Área: Sócio-economia
CARACTERÍSTICAS DO CONSUMO DO FEIJÃO CAUPI (Vigna unguiculata) NAS
CIDADES DE CRATO E JUAZEIRO DO NORTE-CE
Renata Fernandes de Matos1; Edilza Maria Felipe Vásquez²; Antonio Esmael Silva de Oliveira³; José
Júlio Batista Brandão³; Abelardo de Andrade Arraes Neto³
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Graduanda em agronomia, Universidade Federal do Ceará, Bolsista Petrobrás. E-mail: [email protected].
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Professora adjunta II de Fitotecnia, UFC Campus Cariri.
³Alunos da Universidade Federal do Ceará, curso de agronomia.
Resumo – O feijão de corda (Vigna unguiculata) é um grão de grande consumo pela população do Norte e
Nordeste do país, estando presente na alimentação de grande parte da população. Como nos últimos anos vem
ocorrendo variações na sua produção e comercialização, o presente trabalho tem por objetivo avaliar o
comportamento atual do consumo do feijão caupi nas cidades Crato e Juazeiro do Norte-CE. Foram então
realizadas entrevistas em ruas, mercados e feiras das referidas cidades, a fim de identificar a posição dos
consumidores em relação à aquisição dos grãos. Os resultados revelam que a população das duas cidades são
grandes consumidoras, mas que enfrentam problemas quanto ao preço do produto e a sua qualidade.
Palavras-chave: demanda, preços, qualidade.
Introdução
O feijão caupi (Vigna unguiculata) fruto da planta do feijoeiro é disponibilizado aos consumidores em
forma de grãos, que nos últimos tempos tem demonstrado ser um produto de grande demanda.
Um dos grandes motivos que faz o feijão ser um produto de grande consumo é o fato deste representar
uma importante fonte de proteínas, calorias, vitaminas e minerais para a dieta básica da população de países
como África, Brasil e Índia (NG, 1990; PEDALINO et al). O consumo se dá sob a forma de grãos maduros e
verdes, sendo estes consumidos principalmente no período das chuvas, onde se tem uma maior oferta.
Por ser um alimento básico e de fácil aquisição pela população, é amplamente cultivado por produtores
das regiões Norte e Nordeste do país sendo, portanto a principal fonte de proteína vegetal para as populações
rurais (MELO ,2002). Bastante apreciado por seu sabor e cozimento mais fácil, é utilizado em pratos típicos da
região nordestina (Ferreira & Silva, 1987).
Os Estados brasileiros com maior consumo domiciliar per capita de feijão são Ceará e Piauí, onde se
consomem predominantemente o feijão caupi, encontrado principalmente nas populações rurais, fazendo deste
um produto de alto valor social e econômico.
Mediante o exposto, objetivou-se com esse trabalho avaliar as características do consumo do feijão
caupi nas cidades de Crato e Juazeiro do Norte-CE.
Material e Métodos
O presente trabalho foi realizado por meio da aplicação de questionários aos consumidores das cidades de
Crato e Juazeiro do Norte-CE. Ao todo foram realizadas 20 entrevistas, sendo 10 na cidade de Crato e 10 em
Juazeiro do Norte. Os mesmos constavam de perguntas objetivas e subjetivas, enfocando o consumo do feijão
caupi ao longo do último ano, o local de aquisição dos grãos, a frequência de consumo, o preço atual e a
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qualidade do mesmo. As pesquisas foram realizadas em ruas, feiras e mercados. Os dados foram tabulados no
Excel e transformados em gráficos para melhor visualização.
Resultados e Discussão
Ao serem realizadas as pesquisas vemos que os consumidores adquirem o feijão caupi em locais
variados. No Crato 60% dos entrevistados afirmaram que compram o feijão em mercadinhos, e 40% em
supermercados, não tendo nenhum dos entrevistados afirmado que o adquire em feiras. Esse fato ocorre porque
muitas pessoas preferem comprar o feijão em mercadinhos ou supermercados que fiquem perto de suas casas e
com isso não tenham que se deslocar até as feiras, mesmos que nestas possam encontrar o produto a um menor
preço.
Em Juazeiro do Norte foi observado um comportamento diferente, onde 40% adquire o feijão em
mercadinhos, 30% em supermercados e 30% em feiras. O que pode ser atribuído ao fato de na cidade de Juazeiro
do Norte se ter uma maior quantidade de feiras do que na cidade de Crato, estando estas em pontos espalhados
pela cidade, ficando assim mais próximas aos consumidores.
As cidades de Crato e Juazeiro do Norte-Ce apresentaram semelhante frequência de consumo de feijão
caupi. Ao observarmos a figura 1 vemos que nas duas cidades 20% dos entrevistados afirmaram que costumam
consumir o feijão uma vezes por semana, pois estes alegaram não ser este o feijão de sua preferência, optando
por outros tipos como o mulatinho (Phaseolus vulgares).
Figura 1. Consumo semanal de feijão caupi nas cidades de Crato e Juazeiro do Norte-CE.
O cunsumo duas vezes por semana foi indicado por 10% dos entrevistados, assim com o consumo 3
vezes por semana. Os quais apreciam o produto, mas no decorrer da semana intercalam seu consumo com outros
tipos de feijão ou passam aguns dias da semana sem consumi-lo.
O maior percentual foi identificado com relação a frequência de consumo diária, pois 60% dos
entrevistados afirmaram que consomem o feijão caupi todos os dias. O que mostra sua grande aceitabilidade pela
maior parte da população, fato esse que é comum nas regiões Norte e Nordeste do país. Isso se dá por esse
produto ser cultivado nessas regiões, o que torna o seu preço acessivel, além de apresentar bom sabor e
facilmente está disponível aos consumidores.
Em relação ao preço atual, 90% dos entrevistados das duas cidades afirmaram que o preço do feijão
caupi está muito alto, tendo ocorrido um aumento no decorrer do último ano, que foi o período em que diminuio
sua oferta. Os 10% restantes afirmaram que o preço está razoável, sendo um valor aceitável mediante as
condições que o produto enfrenta atualmente.
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Ao se procurar saber a opinião dos consumidores a respeito do preço a um ano atráz, no Crato 90% dos
entrevistados afirmaram que esteva um preço bom, o que foi afirmado por 60% dos entrevistados em Juazeiro do
Norte. Onde nesse período a população tinha um feijão de melhor qualidade a um menor custo.
Devido à oscilação do preço do feijão muitas pessoas modificam a frequência de consumo deste. Porém
nem sempre a diminuição do preço significa um aumento do consumo. Como mostra a figura 2, na cidade de
Crato 70% dos entrevistados afirmaram que se o feijão caupi fosse vendido a um menor preço estes aumentariam
o seu consumo, passando a consumi-lo mais vezes e em maior quantidade. Mas os 30% restantes afirmaram que
mesmo com o preço diminuindo o seu consumo não iria aumentar, pois afirmaram já estarem consumindo o
suficiente.
Figura 2. Aumento do consumo mediante a diminuição do preço.
Em Juazeiro do Norte 40% dos entrevistados afirmaram que aumentariam o consumo mediante a
diminuição do preço, e os 60% restantes afirmaram que não apresentariam um comportamento diferente ao atual
em relação a este consumo.
Tanto na cidade de Crato como em Juazeiro do Norte os consumidores afirmaram que o preço não é
uniforme, variando entre os estabelecimentos que o comercializam. Sendo a feira o local onde se pode encontrálo a um menor preço, e por isso alguns recorrem a esta. Já nos mercadinhos e supermercados ocorre grande
variação, podendo o quilo atualmente ser encontrado de R$6,50 até R$8,00.
Figura 3. Qualidade do feijão comercializado.
Como se pode observar na figura 3, quanto à qualidade do feijão 70% dos entrevistados do Crato e 60%
de Juazeiro do Norte afirmaram que o consumo do feijão aumenta quando se tem um produto de melhor
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qualidade disponível no mercado, o qual deve apresenta um sabor agradável, sendo um grão de boa aparência e
de bom cozimento. Já 30% dos entrevistados do Crato e 40% de Juazeiro do Norte afirmaram que a qualidade
não tem grande influência no seu consumo, pois devido à falta de chuvas nem sempre o feijão possui boa
aparência, sendo o preço o principal fator que condiciona o consumo.
Conclusões
Conclui-se que nas cidades de Crato e Juazeiro do Norte o feijão caupi é um produto de grande consumo
pela população, e que esse consumo tende a aumentar com a melhoria da qualidade e diminuição do preço.
Referências
FERREIRA, J.M. & SILVA, P.S.L. Produtividade de “feijão verde” e outras características de cultivares de
caupi. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.1, n.22, p.55-58, 1987.
MELO, R. F. de Interações rizóbio, fungo microrrizico e adubação com NPK em feijão de corda. 2002. 62 f.
Dissertação (Mestrado em Agronomia) – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2002.
PEDALINO, M. et al. The structure of cowpea (Vigna unguiculata L. Walp.) America seed storage proteins.
Seed Science Technology. v. 20, p. 223-231, 1992.
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