LIGAÇÃO À REDE NACIONAL DE TRANSPORTE DE ELETRICIDADE, A 400 kV, DO APROVEITAMENTO
HIDROELÉTRICO DE FOZ TUA
ESTUDO DE IMPACTE AMBIENTAL
ANEXO 13
RELATÓRIO SOBRE VALORES GEOLÓGICOS
Ligação à Rede Nacional de Transporte de Eletricidade, a 400 kV, do Aproveitamento Hidroelétrico de Foz Tua
Estudo de Impacte Ambiental. Volume III – Anexos. Tomo II. Anexo 13
ÍNDICE DE TEXTO
1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................................... 2
2. GEOSSÍTIOS - VALORES DO PATRIMÓNIO GEOLÓGICO ........................................................................................... 4
3. GEOSSÍTIOS NA REGIÃO DO PROJETO .................................................................................................................. 5
4. O PROJETO DA LINHA DE ALTA TENSÃO FOZ TUA - ARMAMAR, A 400 KV, E OS VALORES DO PATRIMÓNIO
GEOLÓGICO ........................................................................................................................................................ 8
5. CONCLUSÃO ..................................................................................................................................................... 10
6. BIBLIO E WEBGRAFIA ......................................................................................................................................... 11
ÍNDICE DE QUADROS
Quadro 3.1. - Locais de interesse geológico na área de desenvolvimento do projeto (1 a 8 geossítios
inventariados pela PROGEO; 9 geossítio inventariado pela LNEG) ....................................................................... 5
Quadro 3.2. - Alguns locais de interesse geomorfológico na área de desenvolvimento do projeto ......................... 7
Quadro 4.1. - Implicações do projeto sobre os Geossítios. ..................................................................................... 8
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1.1 – Esquema gráfico dos trechos das alternativas consideradas .............................................................. 3
LISTA DE SIGLAS
FMVB – Falha Manteigas – Vilariça – Bragança
FPRV – Falha Penacova – Régua – Verin
LNEG – Laboratório Nacional de Energia e Geologia
PROGEO – Associação Europeia para a Preservação do Património Geológico
LISTA DE APÊNDICES
APÊNDICE I – Tabela com os geossítios identificados
APÊNDICE II – Mapa com a localização dos geossítios
Ligação à Rede Nacional de Transporte de Eletricidade, a 400 kV, do Aproveitamento Hidroelétrico de Foz Tua
Estudo de Impacte Ambiental. Volume III – Anexos. Tomo II. Anexo 13
1
1. INTRODUÇÃO
O presente relatório foi elaborado no âmbito do Estudo de Impacte Ambiental (EIA), em fase de Estudo
Prévio, da Ligação à Rede Nacional de Transporte de Eletricidade – RNT(E), a 400 kV, do Aproveitamento
Hidroelétrico de Foz Tua (AHFT). Este projeto tem como proponente a EDP - Gestão da Produção de
Energia, S.A., concessionária do AHFT.
O EIA foi precedido de uma Proposta de Definição do Âmbito do EIA (PDA), submetida, em novembro de
2012, à APA - Agência Portuguesa do Ambiente, I.P., enquanto Autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental
(AIA). A PDA foi sujeita a consulta pública e objeto de parecer, em março de 2013, por parte da Comissão de
Avaliação, nomeada para o efeito pela Autoridade de AIA.
A elaboração do EIA teve em consideração a PDA e o respetivo Parecer da Comissão de Avaliação, que já
integrou os resultados da consulta pública.
A EDP – Gestão da Produção de Energia, S.A. adjudicou a elaboração do projeto técnico e dos estudos
ambientais à CME – Construção e Manutenção Eletromecânica, S.A.; o projeto técnico da linha é da
responsabilidade da EGSP - Energia e Sistemas de Potência, Lda., e a elaboração do EIA é da
responsabilidade da ECOBASE – Estudos e Soluções Sustentáveis, Lda. O presente relatório relativo a
Valores Geológicos, que é parte integrante do EIA deste projeto, é da responsabilidade de CONGEO –
Consultores de Geologia, Lda., tendo envolvido os seguintes técnicos:
- Benedito Calejo Rodrigues (Geólogo, FCUP; Mestre em Geologia, FCUP);
- Sónia Sousa Silva (Geóloga, FCUP; Mestre em Remediação Ambiental, FCUP);
- Irene Nunes de Palma (Técnica Superior de Ambiente, FCUP; Mestre em Remediação Ambiental, FCUP).
No capítulo 1 do Relatório do EIA são descritos pormenorizadamente os antecedentes do EIA.
O projeto destina-se ao transporte da energia elétrica a produzir no AHFT para entrega na Rede Nacional de
Transporte de Eletricidade, concessionada à REN - Rede Elétrica Nacional, S.A. Atendendo ao escalão de
tensão necessário (400 kV), essa entrega deve ter lugar na Subestação de Armamar ou, através de uma
instalação designada como Posto de Corte, na Linha Armamar-Lagoaça, a 400 kV.
O EIA analisa oito alternativas possíveis para a ligação do AHFT à RNT(E), que já constavam da PDA:
-
Solução 1;
Solução 2, que se subdivide em quatro soluções alternativas;
Solução 3, que se subdivide em duas soluções alternativas;
Solução 4.
Na travessia do rio Tua pela Solução 2 (e pela Solução 3, que coincide nesse trecho com a Solução 2) foram
consideradas duas alternativas: travessia a cerca de 400 m a montante da Barragem de Foz Tua (Soluções 2SI,
2SM e 3S) ou travessia a cerca de 2 km a montante da barragem (Soluções 2NI, 2NM e 3N).
Na zona da Valeira, a Solução 2 aproveita o corredor de duas linhas existentes a 220 kV (Mogadouro-Valeira e
Valeira-Armamar), analisando-se no EIA duas alternativas para este trecho em que se efetua a travessia do rio
Douro: a construção de uma nova linha a 400 kV, independente das existentes (Soluções 2SI e 2NI), ou a
construção de uma nova linha mista, a 220/400 kV, e posterior desmontagem das referidas linhas de 220 kV
(Soluções 2SM e 2NM).
Todas as soluções alternativas têm um início comum, na Central de Foz Tua, a jusante da Barragem de Foz
Tua.
2
Ligação à Rede Nacional de Transporte de Eletricidade, a 400 kV, do Aproveitamento Hidroelétrico de Foz Tua
Estudo de Impacte Ambiental. Volume III – Anexos. Tomo II. Anexo 13
As Soluções 1, 2SI, 2SM, 2NI, 2NM e 4 terminam na Subestação de Armamar e desenvolvem-se em ambas
as margens do Douro, tendo como limite nascente a Barragem da Valeira e como limite poente a Barragem da
Régua.
As Soluções 3S e 3N desenvolvem-se inteiramente na margem direita do Douro, terminando na margem
esquerda do rio Sabor, no Posto de Corte que assegura a ligação à Linha existente Armamar-Lagoaça.
Numa parte significativa da sua extensão as alternativas têm trechos comuns. Por este motivo, as alternativas
consideradas no EIA podem ser analisadas como resultado da combinação de catorze trechos, designados de
A a M. Na Figura 1.1 apresenta-se o esquema de combinação dos trechos. O capítulo 3 do Relatório do EIA
descreve, de forma pormenorizada, o projeto e as alternativas analisadas.
Figura 1.1 – Esquema gráfico dos trechos das alternativas consideradas
O projeto localiza-se na Região Norte, no vale do rio Douro. Os traçados das soluções alternativas atravessam
o território de dez municípios: Alijó, Armamar, Carrazeda de Ansiães, Lamego, Peso da Régua, Sabrosa, São
João da Pesqueira, Tabuaço, Torre de Moncorvo e Vila Real. Na secção 3.2 do Relatório do EIA e no
Desenho 1 do EIA (Vol. IV – Peças Desenhadas) é apresentada a divisão administrativa, até ao nível da
freguesia, do território atravessado; nos Desenhos 2 e 3 (Vol. IV – Peças Desenhadas) apresenta-se a
localização das diferentes alternativas consideradas na escala 1:50.000 e 1:25.000, respetivamente. No
Desenho 4 (Vol. IV – Peças Desenhadas) apresenta-se a implantação das alternativas num ortofotomapa na
escala 1:15.000.
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2. GEOSSÍTIOS - VALORES DO PATRIMÓNIO GEOLÓGICO
Portugal é um país com uma grande diversidade de paisagens e, o caso particular do rio Douro é um notável
exemplo dessa diversidade. Muitas destas paisagens resultam da dinâmica terrestre que se regista na sua
superfície, nalguns (ou muitos) locais pontuada também por registos da dinâmica interna do planeta.
O dinamismo do planeta resulta na ocorrência de uma grande variedade de elementos geológicos, tais como
minerais, fósseis, rochas, morfologias, etc., cujo conjunto é habitualmente designado como geodiversidade.
Portugal, sendo um país de dimensões relativamente reduzidas é, contudo, um dos países onde se regista uma
grande geodiversidade. É igualmente reconhecido que sempre que ocorre uma grande geodiversidade, a esta se
associa uma elevada biodiversidade e, também, um arranjo paisagístico de elevada beleza e raridade. Podemos,
então, afirmar que a geodiversidade possui um enorme valor científico, mas também pedagógico, pois pode
permitir-nos compreender o funcionamento do nosso planeta (Brilha et alia, 2012).
Para lá dos aspetos atrás referidos, a geodiversidade é igualmente importante para conhecermos os processos
naturais que ocorrem no nosso planeta. O conhecimento que os geocientistas vão acumulando, quando
identificam, inventariam e estudam locais onde os fenómenos geológicos se encontram bem preservados,
permite-lhes promover estudos que contribuem de forma inequívoca para o progresso das ciências da Terra,
permitindo a sua aplicação na melhoraria das condições de vida das populações das áreas envolventes.
Os locais, onde os fenómenos geológicos se encontram representados de forma notável, são designados por
geossítios (Brilha et alia, 2012), embora outros autores, em trabalhos anteriores tenham proposto outras
designações, tais como: i) locais de interesse geológico (LIG) e ii) sítios de interesse geológico (SIG). Contudo,
na atualidade o termo mais utilizado e comummente aceite é o de geossítio.
A inventariação de geossítios ocorrentes em Portugal, ocorreu entre 2007 e 2010, num projeto coordenado pela
Universidade do Minho mas que contou com a colaboração de outras universidades e instituições que, de
alguma forma, estão ligadas às Ciências da Terra. Este trabalho resultou na inventariação de 350 geossítios,
que, entre outras particularidades, são locais que podem apresentar, associado ao seu elevado valor científico,
um elevado valor pedagógico ou um alto valor estético (www.progeo.pt).
4
Ligação à Rede Nacional de Transporte de Eletricidade, a 400 kV, do Aproveitamento Hidroelétrico de Foz Tua
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3.
GEOSSÍTIOS NA REGIÃO DO PROJETO
Para a identificação (e inventariação) de um geossítio ocorrente numa determinada região, podem ser acionadas
as seguintes estratégias:
- consulta da PROGEO – Portugal;
- consulta do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG);
- consulta de arquivos pessoais;
- realização de eventual trabalho de campo.
Considerando as características deste trabalho, foi decidido optar pelas estratégias referidas anteriormente mas
sem a realização dos trabalhos de campo, até porque o trabalho até agora desenvolvido pela PROGEO e pelo
LNEG tem resultado numa cobertura muito eficaz, no que diz respeito à inventariação de geossítios.
Assim, para a região interessada por este projeto (ao nível de concelho envolvido), encontram-se registados
nove locais que revelam interesse geológico, quer do ponto de vista científico, quer do ponto de vista pedagógico
(ver Apêndice II). Estes locais encontram-se caracterizados, ainda que de forma resumida, no Quadro 3.1.
Quadro 3.1. - Locais de interesse geológico na área de desenvolvimento do projeto (1 a 8 geossítios inventariados pela
PROGEO; 9 geossítio inventariado pela LNEG)
Nº
1*
Geossítio
Interesse Científico –
Pedagógico
Breve descrição
Distrito e
Concelho(s)
Ordovícico da Zona
Centro-Ibérica
Camadas com ferro oolítico, que são
parte integrante do jazigo de ferro de
Moncorvo
Bragança –
Moncorvo
Rib. Do Mosteiro, Calç. de
Alpajares e Muro de
Abalona
Ordovícico da Zona
Centro-Ibérica
Conjunto de dobras com múltiplos
padrões de dobramento, à escala
micro, macro e mesoscópica, na
sequência quartzítico do Membro
Ermida (Formação Marão)
Bragança – Freixo
de Espada-àCinta
Pedreiras dos Xistos do
Poio
Transversal à Zona de
Cisalhamento Varisco em
Portugal
Bom exemplo da sedimentação
flyschóide profunda associada ao
Paleozoico inferior do autóctone da
zona Centro-Ibérica.
Guarda – V. N de
Foz Coa
Quinta do Vale Meão
Neotectónica em Portugal
Continental
Único afloramento acessível onde se
observam sedimentos quaternários
afetados pela FMVB, constituindo
evidência de atividade neotectónica
nesta estrutura
Bragança –
Moncorvo
Quinta da Terrincha
Neotectónica em Portugal
Continental
Zona de afloramentos da falha que
estabelece o bordo oriental da bacia
tectónica da Vilariça
Bragança –
Moncorvo
Longroiva
Neotectónica em Portugal
Continental
Única zona de afloramento da falha
que estabelece o bordo ocidental da
bacia tectónica da Longroiva
Guarda – Meda
Camada de ferro oolítico
de Chão do Amieiral
2*
3*
4*
5*
6*
Ligação à Rede Nacional de Transporte de Eletricidade, a 400 kV, do Aproveitamento Hidroelétrico de Foz Tua
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5
Nº
Geossítio
Interesse Científico –
Pedagógico
Breve descrição
7*
Bacia de Vila Real, Ponte
da Petisqueira
Neotectónica em Portugal
Continental
Um dos raros afloramentos na bacia
tectónica de Vila Real
Vila Real – Vila
Real
Bacia de Vila Real, Ribeiro
da Marinheira
Neotectónica em Portugal
Continental
Único afloramento onde se observam
sedimentos quaternários,
provavelmente afetados pela FPRV
Vila Real – Vila
Real
Jazida de Icnofósseis de
Soutelo do Douro
Icnofósseis câmbricos
referenciados e
classificados, no
“Complexo XistoGrauváquico”
Na base das bancadas de
metaquartzovaque encontram-se
icnofósseis meandriformes, que
foram consideradas como Planolites
Viseu – São João
da Pesqueira
8*
9**
Distrito e
Concelho(s)
Fonte:* Local de interesse geológico inventariado pela PROGEO; ** Local de interesse geológico inventariado pelo LNEG (informação
fornecida/obtida em 14-06-2013); FMVB – Falha Manteigas – Vilariça – Bragança; FPRV – Falha Penacova – Régua – Verin.
Dos nove locais de interesse geológico apresentados no quadro acima (Quadro 3.1), apenas o Geossítio nº9, a
Jazida de Icnofósseis de Soutelo do Douro, se situa próximo das alternativas consideradas em estudo. Este
geossítio dista cerca de 880m da alternativa 1, ou seja, ainda a uma distância bastante segura em relação a
qualquer interferência, localizando-se no interior do corredor de 2km.
Dados mais desenvolvidos sobre estes geossítios, poderão ser consultados na tabela que se apresenta no
Apêndice I.
Além dos locais de interesse geológico (científico e pedagógico), é possível, identificar locais que, quer pela sua
singularidade paisagística quer pela geomorfologia que apresentam, podem ser devidamente destacados. Nesta
região, contudo, todo o vale do Douro forma uma paisagem de beleza única no nosso país e, como tal, todo ele
poderia ser diferenciado. Assim, apesar do que atrás está dito, optou-se por referir apenas três locais que
constituem exemplos representativos e de inegável beleza daquilo que é o vale do Douro. Estes locais, para lá
do seu valor paisagisto poderão ser designados como locais de interesse geomorfológico (ver Apêndice II). São
eles:
- São Leonardo da Galafura;
- Cachão da Valeira;
- São Salvador do Mundo.
Estes locais encontram-se caracterizados, ainda que de forma resumida, no Quadro 3.2.
6
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Quadro 3.2. - Alguns locais de interesse geomorfológico na área de desenvolvimento do projeto
Nº
10
11
12
Geossítio
São Leonardo da Galafura
Cachão da Valeira
São Salvador do Mundo
Interesse
Geomorfológico
Breve descrição
Distrito e
Concelho(s)
Promontório sobranceiro
ao Douro que atinge a
cota de 637metros
Miradouro, a meio caminho entre a
Régua e Vila Real, oferece um dos
mais extraordinários panoramas
sobre o rio Douro e os socalcos.
Cerca de 550 metros abaixo avistase o Douro, fluindo tranquilo.
Vila Real – Peso
da Régua
Zona de vale onde o
Douro
se
encontra
fortemente encaixado
O Cachão da Valeira corresponde a
um troço do rio que, até 1792, era
praticamente intransponível. Quando
se conseguiu a demolição de um
grande degrau pedregoso que o rio
possuía este troço passou a ser
navegável.
Bragança / Viseu
– Carrazeda de
Ansiães / São
João
da
Pesqueira
Promontório sobranceiro
ao Douro que atinge a
cota de 502metros
O miradouro de São Salvador do
Mundo está situado na margem
esquerda do rio Douro, sendo
constituído por um imponente cone
granítico com uma altitude de 502
metros e com um acentuado declive
para o rio
Viseu – São João
da Pesqueira
Fonte: Associação Portuguesa de Geomorfólogos.
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4.
O PROJETO DA LINHA DE ALTA TENSÃO FOZ TUA - ARMAMAR, A 400 KV, E OS VALORES DO
PATRIMÓNIO GEOLÓGICO
As soluções alternativas para o traçado da Linha de Alta Tensão Foz Tua – Armamar a 400 kV, desenvolvem-se
numa área onde se identificaram, para uma envolvente alargada (ou mesmo muito alargada) alguns valores do
património geológico, leia-se geossítios, com interesse científico e pedagógico.
A análise das implicações do projeto sobre os geossítios foi elaborada considerando cada um dos 14 trechos
autónomos que, conjugados, definem as 8 soluções alternativas de traçado para a linha de alta tensão em
comparação.
A metodologia adotada baseia-se no pressuposto de que a instalação/implantação de um corredor de Alta
Tensão pode afetar os geossítios que se apresentem classificados como apresentando maior vulnerabilidade,
caso ocupem a superfície do terreno na zona dos apoios dos postes de alta tensão, ou zonas onde se venham a
desenvolver acessibilidades para instalação desses apoios.
Numa primeira análise considera-se o eixo do traçado e, numa análise mais alargada, podemos considerar um
corredor com 2 km de largura (um quilómetro para cada lado do eixo do traçado). Esta abordagem é meramente
empírica e está claramente majorada, uma vez que não entra em consideração com os locais exatos dos apoios
dos postes de alta tensão.
Para cada trecho foi identificada a interseção do eixo do traçado, e de um corredor de 2 km de largura, com as
áreas onde ocorrem os geossítios. No Quadro 4.1. apresenta-se o resultado desta análise.
Quadro 4.1. - Implicações do projeto sobre os Geossítios.
8
Alternativas
Trechos
Interseção, pelo eixo
do traçado, de
geossítios
Interseção, num
corredor de 2km, de
geossítios
OBSERVAÇÕES
1; 2; 3; 4
A
-
-
Trecho sem implicações
1; 2; 3
B
-
-
Trecho sem implicações
1
C
-
O geossítio n.º 9 fica
no interior do corredor
de 2 km
Geossítio classificado como
sendo vulnerável
1; 2
D
-
-
Trecho sem implicações
2; 3
E
-
-
Trecho sem implicações
2; 3
F
-
-
Trecho sem implicações
2
GI
-
O geossítio n.º 11 fica
no interior do corredor
de 2 km
Geossítio de interesse
geomorfológico que fica em
pleno vale do Douro
2
GM
-
O geossítio n.º11 fica
no interior do corredor
de 2 km
Geossítio de interesse
geomorfológico que fica em
pleno vale do Douro
2
H
-
-
Trecho sem implicações
2; 3; 4
I
-
-
Trecho sem implicações
Ligação à Rede Nacional de Transporte de Eletricidade, a 400 kV, do Aproveitamento Hidroelétrico de Foz Tua
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Alternativas
Trechos
Interseção, pelo eixo
do traçado, de
geossítios
Interseção, num
corredor de 2km, de
geossítios
OBSERVAÇÕES
2; 3
J
-
-
Trecho sem implicações
3
K
-
-
Trecho sem implicações
4
L
-
O geossítio n.º10 fica
no interior do corredor
de 2 km
Este Geossítio ficará,
provavelmente, a uma cota
superior à do topo dos apoios
3
M
-
-
Trecho sem implicações
Assim, quando consideramos apenas o eixo do traçado nenhum trecho, ou alternativa, colocam qualquer valor
do património geológico em causa pois nenhum destes trechos interseta ou se aproxima dos geossítios
identificados.
Quando, por outro lado, consideramos o corredor com 2 km de largura:
- o trecho C da alternativa 1, abrange o geossítio classificado com o n.º 9 – Jazida de Icnofósseis de Soutelo
do Douro, geossítio classificado como sendo vulnerável;
- o trecho GI e GM da alternativa 2, cuja travessia do vale do Douro se processa na zona onde se encontra
implantada a barragem da Valeira, é uma área onde as infraestruturas de intervenção humana na paisagem
são já bastantes; estes trechos não irão alterar ou condicionar a fruição que se pode obter deste lugar de
interesse geomorfológico ou paisagístico;
- o trecho L da alternativa 4, cujo corredor de 2 km, interseta o geossítio n.º 10, é marginal e ocorre a uma
cota que é muito inferior à cota atingida pelo vértice geodésico de São Leonardo da Galafura.
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9
5.
CONCLUSÃO
A análise efetuada, à relação entre as alternativas de traçado e a presença de geossítios, diz-nos que,
genericamente, não haverá situações de qualquer tipo de incompatibilidade.
Excetua-se, nesta análise, situações pontuais, para as alternativas 1 (trecho C), alternativa 2 (trechos GI e GM) e
alternativa 4 (trecho L), onde, no corredor com 2 km de largura, se situam alguns dos geossítios identificados.
Refira-se, contudo, que mesmo estes geossítios encontram-se a uma distância da ordem dos 800-900 m em
relação ao eixo do traçado pelo que, a esta distância, não se prevê que qualquer ação relacionada com a fase
de construção ou com a fase de exploração deste projeto, possa causar qualquer dano aos geossítios
identificados.
10
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6.
BIBLIO E WEBGRAFIA
Brilha, J. & Pereira, P. (coordenadores) (2012) – Património Geológico – Geossítios a visitar em Portugal. Porto
Editora, Porto. 137pp.
http://www.geoportal.lneg.pt (acedido em julho de 2013)
http://www.progeo.pt (acedido em julho de 2013)
http://www.apgeom.pt (acedido em julho de 2013)
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Estudo de Impacte Ambiental. Volume III – Anexos. Tomo II. Anexo 13
11
Localização
Número
Geossítio
Coordenadasi
M
1
Camada de
ferro oolítico
de Chão do
Amieiral
2
Rib. Do
Mosteiro,
Calç. de
Alpajares e
Muro de
Abalona
3
Pedreiras
dos Xistos
do Poio
298816
304745
284965
Cartografia
P
Carta
Geológica
1/50.000
Carta
Topográfica
1/25.000
463596
11-D Carviçais
131 –
Carviçais
(Torre de
Moncorvo)
455799
454309
15-B –
Freixo de
Espada à
Cinta
15-A – Vila
Nova de
Foz Coa
Estratigrafia
Silúrico Inferior.
Formação de
Campanhó e
Ferradosa.
Interesse
Científico/Pedagógico/
Paisagístico
Caracterização
Ordovícico da Zona
Centro-Ibérica
-----
142 – Freixo
de Espada à
Cinta
Ordovícico.
Arenigiano. Formação
Quartzítica –
quartzitos inferiores e
xistos intermédios (?)
Ordovícico da Zona
Centro-Ibérica
Conjunto patrimonial constituído por dobras com múltiplos padrões de dobramento,
à escala micro, macro e mesoscópica, na sequência quartzítico do Membro Ermida
(Formação Marão, Floiano – Ordovícico Inferior). No topo da sequência observa-se
um estrato quartzítico verticalizado, com 5m de espessura e cerca de 20m de
altura, localmente conhecido por Muro de Abalona.
Este conjunto patrimonial assume uma relevante importância científica nos
domínios da tectónica, estratigrafia, sedimentologia, paleontologia, geomorfologia
e arqueologia.
141 – Vila
Nova de Foz
Coa
Câmbrico.
Supergrupo DúricoBeirão (Complexo
Xisto-Grauváquico),
Grupo do Douro.
Formação de
Desejosa – filitos
“listrados” com
intercalações de
metagrauvaques,
metaquartzovaques e
“calcossilicatados”.
Transversal à Zona de
Cisalhamento Varisco em
Portugal
Este geossítio é um bom exemplo da sedimentação flyschóide profunda associada
ao Paleozoico inferior do autóctone da zona Centro-Ibérica.
Ligação à Rede Nacional de Transporte de Eletricidade, a 400 kV, do Aproveitamento Hidroelétrico de Foz Tua
Estudo de Impacte Ambiental. Volume III – Anexos. Tomo II. Anexo 13. Apêndice I
1
Localização
Número
Geossítio
Coordenadasi
M
4
5
6
Quinta do
Vale Meão
Quinta da
Terrincha
Longroiva
283691
287526
278325
P
463607
474508
445442
Cartografia
Carta
Geológica
1/50.000
11-C –
Torre de
Moncorvo
11-C –
Torre de
Moncorvo
15-A – Vila
Nova de
Foz Coa
Estratigrafia
Interesse
Científico/Pedagógico/
Paisagístico
Caracterização
Carta
Topográfica
1/25.000
130 – Torre de
Moncorvo
Câmbrico.
Supergrupo DúricoBeirão (Complexo
Xisto-Grauváquico),
Grupo do Douro.
Formação de Pinhão
– filitos cloríticos,
quartzo-cloríticos e
metaquartzovaques
com magnetite.
Neotectónica em
Portugal Continental
Único afloramento acessível onde se observam sedimentos quaternários afetados
pela FMVB, constituindo evidência de atividade neotectónica nesta estrutura;
afloramento na extremidade meridional da bacia tectónica da Vilariça onde se
observa contacto por falha entre granitos muito cisalhados, a oeste, com um
depósito de terraço fluvial do rio Douro, a leste.
118 – Castedo
(Torre de
Moncorvo)
Quaternário.
Plistocénico.
Cascalheiras
poligénicas, arenitos
e argilas – Wurm?
Neotectónica em
Portugal Continental
Zona de afloramentos da falha que estabelece o bordo oriental da bacia tectónica
da Vilariça; num afloramento na linha de água que drena a escarpa de falha,
observa-se um espelho de falha estriado desenvolvido em rocha milonítica do soco
paleozoico e filão de quartzo associado à falha intensamente brechificado; num
afloramento em antiga pedreira observa-se o contacto por falha entre granitos
paleozoicos, a este, muito fraturados e brechificados com arenitos arcósicos
(Terciário), a oeste; diversos critérios cinemáticos nos planos de movimento
indicam desligamento esquerdo dominante.
150 - Meda
Câmbrico.
Supergrupo DúricoBeirão (Complexo
Xisto-Grauváquico),
Grupo do Douro.
Formação do Rio
Pinhão –
metagrauvaques com
intercalações de filitos
“listrados”.
Neotectónica em
Portugal Continental
Única zona de afloramento da falha que estabelece o bordo ocidental da bacia
tectónica da Longroiva, no talude da estrada de acesso à vila da Longroiva.
Observam-se xistos do soco paleozoico, a oeste, cavalgando arenitos arcósicos
terciários do preenchimento sedimentar da bacia da Longroiva, a Este.
Ligação à Rede Nacional de Transporte de Eletricidade, a 400 kV, do Aproveitamento Hidroelétrico de Foz Tua
Estudo de Impacte Ambiental. Volume III – Anexos. Tomo II. Anexo 13. Apêndice I
2
Localização
Número
Geossítio
Coordenadasi
M
7
8
Bacia de
Vila Real,
Ponte da
Petisqueira
Bacia de
Vila Real,
Ribeiro da
Marinheira
231091
229934
Cartografia
Estratigrafia
P
Carta
Geológica
1/50.000
Carta
Topográfica
1/25.000
482266
10-A Celorico de
Basto
101 – Lordelo
(Vila Real)
Plistocénico. Terraços
fluviais
indiferenciados.
101 – Lordelo
(Vila Real)
Hercínicas de
Génese Mesocrustal.
Sin-tectónicas
relativamente a F3.
Maciço compósito de
Vila Real. Granito de
duas micas, grão
médio a grosseiro
com esparsos
megacristais (Granito
de Vila Real).
480873
10-A Celorico de
Basto
9
Jazida de
Icnofósseis
de Soutelo
do Douro
258392
467917
10-D - Alijó
128 - São João
da Pesqueira
Câmbrico Inferior.
Supergrupo DúricoBeirão (Complexo
Xisto-Grauváquico),
Grupo do Douro.
Formação de Pinhão.
10
São
Leonardo
da Galafura
238652
467147
10-D - Alijó
127- Tabuaço
Não relevante
Ligação à Rede Nacional de Transporte de Eletricidade, a 400 kV, do Aproveitamento Hidroelétrico de Foz Tua
Estudo de Impacte Ambiental. Volume III – Anexos. Tomo II. Anexo 13. Apêndice I
Interesse
Científico/Pedagógico/
Paisagístico
Caracterização
Neotectónica em
Portugal Continental
Um dos raros afloramentos na bacia tectónica de Vila Real, onde se observa o
contacto por falha entre xistos do soco paleozoico e sedimentos arcósicos
terciários, preservados no interior da bacia, constituindo evidência de atividade
tectónica cenozóica na FPRV.
Neotectónica em
Portugal Continental
Único afloramento onde se observam sedimentos quaternários provavelmente
afetados pela FPRV, constituindo a única evidência estratigráfica de atividade
neotectónica nesta estrutura; aflora contacto por falha entre granitos paleozoicos,
apresentando grandes encraves de xisto, com sedimentos arcósicos terciários da
bacia de Vila Real; a falha parece deslocar verticalmente a base de um terraço
fluvial quaternário que se sobrepõe àquele contacto.
Icnofósseis câmbricos
referenciados e
classificados, no
“Complexo XistoGrauváquico” em
Portugal.
A Formação de Pinhão é constituída por metaquartzovaques e xistos quartzosos
verdes, ocorrendo na sua porção mediana normalmente dois níveis ricos em
cristais de magnetite, visíveis macroscopicamente. Na base das bancadas de
metaquartzovaque associadas ao nível inferior de magnetite, de flanco SSW do
sinclinal de Soutelo do Douro – Nagozelo do Douro (Sousa e Sequeira, 1989),
encontram-se icnofósseis meandriformes, que foram consideradas como Planolites
em Sousa (1984) e que também estão referenciados em Sousa & Sequeira (1989)
e Sousa (1995). Posteriormente foram classificados como Psamichnites por
Gámez Vintaned (comum Oral, 1995) e segundo este especialista, indicam o
Cordubiano (Câmbrico Inferior).
Promontório sobranceiro
ao Douro que atinge a
cota de 637metros
Miradouro, a meio caminho entre a Régua e Vila Real, oferece um dos mais
extraordinários panoramas sobre o rio Douro e os socalcos. Cerca de 550metros
abaixo avista-se o Douro, fluindo tranquilo.
3
Localização
Número
i
Geossítio
Coordenadasi
Cartografia
M
P
Carta
Geológica
1/50.000
Carta
Topográfica
1/25.000
Estratigrafia
Interesse
Científico/Pedagógico/
Paisagístico
Caracterização
11
Cachão da
Valeira
263661
466308
10-D - Alijó
128 - São João
da Pesqueira
Não relevante
Zona de vale onde o
Douro se encontra
fortemente encaixado
O Cachão da Valeira corresponde a um troço do rio que, até 1792, era
praticamente intransponível. Quando se conseguiu a demolição de um grande
degrau pedregoso que o rio possuía este troço passou a ser navegável.
12
São
Salvador do
Mundo
264295
465108
11-C –
Torre de
Moncorvo
129 – Seixo de
Ansiães:
Carrazeda de
Ansiães
Não relevante
Promontório sobranceiro
ao Douro que atinge a
cota de 502metros
O miradouro de São salvador do Mundo está situado na margem esquerda do rio
Douro, sendo constituído por um imponente cone granítico com uma altitude de
502 metros e com um acentuado declive para o rio
(Sistema de Coordenadas: Lisboa Hayford Gauss IGeoE; Projeção: Transverse Mercator; Datum Lisboa; Origem N300000; E 200000)
Ligação à Rede Nacional de Transporte de Eletricidade, a 400 kV, do Aproveitamento Hidroelétrico de Foz Tua
Estudo de Impacte Ambiental. Volume III – Anexos. Tomo II. Anexo 13. Apêndice I
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Ligação à Rede Nacional de Transporte de Eletricidade, a 400 kV, do Aproveitamento Hidroelétrico de Foz Tua
Estudo de Impacte Ambiental. Volume III – Anexos. Tomo II. Anexo 13. Apêndice II
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