XLV CONGRESSO DA SOBER
"Conhecimentos para Agricultura do Futuro"
A COMPETITIVIDADE DA PRODUÇÃO DE SOJA NO MATO GROSSO DO SUL
E NA REGIÃO DE PONTA PORÃ: UMA ABORDAGEM ATRAVÉS DAS
VANTAGENS COMPARATIVAS
DANIEL ARRUDA CORONEL (1) ; FABIANO DUTRA ALVES (2) ; NILTON
PIRES DOS SANTOS (3) .
1.UFRGS, PORTO ALEGRE, RS, BRASIL; 2,3.UEMS, PONTA PORÃ, MS,
BRASIL.
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SISTEMAS AGROALIMENTARES E CADEIAS AGROINDUSTRIAIS
A Competitividade da Produção de Soja no Mato Grosso do Sul e na
Região de Ponta Porã: Uma Abordagem através das Vantagens
Comparativas
GRUPO: Sistemas Agroalimentares e cadeias agroindustriais
Resumo: Este trabalho tem por objetivo analisar a competitividade da soja produzida em
Ponta Porã e no Mato Grosso do Sul, sendo verificada através da exportação do produto
em nível internacional. Para alcançar esse objetivo, utilizou-se o Índice de Vantagens
Comparativas Reveladas, no qual foi possível verificar que na média os valores ficaram
acima da unidade. O que demonstra que a produção de soja da região tem um alto grau de
competitividade, sendo uma atividade dinâmica que vem acompanhando a tendência de
produtividade agrícola, bem como aumentando sua inserção no mercado internacional. Os
resultados dos indicadores demonstram que a produção de soja destaca-se na economia da
região de Ponta Porã e do Mato Grosso do Sul, tendo uma participação significativa em
termos de competitividade externa..
Palavras chave: Produção/exportação de soja; Vantagem Comparativa Revelada; Ponta
Porã e Mato Grosso do Sul.
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Londrina, 22 a 25 de julho de 2007,
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural
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Abstract: This work has for objective to analyze the competitiveness of the soy produced
in Ponta Porã and the Mato Grosso do Sul, being verified through the exportation of the
product in international level. To reach this objective, the Index of disclosed comparative
advantages was used, in which it was possible to verify that in the average the values had
been above of the unit. What it demonstrates that the soy production of the region has a
competitiveness degree, being a dynamic activity that comes following the trend of
agricultural productivity, as well as increasing its insertion in the international market. The
results of the pointers demonstrate that the soy production is distinguished in the economy
of the region of Ponta Porã and the Mato Grosso do Sul, having a significant participation
in terms of external competitiveness.
key-Words: soy production/exportation; Disclosed Comparative advantage; Ponta Porã
and Mato Grosso do Sul
Introdução
A competitividade da economia brasileira desde sua formação econômica balisouse por riquezas naturais e do setor agropecuário, onde na divisão internacional do trabalho
o país participava como um país agroexportador fornecendo matérias primas para os
demais países. A partir da globalização da economia, ocorre um processo de adaptação e
reorganização das normas de produção, causando um impacto na reavaliação das políticas
tecnológicas e das estruturas organizacionais que levaram o setor rumo a uma maior
competitividade. Já que o setor agrícola é considerado um ponto forte da vantagem
comparativa do Brasil, o que se percebe hoje nas áreas de produção agrícola, é uma
utilização cada vez mais difundida de maquinários com alto grau de tecnologia e
defensivos agrícolas, tudo para tornar a área cultivada mais produtiva.
Neste contexto cabe destaque para a cultura da soja, que ganhou espaço no cenário
nacional, sendo a principal commodity do setor agrícola brasileiro. De acordo com a
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA, 2007), o Brasil é o segundo
maior produtor mundial com uma produção de aproximadamente 50 milhões de toneladas
ou 25% da safra mundial.
O Brasil também se configura no mercado internacional como o segundo maior
exportador de soja, conforme dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (MAPA, 2007), a soja vem aumentando a participação na pauta de
exportação. Sendo que em 1992 a exportação nacional foi de 3.727.435 toneladas,
aumentado em 2006 para 24.957.973 toneladas, sendo que o crescimento médio, de 1992 a
2006, foi de 7,89% ao ano .
Neste contexto, o objetivo desta pesquisa é fazer uma análise da competitividade da
soja na região de Ponta Porã, o que será verificada com base nas exportações através dos
Índice de Vantagens Comparativas Reveladas (IVCR).
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O presente trabalho está estruturado em seqüência em quatro seções: na seção 2
faz-se um breve comentário da contextualização da soja no município de Ponta Porãe no
estado do Mato Grosso do Sul. Na, na seção 3 é apresentada a metodologia do Índice de
Vantagens Comparativas Reveladas (IVCR) bem como a fonte de dados. Em seguida na
seção 4 apresentam-se os resultados encontrados para o índice bem como alguns
comentários. Por fim, segue a seção 5 com as considerações finais do trabalho.
2 Contextualização da atividade agrícola no Mato Grosso do Sul e em Ponta
Porã
Localizado na região Sul-Fronteira do Estado de Mato Grosso do Sul, o município
de Ponta Porã possui uma extensão territorial de 5.329 Km2. Sendo que a região servia de
ponto de parada para os carreteiros que transportavam a erva-mate.
As principais atividades econômicas do município são o comércio e agropecuária,
em que a primeira é mais representativa, e a segunda é mais significativa por ter uma maior
movimentação econômica. Conforme dados estatísticos da Secretaria de Estado de
Planejamento e de Ciência e Tecnologia (Seplanct, 2006) o Produto Interno Bruto (PIB)
municipal de Ponta Porã em 2003 ficou em 441.979.575 reais, o quinto maior PIB entre os
municípios do estado de Mato Grosso do Sul. Sendo que o setor de comércio e serviços
representou 41,35% de valor adicionado ao PIB, contra uma participação de 40,32% do
setor agropecuário e 18,33% do setor industrial.
De acordo com os relatórios da Seplanct (2006), a economia local se expande a
partir das atividades do setor primário, pois na área rural se desenvolve as atividades da
agricultura, pecuária e extrativismo. No extrativismo vegetal cabe destaque para a
produção de erva-mate, não mais com a empresa pioneira a Companhia Mate Laranjeira,
contudo outras empresas desempenham a atividade cuja produção é comercializada com
outros estados. No setor da pecuária o rebanho bovino é criado de forma extensiva na
maioria das propriedades. A produção agrícola se destina a abastecer o mercado local e
comercializar com outros estados, sendo que as culturas que mais se destacam são: a soja,
o milho, o algodão, o arroz, o trigo entre outras. Destacando que a produção de soja é
comercializada com outros estados para fins de exportação, sendo entregue diretamente
nos porto, sobretudo no porto de Paranaguá1.
TABELA 01. Principais produtos agrícolas cultivados em Ponta Porã em toneladas, entre (19972004).
Anos Algodão Arroz Erva-Mate Feijão Milho Soja
Sorgo Trigo
1997
9.000 9.450
602
650 163.500 186.950
780
6.000
1998
5.200 6.513
665 1.700 72.000 178.200
1.050
8.100
1999
12.233 8.190
772
684 109.200 256.620
3.460 12.000
2000
10.575 8.750
835 1.140 62.800 228.000
1.900
4.500
2001
3.920 8.426
621 5.346 161.700 253.000 11.500 25.704
2002
1.529 9.600
683 3.937 89.136 272.700
3.000 10.800
2003
165 11.400
213 5.095 155.478 355.500
1.058 33.600
2004
1.951 8.838
772 2.521 63.400 153.588
312 36.000
1
Para uma maior especificação ver Oliveira (1997)
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Fonte: Tabulação a partir do IBGE (2006).
*Nesta tabela exclui-se os produtos agrícolas de pouca representatividade.
De acordo com os dados da Tabela 1, a soja foi a cultura que apresentou o maior
nível de produção entre esses oito anos em destaque na tabela, sendo que há uma diferença
bem significativa se comparada com as outras culturas em destaque. Nota-se que a ervamate que foi o produto agrícola responsável pela fundação do município, sendo durante a
década de 30 o cultivo que apresentava a maior fonte de renda, perdeu espaço para a
produção de soja. A segunda cultura a ter um desempenho significativo de produção é o
milho, entretanto, sua participação teve uma queda de 1997 para 2004 na ordem de 61,22%
conforme indica a tabela 1.
O algodão herbáceo, o arroz, a erva-mate, foram os cultivos que tiveram uma
redução na sua área plantada no município. Sendo que de 1997 a 2004 a área do algodão
teve uma redução de 4.000 hectares para 1.166. O arroz teve um queda em sua área de
13,63% passando de uma plantação que ocupava 3.300 hectare em 1997 para atingir 2.850
hectare no ano de 2004. O cultivo da erva-mate diminuiu de 62 hectares em 1997 para ser
produzido numa área total de 48 hectares, o que se observa que a cultura que, já foi um
ciclo de ouro2, não recebe grande destaque na atividade atual de produção agrícola em
Ponta Porã.
Dentro deste contexto, fica evidente que a colonização e o progresso de Ponta Porã,
devem-se ao fato da região estar inserida dentro de um ciclo econômico muito significativo
na época, a extração da erva-mate. A Mate Laranjeira, empresa que iniciou em 1918,
surgiu como uma simples atividade de extração da erva-mate, ganhou força econômica, por
meio das exportações, onde gerou grandes divisas tornando-se a maior fonte econômica da
região de Ponta Porã. O consumo externo coube ao mercado Argentino que representava o
maior consumidor (OLIVEIRA, 1997).
Entretanto na década de trinta o ciclo começa a entrar em declínio, por representar
um ciclo com características de monopólio, pois na região a empresa era a única com
direito das exportações no antigo, estado de Mato Grosso. Sendo uma atividade de
exportação que dependia do comércio internacional, a partir de uma mudança no cenário
internacional motivou-se a decadência da extração, pois o plantio organizado de erva-mate
nas regiões de Missiones e Corrientes trouxe à Argentina a independência externa. Com
essa auto-suficiência no final de década de 30, a exploração de erva-mate no Brasil entrou
em crise. Mas essa auto-suficiência da Argentina determinou apenas o declínio da extração
no antigo Mato Grosso, nos moldes em que a atividade estava inserida, ou seja, a produção
passa do monopólio exportador, para o cultivo com predominância de pequenos
proprietários, reunidos em cooperativas, desta maneira o ciclo da erva-mate perde
importância na economia da região.
Oliveira (1997), ainda menciona que o progresso na maioria das vezes é
impulsionado pela necessidade, assim, enquanto a erva-mate foi uma fonte geradora de
lucros, toda a tensão girava em torno da atividade. Mas quando seu ciclo começou a
declinar, houve uma necessidade de se encontrar novas alternativas, o que não foi difícil
uma vez que o solo da região se apresentava rico e propício para outras tantas atividades. A
Companhia Mate Laranjeira, atingida pelo colapso do mate, e que já tivera parte de seus
2
Conforme Oliveira (1997) o fator que representou o progresso da região sul do Mato Grosso, o atual Mato
Grosso do Sul, foi a atividade de extrativismo da erva-mate, atividade que com seu valor foi o embrião do
desenvolvimento dessa região.
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bens desapropriados, vendeu a maioria do que lhe restará para saldar as dividas. Sendo que
grande parte desses bens vendidos constitui a Fazenda Itamarati, que durante as décadas de
60 a 80, foi a maior fazenda produtora de soja do mundo.
Atualmente o município de Ponta Porã de acordo com dados da Seplanct (2006), foi
o terceiro maior produtor de soja do Estado de Mato Grosso do Sul no ano de 2003, sendo
que o maior volume de produção foi na safra desse mesmo ano. Quando a produção atingiu
355.500 toneladas 23,30% maior que a safra do ano anterior quando o município produziu
272.700 toneladas. Com essa safra Ponta Porã ficou atrás apenas de Maracaju primeiro
produtor com uma safra de 414.720 toneladas e de Dourados segundo produtor com uma
safra de 407.247 toneladas. Desta forma, verifica-se que o cultivo de soja, foi a cultura que
tomou o lugar da produção de erva-mate.
2.1 A inserção da produção de Soja no Mato Grosso do Sul e na região de Ponta Porã
A cultura de soja foi plantada no Mato Grosso do Sul no fim dos anos 60, sendo
trazida por pequemos arrendatários que vieram dos estados do Rio grande Sul e Paraná. De
acordo com Michels (2004) eles trocaram à pecuária e a cultura da erva-mate, investindo
com sucesso na sojicultura. O grande volume de terras ociosas a preços baixos, quando se
faz uma comparação com as terras de outros estados, atraiu para região do Centro-Oeste,
principalmente para o Sul do antigo Mato Grosso, os principais investimentos, durante a
década de 70.
As condições de clima e solo do Cerrado brasileiro possibilitou plenas condições
para o desenvolvimento da produção de soja.
Os primeiros cultivos de soja no então Estado de Mato Grosso foram realizados
na região da Grande Dourados, no fim da década de 60. Essa região possui um
clima muito semelhante ao do oeste do Paraná, solos de alta fertilidade natural, e
àquela época já possuía uma estrutura fundiária onde predominava as pequenas
propriedades oriundas da Colônia Agrícola Federal de Dourados, implantada por
Getúlio Vargas, em 1943 (BARROS, 1999, p.113).
Nos últimos 15 anos, de acordo com os estudos do Relatório Mercoeste3 (2002), o
estado de Mato Grosso do Sul passou por profundas mudanças no que concerne à
utilização do solo. Ao lado da redução das áreas para lavouras (quase 30%), para pastagens
naturais, houve um acréscimo substancial nas áreas destinadas às pastagens plantadas
(cerca de 30%), indicando um incremento na atividade pecuária semi-intensiva. Mas isso
não significa uma redução na atividade ligada às culturas permanentes. Significa, sim, uma
seleção dos solos mais produtivos, onde é utilizada mais tecnologia e é possível obter
maior rentabilidade. A produção de soja no Mato Grosso do Sul vem seguindo a tendência
do período favorável dessa cultura, apresentado crescimento da área planta, produção e
produtividade tudo isso possível graças as evolução tecnológica ocorrida nos últimos
tempos. Essa modernização do setor, que cada vez mais se utiliza de máquinas e
equipamentos sofisticados e de novos insumos, é um dos fatores para que o modo de
produção dos cultivares desse Estado mantenha um grau de competitividade frente aos
concorrentes internacionais.
3
Projeto estratégico Alavancagem do Mercoeste, desenvolvido pelo SENAI para impulsionar a integração
regional entre setes unidades federativas do oeste brasileiro – Tocantins, Acre, Rondônia, Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal.
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TABELA 2. Quantidade de produção (tonelada), área plantada (hectare) e rendimento médio
da produção (quilogramas por hectare) de soja em Mato Grosso do Sul ano de 1990 a 2004.
Safras Mato Grosso do Sul Área Plantada Produtividade
1990
1.286.382
1.622
2.038.614
1991
1.071.968
1.895
2.017.935
1992
1.871.188
949.058
1.988
1993
2.289.171
1.071.694
2.145
1994
2.392.506
1.104.449
2.171
1995
2.283.546
1.044.779
2.187
1996
2.003.904
831.954
2.409
1997
2.184.283
885.596
2.466
1998
2.319.161
1.117.609
2.091
1999
2.799.117
1.073.960
2.606
2000
2.486.120
1.106.301
2.261
2001
3.115.030
1.065.026
2.925
2002
3.267.084
1.195.744
2.732
2003
4.090.892
1.412.307
2.898
2004
3.282.705
1.812.006
1.827
Fonte: Dados tabulados junto ao IBGE (2006) - Censo Agropecuário do Município
O Estado de Mato Grosso do Sul, de acordo com estudos realizados pela Seplanct
(2004), demonstram a forte vocação agrícola da região, e seu destaque entre os maiores
produtores de grãos do Brasil. Conforme a Tabela 2, a produção de soja em 2002
contribuiu com 3.267.084 toneladas para a produção nacional, no Estado essa cultura
alcançou rendimento de 2.733 kg/ha contra 2.570 kg/ha na média do país. Conforme
Michels (2004), no estado de Mato Grosso do Sul, mais de 80% dos municípios produzem
soja, cabendo destaque para o município de Maracaju que é o primeiro produtor
representando 10,03% do total da safra do Estado. Depois segue a classificação com
Dourados (9,92%), São Grabiel d’Oeste (9,78%), Ponta Porã (8,35%), Chapadão do Sul
(6,25%) e Sidrolândia (5,36%) que juntos com Maracaju representam 49,70% de toda a
produção do Estado.
Do ponto de vista do tipo de plantio, a produção de soja no Mato Grosso do Sul
pode ser dar por meio de dois sistemas. Um dos sistemas de produção é o sistema de
plantio convencional (SPC), que envolve o uso de implementos para o preparo do solo.
Entretanto, esse sistema causa muitas perdas pela erosão, e acarreta problemas de
compactação e desagregação dos solos, resultando em graves conseqüências ambientais e
redução da produtividade. O outro modo de produção adotado é o sistema de plantio direto
(SPD), que tem a característica de ser um plantio preservacionista, pois sua técnica de
plantio não envolve o preparo do solo, a semeadura é realizada na presença de cobertura
morta de cultura anterior ou plantas em desenvolvimento, com rotação de culturas. Além
de tornar mínimas as perdas com erosões, melhora os atributos químicos e físicos do solo,
reduz custo de produção e eleva a produtividade (EMBRAPA, 2004).
Esse sistema de plantio direto (SPD) surgiu na década de 70 nos estados do Paraná
e Rio Grande do Sul, começou a se expandir para outras regiões a partir de 1976, sendo
adaptada conforme as condições edafoclimáticas de cada localidade.
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No Mato Grosso do Sul, o estudos do sistema de plantio direto (SPD) começou a
ser realizado na década de 80, desenvolvido pela Embrapa Agropecuária Oeste, mas a
expansão da área cultivada com essa tecnologia ocorre a partir da década de 90, pois esse
sistema é lançado em 1994 e começa a ser adotado em 1995. Conforme a Embrapa Oeste
estima-se que modo de cultivar está sendo praticado em 70% da área agrícola da região
sul-mato-grossense, incluindo nesta área o município de Ponta Porã com mais de 80% da
produção agrícola (HELFAND & REZENDE, 2000).
Para uma maior análise da produção de soja na região de Ponta tem-se a tabela 3,
que indica a quantidade de produção, a área plantada e a produtividade desta commodity.
TABELA 03. Quantidade de produção (tonelada), área plantada (hectare) e
rendimento médio da produção (quilogramas por hectare) de soja em Ponta Porã no
período de 1990 a 2004.
Ano Produção
1990 220.841
1991 199.300
1992 137.525
1993 184.933
1994 270.880
1995 231.000
1996 168.000
1997 186.950
1998 178.200
1999 256.620
2000 228.000
2001 253.000
2002 272.700
2003 355.500
2004 153.588
Área plantada
170.284
134.300
106.005
92.360
114.330
105.000
70.000
80.000
109.500
103.500
110.000
95.000
109.500
132.500
157.280
Produtividade
1.296
1.483
1.299
2.002
2.374
2.200
2.400
2.336
1.627
2.479
2.072
2.663
2.490
2.683
976
Fonte: Organização a partir de Produção Agrícola Municipal do IBGE (2006).
Com base na Tabela 3, verifica-se que na safra de 2004, a produção de soja ocupou
157.280 hectares, o que corresponde a 30% da área territorial do município e 8,7% da área
de plantio de soja do Estado. Quanto à expansão da área planta entre o período 1990 para
2004 houve uma redução de 7,6%, quando a área plantada caiu de 170.284 hectares para
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157.280 hectares em 2004. Comparando com o Estado do Mato Grosso do Sul, Ponta Porã,
teve um produtividade média de 2.025 kg/ha para o período de 1990 a 2004, enquanto o
Estado para o mesmo período apresentou uma produtividade média de 2.282 kg/ha,
11,26% maior que o rendimento médio do município.
Em 1996 se registra a menor disponibilidade de área plantada, isso se deve a
transformação de áreas de lavouras em pastagens e áreas de descanso, conforme
informações do IBGE4. Entretanto, ocorreu um aumento no rendimento devido ao uso de
melhor tecnologia e clima favorável.
Já em 1998 a área plantada aumentou em 36,6% em relação a 1997, pois houve
uma abertura de novas áreas, e o mercado apresentava uma previsão de preço promissor,
devido à quebra na safra de outros países importadores. A redução na produtividade foi
causada pela estiagem prolongada desde o plantio até o enchimento de grãos, e chuvas
contínuas durante o período da colheita, além de acentuados ataques de pragas (IBGE,
2006).
Em 1999 a área de 103.500 hectares foi inferior em 5,48% em relação à safra de 98.
Sendo que a causa desta redução está relacionado com o preço pago ao produtor. Que de
acordo com os dados do Gráfico 1 é maior que ao do ano de 1998, entretanto as lavouras
exigem alto investimento tornando os custos elevados, sendo que o plantio de milho se
apresentava mais rentável. O rendimento que era de 1.627 kg/ha em 1998, teve um
incremento de 52,37% passando para 2.479 kg/ha em 1999, segundo informações do IBGE
(2006), esse incremento se deu em razão da aquisição de novas variedades de sementes
mais produtivas, aquisição de novas tecnologias e clima favorável desde o plantio até a
colheita.
O aumento da área de 110.000 ha na safra de 2000, que representa um crescimento
de 6,3% em relação ao ano anterior, foi impulsionado por expectativas positivas, como por
exemplo, previsão a cerca de quebra de produção em outros países5. Pois os produtores de
Ponta Porã com base nessa expectativa acreditavam que o preço do produto sofresse um
aumento, logo para ter uma maior lucratividade expandiram a área plantada. Entretanto,
ocorreu o inverso do esperado, as safras dos outros países tiveram um rendimento
expressivo, o que ocasionou uma queda nos preços, e a quebra de safra. Fato verificado no
próprio município que teve uma produção de 228.000t, 11,15% menor que a safra do ano
anterior (256.620). Para a safra de 2000 a produtividade ficou em torno de 2.073 kg/ha,
16,4% menor que a produtividade da safra de 1999 quando essa foi de 2.479 kg/há.
Conforme indica o IBGE (2006), essa redução foi causada por estiagem, e geadas durante a
safra de inverno.
A produção de 253.000t em 2001, só foi alcançada através do aumento da
produtividade que atingiu um patamar de 2.663 kg/ha, devido ao uso de tecnologia e clima
favorável. Também pode-se observar pela tabela 3, que a área plantada passou de 110.000
há em 2000 para 95.000 ha em 2001. Para o Sindicato Rural de Ponta Porã (2006) os
produtores reduziram o plantio da soja, destinando recursos para produção do milho. Já o
contrário ao aconteceu na safra de 2002, onde houve um aumento da área plantada de soja
em torno de 109.500 há, sendo usada uma parte da área da cultura do milho e outra parte
da abertura de novas áreas. O clima não foi muito favorável, ao ponto de ocorrer uma
pequena queda de 2.660 para 2.490kg/ha, devido às estiagens.
4
Informações coletadas na Agência do IBGE em Ponta Porã, 2006.
Para maiores informações ver o relatório da Seplanct (2006) que traz detalhadamente a produção de soja de
dos principais países produtores.
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O ano de 2003 é o ápice da atividade da soja em Ponta Porã, onde a produção foi de
355.500t, a área plantada aumenta para 132.500 há. Pois os produtores de acordo com o
preço elevado da commodity no mercado internacional, destinaram um maior volume de
terras para produção de soja, houve aberturas de novas áreas e arrendamento de terras, pois
como verifica-se nos indicadores do IBGE (2006) o preço médio pago ao produtor por
tonelada em 2003 foi 552,00 R$ o que proporciona uma boa rentabilidade na cultura.
Em 2004 o preço da tonelada aumentou para R$ 640,00 ocorrendo um aumento de
18,70% na área plantada, onde produtores substituíram áreas de plantio de milho para pode
produzir soja. De acordo Michels (2004) o aumento do preço da soja é um fator
impulsionador da produção no Brasil, pois o preço desta commodity é ditado pela Bolsa de
Mercadorias de Chicago. Contudo, apesar de se ter aumentado a área para o cultivo, o
rendimento médio da produção teve uma variação negativa de 63,58% em relação à safra
passada, devido a estiagem e ao aparecimento de doenças.
Gráfico 1. Evolução do Preço Médio pago ao produtor de soja de Ponta Porã, em
R$/t de (1995 a 2004).
700.00
640.00
600.00
552.00
500.00
400.00
300.00
200.00
100.00
308.00332.00
Preço Médio
272.21
237.00
230.40
205.41
200.00
125.00
0.00
1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
Fonte: Organização própria a partir de dados coletados junto ao IBGE/PP (2006).
Conforme o gráfico 1, o preço médio pago ao produtor de Ponta Porã por tonelada de
soja, apresentou uma ritmo crescente, exceto para os anos de 1998 e 2000 quando houve
uma redução. A queda no preço pago ao produtor em 1998 sofreu redução, podendo estar
relacionado à qualidade inferior, da produção que foi afetada pelo alto índice de umidade,
pois ocorreu um volume de chuvas contínuo durante a fase de colheita para essa safra6. O
preço de 2000 sofreu uma redução em relação a safra de 1999 na ordem de 15,35%, caindo
de 272,21R$/t para 230,40R$/t, sendo essa queda oriunda da falta de mercado para a soja
de Ponta Porã, pois como foi comentado nessa safra esperava-se uma queda na produção
6
Informações retiradas do Sindicato Rural de Ponta Porã (2006).
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de outros países, contudo isso não foi verificado e esses países obtiveram um bom índice
de produção e a demanda não foi afetada (SEPLANCT, 2006).
Pelo gráfico 1, pode-se observar que as maiores taxas de aumento nos preços foram nas
safras de 1999, 2003 e 2004, fato relacionado com a variação cambial do dólar. De acordo
com dados do Banco Central (2006), o real teve uma desvalorização em 1999 chegando a
ficar na média de 1,81R$/US$ para o ano, sendo que no ano anterior e 1998 esse valor era
de 1,16R$/US$. Para os anos de 2002 e 2003 foi verificada uma desvalorização do real na
ordem de 2,92 R$/US$ e 3,08 R$/US$ respectivamente.
Portanto verifica-se um viés de alta no preço médio pago por tonelada de soja na
região, seja por influência cambial, ou pela própria conjuntura externa que guia o preço da
soja no mercado internacional. Assim, para verificar a importância deste setor para a
economia da região de Ponta Porã e para o estado do Mato Grosso do Sul, será utilizado o
Índices de Vantagens Comparativas Reveladas (IVRC), que possibilita verificar a
vantagem de uma região na produção de um determinado produto.
3 Metodologia
Para verificar a existência da competitividade da soja no município de Ponta Porã,
será utilizado a Índices de Vantagens Comparativas Reveladas (IVRC).
De acordo com Maia (2002), o método da vantagem comparativa revelada (VCR),
proposta inicialmente por Balassa (1965 e 1977), especifica os preços pós-comércio, sendo
um dos métodos usado com mais freqüência para determinar a vantagem comparativa.
O Índice de Vantagens Comparativas Reveladas é um mecanismo de medida
revelada, onde seu cálculo se baseia em dados observados do comércio e demonstra as
vantagens comparativas de uma região na produção de determinado produto. O IVCR é
dado pela seguinte equação:
Para a verificação do IVCR para Ponta Porã.
IVCRj: = (Xij/Xi)/(Xwj/Xw)
Xij = Valor das exportações de soja de Ponta Porã;
Xi = Valor total das exportações de Ponta Porã;
Xwj = Valor total das exportações mundiais de soja;
Xw = Valor total das exportações mundiais;
i = Exportação de Ponta Porã;
w = Exportação mundiais;
j = Soja.
De acordo com Maia (2002):
VCRj > 1 – O país ou região possui vantagem comparativa revelada para as
exportações de soja;
VCRj < 1 – O país ou região possui desvantagem comparativa revelada para as
exportações de soja.
3.1 Fonte de dados
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Os dados relacionados às exportações de Ponta Porã foram coletados junto à
Secretaria de Comércio Exterior (SECEX). Os dados das exportações mundiais foram
coletados junto da Food and Agricultute Organization (FAO) e por meio da International
Trade Satistic (OMC). Para a exportação de soja de Ponta Porã, foram usadas informações
do IBGE (2006), Sindicato Rural do município e Embrapa.
4. Análise do índice de Vantagens Comparativas Reveladas para o município de
Ponta Porá
Nos primeiros anos de análise referente aos anos de 1997 e 1998, o índice ficou
abaixo da unidade, conforme dados da Tabela 5, o que significa que nessas safras a
produção de soja não teve um desempenho competitivo. Isso pode ser explicado pelos
níveis de produção de 1997 e 1998, onde foi registrada uma safra de 186.950t e 178.200t
respectivamente, seguindo uma tendência de crise produtiva desde a safra de 1996 quando
a produção teve uma queda de 27,29% em relação à safra de 1995. Além disso, outro fator
que pode ter colaborado para o IVCR ser menos que a unidade foi a sobrevalorização
cambial do período 1995-1998. Conforme Pinazza e Alimandro (2003), Souza e Ilha
(2005) a sobrevalorização é um fator que corrobora para a queda do IVCR, em virtude do
valor das importações diminuírem.
Tabela 5. Índice de Vantagens Comparativas Reveladas (IVCR) da Exportação de
Soja para o Município de Ponta Porã, no período de (1997 A 2004).
ANOS
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
IVCR DA SOJA
VARIAÇÃO %
PARA PONTA PORÃ
0,52
9,42%
0,57
582,05%
3,91
-23,18%
3,00
42,67%
4,28
140,28%
10,31
27,06%
13,10
-49,85%
6,57
Fonte: Organização própria a partir de dados do SECEX e IBGE (2006).
A partir de 1999 até 2004 o IVCR foi maior que a unidade indicando dessa forma a
soja apresentou-se como um setor dinâmico e crescente, como pode ser verificado pelos
valores apresentados. Sendo que o maior valor encontrado foi para a safra de 2003, período
em que Ponta Porã atinge a maior produção (355.500 t) e produtividade (2.683 kg/há)7.
Com base nos indicadores de competitividade de Ponta Porã, verifica-se que os
anos de 2002,2003 e 2004 são os de maiores percentuais, fato que pode ser atribuído pelo
aumento da produção na região, que tem mais de 60% do produto exportado, segundo
informações do IBGE (2006). Sendo que cabe destacar a variação do ano de 2001 para
2002, onde o IVCR teve um incremento de 140,3% aproximadamente.
7
Informações retiradas do IBGE(2006)
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Para ampliar o aspecto comparativo da produção de soja em Ponta Porã tem-se
abaixo a o IVCR para o Brasil e Mato Grosso do Sul
Tabela 6.: Índice de Vantagens Comparativas Reveladas (IVCR) da exportação de soja do
Brasil e de Mato Grosso do Sul, entre (1992 a 2004).
Anos
IVCR DA SOJA PARA
BRASIL*
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
13,30
13,80
17,94
11,49
11,47
22,58
25,67
24,50
27,47
27,62
29,93
28,45
32,86
2004
IVCR DA SOJA PARA
MATO GROSSO DO
SUL
126.11
151.53
187.78
142.25
77.68
110.77
45.21
143.31
43.67
96.06
41.31
49.13
93.71
Fonte: Organização própria a partir de dados da FAO e SECEX
*Para o Brasil no período de 992 a 2002, dados retirados do trabalho de Souza e Ilha
(2005).
De acordo com a Tabela 6, pode se verificar que os valores encontrados foram
todos maiores que a unidade em todo o período de análise, verificando ainda que em média
o índice teve um viés crescente em todo o período de análise para o Brasil e para Mato
Grosso do Sul.
Os valores encontrados para o IVCR do Brasil, vêm a demonstrar que a produção
de soja no país tem um peso muito significativo nas exportações brasileiras. Coronel et al
(2006) também chega a esta conclusão para os indicadores calculados para o Brasil. Dentro
deste contexto, o Estado do Mato Grosso do Sul se destaca na exportação de soja, pois a
região colabora com uma parcela significativa dessas exportações, conforme demonstram
os índices para o Estado.
Os resultados encontrados para o Estado, a nível de comparação, se corroboram
com os encontrado por Souza e Ilha (2005) para o Brasil, pois se verifica que o índice
apresenta quase à mesma tendência. De 1992 a 1994 o índice vem mantendo um
crescimento contínuo, influenciado pelo ritmo de crescimento da exportação de soja do
Mato Grosso do Sul. Contudo em 1995 e 1996 ocorre uma queda significativa nos índices,
fato relacionado com a valorização cambial e também pelo fato das exportações mundiais
de soja ter aumentado em 36,87% entre os dois períodos de acordo com dados da FAO.
Sendo que para o mesmo ano ocorreu uma queda na exportação de soja no Estado na
ordem de 61,08% de acordo com dados do SECEX. No ano de 1994 as exportações de soja
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do Mato Grosso do Sul totalizaram US$ FOB8 90.889.810, caindo para US$ FOB
62.112.095 em 1995 e US$ FOB 43.835.971 em 1996.
Os índices que apresentaram os menores valores correspondem aos anos de 1998,
2000, 2002 e 2003, fato correlacionado com os anos em que ocorreu o menor nível de
exportação de soja por parte do Mato Grosso do Sul, exceto para o ano de 2003 onde o
nível de exportação do Estado foi significativo. Entretanto o nível de exportação mundial e
nacional teve um crescimento superior em relação a exportações estaduais (SECEX, 2006)
O ano de 2003 apesar de apresentar um índice baixo, se configura como um ano de
recuperação, pois o volume de exportação começa apresentar uma sinalização de
crescimento. Pois em 2003 de acordo com dados do IBGE (2006) foi um período em que
as colheitas do produto apresentaram um bom rendimento chegando a ser a safra recorde
de todo o período, em que para o estado significou a maior safra de todo o período.
Contando ainda com uma desvalorização cambial em que a moeda corrente utilizada para
negociação, o dólar, ficou cotado na média para o ano em 3,08 reais.
Em relação ao índice de 1999 para o Estado do Mato Grosso do Sul, este foi índice
mais alto entre o período de 1998 a 2004, conforme Alves e Santos (2006) os dados da
FAO e SECEX demonstram uma queda de 15,38% e 26,86%, em relação ao período 1998,
nas exportações mundial e brasileira de soja respectivamente. Enquanto as exportações de
soja do Mato Grosso do Sul cresceram 221,32% passando de US$ FOB 13.045.424 em
1998 para US$ FOB 41.917.618 em 1999. Sendo que para o ano de 1999 a moeda nacional
começa a ficar desvalorizada chegando a média de 1,81R$/1US$ em relação a anos
anteriores.
De acordo com a SEPLANCT (2004), a relação comercial de Mato Grosso do Sul
com o mercado internacional apresentou um desempenho satisfatório entre o período de
1992-2002, pois com base em dados levantado no estudo feito pelo órgão, foi observado
que em 1990 o intercâmbio comercial no comércio internacional era de US$ 185 milhões,
sendo que para 2002 o valor desse intercâmbio passou para US$ 856 milhões. Sendo que
esse crescimento foi realizado com superávit, ou seja, o volume de exportação supera a
importação, exceto em 2002 quando houve um déficit na balança comercial estadual de
US$ 39.857.486. Nesta perspectiva, os valores do IVCR para a soja de Mato Grosso do
Sul, todos acima da unidade demonstram que a soja do Estado tem uma vantagem
comparativa frente ao mercado internacional, destacando a importância desta cultura para a
economia, pois o setor é competitivo, dinâmico e vem apresentado taxa de crescimento na
participação do mercado.
5 Considerações Finais
O presente trabalho possibilitou verificar que o seguimento da soja em Ponta Porã,
onde a mesma apresenta vantagens comparativas reveladas. O que demonstra que o
município assume uma participação importante na produção e exportação dessa
commodity, para retornos da economia local. Uma vez que grande parte da produção de
soja do Brasil é exportada, a configuração do mercado mundial desta commodity
desenvolve condições que afeta a decisão de produção e comercialização da região de
Ponta Porã. Como acontece em período de queda na oferta mundial que eleva os preços do
8
FOB: Abreviação de Free on board, usada internacionalmente em contratos de comércio. É um tipo de
modalidade de entrega, onde as despesas suportadas desde o armazém do vendedor até o cais do porto de
origem e estiva são por conta do vendedor. Sendo que o vendedor fica livre de responsabilidade quando
colocar a mercadoria a bordo do navio.
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produto causando expectativas de aumento da produção por causa dos lucros. Do lado da
demanda verifica que a soja vem sendo incorporada aos aumentos do consumo mundial,
fato que pressiona o aumento da produção e a comercialização entres os países. Dentro
desse cenário, Mato Grosso do Sul e Ponta Porã estão inseridos como produtores
agroexportadores que abastecem o mercado mundial.
A grosso modo os indicadores de vantagem comparativa revelada demonstraram
que a economia de Ponta Porã segue as oscilações brasileiras seja em menor ou maior
escala. Contudo o cenário para o Estado do Mato Grosso do Sul demonstra uma
dependência/competitividade da região para com as exportações de soja, e por isso mesmo
apresenta grau de competitividade internacional elevado, com índices superiores a 100
pontos percentuais, para alguns anos, isto por que no total de exportações do estado a
commodity soja é muito representativa.
Fato que já não é observado na região de Ponta Porã, pois apesar de ser
competitiva, em termos internacionais a região apresenta indicadores abaixo do grau de
competitividade do Brasil. Desta forma, com base nas Teorias das Vantagens
Comparativas, pode se dizer que Ponta Porã é competitiva, pois apresenta uma vantagem
comparativa, uma vez que o modo de produção apresenta uma boa produtividade fator que
destaca a vantagem do produto. Ainda, com base na análise das exportações foi possível
verificar que a produção/exportação de soja, para o Mato Grosso do Sul é competitiva,
visto que o IVCR foi elevado em todos os períodos analisados, com várias oscilações mas
todas superiores a 40 pontos percentuais.já para a região de Ponta Porã os indicadores
foram crescentes para os anos de 1999 a 2004, onde a produção apresentou um ritmo de
crescimento superior a 250.000 toneladas, atrelado com aumento da produtividade.
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