PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO – PUC-SP PROGRAMA DE ESTUDOS PÓS-GRADUADOS EM ADMINISTRAÇÃO MARIA TERESA STEFANI PARCERIAS E REDES DE RELACIONAMENTO: UM ESTUDO DE CASO DE UMA ORGANIZAÇÃO NÃO GOVERNAMENTAL MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO SÃO PAULO 2013 MARIA TERESA STEFANI PARCERIAS E REDES DE RELACIONAMENTO: UM ESTUDO DE CASO DE UMA ORGANIZAÇÃO NÃO GOVERNAMENTAL Dissertação apresentada à Banca Examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, como exigência parcial para qualificação para obtenção do título de mestre em Administração, sob a orientação do Prof. Dr. Luciano Antonio Prates Junqueira. Campo de Conhecimento: Organizações e Sociedade SÃO PAULO 2013 BANCA EXAMINADORA ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ Dedico este trabalho àqueles que conseguem alcançar uma vida digna, mesmo quando quase todas as portas estão fechadas e a corrente sempre tenta levá-los no sentido do fracasso. Eles são os verdadeiros heróis! AGRADECIMENTOS Agradeço à CAPES, pela concessão da Bolsa de Mestrado, através da qual esse estudo foi viabilizado. À professora Dra. Neusa Maria Bastos, pelas contribuições nas aulas de Metodologia. Ao professor Dr. Arnoldo De Hoyos, pelos ensinamentos sobre o tema Sustentabilidade. Ao professor Dr. Ladislau Dowbor, por conseguir mostrar que os economistas também podem ter uma visão social do mundo. Às professoras Doutoras Aldaíza Sposati e Maria do Rosário Corrêa de Salles Gomes, pelo ajuste de rumo e pelas contribuições na qualificação. Aos colegas do mestrado, que, com seu conhecimento variado, contribuíram muito para meu desenvolvimento pessoal e acadêmico. Um agradecimento imenso e especial às minhas queridas colegas e amigas, Cássia, Célia e Janaína, pela troca de experiências e pelo carinho e atenção que me dispensaram nesses dois anos de intensa convivência. Ao meu querido orientador, professor Dr. Luciano Junqueira, que me acompanhou com paciência e dedicação em todo processo de desenvolvimento desta dissertação, sempre trazendo contribuições e conhecimentos valiosos e respeitando minhas opiniões. Ao pessoal da ARCO, que tanto aprecio, em sua luta diária por um mundo menos desigual. À minha mãe, que sempre me incentivou a trilhar novos caminhos e buscar a felicidade. Ao Antonio Pedro, mais que meu marido, meu companheiro de jornada, pela compreensão e apoio durante todo o sempre. Aos meus filhos Thiago e Antonio, razão de minha esperança em um mundo melhor. "É pela crítica das imperfeições da realidade que se fortalecem as criações duráveis do homem". (Rui Barbosa) RESUMO STEFANI, M. T. “PARCERIAS E REDES DE RELACIONAMENTO: UM ESTUDO DE CASO DE UMA ORGANIZAÇÃO NÃO GOVERNAMENTAL” São Paulo, 2013. 208 p. Dissertação (Mestrado em Administração) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2013. Parcerias são instrumentos utilizados por entidades governamentais e não governamentais para ampliar a oferta de serviços de interesse público, nas áreas de saúde, educação e assistência social, dentre outras. Além dos convênios, entidades sem fins lucrativos realizam outras parcerias, com os diversos setores da sociedade, pessoas e instituições, que apoiam o trabalho de melhorar a realidade social de comunidades carentes. Desse modo, o presente trabalho propõe discutir as parcerias que uma organização não governamental estabelece, tanto com governos, onde há repasse financeiro, quanto com outras entidades governamentais e privadas, onde há uma troca de serviços ou o repasse financeiro é esporádico e limitado a projetos específicos. O conjunto das parcerias acaba por gerar uma rede de relacionamentos que se modifica com o tempo. Para tanto, promoveu-se um estudo de caso de natureza qualitativa e quantitativa junto à organização social ARCO Associação Beneficente, cujo atendimento destina-se a crianças e adolescentes nas áreas de educação e assistência social. Foram avaliadas três grandes perspectivas da ARCO: (i) sua saúde financeira nos últimos 10 anos, a parceria com o governo municipal, tanto em convênios quanto em projetos do Fundo Municipal da Criança e Adolescente; (ii) sua relação com a comunidade do entorno onde atua, uma das regiões mais carentes da cidade de São Paulo; e (iii) a rede de parcerias formada pela ARCO ao longo de seus 22 anos de atuação no bairro. Desta forma, identificou-se, por um lado, o salto de qualidade e quantidade no serviço oferecido ao público assistido, que tem se realizado sem interrupções, por outro, gerou um alto grau de dependência financeira da entidade em relação à Prefeitura de São Paulo. No aspecto da comunidade verificou-se um alto grau de exclusão social, onde a maioria dos moradores vive em condições precárias, com perspectivas pouco promissoras de uma mudança de sua situação atual, mas também uma grande interação com a ARCO, que se tornou interlocutora de suas reivindicações em busca dos direitos. Identificou-se ainda que a rede que se estabeleceu é um processo flexível e dinâmico, embora ainda não totalmente consolidada, mas que traz resultados bastante positivos na oferta dos serviços à comunidade, que acabam por ir além das parcerias com os governos. Por último, verificou-se também que a relação com os técnicos do governo não é tão recíproca quanto poderia ser, tem ruídos na comunicação dificultando a criação de laços de confiança. Palavras-chave: Rede. Parceria. ONG. Governo. ABSTRACT STEFANI, M. T. “PARTNERSHIPS AND SOCIAL NETWORKS: A CASE STUDY OF A NON GOVERNMENTAL ORGANIZATION” São Paulo, 2013. 208 p. Thesis (MBA) – Catholic University of São Paulo (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), São Paulo, 2013. Partnerships are instruments used by government entities and non-governmental organizations to expand the supply of services of public interest in the areas of health, education and social work, among others. In addition to those agreements, nonprofit-organizations develop other partnerships with different sectors of society, individuals and institutions that support improving the social reality of poor communities. Thus, this paper aims to discuss the partnerships that a nongovernmental organization establishes with governmental entities, where financial transfers are involved, with other governmental and private entities, where exchange of services or financial transfers is sporadic and limited to specific projects. The set of partnerships ultimately generates a network of relationships that changes with time. Therefore, the author developed a quantitative and qualitative case study of ARCO Associação Beneficente, a nongovernmental organization, whose service is intended for children and adolescents in the areas of education and social assistance. Three major perspectives of ARCO are evaluated: (i) its financial strength over the past 10 years, the partnership with the city government through agreements and projects sponsored by the Municipal Fund for Children and Adolescents, (ii) its relationship with the surrounding community where it is based, one of the poorest areas of the city of São Paulo, and (iii) the network of partnerships formed by ARCO along its 22 years of activity in the neighborhood. It was identified a jump in quality and quantity in services offered to the public attended, which has been held without interruption, although it generated to the entity a high level of financial dependence on resources provided by the City of São Paulo. Regarding the community, there is a high degree of social exclusion and most of the residents live in squalid conditions, with little prospects of a promising change in their current situation. There also is a great interaction with ARCO, who became a channel to their claims for seeking human rights and improve their conditions. It was also found that the established network is flexible and dynamic. Although not yet fully consolidated, it yet brings positive results in the supply of services for the community, which ultimately go beyond partnerships with governments. Finally, it was also found that the relationship with government officials is not as mutual as it could be, and that communication’s noise hinders trust creation. Keywords: Network. Partnership. NGO. Government. LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Tabela comparativa de ONGs 2006/2010................................. Tabela 2 - Tabela comparativa de ONGs 2006/2010 – Brasil – por número de funcionários e salários mínimos.............................. Tabela 3 - 67 Tabela comparativa de ONGs 2006/2010 – Cidade de São Paulo – valores constantes....................................................... Tabela 4 - 66 69 Tabela comparativa de ONGs 2006/2010 – Cidade de São Paulo – valores constantes....................................................... 70 Tabela 5 - Índices de inflação IPCA do IBGE............................................ 83 Tabela 6 - Análise Horizontal das Receitas – Evolução dos recursos em moeda corrente......................................................................... Tabela 7 - Análise Horizontal das Receitas – Evolução dos recursos em moeda constante....................................................................... Tabela 8 - 100 Dias de atraso e valor da parcela – convênios com PMSP – Educação (2011 e 2012)........................................................... Tabela 11 - 97 Dias de atraso e valor da parcela – projetos do FUMCAD (2011 e 2012)............................................................................ Tabela 10 - 93 Receita x Custo médio por assistido – Educação e Assistência................................................................................ Tabela 9 - 92 101 Dias de atraso e valor da parcela – convênios com PMSP Assistência (2011 e 2012) 102 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Localização do distrito do Jardim Ângela, subprefeitura de M’Boi Mirim.................................................................................. 71 Figura 2 - Localização da ARCO – Associação Beneficente....................... 72 Figura 3 - Mapa da Vulnerabilidade da cidade de São Paulo..................... 73 Figura 4 - Mapa da Vulnerabilidade da subprefeitura do M’Boi Mirim........ 74 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Análise Vertical do Balanço – Exigível x Patrimônio Líquido.... Gráfico 2 - Análise Vertical do Balanço – Ativo Realizável x Ativo 81 Imobilizado................................................................................ 82 Gráfico 3 - Análise Horizontal do Balanço – Exigível x Patrimônio Líquido 84 Gráfico 4 - Análise Horizontal do Balanço – Ativo Realizável x Ativo Imobilizado................................................................................ Gráfico 5 - 85 Análise Horizontal do Balanço – Ativo Realizável x Ativo Imobilizado................................................................................ 86 Gráfico 6 - Análise Vertical das Receitas – Origem das receitas............... 88 Gráfico 7 - Análise Vertical das Receitas – Origem dos recursos – reclassificação........................................................................... Gráfico 8 - Análise Horizontal das Receitas – Evolução dos recursos em moeda constante....................................................................... Gráfico 9 - 89 90 Análise Horizontal das Receitas – Evolução dos recursos em moeda constante – reclassificação........................................... 91 Gráfico 10 - Aplicação dos recursos em moeda constante.......................... 94 Gráfico 11 - Déficit/Superávit das atividades................................................ 95 Gráfico 12 - Comparação da Evolução das atividades em moeda constante................................................................................... Gráfico 13 - Índice Receita x Índice do custo médio por assistido para convênios com a PMSP – Educação........................................ Gráfico 14 - 96 98 Índice Receita x Índice do custo médio por assistido para convênios com a PMSP – Assistência...................................... 99 Gráfico 15 - Gênero dos respondentes......................................................... 105 Gráfico 16 - Tipo de Moradia........................................................................ 106 Gráfico 17 - Tipo de Construção................................................................... 107 Gráfico 18 - Número de Cômodos – porcentagens...................................... 108 Gráfico 19 - Participa do Bolsa Família?...................................................... 109 Gráfico 20 - Despesas Mensais – respostas afirmativas.............................. 110 Gráfico 21 - Despesas mensais x Bolsa Família.......................................... 111 Gráfico 22 - Nível de moradia....................................................................... Gráfico 23 - Participa do Bolsa Família x Nível de moradia 113 – percentuais................................................................................ 114 Gráfico 24 - Conhece a ARCO?................................................................... 115 Gráfico 25 - Alguém da família já passou pela ARCO?................................ 116 Gráfico 26 - Quem financia a ARCO?........................................................... 117 Gráfico 27 - O que seu filho aprendeu na ARCO? – somente respostas afirmativas, em percentuais...................................................... Gráfico 28 - Diferenças entre a ARCO e a Escola pública? – somente respostas afirmativa.................................................................. Gráfico 29 - 121 O que mais o incomoda em sua vida hoje? – respostas afirmativas.................................................................................. Gráfico 31 - 120 Alguém da família já passou pela ARCO? x Quem financia a ARCO?...................................................................................... Gráfico 30 - 118 122 O que estaria disposto a fazer para mudar? – respostas afirmativas.................................................................................. 123 Gráfico 32 - Qual curso gostaria de fazer?.................................................... 124 Gráfico 33 - O que mais o incomoda x o que estaria disposto a fazer para mudar......................................................................................... Gráfico 34 - 126 O que estaria disposto a fazer para mudar x Qual curso de capacitação gostaria de fazer?.................................................. 127 Gráfico 35 - O que faria para mudar x Participa do Bolsa Família................ 128 Gráfico 36 - Número de relacionamentos com particulares – por ano.......... 132 Gráfico 37 - Número de relacionamentos com Instituições – por ano........... 133 Gráfico 38 - Relacionamentos com Instituições – por tipo/ano..................... 134 Gráfico 39 - Relacionamentos com Instituições – por tipo de serviço oferecido/ano............................................................................. Gráfico 40 - Relacionamentos com Instituições – por tipo de relacionamento com a ARCO/ano............................................. Gráfico 41 - 136 138 Relacionamentos com Instituições – contratual ou não com a ARCO/ano.................................................................................. 139 Gráfico 42 - Frequência dos relacionamentos............................................... 140 Gráfico 43 - Periodicidade dos relacionamentos........................................... 141 Gráfico 44 - Instância dos relacionamentos.................................................. 142 Gráfico 45 - Troca de Recursos dos relacionamentos.................................. 143 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Variáveis da análise da rede..................................................... 131 SUMÁRIO 1 2 INTRODUÇÃO……………………………………………………………... 17 REFERENCIAL TEÓRICO………………………………………………. 23 Contextualização………………………………………………………….. 23 Cidadania…………………………………………………………………… 32 Políticas sociais……………………………………………………………. 36 Organizações da Sociedade Civil………………………………………... 41 Parcerias……………………………………………………………………. 48 Redes……………………………………………………………………….. 52 METODOLOGIA……………………………………………………………. 61 Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO...................... 61 Etapa 2 – A comunidade e a ARCO...................................................... 62 Etapa 3 – Avaliação da Rede de Relacionamento................................ 63 As Organizações da Sociedade Civil e a ARCO, uma organização 3 social...................................................................................................... 64 Arco Associação Beneficente – uma organização social...................... 71 RESULTADOS DA PESQUISA............................................................ 79 Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO....................... 79 Balanços e Demonstrativos de Déficit e Superávit................................ 80 Receitas e Despesas............................................................................. 87 Convênios.............................................................................................. 96 Etapa 2 – A comunidade e a ARCO...................................................... 103 Situação socioeconômica da comunidade............................................ 104 Relacionamento com a ARCO.............................................................. 114 Expectativas para o futuro..................................................................... 121 Distâncias percorridas pelos moradores do entorno da ARCO............. 129 Etapa 3 – Avaliação da Rede de Relacionamento................................ 130 A rede em números............................................................................... 130 A rede sob a perspectiva da ARCO...................................................... 144 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................. 158 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................... 162 ANEXOS................................................................................................ 174 17 INTRODUÇÃO Desde a década de 1980, a sociedade brasileira tem experimentado muitas mudanças, tanto na esfera política, com o fim da ditadura e a nova constituição promulgada em 1988, quanto na atuação cidadã, onde os indivíduos têm se organizado para buscar seus direitos, aumentando assim sua participação na vida em comunidade. Essas mudanças têm gerado transformações na forma como o Estado trabalha e na forma como a sociedade civil se organiza para reivindicar seus direitos. Um termo bastante discutido à época, Bacha (1976) utilizou o termo Belíndia para mostrar o país de grandes desigualdades que era o Brasil, dividido por um fosso entre o país rico como a Bélgica e o pobre como a Índia. Em 2011, quase 40 anos depois, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA 2012) a desigualdade brasileira ainda figurava entre as 12 piores do mundo. Apesar de ter diminuído muito na última década e chegado ao seu menor patamar em 2011, o índice de GINI1 atingiu 0,607 em 1990, o maior patamar da história, caiu para 0,594 em 2001 e chegou a 0,527 em 2011, seu menor valor. O estudo mostra ainda que a ―Índia‖ está crescendo a ritmo muito mais acelerado que a ―Bélgica‖, fator que tem contribuído para a redução da desigualdade. Mesmo com essa melhora significativa, 10,2% do total da população brasileira ainda vivia abaixo da linha de pobreza (2011) 2, ou seja, com renda familiar per capita menor que R$ 140,00 por mês. O crescimento econômico é suficiente para mudar este cenário, ou seja, basta ter acesso à renda para que a qualidade de vida seja alcançada? 1 Gini é o índice de desigualdade mais utilizado no mundo, varia de 0 (não há desigualdade) e 1 (uma pessoa detém todos recursos da economia). Quanto mais próxima de zero, menor será desigualdade de um país. (IPEA, comunicado 155). 2 A linha de pobreza foi considerada de R$ 140 per capita, IPEA utiliza dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, de 2011. 18 A cidade de São Paulo espelha muito bem essa desigualdade, tanto em qualidade quanto em quantidade, de muitos contrastes e disparidades na qualidade de vida da população. Uma cidade que apresenta o maior índice de presença de tecnologia de ponta da América Latina, convivendo com 200 mil analfabetos, é fornecedora de uma gastronomia sofisticada e cara, comparável aos países mais desenvolvidos, ao mesmo tempo em que 250 mil de seus habitantes passam fome. O contraste fica ainda mais patente quando se olham os índices de mortalidade infantil, que vai de 6/1.000 para 44/1.000 habitantes dependendo do bairro onde uma criança nasça (SPOSATI, 2002, p.12). Em documento do Observatório dos Direitos do Cidadão de 2002, Sposati lançou um desafio para a cidade de São Paulo, com duas vertentes: O primeiro desafio fica aqui registrado: a gestão da assistência social em São Paulo tem que ser ousada para enfrentar esta desigualdade, o que só é possível com políticas redistributivas combinadas a processos sociais que alterem a consciência do modelo civilizatório e solidário entre seus habitantes (SPOSATI, 2002, p.14). Dez anos depois, houve certo avanço numa das vertentes do desafio, o das políticas redistributivas, especialmente pelo Bolsa Família, uma política definida e executada pelo governo federal. Com a outra vertente, o que aconteceu? Foram desenvolvidos processos sociais que têm conseguido, efetivamente, gerar uma nova consciência levando a um modelo civilizatório mais solidário entre os paulistanos? A própria concepção da assistência social também tem sofrido diversas alterações nas últimas décadas, desde a Constituição de 1988, com a Promulgação da Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS) em 1993, passando pela normatização do Sistema Único da Assistência Social (SUAS), a Norma Operação Básica (NOB/SUAS), em 2005 e culminando com a nova lei do SUAS em 2011 (Lei 12.435): de um lado o dever do Estado de estabelecer uma política de seguridade social, do outro o direito do cidadão à qualidade de vida e de conservar sua dignidade. 19 Em um cenário de transformação da sociedade civil, de mudança do papel do Estado, de direitos adquiridos pelos cidadãos é que se inserem as parcerias entre governos e organizações não governamentais 3 (ONGs) para prestar serviços às populações de renda mais baixa. O uso de parcerias intensificou-se nas últimas décadas na cidade de São Paulo, também como resultado da nova maneira de atuar do Estado. São parcerias que prestam serviços de educação infantil, assistência social e saúde e que se propõem a ir além da filantropia, tradicional objeto de parcerias entre governos e instituições assistenciais. A relevância de se estudar parcerias está baseada em três argumentos principais. O primeiro deles é trazer uma abordagem da Administração, agregando a análise de um tema complexo. O segundo argumento pauta-se pelo fato que parcerias têm sido apontadas como uma alternativa viável para implementar as políticas sociais brasileiras, instrumento que o Estado tem utilizado com mais frequência e em maior número. Portanto, avaliar pontos fortes e fracos das parcerias pode auxiliar na discussão da sua viabilidade e identificação de eventuais ajustes. O terceiro argumento que justifica o estudo do tema é o fato de se propor a avaliar o estabelecimento de redes de relacionamento, um elemento que agrega e potencializa ações coletivas como as parcerias. Quanto maior a discussão a respeito das parcerias com entidades da sociedade civil e públicas em busca de maior justiça social, maior será a chance de chegar a um consenso que maximize os investimentos sociais do país. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é analisar como as parcerias entre governos e organizações sem fins lucrativos contribuem para estruturar e fortalecer redes de relacionamento. 3 Os termos Organização Social, Organização Não Governamental (ONG), Organização sem fins lucrativos ou Organização da Sociedade Civil foram utilizados em diversos locais do texto, tendo o mesmo significado: organizações da sociedade civil, sem fins lucrativos e que desempenham atividades sociais de interesse público. 20 Três objetivos específicos foram definidos: Analisar as parcerias de uma organização não governamental com a Prefeitura Municipal e a evolução nos serviços prestados nos últimos 10 anos; Verificar as condições de vida da comunidade onde se encontra a organização; e Avaliar a rede de relacionamento, tendo a organização social como foco de análise. O objeto deste trabalho é um estudo de caso, que resulta da experiência pessoal da autora, em seu trabalho voluntário em uma organização da sociedade civil, na periferia da cidade de São Paulo, no caso, a entidade ARCO Associação Beneficente. Esta escolha deve-se a: 1. A organização existe há mais de 20 anos (completou 20 anos em 2011), tendo passado por diversas administrações, uma vez que seu primeiro convênio foi celebrado há mais de 15 anos, iniciado com 100 crianças e hoje atende 550 crianças e jovens. São oferecidos serviços de educação, através da creche e assistência social, pelos centros de criança e adolescente e de juventude. Um prazo longo, onde as parcerias evoluem e as redes se expandem, amadurecendo com o tempo; 2. A entidade oferece serviços gratuitos à comunidade, tem títulos de Utilidade Pública Municipal e Federal e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, demonstrando de sua idoneidade financeira e bons serviços prestados à comunidade, situada no extremo sul da cidade de São Paulo, na região do Jardim Ângela, subdistrito de M‘Boi Mirim, uma das regiões mais carentes da cidade, não só no aspecto da baixa renda dos moradores, como também de serviços essenciais como educação saúde, transporte, bastante deficientes na região; 21 3. A autora faz parte de seu corpo de voluntários, atuando como Tesoureira desde 1998, o que a permite ter acesso a informações acuradas das parcerias estabelecidas com a Prefeitura Municipal de São Paulo. Para alcançar os objetivos propostos, o trabalho foi organizado em 6 seções. A primeira seção é esta Introdução, que apresenta a relevância do tema em questão, os objetivos do trabalho, a metodologia de trabalho e uma breve apresentação do objeto de estudo. A segunda seção traz o Referencial Teórico que foi organizado em Contextualização, para demonstrar a conjuntura onde estão inseridas, atualmente, as organizações da sociedade civil e suas parcerias com o Estado. Após esta contextualização, é abordado o tópico Cidadania, onde se pondera o papel que o cidadão passou a ter com a Constituição Federal de 1988. A seguir, o tópico Políticas Sociais discute as parcerias estabelecidas pelos governos com a sociedade civil. O tema subseqüente são as Organizações da Sociedade Civil que aumentaram muito em número e na amplitude dos serviços oferecidos à sociedade desde a abertura política na década de 1980, com a Constituição Federal de 1988 e legislações posteriores. Por último, vem a discussão de dois assuntos interligados: Parcerias, instrumento importante em tempos modernos, de escassez de recursos e aumento das demandas sociais; e, Redes, que têm amplificado as ações sociais, por ser o resultado do relacionamento de instituições diversas com objetivos comuns. A terceira seção traz a Metodologia, onde são apresentadas as três etapas cumpridas para o estudo de caso proposto, bem como uma contextualização das organizações sem fins lucrativos, conjuntura de atuação da ARCO, seguida de uma exposição do entorno da mesma. A seguir, na quarta seção são apresentados os Resultados da pesquisa obtidos por meio da interação entre a análise dos dados juntamente com as proposições teóricas expostas na segunda seção. 22 A quinta seção traz as Considerações finais, com as conclusões alcançadas por este trabalho, suas limitações e sugestões de futuros estudos que complementem o tema. Por fim, seguem as Referências que forma utilizadas como base para o desenvolvimento desta dissertação, seguidas pelo apêndice e anexos, onde constam dados e informações adicionais relevantes. 23 1 REFERENCIAL TEÓRICO Mundialmente, estes têm sido momentos de grande turbulência social, com imensas desigualdades, onde o avanço da tecnologia, em especial das telecomunicações, permite que a informação flua rapidamente aos diversos pontos do planeta. Essa fluidez de informação demonstra com grande clareza o avanço de algumas sociedades e, ao mesmo tempo, o atraso e a pobreza de outras. E, em especial, o grau de desigualdade dentro das próprias sociedades, onde, até as ricas também têm seus bolsões de pobreza e atraso. A mesma tecnologia que demonstra aos ricos e bem estabelecidos o quanto ainda há de pobreza no mundo, também demonstra, aos que pouco ou nada têm, que há pessoas com qualidade de vida e recursos abundantes. O acesso aos mais diversos cenários do planeta gera uma sensação de urgência, de que é necessário fazer algo para diminuir as desigualdades e eliminar a pobreza. Um mundo complexo como o que se vive na sociedade pós-moderna demanda soluções flexíveis, onde a articulação de parcerias e o estabelecimento de redes tornam-se fatores críticos de sucesso. Para se compreender as principais implicações de tantas vertentes agindo ao mesmo tempo, foram selecionadas algumas categorias para ser avaliadas, relevantes ao tema redes de relacionamento entre governos e organizações da sociedade civil. Contextualização Por ser um país em desenvolvimento, o Brasil ainda apresenta grandes diferenças sociais. Nas grandes cidades essas diferenças se tornam ainda mais evidentes, onde as periferias se tornaram bolsões de pobreza, apresentando carência de serviços de saúde, educação, lazer, transporte; enfim, dos serviços 24 primários que uma população necessita e que a Constituição Federal de 1988 passou a garantir como direito do cidadão. Um processo de urbanização acentuada se deu no Brasil a partir da década de 1920, similar ao ocorrido nos demais países da América Latina. Com essa urbanização, o Brasil tem passado por transformações profundas, sendo obrigado a se defrontar com problemas sociais sérios e cada vez mais urgentes de ser resolvidos. Diversos autores consideram (DRAIBE & RIESCO, 2011; ABRUCIO, 2007 e FAGNANI, 2005) dois processos históricos que se sucedem, onde os Estados enfrentaram seus desafios de maneira diferente. O primeiro processo se iniciou no final da década de 1920, mais precisamente a partir da crise mundial de 1929, seguido da 2ª guerra mundial e estendendo-se até a década de 1970, quando o mundo mergulhou novamente em uma crise em escala global. Especificamente o Brasil, que não foi muito diferente dos países considerados de desenvolvimento tardio (DRAIBE, 2011), gerou movimentos de ―compensação ou reequilíbrio, no sentido em que, mediante seus sistemas de seguridade social, educação e outros serviços sociais, viabilizam o trânsito e a incorporação social das massas rurais à vida urbana e à condição salarial‖. Esta foi a principal forma que o país encontrou para fazer frente ao grande êxodo rural que se deu neste período e suas consequências para as cidades. Este modelo de Estado Desenvolvimentista provedor de todas as necessidades da população, através de políticas sociais massificadas (educação, saúde, transporte, habitação) e com ações que promovessem a expansão da economia nacional para aumentar geração de empregos para dar conta do crescimento da população, entrou em derrocada, juntamente com a crise mundial da década de 1970. É quando inicia o segundo movimento, que levou a uma reforma do Estado brasileiro, conforme resume Abrucio (2007, p. 68): 25 O processo recente de reforma do Estado no Brasil começou com o fim do período militar. Naquele momento, combinavam-se dois fenômenos: a crise do regime autoritário e, sobretudo, a derrocada do modelo nacional-desenvolvimentista. Era preciso atacar os erros históricos da administração pública brasileira, muitos deles aguçados pelos militares, e encontrar soluções que dessem conta do novo momento histórico, que exigia um aggiornamento da gestão pública. Este movimento iniciou-se a partir da década de 1980 e gerou muitas discussões acerca do papel do Estado, do modelo de desenvolvimento que o país deveria adotar e quais políticas sociais deveriam ser oferecidas à população. Não havia recursos financeiros que permitissem continuar a política desenvolvimentista, nem interesse político para tal, já que os militares haviam deixado o governo e novas alianças se realizaram para construir um novo modelo de estado. Estes dois momentos são reforçados por Draibe e Riesco (2011, p. 220), que verificam o mesmo ocorrendo em outros países da América Latina: A América Latina está emergindo de um século de transformação – de uma economia tradicional agrária para uma urbano-industrial – em que os países assumiram diferentes trajetórias históricas. A transição conduzida pelo Estado seguiu duas estratégias sucessivas de desenvolvimento. Dos anos 1920 até a década de 1980, o desenvolvimentismo estatal assumiu, em geral com sucesso, o duplo desafio do progresso social e econômico. Nas duas últimas décadas do século, os estados latino-americanos adotaram as políticas do Consenso de Washington, que enfatizavam a importância das empresas no marco da globalização e beneficiavam aquelas poucas exitosas. Quais eram as características e funções do Estado de Bem Estar Social nas duas estratégias de desenvolvimento? O que Draibe e Riesco (2011) citam como sendo o Consenso de Washington, na visão de seu próprio criador, Williamson, uma agenda de políticas baseada em dez áreas de reformas com as quais, ―Washington podia concordar que eram amplamente necessárias à América Latina a partir de 1989‖. 26 As principais medidas citadas no documento tratam de dez áreas de reforma que tornariam o país mais competitivo. São elas, disciplina fiscal, redirecionamento dos gastos públicos, reformas tributárias, taxas de câmbio competitivas, liberalização comercial, financeira e dos investimentos estrangeiros diretos, privatização, desregulamentação e direitos de propriedade. (AZEVEDO, 2004). Já na da década de 1980, é possível verificar que as forças oposicionistas ao regime militar geraram um movimento de mudanças, onde se identificam os ―contornos de um amplo projeto de reforma de cunho nacional, democrático, desenvolvimentista e redistributivo. A construção de um efetivo Estado Social, universal e equânime era um dos cernes deste projeto (FAGNANI, 2005, p. 101)‖. Com a efetiva mudança no comando do país, saindo dos militares e indo para políticos civis, aliado ao movimento de liberalização da economia mundial, dois processos antagônicos se entrelaçaram e causaram consequências que são sentidas até hoje. O primeiro deles, a reforma política, realizada pela Constituição Federal de 1988, que definiu a universalização de direitos sociais dos cidadãos brasileiros e, ao mesmo tempo, ―consagrou o princípio da descentralização de funções, responsabilidades e encargos, sobretudo dos estados e dos municípios (FAGNANI, 2005, p. 241)‖. ―Com a Constituição Federal de 1988, a assistência social deixou de ser caridade de passou a ser um direito. A cobertura era universal e seria prestada a quem dela necessitasse (FAGNANI, 2005, p. 255)‖. Surge uma questão: como prover serviços básicos a toda população de maneira sustentável? Uma resposta pode ser a criação de um modelo de oferta de serviços básicos às populações carentes, oferecendo múltiplas alternativas, mas, ao mesmo tempo, sem aumentar o tamanho do Estado. O segundo processo trata do movimento neoliberal do Consenso de Washington, adotado pelos governos seguintes aos militares, que contrariava o papel do Estado como provedor dos direitos universais ―adquiridos‖ pela população com a Constituição Federal de 1988. 27 Um dos pontos principais do Consenso de Washington foi o de estado mínimo, onde entram ações que realizem as obrigações do mesmo, sem onerar a sociedade como um todo. Um paradoxo? Como alternativa, a adoção de uma modalidade de execução de políticas sociais que não gerasse aumento do efetivo do Estado: o uso de parcerias. Mesmo este segundo processo também passou por dois ciclos sequenciais, onde o primeiro gerou consequências para o segundo. Draibe (2003, p. 69) explicita o primeiro ciclo de reformas pelos quais o Brasil passou a partir da década de 1980: Processada na primeira fase da Nova República, e simbolicamente encerrada com a promulgação da Constituição de 1988, ganhou uma tradução particular no campo das políticas sociais: a reforma do sistema de proteção sob a dupla chave de sua democratização e da melhora da sua eficácia. Neste ciclo é buscada ―a melhora da eficácia das políticas, uma vez que se reconhecia ser já significativo o esforço de gasto que o país realizava na área social em face de seus medíocres resultados (DRAIBE, 2003, p. 68)‖. Algumas ações já haviam se realizado ou ao menos iniciado neste primeiro ciclo, tais como a Política de Saúde, com a instituição do Sistema Único de Saúde – SUS e iniciadas as reformas da Previdência Social, com a introdução do Seguro Desemprego, e da Assistência Social, com a definição da Lei Orgânica da Assistência Social, a LOAS (DRAIBE, 2003). Outros passos foram dados no período de 1995 a 1998, onde houve a implementação das políticas definidas e iniciadas no ciclo anterior, tais como na Educação, com a reforma da ―educação infantil e do ensino médio, com a criação de programas de inserção produtiva e de combate à pobreza, aí incluída a Rede de Proteção Social‖ (DRAIBE, 2003, p. 72). Para criar esta rede de proteção social, o governo passa a contar com as Organizações da Sociedade Civil, reconhecidas 28 como ―interlocutoras legítimas da reformulação da política social (DRAIBE, 2003, p. 76)‖. A partir deste momento, se intensificam as parcerias com entidades sociais, prática já utilizada há muito tempo. Peroni (2008, p. 13) descreve esta abordagem pragmática adotada, inicialmente, pelo governo de Fernando Henrique Cardoso: As lutas e conquistas dos anos de 1980 no Brasil, de direitos universais, deram lugar à naturalização do possível, isto é, se um Estado ―em crise‖ não pode executar políticas, repassa para a sociedade civil e esta, por sua vez, focaliza as políticas sociais nos mais pobres para evitar o caos social. O Estado apenas repassa parte do financiamento, e avalia. Junqueira (2006) também descreve esse movimento do Estado, que deixou de ser um promotor exclusivo das políticas sociais, estimulando a ação de novos atores na execução das políticas sociais, de forma a complementar o papel do Estado na busca pelo enfrentamento dos problemas sociais. Reforçando esse movimento, têm sido criadas organizações para viabilizar a oferta de serviços, subsidiadas pelo poder público, que tem transferido ao terceiro setor a execução de alguns elementos das políticas sociais. Essas organizações privadas são não lucrativas, fazem parte da sociedade civil e são parcialmente subsidiadas pelo Estado, em conjunto com outros recursos conseguidos pelas mesmas através de captação de recursos, tanto no Brasil quanto no exterior. Com isso, o Estado assume papel de definidor de políticas sociais e provedor de sua execução utilizando as organizações da sociedade civil para executar parte das políticas definidas. (BRESSER PEREIRA, 2007). O Estado brasileiro passou pelo que Draibe (2003) diz constituir uma reforma que foi 29 Em boa medida, o acerto de contas com o autoritarismo supunha um dado reordenamento das políticas sociais, o qual respondesse às demandas da sociedade por maior equidade e pelo alargamento da democracia social. Portanto, foi a Constituição Federal de 1988 que definiu novas responsabilidades e atribuições ao Estado, como consequência da grande demanda da sociedade por maior equidade, que seria alcançada através de políticas sociais mais eficazes. Ela foi consequência da reflexão feita pela sociedade, através do Congresso nacional, na redefinição do papel do Estado e dos direitos dos cidadãos. Um ponto importante nas novas atribuições do Estado está a posição do município, que assume um novo papel, o de gestor de políticas sociais, uma vez que a Constituição Federal de 1988 define ―o primeiro momento desse processo de descentralização no Brasil foi cunhado sob a expressão municipalização, indicando uma estratégia de gestão para o avanço da responsabilidade local no campo social (GOMES, 2008, p. 13)‖. Se por um lado, houve a reconhecida importância da esfera local no conhecimento das necessidades e na interação com os cidadãos, por outro, gerou uma ―sobrecarga de responsabilidades dos municípios, com a ausência de partilha dos municípios e financiamento com os demais entes federativos (GOMES, 2008, p. 14)‖. É neste processo de redefinição das responsabilidades dos três entes da federação, bem como dos recursos financeiros a que cada um tem direito, que se insere a grande discussão das políticas sociais, em especial da Educação, Saúde e Assistência Social das últimas três décadas. Este trabalho aborda algumas mudanças inseridas na Constituição Federal de 1988 referentes aos cidadãos, em que todos passaram a ter, como direito, acesso à educação, à saúde, dentre outros. O Estado assume novo papel para prover condições de igualdade para todos os cidadãos, gerando transformações nas políticas sociais. Diz a Constituição Federal de 1988 logo em seu início, Art. 1º: 30 TÍTULO I Dos Princípios Fundamentais Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constituise em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. Neste artigo 1º, inciso III, a dignidade humana e a cidadania são fundamentos, princípios fundamentais. Tavares (2006) afirma que a Constituição Brasileira de 1988 está inserida na ―Lei Fundamental de Bonn (1949)‖, que ―representa um novo paradigma: direitos humanos inseridos na Carta Magna‖ (p. 63). Este é um novo paradigma, que dá à dignidade humana uma dupla dimensão: uma regra e ao mesmo tempo um princípio. O Estado deve buscar, incessantemente, gerar as condições para que todos os indivíduos da nação tenham uma vida digna. A Constituição Federal define princípios e direitos que se concretizam somente a partir do momento em que são postos em prática na sociedade. A Constituição Federal de 1988 trata da universalidade da dignidade humana, no seu artigo 3º, quando define os objetivos fundamentais do Estado Brasileiro: Art. 3º – Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I – construir uma sociedade livre, justa e solidária; II – garantir o desenvolvimento nacional; III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Nesse artigo, ―construir uma sociedade livre, justa e solidária‖ (Inciso I), constitui como objetivo necessário a justiça social, sem ferir a liberdade individual e promovendo a solidariedade entre os cidadãos. E continua dizendo a necessidade 31 de erradicar a pobreza e a marginalização e reduzindo as desigualdades sociais e regionais. Nessa perspectiva, a saúde como ―direito de todos e dever do Estado‖ (Art. 196). Quanto à Educação, no capítulo III, o Art. 208, já com ajustes definidos em 2009, define que: O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria; ... IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade; Ainda considerando a Constituição Federal de 1988, além de princípios como a educação e a saúde universais, foi inserido também, o Art. 6º, que trata dos direitos sociais dos cidadãos, reproduzido a seguir: Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 64, de 2010). A Constituição prevê ainda o Direito ao Meio Ambiente (CAPITULO VI), do Idoso (CAPITULO VII) – o Art. 6º cita proteção à maternidade e à infância, mas o Cap. VII expande para família, criança, adolescente, jovem e idoso – e das Populações Indígenas (CAPITULO VIII), que têm artigos específicos, ainda dentro dos direitos sociais, embora não estejam expressos no Art. 6º. 32 Com isto, abre-se espaço para a definição de uma política pública de assistência social, que viria a ser regulamentada posteriormente à promulgação da constituição. Cidadania Os direitos humanos não são uma condição inerente à natureza, que se realizam simplesmente pelo fato de uma pessoa estar viva. ―O elenco dos direitos do homem se modificou,..., com a mudança das condições históricas, dos carecimentos e dos interesses, das classes no poder, dos meios disponíveis para a realização dos mesmos, das transformações técnicas, etc. (BOBBIO, 2004, p. 38)‖, ou seja, o que hoje é direito de determinada sociedade, poderá não ser no futuro e pode não ter sido no passado. Bobbio (2004), afirma ainda que o direito, como o próprio termo diz, não é garantido por definição, é resultado de lutas, muitas vezes sangrentas, injustas, demoradas, pela manutenção do poder por grupos ou na tomada de poder por outros. E, mesmo assim, ao alcançar determinado direito, não há garantia de que ele se perenize. É uma luta de poder, onde o mais forte impõe suas regras ao mais fraco. Do ponto de vista teórico, sempre defendi – e continuo a defender, fortalecido por novos argumentos – que os direitos do homem, por mais fundamentais que sejam, são direitos históricos, ou seja, nascidos em certas circunstâncias, caracterizados por lutas em defesa de novas liberdades contra velhos poderes, e nascidos de modo gradual, não todos de uma vez e nem de uma vez por todas. O problema – sobre o qual, ao que parece, os filósofos são convocados a dar seu parecer – do fundamento, até mesmo do fundamento absoluto, irresistível, inquestionável, dos direitos do homem é um problema mal formulado: a liberdade religiosa é um efeito das guerras de religião; as liberdades civis, da luta dos parlamentos contra os soberanos absolutos; a liberdade política e as liberdades sociais, do nascimento, crescimento e amadurecimento do movimento dos trabalhadores assalariados, dos camponeses com pouca ou nenhuma terra, dos pobres que exigem dos poderes 33 públicos não só o reconhecimento da liberdade pessoal e das liberdades negativas, mas também a proteção do trabalho contra o desemprego, os primeiros rudimentos de instrução contra o analfabetismo, depois a assistência para a invalidez e a velhice, todas elas carecimentos que os ricos proprietários podiam satisfazer por si mesmos (2004, p. 25). Bobbio reconhece que, com o processo de luta, a sociedade tem avançado, apesar de lentamente e de modo não uniforme, no sentido de criar mecanismos de proteção aos menos favorecidos. Subirats (2011) aborda uma nova relação de cidadania que se estabelece com as profundas modificações pelas quais as instituições têm passado. Como estamos em meio à transformação, os níveis de modificação são diferentes em cada país, mas estão claros os sinais dessa mudança: uma fragmentação institucional. Os resultados dessa transformação, ainda incertos, são vistos pelo autor com otimismo. A fragmentação institucional aumenta, com o Estado perdendo peso para cima (instituições supraestatais), para baixo (processos de descentralização, devolution, etc.), e para os lados (com um grande aumento das parcerias público-privadas, com gestão privada de serviços públicos, e com presença cada vez maior de organizações sem fins lucrativos no cenário público). (2011, p. 19, tradução da autora). Com isso, o processo de decisão pública passa a seguir a lógica da interdependência, da capacidade de influenciar e do poder das relações, tornando a hierarquia formal obsoleta. A busca pelo coletivo passa por explorar novas formas de organização social que articulam vínculos coletivos, como formulação e execução de políticas públicas com as comunidades, aumentando nas pessoas a sensação de pertencerem a um território, respeitando a autonomia individual e viabilizando o exercício da cidadania. (SUBIRATS, 2012). Marshall, afirma que a ―cidadania é um status concedido àqueles que são membros integrais de uma comunidade. Todos aqueles que possuem o status são 34 iguais com respeito aos direitos e obrigações pertinentes ao status (MARSAHLL, 1967, p.76)‖. Com esse status o indivíduo adquire um sentimento de pertencimento que o conecta com os demais indivíduos da comunidade, podendo exercer a cidadania de modo livre e voluntário. Marshall (1967) considera cidadania como composta de três direitos principais: o civil, referente aos direitos básicos, como liberdade de ir e vir, liberdade religiosa e de pensamento, direito de propriedade, entre outros; seguido do político, o direito de votar, ser votado e constituir partido político; e, por último, o social, como o direito a um mínimo de bem-estar e segurança socioeconômica. Alguns cidadãos não conseguem exercer a cidadania porque este elemento não está satisfeito, ou seja, as pessoas com carência socioeconômica vivem um processo de exclusão social. Entretanto, a exclusão social não é só a carência socioeconômica, ela deve ser compreendida levando em conta diversos aspectos, ou seja: (...) a noção de exclusão social vai além da carência material, uma vez que incorpora na análise da desigualdade na distribuição dos recursos socialmente valorizados, outros aspectos como a discriminação, a estigmatização, a negação social ou a debilidade nas redes interpessoais que contribuem, reforçam ou alimentam as dinâmicas de expulsão ou de criação de obstáculos do acesso a determinados espaços, direitos ou relações sociais, que são o único meio para alcançar certos recursos (Martínez, 1999). Assim, o gênero, a idade, a procedência, as origens culturais ou o estado de saúde podem ser fatores que determinam a situação de exclusão ou inclusão social de uma pessoa ou grupo, junto com a posição econômica e no mercado de trabalho, o nível de educação e o capital cultural acumulado, as características da moradia e do território que se encontra, entre muitos outros elementos. (SUBIRATS et al, 2009, tradução da autora). Em territórios e comunidades de maior deficiência de recursos e maior vulnerabilidade social, se faz necessário um trabalho que abarque o maior número possível daqueles elementos, uma vez que a exclusão que seus moradores vivenciam acumula-se em múltiplas experiências. 35 Subirats et al (2009), diferentemente de Marshall, incluem todos os elementos num só, considerando que inclusão social passa por três pilares, que se interligam e contribuem para que a cidadania ocorra na prática: Garantia de acesso à cidadania e a seus direitos econômicos, políticos e sociais, além da possibilidade de participar da esfera política; Inserção em uma rede de reciprocidade social (afetiva, familiar, vizinhança, comunitária) que, quanto mais sólida, mais eficiente; Acesso à vida econômica, em especial ao mercado de trabalho. Um desafio para as instituições que trabalham com públicos excluídos socialmente é conseguir abarcar o maior número de dimensões possível, de modo a acelerar o processo de inclusão social. O ambiente que viabiliza esse processo de inclusão pelo qual a sociedade precisa passar é a esfera pública, que Habermas define como ―uma rede adequada para a comunicação de conteúdos, tomada de posição e opiniões; nela os fluxos comunicacionais são filtrados e sintetizados a ponto de se condensarem em opiniões públicas enfeixadas em temas específicos (1997, vol. II, p. 92)‖. Nesse sentido que Tenório (2005, p. 105) diz que ―a esfera pública pressupõe igualdade de direitos individuais (sociais, políticos e civis) e discussão, sem violência ou qualquer outro tipo de coação, de problemas por meio da autoridade negociada entre os participantes do debate‖, demonstrando sua importância no exercício da cidadania. Tenório defende ainda que a cidadania passe a ser exercida em conjunto pelos participantes, alcançando um novo patamar. Ele denomina esse novo patamar de Cidadania Deliberativa, que ―significa, em linhas gerais, que a legitimidade das decisões políticas deve ter origem em processos de discussão, orientados pelos princípios da inclusão, do pluralismo, da igualdade participativa, da autonomia e do bem comum (2005, p. 105)‖. É na esfera pública que a inclusão social se dá na prática, levando à consolidação da democracia e consequente realização da cidadania. É nela que se 36 estabelecem os fluxos de comunicação das diversas esferas da sociedade, criando uma rede interligada, com objetivos comuns e que possa levar ao consenso, apesar das inúmeras dificuldades que um processo tão complexo possa apresentar. A cidadania é um direito definido na Constituição Federal de 1988, no Art. 1º, como um dos princípios fundamentais que devem ser garantidos aos brasileiros. E tornar essa garantia uma realidade, é responsabilidade de toda a sociedade, através de seus três setores, o governo, a comunidade empresarial e a sociedade civil. Unidos, devem organizar-se e formar uma rede interligada de atuação conjunta. Vai muito além de serviços oferecidos pelo Estado, diretamente ou através das parcerias com entidades do terceiro setor, decorre de se por em prática efetiva os direitos dos cidadãos. Políticas sociais Relações estabelecidas entre Estado e sociedade civil mudam conforme definição das políticas sociais. São detalhadas as políticas de assistência social e de educação, as demais não foram objeto deste trabalho. Aguiar cita a transformação pela qual tem passado a política de assistência social no Brasil, desde 1988. O Estado vinha de uma cultura impregnada ―pela benemerência, a filantropia e o assistencialismo com conotação de clientelismo político‖ (AGUIAR, p. 01). A partir do ―momento da inscrição da assistência social na Constituição Federal (1988), como um direito social, e o uso efetivo do direito pelo cidadão, uma profunda mudança política e comportamental deve ocorrer‖, levou a uma reflexão sobre a atuação do Estado. Porém, somente mudar o foco de atuação não é a única corrente de transformação: a descentralização e a participação social, elementos inseridos na Constituição Federal de 1988 também passaram a compor o novo cenário dentro do qual a política de assistência social tem que ser inserida. ―Dessas diretrizes resultou uma ampla reorganização institucional da assistência 37 social no país com base na Lei federal n° 8.742, de dezembro de 1993 – Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS (AGUIAR, p. 01)‖. A Lei Orgânica de Assistência Social – LOAS – de 1993 define que a assistência social é uma ―Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas (MDS, 2007, p. 04)‖. Em 2005 a Norma Operacional Básica do SUAS ―disciplina e normatiza a operacionalização da gestão da Política Nacional de Assistência Social – PNAS e o novo modelo de gestão‖, de modo a viabilizar o cumprimento das novas atribuições do Estado brasileiro. Ou seja, é através do SUAS que a política de assistência social é implementada no Brasil. Conforme o site do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, fica claro o papel do SUAS: A gestão das ações socioassistenciais segue o previsto na Norma Operacional Básica do SUAS (NOB/SUAS), que disciplina a descentralização administrativa do Sistema, a relação entre as três esferas do Governo e as formas de aplicação dos recursos públicos. Entre outras determinações, a NOB reforça o papel dos fundos de assistência social como as principais instâncias para o financiamento da PNAS. Recentemente, em 2011 a LOAS de 1993 passa por nova reformulação, através da Lei No 12.435 que a modifica consolidando as experiências e discussões realizadas nos últimos anos acerca da assistência social no Brasil. Os principais pontos vigentes da LOAS são: Definição Art. 1º A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas. 38 Objetivos Art. 2º A assistência social tem por objetivos: I – a proteção social, que visa à garantia da vida, à redução de danos e à prevenção da incidência de riscos II - a vigilância socioassistencial, que visa a analisar territorialmente a capacidade protetiva das famílias e nela a ocorrência de vulnerabilidades, de ameaças, de vitimizações e danos III - a defesa de direitos, que visa a garantir o pleno acesso aos direitos no conjunto das provisões socioassistenciais. O artigo segundo da LOAS traz um parágrafo único que define como deve ser realizado o enfrentamento da pobreza, ―de forma integrada às políticas setoriais, garantindo mínimos sociais e provimento de condições para atender contingências sociais e promovendo a universalização dos direitos sociais‖. A realização da política pública acompanha essa redefinição da LOAS, de seus objetivos e da forma como deve ser realizada. A LOAS reconhece as entidades com as quais podem ser estabelecidas parcerias como ―aquelas sem fins lucrativos que, isolada ou cumulativamente, prestam atendimento e assessoramento aos beneficiários abrangidos por esta Lei, bem como as que atuam na defesa e garantia de direitos (Art. 3º)‖. Já a política de Educação, conforme o próprio site do Ministério da Educação (MEC), ―são dois os principais documentos norteadores da educação básica: a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 e o Plano Nacional de Educação (PNE), Lei nº 10.172/2001, regidos, naturalmente, pela Constituição da República Federativa do Brasil.‖ (MEC, 2012). A Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que sofreu adendos em 2001 (Decreto nº 3.860), em 2005 (Adin 3324-7) e em 2009 através de outra lei, a Lei nº 12.061, de 2009, estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. 39 Definição Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. Objetivos Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Na seção II, o art. 29 define que ―o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade‖ é a finalidade da educação infantil, sendo que a mesma poderá ser oferecida em ―creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de idade‖ e ―pré-escolas, para as crianças de quatro a seis anos de idade‖. Complementar à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o Plano Nacional de Educação, um plano decenal, vigente desde 2001, embora vencido – ainda não foi substituído porque um novo plano está em trâmite no Congresso nacional, com previsão de ser votado em 2013 – estabelece que haja ―garantia de ensino fundamental obrigatório de oito anos a todas as crianças de 7 a 14 anos‖, prevendo também a ―ampliação do atendimento nos demais níveis de ensino – a educação infantil, o ensino médio e a educação superior‖. A educação infantil (crianças de 0 a 6 anos) está dividida em duas partes: crianças de até 3 anos de idade devem ser atendidas por creches e de 4 a 6 anos por pré-escolas. O PNE reconhece que a ―criança não está obrigada a frequentar uma instituição de educação infantil, mas sempre que sua família deseje ou necessite, o Poder Público tem o dever de atendê-la‖. Para viabilizar a expansão da rede são estruturadas creches próprias e também conveniadas com instituições sem fins lucrativos. 40 Um elemento muito importante das políticas sociais é a descentralização. Inojosa (2008) reconhece que modelos descentralizados e integrados são ainda mais difíceis de ser organizados, uma vez que alcançam todas as políticas sociais do país: A descentralização tem sido realizada de formas e ritmos peculiares a cada política do governo. Isso corresponde à lógica da organização do aparato governamental, que é, em todos os níveis de governo, setorializado por áreas de conhecimento ou especialização: saúde, educação, assistência social, saneamento, habitação, cultura, esportes, obras, meio ambiente etc. (2008, p. 02). Como proceder à descentralização e garantir que os diversos setores trabalhem articuladamente? Os governos municipais e estaduais também trabalham por especialidades. O cidadão deveria ser o foco e todos os setores passariam a atendê-lo dentro de sua área de especialidade técnica. Atualmente, na cidade de São Paulo, alguns serviços de assistência social e educação têm sido realizados por convênios com instituições sociais, que executam parte da política pública. A definição da política pública não é responsabilidade somente do poder executivo, que a realiza, porém, ―seu alcance sob o regime democrático depende do Legislativo — pela construção de normas e aprovação orçamentária —, bem como do Judiciário, pelo ritmo que imprime, e opera, a processualidade jurídica, em defesa dos direitos dos cidadãos (SPOSATI, 2007, p. 438)‖. Ou seja, a sociedade civil tem que pressionar o legislativo para que este realize as mudanças necessárias para fazer valer a Constituição, caso contrário, o executivo oferece determinado benefício ao cidadão enquanto seu partido estiver no poder, nada garantindo que seu sucessor manterá a mesma oferta. Somente quando são criadas políticas públicas é que a conquista se pereniza. 41 É grande a dificuldade de definir e programar políticas públicas que efetivamente tragam a seguridade social ao cidadão, ao invés de considerá-lo no: Campo das culpas, das vítimas e sofredores, dos coitados e dos não cidadãos. É um paradigma Somente quando a pobreza for criminalizada, isto é, quando seus causadores forem apontados, talvez se possa romper com o moralismo milenar que cerca a questão. A condição de ser pobre não gera direitos. É a condição de ser cidadão que os gera. Por consequência, enquanto for atribuída a responsabilidade da assistência social ao trato do pobre, ela não será uma política de direito de cidadania. Esta é uma das questões mais difíceis a ser enfrentada, pois muda o ―pólo energético‖ da assistência social. (SPOSATI, 2007, p. 441). Esta passagem do texto de Sposati (2007) deixa claro o tamanho da mudança de paradigma pela qual tem passado a sociedade brasileira. O acesso à cidadania, a todos os que residem no país, somente se realizará quando esse novo paradigma integrar as políticas públicas, suportadas por legislação condizente, e forem cumpridas integralmente em todos os cantos do país, acessíveis a todos. Organizações da Sociedade Civil A sociedade civil brasileira tem sofrido grandes transformações nas últimas décadas, acentuadas após a abertura política pós-regime militar, iniciada em 1985. Com isso, a sociedade tem adquirido características diferentes de épocas anteriores, se organizando e logrando alcançar maior participação ao longo do tempo, mesmo que ainda sem uma força que possa ser considerada indelével, capaz de operar uma mudança na estrutura política brasileira. Gohn (2011), ao inserir o Brasil em um âmbito maior, latino americano, demonstra as principais ocorrências no cenário que têm levado a transformações e gerado movimentos diversos na sociedade como um todo, termo que ela define como sendo a ―modernização da vida social‖: 42 (...) o cenário sociopolítico latino americano neste novo século é diverso e diferenciado das décadas anteriores, tanto do ponto de vista econômico, social, como no político, apresentando também inúmeras novidades no cultural. No geral persistem contradições históricas de um processo econômico onde coexistem crescimento econômico em algumas áreas/produtos, integração regional à economia globalizada neoliberal - incentivando-se o ingresso de novos capitais estrangeiros, desindustrialização e transformação da base produtiva industrial nacionais, que se voltam para a importação/exportação, incentivo ao consumo de massa - num mundo de mercadorias baratas, abundantes e de baixa qualidade, tornando-se o grande elemento que aglutina e apaixona os indivíduos via a moda. Resulta disto tudo a modernização da vida social (2011, p. 227). Ou seja, muitas transformações ao mesmo tempo, aspectos positivos de um lado, tais como crescimento econômico e acesso à economia globalizada, e negativo de outros, tais como a desindustrialização, que, por conta da crescente concorrência de produtos estrangeiros de preço e qualidade baixos, tem voltado a base produtiva nacional para a importação e exportação. Tantas mudanças no contexto social geram também modificações no comportamento do cidadão brasileiro, que busca se organizar para reivindicar seus direitos. Sob o aspecto sociopolítico, decorrente deste movimento de organização da sociedade civil, ainda citando, Gohn (2011), a mesma defende que um processo de institucionalização tem atingido o Brasil, gerando não somente uma sociedade civil mais organizada, como também mudanças na maneira como os governos se relacionam com ela: [...] a temática da institucionalidade de práticas civis em espaços públicos constitui-se em um processo sociopolítico relevante em vários países da América Latina nas duas últimas décadas. As novas formas de institucionalidade deram origem a inúmeras inovações democráticas desenvolvidas na esfera pública. Entretanto, trata-se de um processo bastante contraditório: de um lado criam-se novas relações, oportunidades e consolidação de espaços democráticos; de outro, há impactos e resultados diferenciados para os entre setores da sociedade civil organizada que participam daqueles processos (2011, p.224). 43 Uma ressalva feita por Gohn (2011) no excerto selecionado é que os resultados e impactos não são homogêneos e são diferentes para setores da sociedade, levando a uma contradição na relação entre governos e instituições da sociedade civil. Organizações da sociedade civil, também conhecidas como não governamentais, como o próprio termo diz, vêm da negação de um conceito já consolidado, que é o governamental. São ainda classificadas como sem fins lucrativos, outro termo que também nega outro conceito consolidado, que é o do lucro, diferenciando-as das empresas, que formam o segundo setor da economia. Para adicionar um grau maior a essa dificuldade de descrever o conceito, as organizações da sociedade civil costumam realizar atividades que são consideradas de interesse público, porque disponibilizam serviços similares aos oferecidos pelo governo. São atividades realizadas por entidades que tem regime de contratação CLT, ou seja, não seguem as regras do servidor público, e realizam compras sem seguir a Lei 86664, que obriga os órgãos governamentais a realizar licitações para todas as suas compras. Por não serem governamentais, as entidades sociais não precisam seguir a lei 8666, facilitando e acelerando seu processo de compra, mas trazendo-lhes também riscos de fraude e superfaturamento. O número de organizações sociais tem crescido bastante nos últimos anos, bem como o número de parcerias com governos, especialmente municipais. A sociedade brasileira tem presenciado mudanças na forma como o Estado realiza suas políticas públicas, uma consequência da desregulamentação e flexibilização vividas na década de 1990, ―na oferta de serviços públicos, ficando o mesmo como gestor e controlador dos recursos, transferindo responsabilidades para organizações da sociedade civil organizada, via programas de parcerias em projetos e programas sociais com as ONGs (GOHN, 2011, p. 227)‖. As organizações sociais têm adquirido papel fundamental na maneira de atuar da sociedade civil, apesar das críticas de que hoje elas são objeto, dentre elas se diz que a atuação dessas organizações reduz a atuação dos movimentos sociais, 4 Lei 8.666 de 1993 – Lei das licitações públicas trata das regras a serem seguidas por órgãos públicos para compras, alienações e contratos administrativos. 44 gerando uma acomodação da população e um aumento das chamadas entidades do terceiro setor. O terceiro setor, além das organizações não governamentais, congrega também as fundações pertencentes a instituições comerciais, industriais, financeiras. Estas últimas têm definido alguns dos chamados público-alvo, para trabalhar, a partir de premissas das empresas que as financiam, tornando a atuação social mais limitada e restrita às regras definidas pelos patrocinadores. As organizações não governamentais também têm profissionalizado sua atuação como imposição dos governos e empresas que as mantêm (GOHN, 2011). Parte da transformação do Estado iniciada na década de 1980 se prolongou durante o governo Fernando Henrique Cardoso, onde o então ministro da Administração e Reforma do Estado, Luiz Carlos Bresser Pereira, buscou implantar ―uma administração voltada para resultados, ou modelo gerencial‖. Como ponto importante a ser citado, este modelo de gestão propunha que fossem criadas novas instituições, como parte de ―uma engenharia institucional capaz de estabelecer um espaço público não-estatal (ABRUCIO, 2007, p. 72)‖. Como resultado deste processo, foi definida uma nova legislação, considerada o marco legal do terceiro setor (Lei Federal 9.790/99), onde puderam ser criadas as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs), que têm materializado mais parcerias entre governos e a sociedade civil, bem como novas regras de parcerias puderam ser estabelecidas a partir da promulgação da citada lei. Estas instituições são reconhecidas como OSCIPs pelo Ministério da Justiça, por apresentarem algumas características definidas pela lei federal 9.790/99, que são pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujos objetivos sociais tenham pelo menos uma das finalidades (exemplificadas nos incisos I a XII da citada lei), que são Assistencial + Beneficente; Cultural; Educacional; Saúde + Tratamento de Toxicômanos + Planos de Saúde; Nutricional; Ambiental + Ecológico; Voluntariado; Integração + Esportista; Creditícia + Cooperativas; Jurídica; Ética + Cidadania e Científica + Tecnologias Alternativas + Pesquisas. Ou seja, a OSCIP, uma vez reconhecida pelo Ministério da Justiça, pode realizar atividades de interesse público, como forma de atender anseios da sociedade civil, que se organizou para tal, e ser remunerada pelo Estado a partir da constituição de parcerias. 45 Importante ressaltar que entidades, visando objetivos sociais com outras denominações, já existiam antes da promulgação da lei, reconhecidas como organizações sem fins lucrativos, oriundas da sociedade civil. Considerando a materialização das parcerias entre Estado e organizações sociais, alguns pontos são importantes de ser ressaltados, sob a perspectiva das organizações sociais: capilaridade, informalidade, experimentação, articulação com a comunidade local e representatividade. Quanto ao primeiro ponto, o da capilaridade, as organizações sociais têm como possibilidade estar presentes em qualquer comunidade ou território, sobretudo com estruturas muito pequenas. As organizações sociais podem ir até mesmo a locais que não são reconhecidos oficialmente por serem resultados de posse irregular. Questionamentos do tipo, se ainda não há CEP nas ruas, como é possível abrir uma escola e cadastrar as crianças para a matrícula? É onde entra o segundo ponto, o da informalidade, as organizações sociais conseguem organizar-se e levar serviços de interesse público a locais extremamente precários, por conta de sua flexibilidade, nos quais os governos têm uma burocracia que os impede de atender. O terceiro ponto é uma das grandes vantagens das organizações sociais em relação a estruturas formais de governo: a possibilidade de experimentação. Uma organização social pode realizar diversas tentativas de atendimento, até que alcance um grau de excelência que as permita definir como o ideal a ser replicado em outras comunidades. Com essa experimentação, definir políticas públicas torna-se um processo mais assertivo porque baseado em experimentos bem sucedidos já realizados em diversas comunidades, facilitando o papel dos governos. Esses três primeiros pontos são resumidos por Cardoso (2005, p. 10-11), que defende a realização de parcerias entre organizações sociais e governos, de modo a acelerar o processo de atendimento a comunidades: 46 É essa construção de novas formas de agir na área social que distingue a atuação do Terceiro Setor da ação governamental. Organizações da sociedade civil ganharam uma competência no modo de se relacionar com e intervir junto a grupos sociais específicos, como por exemplo, crianças em situação de risco. Para serem bem sucedidas, iniciativas voltadas para este grupos mais frágeis e vulneráveis requerem regras e modos de atuação que só se constroem através da ação e experimentação. É essa eficácia que o governo precisa aprender, daí a importância dessa interação entre atores diferentes. Cardoso (2005) defende as parcerias justamente porque elas aceleram o processo de eficácia do governo, uma vez que a experimentação traz importantes contribuições para que o governo possa estruturar políticas públicas que tragam resultados positivos às comunidades atendidas. O quarto ponto, o da articulação com a comunidade local, permite que haja uma ampla integração entre os habitantes de determinada comunidade e os integrantes da organização não governamental, acelerando o processo de integração e reconhecimento das reais necessidades locais, e, consequentemente, de oferecer soluções mais orientadas às demandas da localidade. Com isso, ―projetos sociais passam a ser eixos de mobilização e articulação de demandas e pessoas, articulados/gerenciados por ONGs e entidades do terceiro setor (GOHN, 2011, p. 228)‖. Por último, porém não menos importante, vem o ponto da representatividade. Muitos questionamentos existem acerca da representatividade de organizações sociais, tais como: Quais são as prioridades a serem seguidas para atender as necessidades de determinada comunidade por serviços públicos? Pode ser que uma organização social ofereça um serviço de atendimento a crianças e jovens e a comunidade preferisse uma escola de capacitação profissional, onde os pais pudessem conseguir um emprego formal obtendo melhor qualificação. Ou ainda, mesmo que alinhada à necessidade de determinada comunidade, uma organização social tem capacidade limitada e não consegue oferecer atendimento todas as pessoas que estariam aptas a receber determinado serviço. Os governos, mesmo com as parcerias, acabam por não atender a todos os que têm direito. As 47 organizações sociais se articulam com a comunidade, o que lhes permite identificar as necessidades e demandas do local e oferecer serviços que as atendam, porem, também parcialmente. Os governos, através das prioridades sociais, lançam mão de parcerias para atender ao maior número possível de pessoas, potencializando os resultados alcançados e reconhecendo ―que a ação do Terceiro Setor no enfrentamento de questões diagnosticadas pela própria sociedade nos oferece modelos de trabalho que representam modos mais eficazes de resolver problemas sociais (CARDOSO, 2005, p. 10)‖. Sposati (2011, p. 105) aborda que: As políticas sociais públicas latino-americanas no século 21 têm duplo desafio: superar suas heranças do século 20, sob a conjuntura do modelo neoliberal, e confrontar as desigualdades sociais e econômicas de forma a garantir a universalidade e a equidade de direitos humanos e sociais, tornando-os alcançáveis para os estratos que permanecem precarizados em suas condições de vida, trabalho e cidadania. O atendimento universal aos públicos atendidos é um aspecto chave na definição de parcerias, de modo que consigam alcançar a todos os que têm direito aos serviços que levem a melhoria nas condições de vida das populações menos favorecidas. Um trabalho conjunto entre governos e organizações sociais pode contribuir para levar o serviço oferecido a um nível aceitável de atendimento de maneira mais rápida e eficiente do que se cada um trabalhasse desarticulado e sem se apoiar mutuamente. 48 Parcerias Descrever parcerias é uma tarefa desafiadora. Para este trabalho, a proposta é conseguir descrever alguns tipos de parcerias que são realizadas entre distintas instituições, governamentais e não governamentais, suas peculiaridade e sua contribuição para redução da desigualdade social. Uma imensa dificuldade das diversas instâncias de governo é a articulação, o trabalhar integrado, em suas muitas frentes. O governo, mesmo internamente, em determinada instância, não tem o hábito de trabalhar articulado em suas políticas sociais, portanto: Uma alternativa de gestão, adotada com o objetivo de criar uma dualidade de cobertura para os mais pauperizados, ocorre pela mediação de entidades sociais substituindo a possibilidade do direito social pela benemerência ou filantropia. Outra herança da gênese das políticas sociais latino-americanas que alcança o século 21 é a ausência de articulação, intersetorialidade entre as áreas de ação de cada uma das políticas sociais. A institucionalização setorializada e fragmentada das políticas sociais mostra seu limite na operação em contextos de desigualdades sociais. A intersetorialidade na operação das políticas sociais torna-se uma exigência pela necessária interdependência das coberturas de atenções de cada política social (SPOSATI, 2011, p. 110). Verificar como as parcerias podem auxiliar na realização de políticas sociais, funcionando como mais um braço do Estado, especialmente nas áreas com menor oferta de serviços. Há diversos tipos de parceria, as parcerias entre governo e organizações da sociedade civil, e outros tipos de parcerias que são realizadas através da atuação conjunta e do compromisso que cada entidade social tem com seu público alvo, o que faz com que todos sejam beneficiados. 49 Há diversas maneiras de o Governo estabelecer parcerias com organizações sociais. São utilizados três instrumentos para viabilizar este relacionamento juridicamente (Naves 2012). O contrato tradicional é configurado como: Convênio, o mais antigo dos instrumentos, onde o governo pode constituir relacionamento com qualquer entidade sem fins lucrativos e cujo escopo é bastante amplo, podendo ser estabelecido para qualquer projeto de governo. E dois outros instrumentos, relativamente novos, que são o Termo de parceria, que pode ser realizado com uma entidade qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP, para contratar/patrocinar atividades de interesse público (art. 3º da Lei 9.790/99), e Contrato de Gestão, que pode ser realizado com uma entidade qualificada como OS – Organização Social, para contratar atividades de serviços públicos não exclusivos do Estado (Lei 9.637/98). Para Franco (2005, p. 36) ―é preciso ver que as parcerias são estratégicas não apenas porque aumentam a eficiência dos programas e das ações que poderiam ser realizadas por um ator individual – governamental, empresarial ou social‖, ou seja, através da parceria é possível alcançar novos patamares na qualidade da oferta e serviços públicos no Brasil. Algo que seria impossível de ser realizado somente pelo Estado ou pela sociedade civil. FRANCO, Augusto. A nova sociedade civil e seu papel estratégico para o desenvolvimento. Disponível em http://empreende.org.br/artigo-programas.html, acesso em 02 fev. 2013. 44p. Dos diversos desafios enfrentados por organizações da sociedade civil, Salamon (2005) defende que a colaboração é fundamental, ou seja, é essencial que elas realizem parcerias, viabilizando ações conjuntas que sejam mais eficientes e abrangentes, levando a uma melhor oferta de serviços às comunidades onde atuam. 50 Também Dowbor (2008) defende que as parcerias, bem como as redes sociais e a descentralização devem ser utilizadas para operacionalizar a gestão social. Em um artigo de 2009, Vasconcellos e Vasconcellos fazem um resumo do conceito de parceria, em seu artigo que trata justamente da parceria entre Estado e Organizações Sociais. A importância da parceria, bem como a confiança necessária para que ela seja bem sucedida são reforçadas, uma vez que: Parceria é uma forma de organização nas quais os objetivos alcançados pelos parceiros engajados dependem da existência de confiança entre eles e auto-organização. Neste contexto, os motivos da parceria não são moldados por ideais de ganhos materiais ou coerção entre os parceiros, mas por um senso comum de propósito, apoiado pela confiança entre os atores. Parceria baseada em confiança evoca a noção de parceria como um processo prolongado que resulta em um relacionamento de longo prazo entre os atores. (Tradução da autora) (VASCONCELLOS; VASCONCELLOS, 2009, p. 135). Este tipo de parceria é considerado o tipo ideal de cooperação, onde os atores desempenham seus papeis no relacionamento por compromisso e confiança, com objetivos e ideais comuns, em busca de um mundo melhor. Elementos como confiança e auto-organização – o elo que une os atores não é contratual, todos atuam de maneira a realizar suas atividades sem a necessidade de um contrato formal – estão presentes nas parcerias que as organizações sociais estabelecem entre si, onde o senso comum de propósito as move ao oferecer serviços gratuitamente e em condições muitas vezes precárias. Uma pergunta feita por Perez (2005, p.14), justamente aponta para um aspecto crucial no relacionamento das ONGs com a prefeitura de São Paulo: ―está havendo apenas uma terceirização dos programas sem o real compartilhamento de decisões e experiências entre as duas esferas?‖. Sua pergunta, embora relacionada especificamente com organizações que trabalham com crianças de rua no centro da cidade de São Paulo pode ser extrapolada para este trabalho. Uma questão fundamental: na definição das políticas públicas pelo governo, há abertura para 51 interação dos representantes do governo e das organizações sociais, de modo que alcancem, juntos, uma evolução no serviço oferecido e gerem ajustes nas políticas públicas? Ou há uma imposição das regras definidas pelos governantes e as organizações sociais são obrigadas executar os procedimentos, sem possibilidade de questionamento? Caso a resposta seja sim, havendo mesmo uma imposição da esfera governamental sobre as ONGs, este relacionamento ainda pode ser considerado uma parceria? E o que ela gera de consequência ao serviço oferecido pelas instituições? Uma ―uniformização‖ pode ter vantagens e desvantagens: como principal vantagem tem-se a unidade na oferta do serviço: TODOS que oferecem determinado serviço o realizam como se fosse seu contratante que o estivesse realizando. Por exemplo: se uma criança que frequenta uma creche em determinada comunidade mudasse de bairro, passasse a ser atendida por outra creche oferecida por uma organização social, deveria receber os mesmos procedimentos, o mesmo método pedagógico, enfim, os mesmos serviços. Uma desvantagem é justamente o outro lado da moeda da uniformização: não há espaço para a autonomia da organização social. Uma organização social é criada por iniciativa da sociedade civil para atender a uma demanda específica e com a capacidade de enfrentar determinada realidade através de um método próprio, muitas vezes peculiar, alcançado através da experimentação com a comunidade atendida, que traz resultados positivos, caso contrário ela não teria se sustentado até o momento. Pode-se dizer que se configura uma parceria, mesmo quando o Estado exige uniformidade das organizações sociais, que acabam por abrir mão de suas características específicas? Por outro lado, por que o Estado não aproveita tantas experiências diversas e positivas para melhorar sua própria eficácia e evoluir as políticas públicas? 52 As organizações da sociedade civil estabelecem relacionamentos com outras entidades, governamentais e não governamentais, com propósitos diversos. Esta articulação acontece entre as mais variadas instituições que trabalham com um objetivo social comum, o de oferecer serviços para atender às demandas da sociedade civil, assegurando e ampliando os direitos dos cidadãos (MARTINS, 2004). A totalidade destas parcerias gera um conjunto de inter-relacionamentos que se articulam, se apoiam mutuamente, forma uma estrutura muito particular, configurando-se uma rede. Redes Redes, um elemento central no modo de se relacionar dos seres humanos. Desde o princípio da civilização, os homens descobriram que trabalhar em rede poderia aumentar sua capacidade de fazer frente às demandas da vida, como caçar, plantar e se defender dos riscos a que estavam expostos. Desde então, esta tem sido a forma primordial pela qual os relacionamentos se dão e cada indivíduo se insere na sociedade e na vida cidadã. No entanto, as pessoas não se vinculam a todas as redes disponíveis. Para realizar conexões nas redes, é preciso ter ―uma razão‖ que desperte o interesse de participar. Ao se conectar a determinada rede, a pessoa vê naquela relação que se inicia uma razão, um propósito, um interesse atendido, estabelecendo assim, uma relação social com sentido (WEBER, 2006). As redes têm ―algumas propriedades principais, dentre elas está a não linearidade (ela se estende por todas as direções) e a existência de laços de realimentação, que proporcionam a capacidade de autorregularão (AYRES, 2002, p. 2)‖. 53 Justamente essas propriedades são as que permitem que as redes cresçam e expandam-se indefinidamente, integrando novos nós, estabelecidos por relações horizontais de cooperação, desde que compartilhem o mesmo código de comunicação (CASTELLS, 1999, TOMAÉL, 2005). Este código de comunicação pode ser traduzido como o objetivo comum que une os diversos nós da rede. A interação entre os sujeitos é um elemento fundamental para construir o tecido social, que é formado após um longo período de convivência, onde se estabelecem também relações de confiança entre as pessoas e instituições que formam a rede. Esse intercâmbio se dá pelo estabelecimento de parcerias, onde instituições complementares se apoiam mutuamente, cada qual com sua especialidade, buscando alcançar objetivos comuns, algo que acontece espontaneamente, formando a rede. A rede pode ser entendida como uma ordem espontânea que emerge dos resultados das interações descentralizadas entre indivíduos e/ou organizações. (...) As unidades que a compõem, organizações e/ou indivíduos estabelecem relações sociais que determinam uma realidade complexa, ligada a multiplicidades de comportamentos, de sistemas cujo futuro não se pode prever. (JUNQUEIRA, 2008, p. 88). A rede tem um comportamento que vai além da atuação dos nós que a compõem. Mizruchi (2006) traz uma contribuição para o entendimento do funcionamento das redes, quando afirma que analisar redes é muito mais do que simplesmente enquadrá-las em categorias e termos, é preciso apreender o conceito do trabalho em rede que: [...] seria a matéria principal da vida social: as redes concretas de relações sociais, que ao mesmo tempo incorporam e transcendem organizações e instituições convencionais. O governo, por exemplo, não é uma instituição fixa e unitária, mas uma série de subunidades, muitas vezes operando em oposição umas às outras, cujos membros 54 desenvolvem coalizões e disputas não apenas dentro das agências e entre elas, mas também com diversos agentes externos ao Estado (2006, p. 73). Por esta abordagem é possível analisar o relacionamento do Estado com as diversas organizações da sociedade civil, que realizam atividades via convênios, afinal, o governo também é composto por uma rede (subunidades), e as ONGs representam o Estado na atividade que desempenham. Já Tilly (2005), ao abordar redes de confiança, identifica as dificuldades, barreiras e oportunidades que precisam ser superadas para tornar possível uma parceria entre governo e ONGs. Redes de confiança são moldadas ao longo do tempo, gerando laços extremamente fortes entre seus membros. Esses laços levam também a relacionamentos diversos entre os membros, tais como financeiros, ajuda mútua, casamento, comércio local e à distância. (TILLY, 2005). ―O aspecto geográfico é um facilitador para manter redes de confiança porque a proximidade física garante o monitoramento contínuo, ajuda mútua, reciprocidade, confiança e barreiras à saída (TILLY, 2005, p. 06)‖. E o território, onde a parceria se concretiza, é um local delimitado. Relações de confiança são mantidas pelos indivíduos, facilitando suas atividades e garantindo seus interesses. Portanto, o trabalho deve ser realizado sobre os elementos que compõem a rede, que são seus nós. Cada nó é uma entidade participante da rede, sendo composto por indivíduos. Tomando como exemplo a instituição em estudo neste artigo, é um nó, e, dentro dela, há uma relação de confiança entre seus participantes. O mesmo ocorre com as outras entidades não governamentais que atuam na rede. Porém ao investigar as características do relacionamento entre organizações sociais e os governos, verifica-se que estão presentes outros elementos, tais como, 55 ―regras bem definidas, onde a parceria é delineada por regras, regulações e ações governamentais (Tradução da autora) (VASCONCELLOS e VASCONCELLOS, 2009ª, p. 135)‖. Mapear os diversos tipos de parceria possibilita compreender a configuração da rede, como seus laços fortes e fracos se estabelecem de maneira diferente e tem, portanto, influência sobre a rede. Outro resultado deste mapeamento é identificar como se desenvolve o capital social, que, conforme definido por Putnam, trata-se do conhecimento gerado dentro da organização, mas que viabiliza o estabelecimento de parcerias, ou seja, ―diz respeito a características da organização social, como confiança, normas e sistemas, que contribuam para aumentar a eficiência da sociedade, facilitando as ações coordenadas (PUTNAM, 2006, p. 177)‖. São justamente as ações coordenadas que organizam o tecido (capital) social formado pelas parcerias. Citando um dos autores mais utilizados na análise de redes, Granovetter (1973) demonstra a importância dos laços interpessoais para entender o comportamento da sociedade: A estratégia deste artigo é escolher um aspecto bastante limitado da interação em pequena escala – a força dos laços interpessoais – e mostrar, em detalhes, como o uso da análise de redes pode relacionar este aspectos aos mais variados macro fenômenos, tais como difusão, mobilidade social, organização política e coesão social em geral (1973, p. 1360). As diversas entidades que compõem a rede estabelecida são redes de confiança, tais como, famílias, empresas, ONGs, lideranças comunitárias. Compreender como se dá a interação entre elas é passo importante para verificar como se elas se estruturam no contexto em estudo. Ao analisar o processo social, Tilly (2005) estabelece três possíveis abordagens, que podem ser consideradas ―metateorias‖, porque não existem desta 56 forma na sociedade real. Porém, para efeitos didáticos, ele as estruturou em três categorias: 1. Sistêmica, onde o pressuposto é que há uma sociedade autossustentada, coerente, a economia é global, cada um desempenha seu papel no todo; 2. Intencional (Dispositional no original, com sentido de intenção), onde há variações entre a posição que as pessoas e entidades assumem na sociedade e suas ações seguem orientações lógicas, emocionais e culturais; 3. Transacional, onde as interações entre indivíduos e locais são o ponto de partida, os eventos e seus locais são duráveis e o relacionamento e a comunicação são o centro da vida social (TILLY, 2005, p. 19). A realidade de um local é uma junção das três abordagens, ocorrendo ao mesmo tempo. Portanto, a partir dos elementos descritos anteriormente, é possível concluir que a interação e a integração entre entidades da sociedade (empresas, ONGs, comunidades) e os governos têm uma grande dificuldade de se realizar de tal modo que traga benefícios a todos os envolvidos. Há ainda, uma assimetria nas relações de poder entre governos e redes participantes do processo democrático, mais especificamente, da parceria com ONGs. Neste caso, os governos se utilizam de instrumentos para impor as regras que lhes são mais interessantes. Esse aspecto pode ser visto como positivo, na medida em que é assim que o governo estabelece uniformidade no cumprimento de suas políticas sociais por órgãos não públicos. Porem é mais um elemento de conflito na relação com as ONGs. Qual a melhor estratégia para fortalecer as entidades, de modo que elas desempenhem seu papel na sociedade e mantenham um bom relacionamento ao longo do tempo? A transparência é fundamental para manter esse relacionamento estável e cumprindo seu propósito, de trabalhar em prol do objetivo comum. 57 Granovetter (1973, p. 1361) defende que ―a força de um laço é a combinação da quantidade de tempo, da intensidade emocional, da intimidade (confiança mútua) e da reciprocidade que o caracteriza‖ (laços fortes). Ou seja, com o tempo se estabelece relações mais profundas e fortes, onde a confiança desempenha papel fundamental. Os laços entre as diversas organizações sociais configuram-se como laços fortes. Outro aspecto fundamental das redes é o conceito de laços fracos, que Granovetter define como sendo quando os nós da rede se relacionam, quando não há relacionamento estreito, profundo ou muito frequente entre os elementos que a compõem. Assim, os laços fracos, que são as pontes, ―assumem papel importante na rede‖, onde ―a remoção de laços fracos gera mais danos nas probabilidades de transmissão de informação que a remoção de um laço forte (GRANOVETTER, 1973, p. 1366)‖. Pode-se considerar que os convênios com governos são laços fortes, uma vez que estabelecem relacionamentos contínuos, frequentes e profundos. O governo estabelece relações determinadas por regras formais e contratuais, que não dão muita margem de mudança aos participantes da relação e dificultando o estabelecimento de relações de confiança, fundamentais para configurar um laço forte. Por outro lado, os laços com outras organizações sociais, não contratuais, são laços fracos, porque a relação entre eles é esporádica e eventual, ocorre quando há necessidade de uma das partes. O governo desempenha papel fundamental na manutenção da rede, porque viabiliza a sustentabilidade econômica das organizações sociais, permitindo que elas estabeleçam relações entre si que não demandem intercâmbio econômico entre elas, mas que auxiliem seus públicos assistidos. Avaliar se as parcerias estabelecidas efetivamente realizaram seus propósitos, é importante para saber se devem ser mantidas ou mesmo expandidas e se há 58 necessidade de se realizar modificações e ajustes para aperfeiçoamento do processo. Vinhas (2010) esclarece que redes, em um relacionamento horizontal, viabilizam ações de parceria, articulam múltiplos saberes, experiências e poderes, tornando o conjunto mais apto para lidar com os complexos problemas apresentados à gestão social. A sociedade atual, com sua imensa complexidade e inúmeras carências, demanda soluções mais abrangentes e eficientes, que abordem os problemas e ofereçam alternativas que tragam mais benefícios a todos, num prazo menor do que as metodologias tradicionais e estanques. O relacionamento em rede e parcerias entre diversas entidades, públicas e privadas, com objetivos comuns, pode levar a uma maior qualidade no atendimento oferecido à comunidade. E esta parceria é mais eficiente e eficaz porque é viabilizada pelo patrocínio de esferas governamentais, que garantem a sustentabilidade econômica das instituições participantes, permitindo que elas realizem sua missão com continuidade e perenidade. Redes são estruturas flexíveis, que se organizam em prol de um objetivo, buscando através da cooperação, alcançá-lo. Pinto e Junqueira (2009) descrevem como sendo um item complexo e conectado ao contexto onde se situa, portanto a existência de uma rede: Depende de uma realidade múltipla e complexa onde o reconhecimento do outro e a definição de objetivos comuns possibilitam a construção de um tecido social. Isso significa que a rede social se constitui a partir da interação entre os sujeitos (2009, p. 1092). Sujeitos são as diversas instituições que oferecem serviços à população, tais como saúde, proteção a mulheres e crianças em situação de violência doméstica, cuidado do idoso, educação complementar, capacitação profissional, esporte, etc. 59 Estes diversos serviços são hoje oferecidos tanto por instituições públicas, tais como escolas, postos de saúde, quanto por privadas, mais comumente, organizações da sociedade civil e as empresas, tanto ao oferecerem empregos quanto através de suas políticas de responsabilidade social. Carvalho (2010, p. 09), na introdução do caderno REDES DE PROTEÇÃO SOCIAL reforça que rede: É um conceito atual, que propõe uma inovação radical no modo de gestão social pública. Introduz novos valores, habilidades e processos, necessários à condução do trabalho social numa realidade que é complexa. Não podemos mais atuar num ponto sem olhar para outros, somando e integrando competências e intervenções. É justamente essa realidade complexa que as redes têm condição de enfrentar. Através da união de todos os atores é possível oferecer serviços necessários e suficientes à manutenção da dignidade humana. O trabalho em rede se organiza e evolui com o passar do tempo, mediante a articulação e interação dos atores com os mesmos objetivos. No caso do relacionamento entre governos e ONGs, esta afirmação fica ainda mais clara: uma determinada comunidade pode ter uma rede mais densa que outras que estejam próximas. Isto ocorre porque a articulação entre os atores naquela comunidade é maior que os de suas vizinhas. É esta articulação que constrói, com o tempo, a rede de relacionamento. Carvalho (2010, p. 09) afirma que esta estrutura é composta de pequenas e grandes redes interligadas, e salienta que: 60 Comunicação e articulação são indispensáveis ao trabalho social em rede, pois costuram a oferta de oportunidades e de acesso a serviços e relações no território; conjugam e integram a população-alvo a uma cadeia de programas e serviços ligados entre si. A ação interprogramas permite potencializar o agir, porque retira cada ação do seu isolamento e assegura uma intervenção agregadora e includente. As organizações sociais, através de seus serviços oferecidos à comunidade, em parceria com os serviços e políticas sociais do Estado, as lideranças locais com suas reivindicações e conhecimento das necessidades e das prioridades das pessoas que ali residem, geram redes com muito mais chance de sucesso que cada ator realizando seu trabalho desarticulado dos demais. Não é tarefa simples trabalhar articulado, ainda mais com atores que têm níveis de poder muito assimétrico, e as redes permitem uma interação mais eficiente porque são flexíveis e adaptáveis às diferentes configurações de seus componentes. O processo de organização ao longo do tempo tem feito com que as redes sejam muito diferentes nas diversas comunidades onde estão presentes. 61 2 METODOLOGIA Esta pesquisa é um estudo de caso de natureza qualitativa e quantitativa de uma organização da sociedade civil, denominada ARCO Associação Beneficente, localizada num bairro periférico, na zona sul da cidade São Paulo. Como estudo de caso esta pesquisa busca investigar as dimensões de um fenômeno contemporâneo e de seu contexto (YIN, 2001). Foram avaliadas as parcerias realizadas entre o governo municipal e a organização não governamental, sob duas óticas: analisando os resultados obtidos pela organização e o impacto que esta parceria gera na formação de redes de relacionamento. Neste sentido, a pesquisa foi realizada em três etapas. Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO Nesta etapa é realizada uma investigação nas finanças da ARCO, com diversas dimensões, tais como análise de balanços patrimoniais e demonstrativos de déficit e superávit, avaliação de receitas e despesas e comparação com o valor médio recebido e gasto por cada criança e jovem atendidos, ano a ano, o valor médio anual e sua evolução no tempo. São utilizadas técnicas tradicionais de análise de balanço (análise vertical e horizontal) para os anos de 2003 a 2011, de modo a se verificar a evolução financeira da instituição, bem como a origem das receitas ao longo do tempo. A planilha utilizada como base para a análise consta do ANEXO I. A análise da evolução dos convênios teve seus dados processados a partir dos balanços da instituição e detalhes dos convênios e projetos que a instituição tem 62 celebrados desde 2008 até 2011. O Excel foi utilizado para armazenar os dados e realizar as análises. Etapa 2 – A comunidade e a ARCO Nesta etapa são avaliadas algumas dimensões relativas à comunidade servida pela ARCO, mediante o uso de uma pesquisa já realizada pela própria instituição em 2010/2011. A ARCO tinha por objetivo verificar o impacto gerado com o trabalho realizado ao longo dos anos nas famílias atendidas, sobretudo a percepção dos moradores da comunidade quanto aos serviços prestados. As 280 famílias assistidas pela ARCO, das 550 crianças e jovens atendidos, foram visitadas e entrevistadas. As entrevistas foram realizadas com o chefe da família por duplas de educadores, funcionários da ARCO, mediante a utilização de um questionário com perguntas abertas e fechadas (ANEXO II). Além das entrevistas com as famílias assistidas, o mesmo questionário foi aplicado a 230 famílias que moravam na comunidade e que não tinham filhos na instituição. Portanto, a pesquisa foi realizada com um total de 510 famílias. A base de dados foi avaliada para eliminar possíveis duplicidades para assegurar que os dados foram digitados corretamente. Dos 578 registros iniciais, foram considerados 510 registros únicos, que correspondiam a uma família do entorno que foi realmente entrevistada, os demais foram descartados. Outra verificação, quanto à confiabilidade, foi comparar se os dados digitados coincidiam com os formulários em papel. O resultado foi de 100% dos dados coincidentes para 50 formulários avaliados, escolhidos de forma aleatória. Para o armazenamento dos dados foi utilizado um sistema desenvolvido por um voluntário da ARCO. Algumas perguntas de natureza qualitativa tiveram suas respostas categorizadas, para tornar possível a quantificação das variáveis. Após a 63 seleção das perguntas, a categorização das respostas procedeu-se a quantificação dos dados que foram exportados para o software Excel e posteriormente para o Minitab. O processamento desses dados permitiu construir tabelas e gráficos para proceder a sua análise. Do total de cerca de 8.100 famílias da comunidade5, as 510 famílias entrevistadas correspondem 6,3% do total. Além da pesquisa com as famílias, uma última informação foi analisada nesta etapa, as distâncias percorridas pelos moradores de sua residência até os serviços mais utilizados, tais como escolas, postos de saúde, transporte público, dentre outros. Os resultados desta pesquisa encontram-se no ANEXO III. Etapa 3 – Avaliação da Rede de Relacionamento Nesta etapa da metodologia, o objetivo foi efetuar uma avaliação da rede que se formou ao longo dos anos de atuação da ARCO. Para isto, foi realizada uma análise quantitativa, onde foram mapeados os relacionamentos que a ARCO efetuou nos anos de 2011 e 2012, através da tabulação de planilhas Excel fornecidas pela instituição, que foram validadas e exportadas para o Minitab, onde foram gerados os gráficos e tabelas para as análises. Uma planilha resumo com os relacionamentos com pessoas jurídicas foi elaborada e consta do ANEXO IV. Adicionalmente, foi realizada uma pesquisa qualitativa, onde foram entrevistados coordenadores e técnicos da ARCO responsáveis pela interação com instituições públicas e privadas com as quais há relacionamento, com o objetivo de apreender sua percepção. As entrevistas foram realizadas mediante um roteiro (ANEXO V), foram gravadas e seu conteúdo foi analisado e expresso na segunda parte desta etapa. 5 De acordo com a Fonte: Sistema de informações de atenção básica (SIAB) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) – Dez/2007, a microrregião do Jardim Aracati tinha 8.158 famílias. 64 Na próxima seção, é feita uma apresentação do contexto das organizações da sociedade civil, bem como uma descrição da ARCO e de seu entorno. As Organizações da Sociedade Civil e a ARCO, uma organização social Este tópico se inicia com uma breve análise do último Mapeamento das Fundações Privadas e Associações Sem Fins Lucrativos (FASFIL) 6 (2012), com o propósito de compreender o contexto onde as organizações da sociedade civil estão inseridas, e, por consequência, situar a ARCO como uma entidade que oferece serviços de assistência social e educação para a comunidade de seu entorno. Para tanto, é importante ressaltar que o universo considerado no mapeamento da FASFIL segue o critério utilizado pelo Instituto brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2012, p. 12), que reconhece as entidades sem fins lucrativos como sendo: Organizações existentes no Cempre7 como entidades sem fins lucrativos (código de natureza jurídica iniciado por 3) e que se enquadrem, simultaneamente, nos cinco seguintes critérios: (a) privadas, não integrantes, portanto, do aparelho de Estado; (b) sem fins lucrativos, isto é, organizações que não distribuem eventuais excedentes entre os proprietários ou diretores e que não possuem como razão primeira de existência a geração de lucros – podendo até gerá-los, desde que aplicados nas atividades fins; (c) institucionalizadas, isto é, legalmente constituídas; (d) autoadministradas ou capazes de gerenciar suas próprias atividades; e (e) voluntárias, na medida em que podem ser constituídas livremente por qualquer grupo de pessoas, isto é, a atividade de associação ou de fundação da entidade é livremente decidida pelos sócios ou fundadores. 6 Pesquisa realizada em conjunto pelos órgãos governamentais IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e IPEA – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, uma instituição não governamental criada por iniciativa da sociedade civil, a ABONG – Associação Brasileira de ONGs e uma instituição, também sem fins lucrativos, ligada a grandes empresas, o GIFE – Grupos de Institutos, Fundações e Empresas. Foi utilizada a última versão, de 2010, publicada em 2012. 7 CEMPRE – Cadastro Central de Empresas, do IBGE 65 No caso brasileiro, esses critérios correspondem a três figuras jurídicas no novo Código Civil: associações, fundações e organizações religiosas. A tabela 1, a seguir, demonstra um crescimento no número de instituições da sociedade civil, que foi de 267,3 mil em 2006 para 290,7 mil em 2010. O crescimento de 8,8% demonstrou uma expansão menor que no período de 2002 a 2005, que havia sido de 22,6%. Outros pontos que chamam a atenção são o crescimento das organizações voltadas à educação – infantil (43,4%) e profissional (17,7%), à defesa do meio ambiente e proteção animal (14,7%) e religiosas (15,6%). As associações voltadas ao desenvolvimento e defesa dos direitos humanos caíram no período (1,7%), com exceção daquelas ligadas aos direitos de grupos e minoria e desenvolvimento rural, que apresentaram ligeiro aumento, de 2,4% e 3,8% respectivamente. O aumento do número de organizações voltadas à educação infantil demonstra a importância que o tema tem adquirido nos últimos anos. 66 Tabela 1 Tabela comparativa de ONGs 2006/2010 T ab e la c o mp arativ a 2 0 0 6 /2 0 1 0 - cresc ime nto d o n ú me ro d e O N G s , p o r tip o 2 006 2010 A tiv id ad e N u m . O N G s N u m . O N G s % c re sc T o ta l 267 288 29 0 692 8 ,8 % H a b ita çã o 310 292 -5 ,8 % Saúde 5 576 6 029 8 ,1 % C u ltu ra e r ecre a çã o 34 561 3 6 921 6 ,8 % E du ca ç ã o e p esq u isa 16 183 1 7 664 9 ,2 % E d u caçã o in fan til 1 529 2 193 4 3 ,4 % E n sin o fu n d am en tal 4 118 4 475 8 ,7 % E n sin o m éd io 2 292 2 107 -8 ,1 % E d u caçã o s u p erio r 1 497 1 395 -6 ,8 % E stu d o s e p es q u isas 1 831 2 059 1 2 ,5 % E d u caçã o p ro fiss io n al 451 531 1 7 ,7 % O u tras fo rm as d e ed u c ação /e n sin o 4 465 4 904 9 ,8 % A s sistên c ia so cia l 29 946 3 0 414 1 ,6 % R e lig iã o 71 658 8 2 853 1 5 ,6 % A s so c ia çõ es p a tro n a is, p ro fis sio n a is e de p ro d u to res r ur a is 43 853 4 4 939 2 ,5 % M eio a m b ien te e p ro teçã o a n im a l 1 954 2 242 1 4 ,7 % D e sen v o lv im en to e d efesa d e d ire ito s 43 211 4 2 463 -1 ,7 % A ss o ciaç ão d e m o rad o res 13 541 1 3 101 -3 ,2 % C e ntro s e as so cia çõ es co mu n itárias 20 546 2 0 071 -2 ,3 % D es en v o lv ime n to ru ral 1 466 1 522 3 ,8 % E mp reg o e tre ina me n to 505 507 0 ,4 % D efes a d e d ireito s d e g ru p o s e min o rias 5 008 5 129 2 ,4 % O u tras fo rm as d e d es en v o lv im en to e d efes a d e d ireito s 2 145 2 133 -0 ,6 % O u tra s in stituiçõ es p riv a d a s sem fin s lu cra tiv o s 20 036 2 6 875 3 4 ,1 % Fonte: FASFIL 2012 Embora tenham crescido o número de organizações, de funcionários assalariados, e de sua massa salarial, ao comparar com a média em salários mínimos, ocorreu uma redução em 2010 comparativamente com 2006 (tabela 2). A média geral do país em 2006 era de 3,8 salários mínimos (para um salário mínimo de R$ 338,46) e foi para 3,3 salários mínimos em 2010 (para um salário mínimo de R$ 510,00). Isso significa que os aumentos salariais das entidades não acompanharam o crescimento do salário mínimo. Outro aspecto que chama muito a 67 atenção é o número de entidades sem nenhum pessoal ocupado, ou seja, que trabalham somente com voluntários ou com profissionais que não são registrados. Em 2006 representavam 72,7% do total de organizações e diminuiu para 72,2% em 2010, uma redução irrisória. Surpreende também que haja mais de 3.100 entidades que empregam mais de 100 funcionários, dentre elas, 516 empregam 500 ou mais pessoas. E o salário médio dessas pessoas é maior do que o restante das organizações mapeadas e maior que a média nacional. Aquelas organizações também tiveram redução na média salarial de 2006 para 2010, quando comparado com o valor do salário mínimo na época. Tabela 2 Tabela comparativa de ONGs 2006/2010 – Brasil – por número de funcionários e salários mínimos Ta bela com parativa por núm ero de funcionários 2006 201 0 S alário P es soa l Pe ss oal m édio o cupado ocupad o F aixas de pe ssoa l oc up ado U nidades U nidade s m ensa l as salariado locais as sala riad o loca is a ssa laria do em 31.12 (salário e m 31.12 m ínim o) T otal 267 288 1 835 409 3,8 290 692 2 128 00 7 S em pes soa l ocup ado 194 368 0 2,2 210 019 0 De 1 a 2 28 847 38 743 1,8 32 228 43 15 7 De 3 a 4 10 396 35 454 2,0 11 645 39 71 9 De 5 a 9 11 637 77 009 2,2 12 388 82 12 8 D e 10 a 4 9 15 847 341 771 2,6 17 340 376 28 4 D e 50 a 9 9 3 013 207 992 3,3 3 459 239 52 2 D e 100 a 499 2 664 539 827 4,0 2 975 601 83 0 500 e mais 516 594 613 4,8 638 745 36 7 Fonte: FASFIL 2012 S alá rio mé dio mens al (sa lá rio m ínimo) 3,3 2,1 1,7 1,9 2,1 2,3 2,8 3,5 4,1 Fazendo uma análise, agora por setor de atividade da organização sem fins lucrativos (tabela 3), é possível verificar que, em 2010: 68 O setor com maior número de entidades é o religioso, representa 28,5% do total em 2010, seguido de Associações patronais, profissionais e de produtores rurais, com 15,5%, percentual este muito próximo da terceira atividade, Desenvolvimento e defesa de direitos, com 14,6%. Adicionando Cultura e Recreação (12,7%) e Assistência social (10,5%) esses 5 setores são responsáveis por 81,7% das entidades do país. Essa mesma classificação se manteve em 2006; O setor que gera o maior número de empregos formais é o da saúde, com 27% do total de assalariados, embora represente somente 2,1% do total de entidades. Em seguida, vem o setor de Educação e pesquisa, com 26,4%, embora também represente, em número de entidades, 6,1% do total. O terceiro colocado é o setor de Assistência social, com 14,6% do total de funcionários. Quarto e quinto colocados, Cultura e recreação e Religião representam 7,4% e 7,1% respectivamente. Mais uma vez, esses 5 setores representam 82,5% do total de assalariados; O maior salário médio em número de salários mínimos pertence ao setor de Educação e Pesquisa, com 4 salários mínimos, seguido de Cultura e recreação com 3,3 e, empatados em terceiro lugar estão os setores de Saúde e Associações patronais, profissionais e de produtores rurais 3,3 salários mínimos. Os demais setores remuneram abaixo da média nacional, de 3,2 salários mínimos. O setor que apresenta a pior remuneração é o da Assistência Social, com 2,4 salários mínimos; Todos os setores tiveram aumento da massa salarial, porém uma ―perda‖, quando comparados com o salário mínimo do ano em análise. Somente no setor de Habitação houve crescimento salarial real com um aumento de 74% no salário médio. O setor de Educação e Pesquisa foi o que apresentou maior queda, de 19%, seguido de Meio ambiente e proteção animal com 18%. Os demais setores apresentaram perdas menores que a média nacional, que foi de 13%. 69 Tabela 3 Tabela comparativa de ONGs 2006/2010 – Cidade de São Paulo – valores constantes T ab ela co m p a ra tiva 2 0 06 / 20 1 0 - c re sc im en to d o n ú m e r o d e O N G s, p o r tip o e q td e fu n cs 2006 2010 A tiv id ad e T o ta l H a b ita çã o Saúde H o sp itais O u tro s s erviç o s d e s aú d e N um . O N G s Q td e Fu n c 26 7 288 1 835 310 5 576 454 2 024 383 409 496 299 212 S al. M ed io S al. M e d io % V ar. S al (S al M in ) N u m. O N G s Q td e F u n c (S a l M in ) M in 3 ,8 290 692 2 1 28 00 7 3 ,3 -1 3 % 1 ,8 292 57 8 3 ,1 74% 3 ,5 6 029 5 74 47 4 3 ,3 -5 % 3 ,6 2 132 4 79 36 6 3 ,3 -7 % 3 552 71 087 3 ,4 3 897 95 10 8 3 ,5 3% C u ltu ra e r ecre a çã o E du ca ç ã o e p es qu is a E d u ca ção in fan til 3 4 561 142 913 3 ,9 36 921 1 57 64 1 3 ,5 -1 0 % 1 6 183 1 529 519 808 17 329 4 ,9 2 ,3 17 664 2 193 5 62 68 4 20 98 1 4 ,0 1 ,9 -1 9 % -1 9 % E n sin o fu n d a men ta l E n sin o mé d io 4 118 2 292 119 984 71 935 4 ,4 4 ,0 4 475 2 107 1 21 16 8 75 26 9 3 ,4 3 ,3 -2 1 % -1 8 % E d u ca ção su p erio r 1 497 175 345 6 ,5 1 395 1 65 61 8 5 ,3 -1 9 % E stu d o s e p e sq u isa s E d u ca ção p ro fissio n a l O u tras fo rma s d e ed u caçã o /en sin o A s sistên c ia so cia l R e lig iã o A s so c ia çõ es p a tro n a is, p ro fiss io n a is e d e p ro d u to res r ur a is M eio a m b ien te e p ro teç ã o a n im a l D e sen v o lv im en to e d efes a d e d ireito s A s so cia ção d e m o rad o res C en tro s e as so c iaçõ es co mu n itárias D e sen v o lv im en to ru ral E m p re g o e trein am en to 1 831 33 400 4 ,3 2 059 48 18 4 4 ,1 -6 % 451 15 647 4 ,7 531 17 24 3 2 ,8 -4 0 % 4 465 2 9 946 7 1 658 86 168 265 159 125 499 4 ,2 2 ,7 2 ,5 4 904 30 414 82 853 1 14 22 1 3 10 73 0 1 50 55 2 3 ,7 2 ,4 2 ,2 -1 1 % -1 1 % -1 2 % 4 3 853 99 132 3 ,5 44 939 1 13 89 7 3 ,3 -4 % 1 954 8 038 3 ,7 2 242 10 33 7 3 ,1 -1 8 % 4 3 211 92 627 3 ,2 42 463 1 20 41 0 3 ,0 -8 % 1 3 541 12 698 2 ,0 13 101 13 48 6 2 ,0 -1 % 2 0 546 32 966 3 ,0 20 071 34 59 4 2 ,8 -7 % 1 466 4 298 5 ,4 1 522 5 70 3 3 ,8 -3 0 % 505 7 330 2 ,9 507 13 52 2 1 ,9 -3 3 % 5 008 14 708 3 ,0 5 129 18 44 0 3 ,0 0% 2 145 20 627 4 ,0 2 133 34 66 5 3 ,7 -8 % 2 0 036 127 438 3 ,5 26 875 1 26 70 4 3 ,2 -8 % D e fe sa d e d ire ito s d e g ru p o s e min o rias O u tras fo rma s d e d e sen v o lv im en to e d e fes a d e d ire ito s O u tra s in stituiçõ es p riv a d a s s em fin s lu cra tiv o s Fonte: FASFIL 2012 70 Ao realizar uma análise mais detalhada da cidade de São Paulo (Tabela 4), verifica-se que, mesmo trazendo a valor presente a massa salarial das entidades no ano de 2006, ainda assim o aumento é significativo, com percentuais que impressionam positivamente. O número de assalariados também cresceu muito. Especificamente para as entidades de Educação e pesquisa, os índices de crescimento são 21% para ambos e de Assistência social o número de assalariados cresceu 40,5% e a massa salarial aumentou 43,8%. Outro setor que vale a pena observar é o da Saúde, que apresentou crescimento de 43% no número de assalariados e 53% na massa salarial total no período. Tabela 4 Tabela comparativa de ONGs 2006/2010 – Cidade de São Paulo – valores constantes T abe la de O N G s da Cidade de S ão P aulo - por se tor e salá rios 2006 201 0 U nidades locais C id ade/T ipo S ão P aulo H abita ção S aúde Cultura e rec re ação E ducaçã o e pe squisa A ssistência social Re ligião A ssociaç ões patronais, pro fissionais e de produtores rurais M e io a mbiente e proteçã o anim al D esenvolvime nto e defesa de direitos O utras instituições privada s sem fins lucrativos P essoal ocupa do assalariado em 31.12 S alários e outra s re muneraç ões (1 000 R$ ) U nidade s locais P essoal S alários e ocupa do outras assalariado rem uneraç ões em 31.12 (1 000 R$) % Cresc N um. O NGs % Cresc. N um. A ssal. % Cresc . S alários 16 818 34 520 1 845 1 427 2 135 6 275 237 936 15 68 881 20 050 66 603 28 692 14 029 5 880 146 172 1 723 396 509 570 2 044 149 469 138 266 498 18 066 25 590 1 921 1 596 2 352 6 685 316 027 19 98 719 22 148 80 757 40 316 16 304 9 857 987 324 3 226 940 764 735 3 024 339 824 514 369 732 7,4% -2 6,5% 1 3,5% 4,1% 1 1,8% 1 0,2% 6,5% 32,8% 26,7% 43,3% 10,5% 21,3% 40,5% 16,2% 37,2% 53,6% 53,2% 22,8% 21,1% 43,8% 13,5% 1 538 140 1 383 16 340 465 9 426 337 886 11 724 149 939 1 627 162 1 379 27 057 796 15 634 864 382 25 280 315 430 5,8% 1 5,7% -0,3% 65,6% 71,2% 65,9% 109,3% 76,4% 72,1% 1 521 13 435 367 675 1 729 14 277 442 311 1 3,7% 6,3% -1,6% Fonte: FASFIL, 2012. Após essa contextualização da realidade das instituições sem fins lucrativos, é feita uma descrição da ARCO e de seu entorno. 71 Arco Associação Beneficente – uma organização social A ARCO está situada no distrito do Jardim Ângela, pertencente à Subprefeitura de M‘Boi Mirim, na zona sul da cidade de São Paulo. O Jardim Ângela, com 600 mil habitantes, possui um dos maiores índices de vulnerabilidade social da cidade. Fica às margens da Represa Guarapiranga – Zona Sul de São Paulo. A Figura 1, a seguir, mostra a localização do bairro Jardim Ângela, onde a ARCO está localizada: Figura 1 Localização do distrito do Jardim Ângela, subprefeitura de M’Boi Mirim Fonte: GOOGLE Maps, 2012. É uma região próxima à represa, onde não deveria haver moradias, ainda menos em condições tão precárias quanto as existentes na região. O local vem sofrendo um grande aumento do número de habitantes, sem o correspondente acompanhamento dos serviços públicos básicos, tornando a situação ainda mais 72 crítica por ser região de manancial. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP) tem realizado trabalhos de implantação de rede de esgoto e água encanada, mas o projeto ainda está em andamento. A ARCO situa-se, portanto, no distrito Jardim Ângela, na microrregião denominada Jardim Aracati, no bairro conhecido como Chácara Bandeirantes ou Chácara Flórida. A chácara Flórida é o local com menos infraestrutura da microrregião, não há linhas de ônibus, de modo que os moradores têm que caminhar cerca de 25 minutos até o primeiro ponto de ônibus. A Figura 2 a seguir mostra a localização exata da ARCO: Figura 2 Localização da ARCO – Associação Beneficente Fonte: GOOGLE MAPS, 2012. Para se compreender o contexto onde a ARCO atua e os desafios de seu dia a dia, são exibidos o mapa da vulnerabilidade da cidade de São Paulo (Figura 3) e, em seguida, da subprefeitura do M‘Boi Mirim (Figura 4). 73 Figura 3 Mapa da Vulnerabilidade da cidade de São Paulo M’Boi Mirim Fonte: PREFEITURA DE SÃO PAULO, 2012. O mapa da cidade de São Paulo aponta que as periferias da cidade são as que apresentam maior vulnerabilidade social. Vê-se claramente que a Zona Sul é a região mais carente, seguida dos extremos leste e norte. Especificamente na Zona Sul, a subprefeitura do M‘Boi Mirim é composta por alguns bolsões de grande vulnerabilidade. Com efeito, esta subprefeitura apresenta justamente as duas piores vulnerabilidades, marcadas no mapa com a cor púrpura e laranja, respectivamente. Isto significa que a região apresenta ‗alta privação e adultos‘ (laranja) e ‗altíssima privação e jovens‘ (púrpura). A Figura 4 exibida, a seguir, apresenta uma visão mais detalhada da subprefeitura do M‘Boi Mirim: 74 Figura 4 Mapa da Vulnerabilidade da subprefeitura do M’Boi Mirim ARCO Fonte: PREFEITURA DE SÃO PAULO, 2012. A microrregião ―Jardim Aracati‘ apresenta pessoas em situação de ‗altíssima privação e jovens‘, pintada com a cor vermelha neste mapa. Este é o cenário onde a ARCO atua a 22 anos, direcionando seus esforços para ajudar a reverter uma situação tão desfavorável às famílias da comunidade. As estatísticas oficiais mais recentes do entorno são de 2007. Abaixo seguem os seguintes dados da microrregião Jardim Aracati: População: 30.647 habitantes – 8.159 famílias - 3,8 pessoas por família; 18,66% das gestantes têm de 10 a 19 anos Crianças de 7 a 14 anos na escola: 96,59% Pessoas cobertas com plano de saúde: 15,01% Abastecimento de Água - Rede Pública: 89% Destino do Lixo - Coleta Pública: 99% Destino Fezes/Urina - Esgoto: 37%; Fossa: 61%; Céu Aberto: 2% Tratamento Água no Domicilio - Filtração: 57%; Sem Tratamento: 33% 75 Fonte: Sistema de informações de atenção básica (SIAB) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) – Dez/2007 Este levantamento foi feito pelo posto de saúde da região e posteriormente agregado pela secretaria municipal de saúde. O dado referente ao número de 3,8 pessoas por famílias é bastante alto, um aspecto muito preocupante porque a maioria das famílias tem como chefe somente a mãe ou a avó. Outro dado alarmante é o número de residências que utilizam fossa (61%), especialmente por ser região de manancial. É possível ver muitos barracos construídos na beira da represa em diversas vielas do bairro. Detalhando um pouco a atuação da ARCO, a associação foi criada em 1991, conforme descreve um informe fornecido pela associação: O nome ARCO significa, simbolicamente, ações que irão projetar nossas crianças como supostas flechas, ao mundo, com um alvo certo – a inclusão. A ARCO educa, alimenta, integra e orienta as crianças, para desenvolver o discernimento, para a elaboração de seus objetivos e acertar o ALVO (INFORME ARCO, 2012, p. 01). À época, era a única creche em um raio de 6 km. Num local onde há muitas crianças e a maioria das pessoas não têm carro, é uma distância muito grande. Começou atendendo 5 crianças como casa abrigo; no ano seguinte já atendia 50 crianças, oferecendo reforço escolar e alimentação; 4 anos depois passou a 185 atendidos, aumento viabilizado pela parceria com a Prefeitura Municipal de São Paulo. Passou a ter 15 crianças na casa abrigo, cuja manutenção era realizada por uma entidade na Suíça. É uma organização beneficente, sem fins lucrativos, tem diversos títulos, dentre os quais: 76 Utilidade Pública Federal desde 2000 – concedido pelo Ministério da Justiça e Municipal concedido pela Prefeitura Municipal de São Paulo; Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) desde 2008, no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Cadastro no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), Conselho Estadual de Assistência Social (CONSEAS), Conselho Municipal de Assistência Social (COMAS) no Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA) e na Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS). Atualmente, desenvolve programas de atendimento básico para crianças e adolescentes, auxiliando-os no exercício de seus direitos referentes à educação, alimentação, saúde, cultura e lazer. Atende 550 crianças, distribuídas nos seguintes programas e projetos: Centro de Educação infantil (CEI), com 120 crianças em período integral; Centro para Criança e Adolescente (CCA), com 360 crianças e jovens no período alternado ao que estão na escola pública; Centro para Juventude (CJ), com 60 jovens também no período que não estão na escola pública; Atividades de Música, Esporte, Informática e Trabalhos manuais em madeira, Geração de renda – Colcha de Retalhos; Alfabetização de jovens e adultos e reforço de língua portuguesa e matemática para os assistidos; Formação continuada de colaboradores; 77 Atendimentos psicológico, psicopedagógico, fonoaudiológico e assistência social; Projetos através do Fundo Municipal da Criança e Adolescente – (FUMCAD) 8 para oferta de atividades culturais e esportivas à comunidade, não só aos assistidos. A instituição também recebe recursos provenientes de organizações nacionais e estrangeiras para seus projetos. Adicionalmente recebe parte de seus recursos de uma organização social estrangeira que capta recursos para cobrir o déficit do dia a dia e também para alguns projetos. A ARCO mantém parcerias com outras entidades que oferecem serviços complementares aos moradores da comunidade. Todos os serviços oferecidos à comunidade são gratuitos. O relacionamento estabelecido com o poder municipal é bastante longevo, o primeiro convênio com a Creche e Centro da Criança e Adolescente (então chamado Núcleo Sócio Educativo) foi assinado em 1995 e com o Centro de Juventude em 2004 (então denominado Agente Jovem). Há três convênios: um para a creche, o Centro de Educação Infantil (CEI); outro para o Centro de Criança e Adolescente (CCA) e outro para o Centro de Juventude (CJ). No caso do primeiro convênio, com a Secretaria Municipal de Educação (SME), é oferecido um serviço de educação infantil, através da oferta de uma creche em período integral a crianças de 1 a 5 anos, incompletos. Neste caso, a ARCO informa 8 O Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (FUMCAD) tem como objetivo financiar projetos que garantam os direitos da criança e do adolescente. Foi criado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Lei 8069/90 no seu artigo 260 alterado pela Lei 12.594/2012 no seu artigo 87 e é vinculado deliberativamente ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA). Na Cidade de São Paulo o CMDCA foi criado pela Lei 11.123/91 e o FUMCAD pela Lei 11.247/92 e regulamentada pelo Decreto 43.135/03. Disponível em: http://fumcad.prefeitura.sp.gov.br/forms/principal.aspx. Acesso em: 02 fev. 2013. 78 que há reembolso integral dos gastos realizados pela instituição para a oferta do serviço, onde são atendidas 120 crianças. Nos outros dois convênios, com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social (SMADS), a ARCO oferece atividades em meio período, para duas turmas, de reforço escolar, música, teatro, artes, esportes, etc. Para tais serviços, a ARCO afirma que a remuneração é parcial, ou seja, somente parte dos gastos é mantida pela prefeitura, os gastos remanescentes são assumidos pela própria ARCO com captação de recursos junto a empresas e outras organizações não governamentais, nacionais e estrangeiras. A pesquisa irá validar essas afirmações, com a avaliação do desempenho financeiro, do relacionamento com a comunidade e das parcerias estabelecidas com órgãos públicos e privados. 79 3 RESULTADOS DA PESQUISA Como descrito na metodologia, a pesquisa foi realizada em três etapas distintas, com o intuito de avaliar a ARCO sob diferentes dimensões: a financeira, o relacionamento com a comunidade e a rede na qual ela está inserida. Uma vez que o trabalho realizado tem diversas facetas, também dever ser avaliado sob múltiplas perspectivas. Dada a limitação de tempo e escopo, para este trabalho foram analisadas as três já mencionadas. Etapa 1 – Análise do desempenho financeiro da ARCO Nesta etapa, é realizada a análise financeira da ARCO, dos de anos 2003 a 2011, para verificar seu desempenho e sua relação com doadores privados e convênios com órgãos públicos, identificando os elementos que contribuem para sua atuação. Os dados foram extraídos dos balanços e dos demonstrativos de déficit e superávit da ARCO, que é auditada semestralmente por uma empresa externa, conforme Lei No 12.1019, de 2009, que exige que instituições sem fins lucrativos sejam auditadas por órgãos externos. 9 Lei no 12.101 de 27/11/2009 – Art. 29 inciso VIII – VIII - apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. 80 Balanços e Demonstrativos de Déficit e Superávit A análise vertical do balanço permite avaliar a importância das principais contas em relação ao total do ativo e do passivo. Além disso, propicia a verificação da evolução dessa importância ao longo do tempo. A apreciação do exigível x patrimônio líquido permite visualizar o grau de dependência da ARCO em relação a recursos externos (fornecedores, taxas e impostos a pagar, salários a pagar e contribuições sociais a recolher). O exigível é portanto composto por todos os compromissos financeiros da instituição perante terceiros. O patrimônio líquido, por sua vez, corresponde aos recursos próprios da instituição, ou seja, as contribuições efetuadas por associados, doações recebidas em bens do ativo imobilizado, como por exemplo terrenos, construção de salas, equipamentos de informática, e os superávits anuais. O exame do gráfico 1, que representa os anos de 2003 a 2011, permite observar que os recursos próprios (patrimônio líquido) representavam cerca de 90% do total do ativo/passivo até 2009. No entanto, nos anos de 2010 e 2011 essa tendência se inverte, ou seja, a contribuição do patrimônio líquido no total do ativo/passivo10 cai para 45,6% e 32,1% respectivamente. Isso se deu por duas razões principais: Aprimoramento da contabilização por competência de obrigações trabalhistas e sociais; e Recebimento de recursos de projetos sociais a serem aplicados no exercício subsequente (os projetos do FUMCAD antecipam as verbas trimestralmente). 10 Passivo é a soma do exigível mais patrimônio líquido, ou seja, a soma dos recursos próprios e de terceiros que compõem as obrigações financeiras da ARCO. 81 Gráfico 1 Análise Vertical do Balanço – Exigível x Patrimônio Líquido Exigível x Patrimônio Líquido 120,0 100,0 98,1 87,1 87,9 86,5 90,6 91,9 89,6 80,0 60,0 Exigível 45,6 32,1 40,0 Patrimônio Líquido 20,0 0,0 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Fonte: Balanços da ARCO de 2003 a 2011. Pode-se afirmar que, a partir de 2010, o grau de endividamento da ARCO aumentou. Para averiguar se as operações da instituição foram colocadas em risco, torna-se necessário verificar se o aumento do exigível foi acompanhando do correspondente crescimento do ativo realizável. Com efeito, verifica-se no Gráfico 2, um crescimento da participação do realizável nas contas do ativo com a correspondente redução da importância do ativo imobilizado. Isto se deu em função: Da elevação dos valores das subvenções a receber no próximo exercício (especialmente em 2011), explicado substancialmente pelo aumento de projetos FUMCAD, que antecipam verbas para o trimestre seguinte, Do aumento dos valores aplicados no mercado financeiro, como reserva para a execução de projetos nos exercícios futuros e, ainda, 82 Do aprimoramento dos registros contábeis a partir de 2010, quando passam a ser registrados os adiantamentos a funcionários no ativo realizável. Gráfico 2 Análise Vertical do Balanço – Ativo Realizável x Ativo Imobilizado Ativo Realizável x Ativo Imobilizado 75,6 80,0 70,1 70,0 60,0 50,0 60,8 53,1 46,9 52,9 47,1 55,5 59,4 49,051,0 44,5 39,2 40,0 58,8 41,2 40,6 Ativo Realizável 29,9 30,0 24,4 Ativo Imobilizado 20,0 10,0 0,0 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Fonte: Elaborado a partir dos balanços da instituição As mudanças na estrutura do balanço da ARCO, a partir de 2010, não afetaram suas operações, uma vez que o crescimento do endividamento foi neutralizado por um aumento correspondente do ativo realizável. Essas mudanças se devem mais ao aprimoramento contábil do balanço da instituição, com diversas contas passando a registrar valores realizáveis e exigíveis por competência. A única mudança significativa no comportamento operacional da instituição foi o aumento dos projetos subvencionados pelo FUMCAD. Os valores relativos a estes projetos são desembolsados trimestralmente, gerando saldos no final do exercício com a contrapartida do exigível de ―subvenções a realizar‖ para o exercício seguinte. Com a análise horizontal (ou evolutiva) é feita a avaliação das contas da demonstração financeira com as respectivas de anos anteriores, permitindo que se verifiquem tendências e a evolução ao longo dos anos. Para realizar esta análise é 83 necessário atualizar todos os valores dos anos anteriores trazendo-os para valor presente. O IPCA foi o índice oficial de inflação utilizado neste trabalho, fornecido pelo IBGE, para realizar a correção das contas dos anos anteriores a 2011, conforme exibido na tabela 5. Tabela 5 Índices de inflação IPCA do IBGE M o e d a C o n stan te (in flato r: IP C A d o IBG E ) Ín d ic e IP C A - IBG E V a riaç ão an u al IP C A - IB GE 2003 1 ,5 2 6 6 2 3 2004 1 ,41 8 7 9 5 7 ,6 2005 1 ,3 4 2 4 1 1 5 ,6 9 2006 1 ,3 0 1 5 4 3 3,1 4 2007 1 ,2 4 5 9 7 3 4 ,4 6 2008 1 ,1 7 6 5 5 6 5 ,9 2009 1 ,1 2 7 9 4 2 4 ,3 1 2010 1 ,0 6 5 0 0 0 5 ,9 1 2011 1 ,0 0 0 0 0 0 6 ,5 Fonte: IBGE A análise evolutiva das contas passivas (gráfico 3) mostra o crescimento do exigível, por conta do aprimoramento da contabilização por competência de obrigações trabalhistas e sociais e do recebimento dos recursos do FUMCAD antecipadamente. Revela também uma evolução negativa, em termos reais, do patrimônio líquido (-5,4%), em decorrência, principalmente, dos seguintes fatores: Baixos superávits verificados no período, em face da aplicação de todos os recursos disponíveis nas atividades da entidade, e O fato de não haver nenhuma reserva de segurança para eventuais atrasos nos repasses. 84 Gráfico 3 Análise Horizontal do Balanço – Exigível x Patrimônio Líquido Exigível x Patrimônio Líquido 500.000 450.000 400.000 350.000 300.000 250.000 Exigível 200.000 Patrimônio Líquido 150.000 100.000 50.000 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Fonte: Elaborado a partir dos balanços da instituição A análise evolutiva das contas ativas (gráfico 4) destaca o crescimento do ativo realizável nos dois últimos exercícios, bem como a estabilidade, em termos reais, do ativo imobilizado. Isso se explica principalmente por que: As áreas de terreno se mantiveram estáveis desde 2001, quando da compra da área onde hoje se encontram o CCA e CJ; As edificações que vêm sendo realizadas ao longo do tempo com o apoio da comunidade e a custos relativamente baixos, e Muitos equipamentos são adquiridos por doações. 85 Gráfico 4 Análise Horizontal do Balanço – Ativo Realizável x Ativo Imobilizado Ativo Realizável x Ativo Imobilizado 600.000 500.000 400.000 Ativo Realizável 300.000 Ativo Imobilizado 200.000 100.000 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Fonte: Elaborado a partir dos balanços da instituição Ao se examinar o superávit do período (Gráfico 5) fica claro que o superávit é baixíssimo, pondo em risco a continuidade da operação, bem como a capacidade da ARCO de responder a eventuais dificuldades que possa sofrer caso haja atrasos nos repasses de convênios ou projetos. 86 Gráfico 5 Análise Horizontal do Balanço – Ativo Realizável x Ativo Imobilizado Superávit do Exercício 80.000 60.000 40.000 20.000 - Superávit do Exercício 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 -20.000 -40.000 -60.000 -80.000 Fonte: Elaborado a partir dos balanços da instituição As análises, tanto a horizontal quanto a vertical chegaram à mesma conclusão: crescimento do exigível e realizável, seja em termos percentuais no valor total do ativo, seja em crescimento real ao longo do tempo. O superávit que vem sendo obtido é baixo em função da escala atual de operações da ARCO, o que traz risco de manter uma atuação regular (sem atrasos de salários, sem sobressaltos nos pagamentos de contas de fornecedores e sem atropelos para pagamentos de encargos, sem dificuldades para compra de insumos essenciais para as atividades educacionais e assistenciais). A estrutura das contas das receitas e despesas será analisada no item a seguir. 87 Receitas e Despesas É fundamental examinar a composição das receitas e sua evolução para compreender as origens dos recursos da ARCO, bem como sua dependência de determinados tipos de financiamento, como por exemplo governos, organizações estrangeiras, empresas, etc. Adicionalmente, é possível constatar se houve mudanças significativas e identificar tendências no comportamento dos investidores ao longo do tempo. No gráfico 6, observa-se a crescente participação das verbas governamentais nas receitas da ARCO, que passaram de 47,8% em 2003 para 75,9% em 2011. As atividades próprias geradoras de receita apresentam uma participação marginal na composição das receitas (média de 1,5% no período). A não ser pelo ingresso de um prêmio em 2008 (FIES - Itaú11, no valor de R$ 166 mil, projeto da Creche, orientado à educação infantil), a participação das contribuições de particulares no Brasil tem sido declinante desde 2006. As contribuições da Associação Suíça "Amigos da Arco" apresentam um comportamento mais volátil, em função das variações cambiais e da própria crise internacional (2008). Saliente-se ainda, que os recursos da Suíça são utilizados para suprir déficits das receitas advindas do Brasil, o que fica demonstrado ao se verificar que a linha ―Amigos da ARCO (Suíça)‖ é complementar à linha ―Particulares (Brasil)‖. 11 FIES Itaú – Prêmio Itaú de Excelência Social – Criado em 2004, o Fundo Itaú Excelência Social (FIES) é um fundo que aplica seus recursos em ações de empresas socialmente responsáveis. Visando contribuir para a melhoria da qualidade da educação no Brasil, o fundo destina 50% da sua taxa de administração a organizações não governamentais que atuam em três eixos: Educação Infantil, Educação para o Trabalho e Educação Ambiental. Disponível em: http://ww18.itau.com.br/fies/_base_interno.html?url=cont_sobre_fies.html?url=pic_sobre_fies.html. Acesso em: 03 fev. 2013. 88 Gráfico 6 Análise Vertical das Receitas – Origem das receitas Origem dos Recursos 80,0 71,5 70,0 60,0 50,0 75,9 60,7 47,8 40,0 10,0 34,6 31,3 22,3 30,2 30,0 21,1 20,0 39,6 37,1 27,0 22,8 24,6 1,9 1,0 49,9 47,5 44,5 53,5 26,3 22,1 2,7 1,2 22,3 15,4 1,7 7,1 2,3 19,9 1,6 7,8 15,4 8,1 0,9 0,6 0,0 2003 2004 "Amigos da Arco" (Suíça) 2005 2006 2007 Subtotal Particulares (Brasil) 2008 2009 Subtotal Governos 2010 2011 Subtotal Ativades Próprias Fonte: Elaborado a partir dos balanços da instituição Mesmo que os repasses do FUMCAD fossem considerados como contribuições de particulares no Brasil (Gráfico 7), ainda assim a participação desse grupo no total das receitas da ARCO seria declinante, especialmente se fosse desconsiderada a contribuição extraordinária do FIES - Itaú em 2008, um projeto pontual. Mesmo com a reclassificação das receitas do FUMCAD, as contribuições de entidades governamentais continuariam sendo as mais importantes, atingindo mais de 60% da receita em 2010 e 2011. 89 Gráfico 7 Análise Vertical das Receitas – Origem dos recursos - reclassificação Origem dos recursos - reclassificação 80,0 60,0 47,8 40,0 30,2 21,1 20,0 47,5 44,5 34,6 39,6 31,3 27,0 24,6 22,8 22,3 1,0 1,9 47,0 29,2 22,1 1,7 7,1 2,7 1,2 22,3 21,4 2,3 62,8 61,1 54,8 48,6 41,9 19,9 18,2 1,6 21,2 15,4 0,9 0,6 0,0 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 "Amigos da Arco" (Suíça) Subtotal Particulares (Brasil) Subtotal Governos Subtotal Ativades Próprias 2010 2011 Fonte: Elaborado a partir dos balanços da instituição A evolução das receitas em moeda constante de dezembro de 2011 (gráfico 8) confirma que apenas as receitas oriundas de entidades governamentais cresceram significativamente em termos reais (252,3% de 2003 a 2011), enquanto as receitas decorrentes de contribuições do setor privado permaneceram relativamente constantes, em termos reais. Este número não pode ser analisado sem que seja comparado ao número de assistidos, uma vez que os convênios são celebrados por este número. Em 2009 aumentou em 10 o número de assistidos pelo CJ e, em 2010 o número de crianças e jovens assistidos pelo CCA e CJ juntos foi para 420, um aumento de 71%. Outro ponto importante foi o aumento, em 2010, no valor médio por assistido, que sofreu um aumento de 13% em termos reais. As contribuições dos particulares brasileiros apresentaram uma redução de 15,1% em termos reais, compensada com ligeira folga por um aumento das captações na Suíça, de 12,9% também em termos reais, confirmando que a Suíça tem papel de suprir os recursos necessários que não são captados no Brasil. 90 Gráfico 8 Análise Horizontal das Receitas – Evolução dos recursos em moeda constante Evolução dos recursos em moeda constante 1.600.000 1.400.000 1.200.000 1.000.000 800.000 600.000 400.000 200.000 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 "Amigos da Arco" (Suíça) Subtotal Particulares (Brasil) Subtotal Governos Subtotal Atividades Próprias 2011 Fonte: Elaborado a partir dos balanços da instituição Novamente considerando os repasses do FUMCAD como advindos de particulares no Brasil (gráfico 9), observamos que este grupo passa a ser mais relevante e mais estável do que as contribuições vindas do exterior. De qualquer modo, os repasses governamentais continuam sendo de longe os mais importantes. 91 Gráfico 9 Análise Horizontal das Receitas – Evolução dos recursos em moeda constante reclassificação Evolução das receitas em moeda constante reclassificação 1.400.000 1.200.000 1.000.000 800.000 600.000 400.000 200.000 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 "Amigos da Arco" (Suíça) Subtotal Particulares (Brasil) Subtotal Governos Subtotal Atividades Próprias 2011 Fonte: Elaborado a partir dos balanços da instituição Outra perspectiva importante de se analisar as receitas é comparar receitas e despesas por grandes linhas de atividade da ARCO, ou seja, onde os recursos são aplicados na operação da instituição. Foi feita análise dos últimos quatro anos (de 2008 a 2011). A tabela 6, a seguir, foi montada a partir dos dados dos balanços e números de assistidos fornecidos pela ARCO. 92 Tabela 6 Análise Horizontal das Receitas – Evolução dos recursos em moeda corrente AVALIAÇÃO DE RECEITAS E DESPESAS POR ATIVIDADE MOEDA CORRENTE 2011 2010 2009 2008 Secr. Mun. Ass. Des. Social Despesas da atividade de ass. Social Déficit número crianças/jovens R$ 756.027 R$ 752.765 R$ 501.999 R$ 316.642 R$ 809.022 -R$ 52.995 420 R$ 802.288 -R$ 49.523 420 R$ 469.117 R$ 32.882 300 R$ 275.144 R$ 41.498 290 Receita por criança/jovem R$ 1.800 R$ 1.792 R$ 1.673 R$ 1.092 Despesa por criança/jovem R$ 1.926 R$ 1.910 R$ 1.564 R$ 949 R$ 2.011 R$ 502.788 R$ 2.010 R$ 428.919 R$ 2.009 R$ 256.767 R$ 2.008 R$ 147.936 R$ 553.480 -R$ 50.692 118 R$ 4.261 R$ 4.691 R$ 441.396 -R$ 12.477 118 R$ 3.635 R$ 3.741 R$ 382.403 -R$ 125.636 116 R$ 2.214 R$ 3.297 R$ 304.628 -R$ 156.692 116 R$ 1.275 R$ 2.626 R$ 1.258.815 R$ 1.181.684 R$ 758.766 R$ 464.579 -R$ 103.687 -R$ 62.000 -R$ 92.754 -R$ 115.193 Outras Atividades Assistenciais/Educacionais R$ 2.011 R$ 2.010 R$ 2.009 R$ 2.008 Outras Receitas Assistenciais/Educacionais Recursos aplicados R$ 1.053.817 R$ 861.494 R$ 748.739 R$ 621.077 R$ 665.156 R$ 571.131 R$ 618.205 R$ 428.711 Outras despesas ordinárias Déficit/ Superávit R$ 55.677 R$ 136.646 R$ 48.903 R$ 78.759 R$ 52.536 R$ 41.489 R$ 58.170 R$ 131.324 Outras Receitas (Despesas) R$ 4.272 -R$ 671 R$ 1.291 R$ 2.492 R$ 37.231 R$ 16.088 -R$ 17.092 R$ 60.121 Atividade Social Atividade Educacional Secr. Mun. Educação Despesas da Atividade Educacional Déficit número crianças Receita por criança Despesa por criança Total Convênios PMSP Déficit/Superávit Ass. Social + Ativ. Educ. Déficit/ Superávit do Exercício Fonte: Elaborado a partir dos balanços da instituição 93 Utilizando o IPCA para corrigir os anos seguintes a 2008, os resultados constam da tabela 7, a seguir: Tabela 7 Análise Horizontal das Receitas – Evolução dos recursos em moeda constante A V A L IA ÇÃ O DE RE CE IT A S E D ESP E SA S P O R A T IVID A D E M O E DA CO N S TA N T E D E 1 2 /2 0 1 1 2010 1,0 6 5 5 ,9 1 2 00 9 1 ,1 2 7 9 41 5 4 ,3 1 2008 1 ,17 6 5 5 5 7 7 9 5 ,9 R$ 8 0 1.6 9 5 R$ 8 5 4.4 3 7 -R$ 5 2.7 4 2 420 R$ 1.9 0 9 R$ 2.0 3 4 R$ 5 6 6 .22 6 R$ 5 2 9 .13 7 R$ 3 7 .08 9 30 0 R$ 1 .88 7 R$ 1 .76 4 R$ 37 2 .5 4 7 R$ 32 3 .7 2 2 R $ 4 8 .8 2 5 290 R $ 1 .2 8 5 R $ 1 .1 1 6 R$ 4 5 6.7 9 9 R$ 4 7 0.0 8 7 -R$ 1 3.2 8 8 118 R$ 3.8 7 1 R$ 3.9 8 4 R$ 2 8 9 .61 8 R$ 4 3 1 .32 8 -R$ 1 0 4 .62 1 11 6 R$ 2 .49 7 R$ 3 .71 8 R$ 17 4 .0 5 5 R$ 35 8 .4 1 2 -R$ 13 5 .5 3 1 116 R $ 1 .5 0 0 R $ 3 .0 9 0 R $ 1 .2 5 8 .8 1 5 R$ 1 .2 5 8.4 9 3 R$ 8 5 5 .84 4 R$ 54 6 .6 0 3 -R$ 1 0 3 .6 8 7 -R$ 6 6.0 3 0 -R$ 1 0 4 .62 1 -R$ 13 5 .5 3 1 O u tra s Re ce itas A ss iste n c ia is /Ed u c a cio n a is R e cu r so s ap lic ad o s O u tra s d es p es as o rd in á rias D é fic it/ Su p e r ávit R $ 1 .0 5 3 .8 1 7 R$ 8 6 1 .4 9 4 R$ 5 5 .6 7 7 R$ 1 3 6 .6 4 6 R$ 7 9 7.4 0 7 R$ 6 6 1.4 4 7 R$ 5 2.0 8 2 R$ 8 3.8 7 8 R$ 7 5 0 .25 7 R$ 6 4 4 .20 2 R$ 5 9 .25 8 R$ 4 6 .79 7 R$ 72 7 .3 5 3 R$ 50 4 .4 0 2 R $ 6 8 .4 4 0 R$ 15 4 .5 1 0 O u tra s Re ce itas (De sp e sa s) R$ 4 .2 7 2 -R $ 7 1 5 R$ 1 .45 6 R $ 2 .9 3 2 R$ 3 7 .2 3 1 R$ 1 7.1 3 4 -R$ 1 9 .27 9 R $ 7 0 .7 3 6 In flato r (IP C A - IBG E ) V a riaç ão IP CA -IBG E 2011 1 6 ,5 A t ivid ad e So c ia l Se c r. M u n . A ss. D e s. So cial R$ 7 5 6 .0 2 7 D e sp e sas d a a tivid a d e d e a ss. So c iaR$ l 8 0 9 .0 2 2 D é fic it -R$ 5 2 .9 9 5 n ú m e ro c rian ç as/ jo ven s 420 R e ce ita p o r c rian ç a/jo v em R$ 1 .8 0 0 D e sp e sa p o r c rian ç a/ jo vem R$ 1 .9 2 6 A t ivid ad e Ed u ca cio n a l Se c r. M u n . Ed u ca çã o R$ 5 0 2 .7 8 8 D e sp e sas d a A tivid ad e Ed u c ac io n alR$ 5 5 3 .4 8 0 D é fic it -R$ 5 0 .6 9 2 n ú m e ro d e cr ia n ça s 118 R e ce ita p o r c rian ç a R$ 4 .2 6 1 D e sp e sa p o r c rian ç a R$ 4 .6 9 1 T o t al Co n vê n io s P M SP D é fic it/ Su p e rá vit A ss. So c ia l + A tiv . E d u c. O u tra s A tivid a d es A ss iste n c ia is /Ed u c a cio n a is D é fic it/ Su p e r ávit d o Ex e rc íc io Fonte: Elaborado a partir dos balanços da instituição 94 A composição das aplicações de recursos (gráfico 10) apresenta-se relativamente estável no quadriênio 2008-2011. As atividades educacionais conveniadas com a Prefeitura Municipal de São Paulo representam pouco mais de 25% das aplicações de recursos. As atividades de assistência social, também conveniadas com a Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP), ganharam importância durante o período, crescendo de 25% para 35% das aplicações. As atividades assistenciais e educacionais financiadas por outras entidades mantiveram-se em proporção relativamente estável (média de 37,3% no período). Gráfico 10 Aplicação dos recursos em moeda constante Aplicação dos recursos 45,00 40,00 35,00 30,00 25,00 20,00 15,00 10,00 5,00 0,00 40,19 35,49 32,45 31,80 28,56 25,80 25,92 5,45 2008 41,92 38,72 24,28 23,07 3,56 2009 37,79 2,56 2010 Desp. ativ. Assistência Social Desp. Ativ. Educação Outras ativ. Ass. Educ. - aplicações Outras despesas ordinárias 2,44 2011 Fonte: Elaborado a partir dos balanços da instituição Quando se analisa o resultado gerado pelas atividades conveniadas com a PMSP e as atividades financiadas por outros investidores socais (gráfico 11), verifica-se que as atividades assistenciais e educacionais conveniadas com a prefeitura apresentam déficit em todos os anos do quadriênio, que foi compensado pelo superávit das outras atividades assistenciais e educacionais. Exceção feita em 2009, quando os dois conjuntos de atividade apresentaram déficit de cerca de R$ 50 mil, somados. 95 Gráfico 11 Déficit/Superávit das atividades Déficit/Superávit 150.000 100.000 50.000 0 -50.000 2008 2009 2010 2011 -100.000 -150.000 Déficit/Superávit Ass. Social + Ativ. Educ. Déficit/ Superávit outras atividades Fonte: Elaborado a partir dos balanços da instituição Constata-se a forte evolução das atividades assistenciais conveniadas com a PMSP (gráfico 12), em função da inclusão de novos assistidos nos convênios (crianças e jovens que já eram assistidos pela ARCO, mas não contavam com repasse de recursos pela PMSP). As atividades educacionais evoluíram 54% no período. Este crescimento foi devido ao aumento das verbas repassadas pela PMSP, pois o número de alunos permaneceu praticamente constante no período (aumentou de 116 para 118 alunos em 2010). As atividades assistenciais e educacionais financiadas por outras fontes aumentaram 71% no quadriênio, refletindo a crescente importância dos projetos financiados pelo FUMCAD, que evoluíram de R$ 27 mil em 2007 para 263 mil em 2011. 96 Gráfico 12 Comparação da Evolução das atividades em moeda constante Evolução das atividades 300,0 263,9 250,0 249,9 200,0 163,5 131,1 150,0 127,7 100,0 120,3 86,6 100,0 50,0 131,2 76,1 170,8 154,4 81,4 0,0 2008 2009 2010 Desp. ativ. Assistência Social Desp. Ativ. Educação Outras ativ. Ass. Educ. - aplicações Outras despesas ordinárias 2011 Fonte: Elaborado a partir dos balanços da instituição Convênios Analisar os convênios com entidades governamentais pode dar uma medida da operação da ARCO, dada a importância que os convênios adquiriram nas receitas da ARCO nos últimos anos (mais de 60% nos dois últimos anos). Para tanto, foram realizadas duas análises: Receita e custo médios por criança para os anos de 2008 a 2011; e Avaliação dos atrasos nos repasses e o impacto nas operações da ARCO. Os índices de evolução das receitas e despesas foram criados para demonstrar a evolução real a partir do ano de 2008 (Índice = 1,00). A partir deles é possível avaliar se houve aumento real no valor médio repassado pela Prefeitura, bem como 97 o uso do valor recebido na atividade correspondente pela ARCO. Todos os valores foram calculados considerando o valor em moeda constante de dezembro/2011. Tabela 8 Receita x Custo médio por assistido – Educação e Assistência Ativ. Educacional conveniada PMSP Receita por criança/jovem Despesa por criança/jovem Índice de evolução da receita (2008=1,00) Índice de evolução da despesa (2008=1,00) A t iv. A ssist ê n cia Soc ia l co n ve n ia d a P M S P R e ce ita p or c rian ç a/jov em D e sp e sa p or c rian ç a/ jo vem Ín d ic e d e e vo lu ç ão d a r ec e it a (2 0 0 8 = 1 ,0 0 ) Ín d ic e d e e vo lu ç ão d a d e sp e sa (2 0 0 8 = 1 ,0 0 ) 2008 R$ 1.500 R$ 3.090 1,00 1,00 Atividade de Educação conveniada PMSP 2009 2010 R$ 2.497 R$ 3.871 R$ 3.718 R$ 3.984 1,66 2,58 1,20 1,29 2011 R$ 4.261 R$ 4.691 2,84 1,52 A t ivid ad e d e A ssistê n c ia So cial c on ve n iad a P M SP 2008 2009 2010 R$ 1 .2 8 5 R$ 1.8 8 7 R $ 1 .9 0 9 R$ R$ 1 .1 1 6 R$ 1.7 6 4 R $ 2 .0 3 4 R$ 1 ,0 0 1 ,4 7 1 ,4 9 1 ,0 0 1 ,5 8 1 ,8 2 2011 1 .8 0 0 1 .9 2 6 1 ,4 0 1 ,7 3 Fonte: Elaborado a partir dos balanços da instituição e dados fornecidos pela ARCO. A análise das contribuições da PMSP para as atividades educacionais e assistenciais separadamente revela que a verba concedida por aluno é muito maior para a atividade educacional (mais do que o dobro em 2010 e 2011), além de serem reajustadas anualmente. Esse fato não surpreende, uma vez que a creche mantém as crianças em tempo integral, enquanto que o CCA e CJ as mantêm por meio período apenas. Porém, as verbas para as atividades de assistência social não contam com um sistema regular de reajustes. No caso da Educação (gráfico 13), verifica-se um grande aumento real no valor do repasse por assistido. Segundo a ARCO, esse aumento foi conseguido principalmente por conta esforço do Fórum Central de Assistência Social da Cidade de São Paulo (composto por representantes da sociedade civil, trabalhadores sociais e usuários), que teve atuação muito forte a partir de 2007, gerando um aumento no valor médio real de 2008 em diante. 98 Gráfico 13 Índice Receita x Índice do custo médio por assistido para convênios com a PMSP – Educação Atividade de Educação conveniada com a PMSP 3,00 2,50 2,00 1,50 1,00 0,50 0,00 2,58 2,84 1,66 1,00 2008 1,20 2009 1,29 2010 1,52 2011 Índice de evolução da receita (2008=1,00) Índice de evolução da despesa (2008=1,00) Fonte: Elaborado a partir dos balanços da instituição e dados fornecidos pela ARCO. Para o convênio com a secretaria de Assistência social, é possível verificar um grande aumento nos índices de evolução da receita e despesa no ano de 2009 (gráfico 14). Segundo a ARCO foram dois fatores responsáveis: o aumento do número de assistidos e um reajuste realizado pela prefeitura. A partir daí, a receita apresenta-se ligeiramente declinante, em termos reais, pela ausência de reajustes regulares. Em contrapartida, a despesas continuam a crescer. A queda das despesas com a atividade de assistência em 2011 foi explicada pela ARCO como consequência da necessidade de adaptar o orçamento da área aos recursos disponíveis. 99 Gráfico 14 Índice Receita x Índice do custo médio por assistido para convênios com a PMSP – Assistência Atividade de Assistência Social conveniada com PMSP 2,00 1,82 1,58 1,50 1,00 1,49 1,47 1,00 1,73 1,40 0,50 0,00 2008 2009 2010 2011 Índice de evolução da receita (2008=1,00) Índice de evolução da despesa (2008=1,00) Fonte: Elaborado a partir dos balanços da instituição e dados fornecidos pela ARCO. A seguir é avaliada a regularidade nos repasses dos convênios e projetos do FUMCAD no período de 2008 a 2011. Esta análise permite verificar o risco que a instituição pode incorrer pelo fato de não ter fundo de reservas para emergências, podendo ocasionar atrasos em salários, juros e multas nos adiamentos de pagamentos a fornecedores e tributos em geral. A mecânica dos repasses tanto dos convênios com a Prefeitura quanto dos projetos do FUMCAD é diferente: Convênios com a Secretaria de Educação – são mensais, com repasse 2 meses após a realização das despesas. Por exemplo, despesas realizadas em janeiro serão repostas em março seguinte; Convênios com a Secretaria de Assistência Social – são mensais, sendo que no caso do CCA o repasse ocorre 3 meses após a realização das despesas e do CJ ocorre 2 meses depois. Ou seja, despesas realizadas em janeiro serão repostas em abril e março seguintes respectivamente; 100 Projetos do FUMCAD – são trimestrais, adiantados no início de cada trimestre. Após o primeiro trimestre, há prestação de contas e o segundo trimestre é adiantado, e assim por diante. Isso significa que, para os convênios, a ARCO precisou ter reserva para 2 a 3 meses de operação antes de começar a receber os recursos da prefeitura. Após o período inicial de transição, a situação entrou em regime e não houve mais essa necessidade. No caso dos projetos do FUMCAD, eles já iniciam com recursos para cobrir seus gastos, uma vez que o valor é adiantado para o trimestre. Porém, torna-se relevante analisar os repasses dos projetos do FUMCAD, realizados pela Secretaria Municipal de Participação e Parcerias (tabela 9), uma vez que são os que mais apresentaram atrasos nos anos de 2011 e 2012. A média foi de 37 dias em 2011 e 34 dias em 2012. Isso exigiu, por parte da ARCO, prover no valor médio de R$ 53 mil em 2011 por 34 dias e de R$ 52 mil em 2012 por 37 dias, um valor que implica a transferência pela ARCO de recursos alocados em outras atividades. Tabela 9 Dias de atraso e valor da parcela – projetos do FUMCAD (2011 e 2012) P R O JET O S D O FU M C A D - Re p a sses p o r p arc e la t rim e str al A t ras o s F U M C A D 2 0 1 1 A tr aso e m d ia s 2012 A tr aso e m d ias A ç ão e em o ç ão R$ 3 8 .4 1 3 40 R $ 4 8 .1 9 3 A ç ão e em o ç ão R$ 4 8 .1 9 4 25 R $ 4 9 .2 4 0 A ç ão e em o ç ão R $ 4 9 .2 4 0 A p r e n d e r co m p ra zer R$ 5 8 .4 8 0 30 R $ 6 0 .2 0 3 A p r e n d e r co m p ra zer R$ 5 8 .4 8 0 54 R $ 6 0 .2 0 3 A p r e n d e r co m p ra zer R$ 6 0 .2 0 3 20 R $ 5 8 .4 8 0 A p r e n d e r co m p ra zer R $ 5 8 .4 8 0 A t eliê d a vid a R $ 4 3 .8 9 2 A t eliê d a vid a R $ 4 3 .8 9 2 TOTAL R$ 2 6 5 .7 8 1 169 R $ 4 7 1 .8 2 3 M é d ia a ritm é tic a R$ 5 3 .1 5 6 34 R $ 5 2 .4 2 5 Fonte: Elaborado a partir de dados fornecidos pela ARCO 0 74 88 29 32 40 27 23 19 332 37 101 Assinale-se que o FUMCAD, ao final do exercício põe em dia todas as suas obrigações financeiras, eliminando os atrasos. Por esta razão, os atrasos que ocorrem durante o ano não transparecem no balanço patrimonial do final do exercício. Já os repasses do convênio com a Secretaria da Educação (tabela 10) praticamente não apresentaram atrasos (média de 6 dias em 2011 e 2 dias em 2012), o que pode ser considerado muito eficiente e pontual. Houve três atrasos maiores no ano de 2011, o que não se repetiu em 2012. Tabela 10 Dias de atraso e valor da parcela – convênios com PMSP – Educação (2011 e 2012) C EI - Co n vê n io c o m Se cr e tar ia d a E d u c aç ão - p arc e la m e n sal 20 1 1 2012 M ê s d o r ep a sse D e ze m b r o Ja n e ir o Fe ve r eiro M ar ço A b r il M aio Ju n h o Ju lh o A g o sto Se t em b ro O u tu b r o N o ve m b r o TOTAL M é d ia ar itm é tic a V alo r m en sal N u m . D ia s a tra so V alo r m e n sal N u m . D ia s a tr aso R$ 3 6 .0 0 0 15 R $ 5 0 .0 0 0 0 R$ 3 6 .0 0 0 24 R $ 5 0 .0 0 0 4 R$ 3 6 .0 0 0 3 R $ 5 0 .0 0 0 3 R$ 3 6 .0 0 0 2 R $ 5 0 .0 0 0 3 R$ 3 7 .4 0 0 1 R $ 5 0 .0 0 0 3 R$ 3 7 .4 0 0 4 R $ 5 0 .0 0 0 2 R$ 4 6 .8 0 0 14 R $ 5 0 .0 0 0 2 R$ 4 6 .8 0 0 1 R $ 5 0 .0 0 0 2 R$ 4 6 .8 0 0 4 R $ 5 0 .0 0 0 2 R$ 4 6 .8 0 0 3 R $ 5 0 .0 0 0 0 R$ 4 6 .8 0 0 3 R $ 5 0 .0 0 0 5 R$ 4 6 .8 0 0 0 R $ 5 0 .0 0 0 0 R$ 4 9 9 .6 0 0 74 R $ 6 0 0 .0 0 0 26 R$ 4 1 .6 3 3 6 R $ 5 0 .0 0 0 2 Fonte: Elaborado a partir de dados fornecidos pela ARCO No caso dos repasses do convênio com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social praticamente não houve atrasos (média de 8 dias em 2011 e 3 dias em 2012), o que também pode ser considerado bastante pontual. Houve, porém, atrasos consideráveis de 45 dias e 14 dias, ambos no mês de abril, de 2011 e 2012 respectivamente. 102 Tabela 11 Dias de atraso e valor da parcela – convênios com PMSP - Assistência (2011 e 2012) Mês do repasse Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro TOTAL Média aritmética CCA e CJ - Convênio com Secretaria Municipal de Participação e Parcerias 2011 2012 Valor mensal Num. Dias atraso Valor mensal Num. Dias atraso R$ 61.100 21 R$ 68.500 1 R$ 61.100 8 R$ 68.500 1 R$ 61.100 0 R$ 68.500 8 R$ 61.100 1 R$ 68.500 0 R$ 61.100 45 R$ 68.500 14 R$ 61.100 5 R$ 68.500 2 R$ 61.100 0 R$ 71.000 0 R$ 61.100 0 R$ 71.000 1 R$ 61.100 2 R$ 71.000 11 R$ 61.100 10 R$ 71.000 0 R$ 61.100 0 R$ 71.000 0 R$ 61.100 0 R$ 71.000 0 R$ 733.200 92 R$ 837.000 38 R$ 61.100 8 R$ 69.750 3 Fonte: Elaborado a partir de dados fornecidos pela ARCO O que mais surpreende são os atrasos do FUMCAD, uma vez que os recursos já foram repassados pelas empresas e depositados na conta do governo no ano anterior, portanto já deveriam estar disponíveis para o repasse. Outra possibilidade é que o repasse vem do governo federal, mas o recurso é gerido pelo governo municipal, envolvendo duas esferas governamentais. Há também grande demora, segundo a ARCO, na aprovação e início do projeto, devido a trâmites burocráticos. Uma vez aprovado o projeto, verifica-se, efetivamente, que não há atrasos no repasse da primeira parcela. O mesmo ocorre a partir da 2ª parcela, o que sugere que seja problema no processo de prestação e aprovação das contas do trimestre anterior, para que seja liberada verba para o trimestre seguinte. Os principais pontos da análise das finanças da ARCO demonstram que a instituição é dependente de doações para se manter, não têm captação de recursos pela venda de produtos ou serviços, especialmente porque orienta suas atividades ao atendimento de crianças e jovens. Os convênios com governos têm permitido aumentar a estabilidade financeira e oferecer serviços de longo prazo às comunidades. Ao mesmo tempo, essa dependência põe em risco a entidade caso a prefeitura atrase muito seus repasses. As atividades de educação e de assistência 103 social são deficitárias, além do fato de os projetos do FUMCAD sofrerem atrasos, dificultando a continuidade na oferta de serviços. O apoio de empresas e pessoas físicas aos projetos e atividades da ARCO é muito menor do que se poderia esperar para os problemas sociais do Brasil e um setor privado tão pujante. Mesmo doações de empresas através do FUMCAD (utilizando-se de benefícios fiscais), cresceram muito menos que os repasses governamentais. Algumas dessas conclusões confirmam tendências já observadas em outras organizações do terceiro setor. A última conclusão, embora não possa ser confirmada pela análise de somente uma organização não governamental, sugere que as empresas estão investindo menos em projetos sociais, embora as propagandas de responsabilidade social das mesmas sugiram o contrário. Convênios da PMSP com a ARCO efetivamente auxiliam na realização de algumas políticas públicas, uma vez que se confirmaram aumentos, tanto em valor absoluto, quanto no número de crianças, ampliando a oferta. O SUAS também demonstra claramente sua atuação, uma vez que convênios com a secretaria de assistência social receberam aportes maiores nos últimos anos, refletindo a política pública sendo posta em prática. Etapa 2 – A comunidade e a ARCO Nesta seção são analisados dados que dão uma visão da comunidade do entorno da ARCO, utilizando os quadros e tabelas resultantes do processamento do Minitab, que permitiu construir tabelas e gráficos para proceder a análise. A análise da pesquisa com as famílias foi subdividida em três partes: Avaliação socioeconômica dos moradores participantes da pesquisa– para saber como vivem as famílias da comunidade; 104 Em seguida, foi verificada a percepção dos entrevistados com a ARCO e como ela se insere na sua vida; Por último, foram também analisadas as expectativas dos entrevistados em relação ao futuro. É interessante relembrar que a pesquisa a ser analisada neste item é uma amostra de 510 moradores do entorno da ARCO, como foi apresentado na metodologia. Situação socioeconômica da comunidade A análise da situação socioeconômica restringe-se a algumas variáveis, cujos dados estavam disponíveis. São elas: gênero, tipo de moradia, tipo de construção, número de cômodos, se participa do Bolsa Família e despesas mensais. Apesar dessas variáveis não dimensionarem a situação socioeconômica na sua totalidade, elas revelam diversas características da comunidade da ARCO. Gênero dos respondentes A maioria das pessoas entrevistadas é mulher, o que não surpreende, pois as entrevistas foram realizadas durante o dia e geralmente o companheiro encontra-se no trabalho, portanto fora da moradia. Esta situação observa-se no Gráfico 15, que revela que 91,8% são mulheres. 105 Gráfico 15 Gênero dos respondentes Gênero dos respondentes 100,0% 90,0% 80,0% 70,0% 60,0% 50,0% 40,0% 30,0% 20,0% 10,0% 0,0% 91,8% 8,2% Masc Fem Fonte: Elaboração da autora Tipo de moradia Outra variável que a pesquisa definiu como uma das dimensões socioeconômicas é o tipo de moradia, caracterizada como própria, cedida, alugada ou invadida. (Gráfico 16). O gráfico permite verificar que a maioria mora em casas que eles consideram de sua propriedade (62,5%), embora, por ser região de manancial, não haja documentação regularizada das mesmas, ou seja, o documento é apenas entre as partes. Por outro lado, 22,4% dos entrevistados afirmaram que moram em residências cedidas ou alugadas, e os restantes 10,2%, assumem que sua residência é irregular, que são aqueles que responderam invasão. Somente 4,9% dos entrevistados não responderam à pesquisa. 106 Gráfico 16 Tipo de Moradia Tipo de moradia 70,0% 62,5% 60,0% 50,0% 40,0% 30,0% 20,0% 10,0% 10,2% 10,4% 12,0% Invasão Cedida Alugada 4,9% 0,0% Não respondeu Própria Fonte: Elaboração da autora Tipo de construção A resposta à pergunta tipo de construção (Gráfico 17) permite verificar que a maioria dos entrevistados afirmou que mora em casa de alvenaria (451 entrevistados, 88,4%), o que surpreende, já que a aparência da comunidade é de casas muito precárias, com algumas poucas partes delas feitas de alvenaria. Somente 8,4% afirmaram viver em casas de tábuas, sendo que os restantes 3,2% não responderam ou afirmaram outro tipo de construção. 107 Gráfico 17 Tipo de Construção Tipo de construção 100,0% 90,0% 80,0% 70,0% 60,0% 50,0% 40,0% 30,0% 20,0% 10,0% 0,0% 88,4% 8,4% 1,6% 1,6% Não respondeu Outros Tábuas Alvenaria Fonte: Elaboração da autora Número de cômodos A resposta à pergunta número de cômodos mostra o tamanho da residência e seu Nível de moradia, que pode ser considerado baixo, uma vez que mais de 50% das casas têm até 3 cômodos. Assumindo a média de 3,8 pessoas por família (FONTE SIAB/SMS/2007), seria desejável uma casa com 5 cômodos: 2 quartos, sala, cozinha e banheiro. O gráfico 18, a seguir, com as porcentagens, revela a precariedade das moradias da comunidade, já que somente 16% apresentam 5 cômodos ou mais, sendo que quase 6% têm somente um cômodo na casa. Impressiona também o fato de quase 28% das moradias terem somente 2 cômodos (142 famílias). 108 Gráfico 18 Número de Cômodos – porcentagens Número de cômodos 30,0% 27,9% 26,3% 25,0% 21,0% 20,0% 15,0% 10,4% 10,0% 5,8% 3,9% 5,0% 2,3% 0,6% 0,8% 0,4% 0,4% 0,2% 7 8 9 10 12 0,0% 1 2 3 4 5 6 Não resp Fonte: Elaboração da autora Participa do Bolsa Família? A resposta à pergunta participa do Bolsa Família (Gráfico 19) mostra que 28% das famílias afirmaram que participam do Bolsa Família, um percentual próximo do país todo, onde 13 milhões de famílias foram beneficiadas com o auxílio, correspondendo a 27% do total de 49 milhões de famílias no Brasil, de acordo com censo de 2010 (IBGE). 109 Gráfico 19 Participa do Bolsa Família? Participa do Bolsa família 80,0% 72,0% 70,0% 60,0% 50,0% 40,0% 30,0% 28,0% 20,0% 10,0% 0,0% SIM NÃO Fonte: Elaboração da autora Despesas mensais Este item expressa o padrão de vida da população pesquisada. É improvável que façam poupança, portanto assumiu-se que o gasto é muito próximo da renda. O número de pessoas que respondeu que tem despesas mensais de até R$ 500,00 é muito grande, o que demonstra o baixíssimo poder aquisitivo da população entrevistada. O salário mínimo em 2010 era de R$ 510,00, conforme o IBGE. A resposta à pergunta despesas mensais, considerando somente o universo dos que responderam um valor válido, (gráfico 20), confirma o baixo poder aquisitivo, já que quase 70% afirmaram que gastam até R$ 1.000,00 por mês. 110 Gráfico 20 Despesas Mensais – respostas afirmativas Despesas mensais 40,0% 35,0% 33,9% 35,2% 30,0% 25,0% 19,0% 20,0% 15,0% 11,9% 10,0% 5,0% 0,0% Até R$ 500 De R$ 501 a R$ 1000 De R$ 1001 a R$ 1500 Acima R$ 1500 Fonte: Elaboração da autora Feita essa apresentação das variáveis que caracterizam, em princípio, a situação socioeconômica, procurar-se-á estabelecer a relação entre algumas dessas variáveis que permitirão uma melhor caracterização do nível socioeconômico. Despesas mensais x Participa do Bolsa Família Analisar o Bolsa Família com outras variáveis permite identificar se a família beneficiada comporta-se de maneira diferente das demais. O gráfico 21 revela que um número maior de famílias que participam do Bolsa Família tem gastos de até R$ 500,00 (cerca de 50%), enquanto os outros 50% tem gastos acima de R$ 500. Isso permite inferir que o Bolsa Família efetivamente contribui para que os menos favorecidos possuam um adicional na renda mensal à qual não tinham acesso. Porém, 27% dos que não participam do Bolsa Família têm gastos mensais abaixo de 111 R$ 500,00, o que os tornaria ‗candidatos‘12 ao Bolsa Família, mas que não recebem o benefício. Não há informação suficiente para se ter certeza de que eles têm direito, tampouco para saber a razão deles não terem acesso ao benefício. Outro ponto que chama a atenção é que 22% dos participantes do Bolsa Família têm despesas acima de R$ 1.000,00. Gráfico 21 Despesas mensais x Bolsa Família Despesas mensais x Bolsa Família 60,0% 49,5% 50,0% 37,8% 40,0% 30,0% 28,5% 27,8% Não 20,9% 20,0% 14,3% Sim 13,5% 7,7% 10,0% 0,0% Até R$ 500 De R$ 501 a R$ De R$ 1001 a R$ Acima R$ 1500 1000 1500 Fonte: Elaboração da autora Após a avaliação das variáveis disponíveis da situação socioeconômica dos moradores, segue uma análise do cruzamento de duas variáveis, de modo a aprofundar a visão. 12 Em 2010, o critério para ser beneficiário do Bolsa Família era ter renda mensal per capita de até R$ 140. A renda da família é calculada a partir da soma do dinheiro que todas as pessoas da casa ganham por mês (como salários e aposentadorias). Esse valor deve ser dividido pelo número de pessoas que vivem na casa, obtendo assim a renda per capita da família. Fonte: Ministério do Desenvolvimento Social. Disponível em: http://www.mds.gov.br/programabolsafamilia/o_programa_bolsa_familia/criterios-de-inclusao Acesso em: 05 fev. 2013. 112 Participa do Bolsa Família x Nível de moradia Foi criada uma variável composta, denominada ―Nível de moradia‖, com o objetivo de identificar o nível social das famílias e permitir o cruzamento da mesma com outras variáveis primárias. Os critérios utilizados foram: Tipo de construção Alvenaria - 1 ponto; Demais - 0 pontos Tipo de moradia Própria - 1 ponto; Demais - 0 pontos Número de Cômodos 1 a 3 cômodos - 1 ponto; 4 a 6 - 2 pontos; 7 ou + - 3 pontos Resultado obtido para a Variável ―Nível de moradia‖ 1 ponto – Baixíssimo 2 pontos – Baixo 3 pontos – Médio 4 pontos – Satisfatório 5 pontos – Bom N/A – não foi possível definir porque uma ou mais variáveis que compõem o índice não foram respondidas A distribuição obtida para as famílias entrevistadas (Gráfico 22) demonstra que 30,4% apresentam Nível de moradia baixo ou baixíssimo, 33,9% médio, 26,5% satisfatório e somente 2% apresentam Nível de moradia bom, o que confirma a situação de precariedade que vivem as famílias da comunidade do entorno da ARCO. 113 Gráfico 22 Nível de moradia Nível de moradia 40,0% 33,9% 35,0% 30,0% 27,1% 26,5% 25,0% 20,0% 15,0% 10,0% 5,0% 7,3% 3,3% 2,0% 0,0% Baixíssimo Baixo Médio Satisfatório Bom N/A Fonte: Elaboração da autora Cruzando a variável Nível de moradia com a variável Participa do Bolsa Família (Gráfico 23), o resultado foi que um percentual maior de famílias que participa do Bolsa Família recebe o benefício. Somando os graus ‗Baixo‘ e ‗Baixíssimo‘, quase 29% dos respondentes válidos não participa do Bolsa Família, enquanto que 44% afirmaram receber o benefício. O dobro de famílias que não recebe o benefício tem Nível de moradia satisfatório, o que indica que o benefício está realmente sendo direcionado aos mais necessitados da comunidade. 114 Gráfico 23 Participa do Bolsa Família x Nível de moradia - percentuais Nível de Moradia x Participa do Bolsa família 40,0% 37,7% 36,9% 36,1% 35,0% 30,0% 32,8% 26,5% 25,0% 20,0% 16,4% Sim 15,0% 10,0% 5,0% Não 7,3% 2,3% 2,3% 1,7% 0,0% Baixíssimo Baixo Bom Médio Satisfatório Fonte: Elaboração da autora Pelos gráficos apresentados anteriormente constata-se que a exclusão social dos habitantes do Jardim Aracati é real. Considerando os direitos necessários ao exercício da cidadania, tanto por Marshall na década de 1950 quanto por Subirats na década passada, verifica-se que nem os mais primários estão presentes naquela comunidade até hoje, como o direito a um mínimo de bem-estar e segurança socioeconômica, o que impede seus moradores de exercer uma cidadania plena. A seguir, são avaliadas dimensões da pesquisa que demonstram o relacionamento da comunidade com a ARCO. Relacionamento com a ARCO A ARCO está presente na comunidade há 22 anos e estabeleceu um relacionamento com seus moradores. A pesquisa mostra a qualidade deste 115 relacionamento, o quanto as pessoas conhecem a ARCO e sua satisfação com os serviços oferecidos. Conhece a ARCO? O gráfico 24 demonstra que a maioria das famílias entrevistadas conhece a ARCO, ou seja, 87,3% (445 em 510 respostas) afirmaram que conhecem a instituição. Uma resposta esperada, uma vez que a mesma está na comunidade, sem mudar de endereço, há mais de 20 anos. Somente considerando o universo de pessoas que não tem filhos assistidos (233), 176 afirmaram conhecer a ARCO, o que dá um total de 76%, reforçando a imagem de que a instituição é muito conhecida na comunidade. Gráfico 24 Conhece a ARCO? Conhce a ARCO 100,0% 90,0% 80,0% 70,0% 60,0% 50,0% 40,0% 30,0% 20,0% 10,0% 0,0% 87,3% 12,7% NÃO Fonte: Elaboração da autora SIM 116 Alguém da família já passou pela ARCO? A resposta foi que um total de 57,3% (292) dos entrevistados tiveram alguém da família que já passou pela ARCO (Gráfico 25), o que indica que algumas famílias entrevistadas que não têm filhos assistidos atualmente, mas já tiveram em algum momento do passado. Gráfico 25 Alguém da família já passou pela ARCO? Alguem da família já passou pela ARCO 70,0% 57,3% 60,0% 50,0% 42,7% 40,0% 30,0% 20,0% 10,0% 0,0% Não Sim Fonte: Elaboração da autora 156 famílias informaram que tiveram filhos que passaram pela creche, correspondendo a 30% dos entrevistados; 173 famílias informaram que tiveram filhos que passaram pelo Centro da Criança e Adolescente, (34%) e 86 famílias informaram que tiveram filhos que passaram pelo Centro de Juventude, 17% dos entrevistados. 117 Quem financia a ARCO? Ao analisar as respostas à pergunta acerca de quem financia a ARCO foi possível averiguar se a comunidade entrevistada tem conhecimento dos financiadores da instituição, já que não há cobrança pelos serviços prestados. Numa primeira análise, (Gráfico 26), considerando todo o universo das famílias entrevistadas, o resultado foi que a maioria respondeu que sabe quem financia (56%, 284 respondentes), enquanto que 44% (226 respondentes) responderam que não sabem ou não responderam à pergunta. Considerando somente o universo dos que responderam que sabem quem financia a ARCO, fica evidente que a maioria sabe que os recursos vêm, ainda que parcialmente, da prefeitura, dado que 65% responderam que Prefeitura, Prefeitura e Parceiros ou Prefeitura e Exterior financiam a entidade. Gráfico 26 Quem financia a ARCO? Quem financia a ARCO 50,0% 45,0% 40,0% 35,0% 30,0% 25,0% 20,0% 15,0% 10,0% 5,0% 0,0% 44,3% 5,9% Doações 8,0% Pref. e Parceiros Fonte: Elaboração da autora 11,2% Pref. e Exterior 13,5% Exterior 17,1% Prefeitura Não sabe/Não resp 118 O que seu filho aprendeu na ARCO? O objetivo com a análise da pergunta o que seu filho aprendeu na ARCO foi de identificar a percepção das famílias com os serviços oferecidos pela organização. Considerando somente os que responderam afirmativamente (Gráfico 27), as oficinas são o item mais reconhecido pelas famílias (32,8%), seguido da resposta relacionamento (23,6%). Outro ponto bastante citado pelos respondentes é o ler e escrever, com 15,6% de incidência, o que demonstra um ponto forte da ARCO, que faz um trabalho especial de reforço de língua portuguesa e matemática com alunos que apresentam dificuldades de aprendizado. Gráfico 27 O que seu filho aprendeu na ARCO? – somente respostas afirmativas, em percentuais O que seu filho aprendeu na ARCO 32,8% 35,0% 30,0% 23,6% 25,0% 20,0% 20,0% 15,6% 15,0% 10,0% 8,0% 5,0% 0,0% Fonte: Elaboração da autora 119 Diferenças entre a ARCO e a escola pública O objetivo com a análise da pergunta diferenças entre a ARCO e a escola pública foi de identificar se havia percepção, por parte das famílias, de que os serviços oferecidos são mesmo diferentes, embora a Prefeitura contribua com a maior parte da manutenção das atividades oferecidas pela ARCO. Ao analisar somente os que responderam que há alguma diferença (Gráfico 28), o resultado atenção aparece como o maior (41%, 134 respostas), demonstrando que o atendimento dado pela instituição é mais valorizado pelas famílias que o serviço oferecido diretamente às crianças e jovens. Em seguida vêm empatadas as respostas ensino (17%, 57 respostas) e oficinas (18%, 58 respostas), que demonstra que alguns valorizam mais o aspecto do aprendizado e outros a complementaridade da instituição, ao oferecer atividades que não são oferecidas pela escola pública. Um último ponto que surpreende é a resposta regras, considerada importante para 10% (32 respostas) das famílias que responderam à pergunta com algum valor válido, especialmente considerando que é uma comparação entre a escola pública e a ARCO. 120 Gráfico 28 Diferenças entre a ARCO e a Escola pública? – somente respostas afirmativas Diferenças entre a ARCO e a Escola pública 45,0% 40,7% 40,0% 35,0% 30,0% 25,0% 20,0% 15,0% 10,0% 14,6% 17,6% 17,3% 9,8% 5,0% 0,0% Regras Ensino Oficinas Atenção Outros Fonte: Elaboração da autora Alguém da família já passou pela ARCO? x Quem financia a arco? O Gráfico 29 mostra que, mesmo nos casos em que ninguém da família passou pela ARCO, as famílias sabem que há recursos que vêm da prefeitura (12%), contra 24% dos que têm ou tiveram filhos na ARCO, o que indica que a parceria com o governo não é muito reconhecida pelos moradores e assistidos. Quanto a ter origem dos recursos no exterior, somente 10% dos assistidos afirmaram isso, e 3% dos não assistidos. 20% dos assistidos e 25% dos não assistidos alegaram não saber a origem dos recursos da ARCO. 121 Gráfico 29 Alguém da família já passou pela ARCO? x Quem financia a ARCO? Alguém da família já passou pela ARCO x Quem financia a ARCO 100,0% 80,0% 60,0% 40,0% 76,8% 63,3% 36,7% 23,2% 73,7% 26,3% 70,7% 29,3% 59,8% 40,2% 57,1% 42,9% 20,0% NÃO SIM 0,0% Doações Exterior Pref. e Exterior Pref. e Parceiros Prefeitura Não Sabe/Não resp Fonte: Elaboração da autora Expectativas para o futuro Com este subitem é possível identificar as expectativas das famílias com seu futuro, sua relação com o bairro e cursos de capacitação profissional que almejam fazer. O que mais o incomoda em sua vida hoje? A pergunta o que mais o incomoda em sua vida hoje foi criada com a intenção de saber se haveria espaço para um trabalho de desenvolvimento local com as famílias, a partir do entendimento do que incomodava os moradores em suas vidas. Alguns pontos principais surgiram, que podem ser divididos em três grupos: os que estavam insatisfeitos com as condições físicas onde moram (local, moradia, distância, criminalidade etc.); os que estavam insatisfeitos com condições referentes a si mesmos, mas também de ordem prática (saúde, estudo, trabalho) e os que expressaram insatisfação com situações mais emocionais (convivência, pobreza). 122 Considerando o percentual dos que responderam afirmativamente à pergunta, expresso no gráfico 30, O que mais o incomoda em sua vida hoje, nota-se que a maior insatisfação está com o trabalho (20%), o que não surpreende, uma vez que a maioria vive de bicos e trabalha em condições muito precárias. Em seguida, vem a pobreza e a convivência (16,5 e 16% respectivamente), um número esperado, dadas as condições ruins de moradia e que deixam pouco espaço para a privacidade. Moradia (9,5%), saúde e criminalidade (ambos com 8,75%) também aparecem como incômodos aos moradores. Gráfico 30 O que mais o incomoda em sua vida hoje? – respostas afirmativas O que mais o incomoda em sua vida hoje 25,0% 20,3% 20,0% 16,0% 16,5% 15,0% 10,0% 8,8% 5,0% 5,0% 5,0% 5,0% 0,0% Fonte: Elaboração da autora 8,8% 9,5% 5,3% 123 O que estaria disposto a fazer para mudar? Com a resposta a esta pergunta, é possível inferir se as pessoas estariam dispostas a fazer alguma coisa para mudar sua situação atual. Não surpreende que a maioria tenha citado Trabalhar, seguida de Estudar, como as maiores possibilidades de alcançar uma mudança em suas vidas. Ao analisar as respostas afirmativas (gráfico 31), fica evidente que ter uma oportunidade de trabalho com melhores condições é a maior esperança de mudança para ‗as famílias da comunidade (~ 47%). Respostas agrupadas em Outros vêm em segundo lugar com 30% e estudar em terceiro com 16,5% das respostas. Cuidar da saúde vem em último com 6,5% das respostas, um número relativamente alto, o que demonstra que há pessoas incomodadas com sua saúde. Gráfico 31 O que estaria disposto a fazer para mudar? – respostas afirmativas O que estaria disposto a fazer para mudar 50,0% 45,0% 40,0% 35,0% 30,0% 25,0% 20,0% 15,0% 10,0% 5,0% 0,0% 46,6% 30,4% 16,6% 6,4% Cuidar da saúde Fonte: Elaboração da autora Estudar Outros Trabalhar 124 Qual curso de capacitação gostaria de fazer? Com a resposta a esta pergunta, é possível verificar que curso de capacitação as pessoas gostariam de fazer. O gráfico 32 exibe o universo todo, sem nenhuma seleção e o resultado é que mais de 65% respondeu algum curso de capacitação, que foram agrupados em diferentes cursos técnicos. O que surpreende é que pouquíssimos responderam curso superior ou que não fossem diretamente orientados a melhorar sua condição de trabalho no médio prazo. Dada sua pouca representatividade (17%, 90 respondentes) foram agrupados em Outros. Para ilustrar os principais, 27 (5%) responderam algum tipo de curso superior, especialmente ligados à Educação, Administração e Assistência Social, 38 (7%) gostariam de fazer algum curso técnico como Segurança, Pintor, Barman, Telemarketing e 11 (2%) informaram que gostariam de fazer um curso técnico administrativo, como recepcionista, secretária ou almoxarifado. Gráfico 32 Qual curso gostaria de fazer? Qual curso gostaria de fazer? 35,0% 30,0% 25,0% 20,0% 15,0% 10,0% 5,0% 0,0% 33,2% 18,7% 6,5% 7,9% Fonte: Elaboração da autora 8,9% 11,7% 13,1% 125 A seguir, são cruzadas variáveis duas a duas, para oferecer uma visão mais aprofundada das expectativas dos moradores quanto a seu futuro. O que mais o incomoda em sua vida hoje x O que estaria disposto a fazer para mudar Ao analisar o incômodo que as pessoas afirmaram em conjunto com o que estavam dispostas a fazer para mudar, expresso no Gráfico 33, verificou-se uma grande coerência entre as respostas para as duas questões. O cruzamento dessas variáveis permitiu identificar que os itens ―Trabalho‖, ―Pobreza‖, ―Convivência‖ e ―Moradia‖ incomodam mais aos que disseram estar dispostos a ―Trabalhar‖ para mudar sua situação. Para os que apontaram Cuidar da saúde como o que estariam dispostos a fazer para mudar, coerentemente, o aspecto que mais os incomoda é a própria Saúde (70%). O segundo ponto com maior coerência são aqueles que apontaram o Trabalho como maior incômodo e escolheram Trabalhar ou Estudar como o que estariam dispostos a mudar (32% e 29% respectivamente). 126 Gráfico 33 O que mais o incomoda x o que estaria disposto a fazer para mudar O que mais o incomoda x O que estaria disposto a fazer para mudar 80% 70% 70% 60% 50% 40% 25% 21% 15% 20% 20% 10% 32% 29% 28% 30% 7% 7% 7% 7% 14% 10% 5% 2% 14% 6% 6% 0% 0% 2% Cuidar da saúde 4% 5% 0% 3% 1% Estudar 6% 0% 6% 14% 10% 0% Trabalhar 3% 9% 0% 4% 3% 6% 5% 9% Outros Fonte: Elaboração da autora O que estaria disposto a fazer para mudar x Qual curso de capacitação gostaria de fazer Considerando somente os que afirmaram que estariam dispostos a estudar ou trabalhar (variável o que estaria disposto a fazer para mudar), e cruzando com a variável qual curso de capacitação gostaria de fazer o resultado foi que Informática é o curso que mais interessa, seguido Culinária, Beleza e Costura e Artesanato, o que demonstra uma visão prática do que fazer para mudar sua vida, conforme Gráfico 34. 127 Gráfico 34 O que estaria disposto a fazer para mudar x Qual curso de capacitação gostaria de fazer? O que estaria disposto a fazer para mudar x Qual curso de capacitação gostaria de fazer 120% 96% 100% 80% 80% 60% 40% 76% 70% 64% 56% 52% 48% 44% 30% 20% 36% 24% 21% Estudar Trabalhar 4% 0% Fonte: Elaboração da autora Participa do Bolsa Família x O que estaria disposto a fazer para mudar? Cruzar estas variáveis (Gráfico 35), demonstra que pessoas que participam do Bolsa Família estão, proporcionalmente (51%), mais dispostas a trabalhar para mudar sua vida. O resultado pode ser considerado uma surpresa, já que não confirma um dos argumentos de que o benefício do Bolsa Família deixa as pessoas acomodadas e pouco interessadas em trabalhar. Porém, esse resultado não é conclusivo, uma vez que o fato de ter filhos que se interessam em participar dos projetos da ARCO pode indicar uma diferenciação que não dá para medir com essa pesquisa. Quanto à resposta Estudar, não há diferença para os dois grupos, ambos têm 16% de respondentes que escolheram essa forma de mudar o que os incomoda. 128 Gráfico 35 O que faria para mudar x Participa do Bolsa Família O que faria para mudar x Participa do Bolsa família 60,0% 51,0% 50,0% 44,7% 40,0% 32,0% 30,0% NÃO 26,5% SIM 20,0% 10,0% 16,7% 6,6% 16,3% 6,1% 0,0% Cuidar da saúde Estudar Trabalhar Outros Fonte: Elaboração da autora Com relação às Expectativas para o Futuro notou-se que é grande o incômodo com a situação precária em que vivem as famílias do bairro (78% afirmaram ter alguma insatisfação). Não ter uma condição de trabalho adequada é o principal motivo apontado, coerente com a exclusão social em que vivem. Muitas pessoas apontaram o trabalho como esperança de mudar sua vida no futuro (47% das respostas afirmativas) e o curso mais solicitado é o de informática (16%), seguido de cursos cujas profissões são mais ocupadas por mulheres (32%), como culinária, beleza, costura e enfermagem. Somente 5% afirmaram que gostariam de fazer alguma faculdade. 129 Distâncias percorridas pelos moradores do entorno da ARCO Finalmente, é interessante visualizar as distâncias que as famílias do entorno da ARCO percorrem de sua residência aos serviços prestados. Os dados apresentados no ANEXO III permitem visualizar as distâncias entre o endereço da ARCO e os serviços considerados importantes para a população, quais sejam, os serviços de saúde, a escola e ponto de ônibus. Observa-se se que o tempo médio de caminhada entre a residência e o posto de saúde mais próximo é 10 a 20 minutos (800 m), a escola também de 10 a 20 minutos (800 m). Não há linhas de ônibus na Chácara Bandeirantes, o ponto de ônibus mais próximo fica a 25 minutos de caminhada, segundo os moradores. No ANEXO III, pode ser visualizada a distância real que as famílias percorrem nestes deslocamentos. Nesta segunda etapa da metodologia, a Comunidade e a ARCO verificou-se que houve a formação de uma relação de parceria da ARCO com a comunidade, confirmando que parcerias se fortalecem com o tempo, especialmente quando há confiança entre as partes. Embora reconheça que a maior parte do serviço oferecido pela ARCO venha do governo (65% das pessoas afirmaram que a Prefeitura financia parte das atividades), a população a avalia bem melhor do que as escolas públicas do entorno. O diferencial da ARCO, de acordo com as famílias, é a atenção, que demonstra a carência delas no atendimento dado pelas escolas públicas que as servem. Atividades culturais são muito valorizadas pela população, o que também não surpreende, uma vez que não há oferta de serviços culturais no entorno. O anseio pelo estudo e pelo trabalho são os aspectos mais citados como fatores que permitiriam o acesso a uma vida melhor, o que demonstra claramente que a segurança socioeconômica está prejudicada, impedindo o exercício pleno da cidadania. As condições precárias de vida são muito pungentes, em particular a moradia e acesso ao mercado de trabalho. Muitas pessoas demonstraram grande incômodo com sua saúde, outro elemento básico para uma qualidade de vida apropriada. 130 Efetivamente, uma população privada dos elementos mais primários ao que poderia ser considerada uma vida digna, tais como educação, saúde, moradia e trabalho, fica impossibilitada de exercer a cidadania e torna-se vítima da exclusão social. Etapa 3 – Avaliação da Rede de Relacionamento Nesta etapa da metodologia, o objetivo foi efetuar uma análise da rede que se formou ao longo dos anos de atuação da ARCO. Para tanto, foram realizadas duas atividades: uma avaliação qualitativa da rede e uma quantitativa, através de Entrevistas. A rede em números Inicialmente foram levantados os doadores e parceiros dos anos de 2011 e 2012, através de planilhas fornecidas pela instituição. A seguir foram mapeados os fóruns e redes dos quais a ARCO participa. Os dados foram carregados em uma planilha Excel e exportados para o software Minitab. O Minitab e o Excel foram utilizados para geração de gráficos e tabelas neste tópico. No quadro 1, a seguir, são relacionadas as variáveis analisadas e seus respectivos intervalos. 131 Quadro 1 Variáveis da análise da rede # 1 2 3 Perguntas do questionário Ano relacionamento - ano em que o relacionamento se estabeleceu Tipo de pessoa do relacionamento No caso de Pessoa Jurídica Nome da organização – somente para instituições governamentais Intervalo de respostas 2011 ou 2012 Pessoa Física ou Pessoa Jurídica 7 Nome da organização Comunitário; Empresa; Escola Particular/Clube/Outros; Tipo Organização – tipo de organização com quem a Fundação; Governo; ONG; ARCO se relacionou Rede; Religiosa Tipo Serviço oferecido – tipo de serviço oferecido pela organização, do ponto de vista de seus mantenedores? Público ou Privado Nome do relacionamento – resumo de como a ARCO Resumo do e a organização se relacionam relacionamento Assistência; Cultura; Direitos Humanos; Categoria do Relacionamento – tipo do Educação; Lazer; Legal; relacionamento entre a ARCO e a organização Saúde; Segurança 8 Contratual - se há um contrato formal assinado entre a ARCO e o relacionamento 4 5 6 9 10 11 12 13 Frequência – a frequência com que o relacionamento se estabelece, quando este acontece Periodicidade – a forma com que o relacionamento se dá, ao longo do tempo Instância – quando o relacionamento é com uma entidade governamental, a instância de governo com quem se dá esse relacionamento Há Troca de Recursos Financeiros – se há alguma troca de recursos financeiros, seja da ARCO para seu relacionamento ou vice-versa Dist Km - Distância em Km da ARCO até seu relacionamento Fonte: Elaboração da autora Sim ou Não Mensal, semestral, anual ou esporádica Eventual ou recorrente Municipal, estadual ou federal Sim ou Não Distância em Km da ARCO 132 Relacionamento com pessoas físicas Foi feita uma análise simples do relacionamento da entidade junto a pessoas físicas e suas famílias que realizaram contribuições ao longo dos anos de 2011 e 2012. Embora o valor das doações de indivíduos e famílias não seja muito relevante financeiramente, verifica-se que auxiliam na manutenção da entidade. A maioria das doações é composta de produtos arrecadados, especialmente através de campanhas como Páscoa, Natal, do agasalho, e doações voluntárias de famílias (alimentos, roupas, móveis, etc.) dentre outras. Verifica-se um aumento considerável do número de pessoas que contribuíram em 2012 (124%), um fator que pode ser considerado positivo, já que aumenta o grau de relacionamento da ARCO junto a pessoas físicas. O gráfico 36, a seguir, demonstra esta situação. Gráfico 36 Número de relacionamentos com particulares – por ano Número de doadores - Pessoas físicas - por ano 450 418 400 350 300 250 200 157 150 100 50 0 2011 Fonte: Elaboração da autora 2012 133 Relacionamento com instituições Ao avaliar o relacionamento da ARCO junto a pessoas jurídicas (Gráfico 37), verifica-se uma redução considerável (35%) do número de instituições que contribuíram em 2012 em relação a 2011, um fator que pode ser considerado preocupante, já que demonstra uma redução no grau de relacionamentos da ARCO junto a pessoas jurídicas. Como o valor das doações de pessoas jurídicas é mais relevante que de pessoas físicas, pode ter ocasionado uma perda na qualidade da articulação da entidade. Porém, somente com este indicador não é possível afirmar que isso efetivamente ocorreu. Gráfico 37 Número de relacionamentos com Instituições – por ano Número de relacionamentos com instituições por ano 250 210 200 137 150 100 50 0 2011 Fonte: Elaboração da autora 2012 134 Tipo de organização O relacionamento, agora dividido por tipo de organização (Gráfico 38), mostrou que diminuiu o número de empresas e ONGs com quem a ARCO se relacionou comparando 2012 x 2011, porém aumentaram os tipos de relacionamento que a ARCO tinha no ano anterior, demonstrando um aumento da articulação. Embora o número de empresas (de 48% para 33%) e ONGs (de 15% para 11%) com as quais a ARCO se relaciona tenha diminuído, aumentou o número de entidades religiosas (de 7% para 11%). Atenção deve ser dada à relação com governos, que cresceu de 18% para 31%. Gráfico 38 Relacionamentos com Instituições – por tipo/ano Título do Gráfico 45,0% 38,9% 40,0% 36,1% 35,0% 30,7% 32,8% 30,0% 25,0% 20,0% 2011 15,0% 10,9% 10,0% 5,0% 0,0% 1,1% 0,7% 2,5% 3,6% Fonte: Elaboração da autora 5,1% 2,1% 5,1% 2,9% 5,0% 11,4% 10,9% 2012 135 Serviço oferecido à população O relacionamento agora foi dividido por tipo de serviço oferecido pelas instituições com as quais a ARCO tem relacionamento. Ou seja, a natureza do que é ofertado ao público alvo da instituição, e não significa que foi este o tipo de relacionamento estabelecido com a ARCO. Esta oferta será objeto do próximo item de análise. Os tipos de serviço oferecidos pelas instituições foram agrupados em Público – serviços de interesse público (Creches, Escolas, Hospitais, Abrigos, Assistência a famílias, Postos de Saúde, etc.), e Privados – serviços oferecidos para atender interesses de empresas, como Indústrias, comércio, clubes particulares, etc. O resultado difere muito ao se considerar 2011 e 2012. Em 2011 (Gráfico 39), quase 55% dos relacionamentos foram estabelecidos com organizações privadas, em sua maioria empresas e, em 2012, as entidades que oferecem serviços públicos representaram a maior parte do número de relacionamentos (59%). Esse resultado pode indicar que a ARCO está oferecendo novos serviços através de encaminhamento a outras instituições, que passam a atender também a comunidade. Outra possibilidade é o fato de a ARCO ser utilizada como apoio a campanhas e/ou realizações de outras entidades na comunidade. 136 Gráfico 39 Relacionamentos com Instituições – por tipo de serviço oferecido/ano Tipo de serviço oferecido pela organização 70,0% 59,1% 60,0% 50,0% 55,2% 44,3% 40,9% 40,0% Público 30,0% Privado 20,0% 10,0% 0,0% 2011 2012 Fonte: Elaboração da autora Categoria do relacionamento com a ARCO O relacionamento agora foi dividido por categoria do relacionamento estabelecido entre a instituição parceira e a ARCO: Assistência – um relacionamento de apoio a uma criança, jovem ou familiar de cunho assistencial (cestas básicas, compra de material de construção, óculos, etc.), ou uma doação vinda de uma empresa, tanto em produtos quanto em dinheiro; Cultura – relacionamento que envolveu oferta de ingressos para espetáculos, aulas de música, teatro, dança, etc., aos assistidos; Cidadania e Direitos – relacionamento que viabilizou a oferta de apoio aos direitos dos cidadãos; 137 Educação – relacionamento que viabilizou algum processo educacional, tanto aos assistidos quando aos educadores e demais profissionais da ARCO; Lazer – relacionamento que permitiu a oferta de atividades de lazer aos assistidos, como passeios a parques e praças, viagens à praia, etc.; Legal – relacionamento que permitiu oferecer algum tipo de ajuda aos que precisaram de apoio jurídico, como emissão de documentos, recuperação de guarda de filhos, divórcio, auxílio a presos, etc.; Saúde – relacionamento com órgãos de saúde, acompanhamentos da Saúde da Família, postos de saúde, hospitais públicos, etc.; Segurança – relacionamentos com órgãos de segurança pública, como Polícia Militar, Civil, que, de alguma maneira tiveram envolvimento com ARCO. Os resultados explicitados no Gráfico 40 mostram que os relacionamentos considerados de assistência ainda são os mais expressivos, em quantidade, mesmo com uma redução de 158 (75%) em 2011 para 89 (67%) em 2012, consequência do menor número de empresas que realizaram doações diversas. Também diminuiu o número de projetos de Educação, mais uma vez resultado da redução dos patrocínios a projetos dessa modalidade. 138 Gráfico 40 Relacionamentos com Instituições – por tipo de relacionamento com a ARCO/ano Tipo do relacionamento com a ARCO 80,0% 70,0% 60,0% 50,0% 40,0% 30,0% 20,0% 10,0% 0,0% 75,2% 67% 10,0% 12% 4,8% 4% 1,4% 2% 1,4% 2011 1% 2,4% 6% 0,0% 1% 4,3% 7% 0,5% 0% 2012 Fonte: Elaboração da autora Relação contratual ou informal O relacionamento agora foi dividido por tipo de contrato que é celebrado (Gráfico 41). A formalização acontece quando envolvem compromissos financeiros, como os convênios celebrados com órgãos públicos ou projetos patrocinados por empresas ou ONGs. Os resultados demonstram aumentou somente um relacionamento contratual de 9 em 2011 para 10 em 2012. A maioria dos contratos formais é assinada com entidades governamentais, o que ratifica a análise do balanço, que demonstra maior número de convênios com a Prefeitura Municipal de São Paulo e projetos com o Fundo Municipal da Criança e Adolescente (este caso, embora sejam doações de empresas, o processo é realizado através do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, não havendo contratação via empresas). 139 Gráfico 41 Relacionamentos com Instituições – contratual ou não com a ARCO/ano Relacionamento Contratual 120% 100% 96% 93% 80% NÃO 60% SIM 40% 20% 7% 4% 0% 2011 2012 Fonte: Elaboração da autora Frequência do relacionamento Analisar a frequência do relacionamento permite identificar o quanto a rede à qual a ARCO pertence é dinâmica. Pelo gráfico 42 verifica-se que a maioria dos relacionamentos é esporádica (70% em 2011 e 62% em 2012), que ocorrem sem datas específicas. Os relacionamentos mensais, os mais frequentes, foram de 16% em 2011 para 22% em 2012, embora unitariamente o número tenha caído de 33 em 2011 para 30 em 2012. Os números que mais se alteraram foram os relativos aos relacionamentos esporádicos, que caíram de 70% (147) em 2011 para 62% (85) em 2012. 140 Gráfico 42 Frequência dos relacionamentos Frequência do relacionamento 80,0% 70,0% 70,0% 62,0% 60,0% 50,0% 2011 40,0% 2012 30,0% 21,9% 20,0% 10,0% 15,7% 9,0% 8,0% 3,3% 5,1% 1,0% 1,5% 1,0% 1,5% 0,0% Anual Semestral Trimestral Bimestral Mensal Esporádica Fonte: Elaboração da autora Periodicidade do relacionamento Analisar a periodicidade dos relacionamentos permite se eles ocorrem somente uma vez ou se eles se repetem ao longo dos anos. Quanto mais recorrentes, maior a indicação que os relacionamentos são duradouros. Nesse sentido, pode-se afirmar que a ARCO melhorou a qualidade de seus relacionamentos (Gráfico 43), uma vez que aumentou o percentual dos recorrentes, indo de 25% (54) em 2011 para 53% (73) em 2012. Esse resultado confirma que, apesar de o número de empresas e ONGs ter diminuído em 2012, foram mantidos os relacionamentos duradouros, o que indica que melhorou a qualidade das relações. 141 Gráfico 43 Periodicidade dos relacionamentos Periodicidade do relacionamento 80,0% 74,3% 70,0% 60,0% 53,3% 46,7% 50,0% Eventual 40,0% 30,0% Recorrente 25,7% 20,0% 10,0% 0,0% 2011 2012 Fonte: Elaboração da autora Instâncias governamentais Analisar a instância do relacionamento permite identificar o quanto a rede à qual a ARCO pertence está inserida em estruturas governamentais e em que nível de governo se dá o relacionamento. Foram desconsideradas as fontes das outras instituições com quem a ARCO tenha relacionamento, por exemplo, abrigos, que em geral são mantidos por convênios com o município, mas na rede em análise eles são relacionamentos do tipo ONG ou Religioso, porque sua relação com a ARCO é informal e não contratual. Os resultados expressos no gráfico 44 demonstram que o município é a instância onde se estabelecem o maior número de relacionamentos (77% em 2012), o que confirma a descentralização das políticas públicas. 142 Gráfico 44 Instância dos relacionamentos Instância de governo 90,0% 80,0% 77,1% 70,5% 70,0% 60,0% 50,0% 2011 40,0% 27,3% 30,0% 2012 22,9% 20,0% 10,0% 2,3% 0,0% 0,0% Municipal Estadual Federal Fonte: Elaboração da autora Troca de recursos financeiros Analisar a Troca ou não de recursos financeiros permite verificar se a rede apoia financeiramente seus participantes. Os resultados demonstram (gráfico 45) que o número de instituições com quem a ARCO trocou recursos em 2012 (21) foi praticamente o mesmo que em 2011 (20). Ao avaliar o tipo de organização com quem esse recurso é trocado, aqueles cuja origem é a Prefeitura (Convênios – 3 e projetos com FUMCAD – 2), Repasses de Empresas (8) e ONGs (6), não se alteraram. Houve somente um repasse adicional de uma Fundação em 2012, aumentando o número para 2. 143 Gráfico 45 Troca de Recursos dos relacionamentos Troca de recursos financeiros 9 8 8 8 7 6 6 5 6 5 5 2011 4 2012 3 2 2 1 1 0 Empresa Fundação Governo ONG Fonte: Elaboração da autora Verifica-se que o número de parceiros pessoas físicas registrou um aumento considerável de 2011 para 2012, de 124%, demonstrando o quanto a indicação pessoal contribui para expandir a rede de relacionamentos. O número de parceiros empresariais e ONGs diminuiu 55% de 2011 para 2012, mas aumentou em qualidade, uma vez que os relacionamentos recorrentes foram de 25% para 73% no mesmo período, confirmando que a rede é flexível, dinâmica e, com o passar do tempo, os laços que não são de interesse mútuo se desfazem. A relação com o governo é estável, o número de repasses não se alterou. Mas, pela análise financeira (Etapa 1 deste documento) verificou-se um aumento do número de atendidos de 71% em 2010 nos mesmos convênios, o que denota um fortalecimento dos laços já existentes. É pequena a troca de recursos financeiros se comparada ao total de relacionamentos (9% em 2011 e 15% em 2012), o que demonstra que a rede se estabelece por objetivos comuns, não necessariamente financeiros. 144 Os relacionamentos com governos são, em sua grande maioria, municipais (70% em 2011 e 77% em 2012), confirmando a descentralização da execução das políticas públicas de educação (infantil) e assistência social. A rede sob a perspectiva da ARCO Para complementar a pesquisa quantitativa foram feitas 5 entrevistas com os coordenadores e técnicos da ARCO responsáveis pela realização dos relacionamento com os parceiros. A análise do conteúdo das entrevistas permite apreender a percepção desses funcionários que lidam com as organizações parceiras, permitindo verificar se de fato existe uma rede de relacionamentos. As entrevistas foram transcritas e analisadas considerando as seguintes categorias: 1. A importância da rede e das parcerias 2. As parcerias com instituições governamentais 3. As parcerias com instituições não governamentais 4. Relacionamento com instituições estrangeiras 5. A “ameaça” da escola pública em tempo integral 6. A ARCO faz a diferença? 7. Vale a pena continuar? Trechos das entrevistas que demonstram a opinião ou vivência dos entrevistados com os parceiros são exibidos a seguir. 145 1. A importância da rede e das parcerias Fazer parte de uma rede dá acesso a informações advindas dos diversos setores da sociedade o que aumenta a capacidade da ARCO de realizar seu trabalho com mais eficiência, nesse sentido, a fala dos entrevistados 3 e 5 ilustram esse ponto: “São as parcerias com ONGs, postos de saúde, escolas, CEIs, instituições, comércio local que se soma ao trabalho da ARCO, onde podemos desenvolver ações conjuntas em prol das crianças, adolescentes e famílias.” (Entrevistado 3) “Sim, os contatos são muito importantes, muitas vezes a articulação é mais importante do que o apoio financeiro propriamente dito, a gestão democrática respeitando a comunidade local, o saber ouvir, criando espaços de escuta.” (Entrevistado 5) Embora a rede seja reconhecida como um elemento importante, ainda não é percebida como em pleno funcionamento e mais como um processo em andamento. As falas dos entrevistados 1 e 3 permitem visualizar: “Nos últimos três anos ouve-se falar muito em rede, mas ainda se está tateando, as pessoas ainda não entenderam o que seria a rede. ... Os encontros têm que fazer a rede fluir porque, às vezes é só reunião mesmo, ... mas existe uma vontade muito grande de haver troca de experiências”. (Entrevistado 1) “O relacionamento é bom, pois estamos sempre envolvidos com outras instituições para realização de mobilização em prol da comunidade. Ainda é necessário solidificar o relacionamento com mais instituições, nem todas abrem portas, mas continuamos batendo”. (Entrevistado 3) Outro aspecto importante é o objetivo de se participar da rede, a razão de fazer parte dela, uma vez que tem que ser benéfica para ambos os lados do relacionamento, caso contrário ele não se pereniza. O entrevistado 5 demonstra em sua fala: 146 “Eu acho que não, na verdade a gente está consolidando algumas [parcerias] que já existem. Nesses últimos 2 anos a ARCO acabou diminuindo um pouco o número de parceiros, mas hoje a gente considera como parceiro só quem na verdade tem uma troca, tanto da organização ou do poder público em relação a ARCO ou da ARCO em relação a esse parceiro, ou órgão do poder público. Então acho que hoje a gente consegue selecionar um pouco melhor esses parceiros, também adaptando conforme nossas necessidades, antes a gente aceitava todo mundo como parceiros, “Ótimo, vamos trabalhar juntos”! Hoje não, hoje a gente seleciona um pouco disso, né. Quer ser parceiro, “tá, qual é sua parte qual é a nossa?”. Então é uma questão bilateral, a gente tem que conseguir entender qual o instrumental a gente vai trabalhar, ou o que a gente vai criar de instrumental, pra você receber um dos nossos usuários no seu serviço ou vice-versa, o que vai acontecer pra cada um deles. Então tem diminuído, mas acho que agora com mais qualidade, a gente tem agora realmente quem é necessário pra região ou pro atendimento”. (Entrevistado 5) 2. As parcerias com instituições governamentais Quando se pergunta a relação com instituições governamentais, apesar de todos serem unânimes em reconhecer sua relevância, não há homogeneidade, há bons e maus relacionamentos. Alguns são verdadeiras parcerias, mesmo quando não há troca de recursos financeiros, conforme exemplos dados pelo entrevistado 1: Com a UBS, eles têm um modelo de gestão bem mais próximo da comunidade, eles querem fazer uma visita, têm receio, ouviram falar que é ponto de venda drogas, alguém da ARCO acompanha, ..., as campanhas de vacinação, eles ligam e pedem: podemos fazer a campanha aí?, ..., ..., na caminhada [caminhada anual contra a violência contra a mulher] eles fizeram medição de pressão, eles são muito abertos, a gente faz parte do conselho gestor das 2 UBS, ..., é a rede funcionando de verdade, uma parceria mesmo”. (Entrevistado 1). O CIC SUL [Centro de Integração da Cidadania], eles vêm aqui, usam nosso espaço, fazem tudo na hora, eles emitem segunda via de RG, certidão de nascimento, carteira de trabalho também sai na hora. E é bem legal, porque é um dia que a gente lida com histórias..., um 147 senhor um dia me chamou no portão e perguntou se puxava a ficha policial. Eu entrei lá, sabia que sim, mas perguntei pro policial e ele disse: “fala pra ele só pedir a certidão de nascimento, que não puxa”. Ele entrou, pediu a certidão e na saída ele agradeceu muito, “Muito obrigado, se acontecer alguma coisa comigo, minha família não vai ficar na mão”. (Entrevistado 1). “O SASF – [serviço de assistência social] familiar, que encaminha, discute, pressiona outros órgãos relacionados a direito e cidadania de forma conjunta. As secretarias da Assistência social e secretaria de Educação, encaminham casos para atividades socioeducativas/educação, verificam conjuntamente programas de transferência de renda e oferece convênios que repassam verbas/valores para manter as atividades.” (Entrevistado 5). Nas relações em que há troca de recursos, a questão que incomoda mais é a desconfiança, seguida da mudança frequente de regras e de técnicos. Sobretudo, a opinião é unânime ao afirmar que sem os convênios governamentais, a ARCO não poderia proporcionar o serviço com a qualidade que oferece, nem a tantas crianças. Convênios fazem a diferença, principalmente o financeiro, pra você manter o atendimento. Acho que precisa muito ainda de que esses convênios sejam realmente parceria. Eles falam muito de contrapartida, uma ONG não tem lucro, como vai dar contrapartida? ... O relacionamento é complicado porque é goela abaixo, você tem que fazer e pronto. Por exemplo, a educação infantil, a gente atendia até 6 anos, depois não podia mais atender. Mesmo que a gente esteja a mais de 1 km de distância, não tem conversa, eles não veem a realidade, a gente ouvia, “as mães têm que se virar, vai ter perua”, mas não tem perua pra todo mundo, as peruas não sobem o morro, as mães descem o morro, deixam os filhos e vão trabalhar. Aí, um ano depois eles voltaram atrás e viram que não tinha como não oferecer e conseguimos oferecer pras crianças de novo. Elas vão pro EMEI e depois vêm pra ARCO. No ano que ficamos sem convênio conseguimos manter por conta do prêmio da UNICEF e depois voltou o convênio com a Prefeitura. (Entrevistado 1). Os convênios trazem um resultado financeiro muito positivo, mas referente à transparência e confiança, eu não acredito que exista, especialmente por parte da educação. Não existe uma regra, existe o que eles acham no momento, deixa a gente perdido e inseguro, a gente não sabe o que eles vão pedir. Mesmo dentro da secretaria eles não conversam entre eles... tem mudanças de técnicos, um pede de um jeito, outro de outro, ..., muda bastante de 148 técnicos. Na assistência e no FUMCAD eu tenho mais liberdade até pra trocar informações, posso ligar e fazer perguntas que eles me atendem super bem. Na educação, eles têm um bloqueio, parece que se der uma risada alguma coisa grave vai acontecer, eles são muito sérios. (Entrevistado 2). “O relacionamento é na maioria das vezes para prestação de contas sobre os serviços conveniados com os mesmos. Em relação ao CEI, são realizados por parte da PMSP capacitação de diferentes setores da DRE [Diretoria Regional de Educação] para orientação. Recebemos visitas de supervisão técnica, que na maioria das vezes são visitas de cobrança.‖ (Entrevistado 3). No caso da creche, (CEI), essa parceria, que sempre que troca a pessoa da DRE, eles não se conversam, a gente entrega determinado documento, a outra área não recebe e cobra, essa questão de eles não falarem a mesma língua é difícil... Tem desconfiança, o mais difícil, de uns 2 ou 3 anos pra cá, é a falta de credibilidade, tudo que você fala, numa prestação de contas você percebe o ar da pessoa de que ela está desconfiando de você. Eu sempre acompanho as prestações de contas, e quando você chega lá dentro, dá a impressão que a gente está roubando. Eles falam que estão aqui pra supervisionar o trabalho, mais para orientar, mas estão aqui pra cobrar. Você tem que fazer isso, não é uma relação de confiança. Sem essa parceria a gente não teria pernas pra trabalhar, mas às vezes tem esse contraste. (Entrevistado 3). Todos afirmaram que têm ocorrido mudanças nos convênios, a informatização, a organização do trabalho é bem recebida, conforme se percebe nas falas a seguir: ... ―Mudou bastante, as mudanças geralmente são pra coisas positivas, só que desde que ajude as 2 partes. As regras, as portarias mudam, a gente tem que se adequar, mas em relação à confiança, é difícil”. (Entrevistado 2). “É, melhora em alguns aspectos e piora em outros, infelizmente. De questão de sistematização do trabalho, informatização, melhorou... Mas, têm coisas boas, agora eles chamam mais pra reuniões formativas, eles orientam como fazer as coisas (o leve leite, por exemplo). Eu acho que tudo que senta pra conversar é bom, e antes não tinha esse tipo de conversa”. (Entrevistado 3) 149 “Dá impressão que a gente é aquele primo pobre da prefeitura, né? Você tá lá, você é frente de trabalho e às vezes você é tratada tão mal, tudo bem que se melhorou muita coisa, agora a gente é convidada a participar das reuniões, mas não recebe o mesmo tratamento da rede direta. Você vai numa reunião e você percebe quem é convênio quem é da rede direta, sabe, no tratamento mesmo que é dado. E mesmo quando a gente fala com a rede direta e fala que é da rede indireta, você pode até tentar conversar, tentar entrar, mas não consegue. Você tem 2 olhares, eu não tinha esse olhar, quando eu era da rede direta. Quando vim pra ARCO, percebi essa diferença no tratamento. Estamos todos na mesma causa, porém, tem essa distinção”. (Entrevistado 3) “Tem melhorado, abertura, o espaço de escuta existe, as organizações também criaram essa forma de se organizar, fazer fóruns e tornar então visível essas demandas que antigamente o poder público não conseguia visualizar então agora teve uma grande força em relação a isso. Aí então isso influencia em verbas, na utilização de novos de profissionais, na geração de políticas públicas, então tudo isso acaba sendo uma construção que veio na verdade de baixo pra cima e não mais como era de cima pra baixo como era apenas uma visão, às vezes muito elitista da situação ou de pouco conhecimento dos territórios onde as organizações estavam inseridas. Então essa questão de fóruns, „em defesa da vida‟, „assistência social‟ ou „saúde‟ são muito importantes porque trazem um histórico da região que conseguem chegar com dados estatísticos mais concretos com o poder público e assim pleitear uma política pública”. (Entrevistado 5) No entanto, ainda não é uma política pública, uma vez que cada governo traz suas prioridades e sua forma de trabalhar, conforme explicitado pelo entrevistado 5: “Acho que a cada gestão é diferente, às vezes é fácil o acesso porque tal demanda está muito visível na mídia, ou não, dependendo então de quem está no cargo fazendo a coordenação. Existe uma questão partidária que então atrapalha essa questão, muitos não são da área social, e a gente tem muita dificuldade de passar essa questão, ..., Outro desafio é conseguir caminhar do ponto em que paramos, porque a cada mudança de governo ocorre um retrocesso, porque eles não respeitam o que já foi construído até o momento, então isso é um desafio”. (Entrevistado 5) 150 3. As parceiras com instituições não Governamentais A relação com outras ONGs é de parceria, com diversas experiências positivas. Não há transferência de recursos financeiros, mas há troca de encaminhamentos entre elas, ou de conhecimento específico e de atividades desempenhadas em conjunto. A ajuda mútua ocorre de maneira mais intensa no território, que tem recebido mais apoio nos últimos anos: “A Monte Azul [ONG do bairro vizinho, parceira há mais de 15 anos] faz um trabalho muito eficiente com alcoólatras adultos, então a gente encaminha vários pra lá, o nosso forte aqui é música e informática eles também encaminham pra cá [sem troca de recursos financeiros entre as partes]. (Entrevistado 1) “Tem uma ONG a Novolhar, trabalha com música e jovens, que tem uma estrutura no Bixiga, linda maravilhosa, e eles queriam alguma coisa aqui na zona sul e o que eles falaram, „no Bixiga a oferta é muito grande‟, eles abrem vagas e os cursos ficam lá ao léu e aqui, eles vieram aqui e ficaram apaixonados com o tanto de empenho dos nossos alunos.” (Entrevistado 1). “Tem a Banca Audácia jovem, a Artemísia, a Rede América, que usam nosso espaço e nosso conhecimento do território para fazer atividades deles. Atendidos nossos e deles, eles juntam e fazem um bom trabalho. Eles já trouxeram pra ARCO alunos de um colégio particular, jovens, que ficaram trabalhando aqui um dia com a gente”. (Entrevistado 2). “A ARCO é uma rede mais com as ONGs que estão próximas à gente. Como a caminhada que a gente fez no ano passado, então várias instituições mandaram pessoas pra participar, algumas mais timidamente, outras menos, todas trabalham pela mesma causa, em diferentes lugares, mas tem que expandir muito mais. Troca de experiências é fundamental, fóruns de educação infantil que a gente está junto, tem contato com instituições de outros lugares, contato telefônico, dá dicas, ajuda muito. No ano passado, ano de eleição, os governos participavam mais, mas geralmente, 2 a 3 vezes no ano vem alguém do governo participar”. (Entrevistado 3). “As igrejas são fundamentais para algumas famílias, mesmo em caso de extrema pobreza, ter fé e espaço para compartilhar seus desejos, anseios e frustações é muito importante. 151 Além de ser um aparelho ideológico que condiciona a boa convivência e valores morais, em alguns casos as igrejas contribuem em ações assistencialistas (diferente da proposta da assistência social que é transformação social)”. (Entrevistado 5). A relação com empresas e pessoas físicas é vista de forma muito positiva: “As empresas e pessoas físicas contribuem bastante, a visão das pessoas lá fora quando conhecem a ARCO muda, é automático, „quero ajudar‟, é a credibilidade da ARCO”. (Entrevistado 2). “As empresas por meio de suas ações de responsabilidade social contribuem positivamente com o trabalho, seja divulgando o trabalho ou apoiando financeiramente. Muitas vezes as empresas não sabem como fazer doações ou parcerias, e apresentam um perfil pontual e muitas vezes positivista demais, conseguindo apenas ver o superficial. Mas essa é nossa tarefa, apresentar as questões sociais e as ações já realizadas para o combate da fome, do trabalho infantil etc.” (Entrevistado 5). 4. Relacionamento com instituições estrangeiras A relação com instituições estrangeiras é baseada na confiança, embora, nos últimos anos, esteja mais difícil conseguir recursos externos porque o Brasil passou a ser visto como um país rico. “O relacionamento com outras ONGs é muito bom, é muito rápido, a gente tem muito pouca burocracia. Talvez por ser estrangeira também facilita muito, quando estou lá (no exterior), de mostrar fotos, filmes, eles ajudam, acreditam, apoiam, muitas vezes nem é ONG, é mais comunidades religiosas e muitas escolas querem, faz parte do currículo das escolas da Suíça, mostrar pras crianças pra eles crescendo saberem que o mundo não é só lindo. Mesmo que as autoridades falem lá na Suíça que o Brasil não faz mais parte do terceiro mundo, não precisa mais de ajuda, a gente sabe que a realidade é muito ruim, eu tenho que falar que é terceiro mundo ainda. ... Mas a realidade é que na classe baixa, a maioria ainda é muito carente, pobre mesmo. Hoje esta precisando mais coisas pra convencer eles que realmente precisa. Antigamente todo mundo sabia que tinha crianças nos faróis, pedindo 152 dinheiro, a pobreza. Hoje tem que trabalhar muito mais pra convencer eles que „ gente, não é assim, ainda tem muita pobreza, precisamos muito de ajuda‟. Eles querem só um relatório do que fizemos com o dinheiro, tem confiança, dá menos gasto, eles gostam muito de fotos, da uma ideia da nossa realidade”. (Entrevistado 4). 5. A ameaça da escola pública em tempo integral Ao fazer a pergunta acerca de como os funcionários da ARCO veem a ―ameaça‖ da escola pública em tempo integral, a reação foi unânime: todos riram. Eles afirmam que as escolas públicas próximas estão muito sucateadas, em condições muito precárias, com deficiência na estrutura, professores são insuficientes, não têm laboratórios, muitas crianças na sala de aula. As falas a seguir demonstram essa incredulidade: “A escola em tempo integral é tão distante, a escola pública não tem nem vagas pra todas as crianças, como vai ser em tempo integral? Se acontecer a ARCO vai refletir e ver como vai continuar o atendimento. Talvez mudar o trabalho com adultos, por exemplo. Mas hoje as escolas que encaminham pra gente, pra atendimento psicopedagógico, psicóloga. A parceria não existe, é muito fechada. A gente sempre tenta, mas as portas estão quase sempre fechadas pra nós. A gente exige que nossas crianças estejam matriculadas na escola, senão elas abandonariam a escola e ficariam só na ARCO, eles não veem que nós estamos do lado deles e não contra.”. (Entrevistado 1). “Estão criando creches, mas a demanda ainda é muito grande. A gente atende crianças que não são só daqui, a gente atende crianças da Vila Gilda, do Ipava, a fila é muito grande. Ao mesmo tempo é um trabalho contraditório, na sala onde hoje eu tenho 24 crianças, eles queriam colocar 50. É um depósito pra eles colocarem crianças e falar „aumentei o número de crianças‟. Mas, em relação às construções, vejo que mesmo construindo, vejo espaço na região para umas 3 creches, tem muita criança”. (Entrevistado 3). ―Hoje a escola pública não tem atendimento que nem a ARCO, a qualidade não mudou praticamente nada lá. Hoje tem muitas crianças fora da escola pública, nem tanto na 1ª e 2ª séries. A partir da 3ª séria muitos abandonam porque eles se recusam de ir pra escola, os pais não tem controle sobre os filhos, e por outro lado nem pode culpar a educação que os 153 pais dão pros filhos, até a criança percebe isso que não aprende nada e não quer mais ir. Aí acontece também que eles saem depois não consegue mais vaga, é uma burocracia se uma família muda perde o ano inteiro atrás de vaga. Aí os pais têm que correr atrás, senão não consegue vaga. Até hoje muitos pais são quase analfabetos, eles não valorizam a escola. Nossa luta é mudar essa realidade, desde o começo da ARCO. Então hoje a gente obriga as crianças estarem matriculadas pra poder frequentar a ARCO, o projeto “lendo e escrevendo” ajuda a escola pública. Eles vão pra frente, aí acontece que abandonam, chegam nos 12, 13 anos eles querem começar a ganhar dinheiro, vão fazer bicos. Tem 5 horas de aula, né?! Quando você me pergunta se é uma ameaça a escola pública em tempo integral, elas ficarem mais 4, 5 horas fazendo as coisas que fazem lá hoje, não acredito mesmo.” (Entrevistado 4). “Não, primeiro porque essa política não chegou ate o território, por uma questão de espaço, por uma questão de profissionais que queiram atuar nessa região, porque existe um índice grande de Vulnerabilidade Social, a gente tem hoje IPVS 6, altíssima vulnerabilidade social, então a busca de profissionais é complicada, às vezes existem os equipamentos públicos mas que não possuem profissionais. Você tem o CEU que é fantástico, mas não tem professor, ... não acho que isso vá atrapalhar, a gente não quer competir com a escola pública, a escola formal tem um perfil de trabalhar alguns conteúdos diferente dos nossos, os nossos são socioeducação, tem uma questão de formação para a cidadania, tem uma visão um pouco mais ampla em relação do que é ser, crescer fazer e conviver, que é a formação pessoal e social mesmo. Mesmo que seja em período integral, a gente vai se organizar pra oferecer outro tipo de atividade, porque não talvez uma parceria um pouco mais próxima com as escolas, que são tão fechadas, um sistema muito engessado, muitas vezes não reconhecem o entorno da escola, não conhecem a comunidade, não permitem que ela faça essa entrada. A gente tem sim escolas que são da região que reconhecem nosso trabalho e outras que não reconhecem e até nos veem como ameaça, porque as crianças e adolescente gostam das atividades que fazem no nosso espaço e não gostam do sistema da escola pública.” (Entrevistado 4). 154 6. A ARCO faz a diferença? A resposta a esta pergunta foi interpretada de duas maneiras: alguns entrevistados viram a ARCO como diferencial em relação às outras ONGs, porque oferecem mais serviços aos assistidos, aproximam as famílias das atividades da instituição. Outros olharam sob a ótica das crianças, dizendo que veem o resultado de seu trabalho em muitos adultos que passaram por lá e hoje são profissionais, pais de família. A fala de cada um deles foi replicada a seguir: “A gente faz toda a diferença, a gente tem vários cabeleireiros, que fizeram a formação aqui dentro, tem alguns que estão se formando, tem 2 que fazem direito com o M. [um coordenador da ARCO], um é filho de um que está preso, fez o ENEM e está bem. Acho que a ARCO tem que trabalhar pra conseguir mensurar isso, não dá pra dizer que eu sei, temos que de alguma forma mensurar isso. O acolhimento, é eles se sentirem respeitados, e o que a gente faz aqui, toda criança e adolescente pode fazer alguma coisa pra se sobressair. Quem está com todas as dificuldades na escola, a criança consegue estar numa apresentação com 300 pessoas assistindo numa boa e depois a gente fala “você não é a burra que te falaram que você é, você consegue!”A gente tenta olhar o individual, as características de cada um., ..., as pessoas se sentem muito acolhidas, ..., a gente tenta fazer um atendimento digno, decente, eles estão acostumadas a levar porta na cara...”. (Entrevistado 1). “Faz: a ARCO atende não só as crianças, mas também as famílias da comunidade, com eventos socioculturais, ..., vejo diferença no comportamento das crianças. Os jovens, por exemplo, do CJ, se desligar da ARCO para eles é muito difícil, tem que dar espaço para outros jovens. Eles sempre voltam nos eventos”. (Entrevistado 2). A ARCO faz a diferença, quando eu vim pra cá, fiquei maravilhada. Eu já trabalhei em outras ONGs, mas não se via articulação, a ARCO tem. Trabalhar com as famílias, fazer as famílias participarem da ARCO, vejo como um diferencial”. (Entrevistado 3). “Vejo muita mudança no sentido de que eu consigo agora enxergar e ver os resultados. Não é como a gente esperava, 15 ou 20 anos atrás, nunca são todos que a gente consegue, mas hoje eu vejo, que muitas crianças que hoje são adultas , que passaram pela ARCO e que hoje traz seus filhos pra ARCO. Uma mãe, por exemplo, na época tinha 7 filhos na ARCO, 155 hoje, já adultos, todos passaram pela ARCO, hoje trazem os filhos pra ARCO. Eles falam com muito carinho do tempo que passaram aqui. Muitos jovens que passaram, falam de coisas que aconteceram, é muito gostoso de ouvir „Eu me lembro de quando você me ensinou como eu precisava comer com garfo e faca, eu não sabia por que em casa só tinha colher‟ e coisinhas assim, que ficaram com eles. Com certeza você pensa que isso já foi pra frente, essas crianças viraram multiplicadores.” (Entrevistado 4). “Acho que o perfil do trabalho social vem mudando com os anos, a gente consegue sim enxergar que essa ampliação de visão de mundo que a gente oferece pras crianças tem um resultado, é uma sementinha que a gente planta em cada criança que vai ao futuro germinar, ou não, né, também existe a possibilidade de não acontecer, mas, ainda assim a gente continua acreditando e colocando a sementinha.” (Entrevistado 5). 7. Vale a pena continuar? A pergunta foi feita com a intenção de forçar uma reflexão acerca do trabalho que cada um faz hoje na ARCO. As falas de dois deles foram replicadas a seguir, embora todos tenham sido unânimes em afirmar que vale a pena continuar: Eu ia ficar meio ano e agora são quase vinte anos, com certeza vale a pena... Quando estou na Suíça, sempre muitas vezes vem a pergunta: mas são 600 crianças hoje, quantas crianças têm em São Paulo e no Brasil que precisariam de ajuda? Isso não é só uma gotinha numa pedra quente? Aí eu falo, sim, mas só essa gotinha já não vale a pena? Claro que vale! Cada um de nós faz o que pode, ajuda e trabalha como pode... Eu penso assim, se cada um faz a sua parte, o mundo ia ser melhor. (Entrevistado 4) “Sim, acho que sim, acho que tem muito por fazer, cada época tem uma questão social diferente a ser enfrentada, às vezes é o tráfico, às vezes são questões de direitos humanos, algumas vezes relacionadas à própria cidadania, a dificuldade de acesso aos serviços públicos, essa garantia de direitos às vezes não acontece, mas a gente tem alguns casos que posso considerar de sucesso, alguns conseguem ampliar sua visão de mundo, conseguem cursar uma universidade, mesmo vindo da periferia, da favela quebrando o ciclo de violência. ... Acho que vale a pena continuar, a comunidade precisa ainda da gente, nosso sonhe é não existir, a ideia é que seria um sonho que as ONGs não existissem 156 porque aí significaria que o poder público está dando conta das demandas que estão sendo apresentadas pela comunidade. ... a gente acaba sendo um braço do poder público, em alguma situações quando a gente tem convenio, ou em outras situações quando estão fechados os olhos do governo, a gente acaba então sendo esse alerta, essa visão um pouco diferente, em relação ao emergencial, em relação à violência, porque a gente consegue visualizar quais são as soluções pra cada situação, especialmente na mediação de conflitos.” (Entrevistado 5) Na análise da rede surgiram alguns elementos importantes para reflexão, tais como o número de doadores pessoas físicas que aumentou consideravelmente de 2011 para 2012, os doadores pessoas físicas e jurídicas complementam as receitas, dando à organização oportunidade de realizar projetos não previstos nos convênios e que trazem benefícios ao público assistidos e à comunidade. Porém, esses repasses não são regulares, portanto não podem fazer parte do dia a dia. As parcerias são fundamentais para a organização oferecer bons serviços, uma vez que esses relacionamentos permitem expandir a atuação e atender a comunidade de maneira mais ampla, oferecendo novos serviços realizados por parceiros. Os convênios com governos trazem uma estabilidade financeira para a organização, permitindo que o serviço não sofra interrupções. Porém, o relacionamento com serviços governamentais no território não é homogêneo, há unidades (como a Saúde, por exemplo) que fazem com que relacionamento flua e seja criado um vínculo de confiança, enquanto que outros são muito distantes e as portas não se abrem para a parceria (algumas escolas públicas, por exemplo). A rede passa por um processo de consolidação, onde a ARCO está revendo os relacionamentos que sejam recíprocos, e, por serem bilaterais, trazem benefícios ao público assistido de ambos os parceiros. Isto demonstra que as redes são não lineares, podem se expandir e se contrair conforme a manutenção dos laços seja interessante para seus nós. O território delimitado facilita o estabelecimento e manutenção das redes de confiança, o que se confirmou na prática através das entrevistas dos funcionários da ARCO. 157 A rede é resultado interações descentralizadas entre indivíduos e/ou organizações e ocorre de forma informal nos casos em que não há troca de recursos financeiros. No caso de repasse de recursos financeiros, a rede não é espontânea, o relacionamento decorre de uma relação de poder por parte do governo que realiza o repasse, embora ainda faça sentido para ambos os nós manter o vínculo. 158 CONSIDERAÇÕES FINAIS A Constituição Federal de 1988 foi um marco na maneira como o Estado brasileiro aborda a questão social. A cidadania e a dignidade estão definidas nela como princípios fundamentais, juntamente com um dos objetivos que é ―erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais‖ (artigo 3º). Passaram a ser ―direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados‖ (artigo 6º). A luta da sociedade para tornar real o direito de exercer a cidadania tem levado a avanços, ainda que gradativamente. Aqueles que não conseguem exercê-la tornam-se excluídos socialmente. E a forma mais primária de exclusão é a carência socioeconômica, que impede o indivíduo de ter acesso a condições mínimas de uma vida com dignidade. Os governos têm realizado mudanças nas políticas sociais com o objetivo de tornar realidade o exercício da cidadania plena, ajustando e descentralizando a execução de diversas políticas, dentre elas a de Educação e de Assistência Social. A execução de parte dessas políticas ocorreu, principalmente através de parcerias com organizações não governamentais, que com o passar dos anos, foram formando redes de relacionamento, resultado da interação entre governos, empresas, indivíduos e sociedade civil. As parcerias, de algum modo, contribuíram para estruturar e fortalecer redes de relacionamento, permitindo compreender a realidade de uma organização social, a ARCO Associação Beneficente, que atende uma comunidade da periferia da zona sul da cidade de São Paulo, e suas articulações. A organização atua em local de posse irregular e realiza um atendimento muito próximo à comunidade. Esta proximidade traz uma interação que gera uma relação de confiança mútua, e a instituição acaba tornando-se o meio utilizado pelos moradores para enfrentar diversos outros problemas que vão além do atendimento a crianças e adolescentes. 159 A articulação faz com que a integração com os moradores da comunidade e os profissionais da organização não governamental acelere o entendimento das especificidades, auxiliando na oferta de soluções ajustadas ao território. Esse mesmo ponto levou a ARCO a desenvolver novas parcerias com órgãos públicos e privados no território, ampliando sua rede de relacionamento. Outro aspecto além da articulação é a informalidade, que está presente no dia a dia da organização e aparece em falas de alguns dos entrevistados. Não é uma situação com a qual a organização goste de conviver, uma vez que estabelece limites para esta questão. Há uma exigência de que só podem frequentar o CCA e CJ aqueles que estejam devidamente matriculados na escola pública, como uma tentativa de contribuir para a redução da evasão escolar, apontada pelos entrevistados como uma realidade da comunidade. Portanto, apesar da informalidade ser reconhecida como necessária, ela não é uma situação desejada pela organização. Por fim, a questão da representatividade da ARCO junto à comunidade, se materializa na prática, ou seja, funcionários da entidade são interlocutores das demandas da comunidade, ao participarem de fóruns de discussão e de conselhos gestores das UBS vizinhas. A estruturação da rede de relacionamentos também se confirmou, pois diversas parcerias, formais e informais, se estabeleceram conforme a necessidade de tratar casos especiais, ou de reivindicar melhorias para a comunidade. Porém, salienta-se que a rede não é homogênea, há relacionamentos informais e formais que funcionam bem, enquanto que outros têm ruído na comunicação, ou sobrecarregam uma das partes da parceria. Neste último caso, o que ocorreu com a ARCO foi uma redução de suas parcerias com o intuito de manter somente as que traziam reciprocidade. Outro elemento que merece atenção nas parcerias com instituições governamentais, especialmente as municipais, são os repasses de recursos para a ARCO. Quando o governo estabelece a parceria, vinculando-se a uma organização social, esta dá um salto, tanto em quantidade quanto em qualidade do serviço que oferece. Isto pode ser observado no caso da ARCO, que adquiriu estabilidade 160 financeira, possibilitando seu crescimento a realização de um trabalho sem interrupções. Porém, esta parceria, apesar da sua importância para a instituição, possui implicações que nem sempre são positivas, podendo existir dificuldades na relação entre técnicos do órgão público e os da ARCO. Esta relação se caracteriza por certa desconfiança o que acarreta uma relação sem reciprocidade, fazendo com que o órgão público imponha sua vontade e não reconheça o parceiro como passível de fazer contribuições. A rede de relacionamento entre as entidades governamentais, organizações sociais, indivíduos e empresas tem conseguido modificar pouco a realidade da comunidade. Há dois bairros vizinhos, um com uma ONG muito antiga, a Horizonte Azul, que conseguiu melhorias e serviços do Estado há mais tempo que o Jardim Aracati. E o outro, o Jardim Ipava (ou Cidade Ipava) que não tem ONGs, mas que também conseguiu melhorias recentes. O fato é que o Jardim Aracati onde está situada a ARCO é uma área de manancial e, como tal, os governos nem sempre podem fazer melhorias no bairro, mas também não foram capazes de impedir o adensamento populacional. Assim, o bairro tem uma elevada população, mas sem serviços adequados ao tamanho da população. O apoio de particulares aos projetos e atividades da ARCO é menor do que se poderia esperar para uma região com tantos problemas sociais. Mesmos os projetos do FUMCAD, que são doações de empresas utilizando-se de benefícios fiscais federais, cresceram muito menos que os repasses governamentais. Verificam-se avanços, tanto na Assistência social quanto na Educação, uma vez que aumentaram os serviços oferecidos à comunidade, não só pelo aumento via parceria com a ARCO em 2010, mas também via serviços oferecidos diretamente pelo governo, como EMEI, CEU, SASF, CRAS e UBS. Também se utilizam as instalações da ARCO para oferecerem serviços à comunidade, tais como regularização de documentos, campanhas de vacinação, cadastramento para o Bolsa Família e também são solicitados a realizar visitas em conjunto a famílias com alguma situação especial, o que configura a rede em funcionamento. 161 Mesmo uma oferta maior de serviços à comunidade não têm sido suficientes para viabilizar o acesso a uma vida digna. Mesmo com os avanços dos últimos anos, a região ainda é um território de grandes carências, não há luz nas ruas, o asfalto, nas poucas ruas asfaltadas, é precário e cheio de buracos, muitas crianças e jovens nas ruas, sem alternativa de lazer e cultura e os equipamentos públicos tem déficit de funcionários. Ou a cidadania é um caminho de duas mãos, onde o indivíduo também tem que desempenhar um papel para que ela se realize? O presente trabalho procurou discutir as parcerias entre organizações da sociedade civil e governos. Apesar da contribuição deste trabalho, ele tem limitações, uma vez que existem questões que merecem ser aprofundadas, como por exemplo, realizar pesquisas com parceiros da ARCO, governamentais e privados, para averiguar a qualidade da parceria. Adicionalmente, confirmar a qualidade dos nós se interconectando, investigando se casos atendidos em parceria tiveram aprovação dos assistidos. Outra limitação a destacar é o estudo de apenas uma rede de uma comunidade. Comparar a ARCO com outras organizações não governamentais, que oferecem serviços similares (educação e assistência), para verificar as semelhanças e diferenças na configuração de redes de relacionamento. Sugere-se ainda um estudo sobre as lideranças da comunidade. 162 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRUCIO, Fernando Luiz. A coordenação federativa no Brasil: a experiência do período FHC e os desafios do governo Lula. Rev. Sociol. Polit., Curitiba, n. 24, jun. 2005 . 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Porto Alegre: Bookman, 2001. 175 ANEXOS Moeda Corrente ANEXO I – Balanços patrimoniais da ARCO de 2003 a 2011 176 Receitas 177 Despesas 178 Data da visita ___ / ___ / ___ (___) (___) (___) Creche CCA CJ Nome ____________________________________________ de Ano ______até Ano________ Nome ____________________________________________ de Ano ______até Ano_______ Nome ____________________________________________ de Ano _______até Ano______ Se sim, por quais programas, projetos ou atividades? Alguém da família já passou pela ARCO? (___) O que mais a ARCO pode fazer pela comunidade? ____________________________________________________________________ O que os estrangeiros vem fazer na ARCO?__________________________Sabe por quê?____________________________________ A ARCO já atrapalhou ou incomodou em alguma coisa?_______________________________________________________________ A ARCO já o ajudou você ou sua família em alguma coisa?____________________________________________________________ Quem coordena a ARCO?_______________________________________________________________________________________ Quem financia a ARCO?________________________________________________________________________________________ Conhece a ARCO? (___) O que faz a ARCO? ______________________________________________________________________ 1. A ARCO Nome do(a) entrevistado(a)___________________________________________________________ Nome dos entrevistadores____________________________________________________________ Questionário Socioeconômico-Cultural 2010 ANEXO II – Questionário aplicado pela ARCO em 2010/2011 179 Por quê? _________________________________________________________________ (___) (___) (___) Participa dos eventos que acontecem na ARCO? (___) Compra roupas e móveis nos bazares? Usou a enfermaria da ARCO? Solicitou documentos pela ARCO? Quais? ________________________________________________________________________________________ Quando?___________________________________________________________ Por quê?___________________________________________________________ Por quê? __________________________________________________________ Quando?__________________________________________________________ Responsável pela família _____________________________________________________ 2. Características familiares _________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________ O que seu filho, que participou alguns anos da ARCO, aprendeu lá?____________________________________________________________________ Existem diferenças entre ARCO e a sua escola pública?(___) Quais?___________________________________________________________________ Outros serviços (___) (___) Quando?______________________________ Já trabalhou na ARCO como CLT? Quais? ___________________ (___) Quando?__________________________________________________________ Desde que ano?________________________________________________________________ Fez pequenos serviços para a ARCO? (___) Usa a biblioteca? De Ano________________________até Ano________________________________________ (___) (___) Colcha de retalho Nome ____________________________________________ de Ano ______até Ano________ Trabalhou na ARCO como voluntário? (___) Oficinas aos sábados 180 Carteira Vacinação (___) Moradores. No caso dos que ainda estão estudando, por a série e o nome da escola, para a renda, mesmo informal, estimar um valor mensal. 4. Benefícios / Renda Tem crianças da família na Fundação Casa? (___) Quantas? (___) Tem crianças da família em Abrigo? (___) Quantas? (___) Tem alguém da família prestando serviços comunitários? (___) Tem alguém da família em liberdade assistida? (___) Se sim, qual o grau de parentesco? ____________ Qual a previsão de sair? _______________ Tem algum preso na família? (___) Os documentos da família estão em ordem? CPF (_____) RG (_____) Certidões nascimento (_____) Carteira motorista (_____) 3. Situação legal Quando algum membro da família fica doente, você o encaminha para qual UBS? __________________________________________________ Tempo de moradia no Bairro _____________________ (anos ou meses) Tempo de moradia em São Paulo ____________________ (anos ou meses) Cidade de Origem ___________________________________________ Celular ______________________________ Recado com ___________________________ Bairro ____________________________________________________ Tel. _____________ Endereço __________________________________________________________________ Responsável financeiro da família_______________________________________________ 181 Parentesco __/__/____ __/__/____ __/__/____ __/__/____ __/__/____ __/__/____ __/__/____ __/__/____ Data Nascimento Ocupação profissional Como aprendeu esta profissão? Curso profissional ou na prática? Renda Mensal Sexo Escolaridade Participa de algum Programa do Governo ou recebe algum benefício social? Número de Identificação Social (NIS) ______________________________ Nome 182 Valor________ (___) Beneficio por deficiência ou invalidez - Item Aluguel Prestações de moradia como casa ou terreno Prestações de compras (carões de créditos) Alimentação Água Luz Gás Telefone fixo Celular Transporte (ônibus e escolar) Remédios Roupas Sapatos Material escolar Material curso Outras despesas 5. Despesas mensais Valor Valor________ Valor________ (___) AÇÃO JOVEM - (___) Aposentadoria - (___) BPC - Valor________ (___) BOLSA ALIMENTAÇÃO - Valor________ Valor________ (___) PENSÃO ALIMENTÍCIA - Valor________ Valor________ (___) OUTROS Quais? _________________________________ Valores__________________ (___) Auxílio preso - (___) AUXÍLIO DOENÇA - Valor________ (___) RENDA MÍNIMA - Valor________ (___) RENDA CIDADÃ - - Valor________ (___) VALE GÁS Valor________ (___) BOLSA ESCOLA - (___) BOLSA FAMÍLIA - Valor________ Valor________ (___) PETI - 183 (___) (___) (___) Cedida (___) (___) (___) (___) (___) (___) Alugada (___) Poço Não tem (___) (___) Própria (___) Banheiro Tábua (___) A céu aberto Documento de compra e venda em seu nome? Camas Madeira (___) Fossa Clandestina Clandestina Terra Fogão (_____) Geladeira (_____) Televisão (_____) Videocassete / DVD (_____) _______________________________________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________________________________________ Quais e quantos dos itens abaixo tem na casa? (___) (___) Outros materiais (___) (___) Em nome do ex-dono? (___) (___) (___) Não tem Observações da casa _____________________________________________________________________________________________________________ A sua casa possui escritura ou outro documento? Número de Cômodos Tipo de construção Alvenaria Esgoto Destino dos dejetos (___) (___) Tratada/SABESP Água Tipo de moradia Invasão (___) Pavimentada/Com asfalto (___) Energia elétrica Eletropaulo Condições da Rua 6. Características da residência TOTAL 184 (_____) (_____) (_____) Microcomputador Telefone fixo Moto (_____) Bicicletas Carro regular Maquina fotográfica Acesso à Internet (_____) (_____) (_____) (_____) Rádio Carro irregular MP3 -4 -10 Mesas/Cadeiras (_____) Por quê? __________________________ (_____) (_____) (_____) Qual? __________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________ O que estaria disposta (o) a fazer para mudar? ________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________ O que mais a (o) incomoda em sua vida hoje?_________________________________________________________________________________________ Gostaria de fazer algum curso de capacitação profissional? (___) Se pretenderem sair, para onde iriam? ______________________ Quando? _________________ Por que querem sair daqui?______________________ Pretendem continuar morando na região? (___) 8. Expectativas, planos para o Futuro (___) Religião. Qual _______________________________________________________________________________________ (___) Lazer. Quais ________________________________________________________________________________________ (___) Culturais. Quais ______________________________________________________________________________________ (___) Esportivas. Quais _____________________________________________________________________________________ Os moradores participam de atividades culturais, esportivas e de lazer? (_____) Telefone celular(_____) Laptop Máquina Lavar Roupa/Tanquinho 7. Atividades culturais, esportivas e de lazer (_____) Microondas 185 ______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________ 9. Observações gerais dos entrevistadores Voluntariamente ou somente remunerada?__________________________________________________________________________________________ Quantas horas na semana e em que horário?_________________________________________________________________________________________ Tem disponibilidade de tempo para se dedicar a alguma atividade? _______________________________________________________________________ 186 187 ANEXO III – Distância dos principais serviços Analisar a distância física entre a ARCO os diversos serviços permite verificar se há necessidade de grandes deslocamentos para que um cidadão possa receber o serviço esperado. Todas as distâncias foram calculadas tendo a localização geográfica da ARCO como origem e a localização do serviço público como destino. Foi considerada a menor distância informada pelo Google Maps. Foi investigada a distância dos serviços mais importantes como Educação, Saúde, Legal, Segurança, Assistência e Cultura e Lazer. Diversos serviços são utilizados para encaminhamentos de famílias assistidas que tenham necessidade levando a um acompanhamento em conjunto de alguns casos especiais. Em outros casos, é a própria população que se utiliza dos serviços diretamente, como escolas de educação infantil (EMEI), ensino fundamental e médio, postos de saúde, bancos, etc. Não se pretende com esse estudo esgotar todos os serviços necessários aos cidadãos, somente ilustrar a dificuldade, ou não, da população local, de utilizá-los. Educação Ao avaliar os serviços de educação que estão no quadro a seguir, é possível verificar que há duas escolas estaduais, que oferecem vagas para alunos do ensino Fundamental I ao Médio que se localizam muito próximas da comunidade, a menos de 1 km da ARCO. Outra escola de educação infantil que, como a ARCO, oferece educação para crianças de 1 a 5 anos, é a Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Maria Clara Machado, que fica a 3,1km da comunidade. No site das Secretarias Estadual e Municipal da Educação de São Paulo, as escolas estaduais informam que há educação de jovens e adultos, porém não especifica se há vagas para todos. Há somente uma escola de ensino fundamental, mas que pode ser suprida pelas escolas estaduais, que, ainda segundo o site da secretaria estadual, oferecem ensino fundamental I também. O Centro de Educação Unificado (CEU) mais próximo está a 5,6 km de distância. 188 Distância dos serviços de Educação Organização Instância Dist Km Escola Estadual Jardim Aracati II Estadual 0,7 Escola Estadual Soichi Mabe Estadual 0,9 Escola Municipal de Ensino Fundamental Teresa Margarida Orta Municipal 2,6 Escola Municipal de Educação Infantil Maria Clara Machado Municipal 3,1 Centro Educacional Unificado - CEU Vila do Sol Municipal 5,6 Escola Estadual Profª Amélia Kerr 6,2 Estadual Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos – CIEJA Campo Limpo Municipal 9,8 Escola Municipal Educação Infantil Castro Alves Municipal 21,7 Coordenadoria de Convivência, Participação e Empreendedorismo Social - CONPARES Municipal 31 Fonte: Elaboração da autora Saúde No caso dos serviços de saúde, conforme o quadro a seguir, há uma unidade básica de saúde bem próxima da comunidade, a 800m da ARCO, que também conta com um Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). Outra UBS, um pouco mais distante, mas ainda assim bastante próxima, a 1600m. Há um grande hospital na região, o Hospital do M’Boi Mirim, inaugurado em 2008, que fica a 6,1Km da comunidade. Há um CAPS a 2,3Km, os demais ficam mais distantes. A AMA Especialidades mais próxima fica a 10,1Km. 189 Distância dos serviços de Saúde Organização Dist Km Núcleo de Apoio à Saúde das Famílias Jd. Aracati - NASF 0,8 Unidade Básica de Saúde Jardim Aracati - UBS 0,8 Unidade Básica de Saúde Cidade Ipava - UBS 1,5 Nucleo de estudos SASF II Ipava 1,6 Unidade Básica de Saúde VILA CALU 3,3 Atendimento Médico Ambulatorial - AMA PQ. NOVO SANTO AMARO 4,4 Unidade Básica de Saúde Jardim Vera Cruz - UBS 4,9 Atendimento Médico Ambulatorial - AMA JARDIM CAPELA 5,0 Atendimento Médico Ambulatorial - AMA JD. ANGELA 5,7 Hospital M'Boi Mirim 6,1 Unidade Básica de Saúde HORIZONTE AZUL - UBS 6,8 Atendimento Médico Ambulatorial - AMA PQ. FIGUEIRA GRANDE 6,9 Centro de Atenção Psicossocial Jd Ângela - CAPS 8,2 Atendimento Médico Ambulatorial - AMA JARDIM ALFREDO 9,1 Atendimento Médico Ambulatorial - AMA ESPEC. JD. SÃO LUIS 10,1 Atendimento Médico Ambulatorial - AMA PARQUE SANTO ANTONIO 10,8 Fonte: elaborado Segurança De acordo com informações fornecidas pela Polícia Civil, “o endereço mencionado fica em área circunscricional do 100º DP – Jd. Herculano”, que dista 4,8km da comunidade. O Policiamento Comunitário mais próximo fica a 2,1 km da ARCO e a delegacia mais próxima dista 4,8km. Embora seja uma região de mananciais, fica ao lado da Represa de Guarapiranga, a Polícia Ambiental mais próxima fica a 49,1km. O quadro a seguir demonstra as distâncias. 190 Distância dos serviços de Segurança Organização Dist Km 37º BPM/M 2.CIA PM TERRITORIAL Policiamento Comunitário - Capital 2,1 Pol. Civil - 100º DP Jd. Herculano 4,8 GCM - Inspetoria Regional Campo Limpo – IR-CL 6,5 Pol. Militar - Base Comunitária Jardim Aracati 7,0 GCM - Inspetoria Regional M' Boi Mirim – IR-MB 7,1 Pol. Civil - 1º DP de Itapecerica da Serra 7,7 Corpo de Bombeiros 2.SGB 4.PB 9,6 Pol. Civil - 47º DP - Capão Redondo 9,7 Pol. Civil - 92º DP - Parque Santo Antonio 10,0 1º BPAMB 2.CIA PAMB 1.PEL PAMB - Policiamento Ambiental 49,1 Fonte: Elaboração da autora Assistência Dos serviços de Assistência disponíveis na região, de acordo com o quadro a seguir, o mais próximo é o Serviço de Atendimento Social à Família IPAVA (SASF) que fica a 1,5km, seguido pelo Núcleo de Proteção Psicossocial (NPPE), que fica a 3,3km de distância. O Centro de Referência Especializado de Assistência social (CREAS) mais próximo dista 6,8Km do bairro. O serviço mais distante é a Loja Social, utilizada diariamente por mães que expõem seus produtos através de um convênio com a ARCO, que fica a 31,8Km. 191 Distância dos serviços de Assistência Organização Dist Km Serviço de Atendimento Social à Família Ipava - SASF Jardim Ângela II 1,5 Núcleo Proteção Psicossocial Ângela I - NPPE 3,3 Núcleo Proteção Psicossocial Ângela II - NPPE 5,8 Serviço de Atendimento Social à Família Vera Cruz SASF Jardim Ângela I 5,8 Centro de Referência Especializado de Assistência Social M'Boi Mirim - CREAS 6,8 Centro de Referência de Assistência Social M´Boi Mirim - CRAS 9,3 Rede de Comércio Solidário da Secretaria Municipal de Assistência Social - Loja Social 31,8 Fonte: Elaboração da autora Legal Quanto aos serviços de natureza legal, pode-se dizer que são os mais distantes da comunidade, conforme o quadro a seguir. O mais próximo, o Núcleo de Prática Jurídica Social, oferecido via convênio com uma ONG, fica a 6,5 km. Quanto ao CIC Sul, embora fique a 9,5km, organiza anualmente um mutirão e utiliza as instalações da ARCO para realizar a emissão de documentos como Certidão de nascimento, RG e Carteira de trabalho. O maior problema é a Defensoria pública de Santo Amaro, a 18,2 km que, muitas vezes encaminha pessoas para a Central, que dista 29,1 km. Outro serviço bastante utilizado pelas famílias é o conselho tutelar, que muitas vezes também se desloca para visitas a famílias, sempre que recebe uma denúncia de crianças e jovens em situação irregular ou em risco. 192 Distância dos serviços de natureza Legal Organização Instância Dist Km NPJ - Núcleo de Prática Jurídica Social Municipal 6,5 CIC Sul - Centro de Integração da Cidadania Estadual 9,5 Conselho Tutelar M' Boi Mirim Municipal 10,3 POUPATEMPO Santo Amaro Estadual 15,1 Foro Santo Amaro - Vara da Infância Estadual 17,0 Defensoria Pública Estadual - Santo Amaro Estadual 18,2 Defensoria Pública Estadual - Central Estadual 29,1 Fonte: Elaboração da autora Outros serviços Para Lazer e Esportes, foi encontrado somente o parque de Guarapiranga, que fica 1,8Km de distância. Não foram encontrados centros culturais, teatros ou casas de shows, num raio de 5km. A agência do Banco do Brasil mais próxima fica a 8,3Km da ARCO. O Banco Bradesco tem uma agência mais próxima, a 4,6Km. Para a ARCO, os convênios determinam que o Banco do Brasil seja utilizado para todas as movimentações, sendo também o utilizado pelos funcionários. Quanto ao Transporte, não há linhas de ônibus no entorno da ARCO (Chácara Flórida). O ponto de ônibus mais próximo fica a aproximadamente 25 minutos de caminhada, no Jardim Vera Cruz ou Jardim Aracati. Educação Educação Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Educação Assistência Assistência Assistência Assistência Educação Assistência Assistência Outros Assistência Assistência Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Bimestral Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Anual Esporádica Esporádica Semestral Semestral Semestral Eventual Eventual Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Eventual Eventual Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Empresa ONG ONG ONG ONG ONG ONG ONG ONG ONG Empresa Empresa Federal Empresa Empresa ONG ONG ONG Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Privado Público Público Público Público Público Público Público Público Público Privado Privado Público Privado Privado Público Público Público 2011 2011 2011 2012 2012 2012 2012 2011 2011 2012 2011 2011 2011 2011 2012 2012 2011 2012 Empresa ONG ONG ONG Religiosa Religiosa Religiosa ONG ONG ONG Empresa Empresa Governo Empresa Empresa ONG ONG ONG Contratual Frequência Periodicidade Instância Tipo Ano Tipo Serviço relac. Organização oferecido Categ. Serviço Observação – os nomes dos relacionamentos foram omitidos neste documento. ANEXO I V– Rede de relacionamentos da ARCO em 2011 e 2012 Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não 26,9 6,5 6,5 27 2,3 2,3 35,2 21,4 23,1 23,1 19,3 15 15,7 12,4 22,1 22,1 31,4 Troca Recurso Dist Financeiro Km 193 Público Público Público Público Privado Privado Privado Privado Privado Privado Público Privado Privado Público Privado Privado Privado Comunitário ONG ONG ONG Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Governo Empresa Empresa ONG Empresa Empresa Empresa 2011 2012 2011 2011 2011 2011 2011 2012 2011 2011 2011 2011 2012 2012 2011 2012 2011 Público Público Público Privado Privado Público Público Público Religiosa Religiosa ONG ONG ONG 2011 Comunitário 2011 ONG 2012 ONG 2011 2012 2011 2011 2012 Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Cidadania e direitos Assistência Assistência Cidadania e direitos Cultura Educação Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Segurança Educação Educação Educação Assistência Assistência Assistência Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Sim Sim Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Anual Anual Anual Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Mensal Mensal Recorrente Recorrente Eventual Eventual Recorrente Eventual Recorrente Recorrente Recorrente Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Recorrente Recorrente Eventual Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Não Não Não Sim Sim Comunidade ONG ONG ONG Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Estadual Empresa Empresa ONG Empresa Empresa Empresa Não Não Não Não Não Não Sim Sim Não Não Não Sim Sim Não Não Não Não Comunidade Não ONG Não ONG Não ONG ONG ONG ONG ONG 7 26,1 26,1 5,4 7,4 7,4 15,4 9,6 30,6 18,9 32 26,3 3,3 25,4 25,4 15,1 10,1 13,4 13,4 0,9 0,9 13,9 194 Empresa Empresa ONG ONG Empresa Empresa Empresa Religiosa Empresa Empresa Religiosa ONG Empresa ONG ONG ONG Comunitário Comunitário Governo Governo Fundação Governo Governo Governo Governo Empresa 2012 2011 2011 2012 2011 2012 2011 2011 2011 2011 2011 2011 2011 2011 2011 2011 2011 2012 2012 2012 2012 2011 2012 2011 2012 2011 Público Público Público Público Público Público Público Privado Público Público Público Público Privado Privado Privado Público Público Privado Privado Privado Público Privado Privado Público Público Privado Assistência Assistência Educação Educação Assistência Assistência Assistência Assistência Cultura Assistência Assistência Lazer Assistência Cidadania e direitos Educação Educação Assistência Assistência Saúde Saúde Cultura Assistência Assistência Educação Educação Assistência Não Não Não Não Não Não Não Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Mensal Mensal Mensal Mensal Mensal Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Anual Esporádica Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Recorrente Recorrente Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual ONG ONG ONG Comunidade Comunidade Municipal Municipal Fundação Municipal Municipal Municipal Municipal Empresa Empresa Empresa ONG ONG Empresa Empresa Empresa ONG Empresa Empresa ONG ONG Empresa Não Não Não Não Não Não Não Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não 9,7 31,8 20,1 0,8 0,8 8,2 2,3 31,5 9,3 9,3 5,6 5,6 50,6 1,6 1,6 8,3 8,3 32,2 27,2 26,2 20,1 14,2 68 8,1 15,4 195 2011 2011 2011 2012 2011 2011 2012 2011 2011 2011 2011 2012 2011 2011 2011 2011 2011 2011 2012 2011 2012 2012 2011 2011 2011 2012 2011 ONG Empresa Governo Governo Governo Empresa Empresa Empresa Escola/Clube Escola/Clube Escola/Clube Escola/Clube Governo Governo Religiosa Religiosa Empresa Empresa Governo Governo Governo Governo Governo Empresa Governo Governo Governo Público Privado Público Público Público Privado Privado Privado Privado Privado Privado Privado Público Público Público Público Privado Privado Público Público Público Público Público Privado Público Público Público Assistência Assistência Legal Legal Educação Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Legal Assistência Assistência Legal Legal Assistência Assistência Educação Cultura Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Mensal Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Mensal Mensal Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Mensal Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Recorrente Recorrente Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Recorrente Recorrente Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual ONG Empresa Estadual Estadual Municipal Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Estadual Estadual ONG ONG Empresa Empresa Estadual Municipal Municipal Municipal Municipal Empresa Estadual Municipal Municipal Não Não Não Não Não Sim Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não 7,6 22 16 16 15,5 35,9 19,8 36,2 29,9 400 32 31 31 10,3 10,3 29,6 35,9 31 10,7 9,5 9,5 9,8 16,5 16,5 34,1 196 2011 2011 2011 2012 2011 2012 2011 2012 2012 2011 2011 2011 2011 2012 2011 2011 2011 2011 2012 2011 2011 2012 2011 2012 2012 2011 2012 Empresa Empresa Governo Governo ONG Religiosa Empresa Governo Governo Empresa Religiosa Governo Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Governo Governo Empresa Empresa Empresa Governo Governo Governo Governo Governo Privado Privado Público Público Público Público Privado Público Público Privado Público Público Privado Privado Privado Privado Privado Público Público Privado Privado Privado Público Público Público Público Público Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Legal Legal Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Educação Educação Assistência Educação Educação Educação Educação Educação Educação Educação Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Esporádica Esporádica Mensal Mensal Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Mensal Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Semestral Semestral Esporádica Mensal Mensal Semestral Semestral Semestral Semestral Semestral Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Recorrente Recorrente Recorrente Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Recorrente Recorrente Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Empresa Empresa Municipal Municipal ONG ONG Empresa Estadual Estadual Empresa ONG Estadual Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Municipal Municipal Empresa Empresa Empresa Estadual Estadual Estadual Estadual Estadual Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Sim Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não 0,7 0,7 6,2 0,9 0,9 2,6 2,6 26,6 16,4 31,8 31,8 21,9 2 24,1 29,1 18,2 19,5 9,1 20,7 18,4 18,4 197 Público Público Público Público Público 2012 Rede 2011 Rede 2012 Rede 2012 Rede 2011 Rede Público Público Privado Privado Privado Privado Privado Privado Privado Privado Privado Público Público Público Público Público Público Público Governo Governo Escola/Clube Escola/Clube Escola/Clube Escola/Clube Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Governo Governo Rede Rede Rede Rede 2011 Rede 2011 2012 2011 2012 2011 2012 2011 2012 2011 2012 2011 2011 2012 2011 2012 2011 2012 Educação Educação Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Legal Legal Assistência Assistência Assistência Assistência Cidadania e direitos Cidadania e direitos Cidadania e direitos Cidadania e direitos Cidadania e direitos Cidadania e Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Mensal Mensal Mensal Mensal Mensal Mensal Semestral Esporádica Mensal Mensal Semestral Semestral Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Mensal Mensal Mensal Mensal Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Eventual Eventual Recorrente Recorrente Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Municipal Estadual Municipal Municipal Municipal Municipal Municipal Municipal Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Estadual Estadual Municipal Municipal Municipal Municipal Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não 6,6 27,4 14,1 14,1 6,4 6,4 21,7 3,1 16,6 16,6 25,5 25,5 37,3 37,3 8,8 8,8 34 17 17 31,7 31,7 7,9 7,9 198 Público 2012 Rede Público Privado Privado Privado Privado Privado Privado Privado Privado Privado Privado Privado Público Público Público Público Público Privado Privado Privado Público Privado Público Rede Empresa Empresa ONG ONG Empresa Fundação Fundação Fundação Fundação Fundação Fundação Governo Governo Governo Governo ONG Empresa Empresa Empresa ONG Empresa 2011 Rede 2012 2011 2012 2011 2012 2011 2011 2012 2011 2011 2012 2011 2011 2012 2011 2012 2011 2011 2012 2011 2011 2011 direitos Cidadania e direitos Assistência Assistência Assistência Assistência Saúde Educação Educação Assistência Educação Educação Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Educação Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Cidadania e direitos Cidadania e direitos Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Sim Sim Não Não Não Sim Sim Não Não Não Não Não Não Bimestral Bimestral Mensal Esporádica Esporádica Anual Anual Esporádica Mensal Mensal Esporádica Mensal Mensal Esporádica Esporádica Esporádica Trimestral Trimestral Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Recorrente Recorrente Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual UNICEF UNICEF Estadual Empresa Empresa ONG ONG Empresa Fundação Fundação Fundação Fundação Fundação Fundação Estadual Estadual Municipal Municipal ONG Empresa Empresa Empresa ONG Empresa Não Não Não Não Não Sim Sim Não Não Não Não Sim Sim Não Não Não Sim Sim Não Não Não Não Não Não 2,3 2,3 25,3 25,3 26,7 23,6 23,6 32,1 31,3 31,3 31 31 27,7 19,1 19,1 3,3 20,3 31,1 27,4 21 21 199 ONG ONG ONG ONG ONG Religiosa Religiosa 2011 2011 2012 2011 2012 2012 2012 Público Privado Privado Público Público Público Público Público Privado Privado Privado Privado Público Público Público Público ONG Fundação Fundação Fundação Fundação Religiosa Religiosa ONG ONG 2012 2011 2012 2011 2011 2011 2012 2011 2011 Privado Privado Privado Privado Privado Privado Público Privado Público Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Governo Empresa 2011 ONG 2011 2012 2011 2012 2011 2012 2012 2011 Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Saúde Assistência Cidadania e direitos Cidadania e direitos Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Saúde Cidadania e direitos Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Educação Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Mensal Anual Anual Mensal Mensal Esporádica Mensal Esporádica Mensal Mensal Anual Anual Anual Anual Anual Mensal Esporádica Esporádica Esporádica Anual Anual Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Eventual Eventual Eventual Recorrente Recorrente Eventual Recorrente Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Recorrente Recorrente Eventual Eventual Recorrente Recorrente Eventual Eventual ONG ONG ONG ONG ONG ONG ONG ONG Fundação Fundação Fundação Fundação ONG ONG ONG ONG ONG Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Municipal Empresa Não Sim Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não 28,4 18,4 18,4 9,1 9,1 25,7 20,8 61,1 12,6 12,6 28,1 31,5 6,2 6,2 26,8 5,1 61,1 17,1 17,1 29 29 1 1 6,1 20,6 200 2011 2011 2012 2011 2011 2011 2011 2012 2011 2011 2012 2011 2011 2011 2011 2012 2012 2011 2011 2011 2011 2011 2011 2012 2011 2011 2011 Empresa Empresa Empresa ONG ONG Fundação Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Escola/Clube Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Governo Governo Empresa Empresa ONG Privado Privado Privado Público Público Privado Privado Privado Privado Privado Privado Privado Privado Público Privado Privado Privado Privado Privado Privado Privado Privado Público Público Privado Privado Público Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Cultura Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Legal Legal Assistência Assistência Assistência Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Mensal Mensal Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Semestral Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Anual Anual Esporádica Esporádica Esporádica Eventual Recorrente Recorrente Eventual Eventual Eventual Recorrente Recorrente Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Recorrente Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Empresa Empresa Empresa ONG ONG Fundação Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Fundação Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Federal Federal Empresa Empresa ONG Não Não Não Não Não Não Sim Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não 27,2 5,9 27,2 32,3 32,3 1,6 77,1 17,5 24,2 2,1 7,2 0 0 24 19,5 27,4 76,1 4,3 4,3 26,1 19,9 38,2 25,6 25,6 19,4 201 2011 2011 2011 2011 2011 2011 2012 2011 2012 2011 2011 2012 2011 2012 2011 2011 2011 2011 2012 2011 2011 2012 2011 2012 2011 2011 2012 Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Governo Governo Governo Governo Governo ONG ONG Religiosa Religiosa Governo Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Religiosa Religiosa Religiosa Governo Governo Privado Privado Privado Privado Privado Público Público Público Público Público Público Público Público Público Público Privado Privado Privado Privado Privado Privado Privado Público Público Público Público Público Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Legal Legal Assistência Assistência Saúde Assistência Assistência Assistência Assistência Saúde Assistência Saúde Assistência Assistência Assistência Saúde Saúde Assistência Assistência Assistência Lazer Lazer Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Mensal Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Mensal Esporádica Esporádica Anual Anual Anual Esporádica Esporádica Esporádica Mensal Mensal Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Recorrente Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Estadual Estadual Municipal Municipal Municipal ONG ONG ONG ONG Municipal Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa ONG ONG ONG Municipal Municipal Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não 4,8 14,8 0 0 5,6 5,6 7,7 5,4 5,4 6,8 6,8 13,3 13,3 0,8 0,95 0,95 6 6,4 1,6 18,1 31,2 31,6 20,6 15,8 202 Governo Governo Governo Governo Governo Governo Governo Governo Empresa ONG Governo Governo Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa ONG Empresa Empresa Governo Governo Governo Governo Empresa 2011 2012 2011 2011 2012 2012 2011 2012 2011 2011 2011 2012 2011 2011 2012 2011 2011 2012 2011 2011 2011 2011 2012 2011 2012 2011 Público Público Público Privado Privado Privado Privado Privado Privado Público Privado Privado Público Público Público Público Privado Público Público Público Público Público Público Público Público Privado Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Educação Educação Assistência Cidadania e direitos Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Não Sim Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Não Esporádica Mensal Mensal Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Mensal Mensal Mensal Mensal Esporádica Trimestral Trimestral Mensal Mensal Mensal Mensal Mensal Mensal Esporádica Eventual Recorrente Recorrente Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Eventual Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Eventual ONG Municipal Municipal Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa ONG Empresa Empresa Municipal Municipal Municipal Municipal Empresa Municipal Municipal Municipal Municipal Municipal Municipal Municipal Municipal Empresa Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Não 1,5 1,5 5,8 5,8 46,7 0 31,8 31,8 40,4 19,8 19,8 26,6 18 18 5,7 22,3 31 31 31,8 31,8 31,8 31,8 13,7 13,7 12,1 203 2011 2012 2011 2012 2011 2011 2012 2011 2012 2011 2012 2011 2011 2012 2011 2011 2011 2012 2011 2011 2012 2011 2011 2011 2012 2011 2011 Empresa Religiosa Empresa Empresa Empresa Religiosa Religiosa Religiosa Religiosa Empresa Governo Empresa Governo Governo Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Religiosa Religiosa Empresa Empresa Privado Público Privado Privado Privado Público Público Público Público Privado Público Privado Público Público Privado Privado Privado Privado Privado Privado Privado Privado Privado Público Público Privado Privado Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Outros Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Mensal Bimestral Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Mensal Mensal Esporádica Esporádica Anual Anual Esporádica Esporádica Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Recorrente Recorrente Eventual Eventual Recorrente Recorrente Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Recorrente Recorrente Eventual Eventual Empresa ONG Empresa Empresa Empresa ONG ONG ONG ONG Empresa Municipal Empresa Municipal Municipal Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa ONG ONG Empresa Empresa Não Não Não Não Não Sim Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Sim Sim Não Não Não Não Não Sim Sim Não Não 16,1 22,5 6,4 6,4 31,4 10,7 26,6 7,9 7,9 22,8 16,1 16,5 16,5 27,8 30,8 30,8 45,7 6,3 30,6 30,6 3,1 204 2011 2012 2011 2012 2012 2012 2011 2012 2011 2012 2011 2012 2011 2011 2011 2012 2011 2012 2011 2011 2011 2012 2011 2012 2012 2012 2012 Empresa Empresa Empresa Empresa Governo Governo Governo Governo Governo Governo Governo Governo Empresa Escola/Clube Governo Governo Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Religiosa Religiosa Empresa Empresa Empresa Público Público Privado Privado Público Público Público Público Público Público Público Público Privado Privado Público Público Privado Privado Privado Privado Privado Privado Público Público Privado Privado Privado Assistência Assistência Assistência Assistência Saúde Saúde Saúde Saúde Saúde Saúde Saúde Saúde Assistência Assistência Educação Educação Assistência Assistência Assistência Lazer Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Não Não Sim Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Mensal Mensal Anual Anual Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Anual Anual Esporádica Anual Esporádica Esporádica Anual Anual Esporádica Esporádica Esporádica Eventual Eventual Recorrente Recorrente Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Eventual Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Empresa Empresa ONG ONG Municipal Municipal Municipal Municipal Municipal Municipal Municipal Municipal Empresa Empresa Estadual Estadual Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa Empresa ONG ONG Empresa Empresa Empresa Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Sim Sim Não Não Não 10,9 16,2 18,6 40,4 40,4 37 37 6,8 3,3 1,5 1,5 0,8 0,8 4,9 4,9 5,6 19,4 27,3 27,3 42,8 42,8 24,3 95 19,9 20,5 205 2012 2012 2012 2012 2012 2012 2012 2012 2012 2012 2012 2012 2012 2012 2012 2012 2012 2012 Escola/Clube Empresa Empresa Empresa Fundação Empresa Fundação Empresa Empresa ONG Empresa Governo Governo Empresa Empresa Fundação Escola/Clube Empresa Privado Privado Privado Privado Público Privado Público Privado Privado Público Privado Público Público Privado Privado Público Privado Privado Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Cultura Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Assistência Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Esporádica Eventual Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Recorrente Empresa Empresa Empresa Empresa Fundação Empresa Fundação Empresa Empresa ONG Empresa Municipal Municipal Empresa Empresa Fundação Empresa Empresa Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não 28 31,3 24,3 20,8 27,9 35,8 21,6 13,2 8,3 5,6 1,2 42,4 31,8 13,2 33,2 15,4 49,6 206 Ano de admissão na ARCO _______ Escolaridade: _______________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ 3. Quais organizações (ONGs, Governos, Empresas, Religiosas, etc.) você considera que contribuem mais para complementar o serviço oferecido pela ARCO às crianças e jovens? Exemplifique. ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ 2. Como é o relacionamento da ARCO com instituições governamentais? ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ 1. Como é o relacionamento da ARCO com outras organizações sem fins lucrativos? Idade: ______________________________ Cargo na ARCO: __________________________________________________________________ Nome do(a) entrevistado(a)___________________________________________________________ Data da entrevista ___ / ___ / ___ Questionário – Rede de Relacionamento da ARCO ANEXO V – Roteiro utilizado nas entrevistas de avaliação da rede da ARCO 207 ____________________________________________________________________________________________________________________ 7. Você acha que o relacionamento com órgãos públicos tem mudado ao longo dos anos? Melhorou ou piorou? Por quê? Exemplifique. ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ 6. Você acha que os convênios com órgãos públicos trazem bons resultados? O relacionamento é positivo e baseado em transparência e confiança? ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ 5. Quais organizações governamentais e não governamentais procuram e utilizam a ARCO para auxiliar suas atividades? Por quê? Por favor, dê exemplos. ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ 4. Há relações que, mesmo que não haja repasse financeiro, você considera vitais para uma boa oferta de serviços pela ARCO? ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ 208 ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ 11. Registre aqui comentários que você queira fazer sobre a relação da ARCO e seus parceiros. ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ 10. Você acha que a oferta de escola em tempo integral pode por a operação da ARCO em risco? Por quê? ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ 9. Você acha que a ARCO tem feito a diferença para as crianças e jovens que atende? Exemplifique. ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ 8. Você acha que o relacionamento com pessoas físicas e empresas contribui positivamente para a ARCO oferecer um bom serviço? Por quê? Exemplifique. ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ 209