FOTO: JOÃO MARCELO KETZER
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Faculdade de
Arquitetura ajuda
a revitalizar o
bairro Floresta
Mil Mestres
e Doutores
para 2000
faz 25 anos
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Universidade
Nº 172 • Novembro/Dezembro 2014
Bolhas de
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Capa
REITOR
Joaquim Clotet
VICE-REITOR
Evilázio Teixeira
PRÓ-REITORA ACADÊMICA
Mágda Rodrigues da Cunha
PRÓ-REITOR DE PESQUISA,
INOVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
Jorge Luis Nicolas Audy
PRÓ-REITOR DE EXTENSÃO
E ASSUNTOS COMUNITÁRIOS
Sérgio Luiz Lessa de Gusmão
5
Pelo Campus
A cultura do sorriso
O filósofo Pascal Bruckner
reflete sobre a felicidade na
sociedade contemporânea
6
Nasce o Instituto do Petróleo
O Centro de Excelência em Pesquisa e
Inovação em Petróleo, Recursos Minerais
e Armazenamento de Carbono (Cepac),
referência no País e no Exterior, agora ganha
um prédio ampliado no Tecnopuc. Em 26 de
novembro fará parte do novo Instituto do
Petróleo e dos Recursos Naturais (IPR).
In English
conteúdo
em inglês
PRÓ-REITOR DE
ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS
Ricardo Melo Bastos
COORDENADORA DA ASSESSORIA
DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
Ana Maria Walker Roig
EDITORA EXECUTIVA
Magda Achutti
REPÓRTERES
Ana Paula Acauan
Vanessa Mello
FOTÓGRAFOS
Bruno Todeschini
Gilson Oliveira
REVISÃO
Antônio Dalpicol
Camila Dilélio
TRADUÇÃO PARA O INGLÊS
Tiago Cattani
ARQUIVO FOTOGRÁFICO
FOTO: GILSON OLIVEIRA
COLABOROU NESTA EDIÇÃO
FOTO: BRUNO TODESCHINI
ESTAGIÁRIA
Juliana Marzanasco
Analice Longaray
Camila Paes Keppler
20
CIRCULAÇÃO
Danielle Borges Diogo
PUBLICAÇÃO ON-LINE
Mariana Vicili
Rodrigo Marassá Ojeda
Vanessa Mello
Gestão
CONSELHO EDITORIAL
IMPRESSÃO
Epecê-Gráfica
Muito além dos mil
mestres e doutores
Programa de
capacitação docente
completa 25 anos e foi
uma das bases para a
transformação da PUCRS
FOTO: GILSON OLIVEIRA
Draiton Gonzaga de Souza
Jorge Luis Nicolas Audy
Mágda Rodrigues da Cunha
Maria Eunice Moreira
Rosemary Shinkai
Sandra Einloft
PROJETO GRÁFICO
PenseDesign
Fique ligado!
Editada pela Assessoria
de Comunicação Social da
Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul
Nas reportagens desta
edição, quando você
encontrar o quadro
abaixo, há conteúdo
extra on-line. Confira
mais material digital em
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Tiragem: 42 mil exemplares
A PUCRS é uma Instituição
filiada à ABRUC
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mais eficiente
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REVISTA PUCRS ON-LINE
Revista PUCRS – Nº 172
Ano XXXVII – Nov/Dez 2014
Pesquisador da Universidade de Nova
York Ricardo Otazo realiza estudo em
parceria com o Instituto do Cérebro
(Inscer/RS) para nova técnica de
ressonância magnética. O exame será
mais rápido, com imagens de qualidade
superior e sem prejuízo pelo movimento
da respiração. O projeto também deve
resultar em redução de custos e de
tempo de espera, com mais pacientes
atendidos em um dia.
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Espaço do Leitor444
Pesquisa4412
FOTO: GILSON OLIVEIRA
22
Maconha prejudica tratamento
de dependentes de crack
Em busca de
uma nova
cidade
Faculdade de
Arquitetura
participa de
projeto de
revitalização do
bairro Floresta
Panorama4415
In English
conteúdo
em inglês
Pesquisa4414
Como você acompanha
os conteúdos em aula
Painel
Personalidades Doutor Honoris Causa
Novidades Acadêmicas4416
Vestibular oferece Engenharia de Software
Ambiente4418
FOTO: ARQUIVO PESSOAL
FOTO: GILSON OLIVEIRA
Imersos no empreendedorismo
36
Ciência4425
Relação com
a natureza
Professores
dedicam
tempo livre a
jardins, hortas
e pomares
Pererecas-de-vidro
Chocolate com pimenta
Gente
FOTO: BRUNO TODESCHINI
30
Entrevista
A comunicação
do futuro
Federico Casalegno,
do MIT, fala sobre
novas tecnologias,
redes sociais,
relações humanas,
privacidade e os
dispositivos móveis
Ciência4426
Comportamento4427
De aluno a profissional. E agora?
Bastidores4428
Vestindo a camisa da internacionalização
Alunos PUCRS4432
Viva esse Mundo4438
Uma jornada pela formação
de leitores
In English
conteúdo
em inglês
Lançamentos da Edipucrs4440
44
Cultura4441
A herança Kultural de Vera Karam
Social
Ciências Criminais
Da neurociência
à lei anticorrupção
Cultura para ler, ver e ouvir4442
Ambiente
Diplomados4443
Ilustradora de sucesso
FOTO: ERIK LAVDAL/FREE IMAGES
Novo
testamento
revisitado
Simpósio Bíblico, realizado
na PUCRS, mostrou as
consequências da aplicação de
novas tecnologias, descobertas
e abordagens para a inovação
do estudo do Novo Testamento.
Apresentou o ponto a que
chegaram as mais recentes
discussões e pesquisas.
Perfil4448
O poder da sala de aula –
Maria Eunice Moreira
Eu estudei na PUCRS4449
Vitalidade e autonomia – José Johann
Carreira4450
Competências alinhadas
Opinião4451
Leia mais em:
33
3
Radar4446
EVISTA
WWW.PUCRS.BR/R
Universidades e sociedade
do conhecimento por Joaquim Clotet
COM O LEITOR
ano
Um grande
E
ste foi um grande ano para a revista
PUCRS. Além de vivenciar uma fase
de maturidade – 36 anos de circulação ininterrupta –, a publicação desfrutou de
grandes momentos ao se concentrar em sua
verdadeira vocação: a notícia e a produção
do tipo de reportagem pelo qual os leitores
anseiam. O que realmente desperta o interesse do público são matérias atraentes, dotadas de bons recursos, de boas fontes e de
boas percepções. No nosso caso, o desafio é
usar todos esses elementos para traduzir as
grandes dimensões do mundo PUCRS. E isso
não depende de qualquer “magia” digital,
principalmente a que pode alterar a matemática do bom jornalismo. Nossa essência
continua intacta e ganha força quando lançamos mão das ferramentas que iluminam
a web: informar com qualidade, dentro de
uma atmosfera de confiança, credibilidade e
legitimidade que caracteriza a revista da Universidade. Os exemplos deste generoso 2014
são muitos e se somam aos que estão nesta
edição. Produzimos dezenas de entrevistas
com grandes personalidades, como o psiquiatra suíço Armin Von Gunten, o físico britânico Geoffrey West, o historiador e doutor
em Educação José Romão e o filósofo francês
Pascal Bruckner. Também houve a divulgação
de novidades de ponta como Gluca, a primeira
cabra clonada e transgênica da América Latina, e o Aeromóvel que cruzará o Campus em
1,2 minuto. Além, é claro, das reportagens
de fôlego, a começar pela capa da edição de
março, Ficção real, na qual a repórter Vanessa
Mello mergulhou no incrível mundo dos pesquisadores da Faculdade de Engenharia que
criam máquinas semelhantes às dos filmes de
ficção científica, como a mão biônica e robôs.
E a descrição minuciosa feita pela jornalista
Ana Paula Acauan na capa de setembro, Revolução invisível, ao descrever o que acontece
nos bastidores do Centro Multidisciplinar de
Nanociência e Micronanotecnologia, o impulsionador dos estudos nessa área. Que os bons
ventos de 2015 continuem a nos oportunizar
farto e precioso material para sempre levarmos até você todo o melhor da PUCRS. Boas
festas e um grande abraço!
Magda Achutti
Editora Executiva
Envio os meus parabéns
pela qualidade e escolha
de matérias da revista
PUCRS nº 171. A leitura
é agradável, inspiradora
e realmente informativa.
Li também as edições
anteriores (igualmente
muito boas) que obtenho
aqui no térreo do prédio
do Tecnopuc, onde
temos a filial da Leão
Propriedade Intelectual.
Faço votos de que a
revista siga com este alto
padrão de qualidade. Um
forte e fraterno abraço,
Milton Lucídio
Leão Barcellos
Porto Alegre/RS
Sou professor de
português na Colômbia
e realizo provas de
competência leitora e
auditiva em português.
Gostei muito do conteúdo
da revista PUCRS e desejo
usá-la como material
para a realização destas
provas. Cumprimento à
Universidade pelo nível
de excelência da
publicação.
Palmer Jelenski
Bogotá/Colômbia
Fale com
a Redação
•Av. Ipiranga, 6681 – Prédio 1
2º andar – Sala 202.02 – CEP
90619-900 – Porto Alegre/RS
•E-mail: [email protected]
•Fone: (51) 3320-3503
•www.facebook.com/pucrs
•www.twitter.com/pucrs
Tenho tido a oportunidade de
ler a revista PUCRS quando
consulto no Centro Clínico. Sou
grande admirador da publicação,
na qual sempre encontro artigos
de interesse e pesquisas úteis
para a sociedade. Parabenizo a
equipe pelo excelente trabalho
e gostaria de saber se é possível
assinar a revista.
Nelcy Barcellos
Porto Alegre/RS
NR: Se você deseja receber a
revista PUCRS em casa, entre
em contato com a Redação pelo
e-mail [email protected], ou
ligue o fone (51) 3320-3503.
Todo o conteúdo da revista
também está disponível no site
www.pucrs.br/revista.
Gostaria de receber
a versão impressa da
revista PUCRS em casa.
Sou aluna do curso de
Neuropsicopedagogia e
encontrei um material
riquíssimo para as minhas
pesquisas nas suas
edições.
O jornal da Rede Metrológica
do RS gostaria de comunicar
que reproduziu a matéria
Conhecimento sob medida
publicada na revista PUCRS
nº 171, que cita o trabalho
realizado pelo professor da
Faculdade de Engenharia, Felipe
Albano, um dos coordenadores
da associação.
Luciana Barros
Porto Alegre/RS
Aline Alves
Porto Alegre/RS
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no sequestro de carbono, expandiu sua atuação,
tornou-se referência no País e no exterior e, agora,
ganha uma ampliação, com área quatro vezes maior,
de dois para sete andares, no Parque Científico e
Tecnológico (Tecnopuc). Antes ligado ao Instituto do
Meio Ambiente (IMA), o Cepac fará parte, a partir
de 26 de novembro, do novo Instituto do Petróleo
e dos Recursos Naturais (IPR).
De 2007 a 2014, o Cepac captou mais de R$ 60
milhões da Petrobras, seu maior parceiro, e tem outros três projetos em negociação, envolvendo R$ 20
milhões. A criação do IPR visa potencializar pesquisas e prestação de serviços especializados de alta
complexidade na área de petróleo e gás e garantir
que o País possa desenvolver tecnologias de ponta.
“Muitas das análises precisam ser encaminhadas pela
indústria do petróleo para fora do Brasil. Queremos
avançar na detecção de conhecimento e realizar experimentos cada vez mais sofisticados”, aponta o diretor do IPR, o geólogo João Marcelo Ketzer. Segundo
ele, com o peso e o porte do Instituto, será possível
ampliar os horizontes. Pondera que, mesmo sem estar mais vinculado ao IMA, o IPR manterá o cuidado
com o meio ambiente, porém com nova ênfase em
pesquisas relativas à exploração de recursos naturais.
Um dos focos do IPR e do Cepac é o estudo de
hidratos de gás, a fonte de energia do futuro. A equipe realizou quatro missões marítimas ao Cone de Rio
Grande, no Sul do Estado, dentro do projeto Conegas
1. Em forma de gelo, as substâncias são consideradas
reservas não convencionais de gás, encontradas no
fundo do mar, a grandes profundidades. Parecidas
com pedras de gelo, têm sua estrutura estabilizada
por moléculas de gás natural (metano, butano, propano e dióxido de carbono). A quantidade existente
no planeta pode ser maior que a de todos os recursos de origem fóssil (carvão, petróleo e gás natural)
juntos. Outras duas expedições estão programadas:
no início de 2015 e no segundo semestre de 2016.
Os hidratos de gás têm grande potencial, mas
também deve ser buscada uma forma de impedir
446
RS ganha
uto do Petróleo
que se depositem em gasodutos no fundo do mar,
pois eles bloqueiam a passagem do gás. “Estudaremos as precipitações em laboratório e mecanismos
para recobrimento de dutos que possam ajudar no
escoamento do petróleo”, afirma Ketzer.
O IPR possui uma planta-piloto para síntese de
hidratos de gás inédita no mundo. O equipamento,
projetado em conjunto com técnicos da Espanha e
voltado a estudos do Centro, reproduz as condições
do oceano a 2 mil metros de profundidade e verifica
como as substâncias se formam, sejam por processos naturais ou em tubulações submarinas.
Para a nova fase, com a criação do IPR, estão previstos equipamentos voltados a estudos isotópicos
avançados, capazes de desvendar a origem de rochas reservatórios, petróleo e gases nelas contidos.
“Como a exploração de um poço é muito cara, precisamos de ferramentas para conseguir antecipar o
que se pode encontrar”, explica o diretor. No caso do
pré-sal, os desafios são ainda maiores, pois não há
uma situação geológica conhecida igual no mundo
e, portanto, faltam exemplos que possam servir de
base para sua exploração. Trata-se de rochas de mais
de 100 milhões de anos atrás, de antes da abertura
do Oceano Atlântico. No Brasil, esses campos petrolíferos ocupam cerca de 800 quilômetros do litoral.
“A Bacia de Santos, por exemplo, tem um histórico
de 30 anos de estudos. Já se pode prever onde estão
os melhores reservatórios.”
O boom da demanda por estudos sobre o pré-sal está recém-começando e a PUCRS se prepara
para esse contexto. “Queremos nos posicionar
como Instituição para responder a essa necessidade e ir além, fazer pesquisas inovadoras”,
aponta Ketzer.
Dando seguimento ao projeto de armazenamento de CO2, o Cepac simulará no Tecnopuc Viamão as
técnicas de identificação de vazamentos na superfície desse gás. Existem apenas quatro projetos como
esse no mundo. Serão introduzidos no solo gases de
composição conhecida. Os experimentos começarão
em março. O Centro conta com a cooperação dos
EUA e da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
A iniciativa começou na Fazenda da Ressacada, em
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FOTOS: GILSON OLIVEIRA
Na Bacia de
Pelotas: a PUCRS
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nível do Japão para
missões de estudos
de hidratos de gás
Missões no mar:
mudança de paradigma
2011: a 300 quilômetros
da costa, o navio levava
mais de 10 mil itens
Foi mais de um ano de preparação para
a primeira missão oceanográfica, em 2011,
e o maior desafio para o então coordenador do Cepac, João Marcelo Ketzer. “Levar
30 alunos para o mar foi uma quebra de paradigma.” A equipe se dividiu em sete frentes de trabalho. Quinze setores/Faculdades
da PUCRS se envolveram no processo. Em
2009 e 2010, Ketzer e Gesiane Sbrissa par-
ticiparam de duas missões no Japão. Sete
integrantes do Centro foram treinados em
laboratórios no país oriental e um nos EUA.
Ao todo, foram quatro expedições na
Bacia de Pelotas, num total de 85 dias.
“Na primeira, pelo menos a metade nunca
tinha pisado num navio”, conta Ketzer. A
inaugural teve 12 pessoas; a segunda, 30;
a terceira, oito; e quarta, 32. “Hoje estamos
no mesmo nível do Japão para missões de
estudos de hidratos de gás.”
A 300 quilômetros da costa, nada podia faltar, de computadores a luvas. O navio
levava mais de 10 mil itens, separados, em
caixas, por etiquetas com cor relativa a cada
laboratório. Foram montadas cinco estruturas para análises das amostras, sedimentos
e micro-organismos a bordo.
“Não há alguém mais
apaixonada pelo que faz”
Pela janela da sua sala, no 9º andar
da Biblioteca Central – onde o Cepac
ficou provisoriamente –, a química Lia
Bressan, 31 anos, observava o andamento das obras do edifício que abriga o IPR.
“Fiz fotos do prédio todos os dias.” Há
sete anos, quando o Centro estava sendo
gestado, ainda no prédio 5, Lia começou o
mestrado em Engenharia e Tecnologia de
Materiais, orientada pelo professor João
Marcelo Ketzer. Na época, ele lhe alcançou
um texto sobre sequestro de carbono. “Os
artigos, antes raros, hoje são milhares.”
Fazer parte desse avanço mundial ilumina seus olhos. “Minha família diz que não
há alguém mais apaixonada pelo que faz.”
Recém-concluiu o doutorado e, em 2012,
ingressou como profissional no Centro. Foi
desafiador aprender a trabalhar nos equipamentos e agora se dá conta do quanto
a equipe cresceu. “Estamos prontos para
pensar em coisas mais complexas.”
Atua no projeto de armazenamento de
CO2, mas acaba envolvendo-se em outros.
Participou de duas missões do Conegas 1 e
vibrou com a experiência e a oportunidade
de conviver com os colegas. A comida apimentada e as dificuldades de contato com a
família estão na lembrança, mas muito mais
o trabalho dentro do navio. “Os japoneses
que nos acompanharam ficaram surpresos
com a nossa preparação. Não faltou nada.”
Lia esteve em
duas missões
marítimas do
Conegas 1 e
vibrou com a
experiência
Linha do tempo
2007
2009
• Nasce o Cepac, ainda com o nome Centro de Excelência
em Pesquisa sobre Armazenamento de Carbono para a
Indústria do Petróleo, com 20 pesquisadores, alunos e
técnicos. Na foto, a cerimônia de inauguração.
FOTOS: ARQUIVO PUCRS
2008
IMAGEM: MONTAGEM SOBRE REPRODUÇÃO
• O Centro se muda para
o prédio no Tecnopuc.
• Começam estudos sobre uso
limpo de carvão mineral e de
reservatórios de petróleo e
aquíferos salinos para sequestro de
carbono, integridade de cimento
e aço em poços de petróleo e
associação de fontes emissoras de
CO2 e reservatórios geológicos.
• Projeto com o Programa de
Pós-Graduação em Ciência da
Computação, em parceria com a
Petrobras, por meio do Programa
de Fronteiras Exploratórias (Profex),
mapeia o Oceano Atlântico Sul (a
partir da linha do Equador) para
exploração de petróleo, contendo
informações dos últimos 140
milhões de anos sobre o local,
como clima, correntes marítimas,
localização no tempo e no espaço e
produtividade orgânica.
Porto Alegre
• Projeto financiado pela
Petrobras e pela Agência
Nacional do Petróleo torna o
Cepac o mais bem equipado
do gênero no Brasil, com a
aquisição de aparelhos de
última geração num valor
total de R$ 9,5 milhões,
custeados pela Petrobras.
Rio Grande
Cone de
Rio Grande
2010
• Começa o Projeto Conegas,
vinculado ao Profex da Petrobras,
envolvendo pesquisas sobre
hidratos de gás no Cone de Rio
Grande (faixa oceânica dentro da
Bacia de Pelotas, distante cerca de
100 km da costa do Rio Grande do
Sul).
FOTO: BRUNO TODESCHINI
2011
• Projeto Carbometano Brasil,
financiado pela Petrobras, avalia
a quantidade e a qualidade de
gás natural liberado nas camadas
de carvão em poços perfurados
em Triunfo e a capacidade desses
poços de armazenarem CO2
injetado.
• Primeira expedição oceanográfica
da equipe do Cepac, no navio
Marechal Rondon, dentro do
Conegas. Percorreu do Porto de Rio
Grande ao Cone de Rio Grande. Ao
todo, foram quatro missões, até
2013.
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com recursos financiados pela Petrobras. Reproduz um
reservatório de petróleo em laboratório (condições
extremas de 5 mil metros de profundidade, 150°C e
salinidade muitas vezes superior à do mar).
utorado: 135
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matriz energética dos EUA. Outro objetivo é reduzir os danos ao meio
ambiente, evitando, durante a perfuração, atingir o sistema aquífero.
2013
2014
• O IPR é inaugurado e o Cepac ampliado, com capacidade para abrigar
130 pessoas. No momento, o Centro tem 50 profissionais
e bolsistas, projetando que, daqui a dois anos, chegue a 80.
TODESCHINI
FOTOS: BRUNO
IN ENGLISH
PUCRS opens Institute of Petroleum
The Center of Excellence in Research and Innovation
in Petroleum, Mineral Resources and Carbon Storage
(Cepac) first began with a focus on carbon sequestration,
extended its activities, became a benchmark in Brazil and
abroad, and now opens an area four times larger, in the
Science and Technology Park. First associated with the
Institute of the Environment, from November 26 on Cepac
will be part of the Institute of Petroleum and Natural
Resources (IPR).
From 2007 to 2014, Cepac attracted more than BRL 60
million from Petrobras, its greatest partner, and currently
has other three projects in progress, involving BRL 20
Conteúdo em inglês
million. The creation of IPR aims at enhancing research and
high-complexity specialized service rendering. “Several
analyses need to be sent outside the country by the
petroleum industry,” IPR Director, João Marcelo Ketzer, says.
One of the focal points of IPR and Cepac is the study of
gas hydrates, the energy source for the future. The team has
carried out four missions to the Cone of Rio Grande. As ice,
the substances are considered unconventional gas reserves,
found on the seabed at great depths. It is estimated that
the quantity of gas hydrates in the planet can be greater
than that of all other fossil resources together. Two other
expeditions are scheduled.
A
OLIVEIR
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FOTO: G
ILSON
PESQUISA
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mpla pesquisa sobre a vulnerabilidade de mulheres dependentes de crack e sua exposição
ao trauma na infância rendeu publicações de
artigos e defesas de teses e dissertações de integrantes do Grupo de Pesquisa Neurociência Cognitiva do
Desenvolvimento, do Núcleo de Pesquisa em Trauma e
Estresse, dos Programas de Pós-Graduação em Psicologia e Pediatria. Dois anos depois de finalizado o estudo,
novas revelações vêm mostrar que a maconha prejudica o tratamento dessas mulheres. Das 93 investigadas,
as que começaram a usar Cannabis sativa antes dos 15
anos têm 3,97 vezes mais chance de sofrerem com sintomas de abstinência durante a desintoxicação de crack
do que as demais. Para aquelas que, nos últimos cinco
anos, fumavam maconha regularmente (três vezes por
semana, pelo menos), a chance de piorar aumentava
para 2,84 vezes.
Os pesquisadores, liderados pelo psiquiatra Rodrigo Grassi de Oliveira, procuraram saber se as mulheres
precisaram voltar à Unidade Psiquiátrica São Rafael, do
Sistema de Saúde Mãe de Deus, em Porto Alegre, dois
anos e meio depois de completado o estudo. Oitenta
por cento de todas as entrevistadas (146 no estudo
geral) fizeram novamente o tratamento no local, que
dura, no máximo, 21 dias (coberto pelo Sistema Único
de Saúde). A média de reinternações foi maior entre
as usuárias com histórico de abuso de maconha (5,29
vezes) em relação àquelas sem essa trajetória (4,41).
Para Grassi de Oliveira, esses resultados evidenciam a necessidade de repensar o discurso defendido
por alguns profissionais de que uma droga seria um
substituto ao crack. “Na balança científica, ponderamos fatores que poderiam alterar os resultados, como
uso de álcool e tabaco e idade, testamos todas
as hipóteses e nos surpreendemos com o resultado.” O psiquiatra destaca que a dependência
não começa de uma hora para outra; vai se
consolidando ao longo da vida. “As áreas de
recompensa sofrem modificações com o uso
das drogas que facilitam a adição no futuro.
O cérebro fica pronto para a dependência.”
Virá para a PUCRS, somar-se aos estudos, o
professor Timothy Bredy, das Universidades
da Califórnia (EUA) e de Queensland (Austrália), pelo programa Pesquisador Visitante
Especial, do Ciência sem Fronteiras (CNPq).
Ele estuda em modelos animais como o
ambiente altera o DNA.
Os próximos passos do Núcleo são
buscar alvos de proteção à mulher usuária, incluindo a realização de um manual
de políticas e cuidado dirigido a profissionais da saúde. Os pesquisadores
pretendem ainda entender o ciclo de
vulnerabilidade. Noventa por cento
das mulheres do estudo relataram
histórico de algum tipo de abuso ou
negligência na infância. Grande parte delas têm filhos e há preocupação de que os maus-tratos possam
se repetir na relação com as novas
gerações. Na amostra, grande parcela de mulheres morava na rua
e todas haviam procurado trataAs áreas de
mento voluntariamente. A maiorecompensa sofrem
3
ria deseja largar o crack. 3
Curiosidade científica
Vasculhando o banco de dados, o psicólogo Thiago Viola, aluno do Programa de
Pós-Graduação em Pediatria e Saúde da Criança, e seus colegas, notaram que as entrevistadas, em geral, reduziam os sintomas de abstinência do crack durante a desintoxicação. Mas um bom número não obteve efeitos positivos no tratamento, às
vezes até piorando.
Em debates com Grassi de Oliveira e atento a artigos recentemente veiculados,
Viola deu-se conta de que o uso de maconha poderia ter implicações com esse resultado. Essa curiosidade científica rendeu uma conclusão inédita para a área de
pesquisa em crack e uma publicação na revista científica Drug and Alcohol Dependence, uma das mais importantes da área.
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modificações com o
uso das drogas que
facilitam a adição no
futuro. O cérebro
fica pronto para a
dependência.
Rodrigo Grassi
de Oliveira
4412
GRUPO DE mulheres que
usaram Cannabis sativa
antes dos 15 anos tem
3,97 vezes mais chance
de sofrerem sintomas de
abstinência que as demais
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dependentes de
44POR ANA PAULA ACAUAN
crack
IN ENGLISH
Conteúdo em inglês
Marijuana impairs
treatment of crack addicts
Extensive research on the vulnerability of
women addicted to crack and their exposure
to such trauma during childhood produced the
publication of papers and the presentation of theses
and dissertations by members of the Development
Cognitive Neuroscience Research Group, from the
Trauma and Stress Study and Research Nucleus,
which is part of the Graduate Programs in Psychology
and Pediatrics. Two years after the end of the study,
new discoveries show that marijuana impairs the
treatment of these women. Among the 93 women
surveyed, those who started using Cannabis sativa
before age 15 are 3.97 times more likely to suffer more
with withdrawal symptoms during crack detox than
others. For the women who, during the last five years,
smoked marijuana regularly (at least three times a week),
the chance of making it worse increased 2.84 times.
Eighty percent of all respondents (146 in the overall
study) were readmitted again at São Rafael Psychiatric
Unit, at Mãe de Deus Health System, in Porto Alegre, over
2.5 years. They returned 4.41 times, on average. Among
women with a history of marijuana abuse, that number
increased to 5.29.
According to the coordinator of the research, Rodrigo
Grassi-Oliveira, this study may further the reconsideration of
the idea defended by some professionals about replacing crack
with marijuana. The psychiatrist emphasizes that addiction
does not begin all of a sudden; it consolidates throughout life.
“The reward areas are altered by the use of drugs that facilitate
substance dependence in the future. The brain is left ready for
addiction.”
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Leo Wetzels (E) com
Joaquim Clotet: “A
PUCRS é o melhor
centro de fonologia
do Brasil”
PUCRS
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honraria a um
linguista e a um
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Personalidades
Doutores Honoris Causa
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FOTO: GILSON OLIVEIRA
Universidade outorga o título de
Doutor Honoris Causa a personalidades que se distinguem pelo saber
ou pela atuação em prol de diferentes áreas
do conhecimento ou do melhor entendimento entre os povos. É a distinção honorífica de maior reconhecimento acadêmico
da PUCRS, entregue a quem, reconhecidamente, reúne tantas virtudes. O ano de
2014 fica marcado pela homenagem a dois
grandes profissionais. Em setembro, foi o
linguista holandês Leo Wetzels. Em novembro, a outorga do título vai para o jurista
português José Joaquim Gomes Canotilho.
Leo Wetzels é professor da Universidade de Amsterdam (Holanda), diretor
do Laboratório de Pesquisa em Fonética e
Fonologia da Sorbonne-Nouvelle (Paris) e
editor-chefe do jornal Probus International.
A proposta da honraria partiu da Faculdade
de Letras, por sua relevante contribuição à
pesquisa e ao ensino superior no campo
da linguística, com destacados estudos
na área da Fonologia, do português brasileiro e da língua indígena brasileira. Ao
receber a homenagem das mãos do Reitor
Joaquim Clotet, em 25 de setembro, disse:
“A PUCRS é o melhor centro de fonologia
do Brasil. Para um linguista, não há honra
maior do que essa que a Instituição acaba
de me conceder.”
Professor de Direito Constitucional e
ex-vice reitor da Universidade de Coimbra
(Portugal), José Joaquim Gomes Canotilho
é considerado um dos nomes mais relevantes da atualidade na sua área e um dos
constitucionalistas estrangeiros de maior
influência no Brasil. Na seção de jurisprudência do site do Supremo Tribunal Federal
(STF), seu nome aparece como referência
citada em mais de 500 acórdãos e decisões.
Em Portugal, o catedrático foi distinguido com o Prêmio Pessoa, em 2003, e com
a Comenda da Ordem da Liberdade, em
2004. Na PUCRS, a Faculdade de Direito
é a mentora da honraria realizada no dia
27 de novembro. Canotilho é autor de um
grande número de obras, entre as quais se
destacam Constituição dirigente e vinculação do legislador; Direito constitucional e
teoria da constituição; e Proteção do ambiente e direito da propriedade (Crítica de
3
Jurisprudência Ambiental). 3
J. J. Canotilho é um
dos constitucionalistas
estrangeiros mais
influentes no Brasil
FOTO: DIVULGAÇÃO
Tecnopuc e Tuspark
O
Parque Científico e Tecnológico da
PUCRS (Tecnopuc) formalizou, em
outubro, acordo de internacionalização com o Tuspark, importante Parque
Tecnológico de Pequim (China). Além da
troca de conhecimento entre os dois ambientes de inovação, a proposta é apoiar
a entrada de empresas chinesas no Brasil
153
3
são parceiros
e vice-versa. O convênio foi assinado pelo
Pró-Reitor de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento, Jorge Audy, e pelo presidente
do Tuspark, Herbert Chen, durante a 31ª
Conferência da Associação Internacional de
Parques Tecnológicos em Doha, no Qatar.
O modelo de cooperação entre o
Tecnopuc e o Tuspark – que abriga mais
de 400 empresas – integra o Programa
de Softlanding do Tecnopuc, que atua facilitando o acesso de empresas parceiras
a países de interesse. Da mesma forma,
companhias estrangeiras têm apoio para
ingressar no mercado brasileiro, contando
com consultoria para facilitar a entrada
3
no País. 3
NOVIDADES ACADÊMICAS
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dezembro, das
16h às 20h
Informações:
www.pucrs.br/ve
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s.br
(51) 3320-355
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gestão, nas possibilidades de mercado
ou mesmo fascinados pelas inovações
tecnológicas, viam, de forma prática,
o desejo de criar ou aprimorar o seu
próprio negócio. Entre os dias 11 e 14
de setembro, o Centro de Eventos da
Fiergs, em Porto Alegre, recebeu mais
de 18 mil pessoas com um intuito em
comum: mergulhar a fundo no empreendedorismo. Entre os 9 mil metros
quadrados da Feira do Empreendedor do
Sebrae-RS, 80 foram concedidos à PUCRS,
a única universidade convidada a participar
do evento.
Estande Indústria
Em cada um dos balcões do estande IndúsSustentável:
tria Sustentável, passantes encontravam soluções
desenvolvimento
criativas para transformar meios de produção
econômico e
também em alternativas ecológicas. As proposmeio ambiente
tas apresentadas comprovaram que é possível
aliar desenvolvimento econômico e cuidado com o
meio ambiente.
“Ilustramos na Feira tudo o que a Universidade produz em
relação à sustentabilidade”, descreve Irisleyne do Nascimento,
aluna de Relações Públicas e estagiária do Laboratório de Eficiência Energética. “A ideia foi mostrar uma forma inovadora e factível
de empreender, com foco em resolver problemas socioambientais que existem na nossa comunidade”, sintetiza a professora
e coordenadora do Núcleo Empreendedor, Naira Libermann.
Entre os 41 participantes do estande da PUCRS, estavam
expositores como centros de energia e excelência em pesquisa,
laboratórios e projetos organizados e representados, especialmente, por estudantes da graduação. “Todos estavam muito bem
articulados, falavam com propriedade, conhecimento. Fiquei
impressionado com o sincronismo. Eles tinham autonomia para
explicar as propostas e ajudar os colegas quando necessário”,
ressalta o professor da Faculdade de Engenharia Odilon Duarte
sobre o desempenho dos alunos na orientação aos empresários
3
e outros interessados que procuravam soluções sustentáveis.3
Tecnologia universitária
cobiçada pelas empresas
“O que mais interessa às empresas hoje é a questão energética”, revela o professor Odilon Duarte, coordenador do Grupo Eficiência Energética da PUCRS.
“Preocupa, especialmente aos pequenos empresários,
saber como economizar. Por isso, eles veem nas chamadas energias renováveis, uma chance de se tornarem
mais competitivos”, explica. A redução nos gastos com
energia permite aos administradores utilizar as sobras
no orçamento em outras áreas, o que pode aumentar a
produção, por exemplo. Natureza e mercado são beneficiados. “Associa-se responsabilidade socioambiental à
lucratividade”, define.
20
4418
dedorismo
Alexandre Couzenn, do município
de Arroio do Padre, possui um negócio
de embutidos e se interessou pelas
propostas do Centro de Energia Eólica
apresentadas na Feira do Empreendedor. “Encontrei custo-benefício e visão
de futuro. Ao preservar o meio ambiente e utilizar recursos naturais de forma
correta, diminuo os custos e agrego
valor ao meu produto final”, observa
Couzzen. “Consegui boas informações
e agora quero aplicá-las”, completa.
Além do pequeno empresário do
interior do Estado, o estande da Universidade atraiu grande número de empreendedores em busca de inovação. “Para
restringir o consumo, muitos síndicos
profissionais, moradores de condomínios, cabelereiros e outros profissionais
nos procuraram em busca de soluções.
Estamos agora em processo de negociação”, observa Duarte.
Antonio Julio, por exemplo, é síndico profissional e cuida de vários conFOTO: GILSON OLIVEIRA
domínios em Porto Alegre. Pretende
uma parceria com a PUCRS para aplicar, nos complexos residenciais, o que
o Laboratório de Eficiência Enérgica
desenvolve no ambiente universitário.
“Aproveitamento de água da chuva,
horta comunitária, compostagem, uso
de lâmpadas LED, entre outros”, descreve o professor.
Beatriz Medeiros desenvolveu um
sistema de aquecimento simultâneo
de água a partir do uso de uma lareira
ecológica. Ela foi encaminhada ao Tecnopuc para ver quem poderá auxiliá-la nesta iniciativa sustentável. Os engenheiros Angelo Fontana e
Expositores
Saulo Maia também
da PUCRS
recorreram à expertiapresentaram
se da academia. Eles
soluções
ecológicas
pretendem abrir uma
empresa que trabalhe
com fontes renováveis
de energia.
Empresários
buscam aliar
responsabilidade
socioambiental à
lucratividade
Verde como o Campus
Telhado verde:
isolamento
acústico,
térmico e
diferencial
estético
Projeto do
Aeromóvel
atraiu a
atenção do
público
Com obras previstas para 2015, o Aeromóvel da PUCRS permitirá que o usuário cruze o
Campus e atravesse a Av. Ipiranga em apenas
1,2 minuto. O projeto do veículo seguro e não
poluente ganhou o público da Feira do Empreendedor pela praticidade. Mas as atividades
ecológicas e facilitadoras da Universidade expostas no evento nem de longe se restringem
ao futuro.
Graças ao programa Campus + Verde, que
há cinco anos promove a gestão consciente
dos recursos, a qualidade de vida da cidade
universitária aumentou. Além do enfoque
ambiental, a iniciativa, aprimorada em 2013,
aborda condições de trabalho, aspectos técnicos, educacionais e de comunicação. “A ideia é
integrar e auxiliar ações de cuidado e de respeito à natureza espalhadas pelo Campus.
Todos estão convidados a participar”, explica o coordenador, professor Odilon Duarte.
A importância da consciência ambiental despertou o desejo de se tornar
referência na área. O Projeto USE (Uso Sus-
tentável de Energia) realiza capacitações
para promover o consumo responsável de
energia. Dentre as funções, a iniciativa desenvolve estudos técnicos para redução de
custos e é responsável pela substituição dos
eletrodomésticos de baixo rendimento por
equipamentos modernos e eficientes. Sabia
que usar uma lâmpada incandescente gasta
cinco vezes mais do que uma fluorescente?
O Manual de Economia de Energia da PUCRS
explica isso.
Na Feira, o USE expôs o Projeto Telhado
Verde. No alto de alguns prédios da Universidade, plantas, arbustos e flores tomaram o
lugar do concreto, utilizando uma técnica de
arquitetura que consiste na aplicação e uso
de solo ou substrato e vegetação sobre uma
camada impermeável, instalada na cobertura.
As vantagens são facilitar a drenagem, fornecer
isolamento acústico e térmico, produzir um
diferencial estético e ambiental e compensar,
parcialmente, a área impermeável que foi
ocupa­da no térreo da edificação.
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Assista ao vídeo
para saber mais
sobre o projeto em
www.pucrs.br/revista
ou use o QR Code
Em busca de
nova cida
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abandono, uma transformação está acontecendo
no Bairro Floresta, em Porto Alegre. Um movimento toma conta e
inspira iniciativas em busca de uma
cidade baseada na construção coletiva.
O Vila Flores, um centro de diversidade,
cultura, educação e negócios criativos, passa por uma revitalização que está no foco dessa
mudança. É formado por uma quadra de 1,4 mil m²
com dois edifícios de três andares cada, um galpão
e um pátio interno que se transformou em um espaço público aberto. O grupo Geração Urbana, da
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), faz
parte do projeto, com as tarefas de pesquisar sobre
a região, integrar a Praça Florida e aproximar-se dos
moradores da Vila dos Papeleiros, próxima do local.
Voluntariamente, os alunos acompanham as
novidades, colaboram na promoção de eventos e
colocam a mão na massa. Uma minirreforma foi feita
na sala cedida à PUCRS. Nos demais espaços, há cobrança de aluguel (a preços reduzidos) para que cada
artista, produtor cultural ou arquiteto organize seu
espaço e ajude a criar workshops, cursos e iniciativas
voltados à comunidade. A ONG Mulher em Construção, por exemplo, realiza oficinas no 3º andar para
formar trabalhadoras na construção civil. Os exercícios dão forma ao espaço que será da Associação
Vila Flores, voltado à integração de todos os projetos.
De certa forma, foi a academia que mostrou o valor do patrimônio aos Wallig, proprietários das construções projetadas pelo arquiteto José Lutzenberger
(pai do ambientalista famoso), nas Ruas São Carlos
e Hoffmann. A pedagoga e mestre em Artes Visuais
Antonia Wallig, que atua na gestão cultural do Vila
Flores, conta que o professor Flávio Kiefer (hoje diretor do Instituto de Cultura da PUCRS), que participou
da restauração da Casa Lutzenberger, foi consultado
e não faltaram visitas do irmão João Felipe, arquiteto, à Biblioteca da Universidade para atestar o valor
cultural do prédio.
Alunos e
professores
acompanham
as novidades,
colaboram na
promoção de
eventos e colocam
a mão na massa
4420
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Antonia vê o espaço como uma incubadora
de negócios criativos. A família se surpreendeu
com o interesse da comunidade pela ideia. Metade do prédio da Rua Hoffmann está ocupada.
Ela ressalta o envolvimento das universidades,
pois o Vila Flores “é um laboratório vivo”, não
só para alunos de Arquitetura, mas também
de Design, Educação e Economia, entre outras
áreas. “Vários conhecimentos têm circulado no
local. Precisamos criar metodologias e sistematizar o que está acontecendo para passar adiante a outros ambientes com negócios criativos.”
A participação da PUCRS começou com a
indicação da professora Cibele Figueira pela
FAU para integrar reuniões no 4º Distrito (que
compreende os bairros Floresta, São Geraldo,
Navegantes, Marcílio Dias, Farrapos e Humaitá,
da rodoviária à Arena do Grêmio). Resultado:
além do projeto Vila Flores, todas as práticas
das disciplinas da Faculdade deste ano se rea­
lizam no local.
Vila Flores: centro
de diversidade,
cultura, educação e
negócios criativos
Cibele tinha recém-voltado do exterior e
alunos que se envolveram no projeto e participaram de experiências pelo programa Ciência
sem Fronteiras se juntaram motivados por fazer
algo pela cidade. “No Vila Flores, conseguimos
resgatar a ideia de integração comunitária que
estamos perdendo nessa sociedade indivi­
dualista e privatizadora”, relata Cibele. Agora, a
pretensão da professora é agregar outros cursos
da PUCRS na iniciativa.
No dia 13 de novembro, os alunos participam de maratona para criarem o logotipo da
exposição que será realizada na Usina do Gasômetro de 6 a 19 de abril de 2015. Projetos
realizados por eles no 4º Distrito estarão em
foco na Usina. Antes disso, uma mostra desses
3
trabalhos circulará pelo Vila Flores. 3
“É incrível estar aqui ”
233
3
Para o TCC, a aluna se debruça sobre uma das áreas mais degradadas da região: a Av. Presidente Roosevelt. “Minha avó, que trabalhou na empresa Neugebauer, conta que o local era um polo cultural, com bares, cafés e cinema de rua. Eu me interesso por estudar
as estruturas urbanas e as relações entre o público e o privado.” No
seu projeto, orientado pela professora Ana Cé, ficou surpresa com
a quantidade de imóveis abandonados na Avenida Voluntários da
Pátria. “Como reverter esse quadro numa área que um dia foi tão
rica e efervescente?”, pergunta-se Camila.
Camila Radici
pensa em propor
uma oficina de
arte urbana
FOTOS: GILSON OLIVEIRA
Camila Radici, do 9º semestre de Arquitetura, participou
do Ciência sem Fronteiras e viu em Londres ateliês criados em
galpões de bairros industriais e integrados à King’s College, que
considera uma universidade de artistas. Voltar para o Brasil e
participar de um ambiente propício a novas ideias, como o Vila
Flores, é tudo o que Camila e colegas da FAU sonhavam. “É incrível estar aqui.”
Todas as manhãs, ela fica na sala destinada ao grupo, almoça a R$ 10 por semana (num sistema colaborativo, em que todo
mundo ajuda) e já fez um workshop de desenho do Casa Grande, projeto também instalado no local. Agora pensa em propor
uma oficina de arte urbana. Pela janela, esclarece os curiosos da
vizinhança sobre os eventos agendados para o Vila Flores. Nada
que passe das 22h, para não perturbar o sossego de moradores.
Bolsista da Fapergs, Camila integra um estudo para identificar
as áreas públicas e imóveis tombados do bairro Floresta. “Isso
se chama acupuntura urbana. Queremos verificar construções
e espaços conectados que possam ser geradores de grandes
mudanças”, explica a professora Cibele Figueira.
‘‘
Esse projeto leva
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com todos os seus
problemas. É uma
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para os alunos.
Paulo Bicca,
coordenador do
Departamento de
Projetos da FAU
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CIÊNCIA
Pererecas-
PESQUISADOR
DA Faculdade
de Biociências
Santiago CastroviejoFisher participa de
expedição nos Andes
peruanos e descobre
novas espécies
E
m uma expedição aos Andes peruanos, iniciada em 2010, um grupo
de pesquisadores descobriu quatro
novas espécies, três delas com ossos verdes pertencentes à família das pererecas-de-vidro – assim chamadas porque têm a
pele do ventre parcial ou totalmente transparente. O herpetólogo e pesquisador do
Laboratório de Sistemática de Vertebrados
da Faculdade de Biociências Santiago Castroviejo-Fisher, é co-autor do estudo e revela algumas características peculiares das
novas espécies.
Em comparação a outras pererecas-de-vidro, a espécie Centrolene charapita
é grande: tem 4,5 centímetros. Nas patas
traseiras apresenta ornamentos brancos.
Das 150 espécies conhecidas, menos de
dez têm este tipo de ornamentação. “O
nome Charapita é referência a uma pimenta da Amazônia peruana, são bolinhas
amarelas como às do dorso do anfíbio”,
explica Castroviejo-Fisher. Foram encontrados apenas dois machos em um riacho
nos Andes, próximo a cidade La Oliva. São
parcialmente transparentes, do peito para
baixo, e pode-se ver parte de seus órgãos
e seus ossos verdes.
FOTOS: SANTIAGO CASTROVIEJO-FISHER/DIVULGAÇÃO
de-vidro
Com 2,5 centímetros, círculos amarelos ao redor dos olhos
e íris vermelha, a espécie Cochranella guayasamini foi descoberta no norte dos Andes peruanos.
Como emitem sons, são de mais fácil
localização. Seus girinos são de um rosa
avermelhado vivo, tornando-se verdes à
medida que crescem. Os machos adultos
possuem uma projeção do osso do úmero
em forma de espinho que, acredita-se, sejam usados em disputas territoriais. Pode-se ver parte de seus órgãos internos pela
transparência parcial do ventre. Seu nome
é dedicado a um herpetólogo do Equador
que trabalha com pererecas-de-vidro.
Com pele ventral totalmente transparente, Hyalinobatrachium anachoretus foi descoberta em um lugar isolado,
a mais de dois mil metros acima do nível
do mar. “Foi inesperada, pois normalmente não há pererecas desse gênero nessa
altitude. A esse fato está relacionado o
nome anachoretus”, comenta Castroviejo-Fisher. Um grande número foi achado
em somente uma noite. Em outros levantamentos noturnos na mesma área não
havia um único espécime. Também com
2,5 centímetros, foi a única com machos
e fêmeas identificados. Pode-se ver todos
os seus órgãos, inclusive o coração batendo. E não tem ossos verdes.
Com nome em homenagem à trilogia
O Poderoso Chefão, a espécie Chimerella
corleone une características das anteriores:
espinho umeral e toda a toda pele ventral
transparente. “Essa é a segunda do gênero
descoberta em todo o mundo. Isso é muito importante”, ressalta Castroviejo-Fisher.
Foi detectada na zona de cachoeiras e tem
apenas dois centímetros de comprimento.
Até o momento, a distribuição dessas
espécies só tem registros na Região Amazônica dos Andes peruanos. “O tamanho
dessas populações ainda é desconhecido
e é preciso um estudo para avaliar o estado de conservação. Sabemos apenas que a
Cochranella guayasamini não corre perigo
de extinção pois foi encontrada em diversos
locais dos Andes. As demais foram avistadas
em um único riacho, cada”, comenta. Sobre
as descobertas, Castroviejo-Fisher considera que uma grande diversidade de anfíbios
permanece desconhecida nas florestas tropicais. “Isso tem implicações no estudo da
evolução das pererecas-de-vidro. Usando
sequências de DNA reconstruímos a história evolutiva dos grupos. Pelas relações
filogenéticas das espécies descobrimos que
algumas características, como o espinho
umeral, evoluíram independentemente
em vários grupos de pererecas-de-vidro. É
a única forma de pesquisar a origem e os
processos de diversidade observados hoje
3
em dia”, revela. 3
Veja vídeo da National Geografic
sobre as pererecas de vidro: http://
channel.nationalgeographic.com/
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4426
FOTO: GILSON OLIVEIRA/ARQUIVO PUCRS
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OS DESAFIOS
enfrentados
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A ideia de que
“dorme-se
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outro” sinaliza
a mudança
De aluno a profissional...
ornar-se um profissional é uma caminhada que envolve muito mais do
que adquirir habilidades. Exige um
processo de construção de identidade que
deve estar de acordo com a pessoa que o
aluno é ao longo de sua trajetória de transformação. O dia a dia impõe desafios que
levam a novos aprendizados, descobertas e
necessidade de reajustes internos e externos. A incerteza e as constantes mudanças,
muitas vezes, causam ansiedade e podem
comprometer o desempenho acadêmico.
Num mundo em que concluir uma etapa da formação é uma das condições para
a emancipação humana e social, as famílias
e os jovens trilham caminhos árduos para
chegar à tão almejada graduação. Como os
desejos e os projetos não são comprados
– conquistam-se, constroem-se – e estão
carregados de significados, toda a rede de
relações do universitário passa a fazer parte
de suas conquistas.
É preciso levar em conta que a escolha
de uma profissão começa na infância: “vou
ser” e “brincar de”. Inicia-se no processo de
“se ver como” em uma projeção de futuro.
Com o término do Ensino Médio, fazer uma
escolha implica abdicar de outras possibilidades e, às vezes, gera angústias e dúvidas.
Mas faz parte da tomada de decisão. “Para
decidir, é preciso pensar, avaliar e refletir
sobre as questões que cada um deseja para
si”, observa a psicóloga Dóris Della Valen273
3
e agora?
tina, coordenadora do Centro de Atenção tenho um registro profissional e, como
Psicossocial da PUCRS.
tal, respondo por minhas decisões e atos.
As escolhas, por sua vez, são precoces E aí, surgem questionamentos: Estou cae ocorrem em um período de mudança: a pacitado? Se precisar de ajuda, a quem
passagem da adolescência à vida adulta. recorro? O que faço agora?
O processo de redefinição pessoal passa
No mundo do trabalho, a busca é por
por ajustes. É necessário criar uma nova profissionais seguros, com autonomia, caidentidade ou, no mínimo, modificar a que pacidade de tomar decisões, condições de
está em curso. Então, como fazer escolhas enfrentar situações críticas, com iniciativa
duradouras?
e um currículo que demonstre as qualiAs provas, trabalhos, participações em dades construídas em sua trajetória de
seminários, estágios obrigatórios ou não, experiências.
são oportunidades únicas para refletir e
O mundo paralelo ao do conhecimenautoavaliar sua escolha. Nessas situações, o to que emancipa não coloca a formação
jovem pode identificar seus pontos fortes e integral como princípio fundamental, mas
fragilidades e desenvolver novas estratégias exige-a. A PUCRS tem se preocupado cada
de enfrentamento, conforme suas caracte- vez mais com a pedagogia de que só grarísticas pessoais.
duar o aluno não basta. É preciso mais.
São frequentes as dúvidas quanto às A maioria dos cursos tem inovações que
escolhas, manifestadas em trocas de cur- vão da formação básica profissionalizante
so, trancamentos e desistências. Elas si- à proposição de disciplinas que contemnalizam muito a necessidade de definição plem uma formação integral e integrada.
da identidade pessoal. A ideia de que “se
“É preciso formar mais do que o prodorme de um jeito e
fissional. É preciso tamse acorda de outro”,
bém auxiliar a pessoa a
sinaliza esta transCentro de Atenção desenvolver suas habilidaformação: sou aluno,
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posso pedir ajuda,
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ALUNOS DA PUCRS
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de ciência
Novidade: a
participação
de alunos
de Ensino
Médio
IM A G E M: D
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ois alunos da Universidade de
Newcastle (Inglaterra) estiveram
na PUCRS buscando dados para
uma pesquisa sobre prevenção e cuidado odontológico. Naemm Adam e Emma
Walshaw foram os primeiros acadêmicos da instituição inglesa a virem para a
Universidade graças a uma parceria. Eles
contaram com a supervisão da professora
Marina Lobato, da Faculdade de Odonto-
FOTO: DIVULGAÇÃO
ÇÃ
Odontologia
houve a palestra Quais são as tuas
metas?, ministrada pelo docente
Luciano de Jesus, da Faculdade de
Filosofia e Ciências Humanas, e uma
homenagem aos ex-coordenadores
do evento. “Quando colocamos datas nos nossos sonhos, eles viram
metas”, disse Jesus à plateia. “As
metas devem ser positivas, objetivas, específicas e significar algo para
quem as definiu”.
A professora Cleusa Scroferneker
– coordenadora desta edição e da
Iniciação Científica na Universidade – destaca a importância da área.
“Ao atuar em projetos de pesquisa
de mestres e doutores, os alunos
passam a ter acesso a um conhecimento especializado. Isso repercute
no futuro. Pode ser um diferencial no
processo de seleção para o mercado
de trabalho ou mesmo para a pós-graduação”, afirma. “E, se a prática
for premiada, pode incrementar ainda mais o currículo”, conclui.
Dos trabalhos, 124 obtiveram a
nota máxima – 29 a mais em relação ao ano passado. Conquistaram o
mérito de destaque, concedido pelos
310 avaliadores, entre professores da
PUCRS e convidados de outras Instituições do Estado.
Luciano de Jesus
na palestra de
abertura do 15º
Salão de Iniciação
Científica: “Quando
colocamos datas
nos nossos sonhos,
eles viram metas”
GA
Salão de Iniciação Científica
(SIC) da PUCRS, há 15 anos
reúne professores e estudantes da graduação envolvidos em
atividades de pesquisa em diferentes
instituições do País. Este ano, alunos
de Ensino Médio também puderam
participar. No auditório do prédio
40, apresentaram projetos – desenvolvidos no programa de Iniciação
Científica (IC) Júnior/Pré-Grad – e
contaram, brevemente, as suas experiências na Universidade.
O espaço IC Júnior mostrou um
pouco das atividades realizadas no
programa, que concede bolsas de
iniciação científica a estudantes de
escolas maristas e de outros dois
colégios particulares de Porto Alegre. A PUCRS, por meio da iniciativa,
proporciona aos pré-universitários
seis meses de vivência acadêmica.
“Os estudantes têm a oportunidade
de se familiarizar com o ambiente
de pesquisa, esclarecer dúvidas,
conhecer profissionais e possibilidades de carreiras”, explica o professor
Fernando de Azevedo, coordenador
adjunto da Coordenadoria de Iniciação Científica.
Além dos 948 trabalhos inscritos,
nos cinco dias de SIC, em outubro,
: BRUNO TODESCH
INI
FOTO
Quinze anos
Espaço IC Júnior
O Espaço IC Júnior, a novidade do 15º Salão
de Iniciação Científica, contou com a participação de quatro escolas maristas: Colégio Marista Assunção, Colégio Marista Rosário, Colégio
Marista Ipanema e Colégio Marista Champagnat. Foram apresentados 11 trabalhos e, desses, seis foram considerados Trabalhos-Destaque. As bancas avaliadoras eram compostas
por pesquisadores titulados da Universidade.
Destaques
logia, e apoio de alunos e professores da
graduação e da pós. “Fomos muito bem
recebidos e gostamos do convívio com
os estudantes brasileiros. Trabalhamos
juntos, compartilhamos experiências e
encontramos vários pontos em comum”,
conta Adam. “Os professores de Newcastle nos disseram que a PUCRS seria
um ótimo lugar para o estudo. Estavam
completamente certos!”, aprova Emma.
FOTO: BRUNO TODESCHINI
4432
O que fazer quando o
Ensino Médio acabar?
P
ara familiarizar-se com o ambiente
Leonardo da Silva, 16 anos, encarou
universitário e conhecer mais sobre com os colegas do Colégio Marista São Franos cursos, alunos de Ensino Médio e cisco, de Rio Grande, cerca de
de cursinhos pré-vestibular participaram da quatro horas de viagem para
Alunos
Feira das Profissões 2014. Este ano, o evento experimentar um pouco do
de Ensino
apresentou uma novidade: o formato Open que a Faculdade de EngeMédio foram
Campus. Em dois dias de outubro, cerca de nharia oferece. O esforço
recebidos por
professores
9 mil estudantes puderam circular, visitar e compensou. “A PUCRS é
que falaram
interagir em diferentes unidades acadêmi- completa, tem tudo o que
das profissões
cas. Vivenciaram um pouco do cotidiano a gente precisa. Estávamos
das Faculdades.
comentando como gostamos
Quem pretendia fazer Jornalismo, por da Feira. Viemos de longe e nunca havíamos
exemplo, teve a oportunidade de apre- participado de um evento assim”, conta.
sentar um telejornal. Da mesma forma, os
Além do formato Open Campus, a Feiadeptos da Medicina acompanharam pro- ra contou com outras atrações. Entre os
cedimentos de reanimação em manequins prédios 6 e 15, food trucks (veículos que
e atividades de videolaparoscopia. Interes- vendem refeições) da Temakeria
sados em Ciências Aeronáuticas, assistiram Japesca, Delicafé Truck, Trata uma simulação de voo e, assim, sucessi- toria Sobre Rodas e Olívia
Na Famecos,
vamente. Os espaços foram divididos em & Palito reuniram multiestudantes
acompanharam
seis áreas: Energia, Meio Ambiente e Bio- dões que aproveitaram
atividades
diversidade; Humanidade e Ética; Cultura e o verde do Campus e
práticas
relacionadas
Educação; Sociedade e Desenvolvimento; se deliciaram com cafés,
a cada área
Tecnologia da Informação e Comunicação; temakis, massas, sanduíBiologia e Saúde.
ches e muito mais. No paiRafaela de Andrade, 17 anos, é aluna nel Sem pressão, mas também
do Colégio João Paulo I e veio
sem solidão: como proporcioconhecer a Faculdade de Químinar um ambiente saudável ao
EXTRA
ca. “É a minha matéria favorita.
vestibulando – destinado aos
Assista a um vídeo sobre
Tenho curiosidade de entender
pais, familiares e professores
a Feira das Profissões
e veja mais fotos
o que acontece no mundo e a
– o tema foi apredo evento em
www.pucrs/revista
maioria das coisas têm reações
sentado por
ou use o QR Code.
químicas”, explica. “Achei o Camprofissionais
Food trucks
pus maravilhoso! Quero ingresde Psicoloforam uma
sar na iniciação científica, trabagia, Nutrição,
atração para
o público
lhar em pesquisas, me dedicar
Educação Fíbastante e me apaixonar ainda
sica e Neuromais pela química”, antecipa.
ciência.
FOTOS: BRUNO TODESCHINI
Direito
Relações Públicas
tradição de os diplomados em Direito pela
PUCRS se destacarem nos concursos para
a magistratura mais uma vez se confirma.
Dos 71 juízes que tomaram posse no Tribunal de
Justiça do Estado, em setembro, 15 são egressos
da Universidade. O concurso teve nada menos que
4.200 concorrentes de todo o País. Recentemente,
o curso da Faculdade de Direito também repetiu
sua performance, conquistando cinco estrelas (excelente) na avaliação no Guia do Estudante da Abril.
curso de Relações Públicas conquistou três primeiros lugares no Prêmio da Associação Brasileira de Relações Públicas – SP. Na categoria
Monografia – Estudos da Comunicação Organizacional e Relações
Públicas venceu a aluna Eliane da Costa Kunt, orientada pela professora
Cleusa Scroferneker. A segunda colocada foi Natália Taborda, com orientação de Glafira Furtado. A primeira colocada em Monografia – Setor Privado
foi a acadêmica Camila Schultz, que teve a orientação de André Pase. Na
categoria Monografia – Setor Público ganhou a estudante Fabiane Marcílio,
orientada por Nelson Fossatti. O trabalho da aluna Raffaela Brodbeck Buratto, orientado pela docente Susana Azevedo, recebeu menção honrosa.
A
333
3
O
ALUNOS DA PUCRS
Rumo a Miami
FOTO: GILSON OLI
VEIRA
Matheus
Soldatelli e Luiza
Lucas ganharam
bolsa de estágio
no Jackson’s
Hospital
A
O
s estudantes do
quarto ano de
Medicina, Matheus So
ldatelli e Luiza Lu
embarcam, no fin
cas
al de nove
Miami (EUA). Ve
ncedores do prêm mbro, para
io Leonel Lerner, concedido
pela Faculdade,
eles receberam
uma bolsa de es
tágio no Jackson’
s Ho
rante três meses
, vivenciarão a pr spital. Duáti
no exterior. E nã
o fizeram por m ca médica
enos. “O processo seletivo le
vou em consider
ação histórico
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cia
cientifica, particip em inglês, curriculum lattes
– produção
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nitorias e ativida ão em congressos, ligas acadêm
des diversas, co
icas, momo
entrevista com se
te professores da voluntariado – além da
Faculdade”, desc
telli. “Entre eles
, o diretor Jeffers
reve Soldaon Braga e o co
estágios em Mia
ordenador de
mi, professor Ca
rlos Barrios”, ac
“Acredito que ex
rescenta Luiza.
periências fora
com a formação
do País colabora
pessoal e profiss
m muito
io
aluno que ingres
sou em 2010, tra nal”, destaca Soldatelli. O
ncou o curso po
estudar Medica
r um ano para
l English em Lond
res e fazer trabal
em uma ONG br
ho voluntário
itânica no Cambo
ja. E essa não se
temporada do es
rá a primeira
tudante de 22 an
os no
janeiro realizei um
estágio de um m Jackson’s Hospital. “Em
ganhadoras do
prêmio Leonel Le ês. Inclusive, morei com as
rner de 2013, La
Valentina Cará.
rissa Pinós e
Elas serviram de
exemplo acadêm
ráter para mim”,
ico e de caesclarece.
As garotas també
m
in
centivaram a pa
“Sempre estiver
rticipação de Lu
am do nosso lado
iza.
, co
dos, e, depois do
resultado, algum mpartilharam aprendizaas dicas”, revela
cio do curso, em
. Desde o iní2011, a estudant
e demonstrou in
pesquisa e trajet
teresse pela
ória acadêmica.
Ag
aperfeiçoar conh
ecimentos e atua ora, aos 22 anos, espera
r ao lado de gran
da Endocrinolog
des mestres
ia, da Endocrinop
ediatra e da Med
algumas de suas
icina Interna,
áreas de interess
e.
Para Matheus, o
período em Mia
da futura especi
mi pode ajudar
na escolha
alidade médica
, além de facilit
em residências
ar a admissão
no Brasil ou nos
EUA.
acompanhar e in
tegrar o funciona “É uma oportunidade de
mento de um se
ferência”, defin
e. “Com certeza
rviço de reserá um incenti
seguir meus so
vo a mais para
nhos e vislumbr
ar mais longe os
minha carreira
objetivos de
como médica”,
finaliza Luiza.
Destaques
Direito
equipe de arbitr
agem da Faculdade de Direito
, composta pelos alunos e dipl
omados Artur
Rodrigues, Caro
lina Almaleh, Ca
roline
Schaeffer, Guilh
erme Schwarts
mann,
Juliana Soria, Lu
cas Dall’Agnol, M
anoela Ardenghi, Maú
ra Polidoro e W
agner
de Oliveira, foi vi
ce-campeã na co
mpetição Prep-Sul,
organizada pela
OAB/
RS, como prepar
ação à 5ª Compe
tição
Brasileira de Ar
bitragem Petrôn
io Muniz. Na disputa,
dividida em fase
escrita
e oral, as equipe
s trabalharam co
m um
caso hipotético,
discutindo tem
as de
arbitragem e de
direito empresar
ial. A
dupla de orador
es Artur e Carolin
e classificou-se para a
final com a FGVSP, depois de enfrentar
com êxito a equi
pe
Escritório de Ad
vocacia Souto, Co do
rrea,
Cesa, Lummertz
& Amaral Advo
gados.
FOTO: ARQUIVO
PESSOAL
4434
Case de
chocolate
D
FOTO: PATRÍCIA
NASCIMENTO/DI
VULGAÇÃO
Os diplomados
Fernanda
Goldschmidt e
Márcio Oliveira
epois de aprese
ntar por quatro
anos
consecutivos ro
Q ua tro m et ro
upas feitas de ch
s de al tu ra ,
oco- dois de
late, na última Ch
largura e 1,70
oc
of
es
t, o Senac/RS
(Serviço Naciona
de profundidade. O ta
l de
manho do coel
levou para o even Aprendizagem Comercial) ao
ho, asso
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to, o maior coel
tebol e a bola no ciado
ho de chocolate do mundo –
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pé – em
menagem à Co
título atestado pe
pa do Mundo –
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World Records.
chamavam
E coube aos dipl Guinness atenção de quem
via. Sem falar no
omados em
Relações Pública
material. O coel
inusitado
s pela PUCRS, M
ho, feito com o
árcio Oliveira
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doce maciço,
pesava cerca de
dschmidt aprese
quatro tonelada
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empresa no Cong
s e le
dias para ser co
resso Internacio
ncebido. Mais de vou oito
nal de Rela- pa
ções Públicas e
20 pessoas
rticiparam da cr
Comunicação,
em Salvador,
iação. E, para co
em outubro. “E
peça, foi constr
nservar a
ste tipo de expe
uída uma caixa
riência
importante. Reún
que mantinha
e estudantes e pr é muito a temperatura em 18
ofissionais ao
°C
de toda a América
término da Choc . Todo esse chocolate,
Latina”, define O
ofest, foi doado
liveira. “É o gr
momento de m
ostrar como o Es
ama do Sesc (S
ao proerviço Social do
tado trabalha
as relações públ
Comércio),
Mesa Brasil, um
icas”, completa.
a rede nacional
de bancos de
alimentos.
Ideia original:
coelho, feito
com o doce
maciço,
pesava cerca
de quatro
toneladas
FOTO: SENAC-RS/
DIVULGAÇÃO
FOTO: ARQUIVO
PESSOAL
Nutrição
A
aluna do curso de
Nut
o 1º lugar no Prêm rição Maria Natalia De Santan
a recebeu
io Instituto Euva
ldo Lodi (IEL) Mel
ticas de Estágio
20
ho
14
res Prá, do Programa De
reiras IEL/RS, repr
senvolvimento
esentando o Ba
de
Carnco de Alimento
tem como objetiv
s do RS. A premia
o identificar, reco
ção
nhecer e premia
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Admirar o colorido de um jardim, ouvir
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colhidas do pé. O contato com a natureza faz bem à saúde e traz uma sensação de
tranquilidade. Professores da PUCRS compartilham desse pensamento e no tempo livre são
os jardineiros de casa.
Adroaldo Piccinini, coordenador de relacionamento
discente, da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários, é de origem rural e, ainda criança, aprendeu o valor da natureza, no interior de Roca Sales. Quando iniciou
uma pós-graduação na PUCRS, surgiu a oportunidade de
trabalhar no Amazonas pela Universidade, onde ficou de
julho de 1974 a janeiro de 1988. “Foi um grande período de
rea­lização em todos os sentidos. Vivenciei sua majestade a
natureza amazônica com sua exuberância de florestas, rios
e biodiversidade”, lembra.
No apartamento onde mora com a esposa Gema, tem
flores e temperos, mas é no sítio em Gravataí que Piccinini
volta às origens, com uma diversidade de plantas, hortaliças, frutas – das cítricas como limão, bergamota poncã
e laranja até variedades do Norte do País como graviola
e biriba – e um zelo especial pelas rosas, que mantém ao
natural, sem estufa. Nos finais de semana se voltam para
natureza e se afastam da televisão, do celular, do trabalho,
da rotina diária.
A dedicação é completa, da compostagem à colheita.
“Temos alface, radicci, salsa, cebolinha e couve, além de pimentão, mamão, tomate arbóreo, pimenta, temperos. Tudo
sem produtos químicos. Isso melhora os hábitos alimentares”, garante. Os dois filhos e a filha contemplam a natureza
com uma pequena participação, já plantaram coqueiros.
Do parreiral produzem vinho para consumo próprio. Em
uma reunião de família, colhem as uvas francesas, moem
e fazem o vinho. “O contato com a natureza permite a
renovação do ser, física e espiritualmente. Vemos como
é extraordinário o que Deus criou. Podemos contemplar,
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interagir, vivenciar”, comenta. 3
com
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Adroaldo
Piccinini:
dedicação
completa, da
compostagem
à colheita
Surgimento das flores
O professor da Faculdade de Química Carlos Roberto Gil faz
jardinagem no apartamento, na casa das filhas e nas suas duas
residências em Gramado. Na cidade são apenas 40 metros de jardim, mas na Serra tem mais de 100 metros para colocar em prática
todo seu conhecimento e habilidade. São laranjas, bergamotas,
laranjas do céu, alface, tomate, cenoura, temperos, orquídeas,
amores-perfeitos, bromélias, trepadeiras, três marias (bougainville) de diversas tonalidades, além de pés de parreiras que plantou
para produzir uva branca, rosa e a pequena niágara. A ideia é fazer
o próprio vinho e manter uma “adeguinha”.
Estuda o início da primavera e acompanha o surgimento das
flores. Gil aduba, analisa a química da terra antes de plantar e faz a
elaboração do calcário para correção da acidez. “Os nutrientes do
solo são os geradores das cores. Quando a área é ácida, a flor é
azul. Quando é básica, a cor é rosa. Se é neutra, a flor é branca, e tem a mescla de solo com alumínio, que resulta nas
hortênsias com as três tonalidades”, explica. Na culinária,
o tempero é sempre da horta, caseiro e sem agrotóxico.
O interesse pelo cultivo começou por volta de 1968,
quando o pai aposentou-se e mudou-se para uma
chácara em Viamão. Gil ajudava a tirar leite da vaca e
lavrar a terra. “Aprendi com meu pai a acompanhar os
ciclos da natureza. O contato com a terra desestressa;
descarrego energias e preocupações e vejo o crescimento das plantas, que trazem a alegria das flores, frutas e
temperos”, considera. Ressalta também o diálogo com os
responsáveis pela natureza do Campus da PUCRS, com quem
troca informações e experiências.
4436
Odilon, a
esposa, as
gêmeas e o
coelho Tor
Recantos do jardim
Jocelyne Bocchese:
“Um jardim é igual
ao ensino. É preciso
paciência, dar
tempo, corrigir o
rumo, acompanhar”
373
3
Família sustentável
Odilon Duarte, coordenador do Laboratório de
Eficiência Energética, da Faculdade de Engenharia, e
do Programa Campus +Verde se diz ajudante das gêmeas Laura e Marina, de seis anos. As filhas cuidam
do jardim e o pai fica responsável para que Tor – o
coelho de pouco mais de um ano – não coma toda
a plantação. “Recentemente as meninas e minha
esposa plantaram alface e moranguinho. Eu fico
com a parte mais braçal, recolho os inços, alcanço
e guardo as ferramentas e faço a limpeza”, conta.
A horta da família tem chás, temperos e flores.
No prédio onde moram, há também um jardim comunitário, com um limoeiro, onde todos podem
plantar e colher. “Gosto de mexer na terra, é uma
sensação muito boa, mágica. Saio do estresse
diário, vejo minhas filhas se desenvolverem e temos uma cumplicidade
grande. É uma atividade que
fortalece os laços de família.
É uma forma de passar a
ideia de sustentabilidade para as meninas”,
afirma.
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A professora Jocelyne Bocchese, da Faculdade de Letras e da Coordenadoria de Controle Acadêmico e de Matrícula, da Pró-Reitoria Acadêmica, começou a se dedicar ao jardim em 2000, quando se mudou
de um apartamento para uma casa em um grande terreno em Gravataí.
Plantou mais de 30 árvores frutíferas, flores das estações, araucária e
plátano com balanços, além de 40 roseiras diferentes, lavanda, amor-perfeito e jasmim de vários tipos. Na horta, rúcula, salsinha crespa e
lisa, alface, espinafre, temperos, radicci, tomate-cereja, cenoura, conforme a estação.
A neta Laura, de nove anos, tem o próprio regador e ajuda a avó a
cuidar das plantas, em especial dos girassóis. “A casa está sempre cheia
de crianças, que adoram brincar de esconder e de caça ao tesouro nos
recantos do jardim”, conta. Jocelyne pretende expandir para o terreno
vizinho, da filha, e iniciar um parreiral. Ela faz compostagem e leva as
plantas que estão fracas para a enfermaria (de baixo dos pinheiros) para
se recuperarem. “Um jardim é igual ao ensino. É preciso paciência, dar
tempo, corrigir o rumo, acompanhar. E é um prazer ver o crescimento
e renascimento nas estações”, revela.
Estuda o solo, o local certo para cada folhagem e a época
de plantio. “As árvores são como as paredes de
uma casa: os arbustos são os móveis e
as flores, os enfeites”, explica. No
Carlos Gil
final de semana, dedica-se ao
aduba, analisa
jardim, onde moram cinco
a química e
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Herança
Kultural
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ocumentos pessoais de ordem particular e profissional, correspondências,
livros, blocos de anotações, manuscritos, recortes de jornais, fotografias. O Delfos –
Espaço de Documentação e Memória Cultural
– recebe o acervo da dramaturga Vera Karam,
atualmente em fase de processamento técnico.
Vera K., como era conhecida, faleceu em janeiro
de 2003, aos 43 anos.
A doação foi uma iniciativa de Margot Karam, mãe de Vera, motivada pela amizade da
filha com o escritor e professor da Universidade, Luiz Antonio de Assis Brasil, com quem ela
fez a Oficina de Criação Literária. “Vera estudou
Letras na PUCRS e também tinha uma especial
relação com o professor Volnyr Santos, que deu
grande estímulo para ela escrever e lhe apresen-
PUCRS
RECEBE
acervo da
dramaturga
Vera Karam
FOTOS: ARQUIVO DE FAMÍLIA
tou a oficina do Assis, que foi o início da sua carreira
como escritora”, conta a irmã Lúcia.
Margot revela que a doação do acervo tem um
grande significado para a família, que poderá retirar
o material quando desejado, mas sempre devolver
ao Delfos. “Muitas escolas usam os trabalhos da
Vera e esses alunos poderão consultar e fazer pesquisa no local”, complementa.
Segundo Lucas Martins Kern, técnico em Memória Literária, a ideia é disponibilizar o acervo para
consulta de pesquisadores cadastrados no Delfos.
“Não é necessário possuir vínculo com a PUCRS.
Solicitamos apenas que sejam elucidadas algumas
questões, como motivo da pesquisa, se será particular ou em nome de alguma instituição, tipo de
utilização do material, possibilidade de publicação”,
3
explica.3
Cuidados
Vera K.
Nascida em Pelotas, em 1959, a professora de inglês e tradutora Vera Maria Bandeira Karam passou a integrar o Grêmio
Dramático Açores no final da década de 1970, quando começou a dialogar com o teatro. Na década de 1990, tornou-se o
nome mais expressivo na dramaturgia gaúcha. Foi ao cursar
a Oficina de Criação Literária, na PUCRS, que Vera começou
a produzir contos e textos para o teatro.
Sua estreia como teatróloga foi em 1992, com o espetáculo Quem sabe a gente continua amanhã. Sua obra traz
humor e ironia, com peças premiadas como Maldito coração,
Me alegra que tu sofras, pela qual recebeu o Troféu Açorianos
Especial de Teatro, e Ano Novo, vida nova, primeiro lugar no
Concurso de Dramaturgia Qorpo-Santo e Prêmio Açorianos
na categoria literatura dramática.
Texto da
dramaturga: cena
do curta-metragem
Anachronique
Todos os acervos, quando
chegam ao Delfos, passam por
fases prévias de higienização e
limpeza dos documentos, que
consistem na retirada de poeira,
sujeira, manchas, clipes, grampos
ou quaisquer outros materiais que
possam avançar o processo de deterioração. Com isso, previne-se
formação de manchas em originais
provenientes de detritos de poeira
ou da oxidação de grampos ou clips
de papel. É possível também verificar
a existência dos agentes biológicos de
degradação de acervos, como marcas de cupim, broca,
mofo ou fungo, dentre outros, que são cuidadosamente analisados para diferenciá-los, observar se existem
e os procedimentos a serem tomados.
O acervo passa ainda pelo acondicionamento,
quando as obras são separadas uma a uma, unitariamente. É utilizado um papel para invólucro dos
originais, assim como uma folha de papel-seda entre
todas as páginas de um mesmo documento. Esse procedimento impede que os compostos químicos de um
papel migrem para o outro, impedindo que um papel
mais ácido acidifique um outro, por exemplo. Por fim,
o acervo segue para o processamento técnico, catalogação, classificação e indexação.
Página do
jornal Zero
Hora com
depoimento
do amigo
Assis Brasil
C U LT U R A
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Ambiente
meio ambiente e a preservação da natureza são temas cada vez mais discutidos nas pautas dos debates.
E merecem esse destaque. Em 2014, a humanidade
esgotou os recursos naturais do planeta em 19 de agosto, data
que a cada ano tem chegado mais cedo. Além disso, alcançou
os maiores níveis de concentração de gases do efeito estufa
na atmosfera desde 1984. O professor Nelson Fontoura, da
Faculdade de Biociências, e a funcionária do IMA Letícia de
Oliveira dão dicas de livros, filmes, sites e apps sobre o assunto.
para ler, ver, curtir e clicar
ivros
• www.sosma.org.br – Cientistas, empresários, jornalistas
e defensores ambientais criam, na década de 1980, a SOS
Mata Atlântica, a primeira ONG para defender os remanescentes de Mata Atlântica no Brasil. A entidade tem o objetivo de conservação ambiental e de capacitação de pessoas
para geração de conhecimento sobre o bioma.
• www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/unidades-de-conservacao/grupos.html – O Instituto Chico Mendes da
Conservação da Natureza foi criado em 2007, vinculado ao
Ministério do Meio Ambiente. Executa ações do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, programas de pesquisa, proteção, preservação e conservação da biodiversidade,
além de exercer o poder de polícia ambiental em proteção
das unidades de conservação federais.
• www.wwf.org – A organização World Wild Fund for Nature busca um futuro em que as pessoas vivam em harmonia
com a natureza. Incentiva um modo de vida mais sustentável
e age contra a mudança climática.
• UMA VERDADE INCONVENIENTE (2006). Dirigido por
Davis Guggenheim, o documentário mostra a campanha
de Al Gore para fazer a questão do aquecimento global ser
reconhecida mundialmente. O ex-vice-presidente dos EUA
chama a atenção para as causas e efeitos do aquecimento
global e apresenta uma grande variedade de fatos e informações de forma persuasiva.
• O VENENO ESTÁ NA MESA 1 E 2 (2011 e 2014). Os do­
cumentários de Silvio Tendler mostram os malefícios do modelo agrário baseado no agronegócio, com trabalhadores
que manipulam venenos e uma população que consome
produtos com agrotóxicos. Na sequência, mostra alternativas viáveis de produção de alimentos saudáveis, com respeito à natureza, aos trabalhadores rurais e aos consumidores.
• EL CONSUMO HUMANO NATIONAL GEOGRAPHIC DOCUMENTAL
COMPLETO. O documentário da National Geographic (http://bit.ly/
1fLGBKC), de 47 minutos, apresenta o impacto gerado por cada ser
humano nascido, o quanto consumimos e quanto lixo geramos ao
longo da vida. Traz reflexões fundamentais sobre os nossos hábitos
de vida (texto em espanhol).
Aplicativos
• BioGarden – Calendário de referência biodinâmica, que ajusta
automaticamente para o fuso e hemisfério do gadget onde está
instalado. Mostra os melhores dias para diferentes plantações.
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• WALDEN, de Henri David Thoreau. O autor
deixou sua cidade natal em Massachusetts
(EUA), em 1845, para morar à beira do Lago
Walden. O livro traz um relato sobre os dois
anos em que viveu longe da sociedade, contemplando a natureza. Editora L&PM, 2010.
Filmes
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IMAGEM: REPRODUÇÃO
• O ÚLTIMO HOMEM AMERICANO, de Elizabeth Gilbert. Conta a história verídica do
naturalista Eustace Conway que, em 1977,
aos 17 anos, trocou o conforto da casa
de seus pais pelas montanhas Apalaches.
Conway vive nas montanhas e estimula as
pessoas a seguirem seus passos. Formado
em Antropologia e Letras, construiu a Turtle
Island Preserve, uma área de preservação ambiental
que funciona como escola da natureza. Editora Objetiva, 2012.
IMAGEM: REPRODUÇÃO
• PRIMAVERA SILENCIOSA, de Rachel
Carlson. Publicado incialmente em 1962, o
livro teve grande influência na atual política
ambiental; forçou a proibição do DDT e estimulou mudanças nas leis de conduta em
testes químicos de produtos. A autora, bió­
loga marinha, cita resultados de trabalhos
científicos sobre os efeitos devastadores de pesticidas
sobre pássaros e outros animais. Editora Gaia, 2010.
EXTRA
Mais dicas em
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ou use o QR Code.
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FOTO: GILSON OLIVEIRA
Palestrantes estrangeiros e gestores do governo federal na área de educação internacional participaram, em outubro, do Seminário Internacionalização: Desafio para Universidade, promovido pela PUCRS. O encontro foi o
primeiro no Sul do País destinado a integrar gestores de universidades com foco
em assuntos internacionais e cooperação em ensino, pesquisa, inovação e extensão. A realização foi da Pró-Reitoria de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento e da
Assessoria para Assuntos Internacionais e Inter­institucionais (AAII) em parceria com
o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD). “Avaliamos o futuro da área,
como o impacto econômico das parcerias globais, o desenvolvimento social do processo, prioridades e desafios. Também nos permitiu saber como fazer, o que fazer e por que
fazer”, resumiu a assessora para AAII, Rosemary Shinkai.
Pesquisador destaque
O professor César de Rose, da Faculdade de Informática, recebeu da
Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (Fapergs) o troféu
de Pesquisador Destaque nas áreas de Matemática, Estatística e Computação. O prêmio, entregue em cerimônia na Fiergs, reconhece o extenso
trabalho de De Rose.
FOTO: DIVULGAÇÃO
O Coral e a Orquestra Filarmônica da PUCRS apresentaram, em setembro, no Salão de Atos da Universidade, a ópera Madama Butterfly, de Giacomo Puccini, em forma de
concerto. A regência do espetáculo foi do maestro convidado Mario Perusso, argentino, conhecido internacionalmente por sua habilidade com o repertório lírico.
Mérito Farroupilha
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O diretor do Instituto do Cérebro e professor da Faculdade de Medicina,
neurologista Jaderson Costa da Costa, foi homenageado pela Assembleia Legislativa do Estado com a Medalha do Mérito Farroupilha. A proposta para
conceder a mais alta honraria do órgão foi do deputado estadual Aldacir
Oliboni em reconhecimento aos anos que Costa dedicou à pesquisa avançada em neurociências.
FOTO: DIVULGAÇÃO
Madama Butterfly
FOTO: REPRODUÇÃO
Fronteiras
do Pensamento
Soluções para o convívio urbano, popularização da ciência, sustentabilidade. Esses são alguns
dos tópicos que trazem a Porto Alegre, em 2014,
nomes consagrados mundialmente em suas especialidades para apresentações no curso de altos estudos
Fronteiras do Pensamento, do qual a PUCRS é parceira
cultural. Com o objetivo de criar um produto que refletisse
o olhar acadêmico sobre esses e outros assuntos expostos,
foi lançada, em outubro, a revista Leituras PUCRS/Fronteiras
do Pensamento, durante a abertura da conferência do filósofo
francês Pascal Bruckner. A proposta da nova publicação é trazer
aos leitores a interpretação de docentes e pesquisadores da Universidade sobre temas que mobilizam a sociedade, impactam a
opinião pública e sinalizam novos caminhos. A edição está disponível
em www.pucrs.br/leituras-pucrs.
4446
Uma tese duplamente premiada. O professor Rodrigo Barros, da Faculdade de
Informática, teve a pesquisa On the automatic design of decision-tree induction
algorithms, agraciada com os prêmios da Sociedade Brasileira de Computação e
o da Capes de Tese. O trabalho foi orientado pelo professor André de Carvalho
(USP) e co-orientado por Alex Freitas (University of Kent, Reino Unido). A área
de pesquisa da tese é Aprendizado de Máquina.
FOTO: BRUNO TODESCHINI
Prêmio Capes 1
Prêmio Capes 2
O professor Luis Felipe Espath, da Faculdade de Engenharia, conquistou
menção honrosa do Prêmio Capes de Tese 2014, na área de Engenharias, com o
trabalho Otimização de forma estrutural e aerodinâmica usando análise isogeométrica e elementos finitos, orientado por Armando Awruch, do Pós-Graduação
em Engenharia Civil da UFRGS. Atualmente, Espath realiza estágio de pós-doutorado na Universidade Kaust (Arábia Saudita) em Ciências Físicas e Engenharia.
Referência
mundial
O diretor do Centro de Memória, neurocientista e professor Iván
Izquierdo, é o primeiro pesquisador
latino-americano a alcançar 20 mil citações na base de dados de artigos científicos multidisciplinares Web of Knowledge.
Há mais de 50 anos em atuação, Izquierdo
é referência na comunidade científica mundial quando o assunto é fisiologia da memória.
Entre as suas principais descobertas, estão os
mecanismos moleculares de formação, evocação,
persistência e extinção da memória.
FOTO: BRUNO TODESCHINI
Relatório Social
Olímpico
FOTO: ARQUIVO PESSOAL
Para aproximar a comunidade internacional das iniciativas sociais promovidas pela Universidade, foi lançado
A PUCRS recebeu a visita do professor Norbert Müller,
o Relatório Social PUCRS e Hospital São Lucas (HSL) em
da Universidade de Kaiserslautern (Alemanha), membro do
versão bilíngue (português/inglês). Com personagens
Conselho Pontifício para Laicos (Vaticano) e presidente do Coque vivem e interagem com a Instituição, o conteúdo
mitê International Pierre de Coubertin. Além de atividades com
está distribuído em seis áreas: Institucional, Ensino,
as Faculdades de Educação Física e Ciências do Desporto e FilosoPesquisa, Extensão, Saúde e Meio Ambiente. Acesfia e Ciências Humanas, o Museu de Ciências e Tecnologia e o Cense e veja fotos, gráficos e vídeos num formato
tro de Pastoral, Müller também participou de reuniões com o Grupo
exclusivo para dispositivos móveis em www.
de Pesquisa em Estudos Olímpicos e com o Comitê Brasileiro Pierre de
pucrs.br/relatoriosocial2013.
Coubertin (ambos com sede na PUCRS) para a prospecção de pesquisas
e o planejamento de atividades educacionais e sociais relacionadas com
os Jogos Olímpicos de 2016, no Brasil.
Inovador digital
Diego Maffazzioli, estudante de Direito, teve seu projeto selecionado pela Microsoft para integrar o BizSpark: programa mundial que
incentiva e auxilia novas empresas de pequeno porte da área de TI,
por meio do fornecimento gratuito de softwares Microsoft. À frente da Ludific – startup incubada na Raiar da PUCRS – o empresário
desenvolveu com o sócio, Felipe Busanello, um sistema digital que
possibilita a empresas e instituições de ensino testar alunos e funcionários de acordo com a área de estudo ou atuação de cada um.
Para os empreendedores, a participação no programa da Microsoft
é um passo importante, pois permite o acesso à rede de informações
geradas por integrantes do programa que reúne mais de 100 mil startups em todo o mundo.
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FOTO: G
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PERFIL
OLIVEIR
A
APAIXONADA
PELA profissão,
Maria Eunice
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completará
50 anos de
magistério
em 2015
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O poder da
sala de aula
aria Eunice Moreira nasceu para
ser professora. Desde jovem
dava aulas para a irmã, o irmão
e a “gurizada” da vizinhança em Santa Maria. Auxiliou até na alfabetização de um menino de cinco anos. “Ele havia perdido o pai.
Eu tinha uns 14 anos, sentava com ele no
colo e o ensinava a ler”, conta a professora
da Faculdade de Letras (Fale).
Concluiu o antigo Magistério, ingressou
na Faculdade de Direito da UFSM e começou a lecionar em uma escola de Cachoeira
do Sul. Viajava todas as semanas entre as
duas cidades. “Eu estudava muito para preparar as aulas. Tinha 36 alunos, todos disponíveis e interessados. Eu adorava”, lembra.
Formou-se em 1968, foi lecionar na
Educação Infantil e no Ensino Médio e depois trabalhou na Delegacia de Educação
em Cachoeira, enquanto estudava Letras,
na Urcamp. Em 1976 iniciou uma especialização na PUCRS, ainda trabalhando e morando no interior. Fez as malas para a Capital em 1985, quando iniciou o doutorado.
Em 1991 entrou oficialmente para o corpo
docente da PUCRS. “Ser professora é uma
das profissões mais ricas que existe. Acredito na educação como fator de melhora,
no poder da sala de aula. É uma troca de
experiências entre gerações, uma alquimia, um prazer. Aprendo todos os dias.
É preciso ser malabarista, ter artifícios
para prender a atenção do estudante
e manter um respeito profundo entre
aluno e professor”, garante.
Em 2015, Maria Eunice completa 50
anos de magistério “sem nunca ter parado” e 68 de vida. Já orientou mais de 70
alunos em teses e dissertações, “mas, se
contar iniciação científica, esse número
passa de 150”. Foi de aluna a professora,
pesquisadora na Pós-Graduação em Letras,
com muitos livros publicados, diretora da
Faculdade de Letras (Fale), de 2004 a 2012,
e diretora de pós-graduação na Pró-Reitoria Acadêmica, de 2012 a 2014. A docente
também atua no Delfos, onde cuida dos
acervos de Moysés Vellinho, Júlio Petersen
e Ir. Elvo Clemente. Edita as revistas Letras
de Hoje, da Fale, e Navegações, em parceria com o Centro de Literaturas de Expressão Portuguesa, da Universidade de Lisboa.
Em 2001 fez pós-doutorado na Fundação Biblioteca Nacional de Lisboa, onde
ficou quatro meses. Anos antes, em 1983,
passou um período em Madri e Málaga
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Acredito na educação
como fator de
melhora, no poder da
sala de aula. É uma
troca de experiências
entre gerações, uma
alquimia, um prazer.
Aprendo todos os dias.
para especialização em Língua e Literatura Espanhola pelo Instituto de Cooperación Iberoamericana. As experiências no
exterior trouxeram o autoconhecimento.
“Aprendi a viver comigo e a ser minha companhia. O que fala é o silencio interior. É um
exercício difícil, mas contribuiu para minha
formação pessoal”, recorda.
Os livros sempre foram bons companheiros de Maria Eunice. Já teve mais de 5
mil exemplares, doou muitos para a PUCRS
e hoje tem mais de 3 mil. Entre suas obras
preferidas estão Os Lusíadas, onde sempre
encontra passagens que pode aplicar em
diferentes situações da vida. Philip Roth,
Ítalo Calvino e Jorge Luis Borges são alguns
de seus escritores favoritos, além de José
de Alencar. “Gosto muito de história da
literatura, romance e literatura brasileira
contemporânea”, conta.
Da cozinha não é muito amiga, mas
“sei digitar bem o telefone dos restaurantes”, brinca. Estudou piano
durante oito anos e é aficcionada por
música, especialmente erudita. Já visitou Egito, Marrocos, Grécia, Hungria,
Suíça, Alemanha, França, Itália, China,
EUA, México e quase toda a América do
Sul, entre outros países. Tem uma casa em
São Francisco de Paula, onde planta flores
e cuida do jardim. “Gosto muito de arquitetura e de observar a paisagem. Vou pintando mentalmente as casas e mudando o
cenário, fazendo alterações arquitetônicas
3
imaginárias”, revela. 3
4448
EU ESTUDEI NA PUCRS
O NÚMERO 15
da Odontologia
gaúcha, José
Johann mantém
consultório
493
3
não se agradava, até que foi estimulado a ingressar no curso de Odontologia da PUCRS, na década
de 1950, por Elias Cirne
Lima – o fundador, que
liderou um movimento
para separar a área da
Medicina. Estudava
no Colégio Rosário,
onde se dariam as
aulas da Universidade. “Contrataram
professores espetaculares”, recorda.
No final do segundo ano, tornou-se monitor e o pai
(que era guarda-livro,
contador) não precisou
mais arcar com as mensalidades. Depois de formado,
continuou como professor assistente de Prótese por cinco anos. Foi
um dos pioneiros do curso no Campus
Central. “Era uma dificuldade chegar.
Ia de carro pelo Beco do Salso, uma
pista de terra que saía no Champagnat. O Riacho Ipiranga passava
nos fundos; era limpo. Quando
éramos crianças, tomávamos
banho lá, nos piqueniques do
Rosário. Parece incrível, hoje não
dá nem para olhar.” A vantagem
é que tinha muito cliente na região afastada da cidade.
A distância e a remuneração
o fizeram dedicar-se apenas ao
consultório e ao Sesi, como dentista do Sindicato dos Metalúrgicos.
Guarda até hoje um abaixo-assinado
dos estudantes do curso pedindo que reconsiderasse a decisão. Constam na lista os
alunos Raphael Loro, que décadas depois se
tornou diretor da Faculdade, e Jair Soares,
mais tarde governador do Estado.
Conheceu a esposa, a professora primária Matilde, aos 19 anos. Ficou viúvo em
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osé Johann tem o registro número 15
do Conselho Regional de Odontologia,
que ajudou a criar, com colegas da
PUCRS. Aos 81 anos, segue trabalhando
três vezes por semana. Nos demais dias, vai
às compras para o gabinete dentário, passa
no banco, coloca roupa para lavar, mantém
a casa, faz receitas da avó (consultando um
livro quase comido por cupins), prepara o
jantar (nhoque e bacalhau são algumas
de suas especialidades) e cuida de flores
e plantas. A antiga casa dos pais, no bairro
Higienópolis, virou o seu jardim. E espalhou
rosas, pitaias e orquídeas na cobertura do
apartamento onde mora, que fica ao lado.
Às vezes, vai a pé até o Mercado Público,
4,5 quilômetros de distância. “É logo ali.
Levo 45 minutos. Eu fico gozando, porque
é tudo entupido de carro e eu sigo.” Aos domingos, o destino da caminhada é o Parque
da Redenção.
Acorda perto das 4h30min com o canto
de um sabiá e fica mais uma hora na cama.
Vai para o consultório, que fica a poucos
metros, antes das 7h. “A cidade já está em
polvorosa.” Na sala de espera, notam-se
quadros de sua autoria. A cortina foi feita
por ele numa máquina Singer. Afeito a engenhocas, também adaptou um compressor e faz a manutenção dos equipamentos
dentários. Em casa mantém inclusive uma
oficina, com todo tipo de peças, aparelho
de solda e elétrica. Já não tem disposição
para consertar o Gol da década de 1980.
Mas a paixão foi transferida para o filho,
Geraldo, que se formou em Engenharia
Mecânica. Chegou a ter um jipe candango
DKW que “juntava gente”.
Ele mesmo considera o gabinete dentário um museu. Com alvará de licença de
janeiro de 1967, mantém a cadeira e aparelhos da época. Atende gerações de famílias, pois é também odontopediatra. Seus
primeiros clientes foram os corredores Norberto Jung e Catarino Andreatta.
Um dos seus irmãos queria que seguisse sua profissão de médico, mas Johnann
N
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Vitalidade e
autonomia
Era uma dificuldade chegar
no Campus da PUCRS.
Ia de carro pelo Beco do
Salso, uma pista de terra
que saía no Champagnat.
O Riacho Ipiranga passava
nos fundos; era limpo.
Quando éramos crianças,
tomávamos banho lá, nos
piqueniques do Rosário.
2012, quando aprendeu a cozinhar e cuidar
da casa. “A morte é uma porcaria. A gente
3
deveria viver para sempre”, ri. 3
CARREIRA
44POR CA
FOTOS: GILSON OLIVEIRA
PARCERIA
AUXILIA na
formação
do perfil do
empreendedor
Consultoria para os
empreendedores da
Raiar: Ana Carolina
da Silva e Arthur De
Franceschi Brasil
A
dministrar competências pode ser
o pulo do gato para empresas nascentes obterem sucesso. Na Raiar
– Incubadora de Empresas da PUCRS –,
uma das assessorias oferecidas às startups
é realizada em parceria com o Escritório
de Carreiras (EC) e tem, justamente, esse
objetivo: orientar os profissionais na formação de uma carreira empreendedora. A
atividade teve início neste ano e integra um
dos pilares da certificação nacional Cerne,
para a qual a Raiar está trabalhando visando recebê-la. O objetivo da Cerne é criar
uma plataforma de soluções para ampliar
a capacidade da Incubadora em gerar empreendimentos bem-sucedidos.
As consultorias com os representantes
das empresas são prestadas pelo Escritório
de Carreiras e, a primeira fase consiste em
sete encontros individuais no período de
um ano, com duração de 30 minutos cada.
“A grande meta é promover o autoconhe-
cimento dos empreendedores para que
consigam comandar seus negócios, aproveitando as competências de cada um em
áreas estratégicas”, observa a psicóloga Ana
Carolina da Silva, do EC.
O perfil dos participantes é mapea­do
com o auxílio de testes que oferecem subsídios para que se possa lidar efetivamente
com situações de estresse, indicando formas de melhorar a comunicação entre os
sócios. A identificação de características de
liderança e ajustes de habilidades profissionais e pessoais, segundo Ana Carolina, são
questões importantes para o desenvolvimento do empreendedor.
O professor e coordenador do Escritório de Carreiras, André Duhá, acrescenta
que, no segundo ano de consultorias, os
empresários deverão elaborar um plano
de ação para o desenvolvimento das competências necessárias à jornada empreendedora. “A ideia dessa etapa é enfatizar
alinhadas
a importância do gerenciamento de suas
carreiras”, destaca Duhá.
De acordo com a gerente da Incubadora, Flavia Cauduro, a atividade está alinhada
ao novo momento da Raiar, que vem aprimorando os processos de assessoramento
aos in­cubados. “Sabemos que boas ideias
só se transformam em negócios se forem
exe­cutadas com sabedoria, por isso estamos focando em desenvolver os perfis
dos empreendedores da Raiar, para que
saibam a direção a seguir e contribuam
com o funcionamento orgânico de suas
empresas”, defende.
Por enquanto, apenas as empresas
Goga Tecnologia, SmartMoney Consultoria Financeira, Smartlife e Izee recebem o
acompanhamento, mas, conforme Flavia,
a expectativa é atender a todas as novas
startups da In­cubadora. “A parceria entre
a Raiar e o Escritório de Carreiras será du3
radoura”, projeta. 3
Trabalho em sintonia
Os resultados da consultoria do Escritório de Carreiras para
os empreendedores da Raiar já são observados. Flávio Pereira,
da Izee, considera a iniciativa excelente. “Conseguimos refletir
sobre nossas diferenças. Descobrimos com os atendimentos que
temos perfis complementares e nos organizamos melhor nas
tomadas de decisões do dia a dia”, revela o jovem empresário.
Ao lado dos sócios Thales Sarubbi, Marlon Quadros e Thiago
Galbeno, Flávio desenvolveu um aplicativo chamado we go, que
informa qual ônibus os pedestres podem pegar, optando por
ruas sem congestionamento.
Arthur De Franceschi Brasil, da Goga, revela que ele e os
sócios José Rodolfo Masiero e
Paulo Ricardo Masiero imaginavam ter perfis complementares, mas não sabiam como
Flávio Pereira (E
e Thales Sarubb )
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unificar as competências de cada um. “Após o resultado da avaliação de perfil e de algumas conversas com a orientadora, definimos
com mais clareza nossas responsabilidades. Por sermos novos empreendedores e sem capital para contratar grandes equipes, muitas
vezes assumimos a linha de frente em territórios que não dominamos. Isso dificulta a tomada de decisões. Com as consultorias recebidas, sabemos quem denominar para cada atividade”, observa.
Os economistas Ricardo Dias e Felipe Saldanha, sócios na
SmartMoney, complementam que os resultados dos encontros
são percebidos na forma
como se relacionam com os
clientes. “Aprimoramos a
abordagem, o que contribui
com a fidelização dos novos
consumidores do nosso serviço”, finalizam.
Ricardo Dias (D
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