisador colaborador do PósMQI/ PUC-Rio, bate um papo conosco sobre o modelo brasileiro de P&D gestão de p&D Veja quais são as mudanças, as prioridades e os desafios do P&D da Light para os próximos anos, entre eles, garantir ainda mais o caráter inovador dos projetos produtos no mercado Light, CPqD e Engelmig vão comercializar um robô que faz a inspeção automática em linhas de transmissão para identificar corrosão nos cabos o que vem por aí P&D vai aprimorar máquina coletora de resíduos sólidos, desenvolvida pela COELCE, para ampliar a abrangência do Light Recicla, projeto de eficiência energética N o 06 - NOV 2014 2 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT Mensagem do presidente foto PAULA KOSSATZ A Revista Saber é uma publicação da Light dedicada exclusivamente aos desa- em Santos (SP), para o lançamento da revis- fios e realizações em P&D. Em sua 6ª edição, ta por ser um evento de grande relevância, divulgamos os projetos de inovação tec- congregando representantes de todas as em- nológica desenvolvidos pela empresa que presas do setor, e onde o tema P&D está bem deixaram o campo das ideias e já estão dis- presente nos mais diversos segmentos. poníveis no mercado, bem como aqueles que, em breve, se tornarão alternativas viá- ção do setor elétrico torna-se um diferencial veis para o setor. competitivo por meio da aproximação com A Light tem trabalhado intensamen- o setor acadêmico e instituições de fomento, te para fortalecer a gestão do seu Programa dando dinamismo a esse mercado e deixan- de P&D e dar mais visibilidade corporativa ao do a empresa em uma posição de vanguarda tema. O Plano Estratégico de Investimento tecnológica. em P&D da Light para o período 2014-2018 privilegia temas de pesquisa que estejam grama de P&D da Light, regulado pela ANEEL, alinhados com as diretrizes definidas no vem reiterar para as concessionárias como es- Planejamento Estratégico da empresa, confir- sa exigência regulatória tem de fato gerado a mando as arrojadas metas e objetivos estabe- oportunidade de abertura de fóruns de deba- lecidos pela Light para os próximos anos. te, diminuindo assim o gap de conhecimento entre as tendências tecnológicas e o ambiente Nesse sentido, o portfólio de proje- Escolhemos o XXI SENDI, realizado O papel da concessionária na inova- A divulgação dos resultados do Pro- tos de P&D da Light tem contribuído para a corporativo. reflexão e solução de grandes desafios: a si- tuação hidrológica, as perdas técnicas e não ra todos aqueles que estão envolvidos com o técnicas e a incessante busca da eficiência tema P&D um extrato do que tem sido rea- operacional. Algumas dessas questões já es- lizado pela Light, assim como lança as bases tão sendo endereçadas na pauta de projetos para a reflexão sobre outros grandes desafios de P&D e outras terão início ainda em 2014, nessa área. como pode ser verificado na seção “O que vem por aí”. Esta revista, portanto, apresenta pa- Paulo Roberto Pinto Presidente da Light REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 3 n o 06 - nOv 2014 Sumário EnTrEviSTaDO Da EDiçÃO Carlos Rufin defende mudanças no modelo brasileiro de investimentos em P&D de forma a minimizar os riscos regulatórios 6 DIRETORIA DA LIGHT DIRETOR PRESIDENTE Paulo Roberto Pinto DIRETOR DE COMUNICAÇÃO Luiz Otavio Ziza Mota Valadares DIRETOR DE GESTÃO EMPRESARIAL Paulo Carvalho Filho DIRETOR DE FINANÇAS E RELAÇÕES COM INVESTIDORES João Batista Zolini Carneiro DIRETOR DE ENERGIA E NOVOS NEGÓCIOS Evandro Leite Vasconcelos GESTÃO DE P&D 10 conheça as mudanças, os desafios e as prioridades do p&D da light para os próximos anos DIRETOR DE DISTRIBUIÇÃO Ricardo Rocha DIRETORA DE GENTE Andreia Junqueira DIRETOR JURÍDICO Fernando Fagundes SABER | REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT ASSESSORIA DE PROJETOS ESPECIAIS PrOJETOS DE P&D Da LiGhT 22 Saiba quais são as pesquisas em andamento e de que forma elas impactam a light e o setor elétrico José Tenorio B. Junior CONTATO [email protected] GERÊNCIA DE COMUNICAÇÃO Jordana Garcia CONTATO [email protected] REPORTAGEM, TEXTO E EDIÇÃO PrODuTOS nO MErcaDO 34 Marina Godoy COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE P&D Dois produtos frutos do P&D da light já estão sendo comercializados. conheça cada um deles Massi Comunicação JORNALISTA RESPONSÁVEL Viviane Massi - MTB 7149/MG COLABORAÇÃO Fátima Ribas REVISÃO Agnes Rissardo PROJETO GRÁFICO E EDITORAÇÃO Quadratta Comunicação e Design FOTOGRAFIAS Humberto Teski O quE vEM POr aí 39 uma máquina que coleta resíduos, uma identidade contra furtos, novos processos de segurança, nova tecnologia contra erosões: projetos futuros 4 Diogo Torres COMERCIAL Regina Rei IMPRESSÃO Grafitto Gráfica e Editora Ltda. TIRAGEM 2.000 Para anunciar arTiGOS ciEnTíficOS 50 INFOGRÁFICOS E ILUSTRAÇÕES Nesta edição, cinco artigos produzidos por pesquisadores e profissionais da Light envolvidos em projetos de p&D REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT CONTATO (21) 2211- 7457 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 5 n o 06 - nOv 2014 EnTrEviSTaDO Da EDiçÃO carLOS rufin: “é PrEciSO EviTar quE ESSES PrOGraMaS SEJaM aPEnaS uM ManDaDO rEGuLaTóriO” Mais previsibilidade para as concessionárias Rufin defende mudanças no modelo brasileiro de investimentos em P&D de forma a minimizar os riscos regulatórios 6 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT EnTrEviSTaDO Da EDiçÃO Com formação avançada em economia e P&D. As empresas são convocadas a apresen- análise de políticas públicas, além de uma tar projetos, escolhidos em seguida com ba- vasta experiência em mercados de energia, se em critérios pré-definidos. A partir daí, os energias renováveis e desenvolvimento de recursos são distribuídos aos projetos vence- negócios, o professor e consultor espanhol dores. Não se trata de uma obrigatoriedade. Carlos Rufin, que vive atualmente nos Esta- A experiência brasileira foi muito inovadora dos Unidos e cuja tese de doutorado, desen- quanto a pretender fomentar a pesquisa e o volvida na Universidade de Harvard, trata do desenvolvimento no setor elétrico, mas a for- sistema elétrico brasileiro, fala, nesta en- ma como ela se dá, ou seja, de maneira com- trevista exclusiva, sobre as diferenças en- pulsória, é única em nível mundial. tre o modelo brasileiro e os demais modelos de programas de P&D em outras Revista Saber: E o que o senhor tem a di- partes do mundo. Atualmente, é professor zer sobre o modelo norte-americano? na Suffolk University, em Boston, e pesquisa- Rufin: Os Estados Unidos possuem mui- dor colaborador do Programa de Pós-gradu- tos recursos para inovação no setor elétrico, ação em Metrologia para Qualidade e Inova- mas o modelo também é diferente do bra- ção da PUC-Rio. Leia a seguir. sileiro. A inovação tem sido promovida tradicionalmente fora do sistema regulatório, Revista Saber: Como o senhor percebe a principalmente por iniciativa dos laborató- experiência brasileira frente à experiência in- rios de pesquisa federais. Eles têm como ob- ternacional de estimular inovações tecnoló- jetivo principal o desenvolvimento de ino- gicas por meio de programas regulados de vações em diversas áreas, mas muitas delas pesquisa e desenvolvimento, como é o caso voltadas para o setor elétrico. Por exemplo, do já consolidado Programa ANEEL de P&D? energia nuclear sempre foi uma das grandes Carlos Rufin: Que eu saiba, o Brasil é o úni- áreas de pesquisa. Também há instituições co país no cenário internacional que pos- equivalentes ao CNPq [em referência ao Con- sui um programa regulado de P&D, em que selho Nacional de Desenvolvimento Cientí- as concessionárias são obrigadas por lei a in- fico e Tecnológico, agência do Ministério da vestir uma parte de sua Receita Operacional Ciência, Tecnologia e Inovação], que lançam Líquida (ROL) em projetos de pesquisa e de- editais para contratar projetos de inovação senvolvimento com o propósito de fomentar com universidades, não com empresas. O a melhoria do setor e da qualidade da ener- modelo é mais centrado nas universidades, gia gerada, sendo assim controladas e avalia- que têm um envolvimento maior na defini- das pelo regulador. A única experiência se- ção dos projetos. No Brasil, o regulador de- melhante que conheço está na Grã-Bretanha, senvolve um papel mais proativo, porque é onde a agência reguladora decidiu propor a ele quem estabelece os critérios que devem criação de um fundo de investimentos para ser atendidos. REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 7 n o 06 - nOv 2014 EnTrEviSTaDO Da EDiçÃO Revista Saber: Em sua opinião de espe- Rufin: Esse é o principal desafio de qualquer cialista, qual é o modelo mais eficaz? tipo de programa de P&D em todos os seto- Rufin: Essa avaliação é complexa. Como o res: fazer o produto inovador se tornar um su- Brasil investe pouco em pesquisa e desenvol- cesso também na parte comercial. Minha re- vimento, o governo acabou inovando ao im- comendação é integrar muito mais as áreas por, por força de lei, um percentual de inves- comerciais com os programas de P&D, a fim timento, que hoje caracteriza o seu programa de que o mercado mande sinais claros quan- regulado de P&D. No entanto, o desafio prin- to a que tipo de produto tem que ser desen- cipal de um programa desse tipo é conseguir volvido. O desafio, entretanto, é conseguir fazer com que esses investimentos criem, de orientar a demanda sem inibir a criativida- fato, novas tecnologias que sejam efetiva- de das instituições proponentes de projetos mente absorvidas e introduzidas no merca- de P&D, que representam o locus da inova- do em escala comercial. Ou seja, que sejam ção. Especificamente no Brasil, em que o P&D capazes de transformar boas ideias em ino- é altamente regulado, penso que a agência vação. É muito mais fácil para o governo im- deveria fazer o papel de promover essa in- por a aplicação de um percentual do que ga- tegração. Outra possibilidade bem interes- rantir o uso efetivo de um produto inovador, sante seria também compartilhar os ganhos por meio de patentes e licenças de uso tec- do P&D com a concessionária e com o consu- nológico. midor de energia elétrica. Pelas regras brasileiras atuais, o regulador determina que par- Revista Saber: E por falar em absorção de te do lucro com os projetos de P&D deve ser novas tecnologias pelo mercado, que reco- repassado ao cliente via tarifa. Portanto, não mendações o senhor daria para intensificar se vê incentivo nenhum para que os produ- a internalização de resultados de P&D do tos inovadores sejam colocados no merca- setor elétrico no Brasil? do. Veja bem, não estou dizendo que a concessionária tenha que ficar com todo o lucro, mas que os ganhos devem ser compartilhados, até porque a verba de P&D vem da tarifa O smart grid é, provavelmente, a maior mudança na parte de distribuição de energia paga pelo consumidor. Revista Saber: O senhor entende que a dos últimos 100 anos. Entretanto, um dos avaliação de projetos poderia ser basea- maiores desafios para o seu desenvolvimento da em critérios mais objetivos? E como vê a é a criação de incentivos regulatórios adequados. questão do risco regulatório que envolve os projetos de P&D? Rufin: A definição adequada dos critérios é um grande desafio, não só para o progra- 8 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT EnTrEviSTaDO Da EDiçÃO ma Light/ANEEL de P&D, mas para todos os mentos obsoletos por outros mais novos, programas de pesquisa e desenvolvimento. A o que, provavelmente, impactaria a tarifa grande questão é como avaliar com assertivi- de energia. O setor de telecomunicações é dade o sucesso de um projeto, principalmen- um ótimo exemplo. Hoje, nós estamos dis- te porque a pesquisa é sempre um proces- postos a pagar muito mais pelas novas tec- so incerto. O nível de incerteza e o risco são nologias de comunicação do que há 20, enormes. Em alguns países, o possível suces- 30 anos. Estamos gastando muito dinheiro so de um projeto de P&D é medido pelo nú- com smartphones e aplicativos. Contextuali- mero de patentes que uma empresa já con- zando com o smart grid, o consumidor tem seguiu obter com produtos inovadores. Mas que estar disposto a aceitar os investimen- nem sempre patente é uma indicação de su- tos que as concessionárias vão fazer e tam- cesso. Voltando à questão dos critérios, talvez bém a pagar por eles, via tarifa. a agência reguladora pudesse mudar as regras e criar um modelo em que os lucros e as Revista Saber: E que recomendações da- perdas fossem compartilhados. Se houvesse ria aos gestores do P&D para melhorar o re- recursos financeiros das concessionárias en- lacionamento universidade-empresa-con- volvidos, talvez elas fossem mais cuidadosas, cessionária? mais criteriosas na escolha dos projetos, ten- Rufin: Em outros setores e países, como nos dendo a optar por aqueles com maior grau Estados Unidos, existe uma grande tradição de certeza para o sucesso, uma vez que há re- de sucesso nesse tripé, em parte devido à for- cursos próprios em jogo. mação de consórcios, que são quase entidades legais, jurídicas, dependendo da estru- Revista Saber: Quais são os principais en- tura. Ou mesmo redes já formais em que é traves que têm impedido uma implantação possível identificar qual a contribuição de ca- mais rápida e efetiva das redes inteligentes da parte envolvida. Juntos, desenvolvem um ou smart grid? programa de atuação com linhas estratégicas Rufin: O smart grid é, provavelmente, a bem definidas. Os investimentos costumam maior mudança na parte de distribuição de ser de grande vulto, com prazos muito maio- energia dos últimos 100 anos. Entretanto, res do que a média brasileira, que fica em tor- adicionalmente à segurança dos dados que no de 18 a 24 meses. Nos Estados Unidos, os precisa ser resguardada, um dos maiores de- consórcios de pesquisa universidade-empre- safios para o seu desenvolvimento é a cria- sa-governo podem exceder cinco anos, de- ção de incentivos regulatórios adequados. pendendo do porte e objetivos do projeto. São tecnologias de alto custo, mas com vida Penso que esse tipo de consórcio seria uma útil muito menor, pois evoluem rapidamen- mudança interessante no Brasil, complemen- te. Nesse caso, as concessionárias teriam tando, é claro, o que já vem sendo feito por que trocar com mais frequência os equipa- aqui de forma inovadora. REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 9 n o 06 - nOv 2014 gestão de p&D Aprimorar constantemente os processos. Esse é um dos desafios da área que gerencia o Programa de P&D da Light. Incorporar novos sistemas, novas ferramentas e novas maneiras de se fazer é um movimento que norteia a equipe. Nesta edição, o leitor vai conhecer os avanços gerenciais do P&D da Companhia no último ano e entender como vem gerenciando ideias e riscos, duas características da busca pela inovação. 10 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT GESTÃO DE P&D XXI edição do SENDI P&D da Light lança revista e apresenta três artigos foto sxc O Programa de P&D da Light, além de lançar a 6ª edição da Saber durante o XXI SENDI – Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica, em Santos (SP), apresenta, no evento, três artigos: Sistema de Análise e Seleção de Ideias e de Projetos de P&D no Setor Elétrico; Engajamento de Stakeholders no Desenvolvimento de um Plano Estratégico Participativo de Investimento em P&D – A Experiência da Light; e Boas Práticas de Gestão do Programa de P&D – Experiências das Distribuidoras. O artigo sobre engajamento de stakeholders apresenta uma metodologia inovadora empregada pela Light para o desenvolvimento do seu Plano Estratégico de Investimento em P&D. Ela parte da premissa No terceiro artigo, são apresentadas de que a inovação é um processo interativo, as boas práticas para uma gestão eficiente multifacetado e interdisciplinar. Essa meto- dos programas de P&D, definidas em conjun- dologia é participativa e interativa, envolven- to pelos membros do GT-P&D da Associação do tanto as áreas da empresa quanto forne- Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétri- cedores, universidades, centros de pesquisa, ca (ABRADEE). “No novo marco regulatório do consultorias. Programa de P&D do setor elétrico, reeditado De acordo com Jorge Ricardo de Car- pela ANEEL em 2012, foi fortalecida a necessi- valho, especialista na área de P&D, foram mo- dade de uma gestão com maiores frentes de bilizadas cerca de 80 pessoas, que contribuí- atuação, que permitam de fato suportar os ram decisivamente para a construção de um inúmeros desdobramentos das atividades de Plano de Investimentos adequado à estraté- um programa regulado”, justifica o coordena- gia corporativa da Light, à legislação vigente dor do Programa de P&D da Light, José Tenó- da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANE- rio Júnior. EL) e aos anseios e expectativas de parceiros internos e externos da Companhia. coordenado, este ano, pela CPFL Paulista. O SENDI é realizado pela ABRADEE e REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 11 N o 06 - NOV 2014 GESTÃO DE P&D Evolução corporativa Conheça as mudanças, os desafios e as prioridades do P&D da Light para os próximos anos Desde meados de 2014, a área de P&D conta desses e de outros fatores, o P&D é funda- da Light está vinculada à Assessoria da Presidên- mental para a Companhia, pois ele pode contri- cia. A mudança vai proporcionar mais visibilida- buir com esse ganho de eficiência operacional. de ao P&D, que passa a contar com um aporte É importante que ele atenda às demandas da de conhecimentos oferecido por toda a empre- Light e traga resultados concretos, tanto quan- sa, permitindo, principalmente, que ele esteja titativos como qualitativos”, acrescenta Marina. muito mais vinculado às questões estratégicas da Companhia. “Essa mudança concede à área dência reforça a necessidade de uma reorga- de P&D a oportunidade de estar mais próxima nização da área, para que se tenha maior ca- às prioridades da Light”, comenta Marina Godoy, pacidade de acompanhar o andamento dos assessora de Projetos Especiais da Presidência. O projetos que estão sendo desenvolvidos, bem segundo semestre do ano tem sido dedicado a como redobrar a atenção dada à fase pós-pro- uma avaliação geral dos projetos em andamen- jeto, de inserção do produto no mercado. “Te- to e a definição de prioridades para 2015. mos que estimular o relacionamento com a in- dústria, para que os produtos sejam absorvidos Pode-se dizer que a Assessoria Em curto prazo, a assessora da Presi- da Presidência funciona com um Project pelo setor elétrico em larga escala”, enfatiza. Management Office (PMO), ou Escritório de Projetos. A ideia é que os projetos de P&D se- -se ganhos de produtividade. O nosso gran- jam acompanhados por esse PMO, garantin- de desafio é dar um salto de qualidade, redu- do que as metas estabelecidas sejam alcança- zindo custos para a próxima revisão tarifária. E das dentro dos prazos previstos, até mesmo não posso deixar de citar o envolvimento de para respeitar as regras determinadas pela toda a empresa nesse processo. Nós fazemos Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). a gestão, mas são as áreas afins, com seus co- nhecimentos técnicos, que são responsáveis O setor elétrico, como um todo, tem grandes desafios. A Light, particularmente, aca- “Para médio e longo prazo, buscam- por fazer a pesquisa andar”, reforça. bou de passar pelo 3º Ciclo de Revisão Tarifária e já vai começar a se preparar para o 4º, em 2018. Risco regulatório As distribuidoras, de uma forma geral, têm que 12 ser cada vez mais eficientes, com mais qualida- de no serviço prestado, a um custo menor. “Por a avaliação inicial de projetos. Antes de 2008, o REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT As regras atuais da ANEEL eliminaram GESTÃO DE P&D desafio das concessionárias era executar o pro- ditoria, pode glosar parte do projeto ou sua jeto de acordo com o que havia sido aprovado totalidade. O risco hoje é muito maior, pois, pela agência reguladora. Isso garantia o caráter se não forem reconhecidos, os recursos in- inovador da proposta, reduzindo o risco de o vestidos terão que ser aplicados novamente, projeto ser glosado. Mas há alguns anos já não perdendo-se o investimento inicial”, observa é mais assim: “temos um desafio muito maior Marina, lembrando que os custos devem ser de avaliar se os projetos que vamos executar incluídos na análise, pois a ANEEL pode con- têm de fato um caráter inovador. Para isso, tra- siderá-los muito altos e não aprovar. balhamos, por exemplo, com pesquisa de anterioridade. Não é fácil saber se algo já foi pen- pREStES a coMplEtaR 15 aNoS sado e desenvolvido. Temos que tomar muito cuidado porque a equipe de P&D tem que ga- A Lei Federal nº 9.991, de 24 de julho rantir que cada projeto a ser desenvolvido te- de 2000, que dispõe sobre a realização de in- nha um caráter inovador”, frisa Marina. vestimentos em pesquisa e desenvolvimen- Soma-se a isso o fato de que as distri- to e em eficiência energética por parte das buidoras de energia também passaram a ser empresas concessionárias, permissionárias e responsáveis pelas auditorias, contando com autorizadas do setor de energia elétrica, vai auxílio de auditores independentes. “A ANEEL completar 15 anos em 2015. De lá pra cá, já pode aceitar ou não o resultado de uma au- sofreu atualizações e atualmente determina que 1% da Receita Operacional Líquida (ROL) seja aplicado em P&D e Eficiência Energética. No entanto, do percentual de 0,5% destinado à pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, somente 0,2% fica com a Light, totalizando, aproximadamente, R$ 12 milhões por ano. O percentual de 0,3% restante é administrado pelo Governo Federal, a saber: Fundo Nacional de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia e Ministério de Minas e Energia. “O início foi de aprendizado e organização das áreas. O grande avanço é que as demandas agora partem das distribuidoras. Elas sabem o que querem e procuram parceiros externos que correspondam às suas necessidades estratégicas. Resumindo: quem está dentro da Companhia sabe do que a Light precisa”, finaliza Marina. Marina GODOY, aSSESSOra DE PrOJETOS ESPEciaiS Da PrESiDência REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 13 N o 06 - NOV 2014 GESTÃO DE P&D Auditoria do passado Resolução da ANEEL resgata projetos concluídos entre 2000 e 2007 e impõe riscos às distribuidoras A Agência Nacional de Energia Elé- todos os projetos. Para aqueles com menos de trica (ANEEL) publicou a Resolução Normati- cinco anos da data de conclusão, a auditoria va nº 618, de 1º de julho de 2014, que esta- deverá ser concluída até dezembro de 2014, belece a obrigatoriedade de auditoria para os e será completa. Já para projetos com mais de programas e projetos de P&D e de eficiência cinco, o prazo é julho de 2015, e, nesse caso, o energética do setor de energia elétrica. processo de auditoria será simplificado. A Li- Esse processo, que vem sendo cha- ght terá sete projetos a serem auditados con- mado de “auditoria do passado”, iniciado em forme o primeiro caso e 206 projetos que se- julho deste ano, resgata um passivo de fisca- rão entregues até ano que vem. lização deixado pelo regulador relativo aos projetos de P&D da época de 2000 a 2007 e sa demanda regulatória. A equipe do Pro- projetos de eficiência energética do período grama de P&D está mobilizada e trabalhan- de 1999 a 2007, os quais passarão por uma revisão técnica, contábil e financeira. Ao todo, 208 projetos de P&D da Li- ght SESA e cinco da Light Energia serão revisitados pelo órgão regulador. Os prazos e o processo de auditoria não são os mesmos para É um grande desafio atender a essa demanda regulatória. A equipe do Programa de P&D está mobilizada e trabalhando em conjunto com outras áreas da Light para entregar os projetos dentro dos prazos estabelecidos. José Tenório Júnior | Coordenador do Programa de P&D da Light 14 José Tenório Júnior, coordenador do P&D da Light REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT “É um grande desafio atender a es- GESTÃO DE P&D Quebra de confiança junto ao regulador do em conjunto com outras áreas da Light debatemos o assunto em diversas ocasiões e – contabilidade, regulatória, auditoria – para negociamos com o órgão regulador uma au- entregar os projetos dentro dos prazos esta- ditoria simplificada em projetos cujo prazo é belecidos”, comenta José Tenório Júnior, co- dezembro deste ano”, acrescenta. ordenador do Programa de P&D da Light. O coordenador de P&D entende a necessidade da ANEEL, mas não deixa de friRisco de glosa, sar que a “auditoria do passado” vai impactar advertência e multa o setor elétrico de todo o Brasil, colocando em risco as concessionárias, pois os resulta- De acordo com Tenório, a possibili- dos podem provocar, por exemplo, glosas, dade de uma “auditoria do passado” já vinha advertência e/ou multa. “O desafio é enorme”, sendo discutida desde 2012. “A ANEEL mani- repete. festava o desejo de regularizar esse passivo, pois precisa encerrar oficialmente esses pro- elétrica tiveram que contratar empresas de jetos. Nós, representantes dos Programas de auditoria técnica e contábil, cadastradas na P&D das concessionárias, desde 2012, por Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para meio do GT da Associação Brasileira dos Dis- produção dos relatórios sobre os investimen- tribuidores de Energia Elétrica (ABRADEE), tos realizados. Todas as concessionárias de energia Light no ENCONSEL O Programa de P&D da Light foi convidado para participar do XXX ENCONSEL – Encontro Nacional dos Contadores do Setor de Energia Elétrica, em Foz do Iguaçu, Paraná, no período de 15 a 19 de novembro deste ano. O encontro deverá contar com a participação de mais de 500 profissionais das áreas contábil e financeira, além de representantes de empresas de geração, transmissão, distribuição, cooperativas elétricas, auditoria, informática, advocacia, universidades e agentes reguladores e de fiscalização. O coordenador do P&D da Light, José Tenório Júnior, vai mediar o painel P&D e PEE: contabilização, documentação e auditoria, no dia 18 de novembro, do qual participarão o superintendente de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética da ANEEL, José Roberto Sanches, e o sócio da Delloitte Touche Tomatsu, Renato Vieira Lima. Informações: www.abraconee.com.br/enconsel2014 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 15 N o 06 - NOV 2014 GESTÃO DE P&D Mitigando os riscos Software vai ser capaz de avaliar os projetos antecipadamente e auxiliar nas tomadas de decisão O Programa de P&D da Light poderá da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANE- contar com mais uma ferramenta para o pro- EL) de não mais realizar avaliações iniciais de cesso de tomada de decisões relativas a pro- projetos. “Esse sistema vai contribuir na mi- jetos que devem ou não sair do papel. Teve tigação de risco de insucesso frente ao pro- início, este ano, um estudo cujo objetivo é cesso de avaliação pela agência reguladora”, desenvolver um software capaz de avaliar os pontua o coordenador. benefícios e riscos na seleção de projetos de pesquisa e desenvolvimento nas companhias dada com expectativa pelo P&D da Light. Isso de setor elétrico, beneficiando o segmento porque identificar e mensurar as chances de como um todo. concretização de uma ameaça de risco, espe- “A proposta de um procedimento sis- cífica às características inerentes aos projetos temático para a coleta de dados e execução de de pesquisa e de eficiência energética, possi- um sistema de gestão de riscos específicos pa- bilitam que os gestores das áreas se anteci- ra as empresas de energia elétrica preencherá pem e adotem medidas para mitigar o risco uma lacuna que hoje é desafiadora para os pro- identificado antecipadamente. gramas de P&D”, comenta José Tenório Júnior, coordenador do Programa de P&D da Light. um modelo de análise com base na lógica Além disso, Tenório acrescenta que fuzzy, para antecipar o desempenho de um a nova metodologia motivou-se pela decisão projeto, calculando o Risk Priority Number de A nova ferramenta tem sido aguar- Os pesquisadores vão desenvolver Conheça alguns objetivos específicos da nova ferramenta para gestão de risco • Separar os projetos em duas classes – inovação radical e processo regular de P&D da ANEEL – para avaliação ortogonal; • Identificar uma lista de benefícios e de riscos associados a projetos de pesquisa e desenvolvimento; • Desenvolver um modelo por lógica fuzzy para avaliar os desempenhos dos projetos às listas de benefícios e de riscos; • Calcular o Risk Priority Number para cada projeto com base na sintetização dos escores relativos a cada risco da lista; • Simular a avaliação inicial de projetos de P&D levando em consideração os critérios da ANEEL e também as especificidades que influenciam na nota de avaliação. 16 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT GESTÃO DE P&D acordo com uma lista de riscos e benefícios pré-definida. “Se a gestão integrada do risco pro- A proposta de um procedimento sistemático piciar ações mitigadoras que impeçam algu- para a coleta de dados e execução de um mas perdas, em especial nas áreas em que há sistema de gestão de riscos específicos para benefícios sociais e ambientais, isso representará uma economia – ainda a ser mensu- as empresas de energia elétrica preencherá rada – que justificará o investimento no pro- uma lacuna que hoje é desafiadora para os jeto de P&D”, finaliza o coordenador de P&D programas de P&D. da Light. Pela sua natureza e objetivo, este projeto poderá ser útil para outras empresas José Tenório Júnior | Coordenador de P&D da Light do setor elétrico em suas atividades de P&D. RISCO x BENEFÍCIO Os projetos P3 e P6 estão em um quadrante que sinaliza um alto nível de inovação radical e muitos benefícios, mas com grandes riscos de incerteza da pesquisa. Já o quadrante dos projetos P4 e P2 mostra que os riscos são mais baixos, porém o nível de inovação também é baixo, sem muitos benefícios. Com base em critérios pré-definidos, a ferramenta selecionará os projetos de acordo com os riscos e seus impactos, separando-os nos quadrantes conforme o gráfico. REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 17 N o 06 - NOV 2014 GESTÃO DE P&D Inteligência administrativa Ferramenta online atende à necessidade de analisar, qualificar e selecionar novos projetos de P&D 18 O Programa de P&D da Light já es- de uma metodologia que permita identificar, tá utilizando uma ferramenta online para fa- quantificar e selecionar – de forma multicrité- zer a gestão do portfolio de projetos de ino- rio e estruturada – os novos projetos de P&D vação. Trata-se de um sistema inovador, em a serem desenvolvidos pela Light. Essa ferra- plataforma web, denominado Sistema Inte- menta contribui para uma tomada de decisão grado de Gestão de Ideias e Projetos de P&D mais assertiva e dá confiabilidade maior para (GESPPIN), que permite o gerenciamento de o processo de avaliação e seleção da carteira novas ideias e atende a necessidade de anali- de projetos de P&D”, declara Camila Caiaffa, sar, qualificar e selecionar, de forma técnica e engenheira da área de P&D da Light. estruturada, os novos projetos da Companhia. “Para uma adequada gestão do por- Ideias e de Projetos começou a ser usado em tfólio de projetos, é fundamental a definição 2013 e vem contribuindo com o desafio de se REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT O Sistema Integrado de Gestão de GESTÃO DE P&D fazer a seleção de novas ideias e novos projetos de acordo com três critérios: 1) Características apresentados por parceiros internos e exter- de P&D ANEEL; 2) Caráter Inovador da Ideia; e nos, considerando os limitados recursos finan- 3) Alinhamento à Estratégia de P&D da Light. ceiros e humanos que as empresas possuem. A ideia validada receberá apoio da “Como a ideia é o elemento primor- área de gestão para a elaboração da proposta dial do processo de inovação, ela deve ser de P&D e para o alinhamento com parceiros catalogada, identificada, analisada e qualifi- externos que possam colaborar com o desen- cada, reduzindo o risco de que se perca nos volvimento do projeto, como universidades e meandros burocráticos e organizacionais das centros de pesquisa. grandes empresas”, defende Camila. Vale destacar que é possível acompanhar todo o processo pelo sistema, que indica ENtENDa o SIStEMa a situação de cada ideia sugerida, considerando cinco status prováveis: Nova Ideia, Em Ava- Dividido em dois módulos, a ferra- liação, Aprovada, Rejeitada ou Cancelada. menta online de gestão permite o cadastramento de uma ideia e, por conseguinte, de SElEção DE pRojEtoS um projeto. No primeiro caso, as ideias são cadastradas, e a gestão de P&D indica o ana- A segunda etapa é a Seleção de Pro- lista que fará sua avaliação dentro da própria jetos de P&D, que permite a sistematização ferramenta. Ao clicar no link recebido pelo e- e homogeneização do processo de avalia- -mail, esse analista é direcionado para o siste- ção de propostas para novos projetos. A fer- ma e para o link “Avaliações e aprovações das ramenta inclui a possibilidade de uma aná- ideias”. Nesse momento, ele fará a avaliação lise multivariada e em diversos cenários. É REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 19 N o 06 - NOV 2014 GESTÃO DE P&D possível definir vários critérios – atualmente a Light utiliza nove – com pesos distintos pa- grande utilidade para a gestão de proje- ra cada um, alterar critérios e pesos a partir tos de P&D. Em análises iniciais, se mostrou das mudanças nos cenários de análise e fazer efetivamente útil, auxiliando na seleção de restrições orçamentárias. “O sistema calcula, 11 projetos dentro de um conjunto inicial com base nas avaliações realizadas e nos pe- de 19”, acrescenta José Tenório Júnior, co- sos dos critérios, quais projetos têm maior re- ordenador do Programa de P&D da Light. levância estratégica, gerando uma tabela de Segundo ele, a ferramenta reduziu consi- classificação”, acrescenta Camila. deravelmente o tempo gasto no proces- so de análise, tornando-a mais criteriosa e No entanto, pode ser que um projeto “Esse sistema é uma ferramenta de bem avaliado seja oneroso financeiramente. técnica. “Nesse caso, o sistema permite inserir um va- lor de orçamento disponível para determina- destacam-se: otimização do tempo; maior as- do período. Dado esse valor, a ferramenta cal- sertividade e coerência no processo de análi- cula automaticamente o conjunto de projetos se; flexibilidade e modularidade do sistema; e que trará o maior valor estratégico dentro da maior confiabilidade sobre os resultados ob- restrição orçamentária”, explica a engenheira. tidos”, conclui Tenório. “Entre as reais vantagens do sistema, Funcionalidades da ferramenta de gestão de ideias e projetos 1° Momento Identificação de Ideias • Este processo tem como objetivo mapear as ideias candidatas ao portfólio. • As ideias podem ser provenientes de chamada interna. • O principal produto desse processo é a lista dos projetos candidatos ao portfólio e cadastrados no sistema. • A Gestão de P&D avalia as sugestões de projetos e elimina as que não se enquadram no Plano Estratégico de P&D ou que não estejam em conformidade com as diretrizes básicas do Manual de P&D da ANEEL. • Após esse primeiro procedimento interno, as sugestões que de fato possam se tornar projetos de P&D são validadas pelos respectivos gerentes ou superintendentes das áreas aos quais os proponentes internos estejam vinculados, antes de serem publicadas no site da Light para a fase de chamada externa. 20 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 2° Momento Seleção de Propostas • Participam desse processo de análise de propostas a Gestão de P&D, a área de Aquisição e Logística e o futuro gerente do projeto ou representante da área que fez a proposta. A análise das propostas recebidas pelo site da Light será feita utilizando-se a Planilha de Avaliação de Propostas. Essa planilha consolida a avaliação de cada representante e indica a entidade executora vencedora. • Importante ressaltar que as propostas apresentadas não se baseiam em uma especificação face à particularidade do processo de P&D, e, portanto, não possuem uma comparação direta. Na análise das propostas, é valorizada, então, a melhor solução tecnológica que atenda à Light e que esteja aderente às regras da ANEEL. GESTÃO DE P&D Gestores debatem resultados dos programas Encontro no Rio coloca em pauta diversos assuntos, entre eles registro de patente e inserção do produto no mercado O P&D da Light participou do 2º En- Questionado sobre a principal difi- contro de P&D dos Agentes do Setor Elétrico culdade de se chegar à fase industrial, Te- (Epase), que aconteceu no Rio de Janeiro, nos nório disse que é fazer o fornecedor acredi- dias 6 e 7 de outubro. No evento, foram discu- tar na potencialidade do produto. “Quando tidos os resultados dos programas de pesqui- a pesquisa é concluída não significa que o sa e desenvolvimento das concessionárias de trabalho tenha acabado. É preciso conti- energia elétrica, melhorias no manual de P&D nuar cuidando do produto, mesmo com as e possíveis avanços para que os investimen- questões todas já resolvidas, para que ele tos tenham impacto efetivo no setor. não se perca no caminho e fique estagna- do”, falou Tenório. José Tenório Júnior, coordenador do P&D da Light, integrou o painel Aproveitamen- to do P&D – Como aproveitar resultados e pa- ram Paulo Roberto Maisonnave, da ENDESA lestrou sobre Produtos e patentes – gerando Geração, e Guilherme Starck Bernard, diretor negócios em P&D. Dados apresentados pelo da Reason. No mesmo painel, também palestra- coordenador mostraram um total de 40 pedidos de patentes pela Light entre 2009 e 2013. Segundo o coordenador, a Compa- nhia tem avançado na fase de inserção de produtos no mercado. Um exemplo é o espaçador de cabos elétricos, que está sendo comercializado há dois anos e, atualmente, é adquirido pela concessionária Ampla e por uma empresa argentina. Além dele, a Light assinou contrato com CPqD e Engelmig para comercializar o Sistema de Detecção de Corrosão para Cabos CAA em Linha Energizada, popularmente conhecido como um robô que detecta problemas nos cabos. REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 21 n o 06 - nOv 2014 projetos de p&D A missão da Light é prover energia e serviços com excelência e de forma sustentável, contribuindo para o bem-estar e o desenvolvimento da sociedade. E a missão do P&D é colaborar para que a Companhia consiga fazer isso. Nas páginas a seguir, o leitor vai conhecer alguns projetos de pesquisa e desenvolvimento, bem como suas contribuições à estratégia da Light. 22 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT Inovação em Energia Com 15 anos de presença no mercado nacional, o Instituto de Pesquisas Eldorado atua fortemente no segmento de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P,D&I) e apresenta um amplo portfólio de projetos no setor de Energia Elétrica, atuando em todas as etapas do ciclo de inovação tecnológica em temas atuais e futuros, tais como: Sistemas Avançados de Medição; Geração Distribuída de Energia; Operação e Despacho em Tempo Real; Segurança e Qualidade da Energia Elétrica; Sistemas de Comunicação e Realidade Virtual; Smartgrid e Energy Storage; Big Data, Internet of Things e Cloud Computing. Hoje, o Eldorado possui grande expertise e apresenta diferenciais competitivos como histórico de gestão de mais de 200 projetos reconhecidos por órgãos e agências governamentais, como MCTI, ANEEL, BNDES, Anatel e FINEP. Além disso, conta com uma rede de parceiros industriais constituída, que permite rapidez de inserção de um produto, aplicação ou processo de mercado e, por fim, possui uma grande diversidade de clientes e de setores de atuação, que garante uma interação sem precedentes e acelera a curva de absorção do conhecimento de novas tecnologias, aplicações e criação de inovações no mercado. www.eldorado.org.br REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 23 N o 06 - NOV 2014 Projetos dE P&D Transferindo inteligência Tecnologia transforma medidor simples em medidor inteligente e contribui para reduzir perdas Balanço energético: É uma operação matemática, envolvendo o consumo registrado nos medidores dos clientes e no medidor do transformador. A soma do consumo de todos os medidores é confrontada com a quantidade de energia distribuída pelo transformador para alimentar esses clientes. A quantidade distribuída tem que ser a mesma da consumida, caso contrário, há perda de energia. Uma plataforma que tem a função Gestão e Controle de Medição da Light, es- de fazer com que qualquer medidor que pos- sa tecnologia foi um grande achado e trouxe sua porta de comunicação possa se tornar um ganho definitivo: a vinculação ou amar- um medidor inteligente é colocada em um ração do cliente ao transformador, que po- dispositivo chamado Base Inteligente. Nela, de ser feita de forma automática. Quando a os medidores convencionais são acoplados, leitura de um medidor inteligente chega ao tornando-se aptos a transmitir informações CCM, é possível identificar a qual transforma- do consumo do cliente para o Centro de Con- dor ele está ligado. Essa é a vinculação clien- trole de Medição (CCM), da Light. te-transformador, que possibilita um balanço energético preciso e rápido. Alguns medidores já possuem esse tipo de inteligência, nascem medidores inte- ligentes, mas o custo é muito elevado quan- fazendo a leitura remotamente, verificar o ba- do comparado ao dos medidores conven- lanço energético do transformador e monito- cionais. Associado a essa Base, um medidor rar os índices de perdas são ganhos enormes simples se transforma em inteligente com um em termos de tempo e custo trazidos pelo custo bastante inferior. medidor inteligente. As equipes não preci- sam mais ser deslocadas para fazer leituras, Segundo Danilo Ribera, gerente de “A possibilidade de faturar o cliente cortes ou religamentos, mas apenas quando constatamos que há perdas de energia no lo- A possibilidade de faturar o cliente fazendo a leitura remotamente, verificar o balanço energético do transformador e monitorar os cal”, explica Ribera. Antes dessa tecnologia, a Light con- vivia com problemas recorrentes. Uma operação em função de ações de emergência ou índices de perdas são ganhos enormes projetos de readequação da rede podia, por em termos de tempo e custo trazidos exemplo, transferir um cliente de um trans- pelo medidor inteligente. formador para outro, na rede de baixa tensão, sem avisar, interrompendo o vínculo. Essa Danilo Ribera | Gerente de Gestão e mudança, quando não identificada, provoca- Controle de Medição da Light va diferença no balanço energético, e o cálculo passava a não corresponder à realidade. 24 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT PrOJETOS DE P&D REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 25 N o 06 - NOV 2014 Projetos dE P&D Medidor inteligente instalado em uma região de Nilópolis Estamos muito satisfeitos com os resultados. São várias solicitações de patentes geradas e depositadas no Brasil. Vamos entrar agora na fase Cabeça de Série, aprimorando o produto para futura utilização em escala no mercado elétrico. Welson Jacometti | Diretor executivo da CAS Tecnologia “O grande ganho trazido por esse projeto é a criação de uma tecnologia para detecção automática quando um cliente sai da rede, deixando de ser computado no balanço energé- tico do transformador em questão”, explica vo da CAS Tecnologia, concorda com o suces- Ribera. Se um cliente sai de um transformador so do P&D. “Colaboramos com a Light no de- e migra para outro, a Base Inteligente identifi- senvolvimento da Base Inteligente e estamos ca essa mudança e manda, automaticamente, muito satisfeitos com os resultados. São vá- essa informação para o CCM da Light. rias solicitações de patentes geradas e depo- Welson Jacometti, diretor executi- sitadas no Brasil. Vamos entrar agora na fase ALARMES CONTRA FRAUDES Cabeça de Série, aprimorando o produto para futura utilização em escala no mercado elétri- 26 Além da precisão no balanço ener- co”, conta. gético, a Base Inteligente traz dois alarmes muito importantes: falta de tensão, acusando mo precisar o volume de perdas a ser evitado quando o cliente faz uma intervenção e des- com essa tecnologia, a vinculação automáti- liga a tensão de alimentação do medidor; e ca cliente-transformador já foi comprovada alarme de corrente diferencial, que visa iden- em Nilópolis, na Baixada Fluminense, onde tificar os desvios na rede. “O casamento do 20 clientes estão sendo monitorados e vincu- balanço preciso com os alarmes indica de for- lados ao transformador sem qualquer interfe- ma clara em que ponto há irregularidades. O rência dos transformadores vizinhos. “Temos ganho operacional é indiscutível”, acrescenta total confiança no produto gerado pelo P&D”, o responsável pelo projeto. finaliza Ribera. REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT Embora a Light ainda não tenha co- Projetos dE P&D Mitigação do biofouling Alternativa tecnológica remove incrustações dos trocadores de calor sem parar as turbinas Após validação no ambiente labora- torial da PUC-Rio, está sendo testado, em condições reais de operação, na Usina Hidrelétrica Fontes Nova, um sistema inovador que introduz esferas abrasivas nas passagens internas dos trocadores de calor de arrefecimento do hidrogerador sem a necessidade de paralisar as turbinas para realizar a limpeza e remover indesejáveis incrustações que comprometem a efetividade térmica desses equipamentos. As esferas removem as incrusta- ções que resultam de um complexo fenômeno de formação de biofouling, originado pe- ra Qualidade e Inovação da PUC-Rio. “Como lo crescimento sem controle de colônias de os resultados foram muito positivos, nossa in- micro-organismos presentes nas águas que tenção agora é desenvolver um novo P&D pa- abastecem a Usina. A remoção dos resíduos ra transformar o protótipo que construímos associada a uma limpeza mais eficaz e à im- em um produto a ser inserido no mercado de plantação de um mecanismo inteligente que energia elétrica, para ser utilizado por outras introduz e retira as esferas do circuito de água concessionárias”, comenta o pesquisador da de resfriamento sem a necessidade de inter- PUC-Rio, Mauricio Frota. rupção de geração de energia são as grandes inovações desse projeto. Piraí, interior do estado. A parada de um úni- O sistema foi desenvolvido pelo Pro- co dia de geração de apenas uma das três grama de Pós-Graduação em Metrologia pa- turbinas significa interrupção do fornecimen- A Usina Fontes Nova localiza-se em to de 1.056 MWh, o que corresponde ao con- Biofouling: Resíduos contaminantes da água utilizada nos sistemas de refrigeração dos hidrogeradores nas usinas hidrelétricas. Eles se incrustam na parte interna dos trocadores de calor, causando obstrução e prejudicando o desempenho dos equipamentos. sumo de energia de 70,8 famílias durante um mês, números que, se convertidos para valores monetários, indicam um impacto econômico da ordem de R$ 360 mil por dia, calculados com base na tarifa média residencial. As esferas possuem 24 mm de diâmetro, sendo constituídas de material esponjoso não aderente e recobertas com microesferas abrasivas REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 27 N o 06 - NOV 2014 Projetos dE P&D Inteligência analítica a serviço do cliente Light e Coppe/UFRJ desenvolvem modelo de previsão do tempo de restabelecimento de energia elétrica O projeto consiste no desenvolvi- Light com o Núcleo de Transferência de Tec- mento de um modelo de inteligência ana- nologia da Universidade Federal do Rio de Ja- lítica para informar ao cliente da Light, por neiro (UFRJ), trabalha com o histórico de um meio de atendimento telefônico eletrônico, ano atrás, avaliando todas as situações. Se em também chamado de URA (Unidade de Res- uma determinada região o prazo de restabe- posta Audível), o tempo de restabelecimen- lecimento foi de quatro horas, o modelo vai to da energia elétrica em caso de queda. O dar um prazo de até quatro horas para resta- modelo de cálculo foi desenvolvido de for- belecer a energia. A possibilidade de acerto ma que possa ser continuamente reajusta- é muito efetiva porque é baseada em todo o do para poder acompanhar sazonalidades histórico da região. e mudanças estruturais que possam afetar o tempo de reparo. software que executa o modelo desenvolvi- Renato Barros, coordenador do Call do e seu algoritmo de ajuste de parâmetros. Center da Light, explica que o modelo leva O software acessa as informações necessárias em consideração fatores como a localização na base de dados da Light e gera uma estima- do cliente, as condições meteorológicas, da- tiva do tempo de restabelecimento, que tam- dos da instalação, classificação da falha, bem bém será armazenada nessa mesma base. como informações anteriormente registradas. mento e Suporte, Cátia Lopes, conta como Esse modelo, nascido da parceria da O principal produto do projeto é um A gerente de Centrais de Relaciona- Reformulação na URA Está em fase de teste um novo modelo de atendimento telefônico eletrônico com maior interatividade: a URA Humanizada, que vai aprimorar a relação com o cliente. “Atualmente, o nosso atendimento automático já informa o prazo de restabelecimento, mas o cliente ainda precisa oferecer ao sistema algumas informações, como, por exemplo, o número do seu CPF e o código de instalação”, conta Cátia. No futuro, o cliente será identificado pelo número de telefone, vai ouvir uma mensagem informando que foi verificada falta de energia na localidade dele e, sem precisar oferecer novos dados, receberá, em seguida, o prazo para restabelecimento. Um atendimento muito mais simplificado, que deverá ser implantado ainda no final de 2014 ou início de 2015. 28 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT Projetos dE P&D funciona na prática: “O cliente digita seu código de instalação. A partir dele, fazemos diversos cruzamentos para poder identificar, dentro desse modelo, qual será o prazo mais assertivo para o restabelecimento da energia”, explica ela. Modelo tem 70% de assertividade Esse sistema realiza a previsão do Tempo Total de Restabelecimento para todas as localidades, levando em consideração também os tipos de reclamações abertas no sistema de emergência. “Quando o cliente nos de assertividade. É um modelo de previsão contata sem nenhuma outra comunicação em sem similar nas concessionárias de energia. aberto, precisamos checar os vizinhos, para Existem outros, mas com esse nível de com- analisar a abrangência da situação. A comple- plexidade e assertividade, desconhecemos”, xidade do projeto está na criação do algorit- afirma a gerente. mo com diversas variáveis para se chegar a um modelo de alta assertividade”, detalha Cátia. 70%, a atenção se volta aos 30% restantes. O projeto teve um tempo de matu- Quando um prazo de restabelecimento entra ração de quatro anos. O modelo foi desenvol- nessa faixa, meia hora antes de expirar, o mo- vido para o sistema anterior de atendimen- delo faz o recálculo e dá um novo prazo. A ca- to às chamadas de emergência, o Sistema de pacidade é de até dois recálculos, fornecendo Gestão da Distribuição (SGD). Atualmente, a ao cliente mais dois prazos, além daquele da- Light utiliza outro sistema, o GDIS. O algorit- do inicialmente. mo precisou então ser adequado a essa nova realidade. “Esse processo gerou atraso de um co, a Companhia trabalha com o prazo máxi- ano, mas, desde abril, a Light já trabalha com mo de oito horas, embora o sistema possa ser esse sistema de prazo de restabelecimento programado para qualquer prazo. Transcorri- em seu Call Center”, acrescenta Cátia. das oito horas sem nenhum sucesso no resta- A busca pela assertividade nas infor- belecimento, o modelo passa a informar que a mações aos clientes, segundo Cátia, sempre energia será restabelecida o mais breve possí- foi uma preocupação da Light, para não ha- vel e transfere o cliente para o atendente. ver quebra de confiança. “É claro que há situ- ações em que não conseguimos restabelecer modelo de cálculo para reduzir o percentual de no prazo informado, mas estamos com 70% recálculos e elevar a assertividade dos prazos. Com um nível de assertividade em Pelo atendimento telefônico eletrôni- Periodicamente, a UFRJ faz ajustes no REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 29 N o 06 - NOV 2014 Projetos dE P&D P&D dá base científica ao corte rente Pesquisas buscam melhor interação das redes de distribuição de energia com arborização urbana energia. Por isso, a realização das podas é um serviço contínuo”, justifica Aline Agra, especialista em Meio Ambiente e gerente do projeto na Ampla, concessionária de distribuição de energia elétrica que concentra a maior parte de seus clientes na Região Metropolitana de Niterói e São Gonçalo e nos municípios de Itaboraí e Magé. Surgiu daí a necessidade de se de- senvolver um P&D que retardasse as novas brotações após as podas. “Nessa linha de pesquisa, nós tivemos um resultado que já havia sido preconizado nos manuais de podas de todas as concessionárias, que é o corte ren 30 A Light, a Ampla, a Universidade Fe- te, ou seja, aquele feito na interseção do cau- deral Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e a Uni- le principal, rente ao tronco”, explica Aline. versidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) se uniram para desenvolver, em parceria, um te favorece muito a cicatrização do local e di- projeto que valoriza dois aspectos funda- ficulta a brotação. Por isso, a Light e a Ampla, mentais para a qualidade de vida da popula- em seus treinamentos, já orientavam para a ção: a energia elétrica e a arborização. utilização dessa técnica, apesar de ainda não haver uma pesquisa que desse embasamen- O clima tropical do Brasil favorece o Segundo a especialista, o corte ren- crescimento da vegetação, obrigando as con- to científico à prática. cessionárias a disponibilizarem grande volu- me de recursos ao longo de todo o ano pa- teve um resultado tão positivo que não hou- ra fazer a poda. “A interferência de galhos nas ve mais nenhuma brotação. Em outras, o pro- redes elétricas aéreas pode trazer problemas cesso de brotação foi lento o bastante para à Light e aos clientes, como interrupção de ser considerado satisfatório. Essas variações REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT Em algumas espécies, o corte rente Projetos dE P&D estavam previstas na pesquisa em que foram levados em conta fatores como diâmetro A interferência de galhos nas redes elétricas do galho, maturidade das árvores e diferenças genéticas entre as espécies, variáveis que aéreas pode trazer problemas à Light e aos precisam ser consideradas quando se traba- clientes, como interrupção de energia. Por isso, lha com vegetação. a realização das podas é um serviço contínuo. Aline Agra | Especialista em Meio Ambiente TRITURADOR DE RESÍDUOS da Ampla Uma consequência direta da poda é o resíduo, trabalhoso de remover e que contribui para reduzir a vida útil dos aterros sani- gerente de Meio Ambiente e responsável pe- tários. “Após a poda, um segundo caminhão lo projeto na Light. recolhe os galhos. Mas existem vias compli- cadas dentro dos centros urbanos. Muitas ve- desenvolvimento de um triturador que zes, não há como estacionar, dificultando o ir diminuísse o volume de recolha no mesmo e vir da população”, aponta Fabiana Fioretti, local da poda. Esse triturador, segundo Fabia- O P&D se voltou, então, para o REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 31 n o 06 - nOv 2014 PrOJETOS DE P&D sileiras de ruídos e segurança. “Conseguimos reduzir alguns decibéis, mas ainda não é o ideal. Por isso, vamos continuar a pesquisa”, acrescenta Fabiana. pRoDuto INIbIDoR DE cREScIMENto Também faz parte deste projeto de P&D o desenvolvimento de um produto que, sendo aplicado após o corte rente, tenha a função de ampliar o intervalo entre as podas e inibir o desenrolamento de galhos que crescem em direção à rede. Foram testadas algumas substâncias usualmente aplicadas na agricultura, para outros fins. “Concluímos que algumas não trouxeram o resultado esperado; as demais são tóxicas para o vegetal. Outra questão importante que nos motivou a continuar a pesquisa é a proibição de produtos agroquímicos em na, viria acoplado a um caminhão que faria as três atividades ao mesmo tempo: poda, tritu- O sulfato de alumínio apresentou re- ração e recolha do resíduo. Atualmente, esses sultados positivos, inibindo de forma consi- resíduos são levados para o aterro sanitário, derável o crescimento de novos brotos nos mas poderiam ser reaproveitados. “É mate- galhos podados. “Além de não ser tóxico, o rial orgânico, passível de ser comercializado, sulfato de alumínio já é comercializado em já que empresas que trabalham com mudas lojas que vendem produtos para piscina, pois de plantas, por exemplo, poderiam se interes- é utilizado para decantação e ajuste do pH da sar”, comenta Fabiana. água. É um produto barato e de fácil aquisi- Mas há uma questão a ser superada 32 áreas urbanas”, destaca Aline Agra. ção”, explica Fabiana, da Light. neste P&D, que é o desenvolvimento de uma Ainda serão feitos mais alguns tecnologia capaz de abafar o ruído do tritu- testes para ter a certeza de que o sulfa- rador. “O equipamento precisa ter um ruído to de alumínio, combinado ao corte rente, que não seja significativo, que não incomode pode diminuir significativamente o cresci- a população”, diz a gerente de Meio Ambien- mento de novos brotos. Os resultados se- te da Light. Entretanto, ainda não foi possível rão fundamentais para avaliar a relação chegar a volumes aceitos pelas normas bra- custo-benefício do produto. REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT Tecnologias inovadoras que geram resultados para as concessionárias, hoje e no futuro. Modulos de Comunicação Diferentes modelos e aplicações Plataforma CAS Hemera Smart Grid GRUPO A Smart Water GRUPO B LIVRES Integração com sistemas corporativos, inclusive SAP/CCS, via MDUS. Smart Gas FRONTEIRA GERADORA Aplicativos Bem vindo ao Nome Senha ENTRAR Não consegue acessar sua conta? Powered by: Campo Medição e Leitura GRANDES CLIENTES Modulos e Tecnologia da Comunicação CLIENTES RESIDENCIAIS Gestão de Dados e Redução de Perdas CLIENTES LIVRES Integração com Sistemas Corporativos FRONTEIRA GERADORA Inteligência de Infraestrutura de TI Eficiência para suportar a complexidade do fluxo de dados oriundos dos processos das concessionárias castecnologia.com.br REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 33 n o 06 - nOv 2014 produtos no mercado A Companhia tem avançado na fase de inserção de produtos no mercado. Quando a pesquisa é concluída não significa que o trabalho tenha acabado. É preciso continuar cuidando do produto, mesmo com as questões todas já resolvidas, para que ele não se perca no caminho e fique estagnado. 34 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT PRODUTOS NO MERCADO Ampla utiliza espaçador Concessionária diz que produto traz mais segurança Fruto de um P&D concluído em 2010, primeira a usar, substituindo milhares de peças o espaçador de cabos elétricos, que previne a antigas pelo novo modelo. ocorrência de curto-circuito e evita a forma- ção de arco de potência, já chegou ao merca- PLP, o espaçador de cabos elétricos foi parar, do do setor elétrico e vai ganhando adeptos em seguida, nas mãos da Ampla, concessio- no Brasil e no exterior. Sua função é sustentar nária de distribuição de energia elétrica que e separar os cabos ao longo do vão, manten- concentra a maior parte de seus clientes na do o isolamento elétrico da rede. Região Metropolitana de Niterói e São Gon- Além do polietileno de alta densida- çalo e nos municípios de Itaboraí e Magé. de, as modificações no desenho implantadas “Além de tudo o que já foi dito, o novo pro- na versão atual trouxeram mudanças impor- duto permite que as equipes trabalhem em tantes, como a introdução de furos para o es- solo, usando cabos que se travam ao espaça- coamento da água da chuva e a substituição dor, o que facilita as manutenções”, acrescen- do anel elástico por uma trave automática. O ta Vanderlei Robadey, especialista em Enge- produto também foi desenvolvido para obter nharia da Ampla. excelentes características mecânicas e aten- der aos requisitos de resistência aos raios ultra- custos operacionais excessivos, tanto na li- violeta, ao trilhamento elétrico e às intempé- nha viva quanto na linha morta, quando era ries, exigidos nesse tipo de rede. A Light foi a necessário usar o cesto aéreo para levar o Produzido e comercializado pela A operação a partir do solo evita Trilhamento elétrico: É um mecanismo de envelhecimento superficial, que produz trilhas como resultado da ação de descargas elétricas próximas ou na superfície do material isolante. funcionário até o cabo de rede. “Esse tipo de espaçador também proporciona maior segurança na instalação e substituição em locais de difícil acesso, como em redes às margens de estrada”, completa Robadey. Devido à funcionalidade comprova- da do produto, a fabricante espera ampliar a comercialização do espaçador no próximo ano, conquistando novos mercados, inclusive no exterior. Na América Latina, a Coidea, concessionária argentina, já está importando e utilizando o produto. Modelo é constituído de polietileno de alta densidade, garantindo grande resistência em áreas onde a salinidade é altamente agressiva REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 35 N o 06 - NOV 2014 PRODUTOS NO MERCADO Serviço de inspeção por robô Light, CPqD e Engelmig assinam contrato para comercializar produto com tecnologia de ponta As inspeções para detecção de cor- do nacional que permite detectar corrosão em rosão nos cabos de linhas de transmissão são cabos de alumínio com alma de aço em linhas atividades regulares no dia a dia das conces- energizadas, e já está disponível no mercado. sionárias. O objetivo é analisar as condições operacionais das instalações e identificar assinaram contrato para a comercialização possíveis pontos vulneráveis. Os cabos das li- do serviço de manutenção automatizado de nhas de transmissão para transporte de ener- linhas de transmissão para todo o Brasil, ten- gia são formados por camadas externas de do como base o Sistema de Detecção da Cor- alumínio, que podem ser inspecionados visu- rosão (SDC), utilizando um robô. almente, até mesmo usando binóculos. É nas camadas internas que está o problema: elas presa brasileira a utilizar essa tecnologia. Com são constituídas por cabos de aço com pro- o contrato firmado, a Engelmig está licencia- teção de zinco e, por não estarem à mostra, da para prestar o serviço de manutenção pre- não podem ser inspecionadas, o que acaba ventiva de redes”, comenta o gestor executi- por comprometer todo o sistema. vo da Engelmig, empresa responsável pela comercialização do serviço, Lauro dos Anjos. A solução desenvolvida pelo CPqD, em conjunto com a Light, é a única no merca- Em junho, Light, CPqD e Engelmig “Atualmente, a Light é a única em- A inspeção por robô detecta a fase inicial de perda da proteção do cabo de aço e o início de um processo de corrosão. Acompanhando periodicamente o processo corrosivo, identifica-se o momento exato para intervir no cabo, evitando trocas prematuras ou custos decorrentes de uma falha inesperada. Essa tecnologia evita também a perda de eficiência da instalação, afastando os riscos de acidentes e as interrupções no sistema por rompimento de cabos. Alexandre Bagarolli, gerente de So- luções Tecnológicas para o Setor Elétrico do CPqD, uma instituição independente, com fofoto CPQD 36 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT Executivos da Light, CPqD e Engelmig reunidos na sede da concessionária para assinatura do contrato de comercialização do robô, em junho de 2014 co na inovação em tecnologias da informa- “A tecnologia desenvolvida pe- ção e comunicação, explica por que o produ- lo CPqD a partir de um projeto da Light, to é tão inovador: “A principal inovação desse dentro do programa de P&D da Agên- sistema são os robôs equipados com senso- cia Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), res eletromagnéticos e câmeras de vídeo, que veio contribuir significativamente para trabalham em linhas de transmissão energi- dar qualidade e melhorar a confiabilida- zadas de até 345 KV, fazendo a varredura do de das atividades de inspeção dessas li- vão na velocidade média de 30 metros por nhas”, conclui Lauro. minuto. Um software especializado analisa os dados coletados pelo robô e apresenta um a Engelmig, que comercializa, e o CPqD, laudo com as condições encontradas nas li- responsável pela emissão dos laudos téc- nhas inspecionadas”, detalha. nicos sobre o estado de corrosão dos ca- As linhas de transmissão instaladas bos, a Light e seus parceiros, segundo Ba- em áreas cujo ambiente apresenta poluição garolli, concluem o ciclo da inovação, que química serão, segundo o executivo da En- consiste em levar ao mercado produtos gelmig, a grande demanda pela nova tec- criados dentro de projetos de pesquisa e nologia. Regiões costeiras com alto índice desenvolvimento. de incidência de névoa salina; áreas indus- triais com dispersão de gases; grandes áre- lização do serviço. Lauro dos Anjos acredita as de plantio que utilizam a pulverização de que “a tecnologia de ponta do produto atrai- defensivos agrícolas por meio de avião; e ins- rá todas as empresas que possuam ativos de talações com mais de 30 anos em operação transmissão de energia, sejam concessioná- também sofrem, de forma mais agressiva, os rias, produtores independentes ou indús- efeitos da corrosão. trias”, finaliza. A partir da parceria firmada entre É grande a expectativa de comercia- REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 37 n o 06 - nOv 2014 38 PrODuTOS nO MErcaDO REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT o que vem por aí Encerra-se um ciclo. Inicia-se outro. O P&D da Light não para. Novas ideias, novos projetos. Cada vez mais, a Companhia fortalece a relação do P&D com as demais áreas da empresa, para que as futuras pesquisas tenham resultados que possam ser, efetivamente, incorporados não só pela Light, mas por todo o setor elétrico brasileiro. REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 39 N o 06 - NOV 2014 Light investe em projeto de P&D cooperado Iniciativa aperfeiçoa máquina autônoma para coleta de resíduos sólidos foto humberto teski Para ampliar o PEE no âmbito do Li- ght Recicla, será lançada uma máquina autônoma para coleta de resíduos sólidos, que está sendo aperfeiçoada pelo P&D da Light. A concepção da máquina, que foi desenvolvida pela Companhia Energética do Ceará (COELCE), está pronta. O papel da Light, na parceria, é agregar valor, modelando a questão da interatividade, aperfeiçoando o software, para tornar a máquina mais atraente ao público-alvo: os jovens, tão acostumados ao uso da tecnologia nos mais variados níveis de interatividade. 40 O sistema a ser desenvolvido con- O Light Recicla, projeto do Programa templará a funcionalidade de leitura biomé- de Eficiência Energética (PEE) da Light que tro- trica para reconhecimento de usuários e a ca material reciclável por descontos na conta criação de um atendente virtual para auxílio de energia, faz do lixo do dia a dia – metal, pa- na interação com a máquina. A Light busca pel, plástico, vidro e óleo – moeda de valor para também aprimorar a identificação dos mate- clientes da Companhia que moram em comuni- riais recebidos, a fim de aumentar a confiabi- dades do Rio de Janeiro atendidas pelo projeto. lidade do sistema. Nos Ecopontos, uma instituição de “Esse equipamento ultrapassa o al- coleta recebe o lixo reciclável, pesa e calcula o cance socioambiental. O objetivo principal valor do desconto. O cliente, por sua vez, ga- está na educação. Estamos acreditando que nha um comprovante, que é repassado à Li- a máquina autônoma para coleta de resídu- ght e creditado na conta de luz. Além disso, os sólidos será um caminho para a conscien- algumas instituições particulares de ensino tização das novas gerações”, defende Fernan- doam lixo reciclado para crédito em contas de da Mayrink, gerente de Eficiência Energética energia de escolas e ONGs de comunidades. em Comunidades da Light. REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT O QUE VEM POR AÍ Quando o software estiver devida- Para marcar o apelo educacional mente aperfeiçoado, a ideia é instalar o equi- do projeto, há planos de levar palestras às pamento em escolas que já participam do escolas onde a máquina estiver instalada, Light Recicla. Inicialmente, estão previstas incentivando debates sobre sustentabili- máquinas em duas instituições de ensino. dade e uso responsável de energia e detalhando o funcionamento do equipamento, INTERAÇÃO USUÁRIO-MÁQUINA com explicações sobre o software desenvolvido. Por meio de uma tela, acionada por “Embora a nossa ideia seja começar tecnologia touchscreen, mesmo o aluno que nas escolas, é importante testar a máquina estiver tendo contato com a máquina pela pri- em diversos ambientes, com diferentes públi- meira vez terá plenas condições de fazer suas cos, buscando a melhor aplicação do produ- doações e acompanhar todo o processamen- to. Por isso, depois das instituições de ensino, to do material, desde o recebimento, passan- vamos ampliar o projeto e colocar máquinas do pela separação nas sacolas, até a emissão coletoras em outros locais, como eventos”, do comprovante com o valor do bônus. conta Raad. Em sua estrutura, a máquina ofere- A intenção de consolidar hábitos cerá a relação das instituições cadastradas construtivos fica evidente quando se leva em para a escolha de quem estiver doando. Bas- conta o valor, em créditos, do que os alunos tará digitar os números correspondentes à vão doar. “Em comparação à coleta nos ‘eco- instituição de interesse e receber o compro- pontos’, essa máquina terá pouco volume. O vante com o valor do bônus. Posteriormente, maior impacto desse projeto, na verdade, es- esse comprovante será repassado pela escola tará na atitude e na consciência ambiental à Light, para ser, então, creditado na conta de dos alunos”, defende Fernanda. energia da instituição beneficiada com o projeto, como ONGs e escolas públicas. “Estamos trabalhando para aumen- tar a interação usuário-máquina e aperfeiçoar o processo educativo da reciclagem nas escolas, introduzindo um sistema interativo de co- Esse equipamento ultrapassa o alcance socioambiental. O objetivo principal está na educação. Estamos acreditando que a máquina municação, mais atraente e com um atenden- autônoma para coleta de resíduos sólidos será te virtual. Poderá ser criado ainda um sistema um caminho para a conscientização das novas de recompensa em função da quantidade de doações de resíduos, como uma forma de in- gerações. centivar a participação dos alunos, professores Fernanda Mayrink | Gerente de Eficiência e funcionários dessas escolas”, adianta o coor- Energética em Comunidades denador do PEE da Light, Antonio Raad. REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 41 N o 06 - NOV 2014 O QUE VEM POR AÍ NO P&D DA LIGHT fotos COELCE Máquina idealizada pela COELCE já em uso NOVIDADE INCENTIVA a Companhia aproveite bem as potencialida- COLETA SELETIVA des e oportunidades que esse projeto traz”, comenta o engenheiro da COELCE, Odailton Ao idealizar a máquina, a COELCE te- Silva, chefe do Departamento de Gestão da ve como primeira intenção disponibilizá-la à Inovação e Projetos de Pesquisa da empresa. população, como uma forma inusitada de in- centivo à coleta seletiva. O equipamento, que tecnológico e moderno em automação e au- está sendo utilizado por funcionários na se- toatendimento nesse segmento. Segundo de da concessionária, em Fortaleza, foi muito Silva, é a única máquina no Brasil e no mundo bem recebido. A expectativa é que a máquina capaz de receber até 17 tipos diferentes de seja instalada em locais de grande movimen- resíduos e realizar o serviço sem a necessida- tação de pessoas, como terminais de ônibus e de da intervenção humana. praças de alimentação. “Espero que o sucesso dessa iniciativa, alcançado aqui no Ceará, se- cursos da Agência Nacional de Energia Elétri- ja também uma realidade para a Light, e que ca (ANEEL). A máquina utiliza o que há de mais Esse projeto é desenvolvido com re- Conheça os resíduos que podem ser doados na máquina • Papel, incluindo papelão, Tetra Pak, ofício, jornal, embrulho e outros tipos não plastificados; • Latas de doces e pedaços de metal, exceto fio de cobre; • Plásticos, como sacolas, embalagens de detergente e desinfetante; • Vidros e garrafas, exceto lâmpadas; • Latinhas de alumínio ou aço; • Embalagens PET de refrigerante até três litros. 42 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT O QUE VEM POR AÍ NO P&D DA LIGHT Tecnologia a serviço da empresa P&D busca marcador para ser aplicado em cabos e inibir furtos Um problema grave que a Light enfren- ta é o furto de cabos. De janeiro de 2013 a julho de Se, com a ajuda da nanotecnologia, 2014, a empresa registrou cerca de 100 km de cabos furtados em toda a sua área de concessão. Es- implantarmos uma marca que sobreviva à se problema não causa apenas transtornos ope- retirada do plástico e contamine o cobre, vamos racionais e prejuízos materiais. Os apagões que inibir o interesse dos infratores. acarreta afetam a relação da Companhia com seus clientes e respingam na imagem da cidade. “A Li- Fabrício Nunes | Gerente de Planejamento da ght está permanentemente buscando se cercar de Operação e Manutenção toda a tecnologia disponível para evitar os furtos, mas ainda precisamos nos desenvolver mais para alcançarmos a eficiência desejada”, diz Fabrício Nu- minúscula nos cabos da Light, um tipo de iden- nes, gerente de Planejamento da Operação e Ma- tidade, capaz de fazer com que sejam reconhe- nutenção e responsável pelo projeto na Light. cidos nas investigações policiais. “Se conseguir- A Companhia vem fiscalizando o aces- mos, com a ajuda da nanotecnologia, implantar so à sua estrutura subterrânea, instalando sensores uma marca que sobreviva à retirada do plástico e de presença e controlando a entrada das equipes. contamine o cobre, vamos inibir o interesse dos Há ainda grupos de ronda 24 horas por dia, garan- infratores por esse tipo de material elétrico”, de- tindo o cumprimento de todos os procedimentos fende Nunes. Os pesquisadores querem desen- que permitam diferenciar as equipes autorizadas volver um marcador para ser aplicado não ape- das não autorizadas. Todo esse cuidado visa não só nas nos cabos que entram no estoque da Light, coibir furtos como também fiscalizar possíveis va- mas também naqueles que já estão instalados. zamentos, monitorar níveis de alagamentos e man- ter a integridade dos dutos em todos os níveis. da por outras distribuidoras, aumentando o va- A mesma tecnologia poderá ser utiliza- lor comercial do produto e a demanda junto ao Identidade para cabos fabricante. Além do benefício comercial, também deve ser ressaltado o ganho institucional Os cabos são furtados para a venda do para a Light e demais concessionárias, uma vez cobre. O material plástico é descartado de forma que haverá redução na quantidade de ocorrên- grosseira, e o cobre, repassado a terceiros. O ob- cias de interrupção no fornecimento de energia, jetivo deste P&D, portanto, é criar uma marcação derivadas de desarme por furto de cabos. REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 43 n o 06 - nOv 2014 O quE vEM POr aí nO P&D Da LiGhT Mais segurança na light P&D vai mitigar risco de acidentes, revisar os procedimentos de trabalho e reter o conhecimento dentro da Companhia Em maio, a Light e a Fundação CO- questão da mesma maneira e com a profun- GE (Funcoge) promoveram o I ECOPE – En- didade com a qual pretendemos fazer nessa contro de P&D e Eficiência Energética do pesquisa”, declara Jardim. Setor Elétrico. Durante o evento, a área de Segurança da Light apresentou dois proje- acIDENtE ZERo tos de interesse estratégico para a Companhia, que estão em fase final de aprovação. A Ano passado, não houve aciden- intenção é garantir a segurança dos empre- tes fatais na Light. Os índices de frequência e gados de forma inovadora. “Chegamos a um gravidade de acidentes entre 2011 e 2013 ti- ponto em que é preciso ser inovador para veram significativa redução. Mesmo assim, a dar um novo status à segurança do trabalho. Companhia está preocupada em melhorar a Inovando, estamos dizendo aos profissio- gestão de risco na área de Segurança. “Vamos nais que estar seguro é produtivo, é eficien- pesquisar a aplicação de conceitos já aplicá- te. Precisamos quebrar paradigmas”, defende Fernando Jardim, gerente de Segurança e Medicina do Trabalho. Os projetos têm três objetivos específicos: mitigar o risco com a sistematização dos métodos de trabalho; fortalecer a gestão e a retenção de conhecimento; e criar um sistema de gestão do trabalho eficiente e seguro para ser utilizado no setor elétrico brasileiro. “Quando começamos a estudar o tema, conversamos com outras empresas parceiras e entendemos que poderíamos fazer esse trabalho de maneira mais abrangente, por meio do P&D da Light. Não temos dúvidas de que será de grande valia para a organização em vários aspectos, pois não há, no setor, empresas que enfrentem a 44 TécnicO aTuanDO EM caMPO DE acOrDO cOM TODaS aS nOrMaS DE SEGurança Da cOMPanhia REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT O quE vEM POr aí nO P&D Da LiGhT 1179 6% 1114 5,04 5 19% 4,08 40% 32% 3 2,77 90% 116 0 foNtE LighT 2011 2012 2011 2013 acIDENtES fataIS 2012 2013 tf - taXa DE fREQuêNcIa 2011 2012 2013 tg - taXa DE gRavIDaDE veis e reconhecidos em ferramentas estatísti- mento, adequando os procedimentos e trei- cas e probabilísticas, alimentadas com dados nando os profissionais, para reduzir ao máxi- históricos. Acreditamos que, se temos uma mo as possibilidades de acidentes durante o base de dados com eventos que ocorrem por trabalho. causas comuns, podemos desenvolver uma Vale destacar que toda a Light se- adaptação das ferramentas estatísticas a ca- rá alcançada pela pesquisa, pois ela não fica- da caso, inclusive criar uma sistemática ga- rá restrita aos sistemas técnicos específicos, rantindo que qualquer ação deva ser pautada uma vez que abordará aspectos de gover- na preservação da vida e no comportamento nança, melhores práticas operacionais e ges- seguro”, acrescenta Jardim. tão do conhecimento. Durante a pesquisa, todos os méto- Outro benefício deste P&D é o en- dos de trabalho serão revisados, levando em quadramento da Light no International Safe- conta as premissas de eficiência e prevenção. ty Rating Systems, um sistema líder mundial Há muita novidade na rede de distribuição, concebido para medir a eficiência da orga- principalmente em termos tecnológicos. Por nização na gestão de segurança do trabalho isso, a Light precisa estar em constante movi- por uma auditoria independente. REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 45 N o 06 - NOV 2014 O QUE VEM POR AÍ NO P&D DA LIGHT Erosões reduzem capacidade do reservatório P&D propõe metodologia para prevenir e controlar esse problema no entorno do Reservatório Santa Branca Movimento de massa: É o escorregamento do solo para dentro do reservatório. O Reservatório Santa Branca, na ca- vatório para conhecer as características do beceira do Rio Paraíba do Sul, em São Pau- solo. Dessa forma, será possível escolher o ti- lo, vem sofrendo inúmeras erosões ao longo po de tecnologia mais indicado para comba- do tempo, as quais reduzem, consequente- ter o problema”, explica o gerente de Enge- mente, o volume de água e afetam porções nharia da Light, Claudio Coelho. de terra de terceiros. Para diminuir a ocorrên- cia desse problema, um projeto de P&D vai didas que possam diminuir a ocorrência desenvolver uma metodologia para estabili- desses fenômenos, mas também pesqui- zar os processos de movimento de massa no sar métodos e alternativas com melhor cus- entorno do reservatório, associando infor- to-benefício para a Companhia. Segundo mações de caráter geológico-geotécnico das Bruno Luiz Carvalho, engenheiro Geotéc- encostas e da porção submersa. “Como par- nico Sênior da Light, as soluções de enge- te das erosões fica embaixo da água, vamos nharia convencionais utilizadas atualmente, precisar coletar amostras do fundo do reser- como a técnica de cortes a aterros nas en- A intenção deste P&D é adotar me- costas, se baseiam somente nas características do meio físico acima do nível da água Como parte das erosões fica embaixo da água, e no entendimento dos mecanismos que atuam diretamente na formação do proces- vamos precisar coletar amostras do fundo do so de erosão. “Essas soluções tendem a con- reservatório para conhecer as características sumir elevados recursos e, nem sempre, são do solo. Dessa forma, será possível escolher eficientes”, ressalta Carvalho. Por isso, esse P&D vai associar técni- o tipo de tecnologia mais indicado para cas convencionais às técnicas de Bioengenha- combater o problema. ria do Solo, que buscam estudar as caracterís- Claudio Coelho | Gerente de Engenharia da Light ticas do meio físico também na sua porção submersa, possibilitando criar soluções eficazes e de menor custo. “A Bioengenharia de Solo utiliza conhecimentos e competências 46 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT O QUE VEM POR AÍ NO P&D DA LIGHT Claudio Coelho e Bruno Carvalho: trabalho conjunto para prevenir e controlar erosões no entorno de reservatórios cionados ao tema. “A parceria e o apoio da Light às pesquisas do IPT, subsidiando futuros projetos de contenção, comprovam a importância de se compartilhar conhecimento quando se deseja propor novas soluções para antigos problemas”, conclui Claudio Coelho. A metodologia está prevista para ser implantada em 2015. relacionadas ao segmento de construção, assim como conceitos da biologia e da ecologia”, acrescenta Coelho. Entender a geofísica do local pode diminuir significativamente as obras de contenção. Os pesquisadores e técnicos do Ins- tituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), parceiros da Light nesse P&D, contam com grande experiência na área, tendo se envolvido, nos últimos anos, em projetos de pesquisa rela- foto divulgação light Conheça os desdobramentos deste P&D • Caracterização e análise dos fatores determinantes do agente deflagrador dos processos de erosão superficial e escorregamento das encostas e processos erosivos das margens; • Mapa com os diferentes tipos de solo encontrados e sua influência nos processos de erosão; • Seleção das áreas de interesse e consequente mapeamento do solo; • Mapeamento do fundo do reservatório por meio de aparelhos; • Priorização das ações de acordo com o tipo de ocorrência; • Hierarquização de prioridades de contenção dos processos erosivos e proposição de medidas preventivas e/ou corretivas, conforme os diferentes tipos de solo encontrados. REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 47 N o 06 - NOV 2014 O QUE VEM POR AÍ NO P&D DA LIGHT Vida longa aos postes da rede P&D testa um revestimento e uma manta protetora contra fogo e cupim O Brasil é um país de grandes áreas “Nossa primeira alternativa parecia rurais e, ainda hoje, comunidades do interior ser a troca do poste de madeira pelo poste de são abastecidas por redes com postes de ma- concreto, o que solucionaria imediatamente deira, porque eles são uma alternativa econô- a questão do desgaste, mas trazia outro pro- mica e tecnicamente viável para a distribui- blema: transportar o poste de concreto pa- ção de energia nesses locais. No entanto, a ra o alto de um morro era uma operação de característica orgânica dos postes de madei- risco, além de extremamente custosa. É claro ra tem uma desvantagem: a facilidade em so- que existem ferramentas para isso, mas pesa- frer danos estruturais pela ação de cupins, fo- mos o custo-benefício e vimos que estrategi- go e outros agentes agressores. Os desgastes camente não seria a melhor solução”, pontua dos postes também aumentam os riscos de Fabrício Nunes, gerente de Planejamento de acidentes de trabalho durante os serviços de Operação e Manutenção e responsável pelo manutenção das linhas e comprometem a se- projeto na Light. gurança da população ao redor. Essas duas realidades foram o ponto de partida para um está sendo testada. A Polinova, empresa que projeto de P&D que já está em fase de testes desenvolve e fabrica soluções em revestimen- em campo. tos e polímeros especiais, apostou no P&D e Uma das soluções para o problema já produziu uma tecnologia para fabricação de resina de poliéster a partir de garrafas pet. A Se o poste está muito debilitado, além de fazer o tratamento, nós o envolvemos em uma leve, resistente ao calor e rígido, que pode ser transportado com facilidade para qualquer lu- manta impregnada com uma solução de resina gar, independentemente da topografia do lo- de poliéster, que, ao secar, enrijece, dando um cal. “É um projeto de cunho ambiental, por- grau de dureza à superfície e isolando-a dos que está aproveitando resíduo plástico; e social, pois o catador terá a sua atividade mais agentes agressores. bem remunerada, já que precisamos da gar- Fabrício Nunes | Gerente de Planejamento de rafa pet para a produção do polímero. E, final- Operação e Manutenção 48 empresa está testando um poste de plástico, REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT mente, o que tanto buscamos: o cunho econômico-técnico-operacional, porque vamos O QUE VEM POR AÍ NO P&D DA LIGHT ter um poste que não pega fogo, não está sujeito a ataques de cupins, não quebra e é fácil de transportar”, destaca Nunes. TRATAMENTO PARA OS POSTES DE MADEIRA Mas há outra questão. Se a intenção era erradicar a madeira como componente de rede elétrica e já há um projeto em andamento para conceber um poste à base de polímero, que apresenta capacidade superior de resistência ao fogo, além de outras vantagens analisadas, o que fazer, então, com os postes de madeira existentes? Substituir é uma solução custosa superfície e isolando-a dos agentes agresso- e que, operacional e estrategicamente, não se- res”, detalha Nunes. Já foram feitos testes com ria imediatamente aplicável. Essa substituição chamas, e a resistência foi comprovada. O pos- só acontece quando existe a necessidade de te fica mais rígido e protegido contra tudo o uma intervenção de emergência, uma corre- que possa interferir em sua vida útil. ção ou uma expansão da rede. Além do custo alto para a Companhia, os clientes são afeta- acima da linha do solo. Abaixo dele, a solução dos, porque, para uma ação desse tipo na rede, é uma tinta ecologicamente correta. “Vamos é preciso interromper a distribuição de energia. poder oferecer essa tinta, também à base de A resposta veio com a idealização de um trata- resina de poliéster, diretamente ao fabrican- mento para a madeira nos postes já instalados. te do poste de madeira. Atualmente, ele en- A Polinova está usando resina de po- trega os postes tratados com um produto tó- liéster para fabricar um revestimento e uma xico, que agride o meio ambiente. O nosso manta protetora contra fogo e cupim. Com es- produto, além de mais resistente ao calor, se- sa resina, foi produzida uma massa, um com- rá ambientalmente seguro”, acrescenta o res- posto, que preenche as fissuras que surgem na ponsável pelo projeto. madeira. Ao descascar a superfície do poste e observar que ele já está comprometido, apli- ser realizada com a linha em operação e sem o ca-se a massa. “Entretanto, se o poste está mui- uso de equipamentos pesados. O custo baixo e to debilitado, além de fazer o tratamento, nós a aplicabilidade aumentam as expectativas do o envolvemos em uma manta impregnada produto no mercado. Em um futuro próximo, as com uma solução de resina de poliéster, que, comunidades rurais, com suas redes de madei- ao secar, enrijece, dando um grau de dureza à ra, serão as grandes beneficiadas por esse P&D. Essa manta resolverá o problema A aplicação dessas tecnologias poderá REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 49 n o 06 - nOv 2014 Artigos científicos A seguir, cinco artigos produzidos por pesquisadores e gerentes de projetos de P&D na Light. Todos os textos dizem respeito a pesquisas já concluídas, evidenciando os seus resultados. A contribuição de cada um deles enriquece ainda mais esta publicação. 50 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT arTiGOS ciEnTíficOS aRtIgoS cIENtífIcoS H.O. Henriques, LETD\UFF, C.E.M. Malheiros, LETD\UFF, M.A.C. Pequeno, LETD\UFF, L. Hudson, LETD\UFF, D.A.Paranhos, LIGHT, A.F.M. Neto, LIGHT Software para gerenciamento da manutenção assistido por computador – novas funcionalidades PALAVRAS-CHAVE – DISTRIBUIÇÃO, MANUTENÇÃO, REDES SUBTERRÂNEAS, SOFTWARE. Resumo – O trabalho apresenta uma metodologia de gerencia- biente hostil ou a ação nociva de pessoas, foi desenvolvida mento de manutenção que pode ser usada para redes aéreas e uma interface com o sistema georreferenciado da Light, para subterrâneas. Utilizando as técnicas desenvolvidas foi implan- visualização e análise gráfica. Foram implantados e testados tado um software para priorizar ações e investimentos de mo- métodos de otimização de recursos em função desses novos do a alcançar resultados operacionais otimizados. O sistema índices e do orçamento disponível, aplicando-se processos básico é constituído por dois módulos: preditivo, que determi- metaheurísticos com excelente desempenho, tanto no tem- na um conjunto de inspeções; preventivo, por meio dos defeitos po de processamento quanto no resultado em relação à me- observados no módulo de manutenção preditiva, determina re- ta pretendida. paros a serem feitos. Este artigo está dirigido à rede subterrânea, nas ações de manutenção das câmaras subterrâneas, com II. DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA um detalhamento dos equipamentos e demais estruturas internas que constituem os objetos de tomada de decisão para o O desenvolvimento do projeto foi realizado com a seguinte planejamento dessas manutenções. metodologia: 1. Criação de um novo conceito no que diz respeito às manu- I. INTRODUÇÃO tenções das redes subterrâneas de distribuição da Light (inspeções nas redes e reparo de defeitos); Neste trabalho foram criados novos processos de investiga- 2. Interface necessária para a transferência de dados do SAP. ção de defeitos na rede e avaliação das consequências para a empresa e sociedade, caso venham a provocar interrupções Serão apresentadas a seguir todas as formulações desenvol- no sistema de distribuição subterrânea da Light. vidas no projeto para as manutenções preditivas (inspeções) Essa função ganhou uma importância ímpar na Light, basi- e preventivas (reparos). camente em função dos eventos conhecidos popularmente como “explosões de bueiros”, verificados nesse tipo de rede A. Fórmulas para cálculo do índice de mérito do módulo pre- nos últimos anos. Esse problema motivou os pesquisadores ditivo (inspeções) a estudarem uma solução mais adequada e de maior eficiên- O Índice de Mérito (IM) é um fator que define a priorização cia para mitigar o problema. das inspeções e que é função do Risco de Desenvolvimento Além de serem criados novos índices para mensurar as ten- de Defeitos – RDD, do consumo médio anual e das interrup- dências de desenvolvimento de defeitos na rede de distri- ções das redes. buição devido a agressões externas, tais como a de um am- IM = β1(RDD) + β2(IEB) + β3(IEND); REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 1 51 n o 06 - nOv 2014 arTiGOS ciEnTíficOS Onde: Fatores ambientais de CIs considerados no projeto: O Risco de Desenvolvimento de Defeitos – RDD é determina- Fcx. inund. – Fator caixa inundada: gs 10; do em função de agentes externos, ou seja, quanto mais alto, Fcx. seca – Fator caixa seca: gs 4; maior a possibilidade do defeito virar falha. IEB é o Índice de Froubo – Fator roubo: alto índice de roubo: gs 6; médio: gs 3; Energia de Bloco e IEND é o Índice de Energia Não Distribuí- baixo: gs 1; sem índice de roubo: gs 0. da. β1, β2 e β3 são ponderações definidas pela Light. Fatores estruturais de CIs considerados foram: A.1 - Obtenção dos índices IEB e END: Festr. peq. – Fator estrutura pequena: gs 10; Os valores de IEB e IEND são calculados pelas fórmulas a se- Festr. grande. – Fator estrutura grande: gs 4. guir, e os consumos médios e energias não distribuídas necessários para o cálculo são extraídos diretamente do Siste- Fatores de estado das CIs considerados foram: ma de Gerenciamento da Distribuição (SGD). Fcx. desar. – Fator caixa desarrumada: gs 10; Fcx. arrum. – Fator caixa arrumada: gs 4. IEB = consumo médio mensal (bloco) 2 A.2.3 – Fatores Construtivos de Equipamentos consumo médio mensal alimentador Fatores construtivos de equipamentos foram: IEND = energia não distribuída (bloco) 3 FCh.Cab.Term – Fator chave cabeça terminal – Chave a óleo energia total não distribuída (alimentador) com terminais de porcelana (cabeça terminal): gs 10; FCh.Plug – Fator chave plug – Chave a óleo, plug-in: gs 4; A.2 – RDD para a Rede Subterrânea FCh.Gas – Fator chave gás – Chave a gás: gs 2; Foi desenvolvido um diagnóstico que abrange diferentes ris- FTrafosCx – Fator trafo caixa de alta – Trafo – terminais de cos de desenvolvimento de defeitos nas câmaras transfor- porcelana (caixa de alta): gs 10; madoras e nas caixas de inspeção de cabos, levando-se em FTrafosPlug – Fator trafo plug – Trafo, plug-in: gs 4; consideração os fatores ambientais e as características cons- FProt.Cop. – Fator protetor copinho: gs 10; trutivas das CTs e CIs e dos equipamentos. Para cada fator FProt.Pata. – Fator protetor pata – terminais pata de elefan- foi atribuído um grau de severidade, gs, conforme se obser- te: gs 4; va a seguir: FProt.Spade – Fator protetor spade – terminais spade: gs 4; RDD = 0,5 ( RDD CTs) + 0,5 (RDD CIs); 4 RDD CTs = média aritmética dos RDDs das CTs; FProt.Vent. – Fator protetor ventilado: gs 10; FProt.Sub. – Fator protetor submersível: gs 4. RDD CIs = média aritmética dos RDDs das CIs; A.2.4 – Fator Condição de Carga de Alimentadores dos CaA.2.1 – Fatores ambientais de CTs bos do Reticulado Fatores ambientais de CTs considerados no projeto: FCargaAlim. – Fator carga do alimentador, em função do des- Finund. – Fator inundação: em função do local. alto índice: gs vio da carga nominal: desvio máximo: gs 10; médio: gs 5; mí- 10; médio: gs 5; baixo: gs 2; sem índice: gs 0. nimo: gs 2. Fvent. – Fator ventilação, em função da quantidade de lixo nas caixas de ventilação: alto índice: gs 10; médio: gs 5; baixo: A.2.5 – RDD para as CTs no Sistema Radial gs 2; sem índice ou câmara do tipo cabine: gs 0. RddCTi = Finund + Fvent. + Froubo + Fch.cab.term.+ Fch. Froubo – Fator roubo: alto índice: gs 6; médio: gs 3; baixo: gs plug + Ftr.cx.alta + Ftr.plug. 1; sem índice de roubo: gs 0. RddCT = média aritmética dos RddCTi’s. A.2.2 – Fatores de CIs A.2.6 – RDD para as CTs no Sistema Reticulado 52 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 5 arTiGOS ciEnTíficOS RddCTi = Finund + Fvent. + Froubo + Fch.cab.term.+ Fch.plug ção dos reparos em defeitos existentes nos conjuntos mais + Ftr.cx.alta + Ftr.plug + Fprot.cop + Fprot.spade + Fprot.pata 9 críticos. Utilizou-se a equação para ponderação dos índices + Fprot.vent. Fprot.subm. + Fcarg. Alim. 6 de deteriorização IDCHI. RddCT = média aritmética dos RddCTi’s. A.2.7 – RDD das CIs para os Sistemas Radial / Sistemas Reticulado RddCIi = Finund + Fseca + Froubo + Festr.peq.+ Festr.grande Cálculo do IDCHI : 7 + Fest.desarrum. + Fest.arrum. B. Fórmulas para Cálculo do Índice de Mérito do Módulo PreCHI novo = CHI anterior + ∆CHI;11 ventivo Para cálculo do Índice de Mérito dos Defeitos tem-se: IM (DEFEITO) = RF * (K * IDCHI + IDEND) 8 RF = risco de falha; ∆CHI = nº clientes restabelecidos até a 1ª manobra x tm + nº clientes restantes x tr;12 ∆CHI = 0,85 TCI x tm + 0,15 TCI x tr;13 nº clientes restabelecidos até a 1ª manobra = 85% do total de Valores de RF são atribuídos pela Light após as inspeções pa- clientes interrompidos (TCI); ra cada defeito encontrado. São eles: tm = tempo da 1ª manobra = 0,72h; • probabilidade de curto-circuito iminente - 1 tr = tempo de reparo de cada defeito. • probabilidade de curto-circuito preocupante - 0,7 Cálculo do IDEND: • sem consequência em curto prazo para risco de curto - 0,3 • problema sem risco de curto-circuito - 0,1 K = Fator de violação dos conjuntos Aneel; END novo = END anterior + ∆ END;15 CHI = Consumidor Hora Interrompido; ∆ END = Kwh int até a primeira manobra x tm + Kwh restan- IDCHI = Índice de Deterioração do CHI; tes x tr;16 END = Energia Não Distribuída; ∆ END = 0,85 Kwh int x tm + 0,15 Kwh x tr;17 IDEND = Índice de Deterioração da END. III. RESULTADOS PRÁTICOS Uma análise mensal dos valores de DEC alcançados é de fundamental importância para verificação de sua proximidade A. Sistema Radial Subterrâneo com valores previamente estabelecidos para cada conjun- A seguir são listados os resultados obtidos para o alimenta- to de consumidores analisado (padrão anual). A Light define dor LDS – 1038 da Light, com os riscos de desenvolvimento como preocupantes valores para este indicador (DEC), cuja de defeitos priorizados para inspeção de oito câmaras sub- projeção em relação ao padrão seja: terrâneas. DEC > 100% - violação; 90% < DEC ≤100% - alerta; 80% < DEC ≤ 90% - cuidado. Assim sendo, torna-se necessária a criação de fatores de ponderação (K) a serem aplicados aos índices de mérito dos defeitos, em função dos limites acima descritos, para priorizaREVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 53 n o 06 - nOv 2014 arTiGOS ciEnTíficOS A seguir os RDDs de caixa de inspeção para o mesmo alimen- to para as inspeções e priorização dos reparos nas redes de tador. distribuição, com as funcionalidades devidamente testadas. O aplicativo possui uma base comum que pode ser acessada por usuários localizados em diferentes pontos da empresa. Trata-se de uma base de dados que contém informações dos registros de manutenção e reparo de equipamentos da rede primária utilizada pela Light. O aplicativo foi desenvolvido para plataforma Windows 32 bits. B. Sistema Network Subterrâneo A seguir são listados os resultados obtidos para os alimenta- V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS dores do sistema network da Light, com os riscos de desenvolvimento de defeitos priorizados para inspeção. [1] Gouvea, M. R., “Bases conceituais para o planejamento de investimentos em sistemas de distribuição de energia elétrica”. Tese de Doutorado, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 1993. [2] CODI – Eletrobrás – Coleção Distribuição de Energia Elétrica. Volume 4 – Manutenção e Operação de Sistemas de Distribuição – Edgard Blucher, 1982. [3] Labronici, J., “Modelo e Software Associado para Apoio à Gestão da Interrupção em Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica”. Dissertação de Mestrado, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 1998. IV. CONCLUSÕES [4] S. Haykin, Neural Networks: A Comprehensive Foundation, nd 2 edition, New York, Macmillan, 1994. Foi elaborado um software para gerenciamento das manu- [5] HARTINGAN J. A., Clustering Algorithms – Department of tenções nas redes com direcionamento por índices de méri- Statistics, Yale University. Ed. John Wiley & Sons. h.O. hEnriquES é EnGEnhEirO ELETriciSTa, cOOrDEnaDOr DO PrOJETO DE P&D na univErSiDaDE fEDEraL fLuMinEnSE ([email protected]); L. huDSOn é EnGEnhEirO ELETriciSTa, cOnSuLTOr aSSOciaDO aO LETD Da univErSiDaDE fEDEraL fLuMinEnSE ([email protected]); c.E.M. MaLhEirOS é EnGEnhEirO ELETriciSTa, cOnSuLTOr aSSOciaDO aO LETD Da univErSiDaDE fEDEraL fLuMinEnSE (MaLhEirOScarLOS@ YahOO.cOM.br); M.a.c. PEquEnO é EnGEnhEirO ELETriciSTa, cOnSuLTOr aSSOciaDO aO LETD Da univErSiDaDE fEDEraL fLuMinEnSE ([email protected]); D.a. ParanhOS é EnGEnhEirO ELETriciSTa, GErEnTE DO PrOJETO DE P&D na LiGhT ([email protected]); a.f.M. nETO é EnGEnhEirO ELETriciSTa Da LiGhT ([email protected]). 54 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT arTiGOS ciEnTíficOS aRtIgoS cIENtífIcoS C.E. Vizeu1, J.C.O. Aires2, R.C. Fonte3, P.A. Lisboa3, C.K.C. Arruda3, L.A.M.C. Domingues3 priorização de investimento no plano de obras da light para compatibilização com o teto orçamentário PALAVRAS-CHAVE – PRIORIZAÇÃO DE INVESTIMENTOS, ATRATIVIDADE FINANCEIRA, PLANO DE OBRA EM SUBESTAÇÕES, CORTE DE CARGA EM EMERGÊNCIA, ÍNDICE DE MÉRITO, TAXA DE FALHA DE TRANSFORMADORES EM SUBESTAÇÕES. Resumo – O projeto concluído no final de 2013, com participação do CEPEL, desenvolveu o programa PrioLight para a Priorização de Investimentos e Avaliação da Atratividade Financeira na Implantação de Subestações do Sistema Light. De uma forma geral, a priorização permite adequar o Planejamento da Expansão com eventuais restrições financeiras não previstas, e com o mínimo de prejuízo ao desempenho do sistema. Com a metodologia, é possível a consideração de fatores técnicos, econômicos, sociais e ambientais no processo de priorização, garantindo sustentabilidade ao Programa de Obras da Light. I. INTRODUÇÃO O processo de priorização de investimentos na expansão Nesse sentido, o projeto de P&D concluído no final de 2013, da rede elétrica quando em situações de restrição financei- em parceria com o CEPEL e a Aires Consultoria, disponibilizou ra sempre foi um desafio para as equipes de planejamento e o programa PrioLight para a priorização de investimentos e construção. Muitas obras são mantidas e outras adiadas num para a avaliação da atratividade financeira na implantação de processo subjetivo das pessoas envolvidas, o que, muitas ve- subestações no Sistema Light. zes, resulta numa redução dos investimentos e numa desor- De uma forma geral, a priorização permite adequar o Planeja- denação das prioridades no curto prazo. mento da Expansão com eventuais restrições financeiras não Embora a importância da subjetividade, calcada na experti- previstas, com o mínimo de prejuízo ao desempenho do siste- se das pessoas envolvidas, não deva ser menosprezada, fal- ma. Num primeiro momento, o projeto resgatou trabalhos re- ta à empresa uma ferramenta que agregue à expertise dos alizados pela parceria Light-CEPEL na década de 1990, aprimo- decisores, indicadores econômicos que deem consistência à rando e inovando o desenvolvimento de metodologias para a decisão de postergação ou manutenção da obra no ano se- priorização do Plano de Obras durante um período de restri- guinte ao ano em curso. ções financeiras que impedem a execução de todo o conjunto. REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 55 n o 06 - nOv 2014 arTiGOS ciEnTíficOS Numa segunda etapa, o trabalho enfocou a modelagem de porada ao sistema definitivamente. Caso nova restrição se- todos os fatores envolvidos no processo de priorização de ja detectada no ciclo de planejamento seguinte, as obras já obras, sejam eles endógenos (taxa de crescimento da carga, adiadas poderão ser novamente postergadas, mas também taxa de falha de equipamentos etc) ou exógenos (multas do por apenas um ano, e assim sucessivamente. órgão regulador, comportamento não vegetativo do mercado etc) na expectativa de energia não suprida. III. PRIORIZAÇÃO DE OBRAS: ENFOQUE QUANTITATIVO A base da priorização é a modelagem do carregamento es- (ÍNDICE DE MÉRITO) perado das subestações existentes num horizonte prédefinido, considerando que o sistema receberá ou não o refor- A metodologia de priorização com enfoque quantitativo ço planejado. Nesses dois contextos é avaliado o impacto na consiste em atribuir a cada obra um índice do mérito que re- energia não suprida de todo o conjunto de obras, conside- flita os benefícios econômicos e a variação dos custos opera- rando a taxa de falhas dos transformadores, o crescimento cionais associados à postergação da data de entrada de cada do mercado e também o custo de implantação de cada pro- obra. O Índice de Mérito (IM) de cada obra é definido como: jeto. Paralelamente são calculadas as taxas internas de retorno das obras, supondo-se que cada projeto a ser implantado permite uma receita correspondente ao atendimento de um mercado maior na sua região de influência. As obras mais impactantes na energia não suprida são hierarquizadas por um Sendo: índice de mérito e as taxas internas de retorno complementam a análise de priorização dos investimentos. V = Variação nos custos operacionais do sistema; Assim, com a metodologia desenvolvida pelo P&D é possível A = Alívio financeiro decorrente do adiamento da obra. a consideração de fatores técnicos, econômicos e socioambientais no processo de priorização, retirando o grande pe- Os benefícios decorrentes do adiamento da obra são calcu- so da subjetividade dos decisores e garantindo sustentabili- lados considerando-se o fluxo de desembolso para a implan- dade ao Programa de Obras da Light definido pelas equipes tação do projeto e o novo fluxo de desembolso com a obra de planejamento. adiada por um ano. Os respectivos valores atuais (VA) são calculados e o alívio financeiro corresponde à diferença entre II. O MODELO DA PRIORIZAÇÃO DAS OBRAS eles. A prática atual consiste em considerar as restrições orçamen- Alívio financeiro = VA2 – VA1 2 tárias (quando existentes) como temporárias, ou seja, com duração não excedendo poucos anos à frente da data corren- Os custos operacionais, considerando as obras do sistema te. Nessas condições, considera-se que as restrições não che- Light, são decorrentes apenas dos custos da energia não su- gam a afetar a validade do plano de expansão do sistema. prida, em condições normais ou de emergência, no caso de O método de priorização adota a premissa de que a restri- obra mantida e obra adiada por um ano. ção orçamentária ocorre apenas durante um ano – em geral, imediatamente posterior ao ano corrente. Com isto, define- IV. PRIORIZAÇÃO DO PLANO 2011 -se o elenco de projetos a priorizar como o conjunto de obras que apresentam desembolso (econômico) no ano de restri- As principais conclusões do projeto foram: ção orçamentária. A eventual postergação de qualquer obra • O processo de priorização de obras baseado na metodolo- também será por apenas um ano, ou seja, o efeito do adia- gia qualitativa muitas vezes não reflete exatamente o grau de mento de cada obra se dará apenas na data de sua entrada prioridade de um projeto em relação a outro, caso sejam ne- em operação, uma vez que nos anos seguintes ela será incor- cessárias postergações em função de limites orçamentários; 56 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT arTiGOS ciEnTíficOS • O processo de priorização de obras baseado na metodo- A análise dos gráficos do Índice de Mérito das obras com de- logia quantitativa (programa PrioLight) reflete mais adequa- sembolso no ano de restrição financeira, em conjunto com damente o grau de priorização de um projeto em relação a das taxas internas de retorno de cada uma delas, permite ao outro, uma vez que indica a relação entre os prejuízos e os planejador uma visão dos projetos que devem ser posterga- benefícios associados à postergação das obras. dos em caso de limites orçamentários, bem como o volume de recursos envolvido no processo. Obras do Plano 2011 priorizado segundo a nova metodologia é dado na Tabela I. A Tabela II apresentas as Taxas Internas de Retorno (TIR) de cada uma das obras. fiGura 2 – GráficO OrDEnaDO DE barraS DO ínDicE DE MériTO TabELa i. rELaTóriO DE ínDicES DE MériTO DaS ObraS fiGura 3 – GráficO OrDEnaDO DE barraS DO vPL TabELa ii. rELaTóriO DE ínDicES EcOnôMicO-financEirOS DaS ObraS O arTiGO fOi DESEnvOLviDO nO âMbiTO DO PrOJETO 0382-0012/2008 (DESEnvOLviMEnTO DE nOvOS MODELOS DE cOnfiabiLiDaDE DE SubESTaçõES aPLicaDOS aO PrOcESSO DE PriOrizaçÃO DE ObraS) Da carTEira DE PrOJETOS DE P&D LiGhT-anEEL, cOOrDEnaDa PELO EnGEnhEirO JOSé TEnóriO JuniOr. 1 c.E. vizEu, LiGhT – GErEnTE DO PrOJETO ([email protected]); 2 J.c.O. airES, airES cOnSuLTOria E uSu. cOnSuLTOr E PESquiSaDOr ([email protected]); 3 r.c. fOnTE, cEPEL – cOOrDEnaDOr DO PrOJETO ([email protected]); 3 P.a. LiSbOa, cEPEL – PESquiSaDOr ([email protected]); 3 c.K.c. arruDa, cEPEL – PESquiSaDOr ([email protected]); 3 L.a.M.c. DOMinGuES, cEPEL – PESquiSaDOr ([email protected]) fiGura 4 – GráficO OrDEnaDO DE barraS Da Tir REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 57 n o 06 - nOv 2014 arTiGOS ciEnTíficOS aRtIgoS cIENtífIcoS José Benedito C. Araujo1, Ronaldo C. Battista2 e Gilson Santos Jr.3 análise dinâmica de linhas aéreas de transmissão sob a ação do vento PALAVRAS-CHAVE – DINÂMICA ESTRUTURAL, ESTRUTURA, VENTO. Resumo – Este trabalho propõe uma nova metodologia a ser de Transmissão”. aplicada ao projeto de estruturas de linhas aéreas de transmis- Para um exemplo de sistema torre/cabos comparam-se os re- são (LTAs) no que diz respeito à ação dinâmica do vento turbu- sultados das duas metodologias analisando-se as diferenças lento. Enquanto a metodologia tradicional de projeto é basea- encontradas. da em análise estática linear da torre como um sistema isolado, a nova metodologia considera o modelo estrutural do sistema II. DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA acoplado torre/cabos/fundações submetido à ação dinâmica do vento turbulento e analisado no domínio do tempo. Os re- A. Modelo para a análise da interação torre/cabos sultados das duas metodologias são comparados em um exem- O comportamento da estrutura composta de linhas aére- plo real. as e torres sob ação de ventos fortes é ilustrado pela Figura 1, onde se observa a elevação das linhas aéreas impon- I. INTRODUÇÃO do um expressivo acréscimo do momento de tombamento e do momento de flexão lateral e esforços axiais e cargas nas A metodologia tradicional de projeto de torres de linhas de fundações das estruturas das torres. Nos casos em que as ca- transmissão, no que diz respeito à ação do vento turbulento, deias de isoladores se comportam como pêndulos simples, baseia-se em análise estática linear de um modelo estrutural a excursão lateral e elevação das linhas (cabos condutores e da torre isolada sobre o qual aplicam-se as forças oriundas da pararaios) são ainda maiores e os consequentes carregamen- ação do vento na própria torre e nas linhas aéreas. Para o cál- tos laterais mais severos, pondo em risco a estabilidade das culo dessas forças utilizam-se as prescrições da norma ABNT, estruturas das torres. Em qualquer caso, torna-se essencial a NBR 5422/1985. consideração da interação das linhas aéreas com a torre. Este trabalho apresenta uma nova metodologia para projeto de torres que incorpora no procedimento de cálculo estrutural a análise não linear geométrica para englobar o comportamento dos cabos longos em catenária e os grandes deslocamentos produzidos pela ação do vento. Incorpora também, nesse procedimento, a análise dinâmica, levando em conta as forças aleatórias originadas pela ação dinâmica do vento turbulento no domínio do tempo. Para isso, utiliza-se um modelo estrutural do sistema acoplado torre-linhas aéreas-fundações. O trabalho foi desenvolvido no âmbito do Projeto P&D22/08 da Light denominado “Incorporação da Ação Dinâmica do Vento no Projeto de Estruturas de Linhas 58 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT fiGura 1 – ESTaçÃO ExPEriMEnTaL DE hOrniSGrinDE, aLEManha (LEibfrED & MOrS, 1964) arTiGOS ciEnTíficOS Para levar em conta a interação entre o vento, as linhas aére- e temporal. No caso de turbulência atmosférica em ciclones as e a torre deve-se adotar um modelo completo da estrutu- extratropicais (tormentas EPS) o campo de velocidade de ra tal como proposto por Battista et al. (2003) e como ilustra- vento pode ser expresso em termos de três componentes do do na Figura 2. Neste modelo numérico, os componentes da vetor velocidade (Blessman, 1995), sendo U(z) a velocidade torre são representados por elementos de pórtico plano e os média que depende somente da altura z acima do terreno, e elementos das linhas aéreas como elementos de cabo. u, v e w as componentes flutuantes nas direções longitudinal, lateral e vertical, que são tratadas como processos aleatórios estacionários e ergódicos de média nula. Neste trabalho as componentes flutuantes v e w foram desprezadas. As forças devidas ao vento turbulento são calculadas admitindo-se válida a hipótese quase estática segundo a qual as amplitudes de movimento da estrutura não são suficientes fiGura 2 – iLuSTraçÃO ESquEMáTica DO MODELO SiMPLificaDO DO SiSTEMa ESTruTuraL TOrrES/cabOS para alterar o fluxo à sua volta e, portanto, as forças de vento podem ser descritas da mesma forma que para uma estrutura em repouso. As componentes de força de vento por Tradicionalmente, a análise da estrutura composta de torres unidade de comprimento no elemento (representando con- e linhas aéreas é feita desacoplando-se esses dois compo- dutor singelo ou feixe de condutores ou componente da tor- nentes com base no argumento de que a frequência funda- re) i do modelo numérico da estrutura considerando apenas mental da torre isolada fT é muito maior do que a frequên- a componente de velocidade do vento na direção da veloci- cia fundamental dos cabos ou feixes de cabos apoiados ou dade média (direção x) podem ser escritas como (Diana et não em cadeias de suspensão. Isso significa que o movimen- al., 1999): to da torre tem efeito desprezível no comportamento das linhas aéreas e que as forças devidas ao vento transmitidas nos pontos de suspensão dos cabos e em frequências bem menores do que fT são “vistas” como quase estáticas pela torre (Davenport, 1979). Entretanto, análises de vibração livre de modelos completos como o mostrado na Figura 2 indicam que a torre participa dos modos de vibração dominados pelo movimento dos cabos como ilustrado pela Figura 3. Dessa forma, a hipótese de desacoplamento dinâmico entre linhas e torres não se justifica. onde Ai é a área projetada do elemento de condutor ou da torre, Ur é a velocidade do vento em relação ao elemento, R é a distância característica dos condutores ao centro geométrico do feixe e Cx e Cz são coeficientes aerodinâmicos, que podem ser escritos em função dos coeficientes de arrasto Ca e de sustentação Cs. fiGura 3 – MODO funDaMEnTaL DE vibraçÃO DO cOnJunTO TOrrE/cabOS Para elementos de condutor ou feixe de condutores deve-se levar em conta a variação do coeficiente Ca com o número de B. Modelo para a ação do vento Reynolds. Para a torre, os coeficientes de arrasto são dados Para calcular as forças de vento atuando nos cabos e nas tor- em função da configuração geométrica dos seus módulos e res é necessário conhecer o campo de velocidades do ven- a força resultante em cada módulo pode ser aplicada distri- to, e representar adequadamente sua distribuição espacial buída ao longo da altura do módulo. REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 59 n o 06 - nOv 2014 arTiGOS ciEnTíficOS C. Programa computacional Neste exemplo os cabos condutores são singelos e tipo CAA Os aspectos conceituais principais da nova metodologia de 636 MCM Grosbreak enquanto os dois cabos pararaios são projeto foram empregados no programa TORRE LTEE, desen- de aço galvanizado 3/8” EHS. As cadeias de isoladores têm volvido em linguagem FORTRAN, e que segue as prescrições 2,9m de comprimento. A ligação entre a torre e os cabos é da NBR 6123/88. mostrada na Figura 4. O programa TORRE LTEE faz três tipos de análises: A modelagem computacional tridimensional da estrutura da torre permite que tanto as condições das ligações de seus • Análise estática não linear geométrica; montantes (pernas) com os blocos das fundações, quanto as • Análise dinâmica linear sob tensões iniciais (LDIN); condições de interação (elástica, viscoelástica ou elastoplás- • Análise dinâmica não linear geométrica (NLDIN). tica) das fundações (diretas, em estacas ou tubulões) com o solo sejam simuladas de maneira que retratem aproximada- Na análise estática não linear geométrica as forças de vento mente as condições reais. são calculadas de acordo com as prescrições da NBR 6123/88 As análises foram realizadas para ação de vento correspon- (vide item II.2.1 Equivalente Estático do Vento) e aplicadas es- dente à velocidade básica de vento definida pela NBR6123 taticamente à estrutura em incrementos de carga. que está referida ao intervalo de tempo igual a 3s, altura z A análise dinâmica linear sob tensões iniciais considera ação igual a 10m, terreno de Categoria II e tempo de recorrência das forças flutuantes de vento (incluindo o amortecimento igual a 50 anos. Essa velocidade foi ajustada para conside- aerodinâmico) sobre a estrutura na configuração deforma- rar S3= 1,1, resultando na velocidade característica igual a da estática decorrente da ação da força média e obtida por 55m/s. A velocidade média em 10 minutos correspondente análise não linear geométrica. Para a análise dinâmica utiliza- a esse valor é igual a 38m/s. -se o método de superposição modal integrando-se as equa- Para efeito de comparação de resultados, a metodologia tra- ções resultantes pelo método de Runge-Kutta. dicional de análise baseada no modelo de torre isolada e com cargas calculadas segundo a NBR5422 foi aplicada para III. ESTUDO DE CASO uma velocidade básica Vb igual a 38m/s, referida ao intervalo de tempo igual a 10 min, a altura z igual a 10m, terreno de O exemplo de torre de 32,8m de altura e cujo modelo numé- Categoria B e tempo de recorrência igual a 50 anos. rico está mostrado na Figura 4a foi analisado pelo programa Os resultados das análises efetuadas segundo as metodolo- TorreLTEE e os resultados são comparados com aqueles ob- gias tradicional e nova são apresentados em termos de des- tidos em uma análise baseada na metodologia tradicional. locamentos nos nós A e B indicados na Figura 4b e em termos de esforços axiais nas barras indicadas na Figura 4c. Estas comparações encontram-se nas Tabelas I e II. A comparação entre os resultados obtidos com as análises dinâmica linear e não linear conduz às seguintes conclusões: • A análise dinâmica linear LDIN fornece, como já esperado, valores para os deslocamentos e esforços, em geral, maiores que os fornecidos pela análise dinâmica não linear NLDIN; • Esse aspecto conservador da análise LDIN com relação à NLDIN é contornado pela simplicidade do modelo matemático-numérico-computacional e pelo tempo de computação muito menor (tLDIN / tNL-DIN < 1/60), o que o torna de maior praticidade para projetos. fiGura 4 – (a) viSTa iSOMéTrica; (b) DETaLhE DaS LiGaçõES DOS cabOS; (c) DETaLhE Da MODELaGEM Da baSE 60 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT Da comparação entre os resultados obtidos com a metodologia tradicional e com a nova metodologia (referidos à mes- arTiGOS ciEnTíficOS ma velocidade básica do vento) conclui-se que as respostas IV. CONCLUSÕES estruturais são maiores pela nova metodologia. Essas diferenças observadas se devem aos vários efeitos combinados Com base na análise dos resultados feita, verificou-se, para o que são levados em conta nos modelos dinâmicos utilizados caso-exemplo de sistema estrutural torre/cabos, uma subs- pela nova metodologia, orientada pelas prescrições da NBR tancial diferença entre os valores dos esforços axiais nas bar- 6123/90. São os seguintes esses efeitos: ras e deslocamentos obtidos segundo cada uma das meto- • Ação dinâmica do vento; dologias nova e tradicional, independentemente do valor • Modelagem matemático-numérica-computacional do sis- adotado para a velocidade de projeto. tema não linear acoplado torres/cabos; A relevância do modelo de cálculo dinâmico proposto na no- • Não linearidade geométrica que conduz à configuração de- va metodologia de projeto é ainda mais acentuada nos casos formada de equilíbrio estático; de torres altas (100m < H < 400m) para grandes travessias, • Não proporcionalidade dos resultados dos modelos dinâ- como na região amazônica onde se superpõe a escassez de micos com respeito ao quadrado de Vb, isso é, quanto maior dados de medições do vento. Vb, maior a diferença entre os resultados do novo modelo e A validação do modelo é, assim, de grande importância e de- do modelo tradicional de cálculo. ve ser feita por meio de medições de grandezas físicas realizadas em ensaios experimentais de protótipos, ou melhor, de sistemas torres/cabos existentes. V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1] R. C. Battista, and M. S. Pfeil, “Dynamic Behaviour and TabELa i. cOMParaçÃO DOS DESLOcaMEnTOS TranSvErSaiS (na DirEçÃO DO vEnTO) ObTiDOS cOM aS DuaS METODOLOGiaS. vaLOrES EM METrOS Stability of Transmission Line Towers under Wind Forces”, Journal of Wind Engineering and Industrial Aerodynamics, vol. 91, pp. 1051-1067, Elsevier 2003. [2] J. Blessman, O Vento na Engenharia Estrutural, Porto Alegre: Ed. UFRGS, 1995. [3] A. G. Davenport, “Gust Response Factors in Transmission Line Loading”, apresentado na V International Conference on Wind Engineering, Ft Collins, Colorado, EUA, 1979. [4] G. Diana, M. Bocciolone, F. Cheli, F. Resta, and A. Manenti, “The Aero-Elastic Behaviour of the OHTL Expanded Bundles” in Proc. Of the 3rd ISCD (International Symposium on Cable Dynamics), pp. 97-102. TabELa ii. cOMParaçÃO ESfOrçOS axiaiS ObTiDOS cOM aS DuaS METODOLOGiaS. vaLOrES EM Kn. [5] Forças Devidas ao Vento em Edificações, NBR-6123, 1987. infOrMaçõES SObrE O PrOJETO DE P&D: ‘incOrPOraçÃO Da açÃO DinâMica DO vEnTO nO PrOJETO DE ESTruTuraS DE LinhaS DE TranSMiSSÃO’; ‘LiGhT’; ‘cOnTrOLLaTO E EnELTEc’; ‘2008-2012’; r$ 626.540,00 DE invESTiMEnTO aPrOvaDO Para ExEcuçÃO DO PrOJETO. 1 LiGhT SErviçOS DE ELETriciDaDE S/a ([email protected]); 2 cOnTrOLLaTO – MOniTOraçÃO E cOnTrOLE DE vibraçõES EM ESTruTuraS LTDa ([email protected]); 3 EnELTEc – EnErGia ELéTrica E TEcnOLOGia LTDa. ([email protected]). REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 61 n o 06 - nOv 2014 arTiGOS ciEnTíficOS aRtIgoS cIENtífIcoS Rodrigo M. Romano1, Luciana L. A. Gaspar1, Lucas S. M. Guedes2, Adriano C. Lisboa2, Douglas A. G. Vieira2, Rodney R. Saldanha3 Reconfiguração multicritério de redes radiais de distribuição de energia elétrica com fluxo de potência rápido PALAVRAS-CHAVE – DISTRIBUIÇÃO, MULTIOBJECTIVO, RECONFIGURAÇÃO, REDES RADIAIS. Resumo – O trabalho descreve a metodologia de reconfigura- rede desejada. ção desenvolvida no projeto de P&D ANEEL L50 proposto pe- O método permite estabelecer controles práticos, como o li- la Light. A heurística multiobjectivo mapeia a fronteira Pareto mite para operações de chaveamentos e o limite do conjun- e retorna automaticamente um plano de chaveamentos pa- to de soluções finais. Dessa forma, o método desenvolvido ra reconfiguração da rede. A identificação das soluções Pare- estabelece um plano de reconfiguração factível e aumenta to aumenta a informação e flexibiliza a tomada de decisão a a confiabilidade do reconfigurador por ser uma abordagem posteriori. Já o plano de reconfiguração possibilita ao operador determinística. despachar imediatamente as equipes para efetuarem os cha- O embasamento teórico da heurística, a comparação com veamentos. A estrutura do algoritmo ainda permite o controle demais métodos da literatura e resultados obtidos em redes do número máximo de chaveamentos. Um aperfeiçoamento no reais da Light foram publicados no periódico IEEE Transac- método de fluxo de potência também foi desenvolvido para au- tions on Power Delivery [1], no Congresso Latino-Ibero-Ame- mentar a eficiência computacional da reconfiguração. ricano de Investigación Operativa [2] e no VII Congresso de Inovação Tecnológica em Energia Elétrica [3]. I. INTRODUÇÃO O projeto também desenvolveu uma metodologia de fluxo de potência. A nova abordagem apresenta complexidade O projeto abordou a reconfiguração de redes em condições de armazenamento linear e um baixo custo computacional normais de operação. A reconfiguração é realizada através em relação às versões encontradas na literatura, pois explo- da abertura/fechamento das chaves com objetivo de ob- ra as características especiais das redes radiais. Tais avanços ter uma nova configuração que minimize as funções objeti- na modelagem foram importantes para a eficiência compu- vo e melhore as condições de operação da rede. Além disso, tacional da heurística de reconfiguração, que executa diver- as soluções devem ser aplicáveis no mundo real. Em outras sos fluxos de potência de grande porte. O seu embasamento palavras, o operador do sistema deve ser capaz de definir a teórico e comparação com demais métodos foram publica- configuração otimizada através de uma sequência de chave- dos no periódico International Journal of Electrical Power & amentos viáveis. Esse plano de reconfiguração descreve to- Energy Systems [4]. das as operações a serem realizadas no sistema para obter a O produto final em operação é o PAD – Planejamento e Aná- 62 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT arTiGOS ciEnTíficOS lise da Distribuição –, que possui módulo de reconfiguração, em relação à corrente nominal. Dessa forma, a minimização fluxo de potência (análise da rede), visualização georreferen- da perda resistiva implica a redução de custos devido ao des- ciada, editor de redes e banco de dados. A figura 4 apresen- perdício de energia, enquanto que a minimização da máxima ta a interface do programa em uso. sobrecarga implica um sistema com menos riscos de sobrecarga nas linhas de distribuição. II. DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA B. Controles do reconfigurador A. Reconfigurador A fim de evitar a explosão combinatória da árvore de busca, O método desenvolvido é uma heurística multiobjectivo ba- mecanismos de controle da largura e da profundidade foram seada em chaveamento e no algoritmo branch-and-bound. desenvolvidos. A largura está relacionada com o número de O problema é resolvido de forma multiobjectivo, ou seja, en- redes que são ramificadas em cada nível, ou seja, a aproxima- contra uma aproximação do conjunto Pareto ótimo. ção do conjunto Pareto. Por essa razão, a dimensão do con- A estratégia branch-and-bound constrói uma árvore de bus- junto Pareto pode ser controlada. ca. A árvore inicia-se com a rede atual, e a cada novo nível, Por outro lado, a profundidade é definida pelo número de acrescentam-se novas soluções ramificadas. Logo, todos os operações de permutação exigidas para a obtenção de uma nós que compõem a árvore são soluções ramificadas da con- rede no último nível. Basta limitar o número de operações de figuração inicial, ou seja, obtidas através da reconfiguração permutação a partir da rede inicial. Esse controle é bastante da rede atual. interessante, porque em muitas situações reais existe uma li- O movimento base de ramificação é a permuta de ramos, mitação técnica para o número de chaveamentos realizados que consiste na abertura de uma chave e do fechamento de pelo operador do sistema. outra. A operação de permuta será realizada apenas nos nós Outra restrição definida pelo operador do sistema é o limi- promissores, ou seja, aqueles que representam novas redes te inferior de potência chaveada. A nova restrição impõe que factíveis e não dominadas. a potência equivalente da região afetada pelo chaveamento Dessa forma, o caminho na árvore entre a raiz e uma solu- seja superior a um valor mínimo de potência. Caso contrário, ção, indica o histórico de pares de chaves que devem ser al- o chaveamento não é considerado eficaz, pois o volume de terados. Devido ao mecanismo de poda das redes inviáveis, carga “movimentada” e, possivelmente, os ganhos não com- sabe-se que todos os chaveamentos do histórico conduzem pensarão os riscos e os custos da operação. A potência equi- a redes intermediárias viáveis, ou seja, entre a configuração valente é definida como o somatório da demanda de carga inicial e a nova rede, não há risco de colapso do sistema devi- de todos os vértices que possuem a chave recém-fechada em do às operações de chaveamento. Essa informação assegura seu caminho até a subestação. um plano de reconfiguração para o operador. As operações de chaveamento provocam sempre algum ti- C. Fluxo de potência po de distúrbio no sistema, logo, a heurística não deve per- Em resumo, no problema de fluxo de potência deve-se en- mitir as operações que conduzem a soluções inviáveis. Caso contrar o conjunto de ângulos de fase e a magnitude da ten- as tensões e as correntes estiverem fora dos limites técnicos, são nas cargas. Os fluxos de potência ativa e reativa e as per- a rede será podada. Caso contrário, calcula-se o vetor de fun- das nas linhas também são de interesse. ções objetivo e verifica-se a dominância Pareto. Os métodos de fluxo de potência em redes radiais aprovei- O atual trabalho baseia-se nos critérios utilizados na distri- tam a existência de um único caminho a partir de qualquer buidora Light, que busca equilibrar suas decisões entre o carga para a fonte. Dentro desse grupo se destaca aquele ba- compromisso de reduzir os custos e aumentar a robustez do seado na varredura reversa/direta. sistema. As duas funções objetivo são: minimização da per- Um novo método para resolver o problema de fluxo de po- da resistiva e minimização da máxima sobrecarga nos cabos tência em sistemas balanceados de distribuição com base na REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 63 n o 06 - nOv 2014 arTiGOS ciEnTíficOS abordagem [5] foi desenvolvido. O método é uma aborda- quase linear, podendo ser quadrática para as árvores desba- gem direta para a varredura reversa/direta. As características lanceadas. da rede são resumidas na matriz de incidência, que se torna uma matriz triangular inferior. Essa nova formulação permitiu resolver sistemas de equações lineares em vez de inverter matrizes durante o processo iterativo, levando a uma menor carga computacional. Portanto, o método proposto é eficiente em tempo e memória. Além disso, ele preserva a capacidade de representar diferentes modelos de carga. No pior caso, o armazenamento da inversa da matriz de incidência possui complexidade quadrática quando a rede possui apenas uma ramificação. Nesses casos, a parte triangular inferior da inversa é inteiramente preenchida, como representado na figura 1 para uma árvore com 100 vértices e uma única ramificação. fiGura 2 – TEMPO MéDiO DE ExEcuçÃO DO fLuxO DE POTência fiGura 1 – viSuaLizaçÃO DaS MaTrizES invErSa (ESquErDa) E DE inciDência (DirEiTa) Para árvOrE cOM 100 vérTicES E uMa raMificaçÃO D. Validação do fluxo de potência O primeiro teste foi realizado com o intuito de comparar métodos já existentes com a versão proposta. A instância de teste possui 10.560 vértices, dos quais 84 são alimentadores, e fiGura 3 – arMazEnaMEnTO MéDiO Para caDa TaManhO DE inSTância 10.476 arestas. Os métodos de varredura reversa/direta [5], E. Validação do reconfigurador [6] e [7] foram testados em diferentes cenários de carga. Em Uma série de testes de reconfiguração em redes reais da cada simulação, a demanda de carga original foi multiplica- Light foi conduzida. Resultados podem ser encontrados nos da pelo mesmo fator α � [1/2,..,4] em cada vértice. A figura 2 artigos derivados do projeto, principalmente a apresentação apresenta os tempos computacionais em segundos. O pro- no CITENEL [3]. A figura 4 apresenta a tela do PAD ao final da cedimento proposto se mostrou o mais rápido e o menos reconfiguração. No campo superior direito está o gráfico Pa- afetado pelo aumento da carga. reto, com o valor das funções objetivo de cada solução re- Em seguida, o armazenamento foi medido como o número tornada. O plano de chaveamento para todas as soluções é de elementos não nulos de todas as matrizes e vetores utili- apresentado abaixo do gráfico. As chaves são nomeadas pe- zados em cada método. A figura 3 mostra os resultados para lo identificador do banco de dados. Por fim, o usuário pode uma máxima variação de tensão de 2-13. O método propos- escolher uma das soluções (botão indicado com a seta azul), to, como esperado, apresenta uma complexidade de arma- e então o plano será aplicado e a nova rede será visualizada zenamento linear. O algoritmo [5] necessita de maior capaci- no campo principal da tela. O usuário poderá acessar os da- dade de armazenamento, com uma ordem de complexidade dos dessa nova configuração, tensão, corrente etc. 64 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT arTiGOS ciEnTíficOS III. CONCLUSÕES Electrical Radial Network”, IEEE Trans. Power Delivery, vol. 28, pp. 311-319, Jan. 2013. O projeto de P&D ANEEL proposto pela Light proporcionou [2] L. S. M. Guedes, A. C. Lisboa, D. A. G. Vieira, R. R. Saldanha, o estudo e o desenvolvimento de uma ferramenta compu- R. M. Romano, L. L. A. Gaspar, “Reconfiguração Multiobjectivo tacional para o planejamento de sistemas de distribuição de de Redes Radiais de Distribuição de Energia Elétrica”, in Anais energia elétrica baseado em técnicas de otimização. Os di- do XVI Congresso Latino-Ibero-Americano de Investigación versos resultados obtidos em testes simulados e com instân- Operativa, Rio de Janeiro, 2012. cias reais demonstraram as melhorias do sistema após a re- [3] R. M. Romano, L. L. A. Gaspar, L. S. M. Guedes, A. C. Lis- configuração e a consistência teórica da nova metodologia boa, D. A. G. Vieira, “Ferramenta Multicritério para Reconfigu- desenvolvida, ver [1]-[4]. A heurística de reconfiguração, em ração de Redes Radiais de Distribuição de Energia Elétrica”, in trabalhos futuros, pode ser adaptada para a restauração de Congresso de Inovação Tecnológica em Engenharia Elétrica, redes de distribuição, no âmbito do controle em tempo real 2013, Rio de Janeiro. VII CITENEL, 2013. p. 1-12. do sistema. Desta forma, o sistema poderá ser aplicado tam- [4] A. C. Lisboa, L. S. M. Guedes, D. A. G. Vieira, R. R. Saldanha, “A bém nas áreas de controle operacional e de emergência. No fast power flow method for radial networks with linear storage caso do fluxo de potência, pode-se estender a abordagem and no matrix inversions”, International Journal of Electrical para sistemas de distribuição com geração distribuída e re- Power & Energy Systems, vol. 63, pp. 901-907, 2014. de trifásica desbalanceada. [5] J. H. Teng, “A direct approach for distribution system load flow solutions”, IEEE Transactions on Power Delivery, vol. 18, IV. AGRADECIMENTOS pp. 882-887, 2003. [6] R. G. Cespedes, “New method for the analysis of distribution Agradecemos a parceria com a equipe da AXXIOM. networks”, IEEE Transactions on Power Delivery, vol. 5, pp. 391-396, 1990. V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [7] U. Eminoglu e M. H. Hocaoglu, “A new power flow method for radial distribution systems including voltage dependent [1] L. S. M. Guedes, A. C. Lisboa, D. A. G. Vieira, R. R. Salda- load models”, Electric Power Systems Research, vol. 76, pp. nha, “A Multiobjective Heuristic for Reconfiguration of the 106-114, 2005. fiGura 4 – inTErfacE DO PrODuTO finaL PaD cOM rESuLTaDO Da rEcOnfiGuraçÃO ESTE arTiGO é fruTO DO PrOJETO P&D L50 - DESEnvOLviMEnTO DE uM SiSTEMa inTEGraDO MuLTicriTériO Para rEcOnfiGuraçÃO E PLanEJaMEnTO Da ExPanSÃO DE rEDES DE DiSTribuiçÃO DE EnErGia ELéTrica, DESEnvOLviDO Para a LiGhT Sa E ExEcuTaDO PELa EnacOM, ufMG E axxiOM nO cicLO 2010 nO vaLOr DE r$1.306.680,00. 1. LiGhT Sa ([email protected], [email protected]); 2. EnacOM ([email protected], [email protected], [email protected]); 3. ufMG ([email protected]) REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 65 n o 06 - nOv 2014 arTiGOS ciEnTíficOS aRtIgoS cIENtífIcoS Walfredo Schindler1, Luis A. Saporta1, Thaís Mattos1, Ricardo Gonzalez1, Fernanda França1, Fabiana Fioretti2 e Lívia Correa2 Metodologia para pegada de carbono para empresas de geração hidroelétrica e distribuição de eletricidade no brasil PALAVRAS-CHAVE – DISTRIBUIÇÃO DE ELETRICIDADE, GESTÃO DO CLIMA, GERAÇÃO ELÉTRICA, MUDANÇAS CLIMÁTICAS, PEGADA DE CARBONO. Resumo – O uso do conceito da Pegada de Carbono é algo mui- Com o aumento da consciência pública sobre as mudanças to recente para as empresas. Poucas corporações no mundo di- climáticas, a preocupação da sociedade tem crescido: os in- vulgam esse dado sobre suas operações. O desenvolvimento vestidores demandam mais transparência e consumido- de uma metodologia para o setor elétrico brasileiro representa res procuram mais clareza e responsabilidade das empre- uma ação de vanguarda, contrastando com a atual prática que sas. Muitas companhias têm recebido pedidos de diferentes é, no melhor dos casos, a elaboração de inventário de emissões stakeholders para medir e reportar suas emissões de gases de da empresa. Diferentemente do inventário de emissões, a Pe- efeito estufa – e esses pedidos têm incluído, cada vez mais, as gada de Carbono é uma medida mais abrangente que leva em emissões de sua cadeia de produção. Para responder a essa consideração toda a cadeia de produção – não só as emissões demanda, as empresas devem ser capazes de entender e ge- restritas ao controle operacional ou societário das empresas –, rir os riscos das emissões no ciclo de vida de seus produtos tornando-se um instrumento mais preciso para a gestão do cli- e serviços – caso desejem garantir o sucesso de longo prazo ma de uma companhia. Com o projeto “Elaboração de Metodo- de seus negócios em um mercado cada vez mais ambiental- logia de Pegada de Carbono de Sistemas de Geração e Distribui- mente responsável. ção de Energia” – código ANEEL 0382-0069/2011 – buscamos Por outro lado, ações corporativas nessa área também fazem preencher essa lacuna. sentido econômico. Na medida em que os impactos das mudanças climáticas se tornam mais frequentes e intensos, ris- I. INTRODUÇÃO cos físicos, regulatórios, financeiros e reputacionais aumentam consideravelmente e podem atingir as receitas e custos As mudanças climáticas seguem como um dos grandes desa- do setor elétrico nacional. fios encarados por países, governos, empresas e a sociedade Uma estratégia corporativa efetiva na área de mudanças civil nas próximas décadas. As ações presentes exercidas pe- climáticas requer um entendimento detalhado dos impac- las atividades humanas continuam aumentando a concentra- tos gerados pela companhia na emissão de gases de efeito ção de gases de efeito estufa na atmosfera – principalmente estufa ao longo de sua cadeia de produção – com foco no pela queima de combustíveis fósseis, mas também por pro- portfólio de produtos e serviços – como forma de aprimo- cessos químicos, agricultura e mudanças no uso do solo. rar o gerenciamento dos riscos e oportunidades. A Pegada 66 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT arTiGOS ciEnTíficOS de Carbono pode ser considerada uma ferramenta avança- do a unidade funcional 1MWh. Foi definido que a quanti- da nessa gestão. dade de produtos consumidos nos processos das atividades das empresas – e considerados no cálculo da Pegada de II. PEGADA DE CARBONO Carbono – estaria entre 30 e 40 produtos. Na definição das fronteiras do projeto, respeitaríamos o protocolo da BSI [2], Todo o projeto de Pegada de Carbono tem que seguir uma excluindo os materiais identificados como infraestrutura lógica, baseada na análise de ciclo de vida de um produto/ (transformadores, chaves, postes, edifícios, etc.). Pelo mes- serviço. Ao começar um projeto de Pegada de Carbono as mo motivo, não seriam incluídas emissões ligadas à admi- empresas definem objetivos que querem alcançar com esse nistração da empresa (energia elétrica de prédios adminis- estudo. A finalidade mais comum – segundo o BSI [1] – é a re- trativos, uso de gás refrigerante em áreas administrativas, dução das emissões de gases de efeito estufa. Outra função viagens corporativas etc.). importante da Pegada de Carbono é a avaliação dos diferen- Para a construção do mapa de processo, o primeiro passo foi tes riscos ligados às mudanças climáticas. analisar os inventários de emissões de gases de efeito estufa Após uma fase de planejamento, o projeto de Pegada de das empresas. Por meio dos dados contidos nos inventários, Carbono deve começar a realizar o levantamento de dados foi possível identificar as principais fontes de emissões ope- relevantes para o cálculo das emissões GEE ao longo da ca- racionais da Light Energia: notadamente, o uso de combus- deia produtiva do produto/serviço escolhido. Para isso, cinco tíveis em fontes móveis e a geração de resíduos de macrófi- passos básicos devem ser realizados: tas nos reservatórios. Além disso, identificou-se o uso de SF6. • Construção do mapa de processos: levantamento do ciclo Para a Light SESA, temos: o uso de combustíveis em fontes de vida do produto, desde a obtenção das matérias-primas móveis, a perda de energia elétrica na distribuição e a gera- básicas até a disposição dos resíduos, incluindo materiais e ção de resíduos de poda de árvores. Além disso, também se energias consumidas; identificou o uso de SF6. O passo seguinte foi criar uma me- • Definição das fronteiras e das prioridades: exclusão de ele- todologia para definir os produtos que fariam parte da análi- mentos pouco relevantes e/ou sem informações confiáveis do se. Esses produtos deveriam ser materiais para as operações mapa de processos (que deve ser atualizado após essa fase); e manutenção e, ao mesmo tempo, respeitar o protocolo de • Coleta de dados sobre as emissões: levantamento sobre Pegada de Carbono mencionado anteriormente [2]. Dessa quantidade de materiais, atividades e fatores de emissão ao forma, primeiramente foi realizado um levantamento com o longo de todo o ciclo de vida; pessoal de compras das duas empresas resultando em uma • Cálculo da Pegada de Carbono. lista com os 1.000 produtos mais utilizados nos últimos anos. Após a análise e retirada de produtos inadequados à meto- A. Metodologia para a Light ENERGIA e SESA dologia, a lista resultante com 60 produtos para cada empre- Tentando estabelecer os parâmetros mais próximos possí- sa, foi enviada ao setor de operação e manutenção da Light veis àqueles descritos nos protocolos para projetos de Pe- Energia e Light SESA. Os colaboradores reduziram a lista para gada de Carbono [2]-[4], foram convidados colaboradores 40 produtos considerados fundamentais para a operação. A das áreas de meio ambiente e sustentabilidade, da área lista final foi reavaliada pela FBDS e, sem alterações, foi apre- operacional, da área de regulação e da área de compras da sentada para a equipe de sustentabilidade da empresa, que – Light. em um pequeno workshop explicando as etapas percorridas Nesse encontro foram definidas as principais normas para a – referendou o resultado. Vale ressaltar que, além dos produ- estruturação do trabalho. O projeto foi definido com o ob- tos, todas as embalagens também foram consideradas. jetivo de analisar a geração de eletricidade em usinas hi- A etapa seguinte consistiu em elaborar o Mapa de Processo droelétricas e a distribuição de energia elétrica. Em ambas de cada um desses materiais baseados na literatura e nas fi- as análises, a pegada de carbono seria calculada utilizan- chas técnicas de seus fabricantes. Com base nessas informa- REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 67 n o 06 - nOv 2014 arTiGOS ciEnTíficOS ções, foi identificado um banco de dados internacional sobre Reciclagem de Metais no País – Projeto ESTAL” [15]. Além dis- análise de ciclo de vida de grande aceitação no meio aca- so, foi necessário consultar o banco de dados Aliceweb [16] dêmico e corporativo para realizarmos os cálculos das emis- disponibilizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indús- sões. A empresa Ecoinvent, com base na Suíça, é especializa- tria e Comércio Exterior (MDIC) e a ferramenta SEA DISTAN- da na construção de banco de dados sobre o tema e tem sido CES – VOYAGE CALCULATOR [17] para estimarmos o impacto citada em inúmeros estudos realizados pelas consultorias es- da importação de materiais ao longo da cadeia de suprimen- pecializadas. No momento de elaboração do projeto, a ver- tos da Light. são mais atual desse banco de dados era o Ecoinvent v2.2[5]. Vale mencionar que as emissões de gases de efeito estufa Esse banco de dados é alimentado por uma série de artigos oriundas de reservatórios das hidroelétricas não foram com- científicos publicados em periódicos internacionais. putadas nesse projeto, visto que ainda não existe uma meto- Contudo, para alcançar maior fidelidade para o caso da dologia amplamente aceita para essa finalidade. Light, os pesquisadores não podiam transferir diretamente os dados da Ecoinvent para o banco de dados da ferramen- C. Desenvolvimento do software de Pegada de Carbono ta de Pegada de Carbono. Isto porque – salvo algumas pou- Com a conclusão do banco de dados nacionalizado sobre a cas exceções, como o etanol e o biodiesel – a maior parte do análise de ciclo de vida dos produtos, a etapa seguinte do banco de dados foi criado para a realidade europeia ou glo- projeto foi desenvolver um software para uso simplificado bal. Dessa forma, o próximo passo do projeto foi a “naciona- e intuitivo das empresas, para que o cálculo da Pegada de lização” das informações do banco de dados internacional, Carbono fosse introduzido sem dificuldades no dia a dia das tornando-as mais adequadas à realidade do Brasil. companhias. O Visual Basic for Aplications foi a linguagem escolhida para a elaboração desse programa de computador. B. Nacionalização do banco de dados O trabalho de nacionalização dos dados foi efetuado por in- III. PEGADA DE CARBONO DA LIGHT ENERGIA E LIGHT SESA termédio de ampla pesquisa nas informações disponibilizadas em publicações e banco de dados de diferentes ministé- Com o uso do software pudemos calcular os resultados do rios do governo federal, de dissertações de mestrado e teses uso da metodologia de Pegada de Carbono desenvolvida de doutorado de programas de pós-graduação das melhores no projeto descrito acima, utilizando dados de operação da universidades brasileiras e por pesquisas realizadas por cien- Light Energia e Light SESA para o ano de 2012. Esses dados tistas nacionais de grande reputação. foram retirados diretamente do sistema de gestão da empre- Foi necessária a adaptação de dados sobre produção, im- sa. As informações dizem respeito: ao uso anual dos produ- portação e consumo aparente de produtos como petróleo tos separados na primeira etapa do projeto e seu transporte e seus derivados, plásticos, aço, cobre, alumínio, zinco, uma dos fornecedores diretos até as empresas; ao uso energético série de produtos químicos, carvão mineral e transporte ma- direto e indireto pelas operações da empresa (fontes móveis rítimo. Para cumprir tal tarefa, foram utilizados, principal- e estacionárias); à geração de resíduo; e às perdas em trans- mente, dados oriundos dos estudos CO2 Emissions from Fuel missão/distribuição. Também foi necessário saber a quanti- Combustion de 2010 [6], Anuário Estatístico Brasileiro de Pe- dade de energia total gerada e distribuída pelas empresas. tróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 2011[7], “Potencial de Dessa forma, foi possível calcular a Pegada de Carbono da Redução de Emissão de Gases de Efeito Estufa pelo Uso de Light Energia – para o ano de 2012 – em 13,581 kg CO2eq / Energia no Setor Industrial Brasileiro” [8], Balanço Energéti- MWh gerado em suas usinas hidroelétricas. Desse total, 99% co Nacional (BEN) [9], Anuário da Indústria Química Brasilei- foram emitidos pela decomposição de macrófitas em aterros ra [10], “Oportunidades de Eficiência Energética para a Indús- sanitários. Como consequência disso, 99% do impacto climá- tria: Setor Químico” [11], “O Setor de Soda-Cloro no Brasil e tico da geração elétrica da empresa foi feito através do gás no Mundo” [12], “Anuário Estatístico 2011: Setor Metalúrgico” metano – exatamente fruto da degradação anaeróbia dessa [13], “Sumário Mineral 2011: Carvão Mineral” [14], “Estudo de biomassa nos aterros. 68 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT arTiGOS ciEnTíficOS Comparado com as informações do Sistema Interligado das emissões provocadas pela geração de energia elétrica do Nacional (SIN), disponibilizadas pelo Ministério de Ciência, SIN, cujo gerenciamento é uma variável exógena para a com- Tecnologia e Inovação (MCTI), podemos ver que em 2012, a panhia. Dessa maneira, para reduzir sua Pegada de Carbono Light Energia teve uma emissão cerca de 80% menor do que nessa categoria, as empresas do setor podem investir na ge- a média do SIN – 65,3 kg CO2eq / MWh. As outras fontes de ração distribuída com fontes renováveis (notadamente solar emissão significativas da Light Energia foram o diesel B5 e a fotovoltaica) para reduzir sua dependência do SIN. gasolina C utilizada nas operações. Por fim, de posse dos dados sobre a Pegada de Carbono da Do ponto de vista de mitigação da Pegada de Carbono da energia elétrica distribuída, as empresas do setor podem pro- empresa, é essencial que o problema da decomposição das mover programas de informação para seus consumidores, in- macrófitas seja resolvido. A compostagem desse material or- dicando o impacto pessoal de cada consumo. Essa medida gânico ou seu uso energético em outras atividades pode ser pode contribuir para a aceitação de programas de eficiência um caminho para reduzir a Pegada de Carbono em um pra- energética, pois insere os consumidores na responsabilidade zo curto. dos impactos ambientais do consumo elétrico por intermé- A Pegada de Carbono da Light SESA – para o ano de 2012 – dio da informação. foi calculada em 61,76 kg CO2eq / MWh por energia elétrica distribuída. Desse total, 98% têm origem nos processos de IV. AGRADECIMENTOS geração de energia elétrica distribuída pela Light SESA, seja do SIN ou da Light Energia. Como consequência disso, 99% Os autores agradecem as contribuições de toda a equipe da do impacto climático da geração elétrica da empresa foram Light Energia e Light SESA que dedicaram algum esforço pa- feitos por meio do gás CO2 – por conta das emissões associa- ra a conclusão desse trabalho. das ao SIN. Nenhuma matéria-prima ou resíduo foi responsável por emissões significativas, dado o tamanho do impacto V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS das emissões da energia elétrica comprada no ciclo de vida da distribuição. [1] BSI, “PAS 2050 research report”, Londres, Inglaterra. 2011. Com o intuito de isolar o impacto da geração da energia do [2] BSI, “PAS 2050:2011. Specification for the assessment of the SIN distribuída na Pegada de Carbono, revolveu-se rodar no- life cycle greenhouse gas emissions of goods and services”, vamente o programa, agora sem contabilizar as emissões Londres, Inglaterra, Relatório Técnico. ICS: 13.020.40. 2011. com essa origem. Para isso, considerou-se o fator de emissão [3] WRI/WBCSD, “Product Life Cycle Accounting and Reporting da geração do SIN nulo. O resultado dessa segunda análise Standard” GHG Protocol. Relatório Técnico. 2011. apontou que as emissões ligadas à geração da energia distri- [4] ISO, Environmental management – Life cycle assessment – buída (agora exclusivamente feita pela Light Energia), conti- Requirements and guidelines, ISO 14044:2006, ICS: 13.020.10. nua sendo a principal causa da Pegada de Carbono da Light 2010. SESA. Entretanto, podemos ver que o uso de combustíveis [5] Ecoinvent, Banco de dados sobre análise de ciclo de vida, fósseis na operação da empresa (11%), a gestão de resíduos Versão 2.2. 2010. (10%), a extração de matérias-primas para os produtos utili- [6] AIE, “CO2 Emissions from Fuel Combustion 2010”. OECD zados (11%) e a energia utilizada para a fabricação dos pro- Publishing. 2010. dutos (8%) são fatores importantes para Pegada de Carbono [7] ANP. MME, “Anuário Estatístico Brasileiro de Petróleo, Gás que a empresa pode melhorar em sua gestão. Natural e Biocombustíveis 2011”, 2011. Do ponto de vista de mitigação da Pegada de Carbono, há [8] M. F. Henriques Jr., “Potencial de Redução de Emissão de pouca margem de manobra para que empresas de distribui- Gases de Efeito Estufa pelo Uso de Energia no Setor Indus- ção de energia reduzam suas emissões no ciclo de vida das trial Brasileiro”. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Gradu- operações. Como visto no resultado desse trabalho, quase a ação em Planejamento Energético, COPPE, Universidade Fe- totalidade da Pegada de Carbono da Light SESA é oriunda deral do Rio de Janeiro. Maio 2010. REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 69 n o 06 - nOv 2014 arTiGOS ciEnTíficOS [9] EPE (Brasil). MME. “Balanço Energético Nacional 2011: Ano 2011. base 2010”, 2011. [14] DNPM. Sumário Mineral 2011. 2011. [10] ABQUIM. Anuário da Indústria Química Brasileira. Edição [15] J. MENDO CONSULTORIA e SGM (MME), “Reciclagem de 2011. 2012. Metais no País”. Relatório Técnico 83. Projeto ESTAL. Agosto [11] CNI. “Oportunidades de Eficiência Energética para a In- de 2009. dústria. Relatório Setorial: Setor Químico”, 2010. [16] ALICE (MDIC), “Base de Dados sobre Comércio Exterior [12] E. Fernandes, A. M. Silva, A. M. Gloria e B. A. Guimarães. Brasileiro”, 2011-2013 “O Setor de Soda-Cloro no Brasil e no Mundo”. BNDES Seto- [17] SEA DISTANCES – VOYAGE CALCULATOR <http://sea-dis- rial. Número 29. Março 2009. tances.com/>. Visitado entre os anos de 2011 e 2013. [13] SGM. MME. Anuário Estatístico: Setor Metalúrgico 2011. infOrMaçõES SObrE O PrOJETO DE P&D: ELabOraçÃO DE METODOLOGiaS DE PEGaDa DE carbOnO DE SiSTEMaS DE GEraçÃO E DiSTribuiçÃO DE EnErGia ELéTrica, 0382-0069/2011; LiGhT SESa E LiGhT EnErGia; fbDS; 2011; r$ 466.469,99. 1 funDaçÃO braSiLEira Para O DESEnvOLviMEnTO SuSTEnTávEL ([email protected]; [email protected], [email protected], [email protected], [email protected]. br). 2 LiGhT SErviçOS DE ELETriciDaDE S/a ([email protected], [email protected] ). 70 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT Sistema de Detecção de Corrosão Otimize recursos com manutenção, identificando a corrosão no estágio inicial. O robô possui duas câmeras de vídeo que realizam uma inspeção visual detalhada e sensores que identificam a corrosão em cabos de alumínio com alma de aço das linhas de alta-tensão. Recursos como estes permitem a manutenção preventiva das linhas, direcionando os recursos para substituir condutores apenas onde for necessário. Fale com a gente: Fone: +55 31 3291 8119 [email protected] www.engelmig.com.br O Sistema de Detecção de Corrosão é o resultado de um projeto conjunto de P&D ANEEL da Light com o CPqD. REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT 71 N o 06 - NOV 2014 É com essa energia que nos aproximamos do futuro. Há mais de 100 anos ligada em inovação, a Light apresenta o Robô SDC - Sistema de Detecção de Corrosão. Um equipamento desenvolvido para aprimorar a inspeção das linhas de transmissão a partir da avaliação de estado da camada de proteção dos cabos de aço galvanizados. Essa e outras inovações fazem parte do nosso projeto de Pesquisa & Desenvolvimento, uma iniciativa que faz da Light uma empresa à frente do seu tempo. 72 REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT CONECTADA A VOCÊ