UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE ATUAÇÃO DO GESTOR HOSPITALAR EM HOSPITAIS PUBLICOS DO BRASIL Por: Julio Cezar Silva de Menezes Orientador Professora: Maria Poppe Rio de Janeiro 2008 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE ATUAÇÃO DO GESTOR HOSPITALAR EM HOSPITAIS PUBLICOS DO BRASIL Apresentação Candido de Mendes monografia como à requisito Universidade parcial para obtenção do grau de especialista em Gestão Pública. Por: Julio Cezar Silva de Menezes 3 AGRADECIMENTOS Agradecemos ao corpo docente do INSTITUTO A VEZ DO MESTRE, da UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES, que, entre outras coisas, possibilitou nossa formação técnico-profissional, além da formação moral, que inequivocamente transmitiram ao longo de todo o nosso convívio. Agradecemos às nossas famílias, e amigos, que, nos momentos difíceis, sempre nos incentivaram a prosseguir para a conclusão deste curso. 4 DEDICATÓRIA Dedico esse trabalho à minha esposa Claudia e aos meus filhos Cezar e Vanessa, que muito me apoiou e incentivou nesse trabalho, ao meu amigo Fabio que me ajudou no mesmo. 5 RESUMO Este estudo tem seu foco voltado para a gestão hospitalar nos hospitais públicos brasileiros. Neste sentido entende-se que este tipo de gestão merece atenção especial por lidar diretamente com vida e morte, bem estar e doença, ou seja, os indivíduos na verdade colocam suas vidas nas mãos dos profissionais da saúde publica que na verdade são subordinados a um sistema de gestão, logo o gestor público hospitalar tem em sai responsabilidade de gerir com ética, qualidade e eficiência em prol de melhores resultados para a saúde publica brasileira. Neste contexto este estudo tem como objetivo geral analisar a gestão hospitalar no âmbito dos hospitais públicos brasileiros, utilizando para isso a pesquisa bibliográfica de forma a se ter uma base forte para analisar esta problemática. Conclui-se então no fim deste estudo a importância do agir com ética e qualidade na gestão dos serviços públicos de saúde, uma vez que grande parte da população brasileira deste serviço precisa de forma quase vital. Palavras chaves: gestão hospitalar, qualidade, hospitais públicos. 6 METODOLOGIA A metodologia aqui empregada consiste em pesquisa bibliográfica e coleta de dados.. Segue abaixo alguns autores de maior conteúdo: - Castelar, 1995 - Junqueira, 1990 - Maudonnet, 2005. - Scaff, 2008 ( www.comsaude.com.br/sus ). 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO................................................................................................ 8 CAPITULO I - HISTÓRICOS E CONCEITOS DA GESTÃO HOSPITALAR............................................................................................................. 10 CAPITULO II - QUALIDADE E ESTRATÉGIAS NA GESTÃO HOSPITALAR............................................................................................................. 33 CAPITULO III - FUNDAMENTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO ...... 37 CAPITULO IV - GESTÃO OPERACIONAL E ADMINISTRATIVA ................ 44 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................... 55 REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS.............................................................. 57 INDICE.......................................................................................................... 58 FOLHA DE AVALIAÇÃO............................................................................... 59 8 INTRODUÇÃO Atualmente, as organizações de saúde, ainda são em grande número gerenciadas por profissionais da área da saúde, com pouco ou nenhum conhecimento administrativo, assim, este fato tem acarretado grandes dificuldades à sobrevivência destas instituições. Vê-se que no dia a dia, a imprensa tem divulgado as condições dos hospitais públicos e privados nas diferentes regiões brasileiras: falta de leitos, superlotação, desperdício, sucateamento dos equipamentos, falta de recursos humanos qualificados, descontentamento da clientela interna e externa, entre tantos outros. Neste contexto, as organizações hospitalares e gestores sofrem o impacto das transformações, sendo que a gestão gerencial desloca-se da prática de simples técnicas administrativas para a incorporação de novas habilidades e atitudes. A estratégia, capacidade criativa e de inovação, habilidade de comunicação, de relacionamento e de negociação passam a ser atribuição desses profissionais. Na modernidade os hospitais públicos precisam conscientizar-se de que seu nível de concorrência passa a ser semelhante àquele enfrentado pelas demais organizações e, no Brasil, ainda há um longo caminho a ser percorrido para a adequada e necessária valorização da área de gestão hospitalar, como campo de desenvolvimento profissional, sendo que este estudo tem sua temática voltada para a importância da gestão hospitalar nos hospitais públicos no Brasil. 9 O objetivo deste estudo é analisar a gestão hospitalar nos hospitais públicos brasileiros levando em consideração sua realidade atual, carência e qualidade. Para atingir-se este objetivo acima citado defende-se a hipótese de que com mais qualidade na gestão hospitalar os hospitais públicos podem vir a apresentar melhores resultados. Tem-se como fundamentação para este estudo a pesquisa bibliográfica em livros e artigos relevantes a área estudada almejando formar uma base sólida para esta análise proposta. No primeiro capitulo foi abordado amplamente os conceitos de gestão hospitalar e um breve histórico. Posteriormente o capitulo dois faz uma análise minuciosa da qualidade e estratégias também na gestão hospitalar, tema abordado no presente labor. Logo em seguida, o capítulo três elenca os fundamentos do processo administrativo que são essenciais na elaboração do trabalho de conclusão de curso e, finalizando, o último capítulo materializa a gestão operacional e administrativa, desdobrando-se na organização hospitalar, no planejamento estratégico e gerenciamento de conflitos, na gestão de pessoas, farmácia hospitalar, na gestão de serviços de enfermagem, no meio ambiente e gerenciamento de resíduos em saúde e na gastronomia hospitalar, tudo trazido à tona em subtítulos. A seguir, o desdobramento do primeiro capítulo. 10 CAPITULO I HISTÓRICOS E CONCEITOS DA GESTÃO HOSPITALAR O hospital é uma criação da cristandade da Alta Idade Média. Etimologicamente, a palavra vem do baixo latim hospitale (lugar onde se recebem pessoas que necessitam de cuidados, alojamento, hospedaria), do latim hospitalis, relativo a hospites ou hospes, hóspedes ou convidados. Na Europa medieval que irá ser profundamente marcada pela terrível fragilidade da condição humana e pela escatologia cristão, esses hóspedes eram originariamente qualquer pessoa que necessitasse de qualquer tipo de cuidados (alojamento, alimentação, abrigo, ajuda, conforto, assistência ou tratamento): não só os doentes, os incapacitados, os deficientes, os velhos, os pobres, os vagabundos como também os peregrinos e os viajantes ( JUNQUEIRA, 1990 ). O hospital confundia-se assim com a albergaria ou o hospício (do latim hospitiu, alojamento, hospitalidade, também derivado de hospes). Em geral, ficava junto às catedrais ou aos mosteiros, em conformidade com as instruções dos concílios ecuménicos de Niceia (325) e de Cartago (398), realizados já no período da cristianização do império romano (JUNQUEIRA, 1990 ). Com a progressiva cristianização do império romano, e, sobretudo com a transformação do cristianismo em religião de Estado por parte do império romano do Oriente, irão surgir diferentes tipos de estabelecimentos com funções assistenciais, que depois se generalizam a toda a cristandade do Ocidente, graças ao desenvolvimento do monarquismo bem como ao movimento das Cruzadas ( Castelar, 1995 ): xenodochia (albergarias para os estrangeiros, os peregrinos, os viajantes e todos aqueles que, em trânsito ou viagem, necessitassem de alojamento); nosocomia (hospitais ou enfermarias 11 que prestavam cuidados aos doentes ou enfermos); gerontochia (estabelecimento geriátrico ou, pelo menos, destinados ao acolhimento de idosos); ptochia (hospícios ou albergues para os pobres); lobotrophia (locais destinados aos leprosos ou doentes pestiferados); orphanotrophia (orfanatos); brephotrophia (locais destinados a receber e a criar as crianças abandonadas ou sem família). Não havia, no entanto, uma clara distinção entre o cuidar dos corpos e o cuidar das almas. Segundo a mentalidade cristã da época, a doença, o sofrimento, a pobreza e a morte estavam submetidos à vontade divina. A assistência aos enfermos e aos demais "pobres de Cristo", por sua vez, era considerada como uma virtude cristã e como uma manifestação da misericórdia de Deus. A caridade era então uma espécie de certificado de alforro: Dar aos pobres era emprestar a Deus, ou seja, quantas obras melhores se amealhassem na terra, mais garantias tinham os cristãos de alcançar o céu e, com ele, a salvação eterna. Nota-se que a fase inicial da assistência médica, nos primórdios da civilização, caracterizou-se por um forte componente religioso e místico, as doenças eram ligadas ao sobrenatural e o médico fazia também o papel de sacerdote (ROSEN, 1958). Ramos ( RAMOS, 1984 ) reflete que a origem da assistência hospitalar deu-se na China, no século XII a.C., onde funcionaram agências para o atendimento de doentes pobres. Assim, na Grécia, os “asclépios” eram templos que recebiam doentes, geralmente viajantes e, provavelmente influenciaram as observações de Hipócrates, considerado o pai da medicina empírica, e em Roma, há indicações de que os hospitais eram predominantemente militares, voltados à recuperação dos soldados para novas lutas. Sales ( SALLES, 1971 ) cita que na era Cristã, o Concílio de Nicéia, em 325, determinou que os bispos criassem hospitais junto às catedrais de cada cidade, destinados ao atendimento dos destituídos do meio, aos 12 peregrinos fatigados e àqueles enfermos privados de esperança de cura, sendo que durante toda Idade Média, funcionou um grande número desses estabelecimentos por toda a Europa, os quais atenderam aos doentes em nome da caridade cristã. Conforme Siqueira ( SIQUEIRA, 1985 ), “a brochura anônima de 1576, intitulada “L’ Hôspital Général”, transcrita por Foucault, relata o Édito do Rei sobre o estabelecimento do Hospital Geral para o internamento dos pobres e mendigos da cidade e dos arredores de Paris, com um forte componente de controle social”. Desta forma, durante o Mercantilismo, foram criados hospitais para o controle de doenças transmissíveis e apareceram as primeiras maternidades visando proteger os nascimentos. O autor Rosen ( ROSEN, 1958 ) complementa afirmando que com a Revolução Industrial, o rápido crescimento das cidades agravou as condições de vida das classes mais pobres e, sobretudo, os novos desenvolvimentos tecnológicos exigiam um fluxo mais ordenado do processo produtivo, requerendo mão-de-obra saudável e paralelamente, a pesquisa e as descobertas no campo do conhecimento científico alteraram a prática médica, de forma que os processos diagnósticos, terapêuticos e preventivos tornaram difícil, senão impossível, o médico trabalhar sem os modernos equipamentos e os recursos humanos gerais e especializados na medicina moderna, concentrados nos hospitais. 1.1 GESTÃO HOSPITALAR Conforme Castelar et all ( CASTELAR, 1995 ) a palavra gestão é usada tão frequentemente no dia-a-dia, que parece não haver dúvidas com relação a seu significado. 13 Neste sentido, as palavras administrador, gerente, governante, dirigente, empresário, presidente e mesmo chefe também parecem ser usadas, normalmente, como se indicassem as mesmas figuras. Sendo que o mesmo acontece com as palavras eficiência e eficácia, que igualmente desempenham papel importante dentro do campo da gestão, e muitas outras. Assim, como é o caso com palavras comuns, o consenso é aparente e estando essas palavras no centro de toda a discussão de que trata este livro, nada mais obrigatório que defini-las desde o princípio. Os autores acima revelam que objetivos, decisões e recursos são as palavras-chave na definição de gestão hospitalar. A gestão é o processo de tomar e colocar em prática decisões sobre objetivos e utilização de recursos. 1.1.1 Gestão Hospitalar em Hospitais Públicos Neste ponto deste estudo, observa-se que a visão universalista da gerência considera que as organizações assemelham-se sempre umas às outras. Segundo os estudo de Sheldon, apud Azevedo ( AZEVEDO, 1995 ) não há diferença entre gerente na área da saúde, sendo ele médico ou não, e um gestor na indústria no entanto quando se trata de gerir uma instituição pública certos pontos se diferenciam. Mas, por outro lado, existem autores que consideram o sistema de saúde e os serviços de saúde significativamente diferentes, complexos e de certo modo únicos, se comparados com outros tipos de organização, em particular as industriais, trazendo conseqüências para sua gerência ( AZEVEDO, 1995 ). Assim, as mudanças que vêm ocorrendo ultimamente na área da saúde pública e privada tem alterado profundamente também o perfil do gestor 14 hospitalar e seu papel. Neste ponto, destaca-se que para Cherubin ( CHERUBIN, 1997 ), esse profissional, antes não dava muita atenção aos clientes, pois quem pagava a conta não eram eles. Nota-se que também não se preocupavam em manter um bom relacionamento com as autoridades sanitárias, pois quem mandava nos hospitais e pagava as faturas do atendimento era o Ministério da Saúde, sediado em Brasília, no entanto, a autoridade e os recursos financeiros chegaram ou estão chegando, muito próximos do Hospital, através de convênios particulares pagos pela própria comunidade, assim, o padrão de atendimento começa a ser cobrado pela própria comunidade a quem o Hospital serve. Conforme Borba ( BORBA, 1989 ), os gestores hospitalares, geralmente médicos, enfatizam os aspectos tecnológicos das áreas operacionais e relegam a administração a planos secundários, sendo comum o emprego de altas somas em equipamentos sofisticados, treinamento no exterior ou muitas vezes em sistemas caríssimos e de pouca ou nenhuma rentabilidade ou retorno social, enquanto a gestão hospitalar não recebe a devida atenção. O autor acima ainda relata que é comum nos hospitais públicos de grande porte, encontrar-se diversas equipes médicas com profissionais das mais refinadas especialidades, o que lhes dá um suporte técnico de altíssimo gabarito. Entretanto é comum encontrar nestes mesmos hospitais, apenas um ou dois profissionais de gestão e assim mesmo totalmente desamparados e perdidos no sistema e percebe-se que ainda não há uma cultura de gestão nos hospitais brasileiros e o processo de gestão nesses organismos encontra-se invertido, pois ao invés de a administração conduzir e coordenar o processo operacional, é este quem dirige e governa a administração. Conforme Borba ( BORBA, 1989 ), os gestores hospitalares, tanto do hospital privado como do hospital público precisam conscientizar-se de que o 15 processo operacional faz-se embasado pelas atividades-meio, ou seja, pela gestão e de nada adiantará a satisfação tecnológica, se o sistema estiver ameaçado em sua base. O autor Boog ( BOOG, 1991) alerta que a tentação de se pegar o melhor técnico e transformá-lo num gerente é muito grande e pode resultar numa péssima decisão, tanto para a organização, que se priva do conhecimento técnico de um profissional e tem agora alguém geralmente em posição não reversível, com dificuldades em se relacionar com seus subordinados, como também para o próprio indivíduo, que está colocado em um cargo de exigências que ele não pode atender, por não ter o perfil adequado. Já nos estudos de Gonçalves ( GONÇALVES, 1987 ), nos anos mais recentes, na medida em que a estrutura hospitalar foi assumindo crescente complexidade, novas exigências foram sendo colocadas, o que determinou a necessidade de se recorrer a um profissional especializado para o gerenciamento da complexa estrutura hospitalar, independente do tipo de hospital considerado, público ou particular, beneficente ou lucrativo. Assim, o gestor hospitalar é um profissional que deve trabalhar em tempo integral, a fim de que possa viver todos os problemas da instituição, em todos os momentos da sua atividade e, apenas assim, será capaz de responder às múltiplas responsabilidades que lhe são atribuídas. Destaca-se ainda que o mesmo autor acima considera no casto deste profissional, diante da direção superior responde pelo cumprimento das políticas e diretrizes por ela definidas, mas principalmente pela administração judiciosa dos recursos econômicos que lhe são essenciais ao funcionamento do hospital, onde trata-se de responder pelo uso eficaz e eficiente de tais recursos em um momento em que os custos assistenciais elevam-se de maneira assustadora, em todos os países do mundo. 16 Verifica-se deste modo, que diante dos integrantes do corpo clínico, o gestor hospitalar responde pela disponibilidade de recursos e instrumentos de toda natureza, indispensáveis a sua atividade assistencial. Assim, podem surgir conflitos e dificuldades, diante da intransigência dos médicos e da falta de flexibilidade do administrador, sendo que a equipe médica deseja fazer valer sempre seu alto grau de autonomia, baseado em critérios próprios de profissionalização. Já de sua parte, o gestor é forçado a considerar a melhor utilização dos recursos disponíveis, em relação a todos os grupos de interesse e, neste caso, importa a habilidade em desenvolver compreensão e aceitação do sentido de coordenação de atividades distintas, mas que podem ser simultâneas em sua execução. É fato que diante dos integrantes do corpo profissional, o gestor do hospital tem responsabilidades ainda mais abrangentes e comparativamente poder-se-ia dizer que acumula os papéis de poder legislativo, executivo e judiciário, sendo que este exerce o poder legislativo, porque a partir das diretrizes gerais definidas pela direção superior, o administrador elabora normas e procedimentos, comparáveis aos decretos que regulamentam as leis e permitem sua aplicação no plano concreto da realidade. Ainda exerce o poder executivo, porque lhe compete que sejam cumpridas aquelas normas e procedimentos, com que se executam as determinações superiores e, por fim, exerce o poder judiciário porque lhe cabe a tarefa difícil de julgar comportamentos e aplicar penalidades para os infratores das normas que o bem comum da organização exige que sejam cumpridas. Estes poderes que devem ser exercidos com eqüidade, espírito judicioso, mas acima de tudo, com o senso de responsabilidade de que a quem administra cabe a tarefa difícil de satisfazer os seus subordinados. O autor Drucker ( DRUCKER, 1999 ), por sua vez, considera que nas organizações atuais o trabalhador de conhecimento não pode ser administrado como subordinado; é um sócio, sendo que pode ser sócio júnior ou sênior, mas não é subordinado ou superior, onde para ele, essa diferença não é superficial, 17 pois depois de passar pela etapa do aprendizado, o trabalhador de conhecimento precisa saber mais sobre o seu trabalho do que seu chefe sabe. O autor argumenta para tanto que a própria definição de trabalhador do conhecimento significa alguém que sabe mais sobre o seu trabalho do que qualquer outro integrante da organização. Como exemplo, cita-se que nos hospitais quem tem conhecimento para definir o diagnóstico do paciente e o tratamento indicado é o médico responsável e não o administrador e assim, para Drucker ( DRUCKER, 1999 ), o relacionamento entre eles, se assemelha muito mais àquele existente entre uma orquestra e os músicos que tocam diferentes instrumentos, pois o regente pode não saber tocar bem um violino, mas precisa reger a sua orquestra, de forma que o som dos instrumentos saiam perfeitos; assim o administrador pode não entender de medicina, mas o êxito do seu trabalho depende da qualidade dos seus sócios, os médicos. Conforme os estudos de Cherubin ( CHERUBIN, 1997 ), os hospitais não poderão permanecer por muito tempo sendo administrados de forma caseira, por amadores e para que estes consigam sobreviver e sobretudo, desenvolver suas atividades com qualidade e custos compatíveis; necessitam de muito profissionalismo, pois considera três atributos essenciais ao gestor hospitalar, onde este deverá ser um estudioso, pois as mudanças que ocorrerão na sua área de atuação, serão sempre profundas e radicais e quem não se preocupar com a atualização ficará para trás, acarretando graves conseqüências para o hospital. Assim, além disso, o gestor será um multiplicador de líderes, provocando uma inversão da pirâmide estrutural do hospital, sendo que a representação gráfica da estrutura administrativa será semelhante a uma teia de aranha, com uma líder em cada interseção, comandando uma unidade administrativa, ao invés dos antigos retângulos e linhas e os programas terão início na atual base da pirâmide, e não no seu topo. 18 Ainda para Drucker ( DRUCKER, 1999 ), não se administram pessoas, como se presumia anteriormente. Hoje lideram-se pessoas para maximizar o desempenho delas, onde a solução é capitalizar sobre seus pontos fortes e seu conhecimento, e não procurar forçá-las a modelos previamente definidos. O autor Mirshawka ( MIRSHAWKA, 1994 ), considera que um executivo, nos Serviços de Saúde, tem duas escolhas, primeiramente evitar o risco de ser pró-ativo e com isto ter quase a certeza de que sua organização será devorada ou consumida pelas organizações que efetuarem as mudanças que visam atender as exigências dos seus clientes internos e externos. Posteriormente começa-se a transformar a sua organização, percebendo e aceitando que algumas das modificações que se quer introduzir podem falhar, onde os executivos que começarem a fazer grandes transformações enveredarão por uma região de altos riscos, porém só deste modo poderão levar suas organizações a competir de forma eficaz dentro do segmento em que atuam. Porém, se mantiverem uma estreita comunicação com seus clientes, fornecedores e empregados, diminuirão em muito os seus riscos. Ainda conforme o mesmo autor, a transformação da organização ou do Sistema de Serviços de Saúde dependerá cada vez mais da inovação e da criatividade, entendida aqui como sendo a capacidade de desenvolver novas idéias existentes de uma forma original, onde a criatividade significa encontrar outras formas de fazer as coisas. Já a inovação, é considerada a capacidade de produzir ou criar algo novo. Os autores Hersey e Blanchard ( HERSEY e BLANCHARD, 2002 ) afirmam que o administrador deve ter ampla flexibilidade para se orientar em relação aos dois eixos que regem o seu estilo gerencial: o relacionamento humano e a produção ou prestação de serviços. Sendo que enfatizam que não existe um estilo ideal, mas situações que ou exigem maior tendência para o eixo prestação de serviços, em função da necessidade de se acentuar o planejamento, a organização e controle, ou requerem ações centradas no “eixo 19 relações humanas”, as quais estimulam a liberdade de expressão entre os elementos do grupo e as decisões em equipe. Já segundo Junqueira ( JUNQUEIRA, 1990 ), se não podemos identificar um estilo ótimo de gerência para os serviços de saúde, podemos pelo menos supor que será um gerente eficaz aquele que for capaz de envolver as pessoas na tarefa, alterando sua prática, em função das mudanças que ocorrem no interior e fora da organização, comprometendo seus funcionários com a produção dos serviços de saúde. 1.1.2 Gestão Operacional Conforme mostra Castelar et all ( CASTELAR, 1995 ) embora o processo de gestão operacional seja importante em qualquer contexto de utilização de recursos, a razão principal para estudá-lo é seu reflexo sobre o desempenho das organizações. O principal motivo para a existência das organizações é o fato de que certos objetivos só podem ser alcançados por meio da ação coordenada de grupos de pessoas. O mesmo autor complementa afirmando que sempre houve organizações de grande porte, orientadas para a eficácia na realização de seus objetivos - governos, Igreja, forças armadas, sociedades de negócios - que sempre desempenharam papel importante na sociedade. Para Casteçar et all ( CASTELAR, 1995 ) as organizações assumiram importância sem precedentes na sociedade e na vida das pessoas. Sendo que a sociedade moderna é uma sociedade organizacional, em contraste com as sociedades comunitárias do passado. Assim, na sociedade organizacional, muitos produtos e serviços essenciais para a simples sobrevivência somente se tornam disponíveis quando há organizações empenhadas em realizá-los. A qualidade de vida depende delas em grande parte: serviços de saúde, fornecimento de energia, 20 segurança pública, controle de poluição - tudo depende de alguma empresa ou organização pública. 1.1.3 Gestão em Saúde Junqueira ( JUNQUEIRA, 1990 ) cita que a gestão em saúde tem os seguintes pontos de destaque: • Processo; significa atividade ou ação. A gestão é processo ou atividade dinâmica, que consiste em tomar decisões sobre objetivos e recursos. O processo de administrar é inerente a qualquer situação onde haja pessoas utilizando recursos para atingir algum tipo de objetivo. Em última instância, a gestão é o processo que procura aumentar e garantir a qualidade das decisões sobre objetivos e recursos. • Decisões; significam escolhas. Conforme o autor acima o processo de gestão abrange quatro tipos principais de decisões ou escolhas, também chamadas Processos: • Planejamento: o processo de planejamento abrange as decisões sobre objetivos, ações futuras e recursos necessários para realizar objetivos. • Organização: o processo de organização compreende as decisões sobre a divisão de autoridade, tarefas e responsabilidades entre pessoas e sobre a divisão de recursos para realizar as tarefas. • Direção ou coordenação: o processo de direção significa ativar o comportamento das pessoas por meio de ordens; coordenação significa ajudá-las a tomar decisões por conta própria. A escolha entre um ou outro modelo depende do modelo e da cultura de gestão. • Controle: o processo de controle compreende as decisões sobre a compatibilidade entre objetivos esperados e resultados alcançados. • Recursos; classificam-se em seis tipos principais: instalações, espaço, tempo, dinheiro, informações e pessoas. 21 • Organizações ou Sistemas; são conjuntos específicos de pessoas e recursos empregados na realização de objetivos. • Pessoas; estão no coração do processo administrativo, como agentes ou recursos. Elas tomam decisões, compartilham o processo decisório com outras pessoas ou são afetadas pelas decisões que outras tomam. • Administradores ou Gerentes; são pessoas que tomam decisões de gestão. Podem ser indivíduos (como um presidente de empresa) ou grupos (como a assembléia de acionistas que nomeia esse mesmo presidente). • Objetivos; são resultados esperados, ou fins que as organizações ou sistemas procuram atingir, por meio do emprego dos recursos. Um sistema ou organização que consegue realizar seus objetivos é Eficaz. Entre duas organizações ou sistemas, ou entre dois momentos do mesmo sistema ou organização, é mais Eficiente o sistema ou organização que realiza o mesmo objetivo com menor quantidade de recursos. • Eficácia é a capacidade de realizar objetivos e Eficiência é a capacidade de utilizar produtivamente os recursos. 1.1.4 Gestão de Serviços de Apoio Para Castelar et all ( CASTELAR, 1995 ) a gestão em serviços de apoio hospitalar é o processo que procura assegurar a eficácia (realização de objetivos) e a eficiência (utilização racional de recursos) da organização em conjunto com todos os níveis de hierarquia. Neste contexto, a gestão é importante em qualquer escala de utilização de recursos para realizar objetivos - individual, familiar, grupal, organizacional ou social. 22 1.2 A ATUAÇÃO DO GESTOR HOSPITALAR Conforme Junqueira ( JUNQUEIRA, 1990 ) alguns enfoques oferecem ao gestor hospitalar a possibilidade de escolher entre modelos de gestão ou estilos, enquanto outros procuram oferecer as soluções para todos os problemas ou situações. Assim, à medida que a gestão hospitalar amadurece, a pesquisa mostra, repetidamente, que muitas das idéias aparentemente em conflito são úteis em determinadas situações, mas não em outras. Certas teorias servem para determinados gestores hospitalares, mas não para outros. Isto fez surgir uma escola de pensamento chamada teoria da situação ou teoria situacional (contingency theory). Neste sentido, a teoria da situação estabelece que não há maneira de administrar que seja melhor que outra. No entanto, não é correto concluir que qualquer enfoque pode funcionar em qualquer situação. A solução "melhor" depende do ambiente da organização, de sua tecnologia e de vários outros fatores. Em resumo, depende da situação. Assim, a teoria da situação procura auxiliar os administradores a decidir da melhor maneira possível para enfrentar cada situação. Conforme Castelar1 no momento em que se observa uma evolução histórica no sistema brasileiro hospitalar, percebe-se o primeiro registro em 1565, da Santa Casa de Misericórdia de Santos. Destaca-se que esta forma de atenção voltada à saúde, estava, na época, de forma íntima unida à uma atividade religiosa, com base nos costumes europeus, sendo que os hospitais eram na verdade organizações beneficentes, sendo administradas por entidades religiosas, no que as atividades de prestar assistência médica era na verdade compartilhada com a religiosa. 1 citado por OLIVEIRA, 2005 23 Assim, no setor hospitalar, os reais administradores se apropriam de uma teoria das organizações para assim administrar os hospitais, sendo que as entidades hospitalares passaram por muitas influências diretas da forma de organização do então sistema de saúde brasileiro. Médici2 revela que o modelo então assistencialista que foi adotado até meados do século XIX, tinha como característica as ações de saúde que eram financiadas por vários recursos fiscais e ainda por doações, onde esse modelo foi então gradativamente substituído por um modelo previdencialista, através do fortalecimento dos processos de grande industrialização e um crescimento da classe chamada assalariada, passando então a empregar muitos recursos das contribuições sociais aplicadas sobre a folha de pagamentos. No começo do século XX, a então organização hospitalar inicia seu processo de profissionalização. Isso acontece com a adoção de vários gestores para sua administração e organização, onde a partir da segunda metade deste século citado, estes modelos vão se mesclando e de forma progressiva buscam diminuir as brechas de uma cobertura, garantindo acesso a todos e assim formando o modelo chamado universalista. Neste ponto, crescem as muitas preocupações sobre a gerência, estando na expectativa de melhoria nos desempenhos, mais agilidade e uma real diferenciação assistencial. Castelar3 cita que a evolução da sociedade brasileira trouxe na verdade mudanças significativas no tocante as características do setor hospitalar brasileiro, sendo que o papel do Estado e ainda dos institutos de previdência, estando ligados ao Sistema de Previdência, mudaram esse setor através de uma criação de redes de atendimento e assistência. Assim, a inauguração de hospitais da Previdência Social, de hospitais universitários, de hospitais para atendimentos de emergência criou uma nova 2 3 idem idem 24 forma ao setor hospitalar brasileiro, sendo que paulatinamente foi modificando o real papel da instituição de caridade para então assumir uma função social. Porter4 revela que o setor hospitalar brasileiro sofre uma forte influência das políticas governamentais locais, sendo que através da nova regulamentação plena de variáveis muito básicas, como, por exemplo o ingresso de prestadores, novos padrões mínimos de assistência e novo estabelecimento de controles de rentabilidade. Existe então necessidade de uma visão integrada, assim compreendendo estes fatores externos ainda suas influências no mercado de atuação brasileira, e ainda a interação dos agentes internos diversos, através de vários processos de produção. Assim, dentro das mais diversas teorias de relacionamento entre as empresas, organizações e meio-ambiente, o chamado Modelo de Readaptação, dois autores Lawrence e Dyer5 apontam de uma certa forma para uma alta diferenciação e com pouca integração na verdadeira estrutura hospitalar, na baixa eficiência organizacional e no elevado nível de inovação. Sendo que todas são na verdade características que precisam ser na realidade trabalhadas para se ter um bom desempenho positivo em uma relação com o meio-ambiente, sendo que neste sentido a informação mais detalhada, pode fornecer maior esclarecimento sobre os comportamentos e sobre as variáveis que na realidade influenciam determinados elementos e assim sendo faz-se então necessário ter conhecimento sobre o produto dos hospitais, isso porque a organização hospitalar conta na verdade com vários aspectos de certa forma peculiares. 4 5 idem idem 25 1.3 CONTEXTUALIZANDO A ADMINISTRAÇÃO HOSPITALAR Almeida ( ALMEIDA, 1987 ), precursor dos estudos sobre administração hospitalar no Brasil, hospital é: “Uma instituição destinada ao diagnóstico e tratamento de doentes internos e externos; planejada e construída ou modernizada com orientação técnica; bem organizada e convenientemente administrada consoante padrões e normas estabelecidas, oficial ou particular, com finalidades diversas; grande ou pequena; custosa ou modesta para atender os ricos, os menos afortunados, os indigentes e necessitados, recebendo doentes gratuitos ou contribuintes; servindo ao mesmo tempo para prevenir contra a doença e promover a saúde, a prática, a pesquisa e o ensino da medicina e da cirurgia, da enfermagem e da dietética, e das demais especialidades afins”. ( 1987, P 53 ) Já o autor Rocchi ( ROCCHI, 1982 ) apresenta a seguinte definição: “Os hospitais modernos são estabelecimentos destinados a cumprir cinco funções na área da saúde: preventiva, de reabilitação, restauradora, de ensino e de pesquisa”. Nota-se que na área preventiva deve fornecer à comunidade: • serviços preventivos como educação sanitária, pré-natal e vigilância no parto normal; • prevenção da invalidez mental e física; e • auxílio nas campanhas de vacinação, organização de cursos e palestras como também distribuição de informativos com a finalidade de incentivar a prevenção de doenças. E na área curativa: • deve manter atividades de diagnóstico; • propiciar tratamento curativo de enfermidade; 26 • oferecer um serviço de alto nível no desempenho tanto de recursos humanos, quantos materiais; e • oferecer assistência aos pacientes em casos de urgência. Tem-se ainda a área educativa, onde o papel da organização hospitalar é: • adaptar cada centro do hospital para garantir um estágio de alta qualidade aos profissionais de saúde; • oferecer cursos, seminários e simpósios aos chefes e diretores de unidades administrativas; • promover cursos na área da saúde e ampliar o campo de literatura específica aos servidores que trabalham na instituição; e • manter um número suficiente de convênios com entidades educacionais para residência e estágios oficiais. Por fim, na área de pesquisa os hospitais tem como missão: • promover e incentivar pesquisas clínicas e na área administrativa; e • procurar manter dados atualizados de todas as áreas do hospital. Johnson6 revela que o ambiente novo de negócios, citado no tópico anterior, trouxe na verdade fortes conseqüências às grandes organizações, de forma que as obrigou a pensar em novas e grandes formas para organizar-se, sendo que as empresas, nos anos 80, foram no rumo da renovação dos seus métodos de gestão, organização e produção, assim como os programas de uma qualidade total, os novos programas de aperfeiçoamento para uma redução do real tempo necessário à boa execução de uma ação através da simplificação de um trabalho, ou o just in time, onde os processos de produção 6 citado por MAUDONNET, Renato. Administração Hospitalar. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 2005. 27 controlados por diversos computador, a real obsolescência programada através da redução do ciclo de vida dos mais variados produtos e uma preocupação crescente do então ramo de serviços em alcançar muitos níveis de qualidade que agradassem ao cliente, tudo isso visando enfrentar as forças do mercado e aproveitar ao máximo as novas potencialidades das tecnologias da informática e da telecomunicações. Assim, para auxiliar a grande tomada de decisão, deve-se dispor de boas ferramentas de análise de gestão e desempenho, onde a visão de processo é na verdade uma peça fundamental no processo de compreensão das variadas interconexões chamadas internas e em uma montagem destas ferramentas. Os autores Rummler e Brache7, revelam que um processo na verdade é uma série de muitas etapas com a intenção de produzir um serviço ou produto, sendo que para cada etapa, é na verdade, exigida certa uma parcela de contribuição aos reais objetivos da empresa, formando, de uma certa forma, uma cadeia de real agregação de valores. Portes8 revela que a cadeia de valores na realidade é nada mais que um conjunto de variadas atividades estratégicas que então necessitam serem trabalhadas na intenção de que uma empresa possa obter uma vantagem competitiva, seja por um custo mais reduzido ou ainda por diferenciação, em relação aos seus demais concorrentes. Assim, valor se torna o montante que um certo comprador está assim disposto a pagar por aquilo que uma organização tem a oferecer, sendo que a cadeia de valores mostra o valor total, e ainda consiste em margem e uma certa atividade de valor, de forma que as atividades de valor são, na verdade, as atividades física e tecnologicamente assim chamadas de distintas, onde uma empresa cria então um produto valioso para os seus compradores. 7 8 citado por MAUDONNET, op cit. idem 28 Neste contexto, a margem é, em geral, a diferença entre o valor considerado total e o seu custo coletivo na execução das atividades de real valor, sendo que cada uma destas atividades de valor utiliza insumos considerados adquiridos, assim como recursos humanos e certa forma de tecnologia na intenção de executar sua função, sendo assim, essas atividades também utilizam e formam informações, onde o modo com que cada atividade é exercida em combinação com as reais características econômicas, determinam assim se uma empresa tem um custo alto ou baixo com relação à sua concorrência e se essa atividade está contribuindo para as reais necessidades dos seus compradores e, desta forma, para a diferenciação total. Por sua vez, a qualidade em serviço de saúde, é sempre avaliada pela conformidade ou sua adequação a um certo grupo de expectativas ou de padrões que surgem de três aspectos básicos, que são na verdade a eficácia, assim determinada por uma ciência médica; a boa conformidade, assim determinada pelos valores; as expectativas individuais, e ainda a legitimidade, que é determinada pelos valores e pelas expectativas sociais9. O autor acima citado releva também que a conceituação do que constitui uma real atividade que tem como agregar valor varia muito, no entanto, certas definições apontam para atividades que agregam valores frente ao seu cliente, ou que está sendo realizada da forma mais eficiente possível, ou ainda que sustenta o principal objetivo de então produzir resultados Kaplan e Cooper10 revela que as atividades que, em geral, não geram um valor agregado representam em si atividades pelas quais os seus clientes normalmente não deveriam assim estar pagando. Vê-se que para evitar uma dicotomia, entre uma atividade que gera valor agregado e a atividade que não gera, foram assim criadas classificações por certos níveis de atividade, sendo que uma delas é avaliar as atividades 9 idem idem 10 29 através de três aspectos, conforme Ortrenga11 revela como sendo as atividades de valor real agregado, sendo aquelas que, quando são vistas pelo cliente chamado final, são na verdade, necessárias para prover o real resultado por ele tão esperado; tem-se ainda as atividades de um valor empresarial agregado, que são aquelas que são, em geral, exigidas por característica de uma organização do negócio; e por fim as atividades que, em si, não geram ou não tem valor agregado, sendo aquelas que não são, em geral, exigidas pelos seus clientes nem pela sua organização do negócio. Conforme alguns autores o problema novo para a saúde é o de uma certa eqüidade com a eficiência e a eficácia, onde não importando se o real produto social das ações de saúde tenha sua origem governamental ou ainda privada. Através deste novo papel, as organizações de saúde necessitam desenvolver certos instrumentos gerenciais que gerem este desempenho concreto, e acompanhando esse novo desafio organizacional, o setor de saúde no Brasil, de forma idêntica, enfrenta as muitas mudanças do ambiente empresarial, através de programas de qualidade total, o controle de custos e a reengenharia. Vê-se que um sistema de informações e redução de custos serve como uma medida muito objetiva de desempenho de atividades assim executadas para o real alcance dos objetivos propostos. Por fim, dentro das organizações hospitalares brasileiras, os profissionais das áreas deste setor necessitam de informações para o bom gerenciamento de suas atividades, fator que lhes possibilite uma visão melhor quanto ao verdadeiro reflexo de suas ações no tocante aos resultados da empresa. Assim, a administração, por sua vez, igualmente precisa de instrumentos que forneçam informações para uma gestão quanto à real 11 idem bons 30 alocação de recursos, e ainda com relação aos processos decisórios que envolvem o ambiente externo e os custos da organização hospitalar. 1.4 A FORMAÇÃO INICIAL DO HOSPITAL Através dos estudos de Siqueira12, observa-se que a divisão do trabalho e a especialização crescente aumentaram os investimentos no setor hospitalar surgindo a formação inicial hospitalar moderna atingindo a medicina como profissão, onde o antigo médico de família, capaz de guardar em uma maleta de mão todo seu arsenal diagnóstico e terapêutico, foi substituído por um profissional ultra-especializado que tem, entre si e o objeto de seu trabalho, todo um conjunto altamente custoso de recursos de diagnóstico e tratamento. Estes novos equipamentos supõem amplas unidades de produção, como garantia de sua lucratividade e controle. Assim, o hospital se posicionou como o “locus central” do trabalho médico e este profissional depende do aparato técnico da ultra-especialização da medicina tecnológica para realizar suas atividades. Na década de 50, o avanço da tecnologia foi brutal e a cada dia surgem novas técnicas de diagnóstico que podem (a custos altíssimos) identificar problemas que antes permaneciam ocultos. Existem novas (e caras) terapias de cura e também novas (e igualmente caras) técnicas cirúrgicas que prolongam a vida dos pacientes onde há algum tempo teriam expectativa zero de sobrevivência, sendo que a cada dia, os profissionais de saúde tornam-se mais especializados. 12 Ibid. 31 1.5 A TECNOLOGIA NA GESTÃO HOSPITALAR Destaca-se que a tecnologia na gestão hospitalar é fundamental, tanto para fazer surgirem novos resultados cada vez mais positivos quanto para gerar qualidade. 1.6 O NOVO PADRÃO DE HOSPITAL Vê-se que um hospital é uma unidade econômica que possui vida própria e, difere das outras empresas porque o seu objetivo ou “produto” básico é a manutenção ou restabelecimento da saúde do paciente. Assim, em uma organização hospitalar, um produto hospitalar é uma série de serviços prestados a um paciente como parte do processo de tratamento, controlado pelo médico. Deste modo, Gersdorff ( GERSDORFF, 1980 ) defende que a empresa hospitalar é muito mais parecida com uma empresa que produz serviços como um hotel, por exemplo, um banco, etc., que com uma empresa produzindo bens ou mercadorias. Já os autores Médici e Marques ( MÉDICI e MARQUES, 1996 ) destacam que as instituições hospitalares possuem peculiaridades que são perfeitamente compreendidas quando o indivíduo, ao procurar a assistência médica, não o faz por livre vontade, mas sim por necessidade, isto é, por circunstâncias alheias ao seu desejo e ao ingressar num serviço de saúde, o indivíduo não sabe que tipo de intervenção irá sofrer ou que tipo exame ou medicamento irá consumir. 32 1.7 TENDÊNCIAS E PERSPECTIVAS ATUAIS DA GESTÃO HOSPITALAR Neste sentido, as organizações hospitalares diferem de outros tipos de organizações, pois suas atividades possuem características próprias, conforme cita Machline et AL ( MACHLINE, 1983 ): • serviços de atenção e tratamento personalizado a pacientes individuais; • dependência das necessidades e demanda de seus clientes; • definição das responsabilidades dos diferentes membros e pouca tolerância a erros; • trabalho diversificado e com pouca padronização em que pessoas cuidam de pessoas, participando ativamente do processo de produção; • pouco controle sobre seus trabalhadores (principalmente os médicos) e sobre os pacientes; • organização não baseada em uma linha única de autoridade; já que o administrador hospitalar detém menos autoridade e poder em relação a outras organizações; • organização formal, até certo ponto burocrática e autoritária, cuja operacionalidade repousa no arranjo do trabalho convencionalmente hierarquizado e em regras rígidas e impessoais, sendo porém, uma organização altamente especializada, departamentalizada e profissionalizada que não pode funcionar efetivamente sem uma coordenação interna, motivação, autodisciplina e ajustes informais e voluntários de seus membros. 33 CAPITULO II QUALIDADE E ESTRATÉGIAS NA GESTÃO HOSPITALAR Segundo Castelar et all ( CASTELAR, 1995 ) para alguns setores, a qualidade é uma vantagem competitiva importante, para as indústrias agroalimentares, ela é uma questão de sobrevivência. O exercício da competitividade e da sobrevivência das indústrias de laticínios está associado à eficiência em gerenciar a qualidade. A qualidade do produto final que garante a segurança do consumidor e a satisfação de suas exigências é construída em todas as etapas da cadeia de produção: da obtenção da matéria-prima, do processamento industrial e da distribuição. Conforme os autores acima a gestão da qualidade é entendida como a abordagem adotada e o conjunto de práticas utilizadas, nas diversas áreas funcionais da empresa, para obter-se, de forma eficiente e eficaz, a qualidade pretendida do produto. A abordagem atual da gestão hospitalar com qualidade se faz então útil em qualquer organização hospitalar seja privada ou publica. 2.1 Administração Hospitalar: Uma Política Eficaz e de Qualidade Neste tópico, destaca-se em primeiro lugar que para sobreviver num ambiente competitivo e inovador, o sistema empresa necessita de um processo de gestão, também inovador, para que possa atingir seus objetivos e cumprir sua missão. 34 Inicialmente cita-se que, o autor Bertolino Filho ( BERTOLINO FILHO ) define gestão como, o ato de trabalhar com e por meio de pessoas para realizar os objetivos tanto da organização quanto de seus membros. Ressalta, também as cinco funções dos gestores definidas por Fayol, em seu livro Administration industrielle et generale (1929): planejar, comandar, organizar, controlar e coordenar. Desta forma, essas funções dos gestores foram conceituadas por Neri ( NERI, 1999 ) como: • planejar: significa estabelecer os objetivos da organização (...) é a primeira das funções; • comandar: significa fazer com que os subordinados executem o que deve ser feito; • organizar: coordenar todos os recursos da empresa, sejam humanos, financeiros ou materiais, alocando-os da melhor maneira possível, segundo o planejamento traçado; • controlar: estabelecer padrões e medidas de desempenho (...) maximizar a probabilidade de que tudo ocorra conforme as regras estabelecidas e as ordens ditadas; • coordenar: coordenação das atitudes e esforços de toda a organização, (...) tendo em vista os objetivos traçados. Destaca-se que estas funções, que constituem o processo de gestão, podem ser identificadas em todas as áreas e atividades da empresa, quer seja em nível institucional, através do planejamento estratégico e controle das situações advindas do ambiente externo da organização, quer seja em nível operacional, através do planejamento e controle da execução das atividades. Os autores Castelar et all ( CASTELAR, 1995 ) subdividem a gestão em três grandes vertentes: gestão operacional, gestão financeira e gestão econômica. 35 Assim, a gestão operacional está relacionada com a execução dos trabalhos da forma mais eficiente e racional em todas as áreas da empresa, como, recursos humanos, produção, vendas, compras, finanças, etc. Já na gestão financeira são enfatizados os problemas de caixa de liquidez, sendo basicamente duas as suas funções; a aquisição dos fundos de que a empresa precisa para operar e a distribuição eficiente desses fundos entre os vários usos. E, por sua vez, a gestão econômica consolida as demais tendo como ponto de sustentação o planejamento e o controle, preocupa-se com o resultado econômico das diversas áreas da empresa, para que esta alcance a eficácia. 2.1.1 A Terceirização dos Serviços Hospitalares Atualmente não há como negar que os serviços terceirizados na gestão hospitalar se tornaram um grande negócio e, as previsões são de um crescimento ainda maior. Já no passado recente, muito empresas acreditaram na idéia de que poderiam fazer tudo e ser tudo para todos, porém, atualmente as empresas não se enxergam como capazes de proporcionar qualidade na totalidade dos processos, desde a matéria-prima até a entrega a domicílio. Conforme Junqueira ( JUNQUEIRA, 1990 ) à medida que os custos da informatização diminuem e em função da disponibilidade de pessoal, que separa claramente os custos dos outros processos, começa a surgir a tendência de as empresas substituírem seu pessoal contratado por terceirizado, sendo uma excelente opção para o hospital público. 36 2.1.2 Estratégias de Racionalização de Recursos nos Serviços Como mostrado acima uma boa chance de racionalizar custos em prestação de serviços é a terceirização, esta gera menos custos e maior disponibilidade de pessoal, reduzindo e racionalizando os recursos. 37 CAPITULO III FUNDAMENTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO O Sistema Único de Saúde (SUS) é uma nova formulação política e organizacional para o reordenamento dos serviços e ações de saúde estabelecida pela Constituição de 1988 e, posteriormente, pelas leis que a regulamentam. “É o conjunto de ações e serviços de saúde prestados por órgãos e instituições Públicas Federais, Estaduais e Municipais, da Administração Direta e Indireta e das Fundações mantidas pelo Poder Público.” e, complementarmente, “[...] pela iniciativa privada.” Esta definição está no artigo 4º da Lei federal n.º 8.080/1990. O SUS há que ser entendido em seus objetivos finais, quais sejam o de prestar assistência à população baseada no modelo da promoção, proteção e recuperação da saúde, para que assim se busque os meios, processos, estruturas e métodos capazes de alcançar tais objetivos com eficiência e eficácia, tornando-o efetivo em nosso país. Estes meios, orientados pelos princípios organizativos da descentralização, regionalização, hierarquização, resolutividade, participação social e complementaridade do setor privado, devem constituir-se em objetivos estratégicos que dêem concretude ao modelo de atenção à saúde desejada para o Sistema Único de Saúde. Recebeu o nome de Sistema Único porque ele segue a mesma doutrina e os mesmos princípios organizativos em todo o território nacional, sob a responsabilidade das três esferas autônomas de governo: federal, estadual e municipal. Assim, o SUS não é um serviço ou uma instituição, mas um Sistema que significa um conjunto de unidades, de serviços e ações que interagem para um fim comum. 38 Esses elementos integrantes do Sistema referem-se, ao mesmo tempo, às atividades de promoção (ações em outras áreas como saneamento básico, imunizações, etc) e recuperação (atendimento médico) da saúde. Baseado nos preceitos Constitucionais, a construção do SUS, segundo Scaff ( SCAFF, 2008 ), se norteou pelos princípios doutrinários da Universalidade, da Equidade e da Integralidade: a) da Universalidade: - Todas as pessoas têm direito ao atendimento independente de cor, raça, religião, local de moradia, situação de emprego ou renda, etc. A saúde é direito de cidadania e dever dos governos Municipal, Estadual e Federal; - Deixam de existir com isto os “indigentes” que eram os brasileiros não incluídos no mercado formal de trabalho. b) da Equidade: - Todo cidadão é igual perante o Sistema Único de Saúde e será atendido conforme as suas necessidades; - Os serviços de saúde devem considerar que em cada população existem grupos que vivem de forma diferente, ou seja, cada grupo ou classe social ou região tem seus problemas específicos, tem diferenças no modo de viver, de adoecer e de ter oportunidades de satisfazer suas necessidades de vida; - Assim os serviços de saúde devem saber quais são as diferenças dos grupos da população e trabalhar para cada necessidade, oferecendo mais a quem mais precisa, diminuindo as desigualdades existentes; - O SUS não pode oferecer o mesmo atendimento a todas as pessoas, da mesma maneira, em todos os lugares. Se isto ocorrer, algumas pessoas vão ter o que não necessitam e outras não serão atendidas naquilo que necessitam; - O SUS deve tratar desigualmente os desiguais. 39 c) da Integralidade: - As ações de saúde devem ser combinadas e voltadas ao mesmo tempo para prevenção e a cura. Os serviços de saúde devem funcionar atendendo o indivíduo como um ser humano integral submetido às mais diferentes situações de vida e trabalho, que o leva a adoecer e a morrer; - O indivíduo é um ser humano, social, cidadão que biologicamente, psicologicamente, e socialmente está sujeito riscos de vida. Desta forma o atendimento deve ser feito para a sua saúde e não somente para as suas doenças. Isto exige que o atendimento deve ser feito também para erradicar as causas e diminuir os riscos, além de tratar os danos, ou seja, isto faz com que as ações de promoção (que envolve ações de em outras áreas como habitação, meio ambiente, educação, etc.), com ações de prevenção (saneamento básico, imunizações, ações coletivas e preventivas, vigilância à saúde e sanitária, etc.) e de recuperação (atendimento médico, tratamento e reabilitação para os doentes); - Estas ações de promoção, proteção e de recuperação formam um todo indivisível que não podem ser compartimentalizadas. As unidades prestadoras de serviço com seus diversos graus de complexidade, formam também um todo indivisível, configurando um sistema capaz de prestar assistência integral. 3.1 LEGISLAÇÃO E BIOÉTICA NA SAÚDE Entre as diretrizes políticas consolidadas pela Constituição Federal no cenário Nacional, ainda segundo Scaff ( SCAFF, 2008 ), estão os fundamentos do Sistema de Saúde Brasileiro.O que levou os constituintes a proporem essa transformação foi o consenso, na sociedade, quanto à total inadequação do sistema de saúde caracterizado pelos seguintes aspectos, entre outros: 40 a) um quadro de doenças de todos os tipos, condicionadas pelo tipo de desenvolvimento social e econômico do País e que o sistema de saúde não conseguia enfrentar; b) irracionalidade e desintegração do Sistema de Saúde, com sobreoferta de serviços em alguns lugares e ausência em outros; c) excessiva centralização, levando a decisões muitas vezes equivocadas; d) recursos financeiros insuficientes em relação às necessidades de atendimento e em comparação com outros países; e) desperdício de recursos alocados para a saúde, estimado nacionalmente em pelo menos 30%; f) baixa cobertura assistencial da população, com segmentos populacionais excluídos do atendimento, especialmente os mais pobres e nas regiões mais carentes; g) falta de definição clara das competências entre os órgãos e as instâncias político-administrativas do sistema; h) desempenho descoordenado dos órgãos públicos e privados; i) insatisfação dos profissionais da área da saúde, principalmente devido a baixos salários e falta de política de recursos humanos justa e coerente; j) baixa qualidade dos serviços oferecidos em termos de equipamentos e serviços profissionais; l) ausência de critérios e de transparência dos gastos públicos; m) falta de participação da população na formulação e na gestão das políticas de saúde; n) falta de mecanismos de acompanhamento, controle e avaliação dos serviços; 41 o) imensa insatisfação e preocupação da população com o atendimento à sua saúde. Os princípios que regem a organização do SUS são: a) regionalização e hierarquização; b) resolubilidade; c) descentralização; d) participação dos cidadãos: ‘o controle social’; e) complementaridade do setor privado. A rede de serviços do SUS deve ser organizada de forma regionalizada e hierarquizada, permitindo um conhecimento maior dos problemas de saúde da população de uma área delimitada, favorecendo ações de vigilância epidemiológica, sanitária, controle de vetores, educação em saúde, além das ações de atenção ambulatorial e hospitalar em todos os níveis de complexidade. 3.2 ORGANIZAÇÃO DE SAÚDE COLETIVA Segundo Goulardt e Barata ( GOULARDT e BARATA, 1990 ), o acesso da população à rede deve se dar através dos serviços de nível primário de atenção, que devem estar qualificados para atender e resolver os principais problemas que demandam serviços de saúde. Os que não forem resolvidos a este nível deverão ser referenciados para os serviços de maior complexidade tecnológica. No nível terciário de atenção à saúde estão os hospitais de referencia, que resolvem aproximadamente 5% dos problemas de saúde.O nível secundário resolve 15% dos problemas de saúde e são prestados no âmbito dos Centros de Especialidades. Por fim, as Unidades básicas de saúde, a quem cabe resolver 80% dos problemas. 42 A resolubilidade é a exigência de um indivíduo que busca o atendimento ou quando surge um problema de impacto coletivo sobre a saúde. O serviço correspondente deve estar capacitado para enfrentá-lo e resolvê-lo até o nível de sua complexidade. Descentralização é entendida como uma redistribuição das responsabilidades às ações e serviços de saúde entre os vários níveis de governo, a partir da idéia de que quanto mais perto do fato a decisão for tomada, mais chance haverá de acerto. Deverá haver uma profunda redefinição das atribuições dos vários níveis de governo, com um nítido reforço do poder municipal sobre a saúde. A este processo dá-se o nome de municipalização. Aos municípios cabe, portanto, a maior responsabilidade na implementação das ações de saúde diretamente voltados para os seus cidadãos. A Lei no 8.080/1990 e as normas operacionais básica do ministério da saúde que se seguiram definem, precisamente, o que é obrigação de cada esfera de governo. A participação dos cidadãos, traduzida como o controle social, é a garantia constitucional de que a população, através de suas entidades representativas, poderá participar do processo de formulação das políticas de saúde e do controle de sua execução, em todos os níveis desde o federal até o local. Essa participação deve se dar nos conselhos de saúde, com representação paritária de usuários (governo, profissionais de saúde e prestadores de serviços), com poder deliberativo. As conferências de saúde nas três esferas de governo são as instâncias máximas de deliberação, devendo ocorrer periodicamente e definir as prioridades e linhas de ação sobre a saúde. É dever das instituições oferecer as informações necessárias para que a população se posicione sobre as questões que dizem respeito à sua saúde. 43 A complementaridade do setor privado é definido pela Constituição (1988) quando, por insuficiência do setor público, for necessário a contratação de serviços privados. Isto se da sob três condições: a) a celebração do contrato conforme as normas de direito público; b) a instituição privada deverá estar de acordo com os princípios básicos e normas técnicas do SUS; c) A integração dos serviços privados deverá se dar na mesma lógica do SUS, em termos de posição definida na rede regionalizada e hierarquizada dos serviços. Dentre os serviços privados, devem ter preferência os serviços não lucrativos (hospitais Filantrópicos, santas casas, dentre outras), conforme determina a Constituição (1988). Assim cada gestor deverá planejar primeiro o setor público e na seqüência, complementar a rede assistencial com o setor privado não lucrativo, com os mesmos conceitos de regionalização, hierarquização e universalização. 44 CAPITULO IV GESTÃO OPERACIONAL E ADMINISTRATIVA Os hospitais são classificados em entidades com fins lucrativos e sem fins lucrativos, sendo que nas empresas hospitalares de fins lucrativos, a eficiência administrativa é avaliada pela maximização da riqueza dos proprietários e a otimização de lucros visa remunerar o capital investido a uma taxa satisfatória. Assim, poder-se-ia supor que as empresas hospitalares sem fins lucrativos não devem obter lucro, de forma que não é neste sentido, todavia, que uma entidade se caracteriza como “sem finalidade lucrativa”. E não lucrativo não significa que o hospital não possa obter lucro, mas sim, que nenhuma das partes dos lucros líquidos do hospital pode ser dirigida em benefício de qualquer cidadão. O autor Almeida ( ALMEIDA, 1987 ), referindo-se ao assunto, diz que: “A diferença entre empresas hospitalares com fins lucrativos e sem esta finalidade reside no fato de que a performance da administração das primeiras é avaliada pela capacidade de remunerar a uma taxa ótima o capital investido, embora imbuídas do objetivo social inerente a todos os hospitais. Quanto às segundas, procuram manter os serviços dentro de padrões razoáveis na comunidade, sem a preocupação de remunerar o capital investido, mas desejando um crescimento satisfatório para a melhoria dos serviços e atender a demanda crescente da comunidade”. Os avanços tecnológicos são fantásticos, porém os preços cobrados pelos hospitais brasileiros são cada vez mais altos. Tecnologia é um fator determinante para o aumento dos custos da saúde. No caso dos hospitais brasileiros, no entanto, há um outro problema crucial: a administração. 45 Somente 1% dos hospitais brasileiros possui administração profissional, que conta com administrador hospitalar graduado e que possui uma visão dinâmica e futurista ( CASTELAR, 1995 ). A maioria conta com uma direção administrativofinanceira ocupada por médicos que não possuem preparo técnico para administrar uma empresa de tamanha complexidade administrativa. Afirma ainda Oliveira que os custos dos hospitais brasileiros são muito mal elaborados, aliás, poucos se preocupam com os custos. A grande maioria vive de aumentar sua tabela de preços, independentemente da análise real do seu custo hospitalar. Reynaldo André Brandt, presidente do hospital Albert Einstein, de São Paulo, disse que: “Hoje conhecemos nossos preços, mas não nossos custos”. É por desconhecer completamente seus custos que a maioria dos hospitais brasileiros cobra cada aplicação de injeção, cada luva usada por enfermeiros, cada curativo feito. Segundo Cícero de Oliveira, diretor do SINDHOSP e da Cia. Hospitalar, cobra-se do paciente até para ir ao banheiro ( SIQUEIRA, 2005 ). Enquanto uma diária no exterior gira em torno de U$ 90 dólares, aqui no Brasil, em um bom hospital, a diária chega a custar U$ 500 dolares ( SIQUEIRA, 2005 ). A empresa hospitalar não pode simplesmente repassar os custos aos clientes sem ter uma comprovação da realidade. O custo operacional de uma empresa hospitalar é caro, mas não exorbitante, como alguns empresários do setor teimam em afirmar. Diante dessa realidade de gastos crescentes na área de saúde e dada a crise fiscal do Estado, países desenvolvidos começam a buscar alternativas que permitam um maior controle de custos. 46 4.1 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO E GERENCIAMENTO DE CONFLITOS Desde os mais remotos tempos os administradores têm lutado pelas questões e problemas que confrontam os gestores hoje. Desta forma, para enfrentar os desafios e barreiras do mundo moderno, o homem sempre inventou maneiras de melhor utilizar os seus esforços e levando em consideração que as organizações estão vivendo num ambiente de turbulência e constantes mutações, precisa-se modificar as tentativas de erro e acerto para uma forma planejada de conduzir e encarar a realidade a fim de conseguir melhores resultados de suas ações. Castelar et all (CASTELAR, 1995 ) cita que o planejamento estratégico é uma importante técnica administrativa que auxilia a ordenar as idéias das pessoas, porém é preciso saber dirigir os esforços para aquilo que traz resultados. O planejamento estratégico não dá garantias de sucesso, mas aumenta a probabilidade de ocorrência de fatos favoráveis, maximizando o retorno de investimento e minimizando a gravidade e as chances de ocorrência de fatos desfavoráveis, o que justifica o seu uso. Numa outra visão, o planejamento estratégico é totalmente dispensável se baseado em informações inconsistentes. A necessidade de um planejamento fica clara quando os autores acima citam que as empresas nunca podem parar de aprender sobre o setor em que atuam, suas rivais ou formas de melhorar ou modificar sua posição competitiva. Desta forma, o fato de o planejamento estratégico aparecer como o item inicial do processo de administração estratégica das empresas pode ser abordado de algumas formas e uma dessas formas é a partir de uma afirmativa bastante simplista, que representa uma verdade incontestável na administração estratégica e na realidade empresarial, é que o executivo não tem o que 47 organizar, dirigir e controlar, bem como cuidar do seu desenvolvimento e mudança planejada, se ele não tiver planejado o assunto anteriormente. Como mostra Junqueira ( JUNQUEIRA, 1990 ) o planejamento estratégico corresponde ao estabelecimento de um conjunto de providências a serem tomadas pelo executivo para a situação em que o futuro tende a ser diferente do passado, sendo que o planejamento é, ainda, um processo contínuo, um exercício mental que é executado pela empresa independente de vontade específica de seus executivos. Quanto ao propósito do planejamento estratégico vê-se que o mesmo pode ser definido como o desenvolvimento de processos, técnicas e atitudes administrativas, as quais proporcionam uma situação viável de avaliar as implicações futuras de decisões presentes em função dos objetivos empresariais que facilitarão a tomada de decisão no futuro, de modo mais rápido, coerente, eficiente e eficaz, podendo se afirmar que o exercício sistemático do planejamento tende a reduzir a incerteza envolvida no processo decisório e, conseqüentemente, provocar o aumento da probabilidade de alcance de objetivos, desafios e metas estabelecidas. Assim, por meio da utilização efetiva e sistemática do planejamento estratégico, a empresa espera conhecer e melhor utilizar seus pontos fortes, conhecer e eliminar os seus pontos fracos, conhecer e usufruir as oportunidades externas, conhecer e evitar as ameaças externas e ter um efetivo plano de trabalho estabelecendo as expectativas almejadas, os caminhos e como e onde alocar os recursos. No entanto, as empresas e organizações precisam se preocupar com a rotinização do planejamento, tornando-o uma ferramenta mais operacional, no que se pode observar os estudos de Castelar et all ( CASTELAR, 1995 ) que critica o planejamento estratégico formal por este não dar espaços para a criatividade na busca de soluções para as inesperadas oportunidades e ameaças com que se defrontam as organizações. O autor entende que isso é devido ao planejamento estratégico ser praticado apenas como uma 48 programação estratégica, sem considerar a criatividade e a intuição, que são elementos do pensamento estratégico, se vê assim que não basta um plano, deve haver uma administração estratégica capaz de contagiar os componentes da organização no sentido de perseguir os objetivos traçados. 4.2 GESTÃO DE PESSOAS Os anos 90, segundo os autores Trasatti & Costa citados por Maudonnet ( MOUDONNET, 2005 ) mostrou que os modelos de gestão de recursos humanos baseados em “obediência + fidelidade = sobrevivência na empresa” já não têm sentido. Assim, os processos contínuos de mudança, pelos quais a empresa teve e terá que passar para continuar sobrevivendo nesses tempos, trouxeram à luz a impossibilidade de satisfazer as necessidades humanas, já que a empresa é a projeção dos interesses dos donos do capital e seu principal objetivo, no atual estágio das coisas, é servir a esses interesses. Revelam ainda Trasatti & Costa citados por Maudonnet ( MOUDONNET, 2005 ) que o conceito de gestão de recursos humanos por competências fornece um método claro e coerente, que permite a gestão desse novo contrato entre as pessoas e a empresa e a linearidade entre o estabelecimento da estratégia empresarial, a identificação das competências organizacionais necessárias e a formulação de quadros de competências funcionais asseguram que a área de recursos humanos tenha uma gestão alinhada com as necessidades estratégicas da empresa e que possa mostrar resultados de maneira prática e numa linguagem organizacional adequada. 49 4.3 FARMÁCIA HOSPITALAR A Farmácia Hospitalar, como unidade técnico-administrativa, é componente de fundamental importância para uma assistência adequada aos usuários dos serviços hospitalares, uma vez que a terapia medicamentosa é o tipo mais comum de tratamento prescrito atualmente. Neste contexto, a farmácia, através da assistência farmacêutica, desenvolve uma série de atividades e, para desenvolvê-las adequadamente, os farmacêuticos têm que se manter constantemente atualizados. A assistência aos pacientes no âmbito do medicamento é uma atividade complexa, pois envolve diversas atividades permitindo ao farmacêutico uma ampla gama de possibilidade de escolha dentre as atividades que podem ser realizadas no ambiente hospitalar. Essas atividades podem ser de cunho administrativo-gerencial ou mais ligadas à prática clínica, por exemplo: seleção e padronização de medicamentos através das comissões de Farmácia e Terapêutica; aquisição e armazenamento pela Logística de Abastecimento Farmacêutico; implantação e manutenção de Sistemas de Distribuição de Medicamentos; participação em Comissões de Controle de Infecção Hospitalar e de Terapia Nutricional; Farmacotécnica, englobando manipulação de medicamentos, incluindo formulações não existentes no mercado e quimioterápicos, bem como nutrições parenterais; Controle de Qualidade; participação em Centros de Informações sobre Medicamentos; assistência ao paciente internado e ambulatorial; participação em estudos de Farmacocinética Clínica, de utilização de medicamentos e de Farmacovigilância; atividades ligadas ao ensino e à pesquisa. 50 4.4 GESTÃO DE SERVIÇOS DE ENFERMAGEM A gestão de enfermagem pode, se tornar cada dia mais humanizada, cada dia mais preocupada com o bem estar do paciente, e neste sentido, pode auxiliar na gestão do hospital público. Conforme os estudos de Junqueira ( JUNQUEIRA, 1990 ) Hipócrates, 400 anos a.C., abordava o princípio da não-maleficência ao tratar do ser humano. No entanto, todos os casos que implicam decisões de vida e de morte são muito difíceis, porque envolvem desafios clínicos e problemas éticos complexos não bem definidos do ponto de vista legal. O autor acima cita que os profissionais da saúde da atualidade cresceram em uma sociedade que evita as questões relativas à morte. Sendo que na maioria dos serviços públicos, como as escolas e os hospitais, quase nunca são abordadas as questões essenciais relativas à morte a ao sentido da vida. Ainda conforme Junqueira o estudo da morte e do morrer tem se tornado politicamente incorreto no nosso meio e a partir do século XX, o tradicional morrer humanizado, assistido por familiares e pessoas amigas, foi substituído pelo morrer científico, pois a morte, na maioria das vezes, não mais ocorre em casa, mas em uma instituição médica. Logo, os profissionais da saúde passaram a ser confrontados de forma mais constante com o sofrimento e com a morte e nesse encontro repetitivo com a morte, esses profissionais estão sujeitos às angústias relacionadas ao sentimento de fragilidade da condição humana ou à lembrança de lutos passados. Destaca-se ainda que para esses profissionais, a proximidade com a morte faz parte do seu trabalho cotidiano, fato que os leva a uma sobrecarga psíquica. Adiciona-se ao sofrimento relacionado com a morte, o sentimento de fracasso experimentado por aqueles que foram formados para lutar pela vida . 51 Neste cenário, estudos como os de Castelar et all ( CASTELAR, 1995 ) citam que historicamente, as profissões da área da saúde são definidas como aquelas destinadas a promover a saúde. Sendo que a especificidade do sofrimento psíquico desses profissionais relaciona-se às suas possibilidades reais de sucesso ou fracasso. Os enfermeiros têm em si parcela da responsabilidade da "cura" e, portanto possuem também, junto com os médicos, um sentimento de fracasso perante a morte do paciente sob os seus cuidados. 4.5 MEIO AMBIENTE E GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS EM SAÚDE A Gestão de Resíduos Hospitalares deve estar caracterizada por limpeza, conservação e desinfecção de superfícies fixas. Conforme Mirshawka ( MIRSHAWKA, 1994 ) a limpeza consiste na remoção da sujidade e do mau odor por meios físicos, químicos e/ou mecânicos, de forma a reduzir a população microbiana no ambiente hospitalar e promover o bem estar dos pacientes, funcionários e demais pessoas que transitam nesses ambientes. No contexto da gestão de limpeza hospitalar estudos como os de Mirshawka revelam que a limpeza de paredes/divisórias, corredores, pisos, tetos, janelas, portas/visores deve ser feita com água e detergente, a menos que haja respingo ou deposição de matéria orgânica, havendo presença de matéria orgânica (descarga de excreta, secreção ou exsudação de material orgânico) deverá ser realizada, primeiramente, a desinfecção da superfície afetada e, em seguida, a limpeza. Mirshawka ( MIRSHAWKA, 1994 ) cita que a Limpeza Hospitalar consiste na limpeza e conservação dos ambientes e desinfecção de superfícies fixas, de forma a promover a remoção de sujidades visíveis; remoção, redução ou destruição de microorganismos patogênicos; controle de disseminação de 52 contaminação biológica, química, etc., mediante aplicação de energias química, mecânica ou térmica, num determinado período de tempo, nas superfícies das diversas áreas hospitalares, o que inclui tetos, pisos, paredes/divisórias, portas, janelas, mobiliários, equipamentos, instalações sanitárias, grades do ar condicionado e/ou exaustor, etc.. Já Junqueira ( JUNQUEIRA, 1990 ) revela que não constituem objeto de limpeza hospitalar os serviços de controle integrado de pragas (desinsetização, desratização e descupinização), jardinagem, plantio e poda/corte de grama, coleta externa de resíduos e limpeza de caixas d’água, pois são prestados por empresas especializadas com licenças/alvarás de funcionamento específicas, portanto, recomenda-se a formalização de contratos distintos para esses serviços. Mirshawka ( MIRSHAWKA, 1994 ) revela que a Gestão de Limpeza Hospitalar deve se ater sempre as áreas mias criticas, não deixando as outras de fora evidentemente, mas concentrando esforços nas áreas consideradas mias criticas. Assim as áreas críticas são áreas que oferecem maior risco de transmissão de infecções, ou seja, áreas que realizam um grande número de procedimentos invasivos e/ou que possuem pacientes de alto risco com sistema imunológico comprometido, ou ainda, aquelas áreas que por suas especificidades necessitam que seja minimizada a presença de microorganismos patogênicos, tais como: Centros Cirúrgico e Obstétrico, Recuperação pós-anestésica, Central de material esterilizado, Unidade de Terapia Intensiva, Unidade de Isolamento, Unidade de Transplantes, Unidade de Hemodiálise, Pronto Socorro, Berçário, Expurgos, Laboratórios de Análises Clínicas, Anatomia Patológica e Biologia Molecular, Banco de Sangue, Áreas de preparo e manipulação de alimentos e dietas, Salas de preparo de Nutrição Parenteral, Salas de preparo de Quimioterapia, Salas de procedimentos invasivos, Farmácia de manipulação, Área suja da lavanderia, Necrotério e Similares. 53 Já as áreas semicríticas são áreas ocupadas por pacientes com doenças infecciosas de baixa transmissibilidade e doenças não infecciosas, tais como: Unidade de Internação, Unidade de Atendimento Ambulatorial, Sala de Triagem e Espera, Centro de Radiodiagnóstico e Similares. E as áreas não-críticas são todas as áreas hospitalares ocupadas ou não por pacientes e que oferecem risco mínimo de transmissão de infecção, tais como Refeitórios, Áreas limpas da Lavanderia e Similares conforme Junqueira ( JUNQUEIRA, 1990 ). Junqueira ( JUNQUEIRA, 1990 ) cita que os tipos de Limpeza Hospitalar de acordo com as suas características são conceituados em: Limpeza Concorrente e Limpeza Terminal. Os métodos de limpeza mais utilizados na execução dos serviços de limpeza hospitalar são: Limpeza Úmida; Limpeza Molhada e Limpeza Seca. Ainda para Junqueira ( JUNQUEIRA, 1990 ) as áreas a serem consideradas para cada tipo de serviço correspondem às quantidades obtidas da projeção horizontal de cada ambiente, isto é, áreas de planta baixa. Para reforçar este conceito, a área a ser quantificada é a de piso, sem considerar as áreas verticais de paredes/divisórias, divisórias com vidros, portas/visores e afins, cujos serviços estão contemplados nos itens correspondentes à limpeza dos pisos 4.6 GASTRONOMIA HOSPITALAR Atualmente, os hospitais que procuram qualidade em alimentação e atendimento ao cliente, aliam a Dietoterapia à Gastronomia; essa combinação acrescida de satisfação da clientela, hoje é chamada de Gastronomia Hospitalar. Todavia, a Gastronomia Hospitalar torna-se um grande desafio às Unidades de Alimentação, por ter o objetivo de atender as diferentes necessidades 54 nutricionais dos clientes com restrições de alimentos ou nutrientes de acordo com sua patologia, tabus e preferências alimentares, sem contudo perder o equilíbrio nutricional. Os profissionais da área de alimentação de hospital, que tem o padrão de Gastronomia Hospitalar, preservam as características sensoriais e organolépticas dos alimentos, sendo que existe a restrição de sal, substância essa que confere sabor aos alimentos quando substituído por ervas finas e secas; aprimora a melhoria do alimento, tanto em sabor quanto em qualidade, por serem substâncias antioxidantes, que quando consumidas corretamente podem prevenir algumas doenças. Os cardápios incluem diferentes preparações e ainda sugerem opções a preferências e tabus alimentares. Os clientes hospitalares procuram a unidade para atenuar a dor ou tratar doenças. Nesse universo de atendimento médico e atenção à saúde, o cardápio incorpora momentos de “alegria”. A relação positiva entre o momento de alimentação e a realidade individual do mundo social extra-hospitalar pode promover ações sinérgicas ao tratamento medicamentoso. O valor de uma alimentação semelhante ao dia a dia de cada indivíduo, tornando-o ao seu mundo, pode minimizar o sofrimento e alicerçar bases positivas à terapêutica. Reforça-se porém, no parágrafo acima, que a Gastronomia Hospitalar torna-se importante na motivação emocional e, contudo, está relacionado ao cliente melhor recuperado e mais satisfeito com o serviço. 55 CONSIDERAÇÕES FINAIS Conclui-se que a intensificação nos últimos anos, às referências a mais qualidade, na área de saúde pública e na sua gestão, envolve desde aspectos relacionados aos crescentes gastos públicos na área, aos problemas relacionados ao financiamento desses gastos, à grande necessidade e ainda pequena disseminação de métodos adequados de apuração ou mensuração de custos, à importância de seu gerenciamento, de seu controle e de seu uso para decisão, análise e escolha de programas e estabelecimento de políticas para a área. Atualmente, torna-se inevitável que a gestão hospitalar nos hospitais públicos brasileiros seja cada dia mais efetiva, com mais qualidade, mais ética, sendo esta primordial para uma gestão tão importante quanto esta que está relacionada de forma direta com a vida e a morte de tantos pacientes. Conclui-se que a grade maioria da população brasileira está sim nas mãos da gestão hospitalar pública, por ser este serviço o único a seu alcance, logo um gestor hospitalar estando na frente de um hospital público deve analisar todos os detalhes, fatores, componentes, pessoal, custos, maquinários para gerar qualidade, atendimento mais eficaz, tratamento mais humanitário, isso é mais do que essencial, passa a ser um dever de todo funcionário público, de todo indivíduo que lida diretamente com a vida e com o bem estar público, onde naturalmente os gestores hospitalares se incluem. Logo qualidade, ética e mais eficiência na gestão dos hospitais públicos deve e pode gerar um melhoramento em todo o sistema único de saúde, tanto nos custos e sua redução, quanto no atendimento pessoal a cada paciente e até mesmo chegando a valorizar ainda mais a ação do gestor público hospitalar. 56 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ALMEIDA, José Jesus de. Sistemas de custos em organizações hospitalares – estudo de casos. Rio de janeiro, 1987. Dissertação de Mestrado em Ciências Contábeis. ISEC/FGV. Pág. 53. AZEVEDO, Creuza da Silva. Gestão Hospitalar: a visão dos diretores de hospitais públicos do município do Rio de Janeiro. Revis ta RAP. Rio de Janeiro, 29(3): 33-58, jul./set. 1995 BERTOLINO FILHO, Jorge. Tópicos atuais em gestão: motivação. Campinas: Alínea, 1998. BOOG, G. G. O desafio da competência. São Paulo: Best Seller, 1991. BORBA, Valdir Ribeiro. Planejamento Empresarial Hospitalar. São Paulo: CEDAS, 1989. CASTELAR, Rosa Maria; MORDELET, Patrick; GRABOIS, Victor. 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Faculdade de Economia e Administração/USP. 58 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO ........................................................................................ 2 AGRADECIMENTO ........................................................................................ 3 DEDICATÓRIA ............................................................................................... 4 RESUMO ........................................................................................................ 5 METODOLOGIA ............................................................................................. 6 SUMÁRIO ....................................................................................................... 7 INTRODUÇÃO................................................................................................ 8 CAPITULO I - HISTÓRICOS E CONCEITOS DA GESTÃO HOSPITALAR............................................................................................................. 10 1.1 GESTÃO HOSPITALAR ......................................................................... 12 1.1.1 Gestão Hospitalar em Hospitais Públicos ............................................ 13 1.1.2 Gestão Operacional ....................................................................................... 19 1.1.3 Gestão em Saúde ................................................................................ 20 1.1.4 Gestão de Serviço de Apoio ................................................................ 21 1.2 A ATUAÇÃO DO GESTOR HOSPITALAR ............................................. 22 1.3 CONTEXTUALIZANDO A ADMINISTRAÇÃO HOSPITALAR................. 25 1.4 A FORMAÇÃO INICIAL DO HOSPITAL ................................................. 30 1.5 A TECNOLOGIA NA GESTÃO HOSPITALAR........................................ 31 1.6 O NOVO PADRÃO DE HOSPITAL ......................................................... 31 1.7 TENDÊNCIAS E PERSPECTIVAS ATUAIS DA GESTÃO HOSPITALAR............................................................................................................. 32 CAPITULO II - QUALIDADE E ESTRATÉGIAS NA GESTÃO HOSPITALAR............................................................................................................. 33 2.1 Administração Hospitalar: Uma Política Eficaz e de Qualidade .............. 33 2.1.1 A Terceirização dos Serviços Hospitalares.......................................... 35 2.1.2 Estratégias de Racionalização de Recursos nos Serviços .................. 36 CAPITULO III - FUNDAMENTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO ...... 37 3.1 LEGISLAÇÃO E BIOÉTICA NA SAÚDE ................................................. 39 3.2 ORGANIZAÇÃO DE SAÚDE COLETIVA................................................ 41 CAPITULO IV - GESTÃO OPERACIONAL E ADMINISTRATIVA ................ 44 4.1 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO E GERENCIAMENTO DE CONFLITOS............................................................................................................... 46 4.2 GESTÃO DE PESSOAS ......................................................................... 48 4.3 FARMÁCIA HOSPITALAR...................................................................... 49 4.4 GESTÃO DE SERVIÇOS DE ENFERMAGEM ....................................... 50 4.5 MEIO AMBIENTE E GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS EM SAÚDE ....................................................................................................................... 51 4.6 GASTRONOMIA HOSPITALAR.............................................................. 53 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................... 55 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS.............................................................. 56 INDICE.......................................................................................................... 58 FOLHA DE AVALIAÇÃO............................................................................... 59 59 FOLHA DE AVALIAÇÃO Nome da Instituição: UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES Título da Monografia: ATUAÇÃO DO GESTOR HOSPITALAR EM HOSPITAIS PUBLICOS DO BRASIL Autor: Julio Cezar Silva de Menezes Data da entrega: 25 de julho de 2008 Avaliado por: Conceito: