ARLEQUIM
1-Carnaval em Curitiba (Phill Veras)- arranjo e intepretação por
Bruno Piazza.
Deixa eu perder timidez por aí
Vou falar por aqui palavrões
Deixa eu tomar da cachaça do batista
Eu não vou abusar
Deixa o nenê nos meus braços, olha aí*
Olha só como pesa olha aí
Deixa eu sentir ciúmes de ti
Mas não deixa abusar
Deixa eu pular carnaval em Curitiba
Deixa a poeira abaixar
Deixa eu tocar violão a tardinha
Deixa, eu não vou abusar
Bernardo Bravo
ARLEQUIM
“Conheço como a palma da minha mão, a sola do teu sapato”
(Lívia Lakomy)
recitado por Mariana Barros
2-Manjubinha (Octávio Camargo/Chiris Gomes)-arranjo e
intepretação por Fábio Cardoso.
Foi entre uma manjubinha e outra manjubinha
que você disse que não era mais minha
com a boca molhada de gordura
proferiu a sentença sem censura
de que havia encontrado
o grande amor da sua vida
e eu pra não me engasgar com a comida
fui pondo a mão no bolso
pra ver se tinha sobrado
algum trocado pra comprar uma bebida
e aguentar calado nossa despedida
sem dar showzinho no bar
só pra aumentar tua satisfação
Bernardo Bravo
ARLEQUIM
3-Cangote (Dú Gomide/Bernardo Bravo)- arranjo e intepretação
por Bruno Piazza.
Eu farejei ocê
na brisa de uma paz
que amanheceu o meu viver
Foi dengo do melhor
carinho, cheirinho tão bom
que fácil, fácil me rendi
Parece que logo que te vi eu já quis me casar
Parece que esse farfalhar cheira mais que alecrim
Parece que ao beijar você descobri como amar
Parece que esse seu olhar dá sossego pra mim
Eu pressenti ´ocê
bem antes de tocar
no teu vestido multicor
Perfume e suor
meu corpo dando um nó
que vai faltar neguin pra ver
Cangote que tem esse poder a gente tem que beijar
Cangote que nesse farfalhar cheira mais que alecrim
Cangote que me faz bem feliz devo arrepiar
Cangote que é tão bom de amar deve ser
Pra se cheirar, pra se esconder
Pra se espremer , pra se abraçar
Pra se molhar, pra se morder
Pra se fungar, pra se querer....
Bernardo Bravo
ARLEQUIM
“Saudade...saudade é o perfume da ausência”
(Bernardo Bravo) recitado por Augusta Zanette
4-Saudade (Bernardo Bravo/Chiquinha Gonzaga)- partitura
recolhida através do acervo musical de Chiquinha Gonzaga.
Interpretação Bruno Piazza.
O jeito que eu fiquei, amor
sem ter pra onde ir
Quem sabe amor
Saudades de você, amor
foi bem melhor partir
Saudade do teu cheiro, amor
Quem sabe amor
Teu gosto e tua voz
se despedir seria perdurar bem
a sussurrar no ouvido o melhor
mais
de nós
o nosso adeus
O jeito que eu fiquei, amor,
lá está sob o luar
no fim pra onde vai?
imaginado só por quem
Saudades de você, amor...
saudoso aqui por ti está
Cadê o nosso olhar, amor?
Carícia, beijo e suor
O que se fez de nós, amor?
sonhar voltar, por quê?
no fim pra onde vai?
O que se fez de nós, amor?
Cadê o nosso olhar, amor
Foi bem melhor partir...
cadê o nosso gesto e flor?
Pra onde vai o amor, amor?
Carícia, beijo e suor?
Será que vai ouvir, amor,
Vem cá me olhar, vem ver...
todas as canções que eu fiz pra
ver se você vem?
Bernardo Bravo
ARLEQUIM
5-Blues (Bernardo Bravo)- arranjo e intepretação por
Fábio Cardoso
Eu quero um amor
e um maço de cigarros
pra aguentar as intempéries
as barbáries, as mulheres
e o que mais me surgir
Eu quero uma taça cheia de ideias
quero sorver a duras penas
maneiras incorretas de ser feliz
Eu quero fogos e afagos,
estragos e uns bons tragos
toda vez que eu for me redimir
Quero doces e beijinhos
doses de carinho
solfejado em blues pra eu dormir
Bernardo Bravo
ARLEQUIM
6-Inimaginável (Troy Rossilho/ Luiz Felipe Leprevost)- arranjo e
intepretação por Vinícius Nisi
Um dia eu vou me perder
Eu vou entrar fundo
Eu vou atravessar a fronteira mais escura do mundo
Um abismo nublado pode estar tramando algo...
Inimaginável
Inimaginável
Eu vou fazer turismo dentro do próprio organismo
Eu vou me aventurar no meu centro
Não posso fugir de mim
Se só tenho saídas pra dentro
Eu vou me aventurar no meu centro
Não posso fugir de mim
se só tenho saídas pra dentro.
Bernardo Bravo
ARLEQUIM
“Meu bom humor mora na tua pele”
(Bernardo Bravo) recitado por Nina Araújo
7-Coisado (Bernardo Bravo)- arranjo e intepretação por Bruno
Piazza. participação especial de Amanda Pacífico. Música
incidental: Conversa de Botas Batidas (Marcelo Camelo). Vaza daqui!
Não quero hoje toque de mão
Eu hoje não tô mesmo afim
de briga ou qualquer discussão
Vaza daqui!
Com esse seu jeitinho feliz
Eu hoje não me reconheci
Eu hoje canto belo pra ter
a paz que eu perdi, a paz
quéde o meu amor, pro meu humor mudar?
Pra tu assim falar com quem vai
tá ao lado teu até o final?
O nosso amor a gente faz.
Quéde a tua fé em prol do que
lhe apraz?
Vem, senta aqui
Me conta o que lhe aflige de vez
Deságua teu rancor pelo olhar
incensa com alívio esse nó
Vem, senta aqui
e deixa assim correr sem falar
carinho cura até quem não tem
Olha eu aqui, todinha
um jeito doce de se mostrar
só pra tu degustar...
no colo a gente se desfaz
Vim cá pra clarear teu viver
Vim cá te lembrar de sonhar ah, como é tão bom a gente se
abraçar!!
O que é que se deu pra tu assim
ficar tão de mal?
Bernardo Bravo
ARLEQUIM
8-Santa Maria (André Prodóssimo/Bernardo Bravo)- arranjo e
intepretação por Fábio Cardoso participação especial de Chiris
Gomes, recitando o poema “Da paixão II”.
Ai, dona moça do café
vem cá não sai
devolve aqui meu bem querer
eu venho todo apressado e broto
bicar o doce amargo quente de você
Eu venho te ver
Eu venho aqui provar
Teu caramelo
Teu rosto belo
que não me deixa descansar
Ai dona moça do café um cafuné
não vá negar pra quem quer ter
Tua companhia a toda hora
a todo instante
não desfaça de um amante que marido
ainda quer ser
Ai dona moça do café
eu te ofereço em guardanapo
o teu buque
e faço votos de um sincero bom começo
pro nosso amor um adereço de prazer
eu reconheço
Não ganho tanto assim
mas tenho muito a dar
pro nosso teto
pro nosso feto
que um dia a gente vai pilar
Ai dona moça do café
desista agora dessa vida démodé
eu quero prosa, bem de perto, sob o terço
te jurar amor eterno,
terno berço pra te entreter
da paixão II
é perigosa a paixão
mas é gostosa
vicia a mente sã
e entocha a graça
escorrega pelo olhar
entorna o vão
no corpo, o coração
é lã dispersa
é danada a paixão
mas é danosa
é divina, stradivária
é musical
inspira e pira em cima
dos amantes, santuária
cria sozinha esse poema
assim, banal.
é fascinante a paixão
infastiosa
lunar celebração
da raça
epidêmica sensação
tão desditosa
que assim como a cançãodá e passa.
Ai dona moça do café
vem adoçar meu dia a dia e vem dizer
que casa agora, hoje, agora, agora mesmo
de avental, de toca e preto com glacê
que par de deux!
prometo te servir
às vezes degustar
mascavo errante
ou com adoçante
quentinho e forte te abraçar
Ai, dona moça, do café
eu peço inevitavelmente pra você
mais uma xícara de encontro e nostalgia
pra brindar a toda vida que ainda
juntos vamos beber....
Bernardo Bravo
ARLEQUIM
9-Lua Madrinha (Rafael Alterio/Rita Alterio)-arranjo e
intepretação por Bruno Piazza
Primeiro, Estrela de Prata
chegou no fim da tardinha
bateu uma revoada
pras bandas da ribeirinha
Foi cortejando a florada
varrendo erva daninha
chamando a lua minguada
que rodopiava sozinha
E então a terra bordada
de ouro em sua bainha
a beira do rio coroada
pensou que fosse rainha
casou com a noite estrelada
a lua foi sua madrinha
vestindo véu e grinalda
e todo o sereno que tinha
De longe se ouviu a toada
cantada feito ladainha
querendo fazer serenata
pra ser o condão da varinha
que encerra o dia na mata
e como quem adivinha
o pôr-do-sol arremata
o canto da pastorinha
Nos braços da madrugada
o vento soprou a valsinha
dançou a noiva encantada
enquanto a aurora não vinha
e quando chegou alvorada
a noite se escondeu na linha
do horizonte, que guarda
a estrela pro fim da tardinha
Bernardo Bravo
ARLEQUIM
10- A geada (Octávio Camargo/ Alexandre França)- arranjo e
intepretação por Fábio Cardoso
A geada chegou
soprando todo o fogo
o vento provocava sua fala
improvisada dor
parando com o verbo
o vento congelando fragmentos do meu olhar
um arranha-céu
os dedos do ar
uma estrela que apagava num estalo
Observava
o teu silêncio
você me oferecendo um cigarro
num desses café do centro
eu te procurava
e você me encontrava
destilando seu andar lentamente
te solucionava
e você a me entregar todo o mal guardado
num cofre
dentro da sua cabeça
um beijo de tchau
Bernardo Bravo
ARLEQUIM
11- Quase lá (Dú Gomide/ Flávio Alves) arranjo e intepretação
por Bruno Piazza
Lá vou eu
Todo seu
Quase sem ninguém
Já que sou
Quase só
Quase me cai bem
Quase aqui
Quase lá
Sempre muito aquém
Entre eu
E você
Há sempre um porém
Cá estou eu
Sempre seu
Entre nós, ninguém
Já que estou
Quase só
Quase tenho um bem
Mas sorri
Feito alguém
Que está muito além
Entre eu
E você
Há sempre um porém
Bernardo Bravo
ARLEQUIM
12-Trago (Estrela Leminski/Teo Ruiz/Fábio Navarro) arranjo e
intepretação por Fábio Cardoso
Amor perdido ardiloso
pelo asfalto frio
em piche de solidão amargo
Queima pelos cantos,
nos bueiros penetra
em tantos sonhos
cansados
mas a vida é trago
mas a vida é tra – a –a –a – go
Distorce a morte amargurada
mirante da cidade dissolvida
em cinza de cigarro
em cada pele úmida
suspenso perdão
no horizonte enfim
ou não
Mas a vida é trago
Bernardo Bravo
ARLEQUIM
“A vida no pavio, chama”
(Bernardo Bravo) recitado por Bernardo Bravo
13-Zeppelin (Lívia Lakomy)- arranjo e intepretação por Bruno
Piazza. participação especial de Lívia Lakomy
Vem olhar pro céu, vem dar tchau
um zepelim eclipsa o sol
Vem aproveitar o verão de 36
às sombras do edifício Garcez
Vem ver, vem guardar na memória
Vem ver, tem um mundo inteiro lá fora
um mundo inteiro
lá fora tem um mundo inteiro
O bonde vai, o bonde vem
um dia a gente chega lá
um ponto no mapa, no meio do nada
que o mundo resolveu visitar
Bernardo Bravo
ARLEQUIM
14-Beijador (Cauê Menandro/Bernardo Bravo)-arranjo e
intepretação por Bruno Piazza
Faço estes meus versos no intento de te alçar
feito um beija-flor
no teu lábio em cor colher o doce que nele há
ah, contigo eu vou
voar por entre dois mundos
nós dois a sós
Se eu me apaixonar não leve a mal , o meu coração
é um colibri
Voa céu e mar buscando um amor que lhe há de salvar
beija aqui e ali
mil vezes a palpitar por quem não lhe quer
E mesmo assim, sem nem saber
´cê chega enfim a florescer
no meu jardim, no meu quintal
Se a chuva aguar, você florir
Se eu te beijar, polinizar
Será que o altar, vai nos unir?
Juro te cuidar com gestos simples, sem te podar
folha ou qualquer
que venha desse amor
brotando um aroma tão seu no ar
eu, teu beijador
hei da afagar teus carpelos se assim quiser
Faço estes meus versos no intento de te alçar
feito um beija-flor...
Bernardo Bravo
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