MELHORAMENTO DE PLANTAS 1. Teoria das Linhas Puras 2. Seleção em Plantas Autógamas Espécies autógamas • A autofecundação sucessiva leva a homozigose genótipo homozigótico - linhagem - ou mistura de linhas fenotipicamente semelhantes • A variabilidade genética ocorre devido à presença de diferentes genótipos homozigotos AA AA AA AA AA aa aa aa aa aa Fixação de caracteres genéticos Espécies autógamas • Os indivíduos transmitem o seu genótipo para os descendentes, quando totalmente endogâmicos • Nas espécies autógamas, os genótipos são fixados, e por isso são reproduzidos com precisão F= G + E1 + GE1 Genitor F= G + E2 + GE2 Descendentes • O agricultor poderá multiplicar sua própria semente Variabilidade nas Espécies Autógamas • Variedades muito antigas – Ação conjunta de: • Mutações naturais • Mistura mecânica de variedades • Cruzamentos naturais • Cultivares – São normalmente constituídas de um único genótipo, ou alguns poucos genótipos diferentes Simbologia utilizada na descrição de indivíduos, populações e famílias Parentais • Feminino e masculino Progênies (hibridação ou autofecundação) • FeS • O símbolo F: – Derivado da palavra Filial – Amplamente utilizado pelos melhoristas – Emprego em casos de hibridação entre duas linhagens, ou seja, quando a freqüência alélica nas gerações segregantes é igual a ½. • Plantas da geração F1, derivadas de cruzamentos simples ou biparentais, são homogêneas geneticamente • Geração F2 – Derivada do intercruzamento dos F1’s ou da autofecundação dos mesmos • Populações derivadas por sucessivas autofecundações estarão nas gerações Fn (F3, F4, F..., F∞) F2 colhidas individualmente • As famílias derivadas serão simbolizadas por F2:3 – o primeiro número do índice refere-se à geração da planta que originou a família e o segundo índice à geração utilizada para a sua avaliação. • Exemplo: uma população F2:n, corresponderá a avaliação de famílias derivadas de plantas F2 na geração n • O Símbolo S – duas opções S 0 = F1 S 0 = F2 S 1 = F2 S 1 = F3 S 2 = F3 S 2 = F4 S 3 = F4 S 3 = F5 Efeito da endogamia na constituição genética das populações segregantes • Com o decorrer das autofecundações a freqüência de homozigotos aumenta e a de heterozigotos diminui. – O número de plantas necessário para manter todos os alelos em homozigose diminui Seleção: prática antiga • Vilmorim (1843) • Demonstrou diferença nos efeitos da seleção em autógamas e alógamas • Efeitos da seleção: – Trigo • 4 variedades – Selecionou as melhores plantas por vários anos. Não observou nenhum ganho. – Beterraba açucareira • Seleção para maior teor de açúcar (1850 a 1862) • Final do século XIX, a seleção de linhas puras passou a ser um método organizado de melhoramento Teoria das linhas puras • Desenvolvida pelo botânico dinamarquês W.L. Johannsen em 1903, que conduziu uma série de experimentos com a variedade de feijão Princess W. L.Johannsen (1857 - 1927) www.wjc.ku.dk/wilhelm/ • Utilizou um lote de sementes de diferentes tamanhos no qual investigou o efeito da seleção sobre o peso médio das sementes das progênies Hipótese: diferenças de origem genética • Separou as sementes em dois grupos: – Sementes grandes – Sementes pequenas Feijão Var. Princess • Avaliou as progênies Sementes vários tamanhos • Sementes de vários tamanhos – 19 linhas (A a T) • Cada lote com peso médio característico – Linha mais pesada – sementes de maior peso médio – Linha mais leve – sementes de menor peso médio – Valores intermediários – se mantinham www.biologie.uni-hamburg.de/b-online/e13/13.htm Separação em grupos e análise por seis gerações Teoria das linhas puras de Johannsen www.mun.ca/biology/scarr/2900_Natural_Selecti... • Lote de sementes = mistura de linhas puras • Sementes de diversos tamanhos dentro da progênie – Variabilidade menor que o lote original • Hipótese: variabilidade não era de natureza genética Proporção de Indivíduos Homozigóticos • Após determinado número de gerações de autofecundação: Conclusão • Seleção dentro das linhas não produziu resultado – (indivíduos tinham o mesmo genótipo) • Porém, na população original a seleção foi eficiente Aspectos relevantes do trabalho de Johannsen Conceito de linha pura Populações de plantas: Variações hereditárias Variações não-hereditárias Seleção não cria variabilidade Seleção modifica o caráter da população subsequente Métodos de Melhoramento de Espécies Autógamas 1) Métodos para explorar a variabilidade genética existente nas populações – 1.1. Introdução de linhagens – 1.2. Seleção massal - caracteres de alta h2 – 1.3.Seleção de Plantas Individuais com teste de progênie (caracteres de alta e baixa h2 ) xxxxxxxxxx X População x x x X xxxxxxxxxx xxxxx Escolha de indivíduos Não há criação de novos genótipos 2) Métodos em que a variabilidade deve ser ampliada artificialmente 2.1. Método 2.2. Método 2.3. Método 2.4. Método da População (Bulk) do Genealógico (Pedigree) do SSD (Single Seed Descent) do Retrocruzamento (caracteres qualitativos) 1.1. Introdução de linhagens • Contribui efetivamente para a melhoria do potencial genético em uma dada região • Visualizada sob dois enfoques: – introdução de germoplasma para ser utilizado como fonte de variabilidade em hibridações; – uso direto em uma dada região. 1.1. Introdução de linhagens (cont.) • Procedimentos legais a serem seguidos na introdução – Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (CENARGEN) • Lei de Proteção de Cultivares Art. 10. Não fere o direito de propriedade sobre a cultivar protegida aquele que: Art. Art. 10. 10. Não Não fere fere oo direito direitode de propriedade propriedadesobre sobreaacultivar cultivarprotegida protegidaaquele aqueleque: que: I - reserva e planta sementes para uso próprio, em seu estabelecimento ou em estabelecimento de terceiros cuja posse detenha; II - usa ou vende como alimento ou matéria-prima o produto obtido do seu plantio, exceto para fins reprodutivos; III - utiliza a cultivar como fonte de variação no melhoramento genético ou na pesquisa científica; IV - sendo pequeno produtor rural, multiplica sementes, para doação ou troca, exclusivamente para outros pequenos produtores rurais, no âmbito de programas de financiamento ou de apoio a pequenos produtores rurais, conduzidos por órgãos públicos ou organizações não-governamentais, autorizados pelo Poder Público. O texto da Lei • LEI Nº 9.456, DE 25 DE ABRIL DE 1997 • Institui a Lei de Proteção de Cultivares e dá outras providências • http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis /L9456.htm Identificar fontes de germoplasma Ensaios preliminares Ensaios de rendimento Fonte de variabilidade Ensaios de adaptação Ensaios com repetição Valor de Cultivo e Uso (VCU) Registro da cultivar (MAPA) Esquema de condução de população introduzida 1.1. Introdução de linhagens (cont.) • O trabalho do melhorista, também nesse caso, é fundamental – Embora ele não tenha criado as linhagens, deve utilizar de suas habilidades para identificar aquelas que deverão ser recomendadas aos agricultores 1.2. Seleção Massal • Em algumas espécies autógamas, tais como arroz e feijão, muitos agricultores não possuem o hábito de adquirir sementes anualmente. • Nessa condição, é esperado que ocorra variabilidade dentro da “cultivar” em uso: – Variabilidade é devido a mistura mecânica de linhagens diferentes, cruzamentos e ocorrência de mutação 1.2. Seleção Massal (cont.) • Utiliza basicamente a habilidade dos melhoristas em, visualmente, identificar os indivíduos genotipicamente superiores • Eficiente para caracteres de alta herdabilidade – uma boa correspondência entre o fenótipo e o genótipo, ou seja, quando é pequena a influência do ambiente na manifestação do caráter. 1.2. Seleção Massal (cont.) • Progênies de muitas linhas puras são combinadas para formar uma nova cultivar • Hipótese: – Fenótipo ≡ Genótipo • Eficiente para caracteres qualitativos e de alta herdabilidade 1.2. Seleção Massal (cont.) • Para melhorar a eficiência do método, o melhorista pode ajustar a intensidade de seleção à herdabilidade do caráter • Indicado também para aqueles caracteres que são pouco influenciados pela densidade de semeadura – necessidade que as plantas sejam mais espaçadas para facilitar a seleção visual. Seleção Massal - Características: • Seleção de grande número de indivíduos da população – – – – – – – Pop. com significativo grau de homozigose Deve haver variabilidade Tamanho da população x variabilidade e recursos Seleção de indivíduos (espaçamento) Colheita das sementes Seleção de centenas de plantas As sementes das plantas selecionadas são colhidas e MISTURADAS (Ensaios comparativos) Seleção Massal • • • • A etapa de seleção pode ser repetida Pressão de seleção Uso mais limitado Duas importantes funções: – 1a – Seleção em variedades locais • Ex.: linhas precoces e tardias – 2a – Purificação de cvs existentes • Eliminação de mutantes, híbridos naturais e misturas varietais Considerações gerais Seleção massal envolve dois aspectos: A) Seleção de indivíduos • Seleção para um ou mais caracteres • Rápido e barato B) Amostragem das sementes • Sementes colhidas e misturadas • Plantio da proxima geração: amostra ou igual quantidade de sementes Vantagem • Rápido e barato para aumentar a frequência de genótipos desejáveis numa população Desvantagens • Somente em ambientes onde o caráter se expressa • A efetividade depende da h2 Esquema de condução de seleção massal Selecionam-se plantas com base em critérios visuais pré-determinados. As sementes são misturadas e semeadas para formar a população da geração seguinte NOVAS SELEÇÕES. REPETE-SE O PROCESSO As linhagens selecionadas poderão ser utilizadas individualmente para formar uma nova linhagem OU misturar todas as sementes para formar uma variedade com mistura de linhas puras 1.3. Seleção de plantas individuais com teste de progênie Seleção individual de plantas feita na população original, seguida da observação de suas descendências, para fins de avaliação Isolam-se os melhores genótipos já presentes na população heterogênea Nova variedade é constituída de uma única linha pura 1.3. Seleção de plantas individuais com teste de progênie (cont.) - TRÊS ETAPAS 1a ETAPA • Seleção grande número de indivíduos da população 2a ETAPA • Plantio das progênies de plantas individuais selecionadas • Em linhas ou pequenas parcelas individuais 3ª ETAPA • Experimentos com repetição 1ª Etapa Número de indivíduos selecionados depende: • Variabilidade • Disponibilidade de recursos físicos e financeiros • Selecão por indivíduo • Espaçamento • Colheita de sementes / 200 a 1000 plantas 2a ETAPA Estratégia 50% das sementes Semeadas (época) 50% das sementes Armazenadas (condições adequadas) 2a ETAPA Teste de progênie • Repetido por uma ou mais gerações • Pressão de seleção • Seleção de plantas das linhas: • Uniformidade + característica desejada Colheita das sementes 3a ETAPA Comparação Linhas entre si Linhas x cultivares Avaliar a capacidade produtiva e outros Demanda grande quantidade de sementes Experimentos em múltiplos locais e anos VCU Esquema da seleção de plantas individuais com teste de progênie