Análise Técnica Conceitos [Type the document subtitle] Análise Técnica – Principais conceitos, indicadores e formações gráficas A Análise Técnica (AT) tem por objetivo fornecer indicações dos movimentos ou formação de preços de um ativo, por forma a determinar o momento certo de comprar ou vender os títulos, aplicando-se a ativos diversificados, como índices, ações ou matérias-primas. Murphy (1999) definiu a AT assente em três pilares: o preço desconta tudo (tudo o que ocorre na vida de um ativo está refletido na sua cotação de mercado e por conseguinte no gráfico de evolução histórica); o mercado move-se por tendências (ao longo do tempo, encontramos ciclos bem definidos de subidas e descidas mais ou menos prolongados); e, a história repetese (os investidores seguem padrões de comportamento que os levam a reagir de forma semelhante a situações idênticas, levando-os a repetir no futuro movimentos semelhantes aos que efetuaram no passado). Conceitos e Indicadores Suportes – o oposto das resistências. Os suportes são valores mínimos na cotação histórica, correspondentes a um nível ou área onde a atracão pela compra é suficientemente forte para eliminar a pressão vendedora, tendo como consequência a subida do preço da ação. A quebra em baixa de um suporte transforma-o numa resistência. Resistências – o oposto dos suportes. As resistências são valores máximos na cotação histórica, correspondentes a um nível ou área onde a atracão pela venda é suficientemente forte para eliminar a pressão compradora, tendo como consequência a descida do preço da ação. A quebra em alta de uma resistência transforma-a num suporte. Linhas de tendência – definem a direção em que o mercado está a transacionar. A linha de tendência positiva é traçada pela união de dois mínimos relativos consecutivos e a de tendência negativa resulta da união de dois máximos relativos consecutivos. A linha será tanto mais relevante quantos mais mínimos ou máximos relativos estiverem sobre ela. Diz-se que a tendência é de subida (uptrend) quando os máximos e os mínimos são cada vez mais elevados e de descida caso contrário (downtrend). Quando os ativos seguem sem tendência definida, diz-se que estão a lateralizar (sideways). O sinal de reversão é dado quando o ativo vier abaixo da linha de mínimos (sinal bearish) ou acima da linha de máximos (sinal bullish). Médias Móveis (MM) – são dadas pela média das cotações de um determinado número de sessões. É um indicador seguidor de tendência, cujo objetivo é identificar o início/fim de um movimento. Numa análise mais simples, o sinal de compra/venda é dado quando o preço cruza em alta/baixa a MM. Numa estratégia baseada em MM de diferentes prazos, será dado um sinal de compra/venda sempre que a MM curta passar para cima/baixo da longa. Neste caso, a combinação de prazos mais utilizada é de 5 e 20 sessões para a MM de curto e longo prazo, respetivamente. Este tipo de estratégias funciona melhor em mercados com tendência definida. Fibonacci – na sequência de Fibonacci (1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, ...), em que um algarismo é dado pela soma dos dois anteriores, a partir de determinada ordem o rácio de um número dividido pelo seu sucessor é de 61,8%. Este nível, juntamente com o 38,2% (100% - 61,8% = 38,2%), e o 50%, são chamados de níveis de correção de Fibonacci. O de 61,8% é tido em conta nas correções fortes de mercado, enquanto o de 38,2% para correções mais fracas. Consequentemente, o rácio da divisão de um número na sequência de Fibonacci pelo seu antecessor é 161,8%, logo os níveis 138,2%, 150% e 161,8% são os mais usados em tendências positivas para as projeções de price target de Fibonacci. Por exemplo, de acordo com os níveis de Fibonacci, uma empresa que tenha avançado de €1 para €1,50 terá um primeiro nível de suporte de curto prazo nos €1,31 (correção de 38,2% dos 50% de subida) e no longo prazo nos €1,19 (correção de 61,8% dos 50% da subida). No caso da projeção, o preço alvo para o curto prazo situar-se-ia nos €1,69 (correspondente ao movimento anterior multiplicado por 138,2%) e a de longo prazo nos €1,81 (projeção de 161,8% dos 50% da subida anterior). OBV (On Balanced Volume) – criado por Granville (1963), é utilizado para confirmar a tendência do mercado. O indicador soma o volume das sessões positivas e subtrai o das sessões negativas. A tendência do mercado será forte se for acompanhada pelo mesmo movimento no OBV (queda ou subida), caso contrário será um sinal de reversão. MACD (Moving Average Convergence/Divergence) – desenvolvido por Appel (1985), o MACD combina duas médias móveis exponenciais de preços de fecho. O sinal de compra é dado quando a linha do MACD cruza em alta a média mais lenta e vice-versa. Pode usar-se o histograma do MACD para ter uma indicação da força da tendência atual do ativo: histograma acima de zero com tendência de queda indica fraqueza da tendência positiva do mercado e vice-versa. RSI (Relative Strength Index) – desenvolvido por Wider (1978), é provavelmente o oscilador mais utilizado em AT. Varia entre 0 e 100 e é determinado pela fórmula RSI = 100 – 100 / (1 + RS), sendo o RS o rácio entre a média das variações positivas e a média, em valor absoluto, das variações negativas, num determinado período (14 sessões é o mais usual). Valores acima de 70 indicam que o mercado está sobrecomprado (overbought), enquanto abaixo de 30 indicam território sobrevendido (oversold). Quando o RSI está acima de 70 ou abaixo de 30, divergência entre o indicador e o índice subjacente indica reversão da tendência. Pág. 2/6 Estocásticos – oscilador popularizado por Lane (1998), que utiliza duas linhas, que variam entre 0 e 100, por forma a determinar a posição relativa do título no último fecho, face ao intervalo de preços em que transacionou nas últimas x sessões. A linha principal, denominada por %K é dada por CFi − min n %K = max n − min n em que CFi – cotação de fecho da ação na sessão i; min n – mínimo de n sessões na cotação da ação, incluindo a sessão i; max i – valor máximo na cotação da ação na sessão i. A segunda linha corresponde a uma média móvel de %K, com um período escolhido. Valores acima de 80 correspondem a terreno sobrecomprado e abaixo de 20 a terreno sobrevendido. O sinal de compra é dado quando ambas as linhas estão abaixo dos 20 e a linha principal cruza em alta a sua média móvel. O sinal de venda surge quando a linha principal cai abaixo da média móvel, estando ambas acima dos 80. Formações gráficas As formações gráficas são, juntamente com suportes/resistências e linhas de tendência, a mais forte componente da AT, fornecendo projeções de curto, médio e longo prazo, para a cotação de uma empresa cotada em bolsa, com o volume a ser um indicador bastante importante na confirmação de um movimento. Triângulos - movimentos entre duas linhas de tendência, que vão convergindo para uma cotação, com decréscimo de volume até à quebra da figura. Nos triângulos ascendentes a linha de tendência superior horizontal converge com a inferior de tendência ascendente, demonstrando que os mínimos são cada vez maiores (sinal bullish). Nos triângulos descendentes, a linha de mínimos é horizontal, enquanto a superior é descendente, revelando máximos cada vez mais pequenos (sinal bearish). Os triângulos simétricos são por norma um padrão de continuação de tendência, representando uma pausa no movimento e são dados pela convergência de uma linha de tendência inferior positiva e uma linha superior negativa. O preço objetivo é dado pela projeção da base da figura, no sentido do movimento e a partir do ponto de quebra. Triângulo Simétrico Google - Out 05 a Set 06 Triângulo Ascendente Bayer - Set 06 a Jan 07 Triângulo Descendente DJ Euro Stoxx - Set 07 a Jan 08 Pág. 3/6 Canais de tendência – são obtidos traçando uma paralela à linha de tendência de um ativo, por forma a identificar uma banda de preços (de curto, médio ou longo prazo) onde o mesmo transaciona. A estratégia de investimento passa por adotar posições longas (compra) sempre que o ativo se encontra próximo da base do canal (suporte) e posições curtas (venda) junto ao topo do canal (resistência). Os canais de tendência podem ser formados em movimentos de subida, queda ou lateralização, sendo por isso designados de canais ascendentes, descendentes ou retângulos, respetivamente. Canal Ascendente Indice das Commodities – 2002 a 2006 Canal Descendente EDP – Mar 00 a Mai 03 Rectângulo Portugal Telecom – Fev 06 a Out 07 Bandeira – padrão de continuação, marcado por um movimento de consolidação e quebra de volume, por norma com duração inferior a três semanas, em forma de retângulo, que sucede a um movimento de variação acentuada de preço (género de haste). A projeção é dada pela altura da haste, a partir da cotação de quebra do retângulo. O Pennant é semelhante à Bandeira, mas em que a formação verificada na consolidação é um triângulo. Bandeira DAX – Jan/ Fev 06 Cup with Handle – formação gráfica pouco frequente mas das mais eficazes, que se assemelha a uma chávena com asa. Sendo uma formação de mais longo prazo, mostra uma formação de preços muito lenta, com quebra de volume, criando uma base (suporte) ou topo (resistência) bastante sólida, seguida de um movimento forte, com aumento de volume. Após uma reação a esse movimento (handle) é esperado que os preços continuem a tendência demonstrada na quebra. Cup with Handle Sonae – Mar 02 a Dez 04 Pág. 4/6 Head & Shoulders Top – é a formação de reversão de tendência mais conhecida. Em tendência de subida, no topo do mercado, surgem três picos semelhantes, uma cabeça (head, pico mais elevado ao meio) e dois ombros (shoulders, esquerdo e direito, com altura semelhante), sinalizando o final de uma tendência de subida. O volume é tendencialmente mais fraco no ombro direito e forte na quebra de neckline (linha de suporte traçada na base da cabeça). A projeção da queda é dada pela distância entre a cabeça e a neckline, traçada a partir do ponto de quebra. Este padrão também se verifica em tendência de queda, designado por Head & Shoulders invertido, com a cabeça e ombros a serem definidos por três mínimos consecutivos de mercado, sendo o central mais baixo que os restantes. Cabeça Ombro Esquerdo Ombro Direito Neckline Head & Shoulders Stoxx 600 – Mai 06 a Nov 08 Triple Top/Triple Bottom – um sinal de inversão na tendência ocorre quando um ativo reage pela terceira vez ao tocar no nível máximo/mínimo anterior. É em tudo semelhante à formação de um Head & Shoulders, com a particularidade do máximo/mínimo atingido na formação da cabeça ser ao mesmo nível dos restantes dois (ombros). Um Triplo Topo é formado no final de uma subida e uma Tripla Base é formada no final de uma descida. Triple Bottom Crude – Dez 08 a Mar 09 Double Top/Double Bottom – um sinal de inversão na tendência ocorre quando um ativo reage pela segunda vez ao tocar no nível máximo/mínimo anterior. Um Duplo Topo é formado no final de uma subida e uma Dupla Base é formada no final de uma descida. Double Top Philadelphia Semicondutores – Fev 06 a Jan 08 Pág. 5/6 Millennium investment banking Equity Research - Market Analysis António Seladas, CFA (Head), Ramiro Loureiro, Sónia Martins, Publishing Sónia Primo Referências Bibliográficas Appel, G.(1985), The Moving Average Convergence-Divergence Trading Method (Advanced Version). Granville, Joseph E. (1963), New Key to Stock Market Profits. Lane, George C., Caire (1998), Getting Started With Stochastics, 2-3. Murphy, John J. (1999), Technical Analysis of the Financial Markets. Declarações (“Disclosures”) Este relatório foi elaborado em nome de Millennium investment banking (Mib), marca registada do Banco Comercial Português, S.A. (Millennium bcp). Prevenções (“Disclaimer”) A informação contida neste relatório tem caráter meramente informativo e particular, sendo divulgada aos seus destinatários, como mera ferramenta auxiliar, não devendo nem podendo desencadear ou justificar qualquer ação ou omissão, nem sustentar qualquer operação, nem ainda substituir qualquer julgamento próprio dos seus destinatários, sendo estes, por isso, inteiramente responsáveis pelos atos e omissões que pratiquem. Assim e apesar de considerar que o conjunto de informações contidas neste relatório foi obtido junto de fontes consideradas fiáveis, nada obsta que aquelas possam, a qualquer momento e sem aviso prévio, ser alteradas pelo Banco Comercial Português, S.A.. Qualquer alteração nas condições de mercado poderá implicar alterações neste relatório. As opiniões aqui expressas podem ser diferentes ou contrárias a opiniões expressas por outras áreas do grupo BCP, como resultado da utilização de diferentes critérios e hipóteses. Não pode, nem deve, pois, o Banco Comercial Português, S.A. garantir a exatidão, veracidade, validade e atualidade do conteúdo informativo que compõe este relatório, pelo que o mesmo deverá ser sempre devidamente analisado, avaliado e atestado pelos respetivos destinatários. Os investidores devem considerar este relatório como mais um instrumento no seu processo de tomada de decisão de investimento. O Banco Comercial Português, S.A. rejeita assim a responsabilidade por quaisquer eventuais danos ou prejuízos resultantes, direta ou indiretamente da utilização da informação referida neste relatório independentemente da forma ou natureza que possam vir a revestir. A reprodução total ou parcial deste documento não é permitida sem autorização prévia. Os dados relativos aos destinatários que constam da nossa lista de distribuição destinam-se apenas ao envio dos nossos produtos, não sendo suscetíveis de conhecimento de terceiros. Pág. 6/6