II Simpósio Brasileiro de Geomática V Colóquio Brasileiro de Ciências Geodésicas Presidente Prudente - SP, 24-27 de julho de 2007 ISSN 1981-6251, p. 996-1002 VALIDAÇÃO DE NUVENS E SOMBRAS DETECTADAS EM IMAGENS CCD/CBERS POR CORRELAÇÃO DE PONTOS CANDIDATOS WILLIAN ALVES DA SILVA 1 NILTON NOBUHIRO IMAI 1 AIRTON MARCO POLIDORIO 2 1 Universidade Estadual Paulista - UNESP Rua Roberto Simonsen, 305 Cep: 19060-900 Presidente Prudente – SP, Brasil. [email protected] [email protected] 2 Universidade Estadual de Maringá - UEM Avenida Colombo, 5790 – Cep: 87020-900 Maringá – PR, Brasil. [email protected] RESUMO – Nuvens e sombras causam sérias interferências em imagens aéreas e orbitais, degradando a resposta radiométrica e/ou causando a completa ocultação da superfície, reduzindo a área útil da cena. Técnicas utilizadas para a detecção de nuvens, baseadas na resposta espectral, em alguns casos, não produzem resultados satisfatórios, quando na cena estão envolvidos elementos como solo arenoso, dunas, gelo e neve que pela alta reflectância desses elementos são confundidos com nuvens. Corpos d’água e solos de cor escura também são facilmente confundidos com sombras. Este trabalho apresenta uma técnica que correlaciona os resultados de detecção de sombras e de nuvens produzidos por tais técnicas, com o objetivo de refinar esses resultados para eliminar esses falsos resultados. ABSTRACT - Clouds and shadows cause serious interferences in aerial and orbital images, degrading the radiometric response and/or causing the complete occultation of the terrain surface, reducing the useful area of the scene. Those interferences can drive detection and segmentation processes to produce wrong results. Techniques used for clouds detection of, based only on radiometric analysis, in some cases, do not produce satisfactory results, as in the scenes that involve elements as sandy soil; dunes; ice and snow that possess high reflectance values, like a cloud and; water bodies and dark colored soils can be confused with shadows. This work presents a technique that correlates the results of shadows and clouds detection produced by such methods, with the objective of refining those results to eliminate those false results and to validate the correct results. 1. INTRODUÇÃO Nuvens causam sérias interferências em imagens aéreas e orbitais degradando a resposta radiométrica ou provocando redução na área útil da imagem. Devido a isso imagens de sensoriamento remoto, adquiridas por sensores instalados em plataformas orbitais, com resolução espacial média, como o ETM do sistema Landsat e o CCD do CBERS, são disponibilizadas com informação de percentual de cobertura de nuvens. Entretanto, a redução da área útil da imagem pode, em alguns casos, ser superior ao dobro desse valor percentual, uma vez que também deve ser considerada a degradação provocada por sombras projetadas por essas nuvens sobre o terreno imageado. As técnicas utilizadas para a detecção de sombras e nuvens baseadas em suas respectivas respostas espectrais (cor), costumam falhar se na cena estiverem presentes classes que apresentam características semelhantes às que W. A. da Silva; N. N. Imai; M. A. Polidorio apresentam nuvens e sombras, como corpos d’água e solo exposto de alta radiância. Corpos d’água apresentam regularmente baixa radiância, devido ao fato da maior parcela da energia luminosa que incide sobre eles é transmitida, absorvida e dispersada,. Regiões afetadas por sombras também apresentam essas mesmas características, porém devido ao pequeno fluxo de energia luminosa que incide diretamente sobre a região afetada. Determinados tipos de solo exposto, tais como solo arenoso, calcário, alguns tipos de argila e solo glacial, apresentam altas reflectâncias em todas as regiões do espectro eletromagnético, similares aos valores de reflectância registrados para nuvens. As nuvens têm alta radiância devido ao espalhamento atmosférico não-seletivo da energia luminosa incidente que ao desviar indiscriminadamente todos os comprimentos de onda, do espectro visível produz a luz branca, devido ao efeito II Simpósio Brasileiro de Geomática V Colóquio Brasileiro de Ciências Geodésicas aditivo de todos os comprimentos de onda do espectro visível (Polidorio et al., 2005). Se, somente atributos de cor forem usados para discriminar nuvens e sombras nem sempre será possível separar corpos d’água de sombras e nuvens de outros elementos de alta radiância. Nuvens suficientemente espessas, tais como as do tipo Cumulos e alguns do tipo Stratos (baixas e densas), são mais facilmente detectadas que as dos tipos Cirros e Altos (altas e geralmente finas). Nuvens do tipo Cumulos projetam sombras mais escuras que são mais fáceis de serem detectadas pelas técnicas baseadas nas respostas espectrais. Este trabalho propõe um método automático para correlacionar os resultados de discriminação de sombras e de nuvens, obtidos pela aplicação de uma técnica qualquer de detecção. O método proposto neste trabalho permite ainda que tal técnica de detecção tenha seus valores paramétricos relaxados, com objetivo de ampliar o resultado da segmentação de sombras e nuvens, mesmo que ocorra um excesso de pixels incluídos na segmentação, isto é, obter resultados que contenham outros elementos não relacionados com sombras e nuvens. Pois, neste trabalho, esses resultados preliminares são tratados como candidatos, os quais devem ser ainda relacionados com sombras e nuvens. Tal relacionamento visa descartar aqueles resultados que não são correlacionados com sombras e nuvens e, com isso, confirmar os resultados corretamente detectados. Na verdade, a proposta corresponde a um processo de refinamento dos resultados produzidos por outras técnicas Esse refinamento é baseado na análise de correspondência de pares sombra-nuvem. Esse processo melhora os resultados positivos da detecção e mensuração prévia de cobertura de nuvens e sombras em segmentos de imagens do CCD/CBERS. 2. TRABALHOS PRÉVIOS Song e Civco (2002) usaram imagens das bandas 1 e 4 do Landsat TM adquiridas em duas datas diferentes d1 e d2 para detectar e reduzir áreas cobertas por nuvens e sombras. Primeiro, fizeram um ajuste radiométrico entre as imagens temporais para equilibrar o brilho e o contraste dos valores DN (Digital Number) dessas imagens com base na variação dos valores de brilho e no conhecimento prévio do Modelo Digital do Terreno, ao considerarem que a variação de relevo tem influência significativa na resposta radiométrica observada. A observação da resposta espectral dos alvos mostrou que a imagem da banda 1, desse sensor, possui melhores condições para detectar nuvens e a imagem da banda 4 para detectar sombras. Com base nessa observação empírica, os autores especificaram valores de limiar sobre os valores de brilho de cada banda como, por exemplo, valores maiores que 41 na imagem da banda 1 da data d1 incluem nuvens e menores que 33 na imagem da banda 1 da data d2 não incluem nuvens. Presume-se que a aplicação desses valores de limiar simplifique as imagens, pois eliminam algumas classes que não são nem sombras nem nuvens. No passo seguinte foi aplicado um limiar de tolerância, maior que 10, sobre o resultado da subtração entre as imagens das datas d1 e d2 da banda 1 para destacar W. A. da Silva; N. N. Imai; M. A. Polidorio Presidente Prudente - SP, 24-27 de julho de 2007 diferenças significativas entre as duas imagens. Fazendo a intersecção entre as imagens simplificadas e a imagem contendo diferenças expressivas, as áreas de nuvens são mais precisamente detectadas, exceto nas áreas em que houve a coincidência de nuvens nas imagens das duas datas. O mesmo raciocínio é aplicado para detectar sombras sobre as imagens da banda 4. Polidorio et al., (2003) associaram regiões de sombra com os componentes S e I do sistema de cor HSI usando a composição colorida R3G2B1 (imagens CBERS e Landsat). Sombras são regiões de baixa intensidade luminosa (I), causada pelo bloqueio da incidência de luz direta e, com alta saturação (S) causada pelo espalhamento atmosférico de Rayleigh. A diferença I – S produz valores menores ou iguais à zero para aquelas regiões afetadas por sombras (ou candidatas). A detecção final das áreas sombreadas é feita pela aplicação de limiarização com valor k sobre as regiões candidatas. Polidório et al (2005) propuseram um método para detectar e discriminar sombras, nuvens e corpos d’água que se baseia na exploração das diferenças de resposta espectral e atributos de cor dessas classes. Para explorar as diferenças da resposta radiométrica entre as várias feições que compõem a imagem, usaram os índices Normalized Difference Vegetagion Index NDVI (Jensen, 2002) e o Normalized Difference Water Index - NDWI (Polidorio et al, 2004), os quais são computados usando as imagens das bandas 4, 3 e 2 adquiridas pelas câmaras CCD do CBERS. A fim de realizar parte da análise também foram computados os atributos de cor S (saturação) e I (intensidade) do sistema de cor HSI, obtidos pela transformação da composição colorida R3G2B1. Choi e Bindschadler (2004) usaram uma técnica para correlacionar a presença de nuvens com presença de sombras para melhorar a confiabilidade das identificações de nuvens sob solo congelado, situação essa onde as características da superfície do terreno são muito semelhantes às características das nuvens. Sabendo-se o azimute solar podem-se “cruzar” as informações vindas de áreas possivelmente cobertas por nuvens com as possivelmente cobertas por sombras. Tal técnica faz uso de várias funções morfológicas, índices quantitativos e múltiplas iterações foram necessários para determinar a distribuição de nuvens que melhor condizem com a distribuição das possíveis sombras. 3. DETECÇÃO DE NUVENS E SOMBRAS Em virtude da complexidade de alguns dos métodos apresentados, que podem tornar a sua utilização muitas vezes inviável em virtude da grande quantidade de dados e formulações a serem processadas, este trabalho faz uso de um método paramétrico relaxado para produzir o maior número de pontos candidatos possível. Com isso objetivou-se adotar um algoritmo rápido cujos erros sejam principalmente de inclusão, com poucos erros de omissão. Este método está baseado nas Equações 1 até 4: II Simpósio Brasileiro de Geomática V Colóquio Brasileiro de Ciências Geodésicas ⎧⎪Sb2 = b2 < (min ( b2 ) + 25) ⎨ ⎪⎩Sb4 = b4 < (min ( b4 ) + 60) Sf = Sb2 I Sb4 ⎧ ⎧1, se b1 > 110 ⎪ N b1 = ⎨ ⎩0, caso contrário ⎪ ⎪ ⎧1, se b2 > 150 ⎪ N b2 = ⎨ ⎪ ⎩0, caso contrário ⎨ ⎪ N = ⎧1, se b3 > 130 ⎪ b3 ⎨⎩0, caso contrário ⎪ ⎪ ⎧1, se b1 > 150 ⎪ N b4 = ⎨ ⎪⎩ ⎩0, caso contrário N f = (N b1 + N b2 + N b3 + N b4 ) ≥ 3 (1) (2) (3) (4) Sendo: b1, b2 e b3 os valores do pixel avaliado nas bandas 1, 2 e 3 do sensor CCD/CBERS, os quais correspondem aproximadamente a luz azul, verde e vermelho da região do visível do espectro eletromagnético. A banda 4 da imagem CCD/CBERS é representada por b4 e o valor de cada pixel por b4 e corresponde à faixa do espectro conhecida como infravermelho próximo. Pixels de sombra apresentam baixos valores de brilho em qualquer uma das quatro bandas do sensor CCD/CBERS, devido à ausência de radiação incidente diretamente sobre as regiões afetadas. Na imagem da banda 4 tem-se um alto contraste entre sombras e vegetação, porém corpos d’água também refletem pouca energia. Na imagem da banda 2 tem-se menor contraste entre pixels das classes sombra e cobertura do solo. Porém corpos d´água pouco profundos ou com material em suspensão apresentam valores relativamente altos. Assim, foram determinados, empiricamente, valores de limiares baseados nos valores mínimos observados nas imagens das bandas b2 e b4 (Equação 1) para segmentar os pontos candidatos a sombra (Equação 2). Para a detecção dos candidatos a ponto de nuvem, são utilizadas as imagens das quatro bandas disponíveis, através do estabelecimento de valores de limiar empiricamente determinados (Equação 3). Somente os pixels selecionados em pelo menos três das quatro possibilidades são aceitos como candidatos a pontos de nuvem (Equação 4).Todos os valores de limiares determinados foram estabelecidos de forma a garantir sua aplicação em todas as imagens testadas sem a necessidade de ajustes radiométricos ou qualquer outra pré-análise da imagem visando simplificar o processamento. 4. CORRELAÇÃO DO PAR NUVEM-SOMBRA Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que a correlação nuvem-sombra somente é possível quando uma dada nuvem projeta sombra, o que nem sempre ocorre, pois certos tipos de nuvens, principalmente as dos tipos Cirros e Alto, em virtude da sua pequena espessura e/ou grande altura pode ter suas sombras amenizadas pela luminosidade W. A. da Silva; N. N. Imai; M. A. Polidorio Presidente Prudente - SP, 24-27 de julho de 2007 atmosférica. A correlação é indicada para a detecção de nuvens de baixa altitude, tais como as nuvens dos tipos Cumulus e Stratocumulus, que apresentem sombras detectáveis e normalmente ocupam pequenas áreas, tornando-as semelhantes às feições de alta reflectância existentes sobre o território brasileiro. Uma vez feita a detecção dos candidatos a nuvens e sombras, a correlação nuvem-sombra é aplicada em duas fases: (1) na primeira fase são feitas restrições geométricas sobre os pontos candidatos a sombras, com base na localização e na área das sombras projetadas pelos pontos candidatos a nuvens para confirmar os pixels da classe sombra; (2) a segunda fase consiste na confirmação dos pixels da classe nuvem a partir das sombras já confirmadas. Tratar relações geométricas entre nuvens e sombras é um processo que envolve muitos detalhes. Devido a muitos fatores como relevo ou nível de opacidade nas bordas de uma nuvem, a relação geométrica mais confiável entre nuvens e sombras está nas medidas de suas larguras (larguras medidas de forma perpendicular ao azimute solar). Isto se deve: (1) a distribuição vertical da nuvem, não perceptível do ponto de vista do sensor orbital; (2) a inclinação dos raios solares referentes ao horário do imageamento; (3) à curvatura da terra e a topografia do terreno. Esse último fator não é considerado neste trabalho por duas razões: primeiramente, seria necessário o conhecimento prévio da topografia da região dificultando assim a aplicação da correlação de forma completamente automática, e a segunda razão é a relativa raridade de grandes desníveis na superfície do território brasileiro, desta forma a superfície foi considerada plana para a modelagem da correlação. 5. PROCESSAMENTO DAS MÁSCARAS Para simplificar o modelo matemático relacionado com esse processo de correlação entre os pares de pixels das classes nuvem-sombra, todo o processamento realizado é feito em imagens nas quais as colunas da imagem a ser analisada estão alinhadas com a direção de incidência dos raios solares na cena. Esse alinhamento é feito pela aplicação de uma transformação de rotação das imagens previamente classificadas pelo valor angular do azimute solar. As imagens giradas são processadas coluna a coluna. Assim, cada coluna da imagem pode ser tratada independentemente e, desta forma, a área de uma entidade torna-se equivalente à extensão dessa entidade na coluna. Também é aplicado um processo de dilatação dos pixels de uma região classificada como nuvem, para que pequenos buracos, descontinuidades ou variações bruscas na forma sejam eliminados ou diminuídos. Essa filtragem passa-baixa é importante para que partes da mesma nuvem não sejam processadas separadamente. II Simpósio Brasileiro de Geomática V Colóquio Brasileiro de Ciências Geodésicas Presidente Prudente - SP, 24-27 de julho de 2007 Os valores de alturas máximas e mínimas para a ocorrência das nuvens, foram especificados através de um processo inverso ao exposto na figura 2. Sobre as imagens foram medidas as distâncias que separam o início/fim de uma nuvem e o inicio/fim da sua respectiva sombra ( Dist max e Dist min ). Com a aplicação (a) da expressão que relaciona as distâncias entre sombra e nuvem com hmaxou min como incógnita, foi possível (b) (c) Figura 1: (a) Composição R3G4B2 contendo nuvens e solo exposto; (b) resultado do método de detecção utilizado sobreposto à imagem anterior, candidatas a nuvem em azul e sombras em amarelo; (c) alinhamento das imagens classificadas pela rotação com o ângulo do azimute solar. 6. CONFIRMAÇÃO DAS SOMBRAS Para prever onde uma possível nuvem projeta a sua sombra são usadas as informações de alturas máxima e mínima das nuvens. Conhecendo-se essas alturas e o valor do ângulo de elevação solar, pode-se determinar a partir dos pixels candidatos à nuvem, quais deles têm possibilidades de projetar sombras na área imageada (Figura 2). Distmaxoumin = hmaxoumin tan(e).GSD Figura 2: Representação de uma coluna da imagem, contendo pixels candidatos à nuvem (brancos), pixels de outras classes (laranja) e os pixels onde existe a possibilidade de sombras (em azul) abrangendo toda região realmente sombreada. Onde: Dist: é a distância de projeção máxima ou mínima medida em pixels. e: é o angulo de elevação solar. h: é a altura máxima ou mínima especificada para a ocorrência de nuvens, em metros. GSD: (ground sample distance) é a extensão que cada pixel cobre sobre a superfície imageada (equivalem a 20 metros para imagens CCD/CBERS). W. A. da Silva; N. N. Imai; M. A. Polidorio determinar as altura máxima e mínima de algumas nuvens de cenas amostradas. Neste trabalho foram adotados os maiores e menores valores encontrados entre todas as imagens analisadas. Após a delimitação da região de busca de uma sombra específica, estimam-se, através da nuvem correspondente, as dimensões da sombra por ela projetada. Com isso pretende-se excluir falsos candidatos à sombra que não estejam localizados dentro das áreas de projeção determinadas pelo procedimento. Uma nuvem de pequena extensão, deve também projetar uma sombra de pequena extensão. A expectativa sobre a extensão mínima da sombra projetada é proporcional à extensão da nuvem. Esta proporcionalidade não é verificada se a extensão da nuvem for superior à distância da projeção mínima ( Dist min ) calculada para o local, neste caso a nuvem começa a ocultar sua própria sombra e assim, a expectativa sobre o tamanho mínimo da sombra fica limitada a essa distância. Desta forma é obtido o valor da expectativa mínima. A expectativa de extensão máxima da sombra é definida somando-se à expectativa mínima o valor referente à projeção adicional que se espera que o desenvolvimento vertical da nuvem (espessura) possa gerar. Esse desenvolvimento é determinado em função da extensão horizontal da nuvem seguindo a seguinte lógica: Uma nuvem deverá ter uma espessura proporcional a sua extensão horizontal e uma nuvem pequena é menos espessa que uma nuvem grande. Essa relação entre a extensão da nuvem e sua espessura é feita pelo fator de desenvolvimento vertical ( f ) que, apesar de, raramente ultrapassar o valor 2, para alguns casos, esse processamento somente obteve sucesso quando adotou valores superiores para f . O maior valor utilizado foi f = 4, o qual deve ser adotado em processamentos não supervisionados. Figura 3: Esquema das expectativas máximas e mínimas das sombras projetadas por cada nuvem. II Simpósio Brasileiro de Geomática V Colóquio Brasileiro de Ciências Geodésicas Presidente Prudente - SP, 24-27 de julho de 2007 7. CONFIRMAÇÃO DAS NUVENS Onde: espmax : é a expectativa máxima calculada. espmin : é a expectativa mínima. A : é o ângulo de elevação solar. f : é o fator de desenvolvimento vertical. As primeiras sombras encontradas que estiverem dentro das áreas de projeção cujos tamanhos estiverem entre os valores das expectativas máximas e mínimas determinados para a respectiva nuvem, respeitando o sentido da incidência dos raios solares, serão aceitas como verdadeiras. Esse é a condição padrão para a confirmação dos candidatos a sombra, porém existe um conjunto de situações onde esta condição não é valida. Citando apenas um exemplo: em áreas de projeção localizadas entre duas nuvens separadas por uma distância inferior ao valor estimado para a distância de projeção máxima ( Dist max ), Gerar parâmetros para prever o formato das nuvens a partir das sombras é uma tarefa arriscada, pois as sombras só apresentam forma ou área próxima às das nuvens geradoras quando não estão parcialmente ocultas, ou as nuvens não possuírem bordas muito fragmentadas ou transparentes e a superfície do terreno não possuir relevo acidentado. Nesta etapa é realizada a confirmação de todas as regiões candidatas à nuvens que geraram regiões de projeção onde sombras foram confirmadas. Para isso a partir das sombras confirmadas procura-se, no sentido inverso ao de incidência dos raios solares, por nuvens que quando encontradas terão toda sua extensão confirmada. há a possibilidade da sombra projetada estar parcialmente oculta pela segunda nuvem, desta forma, o critério de expectativa mínima para a área da sombra pode não ser satisfeito, devendo ser ignorado. (a) (a) (b) (b) (c) Figura 4: (a) Em azul, nuvens previamente classificadas e em (b) nuvens confirmadas a partir das sombras confirmadas (em amarelo) anteriormente; (c) resultado final. 8. RESULTADOS (c) Figura 3: (a) Em azul, regiões onde deveriam estar as sombras projetadas pelas candidatas a nuvem; (b) Em amarelo, seleção dos pixels previamente classificados como sombras localizadas dentro destas regiões; (c) Sombras que satisfizeram os critérios de tamanho determinados para as regiões onde se encontram. W. A. da Silva; N. N. Imai; M. A. Polidorio Os resultados dos testes confirmam a hipótese inicial de que a correlação entre uma nuvem e sua sombra, representadas em cenas e sub-cenas de imagens multiespectrais orbitais, pode ser usada para melhorar o resultado da discriminação realizada inicialmente com grande número de pixels de falsos candidatos de ambas as classes. Observou-se que, utilizado os parâmetros globais determinados, a eliminação de falsos candidatos foi de aproximadamente 85% enquanto a eliminação dos candidatos verdadeiros variou em torno de 20%, porém esses percentuais podem ser melhorados se forem utilizados parâmetros de processamento mais adequados para cada região e época do ano representada em cada imagem. II Simpósio Brasileiro de Geomática V Colóquio Brasileiro de Ciências Geodésicas Essa abordagem tem grandes potencial para identificação (por exclusão) de corpos d’água e regiões de queimada, assim como para identificação de superfícies de alta reflectância. Isso o torna um método que pode ser adaptado para outros objetivos. O fato desse método somente ser aplicado para certos gêneros de nuvens, traz o problema de inferir, à priori, a existência desses tipos de nuvens, de forma automática. Isso pode limitar a sua aplicação, mas devido aos pequenos percentuais de áreas de cobertura do terreno que os dois gêneros de nuvens especificados (Cumulus e Stratucomulus) costumam apresentar, pode-se fazer uma pré-analise de cada imagem a fim de avaliar a dimensão de regiões de alta reflectância e comparar com um valor limite e, ainda, cruzar com informações sobre o tamanho das possíveis superfícies de alta reflectância existentes em uma dada região. Os erros gerados nas feições próximas a borda da cena, devido a inexistência do alvo correspondente na correlação, é um problema que pode ser tratado. De qualquer modo, no processamento de cenas completas, esses erros terão influência reduzida na estatística final. Com isso concluí-se que o método de correlação do par nuvem-sombra proposto neste trabalho é capaz de produzir resultados de boa qualidade, não importando a semelhança espectral de outros elementos existentes na cena tanto com nuvens como com sombras. 8.1 Exemplos de resultados: Presidente Prudente - SP, 24-27 de julho de 2007 Região de floresta – Floresta amazônica Figura 6: Conjuntos de três imagens com: Composição R3G4B2; Classificação inicial com candidatos à nuvem em azul e candidatos à sombra em amarelo; Segmentação final após a aplicação da correlação. Esse método mostrou-se muito bom para eliminar a confusão entre sombras e corpos d’água. Região com queimadas de cana – Araraquara – SP Região com solo exposto – Barreirinhas – MA Figura 5: Conjuntos de três imagens com: Composição R3G4B2; Classificação inicial com candidatos à nuvem em azul e candidatos à sombra em amarelo; Segmentação final após a aplicação da correlação. A única nuvem presente na cena foi mantida e a grande parte dos falsos candidatos (rio e areia) foram eliminados. W. A. da Silva; N. N. Imai; M. A. Polidorio Figura 7: Conjuntos de três imagens com: Composição R3G4B2; Classificação inicial com candidatos à nuvem em azul e candidatos à sombra em amarelo; Segmentação final após a aplicação da correlação. Notase na parte inferior esquerda que várias regiões onde houve queima da vegetação e algumas represas foram corretamente eliminadas. II Simpósio Brasileiro de Geomática V Colóquio Brasileiro de Ciências Geodésicas Região de alta reflectância – Salar Uyuni – Bolívia Presidente Prudente - SP, 24-27 de julho de 2007 CHOI, H., BINDSCHADLER, R. Cloud detection in Landsat imagery of ice sheets using shadow matching technique and automatic normalized difference snow index threshold value decision. Remote Sensing of Environment 91 (2004) p.237–242 AGRADECIMENTOS Agradecemos imensamente à FAPESP pelo apoio financeiro, sem o qual este projeto de pesquisa não poderia ter sido realizado, ao Dr. Airton Marco Polidorio pela co-orientação do projeto, e ao INPE pelas imagens e por todo o suporte técnico oferecido. Também a todos os alunos da FCT-Unesp, em especial amigos da turma 2003 do curso de Engenharia Cartográfica e aos moradores da República Toska. Figura 8: Conjuntos de três imagens com: Composição R3G4B2; Classificação inicial com candidatos à nuvem em azul e candidatos à sombra em amarelo; Segmentação final após a aplicação da correlação. 9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS POLIDORIO, A. M., FLORES, F. C., FRANCO, C., IMAI, N. N., TOMMASELLI, A. M. G. Detecção automática de sombras e nuvens em imagens CBERS e Landsat 7 ETM. Anais XII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Goiânia, Brasil, 16-21 abril 2005, INPE, p. 4233-4240. POLIDORIO, A. M., IMAI, N. N., TOMMASELLI, A. M. G. Correção radiométrica das imagens multiespectrais CBERS e LANDSAT ETM usando atributos de reflectância e de cor. 2005 Anais XII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Goiânia, Brasil, 16-21 abril 2005, INPE, p. 4241-4248. POLIDORIO, A. M.; FLORES, F. C.; IMAI, N. N.; TOMMASELLI, A. M. G.; FRANCO, C. Automatic shadow segmentation in aerial color images. Proceedings of the IEEE XVI Brazilian Symposium on computer graphics and image processing, 12 – 15 October, São Carlos, Brazil, 2003. Proceedings… p. 270 – 277. SONG, M.; CIVCO, D. L. “A knowledge-based approach for reducing cloud and shadow”. ASPRS-ACSM Annual Conference and FIG XXII Congress April 22-26, 2002. Proceedings… available in CR-ROM. W. A. da Silva; N. N. Imai; M. A. Polidorio