Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas: caracterização experimental, modelação numérica e estudo analítico Lourenço Rocheta de Almeida Fernandes Dissertação para a obtenção do Grau de Mestre em Engenharia Civil Orientadores: Prof. Nuno Miguel Rosa Pereira Silvestre Prof. João Pedro Ramôa Ribeiro Correia Júri: Presidente: Prof. Fernando Manuel Fernandes Simões Orientador: Prof. Nuno Miguel Rosa Pereira Silvestre Vogal: Prof. Luís Manuel Calado de Oliveira Martins Maio 2014 Resumo Os perfis de Polímero Reforçado com Fibras de Vidro (GFRP na designação anglo-saxónica) têm apresentado uma utilização crescente na construção civil, limitada contudo, pela inexistência de regulamentação específica e suficientemente abrangente. É neste contexto que esta dissertação se insere, com o objetivo de estudar o fenómeno do esmagamento da alma em perfis de GFRP de secção em I. A investigação realizada incluiu um estudo experimental, um estudo numérico e um estudo analítico. A investigação abrangeu quatro perfis distintos, de dois fornecedores, apresentando dimensões e propriedades variadas. O estudo experimental dividiu-se em duas campanhas distintas: a campanha de caracterização mecânica do material e a campanha de ensaios de esmagamento. A campanha de caracterização mecânica foi essencial para uma correta calibração dos modelos numéricos e das fórmulas de dimensionamento, enquanto a campanha de ensaios de esmagamento contribuiu diretamente para o objetivo desta dissertação, no sentido de estudar o fenómeno do esmagamento. O estudo numérico consistiu na simulação pelo método dos elementos finitos dos ensaios de esmagamento. Este estudo foi particularmente importante para a análise de fenómenos de instabilidade neste tipo de carregamentos. Estudaram-se ainda diagramas de tensões, tendose aplicado o critério de rotura de Tsai-Hill para tentar prever numericamente a rotura dos provetes. O estudo analítico consistiu no levantamento de expressões de dimensionamento para o fenómeno de esmagamento da alma, para perfis de GFRP e para estruturas metálicas, tendo sido estudada a adequabilidade das várias fórmulas. Finalmente, propôs-se uma nova fórmula empírica para o dimensionamento de perfis de GFRP de secção em I. Palavras-chave: Perfis pultrudidos de GFRP; forças concentradas; esmagamento da alma; ensaios experimentais; modelação numérica; dimensionamento. Abstract GFRP composites have shown an increased growth in their application in civil engineering; however this growth has been hindered by the lack of official and comprehensive regulation. This dissertation was developed in this framework, aiming at understanding in further depth the behavior of this material; in particular, the research was focused on the web-crippling phenomenon in I-shaped pultruded beams of GFRP due to concentrated loads. The research included an experimental programme, a numerical study and analytical investigations. The research focused on four different GFRP beams, presenting various dimensions and mechanical properties, from two different producers. The experimental work comprised two types of tests: the mechanical characterization tests on the GFRP material and web-crippling tests on GFRP profiles. The first type of tests was of paramount importance for the correct calibration of the numerical models and design equations, while the second one aimed at characterizing the web-crippling failure of GFRP profiles. The numerical study consisted of simulating the experimental study on web-crippling, in order to study possible buckling phenomena, the stress distribution and the accuracy of failure criteria. A comparison was made between failure loads obtained experimentally and those provided by the numerical models, by considering the Tsai-Hill criterion. The analytical study first consisted of gathering different design formulae, concerning web-crippling and web-buckling failure, for both GFRP beams and steel profiles. After assessing the accuracy of the various design equations in predicting the experimental results, a new empirical expression was developed, providing very good agreement with the experimental data. Keywords: GFRP pultruded profiles; concentrated loads; web-crippling; experimental tests; numerical simulation; analytical investigation. Agradecimentos Em primeiro lugar, tenho que agradecer aos meus orientadores, o Professor Nuno Silvestre e o Professor João Ramôa Correia, que me guiaram nesta experiência. Acima de tudo, tenho de agradecer a sua exigência e paciência ao longo do desenvolvimento desta dissertação. Em segundo lugar, tenho de agradecer aos colegas Francisco Nunes e José Gonilha, que muito me ensinaram, desde a colagem de extensómetros à análise dos modelos numéricos. Sem a sua ajuda, o trabalho desenvolvido não teria a mesma qualidade. A campanha experimental desenvolvida apresentou muitos desafios com que não estava habituado a lidar, mas tive a sorte de contar com o apoio das equipas do LERM e do LC e do colega João Sousa, a quem também agradeço. No que diz respeito à modelação desenvolvida, tenho de agradecer a ajuda do Engenheiro Pedro Natário, que facilitou e acelerou o desenvolvimento dos modelos numéricos. Tenho ainda de agradecer às empresas Alto Perfis Pultrudidos, Lda. e Fiberline Composites, pelo fornecimento dos perfis em que a investigação se debruçou. Fora deste âmbito, tenho de agradecer à minha família: ao meu Pai, à minha Mãe, ao meu irmão Pedro, à Vanda e aos meus sobrinhos Martim e Carminho. A motivação e o amor que me deram foram decisivos. Tenho ainda de agradecer à minha prima Mafalda pela ajuda com o Inglês. À Joana tenho de agradecer toda a paciência, todo o amor e todo o encorajamento que me deu nos momentos em que enfrentei contratempos. Quando temos a pessoa certa ao nosso lado, tudo fica mais fácil. E aos meus amigos mais próximos, pela paciência que tiveram por não ter tanto tempo para lhes dar e pelos momentos que desfrutei com eles. E ao João Sérgio por não desistir de me pôr no ginásio. E ainda, a todo o pessoal dos Grupos do Campo Grande, obrigado pelo apoio e pela compreensão. Digo por fim, sem exageros, que aprendi muito ao longo do desenvolvimento desta dissertação. Foi uma experiência de vida que me marcou, com momentos altos e baixos, de contratempos e sucessos. Além dos conhecimentos adquiridos, o que levo comigo é uma aprendizagem de vida, e por isso, o meu muito obrigado a todos os que tiveram o seu papel, no momento certo. Simbologia A – área da secção do provete; Aeff – área efetiva de carregamento; Amín – área mínima do provete; Amédia – área média do provete; Ashear – área de corte; BA – ensaio de corte a 10º; C – ensaio de compressão; CIL – ensaio de corte interlaminar; DL, DT, DLT, DS, Dx, Dy – propriedades de placa; E – módulo de elasticidade; c E – módulo de elasticidade em compressão; t E – módulo de elasticidade em tração; fl E – módulo de elasticidade em flexão; Elong; EL – módulo de elasticidade longitudinal; EL,w – módulo de elasticidade da alma na direção longitudinal; Etransv; ET – módulo de elasticidade transversal; ET,w – módulo de elasticidade da alma na direção transversal; F – força aplicada; Fcr – força crítica de instabilidade; Fcorte – força de corte interlaminar; Fcr crush – força de resistência ao esmagamento; FL – ensaio de flexão; Fy – tensão de cedência do aço; G; GLT – módulo de distorção elástico; K – rigidez do provete; L – comprimento do provete; Leff – comprimento efetivo de resistência a forças transversais; N – comprimento de carregamento; Pn – resistência ao esmagamento da alma; R – resistência máxima do provete (ou força última) / raio de curvatura na ligação banzo-alma; Rn – resistência crítica em relação à instabilidade local; Rw,Rd – resistência ao esmagamento; S11 – tensão normal longitudinal; S12 – tensão de corte; S22 – tensão normal transversal; Ss – comprimento de carregamento; Sn – comprimento de propagação de carga; T – ensaio de tração; Vy.Rd – força de resistência ao esmagamento; b – largura do provete; beff – comprimento efetivo de carregamento; bf – largura do banzo; bpl; bplate– comprimento da chapa de carregamento; d – altura da alma, descontando o raio de curvatura; e – espessura do provete; fcr – tensão crítica de instabilidade local; fs – força de corte interlaminar; fSd,z – valor de cálculo da tensão transversal aplicada; fTC,Rd – valor de cálculo da tensão resistente à compressão na direção transversal da alma; fy – tensão última transversal da alma; fyb – tensão de cedência do aço; fyf – tensão de cedência do banzo; fyw – tensão de cedência da alma; h – altura do perfil; hw – altura da alma do perfil; k – coeficiente correspondente a vez e meia a espessura do banzo (1,5 tw); leff – menor valor entre a altura da alma e espaçamento entre reforços transversais da alma; ly – comprimento efetivo de carregamento; tf – espessura do banzo do perfil; tpl – espessura da chapa de carregamento; tw – espessura da alma do perfil; F – variação da força aplicada; L – variação do comprimento; – deslocamento do provete na secção de carregamento; extensão axial; u – extensão última do provete; u – extensão última em compressão; c u – extensão última em flexão; fl tensão axial; 11 – tensão normal longitudinal; 11u – tensão normal longitudinal última; 22 – tensão normal transversal; 22u – tensão normal transversal última; u – tensão última; u – tensão última em compressão; c u – tensão última em flexão; fl u – tensão última em tração; t y – tensão crítica de instabilidade; cr y)cr crush – tensão normal transversal da alma; y.c.k.w– tensão normal transversal da alma; 12 – tensão de corte; u; 12u – tensão última de corte; – coeficiente de Poisson; LT;xy – coeficiente de Poisson longitudinal; TL;yx – coeficiente de Poisson transversal; f – fator de redução, devido a fenómenos de instabilidade local; Índice 1 – Introdução 1.1 – Enquadramento geral 1 1.2 – Objetivos 3 1.3 – Metodologia 3 1.4 – Organização do documento 4 2 – Estado da Arte 2.1 – Introdução 5 2.2 – Polímeros reforçados com fibra de vidro (GFRP) 5 2.2.1 – Evolução histórica 5 2.2.2 – Propriedades do material 6 2.3 – Esmagamento da alma (web crippling) 10 3 – Estudo experimental 3.1 – Introdução 15 3.2 – Programa de ensaios 15 3.2.1 – Objetivos 15 3.2.2 – Programa experimental 16 3.2.3 – Materiais utilizados 17 3.3 – Ensaios de caracterização do material 19 3.3.1 – Introdução 19 3.3.2 – Ensaios de tração 20 3.3.3 – Ensaios de compressão 26 3.3.4 – Ensaios de corte a 10º 35 3.3.5 – Ensaios de corte interlaminar 38 3.3.6 – Ensaios de flexão 41 3.3.7 – Resumo dos resultados obtidos na campanha de caracterização 43 3.4 – Ensaios de esmagamento 46 3.4.1 – Objetivos 46 3.4.2 – Séries experimentais 46 3.4.3 – Esquema de ensaio e procedimento experimental 47 3.4.4 – Resultados dos ensaios ITF 48 3.4.5 – Resultados dos ensaios ETF 64 3.5 – Análise aos resultados dos ensaios de esmagamento 78 3.5.1 – Introdução 78 3.5.2 – Comparação entre ensaios rotulados e não rotulados 78 3.5.3 – Comparação entre configurações ETF e ITF 80 3.5.4 – Resumo dos modos de rotura identificados 81 3.5.5 – Análise da influência do comprimento de carregamento 82 4 – Estudo numérico 4.1 – Introdução 89 4.2 – Descrição dos modelos 90 4.2.1 – Descrição geral da modelação 90 4.2.2 – Descrição da modelação dos perfis de GFRP 93 4.3 – Resultados numéricos 95 4.3.1 – Introdução 95 4.3.2 – Perfil I100 96 4.3.3 – Perfil I120 107 4.3.4 – Perfil I200 119 4.3.5 – Perfil I400 128 4.4 – Conclusões 140 5 – Estudo analítico 5.1 – Introdução 143 5.2 – Documentos considerados 143 5.3 – Fórmulas de dimensionamento existentes 144 5.3.1 – Perfis de GFRP 144 5.3.2 – Perfis de aço 153 5.4 – Desenvolvimento de uma fórmula empírica 159 5.4.1 – Variação dos coeficientes empíricos da fórmula da AISI 159 5.4.2 – Adaptação da fórmula do AISI 160 5.5 – Conclusões 166 6 – Conclusões e perspetivas de desenvolvimentos futuros 6.1 – Conclusões 179 6.2 – Desenvolvimentos futuros 171 7 – Referências 173 Anexos A1 – Dados relativos à caracterização mecânica dos perfis 178 A1.1 – Ensaios de tração 178 A1.2 – Ensaios de compressão 181 A1.3 – Ensaio de corte a 10º 185 A1.4 – Ensaios de corte interlaminar 185 A1.5 – Ensaios de flexão 187 A2 – Resumo dos resultados dos ensaios de esmagamento 189 A2.1 – Resultados obtidos na configuração ITF 189 A2.2 – Resultados obtidos na configuração ETF 190 A2.3 – Comparação gráfica entre resultados ETF e ITF 191 A2.4 – Resumo dos modos de rotura verificados 193 A3 – Estudo numérico 194 A3.1 – Exemplo de ficheiro de input (MSI) 194 A3.2 – Comparação entre diferentes coeficientes de atrito 200 A3.3 – Diagramas de tensões referentes ao perfil I200 201 A3.4 – Diagramas de tensões em função da imperfeição inicial 204 A4 – Estudo analítico 205 A4.1 – Comparação de resultados 205 A4.2 – Coeficientes obtidos para a expressão do AISI (5.25) 205 Índice de figuras 1 – Introdução Figura 1.1: Ponte de Lérida, Espanha. 1 Figura 1.2: Disposição favorável à ocorrência de fenómenos de esmagamento. 2 2 – Estado da Arte Figura 2.1: Fotografias do processo de pultrusão: a) Arrastamento a partir dos rolos de fibra; b) “Linha de montagem”. 8 Figura 2.2: Exemplo de várias formas de perfis GFRP. 8 Figura 2.3: Configurações para ensaios de esmagamento. 10 Figura 2.4: Esmagamento da alma de perfil GFRP, numa solução mista GFRP-betão. 11 3 – Estudo experimental Figura 3.1: Esquemas de ensaio ETF e ITF. 16 Figura 3.2: Comparação entre a disposição rotulada e não rotulada, no esquema ETF. 17 Figura 3.3: Comparação entre os perfis abordados nesta dissertação. 18 Figura 3.4: Fotografias representativas do esquema do ensaio de tração: a) fotografia de um provete pronto a ensaiar; b) pormenor do ensaio I400-TAT-2. 22 Figura 3.5: Resultados dos ensaios I400 TBL: a) curva força-deslocamento; b) curva tensão-extensão. 23 Figura 3.6: Resultados dos ensaios I400 TAL: a) curva força-deslocamento; b) curva tensão-extensão. 23 Figura 3.7: Resultados dos ensaios I400 TAT: a) curva força-deslocamento; b) curva tensão-extensão. 24 Figura 3.8: Resultados dos ensaios I100 TAL: a) curva força-deslocamento; b) curva tensão-extensão. 25 Figura 3.9: Rotura de provetes de tração: a) I400-TAL-1; b) I100-TAL-6. 25 Figura 3.10: a) Esquema de ensaio de compressão, método 1; b) Fotografia de provete após a rotura. 27 Figura 3.11: a) Esquema de ensaios de compressão segundo o método 2; b) Fotografia de provete instrumentado. 28 Figura 3.12: Resultados dos ensaios de compressão: a) I100-CAL; b) I100-CBL. 30 Figura 3.13: Resultados dos ensaios de compressão: a) I100-CAT; b) I200-CAT. 30 Figura 3.14: Resultados dos ensaios de compressão: a) I400-CAL; b) I400-CBL. 31 Figura 3.15: Resultados dos ensaios de compressão: a) I400-CAT; b) I400-CBT. 31 Figura 3.16: Roturas apresentadas pelos provetes I400-CBL: a) I400-CBL-5; b) I400CBL-4; c) Curvas força-deslocamento obtidas para ambos os provetes. 32 Figura 3.17: Resultados dos ensaios de compressão: a) I200-CAT-M2; b) I400-CATM2. 33 Figura 3.18: Roturas apresentadas pelos provetes CAT-M2: a) I200-CAT-M2-2; b) I400-CAT-M2-4. 33 Figura 3.19: Disposição dos extensómetros no ensaio de corte a 10º. 35 Figura 3.20: Resultados obtidos para os provetes I400-BA: a) curva forçadeslocamento; b) curva tensão de corte-distorção. 37 Figura 3.21: Exemplos de provetes ensaiados: a) I400-BA-4; b) I100-BA-3. 37 Figura 3.22: a) Esquema de ensaio; b) Fotografia dos esquipamentos de ensaio. 39 Figura 3.23: Rotura de provetes: a) Rotura por corte do provete; b) Rotura por corte interlaminar. 40 Figura 3.24: a) Esquema de um ensaio de flexão; b) Rotura do provete I100-FL-BL-2. 42 Figura 3.25: Resultados dos ensaios: a) I100-FL-AL; b) I100-FL-BL. 43 Figura 3.26: Esquema de ensaio de esmagamento, na configuração ETF. 47 Figura 3.27: Curvas força-deslocamento dos ensaios I100-ITF-r: a) originais; b) tratados. 49 Figura 3.28: Fotografias da rotura de provetes I100-ITF-c50-r. 49 Figura 3.29: a) curvas força-deslocamento da série I120-ITF-c50-r, b) Rotura do provete I120-ETF-c50-3-r. 50 Figura 3.30: a) curvas força-deslocamento da série I200-ITF-c50-r; b) rotura do provete I200-ITF-c50-1-r. 51 Figura 3.31: Comparação entre curvas força-deslocamento de provetes representativos das séries ITF-c50-r. 52 Figura 3.32: Curvas força-deslocamento das séries: a) I100-ITF-c50-r; b) I100-ITFc50. 53 Figura 3.33: Curvas força-deslocamento das séries: a) I100-ITF-c15; b) I100-ITF-c100. 53 Figura 3.34: Modos de rotura dos provetes I100-ITF. 54 Figura 3.35: Comparação entre curvas força-deslocamento de provetes representativos, dos vários comprimentos de chapa, para o perfil I100. 55 Figura 3.36: Curvas força-deslocamento das séries: a) I120-ITF-c50-r; b) I120-ITFc50. 56 Figura 3.37: Curvas força-deslocamento das séries: a) I120-ITF-c15; b) I120-ITF-c100. 56 Figura 3.38: Mecanismos de rotura apresentados por provetes I120-ITF. 57 Figura 3.39: Comparação entre curvas força-deslocamento de provetes representativos dos vários comprimentos de carregamento para o perfil I120. 58 Figura 3.40: Curvas força-deslocamento das séries: a) I200-ITF-c50-r; b) I200-ITFc50. 59 Figura 3.41: Curvas força-deslocamento das séries: a) I200-ITF-c15; b) I200-ITF-c100. 60 Figura 3.42: Mecanismos de rotura evidenciados pelos provetes I200-ITF-c15. 61 Figura 3.43: Mecanismos de rotura evidenciados pelos provetes I200-ITF-c50 e c100. 61 Figura 3.44: Comparação entre curvas força-deslocamento de provetes representativos das várias chapas de aplicação de carga para o perfil I200. 62 Figura 3.45: a) curvas força-deslocamento da série I400-ITF-c100; b) fotografia da rotura do provete I400-ITF-2. 63 Figura 3.46: Curvas força-deslocamento da série I100-ETF-r: a) originais; b) tratados. 64 Figura 3.47: Modos de rotura dos provetes: a) I100-ETF-c50-1-r; b) I100-ETF-c50-2-r. 64 Figura 3.48: a) curvas força-deslocamento da série I120-ETF-r; b) rotura do provete I120-ETF-c50-1-r. 65 Figura 3.49: a) curvas força-deslocamento da série I200-ETF-c50-r; b) modo de rotura do provete I200-ETF-c50-1-r. 65 Figura 3.50: Modos de rotura dos provetes I200-ETF-c50-r. 66 Figura 3.51: Comparação entre curvas força-deslocamento de provetes representativos das séries ETF-c50-r. 67 Figura 3.52: Curvas força-deslocamento para as séries: a) I100-ETF-c50-r; b) I100ETF-c50. 67 Figura 3.53: Curvas força-deslocamento das séries: a) I100-ETF-c15; b) I100-ETFc100. 68 Figura 3.54: Modos de rotura dos provetes I100-ETF-c15. 69 Figura 3.55: Modos de rotura dos provetes I100-ETF-c50. 69 Figura 3.56: Modos de rotura dos provetes I100-ETF-c100. 69 Figura 3.57: Comparação entre curvas força-deslocamento de provetes representativos, do perfil I100. 70 Figura 3.58: Curvas força-deslocamento das séries: a) I120-ETF-c50-r; b) I120-ETFc50. 71 Figura 3.59: Curvas força-deslocamento das séries: a) I120-ETF-c15; b) I120-ETFc100. 71 Figura 3.60: Modos de rotura de provetes das séries I120-ETF-c15 e c50. 72 Figura 3.61: modos de rotura identificados nos ensaios I120-ETF-c100. 72 Figura 3.62: Comparação entre curvas força-deslocamento de provetes representativos, do perfil I120. 73 Figura 3.63: Curvas força-deslocamento das séries: a) I200-ETF-c50-r; b) I200-ETFc50. 74 Figura 3.64: Curvas força-deslocamento das séries: a) I200-ETF-c15; b) I200-ETFc100. 74 Figura 3.65: Modos de rotura apresentados pelos provetes I200-ETF-c15. 75 Figura 3.66: Modos de rotura apresentados pelos provetes I200-ETF-c50 e c100. 75 Figura 3.67: Comparação entre curvas força-deslocamento de provetes representativos, do perfil I200. 76 Figura 3.68: Curvas força-deslocamento da série I400-ETF. 77 Figura 3.69: Rotura de provetes I400 na configuração ETF. 77 Figura 3.70: Modos de rotura principais. 82 Figura 3.71: Evolução da resistência dos provetes com o comprimento de carregamento, na configuração ITF. 83 Figura 3.72: Evolução da rigidez dos provetes com o comprimento de carregamento, na configuração ITF. 84 Figura 3.73: Evolução da resistência com o comprimento de carregamento (ETF). 85 Figura 3.74: Evolução da rigidez dos provetes com o comprimento de carregamento, na configuração ETF. 86 Figura 3.75: Relação entre o rácio entre a resistência e o comprimento de carregamento e o comprimento de carregamento, na configuração ITF. 87 Figura 3.76: Relação entre o rácio entre a resistência e o comprimento de carregamento e o comprimento de carregamento, na configuração ETF. 87 4 – Estudo numérico Figura 4.1: a) Exemplo de malha de elementos finitos de casca; b) perspetiva do modelo tipo. 90 Figura 4.2: a) 1º modo de instabilidade da série I120-ETF-c100; b) elementos considerados na análise ao critério de Tsai-Hill. 92 Figura 4.3: a) Elemento crítico segundo o critério Tsai-Hill; b) Distribuição de tensões S22 (o máximo não se regista no elemento crítico). 96 Figura 4.4: Comparação entre resultados numéricos e experimentais: a) I100-ETFc15; b) I100-ITF-c15. 97 Figura 4.5: Comparação entre resultados numéricos e experimentais: a) I100-ETFc50; b) I100-ITF-c50. 97 Figura 4.6: Comparação entre resultados numéricos e experimentais: a) I100-ETFc100; b) I100-ITF-c100. 98 Figura 4.7: Diagrama de tensões normais transversais (S22) para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I100-ETF-c15; b) I100-ETF-c50. 99 Figura 4.8: Diagrama de tensões de corte (S12) para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I100-ETF-c15; b) I100-ETF-c50. 99 Figura 4.9: Diagrama do critério de Tsai-Hill (Tsaih) para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I100-ETF-c15; b) I100-ETF-c50. 100 Figura 4.10: Diagrama de tensões normais transversais (S22) para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I100-ITF-c15; b) I100-ITF-c50. 100 Figura 4.11: Diagrama de tensões de corte (S12) para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I100-ITF-c15; b) I100-ITF-c50. 100 Figura 4.12: Diagrama do critério de Tsai-Hill (Tsaih) para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I100-ITF-c15; b) I100-ITF-c50. 101 Figura 4.13: Curvas força-deslocamento para o perfil I100. 102 Figura 4.14: Elementos que apresentam Tsaih>1, para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I100-ETF-c15; b) I100-ITF-c15. 103 Figura 4.15: Elementos que apresentam Tsaih>1, para a carga de rotura experimental, os modelos: a) I100-ETF-c50; b) I100-ITF-c50. 103 Figura 4.16: Elementos que apresentam Tsaih>1, para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I100-ETF-c100; b) I100-ITF-c100. 103 Figura 4.17: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su)2) e do critério de Tsai-Hill, para os modelos: a) I100-ETF-c15; b) I100-ITF-c15. 104 Figura 4.18: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su)2) e do critério de Tsai-Hill, para os modelos: a) I100-ETF-c50; b) I100-ITF-c50. 105 Figura 4.19: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su)2) e do critério de Tsai-Hill, para os modelos: a) I100-ETF-c100; b) I100-ITF-c100. 105 Figura 4.20: Evolução das tensões de corte (S12) com o carregamento. 106 Figura 4.21: Evolução das tensões normais transversais (S22) com o carregamento. 106 Figura 4.22: Comparação entre resultados numéricos e experimentais: a) I120-ETFc15; b) I120-ITF-c15. 107 Figura 4.23: Comparação entre resultados numéricos e experimentais: a) I120-ETFc50; b) I120-ITF-c50. 107 Figura 4.24: Comparação entre resultados numéricos e experimentais: a) I120-ETFc100; b) I120-ITF-c100. 108 Figura 4.25: Curvas força-deslocamento ETF para o perfil I120. 109 Figura 4.26: Curvas força-deslocamento ITF para o perfil I120. 110 Figura 4.27: Elementos que apresentam Tsaih>1, para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I120-ETF-c15; b) I120-ITF-c15. 111 Figura 4.28: Elementos que apresentam Tsaih>1, para a carga de rotura experimental, nos modelos I120-ITF-c50: a) MSI; b) MCI. 111 Figura 4.29: Comparação entre distribuição do critério de Tsai-Hill para os modelos I120-ETF-c50: a) MSI; b) MCI. 112 Figura 4.30: Distribuição de elementos que verificam “Tsaih>1” para os modelos I120ETF-c100: a) MSI; b) MCI; c) MSI, escala pormenorizada; d) MCI, escala pormenorizada. 112 Figura 4.31: Distribuição de elementos que verificam “Tsaih>1” para o modelo I120ITF-c100: a) MSI (78,11 kN); b) MCI (71,15 kN). 113 Figura 4.32: Zonas críticas de MSI e MCI. 114 Figura 4.33: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su)2) e do critério de Tsai-Hill, para os MSI: a) I120-ETF-c15; b) I120-ITF-c15. 115 Figura 4.34: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su)2) e do critério de Tsai-Hill, para o MSI I120-ITF-c50. 115 Figura 4.35: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su)2) e do critério de Tsai-Hill, para os modelos: a) I120-ETF-c50, MSI; b) I120-ETF-c50, MCI. 116 Figura 4.36: Evolução do diagrama de Tsai-Hill para o MCI I120-ETF-c50. 116 Figura 4.37: Evolução do diagrama de tensões normais transversais (S22) para o MCI 117 I120-ETF-c50. Figura 4.38: Evolução do diagrama de tensões de corte (S12) para o MCI 117 I120-ETF-c50. Figura 4.39: Evolução da tensão de corte (S12) com o carregamento, para os MSI I120. 118 Figura 4.40: Evolução da tensão transversal (S22) com o carregamento, para os MSI I120. 118 Figura 4.41: Comparação entre resultados numéricos e experimentais: a) I200-ETFc15; b) I200-ITF-c15 119 Figura 4.42: Comparação entre resultados numéricos e experimentais: a) I200-ETFc50; b) I200-ITF-c50. 120 Figura 4.43: Comparação entre resultados numéricos e experimentais: a) I200-ETFc100; b) I200-ITF-c100. 120 Figura 4.44: Curvas força-deslocamento ETF para o perfil I200 (MSI). 121 Figura 4.45: Curvas força-deslocamento ITF para o perfil I200 (MSI). 122 Figura 4.46: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su)2) e do critério de Tsai-Hill, no modelo I200-ETF-c15: a) Su22=60 MPa; b) Su22=90 MPa. 123 Figura 4.47: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su)2) e do critério de Tsai-Hill, no modelo I200-ETF-c50: a) Su22=60 MPa; b) Su22=90 MPa. 123 Figura 4.48: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su)2) e do critério de Tsai-Hill, no modelo I200-ITF-c50: a) Su22=60 MPa; b) Su22=90 MPa. 124 Figura 4.49: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su)2) e do critério de Tsai-Hill, no modelo I200-ITF-c100: a) Su22=60 MPa; b) Su22=90 MPa. 124 Figura 4.50: Relação entre as tensões de corte (S12) e níveis de carga críticos (MSI). 126 Figura 4.51: Relação entre as tensões transversais (S22) e níveis de carga críticos (MSI). 126 Figura 4.52: Distribuição do índice de “Tsaih” para os MSI: a) I200-ETF-c15; b) I200ITF-c15. 127 Figura 4.53: Distribuição do índice de “Tsaih” para os MSI: a) I200-ETF-c50; b) I200ITF-c50. 127 Figura 4.54: Distribuição do índice de “Tsaih” para os MSI: a) I200-ETF-c100; b) I200ITF-c100. 127 Figura 4.55: Comparação entre resultados numéricos e experimentais para o modelo I400-ETF. 128 Figura 4.56: Comparação entre resultados numéricos e experimentais para o modelo I400-ITF. 129 Figura 4.57: Curvas força-deslocamento para o perfil I400. 130 Figura 4.58: Distribuição de elementos que verificam “Tsaih>1” no modelo I400-ITF (132,66 kN). 131 Figura 4.59: Distribuição de elementos que verificam “Tsaih>1” nos modelos I400ETF: a) MSI; b) MCI; c) MCI; d) MCI. 131 Figura 4.60: Evolução de rácios de tensões e critério de Tsai-Hill nos modelos I400ETF; a) Evolução das tensões e do critério de rotura no MSI; b) Evolução do critério de Tsai-Hill, para MSI e MCI. 132 Figura 4.61: Comparação da evolução das tensões transversais (S22) entre os MSI e os MCI da série I400-ETF. 133 Figura 4.62: Evolução de tensões e critério de Tsai-Hill, no modelo I400-ITF: a) Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su)2) e do critério de Tsai-Hill; b) Evolução das tensões S22 e S12, em função do carregamento. 133 Figura 4.63: Evolução das tensões transversais (S22) no MCI I400-ETF. 134 Figura 4.64: Evolução das tensões de corte (S12) com o carregamento (MSI). 135 Figura 4.65: Evolução das tensões transversais (S22) com o carregamento (MSI). 135 Figura 4.66: Comparação entre análise baseada no modo crítico e na força lateral equivalente: a) curvas força-deslocamento; b) variação do deslocamento a meio da alma com o deslocamento imposto. 136 Figura 4.67: Comparação entre diferentes amplitudes iniciais, em termos de: a) curva força-deslocamento; b) amplitude da imperfeição. (escalas distintas) 137 Figura 4.68: Distribuição do índice de Tsai-Hill, para um deslocamento próximo dos 3,5 mm: a) 0,12 mm; b) 1,2 mm; c) 2,4 mm. 137 Figura 4.69: Comparação entre diagramas de tensões de corte para modelos com amplitudes iniciais de: a) 0,12 mm; b) 1,2 mm; c) 2,4 mm. 138 Figura 4.70: Evolução das tensões condicionantes e do critério de rotura para os modelos de amplitude inicial: a) 0,12 mm; b) 1,2 mm; c) 2,4 mm. 139 5 – Estudo analítico Figura 5.1: Coeficiente “kF”, relativo à expressão 5.38. 156 Figura 5.2: Comparação entre resultados analíticos (5.42) e experimentais, ETF. 162 Figura 5.3: Comparação entre resultados analíticos (5.42) e experimentais, ITF. 163 Figura 5.4: Comparação entre resultados analíticos (5.43) e experimentais, ETF. 165 Figura 5.5: Comparação entre resultados analíticos (5.43) e experimentais, ITF. 166 Anexos Figura A1: Esquema de medições dos provetes da campanha de caracterização. 178 Figura A2: Resultados dos ensaios I100-TBL. 180 Figura A3: Resultados dos provetes I100-BA: a) Curva força-deslocamento; b) Curva tensão de corte-distorção. 185 Figura A4: Curvas força-deslocamento das séries: a) I100-CIL-AL; b) I100-CIL-BL. 187 Figura A5: Comparação entre ensaios ETF e ITF para o perfil I100. 191 Figura A6: Comparação entre ensaios ETF e ITF para o perfil I200. 192 Figura A7: Comparação entre coeficientes de atrito para as séries: a) I120-ETF-c15; 201 b) I120-ETF-c100. Figura A8: Diagramas de tensões de corte (S12) das séries: a) I200-ETF-c15; b) I200ITF-c15. 202 Figura A9: Diagramas de tensões de corte (S12) das séries: a) I200-ETF-c50; b) I200ITF-c50. 202 Figura A10: Diagramas de tensões de corte (S12) das séries: a) I200-ETF-c100; b) I200-ITF-c100. 202 Figura A11: Diagramas de tensões normais transversais (S22) das séries: a) I200ETF-c15; b) I200-ITF-c15. 203 Figura A12: Diagramas de tensões normais transversais (S22) das séries: a) I200ETF-c50; b) I200-ITF-c50. 203 Figura A13: Diagramas de tensões normais transversais (S22) das séries: a) I200ETF-c100; b) I200-ITF-c100. 203 Figura A14: Diagramas de tensões normais transversais (S22) para modelos com amplitudes iniciais de: a) 0,12 mm; b) 1,2 mm; c) 2,4 mm. 204 Índice de tabelas 2 – Estado da Arte Tabela 2.1: Propriedades típicas de perfis de GFRP. 7 3 – Estudo experimental Tabela 3.1: Dimensões e proporções dos provetes de esmagamento. 18 Tabela 3.2: Normas seguidas para os ensaios de caracterização. 19 Tabela 3.3: Nomenclatura das séries experimentais dos ensaios de caracterização. 20 Tabela 3.4: Dimensões pretendidas para os provetes em ensaios de tração. 22 Tabela 3.5: Resultados dos ensaios de tração. 25 Tabela 3.6: Dimensões definidas para os provetes de compressão. 28 Tabela 3.7: Séries experimentais ensaiadas à compressão. 29 Tabela 3.8: Número de provetes ensaiados/válidos, nos ensaios de compressão (M1). 29 Tabela 3.9: Resultados dos ensaios de compressão ao perfil I100. 34 Tabela 3.10: Resultados dos ensaios de compressão ao perfil I400. 34 Tabela 3.11: Resultados dos ensaios de compressão ao perfil I200. 34 Tabela 3.12: Dimensões definidas para os provetes em ensaios de corte a 10º. 36 Tabela 3.13: Resultados dos ensaios de corte a 10º. 38 Tabela 3.14: Dimensões dos provetes dos ensaios de corte interlaminar. 39 Tabela 3.15: Resumo dos ensaios de corte interlaminar. 40 Tabela 3.16: Resumo dos resultados dos ensaios de flexão. 42 Tabela 3.17: Resultados dos ensaios de tração e compressão para o perfil I100. 43 Tabela 3.18: Resultados dos ensaios de corte a 10º, interlaminar e flexão do perfil I100. 44 Tabela 3.19: Resultados dos ensaios de tração e compressão para o perfil I400. 44 Tabela 3.20: Resultados dos ensaios de corte a 10º para o perfil I400. 44 Tabela 3.21: Propriedades consideradas para o perfil I120. 44 Tabela 3.22: Propriedades obtidas a partir da dissertação de mestrado de Francisco Nunes. 45 Tabela 3.23: Propriedades obtidas a partir da dissertação de mestrado de Manuel Correia. 45 Tabela 3.24: Programa experimental. 47 Tabela 3.25: Resultados dos ensaios ITF rotulados. 51 Tabela 3.26: Resumo dos resultados do perfil I100 na configuração ITF, não rotulada. 55 Tabela 3.27: Resumo dos resultados do perfil I120 na configuração ITF, não rotulada. 58 Tabela 3.28: Resumo dos resultados do perfil I200 na configuração ITF, não rotulada. 61 Tabela 3.29: Resultados obtidos para os provetes I400-ITF-c100. 63 Tabela 3.30: Resultados dos ensaios rotulados ETF-c50-r. 66 Tabela 3.31: Resumo dos resultados do perfil I100 na configuração ETF, não rotulada. 70 Tabela 3.32: Resumo dos resultados do perfil I120 na configuração ETF, não rotulada. 73 Tabela 3.33: Resumo dos resultados do perfil I200 na configuração ETF, não rotulada. 76 Tabela 3.34: Resultados dos ensaios aos provetes I400-ETF. 77 Tabela 3.35: Comparação entre resultados obtidos para a configuração rotulada (r) e não rotulada (nr). 79 Tabela 3.36: Coeficientes de variação (Cv) dos valores de resistência e rigidez dos ensaios rotulados. 79 Tabela 3.37: Coeficientes de variação (Cv) dos valores de resistência e rigidez dos ensaios não rotulados. 79 Tabela 3.38: comparação entre resultados não rotulados de ambas as configurações. 80 Tabela 3.39: Número de ocorrências dos vários modos de rotura. 82 Tabela 3.40: Balanço entre modos de rotura e comprimentos de aplicação de carga. 82 Tabela 3.41: Resumo da influência do comprimento de carregamento na resistência, na configuração ITF. 83 Tabela 3.42: Resumo da influência do comprimento de carregamento na rigidez, na configuração ITF. 84 Tabela 3.43: Resumo da influência do comprimento de carregamento na resistência, na configuração ETF. 85 Tabela 3.44: Resumo da influência do comprimento de carregamento na rigidez, na configuração ETF. 85 4 – Estudo numérico Tabela 4.1: Propriedades mecânicas dos perfis modelados. 94 Tabela 4.2: Comparação entre resultados numéricos e experimentais, para o perfil I100. 98 Tabela 4.3: Análise do critério de Tsai-Hill para o perfil I100. 102 Tabela 4.4: Comparação entre resultados numéricos e experimentais, para o perfil I120. 108 Tabela 4.5: Análise do critério de Tsai-Hill para o perfil I120. 110 Tabela 4.6: Comparação entre resultados numéricos e experimentais, para o perfil I200. 121 Tabela 4.7: Análise do critério de Tsai-Hill para o perfil I200 (MSI). 125 Tabela 4.8: Comparação entre resultados numéricos e experimentais, para o perfil I100. 129 Tabela 4.9: Análise do critério de Tsai-Hill para o perfil I400. 130 Tabela 4.10: Comparação entre resultados fornecidos por diferentes imperfeições iniciais. 136 5 – Estudo analítico Tabela 5.1: Expressões relativas ao esmagamento da alma, referenciadas por Bank [4] e pelo Eurocomp [19]. 144 Tabela 5.2: Expressões para a instabilidade local propostas por Bank [4] e pelo Eurocomp [19]. 146 Tabela 5.3: Comparação entre fórmulas para o esmagamento e valores experimentais, ETF. 151 Tabela 5.4: Comparação entre fórmulas para o esmagamento e valores experimentais, ITF. 151 Tabela 5.5: Comparação entre fórmulas para a encurvadura local e valores numéricos, ETF. 152 Tabela 5.6: Comparação entre fórmulas para a encurvadura local e valores numéricos, ITF. 153 Tabela 5.7: Coeficientes e fator de segurança a considerar na expressão 5.25. 154 Tabela 5.8: Resultados obtidos através da fórmula do AISI (5.25). 157 Tabela 5.9: Resultados obtidos através da fórmula do EC3:1-3 (5.26)-(5.33). 158 Tabela 5.10: Resultados obtidos através da fórmula do EC3:1-5 (5.34)-(5.41). 158 Tabela 5.11: Coeficientes relativos aos resultados apresentados nas tabelas 5.12 e 5.13. 160 Tabela 5.12: Resultados para a fórmula original da AISI, configuração ETF. 160 Tabela 5.13: Resultados para a fórmula original da AISI, configuração ITF. 160 Tabela 5.14: Coeficientes empíricos obtidos para a expressão (5.42). 161 Tabela 5.15: Comparação entre resultados analíticos e experimentais para a expressão (5.42). 162 Tabela 5.16: Comparação entre resultados experimentais e analíticos (5.42) para o perfil I400. 163 Tabela 5.17: Coeficientes empíricos obtidos para a expressão (5.43). 164 Tabela 5.18: Comparação entre resultados experimentais e analíticos para a expressão (5.43). 165 Anexos Tabela A1: Dimensões dos provetes I100-TAL. 179 Tabela A2: Dimensões dos provetes I100-TBL. 179 Tabela A3: Dimensões dos provetes I400-TAL. 179 Tabela A4: Dimensões dos provetes I400-TAT. 179 Tabela A5: Dimensões dos provetes I400-TBL. 180 Tabela A6: Dimensões dos provetes I100-CAL. 181 Tabela A7: Dimensões dos provetes I100-CAT. 181 Tabela A8: Dimensões dos provetes I100-CBL. 181 Tabela A9: Dimensões dos provetes I200-CAT. 182 Tabela A10: Dimensões dos provetes I400-CAL. 182 Tabela A11: Dimensões dos provetes I400-CAT. 182 Tabela A12: Dimensões dos provetes I400-CBL. 183 Tabela A13: Dimensões dos provetes I400-CBT. 183 Tabela A14: Dimensões dos provetes I200-CAT-M2. 184 Tabela A15: Dimensões dos provetes I400-CAT-M2. 184 Tabela A16: Dimensões dos provetes I100-BA. 184 Tabela A17: Dimensões dos provetes I400-BA. 185 Tabela A18: Dimensões dos provetes I100-CIL-AL. 186 Tabela A19: Dimensões dos provetes I100-CIL-AT. 186 Tabela A20: Dimensões dos provetes I100-CIL-BL. 186 Tabela A21: Dimensões dos provetes I400-CIL-AT. 187 Tabela A22: Dimensões dos provetes I100-FL-AL. 188 Tabela A23: Dimensões dos provetes I100-FL-BL. 188 Tabela A24: Resumo dos resultados obtidos na configuração ITF não rotulada. 189 Tabela A25: Resumo dos resultados obtidos na configuração ETF não rotulada. 190 Tabela A26: Modos de rotura verificados na campanha experimental de esmagamento, sem rótula. 193 Tabela A27: Comparação de resultados para os vários coeficientes de atrito. 201 Tabela A28: Comparação de resultados para as expressões de Bank [4] e do prestandard americano [31], para a configuração ETF. 205 Tabela A29: Comparação de resultados para as expressões de Bank [4] e do prestandard americano [31], para a configuração ITF. 205 Tabela A30: Coeficientes obtidos na aplicação da expressão (5.25) aos perfis I100, I120 e I200. 206 Tabela A31: Resultados obtidos na aplicação da expressão (5.25) aos perfis I100, I120 e I200. 206 ________________________________ 1 – Introdução ________________________________ 1– Introdução 1.1 – Enquadramento geral Os perfis de Polímero Reforçado com Fibras de Vidro (GFRP) têm apresentado uma utilização crescente no contexto da Engenharia Civil. Este material destaca-se dos mais tradicionais pela sua leveza, pela sua elevada resistência e pela sua elevada durabilidade (consideravelmente superior à dos materiais tradicionais). Os perfis de GFRP são particularmente úteis pela sua fácil e rápida montagem, aliada à possibilidade de se produzir perfis de secções muito variadas. Desta forma, tem havido uma utilização crescente deste material na construção de pontes pedonais (figura 1.1) e em estruturas secundárias (escadas, passadiços, guardacorpos) [28]. Por outro lado, a sua utilização, como elementos portantes em estruturas correntes, tem sido atrasada pela ausência de regulamentos maduros e pelo mau comportamento deste material em situações de incêndio (que tem motivado muita investigação). Contrariamente aos perfis metálicos, os perfis de GFRP apresentam um comportamento elástico linear e, normalmente, uma ortotropia assinalável, com propriedades mecânicas mais elevadas na direção axial. Contudo, em qualquer estrutura existem “nós” em que estes elementos terão de resistir a cargas atuando transversalmente ao seu eixo, situação ilustrada na figura 1.1, que mostra a ponte pedonal em GFRP de Lérida, em Espanha. A ortotropia referida confere uma grande relevância aos fenómenos locais de esmagamento e encurvadura da alma. a) b) Figura 1.1: Ponte de Lérida, Espanha: a) adaptada de [29]; b) adaptada de [30]. Esta dissertação de mestrado pretende precisamente estudar a rotura de perfis de GFRP devido a fenómenos locais; em particular, o fenómeno de esmagamento da alma em perfis de GFRP de secção em I. Este fenómeno consiste na aplicação de cargas concentradas de compressão, transversalmente ao eixo do perfil. O estudo deste tipo de carregamento ainda 1 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ não foi aprofundado para perfis deste material, em contraponto com a investigação já realizada no âmbito de estruturas metálicas, já substanciada em regulamentos, apresentando expressões de dimensionamento válidas para várias configurações de carregamento. O carregamento transversal de vigas é mais comum em zonas de apoio ou em cruzamentos de vigas principais e secundárias, situação ilustrada na figura 1.2. A disposição apresentada é simultaneamente desfavorável para as vigas principal e secundária, podendo o esmagamento da alma ocorrer numa ou noutra. É importante reforçar que se pode projetar uma estrutura segura em termos de resistência a esforços de flexão, axiais e de corte, mas sem um dimensionamento adequado a fenómenos localizados, como o esmagamento da alma ou a encurvadura local, corre-se o risco da estrutura poder colapsar para níveis de carga inferiores às projetadas. Figura 1.2: Disposição favorável à ocorrência de fenómenos de esmagamento. Ao contrário dos materiais mais tradicionais na construção civil, como o betão armado, o aço ou a madeira, ainda não existem regulamentos internacionais normativos para os perfis de GFRP, com normas ou fórmulas de dimensionamento validadas para a generalidade das ações ou carregamentos a que um elemento possa estar sujeito. Este facto tem atrasado o crescimento da implementação deste tipo de materiais compósitos na construção civil. Ainda assim, os perfis de GFRP têm vindo a apresentar uma crescente aplicação na engenharia civil, aliada a uma também crescente investigação sobre o seu comportamento. De facto, nos últimos anos, pode-se encontrar um número assinalável de artigos de investigação sobre a resistência ao fogo, o comportamento axial, a durabilidade ou a resistência ao esmagamento (capítulo 2). Só assim poderão ser desenvolvidos regulamentos com bases sólidas, que permitam a qualquer projetista, porventura menos familiarizado com as propriedades deste material, dimensionar estruturas ou elementos estruturais compósitos. 2 ________________________________ 1 – Introdução ________________________________ Por fim, é relevante apontar que esta dissertação se insere numa linha de investigação mais alargada, sobre o comportamento de estruturas em GFRP, que tem vindo a ser conduzida no Instituto Superior Técnico (IST). Este quadro de trabalho permitiu a partilha de informações e de experiência, facilitando a realização dos ensaios experimentais, devido ao conhecimento já adquirido em trabalhos anteriores. Em particular, devem-se salientar os trabalhos de Nunes et al. [25, 26] e Correia [14], cujo estudo permitiu um desenrolar mais rápido da campanha experimental de caracterização, para além de fornecer valores de referência para perfis também estudados nesta dissertação, dispensando a sua caracterização mecânica. 1.2 – Objetivos Com esta dissertação pretende caracterizar-se o comportamento em relação ao esmagamento de perfis de GFRP, de secção em I. Desta forma, pretende testar-se a capacidade de vários perfis, de dimensões distintas, em relação a este tipo de carregamento, em diferentes configurações, sob a ação de cargas distribuídas por várias chapas de aplicação de carga. Um parâmetro que se pretende estudar em particular é a influência do comprimento de carregamento na resistência ao esmagamento destes perfis. Complementarmente pretende determinar-se o comportamento destes perfis em termos de tensões e fenómenos de instabilidade, além de aferir a validade das fórmulas de dimensionamento existentes para o fenómeno de esmagamento da alma em perfis de GFRP. 1.3 – Metodologia A metodologia aplicada pode dividir-se em três áreas distintas: o estudo experimental, o estudo numérico e o estudo analítico. Deste modo, pretende proceder-se a um estudo abrangente do fenómeno de esmagamento em perfis de GFRP. O estudo experimental consistiu no ensaio de vários perfis de GFRP, em relação ao esmagamento, sob a ação de chapas de carregamento de diferentes dimensões. Os ensaios foram efetuados em controlo de deslocamentos, analisando-se os resultados em termos de força e deslocamento, obtendo-se finalmente resultados para a força última e para a rigidez de cada provete. O estudo experimental incluiu ainda uma campanha de caracterização do material, complementada por valores obtidos a partir de trabalhos anteriores, no IST [14, 25, 26]. A campanha de caracterização experimental é essencial para a implementação de modelos numéricos e para a validação das fórmulas de dimensionamento existentes. O estudo numérico consistiu na reconstituição dos ensaios de esmagamento efetuados, aplicando o critério de rotura de Tsai-Hill, no sentido de comparar a rotura experimental com a que foi obtida numericamente através deste critério. Por outro lado, estudou-se a evolução dos diagramas de tensões e a influência de fenómenos de instabilidade no comportamento destes perfis. Deve-se referir ainda que os modelos numéricos constituíram também uma ferramenta 3 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ de validação e esclarecimento em relação à campanha experimental de caracterização mecânica. Com os valores obtidos através dos estudos experimental e numérico, em termos de cargas de rotura experimentais e de cargas críticas numéricas, testaram-se fórmulas de dimensionamento de vários documentos de recomendação, no sentido de as validar. Com a verificação da pouca eficácia das fórmulas existentes, procedeu-se à calibração de uma nova fórmula de dimensionamento, a partir de fórmulas de dimensionamento vocacionadas para estruturas metálicas. 1.4 – Organização do documento A organização desta dissertação reflete a metodologia já indicada, apresentando-se, em primeiro lugar, um breve resumo sobre o material estudado e a investigação efetuada sobre este material e sobre o fenómeno do esmagamento. Este resumo é apresentado no capítulo 2, o capítulo de Estado da Arte. De seguida, no capítulo 3, apresenta-se o estudo experimental realizado no âmbito desta dissertação, que se encontra dividido em duas partes distintas: a campanha de caracterização do material e a campanha de ensaios de esmagamento. No capítulo 4 apresenta-se o estudo numérico efetuado, organizado em função dos vários perfis abordados. Neste capítulo, analisa-se a adequação dos modelos aos ensaios experimentais e a adequação do critério de rotura considerado, entre outros resultados obtidos através da modelação numérica. No capítulo 5 apresenta-se o estudo analítico, focando-se em primeiro lugar nas fórmulas e regulamentos referentes aos materiais compósitos, em segundo lugar nas fórmulas de dimensionamento para estruturas metálicas e ainda na calibração de uma nova fórmula empírica. Por fim, apresentam-se no capítulo 6 as principais conclusões desta dissertação, bem como as principais pistas para desenvolvimentos futuros. Esta dissertação excedeu o limite de número de páginas preconizado pelas normas do IST, situação derivada da interdependência das várias partes do estudo realizado; não se poderia proceder a uma análise completa deste tema sem se acrescentar as vertentes numérica e analítica, à vertente principal: o estudo experimental sobre o fenómeno de esmagamento da alma. Este facto tornou, por sua vez, indispensável a realização de uma campanha experimental de caracterização mecânica do material, sem a qual não se poderia efetuar os estudos numérico e analítico com rigor. 4 ______________________________ 2 – Estado da Arte ______________________________ 2 – Estado da Arte 2.1 – Introdução A investigação descrita nesta dissertação de mestrado centrou-se no estudo de perfis pultrudidos de GFRP; este material consiste numa matriz polimérica reforçada com fibras de vidro, pertencendo à família dos FRP (fiber reinforced polymers). Os perfis de GFRP têm apresentado uma utilização crescente na área da engenharia civil, apresentando propriedades muito distintas de outros materiais mais tradicionais, como o betão ou o aço. No entanto, ainda não existem regulamentos desenvolvidos, como existem para o aço e o betão, que permitam o dimensionamento de estruturas constituídas por este tipo de material. Existem já regulamentos com algumas indicações para estruturas compósitas, mas estes ainda não atingiram a maturidade dos regulamentos existentes para os materiais tradicionais. Neste capítulo apresenta-se o material GFRP, em termos da sua evolução histórica e das suas principais propriedades. Apresenta-se também um resumo da investigação que tem sido conduzida em relação ao material e, mais concretamente, no que se refere ao fenómeno de esmagamento em perfis de GFRP sujeitos a cargas transversais ao seu eixo. 2.2 – Polímeros reforçados com fibra de vidro (GFRP) 2.2.1 – Evolução histórica Os materiais compósitos de matriz polimérica surgiram por volta de 1940, sendo então aplicados nas indústrias aeroespacial e naval; contudo, os perfis de GFRP só surgiram cerca de uma década depois, com a criação do processo da pultrusão. Refira-se que, ainda hoje, este é o método mais competitivo para a produção de perfis deste material [9]. Os perfis de GFRP começaram a ser produzidos em maior escala a partir do final da década de 1960, embora só perto de uma década depois tenham surgido as primeiras estruturas de dimensão relevante, exclusivamente compostas por perfis de GFRP. Em muitos casos, estas estruturas destinaram-se a testes de interferência eletromagnética, realizados pela indústria informática nos Estados Unidos da América, devido à transparência eletromagnética deste tipo de materiais [4]. As estruturas de GFRP desta época tinham na sua maioria apenas um piso, tendo-se construído também em Portugal algumas estruturas pioneiras, de pequena dimensão, no final da década de 1960 [9]. O salto seguinte no que se refere a estruturas de GFRP surgiu na década de 1980, estando relacionado com a construção de torres de arrefecimento; aliás, é neste tipo de construção que grande parte da produção de peças de GFRP se concentrou nos últimos tempos [4]. Outra aplicação em que os GFRP ganharam projeção foi na construção de pontes de pequena 5 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ dimensão; neste tipo de estruturas, o GFRP apresenta vantagens relevantes em relação ao aço, pelo seu reduzido peso próprio e pela sua inércia química, que lhe confere grande resistência a fenómenos de corrosão [4]. Com o aumento da construção de estruturas de GFRP, começaram a surgir as primeiras recomendações de dimensionamento. Deve referir-se que até perto da década de 1990 a maioria das estruturas compósitas era dimensionada por engenheiros ligados à produção deste tipo de material, estando relativamente bem familiarizados com o seu comportamento; só a partir da década de 90 é que um maior número de engenheiros e arquitetos começou a trabalhar com este material, sem que tivessem um conhecimento aprofundado do seu comportamento [4]. A criação de regulamentos tornou-se então essencial, pois tratava-se de um material ainda pouco conhecido e cujo dimensionamento envolve alguns riscos caso as suas propriedades não sejam adequadamente consideradas (e.g. a sua ortotropia). O primeiro regulamento criado foi o Structural Plastics Design Manual (SPDM), em 1979, tendo surgido como um relatório da Federal Highway Administration americana (FHWA), e tendo sido publicado em 1984 pela American Society of Civil Engineers (ASCE); em 1996 foi publicado o Eurocomp [19], o primeiro regulamento europeu (embora não oficial ou normativo) sobre estruturas constituídas por materiais compósitos. Mais recentemente, surgiram o regulamento italiano do National Research Council of Italy [8], em 2007, e o pre-standard LRFD americano [31] da ASCE, em 2010. Progressivamente, os perfis de GFRP estão a evoluir no sentido de se tornarem um material competitivo e de utilização cada vez mais comum. Contudo, para que este material possa ser ainda mais utilizado, é necessário que se invista na investigação sobre o seu comportamento, nomeadamente em relação a diferentes tipos de carregamentos ou ações, permitindo a qualquer engenheiro de estruturas, que não detenha um conhecimento aprofundado sobre o material, dimensionar estruturas em GFRP, com confiança e segurança. É neste contexto que se desenvolve a presente dissertação. 2.2.2 – Propriedades do material Os FRP consistem na mistura de duas componentes principais: (i) as fibras de reforço, que conferem as propriedades mecânicas mais relevantes ao material, e (ii) a resina, que envolve as fibras, solidarizando o comportamento do conjunto. Existem várias fibras de reforço, sendo as principais a fibra de vidro, a fibra de carbono e a aramida. As resinas que podem ser utilizadas nestes materiais dividem-se em dois grupos: (i) as termoendurecíveis e (ii) as termoplásticas. Em termos de soluções estruturais as mais aplicadas são as resinas termoendurecíveis, nas quais se incluem: o poliéster, o viniléster, as epóxidas e as fenólicas. As resinas de poliéster são as mais comuns entre perfis comercializados atualmente, conciliando boas propriedades mecânicas e químicas com um preço económico [9]. As principais propriedades mecânicas dos perfis de GFRP consistem em elevadas tensões de rotura na direção longitudinal, quer em termos de tração, compressão ou flexão; em simultâneo 6 ______________________________ 2 – Estado da Arte ______________________________ com baixas tensões de rotura na direção transversal, módulos de elasticidade reduzidos na direção longitudinal e muito reduzidos na direção transversal. Os valores típicos para estas propriedades estão resumidos na tabela 2.1, adaptada de [4, 25]. Tabela 2.1: Propriedades típicas de perfis de GFRP, adaptado de [4, 25]. Propriedade Resistência (MPa) Módulo elástico (GPa) Tração longitudinal 207 - 317 18 - 28 Tração transversal 48 - 83 6 - 10 Compressão longitudinal 207 - 359 18 - 26 Compressão transversal 110 - 138 7 - 13 Corte no plano 31 - 48 3 - 3,4 Corte interlaminar 27 - 31 - Flexão longitudinal 207 - 338 11 - 14 Flexão transversal 69 - 131 6 - 12 Coeficiente de Poisson 0,33 - 0,35 Como referido, o método da pultrusão é, hoje em dia, o mais habitual e o mais eficiente [9]. Este processo consiste no rolamento e traccionamento contínuos de fibras através de uma “linha de montagem”, no fim da qual se retiram os perfis acabados. O processo consiste, em primeiro lugar, no traccionamento das fibras, a partir de rolos de fibras, impregnando-as depois com a resina escolhida. Após serem impregnadas, as fibras passam por um ponto de controlo, em que se removem excessos de resina e se adapta o conjunto a uma forma próxima do perfil final. De seguida, as fibras passam por um molde aquecido, com a forma do perfil pretendido, procedendo-se à cura do material polimérico, finalizando-se o perfil [28]. Na figura 2.1 apresenta-se fotografias relativas ao processo de pultrusão [28]. Uma das vantagens deste método, além da velocidade de produção, é a possibilidade de criar perfis com qualquer tipo de secção, como é ilustrado na figura 2.2. As fibras de vidro são as mais utilizadas em aplicações no âmbito da construção civil, entrando na constituição de perfis que se destacam pelo seu reduzido peso próprio e elevada resistência; por outro lado, este material apresenta uma elevada durabilidade, superior à dos materiais “tradicionais”. No entanto, estes perfis apresentam um módulo de elasticidade bastante inferior ao apresentado pelos perfis de aço, além de apresentarem uma rotura frágil, ou seja, um comportamento elástico até cargas muito próximas da carga de rotura. Este último aspeto é contrário à prática habitual do projeto em engenharia de estruturas, que assenta na ductilidade dos materiais (estruturas metálicas e de betão armado). 7 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ a) b) Figura 2.1: Fotografias do processo de pultrusão, adaptadas de [28]: a) Arrastamento a partir dos rolos de fibra; b) “Linha de montagem”. Figura 2.2: Exemplo de várias formas de perfis GFRP, adaptada de [27]. Um dos fatores mais relevantes na caracterização de perfis de GFRP é o seu comportamento ortotrópico. Este comportamento ocorre pelo facto de existirem fibras longitudinais que conferem propriedades axiais muito resistentes ao perfil, enquanto a resistência na direção transversal resulta apenas do contributo da resina e das fibras dispostas nessa direção ou com direção aleatória. Naturalmente, estes perfis apresentam módulos de elasticidade e tensões últimas muito distintas na direção longitudinal e transversal, situação que deve ser tida em conta não apenas na caracterização experimental do material, mas também no próprio dimensionamento. É importante referir que se trata de um material que pode apresentar variações, não desprezáveis, quando se comparam perfis semelhantes de diferentes produtores, ou até diferentes lotes do mesmo produtor; esta característica do material resulta do facto das propriedades mecânicas dependerem do teor e arquitetura (tipologia, orientação, posição relativa) das fibras de reforço e também das características da própria matriz polimérica, sendo 8 ______________________________ 2 – Estado da Arte ______________________________ que pequenas alterações num daqueles constituintes podem provocar diferenças significativas no comportamento de perfis de dimensões similares. Esta característica inerente ao material confere enorme relevância aos ensaios de caracterização do material, ensaios que se podem efetuar em três níveis distintos [4]: ao nível da fibra, ao nível do laminado e ao nível do perfil acabado (ou cortes obtidos do mesmo). É imprescindível que haja regulamentos e normas que permitam estabelecer procedimentos de ensaio objetivos e práticos para a determinação das propriedades efetivas dos perfis de GFRP. No Instituto Superior Técnico (IST) tem-se efetuado muita investigação sobre os FRP em geral e os perfis de GFRP em particular. Em relação à resistência ao fogo, destaca-se a investigação desenvolvida por Correia et al. [11-13], tendo sido estudados diferentes tipos de proteção contra o fogo, no sentido de cumprir as prescrições de segurança para edifícios correntes. Esta temática é muito relevante pois já foi amplamente demonstrado na literatura que os perfis de GFRP, sem se aplicar qualquer proteção, não cumprem as normas de segurança ao fogo: os elementos começam a perder propriedades mecânicas para temperaturas entre 100 e 200 °C e, por outro lado, a matriz polimérica decompõe-se para temperaturas entre 300 e 500 °C, libertando quantidades elevadas de calor, fumo e gases tóxicos [13]. Por outro lado, a introdução de aditivos retardadores de incêndio também não contribui para melhorar significativamente o comportamento ao fogo (nomeadamente no que se refere às propriedades de resistência ao fogo), piorando, na maioria das situações, as características mecânicas do material [13]. Desta forma, a investigação ligada a processos de proteção contra o fogo ganha grande relevância, sendo indispensável para a aplicação deste material em estruturas correntes, de forma segura e económica. Outra linha de estudo desenvolvida no IST prende-se com o estudo de fenómenos de instabilidade de perfis de GFRP [10, 14, 25, 32, 34]. Este estudo tem grande relevância devido aos reduzidos módulos de elasticidade e de distorção que este material apresenta, facilitando a ocorrência de roturas por encurvadura. É de salientar os trabalhos de Correia, Branco, Silva, Camotim e Silvestre [10, 32], que incluíram uma extensa campanha experimental [10], complementada por um estudo numérico [32]. Nestes trabalhos, avaliaram-se os fenómenos de instabilidade local e global em vigas de secção em I, tendo-se procedido a uma campanha de caracterização mecânica do material que serviu de modelo para os trabalhos mais recentes. As dissertações de mestrado de Correia [14] e Nunes [25], seguiram uma estrutura similar, debruçando-se no entanto sobre o estudo de fenómenos de instabilidade em colunas de 1 GFRP . Também se deve referir a dissertação de mestrado de Pedro Teixeira [34], em que se procedeu a uma análise abrangente das fórmulas de dimensionamento para colunas e vigas de GFRP, procedendo-se também à sua comparação com resultados experimentais. A presente dissertação beneficiou do muito trabalho já desenvolvido, colhendo muita informação e experiência da investigação citada, referente ao IST. No capítulo 3 desta dissertação, 1 No caso do trabalho de Nunes [25] estudaram-se perfis de GFRP híbridos, apresentando uma camada de CFRP num dos banzos. 9 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ procedeu-se a uma campanha experimental de caracterização mecânica ao nível do perfil acabado, consultando alguns dos regulamentos atuais [2, 3, 15, 23, 24], com o apoio dos trabalhos mais recentes realizados no IST [14, 25]. 2.3 – Esmagamento da alma (web crippling) O esmagamento da alma está relacionado com a aplicação de cargas de compressão concentradas, a atuar numa direção transversal em relação ao eixo do perfil. Na literatura especializada existem quatro configurações principais de ensaio para o estudo do esmagamento da alma: as configurações End Two Flange (ETF) e Interior Two Flange (ITF), em que se aplica o carregamento nos dois banzos de uma mesma secção, exterior ou interior respetivamente; e as configurações End One Flange (EOF) e Interior One Flange (IOF), em que o carregamento é aplicado a meio vão, podendo a rotura ocorrer nos apoios exteriores ou na zona central, respetivamente. Na figura 2.3 ilustram-se as configurações de ensaio referidas. ITF IOF >1,5h ITF ETF IOF h EOF >1,5h ETF EOF h Figura 2.3: Configurações para ensaios de esmagamento. Nesta dissertação estudou-se o comportamento dos perfis de GFRP para as configurações ETF e ITF. Estas configurações correspondem a um tipo de carregamento menos habitual para uma viga, ou seja, um carregamento de compressão transversal, simultâneo nos dois banzos de uma mesma secção. Contudo, este tipo de carregamento pode surgir numa estrutura, nomeadamente em zonas de apoios ou no cruzamento de vigas (figura 1.2). 10 ______________________________ 2 – Estado da Arte ______________________________ Apresenta-se na figura 2.4, um exemplo prático experimental desta situação, em que um ensaio à flexão de uma viga mista GFRP-betão terminou precocemente, devido à rotura por esmagamento do perfil GFRP no apoio de extremidade [12]. Figura 2.4: Esmagamento da alma de perfil GFRP, numa solução mista GFRP-betão, adaptada de [12]. É importante referir que, em paralelo com o estudo do esmagamento da alma, se deve ter atenção a fenómenos de instabilidade. O muito reduzido módulo elástico na direção transversal de perfis GFRP (quando comparado a perfis de aço) facilita a ocorrência de fenómenos de instabilidade local na alma (“web compression buckling”), situação em que a resistência da secção a este tipo de carregamentos pode ser inferior ao expectável [10, 32]. É importante referir que os trabalhos já referidos, focados em fenómenos de instabilidade [10, 14, 25, 32, 34] foram importantes no sentido de agilizar o desenvolvimento da modelação numérica, descrita no capítulo 4, de forma a ter em conta fenómenos de instabilidade local. Os regulamentos/recomendações referentes a estruturas compósitas e a reforços estruturais compósitos estão numa fase de amadurecimento, faltando ainda realizar e validar muita investigação. Existem vários regulamentos que consideram fórmulas distintas para prever as cargas de rotura para web crippling e web buckling de um mesmo perfil de GFRP, considerando como valor de dimensionamento o menor dos obtidos. O Eurocomp [19] e o prestandard americano [31] são um exemplo desta metodologia, apresentando expressões de dimensionamento distintas para as roturas por esmagamento e instabilidade local. 11 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Para estruturas metálicas (aço laminado a quente, aço enformado a frio ou chapas soldadas) existem já vários regulamentos bem desenvolvidos no sentido de se dimensionarem estruturas; assim, estão estabelecidas fórmulas de dimensionamento para todo o tipo de ações relevantes no âmbito da construção civil, para várias configurações de carregamento, comprovadas com recurso a um elevado número de ensaios. Na Europa, a principal referência é o Eurocódigo 3 [16], tratando dos vários tipos de estruturas metálicas. Na América do Norte, para perfis de aço enformados a frio, existe a referência do regulamento do American Iron and Steel Institute [1], que também apresenta fórmulas de dimensionamento amplamente testadas, para vários tipos de secções. Refira-se que as fórmulas de dimensionamento preconizadas por estes regulamentos, relativas ao fenómeno de web crippling, estão apresentadas no capítulo 5 da presente dissertação. Em relação à investigação do fenómeno de esmagamento em perfis de GFRP, destacam-se os trabalhos de Borowicz e Bank [5-7], que incluíram a realização de um elevado número de ensaios. Aliás, deve destacar-se também o trabalho exclusivo de Bank, já resumido em livro [4], apresentando uma análise abrangente às propriedades, aplicações e expressões de dimensionamento dos materiais FRP em geral e dos perfis de GFRP em particular. Os trabalhos de Borowicz e Bank foram importantes para a definição do esquema de ensaio utilizado na presente dissertação, embora a investigação destes autores se tenha focado na configuração IOF. Mais recentemente, estes autores investigaram a implementação de reforços em perfis de GFRP [7], um tema muito relevante, com perspetivas de elevados aumentos de resistência face ao fenómeno do esmagamento e da encurvadura local. Como referido, os regulamentos do Eurocomp [19] e do pre-standard americano [31] apresentam fórmulas distintas para os fenómenos de rotura por esmagamento da alma e por encurvadura local da mesma. Ambos apresentam expressões similares para a rotura devido a instabilidade local, baseando-se na teoria de placas, tratando a alma dum perfil como uma placa simplesmente apoiada. Por outro lado, as fórmulas apresentadas por estes regulamentos, para a rotura por instabilidade, são meramente geométricas, não tendo em conta propriedades de resistência do material, pelo que não deverão ser comparadas com cargas últimas, mas sim com cargas críticas. O Eurocomp [19] apresenta uma expressão de dimensionamento simples em relação ao esmagamento da alma (2.1) e transversal a outras fontes: Bank [4] apresenta uma expressão muito similar e o regulamento italiano [8] também apresenta uma prescrição similar. Estas várias referências apresentam expressões baseadas na garantia de que não se verificam tensões atuantes superiores à tensão normal transversal última da alma, na área de carregamento. (2.1) em que: 12 ______________________________ 2 – Estado da Arte ______________________________ Vy.Rd – força de resistência ao esmagamento; y.c.k.w– tensão normal transversal última da alma; Ss – comprimento de carregamento; Sn – comprimento de propagação de carga (propagação a 45º até ao centro da alma). tw – espessura da alma; m – fator de segurança para propriedades do material. No que diz respeito ao fenómeno de esmagamento da alma, o pre-standard americano [31] destaca-se pela inclusão da investigação recente de Borowicz e Bank [6], a qual culminou na expressão apresentada em (2.2), (2.2) em que: Rn – resistência ao esmagamento; d – altura da alma, descontando o raio de curvatura da ligação banzo-alma; tpl – espessura da chapa de carregamento; bpl – comprimento da chapa de carregamento; k – vez e meia a espessura do banzo (1,5 tw); fs – força de corte interlaminar. Refira-se que a expressão (2.2) é mais complexa que a anterior, tendo apenas sido calibrada para ensaios na configuração IOF; contudo, esta expressão é apresentada no pre-standard americano [31] sem qualquer referência a esta limitação de aplicação; esta situação confere relevância à comparação dos resultados obtidos através da expressão (2.2) com resultados experimentais relativos a outras configurações de carregamento. Mais recentemente, Wu e Bai [35] desenvolveram investigação relativa ao fenómeno do esmagamento em vigas de GFRP, neste caso de secção tubular quadrangular, nas configurações ETF e ITF (alargando o estudo a elementos carregados no banzo superior e apoiados em toda a superfície do banzo inferior). No estudo desenvolvido por estes autores, verificou-se haver pouca adequabilidade da fórmula (2.2) para os ensaios experimentais desenvolvidos, tendo-se desenvolvido fórmulas alternativas. No capítulo 5 desta dissertação apresenta-se um conjunto de expressões de dimensionamento ao esmagamento de alma, procedendo-se também a uma análise da sua adequabilidade aos resultados experimentais apresentados no capítulo 3. 13 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ 14 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ 3 – Estudo experimental 3.1 – Introdução Na presente dissertação estudam-se perfis pultrudidos de polímero reforçado com fibra de vidro (GFRP) com secção em “I”, de diferentes dimensões: I100, I120, I200 e I400. Em particular, pretende estudar-se o comportamento destes perfis em relação ao esmagamento, ou seja, à aplicação de cargas concentradas de compressão, aplicadas transversalmente ao seu eixo. Neste capítulo, são apresentados os resultados dos vários ensaios experimentais realizados, os quais podem ser divididos em duas categorias distintas: ensaios de caracterização do material e ensaios de esmagamento da alma. Ambas as categorias são importantes para a caracterização do comportamento dos vários perfis. Em relação ao material em si, é importante salientar que a fibra de vidro apresenta uma dispersão relevante no que toca às suas propriedades. Deve-se ainda referir que é um material cujas propriedades costumam também depender muito do produtor, destacando-se, por isso, pela negativa face a outros materiais mais tradicionais [4]. Esta questão confere grande relevância aos ensaios de caracterização, que permitem adequar melhor a modelação aos resultados experimentais. Em relação aos ensaios de esmagamento, apresentam-se algumas análises comparativas entre condições de apoio, configurações e comprimentos de carregamento. Um dos pontos mais relevantes destes ensaios foi a utilização de diferentes chapas de aplicação de carga (chapas de aço), pois os diferentes comprimentos de carregamento podem provocar alterações significativas no comportamento dos provetes. A campanha experimental desenvolveu-se no Laboratório de Estruturas e Resistência de Materiais (LERM) e no Laboratório de Construção (LC) do Departamento de Engenharia Civil, Arquitectura e Georrecursos (DECivil) do Instituto Superior Técnico. 3.2 – Programa de ensaios 3.2.1 – Objetivos Como referido, o objetivo principal desta dissertação foi estudar o fenómeno de esmagamento em perfis de GFRP com secção em I. É em torno deste tema que se concentra grande parte da campanha experimental, através dos ensaios de esmagamento descritos no subcapítulo 3.4. Os resultados destes ensaios serão depois comparados com modelos numéricos (capítulo 4) e com fórmulas de dimensionamento (capítulo 5). Os ensaios de caracterização do material permitem estabelecer quais as verdadeiras características mecânicas dos provetes, ao invés de se trabalhar com as propriedades 15 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ fornecidas pelos fabricantes. Estes ensaios contribuem naturalmente para uma melhor caracterização em termos de modelação numérica, permitindo ainda uma melhor adequação das fórmulas de dimensionamento. 3.2.2 – Programa experimental A caracterização do material assenta em vários ensaios distintos, que permitem definir várias propriedades mecânicas do material de cada perfil. Apresentam-se, de seguida, os vários ensaios realizados neste âmbito: Ensaio de tração; Ensaio de flexão; Ensaio de compressão; Ensaio de corte por tração a 10º; Ensaio de corte interlaminar. Os ensaios ao esmagamento da alma dividiram-se em duas configurações distintas, com aplicação da carga numa secção de extremidade do provete (ETF) e numa secção central (ITF). Para ambas as configurações, os ensaios assentaram no controlo de deslocamentos, ou seja, através da imposição de um deslocamento num banzo, restringindo o deslocamento do banzo oposto na mesma secção. O carregamento foi aplicado com recurso a chapas de aço de diferentes comprimentos, aplicadas na face superior e inferior dos provetes (fig. 3.1). ETF ITF Figura 3.1: Esquemas de ensaio ETF e ITF. Para estas duas configurações, estudaram-se ainda duas condições de apoio distintas ilustradas na figura 3.2. Numa fase inicial, aquando dos ensaios relativos aos ensaios dos perfis I100, I120 e I200 nas configurações ITF e ETF (para uma chapa de carregamento de 50 mm), foi colocada uma rótula esférica na interface entre o prato da máquina de ensaio e a chapa de aço, tendo-se verificado que a rótula estava a ter um efeito demasiado relevante nos ensaios, desencadeando fenómenos de encurvadura. Como esquema alternativo foram realizados ensaios sem qualquer rótula, tendo-se repetido aqueles ensaios e realizado os restantes ensaios (para as restantes chapas de carregamento e para o perfil I400) nesta configuração. Deve referir-se que os dois esquemas constituem as duas situações extremas 16 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ para uma peça aplicada numa estrutura, ou seja, ligada a uma rótula esférica ou perfeitamente encastrada. ETF ETF rotulado não rotulado Figura 3.2: Comparação entre a disposição rotulada e não rotulada, no esquema ETF. 3.2.3 – Materiais utilizados Como referido, nesta campanha experimental foram ensaiados quatro perfis distintos: I100, I120, I200 e I400. É importante referir que três dos quatro perfis (I100, I200 e I400) são provenientes do mesmo fornecedor, a Alto Perfis Pultrudidos, Lda., enquanto o perfil I120 foi fornecido pela Fiberline Composites. A diferente proveniência dos perfis é relevante, especialmente para um material como o GFRP, em que o processo de fabrico e as propriedades dos perfis podem variar consideravelmente de fornecedor para fornecedor. Na campanha experimental apenas foram realizados ensaios de caracterização do material para os perfis I100 e I400, pois os restantes perfis já haviam sido ensaiados em trabalhos anteriores no IST [14, 25, 26]. Os provetes utilizados nos ensaios de esmagamento foram cortados num comprimento correspondente ao dobro da sua altura; para o corte dos mesmos, recorreu-se a uma serra de fita com refrigeração, ideal para este tipo de materiais. As dimensões dos provetes são indicadas na tabela 3.1. Na figura 3.3 apresenta-se ainda uma comparação entre os vários perfis. Refira-se que para o cálculo da relação entre a altura da alma e a espessura da alma (hw/tw), a altura da alma foi determinada subtraindo a espessura dos banzos e os raios de curvatura (da ligação banzo-alma) à altura do perfil. Como se pode constatar, na tabela 3.1, os perfis ensaiados apresentam geometrias e esbeltezas distintas: o perfil I100 é o menos esbelto, enquanto o perfil I400 é o de maior dimensão e de maior esbelteza. Os perfis I120 e I200, apresentam geometrias intermédias e muito semelhantes entre si. Para este estudo a espessura que mais interessa será a da alma; esta distinção não é contudo relevante pois todos os perfis apresentam a mesma espessura de catálogo para a alma e para os banzos. 17 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Tabela 3.1: Dimensões e proporções dos provetes de esmagamento. Altura Largura do banzo (mm) (mm) I100 Alto 100 50 I120 Fiberline 120 60 I200 Alto 200 100 I400 Alto 400 200 1 “hw” e “tw” a altura e a espessura da alma. Perfil Comprimento Fornecedor (mm) 200 240 400 800 Espessura (alma e banzos) (mm) 8 6 10 15 Relação 1 (hw/tw) 10 15,5 16 23,3 Figura 3.3: Comparação entre os perfis abordados nesta dissertação. É importante também fazer referência ao facto de se terem utilizado perfis I200 de dois lotes distintos, ambos provenientes da Alto. Esta situação pode provocar alguma variação nos resultados do perfil, pelo que se optou por incluir provetes de ambos os lotes nas várias séries experimentais. Os provetes provenientes do segundo lote foram identificados com um asterisco (*). Refira-se que só se utilizaram provetes de ambos os lotes para os ensaios não rotulados. Para estes quatro perfis, foram utilizadas três chapas de aplicação de carga distintas: uma chapa de 15 mm de comprimento, através da qual se procedeu ao carregamento mais concentrado; uma chapa de 50 mm, caso intermédio; e uma chapa de 100 mm de comprimento, que já se aproxima de uma carga distribuída para os perfis de menor dimensão. Todas as chapas de aplicação de carga empregues apresentam largura suficiente para distribuir a carga por toda a largura dos banzos (largura superior a 20 cm). A primeira chapa a ser testada foi a de 50 mm, tendo sido aquela que serviu de comparação para os ensaios rotulados e não rotulados. Refira-se por fim que as chapas de carregamento apresentam uma espessura de 2 cm. 18 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ 3.3 – Ensaios de caracterização do material 3.3.1 – Introdução Como referido, os ensaios de caracterização do material apenas foram realizados nos perfis I100 e I400 (com a exceção dos ensaios de compressão, que também foram realizados no perfil I200), tendo esta opção sido tomada por os restantes perfis já terem sido caracterizados no âmbito de trabalhos anteriores no IST [14, 25, 26]. Para os vários ensaios já considerados adotaram-se as normas indicadas na tabela 3.2. Apesar de as várias normas recomendarem um número mínimo de cinco provetes, tentou-se aproveitar o material disponível de forma a obter um mínimo de seis provetes por ensaio. Em alguns ensaios, utilizaram-se extensómetros elétricos, para monitorizar o comportamento dos provetes. Tabela 3.2: Normas seguidas para os ensaios de caracterização. Ensaio Norma/Referência Tração ISO-527-4 [23] Compressão ASTM D 695-02 [3] Corte a 10º ISO-527-5 [24] Corte interlaminar ASTM D 2344/D [2] Flexão EN ISO 14125 [15] O corte dos provetes foi efetuado com recurso a várias serras, com funções diferentes. Em primeiro lugar, houve a necessidade de cortar o perfil em vários troços e, para tal, recorreu-se a uma serra de fita da marca Cosen; em segundo lugar, foi necessário separar os banzos da alma, tendo-se utilizado uma serra de disco; para o corte dos vários provetes, foi necessário utilizar outra serra de disco, com um disco mais fino, de forma a não desperdiçar demasiado material, tendo-se recorrido neste caso às instalações do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) para o corte de alguns provetes e às instalações do LC do Instituto Superior Técnico. Todas as serras empregues possuem meios de refrigeração, nomeadamente por fio de água, o que é indispensável para a preservação das serras no corte deste tipo de material. A largura e a espessura dos vários provetes foram medidas em três secções distintas, através de uma craveira com precisão de 0,01 mm, tendo o comprimento sido medido através de uma régua metálica com a precisão de 1 mm. Por fim, apresenta-se a nomenclatura seguida para distinguir as várias séries experimentais dos ensaios de caracterização mecânica. A distinção principal entre séries experimentais é feita a três níveis: (i) tipo de ensaio; (ii) zona do perfil – alma ou banzo; e (iii) orientação do 19 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ provete – longitudinal ou transversal, em relação à direção das fibras longitudinais do perfil. Na tabela 3.3 apresenta-se uma lista das siglas utilizadas para distinguir as séries experimentais. Tabela 3.3: Nomenclatura das séries experimentais dos ensaios de caracterização. Tipo de ensaio Sigla Zona do perfil Sigla Direção Sigla Tração T Alma A Longitudinal L Compressão C Banzo B Transversal T Bi-axial (corte a 10º) BA Flexão FL Corte interlaminar CIL Para exemplificar apresenta-se um exemplo da nomenclatura de um provete ensaiado à tração, retirado da alma do perfil I400, com orientação longitudinal: I400-TAL. Em relação à análise de resultados dos ensaios apresentados adiante, apresentar-se-á a seguinte nomenclatura: E – módulo de elasticidade; u – tensão última; u – extensão última; c – compressão fl – flexão; t – tração. Assim, a tensão última referente a ensaios de flexão apresenta-se como: u . fl 3.3.2 – Ensaios de tração 3.3.2.1 – Introdução Nestes ensaios pretendeu-se determinar vários parâmetros, tais como os módulos de elasticidade e as tensões últimas em tração. Estas grandezas foram analisadas na direção das fibras e, quando possível, na direção perpendicular. Para a preparação destes ensaios seguiuse a norma ISO-527-4 [23]. Os resultados finais obtiveram-se a partir de dois dados distintos: a leitura de carregamento e deslocamento e a disposição de extensómetros em alguns provetes. A partir da leitura de deslocamentos pôde-se calcular uma estimativa das extensões nos provetes, contudo esta estimativa apresenta sempre algum erro, devido a fenómenos de escorregamento nas zonas de aperto. A utilização de extensómetros permite determinar as extensões do provete com muito maior precisão. O único inconveniente associado à utilização dos extensómetros é o facto de pequenos desvios na sua colocação poderem afetar os resultados. As fórmulas consideradas para se determinar a tensão axial, o módulo de elasticidade e a extensão de cada provete são apresentadas em 3.1, 20 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ (3.1) em que: F – força aplicada (N); σ – tensão axial (MPa); ε – extensão axial (m/m); ΔL – deslocamento medido entre secções de referência (mm); L – comprimento inicial entre secções de referência (mm); 2 A – área da secção do provete (mm ). Refira-se que se trata de um ensaio em que se estudam propriedades particularmente relevantes para o material GFRP: este material é caracterizado por apresentar uma elevada resistência axial, um módulo de elasticidade consideravelmente inferior ao do aço, além de uma ortotropia considerável. Todos estes fatores podem ser constatados nos resultados que se descrevem adiante. 3.3.2.2 – Procedimento experimental Os ensaios foram realizados através de uma máquina universal de ensaios de marca Instron, em que os provetes são apertados nas garras da máquina, procedendo-se depois ao ensaio em tração. Duas questões muito importantes são o comprimento de aperto e a pressão de aperto a aplicar; estes dois fatores são importantes para impedir fenómenos como o escorregamento ou o esmagamento nas garras, fenómenos que distorcem a informação que se pretende obter nos ensaios. Esta questão já foi estudada em trabalhos anteriores no IST [14,25], pelo que se trabalhou com valores próximos dos sugeridos nesses trabalhos, em termos de comprimento de aperto e pressão. O comprimento de aperto adotado para provetes do perfil I400 ensaiados na direção longitudinal foi de 7,5 cm, permitindo um vão livre de 15 cm. Na direção transversal, em que as forças aplicadas foram mais reduzidas, testou-se um comprimento de garras de 5 cm, sem qualquer sinal de distorção dos resultados. Em termos de pressões, testaram-se provetes com valores entre 30 e 50 bar, tendo-se aplicado as maiores pressões nos ensaios longitudinais. Para o perfil I100, adotou-se um comprimento de aperto de 5 cm, de forma a obter-se 15 cm de vão livre, aplicando-se uma pressão que variou entre 20 e 35 bar. Na figura 3.4 pode observarse o esquema experimental de um ensaio de tração instrumentado, enquanto no Anexo 1.1 se apresentam as várias pressões e comprimentos de aperto empregues nos diversos ensaios. O ensaio foi realizado em controlo de deslocamentos, tendo-se aplicado uma velocidade de 2 mm/min, tal como está prescrito na norma; como a máquina de ensaios permite selecionar a velocidade desejada de ensaio, foi fácil manter este parâmetro constante. 21 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Extensómetro Longitudinal Zona de aperto inferior a) b) Figura 3.4: Fotografias representativas do esquema do ensaio de tração: a) fotografia de um provete pronto a ensaiar; b) pormenor do ensaio I400-TAT-2. 3.3.2.3 – Geometria dos provetes Estes ensaios foram realizados para os perfis em que esta campanha de caracterização se concentrou, o I100 e o I400. Entre estes dois perfis houve uma diferença relevante, pois o perfil I400, pela sua geometria, permitiu realizar ensaios de tração na direção transversal da alma, o que possibilitou a análise da ortotropia deste perfil. Além destes ensaios, ensaiaram-se provetes da alma e do banzo, na direção longitudinal. Na tabela 3.4, apresentam-se as dimensões dos provetes previstas na norma ISO 527-4 [23]. Tabela 3.4: Dimensões pretendidas para os provetes em ensaios de tração. Medida (mm) I100 I400 Comprimento (L) 250 300 Espessura (e) 8 15 Largura (b) 25 No caso do perfil I100, houve outra particularidade relevante que foi a ausência de condições geométricas para obter provetes de 2,5 cm de largura nos banzos. Os banzos têm 5 cm de largura, em que cerca de 1 cm é ocupado pela ligação banzo-alma (na zona central). Desta forma, optou-se por cortar provetes com a maior largura possível, tendo-se utilizado provetes com uma largura média de 1,5 cm. Houve alguma dificuldade no ensaio destes provetes, devido a problemas técnicos e a problemas de escorregamento e esmagamento. As dimensões dos vários provetes obtidos estão apresentadas no Anexo 1.1. 22 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ Consideraram-se no mínimo seis provetes para prevenir algum erro e de forma a tentar garantir que se obteriam cinco ensaios sem defeitos. Para cada série experimental, instrumentaram-se três provetes com um extensómetro. Os provetes instrumentados correspondem sempre aos primeiros provetes de cada série experimental. 3.3.2.4 – Análise de resultados Na figura 3.5 apresenta-se os gráficos obtidos para a relação força/deslocamento e para a relação tensão/extensão do perfil I400. Os resultados dos ensaios aos provetes do perfil I400 mostraram-se consideravelmente consistentes. a) I400-TBL: Força-deslocamento b) I400-TBL: Tensão-Extensão Figura 3.5: Resultados dos ensaios I400 TBL: a) curva força-deslocamento; b) curva tensãoextensão. a) I400-TAL: Força-deslocamento b) I400-TAL: Tensão-Extensão Figura 3.6: Resultados dos ensaios I400 TAL: a) curva força-deslocamento; b) curva tensãoextensão. 23 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Através da análise das Figuras 3.5 a 3.7, pode verificar-se a já conhecida ortotropia do material GFRP, com valores de resistência e rigidez muito superiores para os ensaios longitudinais por comparação com os ensaios na direção perpendicular. É de salientar ainda o resultado obtido para o provete I400-TAL-1 (figura 3.6), apresentando um valor reduzido para o módulo de elasticidade quando comparado com os restantes provetes instrumentados dessa série. Ao que tudo indica, este resultado será anómalo, pois a rigidez apresentada pelo provete em questão, na curva força-deslocamento, é bastante próxima das verificadas nos restantes provetes. Deste modo conclui-se que a diferença exibida pelo provete I400-TAL-1, na curva tensãoextensão, estará associada a uma deficiente colagem do extensómetro. É importante fazer ainda referência ao andamento linear dos gráficos referentes a provetes longitudinais (figuras 3.5 e 3.6), em oposição ao comportamento não linear exibido pelos provetes transversais (figura 3.7), em que a matriz polimérica contribui de forma mais relevante para o comportamento mecânico. a) I400-TAT: Força-deslocamento b) I400-TAT: Tensão-Extensão Figura 3.7: Resultados dos ensaios I400 TAT: a) curva força-deslocamento; b) curva tensãoextensão. Em relação ao perfil I100, ensaiaram-se duas séries experimentais, ambas na direção longitudinal. Os ensaios referentes à alma seguiram as indicações da norma já referenciada, enquanto os ensaios do banzo divergiram no que toca à largura dos provetes. Os resultados dos ensaios referentes à série I100 TAL estão apresentados na figura 3.8, enquanto os resultados dos ensaios I100 TBL estão apresentados no Anexo 1.1.2. Na figura 3.8 pode constatar-se que os provetes I100-TAL apresentaram um comportamento praticamente linear, tal como os provetes I400-TAL e I400-TBL. Refira-se, por fim, que os resultados obtidos para os banzos do perfil I100 devem ser apenas tomados como indicativos, devendo proceder-se a um maior número de ensaios para melhor caracterizar o comportamento à tração destes elementos. 24 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ a) I100-TAL: Força-deslocamento b) I100-TAL: Tensão-Extensão Figura 3.8: Resultados dos ensaios I100 TAL: a) curva força-deslocamento; b) curva tensãoextensão. Na tabela 3.5 apresenta-se um resumo dos resultados obtidos para os ensaios de tração, apresentando-se ainda na figura 3.9 a rotura de um provete de cada perfil ensaiado. Tabela 3.5: Resultados dos ensaios de tração. t Ensaio u (MPa) (média± desvio padrão) E (GPa) (média± desvio padrão) I100 – AL 426,2 ± 23,9 18,5 ± 0,7 I100 – BL 348,4 ± 60,1 18,5* I400 – AL 296,0 ± 24,2 27,9 ± 1,5 I400 – BL 338,6 ± 34,4 36,9 ± 3,0 t I400 –AT 28,4 ± 3,1 * Valor indicativo, necessitando de validação. a) 4,1 ± 0,6 b) Figura 3.9: Rotura de provetes de tração: a) I400-TAL-1; b) I100-TAL-6. 25 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ 3.3.3 – Ensaios de compressão 3.3.3.1 – Introdução Os ensaios de compressão visaram estabelecer valores para a tensão axial última, além de valores para a extensão última e para o módulo de elasticidade, em compressão. Estes valores foram obtidos para a direção longitudinal e, quando possível, para a direção perpendicular às fibras. Estes ensaios são particularmente relevantes para esta dissertação pelos valores obtidos para os provetes retirados da alma, na direção transversal; a análise dos resultados desses provetes é decisiva para os parâmetros a considerar na modelação, principalmente o módulo de elasticidade transversal. As propriedades referidas obtiveram-se a partir das fórmulas já apresentadas na secção 3.3.2, relativa aos ensaios de tração (expressões (3.1)). Um aspeto particular dos ensaios de compressão foi a utilização de dois métodos distintos para realizar os ensaios: o método 1 consiste na aplicação da norma ASTM D 695-02 [3]; o método 2 baseia-se no esquema dos ensaios de tração e foi considerado por se presumir que poderia fornecer valores mais fiáveis para o módulo de elasticidade. Refira-se que o segundo método apenas foi empregue para provetes da alma, orientados perpendicularmente às fibras (séries CAT), para se obter o já referido módulo de elasticidade transversal. Outro aspeto particular da campanha de ensaios de compressão foi a consideração do perfil I200, devido a algumas dúvidas quanto às suas reais propriedades, mais concretamente em relação ao seu módulo de elasticidade transversal da alma. Como já foi referido, os perfis I120 e I200 já foram caracterizados em trabalhos anteriores no IST [14, 25, 26]; como no caso do perfil I200 houve resultados distintos, optou-se por repetir estes ensaios de forma a estabelecer com maior confiança os valores a considerar na modelação. 3.3.3.2 – Procedimento experimental Como referido, foram utilizados dois métodos experimentais distintos. O método 1 é o mais comum, estando já padronizado na norma ASTM D 695-02 [3]; estes ensaios consistem no esmagamento de provetes de pequena dimensão, de forma a prevenir fenómenos de encurvadura; para este efeito, recorreu-se a uma prensa Seidner Form Test. A máquina em questão trouxe uma dificuldade à realização dos ensaios: a impossibilidade de aplicar uma velocidade constante de ensaio, pois a velocidade é controlada de forma manual. Desta forma, foi difícil respeitar a velocidade preconizada na norma de 1,3 mm/min, tendo-se aplicado uma velocidade média de 1 mm/s; as velocidades medidas para os vários ensaios encontram-se no Anexo 1.2.1. O encurtamento axial dos provetes, entre os pratos da prensa, foi medido com recurso a um defletómetro de marca Apek, com um curso de 25 mm. O esquema de ensaio para o método 1 está representado na figura 3.10. Deve referir-se que estes ensaios apresentam a desvantagem de fornecer uma estimativa do módulo de elasticidade que é afetada pelo possível esmagamento do material, que se verifica nas zonas de contacto com os pratos da prensa. Outra dificuldade relativa a este método de ensaio é a 26 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ grande exigência na regularidade das faces de extremidade dos provetes. Sem um nivelamento adequado destas superfícies pode verificar-se uma rotura inválida dos mesmos, perdendo-se a relevância dos resultados obtidos. Refira-se que a necessidade de alisar a superfície dos provetes contribuiu para que alguns deles apresentassem esbeltezas inferiores ao recomendado, tendo em conta as prescrições da norma considerada. L b a) b) Figura 3.10: a) Esquema de ensaio de compressão, método 1; b) Fotografia de provete após a rotura. O método 2 consiste no ensaio de provetes mais alongados na máquina universal de ensaios de marca Instron. Estes ensaios assemelham-se aos ensaios de tração, consistindo a grande diferença no sentido do deslocamento das garras e no comprimento dos provetes: no caso destes ensaios, deve evitar-se comprimentos tão elevados como nos ensaios de tração, de forma a evitar os já referidos problemas de encurvadura. Refira-se que este método apenas foi considerado para provetes da alma orientados perpendicularmente às fibras, razão pela qual apenas foi aplicado aos perfis I200 e I400, pois o perfil I100 não apresenta altura suficiente para se obter provetes viáveis. O esquema de ensaio do método 2 apresenta algumas vantagens em relação ao esquema do método 1: desde logo a possibilidade de se fixar uma velocidade constante, embora se deva referir que esta vantagem está relacionada com a máquina utilizada e não com o método de ensaio; outra vantagem prende-se com a possibilidade de colar extensómetros aos provetes obtendo-se valores mais fiáveis para as extensões longitudinais (algo muito mais difícil de fazer para provetes de poucos centímetros); por fim, existe a vantagem de não haver influência nos resultados de imperfeições que possam existir nas faces de extremidade. Refira-se que se colaram sempre dois extensómetros, longitudinalmente, por provete instrumentado (um em cada face), podendo desta forma detetar-se problemas de encurvadura e diminuir o erro relativo a pequenos desvios na disposição dos extensómetros. Este método apresenta uma desvantagem óbvia em relação ao método 1, que se prende com uma necessidade consideravelmente superior de material. O esquema de ensaio empregue no método 2 encontra-se representado na figura 3.11. 27 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Refira-se, por fim, que os dois métodos devem ter finalidades distintas: o método 1 servirá principalmente para determinar o valor da tensão última e o método 2 tem a principal função de determinar o módulo de elasticidade, já que em termos de tensões últimas os resultados podem ser afetados pela ocorrência de fenómenos de instabilidade ou de escorregamento. L_aperto L_total vão a) b) Figura 3.11: a) Esquema de ensaios de compressão segundo o método 2; b) Fotografia de provete instrumentado. 3.3.3.3 – Geometria dos provetes O método 1 foi aplicado a provetes dos perfis I100, I200 e I400, sendo que as dimensões dos provetes foram baseadas na norma já referida [3]. Esta norma estipula um intervalo desejável para a esbelteza dos provetes, entre 11 e 16. Tentou-se aproximar as dimensões dos provetes ao limite inferior deste intervalo; este pormenor, aliado às correções posteriores às faces dos provetes, fez com que alguns provetes apresentassem esbeltezas inferiores ao intervalo considerado. Esta questão apenas se colocou para os perfis I100 e I400, já que para o perfil I200 se considerou uma esbelteza idêntica à utilizada em trabalhos anteriores [25]. Por fim, refira-se que se tentou adotar uma largura constante para os vários provetes, de 12,7 mm, como está estabelecido na norma seguida. Em relação ao método 2, não foram adotadas normas específicas (por não existirem), tendo-se seguido exigências similares aos ensaios de tração. As dimensões pretendidas para os provetes dos vários perfis e para ambos os métodos de ensaio considerados encontram-se na tabela 3.6; as dimensões de todos os provetes ensaiados estão apresentadas no Anexo 1.2. Tabela 3.6: Dimensões definidas para os provetes de compressão. Método 1 Perfil Espessura (mm) I100 Método 2 Largura (mm) Comprimento (mm) Esbelteza Largura (mm) Comprimento (mm) Vão livre (mm) 8 12,7 26 11,26 - - - I200 10 12,7 40 13,86 25 150 90 I400 15 12,7 41 11,18 25 200 100 28 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ Consideraram-se no total dez séries experimentais de compressão, oito para o método 1 e duas para o método 2. Apresentam-se na tabela 3.7 as várias séries experimentais. Refira-se que o perfil I400 é o único cujas dimensões permitem realizar todo o tipo de ensaios de compressão, incluindo a compressão transversal no banzo. Tabela 3.7: Séries experimentais ensaiadas à compressão. Método 1 Perfil Método 2 AL AT BL BT AT M2 I100 v v v x x I200 x v x x v I400 v v v v v 3.3.3.4 – Análise de resultados 3.3.3.4.1 – Método 1 Em primeiro lugar, apresentam-se os resultados obtidos a partir do método 1. No decurso desta campanha experimental, verificaram-se dois problemas distintos com os resultados: por um lado, ocorreram problemas de leitura que invalidaram alguns ensaios e, por outro lado, houve provetes que apresentaram roturas inválidas, devido principalmente à já referida questão das imperfeições nas faces de extremidade. Tentou-se resolver estas situações com o ensaio de um número superior de provetes. Na tabela 3.8 apresenta-se um balanço entre ensaios realizados e ensaios válidos, bem como o valor do coeficiente de variação relativo à tensão última (u). Tabela 3.8: Número de provetes ensaiados/válidos, nos ensaios de compressão (M1). Perfil Ensaio I100 I200 I400 c Nº Provetes Provetes válidos Coeficiente de variação (u ) CAL 7 5 19,91 % CAT 10 4 18,99 % CBL 6 4 21,09 % CAT 6 4 9,04 % CAL 8 5 27,43 % CAT 8 6 7,95 % CBL 9 8 32,14 % CBT 8 6 21,80 % Apresentam-se, de seguida, os resultados referentes ao perfil de menores dimensões, o perfil I100; para este perfil, ensaiaram-se três séries experimentais: provetes da alma na direção longitudinal e transversal (CAL e CAT) e provetes do banzo na direção longitudinal (CBL). Os resultados obtidos para o perfil I100 estão apresentados nas figuras 3.12 e 3.13. Refira-se que para a série I100 CAT é apresentado o resultado de um provete com uma rotura claramente inválida (I100-CAT-P3), optando-se por apresentar os resultados deste provete como 29 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ comparação com os restantes; nas restantes séries apenas se apresentam resultados relativos a provetes válidos, tendo-se normalizado o troço inicial dos gráficos, correspondente à adaptação da máquina ao provete. Nas figuras que se seguem, para a apresentação de resultados, os provetes apresentam-se com a nomenclatura “Px”. Os provetes do perfil I200 apresentam uma esbelteza superior aos restantes (tabela 3.6), tendo sido tomada esta opção para corresponder as dimensões dos provetes às consideradas em trabalhos anteriores [25]. Para este perfil, apenas se estudou uma série experimental, I200CAT, tendo-se considerado seis provetes (fig. 3.13). Os ensaios relativos aos provetes I200 forneceram valores para a tensão última inferiores ao que seria de esperar, tendo em conta trabalhos anteriores [14, 25]. Tal situação pode justificar-se pela ausência de um melhor aperfeiçoamento das extremidades, não se verificando, contudo, sinais de rotura inválida. a) b) Figura 3.12: Resultados dos ensaios de compressão: a) I100-CAL; b) I100-CBL. a) b) Figura 3.13: Resultados dos ensaios de compressão: a) I100-CAT; b) I200-CAT. (as figuras apresentam escalas distintas) 30 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ Na análise das figuras 3.12 a 3.15, pode constatar-se um comportamento aproximadamente elástico linear, nas várias séries experimentais. Por outro lado, pode notar-se uma diferença muito relevante nos resultados relativos a provetes longitudinais e transversais, nomeadamente em termos de tensões últimas. O perfil I400 foi o único a ser ensaiado na direção transversal dos banzos, pois o perfil I100 não possui dimensões para tal e apenas se considerou uma série experimental para o perfil I200. Os resultados dos vários ensaios de compressão ao perfil I400, segundo o método 1 estão apresentados nas figuras 3.14 e 3.15. Refira-se por fim, que dois dos provetes I400-CAT não foram normalizados, em termos do seu troço inicial, por se verificar uma aparente rotura inicial ligada ao menor aperfeiçoamento das faces de extremidade (figura 3.15 a)). a) b) Figura 3.14: Resultados dos ensaios de compressão: a) I400-CAL; b) I400-CBL. a) b) Figura 3.15: Resultados dos ensaios de compressão: a) I400-CAT; b) I400-CBT. (as figuras apresentam escalas distintas) 31 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Nas séries experimentais do perfil I400, referentes à direção longitudinal (figura 3.14), verificase uma dispersão muito superior, quando se comparam os resultados com os dois ensaios na direção transversal (figura 3.15). Nas séries longitudinais, podem identificar-se provetes com resultados muito superiores aos restantes, casos do provete I400-CAL-3 e dos provetes apresentados a azul na figura 3.14 (b): I400-CBL-P4,P6 e P9. Estas variações podem estar relacionadas não só com o aperfeiçoamento das faces de extremidade, mas também com variações no teor de fibra em diferentes zonas da secção do perfil. Vale ainda a pena referir que se voltou a verificar um comportamento elástico-linear tanto nas séries longitudinais como nas transversais (figuras 3.14 e 3.15). Na figura 3.16 (b) apresenta-se a rotura do provete I400-CBL-5: a diferença entre os danos da zona superior e inferior, além do enrugamento da face frontal do provete, indica uma imperfeição na extremidade superior que terá provocado uma rotura faseada. Na figura 3.16 (a) apresenta-se uma rotura válida (por delaminação), a do provete I400-CBL-4, o provete que atingiu a maior tensão última da sua série. Na figura 3.16 (c) apresenta-se ainda um gráfico comparativo (força/deslocamento) entre estes dois ensaios. a) b) c) Figura 3.16: Roturas apresentadas pelos provetes I400-CBL: a) I400-CBL-4; b) I400-CBL-5; c) Curvas força-deslocamento obtidas para ambos os provetes. 32 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ Na figura 3.16 (c) fica clara a diferença de comportamento mecânico entre provetes com uma rotura válida e uma rotura claramente inválida. Contudo, não se pode garantir que alguns provetes que tenham apresentado resultados inferiores à média, não tenham sido afetados por imperfeições nas suas faces de extremidade, mesmo apresentando uma curva tensãoextensão similar à apresentada pelo provete I400-CBL-4, na figura 3.16 (c). Outro fator de incerteza, já referido, é a possibilidade de ocorrência de pequenas imperfeições nas mantas de fibra que podem provocar variações relevantes nos resultados de diferentes provetes. 3.3.3.4.2 – Método 2 Este método só foi utilizado para duas séries experimentais: I200-CAT-M2 e I400-CAT-M2. No caso do perfil I200, consideraram-se seis provetes, três dos quais instrumentados com dois extensómetros cada. Para o perfil I400, devido a restrições de material, apenas se ensaiaram cinco provetes, quatro dos quais foram instrumentados. Os resultados obtidos para ambas as séries experimentais estão apresentados na figura 3.17. a) b) Figura 3.17: Resultados dos ensaios de compressão: a) I200-CAT-M2; b) I400-CAT-M2. Em relação ao perfil I400 havia o interesse em comparar os módulos de elasticidade transversais da alma, em tração e em compressão. Os provetes ensaiados à compressão apresentaram um módulo elástico superior em 35,5 % (5,53 vs 4,08 GPa). Na figura 3.18 apresenta-se a rotura de dois provetes ensaiados segundo este método. 3.3.3.4.3 – Resumo dos resultados experimentais de compressão Nas tabelas 3.9 a 3.11, apresenta-se um resumo dos vários resultados obtidos nos ensaios de compressão. Os resultados são apresentados em termos de valores médios e desvios padrão. É interessante verificar que o método 1 apresenta valores minorantes para o módulo de elasticidade transversal, quando comparado com o método 2; esta diferença pode ser constatada para os perfis I200 e I400, nas tabelas 3.10 e 3.11. Será interessante analisar no capítulo 4, em que se apresenta o estudo numérico, a adequabilidade dos valores obtidos 33 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ através destes dois métodos. Na tabela 3.10 apresenta-se ainda uma média secundária para a série I400-CBL, considerando apenas os provetes que apresentaram resultados de tensão última acima da média. Apresentou-se este resultado apenas para ilustrar melhor a elevada variação nos resultados, para as séries longitudinais do perfil I400, ensaiadas segundo o método 1 (situação já referida na secção 3.3.3.4.1). a) b) Figura 3.18: Roturas apresentadas pelos provetes CAT-M2: a) I200-CAT-M2-2; b) I400-CAT-M2-4. Tabela 3.9: Resultados dos ensaios de compressão ao perfil I100. Perfil I100 CAL u (MPa) u (% m/m) E (GPa) 271,9 ± 54,1 2,73 ± 0,09 14,0 ± 1,6 CAT 73,2 ± 12,8 3,08 ± 0,29 4,5 ± 0,4 CBL 277,2 ± 58,5 2,45 ± 0,17 17,3 ± 2,4 c c c Tabela 3.10: Resultados dos ensaios de compressão ao perfil I400. c Perfil I400 u (MPa) u (% m/m) E (GPa) CAL 204,7 ± 56,2 2,67 ± 0,41 12,2 ± 3,2 CAT 70,4 ± 5,6 2,36 ± 0,21 4,6 ± 0,5 CAT M2 51,4 ± 4,9 0,92 ± 0,10 5,5 ± 0,6 CBL 208,4 ± 67,0 2,60 ± 0,44 12,8 ± 3,2 CBL* 284,7 ± 32,6 2,92 ± 0,41 16,0 ± 1,7 CBT 46,9 ± 4,1 2,06 ± 0,24 * Apenas provetes acima da média. 3,6 ± 0,4 c c Tabela 3.11: Resultados dos ensaios de compressão ao perfil I200. Perfil I200 u (MPa) u (% m/m) c c c E (GPa) CAT 56,2 ± 5,8 1,65 ± 0,17 4,5 ± 0,8 CAT M2 59,1 ± 6,0 1,21 ± 0,22 5,1 ± 0,9 34 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ 3.3.4 – Ensaios de corte a 10º 3.3.4.1 – Introdução O propósito destes ensaios é determinar o valor da tensão de corte última (u) além do valor do módulo de distorção elástico (G). Estes ensaios requerem o corte de provetes orientados a 10º das fibras longitudinais. Para estes ensaios, seguiu-se a norma EN ISO 527-5 [24], além das recomendações de Hodgkinson [22]. Os provetes instrumentados apresentam três extensómetros dispostos em roseta, ou seja, um extensómetro na direção longitudinal do provete, outro na direção transversal e, por fim, um extensómetro orientado a 45º com o comprimento do provete; na figura 3.19 pode observar-se a disposição descrita. Para se determinar as grandezas já mencionadas é preciso aplicar fórmulas que relacionam a tensão axial do provete com as várias extensões medidas. Apresentam-se de seguida as fórmulas consideradas (expressões em 3.2 e 3.3), de acordo com Hodgkinson [22]. Refira-se por fim que o módulo elástico de distorção se obtém através da relação entre a tensão de corte (12) e a distorção relativa às direções principais do perfil (12). Vão livre L_aperto c 2 b b 1 y a x 10º L Figura 3.19: Disposição dos extensómetros no ensaio de corte a 10º. (3.2) (3.3) em que: b – largura do provete (mm); L – comprimento do provete (mm); xx – tensão na direção axial do provete (MPa); 11 – tensão na direção axial do perfil (MPa); 22 – tensão na direção transversal do provete (MPa); 12 – tensão de corte da alma do perfil (MPa); a – extensão na direção axial do provete (m/m); c – extensão na direção transversal do provete (m/m); 35 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ b – extensão medida pelo extensómetro b (m/m); – ângulo entre as fibras longitudinais e a orientação do provete (10 º). 3.3.4.2 – Procedimento experimental O método de ensaio consistiu em ensaiar os provetes à tração, tendo-se recorrido uma vez mais à máquina universal de ensaios de marca Instron. Considerou-se uma velocidade igual à considerada nos ensaios de tração, ou seja 2 mm/min. Hodgkinson sugere uma velocidade de 1 mm/min, contudo deve referir-se que as suas indicações se referem a laminados compósitos, cujas dimensões pouco têm a ver com os provetes analisados, especialmente os provetes do perfil I400. Um pormenor a ter em atenção no corte dos provetes é a marcação da orientação das fibras longitudinais, de forma a posicionar corretamente os extensómetros. 3.3.4.3 – Geometria dos provetes Nestes ensaios apenas se consideraram duas séries experimentais, uma para cada perfil ensaiado. No caso do perfil I400 houve material para cinco ensaios, quatro dos quais foram instrumentados. No caso do perfil I100 apenas foi possível produzir três provetes, todos instrumentados. Os provetes previstos para estes ensaios devem possuir um comprimento de pelo menos 25 cm, além de uma largura de 2,5 cm [24]; contudo, os provetes do perfil I400 foram cortados com um comprimento de 30 cm de forma a possibilitar um comprimento de aperto superior. Refira-se ainda que os provetes do perfil I100 apresentam um comprimento inferior ao desejável devido a limitações geométricas da secção. As dimensões idealizadas para os provetes estão apresentadas na tabela 3.12, enquanto todas as dimensões dos provetes ensaiados se encontram no Anexo 1.3. Tabela 3.12: Dimensões definidas para os provetes em ensaios de corte a 10º. Medida (mm) I100 I400 Comprimento (L) 220 300 Comprimento de aperto 50 50 Espessura (e) 8 15 Largura (b) 25 3.3.4.4 – Análise de resultados Os resultados obtidos para o material do perfil I400 são apresentados na figura 3.20, tendo-se obtido resultados consistentes entre os vários provetes. A partir da análise da figura 3.20 pode verificar-se a não linearidade das curvas que relacionam a força com o deslocamento e a tensão de corte com a distorção. Os resultados relativos ao perfil I100 podem ser analisados no Anexo 1.3.2. 36 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ a) b) Figura 3.20: Resultados obtidos para os provetes I400-BA: a) curva força-deslocamento; b) curva tensão de corte-distorção. Na figura 3.21 podem analisar-se dois provetes, após se atingir a rotura, sendo visível a rotura da manta superficial com uma orientação oblíqua face à direção axial do provete. Linha de rotura a) b) Figura 3.21: Exemplos de provetes ensaiados: a) I400-BA-4; b) I100-BA-3. Na tabela 3.13 pode constatar-se a boa consistência dos resultados obtidos, particularmente no que toca à tensão de corte máxima; o módulo de distorção elástico apresenta uma dispersão aceitável, tratando-se de um valor expectável, tendo em conta os valores habituais [4] e os já averiguados para outros perfis [14, 25]. Por outro lado, a tensão de corte obtida para o perfil I400 é inferior aos valores usuais. Tal como nos ensaios de tração a provetes dos banzos do perfil I100, os valores obtidos nestes ensaios de corte para o perfil I100 devem ser considerados apenas como valores indicativos, necessitando de uma campanha experimental complementar que confirme os valores agora obtidos. Na tabela 3.13 estão resumidos os resultados destes ensaios para ambos os perfis. 37 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Tabela 3.13: Resultados dos ensaios de corte a 10º. Perfil I100 I400 Média ± D. Padrão Provete u (MPa) 1 21,76 2 17,73 3 20,12 4,10 1 20,64 3,41 2 22,60 4,24 3 20,51 4 23,33 3,66 5 19,66 - G (GPa) Média ± D. Padrão 19,87 ± 2,03 21,35 ± 1,54 - 4,14 4,10* 3,86 ± 0,40 * Valor indicativo pois apenas houve um provete válido instrumentado. 3.3.5 – Ensaios de corte interlaminar 3.3.5.1 – Introdução O objetivo destes ensaios é determinar a força de corte interlaminar, ou seja, a resistência ao corte entre camadas do material. Para o procedimento experimental consultou-se a norma ASTM D 2344/D [2]. A força de corte não se obtém diretamente da leitura dos resultados dos ensaios, sendo necessário tratar os resultados; a norma seguida sugere a seguinte fórmula, (3.4) em que: Fcorte – força de corte interlaminar (MPa); R – resistência máxima do provete (N); b – largura do provete (mm); e – espessura do provete (mm). 3.3.5.2 – Procedimento experimental O esquema de ensaio está apresentado na figura 3.22. Os ensaios consistiram na aplicação de um carregamento a meio vão de provetes de comprimento reduzido. Para se realizar estes ensaios, utilizou-se a prensa Seidner Form Test já utilizada para realizar os ensaios de compressão, no entanto, recorreu-se à prensa de capacidade de 10 kN, pelo facto de esta permitir a aplicação do apoio utilizado (fig. 3.22). Para se realizarem os vários ensaios (perfis I100 e I400), empregou-se um apoio de comprimento variável, além de um defletómetro de curso de 25 mm de marca Apek. O defletómetro foi colocado perpendicularmente à superfície do apoio, como é visível na figura 3.22 (b). 38 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ e vão 4e e a) b) Figura 3.22: a) Esquema de ensaio; b) Fotografia dos esquipamentos de ensaio. Tal como nos ensaios de compressão, houve dificuldade em controlar a velocidade dos ensaios, pelas razões já apresentadas em 3.3.3. A norma seguida sugere uma velocidade de 1 mm/min, tendo-se verificado todavia uma velocidade média de 1,6 mm/min entre os vários ensaios. As velocidades de ensaio dos vários provetes ensaiados estão apresentadas no Anexo 1.4.1. 3.3.5.3 – Geometria dos provetes Nestes ensaios devem ensaiar-se provetes orientados segundo as fibras longitudinais dos perfis. Contudo, ensaiaram-se também provetes na direção transversal, pelo que será interessante comparar os modos de rotura em ambas as situações. Nestes ensaios, apenas se ensaiaram os perfis I100 e I400, tendo-se considerado seis séries experimentais, três para cada perfil. As séries experimentais correspondem a ensaios a provetes provenientes da alma, nas direções longitudinal e transversal (AL e AT), e ensaios a provetes provenientes do banzo, na direção longitudinal (BL); ensaiaram-se no mínimo seis provetes por série experimental. Na tabela 3.14 apresentam-se as dimensões dos provetes considerados para cada um dos perfis. Tabela 3.14: Dimensões dos provetes dos ensaios de corte interlaminar. Dimensões Expressão I100 I400 Largura (b) 2e 16 30 Espessura (e) - 8 15 Comprimento (L) 6e 48 90 Vão (l) 4e 32 60 (mm) 39 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ 3.3.5.4 – Análise de resultados No caso do perfil I100, completaram-se as três séries experimentais sem problemas; contudo, verificou-se que a prensa considerada não possuía força suficiente para levar os provetes I4002 AL e BL à rotura . Assim ensaiaram-se apenas os provetes I400-CIL-AT. Em relação aos provetes transversais, refira-se que estes apresentaram uma carga de rotura consideravelmente inferior à da direção longitudinal e uma rotura por corte do provete, ao invés de uma rotura por corte interlaminar. A comparação entre estes dois modos de rotura é apresentada na figura 3.23. Os resultados dos ensaios realizados estão resumidos na tabela 3.15, estando apresentados no Anexo 1.4.2. Tabela 3.15: Resumo dos ensaios de corte interlaminar. Série Experimental Força última (kN) Resistência ao corte interlaminar (MPa) I100 AT 1,48 - I100 AL 5,43 33,33 ± 1,44 I100 BL 5,66 36,07 ± 2,75 I400 AT 6,61 - a) b) Figura 3.23: Rotura de provetes: a) Rotura por corte do provete; b) Rotura por corte interlaminar. Através da análise da figura 3.23 pode verificar-se a diferença entre uma rotura por corte do provete, caracterizada por uma linha de rotura compreendida entre a zona de aplicação de carga e um dos apoios (fig. 3.23 (a)); e uma rotura por corte interlaminar, com a delaminação das várias camadas que constituem o material (fig. 3.23 (b)). 2 A realização dos ensaios relativos aos provetes I400 AL e BL fica dependente de um equipamento que permita a sua realização noutra máquina de ensaios (pode-se considerar 10 kN como um valor conservativo para a resistência destes provetes, correspondente a uma resistência ao corte interlaminar de cerca de 16 MPa). 40 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ Na tabela 3.15 apresentam-se os resultados para as séries experimentais relativas a provetes longitudinais e transversais; contudo, é importante relembrar que os únicos valores relevantes para a força de corte interlaminar são os fornecidos pelos ensaios a provetes longitudinais. Refira-se que os valores obtidos para as séries I100 AL e BL estão em linha com o que seria de esperar, tendo em conta trabalhos já realizados no IST [14, 25] e os valores usuais indicados na bibliografia para esta propriedade [4]. 3.3.6 – Ensaios de flexão 3.3.6.1 – Introdução Estes ensaios visaram determinar o módulo de elasticidade à flexão, além da tensão última do material. O esquema de ensaio é bastante similar ao esquema dos ensaios de corte interlaminar, com a diferença de se empregar um vão consideravelmente superior. Para a realização destes ensaios, seguiu-se a norma EN ISO 14 125 [15]; este documento sugere a obtenção das grandezas já referidas através do tratamento dos resultados dos ensaios com o recurso às expressões apresentadas em 3.5. A norma refere também que se devem adotar fórmulas corretivas se o deslocamento ultrapassar 0,1 L. (3.5) em que: u – tensão última (MPa); – extensão do provete (m/m); Efl – módulo de elasticidade em flexão (MPa); R – resistência máxima apresentada pelo provete (N); L – vão entre apoios (mm); b – largura dos provetes (mm); e – espessura dos provetes (mm); – deslocamento do provete na secção de carregamento (mm) F – variação da força aplicada entre = 0,005 e = 0,025; L – variação do deslocamento entre = 0,005 e = 0,025. 3.3.6.2 – Procedimento experimental Como se referiu, o procedimento experimental foi bastante similar aos ensaios de corte interlaminar (descritos na secção 3.3.5), tendo-se inclusivamente utilizado os mesmos equipamentos em ambos os casos. O ensaio consistiu em aplicar um carregamento a meio vão de um provete simplesmente apoiado. Na figura 3.24 apresenta-se um esquema deste tipo de ensaio. Verificou-se mais uma vez a impossibilidade de ensaiar os provetes com a velocidade prescrita na norma referida, 6 mm/min; os ensaios I100-FL-AL foram realizados a uma velocidade média 41 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ de 6,36 mm/min, enquanto os ensaios I100-FL-BL foram realizados a uma velocidade média de 9,24 mm/min. e vão 20e 5e a) b) Figura 3.24: a) Esquema de um ensaio de flexão; b) Rotura do provete I100-FL-BL-2. 3.3.6.3 – Geometria dos provetes No caso dos ensaios de flexão apenas se estudou o perfil I100; no caso do perfil I400 infelizmente não houve material suficiente, e, não se tratando de um ensaio essencial à análise do perfil em relação ao esmagamento, a sua realização não foi prosseguida. Em relação ao perfil I100, consideraram-se duas séries experimentais: provetes provenientes da alma e do banzo, em ambos os casos na direção longitudinal (AL e BL). Estes provetes apresentam um comprimento de 240 mm, um vão de 160 mm e uma largura de 15 mm. As dimensões dos provetes ensaiados apresentam-se no Anexo 1.5.1. 3.3.6.4 – Análise de resultados Os resultados relativos aos ensaios de flexão do perfil I100 estão apresentados na figura 3.25 e resumidos na tabela 3.16. Realizaram-se cinco ensaios válidos para a série I100-FL-AL e sete ensaios válidos para a série I100-FL-BL. Tabela 3.16: Resumo dos resultados dos ensaios de flexão. fl Série Experimental Velocidade (mm/min) Força última (kN) u (MPa) u (% m/m) E (GPa) I100-FL-AL 6,4 1,89 477,8±56,8 2,38±0,07 23,9±2,0 I100-FL-BL 9,2 1,60 410,1±57,4 2,00±0,32 25,8±3,8 fl 42 fl ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ a) b) Figura 3.25: Resultados dos ensaios: a) I100-FL-AL; b) I100-FL-BL. Na figura 3.25 pode notar-se um andamento linear nas curvas tensão-extensão, tanto para os provetes de alma como para provetes provenientes dos banzos. É também importante salientar a maior consistência dos resultados dos provetes AL. Por outro lado, é importante notar que os provetes BL apresentam um módulo de elasticidade superior e, simultaneamente, uma tensão última inferior. 3.3.7 – Resumo dos resultados obtidos na campanha de caracterização Apresenta-se, de seguida, um resumo da campanha experimental de caracterização, para os perfis I100 e I400. Os perfis analisados apresentaram limitações distintas, de ordem geométrica, necessidade de material, entre outras, razão pela qual os valores obtidos para algumas grandezas apenas são apresentados para um ou outro perfil. O resumo está apresentado nas tabelas 3.17 a 3.20. Tabela 3.17: Resultados dos ensaios de tração e compressão para o perfil I100. Perfil I100 AL AT BL Média D. Padrão Média D. Padrão Média D. Padrão t 18,50 0,70 - - 18,50 - c 14,01 1,59 4,53 0,35 17,26 2,43 E (GPa) E (GPa) t u (MPa) 426,15 23,86 - - 348,35 60,13 c u (MPa) 271,85 54,11 73,17 12,77 277,17 58,46 No caso do perfil I100 a campanha experimental foi limitada principalmente por condições geométricas para se obter provetes aceitáveis, situação que afetou os ensaios de tração e de corte por tração a 10º, por exemplo. Pelo contrário a caracterização do perfil I400, que apresenta dimensões que permitem qualquer tipo de ensaio, foi constrangida por limitações de material (não permitindo realizar o ensaio de flexão) e de equipamento, afetando os ensaios de corte interlaminar. 43 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Tabela 3.18: Resultados dos ensaios de corte a 10º, interlaminar e flexão do perfil I100. Alma Propriedade Banzo Média D. Padrão Média D. Padrão G (GPa) 4,10 - - - u (MPa) 19,87 2,03 - - 23,86 2,04 25,80 3,78 (MPa) 477,80 56,84 410,05 57,39 Fcorte (MPa) 33,33 1,44 36,07 2,75 fl E (GPa) fl u Tabela 3.19: Resultados dos ensaios de tração e compressão para o perfil I400. AL Propriedade AT BL BT Média D. Padrão Média D. Padrão Média D. Padrão t 27,89 1,49 4,08 0,55 36,87 3,01 - - c 12,21 3,24 5,53 0,62 12,82 3,19 3,57 0,36 u (MPa) t 296,01 24,15 28,39 3,08 338,63 34,44 - - c u 204,72 56,15 70,43 5,60 208,42 66,98 46,92 4,12 E (GPa) E (GPa) (MPa) Média D. Padrão Tabela 3.20: Resultados dos ensaios de corte a 10º para o perfil I400. Alma Propriedade Média D. Padrão G (GPa) 3,80 0,41 u (MPa) 20,99 1,38 Como nota final é importante recordar, que no caso dos ensaios de compressão do perfil I400, se considerou o módulo elástico fornecido pelo método de ensaio 2 e a tensão última fornecida pelo método de ensaio 1. No caso do perfil I100 apenas se aplicou o método 1, razão pela qual apenas se apresentam esses valores. Nas tabelas 3.21 a 3.23 resumem-se os valores mais relevantes de trabalhos anteriores [14, 25, 26] para a caracterização dos perfis I120 e I200. Tabela 3.21: Propriedades consideradas para o perfil I120, adaptada de [26]. EL ET GLT σL,t σL,c σT,t σT,c u (GPa) (GPa) (GPa) (-) (MPa) (MPa) (MPa) (MPa) (MPa) 28.9 8.5 3.89 0.279 308.6 360.3 121.0 121.0 30.8 44 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ Tabela 3.22: Propriedades obtidas a partir da dissertação de mestrado de Francisco Nunes [14]. Propriedade AL AT Média D. Padrão Média D. Padrão t 32,81 1,48 - - c 26,16 1,29 9,35 0,61 fl E (GPa) 22,16 1,57 - - t u E (GPa) E (GPa) (MPa) 396,6 26,6 - - u (MPa) c 495,1 53,7 130,1 11,67 fl 484,8 11,2 - - u (MPa) Propriedades relativas à alma Média Desvio Padrão G (GPa) 3,73 0,16 u (MPa) 30,59 0,94 Fcorte (MPa) 31,33 2,50 Tabela 3.23: Propriedades obtidas a partir da dissertação de mestrado de Manuel Correia [25]. Propriedade AL AT Média D. Padrão Média D. Padrão t 33,14 1,08 - - c 27,06 1,99 5,74 0,73 fl 24,01 1,68 - - E (GPa) E (GPa) E (GPa) t u (MPa) 375,37 11,01 - - u (MPa) c 434,37 51,42 92,56 16,08 fl 500,76 41,22 - - u (MPa) Propriedades relativas à alma Média Desvio Padrão G (GPa) 3,67 0,25 u (MPa) 24,38 0,79 Fcorte (MPa) 29,35 1,11 É importante referir que os resultados apresentados na figura 3.22, obtidos por Nunes [25], se referem a um perfil complementado com uma camada de CFRP num dos banzos, tratando-se de perfis de um lote diferente, situação que explicará a melhor aproximação dos resultados obtidos por Correia [14] (tabela 3.23) em relação aos perfis estudados nesta dissertação. Esta hipótese é reforçada pela comparação entre valores obtidos para o módulo de elasticidade c transversal (E - CAT), possibilitada pelas tabelas 3.11 (5,1 GPa), 3.22 (9,35 GPa) e 3.23 (5,74 GPa). 45 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ 3.4 – Ensaios de esmagamento 3.4.1 – Objetivos Esta campanha experimental visou determinar o comportamento dos vários perfis quando sujeitos à ação de cargas de compressão transversais ao seu eixo. Estes ensaios têm também o interesse de permitir validar fórmulas de dimensionamento existentes, ou novas fórmulas que se desenvolvam, além de poder calibrar modelos numéricos. Dentro destes objetivos foram analisadas principalmente duas grandezas, de forma a comparar o comportamento de diferentes provetes: a resistência, valor máximo de carga a que o provete resiste antes da rotura final; e a rigidez, que consiste no rácio entre a carga aplicada e o deslocamento medido. 3.4.2 – Séries experimentais Ensaiaram-se duas configurações distintas (ETF e ITF) e duas condições de apoio distintas (com e sem rótula esférica), conforme referido no subcapítulo 3.2.2. É também importante relembrar que se utilizaram três chapas distintas para a aplicação da carga, com comprimentos de 15, 50 e 100 mm. Para cada configuração de ensaio, foram testados pelo menos 3 provetes. Os provetes utilizados nos ensaios de esmagamento da alma foram cortados num comprimento igual ao dobro da sua altura (conferir tabela 3.1). A campanha experimental começou com a chapa de 50 mm, na disposição rotulada. Após alguns ensaios, a influência da rótula foi notória, facilitando a encurvadura dos provetes, pelo que apenas se ensaiaram três perfis nestas condições: I100, I120 e I200. Para os restantes comprimentos de carregamento não se considerou qualquer rótula no esquema de ensaio. A nomenclatura definida para os vários ensaios consiste na seguinte ordem de apresentação: 1 - Perfil; 2 - Configuração (ETF/ITF); 3 - Chapa de aplicação de carga (15, 50 e 100); 4 - Número do provete; 5 - Rotulado ou não (“r” / “-“). (Exemplo: I100-ETF-c50-x-r e I100-ITF-c50-x) Na apresentação de resultados, os ensaios estão numerados de 1 a 3, contudo deve referir-se que os ensaios não rotulados dos perfis I100, I120 e I200 seguiram uma numeração global, de 1 a 54, de forma a facilitar a identificação fotográfica dos provetes; para a apresentação de resultados, estes provetes foram renumerados de 1 a 3 para cada série experimental. Na tabela 3.23 apresenta-se um resumo dos ensaios realizados para os vários perfis, em função das configurações (ETF e ITF), das condições de apoio (rotulada ou não rotulada) e do comprimento das chapas de carregamento (15, 50 e 100 mm). 46 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ Tabela 3.24: Programa experimental. ETF Perfil ITF Rotulados Não rotulados Rotulados Não rotulados 15 50 100 15 50 100 15 50 100 15 50 100 I100 x v x v v v x v x v v v I120 x v x v v v x v x v v v I200 x v x v v v x v x v v v I400 x x x x x v x x x x x v 3.4.3 – Esquema de ensaio e procedimento experimental Os ensaios foram realizados no LERM, numa máquina universal de ensaios da marca Instron, com capacidade de 250 kN. As chapas de aço foram soldadas aos pratos da máquina, posicionando-se depois os provetes nas chapas. Os ensaios foram realizados em controlo de deslocamentos, tendo-se definido uma velocidade de 0,01 mm/s. Todos os dados (força aplicada e deslocamento entre pratos) foram registados através de um data logger e, posteriormente, gravados num ficheiro Excel. Utilizou-se uma taxa de aquisição de dados de 5 Hz para os ensaios rotulados, tendo-se depois utilizado uma taxa de 50 Hz para os ensaios não rotulados. Na figura 3.26 apresenta-se o esquema de ensaio, na configuração ETF (na configuração ITF a chapa de aplicação de carga estaria centrada com o provete, conforme apresentado em 3.2.2). Lcarreg e e Chapas de carregamento Chapas de carregamento h b L=2h Figura 3.26: Esquema de ensaio de esmagamento, na configuração ETF. Na figura 3.26 está presente a nomenclatura utilizada nesta dissertação no que toca às dimensões de provetes de ensaio: - e – espessura do provete (também apresentada como tw, quando referida à alma); - h – altura total do provete; 47 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ - L – comprimento do provete; - Lcarreg – comprimento de carregamento; - b – largura do provete. Os trabalhos mais relevantes para esta campanha experimental foram os de Borowicz e Bank [5, 6], embora nesses trabalhos se tenha estudado apenas a configuração IOF (figura 2.3, no capítulo 2). Foi a partir do estudo desses trabalhos que surgiu a dúvida sobre a necessidade de utilização de uma rótula, na ligação entre a máquina de ensaios e uma das chapas de carregamento. Nesses estudos a carga foi aplicada através de um cilindro de aço, com eixo perpendicular ao plano da alma, situação intermédia às contempladas nesta dissertação. Os provetes foram ensaiados até à rotura, ou seja, até ocorrer uma queda abrupta da força aplicada, deixando-se a máquina funcionar durante mais algum tempo para evidenciar os mecanismos de rotura. 3.4.4 – Resultados dos ensaios ITF 3.4.4.1 – Ensaios ITF rotulados 3.4.4.1.1 - I100-ITF-r Os ensaios rotulados abrangeram os perfis I100, I120 e I200, aplicando a carga com uma chapa de 50 mm de comprimento. O perfil I100 foi o perfil de menores dimensões a ser ensaiado, apresentando uma geometria algo particular, pois apresenta uma alma de maior espessura em relação às proporções dos restantes provetes; note-se que este perfil possui a alma menos esbelta a ser ensaiada. Os valores que se apresentam de seguida foram obtidos a partir do ficheiro Excel resultante do ensaio. Para determinar a rigidez, foi preciso escolher um troço adequado, independente do ajuste inicial da máquina e do próprio sistema de ensaio. Os gráficos apresentados nas secções seguintes já estão formatados para não apresentarem os troços iniciais não lineares, facilitando a interpretação e comparação dos diferentes resultados; refira-se que para se fazer esta homogeneização completou-se o gráfico com o declive do troço reto (a rigidez) entre a origem e 10 kN. Na figura 3.27 apresenta-se os resultados obtidos para o perfil I100, podendose perceber a diferença entre gráficos originais (a) e tratados (b). É interessante registar que a pequena perturbação que se identifica nos três gráficos, para uma carga próxima dos 26 kN, coincide aproximadamente com os primeiros estalidos audíveis no provete (fig. 3.27). Os provetes exibiram um comportamento praticamente linear até cargas próximas da carga de rotura, exibindo um comportamento moderadamente não linear para cargas próximas da rotura. 48 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ a) b) Figura 3.27: Curvas força-deslocamento dos ensaios I100-ITF-r: a) originais; b) tratados. Os primeiros dois provetes apresentaram um modo de rotura semelhante e com aparente influência da rótula esférica, tendo-se formado fraturas na alma em zonas próximas de ambos os banzos, até ao ponto em que o provete instabiliza (fig. 3.28 a)). O provete I100-ITF-c50-3-r apresentou um modo de rotura distinto, tendo-se formado uma grande fratura a cerca de um terço da altura da alma, uma fratura na diagonal (fig. 3.28 b)). O pormenor que melhor diferencia os dois casos tem a ver com a inclinação final da chapa ligada à rótula esférica. a) I100-ITF-c50-1-r b) I100-ITF-c50-3-r Figura 3.28: Fotografias da rotura de provetes I100-ITF-c50-r. 3.4.4.1.2 - I120-ITF-r Apresenta-se de seguida os ensaios do perfil I120, o qual, apesar de ter uma altura e largura muito próximas do anterior (numa proporção de 1,2), apresenta uma espessura inferior. Devese também ter em conta que o perfil I120 é o único produzido pela Fiberline Composites. Os resultados obtidos para este perfil estão apresentados na figura 3.29. É importante notar que o perfil I120 apresenta valores inferiores para a resistência, além de valores ligeiramente inferiores para a rigidez, em relação ao perfil I100. A comparação com os ensaios não rotulados mostrará que este aspeto se deve à rótula esférica e à sua maior 49 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ influência para maiores esbeltezas da alma. Neste caso, não foi possível relacionar os primeiros estalidos audíveis com qualquer alteração de rigidez nos gráficos da figura 3.29 (a). a) b) Figura 3.29: a) curvas força-deslocamento da série I120-ITF-c50-r, b) Rotura do provete I120ETF-c50-3-r. Todos os provetes deste perfil apresentaram o mesmo modo de rotura, similar aos dois primeiros provetes do perfil I100: os provetes instabilizaram devido à influência da rótula, apresentando também fissuras próximas dos banzos (fig. 3.29 (b)). 3.4.4.1.3 - I200-ITF-r O perfil I200 tem semelhanças com os dois perfis já ensaiados, pois foi fornecido pela mesma empresa que forneceu o perfil I100, mas apresenta uma geometria proporcional à do perfil I120. Em qualquer caso, seria expectável que o perfil I200 atingisse valores superiores de resistência e rigidez devido às suas maiores dimensões. Os resultados dos ensaios a este perfil apresentam-se na figura 3.30 (a). Na figura 3.30 (b) apresenta-se a rotura de um dos provetes ensaiados nesta série experimental. Como esperado, verificou-se um aumento significativo da resistência, em relação a ambos os perfis anteriores. Por outro lado, a rigidez do perfil não aumentou significativamente. O modo de rotura assemelhou-se ao do perfil I120, com clara influência da rótula, como é observável na figura 3.30 (b). Tal como para o perfil I120, não se consegue identificar nos gráficos algum ponto que se possa relacionar com os primeiros estalidos audíveis no material. 50 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ a) b) Figura 3.30: a) curvas força-deslocamento da série I200-ITF-c50-r; b) rotura do provete I200ITF-c50-1-r. 3.4.4.1.4 – Resumo dos resultados rotulados para a configuração ITF Na tabela 3.25 apresenta-se um resumo dos resultados obtidos para a configuração ITF rotulada, apresentando-se a força última ou resistência (como “R”) e a rigidez (como “K”). Deve referir-se que os ensaios rotulados não foram tão aprofundados como os não rotulados, pela sua menor relevância para aplicações reais, para além da limitação que se prendeu com o material disponível (e que limitou a quantidade de ensaios com estas condições de apoio). Tabela 3.25: Resultados dos ensaios ITF rotulados. Perfil I100 I120 I200 1r Resistência (R) (kN) 39,08 2r 43,93 3r 42,02 27,34 1r 32,57 31,73 2r 34,78 3r 29,36 29,18 1r 77,13 31,86 2r 72,79 3r 68,59 Provete Média (kN) 41,67 ± 2,44 32,24 ± 2,73 72,84 ± 4,27 Rigidez (K) (kN/mm) 29,57 32,15 25,73 32,49 Média (kN/mm) 29,69 ± 2,41 28,88 ± 3,01 31,73 ± 0,84 30,83 Há duas tendências a registar nestes resultados: por um lado, houve um decréscimo na resistência do perfil I100 para o I120, que pode ser relacionado com a maior esbelteza da alma do segundo; por outro lado, há um aumento significativo de resistência entre os perfis I100 e I120 e o perfil I200, que se poderá relacionar com as maiores dimensões do último. Por outro lado, os vários perfis apresentaram uma rigidez semelhante na configuração rotulada. Na figura 51 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ 3.31 apresenta-se uma comparação entre provetes dos três perfis, tendo-se escolhido os provetes com comportamento intermédio de cada série (I100-ITF-c50-3r, I120-ITF-c50-1r e I200-ITF-c50-2r). Figura 3.31: Comparação entre curvas força-deslocamento de provetes representativos das séries ITF-c50-r. A partir da análise da figura 3.31 pode verificar-se novamente a linearidade das curvas forçadeslocamento praticamente até à rotura, para os três perfis analisados. Por outro lado é também visível a grande diferença no comportamento dos provetes provenientes do perfil I200 em relação aos restantes, em particular no que se refere à resistência. 3.4.4.2 – Ensaios ITF não rotulados 3.4.4.2.1 - I100-ITF Para a chapa de 50 mm, obtiveram-se os resultados resumidos na figura 3.32. Refira-se que na figura 3.32 apresenta-se também os resultados rotulados de forma a permitir uma comparação direta entre resultados nas duas disposições (rotulada (a) e não rotulada (b)). Pode concluir-se que para este perfil, nesta configuração, a rótula não teve um efeito significativo, uma vez que tanto os valores de resistência como os de rigidez foram muito próximos nos dois casos. Os resultados obtidos para as chapas de carregamento de 15 e 100 mm estão apresentados na figura 3.33. 52 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ a) b) Figura 3.32: Curvas força-deslocamento das séries: a) I100-ITF-c50-r; b) I100-ITF-c50. Quando se aplicou uma chapa de aço mais curta (neste caso muito próxima da carga concentrada), tanto a resistência como a rigidez dos provetes diminuíram de forma significativa. A passagem de uma chapa de 15 mm para uma de 50 mm implicou um aumento de cerca de 38% em termos de resistência e de 62% em termos de rigidez. Esta tendência ficou mais uma vez comprovada quando se analisam os resultados relativos à chapa de carregamento de 100 mm, notando-se mais uma vez um crescimento considerável, tanto de resistência como de rigidez. a) b) Figura 3.33: Curvas força-deslocamento das séries: a) I100-ITF-c15; b) I100-ITF-c100. O modo de rotura deste perfil, nesta configuração, variou entre duas situações distintas, dependendo do comprimento das chapas de carregamento. No caso dos provetes ensaiados com uma chapa de 15 mm, podem identificar-se deformações na alma, a pouca distância dos banzos (no máximo a um quarto da altura do perfil), deformações que se podem relacionar com 53 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ uma rotura na ligação entre o banzo e a alma; refira-se que estas deformações são visíveis na proximidade de ambos os banzos (fig. 3.34 (a)). No caso da chapa de carregamento de 50 mm, um dos provetes (I100-ITF-c50-2) apresentou uma rotura similar à descrita para a chapa anterior. Os restantes apresentaram deformações mais assinaláveis a meia altura da alma. Este modo de rotura é similar ao apresentado pelos provetes carregados com as chapas de 100 mm (fig. 3.34). a) I100-ITF-c15-2 b) I100-ITF-c50-2 c) I100-ITF-c50-3 d) I100-ITF-c100-1 Figura 3.34: Modos de rotura dos provetes I100-ITF. Apresenta-se na tabela 3.26 um resumo dos resultados obtidos para o perfil I100, salientandose o facto de os parâmetros de dispersão se encontrarem dentro de um intervalo bastante aceitável para um material como o GFRP. Na figura 3.35 apresenta-se uma comparação entre provetes ensaiados pelas três chapas de carregamento. 54 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ Tabela 3.26: Resumo dos resultados obtidos para o perfil I100 na configuração ITF, não rotulada. Chapa 1 Resistência (R) (kN) 31,68 2 28,41 3 29,35 17,71 1 43,00 28,98 2 42,84 3 37,51 29,13 1 64,31 38,69 2 53,80 3 51,38 Provete 15 mm 50 mm 100 mm Média (kN) 29,81 ± 1,68 41,11 ± 3,12 56,50 ± 6,88 Rigidez (K) (kN/mm) 18,56 18,00 30,02 43,62 Média (kN/mm) 18,09 ± 0,43 29,37 ± 0,56 40,08 ± 3,09 37,94 Figura 3.35: Comparação entre curvas força-deslocamento de provetes representativos, dos vários comprimentos de chapa, para o perfil I100. A análise da figura 3.35 permite verificar um aumento consistente, em termos de resistência e de rigidez, com a passagem de um comprimento de carregamento de 15 para 50 mm e de 50 para 100 mm (aumentos de resistência semelhantes, na ordem de 37 %). Pode-se também notar uma linearidade crescente, nas curvas força-deslocamento, com o aumento do comprimento de carregamento; este fenómeno estará associado à menor influência do esmagamento localizado do material sob a chapa de carregamento. 3.4.4.2.2 - I120-ITF Os resultados dos ensaios I120-ITF-c50 são apresentados na figura 3.36, onde se apresenta também os resultados rotulados de forma a possibilitar uma comparação. Neste ensaio é de salientar a grande proximidade entre os valores obtidos para os três provetes (fig. 3.36 b)). 55 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ a) b) Figura 3.36: Curvas força-deslocamento das séries: a) I120-ITF-c50-r; b) I120-ITF-c50. Deve salientar-se a diferença entre os resultados apresentados na figura 3.36 (b) em relação aos resultados rotulados (fig. 3.36 (a)), notando-se neste caso uma influência clara da rótula. A influência da rótula é particularmente notória pelo facto de o perfil I120 apresentar valores inferiores de resistência em relação ao perfil I100, quando ensaiado na configuração rotulada, apresentando contudo valores mais elevados para esse mesmo parâmetro na configuração não rotulada. Na figura 3.36 pode-se ainda notar a maior linearidade dos ensaios em que não se empregou a rótula. Os resultados obtidos para as chapas de carregamento de 15 mm e 100 mm na configuração não rotulada estão apresentados na figura 3.37. a) b) Figura 3.37: Curvas força-deslocamento das séries: a) I120-ITF-c15; b) I120-ITF-c100. Como seria de esperar, volta-se a constatar um decréscimo das propriedades do provete quando se reduz o comprimento da chapa (fig. 3.35 (a)). É importante destacar a maior 56 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ resistência deste perfil em relação ao I100, apesar da sua menor espessura. Por outro lado, as rigidezes medidas, sendo superiores às medidas no perfil I100, são muito próximas. No caso do perfil I120, podem destacar-se três modos de rotura aparentemente distintos. Para a chapa de aplicação de carga de 15 mm, parece verificar-se o mesmo modo de rotura que se verificou para o perfil I100, quando carregado pela mesma chapa de carregamento, ou seja, deformações de dimensão reduzida nas zonas da alma próximas dos banzos (fig. 3.38 (a)). No caso dos provetes carregados pela chapa de 50 mm podem identificar-se deformações similares às anteriores, embora com um formato curvo (fig. 3.38 (b)). No caso dos provetes carregados com a chapa de maior comprimento verificaram-se dois modos de rotura distintos: nos provetes I120-ITF-c100-1 e 2, a rotura ocorreu na alma, aproximadamente a meia altura, apresentando os provetes deformações assinaláveis (fig. 3.38 (c)); o provete I120-ITF-c100-3 encurvou claramente, apresentando fissuras nas proximidades de ambos os banzos e uma grande deformação em arco (fig. 3.38 (d)). O facto de os três provetes da série I120-ITF-c100 terem apresentado danos visíveis na zona central da alma e curvas força deslocamento similares, sugere que os provetes I120-ITF-c100-1 e 2 também tenham atingido a rotura devido a fenómenos de instabilidade. O estudo numérico apresentado no capítulo 4 poderá ajudar a confirmar esta hipótese. Apresenta-se por fim, na tabela 3.27 e na figura 3.39, um resumo dos resultados da série I120-ITF. a) I120-ITF-c15-1 b) I120-ITF-c50-2 c) I120-ITF-c100-1 d) I120-ITF-c100-3 Figura 3.38: Mecanismos de rotura apresentados por provetes I120-ITF. 57 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Tabela 3.27: Resumo dos resultados obtidos para o perfil I120 na configuração ITF, não rotulada. Chapa 15 mm 50 mm 100 mm Provete Resistência (R) (kN) 1 32,58 2 33,15 3 30,79 20,06 1 50,55 32,08 2 54,00 3 51,32 32,33 1 71,74 45,99 2 83,03 3 76,15 Média (kN) Rigidez (K) (kN/mm) Média (kN/mm) 20,11 32,17±1,23 51,96±1,81 76,97±5,69 20,16 32,04 46,01 20,11±0,05 32,15±0,15 46,07±0,12 46,21 Figura 3.39: Comparação entre curvas força-deslocamento de provetes representativos dos vários comprimentos de carregamento para o perfil I120. A figura 3.39 ilustra a grande diferença provocada pelo aumento do comprimento de carregamento, tanto em termos de resistência como de rigidez. De facto o perfil I120 foi aquele que apresentou uma maior evolução em função do comprimento de carregamento, apresentando um aumento relativo, entre as chapas de 15 e 100 mm, de 139 % em termos de resistência e de 129 % em termos de rigidez. Estes resultados são particularmente relevantes pelo facto de o perfil I120 apresentar uma altura ligeiramente superior ao perfil I100, e uma alma mais esbelta. 3.4.4.2.3 - I200-ITF Como foi referido, para este perfil, utilizou-se material de dois lotes distintos, ambos provenientes da Alto Perfis Pultrudidos, Lda. Os provetes provenientes do segundo lote estão 58 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ assinalados com um asterisco (*). Os resultados obtidos para a chapa de 50 mm estão apresentados na figura 3.40, apresentando-se mais uma vez a comparação com os ensaios rotulados. a) b) Figura 3.40: Curvas força-deslocamento das séries: a) I200-ITF-c50-r; b) I200-ITF-c50. Neste caso foi realizado um ensaio suplementar pois ocorreu uma anomalia com um dos provetes ensaiados. O primeiro provete I200-ITF-c50-3* a ser ensaiado (posteriormente rebatizado de 3*’) foi ensaiado normalmente, contudo ocorreu uma anomalia na leitura dos deslocamentos, pelo que não foi possível determinar a rigidez do provete. Como a leitura do carregamento não foi comprometida, apresenta-se também esse resultado na tabela de resumo. No entanto, daqui por diante, nas análises que serão efetuadas apenas se contabilizarão os três ensaios sem anomalias, ilustrados na figura 3.40 (b). Como seria de esperar, constatou-se um aumento de resistência relevante nos ensaios ao perfil I200, em relação aos perfis anteriores. Por outro lado, verificou-se mais uma vez a grande influência da rótula nesta configuração: os valores de resistência dos ensaios rotulados correspondem a cerca de 66% dos não rotulados. Refira-se também que a diferente proveniência dos provetes não parece ter tido grande relevância em termos de resistência, no entanto ambos os provetes do segundo lote apresentam uma rigidez ligeiramente superior à do provete proveniente do lote original. Os resultados obtidos para as chapas de carregamento de 15 e 100 mm estão apresentados na figura 3.41. 59 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ a) b) Figura 3.41: Curvas força-deslocamento das séries: a) I200-ITF-c15; b) I200-ITF-c100. Na figura 3.41 ocorreu outro erro de leitura de deslocamentos, embora neste caso tenha sido possível obter um valor para a rigidez do provete, pelo troço anterior à anomalia. Salienta-se que a série I200-ITF-c100 é aquela cujos provetes atingiram os maiores valores de resistência, no entanto o perfil I120 atingiu valores mais elevados de rigidez para a chapa de carregamento de 100 mm. De facto, o perfil I200 mostra uma evolução de resistência mais significativa do que de rigidez, em função do comprimento das chapas. O perfil I200 apresentou sempre o mesmo modo de rotura, pela ligação banzo-alma, com exceção de dois provetes, carregados com a chapa de 15 mm, que indiciaram uma imperfeição ao nível do banzo (I200-ITF-c15-2 e 3). Refira-se que estas imperfeições nos dois provetes referidos poderão explicar a diferença de rigidez registada entre os mesmos e o provete sem imperfeição (I200-ITF-c15-1*). Esta imperfeição ao nível dos banzos poderá também explicar o andamento das curvas força-deslocamento destes provetes, que sugere uma rotura mais gradual do que a observada nos restantes provetes (figura 3.41 (a)). Contudo, não se verifica uma diferença muito expressiva entre os provetes desta série em termos de resistência. Os mecanismos de rotura são ilustrados nas figuras 3.42 e 3.43. Os resultados deste perfil são apresentados de forma sumária na tabela 3.28 e na figura 3.44. 60 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ a) I200-ITF-c15-1 b) I200-ITF-c15-3 Figura 3.42: Mecanismos de rotura evidenciados pelos provetes I200-ITF-c15. a) I200-ITF-c50-1 b) I200-ITF-c100-1 Figura 3.43: Mecanismos de rotura evidenciados pelos provetes I200-ITF-c50 e c100. Tabela 3.28: Resumo dos resultados obtidos para o perfil I200 na configuração ITF, não rotulada. Chapa 15 mm 50 mm 100 mm 1* Resistência (R) (kN) 71,78 2 67,45 3 64,25 22,42 1 109,30 31,14 2* 105,25 3* 112,72 3*' 116,42 - 1 159,47 44,00 2 161,72 3* 162,83 Provete Média (kN) 67,83±3,78 110,92±5,69 161,34±1,71 Rigidez (K) (kN/mm) 26,11 22,41 35,85 34,46 42,98 44,98 61 Média (kN/mm) 23,65±2,13 33,82±0,98 43,99±1,00 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Figura 3.44: Comparação entre curvas força-deslocamento de provetes representativos das várias chapas de aplicação de carga para o perfil I200. O perfil I200, tal como os anteriores, evidencia uma grande influência do comprimento de carregamento. No entanto, este perfil apresentou uma evolução mais acentuada em termos de resistência, um aumento relativo de 137 % entre as chapas de 15 e 100 mm, enquanto em termos de rigidez se verificou apenas um aumento de 86 %, entre as mesmas chapas de carregamento. Por outro lado, nas figuras 3.41 e 3.44, pode notar-se a maior linearidade das curvas força-deslocamento, com o aumento do comprimento de carregamento. 3.4.4.2.4 - I400-ITF Os provetes do perfil I400 são os que apresentam as maiores dimensões desta campanha experimental; este fator jogará a favor da sua resistência; contudo, não se pode desprezar o facto de estes provetes apresentarem as almas mais esbeltas. Como referido, estes provetes apenas foram ensaiados com as chapas de carregamento de maior comprimento (100 mm), situação justificada pelo material disponível, a par do elevado comprimento de cada provete (80 cm). Os resultados obtidos estão apresentados na figura 3.45 e na tabela 3.29. Estes provetes apresentaram uma menor resistência do que os provetes do perfil I200, o que contraria a tendência até agora evidenciada pelos restantes perfis. É importante referir que no caso destes provetes a rotura ocorreu aparentemente devido a danos nas zonas da alma próximas dos banzos. 62 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ a) b) Figura 3.45: a) curvas força-deslocamento da série I400-ITF-c100; b) fotografia da rotura do provete I400-ITF-2. A elevada esbelteza deste perfil parece corroborar a hipótese de ocorrência de fenómenos de instabilidade. Por outro lado, os valores obtidos para a resistência dos provetes também o sugere; contudo, nos ensaios realizados, não se conseguiram discernir grandes deformações, que sugerissem a ocorrência desse tipo de fenómenos. Na figura 3.42 apresenta-se também uma fotografia em que se pode observar os danos após a rotura de um provete ensaiado nestas condições. Tabela 3.29: Resultados obtidos para os provetes I400-ITF-c100. Provete 1 2 3 Média D. Padrão C. Var Resistência (R) (kN) 119,60 133,27 128,91 127,26 6,98 5,5% Rigidez (K) (kN/mm) 40,64 42,13 36,23 39,67 3,07 7,7% Como nota final, refere-se que os resultados dos ensaios relativos a todos os perfis estão apresentados no Anexo 2.1, de forma a facilitar uma comparação entre comprimentos de carregamento ou entre diferentes perfis. 63 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ 3.4.5 – Resultados dos ensaios ETF 3.4.5.1 – Ensaios ETF rotulados 3.4.5.1.1 – I100-ETF-r Apresenta-se na figura 3.46 os resultados obtidos para o perfil I100 (originais (a) e tratados (b)). Será interessante comparar a influência da rótula neste caso pois na configuração ITF verificou-se uma influência pouco relevante para este perfil. É importante relembrar que os ensaios rotulados apenas contemplaram uma chapa de aplicação de carga, a chapa de 50 mm de comprimento. a) b) Figura 3.46: Curvas força-deslocamento da série I100-ETF-r: a) originais; b) tratados. Os modos de rotura verificados são apresentados na figura 3.47, voltando a verificar-se os mesmos mecanismos, ou seja, a instabilização devido à presença da rótula (provetes I100ETF-c50-1-r e 3-r), tendo-se também verificado um caso (provete I100-ETF-c50-2-r), em que as chapas de carregamento se mantiveram praticamente paralelas, apresentando o provete uma grande deformação a meia altura, além de fissuras mais pequenas perto da ligação banzoalma. a) I100-ETF-c50-1-r b) I100-ETF-c50-2-r Figura 3.47: Modos de rotura dos provetes: a) I100-ETF-c50-1-r; b) I100-ETF-c50-2-r. 64 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ 3.4.5.1.2 – I120-ETF-r Apresenta-se na figura 3.48 os resultados obtidos para o perfil I120. a) b) Figura 3.48: a) curvas força-deslocamento da série I120-ETF-r; b) rotura do provete I120-ETFc50-1-r. Confirma-se a tendência constatada na configuração ITF, na medida em que o perfil I120 apresenta valores de resistência mais reduzidos do que o perfil I100 quando ensaiado na configuração rotulada. Convém acrescentar que no caso deste perfil a rotura aconteceu sempre da mesma forma, devido à instabilidade causada pela rótula (fig. 3.48 (b)). 3.4.5.1.3 – I200-ETF-r Os resultados obtidos para a configuração ETF estão apresentados na figura 3.49, onde também se ilustra o modo de rotura do provete I200-ETF-c50-1-r (figura 3.49 (b)). a) b) Figura 3.49: a) curvas força-deslocamento da série I200-ETF-c50-r; b) modo de rotura do provete I200-ETF-c50-1-r. 65 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Nestes ensaios identificaram-se dois modos de rotura distintos: o provete I200-ETF-c50-1-r encurvou claramente (fig. 3.49 (b)), apresentando danos na zona da alma (o papel da rótula terá sido relevante), enquanto o provete I200-ETF-c50-2-r não instabilizou apresentando danos na alma (fig. 3.50 (a)), na proximidade de um dos banzos, podendo-se considerar uma rotura pela ligação banzo-alma. O provete I200-ETF-c50-3-r apresentou uma rotura com semelhanças à rotura apresentada pelo provete I200-ETF-c50-2-r (fig. 3.50 (b)), contudo a leitura dos resultados indica também uma rotura por encurvadura. Refira-se que é natural que a encurvadura seja mais clara no provete I200-ETF-c50-1r, devido ao retardamento do final do ensaio, tornando as deformações mais visíveis. a) I200-ETF-c50-2-r b) I200-ETF-c50-3-r Figura 3.50: Modos de rotura dos provetes I200-ETF-c50-r. 3.4.5.1.4 – Resumo dos ensaios ETF rotulados Apresenta-se na tabela 3.30 e na figura 3.51, um resumo dos resultados obtidos para a configuração ETF rotulada. Tabela 3.30: resultados dos ensaios rotulados ETF-c50-r. Perfil I100 I120 I200 1r Resistência (R) (kN) 23,73 2r 23,57 3r 27,45 22,72 1r 19,57 21,13 2r 18,47 3r 18,43 19,92 1r 40,95 21,38 2r 54,09 3r 36,44 Provete Média 24,92 ± 2,19 18,82 ± 0,65 43,83 ± 9,17 Rigidez (K) (kN/mm) 22,21 18,17 19,86 19,32 21,39 66 Média 21,03 ± 2,49 20,30 ± 0,72 20,70 ± 1,20 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ Figura 3.51: Comparação entre curvas força-deslocamento de provetes representativos das séries ETF-c50-r. Através da análise da tabela 3.30 e da figura 3.51, pode constatar-se um comportamento relativo muito semelhante ao registado na configuração ITF, com o perfil I100 a apresentar valores de resistência ligeiramente superiores ao perfil I120, apresentando o perfil I200 uma resistência média muito superior aos restantes perfis. É ainda importante relevar que o perfil I100 apresenta a maior rigidez média, situação que se poderá relacionar com a sua alma, muito pouco esbelta, tratando-se de um fator importante numa configuração tão instável como a dos ensaios ETF rotulados. 3.4.5.2 – Ensaios ETF não rotulados 3.4.5.2.1 – I100-ETF Em relação aos resultados do perfil I100, é interessante comparar a influência da rótula, pois na configuração ITF essa influência foi bastante reduzida. Na figura 3.52 apresentam-se os resultados rotulados e não rotulados para se poder averiguar a influência da rótula no comportamento dos provetes do perfil I100, na configuração ETF. a) b) Figura 3.52: Curvas força-deslocamento para as séries: a) I100-ETF-c50-r; b) I100-ETF-c50. 67 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Como se pode observar na figura 3.52, a rótula influenciou significativamente os resultados dos ensaios ETF, quer em termos de resistência como de rigidez. O facto de esta situação se verificar na configuração ETF e não na configuração ITF pode ser explicado pela maior estabilidade da segunda, aproximando a carga crítica da resistência do provete. Na figura 3.53, apresentam-se os resultados obtidos para as restantes chapas de aplicação de carga. a) b) Figura 3.53: Curvas força-deslocamento das séries: a) I100-ETF-c15; b) I100-ETF-c100. Refira-se que ocorreu um problema de leitura de deslocamentos no ensaio I100-ETF-c100-2 (fig. 3.53), tendo-se apenas aproveitado o valor obtido para a resistência do provete. Por outro lado, pode verificar-se na figura 3.53 a maior linearidade das curvas força-deslocamento para o comprimento de carregamento de 100 mm; de facto, confirma-se a tendência, já apontada na configuração ITF, de um maior comprimento de carregamento provocar uma maior linearidade no comportamento do provete (em curvas força-deslocamento); a não linearidade verificada pode ser relacionada com o esmagamento localizado sob as chapas de carregamento ou com fenómenos de instabilidade. Em termos de modos de rotura, os provetes I100-ETF-c50-1 e 3 apresentaram danos em zonas da alma próximas dos banzos; no caso do provete I100-ETF-c50-1, os danos ocorreram na proximidade de ambos os banzos; já no caso do provete I100-ETF-c50-2, os danos ocorreram na zona central da alma. Os provetes I100-ETF-c15 apresentaram danos em zonas da alma próximas dos banzos; esta situação foi notória nos 3 provetes. Por fim, os provetes carregados com a chapa de 100 mm apresentaram dois modos de rotura distintos: o provete I100-ETF-c100-1 apresentou danos na alma numa zona próxima do banzo inferior; os provetes I100-ETF-c100-2 e 3 apresentaram deformações consideráveis na zona central da alma. É importante esclarecer que os modos de rotura verificados se enquadram numa rotura por esmagamento, não se verificando sinais de instabilidade. Nas figuras 3.54 a 3.56 apresentamse os vários modos de rotura detetados para as várias chapas de carregamento empregues. 68 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ a) I100-ETF-c15-1 b) I100-ETF-c15-3 Figura 3.54: Modos de rotura dos provetes I100-ETF-c15. a) I100-ETF-c50-2 b) I100-ETF-c50-3 Figura 3.55: Modos de rotura dos provetes I100-ETF-c50. c) I100-ETF-c100-1 d) I100-ETF-c100-2 Figura 3.56: Modos de rotura dos provetes I100-ETF-c100. Os resultados obtidos para os vários provetes testados nesta configuração estão apresentados na tabela 3.31, apresentando-se também uma comparação gráfica de provetes representativos das 3 séries experimentais na figura 3.57. 69 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Tabela 3.31: Resumo dos resultados do perfil I100 na configuração ETF, não rotulada. Chapa 15 mm 50 mm 100 mm 1 Resistência (R) (kN) 15,71 2 20,35 3 14,23 11,19 1 30,87 23,64 2 47,67 3 36,16 24,13 1 41,62 36,06 2 45,73 3 49,09 Provete Média Rigidez (K) (kN/mm) 10,19 16,77 ± 3,19 38,24 ± 8,59 45,48 ± 3,75 15,37 33,35 - Média 12,25 ± 2,75 27,04 ± 5,47 35,98 ± 0,11 35,91 Figura 3.57: Comparação entre curvas força-deslocamento de provetes representativos, do perfil I100, para os 3 comprimentos de carregamento. Analisando a figura 3.57 e a tabela 3.31, pode constatar-se uma vez mais a grande influência do comprimento de carregamento no comportamento de perfis deste tipo, verificando-se aumentos significativos de rigidez e resistência, para um aumento do comprimento de carregamento. Por outro lado, é relevante apontar que se verifica um aumento de resistência e rigidez superior em relação à configuração ITF: entre as chapas de 15 e 100 mm, a resistência apresenta um aumento de 170 % (contra 89 % na configuração ITF) e a rigidez apresenta um aumento de 170 % (contra 120 % na configuração ITF). Não se verificando roturas por instabilidade nestes provetes, pode-se então relacionar o comportamento mais linear evidenciado pelas séries em que se consideraram os maiores comprimentos de carregamento, com a prevenção do esmagamento localizado, que será naturalmente mais relevante para cargas mais concentradas. 70 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ 3.4.5.2.2 – I120-ETF Apresenta-se na figura 3.58 uma comparação entre os resultados do perfil I120, na configuração ETF, rotulada e não rotulada. Como este perfil é mais esbelto que o perfil I100 seria expectável que fosse mais suscetível à influência da rótula. Os resultados obtidos suportam esta hipótese, pois evidenciam uma diferença mais elevada entre os resultados rotulados e não rotulados do perfil I120, por comparação com os resultados do perfil I100. Na figura 3.59 apresenta-se os resultados para as chapas de carregamento de 15 e 100 mm. a) b) Figura 3.58: Curvas força-deslocamento das séries: a) I120-ETF-c50-r; b) I120-ETF-c50. a) b) Figura 3.59: Curvas força-deslocamento das séries: a) I120-ETF-c15; b) I120-ETF-c100. Na figura 3.59 volta-se a constatar uma diferença muito relevante entre resultados relativos às chapas de 15 e 100 mm. Por outro lado, deve referir-se a grande consistência dos resultados 71 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ deste perfil, já verificada na configuração ITF, sendo o perfil que apresenta a menor dispersão de resultados. Em termos de modos de rotura, podem distinguir-se três modos distintos, consistentes para cada comprimento de carregamento. Para a chapa de 15 mm, verificou-se uma rotura com danos nas zonas da alma adjacentes a um dos banzos. No caso da chapa de 50 mm, constatou-se uma rotura com sinais claros de instabilidade. Por fim, no caso da chapa de 100 mm, verificou-se uma rotura ao nível da zona central da alma, também com indícios de encurvadura, embora menos óbvios. Nas figuras 3.60 e 3.61 apresentam-se os vários modos de rotura observados. a) I120-ETF-c15-2 b) I120-ETF-c50-3 Figura 3.60: Modos de rotura de provetes das séries I120-ETF-c15 e c50. a) I120-ETF-c100-1 b) I120-ETF-c100-2 Figura 3.61: modos de rotura identificados nos ensaios I120-ETF-c100. 72 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ Apresenta-se na tabela 3.32 um resumo dos resultados obtidos para o perfil I120 na configuração ETF, não rotulada; na figura 3.62 apresenta-se também uma comparação entre provetes representativos dos três comprimentos de carregamento. Tabela 3.32: Resumo dos resultados do perfil I120 na configuração ETF, não rotulada. Chapa 1 Resistência (R) (kN) 19,75 2 19,79 3 19,43 12,90 1 36,38 26,89 2 41,95 3 38,30 26,18 1 68,32 42,20 2 65,68 3 60,58 Provete 15 mm 50 mm 100 mm Média 19,66 ± 0,20 38,88 ± 2,83 64,86 ± 3,93 Rigidez (K) (kN/mm) 13,31 13,25 26,90 42,56 Média 13,15 ± 0,22 26,66 ± 0,41 42,57 ± 0,38 42,96 A partir da análise da figura 3.62 pode verificar-se a grande influência do comprimento de carregamento no comportamento dos provetes, bem como o comportamento linear exibido pelos provetes do perfil I120, para os vários comprimentos de carregamento. Refira-se, por fim, que o perfil I120 apresenta o maior crescimento relativo em termos de resistência, ou seja, o aumento do comprimento de carregamento de 15 mm para 100 mm causa um aumento médio de resistência de 230 % (vale a pena apontar que na configuração ITF este crescimento foi de apenas 139 %). Figura 3.62: Comparação entre curvas força-deslocamento de provetes representativos, do perfil I120, para os 3 comprimentos de carregamento. 73 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ 3.4.5.2.3 – I200-ETF O perfil I200 foi o perfil de maiores dimensões a ser testado na disposição rotulada e não rotulada (o perfil I400 apenas foi testado aplicando a chapa de carregamento de 100 mm, na disposição não rotulada). Apresenta-se na figura 3.63 uma comparação entre os resultados obtidos para o perfil I200 nas disposições rotulada e não rotulada. Convém lembrar que só se utilizaram provetes de lotes distintos nos ensaios não rotulados (os provetes obtidos do segundo lote de material estão identificados com “*“). Na figura 3.64 apresenta-se os resultados para as chapas de carregamento de 15 e 100 mm. a) b) Figura 3.63: Curvas força-deslocamento das séries: a) I200-ETF-c50-r; b) I200-ETF-c50. Mais uma vez, deve destacar-se a maior consistência dos resultados dos ensaios não rotulados. Por outro lado, pode constatar-se também um aumento de resistência e de rigidez, com o aumento do comprimento de carregamento, comum aos restantes perfis. a) b) Figura 3.64: Curvas força-deslocamento das séries: a) I200-ETF-c15; b) I200-ETF-c100. 74 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ Os provetes deste perfil ensaiados na configuração ETF apresentaram um modo de rotura muito similar para os vários comprimentos de carga; os vários provetes apresentam danos em zonas da alma próximas de um dos banzos, não apresentando sinais de encurvadura. Nas figuras 3.65 e 3.66, apresenta-se o modo de rotura de provetes carregados pelas três chapas de aplicação de carga. a) I200-ETF-c15-1 b) I200-ETF-c15-2 Figura 3.65: Modos de rotura apresentados pelos provetes I200-ETF-c15. c) I200-ETF-c50-2 d) I200-ETF-c100-2 Figura 3.66: Modos de rotura apresentados pelos provetes I200-ETF-c50 e c100. É importante referir os diferentes modos de rotura apresentados pelos perfis I120 e I200, especialmente na configuração ETF. Para as chapas de 50 e 100 mm os provetes provenientes do perfil I120 apresentam modos de rotura ligados à zona central da alma (figs. 3.60 e 3.61), enquanto os provetes originários do perfil I200 apresentam sempre roturas próximas da ligação banzo-alma (figs. 3.65 e 3.66). Esta situação ganha relevância pelo facto de estes perfis apresentarem proporções geométricas praticamente idênticas. Um fator que poderá explicar estes diferentes modos de rotura passa pela diferente proveniência dos perfis, podendo as mantas de fibra apresentar propriedades distintas e geometrias distintas. Todavia, esta hipótese teria de ser comprovada com uma campanha experimental focada neste aspeto. Refira-se por fim que para a chapa de 15 mm, os provetes de todos os perfis romperam na proximidade da zona de ligação banzo-alma. Apresenta-se na tabela 3.33 um resumo dos resultados obtidos para o perfil I200, na configuração ETF não rotulada. Na figura 3.67 75 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ apresenta-se uma comparação das curvas força-deslocamento de provetes representativos dos vários comprimentos de carregamento. Tabela 3.33: Resumo dos resultados obtidos para o perfil I200 na configuração ETF, não rotulada. Chapa 1 Resistência (R) (kN) 36,43 2 40,27 3 34,76 11,97 1 78,74 24,22 2 77,55 3 78,23 27,33 1 119,89 38,36 2 130,07 3 96,02 Provete 15 mm 50 mm 100 mm Média 37,15 ± 2,83 78,17 ± 0,59 115,33 ± 17,48 Rigidez (K) (kN/mm) 13,93 12,76 26,61 38,72 Média 12,89 ± 0,99 26,05 ± 1,63 37,78 ± 1,34 36,25 Figura 3.67: Comparação entre curvas força-deslocamento de provetes representativos, do perfil I200, para os 3 comprimentos de carregamento. Como já se havia verificado na configuração ITF, o perfil I200 apresenta os maiores valores de resistência, para um carregamento deste tipo, tendência confirmada nos resultados apresentados na tabela 3.33 e na figura 3.67. Todavia este perfil apresenta um aumento relativo de resistência ligeiramente inferior ao do perfil I120, apresentando um aumento relativo de 210 %, entre as chapas de carregamento de 15 e 100 mm, enquanto o perfil I120 apresentou um aumento relativo de cerca de 230 %. 3.4.5.2.4 – I400-ETF O perfil I400 foi o perfil de maiores dimensões a ser carregado, para além de ser o perfil mais esbelto dos quatro perfis ensaiados. Como referido, nos ensaios deste perfil na configuração ITF, houve a expetativa de tentar prever qual seria o efeito dominante: o aumento das 76 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ dimensões ou a maior esbelteza. Os resultados do perfil I400 na configuração ITF, em termos de resistência, são inferiores aos resultados do perfil I200, indicando que a maior esbelteza deste perfil terá sido determinante. Os resultados para a configuração ETF, ilustrados na figura 3.68 e na tabela 3.34, suportam esta hipótese. Refira-se que os vários provetes mostraram sinais de encurvadura, como aliás seria de esperar. Na figura 3.65 ilustra-se o modo de rotura de provetes desta série experimental. Tabela 3.34: Resultados dos ensaios aos provetes I400-ETF. 1 Resistência (kN) 71,53 Rigidez (kN/mm) 22,91 2 66,36 21,17 3 84,07 24,81 Média 73,99 22,96 D. Padrão 9,11 1,82 Provete Figura 3.68: Curvas força-deslocamento da série I400-ETF. Na figura 3.69 pode identificar-se facilmente o modo de rotura desta série: todos os provetes apresentaram sinais claros de instabilidade. Esta ideia é validada pelos valores de resistência obtidos, consideravelmente inferiores aos atingidos pela série I200-ETF-c100. No Anexo 2.2 apresenta-se um resumo de todos os resultados dos ensaios de esmagamento na configuração ETF, enquanto a comparação entre esta configuração e a configuração ITF será abordada na secção seguinte deste capítulo. a) I400-ETF-c100-1 b) I400-ETF-c100-2 Figura 3.69: Rotura de provetes I400 na configuração ETF. 77 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ 3.5 – Análise aos resultados dos ensaios de esmagamento 3.5.1 – Introdução Neste subcapítulo apresenta-se uma análise dos resultados obtidos nos ensaios de esmagamento da alma (apresentados nos subcapítulos 3.4.4 e 3.4.5). Em primeiro lugar, procede-se a uma breve análise do efeito da rótula nas duas configurações estudadas. Esta análise tem um carácter complementar ao estudo desenvolvido nesta dissertação, não sendo essencial à caracterização dos perfis no que se refere ao seu comportamento ao esmagamento. Outra linha de análise passa pela comparação entre o comportamento dos provetes de ambas as configurações, tendo em conta os vários perfis e comprimentos de carregamento. Trata-se também de uma análise complementar, sendo mais relevante para a análise das configurações de ensaio do que para a caracterização do material. Apresenta-se ainda um resumo dos diferentes modos de rotura observados e das suas ocorrências. Por fim, apresenta-se a análise dos vários ensaios tendo em conta a influência do comprimento de carregamento, análise que será muito importante para a calibração de fórmulas de dimensionamento para vigas pultrudidas de GFRP. Esta última análise é a mais relevante no que se refere ao objetivo desta dissertação, nomeadamente o estudo do fenómeno do esmagamento da alma em vigas de GFRP. 3.5.2 – Comparação entre ensaios rotulados e não rotulados Como se referiu, os ensaios rotulados e não rotulados correspondem a duas condições de apoio extremas, que apresentaram resultados bastante distintos. Por um lado, deve-se relembrar que estas condições de apoio só foram analisadas para os perfis I100, I120 e I200; por outro lado a única chapa empregue nos ensaios rotulados foi a chapa de 50 mm de comprimento. A rótula teve grande influência nos resultados de ambas as configurações, principalmente para os perfis mais esbeltos (I120 e I200). A influência da rótula foi mais elevada na configuração ETF, o que já seria de esperar devido à menor estabilidade desta configuração. Na tabela 3.35, apresentam-se os rácios entre valores de rigidez e resistência para ensaios rotulados (r) e não rotulados (nr), para ambas as configurações. Não se apresenta nesta secção uma comparação gráfica pelo facto de esta já ter sido efetuada ao longo do subcapítulo 3.4. Na tabela 3.35 apresenta-se ainda o rácio entre a altura e a espessura da alma (h w/tw). Refira-se que para se obter a altura da alma se subtraiu à altura do perfil a espessura dos banzos (similar à da alma) e o raio de curvatura na zona de ligação banzo-alma 78 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ Tabela 3.35: Comparação entre resultados obtidos para a configuração rotulada (r) e não rotulada (nr). Configuração ITF ETF Perfil tw (mm) hw/tw R_r/R_nr K_r/K_nr 100 8 10 1,01 1,01 120 6 15,5 0,62 0,88 200 10 16 0,66 0,94 100 8 10 0,65 0,78 120 6 15,5 0,48 0,76 200 10 16 0,56 0,79 Como seria de esperar, a rótula influencia principalmente a carga máxima a que os provetes resistem. Os provetes ensaiados na configuração rotulada apresentam também uma rigidez inferior aos ensaiados na configuração não rotulada, no entanto, a diferença entre rigidezes é bastante inferior à diferença entre resistências. Um pormenor interessante está relacionado com o perfil I100, para o qual não existe, na configuração ITF, diferença relevante entre os resultados dos ensaios rotulados e não rotulados. Este dado sugere a existência de fenómenos de instabilidade relevantes nos restantes ensaios rotulados, hipótese que é reforçada pelo facto de os restantes perfis apresentarem uma alma mais esbelta. Apesar de se tratar de uma configuração de ensaio menos estável, os ensaios rotulados não apresentaram coeficientes de variação muito superiores em relação aos ensaios não rotulados (tabelas 3.36 e 3.37). Tabela 3.36: Coeficientes de variação (Cv) Tabela 3.37: Coeficientes de variação (Cv) dos valores de resistência e rigidez dos dos valores de resistência e rigidez dos ensaios rotulados. ensaios não rotulados. Configuração Cv R (%) Cv K (%) Configuração Cv R (%) Cv K (%) ETF 11,06 7,05 ETF 9,73 7,17 ITF 3,93 2,87 ITF 5,76 3,02 Média 7,50 4,96 Média 7,75 5,10 79 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Os resultados apresentados nesta secção reforçam a hipótese de que a presença de uma rótula afeta os resultados dos vários perfis de maneira distinta consoante a sua esbelteza e dimensão. Assim, esta configuração de ensaio não permite uma comparação entre a resistência dos vários perfis, mas sim uma comparação entre a estabilidade dos vários perfis. 3.5.3 – Comparação entre configurações ETF e ITF Antes de se iniciar a campanha experimental, já se esperavam algumas diferenças entre as duas configurações. Por um lado seria expectável uma maior dispersão dos resultados na configuração ETF; por outro lado a configuração ITF deveria apresentar resultados superiores de resistência e rigidez, devido à sua maior estabilidade. Na tabela 3.38 apresenta-se os valores médios obtidos nas duas configurações, bem como o rácio entre os referidos valores. Tabela 3.38: comparação entre resultados não rotulados de ambas as configurações. Resistência média Perfil I100 I120 I200 I400 Rigidez média Chapa de ETF ITF ETF/ITF (kN) (kN) (-) c15 16,77 29,81 0,56 12,25 18,09 0,68 c50 38,24 41,11 0,93 27,04 29,37 0,92 c100 45,48 56,50 0,81 35,98 40,08 0,90 c15 19,66 32,17 0,61 13,15 20,11 0,65 c50 38,88 51,96 0,75 26,66 32,15 0,83 c100 64,86 76,97 0,84 42,57 46,07 0,92 c15 37,15 67,83 0,55 12,89 23,65 0,54 c50 78,17 110,92 0,70 26,05 33,82 0,77 c100 115,33 161,34 0,71 37,78 43,99 0,86 c100 73,99 127,26 0,58 22,96 39,67 0,58 carregamento ETF ITF (kN/mm) (kN/mm) ETF/ITF (-) A análise dos resultados da tabela 3.38 mostra uma aproximação entre os resultados ETF e ITF com o aumento do comprimento de aplicação de carga. Esta aproximação ocorre pois a diferença inicial, em termos de área de alma mobilizada pelo carregamento, é cada vez menos significativa com o aumento do comprimento de carregamento. Para uma carga concentrada, seria expectável que a resistência de um provete na configuração ITF fosse aproximadamente 80 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ correspondente a duas vezes a resistência na configuração ETF, pois a carga poderá ser absorvida por uma área de alma aproximadamente igual ao dobro do que se verificará na configuração ETF; os resultados apresentados na tabela 3.38 parecem confirmar esta hipótese. No Anexo 2.3 apresenta-se ainda uma comparação gráfica entre resultados ETF e ITF. A aproximação gradual já referida não é tão clara nos perfis I100 e I200. Essa situação é motivada por provetes em que se obtiveram valores díspares nas séries ETF (I100-ETF-c50 e I200-ETF-c100). A tendência de aproximação referida é, no entanto, perfeitamente clara se se analisarem os dados referentes à rigidez (tabela 3.38). Os resultados apresentados atribuem uma relevância adicional ao comprimento de carregamento na configuração ETF, pelo facto de esta configuração apresentar simultaneamente os resultados mais reduzidos (de resistência e rigidez) e os crescimentos mais elevados em função do comprimento de carregamento. 3.5.4 – Resumo dos modos de rotura identificados Observaram-se dois modos de rotura distintos, seguindo a tendência encontrada em diferentes referências [4, 19, 31]. Estes modos de rotura consistiram no esmagamento da alma, que se verificou em duas zonas distintas dos provetes: na zona de ligação banzo-alma e na zona central da alma; e na encurvadura da alma. Estes modos de rotura foram associados às seguintes observações visuais: extensas deformações longitudinais, na zona de ligação banzoalma ou na zona central da alma, indicam uma rotura por esmagamento; enquanto a deformação em arco da alma indica a ocorrência de fenómenos de instabilidade. Na figura 3.70 apresentam-se figuras demonstrativas dos três modos de rotura considerados, enquanto na tabela 3.39 se apresenta um resumo dos modos de rotura apresentados pelos vários provetes ensaiados ao esmagamento. No Anexo 2.4 está exposta a lista completa dos modos de rotura apresentados pelos vários provetes. Neste resumo apenas se consideraram os ensaios não rotulados. a) Esmagamento na zona de ligação b) Esmagamento na zona central da alma banzo-alma Figura 3.70: Modos de rotura principais. 81 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ c) Encurvadura Figura 3.70: Modos de rotura principais. Tabela 3.39: Número de ocorrências dos vários modos de rotura. Modo de rotura Número de ocorrências Rotura na ligação banzo-alma 39 Rotura da alma 9 Encurvadura da alma 10 Como se pode constatar na tabela 3.39, a ligação banzo-alma condiciona a rotura da esmagadora maioria dos provetes. Por fim, na tabela 3.40 apresenta-se um balanço entre os modos de rotura observados e os comprimentos de carregamento, devendo-se referir que a rotura só se verificou na zona central da alma quando se aumentou o comprimento de carregamento para 50 ou 100 mm; nenhum provete ensaiado com a chapa de 15 mm apresentou uma rotura por encurvadura ou esmagamento na zona central da alma, apresentando todos (com exceção de 2 provetes anómalos, I200-ITF-c15) roturas pela zona da ligação banzo-alma. Tabela 3.40: Balanço entre modos de rotura e comprimentos de aplicação de carga. Chapa de carregamento 15 mm 50 mm 100 mm Frequência dos modos de rotura Ligação Rotura da Encurvadura banzo-alma alma da alma 16 0 0 13 2 3 10 7 7 Percentagem de roturas pela ligação banzo-alma 100,00%* 72,22% 41,67% * descontando-se dois provetes com rotura anómala (I200-ITF-c15). 3.5.5 – Análise da influência do comprimento de carregamento A análise da influência do comprimento de carregamento foi um dos temas mais relevantes na análise dos ensaios realizados. Os resultados experimentais indicam que o comprimento de carregamento pode afetar decisivamente os resultados: se forem comparados os valores 82 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ referentes às chapas de 15 e 100 mm, pode constatar-se variações de resistência na ordem de 100% na configuração ITF e de 200% na configuração ETF. Um dado importante na comparação entre resultados de resistência (R) e rigidez (K) de diferentes perfis tem a ver com a evolução relativa e absoluta que os mesmos apresentam com o comprimento de carregamento. A evolução absoluta tenderá a ser maior para os perfis de maior dimensão ou resistência. Esta evolução pode ser constatada graficamente nas figuras 3.71 a 3.75; apresentando-se valores médios bem como o desvio padrão (barras de erro). Por outro lado, a evolução relativa será um parâmetro mais relevante de comparação direta entre perfis, pois não é afetada pela maior ou menor capacidade absoluta de um perfil. A evolução relativa dos vários perfis está apresentada nas tabelas 3.41 a 3.44. Nas tabelas apresentam-se os valores médios obtidos para os vários comprimentos de carregamento, bem como rácios entre comprimentos de carregamento. Tabela 3.41: Resumo da influência do comprimento de carregamento na resistência, na configuração ITF. R c15 R c50 Rácio R c100 Rácio Rácio (kN) (kN) c50/c15 (kN) c100/c50 c100/c15 I100 29,81 41,11 1,38 56,50 1,37 1,90 I120 32,17 51,96 1,62 76,97 1,48 2,39 I200 67,83 109,09 1,61 161,34 1,48 2,38 Perfil 180 y = 1,0964x + 52,452 R² = 0,9989 Resistência (R) (kN) 160 140 120 y = 0,5252x + 24,813 R² = 0,9988 100 80 60 40 y = 0,3135x + 25,23 R² = 0,9998 20 0 0 20 40 60 80 Comprimento de carregamento (mm) 100 I100 120 I120 I200 Figura 3.71: Evolução da resistência dos provetes com o comprimento de carregamento, na configuração ITF. 83 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Tabela 3.42: Resumo da influência do comprimento de carregamento na rigidez, na configuração ITF. K c15 K c50 Rácio K c100 Rácio Rácio (kN/mm) (kN/mm) c50/c15 (kN/mm) c100/c50 c100/c15 I100 18,09 29,37 1,62 40,09 1,37 2,22 I120 20,11 32,15 1,60 46,07 1,43 2,29 I200 23,65 33,82 1,43 43,99 1,30 1,86 Rigidez (K) (kN/mm) Perfil 50 y = 0,3036x + 16,08 R² = 0,9964 45 40 y = 0,2369x + 20,791 R² = 0,9898 35 30 y = 0,2557x + 15,12 R² = 0,9865 25 20 15 0 20 40 60 80 Comprimento de carregamento (mm) 100 I100 120 I120 I200 Figura 3.72: Evolução da rigidez dos provetes com o comprimento de carregamento, na configuração ITF. Nos resultados da configuração ITF, podem identificar-se dois aspetos importantes: o perfil I120 apresenta os maiores aumentos percentuais, quer em termos de resistência como de rigidez (tabelas 3.41 e 3.42); o perfil I200 apresenta o maior aumento absoluto em termos de resistência em paralelo com o menor aumento absoluto em termos de rigidez (a comparação entre aumentos absolutos de diferentes perfis é facilmente efetuada com recurso aos declives apresentados nos gráficos das figuras 3.71 e 3.72). 84 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ Tabela 3.43: Resumo da influência do comprimento de carregamento na resistência, na configuração ETF. R c15 R c50 Rácio R c100 Rácio Rácio (kN) (kN) c50/c15 (kN) c100/c50 c100/c15 I100 16,77 38,24 2,28 45,48 1,19 2,71 I120 19,66 38,88 1,98 64,86 1,67 3,30 I200 37,15 78,17 2,10 115,33 1,48 3,10 Perfil 140 y = 0,9076x + 26,964 R² = 0,9832 Resistência (R) (kN) 120 y = 0,531x + 11,929 R² = 0,9998 100 80 60 40 y = 0,3246x + 15,641 R² = 0,8623 20 0 0 20 40 60 80 Comprimento de carregamento(mm) 100 I100 120 I120 I200 Figura 3.73: Evolução da resistência com o comprimento de carregamento (ETF). Tabela 3.44: Resumo da influência do comprimento de carregamento na rigidez, na configuração ETF. K c15 K c50 Rácio K c100 Rácio Rácio (kN/mm) (kN/mm) c50/c15 (kN/mm) c100/c50 c100/c15 I100 12,25 27,04 2,20 35,98 1,33 2,94 I120 13,15 26,66 2,03 42,57 1,60 3,24 I200 12,89 26,05 2,02 37,78 1,45 2,93 Perfil 85 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Rigidez (K) (kN/mm) 50 y = 0,3442x + 8,5317 R² = 0,9971 40 30 y = 0,2888x + 9,6858 R² = 0,9819 20 y = 0,2724x + 10,112 R² = 0,9421 10 0 0 20 40 60 80 Comprimento de carregamento (mm) I100 100 I120 120 I200 Figura 3.74: Evolução da rigidez dos provetes com o comprimento de carregamento, na configuração ETF. Na configuração ETF, o perfil I120 volta a destacar-se, apresentando os maiores aumentos percentuais em termos de resistência e de rigidez (tabelas 3.43 e 3.44). O perfil I200 destacase novamente, apresentando o maior aumento absoluto, em termos de resistência, apresentando, contudo, um aumento absoluto de rigidez similar ao perfil I100 e inferior ao perfil I120 (figuras 3.73 e 3.74). Como já havia sido sublinhado no subcapítulo 3.5.2, a configuração ETF apresenta crescimentos superiores em função do comprimento de carregamento em relação à configuração ITF. No entanto, em termos absolutos são as séries ensaiadas na configuração ITF que apresentam maiores valores de resistência e rigidez. Outro dado importante a reter é que a influência do comprimento de carregamento é decrescente, ou seja, apesar do crescimento das propriedades dos provetes ser linear, o seu crescimento relativo é decrescente; esta situação é particularmente clara nos resultados ETF (tabelas 3.43 e 3.44) em que um aumento de 15 para 50 mm no comprimento de aplicação de carga representa um aumento de resistência de cerca de 200 %, enquanto um aumento de 50 mm, entre as chapas de 50 e 100 mm, representa um aumento máximo de resistência de 166 %. Esta tendência fica também clara na análise de gráficos que apresentam a evolução do rácio entre a resistência e o comprimento de carregamento, em função do próprio comprimento de carregamento (figuras 3.75 e 3.76). 86 ____________________________ 3 – Estudo experimental ____________________________ R/L (kN/mm) 5 y = -1,579ln(x) + 8,6797 R² = 0,9665 4 y = -0,746ln(x) + 4,1107 R² = 0,9667 3 2 1 y = -0,774ln(x) + 4,0211 R² = 0,961 0 0 20 40 60 80 Comprimento de carregamento (L) (mm) 100 I100 120 I120 I200 Figura 3.75: Relação entre o rácio entre a resistência e o comprimento de carregamento e o comprimento de carregamento, na configuração ITF. R/L (kN/mm) 3 y = -0,704ln(x) + 4,3668 R² = 0,9962 2,5 y = -0,359ln(x) + 2,2567 R² = 0,9663 2 1,5 1 y = -0,343ln(x) + 2,0632 R² = 0,9864 0,5 0 0 20 40 60 80 Comprimento de carregamento (L) (mm) 100 I100 120 I120 I200 Figura 3.76: Relação entre o rácio entre a resistência e o comprimento de carregamento e o comprimento de carregamento, na configuração ETF. Analisando as figuras 3.75 e 3.76 pode verificar-se a maior relevância de pequenos aumentos no comprimento de carregamento, para a situação de carga pontual. Para comprimentos de carregamento mais elevados, o seu aumento produzirá melhorias decrescentes no comportamento do perfil. Por outro lado, verificou-se nas secções 3.4.4 e 3.4.5 que o comprimento de carregamento tem influência na degradação localizada do material, fenómeno que condicionou os ensaios realizados com a chapa de carregamento de 15 mm, obtendo-se curvas força-deslocamento não lineares. Este facto pode ser muito importante para a prevenção de danos permanentes em vigas de GFRP, para cargas inferiores às cargas de rotura. 87 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Estes resultados mostram que o comprimento de carregamento tem uma influência considerável no comportamento ao esmagamento de perfis em I. Esta consideração é particularmente importante para apoios de extremidade (configuração ETF). Um aumento de 35 mm no comprimento de carregamento traduziu-se na duplicação da capacidade resistente dos provetes ensaiados na extremidade. Outro dado importante é que pequenos aumentos no comprimento de carregamento para uma carga concentrada apresentam uma melhoria decisiva no comportamento da peça. Será agora interessante confrontar estes resultados com os modelos numéricos apresentados no capítulo 4 e com as fórmulas de dimensionamento abordadas no capítulo 5. 88 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ 4 – Estudo numérico 4.1 – Introdução Neste capítulo, apresenta-se um estudo numérico a fim de complementar a informação fornecida pelos ensaios experimentais de esmagamento. A modelação apresentada nesta dissertação foi desenvolvida no âmbito do programa de cálculo automático Abaqus [33]. A modelação foi concebida através de ficheiros de input, desenvolvidos no programa TextPad [21] sendo os resultados posteriormente analisados na interface gráfica do programa Abaqus/CAE. Os modelos desenvolvidos foram calibrados, numa primeira fase, pelos resultados dos ensaios de caracterização dos vários perfis, sendo posteriormente comparados com os resultados dos ensaios experimentais de esmagamento. Conceberam-se modelos de elementos finitos para todos os perfis ensaiados (I100, I120, I200 e I400), tendo em conta as três chapas de carregamento utilizadas (15, 50 e 100 mm), nas duas configurações já referidas (ETF e ITF), resultando num total de vinte modelos independentes (neste estudo, apenas se teve em conta a disposição não rotulada e apenas se considerou a chapa de carregamento de 100 mm para o perfil I400). No caso de alguns perfis, desenvolveram-se ainda alguns modelos suplementares com o intuito de esclarecer a fiabilidade dos valores dos ensaios de caracterização e a adequabilidade aos ensaios de esmagamento. A análise numérica do esmagamento da alma dividiu-se em dois grupos de modelos distintos: modelos sem imperfeição (MSI) e modelos com imperfeição (MCI). Os MSI são geometricamente perfeitos, ou seja, os elementos (paredes) dos perfis são perfeitamente planos. Os MCI não são geometricamente perfeitos, pois os elementos (paredes) dos perfis não são perfeitamente planos e exibem uma curvatura inicial. Como não foram medidas as imperfeições durante a campanha experimental, não existe informação sobre a forma e amplitude da imperfeição dos perfis ensaiados. Assim, utilizou-se o procedimento usual na literatura da estabilidade de perfis de parede fina, que consiste em utilizar a imperfeição na forma do modo crítico de instabilidade. Para se ter em conta uma imperfeição inicial no modelo, foi necessária a execução preliminar de uma análise linear de estabilidade para a obtenção dessa forma. Os resultados dessa análise permitiram criar um ficheiro auxiliar (de input) para realizar a análise não linear dos MCI. Tanto nos MSI como nos MCI, a análise numérica por elementos finitos apenas inclui os efeitos geometricamente não lineares (efeitos P-delta), ou seja, a degradação de rigidez devido a tensões de compressão. Os efeitos fisicamente não lineares não estão incluídos, pois o GFRP não é um material dúctil (exibe reduzida ou nenhuma plasticidade). A inclusão destes efeitos no GFRP (material frágil) obrigaria a utilizar modelos de dano (“crack”) e delaminação, os quais são muito complexos e exigem análises bastante sofisticadas. No entanto, as análises não 89 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ lineares realizadas permitem definir uma estimativa da “rotura inicial” dos provetes através da utilização do critério de rotura de Tsai-Hill. Refira-se que este critério é referido, abreviadamente, em algumas passagens como “Tsaih”, designação empregue pelo programa ABAQUS. 4.2 – Descrição dos modelos 4.2.1 – Descrição geral da modelação Todos os modelos apresentados seguiram um método de construção similar, apresentando o mesmo tipo de elementos e condições de apoio. Considerou-se uma geometria em “I” similar à dos provetes ensaiados, não se tendo considerado a transição curvilínea entre alma e banzo (figura 4.1). Consideraram-se elementos finitos de casca de 4 nós e integração reduzida, designados de S4R. Testaram-se também elementos S4, sem que houvesse a constatação de diferenças relevantes para os resultados do elemento S4R. Refira-se que foram utilizados elementos de casca ortotrópicos para os provetes, através do comando *SHELL SECTION, conferindo-se a espessura das placas (paredes) e a orientação dos laminados (definiram-se ainda cinco pontos de integração na espessura). As malhas de elementos finitos exibem uma discretização adaptativa, apresentando elementos de dimensão muito reduzida nas zonas relevantes (onde existem tensões de maior valor e gradiente) e elementos de dimensão gradualmente superior nas zonas de menor relevância para o comportamento dos provetes, como se ilustra na figura 4.1. As propriedades dos provetes foram definidas através dos comandos *MATERIAL, *ELASTIC, TYPE=LAMINA, definindo-se os módulos de elasticidade nas várias direções, além das tensões de rotura do material que servem apenas para a aferição do critério de Tsai-Hill. a) b) Figura 4.1: a) Exemplo de malha de elementos finitos de casca; b) perspetiva do modelo tipo. Para se aplicar o carregamento ao modelo, houve necessidade de modelar as chapas de aplicação de carga, considerando-as indeformáveis (infinitamente rígidas), através do comando *RIGID BODY. Esta operação criou a necessidade de separar a modelação em diferentes partes (“Instances”), de forma a modelar de forma distinta chapas e provetes. As chapas de 90 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ carregamento foram modeladas com malhas de elementos coincidentes com as malhas apresentadas pelos banzos nas zonas de contacto, tendo-se utilizado elementos R3D4, necessários para a criação de peças rígidas. Houve ainda a necessidade de modelar o contato entre as chapas e o provete de GFRP, tendo-se utilizado o comando *CONTACT INCLUSIONS. Refira-se que também se testou o comando *CONTACT PAIR, sem que tal tenha provocado qualquer distorção/diferenciação dos resultados. Para a definição do contacto entre as superfícies foi necessário ainda definir, a priori, a interação entre as mesmas. Utilizou-se o comando *SURFACE INTERACTION, *FRICTION, tendo-se considerado um coeficiente de atrito aço/GFRP similar ao coeficiente aço/aço de 0,4. Testaram-se ainda valores de 0,2 e 0,3 para este coeficiente sem que se tenham verificado variações significativas (Anexo 3.1). Para a aplicação da ação, impôs-se um deslocamento vertical no nó central da chapa de carregamento superior, restringindo-se todos os restantes deslocamentos da mesma. Por outro lado, todos os deslocamentos da chapa de carregamento inferior foram impedidos. Para impor deslocamentos (em vez de aplicar forças), considerou-se o comando *BOUNDARY, que serve também para a definição das condições de fronteira. Como foi referido anteriormente, considerou-se o critério de Tsai-Hill como critério de rotura para os modelos numéricos desenvolvidos. A fórmula deste critério é dada por, (4.1) em que: σ1 – tensão normal longitudinal; σ2 – tensão normal transversal; 12 – tensão de corte; σ1u – tensão normal última na direção 1; σ2u – tensão normal última na direção 2; 12u – tensão última de corte. Em termos dos modelos criados no âmbito desta dissertação, e uma vez que as forças são aplicadas perpendicularmente ao eixo do perfil (ITF e ETF), seria de prever que as tensões mais relevantes fossem a tensão normal transversal (σ2) e a tensão de corte (12). Seria igualmente expectável que a tensão normal longitudinal (σ1) não atingisse valores muito relevantes para um carregamento como o estudado. Para realizar uma análise à “rotura inicial” (avaliação do índice de rotura do critério de Tsai-Hill) a partir dos resultados da simulação, considerou-se a monitorização dos elementos numa área que se estende a toda a altura da alma, abrangendo uma largura superior ao comprimento de carregamento; por outro lado, na configuração ITF apenas se consideraram elementos relativos a metade do comprimento de carregamento, devido à simetria da configuração (ver figura 4.2 (b)). Os elementos selecionados foram estudados tendo em conta três pontos de integração. Por outro lado, 91 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ analisou-se este critério graficamente, para todo o provete, através do comando *ELEMENT OUTPUT, “TSAIH”. No que toca à diferença entre MSI e MCI, os MSI são naturalmente os modelos mais simples de desenvolver, sendo, contudo, os mais relevantes para a comparação com ensaios experimentais de provetes que não tenham apresentado roturas associadas a fenómenos de instabilidade. Os MCI são imprescindíveis para o estudo do comportamento dos provetes que atinjam a rotura devido a fenómenos de instabilidade, permitindo estimar a variação de tensões em relação aos MSI. Os modelos preliminares de estabilidade tiveram duas funções principais: (i) determinar as cargas críticas para cada modelo e (ii) permitir a introdução de uma imperfeição geométrica inicial nos MCI. Na figura 4.2 apresenta-se um exemplo do resultado de uma análise de estabilidade. Refira-se que nos MCI apenas se considerou a imperfeição na forma do primeiro modo de instabilidade (figura 4.2 (a)), tendo-se atribuído a amplitude do mesmo através do comando *IMPERFECTION. É ainda importante referir que, para a obtenção dos valores das cargas de instabilidade para os vários modos, foi necessário aplicar a carga através do comando *CLOAD, em detrimento do comando *BOUNDARY. Verificou-se que esta variação no ficheiro de estabilidade não produziu qualquer efeito nos resultados dos MCI. No Anexo 3.1, apresenta-se um exemplo de ficheiro de input para modelos MSI. ITF ETF Elementos estudados a) b) Figura 4.2: a) 1º modo de instabilidade da série I120-ETF-c100; b) elementos considerados na análise ao critério de Tsai-Hill. 92 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ 4.2.2 – Descrição da modelação dos perfis de GFRP O perfil I100 foi analisado na campanha experimental de caracterização, tendo-se obtido todos os parâmetros necessários, com uma exceção: o módulo de elasticidade transversal. Como já foi referido no capítulo 3, este parâmetro é decisivo para uma correta calibração do modelo, contudo os ensaios de compressão considerados não fornecem valores fiáveis para este parâmetro; basta relembrar que os ensaios de compressão, que se basearam na norma ASTM D 695-02 [3], viciam a determinação do módulo de elasticidade devido ao esmagamento nas extremidades, facto comprovado pela comparação com valores obtidos através de um método alternativo para os perfis I200 e I400 (ver secção 3.3.3). Optou-se então por considerar um módulo similar ao determinado para o perfil I200: 5 GPa. Na tabela 4.1 apresenta-se um resumo das propriedades consideradas para os vários perfis (os valores generalizados a partir do perfil I200 estão assinalados com “*”). É importante referir que se considerou a tensão de corte obtida a partir dos ensaios de caracterização, mas não o módulo de distorção elástico devido aos problemas identificados no subcapítulo de caracterização experimental (ver 3.3.4). A modelação do perfil I120 apresentou desafios diferentes em relação ao anterior, pois a sua caracterização já havia sido efetuada em trabalhos anteriores [26], facilitando a implementação das propriedades no modelo. Por outro lado, nos ensaios descritos em 3.4, vários provetes provenientes deste perfil apresentaram sinais de encurvadura, situação que conferirá maior relevância aos MCI. Em relação ao perfil I200, relembra-se que o valor da tensão normal transversal última (Su22) obtido na campanha de caracterização experimental descrita nesta dissertação (60 MPa – ver subcapítulo 3.3.3) diferiu consideravelmente do valor aferido em trabalhos anteriores (90 MPa [14]). Desta forma, consideraram-se modelos alternativos considerando os dois valores referidos, tentando-se discernir a hipótese mais correta no subcapítulo 4.3.4.3. O valor deste parâmetro (Su22) influenciará o critério de rotura, mas não terá qualquer efeito, em termos de rigidez, na adequação dos modelos aos ensaios experimentais (vertente em que o módulo de elasticidade transversal é determinante). Para as propriedades mecânicas que não foram aferidas na campanha experimental de caracterização, consideraram-se os valores de Correia [14]. Na modelação do perfil I400, foi necessário ponderar sobre qual o valor a considerar para o módulo de elasticidade transversal. Para a definição deste parâmetro, existem três indicações possíveis: (i) os ensaios de compressão referentes ao método 1 (norma ASTM D 695-02 [3]) (ver 3.3.3), (ii) os ensaios de compressão em que se aplicou o método 2 (ver 3.3.3), e (iii) os ensaios de tração transversal (norma ISO-527-4 [23]) (ver 3.3.2). O primeiro procedimento foi colocado de parte pelas razões já apresentadas para o perfil I100. O segundo procedimento tem a vantagem de se ensaiar o provete em compressão, apresentando contudo um vão reduzido (inferior ao dos ensaios de tração) de 10 cm – é importante relembrar que este método não está padronizado em nenhum regulamento. Por fim, o terceiro procedimento tem a 93 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ desvantagem de ensaiar os provetes à tração, estando, contudo, padronizado e tendo sido efetuado respeitando os vãos mínimos exigidos (15 cm). A dúvida quanto ao procedimento a considerar é relevante devido aos diferentes valores fornecidos pelos últimos dois procedimentos: o método de compressão não padronizado fornece um valor a rondar 5,5 GPa, enquanto o método de tração sugere um valor de cerca de 4,0 GPa. Na secção 4.3.5.3 apresentar-se-ão resultados referentes a modelos considerando estes valores, de forma a tentar discernir entre eles. O coeficiente de Poisson ( foi o único parâmetro a não ser determinado na campanha de caracterização experimental, tendo-se considerado um valor semelhante ao dos restantes perfis. As propriedades consideradas nos vários modelos apresentam-se na tabela 4.1. Tabela 4.1: Propriedades mecânicas dos perfis modelados. Elong Etransv ulong+ ulong- utransv- u G (GPa) (GPa) (MPa) (MPa) (MPa) (MPa) (GPa) I100 18,5 5,0* 426,0 270,0 73,0 20,0 3,7* 0,27* I120 28,9 8,5 308,6 360,3 121,0 30,0 3,9 0,28 I200 26,2 5,0 400,0 434,0 60 ou 90 24,0 3,7 0,27 I400 27,9 4,0 ou 5,5 300,0 200,0 70,0 20,0 3,8 0,27* Perfil * Valores generalizados a partir do perfil I200. As dimensões dos elementos serão referidas em termos de largura (b) e altura (h) (bxh). No caso do perfil I100 consideraram-se elementos mínimos de cerca de 2x2,5 mm, nas zonas mais relevantes, tendo-se chegado a considerar elementos com 20 mm de largura, nas zonas em que a carga aplicada não produz efeitos relevantes. Para o perfil I120, trabalhou-se com elementos com dimensões mínimas a rondar os 2,0x2,5 mm, tendo-se considerado proporções superiores para alguns MCI (4x5 mm) sem efeito na precisão dos resultados. No caso do perfil I200, consideraram-se elementos finitos de dimensões próximas de 3x5 mm. Este aumento nas dimensões dos elementos mais reduzidos, relativamente aos perfis anteriores, está naturalmente relacionado com a maior dimensão do perfil I200. Por fim, nos modelos relativos ao perfil I400 consideraram-se elementos finitos de dimensões mínimas próximas dos 5x10 mm, superiores aos restantes devido à elevada dimensão do perfil. Uma das limitações dos modelos criados consistiu na referida simplificação geométrica na zona de ligação banzo-alma, a qual não teve em consideração a curvatura dessa zona (transição suave). Refere-se ainda que algumas das análises não lineares realizadas nos MCI, sobretudo para imperfeições de maiores amplitudes, produziram resultados não realistas. Em particular, verificou-se uma “instabilização” (rotação) dos eixos naturais dos elementos, distorcendo assim qualquer informação em termos de tensões. Embora não se tenha a certeza absoluta da origem de tal problema “numérico”, crê-se que tal se possa dever à influência do contacto na 94 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ análise de estabilidade (e.g. possível interpenetração de malhas de placa rígida e banzo e consequente falta de correção numérica). Nos casos em que foi “impossível” utilizar fiavelmente a imperfeição com a forma do modo de instabilidade crítico, utilizou-se uma deformada inicial devida à aplicação de uma força a meia altura da alma e perpendicular a esta. A configuração deformada é bastante semelhante à forma do modo crítico (figura 4.2(a)). No caso do perfil I400, um perfil de dimensões consideravelmente superiores às dos restantes perfis (apresenta um maior rácio entre a altura e a espessura de alma), utilizou-se este método alternativo de forma a obter resultados fiáveis para maiores amplitudes de imperfeição inicial (analisa-se este método de forma mais pormenorizada na secção 4.3.5.4). 4.3 – Resultados numéricos 4.3.1 – Introdução A apresentação de resultados concentra-se sobretudo em três aspetos distintos: (i) a comparação dos resultados dos modelos com os dos ensaios experimentais correspondentes, (ii) a verificação do critério de Tsai-Hill (estimativa da “rotura inicial”) e (iii) a análise da distribuição de tensões nos modelos dos provetes. A verificação da adequabilidade dos modelos numéricos aos ensaios experimentais baseou-se principalmente na comparação entre os valores da rigidez dos perfis nos modelos numéricos e nos ensaios experimentais. Por outro lado, comparou-se a carga crítica, fornecida pelo modelo, com a carga de rotura experimental (tendo em conta o modo de rotura verificado nos provetes). Naturalmente, no caso de provetes que tenham instabilizado seria de prever uma carga crítica inferior ou muito próxima da carga de rotura experimental. A análise segundo o critério de Tsai-Hill baseou-se principalmente em duas etapas. A primeira etapa consistiu em verificar qual o nível de carga a que corresponde um valor máximo unitário do índice de Tsai-Hill em vários pontos do perfil “Tsaih = 1”. Este valor da carga corresponde à rotura do primeiro ponto do perfil e, por isso, designa-se por carga de “rotura inicial”. Note-se que todos os pontos da viga (exceto esse) apresentam ainda um índice de rotura inferior a um e, por isso, o perfil ainda suportará mais carga até que vários pontos estejam em rotura. A segunda etapa consistiu em identificar a configuração de equilíbrio numérica que apresente a carga mais próxima do valor médio da carga de rotura experimental (carga última ou máxima). Para se obter a informação em relação a este critério pode recorrer-se a duas vias: a análise gráfica (a partir do comando *ELEMENT OUTPUT) e a análise a partir do ficheiro “.dat” (a partir do comando *EL PRINT). Refira-se que ambas as vias apresentam os mesmos resultados no caso de MSI. Contudo, no caso de MCI, a segunda via será mais precisa, pois pode extrair-se a informação para vários pontos de integração, enquanto a via gráfica apresenta apenas uma média dos valores dos vários pontos de integração. No caso dos MSI, os valores lidos nos vários pontos de integração serão iguais, enquanto no caso dos MCI os elementos presentes 95 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ na zona da imperfeição (zona central da alma), apresentam valores diferentes nos vários pontos de integração. Por fim, a análise de tensões concentrou-se nas zonas críticas dos modelos. No caso dos MSI apenas se estudou a zona da ligação banzo-alma, enquanto nos MCI se estudou também a zona central da alma. O elemento crítico relativo à zona de ligação banzo-alma encontra-se junto às extremidades das chapas de carregamento (figura 4.3 (a)). É importante destacar que se analisaram as tensões em elementos críticos, escolhidos por apresentarem o máximo valor em termos do critério de Tsai-Hill. Desta forma, poderão existir elementos críticos que apresentem tensões inferiores às máximas em determinada direção (figura 4.3 (b)). a) b) Figura 4.3: a) Elemento crítico segundo o critério Tsai-Hill; b) Distribuição de tensões S22 (o máximo não se regista no elemento crítico). A apresentação de resultados seguirá uma organização distinta da adotada na apresentação dos resultados experimentais de esmagamento (individualizados por configuração ETF e ITF). Neste subcapítulo, apresentar-se-ão os resultados organizados por perfil, descrevendo-se em primeiro lugar o perfil I100, nas configurações ITF e ETF. Esta opção foi tomada pelo facto de cada perfil apresentar modelos distintos e a ele estarem associadas dúvidas ou questões distintas. 4.3.2 – Perfil I100 4.3.2.1 – Adequação dos modelos aos ensaios de esmagamento Apresentam-se em primeiro lugar os resultados do perfil de menores dimensões. A análise dos resultados deste perfil foi simplificada por não se verificarem fenómenos de instabilidade nos provetes, além do facto de a modelação sugerir sempre cargas críticas superiores às cargas de rotura experimentais. Apresenta-se, de seguida, nas figuras 4.4 a 4.6, um conjunto de gráficos que permite estabelecer uma comparação entre os resultados dos ensaios experimentais de esmagamento e os resultados da modelação. No caso dos resultados da modelação, apresentam-se os resultados dos MSI bem como dos MCI, sendo importante esclarecer que as curvas associadas 96 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ aos MSI e MCI deverão ser coincidentes se o valor da carga crítica for muito elevado, em relação aos resultados experimentais. Os resultados são apresentados em função do comprimento de carregamento, apresentando-se, em simultâneo, os resultados para ambas as configurações. É importante esclarecer que se apresentam nestes gráficos comparativos os resultados dos três provetes ensaiados, em paralelo com o resultado do MSI, além do resultado do modelo em que se considera uma imperfeição inicial de amplitude “x” (MCI x). a) b) 3 Figura 4.4: Comparação entre resultados numéricos e experimentais : a) I100-ETF-c15; b) I100-ITF-c15. a) b) Figura 4.5: Comparação entre resultados numéricos e experimentais: a) I100-ETF-c50; b) I1001 ITF-c50 . 3 Curvas MCI e MSI coincidentes, devido ao elevado valor da carga crítica. 97 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ a) b) Figura 4.6: Comparação entre resultados numéricos e experimentais: a) I100-ETF-c100; b) I100-ITF-c100. A partir da análise das figuras 4.4 a 4.6, pode verificar-se a pouca relevância dos MCI para a análise do perfil I100, pois os valores obtidos são coincidentes com os dos MSI para os níveis de carga suportados por este perfil. É importante referir que os MSI apresentam uma boa aproximação aos resultados experimentais, apresentando contudo uma rigidez ligeiramente superior à maioria dos ensaios, e, por outro lado, um andamento linear que não corresponde ao andamento não linear verificado em algumas séries experimentais (e.g. a série I100-ITFc15). Os dados das figuras 4.4 a 4.6 estão resumidos na tabela 4.2, na qual a rigidez foi obtida do MSI, enquanto os resultados experimentais são referidos como “Exp”. Refira-se que os resultados experimentais apresentam-se em termos de valores médios e coeficientes de variação (%). Apresentam-se também valores de cargas críticas de instabilidade e de cargas de rotura experimental. Tabela 4.2: Comparação entre resultados numéricos e experimentais, para o perfil I100. Chapa de Rigidez MSI Config. carregamento (kN/mm) (mm) ETF ITF 15 50 100 15 50 100 12,39 27,05 47,60 21,41 34,29 53,81 Rigidez média Exp (kN/mm) Rigidez MSI/Exp (-) Carga de Carga rotura média crítica Exp (kN) (kN) 12,17±22,5% 26,95±20,2% 36,82±0,3% 18,09±2,4% 29,37±1,9% 40,08±7,7% 1,02 1,00 1,29 1,18 1,17 1,34 16,77±19,0% 43,87 38,24±22,5% 66,58 45,48±8,2% 101,58 29,81±5,7% 94,77 41,11±7,6% 112,17 56,50±12,2% 136,46 98 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ Pode-se ainda verificar na tabela 4.2, que a modelação fornece cargas críticas claramente superiores às cargas de rotura experimentais, situação coerente com os resultados experimentais, em que não se observaram sinais de instabilidade. Pode-se então concluir que a não linearidade apresentada por algumas séries experimentais deverá estar relacionada com a degradação do material, pois não se verificaram fenómenos de instabilidade nos ensaios, nem os modelos os sugerem. Outra conclusão a retirar destes resultados prende-se com o módulo de elasticidade transversal considerado: tendo em conta os valores apresentados, o módulo de elasticidade transversal deverá ser ligeiramente inferior ao considerado (5 GPa). Nas figuras 4.7 a 4.12 apresentam-se diagramas de tensões e de Tsai-Hill, a partir dos MSI, para as séries I100: ETF-c15, ETF-c50, ITF-c15 e ITF-c50. Neste capítulo tratar-se-á a nomenclatura referente a tensões de forma distinta: S11 – tensões normais longitudinais (segundo o eixo do perfil); S12 – tensões de corte; S22 – tensões normais transversais (segundo a altura da alma); Su_X – tensão última segundo a direção X. a) b) Figura 4.7: Diagrama de tensões normais transversais (S22) para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I100-ETF-c15 (16,18 kN); b) I100-ETF-c50 (39,22 kN). a) b) Figura 4.8: Diagrama de tensões de corte (S12) para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I100-ETF-c15 (16,18 kN); b) I100-ETF-c50 (39,22 kN). 99 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ a) b) Figura 4.9: Diagrama do critério de Tsai-Hill (Tsaih) para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I100-ETF-c15 (16,18 kN); b) I100-ETF-c50 (39,22 kN). a) b) Figura 4.10: Diagrama de tensões normais transversais (S22) para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I100-ITF-c15 (31,32 kN); b) I100-ITF-c50 (39,68 kN). a) b) Figura 4.11: Diagrama de tensões de corte (S12) para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I100-ITF-c15 (31,32 kN); b) I100-ITF-c50 (39,68 kN). 100 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ a) b) Figura 4.12: Diagrama do critério de Tsai-Hill (Tsaih) para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I100-ITF-c15 (31,32 kN); b) I100-ITF-c50 (39,68 kN). Analisando as figuras 4.7 a 4.12, pode discernir-se uma concentração de tensões nas extremidades das chapas de carregamento. Como seria de esperar, os diagramas de tensões são simétricos em relação ao eixo longitudinal do provete, verificando-se concentrações de tensões idênticas em ambas as chapas de carregamento. Por outro lado, na configuração ETF, a concentração de tensões verificou-se apenas na extremidade interior das chapas de carregamento, enquanto na configuração ITF, se verificaram concentrações de tensões idênticas em todas extremidades das chapas de carregamento (verificam-se dois eixos de simetria). Os diagramas relativos ao critério de Tsai-Hill (figuras 4.9 e 4.12) são concordantes com os diagramas de tensões apresentados, identificando os elementos adjacentes às chapas de carregamento como elementos críticos. Outro aspeto que se pode verificar é a maior dispersão de tensões transversais com o aumento do comprimento de carregamento, não se verificando, contudo, uma dispersão assinalável de tensões de corte com o aumento do comprimento de carregamento; esta situação pode ser confirmada nas figuras 4.7 a 4.12, na comparação entre chapas de 15 e 50 mm. 4.3.2.2 – Análise ao critério de Tsai-Hill Esta secção pretende essencialmente centrar-se em dois aspetos distintos: comparar a carga de “rotura inicial”, associada ao instante em que o primeiro elemento atinge um índice do critério de Tsai-Hill unitário (“Tsaih=1”), com a força média de rotura experimental. Por outro lado, pretende-se avaliar a região de elementos em rotura (fornecidos pelo critério de Tsai-Hill com o índice “Tsaih>1”) para o nível da carga de rotura experimental. Desta forma, apresentase a figura 4.13, com o intuito de comparar a carga de “rotura inicial” (“Tsaih = 1” ) com a carga de rotura experimental. É importante esclarecer que, para o perfil I100, daqui por diante apenas se considerarão os MSI pelo facto de tanto a modelação como a análise dos modos de rotura descartarem a existência de fenómenos de instabilidade. 101 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Figura 4.13: Curvas força-deslocamento para o perfil I100. A partir da análise da figura 4.13, percebe-se que este critério apresenta resultados muito conservativos, sugerindo a rotura dos provetes para cargas muito inferiores à carga de rotura. Esta situação pode ser motivada pelo facto de este critério indicar a primeira rotura de um ponto, situação que não corresponde, de todo, à rotura do provete. Apresenta-se, de seguida, na tabela 4.3, um resumo dos dados refletidos na figura 4.13, além de figuras que indicam a distribuição de elementos que apresentam um critério de Tsai-Hill superior a 1 (figuras 4.14 a 4.16). Refira-se que nestas figuras se apresentam elementos num código de três cores: (i) Tsaih < 1 (azul); (ii) 1 Tsaih 2 (encarnado); (iii) Tsaih > 2 (cinzento). Tabela 4.3: Análise do critério de Tsai-Hill para o perfil I100. Largura da Carga de chapa de Configuração rotura inicial carregamento (kN) (mm) 15 7,84 ETF 50 16,20 100 31,66 15 12,10 50 20,28 ITF 100 33,73 102 Carga de rotura experimental (kN) 16,76 38,23 45,47 29,81 41,11 56,49 Rácio entre carga de rotura inicial e experimental (-) 0,47 0,42 0,70 0,41 0,49 0,60 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ a) b) Figura 4.14: Elementos que apresentam Tsaih>1, para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I100-ETF-c15 (16,18 kN); b) I100-ITF-c15 (31,32 kN). a) b) Figura 4.15: Elementos que apresentam Tsaih>1, para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I100-ETF-c50 (39,22 kN); b) I100-ITF-c50 (39,68 kN). a) b) Figura 4.16: Elementos que apresentam Tsaih>1, para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I100-ETF-c100 (43,89 kN); b) I100-ITF-c100 (63,19 kN). Analisando a tabela 4.3, pode verificar-se como este critério é conservativo para este tipo de carregamento, apresentando rácios de cerca de 50 %, entre as cargas de rotura inicial e experimental. Com a aplicação da chapa de carregamento de 100 mm, a carga de rotura inicial aproxima-se da experimental, situação expectável pelo facto de ocorrer uma distribuição de tensões mais homogénea pelo provete, quando se aumenta o comprimento de carregamento. Esta ideia não se confirma, contudo, na transição entre as chapas de 15 e 50 mm. Entre estes 103 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ comprimentos de carregamento, na configuração ETF, nota-se um comportamento distinto em relação ao modelo em que se aplicou a chapa de carregamento de 100 mm (figuras 4.14 a 4.16): nos modelos relativos às chapas de 15 e 50 mm, nota-se uma degradação para a zona central da alma (num ângulo de cerca de 45º), situação particularmente notória no modelo relativo à chapa de 50 mm; o modelo relativo à série ETF-c100 apresenta um comportamento mais próximo do apresentado pelos modelos ITF, com uma propagação da rotura para os elementos adjacentes às chapas de carregamento. 4.3.2.3 – Análise das tensões condicionantes Nesta secção pretende-se analisar a evolução das tensões com o carregamento, bem como a sua influência no critério de rotura considerado. É importante relembrar que o critério de TsaiHill depende dos rácios entre tensões atuantes e tensões últimas, elevados ao quadrado (expressão (4.1)). Desta forma, apresentar-se-ão dois tipos de gráficos distintos: (i) gráficos que representam a evolução do critério de Tsai-Hill, bem como dos rácios já referidos (figuras 4.17 a 4.19), permitindo aferir a contribuição de cada componente de tensão para este critério de rotura, e (ii) gráficos que representam a evolução das tensões mais relevantes, assinalando os níveis de carga de rotura experimental e inicial. a) b) 2 Figura 4.17: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su) ) e do critério de Tsai-Hill, para os modelos: a) I100-ETF-c15; b) I100-ITF-c15. As figuras 4.17 a 4.19 têm a função de mostrar a homogeneidade da evolução de tensões nas várias séries experimentais, notando-se a preponderância das tensões de corte para se atingir um valor unitário para o critério de Tsai-Hill. Outro resultado que se pode constatar é a ausência de influência da tensão longitudinal (S11) no índice de rotura do critério. 104 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ a) b) 2 Figura 4.18: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su) ) e do critério de Tsai-Hill, para os modelos: a) I100-ETF-c50; b) I100-ITF-c50. a) b) 2 Figura 4.19: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su) ) e do critério de Tsai-Hill, para os modelos: a) I100-ETF-c100; b) I100-ITF-c100. Será ainda interessante analisar a evolução das tensões, tendo em conta o nível de carga para o qual se atinge Tsaih = 1, para além do nível de carga em que a rotura experimental ocorre. Esta análise é ilustrada nas figuras 4.20 e 4.21 para as tensões S12 e S22, respetivamente. 105 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Figura 4.20: Evolução das tensões de corte (S12) com o carregamento. Figura 4.21: Evolução das tensões normais transversais (S22) com o carregamento. A partir da análise das figuras 4.20 e 4.21, retiram-se dois dados relevantes. Em primeiro lugar, reforça-se a ideia de que as tensões de corte (figura 4.20) são preponderantes para se atingir um valor unitário no critério de Tsai-Hill e, por isso, para que o primeiro ponto entre em rotura no perfil. Por outro lado, a figura 4.21 permite observar que a rotura total do perfil realmente ocorre quando se atingem, em média, tensões transversais próximas da tensão última. Será interessante comparar estas tendências com as dos restantes perfis. Outro resultado interessante prende-se com o facto de as tensões aumentarem mais rapidamente com o nível de carga para a configuração ETF do que para a ITF. Por outro lado, as tensões também aumentam mais rapidamente quando se aplicam chapas de carregamento de menor comprimento. Estes resultados, sendo expectáveis, contribuem para a validação dos modelos apresentados. 106 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ 4.3.3 – Perfil I120 4.3.3.1 – Adequação dos modelos aos ensaios de esmagamento Repete-se nesta secção a metodologia empregue para o perfil I100, apresentando-se, nas figuras 4.22 a 4.24, uma comparação entre resultados numéricos e experimentais. a) b) Figura 4.22: Comparação entre resultados numéricos e experimentais: a) I120-ETF-c15; b) 4 I120-ITF-c15 . a) b) Figura 4.23: Comparação entre resultados numéricos e experimentais: a) I120-ETF-c50; b) I120-ITF-c50. 4 Curvas dos MSI e dos MCI coincidentes, devido ao elevado valor da carga crítica. 107 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ a) b) Figura 4.24: Comparação entre resultados numéricos e experimentais: a) I120-ETF-c100; b) I120-ITF-c100. Das figuras 4.22 a 4.24, podem retirar-se várias conclusões: nota-se, desde logo, uma melhor aproximação da modelação aos ensaios ETF, enquanto os modelos relativos à configuração ITF, com e sem imperfeição, apresentam uma rigidez superior à apresentada pelos provetes ensaiados. Por outro lado, deve salientar-se que os MCI conduzem a cargas críticas inferiores às cargas de rotura experimentais, para as séries: I120-ETF-c50 e c120 e I120-ITF-c100. Este facto indicia uma boa calibração do modelo, pois os provetes pertencentes a estas séries experimentais apresentaram sinais de encurvadura (ver 3.4). Torna-se então relevante ter em conta os resultados fornecido pelos MCI, em termos (i) da distribuição do índice de rotura segundo o critério de Tsai-Hill e (ii) das distribuições de tensões. Na tabela 4.4 apresenta-se um resumo dos dados apresentados graficamente nas figuras 4.22 a 4.24. Tabela 4.4: Comparação entre resultados numéricos e experimentais, para o perfil I120. Chapa de Rigidez Rácio de Carga Rigidez média Carga de rotura Configuração carregamento MSI rigidezes crítica Exp (kN/mm) média Exp (kN) (mm) (kN/mm) MSI/Exp (kN) 15 13,14 13,15±1,7% 1,00 19,66±1,0% 22,78 ETF ITF 50 28,26 26,66±1,5% 1,06 38,88±7,3% 34,23 100 49,32 42,57±0,9% 1,16 64,86±6,1% 52,31 15 22,36 20,20±0,2% 1,11 32,17±3,8% 52,36 50 36,24 32,15±0,5% 1,13 51,96±3,5% 60,98 100 56,24 46,07±0,3% 1,22 76,97±7,4% 74,45 108 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ É interessante notar que o rácio entre os valores de rigidez obtidos numérica e experimentalmente aumenta com o comprimento de carregamento, representando uma limitação à adequação deste tipo de modelação aos resultados experimentais. Isto é, para o mesmo módulo de elasticidade transversal, a adequação dos modelos aos resultados experimentais parece depender do comprimento de carregamento e da configuração de ensaio. Não obstante, a modelação desenvolvida permite apresentar uma muito boa aproximação aos resultados obtidos experimentalmente, corroborando o módulo de elasticidade transversal considerado (8,5 GPa [26]). No entanto, os modelos dão origem a um comportamento ligeiramente mais rígido, especialmente na configuração ITF. 4.3.3.2 – Análise ao critério de Tsai-Hill Nesta secção analisa-se a distribuição do índice de rotura segundo o critério de Tsai-Hill para o nível de carga de rotura experimental, bem como a carga que provoca a rotura do primeiro ponto (rotura inicial). Até níveis de carga próximos da carga crítica, ambos os modelos (MCI e MSI) apresentam comportamentos praticamente idênticos; esta ideia fica clara após a análise das figuras 4.25 e 4.26, onde se apresentam os níveis de carga para a rotura inicial e para a rotura experimental dos MSI e dos MCI – os MCI só foram considerados para as séries enumeradas na secção anterior, em que se tenham verificado sinais de instabilidade nos ensaios experimentais. Figura 4.25: Curvas força-deslocamento ETF para o perfil I120. 109 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Figura 4.26: Curvas força-deslocamento ITF para o perfil I120. Através da análise das figuras 4.25 e 4.26, verifica-se que não existe uma influência significativa da imperfeição inicial no nível de carga em que se atinge a rotura inicial. No entanto, já não se pode desprezar a influência da imperfeição inicial no que diz respeito ao nível de carga de rotura experimental, pelo que será interessante comparar os diagramas de tensões apresentados pelos MSI e MCI a este nível. Na tabela 4.5, apresenta-se um resumo referente à utilização do critério Tsai-Hill para aferir a carga de rotura inicial dos MSI e o valor experimental da carga de rotura. Tabela 4.5: Análise do critério de Tsai-Hill para o perfil I120. Largura da chapa Configuração de carregamento (mm) 15 ETF 50 100 15 ITF Carga de Rotura Inicial (kN) 8,47 17,47 32,81 12,77 19,66 38,87 64,86 32,18 Rácio entre carga de rotura inicial e experimental 0,43 0,45 0,51 0,40 Carga de Rotura Experimental (kN) 50 22,08 51,95 0,42 100 37,22 76,98 0,48 Confirma-se a tendência demonstrada pelo perfil I100, pois o critério de rotura de Tsai-Hill volta a apresentar valores muito conservativos para o perfil I120 para este tipo de ação: os rácios entre cargas de rotura inicial e experimental são inferiores a 0,50 (exceto a série I120-ETFc100, com um rácio de 0,51). É ainda interessante constatar a reduzida variabilidade deste rácio, desde um mínimo de 0,40 até um máximo de 0,51, para diferentes valores do 110 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ comprimento de carregamento (15, 50, 100 mm) e de configuração de carregamento (ETF e ITF). Apresenta-se, nas figuras 4.27 a 4.31, a distribuição de elementos que verificam “Tsaih>1”, procedendo-se a uma comparação entre os resultados dos MSI e MCI para as séries experimentais em que tal seja relevante. Relembra-se de seguida o código de cores para este tipo de figuras (4.27 a 4.31): (i) Tsaih < 1 (azul), (ii) 1 Tsaih 2 (encarnado), (iii) Tsaih > 2 (cinzento). a) b) Figura 4.27: Elementos que apresentam Tsaih>1, para a carga de rotura experimental, nos modelos: a) I120-ETF-c15 (19,56 kN); b) I120-ITF-c15 (33,36 kN). a) b) Figura 4.28: Elementos que apresentam Tsaih>1, para a carga de rotura experimental, nos modelos I120-ITF-c50: a) MSI (54,01 kN); b) MCI (54,00 kN). 111 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ a) b) Figura 4.29: Comparação entre distribuição do critério de Tsai-Hill para os modelos I120-ETFc50: a) MSI (39,22 kN); b) MCI (34,12 kN). a) b) c) d) Figura 4.30: Distribuição de elementos que verificam “Tsaih>1” para os modelos I120-ETFc100: a) MSI (60,95 kN); b) MCI (53,24 kN); c) MSI, escala pormenorizada (60,95 kN); d) MCI, escala pormenorizada (53,24 kN). 112 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ a) b) Figura 4.31: Distribuição de elementos que verificam “Tsaih>1” para o modelo I120-ITF-c100: a) MSI (78,11 kN); b) MCI (71,15 kN). As figuras 4.29 a 4.31 ilustram a maior relevância da zona central da alma nos MCI, para níveis de carga próximos da carga de rotura experimental. Pode-se também verificar que para níveis de carga semelhantes, os MCI apresentam áreas consideravelmente superiores de elementos verificando um índice de rotura de Tsai-Hill unitário ou superior. Contudo, é relevante apontar que esta distribuição, relativa ao critério de Tsai-Hill, só se verifica nos MCI para níveis de carga próximos da carga crítica. Esta situação está ilustrada na figura 4.28, em que se pode verificar uma grande semelhança entre os resultados dos MSI e dos MCI, numa série em que a carga crítica é superior à carga de rotura experimental. De forma a melhor ilustrar a diferença entre os diagramas do índice de rotura de Tsai-Hill nos MSI e MCI, apresentam-se na figura 4.30 as distribuições do índice de rotura numa escala mais pormenorizada. A partir da observação dos resultados apresentados nas figuras 4.29 a 4.31, é notório que para estudar os MCI não basta ter em conta os elementos da zona de ligação banzo-alma. Será também preciso analisar a zona central da alma, especialmente para níveis de carga próximos da carga crítica. Desta forma, apresenta-se na figura 4.32 um diagrama ilustrativo dos elementos considerados críticos para a análise dos MSI e MCI. 113 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Modelos sem imperfeição (MSI) ITF Modelos com imperfeição (MCI) ITF ETF ETF Elementos críticos Figura 4.32: Zonas críticas de MSI e MCI. 4.3.3.3 – Análise das tensões condicionantes Nesta secção, comparam-se os resultados dos MSI e MCI relativamente à evolução das componentes de tensão, segundo o critério Tsai-Hill, com a carga. Desta forma, compara-se a evolução das tensões nas zonas críticas dos MCI com a evolução das tensões nos MSI. Apresenta-se, nas figuras 4.33 a 4.35, a evolução destes parâmetros para algumas das séries estudadas. De forma a facilitar a apresentação de resultados, designou-se a zona de ligação banzo-alma como zona “A” e a zona central da alma como zona “B” – convém ressalvar que esta distinção apenas se considera para os MCI. 114 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ a) b) 2 Figura 4.33: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su) ) e do critério de Tsai-Hill, para os MSI: a) I120-ETF-c15; b) I120-ITF-c15. 2 Figura 4.34: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su) ) e do critério de Tsai-Hill, para o MSI I120-ITF-c50. 115 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ a) b) 2 Figura 4.35: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su) ) e do critério de Tsai-Hill, para os modelos: a) I120-ETF-c50, MSI; b) I120-ETF-c50, MCI. Na figura 4.35 (b) apenas se apresenta a tensão transversal (S22) para a zona central da alma (zona B); esta opção foi tomada devido à irrelevância das restantes tensões – aliás, a tensão de corte é praticamente nula na zona central da alma. A partir da análise da figura 4.35, pode perceber-se que a zona da ligação banzo-alma (A) começa por ser a zona mais condicionante do provete (nos MCI e MSI), sendo nesta zona que se atinge “Tsaih=1”, ou seja, a rotura inicial. Contudo, a zona central da alma ganha preponderância para cargas próximas da crítica (nos MCI), concentrando tensões transversais crescentes. Em sentido contrário, a zona de ligação banzo-alma começa a apresentar níveis de tensão transversal decrescentes a partir de cargas próximas da crítica. Nas figuras 4.36 a 4.38, apresenta-se uma sequência de níveis de carga que permite observar esta evolução. 27,86 kN 32,33 kN 34,12 kN Figura 4.36: Evolução do diagrama de Tsai-Hill para o MCI I120-ETF-c50. 116 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ 27,86 kN 32,33 kN 34,12 kN Figura 4.37: Evolução do diagrama de tensões normais transversais (S22) para o MCI I120-ETF-c50. 27,86 kN 32,33 kN 34,12 kN Figura 4.38: Evolução do diagrama de tensões de corte (S12) para o MCI I120-ETF-c50. Através da análise das figuras 4.36 a 4.38, pode notar-se a mudança já referida no comportamento do provete, para cargas próximas da crítica (34,23 kN); esta evolução no comportamento do modelo é particularmente notória em termos de tensões normais transversais (S22) e do critério de rotura (figuras 4.36 e 4.37). Em relação às tensões de corte (S12), verifica-se um crescimento semelhante aos MSI, nas zonas de ligação banzo-alma (figura 4.38). Finalmente, apresenta-se nas figuras 4.39 e 4.40 a evolução das tensões nos elementos críticos com o carregamento, assinalando-se os níveis de carga mais relevantes (rotura inicial e rotura experimental). Refira-se que para esta análise se consideraram os MSI. 117 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Figura 4.39: Evolução da tensão de corte (S12) com o carregamento, para os MSI I120. Figura 4.40: Evolução da tensão transversal (S22) com o carregamento, para os MSI I120. A partir da análise das figuras 4.39 e 4.40, podem retirar-se várias conclusões. Em primeiro lugar, volta-se a constatar a preponderância da tensão de corte no nível de carga em que se atinge um valor unitário do índice de Tsai-Hill (rotura inicial). Por outro lado, é também relevante notar a proximidade entre a tensão transversal última e a tensão transversal para a qual ocorre a rotura experimental. Mais uma vez, pode-se também verificar a diferente evolução das tensões em função do comprimento e da configuração de carregamento, verificando-se novamente um crescimento de tensões mais rápido para os menores comprimentos de carregamento e para a configuração ETF. 118 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ A partir da análise dos perfis I100 e I120, pode concluir-se que, para aquelas geometrias e carregamentos, a previsão da rotura de um provete pode ser conseguida através da carga em que este atinge a tensão normal transversal última (Su22) no elemento crítico do MSI, da zona de ligação banzo-alma. Será importante confrontar esta constatação com os resultados dos perfis I200 e I400, a apresentar em seguida. 4.3.4 – Perfil I200 4.3.4.1 – Adequação dos modelos aos ensaios de esmagamento Uma questão que se considerou interessante estudar foi a análise de estabilidade deste perfil, pois trata-se de um perfil com proporções similares ao perfil I120, mas que não apresentou sinais de instabilidade nas suas séries experimentais. Repete-se, nesta secção, a metodologia seguida no caso dos perfis anteriores, apresentandose curvas comparativas entre os resultados numéricos e experimentais, nas figuras 4.41 a 4.43. Deve referir-se que houve um erro na leitura de deslocamentos do provete I200-ITF-c151* (fig. 4.41), o qual se apresenta, contudo, por ser possível discernir a sua rigidez, no troço inicial, além da sua resistência última. a) b) Figura 4.41: Comparação entre resultados numéricos e experimentais: a) I200-ETF-c15; b) 5 I200-ITF-c15 . 5 Curvas dos MSI e dos MCI coincidentes, devido ao elevado valor da carga crítica. 119 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ a) b) Figura 4.42: Comparação entre resultados numéricos e experimentais: a) I200-ETF-c50; b) I200-ITF-c50. a) b) Figura 4.43: Comparação entre resultados numéricos e experimentais: a) I200-ETF-c100; b) I200-ITF-c100. Através das figuras 4.41 a 4.43, constata-se que estes modelos apresentam rigidezes inferiores aos resultados experimentais, situação particularmente notória na configuração ETF. Por outro lado, a análise numérica volta a originar cargas críticas inferiores às cargas de rotura experimental, para as mesmas séries anteriormente consideradas no perfil I120: ETF-c50 e c100 e ITF-c50 e c100. Como nos ensaios experimentais relativos ao perfil I200 não se identificaram sinais de instabilidade, pode concluir-se que a adequação dos MCI não será a melhor. É importante destacar que um módulo de elasticidade superior ao considerado (5 GPa) 120 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ contribuiria para a aproximação entre resultados numéricos e experimentais, contribuindo ainda para o aumento da carga crítica. Estes dados suportam, no fim de contas, o módulo de elasticidade (5,74 GPa) sugerido por Correia [14]. Na tabela 4.6 apresenta-se um resumo dos resultados ilustrados nas figuras 4.41 a 4.43. Tabela 4.6: Comparação entre resultados numéricos e experimentais, para o perfil I200. Chapa de Rigidez Rigidez Rácio de Carga de Configuração carregamento MSI média Exp rigidezes rotura média (mm) (kN/mm) (kN/mm) MSI/Exp Exp (kN) 15 11,30 12,89±7,7% 0,88 37,15±7,6% ETF 50 20,82 26,05±6,3% 0,80 78,17±0,8% 100 33,55 37,78±3,5% 0,89 115,33±15,2% 15 22,85 23,65±9,0% 0,97 67,83±5,6% ITF 50 31,34 33,82±7,2% 0,93 109,09±3,4% 100 43,23 43,99±2,3% 0,98 161,34±1,1% Carga crítica (kN) 40,82 51,13 67,61 96,45 104,28 116,54 Assim, será interessante avaliar também a modelação referente ao perfil I400, a fim de verificar a fiabilidade do método de ensaio utilizado para estimar o módulo de elasticidade em compressão (método 2 no subcapítulo 3.3.3). Convém referir que não se abordará com pormenor, nas secções seguintes, os MCI para o perfil I200, pelo facto de não se ter identificado sinais de instabilidade nos ensaios experimentais. 4.3.4.2 – Análise ao critério de Tsai-Hill Em primeiro lugar, apresentam-se as figuras 4.44 e 4.45, que mostram os resultados numéricos, sublinhando os níveis de carga mais relevantes neste estudo. No caso do perfil I200, assinala-se os níveis de carga em que se atinge um índice de Tsai-Hill unitário, para as tensões últimas de 60 e 90 MPa, além do nível de carga de rotura experimental. É importante deixar claro que não é necessário considerar gráficos distintos para os modelos com tensões transversais últimas distintas, pois o andamento do gráfico não é influenciado por esse parâmetro, mas sim pelo módulo de elasticidade transversal. Verifica-se, através das figuras 4.44 e 4.45, que a variação na tensão última transversal influencia a carga com que se atinge um índice de Tsai-Hill unitário. Contudo, a influência não é muito significativa: uma variação de 50% na tensão última (60 para 90 MPa) provoca um aumento máximo de carga de rotura inicial a rondar os 20%. De facto, seria de prever esta situação devido à maior relevância das tensões de corte para o nível de carga em que se atinge a rotura inicial, situação verificada na análise dos perfis anteriores e que deverá ser confirmada na secção seguinte (4.3.4.3). 121 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Figura 4.44: Curvas força-deslocamento ETF para o perfil I200 (MSI). Figura 4.45: Curvas força-deslocamento ITF para o perfil I200 (MSI). Por fim vale a pena referir que as figuras 4.44 e 4.45, sendo úteis para se observar o efeito da variação de tensões últimas (Su22) no critério de Tsai-Hill, não permitem concluir sobre qual o valor que conduz a uma melhor aproximação. Para se tentar discernir entre os dois valores (60 e 90 MPa), será necessário avaliar a evolução de tensões e do critério de rotura, comparando essas tendências com a dos perfis já estudados, estudo realizado na secção 4.3.4.3. A interpretação dos restantes dados relativos ao critério de Tsai-Hill será apresentada na mesma secção, mediante a escolha do modelo mais adequado. 4.3.4.3 – Análise das tensões condicionantes Nesta secção analisar-se-á a evolução do critério de rotura considerado, além das tensões condicionantes, em função do tipo de carregamento. As tensões condicionantes são a tensão de corte (S12) e a tensão transversal (S22) como já foi amplamente corroborado nos 122 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ subcapítulos 4.3.3 e 4.3.4. Desta forma, apresenta-se nas figuras 4.46 a 4.49 o andamento dos parâmetros referidos para os dois valores de Su22 considerados: Su22 = 60 MPa e Su22 = 90 MPa. a) b) 2 Figura 4.46: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su) ) e do critério de Tsai-Hill, no modelo I200-ETF-c15: a) Su22=60 MPa; b) Su22=90 MPa. a) b) 2 Figura 4.47: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su) ) e do critério de Tsai-Hill, no modelo I200-ETF-c50: a) Su22=60 MPa; b) Su22=90 MPa. A partir das figuras 4.46 a 4.49, conclui-se que as tensões e o índice de rotura apresentam comportamentos muito distintos: no modelo em que se considera uma tensão normal transversal última de 60 MPa, o comportamento dos rácios de tensões de corte e transversal são bastante similares, situação que não se verifica nos restantes perfis (rever 4.3.2 e 4.3.3). No modelo em que se considera uma tensão transversal última de 90 MPa, o rácio de tensão transversal (S22/Su22) apresenta uma evolução mais suave com o carregamento, estando em concordância com os restantes perfis até agora analisados. Confirma-se, então, que o valor de 123 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Su22 obtido em trabalhos anteriores [14] estará mais de acordo com o comportamento observado nos outros perfis, enquanto o valor obtido na campanha experimental desta dissertação se mostrou excessivamente conservativo. Desta forma, considera-se o modelo com Su22 = 90 MPa nas análises cujos resultados se mostram em seguida. a) b) 2 Figura 4.48: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su) ) e do critério de Tsai-Hill, no modelo I200-ITF-c50: a) Su22=60 MPa; b) Su22=90 MPa. a) b) 2 Figura 4.49: Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su) ) e do critério de Tsai-Hill, no modelo I200-ITF-c100: a) Su22=60 MPa; b) Su22=90 MPa. 124 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ As figuras 4.46 a 4.49 apenas incluem os resultados das séries experimentais ETF-c15 e c50, e ITF-c50 e c100. Refira-se que a tendência descrita, em termos de tensões, é comum a todas as séries experimentais. Na tabela 4.7 apresenta-se um resumo de resultados relevantes dos modelos referentes ao perfil I200, tendo em conta uma tensão normal transversal última de 90 MPa. Tabela 4.7: Análise do critério de Tsai-Hill para o perfil I200 (MSI). Largura da chapa Carga de Carga de Rotura Rácio entre carga Configuração de carregamento Rotura Inicial Experimental de rotura inicial e (mm) (kN) (kN) experimental c15 13,86 37,15 0,37 ETF c50 23,13 78,17 0,30 c100 38,55 115,44 0,33 c15 23,49 68,07 0,35 c50 34,70 109,39 0,32 ITF c100 49,39 161,69 0,31 A partir da observação da tabela 4.7, pode constatar-se que o critério de Tsai-Hill conduz a valores muito reduzidos da carga de rotura inicial, relativamente à carga de rotura experimental; aliás, por comparação com os perfis I100 e I120, o perfil I200 é aquele que apresenta menores rácios entre valores de cargas de rotura inicial e experimental (média de 0,33). A este respeito, nota-se também uma reduzida variabilidade deste rácio, desde 0,30 (mínimo) até 0,37 (máximo). A análise dos resultados do perfil I400 permitirá verificar a existência de um possível efeito de escala nestes valores. Refira-se, por fim, que a consideração de uma tensão normal transversal última de 60 MPa afastaria, ainda mais, os resultados do perfil em relação aos resultados obtidos para os perfis I100 e I120, no que concerne aos rácios apresentados na tabela 4.9, ou seja, torná-los-ia ainda mais reduzidos. Nas figuras 4.50 e 4.51, apresenta-se a relação entre as tensões transversais e de corte com os níveis de carga em que se atinge a carga de rotura inicial e experimental. 125 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Figura 4.50: Relação entre as tensões de corte (S12) e níveis de carga críticos (MSI). Figura 4.51: Relação entre as tensões transversais (S22) e níveis de carga críticos (MSI). Como se pode perceber da observação das figuras 4.50 e 4.51, a tensão de corte confirma a influência, demonstrada no estudo dos perfis anteriores, no que diz respeito à carga de rotura inicial. Por outro lado, no caso deste perfil e contrariamente aos perfis I100 e I120, a rotura ocorre para valores de tensão transversal consideravelmente superiores à tensão última, no elemento crítico. Assim, o perfil I200 destaca-se dos restantes, não se devendo estimar o nível de carga de rotura como aquele em que se atinge a tensão transversal última. Tal procedimento pode ser implementado, mas conduziria a resultados muito conservativos. Apresenta-se nas figuras 4.52 a 4.54, a distribuição de elementos que verificam “Tsaih>1”, para o carregamento de rotura experimental. Para esclarecimento do leitor, apresentam-se no Anexo 3.3 os diagramas de tensões para os vários modelos referentes ao perfil I200. 126 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ a) b) Figura 4.52: Distribuição do índice de “Tsaih” para os MSI: a) I200-ETF-c15 (36,13 kN); b) I200ITF-c15 (68,33 kN). a) b) Figura 4.53: Distribuição do índice de “Tsaih” para os MSI: a) I200-ETF-c50 (79,16 kN); b) I200ITF-c50 (112,51 kN). a) b) Figura 4.54: Distribuição do índice de “Tsaih” para os MSI: a) I200-ETF-c100 (119,07 kN); b) I200-ITF-c100 (163,87 kN). Analisando as figuras 4.52 a 4.54, pode identificar-se a mesma tendência verificada anteriormente no caso do perfil I100: os modelos relativos à configuração ETF apresentam uma distribuição de elementos verificando “Tsaih>1” distinta da configuração ITF. Para comprimentos de carregamento inferiores ou iguais a metade da altura do perfil, existe uma distribuição para a zona central da alma, que não se evidencia na configuração ITF. Os 127 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ modelos relativos à configuração ITF apresentam resultados semelhantes aos dos perfis anteriores, com a concentração dos “elementos críticos” na zona de carregamento do provete. É também interessante verificar que os modelos criados para este perfil apresentam áreas coloridas a encarnado e cinzento (onde se verifica “Tsaih>1”) de maior dimensão em relação aos perfis I100 e I120. Este resultado está relacionado com a maior diferença entre os valores da carga de rotura inicial e experimental, observada no comportamento deste perfil. 4.3.5 – Perfil I400 4.3.5.1 – Adequação dos modelos aos ensaios de esmagamento Finalmente, apresentam-se os resultados relativos ao perfil I400. O estudo experimental demonstrou que, apesar de este perfil ter maiores dimensões que os restantes, o perfil I400 apresenta valores inferiores de resistência e rigidez, quando comparado com o perfil I200. Será interessante verificar se a modelação e análise numérica deste perfil fornecem resultados similares. As figuras 4.56 e 4.57 permitem comparar os resultados dos modelos numéricos com os resultados dos ensaios experimentais, mostrando-se, nesta fase, os resultados de modelos numéricos baseados nos valores do módulo de elasticidade transversal de 4 e 5,5 GPa. Figura 4.55: Comparação entre resultados numéricos e experimentais para o modelo I400-ETF. Observando as figuras 4.55 e 4.56, torna-se fácil perceber que os modelos que consideram um módulo de elasticidade transversal de 4,0 GPa apresentam uma rigidez muito mais próxima da rigidez medida nos ensaios experimentais. Por outro lado, na configuração ETF o modelo de 4,0 GPa apresenta uma carga crítica muito próxima da carga de rotura, situação que coincide com os modos de rotura observados experimentalmente, pois todos os provetes ETF 128 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ apresentaram sinais de instabilidade da alma. Assim, e daqui em diante, considerar-se-á 6 apenas o módulo de elasticidade fornecido pelos ensaios de tração transversal . 7 Figura 4.56: Comparação entre resultados numéricos e experimentais para o modelo I400-ITF . Na tabela 4.8 apresenta-se o resumo de alguns resultados relevantes, complementares aos que são apresentados nas figuras 4.55 e 4.56, incluindo-se os resultados relativos ao modelo desenvolvido com um módulo de elasticidade igual a 5,5 GPa. Tabela 4.8: Comparação entre resultados numéricos e experimentais, para o perfil I100. Config. ETF ITF Chapa de carreg. (mm) Módulo de Elasticidade Transversal (GPa) 100 100 100 100 4 5,5 4 5,5 Rigidez (MSI) 25,29 33,20 38,93 49,38 Rigidez média Exp (kN/mm) 23,52±4,8% 39,67±7,7% Rácio de Carga de Carga rigidezes rotura média crítica MSI/Exp (kN) (kN) 1,08 1,41 0,98 1,24 74,83 94,02 153,08 127,26±5,5% 193,55 73,99±12,3% É importante referir que se terá de considerar o MCI para a configuração ETF por forma a se obter uma simulação mais rigorosa. No caso da configuração ITF, os ensaios experimentais e os modelos criados afastam a relevância da imperfeição inicial. Em relação aos MCI-ETF, seguir-se-á em primeiro lugar a metodologia empregue para os restantes perfis, com uma 6 O ensaio de compressão, segundo o método 2, não estando padronizado, levanta algumas questões: no caso do perfil I400 considerou-se um vão de 10 cm, apenas cerca de seis vezes superior à espessura e quatro vezes superior à largura, enquanto na norma de ensaios de tração [23] se sugerem vãos de pelo menos 15 cm; mesmo no caso do perfil I200, em que se determinou um módulo de elasticidade mais próximo do que será o real, este método sugere um valor inferior ao que se verificou nos ensaios de esmagamento; desta forma, fica a ideia para trabalhos futuros de investigar e normalizar um ensaio de compressão, utilizando uma metodologia semelhante à empregue no método 2. 7 Curvas dos MSI (5,5 GPa) e dos MCI 0,1 (5,5 GPa) são coincidentes, devido ao elevado valor da carga crítica. 129 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ imperfeição muito reduzida (0,1 mm), apresentando-se na secção 4.3.5.6 um método alternativo, no sentido de testar modelos com imperfeições de maior amplitude. 4.3.5.2 – Análise ao critério de Tsai-Hill Em primeiro lugar, apresentam-se na figura 4.57 os resultados numéricos, para as configurações ETF e ITF, assinalando os níveis de carga em que se atingiu a carga de rotura inicial (Tsai-Hill = 1) e a carga de rotura experimental. É importante referir que na figura 4.57 se assinalam também os níveis de carga relevantes para o MCI (níveis de carga 71,03; 72,35 e 74,54 kN), de forma a observar a evolução do índice de Tsai-Hill e das tensões mais relevantes na secção seguinte. Na tabela 4.9, procede-se a um resumo de dados relevantes em relação à análise ao critério de Tsai-Hill. Refira-se que se consideram apenas os modelos que apresentam um módulo de elasticidade de 4 GPa. Figura 4.57: Curvas força-deslocamento para o perfil I400. Tabela 4.9: Análise do critério de Tsai-Hill para o perfil I400. Largura da Carga de Carga de Rácio entre carga chapa de Rotura Rotura Configuração de rotura inicial carregamento Inicial Experimental e experimental (mm) (kN) (MSI) (kN) ETF 100 47,12 73,99 0,66 ITF 100 63,29 127,26 0,50 É interessante verificar na tabela 4.9, que este perfil apresenta níveis de carga mais próximos em termos de rotura inicial e experimental (0,50 e 0,66), quando comparado com os restantes perfis analisados. Nas figuras 4.58 e 4.59 apresentam-se as distribuições de elementos que verificam “Tsaih>1”, para os MSI e MCI (para a configuração ETF). 130 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ Figura 4.58: Distribuição de elementos que verificam “Tsaih>1” no modelo I400-ITF (132,66 kN). a) b) c) d) Figura 4.59: Distribuição de elementos que verificam “Tsaih>1” nos modelos I400-ETF: a) MSI (74,26 kN); b) MCI (71,03 kN); c) MCI (72,35 kN); d) MCI (74,54 kN). Da análise da figura 4.59, verifica-se que os MSI e os MCI apresentam inicialmente uma distribuição similar de elementos finitos que verificam “Tsaih>1”, situação que se altera na proximidade da carga crítica. Para níveis de carga próximos da carga crítica, o MCI apresenta uma grande concentração destes elementos na zona central da alma, analogamente ao comportamento dos MCI relativos ao perfil I120. 4.3.5.3– Análise das tensões condicionantes Nesta secção procede-se a uma análise semelhante às efetuadas anteriormente para os restantes perfis, nomeadamente avaliando a evolução das tensões e do critério de rotura com o 131 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ aumento do carregamento. Realiza-se ainda uma comparação entre MSI e MCI, para a configuração ETF. Estes dados podem ser analisados nas figuras 4.60 a 4.62. Convém esclarecer que se apresentam nestas figuras os elementos finitos relativos aos MCI em duas zonas críticas: ligação banzo-alma (A) e zona central da alma (B) (zonas críticas dos modelos MSI e MCI ilustradas na figura 4.32). a) b) Figura 4.60: Evolução de rácios de tensões e critério de Tsai-Hill nos modelos I400-ETF; a) Evolução das tensões e do critério de rotura no MSI; b) Evolução do critério de Tsai-Hill, para MSI e MCI. Um dado relevante que se pode retirar da análise das figuras 4.61 e 4.63 está relacionado com a evolução das tensões em função do carregamento, pois o comportamento demonstrado pelos modelos referentes a este perfil é similar ao revelado pelos restantes modelos: (i) uma evolução mais “rápida” da tensão de corte, em função da tensão de corte última, (ii) e uma evolução mais suave da tensão transversal em função da tensão última. 132 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ Figura 4.61: Comparação da evolução das tensões transversais (S22) entre os MSI e os MCI da série I400-ETF. a) b) Figura 4.62: Evolução de tensões e critério de Tsai-Hill, no modelo I400-ITF: 2 a) Evolução dos rácios de tensões ( (S/Su) ) e do critério de Tsai-Hill; b) Evolução das tensões S22 e S12, em função do carregamento. A evolução da tensão transversal do MCI, assinalada na figura 4.61, pode ser constatada através da análise dos diagramas de tensões fornecidos pelo programa, e apresentados na figura 4.63. Relembre-se que esta questão é relevante, pois diferencia os MSI dos MCI: nos MSI as tensões evoluem linearmente, não se alterando nunca a zona crítica, enquanto nos MCI as tensões evoluem linearmente até uma carga próxima da crítica, podendo variar depois de forma não linear, passando a zona crítica a localizar-se na zona central da alma. 133 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ a) 69,96 kN b) 71,03 kN c) 72,34 kN Figura 4.63: Evolução das tensões transversais (S22) no MCI I400-ETF. Finalmente, apresenta-se nas figuras 4.64 e 4.65 a relação entre a evolução de tensões nos modelos e os níveis de carga críticos; esta análise referir-se-á apenas aos MSI, por uma questão de simplicidade e por apenas se considerar a zona de ligação banzo-alma. Figura 4.64: Evolução das tensões de corte (S12) com o carregamento (MSI). Figura 4.65: Evolução das tensões transversais (S22) com o carregamento (MSI). 134 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ Conforme constatado para os restantes perfis, os modelos relativos ao perfil I400 conduzem à rotura inicial quando se atinge a tensão de corte última na zona de ligação banzo-alma (figura 4.64). Esta tendência foi consistente na análise de todos os modelos apresentados. Por outro lado, os modelos relativos ao perfil I400 apresentam uma tensão normal transversal inferior à última, para um nível de carga equivalente à carga de rotura experimental. O perfil I400 é o único a apresentar estes valores de tensão transversal para a carga de rotura experimental, já que a maioria dos restantes modelos apresenta valores superiores à tensão normal transversal última do material. Desta forma, a hipótese formulada após a análise dos perfis I100 e I120 perde validade para perfis de maior dimensão. Tanto o perfil I200 como o I400 apresentam tensões transversais muito diferentes em relação à respetiva tensão transversal última, quando submetidos à carga de rotura experimental, pelo que não se poderá estimar a rotura de provetes deste tipo através da análise direta dos valores de tensão transversal numéricos. Contudo, esta não deixa de ser uma hipótese interessante a testar em trabalhos futuros, especialmente para perfis de menor dimensão. 4.3.5.4 – Estudo sobre a influência da imperfeição inicial Nesta última secção, apresenta-se um estudo numérico sobre a influência da imperfeição geométrica inicial na rotura inicial do perfil I400 na configuração ETF, utilizando o MCI. Neste estudo, utilizou-se um procedimento diferente para inserir a imperfeição geométrica inicial: aplicou-se uma carga a meia altura da alma, na extremidade carregada do provete, de forma a recriar a forma do modo crítico fornecido pela análise de estabilidade. Refira-se que houve a necessidade de colocar apoios nas extremidades dos banzos para não ocorrerem problemas de contacto devido à carga inicial; naturalmente estes apoios não podem condicionar o deslocamento vertical do banzo em que se aplicar o carregamento final. Em primeiro lugar, compararam-se os resultados deste método com os resultados fornecidos pela análise considerando a imperfeição com a forma exata do modo crítico, baseada na análise de estabilidade. Como a análise apresentada nas secções atrás se baseou numa imperfeição inicial de 0,1 mm, determinou-se em primeiro lugar uma carga que produzisse uma flecha similar, tendo-se chegado ao valor de 42 N, força que produz uma flecha de cerca de 0,1 mm. Na figura 4.66 apresenta-se uma comparação entre resultados obtidos das duas análises (imperfeição no modo crítico e imperfeição na deformada por força lateral equivalente). 135 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ a) b) Figura 4.66: Comparação entre análise baseada no modo crítico e na força lateral equivalente: a) curvas força-deslocamento; b) variação do deslocamento a meio da alma com o deslocamento imposto. (escalas distintas) A partir da comparação efetuada na figura 4.66 e da comparação entre diagramas de tensões, validou-se esta metodologia (imperfeição por força lateral equivalente). Aumentou-se então o valor da força equivalente, de forma a aumentar a amplitude da imperfeição inicial, para estudar o efeito deste aumento nas tensões e no índice de rotura considerado. Consideraramse então forças de 0,05 kN, 0,5 kN e 1 kN para a obtenção de imperfeições iniciais com amplitudes de 0,12 mm, 1,2 mm e 2,4 mm, respetivamente. A comparação entre os resultados relativos a estas três imperfeições é apresentada na tabela 4.10 e na figura 4.67. Tabela 4.10: Comparação entre resultados fornecidos por diferentes imperfeições iniciais. Carga de rotura inicial Imperfeição (mm) 0,12 1,20 2,40 Desloc. Vertical (mm) 1,94 1,95 2,19 Carga (kN) “Tsaih” 49,11 48,65 51,59 1,03 0,99 1,00 136 Deslocamento final experimental (3,5 mm) Desloc. Carga Vertical (kN) (mm) 3,43 74,6 3,49 71,1 3,48 67,6 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ a) b) Figura 4.67: Comparação entre diferentes amplitudes iniciais, em termos de: a) curva forçadeslocamento; b) amplitude da imperfeição. (escalas distintas) Através da análise dos dados apresentados na tabela 4.10 e na figura 4.67, podem retirar-se as seguintes conclusões: a variação da imperfeição não afeta a rigidez inicial do modelo, não influenciando também a carga de rotura inicial; no entanto, a variação da imperfeição inicial afeta o comportamento dos modelos, reduzindo a rigidez para cargas decrescentes com o aumento da imperfeição inicial, situação visível na curva força-deslocamento (figura 4.68 (a)). Nas figuras 4.68 e 4.69, apresenta-se uma comparação entre o diagrama relativo ao critério de Tsai-Hill (figura 4.68) e uma comparação entre os diagramas de tensões de corte, para as três imperfeições iniciais consideradas (figura 4.69). a) b) Figura 4.68: Distribuição do índice de Tsai-Hill, para um deslocamento próximo dos 3,5 mm: a) 0,12 mm (74,6 kN); b) 1,2 mm (71,1 kN); c) 2,4 mm (67,63 kN). 137 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ c) Figura 4.68: Distribuição do índice de Tsai-Hill, para um deslocamento próximo dos 3,5 mm: a) 0,12 mm (74,6 kN); b) 1,2 mm (71,1 kN); c) 2,4 mm (67,63 kN). a) b) c) Figura 4.69: Comparação entre diagramas de tensões de corte para modelos com amplitudes iniciais de: a) 0,12 mm (74,6 kN); b) 1,2 mm (71,1 kN); c) 2,4 mm (67,63 kN). 138 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ Como seria expectável, o aumento da imperfeição inicial confere maior relevância à zona central da alma (devido à maior facilidade do provete em instabilizar), verificando-se concentrações crescentes de tensões com o aumento da imperfeição inicial, situação ilustrada na figura 4.68 através dos diagramas relativos ao índice de rotura. É interessante ainda referir que o aumento de imperfeição afeta também a distribuição das tensões de corte, aumentando a sua dispersão com a amplitude da imperfeição inicial (figura 4.69). Os diagramas de tensões transversais são bastante similares para as três amplitudes iniciais, variando apenas no valor de tensão na zona central da alma (crescente com o carregamento inicial). Estes diagramas estão apresentados no Anexo 3.4. Na figura 4.70, apresenta-se a evolução das tensões mais relevantes, com o carregamento vertical. Estas figuras visam comparar o andamento das várias tensões e do critério de rotura, entre as três imperfeições iniciais consideradas. a) b) c) Figura 4.70: Evolução das tensões condicionantes e do critério de rotura para os modelos de amplitude inicial: a) 0,12 mm (74,6 kN); b) 1,2 mm (71,1 kN); c) 2,4 mm (67,63 kN). 139 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Como se observa na figura 4.70, a tensão de corte é sempre aquela que mais condiciona o critério de rotura. Por outro lado, o aumento da imperfeição inicial promove a relevância da zona central da alma como zona crítica, verificando-se um aumento de tensões transversais nessa zona e um decréscimo na zona de ligação banzo-alma. Os resultados da análise realizada nesta secção comparam bem com os da análise efetuada na secção anterior, através da análise de estabilidade, verificando-se evoluções de tensões semelhantes. As variações provocadas pelo aumento da imperfeição inicial apenas realçam os resultados obtidos para imperfeições reduzidas, não provocando alterações de vulto nas distribuições de tensões ou no índice de rotura. 4.4 – Conclusões Neste capítulo apresentaram-se modelos de elementos finitos correspondentes a cada um dos ensaios de esmagamento realizados, na disposição não rotulada. Expôs-se uma análise global destes modelos, incluindo análises de estabilidade e não lineares. Também se recorreu a análises com e sem imperfeição inicial, tendo-se retirado algumas conclusões relevantes. É importante referir que os modelos numéricos mostraram uma boa adequação aos resultados experimentais, mediante uma caracterização correta do material. Através destes modelos conseguiu-se interpretar dados relevantes em termos das componentes de tensão e cargas críticas, confirmando-se também as zonas críticas apresentadas pelos provetes ensaiados. Por outro lado, uma das conclusões principais a retirar da modelação desenvolvida é o facto de o critério de Tsai-Hill apresentar valores muito conservativos para a rotura de perfis de secção em I sujeitos a este tipo de ação. Conseguiu-se ainda relacionar a carga de rotura experimental com as tensões apresentadas pelos modelos: nos perfis de menor dimensão (I100 e I120), a carga de rotura experimental é bastante próxima daquela em que se atinge a tensão transversal última nos elementos críticos; contudo, esta situação não se verifica para os perfis de maior dimensão. Será interessante abordar esta hipótese em trabalhos futuros em que se pretenda determinar cargas de rotura, a partir de modelos similares. Outro dado que os modelos forneceram com alguma precisão foi o de esclarecer quais os ensaios que devem apresentar problemas de instabilidade, situação que se verificou com grande precisão para os modelos em que a rigidez é igual ou superior à rigidez experimental. O perfil I200 é o único em que as cargas críticas não são concordantes com os modos de rotura verificados experimentalmente, sendo importante notar que estes modelos apresentaram uma rigidez inferior aos resultados experimentais, e, por conseguinte, um menor módulo de elasticidade, o que contribuiu para reduzir as cargas críticas determinadas pelos modelos. 140 _____________________________ 4 – Estudo numérico _____________________________ Revisitando a questão da caracterização do material, deve referir-se que se justifica investir no desenvolvimento de uma técnica mais eficaz e fácil de implementar para determinar o módulo de elasticidade transversal de um perfil de GFRP (desenvolvendo ensaios de compressão). Finalmente, refira-se que teria sido interessante efetuar uma análise paramétrica com base nos modelos desenvolvidos. Nesta dissertação, optou-se por não seguir essa via pelo facto dos ensaios realizados, e modelos criados, serem representativos de uma grande variedade de dimensões e comprimentos de carregamento. O tema do esmagamento de alma em perfis de GFRP é bastante atual e, por isso, deve ser mais aprofundado em trabalhos futuros. Por esse motivo, seria interessante conseguir simular este fenómeno com modelos numéricos que incluíssem a degradação do material, nomeadamente, a abertura de fenda e propagação da rotura. 141 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ 142 _____________________________ 5 – Estudo analítico ______________________________ Capítulo 5 – Estudo analítico 5.1 – Introdução Nos capítulos anteriores, estudou-se o fenómeno de esmagamento da alma em perfis de GFRP, tanto do ponto vista experimental como numérico. Uma terceira vertente do estudo, fundamental para permitir a realização de dimensionamento estrutural, está relacionada com a utilização de expressões analíticas que permitam, de uma forma direta e tão simples quanto possível, estimar a resistência dos elementos estruturais. Assim, pretende-se neste capítulo estudar a adequabilidade de fórmulas que permitam calcular a resistência de perfis de GFRP sujeitos a cargas concentradas. Neste sentido, efetuou-se uma pesquisa nas bases de dados científicas bem como em regulamentos estruturais e em relatórios de apoio (“background documents”) sobre a existência de expressões analíticas para estimar a carga última ao esmagamento da alma. Em primeiro lugar, sublinha-se a existência de expressões para os perfis de GFRP nos regulamentos italiano [8], norte-americano [31] e no Eurocomp [19] e, no caso da configuração IOF, do trabalho recente de Borowicz e Bank [6]. Foi também possível constatar a existência de fórmulas de dimensionamento para perfis de aço, tanto no que diz respeito a secções de chapa soldada (EN 1993-1-5 [18]) como de chapa enformada a frio (EN 1993-1-3 [17] e regulamento do AISI [1]). É importante referir que os regulamentos de estruturas metálicas apresentam duas designações diferentes para fenómenos semelhantes: o esmagamento da alma é designado de “web crippling” no contexto de secções de aço enformadas a frio e frequentemente designado de “patch loading” quando associado a peças metálicas de chapa soldada. Assim, neste capítulo, apresentam-se em primeiro lugar as fórmulas de dimensionamento existentes para perfis de GFRP e posteriormente para os perfis metálicos. Posteriormente apresenta-se uma avaliação da precisão destas expressões quando nelas apenas se modificam as propriedades do material – e.g. a substituição da tensão de cedência (aço) para a tensão de rotura à compressão transversal (GFRP). Por fim, desenvolve-se uma fórmula de dimensionamento empírica específica para perfis de GFRP, baseada nos resultados obtidos ao longo desta dissertação. 5.2 – Documentos considerados Neste estudo, apresentam-se várias fórmulas relativas ao GFRP como ao aço. No caso dos perfis de GFRP, consideraram-se (i) o regulamento norte-americano: “Pre-Standard for Load & Resistance Factor Design (LRFD) of Pultruded Fiber Reinforced Polymer (FRP) Structures”, um documento produzido pela American Society of Civil Engineers (ASCE) [31]; (ii) o regulamento italiano “Guide for the Design and Construction of Structures made of FRP Pultruded Elements”, do National Research Council of Italy [8]; (iii) o livro de Bank, Composites for Construction [4] e (iv) o EUROCOMP Design Code and Handbook [19]. 143 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Em relação às fórmulas de dimensionamento para estruturas metálicas consideraram-se três documentos principais: (i) o regulamento do American Iron and Steel Institute (AISI), para aço enformado a frio [1], (ii) o Eurocódigo 3: 1-3 (EN 1993-1-3), para aço enformado a frio [17]; e por fim, o Eurocódigo 3: 1-5 (EN 1993-1-5), concebido para perfis de chapa soldada [18]. Naturalmente, os perfis de GFRP ainda não se encontram amplamente estudados para este tipo de ação (forças concentradas). Assim, pode ser vantajoso ter em consideração as fórmulas relativas ao aço, pois os perfis metálicos sob forças concentradas têm sido amplamente estudados 5.3 – Fórmulas de dimensionamento existentes 5.3.1 – Perfis de GFRP 5.3.1.1 – Descrição das fórmulas existentes Em primeiro lugar, abordam-se as fórmulas criadas para perfis de GFRP. No caso do GFRP, é usual distinguir dois tipos de colapso: (i) o esmagamento da alma, fenómeno designado de “web crippling”; e (ii) o colapso por instabilidade da alma, fenómeno frequentemente designado de “web compression buckling”. Estudos anteriores desenvolvidos com o objetivo de testar fórmulas de dimensionamento para vigas de GFRP, apresentaram uma metodologia similar, considerando fórmulas distintas para diferentes modos de rotura e sugerindo o valor mais conservativo como o valor de dimensionamento. Bank [4] e o EUROCOMP [19] apresentam fórmulas semelhantes para o fenómeno de esmagamento da alma. Apresenta-se na tabela 5.1 as expressões preconizadas por estas referências. Tabela 5.1: Expressões relativas ao esmagamento da alma, referenciadas por Bank [4] e pelo Eurocomp [19]. Bank Eurocomp (5.1) (5.2) em que: Fcr em que: crush – força de resistência ao esmagamento; y)cr crush esmagamento; – tensão normal transversal da alma; Vy.Rk – força de resistência ao y.c.k.w– tensão normal transversal última da alma; Aeff – área efetiva de Ss – comprimento de carregamento; Sn – comprimento de propagação carregamento. de carga (propagação a 45º até ao centro da alma). 144 tw – espessura da alma; _____________________________ 5 – Estudo analítico ______________________________ A expressão (5.1) assenta no produto entre a tensão última na direção transversal do perfil e uma área efetiva. Esta área efetiva é função da espessura e da altura da alma, sendo também função do comprimento de carregamento. Na aplicação destas fórmulas, Bank [4] sugere comprimentos de carregamento efetivo distintos para as configurações ETF e ITF, tendo-se considerado: (5.3) (5.4) ETF: (5.5) ITF: (5.6) em que: ss – comprimento da chapa de carregamento; beff – comprimento efetivo de carregamento; hw – altura da alma; tw – espessura da alma; tf – espessura dos banzos (no caso destes perfis tf é coincidente com tw); R – raio de curvatura na ligação banzo-alma; h – altura do perfil. Resta referir que Bank [4] refere expressamente o comprimento efetivo a considerar nos apoios de extremidade (5.5) tendo-se generalizado a expressão para secções interiores (5.6). Desta forma, a formulação aproxima-se da apresentada no Eurocomp (5.2) [19], pois o comprimento de propagação (Sn) referido no Eurocomp será cerca de metade da altura do perfil para apoios de extremidade e, consequentemente, igual à altura total do perfil para secções interiores. Em relação ao regulamento italiano [8], é importante referir que este documento apresenta fórmulas complexas para a resistência ao corte deste tipo de perfis. No entanto, em relação ao fenómeno concreto do esmagamento, o regulamento italiano refere apenas que se devem verificar sempre zonas em que se apliquem cargas concentradas, garantindo-se que a tensão aplicada é inferior à tensão normal transversal da alma (5.7). (5.7) em que: fSd,z – valor de cálculo da tensão transversal aplicada; fTC,Rd – valor de cálculo da tensão resistente à compressão na direção transversal da alma. 145 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ As formulações apresentadas até este ponto apresentam uma lacuna em comum, não têm em conta fenómenos de instabilidade, situação relacionada com a filosofia de criar fórmulas distintas para diferentes modos de rotura. Tanto Bank [4], como o Eurocomp [19], apresentam uma fórmula distinta para calcular a encurvadura local destes perfis. As fórmulas preconizadas nestas fontes consideram a alma como uma placa simplesmente apoiada, estando apresentadas na tabela 5.2. Tabela 5.2: Expressões para a instabilidade local propostas por Bank [4] e pelo Eurocomp [19]. Bank Eurocomp (5.8) (5.14) (5.9) (5.15) (5.10) (5.16) (5.11) (5.17) (5.12) em que: cr – tensão crítica; Dx, Dy – propriedades de placa (DL e DT respetivamente); (5.13) em que: DL, DT, DLT e DS – propriedades de placa; tp e tw – espessura da alma do perfil; LT – coeficientes de Poisson, na direção h – altura do perfil; tw – espessura da alma; Ss – comprimento de carregamento; longitudinal; TL – coeficientes de Poisson, na direção direção longitudinal (LT); transversal; EL – módulo de elasticidade longitudinal; ET – módulo de elasticidade transversal; GLT – módulo elástico de distorção; y Fcr – força crítica de instabilidade; beff – comprimento efetivo de cr – tensão crítica de instabilidade; carregamento (5.5 e 5.6); Aeff – área efetiva de carregamento (5.3). 146 xy – coeficientes de Poisson, na yx – coeficientes de Poisson, na direção transversal (TL); G – módulo de distorção elástica; _____________________________ 5 – Estudo analítico ______________________________ É importante esclarecer que se calculou a resistência à encurvadura local, pelo Eurocomp, substituindo na expressão (5.2) a tensão normal transversal da alma (y.c.k.w) pela tensão crítica (cr) obtida em (5.14). Por outro lado, a expressão (5.15) só se deve aplicar a carregamentos interiores; em apoios de extremidade ou aberturas deve ter-se em conta o espaço disponível, pelo que se aplicou a prescrição de Bank (5.5), para o comprimento efetivo na configuração ETF. O regulamento italiano [8] apresenta uma expressão similar às anteriores, embora se refira à instabilidade por corte, razão pela qual não se apresenta nesta dissertação. Por outro lado, o pre-standard americano [31] também apresenta uma fórmula em relação à rotura por instabilidade, todavia este regulamento não apresenta indicações em relação à relevância do comprimento de carregamento, dando apenas indicações para cargas pontuais. Verificou-se, contudo, que considerando as indicações de Bank [4], a expressão apresentada no prestandard americano fornece valores coincidentes com os obtidos através das formulações de Bank (diferenças de cerca de 1 %), situação ilustrada no Anexo 4.1. No entanto, vale a pena referir que a expressão deste regulamento explicitada em (5.18)-(5.20), apresenta uma formulação mais fácil de aplicar, considerando diretamente as propriedades do material (módulos de elasticidade) em detrimento das propriedades de placa (que envolvem cálculos suplementares). (5.18) (5.19) (5.20) em que: Rn – resistência crítica em relação à instabilidade local; fcr – tensão crítica de instabilidade local; tw – espessura da alma; leff – menor valor entre a altura da alma e espaçamento entre reforços transversais da alma (elementos que não foram considerados neste estudo); EL,w – módulo de elasticidade da alma na direção longitudinal; ET,w – módulo de elasticidade da alma na direção transversal; vLT – coeficiente de Poisson longitudinal; GLT – módulo de distorção elástica. 147 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ A limitação em relação às formulações do pre-standard refere-se precisamente ao valor de “leff”, pelo facto de não ter em conta o comprimento da chapa de carregamento, como é defendido por Bank [4] e pelo Eurocomp [19]. As expressões relativas a problemas de instabilidade da alma, sugeridas por Bank, pelo Eurocomp e pelo pre-standard, são meramente geométricas e relacionam-se com a teoria de placas, tratando-se basicamente a alma como uma placa simplesmente apoiada. Neste conjunto de fórmulas, é de notar a ausência de qualquer propriedade resistente do material. Desta forma, os resultados obtidos através destas fórmulas deverão ser comparados com cargas críticas de instabilidade dos perfis de GFRP (comportamento puramente elástico) e não com cargas últimas (onde a degradação do material também é relevante). Por esta razão, deve ter-se em conta os resultados numéricos obtidos para as cargas críticas. As fórmulas (5.9), (5.14) e (5.19) são caracterizadas pelo facto da tensão crítica (e consequentemente a força crítica) ser inversamente proporcional ao comprimento de carregamento. Esta dependência não é intuitiva e fisicamente realista, pois um maior comprimento de carregamento conferirá maior estabilidade ao elemento estrutural. Mais à frente, neste capítulo, verificar-se-á que tal dependência não encontra correspondência nos resultados numéricos apresentados no capítulo 4 (cargas críticas crescentes com o comprimento de carregamento). Por outro lado, é importante referir que os resultados experimentais também não suportam esta tendência: os provetes I120-ETF-c50 apresentaram cargas de rotura inferiores às dos provetes I120-ETF-c100, tratando-se de duas séries em que os provetes apresentaram sinais de instabilidade. Faz-se ainda referência à fórmula apresentada por Borowicz e Bank [6], para a configuração IOF (ver capítulo 2). Como é óbvio, trata-se de resultados que poderão ser consideravelmente diferentes dos obtidos na campanha experimental apresentada nesta dissertação (ITF e ETF), no entanto, é interessante verificar a sua aplicabilidade, pois têm em conta variáveis semelhantes. A fórmula obtida nestes trabalhos é a seguinte, (5.21) em que: Rn – resistência ao esmagamento; d – altura da alma, descontando o raio de curvatura; tpl – espessura da chapa de carregamento; bpl – comprimento da chapa de carregamento; k – coeficiente correspondente a vez e meia a espessura do banzo (1,5 t w); fs – resistência ao corte interlaminar. Desde logo será de estranhar a consideração da espessura da chapa de carregamento. Normalmente, este parâmetro não é tido em consideração pois não é relevante para o 148 _____________________________ 5 – Estudo analítico ______________________________ esmagamento de alma. Por outro lado, uma diferença relevante entre esta fórmula e as apresentadas no início desta secção ((5.1) e (5.2)), é a consideração da força de corte interlaminar “fs” em detrimento da tensão transversal última de compressão. É importante referir também que esta fórmula é apresentada no pre-standard americano [31], um documento provisório submetido pela American Society of Civil Engineers (ASCE) à American Composites Manufacturers Association (ACMA), para a determinação da resistência ao esmagamento, de perfis deste tipo. Torna-se então ainda mais relevante aferir se esta fórmula conduz a uma boa estimativa da carga última para os tipos de carregamento estudados nesta dissertação (ITF e ETF). É ainda importante apontar que este regulamento não faz qualquer distinção entre as situações EOF/IOF e ETF/ITF. Sobre a fórmula de dimensionamento (5.21) há ainda dois pormenores relevantes a ter em conta: (i) por um lado, a fórmula não foi calibrada para perfis de altura superior a 300 mm, não se podendo aplicar ao perfil I400; (ii) por outro lado, o pre-standard referido indica que nos apoios de extremidade (configuração ETF) se deve ter sempre um comprimento de carregamento maior ou igual a metade da altura da alma, situação que invalida a comparação da expressão (5.21) a alguns resultados experimentais. É relevante lembrar que a investigação desenvolvida por Wu e Bai [35], em relação ao estudo do esmagamento de perfis de GFRP de secção tubular quadrangular, tendo em conta as configurações ETF e ITF, já demonstrou haver pouca adequação entre a expressão (5.21) e estas configurações de ensaio. As expressões desenvolvidas por Wu e Bai estão apresentadas em (5.22)-(5.24). (5.22) (5.23) (5.24) em que: Ashear – área de corte; tw – espessura da alma; bplate – comprimento de carregamento; RN – resistência ao esmagamento; ae – coeficiente empírico para a configuração ETF (valor recomendado de 0,58); ai – coeficiente empírico para a configuração ITF (valor recomendado de 1,07); fs – força de corte interlaminar; Na aplicação destas expressões a perfis de secção em I deverá ter-se em conta metade da área de corte (5.22), pelo facto de apenas existir uma alma. 149 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ 5.3.1.2 – Resultados e discussão Nesta secção apresenta-se uma comparação entre os resultados experimentais (cargas últimas) e numéricos (cargas críticas) com os resultados analíticos. Para a comparação em termos de cargas últimas considerou-se a fórmula de Bank (5.1) (muito semelhante à expressão do Eurocomp (5.2)), a fórmula do pre-standard americano (5.21) e ainda as expressões propostas por Wu e Bai (5.22)-(5.24). Em relação a fenómenos de instabilidade considerou-se a expressão de Bank (5.8) (com resultados praticamente idênticos à expressão do pre-standard (5.18)) e a expressão apresentada no Eurocomp (5.14). É importante esclarecer que nesta comparação de resultados não se tem em conta a aplicação de fatores de segurança. Nas tabelas 5.3 e 5.4, apresenta-se uma comparação entre valores médios experimentais (“R_exp”) e analíticos, tendo em conta as fórmulas concebidas para fenómenos de esmagamento. Nas tabelas 5.5 e 5.6 apresenta-se uma comparação entre fórmulas desenvolvidas para prever fenómenos de instabilidade e as cargas críticas fornecidas pelos modelos numéricos. Nas tabelas 5.3 a 5.6, apresentam-se também rácios entre valores analíticos e experimentais, ou numéricos, conforme se trate de cargas últimas ou críticas, respetivamente. É importante esclarecer que se considerou uma média alterada para a série experimental I100ETF-c50, pelo facto de um dos provetes apresentar um valor desproporcional em relação aos restantes provetes da sua série (rever subcapítulo 3.4.5). Optou-se então por considerar uma média entre os dois restantes provetes ensaiados, esta situação está identificada com “ * “ nas tabelas relativas a resultados ETF. Por outro lado, deve referir-se que as cargas críticas obtidas no capítulo 4, para o perfil I200, devem ser consideradas como conservativas, uma vez que os modelos desenvolvidos apresentaram uma rigidez inferior à verificada experimentalmente. Por fim, é importante referir que se trabalhou com um valor corrente para o coeficiente de Poisson transversal (TL ou yx) de 0,076 [25]. Na tabela 5.3, apresenta-se ainda uma média marcada com “**”, que apenas tem em conta os ensaios em que o comprimento de carregamento (ss) é igual ou superior a metade da altura da alma (hw); pode constatar-se que a expressão proposta por Borowicz e Bank se adequa melhor a estas séries. Por outro lado, não se contou com o perfil I400 para a média dos rácios, devido à sua desproporção, pois para este caso será relevante ter em conta as fórmulas criadas para problemas de instabilidade. Devido à ausência de dados para a força de corte interlaminar dos perfis I120 e I400, generalizou-se a tensão de corte no plano, determinada para estes perfis, como uma aproximação da força de corte interlaminar. Estas aproximações afetam os resultados obtidos através das expressões de Borowicz e Bank (5.21) e de Wu e Bai (5.22)(5.24). 150 _____________________________ 5 – Estudo analítico ______________________________ Tabela 5.3: Comparação entre fórmulas para o esmagamento e valores experimentais, ETF. Perfil I100 I120 I200 I400 B: A: Bank Rácio Borowicz Rácio (kN) A/R_exp e Bank B/R_exp (kN) 32,19 1,92 54,83 3,27 C: Wu e Bai (kN) Rácio C/R_exp 3,28 0,20 1,91 10,94 0,29 74,66 1,64 21,87 0,48 2,27 41,4 2,11 2,27 0,12 70,06 1,80 47,24 1,22 7,58 0,19 64,86 106,36 1,64 55,58 0,86 15,16 0,23 15 37,15 87,93 2,37 75,27 2,03 3,63 0,10 50 78,17 120,33 1,54 83,38 1,07 12,09 0,15 100 115,33 166,61 1,44 94,96 0,82 24,17 0,21 100 73,99 290,52 - 156,24 - 25,84 0,35 Média 1,70 Média 1,66 Média 0,23 Desv. Pad. 0,45 Desv. Pad. 0,78 Desv. Pad. 0,11 Chapa (mm) R_exp (kN) 15 16,77 50 33,00* 52,68 1,60 62,99 100 45,48 81,95 1,80 15 19,66 44,65 50 38,88 100 *Valor médio alterado. **Desprezando ss < hw/2. Média ** Desv. Pad. ** 1,31 0,55 Tabela 5.4: Comparação entre fórmulas para o esmagamento e valores experimentais, ITF. Perfil I100 I120 I200 I400 B: Borowicz Rácio e Bank B/R_exp (kN) 54,83 1,84 Chapa (mm) R_exp (kN) A: Bank (kN) Rácio A/R_exp 15 29,81 55,61 1,87 50 41,11 76,10 1,85 62,99 100 56,50 105,36 1,86 15 32,17 78,41 50 51,96 100 C: Wu e Rácio Bai C/R_exp (kN) 6,05 0,20 1,53 20,17 0,49 74,66 1,32 40,35 0,71 2,44 41,40 1,29 4,19 0,13 103,82 2,00 47,24 0,91 13,98 0,27 76,97 140,12 1,82 55,58 0,72 27,96 0,36 15 67,83 161,98 2,39 75,27 1,11 6,69 0,10 50 110,92 194,38 1,75 83,38 0,75 22,30 0,20 100 161,34 240,66 1,49 94,96 0,59 44,59 0,28 100 127,26 475,40 - 156,24 - 47,67 0,37 Média 1,79 Média 1,12 Média 0,31 Desv. Pad. 0,51 Desv. Pad. 0,41 Desv. Pad. 0,18 151 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ A partir da análise das tabelas 5.3 e 5.4 verifica-se que as fórmulas criadas para o esmagamento apresentam resultados que se adequam pouco ou muito pouco aos resultados experimentais obtidos no âmbito desta dissertação. É importante salientar o elevado valor médio, obtido para os rácios entre valores analíticos e experimentais (nas tabelas 5.3 e 5.4), e, por outro lado, os elevados desvios padrão apresentados pelos resultados das três expressões consideradas. Tanto a fórmula de Bank como a do pre-standard americano (Borowicz e Bank) apresentaram resultados muito divergentes em relação aos experimentais. Vale a pena relembrar que Wu e Bai [35], já haviam notado a pouca adequação da expressão (5.21) às configurações ETF e ITF, confirmando-se essa constatação com os resultados da presente dissertação. No entanto a análise das tabelas 5.3 e 5.4, mostra também que não se pode utilizar diretamente as formulações de Wu e Bai em perfis de secção em I, corrigindo apenas o valor da área de corte (redução para metade na expressão (5.22)). Tabela 5.5: Comparação entre fórmulas para a encurvadura local e valores numéricos, ETF. Chapa (mm) R_exp (kN) D: Carga crítica numérica (kN) E: Bank (kN) F: Rácio Rácio Eurocomp E/D F/D (kN) 15 16,77 43,87 285,97 6,52 286,29 6,53 50 33,00* 66,58 174,76 2,62 174,96 2,63 100 45,48 101,58 112,35 1,11 112,47 1,11 15 19,66 22,78 151,46 6,65 150,94 6,63 50 38,88 34,23 96,52 2,82 96,19 2,81 100 64,86 52,31 63,58 1,22 63,36 1,21 15 37,15 40,82 370,84 9,08 379,11 9,29 50 78,17 51,13 271 5,30 277,04 5,42 100 115,33 67,61 195,72 2,89 200,09 2,96 I400 100 73,99 * Valor médio alterado. 74,83 393,69 5,26 404,28 5,40 Média 4,35 Média 4,40 Desv. Pad. 2,62 Desv. Pad. 2,67 Perfil I100 I120 I200 Na tabela 5.5 notam-se várias tendências: as cargas críticas fornecidas pelas fórmulas de dimensionamento de Bank [4] e do Eurocomp [19] são praticamente coincidentes (vale a pena relembrar que se considerou o mesmo valor de “beff” para as duas expressões), e, por outro lado, a sua evolução (decrescente) é contrária à das cargas críticas fornecidas pela modelação (situação já prevista pela formulação destas expressões). No entanto, deve referir-se que existe uma melhor aproximação destas fórmulas para os maiores comprimentos de carregamento, tratando-se de um fator positivo, pois se verificou experimentalmente ser mais provável verificar-se uma rotura por fenómenos de instabilidade para maiores comprimentos de carregamento. 152 _____________________________ 5 – Estudo analítico ______________________________ Tabela 5.6: Comparação entre fórmulas para a encurvadura local e valores numéricos, ITF. Perfil I100 I120 I200 I400 Chapa (mm) R_exp (kN) D: Carga crítica numérica (kN) E: Bank (kN) Rácio E/D F: Eurocomp (kN) Rácio F/D 15 29,81 94,767 165,56 1,75 146,3 1,54 50 41,11 112,17 120,99 1,08 163,76 1,46 100 56,50 136,46 87,38 0,64 141,72 1,04 15 32,17 52,36 86,25 1,65 68,55 1,31 50 51,96 60,98 65,14 1,07 78,55 1,29 100 76,97 74,45 48,26 0,65 73,43 0,99 15 67,83 96,45 201,31 2,09 156,69 1,62 50 110,92 104,28 167,76 1,61 177,96 1,71 100 161,34 116,54 135,5 1,16 187,28 1,61 100 127,26 153,08 240,59 1,57 294,29 1,92 Média 1,33 Média 1,45 Desv. Pad. 0,48 Desv. Pad. 0,30 Na tabela 5.6 nota-se uma melhor aproximação das fórmulas para a configuração ITF, voltando-se a notar, no entanto, uma grande disparidade entre valores analíticos e numéricos. É também relevante notar que as expressões de Bank e do Eurocomp apresentam valores distintos, situação que não se verificou na configuração anterior e que se deve relacionar com os diferentes valores sugeridos pelas expressões para o comprimento efetivo “b eff” (5.6 e 5.15). Concluindo, estes regulamentos apresentam fórmulas distintas para diferentes modos de rotura, pelo que será natural que as expressões divirjam para as situações em que forem menos relevantes. Considera-se contudo significativo o facto de nos documentos em que são apresentadas não serem explicitadas as situações para as quais as expressões devem ser aplicadas, ou seja, o seu domínio de validade. Todavia, as várias fórmulas analisadas apresentam valores díspares em relação aos ensaios experimentais e aos modelos numéricos. Os resultados apresentados nesta secção justificam a necessidade de desenvolver fórmulas que consigam adequar-se razoavelmente aos resultados experimentais. De facto, as expressões existentes para o dimensionamento ao esmagamento de alma de perfis de GFRP consistem num conjunto de fórmulas de “primeira geração”, traduzindo o pouco (ou nenhum) trabalho produzido neste campo até à data. 5.3.2 – Perfis de aço 5.3.2.1 – Descrição das fórmulas existentes O estudo das fórmulas de dimensionamento aplicáveis a perfis metálicos focou-se em três documentos distintos: (i) o regulamento do AISI [1], (ii) o Eurocódigo 3: 1-3 [17] e (iii) o 153 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Eurocódigo 3: 1-5 [18]. O objetivo de apresentação destas fórmulas baseia-se em dois níveis: (i) avaliar a sua precisão quando modificadas as propriedades materiais do aço para o GFRP e (ii) implementar uma alteração das mesmas por forma a ajustá-las aos perfis de GFRP. Em primeiro lugar, apresenta-se a fórmula que permite estimar a força de esmagamento de alma em perfis enformados a frio, patente na norma americana do AISI [1], a qual é dada por, (5.25) em que: C, CR, CN, Ch – coeficientes empíricos; hw – altura da alma; tw – espessura da alma; Fy – tensão de cedência do aço; R – raio de curvatura, na ligação banzo-alma; N – comprimento de carregamento; Pn – resistência ao esmagamento da alma; Φw – fator de segurança. No regulamento referido, apresentam-se também várias tabelas onde constam os valores dos coeficientes C, CR, CN e Ch para diferentes tipos de carregamento (IOF, ITF, EOF, ETF) e diferentes configurações de secção transversal. Na tabela 5.7 apresenta-se um resumo dos coeficientes empíricos para as configurações ETF e ITF, além do coeficiente de segurança (Φw) considerado nos Estados Unidos da América. Tabela 5.7: Coeficientes e fator de segurança a considerar na expressão 5.25. Configuração C CR CN Ch Φw ETF 15,5 0,09 0,08 0,04 0,75 ITF 36 0,14 0,08 0,04 0,75 A formulação da expressão anterior, baseada no produto de sucessivos coeficientes adimensionais, facilita a sua calibração, pois existem três coeficientes independentes que permitem dar mais ou menos relevo a diferentes propriedades do perfil, sem afetar o contributo de outras. Apresentam-se de seguida as fórmulas preconizadas pelo Eurocódigo 3: 1-3 [17], ou seja, fórmulas para perfis de aço enformado a frio. No caso de um perfil com configuração de carregamento ETF, a carga última é dada por: 154 _____________________________ 5 – Estudo analítico ______________________________ (5.26) (5.27) (5.28) (5.29) No caso de um perfil com configuração de carregamento ITF, a carga última é dada por: (5.30) (5.31) (5.32) (5.33) Em ambos os casos, tem-se: fyb – tensão de cedência do aço; Rw,Rd – resistência ao esmagamento; ss – comprimento de carregamento; tw – espessura da alma; m1 – fator de segurança. Este regulamento apresenta fórmulas distintas para o carregamento interior (ITF) e de extremidade (ETF), enquanto a fórmula americana, apresentada em (5.25), apenas necessita que se variem os coeficientes conforme o tipo de carregamento. Finalmente, apresenta-se a expressão do EC3: 1-5 [18] para o dimensionamento de perfis de chapas metálicas soldadas. As expressões são dadas por, (5.34) (5.35) (5.36) 155 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ (5.37) (5.38) (5.39) (5.40) (5.41) em que: fyw – tensão de cedência da alma; fyf – tensão de cedência do banzo; bf – largura do banzo; tf – espessura do banzo; Leff – comprimento efetivo de resistência a forças transversais; ly – comprimento efetivo de carregamento; f – fator de redução, devido a fenómenos de instabilidade local. Analisando as expressões (5.34) a (5.41), é facilmente percetível que se trata de uma fórmula muito interessante pelo facto de utilizar o conceito de esbelteza e uma curva de resistência, conciliando os fenómenos de esmagamento puro e de encurvadura local. Figura 5.1: Coeficiente “k F”, relativo à expressão 5.38, adaptada de [18]. 5.3.2.2 – Resultados e discussão Nesta secção, utilizam-se as expressões apresentadas anteriormente (AISI, EC3:1-3 e EC3:15) com a adaptação das seguintes propriedades do aço para o GFRP: 156 _____________________________ 5 – Estudo analítico ______________________________ E (aço – módulo de Young) para E c (GFRP – módulo elástico transversal em compressão); fy=Fy (aço – tensão de cedência) para Su22 (GFRP – tensão de rotura à compressão transversal); Em primeiro lugar, apresentam-se na tabela 5.8 os resultados relativos à fórmula americana, defendida no regulamento do AISI (5.25). Consideraram-se os coeficientes apresentados na tabela 5.7, exceto o coeficiente de segurança, pois se trata de uma comparação com valores médios obtidos na campanha experimental. Tabela 5.8: Resultados obtidos através da fórmula do AISI (5.25). Perfil Chapa (mm) I100 I100 I100 I120 I120 I120 I200 I200 I200 I400 15 50 100 15 50 100 15 50 100 100 R_exp (kN) 16,77 33,00* 45,48 19,66 38,88 64,86 37,15 78,17 115,33 73,99 ETF Pn (kN) 63,27 68,43 73,15 55,43 60,57 65,28 115,48 123,99 131,78 211,32 Rácio Pn/R_exp 3,77 2,07 1,61 2,82 1,56 1,01 3,11 1,59 1,14 2,86 R_exp (kN) 29,81 41,11 56,50 32,17 51,96 76,97 67,83 110,92 161,34 127,26 ITF Pn (kN) 137,82 149,05 159,34 117,58 128,48 138,46 246,48 264,64 281,27 454,96 Rácio Pn/R_exp 4,62 3,63 2,82 3,65 2,47 1,80 3,63 2,39 1,74 3,58 * Valor médio alterado. Facilmente se conclui, através da tabela 5.8, que não se pode aplicar diretamente a fórmula do AISI, substituindo apenas as propriedades do material. Contudo, esta expressão não deixa de ser interessante para uma eventual calibração dos coeficientes empíricos, apresentando a vantagem de se poder dar mais relevância a diferentes propriedades do perfil, sem se interferir nas restantes. Apresenta-se de seguida, na tabela 5.9, os resultados obtidos para as expressões do EC3: 1-3, (5.26)-(5.33). É importante recordar que este documento considera expressões distintas para as configurações ETF (5.26) e ITF (5.30). Analisando a tabela 5.9 nota-se uma disparidade muito elevada entre resultados analíticos e experimentais. As expressões apresentadas pelo EC3: 1-3 apresentam algumas vantagens em termos de calibração, sendo a principal a separação em fórmulas distintas para configurações de carregamento distintas. Contudo, as expressões apresentadas em (5.26)-(5.33) apresentam uma desvantagem relevante, os coeficientes empíricos multiplicam a expressão global, tornando mais difícil uma calibração seletiva de diferentes propriedades. 157 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Tabela 5.9: Resultados obtidos através da fórmula do EC3:1-3 (5.26)-(5.33). Perfil Chapa (mm) I100 I100 I100 I120 I120 I120 I200 I200 I200 I400 15 50 100 15 50 100 15 50 100 100 ETF R_exp Rw,Rd (kN) (kN) 16,77 286,06 33,00* 318,92 45,48 347,77 19,66 136,84 38,88 154,42 64,86 169,68 37,15 514,12 78,17 568,13 115,33 615,86 73,99 1792,52 ITF Rácio Rw,Rd/R_exp 17,06 9,66 7,65 6,96 3,97 2,62 13,84 7,27 5,34 24,23 R_exp (kN) 29,81 41,11 56,50 32,17 51,96 76,97 67,83 110,92 161,34 127,26 Rw,Rd Rácio (kN) Rw,Rd/R_exp 362,84 12,17 431,57 10,50 494,52 8,75 188,35 5,85 228,14 4,39 264,58 3,44 613,37 9,04 719,88 6,49 817,43 5,07 2119,07 16,65 *Valor médio alterado. Por fim, apresenta-se na tabela 5.10 os resultados relativos à expressão do EC3: 1-5 (5.34)(5.41). Trata-se de uma expressão com uma formulação mais teórica e mais clara, relacionando-se mais facilmente com as fórmulas já apresentadas para o GFRP, apresentando um produto entre a tensão normal transversal resistente, a espessura da alma e um comprimento efetivo de carregamento. Tabela 5.10: Resultados obtidos através da fórmula do EC3:1-5 (5.34)-(5.41). Perfil Chapa (mm) I100 I100 I100 I120 I120 I120 I200 I200 I200 I400 15 50 100 15 50 100 15 50 100 100 ETF R_exp (kN) 16,77 33,00* 45,48 19,66 38,88 64,86 37,15 78,17 115,33 73,99 FRd (kN) 37,35 45,04 54,18 31,76 38,62 45,47 56,18 61,06 71,61 98,02 ITF Rácio FRd/R_exp 2,23 1,36 1,19 1,62 0,99 0,70 1,51 0,78 0,62 1,32 R_exp (kN) 29,81 41,11 56,50 32,17 51,96 76,97 67,83 110,92 161,34 127,26 FRd (kN) 37,35 45,04 54,18 31,76 38,62 45,47 56,18 61,06 71,61 98,02 Rácio FRd/R_exp 1,25 1,10 0,96 0,99 0,74 0,59 0,83 0,55 0,44 0,77 *Valor médio alterado. A partir da tabela 5.10, pode constatar-se que esta fórmula foi a que forneceu resultados mais próximos dos experimentais. Todavia, deve referir-se que esta fórmula fornece valores iguais para as configurações ETF e ITF, pois considera o mesmo valor de “k F” no cálculo de “Fcr” (figura 5.1). Esta expressão, sendo a mais clara na sua formulação, não será facilmente 158 _____________________________ 5 – Estudo analítico ______________________________ calibrável devido ao seu caráter teórico, em particular na determinação de “F cr” e “f”. Por outro lado, é difícil calibrar esta expressão pelo facto de várias propriedades contribuírem simultaneamente para o aumento da resistência na expressão final e para a redução do fator de redução “f” (e.g. o comprimento efetivo de carregamento “ly”). 5.4 – Desenvolvimento de uma fórmula empírica 5.4.1 – Variação dos coeficientes empíricos da fórmula da AISI Em primeiro lugar, trabalhou-se a fórmula americana (5.25) do AISI [1]. A expressão do EC3: 1-3 [17] também seria facilmente calibrável, embora fosse mais complexo trabalhar os coeficientes, que, por outro lado, afetam a globalidade da expressão, sendo mais difícil dar ênfase a diferentes propriedades dos perfis. Deixou-se a expressão do EC3: 1-5 para último lugar por requerer uma calibração à partida mais complexa, embora apresente a formulação mais clara das três expressões estudadas. O trabalho descrito nesta secção consiste numa regressão múltipla, através da qual se tenta determinar o valor de coeficientes empíricos, de forma a atingir uma fórmula que apresente uma boa adequação aos resultados experimentais. O objetivo consistiu em minimizar a soma do quadrado dos erros das estimativas, garantindo erros inferiores a 10 % para todas as séries. É importante relembrar que se considerou uma média alterada para a série I100-ETF-c50, pela presença de um provete anómalo, tendo-se considerado uma média entre os restantes provetes. A regressão múltipla efetuou-se a partir dos coeficientes apresentados na tabela 5.11, tendo-se procurado valores distintos para as configurações ETF e ITF. É importante esclarecer que se considerou o parâmetro “R” como a soma do raio de curvatura com a espessura do banzo, enquanto no regulamento do AISI corresponde ao raio de curvatura. O primeiro passo consistiu em determinar valores para os coeficientes, sem alterar o resto da expressão; todavia, rapidamente se percebeu que a expressão original não se adequava aos resultados experimentais. Este facto tornou-se óbvio uma vez que a evolução da resistência, em função do comprimento de carregamento, é diferente entre resultados experimentais e analíticos (tabelas 5.12 e 5.13). Nestas tabelas recorre-se à seguinte nomenclatura: “R_exp” – resultados experimentais; “Pn” – resultados analíticos. 159 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Tabela 5.11: Coeficientes relativos aos resultados apresentados nas tabelas 5.12 e 5.13. ETF C 0,0010 C 0,0010 CR 0,2852 CN 5894,421 ITF CR CN 2,5274 0,4001 Ch 0,0010 Ch 0,9326 Tabela 5.12: Resultados para a fórmula original Tabela 5.13: Resultados para a fórmula da AISI, configuração ETF. original da AISI, configuração ITF. Perfil Chapa (mm) R_exp (kN) I100 15 16,766 I100 50 33,00* I100 100 45,48 I120 15 19,657 I120 50 38,878 I120 100 64,859 I200 15 37,151 I200 50 78,172 I200 100 115,33 I400 100 73,987 * Valor médio alterado. Pn (kN) Erro2 Perfil 26,24 47,91 67,75 23,66 43,20 61,09 40,61 74,14 104,84 155,06 Total 0,13 0,10 0,11 0,03 0,01 0,00 0,01 0,00 0,01 0,27 0,67 I100 I100 I100 I120 I120 I120 I200 I200 I200 I400 Chapa (mm) 15 50 100 15 50 100 15 50 100 100 R_exp Pn (kN) (kN) 29,81 25,79 41,11 33,33 56,50 40,23 32,17 53,02 51,96 69,99 76,97 85,53 67,83 96,93 110,92 123,25 161,34 147,35 127,26 255,48 Total Erro2 0,02 0,05 0,16 0,15 0,07 0,01 0,09 0,01 0,01 0,25 0,83 A partir da análise das tabelas 5.12 a 5.13, podem retirar-se várias conclusões: (i) nota-se uma adequação diferente da expressão para os vários perfis, situação obviamente indesejável; (ii) é também de referir a grande disparidade entre os coeficientes determinados para as duas configurações (tabela 5.7); (iii) por outro lado, nota-se ainda um grande afastamento dos resultados do perfil I400. Desta forma, decidiu-se em primeiro lugar desenvolver uma fórmula de dimensionamento apenas para os três perfis de menor dimensão. Aplicando a regressão múltipla à mesma fórmula, tendo em conta apenas os perfis I100, I120 e I200, verificou-se uma melhoria na aproximação, embora ainda com diferenças assinaláveis entre os resultados de ensaios experimentais e os analíticos (ver Anexo 4.2). 5.4.2 – Adaptação da fórmula do AISI O problema a resolver nesta expressão residiu na falta de relevância do comprimento de carregamento, procedendo-se então a uma transformação sequencial da fórmula inicial. Trabalhou-se em primeiro lugar com os três perfis de menores dimensões, tendo-se chegado à expressão (5.42) e aos coeficientes empíricos apresentados na tabela 5.14. É importante 160 _____________________________ 5 – Estudo analítico ______________________________ ressalvar que se manteve sempre a validade dimensional da expressão, afetando-se apenas os três rácios adimensionais. Os resultados relativos à expressão (5.42) são apresentados na tabela 5.15. A partir desta fórmula obtiveram-se resultados muito próximos dos experimentais para os perfis I100, I120 e I200. No entanto, deve referir-se que esta fórmula apresenta algumas limitações por não ter em conta fenómenos de instabilidade (uma das razões porque não se deve aplicar ao perfil I400); no entanto, esta expressão está aplicada a algumas séries que apresentaram sinais de instabilidade, nomeadamente séries do perfil I120. De seguida, nas figuras 5.2 e 5.3, apresenta-se também uma projeção dos resultados para mais comprimentos de carregamento. Tabela 5.14: Coeficientes empíricos obtidos para a expressão (5.42). ETF C 4,0006 CR 0,4978 CNh 0,0233 Ch 0,0050 CNh 0,0104 Ch 0,0124 ITF C 5,5606 CR 0,5147 (5.42) em que as variáveis apresentadas correspondem às já legendadas, para a expressão original da AISI em 5.25, com a exceção de: CNh – coeficiente empírico relativo à altura da alma e comprimento de carregamento; fy – tensão última transversal da alma. Em relação aos coeficientes determinados, vale a pena referir que apresentam uma relação expectável entre as configurações ETF e ITF, devendo-se fazer referência aos coeficientes “C” e “CNh”: na análise dos resultados experimentais verificou-se que os provetes ensaiados na configuração ETF apresentavam valores mais reduzidos de resistência, mas apresentavam um crescimento superior em função do comprimento de carregamento, em relação à configuração ITF (subcapítulo 3.5). Os coeficientes obtidos C(ETF) < C(ITF); CNh(ETF) > CNh(ITF). 161 adequam-se a estas tendências: _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Tabela 5.15: Comparação entre resultados analíticos e experimentais para a expressão (5.42). ETF .Perfil Chapa Carga vertical (kN) R_exp (kN) I100 15 16,77 I100 50 33,00* I100 100 45,48 I120 15 19,66 I120 50 38,88 I120 100 64,86 I200 15 37,15 I200 50 78,17 I200 100 115,33 * Valor médio alterado. Pn (kN) 17,91 30,60 48,73 18,50 38,95 68,18 38,99 71,58 118,14 ITF Erro Erro2 -0,07 0,07 -0,07 0,06 0,00 -0,05 -0,05 0,08 -0,02 Total 0,005 0,005 0,005 0,003 0,000 0,003 0,002 0,007 0,001 0,0313 R_exp (kN) 29,81 41,11 56,50 32,17 51,96 76,97 67,83 110,92 161,34 Pn (kN) 29,64 40,94 57,08 30,89 51,62 81,23 73,21 107,37 156,18 Erro Erro2 0,01 0,00 -0,01 0,04 0,01 -0,06 -0,08 0,03 0,03 Total 0,000 0,000 0,000 0,002 0,000 0,003 0,006 0,001 0,001 0,0123 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 0 20 I100-ETF-exp I100-ETF-Eq. (5.42) 40 60 80 100 120 140 160 Comprimento de carregamento (mm) I120-ETF-exp I200-ETF-exp I120-ETF-Eq. (5.42) I200-ETF-Eq. (5.42) Figura 5.2: Comparação entre resultados analíticos (5.42) e experimentais, ETF. A partir da análise das figuras 5.2 e 5.3 e da tabela 5.15, pode verificar-se a proximidade entre os resultados obtidos através da expressão desenvolvida e os resultados experimentais. Por outro lado, só existem resultados experimentais a consubstanciar esta expressão empírica para comprimentos de carregamento entre 15 e 100 mm. Será interessante comparar os resultados desta fórmula com os de ensaios futuros, para perfis compreendidos entre o I100 e o I200, no sentido de confirmar a adequabilidade desta fórmula. 162 _____________________________ 5 – Estudo analítico ______________________________ Carga vertical (kN) 250 200 150 100 50 0 0 20 40 60 80 100 120 140 160 Comprimento de carregamento (mm) I120-ITF-exp I200-ITF-exp I100-ITF-exp I100-ITF-Eq. (5.42) I120-ITF-Eq. (5.42) I200-ITF-Eq. (5.42) Figura 5.3: Comparação entre resultados analíticos (5.42) e experimentais, ITF. A expressão (5.42) apresenta resultados bastante satisfatórios para os perfis I100, I120 e I200. Contudo, não se adequa ao perfil I400, situação ilustrada na tabela 5.16; a razão desta fraca adequação é a preponderância dos fenómenos de instabilidade neste perfil, além da relevância dada à altura do perfil no cálculo da resistência na expressão (5.42). Tabela 5.16: Comparação entre resultados experimentais e analíticos (5.42) para o perfil I400. Configuração ETF ITF R_exp (kN) 73,99 127,26 Pn (kN) 390,09 601,74 Após a conclusão da análise dos resultados da expressão (5.42), procurou-se desenvolver uma fórmula que pudesse dar resposta adequada para todos os perfis ensaiados. Neste sentido, tentou-se ter em consideração o perfil I400 na adequação da expressão (5.42). A nova expressão a desenvolver teria forçosamente de ser diferente da anterior pelo facto de esta dar grande relevância à altura da alma do perfil, fator que aumentará muito a previsão analítica para o perfil I400. Rapidamente se percebeu que a única maneira de incluir o perfil I400, sem prejudicar os resultados dos restantes perfis, seria ter em conta fenómenos de instabilidade. Assim, adaptaram-se as fórmulas apresentadas (5.34)-(5.41), retiradas do EC3: 1-5 [18], de forma a obter-se o fator de redução “f”. Este fator, baseado na encurvadura local, é um dado que poderá ajudar a conciliar o perfil I400 com os restantes. Refira-se que se considerou a fórmula (b) para a determinação de “k f” (figura 5.1). Em primeiro lugar afetou-se o fator de redução referido a toda a expressão, sem se obter resultados satisfatórios. Assim, optou-se por substituir o terceiro rácio da expressão original, em que se tinha o coeficiente “C h”, para se obter um rácio relacionado com a esbelteza do perfil, com um novo coeficiente “C”. Basicamente criou-se uma parcela com a intenção de 163 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ reduzir o valor da resistência analítica para perfis considerados muito esbeltos. Refira-se que a expressão do AISI (5.25), já considerava um rácio similar (rácio adimensional afetado por C h), mas com muito pouca influência nos resultados. Criou-se uma parcela baseada na relação entre a altura e a espessura da alma. Afetou-se depois este rácio por “(1-f)”, desta forma, só os perfis que forem considerados esbeltos (f reduzido) serão influenciados por este último rácio, enquanto aqueles que apresentarem um valor de f próximo da unidade não serão afetados. Outro aspeto relevante foi a consideração do quadrado da altura da alma no produto global, em contraponto com a expressão original em que se considerava o quadrado da espessura da alma. Chegou-se assim à fórmula (5.43), cujos coeficientes empíricos se apresentam na tabela 5.17. Os resultados referentes a esta expressão são apresentados na tabela 5.18. (5.43) em que as variáveis apresentadas correspondem às já legendadas, para a expressão (5.42), com a exceção de: C – coeficiente empírico relacionado com fenómenos de instabilidade; f – fator de redução, devido a fenómenos de instabilidade local. Tabela 5.17: Coeficientes empíricos obtidos para a expressão (5.43). ETF C 0,0688 CR 0,5757 CNh 0,0037 C 0,0647 CNh 0,0015 C 0,0634 ITF C 0,1489 CR 0,5492 Esta fórmula apresenta a vantagem de ter em linha de conta possíveis fenómenos de instabilidade, combinando formulações dos Eurocódigos (EC3: 1-5 [18]) e do regulamento do AISI [1]. Contudo, convém referir que esta fórmula necessitará de ajustamentos no futuro, pois se aplicaram formulações do EC3:1-5, sem se efetuarem quaisquer calibrações, além da substituição de propriedades do aço por propriedades dos perfis estudados. No futuro, será interessante trabalhar as expressões do EC3: 1-5, no sentido de fazer corresponder “Fcr” com as cargas críticas numéricas, calibrando também os valores obtidos para o fator de redução com a relação entre cargas críticas e últimas. Estes ajustamentos contribuirão naturalmente para uma melhor adequação de fórmulas de dimensionamento a resultados experimentais. Todavia, trata-se de uma fórmula que se adequou muito bem aos resultados experimentais apurados nesta dissertação, como é visível na tabela 5.18 e nas figuras 5.4 e 5.5. 164 _____________________________ 5 – Estudo analítico ______________________________ Tabela 5.18: Comparação entre resultados experimentais e analíticos para a expressão (5.43). ETF Perfil Chapa Carga vertical (kN) R_exp (kN) I100 15 16,77 I100 50 33,00* I100 100 45,48 I120 15 19,66 I120 50 38,88 I120 100 64,86 I200 15 37,15 I200 50 78,17 I200 100 115,33 I400 100 73,99 * Valor médio alterado. Pn (kN) 17,23 30,14 46,32 18,78 40,19 62,42 38,09 77,90 121,36 73,85 ITF Erro Erro2 -0,03 0,09 -0,02 0,04 -0,03 0,04 -0,03 0,00 -0,05 0,00 Total 0,001 0,008 0,000 0,002 0,001 0,001 0,001 0,000 0,003 0,000 0,017 R_exp Pn (kN) (kN) 29,81 30,77 41,11 41,89 56,50 56,50 32,17 31,63 51,96 55,19 76,97 80,49 67,83 66,11 110,92 106,70 161,34 152,21 127,26 127,65 Erro Erro2 0,03 0,02 0,00 -0,02 0,06 0,04 -0,03 -0,04 -0,06 0,00 Total 0,001 0,000 0,000 0,000 0,003 0,002 0,001 0,002 0,004 0,000 0,013 160 140 120 100 80 60 40 20 0 0 25 I100-ETF-exp I100-ETF-Eq. (5.43) I400-ETF-exp 50 75 100 Comprimento de carregamento (mm) I120-ETF-exp I120-ETF-Eq. (5.43) I400-ETF-Eq. (5.43) 125 150 I200-ETF-exp I200-ETF-Eq. (5.43) Figura 5.4: Comparação entre resultados analíticos (5.43) e experimentais, ETF. As figuras apresentadas ilustram uma muito boa aproximação entre os resultados analíticos e experimentais, devendo-se referir, porém, que não existem dados experimentais para aferir a aproximação da expressão (5.43) aos resultados do perfil I400, para diferentes comprimentos de carregamento. Apenas se verifica uma excelente aproximação para a chapa de 100 mm. Vale a pena referir que os coeficientes “C” e “C Nh” voltam a apresentar uma relação lógica entre as configurações ETF e ITF (C(ETF) < C(ITF); CNh(ETF) > CNh(ITF)). 165 Carga vertical (kN) _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 0 30 I100-ITF-exp I100-ITF-Eq. (5.43) I400-ITF-exp 60 90 120 Comprimento de carregamento (mm) I120-ITF-exp I120-ITF-Eq. (5.43) I400-ITF-Eq. (5.43) 150 I200-ITF-exp I200-ITF-Eq. (5.43) Figura 5.5: Comparação entre resultados analíticos (5.43) e experimentais, ITF. Desta forma, propõe-se a expressão (5.43), como fórmula de dimensionamento empírica para 8 o esmagamento de perfis pultrudidos, em I, de GFRP . Esta fórmula só deverá ser aplicada a carregamentos efetuados simultaneamente em ambos os banzos, numa mesma secção (configurações ETF e ITF). Relembre-se ainda que esta fórmula foi testada para comprimentos de carregamento entre 15 e 100 mm e perfis de altura compreendida entre 100 e 400 mm. 5.5 – Conclusões Após o estudo da bibliografia relativa ao fenómeno de esmagamento em perfis de GFRP, pode concluir-se que até à data foi realizado muito pouco trabalho neste domínio. As fórmulas existentes mostraram uma adequabilidade reduzida aos resultados experimentais obtidos nesta dissertação. É importante que se prossiga este tipo de investigação com mais ensaios a diferentes perfis, considerando também diferentes comprimentos de carregamento no sentido de comprovar a fórmula desenvolvida, ou por outro lado, desenvolver novas fórmulas com um domínio de validade mais amplo, para que se possam aplicar a um maior número de casos. Como desenvolvimentos futuros sugere-se ainda a calibração das fórmulas fornecidas pelos documentos EC3: 1-3 e 1-5. Outro dado que ficou comprovado, em relação ao esmagamento, é que não se pode aplicar fórmulas determinadas a partir de configurações de ensaio distintas; as fórmulas de Borowicz e Bank [6], determinadas a partir de ensaios na configuração IOF não se adequaram, de todo, aos resultados experimentais apresentados nesta dissertação (ITF e ETF). Concluiu-se ainda que para se desenvolver uma fórmula geral que permita dimensionar este tipo de perfis, em relação ao esmagamento, é imperativo considerar os fenómenos de 8 Após a definição desta fórmula de dimensionamento, procurou-se calibrar também as fórmulas apresentadas nos documentos EC3: 1-3 e 1-5. Já se havia verificado na secção 5.3.4 que a simples substituição das propriedades do aço pelas propriedades do GFRP não é suficiente para se obter resultados satisfatórios. Testaram-se então algumas calibrações, sem que, contudo, se tenha obtido resultados satisfatórios. Optou-se por não aprofundar mais esse estudo pelo facto de já se ter obtido uma expressão de dimensionamento que dá resposta aos resultados experimentais. 166 _____________________________ 5 – Estudo analítico ______________________________ instabilidade. Por outro lado, é também fundamental distinguir ações aplicadas em secções interiores e exteriores, através de fórmulas ou coeficientes distintos, de forma a obter uma boa aproximação entre fórmulas de dimensionamento e configurações de carregamento. Outra perspetiva a explorar passa por uma melhor distinção entre cargas últimas e críticas, a um nível experimental. Seria interessante ensaiar provetes contraventados transversalmente de forma a prevenir fenómenos de instabilidade, numa tentativa de estabelecer a real diferença entre a carga última e a carga crítica. Este último parâmetro será essencial para o estabelecimento de um fator de redução relacionado com a instabilidade local e para uma validação mais objetiva de análises numéricas de estabilidade. Por fim, as expressões desenvolvidas nesta dissertação têm em conta a tensão normal transversal da alma como parâmetro de resistência, em relação a este tipo de carregamentos, contrariamente às propostas de Borowicz e Bank [6] e Wu e Bai [35]. Estes autores apresentaram fórmulas de dimensionamento relacionando a rotura por esmagamento com a força de corte interlaminar. Em trabalhos futuros, é importante que se tenha em conta estas duas metodologias, para que se possa perceber qual destas duas propriedades melhor contribui para a caracterização do comportamento de perfis de GFRP, sob este tipo de carregamento. 167 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ 168 ______________ 6 – Conclusões e perspetivas de desenvolvimentos futuros ______________ 6 – Conclusões e perspetivas de desenvolvimentos futuros 6.1 – Conclusões Os objetivos traçados no início do desenvolvimento desta dissertação foram totalmente cumpridos. Desenvolveu-se uma campanha experimental abrangendo quatro perfis distintos, com dimensões e proporções variadas, tendo-se obtido resultados para a sua resistência ao esmagamento, em função de três comprimentos de carregamento distintos, nas configurações de ensaio ETF e ITF. Complementou-se o estudo experimental com recurso a modelos numéricos, simulando os ensaios de esmagamento realizados; estes modelos permitiram estimar o comportamento dos perfis ensaiados, em termos de diagramas de tensões, critérios de rotura (Tsai-Hill) e fenómenos de instabilidade. Por fim, procedeu-se ainda a um levantamento de fórmulas de dimensionamento relacionadas com este tipo de carregamento, para perfis de GFRP, testando-se a sua validade em relação aos resultados experimentais. A reduzida precisão das expressões existentes, motivou o desenvolvimento de uma expressão empírica (5.43), tendo-se trabalhado a partir das expressões existentes para perfis de aço enformado a frio e para chapas soldadas. A partir da investigação desenvolvida obtiveram-se as seguintes conclusões principais: o comprimento de carregamento apresenta uma influência decisiva no comportamento destes perfis em relação ao esmagamento, verificando-se aumentos de resistência, entre as chapas de carregamento de 15 e 100 mm, compreendidos entre 170% e 229% para a configuração ETF e 89% e 139% para a configuração ITF; o critério de rotura de Tsai-Hill é muito conservativo quando aplicado à modelação deste tipo de carregamento, fornecendo cargas de rotura inicial de cerca de 50% das cargas de rotura verificadas experimentalmente; o estudo de fenómenos de instabilidade, abordado através dos modelos com imperfeição inicial (MCI), é essencial para uma caracterização completa deste tipo de ação em perfis de GFRP, de secção em I; as fórmulas de dimensionamento existentes para perfis de GFRP não se adequam aos resultados obtidos no âmbito desta dissertação. É importante prosseguir com a investigação do comportamento dos perfis para este tipo de carregamento, no sentido de se desenvolverem fórmulas mais precisas e abrangentes, aplicáveis a diferentes configurações e secções. Verificou-se também, através do estudo experimental, que para um comprimento de carregamento de 15 mm, todos os provetes apresentaram uma rotura por esmagamento, na zona de ligação banzo-alma, conclusão suportada também pelo estudo numérico. Por outro 169 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ lado, com a consideração de comprimentos de carregamento iguais ou superiores a 50 mm, verificaram-se curvas experimentais força-deslocamento praticamente lineares, deixando-se de notar o efeito do esmagamento localizado do material sob as chapas de carregamento, que foi mais notório nos ensaios realizados com aplicação de um comprimento de carregamento de 15 mm. Outra conclusão obtida do estudo numérico foi a predominância das tensões de corte no critério de Tsai-Hill, atingindo-se a tensão de corte última, nos modelos numéricos, para níveis de carga próximos de 50% das cargas de rotura experimentais. Os modelos mostraram uma boa concordância em termos de cargas críticas, para os perfis I100, I120 e I400, verificando-se cargas críticas numéricas próximas ou inferiores, para os modelos relativos a ensaios em que se verificaram sinais de instabilidade local. Este aspeto da modelação apenas divergiu em relação ao perfil I200, cujos modelos apontaram para cargas críticas claramente inferiores às cargas de rotura experimental, não se tendo verificado experimentalmente sinais claros de instabilidade. Do estudo analítico deve referir-se que não se pode considerar uma única expressão para o dimensionamento de perfis de GFRP submetidos a forças concentradas, que não tenha em conta fenómenos de instabilidade local. Por outro lado, ficou claro que não se pode generalizar diretamente expressões relativas a configurações de ensaio distintas ou a geometrias de secção distintas. Não obstante a relevância de vários dos resultados obtidos, ficaram algumas questões por clarificar, nomeadamente os seguintes: (i) a determinação experimental do módulo elástico de compressão, pois ambos os métodos experimentais considerados se mostraram pouco eficazes a este respeito; (ii) o não estabelecimento de uma comparação direta entre a carga de rotura experimental e os resultados fornecidos pelos modelos (pois não se considerou a degradação do material na modelação); e (iii) a ausência de ensaios do perfil I400, para comprimentos de carregamento variados, que não permitiu aferir adequadamente a aproximação da expressão empírica desenvolvida (5.43), em relação a este perfil, tendo-se apenas verificado uma boa adequação em relação ao comprimento de carregamento de 100 mm. 6.2 – Desenvolvimentos futuros Na campanha experimental desenvolvida, procedeu-se a uma campanha de caracterização mecânica do material, a partir da qual se identificou uma questão muito pertinente para trabalhos futuros: o desenvolvimento de um método de ensaio que permita determinar de modo mais fiável e mais fácil o módulo de elasticidade em compressão. Para o estudo de fenómenos de esmagamento, o módulo elástico de compressão transversal é um fator essencial pela 170 ______________ 6 – Conclusões e perspetivas de desenvolvimentos futuros ______________ relevância que os fenómenos de instabilidade podem ter em perfis de GFRP, para além de ser essencial para uma correta modelação dos ensaios. Em relação aos ensaios de esmagamento, sugerem-se as seguintes linhas de investigação para trabalhos futuros: o ensaio de perfis em I com dimensões distintas às dos considerados nesta dissertação, com recurso a outros comprimentos de carregamento, no sentido de confrontar novos resultados com as principais conclusões desta dissertação; o ensaio de perfis com outras secções transversais (H, SHS, RHS, C) e submetidos a diferentes tipos de carregamento (IOF, ITF, EOF, ETF). a utilização de extensometria nos ensaios, no sentido de se obter uma comparação entre o comportamento dos provetes ensaiados e de modelos que se possam desenvolver; a implementação de contraventamentos transversais com o propósito de permitir uma melhor distinção experimental entre cargas últimas e críticas; tal distinção será muito importante na avaliação de análises de estabilidade que se possam desenvolver, contribuindo para uma validação mais objetiva das cargas críticas numéricas. a consideração de diferentes reforços para a secção do perfil na zona de carregamento, no sentido de maximizar a resistência do elemento em relação às roturas por esmagamento da alma e por instabilidade local da alma (investigação já iniciada por Borowicz e Bank [7], para a configuração IOF). No âmbito do estudo numérico desenvolvido nesta dissertação, verificou-se uma grande proximidade entre a carga de rotura experimental e a carga que provoca o aparecimento de tensões últimas na zona de ligação banzo-alma, para os perfis I100 e I120; será interessante confrontar este dado com resultados de mais ensaios a perfis de diferentes dimensões, a fim de se obter, por uma via indireta, uma estimativa numérica da carga de rotura experimental. No entanto, o principal desenvolvimento futuro a este respeito passará pela consideração da degradação do material na modelação, com o intuito de viabilizar uma comparação direta entre a carga de rotura experimental e a carga de rotura prevista pelos modelos numéricos. Em relação ao estudo analítico, existe ainda muito trabalho a desenvolver, com o estudo de perfis de diferentes secções, ou ainda de reforços na alma de perfis. Em relação ao trabalho realizado nesta dissertação, será importante confrontar a expressão empírica desenvolvida (5.43), com novos ensaios, a diferentes perfis e sujeitos a diferentes comprimentos de carregamento. Esta expressão corresponde a uma expressão empírica preliminar, que deverá ser calibrada com mais resultados. Por outro lado, sugere-se a consideração das fórmulas preconizadas pelos documentos EC3: 1-3 e 1-5 [17, 18], com especial relevo para a expressão do EC3: 1-5 (5.34), cuja calibração poderá permitir a obtenção de uma expressão mais clara e mais facilmente aplicável. 171 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ São ainda de salientar os trabalhos de Borowicz e Bank [6] e de Wu e Bai [35], que exploram expressões de dimensionamento com uma distinção relevante: a consideração da força de corte interlaminar como parâmetro decisivo para a resistência ao esmagamento (em oposição à tensão normal transversal da alma). Será importante em trabalhos futuros considerar estas duas metodologias no estudo do fenómeno de esmagamento em perfis de GFRP, para que se possa discernir qual destas duas propriedades mais condiciona a rotura por esmagamento. 172 _______________________________ 7 – Referências _______________________________ 7 - Referências [1] AISI S100-2007, “North American Cold-Formed Steel Specification”, American Iron and Steel Institute (AISI), Washington D.C., 2007. [2] ASTM D 2344/D 2344M-00, “Standard Test Method for Short-Beam Strength of Polymer Matrix Composite Materials and Their Laminates”, American Society for Testing and Materials (ASTM), West Conshohocken, PA, 2006. [3] ASTM D 695-02, “Standard Test Method for Compressive Properties of Rigid Plastics”, American Society for Testing and Materials (ASTM), West Conshohocken, PA, 2006. [4] Bank L. C., “Composites for Construction: Structural Design with FRP materials”, Wiley, Hoboken, 2006. [5] Borowicz D. T. e Bank L. C., “Behaviour of Pultruded Fiber-Reinforced Polymer (FRP) Beams Subjected to Concentrated Loads in the Plane of the Web”, Second official International Conference of International Institute for FRP in Construction for Asia-Pacific Region, pp. 13-18, Seul, 2009. [6] Borowicz D. T. e Bank L. C., “Behaviour of Pultruded Fiber-Reinforced Polymer Beams Subjected to Concentrated Loads in the Plane of the Web”, Journal of composites for construction, Vol. 15, No. 2, pp. 229-238, 2011. [7] Borowicz D. T. e Bank L. C., “Effect of web reinforcement on the behavior of pultruded fiberreinforced polymer beams subjected to concentrated loads”, Construction and Building Materials, Vol. 47, pp. 347-357, 2013. [8] CNR-DT 205/2007, “Guide for the Design and Construction of Structures made of FRP Pultruded Elements”, National Research Council of Italy, Roma, 2008. [9] Correia J. R., “Compósitos de Matriz Polimérica”, In Ciência e Engenharia de materiais de construção (Editoras: Margarido F. e Gonçalves M. C.), IST Press, Lisboa, 2012. [10] Correia J.R., Branco F.A., Silva N.M.F., Camotim D. e Silvestre N., “First-order, buckling and post-buckling behaviour of GFRP pultruded beams. Part 1: Experimental study”, Computers and Structures, Vol. 89, No. 21-22, pp. 2052-2064, 2011. [11] Correia J. R., Branco F. A., Ferreira J. G., Bai Y. e Keller T., ”Fire protection systems for building floors made of pultruded GFRP profiles Part 1: Experimental investigations”, Composites Part B: Engineering, Vol. 41, No. 8, pp. 617-629, 2010. 173 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ [12] Correia J. R., “Perfis Pultrudidos de GFRP em engenharia civil. Soluções mistas, ligações coladas e comportamento ao fogo”, Tese de Doutoramento, Instituto Superior Técnico, Lisboa, 2008. [13] Correia J. R., Branco F. A. e Ferreira J. G., “The effect of different passive fire protection systems on the fire reaction properties of GFRP pultruded profiles for civil construction”, Composites Part A: Applied Science and Manufacturing, Vol. 41, No. 3, pp. 441-452, 2010. [14] Correia M., “Comportamento estrutural de perfis pultrudidos de GFRP”, Dissertação de Mestrado, Instituto Superior Técnico, Lisboa, 2012. [15] EN ISO 14125, “Fibre-reinforced plastic composites – Determination of flexural properties”, Bruxelas, European Committee for Standardization (CEN), Bruxelas, 1998. [16] EN 1993 “Eurocode 3 – Design of steel structures”, European Committee for Standardization (CEN), Bruxelas, 2004. [17] EN 1993-1-3:2006, “Eurocode 3 – Part 1-3: General rules – Supplementary rules for coldformed members and sheeting”, European Committee for Standardization (CEN), Bruxelas, 2004. [18] EN 1993-1-5:2004, “Eurocode 3 – Part 1-5: Plated Structural elements”, European Committee for Standardization (CEN), draft 49, Bruxelas, 2004. [19] Eurocomp, “Structural Design of Polymer Composites”, the European Structural Polymeric Composites Group (Editor: J. L. Clarke), E & Fn Spon, Londres, 1996. [20] Gonilha J. A., Correia J. R. e Branco F. A., “Structural behaviour of a GFRP-concrete hybrid footbridge prototype: Experimental tests and numerical and analytical simulations”, Engineering Structures, Vol. 60, pp. 11-22, 2014. [21] Helios Software Solutions, “Textpad 5.4.2”, 2011. [22] Hodgkinson J. M., “Mechanical Testing of Advanced Fibre Composites”, CRC Press, Cambridge, England, 2000. [23] ISO-527-4, “Determination of tensile properties – Part 4: Test conditions for isotropic and orthotropic fibre-reinforced plastic composites”, European Committee for Standardization (CEN), Bruxelas, 1997. [24] ISO-527-5, “Determination of tensile properties – Part 5: Test conditions for unidirectional fibre-reinforced plastic composites”, European Committee for Standardization (CEN), Bruxelas, 1997. [25] Nunes F., “Comportamento estrutural de perfis pultrudidos de GFRP reforçados com mantas de CFRP”, Dissertação de Mestrado, Instituto Superior Técnico, Lisboa, 2012. 174 _______________________________ 7 – Referências _______________________________ [26] Nunes F., M. Correia, J.R. Correia, N. Silvestre e A. Moreira, “Experimental and numerical study on the structural behavior of eccentrically loaded GFRP columns”, Thin-Walled Structures, Vol. 72, pp. 175-187, 2013. [27] Página da empresa National Grating: www.nationalgrating.com, visitada em 14/03/2014. [28] Página da empresa Alto Perfis Pultrudidos Lda. http://www.alto.pt/, visitada em 27/03/2014. [29] Página da universidade de Plymouth: http://www.tech.plym.ac.uk/sme/composites/bridges.htm, visitada em 27/03/2014. [30] Página da Wikipedia, http://en.wikipedia.org/wiki/GFRP_Lleida_Pedestrian_Bridge, visitada em 27/03/2014. [31] “Pre-Standard for Load & Resistance Factor Design (LRFD) of Pultruded Fiber Reinforced Polymer Structures (FRP)”, American Society of Civil Engineers (ASCE), 2010. [32] Silva N.M.F., Camotim D., Silvestre N., Correia J.R., Branco F.A., “First-order, buckling and post-buckling behaviour of GFRP pultruded beams. Part 2: Numerical simulation”, Computers and Structures, Vol. 89, No. 21-22, pp. 2065-2078, 2011. [33] Simulia, “Abaqus/CAE”, versão 6.10, 2010. [34] Teixeira P., “Análise e dimensionamento de perfis pultrudidos de GFRP”, Dissertação de Mestrado, Instituto Superior Técnico, Lisboa, 2010. [35] Wu C. e Bai Y., “Web crippling behaviour of pultruded glass fibre reinforced polymer sections”, Composite Structures, Vol. 108, pp. 789-800, 2014. 175 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ 176 __________________________________ Anexos ___________________________________ Anexos 177 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ A1 – Dados relativos à caracterização mecânica dos perfis A1.1 – Ensaios de tração A1.1.1 – Dimensões dos provetes Houve um lapso em alguns dos ensaios de tração, pois não se mediram as espessuras dos provetes antes de estes serem ensaiados, tendo-se medido apenas as larguras. As espessuras consideradas foram medidas a posteriori em secções sem danos visíveis, tendo-se generalizado essas medições para zonas em que não se pôde medir a espessura. Este erro é relevante, pois a espessura apresentada pelos perfis não é igual à espessura de catálogo, mas acabou por não ser decisivo devido à pouca variação da espessura num mesmo provete. As dimensões dos provetes estão resumidas nas tabelas A1 a A5, ilustrando-se na figura A1 o esquema de medições. Os comprimentos apresentam-se em milímetros e as áreas em milímetros quadrados; apresenta-se o comprimento total do provete “L”, a largura “b”, e a espessura “e” dos provetes, bem como o vão livre entre garras; saliente-se, por fim, que as espessuras generalizadas, a partir de outras secções, estão realçadas a cinzento. Nas tabelas A1 a A5 apresentam-se ainda as pressões de aperto consideradas nos vários ensaios. a b L c b Figura A1: Esquema de medições dos provetes da campanha de caracterização. 178 __________________________________ Anexos ___________________________________ Tabela A1: Dimensões dos provetes I100-TAL. ba Provete bb bc ea eb ec L Vão Amin Amédia Pressão 2 (mm) (mm ) (bar) 1 24,49 24,47 24,50 8,04 7,96 7,95 249 100 194,78 195,49 20 2 25,08 25,05 25,15 8,06 7,96 8,01 250 100 199,40 201,00 35 3 24,65 24,61 24,78 8,05 8,00 7,99 251 100 196,88 197,77 35 4 23,97 24,01 23,97 8,08 8,08 8,16 250 150 193,68 194,42 30 5 25,94 26,05 25,89 8,08 8,08 8,16 249 100 209,60 210,45 30 6 23,91 23,54 23,19 8,08 8,08 8,16 252 100 189,23 190,88 30 Tabela A2: Dimensões dos provetes I100-TBL. ba Provete bb bc ea eb ec L Vão Amin Amédia Pressão 2 (mm) (mm ) (bar) 1 15,80 15,96 16,24 7,88 8,01 8,01 250 100 124,50 127,48 20 2 14,80 15,01 15,19 7,83 7,82 7,88 250 100 115,88 117,65 20 3 14,63 14,60 14,62 7,81 7,72 7,84 250 100 112,71 113,86 20 4 15,56 15,51 15,43 7,92 7,94 7,82 250 150 120,66 122,35 30 5 16,88 16,59 16,68 8,00 7,99 8,01 250 150 132,55 133,73 20 6 14,64 15,27 15,64 7,88 7,88 7,85 250 100 115,36 119,49 20 7 12,55 12,09 11,73 8,06 7,98 7,97 250 100 93,49 97,04 20 Tabela A3: Dimensões dos provetes I400-TAL. Provete ba bb bc ea eb ec L Vão Amin Amédia 2 (mm) Pressão (mm ) (bar) 1 24,5 25,13 25,96 14,72 14,72 14,83 300 150 360,64 371,85 40 2 24,94 24,33 23,84 14,65 14,65 14,98 300 150 356,43 359,64 40 3 24,25 25,15 25,99 14,8 14,8 14,8 301 150 358,90 371,92 40 4 23,11 23,46 23,93 14,81 14,75 14,75 300 150 342,26 347,09 40 5 25,49 24,89 24,49 14,91 14,65 14,65 300 150 358,78 367,82 40 6 24,08 23,54 23,17 14,77 14,77 14,79 300 150 342,68 348,68 40 Tabela A4: Dimensões dos provetes I400-TAT. Provete ba bb bc ea eb ec L Vão Amin Amédia 2 (mm) (mm ) Pressão (bar) 1 24,68 24,84 25,14 14,62 14,67 14,64 300 200 360,82 364,42 30 2 25,36 25,46 25,66 14,81 14,78 14,73 301 200 375,58 376,62 30 3 25,55 25,27 25,05 14,65 14,67 14,81 301 200 370,71 372,00 30 4 26,21 25,87 25,68 14,53 14,51 14,81 300 200 375,37 378,84 40 5 24,92 25,34 26 14,83 14,68 14,63 301 200 369,56 373,98 40 6 25,54 25,85 26,35 14,88 14,55 14,65 301 200 376,12 380,73 30 179 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Tabela A5: Dimensões dos provetes I400-TBL. Provete ba bb bc ea eb ec L Vão Amin Amédia 2 (mm) (mm ) Pressão 1 24,92 24,34 23,89 14,94 14,94 14,94 300 150 356,92 364,29 (bar) 50 2 25,46 25,56 26,18 15,02 15,02 15,02 300 150 382,41 386,51 50 3 26,33 26,4 26,75 14,84 14,84 14,84 299 150 390,74 393,16 50 4 26,51 26,92 27,2 14,81 14,81 14,81 301 150 392,61 398,04 40 5 22,99 22,56 22,07 14,87 14,87 14,87 300 150 328,18 335,17 40 6 26,05 26,25 26,7 15,02 14,87 14,87 301 150 390,34 392,88 40 A1.1.2 – Resultados da série I100-TBL Os resultados referentes aos provetes obtidos a partir dos banzos apresentaram 2 problemas distintos: por um lado houve a necessidade de readequar a pressão adotada noutros ensaios, neste caso aplicou-se uma pressão inferior aos restantes ensaios, cerca de 20 Bar (tendo-se perdido 2 provetes por esmagamento, P4 e P7); por outro lado houve erros de leitura em dois dos ensaios instrumentados, P2 e P3. Contudo houve grande regularidade nos ensaios que decorreram com normalidade, no que toca ao módulo de elasticidade calculado através dos dados de força e deslocamento (figura A2 (b)). Na figura A2 (b) apresenta-se o gráfico tensão/extensão para a leitura do extensómetro do provete I100-TBL-1 e para os valores obtidos da relação força/deslocamento (marcados com “*”). a) I100 TBL: Força-deslocamento b) I100 TBL: Tensão-Extensão Figura A2: Resultados dos ensaios I100-TBL. Com base nestes resultados determinou-se um valor médio de 18,5 GPa, para o módulo de elasticidade longitudinal nos banzos, praticamente coincidente com o módulo determinado para a alma. 180 __________________________________ Anexos ___________________________________ A1.2 – Ensaios de compressão A1.2.1 – Dimensões dos provetes ensaiados no método 1 As dimensões dos vários provetes instrumentados apresentam-se nas tabelas A6 a A13, bem como as velocidades de ensaio. Tabela A6: Dimensões dos provetes I100-CAL. ba Provete bb bc ea eb ec L Amin (mm) Amédia Velocidade 2 (mm/min) (mm ) 1 12,53 12,66 12,10 7,97 7,97 7,97 25,80 96,44 99,07 1,07 2 11,74 11,85 11,85 8,00 8,01 8,00 24,62 93,92 94,55 - 3 12,26 12,25 12,38 7,97 7,97 7,97 20,24 97,63 98,00 0,18 4 12,31 12,35 12,35 8,02 8,01 8,02 25,06 98,73 98,90 0,72 5 12,22 12,09 11,93 8,02 8,01 8,01 24,75 95,56 96,80 0,12 6 12,20 12,16 12,12 7,98 7,98 7,98 24,74 96,72 97,04 - 7 12,28 12,22 12,31 8,02 8,02 8,00 25,08 98,00 98,32 1,97 Tabela A7: Dimensões dos provetes I100-CAT. Provete ba bb bc ea eb ec L Amin Amédia 2 (mm) (mm ) Velocidade (mm/min) 1 12,39 12,52 12,60 7,97 7,97 7,97 25,07 98,75 99,65 - 2 12,29 12,36 12,53 8,04 8,02 8,02 25,74 98,81 99,48 1,58 3 12,59 12,58 12,76 8,02 7,99 8,01 25,25 100,51 101,23 - 4 11,86 11,83 11,73 8,00 8,04 8,01 22,90 93,96 94,65 0,17 5 12,50 12,35 12,13 8,01 8,07 8,06 26,52 97,77 99,19 1,63 6 12,63 12,68 12,69 7,99 7,98 7,99 24,22 100,91 101,16 - 7 11,62 11,90 12,11 8,04 8,00 8,01 23,10 93,42 95,21 - 8 12,33 12,28 12,23 8,00 7,98 7,99 23,00 97,72 98,12 0,92 9 14,08 14,07 14,04 8,05 8,03 7,99 25,35 112,18 112,84 - 10 14,30 14,21 14,25 8,06 7,98 8,01 24,68 113,40 114,27 - Tabela A8: Dimensões dos provetes I100-CBL. Provete ba bb bc ea eb ec L Amin Amédia 2 (mm) (mm ) Velocidade (mm/min) 1 14,13 14,36 14,34 8,05 8,03 8,01 25,88 113,75 114,64 - 2 14,29 14,12 13,91 8,05 8,06 8,10 25,27 112,67 113,84 1,35 3 13,85 13,78 13,84 7,98 7,99 8,02 25,79 110,10 110,54 0,85 4 14,56 14,64 14,64 8,04 8,03 8,06 25,53 117,06 117,54 0,82 5 14,44 14,50 14,50 8,03 8,03 8,03 25,91 115,95 116,27 0,75 6 14,40 14,28 14,21 7,95 7,94 7,93 23,78 112,69 113,52 - 181 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Tabela A9: Dimensões dos provetes I200-CAT. Provete ba bb bc ea eb ec L Amin Amédia 2 (mm) (mm ) Velocidade (mm/min) 1 12,88 12,75 12,75 10,01 10,06 10,04 39,18 128,01 128,40 1,28 2 12,65 12,57 12,57 10,02 10,04 10,03 39,36 126,08 126,34 1,65 3 13,05 13,00 12,88 10,05 10,00 10,08 39,87 129,83 130,33 1,39 4 12,75 12,83 12,74 10,05 10,02 10,03 35,85 127,78 128,16 - 5 12,79 12,76 12,76 10,01 10,02 10,05 40,12 127,86 128,04 - 6 12,88 12,86 13,46 10,03 9,98 10,04 40,34 128,34 130,89 1,41 Amédia Velocidade Tabela A10: Dimensões dos provetes I400-CAL. Provete ba bb bc ea eb ec L Amin 2 (mm) (mm ) (mm/min) 1 13,08 13,05 13,04 14,53 14,52 14,50 41,17 189,08 189,54 1,91 2 12,83 12,83 12,86 14,62 14,59 14,59 34,36 187,19 187,46 1,08 3 11,76 11,73 11,62 14,67 14,66 14,55 38,09 169,07 171,18 0,52 4 12,80 12,83 13,03 14,59 14,61 14,68 33,77 186,75 188,49 1,14 5 13,38 13,41 13,10 14,71 14,60 14,55 38,12 190,61 194,40 0,93 6 13,50 13,56 13,61 14,71 14,60 14,52 33,05 197,62 198,06 - 7 11,55 11,55 11,52 14,65 14,55 14,57 38,67 167,85 168,37 - 8 11,48 11,52 11,54 14,55 14,50 14,54 36,00 167,03 167,29 0,28 Amédia Velocidade Tabela A11: Dimensões dos provetes I400-CAT. Provete ba bb bc ea eb ec L Amin 2 (mm) (mm ) (mm/min) 1 12,68 12,68 12,68 14,64 14,59 14,58 38,64 184,87 185,17 0,42 2 12,48 12,50 12,55 14,66 14,59 14,60 34,30 182,38 182,85 1,23 3 12,66 12,64 12,59 14,58 14,56 14,56 39,90 183,31 183,98 - 4 12,45 12,42 12,35 14,57 14,57 14,57 28,70 179,94 180,77 0,83 5 12,82 12,75 12,80 14,53 14,53 14,53 35,08 185,26 185,84 0,58 6 12,55 12,57 12,63 14,57 14,53 14,56 39,84 182,64 183,13 - 7 12,63 12,59 12,61 14,53 14,53 14,53 31,05 182,93 183,22 0,59 8 12,82 12,79 12,71 14,56 14,56 14,56 32,70 185,06 185,98 0,32 182 __________________________________ Anexos ___________________________________ Tabela A12: Dimensões dos provetes I400-CBL. Provete ba bb bc ea eb ec L Amin Amédia 2 (mm) (mm ) Velocidade (mm/min) 1 13,54 13,25 13,11 14,72 14,70 14,73 40,92 193,11 195,73 1,43 2 13,09 13,17 13,23 14,71 14,74 14,74 40,95 192,55 193,90 1,33 3 13,74 13,75 13,68 14,78 14,76 14,74 40,89 201,64 202,56 0,87 4 13,07 12,98 12,90 14,84 14,69 14,67 34,94 189,24 191,29 0,39 5 13,67 13,70 13,70 14,72 14,72 14,72 34,15 201,22 201,52 - 6 13,05 13,12 13,10 14,64 14,65 14,63 34,41 191,05 191,64 1,31 7 13,52 13,56 13,51 14,77 14,76 14,76 38,67 199,41 199,75 0,71 8 13,00 12,90 13,55 14,78 14,75 14,71 40,68 190,28 193,91 1,19 9 13,20 12,92 12,99 14,67 14,67 14,67 39,20 189,54 191,25 0,86 Amédia Velocidade Tabela A13: Dimensões dos provetes I400-CBT. Provete ba bb bc ea eb ec L Amin 2 (mm) (mm ) (mm/min) 1 13,08 13,02 13,05 14,82 14,80 14,82 33,20 192,70 193,31 0,65 2 12,67 12,57 12,53 14,82 14,80 14,79 35,99 185,32 186,37 0,70 3 12,27 12,31 12,26 15,03 14,89 14,74 40,91 180,71 182,81 - 4 12,48 12,73 12,85 14,93 14,83 14,77 41,29 186,33 188,30 - 5 12,44 12,67 12,87 14,83 14,76 14,73 41,43 184,49 187,02 1,47 6 13,16 13,05 12,88 14,85 14,85 14,85 36,33 191,27 193,50 0,24 7 12,62 12,56 12,48 14,77 14,77 14,77 33,32 184,33 185,41 1,00 8 12,40 12,34 12,33 14,77 14,77 14,77 39,26 182,11 182,51 0,92 A1.2.2 – Dimensões dos provetes ensaiados no método 2 Na aplicação do método 2 apenas se consideraram duas séries relativas aos perfis I200 e I400, na direção transversal da alma. As dimensões destes provetes aproximam-se das preconizadas na norma ISO-527-4 [23], para ensaios de tração. Os provetes considerados na aplicação deste método são, contudo, menos esbeltos, no sentido de evitar fenómenos de instabilidade. As dimensões dos provetes ensaiados com este método apresentam-se nas tabelas A14 e A15. 183 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Tabela A14: Dimensões dos provetes I200-CAT-M2. Provete ba bb bc ea eb ec L Vão Amin Amédia 2 (mm) (mm ) Pressão (bar) 1 24,28 24,42 24,50 10,02 9,99 10,03 150 90 243,29 244,33 30 2 24,88 24,63 24,58 10,06 10,03 10,02 149 89 246,29 247,87 30 3 24,13 24,28 24,20 10,09 10,05 10,02 148 88 242,48 243,32 30 4 25,29 24,54 23,42 9,98 10,00 10,00 148 88 234,20 244,00 30 5 24,43 25,13 25,29 10,01 10,05 10,08 149 89 244,54 250,66 30 6 24,77 25,15 25,26 10,03 9,99 10,00 148 88 248,44 250,77 30 Amédia Pressão Tabela A15: Dimensões dos provetes I400-CAT-M2. Provete ba bb bc ea eb ec L Vão Amin 2 (mm) (mm ) (bar) 1 24,28 24,33 24,34 14,51 14,48 14,61 200 100 352,30 353,40 30 2 25,58 25,39 25,02 14,50 14,50 14,60 200 100 365,29 368,12 30 3 22,39 22,65 22,83 14,51 14,56 14,71 200 100 324,88 330,16 30 4 23,29 23,49 23,50 14,58 14,62 14,63 200 100 339,57 342,27 30 5 22,26 22,61 23,05 14,50 14,52 14,60 199 99 322,77 329,20 30 A1.3 – Ensaio de corte a 10º A1.3.1 – Dimensões dos provetes Os ensaios de corte a 10º abrangeram os perfis I100 e I400. Os provetes provenientes do perfil I100 tiveram de ser improvisados, apresentando um comprimento inferior ao exigido, devido à reduzida dimensão do perfil. As dimensões dos vários provetes apresentam-se nas tabelas A16 e A17. No caso da série I400-BA, as medições de espessura foram feitas a posteriori, obtendose valores para as zonas de extremidade. Tabela A16: Dimensões dos provetes I100-BA. Provete ba bb bc ea eb ec L Vão Amin Amédia 2 (mm) (mm ) Pressão (bar) 1 24,87 25,19 25,48 7,98 7,97 7,98 220 120,00 198,46 200,85 30 2 23,64 23,97 24,19 7,99 7,98 7,95 221 121,00 188,88 190,82 30 3* 24,15 24,54 24,62 7,97 7,98 7,93 220 120,00 192,48 194,51 30 * Único provete que apresentou um ensaio válido. 184 __________________________________ Anexos ___________________________________ Tabela A17: Dimensões dos provetes I400-BA. Provete ba bb bc ea eb ec L Vão Amin Amédia 2 (mm) (mm ) Pressão (bar) 1 24,44 24,13 23,99 14,7 - 14,75 299 199 353,85 356,51 40 2 26,71 26,29 26,22 14,6 - 14,72 299 199 385,96 387,65 40 3 24,58 24,01 23,95 14,9 - 14,63 299 199 350,39 356,41 40 4 24,34 24,16 24,13 14,6 - 13,61 299 199 328,41 341,97 40 5 25,27 24,92 24,71 14,8 - 14,69 299 199 362,99 367,51 40 A1.3.2 – Resultados dos provetes I100-BA Os resultados dos ensaios de corte a 10º para o perfil I100 são apenas indicativos, esta consideração advém do facto de apenas ter havido um provete normalmente ensaiado. Obtiveram-se assim três valores para as tensões últimas de corte no plano, independentes do funcionamento dos extensómetros, além de um valor para o módulo elástico de distorção. Na figura A3 apresentam-se os resultados obtidos para a série I100-BA. a) b) Figura A3: Resultados dos provetes I100-BA: a) Curva força-deslocamento; b) Curva tensão de corte-distorção. A1.4 – Ensaios de corte interlaminar A1.4.1 – Dimensões dos provetes Os ensaios de corte interlaminar abrangeram os perfis I100 e I400, contudo, apenas os provetes longitudinais do perfil I100 atingiram a rotura por corte interlaminar, pois os provetes transversais às fibras de ambos os perfis atingiram a rotura por corte do provete e os provetes longitudinais do perfil I400 não atingiram a rotura para a máxima carga aplicável pela prensa. As dimensões dos vários provetes ensaiados apresentam-se nas tabelas A18 a A21. 185 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Tabela A18: Dimensões dos provetes I100-CIL-AL. Provete ba bb bc ea eb ec L Amin Amédia 2 (mm) (mm ) Velocidade (mm/min) 1 15,03 15,35 15,83 7,98 8,00 7,94 48 119,94 122,81 1,49 2 16,23 16,29 16,33 7,95 7,96 8,02 48 129,03 129,89 1,85 3 15,21 15,16 15,38 8,02 8,01 7,95 48 121,43 121,90 2,12 4 14,79 15,12 15,51 7,95 7,97 8,04 48 117,58 120,93 1,55 5 15,83 15,82 15,60 7,97 7,97 7,95 48 124,02 125,42 1,68 6 14,63 14,77 14,82 7,99 8,05 8,10 48 116,89 118,61 1,99 7 14,73 14,48 14,55 7,97 8,00 7,95 48 115,67 116,30 1,53 Tabela A19: Dimensões dos provetes I100-CIL-AT. Provete ba bb bc ea eb ec L Amin Amédia 2 (mm) (mm ) Velocidade (mm/min) 1 16,23 15,88 15,64 8,00 8,01 7,96 47 124,49 127,18 1,79 2 17,11 17,06 16,87 8,05 8,06 8,02 48 135,30 136,85 1,32 3 15,14 15,33 15,50 8,03 8,03 7,98 47 121,57 122,79 1,44 4 15,85 15,62 15,50 8,02 8,02 7,98 47 123,69 125,36 1,71 5 15,69 15,78 15,76 8,03 8,04 7,99 47 125,92 126,26 1,85 6 14,16 14,64 13,78 8,02 8,01 7,99 47 110,10 113,64 1,52 7 15,09 15,69 15,60 8,01 8,00 7,97 47 120,87 123,57 2,50 Tabela A20: Dimensões dos provetes I100-CIL-BL. Provete ba bb bc ea eb ec L Amin Amédia 2 (mm) (mm ) Velocidade (mm/min) 1 15,87 16,08 16,34 7,90 7,97 7,90 48 125,37 127,54 1,47 2 15,77 16,08 16,29 8,01 7,98 8,00 48 126,32 128,32 1,17 3 14,30 13,75 13,68 8,03 8,02 8,01 48 109,58 111,56 1,29 4 14,19 14,29 14,36 8,01 8,02 8,04 48 113,66 114,57 1,33 5 15,36 15,41 15,61 8,02 8,00 8,01 48 123,19 123,83 1,14 6 13,12 13,77 13,95 7,95 7,98 7,95 46 104,30 108,36 1,22 7 13,95 13,79 13,89 7,97 7,95 7,97 48 109,63 110,51 0,66 186 __________________________________ Anexos ___________________________________ Tabela A21: Dimensões dos provetes I400-CIL-AT. Provete ba bb bc ea eb ec L Amin Amédia 2 (mm) (mm ) Velocidade (mm/min) 1 35,27 35,07 34,66 14,52 14,52 14,53 92 503,61 508,32 1,72 2 30,76 30,60 30,22 14,56 14,56 14,52 90 438,79 444,07 1,73 3 32,43 32,93 33,43 14,54 14,55 14,53 91 471,53 478,80 1,67 4 30,98 30,81 30,28 14,58 14,79 14,70 90 445,12 450,83 2,29 5 30,98 31,53 31,71 14,48 14,52 14,52 90 448,59 455,61 1,38 6 31,04 31,15 31,04 14,63 14,51 14,54 91 451,32 452,47 1,49 7 29,54 30,11 30,51 14,74 14,68 14,60 90 435,42 440,96 1,30 A1.4.2 – Resultados obtidos Na figura A4 ilustram-se os resultados das séries I100-CIL-AL e I100-CIL-BL, em termos de curvas força-deslocamento. Estas foram as únicas séries relevantes para a determinação da força de corte interlaminar do perfil I100. a) b) Figura A4: Curvas força-deslocamento das séries: a) I100-CIL-AL; b) I100-CIL-BL. A1.5 – Ensaios de flexão A1.5.1 – Dimensões dos provetes Os ensaios de flexão só foram realizados para o perfil I100, devido a restrições de material do perfil I400. As dimensões dos provetes ensaiados apresentam-se nas tabelas A22 e A23. 187 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Tabela A22: Dimensões dos provetes I100-FL-AL. Provete ba bb bc ea eb ec L Amin Amédia 2 (mm) (mm ) Velocidade (mm/min) 1 15,36 15,07 14,14 7,98 7,99 8,01 238,00 113,26 118,75 5,24 2 15,14 15,10 15,03 8,05 8,03 8,01 238,00 120,39 121,17 4,33 3 17,00 16,28 15,57 8,01 8,05 7,93 249,00 123,47 130,23 - 4 14,15 13,88 13,56 7,98 7,96 7,97 238,00 108,07 110,49 4,84 5 14,78 14,96 15,79 8,01 8,06 8,05 238,00 118,39 122,02 8,16 6 14,43 14,51 14,76 8,06 8,07 8,02 238,00 116,31 117,26 9,22 7 15,46 15,20 15,22 8,02 8,01 8,04 238,00 121,75 122,70 - Tabela A23: Dimensões dos provetes I100-FL-BL. Provete ba bb bc ea eb ec L Amin Amédia 2 (mm) (mm ) Velocidade (mm/min) 1 13,92 12,90 12,36 7,99 8,02 7,97 238,00 98,51 104,40 9,73 2 15,42 15,25 15,20 8,07 8,07 8,05 239,00 122,36 123,29 8,99 3 15,37 14,05 12,80 7,94 7,91 7,92 239,00 101,38 111,52 8,56 4 13,59 13,70 13,58 8,00 7,99 7,97 240,00 108,23 108,81 7,81 5 15,70 15,04 15,44 8,07 8,04 8,01 239,00 120,92 123,77 8,21 6 16,87 17,46 16,51 8,00 8,00 7,94 239,00 131,09 135,24 9,76 7 14,38 14,11 14,43 7,93 7,89 7,88 238,00 111,33 113,02 11,63 188 __________________________________ Anexos ___________________________________ A2 – Resumo dos resultados dos ensaios de esmagamento A2.1 – Resultados obtidos na configuração ITF O resumo dos resultados obtidos para a configuração ITF, não rotulada, apresentam-se na tabela A24. Os resultados apresentam-se em termos da força última, ou resistência, “R” e da rigidez “K” apresentadas pelos provetes. Tabela A24: Resumo dos resultados obtidos na configuração ITF não rotulada. Perfil I100 I100 I100 I120 I120 I120 I200 I200 I200 I400 Provete Chapa R (kN) Média (kN) Desvio Padrão K (kN/mm) 1 15 31,68 2 15 28,41 3 15 29,35 17,71 1 50 43,00 28,98 2 50 42,84 3 50 37,51 29,13 1 100 64,31 38,69 2 100 53,80 3 100 51,38 37,94 1 15 32,58 20,11 2 15 33,15 3 15 30,79 20,06 1 50 50,55 32,08 2 50 54,00 3 50 51,32 32,33 1 100 71,74 45,99 2 100 83,03 3 100 76,15 46,21 1 15 71,78 26,11 2 15 67,45 3 15 64,25 22,42 1 50 109,30 31,14 2 50 105,25 3 50 112,72 34,46 1 100 159,47 44,00 2 100 161,72 3 100 162,83 44,98 1 100 119,60 40,64 2 100 133,27 3 100 128,91 Média (kN/mm) Desvio Padrão 18,09 0,43 29,37 0,56 40,08 3,09 20,11 0,05 32,15 0,15 46,07 0,12 23,65 2,13 33,82 2,42 43,99 1,00 39,67 3,07 18,56 29,81 1,68 41,11 3,12 56,50 6,88 32,17 1,23 51,96 1,81 76,97 5,69 67,83 3,78 109,09 161,34 127,26 3,74 1,71 6,98 18,00 30,02 43,62 20,16 32,04 46,01 22,41 35,85 42,98 42,13 36,23 189 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ A2.2 – Resultados obtidos na configuração ETF Na tabela A25 apresenta-se o resumo dos resultados obtidos a partir dos ensaios de esmagamento na configuração ETF. Tabela A25: Resumo dos resultados obtidos na configuração ETF não rotulada. Perfil 100 100 100 120 120 120 200 200 200 400 Provete Chapa R (kN) Média (kN) Desvio Padrão K (kN/mm) 1 15 15,71 2 15 20,35 3 15 14,23 11,19 1 50 30,87 23,64 2 50 47,67 3 50 36,16 24,13 1 100 41,62 36,06 2 100 49,09 3 100 45,73 1 15 19,75 2 15 19,79 3 15 19,43 12,90 1 50 36,38 26,89 2 50 41,95 3 50 38,30 26,18 1 100 68,32 42,20 2 100 65,68 3 100 60,58 42,96 1 15 36,43 13,93 2 15 40,27 3 15 34,76 11,97 1 50 78,74 24,22 2 50 77,55 3 50 78,23 27,33 1 100 119,89 38,36 2 100 130,07 3 100 96,02 36,25 1 100 71,53 22,90 2 100 66,36 3 100 84,07 Média (kN/mm) Desvio Padrão 12,25 2,75 27,04 5,47 35,98 0,11 13,15 0,22 26,66 0,41 42,57 0,38 12,89 0,99 26,05 1,63 37,78 1,34 23,52 1,12 10,19 16,77 3,19 38,24 8,59 45,48 3,75 15,37 33,35 35,91 13,31 19,66 0,20 38,88 2,83 64,86 3,93 37,15 2,83 78,17 0,59 115,33 73,99 17,48 9,11 13,25 26,90 42,56 12,76 26,61 38,72 22,85 24,81 190 __________________________________ Anexos ___________________________________ A2.3 – Comparação gráfica entre resultados ETF e ITF De seguida apresenta-se uma comparação gráfica entre resultados ETF e ITF para os perfis I100 e I200, para os vários comprimentos de carregamento considerados (figs. A5 e A6). Figura A5: Comparação entre ensaios ETF e ITF para o perfil I100 (escalas distintas). Na figura A5 pode notar-se a aproximação do comportamento dos provetes ETF em relação aos ITF, com o aumento do comprimento de carregamento. Pode-se ainda constatar a diferença de comportamento dos provetes anómalos ETF, um dos provetes I100-ETF-c50 chega a atingir valores superiores aos provetes I100-ITF-c50. 191 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ Figura A6: Comparação entre ensaios ETF e ITF para o perfil I200 (escalas distintas). Com a análise da figura A6 pode-se uma vez mais constatar a aproximação de resultados entre as duas configurações, com o aumento do comprimento de aplicação de carga. Esta aproximação é particularmente clara entre os resultados obtidos para as chapas de 15 e 50 mm. 192 __________________________________ Anexos ___________________________________ A2.4 – Resumo dos modos de rotura verificados Na tabela A26 apresenta-se um resumo dos modos de rotura identificados nas várias séries experimentais. Tabela A26: Modos de rotura verificados na campanha experimental de esmagamento, sem rótula. Modo de rotura Esmagamento da alma Perfil Config. Chapa Ligação banzo-alma ETF I100 ITF ETF I120 ITF ETF I200 ITF I400 ETF ITF Total c15 Total c50 Total c100 Total c15 c50 c100 c15 c50 c100 c15 c50 c100 c15 c50 c100 c15 c50 c100 c15 c50 c100 c100 c100 3 2 1 3 2 0 3 0 0 3 3 0 3 3 3 1 3 3 0 3 16 13 10 39 193 Zona central da alma 0 1 2 0 1 3 0 0 0 0 0 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 7 9 Encurvadura local da alma 0 0 0 0 0 0 0 3 3 0 0 1 0 0 0 0 0 0 3 0 0 3 7 10 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ A3 – Estudo numérico A3.1 – Exemplo de ficheiro de input (MSI) Apresenta-se de seguida o código referente ao modelo sem imperfeição I100-ETF-c50: *HEADING 44, 0, 35, 200, Viga de secção I 100 ETF C50 (MSI) 45, 0, 32.5, 200, *PREPRINT, ECHO=NO,HISTORY=NO,MODEL=NO 46, 0, 30, 200, ** 47, 0, 27.5, 200, *PART, NAME=viga 48, 0, 25, 200, *END PART 49, 0, 22.5, 200, *PART, NAME=chapas 50, 0, 20, 200, *END PART 51, 0, 17.5, 200, ** 52, 0, 15, 200, *ASSEMBLY, NAME=esmagamento 53, 0, 12.5, 200, ** 54, 0, 10, 200, *INSTANCE, NAME=viga_1, PART=viga 55, 0, 7.5, 200, ** 56, 0, 5, 200, *NODE, NSET=S_1 57, 0, 2.5, 200, 1, -25, 100, 200, ** 2, -18.75, 100, 200, *NODE, NSET=S_31 3, -12.5, 100, 200, 1711, -25, 100, 150, 4, -6.25, 100, 200, 1712, -18.75, 100, 150, 5, 0, 100, 200, 1713, -12.5, 100, 150, 6, 6.25, 100, 200, 1714, -6.25, 100, 150, 7, 12.5, 100, 200, 1715, 0, 100, 150, 8, 18.75, 100, 200, 1716, 6.25, 100, 150, 9, 25, 100, 200, 1717, 12.5, 100, 150, 10, -25, 0, 200, 1718, 18.75, 100, 150, 11, -18.75, 0, 200, 1719, 25, 100, 150, 12, -12.5, 0, 200, 1720, -25, 0, 150, 13, -6.25, 0, 200, 1721, -18.75, 0, 150, 14, 0, 0, 200, 1722, -12.5, 0, 150, 15, 6.25, 0, 200, 1723, -6.25, 0, 150, 16, 12.5, 0, 200, 1724, 0, 0, 150, 17, 18.75, 0, 200, 1725, 6.25, 0, 150, 18, 25, 0, 200, 1726, 12.5, 0, 150, 19, 0, 97.5, 200, 1727, 18.75, 0, 150, 20, 0, 95, 200, 1728, 25, 0, 150, 21, 0, 92.5, 200, 1729, 0, 97.5, 150, 22, 0, 90, 200, 1730, 0, 95, 150, 23, 0, 87.5, 200, 1731, 0, 92.5, 150, 24, 0, 85, 200, 1732, 0, 90, 150, 25, 0, 82.5, 200, 1733, 0, 87.5, 150, 26, 0, 80, 200, 1734, 0, 85, 150, 27, 0, 77.5, 200, 1735, 0, 82.5, 150, 28, 0, 75, 200, 1736, 0, 80, 150, 29, 0, 72.5, 200, 1737, 0, 77.5, 150, 30, 0, 70, 200, 1738, 0, 75, 150, 31, 0, 67.5, 200, 1739, 0, 72.5, 150, 32, 0, 65, 200, 1740, 0, 70, 150, 33, 0, 62.5, 200, 1741, 0, 67.5, 150, 34, 0, 60, 200, 1742, 0, 65, 150, 35, 0, 57.5, 200, 1743, 0, 62.5, 150, 36, 0, 55, 200, 1744, 0, 60, 150, 37, 0, 52.5, 200, 1745, 0, 57.5, 150, 38, 0, 50, 200, 1746, 0, 55, 150, 39, 0, 47.5, 200, 1747, 0, 52.5, 150, 40, 0, 45, 200, 1748, 0, 50, 150, 41, 0, 42.5, 200, 1749, 0, 47.5, 150, 42, 0, 40, 200, 1750, 0, 45, 150, 43, 0, 37.5, 200, 1751, 0, 42.5, 150, 194 __________________________________ Anexos ___________________________________ 1752, 0, 40, 150, 3356, 0, 20, 100, 1753, 0, 37.5, 150, 3357, 0, 17.5, 100, 1754, 0, 35, 150, 3358, 0, 15, 100, 1755, 0, 32.5, 150, 3359, 0, 12.5, 100, 1756, 0, 30, 150, 3360, 0, 10, 100, 1757, 0, 27.5, 150, 3361, 0, 7.5, 100, 1758, 0, 25, 150, 3362, 0, 5, 100, 1759, 0, 22.5, 150, 3363, 0, 2.5, 100, 1760, 0, 20, 150, ** 1761, 0, 17.5, 150, *NODE, NSET=S_64 1762, 0, 15, 150, 3592, -25, 100, 50, 1763, 0, 12.5, 150, 3593, -18.75, 100, 50, 1764, 0, 10, 150, 3594, -12.5, 100, 50, 1765, 0, 7.5, 150, 3595, -6.25, 100, 50, 1766, 0, 5, 150, 3596, 0, 100, 50, 1767, 0, 2.5, 150, 3597, 6.25, 100, 50, ** 3598, 12.5, 100, 50, *NODE, NSET=S_59 3599, 18.75, 100, 50, 3307, -25, 100, 100, 3600, 25, 100, 50, 3308, -18.75, 100, 100, 3601, -25, 0, 50, 3309, -12.5, 100, 100, 3602, -18.75, 0, 50, 3310, -6.25, 100, 100, 3603, -12.5, 0, 50, 3311, 0, 100, 100, 3604, -6.25, 0, 50, 3312, 6.25, 100, 100, 3605, 0, 0, 50, 3313, 12.5, 100, 100, 3606, 6.25, 0, 50, 3314, 18.75, 100, 100, 3607, 12.5, 0, 50, 3315, 25, 100, 100, 3608, 18.75, 0, 50, 3316, -25, 0, 100, 3609, 25, 0, 50, 3317, -18.75, 0, 100, 3610, 0, 97.5, 50, 3318, -12.5, 0, 100, 3611, 0, 95, 50, 3319, -6.25, 0, 100, 3612, 0, 92.5, 50, 3320, 0, 0, 100, 3613, 0, 90, 50, 3321, 6.25, 0, 100, 3614, 0, 87.5, 50, 3322, 12.5, 0, 100, 3615, 0, 85, 50, 3323, 18.75, 0, 100, 3616, 0, 82.5, 50, 3324, 25, 0, 100, 3617, 0, 80, 50, 3325, 0, 97.5, 100, 3618, 0, 77.5, 50, 3326, 0, 95, 100, 3619, 0, 75, 50, 3327, 0, 92.5, 100, 3620, 0, 72.5, 50, 3328, 0, 90, 100, 3621, 0, 70, 50, 3329, 0, 87.5, 100, 3622, 0, 67.5, 50, 3330, 0, 85, 100, 3623, 0, 65, 50, 3331, 0, 82.5, 100, 3624, 0, 62.5, 50, 3332, 0, 80, 100, 3625, 0, 60, 50, 3333, 0, 77.5, 100, 3626, 0, 57.5, 50, 3334, 0, 75, 100, 3627, 0, 55, 50, 3335, 0, 72.5, 100, 3628, 0, 52.5, 50, 3336, 0, 70, 100, 3629, 0, 50, 50, 3337, 0, 67.5, 100, 3630, 0, 47.5, 50, 3338, 0, 65, 100, 3631, 0, 45, 50, 3339, 0, 62.5, 100, 3632, 0, 42.5, 50, 3340, 0, 60, 100, 3633, 0, 40, 50, 3341, 0, 57.5, 100, 3634, 0, 37.5, 50, 3342, 0, 55, 100, 3635, 0, 35, 50, 3343, 0, 52.5, 100, 3636, 0, 32.5, 50, 3344, 0, 50, 100, 3637, 0, 30, 50, 3345, 0, 47.5, 100, 3638, 0, 27.5, 50, 3346, 0, 45, 100, 3639, 0, 25, 50, 3347, 0, 42.5, 100, 3640, 0, 22.5, 50, 3348, 0, 40, 100, 3641, 0, 20, 50, 3349, 0, 37.5, 100, 3642, 0, 17.5, 50, 3350, 0, 35, 100, 3643, 0, 15, 50, 3351, 0, 32.5, 100, 3644, 0, 12.5, 50, 3352, 0, 30, 100, 3645, 0, 10, 50, 3353, 0, 27.5, 100, 3646, 0, 7.5, 50, 3354, 0, 25, 100, 3647, 0, 5, 50, 3355, 0, 22.5, 100, 3648, 0, 2.5, 50, 195 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ *NODE, NSET=S_66 ** 3706, -25, 100, 0, *ELEMENT, TYPE=S4R 3707, -18.75, 100, 0, 1, 1, 2, 59, 58, 3708, -12.5, 100, 0, 9, 10, 11, 68, 67, 3709, -6.25, 100, 0, 17, 5, 19, 76, 62, 3710, 0, 100, 0, 18, 19, 20, 77, 76, 3711, 6.25, 100, 0, 56, 57, 14, 71, 114, 3712, 12.5, 100, 0, 1711, 1711, 1712, 1769, 1768, 3713, 18.75, 100, 0, 1719, 1720, 1721, 1778, 1777, 3714, 25, 100, 0, 1727, 1715, 1729, 1786, 1772, 3715, -25, 0, 0, 1728, 1729, 1730, 1787, 1786, 3716, -18.75, 0, 0, 1766, 1767, 1724, 1781, 1824, 3717, -12.5, 0, 0, 3307, 3307, 3308, 3365, 3364, 3718, -6.25, 0, 0, 3315, 3316, 3317, 3374, 3373, 3719, 0, 0, 0, 3323, 3311, 3325, 3382, 3368, 3720, 6.25, 0, 0, 3324, 3325, 3326, 3383, 3382, 3721, 12.5, 0, 0, 3362, 3363, 3320, 3377, 3420, 3722, 18.75, 0, 0, 3723, 25, 0, 0, 3592, 3592, 3593, 3650, 3649, 3724, 0, 97.5, 0, 3600, 3601, 3602, 3659, 3658, 3725, 0, 95, 0, 3608, 3596, 3610, 3667, 3653, 3726, 0, 92.5, 0, 3609, 3610, 3611, 3668, 3667, 3727, 0, 90, 0, 3647, 3648, 3605, 3662, 3705, 3728, 0, 87.5, 0, ** 3729, 0, 85, 0, *ELGEN, ELSET=B_SUP 3730, 0, 82.5, 0, 1, 3731, 0, 80, 0, 1711, 8, 1, 1, 28, 57, 57, 3732, 0, 77.5, 0, 3307, 8, 1, 1, 5, 57, 57, 3733, 0, 75, 0, 3592, 8, 1, 1, 2, 57, 57, 3734, 0, 72.5, 0, *ELGEN, ELSET=B_INF 3735, 0, 70, 0, 9, 3736, 0, 67.5, 0, 1719, 8, 1, 1, 28, 57, 57, 3737, 0, 65, 0, 3315, 8, 1, 1, 5, 57, 57, 3738, 0, 62.5, 0, 3600, 8, 1, 1, 2, 57, 57, 3739, 0, 60, 0, *ELGEN, ELSET=ALMA 3740, 0, 57.5, 0, 17, 1, 1, 1, 30, 57, 57, 3741, 0, 55, 0, 18, 38, 1, 1, 30, 57, 57, 3742, 0, 52.5, 0, 56, 1, 1, 1, 30, 57, 57, 3743, 0, 50, 0, 1727, 1, 1, 1, 28, 57, 57, 3744, 0, 47.5, 0, 1728, 38, 1, 1, 28, 57, 57, 3745, 0, 45, 0, 1766, 1, 1, 1, 28, 57, 57, 3746, 0, 42.5, 0, 3323, 1, 1, 1, 5, 57, 57, 3747, 0, 40, 0, 3324, 38, 1, 1, 5, 57, 57, 3748, 0, 37.5, 0, 3362, 1, 1, 1, 5, 57, 57, 3749, 0, 35, 0, 3608, 1, 1, 1, 2, 57, 57, 3750, 0, 32.5, 0, 3609, 38, 1, 1, 2, 57, 57, 3751, 0, 30, 0, 3647, 1, 1, 1, 2, 57, 57, 3752, 0, 27.5, 0, ** 3753, 0, 25, 0, *SHELL SECTION, ELSET=B_SUP, COMPOSITE 3754, 0, 22.5, 0, 8, 5, GFRP, 90 3755, 0, 20, 0, *SHELL SECTION, ELSET=B_INF, COMPOSITE 3756, 0, 17.5, 0, 8, 5, GFRP, 90 3757, 0, 15, 0, *SHELL SECTION, ELSET=ALMA, COMPOSITE 3758, 0, 12.5, 0, 8, 5, GFRP, 0 3759, 0, 10, 0, ** 3760, 0, 7.5, 0, *END INSTANCE 3761, 0, 5, 0, ** 3762, 0, 2.5, 0, *INSTANCE, NAME=chapa_sup, PART=chapas 8, 1, 1, 30, 57, 57, 8, 1, 1, 30, 57, 57, ** ** *NFILL, NSET=S_INT_1 *NODE, NSET=c_1 S_1, S_31, 30, 57, 1, -25, 104, 200 *NFILL, NSET=S_INT_2 2, -18.75, 104, 200 S_31, S_59, 28, 57, 3, -12.5, 104, 200 *NFILL, NSET=S_INT_3 4, -6.25, 104, 200 S_59, S_64, 5, 57, 5, 0, 104, 200 *NFILL, NSET=S_INT_4 6, 6.25, 104, 200 S_64, S_66, 2, 57, 7, 12.5, 104, 200 196 __________________________________ Anexos ___________________________________ 8, 18.75, 104, 200 C_SUP 9, 25, 104, 200 *ELSET, ELSET=Ch_INF, INTERNAL, INSTANCE=chapa_inf ** C_INF *NODE, NSET=c_31 *ELSET, ELSET=V_SUP, INTERNAL, INSTANCE=viga_1 271, -25, 104, 150 272, -18.75, 104, 150 273, -12.5, 104, 150 274, -6.25, 104, 150 275, 0, 104, 150 276, 6.25, 104, 150 277, 12.5, 104, 150 278, 18.75, 104, 150 279, 25, 104, 150 1, 58, 115, 172, 229, ** *NFILL, NSET=C_INT_1 286, c_1, c_31, 30, 9, ** 343, *ELEMENT, TYPE=R3D4 1, 1, 2, 11, 10, 400, ** *ELGEN, ELSET=C_SUP 457, 1, 8, 1, 1, 30, 9, 9, ** 514, *NSET, NSET=C_SUP_RN, INTERNAL 140 571, ** *END INSTANCE 628, ** *INSTANCE, NAME=chapa_inf, PART=chapas 685, ** *NODE, NSET=c_1 742, 1, -25, -4, 200 2, -18.75, -4, 200 3, -12.5, -4, 200 4, -6.25, -4, 200 5, 0, -4, 200 6, 6.25, -4, 200 7, 12.5, -4, 200 8, 18.75, -4, 200 9, 25, -4, 200 799, 856, 913, 970, ** 1027, *NODE, NSET=c_31 271, -25, -4, 150 272, -18.75, -4, 150 273, -12.5, -4, 150 274, -6.25, -4, 150 275, 0, -4, 150 276, 6.25, -4, 150 277, 12.5, -4, 150 278, 18.75, -4, 150 279, 25, -4, 150 1084, 1141, 1198, 1255, 1312, ** *NFILL, NSET=C_INT_1 1369, c_1, c_31, 30, 9, ** 1426, *ELEMENT, TYPE=R3D4 1, 1, 2, 11, 10, 1483, ** *ELGEN, ELSET=C_INF 1540, 1, 8, 1, 1, 30, 9, 9, ** 1597, *NSET, NSET=C_INF_RN, INTERNAL 140 1654, ** 2, 3, 7, 8, 59, 60, 64, 65, 116, 117, 121, 122, 173, 174, 178, 179, 230, 231, 235, 236, 287, 288, 292, 293, 344, 345, 349, 350, 401, 402, 406, 407, 458, 459, 463, 464, 515, 516, 520, 521, 572, 573, 577, 578, 629, 630, 634, 635, 686, 687, 691, 692, 743, 744, 748, 749, 800, 801, 805, 806, 857, 858, 862, 863, 914, 915, 919, 920, 971, 972, 976, 977, 1028, 1029, 1033, 1034, 1085, 1086, 1090, 1091, 1142, 1143, 1147, 1148, 1199, 1200, 1204, 1205, 1256, 1257, 1261, 1262, 1313, 1314, 1318, 1319, 1370, 1371, 1375, 1376, 1427, 1428, 1432, 1433, 1484, 1485, 1489, 1490, 1541, 1542, 1546, 1547, 1598, 1599, 1603, 1604, 1655, 1656, 1660, 1661, 4, 5, 6, 61, 62, 63, 118, 119, 120, 175, 176, 177, 232, 233, 234, 289, 290, 291, 346, 347, 348, 403, 404, 405, 460, 461, 462, 517, 518, 519, 574, 575, 576, 631, 632, 633, 688, 689, 690, 745, 746, 747, 802, 803, 804, 859, 860, 861, 916, 917, 918, 973, 974, 975, 1030, 1031, 1032, 1087, 1088, 1089, 1144, 1145, 1146, 1201, 1202, 1203, 1258, 1259, 1260, 1315, 1316, 1317, 1372, 1373, 1374, 1429, 1430, 1431, 1486, 1487, 1488, 1543, 1544, 1545, 1600, 1601, 1602, 1657, 1658, 1659, *END INSTANCE *ELSET, ELSET=V_INF, INTERNAL, INSTANCE=viga_1 ** 9, *ELSET, ELSET=Ch_SUP, INTERNAL, INSTANCE=chapa_sup 197 10, 11, 15, 16, 12, 13, 14, _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ 66, 123, 180, 237, 294, 351, 408, 465, 522, 579, 636, 693, 750, 807, 864, 921, 978, 1035, 1092, 1149, 67, 68, 72, 73, 124, 125, 129, 130, 181, 182, 186, 187, 238, 239, 243, 244, 295, 296, 300, 301, 352, 353, 357, 358, 409, 410, 414, 415, 466, 467, 471, 472, 523, 524, 528, 529, 580, 581, 585, 586, 637, 638, 642, 643, 694, 695, 699, 700, 751, 752, 756, 757, 808, 809, 813, 814, 865, 866, 870, 871, 922, 923, 927, 928, 979, 980, 984, 985, 1036, 1037, 1041, 1042, 1093, 1094, 1098, 1099, 1150, 1151, 1155, 1156, 1207, 1208, 1212, 1213, 1264, 1265, 1269, 1270, 1321, 1322, 1326, 1327, 1378, 1379, 1383, 1384, 1435, 1436, 1440, 1441, 1492, 1493, 1497, 1498, 1549, 1550, 1554, 1555, 1606, 1607, 1611, 1612, 1663, 1664, 1668, 1669, 69, 70, 71, 126, 127, 128, 183, 184, 185, 240, 241, 242, 297, 298, 299, 354, 355, 356, 411, 412, 413, 468, 469, 470, 525, 526, 527, 582, 583, 584, 639, 640, 641, 696, 697, 698, 753, 754, 755, 810, 811, 812, 867, 868, 869, 924, 925, 926, 981, 982, 983, 1038, 1039, 1040, 1095, 1096, 1097, 1152, 1153, 1154, 1209, 1210, 1211, ** *RIGID BODY, REF NODE=chapa_sup.C_SUP_RN, ELSET=chapa_sup.C_SUP *RIGID BODY, REF NODE=chapa_inf.C_INF_RN, ELSET=chapa_inf.C_INF ** *END ASSEMBLY ** *MATERIAL, NAME=GFRP *ELASTIC, TYPE=LAMINA 18.5E3, 5E3, 0.273, 3.67E3, 3.67E3, 3.67E3 *FAIL STRESS 426,-270,73,-73,20,0, ** *SURFACE INTERACTION, NAME=Contacto *FRICTION 0.4, *SURFACE BEHAVIOR, PRESSURE-OVERCLOSURE=HARD ** *BOUNDARY chapa_inf.C_INF_RN, ENCASTRE *BOUNDARY chapa_sup.C_SUP_RN, 1,1 chapa_sup.C_SUP_RN, 3,3 chapa_sup.C_SUP_RN, 4,4 chapa_sup.C_SUP_RN, 5,5 chapa_sup.C_SUP_RN, 6,6 ** *NSET, NSET=S_EXT viga_1.S_1, viga_1.S_66, ** *CONTACT *CONTACT INCLUSIONS supf_v_sup, supf_c_sup supf_v_inf, supf_c_inf *CONTACT PROPERTY ASSIGNMENT , ,Contacto ** *ELSET, ELSET=FAIL, INSTANCE=viga_1 76, 133, 190, 247, 304, 361, 418, 475, 532, 589, 646, 703, 760, 817, 874, 77, 134, 191, 248, 305, 362, 419, 476, 533, 590, 647, 704, 761, 818, 875, 78, 135, 192, 249, 306, 363, 420, 477, 534, 591, 648, 705, 762, 819, 876, 79, 136, 193, 250, 307, 364, 421, 478, 535, 592, 649, 706, 763, 820, 877, 80, 137, 194, 251, 308, 365, 422, 479, 536, 593, 650, 707, 764, 821, 878, 81, 138, 195, 252, 309, 366, 423, 480, 537, 594, 651, 708, 765, 822, 879, 82, 139, 196, 253, 310, ** 367, 424, 481, 538, 595, *SURFACE, TYPE=ELEMENT, NAME=supf_c_sup 652, 709, 766, 823, 880, 83, 140, 197, 254, 311, *SURFACE, TYPE=ELEMENT, NAME=supf_c_inf 368, 425, 482, 539, 596, Ch_INF, SPOS 653, 710, 767, 824, 881, 84, 141, 198, 255, 312, V_SUP, SPOS 369, 426, 483, 540, 597, *SURFACE, TYPE=ELEMENT, NAME=supf_v_inf 654, 711, 768, 825, 882, 1206, 1263, 1320, 1377, 1434, 1491, 1548, 1605, 1662, 19, 1266, 1323, 1267, 1324, 1268, 20, 1325, 21, 1380, 1437, 1494, 1381, 1438, 1495, 1382, 1439, 22, 1496, 23, 1551, 1608, 1665, 1552, 1609, 1666, 1553, 1610, 24, 1667, 25, Ch_SUP, SNEG 26, *SURFACE, TYPE=ELEMENT, NAME=supf_v_sup 27, V_INF, SNEG 198 __________________________________ Anexos ___________________________________ 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 42, 43, 44, 45, 46, 47, 48, 49, 85, 142, 199, 256, 313, 107, 164, 221, 278, 335, 370, 427, 484, 541, 598, 50, 392, 449, 506, 563, 620, 655, 712, 769, 826, 883, 677, 734, 791, 848, 905, 86, 143, 200, 257, 314, 108, 165, 222, 279, 336, 371, 428, 485, 542, 599, 393, 450, 507, 564, 621, 656, 713, 770, 827, 884, 678, 735, 792, 849, 906, 87, 144, 201, 258, 315, 109, 166, 223, 280, 337, 372, 429, 486, 543, 600, 394, 451, 508, 565, 622, 657, 714, 771, 828, 885, 679, 736, 793, 850, 907, 88, 145, 202, 259, 316, 110, 167, 224, 281, 338, 373, 430, 487, 544, 601, 395, 452, 509, 566, 623, 658, 715, 772, 829, 886, 680, 737, 794, 851, 908, 89, 146, 203, 260, 317, 111, 168, 225, 282, 339, 374, 431, 488, 545, 602, 396, 453, 510, 567, 624, 659, 716, 773, 830, 887, 681, 738, 795, 852, 909, 90, 147, 204, 261, 318, 112, 169, 226, 283, 340, 375, 432, 489, 546, 603, 397, 454, 511, 568, 625, 660, 717, 774, 831, 888, 682, 739, 796, 853, 910, 91, 148, 205, 262, 319, 113, 170, 227, 284, 341, 376, 433, 490, 547, 604, 398, 455, 512, 569, 626, 661, 718, 775, 832, 889, 683, 740, 797, 854, 911, 92, 149, 206, 263, 320, 114, 171, 228, 285, 342, 377, 434, 491, 548, 605, 399, 456, 513, 570, 627, 662, 719, 776, 833, 890, 684, 741, 798, 855, 912, 93, 150, 207, 264, 321, 988, 1045, 1102, 1159, 1216, 378, 435, 492, 549, 606, 1273, 1330, 1387, 1444, 1501, 663, 720, 777, 834, 891, 1558, 1615, 1672, 1729, 1786, 94, 151, 208, 265, 322, 989, 1046, 1103, 1160, 1217, 379, 436, 493, 550, 607, 1274, 1331, 1388, 1445, 1502, 664, 721, 778, 835, 892, 1559, 1616, 1673, 1730, 1787, 95, 152, 209, 266, 323, 990, 1047, 1104, 1161, 1218, 380, 437, 494, 551, 608, 1275, 1332, 1389, 1446, 1503, 665, 722, 779, 836, 893, 1560, 1617, 1674, 1731, 1788, 96, 153, 210, 267, 324, 991, 1048, 1105, 1162, 1219, 381, 438, 495, 552, 609, 1276, 1333, 1390, 1447, 1504, 666, 723, 780, 837, 894, 1561, 1618, 1675, 1732, 1789, 97, 154, 211, 268, 325, 992, 1049, 1106, 1163, 1220, 382, 439, 496, 553, 610, 1277, 1334, 1391, 1448, 1505, 667, 724, 781, 838, 895, 1562, 1619, 1676, 1733, 1790, 98, 155, 212, 269, 326, 993, 1050, 1107, 1164, 1221, 383, 440, 497, 554, 611, 1278, 1335, 1392, 1449, 1506, 668, 725, 782, 839, 896, 1563, 1620, 1677, 1734, 1791, 99, 156, 213, 270, 327, 994, 1051, 1108, 1165, 1222, 384, 441, 498, 555, 612, 1279, 1336, 1393, 1450, 1507, 669, 726, 783, 840, 897, 1564, 1621, 1678, 1735, 1792, 100, 157, 214, 271, 328, 995, 1052, 1109, 1166, 1223, 385, 442, 499, 556, 613, 1280, 1337, 1394, 1451, 1508, 670, 727, 784, 841, 898, 1565, 1622, 1679, 1736, 1793, 101, 158, 215, 272, 329, 996, 1053, 1110, 1167, 1224, 386, 443, 500, 557, 614, 1281, 1338, 1395, 1452, 1509, 671, 728, 785, 842, 899, 1566, 1623, 1680, 1737, 1794, 102, 159, 216, 273, 330, 997, 1054, 1111, 1168, 1225, 387, 444, 501, 558, 615, 1282, 1339, 1396, 1453, 1510, 672, 729, 786, 843, 900, 1567, 1624, 1681, 1738, 1795, 103, 160, 217, 274, 331, 998, 1055, 1112, 1169, 1226, 388, 445, 502, 559, 616, 1283, 1340, 1397, 1454, 1511, 673, 730, 787, 844, 901, 1568, 1625, 1682, 1739, 1796, 104, 161, 218, 275, 332, 999, 1056, 1113, 1170, 1227, 389, 446, 503, 560, 617, 1284, 1341, 1398, 1455, 1512, 674, 731, 788, 845, 902, 1569, 1626, 1683, 1740, 1797, 105, 162, 219, 276, 333, 1000, 1057, 1114, 1171, 1228, 390, 447, 504, 561, 618, 1285, 1342, 1399, 1456, 1513, 675, 732, 789, 846, 903, 1570, 1627, 1684, 1741, 1798, 106, 163, 220, 277, 334, 1001, 1058, 1115, 1172, 1229, 391, 448, 505, 562, 619, 1286, 1343, 1400, 1457, 1514, 676, 733, 790, 847, 904, 1571, 1628, 1685, 1742, 1799, 51, 52, 53, 54, 55, 56, 57, 931, 932, 933, 934, 935, 936, 937, 938, 939, 940, 941, 942, 943, 944, 199 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ 945, 946, 947, 948, 949, 950, 951, 952, 953, 954, 955, 956, 957, 958, 959, 960, 961, 962, 963, 1002, 1059, 1116, 1173, 1230, 1021, 1078, 1135, 1192, 1249, 1287, 1344, 1401, 1458, 1515, 964, 1306, 1363, 1420, 1477, 1534, 1572, 1629, 1686, 1743, 1800, 1591, 1648, 1705, 1762, 1819, 1003, 1060, 1117, 1174, 1231, 1022, 1079, 1136, 1193, 1250, 1288, 1345, 1402, 1459, 1516, 1307, 1364, 1421, 1478, 1535, 1573, 1630, 1687, 1744, 1801, 1592, 1649, 1706, 1763, 1820, 1004, 1061, 1118, 1175, 1232, 1023, 1080, 1137, 1194, 1251, 1289, 1346, 1403, 1460, 1517, 1308, 1365, 1422, 1479, 1536, 1574, 1631, 1688, 1745, 1802, 1593, 1650, 1707, 1764, 1821, 1005, 1062, 1119, 1176, 1233, 1024, 1081, 1138, 1195, 1252, 1290, 1347, 1404, 1461, 1518, 1309, 1366, 1423, 1480, 1537, 1575, 1632, 1689, 1746, 1803, 1594, 1651, 1708, 1765, 1822, 1006, 1063, 1120, 1177, 1234, 1025, 1082, 1139, 1196, 1253, 1291, 1348, 1405, 1462, 1519, 1310, 1367, 1424, 1481, 1538, 1576, 1633, 1690, 1747, 1804, 1595, 1652, 1709, 1766, 1823, 1007, 1064, 1121, 1178, 1235, 1026, 1083, 1140, 1197, 1254, 1292, 1349, 1406, 1463, 1520, 1311, 1368, 1425, 1482, 1539, 1577, 1634, 1691, 1748, 1805, 1596, 1653, 1710, 1767, 1824, 1008, 1065, 1122, 1179, 1236, ** 1293, 1350, 1407, 1464, 1521, *STEP, NLGEOM, INC=25 1578, 1635, 1692, 1749, 1806, *STATIC 1009, 1066, 1123, 1180, 1237, 0.01, 1., 0.05, 0.05, 1294, 1351, 1408, 1465, 1522, *BOUNDARY 1579, 1636, 1693, 1750, 1807, chapa_sup.C_SUP_RN, 2, 2, -3 1010, 1067, 1124, 1181, 1238, *NODE FILE 1295, 1352, 1409, 1466, 1523, U 1580, 1637, 1694, 1751, 1808, ** 1011, 1068, 1125, 1182, 1239, *EL PRINT, ELSET=FAIL, POSITION=AVERAGED AT NODES, 1296, 1353, 1410, 1467, 1524, SUMMARY=NO, 1581, 1638, 1695, 1752, 1809, FREQUENCY=1 1012, 1069, 1126, 1183, 1240, 1, 3, 5, 1297, 1354, 1411, 1468, 1525, TSAIH, 1582, 1639, 1696, 1753, 1810, ** 1013, 1070, 1127, 1184, 1241, *NODE PRINT, NSET=chapa_sup.C_SUP_RN, SUMMARY=NO 1298, 1355, 1412, 1469, 1526, U2, 1583, 1640, 1697, 1754, 1811, *NODE PRINT, NSET=chapa_sup.C_SUP_RN, SUMMARY=NO 1014, 1071, 1128, 1185, 1242, RF2, 1299, 1356, 1413, 1470, 1527, *NODE PRINT, NSET=chapa_inf.C_INF_RN, SUMMARY=NO 1584, 1641, 1698, 1755, 1812, RF2, 1015, 1072, 1129, 1186, 1243, *OUTPUT, FIELD 1300, 1357, 1414, 1471, 1528, *NODE OUTPUT 1585, 1642, 1699, 1756, 1813, U, 1016, 1073, 1130, 1187, 1244, *ELEMENT OUTPUT 1301, 1358, 1415, 1472, 1529, S, 1586, 1643, 1700, 1757, 1814, *ELEMENT OUTPUT 1017, 1074, 1131, 1188, 1245, TSAIH, 1302, 1359, 1416, 1473, 1530, *MONITOR, NODE=viga_1.19, DOF=2 1587, 1644, 1701, 1758, 1815, *OUTPUT, HISTORY 1018, 1075, 1132, 1189, 1246, *NODE OUTPUT, NSET=chapa_sup.C_SUP_RN 1303, 1360, 1417, 1474, 1531, U2, 1588, 1645, 1702, 1759, 1816, *NODE OUTPUT, NSET=chapa_inf.C_INF_RN 1019, 1076, 1133, 1190, 1247, RF2, 1304, 1361, 1418, 1475, 1532, *NODE OUTPUT, NSET=chapa_sup.C_SUP_RN 1589, 1646, 1703, 1760, 1817, RF2, 1020, 1077, 1134, 1191, 1248, ** 1305, 1362, 1419, 1476, 1533, *END STEP 1590, 1647, 1704, 1761, 1818, 965, 966, 967, 968, 969, A3.2 – Comparação entre diferentes coeficientes de atrito No estudo numérico desenvolvido considerou-se o coeficiente de atrito habitual entre superfícies de aço: 0,4. Todavia, experimentou-se também os valores de 0,2 e 0,3 para este parâmetro, no sentido de verificar o efeito destas variações. Testaram-se dois modelos relativos ao perfil I120, correspondentes às séries I120-ETF-c15 e I120-ETF-c100. A comparação gráfica entre curvas força-deslocamento apresenta-se na figura A7, enquanto na 200 __________________________________ Anexos ___________________________________ tabela A27 se apresenta um resumo dos resultados obtidos para os vários coeficientes de atrito. 25 Carga vertical (kN) Carga vertical (kN) 30 20 15 10 5 0 0 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0 0,5 1 1,5 2 Deslocamento vertical (mm) 0,4 0,3 0,2 0,5 1 1,5 2 Deslocamento vertical (mm) 0,4 0,3 0,2 a) b) Figura A7: Comparação entre coeficientes de atrito para as séries: a) I120-ETF-c15; b) I120-ETF-c100. (escalas distintas) Tabela A27: Comparação de resultados para os vários coeficientes de atrito. Série I120-ETF-c15 I120-ETF-c100 Parâmetro Nível de carga Deslocamento Tsai-Hill (máximo) Nível de carga Deslocamento Tsai-Hill (máximo) Coeficiente de Atrito 0,2 0,3 0,4 8,46 8,46 8,47 0,66 0,66 0,66 1,00 1,00 1,00 33,29 33,01 32,81 0,69 0,68 0,68 1,00 1,00 1,00 A tabela A27 confirma a tendência demonstrada pela figura A7, de que o coeficiente de atrito apresenta muito pouca influência nos resultados. Os resultados ilustrados baseiam-se em modelos sem imperfeição inicial (MSI). A3.3 – Diagramas de tensões referentes ao perfil I200 Nas figuras A8 a A13 apresentam-se os diagramas de tensões mais relevantes para os MSI relativos ao perfil I200, para níveis de carga próximos da carga de rotura experimental. 201 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ a) 36,13 kN b) 62,33 kN Figura A8: Diagramas de tensões de corte (S12) das séries: a) I200-ETF-c15; b) I200-ITF-c15. a) 79,16 kN b) 112,51 kN Figura A9: Diagramas de tensões de corte (S12) das séries: a) I200-ETF-c50; b) I200-ITF-c50. a) 119,07 kN b) 163,87 kN Figura A10: Diagramas de tensões de corte (S12) das séries: a) I200-ETF-c100; b) I200-ITFc100. 202 __________________________________ Anexos ___________________________________ a) 36,13 kN b) 62,33 kN Figura A11: Diagramas de tensões normais transversais (S22) das séries: a) I200-ETF-c15; b) I200-ITF-c15. a) 79,16 kN b) 112,51 kN Figura A12: Diagramas de tensões normais transversais (S22) das séries: a) I200-ETF-c50; b) I200-ITF-c50. a) 119,07 kN b) 163,87 kN Figura A13: Diagramas de tensões normais transversais (S22) das séries: a) I200-ETF-c100; b) I200-ITF-c100. 203 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ A3.4 – Diagramas de tensões em função da imperfeição inicial Nesta secção apresentam-se os diagramas de tensão normal transversal (S22) relativos ao perfil I400, para as três imperfeições iniciais testadas: 0,12; 1,2; 2,4 mm. Como referido, os três modelos referentes a estas imperfeições iniciais apresentaram distribuições de tensão normal transversal similares. Os diagramas de tensão apresentam-se na figura A14. a) b) c) Figura A14: Diagramas de tensões normais transversais (S22) para modelos com amplitudes iniciais de: a) 0,12 mm (74,6 kN); b) 1,2 mm (71,1 kN); c) 2,4 mm (67,63 kN). 204 __________________________________ Anexos ___________________________________ A4 – Estudo analítico A4.1 – Comparação de resultados Nesta secção apresenta-se uma comparação dos resultados obtidos através das expressões de Bank (5.8)-(5.13) [4] e do pre-standard americano (5.18)-(5.20) [31]. Esta comparação é apresentada nas tabelas A28 e A29, ilustrando a coincidência dos resultados. Tabela A28: Comparação de resultados para as expressões de Bank [4] e do pre-standard americano [31], para a configuração ETF. Bank (kN) Rácio (-) 16,77 Carga crítica (kN) 43,87 285,97 6,52 PreStandard (kN) 282,41 6,44 Rácio Bank/Prestandard (-) 1,01 33,00 45,48 19,66 38,88 64,86 66,58 101,58 22,78 34,23 52,31 174,76 112,35 151,46 96,52 63,58 2,62 1,11 6,65 2,82 1,22 172,58 110,95 149,20 95,08 62,63 2,59 1,09 6,55 2,78 1,20 1,01 1,01 1,02 1,02 1,02 15,00 37,15 40,82 370,84 9,08 365,82 8,96 1,01 I200* 50,00 78,17 51,13 271,00 5,30 267,33 5,23 1,01 I200* 100,00 115,33 67,61 195,72 2,89 193,07 2,86 1,01 I400 100,00 73,99 74,83 393,69 5,26 388,70 5,19 1,01 Perfil Chapa (mm) R_exp (kN) I100 15,00 I100 I100 I120 I120 I120 50,00 100,00 15,00 50,00 100,00 I200* Rácio (-) Tabela A29: Comparação de resultados para as expressões de Bank [4] e do pre-standard americano [31], para a configuração ITF. Bank (kN) Rácio (-) 29,81 41,11 56,50 32,17 51,96 76,97 Carga crítica (kN) 94,77 112,17 136,46 52,36 60,98 74,45 165,56 120,99 87,38 86,25 65,14 48,26 1,75 1,08 0,64 1,65 1,07 0,65 PreStandard (kN) 163,50 119,48 86,29 84,96 64,17 47,54 15,00 67,83 96,45 201,31 2,09 I200* 50,00 110,92 104,28 167,76 I200* 100,00 161,34 116,54 I400 100,00 127,26 153,08 Perfil Chapa (mm) R_exp (kN) I100 I100 I100 I120 I120 I120 15,00 50,00 100,00 15,00 50,00 100,00 I200* 1,73 1,07 0,63 1,62 1,05 0,64 Rácio Bank/Prestandard (-) 1,01 1,01 1,01 1,02 1,02 1,02 198,59 2,06 1,01 1,61 165,49 1,59 1,01 135,50 1,16 133,67 1,15 1,01 240,59 1,57 237,54 1,55 1,01 Rácio (-) A4.2 – Coeficientes obtidos para a expressão do AISI (5.25) Nesta secção apresenta-se os coeficientes empíricos obtidos para a expressão fornecida pelo regulamento do American Iron and Steel Institute (AISI) [1]. Os coeficientes apresentados de seguida referem-se à aplicação da expressão (5.25), sem alterações, aos perfis de menor 205 _____ Comportamento estrutural de vigas de GFRP submetidas a forças concentradas _____ dimensão: I100, I120 e I200. Os coeficientes e os resultados obtidos apresentam-se nas tabelas A30 e A31, respetivamente. Tabela A30: Coeficientes obtidos na aplicação da expressão (5.25) aos perfis I100, I120 e I200. ETF C CR CN Ch 0,629 0,001 5 0,001 ITF C CR CN Ch 1,700 0,001 2,322 0,001 Tabela A31: Resultados obtidos na aplicação da expressão (5.25) aos perfis I100, I120 e I200. Perfil Chapa (mm) I100 ETF ITF R_exp (kN) Pn (kN) Erro (%) R_exp (kN) Pn (kN) Erro Erro (%) Erro 15 16,77 23,02 -37,3% 0,14 29,81 33,12 10,0% 0,01 I100 50 33,00* 39,61 -20,0% 0,04 41,11 53,93 23,8% 0,06 I100 100 45,48 54,80 -20,5% 0,04 56,50 72,99 22,6% 0,05 I120 15 19,66 24,28 -23,5% 0,06 32,17 34,40 6,5% 0,00 I120 50 38,88 42,07 -8,2% 0,01 51,96 56,72 8,4% 0,01 I120 100 64,86 58,37 10,0% 0,01 76,97 77,16 0,2% 0,00 I200 15 37,15 41,27 -11,1% 0,01 67,83 60,14 -12,8% 0,02 2 2 I200 50 78,17 70,56 9,7% 0,01 110,92 96,89 -14,5% 0,02 I200 100 115,33 97,39 15,6% 0,02 161,34 130,54 -23,6% 0,06 Total 0,34 Total 0,22 * Média corrigida (ver 5.3.1). A análise da tabela A31 permite concluir que a fórmula (5.25) não pode ser diretamente calibrada. Considerando apenas os três perfis de menor dimensão, não se conseguiu determinar coeficientes que adequassem os resultados analíticos aos experimentais de forma satisfatória. 206