Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos Vol. 2 ORGANIZADORES Adriane Rodrigues Corrêa Heloisa Helena Duval de Azevedo Jane Mara Bonh Gass Jezuína Kohls Shanwz José Eduardo Nunes de Vargas Luciane Senna Ferreira Rosimeire Simões de Lima Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos Vol. 2 ORGANIZADORES Adriane Rodrigues Corrêa Heloisa Helena Duval de Azevedo Jane Mara Bonh Gass Jezuína Kohls Shanwz José Eduardo Nunes de Vargas Luciane Senna Ferreira Rosimeire Simões de Lima Pelotas – 2012 Obra publicada pela Universidade Federal de Pelotas Reitor: Prof. Dr. Antonio Cesar Gonçalves Borges Vice-Reitor: Prof. Manoel Luiz Brenner de Moraes Pró-Reitor de Extensão e Cultura: Prof. Dr. Luiz Ernani Gonçalves Ávila Pró-Reitor de Graduação: Prof. Dra.Eliana Póvoas Brito Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Dr. Manoel de Souza Maia Pró-Reitor Administrativo: Eng. 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Vera Lúcia Bobrowisky (IB) Prof. Dr. William Silva Barros (IF ORGANIZADORES: PROJETO GRÁFICO, CAPA E EDITORAÇÃO: Adriane Rodrigues Corrêa Heloisa Helena Duval de Azevedo Jane Mara Bonh Gass Jezuína Kohls Shanwz José Eduardo Nunes de Vargas Luciane Senna Ferreira Rosimeire Simões de Lima Paulo Roberto Faber Tavares Junior REVISÃO: Devido ao grande volume de trabalhos reunidos nesta publicação, a revisão dos textos ficou a cargo de cada autor sendo dos mesmos a responsabilidade de tal revisão. DADOS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO : (BIBLIOTECÁRIA DAIANE SCHRAMM – CRB-10/1881) E21 Educação a Distância e seus Espaços de Formação: Artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos [recurso eletrônico]. / Organizado por José Eduardo Nunes de Vargas [ ...et al]. – Pelotas: Editora Universitária/UFPEL, 2012. E-book. Vol. 2 (Coleção EADEM) Disponível também: <http://eadem.ufpel.edu.br> ISBN 978857192906-7 1. Educação. 2. Educação a distância. 3. Gestão de pólos. 4. Formação de professores. 5. Espaços de formação. I. I. Vargas, José Eduardo Nunes de [...et al]; org. II. Série. CDD 378 Permitidos o download, o arquivamento, a reprodução e a retransmissão [por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e gravação] desde que citada a fonte. Sumário Apresentação......................................................................................................... 8 Prefácio.................................................................................................................. 10 PLANEJAMENTO E GESTÃO DE POLOS: POSSIBILIDADES E DESAFIOS .................. 12 Diana Lurdes Muraro Vendruscollo O PAPEL DO GESTOR DE POLO NA QUALIFICAÇÃO DA EAD COMO POLÍTICA PÚBLICA ................................................................................................. 28 Clair Batista da Silva O CENÁRIO ATUAL DA UAB NO MUNICÍPIO DE SÃO JOÃO DO POLÊSINE, AS DIFICULDADES E PERSPECTIVAS DO POLO PRESENCIAL ................. 55 Ana Paula Bortolotto Ceolin A GESTÃO DE POLOS NA PERSPECTIVA DA GESTÃO PARTICIPATIVA ..................... 77 Vera Lúcia Vargas de Souza Kelling DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS, ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NO CONTEXTO DA GESTÃO DE POLO DE SEBERI ......................................................... 93 Ana Lucia Rodrigues Guterra A LEGISLAÇÃO E O PAPEL DO GESTOR DE POLOS .................................................. 120 Andréia Inês Hanel GESTÃO DE POLOS: ORGANIZAÇÃO E INFRAESTRUTURA DE POLO DE APOIO PRESENCIAL X TIC’S .................................................................................... 145 Sara Raquel Levy De Oliveira IMPLANTAÇÃO DO POLO UNIVERSITÁRIO DE APOIO PRESENCIAL DE SÃO JOSÉ DO NORTE: UMA FORMA DE DEMOCRATIZAR O ACESSO AO ENSINO SUPERIOR ................................................................................................. 158 Marta Martins de Farias Ramos GESTOR DEMOCRÁTICO OU ADMINISTRADOR BUROCRÁTICO? .......................... 196 Evanir Junqueira da Costa EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NA ATUALIDADE: CONTRIBUIÇÕES DO SISTEMA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL PARA O ACESSO À EDUCAÇÃO SUPERIOR ........................................................................................... 215 Rosemary Rickes Leitzke QUALIDADE NA GESTÃO DE PÓLOS E O DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS NA FRONTEIRA OESTE RIO GRANDE DO SUL .......................................... 230 Dionara Teresinha da Rosa Aragon GESTÃO DE EXCELÊNCIA NO CONTEXTO DA GESTÃO DE POLOS UAB: FUNDAMENTOS E TECNOLOGIAS .......................................................................... 255 Eliane Reinehr Xavier A FORMAÇÃO DE UMA EQUIPE COGESTORA EM POLOS DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA .......................................................................................................... 278 Simone Gadret Bório REDES SOCIAIS EM EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES NA GESTÃO DE POLOS A DISTÂNCIA .......................................................................................................... 300 Lisiane Borges POLO UAB: CONCEPÇÕES, COMPETÊNCIAS E AÇÕES PARA UMA GESTÃO DE QUALIDADE ........................................................................................ 319 Sandra Máxima Santos dos Santos Sobre os autores .................................................................................................... 348 Sobre os orientadores ........................................................................................... 352 Gestão de Polos ..................................................................................................... 353 APRESENTAÇÃO Pode-se afirmar que é o resultado do trabalho de diversas mãos. Escrito e planejado em comunidades que agregam o valor de possuir acesso ao ensino a distância e como trabalho de conclusão de curso não poderia deixar de surgir os artigos. Cada autor imbuído de uma temática a ser pensada, produzida, gestada entre o escritor e a tela. Muito embora construído da simbiose entre o tutor ou o gestor do polo e suas significâncias, seus anseios, seus desejos de relatar a história com a cor local, sobre sua ótica ou a égide de seu olhar. Vivências e novos conceitos estudados e discutidos no Curso de Especialização em Gestão de Polos, um dos pioneiros no Brasil enfocando a temática. Visto que, pode ser considerado recente a instalação e funcionamento de cursos de graduação e pósgraduação pelo Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB). Convém ressaltar que em todas as cidades em que foram realizadas as pesquisas para a construção do artigo, apresentam o detalhamento da instalação do polo do sistema UAB, assim como as implicações referentes a construção dos polos, edificação e consolidação desta nova forma de educação. Deste modo, em todos os artigos que tratam da implantação contemplam as peculiaridades de cada localidade, uma oportunidade de enveredar pelos caminhos que trilharam desde o primeiro documento, ou melhor, deste o edital lançado pelo governo federal para os municípios solicitando adesão ao sistema. A primeira parte do livro é constituída do estudo baseado em dados colhidos em documentos, análise bibliográfica, entrevistas, relatos de experiência, entre outras fontes de pesquisa. Os artigos representam uma referência ou marco inicial sobre a implantação e expansão dos polos de ensino a distância. É interessante observar também, que todos os artigos privilegiam o percurso e os percalços de cada localidade no que tange a dificuldade de aceitação pela comunidade por ser algo novo, até então. Além de outros problemas como dividir espaços com escolas, ou espaços cedidos pelas parcerias de prefeituras e utilizados de forma concomitante com instituições. Diante disso, não possuir a identidade que uma sede própria oferece assim como os vínculos que originam a relação de pertencimento dos alunos matriculados nos cursos.Na segunda parte o leitor se encontrará com o gestor de polos e suas vivências nesta nova função que é cuidar, organizar, buscar parcerias, firmar acordos, divulgar os cursos, pesquisar demandas para novas turmas. O gestor surge também quando nasce o polo, então o polo e o gestor irão constituir-se juntos. Os artigos se propõem a narrar os itinerários dessa dupla, em seus textos será possível conhecer como foi o desafio das implantações, políticas públicas, limites e potencialidades e o papel do gestor. Vale lembrar que o precursor do sistema UAB nos municípios foi esse profissional que abarcou a causa e por ela trabalhou. No seu conjunto, a obra reflete um panorama e o registro da história que cada gestor e tutor capturaram de seu entorno e de sua comunidade. O interessante também é o ineditismo da obra, pois conta o início de um processo que contribuiu para o crescimento de comunidades, pessoas, e sem dúvida gerou oportunidades e outras vivências outrora pensadas. Rosimeire Simões PREFÁCIO Começo por agradecer o honroso convite para ser uma das organizadoras e elaborar o prefácio deste livro, sobre o qual me debrucei de forma modesta e com pretensões de ser apenas mais uma leitora e amante da produção do conhecimento. Embarquei nesta Nau, com a nítida sensação de ser uma viajante aventureira, pois o presente livro é um diário de bordo de uma grande viagem de possibilidades, em que a imaginação, criatividade, comprometimento e seriedade não têm limites quando se trata de educação, em especial, a educação a distância. Nesta viagem, o leitor é convidado, assim como eu fui, a entender as implementações e conquistas dos polos de apoio da EaD nos municípios; o sistema da Universidade Aberta do Brasil; a gestão de polos de EaD; os desafios dos gestores de polos; planejamento participativo e democrático; perspectivas sócioshistóricas da EaD; políticas públicas em EaD; Tecnologias da Informação e Comunicação em EaD; desenvolvimento social e educação; legislação educacional; cidadania; a formação continuada de professores como gestores de polos. Assim, o que temos diante de nós não é apenas um simples livro que reúne os artigos de conclusão do curso de especialização Gestão de PolosUAB-UFPel, por tão ampla abordagem das diversas e imensas possibilidades de pensar os aspectos concerne à Educação a Distância. Dessa forma, a riqueza destas páginas reside, fundamentalmente, na diversidade de abordagens, visões das pesquisas, estudos e trabalhos realizados pelos autores, que, enquanto sujeitos, também são diversos e únicos. Quem se aventurar a viajar pelos textos, parágrafos, linhas verá que se trata do resultado da criação e produção do conhecimento espalhadas para serem utilizadas, consultadas, refletidas, recriadas, contextualizadas e recontextualizadas em um ciclo que, possivelmente acrescente, a cada onda que passe, mais valores à Educação. Não posso deixar, também, de referenciar que fiz parte deste curso desde o seu começo, e tive o privilégio de acompanhar a trajetória crescente dos autores. Caminhada esta, na qual se confrontaram com fatos de realidades distintas, fenômenos e elementos diferentes que o cercavam, e souberam lidar com tais situações, reunindo informações, elaborando e reelaborando conhecimentos, arriscando respostas e formulando hipóteses. Desta forma, geraram mudanças no modo de pensar sobre a natureza das situações, sobre o mundo social e sua cultura, compartilhando estes pensamentos com os demais sujeitos, construindo, assim, saberes individuais e coletivos. Cada qual, com sua particularidade, edificou novos conhecimentos, contribuiu com o pensar acadêmico e com a produção de novas possibilidades reflexivas acerca do que é Educação a Distância e Gestão de Polos. E, como toda obra coletiva, esta também precisa ser lida tendo-se em consideração a riqueza específica e particular de cada contribuição, na diversidade em que se apresenta. O conjunto deste livro, que posso chamar de obra, devido à qualidade de cada texto, é que me deixa a satisfação de constatar que algo de importante e novo está surgindo no mundo da Educação a Distância. Parabéns aos autores será sempre um grande prazer viajar nesta Nau. Heloisa Helena Duval de Azevedo PLANEJAMENTO E GESTÃO DE POLOS: POSSIBILIDADES E DESAFIOS AUTORA: Diana Lurdes Muraro Vendruscollo PROFESSORA ORIENTADORA: Belkis Souza Bandeira RESUMO O presente artigo pretende contribuir com a reflexão sobre a implantação do sistema Universidade Aberta do Brasil como política pública, discorrendo sobre as principais possibilidades e desafios surgidos a partir da consolidação dos polos de apoio presencial em alguns municípios do Estado do Rio Grande do Sul. A pesquisa foi desenvolvida através da análise das postagens de coordenadoras e tutoras de polos nos fóruns da disciplina de Planejamento Educacional desenvolvida no Curso de Especialização de Gestão de Polos da UFPEL. Durante o estudo observou-se que o sistema Universidade Aberta do Brasil atinge seu maior objetivo que é a expansão e interiorização de cursos e programas de educação superior pública no país. Assim como proporcionar a democratização do ensino público, além dos cursos, as ações e os projetos sociais desenvolvidos através dos polos. Além da importância para o desenvolvimento das comunidades regionais, visualizando nestes, centros de construção do conhecimento. Contrapondo-se as possibilidades, o sistema Universidade Aberta do Brasil apresenta desafios principalmente quanto à gestão dos polos de apoio presencial, sua sustentabilidade e continuidade. A gestão financeira e a vontade política dos mantenedores dos polos são outros relevantes desafios. Neste processo de implantação da educação a distância no país através da UAB como política pública, o planejamento participativo e o comprometimento dos atores envolvidos no processo é fundamental para a consolidação da UAB, contribuindo assim, para que o acesso a informação e/ou conhecimento continuem rompendo barreiras históricas de desigualdades sociais, distâncias geográficas e financeiras, proporcionando através da educação, a construção de um país mais justo. Palavras-chave: Educação a distância; Universidade Aberta do Brasil; possibilidades; desafios. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 12 CONSIDERAÇÕES INICIAIS A partir da implantação do Programa Universidade Aberta do Brasil, oriundo de um projeto do Governo Federal que visa à consolidação de acordos de cooperação técnica entre Governos Federais, Estaduais, Municipais e Instituições de Ensino Públicas, que tem por objetivo oferecer Cursos de Formação Inicial e Continuada para professores na modalidade EAD, foram criados os Polos de Apoio Presencial. Este objetivo inicial foi rapidamente ampliado, e hoje temos diversos cursos na modalidade EAD sendo oferecidos e contemplando várias áreas do conhecimento. A execução do projeto Universidade Aberta do Brasil desenhou um novo cenário em nosso país no que diz respeito à oportunidade de acesso ao ensino superior, bem como aos conceitos de educação à distância. Com o presente artigo pretendemos apresentar algumas possibilidades surgidas a partir da oferta de Cursos na modalidade EAD através do Programa Universidade Aberta do Brasil nas regiões onde estão implantados os Polos de Apoio Presencial dos municípios de Polesine, Cachoeira do Sul, Restinga Seca, Jacuzinho e Sobradinho, bem como verificar os principais obstáculos encontrados na gestão dos mesmos e que podem ser generalizados para o Estado do RS na consolidação do Programa UAB. A metodologia utilizada no desenvolvimento deste projeto de pesquisa foi de análise dos fóruns da Disciplina de Planejamento Educacional, utilizando as postagens das Gestoras e Tutoras dos Polos de Polesine, Cachoeira do Sul, Restinga Seca, Jacuizinho e Sobradinho no que tange aos limites e possibilidades dos Polos de Apoio Presencial, considerando a legislação vigente sobre EAD. Foram consideradas todas as postagens das gestoras dos referidos polos, e sua escolha se deu pelos polos que tinham gestoras participando da capacitação de Gestão de Polos e que faziam parte do grupo de discussões do polo de Sobradinho. Através do contexto dos Polos citados objetivou-se desenhar o cenário das ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 13 oportunidades e dificuldades surgidas a partir da implantação desses nos referidos municípios. 1. EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA COMO POLÍTICA PÚBLICA É importante pensarmos o papel da educação à distância no novo cenário da educação do País. Conforme Maria Lopes no artigo “Educação à distância no Ensino Superior: uma possibilidade concreta de inclusão social”, esta modalidade de ensino pode não somente promover a inclusão como também expandir o acesso ao conhecimento: É certo que a sociedade pode ser beneficiada com a EAD na promoção da Inclusão Digital, porém, ela é uma ferramenta que tem um alcance ainda maior, principalmente para suprir as necessidades da população que não tem acesso ao ensino superior tradicional, seja por motivos geográficos ou indisponibilidade flexível de tempo, muitas vezes tendo que conciliar suas várias atividades para sobreviver, prejudicando a possibilidade de adquirir novos conhecimentos. (LOPES, 2010, p. 193). A educação a distância no Brasil foi instituída como política pública a partir da publicação do Decreto 5.622, de 19 de dezembro de 2005, que regulamenta o art. 80 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. O Art.1º do Decreto 5.622 caracteriza: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 14 A educação à distância como modalidade educacional na qual a mediação didáticopedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativos em lugares ou tempos diversos (MEC, 2005). Em 2005, então, a educação à distância no País foi regulamentada passando a contribuir diretamente com a democratização e expansão do ensino público. O Sistema Universidade Aberta do Brasil foi instituído pelo Decreto 5.800, de 08 de junho de 2006, para "o desenvolvimento da modalidade de educação à distância, com a finalidade de expandir e interiorizar a oferta de cursos”. A educação à distância através do Sistema Universidade Aberta do Brasil foi, implantada como política pública pelo governo federal objetivando melhorar a qualidade da Educação no país. Através dela surgem, então, os Polos de Apoio Presencial, tendo como objetivo possibilitar aos alunos um local para apoiar seus estudos e onde possam realizar as atividades presenciais, atendendo as exigências de qualidade estabelecidas pelo Ministério de Educação. Conforme Júlio Ribas, no artigo “Capacitação dos coordenadores de polo através de ambiente virtual de aprendizagem: um desafio para a gestão de polo no sistema Universidade Aberta do Brasil”, os Polos de apoio presencial são: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 15 Um polo de apoio presencial também pode ser entendido como "local de encontro" onde acontecem as interações presenciais necessárias, o acompanhamento e a orientação paraos estudos, às práticas laboratoriais e as avaliações presenciais. Assim, o objetivo dos polos é oferecer o espaço físico de apoio presencial aos alunos da sua região, manter as instalações físicas necessárias para atender aos alunos em questões tecnológicas, de laboratório e biblioteca, entre outras. (RIBAS, 2010, p.04). Conforme Portaria Normativa nº 02/2007, § 1º, “o polo de apoio presencial é a unidade operacional para desenvolvimento descentralizado de atividades pedagógicas e administrativas relativas aos cursos e programas ofertados à distância”, sendo, portanto, de fundamental importância que os polos possuam qualidade, com boas condições físicas e humanas para desenvolver de forma eficaz os encontros presenciais, avaliações, vídeo e web conferência, atividades de estudo, pesquisa, defesas de trabalhos dentre outras desenvolvidas pelos Cursos na modalidade EAD. Segundo os Referenciais de Qualidade da Educação Superior a Distância, primeira versão, elaborados pelo MEC o polo de apoio presencial “desempenha papel de grande importância para o sistema de educação a distância, sua instalação auxilia o desenvolvimento do curso e funcionando como um ponto de referencia fundamental para o aluno”. É importante mencionarmos que mesmo que os Referencias de Qualidade da Educação Superior a Distância não possuam peso de lei, são de grande importância no direcionamento da Educação Superior á Distância no Brasil. Marcelo Cabeda no artigo “Uma nova forma de pólo de apoio presencial para EAD: O Pólo dos Sonhos” nos remete a reflexões sobre a real função dos polos de apoio presencial no cenário da educação da atualidade: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 16 Qual deve ser a missão do Pólo Presencial de apoio EAD? Para quê existe? Basta cumprir com a especificação técnica estabelecida pela Secretaria de Educação a Distância, SEED?Se pensarmos no Pólo como sendo aquele elemento de contato presencial, social, físico, pessoa a pessoa, o polo presencial de apoio presencial de apoio a EAD pode ser muito importante pelo caráter afetivo de pertencer a um grupo. Entretanto isto só se verifica na prática quando houver sucesso na constituição de fatores que provocam a formação de comunidades de aprendizagem...O Polo tem que ser veículo de ações importantes nos saberes, conhecer, Fazer, Colaborar e Ser ( CABEDA, 2010, p.5). Para que o polo de apoio presencial se torne um espaço de construção coletiva do conhecimento é muito importante que o Gestor do Polo saiba administrar os recursos físicos e humanos que dispõe para melhorar a qualidade dos cursos e projetos desenvolvidos no Polo. A gestão de polo necessita ser eficaz, e para tanto, é imprescindível que seja democrática, voltada para trabalho em equipe, valorizando as habilidades de todos. A gestão eficaz está diretamente ligada ao desempenho do coordenador do polo, que deve ser um líder, conhecer a legislação vigente, buscar atualização constante, ser comprometido com o projeto de educação à distância, enfim, deve garantir a administração dos recursos físicos e humanos que estão envolvidos no processo. 2. POSSIBILIDADES SURGIDAS A PARTIR DA IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL O Sistema Universidade Aberta do Brasil é uma política pública que está proporcionando acesso ao ensino superior público e de qualidade as pessoas de pequenos municípios, nos quais não ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 17 existem Universidades Públicas, o que praticamente impossibilitava a muitos jovens brasileiros o sonho de cursar uma graduação. Podemos considerar que o sistema UAB está atingindo seu principal objetivo que é, de desenvolver através da modalidade de educação à distância, a expansão e interiorização de cursos e programas de educação superior no país. Nesse contexto os polos de apoio presencial são fundamentais para o êxito do sistema, pois oferecem o suporte presencial que a Educação a Distância necessita para obter sucesso. Analisando as postagens das gestoras dos polos pesquisados podemos afirmar que a principal possibilidade surgida a partir da implantação do Sistema Universidade Aberta do Brasil é a democratização do ensino público, que está se concretizando no interior do país trazendo esperança de uma sociedade mais justa e igualitária. Conforme Coordenadora do Polo A: “Os polos da Universidade Aberta do Brasil vieram para mudar a história dos municípios sedes e dos municípios vizinhos. A médio prazo a sociedade estará pensando e vivendo o que aprendeu, quebrar paradigmas é primordial”. É importante destacarmos que além das possibilidades de acesso ao conhecimento oferecido pelos cursos desenvolvidos nos Polos de Apoio Presencial, as ações e projetos sociais desenvolvidos através dos Polos são muito importantes para desenvolvimento das comunidades regionais, que estão visualizando nos polos um centro de construção do conhecimento. Segundo tutora presencial do Polo de B: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 18 vejo que é possível sim acontecer um planejamento participativo dentro do espaço dos Pólos. Para exemplificar temos o Projeto Pólo em Ação na Comunidade, onde envolve diagnóstico, participação e construção de projetos que visam à aproximação primeiramente dos alunos entre si com a formação dos grupos e depois da comunidade. Pois os grupos fazem projetos direcionados para a necessidade que veem na comunidade que, pode ser na área educacional, social, saúde, enfim inúmeras possibilidades. Com a disseminação dos projetos cada vez mais alunos tentam engajar nessa proposta, ano a ano estamos aumento o número de projetos realizados pelos alunos e, cada vez mais com entusiasmo e dedicação dos mesmos que, mesmo ao término do projeto se propõem a continuar, pois está visualizando resultados positivos dos mesmos. Além de proporcionar a democratização do ensino público, a UAB proporcionou nos pequenos Municípios, através dos polos de apoio presencial, espaços de troca e construção do conhecimento. Porém para que os Polos realmente cumpram seu objetivo, que é, muito mais amplo do que oferecer condições para as atividades presenciais dos cursos desenvolvidos ali, é necessário que possua uma boa gestão. O Planejamento participativo pode ser uma ótima estratégia para dinamizarmos o polo de apoio presencial. Conforme coloca tutora do Polo D: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 19 Sim, é possível colocar em prática o modelo de planejamento participativo nos pólos presenciais de EaD. Há que empreender-se esforços no sentido de que seja assegurado e considerado o direito de participação real de todos nos três níveis: colaboração, decisão, construção em conjunto. A oferta de EaD nos polos, constituindo-se uma iniciativa com fins não lucrativos no sentido monetário, mas altamente lucrativa no sentido humano, visa a interferência na realidade social no sentido de promovê-la, não só como finalidade mas durante todo o seu processo de desenvolvimento. A construção colaborativa da educação e do conhecimento conferem às pessoas maior capacidade de reflexão e compreensão da sua realidade e consequentemente maior possibilidade de inserção no conjunto de ações a serem empreendidas visando o benefício comum. Cabe a todos nós agentes envolvidos com o processo de implantação e implementação da UAB no país, uma reflexão sobre as possibilidades que surgiram após esta implantação e que melhorias a educação à distância proporcionou na qualidade da educação no país. Conforme Coordenadora do Polo B: “é importante refletir sobre a prática do ensino a distância como mobilizador de sujeitos em diferentes lugares e espaços”. Não temos dúvida que vivemos em uma era de grandes transformações no cenário educacional no país e que a UAB e seus agentes serão um marco histórico neste contexto. 3. PRINCIPAIS DESAFIOS ENFRENTADOS NA GESTÃO DOS POLOS DE APOIO PRESENCIAL Vários são os desafios encontrados pelos gestores dos polos de apoio presencial quanto a sua gestão, desafios que variam em cada município. Nos polos analisados a Prefeitura Municipal é a ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 20 mantenedora, sendo a responsável pelas instalações físicas do polo, sua manutenção e pela contratação dos profissionais administrativos e técnicos. Nesse contexto, podemos afirmar que a vontade política é fundamental para o êxito na gestão e nas ações de extensão que ele desenvolve. Segundo afirma a Gestora do polo A pesquisado, a gestão democrática do polo esbarra na vontade política da mantenedora, nos recursos orçamentários, nos cronogramas engessados dos cursos que são desenvolvidos no polo, que muitas vezes tem coordenações que não estão abertas ao diálogo, nem preocupadas com as atividades sociais que podem ser desenvolvidas através do polo e com a pouca participação dos agentes envolvidos: Enquanto Gestora de Polo posso afirmar que a flexibilidade não tem sido uma marca das instituições que norteiam o trabalho. Pode-se fazer Gestão Participativa nas ações sociais do Polo quando não esbarra nos recursos e na própria administração municipal, porém não é possível Gestão Participativa a partir dos cronogramas dos cursos e a disputa pelos espaços. Afirmo que procuramos acolher sugestões e as decisões a nível de polo tem sido tomadas com a tutoria e, com os demais da equipe e com os acadêmicos que pela própria característica da Educação à Distância participam em número reduzido. Os mantenedores dos polos de apoio presencial assinaram termos de cooperação técnica para implantação dos mesmos em seus municípios, responsabilizando-se pela sua manutenção, só que em muitas situações este acordo de cooperação técnica não é cumprido na integra e as gestões de polos enfrentam muitas dificuldades financeiras para manterem o bom funcionamento, bem como muitas carências quanto aos espaços físicos e recursos humanos disponibilizados pelo mantenedor. Cabe aqui ressaltar que nem sempre os problemas financeiros dos polos são consequência ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 21 da má vontade política dos mantenedores, pois a manutenção dos polos de apoio presencial muitas vezes é uma despesa muito onerosa para pequenos municípios que possuem pouca receita e que por força de lei devem manter o Polo com recursos livres. Dentre os polos pesquisados, alguns compartilham espaços com escolas Municipais ou Estaduais e alguns já conquistaram seu espaço próprio, podendo assim ampliar seu horário de atendimento e as atividades de extensão sociais desenvolvidas. A Gestão Participativa dos Polos de Apoio Presencial e o Planejamento Participativo são citados por todas as gestoras dos polos pesquisados como alternativas para enfrentar os desafios de gestão e peças fundamentais para tornar os polos verdadeiros espaços de construção e troca do saber. A afirmação da gestora do Polo C vem no mesmo sentido, colocando a importância do planejamento participativo e da dificuldade de sua execução, na prática diária do polo: não é uma tarefa fácil, pois chegar num consenso em um grupo heterogênio, com pensares diferentes, ideologias, etc não é mole não, por isso que acredito que o “como fazer" é o mais complicado, nos polos esbaramos também com questões burocráticas e dependemos das IES, MEC e MANTENEDORA, se todos esses estão abertos ao Planejamento será com certeza mais "possível. Mas como tão bem coloca a Tutora presencial do Polo E, através do planejamento participativo definiremos os verdadeiros objetivos dos Polos de apoio Presencial e a função social que desejamos que eles assumam em cada comunidade onde estão inseridos, através da participação de todos, realizar uma verdadeira gestão democrática: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 22 com certeza enfrentamos situações que ensejam um bom planejamento em nossos locais de trabalho. Embora não seja tão simples e tão fácil, pois muitas pessoas com pensamentos e posições antagônicas fazem parte desse processo. Porém, havemos sempre de vislumbrar alternativas para que o planejamento participativo e democrático permeie nossas ações. Dessa forma, a vontade coletiva deve ser considerada a mais eficaz no contexto educacional das Escolas e dos Polos de EAD. A gestão dos Polos de Apoio pesquisados enfrenta desafios diversos, porém permeiam suas ações no sentido de contribuir com a consolidação do programa Universidade Aberta do Brasil e reforçando o que foi exposto sobre planejamento participativo vem à colocação da gestora do Polo A: No planejamento participativo ainda de acordo com Gandim, planejar é desenvolver um processo técnico para contribuir num projeto político, ou seja, programar, direcionar, orientar para inferir na realidade social da comunidade/sociedade. Percebo que é o que buscamos no cotidiano dos Pólos, tanto coordenadores, quanto tutores e a equipe tem se esforçado para atingir a melhor qualidade, num processo democrático, sem distanciamento do compromisso assumido acima de tudo com a qualidade e a transparência e a credibilidade do processo. Tendo por base o que foi abordado neste artigo, utilizaremos o seguinte questionamento para reflexão sobre o verdadeiro papel dos polos de apoio presencial: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 23 Qual deve ser a missão do Pólo Presencial de apoio EAd? Para que existe basta cumprir com a especificação técnica estabelecida pela Secretaria de Educação a Distância, SEED? Se pensarmos no Pólo como sendo aquele elemento de contato presencial, social, físico pessoa a pessoa, o pólo presencial de apoio EAD pode ser muito importante pelo caráter afetivo de pertencer a um grupo. Entretanto isso só verifica na prática quando houve sucesso na constituição de fatores que provocam a formação de comunidades de aprendizagem ( CABEDA, 2010). Sendo o Polo de apoio presencial uma exigência do atual modelo de Educação a distância implantado no País, necessitamos encontrar alternativas para solucionarmos seus problemas de gestão e principalmente de sustentabilidade, para que os polos de apoio presencial consolidem sua permanência na educação brasileira. A tutora presencial do Polo D coloca que seu polo possui a família UAB: reafirmo as postagens de minhas colegas de polo, nossa coordenadora fala que somos a "família UAB" e que o futuro de nosso Polo presencial depende do trabalho e dedicação de todos os envolvidos no processo de ensinoaprendizagem, extensivo a comunidade escolar. Queremos caminhar unidas, de forma colaborativa, buscando melhorias para reverter em benefício de nossos educandos e de todo o grupo do polo de apoio presencial. Contribuo dizendo que todos os inseridos no contexto do programa Universidade Aberta do Brasil, formamos a família UAB e estamos fazendo parte da história na qual o acesso a informação e ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 24 ou conhecimento esta rompendo barreiras históricas desigualdades sociais e distâncias geográficas e financeiras. de CONSIDERAÇÕES FINAIS Observamos no decorrer do trabalho que muitas possibilidades e desafios surgiram a partir da implantação da educação a Distância no país, podemos sintetizar neste momento que a maior possibilidade foi à expansão e interiorização do ensino público e os principais desafios concentram-se na gestão do sistema e dos polos de apoio presencial e na sua sustentabilidade e continuidade. Através das postagens dos fóruns analisados evidenciou-se que o sistema Universidade Aberta do Brasil está cumprindo com eficácia seu propósito de expansão e interiorização do ensino público, bem como proporcionando o desenvolvimento das regiões aonde estão inseridos os polos de apoio presencial que além de oferecer suporte para o desenvolvimento das atividades presenciais dos cursos oferecidos, desenvolvem projetos de inclusão transformando-se em verdadeiros centros de construção do conhecimento. Porém também enfrenta desafios na gestão dos polos, sustentabilidade e consolidação do sistema. Concluindo este trabalho de pesquisa, ressaltamos que a implantação da educação a distância como política pública está se consolidando através do Sistema Universidade Aberta do Brasil que possibilitou o surgimento de novas oportunidades de acesso ao conhecimento, contribuindo assim, para que o acesso à informação e/ou conhecimento continuem rompendo barreiras históricas de desigualdades sociais, distâncias geográficas e financeiras, proporcionando através da educação, a construção de um país mais justo. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 25 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. UAB. O que é? Disponível <http://uab.capes.gov.br/index.php˃. Acesso em: mai. 2011. em: _____. Referenciais de qualidade para Educação Superior a Distância. Brasília: MEC, 2007. _____. Portaria Normativa nº 2, de 10 de Janeiro de 2007. Dispõe sobre os procedimentos de regulação e avaliação da educação superior na modalidade a distância. Brasilia: MEC, 2007. _____. Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de 2005. Regulamenta o art. 80 da lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/dec_5622.pdf>. Acesso em: mar. 2011. _____. Decreto nº 5.800, de 08 de julho de 2006. Dispõe sobre o sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20042006/2006/Decreto/D5800.htm>. Acesso em: mar. 2011. CABEDA, M. Uma nova forma de polo de apoio presencial para EAD: o Pólo dos Sonhos. Disponível em: <www.abed.org.br/congresso2010/cd/2842010101650.pdf>. Acesso em: mar. 2011. FERREIRA, N. S. C. Gestão Democrática da Educação: atuais tendências, novos desafios. 6 ed. São Paulo: Cortez, 2008. IRIONDO, W.; RIBEIRO, L. Gestão Pública no Contexto da EAD. Apostila do Curso de especialização em gestão de Pólos da UAB/UFPel, Pelotas, 2010. LOPES, M. C. L. P. et al. Educação a Distância no Ensino Superior: uma possibilidade concreta de inclusão social. Diálogo Educ., Curitiba, v. 10, n. 29, p. 191-204, jan./abr. 2010. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 26 MOORE, M.; KEARSLEY, G. Educação a Distância – Uma Visão Integrada. Trad. GALMAN, R. São Paulo: Cengage Learning, 2008. RIBAS, Júlio César da Costa. Capacitação dos coordenadores de polo através de ambiente virtual de aprendizagem: um desafio para gestão de Polo no sistema Universidade Aberta do Brasil. Renote, v. 8, n. 3, dez. 2010. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 27 O PAPEL DO GESTOR DE POLO NA QUALIFICAÇÃO DA EAD COMO POLÍTICA PÚBLICA AUTORA: Clair Batista da Silva PROFESSOR ORIENTADOR: Dirlei de Azambuja Pereira RESUMO Neste artigo, objetiva-se, através de uma pesquisa bibliográfica, refletir sobre os desafios encontrados na implantação da EAD no contexto histórico brasileiro, assinalando os principais momentos desta modalidade no transcorrer da história educacional. A EAD é uma modalidade educativa que, a partir da criação do Sistema Universidade Aberta do Brasil, passou a ser encarada, pelo Governo Federal, como Política Pública. Nesse sentido, cabe destacar, no que concerne a estrutura da UAB, a relevância do Polo de Apoio Presencial, pois é no mesmo que acontecem os encontros presenciais, o acompanhamento das atividades, as orientações de estudo, as avaliações presenciais e as práticas laboratoriais. Para que haja a qualificação da EAD, como Política Pública, acredita-se que o papel do Gestor de Polos é fundamental. Este, por sua vez, necessita ter visão administrativa e pedagógica, capacidade para acompanhar e gerenciar toda a estrutura do Polo e ainda possuir conhecimento sobre a legislação da EAD Palavras-chave: Gestor de polo; educação a distância; política pública. Considerações Iniciais Com o crescimento da interação virtual, pelos meios de comunicação (destaque para a internet), a modalidade EAD se sobressai, dentro da educação geral, como a opção que atende, simultaneamente, um grande número de pessoas em diferentes ambientes e regiões, o que não ocorre na educação tradicional. Porém, o grande desafio da EAD está relacionado à prática pedagógica para que nesta ocorra a construção de conteúdos ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 28 educacionais de qualidade com base em um material didático integrado a novas tecnologias, promovendo, assim, uma aprendizagem realmente significativa. Para que ocorra essa construção de modo eficaz, é necessário, agregado às tecnologias modernas e ao material didático adequado, um bom gerenciamento de todo o processo realizado. Esses elementos principais, como os materiais didáticos acessados e as mídias utilizadas, estão interligados para que sejam, desta forma, atingidos os objetivos educacionais mais amplos e as competências propostas pelo curso. Cabe destacar, frente ao exposto, que não há receitas prontas, cada curso possui sua especificidade e, sendo assim, deve elaborar a sua proposta frente a esta realidade apresentada. Nesse sentido, os projetos devem estar sempre em constante reelaboração, garantindo a qualidade do curso em questão. A EAD, conforme Moore & Kearsley (apud AMARAL et al., 2010, p. 3) pode ser definida como: [...] o aprendizado planejado que ocorre normalmente em um lugar diferente do local de ensino, exigindo técnicas especiais de criação do curso e de instrução, comunicação por meio de várias tecnologias e disposições organizacionais e administrativas especiais. A Educação a Distância está, cada vez mais, ganhando um maior espaço no cenário da educação brasileira, possibilitando a concretização de uma educação de qualidade através do Sistema UAB, projeto este elaborado pelo Ministério da Educação, que busca incentivar projetos mais estruturados no campo da EAD. Por algumas décadas o país contou com projetos de EAD, porém, no Ensino Superior, somente agora é que esta modalidade educacional ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 29 vem se consolidando com uma Política Pública1. Torres e Vianney (2004, p. 2), ao explanarem sobre a EAD, afirmam que esta: [...] era utilizada principalmente para ofertar cursos livres de iniciação profissionalizante, dentro do conceito de educação aberta e com os recursos do ensino por correspondência; e para ofertar cursos supletivos, focados na complementação de estudos nos níveis de Ensino Fundamental e de Ensino Médio, utilizando materiais impressos e aulas transmitidas por televisão, em programas de telecurso. Somente a partir de 1994, com a expansão da Internet junto às Instituições de Ensino Superior (IES), e com a publicação da Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (LDB), em dezembro de 1996, que oficializa a EAD como modalidade válida e equivalente para todos os níveis de ensino, é que a universidade brasileira dedica-se à pesquisa e oferta de cursos a distância com o uso de novas tecnologias. Para a consolidação da EAD, como uma Política Pública, através de uma ação articulada entre a União (Universidades Públicas), os Governos Estaduais e Municipais, criam-se os Polos de Apoio Presencial com o objetivo de dar suporte às pessoas envolvidas no processo de ensino e aprendizagem. O Sistema UAB, através dos Polos, consegue oferecer um ensino superior de qualidade e acessível a todos. 1 Para Soares (2010, p. 23) as “políticas públicas são as prescrições legais sobre as necessidades da sociedade em termos de distribuição e redistribuição das riquezas, dos bens e serviços sociais no âmbito federal, estadual e municipal. São políticas de economia, educação, saúde, meio ambiente, ciência e tecnologia, trabalho, etc.”. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 30 Um polo de apoio presencial também pode ser entendido como "local de encontro" onde acontecem as interações presenciais necessárias, o acompanhamento e a orientação para os estudos, as práticas laboratoriais e as avaliações presenciais. Assim, o objetivo dos polos é oferecer o espaço físico de apoio presencial aos alunos da sua região, manter as instalações físicas necessárias para atender aos alunos em questões tecnológicas, de laboratório e biblioteca, entre outras (SILVA; RIBAS; MOREIRA; BATTISTI; PEREIRA, 2010, p. 4). Para que haja um bom desenvolvimento das atividades são também indispensáveis recursos humanos que contribuam na construção de um ensino de qualidade. No entanto, diante da realidade atual, alguns aspectos ainda carecem de atenção especial pois, apesar das exigências governamentais, os Polos de Apoio Presencial não possuem uma gestão que contemple todos os aspectos necessários para um bom funcionamento do Polo. Destarte, frente a esse contexto, o papel do Gestor de Polo é fundamental. Ele precisa, além dos conhecimentos pedagógicos, ter conhecimento administrativo de técnicas de gestão, as quais são importantes para gerenciar adequadamente o local que recebe os cursos. Partindo destas primeiras palavras, o artigo, aqui apresentado, pretende discutir as dificuldades encontradas na implantação da EAD no Brasil como Política Pública. Destaca-se, nesse movimento, a importância do papel do Gestor de Polo para que ocorra a consolidação da EAD, como Política Pública, garantindo, por conseguinte, a qualidade nos cursos oferecidos pelo Sistema UAB. A referida pesquisa se assentou em uma metodologia bibliográfica, na qual foram utilizados artigos e livros que debatem o tema em questão. Cabe ressaltar que há, nesse sentido, pouco material referente à Gestão de Polos uma vez que essa discussão é nova no cenário da Educação a Distância no Brasil. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 31 1.A METODOLOGIA DA PESQUISA A presente pesquisa é de cunho bibliográfico. Nesse sentido, foi realizado, em um primeiro momento, o mapeamento dos livros e dos artigos existentes que tratavam sobre os conceitos a serem discutidos no decorrer do estudo (Educação a Distância, Políticas Públicas e Gestor de Polos). Algumas das fontes utilizadas foram adquiridas mediante a consulta no Google Scholar, o qual possibilita a aquisição de textos acadêmicos de maior qualidade. Outros materiais, também utilizados na pesquisa, foram acessados no Polo Presencial da Universidade de Santa Cruz, localizado em Sobradinho/RS. Uma vez desenvolvida esta coleta de fontes, passou-se para o segundo movimento da pesquisa: o entrelaçamento dos conceitos com a proposição da discussão pretendida neste artigo. A declaração de Pimental (2011, p. 180) corrobora a declaração anterior, já que: Estudos baseados em documentos como material primordial, sejam revisões bibliográficas, sejam pesquisas historiográficas, extraem deles toda a análise, organizando-os e interpretando-os segundo os objetivos da investigação proposta. André (2001, p. 57), na mesma esteira de argumentação, afirma que os dados pesquisados, relativos à investigação, devem ser “coletados mediante procedimentos rigorosos” e que a análise dos mesmos necessita agregar densidade e fundamentação. Partindo destes pressupostos, construiu-se o caminho metodológico que permeou o estudo. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 32 2. A HISTÓRIA DA EAD NO BRASIL Com as reformas realizadas inicialmente por Campos e depois aprofundadas pela reforma Capanema, foi promulgada, em 1961, a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Nº 4.024/61, a qual reconheceu a educação como questão da nação brasileira. A partir desse momento, ocorreu a unificação e a regulamentação da educação pública e privada no país, porém uma educação assentada na concepção tecnicista e reprodutivista, adaptada para atender aos interesses governamentais. Ao tratar mais especificamente sobre a EAD, neste sobrevoo histórico, é possível perceber que esta passou por gerações2. A primeira geração da EAD foi através do ensino por correspondência, no final do século XIX, com o crescimento e o desenvolvimento da imprensa escrita. Nesse período, a interação entre professor e aluno era lenta, esparsa e limitada aos períodos de realização dos exames. Para Costa (2006, p. 6440): As práticas educativas não presenciais fazem parte do cenário educacional brasileiro desde o início do século XX, tomando-se aqui como marco histórico a criação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, por Edgar Roquette-Pinto, em 1923. Mesmo assim, raramente encontramos referências aos cursos e programas ofertados na modalidade a distância em livros e manuais de História da Educação. Scavazza (2010, p. 60), citando Maria Luiza Belloni (2003, p. 56), afirma que: 2 Optou-se, neste estudo, por apresentar as principais gerações da Educação a Distância no Brasil. Desta forma, reserva-se o direito de não serem abordadas todas as fases percorridas por esta modalidade educacional devido ao propósito do presente item, que é de apenas contextualizar brevemente para o leitor a construção histórica da EAD. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 33 [...] o modelo educacional da segunda geração, os chamados multimeios, desenvolveu-se a partir das orientações behavioristas e industrialistas típicas da época. A autora ainda afirma que esse modelo ainda prevalece na grande maioria das experiências em EaD, e que seus meios de comunicação principais são o impresso, programas de vídeo e áudio, difundidos via cassetes ou via antena (broadcasting). No final da década de trinta e início da década de quarenta, do século XX, duas instituições foram consideradas pioneiras em EAD: O Instituto Rádio Monitor, no ramo da eletrônica, e o Instituto Universal Brasileiro, na formação profissional de nível elementar e médio. Costa (2006, p. 6440), ancorando-se nos estudos de Saraiva (1996)3, declara que: [...] é a partir da década de 1960 que se encontram registros, alguns sem avaliação, de programas de EAD desenvolvidos no Brasil. Nesta época foi criado, inclusive, na estrutura do Ministério da Educação e Cultura (MEC), o Programa Nacional de Teleducação (Prontel), a quem competia coordenar e apoiar a teleducação no Brasil. Este órgão foi substituído, anos depois, pela Secretaria de Aplicação Tecnológica (Seat), que foi extinta posteriormente. 3 SARAIVA, Terezinha. A Educação a Distância no Brasil. Em Aberto. Brasília, ano 16, n.70, p.17-27, abr./jun. 1996. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 34 Ainda conforme Costa (2006, p. 6441): No que se refere aos programas de educação veiculados pelo rádio, Nunes (2002)4 enfatiza que entre as primeiras experiências de maior destaque encontra-se certamente, a criação do Movimento de Educação de Base (MEB), cuja preocupação básica era alfabetizar e apoiar os primeiros passos da educação de milhares de jovens e adultos através das "escolas radiofônicas", principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Desde seus primeiros momentos, o MEB distinguiu-se pela utilização do rádio e pela montagem de um sistema de ensino com as classes populares. Porém, a repressão política que se seguiu ao golpe de 1964 desmantelou o projeto inicial, fazendo com que a proposta e os ideais de educação popular de massa daquela instituição fossem abandonados. Outros projetos, ao longo da história educacional brasileira, também foram desenvolvidos para a instrução da população através do rádio devido este ser um meio de comunicação de massa e, sendo assim, de grande abrangência no território nacional. Entre as propostas realizadas, notabiliza-se o Projeto Minerva, cujo “intuito era proporcionar a interiorização da educação básica, buscando suprir as deficiências que existiam na educação formal em regiões onde o número de escolas e professores era escasso” (HACK, 2004, p. 4). O rádio recebeu, como já mencionado, um destaque especial na EAD, principalmente por parte do governo que o utilizou, em um determinado período, para transmitir seus projetos e cursos. Avançando na linha do tempo, na década de 70, do século anterior, a EAD passou a ter o apoio e a divulgação dos seus 4 NUNES, Ivônio Barros. Noções de Educação a Distância. Disponível em: <www.intelecto.net/ead_textos?ivonio1.html>. Acesso em: 28 Out. 2002. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 35 projetos através da televisão. Neste período, sobressai-se o Telecurso de Primeiro e Segundo Grau, o qual tinha como objetivo proporcionar melhorias na educação básica e nos cursos profissionalizantes. Além da utilização dos recursos radiofônicos, televisíveis e impressos, os projetos em EAD, a partir dos anos 1990, passaram a contar também com os recursos da informática para a formação e a capacitação de professores. Anos mais tarde, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei Nº 9394/96) reservou um espaço importante para as iniciativas em EAD no país, dizendo, em seu Artigo 80, que o Poder Público incentivaria “o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e da educação continuada”. De acordo com Saraiva, algumas visões distorcidas do que seja realmente a educação a distância, em geral, têm trazido, na atualidade, uma compreensão equivocada quanto a esta modalidade educacional, já que observa-se “que projetos limitados à veiculação de informações por diferentes e mais ou menos sofisticados meios de comunicação sejam denominados como de ensino/educação a distância” (1996, p. 17). ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 36 A educação à distância só se realiza quando um processo de utilização garante uma verdadeira comunicação bilateral nitidamente educativa. Uma proposta de ensino/educação à distância necessariamente ultrapassa o simples colocar materiais instrucionais a disposição do aluno distante. Exige atendimento pedagógico, superador da distância e que promova a essencial relação professor-aluno, por meios e estratégias institucionalmente garantidos. A utilização pedagógica deve ocupar lugar central no processo de planejamento da educação a distância. Respondendo a necessidades educacionais a serem atendidas, as alternativas de efetivação da relação pedagógica são o critério que deve presidir a escolha dos meios, o modo de produzir materiais, a organização da veiculação e dos canais de comunicação à distância entre professores e alunos durante todo o processo (SARAIVA, 1996, p. 17). A EAD não é nova no Brasil, como já exposto, porém, no Ensino Superior, é a primeira vez que surge como Política Pública. Com isso, ocorreram mudanças no posicionamento do Estado, que passou a valorizar e investir mais nesta modalidade, deixando de ser uma educação informal, provisória e emergencial, e passando a ser democrática e inclusiva. 3. A EAD COMO POLÍTICA PÚBLICA No Brasil a educação vem sofrendo rupturas importantes e marcantes em sua história. Falar em educação no Brasil é falar inicialmente na Educação Indígena (uma educação sem marcas repressivas, que valorizava a religiosidade e os costumes) a qual era diferente da utilizada pelo modelo educacional europeu que trouxe ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 37 métodos pedagógicos que, utilizados nas escolas, privilegiavam a elite. Com a chegada dos Jesuítas vieram com eles também os métodos pedagógicos que permaneceram exercendo influência na educação brasileira por longos anos (CUNHA, 2010). A expulsão dos Jesuítas causou quebras na estrutura educacional. Sendo assim, faltava, após esse fato, um sistema educativo para nortear a educação brasileira. A chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil iniciou uma nova fase na educação nacional. Bello (2001) afirma que: D. João VI abriu Academias Militares, Escolas de Direito e Medicina, a Biblioteca Real, o Jardim Botânico e, sua iniciativa mais marcante em termos de mudança, a Imprensa Régia. Segundo alguns autores, o Brasil foi finalmente "descoberto" e a nossa História passou a ter uma complexidade maior. O surgimento da imprensa permitiu que os fatos e as idéias fossem divulgados e discutidos no meio da população letrada, preparando terreno propício para as questões políticas que permearam o período seguinte da História do Brasil. Ainda conforme o autor, no ano de 1824, após a Proclamação da Independência do Brasil em 7 de setembro de 1822, D. Pedro I outorgou a primeira Constituição Brasileira. No Artigo 179 constava que a instrução primária era gratuita para todos os cidadãos (BELLO, 2001). Transcorrido quase um século, tem-se, na década de 20 do século XX, a existência de diversos movimentos que marcam o processo de mudança das políticas brasileiras e das reformas educacionais. A Semana da Arte Moderna e o Movimento da Escola Nova apresentaram, é relevante frisar, políticas e estratégias para repensar/reestruturar a escola pública, leiga, universal e gratuita. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 38 Nesse período, reflexões e debates sobre os problemas educacionais brasileiros eram realizados, buscando sensibilizar o poder público e a classe dos educadores para os problemas vividos na educação. Anos mais tarde, em 1934, na cidade de São Paulo, surgiu a primeira Universidade Brasileira. Entretanto, a qualidade de educação continuava ruim. Os processos evolutivos sofridos não foram significativos em termos de modelo educacional. Frente a tantas discussões, divergências de ideias e de doutrinas sobre a educação que estavam sendo debatidas nas Conferências Nacionais de Educação, promovidas pela Associação Brasileira de Educação, o Governo Vargas solicitou, em 1931, a elaboração de diretrizes para a educação nacional. Uma polêmica se gerou em relação ao ensino laico e a escola pública, levando os líderes do movimento renovador a redefinir sua ideologia e seus princípios. Tal documento gerou debates e polêmicas entre reformadores e defensores dos interesses católicos junto à educação, refletindo tal discussão, principalmente, na elaboração das Constituições de 1934 e 1937 e nos propósitos da educação brasileira naquele momento. Cabe ressaltar ainda que as discussões se centralizaram na questão do ensino público e privado e no fenômeno do populismo5. Retrocedendo um pouco na história, é interessante destacar que em 1929, com a baixa do capitalismo Nova-iorquino, os países latino-americanos entraram em fase de acelerada industrialização. Com isso veio a urbanização, o aumento da classe média e dos assalariados. 5 O populismo se caracteriza por um sistema paternalista que, ora concede, ora manipula o povo na disputa pelo poder. Para Weffort (apud AMARAL et al., 2010, p. 8) ele “foi a expressão do período da crise da oligarquia e do liberalismo; [...] foi um modo determinado e concreto de manipulação das classes populares mas foi também um modo de expressão de suas manifestações; [...] representou um estilo de governo de comportamento essencialmente ambíguo, devido a ambigüidade pessoal dos políticos divididos entre o amor ao povo e ao poder”. Em diversos países latinos, o populismo foi usado pelos estados como uma ideologia de manipulação e mobilização das grandes massas urbanas, principalmente daquelas que buscavam melhores condições econômicas. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 39 Com o crescimento deste processo de industrialização, as classes dominantes começaram a perder o poder e o populismo surgiu nessa situação de crise. No Brasil, o populismo resultou da crise política e econômica de 1930, a qual levou Getúlio Vargas ao poder. Durante a Era Vargas, ocorreu uma reforma constitucional, que abriu espaço para as novas políticas, com ideias favoráveis à democracia, postura esta que se apresentava no mundo todo. A democracia começou a desabrochar no Brasil com o fim do Estado Novo e com a vigência da Constituição Democrática de 1946. Os poderes públicos passaram a ser responsáveis por proporcionar e garantir a educação escolar recursos mínimos. Já à União, competia a elaboração e a concretização das Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Por um longo período tramitaram no Congresso projetos e anteprojetos em defesa do ensino público e privado, assim como pela implantação do Ensino Religioso nas escolas. Somente em 1961 a Lei de Diretrizes e Bases Nº. 4021/61 foi sancionada pelo presidente João Goulart. Esta garantia os interesses privatistas, estabelecendo igualdade de tratamento por parte do Poder Público para os estabelecimentos oficiais e particulares, o que não trouxe melhorias para a educação. Pelo contrário, os problemas se agravaram. A referida lei não atendeu às necessidades educacionais do país, que crescia industrialmente e urbanamente, mas com altas taxas de analfabetismo e de evasão escolar. Durante o período da Ditadura Militar, a educação ficou marcada por um tecnicismo pedagógico fundamentado na produtividade, eficiência e racionalidade e, em práticas rígidas e controladoras. O papel do professor não era importante e o aluno era um mero receptor. Outro aspecto a ser destacado, nesse contexto, foi a desmobilização do magistério. Professor e aluno não tinham autonomia e o trabalho a ser desenvolvido nas escolas públicas era técnico e instrumental, características próprias daquele momento histórico-social. Com a privatização e a institucionalização do ensino profissionalizante, a educação assumiu a concepção produtivista, na ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 40 qual a principal incumbência era formar a mão-de-obra solicitada pela indústria ligada ao capital internacional. O governo brasileiro, por sua vez, impôs algumas modificações na estrutura interna e externa do sistema educacional como a Lei Nº. 5.540/68 que tratava da reforma universitária, e a Lei Nº. 5.692/71, a qual reformava o ensino elementar e o secundário. Mais tarde, esta última foi revogada pela Lei Nº. 7.044/82, e a qualificação para o trabalho foi substituída por preparação para o trabalho. A sociedade e a educação brasileira viveram grandes retrocessos durante o Regime Militar. Embora alguns anos tenham transcorrido desde o fim da Ditadura Militar, conforme Amaral et al. (2010), a educação brasileira continua, hoje ainda, enfrentando graves problemas que necessitam de soluções. Vários caminhos estão sendo apontados, como proposições de leis, de projetos e de planos que podem vir a ajudar na resolução de alguns dilemas hodiernamente enfrentados, como a falta de instituições educacionais e de professores, assim como o acesso dos alunos ao ensino fundamental, médio e superior. Nesse sentido, o Brasil, como ressalta a autora, vem instituindo políticas públicas que almejam solucionar esses desafios. Para Amaral et al. (2010, p. 2), as políticas públicas são entendidas como: Ações empreendidas pelo Estado, tendo por base os preceitos constitucionais no que tange às necessidades sociais. São políticas que visam à redistribuição de verbas a serem investidas em muitos setores como educação, saúde, ciências e tecnologia, trabalho, meio ambiente, dentre outros, tanto no âmbito federal como no estadual e no municipal. No que concerne à presente discussão, para Cruz (2009), no campo da educação, as políticas públicas continuam com atendimento precário à população pobre. Com isso, as pessoas mais pobres continuam sem estudar, havendo, com efeito, um grande ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 41 número de analfabetos. A permanência de tal quadro favorece a elite que deseja ter o controle da população mais humilde. Mello (2004) assegura que os problemas da educação no país reproduzem, em grande parte, as distorções de distribuição de renda realizadas no Brasil, fazendo deste o país das desigualdades e que vem, ao longo do tempo, apresentando uma dominação elitista. A história mostra que o Brasil se desenvolveu, cresceu, urbanizou-se e industrializou-se, apresentou avanços. Entretanto, essas melhorias não foram para todos. Elas aconteceram, somente, para uma minoria. Diante desse contexto, foi necessário organizar políticas públicas e educacionais para minimizar as mazelas apresentadas e garantir a todos o direito constitucional de igualdade em oportunidades. De acordo com Sá (2009, p. 1) “para ter um ensino adequado e eficaz, é preciso organizar políticas voltadas para a realidade num contexto social, levando em consideração a diversidade cultural e buscando a inclusão de todos no processo educativo”. Através da LDBEN (Lei Nº. 9394/96), da Constituição Federal de 1988, do Estatuto da Criança e do Adolescente e do Plano Nacional de Educação, o acesso à educação foi garantido. Sabe-se que para ocorrer o desenvolvimento de uma nação é preciso investir em educação. O Governo Brasileiro, por sua vez, nos últimos anos, para alcançar tal objetivo, vem investindo sobremaneira em diferentes frentes, principalmente na modalidade de Educação a Distância. Desta forma, a EAD, como política pública, ganha espaço dentro dessa conjuntura de transformação da educação nacional. Pretto e Picanço (2005, p. 31), em relação a este tema, afirmam que: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 42 A Educação a Distância (EAD) no ensino superior vem sendo popularizada, envolvendo um uso intensivo das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) nesse nível de ensino, implicando um número cada vez maior de estudantes, professores e instituições, tanto públicas como privadas, em um novo conjunto de desafios. A presença das TIC fomenta e cria condições potenciais para a interação e o desenvolvimento de projetos comuns em grupos heterogêneos, mas ela não se limita a uma “presença técnica” a serviço de uma educação única. Diferente disso, tratase de um processo sociotécnico, inserido numa dinâmica política, de tomadas de decisão, de construção coletiva de projetos políticos e(-) pedagógicos. Essa perspectiva é crucial no debate recente sobre a autorização das universidades públicas para o desenvolvimento da EAD quando se acrescenta à essa discussão a crise estrutural pela qual passam tais instituições. No centro da crise, está um conjunto mais amplo de políticas públicas – da educação no sentido mais amplo, da cultura, telecomunicações, ciência e tecnologia - que poderão garantir condições técnicas, tecnológicas, institucionais e teóricas para o pleno desenvolvimento da EAD. Em 2005, o Decreto Nº. 5.622, de 19 de dezembro, estabeleceu o reconhecimento do sistema oficial de ensino dos cursos ofertados na modalidade a distância por Instituições credenciadas pelo MEC. A partir deste documento, o processo de produção de conhecimento em EAD se expandiu e novos projetos foram desenvolvidos, inicialmente, para atender às necessidades de formação de professores de Educação Básica e Educação Superior. Frente ao exposto, é importante atentar para a seguinte fala de Machado (2010, p. 42): ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 43 A EaD apresenta-se como um forma democrática de atender os professores de todas as regiões deste imenso País. Propiciando um ensino público, gratuito e de qualidade, as políticas públicas de EaD, ofertadas pelo MEC, certamente auxiliam a melhorar a práxis educacional de nossos docentes. Apesar de toda trajetória percorrida, sabe-se que muito ainda tem de ser investido para que sejam oferecidos os subsídios necessários à qualificação e à valorização dos profissionais, do processo de ensino e aprendizagem e da educação como um todo. No caminho de qualificar a EAD como Política Pública, o papel desempenhado pelo Gestor de Polos é fundamental, uma vez que este tem a possibilidade de administrar, na sua realidade, os meios para a concretização desse objetivo (a efetivação plena da Educação a Distância). Sendo assim, conforme declara Nogueira (2010, p. 490), a “modalidade de Ensino a Distância vem crescendo e ganhando novas políticas públicas, que buscam organizar essa modalidade de ensino com qualidade”. Em vista disso, é possível observar “que aos poucos a legislação que versa sobre essa modalidade de ensino vem se modificando e aperfeiçoando esse processo” (NOGUEIRA, 2010, p. 490). Cabe também, portanto, ao Gestor de Polos, nessa conjuntura, aperfeiçoar a sua ação e construir, consequentemente, um trabalho voltado para a consolidação e o crescimento da Educação a Distância. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 44 4. O PAPEL DO GESTOR DE POLOS NA QUALIFICAÇÃO DA EAD COMO POLÍTICA PÚBLICA Com o surgimento do Sistema Universidade Aberta do Brasil, e com o objetivo de permitir o acesso à educação superior a todos, é que a EAD começou a tomar forma. Em virtude das diversas transformações que vêm ocorrendo na Educação a Distância, o modo de interação entre as pessoas é redimensionado. Magnavita (2010, p. 55), alicerçada nos estudos de Lévy (1993)6, declara que pode-se “dizer que a sociedade atual caracteriza-se, sobretudo, pela mutabilidade e pelo movimento acelerado de produção e divulgação de conhecimentos e das técnicas”. Para a autora, tais “mudanças envolvem maneiras de pensar, interpretar o mundo, conviver, estabelecer objetivos e padrões de vida, uma vez que há uma estreita relação entre a história das tecnologias e a sua inserção na cultura contemporânea” (MAGNAVITA, 2010, p. 56). As mudanças, na atualidade histórica, ocorrem rapidamente. No tocante às transformações dos avanços tecnológicos, estes, por sua vez, provocam desestabilizações no processo educativo. Esses desequilíbrios, evidentemente, exigem transformações no sistema educacional. A educação está se transformando, modificando suas estratégias para atender às novas demandas educativas da sociedade. A EAD angaria força e importância nesse contexto de transformações e avanços tecnológicos. Com efeito, é pertinente destacar que: 6 LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 45 [...] a discussão sobre EAD ganha um destaque maior, justamente pela possibilidade de contribuir com o debate sobre redução tanto das desigualdades educacionais, como das distâncias entre as diversas esferas e sistemas de educação (MAGNAVITA, 2010, p. 57). Dentre as diversas modalidades de Educação a Distância, em 2005, com a implantação do Sistema UAB, um projeto do Governo Federal que visa à expansão do Ensino Público Superior no país, possibilitou-se o acesso ao ensino superior por um maior número de pessoas. A UAB não é uma universidade tradicional, já que ela integra várias Universidades Públicas que têm o interesse em ofertar cursos na modalidade EAD, através dos Polos, que fornecem a infraestrutura necessária. Cada instituição, que integra o Sistema UAB, é responsável pela elaboração dos Projetos Pedagógicos dos cursos que irá ministrar. Essas instituições devem oferecer, ainda, o material de apoio ao aluno e cumprir as exigências da legislação vigente. O Polo de Apoio Presencial oportuniza as condições para a construção do conhecimento, através de encontros entre os sujeitos de diversas áreas e com diferentes saberes. A função do polo é também, oferecer espaço e instalações físicas para os alunos realizarem suas atividades laboratoriais, assim como realizar as avaliações presenciais de cada disciplina. Para que o Polo Presencial mantenha esta infraestrutura funcionando, ele precisa de um gestor que garanta a funcionalidade dos processos administrativos, acadêmicos e pedagógicos. O Gestor de Polos é fundamental para o desenvolvimento e êxito do Sistema UAB. Portanto, é importante que este tenha visão administrativa e pedagógica como ainda possua capacitação para “acompanhar e gerenciar toda esta estrutura” (SILVA; RIBAS; MOREIRA; BATTISTI; PEREIRA, 2010, p. 4). O papel de Gestor de Polo não é somente administrar, ele precisa ter conhecimento das diversas áreas que envolvem seu trabalho. Para que possa desempenhar sua função corretamente, precisa conhecer o que diz a legislação da EAD. É necessário ainda, ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 46 conhecer saberes e habilidades relacionados à tecnologia e à função burocrática e, realizar uma comunicação constante com os municípios, o Sistema UAB e Instituições de Ensino Superior. No Anexo I, da Resolução CD/FNDE Nº 26 (de 5 de junho de 2009), onde estão prescritas as orientações e as diretrizes para pagamento das bolsas do Sistema Universidade Aberta do Brasil, observa-se quais são as atribuições do Gestor de Polo. A seguir, citase elas: • Acompanhar e coordenar as atividades docentes, discentes e administrativas do polo de apoio presencial. • Garantir às atividades da UAB a prioridade de uso da infraestrutura do polo de apoio presencial. • Participar das atividades de capacitação e atualização. • Elaborar e encaminhar à DED/CAPES relatório semestral das atividades realizadas no polo, ou quando solicitado. • Elaborar e encaminhar à coordenação do curso relatório de frequência e desempenho dos tutores e técnicos atuantes no polo. • Acompanhar as atividades de ensino, presenciais e a distância. • Acompanhar e gerenciar o recebimento de materiais no polo e a entrega dos materiais didáticos aos alunos. • Zelar pela infraestrutura do polo. • Relatar problemas enfrentados pelos alunos ao coordenador do curso. • Articular, junto às IPES presentes no polo de apoio presencial, a distribuição e o uso das instalações do polo para a realização das atividades dos diversos cursos. • Organizar, junto com as IPES presentes no polo, calendário acadêmico e administrativo que regulamente as atividades dos alunos naquelas instalações. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 47 • Articular-se com o mantenedor do polo, com o objetivo de prover as necessidades materiais, de pessoal e de ampliação do polo. • Receber e prestar informações aos avaliadores externos do MEC. Sendo, portanto, de sua competência: • Responder pelo funcionamento administrativo do Polo. • Representar o Polo de apoio presencial perante a Coordenação da UAB/MEC e das IES que ofereçam os cursos (BRASIL, 2009, p. 12). Observando as atribuições do Gestor de Polo, percebe-se que o mesmo precisa ter um conhecimento amplo, tanto da parte pedagógica, quanto da administrativa, visto que o êxito das ações desenvolvidas no Polo está diretamente ligado ao desempenho do Gestor. É importante que o Gestor do Polo de Apoio Presencial possua características de liderança, seja comprometido com o projeto da EAD, conheça a legislação vigente e esteja em constante formação. Os Referencias de Qualidade para o Ensino Superior também atentam para a importância do trabalho e para algumas das funções do Gestor de Polos no Sistema Universidade Aberta do Brasil: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 48 Entre os profissionais do corpo técnicoadministrativo, destaca-se o coordenador do pólo de apoio presencial como o principal responsável pelo bom funcionamento dos processos administrativos e pedagógicos que se desenvolvem na unidade. Este coordenador necessita conhecer os projetos pedagógicos dos cursos oferecidos em sua unidade, atentando para os calendários, especialmente no que se refere às atividades de tutoria presencial, zelando para que os equipamentos a serem utilizados estejam disponíveis e em condições de perfeito uso, enfim prezar para que toda a infra-estrutura esteja preparada para a viabilização das atividades (MEC, 2007, p. 23). O trabalho do Gestor de Polo é desafiador, pois exige conhecimentos necessários para receber e selecionar informações e, planejar e desenvolver ações. Conforme Silva, Ribas, Moreira, Battisti e Pereira (2010, p. 6), na EAD: [...] um polo de apoio presencial necessita de suporte administrativo e pedagógico para lograr êxito em suas ações e atingir a excelência almejada dentro de um processo de ensino aprendizagem, que é o foco pretendido pelas Instituições de Ensino Superior. Considerando este pressuposto, cabe observar que o Gestor de Polos necessita, ressalta-se novamente, de uma formação adequada e deve estar, constantemente, “munido de ferramentas e elementos imprescindíveis à boa administração” (SILVA; RIBAS; MOREIRA; BATTISTI; PEREIRA, 2010, p. 6). Diante das características apresentadas, como necessárias, para uma atuação adequada e eficiente por parte do Gestor de Polos é que este contribuirá na perspectiva de qualificar a Educação a Distância, como Política Pública, e potencialmente assegurar, a aqueles que nela buscam ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 49 uma formação, um espaço/tempo de construção de aprendizagens realmente significativas. CONSIDERAÇÕES FINAIS A Educação a Distância vem evoluindo no país. Inicialmente eram disponibilizados, através dela, cursos profissionalizantes e supletivos, os quais complementavam estudos nos níveis de Ensino Fundamental e Médio, por meio de correspondência, do rádio e da televisão. Porém, sua maior expansão e aceitação estão sendo através da interação virtual (via internet), possibilitando às pessoas, de diferentes locais, o acesso ao Ensino Superior gratuito e de qualidade. Com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Nº 9394/96, a EAD é oficializada e se consolida como uma Política Pública. Esta consolidação se concretiza com a criação dos Polos de Apoio Presencial, os quais, com estrutura adequada, proporcionam suporte às pessoas envolvidas no processo ensino-aprendizagem. Para que haja uma qualificação da EAD, entendida como Política Pública, faz-se necessário lançar um olhar para o papel do Gestor de Polos. Este, por sua vez, deve desempenhar suas funções com conhecimento em diferentes áreas (administrativa, pedagógica e tecnológica). Ao concluir este artigo, ressalta-se, mais uma vez, que o papel do Gestor de Polos, na qualificação da EAD, é fundamental, pois dependerá também da sua atuação e da sua articulação com os envolvidos no processo, a consolidação de uma Educação a Distância de maior qualidade. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 50 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARAL, R. C. B. M. et al. A gestão das práticas pedagógicas na EaD: construção do material didático, mídias integradas e conteúdos educacionais como elementos centrais em apoio ao aluno. Disponível em: <http://www.abed.org.br/congresso2010/cd/252010185315.pdf>. Acesso em: jun. 2011. ANDRÉ, M. Pesquisa em educação: buscando rigor e qualidade. Cadernos de Pesquisa, n. 113, p. 51-64, jul. 2001. ARAÚJO, B.; FREITAS, K. S. (Coord.). Educação a Distância no contexto brasileiro: algumas experiências da UFBA. Salvador: ISP/UFBA, 2005. BELLO, J. L. P. Educação no Brasil: a História das rupturas. Disponível em: <http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb14.htm>. Acesso em: out. 2009. BELLONI, M. L. Educação a distância. 3 ed. Campinas: Autores Associados, 2003. BRASIL. Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Fixa as diretrizes e bases da educação nacional. 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Lei nº 5.540, de 28 de novembro de 1968. Fixa normas de organização e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média, e dá outras providências. Brasília: Diário Oficial da União, 1968. _____. Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de 2005. Regulamenta o art. 80 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília: Diário Oficial de União, 2005. COSTA, M. L. F. História da Formação de Professores em Cursos Superiores a Distância: uma aproximação entre Brasil e Portugal. In: VI Congresso Luso-Brasileiro de História da Educação, Uberlândia, v. único. p, 64396448, 2006. CUNHA, G. D. A educação e seu contexto histórico. Disponível em: <http://www.artigos.com/artigos/humanas/educacao/a-educacao--e-seucontexto-historico-13765/artigo/>. Acesso em: jun. 2011. HACK, J. R. Novas Tecnologias de Comunicação e Educação a Distância: algumas considerações. 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ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 54 O CENÁRIO ATUAL DA UAB NO MUNICÍPIO DE SÃO JOÃO DO POLÊSINE, AS DIFICULDADES E PERSPECTIVAS DO POLO PRESENCIAL AUTORA: Ana Paula Bortolotto Ceolin PROFESSOR ORIENTADOR: Francisco dos Santos Kieling RESUMO O presente artigo explora a questão de Gestão de Polos através da pesquisa realizada. Busca entender a situação do Polo da UAB de São João do Polêsine, suas dificuldades e perspectivas. Assim, colabora-se com sua consolidação no município. Subsidia-se a partir desse trabalho a reflexão acerca do polo, reafirmando a importância da Universidade Aberta do Brasil e situa-se o gestor do polo como personagem fundamental para a concretização do sistema. Palavras-chave: Polo; dificuldades; desafios; gestor de polo. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Inovadores e expansores das oportunidades formativas, os cursos na modalidade à distância estão quebrando tabus ao atravessarem horizontes longínquos oportunizando acesso ao ensino superior para as pessoas que até então não vislumbravam essa possibilidade. Há poucos anos na região colonial da Quarta Colônia, era comum visualizar muitas crianças caminhando longos trajetos até chegar à escola. Essa dificuldade extra pode ser um dos motivos da desistência de muitos em continuar seus estudos logo cedo. Desse modo, poucos chegavam à idade adulta com possibilidades de ingressar no ensino superior. Como se não bastasse, a distância dos centros universitários limitava ainda mais a possibilidade da população local acessar esse nível de ensino. Somente alguns, com muita força de vontade e condições familiares peculiares davam continuidade aos estudos. Esses viam ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 55 na continuidade da própria qualificação a possibilidade de melhorar suas vidas. Nos últimos anos, especialmente após a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação em 1996 (Lei 9394/96), o acréscimo de recursos e responsabilidades estatais garantiu o acesso a alguns direitos, facilitadores do acesso à educação básica. Entre eles, o transporte escolar, que na nossa região beneficia todos os cidadãos em idade escolar, contribuindo para a redução significativa da evasão escolar, buscando e levando as crianças da casa à escola. No entanto, mesmo com as facilidades atuais, muitos não percebem na escola um espaço de qualificação das próprias vidas. Assim, desprezam as oportunidades oferecidas atualmente, que foram sonegadas às gerações anteriores. Muitos professores do nosso município relatam atitudes e comportamentos de alguns estudantes que revelam seu desprazer de ir à escola, fazendo disso uma obrigação e não uma oportunidade de crescimento. Infelizmente, na relação que construí com as escolas locais e com o polo de apoio presencial percebe-se que se corre o mesmo risco dessa relação acontecer também com os cursos superiores na modalidade de Educação a Distância (EaD), que trazem para perto das pessoas seus cursos técnicos, superiores e especializações. Nesse caso, pensando sobre o Polo Universidade Aberta do Brasil (UAB) de São João do Polêsine, o problema social que se projeta é a possibilidade de fechamento do polo, caso ele não seja consolidado com cursos que atendam as demandas locais de formação superior. Hoje temos a universidade praticamente na porta de casa, mas não temos ocupado as vagas ofertadas nos cursos superiores disponibilizados no polo. A UAB tem ganhado um importante papel de destaque no cenário nacional, já que seu objetivo central é ampliar e interiorizar vagas públicas no ensino superior, numa política de inclusão educacional. Tendo-se em mente que as desigualdades sociais do nosso país adquirem patamares assustadores e reconhecendo o efeito ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 56 positivo que a educação formal tem sobre esse fenômeno, busca-se através da EaD oportunizar o acesso a cursos técnicos, de graduação e pós-graduação, públicos e gratuitos. Sabendo-se das oportunidades que a EaD possibilita para os indivíduos é notório considerar-se que o Polo UAB de São João do Polêsine não é tão conhecido na região e até pela própria comunidade municipal. Mesmo estando localizado na região central do Estado do Rio Grande do Sul e próximo a centros universitários, verifica-se que muitas pessoas poderiam integrar-se à UAB, pois entre o público alvo preferencial, estão os trabalhadores da zona rural (sabendo-se que a agricultura é a base do município), os trabalhadores do comércio (evitando grande deslocamento para estudar e possibilidade de crescimento profissional), os estudantes que estão saindo do Ensino Médio em busca de qualificação profissional e os professores que buscam a qualificação para, além de adquirir conhecimento, melhorar sua remuneração, evitando também transtornos com deslocamento após a rotina diária enfrentada em salas de aula. Todos esses poderiam ter sua formação contemplada pelo Polo. Tendo em mente a necessidade de se pensar sobre as possibilidades de consolidação e atendimento das demandas locais por ensino superior, propõe-se explorar a situação do Polo da UAB de São João do Polêsine, suas dificuldades e perspectivas, a partir da perspectiva da prefeitura – mantenedora do Polo – e da coordenação do polo – que vivencia a totalidade dos desafios colocados à gestão desse espaço no município. Com essa pesquisa exploratória, busca-se esclarecer um assunto construindo questões importantes para a realização da pesquisa. Segundo Gil (1999) ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 57 [...] a pesquisa exploratória é desenvolvida no sentido de proporcionar uma visão geral acerca de determinado fato. Portanto, esse tipo de pesquisa é realizado, sobretudo, quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil formular hipóteses precisas e operacionalizáveis. Assim, buscamos colaborar com a consolidação desse espaço no município a partir do mapeamento das ações e percepções dos gestores locais, indicando ao final algumas sugestões do que pode ser feito para a consolidação do polo. Como questão orientadora da investigação, tínhamos em mente a busca pelo entendimento que os gestores municipais envolvidos com o polo têm sobre esse espaço universitário e como, a partir dele, agem em favor do polo. Para pensar as percepções e ações dos gestores envolvidos com o polo, tomamos a definição de Nunes (2008): O gestor é alguém que pertence a uma determinada organização e a quem compete a execução das tarefas confiadas à gestão. É alguém que desenvolve planos estratégicos e operacionais que julga mais eficazes para atingir os objetivos organizacionais, concebe estruturas e estabelece regras, políticas e procedimentos mais adequados aos planos desenvolvidos e, por fim, implementa e coordena a execução dos planos através de um determinado tipo de comando ou liderança... Para efetivar a pesquisa, foi submetido um roteiro de perguntas à prefeita municipal, à secretária de educação e à coordenadora do polo local. A partir dele, conseguimos mapear a importância dada ao polo por esses sujeitos políticos importantes, verificar as ações feitas por cada um em prol desse espaço e perceber os encontros e desencontros entre os gestores locais que ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 58 podem indicar pontos de fragilização do polo municipal de São João do Polêsine. 1. O POLO EM SÃO JOÃO DO POLÊSINE NO CONTEXTO DA UAB E DO ENSINO SUPERIOR NA QUARTA COLÔNIA Para que seja possível visualizar de maneira mais clara e objetiva a situação atual do Polo de Apoio Presencial de São João do Polêsine, passa-se a fazer um breve histórico acerca da EaD- UAB e de como está representada nos municípios da Quarta colônia (que estão especificados a seguir). A partir da instituição da modalidade EaD, oficialmente reconhecida como modalidade de ensino pela Lei 9394/96, que trata das Diretrizes e Bases da Educação Nacional, algumas iniciativas privadas, estaduais e federais foram experiências importantes que culminaram, em 2005, com a criação do Sistema UAB. Em um primeiro momento a UAB se voltaria para a formação continuada de professores em exercício, pois profissionais sem nível superior não seriam mais admitidos na educação básica. O que de fato ocorreu no município de São João do Polêsine. Os professores, principalmente da rede municipal de ensino, tiveram que se adequar às novas exigências, tendo para isso um prazo pré-determinado para a conclusão do curso superior. Dessa forma, os profissionais da educação estariam mais capacitados para atuar em sala de aula e, consequentemente, proporcionariam a qualificação dos conhecimentos a sem trabalhados com os estudantes da rede básica de ensino. Os professores da rede municipal de ensino concluíram satisfatoriamente o processo e, por conseguinte, muitos não pararam por aí. Como o polo ofertava e continua ofertando cursos de especialização, a maioria optou por continuar estudando, se aperfeiçoando. Mesmo porque isso traria por consequência reconhecimento e aumento salarial. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 59 Devido à resolução do Ministério da Educação de qualificar os professores percebeu-se em todo o país um grande aumento da demanda de indivíduos que procuraram os Polos de Apoio Presencial da UAB para colocar em prática tal resolução. Assim posto, o número de cursos ofertados teve que ser ampliado em parceria do Ministério da Educação (MEC) com as Instituições de Ensino Superior (IES) a ele credenciadas, juntamente com os polos que satisfazem as necessidades para a implantação dos referidos cursos. O município de São João do Polêsine está situado na região central do estado do Rio Grande do Sul, numa localidade conhecida como Quarta Colônia. Esse nome se deve ao fato desta ter sido: [...] a Quarta Colônia Imperial de Imigração Italiana, a quarta área onde foram distribuídas terras para os italianos que imigraram, no final do século passado, para o Estado. A Quarta Colônia foi criada em 1877 e recebeu o nome de Silveira Martins, em homenagem ao senador gaúcho Gaspar Silveira Martins, político que defendia a imigração. O local escolhido, distante dos demais núcleos de imigração italiana, era composto por terras devolutas situadas na região central, na Serra de São Martinho, que faz parte da Serra Geral. (Fonte: http://buratto.org/gens/gn_colon_quarta.ht ml, acesso em 16 de outubro de 2011). Os municípios que compõem a região são: Agudo, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Ivorá, Nova Palma, Pinhal Grande, Restinga Seca, São João do Polêsine e Silveira Martins. Além dos imigrantes italianos, destacam-se ainda grupos populacionais descendentes de portugueses, africanos alemães e indígenas. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 60 TABELA 1 – População e Polos UAB – Quarta Colônia Município População Agudo 16.722 Restinga Seca 15.849 Faxinal do Soturno 6.672 Nova Palma 6.342 Pinhal Grande 4.471 Dona Francisca 3.401 São João do Polêsine 2.635 Silveira Martins 2.449 Ivorá 2.156 Nestas nove cidades vivem aproximadamente 61 mil pessoas, sendo as maiores Agudo (16.722 habitantes) e Restinga Seca (15.849) (conforme tabela 1, construída com dados do Censo IBGE, 2010). São João do Polêsine é a terceira menor cidade da região, com 2.635 habitantes. Até a criação da UAB não existia na Quarta Colônia ensino superior público. Assim que foram abertos os editais de abertura de polos, quatro municípios locais se candidataram e tiveram atendida sua demanda. Entre eles, a menor cidade com polo UAB é São João do Polêsine. Com essa abundância de oferta, a população de Santa Maria, de Santa Cruz do Sul e de Cachoeira do Sul, que não consegue inserção nas instituições locais de ensino superior, acaba acessando os polos da região, em função da sobra de vagas nos cursos ali oferecidos. O polo de apoio presencial da UAB proporciona a população local o acesso facilitado a cursos técnicos ou superiores. No entanto, percebemos que não há uma efetiva demanda para os cursos que são oferecidos no polo. A dificuldade em ocupar as vagas abertas pode estar relacionada à concentração de polos numa região pouco populosa. Percebe-se a dispersão dos alunos, o que implica um número reduzido de alunos nos polos, especialmente em São João do Polêsine – o menor município. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 61 Além da reduzida população, destaca-se a oferta de poucos cursos nos referidos polos. A população local parece não apresentar interesse nos cursos oferecidos e, no limite, desconhecer a existência e o trabalho do polo local. Quem mais tem aproveitado a oportunidade de acesso ao ensino superior é a população da região de Santa Maria, cidade com mais de 260 mil habitantes, com farta oferta ao ensino superior, mas igualmente, com grande demanda não atendida. Nesse quadro de contingências em que se encontra o polo dentro do contexto regional, buscou-se mapear as percepções e ações dos gestores locais diretamente envolvidos com o polo: coordenadora do polo e prefeitura municipal (prefeita e secretária de educação), na perspectiva de superação das dificuldades apresentadas e consolidação do polo local. A estratégia de investigação montada para explorar as condições de sustentação do polo UAB em São João do Polêsine foi confrontar as percepções e ações dos gestores locais a respeito deste espaço de formação superior. Isso foi feito em três dimensões: percepções sobre os limites e sobre as possibilidades do polo local; as ações dos gestores locais, especialmente da gestora do polo. Na apresentação deste artigo foram expostos algumas dimensões que revelam a importância do polo local para a população do município e da região, assim como outras que indicam os limites existentes para a consolidação do polo em São João do Polêsine. 2. POSSIBILIDADES DO POLO MUNICIPAL DE SÃO JOÃO DO POLÊSINE O polo da UAB precisa de incentivos para que se consolide no município. A seguir, são destacados alguns pontos importantes que fazem com que o Polo de São João do Polêsine adquira credibilidade para com a comunidade local e região. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 62 A coordenadora do polo destaca como grande potencial do polo o desenvolvimento da auto estima daqueles que o procuram para sua qualificação, para a complementação dos estudos. A satisfação dos estudantes tende a criar um ambiente favorável e ajudar na difusão do polo como espaço qualificado para a formação profissional. Ainda se destaca como ponto positivo o apoio da Prefeitura Municipal que, mesmo tendo na gestão atual um grupo político diferente daquele da época de implantação do polo, garante o apoio ao polo e à coordenadora. Esse apoio se materializa através de dotação orçamentária específica no Plano Plurianual da Prefeitura. O espaço físico e os materiais de custeio e o pessoal de apoio são contrapartida obrigatória do município ao Sistema UAB. Dentro dos limites legais, cada prefeitura – dentro das estratégias de desenvolvimento e peculiaridades políticas locais – cria moldes de gestão que são considerados adequados à gestão do polo. Nos locais como Polêsine, sem oferta anterior de ensino superior, o polo vem consolidar um sistema local de ensino que, agora, vai do ensino infantil à pós-graduação latu sensu. A sustentação obrigatória do polo pela Prefeitura não é foco de crítica por parte da atual gestão. A atual prefeita foi vereadora na época de aprovação dos projetos de implantação e montagem do polo, tendo se esforçado para sua aprovação. Fica explícito na fala da Prefeita a importância dada pela atual gestão às oportunidades de acesso garantidas pelo polo a população local. Junto com a Coordenadora do polo, a prefeitura inclusive busca junto às IES cursos que atendam demandas locais. 3. LIMITES PERCEBIDOS À CONSOLIDAÇÃO DO POLO As dificuldades na implantação e reconhecimento do sistema UAB também são visíveis. Porém, são traçadas estratégias para que os problemas sejam contornados. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 63 Um dos principais limites reconhecidos pela coordenadora é a quantidade de polos UAB na Quarta Colônia como limite à oferta de turmas, por isso conversa com as demais coordenadoras para evitar a solicitação de cursos em comum. A gestora local do polo ainda destaca o diálogo inexistente entre polo e Secretaria Municipal de Educação (SME). Essa distância entre essas instituições é tão significativa que o polo não está vinculado à SME, e sim à Secretaria de Administração. Isso demonstra que não se reconhece o polo como parte integrante do sistema local de educação. A desvinculação entre polo e as outras instituições educacionais do município podem evidenciar uma estratégia de desenvolvimento que situa o polo como um elemento importante, mas não necessariamente seqüencial ao sistema educacional básico. Entre as conseqüências diretas desse descolamento está a necessidade de se criar mediações extra para a divulgação do polo nas escolas locais. Caso o polo estivesse integrado às políticas locais de educação, as ações de divulgação e sequência dos estudos em nível superior poderia ser feita pela SME, consolidando um fluxo de possíveis estudantes que consolidaria uma demanda permanente para o polo. A estratégia de desenvolvimento que traz o polo para a Secretaria da Administração pode até ser a de qualificação da população já ativa, mas, há um forte indicativo de desinteresse por parte da Secretaria de Educação em relação polo. Mesmo tendo a noção abstrata que o polo garante oportunidades àqueles que não teriam como se deslocar do município para acessar o ensino superior, concretamente, ela fala que ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 64 “[...] se pensarmos só em nossos munícipes, acho que não vale muito a pena devido à proximidade com a UFSM e o incentivo que o município dá a quem busca formação profissional e superior em Santa Maria, que oferece diversidade de oportunidade com ensino qualificado” (Secretária Municipal de Educação) Além disso, com destaque menor, a Coordenadora também revela a dificuldade de captar cursos que atendam a demanda local juntos às IES, sendo esses buscados com o apoio e mediação do polo com a prefeitura municipal. O esforço da Coordenação do polo em articular um projeto de formação superior entre os polos da Quarta Colônia não conta com a ação direta da prefeitura, que está alheia a essas iniciativas. 4. AÇÕES PARA SUSTENTAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DO POLO ENCONTROS E DESENCONTROS ENTRE GESTORES A união entre gestor e poder público municipal é fundamental para que se possibilite que esta instituição de ensino superior local se consolide, mesmo que não seja considerada prioridade por alguns de seus agentes. A coordenadora do polo está nessa posição desde 2009. Ela participou ativamente da criação, tendo sido inclusive a redatora da Lei Municipal do Polo, que está tramitando pela Câmara de Vereadores. Entre as ações realizadas a partir do polo para sua consolidação e qualificação, destacam-se os contatos permanentes com as IES vinculadas ao Sistema UAB para solicitar novos cursos de ensino superior e de pós-graduação. Para esse contato, a prefeitura está permanentemente atenta, para colaborar quando possível. Os cursos são demandados a partir da pesquisa feita junto aos munícipes – entrevistas em locais públicos, privados, colégios e repartições públicas, entre outras. A distância entre o que se pede e o que se conquista junto às IES não têm impedido a oferta razoável ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 65 de cursos, já tendo sido efetivadas nove turmas no pólo, sendo que alguns já com reoferta. Percebe-se que há o reconhecimento da importância do polo local pela prefeitura, sendo esse percebido como potencial de desenvolvimento local, atendendo as camadas da população até então excluídas do ensino superior. Além disso, a prefeitura garante a sustentação, nos limites atuais, do bom funcionamento do polo local. Não há uma discussão efetiva no âmbito municipal para a ampliação das ações do polo, o que pode ser compreendido como uma preocupação anterior em consolidar o que já foi construído até o momento. No entanto, dentro da própria administração local, há quem não veja no polo um projeto efetivo de articulação de estratégias de desenvolvimento. Surpreende quando localizamos na SME uma posição de desvalorização desse espaço. Ao invés de aproveitar esse espaço para – no mínimo – pensar a qualificação permanente do corpo docente do ensino básico, prefere-se pagar para aqueles que buscam qualificação irem até Santa Maria. É possível que esse posicionamento revele um preconceito contra a Educação a Distância, ou resquícios de processos políticos locais mal resolvidos, que culminaram com a vinculação do polo à Secretaria de Administração. Assim, frente ao que foi possível compreender da ação dos gestores locais responsáveis pelo polo, fica evidenciado que a ação fundamental é a da gestora do polo. As estratégias de sustentação política e financeira do polo; a avaliação dos cursos desejados tanto pela prefeitura como da população que pode ser beneficiada; a busca desses cursos junto às IES; a divulgação do polo junto ao público-alvo potencial no município e na região; a articulação com os polos próximos para não criar concorrências desnecessárias numa região pouco populosa – todas essas ações passam pela iniciativa e possibilidade de trabalho da coordenadora do polo. Além disso, ainda é necessário atender as funções obrigatórias de coordenar as ações administrativas dentro do polo, nos cursos em execução. Nesse sentido, percebe-se a deficiência no número de ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 66 funcionários, pois a equipe necessária precisaria ter coordenador, técnico de informática, tutores presenciais, secretária, bibliotecária e serventes, sendo que os três últimos são inexistentes, passando os outros funcionários a desempenharem tais funções. 5. DESAFIOS À CONSOLIDAÇÃO: UMA PROPOSTA DE DIÁLOGO SOBRE A UAB EM POLÊSINE E QUARTA COLÔNIA Os estudos e a pesquisa exploratória realizada ao longo do Curso de Especialização em Gestão de Polos evidenciaram a importância do polo para o município de São João do Polêsine, bem como permitiram compreender suas potencialidades e limites na busca da consolidação do ensino superior público. A reflexão final que se faz aqui leva em consideração a centralidade da ação e articulação dos gestores locais diretamente vinculados ao projeto do Polo UAB para sua consolidação; e os limites e possibilidades socialmente estabelecidos na região da Quarta Colônia e no município de São João do Polêsine. A partir dessas referências se faz a análise das percepções e ações desses gestores locais, com destaque para a coordenadora do polo local. A gestora do Polo é a mediadora entre o Polo, o poder público local, as IES, e os possíveis estudantes. Na relação com os gestores municipais (prefeitura e secretarias) a coordenadora é que repassa as necessidades do Polo para que sejam sanadas da melhor maneira possível, até porque ela está cotidianamente em contato direto com o Polo, sua parte física, tecnológica e profissional. No caso de São João do Polêsine, as dependências da Escola Estadual de Educação Básica João XXXIII, onde localiza-se o polo, há uma infra-estrutura básica que atende a oferta atual. Porém, com perspectiva de ampliação de curso nos próximos anos, o espaço disponibilizado ao polo precisará ser ampliado. Assim posto, é conveniente colocar que o diálogo é fundamental para que as necessidades deste sejam atendidas. Pelo que explicita a Prefeita, há boa vontade por parte do poder local em garantir as demandas ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 67 do polo, o que dá a entender que a ampliação de cursos contará com respaldo de seus financiadores. Existe uma percepção compartilhada entre professores tutores presenciais, coordenação do polo e prefeitura municipal da importância do mesmo para a população municipal e para projetos futuros de desenvolvimento. No entanto, alguns limites precisam ser superados para a consolidação do polo como espaço de formação em nível superior municipal. Um deles é a formação de uma demanda permanente de formação superior da população local. Para isso, duas ações se mostram importantes: Por um lado, faz-se necessária a ampla divulgação do polo, como forma dele se tornar uma referência conhecida de toda a população, como oportunidade de formação superior e pós-graduada pública, gratuita e de qualidade. E por outro, torna-se fundamental qualificar o estudo da demanda local por cursos técnicos, tecnológicos, acadêmicos, e pós-graduados, de forma a atender as necessidades de formação da população local. Essa ação exige uma outra, que é a permanente negociação com as IES e, articulação com os outros Polos da UAB da Quarta Colônia, para conseguir cursos de interesse regional e evitar uma postura de concorrência predatória entre os polos. Essas ações conjuntas, a médio prazo, tendem a atacar um outro problema que atinge o polo: o preconceito contra a modalidade à distância de ensino superior, tratada como sendo de qualidade inferior à modalidade presencial, como revela a própria secretária de educação do município, em seu posicionamento favorável ao custeio da ida à Santa Maria aqueles que gostariam de acessar o ensino superior. Para atender essa agenda pró-consolidação, no entanto, carece-se de uma articulação entre os agentes políticos locais que poderiam potencializar a ação do polo. A coordenadora do fica com muita responsabilidade e pouco apoio. A defesa política do polo é importante para sua consolidação e ampliação, mas precisa ser sustentada por uma agenda comum de ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 68 esforços a ser construída entre gestora, prefeita municipal, secretário de administração e secretária de educação. A busca por novos estudantes pode ser feita através da articulação do poder público local com as instituições já existentes. A negociação sobre os cursos a serem solicitados às IES junto com os outros polos UAB da Quarta Colônia precisa ser levada a diante também pela prefeita municipal. A própria negociação direta junto às IES por cursos que atendam demandas locais de formação pode ser feita por esse “consórcio” regional de polos. Atualmente, toda a ação no sentido da consolidação do polo local é comandada e levada a frente pela Coordenadora do polo. Por si, isso não é um problema. Mas há uma sobrecarga que prejudica o seu trabalho interno no polo. Fazer toda a ação política – que poderia ser compartilhada com os agentes políticos locais – e mais a ação administrativa pode prejudicar ambas as frentes de ação. A partir da reflexão exposta neste artigo, vislumbra-se um projeto de ação coordenada entre os gestores locais que exige: (1) a articulação num consórcio entre prefeitos, secretários municipais responsáveis e coordenadores de Polos UAB da Quarta Colônia – para busca de cursos junto às IES e coordenação nas ofertas de turmas diferenciadas; (2) articulação entre instituições públicas municipais para divulgação do polo e criação de demandas específicas por cursos que atendam as necessidades locais; (3) coordenação do polo com as demais instituições educacionais, tendo em vista a construção de um Sistema Local de Educação. REFERÊNCIAS GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5 ed. São Paulo: Atlas, 1999. IBGE. Censo demográfico. Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: out. 2011. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 69 NUNES, P. Conceito de gestor. Disponível em: <http://www.knoow.net/cienceconempr/gestao/gestor.htm> Acesso em: out. 2011. QUARTA Colônia Italiana. Disponível em: <http://buratto.org/gens/gn_colon_quarta.html>. Acesso em: out. 2011. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA RAUPP, F. M.; BEURER, I. M. Metodologia de pesquisa aplicável às Ciências Sociais. Conect@, n. 2, set. 2000. LIMA, F. O. A sociedade digital. Rio de Janeiro: Quality Mark, 2000. SOUZA, N. A. Importância do polo no sistema UAB. Disponível em: <http://www.slideboom.com/presentations/325107/A>. Acesso em: out. 2011. COSTA, M. L. F. Ensino Superior à distância no Brasil, políticas públicas e estratégias de gestão. In: III Congresso On Line - Observatorio para a Cibersociedade, 2006. DOURADO, L. F. Políticas e Gestão da Educação Superior a Distância: novos marcos regulatórios?. Educ. Soc., Campinas, vol. 29, n. 104, p. 891-917, out. 2008. PANIAGO, M. C. L. et al. Educação à distância no Ensino Superior: uma possibilidade concreta de inclusão social. Diálogo Educacional, Curitiba, v. 10, n. 29, p. 191-204, jan./abr. 2010. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 70 ANEXOS ANEXO 1: ENTREVISTA COM A COORDENADORA DO POLO, MARA ELISA BIANQUIN. 1. DESDE QDO ESTÁS NA COORDENAÇÃO DO POLO? DESDE 2009. 2. COMO FOI O INÍCIO DO TRABALHO? TIVE QUE ORGANIZAR TODO O POLO, ESTRUTURAR ESPAÇO, CONDIÇÕES FÍSICAS, TUTORES. 3. QTOS CURSOS JÁ FORAM OFERTADOS? 9 CURSOS. 4. PARTICIPASTES DA CRIAÇÃO DO POLO? A LEI DE CRIAÇÃO FOI FEITA POR MIM E ESTÁ NA CÂMARA DOS VEREADORES PARA APROVAÇÃO. 5. COMO PERCEBES A PRESENÇA DO POLO/UAB AQUI EM SJP? PERCEBO NA AUTO ESTIMA DOS ALUNOS QUE JÁ COLARAM GRAU E DOS QUE ESTÃO TENDO A OPORTUNIDADE DE CURSAR CURSOS SUPERIORES OU FAZEREM UMA POSGRADUAÇÃO A SATISFAÇÃO DE TER CONCLUÍDO MAIS UMA ETAPA DOS SEUS ESTUDOS E POR QUE NÃO ATÉ DE SUAS VIDAS, PROPORCIONADA PELA EAD/ UAB. 6. COMO SE DÁ A TUA ATUAÇÃO JUNTO AO POLO? ARTICULANDO CURSOS COM AS IES, GESTÃO DO POLO, BUSCANDO CURSOS E PROJETOS QUE VENHAM AO ENCONTRO DAS PESSOAS DA REGIÃO. 7. O QUE A SME DISPONIBILIZA PARA O FUNCIONAMENTO DO POLO? NADA. O POLO TEM DOTAÇÃO ORÇAMENTÁRIA PRÓPRIA JÁ INCLUÍDA NO PPA( PLANO PLURI-ANUAL). A SECRET. QUE ADMINISTRA E ENVIA EQUIPAMENTOS E TUDO O QUE O POLO PRECISA É A SECRET. DA ADMINISTRAÇÃO. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 71 8. O QUE A PREFEITURA DISPONIBILIZA PARA O FUNCIONAMENTO DO POLO? EQUIPAMENTOS, MATERIAIS DE CONSUMO, MÓVEIS. 9. COMO É TUA RELAÇÃO COM A SME E COM A PREFEITURA HOJE? E NA ÉPOCA DA CRIAÇÃO DO POLO? COM A SME NÃO HÁ RELAÇÃO, É IMPOSSÍVEL. COM A PREFEITURA É BOA. ANTERIORMENTE TBÉM ERA BOA. 10.COMO SE DÁ A OFERTA DE CURSOS AQUI NO POLO? É FEITO DEMENDA NO MUNICÍPIO E REGIÃO E DEPOIS SOLICITA-SE ÀS IES A SEREM PARCEIRAS DO POLO OU VOU ATRÁS DE OUTRAS SE ESTAS NÃO TIVEREM O CURSO PRETENDIDO. 11.COMO FAZES CONTATO COM AS UNIVERSIDADES PARA CHAMAR CURSOS PARA CÁ? VOU ATÉ AS COORDENAÇÕES DOS CURSOS E TAMBÉM POR OFÍCIOS. 12.COMO FAZES O ESTUDO DE DEMANDA PARA SABER QUAL CURSO PRECISA SER OFERTADO NO POLO? SOLICITANDO AOS MUNÍCIPES, ATRAVÉS DE ENQUETES, ENTREVISTAS EM LOCAIS PÚBLICOS, PRIVADOS, COLÉGIOS E REPARTIÇÕES PÚBLICAS. 13.COMO É TEU CONTATO COM OS COORDENADORES DE POLO DAS CIDADES VIZINHAS QUE TBÉM CONTAM COM POLOS DA UAB? EXCELENTE, NOS COMUNICAMOS PARA EVITARMOS DE PEDIRMOS OS MESMOS CURSOS ÀS IES. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 72 ANEXO 2: ENTREVISTA COM A SECRETÁRIA DA EDUCAÇÃO DO MUNICÍPIO, MARIA CLACI BORTOLOTTO 1. DESDE QDO ESTÁS NA SECRETARIA MUNICIPAL DE DUCAÇÃO? DESDE 9/02/2009. 2. PARTICIPASTES DA CRIAÇÃO DO POLO? NÃO 3. COMO PERCEBES A PRESENÇA DO POLO/UAB AQUI EM SÃO JOÃO DO POLÊSINE? É UMA OPORTUNIDADE DE QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL PARA AS PESSOAS QUE NÃO TEM CONDIÇÕES DE SE DESLOCAR A OUTRAS CIDADES. 4. COMO SE DÁ TUA ATUAÇÃO JUNTO AO POLO? NÃO TENHO ATUAÇÃO JUNTO AO POLO. 5. O QUE A SME DISPONIBILIZA PARA O FUNCIONAMENTO DO POLO? TODOS OS EQUIPAMENTOS FORAM ADQUIRIDOS COM RECURSOS DA SME. 6. COMO É TUA RELAÇÃO COM A COORDENADORA DO POLO? NÃO TENHO RELAÇÃO COM A CORDENADORA DO POLO. 7. A SME DEMENDA/SOLICITA CURSOS AO POLO OU ÀS UNIVERSIDADES? SOLICITA ÀS UNIVERSIDADES E INSTITUIÇÕES IDÔNEAS. 8. COMO É TEU CONTATO COM AS SECRETÁRIAS DE EDUCAÇÃO E PREFEITOS DAS CIDADES VIZINHAS QUE TAMBÉM CONTAM COM POLOS DA UAB? TENHO BOM RELACIONAMENTO COM TODAS AS SECRETARIAS DE EDUCAÇÃO E PREFEITOS DA QUARTA COLÔNIA. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 73 9. HÁ UMA RELAÇÃO ENTRE OS PODERES MUNICIPAIS PARA ARTICULAR DEMANDAS REGIONAIS POR EDUCAÇÃO SUPERIOR? O CONDESUS QUE REÚNE OS 9 MUNICÍPIOS DA QUARTA COLÔNIA É QUEM COORDENA AS DEMANDAS MUNICIPAIS EM TODAS AS ÁREAS. 10.NA SUA OPINIÃO, VALE A PENA O INVESTIMENTO DO MUNICÍPIO NO POLO- UAB? SE PENSARMOS SÓ EM NOSSOS MUNÍCIPES, ACHO QUE NÃO VALE MUITO A PENA DEVIDO À PROXIMIDADE COM A UFSM E O INCENTIVO QUE O MUNICÍPIO DÁ A QUEM BUSCA FORMAÇÃO PROFISSIONAL E SUPERIOR EM SANTA MARIA, QUE OFERECE DIVERSIDADE DE OPORTUNIDADE COM ENSINO QUALIFICADO, MAS NÃO DEIXA DE SER MAIS UM PONTO DE FORMAÇÃO CONTÍNUA AOS QUE BUSCAM APERFEIÇOAMENTO CONSTANTE. 11.QUAIS OS PROJETOS DA SME ATÉ O FINAL DA GESTÃO? (NÃO RESPONDEU) ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 74 ANEXO 3: ENTREVISTA COM A PREFEITA MUNICIPAL, DENISE PREDEBOM MILANESI 1. DESDE QDO ESTÁS NA PREFEITURA? COMO FUNCIONÁRIA, DESDE 1993 E COMO PREFEITA DESDE 2009. 2. PARTICIPASTES DA CRIAÇÃO DO POLO? COMO VEREADORA NA APROVAÇÃO DE LEI PARA COMPRA DE EQUIPAMENTOS. 3. COMO PERCEBES A PRESENÇA DO POLO UAB AQUI EM SÃO JOÃO DO POLÊSINE? OPORTUNIDADE PARA AS PESSOAS FAZEREM UM CURSO SEM PRECISAR SE DESLOCAR PARA OUTRAS CIDADES. E PODERMOS RECEBER ESTUDANTES DE OUTRAS CIDADES. 4. COMO SE DÁ TUA ATUAÇÃO JUNTO AO POLO? A PREFEITURA É A MANTENEDORA E O POLO ESTÁ SOB A RESPONSABILIDADE DA SECRETARIA DA ADMINISTRAÇÃO. 5. O QUE A PREFEITURA DISPONIBILIZA PARA O FUNCIONAMENTO DO POLO? MÓVEIS, EQUIPAMENTOS, TÉCNICOS DE INFORMÁTICA, MATERIAL DE CONSUMO, LOCOMOÇÃO DE PROFESSORES ENTRE OUTRAS, PARA O BOM FUNCIONAMENTO DO MESMO. 6. COMO É TUA RELAÇÃO COM A COORDENADORA DO POLO? BOA. 7. A PREFEITURA DEMANDA/ SOLICITA CURSOS AO POLO OU ÀS UNIVERSIDADES? SIM, JUNTO COM A CORDENADORA DO POLO. 8. COMO É TEU CONTATO COM OS PREFEITOS DAS CIDADES VIZINHAS QUE TAMBÉM CONTAM COM POLOS DA UAB? 9. HÁ UMA RELAÇÃO ENTRE OS PODERES MUNICIPAIS PARA ARTICULAR DEMANDAS REGIONAIS POR EDUCAÇÃO SUPERIOR? ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 75 DESCONHEÇO. 10.NA SUA OPINIÃO, VALE A PENA O INVESTIMENTO DO MUNICÍPIO NO POLO-UAB? SIM. POIS DÁ A OPORTUNIDADE PARA OS JOVENS ESTUDAR SEM SAIR DA NOSSA CIDADE. 11.QUAIS OS PROJETOS DA PREFEITURA PARA O POLO ATÉ O FINAL DA GESTÃO? TRAZER CURSOS TÉCNICOS NAS MAIS DIVERSAS ÁREAS. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 76 A GESTÃO DE POLOS NA PERSPECTIVA DA GESTÃO PARTICIPATIVA AUTORA: Vera Lúcia Vargas de Souza Kelling PROFESSORA ORIENTADORA: Heloisa Helena Duval de Azevedo RESUMO A descentralização das Universidades e a inserção dessas Instituições em vários municípios brasileiros por meio da Educação a Distância, possibilitou a operacionalização dos Polos de apoio presencial nesses municípios, havendo, assim, a necessidade de que um gestor encaminhasse o trabalho nessas estabelecimentos de ensino. Este artigo apresenta os resultados de pesquisa bibliográfica sobre a gestão democrática e participativa da educação e algumas considerações sobre a gestão de Polos na perspectiva da gestão participativa. Palavras-Chave: gestão de Polos; educação a distância; gestão participativa. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Na área educacional, a Educação a Distância surge como um desafio e com o objetivo principal de formar professores em serviço, bem como proporcionar o ensino superior a todas as pessoas que, por vários e diferentes motivos, não tiveram acesso à universidade. Com a descentralização de cursos das universidades por meio da Educação a Distância, houve a necessidade de que Polos de apoio presencial fossem institucionalizados em vários municípios brasileiros, para que viabilizasse o acesso dos universitários aos momentos de atividades presenciais. Com isso, os Polos tiveram que se adequar e se estruturar, criando um sistema organizacional com a participação dos profissionais envolvidos nesse processo. Nessa perspectiva, pretende-se refletir e realizar considerações sobre a gestão de Polo participativa e democrática, ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 77 analisando a possibilidade dessa gestão para uma EAD de qualidade, de credibilidade e de sustentabilidade. Este artigo apresenta, inicialmente, uma reflexão sobre a Educação a Distância no contexto da Educação Brasileira. Posteriormente, aborda a Educação a Distância e a Gestão Educacional evidenciando a Gestão dos Polos e as possibilidades de gerenciamento dessas Instituições de apoio presencial. Após tecer considerações sobre esses dois itens, o texto discorre sobre a Gestão de Polos na perspectiva da gestão participativa, projetando pressupostos democráticos para o gerenciamento dos Polos de apoio presencial da Educação a Distância. 1. A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA No Brasil, a Educação a Distância inicia com a radiodifusão, em 1920, e posteriormente, com o Instituto Universal Brasileiro e o Instituto Radiotécnico Amador, os quais foram criados em 1941, com cursos de datilografia e radiotécnica por correspondência e, com o Telecurso de 2º Grau, lançado pela Fundação Roberto Marinho juntamente com o Sistema Globo de Televisão em 1978 (KRAMER, 1999). Cavalheiro (2010) afirma que: A primeira transmissão radiofônica oficial brasileira ocorreu no Rio de Janeiro em 7 de setembro de 1922 durante as comemorações do centenário da Independência do Brasil. Portanto, podemos evidenciar que desde a sua criação o rádio já mostrava sua tendência cultural e educacional, era a educação a distância já seguindo parâmetros norteadores que somente foram descritos bem mais tarde (p. 1). ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 78 Com a evolução tecnológica e a disseminação do uso da informática, a Educação a Distância adquire consistência e, apesar da contrariedade e de discussões de que essa modalidade de ensino foi alvo, a EAD firma-se no território brasileiro. Segundo Peters (2001), “a EAD tem suas origens na década de 30 e no século XIX foi consolidado historicamente, enquanto cultura educacional, em grandes universidades europeias, em especial na Inglaterra e na Alemanha, há cerca de três décadas (p. 24).” De acordo com Preti (1996), “a crescente demanda por educação, devido não somente à expansão populacional como, sobretudo às lutas das classes trabalhadoras por acesso à educação, ao saber socialmente produzido, concomitantemente com a evolução dos conhecimentos científicos e tecnológicos está exigindo mudanças em nível da função e da estrutura da escola e da universidade (p. 16).” Nos últimos cinco anos, praticamente todas as universidades se lançaram ao desenvolvimento de EAD, por meio de iniciativas individuais de alguns professores, de grupos ou de projetos institucionais devidamente bem apoiados em recursos destinados a infraestrutura e treinamento de professores (PERRY at al., 2006). Nessa perspectiva, o ano de 2005 representa um marco para a Educação a Distância no Brasil, pois o decreto nº 5.622, de 19 de dezembro desse ano regulamenta essa modalidade de educação. No decreto o Presidente da República, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, alínea "a", da Constituição, e tendo em vista o que dispõem os arts. 8o, § 1o, e 80 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, decreta: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 79 Art. 1o Para os fins deste Decreto, caracterizase a educação a distância como modalidade educacional na qual a mediação didáticopedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. Alguns incisos seguem esse Artigo com a finalidade de garantir, por meio dessa regulamentação, suporte às Universidades e Instituições de Ensino que têm interesse nessa modalidade de ensino. A regulamentação da Educação a Distância possibilitou que várias Instituições de ensino superior oferecessem cursos a distância, para que cidadãos tivessem a oportunidade de terem acesso à formação superior e/ou aos cursos de formação continuada, e que, por residirem distantes dos centros universitários, ou cujo horário disponível não permitisse a realização de cursos presenciais (BELLONI, 1999). Essas Instituições, exclusivamente públicas, são responsáveis pela criação dos projetos pedagógicos dos cursos e por manter sua boa qualidade com base nos Referenciais de Qualidade para Educação Superior a Distância - SEED/MEC (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2010). Com a efetivação das políticas públicas para a Educação a Distância e a normatização de participação de as Instituições interessadas em oferecer essa modalidade de Ensino, houve a necessidade de os municípios se inserirem nessa proposta e, dessa forma, concretizar o sonho de inúmeras pessoas que almejavam ingressar em um curso superior e/ou de formação continuada. Nesse sentido, os municípios credenciados criaram os Polos de apoio presencial, isto é, as unidades operacionais para o desenvolvimento descentralizado de atividades pedagógicas e administrativas relativas aos cursos e programas ofertados a ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 80 distância pelas instituições públicas de ensino superior no âmbito do Sistema UAB. De acordo com a Portaria Normativa nº 2, de 10 de janeiro de 2007, do Ministério da Educação no § 1°, Polo de apoio presencial é a unidade operacional para o desenvolvimento descentralizado de atividades pedagógicas e administrativas relativas aos cursos e programas ofertados a distância, conforme dispõe o art. 12, X, c, do Decreto n° 5.622, de 2005 (DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO, 2007). Os Polos têm como mantenedores os municípios e/ou governos estaduais e oferecem a infraestrutura física, tecnológica e pedagógica para que os alunos possam acompanhar os cursos a distância (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2010). O objetivo dos Polos nos municípios é oferecer o espaço físico de apoio presencial aos alunos da sua região, mantendo as instalações físicas necessárias para atender esses alunos em questões tecnológicas, de laboratório, de biblioteca, entre outras (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2010). 2. A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E A GESTÃO EDUCACIONAL A UAB - Universidade Aberta do Brasil – foi criada em 2005 pelo Ministério da Educação, no âmbito do Fórum das Estatais pela Educação, para a articulação e integração, em caráter experimental, de um sistema nacional de educação superior a distância, objetivando sistematizar as ações, programas, projetos, atividades pertencentes às políticas públicas voltadas para a ampliação e interiorização da oferta do ensino superior gratuito e de qualidade no Brasil. (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2010). Para a consecução do Projeto UAB, o Ministério de Educação, através da Secretaria de Educação a Distância – SEED – lançou o Edital N° 1, em 20 de dezembro de 2005, com a Chamada Pública para a seleção de Polos municipais de apoio presencial e de cursos superiores de Instituições Federais de Ensino Superior na Modalidade de Educação a Distância para a UAB. (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2010). ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 81 Segundo Moran (2002), “em cada Polo, há ainda uma estrutura administrativo-pedagógica, com pessoal de apoio às atividades de secretaria e uma equipe de orientadores acadêmicos, responsáveis pelo acompanhamento e orientação do processo de aprendizagem dos alunos dos vários municípios sob sua jurisdição. Em cada Polo há ainda um coordenador, eleito dentre os orientadores (p. 255).” Entre esses recursos humanos que viabilizam o funcionamento dos Polos, o gestor é o responsável pela dinamização do grupo que coordena, pois do impulso que esse proporcionar, refletirá a solidez da equipe e a eficácia do trabalho de cada profissional. Nesse sentido, houve a necessidade de um gestor qualificado e portador de conhecimentos na área educacional. Freeman (2006), afirma que: Gerir uma instituição de EAD requer uma diversidade de conhecimentos muito maior do que gerir uma escola, um liceu ou uma universidade, e, no seu todo, não será possível recrutar pessoal com estes conhecimentos. A instituição terá de desenvolver o seu próprio pessoal, até que ele atinja a diversidade e profundidade de conhecimentos necessários. Realisticamente, isto demora o seu tempo, e não será exagero dizer que uma nova instituição de EAD precisa de 2 a 5 anos até que o núcleo do seu pessoal atinja o pleno da sua capacidade operacional (p.11). Assim sendo, torna-se essencial na gestão dos Polos, a manutenção e consolidação do grupo, para que esse adquira maturidade e competência para manter e firmar o trabalho na Educação a Distância. Dessa forma, o gestor de Polo deve efetivar sua ação administrativa adquirindo conhecimentos da gestão educacional, ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 82 pois, devido a modalidade a distância ser recente, é necessária essa adequação. O caráter da prática social da educação determina o caráter da gestão. A função educacional é determinada pela visão que o gestor educacional tem de educação, de pessoa humana e de sociedade. Nesse sentido, o pensar e o fazer da gestão educacional priorizam de um lado o mercado, de outro a emancipação humana (WITTMANN, 2006). A gestão na educação deve ser considerada um processo compartilhado, pois esse processo é expressão e impulso da prática educativa. A coordenação desse processo coletivo de pessoas e ideias traduzem a necessidade de ações que viabilizem uma gestão ágil, sólida e descentralizada. Nesse sentido, o papel de gestor de Polo adquire uma importância no contexto da Educação a Distância, pois da capacidade dessa gestão dependerá a consolidação e a credibilidade dessa modalidade de educação. O gestor de Polo é aquele que facilitará esse processo, mas também depende de toda uma equipe que esteja integrada e auxilie na construção de um ambiente formador, de disseminação do conhecimento, esse é o papel do gestor, promover essa integração (POHLMANN, 2010). Nesse sentido, a responsabilidade do gestor de Polo torna-se relevante, pois do gerenciamento da equipe e das ações concretizadas pela Instituição é que ocorrerá a viabilização e a expansão da Educação a Distância. Ceolin (2010), afirma que: O gestor do Polo atua como se fosse o administrador de uma empresa, onde várias decisões são tomadas e que geralmente visam o benefício coletivo. Dessa maneira, a partir do momento em que o gestor transfere seu saber individual para os demais integrantes que compõem a UAB (p. 2). ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 83 Então, a administração do Polo se caracteriza pela troca de saberes que influencie na visão geral da equipe, o que acarretará possibilidades de crescimento e de confiança do grupo. De acordo com Gadotti (2004), “a educação é obra transformadora, criadora. Ora, para criar é preciso mudar, perturbar, modificar a ordem existente. Fazer progredir alguém significa modificá-lo. Por isso, a educação é um ato de desobediência e de desordem. Desordem em relação a uma ordem dada, uma pré-ordem (p. 32).” Segundo Lück (2003), “a gestão deve estar associada ao conceito de democratização do processo pedagógico, da participação de todos nas decisões necessárias e no compromisso coletivo com resultados educacionais qualitativos (p. 12)”. Também sobre gestão, Oliveira (2006) afirma que: Pensar a Gestão Democrática e Participativa em Sistema de EAD significa pensar na integração dos subsistemas (avaliação, acompanhamento e apoio ao estudante/tutoria, produção de material, comunicação, gestão). Integrar esses sistemas significa promover o encontro, oferecer voz e vez aos sujeitos que humanizam o sistema de EAD (p. 2). Dessa forma, o gestor de Polo tem a incumbência de verificar situações já configuradas no sistema educacional brasileiro - que são baseadas em princípios democráticos e, buscar na gestão democrática e participativa, aspectos que o auxiliem o desenvolvimento de uma EAD de qualidade e credibilidade. 3. A GESTÃO DE POLOS NA PESPECTIVA DA GESTÃO PARTICIPATIVA A gestão educacional prevê a articulação e a interação entre os componentes desse processo, para que todas as ações ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 84 contribuam para um objetivo comum, isto é, a construção de instituições educacionais sólidas e com credibilidade. Moran (2007), afirma que: As mudanças na educação dependem também de termos administradores, diretores e coordenadores mais abertos, que entendam todas as dimensões que estão envolvidas no processo pedagógico, além das empresariais ligadas ao lucro; que apóiem os professores inovadores, que equilibrem o gerenciamento empresarial, tecnológico e o humano, contribuindo para que haja um ambiente de maior inovação, intercâmbio e comunicação (p. 17). Assim, o papel do gestor tem importância fundamental para as mudanças, pois a educação pressupõe uma gestão democrática e participativa, no sentido de que todas as aspirações adquiram solidez e possam ser desenvolvidas e que atinjam os objetivos definidos. Sobre a gestão participativa, Hora (2004), afirma que: O principal instrumento da administração participativa é o planejamento participativo, que pressupõe uma deliberada construção do futuro, do qual participam os diferentes segmentos de uma Instituição, cada um com sua ótica, seus valores e seus anseios, que, com o poder de decisão, estabelecerão uma política para essa Instituição, com a clareza de que são ao mesmo tempo autores e objetos dessa política, que deve estar em permanente debate, reflexão, problematização, estudo, aplcação, avaliação e reformulação, em função das próprias mudanças sociais e institucionais (p. 51). ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 85 Dessa forma, a gestão da educação deve criar possibilidades de participação efetiva dos atores desse processo e possibilitar a participação democrática nas decisões. Essa participação requer uma gestão qualificada, pois devem ser criados mecanismos capazes de acolher e aglutinar todos os agentes envolvidos, porque depende da força e do empenho de toda a solidificação das ações criadas e desenvolvidas por cada membro que participa da equipe. Oliveira (2006), afirma que: Vale considerar que uma gestão democrática e participativa requer dos sujeitos participantes do processo uma postura de autocrítica e vigília constante para que o confrontamento de interesses, de concepções, conceitos e pré-conceitos não se constituam em embates pessoais, mas como na dialética, possibilidades para a contraposição de idéias e avanços significativos na práxis (p. 6). Nesse contexto, uma gestão participativa requer cooperação, compartilhamento de informações e confiança para delegar responsabilidades a cada elemento da Instituição. Também proporciona autonomia para o alcance das metas e, como resposta, as pessoas assumem desafios e processos de trabalho dos quais participam, tomam decisões, criam, inovam e dão à organização um clima favorável ao crescimento. Sobre o Planejamento Participativo, Gandin (2001), afirma que: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 86 O Planejamento Participativo pretende ser mais do que uma ferramenta para a administração; parte da idéia que não basta uma ferramenta para “fazer bem as coisas” dentro de um paradigma instituído, mas é preciso desenvolver conceitos, modelos, técnicas, instrumentos para definir “as coisas certas” a fazer, não apenas para o crescimento e a sobrevivência da entidade planejada, mas para a construção da sociedade; neste sentido, inclui como sua tarefa contribuir para a construção de novos horizontes, entre os quais estão, necessariamente, valores que constituirão a sociedade (p. 87). Nessa perspectiva, entende-se que a administração na modalidade a Distância, especificamente na gestão de um Polo, assume uma dimensão de gestão democrática e participativa, pois, assim, a participação dos segmentos envolvidos possibilita o crescimento e o fortalecimento de todas as ações desenvolvidas nessas Instituições. Assim sendo, a gestão de Polos adquire significação quando vem seguida de autonomia, de democracia e de participação coletiva. Autonomia não significa o isolamento, e sim o sentido do gestor tomar decisões pensando no bem do grupo, tendo como princípios a liberdade de opinião, a iniciativa para a resolução de possíveis problemas e o espírito coletivo. Ao referir-se ao individualismo, Ferreira (2006) afirma que “é uma concepção que, por priorizar e desenvolver o individualismo e a competitividade desenvolve, também, não só a violência que vem causando a desestabilização do mundo e de toda uma humanidade (p. 18).“ De acordo com Ferreira (2006), tomar decisões, portanto, “é o cerne da gestão e do trabalho dos profissionais da educação (p. 15)”. A tomada de decisões nos Polos se realiza todos os dias, ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 87 quando há planejamento, organização e dinamização na construção desse processo. Nesse sentido, na gestão de um Polo é essencial a reunião constante da equipe de trabalho para planejar ações, estudar possibilidades, visualizar perspectivas. A articulação das ações educacionais advém da necessidade de um trabalho coletivo, no qual todos os elementos que formam a equipe de trabalho tornamse únicos, porém tendo como objetivo o todo. A principal característica do que hoje se chama Planejamento Participativo não é o fato de nele se estimular a participação das pessoas. Isto existe em quase todos os processos de planejamento: não há condições de fazer algo na realidade atual sem, pelo menos, pedir às pessoas que tragam sugestões (GANDIN, 2001). Nesse sentido, o trabalho em equipe, a autonomia e a descentralização possibilitam uma visão geral, o que caracteriza o trabalho coletivo e exitoso para a viabilização e o fortalecimento dos Polos de apoio presencial. A gestão democrática e participativa não se resume apenas a um conjunto de ações organizadas e compartilhadas em benefício da escola, mas é uma filosofia, que exige a construção interativa de uma postura que, por sua vez, também pressupõe revisão de atitudes em relação à vida, à educação, à escola (VIANNA, s/d). Assim, a gestão da Educação a Distância deve ser realizada em rede, na qual cada elemento que constitui a equipe de um Polo seja capaz de congregar ideias e de ajustar ações que construam uma EAD de credibilidade e que proporcione um vislumbrar de novos horizontes para quem acredita e trabalha para essas possibilidades. Portanto, de acordo com as considerações evidenciadas neste estudo, pode-se entender que a gestão de Polos deve ter princípios de uma gestão democrática e participativa, pois deve ser compartilhada entre todos os elementos que compõem o quadro de pessoal de um Polo. Dessa forma, a gestão participativa proporciona uma visão abrangente de todos os componentes educacionais, o ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 88 que fortalece a gestão em um todo, pois todos se envolvem nesse processo. CONSIDERAÇÕES FINAIS A educação brasileira é marcada por um processo de transformação, evidenciando a necessidade de mudança de paradigmas. Entre as mudanças constatadas no decorrer do sistema educacional, a gestão democrática e participativa se constitui em um dos mais importantes fatos que contribuíram para o modelo educacional atual. Inseridos nesse contexto - da gestão democrática e participativa de todos os níveis da educação no país - a gestão do ensino superior também pressupõe esses princípios. Nesse sentido, a gestão da modalidade de Educação a Distância se constituiu em um novo desafio, pois houve a necessidade da administração dos Polos de apoio presencial. Assim, na gestão desses Polos fica evidenciada a necessidade de articulação entre os segmentos que a compõem, para que cada um seja elemento fortalecedor de todo o processo. O todo do processo caracteriza-se pela participação democrática, pois essa é essencial para a função social a qual é direcionada a educação a distância e, dessa forma, essa gestão deve ser embasada em políticas democráticas e participativas. A construção de uma gestão democrática e participativa expressa uma gestão possível e imprescindível para que a Educação a Distância se constitua em um marco de excelência educacional. Os meios e os processos devem ser alicerçados em uma dimensão de gerenciamento que expresse a ideia de conjunto, já que é inegável a concepção de integração dos agentes dessa modalidade educacional. Acredita-se que a melhor maneira de edificar, consistentemente, as ações desenvolvidas nos Polos de apoio presencial sejam por meio do trabalho coletivo e participativo, considerando que as atividades idealizadas com a participação de ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 89 todos os segmentos contribuem para a obtenção dos objetivos definidos. Diante do exposto, considera-se que a gestão de Polos no contexto da Educação a Distância é capaz de produzir bons resultados se a gestão educacional for alicerçada em um processo de participação democrática de todos os envolvidos nesse trabalho. Portanto, a consolidação e a permanência da Educação a Distância estão infinitamente ligadas à gestão democrática, participativa, cooperativa e renovadora. Essa gestão democrática e participativa deve estar relacionada aos aspectos definidos para o crescimento e eficiência dos Polos de apoio presencial. REFERÊNCIAS BRASIL. 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Pretende-se, com o referido artigo, demonstrar que o desenvolvimento de pessoas, ou seja, sua capacitação, informação e conhecimento são armas poderosas da nossa era que usadas em forma de rede e conexões se tornam essenciais para o bom andamento do sistema UAB. Compreender os problemas da comunidade universitária e realizar o planejamento estratégico na gestão do polo é fundamental. É importante utilizar os princípios norteadores da gestão pública, bem como, suas ferramentas na gestão dos polos - a qual podese aliar a experiência vivida na coordenação do Polo de Seberi. Palavras-chave: gestão pública, gestão de polo, EAD, desenvolvimento de pessoas. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 93 CONSIDERAÇÕES INICIAIS O Sistema Universidade Aberta do Brasil-UAB7 é um programa do Ministério da Educação, criado em 2005, que visa expandir e interiorizar o Ensino Superior na modalidade a distância, modalidade esta que tem conquistado espaço cada vez maior em nosso país. Esse sistema prioriza a formação inicial de professores da educação básica pública além de dar a formação continuada aos graduados. A UAB funciona em sistema de parcerias. Os municípios oferecem a infraestrutura dos polos onde os cursos são ofertados pelas universidades federais. Nesse espaço, os alunos assistem às aulas, recebem orientações de tutores selecionados contratados pelas universidades, têm acesso à biblioteca e aos laboratórios técnicos e de informática, onde pesquisam e participam das aulas. O Polo de Apoio Presencial da Universidade Aberta do Brasil de Seberi segue o padrão físico orientado pelo MEC, como os demais polos de todo o país. É um ambiente de trabalho educacional que se transforma rapidamente, sendo a mudança do quadro da equipe uma constante. Como o gestor está no centro desta turbulência, que tem sempre novas demandas surgindo, ele precisa estar apto aos novos desafios para manter a organização num aprendizado crescente. Por vivermos num mar de incertezas e transformações, saber gerir uma organização, dominar as tecnologias de gestão empresarial, administrar pessoas, fazer de forma eficiente a gestão do conhecimento exige várias habilidades e competências e isso se aplica ao coordenador de polo. 7 A Universidade Aberta do Brasil é um sistema integrado por universidades públicas que oferece cursos de nível superior para camadas da população que têm dificuldade de acesso à formação universitária, por meio do uso da metodologia da educação a distância. O público em geral é atendido, mas os professores que atuam na educação básica têm prioridade de formação, seguidos dos dirigentes, gestores e trabalhadores em educação básica dos estados, municípios e do Distrito Federal. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 94 O presente trabalho aborda a atualidade da gestão pública nos programas federais, fala sobre gestão do conhecimento, das tecnologias de gestão empresarial, administração de pessoas e do seu desenvolvimento sobre o gestor de pólos, com foco especial no Polo da Universidade Aberta do Brasil de Seberi. 1. Gestão Pública e programas federais Administrar é uma palavra relacionada constantemente a organizar, a planejar, a comandar. Uma das definições de Gestão Pública é conduzir uma organização utilizando os recursos adequadamente envolvendo critérios de qualidade que beneficiem o cidadão. Enfim, administrar é buscar a excelência no serviço público usando como ferramenta o conhecimento buscando o bem comum do cidadão e como diz Matias-Pereira: Administração pública, num sentido amplo, é um sistema complexo, composto de instituições e órgãos do Estado, normas, recursos humanos, infraestrutura, tecnologia, cultura, entre outras, encarregado de exercer de forma adequada a autoridade política e as suas demais funções constitucionais, visando o bem comum (2009, s/p). Ter uma gestão de excelência que é aquela que beneficia o cidadão, significa fazer o planejamento estratégico, saber administrar pessoas, utilizar o conhecimento com eficácia, realizar melhorias dos processos e aguçar a liderança. Esta nova gestão pública é aquela que sai da burocracia e vai em busca de um estado gerencial eficiente, que foca o resultado a ser notado pelo cliente/cidadão. Nesse contexto, é importante refletirmos sobre os princípios Constitucionais da Administração Pública (emenda constitucional nº 19/98). São eles: Princípio da Eficiência, Princípio da ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 95 Impessoalidade, Princípio da Moralidade, Princípio da Publicidade e Princípio da Legalidade. Através destes princípios percebe-se que todo cidadão que contribui com o pagamento de impostos paga a conta da administração pública, tendo, portanto, o direito de ter uma gestão pública eficiente e obter retorno da sua contribuição em áreas como saúde, educação, segurança, habitação. O cidadão tem o direito de exigir o bem comum do que é público. O fim da administração pública é o interesse público, por isso a moralidade é fundamental na ação do gestor. E sendo público todas as ações das organizações públicas devem ser divulgadas, transparente ao conhecimento de todos para que se perceba o bom uso de recursos humanos e materiais. Segundo Paula (2005) aponta que a administração pública gerencial possui seus objetivos como se percebe na visão de Bresser-Pereira8: Melhorar as decisões estratégicas do governo e da burocracia; Garantir a propriedade e o contrato, promovendo um bom funcionamento dos mercados; Garantir a autonomia e a capacitação gerencial do administrador público; Assegurar a democracia através da prestação de serviços públicos orientados para “cidadão-cliente” e controlados pela sociedade ( PAULA, 2005, p.21 ). Com esses objetivos, percebe-se as metas da nova administração pública que visa à qualidade e à excelência na Gestão Pública do país e, embora, entenda-se que no Brasil a administração pública tem como referência o modelo de gestão privada, a pública tem como objetivo uma função social que necessita ser alcançada com a maior qualidade possível ao prestar serviços com eficiência e de forma efetiva. 8 Luiz Carlos Gonçalves Bresser-Pereira é um advogado, administrador de empresas, economista, cientista político e político brasileiro. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 96 Atualmente, o governo federal está se esforçando para melhorar a Gestão Pública no Brasil. Para isso, foi criado o Gespública que é um programa do Ministério do Planejamento e Orçamento, voltado para melhorar a execução de programas prioritários, melhorar e simplificar o atendimento aos cidadãos, implementar e avaliar a ação do estado. Também orienta os órgãos públicos baseado na avaliação continuada da gestão, busca desburocratizar utilizando-se da tecnologia. Com boa gestão é possível a melhora da relação entre recurso, ação e resultado. O governo criou também o Programa Nacional de Formação em Administração Pública-PNAP, cursos que tem por objetivo a formação e a qualificação de pessoal de nível superior visando o exercício de atividades gerenciais. Esses programas objetivam sanar a deficiência de bons gestores no Brasil. Com esses dois programas, que são canais para a participação da sociedade na gestão pública, percebe-se a preocupação do governo em corrigir a deficiência de bons gestores no Brasil. Portanto, a gestão pública no Brasil ainda é considerada muito burocrática, centralizada e pesada. Isso ainda acontece, apesar de todas as mudanças que se presencia na atualidade e dos desafios que o mundo moderno impõe. De acordo com Bobbio (1995, s/p) “todo estado muito democrático é, ao mesmo tempo, muito burocrático”. A burocracia implica em controle dos agentes públicos e controle dos meios. Além disso, sabe-se que a tecnologia já está auxiliando os sistemas de informação pública, pois existem os sistemas de contabilidade e orçamento público, folha de pagamento (Siape)9, eleições eletrônicas, declaração do imposto de 9 SIAPE- Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos, é um programa em que os servidores ativos, aposentados e pensionistas poderão acompanhar de forma mais detalhada a sua vida funcional, seus dados pessoais e financeiros sem nenhuma burocracia e com muito mais segurança, contribuindo assim, para que as informações constantes na base SIAPE sejam consistentes e verossímeis, de modo a subsidiar políticas de gestão de pessoas do governo federal. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 97 renda pela internet e nos polos de apoio presencial há o SisUAB 10, que é um sistema de informação da Universidade Aberta do Brasil. Com boa gestão pública obter-se-á desenvolvimento econômico, tecnológico, cultural e social. Para isso é preciso que se reflitam questões que envolvam a ética, a moral e a transparência na administração pública, enfim que se garantam os direitos da Constituição ao cidadão. 2. Gestão do conhecimento Com o avanço tecnológico e a globalização, as organizações se veem obrigadas a fazer mudanças, e com isso tem ocorrido um crescente interesse na gestão do conhecimento de forma mais profunda. “O conhecimento é a informação que transforma algo ou alguém no sentido de realizar ações ou em função de dotar o indivíduo ou a instituição da capacidade de agir de maneira diferente ou mais eficiente” (DUCKHER, apud CHIAVENATO, 2008). A gestão do conhecimento é uma das principais ferramentas nas organizações, públicas ou privadas, que são conscientes desta dentro das empresas. Conhecimento significa informação estruturada que gera e agrega valor. Nonaka e Takeuchi distinguem o que é um dado, uma informação e o conhecimento: 10 SisUAB- É uma plataforma de suporte para a execução, acompanhamento e gestão de processos da Universidade Aberta do Brasil. Está preparado para o cadastramento e consulta de informações sobre instituições, polos, cursos, material didático, articulações, colaboradores e mantenedores. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 98 Fatos, naturais ou artificiais, quando filtrados pelos sentidos se convertem em dados. Quando conseguimos dar significado a esses dados, obtemos informações. Quando nos apropriamos dessas informações e damos uma utilidade às mesmas, estamos criando o conhecimento (1997, s/p). No contexto da tecnologia de informação o conhecimento é diferente dos dados e das informações. Para que o conhecimento se torne significativo e importante é necessário o suporte humano inteligente, a comunicação é elemento fundamental que mostra a capacidade humana. Aquele que utiliza o conhecimento para realizar seu trabalho é um gestor de conhecimento e isto exige além da formação acadêmica capacidade de desenvolver habilidades. Conhecimento é essencial na Gestão de Polos, que tem como objetivo principal a qualidade e excelência no qual se busca soluções para as dificuldades surgidas no dia a dia. Para que tudo isso se concretize, faz-se necessária a valorização de todos aqueles que participam das atividades do Polo. Existem dois tipos de conhecimento segundo Nonaka e Takeuchi: o explícito e o tácito. O conhecimento objetivo e descritível chama-se de conhecimento explícito. Este é codificado em bancos de dados, documentos, textos, registros, estatísticas, artigos, relatos de experiências, metas, missão, práticas e treinamentos. Mas também, para que tudo isso aconteça é preciso saber definir, captar, organizar, transmitir, utilizar e ajustar estes conhecimentos. Ainda de acordo com os autores, além do conhecimento explícito há o conhecimento tácito ou implícito: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 99 O conhecimento tácito dos indivíduos é a base da criação de conhecimento na organização. A espiral do conhecimento representa a interação entre conhecimento tácito e conhecimento explícito, que tem uma escalada cada vez maior na medida em que subirem os níveis ontológicos na organização. A criação do conhecimento organizacional é um processo em espiral, que começa no nível individual e vai subindo, ampliando comunidades de interação através dos quatro modos de conversão, cruzando fronteiras entre seções, departamentos, divisões e organizações (NONAKA e TAKEUCHI, 1997, p. 82). O conhecimento tácito é subjetivo, difícil de ser codificado, comunicado, registrado, documentado, pois ele é pessoal, criado com base nas experiências, percepções, conjunto de habilidades, entendimentos e aprendizado que uma organização tem. É aí que deve ser desenvolvido o papel fundamental do gestor, na organização e orientação desse conhecimento. No espiral do conhecimento considera-se que o conhecimento explícito da pessoa surge a partir da compilação do conhecimento tácito e este conhecimento pode dar lugar a um novo conhecimento tácito e assim vai-se formando a figura circular. O conhecimento sempre inicia num pequeno contexto, do micro para o macro, e vai abrangendo depois para o grupo para a organização, esta interação também irá se formar e ampliar de forma espiral. É importante salientar as cinco condições propostas por Nonaka e Takeuchi para desenvolver o espiral do conhecimento em nível organizacional que são: intenção, autonomia, flutuação e caos criativo, redundância e variedade de requisitos (1997, s/p). O gestor de polos pode e deve se tornar um facilitador do processo de criação do conhecimento. Ele é um profissional especial porque ajuda a gerenciar o conhecimento, suas competências e a monitorar o ambiente tratando, filtrando, encaminhando ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 100 informações importantes para o polo. Ele deve propiciar um ambiente e criar oportunidades para que isso aconteça, usando de forma estratégica estas informações que podem ter sido criadas, adquiridas, organizadas e processadas com o objetivo de gerar novos conhecimentos que desenvolverão no futuro novas habilidades e competências. 3. As Tecnologias de gestão empresarial: Empowerment e Gestão de Processos As tecnologias de gestão empresarial ajudam o gestor a obter melhores resultados independente se a organização é pública ou privada. Elas auxiliam nas práticas do dia a dia através da utilização mais eficaz dos recursos físicos e humanos melhorando a atuação da equipe. O empowerment11 ou empoderamento é uma ferramenta de gestão empresarial que consiste em delegar o poder de decisão e responsabilidade dando autonomia às pessoas que trabalham nas organizações. Esta ferramenta estimula a iniciativa e cooperação dos funcionários, que aprendem a lidar com situações novas, a planejar e resolver conflitos. É uma forma de tornar os membros da equipe ativos e proativos dentro da organização12. Isso é inovador quando se pensa nas regras tradicionais e regulamentos que impedem essa participação, no caso de uma empresa que seja centralizadora essa ferramenta dificilmente se adéqua. 11 Empowerment é uma referência muito comum na década de 80 baseada na mudança de atitude voltada para o envolvimento dos funcionários nos processos de inovação de forma moderna (WILKINSON, 1997, p.40). 12 Um agente pró-ativo é dotado de visão própria e, sobretudo, de inteligência, a maior e mais avançada e sofisticada habilidade humana. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 101 O empowerment, associado à gestão de recursos humanos e gestão de qualidade total, é considerado como uma possível solução para o velho problema sobre ambientes tayloristas13 e burocráticos onde a criatividade é sufocada e trabalhadores sentem-se alienados e descontentes (WILKINSON,1997, p.41). E como vivemos numa democracia, uma forma de organização pressupõe participação efetiva e autonomia com isso vai-se construindo a gestão democrática e a equipe se torna mais comprometida e responsável. Existem alguns princípios para fazer o empowerment das pessoas, segundo Kanter: 13 Na década de 20 as idéias de Taylor, o pai da Admininstração científica, influenciou os administradores a pensarem nos melhores métodos para se executar o trabalho. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 102 1.Dar às pessoas um trabalho em que elas se sintam importantes. 2.Dar às pessoas plena autoridade e responsabilidade, independência e autonomia em suas tarefas e recursos. 3.Permitir que as pessoas tomem decisões a respeito de seu trabalho. 4.Dar visibilidade às pessoas e proporcionar reconhecimento pelos seus esforços e resultados. 5.Construir relacionamentos entre as pessoas, ligando-as com as pessoas mais importantes e apoiando-as através de líderes e impulsionadores. 6.Mover a informação em todos os níveis. Informação é poder e habilita as pessoas a pensar e a agir melhor. 7.Pedir a opinião das pessoas a respeito dos assuntos de trabalho. Fazer com que elas se sintam as donas do processo de trabalho. Fazer com que elas tenham orgulho de pertencer à organização. 8.Acentuar a colaboração e o espírito de equipe. Empoderar pessoas e empoderar equipes. 9.Ajudar as pessoas empoderadas a empoderarem as demais. Estenda o empowerment a todos os níveis e áreas da organização. Transforme as velhas regras e regulamentos em meios para divulgar a informação, opiniões e idéias por toda a organização. O segredo é utilizar todo o seu pessoal, todas as habilidades, todo o tempo. Dar autoridade e recursos às pessoas e deixálas agir (KANTER, apud CHIAVENATO, 2008). Por intermédio destes princípios temos dicas de como o empoderamento pode acontecer nas organizações mudando paradigmas tradicionais. Dando autonomia às pessoas elas mesmas irão fazer o diagnóstico, analisar e propor solução para os ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 103 problemas da organização. As pessoas da equipe envolvida serão mais atentas e comprometidas com as tarefas que desenvolvem e também mais motivadas, criativas e impregnadas do espírito de cooperação. Ao analisar o porquê de adotar esta tecnologia nas organizações entende-se que seria pelo fato de ver que o mundo mudou e as instituições também precisam mudar neste mundo tão competitivo. E porque hoje os maiores investimentos estão na área da administração de pessoas, no talento e seu desenvolvimento profissional. A gestão de processos também é uma ferramenta de gestão empresarial. Processos são conjuntos de ações sistemáticas, baseadas em fatos, tarefas, dados e ações, que permitem manter estável a rotina das organizações (RIBAS et al. 2010, p. 213). A gestão de processos é uma prática que acompanha e controla o funcionamento da organização e que procura agradar os clientes externos no que precisam e desejam e termina por fazer com que ele adquira o que necessitou. A utilização dessa ferramenta estimula a valorização do trabalho em equipe em que haja cooperação, responsabilidade e comprometimento, pois a equipe terá uma visão geral da organização e procurará fazer sempre o melhor. O cliente é o centro desse tipo de organização. Segundo Bennis e Mische, (1995) as atividades essenciais (aquelas atividades que são críticas para que sejam atingidos os objetivos da empresa) também podem, algumas vezes, ser chamadas de processos. Elas envolvem um conjunto de atividades operacionais, diversos níveis organizacionais e práticas gerenciais. Assim elas são os processos que precisam ser executados para que a empresa exista. Na gestão por processos as pessoas são agrupadas para fazer um trabalho, uma atividade completa, então este grupo é que ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 104 recebe a informação de interesse para realizar o trabalho, é muito importante neste tipo de gestão a coordenação das atividades que são realizadas. As tecnologias de gestão - atuais e inovadoras - auxiliam os gestores a criarem certas habilidades como: negociar, partilhar, persuadir, comunicar, trocar, calcular e colher, enfim, estar sempre aberto ao novo. Para isso, é preciso desenvolver valores a serem trabalhados constantemente como a cooperação, tolerância, autoaceitação, calma, altruísmo e solidariedade. Por conseguinte, os gestores públicos, têm buscado cada vez mais, na gestão empresarial dicas interessantes. Há, no entanto, que se diferenciar o objetivo de cada gestão. O gestor empresarial busca, impreterivelmente, o lucro; já o gestor público deve focar seu objetivo no ser humano. Mesmo assim, muitos gestores empresariais têm apostado na valorização do ser humano, pois perceberam que, em se valorizando o funcionário, mais produtividade ele alcança. 4. Administração e desenvolvimento de pessoas Muitas organizações públicas ou privadas ainda possuem pessoas trabalhando de forma desordenada, com a comunicação falha gerando insatisfação. Por este motivo é preciso investir na gestão de pessoas no desenvolvimento das competências individuais. E como “A base da gestão independente de ser pública ou privada são as pessoas...os atores principais nos processos são servidores e usuários”(RIBEIRO & IRIONDO, 2010). Preparar e capacitar continuamente as pessoas é muito importante, também, reconhecê-las nos seus resultados aumentar a auto-realização e a satisfação no trabalho que realizam ajuda o fortalecimento e comprometimento. O trabalho em equipe e a cooperação substituem a centralização de poder. Segundo Chiavenato: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 105 Para serem bem-sucedidas, as organizações precisam de pessoas espertas, ágeis, empreendedoras e dispostas a assumir riscos. São as pessoas que fazem as coisas acontecer. Que conduzem os negócios, produzem os produtos e prestam os serviços de maneira excepcional. Para conseguir isso, é imprescindível o treinamento e o desenvolvimento das pessoas.(CHIAVENATO,2008, p. 366). Para se exercer boa competitividade no mercado de trabalho a organização precisa perceber as pessoas de forma profunda vendo que cada um é um ser humano com características próprias, que elas são um diferencial competitivo e ativo, que a reciprocidade na parceria traz muitos benefícios à organização. Hoje é necessário investir no conhecimento que deve ser estimulado, desenvolvido e compartilhado. Também na inteligência emocional que consegue administrar conflitos e na flexibilidade. A liderança é outro ponto forte que gera compromisso com os objetivos, as pessoas saber terem idéias e conduzirem as mesmas, enfrentar obstáculos, ser criativo, evoluir sempre e mudar para melhor. Chiavenato (2008, p.368) ainda afirma que na “atual gestão de pessoas, os indivíduos são considerados e respeitados de acordo com suas características e diferenças, habilidades e potencialidades, necessidades e expectativas”. Hoje, falamos em administrar com as pessoas, parceiras do negócio e condutoras das organizações. São várias informações para envolver a pessoa a fim de que se comprometa com os objetivos a serem atingidos dentro da empresa e para que esta tenha atitudes proativas e inovadoras. Além destas informações, é preciso um ambiente que estimule a auto-aprendizagem e que haja a criação de redes. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 106 A criação de redes relacionais e informacionais que permitam estabelecer a ligação entre pessoas, aceder a dados e informações relevantes (de forma a acelerar o fluxo de criação e de difusão do conhecimento), e a criação de stocks de conhecimento, por via da construção de bases de dados online, com a informação e o conhecimento disponível para que cada pessoa possa aceder sempre que necessário, são algumas dos instrumentos utilizados (BONTIS; CHOO, apud SANTOS, 2008). Além destas redes relacionais e informacionais, é necessária a criação de estruturas em redes que articulem as diversas áreas de departamentos, grupos, projetos e pessoas. As ligações, interações, relações com o externo das organizações feitas pelos membros da equipe são fundamentais para a potencialização do conhecimento. Para o polo ter sucesso depende muito do desempenho das pessoas porque são elas que pensam, se relacionam e levam a imagem da instituição à comunidade. Neste sentido as capacitações dadas aos tutores, ao coordenador de polo e equipe técnica são fundamentais para o bom andamento dos polos e dos cursos das instituições, da mesma forma que ter um ambiente saudável e democrático auxilia em muito a motivação e autonomia da equipe para realização de ações que beneficiem a organização nos diversos sentidos. Dentro deste processo entra o papel do gestor de polos, que vamos refletir em seguida. Este precisa ter conhecimentos sobre recursos humanos ou administração de pessoas para auxiliar o desenvolvimento das competências individuais e organizacionais. 5. O gestor de polos O coordenador de polo do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) é um professor da rede pública ou privada que gerencia ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 107 aquele espaço. Este gestor precisa comprovar no mínimo três anos de experiência na educação básica. Houve intenção dos órgãos competentes que esta escolha ocorresse de forma democrática, sendo que a regra solicita apresentar três currículos que no início eram entregues ao MEC e posteriormente depois às universidades responsáveis pelo polo. Mas constatou-se depois que muitos coordenadores foram escolhidos com indicação direta ou indireta onde se sobressaiu a influência política, da mesma forma quando houve eleições municipais muitos coordenadores foram extirpados do processo e muito desrespeito teve-se com aquele profissional que era visto como cargo de confiança do prefeito. Esta reflexão mostra que há um problema quanto a esta função. São atribuições do coordenador de polo segundo o Anexo I da Resolução CD/FNDE nº26, de 05 de junho de 200914, que estabelece orientações e diretrizes para o pagamento das bolsas do Sistema UAB, conforme segue: acompanhar e coordenar as atividades docentes, discentes e administrativas do polo; garantir às atividades da UAB a prioridade de uso da infra-estrutura do polo; participar das atividades de capacitação e atualização. elaborar e encaminhar à UAB/DED/CAPES, relatório semestral das atividades no pólo, ou quando solicitado; elaborar e encaminhar à coordenação do curso, relatório de frequência e desempenho dos tutores e técnicos atuantes no polo; 14 BRASIL.UAB/CAPES. Resolução nº 26, de 5 de junho de 2009. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 8 de junho 2009. Seção1, p.12 ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 108 acompanhar as atividades de ensino, presenciais e a distância; acompanhar e gerenciar o recebimento de materiais no polo, e a entrega dos materiais didáticos aos alunos; zelar pela a infra-estrutura do polo; relatar problemas enfrentados pelos alunos ao coordenador do curso; articular, junto às IPES presentes no polo de apoio presencial, a distribuição e o uso das instalações do polo para a realização das atividades dos diversos cursos; organizar, junto com as IPES presentes no polo, calendário acadêmico e administrativo que regulamente as atividades dos alunos no polo; articular-se com o mantenedor do polo com o objetivo de prover as necessidades materiais, de pessoal e de ampliação do polo; receber e prestar informações aos avaliadores externos do MEC. Como se percebe são muitas as funções que este profissional desempenha no polo e elas ultrapassam as questões administrativas. Desta forma, é importante salientar, conforme Oliveira( 2007, s/p. ), que o gestor de polo não é um mero administrador. Além de saber e cumprir com os trâmites burocráticos, deve saber ouvir, trabalhar em equipe, planejar, dialogar com vistas à emancipação do grupo, mediar conflitos, ter visão do todo, promover a participação coletiva, ter consciência dos limites e possibilidades de sua gestão cumprindo também com sua função social. Ser gestor é ter a responsabilidade de gerir com ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 109 competência um polo de educação a distância que se constituirá conforme sua gestão. Por isso, é um profissional que necessita de capacitação continuada e uma das formas de capacitação usada é o ambiente virtual de aprendizagem – AVA. É através do Ambiente de Trabalho da Universidade Aberta do Brasil - ATUAB - que os coordenadores de polo recebem informações e orientações, trocam experiências, aprendendo a gerir o polo para atingir a excelência. Também a Universidade Federal de Santa Catarina capacita a distância coordenadores de polo através do Moodle EAD-UFSC com a capacitação anual de Coordenadores de Polo de Apoio Presencial: Gestão Inovadora em EAD que afirma: A formação continuada dos Coordenadores de Polos visa atender a integração necessária ao processo da EAD em geral, bem como focar as especificidades desse novo papel para educação brasileira Este desafio repercute nos pólos desses municípios em que os coordenadores, por sua vez, devem articular cursos, e instituições diferentes no cotidiano presencial que atende ao aluno, que pela primeira vez estuda a distância. Este curso tem o objetivo de desenvolver e exercitar características que devem compor o perfil do Coordenador de Pólo Presencial de EAD para atuar como agente inovador capaz de articular as características locais com as institucionais, construindo um projeto de gestão que agregue valores ao processo de democratização educacional brasileiro. (EAD: Meu Moodle http://ead.moodle.ufsc.br/ course/view.php?id=1183 ). A Universidade Federal de Pelotas, parceira do polo de Seberi, proporciona aos seus coordenadores de polos um Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Gestão de Polos na modalidade a distância. Este curso que utiliza a plataforma Moodle tem por ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 110 objetivo capacitar professores para atuar na gestão dos polos de apoio presencial de modo a contribuir com a melhoria da gestão das atividades desenvolvidas neste espaço sócio-educativo. É uma exigência do governo federal a existência dos polos de apoio presencial para o bom funcionamento e operacionalização dos cursos das universidades. O Ministério de Educação tem procurado padronizar os conhecimentos adquiridos como é também padronizado o espaço físico auxilia o coordenador nas suas atividades do cotidiano. Aprender é planejar, é desenvolver ações, é receber, selecionar e enviar informações é estabelecer conexões, é refletir sobre o processo em desenvolvimento, em conjunto, com os pares, é desenvolver a interaprendizagem, a competência de resolver problemas em grupo e a autonomia em relação à busca, ao fazer e ao compreender (ALMEIDA, 2003, s/p) Como se observa acima, o gestor de polo precisa ter algumas características que o cargo exige, precisa ser membro dinâmico, atento aos acontecimentos e informações. O gestor precisa de formação e ser munido com ferramentas e elementos necessários à boa administração. Este gestor necessita saber fazer dentro do seu polo a gestão estratégica, gestão de projetos, gestão da infraestrutura, gestão da equipe e a gestão de processos. Necessita ter conhecimentos variados sobre aspectos relacionados à Internet, infra-estrutura básica, rede elétrica, acessibilidade, compras, equipamentos, vigilância, limpeza, gestão administrativa, pedagógica, planejamento e ao mesmo tempo realizar o marketing do polo (RIBAS et al, 2010, p. ). O gestor de polo também deve dar autonomia para que as pessoas possam atingir metas, necessita-se a criação de oportunidades dentro da organização de aprendizado, criação de mecanismos de desenvolvimento das competências individuais e ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 111 organizacionais, e o reconhecimento do empenho das pessoas, buscando o alinhamento de cada um na missão da organização. Todos estes fatores são favorecidos com a organização por processos, pois, pressupõe que as pessoas trabalhem de forma diferente. Em lugar do trabalho individual e voltado a tarefas, a organização por processos valoriza o trabalho em equipe, a cooperação, a responsabilidade individual e a vontade de fazer um trabalho melhor. Enfim, ser gestor exige várias habilidades do professor coordenador de pólo, pois ele não é mera figura decorativa e a boa gestão depende de capacitação continuada, constante. Há que se avançar muito ainda neste sentido, mas, percebe-se o crescimento já realizado com a formação que os coordenadores de polo têm recebido do Ministério da Educação-MEC, CAPES e das Instituições que fazem parte daquele polo. O empowerment pode ser extremamente útil para o Gestor de Polo, pois vem ao encontro das atribuições do mesmo, tendo como objetivo dar autonomia os funcionários. Esta tecnologia pode ser aplicada com sucesso, desde que exista um treinamento adequado aos funcionários para o programa, deve ser implantado com tempo, para que se possa estimular a iniciativa dos funcionários, e finalmente, deve haver uma mudança de cultura organizacional para que a implantação do empowerment obtenha sucesso. Os funcionários precisam se capacitar continuamente para saber trabalhar com situações novas, diferentes estilos pessoais e grupais, retroalimentação e resolver conflitos. A gestão por processos, que vem a seguir, também foge do modelo tradicional. As tecnologias de gestão empresarial Empowerment e Gestão por processos podem ser aplicadas tranquilamente com sucesso na Gestão pública e particularmente na gestão de um polo de apoio presencial. E gestar o polo mais especificamente é algo que se está aprendendo no decorrer do tempo. No início do processo da UAB quando a coordenadora assumiu a função, sua visão era mais tradicional em que achava que teria que fazer tudo, observar tudo, centralizar tudo, enfim, não poderia ausentar-se para nada no polo. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 112 No decorrer das capacitações percebeu que todos os envolvidos na equipe deveriam ter autonomia, participação e que deveria descentralizar o poder e assim a carga ficaria menor para si. Ter uma visão compartilhada onde a responsabilidade é de todos e os resultados efetivos são conseqüência do trabalho de equipe necessita envolver a equipe na tomadas de decisões e partilhar as tarefas, isso acabou fazendo com que todos se sentissem responsáveis e auxiliassem nos rumos do trabalho no polo. São muitos os parceiros do polo de apoio presencial de Seberi/ RS: a prefeitura, as universidades com suas particularidades, os cursos especificamente, o MEC, CAPES, os alunos, tutores, corpo técnico do polo e comunidade em geral. Há uma rede de relações importantes na obtenção de bons resultados. Descentralizar, flexibilizar e inovar é aprendizado necessário para atingir os objetivos a que se propõe isto gera a valorização de todos os envolvidos porque há cooperação e partilha. 6. O Polo de apoio presencial de Seberi: um relato de experiência O Polo de Seberi15 tem um espaço físico cedido por uma escola estadual do município, as instituições presentes no polo são: Universidade Federal de Pelotas- UFPEL, Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC e Universidade Federal do Rio Grande do SulUFRGS esta que iniciou neste ano com um curso de extensão. O Polo possui cinco cursos de graduação e um curso de extensão, são duas licenciaturas e três bacharelados: Pedagogia, Matemática, Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas e o Curso de Extensão Mediadores de Leitura. Ao todo são nove turmas de graduação e uma turma do curso de extensão com uma equipe de 17 pessoas. 15 ÍNDICE Criado pela Lei Municipal nº. 2.589, 26 de março de 2007. Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 113 A coordenação é exercida pela coordenadora16 desde o início da implantação na comunidade e com as capacitações aprendeu e está aprendendo a gerir o polo cada dia mais. Sua preocupação é envolver a equipe de trabalho concedendo poder de decisão nas diversas situações e acontecimentos. Algumas ações são necessárias para isso: reuniões periódicas comunicando informações, combinando ações, consultando a todos sobre eventos que se realizam semestralmente e ações sobre o andamento dos cursos no polo, é trabalhado sempre a cooperação, a interatividade, a tolerância, auto-aceitação, calma, altruísmo e solidariedade. Também foi elaborada em conjunto a missão e visão do 17 polo que são as seguintes: -Missão Assume difundir e preservar o conhecimento, a pesquisa e a cultura, buscando atingir excelência em ensino superior a distância. -Visão Ser reconhecido como referência em educação a distância, contribuindo para o desenvolvimento social e econômico da região formando profissionais competentes e de reconhecida qualificação. Focando sempre na missão e visão do polo há maior seriedade e um alvo a ser seguido. Trabalhar em equipe no Polo exige paciência, diálogo constante, planejamento e organização. Preocupa-se em registrar e divulgar a história do Polo de Seberi, para isso, a cada ano é realizado um plano de gestão com os objetivos e metas a serem cumpridas naquele ano, há muito 16 Ana Lucia Rodrigues Guterra é coordenadora do Polo de Apoio Presencial da Universidade Aberta do Brasil de Seberi-RS, nomeada pelo MEC, desde sua implantação em 2007. 17 Elaborar a missão e a visão do Polo partiu de um desafio feito pelo Professor Marcos Dalmau professor do Curso de Administração da Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC que questionou no II Encontro Integrador entre os Cursos da UAB de Seberi, realizado em 29 de outubro de 2008, qual era nossa missão e visão. A partir daí a equipe se reúne e começa a elaborar, mas esquece-se de registrar em ata. A primeira vez que é publicada a missão e a visão do polo no jornal “O Alto Uruguai” foi em 29 de novembro de 2008, conforme Portfólio de divulgação do Polo-2006/2008 página 107. Com isso conclui-se que esta elaboração se deu no prazo de um mês. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 114 cuidado com registros de visitas, de eventos e reuniões, de fotografias, é feito um portfólio de divulgação de notícias do polo que saem no jornal. Trabalhar dentro da perspectiva da necessidade de criação de uma boa equipe é fundamental para que se consigam atingir os resultados esperados, é imprescindível, já que bons resultados dificilmente nascem de ações individuais. É dado valor importante ao bom ambiente de trabalho no polo enfatizando sempre o trabalho de equipe. No polo a equipe é valorizada e é bem aceita a criatividade. Trabalho de equipe traz ótimos resultados. Quando a coordenadora trabalha com a equipe enfatiza: a paciência, para que os membros procurem expor os seus pontos de vista com moderação e procura ouvir o que todos têm a dizer, é importante aceitar as ideias dos outros algo que às vezes fica difícil, mas é importante saber reconhecer que a idéia de um colega pode ser melhor do que a sua. Afinal de contas, mais importante do que o orgulho é o objetivo comum que o grupo pretende alcançar. Às vezes surgem conflitos entre os colegas de grupo, é muito importante não deixar que isso interfira no trabalho em equipe. Ao trabalhar em equipe, é importante dividir tarefas. Compartilhar responsabilidades e informação é fundamental. A equipe precisa trabalhar em harmonia, sintonia e parceria. Quando várias pessoas trabalham em conjunto, é natural que surja uma tendência para se dispersarem e divergirem; o planejamento e a organização são ferramentas importantes para que o trabalho em equipe seja eficaz. É importante fazer o balanço entre as metas a que o grupo se propôs e o que conseguiu alcançar no tempo previsto. Combinar ações, fazer parceria, ser cooperativo, o trabalho de equipe é uma oportunidade de conviver mais perto dos colegas, e também de aprender com eles. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 115 CONSIDERAÇÕES FINAIS A Educação a Distância (EAD) no Brasil veio para ficar. A EAD é um poderoso instrumento de inclusão para quem mora distante da sede das instituições de ensino, proporciona inclusão digital, além de capacitar quem continua estudando e que tenha muitos compromissos na vida moderna e não pode frequentar um curso presencial. Através deste trabalho constatou-se que os programas federais de gestão pública beneficiam o cidadão quando fazem um trabalho de excelência que é percebido pelo mesmo, para que isso aconteça deve-se ter conhecimento dos princípios Constitucionais da Administração Pública. A gestão pública aplicada à EAD é aquela que trabalha de forma eficaz numa gestão participativa com visão de futuro e busca pela excelência auxilia o gestor na coordenação dos recursos humanos, tecnológicos e didáticos em comum acordo com as universidades atuantes no Polo e a UAB/MEC. Ao utilizar no ambiente do Polo de Seberi as ferramentas Empowerment e Gestão de Processos, constatou-se que dar autonomia e dividir responsabilidades à equipe estimulou a cooperação, o planejamento entre os membros e auxiliou na resolução de conflitos que aparecem no cotidiano. Para que isso se efetivasse foram necessárias reuniões de equipe constantes e interação diária com os membros, sem a aplicação destas ferramentas não haveria comprometimento com o polo local. Gestão é assunto fundamental e a base da gestão são as pessoas. Por isso, saber gestar o polo de educação a distância vai possibilitar exercer melhores práticas no dia a dia utilizando melhor os recursos físicos e humanos. Hoje, como coordenadora, caminho para uma melhor preparação para enfrentar os desafios que se apresentam no espaço do Polo de Seberi. Enfatizo a importância do desenvolvimento de pessoas através de formação e capacitação contínua. Auxiliar no desenvolvimento de habilidades e competências resulta num diferencial competitivo. As pessoas que atuam no polo EAD são ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 116 parceiras comprometidas quando são conscientes de sua função e tem conhecimento da importância do trabalho que desenvolvem. Ser coordenador de polo é uma função que exige preparo e formação contínua e, nestes quatro anos de experiência, concluí que as formações dadas pelas universidades bem como pela CAPES foram essenciais para que eu exercesse a função da melhor forma e o curso de Especialização em Gestão de Polos deveria, a meu ver, ser uma capacitação obrigatória aos coordenadores e tutores de todo o Brasil pela formação importante que proporcionou. Enfim, o Polo de Apoio Presencial da Universidade Aberta do Brasil de Seberi tem uma equipe de trabalho unida e consciente de sua missão e visão elaborada por todos. Com isso, o trabalho tem um foco e um alvo a ser alcançado. Como coordenadora tenho procurado me dedicar para que a consolidação da EAD no interior do país aconteça com qualidade e da forma como foi proposta pelo Ministério de Educação. Portanto, a gestão pública é aquela que trabalha com agilidade e inovação, valorizando as pessoas numa gestão participativa focando nos resultados e assim obtendo um aprendizado organizacional onde a gestão é baseada em processos e informações buscando sempre uma visão de futuro com excelência dirigida ao cidadão. REFERÊNCIAS ALMEIDA, M. E. B. Educação a Distância na Internet: abordagens e contribuições dos ambientes digitais de aprendizagem. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 29, n. 2, p. 327-340, 2003. BARBOSA, N. Gestão de pessoas. Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAVBMAF/gestao-pessoas>. Acesso em: abr. 2011. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 117 BRASIL. Programa Nacional de Formação em Administração Pública. Disponível em: <http://www.capes.gov.br/educacao-a-distancia/pnap>. Acesso em: fev. 2011. _____. Resolução nº 26, de 5 de junho de 2009. Estabelece orientações e diretrizes para o pagamento de bolsas de estudo e de pesquisa a participantes da preparação e execução dos cursos dos programas de formação superior, inicial e continuada no âmbito do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), vinculado à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a serem pagas pelo FNDE a partir do exercício de 2009. Disponível em: <http://www.uab.capes.gov.br/index.php?option=com_content&view=arti cle&id=71:resolucao-cdfnde-no-26-de-5-de-junho-de2009&catid=15:resolucoes&Itemid=47>. Acesso em: fev. 2011. _____. SIAPE: Apresentação. Disponível <http://www.siapenet.gov.br/Portal/Servico/Apresentacao.asp>. em: mai. 2011. em: Acesso _____. SisUAB. Disponível em: <http://www.capes.gov.br/educacao-adistancia/sisuab>. Acesso em: mai. 2011. _____. Sobre a UAB: O que é. 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ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 119 A LEGISLAÇÃO E O PAPEL DO GESTOR DE POLOS AUTORA: Andréia Inês Hanel PROFESSOR ORIENTADOR: José Eduardo Nunes de Vargas RESUMO O presente trabalho tem como objetivo pesquisar e apresentar as leis federais e municipais de Tapejara RS que criaram e mantém o Polo UAB de Tapejara RS, verificando sua abrangência e possíveis lacunas. Além disso, pretende apontar as características que um gestor deve apresentar a fim de garantir o funcionamento e a ampliação desse espaço de ensino-aprendizagem à distância e presencial. Destaca-se que o gestor de Polo tem uma importância de extrema relevância para o funcionamento dos Polos de Apoio Presencial, sendo este o responsável pela divulgação do mesmo, a fim de que haja candidatos aos concursos vestibulares, bem como a elaboração de projetos junto as Instituições de Ensino Superior (IES) para a conquista dos cursos de Graduação, Pós-graduação e Extensão, além é claro do funcionamento coerente a fim de que esse espaço obtenha a credibilidade junto a comunidade em que atua. Para que essa credibilidade seja alcançada cabe ao gestor de Polo, coordenar uma equipe de tutores e funcionários (secretárias, vigilantes, bibliotecários, auxiliar de serviços gerais, técnicos de informática) e a manutenção do espaço físico do Polo, com Internet de qualidade, computadores, câmeras e aparelhos de vídeo e webconferência em perfeitas condições de uso e qualidade. Diante desse rol de incumbências mostra-se a relevância do conhecimento por parte do gestor de Polos, da legislação que financia a Universidade Aberta do Brasil – UAB. A pesquisa será desenvolvida por meio de pesquisa virtual a leis e decretos federais e por meio de pesquisa bibliográfica os dados referentes as características do gestor de Polos. Palavras-chave: Leis federais; Leis municipais; Papel do gestor; Atribuições do gestor. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 120 CONSIDERAÇÕES INICIAIS O presente trabalho tem como objetivo pesquisar e apresentar as leis federais e municipais de Tapejara RS que criaram e mantém o Polo UAB de Tapejara RS, verificando sua abrangência e possíveis lacunas, mais especificamente a UAB (Universidade Aberta do Brasil). Além de verificar se estas se complementam ou prejudicam a gestão neste Polo de Apoio Presencial UAB, denominado Núcleo Tecnológico Educacional de Tapejara - Polo UAB de Tapejara RS, em relação à manutenção e o desenvolvimento da EAD-UAB neste município e na região. Assim, estaremos abordando as leis que criaram e mantém, via financiamento, a EAD no Brasil, num primeiro momento, e no município de Tapejara RS, num segundo momento. Alertamos, no entanto, que nossa pesquisa não pretende esgotar o assunto, visto sua amplitude, por isso não estaremos abordando todas as leis, decretos, pareceres e resoluções que abordam o assunto da UAB, nos limitando a tratar daqueles que referem diretamente o assunto que nos propomos a estudar. Tal pesquisa justifica-se, uma vez que, a existência ou a ausência de determinadas leis, podem impedir ou acelerar o desenvolvimento do Polo UAB de Tapejara RS, independentemente dos gestores municipais. Dessa forma, tem-se como objetivo: Identificar as leis federais e municipais que criam e regulam a UAB nessas esferas e, com isso, verificar a contrapartida federal na manutenção da UAB no Polo de Tapejara RS e a contrapartida municipal, assegurada em lei, na manutenção do Polo UAB de Tapejara RS. Temos, também, o interesse em buscar, bibliograficamente, num terceiro momento, algumas características indispensáveis para aquele que assumir a função de coordenador do Polo UAB Tapejara RS, a fim de assegurar o funcionamento e o desenvolvimento do mesmo. Esse item nos parece de extrema pertinência, uma vez que o gestor do Polo é o responsável direto pela sua ampliação, pela sua credibilidade junto a comunidade, aos estudantes, as IES ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 121 (Instituições de Ensino Superior) e, também, pelo futuro da UABEAD, como estaremos abordando em espaço próprio. Encerramos nossa pesquisa, apontando a relação de proximidade entre os três itens apresentados e as contribuições dessa pesquisa para o meio político e científico interessado. 1. LEGISLAÇÃO FEDERAL E A EAD Iniciamos nossos estudos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 9394/96 em seu artigo 80, que juntamente com o Decreto 5.622 de 19 de dezembro de 2005, publica a criação, o funcionamento e o desenvolvimento da EAD no Brasil ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 122 Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada. § 1º A educação a distância, organizada com abertura e regime especiais, será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União. § 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância. § 3º As normas para produção, controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação, caberão aos respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. § 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado, que incluirá: I - custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens; II - concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas; III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos concessionários de canais comerciais. (BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996) Diante da autorização dos cursos a distância pela LDB passamos a refletir sobre as formas de financiamento da mesma, mais especificamente do Sistema UAB. De encontro a Resolução/FNDE/CD n° 044, de 29 de dezembro de 2006, em seu artigo 4° são definidos como agentes do Sistema UAB ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 123 I a Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES/MEC), gestora do Sistema UAB, com o apoio da Secretaria de Educação a Distância (SEED) e em colaboração com a Secretaria de Educação Básica (SEB), a Secretaria de Educação Superior (SESu), a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC), a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) e a Secretaria de Educação Especial (SEESP) do Ministério da Educação, articuladoras do Sistema; II - o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão responsável pelo pagamento de bolsas no âmbito do Sistema; III - as instituições públicas de ensino superior (IPES) vinculadas ao Sistema UAB, responsáveis pela oferta de cursos e programas de educação superior a distância; e IV - Estados e Municípios, responsáveis pela implantação de pólos de apoio presencial do Sistema UAB. II - do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC): a) elaborar, em comum acordo com a CAPES/MEC, atos normativos relativos à concessão e pagamento de bolsas de estudo e pesquisa no âmbito do Sistema UAB; b) providenciar a abertura, no Banco do Brasil S/A, em agência indicada pelo bolsista, da conta-benefício específica para cada um dos beneficiários cujos cadastros pessoais lhe sejam encaminhados pela CAPES/MEC por intermédio do SGB; c) efetivar o pagamento mensal das bolsas de estudo e pesquisa no âmbito do Sistema UAB, depois de atendidas, pela CAPES/MEC, as obrigações estabelecidas nesta Resolução; d) monitorar o pagamento de bolsas junto ao Banco do Brasil S/A; ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 124 e) suspender o pagamento das bolsas sempre que ocorrerem situações que motivem ou justifiquem a medida, inclusive por solicitação da CAPES/MEC; f) prestar informações à CAPES/MEC sempre que solicitadas; g) divulgar informações sobre o pagamento das bolsas no endereço www.fnde.gov.br; e h) notificar o bolsista em caso de restituição de valores recebidos indevidamente. (BRASIL. Resolução/FNDE/CD n° 044) Percebe-se até o momento que o governo federal destina a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e ao FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) uma parte das funções para o funcionamento do Polo, mas que já determina aquela que cabe aos Estados e municípios parceiros do programa UAB, a implantação dos Polos de Apoio Presencial - UAB. Ainda nesta resolução, em seu artigo 7°, há a referência ao pagamento das bolsas aos tutores, coordenadores de Polo e professores pesquisadores, que assim está descrito: Art. 7º As bolsas de estudo e pesquisa de que trata essa Resolução serão concedidas aos participantes de projetos de cursos superiores a distância para a formação inicial e continuada no âmbito do Sistema UAB. § 1º As bolsas serão concedidas pela CAPES/MEC e pagas pelo FNDE/MEC diretamente aos beneficiários, por meio de crédito em conta-benefício aberta em agência do Banco do Brasil S/A, indicada especificamente para esse fim e mediante a assinatura, pelo bolsista, de Termo de Compromisso (Anexo II) em que constem, dentre outros: (BRASIL. Resolução/FNDE/CD n°44) ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 125 Celso Costa18 – Diretor de Educação a Distância (UAB – Capes – MEC) - a CAPES, por sua vez, descreve como ocorre o financiamento integral de custeio e capital para as instituições integrantes da UAB, por meio de: Bolsas e custeio para a produção e reprodução de materiais didáticos; Bolsas para professores e tutores à distância; Recursos para a infra-estrutura dos núcleos de EAD e das salas de coordenação e tutoria nas instituições; Recursos para a implementação dos cursos. Nos Polos presenciais a CAPES é responsável pelo financiamento integral de: Bolsa para coordenador do Polo e tutores presenciais, Além do fornecimento de 50 computadores para o 1° laboratório e conexão para internet. Por outro lado, a CAPES em parceria com os municípios e estados deverá financiar: Laboratórios pedagógicos; Acervo para as bibliotecas; Expansão e reforma da infra-estrutura. Percebe-se que há uma divisão de atribuições e despesas para que a UAB possa efetivar-se nos Polos de Apoio Presencial. O artigo 6 do decreto 5800 de 8/6/2006 assegura que 18 Informações retiradas de um resumo de uma palestra proferida na ocasião da Capacitação de Tutores promovida pela UFSC e IFSC em fev/2011. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 126 As despesas do Sistema UAB correrão à conta das dotações orçamentárias anualmente consignadas ao Ministério da Educação e ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE, devendo o Poder Executivo compatibilizar a seleção de cursos e programas de educação superior com as dotações orçamentárias existentes, observados os limites de movimentação e empenho e de pagamento da programação orçamentária e financeira.(BRASIL. Decreto 5800 de 8/6/2006) Assim, evidencia-se a responsabilidade do MEC (Ministério da Educação e Cultura) em anualmente, rever as dotações orçamentárias para o financiamento do Sistema UAB, mas há o alerta de que a expansão desta está diretamente ligada à existência de orçamento público disponível. Por sua vez, o Decreto 5.622 de 19 de dezembro de 2005 estabelece as normas de funcionamento para as Instituições de Ensino Superior se adaptar para a oferta de Educação à Distância no Brasil, em todos os níveis. Conforme a Resolução CD/FNDE nº 24 de 04 de junho de 2008, fica estabelecida a destinação de recursos como apoio financeiro as IPES em seu artigo 3º, parágrafo único: Serão assistidas financeiramente as instituições de ensino federais, mediante descentralização de crédito orçamentário, conforme previsto na Resolução CD/FNDE nº 19, de 13 de maio de 2005 e no Decreto nº 6.170, de 25 de julho de 2007, e as instituições públicas de ensino superior estaduais ou municipais, mediante celebração de convênio. (BRASIL. Resolução CD/FNDE nº 24 de 04 de junho de 2008) As Instituições municipais deverão elaborar um projeto especificando as infraestruturas que estarão disponíveis, tais como: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 127 biblioteca, sala de videoconferência, laboratório, enfim tudo aquilo que já sabemos e que é fundamental para o funcionamento de um curso EAD, esse projeto deverá ser aprovado pela CAPES com apoio do MEC e da SEED (Secretaria de Estado da Educação Secretaria de Estado da Educação). O FNDE é o órgão responsável em repassar e fiscalizar os recursos as IPES (Instituição Pública de Ensino Superior), após seus projetos serem aprovados. Sabendo não ter esgotado o assunto, mas certos de ter oferecido um panorama da criação e manutenção da EAD-UAB no cenário nacional, passamos agora a apresentar a legislação referente a EAD-UAB no município de Tapejara RS. 2. LEGISLAÇÃO MUNICIPAL E A EAD Nesse momento, estaremos colocando a lei municipal que criou e mantém a EAD no município de Tapejara RS. Abaixo, segue fragmentos da19 Lei nº 3.006/2007 que dispõe sobre a criação do Núcleo de Tecnologia Educacional de Tapejara RS. Inicialmente, percebe-se que a Lei N° 3.006/07 em seu artigo 1º estabelece a criação e destinação do espaço físico, denominado Núcleo Tecnológico de Tapejara para o desenvolvimento das atividades da UAB. Também, oficializa que o mesmo estará subordinado a Secretaria de Educação deste município. 19 ÍNDICE A Lei nº 3006/2007 será disponibilizada na íntegra na seção Anexos. Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 128 Art. 1° - Fica criado na estrutura organizacional municipal, o Núcleo de Tecnologia Educacional de Tapejara, subordinado à Secretaria Municipal de Educação, Desporto e Cultura, como órgão Administrativo e de Gestão do Pólo Educacional de Ensino Superior à Distância do Município. Parágrafo único As atividades administrativas e de gestão do Núcleo de Tecnologia Educacional de Tapejara, serão coordenadas e desenvolvidas de acordo com as normas do Programa Universidade Aberta do Brasil do Ministério da Educação. (TAPEJARA. Lei 3.006/07) Os artigos 2 (dois), 3 (três), 4 (quatro) e 5 (cinco) referem a manutenção financeira do espaço, e respectivas alterações, com a destinação de verbas, via LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) a fim de assegurar o funcionamento do mesmo. Já os artigos 6 (seis) e 7 (sete) representam a forma padrão da apresentação de uma lei. E, nos cabe nesse momento, ressaltar que não tivemos acesso a nenhum outro documento que refira a criação ou ao financiamento da EAD-UAB no município e, antecipadamente, pedimos desculpas caso exista algum outro documento ao qual não tivemos acesso. Exposta a legislação que criou e mantém a EAD-UAB nos níveis acima referidos, passamos a apresentar algumas considerações acerca daquele que é responsável pelo espaço físico do Polo, bem como seu funcionamento e prosperidade. 3. O GESTOR DE POLOS: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Nesse momento, faremos uma abordagem do papel do gestor de Polos, frente sua atuação profissional. Passamos a algumas considerações iniciais nos apropriando das idéias de Lacombe ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 129 (2005). Inicialmente, tomamos o Polo como uma organização, já que o autor define organização de seguinte forma (...) um grupo de pessoas que se constitui de forma organizada para atingir objetivos comuns. Para que exista uma organização é preciso que existam objetivos comuns, divisão de trabalho, fonte de autoridade e relações entre as pessoas20. (2005, p.8) Dessa forma, mostra a necessidade de o gestor de Polos, frente à organização que coordena, deixar claro quais são os objetivos de estar nas funções existentes dentro desse espaço e mais, saber qual é a função de um Polo de Apoio Presencial UAB. Por outro lado, cabe ao gestor definir as tarefas de cada um de seus membros, a fim de que cada função tenha um referido colaborador como responsável. Quanto aos colaboradores, Lacombe faz a seguinte afirmativa Selecionar, formar, integrar e aperfeiçoar um grupo de pessoas para trabalhar numa empresa como uma verdadeira equipe, com objetivos definidos, fazendo com que cada membro conheça seu papel, coopere com os demais e “vista a camisa” para produzir resultados é a responsabilidade mais importante dos administradores. O trabalho de formar, integrar, conduzir e aperfeiçoar uma equipe pode levar vários anos e não há seguro contra a perda desse importante ativo21. (2005, p. 14) Assim, o gestor de Polos terá o trabalho incansável de organizar sua equipe, uma vez que essa, constantemente está em processo de mudanças, visto que alguns colaboradores saem, e 20 21 ÍNDICE Grifo do autor. Grifo do autor. Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 130 outros passam a fazer parte desse grupo. E, pensando nos colaboradores do Polo como um grupo, Lacombe define o mesmo da seguinte forma “Grupo é qualquer conjunto de pessoas com um objetivo comum”(2005, p.18) mas para que os colaboradores do Polo possam ser um grupo ou uma equipe o gestor do Polo precisa ter algumas atitudes voltadas para que essas pessoas trabalhem em prol desse objetivo comum. Lacombe cita algumas qualidades do administrador que cabem ao gestor de Polos O administrador deve ter grande habilidade para lidar com as pessoas. Robert L. Katz, num artigo na Harvard Business Review22, sintetizou as habilidades necessárias ao administrador. Ele pressupôs que o administrador seja alguém que dirige as atividades de outras pessoas e assume a responsabilidade de atingir determinados objetivos por meio da soma de esforços. Segundo essa definição, uma administração bem-sucedida parece apoiar-se em três habilitações básicas, que chamaremos técnica, humana e conceitual. (2005, p. 124) Parafraseando Lacombe, a habilidade técnica implica a compreensão e o domínio de um determinado tipo de atividade envolvendo, dessa maneira, conhecimento especializado. A habilidade técnica é alcançada por meio da experiência, da educação e do treinamento profissional. Já a habilidade humana, segundo o autor, “é a capacidade de trabalhar com eficácia como membro de um grupo e de conseguir esforços cooperativos nesse grupo na direção dos objetivos estabelecidos.” (2005, p. 125). Por sua vez, a habilidade conceitual, implica na visão sistêmica ou holística. Implica saber conviver, compreender e lidar com situações 22 ÍNDICE Grifo do autor. Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 131 complexas, o que requer maturidade, experiência e capacidade de analisar pessoas e situações. Para atingir a colaboração desse grupo que coordena, cabe ao administrador ou gestor de Polos administrar a motivação do grupo. Gil diz que “a motivação, por sua vez, é a chave do comprometimento.” (2009, p. 201) e complementa que “motivação é a força que estimula as pessoas a agir” (2009, p. 202). Nesse sentido, Lacombe cita os estudos de Frederick Herzberg, segundo o qual existem dois tipos de fatores que motivam os colaboradores de um grupo. 1. Os fatores relacionados aos aspectos pessoais de realização profissional e ao conteúdo do trabalho, como gosto pelo trabalho, aumento de conhecimentos, responsabilidade, reconhecimento pelos resultados, relação pessoal e profissional, que ele considera como os fatores motivacionais propriamente ditos e que são intrínsecos ou inerentes à pessoa. 2. Os fatores externos que dizem respeito ao ambiente de trabalho, como tipo de supervisão, conforto, salário, benefícios, status e segurança, que ele chamou de fatores higiênicos. (2005, p. 136-137) Gil refere que “a motivação é consequência de necessidades não satisfeitas. Essas necessidades são intrínsecas as pessoas. Não podem, portanto, os gerentes colocar necessidades nas pessoas.” (2009, p.202). Reforçando a ideia de Lacombe que lembra que “os fatores motivadores são internos às pessoas: a motivação está dentro de cada um.” (2005, p. 137). No entanto, Lacombe sugere que uma das formas de motivar um grupo é aplicar a teoria do empowerment e explica ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 132 (...) empowerment não é dar poder às pessoas, mas permitir que façam uso do poder, conhecimentos e habilidades que já possuem. Para isto, é necessário que os gerentes criem condições favoráveis à aprendizagem, ação e decisão para que as pessoas possam fazer uso da autonomia, iniciativa e responsabilidade e a organização deve proporcionar um ambiente de apoio, voltado para a responsabilidade e o desenvolvimento contínuo, deixando de lado a velha mentalidade de comandar e controlar. (2005, p. 141) E Lacombe reforça essa ideia “Uma das formas de motivar é dar autonomia: valorizar a independência dos funcionários, fazendo com que cada um se sinta “dono” daquilo que lhe cabe.” (2005, p. 143.) Outra característica apontada como necessária para estar a frente de um grupo é a necessidade de que o gestor seja um líder. Segundo Lacombe “Etimologicamente, liderar significa conduzir. Líder é o que conduz o grupo” (2005, p. 202). Por outro lado, Lacombe previne que há muitas especulações acerca do seja um líder, por isso afirma que não pretende adotar a definição mais correta, mas que percebe que “líderes são agentes de mudanças e devem ser capazes de inspirar coragem a seus seguidores” (2005,p. 203). E ressalta que há quatro responsabilidades básicas dos líderes: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 133 1. O líder deve ter desenvolvido uma imagem mental de um estado futuro possível e desejável da organização23. Um líder bemsucedido é o que vê um outro quadro ainda não atualizado, que vê hoje coisas que ainda não estão lá, mas estarão no futuro. Ele faz as pessoas a sua volta entenderem que não é seu objetivo que tem de ser realizado, mas o objetivo do grupo, um propósito comum, nascido do desejo de todos. (...) 2. O líder deve comunicar a nova visão. (...) Uma característica importante de um bom líder é saber comunicar. Ele deve conseguir passar a mensagem para todos, para que eles entendam qual é o propósito comum que tem de ser alcançado e para que se movimentem para isso. (...) 3. O líder precisa criar confiança por meio do posicionamento. O líder deve mostrar coerência, energia, honestidade e coragem. As pessoas confiam em líderes assim. (...) 4. Líderes são aprendizes perpétuos. A aprendizagem é o combustível essencial para o líder. O aprendizado constante é a fonte de energia que mantém a liderança acesa, que faz surgir o entendimento, novas idéias e desafios. Além de si próprio, o líder estimula também os seguidores a aprenderem. (2005, p. 205-206) Todas essas responsabilidades estão diretamente implicadas com outro ponto que merece atenção de um gestor. A importância da comunicação. Segundo Lacombe “a maioria de nossas ações com os outros e vice-versa são atos comunicativos, sejam eles verbais ou não” (2005, p. 239) e continua 23 ÍNDICE Grifo do autor. Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 134 (...) a comunicação é uma mensagem que envolve a transmissão de conteúdos emocionais ou intelectuais; na maioria dos casos, ambos estão presentes. A comunicação envolve um fluxo de mão dupla, com um emissor e um receptor, em que o recebe a informação responde a ela de alguma forma, de imediato ou após certo tempo. ( 2005, p. 239) Diante disso, Lacombe ressalta que “boa parte de nossos problemas resulta de comunicação inadequada, inoportunas ou falhas”. (2005, p.239). Ainda quanto a isso, ressalta as características da boa comunicação que segundo este Uma boa comunicação começa pela capacidade de ouvir, de compreender o que o outro deseja comunicar, de saber interpretar o que ele deseja. É também saber se calar no momento certo e estar disponível para escutar o interlocutor, dando-lhe toda a atenção. (2005, p. 251-252) E resume as principais características de uma boa comunicação da seguinte maneira: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 135 1. Objetividade a. Conhecimento do interlocutor (público alvo). b. Compreensão do interlocutor (saber ouvir). 2. a. b. c. d. Linguagem adequada Clareza e simplicidade. Preferência pela voz ativa. Correção. Concisão. 3. Fidelidade ao pensamento original a. Tradução do pensamento nas palavras certas. b. Eliminação da filtragem (garantia de que o pensamento original chegou com precisão ao interlocutor e foi por ele captado). ( 2005, p. 252) Poderíamos escrever páginas e páginas sobre cada um dos pontos expostos anteriormente, no entanto, ressaltamos que ao gestor cabem muitas funções como coordenar uma equipe e administrar um espaço físico destinado ao ensino e a pesquisa, além da organização e motivação de seu grupo, até a chamada habilidade técnica, que envolve o conhecimento de toda legislação descrita até o momento acerca da legalização e do financiamento da UAB e, mais especificamente, do seu Polo de Apoio Presencial, foco principal desse artigo. CONSIDERAÇÕES FINAIS A UAB é a oportunidade da população do interior cursar o ensino superior numa IES pública e gratuita. Quanto a legislação de financiamento, percebe-se que mesmo a EAD sendo assegurada em lei, muito podemos perder caso as pessoas que estejam a frente das Secretarias de Educação em todas as esferas não tiverem a intenção ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 136 de “manter viva a UAB”. Isso porque como referimos no artigo 6 do decreto 5800 de 8/6/2006 a ampliação da oferta de vagas na UAB fica condicionada a existência de recursos orçamentários e financeiros. O que nos deixa aflitos diante da possibilidade de, estando a frente da administração federal, alguém cujo interesse não esteja na continuidade da UAB, mostrar que não há recursos orçamentários para o investimento nessa área, o que iria, progressivamente, extinguir essa modalidade de ensino, pública e gratuita. Outro ponto que nos faz refletir é o fato de que as IES precisam cadastrar-se junto ao MEC para oferecerem cursos nessa modalidade. Logo, caso não haja interesse em ampliar a oferta dessa modalidade, simplesmente é só não cadastrar-se para isso. Nesse mesmo sentido, os municípios e estados que não mais desejarem ofertar esse ensino, podem cortar as verbas e se retirar do Programa. Até os gestores de Polo, caso não desejarem ampliar a oferta de vagas no seu Polo, podem deixar o tempo passar e se eximir da atribuição de elaborar projetos e requerer cursos. Logo, mesmo que o MEC, por meio do FNDE e da CAPES deva assegurar o financiamento da UAB no Brasil, sem a parceria dos municípios e estados, isso se torna muito difícil. Quanto à legislação municipal, percebe-se a necessidade da criação de leis mais claras, pois na única lei que nos foi entregue, há apenas a referência da criação do Polo para as atividades da UAB e a subordinação do mesmo a Secretaria de Educação do município. Também há referência quanto aos valores destinados ao Polo e a justificativa de destinação, mas faltam referências aos processos de seleção do coordenador do Polo UAB – Tapejara, por exemplo. Da mesma forma, que não há legalmente, orientações quanto a destinação de recursos humanos (bibliotecário, secretária, técnico de informática...) para a atuação nesse espaço. Bem como, não há referências a metas de ampliação, se é que isso seria objeto de consulta de uma lei. Quanto ao gestor de Polos, percebemos que o mesmo deve possuir, e no caso de não tê-las, desenvolver, uma série de ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 137 características e conhecimentos para poder desenvolver com sucesso o processo de gestão num espaço de educação. Destaca-se, dentre tudo o que foi abordado, como indispensável a um gestor, a habilidade técnica e a capacidade de comunicação. A primeira, por que compreende, também, tudo que foi abordado acerca da questão do financiamento e da criação da UAB. A segunda, porque é por meio da comunicação que acontecem todas as relações no Polo, sejam presenciais ou a distância, e com todos os membros que o constituem. Também, é por meio da comunicação, que o gestor argumentará a ausência de certas leis e/ou recursos no espaço que coordena. Encerramos nossas reflexões com as palavras do grande poeta português Fernando Pessoa “Outros haverão de ter/ O que houvermos de perder./ Outros poderão achar/ O que, no nosso encontrar, / Foi achado, ou não achado,/ Segundo o destino dado.” (fonte) Dessa forma, outras pesquisas poderão apontar rumos que por hora, não nos ocorre, devido o caminho percorrido. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm>. Acesso em: abr. 2011. _____. 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JULIANO GIRARDI, Prefeito Municipal de Tapejara, Estado do Rio Grande do Sul, FAÇO SABER, que o Poder Legislativo aprovou e eu em cumprimento ao disposto no art. 65, inciso V, da Lei Orgânica do Município, sanciono e promulgo a seguinte Lei: Art. 1° - Fica criado na estrutura organizacional municipal, o Núcleo de Tecnologia Educacional de Tapejara, subordinado à Secretaria Municipal de Educação, Desporto e Cultura, como órgão Administrativo e de Gestão do Pólo Educacional de Ensino Superior à Distância do Município. Parágrafo único - As atividades administrativas e de gestão do Núcleo de Tecnologia Educacional de Tapejara, serão coordenadas e desenvolvidas de acordo com as normas do Programa Universidade Aberta do Brasil do Ministério da Educação. Art. 2° - Fica alterada a Lei n° 2.846, de 21 de setembro de 2005 - Plano Plurianual de Investimentos, com a inclusão da seguinte ação: Código da Ação Descrição da Ação 14.04 Estruturação e Manutenção do Pólo Educacional de Ensino Superior - Núcleo de Tecnologia Educacional de Tapejara ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 142 ObjetivosAtendimento educacional de estudantes de nível superior, vinculados a UAB - Pólo de Tapejara Meta/Unidade/Quantitativos Valor Global R$ Estudantes - 50.000.00 Art. 3° - Fica alterada a Lei n° 2.968, de 07 de novembro de 2006 - Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2007, com a inclusão da seguinte ação: Código da Ação Descrição da Ação 14.04 Estruturação e Manutenção do Pólo Educacional de Ensino Superior - Núcleo de Tecnologia Educacional de Tapejara ObjetivosAtendimento educacional de estudantes de nível superior vinculados a UAB - Pólo de Tapejara Meta/Unidade/Quantitativos Valor Global R$ Estudantes - 50.000.00 Art. 4° - Fica o Poder Executivo Municipal autorizado a abrir um Crédito Adicional Especial no montante de R$ 15.000.00 (quinze mil reais) no Orçamento vigente como segue: 06-SECRETARIA MUNICIPAL EDUCAÇÃO E CULTURA 04-ENSINO SUPERIOR 12 364 0103 1.179 - Instalação e Manutenção Pólo Ensino Superior 3390.30.00.00 - Material de Consumo 3390.14.00.00 - Diárias - Pessoal Civil 3390.39.00.00 - Outros Serviços Terceiros PJ ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos R$ 9.500,00 R$ 1.000.00 R$ 2.000.00 143 3390.36.00.00 - Outros Serviços P Física R$ 1.000.00 3390.11.00.00 - Vencimentos e Vantagens Fixas R$ 1.000.00 3390.13.00.00 - Obrigações Patronais R$ 500.00 Art. 5° - A cobertura para os créditos a que se refere o artigo 3° se dará mediante a seguinte redução orçamentária: 0604.4490.51.000000-1167 Universitário R$ 15.000.00 - Instalação do Centro Art. 6° - Caberá ao Poder Executivo Municipal regulamentar por ato próprio. no que couber, a presente Lei. Art. 7° - Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação. GABINETE DO PREFEITO MUNICIPAL. Tapejara, 17 de abril de 2007. Juliano Girardi Prefeito Municipal REGISTRE-SE E PUBLIQUE-SE EM 17.04.07 Eugenio Post Secretário Municipal Interino de Administração e Planejamento ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 144 GESTÃO DE POLOS: ORGANIZAÇÃO E INFRAESTRUTURA DE POLO DE APOIO PRESENCIAL X TIC’S AUTORA: Sara Raquel Levy De Oliveira PROFESSORA ORIENTADORA: Kelin Valeirão RESUMO O presente trabalho propõe um relato de experiência, numa abordagem qualitativa, que tem como objetivo fazer um levantamento das tecnologias de informação e comunicação (TIC’s) utilizadas no Polo de Apoio Presencial de Três Passos, na modalidade de Educação a Distância (EaD), verificando as condições oferecidas pelo Polo para o uso dessas tecnologias, ou seja, a sua infraestrutura e organização. Os desafios, oportunidades e obstáculos encontrados desde a implantação até o presente momento. O gerenciamento do Polo, visando garantir serviços adequados para que as atividades desenvolvam com excelência, expandindo e interiorizando as Universidades Federais, oferecendo ensino superior a toda população, oportunizando estudo e qualificação profissional. Palavras- chaves: Gestão de Polo; infraestrutura; EaD; TIC’s CONSIDERAÇÕES INICIAIS A educação com o passar dos anos evoluiu muito em nosso país, primeiramente se usava giz, quadro negro, cadernos, livros, canetas, como ferramentas de ensino, limitando-se a um espaço entre quatro paredes. Hoje podemos dizer que não existem mais limitações. O aluno e o professor podem estar separados espacial e/ou temporalmente, e também podem usar como principal ferramenta de ensino, o computador, a internet, projetores, multimídia, pen drives. Essa trajetória evoluiu naturalmente, desenvolvendo em nosso país um novo território educacional, o espaço virtual de aprendizagem, impulsionando as tecnologias de informação e comunicação. Estamos falando da EaD, educação/ensino a distância, que segundo o Decreto-Lei nº 2.494, ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 145 de 10/02/1998, é considerada “uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados(...)”.Essa modalidade de ensino ganha força quando é aceita a concepção das TIC’s, atuando como meio interativo tornando-se fator chave da EaD. E para que haja uma expansão e consolidação da EaD, surgiu o Sistema Universidade Aberta do Brasil que foi instituído pelo Decreto 5.800, de 8 de junho de 2006, para “o desenvolvimento da modalidade de educação a distância, com finalidade de expandir e interiorizar a oferta de cursos e de programas de educação superior no País”. Na regulamentação da EaD encontra-se a menção ao polo de apoio presencial no Decreto 3 5.622, de 2005. Nele o polo presencial é definido como “a unidade operacional para o desenvolvimento descentralizado de atividades pedagógicas e administrativas relativas aos cursos e programas ofertados a distância” conforme dispõe o art. 12, X, c, do citado decreto. A partir do decreto os polos presenciais de apoio à EAD são considerados condicionantes obrigatórias para se ofertar e executar a Educação Superior a Distancia no Brasil. O Polo de Apoio Presencial do sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) é considerado um elemento fundamental na estrutura de EaD, é uma extensão operacional da Instituição de Ensino Superior, é onde acontecem os encontros presenciais, o acompanhamento e orientação para os estudos, as práticas laboratoriais e as avaliações presenciais. Visando assegurar o desenvolvimento dos cursos a distância e oferecer condições, serviços adequados, estes devem ter excelência em seus projetos e gerenciamento. Na função de administrador de cada Polo surgem os coordenadores, responsáveis pela gestão do local. Segundo Moran (2007, p.15): ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 146 (...) nosso desafio maior é caminhar para um ensino e educação de qualidade, que integre todas as dimensões do ser humano. Para isso precisamos de pessoas que façam em si mesmas essa integração do sensorial, do intelectual, do emocional, do ético e do tecnológico, que transitem de forma fácil entre o pessoal e o social, que expressem nas suas palavras e ações que estão sempre evoluindo, mudando, avançando. A EaD, surge da necessidade de levarmos o ensino a lugares diferentes, sem barreiras de tempo e espaço, pressupondo que a prática de ensino seja de qualidade, exigindo atualizações constantes na infra-estrutura e em tecnologias de apoio, interagindo professores, tutores e alunos. A EaD foi revigorada com o uso dos computadores e da internet, fazendo parte das atividades pedagógicas. Essas novas tecnologias de informação e comunicação estão nos apoiando a dinamizar as formas de ensino, mudando esse processo de ensino-aprendizagem. As instituições educacionais estão buscando a adequação, implantando essa nova cultura, na tentativa de responder aos novos desafios, abrindo caminhos, para levar a educação a todos. Diante desses desafios, torna-se necessário gerenciar de forma profissional e com qualidade, buscando o aprimoramento das atividades, a integração entre docentes e discentes, estimulando a busca por novos conhecimentos. O POLO DE APOIO PRESENCIAL O Polo Universitário Federal de Três Passos está situado na Rua Cipriano Barata, nº 239, no bairro Érico Veríssimo, no município de Três Passos, estado do Rio Grande do Sul. Sua Mantenedora é a Prefeitura Municipal de Três Passos, situada na Av. Santos Dumont, nº 75. Responsável pela infraestrutura do Polo UAB, mobilizando ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 147 recursos humanos, materiais e financeiros que garantirá sustentabilidade administrativa do Polo, proporcionando uma educação de qualidade, juntamente com a Secretária Municipal de Educação e Cultura, responsável pela modulação da equipe de funcionários e acompanhamento do desenvolvimento dos cursos ofertados no Polo. O Polo Universitário Federal de Três Passos institucionalizouse e está consolidando-se em nosso município e região, buscando excelência nas suas atribuições e competências, de acordo com a legislação vigente. Assim sendo, o Polo pode e deve propiciar uma presença física, o encontro social e também uma expansão do projeto pedagógico do curso a distância, através da comunidade de aprendizagem. Ele pode resgatar o convívio social da escola tradicional só que agora orientado pelas possibilidades das TIC’s, recebendo e facilitando o aprendizado de bons conteúdos, permitindo ao aluno-participante poder praticar a autonomia com orientação tutorial. No ano de 2006, foi aprovado o Projeto de implantação no Município, do Polo de Apoio Presencial da UAB iniciou-se as tratativas e a adequação da infraestrutura em anexo a Escola Municipal de Ensino Fundamental 25 de Julho. O Polo foi instalado oficialmente em junho de 2007, em solenidade, com a presença de Professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e o curso de Graduação Tecnológica – Planejamento e Gestão para o Desenvolvimento Rural, pela UFRGS, teve sua aula inaugural em 19 de outubro de 2007, sendo este o primeiro curso oferecido. No ano de 2008 iniciaram os cursos de Licenciatura em Pedagogia e Letras-Português, ambos pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Já no 2º semestre de 2009, iniciou-se a parceria com a Universidade Federal de Pelotas, através do Curso de Especialização em Gestão de Polos e, neste curso, inscreveram-se todos os profissionais que já atuavam no Polo. Em 17 de junho de 2009, foi aprovado pela Câmara de Vereadores a Lei nº 4245/09 – Lei de criação e sustentabilidade do ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 148 Polo Universitário Federal de Três Passos e no dia 8 de Junho de 2010 a Lei nº 4376/10 - Lei de criação do Conselho do Polo Universitário Federal de Três Passos. Em 25 de fevereiro de 2010, o Polo foi transferido para o atual endereço, sendo o prédio próprio e exclusivo, recebendo em 5 de março de 2010 a vistoria do Ministério da Educação e Cultura (MEC) que através da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é responsável pela articulação e gestão do sistema UAB/CAPES/MEC e a autorização para instalação, em 25 de março. Os atos inaugurais das atuais dependências, ocorreu em 9 de abril de 2010, com representantes das universidades parceiras: UFPel, UFRGS, UFSM, autoridades locais e regionais, professores, tutores, acadêmicos, bem como a comunidade três-passense e regional. A mudança de endereço foi altamente positiva, com clima universitário de fato, resultando numa maior e constante presença dos acadêmicos, uma maior liberdade no uso das instalações, antes restrita, bem como uma motivação diferenciada nos trabalhos do Polo. A atual infra-estrutura já não atende as demandas do Polo e em novembro de 2009, pois já havia o planejamento da aquisição do prédio para janeiro de 2010, a Administração Municipal enviou a UAB, o projeto de ampliação do prédio, contemplando assim: maior número de salas de aula, laboratórios pedagógicos, biblioteca com espaço adequado, auditório e tem buscado diuturnamente a aprovação e a liberação de verbas, junto ao governo federal para a efetivação do Projeto. O Polo Universitário Federal de Três Passos, situado no município de Três Passos, população estimada de 23.911 habitantes, com um área territorial de 268,40 Km², altitude igual a 451m, a uma distância de Porto Alegre (Capital) de 512KM, com as vias de acesso pela Rodovia BR 468 e RS 346, Capital da Região Celeiro, emancipado em 28 de dezembro de 1944. Cidade localizada na região noroeste, micro-região Celeiro do Estado do RS. O ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 149 município pertence ao COREDE CELEIRO24 e do TERRITÓRIO DA CIDADANIA NOROESTE COLONIAL, em ambos os colegiados, o Polo tem representatividade, com membros titulares e suplentes. O município é essencialmente agrícola, com pequenas propriedades rurais onde se desenvolvem a criação de suínos, bovinocultura leiteira, produção de milho, soja, trigo e agricultura de subsistência. A economia do município perpassa também, pelas atividades de comércio, indústria e serviços, destacando-se: as empresas de vestuário, Frigorífico Sadia bem como, Polo Regional de Educação. As características básicas do município se aplicam aos demais municípios da região, inerentes a sua população qual descende, basicamente das etnias alemã, italiana, polonesa, indígena e negra. O município localiza-se distante dos grandes centros universitários e o Polo vem para promover a formação e o aperfeiçoamento de pessoal necessário ao desenvolvimento socioeconômico e cultural de nossa região contribuindo assim para a descentralização e interiorização do ensino superior gratuito e de qualidade oferecidos pelas Universidades Federais de todo o Brasil através da UAB. O Polo atende em sua maioria alunos oriundos das regiões Noroeste e Missões do estado do Rio Grande do Sul, como também alunos do estado vizinho, Santa Catarina, provenientes, em sua grande maioria, de escola pública, na faixa etária entre 20 e 60 anos, em sua maioria do sexo feminino, com situação sócioeconômica média baixa, que buscam qualificação e aperfeiçoamento profissional, realização pessoal e estabilidade financeira. Uma pequena porcentagem já possui outra graduação. A grande maioria está realizando o sonho de estudar numa Universidade Federal, outrora tão distante, que atualmente faz parte da cultural local e regional. No ano de 2010 foi desenvolvido um questionário com os alunos do Polo, com o intuito de coletar dados para a elaboração do 24 COREDE CELEIRO – Conselho Regional de Desenvolvimento da Região Celeiro ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 150 Plano de Gestão e melhorias do Polo, através do questionário concluiu-se que o nível de dificuldade e exigência dos cursos oferecidos é alta, superior a dos cursos presenciais, pois na modalidade EaD os estudos requerem maior disciplina, mais pesquisa, dedicação determinação e empenho próprio. Nos relatos as dificuldades apontadas pelos alunos perpassam desde o acesso as TIC`s, sobrecarga, pois conciliam família, trabalho e estudo, excesso de textos e atividades, demora na resposta de tutores, professores, maior interação entre alunos/tutores/professores, não terem o hábito de leitura e escrita, de reunirem-se em grupos de estudos, o sentir-se sozinho, dificuldade de conciliar e organizar o tempo e o espaço, o não acesso regular ao ambiente virtual de aprendizagem, propiciando o acúmulo de tarefas e a não pontualidade e assiduidade na postagem das tarefas, são as principais causas da evasão. Outrossim, antes de conhecer os cursos EaD, oferecidos pela Universidades Federais, a maioria dos alunos não acreditavam que ensino a distância pudesse ter qualidade ou que a formação fosse integral. Isso foi desmistificado pelo trabalho sério e o nível de exigência das Universidades fazendo a diferença, tornando-se parâmetro e referência nesta modalidade de ensino. As relações de trabalhos acontecem de forma profissional, participativa, cooperativa, colaborativa e harmônica, onde todos os sujeitos envolvidos se empenham na construção desse projeto de educação a distância, primordial para o desenvolvimento regional. Nestas relações, destaca-se a parceria com a Administração Municipal sempre presente e atuante com ênfase para o trabalho do Secretário Municipal de Educação e Cultura que é membro atuante da equipe do Polo, o trabalho do Conselho do Polo e a participação efetiva dos Acadêmicos, através do Diretório Central dos Estudantes do Polo, que articulam-se de forma ímpar e maravilhosa, apoiando e protagonizando atividades, visando a busca da excelência acadêmica em todas as dimensões. Nas relações perpassam discussões, conflitos, com o objetivo em desvendar as propostas e perceptivas de aprendizagem tanto ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 151 dos tutores, gestores e alunos elevando assim a qualidade das relações e do aprendizado, numa perspectiva totalitária, pois sendo este projeto, relativamente recente, muito se está construindo no coletivo, sempre procurando avaliar o trabalho desenvolvido, primando pela participação efetiva de todos os envolvidos. Quanto à organização temporal foi organizado de forma participativa, de acordo com o cronograma, sendo o mesmo direcionado para que a comunidade e principalmente o aluno recebam atendimento integral sempre que assim necessitar, tanto dos tutores presenciais como do suporte. A equipe do Polo, formada por profissionais, especializados na sua área de atuação, buscam o aprimoramento de sua atuação, através de formação constante, bem como tem demonstrado união, compromisso e engajamento, auxiliando nas diferentes atividades, mas sente-se a necessidade de que o quadro de pessoal técnicoadministrativo seja completo e atenda em todos os horários de funcionamento do Polo, principalmente a secretaria no turno da noite, turno com maior fluxo de acadêmicos e comunidade em geral e auxiliar de biblioteca aos sábados, o horário dos demais profissionais têm-se demonstrado a contento. As atividades didático-administrativas são realizadas pela Equipe do Polo sob a orientação dos Coordenadores: UAB, do curso, do Polo, professores, de acordo com a legislação vigente, a função, a organização interna e sendo observadas as ações e metas propostas. Já o espaço físico do Polo está organizado de forma a atender as atividades dos cursos, se necessário temos a parceria com o Instituto Estadual de Educação Érico Veríssimo e dos Lions Club Centro e Tucumã, ambas as instituições localizadas ao lado do Polo. O Polo está instalado em um prédio próprio e exclusivo, visando atender os cursos de formação inicial e continuada do Sistema UAB/CAPES/MEC, oferecendo: sala de coordenação; secretaria; sala do suporte técnico em Informática do Polo; biblioteca; sala de tutores/professores/reuniões com banheiro, em ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 152 anexo; laboratórios de informática; saleta para o DCE do Polo; 3 salas de aula; banheiros feminino e masculino. Os Cursos de Graduação, Especialização, Extensão e Aperfeiçoamento, que venham ao encontro das necessidades de profissionais do município e região na modalidade EAD e que estão acontecendo no Polo Universitário de Três Passos são: Curso de Bacharelado em Administração Pública, UFSM; Curso de Licenciatura em Letras - Português, UFSM; Curso de Licenciatura em Física, UFSM; Curso de Licenciatura em Educação Especial, UFSM; Curso de Licenciatura em Pedagogia, UFSM; Curso de Licenciatura em Matemática, UFPel; Curso de Licenciatura em Educação do Campo, UFPel; Curso de Licenciatura em Espanhol, UFPel; Curso de Graduação Tecnológica de Planejamento e Gestão para o Desenvolvimento Rural, UFRGS; Especialização em Gestão em Saúde, UFRGS; Especialização Gestão Pública, UFRGS; Especialização Gestão Pública Municipal, UFRGS; Especialização em Gestão de Polos em EaD, UFPel; Especialização Gestão Educacional, pela UFSM (Início no 2º semestre de 2011). Quanto aos Recursos Tecnológicos, o Polo possui 02 laboratórios de informática, Labinfo01 com 36 computadores, nos quais 34 tem o processador Celeron E1500 2.20 Ghz25, e 1Gb26 RAM27, e outros 02 Computadores tem o processador Pentium Dual-Core E5200 2.50 Ghz, e 2GbRAM, com o Sistema Operacional Linux Educacional 3.0. Labinfo02 com 50 computadores, dos quais 20 computadores possui processador Intel 1.2 Ghz, 256Mb RAM, Sistema Operacional Windows XP PRO e 30 Computadores processador Celeron D325 3.0 Ghz, 512Mb28 RAM, Sistema Operacional: Linux Educacional 3.0. Todos os computadores estão 25 Ghz é igual a um bilhão de ciclos por segundos, a velocidade do processador é medida em Ghz. 26 GB é uma unidade de medida de informações que equivale um 1 000 000 000 bytes(representa um caractere, letra, número ou sinal gráfico). 27 RAM memória de acesso aleatório, é um tipo de memória que permite a leitura e escrita. 28 Mb corresponde a uma unidade de medida igual a 1 000 000 de bytes(informações). ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 153 interligados através de cabeamento estruturado, podendo ser compartilhado as informações e periféricos como a impressora. A internet é via rádio dedicada, com uma velocidade de 2Mb de download29 e upload30. O acesso está disponível através dos computadores e também por meio da rede sem fio, wireless. Hoje contamos com caixas fixas de som disponíveis em cada sala de aula, inclusive nos laboratórios de informática, que são utilizadas para apresentações de trabalhos web conferências e outras atividades pertinentes ao Pólo. Os projetores multimídia também estão disponíveis no Polo, para serem usados como ferramentas de apoio, como por exemplo, nas aulas presencias, nos grupos de estudo, nas web conferências, reuniões. Considero que é uma ferramenta muito importante, pois está substituindo o quadro negro, então faz-se necessário estar disponível em todas as salas de aula, pré-fixadas, inclusive laboratório de informática. O Polo de Três Passos está adquirindo novos computadores para a secretária, coordenação, sala de web conferência, notebook e também impressora e projetores multimídia, para tentar sanar as dificuldades vindas da crescente demanda. Essas tecnologias que na verdade não conseguimos acompanhar, é muito rápida a obsolescência de hardware e software, precisaria de muito investimento financeiro em pouco tempo, para mantermos atualizados. Considerando a crescente demanda, e o alto tráfego de dados, seria necessário adquirirmos também um computador servidor, para fazer o gerenciamento e mantermos a segurança de dados e estabilidade dos laboratórios e demais equipamentos do Polo. Também deveríamos no mínimo trocar os 20 computadores que estão no laboratório 02, pois encontram-se defasados, isto é, obsoletos. Em relação aos 36 computadores do laboratório 01, seria 29 Download(descarregar,baixar) é a transferência de dados de um computador remoto para um computador local. 30 Upload(carregar) é o contrário de download, é a transferência de dados de um computador local para um computador ou para um servidor. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 154 ideal transferi-los para uma sala maior para podermos distribuí-los melhor, pois encontram-se muito juntos, ou então transformá-los em 2 laboratórios menores. Eis a questão: como? Se não temos mais espaço físico disponível. Essa é uma das dificuldades que estamos enfrentando. Seria também ideal se pudéssemos montar outro laboratório com computadores novos, com qualidade e desempenho melhorado, para atender a toda demanda e mantermo-nos atualizados. Para a biblioteca do Polo, está sendo providenciada a instalação de computadores para que os alunos possam utilizá-los para estudo e pesquisa. A sala de web conferencia também está recebendo equipamento novo de acordo com as exigências, melhorando assim o atendimento e a demanda dos trabalhos que estão sendo realizados. Sem dúvida as TIC’s são de extrema importância, sem elas não seria possível contemplar com a EaD, estão diretamente ligados. Nosso maior desafio é podermos oferecer adequadamente a infraestrutura e organizar de maneira que possamos atender a todos que trabalham no Polo e principalmente a todos que procuram o Polo para qualificar-se através da EaD. Cabe ao gestor do polo, acompanhar e coordenar as atividades docentes, discentes e administrativas, assegurando a todos o uso dos recursos tecnológicos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Atualmente, a educação a distância possibilita a inserção do aluno como sujeito de seu processo de aprendizagem, com a vantagem de que ele também descobre formas de tornar-se sujeito ativo da pesquisa e do compartilhar conteúdos. A utilização das TIC’s na EaD, traz novas possibilidades de comunicação e informação, orientando para o uso de uma nova proposta de ensino/aprendizagem, ajudando a nós construirmos um processo pedagógico, desenvolvendo novas práticas para o Polo de Apoio Presencial. Portanto o estudo da gestão dessas tecnologias ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 155 dentro dos pólos faz-se necessário, para que consigamos disponibilizar adequadamente a todos envolvidos no sistema. Interessante seria se pudéssemos investir mais com recursos tecnológicos em nossos Polos para disponibilizar serviços de excelência no ensino. Estamos pobres em TI (Tecnologias de Informação). Os Polos deveriam estar muito bem equipados com laboratórios de apoio, que tivessem computadores, notebooks, servidores, impressoras, projetores multimídia, equipamentos de som e imagem, com alta performance, sempre atualizados, sem falar na internet que deve ter uma velocidade muito boa, que garanta o acesso qualificado, pois é o meio de comunicação mais importante para a EaD. Hoje o Polo Universitário de Três Passos está consolidado em nosso município, trazendo grandes oportunidades, mas não podemos deixar de comentar que enfrentamos desafios, dificuldades quanto à falta de conhecimento do sistema, das novas tecnologias, da falta de infraestrutura e principalmente pela falta de recurso financeiros, e continuamos a enfrentar no dia a dia, uma vez que somos pioneiros e protagonistas nessa história. O caminho ainda é longo, mas está sendo de grande valia, são experiências únicas que vivemos, estamos contribuindo para que o ensino superior possa chegar a todos, abrindo novos caminhos, novas possibilidades de crescimento pessoal e profissional. O Projeto UAB possibilita várias e amplas contribuições sócioeconômicas e culturais, entre outras, a democratização do acesso ao Ensino Superior, principalmente aqueles que por razões diversas, não puderam freqüentar um curso presencial numa universidade pública, pois sabe-se que, devido a fatores muitas vezes alheios a vontade do ser humano o ingresso e/ou a conclusão de um curso superior pode ficar adiada e o sonho cada vez mais distante. E neste contexto, o ensino a distância por meio do Polo UAB – Polo Universitário Federal de Três Passos proporciona aos cidadãos a possibilidade de alcançar este objetivo, sendo uma das políticas de desenvolvimento de Três Passos e região. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 156 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BOTURA DO CARMO, J. G. Novas tecnologias na educação. Disponível em: <http://www.educacaoliteratura.com.br/index%202.htm>. Acesso em: mar. 2011. MORAN, J. M. Comunicação pessoal, educação e tecnologias. Disponível em: <http://www.eca.usp.br/prof/moran/textos.htm>. Acesso em: mar. 2011. OTONI MEIRELES RIBEIRO, L.; TIMM, M. I.; ZARO, M. A. Gestão de Ead: A importância da visão sistêmica e da estruturação dos Eads para escolha de modelos adequados. Disponível em: <http://www.cinted.ufrgs.br/ciclo9/artigos>. Acesso em: mar. 2011. SILVA, M. F. S.; AZEVEDO, H. H. D. O Gestor no Sistema Universidade Aberto do Brasil: para dar sequência ao debate. Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2010. SILVA, E. R. G. et al. Gestão de polo de apoio presencial no sistema Universidade Aberta do Brasil: construindo referenciais de qualidade. Disponível em: <http://seer.ufrgs.br/renote/article/view/18086>. Acesso em: mar. 2011. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA MOORE, M. G.; KEARSLEY, G. Educação a distância: uma visão integrada. São Paulo: Thomson Learning, 2007. MORAN, J. M. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Disponível em: <http://books.google.com.br/books>. Acesso em: jun. 2011. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 157 IMPLANTAÇÃO DO POLO UNIVERSITÁRIO DE APOIO PRESENCIAL DE SÃO JOSÉ DO NORTE: UMA FORMA DE DEMOCRATIZAR O ACESSO AO ENSINO SUPERIOR AUTORA: Marta Martins de Farias Ramos PROFESSORA ORIENTADORA: Lia Cristiane Lima Hallwass RESUMO A educação a distância (EaD) toma proporções significativas no contexto da educação brasileira. Em meio a este panorama propaga-se a implantação de pólos universitários de apoio presencial em municípios distantes de instituições públicas de ensino superior. Objetivando investigar este assunto, o presente trabalho trata da implantação do Polo de Apoio Presencial de São José do Norte como forma de democratizar o acesso ao ensino superior, através do Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB), tendo como parceiras, do município, a Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e a Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) que oferecem cursos de graduação, pós-graduação e aperfeiçoamento, na modalidade da EaD, privilegiando os cursos na área da educação, em conformidade com as regulamentações do Ministério da Educação (MEC). Está sustentado na leitura de documentos cedidos pelos órgãos responsáveis e em entrevistas com os agentes municipais e com os alunos de Licenciatura em Matemática - UFPEL, envolvidos neste processo. Além disso, utilizam-se, também, contribuições escritas da autora Belloni (1999), Secretaria de Educação a Distância (SEED - MEC) (2006), Moran (2000) e Mendes (2009). Pretende-se, por meio desta pesquisa, contribuir com aqueles que se interessam pelo assunto fornecendo informações relativas à implantação do polo, através do relato de experiência vivida pelos dirigentes municipais durante o processo de implantação do Polo de Apoio Presencial de São José do Norte e dos benefícios oriundos deste empreendimento. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 158 Palavras-chave: educação a distância; polo de apoio presencial; São José do Norte; democratização do ensino superior. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Embora existam muitos estudos sobre educação a distância (EaD), no Brasil, e suas múltiplas faces, percebe-se uma carência no que se refere ao estudo da implantação de polos universitários que oferecem o ensino superior aos municípios interioranos, através do Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB)31. Convém ressaltar a importância da UAB para o desenvolvimento e constante expansão da educação na modalidade de EaD. Assim, a UAB para Mota (2006, p. 21) é “[...] mais que um programa governamental, configura-se como programa de nação, ao proporcionar educação superior para todos, com qualidade e democracia [...]”. Consciente da importância de um polo universitário para o município de São José do Norte32, o governo local adere a esse programa com o intuito de implantar um polo universitário de apoio presencial em São José do Norte, assumindo o compromisso de oferecer infraestrutura e recursos humanos para o desenvolvimento das atividades universitárias. Apostando neste empreendimento, os 31 O Programa UAB foi criado pelo Ministério da Educação no ano de 2005, no âmbito do Fórum das Estatais pela Educação, com foco nas Políticas e na Gestão da Educação Superior. Trata-se de uma política pública de articulação entre a Secretaria de Educação a Distância - SEED/MEC e a Diretoria de Educação a Distância - DED/CAPES com vistas à expansão da educação superior, no âmbito do Plano de Desenvolvimento da Educação. Disponível em http://uab.capes.gov.br/index.php. Acesso em 19 de setembro de 2011. 32 O município de São José do Norte está localizado cerca de 370 quilômetros da Capital do Estado e faz parte de uma Península situada entre o Oceano Atlântico e a Laguna dos Patos. De acordo com dados do Instituto Brasileiro Geográfico e Estatístico (IBGE), do último Censo realizado em 2010, possui uma população estimada em 25 mil habitantes. Sua economia está apoiada na agricultura produzindo cebola, arroz e as florestas de pinus, além da pesca e da captura do camarão, crustáceo em abundância neste município. Disponível em http:///www.saojosedonorte.rs.gov.br/. Acesso em: 19 de setembro de 2011, 10h30min. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 159 dirigentes municipais enfrentam obstáculos financeiros devido à falta de verbas próprias, destinadas ao polo universitário, para cumprir com o compromisso assumido, pois acreditam nas oportunidades advindas desta implantação. Dessa forma, este estudo objetiva compartilhar a experiência vivida, no município, com os indivíduos envolvidos e relatar o processo de implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte como forma de democratizar o acesso ao Ensino Superior à comunidade nortense. No desenvolvimento deste trabalho, foram utilizadas, como referencial teórico, as obras dos autores Belloni (1999), Moran (2000), SEED–MEC (2006) e Mendes (2009). Para isso, foram adotados instrumentos que integraram análise textual de livros e leitura dos documentos firmados entre o município, as Instituições de Ensino Superior (IES) e o MEC, além de entrevista com as representantes municipais Maria das Graças Saraiva33, Secretária Municipal da Fazenda, Edna Mara de Mattos Tarouco34, Secretária Municipal de Educação e Cultura, na época da implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte, com os alunos do curso de graduação em Matemática pelo PROLIC35 II (Pró - Licenciatura), em fase de conclusão do curso. 33 Maria das Graças Saraiva é graduada em Ciências Contábeis e especialista em Violência doméstica contra crianças e adolescentes pela Universidade de São Paulo (USP) professora do curso Técnico em Contabilidade no Instituto Estadual de Educação São José – São José do Norte. Secretária da Fazenda da Prefeitura Municipal de São José do Norte, cargo de confiança do Prefeito do referido município. 34 Edna Mara de Mattos Tarouco é professora da rede estadual de ensino na cidade de São José do Norte, graduada em Letras-Português/Francês, pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e especialista em Violência Doméstica contra crianças e adolescentes pela Universidade de São Paulo (USP). Exerceu o cargo de Secretária Municipal de Educação e Cultura na época da implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte, cargo de confiança do Prefeito do referido município. 35 PROLIC – É um Programa de formação inicial para professores do Ensino Fundamental e Médio, o qual se insere no esforço pela melhoria da qualidade do ensino na Educação Básica, realizado pelo Governo Federal com a coordenação das Secretarias de Educação Básica (SEB) e Educação a Distância (SEED). O público alvo são os professores em exercício na rede pública de ensino, há, pelo menos, um ano e sem habilitação legal exigida na área em que atuam. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 160 Devido à relevância do assunto deste trabalho, julgou-se necessário entrevistar, também, a ex-coordenadora Lucinara Dutra Miranda Moraes36 que iniciou as atividades no polo e permaneceu no cargo, aproximadamente, dois anos e a atual coordenadora Rita Perez Germano37. Para a entrevista com as secretárias, foi utilizado um questionário, anexo a este Artigo, contendo quinze perguntas relacionadas ao processo de implantação do polo universitário com o intuito de respaldar as afirmações aqui apresentadas. As secretárias foram entrevistadas em dia, horário e local diferentes, e as perguntas foram feitas de acordo com a ordem numérica de cada uma, gravadas em áudio e após, transcritas pela autora deste trabalho. Já para os alunos da graduação em Matemática, foi utilizado um questionário, por escrito, contendo seis perguntas relativas à implantação do polo, seus benefícios para a comunidade e adaptação ao desenvolvimento do curso, levando em conta a estrutura do polo. Este questionário foi respondido, por eles, em forma de tópicos o que lhes pareceu mais sucinto e apropriado e encontra-se anexo a este artigo. Para as coordenadoras foram feitos cinco questionamentos, também por escrito, a respeito da estrutura física do polo universitário, desde o início de seu funcionamento até os dias atuais. Tais questionamentos encontram-se, igualmente, anexo a este estudo. 36 Lucinara Dutra Miranda Moraes é professora da rede estadual de ensino, habilitada em Licenciatura em Física pela FURG, especialista em Violência Doméstica Contra Crianças e Adolescentes pela Universidade de São Paulo – USP e especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação (TICEDU) – FURG. Atuou como coordenadora do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte. 37 Rita Perez Germano é professora da rede municipal de ensino, graduada em Letras pela FURG e especialista em Leitura e produção textual pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Atua como coordenadora do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 161 1. ALGUMAS PECULIARIDADES DE SÃO JOSÉ DO NORTE É importante lembrar que o intuito deste estudo é relatar a implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte, através da UAB, tendo por foco o acesso, como forma de democratizar o ensino superior, pela comunidade local, aos cursos de graduação, especialização e aperfeiçoamento na cidade de São José do Norte. Portanto, considera-se relevante apresentar alguns aspectos do referido município. Tal município está localizado cerca de 370 quilômetros da Capital do Estado e faz parte de uma Península situada entre o Oceano Atlântico e a Laguna dos Patos. Por isso, cultiva o slogan “São José do Norte: cidade onde as águas se encontram”. Conforme dados do Instituto Brasileiro Geográfico e Estatístico (IBGE) do último Censo realizado em 2010, possui uma população estimada em 25 mil habitantes. Sua economia está apoiada na agricultura produzindo cebola, arroz e as florestas de pinus, além da pesca da anchova, tainha, entre outros pescados, e da captura do camarão, crustáceo em abundância neste município. Sua arquitetura é privilegiada por prédios históricos, localizados na área central da cidade, que representam o período colonial português. Em quase sua totalidade, as residências construídas, nesta área, são ligadas por paredes germinadas, característica marcante desse período. São José do Norte, também conhecida pelo nome de Mui Heroica Villa38, possui uma natureza privilegiada, contando com muitos atrativos, como a Praia do Mar Grosso, a Barra do Estreito, a Praia do Barranco, a Laguna dos Patos e um Patrimônio Histórico, que testemunha o quanto a comunidade é digna em sua trajetória 38 O município de São José do Norte foi palco de um importante combate da Revolução Farroupilha, por isso recebeu o título de Mui Heroica Villa, através do Decreto Imperial de 25 de outubro de 1841. Em 31 de março de 1938 a Vila de São José do Norte foi elevada à categoria de cidade. Disponível em http:///www.saojosedonorte.rs.gov.br/. Acesso em: 25 de maio de 2011. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 162 de batalhas políticas e sociais, como se pode confirmar através do site oficial do município39: A cidade possui um centro histórico com traçado orgânico composto por ruas e quarteirões irregulares, as casas térreas e sobrados remanescentes da época colonial que guardam características da habitação urbana tradicional e uma praça central onde no entorno se encontram várias edificações de significado valor histórico e arquitetônico. A cidade guarda importante parte da história do Rio Grande do Sul. Foi palco de um importante combate da Revolução Farroupilha e devido a esse episódio recebeu o título de Mui Heróica Villa, por meio do Decreto Imperial de 25 de outubro de 1841. Não obstante às belezas naturais e arquitetônicas, este município enfrenta problemas estruturais, tais como a economia deficitária, alto grau de analfabetismo e carência de bons projetos políticos que visem realmente o bem estar da população. Segundo Mendes40: 39 Disponível em http:///www.saojosedonorte.rs.gov.br/. Acesso em: 25 de maio de 2011. 40 Michele Mendes Gautério nasceu em São José do Norte, completou o Ensino Fundamental e Médio, nesta cidade, mas por falta de oferta de ensino superior, deslocava-se, diariamente, durante quatro anos, até a cidade de Rio Grande para concluir o grau superior. É especialista em Tecnologia da Comunicação e Informação na Educação (TICDU) pela Universidade Federal de Rio Grande – FURG, onde desenvolveu pesquisa sobre os caminhos percorridos pela comunidade nortense, desde a formação histórica do município até o início da implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 163 São José do Norte, com baixo nível sócioeconômico e cultural, possui expressivo índice de analfabetismo, pois sua política, durante muito tempo não atribuiu à educação as prioridades necessárias para possibilitar condições objetivas de superar dificuldades e conseguir êxito. (2009, s/p) Além disso, esta natureza, que tanto embeleza e engrandece a comunidade nortense torna-se, também, um obstáculo a ser superado para a aquisição do ensino superior, pois é necessário realizar a travessia pela Laguna dos Patos41, que desemboca no Oceano Atlântico, até a cidade de Rio Grande, utilizando, como meio de transporte aquaviário, lanchas de passageiros, algumas delas, em condições precárias de utilização, com horários reduzidos durante o turno da noite. As condições climáticas interferem na travessia de tal forma que, dependendo dos ventos fortes típicos da região, impedem a comunidade de atravessar a Laguna. Mendes afirma: 41 A Laguna dos Patos, a maior laguna do Brasil e a segunda da América Latina, situa-se no estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Mede 265 quilômetros de comprimento e uma superfície de 10 144 km², estendendo-se na direção NorteNordeste-Sul-Sudoeste, paralelamente ao Oceano Atlântico. Faz divisa entre os municípios de São José do Norte e Rio Grande, compreendendo 8 km, aproximadamente, de distância entre os dois municípios. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lagoa dos Patos. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 164 [...] a inserção do Polo Universitário no município de São José do Norte,uma parceria entre Prefeitura Municipal, ministério da Educação (MEC) e Universidade Federal do Rio Grande (FURG), baseado no ensino à [sic] distância, está possibilitando a inclusão, por meio da oferta de oportunidade de educação de qualidade, há um grande número de pessoas que estavam impossibilitadas de freqüentar [sic] ambientes presenciais, seja pela dificuldade de locomoção ou por indisponibilidade de tempo, não dispunham de condições adequadas para isso. (2009). Considerando os problemas supracitados de locomoção, pode-se levar em conta que a implantação do polo universitário em São José do Norte possibilitou a democratização do acesso a esse grau de ensino. Mesmo nosso município vivenciando este momento de democratização do acesso ao ensino superior, observa-se que, por diferentes motivos, nem todos aproveitam esta oportunidade. Como exemplo, pode-se citar que dos sete alunos inscritos no Curso de pós-graduação em Gestão de Polos ofertado pela UFPEL, apenas um aluno concluiu tal curso tendo como requisito parcial para sua conclusão o presente artigo. 2. A EDUCAÇÃO E SUAS MUDANÇAS: IMPLANTAÇÃO DO POLO UNIVERSITÁRIO DE APOIO PRESENCIAL DE SÃO JOSÉ DO NORTE E AS NOVAS POSSIBILIDADES DE INGRESSO NO MERCADO DE TRABALHO. A educação, como um todo, exerce papel fundamental no desenvolvimento intelectual, social e cultural do indivíduo. Já é possível reconhecer a importância de incorporar, cada vez mais, a aprendizagem formal, através das contribuições advindas das mudanças significativas no atual panorama da educação brasileira. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 165 Aproveitando tais mudanças e fazendo uso das novas ofertas de ensino, o estudante busca profissionalização, requisito primordial que possibilita seu ingresso no disputado mercado de trabalho. Conforme Belloni: A universalização da educação básica, conquista das sociedades mais ricas no século XX, e a formação inicial para o exercício de uma determinada profissão não serão mais suficientes para atender às exigências do mercado de trabalho da sociedade futura: a educação ao longo da vida, isto é, a formação profissional atualizada, diversificada e acessível a todos será não apenas um direito de todos e, portanto, dever do estado, mas constituirá provavelmente o melhor senão o único meio de evitar a desqualificação da força de trabalho e a exclusão social de grandes parcelas da população, consistindo num importante fator de estabilidade social. (1999, p. 101) Aliado a isso, é discutido, também, o avanço tecnológico e os inúmeros benefícios que este oferece à educação como um todo, especialmente à EaD que somente encontra sua eficácia através da utilização dos recursos possibilitados pelo uso das tecnologias de informação e comunicação na educação (TICs). Estas, por sua vez, ampliaram as oportunidades de estudo para aqueles que, até então, buscavam qualificação e formação, principalmente em nível superior, acelerando o processo de aprendizagem e tornando mais eficazes os sistemas de ensino. Conforme a SEED-MEC: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 166 A modalidade de EaD tem por sustentáculo as tecnologias de informação e comunicação, o que também poderá permitir espaço de formação acadêmica atualizada, privilegiando a construção autônoma e crítica do conhecimento, com a utilização de variadas tecnologias: impressos, vídeos, multimídias, Internet, fóruns virtuais e videoconferências. (2006, p.21) Acompanhando esse avanço tecnológico, expandido pela EaD, com um olhar no futuro crescimento de São José do Norte e na possível ampliação da oferta de empregos neste município, o governo local considera que a implantação do polo universitário possibilitará aos futuros formandos, o ingresso no mercado de trabalho local. Indagada sobre o assunto Maria das Graças Saraiva42 faz a seguinte consideração: “Visando o crescimento do município e o consequente aumento da oferta de empregos, haverá necessidade de profissionais qualificados para suprir o mercado de trabalho, sendo assim, os formandos do Polo Universitário têm grandes chances de serem absorvidos.”. Para corroborar com a Secretária da Fazenda43, Edna Mara de Mattos Tarouco44 afirma que “[...] o município está em fase de desenvolvimento, com perspectiva de instalação de empresas de grande porte”. As palavras das secretárias, citadas acima, estão baseadas na expectativa da instalação de um estaleiro promovido pela empresa 42 Op.cit. Op.cit. 44 Conforme reportagem extraída do Portal Marítimo (Canal de comunicação on-line): “Em reunião [...] com representantes do governo gaúcho e da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM), Henrique Luiz Roessler o estaleiro EBR começou a tratar do processo de licenciamento de instalação da empresa em São José do Norte, no Sul do Rio Grande do Sul. A empresa pretende erguer um estaleiro a partir de um investimento de R$ 672 milhões, dentro de um compromisso de parceria entre o setor público e a iniciativa privada.” 43 ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 167 Estaleiros do Brasil S.A. (EBR)45 15 em São José do Norte, que possibilitará a oferta de empregos para a comunidade local, que está em busca de qualificação e aperfeiçoamento. Por esse motivo, Maria das Graças Saraiva46 aborda: “A comunidade teve acesso ao ensino superior a distância, dando início à democratização e universalização ao acesso junto ao ensino público no município, possibilitando ainda o aperfeiçoamento intelectual e profissional, imprescindíveis para a noção crítica da realidade e a inserção no tão disputado mercado de trabalho.” Pela carência de empregos, uma boa parte da população nortense, deslocar-se até Rio Grande, por meio do transporte aquaviário, para trabalhar, uma vez que há pouca oferta de emprego em seu município de origem. 3. A IMPLANTAÇÃO DO POLO UNIVERSITÁRIO DE APOIO PRESENCIAL DE SÃO JOSÉ DO NORTE - UMA ETAPA VENCIDA. Tratando deste tema, serão apresentados registros da implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte, bem como as mudanças ocorridas desde sua implantação que teve como primeiro ato a adesão do município ao Programa UAB em 2005, por meio de um projeto elaborado pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC) de São José do Norte e encaminhado à FURG. Ao ser perguntada como foi ofertada a implantação do polo universitário em São José do Norte Maria das Graças Saraiva47 afirma que “A adesão ao Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB) foi encaminhada no dia 29 de novembro de 2005, através de ofício da lavra do prefeito Dr. Vicente Ferrari ao Magnífico Reitor da Universidade Federal do Rio Grande, professor Dr. João Carlos Cousin. Após foi elaborado pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC) o projeto visando à criação do Polo Municipal de 45 Op.cit. Op.cit. 47 Op.cit. 46 ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 168 Apoio Presencial e Ensino Superior [sic] à [sic] distância, objetivando oferecer os cursos de Pedagogia e Administração de Empresas, tendo como contrapartida do município a infraestrutura física, a logística de funcionamento e a descrição dos recursos humanos.” Após o encaminhamento do projeto à FURG, o município de São José do Norte atende ao chamamento do MEC feito através do Edital nº 1 de 16 de ezembro de 2005, trazendo aos munícipes a oferta do ensino superior, na modalidade a distância, pondo em prática os avanços na área educacional. Conforme o Edital: Edital nº 1, de 16 de dezembro de 2005, chamada pública para seleção de polos municipais de apoio presencial e de cursos superiores de Instituições Federais de Ensino Superior na modalidade de Educação a Distância para o “Sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB”. De acordo com o MEC para selecionar os polos foram criados critérios, através do Programa UAB que prega o seguinte: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 169 A análise e seleção dos polos serão realizadas conforme os seguintes critérios: adequação e conformidade do projeto com os cursos superiores a carência de oferta de ensino superior público na região de abrangência do polo, a demanda local ou regional por ensino superior público, conforme o quantitativo de concluintes e egressos do ensino médio e da educação de jovens e adultos, a pertinência dos cursos demandados e a capacidade de oferta por instituições federais de ensino na região. Serão considerados para efeito de seleção do polo, especialmente, a análise da infra-estrutura [sic] física do polo proposto e recursos humanos disponíveis. (SEED-MEC 2006, p. 25) Atendendo a estes critérios o governo municipal implanta nas dependências da Escola Municipal João de Deus Collares o polo universitário que recebe o nome de Polo Universitário de São José do Norte, através do convênio celebrado entre a UFPEL e a Prefeitura Municipal de São José do Norte com a oferta do curso de Graduação em Licenciatura em Matemática a Distância oportunizando a qualificação profissional para professores em exercício nas redes públicas de ensino. A referida escola foi escolhida por oferecer espaço físico apropriado às exigências do MEC. De acordo com Edna Mara de Mattos Tarouco48 em resposta à pergunta referente à escolha da escola “Escolhemos a Escola Municipal João de Deus Collares, pois era a única escola que se adequava às exigências do MEC, em relação ao espaço físico”. Conforme palavras da ex-coordenadora do polo Lucinara D. M. Moraes em relação ao espaço físico: “Quando comecei no Polo Universitário [sic] como coordenadora, não havia, ainda, o espaço físico estruturado para que as atividades fossem ali desenvolvidas. Embora já existisse o local, o mesmo estava sendo equipado e 48 ÍNDICE Op.cit. Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 170 instalado de acordo com as exigências do MEC e as recomendações técnicas dos eletricistas e dos técnicos em instalação da prefeitura. O polo dispunha de um laboratório de informática com trinta computadores, uma sala para os tutores, sanitários e uma sala para a coordenação que servia, também, de secretaria do polo. O anfiteatro era usado pelo Polo e pela escola onde o mesmo estava localizado.” Como se pode perceber, na fala supracitada, o polo universitário, deu início de forma bastante precária, pois abrigava os cursos de graduação em Administração de Empresas e Licenciatura em Pedagogia ambos pela FURG, além do curso de Licenciatura em Matemática ofertado pela UFPEL. A coordenadora Rita Germano aborda o mesmo assunto da seguinte forma: “Quando assumi o polo tinha dois laboratórios de informática e uma sala de reuniões e recepção. Logo depois, fomos para um espaço onde temos: sala de multimeios, duas salas de aula, biblioteca, cozinha, sala de tutores, dois banheiros, sala de coordenação e um laboratório.” Depreende-se dessa colocação que o polo universitário evoluiu, mas não de maneira que possa oferecer aos alunos condições singulares no desenvolvimento de suas atividades, pois hoje, abarca os cursos de Licenciatura em Educação no Campo com 42 alunos frequentes, Gestão de Polos apenas 01 aluno, Licenciatura em Matemática 07 alunos ofertados pela UFPEL. Licenciatura em Pedagogia com 38 alunos frequentes, Administração de Empresas com 15 alunos em fase final do curso e mais cinco cursos de pós-graduação em: Educação em Direitos Humanos com 22 alunos, Tecnologia da Informação e Comunicação na Educação com 25 alunos Educação de Jovens e Adultos com 22 alunos, Educação Ambiental com 30 alunos e Aplicações para Web com 25 alunos totalizando 227 alunos. Aproveitando, ainda, a colaboração da atual coordenadora se faz importante esclarecer que o Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte, como é nomeado pela atual gestão, não há Decreto-Lei que legalize esta instituição de ensino: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 171 “O polo não é legalizado. Houve uma reunião para que isso acontecesse, mas as estratégias não saíram do papel por parte da administração pública.” Como se pode perceber, o governo municipal não oferece ao polo a devida importância que merece, uma vez que este ainda não possui logomarca, tampouco placa de identificação o que se pode confirmar através das palavras da ex- coordenadora: “Na época em que atuava como coordenadora o polo não dispunha nem de logomarca, nem de placa de identificação embora houvesse o pedido das Instituições de Ensino Superior (IFES) para que os mesmos fossem providenciados. A maioria das solicitações esbarrava na inexistência de uma verba própria para o custeio das necessidades do polo, o que sempre foi obstáculo para a realização de muitas solicitações feitas pelo MEC e pelas IFES.” Ainda em relação a esse assunto, a atual coordenadora, diz: “Há um banner identificando o polo, mas ainda estamos em busca de placas com uma logomarca própria do polo para que as pessoas possam identificá-lo quando chegam na Hidroviária49 e na BR 1050.” Para legitimar as falas, acima, Maria das Graças Saraiva51, em entrevista para este trabalho, fala que “O primeiro obstáculo foi o financeiro devido a todas as despesas serem custeadas com verba do município. Logo após, disponibilidade de pessoal e local para instalação do polo”. Corroborando com esta fala Edna Mara Tarouco, aborda que: “A inexistência de uma dotação orçamentária específica para o polo constituiu-se num grande obstáculo para a implantação do polo, tendo em vista que a verba do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF) destinava-se, exclusivamente para o Ensino Fundamental.”. 49 A Hidroviária de São José do Norte é o local onde atracam as lanchas que fazem a travessia lacustre de passageiros entre o referido município e o município de Rio Grande. 50 BR 101 é a única via terrestre de acesso ao município 51 Op.cit. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 172 Após expor as falas das gestoras municipais é possível notar que elas abordam o assunto sobre a implantação do polo universitário salientando a falta de verba municipal própria desta instituição de ensino superior, para custear as despesas com o desenvolvimento de suas atividades dando-lhe o suporte técnico necessário. A ocorrência desses fatos sugere que é preciso um maior esforço por parte do Executivo Municipal para que possa cumprir com o que foi acordado entre esta esfera governamental, o MEC e as IFES. Até aqui foram apresentados os pareceres das representantes municipais da Secretaria de Educação e da Secretaria da Fazenda, além dos pareceres da ex e da atual coordenadora relativos à implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte como forma de acesso ao ensino superior. Considera-se, também, de muito valor apresentar os pareceres dos alunos de Licenciatura em Matemática pela UFPEL todos professores atuantes na rede municipal e estadual de ensino, no município do polo. Dos sete alunos do curso, quatro colaboraram com a escrita deste artigo respondendo a algumas perguntas relativas à implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte como forma de acesso ao ensino superior. Com o objetivo de preservar suas identidades, utilizaremos as formas Aluno A, Aluno B, Aluno C e Aluno D. Seguem as respostas conforme exposto por eles: Aluno A: “Resgatar e acelerar o tempo, pois eu nunca tinha tido oportunidade de me qualificar”; “Progresso na educação; Realização do meu sonho de ter um curso superior. Mesmo enfrentando dificuldades em relação à tecnologia, pois os computadores do polo estão ultrapassados escolheria um curso a distância, porque é muito bom.” Aluno B – “Ampliar meus horizontes e consolidar meus ideais, crescimento intelectual, representa a ampliação do ensino superior, adquirir habilidades por meio da tecnologia, internet não só para lazer, mas, também, para aprender. Escolheria um curso a distância, ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 173 com todos os problemas na parte física do polo, vale a pena, porque não tenho tempo para me deslocar até Rio Grande.” Aluno C: “Comodidade e facilidade de ter um polo de ensino superior gratuito e a distância perto da minha casa”. O polo começou com apenas três salas e um multimídia, assistíamos às webs no laboratório de informática utilizado pelos alunos do CAIC, muitas vezes, junto com os tutores de outra instituição. Aluno D: “O polo representou um acesso mais igual ao ensino superior, é claro que enfrentamos dificuldades, a internet caía, as webs eram ruins, mas fomos nos acostumando. Hoje temos um espaço um pouco maior, um laboratório só do polo, mas os computadores não têm suporte para comportar as webs.” De acordo com as palavras dos alunos entrevistados, em resposta ao questionário anexo a este trabalho, pode-se depreender o quanto a implantação deste polo contribuiu para o acesso à formação e qualificação desses sujeitos. Por tudo apresentado, neste estudo, acredita-se que a EaD, difundida por meio da implantação de polos de apoio presencial, passou a ser relevante para os alunos inseridos nesta modalidade de ensino, no que se refere a sua formação e qualificação profissional desmistificando o discurso, muitas vezes, implícito de que os cursos em EaD são de fácil conclusão, e de pouco crédito no mercado de trabalho. Tais alunos mostram-se conscientes da importância de assimilar o uso adequado das tecnologias da informação e comunicação na educação, mesmo de forma precária, seja em sua vida diária, estudantil ou profissional. Para confirmar o exposto Edna Mara de Mattos Tarouco52 afirma que o pólo trouxe: “Oportunidade de qualificação dos professores da rede municipal de ensino e acho que oportunizou, também, um maior número de jovens estudantes, em nível superior, facilitando o acesso sem a necessidade de se deslocarem até Rio Grande e outros municípios.” Sem dúvida, a implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte contribuiu para o acesso à 52 ÍNDICE Op.cit. Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 174 educação superior àqueles moradores em cidades interioranas, com peculiaridades singulares como as de São José do Norte, que por algum motivo encontravam-se impedidos de qualificação. Partindo dessas considerações, é possível dimensionar o que representou a implantação do polo universitário em São José do Norte. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho procurou relatar a implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte como forma de democratizar o acesso ao ensino superior. No decorrer deste estudo, enfrentou-se certa dificuldade em respaldar a escrita devido à escassez de material escrito relacionado a tal implantação. Assim, tomou-se como base as falas das secretárias municipais envolvidas no processo de implantação do polo universitário, a fala da excoordenadora do polo e da atual, além das falas dos alunos da Licenciatura em Matemática que contribuíram, gentilmente, para a realização desta pesquisa. Dessa forma, após análise das falas dos agentes supracitados, conclui-se que os dirigentes municipais enfrentaram obstáculos relacionados à infraestrutura e a investimentos em recursos materiais e financeiros bem como disponibilidade de funcionários durante o processo de implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte. É possível concluir, também, que a implantação do polo universitário oportunizou uma forma de democratizar o acesso ao ensino superior na modalidade a distância, possibilitando uma grande progressão na área educacional e profissional para a comunidade nortense. Os entrevistados deixaram claro que ainda há problemas na estrutura física do polo e que o mesmo não possui um documento que o torne legal perante a lei.Há apenas dois documentos que o legalizam: um Acordo de Cooperação e um convênio assinados entre o município de São José do Norte, o MEC e as Instituições que oferecem cursos de Ensino Superior, na modalidade a distância. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 175 Mesmo estando em plena atividade, há pelo menos quatro anos, o pólo universitário ainda não possui uma logomarca, nem placa de identificação o que deixa tal instituição no anonimato. Pode-se concluir, então, que o Executivo Municipal, não está tratando o Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte com a seriedade que merece, visto seu valor representativo para a comunidade nortense. Embora haja tais problemas relacionados à estrutura e anonimato do pólo universitário, alguns dos entrevistados demonstraram grandes expectativas de que os futuros formandos serão absorvidos pelo mercado de trabalho local, pois acreditam no crescimento futuro do município e que a implantação deste empreendimento veio para democratizar o acesso ao ensino superior. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BELLONI, M. L. Educação a Distância. Campinas: Autores Associados, 1999. BRASIL. Desafios da Educação a Distância na Formação de Professores. Brasília: MEC, 2006. FERREIRA, L. S. Manual do Trabalho Científico: diretrizes, normas e orientações para elaboração do trabalho de conclusão do curso Gestão de Polos. Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2010. SCAVAZZA, C. Gêneros discursivos emergentes: o fórum na educação a distância. Dissertação (Mestrado em Linguística Aplicada) – Universidade de Taubaté. Taubaté, 2010. MENDES, M. G. Polo Universitário: Uma nova perspectiva na educação de São José do Norte. Monografia (Especialização em Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação) – Universidade Federal do Rio Grande. Rio Grande, 2009. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 176 MORAN, J. M.; MASETTO, M. T.; BEHRENS, M. A. (Orgs.). Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas: Papirus, 2000. SÃO JOSÉ DO NORTE. História do Município. Disponível <http:///www.saojosedonorte.rs.gov.br/>. Acesso em: mai. 2011. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos em: 177 ANEXOS ANEXO I: QUESTIONÁRIO Este questionário serve de base para a uma entrevista, parte do Trabalho de Conclusão do Curso de Pós-Graduação em Gestão de Polos, ofertado pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão de Polos (PPGP), através da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) que tem por título: “Implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte: uma forma de democratizar o acesso ao ensino superior”, sob a responsabilidade da aluna, do curso supracitado, Marta Martins de Farias Ramos. As informações, obtidas mediante esta entrevista, serão unicamente utilizadas para esta finalidade. Nome: Edna Mara de Mattos Tarouco Instituição: Secretária Municipal de Educação e Cultura do Município de São José do Norte, na época da implantação do polo. 1. Como foi ofertada a implantação de um polo universitário em São José do Norte? “Através do Projeto UAB, 1º Edital que fez um chamamento aos municípios em parceria com as universidades próximas a este município, a FURG e a UFPEL.” 2. Quais foram as primeiras mobilizações em prol desta implantação? “Reuniões com a Pró Reitoria de Graduação e com o Reitor da FURG e, logo em seguida, foi assinado o convênio com a UFPEL.” 3. Qual foi a primeira escolha antes da Escola Municipal de Ensino Fundamental João de Deus Collares (CAIC) como sede do polo? “Em princípio pensamos na Escola Soares de Paiva, porque está localizada no centro da cidade facilitando o acesso da ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 178 comunidade, mas por questões de espaço não foi possível implantar o polo nesta escola.” 4. Por que foi escolhida esta escola para abrigar a sede do polo levando em conta a dificuldade de acesso pela comunidade? “Escolhemos a Escola Municipal João de Deus Collares, pois era a única escola que se adequava às exigências do MEC, em relação ao espaço físico”. 5. O Governo Municipal pensou, em algum momento, em construir um prédio próprio como sede do polo? “Não, por falta de condições financeiras do município que se preocupou apenas em se adequar às exigências do MEC.” 6. Qual a sua participação, oficial ou não, no processo de implantação do polo? “Participei da elaboração do projeto, de reuniões com as Instituições de Ensino FURG e UFPEL, busquei os recursos para adequar o polo às exigências do MEC e das universidades.” 7. Quantos funcionários da Prefeitura são cedidos para o polo universitário e quais foram os critérios para a escolha destes funcionários? “Dois funcionários: uma secretária e uma servente, além de um estagiário que dava o suporte técnico e um componente da guarda municipal. Os critérios para a escolha destes funcionários foram baseados nas exigências do MEC e de acordo com os recursos humanos da prefeitura disponíveis naquele momento.” 8. Qual é a sua participação, hoje, nas questões relativas ao polo? “Nenhuma. Apenas como cidadã nortense fico na expectativa de que as pessoas que hoje estão na administração municipal dêem continuidade ao projeto que é de grande importância para a comunidade deste município no setor educacional.” ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 179 9. Quais foram os maiores obstáculos enfrentados durante a implantação deste empreendimento? “A inexistência de uma dotação orçamentária específica para o polo constituiu-se num grande obstáculo para a implantação do polo, tendo em vista que a verba do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF) destinavase, exclusivamente para o Ensino Fundamental.” 10. As autoridades implicações? “Sim.” envolvidas estavam cientes das 11. Quais as oportunidades geradas para a comunidade local desde a implantação? “Oportunidade de qualificação dos professores da rede municipal de ensino e acho que oportunizou, também, um maior número de jovens estudantes, em nível superior, facilitando o acesso sem a necessidade de se deslocarem até Rio Grande e outros municípios.” 12. Há alguma consideração por parte da senhora como representante do órgão municipal que deseja fazer? “Acredito que a implantação deste polo tenha sido um grande marco para a educação no município.” 13. Na visão da senhora, em relação à função que exerceu dentro da secretaria, houve alguma mudança no Município de São José do Norte, com a implantação do polo, que a senhora gostaria de salientar (boa ou ruim)? “Sim, à medida que estamos qualificando professores estamos oportunizando uma melhoria na qualidade do ensino ofertado em nossas escolas.” 14. A senhora acredita que os futuros formandos serão absorvidos pelo mercado de trabalho de São José do Norte? “Sim, pois o município está em fase de desenvolvimento, com perspectiva de instalação de empresas de grande porte.” ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 180 15. Qual o documento existente que legaliza a implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte? “Há apenas um Acordo de Cooperação Técnica entre a FURG, o município de São José do Norte e o MEC e um Convênio para a execução do curso de graduação em Matemática para professores das redes públicas de ensino, celebrado entre o município, o MEC e a UFPEL.” ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 181 ANEXO II: QUESTIONÁRIO Este questionário serve de base para a uma entrevista, parte do Trabalho de Conclusão do Curso de Pós-Graduação em Gestão de Polos, ofertado pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão de Polos (PPGP), através da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) que tem por título: “Implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte: uma forma de democratizar o acesso ao ensino superior”, sob a responsabilidade da aluna, do curso supracitado, Marta Martins de Farias Ramos. As informações, obtidas mediante esta entrevista, serão unicamente utilizadas para esta finalidade. Nome: Maria das Graças Saraiva Instituição: Secretária Municipal da Fazenda do Município de São José do Norte. 1. Como foi ofertada a implantação de um Polo Universitário em São José do Norte? “A adesão ao Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB) foi encaminhada no dia 29 de novembro de 2005, através de ofício da lavra do prefeito Dr. Vicente Ferrari ao Magnífico Reitor da Universidade Federal do Rio Grande, professor Dr. João Carlos Cousin. Após foi elaborado pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC) o projeto visando à criação do Polo Municipal de Apoio Presencial e Ensino Superior [sic] à [sic] distância, objetivando oferecer os cursos de Pedagogia e Administração de Empresas, tendo como contrapartida do município a infraestrutura física, a logística de funcionamento e a descrição dos recursos humanos.” 2. Quais foram as primeiras mobilizações em prol desta implantação? “Primeiramente foi escolhido local com capacidade para abrigar o polo universitário, logo após, disponibilizada verba para o investimento e por fim assinado convênio entre as instituições e a prefeitura.” ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 182 3. Qual foi a primeira escolha antes da Escola Municipal de Ensino Fundamental João de Deus Collares (CAIC) como sede do polo? “A primeira escolha foi a Escola Municipal de Ensino Fundamental João de Deus Collares (CAIC), que possuía espaço físico disponível para suprir as necessidades de implantação do polo, Visando o aumento do programa e a necessidade de um número maior de salas é a única escola que apresenta tais condições.” 4. Por que foi escolhida esta escola para abrigar a sede do polo levando em conta a dificuldade de acesso pela comunidade? “Foi escolhida a referida escola pelo fato de ser a única com condições de abrigar o polo, levando-se em conta a previsão de crescimento do programa.” 5. O Governo Municipal pensou, em algum momento, em construir um prédio próprio como sede do polo? “Até o presente momento o município não possui receita suficiente para realizar um investimento deste porte.” 6. Qual a sua participação, oficial ou não, no processo de implantação do polo? “Participei diretamente nas tratativas da implantação.” 7. Quantos funcionários da Prefeitura são cedidos para o polo universitário e quais foram os critérios para a escolha destes funcionários? “Foram cedidos quatro servidores públicos: secretária, bibliotecária, agente da guarda municipal e higienizadora.” 8. Qual é a sua participação, hoje, nas questões relativas ao polo? “Atuo, indiretamente, nas questões de repasse de verba à Secretaria de Educação do Município que dá suporte técnico e infraestrutura ao polo.” 9. Quais foram os maiores obstáculos enfrentados durante a implantação deste empreendimento? “O primeiro obstáculo foi o financeiro devido a todas as despesas serem custeadas com verba ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 183 do município. Logo após, disponibilidade de pessoal e local para instalação do polo” 10. As autoridades envolvidas estavam cientes das implicações? “Com certeza, sem a manifestação das autoridades a implantação do polo não seria possível.” 11. Quais as oportunidades geradas para a comunidade local desde a implantação? “A comunidade teve acesso ao ensino superior a distância, dando início à democratização e universalização ao acesso junto ao ensino público no município, possibilitando ainda o aperfeiçoamento intelectual e profissional, imprescindíveis para a noção crítica da realidade e a inserção no tão disputado mercado de trabalho.” 12. Há alguma consideração por parte da senhora como representante do órgão municipal que deseja fazer? “Fico muito satisfeita com essa inovação trazida ao município, possibilitando a esta comunidade a chance de aperfeiçoamento intelectual com acesso ao ensino público superior. Com a exigência cada vez maior de profissionais especializados, o polo universitário traz aos munícipes esta oportunidade.” 13. Na visão da senhora, em relação à função que exerce dentro da secretaria, houve alguma mudança no município de São José do Norte, com a implantação do polo, que a senhora gostaria de salientar (boa ou ruim)? “Houve a facilitação do acesso da comunidade nortense ao ensino superior, eis que o município não dispunha de tal oportunidade.” 14. A senhora acredita que os futuros formandos serão absorvidos pelo mercado de trabalho de São José do Norte? “Visando o crescimento do município e o conseqüente aumento da oferta de empregos, haverá necessidade de profissionais qualificados para suprir o mercado de trabalho, sendo assim, os ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 184 formandos do Polo Universitário têm grandes chances de serem absorvidos.” 15. Qual o documento existente que legaliza a implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte? “O polo universitário foi implantado através de convênio realizado entre este município, Fundação Universidade Federal do Rio Grande e Universidade Federal de Pelotas.” ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 185 ANEXO ESCLARECIDO III: TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E Eu, Edna Mara de Mattos Tarouco, consinto formalmente em participar como entrevistada no Artigo Implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte: uma forma de democratizar o acesso ao ensino superior da aluna Marta Martins de Farias Ramos, do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Polos (PPGP), da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Declaro haver recebido uma explicação clara e completa sobre a presente pesquisa que visa identificar os obstáculos e as oportunidades advindas da implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte. Estou ciente de que as informações coletadas na entrevista, feita comigo, serão utilizadas unicamente para aprofundamento de conhecimentos na área educacional e concordo ceder informações relativas ao assunto do Artigo à aluna Marta Martins de Farias Ramos. Submeto-me de livre e espontânea vontade, sabendo que: a) a entrevista não representa riscos a minha saúde moral e ética ou de minha família, nem qualquer desconforto ou dano; b) minha participação será voluntária. Concordando ou recusando em participar, não obterei vantagens e não serei prejudicada. Não haverá ônus financeiro para qualquer uma das partes. ___________________________ Edna Mara de Mattos Tarouco São José do Norte, 15 de maio de 2011. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 186 ANEXO ESCLARECIDO IV: TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E Eu, Maria das Graças Saraiva, consinto formalmente em participar como entrevistada no Artigo Implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte: uma forma de democratizar o acesso ao ensino superior, da aluna Marta Martins de Farias Ramos, do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Polos (PPGP), da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Declaro haver recebido uma explicação clara e completa sobre a presente pesquisa que visa identificar os obstáculos e as oportunidades advindas da implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte. Estou ciente de que as informações coletadas na entrevista, feita comigo, serão utilizadas unicamente para aprofundamento de conhecimentos na área educacional e concordo ceder informações relativas ao assunto do Artigo à aluna Marta Martins de Farias Ramos. Submeto-me de livre e espontânea vontade, sabendo que: a) a entrevista não representa riscos a minha saúde moral e ética ou de minha família, nem qualquer desconforto ou dano; b) minha participação será voluntária. Concordando ou recusando em participar, não obterei vantagens e não serei prejudicada. Não haverá ônus financeiro para qualquer uma das partes. ________________________________ Maria das Graças Saraiva São José do Norte, 28 de junho de 2011 ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 187 ANEXO V: QUESTIONÁRIO III Este questionário serve de base para a uma entrevista, parte do Trabalho de Conclusão do Curso de Pós-Graduação em Gestão de Polos, ofertado pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão de Polos (PPGP), através da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) que tem por título: “Implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte: uma forma de democratizar o acesso ao ensino superior”, sob a responsabilidade da aluna, do curso supracitado, Marta Martins de Farias Ramos. As informações, obtidas mediante esta entrevista, serão unicamente utilizadas para esta finalidade. Entrevistados: alunos do Curso de Licenciatura em Matemática - PROLIC II - UFPEL. Questões: 1) O que levou você a escolher/fazer um curso na modalidade a distância? __________________________________________________ 2) O que representou a implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte, para a comunidade local, na sua visão de cidadão (ã) nortense? __________________________________________________ 3) Quais são suas perspectivas em relação ao curso, no que se refere a sua área pessoal e profissional? ______________________________________________ 4) Se você fosse escolher, hoje, um curso de graduação ou pós-graduação presencial ou a distância o que você escolheria? ______________________________________________ ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 188 5) Como estava estruturado o Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte no início das atividades do seu curso? ______________________________________________ 6) Houve alguma mudança desde o início da implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte até a presente data? ______________________________________________ Observação: Os alunos responderam em forma de tópicos. Respostas: Aluno A: “Resgatar e acelerar o tempo, pois eu nunca tinha tido oportunidade de me qualificar”; “Progresso na educação; Realização do meu sonho de ter um curso superior. Mesmo enfrentando dificuldades em relação à tecnologia, pois os computadores do polo estão ultrapassados escolheria um curso a distância, porque é muito bom”. Aluno B – “Ampliar meus horizontes e consolidar meus ideais, crescimento intelectual, representa a ampliação do ensino superior, adquirir habilidades por meio da tecnologia, internet não só para lazer, mas, também, para aprender. Escolheria um curso a distância, com todos os problemas na parte física do polo, vale a pena, porque não tenho tempo para me deslocar até Rio Grande.” Aluno C: “Comodidade e facilidade de ter um polo de ensino superior gratuito e a distância perto da minha casa”. O polo começou com apenas três salas e um multimídia, assistíamos às WEBs no laboratório de informática utilizado pelos alunos do CAIC, muitas vezes, junto com os tutores de outra instituição. Aluno D: “O polo representou um acesso mais igual ao ensino superior, é claro que enfrentamos dificuldades, a internet caía, as webs eram ruins, mas fomos nos costumando. Hoje temos um espaço um pouco maior, um laboratório só do polo, mas os computadores não têm suporte para comportar as webs.” ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 189 ANEXO ESCLARECIDO VI: TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E Eu, Lucinara Dutra Miranda Moraes, consinto formalmente em participar como entrevistada no Artigo Implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte: uma forma de democratizar o acesso ao ensino superior, da aluna Marta Martins de Farias Ramos, do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Polos (PPGP), da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Declaro haver recebido uma explicação clara e completa sobre a presente pesquisa que visa identificar a democratização do acesso ao ensino superior advinda da implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte. Estou ciente de que as informações coletadas na entrevista, feita comigo, serão utilizadas unicamente para aprofundamento de conhecimentos na área educacional e concordo ceder informações relativas ao assunto do Artigo à aluna Marta Martins de Farias Ramos. Submeto-me de livre e espontânea vontade, sabendo que: c) a entrevista não representa riscos a minha saúde moral e ética ou de minha família, nem qualquer desconforto ou dano; d) minha participação será voluntária. Concordando ou recusando em participar, não obterei vantagens e não serei prejudicada. Não haverá ônus financeiro para qualquer uma das partes. ________________________________ Lucinara Dutra Miranda Moraes São José do Norte, 28 de setembro de 2011 ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 190 ANEXO VII: ESCLARECIDO TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E Eu, Rita Perez Germano consinto formalmente em participar como entrevistada no Artigo Implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte: uma forma de democratizar o acesso ao ensino superior, da aluna Marta Martins de Farias Ramos, do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Polos (PPGP), da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Declaro haver recebido uma explicação clara e completa sobre a presente pesquisa que visa identificar a democratização do acesso ao ensino superior advinda da implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte. Estou ciente de que as informações coletadas na entrevista, feita comigo, serão utilizadas unicamente para aprofundamento de conhecimentos na área educacional e concordo ceder informações relativas ao assunto do Artigo à aluna Marta Martins de Farias Ramos. Submeto-me de livre e espontânea vontade, sabendo que: e) a entrevista não representa riscos a minha saúde moral e ética ou de minha família, nem qualquer desconforto ou dano; f) minha participação será voluntária. Concordando ou recusando em participar, não obterei vantagens e não serei prejudicada. Não haverá ônus financeiro para qualquer uma das partes. ________________________________ Rita Perez Germano São José do Norte, 25 setembro de 2011. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 191 ANEXO VIII: QUESTIONÁRIO IV Este questionário serve de base para a uma entrevista, parte do Trabalho de Conclusão do Curso de Pós-Graduação em Gestão de Polos, ofertado pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão de Polos (PPGP), através da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) que tem por título: “Implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte: uma forma de democratizar o acesso ao ensino superior”, sob a responsabilidade da aluna, do curso supracitado, Marta Martins de Farias Ramos. As informações, obtidas mediante esta entrevista, serão unicamente utilizadas para esta finalidade. Entrevistada: Lucinara Dutra Miranda Moraes, Coordenadora que deu início às atividades do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte, não exercendo tal função, atualmente. 1) Ao assumir a função de Coordenadora, como o Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte estava estruturado fisicamente ? O Polo tinha dois laboratórios de informática e uma sala de recepção e reuniões. 2) Durante a gestão senhora, houve alguma mudança na parte física desta Instituição? Sim, fomos para um espaço onde temos: sala de multimeios, duas salas de aula, biblioteca, cozinha, sala de tutores, dois banheiros, sala de coordenação e laboratório. 3) Qual o nome dado ao Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte, inicialmente? Polo Universitário de São José do Norte. 4) Existe um Decreto-Lei que legaliza o Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte? Não, o Polo não é legalizado. Houve uma reunião para que isso acontecesse, mas as estratégias não saíram do papel por parte da administração pública. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 192 5) Como é identificado O Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte? Há um logo? Uma placa de identificação? Há um banner identificando, mas ainda estamos em busca de placas na Hidroviária, indicando o caminho e na BR101 também indicando o caminho. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 193 ANEXO IX: QUESTIONÁRIO VII Este questionário serve de base para a uma entrevista, parte do Trabalho de Conclusão do Curso de Pós-Graduação em Gestão de Polos, ofertado pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão de Polos (PPGP), através da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) que tem por título: “Implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte: uma forma de democratizar o acesso ao ensino superior”, sob a responsabilidade da aluna, do curso supracitado, Marta Martins de Farias Ramos. As informações, obtidas mediante esta entrevista, serão unicamente utilizadas para esta finalidade. Entrevistada: Rita Perez Germano, atual Coordenadora do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte. 1) Ao assumir a função de Coordenadora do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte, como este estava estruturado fisicamente ? Quando comecei no polo universitário como coordenadora, não havia, ainda, o espaço físico estruturado para que as atividades fossem ali desenvolvidas. Embora já existisse o local o mesmo estava sendo equipado e instalado de acordo com as exigências do MEC e as recomendações técnicas dos eletricistas e dos técnicos em instalação da prefeitura. No começo o polo dispunha de um laboratório de informática com 30 computadores, uma sala para os tutores, sanitários e uma sala para a coordenação onde também ficava a secretaria do polo. O anfiteatro era usado pelo polo e pela escola onde o mesmo estava localizado. 2) Durante a sua gestão houve alguma mudança na parte física desta Instituição? Sim. O Polo Universitário passou a dispor de mais um laboratório de informática e uma biblioteca. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 194 3) Qual o nome dado ao Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte , inicialmente? Polo Universitário de São José do Norte. 4) Existe um Decreto-Lei que legaliza o Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte? De acordo com as Secretárias Municipais de Educação, na época da implantação do Polo, asseguravam que o mesmo existia, embora ele nunca tenha sido enviado a polo universitário. 5) Como é identificado O Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte? Há um logo?Uma placa de identificação? Na época em que atuava como coordenadora o polo não dispunha nem de logomarca, nem de placa de identificação embora houvesse o pedido das IFES para que os mesmos fossem providenciados. A maioria das solicitações esbarrava na inexistência de uma verba própria para o custeio das necessidades do polo o que sempre foi obstáculo para a realização de muitas solicitações feitas pelo MEC e pelas IFES ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 195 GESTOR DEMOCRÁTICO OU ADMINISTRADOR BUROCRÁTICO? AUTOR: Evanir Junqueira da Costa PROFESSORA ORIENTADORA: Luciane Senna Ferreira RESUMO O presente artigo será desenvolvido baseado no tema Gestor x Administrador, na educação a distância. Relata as concepções de gestão democrática, perpassa pelos diversos tipos de gestão: do conhecimento, de competências e de pessoas, baseado em diversos autores disponibilizados durante o curso de gestão de polos entre outros, procurou-se fazer uma ligação entre a gestão democrática, o que ela preceitua e a atuação dos diversos atores que fazem parte do polo de apoio presencial, em particular aos trabalhadores da área administrativa. Um dos grandes desafios da sociedade do conhecimento é a formação de líderes para a gestão de pessoas. Os líderes devem ter a capacidade de criar, motivar, manter o trabalho em equipe, visando sempre aos objetivos almejados de uma organização. A busca constante por processo de gestão de pessoas faz parte da organização que visa cada vez mais à satisfação de seus funcionários para que, motivados, executem suas tarefas com eficiência e eficácia. Será feita uma pesquisa hipotético-dedutiva, onde o objetivo principal será conhecer o perfil dos trabalhadores que atuam nos polos de apoio presencial em Ead e ainda verificar se o polo está de acordo com o mínimo exigido para seu funcionamento em conformidade com a legislação em vigor. Os talentos humanos são extremamente importantes e possuem um valor estratégico, pois são detentores do conhecimento, mas como manter esses talentos em uma instituição onde o coordenador não possui autonomia para a escolha da formação de sua equipe, nem recebe do mantenedor o pessoal qualificado para preencher o quadro de funcionários do qual é necessário para o funcionamento adequado do polo? Palavras chave: educação a distância; gestão democrática; colaborador; capital intelectual. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 196 CONSIDERAÇÕES INICIAIS Durante o curso de Gestão de Polos, foram apresentados muitos assuntos interessantes sobre educação à distância, formas de gestão, políticas públicas, financiamento da educação etc. Dentre eles, buscou-se escolher a linha de pesquisa: Gestão de Polos: tipos de gestão, e como tema: Gestor de polos: gestor x administrador. O gestor de polos, como no atual modelo que o governo pretende alcançar, deve ser um gestor democrático e, como tal, exercer suas atribuições de acordo com o que este modelo preceitua. Porém, é preciso analisar como se dá a formação da equipe desse gestor, de acordo com a CAPES/MEC, todos os polos devem ter uma estrutura mínima para funcionamento, estrutura física e de recursos humanos. Está claro que quem deve manter os recursos humanos de apoio administrativo é o mantenedor, no entanto não se tem notícias como são escolhidos esses colaboradores que farão parte do time do gestor. São profissionais qualificados para o exercício do cargo? O gestor tem participação na seleção dessas pessoas? Com a crescente expansão da modalidade da educação à distância, fatores como qualidade de ensino e gestão de talentos humanos são aspectos primordiais ao exercício da gestão democrática. O Polo de apoio presencial é uma extensão de uma Instituição de Ensino Superior – IES. Sendo assim, o atendimento deve ser em nível de excelência, tanto para os acadêmicos, quanto para o público em geral, pois, uma organização que tenha sucesso em seus serviços deve contar com um capital intelectual treinado, qualificado, atualizado e motivado ao seu sucesso, buscando empenho nos resultados positivos e no alcance dos objetivos gerais e específicos da organização. Os coordenadores e tutores recebem, constantemente, formação continuada, o perfil de cada um para ingresso é estabelecido pelo CAPES/MEC com muitas exigências e atribuições. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 197 Essa pesquisa é relevante para apurar o perfil dos colaboradores que atuam nos polos que atendem a modalidade EaD. A partir dessas indagações com as quais esse trabalho foi construído, pretende-se verificar as respostas a essas perguntas no decorrer da aplicação de questionários aos profissionais que fazem parte da área administrativa dos polos de apoio presencial. O método de abordagem a ser utilizado na pesquisa será, predominantemente, o hipotético-dedutivo, isto é, partindo de uma hipótese de trabalho, cuja validade será testada, a partir da análise do questionário, confirmando-a ou refutando-a. Foi escolhido, como instrumento a ser adotado, um questionário aplicável aos profissionais que trabalham nos polos de apoio presencial na área administrativa: secretaria, técnico de informática, auxiliar de biblioteca e outros. A princípio, pretende-se contemplar todos os polos participantes do curso de Gestão de Polos. As formas escolhidas para enviar o questionário foram: Plataforma AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem-Fórum de discussão e via e-mail. O objetivo principal desta pesquisa é conhecer o perfil dos colaboradores que desempenham suas funções nos polos Sabe-se que os colaboradores da área administrativa que fazem parte dos polos de apoio presencial são cedidos pelos mantenedores. Provavelmente, não há uma preocupação com o desempenho e com a qualidade desses profissionais, pois, a escolha dos mesmos pode se dar por motivos políticos, por pedidos de favores ou, até mesmo, por não estarem adequados em determinada instituição e, não tendo outra colocação para oferecer, enviam para o polo. Por conta disso, os profissionais podem chegar ao polo sem a formação mínima para o exercício do cargo para o qual foram designados, como, por exemplo: secretária e técnico de informática. O coordenador de polos, por sua vez, recebe esses colaboradores para fazer parte de sua equipe de trabalho e suprir as necessidades referentes aos recursos humanos que são exigidos pelo CAPES/MEC, para que o polo possa funcionar de acordo com a legislação em vigor. No entanto, não se sabe se eles irão ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 198 desempenhar suas atribuições de acordo com a qualidade e especificidade que a função exige, haja vista não estarem capacitados, quando de seu ingresso. Pressupõe-se que o gestor não participe da seleção desses profissionais, nem que seja feita uma entrevista e uma avaliação de seu perfil. Diante dessas suposições, os polos podem não estar adequados no quesito recursos humanos (área administrativa), conforme preceitua a CAPES/MEC, para o desenvolvimento e prestação de serviços aos acadêmicos, aos discentes e comunidade em geral, pois, se falta mão de obra qualificada, logo, não é oferecida excelência no atendimento e ao que se propõe um polo de apoio presencial. A gestão de um polo fica comprometida no que se refere aos recursos humanos. O tempo para realização desta pesquisa obedeceu aos prazos estipulados pela ementa da disciplina do curso de Gestão de Polos. Os principais autores que embasaram este artigo foram: Lima (2007), Ribeiro, Luciano e Iriondo, Walter (2010), Dutra (2001) e Nonaka e Takeushi (1997). Assim, serão discutidos alguns de seus conceitos referentes à gestão democrática, gestão de pessoas e excelência em Gestão Pública. No capítulo Gestor Democrático ou administrador burocrático, a seguir, será demonstrado o perfil dos trabalhadores dos polos de apoio presencial e, finalmente, a apresentação das considerações finais. 1. GESTOR BUROCRÁTICO? DEMOCRÁTICO OU ADMINISTRADOR Atualmente, pode-se perceber o quanto é importante para a qualidade do ensino à distância a escolha de seus recursos humanos. Os órgãos públicos estão empenhados em melhorar a gestão pública no Brasil. Há um grande esforço do governo federal denominado “GESPÚBLICA” que visa a melhorar gestão pública, em busca da excelência. Os princípios fundamentais desse modelo da Excelência em Gestão Pública são: planejamento estratégico, ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 199 liderança, conhecimento, melhoria dos processos, desenvolvimento e Gestão de Pessoas, comunidades e cidadãos. Os fundamentos da gestão pública de excelência são valores essenciais que caracterizam e definem a gestão pública como gestão de excelência. Não são leis, normas ou técnicas, são valores que precisam ser paulatinamente internalizados até se tornarem definidores da gestão de uma organização pública (LIMA, 2007, p. 8). As pessoas são a base da gestão, não importando se é privada ou pública, e no caso da Gestão Pública, os servidores e colaboradores são as partes principais no processo. É preciso, pois, valorizar essas pessoas, a fim de obter melhores resultados desse modelo de gestão. Segundo os autores Ribeiro e Iriondo (2010, não paginado), ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 200 O papel do Gestor de Polo é garantir que os processos administrativos e acadêmicos, assim como as suas relações, funcionem em total sinergia. [...] sem o correto alinhamento entre as necessidades acadêmicas e o suporte da parte administrativa, os cursos ofertados enfrentarão dificuldades de execução, mas, como a contratação de um profissional pedagógico não é obrigatória, o Gestor precisa assumir também o acompanhamento do curso. Isto exige um papel acadêmico do Gestor, ou seja, o Gestor do Polo não pode se afastar dos processos de ensino aprendizagem que ocorrem nos polos, concentrando o esforço e atuação apenas em questões administrativas. No que diz respeito à gestão dos Recursos Humanos, essa atividade há alguns anos voltou-se para questões estratégicas, onde a preocupação maior passou a ser o desenvolvimento de competências, reconhecendo as pessoas como fundamentais nos processos e garantindo a excelência. Os talentos humanos de uma organização possuem um valor estratégico, por serem detentoras do conhecimento vital para o sucesso dos processos. A permanência das mesmas está associada às condições de trabalho, é preciso reconhecer a necessidade de desenvolvimento e desafios a serem propostos a cada colaborador. O conceito de gestão do conhecimento parte do princípio de que todo o conhecimento existente na organização, na cabeça das pessoas, nas veias dos processos e no coração dos setores, pertence também à organização. Logo, todos os colaboradores que contribuem para esse sistema podem usufruir de todo conhecimento presente na organização Conforme ressalta Dutra (2001, p. 113): ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 201 [...] é a possibilidade na atualidade dos gestores utilizarem da modalidade de EAD, para ampliar a formação, estimulando o desenvolvimento de competências, e reconhecendo esta modalidade como ferramenta na formação contínua, pois “estamos perante uma nova realidade em que mais do que nunca, se recoloca a necessidade de integrarmos os universos educacionais e tecnológicos”. Nota-se que o desenvolvimento de competências também faz parte desse novo modelo de gestão, e o coordenador de polos deve estar atento a todas essas informações para poder gerir de forma condizente na busca da qualidade dos serviços de seus colaboradores. A gestão democrática deve ser seguida pelo coordenador de polo para poder desenvolver suas atribuições, conforme determina a legislação em vigor. Os funcionários são cedidos pelo mantenedor para atender e dar suporte ao pólo, dentre eles: secretária, auxiliar de biblioteca, técnico de informática, serventes, vigilantes. Com base nesses dados há que se questionar de que forma se dá a escolha para esses cargos, quais os requisitos são levados em consideração, quando o mantenedor coloca esse pessoal para trabalhar nos polos. O coordenador tem o poder de escolher, fazer uma entrevista, um teste de aptidão para saber se esse funcionário está habilitado a desempenhar sua função? Qual o grau de instrução exigida para esses funcionários? De que forma a democracia será exercida pelo coordenador se este não tem autonomia mínima que é a formação da sua equipe de trabalho? Qual é o perfil dos colaboradores de um polo? Para Nonaka e Takeushi (1997), a Gestão do Conhecimento se dá no processo de criação do conhecimento, pois existe uma interação entre os meios externo e interno, onde o conhecimento externo acumulado é compartilhado dentro da organização e integrado aos seus ativos intangíveis. A partir daí o conhecimento acumulado é utilizado para o desenvolvimento de serviços, ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 202 tecnologias e produtos, que serão absorvidos pelo mercado. Assim esse processo tem como alicerce os métodos de conversão do conhecimento tácito e explícito, e cria, a partir desses métodos, uma interação contínua entre eles, que é chamada de espiral do conhecimento. Após esta explanação sobre os tipos de Gestão, pode-se perceber que não é tarefa simples para o gestor democrático fazer uso desses modelos de gestão, ainda mais em se tratando de esfera pública. 2. ANÁLISE DE DADOS A análise e interpretação dos dados apresentam as seguintes finalidades: estabelecer uma compreensão dos dados coletados, confirmar ou não os pressupostos da pesquisa, como também ampliar o conhecimento sobre o assunto pesquisado. Neste sentido, apropriando-se dos dados coletados, desenvolver algumas reflexões acerca dos temas propostos expressados nesta parte do trabalho. Para ilustrar, é interessante observar o quadro a seguir: Recursos humanos Coordenador de Polo: responsável pela parte administrativa e pela gestão acadêmica Tutor Presencial Técnico de laboratório pedagógico, quando for o caso Técnico em Informática Bibliotecária Auxiliar para Secretaria Note-se que esse é o mínimo que um polo precisa em termos de recursos humanos; destes, a UAB oferece bolsas aos coordenadores e aos tutores, aos demais a mantenedora é a responsável pela remuneração. Segundo a pesquisa, a maioria dos trabalhadores que estão atuando no polo são professoras do ensino fundamental e séries ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 203 iniciais, sendo que a instituição de origem dos mesmos é a prefeitura, através da secretaria de educação. As funções para as quais foram designadas são: secretária, auxiliar de biblioteca, assessora administrativa, auxiliar de biblioteca, técnico de informática, responsável técnico e orientadora pedagógica. Vale destacar que para o cargo de secretária algumas estão acumulando a função de auxiliar de biblioteca e, ainda, os cargos de assessora administrativa e orientadora pedagógica não fazem parte da exigência mínima necessária ao funcionamento dos polos. A carga horária cumprida no polo é a mesma de origem: sessenta por cento estão disponíveis quarenta horas semanais, destes aparecem uma jornada suplementar de vinte horas (cargo em comissão) dos quarenta por cento restantes, vinte por cento Funcionário público Concursado não 30% sim 70% com vinte horas e vinte e cinco horas respectivamente. Figura 01 – Elaborada pela autora baseada nos dados da pesquisa Conforme representado no gráfico, setenta por cento são funcionários públicos concursados, os trinta por cento restantes são cargos de confiança ou cargo em comissão. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 204 Quanto à escolaridade, setenta por cento possuem graduação concluída, vinte por cento cursando, dez por cento nenhuma graduação e pós-graduação quarenta por cento concluíram e vinte por cento estão cursando. Sobre a forma de ingresso no polo nota-se que não há essa preocupação por parte do mantenedor com a qualificação dos colaboradores que serão ofertados ao polo, pois, oitenta por cento não participaram de qualquer seleção, vinte por cento disseram ter passado uma seleção. Outro ponto a ser destacado é referente à participação de entrevista quando de seu ingresso no polo, conforme se observa no gráfico abaixo: Entrevista com a coordenadora do Polo Sim 30% Não 70% Figura 02 – Elaborada pela autora baseada nos dados da pesquisa Um aspecto relevante para a qualidade no desempenho das funções, questionada na questão em que se pergunta se houve algum tipo de teste para comprovar o desempenho na função, oitenta por cento responderam que não e apenas vinte por cento afirmaram que sim. Porém, pode-se constatar que, de acordo com as respostas, colocou-se que o teste era análise de currículo e experiência comprovada em carteira de trabalho. Sabe-se, no ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 205 entanto, que esses procedimentos não configuram testes, apenas demonstra que o mantenedor não está preocupado se o profissional está apto ou não e, sim, que está cumprindo com uma obrigação de conceder um funcionário para o polo. Quanto ao desempenho do mesmo, fica a cargo do gestor, pois é ele quem terá que dar conta das diversas atividades desenvolvidas a seu comando. A capacitação foi outro ponto a ser analisado e o resultado está ilustrado no gráfico a seguir: Receberam capacitação Sim 20% Não 80% Figura 03 – Elaborada pela autora baseada nos dados da pesquisa Oitenta por cento não receberam nenhum tipo de capacitação, vinte por cento afirmaram ter recebido capacitação para auxiliar de biblioteca, ministrada pela UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Importante destacar que, referente às atribuições desempenhadas, a maioria descreveu suas tarefas de acordo com o fazer de cada um dos cargos. Um ponto bem significativo foi a questão do responsável pela carga horária desses trabalhadores, já que, apesar de atuarem diretamente no polo, sessenta por cento disseram ser a prefeitura a responsável pela sua carga horária, apenas quarenta por cento, a coordenadora do polo. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 206 As atribuições do coordenador do polo estão muito claras para os profissionais que atuam no polo, cem por cento conseguem vislumbrar toda a gama de atividades que estão sob a responsabilidade do gestor, exemplificando: • acompanhar e coordenar as atividades docentes, discentes e administrativas do polo; • garantir às atividades da UAB a prioridade de uso da infraestrutura do polo; • participar das atividades de capacitação e atualização; • elaborar e encaminhar à UAB/DED/CAPES, relatório semestral das atividades no polo, ou quando solicitado; • elaborar e encaminhar à coordenação do curso, relatório de frequência e desempenho dos tutores e técnicos atuantes no polo; • acompanhar as atividades de ensino, presenciais e a distância; • acompanhar e gerenciar o recebimento de materiais no polo, e a entrega dos materiais didáticos aos alunos; • zelar pela a infraestrutura do polo; • relatar problemas enfrentados pelos alunos ao coordenador do curso; •articular, junto às IPES presentes no polo de apoio presencial, a distribuição e o uso das instalações do polo para a realização das atividades dos diversos cursos; • organizar, junto com as IPES presentes no polo, calendário acadêmico e administrativo que regulamente as atividades dos alunos no polo; • articular-se com o mantenedor do polo com o objetivo de prover as necessidades materiais, de pessoal e de ampliação do polo; • receber e prestar informações aos avaliadores externos do MEC. Foi considerada democrática a atuação do coordenador do polo. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 207 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com a crescente expansão da modalidade da educação a distância, fatores como qualidade de ensino e gestão de talentos humanos são aspectos primordiais ao exercício da gestão democrática. O Polo de apoio presencial é uma extensão de uma Instituição de Ensino Superior – IES. Sendo assim, o atendimento deve ser em nível de excelência, tanto para os acadêmicos, quanto para o público em geral, pois, uma organização que tenha sucesso em seus serviços deve contar com um capital intelectual treinado, qualificado, atualizado e motivado ao seu sucesso, buscando empenho nos resultados positivos e no alcance dos objetivos gerais e específicos da organização. Os coordenadores e tutores recebem, constantemente, formação continuada. O perfil de cada um, para ingresso, é estabelecido pelo CAPES/MEC com muitas exigências e atribuições. Através da pesquisa realizada, foi apurado o perfil dos colaboradores que atuam nos polos que atendem a modalidade EaD. A partir da análise dos resultados pode-se constatar que os pesquisados foram contratados através das prefeituras, sendo a maioria concursada, alguns são cargos em comissão. A coordenadora dos polos não participa do processo de escolha das pessoas que farão parte da sua equipe, não são realizados testes para comprovação de desempenho. A maioria são graduados e/ou pós-graduados, outros cursando alguma especialização. Cumprem carga horária que varia entre 40h à 20h no polo. O controle de horário é de responsabilidade das prefeituras, a minoria diz ser de responsabilidade da coordenadora do polo. Quanto às atribuições da coordenação, grande parte está ciente dos trabalhos pertinentes à gestora. Afirmam ainda que consideram democrática, participativa e dialogada as ações desenvolvidas pela coordenadora do polo. Percebe-se a dificuldade que os polos enfrentam quanto ao quesito de recursos humanos. Poucas secretárias e técnicos de informática retornaram os questionários. Conclui-se, assim, que ou ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 208 os polos não possuem esses profissionais, ou algum outro motivo os levaram a não responder. A relevância dessa pesquisa é poder vislumbrar se os polos estão adequados aos padrões mínimos exigidos pelo MEC/CAPES, para seu funcionamento, bem como se os profissionais estão atendendo a demanda que o polo necessita para realizar um trabalho de qualidade, participativo e democrático. Quando alguém entra numa instituição o diploma sem dúvida possui seu valor, porém, a partir do momento que passa a fazer parte dela ela exigirá do profissional algo mais como: postura, valores, coletividade, ética, liderar suas emoções, capacidade de sonhar e, sobretudo, estar em sintonia com o objetivo final com os valores da mesma, ou ainda, procurar se adequar ao perfil profissional. Acredita-se que não dá mais para imaginar o ser humano como um predador, lutando sozinho, olhando apenas para si mesmo, com certa dose de egoísmo. Tem a necessidade de repensar as atitudes. Ninguém é feliz sozinho, o sucesso não ocorre por acaso, sempre se traz alguém junto. É como a carreira profissional, para crescer precisa levar em consideração o outro. Está na hora de reeducar as atitudes, educar para a sensibilidade. Uma educação que mostre que, além de nós existe o outro com quem se aprende a ser o que é! Como resultado apresenta-se o cenário atual quanto aos trabalhadores da área administrativa dos polos de apoio presencial, deixando como margem de pesquisa as opções de novas investigações nos sistemas de recursos humanos na educação a distância. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 209 REFERÊNCIAS BRASIL. Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização – Documento de referência 1. Brasília: MP, 2009. DAVENPORT, T. H. Reengenharia de processos: como inovar na empresa através da tecnologia da informação. Rio de Janeiro: Campus, 1994. DUTRA, J. S (Org.). Gestão por competências: um modelo avançado para o gerenciamento de pessoas. São Paulo: Gente, 2001. LIMA, P. D. B. Excelência em Gestão Pública: a trajetória e a estratégia do Gespública. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2007. MINAYO, M, C. S. et al. Pesquisa social: teoria método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 1994. PAULA, A. P. P. Por uma Nova Gestão Pública: limites e potencialidades da experiência contemporânea. Rio de Janeiro: FGV, 2005. RIBEIRO, L.; IRIONDO, W. Introdução a Gestão Pública – Unidade I. Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2010. TERRA, J. C. Gestão do conhecimento: o grande desafio empresarial. São Paulo: Negócio, 2001. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA FERREIRA, L. S. Metodologia do Trabalho Científico e Produção textual. Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2011. FERREIRA, L. S.; FERREIRA, M. P. Metodologia do Trabalho Científico e Produção textual: buscando qualificar a escrita textual. Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2011. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 210 ANEXOS ANEXO 1: QUESTIONÁRIO APLICADO QUESTIONÁRIO 01)Nome: _______________________________________ 02)Função de origem_______________________________ 03)Instituição de origem:____________________________ 04)Nome do Polo:_______________________Função que exerce no pólo:________________________________________ 05)Carga horária total ______________________________ 06)Carga horária no pólo;____ 07)Funcionário público? ( ) sim ( ) não Concursado? ( ) sim ( ) não Contratado? ( )sim ( ) não Cargo de confiança? ( ) sim ( ) não Outros Quais? ______________________________________ 08)Escolaridade: Ensino médio: ( ) Curso técnico: ( ) Qual? _____________ Graduação ( ) Cursando( ) Concluída ( ) Qual?_________ Pós-Graduação: ( ) Especialização ( ) Cursando ( ) Concluída ( ) Qual? ___________________ Cursando ( ) Concluída ( ) Qual?___________________ Cursando ( ) Concluída ( ) Qual? ___________________ Mestrado ( ) Cursando ( ) Concluído ( ) Qual? _______ Doutorado ( ) Cursando ( ) Concluído ( ) Qual?_______ 09)Foi realizada algum tipo de seleção para ingresso no pólo? ( ) sim ( ) não ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 211 10)De que forma se deu seu ingresso no pólo?___________ 11)Houve algum tipo de entrevista com a coordenadora do pólo para seu ingresso? ( ) sim ( ) não 12) Houve algum tipo de teste para comprovar seu desempenho na função? ( ) sim ( ) não 13) Recebeu curso de capacitação para o exercício da função? ( ) sim ( ) Não Qual?_________________________________ Que instituição ministrou?_________________ Carga horária: __________________________ 14) Descreva suas atribuições no pólo:__________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ __________________________________________________ 15) Quem é o responsável pelo controle de sua carga horária?_____________________________________________ 16) Descreva as atribuições do coordenador do polo?_______________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ __________________________________________________ 17)Você considera a atuação do coordenador democrática, ou seja, existe um trabalho participativo e dialogado? ( ) sim ( ) não Explique:________________________________________________ __________________________________________________ ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 212 ANEXO 2: Tabulação dos dados Tabela de Resultados Função de Origem Aux.adminsitrativa Professoras Técnico de informática Professora assistente de Informática Professora séries iniciais Qtd. 1 6 1 1 1 % 10% 60% 10% 10% 10% Instituição de Origem Prefeitura SMED Qtd. 7 3 % 70% 30% Função que exerce no polo: Secretária e auxiliar de biblioteca Secretária Assessora administrativa Auxiliar de biblioteca Técnico de informática Orientadora pedagógica Responsavél técnico Qtd. 2 3 1 1 1 1 1 % 20% 30% 10% 10% 10% 10% 10% 40h 20h 25h 20h 60 20 10 10 Carga horária total 6 2 1 1 6 2 1 1 ÍNDICE Carga horária no polo 40h 20h 22h 20h + 20h jornada suplementar Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 60% 20% 10% 10% 213 Funcionário Público Concursado Não concursado Cargo de confiança Cargo em comissão 5 3 1 1 50% 30% 10% 10% 7 2 1 4 2 70% 20% 10% 40% 20% Seleção para ingresso no polo 2 8 20% 80% Escolaridade graduação Cursando graduação Magistério Pós graduação Cursando pós graduação Sim Não Como se deu o ingresso no polo A pedido da coordenação 3 Cedida pela Smed 1 Troca de setor 1 Enviada pela prefeitura 5 Sim Não 30% 10% 10% 50% Entrevista com a coordenadora do polo 3 7 30% 70% Realizado teste para ingresso Sim Não Sim Não ÍNDICE 2 8 Realizado algum tipo de capacitação - Qual 2 – Capacitação para Auxiliar de Biblioteca pela UFRGS 8 Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 20% 80% 20% 80% 214 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NA ATUALIDADE: CONTRIBUIÇÕES DO SISTEMA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL PARA O ACESSO À EDUCAÇÃO SUPERIOR AUTORA: Rosemary Rickes Leitzke PROFESSORA ORIENTADORA: Maria de Fátima Santos da Silva RESUMO O presente artigo abordará a relevância e abrangência da Educação a Distância (EaD), em localidades distantes, através do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), na modalidade de Ensino de Distância em nosso país. No sentido de aprofundar o conhecimento sobre a EaD, proponho este estudo, no qual será resgatada a sua história, merecendo destaque o Sistema Universidade Aberta do Brasil quanto às suas contribuições para o acesso da população à Educação Superior.O Sistema UAB tem como prioridade oferecer cursos superiores para capacitação de professores, gestores e trabalhadores em educação básica dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como cursos na área da formação continuada.Para atingir este objetivo a UAB realiza articulação entre instituições públicas de ensino superior, com a finalidade de expandir e interiorizar os cursos superiores na modalidade EaD em diferentes, estados e municípios brasileiros. Essa modalidade de ensino vem se ampliar devido às inovações de novas tecnologias de informação e comunicação possibilitando assim a população ter acesso a educação. A EaD caracteriza-se pela separação espaçotemporal entre professor e aluno.O referido trabalho utilizouse de uma pesquisa bibliográfica a qual visa contribuir para o processo de qualificação e solidificação do Sistema Universidade Aberta do Brasil, discutindo seus principais aspectos e desafios. Palavras-chave: educação a distância, UAB, contribuições na atualidade. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 215 À GUISA DE INTRODUÇÃO: BREVES APONTAMENTOS ACERCA DA HISTÓRIA DA EAD O Brasil recupera sua história em relação à EaD, conquistando adeptos e ampliando oportunidades para o povo brasileiro. A primeira década do século XXI torna-se marcante para o projeto democrático da vida brasileira, quando acontece a implantação da Universidade Aberta do Brasil, que promove, acompanha e avalia as propostas da Educação a Distância, tornando intensas as oportunidades educativas por meio da modalidade à distância. Uma das razões que facilitou a ampliação dessa modalidade educativa a EaD, no processo de ensino e aprendizagem, foi o avanço tecnológico que possibilitou o uso de diversos recursos e ferramentas de informação e comunicação entre professores e alunos. Outra razão da ampliação da EaD está associada à flexibilidade de horários para as pessoas que não dispõem de tempo integral para cursar aulas presenciais. Devido às dimensões territoriais do Brasil e o grande numero de pessoas a serem educadas, para que essa modalidade chegasse a localidades distantes, foram implantados pólos, que nada mais são do que ramificações das universidades apoiadas pelas políticas públicas para educação, contando com a colaboração dos estados e municípios. O Brasil é um país de grande extensão territorial, no qual existem lugares distantes e de difícil acesso à formação da população em nível superior. No sentido de reverter essa situação, o Brasil, a partir da década de 1990, implementa a modalidade de Educação a Distância, multiplicando práticas educativas e espaços. Legitima essa modalidade, promovendo inúmeros projetos, criando a Secretaria de Educação a Distância, que passa a fazer parte da estrutura do Ministério da Educação. São resgatadas experiências bem sucedidas que ocorrem no País, como o surgimento da radiodifusão e televisão. Uma nova ação impõe-se no cenário educacional brasileiro. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 216 A Educação a Distância no Brasil teve início em 1904, com o desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação, especialmente com o ensino por correspondência. Podemos apontar como sua primeira geração da EaD, os materiais que eram impressos e encaminhados pelo correio. A Segunda geração já apresentou o acréscimo de novas mídias como o rádio, a televisão, as fitas de áudio e vídeo, e o telefone. A terceira geração introduziu a utilização de redes de computadores, caracterizando a educação a distância online. No período de 1995 com a expansão e desenvolvimento da internet e de novas tecnologias, surge no Brasil às universidades virtuais de ensino superior (IES) em dezembro de 1996 oficializou-se a Educação a Distância com validade para todos os níveis de ensino. A EaD caracteriza-se como um instrumento rico e poderoso para a educação. Com a explosão das novas tecnologias oportuniza-se uma maior interação entre alunos e professores, possibilitando a combinação da flexibilidade da interação entre as pessoas, independente do tempo e espaço. A educação a distância é uma modalidade, importante e interessante de interação. Para defini-la melhor, tomo por base a contribuição de Moran, quando afirma que a: A educação a distância é o processo de ensinoaprendizagem, mediado por tecnologias, onde professores e alunos estão separados espacial e/ou temporalmente. É ensino/aprendizagem onde professores e alunos não estão normalmente juntos, fisicamente, mas podem estar conectados, interligados por tecnologias, principalmente as telemáticas, como a Internet. Mas também podem ser utilizados o correio, o rádio, a televisão, o vídeo, o CDROM, o telefone, o fax e tecnologias semelhantes (MORAN, 2009, p.17). Ainda para Moran, a forma de ensinar e aprender, presencial e virtualmente, em razão das mudanças que vêm ocorrendo na sociedade e no mundo do trabalho, necessita ser reinventada, pois ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 217 os modelos tradicionais são cada vez mais inadequados a essa nova realidade. O autor acrescenta, também, que o presencial se virtualiza e a distância se presencializa: Os encontros em um mesmo espaço físico se combinam com os encontros virtuais, à distância, através da Internet. E a educação a distância cada vez aproxima mais as pessoas, pelas conexões on-line, em tempo real, que permite que professores e alunos falem entre si e possam formar pequenas comunidades de aprendizagem (MORAN, 2009, p. 17). Isso traz uma série de desafios para o professor, bem como para os alunos, afinal, temos uma tradição escolar marcada pela oralidade, pelo contato físico, o que não é possível em muitos momentos na educação a distância, fazemos uso de outras ferramentas e recursos. Essas novas ferramentas utilizadas em EaD, fazem com que o professor necessite de qualificação constante, pois a cada dia surgem novos recursos, e não só o educador precisa adaptar-se a eles mas o aluno também. O aluno mais do que nunca precisa gerenciar de forma eficaz seu tempo de estudo, pois uma das principais características do aluno em EaD é a autonomia. Muitos alunos de EaD já estão inserido no mercado de trabalho, e com pouco tempo para freqüentar aulas presenciais da educação tradicional, procuram nessa nova modalidade de educação a praticidade e flexibilidade de se qualificar para o mercado exigente e muito competitivo. Essa inovação da educação na forma de aprender, conta com uma troca conjunta de conhecimento entre professor e aluno na construção do conhecimento. De acordo com Behrens, ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 218 Num mundo globalizado, que derruba barreira de tempo e espaço, o acesso à tecnologia exige atitude crítica e inovadora, possibilitando o relacionamento coma sociedade como um todo. O desafio passa por criar e permitir uma nova ação docente na qual professor e alunos participam de um processo conjunto para aprender, de forma criativa, dinâmica e encorajadora, e que tenha como essência o diálogo e a descoberta (2000, p. 78). O professor de EaD sabe que o alunos dessa modalidade são autônomos e para que haja interesse e encorajar essa aprendizagem o professor deve utilizar diversos recursos e material didáticos que propicie a curiosidade e a criatividade da aprendizagem do aluno. Mas, para que esse processo de aprendizagem se legitime, o material didático tem que proporcionar estimulo e influenciar o aluno a pesquisar e participar do ambiente virtual. Apesar da distância entre aluno e professor estabelece-se um diálogo de confiança entre ambos, através do ambiente virtual de aprendizagem (AVA) na plataforma Moodle, destaca-se o fórum, as tarefas e o Chat (bate papo). O fórum permite que tanto o professor quanto os alunos realizem as tarefas postadas e assim, todos são envolvidos em torno do assunto proposto. 1. POLÍTICAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: A CRIAÇÃO DO SISTEMA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL No Brasil, a modalidade de educação a distância nos moldes como se apresenta hoje, foi amparada nas bases legais pela LDB Lei nº 9394, de 20 de dezembro de 1996, mais especificamente no Artigo 80, onde diz que o Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 219 O Artigo 80 da LDB estabeleceu que a educação a distância, será oferecida por Instituições credenciadas pela União, a qual regulamenta os requisitos para elaboração de exames e diplomas. Com relação às normas de produção, controle e avaliação desses programas, os sistemas de ensino poderão contribuir com materiais próprios para uma integração entre os sistemas. "Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada.§ 1° A educação a distância, organizada com abertura e regime especiais, será oferecida por instituições, especificamente credenciadas pela União.§ 2° A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância.§ 3° As normas para produção, controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação caberão aos respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas.§ 4° A educação a distância gozará de tratamento diferenciado que incluirá:I custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens;II - concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas;III reserva de tempo mínimo, sem anus para o Poder Público, pelos concessionários de canais comerciais. "53 O Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro 2005, que regulamenta a educação a distância no Brasil, caracteriza a modalidade de educação a distância como espaço educacional no 53 ÍNDICE Disponível em: Site da CAPES : http://www.uab.capes. gov.br Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 220 qual a mediação didático–pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. O Projeto Universidade Aberta do Brasil – UAB – foi criado pelo Ministério da Educação, em 2005, para a articulação e integração de um sistema nacional de educação superior a distância, em caráter experimental, formado por instituições públicas, as quais levarão ensino superior público de qualidade aos municípios brasileiros das mais diferentes localidades. Podemos salientar que a UAB, enquanto política publica educacional surgiu basicamente para suprir a carência de vagas no ensino superior, promovendo a democratização ao acesso a educação, mas o que se destaca nesse trabalho é a interiorização da educação superior através de parcerias firmadas entre governo federal e universidades públicas para atuarem em regiões estratégicas, ou seja, distante dos grandes pólos educacionais. 2. OS POLOS DE APOIO PRESENCIAIS DA UAB Para funcionar como um elo entre universidades, governo federal e a esfera municipal, conforme disposto no Decreto n° 5800/06 foram implantados polos de apoio presenciais como unidades operacionais dos cursos e programas ofertados a distância do sistema UAB. Quanto a estrutura de um polo de apoio presencial, foram delegadas ações para nortear os seus mantenedores, Estados e/ou Municípios, o de organizar e oferecer recursos de investimentos que deverão ser feitos na adequação de um prédio público, para que nele possa ser estalado um polo de apoio presencial da UAB. Fica também a critério, e por responsabilidade dos mantenedores a contratação do pessoal para as atividades desenvolvidas no pólo. Os polos deveram oferecer uma infra-estrutura física, tecnológica e pedagógica para que os alunos possam acompanhar os cursos a distância. Os alunos nos ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 221 polos de apoio presenciais podem contar com acompanhamento e orientação para estudos. Os objetivos dos polos de apoio são de oferecer um espaço físico de estudo aos alunos de cada região, mantendo as instalações físicas necessárias para atender os mesmos em questões tecnológicas, laboratorial, administrativas e contar com um acervo bibliográfico. Alem da infra-estrutura física o polo presencial, segundo a CAPES tem que oferecer recursos humanos mínimos para um bom andamento entre eles: coordenador de Pólo que é responsável pela parte administrativa e pela gestão acadêmica, tutor presencial, técnico de laboratório pedagógico, técnico de informática, bibliotecária e auxiliar para secretaria. No gráfico abaixo temos como perceber a abrangência total de polos em todo território brasileiro conforme dado coletado na pagina da CAPES54. O numero total é de 584 pólos, divididos em regiões conforme ilustração gráfica. Total de Polos UAB no Brasil 1º Norte 46 83 2º Nordeste 108 3º Sudeste 192 155 4º Sul 5º Centro-Oeste Gráfico 1: Demonstrativo do número total de Pólos do sistema UAB no Brasil. Divisão e numero de pólos distribuídos nas regiões do Brasil pela UAB: 54 ÍNDICE Disponível em: http://www.uab.capes.gov.br Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 222 Conforme observamos no gráfico a região onde possui o maior número de polos é o nordeste devido à grande falta de qualificação dos jovens e adultos. A EaD vem ajudar a reverter o quadro histórico da região que sempre teve um nível alto de estudantes sem qualificação. E através das novas políticas públicas de interiorização e expansão da educação. O governo junto com estados e municípios, desenvolvem programas sociais visando atingir e melhorar a distribuição de benefícios a população. Região 1º Região Norte 2º Região Nordeste 3º Região Sudeste 4º Região Sul 5º Região Centro-Oeste Número de Polos 83 polos 192 polos 155 polos 108 polos 46 polos Tabela 1: Tabela representativa do gráfico I Os cursos oferecidos pela Universidade Aberta do Brasil em EaD são em torno de 933, divididos em Bacharelados, Especialização, Licenciatura, Aperfeiçoamento, Extensão, Tecnólogo, Formação Pedagógica e Seqüencial, conforme dados coletados na pagina da CAPES55, e ilustrado no gráfico abaixo. Total de Cursos Oferecidos pela UAB no Brasil 116 93 1º Região Norte 165 342 2º Região Nordeste 217 Gráfico 2: Demonstrativo do número total de cursos do sistema UAB no Brasil. 55 ÍNDICE Disponível em: http://www.uab.capes.gov.br Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 223 Regiões que ofertam os cursos da EaD/UAB citados abaixo: Região Total de Cursos 1º Região Norte 93 cursos 2º Região Nordeste 342 cursos 3º Região Sudeste 217 cursos 4º Região Sul 165 cursos 5º Região Centro-Oeste 116 cursos Tabela 2: Tabela representativa do gráfico II. Quando pensamos a distribuição desses cursos no cenário nacional, podemos perceber que a grande maioria são ofertados na região nordeste, a qual historicamente tem dificuldades para o acesso ao ensino superior, pois devido a vários fatores, mas um desses é a grande evasão escolar geralmente causada pela falta de condições econômicas da família de manter os filhos na escola, já que o trabalho dos filhos garantiria a sobrevivência familiar. A população da região nordeste viu na EaD uma oportunidade de quebrar paradigmas e evoluir sua historia na educação de qualidade para todos, pois os alunos de educação a distância têm idades e qualificações diferentes, a maioria é adulta e trabalha e a educação acaba sendo a atividade secundária. Mesmo não sendo a prioridade do momento, mas tendo a disponibilidade e a facilidade de ter os conteúdos 24horas por dia, nos 7 dias da semana em casa ou em um pólo de apoio estão buscando se qualificar para o mercado de trabalho visando melhorar sua classe econômica. Ressaltei a região nordeste como exemplo, pois sempre foi considerada uma região pobre em vários aspectos no cenário nacional. Mas o crescimento da EaD tem sido observado em todos os estados brasileiros, e vem estimulando a diminuição da grande desigualdade social existente, visto que oferece acesso a educação às pessoas com diversos tipos de dificuldades para se deslocar aos grandes centros. O Estado, por meio de leis, garante aos cidadãos essa ascensão facilitando a expansão da EaD em todo o Brasil. Através dos avançados tecnológicos de informação esta modalidade de ensino acaba e aproxima o aluno do professor através dos encontros virtuais, a distância pela internet. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 224 Número de Instituições ligadas a Educação a distância pela UAB: Instituições ligadas a UAB 15 1º IFES 2º Univers idades 77 Gráfico 3: Demonstrativo do número total de Instituições ligadas a UAB no Brasil. Para ressaltar o crescimento da EaD, e conforme as 56 informações obtidas na página da CAPES-UAB , e representadas nos gráficos acima podemos constatar um avanço em todo território brasileiro em oportunizar educação a população menos favorecida do nosso País. Atualmente no Brasil contamos com 584 pólos de apoio a Educação a Distância na modalidade de Universidade Aberta no Brasil. Esses pólos estão distribuídos em varias cidades do norte ao sul do Brasil oferecendo oportunidades de educação superior para grande parte da população. Os dados coletados são os seguintes. As instituições públicas de ensino superior integradas no sistema UAB na modalidade EaD, atualmente esta em torno de 92 sendo 15 IFES e 77 universidades, conforme pagina da CAPES, todos tem como objetivo um publico alvo para o desenvolvimento dos municípios e estados. A Portaria n° 873, de 7 de abril de 2006, autorizou a oferta de cursos superiores a distância nas Instituições 56 ÍNDICE Disponível em: http://www.uab.capes.gov.br Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 225 Federais de Ensino Superior fomentados pelo MEC. O sistema UAB tem como objetivo a expansão e o acesso à educação superior pública, entre as mais diferentes regiões do País, com isso proporcionará a redução da desigualdade de oferta de ensino superior. O Ministério da Educação através da Portaria n° 873 resolve. “Art. 1o. Autorizar, em caráter experimental, com base no art. 81 da Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, a oferta de cursos superiores a distância nas Instituições Federais de Ensino Superior, no âmbito dos programas de indução da oferta pública de cursos superiores a distância fomentados pelo MEC.Parágrafo Único. A autorização experimental definida no caput não substitui o ato de credenciamento definitivo para a oferta de cursos superiores a distância, e tem prazo de vigência de 2 (dois) anos. Art. 2o. As Instituições Federais de Ensino Superior que até a data desta Portaria não protocolizaram processo de credenciamento para oferta de cursos superiores a distância junto ao MEC, deverão fazê-lo, no prazo de 90 (noventa) dias,no Sistema SAPIEnS, e estarão submetidas aos procedimentos definidos pela Secretaria de Educação Superior. As Instituições Federais credenciadas para ofertar cursos a distância no sistema UAB, deverão expedir os diplomas e certificados de cursos a distância, e terão validade nacional e respeitarão a duração mínima definida nas Diretrizes Curriculares Nacionais de cada área. CONSIDERAÇÕES FINAIS No Brasil a Educação nunca foi difundida como se vê atualmente, onde o Estado junto com o governo desenvolve ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 226 programas sociais visando melhorar a distribuição de benefícios para a população. No Brasil, hoje a educação mesmo que de forma desigual é ofertada a todos, podendo trazer mudanças para a população em vários aspectos, mas principalmente cultural e social. A aposta do governo federal tem sido investir em um sistema descentralizado, onde todos têm papel central e os estados e os municípios atuam de forma intensa para o sucesso do programa, assim como as Universidades e o MEC, por meio da CAPES. Podemos dizer que a introdução do Sistema Universidade Aberta do Brasil tem um papel central nas transformações que se processam na forma como está colocado o ensino a distância em nosso país, o que só é possível em função do desenvolvimento tecnológico que cria as condições para que processos de aprendizagem aconteçam. Observa-se que há um aumento muito grande no número de pessoas que estão participando da educação a distância, isso irá trazer em longo prazo uma série de alterações, melhoria das condições de vida. A EaD teve um crescimento em todas as regiões de norte a sul do Brasil. Principalmente as regiões que, historicamente, apresentam maiores desafios no que tange ao acesso ao ensino •superior estão tendo melhorias com as mudanças que estão acontecendo nos últimos tempos na educação ofertada na modalidade a EaD. E os avanços tecnológicos que a cada dia surgem vêem cada vez mais contribuir com a educação superior no país, com a qualidade de materiais e ferramentas para cursos de educação a distância. A EaD Apesar de trazer mudanças na relação que estabelecemos com o conhecimento (distância espacial) vem superando isso no campo das metodologias e propostas que engrendra. Mesmo virtualmente existe cumplicidade entre o professor e o aluno e um estímulo à pesquisa e à evolução do conhecimento humano. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 227 REFERÊNCIAS MORAN, J. M. Modelos e avaliações do ensino superior a distância no Brasil. Disponível em: <http://www.eca.usp.br/prof/moran/modelos1.htm>. Acesso em: fev. 2011. ARAÚJO, B.; FREITAS, K. S. (Coord.). Educação a Distância no contexto brasileiro: algumas experiências da UFBA. Salvador: UFBA, 2005. DIAZ BODERNAVE, J. E. Teleducação ou educação a distância: fundamentos e métodos. Petrópolis: Vozes, 1987. DORIA, F. A.; DORIA, P. Comunicação: dos fundamentos à Internet. Rio de Janeiro: Revan, 1999. FAINHOLO, B. Perspectivas da educação a distância no campo da educação formal e no desenvolvimento social argentino e latino-americano. Tecnologia Educacional, Rio de Janeiro, v. 22, n. 118, p. 12-20, mai./jun. 1994. GARCIA ARETIO, L. Para uma definição de educação a distância. Tecnologia Educacional, Rio de Janeiro, v. 16, n. 78-79, p. 56-61, set./dez. 1987. GENTILI, P. O discurso da qualidade como nova retórica conservadora no campo educacional. In: GENTILI, P.; SILVA, T. T. (Orgs.). Neoliberalismo, qualidade total e educação: visões críticas. Petrópolis: Vozes, 1999. GONÇALVES, M. I. R. Internet em educação. 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ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 229 QUALIDADE NA GESTÃO DE PÓLOS E O DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS NA FRONTEIRA OESTE RIO GRANDE DO SUL AUTORA: Dionara Teresinha da Rosa Aragon PROFESSORA ORIENTADORA: Maria Raquel Rodrigues Vieira RESUMO A partir de uma linha de tempo que retrata a presença dos cursos de nível superior-modalidade Educação à Distânciaoferecidos pelo Governo Federal, Universidade Aberta do Brasil (UAB), Ministério da Educação (MEC) em parceria com o Governo Municipal de Santana do Livramento, dos estudos desenvolvidos no curso de Especialização em gestão de Polos - promovido pela Universidade Aberta do Brasil e Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)-e das evidências e motivos que foram descritos e analisados na pesquisa desenvolvida durante este estudo. Apresentar-se-á neste artigo a importância do polo no desenvolvimento de pessoas, no contexto da atual realidade municipal de Santana do Livramento. Assim como os possíveis ganhos intelectuais, pessoais, profissionais e econômicos que o mesmo vem proporcionando ou poderá proporcionar aos discentes que frequentam o polo EAD/UAB e consequentemente, ao município de Santana do Livramento. Estas unidades analíticas serão interceptadas e inter-relacionadas com a gestão do polo, interface à qualidade e o processo estratégico que vem sendo utilizado pela mesma e pela administração pública municipal. Nesta investigação, busca-se “garimpar” as seguintes hipóteses de pesquisa: “o polo EAD/UAB: vem oferecendo crescimento pessoal e intelectual à sociedade santanense”; “vem contribuindo com a formação e o desenvolvimento de pessoas e, consequentemente, com o desenvolvimento econômico do município”; “representa um espaço de renovação e possibilidades na formação intelectual de pessoas na Fronteira Oeste”; “houve avanços em relação à gestão desenvolvida no polo Ead de Santana do Livramento, possibilitando através desse, parcerias com outras instituições”. Este trabalho tem como objetivo central compreender o processo de crescimento pessoal, intelectual e o desenvolvimento de pessoas no município de Santana do ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 230 Livramento, assim como suas relações com a qualidade e as estratégias de gestão do polo EAD/UAB, a administração pública e as parcerias firmadas, em especial com a Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Palavras-chave: qualidade em gestão; gestão de polos; desenvolvimento de pessoas CONSIDERAÇÕES INICIAIS Para compreender melhor o contexto desta investigação, apresentar-se-á uma linha de tempo referente ao polo de ensino superior a distância de Santana do Livramento e a presença dos cursos superiores da educação a distância, os quais constituem um marco no desenvolvimento de pessoas na fronteira oeste do Rio Grande do Sul . No ano de 1995, o Governo Municipal de Santana do Livramento empenhou-se em acolher os projetos oferecidos pelo Governo Federal, relacionados à democratização do Ensino Superior, modalidade à distância, a fim de celebrar a parceria e unir esforços para implementar neste município opções de formação e qualificação, ofertando à comunidade santanense cursos de Graduação e Pós-Graduação gratuitos, com qualidade e excelência, características das Universidades Federais. Na época, foi reconhecida a necessidade da oferta de Ensino Superior Público uma vez que além da formação de mão-de-obra qualificada também se constituiria num elemento dinamizador da economia da região, “uma das saídas para o desenvolvimento do município é investir e incentivar a qualidade de ensino” admitiu o Prefeito Wainer Machado. Em concordância com esses projetos, a presença da Universidade Aberta do Brasil(UAB), passa a garantir a construção de uma proposta que, nas palavras do ministro Fernando Haddad, citado por Segenreich (2009, p.215) empenha esforços para atuar “[..] em estreita colaboração entre as três esferas de governo, as instituições de educação superior e a sociedade civil”, constituindo um marco que representa “um divisor de águas no tocante à ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 231 solução definitiva do problema da carência de professores na educação básica, bem como da democratização do acesso dos jovens à educaçãosuperior pública, gratuita e de qualidade.” (Haddad, 2006, p.8 apud Segenreich, 2009, p. 215). Enquanto objetivo geral, a UAB surgiu para contemplar a democratização e expansão do Ensino Superior. Também, para reconhecer que a “educação a distância não se resume a uma estratégia de mercantilização e privatização do ensino e que precisa ser pesquisada intensamente em termos de sua utilização como política de Estado e em termos das novas questões de ordem institucional e pedagógica que suscita”. (Segenreich, 2009). Nesse processo e ainda considerada como uma rede experiemental, a UAB chega aos maisdiversos recantos no Brasil, dentre eles, Santana do Livramento/RS, lócus desta investigação. O município de Sant’Ana do Livramento localiza-se na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, limita-se com a República Oriental do Uruguai e forma uma área lindeira com a cidade de Rivera. A cidade que nasceu em meio às guerrilhas e disputa pela conquista do próprio território mantém um convívio harmonioso de mais de 187 anos que confere ás duas cidades um intenso intercâmbio social, cultural e econômico valendo-lhes o título de ‟Fronteira da Paz‟‟. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 232 Figura 01: Localização do Município O histórico da “Fronteira da paz” carrega oscilações entre períodos de grande prosperidade e decadência econômica. Motivo que contribui para o agravo da falta de empregos, a repulsão dos jovens para outras localidades mais desenvolvidas e a baixa oferta de formação para os profissionais. Tais fatos compuseram a emergência de um plano de desenvolvimento que priorizou a educação como uma alavanca para formar e qualificar a população, em especial, os professores que atuam nas escolas santanenses, provendo a Formação Superior Pública na área pedagógica. Esta inquietude se transformou durante o ano de 2005, nos projetos anteriormente descritos, que atualmente comtemplam a presença do Polo de Ensino Superior de Santana do Livramento EAD/UAB. O mesmo atualmente dispõe de 26 cursos desde o ensino técnico à pós-graduação, totalizando aproximadamente 863 discentes, 22 tutores, além de uma equipe de funcionários cedidos pelo município que zelam pelos serviços de secretaria, biblioteca, apoio ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 233 técnico nos laboratórios de informática, coordenação do polo e apoio de serviços gerais nas atividades desenvolvidas no mesmo. Neste espaço acadêmico, percebe-se a inclusão de um expressivo número de santanenses nos referidos cursos, o que significa desenvolvimento de pessoas no solo da Fronteira Oeste. Nesse sentido, as características culturais, sociais e econômicas possivelmente estão se modificando a partir do acesso ao conhecimento que se dá pela frequência nos cursos oferecidos pelas Universidades Públicas Federais, onde vale destacar a gratuidade e a qualidade dos mesmos. Tais características ocupam uma relevante posição no que tange às políticas públicas e a “promoção da educação de qualidade para todos como um fator de inclusão social e desenvolvimento humano e produtivo, bem como o fortalecimento das atividades econômicas nas zonas de fronteira”.(SEM, 2006-2010) Essas possibilidades que atualmente estão ao alcance da comunidade Santanense vêm aliadas à qualidade da gestão do polo, sendo essa a essência que mantém e garante a continuidade dos projetos ofertados pelo Governo Federal. “Toda a comunidade sabe que existe um pólo de ensino à distância, mas precisa saber que ele é eficiente e relevante como centro educacional na formação de novos profissionais. A divulgação dos resultados positivos e a noção dos negativos podem demonstrar a coerência e a seriedade das ações do grupo e mais uma vez o responsável é o gestor. A opinião social deve ser considerada quando de sua prática gestora, no sentido do caráter público que tal consideração representa, ligando-se ao debate de opiniões.” (Vargas, J. e Lima, R. S.,2011) Para tratar do desenvolvimento de pessoas, da gestão de pólos e da administração pública no contexto atual, pretende-se neste artigo, compreender as peculiaridades que vêm permeando a ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 234 caminhada de desenvolvimento pessoal e intelectual da parcela social que frequenta esse espaço de apoio presencial de Educação Superior à Distância, em Santana do Livramento. Para isso, fez-se uma pesquisa amparada em referenciais teóricos contemporâneos que tratam desta temática, uma análise documental a partir do Plano de Gestão do Polo, do documento oficial que integra o Polo à Universidade Federal do Pampa(UNIPAMPA), além de entrevistas com os estudantes, funcionários e gestores municipais. Para as entrevistas, organizou-se um questionário com levantamento de dados escritos, possibilitando uma análise qualitativa dos mesmos. A partir das evidências e motivos que foram descritos e analisados na pesquisa desenvolvida, apresentar-se-á neste artigo a importância do polo no para o desenvolvimento de pessoas, no contexto da atual realidade municipal, assim como os possíveis ganhos intelectuais, pessoais, profissionais e econômicos que o mesmo vem proporcionando ou poderá proporcionar aos discentes que frequentam o polo EAD/UAB e consequentemente, ao município de Santana do Livramento. Estas unidades analíticas serão interceptadas e inter-relacionadas com a gestão do polo, interface à qualidade e o processo estratégico que vem sendo utilizado pela administração pública municipal. O trabalho foi embasado a partir dos referenciais estudados no curso de Especialização em Gestão de Polos encontrados no site oficial do curso, mantido pela equipe da UFPEL; Plano de Gestão do PóloEad/UAB(2010) de Santana do Livramento (2010); Plano de desenvolvimento do município de Santana do Livramento; Plano de ação do setor educacional do MERCOSUL, 2006-2010; Documento firmado no convênio entre o Pólo EAD/UAB, UNIPAMPA(2010/2011) e o Governo Municipal de Santana do Livramento. Pretende-se, a partir das leituras desenvolvidas no curso de Especialização em gestão de Polos, da análise de documentos e dos escritos apresentados nos questionários, investigar e apontar caminhos referentes à seguinte questão de estudo: Quais os ganhos pessoais, intelectuais e econômicos que o Polo EAD/UAB de ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 235 Santana do Livramento vem oferecendo para formação e desenvolvimento de pessoas na Fronteira Oeste? Para dar sequência a esta etapa, apresentar-se-á os dados, a análise dos documentos e os possíveis ganhos e impactos que foram descobertos nesta investigação. Acredito que a pesquisa realizada, ocupa um papel importante ao divulgar resultados e construir uma “arena” de discussões e debates em torno das opiniões do grupo pesquisado57. Tais resultados poderão apontar caminhos significativos, além de contribuírem no avanço da educação, em especial a que vem se desenvolvendo no referido polo. 1. GANHOS INTELECTUAIS, PESSOAIS, PROFISSIONAIS E ECONÔMICOS: DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS E A QUALIDADE DE GESTÃO DE POLOS. 1.1 Os Ganhos Intelectuais: a formação e o desenvolvimento de pessoas no solo da fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Ao descrever a relação entre os cursos de graduação e de pós-graduação e os ganhos intelectuais que os mesmos lhes oferecem, os discentes mostraram a satisfação com esta nova possibilidade, que lhes permite estudar em Universidades Federais na própria cidade. Nos excertos abaixo, é possível vislumbrar as realizações orientadas pelos ganhos intelectuais: 57 Os entrevistados receberão o tratamento por E1, E2, E3 e assim por diante, como legenda da palavra Entrevistado1, Entrevistado2,etc. Os gestores serão tratados por G1, G2,etc. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 236 “O desenvolvimento intelectual é o bem maior que temos e ainda mais na minha profissão, é um ganho extraordinário porque permite que através das leituras se possa descobrir uma não, mas várias informações que auxiliam na caminhada profissional. “ (E1) “Determinadas disciplina estão colaborando e muito , pois os conteúdos são colocados de forma clara, com exemplos pertinentes e avaliação ao final do curso também, ou seja , há coerência em tudo.”(E2) “Acredito que os ganhos intelectuais são inúmeros, principalmente por se tratar de uma modalidade à distância, a qual exige certa disciplina, autonomia e incansável pesquisa.”(E3) “Tem sido muito proveitoso, tanto pela renovação que o ato de estudar nos proporciona quanto também pela diversidade de professores/tutores, instituições acadêmicas envolvidas, técnicas e recursos educacionais oferecidas nesta modalidade de estudo.”(E4) “Gosto da possibilidade de estar fazendo uma formação na qual posso; emitir minha opinião, administrar meu tempo de estudo de acordo com os horários que tenho, apreender e desaprender na tentativa de melhorar minhas práticas educativas, e assim contribuir com um grãozinho de areia para a construção de uma educação brasileira de qualidade, onde meus alunos tenham também conhecimento, podendo compreender e até mesmo agir na construção da sociedade ao qual estão inseridos”(E5) ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 237 Os escritos acima são de professores em formação continuada, os quais vivenciam na modalidade de ensino a distância as experiências de novas formas de pensar a educação, ressignificar suas práticas pedagógicas e adquirir disciplina e autonomia durante a formação inicial e/ou continuada. Alguns desses professores já têm licenciatura curta e hoje, estão conquistando um grande sonho de cursar a licenciatura plena. No sentido da qualidade da gestão do polo, a qual ampara e dá suporte a esses ganhos, vale destacar que a coordenação junto com a equipe de tutores empenha-se em um trabalho colaborativo que tem como principal objetivo honrar com o que estabelece o Plano Nacional de Extensão, que visa ao processo educativo, cultural e científico, que articula o Ensino e a Pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre a Universidade e a sociedade. Em concordância com a afirmação acima, apresenta-se os cursos de extensão, mini-cursos, oficinas, seminários e jornadas pedagógicas que vêm sendo organizadas e oferecidas não somente aos estudantes, acadêmicos, discentes matriculados no Polo EAD/UAB, mas aos graduandos de outras Universidades e à comunidade santanense de uma forma geral. Enquanto extensão, foram oferecidos nos últimos anos os cursos de Pró-letramento do Programa de Formação Continuada de Professores das Series Iniciais/Disciplina de Matemática. O mesmo foi desenvolvido durante o ano de 2009, no Polo Municipal de Apoio Presencial da UAB/REGESD- EaD, em Livramento, promovido pelo Ministério da Educação, Universidade do vale dos Sinos(UNISINOS) e Secretaria Municipal de Educação de Santana do Livramento. Em 2010, visando uma Ação de Extensão Universitária, foi estabelecida a parceria entre o polo e os seguintes professores formadores: Prof. Fabio Linck, Especialista em Mídias, Didática e Matemática, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Profª. Dra. Sandra Vielmo, coordenadora da REGESD e da Matemática pela Universidade Federal de Santa Maria. Também, eu, Profª Dionara Aragón, Mestre em Educação e especialista em ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 238 Tecnologias da Informação e Comunicação aplicadas à Educação, tive a oportunidade de colaborar como professora participante da equipe executora do curso de extensão. Em conjunto, organizou-se este projeto que foi cadastrado e promovido pela Universidade Federal de Santa Maria e executado no Pólo de Ensino Superior a Distância de Livramento. O presente trabalho recebeu o seguinte título: “A Musica e a Matemática na Escola” e envolveu atividades com o uso de aplicativos computacionais de domínio público no ensino de matemática. A ação foi composta pela elaboração, execução e implementação de oficinas, totalizando 40 horas oferecidas aos professores/cursistas de Licenciatura Plena em Matemática, tendo como tema gerador o ensino das frações e das funções trigonométricas, assuntos do ensino fundamental e médio, e a relação destes com a música. No período atual está sendo organizada a II Jornada Acadêmica Integrada do Polo em parceria com o Núcleo de Estudos Fronteiriços, organizado pelos tutores e a gestão. Este evento, composto por 40 horas, visa difundir o conhecimento acadêmico em diferentes áreas, assim como incentivar a participação dos discentes em trabalhos de nível superior. Para organizar tais eventos, a gestão do polo EAD/UAB de Santana do Livramento vem servindo-se de estratégias e do plano de gestão, os quais orientam essas iniciativas e garantem o trabalho em equipe no âmbito acadêmico e social. Uma das estratégias utilizadas pela gestão do polo com a equipe de tutores, fruto da formação oferecida pelo curso de Especialização em Gestão de Polos é a delegação de poder, compreendida pelo conceito apresentado por (Rodrigues, C.H.R. e Santos, C. A. S.,2001, p.237), o “empowerment” ou “empoderamento”, que significa “ uma abordagem de projeto de trabalho que objetiva a delegação de poder de decisão, autonomia e participação dos funcionários na administração das empresas.” Enquanto vantagens para a gestão de polos percebe-se a importância da aplicação deste conceito, pois nesse sentido o ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 239 empoderamento trata da delegação de poderes que, amparada na confiança, no trabalho colaborativo, envolve cada profissional que atua no polo a partir do compromisso de desenvolver determinadas tarefas. Para isso, o gestor precisa organizar o projeto de trabalho do polo a partir de “um conjunto de procedimentos que buscam a interação e o envolvimento das pessoas com o trabalho e que as impulsionam a tomar iniciativas e a interferir com ações no processo produtivo (Herrenkohl, Judson&Heffner, 1999, P. 375 Apud Rodrigues, C. H. R. e Santos, C. A. S. , 2001, p.237) . Com isso, conseguir-se-á o comprometimento dos funcionários, um melhor desempenho na contribuição de cada um e da organização como um todo. É nesse foco que está inserida a equipe que coordena as atividades desenvolvidas no polo acadêmico de Santana do Livramento. Outras vantagens apontadas pelos autores são: “o nível de responsabilidade, o trabalho em equipe, a tomada de ações de risco e a valorização dos funcionários pelos clientes”. Ou seja, “clientes valorizam os funcionários que são orientados para clientes e que se sentem responsáveis por eles” (Herrenkohl, Judson&Heffner, 1999, p. 375-376). Nesse sentido, a equipe vem se desenvolvendo constantemente em meio a essa estratégia de gestão, mantendo enquanto ação para o alcance dos objetivos, a ação conjunta e integrada, onde se torna primordial reunir esforços em prol de um trabalho técnico e colaborativo, composto por muita comunicação e ética, sendo este essencial para continuar garantindo a conquista das metas que um dia foram alicerçadas junto ao Ministério da Educação, os Governos Estaduais e Municipais, a Universidade Aberta do Brasil e as demais Universidades Federais que compõem essa rede de ensino. 1.2 Os Ganhos Pessoais e Profissionais: auto-realização e ressignificação das práticas laborais. Com relação aos ganhos pessoais e profissionais, entende-se que estes contemplam as promoções nos trabalhos, o reconhecimento de novas atividades desenvolvidas nas instituições, ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 240 as quais os alunos/profissionais em formação passaram a implementar em seus ambientes de trabalho. Isso se deve à qualificação e à ressignificação das práticas laborais a partir da apropriação de novos conhecimentos adquiridos através do estudo, da pesquisa e da extensão. Portanto, apresentam-se alguns escritos que apontam para este foco: “O curso de graduação proporciona uma maior integração com o meu estudo e profissão, qualificando-me de maneira a oportunizar melhores atividades profissionais.”(E1) “Acredito que a tendência, em termos profissionais é somente de avanço, pois a cada dia que passa a competitividade é maior, e o mercado mais exigente. Como até o momento não concluí o curso de graduação, acredito que os ganhos pessoais são maiores que os profissionais,pelo menos por enquanto.”(E2) “Ao longo da trajetória do nosso curso, percebo um crescimento tanto pessoal quanto do grupo de colegas, pois mesmo participando de um curso de licenciatura à distância, também enriquecemos nossas práticas com encontros para grupo de estudos e trocas de experiências.”(E3) “Também ressalto que desenvolvemos uma grande autonomia na busca do conhecimento bem como curiosidades e interesses por outras formas de aprender, visto que nos comunicamos e “conectamos” com diversas comunidades acadêmicas.”(E10) ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 241 “Afirmo que estas experiências de estudo servem para melhorar minha qualificação enquanto professor. Há ganhos pedagógicos, pois aplicamos os novos conhecimentos em sala de aula, como melhoria na aprendizagem.”(E18) “Na medida do aperfeiçoamento profissional e intelectual o mesmo abrirá novos horizontes profissionais”. (E3) Consolidam-se as narrativas anteriormente apresentadas com as palavras do secretário de desenvolvimento econômico e social do município, ao afirmar que: “Os ganhos obtidos pelo conhecimento advindo dos cursos oferecidos pelo Polo de Sant’ Ana do Livramento já apresentam resultados práticos, principalmente no aperfeiçoamento e formação de educadores da rede municipal, o que, certamente, é um potencializador para uma educação de melhor qualidade direta na escola. Assim como, no leque de ofertas de cursos com enfoque técnico tanto para o setor primário como o de tecnologia. Permite o acesso e já apresenta também bons resultados, estimulando uma nova visão empreendedora para pequenas agroindústrias e interesse de grupos de pesquisa e desenvolvimento de projetos, através de jovens que até então estavam impedidos do acesso ao conhecimento, literalmente pela distância dos centros universitários dessas áreas.”(G1) A formação é o investimento na construção de outras maneiras de pensar e de vislumbrar as novas possibilidades que poderão surgir no município. Entende-se que ao estar preparado e ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 242 qualificado, o profissional poderá acolher com êxito as oportunidades, transformando a realidade e contribuindo eficientemente na sociedade a qual atua. 1.3 Os Ganhos e Possíveis Impactos Econômicos: desenvolvimento de pessoas e do município. A meta de contribuir para o desenvolvimento de Santana do Livramento a partir da educação e disseminação do conhecimento foi alicerçada não somente pela Universidade Aberta do Brasil (UAB), mas pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) e o Governo Municipal de Santana do Livramento. Ao estabelecer parcerias e alavancar um trabalho comprometido com a sociedade santanense, as instâncias destacadas acima visam à ampliação do Ensino Superior no solo da Fronteira Oeste, a minimização do processo de estagnação econômica da região, a viabilização do desenvolvimento através da educação e a incorporação definitiva do município no mapa do desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Os excertos abaixo expressam um “recorte” da atual realidade, permeada por boas expectativas, perspectivas de crescimento e desenvolvimento financeiro pelo aumento da capitalização e do orçamento das pessoas, e, consequentemente, maiores possibilidades de contribuições no município. “No meu caso vou usar minha formação também para trocar de classe na carreira o que implica aumento no salário, consequentemente minha qualidade devida irá melhorar e as condições de consumo também.”(E1) “Com certeza uma melhor qualificação gera sem dúvida um melhor retorno financeiro, tendo a possibilidade de aumentar a carga horária de trabalho, participar de concursos públicos, fazer investimentos, etc.”(E2) ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 243 Particularmente, sendo professora da rede estadual de ensino, há aproximadamente 20 anos, já possuía curso de graduação de licenciatura plena, porém fora de minha área de atuação (a qual tenho curso de licenciatura curta).(E3) A formação de profissionais qualificados celebra o aumento da autoestima dos estudantes de graduação e pós-graduação do município de Santana do Livramento, tendo como possível resultado o desenvolvimento de uma sociedade cultural e economicamente independente. O que antes se encontrava distante enquanto possibilidade, hoje passa a ser uma realização que encadeia outros novos sonhos, como o que está imerso na citação abaixo, por exemplo. “O curso que estou fazendo, poderá proporcionar a minha mudança de nível e classe, o que consequentemente implica em melhoria salarial, mas gostaria mesmo é que viesse um mestrado na área da educação para darmos continuidade aos estudos com essa mesma qualidade.”(E12) O almejado curso de mestrado não é uma realidade ofertada no polo atualmente, esta ideia ainda está sendo gestada, mas vale destacar a presença dos cursos de pós-graduação em nível de especialização, extensão universitária e aprimoramento profissional, os quais oferecem boas possibilidades de formação continuada. Sabe-se que duas turmas do curso de Especialização em Tecnologias Digitais na Educação(TIC) e uma turma de Especialização em Educação Especial já encontram-se formadas e diplomadas pelo Polo de Ensino Superior EAD/UAB/Livramento. Constata-se também um expressivo número de pósgraduandos que estão recebendo qualificação e se especializando. Atualmente, há uma nova turma de TIC, uma de Especialização em Gestão em Saúde, uma de Especialização em Gestão Pública, uma ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 244 Especialização em Educação Ambiental, uma Especialização em Gênero e Raças e duas turmas de Mídias na Educação. Este movimento de formação já surte efeitos e impactos no município e na valorização dos ganhos salariais dos profissionais. Estar preparado para acolher um futuro melhor e com mais oportunidades é uma das metas que já pode ser apresentada com resultados positivos, o que reafirma a importância da educação como um caminho a ser trilhado com prioridade. Alguns dados foram narrados pelo secretário de desenvolvimento econômico do município, os quais explicitam com mais detalhes essa caminhada. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 245 “Visualizarem, compreenderem e estarem preparados para as novas e diferentes oportunidades que se apresentam em um município em crescimento econômico e transformação, com novas e diversificadas matrizes produtivas até então distantes ou até mesmo desconhecidas para a nossa realidade: energia eólica, cadeia produtiva do leite, fruticultura, monitoramento ambiental, turismo rural, ecoturismo, construção civil. São áreas que apresentam novas oportunidades, para tanto, precisam de qualificação profissional e novas ideias que agreguem valor, dinamizem processos e tragam resultado. Isso só se consegue com conhecimento e técnica. A formação através dos cursos oferecidos pelo Polo desenvolve e estimula através do conhecimento que cada um, dentro da sua visão, capacidade e aproveitamento, possa desenvolver e implantar ferramentas que resultem em ganhos pessoais e profissionais. Um exemplo prático é que nos últimos 12 meses registramos cerca de 60 novas micros e pequenas agroindústrias para a produção de sucos, charque, linguiça, doces, conservas, frutas processadas, vinho, embutidos... algumas com projetos ou algum tipo de inferência de alunos da UAB (agricultura familiar) e UERGS.” (G1) Como já foi destacado anteriormente, esses resultados são frutos de um trabalho árduo, conjunto, estratégico e colaborativo. Movido pela pesquisa, pela técnica e eficácia no atendimento que o polo disponibiliza a cada nova turma egressa e à comunidade que frequenta este espaço acadêmico. As Universidades Federais tanto nos cursos á distância (UAB), quanto nos cursos presenciais (UNIPAMPA), marcam a presença e concretização de um antigo sonho da população e especialmente da ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 246 juventude, que, ávida de conhecimentos, encontra portas abertas nesta região para sua formação, o que antes não era possível. Durante muitas décadas, a juventude fronteiriça precisou sair de suas cidades para encontrar oportunidades de qualificação em nível superior e hoje, dispõe de uma educação gratuita com excelência no serviço público que oferece. Cabe neste momento, saber como as pessoas vêem e descrevem a presença das Universidades Federais e do polo EAD em Santana do Livramento: “Como nunca em nossa cidade houve tanto ganho como agora. São vários cursos oferecidos a todos os níveis sociais e a economia da cidade também está sendo aquecida pelas pessoas que vem morar aqui para estudar.”(E1) “De fato um GANHO, pois os futuros estudantes poderão ficar em Santana do Livramento , sem sair em busca de universidades, economicamente favorecidos e também tendo opções do que cursar. O polo é nosso tesouro, pois nos acolhe, nos oferece outras possibilidades de estudo e qualificação”.(E2) “Acredito que a presença das Universidades Federais e do Polo de Educação Superior à Distância em nossa cidade trouxe crescimento para o município e para a região em todos os sentidos. Estudantes que muitas vezes precisavam deslocar-se para outras regiões do Estado, hoje tem a oportunidade de realizar sua formação profissional, junto de seus familiares, evitando despesas.,além de estudantes de outras regiões, até mesmo do País, se instalarem aqui para realizar seus estudos, gerando receitas ao município de uma forma ou de outra.”(E10) ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 247 “Como um grande passo que Livramento deu em prol da valorização educacional, ainda hoje comentava quantas pessoas estão se beneficiando, inclusive eu, que não tiveram oportunidade de concluir, o que era bastante oneroso, e hoje estão aí estudando. Enquanto professora, acordei para o estudo e para o aperfeiçoamento”.(E6) “Penso que esta seja uma das boas notícias que tem acontecido em minha cidade nestes últimos anos. Além de qualificar e instrumentalizar toda uma comunidade acadêmica, penso que as universidades trazem ganhos à população local, não somente enriquecendo com os projetos que as envolvem como também como acesso à educação pública e de qualidade à qual reflete em todo um contexto cultural nesta comunidade.”(E3) Após conhecer as diferentes formas de pensar a respeito da presença das Universidades Federais e especialmente do Polo EAD/UAB, apresentadas nas entrevistas, considera-se importante entender alguns contextos que participam desta caminhada e hoje, estão intimamente interligados com a realidade do Polo. São eles: o Núcleo de Estudos Fronteiriços (UFPEL) e a Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). O primeiro, por apoiar atividades de ensino, pesquisa e extensão das Universidades Federais Brasileiras e com isso estar disponível aos projetos desenvolvidos no Polo de Santana do Livramento. Com relação à UNIPAMPA, torna-se fundamental apresentar nesta pesquisa a parceria recém firmada com a Prefeitura de Santana do Livramento para o funcionamento do Polo Municipal do Sistema da Universidade Aberta do Brasil em Educação a Distância (EAD/UAB). Tal convênio traz promessas de mais desenvolvimento, a partir da execução conjunta de tarefas, da colaboração temporária de pessoal e do compartilhamento no uso ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 248 de equipamentos e instalações, ou prestação de serviços técnicos de uma das partes à outra. Conforme os termos do acordo, isso irá oportunizar a troca de experiências e a realização de trabalhos colaborativos entre os dirigentes, professores, técnico-administrativos e estudantes, acadêmicos da UNIPAMPA e do Polo EAD/UAB de Santana do Livramento, instalado em dependências da Universidade. Segundo a reitora da UNIPAMPA Maria Beatriz Luce: “É excelente porque vamos potencializar o investimento do município em benefício da UAB e da UNIPAMPA”. Essa integração só vem a acrescentar benefícios, o que amplia mais ainda as possibilidades de desenvolvimento intelectual, econômico e profissional. Um evento importante que marcou o início dessa integração foi o “ I Seminário de Educação Empreendedora”, realizado no mês de maio de 2011. O mesmo contemplou objetivos importantes para o município de Santana do Livramento, dentre eles capacitar os professores da educação básica para que a o empreendedorismo faça parte do ensino nas escolas. A iniciativa é do plano de ação do Comitê Gestor do Desenvolvimento de Sant‟ Ana do Livramento, a partir do diagnóstico realizado em 2010 que apontou três itens a serem trabalhados para fomentar o desenvolvimento do município. São eles: Educação Empreendedora, Acesso a Mercados e Inovação e Tecnologia. O I Seminário de Educação Empreendedora preparou a comunidade para no segundo semestre deste ano, dar continuidade a um curso de extensão em Educação Empreendedora, coordenado pela UNIPAMPA e certificação conjunta com o Comitê da Qualidade (PGQP) e Sebrae. Este visa oferecer capacitação para os professores de forma a incluir a disciplina de empreendedorismo no currículo escolar da rede municipal de ensino. Formar jovens empreendedores poderá incentivar ações para, futuramente, fortalecer o desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas em Santana do Livramento. Para a organização ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 249 do evento, foi firmada a parceria entre a Universidade Federal do Pampa(UNIPAMPA), Universidade Aberta do Brasil(UAB), Universidade Regional da Campanha(URCAMP), Universidade Estadual do Rio Grande do Sul(UERGS), o Governo Municipal e o SEBRAE. O trabalho realizado pelo Comitê Gestor de Desenvolvimento do Município permite contribuir voluntariamente e colaborar com trabalhos sociais na educação, além de estreitar os laços e experienciar a partilha de conhecimentos entre professores acadêmicos e gestores municipais que também atuam com o mesmo propósito: contribuir com a comunidade local a partir da disseminação do conhecimento. Toda essa integração que conduz ao desenvolvimento de pessoas está intimamente relacionada à qualidade de gestão do polo, que ao ser descrita pela comunidade acadêmica, enfatiza e confirma a eficiência do trabalho que vem sendo oferecido para a população que se encontra em formação inicial e continuada. Sem a intenção de esgotar essa investigação nem mesmo encontrar respostas ou conclusões finais, pretende-se apresentar as últimas narrativas dos participantes que nesta pesquisa tiveram a oportunidade de traduzir sentimentos, relatar as diferentes faces deste grande projeto educacional e mostrar um “recorte” dos impactos intelectuais, pessoais, profissionais e econômicos já constatados nestes últimos anos. Os excertos finais apresentam uma avaliação da qualidade de gestão do polo, feita pelos estudantes dos cursos técnicos, acadêmicos de graduação e de pós-graduação e pelo secretario de desenvolvimento econômico do município. “Vejo todas as pessoas envolvidas para que tudo de certo. Os tutores cumprem com o seu papel, interagindo junto aos alunos e a Coordenadora se doa diariamente em prol dos cursos.”(E2) “Todos estamos numa caminhada, onde se faz o possível para atingir-se o melhor, contudo a ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 250 medida de um real amadurecimento e conhecimento.”(E4) “A qualidade na gestão do Polo é muito boa, até porque se não a fosse não teríamos o crescimento visível em termos de cursos de graduação, pós graduação e técnico que se observa atualmente. Penso que o Polo de Santana do Livramento,iniciou uma árdua caminhada, que ainda hoje continua, só que agora a passos largos ,em busca de novos horizontes em termos de qualificação profissional e intelectual para os santanenses.(E1) “Como estudamos em uma universidade pública, em que se sustenta com verbas federais, e sendo nosso país de dimensões continentais, às vezes existe certo tempo para os repasses acontecerem, o que na minha visão não prejudicou a qualidade de nossos estudos, pois os professores/tutores são altamente habilitados eatenciosos, o que nos motiva apesar das diversidades que possam ocorrer ao longo do nosso curso de graduação.”(E9) “Vejo uma grande atenção e compreensão por parte de toda a coordenação, dos tutores e funcionários para que a universidade ofereça aos seus alunos educação de qualidade.”(E7) “Vejo todas as pessoas envolvidas para que tudo de certo. Os tutores cumprem com o seu papel, interagindo junto aos alunos. A coordenadora se doa diariamente em prol dos cursos, articula novos empreendimentos para atender as demandas do município, o que amplia cada vez mais as chances de formação ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 251 em todos os níveis (técnico, graduação, extensão e pós graduação).”(E3) “Muito boa. Primeiramente pelo dinamismo e busca de novos cursos que integrada com que trabalham, inicialmente com a Prefeitura, mais recentemente com a UNIPAMPA, aumentando o poder em rede de atender e formar melhor.”(G1) A partir dos excertos acima, visualiza-se um “recorte” de opiniões e pareceres que avaliam a qualidade de gestão do pólo de Educação a Distância de Santana do Livramento. Estes transparecem os resultados de alguns anos de empenho, planejamento e ação efetiva em torno das metas alicerçadas entre o Governo Federal, o Governo Municipal e as Universidades Federais. Sabe-se que este processo é constante e árduo em determinadas etapas, porém, sob o alicerce da qualidade de gestão, do trabalho em equipe realizado pela coordenadora do pólo, tutores, funcionários e gestores municipais envolvidos, passa-se a concretizar o plano de ação com excelência e qualidade. CONSIDERAÇÕES FINAIS À guisa de conclusão, confirma-se algumas hipótese traçadas no projeto desta pesquisa, são elas: “o polo EAD/UAB: vem oferecendo crescimento pessoal e intelectual à sociedade santanense‟; “vem contribuindo com a formação e o desenvolvimento de pessoas e, consequentemente, com o desenvolvimento econômico do município”; representa um espaço de renovação e possibilidades na formação intelectual de pessoas na Fronteira Oeste”; “houve avanços em relação à gestão desenvolvida no pólo Ead de Santana do Livramento, possibilitando através desse, parcerias com outras instituições”. Entende-se que este levantamento e analise de dados é uma fração inicial enquanto contribuição com a pesquisa e extensão ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 252 acadêmica, um retrato da realidade e dos projetos que atualmente estão sendo desenvolvidos pelo Polo de Educação Superior a Distância, a UNIPAMPA e o Governo Municipal de Santana do Livramento, em consonância com o projeto maior proposto pela Universidade Aberta do Brasil(UAB) Governo Federal, Universidades Federais e Ministério da Educação. Espera-se com esse passo inicial, incentivar outros projetos neste mesmo foco, elaborar outros materiais que complementem e avancem nas investigações a partir da pesquisa acadêmica a fim de contribuir no processo de desenvolvimento de pessoas na Fronteira Oeste e no aprimoramento constante da Gestão de Polos. Considera-se relevante organizar materiais atualizados relacionados a este tema, para publicar e divulgar informações a partir dos dados coletados, especialmente entre a população local e regional, pois algumas pessoas ainda desconhecem sobre as possibilidades oferecidas pelo Polo EAD/UAB de Santana do Livramento. Almeja-se, a partir da pesquisa: “Qualidade na gestão de Polos e o Desenvolvimento de Pessoas na Fronteira Oeste” oferecer o produto deste trabalho à comunidade acadêmica e à administração pública, para que seja vislumbrado, mesmo que provisoriamente, o processo de desenvolvimento de pessoas no município e as suas relações com as Universidade Aberta do Brasil, com a Gestão e Equipe do Polo EAD/UAB, a UNIPAMPA e o Governo Municipal que hoje unem esforços para melhorar as condições de vida dos cidadãos e oferecer à sociedade um serviço público com excelência. REFERÊNCIAS FERREIRA, L. S. Metodologia do Trabalho Científico e Produção textual. Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2011. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 253 FREITAS, D. N. T. A gestão educacional na interseção das políticas federal e municipal. Rev. Fac. Educ., vol. 24, n. 2, São Paulo, Jul/dez. 1998. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: mai. 2011. IRIONDO, W.; RIBEIRO, L. Conhecimento como ferramenta da gestão pública (continuação) – Unidade III. Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2011. _____. Introdução a criação do conhecimento – Unidade II. Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2011. _____. Introdução a gestão publica – Unidade I. Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2011. RODRIGUES, C. H. R. e SANTOS, C. A. S. Empowement: ciclo de implementação, dimensões e tipologia. Gestão & Produção, v. 8, n. 3, p. 237-249, dez. 2001. SANTANA DO LIVRAMENTO. Documento firmado no convênio entre o Polo EAD/UAB, UNIPAMPA e o Governo Municipal. Santana do Livramento, fev. 2011. SANTANA DO LIVRAMENTO. Plano de desenvolvimento do município (2010/2011). Santana do Livramento, 2011. SANTANA DO LIVRAMENTO. Plano de Gestão do PóloEad/UAB (2010/2011). Biblioteca do polo EAD/UAB. Santana do Livramento, 2011. SEGENREICH, S. C. D. ProUni e UAB como estratégias de EAD na expansão do Ensino Superior, Pro-Posições, Campinas, vol. 20, n. 2, p. 205-222, mai./ago. 2009. Disponível em: <http://moodle.ufpel.edu.br/file.php/197/pdf/ProUni_e_UAB_como_estra tegias_de_EAD.pdf>. Acesso em: mi. 2011. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 254 GESTÃO DE EXCELÊNCIA NO CONTEXTO DA GESTÃO DE POLOS UAB: FUNDAMENTOS E TECNOLOGIAS AUTORA: Eliane Reinehr Xavier PROFESSORA ORIENTADORA: Maria Teresa Duarte Nogueira RESUMO A Educação a Distância consolida-se no cenário nacional, como política de expansão e descentralização do ensino superior. Através da implantação do Sistema Universidade Aberta do Brasil, o Ministério da Educação em parceria com as Instituições Públicas de Ensino Superior e Institutos Federais, articulado com os governos estaduais e municipais têm levado o ensino superior a locais geograficamente distantes das universidades. A implantação de um Polo de Apoio Presencial UAB nessas localidades, com a oferta de diferentes cursos de graduação de renomadas Instituições Públicas de Ensino Superior, representa o acesso ao ensino superior de qualidade. O Polo UAB é a estrutura do Sistema responsável por executar as funções didáticas e administrativas referentes aos cursos ofertados. A implantação do polo nos municípios deve se orientar na proposta de estrutura mínima necessária para um bom desenvolvimento dessas funções. O polo deve proporcionar condições favoráveis à aprendizagem com a qualidade que se espera do ensino superior à distância. Nesse aspecto, o gestor de polo é o responsável por conduzir os procedimentos de modo a atender as necessidades das Instituições de Ensino Superior, instâncias públicas, colaboradores, alunos e a comunidade em geral. Portanto, as diferentes situações enfrentadas pelo gestor requerem além de competência, habilidades para práticas que promovam a eficiência e a eficácia de sua gestão. Este estudo teve como objetivo, analisar como os fundamentos e tecnologias da Gestão Pública preconizada atualmente podem contribuir para qualificar a Gestão de Polos; identificar quais são os principais fundamentos e a aplicabilidade destes no contexto da Gestão de Polos UAB. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 255 Palavras-chave: educação a distância; gestor de polo; tecnologias. CONSIDERAÇÕES INICIAIS A educação superior no País, sobretudo na última década, vem assumindo um papel de destaque nas discussões em relação à elaboração e ao cumprimento de políticas públicas que venham atender a demanda e aos anseios da sociedade. O processo de formulação das políticas públicas para a educação têm se orientado nos objetivos, normas e diretrizes definidas na constituição, que estabelece a educação como um direito de todos e a sua promoção e incentivo uma responsabilidade do Estado, conforme o Artigo 205 da Constituição Federal de 1988: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (BRASIL, 1988). A garantia a educação como um direito se fundamenta na herança de uma cultura educacional elitista e excludente, refletida nas desigualdades sociais do País. O acesso à educação superior representa então, para uma expressiva parcela da população, a perspectiva de inclusão e ascensão social através de melhores condições de emprego e renda. Com a intenção de descentralizar a oferta e democratizar o acesso ao ensino superior, o Governo Federal têm implementado políticas públicas priorizando a Educação à Distância (EaD). O Decreto nº 5.622 de 19 de dezembro de 2005, caracterizou a educação à distância como modalidade educacional, organizada segundo metodologia, gestão e avaliação peculiares. O Ministério da Educação e Cultura (MEC), através do Decreto 5.800 de 08 de junho de 2006, instituiu o Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB). O programa executado em regime de cooperação técnica entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), as Instituições Públicas de Ensino Superior (IPES) e Institutos Federais (IFET) em parceria com os governos estaduais e ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 256 municipais, têm a finalidade de ofertar prioritariamente cursos de licenciatura e de formação inicial e continuada a professores da educação básica e proporcionar também cursos superiores e profissionalizantes de ensino médio que venham a atender a demanda dos municípios. Em relação à organização do Sistema UAB, compete a CAPES o financiamento, coordenação e fiscalização do Sistema; as IPES a oferta de cursos e a sua gestão; e ao Governo Estadual e Municipal a implantação e manutenção de Polos de Apoio Presencial. A estrutura de integração e apoio ao estudante do Sistema UAB conta com Polos de Apoio Presencial nos municípios, coordenadores, tutores presenciais nos Polos e a distância nas IPES. Essa estrutura e organização visam adequar o Sistema UAB aos Referenciais de Qualidade estipulados pelo MEC para a EaD. O Polo de Apoio Presencial do Sistema UAB, conforme Decreto nº 5.800/2006, é a unidade operacional para o desenvolvimento descentralizado de atividades pedagógicas e administrativas relativas aos cursos e programas ofertados; o mesmo Decreto regulamenta que estes deverão dispor de infraestrutura, recursos humanos e tecnológicos adequados às fases presenciais dos cursos e programas. O polo é unidade importante do Sistema, onde ocorre a interação entre professores, tutores e estudantes possibilitando a troca de informações e a construção do conhecimento individual e coletivo. O polo deve então, proporcionar condições favoráveis a aprendizagem estimulando a criatividade e o conhecimento colaborativo. Nesse contexto, o gestor de polo desempenha múltiplas e complexas funções: institucionais, organizacionais e pedagógicas. Estas atribuições para serem desenvolvidas com eficiência e qualidade exigem conhecimentos, habilidades e competências específicas. A partir destas considerações delimita-se o problema de pesquisa que originou este estudo: “Como os fundamentos e tecnologias da Gestão Pública podem ser utilizados para qualificar a Gestão de Polos?” ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 257 O Polo de Apoio Presencial para a EaD como espaço educacional recente no cenário da educação superior nacional, configura-se um campo de atuação pioneiro para o gestor. Há ainda, necessidade de um referencial teórico e técnico que de suporte e qualifique o seu desempenho institucional. O polo é um espaço educacional, e deve ser reconhecido como tal. Portanto, deve proporcionar condições favoráveis à aprendizagem com a qualidade que se espera do ensino superior à distância. Nesse sentido, faz-se necessário otimizar a utilização dos recursos humanos, materiais, tecnológicos e financeiros disponíveis. Justificando-se assim, a relevância deste estudo para a Gestão de Polos. A Gestão Pública atual tem buscado qualidade e excelência utilizando para esse fim ferramentas (fundamentos e tecnologias) de gestão. Esse novo paradigma está focado na desburocratização, na descentralização, na flexibilização e na inovação dos processos. Um exemplo a ser considerado é o “Gespública”, modelo de excelência em Gestão Pública, e referência para as organizações do setor público brasileiro. A pesquisa teve como hipótese comprovar a eficiência dessas ferramentas para a Gestão de Polos UAB. O objetivo geral deste estudo foi analisar como os fundamentos e tecnologias da Gestão Pública preconizados atualmente podem contribuir para qualificar a Gestão de Polos. Nesse sentido, buscou-se especificamente: analisar a estrutura e organização do polo no Sistema UAB e a função do gestor nesse contexto; identificar os principais fundamentos e tecnologias aplicados atualmente na Gestão Pública e verificar a aplicabilidade destes na Gestão de Polos, visando qualificar os procedimentos. Para atingir os objetivos propostos, foi realizada pesquisa bibliográfica exploratória, utilizando o método de análise das teorias apresentadas pelos diferentes autores em livros e artigos relevantes ao estudo. Foi realizado também, levantamento empírico de dados, com enfoque qualitativo, através de observação e discussão com os diversos profissionais, que atuam no Polo de Apoio Presencial UAB. Este último, com o objetivo de confrontar a teoria com a ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 258 experiência prática, foi realizado no Polo Extremo Meridional, localizado no município de Santa Vitória do Palmar, RS. A partir destas considerações iniciais, este trabalho está estruturado em três seções. As duas primeiras seções apresentam a pesquisa bibliográfica realizada. A seção um descreve a estrutura e organização do Polo no Sistema UAB e o papel do gestor de polo; a seção dois apresenta os principais fundamentos e tecnologias da gestão pública de excelência. A seção três descreve o estudo realizado em relação às práticas de gestão no polo analisado, verificando nesse contexto, a aplicabilidade dessas ferramentas (fundamentos e tecnologias). As considerações finais neste estudo analisam o resultado do estudo desenvolvido e a relevância deste para a Gestão de Polos. 1. ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DO POLO NO SISTEMA UAB 1.1 O Sistema Universidade Aberta do Brasil O Sistema Universidade Aberta do Brasil - UAB teve como origem, o plano de expansão da educação superior articulado entre a Secretaria de Educação a Distância - SEED/MEC e a Diretoria de Educação a Distância - DED/CAPES, no âmbito do Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação - PDE. De acordo com o site UAB/CAPES, o Sistema sustenta-se em cinco eixos fundamentais: - Expansão pública da educação superior, considerando os processos de democratização e acesso; - Aperfeiçoamento dos processos de gestão das instituições de ensino superior, possibilitando sua expansão em consonância com as propostas educacionais dos estados e municípios; - Avaliação da educação superior à distância tendo por base os processos de flexibilização e regulação implantados pelo MEC; - Estímulo à investigação em educação superior à distância no País; - Financiamento dos processos de implantação, execução e formação de recursos humanos em educação superior à distância. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 259 Para tanto, o Sistema UAB articulado com as Instituições de Ensino Superior e em parceria com os governos estaduais e municipais, têm a finalidade de atender as demandas locais por educação superior através da implantação de polos de apoio presencial nos municípios. A figura 1 apresenta o modelo de funcionamento do Sistema UAB: Figura 1 - Fonte: VII ESUD 2010. O credenciamento das instituições para a oferta de cursos de ensino superior em EaD passa pela etapa de registro do processo no MEC, onde é feita a primeira análise na SEED, a seguir é realizada a avaliação da instituição e dos polos de apoio presencial pelo INEP. Com base no relatório dos avaliadores e em outros elementos, a SEED encaminha um parecer ao Conselho Nacional de Educação CNE, onde é feito o julgamento do pedido de credenciamento, seguindo o parecer da SEED. A avaliação da instituição e dos polos, têm como base os referências de qualidade estipulados pelo MEC para a EaD. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 260 Estes referenciais visam coibir a oferta indiscriminada de cursos superior nessa modalidade; por isso, abrangem aspectos pedagógicos, de recursos humanos e de infraestrutura que devem estar contemplados no Projeto Político Pedagógico através dos seguintes tópicos: concepção de educação e currículo no processo de ensino e aprendizagem; sistemas de Comunicação; material didático; avaliação; equipe multidisciplinar; infraestrutura de apoio; Gestão Acadêmico-Administrativa e sustentabilidade financeira. Os projetos para seleção dos primeiros cursos ofertados no Sistema UAB foram apresentados exclusivamente por instituições federais de ensino superior, e por estados e municípios as propostas para polos de apoio presencial, conforme edital UAB1 publicado em 2005. O edital UAB2, publicado em 2006, permitiu a participação de projetos de todas as instituições públicas interessadas em ofertar cursos de ensino superior nessa modalidade. Segundo dados do MEC, atualmente estão credenciadas 92 instituições. Destas, 49 são Universidades Federais, 27 são Universidades Estaduais e 16 Institutos Federais. Sendo 589 os polos em funcionamento em 2010. Essas instituições oferecem cursos em vários níveis de formação: bacharelados, licenciaturas, tecnólogos e especializações. O número de alunos atendidos pelo Sistema UAB em 2010 foi de 116.781 em formação inicial e 67.863 em formação continuada (VII ESUD, 2010). A figura 2 apresenta a distribuição destes alunos por modalidade: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 261 Figura 2 - Fonte: VII ESUD 2010 O fomento às atividades realizadas pelas instituições do Sistema UAB recebem apoio da CAPES para as seguintes atividades: - Produção e distribuição do material didático impresso utilizado nos cursos; - Aquisição de livros para compor as bibliotecas; - Utilização de tecnologias de Informação e Comunicação para interação entre os professores, tutores e estudantes; - Aquisição de laboratórios pedagógicos; - Infraestrutura dos núcleos de educação a distância nas IPES participantes; - Capacitação dos profissionais envolvidos; - Acompanhamento dos polos de apoio presencial; - Encontros presenciais para o desenvolvimento da EAD. A concessão de bolsas de ensino e pesquisa dos profissionais que atuam na UAB compete a CAPES e ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), conforme Lei nº 11.947/2009. A Resolução nº49, de 10 de setembro de 2009 do FNDE estabelece a participação das instituições no financiamento, especialmente do material didático e da formação dos profissionais envolvidos no processo. Sua fundamentação traz bem especificada a importância da modalidade de ensino à distância, como parte do Plano de Desenvolvimento da Educação. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 262 1.2 O Polo de Apoio Presencial UAB Na organização do Sistema UAB, o polo é a estrutura para a execução descentralizada das funções didático-administrativas dos cursos ofertados. É o local onde ocorre os encontros presenciais, as avaliações, as práticas de laboratório, os estudos na biblioteca, a orientação dos tutores, etc. Como espaço educacional, deve proporcionar condições favoráveis à aprendizagem, estimulando a criatividade e o conhecimento colaborativo (RIBEIRO e IRIONDO, 2010). No polo também, são realizados os procedimentos institucionais e burocráticos necessários a operacionalização desse espaço educacional. De acordo com site UAB/CAPES, a implantação do polo nos municípios deve se orientar na proposta de estrutura mínima necessária (dependências físicas, mobiliário, equipamentos, recursos tecnológicos, recursos humanos), para um bom desenvolvimento dessas atividades. Em relação às dependências físicas do polo, a estrutura mínima prevê que este disponha de sala para secretaria acadêmica, sala de coordenação de polo, sala de tutores presenciais, sala de professores, sala de aula presencial, laboratório de informática, biblioteca e, se necessário, laboratório para cursos específicos (biologia, matemática, física, química). O quantitativo de equipamentos e mobiliários deve ser suficiente para atender a demanda dos cursos. Quanto aos recursos humanos, o modelo proposto conta com o coordenador de polo, responsável pela parte administrativa e pela gestão acadêmica, tutor presencial, técnico de laboratório pedagógico (quando necessário), técnico em informática, bibliotecária, e auxiliar para secretaria. Cabe ao mantenedor, município e/ou estado organizar, prover e manter essa estrutura de acordo com as orientações do Sistema UAB. O mantenedor é o responsável também, pela contratação dos funcionários necessários ao funcionamento do polo, com exceção do coordenador e dos tutores que recebem bolsas pagas pelo FNDE. Neste aspecto, ALMEIDA (2010), destaca a importância de institucionalizar ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 263 legalmente o polo no município ou estado, garantindo através de regulamentação específica a sua sustentabilidade financeira. Com o objetivo de auxiliar, orientar e dar suporte aos polos, as avaliações in loco realizadas pelo Sistema, analisam a infraestrutura e a parte pedagógica dos cursos. Estas avaliações, bem como as avaliações externas aos polos realizadas pela SEED/MEC e pelo INEP, visam à estruturação e o fortalecimento da educação à distância. A implantação de um Polo UAB no município representa o acesso a diferentes cursos de graduação, oferecido por qualificadas Instituições Públicas de Ensino Superior. Esse referencial de qualidade deve ser mantido nos procedimentos pedagógicos e administrativos que caracterizam a função do gestor de polo. 1.3 O Gestor de Polos UAB As atividades pedagógicas e administrativas no Polo UAB são coordenadas por um professor da rede pública selecionado para tal função. Esse professor deve ser graduado e ter experiência em magistério na educação básica ou superior. Segundo o site UAB/CAPES, as atribuições do coordenador são as seguintes: - Acompanhar as atividades docentes, discentes e administrativas do polo; - Garantir às atividades da UAB a prioridade de uso da infraestrutura do polo de apoio presencial; - Elaborar e encaminhar à DED/CAPES relatório semestral das atividades realizadas no polo, ou quando solicitado; - Elaborar e encaminhar à coordenação do curso relatório de frequência e desempenho dos tutores e técnicos atuantes no polo; - Acompanhar as atividades de ensino, presenciais e a distância; - Acompanhar e gerenciar o recebimento de materiais no polo e a entrega dos materiais didáticos aos alunos; - Zelar pela a infraestrutura do polo; ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 264 - Relatar problemas enfrentados pelos alunos ao coordenador do curso; - Articular, junto às IPES presentes no polo de apoio presencial, a distribuição e o uso das instalações do polo para a realização das atividades dos diversos cursos; - Organizar, junto com as IPES presentes no polo, calendário acadêmico e administrativo que regulamente as atividades dos alunos naquelas instalações; - Articular-se com o mantenedor do polo com o objetivo de prover as necessidades materiais, de pessoal e de ampliação do polo; - Receber e prestar informações aos avaliadores externos do MEC. Esta relação de atribuições do coordenador apresenta procedimentos organizacionais da rotina do polo, bem como procedimentos burocráticos importantes para a articulação deste com as IPES, com o MEC e com o mantenedor. As atribuições do gestor de polo, além das questões institucionais e burocráticas inerentes a função, abrangem também a função social de interação do polo com a comunidade. Isso inclui buscar junto à comunidade parcerias para implementar projetos que atendam o anseio e a demanda local, visando o desenvolvimento sociocultural e econômico da região. Para realizar essas atividades, o coordenador deve contar com uma equipe de profissionais experientes e capacitados que promovam a sua gestão. A palavra “gestão” é definida de modo sintético como: ato de gerir, gerência, administração. RUMBLE a define como sendo: [...] um processo que permite o desenvolvimento de atividades com eficiência e eficácia, a tomada de decisões com respeito às ações que se fizeram necessárias, a escolha e verificação da melhor forma de executá-las (2003 apud ALMEIDA, 2010, p. 7). ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 265 No polo, o gestor é o responsável por conduzir essas atividades de modo a atender as necessidades das Instituições de Ensino Superior, instâncias públicas, colaboradores, alunos e a comunidade em geral. Ele tem como desafio a construção de um espaço de trabalho coletivo e colaborativo cujo planejamento leve em consideração as expectativas de todos os envolvidos. Segundo PENTERICH: [...] suas práticas de gestão poderão contribuir para o sucesso ou fracasso dos objetivos propostos pelo Sistema UAB, já que a ele cabe o desafio de mediar os enfrentamentos produzidos pela dinâmica de cada Instituição de Ensino Superior parceira e que ocorrem das diferentes concepções pedagógicas e dos diversos cursos oferecidos no polo (2009, p. 189). Nesse aspecto, “é imprescindível que o gestor conheça formas de melhorar a qualidade do que é realizado sob sua gestão” (RIBEIRO e IRIONDO, 2010). Segundo Maria Teixeira (Centro de Apoio para a Educação a Distância em São Francisco de Paula - RS), citada em PENTERICH, a Gestão de Polos: [...] envolve enfrentamentos específicos que requerem: boa comunicação escrita e oral, capacidade para relacionar-se, dinamismo, disposição para o aprendizado contínuo, flexibilidade, organização, habilidades para administrar conflitos, habilidade para trabalhar em equipe, liderança, planejamento, tolerância, análise crítica, compromisso com os resultados, coordenação de grupo, interlocução entre os agentes do processo, atenção ao desempenho da equipe de apoio e constante capacitação em especial na gestão de pessoas (2009, p. 192). ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 266 Estes requisitos indispensáveis ao gestor de polos podem ser potencializados através da aplicação dos fundamentos e tecnologias de gestão. Na próxima seção deste estudo, buscou-se identificar os principais fundamentos e tecnologias utilizados na gestão pública atual e que tem como objetivo, qualificar os serviços oferecidos aos cidadãos. 2. GESTÃO PÚBLICA: FUNDAMENTOS E TECNOLOGIAS O desafio da administração pública tem sido promover eficiência e eficácia administrativa, frente aos interesses e demandas sociais. Conforme Bresser Pereira, “a função de uma administração pública eficiente passa a ter valor estratégico, ao reduzir a lacuna que separa a demanda social e a satisfação dessa demanda” (1998, p. 24). Nesse sentido, a gestão pública atual tem buscado qualidade e excelência utilizando para esse fim fundamentos e tecnologias de gestão. Para RIBEIRO e IRIONDO (2010), “as tecnologias de gestão permitem obter melhores resultados independentemente de a organização ser privada ou pública”. Esse novo paradigma de gestão está focado na desburocratização, na descentralização, na flexibilização e na inovação dos processos, beneficiando assim o cidadão. Um exemplo considerado neste estudo é o “Gespública”, modelo de excelência em Gestão Pública, e referência para as organizações do setor público brasileiro. O Programa criado pelo Governo Federal, conforme Decreto nº 5.378/2005 (BRASIL ,2009), apresenta como componentes básicos: ● Planejamento Estratégico ● Liderança ● Conhecimento ● Melhoria de Processos ● Desenvolvimento e Gestão de Pessoas ● Comunidades e Cidadãos ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 267 A inter-relação entre esses componentes orientam sistematicamente as ações de planejamento, organização, execução, controle e avaliação dos resultados pelas organizações, potencializando assim a gestão de excelência. Esse modelo de gestão é orientado para o cidadão e regido pelos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. O Documento Referência (BRASIL, 2009) do programa apresenta os seguintes fundamentos da gestão de excelência: ● Pensamento sistêmico: entendimento das relações de interdependência entre os diversos componentes de uma organização, bem como entre a organização e o ambiente externo. ● Aprendizado organizacional: busca contínua e alcance de novos patamares de conhecimento, individuais e coletivos, por meio da percepção, reflexão, avaliação e compartilhamento de informações e experiências. ● Cultura da inovação: promoção de um ambiente favorável à criatividade, à experimentação e à implementação de novas ideias que possam gerar um diferencial para a atuação da organização. ● Liderança e constância de propósitos: a liderança é o elemento promotor da gestão, responsável pela orientação, estímulo e comprometimento para o alcance dos resultados organizacionais. ● Orientação por processos e informações: compreensão e segmentação do conjunto das atividades e processos da organização que agreguem valor às partes interessadas; tendo como base para a tomada de decisões e a execução de ações a análise de desempenho. ● Visão de futuro: indica o rumo da organização. Relaciona-se à capacidade de estabelecer um estado futuro desejado que dê coerência ao processo decisório e que permita à organização antecipar-se às necessidades e expectativas da sociedade. ● Geração de valor: alcance de resultados consistentes, assegurando o aumento de valor tangível e intangível de forma sustentada para todas as partes interessadas. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 268 ● Comprometimento com as pessoas: melhoria da qualidade nas relações de trabalho, para que as pessoas se realizem tanto profissionalmente quanto na vida pessoal. ● Foco no cidadão e na sociedade: direcionamento das ações públicas para atender, de forma regular e contínua, as necessidades dos cidadãos e da sociedade, na condição de sujeitos de direitos e como beneficiários dos serviços públicos e destinatários da ação decorrente do poder de Estado exercido pelas organizações públicas. ● Desenvolvimento de parcerias: desenvolvimento de atividades junto de outras organizações com objetivos específicos comuns, buscando o pleno uso das suas competências complementares para o desenvolvimento de sinergias, expressas em trabalhos de cooperação e coesão. ● Responsabilidade social: atuação voltada para assegurar às pessoas a condição de cidadania com garantia de acesso aos bens e serviços essenciais e, ao mesmo tempo, tendo como princípios gerenciais a preservação da biodiversidade e dos ecossistemas naturais. ● Controle social: atuação que se define pela indução da participação das partes interessadas no planejamento, acompanhamento e avaliação das atividades da Administração Pública e na execução das políticas e dos programas públicos. ● Gestão participativa: estilo de gestão que determina uma atitude gerencial da alta administração que busque o máximo de cooperação das pessoas, reconhecendo a capacidade e o potencial diferenciado de cada um e harmonizando os interesses individuais e coletivos, a fim de conseguir a sinergia das equipes de trabalho. Para LIMA os fundamentos da gestão pública de excelência: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 269 [...] são valores essenciais que caracterizam e definem a gestão pública como gestão de excelência. Não são leis, normas ou técnicas, são valores que precisam ser paulatinamente internalizados até se tornarem definidores da gestão de uma organização pública (2003 apud RIBEIRO E IRIONDO, 2010, p.3). Nesse sentido, a liderança na organização é fundamental para envolver as pessoas e disseminar esses valores. O planejamento estratégico como ferramenta de gestão, permite orientar os processos para os propósitos da organização pública atual, a eficiência e a eficácia de sua gestão. Os processos representam o modo como vai ser executado esse planejamento. As ações que transformam objetivos e metas em resultados. A execução desses processos envolve pessoas; estas devem estar envolvidas com os propósitos da organização. Portanto, é necessário que as pessoas sejam valorizadas pela organização. Segundo CHIAVENATO: [...] as pessoas devem ser visualizadas como parceiras da organização. Como tais, elas são fornecedoras de conhecimento, habilidades, competências e, sobretudo, o mais importante aporte para as organizações: a inteligência que proporciona decisões racionais e que imprime significado e rumo aos objetivos globais. Nesse sentido, as pessoas constituem parte integrante do capital intelectual da organização (2008, p. 10). A Gestão de Pessoas, busca reconhecer e desenvolver competências individuais e organizacionais através da capacitação e da valorização pessoal e profissional. Nesse aspecto, é importante criar oportunidades de aprendizagem e dar autonomia para o desempenho das pessoas na organização. O empowerment, tecnologia de gestão que consiste na descentralização do poder, vem sendo utilizado nos processos de gestão para delegar ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 270 autonomia e responsabilidade às pessoas na tomada de decisões e ações, possibilitando assim, o crescimento destas dentro da organização. (RODRIGUES & SANTOS, 2001). A gestão do conhecimento compreende sinteticamente, a produção, organização, compartilhamento e aplicação do conhecimento no contexto organizacional. É, portanto um componente facilitador na tomada de decisão no processo de gestão. [...] com oferta adequada de informação e pessoas com capacidade para compreendê-las e interpretá-las de acordo com seus construtos cognitivos e emocionais, poder-se-á iniciar um círculo virtuoso de aprendizado nas organizações para aprimoramento dos processos de decisão (CAPUANO, 2008, p.32). A Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) tem se mostrado eficiente para a gestão pública. É uma ferramenta de gestão usada para disseminar o conhecimento dentro da organização, bem como para efetivar a transparência das ações governamentais para a sociedade. Os fundamentos e tecnologias apresentados neste estudo têm como objetivo melhorar a gestão pública buscando a excelência. A aplicabilidade destes no contexto da gestão de polos UAB verifica-se na próxima seção deste estudo. 3. GESTÃO DE EXCELÊNCIA NO CONTEXTO DA GESTÃO DE POLOS UAB No contexto da gestão de Polos UAB verificou-se a aplicabilidade dos fundamentos e tecnologias de gestão em relação a três componentes do referencial de qualidade do MEC: gestão acadêmico-administrativa, infraestrutura de apoio e avaliação. Os fundamentos e tecnologias de gestão possibilitam ao gestor orientar os processos acadêmicos e administrativos de modo ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 271 que estes funcionem em total sinergia. Com atividades executadas por profissionais proativos, corresponsáveis e comprometidos com a satisfação do “cliente”, o aluno, e com a qualidade do “serviço oferecido”, a educação. Para que isso ocorra, o gestor deve prover um ambiente profícuo à atividade educativa e administrativa dos diversos profissionais, descentralizando a ação e a comunicação entre estes e os demais segmentos que compõem a UAB. Deve também, definir os objetivos e responsabilidades, dando assim autonomia à execução das atividades, bem como prover a difusão de informações mantendo a equipe atualizada com as questões relevantes do polo e de interesse de todos. Suas ações devem se orientar nos cinco componentes básicos da gestão de excelência: planejar, organizar, executar, controlar e avaliar o resultado. A construção do conhecimento nas organizações é um processo que envolve investimento nas habilidades e competências individuais bem como em estratégias de interação entre os envolvidos no processo, com retorno em longo prazo. A experiência e o conhecimento tácito que os profissionais adquirem atuando nos polos constituem o histórico de projetos e informações necessários para a gestão do conhecimento se efetivar. Por esse motivo, a rotatividade dos profissionais nos polos (coordenadores e tutores) provocada pela regulamentação que limita o período de concessão das bolsas (Lei nº 11.273/2006), não favorece a gestão do conhecimento nos polos UAB. O levantamento empírico de dados deste estudo foi realizado no Polo Extremo Meridional, localizado no município de Santa Vitória do Palmar; cidade que possui aproximadamente 33.000 habitantes e se localiza no interior do Rio Grande do Sul. Para a implantação deste polo foi necessário um investimento inicial superior a R$ 500.000,00 por parte da Prefeitura Municipal. Estes recursos foram destinados a infraestrutura, contratação de pessoal e outros investimentos necessários para o seu funcionamento. O polo iniciou suas atividades no ano de 2007 com duas Instituições de Ensino, FURG e IF-SUL, que ofereciam três cursos de graduação e duas especializações, em 2008 com a UFPEL passou a oferecer mais ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 272 dois cursos de graduação. Atualmente o polo oferece cinco cursos de graduação e sete especializações, com um total de 243 alunos. A prioridade é oferecer cursos de licenciatura e de formação inicial e continuada a professores da educação básica e proporcionar também cursos superiores e profissionalizantes de ensino médio que venham a atender a demanda do município. Em relação à sustentabilidade financeira do polo, as despesas de manutenção diária são custeadas pela Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Educação; das verbas destinadas à educação no município 2% são investidos na educação superior, onde se enquadra o Polo Extremo Meridional. É necessário administrar esses recursos, de modo que as necessidades mais urgentes sejam priorizadas e os demais investimentos sejam planejados. Algumas alternativas administrativas são muito utilizadas no Polo Extremo Meridional, visando não onerar a prefeitura, é o caso de situações onde um bem ou serviço será utilizado por um período de tempo curto, neste caso, procura-se pedir emprestado um equipamento ou alguma mão de obra para outra secretaria ou para outra Instituição Pública. A solução dos problemas, não seria possível, se não existisse uma relação de confiança entre o gestor e o mantenedor do polo, bem como entre o gestor e a equipe que atua no polo. Verificou-se que no Polo Extremo Meridional a prioridade maior é atender as necessidades do aluno, disponibilizando aos alunos laboratórios com microcomputadores e internet de qualidade, pois é essencial para o desenvolvimento das atividades acadêmicas nessa modalidade de ensino. Assim, os investimentos são feitos primeiramente na questão de manter uma internet de qualidade, um técnico de informática permanentemente no polo e material de multimídia e microcomputadores em perfeito estado para o bom funcionamento dos cursos. A relação é cordial e harmoniosa entre funcionários, tutores, alunos e coordenação. Embora não haja um modelo padronizado de gestão participativa, todos os agentes colaboram com sugestões e críticas, sendo sempre ouvidos e atendidos na medida do possível. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 273 A avaliação in loco no Polo Extremo Meridional foi realizada pelo MEC em junho 2010. Segundo a avaliação, o polo está muito bem localizado e com infraetrutura excelente. Os alunos percebem a oportunidade de acesso aos cursos superiores e a prefeitura municipal esta engajada no processo de democratização do ensino. A tutoria presencial e a localização do polo são os pontos altos para os alunos. Gostam muito do atendimento dos tutores e do trabalho de coordenação. O polo foi considerado excelente, recebendo a nota máxima na avaliação. A estrutura física do polo é suficiente para atender com qualidade os cursos ofertados atualmente. Porém, para atender a crescente demanda pretende-se expandir a oferta de cursos, surge à necessidade de ampliar as instalações e adquirir novos recursos materiais. CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo comum a todas as organizações públicas é promover uma gestão eficiente e eficaz que atenda efetivamente as necessidades dos cidadãos. Nesse aspecto, os fundamentos e tecnologias de gestão têm contribuído para atingir esses objetivos, pois contribuem para a desburocratização, flexibilização e inovação dos processos, beneficiando assim o cidadão. No contexto da gestão de polos do Sistema UAB, os fundamentos e tecnologias de gestão possibilitam melhorar os procedimentos pedagógicos e administrativos do polo, atendendo assim os Referenciais de Qualidade estipulados pelo MEC para a educação à distância. Nesse sentido, cabe ao gestor desenvolver nas rotinas do polo ferramentas de gestão que orientam os processos de planejamento, organização, execução, controle e avaliação dos resultados; bem como disseminar os fundamentos da gestão de excelência. A gestão de excelência envolve a participação e o comprometimento de todos com os propósitos da organização. Portanto, todos devem estar envolvidos com a qualidade da ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 274 educação oferecida e comprometidos com a satisfação dos alunos e da comunidade com o Polo UAB. REFERÊNCIAS ALMEIDA, O. C. S. Oficina Plano de Melhoria de Gestão do Polo. Pelotas, 2010. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: mar. 2011. _____. Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de 2005. Regulamenta o art. 80 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996 que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20042006/2005/Decreto/D5622.htm> Acesso em: mar. 2011. _____. Decreto nº 5.800, de 08 de junho de 2006. Dispõe sobre o Sistema Universidade Aberta do Brasil UAB. Disponível em: <http://uab.capes.gov.br/images/stories/downloads/legislacao/decreto58 00.pdf>. Acesso em: mar. 2011. _____. Decreto nº 5.378, de 23 de fevereiro de 2005. Institui o Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização - GESPÚBLICA e o Comitê Gestor do Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20042006/2005/Decreto/D5378.htm>. Acesso em: abr. 2011. _____. Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009. Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar e do Programa Dinheiro Direto na Escola aos alunos da educação básica; altera as Leis nos 10.880, de 9 de junho de 2004, 11.273, de 6 de fevereiro de 2006, 11.507, de 20 de julho de 2007; revoga dispositivos da Medida Provisória no 2.178-36, de 24 de agosto de 2001, e a Lei no 8.913, de 12 de julho de 1994; e dá outras providências. Disponível em: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 275 <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20072010/2009/Lei/L11947.htm>. Acesso em: mar. 2011. _____. Resolução nº 49, de 10 de setembro de 2009. Dispõe sobre orientações e diretrizes para o apoio financeiro às instituições de ensino participantes do Sistema Universidade Aberta do Brasil. 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Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2011. _____. Conhecimento como ferramenta da gestão pública (continuação) – Unidade III. Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2011. _____. Importância da EAD no contexto municipal – Unidade IV. Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2011. RODRIGUES. C. H. R.; SANTOS. F. C. A. Empowerment: ciclo de implementação, dimensões e tipologia. Gestão & Produção, vol. 8, n. 3, p. 237-249, dez. 2001. Disponível em: <http://moodle.ufpel.edu.br/mod/resource/view.php?id=6349>. Acesso em: mai. 2011. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA INSAURRIAGA, E. M. et al. Introdução ao Financiamento da Educação. Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2011. _____. Fontes de Financiamento da Educação. Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2011. OSÓRIO, F. M. 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Propõe-se responder ao seguinte questionamento: de que forma o gestor de polos pode proporcionar e/ou garantir uma gestão democrática e participativa enquanto as funções de tutoria presencial são tão instáveis? A análise dessa problemática é de extrema relevância, visto a importância de se dar continuidade ao trabalho coletivo entre todos os atores de um polo de educação à distância. Igualmente vem ao encontro da necessidade do gestor de polos em EAD poder dividir a vasta gama de atribuições que recaem sobre ele, de forma a democratizar e agilizar mais o processo administrativo, pedagógico e acadêmico. A proposta consiste justamente em buscar alternativas que influenciem na construção social do polo, otimizando seus tempos e espaços, além de proporcionar maior visibilidade positiva do mesmo. A melhoria da gestão pública e a formação e qualificação docente são aqui apresentadas como estratégias para atingir os principais objetivos da UAB. Para tanto, faz-se necessária à união de ideias e ideais entre os educadores e demais atores que atuam no ambiente do polo em EAD, tanto no campo virtual e, principalmente, no campo presencial. Defendemos a formação de uma equipe cogestora que servirá de esteio, garantindo a execução de um planejamento democrático das ações do polo em médio prazo. De forma que, participando desde o momento em que este plano foi idealizado e gerado, torna-se parte dele. É essa equipe cogestora que auxiliará o gestor a exercer suas funções com tranquilidade e transparência, aproximando-o da realidade de cada uma da IES, de cada curso de graduação, especialização ou ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 278 aperfeiçoamento. Transformando o polo em um ambiente democrático e acolhedor a todos os atores que dele participam direta e ou indiretamente. Palavras-chave: equipe cogestora; tutor presencial; gestor de Polos. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Este artigo foi elaborado visando defender a formação de uma equipe cogestora como ferramenta para o bem gerir da instituição. Na visão dessa autora, a equipe cogestora é formada pelos funcionários, tutores presenciais, coordenador e representantes dos alunos das diversas universidades que freqüentam o polo. A intenção de formular este trabalho é garantir a todos uma educação de qualidade, na busca de um “polo ideal” para todos, bem como a possibilidade de superação dos limites enfrentados pelo coordenador dessa instituição, aqui denominado gestor de polos em EAD. Quando se menciona o “pólo ideal”, almeja-se que este seja um ambiente que apresente um conjunto de condições favoráveis ao seu bom funcionamento, sejam elas de ordem material, administrativa ou de pessoal. Especificamente, nossa preocupação neste trabalho refere-se às limitações encontradas em relação ao setor de recursos humanos, visto ser justamente aí que acontecem os grandes entraves a atuação do gestor. Acredita-se ser possível alcançar a construção desse pólo ideal, já que se tem a maioria das necessidades atendidas. Este artigo objetiva justamente apontar a formação da equipe cogestora como uma ferramenta capaz de forjar que este pólo almejado seja real. A proposta consiste justamente em buscar alternativas que influenciem na construção social do polo, otimizando seus tempos e espaços, além de proporcionar maior visibilidade positiva do mesmo. Isso fundamentado na idéia da formação da equipe cogestora, que aliada à atuação e coordenação do gestor, vem possibilitar uma caminhada mais tranquila para atingir os objetivos da UAB. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 279 A melhoria da gestão pública e a formação e qualificação docente são aqui apresentadas como estratégias para atingir os principais objetivos da UAB. Para tanto, faz-se necessária a união de idéias e ideais entre os educadores e demais atores que atuam no ambiente do polo em EAD, tanto no campo virtual e, principalmente, no campo presencial. Segundo Gandin: (...) não basta que os professores, isoladamente ou mesmo em conjunto, definam “como” e “com que” vão “passar” um conteúdo preestabelecido, dando, assim, um carácter de só administração ao trabalho escolar; é necessário que se organizem para definir que resultados pretendem buscar, não apenas em relação a seus alunos, mas no que diz respeito às realidades sociais, e, que, a partir disto realizem uma avaliação circunstanciada de sua prática e proponham práticas alternativas para ter influência na construção social. (2005, p.88) Concisamente, propõe-se responder ao seguinte questionamento: como o gestor de polos pode proporcionar e/ou garantir uma gestão de polos democrática e participativa enquanto as funções de tutoria presencial são de contrato temporário, o qual não cobre, necessariamente, o período de duração de um curso de graduação? A investigação do problema dessa pesquisa justifica-se frente à realidade enfrentada pelos tutores que desejam mais do que exercer suas funções, mas engajarem-se efetivamente no cotidiano do polo, por meio da proposta de formação de uma equipe cogestora. Contudo, se vêem, a qualquer momento, desligados de suas funções, por inúmeros motivos alheios aos interesses da coordenação do polo, dos alunos e da própria tutoria presencial. Igualmente vem ao encontro da necessidade do gestor de polos em ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 280 EAD poder dividir a vasta gama de atribuições que recaem apenas sobre ele, de forma a democratizar e agilizar mais o processo administrativo, pedagógico e acadêmico. A análise dessa problemática é de extrema relevância, visto a importância de se dar continuidade ao trabalho coletivo entre todos os atores de um polo de educação à distância. Especificamente, esse trabalho objetiva apontar limites e possibilidades em relação à contratação/permanência da tutoria presencial, delimitando sua linha de atuação junto à coordenação do polo; contribuir para que haja um avanço na atuação destes profissionais para além do contato presencial/virtual com os alunos; sinalizar para a possibilidade de um comprometimento maior com a UAB como um todo, visando à melhoria e qualificação dessa nova modalidade de ensino. A metodologia utilizada neste artigo foi a pesquisa bibliográfica de obras de gestão empresarial e educacional, na intenção de propor uma nova idéia de gestão educacional voltada para administração de polos de educação a distância do sistema UAB. Muitos são os autores que embasam e sustentam as idéias aqui defendidas: Moacir Gadotti; Herrenkohl, R.C.; Judson, G.T. & Heffner, J.A; Le Boterff; Randolph; Luiz Carlos Pereira; Cláudia Rodrigues; Fernando Santos; Clóvis Santos; Heriana Santos; Fernando Vieira; Nonaka & Takeuchi; Danilo Gandin, Maria João Santos, Eva Oliveira. No desenvolvimento dos pressupostos aqui defendidos, muitas citações e pensamentos destes fundamentaram o pensamento dessa autora. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 281 1. A FORMAÇÃO DE UMA EQUIPE COGESTORA 1.2 Gestão privada X Gestão pública A informação é critério fundamental na gestão de todo tipo de organização, pois agrega agilidade e confiança ao trabalho do gestor, tanto no campo privado como no público. Os processos de organização da informação utilizados nos ambientes de gestão privada devem, certamente, ser utilizados pelos gestores públicos, nas mais diversas áreas de atuação municipal, estadual ou federal, nos setores educacionais, assistenciais, de saúde, etc. Uma nova postura em relação à gestão pública se faz necessária, a partir do conhecimento e aplicação da TIC’s (Tecnologias da Informação e da Comunicação). Todavia, isso não pode acontecer com a simples transposição dos métodos e normas utilizados no setor privado para o setor público, mas sim por meio de adaptações e/ou aproveitamento de forma crítica dessa experiência, servindo de base para inovação no campo das políticas públicas, visando maior eficiência e qualidade nos serviços prestados. Cabe salientar a importância da implementação, qualificação e execução de políticas públicas que sustentem e incentivem a oferta do ensino superior à distância no sistema UAB. Um dos pontos principais a mudar na gestão de políticas públicas nesse âmbito educacional, a exemplo da privada, consiste na desburocratização dos processos. Segundo o economista Luiz Carlos Bresser Pereira (1998; p. 08): “a nova administração pública se diferencia da administração pública burocrática, pois segue os princípios do gerencialismo”. Santos e Vieira (2008) explicam que o gerencialismo foi ideologicamente articulado por diversos agentes do mundo do management. No entanto, não descartam as recomendações deles. Segundo os autores, apesar das diferenças entre a gestão do setor público e a do setor privado, as estratégias e visões privadas podem ser aplicadas e adaptadas ao setor público. O sistema do management diferencia-se do gerencialismo por meio da ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 282 administração estratégica, financeira, de qualidade, gerenciamento de pessoal e aplicação de tecnologias, que funcionam da mesma forma no setor público. Utilizando as citações acima e remetendo-as ao contexto da Educação a Distância, mais especificamente à gestão pública, considera-se que o gestor ou coordenador de Polos não tem condições de atender satisfatoriamente tudo que surge, cotidianamente, na tarefa de administrar esse tipo de instituição; pelo contrário, precisa encontrar nos seus principais colaboradores tutores presenciais - apoio na busca de soluções para os inúmeros problemas surgidos e para executar sempre que preciso novas estratégias. Partindo desse pressuposto, ratifica-se que as estratégias utilizadas pelos sistemas privados de gestão têm muito a contribuir, não somente para o campo da educação, mas para as especificidades da EAD. Entre as estratégias acima citadas, destacam-se: a necessidade da desburocratização e/ou agilidade dos processos; o gerenciamento de pessoal e o bom e qualificado uso das informações. A reflexão centrará principalmente, a partir de agora, a respeito do uso das informações e gerenciamento de recursos humanos, na possibilidade de formação de uma equipe cogestora em Polo de EAD. 1.3 O qualificado uso de informações em um polo de EAD O primeiro ponto a ser abordado – o uso de informações – no ambiente de um Polo em EAD, nos leva ao estudo da criação do conhecimento, suscitada pelos estudos de Nonaka e Takeuchi. Segundo esses autores, para se entender a criação de qualquer tipo de conhecimento faz-se necessário distinguir dado, informação e conhecimento. A respeito da definição de dado concluímos que é algo claro, posto, perceptível, enquanto que a informação vai além do que está posto, fica no campo do que ainda precisa ser buscado, ser ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 283 descoberto, embora elucide dúvidas e acrescente idéias a um fato. Já o conhecimento se dá quando o dado aumenta sua proporção através dos insumos buscados, tornando-se uma informação que passa a ser assimilada, que pode ser aplicada, que após ser descoberta (dado), também pode ter seu sentido "destruído" e "reconstruído", de forma a atribuí-lo sentido, significado e utilidade. A tudo isso se denomina de conhecimento. Nonaka e Takeuchi dividem o conhecimento em tácito e explícito. Basicamente apresentam que o conhecimento explícito é como a própria palavra revela, algo claro, de fácil entendimento ou (re) conhecimento; já o conhecimento tácito ou implícito é aquele que necessita de mais dedicação para ser explicado, pois é bastante subjetivo e pessoal de cada indivíduo. Justamente por ser baseado nas experiências e leituras de mundo de cada pessoa é tão "maior" (em termos de que é difícil não só de explicar como de mensurar) que o explícito, visto este último pertencer ao entendimento de muitas pessoas ao mesmo tempo, podendo fazer parte de um senso comum. Bastante pertinente parece remeter as reflexões à questão das dimensões da criação do conhecimento. Normalmente, a preocupação centra-se apenas na propagação do conhecimento adquirido, mas não com o fato de quando alguém o sistematizou a ponto de torná-lo um conhecimento. É preciso incentivar o conhecimento individual para que se crie, em uma organização, um conhecimento ampliado a todos. Assim de fato acontece no contexto do Polo e em sua gestão. No início de qualquer tipo de atividade em EAD, todos os envolvidos têm a impressão de que nada sabem e pouco têm a contribuir, visto estarem mensurando apenas o que está explícito. A partir dos primeiros contatos, percebe-se que todos têm a contribuir com os conhecimentos já construídos/adquiridos, formando-se novos conhecimentos, agregados aos conhecimentos tácitos dos colegas, alunos e gestores. Essa reflexão sobre a conversão do conhecimento organizacional conduz o fio do raciocínio até a idéia aqui defendida ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 284 de que não somente o gestor, mas todos os frequentadores do polo socializam, combinam, internalizam e externalizam seus conhecimentos, de forma interativa e colaborativa, concomitantemente. O gestor de polos não só pode como tem o dever de estimular a todos para que se utilizem desse ambiente, virtual e presencial, para a formação do conhecimento por meio de suas (re) elaborações constantes a respeito dos mais diversos tipos de informação recebidos, transmitidos, trocados e construídos. Para que haja essa troca e conversão de conhecimentos entre todos os que frequentam ambientes de EAD, a função do gestor de polos extrapola o acima explicitado, indo muito além de ser um facilitador/promotor/estimulador da criação e propagação do conhecimento acadêmico. Afirma-se que para tal, é preciso que o gestor seja capaz de gerir todos os processos surgidos no ambiente que administra. Para assessorá-lo adequadamente é que defendemos a idéia da equipe cogestora, a qual depende, basicamente, do gerenciamento dos recursos humanos que atuam no polo. 1.4 O gerenciamento de recursos humanos Abordaremos desse ponto em diante, o gerenciamento de recursos humanos a partir da visão de uma gestão de processos na Gestão Pública. Os principais atores, nesse caso, são os usuários e colaboradores do polo, cabendo ao gestor estar sempre atento não somente às questões administrativas e acadêmicas da instituição, bem como ao seu papel de facilitador/estimulador de conhecimentos e, mais além, de valorizador e incentivador da equipe cogestora de seu polo, incluindo aí seus alunos. Rodrigues e Santos afirmam que o gestor de polos acertará a medida de valorização de sua equipe quando for capaz de estipular conjuntamente com ela as metas a serem atingidas, dando-lhes autonomia suficiente para o desenvolvimento de suas competências ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 285 individuais, para que haja um alinhamento em busca da realização da missão da instituição: À medida que você como Gestor do Polo consegue uma maior participação dos colaboradores via empoderamento, os resultados serão positivos e a sinergia entre eles acontecerá normalmente (RODRIGUES E SANTOS, 2001, p.237) A gestão de conhecimento, dentro da idéia de gestão dos processos adjacentes ao ambiente de um polo em EAD, deve ser vista como uma estratégia para promover o desenvolvimento da competência da organização, de forma a valorizar e estimular o desenvolvimento das competências individuais que perpassam por esse ambiente. Fundamenta-se aqui o princípio de que o gestor apto a desenvolver e promover as competências individuais de sua equipe de trabalho – equipe cogestora – estará cercado de boas idéias e de colaboradores reais, valorizados em suas iniciativas e participativos por voluntariado e espontaneidade e não por obrigação ou mero compromisso profissional. O integrante de uma equipe que é tolhido, que reprime suas sugestões - pois dele é esperado e estimulado que cumpra apenas com o que lhe cabe - é um colaborador insatisfeito e “obrigado”; jamais age voluntária, espontânea e animadamente em prol da instituição. Defende seu pólo, defende suas atribuições, constitui-se enquanto percebe-se constituinte ativo e não passivo das necessidades de seu ambiente profissional. Santos defende a gestão de pessoas, conforme acreditamos, ao propor uma equipe cogestora: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 286 Tendo em conta que quase todo o conhecimento reside nas pessoas ou ainda que a sua potenciação delas depende, urge gerir as pessoas em conformidade com este pressuposto. Esta constatação, por si só evidente, pressupõe uma reorganização no modo de gestão das pessoas. Implica pensar as pessoas como geradoras de conhecimento, com potencialidades e competências que devem ser direccionadas e colectivamente organizadas. Conduzir as pessoas a realizar o seu potencial significa saber gerir os recursos humanos com inteligência, sensibilidade e flexibilidade e requer a atribuição de uma maior liberdade e responsabilidade na gestão das pessoas. (SANTOS, 2004, p.5) Muitos apontamentos de Santos, na citação acima, vêm ao encontro de nossos anseios, entre eles, destaca-se a necessidade do gestor disponibilizar de inteligência, sensibilidade e flexibilidade para formar e manter atuante uma equipe cogestora, aproveitando e potencializando o conhecimento que cada um traz, na mesma direção: otimizar o ambiente virtual e presencial, tranformando-o num local de produção de saberes por excelência. Torna-se imprescindível ao bom gestor, além das qualidades já elencadas, primeiramente “empoderar-se” delas e saber utilizálas e usufruí-las; além disso, ter a capacidade em “empoderar” os diversos atores de sua equipe, 'cogestionando' o polo. O fundamento da Gestão de Recursos Humanos como fator imprescindível em uma visão moderna de gestão não é novo e advém do estudo de modelos de Gestão de Empresas. Há muito que estudiosos da Gestão de Negócios defendem pressupostos como empowerment e gestão de recursos humanos como ferramentas indispensáveis nessa linha. Entre várias definições de empowerment estudadas, descobriu-se que o mesmo consiste numa forma de “empoderamento” de todos os colaboradores envolvidos com a ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 287 empresa e seu sucesso, de modo que possam colocar suas habilidades e competências a serviço do bem da instituição e, logo, do bem comum a todos que dela participam. De acordo com Randolph (1995, p. 20) “Empowerment é o reconhecimento e liberação dentro da organização do poder que as pessoas já possuem na riqueza de seus conhecimentos úteis e na motivação interna”. Aqui se fundamenta nosso pensamento inicial, pois há, em cada função de tutoria exercida na educação a distância, um nível de “poder” a ser exercido, o qual esbarra em alguns entraves, sendo o maior deles a instabilidade, a qual não permite uma continuidade no trabalho desenvolvido. Na mesma linha do autor supracitado, há ainda a idéia de que cada pessoa envolvida direta ou indiretamente no bom andamento da empresa pode e deve ajudar na tomada de decisões que visam à sua melhoria e/ou solução de problemas. Empowerment é um conjunto de procedimentos que buscam a interação e o envolvimento das pessoas com o trabalho e que as impulsionam a tomar iniciativas e a interferir com ações no processo produtivo (HERRENKOHL, JUDSON & HEFFNER, 1999). Em educação à distância, fala-se muito em autonomia do aluno, mas pouco se pensa ou proporciona em termos de autonomia aos profissionais que exercem função de tutoria no polo. Referimo-nos aqui, particularmente, às funções inerentes aos profissionais que atuam na tutoria presencial. No contexto de um pólo de EAD, o tutor presencial é considerado o “braço direito” do gestor de polos, sendo fundamental sua atuação na formação de uma equipe cogestora. Essa afirmação justifica-se frente ao fato de que ao gestor de pólos torna-se bastante complexa a tarefa de gerenciar os aspectos pedagógicos e acadêmicos de cada curso e em cada uma das universidades que atende. Cabe então ao tutor presencial ser este elo entre as IES, suas exigências, as necessidades administrativas, materiais, acadêmicas e pedagógicas dos alunos – é este profissional que interage diretamente com o alunado, com os professores pesquisadores e tutores a distância – e o gestor, para ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 288 que este possa agilizar, em menor tempo e mais eficientemente, as providências necessárias. Além disso, não raras vezes é também o tutor presencial requisitado a resolver assuntos acadêmicos, referentes às matrículas, atestados médicos, licenças etc., assuntos estes que extrapolam igualmente ao controle do gestor, visto cada universidade ter uma forma de procedimento e um tipo de exigência em relação a cada caso. 1.5 O papel da tutoria presencial Segundo o manual de tutoria do MEC/CAPES, a tutoria presencial representa o acompanhamento direto e sistemático com os alunos nos Polos, durante o período do curso. Suas principais atividades consistem em: - Atender os estudantes no polo, especialmente no desenvolvimento das atividades acadêmicas, fomentando o hábito da pesquisa, esclarecendo dúvidas em relação a conteúdos específicos, notadamente quanto ao uso das tecnologias de comunicação e informação disponíveis; - Auxiliar nos momentos presenciais obrigatórios, tais como avaliações, aulas práticas em laboratórios e apresentação de trabalhos, atividades coletivas ou individuais, dentre outras; - O tutor presencial deve ser capacitado para lidar com as especificidades da educação a distância em sintonia com o projeto pedagógico do curso, do material didático e do conteúdo específico das disciplinas; - Deve manter-se em comunicação permanente com os tutores a distância, com os docentes e com a equipe pedagógica do curso; - Orientar e acompanhar o acesso e o cumprimento das atividades do aluno no ambiente de aprendizagem; - Dominar as ferramentas do Moodle e as demais ferramentas utilizadas no desenvolvimento do curso; - Acessar o curso e as disciplinas no Moodle frequentemente; - Acompanhar o cronograma das disciplinas e do Curso; - Contactar os alunos indicados pelo tutor a distância; ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 289 - Demonstrar cordialidade e empatia no tratamento aos alunos; - Acompanhar os alunos estimulando e motivando a permanência deles no curso; - Aplicar e acompanhar atividades nos encontros presenciais agendados, registrando a presença; - Selecionar e preparar os recursos didáticos e equipamentos necessários ao encontro presencial; - Desenvolver estratégias e técnicas de estudos e aprendizagem visando fortalecer a autonomia do aluno; - Conhecer o PPP do curso; - Participar dos fóruns de tutores nas disciplinas no ambiente Moodle; - Participar do curso de formação continuada programado pela Coordenação; - Acompanhar o trabalho dos alunos, orientando, dirimindo dúvidas, favorecendo a discussão. É facilmente perceptível que as atribuições da tutoria presencial são de extrema relevância para a manutenção do curso, além de serem ao mesmo tempo amplas e específicas. A referência às funções de maior amplitude demonstra as dificuldades que a instabilidade desses profissionais causa à gestão de polos como um todo, visto que, muitas vezes, há a troca de tutores ou a rescisão contratual antes da conclusão do curso. Haja vista que os contratos para graduação são de dois anos e o curso dura quatro anos. Contudo, se houvesse ao menos a garantia da permanência dessa tutoria por dois anos, salvo em casos que haja comprovação de incompetência ou negligência, já seria uma maneira não só de formar uma equipe cogestora, mas de poder planejar sua atuação em médio prazo. Isso certamente traria um grande apoio ao trabalho do gestor, além de gerar maior comprometimento e satisfação entre todos os envolvidos com o sucesso da EAD no polo, especialmente àqueles que lidam diretamente com o aluno e com o gestor: os tutores presenciais. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 290 1.6 O papel do gestor/coordenador de polos em EAD Para não desviar a atenção ao aspecto central desse artigo, a formação da equipe cogestora de um polo, não se pode deixar de mencionar e analisar as funções inerentes ao gestor de polos, ou coordenador, como efetivamente é chamado. São atribuições do coordenador/gestor de polos, segundo o MEC/CAPES: - Coordenar, planejar, fiscalizar e acompanhar o desempenho dos Polos, conforme os padrões de qualidade estabelecidos pelo IFPR e a legislação nacional da Educação a Distância. - Contribuir com as atividades docentes, discentes e administrativas do Polo de Apoio Presencial; - Interagir com tutores presenciais e a distância, alunos e coordenadores de cursos. - Participar das atividades de capacitação e atualização; - Elaborar e encaminhar à coordenação do curso relatórios das atividades, desempenho e frequência dos tutores do polo, quando solicitado; - Fazer cumprir as decisões da coordenação do Curso e da Direção Geral do EAD; - Acompanhar as atividades de ensino e a participação dos alunos e dos tutores presenciais durante as web conferências e tutorias à distância; - Acompanhar e gerenciar o recebimento de materiais didáticos no polo e sua entrega aos alunos; - Preparar e acompanhar a execução dos processos avaliativos, tanto na aplicação das provas como no encaminhamento das mesmas para; - Acompanhar, juntamente com os tutores presenciais, a prática profissional dos alunos, assim como todas as atividades decorrentes e necessárias para sua execução, tais como a emissão de pareceres, declarações, visitas, entre outras, conforme o regulamento estabelecido para o exercício da mesma; - Zelar pela infraestrutura do polo de apoio presencial; ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 291 - Diagnosticar e relatar problemas enfrentados pelos alunos e tutores presenciais às coordenações de curso; - Organizar, junto com o mantenedor do polo, o calendário acadêmico e administrativo que regulamenta as atividades dos alunos no polo; - Articular-se com o mantenedor do polo com o objetivo de prover as necessidades materiais, de pessoal e de ampliação do polo; - Receber e prestar informações aos avaliadores do MEC. Como se pode observar, as responsabilidades do gestor são muitas e, sem o auxílio de toda equipe envolvida no polo, o mesmo não teria condições de administrar tudo isso com vários cursos em funcionamento, como acontece normalmente. Daí, a nossa insistência para que haja a possibilidade da formação de uma equipe que apóie e planeje conjuntamente, de forma a dividir as responsabilidades e interagir com todos os frequentadores do polo, visando sempre a melhoria e manutenção da qualidade dos serviços oferecidos. De acordo com SANTOS: O desafio é considerar a criatividade como parte integrante e estratégica da filosofia da própria empresa. Para isso tornase necessário identificar os factores que bloqueiam este acto criativo. Geralmente estão relacionados com o excesso de rotina, com tarefas rigidamente estruturadas, com isolamentos interdepartamentais, falhas de comunicação, processos burocráticos e procedimentos demasiado rígidos. (SANTOS 2004.p.142). Destaca-se aqui a falta de flexibilidade oriunda da rigidez de horários e do excesso de trabalho a que se submetem os integrantes das equipes cogestoras. Especial referência aos gestores de Polos e tutores presenciais que, em sua maioria, dedicam 20 horas semanais ao trabalho, estando mais 20 ou 40 horas atuando ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 292 em outras instituições de ensino. Inevitavelmente, essas rotinas pesadas acarretam o cansaço coletivo, a falta de tempo para reuniões e tomadas de decisões, prejudicando a idéia de uma equipe cogestora integralmente comprometida com o processo. CONSIDERAÇÕES FINAIS É fato que o gestor de polos tem uma gama de atribuições pré-determinadas que o envolvem quase em tempo integral, especialmente as de cunho burocrático e as que se referem à estrutura e ao funcionamento dos equipamentos. Frente a isso, o gestor que se preocupa em exercer uma gestão democrática e participativa deverá ser capaz de articular sua equipe de colaboradores, especialmente no tocante aos tutores presenciais, para que o auxiliem na resolução de problemas pedagógicos e acadêmicos que surgem a todo o momento em uma instituição tão ampla de ensino superior. Neste sentido, Santos afirma que: E, na escola, é o gestor quem deveria criar clima de aconchego, amizade, amor pelo estudo, incentivo à renovação, à mudança, à experimentação de novas práticas e métodos. Como fazer isso se ele está atolado em papéis, sem preparação teórica e prática para gerir uma escola com tantos problemas e carências? Ser gestor escolar, hoje, é um desafio para gigantes, uma tarefa para educadores compromissados, uma função humana gratificante, mas terrível e difícil, dadas as condições em que ocorre seu exercício. (SANTOS, 2004, p.237) Para tanto, é preciso que haja coesão e autonomia de ambas as partes, gestor e sua equipe, exercendo assim o empowerment da gestão administrativa a serviço da gestão educacional. Quanto à autonomia imbricada no processo de gestão democrática e participativa da educação, Ferreira afirma que: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 293 Não há autonomia da escola sem o reconhecimento da autonomia dos indivíduos que a compõem. Ela é, portanto, o resultado da ação completa dos indivíduos que a constituem, no uso de suas margens na autonomia relativa. Não existe uma autonomia da escola em abstrato, fora da ação autônoma organizada de seus menbros. (FERREIRA, 2001, p. 48) Segundo Le Boterf (2003), o que importa nesse processo não é a simples soma de competências individuais, mas a qualidade dessas articulações. Mais uma vez aqui surge o indiscutível e imprescindível papel de facilitador do fluxo de conhecimento do gestor de Polos, visando à articulação e manutenção em atividade positiva de sua equipe cogestora. Conhecer a realidade de cada colaborador, valorizar suas potencialidades, estimular sua autonomia, criatividade e dedicação são algumas das muitas competências que desafiam o gestor, precisando ele (re) conhecer em si próprio tais qualidades, para ser capaz de observá-las e valorizá-las na sua equipe. Cabe ainda refletir sobre o papel do gestor escolar, o qual não difere do papel do gestor de polos de educação a distância, visto seus compromissos de lutar e manter o ambiente favorável a uma educação de qualidade, tanto presencial quanto a distância. Ao papel do gestor, Oliveira diz: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 294 O gestor escolar é um dos componentes importantes no contexto escolar democrático e participativo, pois articula toda gerência escolar para que produza propostas concretas, e interfere positivamente ou negativamente no funcionamento administrativo e pedagógico, no desenvolvimento e progresso, sucesso ou fracasso da organização que dirige. (OLIVEIRA, 2010. p.105) Ainda apropriando-nos de teorias da gestão empresarial, aponta-se a idéia da urgência de compor uma equipe cogestora nos polos de educação a distância, como forma de auxiliar e contribuir com o cumprimento de enorme gama de atribuições que pesa sobre o coordenador de polo, citando Stewart (1999): “Mais importante que ter uma estrutura e uma cadeia de comando claramente definida é ter uma inteligência partilhada, ancorada em fortes redes relacionais.” Transpondo este ideal empresarial ao mundo da educação, Gadotti (2000) comenta que a gestão escolar democrática significa um processo que rege o funcionamento da escola, compreendendo a tomada de decisões conjuntas, baseadas nos direitos e deveres de todos os envolvidos na escola. Acredita-se que a gestão democrática participativa proporciona idealizar a gestão de polos na perspectiva de promover a democracia, a qualidade do ensino, a descentralização do poder administrativo e o desenvolvimento humano coletivo por meio da composição de uma equipe cogestora. Contudo, não podemos deixar de lado a falta de influência do gestor de polos para a montagem dessa equipe, pois a ele não compete a seleção da tutoria. Isso acarreta, em primeiro lugar, a empatia ou não entre a maioria das pessoas envolvidas, bem como a disponibilidade dos tutores, já que muitos vêm de outros municípios, limitando bastante seu tempo de ação. Não se pode deixar de lado, igualmente, a questão da instabilidade do contrato, em se tratando de cursos de graduação. Salienta-se que nos cursos ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 295 de especialização lato sensu, extensão e/ou aperfeiçoamento, o problema já é bem menor ou quase inexistente, já que são cursos ofertados com menor duração. Sugere-se uma seleção mais acurada dos profissionais que atuarão na tutoria presencial, talvez por meio de concurso para contrato temporário, de forma que, ao mesmo tempo, haja maior estabilidade do contratado e maior segurança por parte de quem contrata, em relação às competências e habilidades dos candidatos. Permanece, então, o impasse primordial: como envolver a equipe, “empoderá-la”, num curso a longo prazo, quando só é possível idealizar e realizar projetos de curtíssimo prazo? Como pode o gestor de polos dar continuidade a um projeto já em desenvolvimento, quando pode, a qualquer instante, diminuírem ou mudarem os membros de sua equipe? Apesar dessa realidade, ainda assim pode-se ver a crescente qualidade dos cursos oferecidos em EAD, muitas vezes devida aos esforços de toda equipe, bem orientada pelo seu coordenador de Polo. Esse artigo vem mostrar que, apesar da extensa literatura a respeito de gestão, no âmbito geral e educacional, ainda há um longo caminho a percorrer para que a oferta de educação pública a distância possa, efetivamente, ocorrer com o mínimo de segurança em busca da qualidade almejada e possível. Com este trabalho, concluímos que o papel do gestor de Polos para promover e manter uma equipe cogestora que o auxilie efetivamente a exercer sua função em uma Gestão Pública contextualizada em EAD é de fundamental relevância. É essa equipe cogestora que servirá de esteio, garantindo a execução de um planejamento democrático das ações do polo em médio prazo, de forma que, participando desde o momento em que este plano foi idealizado e gerado, torna-se parte dele. É essa equipe cogestora que auxiliará o gestor a exercer suas funções com tranquilidade e transparência, aproximando-o da realidade de cada uma da IES, de cada curso de graduação, especialização ou aperfeiçoamento, transformando o polo em um ambiente democrático e acolhedor a ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 296 todos os atores que dele participam direta e ou indiretamente. É essa equipe cogestora que “vestirá a camiseta” do polo exercendo, por meio das diversas atuações individuais inerentes a cada função, com a doação da melhor parte de si própria, o direito de desenvolver suas competências, colocando-as a serviço, em prol do bem comum da instituição. É essa equipe cogestora que vibrará junto com o gestor a cada conclusão de curso, a cada evento bem sucedido, a cada passo dado em direção ao reconhecimento da comunidade. Enfim, é essa equipe cogestora que, aproveitando e potencializando o conhecimento que cada um traz, saberá usá-la, orientada e estimulada pelo seu gestor, na mesma direção: otimizando o ambiente virtual e presencial, transformando-o num local de produção de saberes por excelência. O gestor sozinho não pode realizar milagre, nem exigir mais do que fazem e apresentam seus tutores e funcionários, que exercem tantas outras atividades paralelas. Contudo, pode oferecer sua própria sensibilidade, criatividade, dedicação e empenho na valorização da equipe que tem, aceitando o desafio de desafiá-la a promover uma educação superior pública de qualidade, à revelia de tantos obstáculos que se contrapõem cotidianamente. Apesar dos enfrentamentos apresentados nesse artigo, pretende-se deixar claro que existem muitas possibilidades para o bom desenvolvimento de cursos superiores com excelência no contexto da EAD. Dependendo, sim, dos gestores, de suas equipes e de um maior entrosamento com as IES, que, por sua vez, não raras vezes fazem exigências muito além do que é possível realizar em Polos de municípios pequenos. Faz-se necessária não somente essa interação entre polo-IES-município, como também o mesmo nível de exigência a todas as partes. Com este artigo, pretendeu-se elencar os enfrentamentos que se apresentam aos gestores de polos, mais especificamente nos campos das relações interpessoais e da troca de informações. Também se almejou apresentar algumas possibilidades para superação dos referidos enfrentamentos, através da formação de uma equipe cogestora de polos em EAD. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 297 REFERÊNCIAS GADOTTI, M. et al. Perspectivas Atuais da Educação. Porto Alegre: Artmed, 2000. GANDIN, D. Planejamento – como prática educativa. 15 ed. São Paulo: Loyola, 2005. HERRENKOHL, R. C.; JUDSON, G. 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ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 299 REDES SOCIAIS EM EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES NA GESTÃO DE POLOS A DISTÂNCIA AUTORA: Lisiane Borges PROFESSORA ORIENTADORA: Milena Silvester Quadros RESUMO Este artigo tem por objetivo construir um debate conceitual que possa ser útil para a aproximação dos acadêmicos e da comunidade com o Polo de Apoio Presencial de Camargo/RS. Neste estudo, procurou-se entender a gestão de polos e a importância do gestor neste processo através de uma revisão literária sobre o tema. Explica-se a diferença de administrador e gestor, onde este se preocupa também com sua função social, não apenas questões administrativas. A gestão democrática e participativa é apresentada como a ideal no Polo de Apoio Presencial de Camargo/RS da Universidade Aberta do Brasil – UAB, pois se baseia no princípio da autonomia, onde todos tem sua parcela de comprometimento e possibilidade de participação nas decisões. Dentro da gestão democrática, destaca-se que o processo comunicacional do Polo que deve ser de qualidade para o sucesso do ensino aprendizagem proposto por esta instituição. A educação a distância não pode ser uma educação solitária, simplesmente por existir distância física do aluno com a Universidade. O Polo de Apoio Presencial tem este papel de suprir ausência da Universidade para o aluno e, se a comunicação entre eles falhar, não estará executando bem seu papel de mediador. Assim, apresentam-se algumas redes sociais como canais de comunicação para o uso no Polo, ferramentas de grande conhecimento entre a sociedade contemporânea que possui inúmeras vantagens, como a interação, a flexibilidade, economia e agilidade de propagação da informação. Palavras-chave: Gestão de Pólos; redes sociais; educação a distância. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 300 CONSIDERAÇÕES INICIAIS A educação a distância, se por um lado democratiza a educação, facilitando o acesso de tantos que se encontram geograficamente distantes dos centros educacionais ou que, por motivos diversos, estão impossibilitados de frequentar um curso presencial, por outro enfrenta o problema de superar a distância do aluno com as IFES e com o próprio Polo de Apoio Presencial (PAP), uma vez que este é o mediador entre aluno e a Instituição de Ensino que oferta o curso. Leda Maria R. Fiorentini defende que: [...] superar a distância ou superar as limitações que ela impõe são condições necessárias ao sucesso de qualquer processo ou sistema educativo; o que exige alterações no esquema comunicacional decorrentes das limitações (e às vezes da ausência) impostas à contigüidade espacial. (2009, p.146). O gestor de Polos, neste contexto, tem papel fundamental para encurtar distâncias e aproximar colaboradores e alunos ao Polo, pois é de sua competência, não só as questões administrativas, mas, também, e principalmente, a função social. Em se tratando de gestão, Moran, Masetto e Beherens explicam que a tendência é caminhar para novas formas de gestão, que sejam menos centralizadas, isto é, mais flexíveis, integradas: “Haverá maior participação dos professores, alunos, pais, da comunidade na organização, no gerenciamento, nas atividades, nos rumos de cada instituição escolar” (2000, p.55). Partindo desta realidade, surge esse artigo que tem como objetivo trazer à discussão um novo paradigma que é a gestão de polos, pois se trata de uma nova forma de gestão. Assim, realiza-se um debate conceitual que possa ser útil para a aproximação dos acadêmicos e da comunidade com o PAP de Camargo/RS. Acreditase que um processo de comunicação bem executado é fundamental para o sucesso da educação a distância. Também a questão da ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 301 comunicação está diretamente ligada à participação, colaboração e cooperação, o que vem de encontro aos princípios da gestão democrática e participativa, que deve predominar em uma instituição como o PAP. Como objetivos específicos, este estudo pretende identificar possíveis canais de comunicação para a divulgação dos assuntos pertinentes ao Polo e, também, debater sobre o uso de redes sociais como facilitadores no processo de mediação entre aluno/comunidade e PAP. Desta forma, o artigo se inicia expondo a questão do gestor de polos como novo paradigma, onde se estabelece seu conceito, que diferencia-se de um mero administrador. Posteriormente, discute-se a gestão democrática e participativa e seus efeitos na educação a distância e no PAP, na qual a tecnologia e a internet tem papeis fundamentais . Após, é caracterizado o PAP de Camargo/RS, suas necessidades em decorrência da expansão dos cursos e aumento significativo de usuários. Verifica-se que a questão da comunicação fica prejudicada e propõe-se a utilização de redes sociais, tendo em vista suas vantagens e possibilidades de alcance, para melhorar este processo tão importante para o Polo. Sendo assim, algumas estatísticas são apresentadas, a fim de justificar o uso de redes sociais. Finalmente, são apresentadas as redes sociais mais populares no Brasil, perfil de usuários e outras informações pertinentes. Destas, destaca-se a criação de um blog para o PAP de Camargo, apresentando seus principais recursos e utilização no Polo. 1. GESTOR DE POLOS: UM NOVO PARADIGMA O termo gestor de Polo, usado para designar a função de Coordenador do Polo, fundamenta-se no fato de que o Polo de Apoio Presencial – instituição pública – necessita de uma pessoa que não se limite a administrá-lo com, apenas, atribuições burocráticas, é preciso outras atribuições que vão além. Segundo Libaneo, Oliveira e Toschi, a gestão: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 302 refere-se a todas as atividades de coordenação e de acompanhamento do trabalho das pessoas, envolvendo o cumprimento das atribuições de cada membro da equipe, a realização do trabalho em equipe, a manutenção do clima de trabalho, a avaliação de desempenho” (2008, p.349). Francisca R. G. Paris58 explica as diferenças entre um administrador e um gestor: o primeiro, tem como competência estabelecer metas e alcançá-las, muitas vezes, negligenciando o trabalho pedagógico e o acompanhamento de recursos humanos, uma vez que realizar os múltiplos ofícios administrativos está em primeiro plano; e este último, é capaz de compreender e participar da instituição, vislumbrar e projetar ações para resultados futuros, mas sempre envolvendo todos os sujeitos da instituição. A autora menciona que o gestor não abre mão de administrar, mas, possuindo a capacidade de envolvimento com seus colaboradores, consegue resultados coletivos. Silva (2009 apud VARGAS; LIMA, 2011) delineia o perfil deste gestor, onde o mesmo deve se pautar pelo diálogo, respeito às opiniões de seus pares e “deve estar alicerçado na aglutinação e na motivação a partir de seu espírito de liderança respeitando a democracia e a participação” (VARGAS; LIMA, 2011, p.9). A função social, defendida pelos autores supracitados, como a opinião social, a divulgação de resultados positivos e, ainda, a noção dos negativos são responsabilidades do gestor, demonstrando a coerência e seriedade de um grupo onde há uma gestão participativa. De acordo com Aires e Lopes, 58 Disponível em: <http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=1898>. Acesso em 28 abr. 2011 ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 303 os requisitos da educação a distância focada em processos interativos e participativos [...] têm se refletido, também, na definição de opções de organização e gestão de sistemas de educação a distância ajustadas a essas perspectivas pedagógicas da oferta educacional. Tais opções de gestão [...] emandam adotar um modelo de base democrática, compartilhada e co-ordenada (2009, p.243). A seguir, será tratado este tema, pois se acredita que um PAP (polo de apoio presencial) deve seguir estes preceitos para garantir o caráter público e de qualidade. 1.1 Gestão Democrática e Participativa O conceito de participação, segundo Libâneo, Oliveira e Toschi (2008) está fundamentado no princípio da autonomia. “Como a autonomia opõe-se às formas autoritárias de tomada de decisão, sua realização concreta nas instituições dá-se pela participação na livre escolha dos objetivos e processos de trabalho e na construção conjunta do ambiente de trabalho” (p.329). No que tange a educação a distância, Aires e Lopes (2009) defendem que: a perspectiva emergente da educação a distância supõe um modelo substanciado na gestão democrática, propiciando o diálogo, a participação, a troca de experiências e de saberes, de modo a favorecer o desenvolvimento da aprendizagem colaborativa e da construção coletiva do conhecimento (2009, p.255) No Polo de Apoio Presencial a gestão democrática abre espaço para a participação de profissionais, como gestor, secretária, tutores presenciais, entre outros; para os alunos (usuários), razão ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 304 da existência do Polo; e, também, para a comunidade regional, os tornando co-responsáveis pelo êxito do Polo. Segundo Teperino “para tentar garantir à qualidade de um curso a distância, é necessário atenção especial ao processo de comunicação, seja entre professores e alunos, entre os próprios alunos ou, ainda, entre estes e a equipe de gestão” (2006, p.91). A internet é uma tecnologia totalmente disponível e muito útil para auxiliar na gestão democrática, pois favorece a comunicação e a interação59 entre os sujeitos, mesmo que estes possam estar geograficamente distantes. De acordo com Aires e Lopes esta ação comunicativa tem como vantagem “[...] sobretudo, a manutenção de uma clara relação interativa e dialógica entre os atores envolvidos” (2009, p.260). Para contextualizar o assunto, a seguir será apresentado o Polo de Apoio Presencial de Camargo, suas dificuldades e desafios para que se possa entender o que será discutido e proposto nos capítulos a seguir. 2. O POLO DE APOIO PRESENCIAL DE CAMARGO/RS O PAP da Universidade Aberta do Brasil no município de Camargo/RS iniciou suas atividades no ano de 2007, com três cursos a distância, um pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Tecnólogo em Planejamento e Gestão para o Desenvolvimento Rural – PLAGEDER) e dois pela Universidade Federal de Pelotas (Licenciatura em Pedagogia – LPD e Licenciatura em Matemática – CLMD), com cinqüenta alunos cada turma. A partir de 2010 o Polo desenvolveu bastante suas atividades e a expectativa é de que só tenha a aumentar, sendo que atualmente conta com: 59 Interatividade diz respeito às novas tecnologias que tendem “a contemplar as disposições da nova recepção. Elas permitem a participação, a intervenção, a bidirecionalidade e a multiplicidade de conexões. Elas ampliam a sensorialidade e rompem com a linearidade e com a separação emissão/recepção” (SILVA, 2002, p.13). ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 305 Duas turmas de PLAGEDER 2007 e 2010 pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Duas turmas de CLMD 2007 e 2010 pela Universidade Federal de Pelotas; Duas turmas de LPD 2007 e 2010 pela Universidade Federal de Pelotas; Uma turma de Espanhol 2010 pela Universidade Federal de Pelotas; Uma turma de Educação do Campo 2010 pela Universidade Federal de Pelotas; Uma turma de Especialização em Gestão de Polos a Distância 2009 pela Universidade Federal de Pelotas; Uma turma de Especialização em Mídias na Educação 2011 pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense; Uma turma de Extensão em Mediadores de Leitura na Bibliodiversidade 2011 pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Uma turma de Aperfeiçoamento em Educação para as Relações Étnico-Raciais 2011 pela Universidade Federal de Pelotas. De fato, foi um grande avanço para o Polo que demandou maiores investimentos no mesmo, como ampliação da estrutura física. No início de 2010 foi cedido pela Prefeitura Municipal de Camargo espaço exclusivo para o Polo – antes o espaço era compartilhado com a Escola Estadual Pandiá Calógeras – mas, no início de 2011 ampliou-se ainda mais, disponibilizando nova sala de tutores (uma vez que o número deles aumentou significativamente) e uma sala de aula. O processo de comunicação do Polo com alunos e com a comunidade regional se dá, basicamente, através de e-mail e telefone. Para a divulgação de processo seletivo, há uma lista de contatos em um livro no Polo, no qual são anotados telefone e email dos interessados nos cursos. Muitas vezes ocorre de, passado um certo tempo depois do primeiro contato, o número de telefone ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 306 da pessoa mudou ou o e-mail não está mais sendo utilizado, prejudicando a divulgação dos cursos aos interessados. Também há uma rádio local onde em período de processo seletivo os mesmos são divulgados. Porém, a rádio comunitária não tem poder de alcance nas mais variadas cidades da região, tendo audiência basicamente em Camargo. Desta forma, verificou-se durante este tempo que os processos seletivos bem como outras atividades do Polo que merecem destaques não são efetivamente divulgados, pois não são raros os comentários de interessados que só não se inscreveram por não estarem informados desta possibilidade. Quanto à comunicação com os alunos, esta também não é efetiva, uma vez que os alunos pouco vêm ao Polo de Apoio Presencial – em alguns cursos eles tem a obrigatoriedade de aulas presenciais uma vez por semana, em outros não há esta obrigatoriedade. Entende-se que isto beneficia os estudantes que podem acompanhar as aulas, bem como manter comunicação com professores no ambiente confortável de seus lares. Entretanto, a questão da aproximação e comunicação entre colegas e para com o Polo de Apoio Presencial fica prejudicada. Sendo assim, preocupou-se em pesquisar meios de, se não solucionar por completo o problema de comunicação no Polo, pelo menos melhorar este processo tão importante para o desenvolvimento do mesmo. 3. REDES SOCIAIS: POSSIBILIDADES DEMOCRÁTICA NO PAP DE CAMARGO/RS DE GESTÃO A comunicação contemporânea trouxe grandes transformações na estrutura comunicacional e trouxe consigo novos conceitos e significações. Destes conceitos, pode-se destacar a cibercultura, “conjunto imbricado de técnicas, práticas, atitudes, modos de pensamento e valores” (SILVA, 2006, p.11) e ciberespaço caracterizado como “novo espaço de comunicação, de ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 307 sociabilidade, de organização, de informação, de conhecimento e de educação” (ibidem). De acordo com Silva “cada vez se produz mais informações online socialmente partilhada, é cada vez maior o número de pessoas cujo trabalho é informar online, cada vez mais pessoas dependem da informação online para trabalhar e viver” (2006, p.11). O Polo de Apoio Presencial não pode ser uma instituição alienada aos avanços tecnológicos, porque isso é impedir a própria evolução da educação. A sociedade como umtodo vive o momento do que Silva (2002) chama de configuração das comunicações humanas em toda sua amplitude e nesta sociedade se incluem os alunos do Polo, os tutores, professores e a comunidade em geral. Desta forma, entende-se que para superar distâncias e facilitar a comunicação dialógica é válido fazer uso de recursos tecnológicos que permitam tais desafios, como é o caso das redes sociais. Uma rede social é definida como “um conjunto de dois elementos: atores (pessoas, instituições ou grupos; os nós da rede) e suas conexões (interações ou laços sociais)” (WASSERMAN e FAUST, 1994; DEGENNE e FORSE, 1999 apud RECUERO, 2009, p.24). É característica das redes sociais a facilidade na comunicação, devido principalmente ao seucaráter ágil, econômico e interativo para realizar as trocas de informação. A interatividade, inclusive, é a principal característica que faz as redes sociais terem um caráter democrático e participativo, questões de estudo para a gestão do PAP de Camargo. Na interatividade da comunicação, os indivíduos passam de mero expectador passivo para agente ativo, isto é, mantém uma relação de troca de informações, participando e cooperando com os assuntos importantes do Polo. O processo de comunicação numa instituição como o Polo que tem como objetivo representar a universidade que está distante, deve ser eficiente para evitar que os alunos se sintam isolados, por isso é importante que o Polo ofereça diversos canais de comunicação, não somente os tradicionais telefone e e-mail. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 308 Considerando que a Internet hoje é uma realidade crescentes nas mais distintas populações e que igualmente cresce o uso de redes sociais (veja no item a seguir), acredita-se que seu uso para melhor a comunicação entre Polo e alunos e comunidade, seja um meio eficaz para melhorar este processo. 3.1 Estatísticas Com intuito de fundamentar a posição favorável sobre o uso de redes sociais em educação, apresenta-se a seguir alguns dados resultantes de pesquisas, realizada nos últimos anos que vem de encontro a este assunto. Quanto ao acesso à internet, estima-se que 24 milhões de brasileiros tiveram acesso em seus lares em Julho de 2008 e que a média de conexão dos brasileiros seja de 24 horas e 54 minutos por internauta durante o mesmo período (ABREU e TELES, 2009). No que diz respeitos às redes sociais, mais de 80% dos internautas tem perfis em alguma rede social (MANSUR; FERRARI; GUIMARÃES, 2010) e, se tratando de universitários, nos Estados Unidos 90% deles participam de redes sociais (SANTANA, 2007). No Brasil, os internautas passam, em média, cinco horas por mês em redes sociais, contra duas horas da média mundial (ABREU e TELES, 2009), isto é, um número bem expressivo. Outro dado interessante, que vem da Insights Consulting é que uma em cada sete pessoas no planeta freqüenta as redes sociais da internet (MANSUR; FERRARI; GUIMARÃES, 2010). A média de amigos virtuais no mundo é de 195 pessoas por usuário, no Brasil é de 365, o que faz do Brasil o país mais sociável do mundo (MANSUR; FERRARI; GUIMARÃES, 2010). Ainda a mesma pesquisa estimou que 72% do total de usuários do Orkut e 76% do total de usuários do Messenger são brasileiros (MANSUR; FERRARI; GUIMARÃES, 2010). E por fim de acordo com a pesquisadora Raquel Recuero, uma informação muito importante: “a participação em redes sociais é igual em todas as classes sociais. Jovens das classes C e D usam lan houses para entrar no Orkut da sua turma ou do seu bairro. Seu ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 309 primeiro contato com a internet hoje é pelas redes sociais” (MANSUR; FERRARI; GUIMARÃES, 2010, p.88). 3.2 Redes sociais mais populares: possibilidades de utilização no PAP de Camargo A seguir será apresentado o ranking das redes sociais no Brasil, dados de uma pesquisa realizada pelo Ibope NetRatings, publicada na Revista Época (MANSUR; FERRARI; GUIMARÃES, 2010) onde estabelece o número de usuários que cada rede possui, entre outras informações. Também será indicada a audiência destas redes, através do site Alexa.com que atualiza diariamente informações dos sites mais acessados. 3.2.1 Primeiro Lugar É um comunicador instantâneo da Microsoft que, segundo o Ibope NetRatings, no Brasil, “reina absoluto”, crescendo ao mesmo passo que a internet. Ficou em primeiro lugar, tendo 27,4 milhões de adeptos no Brasil e foi percebido ser mais usado por jovens e adolescentes, de qualquer sexo e classe social, inclusive no trabalho (MANSUR; FERRARI; GUIMARÃES, 2010). No Alexa.com não há como analisar o comunicador Messenger, uma vez que para acessar o comunicador, não há necessidade de acessar o site e, sim, o programa instalado na máquina do usuário. O site do Windows Live aparece em 7º no ranking, mas neste site é possível acessar vários serviços da Microsoft e não é o método mais usado para o acesso ao comunicador instantâneo. O PAP possui endereço de MSN60 por conseqüência de ter endereço eletrônico do provedor Hotmail, mas o MSN não é tão 60 Usa-se comumente a expressão MSN para designar o Messenger, mas na verdade a sigla significa Microsoft Service Network que “é um departamento da Microsoft (a mesma que criou o Windows) para serviços da Internet”. Fonte: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 310 utilizado. Seria interessante esta prática, com contatos de alunos, com profissionais da IPE que oferece o curso, entre outros. A comunicação é instantânea e sem custos. Também é possível divulgar pequenas notícias no espaço reservado para frase pessoal. 3.2.2 Segundo lugar É um site de relacionamentos, onde se pode ter uma rede de amigos e compartilhar gostos e pensamentos através das comunidades. Segundo o Ibope NetRatings, tem 26 milhões de usuários no Brasil, assim como o Messenger, continua em ascensão e é mais utilizado entre jovens e adolescentes, de qualquer sexo e classe social (MANSUR; FERRARI;GUIMARÃES, 2010). Segundo o Alexa.com, a popularidade do Orkut não é tão alta, pois está na 11º posição no que tange ao número de acessos. Seu uso no PAP em Camargo seria interessante para que os alunos e tutores criassem comunidades sobre suas turmas: comunidade da turma de Pedagogia, comunidade da turma de Matemática, do Plageder, e assim por diante. Assim, surgem duas possibilidades: existência de diálogo, socialização dos membros da comunidade/turma com tópicos de discussões relativos ao curso e divulgação de suas atividades e do curso para uma infinidade de pessoas, nas mais diferentes cidades, através da rede. Entretanto, o site do Orkut atualmente está bloqueado para acesso. O bloqueio veio da parte da Prefeitura Municipal – mantenedora do Polo e a internet está ao seu encargo. A Prefeitura bloqueou o acesso para seus funcionários, mas como o Polo recebe o mesmo sinal, acabou sendo atingido pelo bloqueio. Entende-se a preocupação da Prefeitura em pensar na produtividade de seus <http://conectawebjrl.blogspot.com/2011/03/significado-das-palavras-google-emsn.html>..Acesso em 04 maio 2010. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 311 colaboradores, pois muitas vezes as redes sociais causam dispersões no trabalho, mas ao mesmo tempo, não se pode negar que para o PAP seria uma grande ajuda na divulgação de seu trabalho pelo seu poder de abrangência. 3.2.3 Terceiro lugar: O Youtube é um site de hospedagem de vídeos. Mais da metade dos vídeos vistos na internet é deste site. É mais acessado por jovens e adolescentes e tem um crescimento maior que a própria internet. De acordo com a NetRatings, são 20 milhões de usuários brasileiros que correspondem a 60% do total de usuários. Estima-se que 75% dos jovens online acessaram o Youtube pelo menos uma vez no último mês (MANSUR; FERRARI;GUIMARÃES, 2010). Quanto à audiência, o Youtube também garantiu o 3º lugar no ranking do Alexa.com. O Youtube também teria espaço no PAP, pois poderia ser um canal de divulgação de atividades, quando postados vídeos na rede. Outra função é que muito material interessante pode ser obtido através dele para ser usado em sala de aula ou em apresentações. O site Youtube também esteve bloqueado para acesso com o sinal da internet da Prefeitura, porém, a partir da necessidade de alguns cursos do Polo em Camargo, os quais necessitavam o uso de várias tecnologias como vídeos, foi preciso liberar o acesso. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 312 3.2.4 Quarto lugar: O Twitter é uma ferramenta de troca de mensagens curtas (140 caracteres cada mensagem), que pode ser usado para substituir o SMS do celular. Dados do Ibope NetRatings dão conta de que os brasileiros são 27% do total de usuários, contabilizando 9,8 milhões de pessoas. É utilizado pelos mais diferentes perfis: jovens, executivos, pessoas da área de comunicação e marketing. Quanto a sua audiência, o Alexa.com aponta o Twitter em 14ª posição. Na verdade não faz muito tempo que o Twitter ganhou popularidade no Brasil, portanto, é uma ferramenta relativamente nova, mas em expansão. Diferentemente de outras redes, o site do Twitter não está bloqueado para acesso dos funcionários da Prefeitura, isso dá a entender que não seja uma ferramenta habitualmente usada por este grupo. Ainda assim, no PAP o Twitter funcionaria como um canal de divulgação de notícias do Polo, onde rapidamente os “seguidores” teriam acesso a informações como por exemplo editais de seleção para alunos e tutores, calendário acadêmico dos cursos, avisos gerais, entre outros. 3.2.5 Quinto lugar: Site de relacionamentos como o Orkut, o Facebook é considerada a maior rede social do mundo. Dados do Ibope NetRatings, são 9,6 milhões de usuários brasileiros, com um perfil um pouco diferenciado, são jovens de classes mais altas, com curso superior. O Facebook também é uma rede em grande ascensão, no Brasil em um ano dobrou de tamanho (MANSUR; FERRARI; GUIMARÃES, 2010). O Alexa.com apresenta o Facebook, porém, com maior audiência que o Orkut, ocupando o 4º lugar no número de acessos. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 313 Da mesma forma que o Orkut, o site do Facebook foi bloqueado pela Prefeitura. Marco Silva é contra esta atitude, onde um espaço educacional possua mais proibições que possibilidades: Qual é a mensagem que o aluno entende de tudo isso? Que as tecnologias vieram para dar-lhes mais espaços de criação? Ou vemos uma mera extensão dos mecanismos tradicionais de vigilância e punição da escola? E, afinal, há estudos que falam dos benefícios pedagógicos de filtrar a rede [...]? (2006, p.27). A utilização do Facebook no Polo seria válida pelas suas características de socialização e, também, por ser uma rede promissora, já que sua audiência atualmente é alta e aumentando significativamente seus usuários. Desta forma, criar um perfil do PAP de Camargo e estar conectados diretamente aos usuários e comunidade, atualizando as postagens seria de grande ajuda na divulgação do Polo. 3.3 Blog: um canal de comunicação interativa no PAP Outra alternativa, seguindo a linha das redes sociais, é o blog. De acordo com Silva (2006), são interfaces digitais socializadas ao mundo e funcionam da seguinte maneira ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 314 Através dos blogs os sujeitos podem editar e atualizar mensagens no formato hipertextual61. Além de disponibilizar textos, imagens, sons a qualquer tempo e espaço é possível interagir com outros sujeitos, pois o formato blog permite que outros usuários possam intervir no conteúdo veiculado pelo autor do blog, que se pluraliza, compondo assim uma comunidade virtual (p.230). Pode-se dizer que, com estas características, o blog é um recurso interessante para utilização no PAP de Camargo, pela fácil atualização, pelo atrativo que exercem sob os jovens e, principalmente, pela participação de terceiros, o que caracteriza o caráter democrático desta ferramenta, e também do tipo de gestão que se entende como a que deve ser implantada no Polo: a gestão democrática e participativa. Neste sentido, as possibilidades de recursos do blog são inúmeras para o Polo de Camargo: divulgação de edital de seleção (alunos e tutores), abrangendo um grande número de pessoas interessadas, isto é, só não ficará sabendo da disponibilidade de inscrição, quem não acessar o blog. Para os alunos, o calendário acadêmico também será divulgado, de acordo com cada curso. É possível realizar uma pesquisa no blog, através do elemento “enquete”, onde os usuários do Polo e comunidade poderão participar com sua opinião. Se uma mensagem postada não ficou clara e objetiva para quem ler e surgir comentários de dúvidas, esta mensagem prontamente poderá ser editada. A organização do blog é fundamental para os assuntos não ficarem aglomerados. 61 Recurso que permite uma “leitura (exploração ou navegação) não-linear baseada em indexações, conexões entre idéias e conceitos articulados por meio de links (nós e ligações). Dessa forma, ao clicar sobre uma palavra,imagem, frase ou outro objeto definido como nó de um hipertexto, encontra-se uma nova situação, um novo evento ou outros textos relacionados” (SILVA, 2006, p.207). ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 315 Sugere-se que sejam criadas categorias de acordo com os cursos, assim, quem está interessado em um determinado curso, clica naquela categoria para acessar as informações que procura. A criação do blog também é um diferencial, uma vez que não é preciso ter conhecimentos aprofundados sobre tecnologia e construção de sites, nem é preciso arcar com despesas financeiras de servidor, para hospedar o endereço da página. É possível obter informação de onde vêm os acessos ao blog, através de um recurso adicionado à página que permite este rastreamento. Podem-se saber quantos usuários estão on-line, o total de visitantes do blog e de qual país, estado e cidade vem este acesso. A divulgação do blog poderá ser feita através de e-mail. Na assinatura pessoal dos colaboradores do Polo (gestor, secretária, tutores) é possível escrever o nome de quem está assinando o email e abaixo informações do Polo como número de telefone, email, MSN e endereço da página do Polo, ou seja, do blog. Assim, para cada e-mail enviado, sempre aparecerá esta assinatura abaixo da mensagem, onde quem for ler poderá se interessar em visitar a página. Sabendo da existência deste canal de informações, certamente voltará a consultar periodicamente. Pelo exposto acima, pode-se considerar que o blog, entre outras redes sociais, é um ótimo canal de comunicação entre Polo e usuários e que seus recursos muito contribuem para a gestão democrática e participativa no Polo. CONSIDERAÇÕES FINAIS A internet, tendo em vista o exposto, favorece a comunicação, bem como a construção colaborativa. No Polo de Apoio Presencial, cria possibilidades de comunicação entre as universidades, Polo e estudantes e é uma ferramenta a serviço do gestor de polos, a qual permite criar um ambiente de trabalho com base na gestão democrática e participativa. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 316 Neste sentido, o gestor de polos precisa estar mais próximo da comunidade escolar do Polo, conhecê-los bem porque se trabalha em função deles, socializar-se e manter uma comunicação afetiva e ativa com esta comunidade. O gestor, portanto, de que necessita o Polo é muito bem explicado por Paris: “precisamos de gestores imbuídos de realizar o sonho possível: a construção de uma escola ‘instituinte’, mais próxima da vida e do tempo presente, que incorpore como autores os sujeitos que a fazem acontecer”62 Assim, neste artigo, procurou-se criar possibilidades de comunicação, fundamentados no princípio da democracia, para aprimorar o processo comunicacional que se dá no Polo para com a comunidade escolar (tutores, alunos e comunidade). Apresentaramse, então, redes sociais que poderiam ser aliadas na busca deste aprimoramento. A partir dos estudos acerca das possíveis redes sociais que o Polo poderia fazer uso, percebeu-se que a proposta é válida, uma vez que independe de gastos, a comunicação é instantânea e, ainda, possibilita a interação entre os envolvidos. Desta forma, acredita-se que os objetivos propostos para este estudo foram atingidos. Espera-se que este estudo possibilite executar ações no PAP de Camargo/RS que visem aprimorar o processo de comunicação no mesmo, utilizando as redes sociais como mediadoras. REFERÊNCIAS ABREU, M. R.; TELES, L. F. Tecnologias Interativas na Aprendizagem em redes sociais on-line, na ciberarte, na cidadania. In: Educação Superior a Distância, Brasília: UnB, 2009. 62 Disponível em: <http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=1898>. Acesso em 28 abr. 2011. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 317 AIRES, C. J.; LOPES, R. G. F. Gestão na educação a distância. In: Educação Superior a Distância, Brasília: UnB, 2009. FIORENTINI, L. M. R. Aprender e ensinar com tecnologias, a distância e/ou em ambiente virtual de aprendizagem. In: Educação Superior a Distância, Brasília: UnB, 2009. LIBÂNEO, J. C.; OLIVEIRA, J. F.; TOSCHI, M. S. Educação Escolar: políticas, estrutura e organização. 6 ed. São Paulo: Cortez, 2008. MANSUR, A.; FERRARI, B.; GUIMARÃES, C. Especial redes sociais: o poder e o risco das redes sociais. Época, n. 628, p. 79-104, 2010. MORAN, J. M.; MASETTO, M. T.; BEHERENS, M. A. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 15 ed. Campinas: Papirus, 2000. PARIS, F. R. G. Gerência escolar: diretor, administrador ou gestor?. Disponível em: <http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=1898>. Acesso em: abr. 2011. RECUERO, R. Redes Sociais na Internet. Porto Alegre: Sulina, 2009. SANTANA, C. L. Redes Sociais na Internet: potencializando interações sociais. Hipertextus, v. 1, 2007. 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ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 318 POLO UAB: CONCEPÇÕES, COMPETÊNCIAS E AÇÕES PARA UMA GESTÃO DE QUALIDADE AUTORA: Sandra Máxima Santos dos Santos PROFESSORA ORIENTADORA: Rosimeire Simões de Lima RESUMO Este artigo constitui uma análise das competências de gestão, explicitando concepções, responsabilidades e ações pertinentes a cada segmento envolvido nas parcerias em prol da organização e construção da identidade físico-estrutural de um polo de apoio presencial dentro do Sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB. São diversos os fatores, comentários, experiências e apontamentos apresentados com a finalidade de prestar maior clareza sobre as várias funções do mantenedor, do gestor e das demais instituições parceiras da UAB. Todas as decisões devem convergir em ações que atendam o que preconiza o Ministério da Educação em prol de uma gestão democrática e participativa, atingindo os objetivos propostos pelo sistema, ou seja, assegurar o êxito dos cursos na modalidade a distância em todo o território nacional. O presente artigo constitui-se, basicamente, no resultado de um trabalho de pesquisa bibliográfica e do relato de uma experiência, este como uma ilustração à análise e informações inseridas ao longo do texto. O propósito da escrita apresenta-se com os seguintes objetivos específicos: analisar a questão social do programa UAB, preconizando o respeito aos critérios pré-estabelecidos pelo Ministério da Educação com vistas ao atendimento das demandas; apontar os papéis de cada protagonista e/ou coadjuvante dentro da implantação e da gestão democrática de um polo educacional; descrever competências de cada segmento envolvido nas parcerias; apresentar a trajetória de um polo de apoio presencial EaD /UAB que, apesar das inúmeras dificuldades, conseguiu instalar-se numa pequena comunidade, cumprindo com o seu papel social e cultural. Com isso, pontua-se questões relacionadas ao possível crescimento intelectual de cidades interioranas do país, através da implantação e boa gestão de polos de apoio presencial. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 319 Palavras-chaves: competências; gestão; polo; educação a distância. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Drucker (1998) nos diz que toda a informação que provoca a mudança no indivíduo é conhecimento. Para Nonaka e Takeuchi (1997), o conhecimento apresenta-se como “a crença verdadeira justificada”. Analisando-se esses pensamentos acerca do conhecimento, entende-se que ele é intrínseco ao indivíduo; a informação resulta em um aspecto do conhecimento capaz de transformar o pensamento de uma ou mais pessoas. O acentuado e rápido crescimento da economia mundial, paralelamente ao avanço tecnológico e a automação das empresas, exigiu várias transformações no mundo do trabalho e, como não poderia deixar de ser, na educação. Nesta última década, mudanças significativas na área do ensino estão ocorrendo em muitos municípios brasileiros. A modalidade a distância vem sendo reintroduzida no cenário educacional de pequenas cidades, fazendo com que um novo modelo venha estabelecer novas relações e desafios sociais. A educação começa a ter expressivo valor na vida dos indivíduos; é a sociedade da informação estabelecida em rede, que privilegia o conhecimento e não apenas a sociedade centrada no trabalho, como acontecia no passado. Diante do cenário que ora temos, urge uma educação permanente, que possibilite aos indivíduos a continuidade dos estudos e o acesso à informação constante como forma de melhorar a qualidade de vida, quer de ordem pessoal, quer profissional... Através do nível de conhecimento demonstrado pela população reconhece-se o desenvolvimento econômico e social de uma nação. Necessita-se capacitar os indivíduos a fim de oportunizar a ascensão de um país mais justo e em igualdade de condições para todos. Porém, precisa-se que tenhamos clareza de objetivos, levando em conta que tipo de inclusão educacional ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 320 necessitamos e que tipo de políticas públicas deverão ser consideradas e levadas adiante, de forma a privilegiar a expansão qualificada do ensino que propicie a formação de um cidadão capaz de refletir criticamente o presente e que, ao mesmo tempo, tenha sensibilidade suficiente para comprometer-se com a transformação social que tanto se quer. Políticas Públicas superficiais que dão apenas um retoque mais renovado à cara da educação no país já não resolve. De agora em diante, uma transformação profunda pede a implantação de políticas de educação coerentes com a transformação de toda a sociedade (Pretto, 2001). Viemos de uma sociedade repleta de diferenças e desigualdades sociais, porém, através do uso das ferramentas tecnológicas, vislumbramos uma oportunidade do acesso à educação através do encurtamento das distâncias, possibilitando a qualificação dos cidadãos antes excluídos e com grandes dificuldades em todos os sentidos. Hoje, essa parcela da população tem a oportunidade de ser parte integrante de uma sociedade mais igual, mais justa. Eis que um novo conceito de conhecimento surge através da apropriação das mídias e Tics, agregando contribuições significativas no contínuo aprimoramento do processo educacional do país. Numa sociedade em mudança acelerada, além da competência intelectual, do saber específico, é importante termos muitas pessoas que nos sinalizem com possibilidades concretas de compreensão do mundo, de aprendizagem experimentada de novos caminhos, de testemunhos vivos -embora imperfeitos das nossas imensas possibilidades de crescimento em todos os campos.(MORAN, 2007.). ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 321 Ao longo dos anos, muitas foram as propostas em prol da capacitação de jovens e adultos brasileiros, colocando-os como cidadãos capazes e inseridos em ambientes sociais, culturais e de trabalho, independentemente de sua condição sociocultural. Dentro desta linha de raciocínio, e da concepção de que o ensino a distância continua sendo uma estratégia na área da educação, explica-se a grande aceitação do programa Universidade Aberta do Brasil - uma política pública séria que, ampliada e reformulada, pode ser uma solução social bastante significativa para o futuro (muito próximo) da nação brasileira. Pensar que a esperança sozinha transforma o mundo e atuar movido por ta ingenuidade é um modo excelente de tombar na desesperança, no pessimismo, no fatalismo. Mas, prescindir da esperança na luta para melhorar o mundo, como se a luta se pudesse reduzir a atos calculados apenas, à pura cientificidade, é frívola ilusão. Prescindir da esperança que se funda também na verdade como na qualidade ética da luta é negar a ela um dos seus suportes fundamentais. O essencial como digo mais adiante no corpo desta Pedagogia da esperança, é que ela, enquanto necessidade ontológica, precisa de ancorarse na prática. Enquanto necessidade ontológica a esperança precisa da prática.(FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança, Paz e Terra, 1992). Com a elaboração deste artigo, busca-se abordar e explicitar concepções, competências e ações dos envolvidos nas parcerias para a organização de um polo de apoio presencial dentro do Sistema UAB, como forma de assegurar o êxito das atividades dos cursos da modalidade a distância. Faz-se necessário apresentar os diversos fatores estruturais e de organização pertinentes a cada um dos responsáveis pelo funcionamento eficaz do polo. É necessário esclarecer a seguinte questão: “Que competências correspondem ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 322 ao MEC, às instituições de ensino superior parceiras, ao mantenedor e ao coordenador para que o polo venha a cumprir com o seu papel na comunidade e/ou região onde está inserido?” Uma maior aproximação da realidade é favorecida através da apresentação do relato de experiência narrado na próxima seção, descortinando a realidade vivida dentro de uma pequena comunidade do interior brasileiro, preconizando a qualidade da modalidade EaD de acordo com as diretrizes apontadas pelo Ministério da Educação em prol de uma gestão democrática e participativa que atinja os objetivos propostos pelo Sistema UAB. Este texto foi produzido e resultante do manuseio de várias fontes de informação como livros, artigos e materiais disponibilizados pela internet. Desde as informações colhidas na página virtual do MEC, passeando muitas vezes pelos pensamentos de DUBEUX, KENSKI, SARAIVA, HADDAD, MOTTA, CHAVES, e outros tantos, buscou-se colher informações e opiniões a respeito do tema em questão, registrando aspectos já publicados, associando-os e comparando-os à realidade. É parte integrante do presente texto, um relato de experiência, fazendo uma análise descritiva, crítica e reflexiva acerca da problemática apresentada inicialmente. Através desta produção escrita de forma lógica, ordenada e conclusiva, o presente artigo é o resultado final de mais uma etapa de aprendizagem, através da aquisição de novos saberes e trocas de conhecimento acerca da gestão de um polo de apoio presencial da modalidade a distância, dentro do sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB. 1. O COMEÇO DE UM SONHO - UMA EXPERIÊNCIA VIVIDA A Universidade Aberta do Brasil surgiu na minha vida, assim como na minha comunidade, Quaraí/RS63, muito de repente... sem nunca dantes ter pensado em tamanha realização pessoal. Um dia, 63 Cidade do interior do Rio Grande do Sul, distante 600 da Capital, Porto Alegre; 3.148 km²; 136 anos de existência; 23.021 habitantes; Bioma Pampa - Censo 2010, in http://www.ibge.gov.br ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 323 lá no ano de 2006, batem à porta de casa... era o Secretário de Educação Municipal. A visita tinha o objetivo de convidar-me a participar de um processo seletivo para a função de coordenadora de um polo EAD que estava sendo implantado na cidade. Após os esclarecimentos iniciais apresentados por ele, fui logo agradecendo o convite, dizendo que não estaria à altura de tamanha responsabilidade. Mas, com muita perspicácia, ele conseguiu me convencer a participar de uma reunião com o Prefeito. [...] Durante a semana que antecedeu a reunião com o prefeito, procurando saber o que era um Polo de apoio presencial, descobri que os municípios, com a ajuda da União, eram responsáveis pela estrutura física desse local bem como de sua manutenção. Após a leitura de vários artigos sobre a EaD notei também que as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), buscavam se estabelecer nas comunidades mais longínquas com grandes carências, sendo portanto, um solo fértil para implantar o programa do governo federal que visava levar o Ensino Superior com qualidade às regiões menos desenvolvidas do país. No dia e hora marcados, lá estava eu em reunião com o Exmo. Sr. Prefeito e o Sr. Secretário de Educação do município. Iniciada a reunião, aos poucos, fomos tomando conhecimento sobre as leis e decretos norteadores do Sistema UAB com a finalidade de dar início aos trabalhos de implantação do Polo de Apoio Presencial de nossa cidade. Nessa ocasião, ficamos sabendo um pouco mais sobre o que se tratava; o MEC já lançara o primeiro edital, convidando os gestores municipais a cadastrarem seus municípios e enviarem seus projetos de criação e implantação dos polos de apoio presencial. O governo municipal, incentivado pelos vereadores do Partido dos Trabalhadores, seus aliados políticos, já aceitara a proposta e acabara de receber o convite para a assinatura da parceria com o Ministério da Educação que criava o Polo de Apoio Presencial para EaD do município. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 324 O polo seria como “um braço operacional” das IFES, onde deveriam acontecer algumas das atividades acadêmicas presenciais; seria necessária a escolha de uma professora para coordenar todo o processo. O Secretário explica que deveriam preparar seus currículos para serem enviados ao MEC. Confidenciei com ele que eu precisaria estudar muito acerca da EaD, pois eu, uma professora com experiência de 30 (trinta) anos com ensino presencial, jamais havia imaginado que algum dia poderia vir a me envolver com esta renovada forma de ensino-aprendizagem. Três meses após esta reunião, para minha surpresa, recebi em minha residência a informação de que meu currículo havia sido selecionado e que passaria a coordenar o Polo de Apoio Presencial para EaD do município. Para o início, o projeto do município foi implementado utilizando o mesmo espaço físico de uma escola onde um laboratório de informática já estava montado e teriam que ocupar as mesmas dependências administrativas do educandário que era de ensino fundamental. Mas isso, naquele momento, não era problema, diante da grandiosidade e da natureza do projeto que ali viria a ser implantado. Mais do que nunca, pus-me a buscar informações sobre a modalidade a distância. Como sempre fora uma pessoa que pensava à frente, à medida que lia, mais me embrenhava no mundo fantástico do conhecimento sobre EaD. Moore e Moran foram os autores que mais me chamaram a atenção pela forma clara, objetiva e integrada com que colocavam as vantagens do ensino; os livros haviam-me sido entregues no I Encontro de Coordenadores de Polo realizado em Brasília. 2. CONHECENDO O PROGRAMA UAB Ah... Brasília! Quanta felicidade em poder conhecer!! Confesso que nunca havia viajado assim tão longe e, naquele momento da vida, surgia a oportunidade de conhecer a capital brasileira, participando do I Seminário de Coordenadores de Polos ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 325 de Apoio Presencial do Sistema Universidade Aberta do Brasil. Algumas das maiores autoridades da educação brasileira da época estavam presentes, a saber: o Ministro da Educação, Sr. Fernando Hadad; Sr. Secretário da SEED, Sr. Ronaldo Mota; Presidente da CAPES, Sr. Jorge Guimarães; Diretor do DEPEAD, Sr. Hélio Chaves. O objetivo do encontro fora promover o desenvolvimento do ensino a distância e presencial. Através de metodologias educacionais inovadoras. Na ocasião, várias novidades e um leque de informações e orientações foram apresentadas aos coordenadores; papel articulador do coordenador de polo, a forma de trabalho, de organização dos espaços físicos nos municípios, as parcerias a serem conquistadas, os cursos, ações futuras, enfim...muitas responsabilidades e quase tudo a ser feito... Mas o que mais me empolgava era ganhar a possibilidade de poder, de certa forma, auxiliar àquelas pessoas que não tinham condições financeiras para ingressar em uma universidade. Entendi que, a partir do desenvolvimento daquela política pública, poderiam fazer isso sem precisar deixar sua cidade, sua família, seu emprego. Naquele momento, percebi estar engajada em um projeto de cunho social disponibilizado à sociedade brasileira com o firme propósito de abrir as portas das universidades federais, oferecendo ensino público, gratuito e de qualidade a todos. De acordo com a proposta, ao invés de criar novas instituições de ensino superior, o MEC investiria no potencial das já existentes que organizariam seus projetos levando os cursos de nível superior aos pequenos municípios que ainda não tinham acesso, utilizando o poder das novas tecnologias de informação (Tics). Mesmo com todo encantamento, as inúmeras noites de insônia fizeram-me pensar e refletir, ao mesmo tempo em que tentava afastar o medo de não conseguir trabalhar e desempenhar a função à altura do compromisso assumido, afinal, tudo era novo para todos; não se tinha muita clareza sobre o que se tratava; era preciso estudar, ler, trocar ideias... Várias reuniões se sucederam e contatos foram mantidos, até o município receber a visita dos professores da primeira universidade federal que viria a ser parceira, através do Sistema Universidade Aberta do Brasil ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 326 UAB. Quanta ansiedade... Era uma tarde escaldante de janeiro quando entraram na Prefeitura do pequeno município, dois professores vindos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS64. Ao se apresentarem, disseram ao Sr.Prefeito: “- Vimos colocar a UFRGS no cenário da educação da cidade dos senhores e esta,no caminho de desenvolvimento nacional”. Seria possível? ! ? Num lampejo de ideias positivas e otimistas, eu tinha quase certeza de que sim, porém ainda sentia algum receio devido a má qualidade de determinados cursos na modalidade EaD que circulavam pelas redondezas. Comecei a refletir de que ali estaria o maior desafio: mostrar à comunidade que o Sistema UAB trabalharia com instituições públicas sérias que prezavam pela qualidade de seus cursos e não seria diferente utilizando-se da modalidade a distância. Ao final da reunião, todos se mostravam bastantes animados diante da perspectiva de dar início aos trabalhos para oferecer o primeiro curso de nível superior: uma graduação tecnológica em Planejamento e Gestão para o Desenvolvimento Rural – PLAGEDER65. Já em casa, reunida a família, passei a relatar o que estava acontecendo; todos ouviram bem atentos, mas meu filho não conseguiu segurar a indagação: urso superior gratuito, mãe? Sem pagar nada mesmo?!? O desafio estava lançado: era preciso chamar a comunidade e mostrar que os cursos através da modalidade, e mesmo sendo gratuitos, eram de qualidade. Dei início ao meu trabalho solicitando a ajuda dos jornais da cidade – Folha de Quaraí e Noticia66 - e da rádio local, Salamanca FM67, que, gratuitamente, Aceitaram a proposta de divulgar as 64 Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS - Instituição Federal de Ensino Superior 65 PLAGEDER –Planejamento e Gestão para o Desenvolvimento Rural Curso de graduação tecnológica ofertado pela UFRGS através do sistema UAB 66 Empresas Jornalísticas locais de Quaraí/RS 67 Rádio de Frequência Modulada atuante no município de Quaraí/RS há 18 anos. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 327 matérias e notícias sobre o sistema UAB na cidade. Minha família e um grupo de alunos da escola estadual onde lecionava se ofereceu para ajudar a distribuir os panfletos, divulgando as inscrições para o primeiro processo seletivo a ser realizado. “Mas é gratuito mesmo, professora?” – perguntava um exaluno. “Será que é bom?” – perguntava outro.... “Sei como são esses cursos a distância: a moça põe um CD lá e o pessoal vai escutando e anotando; depois é só responder o, questionário....”, dizia outro. “ - Gratuito! Eu, hein... qualidade... te devo!!!!”. E assim ia escutando aqui e ali, enquanto sempre inventava algo novo para chamar a atenção das pessoas: visitava escolas, creches, sindicatos e outras tantas instituições onde sabia que encontraria jovens e adultos que necessitam e poderiam dar continuidade aos seus estudos;n nessas andanças, nem o 5º RCMec , Quinto Regimento Mecanizado, da cidade deixou de ser visitado. Sempre em contato direto com a instituição parceira e sempre atenta e participando dos encontros regionais e seminários da UAB, aos poucos, tudo foi ficando mais claro e o conhecimento sobre a modalidade foi sendo articulado às tarefas diárias de gestão pedagógica e administrativa do Polo, fazendo com que a pareceria fosse realmente consolidada no município. Muitas reuniões com o mantenedor foram por mim solicitadas em busca de definições, respostas e solução para as dificuldades encontradas. Foram vários os momentos de espera, de indecisão, de angústia... Instantes de solidão, já que, até então, ainda estava e andava sozinha à frente do grande projeto. Foi assim, a partir de novembro de 2006, realizando um trabalho de formiguinha, indo de instituição a instituição apresentando a proposta da UAB com uma nova roupagem de EAD...As pessoas escutavam-me, ao mesmo tempo em que me dirigiam um olhar desconfiado... Foi como se fosse uma gestação sozinha, pois não contava ainda com nenhum recurso humano, secretária, técnicos, tutores... apenas a minha esperança, baseada em muita leitura e acompanhamento de toda a movimentação do MEC para que o projeto desse certo. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 328 Finalmente, em meados de 2007, é chegada a hora de formar uma equipe de trabalho: uma secretária e um técnico em informática foram contratados pelo mantenedor para auxiliar na gestão do polo. A Universidade também recolheu currículos a fim de selecionar os tutores presenciais que seriam os responsáveis pelo atendimento dos acadêmicos presencialmente no polo. A equipe do Polo fora instituída, o trabalho melhor organizado e eu, cada vez mais satisfeita, e feliz da vida! Era a equipe gestora tomando forma!!!! Empolgação total!! Encontrei mais gente que se propôs a caminhar junto, acreditando e mostrando que tudo daria certo, aliado, é claro, com o suporte dado, então, pela primeira instituição parceira, de incontestável importância. Tudo era registrado, inclusive com fotografias (a essa altura, um álbum começava a nascer...) desde a colocação da placa com a identificação do polo até a foto do primeiro candidato a fazer sua inscrição para o vestibular estreante, afinal, era um acontecimento e tanto para aqueles que aceitaram o chamamento e buscavam uma oportunidade de continuar os estudos. Tudo foi sendo preparado para o início dos trabalhos com os acadêmicos. Em 23 de setembro de 2007, o Polo foi apresentado oficialmente à comunidade; vivenciávamos uma nova realidade na área da educação da cidade e de suas cercanias. 3. A EXPECTATIVA DIANTE DA CHEGADA DE NOVOS CURSOS Neste cenário de evolução na modalidade EAD, com a oferta de novos cursos por outras instituições federais, surgia, então, uma nova oportunidade de ampliar os conhecimentos na área da EaD: o curso de Especialização em Gestão de Polos. Foi uma proposta da Universidade Federal de Pelotas68 feita para a coordenação do polo e tutores presenciais; era a grande oportunidade de qualificação 68 Universidade Federal atuante na cidade de Pelotas, Estado do Rio Grande do Sul – instituição idealizadora do curso de Gestão de Polos direcionado aos Coordenadores de Polos e Tutores Presenciais atuantes nos polos de apoio presencial que detém cursos ofertados pela referida instituição pública. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 329 para aquele grupo iniciante no trabalho. A UFPel, sendo pioneira com aquele tipo de especialização, e já considerada grande parceira do Polo e do município, oferecia uma chance àquela equipe para ampliar os conhecimentos sobre o universo que envolve a Gestão de um Polo de Apoio Presencial e o Ensino a Distância. Este foi apenas o início de uma história de conquista da então coordenadora do Polo de Apoio Presencial UAB de Quarai/RS, Professora Sandra Máxima dos Santos69 que, junto a um grupo de pessoas, acreditou no alvitre para trazer o desenvolvimento futuro da cidade, através da melhoria da educação começando pela oportunidade de acesso ao ensino superior; uma proposta de educação sem fronteias, onde tantos, homens e mulheres corajosos, constroem sua história...” Bem sabemos que a história é verídica...; o desafio lançado; os preconceitos que enfrentei, e enfrentamos, por aqui, foram muitos, mas por acreditar no Projeto UAB e que era possível fazer educação com qualidade também através da modalidade a distância é que vencemos... Sim, considero-nos vencedores, pois para quem iniciou com 50 (cinquenta) alunos, hoje beirando os 500 (quinhentos) efetivamente matriculados, é uma vitória inegável... Problemas?!? Quantos!!! Vitórias?!? Muitas!!! Quando se consegue apoio de um grupo que, na sua maioria, se doa, se compromete, é responsável e consegue enxergar o lado social disso tudo, a tarefa do gestor é bem mais leve e "os outros"...bem, são "os outros"...e podemos até entendê-los e desculpá-los, pois falavam coisas indevidas por não conhecerem a proposta, ou por compará-la com os demais cursos a distância de má qualidade que por aqui havia e conheciam como única referência. Isso posto, atrevo-me a dizer, não desfazendo dos demais integrantes de equipe, que o papel do Tutor Presencial é fundamental nessa caminhada, pois, dependendo da leitura que faz 69 Professora da Rede Estadual de Ensino do RS, atual Coordenadora do Polo de Apoio Presencial para EaD de Quaraí e Discente do curso de Gestão de Polos/EaD/UFPEL/UAB. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 330 e do comprometimento que possui, consegue mostrar aos alunos a grandiosidade da oportunidade oferecida. O trabalho efetivo desempenhado pelo grupo de tutores é de fundamental importância, pois participa ativamente da proposta pedagógica, contribuindo significativamente para o bom desenvolvimento do processo ensinar-aprender. Cabe ao gestor, acolher a todos que vêm com este propósito e não apenas com uma nova oportunidade de renda... E é muito fácil fazer a leitura e esse discernimento no dia a dia em atividade com o grupo; a partir desse resultado, cabe ao gestor traçar novas estratégias de ação para que os poucos que ainda não conseguiram visualizar a oportunidade de concretização de sonhos participem mais, estudem mais, a fim de perceber a magnitude do processo. Os momentos de estudo e formação, tanto no Polo, quanto nas instituições, são de fundamental importância para o bom andamento e otimização de resultados. 4. UAB – UMA POLÍTICA PÚBLICA PARA O NÍVEL SUPERIOR A partir do ano de 2005, formar, informar, atualizar, e especializar de forma gratuita e com qualidade através do uso das tecnologias de informação e conhecimento, passou a ser tarefa relevante dentro da organização das políticas públicas do Estado Brasileiro. Essa estratégia veio contrapor à proliferação da expansão da EAD na rede privada, cujos conceitos eram duvidosos e muito criticados, embora as ofertas tivessem a intenção de atender o que estabelecia o art. 80 da Lei 9.394, que estabeleceu a nova Lei de Diretrizes e Bases (LDBEN), aprovada em 1996. A partir de então, Educação a Distância, sabiamente e estrategicamente colocada à disposição de todos os brasileiros, reveste-se de um diferencial para a construção de um cenário moderno de comunicação digital, de ensino e de aprendizagem. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 331 A educação a distância (EaD), no ensino de graduação, surge da necessidade de levar a educação a lugares remotos sem as tradicionais barreiras de tempo e espaço. Sem esta modalidade de ensino talvez nunca se chegasse a atingir uma série de pessoas ávidas por conhecimento. Apesar de seu surgimento remontar aos antigos gregos, só se consolidou como uma prática de ensino sistematizada no século XIX, e apenas no século seguinte chegou ao Brasil (SARAIVA, 1996). Conforme atestam Moreira e Kramer (2007, p. 1046), a promoção de uma educação de qualidade depende de mudanças profundas na sociedade, nos sistemas educacionais e na escola. Nesses dois últimos, exigem-se: condições adequadas ao trabalho pedagógico; conhecimentos e habilidades relevantes estratégias e tecnologias que favoreçam o ensinar e o aprender; procedimentos de avaliação que subsidiem o planejamento e o aperfeiçoamento das atividades pedagógicas; formas democráticas de gestão das instituições educacionais; colaboração de diferentes indivíduos, grupos e demais segmentos; diálogo com experiências não formais de educação; docentes bem formados que reconheçam o potencial do aluno e que concebam a educação como um direito e um bem social. Feito o registro, exemplifica-se como uma política pública na área educacional mais próxima de nós, a recém instituída Universidade Aberta do Brasil (UAB) que, utilizando a modalidade a distância, vem oferecendo mais uma possibilidade de ensino superior público, gratuito e de qualidade, aos nossos jovens e adultos. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 332 O Sistema UAB foi criado pelo Ministério da Educação no ano de 2005, em parceria com a ANDIFES e Empresas Estatais, no âmbito do Fórum das Estatais pela Educação com foco nas Políticas e a Gestão da Educação uperior. Trata-se de uma política pública de articulação entre a Secretaria de Educação a Distância - SEED/MEC e a Diretoria de Educação a Distância - DED/CAPES com vistas à expansão da educação superior, no âmbito do Plano de Desenvolvimento da Educação - PDE (Página do MEC). De acordo com Mota e Chaves Filho (2006), o Sistema UAB pode ser entendido como sendo mais que um programa governamental, pois se configura como programa de nação, porque proporciona educação superior para todos assegurando a qualidade e a democracia. Na visão dos autores, trata-se de um objetivo permanente para construir um projeto nacional sustentável e inclusivo.Com a finalidade de gerenciar essa política educacional foi criada Secretaria de Educação a Distância (Seed) - (DUBEUX et al., 2008). Além disso, existe o trabalho articulado com as Instituições Federais de Ensino superior (IFES) do país que gerenciam as ações pedagógicas relacionadas aos cursos a serem oferecidos aos municípios parceiros do sistema UAB. Por sua vez, os referidos municípios devem planejar as atividades acadêmicas através da implantação dos Polos de Apoio Presencial. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 333 Os polos de apoio presencial são as unidades operacionais para o desenvolvimento descentralizado de atividades pedagógicas e administrativas relativas aos cursos e programas ofertados a distância pelas instituições públicas de ensino superior no âmbito do Sistema UAB. Mantidos por Municípios ou Governos de Estado, os polos oferecem a infraestrutura física, tecnológica e pedagógica para que os alunos possam acompanhar os cursos a distância (Polo UAB/CAPES). Destarte, o aluno não está sozinho, distante de tudo e de todos, pois através dos profissionais que executam e acompanham todo o processo, desde a universidade até o polo de apoio presencial a que pertence, recebe toda a orientação necessária proporcionando-lhe condições de desenvolver ao máximo suas potencialidades. Esse programa visa atender uma parcela da população que, até então, sendo excluída da educação tradicional por vários fatores que vão desde a falta de condições econômicas, falta de tempo, dificuldade de deslocamento e de acesso à internet. Nesse caso, a EAD vem facilitar e justificar o uso da metodologia como instrumento de formação de cidadãos aptos ao desenvolvimento de suas habilidades e capacidades. (Ghedine,Testa e Freitas – 2006). É, portanto, uma oportunidade de aprendizado que chegou para permitir o acesso de muitos brasileiros ao mundo da informação até então distante e, quiçá, impossível. Compreendese, assim, a urgência em estabelecer estratégias de gerenciamento organizacional que venham fazer parte definitiva da agenda de todos os partícipes do processo educacional do polo, não esquecendo que todas as ações devem iniciar e terminar do aluno. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 334 5. NESTE CENÁRIO, O QUE É DE COMPETÊNCIA DAS IFES PARCEIRAS? A partir do Edital 1/2005 – MEC/SEED/UAB -, são lançados referenciais organizacionais que deveriam ser seguidos pelas instituições de ensino superior integradas ao sistema nacional de expansão do ensino superior, utilizando a modalidade a distância. Estabelecidas as parcerias, sempre atendendo as exigências do MEC, este, após uma rígida triagem, determina competências para as instituições e quais cursos deverão ser de sua responsabilidade, atendendo determinado município através dos polos de apoio presencial. Após a realização desse entrelaçamento de competências e atribuições, a Diretoria da CAPES, incita a participação das IFES na oferta de cursos no âmbito da UAB para a realização de: distribuição do material didático impresso, aquisição de livros para as bibliotecas, uso das tecnologias de Informação e Comunicação (Tics) para interação entre os professores, tutores e estudantes, aquisição de laboratórios pedagógicos, infraestrutura dos núcleos de educação a distância nas instituições parceiras, capacitação dos profissionais envolvidos, acompanhamento dos polos de apoio presencial e encontros presenciais para o desenvolvimento da EaD70. Desde aquele ano, até o presente momento, muitas mudanças e articulações ocorreram nas universidades federais de todo o país, principalmente em suas estruturas didáticopedagógicas, inovando em especificidade de novos cursos, ampliando áreas de atuação, inovando seu fazer administrativopedagógico e desenvolvendo pesquisas e implementando trabalhos de extensão. Entretanto, percebe-se que ainda há muito por fazer e necessidades gerenciais e administrativas precisam ser repensadas dentro das unidades de ensino superior, haja vista o aumento 70 Extraído da página do MEC , na Internet (www.mec.gov.br/seed), em 17.04.2011 ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 335 considerável da demanda nestes seis anos de caminhada. Os administradores dos Centros de Processamento de Dados dessas unidades, por mais contraditório que possa parecer, apresentam vários pontos difusos que necessitam encontrar alternativas de solução para evitar os freqüentes períodos de inoperância. Diante do considerável número de acesso pelas centenas de estudantes conectados desde suas residências, lan house ou polos de apoio presencial, urge um reforço operacional nesses sistemas. 6. ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DE UM POLO UAB O Polo de apoio presencial é considerado um dos sustentáculos do sistema Universidade Aberta do Brasil, estruturado pelo mantenedor, ou seja, o estado ou o município parceiro no referido projeto. Esse engajamento é que oportuniza a descentralização do ensino superior público, gratuito e de qualidade que passou a ser oferecido em todas as regiões do país, atingindo, principalmente, aos indivíduos que não possuem nenhum tipo de formação acadêmica. Porém, mesmo diante de tantas dificuldades encontradas pelos polos de apoio presencial, acredita-se que os mantenedores, na sua maioria, estejam atentos para que o ensino superior, público, gratuito e de qualidade fixe raízes sólidas nos diversos pequenos municípios espalhados pelo país. Neste momento, a leitura que se faz é que o poder do uso da tecnologia está sendo visto como um acontecimento revolucionário para a melhoria da educação do país e do mundo: ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 336 As mudanças contemporâneas, provenientes do uso da internet e das redes de aprendizagem, transformam a relação com o saber. Assim, a dinâmica e a infinita capacidade de estruturação das redes colocam todos os participantes de um momento educacional em conexão, aprendendo juntos, discutindo em igualdade de condições, e isso é revolucionário (KENSKI, 2007). Segundo o Ministério da Educação, o polo de apoio presencial é considerado “o braço operacional” que dá amparo ao processo de formação dos educandos das instituições de ensino superior parceiras de suas cidades ou mais próximas deles. É nesse espaço físico que o aluno pode encontrar os colegas para estudar, participar dos momentos presenciais, experimentar atividades virtuais, laboratoriais e de estágio, bem como as demais tarefas exigidas pelos seus professores e/ou tutores (a distância ou presenciais). Organizar o projeto de implantação do polo, manter a infraestrutura de forma adequada, contratar, liderar e fiscalizar funcionários e prestadores de serviço, agilizar e gerenciar a organicidade funcional dentro do polo e estabelecer prioridades; são muitos os papéis e atribuições necessárias para ser e estar inserido no sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB. É comum encontrar municípios, principalmente os menores e mais distantes dos grandes centros, enfrentando situações difíceis e complexas no cumprimento os acordos firmados. Verifica-se, e é recorrente, a fragilidade da infraestrutura de muitos polos de apoio presencial, assim como de recursos humanos necessários para um atendimento eficaz, embora o mantenedor trabalhe para conseguir cumprir com o estabelecido. Não constitui tarefa simples o enfrentamento de discussões acerca da gestão física, humana e ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 337 ÍNDICE financeira dos polos da forma como o Ministério da Educação preconiza. A organização de um polo universitário do Sistema UAB deve ocorrer seguindo orientações determinadas pelo Ministério da Educação. É dever de todos os segmentos parceiros, respeitando especificidades e as atribuições de cada um, priorizar as necessidades relacionadas às questões de infraestrutura e administrativo pedagógicas; urge a definição e a clareza desses papéis para que o polo venha a exercer a sua real função. Por que razão é importante bem estruturar, organizar e dirigir de forma eficaz os polos de apoio presencial dentro do sistema Universidade Aberta do Brasil? Podem-se elencar alguns motivos, a saber: desenvolver entre todos os envolvidos um maior interesse pela organização estratégica do polo: Mostrar a todos os envolvidos o quanto é importante e ecessário poder contar com um polo de apoio presencial no município; estimular o espírito de união e cooperação a fim de enfrentar e solucionar problemas de percurso: conhecer, e dar a conhecer, os pontos favoráveis e a melhorar dentro da instituição colaboram para um melhor entrosamento, envolvimento e comprometimento de todos os segmentos e parceiros; permitir uma visão sobre o trabalho ali efetivado: é importante que cada um dos integrantes ligados ao polo tenha clareza sobre a importância do trabalho desenvolvido naquele espaço de ensino superior para que possa ter uma ideia exata sobre a qualidade do seu comprometimento com a instituição como um todo; priorizar necessidades e oferecer atendimento de qualidade: elaborar um plano de gestão, Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 338 priorizando as necessidades de forma a contemplar todas as áreas afins, canalizando esforços para o cumprimento de metas estabelecidas previamente, de forma a personalizar o atendimento prestado; contribuir para a motivação geral dos integrantes do quadro de pessoal, já que permite a conscientização individual: é muito mais fácil para uma equipe bem motivada trabalhar a favor da conscientização geral; canalizar esforços no alcance dos objetivos individuais e coletivos: uma gestão de qualidade somente terá sucesso, individual e coletivamente, se todos caminharem em busca de um bem comum. 7. O PAPEL DO MANTENEDOR DE POLO NO SISTEMA UAB Recapitulando o que antes já foi exposto, para fins de implantação de um pólo de apoio presencial, o mantenedor é responsável pela infraestrutura física, logística e tecnológica, bem como a contratação de alguns dos recursos humanos para a área administrativa e de informática, dentre outros. O Ministério da Educação ficou com a responsabilidade pela doação de livros, de computadores, disponibilização da Banda Larga no Polo, além do pagamento da Coordenadora e Tutores. Como esse sistema veio, principalmente, para sanar dificuldades na área do ensino de pequenos municípios do nosso país, muitos obstáculos existem e, aos poucos, vão sendo sanados e as necessidades que se apresentam são supridas, na medida do possível, com recursos próprios dos municípios, sempre precedidas de tomadas de preços, licitações ou pregão eletrônico, o que, muitas vezes, torna-se um entrave ao bom andamento dos trabalhos, devido à demora com os trâmites burocráticos. Muitos mantenedores aderiram ao sistema UAB, implantando seus ambientes acadêmicos compartilhando espaço com outras escolas, geralmente, da rede municipal. Porém, com a rápida ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 339 expansão da demanda, alguns já optaram pela construção de local próprio. O mantenedor ideal é aquele que trabalha atendendo as mais diversas exigências do sistema UAB: investe no polo de apoio presencial, provendo recursos humanos qualificados para trabalhar; assegura a infraestrutura adequada; busca parcerias, através do regime de colaboração; estabelece alianças políticas que favoreçam o programa e às ações propostas de modo a superar desafios no que refere à modalidade EaD, garantindo o direito à educação aos seus munícipes e a sustentabilidade ao projeto em seu município. CONSIDERAÇÕES FINAIS Após todas as idas e vindas entre leituras, análise de vivências, assim como dos pensamentos das várias discussões sobre o tema, chega-se à conclusão de que o importante é “fazer acontecer”... A partir da abertura de oportunidades apresentadas pela atual legislação, precisa-se ser corajoso o suficiente para ousar e criar mecanismos que sustentem as ideias e ações daqueles que verdadeiramente querem mudar o cenário da desigualdade social e cultural outrora instalado em nosso país. É preciso “estrategiar” de forma a estabelecer metas e prazos para o alcance dos objetivos traçados no coletivo e pelo coletivo. Solidariedade, justiça, responsabilidade social, respeito, autonomia e independência humana é a cara da gestão democrática e participativa que busca a construção da real qualidade social. O fazer plural e ético é o caminho onde se faz presente o compromisso com o desenvolvimento humano, assegurando o alcance dos objetivos e metas resultantes das parcerias, garantindo o sucesso da instituição. Nesse mesmo caminho, também devem estar os espaços para leitura, atividades integradoras, reflexão e troca de saberes; estes, importantíssimos, quando há, realmente, o interesse em salvaguardar os polos de apoio presencial e dar continuidade à proposta da Universidade Aberta do Brasil, cujos atores ainda têm, e terão muita história para contar e mostrar. E ainda, para que o ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 340 país consiga atingir um nível eficaz de desenvolvimento econômico, social e cultural, é preciso que, além do cumprimento das ações governamentais e institucionais, a sociedade participe dessa busca de um padrão de educação com qualidade o que, certamente, garantirá um futuro também com qualidade. A população precisa se conscientizar acerca dessa inclusão e socialização entre os indivíduos, extinguindo barreiras físicas, psicológicas, sociais e morais, caso contrário, o Sistema UAB não passará de uma opção encontrada por poucos apenas para conseguir uma certificação e uma qualificação profissional.Respaldado pelo Mantenedor, pelas IES e pelos demais integrantes da Equipe de Recursos Humanos do Polo, é tarefa do gestor de um polo de apoio presencial articular ali desenvolvido que se marca a presença das instituições parceiras junto à comunidade e região. Um polo de apoio presencial deve ser sim, um espaço onde a confiabilidade, a credibilidade e a segurança embalem todas as relações administrativo, pedagógicas e sócioculturais na comunidade e/ou região onde está inserido. Por fim, espera-se que, mesmo com as dificuldades elencadas e outras tantas, os responsáveis pela condução do Sistema UAB, desde o MEC, CAPES, IFES, mantenedores e coordenadores de polo procurem fazer o máximo para que o Ensino superior, Público, Gratuito e de Qualidade tenha vindo para ficar, mormente, nas pequenas cidades espalhadas pela esta gigante nação, fortalecendo a premissa de que a educação com excelência é um direito de todos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Educação à Distância: integração nacional pela qualidade do ensino. Brasília: MED, 1992. _____. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Dispõe sobre as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União. 23 dez. 1996. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 341 _____. Resolução nº 26, de 5 DE junho de 2009. Estabelece orientações e diretrizes para pagamento das bolsas do Sistema Universidade Aberta do Brasil. 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Hipertexto e gêneros digitais: novas formas de construção de sentido. 2 ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005. ZUIN, A. A. S. Educação a distância ou educação distante? O Programa Universidade Aberta do Brasil, o tutor e o professor virtual. Educ. & Soc., Campinas, v. 27, n. 96, 2006. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 343 ANEXOS FOTOS 1 - RESPONSÁVEIS PELO INÍCIO DE TUDO 2 - REUNIÃO COM 1ª IFES ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 344 3 - A DIVULGAÇÃO- Um trabalho de “formiguinha” ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 345 4 - 1ª EQUIPE DE TRABALHO 5 - 1ª INSCRIÇÃO PARA O 1º VESTIBULAR ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 346 6- A ALEGRIA PELO INÍCIO DAS AULAS 7- LOGO DO POLO – Produção do Tutor Presencial Émerson Evandro Moraes ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 347 SOBRE OS AUTORES Diana Lurdes Muraro Vendruscollo Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL/UAB); Especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s) pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); Especialista em Gestão Educacional (IESD). Atualmente atua como coordenadora do Polo de Apoio Presencial de Sobradinho, RS. Professora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Espírito Santo, Sobradinho, RS. Clair Batista da Silva Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL/UAB); Especialista em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); Graduada em Pedagogia – Séries Iniciais pela (UNISC). Atualmente é Tutora Presencial do curso de Pedagogia no polo presencial de Sobradinho, RS, pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ana Paula Bortolotto Ceolin Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL/UAB); Graduada em Letras pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Atualmente é Tutora Presencial do Curso de Formação de Professores de Espanhol como Língua Estrangeira pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL/UAB). Vera Lúcia Vargas de Souza Kelling Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL/UAB); Especialização em Gestão do Trabalho Pedagógico pela Faculdade Internacional de Curitiba (FACINTER). Professora de Língua Portuguesa da Escola Municipal Acácio Antônio Vieira, Restinga Seca, RS. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 348 Ana Lucia Rodrigues Guterra Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL/UAB); Especialista em Língua Portuguesa e Especialista em Literatura pela mesma Universidade; Graduada em Letras, Licenciatura de 1º e 2º Grau pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI). Atualmente é Coordenadora do Polo de Apoio Presencial da Universidade Aberta do Brasil (UAB) de Seberi, RS, que tem como Universidades parceiras a Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Andréia Inês Hanel Mestre em Letras/Estudos Linguísticos pela Universidade de Passo Fundo (UPF); Especialista em Estudos Linguísticos do Texto pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL/UAB); Graduada em Letras pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Professora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Giocondo Canali, Tapejara, RS. Sara Raquel Levy De Oliveira Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL); Especialista em Ecologia Urbana pela Universidade Católica de Pelotas (UCPEL); Bacharel em Licenciatura Plena em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Atua como tutora presencial do curso de Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG) no polo de Santa Vitória do Palmar, RS. Professora de Ciências e Biologia na rede municipal. Marta Martins de Farias Ramos Licenciada em Filosofia pela UFPel. Especialista em Filosofia Moral e Política e Mestre em Educação na instituição supracitada. Participa do Grupo de Pesquisa FEPráxiS - Filosofia, Educação e Práxis Social, buscando a vinculação entre a Educação e a Filosofia. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 349 Dentre os conceitos trabalhados evidenciam-se: poder, sujeito e governamentalidade. É professora da rede municipal de Pelotas, professora pesquisadora do curso de Pedagogia da UAB/UFPel e professora substituta da FaE/UFPel. Evanir Junqueira da Costa Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL/UAB); Especialista em Administração Escolar e Orientação Educacional pela Faculdade São Francisco de Barreiras (FASB); Especialista em Administração e Formação em Recursos Humanos pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA); Graduada em: Letras – Língua Portuguesa e Literatura Brasileira pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). Atua como tutora presencial do Curso de Espanhol (UFPEL) e Secretária Escolar na rede do Município de Sapucaia do Sul, RS. Rosemary Rickes Leitzke Especialista em Gestão de Polos em EAD pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL/UAB); Formada em Secretariado Organizacional Trilingue pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel); Atua como secretária do curso de Especialização em Gestão de Polós (UFPEL/UAB) e secretária do curso de Especialização em Mídias na Educação (UFPEL/UAB). Dionara Teresinha da Rosa Aragon Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL/UAB); Especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação aplicadas a Educação pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); Graduada em Matemática/Licenciatura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professor da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) Ensino de Matemática. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 350 Eliane Reinehr Xavier Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL/UAB); Especialista em Matemática para Ensino Fundamental e Médio pela Fundação Universidade Federal de Rio Grande (FURG); Graduada em Matemática pela Universidade Católica de Pelotas (UCPEL). Tutora Presencial do curso de Licenciatura em Matemática a distância da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Atua como professora na rede estadual e municipal do município de Santa Vitória do Palmar, RS. Simone Gadret Bório Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL/UAB); Especialista em Pedagogia Escolar pela Faculdade Internacional de Curitiba (FACINTER). Tutora presencial do curso de Formação de Professores em Língua Espanhola da Universidade Federal de Pelotas. Atua como professora na rede estadual de ensino do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Lisiane Borges Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL/UAB); Tecnóloga em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Atua como secretária do Polo de Apoio Presencial (UAB) do município de Camargo, RS. Sandra Máxima Santos dos Santos Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL/UAB); Especialista em Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa (Fundação Educacional de Alegrete); Graduada em Letras - Português/Inglês pela Fundação Educacional de Alegrete, RS. Coordenadora do Polo de Apoio Presencial (EAD/UAB), Quaraí, RS. Professora da Rede Estadual de Ensino do RS. ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 351 SOBRE OS ORIENTADORES Belkis Souza Bandeira Mestra em Educação http://lattes.cnpq.br/0910318995270819 Lia Cristiane Lima Halwass Mestra em Educação http://lattes.cnpq.br/9494749129911078 Dirlei de Azambuja Pereira Mestre em Educação http://lattes.cnpq.br/7579469475921540 Luciane Senna Ferreira Mestra em Letras http://lattes.cnpq.br/3099753008499677 Francisco dos Santos Kieling Mestrado em Sociologia http://lattes.cnpq.br/0438177015374989 Maria de Fátima Santos da Silva Mestra em Educação Ambiental http://lattes.cnpq.br/6401504068462017 Heloisa Helena Duval de Azevedo Doutora em Filosofia http://lattes.cnpq.br/6562983888169274 Maria Raquel Rodrigues Vieira Mestra em Educação http://lattes.cnpq.br/6513690316550729 Jezuína Kohls Schwanz Mestra em Memória Social e Patrimônio Cultura l http://lattes.cnpq.br/1569292319760293 Maria Teresa Duarte Nogueira Mestra em Saúde Pública http://lattes.cnpq.br/8903575054501901 José Eduardo Nunes de Vargas Mestre em Educação Física http://lattes.cnpq.br/6684834596247406 Marisa de Mello Luvielmo Mestre em Educação Ambiental http://lattes.cnpq.br/6163045086413108 Kelin Valeirão Mestra em Educação http://lattes.cnpq.br/7568906437198533 Milena Silvester Quadros Mestra em Sociologia http://lattes.cnpq.br/4823926483856600 Rosimeire Simões de Lima Mestra em Educação http://lattes.cnpq.br/6200048980619133 § ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 352 GESTÃO DE POLOS Equipe Docente Adriana Duarte Leon Adriane Rodrigues Corrêa Aline Elias Lamas Aline Machado Dorneles Aline Quiroga Neves Ana Cristina Medina Pinto Ana Maria Simões Netto Costa Ana Paula Alba Wildt Cauê Lima Canabarro Cíntia Centeno Moreira Clara Irene Veiga Barbosa Eliana Póvoas Pereira Estrela Brito Érica Insaurriaga Megiato Francine Pinto da Silva Joseph Giana Lange do Amaral Heloisa Helena Duval de Azevedo Jane Mara Bohn Gass Jezuína Kohls Schwanz Joice Rejane Pardo Maurell José Eduardo Nunes de Vargas Joseph Handerson Leonardo Prado Kantorski Ligia Dalchiavon Losane Hartwig Schwartz Luana de Gusmão Silveira Luciane Senna Ferreira Luciano Maciel Ribeiro Márcio Porciúncula Ferreira Maria de Fátima Santos da Silva Maria Raquel Rodrigues Vieira Maria Teresa Duarte Nogueira Marisa de Mello Luvielmo Marta Solange Streicher Janelli da Silva Milena Silvester Quadros Patrícia Daniela Maciel Rogério Ramos Weymar Rogério Sarmento Burkert Rosimeire Simões de Lima Sástria de Paula Rodrigues Sérgio Ronaldo Pinho Júnior Tiago Venzke Walter Ruben Iriondo Otero Equipe técnica Cíntia Pereira Cláudio Luiz Di Muro Diórgenes Yuri da Rosa Gustavo Alves Andrade Jerônimo Medina Madruga Marlei Maria Tedesco Radin Pedro Conrad Júnior Rafael Fagundes Cavalheiro Rafael Pinto Garcia Rodrigo Padilha Silveira Rodrigo Pizarro dos Santos Rosemary Rickes Leitzke § ÍNDICE Educação a Distância e seus Espaços de Formação: artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos 353