Financeiro
A revista do crédito
ano 5 nº 46 jun-jul/2007
Desafios da
economia
brasileira
TIRAGEM DESTA EDIÇÃO: 20.000 EXEMPLARES
Fotos: Mario Felizolla
No 2º Seminário Internacional
da Acrefi, diferentes visões do
cenário atual e das soluções
necessárias
Edmund Phelps, Prêmio
Nobel de Economia 2006
Luiz Carlos Mendonça de
Barros (Quest)
Mauro Leos (Moody’s)
Empresa cidadã
Debate
Encontro debate valorização
da responsabilidade social
Mercado de crédito e
momento econômico
seminário internacional
Associação Nacional das Instituições de Crédito,
Financiamento e Investimento
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Financeiro
ISSN 1809-8843
Conselho Editorial : Érico Sodré Quirino Ferreira,
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Mario Felizolla
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Paulo Henrique Pentagna Guimarães, Ricardo Malcon
e Wilson Masao Kuzuhara
2º Seminário Internacional Acrefi:
Desafios da Economia Brasileira
A Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi ) realizou, em 12 de junho,
o seu 2° Seminário Internacional, cujo
tema foi “Desafios da Economia Brasileira”, com patrocínio de Fenaseg e
Serasa e apoio de Omni Financeira e
Partner Conhecimento.
O evento, que teve como mestre-decerimônias o superintendente executivo
da Acrefi, Antônio Augusto de Almeida
Leite (Pancho), e como coordenador o
professor doutor Istvan Kasznar, contou
com as palestras, por ordem, do presidente da entidade, Érico Sodré Quirino Ferreira; do presidente da Quest
Investimentos e ex-ministro, Luiz Carlos
Mendonça de Barros; do vice-presidente
sênior analyst da Moody´s, Mauro Leos;
e do professor doutor Edmund Phelps,
Prêmio Nobel de Economia em 2006.
Depois de um vídeo institucional da
Fenaseg, cuja mensagem foi “segure
tudo o que for conquistado”, o mestrede-cerimônias deu início às apresentações dos palestrantes informando aos
cerca de 700 participantes que o evento, que ocorreu no Hotel Renaissance,
em São Paulo (SP), tinha transmissão on
line via webtv.
Toda a diretoria da Acrefi e os mais
importantes representantes do mercado financeiro e de crédito e o desembargador Durval Bráulio Marques estiveram presentes no seminário, debatendo com os palestrantes os desafios
– e as soluções – da economia brasileira
interna e globalmente.
Nesta edição
4 Seminário internacional
Grande desafio da economia brasileira é a educação
28 Educação
Políticas públicas e desafios para a qualidade do
ensino no Brasil
12 Evento Acrefi
30 Economia
15 Palestra Acrefi
32 Gestão corporativa
18 Balanço de resultados
34 Análise setorial
22 Tendência
36 Mercado imobiliário
24 Legislação
38 Banco de dados
46 Cultura
Responsabilidade social corporativa
Desafios do Crédito e Cadastro Positivo
O Brasil ingressou numa nova era econômica
Os desafios do setor automobilístico
Judiciário e mercado de crédito: mitos e verdades
26 Artigo
O tempo da colheita está chegando
A fixação das metas de inflação para 2009
Governança e o modelo stakeholder
A nova conjuntura cambial
Terreno fértil para o crédito imobiliário
Letras de Luz para incentivar a leitura
seminário internacional
Grande desafio da economia
brasileira é a educação
O presidente da Acrefi, Érico Sodré
Quirino Ferreira, abriu os trabalhos
do 2º Seminário Internacional da entidade dizendo que o Brasil vive um
momento especial nunca antes visto,
de tão alvissareiro que é. Em sua
opinião, muitos, inclusive o presidente da Quest Investimentos e exministro, Luiz Carlos Mendonça de
Barros, andam excessivamente otimistas quanto à economia brasileira.
Segundo ele, há mesmo motivos
para isso: o atual – e menor do que
há alguns anos – nível do risco Brasil, os mais de 20 recordes sucessivos
do Índice Bovespa, o patamar elevado das reservas internacionais, o
baixo endividamento líquido, a inflação de um dígito anual igual à
diária da época do Plano Cruzado,
a proximidade de o País atingir o
investment grade, o fato de a taxa
Selic estar finalmente em 12%, o
que faz uma boa parcela da população e dos políticos feliz... Érico
Sodré citou ainda dados setoriais:
“Nosso setor tem batido todos os
recordes de vendas, em especial no
segmento de veículos. No Brasil,
75% das unidades comercializadas
são financiadas a prazos cada vez
mais longos, a ponto de que, hoje,
já chegam a 80 meses.”
Por outro lado, continuou, “temos
hoje um governo popular com 68%
de aprovação e sólida maioria no Congresso, e uma oposição tão inoperante que não se ouve mais falar dela
ou, quando se ouve, ficamos sabendo
notícias de que, por exemplo, o senador Antônio Carlos Magalhães pode
vir a apoiar o governo federal”.
Porém, o presidente da Acrefi
frisou: “A questão é saber quando
vamos começar as reformas. Precisamos fazer a reforma fiscal, porque
nos últimos 12 anos tivemos um au-
Fotos: Mario Felizolla
Para Érico Sodré, ainda há grandes obstáculos a vencer na economia brasileira
mento expressivo da carga tributária, que hoje atinge 38% do Produto
Interno Bruto (PIB), um nível de Primeiro Mundo, em total desacordo
com o uso efetivo desses recursos.”
Além disso, lembrou Érico Sodré,
é necessário proceder a reforma
previdenciária, “que sempre fica
para depois, para o próximo governo. Os governantes não têm coragem de enfrentar o problema para
resolvê-lo. Devemos trabalhar nisso.
Nosso diretor na Acrefi, Istvan Kasznar, faz parte, hoje, de uma comissão que está elaborando um novo
projeto de Previdência Pública, que,
se aprovado, vai valer para os segurados novos, aqueles que entrarem
para o sistema quando o projeto
já for lei e estiver em vigência, de
forma que sejam feitos os ajustes
necessários devido ao aumento da
expectativa de vida do brasileiro”.
4
A reforma trabalhista, de acordo
com o presidente da entidade, também não pode ser deixada de lado:
“A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) já deveria estar aposentada por idade e por tempo de
uso”, resumiu, lembrando, ainda, da
urgência de se fazer a reforma política. Para exemplificar, mostrou uma
manchete do jornal Correio Brasiliense em que se lê: “150 congressistas e 500 parlamentares estão sendo
processados”. A notícia, que se referia à legislatura passada, comentou
Érico Sodré, infelizmente ainda vale
para a atual: “É por razões como
essas que temos, no Brasil, pontes
que ligam o nada a coisa nenhuma.”
Mais: temos, de acordo com o presidente da Acrefi, “de acabar com
as igrejinhas políticas, o que recorda
notícia recente da coluna da jornalista
Dora Kramer, indicando a votação de
FINANCEIRO
Participantes do 2º Seminário Internacional da Acrefi assistiram a apresentações focadas nos atuais desafios do Brasil
sos interesses. Sendo
assim, resta a reforma
mais importante de
todas, a educacional.
Tanto é assim, afirmou, “que o Brasil gasta
atualmente com educação
4,2% do PIB, o mesmo que
o Chile e a Coréia, mas
apenas 26% da população
completa o ensino médio.
Gastamos errado, jogamos
dinheiro no lixo. Países do
Primeiro Mundo gastam
menos do que nós em eduJornal do Maranhão mostra ponte sem estrada quecação superior. Temos 208
virou salão de sinuca
mil escolas no Brasil e 24 milhões
de analfabetos, ou seja, um número
de analfabetos igual à população
uma lei que aumenta o poder controinteira da Austrália e da Nova Zelânlador dos partidos políticos”.
dia. E, pior, 75% dos alfabetizados
Érico Sodré lembrou que os depusão analfabetos funcionais. As metas
tados são eleitos por nós e que, por
do governo nessa área não ajudam:
isso, têm compromisso com os nos-
ACREFI
5
fixou-se que em 2015 – e apenas em
2015 – todas as crianças brasileiras
devem terminar o ensino fundamental; que em 2022 – e apenas lá –
toda criança saiba efetivamente ler e
escrever ao final da 2ª série”.
De acordo com Érico Sodré, é preciso seguir o exemplo de outros países,
citando o filme A Rainha, em que Elizabeth II pergunta ao primeiro-ministro britânico: “Quais são seus planos
para o próximo governo?” Ele responde: “Educação.” O presidente da
Acrefi completa: “Precisamos reduzir
o número de alunos por classe. A educação é o grande desafio do Brasil.”
“O Brasil só será um país
de Primeiro Mundo quando
a educação for a sua
verdadeira prioridade.”
(Érico Sodré Quirino Ferreira)
seminário internacional
Economia brasileira em 2007
O economista Luiz Carlos Mendonça
de Barros, presidente da Quest Investimentos, ex-ministro e ex-presidente do
BNDES, foi apresentado pelo diretor da
Acrefi, Istvan Kasznar, como “notório
nome nacional, cujo currículo dispensa
maiores comentários, um homem com
idéias independentes e sempre firmes
sobre os problemas brasileiros, articulista da Folha de S.Paulo e guru de
Geraldo Alckmin”.
Mendonça de Barros começou a
discorrer sobre a economia nacional
como “economista da Quest, um
profissional engajado na gestão de
recursos”, o que ele considera importante, dado que, em seus cerca
de 40 anos de vida profissional, ele
nunca vira “um Brasil numa situação
tão promissora”.
Para mostrar os fatos e sua visão
de longo prazo sobre eles, Mendonça
de Barros escolheu quatro fotografias – ou quatro cenários – da economia nacional. E começou dizendo
que, em 40 anos de mercado financeiro e econômico, nunca vira antes
juros nominais de apenas um dígito
no Brasil: “Levei um susto ao ver a
taxa do papel do governo em reais
a 9,87 de taxa de juros.” A seguir,
ele mostrou a Yeld Curve, um gráfico que mostra a evolução dos títulos nacionais numa curva pré contra
os juros DI anuais e comentou: “Um
contrato de DI futuro com vencimento em janeiro de 2017 e 2022
neste gráfico – parece que o juro no
Brasil está em liquidação!”
Outro cenário que Mendonça de
Barros não havia visto até então era
o da curva de contratos futuros da
BM&F, que mostra o IGP-M embutido até maior de 2045 e uma inflação que ele chamou de “ancorada” entre 3,7% e 3,8% ao ano:
“Nunca tinha visto isso antes no Brasil.” Segundo o presidente da Quest
Investimentos, os contratos futuros
da BM&F mostram que o Brasil tem,
a partir de 2010-2011, um juro real
de 6%, ou seja, “nosso juro real já é
de 6%, quando, no auge da loucura
no Brasil, a taca chegou a 35%!”.
O economista continuou dizendo que, “durante muito tempo, nos
contaram uma história da Carochinha de que, se o juro caísse abaixo
dos 10%, haveria crise. Isso é piada.
Está em 6%”.
Diante disso, Mendonça de Barros afirmou que esses fatos o fazem
pensar no que mudou de repente,
em especial no que se refere aos
juros, de dois anos, um ano e meio
até hoje. Para ele, o mercado se
antecipou e fez a leitura correta.
As questões são: vai durar? Haverá
crise? Aumento de juros? Recessão?
Ele responde: “Os eventos atuais
mostram que não”, mas emenda: “A
carga tributária está fora de linha, a
situação tributária está fora da lógica da economia de mercado, os gastos públicos andam muito acima dos
das economias emergentes. Temos
de relacionar os problemas brasileiros diante de um novo fenômeno
nacional, que é o acompanhamento
da nossa dívida externa líquida, ou
seja, da dívida total menos as reservas. Ao construirmos, na Quest, em
2006, um gráfico da dívida até 2010,
nos admiramos ao verificar que teremos ativos maiores do que passivos
em dólar no Brasil.”
A análise levou Mendonça de Barros a concluir que “passamos mais
de dez anos acreditando em fantasmas que explicavam a fragilidade da
economia brasileira e seus vôos, curtos como os de uma galinha. Pensávamos em risco regulatório, restrições do Judiciário aos incentivos
concedidos, educação, Previdência...
Mas o Brasil começou a crescer com
fundamento de repente! Há causas
restritivas, mas a mãe da fragilidade
era a fragilidade externa, porque o
Brasil depende muito dos dólares do
exterior. Aquele cálculo da dívida
líquida que fizemos em 2006 é maior
6
Mendonça de Barros: “Governo dá band-aid
para quem está com gangrena”
do que o atual, que mostra que o
juro real pode chegar a 6% entre
2007 e 2008. Ou seja, as coisas estão
melhorando porque, em vez de fragilidade externa, temos uma grande
força que vem do exterior”.
Para Mendonça de Barros, em
três ou quatro anos, a situação deve
ficar ainda melhor, mas lembra que,
“nesse jogo, há ganhadores e perdedores. Os perdedores perdem por
motivos externos a si ou porque não
perceberam em tempo o cenário real
e suas alternativas. Basta verificar
que a grande diferença entre os anos
FHC e os anos Lula é que, de uma economia aberta sem dólares, passamos
FINANCEIRO
a uma economia aberta com sobra
de dólares. A grande força hoje
ao lado do real é a força externa.
Além disso, com a incorporação do
meio ambiente como dado restritivo
ao crescimento econômico, o Brasil
pode agregar uma força extraordinária com exportações de etanol e
outras fontes de energia”.
O ex-ministro continuou: “O mercado financeiro no Brasil mostra que,
hoje, a situação do País é perene,
a moeda será cada vez mais forte e
haverá grande capacidade de importação. A enorme vantagem da economia brasileira foi sair de um cenário de fragilidade externa para outro,
de força motriz externa, de forma
que o Brasil vai se integrar na economia global de uma maneira que
ainda desconhecemos, uma vez que,
recentemente, começamos uma efetiva fase de economia aberta cujo
principal fato gerador é a taxa de
câmbio estável. O dólar está pouco
abaixo de R$ 2, mas com pouca volatilidade, o que permite ao empresariado brasileiro decidir se deve importar ou mandar fazer aqui mesmo,
por exemplo, os componentes de
seus produtos. Estabilidade de câmbio é fundamental.”
Mais: Mendonça de Barros disse
que o Brasil precisa entender a relação entre consumo de bens duráveis e importação. Em dois ou três
anos, projeta o ex-ministro, “veremos que a economia brasileira se
integrará ao fluxo internacional, e
quem não perceber isso estará no
grupo dos perdedores. A indústria
automobilística, por exemplo, em
cinco anos, será totalmente diferente. Hoje, todos os componentes
são feitos no Brasil, como se usava
em economias fechadas. Agora, com
a economia aberta, a coisa muda,
há maior concorrência e, portanto,
aumenta o coeficiente de importação. A nossa indústria deve passar
a exportar para outros centros de
montagem de veículos. O mundo
hoje é integrado. Mudou a integração macroeconômica e a dependência relativa da taxa de câmbio”.
ACREFI
Segundo Luiz Carlos Mendonça
de Barros, a inflação controlada é
fruto da economia aberta. Ele citou
dados do IBGE sobre os preços no
varejo. No segmento de móveis e eletrodomésticos, em março de 2007,
o preço médio era 4,5% menor do
que 12 meses antes, mas as vendas
haviam aumentado 18% no mesmo
período. No setor de veículos, motos
e peças automotivas, os preços caíram 2,5%, contra comercialização
18% maior. Em seguida, o economista comentou: “O consumidor
mais jovem que navega na internet
sabe o preço de tudo e não respeita
produção interna nem externa. O
governo dá band-aid para quem está
com gangrena!”
Concorrência
Luiz Carlos Mendonça de Barros
lembrou, ainda, durante sua apresentação no 2º Seminário Internacional da Acrefi, que a economia chinesa cresce a taxas espantosas: “Há
quatro anos, uma pessoa inteligente
me disse que era bom comprar o que
a China comprasse e vender o que
a China vendesse. Hoje, ela arrasta
outras economias, como a brasileira.
Não dá para concorrer via commodities e produtos primários. Fomos
sugados por essa força chinesa. Mas
já começamos a sofrer a concorrência chinesa: é como no filme Dormindo com o Inimigo.”
De acordo com o ex-ministro,
“hoje vivemos a parte positiva dessa
relação. É o descolamento da economia do mundo da economia norteamericana que está reduzindo atividade de forma acelerada. Porém, o
mundo não pára: há outro motor,
que é a China. Nessa situação, o
Brasil é como um saveiro baiano,
muito pesado para a vela que tem
e, por isso, anda devagar. Com um
vento chinês, que é forte, ele veleja
bem. O crescimento brasileiro está
dobrando e pode chegar a 5%”.
Mendonça de Barros lembrou,
também, que “o economista Delfim
Netto disse uma vez que o juro alto,
antigo, implicava uma taxa mínima
7
de retorno de 20%-22%, e o empresariado se recolheu na maior parte
dos setores da economia. Era difícil
viabilizar isso. A taxa da Rodovia
Presidente Dutra, por exemplo, é de
22%. Lula vai privatizar as rodovias
federais em 2008 a uma taxa de 9%.
Estamos desengavetando projetos”.
Com a força externa, continuou,
“outra coisa que tem ocorrido é o
fato de os prazos no mercado de
crédito estarem sendo estendidos,
o que não acontecia antes. Hoje,
crédito ao consumidor menos crédito hipotecário em relação ao PIB
no Brasil é igual a essa relação na
Europa. Por isso o mercado imobiliário está se mexendo, e vai aparecer
cada vez mais a preponderância do
crédito imobiliário, como já ocorreu
em outros países, como o México”.
De acordo com Luiz Carlos Mendonça de Barros, há problemas no
futuro da China, mas ela deve se
manter estável por tempo suficiente
para que o Brasil não seja afetado
por uma eventual crise naquele país.
Segundo ele, “o problema é que
quase tudo no País tem sido feito
pelo setor privado. A ventania de
fora vai parar um dia, e o saveiro
baiano, o Brasil, vai voltar a andar
devagar se nada for feito”.
Ele exemplificou: “Há setores que
dependem do governo, como a aviação. É um problema de infra-estrutura que pode gerar gargalo na economia. Idem com estradas, portos,
energia. Hoje estamos nas mãos de
Deus: é preciso que chova muito nos
próximos anos para que não tenhamos problemas de energia.”
Ao final de sua palestra, Luiz Carlos Mendonça de Barros recebeu uma
placa da Acrefi que o homenageia, das
mãos do vice-presidente da entidade,
José Arthur Lemos de Assumpção.
“Fiquem espertos: há muito
espaço para a atividade
econômica se desenvolver no
Brasil nos próximos anos”
(Luiz Carlos Mendonça de Barros)
seminário internacional
Grau de investimento para o Brasil:
Lula e a lâmpada maravilhosa
O senior credit officer para a
América Latina da Moody´s, Mauro
Leos, começou sua palestra no 2º
Seminário Internacional da Acrefi ,
dizendo que contaria uma história:
“Lula achou na Alemanha uma lâmpada mágica e, dela, saiu Jeanne,
que lhe concedeu a realização de um
desejo. Lula queria três, mas Jeanne
só lhe concedeu mesmo um, porque
o Brasil não faz parte do G8. Indeciso, Lula obteve ajuda de Jeanne,
que lhe ofereceu duas opções: o
Brasil atingir o investment grade ou
vencer a Copa do Mundo de futebol na África do Sul. Lula pensou
e respondeu que um dia o Brasil
seria mesmo investment grade ; portanto, optou por vencer a Copa.
Moral da história: investment grade
não é automático, um rating que
um dia todo País vá atingir...”
Depois dessa explanação, Mauro
Leos explicou que “saber quando o
Brasil atingirá o investment grade
está atrapalhando o País, tornando-se uma obsessão: quando
será? Em que ano? Em que mês? Em
que semana? Em que dia? Será pela
manhã, à tarde ou à noite?” Na verdade, segundo Leos, o importante é
entender os critérios que podem –
ou não – levar um país a esse rating.
Ele identifi cou um progresso signifi cativo no Brasil, mas há ainda lição
de casa a fazer. Ele explicou:
Essa tabela mostra que, quanto
mais elevado o rating, mais baixo o
risco de default: assim, em dez anos de
análise, por exemplo, um País Ba tem
risco de 24% e uma nação B, 44%.
De acordo com Mauro Leos, “o
Brasil ‘velho’ era um país de B e,
agora, é um país de Bas. Ou seja,
antes, a probabilidade de default
era de mais de 40% e, agora, está
na faixa dos 20%. A grande questão, advertiu Mauro Leos, “não é
a comparação do Brasil velho com
Mauro Leos, da Moody´s, diz que investment grade não é automático
o atual, mas a comparação do Brasil de hoje com o de amanhã. Neste
momento, o País tem rating Ba2 em
revisão para possível upgrade, com
19,4% de probabilidade de default.
A mudança dos indicadores de dívida e crédito justifica esse rating.
É uma visão simplista achar que
o Brasil vai atingir o investment
grade automaticamente. Há países
que chegam muito perto desse
rating e caem na escala, há os que
demoram mais, há os que demoram
menos, não é apenas uma questão
de tempo. Se as atuais condições
e tendências persistirem ao longo
do tempo, o Brasil terá o investment grade. Mas ainda precisa de
mais, de bons indicadores de crédito que envolvam avaliação de
Escala Moody´s
Investment grade
Aaa
Aa
A
Baa
8
Speculative grade
Ba
B
Caa
Ca
C
FINANCEIRO
Cenário Fiscal
Rating
Brasil
Ba
Baa
2002
220
250
172
2003
210
240
156
2004
194
224
144
2005
186
207
133
2006
180
192
126
Rating Baa
PIB per capital
Investimento/PIB
Exportações+importações/PIB
Grau de efetividade
Países
Baa
5,9
17%
105%
0,81
Brasil Colômbia Peru
5,6
24%
30%
0,60
2,9
24%
48%
0,59
3,3
21%
46%
0,61
Indicadores de Crédito
Dívida/exportações
Dívida/reservas internacionais
Dívida pública/PIB
Dívida pública/gov.revenues
médio prazo, de acordo com uma
inter-relação com outros países”.
O senior credit officer para a América Latina da Moody´s disse, ainda,
que, ao compararmos a dívida externa total com a corrente, houve
uma queda espetacular que, porém,
“ainda está longe – em 111 – do patamar médio dos países com investment grade rating Baa, que andam
com essa relação na casa dos 80”.
Além disso, outro fator que
complica a escalada do Brasil ao
investment grade, de acordo com
Mauro Leos, é a parte fiscal: “Os
impostos ainda estão muito elevados no Brasil. Ao analisar a área fiscal de cem países do mundo, como
exposto no quadro Cenário Fiscal,
ACREFI
Baa
80%
210%
33%
126%
Brasil Colômbia Peru
111
106
85
135
240
150
65
50
30
180
175
150
vemos que houve queda”, como
de muitos outros indicadores e, segundo Mauro Leos, da Moody´s,
“na direção certa, mas ainda muito
mais rápido na parte externa do
que na parte fiscal e, para se
obter o investment grade, é preciso haver certo equilíbrio entre
todos os indicadores”.
The three amigos
Mauro Leos, da Moody´s, chamou
Brasil, Colômbia e Peru de three
amigos, os três BRIC latino-americanos que “vivem disputando para ver
quem vai atingir primeiro o investment grade. O Peru começou a disputa
no início de 2007 na dianteira; agora,
é o Brasil que está à frente. Hoje, o
9
Brasil está a dois ratings dessa meta,
com Ba2 em revisão para upgrade; a
Colômbia tem Ba2; e o Peru, Ba3, a
três notas do investment grade”.
Além disso, o especialista explicou que há quatro indicadores macroeconômicos importantes para se
atingir o rating Baa: PIB per capita
(80); investimento/PIB (210); exportações mais importações/PIB (33%) e
grau de efetividade do Bird (125%).
Também são importantes os indicadores de crédito, conforme quadro ao lado.
Diante desses números, Mauro
Leos concluiu que ainda há indicadores fora de linha para o Brasil
obter o investment grade, mas disse
que as probabilidades de default
são baixas num cenário de dez anos;
o investment grade não é rating
automático; e o Brasil ainda não
está no nível de investment grade”.
De acordo com Mauro Leos, a
atribuição do investment grade a
um país sempre leva em conta “qual
seria sua solidez e a sustentabilidade dessa solidez. O ambiente
externo tem sido muito favorável
para o Brasil, mas é preciso uma
segurança relativa de que, caso haja
uma crise externa na China, por
exemplo, o impacto no País não será
grande. O cenário econômico de
curto prazo é muito positivo, porque a inflação está estável, os juros
baixos e em queda, e o crescimento, em alta, via demanda interna.
É necessário considerar se a melhora da estrutura da dívida vai ser
suficiente e significativa para mitigar os riscos de crédito. É preciso
haver mais equilíbrio nos indicadores externos e fiscais”.
“ Investment grade não
depende de anúncios de
reformas, mas, da
implementação dessas
reformas. É preciso acabar
com a obsessão de quando o
Brasil será investment grade”
(Mauro Leos)
seminário internacional
Crescimento na economia globalizada
O professor Edmund Phelps, Prêmio Nobel de Economia em 2006, foi
o orador de honra do 2º Seminário Internacional da Acrefi. O economista,
conhecido por seus modelos matemáticos de grande rigor que permitem
tê-los como base para a tomada de
decisões, falou sobre o tipo de economia que se deve construir para estar
entre os países líderes do mundo.
Phelps, que nos anos 60 delineou
a Taxa Ouro da Poupança, adotada
pelos Estados Unidos, e a Taxa Natural de Desemprego, trabalha, hoje,
no comitê norte-americano de finanças, e disse que “a economia global
opera de forma que auxilia as economias abertas saudáveis. Várias delas,
inclusive, como é o caso da inglesa,
têm aproveitado a queda dos juros.
Países como a China, a Índia e o Vietnã
estão se esforçando para alcançar as
economias desenvolvidas, dobrando
a produção a cada década, numa alta
de 7% ao ano”.
Esse tipo de crescimento rápido,
alertou Phelps, traz dificuldade às
empresas para projetarem o futuro.
O empresariado sabe que a mão-deobra barata da China não vai se manter assim por muito tempo e, logo,
será uma outra economia como a
norte-americana, com pouco impacto para a economia global, exceto no
setor de energia. Para o professor,
por outro lado, o rápido crescimento
econômico chinês até pode manter o
Phelps, Prêmio Nobel de Economia em 2006, orador de honra do seminário Acrefi
ritmo acelerado, mas não se sabe se
o país conseguirá chegar ao patamar
das economias ocidentais.
Estados Unidos
Phelps tratou ainda da economia norte-americana no contexto
mundial, lembrando que, depois
de um boom da construção civil, o
ritmo de crescimento não é mais o
mesmo, perguntando-se: “Até que
ponto a economia dos EUA é saudável em comparação às economias
européias?” O professor emendou:
10
“No ocidente, as economias carregam um fardo pesado, que é o do
cooperativismo, em geral contrário ao lucro e ao materialismo. A
economia dos EUA está saudável
porque evitou isso. Por outro lado,
essa postura fez crescer o nível de
litígios em que o país se envolve.
É o caso do conflito do Google,
que reclama que a Microsoft anda
quebrando suas patentes. Resultado: aumento de litígios, aumento de patentes. E isso se repete em
outros setores da economia.”
FINANCEIRO
Na verdade, continuou Phelps, o
que as nações precisam é “aumentar o capital humano, que foi o que
fizeram os norte-americanos. Quem
acha, por exemplo, que a taxa de
crescimento da Europa é muito baixa
não está levando em conta o aumento de gastos com o capital humano.
Não se põe fim às diferenças simplesmente com mais educação ou mais
pesquisa e desenvolvimento de produtos se não houver dinamismo nas
classes gerenciais. São os homens de
negócios comuns que implementam
as mudanças. O que se precisa é de
dinamismo, o que depende de criatividade abundante, ou seja, de um
grande número de empreendedores
na ativa, da diversidade de visões
dos financistas”.
Brasil
O caminho do dinamismo é a via
a ser seguida no Brasil, disse Phelps.
Ele lembrou, ainda, que é necessário cortar impostos e ficar distante
do cooperativismo, que é uma constante na América Latina. Para o Prêmio Nobel de Economia de 2006, “o
risco do cooperativismo é o que está
acontecendo na Argentina, onde se
acredita que é preciso juntar capital
e trabalho, sob coordenação do governo. Lá se adota a solidariedade, o
consenso nas decisões empresariais.
Mas o que se esquece é que a empresa não é um clube!”
Esse tipo de atitude, afirmou
Phelps, não se adota nos EUA, porque a mentalidade dos empregados
é a de que, se a empresa em que
ACREFI
Importância da análise de risco
O professor Istvan Kasznar, diretor da Acrefi e coordenador do 2º Seminário
Internacional da entidade,
abriu a segunda etapa do
evento afirmando que “a análise de risco tem sido uma
ferramenta importante para
otimizar os fluxos internacionais. O risco soberano, o risco
de transferência de reservas
internacionais e o risco de
conversão combinados são
muito importantes”.
A seguir, os participantes
assistiram ao vídeo institucional da Serasa, uma das maiores
empresas de pesquisa e análise de informações de negócios e crédito e o maior portfólio para gestão de risco do Brasil, com 400 mil clientes.
Istvan Kasznar abre a segunda etapa
do seminário
trabalham vai bem, eles também vão
bem. Além disso, os presidentes das
empresas “ganham tão bem que não
querem perder seus empregos e, por
isso, não admitem que as empresas
se tornem clubes, exigem que todos
atinjam metas”.
Além disso, economias em desenvolvimento não se devem deixar atrapalhar pelo preconceito contra o lucro,
o materialismo e o enriquecimento.
11
É preciso lutar pelo lucro, com inovações, mudanças que, “muitas vezes,
aumentam os lucros, mas desagradam
os sindicatos. Isso enfraquece o espírito dos empreendedores e cria obstáculos para um crescimento maior”.
“Dinamismo é o caminho para
o Brasil crescer”
(Edmund Phelps)
evento Acrefi
Responsabilidade social corporativa
Independentemente do porte, empresas reforçam valorização do atual diferencial
de mercado: investir no desenvolvimento das comunidades em que atuam
Fotos: Mario Felizolla
A estabilidade das empresas, hoje, não se mede apenas pela sua lucratividade, mas também pelo que
ela faz em prol da comunidade em
que está inserida.
Cada vez mais, as empresas, de
qualquer porte, estão se preocupando com a sua responsabilidade social. Para isso, a Associação Nacional
das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi ) realizou o seminário “Responsabilidade
Social das Empresas”.
Realizaram apresentações Eliane
Garcia Melgaço, diretora consultiva do
Instituto Algar de Responsabilidade
Social; Aron Belinky, fundador da EcoPress e secretário executivo do Grupo
de Articulação das ONGs Brasileiras
(GAO); Tomás Carmona, gerente da
área de cidadania empresarial da Serasa; e Regina Santana, assistente social
e coordenadora da certificação da gestão da responsabilidade social da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
A diretora da Fundação Algar iniciou mostrando aos participantes os
valores e as transparências do Instituto Ethos, maior gestor dessa área. O
Instituto Algar segue essas diretrizes
e mostra o que o grupo Algar tem feito com relação à responsabilidade social. Auto-regulamentação de conduta, com seu código de ética e treinamento de pessoal para trabalhar junto
às partes interessadas. Ao público interno é proposto o diálogo e a participação; manutenção de relação com os
mais variados sindicatos; promoção da
participação nos resultados da empresa e o respeito a todos os envolvidos.
“Essas são apenas algumas das di-
Eliane Garcia Melgaço
retrizes do Instituto Ethos no tocante
à responsabilidade social que nós seguimos, e fazemos questão da participação de nosso público interno em
todas as atividades que realizamos”,
comenta Eliane Garcia Melgaço.
Desde a fundação do Grupo Algar,
há cerca de 70 anos, essa é uma preocupação de todos os participantes das
empresas do grupo. A empresa apresenta, anualmente, todas as suas ações
em seu Relatório Social, com investimentos e resultados de suas ações.
A empresa já tem a certificação ISO
14001, de gestão ambiental, mas tem a
preocupação de atuar sem pensar que
essas certificações irão determinar as
atitudes da empresa no tocante às suas
responsabilidades com relação à sociedade e ao meio ambiente.
“No grupo, os funcionários são
tratados como parte integrante de
todo o processo e não como recursos
– mesmo que humanos –, pois recurso nós consideramos os financeiros.
12
Aron Belinky
Com isso, colocamos os funcionários
como responsáveis por tudo o que
acontece dentro e fora da empresa”,
complementa Eliane.
Hoje, a empresa estrutura a escolha
de seus fornecedores dentro dos princípios de critérios que regem a atuação da própria empresa, como princípios éticos na gestão de trabalho infantil e boas relações com trabalhadores
terceirizados, além de gestões de meio
ambiente. Para isso, a Algar apóia o desenvolvimento de seus fornecedores.
Para o público interno, a empresa
mantém, regularmente, cursos para
seus funcionários dentro da UniAlgar
(Universidade Corporativa), promovendo visão do futuro, gestão de resultados e inovações, liderança em
educação, foco no cliente, além do
projeto Primeiro Emprego e para portadores de deficiências.
Na área ambiental, a empresa firmou parcerias com uma cooperativa
de Uberlândia (cidade sede da Algar)
FINANCEIRO
para reciclagem de material, auxiliando mais de 20 famílias; educação ambiental nas escolas, com estudos especiais para reciclagem e projeto de
economia e reutilização de água em
todas as suas unidades.
Parcerias também foram firmadas
com ONGs para educação continuada junto às comunidades em que a
empresa tem uma unidade. Todos os
projetos do Instituto Algar são de longa duração, com investimentos para
que Belinky trouxe para o seminário
foi a sustentabilidade. “Não estamos
falando de crescimento econômico
sustentável, mas de uma preocupação de exploração do meio ambiente,
que ora está maior do que a sua capacidade de reação”, comenta ele.
Para ele, o conceito de responsabilidade passa pelo chamado triple
botton line, que abrange a dimensão
ambiental, a dimensão social e a dimensão econômico-financeira, seguin-
Tomás Carmona
Regina Santana
este ano de cerca de R$ 2,6 milhões.
“Hoje, o Instituto Algar mantém
um esquema de trabalho voluntário
em seu quadro de funcionários e já
auxilia 152 escolas públicas de ensino
fundamental, 1.500 professores, mais
de 38 mil estudantes, com cerca de
580 voluntários trabalhando diretamente em diferentes frentes”, finaliza Eliane Melgaço.
Antes de entrar propriamente no
assunto proposto, Aron Belinky apresentou um pouco do que é o Grupo
de Articulação das ONGs Brasileiras
(GAO) para obtenção da ISO 26000,
de responsabilidade social. É uma representação brasileira, com membros
dos mais diversos segmentos da sociedade, tanto do setor privado quanto
do governo. Essa delegação brasileira se junta a outras do mundo inteiro para trabalhar na formulação de
uma norma internacional que regerá
a responsabilidade social.
Uma das maiores preocupações
do um caminho da responsabilidade
social organizacional (empresas).
“Dentro desse conceito, temos as
interseções. Por exemplo, dimensão
ambiental com dimensão social torna
o mundo ‘vivível’, ou seja, aquele que
dá vontade de viver. A interseção da
dimensão ambiental com a dimensão
econômico-financeira torna o mundo
viável, onde se consegue se manter
e ter os meios para isso. E, por fim,
interseção da dimensão social e a dimensão econômico-financeira torna
o mundo justo ou com as desigualdades proporcionais às dificuldades. A
junção das três dimensões resulta na
sustentabilidade”, esclarece Belinky.
Mas qual a proposta do grupo de
estudo para implantação da Norma
ISO 26000? O que será essa norma? O
que ela pretende?
O próprio Aron Belinky responde:
“A ISO 26000 será um guia de diretrizes; não será utilizada como base
para certificação nem para avaliação
ACREFI
13
de conformidade; não deverá ser utilizada como barreira não-tarifária e não
substitui as obrigações legais da organização. Além disso, respeitará as diferenças culturais, sociais e geográficas, desde que não entrem em conflito
com acordos internacionais. Será construída num processo multistakeholder,
e será uma base, não um limite: espera-se que as organizações vão além das
práticas indicadas na norma.”
A agenda mundial, com alto grau
de detalhamento, para o desenvolvimento da ISO 26000 teve início em
2002 e deverá ser publicada em novembro de 2009. Esse estudo está sendo realizado por representantes dos
mais variados setores da sociedade
mundial: membros de governos, de
indústrias, de consumidores, de trabalhadores, de ONGs entre outros.
As reuniões entre os membros desse grupo já resultou na definição de
alguns princípios e definições: responsabilidade social é a responsabilidade
de uma organização pelos impactos de
suas decisões e atividades na sociedade
e no meio ambiente, por meio de um
comportamento transparente e ético
que seja consistente com o desenvolvimento sustentável e o bem-estar da sociedade, considere as expectativas dos
stakeholders, esteja em conformidade
com a legislação aplicável e seja consistente com normas internacionais e seja
integrado por toda a organização.
Ainda traz vários “temas” para
serem tratados como responsabilidade social. Os principais são: direitos humanos, governança ocupacional, práticas leais de operação,
meio ambiente, desenvolvimento social, questões relativas ao consumidor e práticas de trabalho.
“Dentro dessas preliminares premissas, as empresas deverão seguir eixos fundamentais dessa futura norma,
como transparência e reporte, engajamento de stakeholders; temas de responsabilidade social e cadeia de fornecimento”, finaliza Aron Belinky.
As grandes empresas já têm arraigadas, em suas práticas, as questões
de responsabilidade social. Para mostrar isso, Tomás Carmona, gerente da
evento Acrefi
área de cidadania empresarial da Serasa, apresenta a forma como a companhia realiza esse trabalho.
“A atuação em cidadania empresarial da Serasa é baseada em um
modelo fundamentado em valores e
conceitos. Em termos de valores, a
empresa está apoiada na filosofia do
‘Ser Serasa’, como todos se tratam internamente. Essa filosofia está dividida em: ‘Ser Ético’, ‘Ser Gente’, ‘Ser Excelência’ e ‘Ser Empreendedor’”, esclarece Carmona.
A principal característica da atuação da Serasa em responsabilidade social começa internamente, valorizando
seu bem maior, que é a força de trabalho – o chamado “Ser Serasa”. A empresa faz isso como um círculo: promove o crescimento pessoal, que resulta em capacitação, realização e crescimento da própria companhia.
Hoje, as principais ações da Serasa
são: Espaço do Terceiro Setor, onde
mantém o Canal Virtual, disponível no
site da Serasa, que reúne as principais
informações de ONGs com total transparência e segurança para investidores sociais; o Programa de Responsabilidade Social para o Varejo, que abrange o desenvolvimento de publicação
com a temática do jovem aprendiz, a
disseminação e divulgação do prêmio
para nossos clientes e fornecedores,
assim como o julgamento dos trabalhos concorrentes ao prêmio e a preparação de oficinas de aplicação dos
Indicadores Ethos do setor.
A empresa mantém, ainda, o Programa Serasa de Empregabilidade de
Pessoas com Deficiência, com qualificação, inclusão social, diversidade,
reconhecimento, fóruns de empregabilidade e acessibilidade – NBR 9050.
Esse programa já foi modelo para a
implementação do Programa de Qualificação Profissional de Portadores
de Deficiência da Febraban.
Com ele, a Serasa estabeleceu parceria inédita com a United Nations Volunteers (UNV), órgão do voluntariado
da Organização das Nações Unidas, para implementar nas empresas brasileiras o Programa Serasa de Empregabilidade de Pessoas com Deficiência. Vo-
Palestras sobre responsabilidade social atraem executivos
luntários da UNV são capacitados para
implementar em outras empresas o Programa Serasa de Empregabilidade com
fidelidade à metodologia original.
“Para se ter uma idéia da dimensão do Processo Serasa Social – Voluntariado da Empresa –, hoje mantemos
1.195 voluntários (40% da força de trabalho), 102 ONGs parceiras no Brasil,
mais de 38 mil pessoas beneficiadas no
País, com 35 toneladas de alimentos arrecadados e mais de 39 mil itens arrecadados e distribuídos (material escolar, agasalhos, brinquedos, remédios
e produtos de higiene). Esta é apenas
uma parte do que a empresa realiza para a melhoria das condições de vida da
população”, finaliza Tomás Carmona.
A Associação Comercial de São
Paulo (ACSP), entidade de classe de
mais de 113 anos de existência, mantém a responsabilidade social como
tema básico entre seus funcionários e
os mais de 30 mil associados.
Regina Santana, coordenadora da
certificação da gestão da responsabilidade social da entidade, mostra, em
sua apresentação, que a “implantação
da NBR 16001 reforça os valores dos
113 anos de história da ACSP em defesa
da livre iniciativa e do desenvolvimento
econômico e social do País, na busca de
uma sociedade sustentável, com uma
oportunidade valorosa: a readequação
dos processos para uma gestão única”.
As ações da entidade começaram
14
há anos com a implantação do Projeto Degrau e a contratação de mais de
20 aprendizes, com tutores avaliando
e ensinando o trabalho, além de um
programa de aulas para a adequação
ao mercado de trabalho. Hoje, esse
número é de 62 aprendizes com mais
de 180 contratados desde a implantação do programa.
Em sua característica de responsável socialmente, a ACSP tem uma de
suas frentes na área econômica voltada para a população em geral. É o Programa de Olho no Imposto, cujo objetivo da campanha é arrecadar assinaturas de apoio para regulamentação da
obrigatoriedade de mostrar ao consumidor quanto ele paga de imposto nos
bens e serviços que consome. Essas assinaturas foram levadas ao Senado brasileiro e deverá tornar-se lei no País.
Dentro da área social, a entidade
mantém o Projeto Vira Lata, que dá
suporte à inclusão social de catadores de lixo limpo para reciclagem. Hoje, são transformados 65 mil quilos de
material reciclável, gerando cerca de
R$ 25 mil para 67 cooperados.
“A responsabilidade social para a
Associação Comercial de São Paulo
tem a função de capacitar para empreender, dar suporte à inclusão social e dar exemplos para estimular. Essa é, na nossa visão, a meta de uma
entidade de classe responsável”, finaliza Regina Santana.
FINANCEIRO
palestra Acrefi
Desafios do Crédito e Cadastro Positivo
Especialistas de entidades e instituições financeiras debatem o mercado de crédito
no atual cenário econômico brasileiro
“Desafios do Crédito e Cadastro
Positivo” foi o tema de palestra
promovida pela Associação Nacional
das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi ) em
parceria com a Serasa. Profi ssionais
da área de diversas instituições fi nanceiras lotaram o auditório em
evento que reuniu como palestrantes
Ricardo Loureiro, diretor da Serasa;
Ivan Svitek, presidente do Banco
GE Capital; Jairo Saddi, diretor do
Ibmec Direito (São Paulo); e Adalberto Saviolli, diretor de crédito e
risco do Banco Panamericano.
A abertura oficial do evento foi
feita pelo diretor da Serasa, Laércio
Oliveira, que lembrou o cenário
favorável para a expansão do cré-
ACREFI
dito, com economia estabilizada e
inadimplência, que ele classificou de
“bem comportada”, uma vez que o
aumento do crédito foi bem superior ao crescimento do número de
consumidores com pagamentos em
atraso. Laércio Oliveira reiterou a
importância de montar uma base
de dados compartilhada, não apenas para ampliar a concessão de crédito às pessoas físicas, mas para adequá-lo da melhor forma possível, de
maneira a reduzir a perda de retorno
ajustado ao risco. Para o diretor da
Serasa, o cadastro positivo é a melhor
maneira e seria uma ferramenta bastante eficiente para reduzir a assimetria de informações.
Na mesma linha, o presidente da
15
Acrefi, Érico Ferreira, enfatizou a
importância de mecanismos cada vez
mais aprimorados para a concessão
do crédito e reforçou a importância
do crédito para o desenvolvimento
econômico, lembrando o recorde de
vendas da indústria automobilística:
“Isso só aconteceu graças ao financiamento. É impossível imaginar um país
sem crédito. É fundamental fazermos
um esforço no sentido de que o crédito seja parte integrante da sociedade”, afirma ele.
Essa condição do crédito, a de
alavanca do crescimento econômico,
também foi citada pelo primeiro
palestrante, Ricardo Loureiro, diretor de produtos pessoa física da
Serasa, que reiterou as opiniões de
palestra Acrefi
Laércio Oliveira
seus antecessores: lembrou as condições macroeconômicas favoráveis,
incluindo a possibilidade de o País
receber, proximamente, o grau de
investimento das agências de avaliação de risco, e a necessidade de tirar
proveito desse ambiente, “cercado
de oportunidades, mas também de
desafios”, alertou.
O aumento do número de consumidores batendo à porta do crediário cresce e, na mesma proporção, a responsabilidade das instituições financeiras. Diante disso, perguntas como “o que é scoring?”
e “o que ele signifi ca?” passam a
ser desafios maiores. Na opinião do
executivo, o cadastro positivo ganha
importância na medida em que, por
meio dele, é possível alavancar negócios e distinguir um cliente do
outro, podendo oferecer taxas mais
atraentes e fazer ofertas customizadas diferenciadas para aqueles que
apresentam um histórico de bons
pagadores. “Estamos atuando em
ambiente competitivo, em que o
dólar está baixando, em que há um
barateamento do crédito e, conseqüentemente, haverá um ambiente
mais propício e mais competitivo
nesse setor. A Serasa, que é bureau
de crédito, é capaz de ajudar nessa
segmentação”, diz Loureiro.
Já vemos que os bancos estão
Ricardo Loureiro
Adalberto Saviolli
“Estamos atuando em
ambiente competitivo, em
que o dólar está baixando,
em que há um barateamento
do crédito”
Ricardo Loureiro, diretor da Serasa
atuando em variados mercados, como
o da classe C, com o auxílio de bureau
de informações e necessitam de cada
vez mais dados sobre os que já são
clientes e os futuros, que as instituições pretendem atrair.
“Mas a idéia é ampliar esse grau
de informações com o que a situação
creditícia do futuro consumidor tem
a mostrar, com dados positivos de
crédito e pagamentos já assumidos e
se há melhores condições de alavancar negócios”, esclarece Loureiro. Ele
complementa que os bureaux, hoje,
já atuam nesse contexto, mas os positivos irão incrementar esses negócios
e dar mais condições para melhorar
as taxas e todas as condições de segurança para todas as partes interessadas. “Esse desafio é nacional, a
coleta de informações deve abranger
os mais longínquos rincões do País”,
finaliza Ricardo Loureiro.
O diretor de crédito e risco do Banco
16
Panamericano, Adalberto Savioli, começou afirmando que crédito é muito
mais importante do que parece e que
leva aos estudos de desenvolvimento
do País. Uma das principais percepções
do executivo é o crescimento anual do
mercado de crédito na faixa de 20% a
25% ao ano, o que representa estabilidade econômica e evolução na oferta.
Porém, ele apresenta como preocupação a forma como o próprio mercado
concede crédito: “Hoje, estamos concedendo crédito da mesma forma que
fazíamos há alguns anos, esse mercado
evoluiu muito rapidamente e precisamos acompanhar”, alerta Savioli. Para
isso, conta com a colaboração no desenvolvimento de novas soluções por
parte dos bureaux de informações, que
são apoiadores dos bancos nesse negócio, mas ainda acha que o crédito é concedido de uma forma não completa.
Para ele, faltam informações do comportamento de pagamento do cliente,
que ainda é feita na base das informações cadastrais, e isso tem de mudar.
“Hoje, os bancos estão muito
atentos na hora de conceder crédito,
principalmente quando têm garantia,
como no mercado de veículos. Mas
o banco está financiando a própria
garantia, e essa garantia tem a sua
desvalorização, além do alto custo de
retomar este bem”, informa ele.
O executivo do Panamericano
FINANCEIRO
Ivan Svitek
acredita que hoje não se concede
mais crédito com informações restritivas, como as existentes. Esse tipo de
informação serve apenas para aqueles clientes a que as instituições não
irão dar o crédito, pois, de alguma
forma, já têm alguma restrição. Para
melhorar o grau de concessão de crédito e ampliar esse mercado, ele afirma que o governo federal deve, o
mais rápido possível, regulamentar
uma legislação que dê condições de
operar as informações positivas, ou o
País irá perder uma grande oportunidade de crescimento significativo.
Ivan Svitek, há quatro anos presidente do GE Capital no Brasil, destaca
o volume de informações que um cadastro positivo pode trazer sobre o consumidor e sua real importância. Mas
salienta que uma das maiores preocupações, no mundo todo, é com a confidencialidade dos dados.
“Com as informações que conseguimos coletar em um bureau positivo no mundo, temos mais e melhores condições de oferta de crédito do que com as informações que
estão disponíveis no Brasil. Porém,
deve haver privacidade, capacidade
de o próprio consumidor verificar sua
situação nesse bureau e liberdade de
poder alterar algo que ele, comprovadamente, acredita estar incorreto”,
complementa ele.
ACREFI
Jairo Saddi
“Estamos concedendo crédito
da mesma forma que
fazíamos há alguns anos,
esse mercado evoluiu e
precisamos acompanhar”
Adalberto Savioli, diretor do Banco
Panamericano
Ele demonstrou, em estudos, o que
o cadastro positivo pode fazer para
o País, como, por exemplo, a utilização das informações interfere no crescimento da relação crédito/PIB, tanto
na concessão de crédito quanto no
desenvolvimento de estabelecimentos comerciais ou produtivos além de
reduzir perdas e das baixas taxas para
o consumidor.
Em outra parte de seus estudos,
Svitek demonstrou que, com o cadastro positivo, os bancos diminuíram seus custos tanto na fase de
concessão quanto na de cobrança.
As instituições financeiras conseguiram baixar a inadimplência em
mais de 25% com a utilização dessas informações.
“Fazendo uma co-relação destes e
de outros estudos com o caso brasileiro, pode-se dizer que, com a implantação das informações positivas
somadas com as negativas, o índice
17
de inadimplências poderá baixar em
cerca de 45%. Além disso, o custo
do crédito, que hoje gira em torno
de 25% da receita bruta, poderá cair
para algo perto de 12%”, finaliza ele.
E, para finalizar o seminário, Jairo
Saddi, diretor do Ibmec Direito (São
Paulo), como se auto-intitulou um
pouco mais crítico com relação à implantação do cadastro positivo no
País, mesmo concordando com a profundidade e clareza das exposições
até então realizadas, é a voz dissonante durante as apresentações.
“Não sou aquele que atrapalha
tudo para nada dar certo, mas acredito que haja uma relação muito clara
entre a queda dos juros e o aumento
do crédito. Quanto mais baixo os
juros e spread, mais o crédito será
interessante. Hoje, a relação crédito/
PIB chegou a 34%. Vale lembrar que,
na década de 1970, essa relação chegou a 52% quando os juros eram menores. Então, ainda existe um grande
caminho a percorrer e não é apenas
com o cadastro positivo que andaremos tanto”, afirma.
Para ele, o cadastro positivo não
deve ser encarado como a “solução
mágica” para os problemas de juros
altos praticados no País. Não acredita
nos números apresentados de crescimento amplo na tomada de crédito
com a implantação dos bureaux positivos. Pela sua experiência mundial,
ele não vê relação entre uma coisa e
outra simplesmente e alerta que não
se pode comparar Brasil com Estados
Unidos, porque culturalmente são
muito diferentes.
Ele demonstra, ainda, que essas informações são pouco difundidas pelo
mundo, onde apenas 17 países utilizam o cadastro positivo e que há muita
confusão entre ele e o credit scoring.
“Eu não sou contra o cadastro,
mas quero deixar claro que ele, sozinho, não resolve tudo. É preciso que
seja aprovado no Congresso, o que
dará legitimidade ao assunto. Mas há
necessidade de um debate muito mais
amplo do que o atual. É preciso ouvir
todas as partes antes de implantá-lo”,
finaliza Saddi.
balanço de resultados
Renato Fogal
O Brasil ingressou numa
nova era econômica
Os dados macroeconômicos
monetários brindam o Brasil com
uma nova e marcante realidade a
meados de 2007: a inflação está
baixa e sua tendência de queda
com estabilidade se mantém num
patamar inédito e salutar.
O quadro geral, originado pela
adoção e prática de uma política
ortodoxa monetária que se mantém firme e não arreda pé de cautelas cujo cerne é evitar a formação
de novas expectativas de preços
que realimentem a inflação, não
poderia ser melhor.
Em junho de 2007, a inflação
anual chegava a 3,17%, um valor
historicamente baixo. A taxa de
crescimento apontava timidamente
para a alta, após ter fechado o ano
de 2006 em 3,7%, permitindo uma
evolução módica, distante de taxas
abusivas insustentáveis. As reservas internacionais abarrotavam os
cofres do Banco Central, com US$ 102
bilhões disponíveis em caixa, um
valor maior do que o ocorrido na
era Dutra, nos idos de 1946. E a taxa
Selic chegou a 12% ao ano, que é
o teto estabelecido pela Constituição de 1988 para os juros, o que
ocorre pela primeira vez na história
da política monetária.
E o que isso significa? O que se pode
esperar do Brasil com esses números?
Qual é a tendência aparente de crescimento e de desenvolvimento?
PROF. ISTVAN KASZNAR, Ph.D., CONSELHEIRO ECONÔMICO DA ACREFI
Os céticos perderam
mais uma vez ao
acharem que a “festa
da retomada”
duraria pouco
Certamente, dado o estágio
atual em que o País se encontra, há
inúmeras tarefas gigantescas por
fazer. Faltam reformas vigorosas
que assegurem o verdadeiro e sustentável desenvolvimento de longo
prazo, tais como nas áreas política,
educacional, tecnológica, fiscal e
tributária, de Estado e administração pública, trabalhista, previdenciária e da saúde.
Mas estão dados os alicerces para
enxergar preços mais estabilizados,
otimizar fluxos de caixa e, com isso,
antever com uma taxa de risco menor
o que se pode fazer e o que vai ocorrer na economia brasileira.
Isso signifi ca que o crescimento
poderá assentar-se sobre bases
macroeconômicas mais sólidas. E,
como conseqüência, é de se esperar
que cresça o consumo das famílias,
comprando de modo precavido, mas
febril, por conta de seu poder aquisitivo em alta, ocorrido pela redu-
18
ção marcante do imposto inflacionário. Ademais, o governo poderá
deslanchar com vigor os investimentos públicos, dando ao Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC) o
seu verdadeiro valor.
O caminho será bem mais confortável, com uma recuperação da
solidez da rota do crescimento.
Mas, naturalmente, haverá obstáculos e barreiras grandes à frente
que poderão obstruir e inibir o
crescimento e que precisarão de
soluções firmes, urgentes e ousadas. Entre elas, o calcanhar-deaquiles do Brasil está no risco do
apagão, da falta de energia hidrelétrica; na falta de incentivos à
geração de novos negócios e à valorização dos inovadores; na geração de mais exigências burocráticas e normas que afogam grandes
e pequenas empresas igualmente;
e na arrogância do Estado, lento
e submetido a uma série interminável de escândalos, em que o
dinheiro público desaparece pelo
ralo e a impunidade crassa.
A sensação que se tem é que
“la nave va”, até porque a situação internacional é bem favorável
ao Brasil, e a demanda por produtos brasileiros está aquecida. As
exportações evoluem bem e sustentam parte da produção doméstica, para formar reservas internacionais. A manterem-se as recei-
FINANCEIRO
tas de exportação no ritmo atual
e a capacidade de pagamento ao
exterior, a dívida externa líquida
do País poderá chegar a US$ 50
bilhões em dezembro de 2007;
estará praticamente zerada em
2009; e porá o País como jovem
credor de US$ 25 bilhões em 2010.
Com os superávits comerciais a
se repetirem, a taxa de câmbio permanecerá baixa, navegando perto
dos R$ 1,70 a R$ 2,10 entre 2007
e 2010, o que esfriará a inflação e
excitará o mercado de crédito.
Para dar evidências desse período alvissareiro por que o Brasil está
passando e que há de se alongar
ao máximo, para gerar bons frutos
e usufrutos à população, merecem
atenção as estatísticas e os 12 quadros que apresentamos a seguir.
Eles mostram que o rigor monetário praticado com insistência e
obstinação, sem interrupções e
com perspectivas de manutenção,
é o melhor remédio para o combate à inflação; a geração de reservas internacionais que promovem
a respeitabilidade e a credibilidade do País no exterior; e a fundamental aquisição de confiança
nos rumos traçados pelas autoridades monetárias. A população responde com maior consumo, maior
poupança e, logo, maiores investimentos na formação de seu patrimônio. Compra carros; constrói
casas e incentiva a produção de
edifícios; viaja mais a turismo, cultura e lazer; e, dessa forma, acelera o crescimento econômico.
O quadro 1 mostra que a base
monetária, que é o passivo monetário das autoridades monetárias, cresce
positivamente, à medida que aumenta a confiança no real, e relaciona-se claramente com M1, composto pelos depósitos à vista nos
bancos somados ao papel moeda em
poder do público. Dessa forma, com
inflação menor, retém-se por mais
tempo o dinheiro no bolso, o que
reflete a longa queda do multiplicador
da base monetária. Em 2000, ele era
de 1,52 e, em 2006, fechou em 1,41.
ACREFI
Quadro 1
MEIOS DE PAGAMENTO, BASE MULTIPLICADOR E EMPRÉSTIMOS
VALORES ABSOLUTOS - EM R$ MILHÕES
Ano
M1
Meios de pagamento
M2
M3
M4
Base
Multiplicador Empréstimos do
da base
sistema financeiro
2000
70.375
283.785
556.577
652.093
46.304
1,52
319.018
2001
78.943
321.612
625.057
756.181
52.846
1,49
332.384
2002
102.308
397.503
688.269
807.523
69.901
1,46
378.307
2003
104.892
412.895
838.386
958.471
70.802
1,48
418.210
2004
127.129
493.497
988.622
1.109.519
87.344
1,46
499.604
2005
142.451
582.464
1.166.502
1.312.399
98.306
1,45
607.023
2006
167.176
662.896 1.378.806
1.561.246
118.304
1,41
732.589
Quadro 2
MEIOS DE PAGAMENTO, BASE MULTIPLICADOR E EMPRÉSTIMOS
TAXAS DE VARIAÇÃO NOMINAIS
Ano
M1
Meios de pagamento
M2
M3
M4
Base
Multiplicador Empréstimos do
da base
sistema financeiro
2000
2001
12,17
13,33
12,30
15,96
14,13
-1,97
4,19
2002
29,60
23,60
10,11
6,79
32,27
-2,01
13,82
2003
2,53
3,87
21,81
18,69
1,29
1,37
10,55
2004
21,20
19,52
17,92
15,76
23,36
-1,35
19,46
2005
12,05
18,03
17,99
18,29
12,55
-0,68
21,50
2006
17,36
13,81
18,20
18,96
20,34
-2,76
20,69
Fonte: Banco Central do Brasil.
Quadro 3
Ano
TAXAS REAIS DE VARIAÇÃO MONETÁRIA SOBRE
A INFLAÇÃO MEDIDA PELO IGP-M
M1
Meios de pagamento
M2
M3
M4
Base
Multiplicador Empréstimos do
da base
sistema financeiro
2000
2001
8,86
8,96
8,87
9,19
9,03
7,61
8,16
2002
3,93
3,70
3,19
3,06
4,03
2,72
3,33
2003
9,56
9,70
11,54
11,22
9,43
9,44
10,38
2004
8,04
7,91
7,79
7,63
8,20
6,36
7,91
2005
49,70
52,41
52,39
52,52
49,93
43,94
53,98
2006
23,30
22,56
23,47
23,63
23,92
19,13
23,99
Fonte: Banco Central do Brasil.
Isso significa também que o real
está adquirindo valor aos olhos da
população e valoriza-se face ao dólar
e ao euro.
E, posto que as taxas de juros
estão caindo, conforme mostra o
quadro 11, em que a Selic chegou
a 23% em 2002 e fechou a 12,49%
em 2006, os empréstimos livres do
sistema financeiro aumentaram.
Conforme mostra o quadro 3,
19
as taxas reais de evolução e expansão dos empréstimos do sistema fi nanceiro cresceram aos espantosos
percentuais positivos de 53,98% em
2005 e 23,99% em 2006. Ou seja, a
vontade de consumir da população
foi saciada com a capacidade de oferecer crédito mais em conta pelo sistema bancário e pelas financeiras.
Isso é inédito. Os consumidores se
congraçaram com os credores ban-
balanço de resultados
Quadro 4
Nesta nova era, o
mercado de crédito se
renovará e dará
consistência à
retomada do
crescimento com
desenvolvimento
Ano
TAXAS DE INFLAÇÃO, PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) E
TAXAS REAIS DE VARIAÇÃO DO PIB
PIB
Em US$ MM
Taxa de variação do PIB real
Agropecuária Indústria
IGP-M
IPCA
2000
9,95
5,97
1.101.255
602.207
4,36
2,15
4,36
3,8
2001
10,38
7,67
1.198.736
509.797
1,31
5,76
1,31
1,75
2002
25,31
12,53
1.346.028
459.379
1,93
5,54
1,93
1,61
2003
8,71
9,30
1.556.182
506.784
0,54
4,49
0,54
0,61
2004
12,41
7,60
1.766.621
603.994
4,94
5,29
4,94
3,32
2005
1,21
5,69
1.937.598
796.284
2,28
0,77
2,28
2,03
2006
3,83
3,14
2.322.685
1.066.524
3,70
Preço cor
Geral
Serviços
Fontes: FGV e IBGE.
cários, tomando empréstimos atraentes, pois os prazos foram dilatados a
tal ponto, variando entre um mês e
60 meses, que foi viabilizada e popularizada a capacidade de pagamento
da população inteira, sobretudo a de
baixa renda, cujo acesso ao mercado
fora praticamente negado até 1994.
E abusar do crédito é sabidamente
perigoso e não recomendável. Vale a
pena ser módico e parcimonioso no uso
de empréstimos. Mas, se o dinheiro for
mais barato e a renda suportar o pagamento das prestações, não há por que
adiar o consumo, num mundo globalizado e acelerado na oferta de inovações que se trocam aceleradamente.
Os céticos perderam mais uma vez
ao acharem que a “festa da retomada” duraria pouco. Na verdade,
eles não acreditaram no Banco Central, cujo desempenho entre 2003 e
2007 é exemplar e dá evidências de
excelência e capacidade de controle
da oferta monetária tanto em fases de
corte drástico do crédito (anos 2003 e
2004) quanto em fases de queda da
inflação e necessidade de provimento
monetário, para atender à meta inflacionária anual e atingir a taxa de
expansão real do PIB pretendido.
Nesse sentido, os quadros 5 e 6 mostram que, uma vez deflacionados os
grandes agregados pela taxa de inflação anual medida pelo IGP-M da FGV,
capitalizada pela taxa de crescimento
do PIB, ocorrida no mesmo ano, as
taxas reais de variação monetária praticamente estiveram em bloco apenas
1% acima da meta.
Ou seja, o grau de acerto da política
monetária entre 2001 e 2006 foi cres-
Quadro 5
Ano
TAXAS REAIS DE VARIAÇÃO MONETÁRIA SOBRE A INFLAÇÃO
MEDIDA PELO IGP-M E A TAXA REAL DE CRESCIMENTO DO PIB
M1
Meios de pagamento
M2
M3
Base
Multiplicador
da base
Empréstimos do
sistema financeiro
0,90
0,90
0,89
0,89
M4
2000
2001
0,90
0,90
0,90
2002
0,90
0,90
0,90
0,89
0,90
0,89
0,90
2003
0,89
0,89
0,90
0,90
0,89
0,89
0,90
2004
0,90
0,90
0,90
0,90
0,90
0,89
0,90
2005
0,90
0,90
0,90
0,90
0,90
0,89
0,90
2006
0,90
0,90
0,90
0,90
0,90
0,89
0,90
Fonte: IBCI – Institutional Business Consultoria Internacional.
Quadro 6 DESVIO–PADRÃO E MÉDIA DE VARIAÇÃO DOS VALORES DEFLACIONADOS
DOS MEIOS DE PAGAMENTO, DA BASE E DOS EMPRÉSTIMOS
Ano
Estatística
M1
Meios de pagamento
M2
M3
M4
Base
Multiplicador Empréstimos do
da base
sistema financeiro
2001 a
2006
Desvio
padrão
0,0008 0,0006
0,0004 0,0004
0,0009
0,0001
0,0006
2004 a
2006
Desvio
padrão
0,0004
0,0003
0,0000
0,0002
0,0005
0,0001
0,0001
2001/2006
Média
0,8957
0,8956
0,8957
0,8957
0,8958
0,8941
0,8956
2004/2006 Média
0,8958
0,8958
0,8959
0,8958
0,8959
0,8941
0,8961
Fonte: IBCI – Institutional Business Consultoria Internacional.
cente. E, à medida que a inflação caiu
para 1,21% em 2005 e 3,83% em 2006,
a gestão e a sintonia fina foram ainda
mais acertadas e disciplinadas. Um feito
raro e digno de registro na história da
política monetária do Brasil.
Mediante o quadro 6, nota-se que
o desvio-padrão, conhecido como taxa
de risco ou índice de variabilidade dos
meios de pagamento M1, M2, M3 e
M4 é mínimo e consistente estatistica-
20
mente em relação aos quatro agregados. E, da mesma forma, a taxa média
de variação intertemporal das variações
dos agregados monetários, da base e
dos empréstimos, também está caindo.
Isso significa que a consistência
das políticas monetárias adotadas pelo
Banco Central é elevado, crescente e
implementado de forma contínua.
De certa forma, a população interpretou convenientemente essa grande
FINANCEIRO
Quadro 7 VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO CONSIGNADO
Ano
Quadro 8
Prefixados
TAXA DE VARIAÇÃO NOMINAL DOS CRÉDITOS
Ano
Pessoa Física
Veículos
2003
30.494
29.987
2004
43.423
38.065
2005
63.444
50.685
2006
88.709
63.472
2007*
95.210
66.977
Fonte: Revista Financeiro – Acrefi.
Prefixados
Pessoa Física
Veículos
2004
42,40
26,94
2005
46,11
33,15
2006
39,82
25,23
2007*
7,33
5,52
Fonte: Revista Financeiro – Acrefi.
Observação: os valores de 2007 referem-se ao primeiro trimestre, janeiro/março (*).
Quadro 9
Quadro 10
VOLUME DE CRÉDITOS DEFLACIONADOS
Ano
Prefixados
Ano
Pessoa Física
Veículos
2003
27.900
27.436
2004
36.811
32.269
2005
61.288
48.963
2006
82.388
58.950
2007*
91.973
64.700
Prefixados
Pessoa Física
Veículos
2004
31,94
17,61
2005
66,50
51,73
2006
34,43
20,40
2007*
11,63
9,75
Projeção
para o ano
55,30
45,11
Máximo
35,94
29,32
Normal
Fonte: IBCI – Institutional Business Consultoria Internacional.
Fonte: Revista Financeiro – Acrefi.
Quadro 11
TAXA DE VARIAÇÃO REAL DOS CRÉDITOS
EVOLUÇÃO NOMINAL DAS TAXAS DE JUROS ENTRE 2000 E 2006
Ano
SELIC
CDI
OVER
TJLP
ANBID
HOT
MONEY
TR
LIBOR
PRIME
RATE
FED
FUNDS
2000
16,19
16,13
9,75
16,51
1,94
17,31
6,63
9,19
6,24
2001
19,05
19,05
10,00
19,07
2,38
18,85
3,72
6,90
3,90
2002
23,03
22,93
10,00
24,09
3,04
23,06
1,91
4,71
1,67
2003
16,92
16,80
11,00
16,34
2,00
37,94
1,25
4,13
1,13
2004
17,50
17,46
9,75
16,76
2,54
15,03
1,73
4,29
1,35
2005
18,24
18,15
9,75
18,39
2,58
22,69
4,63
7,00
4,16
2006
12,49
12,43
6,85
13,08
1,46
15,22
5,33
8,25
5,24
Fonte: Banco Central do Brasil; ANBID; Federal Reserve – FED.
Quadro 12
GANHO OU PERDA EM PONTOS, DAS TAXAS DE JUROS DE
UM ANO PARA OUTRO – ANTERIOR
Quando a taxa percentual é positiva, é porque os juros subiram de um ano para outro.
Ano
SELIC
CDI
OVER
TJLP
ANBID
HOT
MONEY
TR
LIBOR
PRIME
RATE
FED
FUNDS
-2,34
2001
2,86
2,92
0,25
2,56
0,44
1,54
-2,91
-2,29
2002
3,98
3,88
0,00
5,02
0,66
4,21
-1,81
-2,19
-2,23
2003
-6,11
-6,13
1,00
-7,75
-1,04
14,88
-0,66
-0,58
-0,54
2004
0,58
0,66
-1,25
0,42
0,54
-22,91
0,48
0,16
0,22
2005
0,74
0,69
0,00
1,63
0,04
7,66
2,90
2,71
2,81
2006
-5,75
-5,72
-2,90
-5,31
-1,12
-7,47
0,70
1,25
1,08
2007
-12,49
-12,43
-6,85
-13,08
-1,46
-15,22
-5,33
-8,25
-5,24
Fonte: IBCI – Institutional Business Consultoria Internacional.
ACREFI
21
e nova mudança na trajetória econômica do Brasil e reagiu à busca do consumo que lhe fora ofertado com maior
rigor monetário nos anos 2002/2004.
Os quadros 7 e 8 mostram que o volume de operações de crédito consignado
da pessoa física e dos veículos financiados cresceram a taxas recordes, como
resposta aos novos tempos.
Em 2003, o crédito montava a R$
30,4 bilhões e, em março de 2007, ele
atingia inéditos R$ 95,2 bilhões. Uma
grande retomada do mercado, sem que
isso represente esgotamento deste, pois
o coeficiente de utilização de empréstimos privados sobre o PIB, de apenas
31,5%, é dos mais baixos do mundo.
Nesta nova era, o mercado de crédito se renovará e dará consistência à
retomada do crescimento com desenvolvimento. Estão dadas as condições
de base, fundamentais, para deslanchar
de vez e com vento a favor, com tanto
que as reformas inadiáveis sejam feitas
o quanto antes e se dê vazão à iniciativa, à criatividade e à vontade de se realizar com sucesso, do brasileiro.
tendência
Flávio Roberto Guarnieri
Os desafios do setor
automobilístico
TEREZA MARIA FERNANDEZ DIAS DA SILVA, SÓCIA DA MB ASSOCIADOS
A indústria automobilística segue
apresentando crescimento. A produção do setor de autoveículos encerrou 2006 atingindo 2,6 milhões de
unidades, crescimento de 3% em
relação a 2005. As vendas internas
surpreenderam com crescimento de
18,6%, destacando-se os segmentos
de comerciais leves (+ 33,6%) e ônibus (19,8%). Em 2007, com dados até
o mês de maio, a tendência se mantém. A produção, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de
Automóveis (Anfavea), cresceu 5,8%,
atingindo 1,13 milhão de unidades.
O segmento de máquinas agrícolas
(não considerado na estatística anterior), que tinha reduzido sua produção em 21,3% no ano de 2005, e
12,8% em 2006, apresenta recuperação, crescendo 17% até maio, em
relação ao mesmo período do ano
passado. A expectativa é de um crescimento de 6,0% na produção total
(sem máquinas agrícolas).
As vendas seguem aquecidas no
mercado interno. Segundo dados
da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), até o mês de maio, as vendas
no mercado interno cresceram 25,1%
no segmento de automóveis e comerciais leves, 20,6% no mercado de
caminhões, 27,2% no segmento de
motocicletas e 33,3% na área de tratores. Apenas no setor de ônibus,
Apesar de crescimento
de produção e vendas,
setor ainda tem
dificuldades que
afastam investimentos
as vendas são negativas em 5,7%,
depois de terem evoluído quase 22%
em 2006. O ano de 2007, pelas nossas
projeções, deve seguir crescendo. Esperamos que os automóveis e comerciais leves apresentem crescimento de
22,9%, caminhões evoluam 18,3%,
motos devem ampliar suas vendas em
26,7%, tratores 31,7%. O segmento
de ônibus deverá ser o único a apresentar queda de vendas (7,7%).
As vendas no mercado interno são,
portanto, as responsáveis pela recuperação do setor automobilístico, visto
que as exportações, em unidades,
estão negativas desde o ano passado
(6,2% em 2006, e 10,7% em 2007).
A indução da troca de automóvel,
a partir da consolidação da tecnologia flex fuel, somou-se ao crescimento do crédito com um prazo de financiamento maior (em média, 60 meses
para automóveis), seja para veículos
novos, seja para veículos usados, o
que ajudou a consolidar o mercado.
A notícia negativa fica por conta
22
das exportações. No segmento de
automóveis e comerciais leves, a mudança de tendência em relação ao
comércio internacional é forte. Se as
tendências mais recentes se mantiverem, projetamos exportações em
dezembro/07 de 685,6 mil unidades
e importações de 237,8 mil veículos.
Nesse caso, as exportações líquidas,
que em janeiro de 2006 eram de 761,3
mil automóveis, cairão para 447,8 mil
veículos. As importações já representam pouco mais de 10% do mercado
interno (Gráfico I).
Apesar do crescimento da produção e principalmente das vendas no
mercado interno, o setor ainda
apresenta dificuldades que afastam
investimentos em novas plantas e
em novos projetos no Brasil. Além
do fraco desempenho das montadoras mais importantes no resto
do mundo, que transforma a indústria brasileira em fonte de rentabilidade, as nossas ineficiências (custo
do trabalho, tributos, valorização da
moeda etc.) contribuem de forma
importante para que estes não estejam sendo encaminhados para o Brasil neste momento.
Os investimentos anunciados pelo
setor indicam apenas manutenção
das plantas atuais e uma expansão de
produção muito pequena. Fiat : R$ 3
bilhões 2007/2009, sendo que R$ 1 bilhão refere-se à contratação de 1.200
FINANCEIRO
ACREFI
Gráfico I
Exportação e importação de automóveis e comerciais leves
(Em unidades - acumulado 12 meses)
880.000
Exportações
Importações
860.000
200.000
180.000
840.000
160.000
820.000
800.000
140.000
780.000
120.000
760.000
740.000
mar.07
abr.07
mai.07
720.000
700.000
Exportações Importações
769.383
168.874
757.015
178.301
750.753
186.119
80.000
ab 6
r/0
m 6
ai
/0
ju 6
n/
06
ju
l/0
ag 6
o/
06
se
t/0
ou 6
t/0
no 6
v/
0
de 6
z/
06
ja
n/
0
fe 7
v/
07
m
ar
/0
ab 7
r/0
m 7
ai
/0
7
06
/0
ar
m
06
v/
n/
ja
100.000
60.000
680.000
fe
pessoas e a criação do terceiro turno,
no início de 2007; VW: R$ 2,5 bilhões
entre 2007/2011, nas cinco unidades
que mantém no Brasil; esse montante
não implica modernização nem crescimento de produção; Ford: R$ 2,2 bilhões até 2011, concentrados principalmente no NE (aquisição da Troller,
ampliação da fábrica da Bahia); GM:
R$ 2,1 bilhões entre 2008/2010 no desenvolvimento de produtos para o Brasil, o Oriente Médio, a Ásia e os Estados Unidos; Toyota: US$ 42 milhões
na sua unidade de São Bernardo do
Campo (SP), na ampliação de produção de peças forjadas; Honda: concluiu
investimentos em 2006 ampliando sua
capacidade para 70 mil automóveis/
ano; Renault: R$ 630 milhões até 2009
na unidade de São José dos Pinhais,
para a produção de novos modelos
(Logan); Nissan: R$ 315 milhões até
2009, com lançamento de seis novos
modelos no mercado brasileiro. Os investimentos da Renault e da Nissan
são os únicos em novos produtos e
linha de produção
Esses números indicam que o setor
ainda não tem claro um projeto articulado de crescimento. Até agora os
principais movimentos sugerem uma
acomodação à reaceleração da demanda e à fraqueza do dólar, além da
imperiosa necessidade de gerar lucros.
Essa acomodação se traduz no fato
de a produção nacional estar concentrada em carros pequenos (flex, com
motores 1.0, 1.3 e 1.6), que têm maior
escala. A parte sofisticada da demanda e, na margem, totalmente suprida
por importações, especialmente do
Fonte: ANFAVEA. Elaboração: MB Associados
As motocicletas seguirão
aumentando as vendas,
mas o risco China poderá
influenciar nos
investimentos
México. Mais recentemente e como
forma de postergar grandes decisões
de investimentos (novas fábricas),
várias unidades na Argentina estão
sendo reativadas. Apenas mais adiante,
ficarão mais claros os parâmetros
necessários para uma eventual nova
onda de investimentos – sustentabilidade do crescimento e o papel das
importações da Ásia ainda são os fatores mais importantes.
23
Nos demais segmentos, podemos
concluir que: i) as montadoras de caminhões estão mais preservadas e com
expectativas de novos investimentos
pela importância da agricultura e mineração brasileira, e suas perspectivas de
crescimento nos próximos anos; ii) no
caso dos ônibus, a tecnologia brasileira
de fabricação ainda assegura um mercado amplo de exportação; nesse caso,
as nossas indústrias estão investindo
no exterior em busca de competitividade, o que pode implicar desaceleração
de produção no Brasil; iii) as indústrias
de máquinas e equipamentos agrícolas
seguirão bem; iv) as motocicletas também seguirão ampliando vendas de
maneira significativa, mas, nesse caso,
o risco China poderá influenciar nos
investimentos em novas fábricas e no
crescimento da produção.
legislação
Andrea Felizollaa
Judiciário e mercado de
crédito: mitos e verdades
Muito se fala e pouco se estuda
sobre a relação entre o funcionamento do sistema judicial brasileiro e o desenvolvimento da economia nacional. É quase lugar-comum
ouvir que o desempenho do Poder
Judiciário e a qualidade de suas decisões têm grande impacto para o
grau de investimento, para a taxa
de juros e para o mercado de crédito, mas existem poucos textos ou
artigos que se propõem a analisar,
com base em dados e informações
mais precisas, a existência dessa
relação e sua extensão real. Nesse
contexto, é natural a proliferação
de idéias mistificadas sobre o tema
que guardam muito mais impressões pontuais e preconceitos do que
conhecimento de fato.
A discussão sobre os reflexos do
comportamento do sistema judicial
para o crescimento da nação é relevante e imprescindível. No entanto,
deve ser feita com bases mais sólidas
e desprovida dos vícios corporativistas ou de idéias preconcebidas sobre
o assunto. O diálogo entre economistas e juristas deve ser pautado
por elementos mais concretos, que
explicitem os verdadeiros problemas
que a questão apresenta e permitam
seu enfrentamento de maneira mais
efetiva e estratégica.
Acreditamos ser possível verificar a
relação direta entre o funcionamento
da Justiça e o mercado de crédito por
PIERPAOLO CRUZ BOTTINI
A recuperação do crédito,
em caso de inadimplência,
é bastante morosa, o que
acarreta na depreciação do
valor disponibilizado
meio de uma análise do comportamento dos juros e do spread bancário
nos contratos de empréstimo.
O Poder Judiciário é a instituição
responsável pela solução da maior
parte dos litígios decorrentes dos contratos de créditos, ainda que não seja a
única, logo, sua funcionalidade determinará os riscos da inadimplência e,
portanto, influenciará na fixação dos
juros cobrados nos empréstimos.
No caso do Brasil, essa relação
pode ser apontada por meio de
dados interessantes. A recuperação
do crédito, em caso de inadimplência, é bastante morosa, e essa
morosidade acarreta na depreciação do valor disponibilizado, tornando pouco atraente a celebração
de contratos de empréstimo com
risco de inadimplência. O tempo
médio para a finalização de um processo judicial é de cerca de 20 meses
24
na primeira instância, de 20 a 40
meses na segunda instância e de
20 a 40 meses nos tribunais superiores e no Supremo Tribunal Federal,
sem contar a fase de execução, que
exige mais um período de espera
para garantir o cumprimento da
decisão judicial transitada em julgado. A taxa de congestionamento
da Justiça Estadual, responsável pela
maior parte dos processos de recuperação de crédito, é de 80%, considerando-se os processos entrados
e os processos em tramitação sobre
as sentenças proferidas. Os índices
de morosidade do Judiciário brasileiro são maiores do que as médias
da América Latina e que de outros
países emergentes.
Essa morosidade, como afirmado,
refl ete-se nos custos para a recuperação de crédito. Pesquisa do Banco
Central com 93 instituições financeiras, responsáveis por 85% da oferta
total de crédito no País, em 2001,
apontou os custos estimados para
o enfrentamento da inadimplência
pelo Poder Judiciário. Para um crédito de R$ 50 mil, o valor esperado
de recuperação em caso de inadimplência era de 83% para a cobrança extrajudicial simples, 43,8% para
a cobrança por meio de processo
judicial que se encerrasse na fase de
conhecimento, ou seja, que o devedor pagasse no momento da decisão judicial que reconhecesse a dí-
FINANCEIRO
vida, e 24,1% para a cobrança por
processo judicial que prosseguisse
até a fase de execução, quando
o devedor não paga no momento
da sentença e é necessária a intervenção judicial para penhorar seus
bens e expropriá-los.
Temos, então, um alto custo para
a solução da inadimplência por meio
do sistema judicial. Esse fato determinará um alto risco na atividade creditícia, e é natural que, para os contratos em que a possibilidade de nãopagamento for maior, haverá juros
mais elevados.
Isso pode ser verificado na prática. Tomemos como base duas espécies de contratos de crédito para pessoas físicas em que a participação do
Poder Judiciário ocorre de maneira
diferente – o empréstimo pessoal
comum e o empréstimo pessoal com
crédito consignado – e verifiquemos
o comportamento das taxas de juros
cobradas em cada um deles. Para isso,
utilizaremos os dados do Relatório
de Economia Bancária e Crédito do
Banco Central do Brasil (2005).
Nos empréstimos pessoais comuns,
o Judiciário tem uma participação
muito maior em casos de inadimplência do que no crédito consignado.
Isso porque, em caso de não-pagamento, haverá, na grande maioria dos
casos, a necessidade de acionar este
Poder para solucionar a controvérsia e
para executar o devedor. Isso implica
a demonstração judicial da validade e
exigibilidade da dívida, por meio de
um processo de conhecimento (exceto
nos casos de títulos executivos extrajudiciais), e a execução da sentença judicial, caso favorável, que pode envolver, nos casos em que o devedor não
cumpre a sentença, a penhora e a
expropriação de bens por meio de um
longo procedimento.
Já nos empréstimos com crédito
consignado, a participação da atividade jurisdicional é quase nula. Nesses
casos, a inadimplência é muito baixa e
a necessidade de acionar o Judiciário
para fazer valer o contrato e garantir
a cobrança é quase inexistente, porque esta se faz diretamente na fonte
ACREFI
de proventos do devedor, de maneira
certa e estável. O “fator jurisdicional”
incide apenas na hipótese de o devedor perder o seu vínculo com a instituição responsável pela folha de pagamento e, mesmo assim, é pequena,
porque, em caso de demissão, permite-se ao credor o acesso a até 30%
da indenização recebida pelo rompimento do contrato de trabalho.
Analisemos, agora, as taxas de
juros cobradas nesses contratos de
crédito. Em janeiro de 2004, no mês
seguinte ao da entrada em vigor da
Lei do Crédito Consignado, a taxa do
crédito consignado era de 41,4% ao
ano, enquanto a do crédito pessoal
era de 79,1%. Atualmente, o valor
cobrado nos empréstimos em consignação é de 33,5% ao ano, enquanto
a taxa dos empréstimos pessoais é de
76,5% ao ano (dados de novembro
de 2006, Bacen, 2006).
As únicas diferenças relevantes
entre os contratos de empréstimo
pessoal e aqueles com crédito consignado são o grau de participação
do fator jurisdicional em ambos e o
valor das taxas de juros cobradas,
já que as partes contratantes e os
agentes de crédito são praticamente os mesmos. Assim, se todos os
elementos que distinguem as duas
modalidades são os mesmos, pode
ser apontada uma relação direta
entre a atividade jurisdicional e a
fixação da taxa de juros.
Porém, não só o custo do crédito
é afetado pelo “fator jurisdicional”,
mas a própria disponibilidade desse
crédito. Mais uma vez, voltemos ao
crédito consignado, para o qual a
incidência da atividade jurisdicional é baixa, e verifiquemos o volume de negócios realizados depois
de sua implementação.
Segundo relatório do Banco Central do Brasil (2006), a relação entre
o volume total dos empréstimos e
o PIB subiu de 26,2% em 2003 para
33,7% em 2006, sendo que o percentual de financiamentos referenciados
em recursos livres cresceu de 61,1%
para 68,2% no mesmo período. O
papel da criação da modalidade do
25
As únicas diferenças
relevantes entre os contratos
de empréstimo pessoal e
aqueles com crédito
consignado são o grau de
participação do fator
jurisdicional e o valor das
taxas de juros
crédito consignado nesse crescimento
foi relevante, pois, segundo o mesmo
Banco Central, desde a implementação dessa espécie de crédito (dezembro de 2003), o crédito para pessoas
físicas aumentou em 82,3% (para este
cálculo, o Banco Central considerou
os dados dessazonalizados e deflacionados pelo IPCA).
Evidentemente que o crédito consignado não foi o único responsável
pela expansão do volume de operações no País, mas sua participação
para tal deve ser reconhecida, ainda
mais porque, em novembro de 2006,
essa modalidade de crédito representou 53,1% dos empréstimos da carteira de crédito pessoal.
Essa pequena análise demonstra que existe uma relação entre a
operatividade do Poder Judiciário
e o mercado de crédito. No entanto, isso não pode levar a conclusões simplistas, pois o mesmo Judiciário não é culpado desse fenômeno, mas também um dos prejudicados. A difi culdade de solucionar
os conflitos apresentados, que acarreta a insegurança para contratação
acima demonstrada, é uma angústia
comum de todos os atores sociais,
inclusive dos membros da magistratura, e a busca de alternativas deve
ser realizada como um esforço conjunto, que passa pela construção de
propostas de racionalização das demandas judiciais, que confiram celeridade e efi cácia às decisões, oferecendo à sociedade um sistema
seguro e viável para a solução de
seus eventuais litígios.
artigo
O tempo da colheita
está chegando
Deve-se reconhecer que o ímpeto reformista foi bastante arrefecido no
segundo mandato do presidente Lula. Apesar dessa paralisia, o Brasil parece
estar próximo de atingir o ponto de não-retorno. Poderá demorar um pouco
mais ou menos, mas, dada a correlação de forças hoje existentes no País,
dificilmente haverá um retrocesso
JOSÉ MÁRCIO CAMARGO, SÓCIO DA TENDÊNCIAS CONSULTORIA INTEGRADA
Ao longo dos últimos 15 anos,
o Brasil passou por um extenso
processo de reformas institucionais.
Começando com a abertura da economia, o País seguiu seu caminho
com a privatização de várias empresas estatais, como a Companhia Vale
do Rio Doce, a Companhia Siderúrgica Nacional, o sistema Telebrás,
parte do setor elétrico e os bancos
estaduais. A partir de 1999, a idéia
de responsabilidade fiscal passou
a fazer parte do vocabulário e,
eventualmente, dos costumes, dos
governantes brasileiros, com a aprovação da Lei de Responsabilidade
Fiscal, a renegociação das dívidas
dos Estados e dos municípios e os
acordos com o Fundo Monetário Internacional que estipulavam a necessidade de obtenção de superávits primários do setor público capazes de evitar que a dívida pública
continuasse crescendo a taxas insustentáveis. Ainda na área macroeconômica, a incorporação da autonomia operacional de fato, ainda que
não de direito, do Banco Central
em conjunto com a adoção da política de metas para a inflação e câmbio flutuante, coroou o processo de
estabilização da economia.
Ainda no governo de Fernando
Henrique Cardoso, reformas microeconômicas importantes foram implementadas, entre elas a reforma
da Previdência Social, a criação
Avanços institucionais
começam a ser
incorporados nos processos
decisórios dos agentes
econômicos, refletindo no
desempenho da economia
de marcos regulatórios e de agências reguladoras para os setores de
infra-estrutura e a criação do Sistema Financeiro Imobiliário.
O novo governo eleito em 2002,
comandado pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, além de manter as conquistas na área macro,
como a autonomia operacional do
BC, e aprofundar o ajuste e, com
isso, manter a austeridade fiscal,
com aumento do superávit primário, intensificou o processo de reformas microeconômicas, com a aprovação de uma nova reforma da Previdência Social, agora voltada para
o funcionalismo público, da nova
Lei de Recuperação de Empresas
(que substituiu a antiga lei de falências), a reforma do Judiciário, a
lei que regulamenta as Parcerias
Público-Privadas, a aprovação do
crédito consignado, do patrimônio
de afetação, e uma série de outras
reformas importantes.
Dois aspectos devem ser destacados nesse processo. Em primeiro
26
lugar, todo processo de reformas
tem ganhadores e perdedores. No
início, não apenas os ganhos são
mais incertos, assim como seus
beneficiários são mais difusos e
menos organizados, o que faz com
que o peso dos perdedores seja
desproporcional à sua importância
econômica. Porém, à medida que
o processo é aprofundado, ficam
cada vez mais claros os ganhos
dele decorrentes, e estes ganhos
se espalham de forma mais ampla
pelos agentes econômicos. A partir de um certo ponto, se consolida
entre os agentes a percepção de
que não existe mais retorno no caminho escolhido. Hoje, no Brasil,
se discute a forma da regulação,
quão independentes devem ser as
agências reguladoras, o tamanho
do superávit primário ou o rigor
da política monetária. Entretanto,
poucos duvidam da importância do
equilíbrio fiscal, da necessidade de
uma política monetária direcionada
para a estabilidade da moeda, da
importância do investimento privado, da necessidade de respeitar
contratos e de estabilidade regulatória, da importância das agências
reguladoras etc.
O segundo ponto importante
é que esses avanços institucionais
começam a ser incorporados nos
processos decisórios dos agentes
econômicos e, dessa forma, come-
FINANCEIRO
çam a aparecer no desempenho da
economia brasileira. De um lado, ao
contrário do que ocorria até poucos anos atrás, o País hoje já é
visto tanto pelos investidores nacionais e internacionais, mas, principalmente, pelos seus próprios cidadãos, como um lugar seguro em que
se podem investir suas poupanças.
A conseqüência é que o País atrai
recursos internos e externos para
financiar a dívida pública a taxas
de juros muito menores do que no
passado e os investimentos, tanto
nacionais quanto estrangeiros, crescem a taxas elevadas. A queda do
risco país e o elevado fluxo de recursos externos para o Brasil são o resultado desse processo. De outro,
ainda que as mudanças de regras
continuem sendo uma fonte de
incertezas, a própria dinâmica do
processo regulatório aponta cada
vez mais para uma maior estabilidade e um maior respeito aos con-
ACREFI
Reformas como a da
legislação trabalhista, a
tributária e do sistema de
assistência e Previdência
Social precisam ser
implantadas
tratos, o que atrai investimentos privados para setores que, até pouco
tempo atrás, somente recebiam investimentos estatais. Os resultados
são maiores ganhos de produtividade, mais crescimento, menos desigualdade e menos pobreza.
Certamente, muito ainda está por
ser feito. Reformas importantes como
a da legislação trabalhista, a tributária, uma melhoria do sistema educacional e uma nova reforma do sistema
de assistência e Previdência Social –
capaz de reduzir suas despesas como
proporção do PIB – precisariam ser
implementadas, mas parecem estar
27
politicamente paralisadas no momento. Da mesma forma, a dificuldade que tem tido o governo,
principalmente o governo federal, para colocar em prática a legislação das Parcerias Público-Privadas e de concessões de obras
de infra-estrutura para o setor
privado, mostra que ainda existem “bolsões” de resistência dentro do próprio governo quanto
à importância de atrair investimentos privados nessa área. Na
verdade, deve-se reconhecer que
o ímpeto reformista foi bastante
arrefecido no segundo mandato
do presidente Lula. Apesar dessa
paralisia, o Brasil parece estar
próximo de atingir o ponto de
não-retorno. Poderá demorar um
pouco mais ou menos, mas, dada a
correlação de forças hoje existentes no País, dificilmente haverá um
retrocesso. O tempo da colheita
está chegando.
educação
Divulgação
Políticas públicas e
desafios para a qualidade
do ensino no Brasil
Uma avaliação superficial dos
avanços brasileiros no ensino fundamental poderia nos levar a pressupor que o Brasil progrediu como
deveria no campo da educação.
Essa primeira impressão não poderia ser diferente na medida em que
o acesso à educação tornou-se uma
realidade para mais de 97% das
crianças brasileiras. A universalização do ensino na faixa de 7 a 14
anos permitiu, realmente, que uma
legião de excluídos tivesse, pela primeira vez, a oportunidade de freqüentar uma sala de aula.
Os agentes públicos têm contribuído para este novo cenário de
inclusão educacional, ao dar continuidade a medidas importantes
adotadas a partir de meados da
década de 1990, como o próprio
Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental
(Fundef), recentemente substituído
pelo Fundo da Educação Básica
(Fundeb); o Programa Bolsa-Escola,
agora ampliado para Bolsa-Família;
a diminuição do número de professores leigos; a implantação da TV
Escola; e a introdução de uma cultura de avaliação da educação. Sem
contar a implementação do ensino
fundamental de nove anos. Falta,
no entanto, avançar mais na consolidação dessas medidas, especialmente na introdução de mecanismos que garantam qualidade na
CLÁUDIA COSTIN, PROFESSORA-VISITANTE DA ESCOLA NACIONAL DE
EDUCAÇÃO PÚBLICA DA UNIVERSIDADE DE QUEBEC. FOI MINISTRA
DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL E REFORMA DO ESTADO (GESTÃO FHC),
SECRETÁRIA DA CULTURA DO ESTADO DE SÃO PAULO (GOVERNO GERALDO
ALCKMIN) E VICE-PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO VICTOR CIVITA
Com a conquista do
ingresso do aluno no ensino
fundamental, é preciso,
agora, investir em
ampliação do acesso à
educação infantil e ao
ensino médio
educação, algo sobre o qual se tem
escrito muito, sem que sejam propostos caminhos concretos.
Sem dúvida, é importante acelerar propostas em curso no legislativo que vão solidificar um sistema educacional público, justo e
eficiente para o País. Entendo que,
com a conquista do ingresso do
aluno na sala de aula no ensino fundamental, é preciso investir, agora,
em ampliação do acesso à educação
infantil e ao ensino médio no Brasil,
pegando duas pontas do sistema:
permitindo um início mais preparado no contato com a escola e buscando o aprofundamento das condições de empregabilidade e de justiça social para os jovens do País.
No estudo “Os efeitos da pré-escola
sobre os salários, a escolaridade e a
28
proficiência escolar”, o autor Naércio Aquino Menezes mostra que
os indivíduos que cursaram a préescola têm renda 27% superior à
daqueles que não a fizeram. Essa é
apenas uma das conseqüências da
falta da educação infantil.
O Fundeb atenderá justamente
a necessidade de se investir na
educação infantil. Parte importante dos investimentos previstos para
o fundo, de cerca de R$ 4,3 bilhões,
será aplicada em programas de formação de professores da pré-escola.
Outro passo que contribuirá para a
universalização da educação entre
os pequenos é o aumento de anos
letivos do ensino fundamental, de
oito para nove anos, que faz com
que as crianças de 6 anos já freqüentem a escola.
O Estado brasileiro, por sua vez,
terá o grande desafio de promover
mudanças qualitativas no ensino
público, em meio a um cenário de
universalização extremamente atrasado em relação aos demais países
desenvolvidos e em desenvolvimento. Enquanto, em 1930, o Brasil
tinha apenas 21,5% de suas crianças na escola, países como os Estados Unidos e a nossa vizinha Argentina apresentavam, naquela época,
respectivamente, 92,1% e 61,3% de
crianças matriculadas no ensino fundamental. O resultado tende a ser
o de um aluno mal instruído e, em
FINANCEIRO
parte, fadado à repetência escolar.
O Brasil conta, por exemplo, com
um índice de repetência de 32% na
primeira série, de acordo com levantamento realizado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco)
e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE) com 48 países. É mais alto
do que o constatado no Paraguai
(14%) e na Indonésia (11%). Em países desenvolvidos, apenas 3% repetem. Isso signifi ca que, na primeira
série do ensino fundamental, está
se condenando um terço da população brasileira ao atraso e aos problemas de baixa auto-estima, que
resultam em evasão escolar.
Uma forma de amenizar o índice
brasileiro de repetência na primeira
série do ensino fundamental é justamente o investimento na qualidade da educação infantil. Esta deixou de ser assistencialista, na qual
a criança ia para a “escolinha” para
comer, dormir e ter suas fraldas trocadas. Agora, ela desempenha um
papel de extrema importância no
desenvolvimento do ser humano.
A entrada tardia da população
pobre na escola e sua curta permanência nos bancos escolares são,
sem dúvida, um fardo que nosso
País ainda carregará nos próximos
anos e com o qual terá de lidar, com
extrema competência, caso queira
trilhar o mesmo caminho de países
como Índia e Coréia. Estes apresentaram atrasos semelhantes e, em
pouco tempo, imprimiram enorme
salto de qualidade aos padrões de
ensino e de desempenho acadêmico de suas crianças.
Mas, sem uma visão clara do
que deve ser enfatizado na escola
para garantir qualidade, perde-se
uma oportunidade de se diminuir
o fosso social que, além de injusto,
ao desconsiderar talentos importantes, prejudica o desenvolvimento do País. Os parâmetros curriculares do Ministério da Educação (MEC)
deram uma pista importante do
que deveria ser enfatizado em cada
ACREFI
A entrada tardia da
população pobre na escola
e sua curta permanência
nos bancos escolares são
um fardo que o País ainda
carregará nos próximos anos
segmento de ensino. No entanto, é
necessário notar que, enquanto a
sociedade não se envolver na discussão nacional sobre como desenvolver corações e mentes de nossos
jovens, não haverá melhoria sustentável da educação.
Alguns pontos precisam estar presentes em qualquer projeto que enfatize qualidade na educação nacional. Talvez o principal seja o de propiciar autonomia intelectual e espírito
inquiridor aos alunos. A possibilidade de obter respostas a suas perguntas de forma independente de
mestres e eventuais gurus e, melhor
ainda, ser capaz de estar permanentemente fazendo perguntas é a base
de uma cidadania consciente.
O hábito da leitura por prazer é
um caminho importante a ser contemplado nesse projeto. Um jovem
que não lê dificilmente formula
seus próprios julgamentos, apresenta dificuldades na compreensão das atividades que a escola e,
posteriormente, o mercado de trabalho lhe apresentam, não constrói um lazer saudável. O acesso
ao saber acumulado pela humanidade é vetado e, mais do que isso,
o compartilhamento de sonhos se
torna improvável.
Mas o que fazer num contexto
em que, segundo pesquisa da Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação, 60% dos professores do Brasil não têm o hábito
da leitura? Estimular a criação de
29
bibliotecas municipais é um caminho importante. Tive a oportunidade de coordenar o programa São
Paulo: um Estado de Leitores, que,
entre outras realizações, garantiu
que todos os 645 municípios do
Estado de São Paulo tivessem sua
biblioteca pública. Capacitamos os
bibliotecários e agentes de leitura
e, junto com a Secretaria de Educação, introduzimos uma hora de leitura por prazer na grade semanal.
Mas isso ainda é insuficiente.
O grande desafio é criar mecanismos que garantam a qualidade
da educação. Investir fortemente
na capacitação de professores, a
partir de um diagnóstico mais claro
das dificuldades de seus alunos, tal
como registrado no Prova Brasil,
pode se mostrar um caminho importante. A introdução de uma cultura de gestão escolar focada na
melhoria da aprendizagem pode ser
obtida não apenas com novos instrumentos que aumentem a autonomia e a responsabilidade de diretores de escola, mas também com
intensa capacitação desses profissionais. Incentivar o hábito de leitura tanto de alunos quanto de
professores, reforçando bibliotecas escolares e sua articulação com
bibliotecas municipais, construir o
caminho para a universalização da
pré-escola – principal elemento de
eliminação das diferenças de origem socioeconômica no desempenho de crianças na primeira série –
e do ensino médio – fator importante para melhoria da nossa força
de trabalho e para retirar jovens
de situação de pobreza e exposição
à violência – são algumas outras
questões sobre as quais qualquer
política pública competente deve
se debruçar candidamente. Caso
contrário, programas como o BolsaFamília podem sim ter algum impacto de redistribuição de renda,
mas tenderão a eternizar uma relação de dependência em que cada
assistido atual verá seus filhos e
netos merecendo a piedade e a
caridade públicas.
economia
Arquivo Acrefi
A fixação das metas de
inflação para 2009
A transição política brasileira realiza-se num ambiente econômico interno e externo bastante favorável.
Apesar de o cenário internacional se
manter positivo no médio prazo, está
ocorrendo uma mudança na política
monetária dos principais bancos centrais do mundo, acompanhando o excesso de liquidez e o ressurgimento
de pressões inflacionárias. O Banco
Central Europeu e o Banco do Japão
já iniciaram um processo de reversão
da política monetária, elevando suas
taxas de juros de forma gradual. Se
o ritmo dessa mudança se mantiver,
não haverá maiores problemas para
os mercados emergentes.
Quanto ao ambiente interno – ao
contrário do que ocorreu nos primeiros meses de 2006, quando a economia apresentava incertezas –, neste
início de ano existe uma maior convergência das expectativas, o que facilitará a condução da política mo-
CARLOS THADEU DE FREITAS GOMES, ECONOMISTA-CHEFE DA CNC E
EX-DIRETOR DO BANCO CENTRAL
netária ao longo de 2007. O teste
real para a política monetária será
em 2008, quando esta não poderá
contar mais com a apreciação cambial como fator antiinflacionário.
A política monetária no regime de
metas de inflação tem sua eficiência
condicionada à ancoragem das expectativas inflacionárias. A partir de meados de 2005, as expectativas apresentaram maior ajuste em direção à trajetória visada pelo Banco Central, como
resultado da maior credibilidade da
autoridade monetária no alcance das
metas. Além da diminuição da dispersão das projeções da pesquisa Focus, houve também uma maior convergência para o centro da meta.
Analisando o desempenho da política monetária sob metas de inflação
em um horizonte mais amplo, o estágio atual do processo inflacionário na
economia brasileira é de convergência de um nível moderado para o de
30
equilíbrio de longo prazo. Em números, isso significa a redução da inflação média de 6,7% até 2005 (intervalo
entre 5,7% e 7,5%) para uma meta ao
redor de 4%. Seguindo sua trajetória
desde a adoção do regime, pode-se
dizer que o Banco Central obteve sucesso em retomar a credibilidade abalada durante a crise de confiança de
2002 e redirecionar a inflação de volta
à trajetória das metas.
Neste momento, a discussão deveria ser cardinal, ou seja, sobre
qual trajetória implicaria menor
custo, medido pela taxa de sacrifício correspondente à queda do nível de atividade que resulta da política de desinflação. Nesse sentido,
maior peso da política econômica
poderia ser dado ao crescimento do
PIB, no caso da opção por um perfil
de convergência gradual. O exemplo do Chile é contundente nesse
aspecto. O processo de redução da
FINANCEIRO
oycos
inflação de 20% para o intervalo
entre 2% e 4% naquele país demonstra que é possível a adoção
do regime de metas de inflação sob
uma estratégia gradualista.
Os efeitos adversos do aperto
monetário promovido pelo Banco
Central e da valorização cambial sobre a atividade econômica foram
menores do que o esperado. Houve,
de fato, uma desaceleração do nível de atividade, principalmente no
segundo trimestre de 2006. Os resultados da produção industrial de
2007 exibem sinais de que o nível de
atividade poderá ter bom desempenho ao longo deste ano, e isso
se deve a uma visível expansão da
produção de insumos para a construção civil e de máquinas e equipamentos para fins industriais. O
setor real em 2007 apresentará resultados mais expressivos dependendo, principalmente, do ritmo de
queda das taxas de juros.
O sucesso do regime de metas inflacionárias proporciona
um ambiente de maior segurança entre os agentes econômicos, diminuindo o ambiente
de incertezas e permitindo aos
agentes uma maior otimização
de suas escolhas intertemporais de consumo e investimento.
O alongamento dos prazos e a
taxa real de expansão do crédito refletem essa realidade na
economia brasileira. De fato,
entre janeiro de 2004 e março
de 2007, o volume de crédito total teve seu prazo médio estendido em 25%, assim como o nível do crédito tem exibido uma
taxa de expansão vigorosa faz
algum tempo. Hoje, seria razoável que a meta de inflação
para 2009 em diante fosse fi xada num intervalo entre 2%
e 4%, para a consolidação do
atual regime.
Analisando o desempenho da
política monetária sob metas
de inflação, o estágio atual do
processo inflacionário
brasileiro é de convergência de
um nível moderado para o de
equilíbrio de longo prazo
A política monetária, para continuar
apresentando resultados favoráveis dentro do regime de metas estabelecido,
precisa contar com o suporte fiscal de
longo prazo, sem o qual todo esforço
até agora demandado ao setor real da
economia e seu custo para a dívida pública pode ter sido inútil. Logo, na tendência declinante da relação dívida /PIB,
reside a continuidade do sucesso das
atuais políticas monetária e fiscal.
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ACREFI
31
Apoio
Realização
gestão corporativa
Governança e o modelo stakeholder
ELISMAR ÁLVARES CAMPOS, PROFESSORA E COORDENADORA DO NÚCLEO DE
GOVERNANÇA CORPORATIVA DA FUNDAÇÃO DOM CABRAL
Os administradores devem ser
cobrados e responsabilizados pelos
resultados de responsabilidade corporativa tanto quanto pelos resultados financeiros?
A discussão sobre o atendimento
dos diversos públicos que exercem influência sobre a empresa, e são influenciados por ela, vem sendo colocada na
pauta das modernas corporações.
Surgem daí duas visões – a visão
stockholder e a stakeholder, na
perspectiva da ética e da governança corporativa.
• A visão dos stockholders (acionistas) é uma visão comum e até bem
pouco tempo uma prática no mundo
anglo-saxão, com foco na potencialização da riqueza dos acionistas.
Em função dessa visão, Friedman
(1970) argumenta que, se os executivos maximizam os lucros para
os investidores e com esses resultados aumentam o valor da empresa, estão respeitando o direito de
propriedade e, de forma agregada,
promovendo o bem-estar social.
• A visão dos stakeholders (partes interessadas na empresa) é uma
visão mais alinhada com a cultura
nipo-germânica. A empresa tem a
responsabilidade ética de respeitar os direitos e cumprir os deveres
relacionados aos agentes adotados
pela empresa.
Incluem-se, nesse conjunto,
clientes, fornecedores, funcionários, acionistas, incluindo minoritários, comunidade local, instituições financeiras, governo, sindicato, enfim, todo o público de relacionamento da empresa que exerce
influência e é influenciado por ela.
Vejamos o enunciado de um
Na perspectiva financeira,
a categoria de stakeholders
privilegiada é a dos
proprietários dos recursos
que fluem para a empresa
acordo de entendimento entre
acionistas, com argumento a favor
da visão stakeholder :
“... Os proprietários entendem
que são apenas uma parte dos que
têm interesses na empresa. Os que
têm interesses na empresa são os
clientes, os fornecedores, o pessoal, a comunidade e os acionistas.
Cada um tem seus direitos sobre o
dinheiro da empresa e no compartilhamento de seu sucesso... Os diretores devem equilibrar as necessidades de todos os que têm interesse na empresa ao tomarem suas
decisões sobre pagamento de dividendos aos acionistas”.
Para Clarkson (1995), stakeholders são todas as “pessoas ou grupos que têm ou reivindicam propriedade, direito ou interesse em
uma corporação e em suas atividades passadas, presentes e futuras”.
Consideram-se, assim, dentre outros,
os acionistas, investidores institucionais, bancos, empregados, fornecedores, clientes, sindicatos, governo,
comunidade e órgãos reguladores,
de mercado e controle ambiental.
Diversos conceitos podem ser
utilizados para definir quem são os
stakeholders de uma empresa. Na
perspectiva financeira, por exem-
32
plo, a categoria de stakeholders privilegiada é basicamente a dos proprietários dos recursos que fluem
para a empresa. Contudo, uma
ampliação dessa perspectiva parece importante quando se discute a
responsabilidade social das corporações em relação à sociedade e em
face de questões como preservação
ambiental, atendimento às necessidades da comunidade, condições
de trabalho, qualidade dos produtos, entre outras. Nesse contexto,
outros atores são incluídos no processo de construção da governança corporativa, tanto na perspectiva interna da organização quanto
pelo aparato formal.
Os credores desempenham importante papel em alguns sistemas
de governança e têm potencial
para atuar como fiscais externos
do desempenho corporativo. Funcionários e outras partes interessadas desempenham também papel
de destaque, contribuindo para o
sucesso e o desempenho da empresa no longo prazo, enquanto os
governos criam a estrutura institucional e jurídica geral para a governança corporativa.
Clarkson distingue dois grupos
de stakeholders : os primários, públicos considerados fundamentais para
a sobrevivência da empresa, e os
secundários, que, apesar de exercerem influência e serem influenciados pela empresa, não são fundamentais para sua sobrevivência.
Progressivamente, outras lógicas, que não apenas a econômica,
vêm ocupando espaço e colocando
na agenda do mundo corporativo
questões centrais, diretamente rela-
FINANCEIRO
cionadas com princípios éticos e
morais, dos quais as empresas não
podem mais fugir, até mesmo pelo
custo de imagem.
Os mais incrédulos garantem que
o tema da “ética” pode despertar
muito interesse no mundo anglosaxão protestante, mas, em culturas latinas, como a brasileira, é uma
moda que simplesmente não “pega”
– especialmente quando se trata do
mundo dos negócios, que enxerga
como único valor o dinheiro.
Será? É verdade que algumas
pessoas não vêem vantagem em
observar a ética na hora de lidar
com as outras? Mas quem não
deseja ser tratado de forma ética?
Koehn nota que os acionistas,
na prática, formam a categoria mais
vulnerável entre os stakeholders
num mercado livre e aberto. Os
clientes que se sentem atingidos
pela empresa podem deixar de
adquirir seus produtos ou serviços.
Muitas das categorias de funcionários são protegidas por sindicatos.
Mas o acionista que investe na empresa depende exclusivamente dos
gestores para proteger e incrementar o valor de suas ações. Nesse sentido, as práticas de governança corporativa constituem uma forma de
proteção dos acionistas, especialmente os minoritários, ante os gestores que conduzem a organização.
Em países caracterizados por
forte cultura patrimonialista, isto é,
por elevada concentração da propriedade e pela predominância de
empresas familiares e pela baixa
possibilidade de financiamento via
democratização do capital, a inércia e a fragilidade acabam prevalecendo no mercado.
Schleifer e Visny (1997) observam que as empresas da América
Latina lidam com frágeis sistemas
de governança e os financiamentos
tendem a ser cobertos por mecanismos internos ou bancos estatais.
Segundo eles, os sistemas de governança corporativa nos Estados Unidos, na Alemanha e no Japão têm
mais em comum do que podemos
inicialmente imaginar: uma combinação de grandes investidores com
um efi ciente sistema legal de proteção aos direitos dos investidores. A
governança corporativa em outras
partes do mundo é menos efetiva
porque carece de sistemas formais
de proteção aos investidores. A
força da riqueza detida por eles
provoca mudanças na postura das
instituições e o governo corporativo
é resultado de vários elementos: o
equilíbrio dos regulamentos, a pressão externa e a auto-regulação.
Como mercados voláteis requerem diversidade, é vital a presença
de atores e agentes com diferentes
perspectivas de longo prazo. Por
outro lado, o foco em resultados financeiros de curto prazo entra em
conflito com a visão de longo prazo
do modelo de stakeholders.
Alguns sinais já são visíveis. Uma
família controladora de uma grande
empresa acaba de escrever uma
O foco em resultados
financeiros de curto prazo
entra em conflito com a
visão de longo prazo do
modelo de stakeholders
carta de princípios para a alta administração, com orientações sobre em
que tipo de negócio a empresa deve
ou não entrar e, claramente, sinaliza valores e princípios relacionados à responsabilidade social que
não poderão ser feridos.
Uma coisa é certa, o mercado
impõe suas regras. Não somos
“donos” de nossas empresas – elas
“pertencem” a um conjunto de
agentes que exercem influência e
são influenciados por ela.
Empresas a montante na cadeia
produtiva de uma grande corporação,
embora ganhem as licitações para fornecimento dos contratos, somente os
assinam depois de receberem relatórios com os resultados de auditoria
realizada pela empresa cliente. Indiretamente, os fornecedores das grandes
corporações acabam adotando suas
práticas de governança.
Em termos mais amplos, é inevitável o reconhecimento da necessidade de incluir a perspectiva de outros
públicos, que não apenas os acionistas, como essencial para a sobrevivência da empresa no longo prazo.
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Mario Miranda/Agência Foto
análise setorial
A
revisão do PIB mostra que o
Brasil tem apresentado um
crescimento maior do que se
imaginava, uma relação dívida/PIB
menor, os investimentos nacionais
em produção são mais efetivos e
uma economia 11% maior do que
os dados anteriores haviam apontado. Este quadro, aliado à queda
da Selic, à inflação estabilizada e
ao elevado saldo comercial levou o
risco país ao menor patamar histórico, atraindo maciços investimentos externos. Com a confiança em
alta, o câmbio passou a ser pressionado e o Brasil começou a ter dificuldades para controlar a valorização do real.
Atualmente, o Brasil tem batido
sucessivos recordes históricos no
saldo da balança comercial. Pode-se
observar pelo gráfi co 1 que o saldo
acumulado nos últimos 12 meses
A nova conjuntura
cambial
PROF. DR. ALBERTO BORGES MATIAS, PRESIDENTE DO INEPAD –
INSTITUTO DE ENSINO E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO
sofreu forte elevação, passando de
US$ 22 bilhões em 2003 para US$
46 bilhões em 2007. Tamanha elevação no saldo comercial gera pressão
sobre o câmbio em favor da valorização do real. Segundo o gráfi co,
durante o mesmo período a cotação do real passou de R$ 3,50
para R$ 2,00 por dólar, uma variação de aproximadamente 43%. A
correlação entre os dados é negativa de impressionantes 95%, o que
comprova a influência do saldo da
balança sobre a desvalorização do
real no período.
Outros fatores relevantes são os
investimentos externos que atualmente estão no patamar de 2005,
época das privatizações, quando muitos recursos externos entraram no
País. É conveniente observarmos que
os investimentos caíram de US$ 40
bilhões no início da série para próxi-
34
mo de zero em meados de 2003, justamente quando o saldo da balança
começou a se elevar. Na soma de
investimentos em dólar estão contidos as três principais formas de
entrada de dólares via investimentos no País: Investimentos Externos
Diretos (IED) – investimento em empresas; Investimento Estrangeiro em
Carteira (IEC) – investimento em
Bolsa e títulos; e Outros Investimentos Estrangeiros (OIE), empréstimos,
financiamentos e crédito comercial.
Atualmente, o montante dos investimentos em IED está em US$ 20
bilhões, 67% desse valor foi investido no setor de serviços; IEC está em
US$ 10 bilhões, sendo que 75% desses dólares foram destinados à Bovespa; e o OIE em US$ 15 bilhões,
75% deste valor entrou focando em
empréstimos. É conveniente salientar que todas as formas de inves-
FINANCEIRO
GRÁFICO I
Saldo da Balança (milhões de US$) e Câmbio
4
51.000,00
3,5
46.000,00
3
41.000,00
2,5
2
36.000,00
Balança Comercial (saldo)
1,5
Taxa de câmbio - u.m.c/US$
1
31.000,00
26.000,00
0,5
0
jan/06
out/05
jul/05
abr/05
jan/05
out/04
jul/04
abr/o4
jan/04
out/03
jul/03
abr/03
Jan/03
21.000,00
Fonte: Inepad e Bacen
GRÁFICO II
Investimentos
(acumulado 12 meses)
60.000,00
4
50.000,00
3,5
40.000,00
3
2,5
30.000,00
2,0
20.000,00
1,5
10.000,00
1
0,00
Soma dos Invest. em US$
Fonte: Inepad e Bacen
Jan/06
Jan/05
Jan/04
Jan/03
Jan/02
Jan/01
Jan/00
Jan/99
Jan/98
Jan/97
Jan/96
0,5
Jan/95
-10.000,00
0
Taxa de câmbio - u.m.c./US$
GRÁFICO III
Total da Entrada de Dólares
(acumulado 12 meses)
60000
50000
40000
30000
20000
10000
Abr/06
Dez/05
Ago/05
Abr/05
Dez/04
Ago/04
Abr/04
Dez/03
Ago/03
Abr/03
Dez/02
Ago/02
Abr/02
Dez/01
Ago/01
-20000
Abr/01
-10000
Dez/00
0
Fonte: Inepad e Bacen
timento estrangeiro citadas apresentaram elevação no último ano,
porém, a variação do OIE foi a
mais sensível. O OIE passou de US$
20 bilhões negativos para US$ 15
bilhões positivos, uma variação de
US$ 35 bilhões. Ver gráfico II.
ACREFI
Na prática, o elevado saldo da
balança aliado ao maciço investimento externo representa uma nova
conjuntura. Em um passado recente, já convivemos com um saldo elevado na balança ou com investimentos externos elevados, porém,
35
Já convivemos com saldo
elevado na balança ou com
investimentos externos
elevados. Mas nunca ambos
simultaneamente
nunca ambos simultaneamente. O
gráfi co seguinte ilustra bem o que
esta conjuntura fez com a entrada
de dólares no País.
A nova realidade fez com que
o BC tomasse uma agressiva política de compra de dólares, elevando
as reservas nacionais ao patamar
recorde acima de US$ 120 bilhões.
A política do BC tem se mostrado
inútil em conter a valorização da
moeda nacional, já que a cotação do
dólar rompeu a barreira de R$ 2,00
reais e existem sinais claros de que
a pressão em favor da valorização
cambial vai continuar. Neste contexto, é preciso levantar que esta
política de acumulação de reservas
pode produzir um efeito contrário
no câmbio no longo prazo, já que as
reservas contribuem para deduzir o
risco país e, conseqüentemente, a
valorizar a cotação da moeda nacional. Outra conseqüência da acumulação de reservas é a elevação da
dívida pública, uma vez que a diferença entre a taxa de captação
do Brasil e a taxa de aplicação desses recursos gira em torno de 7%.
Nesse contexto, o custo de manutenção das reservas é considerável e
deve-se ponderar se o benefício que
as reservas trazem vale esse custo.
Concluindo, se os investimentos
se mantiverem nos patamares atuais
e o saldo da balança continuar
elevado, a política de acumulação
de reservas do BC, ao menos no
modelo que vem sendo utilizado,
não terá condições de impedir que
a moeda nacional continue sua trajetória rumo à valorização.
Colaborou o analista financeiro Marcel Artoni
de Marco.
mercado imobiliário
Andrea Felizolla
Terreno fértil para o
crédito imobiliário
O número de unidades
financiadas pelo SBPE superou,
em 2006, a casa dos 100 mil e
tende a atingir 130 mil e 140 mil
neste ano
DÉCIO TENERELLO, PRESIDENTE DA ABECIP
O crédito proporcionado pelo
Sistema Brasileiro de Poupança e
Empréstimo (SBPE) não apenas se
expandiu muito nos últimos anos
como vem alcançando um ritmo
ainda mais intenso a partir de 2006.
O volume anual de empréstimos
evoluiu de R$ 1,76 bilhão em 2002
para R$ 9,3 bilhões no ano passado
e, em abril de 2007, atingiu, em 12
meses, a marca de R$ 10,6 bilhões,
superando em 95% o resultado do
mesmo mês do ano passado. O número de unidades financiadas pelo
SBPE superou, no ano passado, a
casa dos 100 mil, a melhor marca
em duas décadas, e tende a atingir
entre 130 mil e 140 mil neste ano.
O desafio, agora, é não apenas
recompor, mas superar o patamar
de atividade já alcançado até meados dos anos 80.
Essa é uma tarefa viável, pois
é enorme o potencial de evolução
da oferta de crédito imobiliário no
Brasil. Hoje, o volume anual representa menos de 3% do Produto
Interno Bruto (PIB), comparativamente a 10% do PIB em outros países em desenvolvimento, como o
Chile e o México, e 50% a 100%
do PIB em países desenvolvidos,
como Espanha e Estados Unidos.
Afigura-se factível alcançar a meta
de 10% do PIB no Brasil até o início
36
da próxima década. E isso signifi caria quadruplicar o volume atual de
operações, com impacto muito positivo para a atividade econômica
em geral e, em particular, para a
construção civil e a enorme gama
de segmentos afins, da infra-estrutura urbana aos materiais de construção, intermediação de imóveis e
serviços financeiros e do mercado
de capitais, em que são negociados
os recebíveis imobiliários.
A estrutura jurídica e tributária foi
muito aperfeiçoada na última década, propiciando um ambiente institucional próprio para o desenvolvimento do setor. Em novembro próximo, a Lei 9.514 completará dez
anos. Ela criou o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), a alienação
fiduciária de bem imóvel, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e
as companhias de securitização.
Leis mais recentes desoneraram
as transações imobiliárias, estimulando o mercado de compra e venda
de imóveis, instituíram o patrimônio
de afetação, que aumenta a segurança dos compradores de imóveis
na planta, e fortaleceram, de várias
formas, a segurança contratual.
Esse conjunto normativo permitiu reduzir os custos de transação
e já apresenta resultados palpáveis.
Entre estes, destacam-se a redução
FINANCEIRO
expressiva dos índices de inadimplência e a criação da figura do
incontroverso, que obriga os mutuários que figurarem como autores de
demandas judiciais a quitar o principal se quiserem discutir o acessório dos contratos de crédito. O resultado desse conjunto de medidas
é auspicioso: está em curso um processo de redução sustentável dos
juros das operações imobiliárias e,
portanto, do custo dos empréstimos
para os mutuários finais. As operações com juros prefi xados atraem
novos mutuários. E os principais representantes da construção civil têm
admitido claramente que há oferta
farta de crédito imobiliário.
Estabelecido um ambiente regulatório adequado, desponta a competição no crédito imobiliário e o
interesse crescente dos bancos em
operá-lo. Esta é uma situação inédita na história de um segmento de
crédito direcionado, ou seja, submetido às regras ofi ciais. Asseguradas a estabilidade monetária e a
independência do Banco Central à
frente do sistema de metas de inflação, mais atores tenderão a disputar lugar nesse mercado promissor, em que as operações se sustentam em garantias reais representadas pela solidez do patrimônio
imobiliário valorizado.
Ainda assim, há obstáculos a
remover, o que exige visão política
moderna e inspiração em práticas
reconhecidas internacionalmente.
A questão central é atrair novos
investidores institucionais para o
ACREFI
setor imobiliário, tais como fundos
de pensão, seguradoras e outros
aplicadores de longo prazo, inclusive estrangeiros, adeptos ou não
da renda variável. Esses investidores já podem comprar cotas de fundos imobiliários ou outros papéis
de base imobiliária, como as letras
hipotecárias. Mas a oferta de títulos
é insufi ciente e nem todos os papéis
têm um mercado de liquidez devidamente formatado e funcionando.
O melhor instrumento para atrair
investidores institucionais é o CRI,
mas não há estímulo às emissões
desse título.
Explique-se: os CRIs são emitidos
pelas companhias de securitização
com lastro nos recebíveis imobiliários (tais como as prestações devidas pelos mutuários da casa própria) adquiridos dos emprestadores.
Mas os bancos só podem vender os
recebíveis quando estão superaplicados, pois são obrigados a destinar 65% dos recursos captados via
cadernetas de poupança para operações de crédito imobiliário. Esta é
uma regra antiga que já produziu
os seus efeitos, mas que hoje não
condiz com um mercado concorrencial. Na prática, a venda dos recebíveis provocaria desequilíbrio dos
índices de direcionamento informados ao Banco Central nos mapas
preparados pelas instituições financeiras. Ou seja, haverá escassez de
oferta de recebíveis enquanto não
mudarem as regras de direcionamento. E, sem transformar os recebíveis em CRIs, não haverá um grande
37
O sistema de crédito imobiliário
beneficiou-se com os avanços
macro e microeconômicos.
Poderá, agora, avançar muito
mais com vontade política focada
em aperfeiçoamentos
volume de papéis a negociar no mercado de capitais, impedindo o desenvolvimento do mercado secundário brasileiro, ao contrário do que
acontece nas mais modernas economias mundiais, a começar da norteamericana, na qual as operações do
mercado secundário são estimadas
em mais de US$ 4 trilhões anuais.
Um segundo problema diz respeito aos juros. Com o declínio da
taxa Selic, toda a estrutura de juros
tenderá a declinar, cabendo indagar se será possível manter sem
mudanças alguns sistemas, como o
de cadernetas, submetidos a porcentuais rígidos de remuneração.
Uma revisão das regras precisará ser
amplamente debatida num contexto
em que o objetivo é reduzir os custos dos empréstimos aos mutuários
finais, ampliando o acesso da população à casa própria.
O sistema de crédito imobiliário
benefi ciou-se com os avanços macro
e microeconômicos. Poderá, agora,
avançar muito mais com vontade
política focada em aperfeiçoamentos relativamente simples.
banco de dados por INEPAD
TAXAS MÉDIAS
GERAL
DATA
Aplicações % a.a.
Var. p.p.
Captações % a.a.
Var. p.p.
Spread % p.p.
Var. p.p.
abr/06
mai/06
jun/06
jul/06
ago/06
set/06
out/06
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
abr/07
45,0
43,8
43,2
42,2
41,9
41,5
41,4
41,0
39,8
39,9
39,3
38,5
38,1
-0,7
-1,2
-0,6
-1,0
-0,3
-0,4
-0,1
-0,4
-1,2
0,1
-0,6
-0,8
-0,4
15,3
15,3
15,2
14,7
14,4
13,7
13,4
13,1
12,6
12,5
12,1
12,0
11,7
-0,4
0,0
-0,1
-0,5
-0,3
-0,7
-0,3
-0,3
-0,5
-0,1
-0,4
-0,1
-0,3
29,7
28,5
28,0
27,5
27,5
27,8
28,0
27,9
27,2
27,4
27,2
26,5
26,4
-0,3
-1,2
-0,5
-0,5
0,0
0,3
0,2
-0,1
-0,7
0,2
-0,2
-0,7
-0,1
Variação abr-abr
-6,9
-3,6
Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
PESSOA FÍSICA
DATA
Aplicações % a.a.
Var. p.p.
Captações % a.a.
Var. p.p.
Spread % p.p.
Var. p.p.
abr/06
mai/06
jun/06
jul/06
ago/06
set/06
out/06
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
abr/07
57,8
56,1
55,8
54,3
53,9
53,8
53,5
53,6
52,1
52,3
50,8
49,9
49,1
-1,2
-1,7
-0,3
-1,5
-0,4
-0,1
-0,3
0,1
-1,5
0,2
-1,5
-0,9
-0,8
14,9
15,0
15,2
14,6
14,3
13,7
13,2
12,9
12,5
12,3
12,1
11,9
11,5
-0,1
0,1
0,2
-0,6
-0,3
-0,6
-0,5
-0,3
-0,4
-0,2
-0,2
-0,2
-0,4
42,9
41,1
40,6
39,7
39,6
40,1
40,3
40,7
39,6
40,0
38,7
38,0
37,6
-1,1
-1,8
-0,5
-0,9
-0,1
0,5
0,2
0,4
-1,1
0,4
-1,3
-0,7
-0,4
Variação abr-abr
-8,7
-3,4
-5,3
Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
PESSOA JURÍDICA
DATA
Aplicações % a.a.
Var. p.p.
Captações % a.a.
Var. p.p.
Spread % p.p.
Var. p.p.
abr/06
mai/06
jun/06
jul/06
ago/06
set/06
out/06
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
abr/07
30,6
29,7
28,8
28,3
27,9
27,3
27,4
26,6
26,2
26,2
26,0
25,4
25,3
-0,1
-0,9
-0,9
-0,5
-0,4
-0,6
0,1
-0,8
-0,4
0,0
-0,2
-0,6
-0,1
15,8
15,7
15,3
14,9
14,5
13,8
13,6
13,2
12,8
12,6
12,2
12,0
12,0
-0,4
-0,1
-0,4
-0,4
-0,4
-0,7
-0,2
-0,4
-0,4
-0,2
-0,4
-0,2
0,0
14,8
14,0
13,5
13,4
13,4
13,5
13,8
13,4
13,4
13,6
13,8
13,4
13,3
0,3
-0,8
-0,5
-0,1
0,0
0,1
0,3
-0,4
0,0
0,2
0,2
-0,4
-0,1
Variação abr-abr
-5,3
-3,8
-1,5
Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
38
FINANCEIRO
SPREAD FINANCEIRO
CRÉDITO PESSOA FÍSICA
CRÉDITO PESSOAL
50,0
Volum e
R$ Milhões
Taxa de
Juros
90000
68
45,0
66
85000
40,0
64
35,0
62
80000
SPREAD
FINANCEIRO
30,0
60
75000
58
25,0
20,0
70000
15,0
65000
56
54
52
Aplicação
50
60000
abr/07
mar/07
fev/07
jan/07
dez/06
nov/06
out/06
set/06
ago/06
jul/06
jun/06
mai/06
abr/06
10,0
abr mai jun jul ago set out nov dez jan fev mar abr
06 06 06 06 06 06 06 06 06 07 07 07 07
Captação
Volume
Taxa de Juros
Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - Prefixados - Recursos Livres (R$ milhões)
MÊS / ANO
CHEQUE
ESPECIAL
VARIAÇÃO
EM %
CRÉDITO
PESSOAL
VARIAÇÃO
EM %
FINANCIAMENTO
IMOBILIÁRIO
VARIAÇÃO
EM %
CARTÃO DE
CRÉDITO
VARIAÇÃO
EM %
abr-06
mai-06
jun-06
jul-06
ago-06
set-06
out-06
nov-06
dez-06
jan-07
fev-07
mar-07
abr-07
12.871
13.280
13.199
12.908
13.080
12.768
13.348
13.194
11.738
13.287
13.794
13.771
14.218
0,6%
3,2%
-0,6%
-2,2%
1,3%
-2,4%
4,5%
-1,2%
-11,0%
13,2%
3,8%
-0,2%
3,3%
69.988
71.104
72.316
73.979
75.432
76.513
77.693
79.148
78.950
80.464
82.408
84.783
86.625
3,4%
1,6%
1,7%
2,3%
2,0%
1,4%
1,5%
1,9%
-0,3%
1,9%
2,4%
2,9%
2,2%
196
203
206
214
219
221
227
233
236
237
244
247
255
2,4%
3,5%
1,5%
3,8%
2,2%
0,9%
3,0%
2,3%
1,3%
0,6%
3,2%
1,2%
3,2%
12.916
13.117
13.082
12.839
13.274
13.293
13.511
13.838
13.418
14.135
14.973
14.974
15.627
3,4%
1,6%
-0,3%
-1,9%
3,4%
0,1%
1,6%
2,4%
-3,0%
5,3%
5,9%
0,0%
4,4%
Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - Prefixados/continuação Recursos Livres (R$ milhões)
AQUISIÇÃO
MÊS / ANO
abr-06
mai-06
jun-06
jul-06
ago-06
set-06
out-06
nov-06
dez-06
jan-07
fev-07
mar-07
abr-07
VEÍCULOS
VARIAÇÃO
EM %
OUTROS
VARIAÇÃO
EM %
TOTAL
VARIAÇÃO
EM %
OUTROS
VARIAÇÃO
EM %
TOTAL
VARIAÇÃO
EM %
55.245
56.438
57.312
58.975
60.241
61.384
61.519
62.726
63.472
64.463
65.291
66.977
68.283
1,7%
2,2%
1,5%
2,9%
2,1%
1,9%
0,2%
2,0%
1,2%
1,6%
1,3%
2,6%
2,0%
9.941
10.111
10.077
10.115
10.089
9.956
10.133
10.231
10.752
10.864
10.705
10.648
10.620
-1,5%
1,7%
-0,3%
0,4%
-0,3%
-1,3%
1,8%
1,0%
5,1%
1,0%
-1,5%
-0,5%
-0,3%
65.186
66.549
67.389
69.090
70.331
71.340
71.652
72.957
74.225
75.327
75.996
77.624
78.903
1,2%
2,1%
1,3%
2,5%
1,8%
1,4%
0,4%
1,8%
1,7%
1,5%
0,9%
2,1%
1,6%
8.352
8.692
8.630
8.887
9.261
9.813
9.766
9.624
9.646
9.835
9.931
9.893
10.432
3,9%
4,1%
-0,7%
3,0%
4,2%
6,0%
-0,5%
-1,4%
0,2%
2,0%
1,0%
-0,4%
5,4%
169.511
172.946
174.823
177.919
181.597
183.947
186.197
188.993
188.213
193.285
197.346
201.293
206.061
2,4%
2,0%
1,1%
1,8%
2,1%
1,3%
1,2%
1,5%
-0,4%
2,7%
2,1%
2,0%
2,4%
Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
ACREFI
39
banco de dados por INEPAD
VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - CRÉDITO CONSIGNADO
CRÉDITO
PESSOAL*
MÊS / ANO
abr/06
mai/06
jun/06
jul/06
ago/06
set/06
out/06
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
abr/07
Var. abr-abr
78.532
79.744
80.992
82.700
84.247
85.446
86.707
88.383
88.709
90.416
92.664
95.204
97.197
23,77%
CONSIGNADO
Públicos
Privados
Total
Amostra**
32.680
34.001
35.185
36.834
38.103
39.119
40.304
41.406
42.069
43.576
44.874
46.201
47.571
4.501
4.605
4.915
5.192
5.355
5.542
5.730
5.889
6.016
5.991
6.294
6.638
6.861
37.181
38.606
40.100
42.026
43.458
44.660
46.034
47.295
48.086
49.567
51.167
52.839
54.432
46,40%
25.688
26.797
27.570
28.501
29.671
30.442
31.171
31.727
32.318
33.274
34.175
35.186
36.316
41,38%
% Consignado***
(R$ milhões)
Concentração
Taxa de Juros %aa
do Consignado
Estimativa INEPAD Consignado
Pessoal
Diferença
47,3%
48,4%
49,5%
50,8%
51,6%
52,3%
53,1%
53,5%
54,2%
54,8%
55,2%
55,5%
56,0%
69,1%
69,4%
68,8%
67,8%
68,3%
68,2%
67,7%
67,1%
67,2%
67,1%
66,8%
66,6%
66,7%
-3,4%
36,1%
36,5%
35,7%
35,1%
34,9%
34,7%
34,4%
33,5%
33,3%
33,0%
32,4%
32,4%
32,2%
65,3%
62,3%
62,2%
59,8%
59,1%
58,9%
58,6%
58,6%
57,2%
57,2%
54,5%
53,4%
52,5%
29,2%
25,8%
26,5%
24,7%
24,2%
24,2%
24,2%
25,1%
23,9%
24,2%
22,1%
21,0%
20,3%
FONTE: INEPAD / BC * Inclui empréstimos realizados pelas cooperativas de crédito. ** Pesquisa com treze das maiores instituições que operam com crédito pessoal. *** Total consignado sobre o total de crédito pessoal.
INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS
CRÉDITO PESSOAL (R$ mil)
Mês/Ano
Saldo
sem atraso
Com atraso
de 15 a 30 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Com atraso
de 31 a 90 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Com atraso
maior que
90 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Saldo total
CarteiraBrasil
Variação
em %
abr/06
mai/06
jun/06
jul/06
ago/06
set/06
out/06
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
abr/07
61.932.644
63.062.362
64.474.611
65.812.042
67.054.399
68.197.101
69.000.361
70.336.983
70.448.643
71.854.490
73.570.737
75.724.397
77.477.719
1.600.424
1.594.681
1.552.548
1.688.134
1.648.722
1.728.112
1.905.877
1.880.683
1.555.472
1.924.553
1.947.444
1.965.245
2.104.310
2,29%
2,24%
2,15%
2,28%
2,19%
2,26%
2,45%
2,38%
1,97%
2,39%
2,36%
2,32%
2,43%
1.956.325
1.856.410
1.888.060
1.902.490
2.036.725
1.854.593
2.074.095
2.105.536
1.997.449
2.025.346
2.178.932
2.224.387
2.349.275
2,80%
2,61%
2,61%
2,57%
2,70%
2,42%
2,67%
2,66%
2,53%
2,52%
2,64%
2,62%
2,71%
4.498.935
4.590.579
4.400.917
4.576.685
4.692.313
4.732.732
4.712.214
4.824.837
4.948.546
4.659.338
4.711.130
4.869.072
4.693.467
6,43%
6,46%
6,09%
6,19%
6,22%
6,19%
6,07%
6,10%
6,27%
5,79%
5,72%
5,74%
5,42%
69.988.327
71.104.032
72.316.136
73.979.351
75.432.159
76.512.538
77.692.547
79.148.039
78.950.110
80.463.727
82.408.243
84.783.100
86.624.771
3,37%
1,59%
1,70%
2,30%
1,96%
1,43%
1,54%
1,87%
-0,25%
1,92%
2,42%
2,88%
2,17%
Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS (R$ mil)
Mês/Ano
abr/06
mai/06
jun/06
jul/06
ago/06
set/06
out/06
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
abr/07
Saldo
Com atraso
sem atraso
de 15 a 30 dias
49.487.651
50.457.496
51.319.627
52.249.884
53.553.141
54.649.627
54.889.283
56.153.133
57.051.982
57.821.270
58.321.834
59.775.228
60.950.697
1.896.390
2.001.947
1.941.002
2.231.678
2.248.030
2.127.183
2.187.755
2.084.382
2.083.888
2.155.433
2.186.406
2.411.754
2.297.945
% sobre
Saldo da
Carteira
Com atraso
de 31 a 90 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Com atraso
maior que
90 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Saldo total
CarteiraBrasil
Variação
em %
3,43%
3,55%
3,39%
3,78%
3,73%
3,47%
3,56%
3,32%
3,28%
3,34%
3,35%
3,60%
3,37%
2.265.550
2.249.168
2.226.487
2.440.866
2.387.357
2.468.754
2.413.166
2.436.630
2.257.921
2.397.753
2.638.787
2.586.281
2.818.775
4,10%
3,99%
3,88%
4,14%
3,96%
4,02%
3,92%
3,88%
3,56%
3,72%
4,04%
3,86%
4,13%
1.595.453
1.729.468
1.824.950
2.052.774
2.052.942
2.138.638
2.029.110
2.051.880
2.078.322
2.088.318
2.143.955
2.203.488
2.215.581
2,89%
3,06%
3,18%
3,48%
3,41%
3,48%
3,30%
3,27%
3,27%
3,24%
3,28%
3,29%
3,24%
55.245.044
56.438.079
57.312.066
58.975.202
60.241.470
61.384.202
61.519.314
62.726.025
63.472.113
64.462.774
65.290.982
66.976.751
68.282.998
1,74%
2,16%
1,55%
2,90%
2,15%
1,90%
0,22%
1,96%
1,19%
1,56%
1,28%
2,58%
1,95%
Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
40
FINANCEIRO
INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS
AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS (R$ mil)
Mê s/Ano
Saldo
sem atraso
Com atraso
de 15 a 30 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Com atraso
de 31 a 90 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Com atraso
maior que
90 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Saldo total
CarteiraBrasil
Variação
em %
abr/06
mai/06
jun/06
jul/06
ago/06
set/06
out/06
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
abr/07
7.831.351
8.004.662
7.981.938
8.012.491
8.003.197
7.951.506
8.026.888
8.059.766
8.687.035
8.694.031
8.397.077
8.235.034
8.143.789
467.766
443.851
448.652
442.746
429.802
393.093
433.439
439.183
403.893
489.754
510.540
548.495
529.358
4,71%
4,39%
4,45%
4,38%
4,26%
3,95%
4,28%
4,29%
3,76%
4,51%
4,77%
5,15%
4,98%
562.063
518.331
505.674
481.681
460.141
435.990
465.070
485.090
447.832
480.312
606.859
665.478
663.180
5,65%
5,13%
5,02%
4,76%
4,56%
4,38%
4,59%
4,74%
4,16%
4,42%
5,67%
6,25%
6,24%
1.080.104
1.144.281
1.140.948
1.178.248
1.196.300
1.175.506
1.207.138
1.246.811
1.213.636
1.199.728
1.190.552
1.198.493
1.284.037
10,86%
11,32%
11,32%
11,65%
11,86%
11,81%
11,91%
12,19%
11,29%
11,04%
11,12%
11,26%
12,09%
9.941.284
10.111.125
10.077.212
10.115.166
10.089.440
9.956.095
10.132.535
10.230.850
10.752.396
10.863.825
10.705.028
10.647.500
10.620.364
-1,49%
1,71%
-0,34%
0,38%
-0,25%
-1,32%
1,77%
0,97%
5,10%
1,04%
-1,46%
-0,54%
-0,25%
Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
INADIMPLÊNCIA - CRÉDITO PESSOAL - PREFIXADO
Abril/2007 (em R$ mil)
23%
Atraso de mais
de 90 dias
4.693.467
INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS - PREFIXADO
Abril/2007 (em R$ mil)
Atraso de
15 a 30 dias
2.104.310
Atraso de
31 a 90 dias
2.818.775
30%
51%
26%
Atraso de
31 a 90 dias
2.349.275
31%
20,9%
15 a 30 dias
403.470
Atraso de
15 a 30 dias
529.358
14%
Atraso de mais
de 90 dias
1.654.375
52%
27%
Atraso de
15 a 30 dias
2.297.945
INADIMPLÊNCIA - OUTRAS OPERAÇÕES - PREFIXADO
Abril/2007 (em R$ mil)
Atraso de
INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO OUTROS BENS - PREFIXADO
Abril/2007 (em R$ mil)
Atraso de mais
de 90 dias
1.284.037
39%
Atraso de mais
de 90 dias
2.215.581
59%
27%
Atraso de
31 a 90 dias
663.180
Atraso de
31 a 90 dias
750.283
OUTRAS OPERAÇÕES (R$ mil)
Mê s/Ano
Saldo
sem atraso
Com atraso
de 15 a 30 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Com atraso
de 31 a 90 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Com atraso
maior que
90 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Saldo total
CarteiraBrasil
Variação
em %
abr/06
mai/06
jun/06
jul/06
ago/06
set/06
out/06
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
abr/07
5.811.421
5.961.662
6.242.220
6.414.071
6.601.054
6.802.995
6.870.515
6.709.696
6.942.319
7.011.923
7.056.329
7.295.110
7.623.602
366.071
386.166
374.071
366.966
402.593
408.868
436.865
336.144
343.725
413.678
389.162
393.142
403.470
4,38%
4,44%
4,33%
4,13%
4,35%
4,17%
4,47%
3,49%
3,56%
4,21%
3,92%
3,97%
3,87%
662.153
636.771
670.479
689.085
674.757
761.583
737.893
727.844
719.019
687.315
698.976
743.079
750.283
7,93%
7,33%
7,77%
7,75%
7,29%
7,76%
7,56%
7,56%
7,45%
6,99%
7,04%
7,51%
7,19%
1.512.407
1.707.468
1.343.707
1.416.895
1.582.312
1.839.889
1.720.506
1.850.678
1.640.746
1.722.427
1.786.746
1.462.019
1.654.375
18,11%
19,64%
15,57%
15,94%
17,09%
18,75%
17,62%
19,23%
17,01%
17,51%
17,99%
14,78%
15,86%
8.352.052
8.692.067
8.630.477
8.887.017
9.260.716
9.813.335
9.765.779
9.624.362
9.645.809
9.835.343
9.931.213
9.893.350
10.431.730
3,94%
4,07%
-0,71%
2,97%
4,20%
5,97%
-0,48%
-1,45%
0,22%
1,96%
0,97%
-0,38%
5,44%
Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
ACREFI
41
banco de dados por INEPAD
DESEMPREGO
TAXA DE DESEMPREGO (%)
DATA
Brasil
Var. p.p.
SP
mai/06
jun/06
jul/06
ago/06
set/06
out/06
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
abr/07
mai/07
10,20
10,40
10,70
10,60
10,00
9,80
9,50
8,40
9,30
9,90
10,10
10,10
10,10
-0,20
0,20
0,30
-0,10
-0,60
-0,20
-0,30
-1,10
0,90
0,60
0,20
0,00
0,00
10,50
10,90
11,30
11,60
11,10
10,50
10,30
9,00
10,10
10,60
11,50
11,60
11,20
TAXA DE DESEMPREGO
Taxa (%)
Var. p.p.
-0,20
0,40
0,40
0,30
-0,50
-0,60
-0,20
-1,30
1,10
0,50
0,90
0,10
-0,40
Fonte: IBGE/INEPAD
Variação (p.p.)
12,0
1,00
11,5
0,50
11,0
10,5
0,00
10,0
9,5
-0,50
9,0
8,5
-1,00
8,0
-1,50
7,5
mai
06
jun
06
jul
06
ago
06
Brasil
set
06
out
06
nov
06
dez
06
SP
jan
07
fev
07
mar
07
abr
07
mai
07
Var. p.p. mensal Brasil
Fonte: IBGE/INEPAD
RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$)
RENDIMENTO MÉDIO REAL
HABITUALMENTE RECEBIDO (R$)
DATA
Brasil
Var. %
SP
Var. %
mai/06
jun/06
jul/06
ago/06
set/06
out/06
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
abr/07
mai/07
1.073,55
1.081,42
1.069,76
1.078,90
1.068,45
1.087,35
1.089,21
1.100,66
1.088,95
1.109,87
1.109,50
1.117,01
1.120,30
1,4%
0,7%
-1,1%
0,9%
-1,0%
1,8%
0,2%
1,1%
-1,1%
1,9%
0,0%
0,7%
0,3%
1.238,84
1.247,52
1.215,59
1.220,63
1.194,96
1.212,65
1.239,04
1.254,79
1.227,97
1.280,30
1.262,20
1.260,47
1.264,30
1,6%
0,7%
-2,6%
0,4%
-2,1%
1,5%
2,2%
1,3%
-2,1%
4,3%
-1,4%
-0,1%
0,3%
Fonte: IBGE/INEPAD
1.350
1.300
1.250
0,025
1.200
1.150
1.100
1.050
0,015
0,02
0,01
0,005
1.000
950
900
850
0
-0,005
800
750
700
-0,01
-0,015
mai
06
jun
06
jul
06
ago
06
Brasil
set
06
out
06
nov
06
dez
06
SP
jan
07
fev
07
mar
07
abr
07
mai
07
Var. % mensal Brasil
Fonte: IBGE/INEPAD
COMÉRCIO VAREJISTA
VOLUME DE VENDAS
VOLUME DE VENDAS
Data
Hipermercados e
Veículos,Motos,
Índice
Var. %
Var. %
Var. %
Geral
Supermercados
Partes e Peças
180
abr/06
mai/06
jun/06
jul/06
ago/06
set/06
out/06
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
abr/07
Variação
abr-abr
115,79
120,59
114,49
117,19
120,91
120,20
123,48
125,29
171,78
121,49
112,29
127,93
124,49
7,5%
1,0%
4,1%
-5,1%
2,4%
3,2%
-0,6%
2,7%
1,5%
37,1%
-29,3%
-7,6%
13,9%
-2,7%
119,93
112,63
112,33
116,42
117,07
118,79
120,22
119,69
154,43
115,91
112,44
127,14
125,18
4,4%
5,0%
-6,1%
-0,3%
3,6%
0,6%
1,5%
1,2%
-0,4%
29,0%
-24,9%
-3,0%
13,1%
-1,5%
107,65
130,31
112,83
130,53
141,61
130,76
141,17
145,42
149,82
136,15
119,95
153,96
144,18
-17,3%
21,0%
-13,4%
15,7%
8,5%
-7,7%
8,0%
3,0%
3,0%
-9,8%
-11,4%
28,6%
-6,4%
170
160
150
140
130
120
110
100
90
80
abr mai
06 06
jun
06
Índice Geral
33,9%
jul
06
ago
06
set
06
out nov dez
06 06 06
Hipermercados e
Supermercados
jan
07
fev mar abr
07
07
07
Veículos, Motos,
Partes e Peças
Fonte: IBGE/INEPAD
42
FINANCEIRO
PREVISÕES ECONÔMICAS
Ano de 2007
PIB Total % a.a.
PIB Agropecuário % a.a.
PIB Indústria % a.a.
PIB Serviço % a.a.
Produção Industrial % a.a.
3,44
4,19
4,28
4,30
3,52
4,65
4,33
4,42
4,09
4,20
4,13
4,08
3,09
3,83
3,96
3,95
4,18
4,22
4,42
4,43
Selic
Taxa anual
IGP-DI
% a.a.
IPCA
% a.a.
Taxa de Câmbio
R$/US$
Saldo Comercial
US$ bilhões
11,72
11,92
11,83
11,80
4,18
3,42
3,50
3,49
4,02
3,58
3,60
3,60
2,23
2,04
2,01
2,00
38,16
41,80
42,55
42,71
DATA
Previsão 02/01/2007
4 semanas antes
1 semana antes
Previsão 22/06
Ano de 2007
Previsão 13/01/2006
4 semanas antes
1 semana antes
Previsão 27/04
Fonte: BC-Focus/INEPAD
ATIVIDADE ECONÔMICA
DATA
Taxa da Utilização da
Capacidade Instalada
Var. p.p.
Índice de Produção Física
Média Móvel Trimestral
Var. %
abr/06
80,35
-1,79
abr/06
113,93
0,22%
mai/06
82,79
2,44
mai/06
114,47
0,47%
jun/06
82,41
-0,38
jun/06
114,67
0,17%
jul/06
81,85
-0,56
jul/06
115,12
0,39%
ago/06
82,88
1,03
ago/06
115,09
-0,03%
set/06
82,55
-0,33
set/06
115,34
0,22%
out/06
82,75
0,20
out/06
115,51
0,15%
nov/06
82,68
-0,07
nov/06
115,70
0,16%
dez/06
80,08
-2,60
dez/06
116,35
0,56%
jan/07
79,90
-0,18
jan/07
116,70
0,30%
fev/07
80,30
0,40
fev/07
116,99
0,25%
mar/07
82,3
2,00
mar/07
117,71
0,62%
abr/07
81,70
-0,60
abr/07
118,40
0,59%
Variação abr-abr
1,68%
Variação abr-abr
Fonte: CNI/INEPAD
3,92%
Fonte: IBGE/INEPAD
PRODUÇÃO (ÍNDICE) X CAPACIDADE (%)
Capacidade (%)
Produção - Índice
83,5
120
119
118
83,0
82,5
117
82,0
116
81,5
115
81,0
114
80,5
113
80,0
112
79,5
111
110
Fonte: INEPAD
ACREFI
Taxa da Utilização
da Capacidade Instalada
abr/07
mar/07
fev/07
jan/07
dez/06
nov/06
out/06
set/06
ago/06
jul/06
jun/06
mai/06
abr/06
79,0
Índice de Produção Física
Média Móvel Trim estral
43
banco de dados por INEPAD
INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA - AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS, MISTOS, VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS
PRODUÇÃO
PRODUÇÃO
(em unidades)
Data
Produção
mai/06
jun/06
jul/06
ago/06
set/06
out/06
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
abr/07
mai/07
241.565
224.873
222.925
243.737
204.104
227.351
222.001
185.330
203.703
203.450
246.475
223.304
258.911
Média Trim. Var. Mensal Var. Mensal (%)
225.030
223.502
229.788
230.512
223.589
225.064
217.819
211.561
203.678
197.494
217.876
224.410
242.897
37.496
-16.692
-1.948
20.812
-39.633
23.247
-5.350
-36.671
18.373
-253
43.025
-23.171
35.607
Variação mai-06/mai-07
18,4%
-6,9%
-0,9%
9,3%
-16,3%
11,4%
-2,4%
-16,5%
9,9%
-0,1%
21,1%
-9,4%
15,9%
(em unidades)
265.000
255.000
245.000
235.000
225.000
215.000
205.000
195.000
185.000
mai
06
jun
06
jul
06
ago
06
set
06
out
06
Produção
7,2%
nov
06
dez
06
jan
07
fev
07
mar
07
abr
07
mai
07
mar
07
abr
07
mai
07
mar
07
abr
07
mai
07
Média trimestral
Fonte: Anfavea/INEPAD
VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS
VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS
(em unidades)
Data
Vendas
Média Trim.
Variação
Variação(%)
mai/06
jun/06
jul/06
ago/06
set/06
out/06
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
abr/07
mai/07
167.042
155.294
161.206
175.060
163.449
170.911
180.800
176.202
149.348
150.636
200.475
186.647
208.663
159.630
156.014
161.181
163.853
166.572
169.807
171.720
175.971
168.783
158.729
166.820
179.253
198.595
21.336
-11.748
5.912
13.854
-11.611
7.462
9.889
-4.598
-26.854
1.288
49.839
-13.828
22.016
14,6%
-7,0%
3,8%
8,6%
-6,6%
4,6%
5,8%
-2,5%
-15,2%
0,9%
33,1%
-6,9%
11,8%
Variação mai-06/mai-07
(em unidades)
215.000
205.000
195.000
185.000
175.000
165.000
155.000
145.000
135.000
125.000
mai
06
jun
06
jul
06
ago
06
set
06
out
06
Vendas
24,9%
nov
06
dez
06
jan
07
fev
07
Média trimestral
Fonte: Anfavea/INEPAD
EXPORTAÇÃO TOTAL
EXPORTAÇÃO TOTAL
(em unidades)
(em unidades)
Data
mai/06
jun/06
jul/06
ago/06
set/06
out/06
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
abr/07
mai/07
Exportações Média Trim.
77.376
71.424
78.184
73.134
71.929
72.497
61.294
66.159
47.751
64.233
68.239
59.128
71.029
73.740
73.415
75.661
74.247
74.416
72.520
68.573
66.650
58.401
59.381
60.074
63.867
66.132
Variação mai-06/mai-07
Variação
Variação(%)
5.930
-5.952
6.760
-5.050
-1.205
568
-11.203
4.865
-18.408
16.482
4.006
-9.111
11.901
8,3%
-7,7%
9,5%
-6,5%
-1,6%
0,8%
-15,5%
7,9%
-27,8%
34,5%
6,2%
-13,4%
20,1%
80.000
75.000
70.000
65.000
60.000
55.000
50.000
45.000
mai
06
jun
06
jul
06
ago
06
Exportações
-8,2%
set
06
out
06
nov
06
dez
06
jan
07
fev
07
Média trimestral
Fonte: Anfavea/INEPAD
44
FINANCEIRO
INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA
LICENCIAMENTO DE AUTOMÓVEIS NACIONAIS E IMPORTADOS (em unidades)
Data
Vendas
1000cc
% no Total
1000cc a 2000cc
% no total
>2000cc
% no total
mai/06
jun/06
jul/06
ago/06
set/06
out/06
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
abr/07
mai/07
131.326
118.815
134.732
144.167
128.637
141.497
148.613
168.431
123.269
118.693
155.536
143.987
171.096
72.534
68.001
79.212
81.785
74.003
79.788
82.096
92.838
70.208
66.981
86.989
80.228
95.241
55,2%
57,2%
58,8%
56,7%
57,5%
56,4%
55,2%
55,1%
57,0%
56,4%
55,9%
55,7%
55,7%
57.281
49.163
53.136
60.018
53.061
59.849
64.341
73.335
51.103
50.145
66.340
61.459
73.373
43,6%
41,4%
39,4%
41,6%
41,2%
42,3%
43,3%
43,5%
41,5%
42,2%
42,7%
42,7%
42,9%
1.511
1.651
2.384
2.364
1.573
1.860
2.176
2.258
1.958
1.567
2.207
2.300
2.482
1,2%
1,4%
1,8%
1,6%
1,2%
1,3%
1,5%
1,3%
1,6%
1,3%
1,4%
1,6%
1,5%
Fonte: Anfavea/INEPAD
LICENCIAMENTO POR CATEGORIA - AUTOMÓVEIS
80.000
70.000
60.000
50.000
40.000
30.000
mai
06
jun
06
jul
06
ago
06
set
06
out
06
nov
06
1000 cc
dez
06
SALDO TOTAL
TAXAS DE JUROS
SALDO TOTAL
69.988
71.104
72.316
73.979
75.432
76.513
77.693
79.148
78.950
80.464
82.408
84.783
86.625
4,28
4,12
4,11
3,98
3,95
3,93
3,92
3,92
3,84
3,84
3,69
3,63
3,58
-0,13
-0,16
-0,01
-0,13
-0,04
-0,01
-0,02
0,00
-0,08
0,00
-0,15
-0,06
-0,05
65,30
62,30
62,20
59,80
59,10
58,90
58,60
58,60
57,20
57,20
54,50
53,40
52,50
-2,50
-3,00
-0,10
-2,40
-0,70
-0,20
-0,30
0,00
-1,40
0,00
-2,70
-1,10
-0,90
R$ milhões
55.245
56.438
57.312
58.975
60.241
61.384
61.519
62.726
63.472
64.463
65.291
66.977
68.283
TAXAS DE JUROS
% Variação
a.m.
p.p
2,48
2,42
2,42
2,38
2,40
2,40
2,40
2,41
2,36
2,39
2,34
2,29
2,24
-0,02
-0,05
0,00
-0,04
0,02
0,01
0,00
0,01
-0,05
0,03
-0,05
-0,05
-0,05
Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
ACREFI
mar
07
abr
07
mai
07
(R$ milhões)
AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS
% Variação % Variação
MÊS/ANO R$ milhões
a.m.
p.p
a.a.
p.p
abr/06
mai/06
jun/06
jul/06
ago/06
set/06
out/06
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
abr/07
fev
07
1000 cc a 2000 cc
TAXAS DE JUROS PREFIXADOS - PESSOA FÍSICA
CRÉDITO PESSOAL
jan
07
45
SALDO TOTAL
% Variação
a.a.
p.p
34,10
33,30
33,30
32,60
32,90
33,00
33,00
33,10
32,30
32,70
32,00
31,20
30,50
AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS
-0,30
-0,80
0,00
-0,70
0,30
0,10
0,00
0,10
-0,80
0,40
-0,70
-0,80
-0,70
R$ milhões
9.941
10.111
10.077
10.115
10.089
9.956
10.133
10.231
10.752
10.864
10.705
10.648
10.620
TAXAS DE JUROS
% Variação
a.m.
p.p
3,96
3,89
3,86
3,97
3,96
4,05
3,94
3,94
4,05
3,96
3,88
3,74
3,76
0,14
-0,07
-0,03
0,11
-0,01
0,09
-0,11
0,00
0,11
-0,09
-0,07
-0,14
0,02
%
a.a.
Variação
p.p
59,40
58,10
57,50
59,60
59,40
61,00
59,00
59,00
61,00
59,30
57,94
55,40
55,80
2,50
-1,30
-0,60
2,10
-0,20
1,60
-2,00
0,00
2,00
-1,70
-1,36
-2,54
0,40
cultura
Letras de Luz para
incentivar a leitura
JOSÉ LUIZ GOLDFARB, COORDENADOR DO PROJETO LETRAS DE LUZ
Em 2007, nasce um novo projeto de incentivo à leitura no Brasil.
Numa parceria inédita da Fundação
Victor Civita e a Energias do Brasil,
inicia-se, simultaneamente em quatro Estados do País, um conjunto de
atividades coordenadas para despertar o interesse para a leitura por
prazer: oficinas de literatura, apresentações teatrais de obras literárias e reforço de acervo de bibliotecas públicas.
O projeto Letras de Luz foi oficialmente lançado em 5 de março
num grande evento, em São Paulo,
no Museu da Língua Portuguesa.
Animadas representações dos quatro Estados integrantes do projeto
– Tocantins, Mato Grosso do Sul,
Espírito Santo e São Paulo – estiveram presentes numa festa concorrida que antecipava as ações do
Letras de Luz.
Lançar um novo projeto de
incentivo à leitura no Brasil é sempre motivo de profunda alegria.
Lançar um novo projeto de incentivo à leitura num verdadeiro templo à palavra, o Museu da Língua
Portuguesa, foi uma emoção ainda
maior, pois demonstra explicitamente nosso objetivo primordial
com o projeto Letras de Luz: viajar
o País, despertando nossos jovens
para o universo mágico e engrandecedor da palavra escrita.
Foi nessa mesma Estação da Luz
que há mais de um século chegaram
levas de imigrantes provenientes de
uma Europa abalada por grandes
guerras e profundas crises econômico-sociais, sonhando, no Brasil,
construir um novo mundo, longe dos
pesadelos deixados para trás, assimilando aos poucos a língua portu-
guesa, integrando-se, assim, à nova
pátria brasileira. Muitos daqueles
presentes no lançamento do Letras
de Luz descendem dessas mesmas
famílias, transbordantes de esperanças e, com o mesmo espírito, têm
a coragem de sonhar a partida de
um novo trem, agora no princípio
do século 21, que deixe a Estação
da Luz, o Museu da Língua Portuguesa, rumo à criação de cidades
leitoras. O projeto Letras de Luz, em
sua primeira viagem, em 2007, está
visitando 51 municípios espalhados
em quatro Estados da nação. Equipes qualifi cadas e orientadas pela
Fundação Victor Civita embarcaram
nesse trem e em cada estação capacitam multiplicadores de leitura,
provocando o surgimento de ações
pró-leitura nas comunidades locais.
As bibliotecas municipais e escolares
terão seus acervos reforçados para
fazer ressonância à ação dos capacitadores. Estes atuarão em duas
vertentes: literatura, ofi cinas voltadas para professores, educadores, bibliotecários, lideranças comunitárias e, paralelamente, a inovadora formação de literatores, capacitando grupos de teatro locais
para a divulgação da leitura no
palco. O projeto Letras de Luz sustenta-se nesta tríplice base: reforço
no acervo das bibliotecas, oficinas
de literatura e teatro. Com essas
ações almeja-se despertar as comunidades locais para uma verdadeira mobilização, tendo a difusão do
hábito da leitura por prazer como
objetivo permanente.
Sabedores das necessidades reais
e urgentíssimas da população brasileira no quesito leitura, temos consciência que nosso trem carregado
46
de letras precisará viajar quase na
velocidade da luz. Se nossa juventude não descobrir rapidamente
o gosto pela leitura e fazer das
bibliotecas parte integrante de suas
vidas, fonte de conhecimentos e
prazer, perderemos todos, definitivamente, o trem do século 21. Acreditamos que somente por meio da
educação podemos falar em futuro
para a nação. E que esta será uma
tarefa de toda a sociedade, unindo
o setor público e o setor privado na
mesma direção.
Aproximar as pessoas, fundir
as culturas, enriquecer os conhecimentos, despertar as asas da imaginação, criar novos mundos. O livro
impresso mudou a face do Planeta
Terra há mais de 500 anos. Franquear esse bem da humanidade às
crianças brasileiras é, antes de mais
nada, obrigação moral de todos os
que amam sua nação e seu povo.
O verdadeiro objetivo do projeto Letras de Luz serão jovens
descobrindo e deliciando-se com a
energia transformadora da palavra
escrita e impressa.
A experiência e a tradição educacional da Fundação Victor Civita, o
compromisso social do grupo Energias do Brasil, somadas ao engajamento efetivo das prefeituras de
cada um dos 51 municípios alcançados pelo Letras de Luz, têm garantido o sucesso pleno do projeto.
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