AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES HIGIÊNICAS NA COMERCIALIZAÇÃO DE PEIXES EM MERCADO PÚBLICO DE TERESINA, ESTADO DO PIAUI. HYGIENIC ASPECTS OF FISH COMERCIALIZATION IN PUBLIC MARKET OF THE CITY OF TERESINA, STATE OF PIAUI. Lígia Calina Rocha Pires Ferreira¹, Natália Alves Lima¹, Raizza Eveline Escórcio Pinheiro², Ygor Flávio de Moraes Santos², Janice Araújo Lustosa Furtado³, Manoel Henrique Klein Júnior4 ¹ Graduandas de Medicina Veterinária, Centro de Ciências Agrárias (CCA), Universidade Federal do Piauí (UFPI); ² Discentes do Programa de Pós-Graduação de Mestrado em Ciência Animal, CCA, UFPI; ³ Discente do Programa de Pós-Graduação de Mestrado em Alimentos e Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, UFPI; 4 Professor Adjunto, Departamento de Morfofisiologia Veterinária, Núcleo de Estudos, Pesquisa e Processamento de Alimentos, CCA , UFPI. Palavras-chave: higiene, manipulação, pescado. Introdução Os mercados públicos (MPs) nas cidades do nordeste possuem grande freqüência de consumidores, seja pela diversidade de alimentos in natura, bem como pela manutenção das tradições de comercialização, sendo inclusive atração turística. Dentre os produtos de origem animal o pescado é um dos que são comercializados nestes estabelecimentos e que merece um cuidado especial, por ser muito suscetível ao processo de deterioração, já que apresenta alta atividade de água nos tecidos, teor elevado de nutrientes facilmente utilizáveis por microrganismos, rápida ação destrutiva das enzimas naturalmente presentes nos tecidos, grande atividade metabólica da microbiota, conteúdo lipídico de fácil rancificação e baixa acidez muscular (LEITÃO, 1984). Assim, objetivou-se avaliar as condições higiênicas na comercialização de peixes em mercados públicos de Teresina, PI, quanto a sua manipulação e conservação e relacionar os resultados com os riscos que podem comprometer a saúde pública. Material e Métodos Foram realizadas visitas técnicas em MPs de Teresina, PI, entre os meses de novembro e dezembro de 2010. Foram avaliados dois estabelecimentos, com 10 boxes em cada. O primeiro (MPA) comercializa apenas pescado e representa o principal distribuidor para os demais varejistas de Teresina e o segundo (MPB) comercializa além de pescado, uma grande variedade de alimentos, além de possuir diversos pontos de alimentação. O trabalho foi conduzido como pesquisa exploratória e fundamentou-se em análise qualitativa e investigativa, por meio de observação e avaliação da realidade dos pontos de comercialização do estabelecimento em relação às instalações físicas, as condições higiênicas dos boxes e da manipulação e conservação dos peixes. Para tanto foi elaborado um checklist com base na Resolução nº. 216 da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) do Ministério da Saúde (ANVISA, 2004) que normatiza práticas de produção e manipulação higiênica de alimentos. A avaliação foi baseada em análise descritiva segundo as freqüências absolutas e relativas das variáveis identificadas nos boxes de comercialização. Resultados e Discussão Todos os boxes do MPA possuem gelo para a conservação do peixe, enquanto que no MPB, apenas três boxes (30 %) se utilizam do gelo durante a comercialização do peixe exposto sobre a bancada. Assim, 70 % comercializa o produto a temperatura ambiente favorecendo o crescimento de microorganismos mesófilos, principalmente por Teresina possuir temperaturas elevadas, acima dos 32 oC, contribuindo ainda mais para uma maior rapidez na deterioração do peixe. Contudo, todos os boxes do MPB possuem equipamento de refrigeração, para o armazenamento do pescado, sem, contudo congelá-lo. Em relação a manipulação, o MPA apresenta melhores condições de higiene pessoal do manipulador, diminuindo o risco de contaminação do alimento nesta fase e que demonstra um maior conhecimento destes comerciantes quanto às boas práticas de higiene, conforme apresentado na Tabela 1. Tabela 1- Condições higiênicas dos manipuladores e instalações físicas para comercialização do peixe em dois mercados públicos de Teresina, PI Mercado Público A Mercado Público B Condições Freqüência Freqüência % % absoluta absoluta Manipulação Uso de avental 7 70,00 2 20,00 Uso de touca ou boné 3 30,00 3 30,00 Uso de botas 6 60,00 0 0 Uso de adornos 9 90,00 3 30,00 Barba feita 10 100,00 6 60,00 Lavagem das mãos 10 100,00 6 60,00 Manuseio de dinheiro durante a venda 9 90,00 7 70,00 Instalações Limpeza diária do boxe e equipamentos 10 100,00 6 60,00 Limpeza de utensílios entre vendas 10 100,00 9 100,00 Presença de lixo ao redor 4 40,00 2 20,00 Presença de animais e insetos ao redor 5 50,00, 5 50,00 Hábitos como fumar, tossir; manusear dinheiro, utilizar sanitários, recolher lixo e, logo em seguida, manipular alimentos sem higienizar corretamente as mãos, veicula grande quantidade de microrganismos ao produto, constituindo-se em riscos à saúde (SOUZA, 2006). Outro agravante é a higienização diária dose boxes, equipamentos e utensílios que é menos praticada no MPB, considerados veículos de contaminação dos alimentos (GUERRA, 2002). Conclusões Ficam evidentes as condições precárias de higienização na comercialização e manipulação de peixe no MPB, bem como da necessidade de programas de capacitação e reciclagem aos comerciantes, frente às boas práticas de higiene e manipulação de pescados. Referências Bibliográficas LEITÃO, M.F.F. Deterioração microbiológica do pescado e sua importância em Saúde Pública. Higiene Alimentar, v. 3, n. 3/4, p. 143-152, 1984. ANVISA. Resolução nº 216, de 15 de setembro de 2004. Regulamento técnico de boas práticas para serviços de alimentação. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. D. O. U., de 16 de setembro de 2004, s. 1, p.1, 2004. SOUZA, L.H.L. A manipulação inadequada dos alimentos: fator de contaminação. Higiene Alimentar, v. 20, n. 146, p. 32-39, 2006. GUERRA, K. Onde há participação, há merenda: pesquisa avalia preparo, aceitação e qualidade dos alimentos, além da eficiência dos conselhos fiscalizadores. Jornal do MEC, Ministério da Educação, n. 21, Brasília, 2002. Autor a ser contactado: Natália Alves Lima, UFPI, CCA. Contato: [email protected]