NÚMERO 06 - NOVEMBRO 2014
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Muitas ideias, estratégia garantida
Pelo viés da inovação, P&D contribui com os objetivos estratégicos da Light
Entrevistado da edição
Carlos Rufin, professor
em Boston e pesquisador
colaborador do PósMQI/
PUC-Rio, bate um papo
conosco sobre o modelo
brasileiro de P&D
gestão de p&D
Veja quais são as mudanças,
as prioridades e os desafios
do P&D da Light para os
próximos anos, entre eles,
garantir ainda mais o caráter
inovador dos projetos
produtos no mercado
Light, CPqD e Engelmig vão
comercializar um robô que
faz a inspeção automática
em linhas de transmissão
para identificar corrosão
nos cabos
o que vem por aí
P&D vai aprimorar máquina
coletora de resíduos sólidos,
desenvolvida pela COELCE,
para ampliar a abrangência
do Light Recicla, projeto de
eficiência energética
N o 06 - NOV 2014
2
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Mensagem do presidente
foto PAULA KOSSATZ
A Revista Saber é uma publicação
da Light dedicada exclusivamente aos desa-
em Santos (SP), para o lançamento da revis-
fios e realizações em P&D. Em sua 6ª edição,
ta por ser um evento de grande relevância,
divulgamos os projetos de inovação tec-
congregando representantes de todas as em-
nológica desenvolvidos pela empresa que
presas do setor, e onde o tema P&D está bem
deixaram o campo das ideias e já estão dis-
presente nos mais diversos segmentos.
poníveis no mercado, bem como aqueles
que, em breve, se tornarão alternativas viá-
ção do setor elétrico torna-se um diferencial
veis para o setor.
competitivo por meio da aproximação com
A Light tem trabalhado intensamen-
o setor acadêmico e instituições de fomento,
te para fortalecer a gestão do seu Programa
dando dinamismo a esse mercado e deixan-
de P&D e dar mais visibilidade corporativa ao
do a empresa em uma posição de vanguarda
tema. O Plano Estratégico de Investimento
tecnológica.
em P&D da Light para o período 2014-2018
privilegia temas de pesquisa que estejam
grama de P&D da Light, regulado pela ANEEL,
alinhados com as diretrizes definidas no
vem reiterar para as concessionárias como es-
Planejamento Estratégico da empresa, confir-
sa exigência regulatória tem de fato gerado a
mando as arrojadas metas e objetivos estabe-
oportunidade de abertura de fóruns de deba-
lecidos pela Light para os próximos anos.
te, diminuindo assim o gap de conhecimento
entre as tendências tecnológicas e o ambiente
Nesse sentido, o portfólio de proje-
Escolhemos o XXI SENDI, realizado
O papel da concessionária na inova-
A divulgação dos resultados do Pro-
tos de P&D da Light tem contribuído para a
corporativo.
reflexão e solução de grandes desafios: a si-
tuação hidrológica, as perdas técnicas e não
ra todos aqueles que estão envolvidos com o
técnicas e a incessante busca da eficiência
tema P&D um extrato do que tem sido rea-
operacional. Algumas dessas questões já es-
lizado pela Light, assim como lança as bases
tão sendo endereçadas na pauta de projetos
para a reflexão sobre outros grandes desafios
de P&D e outras terão início ainda em 2014,
nessa área.
como pode ser verificado na seção “O que
vem por aí”.
Esta revista, portanto, apresenta pa-
Paulo Roberto Pinto
Presidente da Light
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
3
n o 06 - nOv 2014
Sumário
EnTrEviSTaDO Da EDiçÃO
Carlos Rufin defende mudanças
no modelo brasileiro de
investimentos em P&D de forma
a minimizar os riscos regulatórios
6
DIRETORIA DA LIGHT
DIRETOR PRESIDENTE
Paulo Roberto Pinto
DIRETOR DE COMUNICAÇÃO
Luiz Otavio Ziza Mota Valadares
DIRETOR DE GESTÃO EMPRESARIAL
Paulo Carvalho Filho
DIRETOR DE FINANÇAS E RELAÇÕES COM INVESTIDORES
João Batista Zolini Carneiro
DIRETOR DE ENERGIA E NOVOS NEGÓCIOS
Evandro Leite Vasconcelos
GESTÃO DE P&D
10
conheça as mudanças,
os desafios e as prioridades
do p&D da light para
os próximos anos
DIRETOR DE DISTRIBUIÇÃO
Ricardo Rocha
DIRETORA DE GENTE
Andreia Junqueira
DIRETOR JURÍDICO
Fernando Fagundes
SABER | REVISTA DE PESQUISA E
DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
ASSESSORIA DE PROJETOS ESPECIAIS
PrOJETOS DE P&D Da LiGhT
22
Saiba quais são as pesquisas
em andamento e de que forma
elas impactam a light e
o setor elétrico
José Tenorio B. Junior
CONTATO [email protected]
GERÊNCIA DE COMUNICAÇÃO
Jordana Garcia
CONTATO [email protected]
REPORTAGEM, TEXTO E EDIÇÃO
PrODuTOS nO MErcaDO
34
Marina Godoy
COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE P&D
Dois produtos frutos do P&D
da light já estão sendo
comercializados. conheça
cada um deles
Massi Comunicação
JORNALISTA RESPONSÁVEL
Viviane Massi - MTB 7149/MG
COLABORAÇÃO
Fátima Ribas
REVISÃO
Agnes Rissardo
PROJETO GRÁFICO E EDITORAÇÃO
Quadratta Comunicação e Design
FOTOGRAFIAS
Humberto Teski
O quE vEM POr aí
39
uma máquina que coleta
resíduos, uma identidade contra
furtos, novos processos de
segurança, nova tecnologia
contra erosões: projetos futuros
4
Diogo Torres
COMERCIAL
Regina Rei
IMPRESSÃO
Grafitto Gráfica e Editora Ltda.
TIRAGEM
2.000
Para anunciar
arTiGOS ciEnTíficOS
50
INFOGRÁFICOS E ILUSTRAÇÕES
Nesta edição, cinco artigos
produzidos por pesquisadores e
profissionais da Light envolvidos
em projetos de p&D
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
CONTATO (21) 2211- 7457
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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n o 06 - nOv 2014
EnTrEviSTaDO Da EDiçÃO
carLOS rufin: “é PrEciSO EviTar
quE ESSES PrOGraMaS SEJaM
aPEnaS uM ManDaDO rEGuLaTóriO”
Mais previsibilidade
para as concessionárias
Rufin defende mudanças no modelo brasileiro
de investimentos em P&D de forma a minimizar
os riscos regulatórios
6
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
EnTrEviSTaDO Da EDiçÃO
Com formação avançada em economia e
P&D. As empresas são convocadas a apresen-
análise de políticas públicas, além de uma
tar projetos, escolhidos em seguida com ba-
vasta experiência em mercados de energia,
se em critérios pré-definidos. A partir daí, os
energias renováveis e desenvolvimento de
recursos são distribuídos aos projetos vence-
negócios, o professor e consultor espanhol
dores. Não se trata de uma obrigatoriedade.
Carlos Rufin, que vive atualmente nos Esta-
A experiência brasileira foi muito inovadora
dos Unidos e cuja tese de doutorado, desen-
quanto a pretender fomentar a pesquisa e o
volvida na Universidade de Harvard, trata do
desenvolvimento no setor elétrico, mas a for-
sistema elétrico brasileiro, fala, nesta en-
ma como ela se dá, ou seja, de maneira com-
trevista exclusiva, sobre as diferenças en-
pulsória, é única em nível mundial.
tre o modelo brasileiro e os demais modelos de programas de P&D em outras
Revista Saber: E o que o senhor tem a di-
partes do mundo. Atualmente, é professor
zer sobre o modelo norte-americano?
na Suffolk University, em Boston, e pesquisa-
Rufin: Os Estados Unidos possuem mui-
dor colaborador do Programa de Pós-gradu-
tos recursos para inovação no setor elétrico,
ação em Metrologia para Qualidade e Inova-
mas o modelo também é diferente do bra-
ção da PUC-Rio. Leia a seguir.
sileiro. A inovação tem sido promovida tradicionalmente fora do sistema regulatório,
Revista Saber: Como o senhor percebe a
principalmente por iniciativa dos laborató-
experiência brasileira frente à experiência in-
rios de pesquisa federais. Eles têm como ob-
ternacional de estimular inovações tecnoló-
jetivo principal o desenvolvimento de ino-
gicas por meio de programas regulados de
vações em diversas áreas, mas muitas delas
pesquisa e desenvolvimento, como é o caso
voltadas para o setor elétrico. Por exemplo,
do já consolidado Programa ANEEL de P&D?
energia nuclear sempre foi uma das grandes
Carlos Rufin: Que eu saiba, o Brasil é o úni-
áreas de pesquisa. Também há instituições
co país no cenário internacional que pos-
equivalentes ao CNPq [em referência ao Con-
sui um programa regulado de P&D, em que
selho Nacional de Desenvolvimento Cientí-
as concessionárias são obrigadas por lei a in-
fico e Tecnológico, agência do Ministério da
vestir uma parte de sua Receita Operacional
Ciência, Tecnologia e Inovação], que lançam
Líquida (ROL) em projetos de pesquisa e de-
editais para contratar projetos de inovação
senvolvimento com o propósito de fomentar
com universidades, não com empresas. O
a melhoria do setor e da qualidade da ener-
modelo é mais centrado nas universidades,
gia gerada, sendo assim controladas e avalia-
que têm um envolvimento maior na defini-
das pelo regulador. A única experiência se-
ção dos projetos. No Brasil, o regulador de-
melhante que conheço está na Grã-Bretanha,
senvolve um papel mais proativo, porque é
onde a agência reguladora decidiu propor a
ele quem estabelece os critérios que devem
criação de um fundo de investimentos para
ser atendidos.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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n o 06 - nOv 2014
EnTrEviSTaDO Da EDiçÃO
Revista Saber: Em sua opinião de espe-
Rufin: Esse é o principal desafio de qualquer
cialista, qual é o modelo mais eficaz?
tipo de programa de P&D em todos os seto-
Rufin: Essa avaliação é complexa. Como o
res: fazer o produto inovador se tornar um su-
Brasil investe pouco em pesquisa e desenvol-
cesso também na parte comercial. Minha re-
vimento, o governo acabou inovando ao im-
comendação é integrar muito mais as áreas
por, por força de lei, um percentual de inves-
comerciais com os programas de P&D, a fim
timento, que hoje caracteriza o seu programa
de que o mercado mande sinais claros quan-
regulado de P&D. No entanto, o desafio prin-
to a que tipo de produto tem que ser desen-
cipal de um programa desse tipo é conseguir
volvido. O desafio, entretanto, é conseguir
fazer com que esses investimentos criem, de
orientar a demanda sem inibir a criativida-
fato, novas tecnologias que sejam efetiva-
de das instituições proponentes de projetos
mente absorvidas e introduzidas no merca-
de P&D, que representam o locus da inova-
do em escala comercial. Ou seja, que sejam
ção. Especificamente no Brasil, em que o P&D
capazes de transformar boas ideias em ino-
é altamente regulado, penso que a agência
vação. É muito mais fácil para o governo im-
deveria fazer o papel de promover essa in-
por a aplicação de um percentual do que ga-
tegração. Outra possibilidade bem interes-
rantir o uso efetivo de um produto inovador,
sante seria também compartilhar os ganhos
por meio de patentes e licenças de uso tec-
do P&D com a concessionária e com o consu-
nológico.
midor de energia elétrica. Pelas regras brasileiras atuais, o regulador determina que par-
Revista Saber: E por falar em absorção de
te do lucro com os projetos de P&D deve ser
novas tecnologias pelo mercado, que reco-
repassado ao cliente via tarifa. Portanto, não
mendações o senhor daria para intensificar
se vê incentivo nenhum para que os produ-
a internalização de resultados de P&D do
tos inovadores sejam colocados no merca-
setor elétrico no Brasil?
do. Veja bem, não estou dizendo que a concessionária tenha que ficar com todo o lucro,
mas que os ganhos devem ser compartilhados, até porque a verba de P&D vem da tarifa
O smart grid é, provavelmente, a maior
mudança na parte de distribuição de energia
paga pelo consumidor.
Revista Saber: O senhor entende que a
dos últimos 100 anos. Entretanto, um dos
avaliação de projetos poderia ser basea-
maiores desafios para o seu desenvolvimento
da em critérios mais objetivos? E como vê a
é a criação de incentivos regulatórios
adequados.
questão do risco regulatório que envolve os
projetos de P&D?
Rufin: A definição adequada dos critérios
é um grande desafio, não só para o progra-
8
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
EnTrEviSTaDO Da EDiçÃO
ma Light/ANEEL de P&D, mas para todos os
mentos obsoletos por outros mais novos,
programas de pesquisa e desenvolvimento. A
o que, provavelmente, impactaria a tarifa
grande questão é como avaliar com assertivi-
de energia. O setor de telecomunicações é
dade o sucesso de um projeto, principalmen-
um ótimo exemplo. Hoje, nós estamos dis-
te porque a pesquisa é sempre um proces-
postos a pagar muito mais pelas novas tec-
so incerto. O nível de incerteza e o risco são
nologias de comunicação do que há 20,
enormes. Em alguns países, o possível suces-
30 anos. Estamos gastando muito dinheiro
so de um projeto de P&D é medido pelo nú-
com smartphones e aplicativos. Contextuali-
mero de patentes que uma empresa já con-
zando com o smart grid, o consumidor tem
seguiu obter com produtos inovadores. Mas
que estar disposto a aceitar os investimen-
nem sempre patente é uma indicação de su-
tos que as concessionárias vão fazer e tam-
cesso. Voltando à questão dos critérios, talvez
bém a pagar por eles, via tarifa.
a agência reguladora pudesse mudar as regras e criar um modelo em que os lucros e as
Revista Saber: E que recomendações da-
perdas fossem compartilhados. Se houvesse
ria aos gestores do P&D para melhorar o re-
recursos financeiros das concessionárias en-
lacionamento universidade-empresa-con-
volvidos, talvez elas fossem mais cuidadosas,
cessionária?
mais criteriosas na escolha dos projetos, ten-
Rufin: Em outros setores e países, como nos
dendo a optar por aqueles com maior grau
Estados Unidos, existe uma grande tradição
de certeza para o sucesso, uma vez que há re-
de sucesso nesse tripé, em parte devido à for-
cursos próprios em jogo.
mação de consórcios, que são quase entidades legais, jurídicas, dependendo da estru-
Revista Saber: Quais são os principais en-
tura. Ou mesmo redes já formais em que é
traves que têm impedido uma implantação
possível identificar qual a contribuição de ca-
mais rápida e efetiva das redes inteligentes
da parte envolvida. Juntos, desenvolvem um
ou smart grid?
programa de atuação com linhas estratégicas
Rufin: O smart grid é, provavelmente, a
bem definidas. Os investimentos costumam
maior mudança na parte de distribuição de
ser de grande vulto, com prazos muito maio-
energia dos últimos 100 anos. Entretanto,
res do que a média brasileira, que fica em tor-
adicionalmente à segurança dos dados que
no de 18 a 24 meses. Nos Estados Unidos, os
precisa ser resguardada, um dos maiores de-
consórcios de pesquisa universidade-empre-
safios para o seu desenvolvimento é a cria-
sa-governo podem exceder cinco anos, de-
ção de incentivos regulatórios adequados.
pendendo do porte e objetivos do projeto.
São tecnologias de alto custo, mas com vida
Penso que esse tipo de consórcio seria uma
útil muito menor, pois evoluem rapidamen-
mudança interessante no Brasil, complemen-
te. Nesse caso, as concessionárias teriam
tando, é claro, o que já vem sendo feito por
que trocar com mais frequência os equipa-
aqui de forma inovadora.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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n o 06 - nOv 2014
gestão de p&D
Aprimorar constantemente os processos. Esse é um dos desafios da área
que gerencia o Programa de P&D da Light. Incorporar novos sistemas,
novas ferramentas e novas maneiras de se fazer é um movimento
que norteia a equipe. Nesta edição, o leitor vai conhecer os avanços
gerenciais do P&D da Companhia no último ano e entender como vem
gerenciando ideias e riscos, duas características da busca pela inovação.
10
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
GESTÃO DE P&D
XXI edição do SENDI
P&D da Light lança revista e apresenta três artigos
foto sxc
O Programa de P&D da Light, além
de lançar a 6ª edição da Saber durante o XXI
SENDI – Seminário Nacional de Distribuição
de Energia Elétrica, em Santos (SP), apresenta, no evento, três artigos: Sistema de Análise e
Seleção de Ideias e de Projetos de P&D no Setor
Elétrico; Engajamento de Stakeholders no Desenvolvimento de um Plano Estratégico Participativo de Investimento em P&D – A Experiência
da Light; e Boas Práticas de Gestão do Programa de P&D – Experiências das Distribuidoras.
O artigo sobre engajamento de
stakeholders apresenta uma metodologia
inovadora empregada pela Light para o desenvolvimento do seu Plano Estratégico de
Investimento em P&D. Ela parte da premissa
No terceiro artigo, são apresentadas
de que a inovação é um processo interativo,
as boas práticas para uma gestão eficiente
multifacetado e interdisciplinar. Essa meto-
dos programas de P&D, definidas em conjun-
dologia é participativa e interativa, envolven-
to pelos membros do GT-P&D da Associação
do tanto as áreas da empresa quanto forne-
Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétri-
cedores, universidades, centros de pesquisa,
ca (ABRADEE). “No novo marco regulatório do
consultorias.
Programa de P&D do setor elétrico, reeditado
De acordo com Jorge Ricardo de Car-
pela ANEEL em 2012, foi fortalecida a necessi-
valho, especialista na área de P&D, foram mo-
dade de uma gestão com maiores frentes de
bilizadas cerca de 80 pessoas, que contribuí-
atuação, que permitam de fato suportar os
ram decisivamente para a construção de um
inúmeros desdobramentos das atividades de
Plano de Investimentos adequado à estraté-
um programa regulado”, justifica o coordena-
gia corporativa da Light, à legislação vigente
dor do Programa de P&D da Light, José Tenó-
da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANE-
rio Júnior.
EL) e aos anseios e expectativas de parceiros
internos e externos da Companhia.
coordenado, este ano, pela CPFL Paulista.
O SENDI é realizado pela ABRADEE e
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 06 - NOV 2014
GESTÃO DE P&D
Evolução corporativa
Conheça as mudanças, os desafios e as prioridades
do P&D da Light para os próximos anos
Desde meados de 2014, a área de P&D
conta desses e de outros fatores, o P&D é funda-
da Light está vinculada à Assessoria da Presidên-
mental para a Companhia, pois ele pode contri-
cia. A mudança vai proporcionar mais visibilida-
buir com esse ganho de eficiência operacional.
de ao P&D, que passa a contar com um aporte
É importante que ele atenda às demandas da
de conhecimentos oferecido por toda a empre-
Light e traga resultados concretos, tanto quan-
sa, permitindo, principalmente, que ele esteja
titativos como qualitativos”, acrescenta Marina.
muito mais vinculado às questões estratégicas
da Companhia. “Essa mudança concede à área
dência reforça a necessidade de uma reorga-
de P&D a oportunidade de estar mais próxima
nização da área, para que se tenha maior ca-
às prioridades da Light”, comenta Marina Godoy,
pacidade de acompanhar o andamento dos
assessora de Projetos Especiais da Presidência. O
projetos que estão sendo desenvolvidos, bem
segundo semestre do ano tem sido dedicado a
como redobrar a atenção dada à fase pós-pro-
uma avaliação geral dos projetos em andamen-
jeto, de inserção do produto no mercado. “Te-
to e a definição de prioridades para 2015.
mos que estimular o relacionamento com a in-
dústria, para que os produtos sejam absorvidos
Pode-se dizer que a Assessoria
Em curto prazo, a assessora da Presi-
da Presidência funciona com um Project
pelo setor elétrico em larga escala”, enfatiza.
Management Office (PMO), ou Escritório de
Projetos. A ideia é que os projetos de P&D se-
-se ganhos de produtividade. O nosso gran-
jam acompanhados por esse PMO, garantin-
de desafio é dar um salto de qualidade, redu-
do que as metas estabelecidas sejam alcança-
zindo custos para a próxima revisão tarifária. E
das dentro dos prazos previstos, até mesmo
não posso deixar de citar o envolvimento de
para respeitar as regras determinadas pela
toda a empresa nesse processo. Nós fazemos
Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
a gestão, mas são as áreas afins, com seus co-
nhecimentos técnicos, que são responsáveis
O setor elétrico, como um todo, tem
grandes desafios. A Light, particularmente, aca-
“Para médio e longo prazo, buscam-
por fazer a pesquisa andar”, reforça.
bou de passar pelo 3º Ciclo de Revisão Tarifária e
já vai começar a se preparar para o 4º, em 2018.
Risco regulatório
As distribuidoras, de uma forma geral, têm que
12
ser cada vez mais eficientes, com mais qualida-
de no serviço prestado, a um custo menor. “Por
a avaliação inicial de projetos. Antes de 2008, o
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
As regras atuais da ANEEL eliminaram
GESTÃO DE P&D
desafio das concessionárias era executar o pro-
ditoria, pode glosar parte do projeto ou sua
jeto de acordo com o que havia sido aprovado
totalidade. O risco hoje é muito maior, pois,
pela agência reguladora. Isso garantia o caráter
se não forem reconhecidos, os recursos in-
inovador da proposta, reduzindo o risco de o
vestidos terão que ser aplicados novamente,
projeto ser glosado. Mas há alguns anos já não
perdendo-se o investimento inicial”, observa
é mais assim: “temos um desafio muito maior
Marina, lembrando que os custos devem ser
de avaliar se os projetos que vamos executar
incluídos na análise, pois a ANEEL pode con-
têm de fato um caráter inovador. Para isso, tra-
siderá-los muito altos e não aprovar.
balhamos, por exemplo, com pesquisa de anterioridade. Não é fácil saber se algo já foi pen-
pREStES a coMplEtaR 15 aNoS
sado e desenvolvido. Temos que tomar muito
cuidado porque a equipe de P&D tem que ga-
A Lei Federal nº 9.991, de 24 de julho
rantir que cada projeto a ser desenvolvido te-
de 2000, que dispõe sobre a realização de in-
nha um caráter inovador”, frisa Marina.
vestimentos em pesquisa e desenvolvimen-
Soma-se a isso o fato de que as distri-
to e em eficiência energética por parte das
buidoras de energia também passaram a ser
empresas concessionárias, permissionárias e
responsáveis pelas auditorias, contando com
autorizadas do setor de energia elétrica, vai
auxílio de auditores independentes. “A ANEEL
completar 15 anos em 2015. De lá pra cá, já
pode aceitar ou não o resultado de uma au-
sofreu atualizações e atualmente determina
que 1% da Receita Operacional Líquida (ROL)
seja aplicado em P&D e Eficiência Energética.
No entanto, do percentual de 0,5% destinado
à pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, somente 0,2% fica com a Light, totalizando, aproximadamente, R$ 12 milhões por
ano. O percentual de 0,3% restante é administrado pelo Governo Federal, a saber: Fundo Nacional de Desenvolvimento de Ciência
e Tecnologia e Ministério de Minas e Energia.
“O início foi de aprendizado e organização das áreas. O grande avanço é que as
demandas agora partem das distribuidoras.
Elas sabem o que querem e procuram parceiros externos que correspondam às suas necessidades estratégicas. Resumindo: quem
está dentro da Companhia sabe do que a Light precisa”, finaliza Marina.
Marina GODOY, aSSESSOra DE PrOJETOS ESPEciaiS Da PrESiDência
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 06 - NOV 2014
GESTÃO DE P&D
Auditoria do passado
Resolução da ANEEL resgata projetos concluídos
entre 2000 e 2007 e impõe riscos às distribuidoras
A Agência Nacional de Energia Elé-
todos os projetos. Para aqueles com menos de
trica (ANEEL) publicou a Resolução Normati-
cinco anos da data de conclusão, a auditoria
va nº 618, de 1º de julho de 2014, que esta-
deverá ser concluída até dezembro de 2014,
belece a obrigatoriedade de auditoria para os
e será completa. Já para projetos com mais de
programas e projetos de P&D e de eficiência
cinco, o prazo é julho de 2015, e, nesse caso, o
energética do setor de energia elétrica.
processo de auditoria será simplificado. A Li-
Esse processo, que vem sendo cha-
ght terá sete projetos a serem auditados con-
mado de “auditoria do passado”, iniciado em
forme o primeiro caso e 206 projetos que se-
julho deste ano, resgata um passivo de fisca-
rão entregues até ano que vem.
lização deixado pelo regulador relativo aos
projetos de P&D da época de 2000 a 2007 e
sa demanda regulatória. A equipe do Pro-
projetos de eficiência energética do período
grama de P&D está mobilizada e trabalhan-
de 1999 a 2007, os quais passarão por uma revisão técnica, contábil e financeira.
Ao todo, 208 projetos de P&D da Li-
ght SESA e cinco da Light Energia serão revisitados pelo órgão regulador. Os prazos e o processo de auditoria não são os mesmos para
É um grande desafio atender a essa demanda
regulatória. A equipe do Programa de P&D está
mobilizada e trabalhando em conjunto com
outras áreas da Light para entregar os projetos
dentro dos prazos estabelecidos.
José Tenório Júnior | Coordenador do Programa
de P&D da Light
14
José Tenório Júnior, coordenador do P&D da Light
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
“É um grande desafio atender a es-
GESTÃO DE P&D
Quebra de confiança
junto ao regulador
do em conjunto com outras áreas da Light
debatemos o assunto em diversas ocasiões e
– contabilidade, regulatória, auditoria – para
negociamos com o órgão regulador uma au-
entregar os projetos dentro dos prazos esta-
ditoria simplificada em projetos cujo prazo é
belecidos”, comenta José Tenório Júnior, co-
dezembro deste ano”, acrescenta.
ordenador do Programa de P&D da Light.
O coordenador de P&D entende a
necessidade da ANEEL, mas não deixa de friRisco de glosa,
sar que a “auditoria do passado” vai impactar
advertência e multa
o setor elétrico de todo o Brasil, colocando
em risco as concessionárias, pois os resulta-
De acordo com Tenório, a possibili-
dos podem provocar, por exemplo, glosas,
dade de uma “auditoria do passado” já vinha
advertência e/ou multa. “O desafio é enorme”,
sendo discutida desde 2012. “A ANEEL mani-
repete.
festava o desejo de regularizar esse passivo,
pois precisa encerrar oficialmente esses pro-
elétrica tiveram que contratar empresas de
jetos. Nós, representantes dos Programas de
auditoria técnica e contábil, cadastradas na
P&D das concessionárias, desde 2012, por
Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para
meio do GT da Associação Brasileira dos Dis-
produção dos relatórios sobre os investimen-
tribuidores de Energia Elétrica (ABRADEE),
tos realizados.
Todas as concessionárias de energia
Light no ENCONSEL
O Programa de P&D da Light foi convidado para participar do XXX ENCONSEL – Encontro Nacional dos Contadores do Setor de Energia Elétrica, em Foz do Iguaçu, Paraná, no
período de 15 a 19 de novembro deste ano.
O encontro deverá contar com a participação de mais de 500 profissionais das áreas contábil e financeira, além de representantes de empresas de geração, transmissão, distribuição, cooperativas elétricas, auditoria, informática, advocacia, universidades e agentes reguladores e de fiscalização.
O coordenador do P&D da Light, José Tenório Júnior, vai mediar o painel P&D e PEE: contabilização, documentação e auditoria, no dia 18 de novembro, do qual participarão o superintendente de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética da ANEEL, José Roberto Sanches, e o sócio da Delloitte Touche Tomatsu, Renato Vieira Lima.
Informações: www.abraconee.com.br/enconsel2014
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
15
N o 06 - NOV 2014
GESTÃO DE P&D
Mitigando os riscos
Software vai ser capaz de avaliar os projetos
antecipadamente e auxiliar nas tomadas de decisão
O Programa de P&D da Light poderá
da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANE-
contar com mais uma ferramenta para o pro-
EL) de não mais realizar avaliações iniciais de
cesso de tomada de decisões relativas a pro-
projetos. “Esse sistema vai contribuir na mi-
jetos que devem ou não sair do papel. Teve
tigação de risco de insucesso frente ao pro-
início, este ano, um estudo cujo objetivo é
cesso de avaliação pela agência reguladora”,
desenvolver um software capaz de avaliar os
pontua o coordenador.
benefícios e riscos na seleção de projetos de
pesquisa e desenvolvimento nas companhias
dada com expectativa pelo P&D da Light. Isso
de setor elétrico, beneficiando o segmento
porque identificar e mensurar as chances de
como um todo.
concretização de uma ameaça de risco, espe-
“A proposta de um procedimento sis-
cífica às características inerentes aos projetos
temático para a coleta de dados e execução de
de pesquisa e de eficiência energética, possi-
um sistema de gestão de riscos específicos pa-
bilitam que os gestores das áreas se anteci-
ra as empresas de energia elétrica preencherá
pem e adotem medidas para mitigar o risco
uma lacuna que hoje é desafiadora para os pro-
identificado antecipadamente.
gramas de P&D”, comenta José Tenório Júnior,
coordenador do Programa de P&D da Light.
um modelo de análise com base na lógica
Além disso, Tenório acrescenta que
fuzzy, para antecipar o desempenho de um
a nova metodologia motivou-se pela decisão
projeto, calculando o Risk Priority Number de
A nova ferramenta tem sido aguar-
Os pesquisadores vão desenvolver
Conheça alguns objetivos específicos da nova ferramenta
para gestão de risco
• Separar os projetos em duas classes – inovação radical e processo regular de P&D da
ANEEL – para avaliação ortogonal;
• Identificar uma lista de benefícios e de riscos associados a projetos de pesquisa e desenvolvimento;
• Desenvolver um modelo por lógica fuzzy para avaliar os desempenhos dos projetos às
listas de benefícios e de riscos;
• Calcular o Risk Priority Number para cada projeto com base na sintetização dos escores
relativos a cada risco da lista;
• Simular a avaliação inicial de projetos de P&D levando em consideração os critérios da
ANEEL e também as especificidades que influenciam na nota de avaliação.
16
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
GESTÃO DE P&D
acordo com uma lista de riscos e benefícios
pré-definida.
“Se a gestão integrada do risco pro-
A proposta de um procedimento sistemático
piciar ações mitigadoras que impeçam algu-
para a coleta de dados e execução de um
mas perdas, em especial nas áreas em que há
sistema de gestão de riscos específicos para
benefícios sociais e ambientais, isso representará uma economia – ainda a ser mensu-
as empresas de energia elétrica preencherá
rada – que justificará o investimento no pro-
uma lacuna que hoje é desafiadora para os
jeto de P&D”, finaliza o coordenador de P&D
programas de P&D.
da Light.
Pela sua natureza e objetivo, este
projeto poderá ser útil para outras empresas
José Tenório Júnior | Coordenador de P&D da
Light
do setor elétrico em suas atividades de P&D.
RISCO x BENEFÍCIO
Os projetos P3 e P6 estão em um
quadrante que sinaliza um alto
nível de inovação radical e muitos benefícios, mas com grandes
riscos de incerteza da pesquisa.
Já o quadrante dos projetos P4 e
P2 mostra que os riscos são mais
baixos, porém o nível de inovação também é baixo, sem muitos
benefícios. Com base em critérios pré-definidos, a ferramenta
selecionará os projetos de acordo com os riscos e seus impactos, separando-os nos quadrantes conforme o gráfico.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
17
N o 06 - NOV 2014
GESTÃO DE P&D
Inteligência administrativa
Ferramenta online atende à necessidade de analisar,
qualificar e selecionar novos projetos de P&D
18
O Programa de P&D da Light já es-
de uma metodologia que permita identificar,
tá utilizando uma ferramenta online para fa-
quantificar e selecionar – de forma multicrité-
zer a gestão do portfolio de projetos de ino-
rio e estruturada – os novos projetos de P&D
vação. Trata-se de um sistema inovador, em
a serem desenvolvidos pela Light. Essa ferra-
plataforma web, denominado Sistema Inte-
menta contribui para uma tomada de decisão
grado de Gestão de Ideias e Projetos de P&D
mais assertiva e dá confiabilidade maior para
(GESPPIN), que permite o gerenciamento de
o processo de avaliação e seleção da carteira
novas ideias e atende a necessidade de anali-
de projetos de P&D”, declara Camila Caiaffa,
sar, qualificar e selecionar, de forma técnica e
engenheira da área de P&D da Light.
estruturada, os novos projetos da Companhia.
“Para uma adequada gestão do por-
Ideias e de Projetos começou a ser usado em
tfólio de projetos, é fundamental a definição
2013 e vem contribuindo com o desafio de se
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
O Sistema Integrado de Gestão de
GESTÃO DE P&D
fazer a seleção de novas ideias e novos projetos
de acordo com três critérios: 1) Características
apresentados por parceiros internos e exter-
de P&D ANEEL; 2) Caráter Inovador da Ideia; e
nos, considerando os limitados recursos finan-
3) Alinhamento à Estratégia de P&D da Light.
ceiros e humanos que as empresas possuem.
A ideia validada receberá apoio da
“Como a ideia é o elemento primor-
área de gestão para a elaboração da proposta
dial do processo de inovação, ela deve ser
de P&D e para o alinhamento com parceiros
catalogada, identificada, analisada e qualifi-
externos que possam colaborar com o desen-
cada, reduzindo o risco de que se perca nos
volvimento do projeto, como universidades e
meandros burocráticos e organizacionais das
centros de pesquisa.
grandes empresas”, defende Camila.
Vale destacar que é possível acompanhar todo o processo pelo sistema, que indica
ENtENDa o SIStEMa
a situação de cada ideia sugerida, considerando cinco status prováveis: Nova Ideia, Em Ava-
Dividido em dois módulos, a ferra-
liação, Aprovada, Rejeitada ou Cancelada.
menta online de gestão permite o cadastramento de uma ideia e, por conseguinte, de
SElEção DE pRojEtoS
um projeto. No primeiro caso, as ideias são
cadastradas, e a gestão de P&D indica o ana-
A segunda etapa é a Seleção de Pro-
lista que fará sua avaliação dentro da própria
jetos de P&D, que permite a sistematização
ferramenta. Ao clicar no link recebido pelo e-
e homogeneização do processo de avalia-
-mail, esse analista é direcionado para o siste-
ção de propostas para novos projetos. A fer-
ma e para o link “Avaliações e aprovações das
ramenta inclui a possibilidade de uma aná-
ideias”. Nesse momento, ele fará a avaliação
lise multivariada e em diversos cenários. É
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
19
N o 06 - NOV 2014
GESTÃO DE P&D
possível definir vários critérios – atualmente
a Light utiliza nove – com pesos distintos pa-
grande utilidade para a gestão de proje-
ra cada um, alterar critérios e pesos a partir
tos de P&D. Em análises iniciais, se mostrou
das mudanças nos cenários de análise e fazer
efetivamente útil, auxiliando na seleção de
restrições orçamentárias. “O sistema calcula,
11 projetos dentro de um conjunto inicial
com base nas avaliações realizadas e nos pe-
de 19”, acrescenta José Tenório Júnior, co-
sos dos critérios, quais projetos têm maior re-
ordenador do Programa de P&D da Light.
levância estratégica, gerando uma tabela de
Segundo ele, a ferramenta reduziu consi-
classificação”, acrescenta Camila.
deravelmente o tempo gasto no proces-
so de análise, tornando-a mais criteriosa e
No entanto, pode ser que um projeto
“Esse sistema é uma ferramenta de
bem avaliado seja oneroso financeiramente.
técnica.
“Nesse caso, o sistema permite inserir um va-
lor de orçamento disponível para determina-
destacam-se: otimização do tempo; maior as-
do período. Dado esse valor, a ferramenta cal-
sertividade e coerência no processo de análi-
cula automaticamente o conjunto de projetos
se; flexibilidade e modularidade do sistema; e
que trará o maior valor estratégico dentro da
maior confiabilidade sobre os resultados ob-
restrição orçamentária”, explica a engenheira.
tidos”, conclui Tenório.
“Entre as reais vantagens do sistema,
Funcionalidades da ferramenta de gestão de ideias e projetos
1° Momento
Identificação de Ideias
• Este processo tem como objetivo mapear
as ideias candidatas ao portfólio.
• As ideias podem ser provenientes de
chamada interna.
• O principal produto desse processo é a
lista dos projetos candidatos ao portfólio e
cadastrados no sistema.
• A Gestão de P&D avalia as sugestões de
projetos e elimina as que não se enquadram
no Plano Estratégico de P&D ou que não
estejam em conformidade com as diretrizes
básicas do Manual de P&D da ANEEL.
• Após esse primeiro procedimento interno,
as sugestões que de fato possam se tornar
projetos de P&D são validadas pelos
respectivos gerentes ou superintendentes
das áreas aos quais os proponentes
internos estejam vinculados, antes de
serem publicadas no site da Light para a
fase de chamada externa.
20
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
2° Momento
Seleção de Propostas
• Participam desse processo de análise
de propostas a Gestão de P&D, a área de
Aquisição e Logística e o futuro gerente
do projeto ou representante da área que
fez a proposta. A análise das propostas
recebidas pelo site da Light será feita
utilizando-se a Planilha de Avaliação
de Propostas. Essa planilha consolida a
avaliação de cada representante e indica
a entidade executora vencedora.
• Importante ressaltar que as propostas
apresentadas não se baseiam em uma
especificação face à particularidade
do processo de P&D, e, portanto, não
possuem uma comparação direta. Na
análise das propostas, é valorizada,
então, a melhor solução tecnológica que
atenda à Light e que esteja aderente às
regras da ANEEL.
GESTÃO DE P&D
Gestores debatem
resultados dos programas
Encontro no Rio coloca em pauta diversos assuntos, entre
eles registro de patente e inserção do produto no mercado
O P&D da Light participou do 2º En-
Questionado sobre a principal difi-
contro de P&D dos Agentes do Setor Elétrico
culdade de se chegar à fase industrial, Te-
(Epase), que aconteceu no Rio de Janeiro, nos
nório disse que é fazer o fornecedor acredi-
dias 6 e 7 de outubro. No evento, foram discu-
tar na potencialidade do produto. “Quando
tidos os resultados dos programas de pesqui-
a pesquisa é concluída não significa que o
sa e desenvolvimento das concessionárias de
trabalho tenha acabado. É preciso conti-
energia elétrica, melhorias no manual de P&D
nuar cuidando do produto, mesmo com as
e possíveis avanços para que os investimen-
questões todas já resolvidas, para que ele
tos tenham impacto efetivo no setor.
não se perca no caminho e fique estagna-
do”, falou Tenório.
José Tenório Júnior, coordenador do
P&D da Light, integrou o painel Aproveitamen-
to do P&D – Como aproveitar resultados e pa-
ram Paulo Roberto Maisonnave, da ENDESA
lestrou sobre Produtos e patentes – gerando
Geração, e Guilherme Starck Bernard, diretor
negócios em P&D. Dados apresentados pelo
da Reason.
No mesmo painel, também palestra-
coordenador mostraram um total de 40 pedidos de patentes pela Light entre 2009 e 2013.
Segundo o coordenador, a Compa-
nhia tem avançado na fase de inserção de
produtos no mercado. Um exemplo é o espaçador de cabos elétricos, que está sendo comercializado há dois anos e, atualmente, é
adquirido pela concessionária Ampla e por
uma empresa argentina. Além dele, a Light
assinou contrato com CPqD e Engelmig para
comercializar o Sistema de Detecção de Corrosão para Cabos CAA em Linha Energizada,
popularmente conhecido como um robô que
detecta problemas nos cabos.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
21
n o 06 - nOv 2014
projetos de p&D
A missão da Light é prover energia e serviços com excelência e de
forma sustentável, contribuindo para o bem-estar e o desenvolvimento
da sociedade. E a missão do P&D é colaborar para que a Companhia
consiga fazer isso. Nas páginas a seguir, o leitor vai conhecer alguns
projetos de pesquisa e desenvolvimento, bem como suas contribuições à
estratégia da Light.
22
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Inovação em Energia
Com 15 anos de presença no mercado nacional, o
Instituto de Pesquisas Eldorado atua fortemente no
segmento de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação
(P,D&I) e apresenta um amplo portfólio de projetos no
setor de Energia Elétrica, atuando em todas as etapas
do ciclo de inovação tecnológica em temas atuais e
futuros, tais como:
Sistemas Avançados de Medição;
Geração Distribuída de Energia;
Operação e Despacho em Tempo Real;
Segurança e Qualidade da Energia Elétrica;
Sistemas de Comunicação e Realidade Virtual;
Smartgrid e Energy Storage;
Big Data, Internet of Things e Cloud Computing.
Hoje, o Eldorado possui grande expertise e apresenta
diferenciais competitivos como histórico de gestão
de mais de 200 projetos reconhecidos por órgãos e
agências governamentais, como MCTI, ANEEL,
BNDES, Anatel e FINEP.
Além disso, conta com uma rede de parceiros
industriais constituída, que permite rapidez de
inserção de um produto, aplicação ou processo de
mercado e, por fim, possui uma grande diversidade
de clientes e de setores de atuação, que garante uma
interação sem precedentes e acelera a curva de
absorção do conhecimento de novas tecnologias,
aplicações e criação de inovações no mercado.
www.eldorado.org.br
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
23
N o 06 - NOV 2014
Projetos dE P&D
Transferindo inteligência
Tecnologia transforma medidor simples
em medidor inteligente e contribui para reduzir perdas
Balanço energético: É uma
operação matemática, envolvendo o
consumo registrado nos medidores
dos clientes e no medidor do
transformador. A soma do consumo
de todos os medidores é confrontada
com a quantidade de energia
distribuída pelo transformador para
alimentar esses clientes. A quantidade
distribuída tem que ser a mesma da
consumida, caso contrário, há perda
de energia.
Uma plataforma que tem a função
Gestão e Controle de Medição da Light, es-
de fazer com que qualquer medidor que pos-
sa tecnologia foi um grande achado e trouxe
sua porta de comunicação possa se tornar
um ganho definitivo: a vinculação ou amar-
um medidor inteligente é colocada em um
ração do cliente ao transformador, que po-
dispositivo chamado Base Inteligente. Nela,
de ser feita de forma automática. Quando a
os medidores convencionais são acoplados,
leitura de um medidor inteligente chega ao
tornando-se aptos a transmitir informações
CCM, é possível identificar a qual transforma-
do consumo do cliente para o Centro de Con-
dor ele está ligado. Essa é a vinculação clien-
trole de Medição (CCM), da Light.
te-transformador, que possibilita um balanço
energético preciso e rápido.
Alguns medidores já possuem esse
tipo de inteligência, nascem medidores inte-
ligentes, mas o custo é muito elevado quan-
fazendo a leitura remotamente, verificar o ba-
do comparado ao dos medidores conven-
lanço energético do transformador e monito-
cionais. Associado a essa Base, um medidor
rar os índices de perdas são ganhos enormes
simples se transforma em inteligente com um
em termos de tempo e custo trazidos pelo
custo bastante inferior.
medidor inteligente. As equipes não preci-
sam mais ser deslocadas para fazer leituras,
Segundo Danilo Ribera, gerente de
“A possibilidade de faturar o cliente
cortes ou religamentos, mas apenas quando
constatamos que há perdas de energia no lo-
A possibilidade de faturar o cliente fazendo
a leitura remotamente, verificar o balanço
energético do transformador e monitorar os
cal”, explica Ribera.
Antes dessa tecnologia, a Light con-
vivia com problemas recorrentes. Uma operação em função de ações de emergência ou
índices de perdas são ganhos enormes
projetos de readequação da rede podia, por
em termos de tempo e custo trazidos
exemplo, transferir um cliente de um trans-
pelo medidor inteligente.
formador para outro, na rede de baixa tensão, sem avisar, interrompendo o vínculo. Essa
Danilo Ribera | Gerente de Gestão e
mudança, quando não identificada, provoca-
Controle de Medição da Light
va diferença no balanço energético, e o cálculo passava a não corresponder à realidade.
24
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
PrOJETOS DE P&D
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
25
N o 06 - NOV 2014
Projetos dE P&D
Medidor inteligente instalado em uma região de Nilópolis
Estamos muito satisfeitos com os resultados. São
várias solicitações de patentes geradas
e depositadas no Brasil. Vamos entrar agora
na fase Cabeça de Série, aprimorando
o produto para futura utilização em escala
no mercado elétrico.
Welson Jacometti | Diretor executivo
da CAS Tecnologia
“O grande ganho trazido por esse projeto é a
criação de uma tecnologia para detecção automática quando um cliente sai da rede, deixando de ser computado no balanço energé-
tico do transformador em questão”, explica
vo da CAS Tecnologia, concorda com o suces-
Ribera. Se um cliente sai de um transformador
so do P&D. “Colaboramos com a Light no de-
e migra para outro, a Base Inteligente identifi-
senvolvimento da Base Inteligente e estamos
ca essa mudança e manda, automaticamente,
muito satisfeitos com os resultados. São vá-
essa informação para o CCM da Light.
rias solicitações de patentes geradas e depo-
Welson Jacometti, diretor executi-
sitadas no Brasil. Vamos entrar agora na fase
ALARMES CONTRA FRAUDES
Cabeça de Série, aprimorando o produto para
futura utilização em escala no mercado elétri-
26
Além da precisão no balanço ener-
co”, conta.
gético, a Base Inteligente traz dois alarmes
muito importantes: falta de tensão, acusando
mo precisar o volume de perdas a ser evitado
quando o cliente faz uma intervenção e des-
com essa tecnologia, a vinculação automáti-
liga a tensão de alimentação do medidor; e
ca cliente-transformador já foi comprovada
alarme de corrente diferencial, que visa iden-
em Nilópolis, na Baixada Fluminense, onde
tificar os desvios na rede. “O casamento do
20 clientes estão sendo monitorados e vincu-
balanço preciso com os alarmes indica de for-
lados ao transformador sem qualquer interfe-
ma clara em que ponto há irregularidades. O
rência dos transformadores vizinhos. “Temos
ganho operacional é indiscutível”, acrescenta
total confiança no produto gerado pelo P&D”,
o responsável pelo projeto.
finaliza Ribera.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Embora a Light ainda não tenha co-
Projetos dE P&D
Mitigação do biofouling
Alternativa tecnológica remove incrustações
dos trocadores de calor sem parar as turbinas
Após validação no ambiente labora-
torial da PUC-Rio, está sendo testado, em condições reais de operação, na Usina Hidrelétrica
Fontes Nova, um sistema inovador que introduz esferas abrasivas nas passagens internas
dos trocadores de calor de arrefecimento do
hidrogerador sem a necessidade de paralisar
as turbinas para realizar a limpeza e remover
indesejáveis incrustações que comprometem
a efetividade térmica desses equipamentos.
As esferas removem as incrusta-
ções que resultam de um complexo fenômeno de formação de biofouling, originado pe-
ra Qualidade e Inovação da PUC-Rio. “Como
lo crescimento sem controle de colônias de
os resultados foram muito positivos, nossa in-
micro-organismos presentes nas águas que
tenção agora é desenvolver um novo P&D pa-
abastecem a Usina. A remoção dos resíduos
ra transformar o protótipo que construímos
associada a uma limpeza mais eficaz e à im-
em um produto a ser inserido no mercado de
plantação de um mecanismo inteligente que
energia elétrica, para ser utilizado por outras
introduz e retira as esferas do circuito de água
concessionárias”, comenta o pesquisador da
de resfriamento sem a necessidade de inter-
PUC-Rio, Mauricio Frota.
rupção de geração de energia são as grandes
inovações desse projeto.
Piraí, interior do estado. A parada de um úni-
O sistema foi desenvolvido pelo Pro-
co dia de geração de apenas uma das três
grama de Pós-Graduação em Metrologia pa-
turbinas significa interrupção do fornecimen-
A Usina Fontes Nova localiza-se em
to de 1.056 MWh, o que corresponde ao con-
Biofouling: Resíduos
contaminantes da água utilizada
nos sistemas de refrigeração
dos hidrogeradores nas usinas
hidrelétricas. Eles se incrustam na
parte interna dos trocadores de calor,
causando obstrução e prejudicando o
desempenho dos equipamentos.
sumo de energia de 70,8 famílias durante um
mês, números que, se convertidos para valores monetários, indicam um impacto econômico da ordem de R$ 360 mil por dia, calculados com base na tarifa média residencial.
As esferas possuem 24 mm de diâmetro, sendo constituídas de material
esponjoso não aderente e recobertas com microesferas abrasivas
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
27
N o 06 - NOV 2014
Projetos dE P&D
Inteligência analítica
a serviço do cliente
Light e Coppe/UFRJ desenvolvem modelo de previsão do
tempo de restabelecimento de energia elétrica
O projeto consiste no desenvolvi-
Light com o Núcleo de Transferência de Tec-
mento de um modelo de inteligência ana-
nologia da Universidade Federal do Rio de Ja-
lítica para informar ao cliente da Light, por
neiro (UFRJ), trabalha com o histórico de um
meio de atendimento telefônico eletrônico,
ano atrás, avaliando todas as situações. Se em
também chamado de URA (Unidade de Res-
uma determinada região o prazo de restabe-
posta Audível), o tempo de restabelecimen-
lecimento foi de quatro horas, o modelo vai
to da energia elétrica em caso de queda. O
dar um prazo de até quatro horas para resta-
modelo de cálculo foi desenvolvido de for-
belecer a energia. A possibilidade de acerto
ma que possa ser continuamente reajusta-
é muito efetiva porque é baseada em todo o
do para poder acompanhar sazonalidades
histórico da região.
e mudanças estruturais que possam afetar o
tempo de reparo.
software que executa o modelo desenvolvi-
Renato Barros, coordenador do Call
do e seu algoritmo de ajuste de parâmetros.
Center da Light, explica que o modelo leva
O software acessa as informações necessárias
em consideração fatores como a localização
na base de dados da Light e gera uma estima-
do cliente, as condições meteorológicas, da-
tiva do tempo de restabelecimento, que tam-
dos da instalação, classificação da falha, bem
bém será armazenada nessa mesma base.
como informações anteriormente registradas.
mento e Suporte, Cátia Lopes, conta como
Esse modelo, nascido da parceria da
O principal produto do projeto é um
A gerente de Centrais de Relaciona-
Reformulação na URA
Está em fase de teste um novo modelo de atendimento telefônico eletrônico com maior
interatividade: a URA Humanizada, que vai aprimorar a relação com o cliente. “Atualmente, o nosso atendimento automático já informa o prazo de restabelecimento, mas o cliente ainda precisa oferecer ao sistema algumas informações, como, por exemplo, o número do seu CPF e o código de instalação”, conta Cátia. No futuro, o cliente será identificado
pelo número de telefone, vai ouvir uma mensagem informando que foi verificada falta de
energia na localidade dele e, sem precisar oferecer novos dados, receberá, em seguida, o
prazo para restabelecimento. Um atendimento muito mais simplificado, que deverá ser
implantado ainda no final de 2014 ou início de 2015.
28
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Projetos dE P&D
funciona na prática: “O cliente digita seu código de instalação. A partir dele, fazemos diversos cruzamentos para poder identificar,
dentro desse modelo, qual será o prazo mais
assertivo para o restabelecimento da energia”, explica ela.
Modelo tem 70% de assertividade
Esse sistema realiza a previsão do
Tempo Total de Restabelecimento para todas
as localidades, levando em consideração também os tipos de reclamações abertas no sistema de emergência. “Quando o cliente nos
de assertividade. É um modelo de previsão
contata sem nenhuma outra comunicação em
sem similar nas concessionárias de energia.
aberto, precisamos checar os vizinhos, para
Existem outros, mas com esse nível de com-
analisar a abrangência da situação. A comple-
plexidade e assertividade, desconhecemos”,
xidade do projeto está na criação do algorit-
afirma a gerente.
mo com diversas variáveis para se chegar a um
modelo de alta assertividade”, detalha Cátia.
70%, a atenção se volta aos 30% restantes.
O projeto teve um tempo de matu-
Quando um prazo de restabelecimento entra
ração de quatro anos. O modelo foi desenvol-
nessa faixa, meia hora antes de expirar, o mo-
vido para o sistema anterior de atendimen-
delo faz o recálculo e dá um novo prazo. A ca-
to às chamadas de emergência, o Sistema de
pacidade é de até dois recálculos, fornecendo
Gestão da Distribuição (SGD). Atualmente, a
ao cliente mais dois prazos, além daquele da-
Light utiliza outro sistema, o GDIS. O algorit-
do inicialmente.
mo precisou então ser adequado a essa nova
realidade. “Esse processo gerou atraso de um
co, a Companhia trabalha com o prazo máxi-
ano, mas, desde abril, a Light já trabalha com
mo de oito horas, embora o sistema possa ser
esse sistema de prazo de restabelecimento
programado para qualquer prazo. Transcorri-
em seu Call Center”, acrescenta Cátia.
das oito horas sem nenhum sucesso no resta-
A busca pela assertividade nas infor-
belecimento, o modelo passa a informar que a
mações aos clientes, segundo Cátia, sempre
energia será restabelecida o mais breve possí-
foi uma preocupação da Light, para não ha-
vel e transfere o cliente para o atendente.
ver quebra de confiança. “É claro que há situ-
ações em que não conseguimos restabelecer
modelo de cálculo para reduzir o percentual de
no prazo informado, mas estamos com 70%
recálculos e elevar a assertividade dos prazos.
Com um nível de assertividade em
Pelo atendimento telefônico eletrôni-
Periodicamente, a UFRJ faz ajustes no
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
29
N o 06 - NOV 2014
Projetos dE P&D
P&D dá base científica
ao corte rente
Pesquisas buscam melhor interação das redes
de distribuição de energia com arborização urbana
energia. Por isso, a realização das podas é um
serviço contínuo”, justifica Aline Agra, especialista em Meio Ambiente e gerente do projeto na Ampla, concessionária de distribuição
de energia elétrica que concentra a maior
parte de seus clientes na Região Metropolitana de Niterói e São Gonçalo e nos municípios
de Itaboraí e Magé.
Surgiu daí a necessidade de se de-
senvolver um P&D que retardasse as novas
brotações após as podas. “Nessa linha de pesquisa, nós tivemos um resultado que já havia
sido preconizado nos manuais de podas de
todas as concessionárias, que é o corte ren
30
A Light, a Ampla, a Universidade Fe-
te, ou seja, aquele feito na interseção do cau-
deral Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e a Uni-
le principal, rente ao tronco”, explica Aline.
versidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
se uniram para desenvolver, em parceria, um
te favorece muito a cicatrização do local e di-
projeto que valoriza dois aspectos funda-
ficulta a brotação. Por isso, a Light e a Ampla,
mentais para a qualidade de vida da popula-
em seus treinamentos, já orientavam para a
ção: a energia elétrica e a arborização.
utilização dessa técnica, apesar de ainda não
haver uma pesquisa que desse embasamen-
O clima tropical do Brasil favorece o
Segundo a especialista, o corte ren-
crescimento da vegetação, obrigando as con-
to científico à prática.
cessionárias a disponibilizarem grande volu-
me de recursos ao longo de todo o ano pa-
teve um resultado tão positivo que não hou-
ra fazer a poda. “A interferência de galhos nas
ve mais nenhuma brotação. Em outras, o pro-
redes elétricas aéreas pode trazer problemas
cesso de brotação foi lento o bastante para
à Light e aos clientes, como interrupção de
ser considerado satisfatório. Essas variações
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Em algumas espécies, o corte rente
Projetos dE P&D
estavam previstas na pesquisa em que foram levados em conta fatores como diâmetro
A interferência de galhos nas redes elétricas
do galho, maturidade das árvores e diferenças genéticas entre as espécies, variáveis que
aéreas pode trazer problemas à Light e aos
precisam ser consideradas quando se traba-
clientes, como interrupção de energia. Por isso,
lha com vegetação.
a realização das podas é um serviço contínuo.
Aline Agra | Especialista em Meio Ambiente
TRITURADOR DE RESÍDUOS
da Ampla
Uma consequência direta da poda é
o resíduo, trabalhoso de remover e que contribui para reduzir a vida útil dos aterros sani-
gerente de Meio Ambiente e responsável pe-
tários. “Após a poda, um segundo caminhão
lo projeto na Light.
recolhe os galhos. Mas existem vias compli-
cadas dentro dos centros urbanos. Muitas ve-
desenvolvimento de um triturador que
zes, não há como estacionar, dificultando o ir
diminuísse o volume de recolha no mesmo
e vir da população”, aponta Fabiana Fioretti,
local da poda. Esse triturador, segundo Fabia-
O P&D se voltou, então, para o
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
31
n o 06 - nOv 2014
PrOJETOS DE P&D
sileiras de ruídos e segurança. “Conseguimos
reduzir alguns decibéis, mas ainda não é o
ideal. Por isso, vamos continuar a pesquisa”,
acrescenta Fabiana.
pRoDuto INIbIDoR DE cREScIMENto
Também faz parte deste projeto de
P&D o desenvolvimento de um produto que,
sendo aplicado após o corte rente, tenha a
função de ampliar o intervalo entre as podas
e inibir o desenrolamento de galhos que crescem em direção à rede.
Foram testadas algumas substâncias
usualmente aplicadas na agricultura, para outros fins. “Concluímos que algumas não trouxeram o resultado esperado; as demais são
tóxicas para o vegetal. Outra questão importante que nos motivou a continuar a pesquisa
é a proibição de produtos agroquímicos em
na, viria acoplado a um caminhão que faria as
três atividades ao mesmo tempo: poda, tritu-
O sulfato de alumínio apresentou re-
ração e recolha do resíduo. Atualmente, esses
sultados positivos, inibindo de forma consi-
resíduos são levados para o aterro sanitário,
derável o crescimento de novos brotos nos
mas poderiam ser reaproveitados. “É mate-
galhos podados. “Além de não ser tóxico, o
rial orgânico, passível de ser comercializado,
sulfato de alumínio já é comercializado em
já que empresas que trabalham com mudas
lojas que vendem produtos para piscina, pois
de plantas, por exemplo, poderiam se interes-
é utilizado para decantação e ajuste do pH da
sar”, comenta Fabiana.
água. É um produto barato e de fácil aquisi-
Mas há uma questão a ser superada
32
áreas urbanas”, destaca Aline Agra.
ção”, explica Fabiana, da Light.
neste P&D, que é o desenvolvimento de uma
Ainda serão feitos mais alguns
tecnologia capaz de abafar o ruído do tritu-
testes para ter a certeza de que o sulfa-
rador. “O equipamento precisa ter um ruído
to de alumínio, combinado ao corte rente,
que não seja significativo, que não incomode
pode diminuir significativamente o cresci-
a população”, diz a gerente de Meio Ambien-
mento de novos brotos. Os resultados se-
te da Light. Entretanto, ainda não foi possível
rão fundamentais para avaliar a relação
chegar a volumes aceitos pelas normas bra-
custo-benefício do produto.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Tecnologias inovadoras que geram resultados
para as concessionárias, hoje e no futuro.
Modulos de Comunicação
Diferentes modelos e aplicações
Plataforma CAS Hemera
Smart Grid
GRUPO A
Smart Water
GRUPO B
LIVRES
Integração com sistemas corporativos,
inclusive SAP/CCS, via MDUS.
Smart Gas
FRONTEIRA
GERADORA
Aplicativos
Bem vindo ao
Nome
Senha
ENTRAR
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GRANDES
CLIENTES
Modulos e Tecnologia
da Comunicação
CLIENTES
RESIDENCIAIS
Gestão de Dados e
Redução de Perdas
CLIENTES
LIVRES
Integração com
Sistemas Corporativos
FRONTEIRA
GERADORA
Inteligência de Infraestrutura de TI
Eficiência para suportar a complexidade do fluxo de dados oriundos dos processos das concessionárias
castecnologia.com.br
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
33
n o 06 - nOv 2014
produtos no mercado
A Companhia tem avançado na fase de inserção de produtos no
mercado. Quando a pesquisa é concluída não significa que o trabalho
tenha acabado. É preciso continuar cuidando do produto, mesmo com
as questões todas já resolvidas, para que ele não se perca no caminho e
fique estagnado.
34
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
PRODUTOS NO MERCADO
Ampla utiliza espaçador
Concessionária diz que produto traz mais segurança
Fruto de um P&D concluído em 2010,
primeira a usar, substituindo milhares de peças
o espaçador de cabos elétricos, que previne a
antigas pelo novo modelo.
ocorrência de curto-circuito e evita a forma-
ção de arco de potência, já chegou ao merca-
PLP, o espaçador de cabos elétricos foi parar,
do do setor elétrico e vai ganhando adeptos
em seguida, nas mãos da Ampla, concessio-
no Brasil e no exterior. Sua função é sustentar
nária de distribuição de energia elétrica que
e separar os cabos ao longo do vão, manten-
concentra a maior parte de seus clientes na
do o isolamento elétrico da rede.
Região Metropolitana de Niterói e São Gon-
Além do polietileno de alta densida-
çalo e nos municípios de Itaboraí e Magé.
de, as modificações no desenho implantadas
“Além de tudo o que já foi dito, o novo pro-
na versão atual trouxeram mudanças impor-
duto permite que as equipes trabalhem em
tantes, como a introdução de furos para o es-
solo, usando cabos que se travam ao espaça-
coamento da água da chuva e a substituição
dor, o que facilita as manutenções”, acrescen-
do anel elástico por uma trave automática. O
ta Vanderlei Robadey, especialista em Enge-
produto também foi desenvolvido para obter
nharia da Ampla.
excelentes características mecânicas e aten-
der aos requisitos de resistência aos raios ultra-
custos operacionais excessivos, tanto na li-
violeta, ao trilhamento elétrico e às intempé-
nha viva quanto na linha morta, quando era
ries, exigidos nesse tipo de rede. A Light foi a
necessário usar o cesto aéreo para levar o
Produzido e comercializado pela
A operação a partir do solo evita
Trilhamento elétrico: É um
mecanismo de envelhecimento
superficial, que produz trilhas como
resultado da ação de descargas
elétricas próximas ou na superfície do
material isolante.
funcionário até o cabo de rede. “Esse tipo de
espaçador também proporciona maior segurança na instalação e substituição em locais
de difícil acesso, como em redes às margens
de estrada”, completa Robadey.
Devido à funcionalidade comprova-
da do produto, a fabricante espera ampliar
a comercialização do espaçador no próximo
ano, conquistando novos mercados, inclusive no exterior. Na América Latina, a Coidea,
concessionária argentina, já está importando
e utilizando o produto.
Modelo é constituído de polietileno de alta densidade, garantindo
grande resistência em áreas onde a salinidade é altamente agressiva
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
35
N o 06 - NOV 2014
PRODUTOS NO MERCADO
Serviço de inspeção por robô
Light, CPqD e Engelmig assinam contrato para
comercializar produto com tecnologia de ponta
As inspeções para detecção de cor-
do nacional que permite detectar corrosão em
rosão nos cabos de linhas de transmissão são
cabos de alumínio com alma de aço em linhas
atividades regulares no dia a dia das conces-
energizadas, e já está disponível no mercado.
sionárias. O objetivo é analisar as condições
operacionais das instalações e identificar
assinaram contrato para a comercialização
possíveis pontos vulneráveis. Os cabos das li-
do serviço de manutenção automatizado de
nhas de transmissão para transporte de ener-
linhas de transmissão para todo o Brasil, ten-
gia são formados por camadas externas de
do como base o Sistema de Detecção da Cor-
alumínio, que podem ser inspecionados visu-
rosão (SDC), utilizando um robô.
almente, até mesmo usando binóculos. É nas
camadas internas que está o problema: elas
presa brasileira a utilizar essa tecnologia. Com
são constituídas por cabos de aço com pro-
o contrato firmado, a Engelmig está licencia-
teção de zinco e, por não estarem à mostra,
da para prestar o serviço de manutenção pre-
não podem ser inspecionadas, o que acaba
ventiva de redes”, comenta o gestor executi-
por comprometer todo o sistema.
vo da Engelmig, empresa responsável pela
comercialização do serviço, Lauro dos Anjos.
A solução desenvolvida pelo CPqD,
em conjunto com a Light, é a única no merca-
Em junho, Light, CPqD e Engelmig
“Atualmente, a Light é a única em-
A inspeção por robô detecta a fase
inicial de perda da proteção do cabo de aço
e o início de um processo de corrosão. Acompanhando periodicamente o processo corrosivo, identifica-se o momento exato para intervir no cabo, evitando trocas prematuras ou
custos decorrentes de uma falha inesperada.
Essa tecnologia evita também a perda de eficiência da instalação, afastando os riscos de
acidentes e as interrupções no sistema por
rompimento de cabos.
Alexandre Bagarolli, gerente de So-
luções Tecnológicas para o Setor Elétrico do
CPqD, uma instituição independente, com fofoto CPQD
36
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Executivos da Light, CPqD e
Engelmig reunidos na sede
da concessionária para
assinatura do contrato de
comercialização do robô,
em junho de 2014
co na inovação em tecnologias da informa-
“A tecnologia desenvolvida pe-
ção e comunicação, explica por que o produ-
lo CPqD a partir de um projeto da Light,
to é tão inovador: “A principal inovação desse
dentro do programa de P&D da Agên-
sistema são os robôs equipados com senso-
cia Nacional de Energia Elétrica (ANEEL),
res eletromagnéticos e câmeras de vídeo, que
veio contribuir significativamente para
trabalham em linhas de transmissão energi-
dar qualidade e melhorar a confiabilida-
zadas de até 345 KV, fazendo a varredura do
de das atividades de inspeção dessas li-
vão na velocidade média de 30 metros por
nhas”, conclui Lauro.
minuto. Um software especializado analisa os
dados coletados pelo robô e apresenta um
a Engelmig, que comercializa, e o CPqD,
laudo com as condições encontradas nas li-
responsável pela emissão dos laudos téc-
nhas inspecionadas”, detalha.
nicos sobre o estado de corrosão dos ca-
As linhas de transmissão instaladas
bos, a Light e seus parceiros, segundo Ba-
em áreas cujo ambiente apresenta poluição
garolli, concluem o ciclo da inovação, que
química serão, segundo o executivo da En-
consiste em levar ao mercado produtos
gelmig, a grande demanda pela nova tec-
criados dentro de projetos de pesquisa e
nologia. Regiões costeiras com alto índice
desenvolvimento.
de incidência de névoa salina; áreas indus-
triais com dispersão de gases; grandes áre-
lização do serviço. Lauro dos Anjos acredita
as de plantio que utilizam a pulverização de
que “a tecnologia de ponta do produto atrai-
defensivos agrícolas por meio de avião; e ins-
rá todas as empresas que possuam ativos de
talações com mais de 30 anos em operação
transmissão de energia, sejam concessioná-
também sofrem, de forma mais agressiva, os
rias, produtores independentes ou indús-
efeitos da corrosão.
trias”, finaliza.
A partir da parceria firmada entre
É grande a expectativa de comercia-
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
37
n o 06 - nOv 2014
38
PrODuTOS nO MErcaDO
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
o que vem por aí
Encerra-se um ciclo. Inicia-se outro. O P&D da Light não para. Novas
ideias, novos projetos. Cada vez mais, a Companhia fortalece a relação
do P&D com as demais áreas da empresa, para que as futuras pesquisas
tenham resultados que possam ser, efetivamente, incorporados não só
pela Light, mas por todo o setor elétrico brasileiro.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
39
N o 06 - NOV 2014
Light investe em projeto
de P&D cooperado
Iniciativa aperfeiçoa máquina autônoma
para coleta de resíduos sólidos
foto humberto teski
Para ampliar o PEE no âmbito do Li-
ght Recicla, será lançada uma máquina autônoma para coleta de resíduos sólidos, que está
sendo aperfeiçoada pelo P&D da Light. A concepção da máquina, que foi desenvolvida pela
Companhia Energética do Ceará (COELCE), está pronta. O papel da Light, na parceria, é agregar valor, modelando a questão da interatividade, aperfeiçoando o software, para tornar a
máquina mais atraente ao público-alvo: os jovens, tão acostumados ao uso da tecnologia
nos mais variados níveis de interatividade.
40
O sistema a ser desenvolvido con-
O Light Recicla, projeto do Programa
templará a funcionalidade de leitura biomé-
de Eficiência Energética (PEE) da Light que tro-
trica para reconhecimento de usuários e a
ca material reciclável por descontos na conta
criação de um atendente virtual para auxílio
de energia, faz do lixo do dia a dia – metal, pa-
na interação com a máquina. A Light busca
pel, plástico, vidro e óleo – moeda de valor para
também aprimorar a identificação dos mate-
clientes da Companhia que moram em comuni-
riais recebidos, a fim de aumentar a confiabi-
dades do Rio de Janeiro atendidas pelo projeto.
lidade do sistema.
Nos Ecopontos, uma instituição de
“Esse equipamento ultrapassa o al-
coleta recebe o lixo reciclável, pesa e calcula o
cance socioambiental. O objetivo principal
valor do desconto. O cliente, por sua vez, ga-
está na educação. Estamos acreditando que
nha um comprovante, que é repassado à Li-
a máquina autônoma para coleta de resídu-
ght e creditado na conta de luz. Além disso,
os sólidos será um caminho para a conscien-
algumas instituições particulares de ensino
tização das novas gerações”, defende Fernan-
doam lixo reciclado para crédito em contas de
da Mayrink, gerente de Eficiência Energética
energia de escolas e ONGs de comunidades.
em Comunidades da Light.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
O QUE VEM POR AÍ
Quando o software estiver devida-
Para marcar o apelo educacional
mente aperfeiçoado, a ideia é instalar o equi-
do projeto, há planos de levar palestras às
pamento em escolas que já participam do
escolas onde a máquina estiver instalada,
Light Recicla. Inicialmente, estão previstas
incentivando debates sobre sustentabili-
máquinas em duas instituições de ensino.
dade e uso responsável de energia e detalhando o funcionamento do equipamento,
INTERAÇÃO USUÁRIO-MÁQUINA
com explicações sobre o software desenvolvido.
Por meio de uma tela, acionada por
“Embora a nossa ideia seja começar
tecnologia touchscreen, mesmo o aluno que
nas escolas, é importante testar a máquina
estiver tendo contato com a máquina pela pri-
em diversos ambientes, com diferentes públi-
meira vez terá plenas condições de fazer suas
cos, buscando a melhor aplicação do produ-
doações e acompanhar todo o processamen-
to. Por isso, depois das instituições de ensino,
to do material, desde o recebimento, passan-
vamos ampliar o projeto e colocar máquinas
do pela separação nas sacolas, até a emissão
coletoras em outros locais, como eventos”,
do comprovante com o valor do bônus.
conta Raad.
Em sua estrutura, a máquina ofere-
A intenção de consolidar hábitos
cerá a relação das instituições cadastradas
construtivos fica evidente quando se leva em
para a escolha de quem estiver doando. Bas-
conta o valor, em créditos, do que os alunos
tará digitar os números correspondentes à
vão doar. “Em comparação à coleta nos ‘eco-
instituição de interesse e receber o compro-
pontos’, essa máquina terá pouco volume. O
vante com o valor do bônus. Posteriormente,
maior impacto desse projeto, na verdade, es-
esse comprovante será repassado pela escola
tará na atitude e na consciência ambiental
à Light, para ser, então, creditado na conta de
dos alunos”, defende Fernanda.
energia da instituição beneficiada com o projeto, como ONGs e escolas públicas.
“Estamos trabalhando para aumen-
tar a interação usuário-máquina e aperfeiçoar
o processo educativo da reciclagem nas escolas, introduzindo um sistema interativo de co-
Esse equipamento ultrapassa o alcance
socioambiental. O objetivo principal está na
educação. Estamos acreditando que a máquina
municação, mais atraente e com um atenden-
autônoma para coleta de resíduos sólidos será
te virtual. Poderá ser criado ainda um sistema
um caminho para a conscientização das novas
de recompensa em função da quantidade de
doações de resíduos, como uma forma de in-
gerações.
centivar a participação dos alunos, professores
Fernanda Mayrink | Gerente de Eficiência
e funcionários dessas escolas”, adianta o coor-
Energética em Comunidades
denador do PEE da Light, Antonio Raad.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
41
N o 06 - NOV 2014
O QUE VEM POR AÍ NO P&D DA LIGHT
fotos COELCE
Máquina idealizada pela
COELCE já em uso
NOVIDADE INCENTIVA
a Companhia aproveite bem as potencialida-
COLETA SELETIVA
des e oportunidades que esse projeto traz”,
comenta o engenheiro da COELCE, Odailton
Ao idealizar a máquina, a COELCE te-
Silva, chefe do Departamento de Gestão da
ve como primeira intenção disponibilizá-la à
Inovação e Projetos de Pesquisa da empresa.
população, como uma forma inusitada de in-
centivo à coleta seletiva. O equipamento, que
tecnológico e moderno em automação e au-
está sendo utilizado por funcionários na se-
toatendimento nesse segmento. Segundo
de da concessionária, em Fortaleza, foi muito
Silva, é a única máquina no Brasil e no mundo
bem recebido. A expectativa é que a máquina
capaz de receber até 17 tipos diferentes de
seja instalada em locais de grande movimen-
resíduos e realizar o serviço sem a necessida-
tação de pessoas, como terminais de ônibus e
de da intervenção humana.
praças de alimentação. “Espero que o sucesso
dessa iniciativa, alcançado aqui no Ceará, se-
cursos da Agência Nacional de Energia Elétri-
ja também uma realidade para a Light, e que
ca (ANEEL).
A máquina utiliza o que há de mais
Esse projeto é desenvolvido com re-
Conheça os resíduos que podem ser doados na máquina
• Papel, incluindo papelão, Tetra Pak, ofício, jornal, embrulho e outros tipos
não plastificados;
• Latas de doces e pedaços de metal, exceto fio de cobre;
• Plásticos, como sacolas, embalagens de detergente e desinfetante;
• Vidros e garrafas, exceto lâmpadas;
• Latinhas de alumínio ou aço;
• Embalagens PET de refrigerante até três litros.
42
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
O QUE VEM POR AÍ NO P&D DA LIGHT
Tecnologia a serviço da empresa
P&D busca marcador para ser aplicado em cabos e inibir furtos
Um problema grave que a Light enfren-
ta é o furto de cabos. De janeiro de 2013 a julho de
Se, com a ajuda da nanotecnologia,
2014, a empresa registrou cerca de 100 km de cabos furtados em toda a sua área de concessão. Es-
implantarmos uma marca que sobreviva à
se problema não causa apenas transtornos ope-
retirada do plástico e contamine o cobre, vamos
racionais e prejuízos materiais. Os apagões que
inibir o interesse dos infratores.
acarreta afetam a relação da Companhia com seus
clientes e respingam na imagem da cidade. “A Li-
Fabrício Nunes | Gerente de Planejamento da
ght está permanentemente buscando se cercar de
Operação e Manutenção
toda a tecnologia disponível para evitar os furtos,
mas ainda precisamos nos desenvolver mais para
alcançarmos a eficiência desejada”, diz Fabrício Nu-
minúscula nos cabos da Light, um tipo de iden-
nes, gerente de Planejamento da Operação e Ma-
tidade, capaz de fazer com que sejam reconhe-
nutenção e responsável pelo projeto na Light.
cidos nas investigações policiais. “Se conseguir-
A Companhia vem fiscalizando o aces-
mos, com a ajuda da nanotecnologia, implantar
so à sua estrutura subterrânea, instalando sensores
uma marca que sobreviva à retirada do plástico e
de presença e controlando a entrada das equipes.
contamine o cobre, vamos inibir o interesse dos
Há ainda grupos de ronda 24 horas por dia, garan-
infratores por esse tipo de material elétrico”, de-
tindo o cumprimento de todos os procedimentos
fende Nunes. Os pesquisadores querem desen-
que permitam diferenciar as equipes autorizadas
volver um marcador para ser aplicado não ape-
das não autorizadas. Todo esse cuidado visa não só
nas nos cabos que entram no estoque da Light,
coibir furtos como também fiscalizar possíveis va-
mas também naqueles que já estão instalados.
zamentos, monitorar níveis de alagamentos e man-
ter a integridade dos dutos em todos os níveis.
da por outras distribuidoras, aumentando o va-
A mesma tecnologia poderá ser utiliza-
lor comercial do produto e a demanda junto ao
Identidade para cabos
fabricante. Além do benefício comercial, também deve ser ressaltado o ganho institucional
Os cabos são furtados para a venda do
para a Light e demais concessionárias, uma vez
cobre. O material plástico é descartado de forma
que haverá redução na quantidade de ocorrên-
grosseira, e o cobre, repassado a terceiros. O ob-
cias de interrupção no fornecimento de energia,
jetivo deste P&D, portanto, é criar uma marcação
derivadas de desarme por furto de cabos.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
43
n o 06 - nOv 2014
O quE vEM POr aí nO P&D Da LiGhT
Mais segurança na light
P&D vai mitigar risco de acidentes, revisar os procedimentos
de trabalho e reter o conhecimento dentro da Companhia
Em maio, a Light e a Fundação CO-
questão da mesma maneira e com a profun-
GE (Funcoge) promoveram o I ECOPE – En-
didade com a qual pretendemos fazer nessa
contro de P&D e Eficiência Energética do
pesquisa”, declara Jardim.
Setor Elétrico. Durante o evento, a área de
Segurança da Light apresentou dois proje-
acIDENtE ZERo
tos de interesse estratégico para a Companhia, que estão em fase final de aprovação. A
Ano passado, não houve aciden-
intenção é garantir a segurança dos empre-
tes fatais na Light. Os índices de frequência e
gados de forma inovadora. “Chegamos a um
gravidade de acidentes entre 2011 e 2013 ti-
ponto em que é preciso ser inovador para
veram significativa redução. Mesmo assim, a
dar um novo status à segurança do trabalho.
Companhia está preocupada em melhorar a
Inovando, estamos dizendo aos profissio-
gestão de risco na área de Segurança. “Vamos
nais que estar seguro é produtivo, é eficien-
pesquisar a aplicação de conceitos já aplicá-
te. Precisamos quebrar paradigmas”, defende Fernando Jardim, gerente de Segurança
e Medicina do Trabalho.
Os projetos têm três objetivos específicos: mitigar o risco com a sistematização
dos métodos de trabalho; fortalecer a gestão e a retenção de conhecimento; e criar
um sistema de gestão do trabalho eficiente e seguro para ser utilizado no setor elétrico brasileiro. “Quando começamos a estudar
o tema, conversamos com outras empresas
parceiras e entendemos que poderíamos
fazer esse trabalho de maneira mais abrangente, por meio do P&D da Light. Não temos dúvidas de que será de grande valia para a organização em vários aspectos, pois
não há, no setor, empresas que enfrentem a
44
TécnicO aTuanDO EM caMPO DE acOrDO cOM TODaS aS nOrMaS
DE SEGurança Da cOMPanhia
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
O quE vEM POr aí nO P&D Da LiGhT
1179
6%
1114
5,04
5
19%
4,08
40%
32%
3
2,77
90%
116
0
foNtE LighT
2011
2012
2011
2013
acIDENtES fataIS
2012
2013
tf - taXa DE fREQuêNcIa
2011
2012
2013
tg - taXa DE gRavIDaDE
veis e reconhecidos em ferramentas estatísti-
mento, adequando os procedimentos e trei-
cas e probabilísticas, alimentadas com dados
nando os profissionais, para reduzir ao máxi-
históricos. Acreditamos que, se temos uma
mo as possibilidades de acidentes durante o
base de dados com eventos que ocorrem por
trabalho.
causas comuns, podemos desenvolver uma
Vale destacar que toda a Light se-
adaptação das ferramentas estatísticas a ca-
rá alcançada pela pesquisa, pois ela não fica-
da caso, inclusive criar uma sistemática ga-
rá restrita aos sistemas técnicos específicos,
rantindo que qualquer ação deva ser pautada
uma vez que abordará aspectos de gover-
na preservação da vida e no comportamento
nança, melhores práticas operacionais e ges-
seguro”, acrescenta Jardim.
tão do conhecimento.
Durante a pesquisa, todos os méto-
Outro benefício deste P&D é o en-
dos de trabalho serão revisados, levando em
quadramento da Light no International Safe-
conta as premissas de eficiência e prevenção.
ty Rating Systems, um sistema líder mundial
Há muita novidade na rede de distribuição,
concebido para medir a eficiência da orga-
principalmente em termos tecnológicos. Por
nização na gestão de segurança do trabalho
isso, a Light precisa estar em constante movi-
por uma auditoria independente.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
45
N o 06 - NOV 2014
O QUE VEM POR AÍ NO P&D DA LIGHT
Erosões reduzem
capacidade do reservatório
P&D propõe metodologia para prevenir e controlar
esse problema no entorno do Reservatório Santa Branca
Movimento de massa: É o
escorregamento do solo para dentro
do reservatório.
O Reservatório Santa Branca, na ca-
vatório para conhecer as características do
beceira do Rio Paraíba do Sul, em São Pau-
solo. Dessa forma, será possível escolher o ti-
lo, vem sofrendo inúmeras erosões ao longo
po de tecnologia mais indicado para comba-
do tempo, as quais reduzem, consequente-
ter o problema”, explica o gerente de Enge-
mente, o volume de água e afetam porções
nharia da Light, Claudio Coelho.
de terra de terceiros. Para diminuir a ocorrên-
cia desse problema, um projeto de P&D vai
didas que possam diminuir a ocorrência
desenvolver uma metodologia para estabili-
desses fenômenos, mas também pesqui-
zar os processos de movimento de massa no
sar métodos e alternativas com melhor cus-
entorno do reservatório, associando infor-
to-benefício para a Companhia. Segundo
mações de caráter geológico-geotécnico das
Bruno Luiz Carvalho, engenheiro Geotéc-
encostas e da porção submersa. “Como par-
nico Sênior da Light, as soluções de enge-
te das erosões fica embaixo da água, vamos
nharia convencionais utilizadas atualmente,
precisar coletar amostras do fundo do reser-
como a técnica de cortes a aterros nas en-
A intenção deste P&D é adotar me-
costas, se baseiam somente nas características do meio físico acima do nível da água
Como parte das erosões fica embaixo da água,
e no entendimento dos mecanismos que
atuam diretamente na formação do proces-
vamos precisar coletar amostras do fundo do
so de erosão. “Essas soluções tendem a con-
reservatório para conhecer as características
sumir elevados recursos e, nem sempre, são
do solo. Dessa forma, será possível escolher
eficientes”, ressalta Carvalho.
Por isso, esse P&D vai associar técni-
o tipo de tecnologia mais indicado para
cas convencionais às técnicas de Bioengenha-
combater o problema.
ria do Solo, que buscam estudar as caracterís-
Claudio Coelho | Gerente de Engenharia
da Light
ticas do meio físico também na sua porção
submersa, possibilitando criar soluções eficazes e de menor custo. “A Bioengenharia de
Solo utiliza conhecimentos e competências
46
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
O QUE VEM POR AÍ NO P&D DA LIGHT
Claudio Coelho e Bruno Carvalho: trabalho conjunto para
prevenir e controlar erosões no entorno de reservatórios
cionados ao tema. “A parceria e o apoio da
Light às pesquisas do IPT, subsidiando futuros projetos de contenção, comprovam a importância de se compartilhar conhecimento
quando se deseja propor novas soluções para antigos problemas”, conclui Claudio Coelho. A metodologia está prevista para ser implantada em 2015.
relacionadas ao segmento de construção, assim como conceitos da biologia e da ecologia”, acrescenta Coelho. Entender a geofísica
do local pode diminuir significativamente as
obras de contenção.
Os pesquisadores e técnicos do Ins-
tituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), parceiros da Light nesse P&D, contam com grande
experiência na área, tendo se envolvido, nos
últimos anos, em projetos de pesquisa rela-
foto divulgação light
Conheça os desdobramentos deste P&D
• Caracterização e análise dos fatores determinantes do agente deflagrador dos
processos de erosão superficial e escorregamento das encostas e processos erosivos
das margens;
• Mapa com os diferentes tipos de solo encontrados e sua influência nos processos
de erosão;
• Seleção das áreas de interesse e consequente mapeamento do solo;
• Mapeamento do fundo do reservatório por meio de aparelhos;
• Priorização das ações de acordo com o tipo de ocorrência;
• Hierarquização de prioridades de contenção dos processos erosivos e proposição de
medidas preventivas e/ou corretivas, conforme os diferentes tipos de solo encontrados.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
47
N o 06 - NOV 2014
O QUE VEM POR AÍ NO P&D DA LIGHT
Vida longa aos postes da rede
P&D testa um revestimento
e uma manta protetora contra fogo e cupim
O Brasil é um país de grandes áreas
“Nossa primeira alternativa parecia
rurais e, ainda hoje, comunidades do interior
ser a troca do poste de madeira pelo poste de
são abastecidas por redes com postes de ma-
concreto, o que solucionaria imediatamente
deira, porque eles são uma alternativa econô-
a questão do desgaste, mas trazia outro pro-
mica e tecnicamente viável para a distribui-
blema: transportar o poste de concreto pa-
ção de energia nesses locais. No entanto, a
ra o alto de um morro era uma operação de
característica orgânica dos postes de madei-
risco, além de extremamente custosa. É claro
ra tem uma desvantagem: a facilidade em so-
que existem ferramentas para isso, mas pesa-
frer danos estruturais pela ação de cupins, fo-
mos o custo-benefício e vimos que estrategi-
go e outros agentes agressores. Os desgastes
camente não seria a melhor solução”, pontua
dos postes também aumentam os riscos de
Fabrício Nunes, gerente de Planejamento de
acidentes de trabalho durante os serviços de
Operação e Manutenção e responsável pelo
manutenção das linhas e comprometem a se-
projeto na Light.
gurança da população ao redor. Essas duas
realidades foram o ponto de partida para um
está sendo testada. A Polinova, empresa que
projeto de P&D que já está em fase de testes
desenvolve e fabrica soluções em revestimen-
em campo.
tos e polímeros especiais, apostou no P&D e
Uma das soluções para o problema já
produziu uma tecnologia para fabricação de
resina de poliéster a partir de garrafas pet. A
Se o poste está muito debilitado, além de fazer
o tratamento, nós o envolvemos em uma
leve, resistente ao calor e rígido, que pode ser
transportado com facilidade para qualquer lu-
manta impregnada com uma solução de resina
gar, independentemente da topografia do lo-
de poliéster, que, ao secar, enrijece, dando um
cal. “É um projeto de cunho ambiental, por-
grau de dureza à superfície e isolando-a dos
que está aproveitando resíduo plástico; e
social, pois o catador terá a sua atividade mais
agentes agressores.
bem remunerada, já que precisamos da gar-
Fabrício Nunes | Gerente de Planejamento de
rafa pet para a produção do polímero. E, final-
Operação e Manutenção
48
empresa está testando um poste de plástico,
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
mente, o que tanto buscamos: o cunho econômico-técnico-operacional, porque vamos
O QUE VEM POR AÍ NO P&D DA LIGHT
ter um poste que não pega fogo, não está sujeito a ataques de cupins, não quebra e é fácil
de transportar”, destaca Nunes.
TRATAMENTO PARA
OS POSTES DE MADEIRA
Mas há outra questão. Se a intenção
era erradicar a madeira como componente de
rede elétrica e já há um projeto em andamento para conceber um poste à base de polímero,
que apresenta capacidade superior de resistência ao fogo, além de outras vantagens analisadas, o que fazer, então, com os postes de madeira existentes? Substituir é uma solução custosa
superfície e isolando-a dos agentes agresso-
e que, operacional e estrategicamente, não se-
res”, detalha Nunes. Já foram feitos testes com
ria imediatamente aplicável. Essa substituição
chamas, e a resistência foi comprovada. O pos-
só acontece quando existe a necessidade de
te fica mais rígido e protegido contra tudo o
uma intervenção de emergência, uma corre-
que possa interferir em sua vida útil.
ção ou uma expansão da rede. Além do custo
alto para a Companhia, os clientes são afeta-
acima da linha do solo. Abaixo dele, a solução
dos, porque, para uma ação desse tipo na rede,
é uma tinta ecologicamente correta. “Vamos
é preciso interromper a distribuição de energia.
poder oferecer essa tinta, também à base de
A resposta veio com a idealização de um trata-
resina de poliéster, diretamente ao fabrican-
mento para a madeira nos postes já instalados.
te do poste de madeira. Atualmente, ele en-
A Polinova está usando resina de po-
trega os postes tratados com um produto tó-
liéster para fabricar um revestimento e uma
xico, que agride o meio ambiente. O nosso
manta protetora contra fogo e cupim. Com es-
produto, além de mais resistente ao calor, se-
sa resina, foi produzida uma massa, um com-
rá ambientalmente seguro”, acrescenta o res-
posto, que preenche as fissuras que surgem na
ponsável pelo projeto.
madeira. Ao descascar a superfície do poste e
observar que ele já está comprometido, apli-
ser realizada com a linha em operação e sem o
ca-se a massa. “Entretanto, se o poste está mui-
uso de equipamentos pesados. O custo baixo e
to debilitado, além de fazer o tratamento, nós
a aplicabilidade aumentam as expectativas do
o envolvemos em uma manta impregnada
produto no mercado. Em um futuro próximo, as
com uma solução de resina de poliéster, que,
comunidades rurais, com suas redes de madei-
ao secar, enrijece, dando um grau de dureza à
ra, serão as grandes beneficiadas por esse P&D.
Essa manta resolverá o problema
A aplicação dessas tecnologias poderá
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
49
n o 06 - nOv 2014
Artigos científicos
A seguir, cinco artigos produzidos por pesquisadores e gerentes de
projetos de P&D na Light. Todos os textos dizem respeito a pesquisas
já concluídas, evidenciando os seus resultados. A contribuição de
cada um deles enriquece ainda mais esta publicação.
50
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
arTiGOS ciEnTíficOS
aRtIgoS cIENtífIcoS
H.O. Henriques, LETD\UFF, C.E.M.
Malheiros, LETD\UFF, M.A.C. Pequeno,
LETD\UFF, L. Hudson, LETD\UFF,
D.A.Paranhos, LIGHT, A.F.M. Neto, LIGHT
Software para gerenciamento
da manutenção assistido por
computador – novas funcionalidades
PALAVRAS-CHAVE – DISTRIBUIÇÃO, MANUTENÇÃO, REDES SUBTERRÂNEAS, SOFTWARE.
Resumo – O trabalho apresenta uma metodologia de gerencia-
biente hostil ou a ação nociva de pessoas, foi desenvolvida
mento de manutenção que pode ser usada para redes aéreas e
uma interface com o sistema georreferenciado da Light, para
subterrâneas. Utilizando as técnicas desenvolvidas foi implan-
visualização e análise gráfica. Foram implantados e testados
tado um software para priorizar ações e investimentos de mo-
métodos de otimização de recursos em função desses novos
do a alcançar resultados operacionais otimizados. O sistema
índices e do orçamento disponível, aplicando-se processos
básico é constituído por dois módulos: preditivo, que determi-
metaheurísticos com excelente desempenho, tanto no tem-
na um conjunto de inspeções; preventivo, por meio dos defeitos
po de processamento quanto no resultado em relação à me-
observados no módulo de manutenção preditiva, determina re-
ta pretendida.
paros a serem feitos. Este artigo está dirigido à rede subterrânea, nas ações de manutenção das câmaras subterrâneas, com
II. DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA
um detalhamento dos equipamentos e demais estruturas internas que constituem os objetos de tomada de decisão para o
O desenvolvimento do projeto foi realizado com a seguinte
planejamento dessas manutenções.
metodologia:
1. Criação de um novo conceito no que diz respeito às manu-
I. INTRODUÇÃO
tenções das redes subterrâneas de distribuição da Light (inspeções nas redes e reparo de defeitos);
Neste trabalho foram criados novos processos de investiga-
2. Interface necessária para a transferência de dados do SAP.
ção de defeitos na rede e avaliação das consequências para a
empresa e sociedade, caso venham a provocar interrupções
Serão apresentadas a seguir todas as formulações desenvol-
no sistema de distribuição subterrânea da Light.
vidas no projeto para as manutenções preditivas (inspeções)
Essa função ganhou uma importância ímpar na Light, basi-
e preventivas (reparos).
camente em função dos eventos conhecidos popularmente
como “explosões de bueiros”, verificados nesse tipo de rede
A. Fórmulas para cálculo do índice de mérito do módulo pre-
nos últimos anos. Esse problema motivou os pesquisadores
ditivo (inspeções)
a estudarem uma solução mais adequada e de maior eficiên-
O Índice de Mérito (IM) é um fator que define a priorização
cia para mitigar o problema.
das inspeções e que é função do Risco de Desenvolvimento
Além de serem criados novos índices para mensurar as ten-
de Defeitos – RDD, do consumo médio anual e das interrup-
dências de desenvolvimento de defeitos na rede de distri-
ções das redes.
buição devido a agressões externas, tais como a de um am-
IM = β1(RDD) + β2(IEB) + β3(IEND);
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
1
51
n o 06 - nOv 2014
arTiGOS ciEnTíficOS
Onde:
Fatores ambientais de CIs considerados no projeto:
O Risco de Desenvolvimento de Defeitos – RDD é determina-
Fcx. inund. – Fator caixa inundada: gs 10;
do em função de agentes externos, ou seja, quanto mais alto,
Fcx. seca – Fator caixa seca: gs 4;
maior a possibilidade do defeito virar falha. IEB é o Índice de
Froubo – Fator roubo: alto índice de roubo: gs 6; médio: gs 3;
Energia de Bloco e IEND é o Índice de Energia Não Distribuí-
baixo: gs 1; sem índice de roubo: gs 0.
da. β1, β2 e β3 são ponderações definidas pela Light.
Fatores estruturais de CIs considerados foram:
A.1 - Obtenção dos índices IEB e END:
Festr. peq. – Fator estrutura pequena: gs 10;
Os valores de IEB e IEND são calculados pelas fórmulas a se-
Festr. grande. – Fator estrutura grande: gs 4.
guir, e os consumos médios e energias não distribuídas necessários para o cálculo são extraídos diretamente do Siste-
Fatores de estado das CIs considerados foram:
ma de Gerenciamento da Distribuição (SGD).
Fcx. desar. – Fator caixa desarrumada: gs 10;
Fcx. arrum. – Fator caixa arrumada: gs 4.
IEB = consumo médio mensal (bloco)
2
A.2.3 – Fatores Construtivos de Equipamentos
consumo médio mensal alimentador
Fatores construtivos de equipamentos foram:
IEND = energia não distribuída (bloco)
3
FCh.Cab.Term – Fator chave cabeça terminal – Chave a óleo
energia total não distribuída (alimentador)
com terminais de porcelana (cabeça terminal): gs 10;
FCh.Plug – Fator chave plug – Chave a óleo, plug-in: gs 4;
A.2 – RDD para a Rede Subterrânea
FCh.Gas – Fator chave gás – Chave a gás: gs 2;
Foi desenvolvido um diagnóstico que abrange diferentes ris-
FTrafosCx – Fator trafo caixa de alta – Trafo – terminais de
cos de desenvolvimento de defeitos nas câmaras transfor-
porcelana (caixa de alta): gs 10;
madoras e nas caixas de inspeção de cabos, levando-se em
FTrafosPlug – Fator trafo plug – Trafo, plug-in: gs 4;
consideração os fatores ambientais e as características cons-
FProt.Cop. – Fator protetor copinho: gs 10;
trutivas das CTs e CIs e dos equipamentos. Para cada fator
FProt.Pata. – Fator protetor pata – terminais pata de elefan-
foi atribuído um grau de severidade, gs, conforme se obser-
te: gs 4;
va a seguir:
FProt.Spade – Fator protetor spade – terminais spade: gs 4;
RDD = 0,5 ( RDD CTs) + 0,5 (RDD CIs);
4
RDD CTs = média aritmética dos RDDs das CTs;
FProt.Vent. – Fator protetor ventilado: gs 10;
FProt.Sub. – Fator protetor submersível: gs 4.
RDD CIs = média aritmética dos RDDs das CIs;
A.2.4 – Fator Condição de Carga de Alimentadores dos CaA.2.1 – Fatores ambientais de CTs
bos do Reticulado
Fatores ambientais de CTs considerados no projeto:
FCargaAlim. – Fator carga do alimentador, em função do des-
Finund. – Fator inundação: em função do local. alto índice: gs
vio da carga nominal: desvio máximo: gs 10; médio: gs 5; mí-
10; médio: gs 5; baixo: gs 2; sem índice: gs 0.
nimo: gs 2.
Fvent. – Fator ventilação, em função da quantidade de lixo
nas caixas de ventilação: alto índice: gs 10; médio: gs 5; baixo:
A.2.5 – RDD para as CTs no Sistema Radial
gs 2; sem índice ou câmara do tipo cabine: gs 0.
RddCTi = Finund + Fvent. + Froubo + Fch.cab.term.+ Fch.
Froubo – Fator roubo: alto índice: gs 6; médio: gs 3; baixo: gs
plug + Ftr.cx.alta + Ftr.plug.
1; sem índice de roubo: gs 0.
RddCT = média aritmética dos RddCTi’s.
A.2.2 – Fatores de CIs
A.2.6 – RDD para as CTs no Sistema Reticulado
52
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
5
arTiGOS ciEnTíficOS
RddCTi = Finund + Fvent. + Froubo + Fch.cab.term.+ Fch.plug
ção dos reparos em defeitos existentes nos conjuntos mais
+ Ftr.cx.alta + Ftr.plug + Fprot.cop + Fprot.spade + Fprot.pata
9
críticos. Utilizou-se a equação para ponderação dos índices
+ Fprot.vent. Fprot.subm. + Fcarg. Alim. 6
de deteriorização IDCHI.
RddCT = média aritmética dos RddCTi’s.
A.2.7 – RDD das CIs para os Sistemas Radial / Sistemas Reticulado
RddCIi = Finund + Fseca + Froubo + Festr.peq.+ Festr.grande
Cálculo do IDCHI :
7
+ Fest.desarrum. + Fest.arrum.
B. Fórmulas para Cálculo do Índice de Mérito do Módulo PreCHI novo = CHI anterior + ∆CHI;11
ventivo
Para cálculo do Índice de Mérito dos Defeitos tem-se:
IM (DEFEITO) = RF * (K * IDCHI + IDEND)
8
RF = risco de falha;
∆CHI = nº clientes restabelecidos até a 1ª manobra x tm + nº
clientes restantes x tr;12
∆CHI = 0,85 TCI x tm + 0,15 TCI x tr;13
nº clientes restabelecidos até a 1ª manobra = 85% do total de
Valores de RF são atribuídos pela Light após as inspeções pa-
clientes interrompidos (TCI);
ra cada defeito encontrado. São eles:
tm = tempo da 1ª manobra = 0,72h;
• probabilidade de curto-circuito iminente - 1
tr = tempo de reparo de cada defeito.
• probabilidade de curto-circuito preocupante - 0,7
Cálculo do IDEND:
• sem consequência em curto prazo para risco de curto - 0,3
• problema sem risco de curto-circuito - 0,1
K = Fator de violação dos conjuntos Aneel;
END novo = END anterior + ∆ END;15
CHI = Consumidor Hora Interrompido;
∆ END = Kwh int até a primeira manobra x tm + Kwh restan-
IDCHI = Índice de Deterioração do CHI;
tes x tr;16
END = Energia Não Distribuída;
∆ END = 0,85 Kwh int x tm + 0,15 Kwh x tr;17
IDEND = Índice de Deterioração da END.
III. RESULTADOS PRÁTICOS
Uma análise mensal dos valores de DEC alcançados é de fundamental importância para verificação de sua proximidade
A. Sistema Radial Subterrâneo
com valores previamente estabelecidos para cada conjun-
A seguir são listados os resultados obtidos para o alimenta-
to de consumidores analisado (padrão anual). A Light define
dor LDS – 1038 da Light, com os riscos de desenvolvimento
como preocupantes valores para este indicador (DEC), cuja
de defeitos priorizados para inspeção de oito câmaras sub-
projeção em relação ao padrão seja:
terrâneas.
DEC > 100% - violação; 90% < DEC ≤100% - alerta; 80% <
DEC ≤ 90% - cuidado.
Assim sendo, torna-se necessária a criação de fatores de ponderação (K) a serem aplicados aos índices de mérito dos defeitos, em função dos limites acima descritos, para priorizaREVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
53
n o 06 - nOv 2014
arTiGOS ciEnTíficOS
A seguir os RDDs de caixa de inspeção para o mesmo alimen-
to para as inspeções e priorização dos reparos nas redes de
tador.
distribuição, com as funcionalidades devidamente testadas.
O aplicativo possui uma base comum que pode ser acessada
por usuários localizados em diferentes pontos da empresa.
Trata-se de uma base de dados que contém informações dos
registros de manutenção e reparo de equipamentos da rede
primária utilizada pela Light.
O aplicativo foi desenvolvido para plataforma Windows 32 bits.
B. Sistema Network Subterrâneo
A seguir são listados os resultados obtidos para os alimenta-
V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
dores do sistema network da Light, com os riscos de desenvolvimento de defeitos priorizados para inspeção.
[1] Gouvea, M. R., “Bases conceituais para o planejamento de
investimentos em sistemas de distribuição de energia elétrica”. Tese de Doutorado, Escola Politécnica da Universidade
de São Paulo, 1993.
[2] CODI – Eletrobrás – Coleção Distribuição de Energia Elétrica. Volume 4 – Manutenção e Operação de Sistemas de
Distribuição – Edgard Blucher, 1982.
[3] Labronici, J., “Modelo e Software Associado para Apoio à
Gestão da Interrupção em Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica”. Dissertação de Mestrado, Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo, 1998.
IV. CONCLUSÕES
[4] S. Haykin, Neural Networks: A Comprehensive Foundation,
nd
2 edition, New York, Macmillan, 1994.
Foi elaborado um software para gerenciamento das manu-
[5] HARTINGAN J. A., Clustering Algorithms – Department of
tenções nas redes com direcionamento por índices de méri-
Statistics, Yale University. Ed. John Wiley & Sons.
h.O. hEnriquES é EnGEnhEirO ELETriciSTa, cOOrDEnaDOr DO PrOJETO DE P&D na univErSiDaDE fEDEraL fLuMinEnSE ([email protected]); L. huDSOn é EnGEnhEirO ELETriciSTa, cOnSuLTOr aSSOciaDO aO LETD
Da univErSiDaDE fEDEraL fLuMinEnSE ([email protected]); c.E.M. MaLhEirOS é EnGEnhEirO ELETriciSTa, cOnSuLTOr aSSOciaDO aO LETD Da univErSiDaDE fEDEraL fLuMinEnSE (MaLhEirOScarLOS@
YahOO.cOM.br); M.a.c. PEquEnO é EnGEnhEirO ELETriciSTa, cOnSuLTOr aSSOciaDO aO LETD Da univErSiDaDE fEDEraL fLuMinEnSE ([email protected]); D.a. ParanhOS é EnGEnhEirO
ELETriciSTa, GErEnTE DO PrOJETO DE P&D na LiGhT ([email protected]); a.f.M. nETO é EnGEnhEirO ELETriciSTa Da LiGhT ([email protected]).
54
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
arTiGOS ciEnTíficOS
aRtIgoS cIENtífIcoS
C.E. Vizeu1, J.C.O. Aires2, R.C. Fonte3, P.A.
Lisboa3, C.K.C. Arruda3, L.A.M.C.
Domingues3
priorização de investimento no
plano de obras da light para
compatibilização com o teto
orçamentário
PALAVRAS-CHAVE – PRIORIZAÇÃO DE INVESTIMENTOS, ATRATIVIDADE FINANCEIRA, PLANO DE OBRA EM SUBESTAÇÕES,
CORTE DE CARGA EM EMERGÊNCIA, ÍNDICE DE MÉRITO, TAXA DE FALHA DE TRANSFORMADORES EM SUBESTAÇÕES.
Resumo – O projeto concluído no final de 2013, com participação do CEPEL, desenvolveu o programa PrioLight para a Priorização de Investimentos e Avaliação da Atratividade Financeira na Implantação de Subestações do Sistema Light. De uma
forma geral, a priorização permite adequar o Planejamento da
Expansão com eventuais restrições financeiras não previstas, e
com o mínimo de prejuízo ao desempenho do sistema. Com a
metodologia, é possível a consideração de fatores técnicos, econômicos, sociais e ambientais no processo de priorização, garantindo sustentabilidade ao Programa de Obras da Light.
I. INTRODUÇÃO
O processo de priorização de investimentos na expansão
Nesse sentido, o projeto de P&D concluído no final de 2013,
da rede elétrica quando em situações de restrição financei-
em parceria com o CEPEL e a Aires Consultoria, disponibilizou
ra sempre foi um desafio para as equipes de planejamento e
o programa PrioLight para a priorização de investimentos e
construção. Muitas obras são mantidas e outras adiadas num
para a avaliação da atratividade financeira na implantação de
processo subjetivo das pessoas envolvidas, o que, muitas ve-
subestações no Sistema Light.
zes, resulta numa redução dos investimentos e numa desor-
De uma forma geral, a priorização permite adequar o Planeja-
denação das prioridades no curto prazo.
mento da Expansão com eventuais restrições financeiras não
Embora a importância da subjetividade, calcada na experti-
previstas, com o mínimo de prejuízo ao desempenho do siste-
se das pessoas envolvidas, não deva ser menosprezada, fal-
ma. Num primeiro momento, o projeto resgatou trabalhos re-
ta à empresa uma ferramenta que agregue à expertise dos
alizados pela parceria Light-CEPEL na década de 1990, aprimo-
decisores, indicadores econômicos que deem consistência à
rando e inovando o desenvolvimento de metodologias para a
decisão de postergação ou manutenção da obra no ano se-
priorização do Plano de Obras durante um período de restri-
guinte ao ano em curso.
ções financeiras que impedem a execução de todo o conjunto.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
55
n o 06 - nOv 2014
arTiGOS ciEnTíficOS
Numa segunda etapa, o trabalho enfocou a modelagem de
porada ao sistema definitivamente. Caso nova restrição se-
todos os fatores envolvidos no processo de priorização de
ja detectada no ciclo de planejamento seguinte, as obras já
obras, sejam eles endógenos (taxa de crescimento da carga,
adiadas poderão ser novamente postergadas, mas também
taxa de falha de equipamentos etc) ou exógenos (multas do
por apenas um ano, e assim sucessivamente.
órgão regulador, comportamento não vegetativo do mercado etc) na expectativa de energia não suprida.
III. PRIORIZAÇÃO DE OBRAS: ENFOQUE QUANTITATIVO
A base da priorização é a modelagem do carregamento es-
(ÍNDICE DE MÉRITO)
perado das subestações existentes num horizonte prédefinido, considerando que o sistema receberá ou não o refor-
A metodologia de priorização com enfoque quantitativo
ço planejado. Nesses dois contextos é avaliado o impacto na
consiste em atribuir a cada obra um índice do mérito que re-
energia não suprida de todo o conjunto de obras, conside-
flita os benefícios econômicos e a variação dos custos opera-
rando a taxa de falhas dos transformadores, o crescimento
cionais associados à postergação da data de entrada de cada
do mercado e também o custo de implantação de cada pro-
obra. O Índice de Mérito (IM) de cada obra é definido como:
jeto. Paralelamente são calculadas as taxas internas de retorno das obras, supondo-se que cada projeto a ser implantado
permite uma receita correspondente ao atendimento de um
mercado maior na sua região de influência. As obras mais impactantes na energia não suprida são hierarquizadas por um
Sendo:
índice de mérito e as taxas internas de retorno complementam a análise de priorização dos investimentos.
V = Variação nos custos operacionais do sistema;
Assim, com a metodologia desenvolvida pelo P&D é possível
A = Alívio financeiro decorrente do adiamento da obra.
a consideração de fatores técnicos, econômicos e socioambientais no processo de priorização, retirando o grande pe-
Os benefícios decorrentes do adiamento da obra são calcu-
so da subjetividade dos decisores e garantindo sustentabili-
lados considerando-se o fluxo de desembolso para a implan-
dade ao Programa de Obras da Light definido pelas equipes
tação do projeto e o novo fluxo de desembolso com a obra
de planejamento.
adiada por um ano. Os respectivos valores atuais (VA) são calculados e o alívio financeiro corresponde à diferença entre
II. O MODELO DA PRIORIZAÇÃO DAS OBRAS
eles.
A prática atual consiste em considerar as restrições orçamen-
Alívio financeiro = VA2 – VA1
2
tárias (quando existentes) como temporárias, ou seja, com
duração não excedendo poucos anos à frente da data corren-
Os custos operacionais, considerando as obras do sistema
te. Nessas condições, considera-se que as restrições não che-
Light, são decorrentes apenas dos custos da energia não su-
gam a afetar a validade do plano de expansão do sistema.
prida, em condições normais ou de emergência, no caso de
O método de priorização adota a premissa de que a restri-
obra mantida e obra adiada por um ano.
ção orçamentária ocorre apenas durante um ano – em geral,
imediatamente posterior ao ano corrente. Com isto, define-
IV. PRIORIZAÇÃO DO PLANO 2011
-se o elenco de projetos a priorizar como o conjunto de obras
que apresentam desembolso (econômico) no ano de restri-
As principais conclusões do projeto foram:
ção orçamentária. A eventual postergação de qualquer obra
• O processo de priorização de obras baseado na metodolo-
também será por apenas um ano, ou seja, o efeito do adia-
gia qualitativa muitas vezes não reflete exatamente o grau de
mento de cada obra se dará apenas na data de sua entrada
prioridade de um projeto em relação a outro, caso sejam ne-
em operação, uma vez que nos anos seguintes ela será incor-
cessárias postergações em função de limites orçamentários;
56
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
arTiGOS ciEnTíficOS
• O processo de priorização de obras baseado na metodo-
A análise dos gráficos do Índice de Mérito das obras com de-
logia quantitativa (programa PrioLight) reflete mais adequa-
sembolso no ano de restrição financeira, em conjunto com
damente o grau de priorização de um projeto em relação a
das taxas internas de retorno de cada uma delas, permite ao
outro, uma vez que indica a relação entre os prejuízos e os
planejador uma visão dos projetos que devem ser posterga-
benefícios associados à postergação das obras.
dos em caso de limites orçamentários, bem como o volume
de recursos envolvido no processo.
Obras do Plano 2011 priorizado segundo a nova metodologia é dado na Tabela I. A Tabela II apresentas as Taxas Internas
de Retorno (TIR) de cada uma das obras.
fiGura 2 – GráficO OrDEnaDO DE barraS DO ínDicE DE MériTO
TabELa i. rELaTóriO DE ínDicES DE MériTO DaS ObraS
fiGura 3 – GráficO OrDEnaDO DE barraS DO vPL
TabELa ii. rELaTóriO DE ínDicES EcOnôMicO-financEirOS DaS ObraS
O arTiGO fOi DESEnvOLviDO nO âMbiTO DO PrOJETO 0382-0012/2008 (DESEnvOLviMEnTO DE nOvOS
MODELOS DE cOnfiabiLiDaDE DE SubESTaçõES aPLicaDOS aO PrOcESSO DE PriOrizaçÃO DE ObraS)
Da carTEira DE PrOJETOS DE P&D LiGhT-anEEL, cOOrDEnaDa PELO EnGEnhEirO JOSé TEnóriO JuniOr.
1 c.E. vizEu, LiGhT – GErEnTE DO PrOJETO ([email protected]); 2 J.c.O. airES,
airES cOnSuLTOria E uSu. cOnSuLTOr E PESquiSaDOr ([email protected]); 3 r.c. fOnTE,
cEPEL – cOOrDEnaDOr DO PrOJETO ([email protected]); 3 P.a. LiSbOa, cEPEL – PESquiSaDOr
([email protected]); 3 c.K.c. arruDa, cEPEL – PESquiSaDOr ([email protected]); 3 L.a.M.c.
DOMinGuES, cEPEL – PESquiSaDOr ([email protected])
fiGura 4 – GráficO OrDEnaDO DE barraS Da Tir
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
57
n o 06 - nOv 2014
arTiGOS ciEnTíficOS
aRtIgoS cIENtífIcoS
José Benedito C. Araujo1, Ronaldo C.
Battista2 e Gilson Santos Jr.3
análise dinâmica de linhas aéreas
de transmissão sob a ação do vento
PALAVRAS-CHAVE – DINÂMICA ESTRUTURAL, ESTRUTURA, VENTO.
Resumo – Este trabalho propõe uma nova metodologia a ser
de Transmissão”.
aplicada ao projeto de estruturas de linhas aéreas de transmis-
Para um exemplo de sistema torre/cabos comparam-se os re-
são (LTAs) no que diz respeito à ação dinâmica do vento turbu-
sultados das duas metodologias analisando-se as diferenças
lento. Enquanto a metodologia tradicional de projeto é basea-
encontradas.
da em análise estática linear da torre como um sistema isolado,
a nova metodologia considera o modelo estrutural do sistema
II. DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA
acoplado torre/cabos/fundações submetido à ação dinâmica
do vento turbulento e analisado no domínio do tempo. Os re-
A. Modelo para a análise da interação torre/cabos
sultados das duas metodologias são comparados em um exem-
O comportamento da estrutura composta de linhas aére-
plo real.
as e torres sob ação de ventos fortes é ilustrado pela Figura 1, onde se observa a elevação das linhas aéreas impon-
I. INTRODUÇÃO
do um expressivo acréscimo do momento de tombamento
e do momento de flexão lateral e esforços axiais e cargas nas
A metodologia tradicional de projeto de torres de linhas de
fundações das estruturas das torres. Nos casos em que as ca-
transmissão, no que diz respeito à ação do vento turbulento,
deias de isoladores se comportam como pêndulos simples,
baseia-se em análise estática linear de um modelo estrutural
a excursão lateral e elevação das linhas (cabos condutores e
da torre isolada sobre o qual aplicam-se as forças oriundas da
pararaios) são ainda maiores e os consequentes carregamen-
ação do vento na própria torre e nas linhas aéreas. Para o cál-
tos laterais mais severos, pondo em risco a estabilidade das
culo dessas forças utilizam-se as prescrições da norma ABNT,
estruturas das torres. Em qualquer caso, torna-se essencial a
NBR 5422/1985.
consideração da interação das linhas aéreas com a torre.
Este trabalho apresenta uma nova metodologia para projeto
de torres que incorpora no procedimento de cálculo estrutural a análise não linear geométrica para englobar o comportamento dos cabos longos em catenária e os grandes
deslocamentos produzidos pela ação do vento. Incorpora
também, nesse procedimento, a análise dinâmica, levando
em conta as forças aleatórias originadas pela ação dinâmica
do vento turbulento no domínio do tempo. Para isso, utiliza-se um modelo estrutural do sistema acoplado torre-linhas
aéreas-fundações. O trabalho foi desenvolvido no âmbito do
Projeto P&D22/08 da Light denominado “Incorporação da
Ação Dinâmica do Vento no Projeto de Estruturas de Linhas
58
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
fiGura 1 – ESTaçÃO ExPEriMEnTaL DE hOrniSGrinDE, aLEManha (LEibfrED & MOrS, 1964)
arTiGOS ciEnTíficOS
Para levar em conta a interação entre o vento, as linhas aére-
e temporal. No caso de turbulência atmosférica em ciclones
as e a torre deve-se adotar um modelo completo da estrutu-
extratropicais (tormentas EPS) o campo de velocidade de
ra tal como proposto por Battista et al. (2003) e como ilustra-
vento pode ser expresso em termos de três componentes do
do na Figura 2. Neste modelo numérico, os componentes da
vetor velocidade (Blessman, 1995), sendo U(z) a velocidade
torre são representados por elementos de pórtico plano e os
média que depende somente da altura z acima do terreno, e
elementos das linhas aéreas como elementos de cabo.
u, v e w as componentes flutuantes nas direções longitudinal,
lateral e vertical, que são tratadas como processos aleatórios
estacionários e ergódicos de média nula. Neste trabalho as
componentes flutuantes v e w foram desprezadas.
As forças devidas ao vento turbulento são calculadas admitindo-se válida a hipótese quase estática segundo a qual as
amplitudes de movimento da estrutura não são suficientes
fiGura 2 – iLuSTraçÃO ESquEMáTica DO MODELO SiMPLificaDO DO SiSTEMa ESTruTuraL
TOrrES/cabOS
para alterar o fluxo à sua volta e, portanto, as forças de vento podem ser descritas da mesma forma que para uma estrutura em repouso. As componentes de força de vento por
Tradicionalmente, a análise da estrutura composta de torres
unidade de comprimento no elemento (representando con-
e linhas aéreas é feita desacoplando-se esses dois compo-
dutor singelo ou feixe de condutores ou componente da tor-
nentes com base no argumento de que a frequência funda-
re) i do modelo numérico da estrutura considerando apenas
mental da torre isolada fT é muito maior do que a frequên-
a componente de velocidade do vento na direção da veloci-
cia fundamental dos cabos ou feixes de cabos apoiados ou
dade média (direção x) podem ser escritas como (Diana et
não em cadeias de suspensão. Isso significa que o movimen-
al., 1999):
to da torre tem efeito desprezível no comportamento das linhas aéreas e que as forças devidas ao vento transmitidas
nos pontos de suspensão dos cabos e em frequências bem
menores do que fT são “vistas” como quase estáticas pela torre (Davenport, 1979). Entretanto, análises de vibração livre
de modelos completos como o mostrado na Figura 2 indicam que a torre participa dos modos de vibração dominados pelo movimento dos cabos como ilustrado pela Figura
3. Dessa forma, a hipótese de desacoplamento dinâmico entre linhas e torres não se justifica.
onde Ai é a área projetada do elemento de condutor ou da
torre, Ur é a velocidade do vento em relação ao elemento, R
é a distância característica dos condutores ao centro geométrico do feixe e Cx e Cz são coeficientes aerodinâmicos, que
podem ser escritos em função dos coeficientes de arrasto Ca
e de sustentação Cs.
fiGura 3 – MODO funDaMEnTaL DE vibraçÃO DO cOnJunTO TOrrE/cabOS
Para elementos de condutor ou feixe de condutores deve-se
levar em conta a variação do coeficiente Ca com o número de
B. Modelo para a ação do vento
Reynolds. Para a torre, os coeficientes de arrasto são dados
Para calcular as forças de vento atuando nos cabos e nas tor-
em função da configuração geométrica dos seus módulos e
res é necessário conhecer o campo de velocidades do ven-
a força resultante em cada módulo pode ser aplicada distri-
to, e representar adequadamente sua distribuição espacial
buída ao longo da altura do módulo.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
59
n o 06 - nOv 2014
arTiGOS ciEnTíficOS
C. Programa computacional
Neste exemplo os cabos condutores são singelos e tipo CAA
Os aspectos conceituais principais da nova metodologia de
636 MCM Grosbreak enquanto os dois cabos pararaios são
projeto foram empregados no programa TORRE LTEE, desen-
de aço galvanizado 3/8” EHS. As cadeias de isoladores têm
volvido em linguagem FORTRAN, e que segue as prescrições
2,9m de comprimento. A ligação entre a torre e os cabos é
da NBR 6123/88.
mostrada na Figura 4.
O programa TORRE LTEE faz três tipos de análises:
A modelagem computacional tridimensional da estrutura da
torre permite que tanto as condições das ligações de seus
• Análise estática não linear geométrica;
montantes (pernas) com os blocos das fundações, quanto as
• Análise dinâmica linear sob tensões iniciais (LDIN);
condições de interação (elástica, viscoelástica ou elastoplás-
• Análise dinâmica não linear geométrica (NLDIN).
tica) das fundações (diretas, em estacas ou tubulões) com o
solo sejam simuladas de maneira que retratem aproximada-
Na análise estática não linear geométrica as forças de vento
mente as condições reais.
são calculadas de acordo com as prescrições da NBR 6123/88
As análises foram realizadas para ação de vento correspon-
(vide item II.2.1 Equivalente Estático do Vento) e aplicadas es-
dente à velocidade básica de vento definida pela NBR6123
taticamente à estrutura em incrementos de carga.
que está referida ao intervalo de tempo igual a 3s, altura z
A análise dinâmica linear sob tensões iniciais considera ação
igual a 10m, terreno de Categoria II e tempo de recorrência
das forças flutuantes de vento (incluindo o amortecimento
igual a 50 anos. Essa velocidade foi ajustada para conside-
aerodinâmico) sobre a estrutura na configuração deforma-
rar S3= 1,1, resultando na velocidade característica igual a
da estática decorrente da ação da força média e obtida por
55m/s. A velocidade média em 10 minutos correspondente
análise não linear geométrica. Para a análise dinâmica utiliza-
a esse valor é igual a 38m/s.
-se o método de superposição modal integrando-se as equa-
Para efeito de comparação de resultados, a metodologia tra-
ções resultantes pelo método de Runge-Kutta.
dicional de análise baseada no modelo de torre isolada e
com cargas calculadas segundo a NBR5422 foi aplicada para
III. ESTUDO DE CASO
uma velocidade básica Vb igual a 38m/s, referida ao intervalo de tempo igual a 10 min, a altura z igual a 10m, terreno de
O exemplo de torre de 32,8m de altura e cujo modelo numé-
Categoria B e tempo de recorrência igual a 50 anos.
rico está mostrado na Figura 4a foi analisado pelo programa
Os resultados das análises efetuadas segundo as metodolo-
TorreLTEE e os resultados são comparados com aqueles ob-
gias tradicional e nova são apresentados em termos de des-
tidos em uma análise baseada na metodologia tradicional.
locamentos nos nós A e B indicados na Figura 4b e em termos de esforços axiais nas barras indicadas na Figura 4c.
Estas comparações encontram-se nas Tabelas I e II.
A comparação entre os resultados obtidos com as análises
dinâmica linear e não linear conduz às seguintes conclusões:
• A análise dinâmica linear LDIN fornece, como já esperado,
valores para os deslocamentos e esforços, em geral, maiores
que os fornecidos pela análise dinâmica não linear NLDIN;
• Esse aspecto conservador da análise LDIN com relação à
NLDIN é contornado pela simplicidade do modelo matemático-numérico-computacional e pelo tempo de computação muito menor (tLDIN / tNL-DIN < 1/60), o que o torna de
maior praticidade para projetos.
fiGura 4 – (a) viSTa iSOMéTrica; (b) DETaLhE DaS LiGaçõES DOS cabOS;
(c) DETaLhE Da MODELaGEM Da baSE
60
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Da comparação entre os resultados obtidos com a metodologia tradicional e com a nova metodologia (referidos à mes-
arTiGOS ciEnTíficOS
ma velocidade básica do vento) conclui-se que as respostas
IV. CONCLUSÕES
estruturais são maiores pela nova metodologia. Essas diferenças observadas se devem aos vários efeitos combinados
Com base na análise dos resultados feita, verificou-se, para o
que são levados em conta nos modelos dinâmicos utilizados
caso-exemplo de sistema estrutural torre/cabos, uma subs-
pela nova metodologia, orientada pelas prescrições da NBR
tancial diferença entre os valores dos esforços axiais nas bar-
6123/90. São os seguintes esses efeitos:
ras e deslocamentos obtidos segundo cada uma das meto-
• Ação dinâmica do vento;
dologias nova e tradicional, independentemente do valor
• Modelagem matemático-numérica-computacional do sis-
adotado para a velocidade de projeto.
tema não linear acoplado torres/cabos;
A relevância do modelo de cálculo dinâmico proposto na no-
• Não linearidade geométrica que conduz à configuração de-
va metodologia de projeto é ainda mais acentuada nos casos
formada de equilíbrio estático;
de torres altas (100m < H < 400m) para grandes travessias,
• Não proporcionalidade dos resultados dos modelos dinâ-
como na região amazônica onde se superpõe a escassez de
micos com respeito ao quadrado de Vb, isso é, quanto maior
dados de medições do vento.
Vb, maior a diferença entre os resultados do novo modelo e
A validação do modelo é, assim, de grande importância e de-
do modelo tradicional de cálculo.
ve ser feita por meio de medições de grandezas físicas realizadas em ensaios experimentais de protótipos, ou melhor, de
sistemas torres/cabos existentes.
V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] R. C. Battista, and M. S. Pfeil, “Dynamic Behaviour and
TabELa i. cOMParaçÃO DOS DESLOcaMEnTOS TranSvErSaiS (na DirEçÃO DO vEnTO) ObTiDOS cOM
aS DuaS METODOLOGiaS. vaLOrES EM METrOS
Stability of Transmission Line Towers under Wind Forces”,
Journal of Wind Engineering and Industrial Aerodynamics,
vol. 91, pp. 1051-1067, Elsevier 2003.
[2] J. Blessman, O Vento na Engenharia Estrutural, Porto Alegre: Ed. UFRGS, 1995.
[3] A. G. Davenport, “Gust Response Factors in Transmission
Line Loading”, apresentado na V International Conference on
Wind Engineering, Ft Collins, Colorado, EUA, 1979.
[4] G. Diana, M. Bocciolone, F. Cheli, F. Resta, and A. Manenti,
“The Aero-Elastic Behaviour of the OHTL Expanded Bundles”
in Proc. Of the 3rd ISCD (International Symposium on Cable
Dynamics), pp. 97-102.
TabELa ii. cOMParaçÃO ESfOrçOS axiaiS ObTiDOS cOM aS DuaS METODOLOGiaS. vaLOrES EM Kn.
[5] Forças Devidas ao Vento em Edificações, NBR-6123, 1987.
infOrMaçõES SObrE O PrOJETO DE P&D: ‘incOrPOraçÃO Da açÃO DinâMica DO vEnTO nO PrOJETO DE ESTruTuraS DE LinhaS DE TranSMiSSÃO’; ‘LiGhT’; ‘cOnTrOLLaTO E EnELTEc’; ‘2008-2012’; r$ 626.540,00 DE
invESTiMEnTO aPrOvaDO Para ExEcuçÃO DO PrOJETO. 1 LiGhT SErviçOS DE ELETriciDaDE S/a ([email protected]); 2 cOnTrOLLaTO – MOniTOraçÃO E cOnTrOLE DE vibraçõES EM ESTruTuraS LTDa
([email protected]); 3 EnELTEc – EnErGia ELéTrica E TEcnOLOGia LTDa. ([email protected]).
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
61
n o 06 - nOv 2014
arTiGOS ciEnTíficOS
aRtIgoS cIENtífIcoS
Rodrigo M. Romano1, Luciana L. A.
Gaspar1, Lucas S. M. Guedes2,
Adriano C. Lisboa2, Douglas A. G.
Vieira2, Rodney R. Saldanha3
Reconfiguração multicritério de
redes radiais de distribuição de
energia elétrica com fluxo de
potência rápido
PALAVRAS-CHAVE – DISTRIBUIÇÃO, MULTIOBJECTIVO, RECONFIGURAÇÃO, REDES RADIAIS.
Resumo – O trabalho descreve a metodologia de reconfigura-
rede desejada.
ção desenvolvida no projeto de P&D ANEEL L50 proposto pe-
O método permite estabelecer controles práticos, como o li-
la Light. A heurística multiobjectivo mapeia a fronteira Pareto
mite para operações de chaveamentos e o limite do conjun-
e retorna automaticamente um plano de chaveamentos pa-
to de soluções finais. Dessa forma, o método desenvolvido
ra reconfiguração da rede. A identificação das soluções Pare-
estabelece um plano de reconfiguração factível e aumenta
to aumenta a informação e flexibiliza a tomada de decisão a
a confiabilidade do reconfigurador por ser uma abordagem
posteriori. Já o plano de reconfiguração possibilita ao operador
determinística.
despachar imediatamente as equipes para efetuarem os cha-
O embasamento teórico da heurística, a comparação com
veamentos. A estrutura do algoritmo ainda permite o controle
demais métodos da literatura e resultados obtidos em redes
do número máximo de chaveamentos. Um aperfeiçoamento no
reais da Light foram publicados no periódico IEEE Transac-
método de fluxo de potência também foi desenvolvido para au-
tions on Power Delivery [1], no Congresso Latino-Ibero-Ame-
mentar a eficiência computacional da reconfiguração.
ricano de Investigación Operativa [2] e no VII Congresso de
Inovação Tecnológica em Energia Elétrica [3].
I. INTRODUÇÃO
O projeto também desenvolveu uma metodologia de fluxo
de potência. A nova abordagem apresenta complexidade
O projeto abordou a reconfiguração de redes em condições
de armazenamento linear e um baixo custo computacional
normais de operação. A reconfiguração é realizada através
em relação às versões encontradas na literatura, pois explo-
da abertura/fechamento das chaves com objetivo de ob-
ra as características especiais das redes radiais. Tais avanços
ter uma nova configuração que minimize as funções objeti-
na modelagem foram importantes para a eficiência compu-
vo e melhore as condições de operação da rede. Além disso,
tacional da heurística de reconfiguração, que executa diver-
as soluções devem ser aplicáveis no mundo real. Em outras
sos fluxos de potência de grande porte. O seu embasamento
palavras, o operador do sistema deve ser capaz de definir a
teórico e comparação com demais métodos foram publica-
configuração otimizada através de uma sequência de chave-
dos no periódico International Journal of Electrical Power &
amentos viáveis. Esse plano de reconfiguração descreve to-
Energy Systems [4].
das as operações a serem realizadas no sistema para obter a
O produto final em operação é o PAD – Planejamento e Aná-
62
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
arTiGOS ciEnTíficOS
lise da Distribuição –, que possui módulo de reconfiguração,
em relação à corrente nominal. Dessa forma, a minimização
fluxo de potência (análise da rede), visualização georreferen-
da perda resistiva implica a redução de custos devido ao des-
ciada, editor de redes e banco de dados. A figura 4 apresen-
perdício de energia, enquanto que a minimização da máxima
ta a interface do programa em uso.
sobrecarga implica um sistema com menos riscos de sobrecarga nas linhas de distribuição.
II. DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA
B. Controles do reconfigurador
A. Reconfigurador
A fim de evitar a explosão combinatória da árvore de busca,
O método desenvolvido é uma heurística multiobjectivo ba-
mecanismos de controle da largura e da profundidade foram
seada em chaveamento e no algoritmo branch-and-bound.
desenvolvidos. A largura está relacionada com o número de
O problema é resolvido de forma multiobjectivo, ou seja, en-
redes que são ramificadas em cada nível, ou seja, a aproxima-
contra uma aproximação do conjunto Pareto ótimo.
ção do conjunto Pareto. Por essa razão, a dimensão do con-
A estratégia branch-and-bound constrói uma árvore de bus-
junto Pareto pode ser controlada.
ca. A árvore inicia-se com a rede atual, e a cada novo nível,
Por outro lado, a profundidade é definida pelo número de
acrescentam-se novas soluções ramificadas. Logo, todos os
operações de permutação exigidas para a obtenção de uma
nós que compõem a árvore são soluções ramificadas da con-
rede no último nível. Basta limitar o número de operações de
figuração inicial, ou seja, obtidas através da reconfiguração
permutação a partir da rede inicial. Esse controle é bastante
da rede atual.
interessante, porque em muitas situações reais existe uma li-
O movimento base de ramificação é a permuta de ramos,
mitação técnica para o número de chaveamentos realizados
que consiste na abertura de uma chave e do fechamento de
pelo operador do sistema.
outra. A operação de permuta será realizada apenas nos nós
Outra restrição definida pelo operador do sistema é o limi-
promissores, ou seja, aqueles que representam novas redes
te inferior de potência chaveada. A nova restrição impõe que
factíveis e não dominadas.
a potência equivalente da região afetada pelo chaveamento
Dessa forma, o caminho na árvore entre a raiz e uma solu-
seja superior a um valor mínimo de potência. Caso contrário,
ção, indica o histórico de pares de chaves que devem ser al-
o chaveamento não é considerado eficaz, pois o volume de
terados. Devido ao mecanismo de poda das redes inviáveis,
carga “movimentada” e, possivelmente, os ganhos não com-
sabe-se que todos os chaveamentos do histórico conduzem
pensarão os riscos e os custos da operação. A potência equi-
a redes intermediárias viáveis, ou seja, entre a configuração
valente é definida como o somatório da demanda de carga
inicial e a nova rede, não há risco de colapso do sistema devi-
de todos os vértices que possuem a chave recém-fechada em
do às operações de chaveamento. Essa informação assegura
seu caminho até a subestação.
um plano de reconfiguração para o operador.
As operações de chaveamento provocam sempre algum ti-
C. Fluxo de potência
po de distúrbio no sistema, logo, a heurística não deve per-
Em resumo, no problema de fluxo de potência deve-se en-
mitir as operações que conduzem a soluções inviáveis. Caso
contrar o conjunto de ângulos de fase e a magnitude da ten-
as tensões e as correntes estiverem fora dos limites técnicos,
são nas cargas. Os fluxos de potência ativa e reativa e as per-
a rede será podada. Caso contrário, calcula-se o vetor de fun-
das nas linhas também são de interesse.
ções objetivo e verifica-se a dominância Pareto.
Os métodos de fluxo de potência em redes radiais aprovei-
O atual trabalho baseia-se nos critérios utilizados na distri-
tam a existência de um único caminho a partir de qualquer
buidora Light, que busca equilibrar suas decisões entre o
carga para a fonte. Dentro desse grupo se destaca aquele ba-
compromisso de reduzir os custos e aumentar a robustez do
seado na varredura reversa/direta.
sistema. As duas funções objetivo são: minimização da per-
Um novo método para resolver o problema de fluxo de po-
da resistiva e minimização da máxima sobrecarga nos cabos
tência em sistemas balanceados de distribuição com base na
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
63
n o 06 - nOv 2014
arTiGOS ciEnTíficOS
abordagem [5] foi desenvolvido. O método é uma aborda-
quase linear, podendo ser quadrática para as árvores desba-
gem direta para a varredura reversa/direta. As características
lanceadas.
da rede são resumidas na matriz de incidência, que se torna uma matriz triangular inferior. Essa nova formulação permitiu resolver sistemas de equações lineares em vez de inverter matrizes durante o processo iterativo, levando a uma
menor carga computacional. Portanto, o método proposto é
eficiente em tempo e memória. Além disso, ele preserva a capacidade de representar diferentes modelos de carga.
No pior caso, o armazenamento da inversa da matriz de incidência possui complexidade quadrática quando a rede possui apenas uma ramificação. Nesses casos, a parte triangular
inferior da inversa é inteiramente preenchida, como representado na figura 1 para uma árvore com 100 vértices e uma
única ramificação.
fiGura 2 – TEMPO MéDiO DE ExEcuçÃO DO fLuxO DE POTência
fiGura 1 – viSuaLizaçÃO DaS MaTrizES invErSa (ESquErDa) E DE inciDência (DirEiTa)
Para árvOrE cOM 100 vérTicES E uMa raMificaçÃO
D. Validação do fluxo de potência
O primeiro teste foi realizado com o intuito de comparar métodos já existentes com a versão proposta. A instância de teste possui 10.560 vértices, dos quais 84 são alimentadores, e
fiGura 3 – arMazEnaMEnTO MéDiO Para caDa TaManhO DE inSTância
10.476 arestas. Os métodos de varredura reversa/direta [5],
E. Validação do reconfigurador
[6] e [7] foram testados em diferentes cenários de carga. Em
Uma série de testes de reconfiguração em redes reais da
cada simulação, a demanda de carga original foi multiplica-
Light foi conduzida. Resultados podem ser encontrados nos
da pelo mesmo fator α � [1/2,..,4] em cada vértice. A figura 2
artigos derivados do projeto, principalmente a apresentação
apresenta os tempos computacionais em segundos. O pro-
no CITENEL [3]. A figura 4 apresenta a tela do PAD ao final da
cedimento proposto se mostrou o mais rápido e o menos
reconfiguração. No campo superior direito está o gráfico Pa-
afetado pelo aumento da carga.
reto, com o valor das funções objetivo de cada solução re-
Em seguida, o armazenamento foi medido como o número
tornada. O plano de chaveamento para todas as soluções é
de elementos não nulos de todas as matrizes e vetores utili-
apresentado abaixo do gráfico. As chaves são nomeadas pe-
zados em cada método. A figura 3 mostra os resultados para
lo identificador do banco de dados. Por fim, o usuário pode
uma máxima variação de tensão de 2-13. O método propos-
escolher uma das soluções (botão indicado com a seta azul),
to, como esperado, apresenta uma complexidade de arma-
e então o plano será aplicado e a nova rede será visualizada
zenamento linear. O algoritmo [5] necessita de maior capaci-
no campo principal da tela. O usuário poderá acessar os da-
dade de armazenamento, com uma ordem de complexidade
dos dessa nova configuração, tensão, corrente etc.
64
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
arTiGOS ciEnTíficOS
III. CONCLUSÕES
Electrical Radial Network”, IEEE Trans. Power Delivery, vol. 28,
pp. 311-319, Jan. 2013.
O projeto de P&D ANEEL proposto pela Light proporcionou
[2] L. S. M. Guedes, A. C. Lisboa, D. A. G. Vieira, R. R. Saldanha,
o estudo e o desenvolvimento de uma ferramenta compu-
R. M. Romano, L. L. A. Gaspar, “Reconfiguração Multiobjectivo
tacional para o planejamento de sistemas de distribuição de
de Redes Radiais de Distribuição de Energia Elétrica”, in Anais
energia elétrica baseado em técnicas de otimização. Os di-
do XVI Congresso Latino-Ibero-Americano de Investigación
versos resultados obtidos em testes simulados e com instân-
Operativa, Rio de Janeiro, 2012.
cias reais demonstraram as melhorias do sistema após a re-
[3] R. M. Romano, L. L. A. Gaspar, L. S. M. Guedes, A. C. Lis-
configuração e a consistência teórica da nova metodologia
boa, D. A. G. Vieira, “Ferramenta Multicritério para Reconfigu-
desenvolvida, ver [1]-[4]. A heurística de reconfiguração, em
ração de Redes Radiais de Distribuição de Energia Elétrica”, in
trabalhos futuros, pode ser adaptada para a restauração de
Congresso de Inovação Tecnológica em Engenharia Elétrica,
redes de distribuição, no âmbito do controle em tempo real
2013, Rio de Janeiro. VII CITENEL, 2013. p. 1-12.
do sistema. Desta forma, o sistema poderá ser aplicado tam-
[4] A. C. Lisboa, L. S. M. Guedes, D. A. G. Vieira, R. R. Saldanha, “A
bém nas áreas de controle operacional e de emergência. No
fast power flow method for radial networks with linear storage
caso do fluxo de potência, pode-se estender a abordagem
and no matrix inversions”, International Journal of Electrical
para sistemas de distribuição com geração distribuída e re-
Power & Energy Systems, vol. 63, pp. 901-907, 2014.
de trifásica desbalanceada.
[5] J. H. Teng, “A direct approach for distribution system load
flow solutions”, IEEE Transactions on Power Delivery, vol. 18,
IV. AGRADECIMENTOS
pp. 882-887, 2003.
[6] R. G. Cespedes, “New method for the analysis of distribution
Agradecemos a parceria com a equipe da AXXIOM.
networks”, IEEE Transactions on Power Delivery, vol. 5, pp.
391-396, 1990.
V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[7] U. Eminoglu e M. H. Hocaoglu, “A new power flow method
for radial distribution systems including voltage dependent
[1] L. S. M. Guedes, A. C. Lisboa, D. A. G. Vieira, R. R. Salda-
load models”, Electric Power Systems Research, vol. 76, pp.
nha, “A Multiobjective Heuristic for Reconfiguration of the
106-114, 2005.
fiGura 4 – inTErfacE DO PrODuTO finaL
PaD cOM rESuLTaDO Da rEcOnfiGuraçÃO
ESTE arTiGO é fruTO DO PrOJETO P&D L50 - DESEnvOLviMEnTO DE uM SiSTEMa inTEGraDO MuLTicriTériO Para rEcOnfiGuraçÃO E PLanEJaMEnTO Da ExPanSÃO DE rEDES DE DiSTribuiçÃO DE EnErGia ELéTrica,
DESEnvOLviDO Para a LiGhT Sa E ExEcuTaDO PELa EnacOM, ufMG E axxiOM nO cicLO 2010 nO vaLOr DE r$1.306.680,00. 1. LiGhT Sa ([email protected], [email protected]); 2. EnacOM
([email protected], [email protected], [email protected]); 3. ufMG ([email protected])
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
65
n o 06 - nOv 2014
arTiGOS ciEnTíficOS
aRtIgoS cIENtífIcoS
Walfredo Schindler1, Luis A. Saporta1,
Thaís Mattos1, Ricardo Gonzalez1,
Fernanda França1, Fabiana Fioretti2 e
Lívia Correa2
Metodologia para pegada de
carbono para empresas de geração
hidroelétrica e distribuição de
eletricidade no brasil
PALAVRAS-CHAVE – DISTRIBUIÇÃO DE ELETRICIDADE, GESTÃO DO CLIMA, GERAÇÃO ELÉTRICA, MUDANÇAS CLIMÁTICAS, PEGADA DE CARBONO.
Resumo – O uso do conceito da Pegada de Carbono é algo mui-
Com o aumento da consciência pública sobre as mudanças
to recente para as empresas. Poucas corporações no mundo di-
climáticas, a preocupação da sociedade tem crescido: os in-
vulgam esse dado sobre suas operações. O desenvolvimento
vestidores demandam mais transparência e consumido-
de uma metodologia para o setor elétrico brasileiro representa
res procuram mais clareza e responsabilidade das empre-
uma ação de vanguarda, contrastando com a atual prática que
sas. Muitas companhias têm recebido pedidos de diferentes
é, no melhor dos casos, a elaboração de inventário de emissões
stakeholders para medir e reportar suas emissões de gases de
da empresa. Diferentemente do inventário de emissões, a Pe-
efeito estufa – e esses pedidos têm incluído, cada vez mais, as
gada de Carbono é uma medida mais abrangente que leva em
emissões de sua cadeia de produção. Para responder a essa
consideração toda a cadeia de produção – não só as emissões
demanda, as empresas devem ser capazes de entender e ge-
restritas ao controle operacional ou societário das empresas –,
rir os riscos das emissões no ciclo de vida de seus produtos
tornando-se um instrumento mais preciso para a gestão do cli-
e serviços – caso desejem garantir o sucesso de longo prazo
ma de uma companhia. Com o projeto “Elaboração de Metodo-
de seus negócios em um mercado cada vez mais ambiental-
logia de Pegada de Carbono de Sistemas de Geração e Distribui-
mente responsável.
ção de Energia” – código ANEEL 0382-0069/2011 – buscamos
Por outro lado, ações corporativas nessa área também fazem
preencher essa lacuna.
sentido econômico. Na medida em que os impactos das mudanças climáticas se tornam mais frequentes e intensos, ris-
I. INTRODUÇÃO
cos físicos, regulatórios, financeiros e reputacionais aumentam consideravelmente e podem atingir as receitas e custos
As mudanças climáticas seguem como um dos grandes desa-
do setor elétrico nacional.
fios encarados por países, governos, empresas e a sociedade
Uma estratégia corporativa efetiva na área de mudanças
civil nas próximas décadas. As ações presentes exercidas pe-
climáticas requer um entendimento detalhado dos impac-
las atividades humanas continuam aumentando a concentra-
tos gerados pela companhia na emissão de gases de efeito
ção de gases de efeito estufa na atmosfera – principalmente
estufa ao longo de sua cadeia de produção – com foco no
pela queima de combustíveis fósseis, mas também por pro-
portfólio de produtos e serviços – como forma de aprimo-
cessos químicos, agricultura e mudanças no uso do solo.
rar o gerenciamento dos riscos e oportunidades. A Pegada
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REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
arTiGOS ciEnTíficOS
de Carbono pode ser considerada uma ferramenta avança-
do a unidade funcional 1MWh. Foi definido que a quanti-
da nessa gestão.
dade de produtos consumidos nos processos das atividades das empresas – e considerados no cálculo da Pegada de
II. PEGADA DE CARBONO
Carbono – estaria entre 30 e 40 produtos. Na definição das
fronteiras do projeto, respeitaríamos o protocolo da BSI [2],
Todo o projeto de Pegada de Carbono tem que seguir uma
excluindo os materiais identificados como infraestrutura
lógica, baseada na análise de ciclo de vida de um produto/
(transformadores, chaves, postes, edifícios, etc.). Pelo mes-
serviço. Ao começar um projeto de Pegada de Carbono as
mo motivo, não seriam incluídas emissões ligadas à admi-
empresas definem objetivos que querem alcançar com esse
nistração da empresa (energia elétrica de prédios adminis-
estudo. A finalidade mais comum – segundo o BSI [1] – é a re-
trativos, uso de gás refrigerante em áreas administrativas,
dução das emissões de gases de efeito estufa. Outra função
viagens corporativas etc.).
importante da Pegada de Carbono é a avaliação dos diferen-
Para a construção do mapa de processo, o primeiro passo foi
tes riscos ligados às mudanças climáticas.
analisar os inventários de emissões de gases de efeito estufa
Após uma fase de planejamento, o projeto de Pegada de
das empresas. Por meio dos dados contidos nos inventários,
Carbono deve começar a realizar o levantamento de dados
foi possível identificar as principais fontes de emissões ope-
relevantes para o cálculo das emissões GEE ao longo da ca-
racionais da Light Energia: notadamente, o uso de combus-
deia produtiva do produto/serviço escolhido. Para isso, cinco
tíveis em fontes móveis e a geração de resíduos de macrófi-
passos básicos devem ser realizados:
tas nos reservatórios. Além disso, identificou-se o uso de SF6.
• Construção do mapa de processos: levantamento do ciclo
Para a Light SESA, temos: o uso de combustíveis em fontes
de vida do produto, desde a obtenção das matérias-primas
móveis, a perda de energia elétrica na distribuição e a gera-
básicas até a disposição dos resíduos, incluindo materiais e
ção de resíduos de poda de árvores. Além disso, também se
energias consumidas;
identificou o uso de SF6. O passo seguinte foi criar uma me-
• Definição das fronteiras e das prioridades: exclusão de ele-
todologia para definir os produtos que fariam parte da análi-
mentos pouco relevantes e/ou sem informações confiáveis do
se. Esses produtos deveriam ser materiais para as operações
mapa de processos (que deve ser atualizado após essa fase);
e manutenção e, ao mesmo tempo, respeitar o protocolo de
• Coleta de dados sobre as emissões: levantamento sobre
Pegada de Carbono mencionado anteriormente [2]. Dessa
quantidade de materiais, atividades e fatores de emissão ao
forma, primeiramente foi realizado um levantamento com o
longo de todo o ciclo de vida;
pessoal de compras das duas empresas resultando em uma
• Cálculo da Pegada de Carbono.
lista com os 1.000 produtos mais utilizados nos últimos anos.
Após a análise e retirada de produtos inadequados à meto-
A. Metodologia para a Light ENERGIA e SESA
dologia, a lista resultante com 60 produtos para cada empre-
Tentando estabelecer os parâmetros mais próximos possí-
sa, foi enviada ao setor de operação e manutenção da Light
veis àqueles descritos nos protocolos para projetos de Pe-
Energia e Light SESA. Os colaboradores reduziram a lista para
gada de Carbono [2]-[4], foram convidados colaboradores
40 produtos considerados fundamentais para a operação. A
das áreas de meio ambiente e sustentabilidade, da área
lista final foi reavaliada pela FBDS e, sem alterações, foi apre-
operacional, da área de regulação e da área de compras da
sentada para a equipe de sustentabilidade da empresa, que –
Light.
em um pequeno workshop explicando as etapas percorridas
Nesse encontro foram definidas as principais normas para a
– referendou o resultado. Vale ressaltar que, além dos produ-
estruturação do trabalho. O projeto foi definido com o ob-
tos, todas as embalagens também foram consideradas.
jetivo de analisar a geração de eletricidade em usinas hi-
A etapa seguinte consistiu em elaborar o Mapa de Processo
droelétricas e a distribuição de energia elétrica. Em ambas
de cada um desses materiais baseados na literatura e nas fi-
as análises, a pegada de carbono seria calculada utilizan-
chas técnicas de seus fabricantes. Com base nessas informa-
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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n o 06 - nOv 2014
arTiGOS ciEnTíficOS
ções, foi identificado um banco de dados internacional sobre
Reciclagem de Metais no País – Projeto ESTAL” [15]. Além dis-
análise de ciclo de vida de grande aceitação no meio aca-
so, foi necessário consultar o banco de dados Aliceweb [16]
dêmico e corporativo para realizarmos os cálculos das emis-
disponibilizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indús-
sões. A empresa Ecoinvent, com base na Suíça, é especializa-
tria e Comércio Exterior (MDIC) e a ferramenta SEA DISTAN-
da na construção de banco de dados sobre o tema e tem sido
CES – VOYAGE CALCULATOR [17] para estimarmos o impacto
citada em inúmeros estudos realizados pelas consultorias es-
da importação de materiais ao longo da cadeia de suprimen-
pecializadas. No momento de elaboração do projeto, a ver-
tos da Light.
são mais atual desse banco de dados era o Ecoinvent v2.2[5].
Vale mencionar que as emissões de gases de efeito estufa
Esse banco de dados é alimentado por uma série de artigos
oriundas de reservatórios das hidroelétricas não foram com-
científicos publicados em periódicos internacionais.
putadas nesse projeto, visto que ainda não existe uma meto-
Contudo, para alcançar maior fidelidade para o caso da
dologia amplamente aceita para essa finalidade.
Light, os pesquisadores não podiam transferir diretamente
os dados da Ecoinvent para o banco de dados da ferramen-
C. Desenvolvimento do software de Pegada de Carbono
ta de Pegada de Carbono. Isto porque – salvo algumas pou-
Com a conclusão do banco de dados nacionalizado sobre a
cas exceções, como o etanol e o biodiesel – a maior parte do
análise de ciclo de vida dos produtos, a etapa seguinte do
banco de dados foi criado para a realidade europeia ou glo-
projeto foi desenvolver um software para uso simplificado
bal. Dessa forma, o próximo passo do projeto foi a “naciona-
e intuitivo das empresas, para que o cálculo da Pegada de
lização” das informações do banco de dados internacional,
Carbono fosse introduzido sem dificuldades no dia a dia das
tornando-as mais adequadas à realidade do Brasil.
companhias. O Visual Basic for Aplications foi a linguagem
escolhida para a elaboração desse programa de computador.
B. Nacionalização do banco de dados
O trabalho de nacionalização dos dados foi efetuado por in-
III. PEGADA DE CARBONO DA LIGHT ENERGIA E LIGHT SESA
termédio de ampla pesquisa nas informações disponibilizadas em publicações e banco de dados de diferentes ministé-
Com o uso do software pudemos calcular os resultados do
rios do governo federal, de dissertações de mestrado e teses
uso da metodologia de Pegada de Carbono desenvolvida
de doutorado de programas de pós-graduação das melhores
no projeto descrito acima, utilizando dados de operação da
universidades brasileiras e por pesquisas realizadas por cien-
Light Energia e Light SESA para o ano de 2012. Esses dados
tistas nacionais de grande reputação.
foram retirados diretamente do sistema de gestão da empre-
Foi necessária a adaptação de dados sobre produção, im-
sa. As informações dizem respeito: ao uso anual dos produ-
portação e consumo aparente de produtos como petróleo
tos separados na primeira etapa do projeto e seu transporte
e seus derivados, plásticos, aço, cobre, alumínio, zinco, uma
dos fornecedores diretos até as empresas; ao uso energético
série de produtos químicos, carvão mineral e transporte ma-
direto e indireto pelas operações da empresa (fontes móveis
rítimo. Para cumprir tal tarefa, foram utilizados, principal-
e estacionárias); à geração de resíduo; e às perdas em trans-
mente, dados oriundos dos estudos CO2 Emissions from Fuel
missão/distribuição. Também foi necessário saber a quanti-
Combustion de 2010 [6], Anuário Estatístico Brasileiro de Pe-
dade de energia total gerada e distribuída pelas empresas.
tróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 2011[7], “Potencial de
Dessa forma, foi possível calcular a Pegada de Carbono da
Redução de Emissão de Gases de Efeito Estufa pelo Uso de
Light Energia – para o ano de 2012 – em 13,581 kg CO2eq /
Energia no Setor Industrial Brasileiro” [8], Balanço Energéti-
MWh gerado em suas usinas hidroelétricas. Desse total, 99%
co Nacional (BEN) [9], Anuário da Indústria Química Brasilei-
foram emitidos pela decomposição de macrófitas em aterros
ra [10], “Oportunidades de Eficiência Energética para a Indús-
sanitários. Como consequência disso, 99% do impacto climá-
tria: Setor Químico” [11], “O Setor de Soda-Cloro no Brasil e
tico da geração elétrica da empresa foi feito através do gás
no Mundo” [12], “Anuário Estatístico 2011: Setor Metalúrgico”
metano – exatamente fruto da degradação anaeróbia dessa
[13], “Sumário Mineral 2011: Carvão Mineral” [14], “Estudo de
biomassa nos aterros.
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REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
arTiGOS ciEnTíficOS
Comparado com as informações do Sistema Interligado
das emissões provocadas pela geração de energia elétrica do
Nacional (SIN), disponibilizadas pelo Ministério de Ciência,
SIN, cujo gerenciamento é uma variável exógena para a com-
Tecnologia e Inovação (MCTI), podemos ver que em 2012, a
panhia. Dessa maneira, para reduzir sua Pegada de Carbono
Light Energia teve uma emissão cerca de 80% menor do que
nessa categoria, as empresas do setor podem investir na ge-
a média do SIN – 65,3 kg CO2eq / MWh. As outras fontes de
ração distribuída com fontes renováveis (notadamente solar
emissão significativas da Light Energia foram o diesel B5 e a
fotovoltaica) para reduzir sua dependência do SIN.
gasolina C utilizada nas operações.
Por fim, de posse dos dados sobre a Pegada de Carbono da
Do ponto de vista de mitigação da Pegada de Carbono da
energia elétrica distribuída, as empresas do setor podem pro-
empresa, é essencial que o problema da decomposição das
mover programas de informação para seus consumidores, in-
macrófitas seja resolvido. A compostagem desse material or-
dicando o impacto pessoal de cada consumo. Essa medida
gânico ou seu uso energético em outras atividades pode ser
pode contribuir para a aceitação de programas de eficiência
um caminho para reduzir a Pegada de Carbono em um pra-
energética, pois insere os consumidores na responsabilidade
zo curto.
dos impactos ambientais do consumo elétrico por intermé-
A Pegada de Carbono da Light SESA – para o ano de 2012 –
dio da informação.
foi calculada em 61,76 kg CO2eq / MWh por energia elétrica
distribuída. Desse total, 98% têm origem nos processos de
IV. AGRADECIMENTOS
geração de energia elétrica distribuída pela Light SESA, seja
do SIN ou da Light Energia. Como consequência disso, 99%
Os autores agradecem as contribuições de toda a equipe da
do impacto climático da geração elétrica da empresa foram
Light Energia e Light SESA que dedicaram algum esforço pa-
feitos por meio do gás CO2 – por conta das emissões associa-
ra a conclusão desse trabalho.
das ao SIN. Nenhuma matéria-prima ou resíduo foi responsável por emissões significativas, dado o tamanho do impacto
V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
das emissões da energia elétrica comprada no ciclo de vida
da distribuição.
[1] BSI, “PAS 2050 research report”, Londres, Inglaterra. 2011.
Com o intuito de isolar o impacto da geração da energia do
[2] BSI, “PAS 2050:2011. Specification for the assessment of the
SIN distribuída na Pegada de Carbono, revolveu-se rodar no-
life cycle greenhouse gas emissions of goods and services”,
vamente o programa, agora sem contabilizar as emissões
Londres, Inglaterra, Relatório Técnico. ICS: 13.020.40. 2011.
com essa origem. Para isso, considerou-se o fator de emissão
[3] WRI/WBCSD, “Product Life Cycle Accounting and Reporting
da geração do SIN nulo. O resultado dessa segunda análise
Standard” GHG Protocol. Relatório Técnico. 2011.
apontou que as emissões ligadas à geração da energia distri-
[4] ISO, Environmental management – Life cycle assessment –
buída (agora exclusivamente feita pela Light Energia), conti-
Requirements and guidelines, ISO 14044:2006, ICS: 13.020.10.
nua sendo a principal causa da Pegada de Carbono da Light
2010.
SESA. Entretanto, podemos ver que o uso de combustíveis
[5] Ecoinvent, Banco de dados sobre análise de ciclo de vida,
fósseis na operação da empresa (11%), a gestão de resíduos
Versão 2.2. 2010.
(10%), a extração de matérias-primas para os produtos utili-
[6] AIE, “CO2 Emissions from Fuel Combustion 2010”. OECD
zados (11%) e a energia utilizada para a fabricação dos pro-
Publishing. 2010.
dutos (8%) são fatores importantes para Pegada de Carbono
[7] ANP. MME, “Anuário Estatístico Brasileiro de Petróleo, Gás
que a empresa pode melhorar em sua gestão.
Natural e Biocombustíveis 2011”, 2011.
Do ponto de vista de mitigação da Pegada de Carbono, há
[8] M. F. Henriques Jr., “Potencial de Redução de Emissão de
pouca margem de manobra para que empresas de distribui-
Gases de Efeito Estufa pelo Uso de Energia no Setor Indus-
ção de energia reduzam suas emissões no ciclo de vida das
trial Brasileiro”. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Gradu-
operações. Como visto no resultado desse trabalho, quase a
ação em Planejamento Energético, COPPE, Universidade Fe-
totalidade da Pegada de Carbono da Light SESA é oriunda
deral do Rio de Janeiro. Maio 2010.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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n o 06 - nOv 2014
arTiGOS ciEnTíficOS
[9] EPE (Brasil). MME. “Balanço Energético Nacional 2011: Ano
2011.
base 2010”, 2011.
[14] DNPM. Sumário Mineral 2011. 2011.
[10] ABQUIM. Anuário da Indústria Química Brasileira. Edição
[15] J. MENDO CONSULTORIA e SGM (MME), “Reciclagem de
2011. 2012.
Metais no País”. Relatório Técnico 83. Projeto ESTAL. Agosto
[11] CNI. “Oportunidades de Eficiência Energética para a In-
de 2009.
dústria. Relatório Setorial: Setor Químico”, 2010.
[16] ALICE (MDIC), “Base de Dados sobre Comércio Exterior
[12] E. Fernandes, A. M. Silva, A. M. Gloria e B. A. Guimarães.
Brasileiro”, 2011-2013
“O Setor de Soda-Cloro no Brasil e no Mundo”. BNDES Seto-
[17] SEA DISTANCES – VOYAGE CALCULATOR <http://sea-dis-
rial. Número 29. Março 2009.
tances.com/>. Visitado entre os anos de 2011 e 2013.
[13] SGM. MME. Anuário Estatístico: Setor Metalúrgico 2011.
infOrMaçõES SObrE O PrOJETO DE P&D: ELabOraçÃO DE METODOLOGiaS DE PEGaDa DE carbOnO DE SiSTEMaS DE GEraçÃO E DiSTribuiçÃO DE EnErGia ELéTrica, 0382-0069/2011; LiGhT SESa E LiGhT EnErGia; fbDS;
2011; r$ 466.469,99. 1 funDaçÃO braSiLEira Para O DESEnvOLviMEnTO SuSTEnTávEL ([email protected]; [email protected], [email protected], [email protected], [email protected].
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N o 06 - NOV 2014
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