A RELAÇÃO ENTRE GRADUAÇÃO E PÓS­GRADUAÇÃO
STRICTO SENSU NA UPE
Gabriela Régis Spinelli
Aluna de Graduação da Faculdade de Odontologia de Pernambuco – FOP/UPE
Cintia Regina Tornisiello Katz Professora da Faculdade de Odontologia de Pernambuco – FOP/UPE
RESUMO
Os programas de pós­graduação stricto sensu devem apresentar relação com os cursos de graduação, seja através da iniciação científica, seja através do estágio docente desenvolvido pelos estudantes de pós­graduação. No entanto, esta relação nem sempre ocorre de forma adequada, sendo necessário identificar a situação atual, visando contribuir com propostas de integração e interação. Nesse sentido, este trabalho objetivou avaliar a relação entre graduação e pós­graduação stricto sensu da UPE de forma quantitativa e qualitativa. Foram enviados questionários estruturados aos coordenadores dos 8 programas de pós­graduação stricto sensu da UPE: Odontologia, Hebiatria, Engenharia da Computação, Engenharia Civil, Educação Física, Biologia Celular e Molecular Aplicada, Vigilância em Saúde e Ciências da Saúde. Na opinião dos coordenadores participantes existe integração entre a graduação e a pós­graduação stricto sensu na UPE. Entretanto, os mesmos revelaram dificuldades em encontrar publicações que contemplassem, no mesmo trabalho, alunos de graduação, pós­graduação e docentes. Os mesmos registraram a presença de publicações entre docentes e alunos de pós­graduação e entre docentes e alunos de graduação, separadamente. Como propostas para melhorar esta relação, os coordenadores sugeriram aumentar o número de projetos de iniciação científica, considerando o número de docentes dos programas que não submetem continuamente pedidos de bolsas; estimular como atividades do estágio de docência a participação de alunos de pós­graduação no processo de planejamento das atividades de ensino e avaliações, na orientação de trabalhos de conclusão de curso e preceptoria de alunos de graduação; e estimular as publicações que contemplem alunos de pós­graduação, graduação e docentes, em conjunto.
INTRODUÇÃO
De acordo com o Plano Nacional de Educação, o ensino superior qualificado cumpre importante função estratégica para o desenvolvimento do país, das instituições e das pessoas. A graduação e a pós­graduação são âmbitos específicos do ensino superior, devendo cumprir finalidades próprias e complementares. A Constituição Federal de 1988 privilegia a figura Universidade por meio de um artigo próprio: o artigo 207. Ao tratar da definição de Universidade, este artigo não pede que o ensino se isole na graduação ou que a pesquisa seja propriedade privada da pós­graduação. A pesquisa, o ensino e a extensão são indissociáveis na Universidade, e por isso, as três funções são institucionais no seu todo, e como funções permanentes, devem estar presentes no conjunto universitário.
Nesse sentido, verifica­se que a pesquisa, componente específico da pós­graduação, e o ensino, componente específico da graduação, devem caminhar juntos e articulados com o fim de permitir a mútua criatividade. A relação de circularidade virtuosa entre ambos os níveis é positiva tanto para a graduação como para a pós­graduação, sendo que a melhoria na primeira conduz a um mais alto desempenho dos formados em sua profissionalização e permite estudantes mais bem preparados para uma atuação dinâmica da pós­graduação (CURY, 2004).
Considerando que a relação entre graduação e pós­graduação nem sempre ocorre de forma adequada nas universidades brasileiras (CURY, 2004), este trabalho tem como objetivo identificar a situação atual dos programas da Universidade de Pernambuco, visando contribuir com propostas de integração e interação. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Com o objetivo de avaliar a relação entre graduação e pós­graduação stricto sensu da UPE de forma quantitativa e qualitativa, foram enviados questionários estruturados aos coordenadores dos 8 programas de pós­graduação stricto sensu da UPE: Odontologia, Hebiatria, Engenharia da Computação, Engenharia Civil, Educação Física, Biologia Celular e Molecular Aplicada, Vigilância em Saúde e Ciências da Saúde. Os dados obtidos foram registrados e analisados no Programa SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) versão 13.0 (SPSS Inc., Chicago, IL, EUA). Foi utilizada a estatística descritiva, envolvendo a obtenção das distribuições de freqüências absolutas e percentuais, apresentadas sob a forma de tabelas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os questionários foram entregues em mãos ou via e­mail para os 8 coordenadores de programas de pós­graduação da UPE. Dos 8 coordenadores a participar da pesquisa, apenas 3 devolveram os questionários respondidos (Quadro 1). Quadro 1: Avaliação qualitativa da relação graduação e pós­graduação stricto sensu na UPE, de acordo com as repostas dos coordenadores dos programas: Hebiatria, Ciências da Saúde e Engenharia Civil.
Variável (no)
HEBIATRIA
CIÊNCIAS
DA SAÚDE
ENGENHARIA
CIVIL
Número de alunos de pós­graduação vinculados ao programa
16 (mestrado)
39 (mestrado)
17 (mestrado)
2
7
6
5
7
17
7
20
6
5
20
7
11
39
17
Número de alunos com bolsa
Projetos de Iniciação científica vinculados ao programa
Alunos de graduação envolvidos em projetos de pesquisa
Alunos de pós­graduação envolvidos em projetos de Iniciação Científica
Alunos de Pós­Graduação envolvidos com atividades de graduação (estágio docente)
Alunos de Pós­graduação orientando trabalhos de conclusão de curso
5
1
1
Através da avaliação quantitativa da relação entre a graduação e pós­graduação na UPE, segundo as respostas dos participantes do estudo (Tabela 1), verificou­se que o programa de Ciências da Saúde foi o que apresentou maior número de alunos de graduação envolvidos em projetos de pesquisa ou iniciação científica e o maior número de alunos de pós­
graduação envolvidos em atividades de graduação (estágio docente). Observou­se que os programas participantes apresentaram um pequeno número de alunos orientando trabalhos de conclusão de curso. Considerando o total de alunos de pós­graduação, verificou­se um pequeno número de alunos de pós­graduação envolvidos em projetos de iniciação científica (menos da metade do total de alunos participantes dos programas).
Considerando­se a avaliação qualitativa, na opinião dos participantes, verificou­se que existe integração entre a graduação e a pós­graduação stricto sensu na UPE. Entretanto, os mesmos revelaram dificuldades em encontrar publicações que contemplassem, na mesma publicação, alunos de graduação, pós­graduação e docentes. Os mesmos registraram a presença de publicações entre docentes e alunos de pós­graduação e entre docentes e alunos de graduação, separadamente.
Como propostas para melhorar a relação entre a graduação e a pós­graduação stricto sensu na UPE foram sugeridas as seguintes propostas: aumentar o número de projetos de iniciação científica, considerando o número de docentes dos programas que não submetem continuamente pedidos de bolsas; estimular como atividades do estágio de docência a participação de alunos de pós­graduação no processo de planejamento das atividades de ensino e avaliações, na orientação de trabalhos de conclusão de curso e preceptoria de alunos de graduação; e estimular as publicações que contemplem alunos de pós­graduação, graduação e docentes, em conjunto.
CONCLUSÃO
De acordo com o relato dos coordenadores entrevistados, existe integração entre a graduação e pós­graduação stricto sensu na UPE. Entretanto, verificou­se que menos da metade dos alunos de pós­graduação estão envolvidos em projetos de iniciação científica ou em outras atividades de graduação, como a orientação de trabalhos de conclusão de curso. Estes resultados chamaram a atenção para a necessidade de estimular uma maior participação de alunos de pós­graduação no processo de planejamento das atividades de ensino, além de estimular as publicações que contemplem alunos de pós­graduação, graduação e docentes, em conjunto.
REFERÊNCIAS
CURY, CRJ. Graduação/pós­graduação: a busca de uma relação virtuosa Educ. Soc., Campinas, vol. 25, n. 88, p. 777­793, Especial ­ Out. 2004. Disponível em <http://www.cedes.unicamp.br>
MAZON, L.; TREVIZAN, MA. Fecundando o processo da interdisciplinaridade na iniciação científica. Rev. Latino­Am. Enfermagem. 2001, vol. 9, no. 4, p. 83­87. ALENCASTRE, MB.;, EVORA, YDM; SCOCHI, CGS et al. Programa institucional de bolsas de iniciação científica: experiência da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Rev. Latino­Am. Enfermagem 1996, v. 4, n. 2, p. 229­236.
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