CARACTERÍSTICAS DAS NUVENS DE ARCO EM SISTEMAS CONVECTIVOS DE MESOESCALA Anatoli Starostin e-mail: [email protected] Vagner Anabor e-mail: [email protected] RESUMO Foram analisados 16 Sistemas Convectivos de Mesoescala (SCM) acompanhados por nuvens em arco, os casos ocorreram entre dezembro de 2003 e maio de 2005. Tempo de vida das nuvens em arco variou de 0,6 a 7,4 horas com o valor médio de aproximadamente 3 horas. A velocidade da nuvens em arco relativa ao SCM variou de 17 a 53 km/h com um valor médio de 32 km/h. Quase metade das nuvens em arco teve comprimento entre 300 km a 500 km. O valor médio do comprimento das nuvens em arco foi igual a 410 km. Em 86% dos casos surgiram no estágio de diminuição atividade convectiva (redução da área do núcleo convectivo contornada pelo isocontorno de -70ºC. Foi mostrado que uma nuvens em arco, no médio, surge depois de passarem aproximadamente de 3 horas após do pico da intensidade do núcleo convectivo e marca o estágio da dissipação total deste núcleo). INTRODUÇÃO Com alguma freqüência durante a observação dos SCM através de imagens de satélite pode-se identificar nuvens em forma de linha fina. Com frequência estas linhas têm forma de arco. Estas linhas movem-se relativamente do SCM e com o tempo afastem-se do mesmos. No trabalho estas linhas foram chamadas de nuvens em arco. Nas figuras 1 e 2 são apresentados seis SCM acompanhados por núvens de arco. Todas imagens com a letra a) são imagens no canal infravermelho e imagens com a letra b) são as imagens de canal visual. Nestas figuras as nuvens em arco estão indicadas por setas. O objetivo deste trabalho é estudar as características das nuvens em arco e a ligação do aparecimento destas nuvens com os estágios de evolução dos SCM. DADOS Para a análise foram usadas as imagens coloridas (24 bits) de satélite geoestacionário GOES-12 com intervalo de meia hora com resolução espacial de 4 km, adquiridas no endereço do GOES PROJECT SCIENCE (http://goes.gsf.nasa.gov/goeseast/argentina/col or/). De cada imagem colorida foram separados três imagens de canais diferentes. Para isto desenvolveu-se um aplicativo em Visual Basic 6.0. Na análise foram utilizadas principalmente imagens dos canais infravermelho (11μm) e visual (0,75μm). Foram escolhidos 16 Sistemas Convectivos de Mesoescala (SCM) nos quais observaram-se nuvens em arco entre dezembro de 2003 e maio de 2005. Estes SCM desenvolveram-se sobre a América do Sul Figura 1. As núvens de arco de baixo nível nas imagens (Argentina e Sul do Brasil). Em todos os SCM infravermelhas (a) e visuais (b) marcadas pelas setas. analisados a temperatura do topo da convecção profunda atingiu temperaturas menores que -70ºC. A intensidade dos um SCM foi caracterizada pelas áreas limitadas por isocontornos de temperatura. Neste trabalho usa-se tempo local. RESULTATOS 1) Características das nuvens em arco O tempo de vida dos SCM variou de 13 a 71 horas com o valor médio de 27±12 horas, ou seja, estes SCM podem ser considerados como os Sistemas Convectivos de Mesoescala de longa vida (Starostin e Anabor, 2002a). Estes SCM deslocaram-se para norte, nordeste e leste com uma velocidade média cerca de 40 km/h. Cada SCM foi acompanhado de uma a cinco nuvens em arco. No total dos casos foram encontradas 35 nuvens em arco. A metade das nuvens em arco apareceu do lado norte e nordeste Figura3. Histograma do tempo de vida do SCM e outra das CAMFs. metade do lado noroeste, oeste e sudoeste. Tempo de vida das linhas de arco variou de 0,6 a 7,4 horas com o valor médio de 2,9±1,4 horas. Na Figura 3 é mostrada a função de distribuição de tempo de vida das linhas de arco. Mais da metade das nuvens em arco tinham tempo de vida entre 2 e 4 horas. A velocidade do deslocamento das nuvens em arco relativamente a terra variou de 0 a 210 km/h (velocidade média é igual a 54±43 km/h). Figura 2. As núvens de arco de alto nível nas imagens infravermelhas (a) e visuais (b) marcadas pelas setas. Figura 4. Histograma da velocidade da CAMF em relação ao SCM. Depois do seu aparecimento a nuvem de arco começa a afastar-se do SCM. A velocidade das nuvens em arco ao SCM variou de 17 a 53 km/h com um valor médio de 32±10 km/h. Na Figura 4 é mostrada a função de distribuição desta velocidade relativa. Quase 2/3 das linhas afastaram-se do SCM com a velocidade de 20 a 40 km/h. É interessante ressalvar que a velocidade média de evolução das tempestades severas com velocidade de translação passiva de 60 a 80 km/h é igual a 28±12 km/h (Starostin et. al, 2000). Nos casos analisados neste trabalho a velocidade de translação passiva é igual a 75±15 km/h para 95º±20º, ou seja, nos casos analisados a velocidade de evolução das tempestades severas deve ser igual a 28 km/h que, praticamente, coincide com a velocidade das linhas de arco relativamente a SCM (32 km/h). Na Figura 5 é mostrada a função de distribuição dos comprimentos das linhas de arco. O comprimento destas lihas variou-se de 120 km a 1080 km. Quase a metade das linhas tinha o comprimento de 300 km a 500 km com o valor médio de 410±180 km. Starostin e Anabor (2002b) mostraram que a evolução espacial do SCM de longa vida é discreta e que ela é uma seqüência dos seus núcleos convectivos. O diâmetro médio dos núcleos foi igual a 330 km. Os valores do diâmetro médio dos núcleos convectivos do SCM e o comprimento médio das nuvens em arco são muito próximos. Isso é um argumento indireto para ligar o aparecimento de uma linha de arco com um estágio de evolução do núcleo convectivo. A comparando o brilho das imagens comparação as imagens de canal infravermelho com as imagens de canal visual permite observar a existência de dois tipos de nuvens em arco: 1) nuvem de arco baixa (topo de nuvem baixo); 2) nuvem de arco alta (topo de nuvem alto). Nas imagens infravermelhas na Figura 1 as nuvens na forma de arco ficam menos realçadas do que nas imagens visuais. Isso significa que este tipo de nuvens em arco é “quente”, ou seja, a não são nuvens muito profundas. Estes tipos de nuvens em arco ficam realçados apenas no canal visível sendo por tanto denominadas nuvens em arco baixas (B). Na figura 2 as nuvens em arco apresentam mesmo realce nas imagens infravermelhas e nas imagens visuais. Isso significa que são nuvens de topo frio, e portanto são denominadas nuvens em arco altas (A). Figura 5. Função de distribuição dos comprimentos das linhas de arco. As características médias nuvens em arco de altas e de baixas (tempo de vida, comprimento, velocidade relativamente a SCM) são mostradas na Tabela 1. Estas Comprimento da Velocidade Tempo de vida caraterísticas das nuvens em arco de tipo A linha relativamente a SCM e B praticamente coinsidem e são A 420±230 km 30±10 km/h 2,6±1 h seguintes: comprimento das nuvens em B 410±140 km 34±10 km/h 3,2±1,7 h arco de tipo A é igual a 420 km, de tipo B 410 km; velocidade relativa das nuvens em arco -A em relação ao SCM é igual a 30 km/h, de da nuvens em arco -B, 34 km/h; tempo de vida das nuvens em arco -A é igual a 2,6 h; a da nuvens em arco -B é 3,2 h. Tabela 1. Características médias da Convecção em Arco Mecanicamente Forçada alto (A) e de baixo (B) níveis. 2) Nuvens em arco e o estágio de Dissipação dos SCM Na Figura 6 é mostrada a evolução do SCM de longa vida ocorrida entre os dias 13 e 15 maio de 2005 (linha vermelha). Este gráfico mostra claramente os três picos da intensidade do SCM. Neste SCM observa-se a atividade noturna. Dois últimos picos de atividade convectiva ocorreram na madrugada que é comun para os SCM de longa vida (Starostin e Anabor, 2002a). Durante a vida deste SCM foram observadas 4 eventos nuvens em arco. As linhas pretas marcam o momento do Figura 6. Evolução do SCM nos dias 13-15 maio de 2005 (linha aparecimento das nuvens em arco. vermelha). Evolução dos núcleos convectivos (linhas azul e verde). Os A análise detalhada mostrou que a momentos do aparecimento das linhas de arco são marcados pelas evolução de dois núcleos linhas pretas verticais. convectivos (linhas azul e verde) foram responsáveis pelo segundo pico da intensidade do SCM, ou seja, a evolução deste SCM foi um sequencia de quatro núcleos convectivos. Como podemos ver uma nuvem de arco surgiu na máxima atividade convectiva do núcleo convectivo e três últimas as nuvens em arco apareceram no estágio de diminuição da atividade convectiva dos núcleos (diminuição na área da nuvem com temperaturas menores que -70ºC), ou seja, as nuvens em arco têm tendência surgir no estágio de dissipação do núcleo convectivo. Intervalo de tempo Δ T foi determinado como sendo a diferença entre o momento de máximo local na atividade convectiva do núcleo convectivo (linhas verticais verde e vermelho) e o momento de tempo do aparecimento de uma nuvem de arco (linhas verticais pretas). Na Figura 7 é mostrada a função de distribuição do parâmentro Δ T para todas as linhas de arco. Este parâmetro variou-se de -5 horas a 7,5 horas. Quase metade (46%) das nuvens em arco apareceu no intervalo de 0 a 3 horas depois do momento de pico da intensidade do núcleo convectivo. 86% das nuvens em arco surgiu no estágio de desintensificação do núcleo convectivo (diminuição das áreas com temperaturas menores que -70ºC). O valor médio Δ T para estas linhas de arco foi igual a 2,8±2 horas. Pode-se dizer que uma nuvem de arco, em média, surge aproximadamente após 3 horas do pico de atividade do núcleo convectivo e este evento marca o estágio da dissipação total deste núcleo. CONCLUSÃO Figura 7. função de distribuição do parámentro Δ T. Foram analisados 16 Sistemas Convectivos de Mesoescala (SCM) acompanhados por nuvens em arco entre dezembro de 2003 e maio de 2005. Tempo de vida das nuvens em arco variou de 0,6 a 7,4 horas com o valor médio de 3 horas, aproximadamente. A velocidade das nuvens em arco em relação ao SCM variou de 17 a 53 km/h com um valor médio de 32 km/h. Quase metade das nuvens em arco teve o comprimento entre 300 km e 500 km. O valor médio do comprimento das nuvens em arco foi igual a 410 km. 86% das nuvens em arco surgiu no estágio de desintensificação do núcleo convectivo (diminuição das áreas com temperaturas menores que -70ºC). Mostrou-se que uma nuvem de arco, em média , surge aproximadamente após 3 horas do pico de atividade do núcleo convectivo e este fato marca o início do estágio de dissipação total deste núcleo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS STAROSTIN, A., V. ANABOR. Sistemas convectivos de mesoescala de longa vida. Parte 1: Variação temporal. XII CONGRESSO BRASILEIRO DE METEOROLOGIA, Augusto, 2002, Foz de Iguaçu-PR , Brasil, 3587-3590, CD-ROM, 2002a. STAROSTIN, A., V. ANABOR. Sistemas convectivos de mesoescala de longa vida. Parte 2: Variação espacial. XII CONGRESSO BRASILEIRO DE METEOROLOGIA, Augusto, 2002, Foz de Iguaçu-PR, Brasil, 3591-3594, CD-ROM, 2002b. STAROSTIN, A., S. ABDOULAEV, A.B. NUNES. Evolução das tempestades em sistemas convectivos de mesoescala não lineares. XI CONGRESSO BRASILEIRO DE METEOROLOGIA, 16 a 20 de outubro de 2000, Rio de Janeiro, Brasil, Preprint, CD-ROM, 1990-1995, 2000.