2º Ciclo em Gestão Desportiva Organização de Eventos Desportivos – UEFA Futsal Cup Finals 2015 Relatório de Estágio Profissionalizante no Departamento de Futsal do Sporting Clube de Portugal Porto Relatório de Estágio apresentado com vista à obtenção de grau de Mestre (Decreto-Lei nº 74/2006, de 24 de Março) em Ciências do Desporto – Área de especialização em Gestão Desportiva Orientador de Estágio: Dr. Miguel Albuquerque Supervisor: Professor Doutor José Pedro Sarmento de Rebocho Lopes Autora: Rita Joana Dias Pereira Porto, Setembro de 2015 I PEREIRA, R. (2015). Organização de Eventos Desportivos - UEFA FUTSAL CUP FINALS 2015. Lisboa: R. Pereira. Relatório de estágio profissionalizante para obtenção de grau de Mestre em Gestão Desportiva, apresentado na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Palavras-chave: UEFA FUTSAL CUP 2015, EVENTO DESPORTIVO, GESTÃO DESPORTIVA, FUTSAL, OPERAÇÕES ORGANIZATIVAS. II Para os meus pais, Paula e José. III IV Agradecimentos Ao Professor Dr. Pedro Sarmento, pela disponibilidade e prontidão concedidas na supervisão do meu estágio. Ao Dr. Miguel Albuquerque, Diretor do Departamento de Futsal do Sporting Clube de Portugal e orientador do estágio profissionalizante, a oportunidade concedida e a forma integradora com que fui recebida na instituição. Aos meus pais, que me elevam diariamente para o sucesso, dando incondicional apoio, encorajamento e dedicação, ao longo das barreiras que vou transpondo durante a vida. Ao Rapahel, que partilhou as minhas conquistas com o mesmo entusiasmo e alegria, por renovar as minhas forças, diariamente, até à meta. À equipa técnica do futsal sénior do Sporting, aos seccionistas e colaboradores do departamento, em especial ao Tiago Galhano, ao David Braga, ao José Almeida, ao Sr. Fernando Cunha, ao Sr. Manuel Luís Lopes e ao Sr. Francisco Barroqueiro, a partilha do vosso saber, a hospitalidade e a gentileza diárias. À Inês Caetano, à Rita Matos, ao João Botas e à Rosa Duarte, o exemplo de profissionalismo e a integração que me proporcionaram. Aos muitos profissionais, hoje colegas e amigos, com quem privei durante o trajeto no Sporting. A todos, muito obrigada! V VI Índice geral Agradecimentos ....................................................................................................................... V Índice de figuras ...................................................................................................................... XI Índice de quadros ................................................................................................................. XIII Índice de anexos .................................................................................................................... XV Resumo................................................................................................................................... XVII Abstract .................................................................................................................................... XIX Abreviaturas e siglas ........................................................................................................... XXI Introdução .............................................................................................................................. XXII CAPÍTULO I - Enquadramento da prática profissional ................................................. 1 1. O desporto: desenvolvimento e mudança. ................................................................. 2 1.1. O evento desportivo no enquadramento das tendências contemporâneas da gestão desportiva ....................................................................................... 6 1.2. As tipologias de eventos .......................................................................... 8 1.3. Etapas ou fases de um evento ............................................................... 10 1.4. A importância do Dossiê de Candidatura nos eventos ........................... 12 1.5. As operações de um evento desportivo ................................................. 13 1.6. As operações organizativas ................................................................... 14 1.6.1. Os transportes ................................................................................. 14 1.6.2. A alimentação .................................................................................. 15 1.6.3. O alojamento .................................................................................... 15 1.6.4. A acreditação ................................................................................... 15 1.6.5. Os equipamentos desportivos .......................................................... 16 1.6.6. A competição ................................................................................... 16 1.6.7. A segurança ..................................................................................... 17 1.6.8. A assistência médica ....................................................................... 17 1.6.9. A hospitalidade ................................................................................ 18 1.6.10. O protocolo .................................................................................... 19 1.6.11. O voluntariado ................................................................................ 19 1.6.12. A gestão de recursos humanos ..................................................... 20 VII 2. O Futsal como evento desportivo ................................................................................ 21 2.1. Breve história do Futsal ......................................................................... 22 2.2. O Futsal na atualidade ........................................................................... 23 3. Perfil e competências do gestor desportivo .............................................................. 27 CAPÍTULO II - A realização da prática profissional .................................................... 33 1. Conceção ............................................................................................................................ 34 1.1. Caracterização da entidade hospedeira ................................................. 36 1.1.1. O departamento de Futsal ............................................................... 38 1.2. Competências funcionais atribuídas e definição do plano de ação ........ 43 1.3. Problemas em estudo nas áreas de desempenho definidas. ................. 43 1.4. A metodologia de apresentação dos dados e do relatório ..................... 44 2. Atividades desenvolvidas durante o estágio profissionalizante ......................... 46 2.1. Tarefas correntes ................................................................................... 46 2.2. Divulgação ............................................................................................. 48 2.2.1. Divulgação EB.1 Maria Lamas - Odivelas ........................................ 48 2.2.2. Divulgação EB. 2,3 Moinhos da Arroja – Odivelas ........................... 49 2.2.3. Divulgação Escola Secundária da Ramada – Odivelas ................... 49 2.2.4. Divulgação Escola Secundária Pedro Alexandrino – Póvoa de Santo Adrião......................................................................................................... 50 2.3. UEFA FUTSAL CUP .............................................................................. 51 2.3.1. A candidatura ................................................................................... 51 2.3.2. Descrição geral do evento ............................................................... 54 2.3.3. Organização geral ............................................................................ 55 2.4. Apresentação de dados da prática......................................................... 60 2.4.1. As operações organizativas do evento ............................................ 60 2.4.1.1. Os transportes ........................................................................................................ 61 2.4.1.2. A alimentação ......................................................................................................... 63 2.4.1.3. O alojamento ........................................................................................................... 65 2.4.1.4. A acreditação .......................................................................................................... 66 2.4.1.5. Os equipamentos desportivos ........................................................................... 68 2.4.1.6. A competição ........................................................................................................... 71 2.4.1.7. A segurança............................................................................................................. 77 VIII 2.4.1.8. A assistência médica ............................................................................................ 78 2.4.1.9. A hospitalidade ....................................................................................................... 79 2.4.1.10. O Protocolo............................................................................................................ 80 2.4.1.11. O voluntariado ...................................................................................................... 82 2.4.1.12. Gestão de recursos humanos.......................................................................... 83 2.4.1.13. Media ....................................................................................................................... 83 2.4.1.14. Marketing e Bilhética .......................................................................................... 84 2.4.1.15. Gestão de Concessões ..................................................................................... 87 2.4.1.16. Controlo Antidoping ............................................................................................ 87 2.5. Resultados e próxima edição ................................................................. 89 2.6. Atividades de formação frequentadas .................................................... 91 2.7. Avaliação e controlo do trabalho desenvolvido ...................................... 94 Síntese reflexiva..................................................................................................................... 96 Bibliografia ............................................................................................................................. 101 Webgrafia ............................................................................................................................... 104 ANEXOS................................................................................................................................. 105 IX X Índice de figuras Figura 1 – A imagem de marca de um evento 7 Figura 2 – Campanhas de divulgação 7 Figura 3 – Etapas de um evento 12 Figura 4 – Campanhas de divulgação no Desporto Escolar 25 Figura 5 – Competências e dimensões do evento 28 Figura 6 – Congresso Football Talks 2015 91 XI XII Índice de quadros Quadro 1 – Plano estratégico de Futsal 26 Quadro 2 – Carga horária do estágio 35 Quadro 3 – Tarefas realizadas durante o estágio 46 Quadro 4 – Formulário de candidatura à UEFA Futsal Cup 51 Quadro 5 – Itinerários UEFA Futsal Cup 2015 62 Quadro 6 – Sistema de acreditação do evento 66 Quadro 7 – Acreditação por áreas 68 Quadro 8 – Calendarização da próxima edição 90 XIII XIV Índice de anexos Anexo I – Constituição do Conselho Leonino do SCP I Anexo II – Funções dos Órgãos Sociais II Anexo III – Departamento de Futsal do SCP III Anexo IV – “Diário de bordo” IV Anexo V – Campanha de divulgação na EB.1 Maria Lamas V Anexo VI – Campanha de divulgação na EB. 2,3 Moinhos da Arroja VI Anexo VII – Campanha de divulgação na Escola Secundária da VII Ramada Anexo VIII – Campanha de divulgação na Escola Secundária Pedro VIII Alexandrino Anexo IX – Business Model Canvas: UEFA Futsal Cup Finals 2015 Anexo X – Diagnóstico estratégico: Análise SWOT UEFA Futsal Cup IX X Finals 2015 Anexo XI – Elemento da frota automóvel atribuído XI Anexo XII – Mapa de voos XII Anexo XIII – Calendarização das refeições das equipas XIII Anexo XIV – Ementa dos atletas durante a competição XIV Anexo XV – Centro de acreditação XV Anexo XVI – Sistema de acreditação XVI Anexo XVII – Instalação Desportiva: Meo Arena XVII Anexo XVIII – Calendário de treinos UEFA Futsal Cup 2015 XVIII Anexo XIX – Kits de jogo XIX XV Anexo XX – Equipas da competição XXI Anexo XXI – Fanzone XXII Anexo XXII – Convite UEFA Futsal Cup aos ex-dirigentes XXIII Anexo XXIII – Relação de voluntários participantes no torneio XXIV Anexo XXIV – Bilhética XXV Anexo XXV – Publicidade XXVI Anexo XXVI – Exemplo Activity Plan XXVII Anexo XXVII – Listagem de contactos LOC e UEFA XXVIII Anexo XXVIII – Carta emitida pelo Presidente da UEFA Michel Platini XXIX Anexo XXIX – Ficha Press da Jornada 25 XXX Anexo XXX – Fotografia UEFA e LOC UEFA Futsal Cup Finals 2015 XXXI XVI Resumo Este relatório de estágio profissionalizante, realizado no Departamento de Futsal do Sporting Clube de Portugal, centra-se na organização do evento internacional UEFA Futsal Cup 2015, que decorreu em Lisboa, entre os dias 24 e 26 de Abril, e relata a minha participação na estrutura organizativa desse acontecimento. Ao longo do relatório são identificados e analisados os processos de aprendizagem, como participante e/ou observadora, que contribuíram para a aquisição e reforço de competências pessoais na área da gestão desportiva. Dentro de um quadro concetual que relaciona as operações implícitas na gestão de um evento com as competências desejáveis no perfil de um gestor, procedo à análise crítica do meu desempenho profissional e da multiplicidade de aspetos a observar para o sucesso de uma competição. Em suma, o futsal como modalidade em grande crescimento e a expansão da área da gestão de eventos permitem afirmar da necessidade de formação específica de gestores de desporto. Estes profissionais, numa perspetiva contemporânea, devem ser eficazes na criação desportiva, nas múltiplas operações que envolve, na satisfação dos consumidores finais e na ligação entre todas as partes. Palavras-chave: UEFA FUTSAL CUP 2015, EVENTO DESPORTIVO, GESTÃO DESPORTIVA, FUTSAL, OPERAÇÕES ORGANIZATIVAS. XVII XVIII Abstract This report of professional training, done at the Futsal Department of Sporting Clube de Portugal, focus itself on the organization of the international event UEFA Futsal Cup 2015, which took place in Lisbon, from 24th to 26th April, and reports my participation at the organizing structure of that event. Throughout this report, the learning processes are identified and analyzed as a participant and/or an observer, which have contributed to the acquisition and reinforcement of my personal skills in the area of sports management. Within a conceptual framework that relates the implicit operations at an event management with the desirable skills at a manager profile, I’ll make a critical analysis of my professional performance and of the various aspects that lead to the success of a competition. All in all, futsal as a growing sport and the expansion of events management state the need to the specific qualification as a sports manager. These professionals, in a contemporary perspective, should be effective in sports development, in the multiple tasks it involves, in the final consumers satisfaction and in the connection between all parts. Keywords: UEFA FUTSAL CUP 2015, SPORTS EVENT, MANAGEMENT, FUTSAL, ORGANIZATIONAL OPERATIONS. XIX SPORTS XX Abreviaturas e siglas CCE Centro de Congressos do Estoril CML Câmara Municipal de Lisboa DCLO Doping Control Liaison Officer DVD Digital Versatile Disc FADEUP Faculdade Desporto Universidade do Porto FCB Futebol Clube de Barcelona FIFPro Fédération Internationale des Associations de Footballeurs Professionnels FPF Federação Portuguesa de Futebol FPF Federação Portuguesa de Futebol GD Gestão Desportiva GOA Grupo Organizado de Adeptos LOC Local Organizing Committee RLO Referee Liaison Officer RTP Radiotelevisão Portuguesa s.d. sem data SCP Sporting Clube de Portugal SLO Supporters Liaison Officer SWOT Strengths, Weakness, Opportunities, Threats TLO Team Liaison Officer TSF Telefonia Sem Fios UEFA Union of European Football Associations VIP Very Important Person VVIP Very Very Important Person XXI XXII Introdução Nas sociedades atuais a única certeza é a de permanente mudança e, associada a ela, o desígnio humano de constante adaptação. Se até há alguns anos atrás essa mudança decorria com ritmos muito diferenciados, variando de hemisfério para hemisfério e dos centros para as periferias, hoje, apesar das variantes, tende a tornar-se à escala global. Apesar de o conceito de globalização ser associado preferencialmente à economia, tema tão atual nos estudos sociais e humanos, não deve ancorar-se exclusivamente nessas dimensões. Os avanços dos meios de informação e comunicação e as vantagens daí resultantes amplificaram a intensidade, a rapidez, e as relações entre as pessoas. O tempo e o espaço deixaram de ser barreiras e assumiram novas conceções. A informação e o volume de dados crescem exponencialmente em todas as áreas. O conhecimento democratizou-se e as redes sociais criaram e aumentaram novas formas de comunicar em tempo real. Aprender já não se resume à tradicional / apropriação de conhecimentos escolares rígidos ou à sabedoria livresca. As novas competências para o século XXI anunciam cidadãos com capacidade de adaptação, criativos e empreendedores. conhecimentos, Homens com e espírito mulheres crítico, capazes de competentes redirecionar para os acederem autonomamente à informação, independentemente da fonte e dos processos de codificação. O âmbito e o significado da aprendizagem transformaram-se. O saber é hoje entendido numa perspetiva de competência, num saber fazer que implica a prática, a produção, o fabrico de um objeto de conhecimento e este torna-se uma construção. Nos dias que correm, o desporto tornou-se num fenómeno quotidiano e tema de debate entre académicos que se interessam pelos aspetos que o envolvem. Independentemente da modalidade ou do posicionamento do indivíduo face ao desporto, como praticante ou mero consumidor de eventos XXIII desportivos, é consensual considerar que tudo está num processo de transformação. O negócio, a educação para a saúde, as tecnologias, os costumes, a qualidade de vida são as tendências que influenciam o desporto na atualidade. Como se pode inferir, os operadores que gravitam em torno do evento desportivo adaptaram-no às exigências sociais contemporâneas. A qualidade dos recursos humanos, as técnicas de gestão, os recursos financeiros e materiais, o envolvimento social e o marketing são os elementos da construção de um produto desportivo concreto, direcionado, contextualizado e sustentável. É baseado nestes pressupostos que assento o meu relatório de estágio. Para levar a cabo esta tarefa organizei o trabalho em moldes que me permitissem não só descrever as tarefas e atividades, mas também refletir sobre as novas aprendizagens. No primeiro capítulo faço uma abordagem conceptual aos temas centrais que nortearam a minha atividade prática. Apresento o evento desportivo como uma realidade complexa, de várias tipologias, onde se cruzam operadores e interesses; explano sobre as partes de um evento e apresento um quadro concetual analítico sobre as esferas da minha intervenção na organização da UEFA FUTSAL CUP 2015, que decorreu em Lisboa nos dias 24 e 26 de abril. O crescimento do futsal como modalidade, que se expressa não só com o aumento do número de praticantes federados mas, também, através de um aumento de audiências e espectadores consumidores, é uma evidência a que dou relevo. Destacando a importância do futsal na atualidade, que recorre a planos estratégicos e a avultados investimentos, realço a necessidade da criação de um perfil de gestão capacitado para realizar eventos de grande projeção nacional e internacional com sucesso expectável. Baseado nas premissas de Manfredi (1998) e Arroia (2014) defini um referencial de competências que serviu de grelha de interpretação e análise do meu trabalho. Esse referencial divide as competências centrais de um gestor nas áreas técnicas, de cidadania e comportamentais. E estas, por sua vez, XXIV desdobram-se em competências específicas ou indicadores de eficácia que avaliam o desempenho. No segundo capítulo descrevo a realização da minha prática. Começo por caracterizar, em traços gerais, a instituição que me acolheu fazendo referência à história, aos recursos físicos, humanos e logísticos. Em consonância com as competências funcionais que me foram atribuídas, enuncio o plano de ação previsto para este estágio. Esse plano multifacetado resultou num trabalho de apoio administrativo, na realização de atividades de divulgação do clube e de promoção da modalidade, com alunos de escolas da região de Lisboa, e, finalmente, na inclusão na equipa organizativa da UEFA Futsal Cup 2015. Esta última vertente será a parte central do relatório. Recorrendo a uma descrição detalhada, apresento dados que enquadram a prática em diversas operações de gestão. Estabelecendo uma relação entre as atividades desenvolvidas, quer como observadora, quer como participante, e o quadro de competências do referencial descrito, procedo a uma análise crítica do meu desempenho e do sucesso da competição em que participei. Por fim, concluo, sobre as experiências e aprendizagens realizadas durante as diferentes fases; apresento a minha perspetiva sobre o desenvolvimento do futsal como modalidade de impacto mediático, de envolvimento social e económico; reflito sobre a gestão desportiva como um campo de trabalho emergente requerendo competências, visão e saber, adaptados à pós-modernidade e à velocidade de construção e reconstrução do progresso social e humano no novo milénio. XXV XXVI CAPÍTULO I Enquadramento da prática profissional 1 2 1. O desporto: desenvolvimento e mudança. As sociedades pós-modernas têm vindo a caracterizar-se por uma profunda alteração civilizacional e, concomitantemente, a forma como o homem se posiciona no conjunto das relações sociais. O conceito de estrutura social e ação humana transformaram-se nas últimas décadas num novo modelo civilizacional pautado pela globalização e pela descentração das competências humanas, que obriga a repensar as prioridades em novas perspetivas, numa vertente crítica, baseada numa estrutura em rede que altera a importância do local e do individual. O impacto dos media e das tecnologias de comunicação abriu novos horizontes que representam, por certo, um avanço na compreensão da mudança social contemporânea, apelidada por Castelle (apud Giddens, 2013) de “economia de rede”, em que se exige reflexividade (Giddens, 2013), fazendo emergir uma política social caracterizada pelo risco (Beck, 1995). Segundo este autor, um dos aspetos importantes da sociedade do risco é que os perigos, de natureza social e ecológica (as guerras, a poluição, o terrorismo) não conhecem fronteiras nem obstáculos incapazes de ser ultrapassados. Esta teoria do cosmopolitismo entende por globalização o facto de vivermos, cada vez mais, num “único mundo, na medida em que os indivíduos, os grupos e as nações estão a tornar-se cada vez mais interdependentes” (Giddens, 2000 e 2013). Falar de globalização implica forçosamente falarmos, não só de aspetos sociais e económicos, mas na génese de um pensamento que não compreende fronteiras, religiões, políticas, nem negócios per se. A globalização contemporânea ocorre através da conjugação e priorização de fatores de natureza política social, cultural e económica. Neste contexto, tomam posição prioritária a emergência das tecnologias de informação e comunicação, o fluxo da informação e o ressurgir de um capital humano capaz de se adaptar às novas condições e prospetavas, nas quais o conhecimento e a criatividade são vetores fundamentais. 3 Os modelos políticos e sociológicos gerados durante o século XX já não são apropriados para enfrentar os novos desafios que a globalização criou. Reafirmar uma nova perspetiva social e individual, neste mundo em mudança, prevê-se ser um dos maiores desafios do século XXI (Giddens, 2013). O desporto, tal como quaisquer outras manifestações humanas, é um fenómeno transversal, e desenvolve-se em todos os contextos sociais, independentemente das formas que assuma. É um processo social, que comporta desenvolvimento e mudança, portanto, confronta-se com os processos de globalização atrás descritos. Deste modo, a visão que se vai construindo da atividade desportiva, nas vertentes de recreação, de incremento da saúde, do amadorismo / profissionalismo, é cada vez mais entendida como um fator de promoção do esforço pessoal e coletivo, representativo da capacidade humana de provocar transformação. Quanto ao desporto, enquanto espetáculo, este tornou-se uma forma de linguagem, que deve ter em consideração objetivos e propósitos comuns, entendidos por todos como promotores de boas práticas, de forma global. A transformação social operada é, principalmente, representada pela democraticidade do acesso às práticas desportivas e ao seu consumo, enquanto espetáculo e, ainda, na ligação / união entre povos, políticas e religiões. A globalização, neste particular é um agente de mutação no código de conduta, unindo povos e pessoas, libertando-as de estigmas diferenciadores. O desporto pode ser um agente construtivo na globalidade civilizacional, proclamando uma sociedade mais justa, criativa e igualitária. Se o progresso da humanidade é um processo complexo, na busca do desenvolvimento social, também no desporto, a procura da mudança se defronta com múltiplas variáveis correlacionadas entre si. As aspirações dos consumidores, bem como a superação dos seus praticantes exigem, aos promotores e líderes institucionais, renovadas políticas de desenvolvimento de modo a adaptarem-se às várias componentes de mudança e a um desenvolvimento sustentável e global. 4 Os pressupostos apresentados por Paz (1977) e Pires (2007) – fatores do desenvolvimento desportivo – alertam-nos para o facto de que a mera articulação desses fatores não são por si próprios, geradores de novas políticas. A construção do futuro, com vista à mudança, requer uma cuidada organização e mapeamento desses fatores. Para tal, é necessário compreender a sua variabilidade, aleatoriedade e interação, no espaço, no tempo e, ainda entre intervenientes, não esquecendo os indicadores com que se realizam e monitorizam as operações. Os operadores de mudança no Desporto, tal como são identificados em Lição de Síntese1 (Sarmento, 2010), são catalisadores de qualquer projeto de desenvolvimento desportivo, sendo partes, que numa articulação sem hierarquias darão forma a um todo: os recursos humanos, os recursos materiais, os meios financeiros, as técnicas de gestão, as ferramentas operacionais e os valores éticos dos intervenientes. Nesta lógica, o desporto tal como é concebido, prevê, numa perspetiva crítica, reelaborar o seu modus operandi e inferir na cultura em mudança, a sua própria mudança e adaptação, para melhor corresponder à vertente social que o vocaciona. No entanto, o quadro económico que prevalece cria um ascendente do mercado sobre os princípios desportivos. E é nesta perspetiva que se vem dando cada vez mais importância ao desporto como um evento e a sua gestão como estratégia de desenvolvimento desportivo. Não que a história não os refira como manifestações massivas, instrumentos de controlo político, religioso, de propaganda, de partilha e de emoções sociais (os jogos de Olímpia, na Antiguidade, os torneios medievais, o “protofutebol” na cidade maia de Chichen Itzá (México), os jogos olímpicos da nova era, são disso exemplos), mas, agora, as condicionantes são outras e as tendências e operadores que regulam o desporto são diferentes. 1 Lição de Síntese “Gestão das Organizações Desportivas”, elaborada para a obtenção do título académico de Agregado do 1º grupo de unidades curriculares da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto em 2010. 5 1.1. O evento desportivo no enquadramento das tendências contemporâneas da gestão desportiva O desporto é uma indústria em expansão e como tal tem denotado um crescimento que não é alheio às preocupações dos académicos, dos técnicos e gestores, potenciais agentes nesse campo e matéria. O conceito de evento desportivo tem ocupado muitas das preocupações dos estudiosos nas últimas décadas.2 A realização de eventos desportivos tem sido e continua a ser desenvolvida regularmente. Ela acontece nos torneios de escola, ao nível associativo, nas autarquias, nas associações e clubes amadores, ou mesmo ao nível profissional de clubes ou de instituições desportivas de maiores dimensões, como as Federações e o Comité Olímpico. A revisão da literatura sobre a temática define genericamente o evento desportivo como um acontecimento social que valoriza, no quadro da ética social atual, entre outros aspetos, a diversão, o espetáculo e o prazer de participar em grandes realizações. Define-se, também, por ser uma produção na qual o consumidor é transformado no “interveniente essencial em todo o desenrolar da ação” (Sarmento, 2014, p. 346). Hoje em dia, e fruto das profundas alterações que o desporto estrategicamente apresenta, o evento desportivo passou a assumir uma dimensão planetária e uma participação à escala global. (Sarmento, 2014; Sá, 1999). As pessoas requisitam e consomem serviços de desporto para obterem benefícios emocionais. O local de um evento desportivo é um “palco” onde existe um conjunto de soluções e benefícios para os seus intervenientes (Sá, 1999). A dimensão que as realizações desportivas vêm assumindo, tem sido acompanhada pela complexidade de meios logísticos para a sua implementação. Atualmente a participação de áreas como a gestão financeira, 2 Como está traduzido na publicação de “Tendências Contemporâneas da Gestão Desportiva”, obra da coleção ARETÊ editada por Marco Arraya e Manuel Silva, em 2014, com o apoio do Comité Olímpico de Portugal. 6 o marketing, a engenharia de recursos, o direito, a informática são indicadores que o comprovam. Fig. 1 - A imagem de marca de um evento é um dos fatores do sucesso do espetáculo desportivo. A imagem de marca de um evento é um dos factores doAsucesso do espectáculo Nela Nela se revêm consumidores, atletas e patrocinadores. mediatização elevou odesportivo. UEFA FUTSAL se revêem atletas e patrocinadores. CUP 2015 aconsumidores, uma escala global. [Fonte: UEFA.com] A mediatização elevou o UEFA FUTSAL CUP 2015 a uma escala global. O desporto é, assim, encarado como um produto específico que, através de técnicas promocionais o têm valorizado como espetáculo. A realização dos campeonatos do mundo de futebol, dos Jogos Olímpicos e dos campeonatos mundiais de atletismo, só foram possíveis estabelecendo a conjugação de esforços para a realização de um produto final. Fig. 2 - As campanhas de divulgação revelam maior eficácia quandos os próprios atletas são protagonistas nos eventos de marketing. Estratégia e comunicação foram pontos fortes na realização UEFA FUTSAL CUP 2015. [Foto: Rita Pereira] 7 Só desta forma o produto permite estabelecer uma imagem positiva da organização, levar os patrocinadores a atingirem os seus objetivos, estimular a venda de bilhetes e recuperar o capital investido (não só financeiro mas também das expetativas dos seus consumidores). A realização bem-sucedida do evento conta efetivamente com a exposição mediática de atletas, modalidades e público e cabe, neste particular, ao gestor desportivo manter uma relação de fidelidade e qualidade entre eles. Efetivamente, cabe ao gestor de desporto desenhar e coordenar eventos que providenciem hospitalidade, espetacularidade e mediatismo. O evento desportivo de grandes dimensões e projeção é uma indústria que gera receitas de milhões de euros e tem captado cada vez mais profissionais e técnicos desportivos. Não é desejável, portanto, que a sua realização se submeta à tecnocracia e ao mecanicismo das áreas de desempenho, nem sequer ao amadorismo. Para que o evento desportivo realize os seus desígnios é necessário contar e recorrer a um tipo de gestão que se baseie na inovação, na criatividade e no rigor, ou seja, numa estratégia adaptativa que acompanhe as mudanças introduzidas no seu funcionamento (Arraya, 2014) A caracterização de um evento passa, em primeiro lugar, pela sua dimensão, o que se verifica pela análise do número de intervenientes, pelos meios de cobertura mediática, os recursos financeiros e de marketing, pela gestão dos recursos humanos, sempre numa lógica da promoção e desenvolvimento do desporto. 1.2. As tipologias de eventos Tal como existem variadíssimos tipos de eventos também existem formas de os tipificar e classificar. A mais recente revisão da literatura a que tivemos acesso aborda a tipologia dos eventos desportivos baseada, genericamente e numa primeira análise, na sua dimensão. Parece adequada, pois, a proposta avançada por 8 Boyer, Musso, Barreau, Collas & Addadl (2007) que estabelece quatro níveis básicos: 1. Tipo A – compreende eventos de nível planetário / mundial, por isso de grandes dimensões e envolvências como, por exemplo, os Jogos Olímpicos e as fases finais mundiais das modalidades mais mediáticas; 2. Tipo B – compreende eventos de nível nacional, estruturados e com regularidade, como as taças das diversas modalidades em cada país; 3. Tipo C – compreende eventos de nível nacional de ocorrência variável mas delineado claramente no tempo; 4. Tipo D – compreende eventos de carácter regular correspondentes a um jogo de campeonato ou torneio. A classificação proposta por Sarmento (2010, 2014) adianta uma classificação igualmente baseada em relações de grandeza, que se traduzem, também, em quatro categorias: 1. Mega Eventos – a categoria compreende eventos de nível internacional com uma ocorrência e duração superior a oito dias; 2. Grandes Eventos – a categoria compreende eventos na grandeza de milhares de atletas e grande audiência de espectadores; 3. Pequenos Eventos – a categoria compreende eventos de nível internacional e nacional, com menor número de atletas, menor duração e público mais reduzido; 4. Micro Eventos – a categoria compreende eventos de menor relevância temporal e espacial, no qual se integram os campeonatos ou torneios locais ou regionais. 9 1.3. Etapas ou fases de um evento Independentemente das tipologias apresentadas, que se inspiram em muitos outros autores e pontos de vista (Veloso, 2007), os eventos caracterizam-se por serem processos dinâmicos que seguem um conjunto de etapas operacionalizadas no espaço e no tempo. Contam, também, com a especificidade dos intervenientes, conhecimentos, competências e recursos que se articulam num todo, com vista ao sucesso da consecução de uma ideia, de um projeto ou de quaisquer outros atos criativos. Em termos conceptuais, as diferentes fases do evento não são estanques nem cumulativas, perfilam-se numa lógica que se baseia em premissas mais ou menos iguais para todos os teóricos que estudam estas matérias. Camy e Robinson no (2007) seu “Managing Olimpic Sport Organizations” dão a indicação da existência de quatro fases para a realização de um evento desportivo: 1. Desenho – fase da conceptualização, esquematização e organização; 2. Desenvolvimento – fase correspondente à preparação do evento; 3. Implementação – realização do evento em si; 4. Dissolução – fase do encerramento do evento. Sarmento (2014), numa perspetiva aglutinadora, apresenta quatro fases para o desenvolvimento de um evento desportivo. É um modelo operacionalizável cuja matriz descreve as fases ou etapas das tarefas, nos seguintes moldes: 1. Etapa da Ideia – corresponde à fase criativa de um cenário provável para a resolução de um problema ou consecução de um plano de intenções e caracteriza-se por estar ainda num plano de abstração, 10 hipótese ou prognóstico. Nesta fase releva a experiência tida com anteriores realizações. 2. Etapa da Conceção – traduz-se no planeamento em si mesmo. Com base nas ideias levantadas, muitas vezes recorrendo ao brainstorming, análises SWOT e outras, traça-se esquematicamente a realização escorando-a nos recursos disponíveis. Nesta fase, a ideia materializa-se levando em conta os constrangimentos e obstáculos (clima, atrasos, transportes, acidentes, imponderáveis, etc…) e indicadores (data, local, duração, orçamentos, parceiros e apoios). O pragmatismo e a experiência dos responsáveis e gestores assumem aqui primordial influência. 3. Etapa da Realização – é a fase da operacionalização do que fora anteriormente concebido. Nesta fase, todos os intervenientes e meios devem desenvolver as operações pré-estabelecidas, corrigindo desvios e situações inesperadas. A qualidade da equipa de realização destas operações revela-se, sabendo que a prevenção e a correção atempadas de situações indesejáveis e não planeadas, representam os maiores riscos a levar em conta. 4. Avaliação – em qualquer metodologia de projeto ou de resolução de problemas, a avaliação é fundamental e parte integrante. É a fase da listagem das operações, de identificação das boas práticas e do que não resultou em termos de eficácia. Compreende a autoavaliação, agregada aos seus intervenientes e uma heteroavaliação da qualidade dos diversos desempenhos. Daqui resultará, porventura, relatório escrito que firmará o grau de consecução, sucesso e satisfação atingidos. Na avaliação poderão, ainda, participar avaliadores e estabelecerão analistas com externos, independência 11 como o a alcance imprensa, dos que objetivos previamente delineados. Estes dados serão informações prospetivas para novas realizações e reformulações futuras. De uma forma geral, a realização do evento desportivo está dependente de uma fórmula cronológica que se baseia em operações estabelecidas antes, durante e depois do evento. Cada uma das suas fases precede a outra numa relação causa / efeito, que a seguir se apresenta sumariamente em conceitos chave. PRÉ- EVENTO Ideia Recursos Duração Data Local EVENTO Competição Montagens Fornecedores Hospitalidade Bilhética Segurança Transportes Público PÓS-EVENTO Avaliação como referência para o futuro Avaliação informativa para patrocinadores e parceiros Figura 3 – Etapas de um evento 1.4. A importância do Dossiê de Candidatura nos eventos Nas grandes realizações internacionais a produção de eventos é, em muitos casos, sujeita a concurso. Neste enquadramento (Sarmento, 2002; Sá, 1999) assume importância fulcral e estratégica o dossiê ou processo de candidatura. Como nesta tipologia de eventos estão subjacentes critérios muito apertados e específicos de realização e grandes montantes financeiros, o seu concurso prevê a apresentação de manuais de candidatura onde se especificam, exaustivamente, as condições físicas e humanas para a sua realização. A este nível de orçamentação e agregação de recursos 12 corresponde, regra geral, o levantamento de todas as informações de impacto sobre o evento. No plano físico descrevem-se informações como a geografia, demografia, clima, cultura, história, tradições, etc. No plano estratégico situam-se as valências relacionadas com a estrutura organizacional e o estilo funcional adotado, a que deve corresponder o aval das forças e valências sociais económicas e políticas. A existência de uma comissão de honra e de uma comissão executiva deverá corresponder à dimensão e impacto esperado pelo evento e reunir as mais altas individualidades, tanto na área do desporto como de outras esferas sociais. O processo de candidatura deve contemplar de forma clara e precisa as responsabilidades dos constituintes do organigrama do evento e estabelecer um plano de comunicação e divulgação em todas as suas fases. Como referem os autores, é fundamental que o dossiê apresente de forma iniludível a estrutura financeira que capacita a estimativa dos custos, os lucros de bilhética, a angariação de patrocínios e apoios de carácter logístico, transportes, seguros, alimentação, etc. Este documento de candidatura deve, por isso, ser detalhado, claro e sustentável, para que decisores e júri possam analisar e decidir sobre a sua realização. É um caderno de encargos e um compromisso. 1.5. As operações de um evento desportivo A grelha concetual, atrás estabelecida, está diretamente relacionada com o número de intervenientes, a qualidade e a duração dos serviços necessários para realizar com sucesso o evento. A sua complexidade é determinada, principalmente, por esses dois fatores e é, por isso, previsível que ela determine o estilo de gestão e operacionalização a adotar. Esta logística corresponde a um conjunto vasto de operações articuladas que devem suprir, desde as necessidades básicas e elementares (como a 13 produção administrativa de documentos) até às mais complexas (como a monitorização das necessidades e resultados). Deve também ser reconhecido que a relação orgânica entre operadores não é estanque e que as soluções previstas, por cada operação organizacional, pode requerer a combinação e articulação de um, dois ou mais operadores organizacionais. As operações indicadas por Sarmento (2014) são propostas de base para a organização-tipo de um evento desportivo de grandes dimensões. Depreende-se do modelo orgânico apresentado que se possam contemplar outras dimensões operativas e que a sua estrutura se adapte não só à tipologia de evento como, também, aos recursos de que dispõe, ao número de intervenientes e à duração do evento. As operações organizacionais constituem, então, os núcleos para a realização de uma tarefa comum, que se materializa em ações ou atividades claras e funcionais e se organizam numa perspetiva de rede com o seguinte desenho: o evento é desenvolvido através de operações que se multiplicam em atividades ou ações mais particulares. De forma esquemática abordamos, agora, o conceito de operação, entendido como o conjunto de ações necessárias para desenvolvimento previsível do evento. Não são, como já referimos, independentes, antes sim unidades orgânicas que se articulam e reorganizam sempre que o decorrer do evento o exija, nas suas diversas fases de pré-evento, evento propriamente dito e pós-evento. Ainda que operem a níveis bem definidos, uma boa parte da eficácia da sua ação depende da comunicação e articulação entre si. 1.6. As operações organizativas 1.6.1. Os transportes Para os grandes eventos, o esquema de transportes deve contemplar uma rede que articule a circulação de atletas, dirigentes e outros agentes. O circuito implica a gestão dos transportes entre aeroportos, hotéis, local ou locais onde decorre o evento e outros espaços. Devem implicar a deslocação 14 para treinos e outras atividades numa lógica de ida e volta. Pode contemplar, igualmente, o transporte daqueles agentes para programas sociais e culturais paralelos. Recorre-se geralmente a empresas profissionais de transporte numa ligação estreita com os recursos da entidade organizadora. 1.6.2. A alimentação É uma operação complexa pois contempla o suprimento das necessidades dos atletas, técnicos, dirigentes convidados e a do público que assiste ao evento. É, ao mesmo tempo, uma fonte de receitas avultada e uma operação decisiva para a satisfação dos participantes. O grande volume de refeições a contemplar requer serviços de catering personalizado e profissional. Deve entender-se que as necessidades de alimentação de um atleta, um dirigente, um convidado VIP ou do público, requerem características alimentares e serviços diferenciados. 1.6.3. O alojamento O recurso a entidades hoteleiras de média e grande dimensão é adaptado à realização de eventos. O investimento que implica é, juntamente com a alimentação, de grande volume e complexidade financeira. O elevado número de atletas e técnicos que participam, assim como a importância do evento podem fazer desta operação uma das mais exigentes, uma vez que interage e depende diretamente de outras operações como, por exemplo, os transportes. 1.6.4. A acreditação É um processo de grande exigência, uma vez que lida com a segurança e a fiabilidade da organização. Concede permissões e proibições de circulação 15 de atletas, técnicos e outros intervenientes. O patamar de intervenção de cada um é determinado e delimitado pela sua competência funcional. Os processos de identificação e controle da acreditação devem estar sujeitos a regras restritas, a que corresponde uma monitorização apertada da circulação dos intervenientes no evento. Jogadores, técnicos, dirigentes, VIP’s, jornalistas, voluntários, gestores e outros circularão entre espaços de acordo com o protocolo estabelecido e as funções atribuídas. Geralmente a acreditação baseia-se na apresentação do identificador visual, frequentemente conectado a uma base de dados informática que controla a circulação e permissões. Deve ser o menos invasiva possível e reconhecida de imediato pelos operadores e colaborantes. 1.6.5. Os equipamentos desportivos Os equipamentos desportivos assumem grande importância na organização do evento. A qualidade dos materiais usados, as dimensões, a iluminação, os balneários, as zonas de acesso e concentração são fatores determinantes que, habitualmente, estão definidos nos regulamentos que regem a atividade desportiva. Atualmente, requer-se que possua tecnologia necessária para os sistemas áudio e vídeo das instalações com recurso à amplificação do speaker do evento assim como a visualização de imagens. A transmissão de dados de carácter mediático deve ser igualmente levada em conta. 1.6.6. A competição A competição é o centro do evento e obedece a regras estabelecidas pelas federações e regulamentos que a organizam. O formato e regras devem ser conhecidos com antecedência pelos participantes. A organização da competição, num calendário pré-estabelecido, interfere com o prazer e ansiedade que a mesma provoca, não só nos atletas como no 16 público. A gestão que relaciona os resultados com a adesão dos adeptos está implicitamente relacionada com os promotores mediáticos do evento, com os media, as agência de publicidade e patrocínios. Durante a competição não devem existir lacunas de informação, derivações de interpretação das regras e regulamentos, partindo do princípio de que os atletas e equipas devem ter acesso à mesma informação. 1.6.7. A segurança Esta área operacional é aquela em que os indicadores mais têm variado, dadas as ameaças e riscos que a aglomeração de pessoas acarreta. O elevado número de intervenientes exige medidas de segurança extraordinárias, designadamente no que diz respeito aos processos de orientação, controle e acomodação dos grupos organizados de adeptos (GOA’s) que se desenvolvem antes, durante e depois do evento. Chegar ao espaço desportivo, instalar-se, participar e abandonar a instalação desportiva são situações que requerem medidas de segurança apertadas. Recorre-se por isso à segurança pública (agentes policiais fardados e agentes descaracterizados) e à segurança privada. A tendência atual é a diminuição da ostentação policial e o recurso a stewards e a forças que só se despoletam quando necessárias (unidade especial de polícia, antiterrorismo, etc.). A colaboração policial internacional é, por vezes, solicitada quando há deslocação de grande número de GOA’s entre países. À dimensão do evento devem corresponder as respetivas forças de segurança, pois esse equilíbrio pode traduzir-se num fator de sucesso. 1.6.8. A assistência médica A qualidade da assistência médica é um dos critérios operativos que possibilita retirar indicadores da qualidade e sucesso do grande evento desportivo. Os riscos, os acidentes e as doenças podem ser entraves a um bom funcionamento da realização e estão sempre no quadro das preocupações 17 dos organizadores. Torna-se, pois, necessário agendar e proporcionar aos participantes uma assistência de socorro acessível e rápida. Nas instalações, médicos e técnicos de saúde das equipas proporcionam esse serviço internamente aos atletas. Os serviços hospitalares centrais, públicos e privados, os serviços de socorro médico urgente e de proteção civil devem estar alertados e disponíveis para eventuais ocorrências e emergências. 1.6.9. A hospitalidade Esta operação pode traduzir-se num fator importante no estabelecimento de um ambiente positivo e acolhedor, percetível na avaliação da maioria dos participantes e está para além do sucesso desportivo. Situa-se a um nível acima das operações das necessidades imediatas de transporte, hospedagem e alimentação. Funciona como agente de boas-vindas e de bom acolhimento. Traduz-se, geralmente, numa receção personalizada dos participantes, a partir de operações de publicidade e marketing, geradoras de auto identificação e bem-estar. Não deve descurar a distribuição de lembranças e objetos personalizados, fotografias, DVDs e merchandising diverso. Numa outra perspetiva coloca-se o cuidado na alimentação, proporcionando o acesso a alimentos cultural e religiosamente aceites, sujeitos às normas de higiene e segurança, em todos os espaços do evento. A gastronomia, a arte, a cultura, o artesanato, a música, são bons elementos de oferta e sinais de boa hospitalidade, assim como fatores de promoção de uma região ou país. A repercussão do evento nos media é fundamental. A capacidade de informação e acolhimento é enorme a este nível, por isso, é necessário um trabalho integrado com jornalistas e promotores. Em todas as fases do evento, a comunicação com esses profissionais, cedendo informação e meios, é determinante. 18 Independentemente dos resultados obtidos, os participantes do evento devem considerar que participaram num acontecimento único, acolhedor e emocionante. 1.6.10. O protocolo O protocolo envolve todo o conjunto de regras e aceções que permitem uma socialização formal e informal dos participantes. É um código de procedimentos que obedece a um conservadorismo, um garante da perpetuação dos valores e dos costumes, que preservam as crenças do acontecimento desportivo. Está além da política, da religião e das crenças de cada um. Em termos informais pontua por criar um ambiente de desportivismo e de valorização dos homens e das mulheres participantes. Nas sociedades ocidentais o sistema e organização institucionais preveem uma lógica de colocação e consideração das pessoas, de acordo com a posição que ocupam na estrutura social e desportiva. O posicionamento numa mesa de trabalho ou numa conferência, o cerimonial de entrega de medalhas, a alusão num discurso, a formulação de um convite, a exibição de símbolos religiosos ou militares durante o evento, são facetas ilustrativas que devem ser consideradas nesta operação. 1.6.11. O voluntariado O voluntariado constitui uma fonte de larga capacidade que não é remunerada pelo seu trabalho. Os gestores desportivos podem contar com o entusiasmo de milhares de adeptos e apoiantes e transformá-lo numa força de trabalho inigualável. A satisfação pela participação no evento é, na maior parte dos casos, a motivação principal e a recompensa final. 19 Os voluntários devem ter um vestuário que os distinga nas áreas de trabalho, dentro das suas competências e âmbitos. São também alvo de acreditação. 1.6.12. A gestão de recursos humanos Após o período da ideia inicial e durante a conceção do projeto são avaliadas as necessidades, nomeadamente dos recursos humanos. A diversidade e os níveis de competência exigidos fazem do recrutamento uma fase estratégica nesta metodologia. Muitas vezes, os recursos internos das instituições, juntamente com os voluntários, são suficientes e capazes para a realização. Regra geral, no entanto, são agregados outros recursos de diversas proveniências – contratações, protocolos, etc. O modelo e método descrito não devem ser encarados como uma fórmula fixa de funcionamento. Em situações diversas, outros métodos de gestão e alinhamentos de competências, podem assumir fluxos e dinâmicas diferentes, pois estas unidades orgânicas não são autónomas nem estáticas. É o que verificamos no caso prático que apresentamos a seguir, como relatório do nosso estágio, no qual os media, o marketing, a gestão de concessões e a bilhética constituíram unidades de operação complementares. A comunicação, na organização de eventos, deve ser eficaz porque pode ser responsável pelo sucesso dos resultados. “Administrar a comunicação de forma eficaz requer um exame profundo de cada situação específica e uma tomada de decisão baseada no raciocínio estratégico, a cada etapa. (…) A comunicação é multidimensional, apresentando níveis de análise desde os mais densos, quanto aos que envolvem aspetos físicos, lógicos, organizacionais e sociais, até aos níveis mais subtis, quanto aos emocionais, criativos, estéticos e éticos.” (Schuler, 2004) Uma organização deve apresentar três fluxos de comunicação (Caetano, 2007): descendente, ascendente e horizontal. Do topo para a base da 20 hierarquia e vice-versa, entre pares ou grupos de trabalho paralelos. A sua combinação traduz-se em ganhos e eficiência na gestão de recursos humanos. 2. O Futsal como evento desportivo O crescimento do futsal, como fonte de eventos de carácter nacional e internacional, tem sido ultimamente incrementado por diversas realizações de sucesso, como a UEFA Futsal Cup, o que vem sendo traduzido numa mediatização acentuada sobre a sua prática. As mais variadas fontes referem os feitos pelos quais a modalidade se vem instalando no quadro do desporto nacional, conquistando cada vez mais adeptos e praticantes. O número crescente de atletas federados atesta a sua atualidade que a caracteriza já como um desporto de massas. O jornal Record digital refere a este propósito que “o número de jogadores federados cresceu igualmente nestes últimos cinco anos, evoluindo em termos masculinos para o número total de 26.175, dos quais 7.637 são seniores e quase 19 mil pertencem ao futebol de formação (...). Finalmente, ao nível do futsal feminino, há hoje em Portugal 3.648 praticantes, das quais 2.283 fazem parte do escalão sénior.3” Reflexos económicos e sociais são de avultada importância a crer nas declarações de personalidades como o presidente da Câmara Municipal de Sines, que com alguma veemência elogiou a organização da Final Four da Taça de Portugal, que a Federação Portuguesa de Futebol levou para a cidade alentejana. «Os impactos para a cidade e para a região são tremendos. Impacto na imagem de Sines, mas também impactos diretos na restauração e hotelaria», referiu. «Queremos apostar nos eventos desportivos, já estamos habituados a organizar eventos culturais. Vamos apostar no Futsal, queremos trazer para a cidade outras competições nacionais e internacionais». 3 Http://www.record.xl.pt/futebol/nacional/detalhe/portugal-com-novo-recorde-de-federados-967313.html 21 2.1. Breve história do Futsal Partindo de elementos históricos diminutos e dos registos, na internet, de alguns colaboradores e entusiastas do futsal, traçamos uma breve história da modalidade com o intuito de conhecer a sua evolução. A origem do futsal, segundo Teixeira Júnior (1996) e Figueiredo (1996) terá tido início em São Paulo, no Brasil. No entanto, outros estudiosos como Ziles (1987), Lucena (1994) ou Apolo (1995) defendem que este ter-se-á iniciado em Montevideu, no Uruguai. A ambiguidade mantém-se, sendo difícil determinar com precisão qual o local exato do começo e da sua expansão. Consta que, após algumas conquistas olímpicas por parte da seleção uruguaia em 1924, 1928 e 1930, um pouco por todo o país aconteceu uma enorme onda de envolvimento e paixão à volta do futebol. Todos os espaços serviram para a prática do desporto, mesmo em áreas cobertas. Mais tarde, com as devidas regulamentações e adaptações teria início uma nova modalidade desportiva, o indoor foot ball, reconhecido posteriormente como futebol de salão e, depois, futsal. Foi em 1933 que Juan Carlos Ceriani Gravier, professor de educação física uruguaio (1907-1996), elaborou as primeiras regras, adaptando-as de algumas das modalidades coletivas como o basquetebol, o andebol ou o polo aquático. É por isso que ainda hoje muitos o consideram o “pai do futsal”. Em oposição, alguns dos motivos que levam a crer que a sua proveniência poderá ter sido brasileira, prende-se com a rápida expansão que a modalidade alcançou a partir de São Paulo, desde a década de 40. A existência de algumas publicações referentes a normas da modalidade, nesta época, sustenta esta segunda hipótese. A Federação de Futebol de Salão Paulista terá sido a primeira a ser estabelecida seguindo-se a de Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná e Rio Grande do Sul. Em Portugal, terá surgido nos anos 80 sob forma de “futebol de rua”, sendo praticado em qualquer recinto desportivo disponível, sem quaisquer regulamentações definidas. Desde então, começaram a surgir a nível nacional 22 as primeiras Associações de Futebol de Salão. Sediadas em Lisboa, Porto e Minho, em 1985, foram as três primeiras a serem constituídas. Um ano depois, a 8 de Novembro de 1986, por iniciativa da Associação de Futebol de Salão do Porto, no seu primeiro congresso entre associações, debateu-se a constituição e aprovação da Federação Portuguesa de Futebol de Salão. As primeiras provas realizadas contaram com a participação de quarenta e oito equipas na disputa do acesso ao primeiro Campeonato Nacional. Após algumas discordâncias entre dirigentes dos clubes participantes, foram tomadas medidas, destacando-se a criação de uma nova estrutura federativa, a Federação Portuguesa de Futsal, integrando-se como órgão autónomo na Federação Portuguesa de Futebol (1997). Desde então, o futsal tem assumido um protagonismo a que não são alheios académicos, desportistas, público consumidor de eventos, voluntários, marketing e os media. 2.2. O Futsal na atualidade Em Portugal a projeção do futsal tem merecido a atenção dos meios de comunicação social. A RTP2 transmite os desafios da primeira divisão, semanalmente, e a TSF possui, diariamente, uma rubrica sobre futsal. Na página Web da UEFA, Laurent Morel, responsável pelas competições de futsal na UEFA, afirmava que a fase final da UEFA Futsal Cup 2015, em Lisboa, estava a provar ser um sucesso retumbante. A bilheteira esgotada “é fruto de uma longa e incansável cooperação com os clubes de modo a fortalecer a competição europeia e elevar o ponto alto da temporada a um novo patamar. Colocar 10.500 pessoas num pavilhão é o mesmo que ter 50 mil num estádio de futebol, o que demonstra o alto perfil da fase final da Taça UEFA Futsal”4. 4 Http://pt.uefa.com/futsalcup/news/newsid=2223102.html#fase+final+esgotada 23 O Secretário-geral da UEFA, Gianni Infantino, referia relativamente a esse acontecimento que: "Já passou algum tempo desde que o futsal marcou presença em Lisboa e o Sporting garantiu a qualificação; as instalações para a fase final da Taça UEFA são excelentes, gostamos muito de Portugal e esta é uma boa razão para visitar o país e assistir a um magnífico festival de futsal". 5 Os patrocinadores revelaram interesse nesta tipologia de evento: a Western Union, HTC, Hankook, Adidas e Mondo repetiram a ideia que o evento UEFA Futsal Cup era uma oportunidade única para as marcas se associarem à maior prova desportiva agendada para o ano de 2015 em Portugal e aumentar os seus índices de notoriedade. Todos os jogos da competição tiveram, além da cobertura dos media nacionais, cobertura televisiva em direto por parte de um dos maiores canais desportivos do mundo: a Eurosport. A BMW e o seu concessionário Caetano Baviera foram o quarto e último parceiro a juntar-se ao restrito leque de patrocinadores do evento. O grupo Fidelidade, TachoEasy e Fábrica de Óculos completaram o quadro de patrocinadores nacionais juntando-se à Western Union, HTC, Hankook, Adidas e Mondo enquanto parceiros da UEFA para esta competição.6 O êxito desta modalidade é bem visível quando temos em conta o aumento de praticantes nos últimos tempos. O futsal é, atualmente, a modalidade mais praticada no desporto escolar (35 mil praticantes em 2010/11, um quinto do total de praticantes) e quadruplicou o número de atletas federados nos últimos 15 anos: em 1996/97, havia apenas 6.454 jogadores federados; no início da temporada 2014/15, havia 25.831 atletas de futsal inscritos na Federação Portuguesa de Futebol (FPF). "O futsal é seguramente a segunda modalidade mais praticada em Portugal, a seguir ao futebol", diz Pedro Dias, diretor da FPF responsável por esta modalidade. Os números são, ainda, visíveis nas audiências televisivas: "Em termos de televisão, o futsal é a segunda modalidade", - diz Paulo Sérgio, subdiretor da RTP e responsável pela área de desporto na estação pública. 5 6 http://business.sporting.pt/noticias/uefa_futsal_cup_finals_2015_em_lisboa http://business.sporting.pt/noticias/uefa_futsal_cup_finals_2015_em_lisboa 24 “Os jogos do Europeu de futsal tiveram entre 350 mil a meio milhão de espetadores”. Fig. 4 - As campanhas de divulgação levadas a cabo nas escolas têm contribuído para a promoção do futsal. Esta modalidade é uma das mais escolhidas pelos alunos no Desporto Escolar e é cada vez mais expressiva a prática dos escalões femininos (Escola Pedro Alexandrino). [Foto: Rita Pereira] Tomando em consideração estes números, impõe-se a pergunta: o que justifica este crescimento do futsal? Pedro Dias (FPF) aponta os fatores culturais para o sucesso em Portugal: "Somos um país que gosta de jogar a bola no pé", refere o responsável da federação, que aponta ainda a formação de treinadores, cerca de 4.600, como algo fundamental. O impacto da entrada de "grandes" clubes, como Benfica e Sporting, além de históricos como o Belenenses e a Académica, a vinda de alguns estrangeiros e a profissionalização dos atletas, são também indicadores de desenvolvimento.7 A confirmar a importância desta modalidade está a apresentação do Plano Estratégico de Futsal, 2012-2016 pela Federação Portuguesa de Futebol (F.P.F.) que estabeleceu um plano a médio / longo prazo, para um período de 7 Http://www.publico.pt/noticia/futsal-so-precisou-de-15-anos-para-ser-o-desporto-de-pavilhao-maispopular--1541628) 25 quatro anos. O principal objetivo prende-se com a obtenção de maiores níveis de rendimento para que se transforme na modalidade de pavilhão mais praticada no país. Este plano, assenta em cinco eixos fulcrais para que o seu sucesso seja garantido. Quadro 1 – Plano estratégico de Futsal Plano estratégico do Futsal 2012|2016 FPF Eixos fundamentais 1. Praticantes 2. Estrutura e 3. Fatores organização humanos 4.Gestão 5. Comunicação Objetivos gerais Aumentar o Garantir a Qualificação Qualificação Tornar a número de sustentabilida dos fatores da gestão comunicação praticantes de e promover humanos com enfoque interna e externa no mais eficaz o crescimento crescimento qualitativo e quantitativo Num primeiro eixo, procurar-se-á criar uma estreita relação entre o futsal federado e futsal escolar, evitando um trabalho isolado de parte a parte. Num segundo eixo, realizar uma reorganização estrutural a nível interno; investir-se na regularidade e competitividade dos quadros masculinos e femininos, aumentando o nível de qualidade de forma progressiva. Num terceiro eixo, a FPF, definirá padrões para que os jovens realizem um percurso contínuo e sustentado até à adultez. 26 Num quarto eixo, “fornecerá a liderança, conhecimento, recursos e apoios necessários que permitam à federação, às associações e aos clubes a sua viabilidade financeira com vista ao crescimento de forma sustentada.” 8 Num último eixo, comunicar com os variados stakeholders adquirindo reconhecimento, visibilidade e acrescentando valor. Para que seja avaliado o nível de sucesso deste mesmo plano estratégico, recorrer-se-á a dois indicadores de performance como o número de membros filiados e o nível de satisfação dos mesmos. A sua missão passa por melhorar a qualidade da intervenção dos diferentes agentes do futsal, acrescentando-lhes competências e tornando a sua estrutura orgânica e gestão mais célere, eficaz, eficiente e sustentável. Quanto à visão de futuro, procura ser a modalidade coletiva de pavilhão com mais praticantes para o ano de 2015 e os valores que a caracterizam são responsabilidade, competência, rigor, inovação, solidariedade, coesão e sustentabilidade. O futsal, observado do ponto de vista estratégico e do seu desenvolvimento como evento desportivo, como o próprio documento anuncia, necessita de melhorar a qualidade de intervenção dos diferentes agentes do futsal, acrescentando-lhe e tornando a sua estrutura orgânica mais eficaz, eficiente e sustentável. Ora, eventos desportivos, futsal e gestão desportiva foram as três principais vertentes do meu estágio profissionalizante sobre os quais, em pormenor, adiante abordarei. 3. Perfil e competências do gestor desportivo Uma vez enquadrado o evento desportivo na modalidade de futsal em Portugal, interessa, agora, entender e definir o papel do gestor nos seus variados contextos. 8 In Plano Estratégico de Futsal 2012-2016, FPF. 27 Sendo o evento um acontecimento com dinâmicas muito próprias, compete ao gestor, numa visão global, assegurar a vertente do espetáculo desportivo indo de encontro à contemporânea tendência da valorização da diversão, do prazer e do entretenimento mediático (Sarmento, 2014). Lebre (2014) defende que a gestão das grandes organizações desportivas se deve apoiar numa estrutura organizativa em três níveis de responsabilidade e decisão: a coordenação geral, o departamento financeiro e, um terceiro nível, baseado no apoio, logística e área técnica. UEFA FUTSAL CUP FINALS 2015 Futsal Grandes eventos UEFA CUP Gestão do desporto Fig. 5 - Evento integrando um vasto conjunto de saberes e competências numa gestão por níveis. A escolha da estrutura organizativa é um aspeto fundamental para a gestão do evento, uma vez que a dinâmica dos diferentes níveis de operação requer confiança, autonomia e controlo de decisões (Manaças, 2014). O mesmo autor refere que o êxito do evento depende, em muito, do sentido de profissionalização nas diversas etapas da realização. Arraya (2014) indica que as funções de um gestor passam pelo domínio de quatro recursos iniciais: humanos, financeiros, físicos e de informação. 28 Nesta perspetiva, o trabalho do gestor envolve a coordenação desses recursos a partir dos princípios funcionais da gestão: planear, decidir, organizar, liderar e controlar (Claudino, 2000). No entanto, estas competências não acontecem sequencialmente, encontram-se em constante mutação influenciando-se reciprocamente, motivando constantes transformações e priorizações no planeamento e nas tomadas de decisão, no controle e liderança. Importa considerar que os conteúdos funcionais das profissões no século XXI estão em processo de mudança. Como refere Guerra (2001) tende a haver “cada vez menos funções com conteúdos estáticos, desenvolvendose a polivalência, o trabalho por projetos e em equipa”, como competências essenciais. A tradicional definição de funções dará lugar a cargos e níveis de responsabilidade por tarefas ou projetos. Na literatura, o conceito de competência é abrangente e de difícil definição (Guerra, 2001; Manfredi, 2002). No entanto, e de uma forma globalmente aceite, o conceito entende competência como “um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que associados a um determinado cargo e situação, permitem à pessoa atingir resultados individuais que contribuem para o alcance dos objetivos e metas organizacionais” (Arraya, 2014). Evitando fazer uma abordagem extensiva aos modelos teóricos de gestão, e respetivo referencial de competências, baseamo-nos nos conceitos de Manfredi (1998) e Arraya (2014) para estabelecer um modelo competencial que defina o perfil profissional de um gestor de eventos desportivos, baseado nas três seguintes grandes competências e domínios: 1) Competências técnicas – domínios do saber fazer; 2) Competências de cidadania – domínios do saber ser; 3) Competências comportamentais – domínio do saber agir. 29 Considerando o trabalho de Manfredi (2002) como uma referência, é possível agora desagregar os domínios do saber num conjunto mais detalhado de competências que a seguir se apresentam esquematicamente. 1. Competências técnicas Capacidade de análise dos contextos – análise prévia dos cenários que possam afetar o seu desempenho; Capacidade de planeamento – previsão de ações e definição antecipada dos rumos ou direção de esforço; Competência efetiva da gestão de pessoas e recursos – na mira da satisfação do cliente e dos resultados; Competência para o empreendedorismo – identificar novas oportunidades e formular novas ações de forma criativa e inovadora; Competência de decidir – capacidade de avaliar riscos e elencar soluções adequadas; Capacidade de gerir recursos humanos e mobilizar as pessoas para o alcance dos objetivos; Capacidade de negociar – interação com as partes envolvidas no processo; Competência de comunicar – utilização correta de meios comunicacionais evitando ruídos e distorções; Capacidade de criticar – estabelecer relações lógicas entre os diferentes contextos organizacionais. 2. Competências de cidadania Postura ética – respeito por valores, pela organização e sociedade; Sentido de responsabilidade e justiça – consciencialização do 30 impacto das operações e organizações no tecido social. 3. Competências comportamentais Capacidade de se relacionar – estabelecer e gerir relação entre agentes e áreas do conhecimento; Capacidade de liderança – estimular, orientar e delegar poderes no sentido de objetivos comuns; Capacidade da busca de informação e conhecimento – dar relevo ao aumento do conhecimento e da profissão de forma permanente e ao longo da vida; Competência da proatividade – prever soluções de forma ativa; Capacidade da flexibilidade – processo de adaptação e mudança consoante a alteração das variáveis dos processos; Competência da criatividade – idealizar e propor ações que conduzam à resolução de problemas de forma inovadora; Capacidade da persistência – a procura de metas e objetivos no sentido de ultrapassar os obstáculos encontrados no processo. Perante o elencado, torna-se fácil compreender que o gestor assume uma postura multifuncional e que deve estar preparado para a mudança e adaptação constantes na nossa contemporaneidade. A permanente transformação da informação e do conhecimento, assim como a alteração das suas formas de acesso, permite antever que o reconhecimento e o valor de um gestor deixaram de estar ancorados unicamente em fatores tangíveis, como a gestão financeira e de recursos, para se ligarem cada vez mais a fatores como energia, criatividade e conhecimento humano (Balanceiro, 2014). Nesta lógica, uma organização de sucesso não é um acaso, nem é fruto da sorte. Há que saber coordenar recursos mensuráveis e não mensuráveis 31 na mesma direção de esforço. O sucesso é determinado pelo recurso mais fundamental, afinal: a cultura da organização (Balanceiro, 2014). O mundo dos negócios e, especificamente, a organização de grandes eventos está em mudança. A vantagem competitiva e sustentável das organizações depende hoje da transformação do conhecimento em resultados organizacionais concretos. O que ficou atrás anotado comprova que ao longo de todo o processo de realização de um evento desportivo, se mostram cada vez mais pertinentes e necessárias, a profissionalização e especialização nas várias áreas do desporto. O gestor de eventos desportivos passa a ter um papel cada vez mais importante tendo em conta, o crescimento da atividade. Uma vez estabelecida a coerência entre o evento desportivo, na sua estrutura teórica, o crescimento do futsal em Portugal e o perfil contemporâneo do gestor desportivo, cabe agora descrever o trabalho prático realizado no meu estágio em função desses indicadores. A metodologia utilizada e que a seguir descreverei passará pela relação que essas três vertentes assumiram ao longo do trabalho prático no departamento de futsal do Sporting Clube de Portugal. 32 CAPÍTULO II A realização da prática profissional 33 34 1. Conceção O processo de realização do meu estágio profissionalizante surgiu da proposta por mim apresentada em Outubro de 2015 ao Dr. Miguel Albuquerque, Diretor do Departamento de Futsal do Sporting Clube de Portugal, onde solicitava a possibilidade de trabalhar, na qualidade de estagiária, com o objetivo de cumprir o 2º ciclo de estudos em Gestão Desportiva, com vista à obtenção do grau de Mestre. Obtida a confirmação por parte do Diretor, a quem devo grande reconhecimento, iniciei a minha preparação realizando um dossiê de informação sobre a instituição que me veio a acolher e na qual fui agradavelmente recebida e integrada. Aí, entre outubro de 2014 e maio de 2015 cumpri cerca de 533 horas de trabalho, distribuídas conforme se verifica no quadro abaixo. Quadro 2 – Carga horária do estágio Meses out nov dez jan fev mar abr mai Nº de horas 14 133 44 73 88 63 149 13 TOTAL 533 Embora o enfoque do meu estágio se tenha situado na realização da UEFA Futsal Cup 2015, as minhas funções no clube, assim como experiências e aprendizagens foram mais além. Pude observar e colaborar com o Diretor do Departamento em atividades de gestão, integrar-me nos recursos humanos existentes e compreender a logística que lhe está associada. 35 1.1. Caracterização da entidade hospedeira O Sporting Clube de Portugal9 é um clube multidesportivo centenário, fundado a 1 de Julho de 1906 (reinava, então o penúltimo rei de Portugal, D. Carlos), em Lisboa, por um grupo de amigos - José Stromp, José Gavazzo, D. Fernando de Castelo Branco, João Scarlett, Henrique Leite Júnior, entre outros, liderado por José Alfredo Holtreman Roquette, vulgarmente conhecido por José Alvalade. Consta que o avô deste, Alfredo Holtreman, 1º visconde de Alvalade, homem culto e de espírito jovem, terá acedido ao pedido do neto quando ele lhe solicitou 200 mil reis para ajudar a criar um grande clube, disponibilizando-lhe, também, terrenos seus destinados à construção das instalações desportivas e sociais no antigo Sítio das Mouras, que após vários melhoramentos, recebeu a festa de inauguração em 20 de Outubro de 1912, podendo, na época, albergar na tribuna cerca de 600 pessoas. As primeiras modalidades praticadas no clube foram cinco: ténis, futebol, corridas e saltos (atletismo), exercícios físicos (ginástica) e luta de tração à corda a que se veio juntar, até 1911, críquete, hóquei em campo, esgrima e ciclismo. O SCP foi distinguido, em 1940, com a Comenda da Ordem Militar de Cristo, reconhecendo o Governo, o mérito cívico da instituição e, em 1960, pelo decreto-lei nº 43.153 de 6 de Setembro, o clube foi declarado uma Instituição de Utilidade Pública. Hoje, o SCP conta com mais de 87 mil associados e 11 mil praticantes, incluindo atletas portadores de deficiências, contribuindo, desportiva e socialmente para o desenvolvimento e integração de todas as pessoas na comunidade. Além-fronteiras, marca presença nos cinco continentes com núcleos, filiais e delegações que ultrapassam os trezentos e oitenta. Do universo desportivo sportinguista fazem parte, atualmente, 22 modalidades, que foram sendo desenvolvidas ao longo dos 109 anos de vida e história do clube - andebol, atletismo, basquetebol, futebol, futsal, hóquei9 Designação aprovada em Assembleia Geral, apesar de José Alvalade, consta, haver preferido um nome mais sonante - “Grande Sporting Clube de Portugal”. 36 patins, ténis de mesa, ginástica (em todas as suas variantes), natação pura e sincronizada, múltiplas modalidades de combate, triatlo, xadrez, bilhar, tiro com arco e tiro à bala, polo aquático, futebol de praia, corfebol, golfe, patinagem e pesca – e que permitiram a este clube das cores verde e branca conquistar inúmeros títulos individuais e de grupo. A modalidade de maior destaque é o futebol, sendo aquela que galvaniza maiores simpatias e emoções e conta, entre escalões de formação e equipa sénior, com oitenta e nove troféus; já a secção de atletismo tem um total de duzentos; o ténis de mesa, entre competições singulares e de pares, reúne oitenta e sete e o futsal, modalidade que mais tem crescido nos últimos anos em Portugal, vinte e oito. A nível europeu, o clube esteve presente em 19 dos 23 Jogos Olímpicos realizados10. É considerado o segundo clube com maior número de atletas olímpicos em dez modalidades e o terceiro em número de presenças nas provas da UEFA. Assim se compreende que um dos principais objetivos da instituição SCP passe pelas vitórias em todas as competições, assentes nos quatro pilares que dão mote ao lema leonino: esforço, dedicação, devoção e glória. Digno de nota é, também, o facto de ter sido um atleta sportinguista, o que primeiro representou Portugal nos Jogos Olímpicos. A instituição que é reconhecida pela simbologia do leão rampante tem, portanto, feito jus à célebre frase proferida por José Alvalade: “Queremos que o Sporting seja um grande clube, tão grande como os maiores da Europa”. O leão tem feito parte do emblema do SCP, desde o primeiro momento,11 elevado nas suas patas traseiras, símbolo de bravura e nobreza de caráter, sobre um fundo verde, cor que expressava, no dizer de José de Alvalade, a esperança no sucesso. Desde a fundação do clube até à atualidade, registam-se cinco emblemas, sendo os elementos principais comuns mas evoluindo em termos de design. 10 O Clube esteve ausente nos anos de 1920, 1934, 1936 e 1956. Conquistou, até ao momento, 10 medalhas olímpicas, número não igualado por qualquer outro clube português. 11 Em 1907, D. Fernando de Castelo Branco autorizou que o leão rampante do seu brasão fosse utilizado como símbolo do Clube mas não sobre o fundo azul. 37 A sede do clube integra-se no próprio estádio, não longe das antigas instalações, com o nome de José de Alvalade, embora também seja conhecida por Alvalade XXI. O estádio, com um campo relvado destinado aos jogos da equipa profissional de futebol, tem uma capacidade para cerca de 50 mil espectadores a que se acrescem mais de centena e meia de camarotes, tribuna VIP, tribuna destinada aos media, lugares executivos e, ainda, meia centena de lugares para pessoas com mobilidade reduzida. Dispõe, também, de um grande complexo desportivo adequado às atividades de carácter competitivo ou de recreação; campo interior multiusos, de dimensões oficiais, para a prática dos desportos coletivos; salas polivalentes dedicadas às modalidades; ginásio com amplas áreas, coberto por luz natural, com equipamento sofisticado e pronto a corresponder a todas as necessidades dos atletas e associados; um espaço dedicado ao crossfit e, ainda, duas piscinas interiores com seis e oito pistas. O empreendimento compreende, ainda, áreas administrativas, loja verde, que disponibiliza todo o merchandising oficial, departamento financeiro e o Museu Mundo Sporting, inaugurado a 31 de Agosto de 2004 que reúne os cem anos de história a nível nacional e internacional. Os órgãos sociais do SCP são a Mesa de Assembleia Geral12, o Conselho Diretivo13 (órgão colegial de administração), o Conselho Fiscal e Disciplinar14 e o Conselho Leonino15. Cada órgão tem funções estatutárias definidas por ordem à boa gestão e funcionamento da instituição.16 1.1.1. O departamento de Futsal O departamento de futsal sportinguista tem procurado, incessantemente, promover a sua modalidade com recurso aos media oficiais, como a Sporting TV, às redes sociais e às presenças de atletas em instituições escolares ou outras. 12 Composta pelo Presidente, Vice-presidente e 3 secretários. Com um nº variável de elementos entre 5 e onze. 14 Composto por um nº de membros não inferior a cinco nem superior a onze. 15 Composto por um conjunto alargado e regulamentado de membros - anexo I 16 No anexo II podem observar-se as principais funções de cada órgão referido. 13 38 O facebook do Sporting é um poderoso meio de divulgação que chega de forma viral aos quatro cantos do mundo. A sua página, atualizada pelos membros do departamento, contém informação acerca do calendário desportivo, notícias, vídeos, imagens dos atletas e das competições, cerimónias realizadas, contratações, etc… O poder das redes sociais está a assumir uma importância crucial no estabelecimento de relacionamentos, na promoção de produtos e na divulgação de serviços. Estas ferramentas de network moderno conquistam cada vez o mais público do mundo desportivo e têm sido amplamente utilizadas. Torna-se agora importante passar a uma breve caracterização do departamento onde desenvolvi o meu estágio. A. Os recursos físicos O Multidesportivo de Alvalade foi inaugurado em 2003. A nave desportiva do SCP serve sobretudo o Futsal e o Andebol verde e branco. Com as habituais dimensões de 40X20, possui um piso flutuante em parquet, adequado à prática das modalidades, no que diz respeito à prevenção de lesões e desempenho dos atletas. Em superfícies demasiado duras, a força de resposta que é transmitida ao corpo é muito maior, podendo ocorrer entorses, tendinopatias e lesões ao nível da articulação do joelho. Por isso, a utilização de um piso adequado à prática desportiva, favorece uma maior absorção de impactos, diminuindo, assim, o número de traumatismos para benefício da saúde do atleta. Dispõe de seis balneários no seu todo, sendo quatro dedicados ao corpo técnico e às equipas de formação e outros dois de uso exclusivo das equipas profissionais de Andebol e Futsal. Numa das laterais do campo, existem duas bancadas de pequenas dimensões com uma lotação máxima de 150 espectadores. Apesar das reduzidas dimensões, a sua existência permite que os escalões de Benjamins, Infantis, Iniciados e Juvenis Femininos realizem os seus jogos do Campeonato Distrital da Associação de Futebol de Lisboa, em casa (na 39 condição de visitados). Entre as linhas laterais e de fundo e as paredes circundantes, existe uma área de 1.20 m de segurança; por detrás das balizas, duas redes maleáveis e amovíveis para amortecimento dos impactos causados pelas bolas. O serviço de climatização permite que treinos e jogos se possam realizar com temperaturas compreendidas entre o 16º e 26º graus centígrados. Relativamente à durabilidade do piso, prevê-se uma projeção de vida útil a 10 anos, encontrando-se, de momento, a cumprir a quarta época desportiva. Toda a limpeza e manutenção é realizada diariamente por uma entidade externa ao clube, ao final do dia. Como apoio logístico complementar a nave, dispõe ainda de posto médico, sala de fisioterapia, sala de reuniões, sala de audiovisuais e dez gabinetes. Para a época 2016/2017 encontra-se prevista a conclusão do pavilhão João Rocha, multidesportivo destinado às modalidades coletivas - andebol, basquetebol, futsal, hóquei em patins e voleibol. A construção teve início em junho do corrente ano, tendo a primeira pedra sido lançada a 27 de março. O edifício localizar-se-á no terreno do lado Este do estádio José de Alvalade, criando nesta zona um complexo desportivo de excelência para o clube leonino. A estrutura contará com quatro bancadas que permitirão uma lotação máxima de 3.000 lugares sentados e uma área de 1000m² onde será implementada a Loja Verde e uma extensão do Museu Oficial do Clube, recorrendo a tecnologias interativas que proporcionarão ao utilizador, através da realidade virtual, um maior contacto com a história do clube. O Pavilhão João Rocha inclui, também, no seu planeamento um auditório e a construção de três campos de futebol de 5 e de 7 nas áreas adjacentes, com o intuito de servir e complementar a formação sportinguista. A inauguração encontra-se agendada para dezembro de 2016. 40 B. Os recursos humanos O SCP assume uma grande presença nos campeonatos nacionais, fazendo-se representar por seis equipas nos escalões masculinos – seniores, juniores “A” (juniores), juniores “B” (juvenis), juniores “C” (iniciados), juniores “D” (infantis) e juniores “E” (benjamins) – e três equipas no sector feminino – seniores, juniores “A” e “B”. A estrutura organizacional é constituída por 64 elementos diretos (anexo III). Na Direção do Departamento, Miguel Albuquerque, tendo como seu secretário, José Almeida; na organização de jogos, Fernando Barroqueiro e Fernando Cunha; como técnico responsável de equipamentos, Lúcio Castro e este ano, no apoio administrativo, Rita Pereira (a autora deste relatório). Na coordenação técnica da formação, Manuel Luís e na logística, David Braga. Como seccionistas, Gonçalo Matos, Tiago Galhano, José Fiúza, Fernando Cunha, Manuel Rescena, David Braga e Cláudia Silveira O coordenador do projeto de Voluntariado, André Duarte; o responsável clínico, Manuel Sousa; o nutricionista, João Brás; a coordenadora do gabinete de Psicologia, Madalena Mascarenhas; o coordenador dos Fisioterapeutas, Tiago Melo; o coordenador do gabinete de observação e análise, Fábio Sousa; o coordenador do Gabinete de Prospeção e Deteção de Talentos, Nuno Ramos e o coordenador Técnico da Academia Estádio, Academia Almada, Academia Vila Real, Centro de Formação de Loures e Centro de Formação da Bobadela, João Alvarelhos. O futsal do Sporting conta com cinco psicólogos para as camadas de formação, um por cada equipa, exceção feita às juniores e juvenis femininas, que dispõem do mesmo psicólogo para os seus escalões. São eles Ivan Reis, Patrícia Filipe, Isabel Cabacinho, Ana Sofia Silva, Nuno Costa além da coordenadora geral que acompanha os juniores “A”. Os elementos responsáveis pela Fisioterapia são Rui Drumound, João Félix, Sara Rodrigues, Inês Santos e uma massagista, coordenados por Tiago Melo. Relativamente às equipas técnicas, os seniores masculinos contam com Nuno Dias como treinador principal, Paulo Luís e José Dias como treinadores adjuntos e Raul Oliveira, treinador de guarda-redes. 41 Os treinadores dos juniores “A” são Jorge Monteiro, Pedro Matias, André Gouveia e Rui Capela; nos juniores “B”, Pedro Santos, Ricardo Vicente, David Gomes e Ricardo Dias; nos juniores “C”, Bruno Varandas, António Sena e Adriano Gomes; nos juniores “D”, João Santos, Nuno Ramos e José Marques; nos juniores “E”, Ricardo Coelho, Cláudio Figueiredo e Bruno Coelho. Nos plantéis femininos, as seniores são treinadas por Filipe Carneiro, Mário Rui e João Oliveira e Jorge Marques, César Lopes, Paulo Oliveira e Hugo Antunes nos juniores e juvenis, que trabalham conjuntamente. Para executar o trabalho de observação e análise, o departamento conta com Ricardo Saldanha, Bruno Silva, André Chaveiro, Bruno Oliveira e Ricardo Arroio, orientados por Fábio Sousa. Nesta época apenas os três escalões femininos não dispuseram de profissionais a realizar este tratamento de informação. Nas três Academias do Sporting e nos dois Centros de Formação há mais colaboradores que se encontram ao serviço do emblema leonino, contudo, o seu contacto com o departamento já ocorre de forma mais esporádica do que com os intervenientes acima referidos. As academias e os centros de formação procuram detetar e selecionar novos talentos redirecionando-os para as equipas principais, tornando a prática desportiva acessível a um maior número de crianças e jovens. Nestas academias são três os principais objetivos do projeto: apostar na formação desportiva, disponibilizando aos seus parceiros o modelo de formação base; expandir, reforçar e fidelizar a marca Sporting junto dos jovens e seus familiares seguindo os princípios e os valores que o sustentam; e ainda ajudar a descobrir jovens talentos reconduzindo-os para as principais equipas dos escalões de formação, que atuam nos quadros de competição distrital e nacional. Semanalmente, as equipas realizam as suas unidades de treino em quatro locais distintos: o pavilhão multiusos de Alvalade situado no interior do estádio, o pavilhão Paz e Amizade, em Loures, o multiusos de Campolide, destinado essencialmente às equipas de formação e o pavilhão multiusos de Odivelas, utilizado, na maioria dos casos, apenas pela equipa sénior 42 masculina. Tal situação deve-se ao elevado número de equipas que treinam e que têm que ser distribuídas equitativamente pela “casa mãe”, sem prejuízo de qualquer secção do universo sportinguista. O Sporting C.P. é atualmente o clube que envia maior número de jogadores para a Seleção Nacional de Futsal (média de cinco por convocatória), a cargo do Selecionador Jorge Braz. 1.2. Competências funcionais atribuídas e definição do plano de ação Nos primeiros contactos com o departamento de futsal e com o seu Diretor, Miguel Albuquerque, fixou-se uma plataforma de colaboração, abrangente e multidisciplinar, numa perspetiva de apoio ao funcionamento da secção de futsal. De uma forma global estabeleceram-se três áreas de trabalho pelas quais a minha experiência passou. Ao nível do trabalho administrativo corrente fui incumbida das tarefas de cariz informático, do controlo de bilhética, da construção, tratamento e arquivo de documentos e da correspondência com o exterior. Ao nível da divulgação do clube e da modalidade foi-me solicitado que fizesse campanhas de promoção pelas escolas e a publicação de eventos e notícias nas redes sociais. Ao nível das realizações internacionais, o Diretor do Torneio, Miguel Albuquerque, integrou-me na equipa organizativa da UEFA Futsal Cup 2015. 1.3. Problemas em estudo nas áreas de desempenho definidas. Apesar do modelo de relatório apresentado se definir por ser descritivo e ter o propósito da analisar e enquadrar o meu desempenho ao longo do estágio, pareceu-me ser adequado colocar como constructos (problemas) de 43 base, a merecer uma reflexão crítica pessoal, as questões que a seguir são expostas. Elas são transversais a todo o trabalho. i) Terá o futsal impacto como evento desportivo de massas? Que impacto tem tido o futsal sobre os adeptos do desporto? Em que aspetos está a modalidade a crescer? O que procuram os adeptos consumidores nos eventos desta modalidade? ii) O modelo de gestão utilizado na UEFA Futsal Cup é apropriado para a realização de eventos? Que indicadores de sucesso foram apresentados? Que perfil devem ter os gestores e diretores de operações na realização de grandes eventos? Portugal reúne condições e recursos para a realização de eventos desportivos? Não se pretende enveredar por uma dissertação mais profunda ou defender quaisquer teses, antes sim, fazer um enquadramento mais rigoroso e circunstanciado da minha atividade ao longo de cerca de sete meses, na perspetiva de um desenvolvimento desportivo sustentado entre o futsal e a gestão de eventos. Será, pois, naquelas dúvidas metódicas que fundamentarei as conclusões que apresento no final. 1.4. A metodologia de apresentação dos dados e do relatório Devo reconhecer que pôr em prática o conhecimento académico pessoal numa tarefa de tais dimensões e traduzi-lo num relatório de estágio é um desafio exigente. O manancial de informação com que lidei diariamente, as 44 bases de dados a que tive acesso, os contactos que estabeleci, as redes de colaboração que integrei, as práticas que realizei, geraram dados e indicadores que consolidaram conhecimentos e ampliaram horizontes permitindo-me desenvolver skills nesta matéria. Por uma opção metodológica submeto a análise da minha aprendizagem a dois princípios que lhe darão forma e fiabilidade: descrição dos factos e ações que é cronológica e sequencial, numa perspetiva sincrónica de tempo e espaço, assumindo no meu discurso uma posição descritiva, categorizando dados de acordo com uma matriz pré-estabelecida; a aprendizagem resultante das experiências do objeto descrito. O objeto a descrever tem enfoque em duas dimensões: a observação e a participação. 1. A observação – aqui classificada como o conhecimento que adquiri sem que tivesse participado ativamente nas ações. É o conhecimento que decorre da partilha de informações entre gestores e agentes de diversas operações, um saber de enquadramento na estrutura da organização (exemplo: segurança, protocolo, alimentação, …). 2. A participação – indexada às operações e ações que me incumbiram. Referem-se a áreas operativas, nas quais dispus de autonomia, que fossem de encontro aos objetivos, timings e dinâmica do evento. Aqui, adquiri e reforcei competências da área de estudos da gestão do desporto – os eventos desportivos – numa perspetiva da execução de operações concretas relacionadas, por exemplo, com a acreditação, a hospitalidade e os equipamentos desportivos. A flexibilidade do funcionamento da estrutura orgânica não prevê a separação das operações e áreas de influência porque elas estão interdependentes e o conhecimento global tem de ser assumido por todos. 45 2. Atividades desenvolvidas durante o estágio profissionalizante De acordo com o modelo de funcionamento da secção de futsal do SCP, fui integrada na sua estrutura como estagiária e como um elemento de apoio administrativo em relação estreita com o seu diretor. No entanto as minhas aptidões/capacidades foram variando em tipo e forma ao longo do estágio, consoante as necessidades e as competências por mim demonstradas. Para melhor organização do relatório optei por dividir o meu âmbito de intervenção em três grandes áreas. A área das tarefas correntes que integra todo o tipo de atividade e operação relacionada com a logística documental, gestão administrativa de documentos e correspondência com o exterior. A segunda área, a da divulgação, reporta-se às experiências de projeção do futsal e do SCP junto de camadas jovens nas escolas. A terceira área, a UEFA FUTSAL CUP, refere-se à parte central deste meu relatório. 2.1. Tarefas correntes As tarefas correntes ocuparam uma parte substancial do meu trabalho. Elas são transversais a todos os projetos em que participei. Constituem um elevado número de funções que sintetizo no quadro que apresento a seguir. Por uma questão metodológica integrei-as em quatro categorias de operação: trabalho administrativo, bilhética, tratamento de documentação e correspondência com o exterior e relacionei-as com as competências gerais que desenvolvi. Quadro 3 – Tarefas realizadas durante o estágio Operação Atividade Ofícios Trabalho Organogramas Administrativo Calendários Mapas Competências Técnicas: na área da informática e da comunicação, 46 da análise e Convites Fichas de imprensa Planos de atividades Faturação informação e conhecimento, da Arquivo proatividade, da flexibilidade e Catalogação dos processos de adaptação. Depósitos bancários Atualização planeamento. de Comportamentais: nas áreas de busca de canais digitais (redes sociais) Levantamento Contagem Monitorização Retorno financeiro Candidaturas Técnicas: Tratamento Reestruturação documental Documental Atualização documental Bilhética Técnicas: na área da informática, da gestão, cálculo e finanças. na área da informática e da comunicação, da análise e planeamento. Rede de contactos: Técnicas: Homólogos, na área da informática e da Hotéis, comunicação, Escolas, planeamento. Contactos Fornecedores, Exterior Ex-atletas e ex-dirigentes, da análise e Comportamentais: nas áreas de relação entre Bancos, agentes C.M.L. conhecimento, e conhecimento áreas do aumento do da profissão, informática e do bilinguismo. 47 2.2. Divulgação Nesta área integrei os grupos que se deslocaram às várias escolas no sentido de promover o futsal e o SCP em particular. Durante o meu estágio realizei quatro atividades de divulgação. O processo utilizado para o desenvolvimento destes eventos promocionais obedecia ao método sequencial de realizações de pré-evento, evento e pósevento. No pré-evento decidiam-se os jogadores que fariam a promoção, o meio de transporte, a definição dos objetivos principais e a preparação de materiais. Tomava-se conhecimento do tipo de público que iriamos contactar, os escalões etários a que pertenciam, etc. Numa breve reunião – briefing, eram delineados horários e competências. O evento, propriamente dito, era constituído por uma entrevista aberta entre alunos e alunas e os atletas do SCP, a que se seguia uma sessão de autógrafos e fotografias. No pós-evento, numa reunião de carácter avaliativo procedia-se a uma análise do trabalho realizado17 – debriefing. As notas que a seguir se apresentam são retiradas da minha agenda diária (diário de bordo) e constituem um registo pós-evento (anexo IV). 2.2.1. Divulgação EB.1 Maria Lamas - Odivelas “No dia 29 de Janeiro, com alguns elementos da equipa sénior de futsal do Sporting Clube de Portugal realizei uma visita de cariz desportivo e social à Escola Básica do 1º Ciclo/ Jardim de Infância Maria Lamas, em Odivelas, no âmbito do programa do Desporto Escolar. Estiveram presentes o treinador principal, Nuno Dias e dois dos seus atletas, João Benedito e Paulinho. Cerca de 300 crianças, com idades compreendidas entre os 5 e 10 anos, mostraram o seu entusiasmo perante os ídolos leoninos. Os mais novos 17 Na sequência do debriefing, eram publicadas online fotografias representativas da atividade. 48 tiveram oportunidade de colocar diversas perguntas sobre o seu dia-a-dia, treinos, companheiros e conquistas alcançadas, tendo ficado reservado para o final uma sessão de autógrafos e entrega de bilhetes para o jogo do fim-desemana contra o Rio Ave, no Pavilhão Multiusos de Odivelas. Esta atividade teve como principal objetivo incentivar à prática da modalidade junto de todos os jovens e apoiar o torneio de futsal que a escola realizaria inserido no Programa de Atividade Física e Desporto na Escola” (anexo V). 2.2.2. Divulgação EB. 2,3 Moinhos da Arroja – Odivelas “No dia 6 de Março, a equipa de futsal do SCP marcou presença em mais uma iniciativa desportiva no âmbito da atividade física e desporto nas escolas. Os atletas profissionais Pedro Cary e Cristiano realizaram uma visita à Escola Básica do 2º e 3º ciclo Moinhos da Arroja, em Odivelas, pelas 11 horas. O principal objetivo prendeu-se com a sensibilização e incentivo à prática da atividade física junto da comunidade escolar. Procedeu-se, também, à distribuição de convites aos jovens, para assistirem à jornada número 23 da Liga Sport Zone que opôs os atletas do SCP à equipa do Modicus Sandim, de Vila Nova de Gaia, Porto” (anexo VI). 2.2.3. Divulgação Escola Secundária da Ramada – Odivelas “No dia 20 de Março pelas 11 horas a secção de futsal realizou, uma vez mais, uma das suas iniciativas com uma das escolas do Município de Odivelas. Desta feita, a Escola Secundária da Ramada recebeu a presença de três atletas seniores, Diogo, Miguel Ângelo e Caio Japa, para promoção da modalidade junto dos mais jovens. Com idades compreendidas entre os 13 e 17 anos, os jovens mostraram-se bastante interventivos colocando as mais 49 variadas questões sobre o clube e as competições que se encontram a disputar. Com um auditório bastante composto, ao longo de uma hora e meia, a bola rolou entre perguntas e respostas tendo terminando com uma sessão de autógrafos e entrega de bilhetes como habitualmente” (anexo VII). 2.2.4. Divulgação Escola Secundária Pedro Alexandrino – Póvoa de Santo Adrião “No dia 10 de Abril com André Sousa, Ana Marques e Jorge Fernandes, mais conhecido por Djô, visitei a Escola Secundário Pedro Alexandrino, na Freguesia de Póvoa de Santo Adrião. Esta iniciativa, no âmbito da promoção e desenvolvimento do Desporto Escolar, permitiu que jovens alunos do Concelho de Odivelas, numa conversa aberta, conhecessem melhor o dia-a-dia dos atletas seniores do Sporting Clube de Portugal, colocando as suas dúvidas e curiosidades. No final do encontro, os alunos receberam convites para marcarem presença no jogo da jornada, frente ao Sporting de Braga, a contar para o Campeonato Nacional de Futsal” (anexo VIII). As atividade de divulgação acima descritas de forma sumária foram sempre acompanhadas pela Sporting TV e constituíram apontamentos mediáticos utilizados pelos editores do canal do SCP. De uma forma global revelou-se um trabalho que me deu grande satisfação realizar e que serviu para desenvolver, por um lado, competências técnicas como a análise, planeamento, comunicação e crítica. Por outro lado, reforcei as minhas competências de relacionamento, de capacidade de busca de informação e mostrei-me proactiva e adaptável a novas dinâmicas. 50 2.3. UEFA FUTSAL CUP 2.3.1. A candidatura Segundo as regras da UEFA, a escolha da cidade onde se deve disputar a fase final obedece, fundamentalmente, a dois critérios de seleção: 1. A cidade tem de pertencer a um país de uma das equipas que disputa a prova; 2. Capacidade organizativa do clube que se propõe a acolher a fase final; Algumas das equipas apuradas candidataram-se à organização da UEFA Futsal Cup. O facto de o SCP ter sido clube finalista da prova e por haver reconhecimento da sua capacidade organizativa, foram condições decisivas para a apresentação do processo de candidatura à UEFA Futsal Cup. O processo formal é rigoroso e baseia-se no preenchimento de um formulário que permitirá aos decisores finais optar pelo dossiê que melhor se adequar ao evento. Nele podemos verificar que as exigências requeridas são uma garantia para que o evento atinja os patamares de excelência que a UEFA pretende. Aponta indicadores de recursos físicos, logísticos, humanos, financeiros e de promoção. Apresentamos a seguir os principais elementos que nela constaram, tendo sido truncados itens, como se entenderá, que não podem ser do conhecimento público. A língua oficial e de trabalho foi o Inglês, pelo que se mantêm os formatos dos documentos evitando deturpações de tradução. Quadro 4 – Formulário de candidatura à UEFA Futsal Cup 2015 Club: Sporting Clube de Portugal Association Federação Portuguesa de Futebol 51 HALL INFORMATION Name of the hall: Meo Arena Hall Address Rossio dos Olivais, Lote 2.13.01A – Parque das Nações Postcode 1990-231 City Lisbon Year of construction: 1996-1998 Year of (complete) renovation, if any a) Seats Number: b) Standing places 10.000 Number: c) VIP box 100 Number: d) Media Zone 100 Number: 28 Net Capacity = total – media seats & TV platforms (min. 4’500) Available area for pitch: 110 X 55 m. Pitch dimension: 40 X 20 m Intensity of lighting: lux (min .required: 1800 for HD production) Dressing rooms for teams (min. 4) Dressing rooms referees a) Referees dressing room Area 80m 2 No. of showers: 4 Delegate’s room Is there a room for the UEFA match delegate near the dressing rooms? x yes Doping Control Station n a) Room for drug tests (waiting zone, table, chairs, fridge) X yes b) Sanitary facilities X yes Room Area: 25 2 o n 2 m (min. 25m ) n o Emergency Medical room (see UEFA Medical Regulations) Is there a room located close to the dressing rooms? o X yes n AIRPORT Name and place Portela Airport – Lisbon Distance from the hall 4 km (max. 2-hour bus drive) Regular scheduled international flights X yes o no HOTELS Name of Team Hotel Lisbon Marriott Hotel Category: 4 Stars (min. 4 stars) Internet address: rrrrrrrrr Number of rooms: Single: 381 Twin: 196 Price/night (in local currency): Single: 75 € Twin:95€ Distance to the match hall: 1 km 3 mins Distance to city centre: 6 km 10 mins Distance to the airport: 3 km 5 mins Name of UEFA officials’ Hotel (if not the same) Category Stars (min. 4 stars) Internet address: TRAINING HALL Name of the training hall Estádio José Alvalade Distance to the Team Hotel: 5 km Distance to the Team Hotel 2 (if applicable): Pitch dimension: 40 X 20 m 52 8 mins Dressing rooms How many? 4 Area: 65 m 2 What is the surface type (ideally parquet)? YES No. of showers: 6 No. of toilets: 4 Parquet FINAL DRAW & WORKSHOP for the finalists and promotion of the event (min. 30 days before the Finals) Name of the Hotel: Lisbon Marriott Hotel Name of the Draw room: Marriott Capacity of the Draw room: 150 Number of media invited: 50 Dimension of Draw room: Type of media invited: X m. Technical facilities (yes or no) CD/DVD Player YES Data show (beamer): Internet connection: YES Microphone: YES Translation booth: YES Podium: YES Budget at disposal for the Draw & Workshop (local currency)? BUDGET (all amounts in local currency) What is your budget for this event (excluding €100’000 UEFA contribution)? 180.000€ How many tickets are you expecting to sell per day? 8.000 At which price? 20€ How many complimentary tickets will you offer (to partners, schools, etc..)? 2.000 PROMOTION Please indicate what promotion budget do you have at disposal? 60.000€ Please describe in details what is your intention with regards to event promotion: Eventpatrons, Internacional Futsal Seminar, Right To Play partnership for this event, National Futsal day All-stargame, Female Futsal game, innovative volunteer program, adopt a team and public interest status. status. City/authorities involvement Please hereafter explain how your local/regional/national authorities will help you in the execution of this project Miscellaneous Please hereafter add any further key information (main contacts, etc..) and/or attach any additional relevant document related to the Futsal Cup Finals that may be of importance Name of the Club Signature Date and place: 53 Após avaliação do Comité de Organização de Provas da UEFA, a decisão de trazer a competição para a cidade de Lisboa e atribuir a coorganização ao Sporting Clube de Portugal foi ratificada pelo Comité Executivo da UEFA. Pela terceira vez, a cidade de Lisboa seria o grande palco da prova UEFA Futsal Cup – fase final, o maior evento desportivo do ano, na cidade. Depois da aceitação da candidatura realizei, a título pessoal, um diagnóstico das potencialidades do SCP nessa realização. Foi um processo de aprofundamento do meu conhecimento sobre a instituição e o evento. A partir de modelos de análise como o Business Model Canvas 18 (ver anexo IX) e de Diagnóstico Estratégico como a Análise SWOT19 (ver anexo X) pude obter uma perspetiva ampliada e objetiva sobre a dimensão e alcance desta fase final do evento. 2.3.2. Descrição geral do evento A UEFA Futsal Cup é uma competição anual de equipas europeias, equiparada à liga dos Campeões de Futebol. Criada na época 2001/2002, é organizada pela UEFA em estreita colaboração com a estrutura do clube selecionado para a receção da competição. Trata-se de uma realização tipificada como um “Pequeno Evento” na perspetiva de Sarmento (2010, 2014) e de tipo B para Boyer et al. (2007). Formato: A Taça UEFA de Futsal compreende três fases de grupo e uma fase final com quatro equipas20. 18 O Business Model Canvas deu boas indicações, apresentando como propostas de valor o facto de ser a competição europeia de clubes mais prestigiada, de ser um evento internacional e, de ter por base o lazer a emoção e o bem-estar. 19 Com a análise SWOT, pude perspetivar que os pontos fortes referenciados (equipa especializada com formação e anos de prática; realização de diversas fases de grupos nos anos transatos; recursos humanos, materiais e financeiros; parcerias e patrocinadores; media da instituição; nº de praticantes da modalidade; envolvimento da comunidade; inovação tecnológica; paixão e emoção pelo evento e a internacionalização do clube) seriam adequados em número e qualidade para o evento. 20 Http://www.uefa.com/MultimediaFiles/Download/competitions/General/02/26/41/58/2264158_DOWNLOA D.pdf 54 Na fase de qualificação, os países com o ranking mais baixo são sorteados em quatro mini-torneios no início da época. O vencedor de cada grupo apura-se para a fase seguinte. Passando à fase principal, juntam-se os clubes apurados do minitorneio às equipas melhor classificadas. São novamente sorteados seis grupos de quatro equipas realizando-se novo torneio. Daqui passam à ronda seguinte os dois primeiros classificados. A ronda de elite agrupa as doze equipas apuradas da fase principal aos quatro cabeças-de-série. Daqui segue novo sorteio para novo torneio - elite group - onde os seus vencedores, em cada grupo respectivamente, passarão à final four. A escolha dos anfitriões dos mini-torneios realizada por parte da UEFA baseia-se nos seguintes critérios: a qualidade dos formulários de inscrição, a qualidade das infraestruturas disponíveis (hotéis do torneio, campos de treino, etc.), as distâncias entre as instalações, o conceito promocional, as experiências anteriores do clube como anfitrião, o potencial do país para o desenvolvimento do futsal, a existência de clubes que já tenham recebido um mini-torneio em rondas ou épocas anteriores, etc… Por último, na fase final, as quatros melhores equipas do torneio competirão num formato de eliminação direta, agendado no último fim-desemana do mês de Abril, no país eleito para a final. 2.3.3. Organização geral A UEFA faz-se representar durante a competição por um delegado ao jogo, observadores de árbitros, árbitros oficiais e coordenador de dados que transmitem informação ao organismo em tempo real. O Comité de Organização Local, designado pela sigla LOC21, tem como principal objetivo facilitar a cooperação entre os anfitriões e a UEFA antes, durante e após o evento. Nele deverá ser eleito um coordenador intitulado Diretor do Torneio, responsável por questões organizativas e administrativas, 21 Local Organizing Committee 55 que seja conhecedor da língua inglesa e que tenha total autoridade perante questões operacionais decorrentes da organização dos jogos. O LOC deverá ser elaborado atempadamente com elementos responsáveis pela coordenação das áreas-chave do torneio. São eles: O Diretor do Torneio, que deverá encarregar-se do controlo de todo o evento, manter-se contactável 24 horas por dia e ser fluente na língua inglesa. O responsável pela acomodação e transportes que se certifica de todas as reservas nos hotéis selecionados para as comitivas, deslocações, instalações várias (salas de reuniões, sala de massagens, sala de audiovisuais, etc.) e serviços, onde são englobadas as refeições, lavandaria, e instalações técnicas, entre outros. Fica a seu cargo, também, assegurar os veículos necessários e providenciar a todas as equipas e à UEFA, transferes entre aeroporto, hotel, recintos de jogo e treino, frotas de automóveis para qualquer atividade e transporte dos dirigentes dos clubes. Um encarregado dos recursos humanos que recrute e coordene todos os voluntários e os Team Liaison Officers (TLO’s). Um responsável pelas instalações e organização de jogos que se certifica de que todos os pontos descritos no regulamento referente aos espaços físicos são cumpridos e garanta que são tomadas todas as medidas respeitantes às condições e espaços destinados ao controlo antidoping e situações médicas22. A seu cargo terá, também, a responsabilidade de informar as autoridades locais sobre o início e término das partidas, bem como a implementação de todas as diretrizes regulamentadas. Deve providenciar o controlo e segurança no recinto, o número adequado de efetivos policiais e de staff de apoio aos espectadores, para manter um ambiente favorável entre todos os indivíduos envolvidos no evento e, ainda, 22 Como descrito no ponto 3.9 do Manual de Clubes da UEFA. 56 fazer chegar às equipas, aos fãs, aos media, aos VIP’s, etc., todos os documentos relacionados com os jogos. Um responsável pela promoção publicitária e bilhética, que garanta que a competição recebe a melhor divulgação, prepara e implemente a estratégia de venda de bilhetes seguindo todas as guidelines e que mantêm a identidade da marca mencionada no manual da UEFA Futsal Cup. Um responsável pelos media, patrocínios e hospitalidade VIP, que providencie aos meios de comunicação locais e internacionais todas as instalações nos pavilhões, coordene e garanta a qualidade de toda a atividade bem como a hospitalidade para os membros VIP nos dias dos jogos23; Os Team Liaison Officers (TLO’s) deverão estar ao dispor das equipas 24 horas por dia, desde a sua chegada até à partida. Enquanto acompanhantes das equipas, têm como deveres manter o contacto entre o LOC e as comitivas; envolverem-se na reunião diária com o comité organizador local para discutir questões práticas; deslocarem-se com os atletas para todos os eventos estipulados – sessões de treino, jogos, excursões -; garantirem que nenhum serviço ou material, que tenha sido acordado por parte da organização seja esquecido; atuarem como intérpretes sempre que solicitado e proporcionarem toda e qualquer informação relativa à cultura local e / ou nacional, às tradições e aos hábitos de vida dos habitantes. Como requisitos para a sua seleção constam os seguintes critérios: boa capacidade de comunicação em língua inglesa e, se possível, na língua do país de origem dos elementos com que vão trabalhar, ter um conhecimento alargado sobre a própria cultura e tradições, conhecer o local onde vai decorrer o evento e estar à vontade perante a modalidade de futsal. Também as equipas de árbitros têm um elemento a acompanhá-los, que 23 Como descrito na secção 4.1.11 do Manual de Clubes da UEFA. 57 neste caso são designados por Referee Liaison Officer (RLO). No caso das equipas de controlo antidoping a terminologia utilizada é Doping Control Liaison Officer (DCLO). Tornam-se responsáveis pelo acompanhamento da comitiva de árbitros, bem como dos elementos do controlo antidoping durante as competições. Para esta última situação, o elemento de acompanhamento não necessita de ter habilitações médicas para desempenhar a função. A estrutura representativa desta fase final da UEFA Futsal Cup 2015 que se realizou em Lisboa, pode observar-se no organigrama apresentado a seguir. 58 UEFA Tournament Director Tournament Director Assistant MIGUEL ALBUQUERQUE Sports Facilities JOÃO AMORIM Accommodation and Transport Manager JOSÉ ALMEIDA Marketing JOÃO NUNES Vip’s Arts Hotel Accomodation Manager JOÃO RIBEIRO Concessions Manager JOANA ORNELAS TV/ Media Manager/ Media Officer RITA MATOS Ticketing PAULO ALMEIDA VIP Hospitality Manager ROSA DUARTE JOÃO PEDRO NUNES Responsible for Security RICARDO GONÇALVES VIP Liaison Officer UEFA Delegates Liaison Officer Referees Liaison Officer CARLOS SOUSA FRANCISCO BARROQUEIRO NUNO CASTRO & ANTÓNIO CARDOSO Accreditation RITA PEREIRA Team Liaison Officer Medical Officer Match Organiz. Manager & Voluntaries Coordinator MANUEL SOUSA INÊS CAETANO Supporters Liaison Officer ANDRÉ GERALDES KAIRAT AFC FC BARCELONA MFK DINA MOSKVA TLO: ANA DELFINO 59 TLO: PEDRO PORTAS TLO: NANA PEREIRA Staff Support RICARDO GUERREIRO & FERNANDO CUNHA Doping Control MANUEL LOPES 2.4. Apresentação de dados da prática A síntese dos dados foi feita com base nas premissas de tipificação de eventos de acordo com Sarmento (2002) e atrás descritas. São, agora, compulsadas e organizadas de acordo com dois tipos de dados: a) os indicadores de intervenção resultantes da minha participação ativa nas operações e que configuram o treino de competências no âmbito da gestão do desporto; b) os indicadores de observação resultantes da minha situação de presença não ativa. Ao longo do estágio fiz registos diários com milhares de entradas criando um diário, cujo tratamento é, agora, depurado para apresentação dos dados nas duas categorias atrás indicadas. Da conjugação das duas posições que assumi durante o estágio, enquanto participante ativa e observadora, pude desenvolver competências no quadro da gestão e organização de eventos desportivos, numa relação bidirecional – operacionalização competência conhecimento conhecimento competência / operacionalização. O quadro sinóptico que se apresenta no final das operações, reflete estas sinergias de aprendizagem. 2.4.1. As operações organizativas do evento Partindo do modelo apresentado por Sarmento (2014), ao qual foram acrescentadas outras operações, como, media, marketing e bilhética, gestão de concessões e controlo antidoping, passarei a descrever as minhas experiências tidas em cada uma delas ao longo de quatro meses. Essas notas, 60 retiradas do meu “diário de bordo”, serão acompanhadas nalguns casos por quadros e anexos que darão suporte à análise qualitativa de desempenho. 2.4.1.1. Os transportes Para este tipo de competições a UEFA determina que a distância compreendida entre o aeroporto e os hotéis das equipas participantes na prova, não deverá exceder mais de 2 horas de autocarro. No caso dos quatro finalistas, não ficarem concentrados no mesmo alojamento, a distância entre estes não deverá ultrapassar os 30 minutos; entre os hotéis e o recinto oficial de jogo, o tempo a despender deverá ser no máximo 1 hora e por último, entre os hotéis das equipas e o pavilhão de treino não deverá exceder 20 minutos24. Durante o evento, o esquema de transportes obrigou a uma rigorosa articulação de meios. Durante o pré-evento, realizaram-se nos dias 7, 8, 9 e 10 de Fevereiro, o sorteio final e o workshop de equipas, que contou com a participação de alguns dos membros da UEFA e representantes dos quatro clubes em competição. Neste período, o mapa de circuitos estabelecido compreendeu a utilização de três viaturas de aluguer – um monovolume de 8 lugares e dois automóveis de 5 lugares – para percursos pré-definidos, estando a meu cargo a condução de um dos veículos (anexo XI). Aqui intervim ativamente transportando elementos da UEFA e membros da direção das equipas entre diversos pontos de Lisboa - Aeroporto, Estádio de Alvalade, Parque das Nações, Estádio da Luz, Meo Arena, etc. A língua de trabalho utilizada foi o inglês (anexo XII). Durante a fase de competição, os itinerários compreendiam a passagem pelos seguintes locais: 24 Manual de Clubes da UEFA 2014/2015 61 Quadro 5 – Itinerários UEFA Futsal Cup 2015 Itinerário Local Chegada e partida Atletas, Comitiva UEFA, 1 Aeroporto da Portela Árbitros, Observadores, Elementos da cadeia televisiva Eurosport 2 Alojamento Hotel 1 e Hotel 2 3 Instalações desportivas Meo Arena e Multiusos do Estádio de Alvalade As deslocações para os programas culturais e jantar oficial realizados, também se encontravam englobados neste mesmo mapa de transportes. A frota de veículos era constituída por três autocarros modernos, de 30 lugares, devidamente identificados com o nome do clube, com ar condicionado e condutor particular durante toda a estadia; 6 automóveis de 5 lugares, um monovolume e uma carrinha de 8 lugares. De acordo com o regulamento da UEFA, dois dos carros deveriam estar à disposição dos membros oficiais das delegações e outros dois destinados à equipa de arbitragem. Qualquer dos transportes em utilização encontrava-se devidamente caracterizado com os logótipos identificativos da competição. Nesta operação a minha participação foi tanto de observadora como de participante. Pude constatar que a rede de transportes criada para este tipo de eventos deve obedecer a diferentes critérios e exigências. Em primeiro lugar, deve assegurar-se a qualidade dos meios de deslocação para que se possa garantir a comodidade e segurança dos envolvidos. Em segundo lugar, importa a definição de itinerários, que possibilite 62 a rápida circulação e pontualidade. E, por fim, que o transporte também pode ser utilizado como meio de hospitalidade. Na perspetiva do enriquecimento do meu perfil considero ter reforçado as competências técnicas de capacidade de análise dos contextos, de comunicação e capacidade crítica. Ao nível das competências de cidadania acentuei a minha postura ética, do respeito pelos valores sociais e institucionais. Relativamente às competências comportamentais revelei capacidade de me relacionar, de procurar informação e conhecimento, assim como fui capaz de me adaptar ao grupo de trabalho que integrei e à realização das tarefas que me conferiram. 2.4.1.2. A alimentação Considerada uma das operações mais complexas pelo elevado número de envolvidos, o processo de alimentação requereu uma articulação e controlo rigorosos. Além de englobar todos os participantes diretos (atletas, dirigentes e árbitros) procura, também, suprir as necessidades da organização, staff, convidados e voluntários. No primeiro caso, a sua seleção é realizada com bastante antecedência, envolvendo o LOC e os hotéis escolhidos para acomodação. Deverão seguir um plano nutricional adequado e ter em especial atenção aos pedidos de dietas solicitados por algum dos elementos. Posteriormente, é divulgada para a UEFA e submetido à aprovação das equipas um mês antes do evento. Durante a competição, cada equipa dispõe de acesso individual a uma sala de refeições e de audiovisuais no hotel 125: Sporting C.P. (sala Arts II); FC Barcelona (salas Ruby I, II e III); AFC Kairat Almaty (salas Diamante I e II) e MFK Dina Moskva (sala Arts I), sendo que as três refeições previstas por dia, apesar de se encontrarem previamente calendarizadas (anexo XIII), apresentavam uma flexibilidade de horários para as possíveis casualidades. 25 Por questões de estruturação do texto, a identificação dos hotéis será feita no subcapítulo seguinte. 63 As ementas elaboradas procuraram cumprir no processo de nutrição, um regime alimentar equilibrado, assegurando desta forma, a incorporação e utilização pelo organismo de energia e materiais indispensáveis ao seu bom funcionamento. Seguiu-se uma tipologia de dieta mediterrânica, consagrando em todas as refeições uma vasta oferta de vegetais, sopas do dia, uma opção de massa com elevado índice glicémico, uma opção de peixe, uma de carne e sobremesas diversas (anexo XIV). Uma alimentação na qual a ingestão de nutrientes ocorre de forma adequada, isto é, um consumo balanceado de glícidos (50-60% da ração calórica por dia), proteínas (10-15%) e lípidos (20-30%) de acordo com dispêndio energético, reflete-se no desempenho do atleta a médio e longo prazo. Diversos estudos provam que uma correta alimentação auxilia na manutenção de substratos enérgicos durante o esforço físico, diminuindo o tempo de recuperação após o exercício e o risco de lesão ou doença. Permite, igualmente, a manutenção da função imunológica e da composição corporal, e ainda, a preservação da massa muscular e óssea, fatores que se refletem na performance desportiva (Teixeira, 2006). No que concerne aos convidados, o volume de refeições servido foi realizado por um serviço externo de catering personalizado. A contratação de empresas externas, confere uma solução prática e de qualidade para dar resposta a eventos com esta dimensão. Para os voluntários, a solução adotada, devido ao elevado número de envolvidos, recaiu sobre refeições volantes, rápidas, passíveis de serem consumidas em horários alargados. Nesta operação a minha participação foi como observadora. Verifiquei que os regimes alimentares de todos os intervenientes obedecem a diferentes tipos de critérios e exigências garantindo a supressão de necessidades e contribuindo para o bem-estar, nos períodos de tempo adaptados a cada grupo participante no evento. Acerca desta área, considero ter reforçado as minhas competências técnicas de análise e gestão; competências de cidadania, com o respeito 64 pela diversidade cultural e gastronómica; ao nível das competências comportamentais, reforcei as minhas informações e conhecimentos. 2.4.1.3. O alojamento O alojamento compreende a receção e instalação dos participantes, com recurso a unidades hoteleiras. Por ser uma das operações que envolve maior investimento ao longo de todo o projeto, também obriga ao cumprimento de determinados requisitos. Nos meses antecedentes à competição, a UEFA realiza uma inspeção para verificação do cumprimento das habituais normas, onde o regulamento oficial estabelece, que todos os hotéis selecionados deverão possuir um padrão de qualidade standard, em categoria 4 estrelas. Os anfitriões do evento deverão facultar às equipas (constituídas por 21 elementos, no máximo) as seguintes instalações: sete quartos duplos para os jogadores com duas camas individuais cada; sete quartos individuais para as delegações oficiais; uma sala de tratamento médico equipada com mesa de massagem e uma sala para arrumo de equipamento desportivo, preferencialmente localizada no piso térreo para um acesso mais prático através do estacionamento. Para a equipa de arbitragem bem como a comitiva da UEFA deverão ser providenciados quartos individuais, num hotel distinto daquele que tenha sido determinado para os atletas, mas ambos hotéis deverão facultar aos seus clientes a mesma tipologia de serviços e comodidades. Nesta 14ª edição da UEFA Futsal Cup, foram eleitos dois hotéis designados neste relatório por Hotel 1 (equipas) e Hotel 2 (UEFA), distanciados entre si por 350m e a menos de 1km do Meo Arena, onde o conforto estava aliado ao design e à tecnologia. Com uma localização estratégica, permitiram um acesso rápido às diversas infraestruturas de lazer, transportes, restauração e entretenimento. Nesta operação a minha participação foi de observadora, recolhendo informação e consolidando conhecimentos acerca das normas e padrões 65 relativas à hospedagem e confirmando, in loco, a qualidade dos espaços exigida pelo organismo internacional. 2.4.1.4. A acreditação O processo de acreditação acarreta uma responsabilidade acrescida, pela sua estreita ligação com os níveis de segurança determinados para um evento desta envergadura. Este processo, de identificação pessoal e intransmissível, possibilita uma monitorização da circulação dos participantes pelas áreas que constituem a instalação desportiva - Meo Arena. Localizado na zona Norte do edifício, o centro de acreditação era facilmente identificável pelos vários painéis alusivos ao evento. No interior, três balcões subdividiam o espaço: um destinado à hospitalidade, onde decorria o levantamento de bilhetes VIP e VVIP (bilhetes dedicados a entidades institucionais sob normas protocolares) para as zonas de tribuna; um segundo balcão somente para acreditação dos media, dado o elevado número de meios de comunicação envolvidos; e um último que reunia as restantes áreas – serviços, LOC, host broadcaster e voluntários (anexo XV). O centro de acreditação funcionou entre 21 e 26 de Abril, no horário compreendido entre as 09:00h e as 18:00h, com exceção feita no primeiro dia de jogo, em que este encerrou às 22:00h. O sistema de identificadores visuais recorreu à utilização de sete cores – azul, amarelo, vermelho, verde, laranja, roxo e cinza – de acordo com espaço e função a desempenhar (anexo XVI). As áreas de atuação foram as seguintes. Quadro 6 – Sistema de acreditação do evento Cor Função Enquadramento Fazem AZUL Serviços parte todos os trabalhadores e técnicos especializados na produção e montagem do evento UEFA Futsal Cup. 66 AMARELO Media VERMELHO Equipas VERDE Organização LARANJA ROXO 26 CINZA Host broadcaster Voluntários VIP’s Enquadram-se todos os fotógrafos, imprensa escrita, jornalistas, produtores, comentadores e repórteres. Constituídas no máximo por 25 elementos no seu total (14 jogadores e 11 oficiais). Todos os elementos pertencentes a UEFA e LOC. Os responsáveis por toda a captura e transmissão televisiva em direto. Participantes com papel em todas as áreas, que auxiliaram e promoveram a competição. 27 Convidados VIP e VVIP . O recurso a estes identificadores – passes – permitiu que todos os envolvidos que não se encontrassem no papel de adepto, pudessem desempenhar as suas tarefas nos espaços que lhes foram destinados, da forma mais discreta e menos invasiva possível. De acordo com as operações propostas por Sarmento (2010), a acreditação, foi aquela em que, ao longo da UEFA Futsal Cup 2015, tive maior desempenho e responsabilização ficando esta operação sob a minha supervisão. Aqui, para além da língua oficial (Inglês), fiz uso das minhas competências linguísticas no domínio do idioma castelhano. A listagem final foi elaborada no mês antecedente à competição, com recurso a sistema informático. Após receção, via correio eletrónico, dos vários pedidos de acreditação, tudo foi catalogado segundo o dia e função. No período compreendido entre 20 e 26 de abril, contabilizaram-se 935 credenciais, assim discriminadas: 26 Já depois de produzidas as credenciais, a organização decidiu-se pela utilização de pulseiras identificadoras, um elemento mais discreto atendendo ao estatuto das pessoas envolvidas. 27 Designação atribuída a figuras proeminentes - personalidades de estado, comités e outras individualidades. 67 Quadro 7 – Acreditação por áreas Serviços Media Equipas Organização Host broadcaster Voluntários Total 300 133 106 121 48 230 935 Nesta operação, como acima se refere, fui participante ativa e observadora de todo o processo. Quanto a competências técnicas, referidas por Manfredi (2002), atuei ao nível da análise, planeamento, gestão, decisão, mobilização, negociação, comunicação e crítica. Sobre as competências de cidadania desenvolvi aptidões de apaziguamento e resiliência perante as dificuldades e desafios, reconhecida, por muitos, com elevado autocontrole perante situações de grande tensão, operando com sentido de responsabilidade, justiça e ética. Quanto às competências comportamentais, tiveram relevância o relacionamento, a liderança, a informação, a proatividade, a flexibilidade, a criatividade e a persistência. 2.4.1.5. Os equipamentos desportivos A qualidade dos equipamentos desportivos pode ser um dos fatores determinantes para o sucesso ou insucesso de uma competição. Por qualidade entende-se, neste contexto, as características das infraestruturas e dos seus constituintes, satisfazendo requisitos ou necessidades implícitas. Engloba-se, neste campo, o maior ou menor uso da tecnologia para ampliação e projeção do espetáculo como um todo, o recurso à melhor iluminação, uso de audiovisuais, existência de espaços amplos, bons acessos, etc… tudo isto favorece o sentimento de bem-estar nos participantes e nos espetadores. Neste campo organizativo, o meu papel desenrolou-se, enquanto agente observador e pontualmente como participante. Apesar de ter existido uma constante colaboração na montagem e identificação dos espaços, no transporte de materiais, na estruturação das salas, acessos e balneários, considero que o saber adquirido por observação e análise, quer em reuniões 68 com os responsáveis, quer no terreno propriamente dito, me proporcionaram uma aquisição de novas ferramentas. Para acolher a fase final da Taça UEFA de Futsal 2015, a instalação eleita foi o Meo Arena, por possuir uma das melhores condições em toda a Europa, para a realização de provas desportivas, exposições e espetáculos de luz e som e porque correspondia às exigências da UEFA. Este organismo determina que a fase final do evento decorra em instalações com capacidade mínima de 5.000 lugares para os espectadores e estacionamento disponível para o público e media. Para as equipas deverá existir um parque junto à entrada do recinto desportivo. É igualmente importante referir que as dimensões da superfície de jogo deverão estar em consonância com as Leis de Jogo de Futsal da FIFA para jogos internacionais, isto é, um comprimento de 38m a 42m e uma largura compreendida entre 20m e 25m. Meo Arena: Conhecido também como antigo Pavilhão Atlântico ou Pavilhão da Utopia, na atualidade designado Meo Arena, foi construído ao longo de quase três anos para a EXPO’98. Localizado no Parque das Nações, em Lisboa, na margem norte do Rio Tejo, é um espaço destinado a festivais, espetáculos desportivos e atracões públicas. Situado numa zona privilegiada, tira partido da excelente rede de transportes que o circunda, tanto a nível ferroviário, pela sua proximidade com a estação do Oriente, como a nível rodoviário, com um variado leque de transportes em redor, como, ainda, com fácil acesso às linhas aéreas através do Aeroporto da Portela. Não foi a primeira vez que Lisboa recebeu uma final deste prestígio. Em 2002, o Playas de Castellón (Espanha) sagrou-se campeão frente ao seu adversário, o Action 21 Charleroi (Bélgica); em 2010, o Sport Lisboa e Benfica (Portugal) conquistou o troféu frente ao Inter FS (Espanha), no antigo Pavilhão Atlântico. Nesta edição de 2015, o Meo Arena serviu de palco para a final do título europeu de clubes. 69 Composto por três áreas integradas, o recinto dispõe de 3 salas: a Sala Atlântico com 5.200m², 12.500 lugares sentados e uma capacidade máxima para 20.000 utilizadores em pé; a Sala Tejo, com 2.200m², banhada por luz natural e o Centro de Negócios com um auditório de 100 lugares e 11 salas polivalentes para trabalho, onde se inclui a sala de telecomunicações, régie multimédia, entre outros. Mais recentemente foi criado um novo espaço denominado Arena Box, que surge de uma variação da Sala Atlântico, com uma área de 2.000m² e uma capacidade entre as 500 e as 4.000 pessoas. Por possuir uma enorme versatilidade, pode ser adaptada para diversas configurações e dimensões consoante a sua finalidade. Existe também um conjunto de bancadas retrácteis, que poderão ser incluídas, tornando este espaço multifuncional, tanto quanto o desejado. Conta com 28 camarotes de 18.5m² cada, 49 instalações sanitárias ao longo de todo o edifício (nove das quais destinadas a pessoas com mobilidade reduzida) e três níveis de balcões para o público. No piso subterrâneo apresenta um parque automóvel com cerca de 1.754 m². Graças à sua estética, flexibilidade e arquitetura futurística este é o cenário perfeito para que grandes eventos aqui tenham lugar (anexo XVII). Para o evento, relativamente aos balneários, é obrigatória a existência de, pelo menos, quatro com iguais dimensões, estilo e conforto para cada equipa de jogadores. Deverão conter, no mínimo, 15 lugares diferenciados, 15 cacifos pessoais ou cabides, uma mesa de massagem, pelo menos 3 chuveiros, instalações sanitárias e ainda um quadro técnico de futsal. Para os elementos da arbitragem, o seu espaço deverá ser equipado com pelo menos 5 lugares e uma mesa-secretária, 5 cabides ou cacifos individuais, um chuveiro e instalações sanitárias. No banco de jogo, apenas são permitidos seis elementos oficiais, um dos quais elemento médico e nove jogadores suplentes, num total de 15 pessoas. Todos os seus nomes deverão constar na ficha de jogo. A mesa do cronometrista deverá dispor de 5 cadeiras, dispostas entre os dois bancos de 70 suplentes. Nela poderão estar representados o cronometrista, o terceiro árbitro oficial, o speaker, o Diretor do Torneio e ainda, se necessário o Delegado da UEFA ao jogo e o Observador de Árbitros. Para fases finais, a UEFA determina que o sistema de luzes utilizado deverá possuir um nível mínimo de 1.800 lux agregado a um sistema de emergência de pelo menos 1.000 lux. Nesta operação fui observadora e pontualmente participante ativa, ao nível das competências técnicas porquanto contactei com as várias fases – análise, planeamento, decisão, mobilização, etc. – durante as reuniões de trabalho. 2.4.1.6. A competição A competição é o núcleo do evento. É constituída pelo número de jogos a realizar, de acordo com os regulamentos e o formato estabelecido. O seu desenho deve ser analisado como elemento potenciador do desenvolvimento de cada desporto, como nos indica Sá & Sá (s.d.). A organização envolve um calendário de provas (descrição cronológica dos acontecimentos) e regras bem definidas, do conhecimento público de atletas e equipa técnica. Invariavelmente, ditará um vencedor e um vencido seja qual for a modalidade em disputa. A UEFA Futsal Cup 2015, teve início no dia 24 de abril, com a Meiafinal 1 às 19.00h entre Dina Moskva vs. AFC Kairat e a Meia-final 2, pelas 21.30h, opondo FC Barcelona ao Sporting CP O dia 25, sábado, destinou-se a descanso e/ou visitas à cidade de Lisboa. No dia 26 de abril, o jogo de atribuição do 3º e 4º lugares com início às 15.00h e a aguardada final pelas 17.00h. Neste período, nos dias antecedentes aos jogos, todas as equipas realizaram uma sessão de treino de uma hora (conforme o regulamentado) e contaram com a presença dos media nos primeiros 15 minutos (anexo XVIII). Também a equipa de arbitragem pôde utilizar as mesmas instalações para a 71 preparação física. Se necessário, para treinos suplementares, estaria disponível um campo adicional com um piso idêntico ao da superfície de jogo. Relativamente à venda dos bilhetes, mais de 10.000 foram vendidos em apenas 20 dias, com um custo compreendido entre 10 e 20 euros por pessoa, permitindo a entrada em todos os jogos. Estes foram disponibilizados para compra a 26 e fevereiro ao meio-dia, tendo esgotado por completo em menos de três semanas. A idade mínima permitida, para entrada com bilhete em recintos desportivos, são os três anos de idade. Para cada jogo, a UEFA determina que na entrada em campo, os jogadores poderão ser acompanhados por 28 crianças (14 por cada equipa), que segundo os regulamentos oficiais de jogo, deverão ter aproximadamente 8 anos de idade, altura inferior a 1.30m e reunirem as aptidões necessárias para o desempenho da tarefa. Pude igualmente presenciar e compreender o funcionamento da logística associada ao vestuário de jogo, de aquecimento e de saída que a tantos condicionamentos é sujeito, por questões legais de sponsorização e promoção. Kits de Jogo: A publicidade por parte do patrocinador nas camisolas foi autorizada em todos os jogos, contudo cada equipa teve de disponibilizar previamente imagens dos seus equipamentos (principal e alternativo), de frente e de trás, de todos os jogadores de campo e dos seus guarda-redes (incluindo o avançado), até 16 de março 2015. Para as finais, de acordo com o artigo 35 / 36 do Regulamento de Kits da UEFA, apenas é autorizado um patrocinador na frente da camisola (anexo XIX). Vestuário que não fizesse parte do equipamento de jogo não podia conter qualquer elemento publicitário. Apenas é permitida a identificação do fabricante conforme se encontra referido nos capítulos IX, X e XI do Regulamento de Kits da UEFA. 72 Quaisquer outros elementos utilizados para os treinos que não fossem disponibilizados pela UEFA, não poderiam conter qualquer tipo de identificação, fosse patrocínio ou marca de fabricante. No que diz respeito à numeração, para todas as provas os jogadores utilizaram, na parte de trás da t-shirt, um número compreendido entre 1 e 20, correspondente aos elementos descritos na folha de jogo oficial. O nº 1 deverá ser sempre atribuído a um dos guarda-redes. Para a final, os calções de jogo também continham a numeração na parte da frente e as camisolas os nomes dos atletas. O logótipo da UEFA Futsal Cup aparecia na zona livre da manga direita, enquanto o símbolo “Respect” deveria ser posicionado horizontalmente na manga esquerda. A braçadeira de capitão – azul ou amarela - que contém a designação UEFA Futsal Cup ou “No to Racism28” respeitante à campanha de sensibilização contra o racismo deverá ser utilizada em todos os jogos. Nenhum destes elementos poderá ser adotado para qualquer outro tipo de competição ou sob outro propósito, como fins comerciais ou atividades promocionais. Equipas: Futbol Club Barcelona (Espanha) – FC Barcelona O FC Barcelona foi fundado em 1899, tendo somente sido criada a sua equipa de futsal em permanência no ano de 1986. No seu palmarés destacase a conquista do campeonato espanhol por três vezes, a última em 2012/2013, vencedor da UEFA Futsal Cup por duas vezes (2011/2012 e 2013/2014) e vencedor da Taça de Espanha e da Taça da Liga, quatro vezes cada. O seu recinto desportivo denomina-se Palau Blaugrana e situa-se ao lado do mítico estádio Camp Nou. Do plantel, nesta época, fizeram parte Christian Barrios, Jesus Aicardo, Ari Santos, Gabriel da Silva, Dyego, Ángel Velasco, Sergio Lozano, Dione, Saad, Wilde, Carlos Vagner, Miguel Venta, 28 Esta campanha destinada a erradicar o racismo, a intolerância e todas as formas de discriminação, vem sendo utilizada frequentemente pela UEFA nas competições europeias. 73 Rafa Usín e Francisco Sedano comandados pelo treinador principal Marc Carmona desde 2004. Foi Carmona que recolocou o Barcelona no escalão principal na época 2005/2006 alcançando múltiplos títulos nos anos seguintes. Seguiu-se a Taça UEFA na qual os catalães não só venceram a fase de grupos como acolheram a final sagrando-se campeões (anexo XX). Imperial Sport Club Dina Moskva (Rússia) - ISK Dina Moskva O ISK Dina Moskva, originário da cidade de Moscovo foi fundado no ano de 1991. Na sua história conta com dez campeonatos nacionais e sete Taças da Rússia. Nos últimos anos, o Dina Moskva refez a sua equipa reforçando o plantel com novos jogadores. Esta mudança valeu-lhe a conquista do título nacional em 2013/2014, além da estreia na UEFA Futsal Cup, obtendo a melhor prestação de sempre até aos dias de hoje (apuramento para a final). No plantel destacam-se jogadores como Alemão, Carlinhos, Esquerdinha e Dmitri Prudnikov. O treinador, Andrei Yudin, de nacionalidade russa, foi igualmente jogador da equipa na década de 90. No seu percurso assinala-se uma breve passagem pela seleção do Azerbaijão onde conquistou um dos títulos da conta pessoal (anexo XX). Football Club Kairat (Cazaquistão) - Kairat Almaty O Kairat Almaty é a principal força do futsal no Cazaquistão e conquistou o primeiro título europeu do país em 2013. Fundado em 2001, alcançou onze títulos nacionais e nove Taças do Cazaquistão, esta última já no ano de 2015. Anteriormente conhecido como Kaynur, adotou o atual nome em 2001 homenageando o empresário-fundador e atual presidente Kairat Orazbekov. O recurso a novas contratações de nacionalidade brasileira como Jé e Igor, que passaram pelo Barcelona, Marcão ex-atleta do Benfica (transferido na presente época para o Sporting C.P.), Huiguita e Divanei, que se sagrou 74 campeão pelo Sporting em 2010, 2011, 2013 e 2014, tem contribuído para os excelentes resultados. Só na ronda de elite, o Kairat marcou 28 vezes, mais do que qualquer outro vencedor nas fases de grupo. Deste plantel destacamse Dinmukhambet Suleimenov, Higuita, Joan e Alexandre como principais jogadores. O seu treinador, Ricardo Camara Sobral, conhecido como Cacau, foi campeão nacional enquanto jogador no Brasil, no Cazaquistão e na República Checa regressando ao Kairat para o orientar na fase final da Taça UEFA de Futsal (anexo XX). Sporting Clube de Portugal (Portugal) - Sporting C.P. O Sporting C.P. foi fundado em 1906 e em 1989 foi criada a equipa de futsal. Conta com doze campeonatos e quatro Taças de Portugal, no meio de tantas outras conquistas. Na competição da UEFA, o melhor desempenho alcançado teve lugar em 2011. Na elite group (grupo A) bateu o Futsal Team Charleroi (Bélgica), o FC Grand Pro Varna (Bulgária) e, ainda, o Inter FC (Espanha), em Odivelas. Participou em 2001/2002 na primeira edição onde alcançou as meias-finais e em 2010/2011 perdeu frente ao Montesilvano (Itália) a final por 5-2, depois de levar a melhor sobre o Kairat Almaty (Cazaquistão) nas meias-finais. Do seu plantel, nesta 14ª edição, fizeram parte João Benedito, Cristiano, André Sousa, Pedro Cary, Marcelinho, João Matos, Fábio Lima, Varela, Miguel Ângelo, Fábio Aguiar, Alex, Djo, Divanei, Paulinho, Diogo, Cássio e Pacheco. O comando técnico ficou a cargo de Nuno Dias, auxiliado por Paulo Luís, Raul Oliveira e José Dias. Para o sucesso desportivo desta equipa contribuíram também Fábio Sousa (observação e análise), Tiago Melo (fisioterapeuta), Dr. Manuel Sousa (médico) e Lúcio Castro (técnico de equipamentos) (anexo XX). 75 Troféu: O troféu da UEFA Futsal Cup é concebido numa liga de metal, com uma bola em "plexiglass"29, onde são refletidos o dinamismo e harmonia do futsal, ao mesmo tempo que mostra o logótipo da competição. A liga de metal em círculo e o pilar-base demonstram uma variação de efeitos opacos e brilhantes que servem para realçar a forma e sublinhar a aparência nobre. Tem uma altura de 40cm e um peso de 7,5kg. O seu design foi concebido pela Infinity Blue, empresa sediada em Genebra, que tem por missão criar soluções de valor duradouro, atribuindo formas a ideias, através dos melhores skills e competências do mercado. O troféu permanece com os seus vencedores pelo período de um ano, contudo, dois meses antes do início da fase final seguinte deverá ser devolvido à UEFA. Como recordação, o clube receberá uma réplica, devidamente identificada como tal, em tamanho reduzido não excedendo os quatro quintos do tamanho oficial. Quanto ao troféu original, passará a ser propriedade do clube que vença a prova em três anos consecutivos ou num total de cinco vezes. Programas de animação30: Paralelamente à competição, e porque um evento não se restringe somente ao período de jogo, foi desenvolvido um plano de atividades complementares para o interior e exterior do recinto. Os programas de animação que ocorrem dentro das instalações, são cada vez mais utilizados como forma de entretenimento dos espetadores. De compreensão e execução fáceis, enriquecem o espetáculo em si pelo sentimento de pertença que é despoletado no seu público. 29 Material termoplástico rígido, transparente e incolor; também pode ser considerado um dos polímeros (plásticos) mais modernos e com maior qualidade do mercado, pela facilidade de adquirir formas, pela leveza e alta resistência. É também chamado vidro acrílico ou simplesmente acrílico. 30 A estrutura do SCP desenvolveu o seu esquema organizativo enquadrando esta área nas operações respeitantes à competição, muito embora alguns autores a enquadrem na área da hospitalidade. 76 Sá & Sá (s.d.), mencionam três principais razões para sucesso e satisfação dos participantes. Em primeiro lugar, a aleatoriedade de seleção; em segundo lugar, o fator prémio (recompensa pessoal) e, por último, o comportamento entusiástico da assistência perante o desafio. Também aqui, os patrocinadores e associados encontram mais uma janela de oportunidade para a expansão da sua marca. O recurso a atividades de diversão com fins promocionais, maximiza a sua imagem no mercado, num curto espaço de tempo e perante um grande fluxo de adeptos. Alguns dos passatempos recriados para estes dias, consistiram em concursos de perícia e habilidade, apelidados de jogo, desafio ou coreografia “patrocinador”. A fanzone, localizada a Sul do edifico, consistiu numa área exterior, com atividades lúdicas e roadshow dos nossos sponsors. Os visitantes tinham oportunidade de frequentar o mini-campo de futsal, insufláveis, pinturas faciais e a mesa de futebol, com a interação constante da mascote oficial do clube, o Jubas. O horário de funcionamento decorreu na sexta-feira das 16h às 21h, sábado, das 15h às 20h e domingo das 10h às 17h30. Contabilizaram-se por dia 350, 150 e 300 visitantes, respetivamente (anexo XXI). Como observadora, posso registar que ao nível das três competências que tenho vindo a focalizar, verificou-se, de forma abrangente, a apropriação de todos os itens indicados. 2.4.1.7. A segurança A segurança é a área do evento que procura ver salvaguardado o bemestar de todas as pessoas, evitando confrontos físicos individuais e/ou de grupos. O elevado número de intervenientes nesta competição exigiu um planeamento rigoroso e atempado entre organização, UEFA, autoridades locais, stewards, segurança privada, assistência médica, bombeiros e segurança Meo Arena, conforme pude verificar ao longo do processo. 77 Percursos, acessos, bancadas, zonas de GOA’s e adeptos, escolta de equipas (sempre que requerido), saídas de emergência e parqueamentos, foram estudados e verificados no local. Outra das preocupações que existe na atualidade prende-se com a redução da visibilidade e da ostentação dos meios policiais nos recintos desportivos, conforme nos indica Sarmento (2010), mantendo o corpo de intervenção resguardado, apenas visível quando se torna inevitável. Hoje em dia, o acompanhamento de claques desportivas, conhecidas como grupos organizados de adeptos, comporta uma dinâmica facilitadora, através dos seus representantes oficiais (Supporters Liaison Officer). Estes elementos, pertencentes aos recursos humanos dos clubes, estabelecem a ligação entre a instituição e as várias claques legalmente constituídas. O papel de porta-vozes que aqui desempenham os SLO, funciona como elo de comunicação para as partes, procurando ver reunidos os seus interesses. Não menos importante é a função apaziguadora que pode representar, perante conflitos entre adeptos e instituições adversárias. Nesta operação tive, igualmente, um papel de observadora, ao nível da mobilização e comunicação (competências técnicas); relacionamento e informação (competências comportamentais). Quanto às competências de cidadania são transversais em todas as áreas. 2.4.1.8. A assistência médica Quando se planeia e executa um evento, uma das operações que não pode ser descurada é a assistência médica. Os acidentes, as doenças, ou o mal-estar generalizado, podem ocorrer a qualquer instante. Por isso deve existir uma equipa médica, com formação especializada, destinada a prestar auxílio de forma rápida e eficaz. A qualidade deste serviço também contribui para os índices de sucesso do evento, encontrando-se em estreita relação com a segurança. Como já referi anteriormente, as operações estabelecem entre si uma relação de 78 interdependência e complementaridade, deixando de funcionar como unidades isoladas. No planeamento desta edição da UEFA Futsal Cup, procurou-se ver garantida: - a rapidez de intervenção das equipas de assistência, assegurada pela Cruz Vermelha e Bombeiros; - um apoio de retaguarda, proporcionado pelos grupos de segurança e comité organizador; - sistemas de evacuação viáveis e funcionais, que poderão estender-se, em última instância, até aos serviços hospitalares públicos e privados na região de Lisboa. Aqui, cumpri um papel de observadora , quanto ao conhecimento dos meios a mobilizar. 2.4.1.9. A hospitalidade A hospitalidade compreende um conjunto de ações com vista à satisfação e agrado dos intervenientes. Falamos não só dos convidados, como dos atletas, dirigentes, árbitros, voluntários, media, etc. … Apesar deste conceito englobar procedimentos que vão desde a divulgação, receção dos participantes, acessibilidade, merchandising, limpeza, recordações, roteiros histórico-culturais, etc., durante este evento, tendo em consideração a minha participação e observação, reportar-me-ei à hospitalidade no contexto protocolar dos convidados. Durante o pré-evento, o meu trabalho, consistiu em contactos institucionais com ex-patrocinadores, atletas, treinadores e dirigentes do clube leonino. No que concerne à hospitalidade, estava determinado que na área VIP do Meo Arena deveria ser providenciado um espaço agradável, adequado ao número de convidados esperados dos clubes envolvidos, parceiros comerciais, membros da UEFA e demais personalidades representativas do 79 desporto nacional e internacional. A tribuna e restantes lugares VIP, também seguiram as regras de protocolo quanto à distribuição e localização. Foi igualmente disponibilizado um serviço de catering especializado, com menus diferenciados, que decorreu antes, durante e após as partidas. A hospitalidade VIP contou, igualmente, com os serviços externos de uma empresa de hospedeiras. As suas funções centraram-se na receção, acolhimento e apoio de convidados nos espaços existentes. Nas duas zonas definidas como “Hospitalidade VIP” e “Tribuna” estiveram disponíveis dez hospedeiras nos dias 24 e 26 de abril, num horário das 16h30 às 24h00 e 13h00 às 19h00, respetivamente. Em termos estatísticos, o evento registou um total 250 convidados, ao longo do primeiro dia, e 200 convidados na final. Eventos sociais: Ainda no âmbito da hospitalidade, destaco o programa oficial no dia 25 de abril, que contou com a participação do Diretor do Torneio, Delegado e membros da UEFA e dois elementos de cada delegação. O programa estabelecia uma visita ao Museu Mundo Sporting, ao estádio Alvalade XXI seguido de um passeio turístico com jantar de cortesia nos Paços do Concelho, dando a conhecer a gastronomia e cultura locais. Este tipo de eventos sociais, símbolo de acolhimento, promove a hospitalidade e o bom relacionamento entre os participantes. Nesta operação fui participante ativa e observadora. Pude desenvolver competências técnicas, de cidadania e comportamentais em todos os campos descriminados, exceção feita ao empreendedorismo. 2.4.1.10. O Protocolo O protocolo oficial ou cerimonial, é o conjunto de regras a que devem obedecer as Cerimónias Oficiais e que se fundamenta em duas exigências 80 (Manaças, 2014). Uma primeira de ordem material, que determina a necessidade dos atos decorrerem de forma ordenada e, outra, de ordem política e legal, que consiste em garantir aos participantes, o lugar que, por lei ou pelo costume, lhes compete, por força dos cargos e funções que desempenham. Este conjunto de normas, a seguir em eventos, concede aos participantes privilégios que os ordena numa hierarquia, de acordo com a idade, cargo, ordem alfabética ou outras. No evento desportivo realizado, desde a elaboração dos convites para assistência, onde também estive envolvida 31, até à disposição dos convidados, ordenação das bandeiras, entoação de hinos, Cerimónia de Abertura e Cerimónia Protocolar de Entrega de Prémios, todos os procedimentos foram seguidos de acordo com o regulamentado. Esta normalização e standardização de princípios, torna-se facilitadora, qualquer que seja o contexto em que é aplicado. A organização é o espelho do evento, por isso, as atitudes e comportamento, a postura, o olhar, os gestos, os hábitos ou as roupas, são reflexo daquilo que representam, transmitindo mensagens como a de rigor e competência, ou de amadorismo e insegurança. Durante o exercício das minhas funções, que se revelaram ao longo do estágio bastante distintas e multifacetadas, procurei seguir sempre o protocolo e as precedências, de onde destaco, inclusive a precedência “no carro”32, quando realizei o transporte, também como condutora, da comitiva da UEFA e das individualidades dos clubes. Nesta área, em que me envolvi amplamente enquanto observadora e participante, considero que desenvolvi e reforcei todas as competências técnicas, de cidadania e comportamentais ligadas aos aspetos que tenho tido em análise, como se pode observar no quadro sinóptico, mais à frente apresentado. 31 Anexo XXII A precedência “no carro”, refere que o melhor lugar é o assento de trás do lado direito, oposto ao motorista. 32 81 2.4.1.11. O voluntariado O voluntariado pode ser entendido como uma atividade de cidadania que se traduz numa relação de solidariedade com o próximo. Esta dedicação cívica, de forma livre e não remunerada, procura o bem-estar social, independentemente da finalidade da sua organização. No ramo desportivo, contribui significativamente para a ampliação da dimensão de um evento. À escala mundial, são exemplo os Jogos Olímpicos de Pequim (2008) ou Campeonato do Mundo de Futebol (2014), no Brasil, onde, os comités de organização, jamais conseguiriam responder positivamente a todas as operações, sem a presença de um elevado número destes elementos. As motivações que costumam levar à sua participação prendem-se, maioritariamente, com o interesse na área de atuação, o gosto e desejo de ser útil, o contacto e relacionamento social e o enriquecimento pessoal adquirido, seja académico ou humano. Atualmente, e com o crescente aumento do número de inscritos para voluntariado em áreas como artes, desporto, intervenção social ou educação, os critérios de escolha e as plataformas de gestão dados, intensificam-se. A seleção de recursos baseada em conhecimento e experiência comprovados, através de um “grau de expertise”, como refere Sarmento (2010), é cada vez mais recorrente. Desta forma, não é de estranhar que neste evento da UEFA Futsal Cup 2015, se tenha registado um elevado número de procura. No dia 24 de abril contabilizou-se um total de 194 voluntários em atuação, no sábado, dia de descanso das equipas, 30 voluntários, e para a final, cerca de 165. Ao longo dos três dias estes operacionais estiveram distribuídos pelas áreas de imprensa, protocolo, acreditação, fanzone, serviço de apoio aos espetadores, animação de campo, apanha-bolas, youth programme, cerimónia de abertura e de encerramento. Estatisticamente, pude aferir, que cerca de 67% pertenciam ao género masculino e 33% ao género feminino, com idades compreendidas entre os 5 e os 50 anos (anexo XXIII). 82 Nesta operação relativa ao voluntariado, posicionei-me fundamentalmente como observadora e pontualmente como participante, podendo entender a amplitude, a dinâmica e a complexidade da gestão deste tipo valioso de recursos humanos. 2.4.1.12. Gestão de recursos humanos Gerir recursos humanos não é uma tarefa que se desempenhe de ânimo leve. Garantir a harmonia e qualidade de trabalho entre equipas tão díspares mas dependentes entre si, carece de uma gestão rigorosa e cuidada. Por isso, também aqui, o estilo de liderança utilizado influencia os seus trabalhadores. Neste evento, a criação de um departamento encarregado exclusivamente da gestão de recursos humanos, não se verificou. Essa função, acabou por ser assumida pelo Diretor do Torneio, Dr. Miguel Albuquerque, face à dimensão do evento e ao número de profissionais envolvidos que se revelou adequada e eficaz devido à constituição organizativa estabelecida por níveis e ao uso de canais de comunicação verticais e independentes para cada uma das áreas de atuação. 2.4.1.13. Media Os media englobam todos os elementos associados à comunicação social, sejam comentadores, repórteres de imagem, jornalistas ou fotógrafos. O seu impacto, à escala mundial, revela ser uma das mais poderosas forças na sociedade atual. As coberturas televisivas extrapolam as audiências de um evento, influenciam o comportamento dos consumidores e geram receitas publicitárias (Sá & Sá). E quanto maior for o evento, maior o seu interesse e, consequentemente, maior a cobertura médica que se irá sobrepor. Deste modo, para esta competição, os media dispuseram de um espaço de trabalho privilegiado. Sobre o recinto de jogo, uma sala ampla equipada com mesas, 83 instalações para corrente elétrica, sistema de conexão para telefones, internet por cabo e wi-fi. Adjacente, uma sala destinada às conferências de imprensa onde após as partidas, num período máximo de quinze minutos, o pódio existente podia reunir representante do clube, treinador principal, jogador e, se solicitado, um intérprete (TLO’s) para as habituais intervenções. Nos dias de jogo, a zona mista, espaço de passagem situado entre os balneários e o local de transporte de equipas servia para breves questões após os encontros. Subdividia-se em três áreas – repórteres televisivos, de rádio e imprensa escrita. Igualmente providenciado, entre o campo e os acessos aos vestiários, com um backdrop oficial da UEFA, foi a área de flash interview, onde apenas se permitida gravação vídeo. Relativamente à transmissão televisiva, esta ficou a cargo da Eurosport, de acordo com o contrato de aquisição de direitos televisivos estabelecidos diretamente com a UEFA. No total, de acordo com os pedidos de acreditação, contabilizaram-se 133 elementos, de diversas organizações e países (Mundo Deportivo, Moskovskaya Pravda, Time Kazakhstan, Russia, L’Esportiu...). Para além do contacto tido com os meios de comunicação social, as minhas competências (técnicas, de cidadania e comportamentais) foram desenvolvidas enquanto observadora. 2.4.1.14. Marketing e Bilhética Marketing, de uma forma bastante simplista, pode dizer-se que é um conjunto de operações que procuram o desenvolvimento, a comunicação e a distribuição de um produto. O marketing desportivo, como diz Sbrighi (2006), baseia-se na utilização do desporto como ferramenta de comunicação corporativa ou institucional. Nesta UEFA Futsal Cup, os departamentos de marketing e bilhética, apesar de serem geridos por um responsável cada, funcionaram em uníssono. 84 A venda de bilhetes é uma das maiores fontes de receita de um evento desportivo, estando intimamente ligada aos meios de promoção e divulgação. Por isso, a sua estratégia também deverá requerer especial atenção. De acordo com a minha análise, os elementos necessários para a obtenção do sucesso de vendas foram plenamente atingidos. A minha afirmação ancora-se nas premissas seguintes33: I. Vendas superiores a 75% antes do início da competição; como já foi referido, a edição de 2015 atingiu um recorde total de vendas, tendo esgotado em menos de três semanas os mais de 10.000 bilhetes. II. Maximização da assistência no recinto; por questões logísticas, apesar do valor unitário dos ingressos se encontrar tabelado, apenas foram comercializadas entradas com acesso aos dois dias da competição, por 10, 15 e 20 euros, consoante a localização dos lugares (anexos XXIV). III. Promoção da imagem do clube; recorreu-se a campanhas de marketing estáticas (outdoors, muppies, flyers, pendões, posters, etc.34) e dinâmicas (redes sociais, canal televisivo oficial, conferências e entrevistas, site, canais de comunicação digital, etc.) realizadas ao longo do pré-evento e evento; IV. Racionalização e organização de lugares no recinto, preços de bilhete e packs; procurou-se a gestão de venda de camarotes e boxes, a criação de serviços complementares de hospitalidade, a venda de bilhetes duplos para lotação superior, etc. Neste seguimento, outra das importantes fontes de receita que um evento deverá ter, diz respeito aos patrocinadores. Os sponsors, empresas interessadas na visibilidade que um evento de determinada área lhes poderá transmitir, procuram estas formas de comunicar e expandir o seu universo, criando valor para ambas partes. A UEFA, por um período de quatro anos (2012-2015), concedeu os direitos de exclusividade a um restrito leque de patrocinadores (patrocinadores 33 34 Marketing para Desporto – Um Jogo Empresarial, Sá & Sá (s.d.) Anexo XXV 85 UEFA). Este conceito comercial dita a existência de um presentig sponsor, dois official sponsors, um official flooring supplier, um official ball supplier e um comité organizador de patrocinadores locais. Foram eles, a Western Union (presenting Sponsor), a Hankook e a HTC, que reuniram os official sponsor rights, association/ promotion rights, event rights e new media rights; a Mondo, selecionada como fornecedor de piso oficial e a Adidas, fornecedor oficial da bola do evento, em que lhe foram concedidos os direitos de associação e promoção, de evento, de media digital e de merchandising. Aos patrocinadores locais, na categoria de Silver Sponsors, associaram-se a Fábrica de Óculos, a TachoEasy, a Fidelidade e a BMW Caetano Baviera, que aliando a sua marca ao evento, entre outras valias celebradas nos contratos de patrocínio, garantiram, assim, a devida visibilidade a nível nacional e internacional. Direitos de Propriedade - Property Rigths: O nome UEFA, o logótipo UEFA Futsal Cup bem como o material relacionado com a competição são propriedade intelectual da UEFA e encontram-se protegidos por leis nacionais e internacionais de copyright e/ou marca (© 1998-2015 UEFA. Todos os direitos reservados)35. Os clubes não poderão fazer uso destes elementos de forma a danificar o seu carácter distintivo. Não poderão, igualmente, reproduzir qualquer imitação ou criar um elemento semelhante aos logótipos oficiais e demais materiais. As referidas marcas registadas não podem ser utilizadas para qualquer fim comercial. A UEFA detém todos os direitos comerciais de marketing, patrocínio, media, publicidade, licenciamento, merchandising, franchising e hospitalidade. A utilização do UEFA.com implica o seu acordo com os Termos e Condições e com a Política de Privacidade. Nesta área considero ter reforçado as três competências, que tenho vindo a mencionar, ao nível da observação e da participação, dada a interligação com as questões protocolares e hospitalidade, entre outras. 35 UEFA Futsal Cup Club Manual 2015/16 86 2.4.1.15. Gestão de Concessões Na gestão de concessões, pode dizer-se sumariamente, que o seu responsável se encarregava da constituição e distribuição dos espaços complementares no recinto, como por exemplo os stands de merchandising oficial, espaços de comercialização alimentar, representação física de patrocinadores, etc… A minha participação nesta área foi bastante reduzida, recorrendo, no período de competição, à observação direta. 2.4.1.16. Controlo Antidoping O controlo antidoping é constituído por elementos responsáveis pela verificação da presença de substâncias ilícitas nos participantes de uma competição. A Lista de Substância e Métodos Proibidos, presente no Código Mundial Antidopagem36, refere todas as substâncias e métodos por categorias que não são autorizados. A sua revisão é feita anualmente, entrando em vigor no dia 1 de janeiro de cada ano37. O controlo antidoping realizou-se em todas as partidas por dois atletas de cada equipa. O seu sorteio é realizado de forma aleatória na sala antidoping durante o intervalo, onde deverá estar sempre presente um elemento representativo de cada equipa para verificação do processo de seleção. No final do encontro, cada jogador é escoltado até à sala, não regressando ao balneário sem que todo o seu processo esteja concluído. A única exceção feita, ainda que sob a supervisão do vigilante, são as entrevistas pós-jogo (flash interview). Nesta área de operações fui observadora. Pude ter acesso à informação que regulamenta o processo e auxiliar, pontualmente, na montagem da sala de controlo. 36 37 In https://wada-main-prod.s3.amazonaws.com/resources/files/wada-2015-world-anti-doping-code.pdf In http://www.adop.pt/ 87 Análise Planeamento Gestão Empreendedorismo Competências Decisão Técnicas Mobilização Negociação Comunicação Criticar Competências Cidadania Ética e Justiça Relacionamento Liderança Informação Competências Comportamentais Proatividade Flexibilidade Criatividade Persistência Legenda: Observação Participação 88 Doping control Gestão de concessões Marketing e bilhética Media Gestão de recursos humanos Voluntariado Protocolo Hospitalidade Assistência médica Segurança Competição Equipamentos desportivos Acreditação Alojamento Operações Alimentação Transportes Quadro sinóptico: Relação entre observação e participação nas áreas de competências e operações realizadas 2.5. Resultados e próxima edição A edição deste ano da UEFA Futsal Cup 2015, realizada no coração de Lisboa, deu-se por concluída após morosos e intensos meses de trabalho. Embora o patamar desportivo alcançado pela equipa sportinguista não tenha sido o desejado, a conquista do troféu europeu, destacaram-se as boas exibições realizadas. Na primeira semifinal, Dina Moskva e Kairat Almaty, defrontaram-se em busca de um acesso direto à grande final. Com um resultado de 4-7, a equipa do Cazaquistão viu carimbada a passagem à fase seguinte. O Sporting, perante um aguerrido FC Barcelona, no segundo jogo do dia, não conseguiu superar a derrota fixada em 5-3 nos segundos finais, mesmo tendo liderado nos primeiros minutos do encontro. Apesar de ter falhado o acesso à final, prosseguiu à conquista do terceiro lugar, frente ao Dina Moskva. Com um score final de 8-3, a equipa leonina obteve o 3º lugar do pódio; enquanto na final, Cazaquistaneses e Catalães disputaram o troféu. O resultado, assinalado em 3-2 para a equipa liderada por Cacau (Kairat Almaty), permitiu erguer, pela segunda vez, a Taça Europeia de Clubes. Esta 14ª edição da prova, fez cair vários recordes. Destacam-se o recorde máximo de assistência, contabilizando 12.076 espetadores no FC Barcelona - Sporting Clube de Portugal; o recorde de assistência numa fase final, em quatro jogos, com 29.207 adeptos; o maior número de fases finais disputadas no mesmo local, total de três, no Meo Arena; o maior número de finais realizadas numa cidade, tendo Lisboa recebido quatro; recorde do número de golos marcados num torneio de quatro equipas, atingindo a marca dos 35; o maior número de meias-finais atingidas por um clube, sete pelo Kairat Almaty; entre outros. As múltiplas referências nos órgãos de comunicação social, permitiramnos concluir que, também Portugal revelou capacidade de acolher e desenvolver um projeto desportivo com a complexidade evidenciada. Tendo alcançado os níveis de sucesso e satisfação pretendidos, na esfera económica, turística e social. 89 A próxima edição de 2015/2016 também já se encontra agendada. A UEFA Futsal Cup seguirá o esquema que vem sendo habitual, com três fases disputadas em torneio38. Dependendo do coeficiente de cada formação, calculado com base nos desempenhos e restantes representantes dos países nas últimas três temporadas, os diferentes clubes entrarão em competição. O número de jogos da fase preliminar dependerá do número de clubes envolvidos. Em princípio, os vencedores de cada grupo desta fase juntar-seão aos restantes participantes – com exceção dos quatro cabeças-de-série – na fase principal, composta por seis grupos de quatro equipas. Os dois primeiros classificados apurar-se-ão para a Ronda de Elite, onde irão encontrar os quatro cabeças-de-série. As quatro equipas vencedoras de cada mini-torneio, respetivamente, chegarão à fase final a disputar no final de Abril. Quadro 8 – Calendarização da próxima edição Calendarização provisória UEFA Futsal Cup 2015/2016 38 Fase Data Sorteios das fases: Preliminar e Principal 02/07/2015 Fase Preliminar 25 - 30/08/2015 Fase Principal 29/09 - 04/10/2015 Sorteio Ronda de Elite 14/10/2015 Ronda de Elite 10-15/11/2015 Sorteio da Fase Final - Meias-finais 21 ou 22/04/2016 Final e 3º/4º Lugar 23 ou 24/04/2016 Regulamento Oficial da UEFA Futsal Cup 2014/2015 90 2.6. Atividades de formação frequentadas Entre os dias 13, 14 e 15 de janeiro, no Centro de Congressos do Estoril (CCE.), participei numa iniciativa organizada pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) - segunda edição do Football Talks que reuniu alguns dos principais responsáveis e especialistas do futebol nacional e internacional. Fig. 6 - No âmbito das comemorações do Centenário, a Federação Portuguesa de Futebol organizou no Estoril, entre os dias 13 e 15 de janeiro, o “Football Talks”, um Congresso onde se debateram os grandes temas e desafios que se colocam ao futebol. [Fonte: FPF] Decorreu no ano em que a própria federação comemora o seu centenário. O presente e o futuro foram os focos essenciais sobre os quais recaíram as diversas temáticas a debater pelo painel de oradores presentes. Ao longo dos três dias seguiram-se intervenções de alguns dos maiores marcos do futebol mundial, como Pierluigi Collina, atual responsável da arbitragem da UEFA, Emilio Butragueño, diretor de relações institucionais do Real Madrid CF, Ulf Schott, diretor da Federação Alemã de Futebol, Michel Platini, Presidente da UEFA, Gianni Infantino, Secretário-Geral da UEFA, David Gill, membro do Comité Executivo da UEFA, entre muitos outros. O primeiro preletor, Luís Silva, descreveu-nos a experiência com a gestão do estádio do Maracanã, na final do Mundial de 2014. Seguiu-se Emilio 91 Butragueño com a apresentação da Escola Universitária Real Madrid – Universidade Europeia. Ulf Schott, Diretor da Federação Alemã debruçou-se sobre a temática do desenvolvimento do futebol alemão, que tantos títulos tem alcançado não só na equipa principal como nos seus escalões de formação. Por último, Jan Ekstrand, médico Sueco e membro do Injury Study Group da UEFA, encerrou o primeiro dia do congresso com a importância da articulação entre médicos, treinadores e dirigentes na prevenção de lesões. Na manhã de quarta-feira, Rasmus Ankersen, escritor e conferencista protagonizou uma das intervenções mais elogiadas. O autor de “The Gold Mine Effect Rasmus”, dissertou sobre a alta performance desportiva e os métodos de treino utilizados na seleção jamaicana de atletismo, referência mundial na modalidade. Michael van Praag, Presidente do Comité de Competições da UEFA abordou a Youth League e a vasta experiência que reuniu ao longo dos anos em contextos que priorizam a aprendizagem dos jovens atletas dos escalões de base. Ricardo Monteiro, Presidente da Havas Worldwide, teve como mote a publicidade e o futebol. “O futebol dos nossos dias assume enquanto indústria uma importância superlativa em termos económicos, e essa relevância nota-se por uma cada vez maior interdependência com muitas outras áreas da atividade. A publicidade é um dos negócios desta “equação” - disse. O convidado seguinte, conhecido de todos os amantes do futebol, proporcionou um dos momentos mais aguardados. Uma conversa descontraída entre Carlos Daniel, comentador da RTP, e uma das lendas da seleção francesa de futebol, Patrick Vieira. A temática seguinte proposta por Philippe Piat, Presidente da FIFPro (Fédération Internationale des Associations de Footballeurs Professionnels), trouxe a debate os desafios, as ameaças e as oportunidades para os jogadores de futebol. Umberto Gandini, vice-presidente da Associação Europeia de Clubes retomou os trabalhos com o tema do convidado anterior, desta feita sob outro olhar, o dos clubes europeus. 92 Com um extenso currículo, o último convidado deste segundo dia de congressos, aguardado por todos os participantes, foi Michel Platini, Presidente da UEFA desde 2007. Tendo renovado o seu mandato a 22 de janeiro de 2011, apresentou um discurso coeso em torno do desenvolvimento do futebol mundial. No terceiro e último dia, o início dos trabalhos teve um importante orador, Pierluigi Collina, referência máxima da arbitragem mundial e atual responsável da UEFA nesse sector. Fazendo uso da palavra, apresentou-nos diversos exemplos das questões que se têm colocado sobre a introdução das novas tecnologias no terreno de jogo, os árbitros assistentes adicionais, na linha de baliza e os últimos lances polémicos em torno das competições europeias. Seguiu-se Gérard Houllier, diretor desportivo da Red Bull Soccer abordando a importância dos Centros Desportivos – “O caso de sucesso de Clairefontaine”. De seguida, um debate entre Marcos Motta e David Gill sobre a posse por, terceiras partes, da propriedade de jogadores - prós e contras. Marcos Motta, sócio fundador da Bichara & Motta Advogados, que assume uma das maiores lideranças no ramo do direito desportivo e representação de atletas, veio até Portugal defender veementemente a sua posição quanto à posse, por terceiros, do passe de jogadores. Referiu que os jogadores perdem a sua independência porque não são donos dos seus próprios destinos, encontrando-se condicionados e dependentes da posição de outros. Gianni Infantino, Secretário-geral da UEFA, fechou mais uma edição do Football Talks – Portugal 2015. Com o tema: O “segredo” do sucesso do modelo da Champions League deixou-nos com as expectativas bem elevadas para uma futura edição, já com data assente para o ano de 2016. A formação realizada foi uma das mais-valias que o processo de estágio me proporcionou. A envolvência no campo de ação permitiu-me criar variados elos de ligação entre os conteúdos lecionados nas disciplinas do mestrado e a metodologia de trabalho prática, aplicada numa estrutura organizativa desta dimensão. 93 2.7. Avaliação e controlo do trabalho desenvolvido A finalidade do presente relatório de estágio, em opção à dissertação, pautou-se pelo facto de querer aplicar de forma prática, ainda enquanto estudante do ensino superior, algumas das bases e conhecimentos adquiridos ao longo do percurso académico, não só na área da Gestão Desportiva mas também das Ciências do Desporto. Os outros dois fatores que me levaram a optar por este percurso foram a possibilidade do estabelecimento de uma rede de contactos e o entrosamento com outras áreas paralelas ao universo desportivo, como é exemplo, o marketing e os media. Quando me deparei com a dimensão da instituição que me acolheu e com o volume e tipologia de trabalho que implicava realizar, verifiquei que a tarefa que me esperava era uma prova às minhas competências. No entanto, a minha capacidade de entrega e compromisso diários, assim como a persistência em aprender foram condutas facilitadoras da minha integração. O conhecimento das tecnologias de informação e o domínio do inglês e do espanhol tornaram-se pontos fortes que permitiram enfrentar esta tarefa. Não posso deixar de referir que de início senti algumas dificuldades em dominar a linguagem específica do meio e, também, em levar a cabo o meu trabalho com a autonomia desejável porém, paulatinamente, acabei por superar os obstáculos. Se por um lado reforcei competências técnicas e comportamentais, explicitadas no quadro sinóptico que apresento, por outro, fiz novas aquisições que deram coerência aos meus conhecimentos de gestão desportiva. Ao longo do estágio aperfeiçoei as minhas potencialidades de análise e planeamento, melhorei a minha capacidade comunicacional e crítica e tomei consciência do impacto dos grandes eventos nas organizações e no tecido social. A nível comportamental, aprendi a estabelecer e a gerir as relações entre vários agentes e áreas de conhecimento, assim como me consciencializei 94 de que os processos de adaptação e mudança podem ser resolvidos com persistência e criatividade. A qualidade do meu desempenho está patente, creio, no facto de o Diretor do Departamento de Futsal me ter incumbido, ao longo do projeto, em funções cada vez mais complexas, responsabilidade. 95 autónomas e de crescente Síntese reflexiva Cumpre agora tecer as considerações finais do trabalho que realizei, vertidas neste relatório. Será uma síntese crítica elaborada em três planos entrecruzados, que exprimem a minha posição no contexto profissional do qual fiz parte. Numa primeira análise, e na perspetiva do desenvolvimento do evento UEFA Futsal Cup 2015, é o momento de realizar um balanço. Nesta 14ª edição, foi visível o impacto de um evento internacional, a vários níveis. No âmbito turístico e económico, realço a promoção do destino, Portugal, com o aumento do número de visitantes e o consequente fluxo de receitas. O papel dos media acreditados e a difusão que fizeram nos seus países sobre a cidade anfitriã, Lisboa, foram preponderantes para a imagem do evento e do país. A hospitalidade, o clima e a gastronomia, aliados à história e à cultura foram fatores de diferenciação positiva. O tempo de antena alcançado, com mais de 48 horas de emissão, pela Sporting TV e pelos dois canais da Eurosport comprovaram o impacto mediático do evento. De acordo com o site “Sporting Business” também os patrocinadores obtiveram um retorno favorável, variando entre um milhão e 1.6 milhões de euros. Neste evento, foram batidos vários recordes associados à competição, entre os quais destacamos o maior número de espetadores que assistiram a um jogo de futsal ao vivo (12.076 no jogo Sporting CP vs. FC Barcelona) e o maior número acumulado de espetadores no total dos 4 jogos da prova (29.207). O facto de os ingressos terem esgotado 20 dias após a abertura das vendas é um indicador de objetivo alcançado. 96 A inexistência de qualquer episódio de impacto negativo, ambiental, de segurança, protocolar ou de índole desportiva, é também uma evidência que destaca o êxito. Outro apontamento digno de registo foi o modelo de gestão utilizado em que o trabalho de equipa foi fundamental e em que a informação circulou por todos os canais e direções com eficácia. Em todas as operações que constituíram o sistema de organização do torneio houve grande capacidade de conexão e de resolução de problemas. Os planos operativos e a calendarização das realizações ante, durante e após adaptaram-se para cumprirem as exigências da UEFA. Neste aspeto, o Sporting Clube de Portugal reforçou a imagem enquanto clube organizador, tanto a nível nacional como internacional. O crescimento e a mediatização do futsal, modalidade de massas, têm acompanhado o interesse revelado pelos consumidores finais. À crescente profissionalização alia-se a moderna tendência de espetacularizar o evento desportivo, uma das exigências dos adeptos e público em geral. A este nível é adequado referir que Portugal possui o know-how para a realização de eventos desportivos de grande escala com recursos físicos e logísticos apropriados para acolher milhares de pessoas. O planeamento das diversas etapas de execução e uma significativa atitude de controlo dos riscos revelaram um nível de excelência que o atual Presidente da UEFA fez questão de realçar (anexo XXVIII). Numa segunda análise, do ponto de vista individual, destaco os processos de aprendizagem, o desenvolvimento de competências e a consolidação de conhecimentos ao longo do estágio. Defrontei-me com tarefas de grande complexidade, em várias dimensões, tanto em relação à orgânica do SCP como na participação na UEFA Futsal Cup, durante o estágio profissionalizante. Os campos de intervenção foram diversos proporcionando-me uma distensão cognitiva e operacional para lá da informação que transportava enquanto discente. Os conhecimentos teóricos obtidos ao longo da licenciatura e durante o mestrado, ancorados na minha experiência pessoal da modalidade, 97 sofreram processos de reorganização que me tornaram mais conhecedora e competente. Na perspetiva de observadora e de acordo com o modelo conceptual que apresentei, desenvolvi competências de nível técnico, de cidadania e comportamentais, principalmente nas operações relacionadas com a acreditação, equipamentos desportivos, competição, hospitalidade e protocolo. A análise, o planeamento, a comunicação e a crítica, ao nível técnico; o relacionamento, a informação e a proatividade, ao nível das competências comportamentais, foram mais-valias que adquiri. Como participante desenvolvi, nas áreas técnicas e comportamentais, operações relacionadas com a acreditação, hospitalidade e transportes. Neste contexto a minha perceção de aprendizagem e reforço competencial assentou nas áreas técnicas de análise, planeamento e gestão, assim como ao nível da mobilização e comunicação; por outro lado, comportamentalmente, melhorei a capacidade de relacionamento, proatividade, flexibilidade e persistência que me tem vindo a preparar para atividades profissionais nesta área (como a que concretizei enquanto LOC no IBERCUP 2015 e TLO da seleção mexicana do Beach Soccer World Cup 2015). Finalmente relevo o facto de o desporto, e especificamente o futsal, se ter transformado numa indústria - espetáculo, cuja implantação nacional e internacional se tem traduzido numa área profissional de grande potencial que exige formação superior especializada. A criatividade, a inovação e a mudança são características de elevada exigência comportamental que o gestor desportivo deve eleger. Mas para que elas se realizem e contribuam para o sucesso “da coisa desportiva” não devem ser assumidas individualmente, antes sim, através de projetos de grupo que, articuladamente, desenvolvam as operações de forma a resolver os problemas que os eventos de grande dimensão costumam colocar. A gestão desportiva, como campo de trabalho emergente, é uma janela de oportunidade que requer as competências do século XXI. E, se considerarmos, concordando com Heráclito (540-490 a.C. - filósofo pré-socrático considerado o "pai da dialética”) que “ nada permanece, exceto a 98 mudança” mais concordaremos com Peter Drucker (pai da moderna gestão de empresas) quando refere que “a melhor forma de preparar o futuro é criá-lo”. Só com esta forma de pensar se pode implementar a mudança organizacional que promove e rentabiliza o acontecimento desportivo numa perspetiva contemporânea. 99 100 Bibliografia Application to host UEFA Futsal Cup Finals 2015 Arraya, M. & N´Gila, M. (2014). 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Membros eleitos: João Mesquita Trindade (Lista B) Jorge Gabriel (Lista A) José Estorninho (Lista B) Manuel Domingues (Lista B) Maria Eduarda Proença de Carvalho (Lista A) Nuno Ferreira (Lista B) José de Castro (Lista B) Artur Faria Mota (Lista A) José Junqueiro (Lista B) António Ganhão (Lista B) Graça Maria Teixeira (Lista A) Rui Barreiro (Lista B) Joaquim Manuel Vicente (Lista A) Eduardo Júlio (Lista B) Fernando de Carvalho (Lista B) Jorge Manuel Cego (Lista A) Mário Saldanha (Lista B) João Serrano (Lista B) João Carlos Marques (Lista A) Jorge Sanches (Lista B) Nuno Roque (Lista B) Mário Duarte Batista (Lista A) João Pereira (Lista B) Mário Henrique Simões (Lista A) António Feu (Lista B) António Assunção (Lista B) Paulo Alexandre de Almeida (Lista A) Pedro Antunes (Lista B) I Nuno Lopes (Lista B) Artur Jorge Nogueira (Lista A) Eugénio de Oliveira (Lista B) Fernando Sacavém (Lista B) Rui Miguel de Almeida (Lista A) José Gomes (Lista B) Jorge Filipe da Silva (Lista A) Carlos Seixas (Lista B) José D’Almeida (Lista B) Luís Manuel Lobato (Lista A) Paulo da Fonseca (Lista B) Vítor Espadinha (Lista B) Jaime Manuel Dias (Lista A) Carlos Lopes (Lista B) Luís Branco (Lista B) Eduardo Valada Ananias (Lista A) Ernesto Pereira (Lista B) Vítor Galamba (Lista B) Luís Tiago Lobato (Lista A) Jorge Cristóvão (Lista B) Francisco Manuel Baetas (Lista A) Fernando Santos (Lista B) Anexo II – Funções dos Órgãos Sociais Mesa da Assembleia Geral Função Convocar a AG indicando a ordem de trabalhos respetiva; Proclamar os Sócios eleitos para os respetivos cargos; Praticar todos os outros atos que sejam da sua competência em termos legais Conselho Diretivo Função Definir e dirigir a política desportiva do Clube; Designar, entre os Sócios, os representantes do Clube na assembleia-geral da SAD; Fornecer ao Conselho Fiscal e Disciplinar quaisquer elementos por estes solicitados; Arrecadar receitas e ordenar as despesas, em conformidade com as normas orçamentais; Promover a edição e gerir o Jornal Sporting; Representar o Clube nos órgãos associativos e federativos. Conselho Fiscal e Disciplinar Função Dar pareceres sobre: Qualquer assunto proposto pelo Conselho Diretivo relativo à gestão do Clube; As propostas de orçamento anual (e suplementares); Os relatórios de gestão e contas do exercício; Os empréstimos e outras operações de crédito; Os demais assuntos que expressamente lhe sejam cometidos nos estatutos. Conselho Leonino Função Compete, entre outras coisas, ao Conselho Leonino: Velar pela observância dos Estatutos; Exercer as competências que lhe forem delegadas pela AssembleiaGeral; Tomar conhecimento da proposta de orçamento anual, relatórios de gestão e contas em exercício; Apresentar sugestões ao Conselho Diretivo e ao Conselho Fiscal e Disciplinar. II DIRETOR DO DEPARTAMENTO Miguel Albuquerque SECRETÁRIO Anexo III – Departamento de Futsal do SCP José Almeida COORDENADOR TÉCNICO Nuno Dias NUTRICIONISTA João Brás RESPONSÁVEL CLÍNICO Manuel Sousa COORDENADOR PROJETO VOLUNTARIADO André Duarte COORDENADOR GABINETE PSICOLOGIA Madalena Mascarenhas COORDENADOR FISIOTERAPIA Tiago Melo SENIORES Tiago Melo BOLSA DE VOLUNTÁRIOS ORGANIZAÇÃO JOGOS Sara Luna Margarina Correia Patrícia Rodrigues Tiago Dias Hélio Abrantes Joana Martins Mariana Augusto João Bizarro JUNIORES “A” Madalena Mascarenhas JUNIORES “A” Rui Drumound JUNIORES “B” Ivan Reis JUNIORES “B” João Félix JUNIORES “C” Sara Rodrigues SENIORES Nuno Dias / Paulo Luís José Dias / Raul Oliveira COORDENAÇÃO Manuel Luís David Braga APOIO LOGÍSTICO Manuel Luís Lopes Agostinho Matos JUNIORES “E” Massagista Elsa Raposo FEMININO Inês Santos APOIO ADMINISTRATIVO Lúcio Castro Rita Pereira GABINETE DE PROSPECÇÃO E DETECÇÃO DE TALENTOS COORD. GABINETE OBSERVAÇÃO E ANÁLISE Fábio Sousa SENIORES Fábio Sousa COORDENADOR TÉCNICO João Alvarelhos ACADEMIA ESTÁDIO Pedro Matias Bruno Silva JUNIORES “A” Ricardo Saldanha JUNIORES “A” Jorge Monteiro / Pedro tias André Gouveia / Rui Capela JUNIORES “A” Gonçalo Matos JUNIORES “B” Bruno Silva JUNIORES “B” Pedro Santos/ Ricardo Vicente David Gomes / Ricardo Dias JUNIORES “B” Tiago Galhano ACADEMIA ALMADA Paulo Santos Miguel Santos José Sousa JUNIORES “C” André Chaveiro JUNIORES “D” Bruno Oliveira JUNIORES “C” José Fiúza JUNIORES “D” João Santos / Nuno Ramos José Marques JUNIORES “E” Ricardo Arroio JUNIORES “E” Ricardo C. / Cláudio F. Bruno C. JUNIORES “D” SÉNIORES FEMININOS --- JUNIORES E JUVENIS FEM. Nuno Costa EQUIPAS TÉCNICAS JUNIORES “D” Fernando Cunha --- JUNIORES “E” Ana Sofia Silva SECCIONISTAS ROUPARIA E ARMAZÉM ACADEMIAS E CENTROS DE FORMAÇÃO JUNIORES Bruno V. / António S. / Adriano JUNIORES “C” Patrícia Filipe JUNIORES “D” Isabel Cabacinho Coordenação da Formação Manuel Luís Lopes – Administrat. David Braga - Logística ORGANIZAÇÃO DE JOGOS F. Barroqueiro Fernando Cunha JUNIORES “E” Manuel Rescena ACADEMIA VILA REAL Renato Costa Pedro Abreu Diogo Palhares Sandra Teixeira Olga David Flávia Costa Jorge Olaio Carlos Soares Lita Campos SENIORES FEMININOS Filipe Carneiro / Mário Rui João Oliveira JUNIORES FEMININOS Jorge Marques / César Lopes Hugo Antunes / Paulo Oliveira JUNIORES FEMININOS Cláudia Silveira JUVENIS FEMININOS Jorge Marques / César Lopes Hugo Antunes / Paulo Oliveira JUVENIS FEMININOS Cláudia Silveira III DISTRITO LISBOA Carlos Melo Pedro Mesquita Vasco Metelo Pedro Oliveira Alexandre Gonçalves Ermindo Paulo Tiago Viana João Paulo Daniel Santamaria DISTRITO SETÚBAL Luís Ramalho DISTRITO PORTO SENIORES FEMININOS --- SENIORES FEMININOS Vasco Rosa COORDENADOR Nuno Ramos JUNIORES FEMININOS --- JUNIORES FEMININOS --- CENTRO DE FORMAÇÃO LOURES João Alvarelhos CENTRO DE FORMAÇÃO BOBADELA João Alvarelhos Paulo Figueiredo Anexo IV – “Diário de bordo” IV Anexo V – Campanha de divulgação na EB.1 Maria Lamas [Fotos: Rita Pereira] V Anexo VI - Campanha de divulgação na EB. 2,3 Moinhos da Arroja [Fotos: Rita Pereira] VI Anexo VII - Campanha de divulgação na Escola Secundária da Ramada [Fotos: Rita Pereira] VII Anexo VIII - Campanha de divulgação na Escola Secundária Pedro Alexandrino [Fotos: Rita Pereira] VIII Anexo IX – Business Model Canvas: UEFA Futsal Cup Finals 2015 Principais Atividades Principais Parceiros Propostas de Valor Jogos de Futsal Western Union Atividades HTC Hankook Relacionamento Clientes com os Segmento de Clientes GOA’s Competição de clubes mais prestigiada da Europa Relação de baixo custo Adeptos Fanzone Produto familiar Hospitalidade Nichos específicos: Evento Desportivo Internacional Evento internacional Transparência Dirigentes Mondo Promoção desportiva Segurança Treinadores Adidas Lazer/ emoção/ bem-estar Confiança Atletas complementares – Fidelidade Familiares Tacho Easy Principais Recursos Canais BMW Caetano Baviera LOC Media ROFF Voluntários Redes sociais Digital Decor Hospedeiras Outdoors Câmara Municipal de Lisboa Vip Service Placards Patrocinadores Marketing Fábrica de Óculos Clubes e Federações Padrinho Estrutura de Custos Policiamento Instalações desportivas – Meo Arena Segurança privada Bilheteira Merchandising Montagem de piso e complementos Hotelaria Patrocinadores Mascote Alimentação Material de escritório Seguros Serviços de limpeza Material desportivo Speaker Motoristas TLO’s Hospedeiras Vermelha Fluxos de Receita Equipamento Fanzone Transportes Assistência Médica: População local Bombeiros, Cruz Brochuras e publicidade Publicidade: flyers, posters, muppies, roll-ups, etc IX Funcionários Anexo X – Diagnóstico estratégico: Análise SWOT UEFA Futsal Cup Finals 2015 Forças (S) Fraquezas (W) 1. Profissionais experientes 1. Budget 2. Equipa pequena e dinâmica 2. Forte concorrência 3. Realização de diversas fases de grupos Aspetos internos em anos transatos – especialização 4. Recursos humanos, materiais e praticantes da financeiros 5. Parcerias e patrocinadores 6. Media da instituição 7. Nº crescente de modalidade 8. Envolvimento da comunidade 9. Inovação tecnológica 10. Paixão e emoção pelo evento 11. Internacionalização do clube 12. Alargada rede de contactos Oportunidades (O) 1. Ameaças (T) Promoção da modalidade nos escalões 1. Aspetos externos de formação Nº de habitantes/ rácio populacional que poderá deslocar-se ao Meo Arena 2. Boa rede de serviços 2. Custo dos bilhetes 3. Qualidade das infraestruturas 3. Crise 4. Espaço físico envolvente 5. Segurança 4. País periférico 6. Assistência médica 5. Outras opções de entretenimento 7. Nº de Voluntários 8. Paixão pela competição - envolvimento / instabilidade economia de adeptos 9. económica Parcerias 10. Rede de transportes 11. Localização estratégica 12. Boa qualidade de recursos locais 13. Aumento do turismo X da Anexo XI – Elemento da frota automóvel atribuído [Foto: Rita Pereira] XI Anexo XII – Mapa de voos XII Anexo XIII – Calendarização das refeições das equipas XIII Anexo XIV – Ementa dos atletas durante a competição Prato Principal Sopa Sobremesa Carne Almoço Creme de vegetais Esparguete à bolonhesa Peixe Legumes Fruta da época Filetes de merluza Legumes variados Filetes de frango 22/4/2015 Jantar Creme de vegetais Esparguete à bolonhesa Pudins e bolos Fruta da época Filetes de merluza Legumes variados Carne assada Almoço Creme de ervilhas Esparguete à bolonhesa Bacalhau espiritual Legumes variados Bife grelhado Jantar Esparguete à carbonara Almoço Juliana Fruta da época Garoupa branca Legumes variados Fruta da época Bife de atum Legumes variados Carne assada Jantar Canja Frango assado Almoço Creme de vegetais Esparguete à bolonhesa Salada de fruta Pudins e bolos Salada de fruta Pudins e bolos 24/4/2015 Esparguete à bolonhesa Salada de fruta Pudins e bolos Porco estufado Esparguete à carbonara Salada de fruta Pudins e bolos Fruta da época 23/4/2015 Creme de cenoura Salada de fruta Fruta da época Bacalhau À Gomes de Sá Legumes variados Salada de fruta Pudins e bolos Fruta da época Filetes de merluza Legumes variados Filetes de frango Salada de fruta Pudins e bolos 25/4/2015 Jantar Almoço Creme de cenoura Creme de ervilhas Esparguete à carbonara Escalopes com cogumelos Esparguete à bolonhesa Fruta da época Lulas estufadas Legumes variados Salada de fruta Pudins e bolos Fruta da época Bacalhau espiritual Legumes variados Bifes grelhados Salada de fruta Pudins e bolos 26/4/2015 Jantar Creme de cenoura Esparguete à carbonara Porco estufado XIV Fruta da época Garoupa branca Legumes variados Salada de fruta Pudins e bolos Anexo XV - Centro de acreditação [Fotos: Rita Pereira] XV Anexo XVI – Sistema de acreditação XVI Anexo XVII – Instalação Desportiva: Meo Arena [Fotos: Rita Pereira & facebook.com/Futsalsporting/] XVII Anexo XVIII – Calendário de treinos UEFA Futsal Cup 2015 Equipa 2 Equipa 4 Equipa 2 Equipa 1 Equipa 3 Equipa 3 Equipa 2 Equipa 1 Equipa 3 Equipa 1 Equipa 2 Equipa 1 Equipa 4 Equipa 4 XVIII Equipa 4 Equipa 3 Anexo XIX – Kits de jogo XIX XX Anexo XX – Equipas da competição Foto: FCB Foto: SCP XXI Anexo XXI – Fanzone [Fotos: facebook.com/Futsalsporting/] XXII Anexo XXII – Convite UEFA Futsal Cup aos ex-dirigentes Rua de Alvalade Estádio de Alvalade, 1583-333 Lisboao Ex. Sr. José de Alvalade, O Sporting Clube de Portugal foi escolhido pela UEFA para organizar a fase final da mais importante competição de futsal da Europa, a UEFA Futsal Cup Finals 2015, a qual se disputará em Portugal, no MEO Arena, em Lisboa, nos dias 24 e 26 de Abril. Trata-se do reconhecimento da UEFA não só à História do Sporting Clube de Portugal no panorama do Futsal, com raízes no Clube desde a década de 80, da qual V.Ex.ª. faz parte, tendo tido papel preponderante na história do Futsal do Sporting Clube de Portugal, enquanto Dirigente da nossa equipa. Este é o momento mais alto dos 30 anos de história do Futsal do Sporting Clube de Portugal, e como tal não poderíamos deixar passar este momento, sem reconhecer quem contribuiu para que o nosso clube fosse a maior potência da modalidade. É no passado e na memória que encontramos o Futuro da nossa história. Assim, incumbe-me o Diretor do Futsal do Sporting Clube de Portugal, Sr. Miguel Albuquerque, de convidar V. Ex.ᵃ a assistir a esta competição, cujo calendário abaixo se reproduz: 24.04.2015 19h00 – Kairat Almaty vs. Dina de Moscovo 21h30 – FC Barcelona vs. Sporting Clube de Portugal 26.04.2015 15h00 – Jogo de atribuição do 3º e 4º Lugar 17h30 – FINAL Muito agradecemos que V. Ex.ᵃ nos indique, até ao próximo dia 10 do corrente, a(s) data(s) em que nos pode honrar com a sua presença, para o seguinte contacto: Rita Pereira - 915058804 Com os nossos melhores cumprimentos, Miguel Albuquerque XXIII Anexo XXIII – Relação de voluntários participantes no torneio Voluntários Raparigas 33% Rapazes 67% Escalões etários 2% 10% 14% 05-14 15-18 19-30 31-50 74% Escalões etários 5-14 15-18 19-30 31-50 Total XXIV Nº 32 170 24 4 230 Anexo XXIV – Bilhética XXV Anexo XXV – Publicidade [Fotos: Rita & facebook.com/Futsalsporting/] XXVI Anexo XXVI – Exemplo Activity Plan Participants Local time Activity Location UEFA LOC Volunteers Media Others Monday, 20 April 2015 09:00 Starting of installations (sound, lights and decoration) x x MEO Arena 09:00 LED and Regie Installation x x MEO Arena 10:00 Daily Meeting UEFA & LOC x x Hotel HQ 11:00 Meeting with Adidas Service Manager x x MEO Arena 17:00 Ticketing + Hospitality Meeting x x MEO Arena 20:30 Opening Ceremony Rehearsal x x Sporting CP MEO Arena Tuesday, 21 April 2015 09:00 Acreditation Center Opens x x 09:00 Starting of installations (floor and decoration) x x (floor) 10:00 Daily Meeting UEFA & LOC 16:00 Regie and Screens tests + Techical Meeting 16:30 Security Briefing x x MEO Arena 17:30 Signage Meeting x x MEO Arena 18:00 Acreditation Center Closes 20:30 Meeting for the joint dinner x x x Hotel HQ x x x MEO Arena x x MEO Arena MEO Arena x Hotel HQ Wednesday, 22 April 2015 09:00 Acreditation Center Opens x x 10:00 Working Room 10:00 x x x Daily Meeting UEFA & LOC x x 11:00 Media Tour x x 12:00 Starting of the UEFA Exclusive Period x x 15:00 Filmage x x 17:00 Pitch Cleaning 18:00 Acreditation Center Closes 18:30 Trainin Session Teams MEO Arena 19:30 Trainin Session Teams MEO Arena 20:30 Training Session Teams MEO Arena x XXVII Acreditation Center x x Working Room Hotel HQ x MEO Arena MEO Arena x MEO Arena Cleaning MEO Arena Pitch x Acreditation Center Anexo XXVII – Listagem de contactos LOC e UEFA XXVIII Anexo XXVIII – Carta emitida pelo Presidente da UEFA Michel Platini XXIX Anexo XXIX – Ficha Press da Jornada 25 XXX Anexo XXX - Fotografia UEFA e LOC [Foto: Sporting CP] XXXI XXXII