DRENAGEM ELETRO-OSMÓTICA DE UM RESÍDUO CAÚSTICO J. T. Araruna Jr. Departamento de Engenharia Civil, PUC - Rio L. F. S. Villar Departamento de Engenharia Civil, Universidade Federal de Minas Gerais T. M. P. de Campos Departamento de Engenharia Civil, PUC - Rio RESUMO: O presente trabalho apresenta os resultados de um programa de ensaios eletrocinéticos realizados em resíduo em forma de lama, proveniente do processamento da bauxita para obtenção da alumina. Constatou-se que as reações químicas decorrentes da aplicação prolongada de um potencial elétrico influenciam a magnitude do volume drenado e a eficiência da drenagem eletroosmótica e que a intensidade destas reações varia de acordo com o material empregado como eletrodo. floculantes, caso a taxa de adição seja inferior a 100 g/t. A drenagem eletro-osmótica torna-se atrativa em problemas geotécnicos que envolvam materiais de baixa permeabilidade. O uso da drenagem eletro-osmótica tem sido restrito à aplicações onde as técnicas convencionais são inadequadas ou em problemas em que o custo é um fator secundário, incluindo a estabilização de solos (Casagrande, 1983), barragens de rejeitos e, mais recentemente, a remoção de contaminantes de solos degradados (Segall and Bruel, 1992). No caso da disposição de rejeitos em barragens, a aplicação prolongada de corrente contínua resultará na variação de pH na solução que, por sua vez, poderá modificar o balanço das forças inter-partículas e do fluxo eletro-osmótico. Nesse sentido, o presente trabalho visa fornecer alguns dados acerca da influência de alguns fatores que afetam o fluxo eletro-osmótico em rejeitos de processamento de bauxita, incluindo: (1) a influência da diferença de potencial (d.d.p.) aplicada e (2) o material do eletrodo. As determinações das propriedades índice do rejeito foram realizadas no Laboratório de Geotecnia da Pontifícia Universidade Católica 1. INTRODUÇÃO Os rejeitos de processamento mineral são geralmente de difícil drenagem e disposição, e, em alguns casos, constituem não somente em uma perda importante de recursos naturais, como também riscos ambientais (Lockhart, 1983a). Os resíduos contendo fração argila são bastante comuns e geralmente formam uma estrutura caracterizada por poros de pequena dimensão e retém bastante água. Na redução do volume de resíduos dispostos sob a forma de lama, é conveniente empregar procedimentos simples e baratos, como a drenagem e a sedimentação. O processo de drenagem de sedimentos é influenciado pela dimensão e distribuição de seus poros. O fluxo hidráulico é mínimo para partículas e poros com dimensões coloidais (i.e., àqueles com dimensão entre 10-6 a 10-3 mm). Nestes casos, as taxas de drenagem e/ou sedimentação podem ser majoradas com a adição de floculantes. Tal adição, entretanto, acarreta além de custos adicionais, a modificação das propriedades do fluido drenado. Não obstante os impactos econômicos e ambientais, alguns autores, incluindo Lockhart (1983b), recomendam a adição de 251 O potencial zeta pode ser estimado através da seguinte equação (Mitchell 1993): do Rio de Janeiro (PUC-Rio) enquanto que os ensaios de eletrocinese foram realizados no Laboratório de Geotecnia Ambiental da Universidade Estadual do Norte Fluminese (UENF). ζ = σδ D (2) onde σ é a densidade de carga específica e δ (10 na Figura 1) é a distância entre a superfície da partícula e o centro do plano das cargas móveis. A vazão, q, é dada pela produto da velocidade de percolação com a área de vazios transversal à direção de fluxo, nA, onde n é a porosidade e A é a área transversal à direção de fluxo. Sendo assim: 2. ELETRO-OSMOSE Quando um potencial elétrico, ∆E (1 na Figura 1), é aplicado a uma massa de solo úmida, os cátions (2 na Figura 1) são atraídos ao catodo (4 na Figura 1) e os anions (3 na Figura 1) ao anodo (5 na Figura 1). À medida que os íons migram, eles carregam consigo a sua água de hidratação. Já que existe uma maior quantidade de cátions do que anions na camada dupla (6 na Figura 1), há um fluxo “líquido” (7 na Figura 1) em direção ao catodo. ζ D ∆E A q = vA = n η ∆L (3) A permeabilidade eletro-osmótica, ke, pode ser obtida através de uma analogia à Lei de Darcy: ke = (4) A Eq. (4) sugere que a permeabilidade eletro-osmótica independe da dimensão das partículas, em contraposição à condutividade hidráulica, que é função do quadrado do diâmetro das partículas. Mitchell (op. cit.) sugere que, devido a esta independência, o potencial elétrico é mais eficaz no transporte de fluidos em solos finos do que o potencial hidráulico. Por outro lado, o fluxo gerado pelo gradiente hidráulico está restrito à água contida nos poros, i.e. a água livre, conforme ilustra a Figura 2. Já o fluxo gerado pelo gradiente elétrico, além de carrear o fluido contido nos poros, também transporta a água de hidratação dos íons, segundo ilustra a Figura 1. A eficiência do fluxo eletro-osmótico pode ser avaliada em termos do volume de água drenada por unidade de carga transportada, ki (m3/A.h): Figura 1 – Fluxo eletro-osmótico (adaptado de Lee & Lee (1998) Segundo Mitchell (1993), o fluxo “líquido” é governado pelo balanço entre a força elétrica que causa a movimentação dos íons e suas águas hidratadas e a força de atrito entre os íons e suas águas hidratadas e a partícula de solo (8 na Figura 1). De acordo com a teoria de Helmholtz e Smoluchowski (circa 1914), a velocidade de percolação, v (9 na Figura1), pode ser expressa da seguinte forma: ζD ∆E v = η ∆L ζD = n ∆E × A η ∆L q (1) onde D é a constante dielétrica do fluido, η é a viscosidade e ∆E/∆L é o gradiente elétrico. O potencial zeta, ζ, é o potencial elétrico no plano de deslizamento eletrocinético, e depende da composição química das fases líquidas e sólidas (Eykholt & Daniel 1994). ki = 252 q I (6) onde I é a corrente elétrica (Mitchell 1993). O consumo elétrico, P (W), é dado por: P = ∆E × I = ∆E × q ki Já no anodo, a molécula de água é oxidada produzindo gás oxigênio: 2 H 2 O − 4e − → O2 ↑ +4 H + (7) (10) Caso se utilize anodos de ferro, a principal reação será a oxidação do ferro, que levará a sua dissolução de acordo com: Fe 0 → Fe 2+ ↓ +2e − (11) Os metais presentes na massa de solo podem se precipitar tanto como óxidos ou hidróxidos, ou como complexos de carbonatos ou fosfatos. O produto final da precipitação, por sua vez, dependerá dos constituintes químicos da água dos poros, do pH e da densidade de corrente. Figura 2 – Fluxo hidráulico (adaptado de Lee & Lee (1998) MATERIAIS E MÉTODOS O material usado no programa experimental, chamado lama neutralizada, é produto da adição de ácido sulfúrico à lama vermelha tradicional, que é como são conhecidos os resíduos resultantes do Sistema Bayer, usado para a obtenção da alumina das bauxitas. Neste Sistema, se faz uma digestão da bauxita com soda cáustica, o que faz com que as lamas vermelhas possuam um pH em torno de 13 a 14. O ácido sulfúrico, neste caso específico, é adicionado para reduzir este pH para em torno de 8 a 9, antes do resíduo ser lançado num reservatório. As características deste material estão descritas na Tabela 1. A célula consiste de uma base plástica confeccionada com PVC, 1 na Figura 4, a qual foi usinada para permitir a inserção dos anodos, 2 na Figura 4, e dos catodos, 3 na Figura 4. A quantidade de água extraída através do processo de eletrocinese é medida visualmente através de uma proveta graduada, 4 na Figura 4, ou automaticamente através de uma balança eletrônica, não indicada na Figura 4, que é conectada a um microcomputador. A base metálica ajustável, 6 na Figura 4, permite o acoplamento da proveta graduada ao prato da balança eletrônica. O ajuste é feito por intermédio das hastes rosqueáveis, 5 na Figura Já o consumo elétrico por unidade de volume (kW.h), é dado por: P ∆E × 10 −3 = q ki (8) A aplicação prolongada de um campo elétrico em uma massa de solo pode causar variações em seu estado e em suas propriedades, além da geração de fluxo. Estas variações podem ser benéficas, como o adensamento eletro-osmótico, ou nocivas como a decomposição dos eletrodos, já que o potencial elétrico age como uma bomba empurrando os elétrons para o catodo e removendo-os do anodo. Para manter a neutralidade elétrica, ocorrem reações de oxidação e redução no interior da massa de solo. No catodo, os íons ou moléculas recebem elétrons e são posteriormente reduzidos. Já no anodo, os eletrons são liberados dos íons e as moléculas são oxidadas. De acordo com Segal & Bruell (1992), a principal reação que ocorre no catodo é a produção de gás hidrogênio a partir da molécula de água: 2H 2O + 2e − → H 2 ↑ +2OH − (9) 253 4, que também possibilitam o nivelamento da célula. Tabela 1 – Características Neutralizada (Villar, 1990) Item Composição químicamineralógica Fe2O3 Al2O3 CaO SiO3 TiO2 Granulometria (sem adição de defloculante) Areia fina Silte Granulometria (com adição de defloculante) Areia fina Silte Argila Área superficial específica média Limites de Consistência (sem secagem ao ar) LL LP IP Densidade das partículas da modelo B374 foi empregado na determinação de pH. O critério usado para finalização do ensaio foi a constância nas leituras de corrente elétrica com o tempo. Lama Valor 49,5% 17,5% 9,5% 5% 3% 35% 65% 20% 55% 25% 34,5 m2/g Figura 4 – Diagrama esquemático da célula de eletro-osmose 60% 36% 24% 3,5 Os ensaios de eletrocinese foram realizados em uma célula desenvolvida por Araruna Jr. & Laurindo (1998), cujo diagrama esquemático está ilustrado na Figura 4. O procedimento de ensaio está descrito na Figura 5. Basicamente, em uma primeira fase permitia-se a drenagem de uma forma lenta e gradual da lama neutralizada. Esta fase prolongava-se até que não fosse constatada uma variação temporal do fluxo. O fluxo foi monitorado através da leitura do nível d’água em uma proveta graduada com resolução de 0,1 mL. A segunda fase consistia da aplicação de um potencial elétrico por intermédio de uma fonte Tektronix modelo PS 280. Durante a aplicação do potencial vários parâmetros foram monitorados, incluindo a corrente elétrica, o pH do efluente e o volume drenado. Um multímetro digital da Hewlett Packard modelo 34401A foi utilizado para monitorar a corrente elétrica, enquanto que um pHmetro Micronal Figura 5 – Procedimento de ensaio 254 na adjacências do catodo. Estas trincas apareciam concomitantemente com a produção de gases no anodo. Com o passar do tempo, apareciam também trincas circulares no anodo seguidas de trincas radiais que se iniciavam no anodo e progrediam na direção do catodo. A Eq. (10) indica que a molécula de água é oxidada no anodo, produzindo gás oxigênio e o cátion H+. Este cátion é carreado pela extrusão do fluido, majorando o pH da amostra no sentido do fluxo. A variação foi evidenciada no efluente, onde a concentração do ion H+ aumentou cerca de 30.000 vezes. As Figuras 6 e 7 ilustram a influência da aplicação do potencial elétrico na drenagem eletro-osmótica. Em termos gerais, quando se compara a magnitude do volume drenado observa-se que a magnitude do fluxo é proporcional à d.d.p. aplicada. O volume drenado é mínimo nos primeiros instantes, posto que é gerado pelo processo de drenagem natural, porém aumenta significativamente quando da aplicação da d.d.p. Com o decorrer do ensaio, há uma queda na umidade da lama neutralizada. Ao se aplicar a d.d.p., a corrente elétrica cresce drasticamente, conforme ilustra a Figura 7. Sua magnitude é proporcional a d.d.p. aplicada. À medida que o escoamento se processa, o rejeito vai perdendo umidade no sentido do fluxo, aumentando a sua resistência elétrica e, como conseqüência, a corrente decresce assimptoticamente. Em cada ensaio, foram determinadas variações de peso e umidade da amostra, numa tentativa de magnificar a importância da evaporação, como também da produção de gases devido a reações químicas nas vizinhanças dos eletrodos. 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES O programa consistiu de ensaios que visavam a avaliar a eficiência do potencial elétrico e do tipo de eletrodo na drenagem eletro-osmótica. Ao todo, foram realizados 5 ensaios, cujas características estão listadas na Tabela 2. A Tabela 2 indica que a perda de massa durante os ensaios realizados foi bem maior que a quantidade de fluido drenado. Os resultados indicam que a perda de massa foi devida não somente a extrusão do fluido pela aplicação do potencial elétrico, mas também devido a evaporação e produção de gases. A produção de gases foi evidenciada primeiramente no anodo e, com o passar do tempo, no catodo. A quarta e a quinta colunas da Tabela 2 listam a perda de umidade da amostra nas vizinhanças do catodo e anodo, respectivamente. Os resultados não surpreenderam pois a máxima perda de umidade ocorre sempre na direção contrária ao fluxo. À medida que se processava a drenagem eletro-osmótica, trincas circulares se formavam Tabela 2 – Características dos Ensaios Ensaio Eletrodo Perda de Perda de umidade Perda de massa catodo umidade anodo (g) (%) (%) 1 0V 60 37,55 1V-5V Ferro 91 57,73 66,93 2 20V Ferro 90 58,47 98,50 20V Cobre2 91 56,73 88,93 2 20V Grafite 99 55,66 88,27 Volume drenado (mL) 1,1 5,8 26,5 20,3 18,2 pH pH inicial final 9,0 9,0 9,0 9,0 9,0 9,0 13,5 13,5 13,6 13,9 1 – neste ensaio a variação de umidade é um valor médio, obtido pela média dos valores de três determinações em pontos diversos da amostra 2 – os eletrodos de ferro e cobre utilizados foram eletrodos empregados em processo de soldagem, enquanto que os eletrodos de grafite foram obtidos de pilhas AA. 255 25 20 15 ki (m3/A.h) volume drenado (mL) 30 5V 10 1V 5 0 0 10 20 30 40 50 60 0,0004 0,00035 0,0003 0,00025 0,0002 0,00015 0,0001 0,00005 0 tempo (h) 0V 0 1a5V consumo (kW.h) corrente (mA) 400 300 5V 1V 100 0 20 30 40 50 60 25 30 20V 1000 900 800 700 600 500 400 300 200 100 0 0 tempo (h) 1a5V 20 Figura 8 – Volume de água drenada por unidade de carga transportada 500 10 15 5V 600 0 10 tempo (h) Figura 6 – Influência da d.d.p. na drenagem eletro-osmótica 200 5 20 V 5 10 15 20 25 30 tempo (h) 20 V Figura 7 – Corrente gerada durante a drenagem eletro-osmótica 5V 20 V Figura 9 – Consumo elétrico por unidade de volume A influência da magnitude do potencial elétrico aplicado é melhor evidenciada através das Figuras 8 e 9. Na Figura 8, observa-se que o volume de água drenada por unidade de carga transportada para o ensaio onde foi aplicado uma d.d.p. de 5V é superior no início do ensaio. Contudo à medida que a umidade do amostra decresce nas proximidades do anodo, este valor passa a ser inferior ao ensaio onde foi aplicado uma d.d.p. de 20V. Estes resultados sugerem que a aplicação de um menor potencial pode levar a uma melhor eficiência do processo nos instantes iniciais. Porém, à proporção que há uma maior perda de umidade na região dos anodos, é necessário que se aplique um maior potencial para majorar a eficiência do processo. Os resultados apresentados na Figura 9 corroboram com esta afirmativa. Observa-se que, nos instante iniciais, o consumo elétrico por unidade de volume é menor no ensaio onde foi aplicado uma d.d.p. de 5 V. Contudo, a partir de um certo instante, o consumo cresce significativamente até atingir um valor superior ao consumo para o ensaio de 20 V. O material do eletrodo influencia as reações químicas no processo de eletro-osmose. As reações de oxidação, dissociação e precipitação que ocorrem nos anodos afetam a eficiência do processo. A influência dos anodos de grafite, cobre e ferro foram comparadas com base no volume drenado, na corrente gerada, quantidade de água drenada por unidade de carga transportada e no consumo elétrico por unidade de volume, para um potencial de 20 V. As Figuras 10 a 13 apresentam os resultados. A Figura 10 mostra que o maior volume drenado foi obtido através da utilização de anodos de ferro. Os anodos de cobre e grafite apresentaram resultados semelhantes. Constatou-se que os anodos de ferro foram os que apresentaram menor grau de alteração, seguido dos anodos de cobre e de grafite. Nos anodos de grafite, as reações químicas foram mais intensas, resultando em 1) uma dissolução parcial dos anodos, 2) uma mudança na coloração e 3) em enrijecimento do rejeito nas imediações dos anodos. 256 grafite suplanta o de cobre. É neste instante que ocorrem as reações químicas nos anodos de grafite. Os resultados revelam ainda que o ensaio realizado com anodos de ferro foi o que apresentou menor consumo elétrico. volume drenado (mL) 30 25 20 15 10 5 0 5 10 15 20 25 30 corrente (A) 0 tempo (min) cobre ferro grafite Figura 10 – Influência do material do anodo na drenagem eletro-osmótica Os resultados revelaram, de uma maneira geral, que as reações químicas influenciaram na magnitude do volume drenado e que, quanto maior a intensidade das reações, menor a eficiência da drenagem eletro-osmótica. A Figura 11 apresenta a evolução da magnitude da corrente elétrica durante a drenagem eletro-osmótica. A corrente cresce significativamente até atingir um valor de pico. É neste instante que começam a aparecer trincas radiais nos anodos. À medida que o rejeito perde umidade, a corrente elétrica decresce até atingir um valor assimptótico. A Figura 12 apresenta a eficiência do processo eletro-osmótico para os diversos materiais. Observa-se que o volume de água drenada por unidade de carga transportada é maior nos instantes iniciais para o anodo de grafite. Contudo, à medida que as reações químicas se intensificam, a eficiência do grafite decresce. Já para o ensaio realizado com anodos de ferro, percebe-se uma menor eficiência em relação ao grafite nos instantes iniciais, contudo no decorrer do ensaio, a eficiência vai aumentando, até que supera os demais materiais. O volume de água drenada por unidade de carga transportada para o ensaio com anodos de cobre é menor, quando comparado com os outros materiais, nos instantes iniciais da drenagem eletro-osmótica. No entanto, no decorrer do ensaio, a eficiência do cobre suplanta a do grafite, ficando, contudo, menor que a do ferro. Por outro lado, o ensaio com eletrodos de cobre é o que apresenta o maior consumo elétrico por unidade de volume nos instantes iniciais, conforme ilustra a Figura 13. À proporção que a drenagem eletro-osmótica evolui, o consumo do ensaio com anodos de 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 0 5 10 15 20 25 30 tempo (h) ferro cobre grafite ki (m3/A.h) Figura 11 – Corrente gerada para anodos de ferro, cobre e grafite durante a drenagem eletro-osmótica 0,00009 0,00008 0,00007 0,00006 0,00005 0,00004 0,00003 0,00002 0,00001 0 0 5 10 15 20 25 tempo ferro cobre grafite Figura 12 – Volume de água drenada por unidade de carga transportada para diversos materiais consumo (kW.h) 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 0 5 10 15 20 25 tempo (h) ferro cobre grafite Figura 13 - Consumo elétrico por unidade de volume para anodos de cobre, grafite e ferro Os resultados apresentados nas Figuras 12 e 13 revelam que há uma correlação entre a eficiência da drenagem eletro-osmótica e as reações químicas. Constatou-se que o material 257 da eletrocinese. II Encontro de Geotecnia e Meio Ambiente. Rio Claro, São Paulo, 19 e 20 de novembro. Casagrande, L. (1983). 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Análise do Comportamento de Resíduos Industrias de Bauxita: Desenvolvimento de Facilidades Experimentais de Campo e Laboratório. Diss. Mestrado – D.E.C. PUC – Rio. que apresentou o menor consumo elétrico e a maior quantidade de água drenada por unidade de carga transportada foi o que apresentou maior resistência ao ataque químico. 5. CONCLUSÕES Os resultados dos ensaios de eletrocinese realizados em uma lama neutralizada proveniente da obtenção de alumina da bauxita revelaram que as reações químicas influenciaram na magnitude do volume drenado e na eficiência da drenagem eletroosmótica. De uma maneira geral, quanto maior a intensidade das reações, menor a eficiência e a magnitude da drenagem eletro-osmótica. Observou-se ainda que a intensidade das reações químicas varia para diferente tipos de materiais. Constatou-se que os anodos de grafite obtidos de pilhas AA foram os mais atacados, e por conseguinte, o ensaio que empregou este material foi o que apresentou menor eficiência e maior consumo elétrico. Já os anodos de ferro foram os que apresentaram menor grau de alteração e por conseguinte apresentaram uma maior eficiência e menor consumo elétrico. 6. REFERÊNCIAS Araruna Jr., J.T. e Laurindo, A.L.P. (1998). Desenvolvimento de uma célula para o estudo de descontaminação de solos através 258