Educação a Distância
e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização
em Gestão de Polos
Vol. 2
ORGANIZADORES
Adriane Rodrigues Corrêa
Heloisa Helena Duval de Azevedo
Jane Mara Bonh Gass
Jezuína Kohls Shanwz
José Eduardo Nunes de Vargas
Luciane Senna Ferreira
Rosimeire Simões de Lima
Educação a Distância
e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização
em Gestão de Polos
Vol. 2
ORGANIZADORES
Adriane Rodrigues Corrêa
Heloisa Helena Duval de Azevedo
Jane Mara Bonh Gass
Jezuína Kohls Shanwz
José Eduardo Nunes de Vargas
Luciane Senna Ferreira
Rosimeire Simões de Lima
Pelotas – 2012
Obra publicada pela Universidade
Federal de Pelotas
Reitor:
Prof. Dr. Antonio Cesar Gonçalves Borges
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Prof. Dr. Volmar Geraldo da Silva Nunes (ESEF)
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PROJETO GRÁFICO, CAPA E EDITORAÇÃO:
Adriane Rodrigues Corrêa
Heloisa Helena Duval de Azevedo
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Paulo Roberto Faber Tavares Junior
REVISÃO:
Devido ao grande volume de trabalhos
reunidos nesta publicação, a revisão dos
textos ficou a cargo de cada autor sendo dos
mesmos a responsabilidade de tal revisão.
DADOS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO :
(BIBLIOTECÁRIA DAIANE SCHRAMM – CRB-10/1881)
E21
Educação a Distância e seus Espaços de Formação: Artigos do curso
de Especialização em Gestão de Polos [recurso eletrônico]. /
Organizado por José Eduardo Nunes de Vargas [ ...et al]. – Pelotas:
Editora Universitária/UFPEL, 2012.
E-book. Vol. 2 (Coleção EADEM)
Disponível também: <http://eadem.ufpel.edu.br>
ISBN 978857192906-7
1. Educação. 2. Educação a distância. 3. Gestão de pólos.
4. Formação de professores. 5. Espaços de formação. I.
I. Vargas, José Eduardo Nunes de [...et al]; org. II. Série.
CDD 378
Permitidos o download, o arquivamento, a reprodução e a retransmissão
[por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e
gravação] desde que citada a fonte.
Sumário
Apresentação......................................................................................................... 8
Prefácio.................................................................................................................. 10
PLANEJAMENTO E GESTÃO DE POLOS: POSSIBILIDADES E DESAFIOS .................. 12
Diana Lurdes Muraro Vendruscollo
O PAPEL DO GESTOR DE POLO NA QUALIFICAÇÃO DA EAD COMO
POLÍTICA PÚBLICA ................................................................................................. 28
Clair Batista da Silva
O CENÁRIO ATUAL DA UAB NO MUNICÍPIO DE SÃO JOÃO DO
POLÊSINE, AS DIFICULDADES E PERSPECTIVAS DO POLO PRESENCIAL ................. 55
Ana Paula Bortolotto Ceolin
A GESTÃO DE POLOS NA PERSPECTIVA DA GESTÃO PARTICIPATIVA ..................... 77
Vera Lúcia Vargas de Souza Kelling
DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS, ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NO
CONTEXTO DA GESTÃO DE POLO DE SEBERI ......................................................... 93
Ana Lucia Rodrigues Guterra
A LEGISLAÇÃO E O PAPEL DO GESTOR DE POLOS .................................................. 120
Andréia Inês Hanel
GESTÃO DE POLOS: ORGANIZAÇÃO E INFRAESTRUTURA DE POLO DE
APOIO PRESENCIAL X TIC’S .................................................................................... 145
Sara Raquel Levy De Oliveira
IMPLANTAÇÃO DO POLO UNIVERSITÁRIO DE APOIO PRESENCIAL DE
SÃO JOSÉ DO NORTE: UMA FORMA DE DEMOCRATIZAR O ACESSO AO
ENSINO SUPERIOR ................................................................................................. 158
Marta Martins de Farias Ramos
GESTOR DEMOCRÁTICO OU ADMINISTRADOR BUROCRÁTICO? .......................... 196
Evanir Junqueira da Costa
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NA ATUALIDADE: CONTRIBUIÇÕES DO
SISTEMA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL PARA O ACESSO À
EDUCAÇÃO SUPERIOR ........................................................................................... 215
Rosemary Rickes Leitzke
QUALIDADE NA GESTÃO DE PÓLOS E O DESENVOLVIMENTO DE
PESSOAS NA FRONTEIRA OESTE RIO GRANDE DO SUL .......................................... 230
Dionara Teresinha da Rosa Aragon
GESTÃO DE EXCELÊNCIA NO CONTEXTO DA GESTÃO DE POLOS UAB:
FUNDAMENTOS E TECNOLOGIAS .......................................................................... 255
Eliane Reinehr Xavier
A FORMAÇÃO DE UMA EQUIPE COGESTORA EM POLOS DE EDUCAÇÃO
A DISTÂNCIA .......................................................................................................... 278
Simone Gadret Bório
REDES SOCIAIS EM EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES NA GESTÃO DE POLOS
A DISTÂNCIA .......................................................................................................... 300
Lisiane Borges
POLO UAB: CONCEPÇÕES, COMPETÊNCIAS E AÇÕES PARA UMA
GESTÃO DE QUALIDADE ........................................................................................ 319
Sandra Máxima Santos dos Santos
Sobre os autores .................................................................................................... 348
Sobre os orientadores ........................................................................................... 352
Gestão de Polos ..................................................................................................... 353
APRESENTAÇÃO
Pode-se afirmar que é o resultado do trabalho de diversas
mãos. Escrito e planejado em comunidades que agregam o valor de
possuir acesso ao ensino a distância e como trabalho de conclusão
de curso não poderia deixar de surgir os artigos. Cada autor imbuído
de uma temática a ser pensada, produzida, gestada entre o escritor
e a tela. Muito embora construído da simbiose entre o tutor ou o
gestor do polo e suas significâncias, seus anseios, seus desejos de
relatar a história com a cor local, sobre sua ótica ou a égide de seu
olhar. Vivências e novos conceitos estudados e discutidos no Curso
de Especialização em Gestão de Polos, um dos pioneiros no Brasil
enfocando a temática. Visto que, pode ser considerado recente a
instalação e funcionamento de cursos de graduação e pósgraduação pelo Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB).
Convém ressaltar que em todas as cidades em que foram
realizadas as pesquisas para a construção do artigo, apresentam o
detalhamento da instalação do polo do sistema UAB, assim como as
implicações referentes a construção dos polos, edificação e
consolidação desta nova forma de educação. Deste modo, em todos
os artigos que tratam da implantação contemplam as peculiaridades
de cada localidade, uma oportunidade de enveredar pelos caminhos
que trilharam desde o primeiro documento, ou melhor, deste o
edital lançado pelo governo federal para os municípios solicitando
adesão ao sistema.
A primeira parte do livro é constituída do estudo baseado em
dados colhidos em documentos, análise bibliográfica, entrevistas,
relatos de experiência, entre outras fontes de pesquisa. Os artigos
representam uma referência ou marco inicial sobre a implantação e
expansão dos polos de ensino a distância. É interessante observar
também, que todos os artigos privilegiam o percurso e os percalços
de cada localidade no que tange a dificuldade de aceitação pela
comunidade por ser algo novo, até então. Além de outros
problemas como dividir espaços com escolas, ou espaços cedidos
pelas parcerias de prefeituras e utilizados de forma concomitante
com instituições. Diante disso, não possuir a identidade que uma
sede própria oferece assim como os vínculos que originam a relação
de pertencimento dos alunos matriculados nos cursos.Na segunda
parte o leitor se encontrará com o gestor de polos e suas vivências
nesta nova função que é cuidar, organizar, buscar parcerias, firmar
acordos, divulgar os cursos, pesquisar demandas para novas turmas.
O gestor surge também quando nasce o polo, então o polo e o
gestor irão constituir-se juntos. Os artigos se propõem a narrar os
itinerários dessa dupla, em seus textos será possível conhecer como
foi o desafio das implantações, políticas públicas, limites e
potencialidades e o papel do gestor. Vale lembrar que o precursor
do sistema UAB nos municípios foi esse profissional que abarcou a
causa e por ela trabalhou. No seu conjunto, a obra reflete um
panorama e o registro da história que cada gestor e tutor
capturaram de seu entorno e de sua comunidade. O interessante
também é o ineditismo da obra, pois conta o início de um processo
que contribuiu para o crescimento de comunidades, pessoas, e sem
dúvida gerou oportunidades e outras vivências outrora pensadas.
Rosimeire Simões
PREFÁCIO
Começo por agradecer o honroso convite para ser uma das
organizadoras e elaborar o prefácio deste livro, sobre o qual me
debrucei de forma modesta e com pretensões de ser apenas mais
uma leitora e amante da produção do conhecimento. Embarquei
nesta Nau, com a nítida sensação de ser uma viajante aventureira,
pois o presente livro é um diário de bordo de uma grande viagem de
possibilidades,
em
que
a
imaginação,
criatividade,
comprometimento e seriedade não têm limites quando se trata de
educação, em especial, a educação a distância.
Nesta viagem, o leitor é convidado, assim como eu fui, a
entender as implementações e conquistas dos polos de apoio da
EaD nos municípios; o sistema da Universidade Aberta do Brasil; a
gestão de polos de EaD; os desafios dos gestores de polos;
planejamento participativo e democrático; perspectivas sócioshistóricas da EaD; políticas públicas em EaD; Tecnologias da
Informação e Comunicação em EaD; desenvolvimento social e
educação;
legislação educacional; cidadania; a formação
continuada de professores como gestores de polos. Assim, o que
temos diante de nós não é apenas um simples livro que reúne os
artigos de conclusão do curso de especialização Gestão de PolosUAB-UFPel, por tão ampla abordagem das diversas e imensas
possibilidades de pensar os aspectos concerne à Educação a
Distância.
Dessa forma, a riqueza destas páginas reside,
fundamentalmente, na diversidade de abordagens, visões das
pesquisas, estudos e trabalhos realizados pelos autores, que,
enquanto sujeitos, também são diversos e únicos.
Quem se aventurar a viajar pelos textos, parágrafos, linhas
verá que se trata do resultado da criação e produção do
conhecimento espalhadas para serem utilizadas, consultadas,
refletidas, recriadas, contextualizadas e recontextualizadas em um
ciclo que, possivelmente acrescente, a cada onda que passe, mais
valores à Educação.
Não posso deixar, também, de referenciar que fiz parte deste
curso desde o seu começo, e tive o privilégio de acompanhar a
trajetória crescente dos autores. Caminhada esta, na qual se
confrontaram com fatos de realidades distintas, fenômenos e
elementos diferentes que o cercavam, e souberam lidar com tais
situações, reunindo informações, elaborando e reelaborando
conhecimentos, arriscando respostas e formulando hipóteses. Desta
forma, geraram mudanças no modo de pensar sobre a natureza das
situações, sobre o mundo social e sua cultura, compartilhando estes
pensamentos com os demais sujeitos, construindo, assim, saberes
individuais e coletivos.
Cada qual, com sua particularidade, edificou novos
conhecimentos, contribuiu com o pensar acadêmico e com a
produção de novas possibilidades reflexivas acerca do que é
Educação a Distância e Gestão de Polos.
E, como toda obra coletiva, esta também precisa ser lida
tendo-se em consideração a riqueza específica e particular de cada
contribuição, na diversidade em que se apresenta. O conjunto deste
livro, que posso chamar de obra, devido à qualidade de cada texto,
é que me deixa a satisfação de constatar que algo de importante e
novo está surgindo no mundo da Educação a Distância.
Parabéns aos autores será sempre um grande prazer viajar
nesta Nau.
Heloisa Helena Duval de Azevedo
PLANEJAMENTO E GESTÃO DE POLOS:
POSSIBILIDADES E DESAFIOS
AUTORA:
Diana Lurdes Muraro Vendruscollo
PROFESSORA ORIENTADORA:
Belkis Souza Bandeira
RESUMO
O presente artigo pretende contribuir com a reflexão sobre a
implantação do sistema Universidade Aberta do Brasil como
política pública, discorrendo sobre as principais possibilidades
e desafios surgidos a partir da consolidação dos polos de
apoio presencial em alguns municípios do Estado do Rio
Grande do Sul. A pesquisa foi desenvolvida através da
análise das postagens de coordenadoras e tutoras de polos
nos fóruns da disciplina de Planejamento Educacional
desenvolvida no Curso de Especialização de Gestão de Polos
da UFPEL. Durante o estudo observou-se que o sistema
Universidade Aberta do Brasil atinge seu maior objetivo que é
a expansão e interiorização de cursos e programas de
educação superior pública no país. Assim como proporcionar
a democratização do ensino público, além dos cursos, as
ações e os projetos sociais desenvolvidos através dos polos.
Além da importância para o desenvolvimento das
comunidades regionais, visualizando nestes, centros de
construção
do
conhecimento.
Contrapondo-se
as
possibilidades, o sistema Universidade Aberta do Brasil
apresenta desafios principalmente quanto à gestão dos polos
de apoio presencial, sua sustentabilidade e continuidade. A
gestão financeira e a vontade política dos mantenedores dos
polos são outros relevantes desafios. Neste processo de
implantação da educação a distância no país através da UAB
como política pública, o planejamento participativo e o
comprometimento dos atores envolvidos no processo é
fundamental para a consolidação da UAB, contribuindo assim,
para que o acesso a informação e/ou conhecimento
continuem rompendo barreiras históricas de desigualdades
sociais, distâncias geográficas e financeiras, proporcionando
através da educação, a construção de um país mais justo.
Palavras-chave: Educação a distância; Universidade Aberta
do Brasil; possibilidades; desafios.
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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CONSIDERAÇÕES INICIAIS
A partir da implantação do Programa Universidade Aberta do
Brasil, oriundo de um projeto do Governo Federal que visa à
consolidação de acordos de cooperação técnica entre Governos
Federais, Estaduais, Municipais e Instituições de Ensino Públicas,
que tem por objetivo oferecer Cursos de Formação Inicial e
Continuada para professores na modalidade EAD, foram criados os
Polos de Apoio Presencial. Este objetivo inicial foi rapidamente
ampliado, e hoje temos diversos cursos na modalidade EAD sendo
oferecidos e contemplando várias áreas do conhecimento.
A execução do projeto Universidade Aberta do Brasil
desenhou um novo cenário em nosso país no que diz respeito à
oportunidade de acesso ao ensino superior, bem como aos
conceitos de educação à distância. Com o presente artigo
pretendemos apresentar algumas possibilidades surgidas a partir da
oferta de Cursos na modalidade EAD através do Programa
Universidade Aberta do Brasil nas regiões onde estão implantados
os Polos de Apoio Presencial dos municípios de Polesine, Cachoeira
do Sul, Restinga Seca, Jacuzinho e Sobradinho, bem como verificar
os principais obstáculos encontrados na gestão dos mesmos e que
podem ser generalizados para o Estado do RS na consolidação do
Programa UAB.
A metodologia utilizada no desenvolvimento deste projeto
de pesquisa foi de análise dos fóruns da Disciplina de Planejamento
Educacional, utilizando as postagens das Gestoras e Tutoras dos
Polos de Polesine, Cachoeira do Sul, Restinga Seca, Jacuizinho e
Sobradinho no que tange aos limites e possibilidades dos Polos de
Apoio Presencial, considerando a legislação vigente sobre EAD.
Foram consideradas todas as postagens das gestoras dos referidos
polos, e sua escolha se deu pelos polos que tinham gestoras
participando da capacitação de Gestão de Polos e que faziam parte
do grupo de discussões do polo de Sobradinho. Através do contexto
dos Polos citados objetivou-se desenhar o cenário das
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
13
oportunidades e dificuldades surgidas a partir da implantação
desses nos referidos municípios.
1. EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA COMO POLÍTICA PÚBLICA
É importante pensarmos o papel da educação à distância no
novo cenário da educação do País. Conforme Maria Lopes no artigo
“Educação à distância no Ensino Superior: uma possibilidade
concreta de inclusão social”, esta modalidade de ensino pode não
somente promover a inclusão como também expandir o acesso ao
conhecimento:
É certo que a sociedade pode ser beneficiada
com a EAD na promoção da Inclusão Digital,
porém, ela é uma ferramenta que tem um
alcance ainda maior, principalmente para
suprir as necessidades da população que não
tem acesso ao ensino superior tradicional, seja
por motivos geográficos ou indisponibilidade
flexível de tempo, muitas vezes tendo que
conciliar suas várias atividades para
sobreviver, prejudicando a possibilidade de
adquirir novos conhecimentos. (LOPES, 2010,
p. 193).
A educação a distância no Brasil foi instituída como política
pública a partir da publicação do Decreto 5.622, de 19 de dezembro
de 2005, que regulamenta o art. 80 da Lei no 9.394, de 20 de
dezembro de 1996. O Art.1º do Decreto 5.622 caracteriza:
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
14
A educação à distância como modalidade
educacional na qual a mediação didáticopedagógica nos processos de ensino e
aprendizagem ocorre com a utilização de
meios e tecnologias de informação e
comunicação, com estudantes e professores
desenvolvendo atividades educativos em
lugares ou tempos diversos (MEC, 2005).
Em 2005, então, a educação à distância no País foi
regulamentada passando a contribuir diretamente com a
democratização e expansão do ensino público.
O Sistema Universidade Aberta do Brasil foi instituído pelo
Decreto 5.800, de 08 de junho de 2006, para "o desenvolvimento da
modalidade de educação à distância, com a finalidade de expandir e
interiorizar a oferta de cursos”.
A educação à distância através do Sistema Universidade
Aberta do Brasil foi, implantada como política pública pelo governo
federal objetivando melhorar a qualidade da Educação no país.
Através dela surgem, então, os Polos de Apoio Presencial, tendo
como objetivo possibilitar aos alunos um local para apoiar seus
estudos e onde possam realizar as atividades presenciais,
atendendo as exigências de qualidade estabelecidas pelo Ministério
de Educação. Conforme Júlio Ribas, no artigo “Capacitação dos
coordenadores de polo através de ambiente virtual de
aprendizagem: um desafio para a gestão de polo no sistema
Universidade Aberta do Brasil”, os Polos de apoio presencial são:
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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Um polo de apoio presencial também pode ser
entendido como "local de encontro" onde
acontecem
as
interações
presenciais
necessárias, o acompanhamento e a
orientação paraos estudos, às práticas
laboratoriais e as avaliações presenciais.
Assim, o objetivo dos polos é oferecer o espaço
físico de apoio presencial aos alunos da sua
região, manter as instalações físicas
necessárias para atender aos alunos em
questões tecnológicas, de laboratório e
biblioteca, entre outras. (RIBAS, 2010, p.04).
Conforme Portaria Normativa nº 02/2007, § 1º, “o polo de
apoio presencial é a unidade operacional para desenvolvimento
descentralizado de atividades pedagógicas e administrativas
relativas aos cursos e programas ofertados à distância”, sendo,
portanto, de fundamental importância que os polos possuam
qualidade, com boas condições físicas e humanas para desenvolver
de forma eficaz os encontros presenciais, avaliações, vídeo e web
conferência, atividades de estudo, pesquisa, defesas de trabalhos
dentre outras desenvolvidas pelos Cursos na modalidade EAD.
Segundo os Referenciais de Qualidade da Educação Superior a
Distância, primeira versão, elaborados pelo MEC o polo de apoio
presencial “desempenha papel de grande importância para o
sistema de educação a distância, sua instalação auxilia o
desenvolvimento do curso e funcionando como um ponto de
referencia fundamental para o aluno”. É importante mencionarmos
que mesmo que os Referencias de Qualidade da Educação Superior
a Distância não possuam peso de lei, são de grande importância no
direcionamento da Educação Superior á Distância no Brasil.
Marcelo Cabeda no artigo “Uma nova forma de pólo de apoio
presencial para EAD: O Pólo dos Sonhos” nos remete a reflexões
sobre a real função dos polos de apoio presencial no cenário da
educação da atualidade:
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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Qual deve ser a missão do Pólo Presencial de
apoio EAD? Para quê existe? Basta cumprir
com a especificação técnica estabelecida pela
Secretaria de Educação a Distância, SEED?Se
pensarmos no Pólo como sendo aquele
elemento de contato presencial, social, físico,
pessoa a pessoa, o polo presencial de apoio
presencial de apoio a EAD pode ser muito
importante pelo caráter afetivo de pertencer
a um grupo. Entretanto isto só se verifica na
prática
quando
houver
sucesso
na
constituição de fatores que provocam a
formação
de
comunidades
de
aprendizagem...O Polo tem que ser veículo de
ações importantes nos saberes, conhecer,
Fazer, Colaborar e Ser ( CABEDA, 2010, p.5).
Para que o polo de apoio presencial se torne um espaço de
construção coletiva do conhecimento é muito importante que o
Gestor do Polo saiba administrar os recursos físicos e humanos que
dispõe para melhorar a qualidade dos cursos e projetos
desenvolvidos no Polo.
A gestão de polo necessita ser eficaz, e para tanto, é
imprescindível que seja democrática, voltada para trabalho em
equipe, valorizando as habilidades de todos. A gestão eficaz está
diretamente ligada ao desempenho do coordenador do polo, que
deve ser um líder, conhecer a legislação vigente, buscar atualização
constante, ser comprometido com o projeto de educação à
distância, enfim, deve garantir a administração dos recursos físicos e
humanos que estão envolvidos no processo.
2. POSSIBILIDADES SURGIDAS A PARTIR DA IMPLANTAÇÃO
DO SISTEMA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
O Sistema Universidade Aberta do Brasil é uma política
pública que está proporcionando acesso ao ensino superior público
e de qualidade as pessoas de pequenos municípios, nos quais não
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
17
existem Universidades Públicas, o que praticamente impossibilitava
a muitos jovens brasileiros o sonho de cursar uma graduação.
Podemos considerar que o sistema UAB está atingindo seu principal
objetivo que é, de desenvolver através da modalidade de educação
à distância, a expansão e interiorização de cursos e programas de
educação superior no país. Nesse contexto os polos de apoio
presencial são fundamentais para o êxito do sistema, pois oferecem
o suporte presencial que a Educação a Distância necessita para
obter sucesso.
Analisando as postagens das gestoras dos polos pesquisados
podemos afirmar que a principal possibilidade surgida a partir da
implantação do Sistema Universidade Aberta do Brasil é a
democratização do ensino público, que está se concretizando no
interior do país trazendo esperança de uma sociedade mais justa e
igualitária.
Conforme Coordenadora do Polo A: “Os polos da
Universidade Aberta do Brasil vieram para mudar a história dos
municípios sedes e dos municípios vizinhos. A médio prazo a
sociedade estará pensando e vivendo o que aprendeu, quebrar
paradigmas é primordial”.
É importante destacarmos que além das possibilidades de
acesso ao conhecimento oferecido pelos cursos desenvolvidos nos
Polos de Apoio Presencial, as ações e projetos sociais desenvolvidos
através dos Polos são muito importantes para desenvolvimento das
comunidades regionais, que estão visualizando nos polos um centro
de construção do conhecimento. Segundo tutora presencial do Polo
de B:
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
18
vejo que é possível sim acontecer um
planejamento participativo dentro do espaço
dos Pólos. Para exemplificar temos o Projeto
Pólo em Ação na Comunidade, onde envolve
diagnóstico, participação e construção de
projetos que visam à aproximação
primeiramente dos alunos entre si com a
formação dos grupos e depois da comunidade.
Pois os grupos fazem projetos direcionados
para a necessidade que veem na comunidade
que, pode ser na área educacional, social,
saúde, enfim inúmeras possibilidades. Com a
disseminação dos projetos cada vez mais
alunos tentam engajar nessa proposta, ano a
ano estamos aumento o número de projetos
realizados pelos alunos e, cada vez mais com
entusiasmo e dedicação dos mesmos que,
mesmo ao término do projeto se propõem a
continuar, pois está visualizando resultados
positivos dos mesmos.
Além de proporcionar a democratização do ensino público, a
UAB proporcionou nos pequenos Municípios, através dos polos de
apoio presencial, espaços de troca e construção do conhecimento.
Porém para que os Polos realmente cumpram seu objetivo, que é,
muito mais amplo do que oferecer condições para as atividades
presenciais dos cursos desenvolvidos ali, é necessário que possua
uma boa gestão. O Planejamento participativo pode ser uma ótima
estratégia para dinamizarmos o polo de apoio presencial. Conforme
coloca tutora do Polo D:
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
19
Sim, é possível colocar em prática o modelo de
planejamento participativo nos pólos
presenciais de EaD. Há que empreender-se
esforços no sentido de que seja assegurado e
considerado o direito de participação real de
todos nos três níveis: colaboração, decisão,
construção em conjunto. A oferta de EaD nos
polos, constituindo-se uma iniciativa com fins
não lucrativos no sentido monetário, mas
altamente lucrativa no sentido humano, visa a
interferência na realidade social no sentido de
promovê-la, não só como finalidade mas
durante
todo
o
seu
processo
de
desenvolvimento. A construção colaborativa
da educação e do conhecimento conferem às
pessoas maior capacidade de reflexão e
compreensão
da
sua
realidade
e
consequentemente maior possibilidade de
inserção no conjunto de ações a serem
empreendidas visando o benefício comum.
Cabe a todos nós agentes envolvidos com o processo de
implantação e implementação da UAB no país, uma reflexão sobre
as possibilidades que surgiram após esta implantação e que
melhorias a educação à distância proporcionou na qualidade da
educação no país. Conforme Coordenadora do Polo B: “é
importante refletir sobre a prática do ensino a distância como
mobilizador de sujeitos em diferentes lugares e espaços”.
Não temos dúvida que vivemos em uma era de grandes
transformações no cenário educacional no país e que a UAB e seus
agentes serão um marco histórico neste contexto.
3. PRINCIPAIS DESAFIOS ENFRENTADOS NA GESTÃO DOS
POLOS DE APOIO PRESENCIAL
Vários são os desafios encontrados pelos gestores dos polos
de apoio presencial quanto a sua gestão, desafios que variam em
cada município. Nos polos analisados a Prefeitura Municipal é a
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
20
mantenedora, sendo a responsável pelas instalações físicas do polo,
sua manutenção e pela contratação dos profissionais
administrativos e técnicos. Nesse contexto, podemos afirmar que a
vontade política é fundamental para o êxito na gestão e nas ações
de extensão que ele desenvolve.
Segundo afirma a Gestora do polo A pesquisado, a gestão
democrática do polo esbarra na vontade política da mantenedora,
nos recursos orçamentários, nos cronogramas engessados dos
cursos que são desenvolvidos no polo, que muitas vezes tem
coordenações que não estão abertas ao diálogo, nem preocupadas
com as atividades sociais que podem ser desenvolvidas através do
polo e com a pouca participação dos agentes envolvidos:
Enquanto Gestora de Polo posso afirmar que a
flexibilidade não tem sido uma marca das
instituições que norteiam o trabalho. Pode-se
fazer Gestão Participativa nas ações sociais do
Polo quando não esbarra nos recursos e na
própria administração municipal, porém não
é possível Gestão Participativa a partir dos
cronogramas dos cursos e a disputa pelos
espaços. Afirmo que procuramos acolher
sugestões e as decisões a nível de polo tem
sido tomadas com a tutoria e, com os demais
da equipe e com os acadêmicos que pela
própria característica da Educação à
Distância participam em número reduzido.
Os mantenedores dos polos de apoio presencial assinaram
termos de cooperação técnica para implantação dos mesmos em
seus municípios, responsabilizando-se pela sua manutenção, só que
em muitas situações este acordo de cooperação técnica não é
cumprido na integra e as gestões de polos enfrentam muitas
dificuldades financeiras para manterem o bom funcionamento, bem
como muitas carências quanto aos espaços físicos e recursos
humanos disponibilizados pelo mantenedor. Cabe aqui ressaltar que
nem sempre os problemas financeiros dos polos são consequência
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
21
da má vontade política dos mantenedores, pois a manutenção dos
polos de apoio presencial muitas vezes é uma despesa muito
onerosa para pequenos municípios que possuem pouca receita e
que por força de lei devem manter o Polo com recursos livres.
Dentre os polos pesquisados, alguns compartilham espaços com
escolas Municipais ou Estaduais e alguns já conquistaram seu
espaço próprio, podendo assim ampliar seu horário de atendimento
e as atividades de extensão sociais desenvolvidas.
A Gestão Participativa dos Polos de Apoio Presencial e o
Planejamento Participativo são citados por todas as gestoras dos
polos pesquisados como alternativas para enfrentar os desafios de
gestão e peças fundamentais para tornar os polos verdadeiros
espaços de construção e troca do saber. A afirmação da gestora do
Polo C vem no mesmo sentido, colocando a importância do
planejamento participativo e da dificuldade de sua execução, na
prática diária do polo:
não é uma tarefa fácil, pois chegar num
consenso em um grupo heterogênio, com
pensares diferentes, ideologias, etc não é mole
não, por isso que acredito que o “como fazer"
é o mais complicado, nos polos esbaramos
também com questões burocráticas e
dependemos das IES, MEC e MANTENEDORA,
se todos esses estão abertos ao Planejamento
será com certeza mais "possível.
Mas como tão bem coloca a Tutora presencial do Polo E,
através do planejamento participativo definiremos os verdadeiros
objetivos dos Polos de apoio Presencial e a função social que
desejamos que eles assumam em cada comunidade onde estão
inseridos, através da participação de todos, realizar uma verdadeira
gestão democrática:
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
22
com certeza enfrentamos situações que
ensejam um bom planejamento em nossos
locais de trabalho. Embora não seja tão
simples e tão fácil, pois muitas pessoas com
pensamentos e posições antagônicas fazem
parte desse processo. Porém, havemos sempre
de vislumbrar alternativas para que o
planejamento participativo e democrático
permeie nossas ações. Dessa forma, a vontade
coletiva deve ser considerada a mais eficaz no
contexto educacional das Escolas e dos Polos
de EAD.
A gestão dos Polos de Apoio pesquisados enfrenta desafios
diversos, porém permeiam suas ações no sentido de contribuir com
a consolidação do programa Universidade Aberta do Brasil e
reforçando o que foi exposto sobre planejamento participativo vem
à colocação da gestora do Polo A:
No planejamento participativo ainda de
acordo com Gandim, planejar é desenvolver
um processo técnico para contribuir num
projeto político, ou seja, programar,
direcionar, orientar para inferir na realidade
social da comunidade/sociedade. Percebo que
é o que buscamos no cotidiano dos Pólos,
tanto coordenadores, quanto tutores e a
equipe tem se esforçado para atingir a melhor
qualidade, num processo democrático, sem
distanciamento do compromisso assumido
acima de tudo com a qualidade e a
transparência e a credibilidade do processo.
Tendo por base o que foi abordado neste artigo, utilizaremos
o seguinte questionamento para reflexão sobre o verdadeiro papel
dos polos de apoio presencial:
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
23
Qual deve ser a missão do Pólo Presencial de
apoio EAd? Para que existe basta cumprir com
a especificação técnica estabelecida pela
Secretaria de Educação a Distância, SEED? Se
pensarmos no Pólo como sendo aquele
elemento de contato presencial, social, físico
pessoa a pessoa, o pólo presencial de apoio
EAD pode ser muito importante pelo caráter
afetivo de pertencer a um grupo. Entretanto
isso só verifica na prática quando houve
sucesso na constituição de fatores que
provocam a formação de comunidades de
aprendizagem ( CABEDA, 2010).
Sendo o Polo de apoio presencial uma exigência do atual
modelo de Educação a distância implantado no País, necessitamos
encontrar alternativas para solucionarmos seus problemas de
gestão e principalmente de sustentabilidade, para que os polos de
apoio presencial consolidem sua permanência na educação
brasileira.
A tutora presencial do Polo D coloca que seu polo possui a
família UAB:
reafirmo as postagens de minhas colegas de
polo, nossa coordenadora fala que somos a
"família UAB" e que o futuro de nosso Polo
presencial depende do trabalho e dedicação
de todos os envolvidos no processo de ensinoaprendizagem, extensivo a comunidade
escolar. Queremos caminhar unidas, de forma
colaborativa, buscando melhorias para
reverter em benefício de nossos educandos e
de todo o grupo do polo de apoio presencial.
Contribuo dizendo que todos os inseridos no contexto do
programa Universidade Aberta do Brasil, formamos a família UAB e
estamos fazendo parte da história na qual o acesso a informação e
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
24
ou conhecimento esta rompendo barreiras históricas
desigualdades sociais e distâncias geográficas e financeiras.
de
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Observamos no decorrer do trabalho que muitas
possibilidades e desafios surgiram a partir da implantação da
educação a Distância no país, podemos sintetizar neste momento
que a maior possibilidade foi à expansão e interiorização do ensino
público e os principais desafios concentram-se na gestão do sistema
e dos polos de apoio presencial e na sua sustentabilidade e
continuidade.
Através das postagens dos fóruns analisados evidenciou-se
que o sistema Universidade Aberta do Brasil está cumprindo com
eficácia seu propósito de expansão e interiorização do ensino
público, bem como proporcionando o desenvolvimento das regiões
aonde estão inseridos os polos de apoio presencial que além de
oferecer suporte para o desenvolvimento das atividades presenciais
dos cursos oferecidos, desenvolvem projetos de inclusão
transformando-se em verdadeiros centros de construção do
conhecimento. Porém também enfrenta desafios na gestão dos
polos, sustentabilidade e consolidação do sistema.
Concluindo este trabalho de pesquisa, ressaltamos que a
implantação da educação a distância como política pública está se
consolidando através do Sistema Universidade Aberta do Brasil que
possibilitou o surgimento de novas oportunidades de acesso ao
conhecimento, contribuindo assim, para que o acesso à informação
e/ou conhecimento continuem rompendo barreiras históricas de
desigualdades sociais, distâncias geográficas e financeiras,
proporcionando através da educação, a construção de um país mais
justo.
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25
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL.
UAB.
O
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_____. Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de 2005. Regulamenta o art.
80 da lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as
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Sonhos.
Disponível
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FERREIRA, N. S. C. Gestão Democrática da Educação: atuais tendências,
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possibilidade concreta de inclusão social. Diálogo Educ., Curitiba, v. 10, n.
29, p. 191-204, jan./abr. 2010.
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26
MOORE, M.; KEARSLEY, G. Educação a Distância – Uma Visão Integrada.
Trad. GALMAN, R. São Paulo: Cengage Learning, 2008.
RIBAS, Júlio César da Costa. Capacitação dos coordenadores de polo
através de ambiente virtual de aprendizagem: um desafio para gestão de
Polo no sistema Universidade Aberta do Brasil. Renote, v. 8, n. 3, dez.
2010.
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O PAPEL DO GESTOR DE POLO NA QUALIFICAÇÃO DA EAD
COMO POLÍTICA PÚBLICA
AUTORA:
Clair Batista da Silva
PROFESSOR ORIENTADOR:
Dirlei de Azambuja Pereira
RESUMO
Neste artigo, objetiva-se, através de uma pesquisa
bibliográfica, refletir sobre os desafios encontrados na
implantação da EAD no contexto histórico brasileiro,
assinalando os principais momentos desta modalidade no
transcorrer da história educacional. A EAD é uma modalidade
educativa que, a partir da criação do Sistema Universidade
Aberta do Brasil, passou a ser encarada, pelo Governo
Federal, como Política Pública. Nesse sentido, cabe destacar,
no que concerne a estrutura da UAB, a relevância do Polo de
Apoio Presencial, pois é no mesmo que acontecem os
encontros presenciais, o acompanhamento das atividades, as
orientações de estudo, as avaliações presenciais e as práticas
laboratoriais. Para que haja a qualificação da EAD, como
Política Pública, acredita-se que o papel do Gestor de Polos é
fundamental. Este, por sua vez, necessita ter visão
administrativa e pedagógica, capacidade para acompanhar e
gerenciar toda a estrutura do Polo e ainda possuir
conhecimento sobre a legislação da EAD
Palavras-chave: Gestor de polo; educação a distância;
política pública.
Considerações Iniciais
Com o crescimento da interação virtual, pelos meios de
comunicação (destaque para a internet), a modalidade EAD se
sobressai, dentro da educação geral, como a opção que atende,
simultaneamente, um grande número de pessoas em diferentes
ambientes e regiões, o que não ocorre na educação tradicional.
Porém, o grande desafio da EAD está relacionado à prática
pedagógica para que nesta ocorra a construção de conteúdos
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educacionais de qualidade com base em um material didático
integrado a novas tecnologias, promovendo, assim, uma
aprendizagem realmente significativa. Para que ocorra essa
construção de modo eficaz, é necessário, agregado às tecnologias
modernas e ao material didático adequado, um bom gerenciamento
de todo o processo realizado.
Esses elementos principais, como os materiais didáticos
acessados e as mídias utilizadas, estão interligados para que sejam,
desta forma, atingidos os objetivos educacionais mais amplos e as
competências propostas pelo curso. Cabe destacar, frente ao
exposto, que não há receitas prontas, cada curso possui sua
especificidade e, sendo assim, deve elaborar a sua proposta frente a
esta realidade apresentada. Nesse sentido, os projetos devem estar
sempre em constante reelaboração, garantindo a qualidade do
curso em questão.
A EAD, conforme Moore & Kearsley (apud AMARAL et al.,
2010, p. 3) pode ser definida como:
[...] o aprendizado planejado que ocorre
normalmente em um lugar diferente do local
de ensino, exigindo técnicas especiais de
criação do curso e de instrução, comunicação
por meio de várias tecnologias e disposições
organizacionais e administrativas especiais.
A Educação a Distância está, cada vez mais, ganhando um
maior espaço no cenário da educação brasileira, possibilitando a
concretização de uma educação de qualidade através do Sistema
UAB, projeto este elaborado pelo Ministério da Educação, que
busca incentivar projetos mais estruturados no campo da EAD. Por
algumas décadas o país contou com projetos de EAD, porém, no
Ensino Superior, somente agora é que esta modalidade educacional
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
29
vem se consolidando com uma Política Pública1. Torres e Vianney
(2004, p. 2), ao explanarem sobre a EAD, afirmam que esta:
[...] era utilizada principalmente para ofertar
cursos livres de iniciação profissionalizante,
dentro do conceito de educação aberta e com
os recursos do ensino por correspondência; e
para ofertar cursos supletivos, focados na
complementação de estudos nos níveis de
Ensino Fundamental e de Ensino Médio,
utilizando materiais impressos e aulas
transmitidas por televisão, em programas de
telecurso. Somente a partir de 1994, com a
expansão da Internet junto às Instituições de
Ensino Superior (IES), e com a publicação da
Lei de Diretrizes e Bases para a Educação
Nacional (LDB), em dezembro de 1996, que
oficializa a EAD como modalidade válida e
equivalente para todos os níveis de ensino, é
que a universidade brasileira dedica-se à
pesquisa e oferta de cursos a distância com o
uso de novas tecnologias.
Para a consolidação da EAD, como uma Política Pública,
através de uma ação articulada entre a União (Universidades
Públicas), os Governos Estaduais e Municipais, criam-se os Polos de
Apoio Presencial com o objetivo de dar suporte às pessoas
envolvidas no processo de ensino e aprendizagem. O Sistema UAB,
através dos Polos, consegue oferecer um ensino superior de
qualidade e acessível a todos.
1
Para Soares (2010, p. 23) as “políticas públicas são as prescrições legais
sobre as necessidades da sociedade em termos de distribuição e redistribuição das
riquezas, dos bens e serviços sociais no âmbito federal, estadual e municipal. São
políticas de economia, educação, saúde, meio ambiente, ciência e tecnologia,
trabalho, etc.”.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
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30
Um polo de apoio presencial também pode ser
entendido como "local de encontro" onde
acontecem
as
interações
presenciais
necessárias, o acompanhamento e a
orientação para os estudos, as práticas
laboratoriais e as avaliações presenciais.
Assim, o objetivo dos polos é oferecer o espaço
físico de apoio presencial aos alunos da sua
região, manter as instalações físicas
necessárias para atender aos alunos em
questões tecnológicas, de laboratório e
biblioteca, entre outras (SILVA; RIBAS;
MOREIRA; BATTISTI; PEREIRA, 2010, p. 4).
Para que haja um bom desenvolvimento das atividades são
também indispensáveis recursos humanos que contribuam na
construção de um ensino de qualidade. No entanto, diante da
realidade atual, alguns aspectos ainda carecem de atenção especial
pois, apesar das exigências governamentais, os Polos de Apoio
Presencial não possuem uma gestão que contemple todos os
aspectos necessários para um bom funcionamento do Polo.
Destarte, frente a esse contexto, o papel do Gestor de Polo é
fundamental. Ele precisa, além dos conhecimentos pedagógicos, ter
conhecimento administrativo de técnicas de gestão, as quais são
importantes para gerenciar adequadamente o local que recebe os
cursos.
Partindo destas primeiras palavras, o artigo, aqui
apresentado, pretende discutir as dificuldades encontradas na
implantação da EAD no Brasil como Política Pública. Destaca-se,
nesse movimento, a importância do papel do Gestor de Polo para
que ocorra a consolidação da EAD, como Política Pública,
garantindo, por conseguinte, a qualidade nos cursos oferecidos pelo
Sistema UAB. A referida pesquisa se assentou em uma metodologia
bibliográfica, na qual foram utilizados artigos e livros que debatem o
tema em questão. Cabe ressaltar que há, nesse sentido, pouco
material referente à Gestão de Polos uma vez que essa discussão é
nova no cenário da Educação a Distância no Brasil.
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31
1.A METODOLOGIA DA PESQUISA
A presente pesquisa é de cunho bibliográfico. Nesse sentido,
foi realizado, em um primeiro momento, o mapeamento dos livros e
dos artigos existentes que tratavam sobre os conceitos a serem
discutidos no decorrer do estudo (Educação a Distância, Políticas
Públicas e Gestor de Polos). Algumas das fontes utilizadas foram
adquiridas mediante a consulta no Google Scholar, o qual possibilita
a aquisição de textos acadêmicos de maior qualidade. Outros
materiais, também utilizados na pesquisa, foram acessados no Polo
Presencial da Universidade de Santa Cruz, localizado em
Sobradinho/RS.
Uma vez desenvolvida esta coleta de fontes, passou-se para o
segundo movimento da pesquisa: o entrelaçamento dos conceitos
com a proposição da discussão pretendida neste artigo. A
declaração de Pimental (2011, p. 180) corrobora a declaração
anterior, já que:
Estudos baseados em documentos como
material
primordial,
sejam
revisões
bibliográficas,
sejam
pesquisas
historiográficas, extraem deles toda a análise,
organizando-os e interpretando-os segundo os
objetivos da investigação proposta.
André (2001, p. 57), na mesma esteira de argumentação,
afirma que os dados pesquisados, relativos à investigação, devem
ser “coletados mediante procedimentos rigorosos” e que a análise
dos mesmos necessita agregar densidade e fundamentação.
Partindo destes pressupostos, construiu-se o caminho metodológico
que permeou o estudo.
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32
2. A HISTÓRIA DA EAD NO BRASIL
Com as reformas realizadas inicialmente por Campos e depois
aprofundadas pela reforma Capanema, foi promulgada, em 1961, a
primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Nº
4.024/61, a qual reconheceu a educação como questão da nação
brasileira. A partir desse momento, ocorreu a unificação e a
regulamentação da educação pública e privada no país, porém uma
educação assentada na concepção tecnicista e reprodutivista,
adaptada para atender aos interesses governamentais.
Ao tratar mais especificamente sobre a EAD, neste sobrevoo
histórico, é possível perceber que esta passou por gerações2. A
primeira geração da EAD foi através do ensino por correspondência,
no final do século XIX, com o crescimento e o desenvolvimento da
imprensa escrita. Nesse período, a interação entre professor e aluno
era lenta, esparsa e limitada aos períodos de realização dos exames.
Para Costa (2006, p. 6440):
As práticas educativas não presenciais fazem
parte do cenário educacional brasileiro desde
o início do século XX, tomando-se aqui como
marco histórico a criação da Rádio Sociedade
do Rio de Janeiro, por Edgar Roquette-Pinto,
em 1923. Mesmo assim, raramente
encontramos referências aos cursos e
programas ofertados na modalidade a
distância em livros e manuais de História da
Educação.
Scavazza (2010, p. 60), citando Maria Luiza Belloni (2003, p.
56), afirma que:
2
Optou-se, neste estudo, por apresentar as principais gerações da Educação
a Distância no Brasil. Desta forma, reserva-se o direito de não serem abordadas
todas as fases percorridas por esta modalidade educacional devido ao propósito do
presente item, que é de apenas contextualizar brevemente para o leitor a construção
histórica da EAD.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
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33
[...] o modelo educacional da segunda
geração,
os
chamados
multimeios,
desenvolveu-se a partir das orientações
behavioristas e industrialistas típicas da
época. A autora ainda afirma que esse modelo
ainda prevalece na grande maioria das
experiências em EaD, e que seus meios de
comunicação principais são o impresso,
programas de vídeo e áudio, difundidos via
cassetes ou via antena (broadcasting).
No final da década de trinta e início da década de quarenta,
do século XX, duas instituições foram consideradas pioneiras em
EAD: O Instituto Rádio Monitor, no ramo da eletrônica, e o Instituto
Universal Brasileiro, na formação profissional de nível elementar e
médio.
Costa (2006, p. 6440), ancorando-se nos estudos de Saraiva
(1996)3, declara que:
[...] é a partir da década de 1960 que se
encontram registros, alguns sem avaliação, de
programas de EAD desenvolvidos no Brasil.
Nesta época foi criado, inclusive, na estrutura
do Ministério da Educação e Cultura (MEC), o
Programa Nacional de Teleducação (Prontel),
a quem competia coordenar e apoiar a
teleducação no Brasil. Este órgão foi
substituído, anos depois, pela Secretaria de
Aplicação Tecnológica (Seat), que foi extinta
posteriormente.
3
SARAIVA, Terezinha. A Educação a Distância no Brasil. Em Aberto.
Brasília, ano 16, n.70, p.17-27, abr./jun. 1996.
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34
Ainda conforme Costa (2006, p. 6441):
No que se refere aos programas de educação
veiculados pelo rádio, Nunes (2002)4 enfatiza
que entre as primeiras experiências de maior
destaque encontra-se certamente, a criação
do Movimento de Educação de Base (MEB),
cuja preocupação básica era alfabetizar e
apoiar os primeiros passos da educação de
milhares de jovens e adultos através das
"escolas radiofônicas", principalmente nas
regiões Norte e Nordeste do Brasil. Desde seus
primeiros momentos, o MEB distinguiu-se pela
utilização do rádio e pela montagem de um
sistema de ensino com as classes populares.
Porém, a repressão política que se seguiu ao
golpe de 1964 desmantelou o projeto inicial,
fazendo com que a proposta e os ideais de
educação popular de massa daquela
instituição fossem abandonados.
Outros projetos, ao longo da história educacional brasileira,
também foram desenvolvidos para a instrução da população através
do rádio devido este ser um meio de comunicação de massa e,
sendo assim, de grande abrangência no território nacional. Entre as
propostas realizadas, notabiliza-se o Projeto Minerva, cujo “intuito
era proporcionar a interiorização da educação básica, buscando
suprir as deficiências que existiam na educação formal em regiões
onde o número de escolas e professores era escasso” (HACK, 2004,
p. 4).
O rádio recebeu, como já mencionado, um destaque especial
na EAD, principalmente por parte do governo que o utilizou, em um
determinado período, para transmitir seus projetos e cursos.
Avançando na linha do tempo, na década de 70, do século
anterior, a EAD passou a ter o apoio e a divulgação dos seus
4
NUNES, Ivônio Barros. Noções de Educação a Distância. Disponível em:
<www.intelecto.net/ead_textos?ivonio1.html>. Acesso em: 28 Out. 2002.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
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35
projetos através da televisão. Neste período, sobressai-se o
Telecurso de Primeiro e Segundo Grau, o qual tinha como objetivo
proporcionar melhorias na educação básica e nos cursos
profissionalizantes.
Além da utilização dos recursos radiofônicos, televisíveis e
impressos, os projetos em EAD, a partir dos anos 1990, passaram a
contar também com os recursos da informática para a formação e a
capacitação de professores.
Anos mais tarde, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (Lei Nº 9394/96) reservou um espaço importante para as
iniciativas em EAD no país, dizendo, em seu Artigo 80, que o Poder
Público incentivaria “o desenvolvimento e a veiculação de
programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades
de ensino, e da educação continuada”.
De acordo com Saraiva, algumas visões distorcidas do que
seja realmente a educação a distância, em geral, têm trazido, na
atualidade, uma compreensão equivocada quanto a esta
modalidade educacional, já que observa-se “que projetos limitados
à veiculação de informações por diferentes e mais ou menos
sofisticados meios de comunicação sejam denominados como de
ensino/educação a distância” (1996, p. 17).
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
36
A educação à distância só se realiza quando
um processo de utilização garante uma
verdadeira
comunicação
bilateral
nitidamente educativa. Uma proposta de
ensino/educação à distância necessariamente
ultrapassa o simples colocar materiais
instrucionais a disposição do aluno distante.
Exige atendimento pedagógico, superador da
distância e que promova a essencial relação
professor-aluno, por meios e estratégias
institucionalmente garantidos. A utilização
pedagógica deve ocupar lugar central no
processo de planejamento da educação a
distância. Respondendo a necessidades
educacionais a serem atendidas, as
alternativas de efetivação da relação
pedagógica são o critério que deve presidir a
escolha dos meios, o modo de produzir
materiais, a organização da veiculação e dos
canais de comunicação à distância entre
professores e alunos durante todo o processo
(SARAIVA, 1996, p. 17).
A EAD não é nova no Brasil, como já exposto, porém, no
Ensino Superior, é a primeira vez que surge como Política Pública.
Com isso, ocorreram mudanças no posicionamento do Estado, que
passou a valorizar e investir mais nesta modalidade, deixando de ser
uma educação informal, provisória e emergencial, e passando a ser
democrática e inclusiva.
3. A EAD COMO POLÍTICA PÚBLICA
No Brasil a educação vem sofrendo rupturas importantes e
marcantes em sua história. Falar em educação no Brasil é falar
inicialmente na Educação Indígena (uma educação sem marcas
repressivas, que valorizava a religiosidade e os costumes) a qual era
diferente da utilizada pelo modelo educacional europeu que trouxe
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
37
métodos pedagógicos que, utilizados nas escolas, privilegiavam a
elite.
Com a chegada dos Jesuítas vieram com eles também os
métodos pedagógicos que permaneceram exercendo influência na
educação brasileira por longos anos (CUNHA, 2010).
A expulsão dos Jesuítas causou quebras na estrutura
educacional. Sendo assim, faltava, após esse fato, um sistema
educativo para nortear a educação brasileira. A chegada da Família
Real Portuguesa ao Brasil iniciou uma nova fase na educação
nacional. Bello (2001) afirma que:
D. João VI abriu Academias Militares, Escolas
de Direito e Medicina, a Biblioteca Real, o
Jardim Botânico e, sua iniciativa mais
marcante em termos de mudança, a Imprensa
Régia. Segundo alguns autores, o Brasil foi
finalmente "descoberto" e a nossa História
passou a ter uma complexidade maior. O
surgimento da imprensa permitiu que os fatos
e as idéias fossem divulgados e discutidos no
meio da população letrada, preparando
terreno propício para as questões políticas
que permearam o período seguinte da
História do Brasil.
Ainda conforme o autor, no ano de 1824, após a Proclamação
da Independência do Brasil em 7 de setembro de 1822, D. Pedro I
outorgou a primeira Constituição Brasileira. No Artigo 179 constava
que a instrução primária era gratuita para todos os cidadãos (BELLO,
2001).
Transcorrido quase um século, tem-se, na década de 20 do
século XX, a existência de diversos movimentos que marcam o
processo de mudança das políticas brasileiras e das reformas
educacionais. A Semana da Arte Moderna e o Movimento da Escola
Nova apresentaram, é relevante frisar, políticas e estratégias para
repensar/reestruturar a escola pública, leiga, universal e gratuita.
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
38
Nesse período, reflexões e debates sobre os problemas
educacionais brasileiros eram realizados, buscando sensibilizar o
poder público e a classe dos educadores para os problemas vividos
na educação.
Anos mais tarde, em 1934, na cidade de São Paulo, surgiu a
primeira Universidade Brasileira. Entretanto, a qualidade de
educação continuava ruim. Os processos evolutivos sofridos não
foram significativos em termos de modelo educacional.
Frente a tantas discussões, divergências de ideias e de
doutrinas sobre a educação que estavam sendo debatidas nas
Conferências Nacionais de Educação, promovidas pela Associação
Brasileira de Educação, o Governo Vargas solicitou, em 1931, a
elaboração de diretrizes para a educação nacional. Uma polêmica se
gerou em relação ao ensino laico e a escola pública, levando os
líderes do movimento renovador a redefinir sua ideologia e seus
princípios. Tal documento gerou debates e polêmicas entre
reformadores e defensores dos interesses católicos junto à
educação, refletindo tal discussão, principalmente, na elaboração
das Constituições de 1934 e 1937 e nos propósitos da educação
brasileira naquele momento. Cabe ressaltar ainda que as discussões
se centralizaram na questão do ensino público e privado e no
fenômeno do populismo5.
Retrocedendo um pouco na história, é interessante destacar
que em 1929, com a baixa do capitalismo Nova-iorquino, os países
latino-americanos entraram em fase de acelerada industrialização.
Com isso veio a urbanização, o aumento da classe média e dos
assalariados.
5
O populismo se caracteriza por um sistema paternalista que, ora concede,
ora manipula o povo na disputa pelo poder. Para Weffort (apud AMARAL et al.,
2010, p. 8) ele “foi a expressão do período da crise da oligarquia e do liberalismo;
[...] foi um modo determinado e concreto de manipulação das classes populares mas
foi também um modo de expressão de suas manifestações; [...] representou um estilo
de governo de comportamento essencialmente ambíguo, devido a ambigüidade
pessoal dos políticos divididos entre o amor ao povo e ao poder”. Em diversos países
latinos, o populismo foi usado pelos estados como uma ideologia de manipulação e
mobilização das grandes massas urbanas, principalmente daquelas que buscavam
melhores condições econômicas.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
39
Com o crescimento deste processo de industrialização, as
classes dominantes começaram a perder o poder e o populismo
surgiu nessa situação de crise. No Brasil, o populismo resultou da
crise política e econômica de 1930, a qual levou Getúlio Vargas ao
poder. Durante a Era Vargas, ocorreu uma reforma constitucional,
que abriu espaço para as novas políticas, com ideias favoráveis à
democracia, postura esta que se apresentava no mundo todo.
A democracia começou a desabrochar no Brasil com o fim do
Estado Novo e com a vigência da Constituição Democrática de 1946.
Os poderes públicos passaram a ser responsáveis por proporcionar
e garantir a educação escolar recursos mínimos. Já à União,
competia a elaboração e a concretização das Diretrizes e Bases da
Educação Nacional.
Por um longo período tramitaram no Congresso projetos e
anteprojetos em defesa do ensino público e privado, assim como
pela implantação do Ensino Religioso nas escolas. Somente em 1961
a Lei de Diretrizes e Bases Nº. 4021/61 foi sancionada pelo
presidente João Goulart. Esta garantia os interesses privatistas,
estabelecendo igualdade de tratamento por parte do Poder Público
para os estabelecimentos oficiais e particulares, o que não trouxe
melhorias para a educação. Pelo contrário, os problemas se
agravaram. A referida lei não atendeu às necessidades educacionais
do país, que crescia industrialmente e urbanamente, mas com altas
taxas de analfabetismo e de evasão escolar.
Durante o período da Ditadura Militar, a educação ficou
marcada por um tecnicismo pedagógico fundamentado na
produtividade, eficiência e racionalidade e, em práticas rígidas e
controladoras. O papel do professor não era importante e o aluno
era um mero receptor. Outro aspecto a ser destacado, nesse
contexto, foi a desmobilização do magistério. Professor e aluno não
tinham autonomia e o trabalho a ser desenvolvido nas escolas
públicas era técnico e instrumental, características próprias daquele
momento histórico-social.
Com a privatização e a institucionalização do ensino
profissionalizante, a educação assumiu a concepção produtivista, na
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40
qual a principal incumbência era formar a mão-de-obra solicitada
pela indústria ligada ao capital internacional.
O governo brasileiro, por sua vez, impôs algumas
modificações na estrutura interna e externa do sistema educacional
como a Lei Nº. 5.540/68 que tratava da reforma universitária, e a Lei
Nº. 5.692/71, a qual reformava o ensino elementar e o secundário.
Mais tarde, esta última foi revogada pela Lei Nº. 7.044/82, e a
qualificação para o trabalho foi substituída por preparação para o
trabalho. A sociedade e a educação brasileira viveram grandes
retrocessos durante o Regime Militar.
Embora alguns anos tenham transcorrido desde o fim da
Ditadura Militar, conforme Amaral et al. (2010), a educação
brasileira continua, hoje ainda, enfrentando graves problemas que
necessitam de soluções. Vários caminhos estão sendo apontados,
como proposições de leis, de projetos e de planos que podem vir a
ajudar na resolução de alguns dilemas hodiernamente enfrentados,
como a falta de instituições educacionais e de professores, assim
como o acesso dos alunos ao ensino fundamental, médio e superior.
Nesse sentido, o Brasil, como ressalta a autora, vem instituindo
políticas públicas que almejam solucionar esses desafios. Para
Amaral et al. (2010, p. 2), as políticas públicas são entendidas como:
Ações empreendidas pelo Estado, tendo por
base os preceitos constitucionais no que tange
às necessidades sociais. São políticas que
visam à redistribuição de verbas a serem
investidas em muitos setores como educação,
saúde, ciências e tecnologia, trabalho, meio
ambiente, dentre outros, tanto no âmbito
federal como no estadual e no municipal.
No que concerne à presente discussão, para Cruz (2009), no
campo da educação, as políticas públicas continuam com
atendimento precário à população pobre. Com isso, as pessoas mais
pobres continuam sem estudar, havendo, com efeito, um grande
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41
número de analfabetos. A permanência de tal quadro favorece a
elite que deseja ter o controle da população mais humilde.
Mello (2004) assegura que os problemas da educação no país
reproduzem, em grande parte, as distorções de distribuição de
renda realizadas no Brasil, fazendo deste o país das desigualdades e
que vem, ao longo do tempo, apresentando uma dominação elitista.
A história mostra que o Brasil se desenvolveu, cresceu, urbanizou-se
e industrializou-se, apresentou avanços. Entretanto, essas melhorias
não foram para todos. Elas aconteceram, somente, para uma
minoria.
Diante desse contexto, foi necessário organizar políticas
públicas e educacionais para minimizar as mazelas apresentadas e
garantir a todos o direito constitucional de igualdade em
oportunidades. De acordo com Sá (2009, p. 1) “para ter um ensino
adequado e eficaz, é preciso organizar políticas voltadas para a
realidade num contexto social, levando em consideração a
diversidade cultural e buscando a inclusão de todos no processo
educativo”.
Através da LDBEN (Lei Nº. 9394/96), da Constituição Federal
de 1988, do Estatuto da Criança e do Adolescente e do Plano
Nacional de Educação, o acesso à educação foi garantido. Sabe-se
que para ocorrer o desenvolvimento de uma nação é preciso
investir em educação. O Governo Brasileiro, por sua vez, nos últimos
anos, para alcançar tal objetivo, vem investindo sobremaneira em
diferentes frentes, principalmente na modalidade de Educação a
Distância. Desta forma, a EAD, como política pública, ganha espaço
dentro dessa conjuntura de transformação da educação nacional.
Pretto e Picanço (2005, p. 31), em relação a este tema,
afirmam que:
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42
A Educação a Distância (EAD) no ensino
superior vem sendo popularizada, envolvendo
um uso intensivo das Tecnologias da
Informação e Comunicação (TIC) nesse nível
de ensino, implicando um número cada vez
maior de estudantes, professores e
instituições, tanto públicas como privadas, em
um novo conjunto de desafios. A presença das
TIC fomenta e cria condições potenciais para
a interação e o desenvolvimento de projetos
comuns em grupos heterogêneos, mas ela não
se limita a uma “presença técnica” a serviço
de uma educação única. Diferente disso, tratase de um processo sociotécnico, inserido numa
dinâmica política, de tomadas de decisão, de
construção coletiva de projetos políticos e(-)
pedagógicos. Essa perspectiva é crucial no
debate recente sobre a autorização das
universidades
públicas
para
o
desenvolvimento da EAD quando se
acrescenta à essa discussão a crise estrutural
pela qual passam tais instituições. No centro
da crise, está um conjunto mais amplo de
políticas públicas – da educação no sentido
mais amplo, da cultura, telecomunicações,
ciência e tecnologia - que poderão garantir
condições
técnicas,
tecnológicas,
institucionais e teóricas para o pleno
desenvolvimento da EAD.
Em 2005, o Decreto Nº. 5.622, de 19 de dezembro,
estabeleceu o reconhecimento do sistema oficial de ensino dos
cursos ofertados na modalidade a distância por Instituições
credenciadas pelo MEC. A partir deste documento, o processo de
produção de conhecimento em EAD se expandiu e novos projetos
foram desenvolvidos, inicialmente, para atender às necessidades de
formação de professores de Educação Básica e Educação Superior.
Frente ao exposto, é importante atentar para a seguinte fala de
Machado (2010, p. 42):
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43
A EaD apresenta-se como um forma
democrática de atender os professores de
todas as regiões deste imenso País.
Propiciando um ensino público, gratuito e de
qualidade, as políticas públicas de EaD,
ofertadas pelo MEC, certamente auxiliam a
melhorar a práxis educacional de nossos
docentes. Apesar de toda trajetória
percorrida, sabe-se que muito ainda tem de
ser investido para que sejam oferecidos os
subsídios necessários à qualificação e à
valorização dos profissionais, do processo de
ensino e aprendizagem e da educação como
um todo.
No caminho de qualificar a EAD como Política Pública, o papel
desempenhado pelo Gestor de Polos é fundamental, uma vez que
este tem a possibilidade de administrar, na sua realidade, os meios
para a concretização desse objetivo (a efetivação plena da Educação
a Distância). Sendo assim, conforme declara Nogueira (2010, p.
490), a “modalidade de Ensino a Distância vem crescendo e
ganhando novas políticas públicas, que buscam organizar essa
modalidade de ensino com qualidade”. Em vista disso, é possível
observar “que aos poucos a legislação que versa sobre essa
modalidade de ensino vem se modificando e aperfeiçoando esse
processo” (NOGUEIRA, 2010, p. 490). Cabe também, portanto, ao
Gestor de Polos, nessa conjuntura, aperfeiçoar a sua ação e
construir, consequentemente, um trabalho voltado para a
consolidação e o crescimento da Educação a Distância.
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4. O PAPEL DO GESTOR DE POLOS NA QUALIFICAÇÃO DA
EAD COMO POLÍTICA PÚBLICA
Com o surgimento do Sistema Universidade Aberta do Brasil,
e com o objetivo de permitir o acesso à educação superior a todos,
é que a EAD começou a tomar forma. Em virtude das diversas
transformações que vêm ocorrendo na Educação a Distância, o
modo de interação entre as pessoas é redimensionado.
Magnavita (2010, p. 55), alicerçada nos estudos de Lévy
(1993)6, declara que pode-se “dizer que a sociedade atual
caracteriza-se, sobretudo, pela mutabilidade e pelo movimento
acelerado de produção e divulgação de conhecimentos e das
técnicas”. Para a autora, tais “mudanças envolvem maneiras de
pensar, interpretar o mundo, conviver, estabelecer objetivos e
padrões de vida, uma vez que há uma estreita relação entre a
história das tecnologias e a sua inserção na cultura contemporânea”
(MAGNAVITA, 2010, p. 56).
As mudanças, na atualidade histórica, ocorrem rapidamente.
No tocante às transformações dos avanços tecnológicos, estes, por
sua vez, provocam desestabilizações no processo educativo. Esses
desequilíbrios, evidentemente, exigem transformações no sistema
educacional. A educação está se transformando, modificando suas
estratégias para atender às novas demandas educativas da
sociedade.
A EAD angaria força e importância nesse contexto de
transformações e avanços tecnológicos. Com efeito, é pertinente
destacar que:
6
LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na
era da informática. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.
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45
[...] a discussão sobre EAD ganha um destaque
maior, justamente pela possibilidade de
contribuir com o debate sobre redução tanto
das desigualdades educacionais, como das
distâncias entre as diversas esferas e sistemas
de educação (MAGNAVITA, 2010, p. 57).
Dentre as diversas modalidades de Educação a Distância, em
2005, com a implantação do Sistema UAB, um projeto do Governo
Federal que visa à expansão do Ensino Público Superior no país,
possibilitou-se o acesso ao ensino superior por um maior número de
pessoas. A UAB não é uma universidade tradicional, já que ela
integra várias Universidades Públicas que têm o interesse em
ofertar cursos na modalidade EAD, através dos Polos, que fornecem
a infraestrutura necessária. Cada instituição, que integra o Sistema
UAB, é responsável pela elaboração dos Projetos Pedagógicos dos
cursos que irá ministrar. Essas instituições devem oferecer, ainda, o
material de apoio ao aluno e cumprir as exigências da legislação
vigente.
O Polo de Apoio Presencial oportuniza as condições para a
construção do conhecimento, através de encontros entre os sujeitos
de diversas áreas e com diferentes saberes. A função do polo é
também, oferecer espaço e instalações físicas para os alunos
realizarem suas atividades laboratoriais, assim como realizar as
avaliações presenciais de cada disciplina. Para que o Polo Presencial
mantenha esta infraestrutura funcionando, ele precisa de um gestor
que garanta a funcionalidade dos processos administrativos,
acadêmicos e pedagógicos. O Gestor de Polos é fundamental para o
desenvolvimento e êxito do Sistema UAB. Portanto, é importante
que este tenha visão administrativa e pedagógica como ainda
possua capacitação para “acompanhar e gerenciar toda esta
estrutura” (SILVA; RIBAS; MOREIRA; BATTISTI; PEREIRA, 2010, p. 4).
O papel de Gestor de Polo não é somente administrar, ele
precisa ter conhecimento das diversas áreas que envolvem seu
trabalho. Para que possa desempenhar sua função corretamente,
precisa conhecer o que diz a legislação da EAD. É necessário ainda,
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46
conhecer saberes e habilidades relacionados à tecnologia e à função
burocrática e, realizar uma comunicação constante com os
municípios, o Sistema UAB e Instituições de Ensino Superior.
No Anexo I, da Resolução CD/FNDE Nº 26 (de 5 de junho de
2009), onde estão prescritas as orientações e as diretrizes para
pagamento das bolsas do Sistema Universidade Aberta do Brasil,
observa-se quais são as atribuições do Gestor de Polo. A seguir, citase elas:
• Acompanhar e coordenar as atividades
docentes, discentes e administrativas do polo
de apoio presencial.
• Garantir às atividades da UAB a prioridade
de uso da infraestrutura do polo de apoio
presencial.
• Participar das atividades de capacitação e
atualização.
• Elaborar e encaminhar à DED/CAPES
relatório semestral das atividades realizadas
no polo, ou quando solicitado.
• Elaborar e encaminhar à coordenação do
curso relatório de frequência e desempenho
dos tutores e técnicos atuantes no polo.
• Acompanhar as atividades de ensino,
presenciais e a distância.
• Acompanhar e gerenciar o recebimento de
materiais no polo e a entrega dos materiais
didáticos aos alunos.
• Zelar pela infraestrutura do polo.
• Relatar problemas enfrentados pelos alunos
ao coordenador do curso.
• Articular, junto às IPES presentes no polo de
apoio presencial, a distribuição e o uso das
instalações do polo para a realização das
atividades dos diversos cursos.
• Organizar, junto com as IPES presentes no
polo, calendário acadêmico e administrativo
que regulamente as atividades dos alunos
naquelas instalações.
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47
• Articular-se com o mantenedor do polo, com
o objetivo de prover as necessidades
materiais, de pessoal e de ampliação do polo.
• Receber e prestar informações aos
avaliadores externos do MEC.
Sendo, portanto, de sua competência:
•
Responder
pelo
funcionamento
administrativo do Polo.
• Representar o Polo de apoio presencial
perante a Coordenação da UAB/MEC e das
IES que ofereçam os cursos (BRASIL, 2009, p.
12).
Observando as atribuições do Gestor de Polo, percebe-se que
o mesmo precisa ter um conhecimento amplo, tanto da parte
pedagógica, quanto da administrativa, visto que o êxito das ações
desenvolvidas no Polo está diretamente ligado ao desempenho do
Gestor. É importante que o Gestor do Polo de Apoio Presencial
possua características de liderança, seja comprometido com o
projeto da EAD, conheça a legislação vigente e esteja em constante
formação.
Os Referencias de Qualidade para o Ensino Superior também
atentam para a importância do trabalho e para algumas das funções
do Gestor de Polos no Sistema Universidade Aberta do Brasil:
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
48
Entre os profissionais do corpo técnicoadministrativo, destaca-se o coordenador do
pólo de apoio presencial como o principal
responsável pelo bom funcionamento dos
processos administrativos e pedagógicos que
se desenvolvem na unidade. Este coordenador
necessita conhecer os projetos pedagógicos
dos cursos oferecidos em sua unidade,
atentando para os calendários, especialmente
no que se refere às atividades de tutoria
presencial, zelando para que os equipamentos
a serem utilizados estejam disponíveis e em
condições de perfeito uso, enfim prezar para
que toda a infra-estrutura esteja preparada
para a viabilização das atividades (MEC,
2007, p. 23).
O trabalho do Gestor de Polo é desafiador, pois exige
conhecimentos necessários para receber e selecionar informações
e, planejar e desenvolver ações. Conforme Silva, Ribas, Moreira,
Battisti e Pereira (2010, p. 6), na EAD:
[...] um polo de apoio presencial necessita de
suporte administrativo e pedagógico para
lograr êxito em suas ações e atingir a
excelência almejada dentro de um processo de
ensino aprendizagem, que é o foco pretendido
pelas Instituições de Ensino Superior.
Considerando este pressuposto, cabe observar que o Gestor
de Polos necessita, ressalta-se novamente, de uma formação
adequada e deve estar, constantemente, “munido de ferramentas e
elementos imprescindíveis à boa administração” (SILVA; RIBAS;
MOREIRA; BATTISTI; PEREIRA, 2010, p. 6). Diante das características
apresentadas, como necessárias, para uma atuação adequada e
eficiente por parte do Gestor de Polos é que este contribuirá na
perspectiva de qualificar a Educação a Distância, como Política
Pública, e potencialmente assegurar, a aqueles que nela buscam
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
49
uma formação, um espaço/tempo de construção de aprendizagens
realmente significativas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Educação a Distância vem evoluindo no país. Inicialmente
eram disponibilizados, através dela, cursos profissionalizantes e
supletivos, os quais complementavam estudos nos níveis de Ensino
Fundamental e Médio, por meio de correspondência, do rádio e da
televisão. Porém, sua maior expansão e aceitação estão sendo
através da interação virtual (via internet), possibilitando às pessoas,
de diferentes locais, o acesso ao Ensino Superior gratuito e de
qualidade. Com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional Nº 9394/96, a EAD é oficializada e se consolida
como uma Política Pública.
Esta consolidação se concretiza com a criação dos Polos de
Apoio Presencial, os quais, com estrutura adequada, proporcionam
suporte às pessoas envolvidas no processo ensino-aprendizagem.
Para que haja uma qualificação da EAD, entendida como Política
Pública, faz-se necessário lançar um olhar para o papel do Gestor de
Polos. Este, por sua vez, deve desempenhar suas funções com
conhecimento em diferentes áreas (administrativa, pedagógica e
tecnológica).
Ao concluir este artigo, ressalta-se, mais uma vez, que o papel
do Gestor de Polos, na qualificação da EAD, é fundamental, pois
dependerá também da sua atuação e da sua articulação com os
envolvidos no processo, a consolidação de uma Educação a
Distância de maior qualidade.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
50
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
51
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
54
O CENÁRIO ATUAL DA UAB NO MUNICÍPIO DE
SÃO JOÃO DO POLÊSINE, AS DIFICULDADES
E PERSPECTIVAS DO POLO PRESENCIAL
AUTORA:
Ana Paula Bortolotto Ceolin
PROFESSOR ORIENTADOR:
Francisco dos Santos Kieling
RESUMO
O presente artigo explora a questão de Gestão de Polos
através da pesquisa realizada. Busca entender a situação do
Polo da UAB de São João do Polêsine, suas dificuldades e
perspectivas. Assim, colabora-se com sua consolidação no
município. Subsidia-se a partir desse trabalho a reflexão
acerca do polo, reafirmando a importância da Universidade
Aberta do Brasil e situa-se o gestor do polo como personagem
fundamental para a concretização do sistema.
Palavras-chave: Polo; dificuldades; desafios; gestor de polo.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Inovadores e expansores das oportunidades formativas, os
cursos na modalidade à distância estão quebrando tabus ao
atravessarem horizontes longínquos oportunizando acesso ao
ensino superior para as pessoas que até então não vislumbravam
essa possibilidade.
Há poucos anos na região colonial da Quarta Colônia, era
comum visualizar muitas crianças caminhando longos trajetos até
chegar à escola. Essa dificuldade extra pode ser um dos motivos da
desistência de muitos em continuar seus estudos logo cedo.
Desse modo, poucos chegavam à idade adulta com
possibilidades de ingressar no ensino superior. Como se não
bastasse, a distância dos centros universitários limitava ainda mais a
possibilidade da população local acessar esse nível de ensino.
Somente alguns, com muita força de vontade e condições
familiares peculiares davam continuidade aos estudos. Esses viam
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
55
na continuidade da própria qualificação a possibilidade de melhorar
suas vidas.
Nos últimos anos, especialmente após a aprovação da Lei de
Diretrizes e Bases da Educação em 1996 (Lei 9394/96), o acréscimo
de recursos e responsabilidades estatais garantiu o acesso a alguns
direitos, facilitadores do acesso à educação básica. Entre eles, o
transporte escolar, que na nossa região beneficia todos os cidadãos
em idade escolar, contribuindo para a redução significativa da
evasão escolar, buscando e levando as crianças da casa à escola.
No entanto, mesmo com as facilidades atuais, muitos não
percebem na escola um espaço de qualificação das próprias vidas.
Assim, desprezam as oportunidades oferecidas atualmente, que
foram sonegadas às gerações anteriores.
Muitos professores do nosso município relatam atitudes e
comportamentos de alguns estudantes que revelam seu desprazer
de ir à escola, fazendo disso uma obrigação e não uma
oportunidade de crescimento.
Infelizmente, na relação que construí com as escolas locais e
com o polo de apoio presencial percebe-se que se corre o mesmo
risco dessa relação acontecer também com os cursos superiores na
modalidade de Educação a Distância (EaD), que trazem para perto
das pessoas seus cursos técnicos, superiores e especializações.
Nesse caso, pensando sobre o Polo Universidade Aberta do Brasil
(UAB) de São João do Polêsine, o problema social que se projeta é a
possibilidade de fechamento do polo, caso ele não seja consolidado
com cursos que atendam as demandas locais de formação superior.
Hoje temos a universidade praticamente na porta de casa, mas não
temos ocupado as vagas ofertadas nos cursos superiores
disponibilizados no polo.
A UAB tem ganhado um importante papel de destaque no
cenário nacional, já que seu objetivo central é ampliar e interiorizar
vagas públicas no ensino superior, numa política de inclusão
educacional.
Tendo-se em mente que as desigualdades sociais do nosso
país adquirem patamares assustadores e reconhecendo o efeito
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
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positivo que a educação formal tem sobre esse fenômeno, busca-se
através da EaD oportunizar o acesso a cursos técnicos, de graduação
e pós-graduação, públicos e gratuitos.
Sabendo-se das oportunidades que a EaD possibilita para os
indivíduos é notório considerar-se que o Polo UAB de São João do
Polêsine não é tão conhecido na região e até pela própria
comunidade municipal. Mesmo estando localizado na região central
do Estado do Rio Grande do Sul e próximo a centros universitários,
verifica-se que muitas pessoas poderiam integrar-se à UAB, pois
entre o público alvo preferencial, estão os trabalhadores da zona
rural (sabendo-se que a agricultura é a base do município), os
trabalhadores do comércio (evitando grande deslocamento para
estudar e possibilidade de crescimento profissional), os estudantes
que estão saindo do Ensino Médio em busca de qualificação
profissional e os professores que buscam a qualificação para, além
de adquirir conhecimento, melhorar sua remuneração, evitando
também transtornos com deslocamento após a rotina diária
enfrentada em salas de aula. Todos esses poderiam ter sua
formação contemplada pelo Polo.
Tendo em mente a necessidade de se pensar sobre as
possibilidades de consolidação e atendimento das demandas locais
por ensino superior, propõe-se explorar a situação do Polo da UAB
de São João do Polêsine, suas dificuldades e perspectivas, a partir da
perspectiva da prefeitura – mantenedora do Polo – e da
coordenação do polo – que vivencia a totalidade dos desafios
colocados à gestão desse espaço no município. Com essa pesquisa
exploratória, busca-se esclarecer um assunto construindo questões
importantes para a realização da pesquisa. Segundo Gil (1999)
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57
[...] a pesquisa exploratória é desenvolvida no
sentido de proporcionar uma visão geral
acerca de determinado fato. Portanto, esse
tipo de pesquisa é realizado, sobretudo,
quando o tema escolhido é pouco explorado e
torna-se difícil formular hipóteses precisas e
operacionalizáveis.
Assim, buscamos colaborar com a consolidação desse espaço
no município a partir do mapeamento das ações e percepções dos
gestores locais, indicando ao final algumas sugestões do que pode
ser feito para a consolidação do polo. Como questão orientadora da
investigação, tínhamos em mente a busca pelo entendimento que
os gestores municipais envolvidos com o polo têm sobre esse
espaço universitário e como, a partir dele, agem em favor do polo.
Para pensar as percepções e ações dos gestores envolvidos com o
polo, tomamos a definição de Nunes (2008):
O gestor é alguém que pertence a uma
determinada organização e a
quem
compete a execução das tarefas confiadas à
gestão. É alguém que desenvolve planos
estratégicos e operacionais que julga mais
eficazes
para
atingir
os
objetivos
organizacionais, concebe estruturas e
estabelece regras, políticas e procedimentos
mais adequados aos planos desenvolvidos e,
por fim, implementa e coordena a execução
dos planos através de um determinado tipo de
comando ou liderança...
Para efetivar a pesquisa, foi submetido um roteiro de
perguntas à prefeita municipal, à secretária de educação e à
coordenadora do polo local. A partir dele, conseguimos mapear a
importância dada ao polo por esses sujeitos políticos importantes,
verificar as ações feitas por cada um em prol desse espaço e
perceber os encontros e desencontros entre os gestores locais que
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58
podem indicar pontos de fragilização do polo municipal de São João
do Polêsine.
1. O POLO EM SÃO JOÃO DO POLÊSINE NO CONTEXTO DA
UAB E DO ENSINO SUPERIOR NA QUARTA COLÔNIA
Para que seja possível visualizar de maneira mais clara e
objetiva a situação atual do Polo de Apoio Presencial de São João do
Polêsine, passa-se a fazer um breve histórico acerca da EaD- UAB e
de como está representada nos municípios da Quarta colônia (que
estão especificados a seguir).
A partir da instituição da modalidade EaD, oficialmente
reconhecida como modalidade de ensino pela Lei 9394/96, que
trata das Diretrizes e Bases da Educação Nacional, algumas
iniciativas privadas, estaduais e federais foram experiências
importantes que culminaram, em 2005, com a criação do Sistema
UAB.
Em um primeiro momento a UAB se voltaria para a formação
continuada de professores em exercício, pois profissionais sem nível
superior não seriam mais admitidos na educação básica. O que de
fato ocorreu no município de São João do Polêsine.
Os professores, principalmente da rede municipal de ensino,
tiveram que se adequar às novas exigências, tendo para isso um
prazo pré-determinado para a conclusão do curso superior. Dessa
forma, os profissionais da educação estariam mais capacitados para
atuar em sala de aula e, consequentemente, proporcionariam a
qualificação dos conhecimentos a sem trabalhados com os
estudantes da rede básica de ensino.
Os professores da rede municipal de ensino concluíram
satisfatoriamente o processo e, por conseguinte, muitos não
pararam por aí. Como o polo ofertava e continua ofertando cursos
de especialização, a maioria optou por continuar estudando, se
aperfeiçoando. Mesmo porque isso traria por consequência
reconhecimento e aumento salarial.
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59
Devido à resolução do Ministério da Educação de qualificar os
professores percebeu-se em todo o país um grande aumento da
demanda de indivíduos que procuraram os Polos de Apoio
Presencial da UAB para colocar em prática tal resolução. Assim
posto, o número de cursos ofertados teve que ser ampliado em
parceria do Ministério da Educação (MEC) com as Instituições de
Ensino Superior (IES) a ele credenciadas, juntamente com os polos
que satisfazem as necessidades para a implantação dos referidos
cursos.
O município de São João do Polêsine está situado na região
central do estado do Rio Grande do Sul, numa localidade conhecida
como Quarta Colônia. Esse nome se deve ao fato desta ter sido:
[...] a Quarta Colônia Imperial de Imigração
Italiana, a quarta área onde foram
distribuídas terras para os italianos que
imigraram, no final do século passado, para o
Estado. A Quarta Colônia foi criada em 1877 e
recebeu o nome de Silveira Martins, em
homenagem ao senador gaúcho Gaspar
Silveira Martins, político que defendia a
imigração. O local escolhido, distante dos
demais núcleos de imigração italiana, era
composto por terras devolutas situadas na
região central, na Serra de São Martinho, que
faz parte da Serra Geral. (Fonte:
http://buratto.org/gens/gn_colon_quarta.ht
ml, acesso em 16 de outubro de 2011).
Os municípios que compõem a região são: Agudo, Dona
Francisca, Faxinal do Soturno, Ivorá, Nova Palma, Pinhal
Grande, Restinga Seca, São João do Polêsine e Silveira
Martins. Além dos imigrantes italianos, destacam-se ainda
grupos populacionais descendentes de portugueses, africanos
alemães e indígenas.
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TABELA 1 – População e Polos UAB – Quarta Colônia
Município
População
Agudo
16.722
Restinga Seca
15.849
Faxinal do Soturno
6.672
Nova Palma
6.342
Pinhal Grande
4.471
Dona Francisca
3.401
São João do Polêsine
2.635
Silveira Martins
2.449
Ivorá
2.156
Nestas nove cidades vivem aproximadamente 61 mil pessoas,
sendo as maiores Agudo (16.722 habitantes) e Restinga Seca
(15.849) (conforme tabela 1, construída com dados do Censo IBGE,
2010). São João do Polêsine é a terceira menor cidade da região,
com 2.635 habitantes. Até a criação da UAB não existia na Quarta
Colônia ensino superior público. Assim que foram abertos os editais
de abertura de polos, quatro municípios locais se candidataram e
tiveram atendida sua demanda. Entre eles, a menor cidade com
polo UAB é São João do Polêsine. Com essa abundância de oferta, a
população de Santa Maria, de Santa Cruz do Sul e de Cachoeira do
Sul, que não consegue inserção nas instituições locais de ensino
superior, acaba acessando os polos da região, em função da sobra
de vagas nos cursos ali oferecidos.
O polo de apoio presencial da UAB proporciona a população
local o acesso facilitado a cursos técnicos ou superiores. No entanto,
percebemos que não há uma efetiva demanda para os cursos que
são oferecidos no polo. A dificuldade em ocupar as vagas abertas
pode estar relacionada à concentração de polos numa região pouco
populosa. Percebe-se a dispersão dos alunos, o que implica um
número reduzido de alunos nos polos, especialmente em São João
do Polêsine – o menor município.
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Além da reduzida população, destaca-se a oferta de poucos
cursos nos referidos polos. A população local parece não apresentar
interesse nos cursos oferecidos e, no limite, desconhecer a
existência e o trabalho do polo local. Quem mais tem aproveitado a
oportunidade de acesso ao ensino superior é a população da região
de Santa Maria, cidade com mais de 260 mil habitantes, com farta
oferta ao ensino superior, mas igualmente, com grande demanda
não atendida.
Nesse quadro de contingências em que se encontra o polo
dentro do contexto regional, buscou-se mapear as percepções e
ações dos gestores locais diretamente envolvidos com o polo:
coordenadora do polo e prefeitura municipal (prefeita e secretária
de educação), na perspectiva de superação das dificuldades
apresentadas e consolidação do polo local.
A estratégia de investigação montada para explorar as
condições de sustentação do polo UAB em São João do Polêsine foi
confrontar as percepções e ações dos gestores locais a respeito
deste espaço de formação superior. Isso foi feito em três
dimensões: percepções sobre os limites e sobre as possibilidades do
polo local; as ações dos gestores locais, especialmente da gestora
do polo.
Na apresentação deste artigo foram expostos algumas
dimensões que revelam a importância do polo local para a
população do município e da região, assim como outras que indicam
os limites existentes para a consolidação do polo em São João do
Polêsine.
2. POSSIBILIDADES DO POLO MUNICIPAL DE SÃO JOÃO DO
POLÊSINE
O polo da UAB precisa de incentivos para que se consolide no
município. A seguir, são destacados alguns pontos importantes que
fazem com que o Polo de São João do Polêsine adquira credibilidade
para com a comunidade local e região.
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A coordenadora do polo destaca como grande potencial do
polo o desenvolvimento da auto estima daqueles que o procuram
para sua qualificação, para a complementação dos estudos. A
satisfação dos estudantes tende a criar um ambiente favorável e
ajudar na difusão do polo como espaço qualificado para a formação
profissional.
Ainda se destaca como ponto positivo o apoio da Prefeitura
Municipal que, mesmo tendo na gestão atual um grupo político
diferente daquele da época de implantação do polo, garante o
apoio ao polo e à coordenadora. Esse apoio se materializa através
de dotação orçamentária específica no Plano Plurianual da
Prefeitura.
O espaço físico e os materiais de custeio e o pessoal de apoio
são contrapartida obrigatória do município ao Sistema UAB. Dentro
dos limites legais, cada prefeitura – dentro das estratégias de
desenvolvimento e peculiaridades políticas locais – cria moldes de
gestão que são considerados adequados à gestão do polo. Nos
locais como Polêsine, sem oferta anterior de ensino superior, o polo
vem consolidar um sistema local de ensino que, agora, vai do ensino
infantil à pós-graduação latu sensu.
A sustentação obrigatória do polo pela Prefeitura não é foco
de crítica por parte da atual gestão. A atual prefeita foi vereadora
na época de aprovação dos projetos de implantação e montagem
do polo, tendo se esforçado para sua aprovação. Fica explícito na
fala da Prefeita a importância dada pela atual gestão às
oportunidades de acesso garantidas pelo polo a população local.
Junto com a Coordenadora do polo, a prefeitura inclusive busca
junto às IES cursos que atendam demandas locais.
3. LIMITES PERCEBIDOS À CONSOLIDAÇÃO DO POLO
As dificuldades na implantação e reconhecimento do sistema
UAB também são visíveis. Porém, são traçadas estratégias para que
os problemas sejam contornados.
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Um dos principais limites reconhecidos pela coordenadora é a
quantidade de polos UAB na Quarta Colônia como limite à oferta de
turmas, por isso conversa com as demais coordenadoras para evitar
a solicitação de cursos em comum.
A gestora local do polo ainda destaca o diálogo inexistente
entre polo e Secretaria Municipal de Educação (SME). Essa distância
entre essas instituições é tão significativa que o polo não está
vinculado à SME, e sim à Secretaria de Administração. Isso
demonstra que não se reconhece o polo como parte integrante do
sistema local de educação. A desvinculação entre polo e as outras
instituições educacionais do município podem evidenciar uma
estratégia de desenvolvimento que situa o polo como um elemento
importante, mas não necessariamente seqüencial ao sistema
educacional básico. Entre as conseqüências diretas desse
descolamento está a necessidade de se criar mediações extra para a
divulgação do polo nas escolas locais. Caso o polo estivesse
integrado às políticas locais de educação, as ações de divulgação e
sequência dos estudos em nível superior poderia ser feita pela SME,
consolidando um fluxo de possíveis estudantes que consolidaria
uma demanda permanente para o polo.
A estratégia de desenvolvimento que traz o polo para a
Secretaria da Administração pode até ser a de qualificação da
população já ativa, mas, há um forte indicativo de desinteresse por
parte da Secretaria de Educação em relação polo. Mesmo tendo a
noção abstrata que o polo garante oportunidades àqueles que não
teriam como se deslocar do município para acessar o ensino
superior, concretamente, ela fala que
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64
“[...] se pensarmos só em nossos munícipes,
acho que não vale muito a pena devido à
proximidade com a UFSM e o incentivo que o
município dá a quem busca
formação
profissional e superior em Santa Maria, que
oferece diversidade de oportunidade com
ensino qualificado” (Secretária Municipal de
Educação)
Além disso, com destaque menor, a Coordenadora também
revela a dificuldade de captar cursos que atendam a demanda local
juntos às IES, sendo esses buscados com o apoio e mediação do
polo com a prefeitura municipal.
O esforço da Coordenação do polo em articular um projeto de
formação superior entre os polos da Quarta Colônia não conta com
a ação direta da prefeitura, que está alheia a essas iniciativas.
4. AÇÕES PARA SUSTENTAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DO POLO ENCONTROS E DESENCONTROS ENTRE GESTORES
A união entre gestor e poder público municipal é
fundamental para que se possibilite que esta instituição de ensino
superior local se consolide, mesmo que não seja considerada
prioridade por alguns de seus agentes.
A coordenadora do polo está nessa posição desde 2009. Ela
participou ativamente da criação, tendo sido inclusive a redatora da
Lei Municipal do Polo, que está tramitando pela Câmara de
Vereadores. Entre as ações realizadas a partir do polo para sua
consolidação e qualificação, destacam-se os contatos permanentes
com as IES vinculadas ao Sistema UAB para solicitar novos cursos de
ensino superior e de pós-graduação. Para esse contato, a prefeitura
está permanentemente atenta, para colaborar quando possível. Os
cursos são demandados a partir da pesquisa feita junto aos
munícipes – entrevistas em locais públicos, privados, colégios e
repartições públicas, entre outras. A distância entre o que se pede e
o que se conquista junto às IES não têm impedido a oferta razoável
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de cursos, já tendo sido efetivadas nove turmas no pólo, sendo que
alguns já com reoferta.
Percebe-se que há o reconhecimento da importância do polo
local pela prefeitura, sendo esse percebido como potencial de
desenvolvimento local, atendendo as camadas da população até
então excluídas do ensino superior. Além disso, a prefeitura garante
a sustentação, nos limites atuais, do bom funcionamento do polo
local. Não há uma discussão efetiva no âmbito municipal para a
ampliação das ações do polo, o que pode ser compreendido como
uma preocupação anterior em consolidar o que já foi construído até
o momento.
No entanto, dentro da própria administração local, há quem
não veja no polo um projeto efetivo de articulação de estratégias de
desenvolvimento. Surpreende quando localizamos na SME uma
posição de desvalorização desse espaço. Ao invés de aproveitar esse
espaço para – no mínimo – pensar a qualificação permanente do
corpo docente do ensino básico, prefere-se pagar para aqueles que
buscam qualificação irem até Santa Maria. É possível que esse
posicionamento revele um preconceito contra a Educação a
Distância, ou resquícios de processos políticos locais mal resolvidos,
que culminaram com a vinculação do polo à Secretaria de
Administração.
Assim, frente ao que foi possível compreender da ação dos
gestores locais responsáveis pelo polo, fica evidenciado que a ação
fundamental é a da gestora do polo. As estratégias de sustentação
política e financeira do polo; a avaliação dos cursos desejados tanto
pela prefeitura como da população que pode ser beneficiada; a
busca desses cursos junto às IES; a divulgação do polo junto ao
público-alvo potencial no município e na região; a articulação com
os polos próximos para não criar concorrências desnecessárias
numa região pouco populosa – todas essas ações passam pela
iniciativa e possibilidade de trabalho da coordenadora do polo.
Além disso, ainda é necessário atender as funções obrigatórias de
coordenar as ações administrativas dentro do polo, nos cursos em
execução. Nesse sentido, percebe-se a deficiência no número de
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66
funcionários, pois a equipe necessária precisaria ter coordenador,
técnico de informática, tutores presenciais, secretária, bibliotecária
e serventes, sendo que os três últimos são inexistentes, passando os
outros funcionários a desempenharem tais funções.
5. DESAFIOS À CONSOLIDAÇÃO: UMA PROPOSTA DE
DIÁLOGO SOBRE A UAB EM POLÊSINE E QUARTA COLÔNIA
Os estudos e a pesquisa exploratória realizada ao longo do
Curso de Especialização em Gestão de Polos evidenciaram a
importância do polo para o município de São João do Polêsine, bem
como permitiram compreender suas potencialidades e limites na
busca da consolidação do ensino superior público.
A reflexão final que se faz aqui leva em consideração a
centralidade da ação e articulação dos gestores locais diretamente
vinculados ao projeto do Polo UAB para sua consolidação; e os
limites e possibilidades socialmente estabelecidos na região da
Quarta Colônia e no município de São João do Polêsine. A partir
dessas referências se faz a análise das percepções e ações desses
gestores locais, com destaque para a coordenadora do polo local.
A gestora do Polo é a mediadora entre o Polo, o poder
público local, as IES, e os possíveis estudantes. Na relação com os
gestores municipais (prefeitura e secretarias) a coordenadora é que
repassa as necessidades do Polo para que sejam sanadas da melhor
maneira possível, até porque ela está cotidianamente em contato
direto com o Polo, sua parte física, tecnológica e profissional.
No caso de São João do Polêsine, as dependências da Escola
Estadual de Educação Básica João XXXIII, onde localiza-se o polo, há
uma infra-estrutura básica que atende a oferta atual. Porém, com
perspectiva de ampliação de curso nos próximos anos, o espaço
disponibilizado ao polo precisará ser ampliado. Assim posto, é
conveniente colocar que o diálogo é fundamental para que as
necessidades deste sejam atendidas. Pelo que explicita a Prefeita,
há boa vontade por parte do poder local em garantir as demandas
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do polo, o que dá a entender que a ampliação de cursos contará
com respaldo de seus financiadores.
Existe uma percepção compartilhada entre professores
tutores presenciais, coordenação do polo e prefeitura municipal da
importância do mesmo para a população municipal e para projetos
futuros de desenvolvimento.
No entanto, alguns limites precisam ser superados para a
consolidação do polo como espaço de formação em nível superior
municipal. Um deles é a formação de uma demanda permanente de
formação superior da população local. Para isso, duas ações se
mostram importantes: Por um lado, faz-se necessária a ampla
divulgação do polo, como forma dele se tornar uma referência
conhecida de toda a população, como oportunidade de formação
superior e pós-graduada pública, gratuita e de qualidade. E por
outro, torna-se fundamental qualificar o estudo da demanda local
por cursos técnicos, tecnológicos, acadêmicos, e pós-graduados, de
forma a atender as necessidades de formação da população local.
Essa ação exige uma outra, que é a permanente negociação com as
IES e, articulação com os outros Polos da UAB da Quarta Colônia,
para conseguir cursos de interesse regional e evitar uma postura de
concorrência predatória entre os polos.
Essas ações conjuntas, a médio prazo, tendem a atacar um
outro problema que atinge o polo: o preconceito contra a
modalidade à distância de ensino superior, tratada como sendo de
qualidade inferior à modalidade presencial, como revela a própria
secretária de educação do município, em seu posicionamento
favorável ao custeio da ida à Santa Maria aqueles que gostariam de
acessar o ensino superior.
Para atender essa agenda pró-consolidação, no entanto,
carece-se de uma articulação entre os agentes políticos locais que
poderiam potencializar a ação do polo. A coordenadora do fica com
muita responsabilidade e pouco apoio.
A defesa política do polo é importante para sua consolidação
e ampliação, mas precisa ser sustentada por uma agenda comum de
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esforços a ser construída entre gestora, prefeita municipal,
secretário de administração e secretária de educação.
A busca por novos estudantes pode ser feita através da
articulação do poder público local com as instituições já existentes.
A negociação sobre os cursos a serem solicitados às IES junto com
os outros polos UAB da Quarta Colônia precisa ser levada a diante
também pela prefeita municipal. A própria negociação direta junto
às IES por cursos que atendam demandas locais de formação pode
ser feita por esse “consórcio” regional de polos.
Atualmente, toda a ação no sentido da consolidação do polo
local é comandada e levada a frente pela Coordenadora do polo.
Por si, isso não é um problema. Mas há uma sobrecarga que
prejudica o seu trabalho interno no polo. Fazer toda a ação política
– que poderia ser compartilhada com os agentes políticos locais – e
mais a ação administrativa pode prejudicar ambas as frentes de
ação.
A partir da reflexão exposta neste artigo, vislumbra-se um
projeto de ação coordenada entre os gestores locais que exige: (1) a
articulação num consórcio entre prefeitos, secretários municipais
responsáveis e coordenadores de Polos UAB da Quarta Colônia –
para busca de cursos junto às IES e coordenação nas ofertas de
turmas diferenciadas; (2) articulação entre instituições públicas
municipais para divulgação do polo e criação de demandas
específicas por cursos que atendam as necessidades locais; (3)
coordenação do polo com as demais instituições educacionais,
tendo em vista a construção de um Sistema Local de Educação.
REFERÊNCIAS
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1999.
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
69
NUNES,
P.
Conceito
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QUARTA
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BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
RAUPP, F. M.; BEURER, I. M. Metodologia de pesquisa aplicável às Ciências
Sociais. Conect@, n. 2, set. 2000.
LIMA, F. O. A sociedade digital. Rio de Janeiro: Quality Mark, 2000.
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<http://www.slideboom.com/presentations/325107/A>. Acesso em: out.
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COSTA, M. L. F. Ensino Superior à distância no Brasil, políticas públicas e
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Cibersociedade, 2006.
DOURADO, L. F. Políticas e Gestão da Educação Superior a Distância: novos
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PANIAGO, M. C. L. et al. Educação à distância no Ensino Superior: uma
possibilidade concreta de inclusão social. Diálogo Educacional, Curitiba, v.
10, n. 29, p. 191-204, jan./abr. 2010.
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ANEXOS
ANEXO 1: ENTREVISTA COM A COORDENADORA DO POLO,
MARA ELISA BIANQUIN.
1. DESDE QDO ESTÁS NA COORDENAÇÃO DO POLO?
DESDE 2009.
2. COMO FOI O INÍCIO DO TRABALHO?
TIVE QUE ORGANIZAR TODO O POLO, ESTRUTURAR ESPAÇO,
CONDIÇÕES FÍSICAS, TUTORES.
3. QTOS CURSOS JÁ FORAM OFERTADOS?
9 CURSOS.
4. PARTICIPASTES DA CRIAÇÃO DO POLO?
A LEI DE CRIAÇÃO FOI FEITA POR MIM E ESTÁ NA CÂMARA
DOS VEREADORES PARA APROVAÇÃO.
5. COMO PERCEBES A PRESENÇA DO POLO/UAB AQUI EM
SJP?
PERCEBO NA AUTO ESTIMA DOS ALUNOS QUE JÁ COLARAM
GRAU E DOS QUE ESTÃO TENDO A OPORTUNIDADE DE
CURSAR CURSOS SUPERIORES OU FAZEREM UMA POSGRADUAÇÃO A SATISFAÇÃO DE TER CONCLUÍDO MAIS UMA
ETAPA DOS SEUS ESTUDOS E POR QUE NÃO ATÉ DE SUAS
VIDAS, PROPORCIONADA PELA EAD/ UAB.
6. COMO SE DÁ A TUA ATUAÇÃO JUNTO AO POLO?
ARTICULANDO CURSOS COM AS IES, GESTÃO DO POLO,
BUSCANDO CURSOS E PROJETOS QUE VENHAM AO
ENCONTRO DAS PESSOAS DA REGIÃO.
7. O QUE A SME DISPONIBILIZA PARA O FUNCIONAMENTO
DO POLO?
NADA. O POLO TEM DOTAÇÃO ORÇAMENTÁRIA PRÓPRIA JÁ
INCLUÍDA NO PPA( PLANO PLURI-ANUAL). A SECRET. QUE
ADMINISTRA E ENVIA EQUIPAMENTOS E TUDO O QUE O POLO
PRECISA É A SECRET. DA ADMINISTRAÇÃO.
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8. O QUE A PREFEITURA DISPONIBILIZA PARA O
FUNCIONAMENTO DO POLO?
EQUIPAMENTOS, MATERIAIS DE CONSUMO, MÓVEIS.
9. COMO É TUA RELAÇÃO COM A SME E COM A PREFEITURA
HOJE? E NA ÉPOCA DA CRIAÇÃO DO POLO?
COM A SME NÃO HÁ RELAÇÃO, É IMPOSSÍVEL. COM A
PREFEITURA É BOA. ANTERIORMENTE TBÉM ERA BOA.
10.COMO SE DÁ A OFERTA DE CURSOS AQUI NO POLO?
É FEITO DEMENDA NO MUNICÍPIO E REGIÃO E DEPOIS
SOLICITA-SE ÀS IES A SEREM PARCEIRAS DO POLO OU VOU
ATRÁS DE OUTRAS SE ESTAS NÃO TIVEREM O CURSO
PRETENDIDO.
11.COMO FAZES CONTATO COM AS UNIVERSIDADES PARA
CHAMAR CURSOS PARA CÁ?
VOU ATÉ AS COORDENAÇÕES DOS CURSOS E TAMBÉM POR
OFÍCIOS.
12.COMO FAZES O ESTUDO DE DEMANDA PARA SABER
QUAL CURSO PRECISA SER OFERTADO NO POLO?
SOLICITANDO AOS MUNÍCIPES, ATRAVÉS DE ENQUETES,
ENTREVISTAS EM LOCAIS PÚBLICOS, PRIVADOS, COLÉGIOS E
REPARTIÇÕES PÚBLICAS.
13.COMO É TEU CONTATO COM OS COORDENADORES DE
POLO DAS CIDADES VIZINHAS QUE TBÉM CONTAM COM
POLOS DA UAB?
EXCELENTE, NOS COMUNICAMOS PARA EVITARMOS DE
PEDIRMOS OS MESMOS CURSOS ÀS IES.
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ANEXO 2: ENTREVISTA COM A SECRETÁRIA DA EDUCAÇÃO
DO MUNICÍPIO, MARIA CLACI BORTOLOTTO
1. DESDE QDO ESTÁS NA SECRETARIA MUNICIPAL DE
DUCAÇÃO?
DESDE 9/02/2009.
2. PARTICIPASTES DA CRIAÇÃO DO POLO?
NÃO
3. COMO PERCEBES A PRESENÇA DO POLO/UAB AQUI EM
SÃO JOÃO DO POLÊSINE?
É UMA OPORTUNIDADE DE QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL
PARA AS PESSOAS QUE NÃO TEM CONDIÇÕES DE SE
DESLOCAR A OUTRAS CIDADES.
4. COMO SE DÁ TUA ATUAÇÃO JUNTO AO POLO?
NÃO TENHO ATUAÇÃO JUNTO AO POLO.
5. O QUE A SME DISPONIBILIZA PARA O FUNCIONAMENTO
DO POLO?
TODOS OS EQUIPAMENTOS FORAM ADQUIRIDOS COM
RECURSOS DA SME.
6. COMO É TUA RELAÇÃO COM A COORDENADORA DO
POLO?
NÃO TENHO RELAÇÃO COM A CORDENADORA DO POLO.
7. A SME DEMENDA/SOLICITA CURSOS AO POLO OU ÀS
UNIVERSIDADES?
SOLICITA ÀS UNIVERSIDADES E INSTITUIÇÕES IDÔNEAS.
8. COMO É TEU CONTATO COM AS SECRETÁRIAS DE
EDUCAÇÃO E PREFEITOS DAS CIDADES VIZINHAS QUE
TAMBÉM CONTAM COM POLOS DA UAB?
TENHO BOM RELACIONAMENTO COM TODAS AS
SECRETARIAS DE EDUCAÇÃO E PREFEITOS DA QUARTA
COLÔNIA.
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9. HÁ UMA RELAÇÃO ENTRE OS PODERES MUNICIPAIS PARA
ARTICULAR DEMANDAS REGIONAIS POR EDUCAÇÃO
SUPERIOR?
O CONDESUS QUE REÚNE OS 9 MUNICÍPIOS DA QUARTA
COLÔNIA É QUEM COORDENA AS DEMANDAS MUNICIPAIS EM
TODAS AS ÁREAS.
10.NA SUA OPINIÃO, VALE A PENA O INVESTIMENTO DO
MUNICÍPIO NO POLO- UAB?
SE PENSARMOS SÓ EM NOSSOS MUNÍCIPES, ACHO QUE NÃO
VALE MUITO A PENA DEVIDO À PROXIMIDADE COM A UFSM E
O INCENTIVO QUE O MUNICÍPIO DÁ A QUEM BUSCA
FORMAÇÃO PROFISSIONAL E SUPERIOR EM SANTA MARIA,
QUE OFERECE DIVERSIDADE DE OPORTUNIDADE COM
ENSINO QUALIFICADO, MAS NÃO DEIXA DE SER MAIS UM
PONTO DE FORMAÇÃO CONTÍNUA AOS QUE BUSCAM
APERFEIÇOAMENTO CONSTANTE.
11.QUAIS OS PROJETOS DA SME ATÉ O FINAL DA GESTÃO?
(NÃO RESPONDEU)
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ANEXO 3: ENTREVISTA COM A PREFEITA MUNICIPAL, DENISE
PREDEBOM MILANESI
1. DESDE QDO ESTÁS NA PREFEITURA?
COMO FUNCIONÁRIA, DESDE 1993 E COMO PREFEITA DESDE
2009.
2. PARTICIPASTES DA CRIAÇÃO DO POLO?
COMO VEREADORA NA APROVAÇÃO DE LEI PARA COMPRA
DE EQUIPAMENTOS.
3. COMO PERCEBES A PRESENÇA DO POLO UAB AQUI EM
SÃO JOÃO DO POLÊSINE?
OPORTUNIDADE PARA AS PESSOAS FAZEREM UM CURSO
SEM PRECISAR SE DESLOCAR PARA OUTRAS CIDADES. E
PODERMOS RECEBER ESTUDANTES DE OUTRAS CIDADES.
4. COMO SE DÁ TUA ATUAÇÃO JUNTO AO POLO?
A PREFEITURA É A MANTENEDORA E O POLO ESTÁ SOB A
RESPONSABILIDADE DA SECRETARIA DA ADMINISTRAÇÃO.
5. O QUE A PREFEITURA DISPONIBILIZA PARA O
FUNCIONAMENTO DO POLO?
MÓVEIS, EQUIPAMENTOS, TÉCNICOS DE INFORMÁTICA,
MATERIAL DE CONSUMO, LOCOMOÇÃO DE PROFESSORES
ENTRE OUTRAS, PARA O BOM FUNCIONAMENTO DO MESMO.
6. COMO É TUA RELAÇÃO COM A COORDENADORA DO
POLO?
BOA.
7. A PREFEITURA DEMANDA/ SOLICITA CURSOS AO POLO
OU ÀS UNIVERSIDADES?
SIM, JUNTO COM A CORDENADORA DO POLO.
8. COMO É TEU CONTATO COM OS PREFEITOS DAS CIDADES
VIZINHAS QUE TAMBÉM CONTAM COM POLOS DA UAB?
9. HÁ UMA RELAÇÃO ENTRE OS PODERES MUNICIPAIS PARA
ARTICULAR DEMANDAS REGIONAIS POR EDUCAÇÃO
SUPERIOR?
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DESCONHEÇO.
10.NA SUA OPINIÃO, VALE A PENA O INVESTIMENTO DO
MUNICÍPIO NO POLO-UAB?
SIM. POIS DÁ A OPORTUNIDADE PARA OS JOVENS ESTUDAR
SEM SAIR DA NOSSA CIDADE.
11.QUAIS OS PROJETOS DA PREFEITURA PARA O POLO ATÉ
O FINAL DA GESTÃO?
TRAZER CURSOS TÉCNICOS NAS MAIS DIVERSAS ÁREAS.
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A GESTÃO DE POLOS NA PERSPECTIVA DA GESTÃO
PARTICIPATIVA
AUTORA:
Vera Lúcia Vargas de Souza Kelling
PROFESSORA ORIENTADORA:
Heloisa Helena Duval de Azevedo
RESUMO
A descentralização das Universidades e a inserção dessas
Instituições em vários municípios brasileiros por meio da
Educação a Distância, possibilitou a operacionalização dos
Polos de apoio presencial nesses municípios, havendo,
assim, a necessidade de que um gestor encaminhasse o
trabalho nessas estabelecimentos de ensino. Este artigo
apresenta os resultados de pesquisa bibliográfica sobre a
gestão democrática e participativa da educação e algumas
considerações sobre a gestão de Polos na perspectiva da
gestão participativa.
Palavras-Chave: gestão de Polos; educação a distância;
gestão participativa.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Na área educacional, a Educação a Distância surge como um
desafio e com o objetivo principal de formar professores em serviço,
bem como proporcionar o ensino superior a todas as pessoas que,
por vários e diferentes motivos, não tiveram acesso à universidade.
Com a descentralização de cursos das universidades por meio
da Educação a Distância, houve a necessidade de que Polos de
apoio presencial fossem institucionalizados em vários municípios
brasileiros, para que viabilizasse o acesso dos universitários aos
momentos de atividades presenciais. Com isso, os Polos tiveram
que se adequar e se estruturar, criando um sistema organizacional
com a participação dos profissionais envolvidos nesse processo.
Nessa perspectiva, pretende-se refletir e realizar
considerações sobre a gestão de Polo participativa e democrática,
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analisando a possibilidade dessa gestão para uma EAD de qualidade,
de credibilidade e de sustentabilidade.
Este artigo apresenta, inicialmente, uma reflexão sobre a
Educação a Distância no contexto da Educação Brasileira.
Posteriormente, aborda a Educação a Distância e a Gestão
Educacional evidenciando a Gestão dos Polos e as possibilidades de
gerenciamento dessas Instituições de apoio presencial.
Após tecer considerações sobre esses dois itens, o texto
discorre sobre a Gestão de Polos na perspectiva da gestão
participativa, projetando pressupostos democráticos para o
gerenciamento dos Polos de apoio presencial da Educação a
Distância.
1. A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO
BRASILEIRA
No Brasil, a Educação a Distância inicia com a radiodifusão,
em 1920, e posteriormente, com o Instituto Universal Brasileiro e o
Instituto Radiotécnico Amador, os quais foram criados em 1941,
com cursos de datilografia e radiotécnica por correspondência e,
com o Telecurso de 2º Grau, lançado pela Fundação Roberto
Marinho juntamente com o Sistema Globo de Televisão em 1978
(KRAMER, 1999). Cavalheiro (2010) afirma que:
A primeira transmissão radiofônica oficial
brasileira ocorreu no Rio de Janeiro em 7 de
setembro de 1922 durante as comemorações
do centenário da Independência do Brasil.
Portanto, podemos evidenciar que desde a sua
criação o rádio já mostrava sua tendência
cultural e educacional, era a educação a
distância já seguindo parâmetros norteadores
que somente foram descritos bem mais tarde
(p. 1).
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Com a evolução tecnológica e a disseminação do uso da
informática, a Educação a Distância adquire consistência e, apesar
da contrariedade e de discussões de que essa modalidade de ensino
foi alvo, a EAD firma-se no território brasileiro.
Segundo Peters (2001), “a EAD tem suas origens na década de
30 e no século XIX foi consolidado historicamente, enquanto cultura
educacional, em grandes universidades europeias, em especial na
Inglaterra e na Alemanha, há cerca de três décadas (p. 24).”
De acordo com Preti (1996), “a crescente demanda por
educação, devido não somente à expansão populacional como,
sobretudo às lutas das classes trabalhadoras por acesso à educação,
ao saber socialmente produzido, concomitantemente com a
evolução dos conhecimentos científicos e tecnológicos está exigindo
mudanças em nível da função e da estrutura da escola e da
universidade (p. 16).”
Nos últimos cinco anos, praticamente todas as universidades
se lançaram ao desenvolvimento de EAD, por meio de iniciativas
individuais de alguns professores, de grupos ou de projetos
institucionais devidamente bem apoiados em recursos destinados a
infraestrutura e treinamento de professores (PERRY at al., 2006).
Nessa perspectiva, o ano de 2005 representa um marco para
a Educação a Distância no Brasil, pois o decreto nº 5.622, de 19 de
dezembro desse ano regulamenta essa modalidade de
educação. No decreto o Presidente da República, no uso das
atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, alínea "a", da
Constituição, e tendo em vista o que dispõem os arts. 8o, § 1o, e 80
da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, decreta:
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Art. 1o Para os fins deste Decreto, caracterizase a educação a distância como modalidade
educacional na qual a mediação didáticopedagógica nos
processos de ensino e
aprendizagem ocorre com a utilização de
meios e
tecnologias de informação e
comunicação, com estudantes e professores
desenvolvendo atividades educativas em
lugares ou tempos diversos.
Alguns incisos seguem esse Artigo com a finalidade de
garantir, por meio dessa regulamentação, suporte às Universidades
e Instituições de Ensino que têm interesse nessa modalidade de
ensino.
A regulamentação da Educação a Distância possibilitou que
várias Instituições de ensino superior oferecessem cursos a
distância, para que cidadãos tivessem a oportunidade de terem
acesso à formação superior e/ou aos cursos de formação
continuada, e que, por residirem distantes dos centros
universitários, ou cujo horário disponível não permitisse a realização
de cursos presenciais (BELLONI, 1999).
Essas Instituições, exclusivamente públicas, são responsáveis
pela criação dos projetos pedagógicos dos cursos e por manter sua
boa qualidade com base nos Referenciais de Qualidade para
Educação Superior a Distância - SEED/MEC (MINISTÉRIO DA
EDUCAÇÃO, 2010).
Com a efetivação das políticas públicas para a Educação a
Distância e a normatização de participação de as Instituições
interessadas em oferecer essa modalidade de Ensino, houve a
necessidade de os municípios se inserirem nessa proposta e, dessa
forma, concretizar o sonho de inúmeras pessoas que almejavam
ingressar em um curso superior e/ou de formação continuada.
Nesse sentido, os municípios credenciados criaram os Polos
de apoio presencial, isto é, as unidades operacionais para o
desenvolvimento descentralizado de atividades pedagógicas e
administrativas relativas aos cursos e programas ofertados a
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distância pelas instituições públicas de ensino superior no âmbito
do Sistema UAB.
De acordo com a Portaria Normativa nº 2, de 10 de janeiro de
2007, do Ministério da Educação no § 1°, Polo de apoio presencial é
a unidade operacional para o desenvolvimento descentralizado de
atividades pedagógicas e administrativas relativas aos cursos e
programas ofertados a distância, conforme dispõe o art. 12, X, c, do
Decreto n° 5.622, de 2005 (DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO, 2007).
Os Polos têm como mantenedores os municípios e/ou
governos estaduais e oferecem a infraestrutura física, tecnológica e
pedagógica para que os alunos possam acompanhar os cursos a
distância (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2010).
O objetivo dos Polos nos municípios é oferecer o espaço físico
de apoio presencial aos alunos da sua região, mantendo as
instalações físicas necessárias para atender esses alunos em
questões tecnológicas, de laboratório, de biblioteca, entre outras
(MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2010).
2. A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E A GESTÃO EDUCACIONAL
A UAB - Universidade Aberta do Brasil – foi criada em 2005
pelo Ministério da Educação, no âmbito do Fórum das Estatais pela
Educação, para a articulação e integração, em caráter experimental,
de um sistema nacional de educação superior a distância,
objetivando sistematizar as ações, programas, projetos, atividades
pertencentes às políticas públicas voltadas para a ampliação e
interiorização da oferta do ensino superior gratuito e de qualidade
no Brasil. (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2010).
Para a consecução do Projeto UAB, o Ministério de Educação,
através da Secretaria de Educação a Distância – SEED – lançou o
Edital N° 1, em 20 de dezembro de 2005, com a Chamada Pública
para a seleção de Polos municipais de apoio presencial e de cursos
superiores de Instituições Federais de Ensino Superior na
Modalidade de Educação a Distância para a UAB. (MINISTÉRIO DA
EDUCAÇÃO, 2010).
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Segundo Moran (2002), “em cada Polo, há ainda uma
estrutura administrativo-pedagógica, com pessoal de apoio às
atividades de secretaria e uma equipe de orientadores acadêmicos,
responsáveis pelo acompanhamento e orientação do processo de
aprendizagem dos alunos dos vários municípios sob sua jurisdição.
Em cada Polo há ainda um coordenador, eleito dentre os
orientadores (p. 255).”
Entre esses recursos humanos que viabilizam o
funcionamento dos Polos, o gestor é o responsável pela
dinamização do grupo que coordena, pois do impulso que esse
proporcionar, refletirá a solidez da equipe e a eficácia do trabalho
de cada profissional.
Nesse sentido, houve a necessidade de um gestor qualificado
e portador de conhecimentos na área educacional. Freeman (2006),
afirma que:
Gerir uma instituição de EAD requer uma
diversidade de conhecimentos muito maior do
que gerir uma escola, um liceu ou uma
universidade, e, no seu todo, não será possível
recrutar pessoal com estes conhecimentos. A
instituição terá de desenvolver o seu próprio
pessoal, até que ele atinja a diversidade e
profundidade de conhecimentos necessários.
Realisticamente, isto demora o seu tempo, e
não será exagero dizer que uma nova
instituição de EAD precisa de 2 a 5 anos até
que o núcleo do seu pessoal atinja o pleno da
sua capacidade operacional (p.11).
Assim sendo, torna-se essencial na gestão dos Polos, a
manutenção e consolidação do grupo, para que esse adquira
maturidade e competência para manter e firmar o trabalho na
Educação a Distância.
Dessa forma, o gestor de Polo deve efetivar sua ação
administrativa adquirindo conhecimentos da gestão educacional,
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pois, devido a modalidade a distância ser recente, é necessária essa
adequação.
O caráter da prática social da educação determina o caráter
da gestão. A função educacional é determinada pela visão que o
gestor educacional tem de educação, de pessoa humana e de
sociedade. Nesse sentido, o pensar e o fazer da gestão educacional
priorizam de um lado o mercado, de outro a emancipação humana
(WITTMANN, 2006).
A gestão na educação deve ser considerada um processo
compartilhado, pois esse processo é expressão e impulso da prática
educativa.
A coordenação desse processo coletivo de pessoas e
ideias traduzem a necessidade de ações que viabilizem uma gestão
ágil, sólida e descentralizada.
Nesse sentido, o papel de gestor de Polo adquire uma
importância no contexto da Educação a Distância, pois da
capacidade dessa gestão dependerá a consolidação e a credibilidade
dessa modalidade de educação.
O gestor de Polo é aquele que facilitará esse processo, mas
também depende de toda uma equipe que esteja integrada e auxilie
na construção de um ambiente formador, de disseminação do
conhecimento, esse é o papel do gestor, promover essa integração
(POHLMANN, 2010).
Nesse sentido, a responsabilidade do gestor de Polo torna-se
relevante, pois do gerenciamento da equipe e das ações
concretizadas pela Instituição é que ocorrerá a viabilização e a
expansão da Educação a Distância. Ceolin (2010), afirma que:
O gestor do Polo atua como se fosse o
administrador de uma empresa, onde
várias decisões são tomadas e que
geralmente visam o benefício coletivo.
Dessa maneira, a partir do momento em
que o gestor transfere seu saber individual
para os demais integrantes que compõem
a UAB (p. 2).
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Então, a administração do Polo se caracteriza pela troca de
saberes que influencie na visão geral da equipe, o que acarretará
possibilidades de crescimento e de confiança do grupo.
De acordo com Gadotti (2004), “a educação é obra
transformadora, criadora. Ora, para criar é preciso mudar,
perturbar, modificar a ordem existente. Fazer progredir alguém
significa modificá-lo. Por isso, a educação é um ato de
desobediência e de desordem. Desordem em relação a uma ordem
dada, uma pré-ordem (p. 32).”
Segundo Lück (2003), “a gestão deve estar associada ao
conceito de democratização do processo pedagógico, da
participação de todos nas decisões necessárias e no compromisso
coletivo com resultados educacionais qualitativos (p. 12)”. Também
sobre gestão, Oliveira (2006) afirma que:
Pensar
a
Gestão
Democrática
e
Participativa em Sistema de EAD significa
pensar na integração dos subsistemas
(avaliação, acompanhamento e apoio ao
estudante/tutoria, produção de material,
comunicação, gestão). Integrar esses
sistemas significa promover o encontro,
oferecer voz e vez aos sujeitos que
humanizam o sistema de EAD (p. 2).
Dessa forma, o gestor de Polo tem a incumbência de verificar
situações já configuradas no sistema educacional brasileiro - que
são baseadas em princípios democráticos e, buscar na gestão
democrática e participativa, aspectos que o auxiliem o
desenvolvimento de uma EAD de qualidade e credibilidade.
3. A GESTÃO DE POLOS NA PESPECTIVA DA GESTÃO
PARTICIPATIVA
A gestão educacional prevê a articulação e a interação entre
os componentes desse processo, para que todas as ações
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contribuam para um objetivo comum, isto é, a construção de
instituições educacionais sólidas e com credibilidade. Moran (2007),
afirma que:
As mudanças na educação dependem também
de termos administradores, diretores e
coordenadores mais abertos, que entendam
todas as dimensões que estão envolvidas no
processo pedagógico, além das empresariais
ligadas ao lucro; que apóiem os professores
inovadores, que equilibrem o gerenciamento
empresarial, tecnológico e o humano,
contribuindo para que haja um ambiente de
maior inovação, intercâmbio e comunicação
(p. 17).
Assim, o papel do gestor tem importância fundamental para
as mudanças, pois a educação pressupõe uma gestão democrática e
participativa, no sentido de que todas as aspirações adquiram
solidez e possam ser desenvolvidas e que atinjam os objetivos
definidos. Sobre a gestão participativa, Hora (2004), afirma que:
O principal instrumento da administração
participativa é o planejamento participativo,
que pressupõe uma deliberada construção
do futuro, do qual participam os diferentes
segmentos de uma Instituição, cada um
com sua ótica, seus valores e seus
anseios, que, com o poder de decisão,
estabelecerão uma política para essa
Instituição, com a clareza de que são ao
mesmo tempo autores e objetos dessa
política, que deve estar em permanente
debate, reflexão, problematização, estudo,
aplcação, avaliação e reformulação, em
função das próprias mudanças sociais e
institucionais (p. 51).
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Dessa forma, a gestão da educação deve criar possibilidades
de participação efetiva dos atores desse processo e possibilitar a
participação democrática nas decisões. Essa participação requer
uma gestão qualificada, pois devem ser criados mecanismos
capazes de acolher e aglutinar todos os agentes envolvidos, porque
depende da força e do empenho de toda a solidificação das ações
criadas e desenvolvidas por cada membro que participa da equipe.
Oliveira (2006), afirma que:
Vale considerar que uma gestão
democrática e participativa requer dos
sujeitos participantes do processo uma
postura de autocrítica e vigília constante
para que o confrontamento de interesses,
de concepções, conceitos e pré-conceitos
não se constituam em embates pessoais,
mas como na dialética, possibilidades para
a contraposição de idéias e avanços
significativos na práxis (p. 6).
Nesse contexto, uma gestão participativa requer cooperação,
compartilhamento de informações e confiança para delegar
responsabilidades a cada elemento da Instituição. Também
proporciona autonomia para o alcance das metas e, como resposta,
as pessoas assumem desafios e processos de trabalho dos quais
participam, tomam decisões, criam, inovam e dão à organização um
clima favorável ao crescimento. Sobre o Planejamento Participativo,
Gandin (2001), afirma que:
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O Planejamento Participativo pretende ser
mais do que uma ferramenta para a
administração; parte da idéia que não basta
uma ferramenta para “fazer bem as coisas”
dentro de um paradigma instituído, mas é
preciso desenvolver conceitos, modelos,
técnicas, instrumentos para definir “as coisas
certas” a fazer, não apenas para o
crescimento e a sobrevivência da entidade
planejada, mas para a construção da
sociedade; neste sentido, inclui como sua
tarefa contribuir para a construção de novos
horizontes,
entre
os
quais
estão,
necessariamente, valores que constituirão a
sociedade (p. 87).
Nessa perspectiva, entende-se que a administração na
modalidade a Distância, especificamente na gestão de um Polo,
assume uma dimensão de gestão democrática e participativa, pois,
assim, a participação dos segmentos envolvidos possibilita o
crescimento e o fortalecimento de todas as ações desenvolvidas
nessas Instituições.
Assim sendo, a gestão de Polos adquire significação quando
vem seguida de autonomia, de democracia e de participação
coletiva. Autonomia não significa o isolamento, e sim o sentido do
gestor tomar decisões pensando no bem do grupo, tendo como
princípios a liberdade de opinião, a iniciativa para a resolução de
possíveis problemas e o espírito coletivo.
Ao referir-se ao individualismo, Ferreira (2006) afirma que “é
uma concepção que, por priorizar e desenvolver o individualismo e
a competitividade desenvolve, também, não só a violência que vem
causando a desestabilização do mundo e de toda uma humanidade
(p. 18).“
De acordo com Ferreira (2006), tomar decisões, portanto, “é
o cerne da gestão e do trabalho dos profissionais da educação (p.
15)”. A tomada de decisões nos Polos se realiza todos os dias,
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quando há planejamento, organização e dinamização na construção
desse processo.
Nesse sentido, na gestão de um Polo é essencial a reunião
constante da equipe de trabalho para planejar ações, estudar
possibilidades, visualizar perspectivas. A articulação das ações
educacionais advém da necessidade de um trabalho coletivo, no
qual todos os elementos que formam a equipe de trabalho tornamse únicos, porém tendo como objetivo o todo.
A principal característica do que hoje se chama Planejamento
Participativo não é o fato de nele se estimular a participação das
pessoas. Isto existe em quase todos os processos de planejamento:
não há condições de fazer algo na realidade atual sem, pelo menos,
pedir às pessoas que tragam sugestões (GANDIN, 2001).
Nesse sentido, o trabalho em equipe, a autonomia e a
descentralização possibilitam uma visão geral, o que caracteriza o
trabalho coletivo e exitoso para a viabilização e o fortalecimento
dos Polos de apoio presencial.
A gestão democrática e participativa não se resume apenas a
um conjunto de ações organizadas e compartilhadas em benefício
da escola, mas é uma filosofia, que exige a construção interativa de
uma postura que, por sua vez, também pressupõe revisão de
atitudes em relação à vida, à educação, à escola (VIANNA, s/d).
Assim, a gestão da Educação a Distância deve ser realizada
em rede, na qual cada elemento que constitui a equipe de um Polo
seja capaz de congregar ideias e de ajustar ações que construam
uma EAD de credibilidade e que proporcione um vislumbrar de
novos horizontes para quem acredita e trabalha para essas
possibilidades.
Portanto, de acordo com as considerações evidenciadas neste
estudo, pode-se entender que a gestão de Polos deve ter princípios
de uma gestão democrática e participativa, pois deve ser
compartilhada entre todos os elementos que compõem o quadro de
pessoal de um Polo. Dessa forma, a gestão participativa proporciona
uma visão abrangente de todos os componentes educacionais, o
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que fortalece a gestão em um todo, pois todos se envolvem nesse
processo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A educação brasileira é marcada por um processo de
transformação, evidenciando a necessidade de mudança de
paradigmas. Entre as mudanças constatadas no decorrer do sistema
educacional, a gestão democrática e participativa se constitui em
um dos mais importantes fatos que contribuíram para o modelo
educacional atual.
Inseridos nesse contexto - da gestão democrática e
participativa de todos os níveis da educação no país - a gestão do
ensino superior também pressupõe esses princípios. Nesse sentido,
a gestão da modalidade de Educação a Distância se constituiu em
um novo desafio, pois houve a necessidade da administração dos
Polos de apoio presencial.
Assim, na gestão desses Polos fica evidenciada a necessidade
de articulação entre os segmentos que a compõem, para que cada
um seja elemento fortalecedor de todo o processo. O todo do
processo caracteriza-se pela participação democrática, pois essa é
essencial para a função social a qual é direcionada a educação a
distância e, dessa forma, essa gestão deve ser embasada em
políticas democráticas e participativas.
A construção de uma gestão democrática e participativa
expressa uma gestão possível e imprescindível para que a Educação
a Distância se constitua em um marco de excelência educacional. Os
meios e os processos devem ser alicerçados em uma dimensão de
gerenciamento que expresse a ideia de conjunto, já que é inegável a
concepção de integração dos agentes dessa modalidade
educacional.
Acredita-se que a melhor maneira de edificar,
consistentemente, as ações desenvolvidas nos Polos de apoio
presencial sejam por meio do trabalho coletivo e participativo,
considerando que as atividades idealizadas com a participação de
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todos os segmentos contribuem para a obtenção dos objetivos
definidos.
Diante do exposto, considera-se que a gestão de Polos no
contexto da Educação a Distância é capaz de produzir bons
resultados se a gestão educacional for alicerçada em um processo
de participação democrática de todos os envolvidos nesse trabalho.
Portanto, a consolidação e a permanência da Educação a
Distância estão infinitamente ligadas à gestão democrática,
participativa, cooperativa e renovadora. Essa gestão democrática e
participativa deve estar relacionada aos aspectos definidos para o
crescimento e eficiência dos Polos de apoio presencial.
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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92
DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS, ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
NO CONTEXTO DA GESTÃO DE POLO DE SEBERI
AUTORA:
Ana Lucia Rodrigues Guterra
PROFESSORA ORIENTADORA:
Jezuína Kohls Schwanz
RESUMO
O presente artigo apresenta e discute a temática:
Desenvolvimento de pessoas, e administração pública no
contexto da gestão do Polo de Apoio Presencial do Sistema
Universidade Aberta do Brasil- UAB de Seberi. Pretende-se,
com o referido artigo, demonstrar que o desenvolvimento de
pessoas, ou seja, sua capacitação, informação e
conhecimento são armas poderosas da nossa era que usadas
em forma de rede e conexões se tornam essenciais para o
bom andamento do sistema UAB. Compreender os problemas
da comunidade universitária e realizar o planejamento
estratégico na gestão do polo é fundamental. É importante
utilizar os princípios norteadores da gestão pública, bem
como, suas ferramentas na gestão dos polos - a qual podese aliar a experiência vivida na coordenação do Polo de
Seberi.
Palavras-chave: gestão pública, gestão de polo, EAD,
desenvolvimento de pessoas.
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CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O Sistema Universidade Aberta do Brasil-UAB7 é um
programa do Ministério da Educação, criado em 2005, que visa
expandir e interiorizar o Ensino Superior na modalidade a distância,
modalidade esta que tem conquistado espaço cada vez maior em
nosso país. Esse sistema prioriza a formação inicial de professores
da educação básica pública além de dar a formação continuada aos
graduados.
A UAB funciona em sistema de parcerias. Os municípios
oferecem a infraestrutura dos polos onde os cursos são ofertados
pelas universidades federais. Nesse espaço, os alunos assistem às
aulas, recebem orientações de tutores selecionados contratados
pelas universidades, têm acesso à biblioteca e aos laboratórios
técnicos e de informática, onde pesquisam e participam das aulas.
O Polo de Apoio Presencial da Universidade Aberta do Brasil
de Seberi segue o padrão físico orientado pelo MEC, como os
demais polos de todo o país. É um ambiente de trabalho
educacional que se transforma rapidamente, sendo a mudança do
quadro da equipe uma constante.
Como o gestor está no centro desta turbulência, que tem
sempre novas demandas surgindo, ele precisa estar apto aos novos
desafios para manter a organização num aprendizado crescente. Por
vivermos num mar de incertezas e transformações, saber gerir uma
organização, dominar as tecnologias de gestão empresarial,
administrar pessoas, fazer de forma eficiente a gestão do
conhecimento exige várias habilidades e competências e isso se
aplica ao coordenador de polo.
7
A Universidade Aberta do Brasil é um sistema integrado por universidades
públicas que oferece cursos de nível superior para camadas da população que têm
dificuldade de acesso à formação universitária, por meio do uso da metodologia da
educação a distância. O público em geral é atendido, mas os professores que atuam
na educação básica têm prioridade de formação, seguidos dos dirigentes, gestores e
trabalhadores em educação básica dos estados, municípios e do Distrito Federal.
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O presente trabalho aborda a atualidade da gestão pública
nos programas federais, fala sobre gestão do conhecimento, das
tecnologias de gestão empresarial, administração de pessoas e do
seu desenvolvimento sobre o gestor de pólos, com foco especial no
Polo da Universidade Aberta do Brasil de Seberi.
1. Gestão Pública e programas federais
Administrar é uma palavra relacionada constantemente a
organizar, a planejar, a comandar. Uma das definições de Gestão
Pública é conduzir uma organização utilizando os recursos
adequadamente envolvendo critérios de qualidade que beneficiem
o cidadão. Enfim, administrar é buscar a excelência no serviço
público usando como ferramenta o conhecimento buscando o bem
comum do cidadão e como diz Matias-Pereira:
Administração pública, num sentido amplo, é
um sistema complexo, composto de
instituições e órgãos do Estado, normas,
recursos humanos, infraestrutura, tecnologia,
cultura, entre outras, encarregado de exercer
de forma adequada a autoridade política e as
suas demais funções constitucionais, visando o
bem comum (2009, s/p).
Ter uma gestão de excelência que é aquela que beneficia o
cidadão, significa fazer o planejamento estratégico, saber
administrar pessoas, utilizar o conhecimento com eficácia, realizar
melhorias dos processos e aguçar a liderança. Esta nova gestão
pública é aquela que sai da burocracia e vai em busca de um estado
gerencial eficiente, que foca o resultado a ser notado pelo
cliente/cidadão.
Nesse contexto, é importante refletirmos sobre os princípios
Constitucionais da Administração Pública (emenda constitucional nº
19/98). São eles: Princípio da Eficiência, Princípio da
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Impessoalidade, Princípio da Moralidade, Princípio da Publicidade e
Princípio da Legalidade.
Através destes princípios percebe-se que todo cidadão que
contribui com o pagamento de impostos paga a conta da
administração pública, tendo, portanto, o direito de ter uma gestão
pública eficiente e obter retorno da sua contribuição em áreas
como saúde, educação, segurança, habitação. O cidadão tem o
direito de exigir o bem comum do que é público.
O fim da administração pública é o interesse público, por isso
a moralidade é fundamental na ação do gestor. E sendo público
todas as ações das organizações públicas devem ser divulgadas,
transparente ao conhecimento de todos para que se perceba o bom
uso de recursos humanos e materiais. Segundo Paula (2005) aponta
que a administração pública gerencial possui seus objetivos como se
percebe na visão de Bresser-Pereira8:
Melhorar as decisões estratégicas do governo
e da burocracia; Garantir a propriedade e o
contrato,
promovendo
um
bom
funcionamento dos mercados; Garantir a
autonomia e a capacitação gerencial do
administrador
público;
Assegurar
a
democracia através da prestação de serviços
públicos orientados para “cidadão-cliente” e
controlados pela sociedade ( PAULA, 2005,
p.21 ).
Com esses objetivos, percebe-se as metas da nova
administração pública que visa à qualidade e à excelência na Gestão
Pública do país e, embora, entenda-se que no Brasil a administração
pública tem como referência o modelo de gestão privada, a pública
tem como objetivo uma função social que necessita ser alcançada
com a maior qualidade possível ao prestar serviços com eficiência e
de forma efetiva.
8
Luiz Carlos Gonçalves Bresser-Pereira é um advogado, administrador de
empresas, economista, cientista político e político brasileiro.
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Atualmente, o governo federal está se esforçando para
melhorar a Gestão Pública no Brasil. Para isso, foi criado o
Gespública que é um programa do Ministério do Planejamento e
Orçamento, voltado para melhorar a execução de programas
prioritários, melhorar e simplificar o atendimento aos cidadãos,
implementar e avaliar a ação do estado. Também orienta os órgãos
públicos baseado na avaliação continuada da gestão, busca
desburocratizar utilizando-se da tecnologia. Com boa gestão é
possível a melhora da relação entre recurso, ação e resultado.
O governo criou também o Programa Nacional de Formação
em Administração Pública-PNAP, cursos que tem por objetivo a
formação e a qualificação de pessoal de nível superior visando o
exercício de atividades gerenciais. Esses programas objetivam sanar
a deficiência de bons gestores no Brasil. Com esses dois programas,
que são canais para a participação da sociedade na gestão pública,
percebe-se a preocupação do governo em corrigir a deficiência de
bons gestores no Brasil.
Portanto, a gestão pública no Brasil ainda é considerada
muito burocrática, centralizada e pesada. Isso ainda acontece,
apesar de todas as mudanças que se presencia na atualidade e dos
desafios que o mundo moderno impõe. De acordo com Bobbio
(1995, s/p) “todo estado muito democrático é, ao mesmo tempo,
muito burocrático”. A burocracia implica em controle dos agentes
públicos e controle dos meios. Além disso, sabe-se que a tecnologia
já está auxiliando os sistemas de informação pública, pois existem
os sistemas de contabilidade e orçamento público, folha de
pagamento (Siape)9, eleições eletrônicas, declaração do imposto de
9
SIAPE- Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos, é um
programa em que os servidores ativos, aposentados e pensionistas poderão
acompanhar de forma mais detalhada a sua vida funcional, seus dados pessoais e
financeiros sem nenhuma burocracia e com muito mais segurança, contribuindo
assim, para que as informações constantes na base SIAPE sejam consistentes e
verossímeis, de modo a subsidiar políticas de gestão de pessoas do governo federal.
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renda pela internet e nos polos de apoio presencial há o SisUAB 10,
que é um sistema de informação da Universidade Aberta do Brasil.
Com boa gestão pública obter-se-á desenvolvimento
econômico, tecnológico, cultural e social. Para isso é preciso que se
reflitam questões que envolvam a ética, a moral e a transparência
na administração pública, enfim que se garantam os direitos da
Constituição ao cidadão.
2. Gestão do conhecimento
Com o avanço tecnológico e a globalização, as organizações
se veem obrigadas a fazer mudanças, e com isso tem ocorrido um
crescente interesse na gestão do conhecimento de forma mais
profunda. “O conhecimento é a informação que transforma algo ou
alguém no sentido de realizar ações ou em função de dotar o
indivíduo ou a instituição da capacidade de agir de maneira
diferente ou mais eficiente” (DUCKHER, apud CHIAVENATO, 2008).
A gestão do conhecimento é uma das principais ferramentas
nas organizações, públicas ou privadas, que são conscientes desta
dentro das empresas. Conhecimento significa informação
estruturada que gera e agrega valor.
Nonaka e Takeuchi distinguem o que é um dado, uma
informação e o conhecimento:
10
SisUAB- É uma plataforma de suporte para a execução, acompanhamento
e gestão de processos da Universidade Aberta do Brasil. Está preparado para o
cadastramento e consulta de informações sobre instituições, polos, cursos, material
didático, articulações, colaboradores e mantenedores.
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Fatos, naturais ou artificiais, quando filtrados
pelos sentidos se convertem em dados. Quando
conseguimos dar significado a esses dados,
obtemos
informações.
Quando
nos
apropriamos dessas informações e damos
uma utilidade às mesmas, estamos criando o
conhecimento (1997, s/p).
No contexto da tecnologia de informação o conhecimento é
diferente dos dados e das informações. Para que o conhecimento se
torne significativo e importante é necessário o suporte humano
inteligente, a comunicação é elemento fundamental que mostra a
capacidade humana. Aquele que utiliza o conhecimento para
realizar seu trabalho é um gestor de conhecimento e isto exige além
da formação acadêmica capacidade de desenvolver habilidades.
Conhecimento é essencial na Gestão de Polos, que tem como
objetivo principal a qualidade e excelência no qual se busca
soluções para as dificuldades surgidas no dia a dia. Para que tudo
isso se concretize, faz-se necessária a valorização de todos aqueles
que participam das atividades do Polo.
Existem dois tipos de conhecimento segundo Nonaka e
Takeuchi: o explícito e o tácito. O conhecimento objetivo e
descritível chama-se de conhecimento explícito. Este é codificado
em bancos de dados, documentos, textos, registros, estatísticas,
artigos, relatos de experiências, metas, missão, práticas e
treinamentos. Mas também, para que tudo isso aconteça é preciso
saber definir, captar, organizar, transmitir, utilizar e ajustar estes
conhecimentos. Ainda de acordo com os autores, além do
conhecimento explícito há o conhecimento tácito ou implícito:
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O conhecimento tácito dos indivíduos é a base
da criação de conhecimento na organização.
A espiral do conhecimento representa a
interação entre conhecimento tácito e
conhecimento explícito, que tem uma escalada
cada vez maior na medida em que subirem os
níveis ontológicos na organização. A criação
do conhecimento organizacional é um
processo em espiral, que começa no nível
individual e vai subindo, ampliando
comunidades de interação através dos quatro
modos de conversão, cruzando fronteiras
entre seções, departamentos, divisões e
organizações (NONAKA e TAKEUCHI, 1997, p.
82).
O conhecimento tácito é subjetivo, difícil de ser codificado,
comunicado, registrado, documentado, pois ele é pessoal, criado
com base nas experiências, percepções, conjunto de habilidades,
entendimentos e aprendizado que uma organização tem. É aí que
deve ser desenvolvido o papel fundamental do gestor, na
organização e orientação desse conhecimento.
No espiral do conhecimento considera-se que o
conhecimento explícito da pessoa surge a partir da compilação do
conhecimento tácito e este conhecimento pode dar lugar a um novo
conhecimento tácito e assim vai-se formando a figura circular. O
conhecimento sempre inicia num pequeno contexto, do micro para
o macro, e vai abrangendo depois para o grupo para a organização,
esta interação também irá se formar e ampliar de forma espiral. É
importante salientar as cinco condições propostas por Nonaka e
Takeuchi para desenvolver o espiral do conhecimento em nível
organizacional que são: intenção, autonomia, flutuação e caos
criativo, redundância e variedade de requisitos (1997, s/p).
O gestor de polos pode e deve se tornar um facilitador do
processo de criação do conhecimento. Ele é um profissional especial
porque ajuda a gerenciar o conhecimento, suas competências e a
monitorar o ambiente tratando, filtrando, encaminhando
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100
informações importantes para o polo. Ele deve propiciar um
ambiente e criar oportunidades para que isso aconteça, usando de
forma estratégica estas informações que podem ter sido criadas,
adquiridas, organizadas e processadas com o objetivo de gerar
novos conhecimentos que desenvolverão no futuro novas
habilidades e competências.
3. As Tecnologias de gestão empresarial: Empowerment e
Gestão de Processos
As tecnologias de gestão empresarial ajudam o gestor a obter
melhores resultados independente se a organização é pública ou
privada. Elas auxiliam nas práticas do dia a dia através da utilização
mais eficaz dos recursos físicos e humanos melhorando a atuação
da equipe.
O empowerment11 ou empoderamento é uma ferramenta de
gestão empresarial que consiste em delegar o poder de decisão e
responsabilidade dando autonomia às pessoas que trabalham nas
organizações. Esta ferramenta estimula a iniciativa e cooperação
dos funcionários, que aprendem a lidar com situações novas, a
planejar e resolver conflitos. É uma forma de tornar os membros da
equipe ativos e proativos dentro da organização12.
Isso é inovador quando se pensa nas regras tradicionais e
regulamentos que impedem essa participação, no caso de uma
empresa que seja centralizadora essa ferramenta dificilmente se
adéqua.
11
Empowerment é uma referência muito comum na década de 80 baseada na
mudança de atitude voltada para o envolvimento dos funcionários nos processos de
inovação de forma moderna (WILKINSON, 1997, p.40).
12
Um agente pró-ativo é dotado de visão própria e, sobretudo, de
inteligência, a maior e mais avançada e sofisticada habilidade humana.
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101
O empowerment, associado à gestão de
recursos humanos e gestão de qualidade total,
é considerado como uma possível solução
para o velho problema sobre ambientes
tayloristas13 e burocráticos onde a
criatividade é sufocada e trabalhadores
sentem-se
alienados
e
descontentes
(WILKINSON,1997, p.41).
E como vivemos numa democracia, uma forma de
organização pressupõe participação efetiva e autonomia com isso
vai-se construindo a gestão democrática e a equipe se torna mais
comprometida e responsável.
Existem alguns princípios para fazer o empowerment das
pessoas, segundo Kanter:
13
Na década de 20 as idéias de Taylor, o pai da Admininstração científica,
influenciou os administradores a pensarem nos melhores métodos para se executar o
trabalho.
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1.Dar às pessoas um trabalho em que elas se
sintam importantes.
2.Dar às pessoas plena autoridade e
responsabilidade, independência e autonomia
em suas tarefas e recursos.
3.Permitir que as pessoas tomem decisões a
respeito de seu trabalho.
4.Dar visibilidade às pessoas e proporcionar
reconhecimento pelos seus esforços e
resultados.
5.Construir relacionamentos entre as pessoas,
ligando-as com as pessoas mais importantes e
apoiando-as
através
de
líderes
e
impulsionadores.
6.Mover a informação em todos os níveis.
Informação é poder e habilita as pessoas a
pensar e a agir melhor.
7.Pedir a opinião das pessoas a respeito dos
assuntos de trabalho. Fazer com que elas se
sintam as donas do processo de trabalho.
Fazer com que elas tenham orgulho de
pertencer à organização.
8.Acentuar a colaboração e o espírito de
equipe. Empoderar pessoas e empoderar
equipes.
9.Ajudar as pessoas empoderadas a
empoderarem as demais. Estenda o
empowerment a todos os níveis e áreas da
organização. Transforme as velhas regras e
regulamentos em meios para divulgar a
informação, opiniões e idéias por toda a
organização. O segredo é utilizar todo o seu
pessoal, todas as habilidades, todo o tempo.
Dar autoridade e recursos às pessoas e deixálas agir (KANTER, apud CHIAVENATO, 2008).
Por intermédio destes princípios temos dicas de como o
empoderamento pode acontecer nas organizações mudando
paradigmas tradicionais. Dando autonomia às pessoas elas mesmas
irão fazer o diagnóstico, analisar e propor solução para os
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103
problemas da organização. As pessoas da equipe envolvida serão
mais atentas e comprometidas com as tarefas que desenvolvem e
também mais motivadas, criativas e impregnadas do espírito de
cooperação.
Ao analisar o porquê de adotar esta tecnologia nas
organizações entende-se que seria pelo fato de ver que o mundo
mudou e as instituições também precisam mudar neste mundo tão
competitivo. E porque hoje os maiores investimentos estão na área
da administração de pessoas, no talento e seu desenvolvimento
profissional.
A gestão de processos também é uma
ferramenta de gestão empresarial. Processos
são conjuntos de ações sistemáticas, baseadas
em fatos, tarefas, dados e ações, que permitem
manter estável a rotina das organizações
(RIBAS et al. 2010, p. 213).
A gestão de processos é uma prática que acompanha e
controla o funcionamento da organização e que procura agradar os
clientes externos no que precisam e desejam e termina por fazer
com que ele adquira o que necessitou.
A utilização dessa ferramenta estimula a valorização do
trabalho em equipe em que haja cooperação, responsabilidade e
comprometimento, pois a equipe terá uma visão geral da
organização e procurará fazer sempre o melhor. O cliente é o centro
desse tipo de organização.
Segundo Bennis e Mische, (1995) as atividades essenciais
(aquelas atividades que são críticas para que sejam atingidos os
objetivos da empresa) também podem, algumas vezes, ser
chamadas de processos. Elas envolvem um conjunto de atividades
operacionais, diversos níveis organizacionais e práticas gerenciais.
Assim elas são os processos que precisam ser executados para que a
empresa exista.
Na gestão por processos as pessoas são agrupadas para fazer
um trabalho, uma atividade completa, então este grupo é que
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recebe a informação de interesse para realizar o trabalho, é muito
importante neste tipo de gestão a coordenação das atividades que
são realizadas.
As tecnologias de gestão - atuais e inovadoras - auxiliam os
gestores a criarem certas habilidades como: negociar, partilhar,
persuadir, comunicar, trocar, calcular e colher, enfim, estar sempre
aberto ao novo. Para isso, é preciso desenvolver valores a serem
trabalhados constantemente como a cooperação, tolerância, autoaceitação, calma, altruísmo e solidariedade.
Por conseguinte, os gestores públicos, têm buscado cada vez
mais, na gestão empresarial dicas interessantes. Há, no entanto,
que se diferenciar o objetivo de cada gestão. O gestor empresarial
busca, impreterivelmente, o lucro; já o gestor público deve focar
seu objetivo no ser humano. Mesmo assim, muitos gestores
empresariais têm apostado na valorização do ser humano, pois
perceberam que, em se valorizando o funcionário, mais
produtividade ele alcança.
4. Administração e desenvolvimento de pessoas
Muitas organizações públicas ou privadas ainda possuem
pessoas trabalhando de forma desordenada, com a comunicação
falha gerando insatisfação. Por este motivo é preciso investir na
gestão de pessoas no desenvolvimento das competências
individuais. E como “A base da gestão independente de ser pública
ou privada são as pessoas...os atores principais nos processos são
servidores e usuários”(RIBEIRO & IRIONDO, 2010).
Preparar e capacitar continuamente as pessoas é muito
importante, também, reconhecê-las nos seus resultados aumentar a
auto-realização e a satisfação no trabalho que realizam ajuda o
fortalecimento e comprometimento. O trabalho em equipe e a
cooperação substituem a centralização de poder.
Segundo Chiavenato:
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Para serem bem-sucedidas, as organizações
precisam de pessoas espertas, ágeis,
empreendedoras e dispostas a assumir riscos.
São as pessoas que fazem as coisas acontecer.
Que conduzem os negócios, produzem os
produtos e prestam os serviços de maneira
excepcional. Para conseguir isso, é
imprescindível
o
treinamento
e
o
desenvolvimento
das
pessoas.(CHIAVENATO,2008, p. 366).
Para se exercer boa competitividade no mercado de trabalho
a organização precisa perceber as pessoas de forma profunda vendo
que cada um é um ser humano com características próprias, que
elas são um diferencial competitivo e ativo, que a reciprocidade na
parceria traz muitos benefícios à organização.
Hoje é necessário investir no conhecimento que deve ser
estimulado, desenvolvido e compartilhado. Também na inteligência
emocional que consegue administrar conflitos e na flexibilidade. A
liderança é outro ponto forte que gera compromisso com os
objetivos, as pessoas saber terem idéias e conduzirem as mesmas,
enfrentar obstáculos, ser criativo, evoluir sempre e mudar para
melhor.
Chiavenato (2008, p.368) ainda afirma que na “atual gestão
de pessoas, os indivíduos são considerados e respeitados de acordo
com suas características e diferenças, habilidades e potencialidades,
necessidades e expectativas”. Hoje, falamos em administrar com as
pessoas, parceiras do negócio e condutoras das organizações.
São várias informações para envolver a pessoa a fim de que
se comprometa com os objetivos a serem atingidos dentro da
empresa e para que esta tenha atitudes proativas e inovadoras.
Além destas informações, é preciso um ambiente que estimule a
auto-aprendizagem e que haja a criação de redes.
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A criação de redes relacionais e
informacionais que permitam estabelecer a
ligação entre pessoas, aceder a dados e
informações relevantes (de forma a acelerar o
fluxo de criação e de difusão do
conhecimento), e a criação de stocks de
conhecimento, por via da construção de bases
de dados online, com a informação e o
conhecimento disponível para que cada
pessoa possa aceder sempre que necessário,
são algumas dos instrumentos utilizados
(BONTIS; CHOO, apud SANTOS, 2008).
Além destas redes relacionais e informacionais, é necessária a
criação de estruturas em redes que articulem as diversas áreas de
departamentos, grupos, projetos e pessoas. As ligações, interações,
relações com o externo das organizações feitas pelos membros da
equipe são fundamentais para a potencialização do conhecimento.
Para o polo ter sucesso depende muito do desempenho das
pessoas porque são elas que pensam, se relacionam e levam a
imagem da instituição à comunidade. Neste sentido as capacitações
dadas aos tutores, ao coordenador de polo e equipe técnica são
fundamentais para o bom andamento dos polos e dos cursos das
instituições, da mesma forma que ter um ambiente saudável e
democrático auxilia em muito a motivação e autonomia da equipe
para realização de ações que beneficiem a organização nos diversos
sentidos.
Dentro deste processo entra o papel do gestor de polos, que
vamos refletir em seguida. Este precisa ter conhecimentos sobre
recursos humanos ou administração de pessoas para auxiliar o
desenvolvimento das competências individuais e organizacionais.
5. O gestor de polos
O coordenador de polo do Sistema Universidade Aberta do
Brasil (UAB) é um professor da rede pública ou privada que gerencia
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aquele espaço. Este gestor precisa comprovar no mínimo três anos
de experiência na educação básica.
Houve intenção dos órgãos competentes que esta escolha
ocorresse de forma democrática, sendo que a regra solicita
apresentar três currículos que no início eram entregues ao MEC e
posteriormente depois às universidades responsáveis pelo polo.
Mas constatou-se depois que muitos coordenadores foram
escolhidos com indicação direta ou indireta onde se sobressaiu a
influência política, da mesma forma quando houve eleições
municipais muitos coordenadores foram extirpados do processo e
muito desrespeito teve-se com aquele profissional que era visto
como cargo de confiança do prefeito. Esta reflexão mostra que há
um problema quanto a esta função.
São atribuições do coordenador de polo segundo o Anexo I da
Resolução CD/FNDE nº26, de 05 de junho de 200914, que estabelece
orientações e diretrizes para o pagamento das bolsas do Sistema
UAB, conforme segue:
 acompanhar e coordenar as atividades
docentes, discentes e administrativas
do polo;
 garantir às atividades da UAB a
prioridade de uso da infra-estrutura do
polo;
 participar
das
atividades
de
capacitação e atualização.
 elaborar
e
encaminhar
à
UAB/DED/CAPES, relatório semestral
das atividades no pólo, ou quando
solicitado;
 elaborar e encaminhar à coordenação
do curso, relatório de frequência e
desempenho dos tutores e técnicos
atuantes no polo;
14
BRASIL.UAB/CAPES. Resolução nº 26, de 5 de junho de 2009. Diário
Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 8 de junho 2009. Seção1, p.12
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108








acompanhar as atividades de ensino,
presenciais e a distância;
acompanhar
e
gerenciar
o
recebimento de materiais no polo, e a
entrega dos materiais didáticos aos
alunos;
zelar pela a infra-estrutura do polo;
relatar problemas enfrentados pelos
alunos ao coordenador do curso;
articular, junto às IPES presentes no
polo de apoio presencial, a distribuição
e o uso das instalações do polo para a
realização das atividades dos diversos
cursos;
organizar, junto com as IPES presentes
no polo, calendário acadêmico e
administrativo que regulamente as
atividades dos alunos no polo;
articular-se com o mantenedor do
polo com o objetivo de prover as
necessidades materiais, de pessoal e
de ampliação do polo;
receber e prestar informações aos
avaliadores externos do MEC.
Como se percebe são muitas as funções que este profissional
desempenha no polo e elas ultrapassam as questões
administrativas. Desta forma, é importante salientar, conforme
Oliveira( 2007, s/p. ), que o gestor de polo não é um mero
administrador. Além de saber e cumprir com os trâmites
burocráticos, deve saber ouvir, trabalhar em equipe, planejar,
dialogar com vistas à emancipação do grupo, mediar conflitos, ter
visão do todo, promover a participação coletiva, ter consciência dos
limites e possibilidades de sua gestão cumprindo também com sua
função social. Ser gestor é ter a responsabilidade de gerir com
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competência um polo de educação a distância que se constituirá
conforme sua gestão.
Por isso, é um profissional que necessita de capacitação
continuada e uma das formas de capacitação usada é o ambiente
virtual de aprendizagem – AVA. É através do Ambiente de Trabalho
da Universidade Aberta do Brasil - ATUAB - que os coordenadores
de polo recebem informações e orientações, trocam experiências,
aprendendo a gerir o polo para atingir a excelência.
Também a
Universidade Federal de Santa Catarina capacita a distância
coordenadores de polo através do Moodle EAD-UFSC com a
capacitação anual de Coordenadores de Polo de Apoio Presencial:
Gestão Inovadora em EAD que afirma:
A formação continuada dos Coordenadores de
Polos visa atender a integração necessária ao
processo da EAD em geral, bem como focar as
especificidades desse novo papel para
educação brasileira Este desafio repercute nos
pólos desses municípios em que os
coordenadores, por sua vez, devem articular
cursos, e instituições diferentes no cotidiano
presencial que atende ao aluno, que pela
primeira vez estuda a distância. Este curso
tem o objetivo de desenvolver e exercitar
características que devem compor o perfil do
Coordenador de Pólo Presencial de EAD para
atuar como agente inovador capaz de
articular as características locais com as
institucionais, construindo um projeto de
gestão que agregue valores ao processo de
democratização educacional brasileiro. (EAD:
Meu
Moodle
http://ead.moodle.ufsc.br/
course/view.php?id=1183 ).
A Universidade Federal de Pelotas, parceira do polo de
Seberi, proporciona aos seus coordenadores de polos um Curso de
Pós-Graduação Lato Sensu em Gestão de Polos na modalidade a
distância. Este curso que utiliza a plataforma Moodle tem por
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110
objetivo capacitar professores para atuar na gestão dos polos de
apoio presencial de modo a contribuir com a melhoria da gestão das
atividades desenvolvidas neste espaço sócio-educativo.
É uma exigência do governo federal a existência dos polos de
apoio presencial para o bom funcionamento e operacionalização
dos cursos das universidades. O Ministério de Educação tem
procurado padronizar os conhecimentos adquiridos como é
também padronizado o espaço físico auxilia o coordenador nas suas
atividades do cotidiano.
Aprender é planejar, é desenvolver ações, é
receber, selecionar e enviar informações é
estabelecer conexões, é refletir sobre o
processo em desenvolvimento, em conjunto,
com
os
pares,
é
desenvolver
a
interaprendizagem, a competência de resolver
problemas em grupo e a autonomia em
relação à busca, ao fazer e ao compreender
(ALMEIDA, 2003, s/p)
Como se observa acima, o gestor de polo precisa ter algumas
características que o cargo exige, precisa ser membro dinâmico,
atento aos acontecimentos e informações. O gestor precisa de
formação e ser munido com ferramentas e elementos necessários à
boa administração. Este gestor necessita saber fazer dentro do seu
polo a gestão estratégica, gestão de projetos, gestão da
infraestrutura, gestão da equipe e a gestão de processos. Necessita
ter conhecimentos variados sobre aspectos relacionados à Internet,
infra-estrutura básica, rede elétrica, acessibilidade, compras,
equipamentos, vigilância, limpeza, gestão administrativa,
pedagógica, planejamento e ao mesmo tempo realizar o marketing
do polo (RIBAS et al, 2010, p. ).
O gestor de polo também deve dar autonomia para que as
pessoas possam atingir metas, necessita-se a criação de
oportunidades dentro da organização de aprendizado, criação de
mecanismos de desenvolvimento das competências individuais e
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
111
organizacionais, e o reconhecimento do empenho das pessoas,
buscando o alinhamento de cada um na missão da organização.
Todos estes fatores são favorecidos com a organização por
processos, pois, pressupõe que as pessoas trabalhem de forma
diferente. Em lugar do trabalho individual e voltado a tarefas, a
organização por processos valoriza o trabalho em equipe, a
cooperação, a responsabilidade individual e a vontade de fazer um
trabalho melhor.
Enfim, ser gestor exige várias habilidades do professor
coordenador de pólo, pois ele não é mera figura decorativa e a boa
gestão depende de capacitação continuada, constante. Há que se
avançar muito ainda neste sentido, mas, percebe-se o crescimento
já realizado com a formação que os coordenadores de polo têm
recebido do Ministério da Educação-MEC, CAPES e das Instituições
que fazem parte daquele polo.
O empowerment pode ser extremamente útil para o Gestor
de Polo, pois vem ao encontro das atribuições do mesmo, tendo
como objetivo dar autonomia os funcionários. Esta tecnologia pode
ser aplicada com sucesso, desde que exista um treinamento
adequado aos funcionários para o programa, deve ser implantado
com tempo, para que se possa estimular a iniciativa dos
funcionários, e finalmente, deve haver uma mudança de cultura
organizacional para que a implantação do empowerment obtenha
sucesso. Os funcionários precisam se capacitar continuamente para
saber trabalhar com situações novas, diferentes estilos pessoais e
grupais, retroalimentação e resolver conflitos. A gestão por
processos, que vem a seguir, também foge do modelo tradicional.
As tecnologias de gestão empresarial Empowerment e Gestão
por processos podem ser aplicadas tranquilamente com sucesso na
Gestão pública e particularmente na gestão de um polo de apoio
presencial. E gestar o polo mais especificamente é algo que se está
aprendendo no decorrer do tempo. No início do processo da UAB
quando a coordenadora assumiu a função, sua visão era mais
tradicional em que achava que teria que fazer tudo, observar tudo,
centralizar tudo, enfim, não poderia ausentar-se para nada no polo.
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
112
No decorrer das capacitações percebeu que todos os envolvidos na
equipe deveriam ter autonomia, participação e que deveria
descentralizar o poder e assim a carga ficaria menor para si.
Ter uma visão compartilhada onde a responsabilidade é de
todos e os resultados efetivos são conseqüência do trabalho de
equipe necessita envolver a equipe na tomadas de decisões e
partilhar as tarefas, isso acabou fazendo com que todos se
sentissem responsáveis e auxiliassem nos rumos do trabalho no
polo.
São muitos os parceiros do polo de apoio presencial de
Seberi/ RS: a prefeitura, as universidades com suas particularidades,
os cursos especificamente, o MEC, CAPES, os alunos, tutores, corpo
técnico do polo e comunidade em geral. Há uma rede de relações
importantes na obtenção de bons resultados. Descentralizar,
flexibilizar e inovar é aprendizado necessário para atingir os
objetivos a que se propõe isto gera a valorização de todos os
envolvidos porque há cooperação e partilha.
6. O Polo de apoio presencial de Seberi: um relato de
experiência
O Polo de Seberi15 tem um espaço físico cedido por uma
escola estadual do município, as instituições presentes no polo são:
Universidade Federal de Pelotas- UFPEL, Universidade Federal de
Santa Catarina-UFSC e Universidade Federal do Rio Grande do SulUFRGS esta que iniciou neste ano com um curso de extensão.
O Polo possui cinco cursos de graduação e um curso de
extensão, são duas licenciaturas e três bacharelados: Pedagogia,
Matemática, Administração, Ciências Contábeis e Ciências
Econômicas e o Curso de Extensão Mediadores de Leitura. Ao todo
são nove turmas de graduação e uma turma do curso de extensão
com uma equipe de 17 pessoas.
15
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Criado pela Lei Municipal nº. 2.589, 26 de março de 2007.
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
113
A coordenação é exercida pela coordenadora16 desde o início
da implantação na comunidade e com as capacitações aprendeu e
está aprendendo a gerir o polo cada dia mais. Sua preocupação é
envolver a equipe de trabalho concedendo poder de decisão nas
diversas situações e acontecimentos. Algumas ações são necessárias
para isso: reuniões periódicas comunicando informações,
combinando ações, consultando a todos sobre eventos que se
realizam semestralmente e ações sobre o andamento dos cursos no
polo, é trabalhado sempre a cooperação, a interatividade, a
tolerância, auto-aceitação, calma, altruísmo e solidariedade.
Também foi elaborada em conjunto a missão e visão do
17
polo que são as seguintes:
-Missão
Assume difundir e preservar o conhecimento, a pesquisa e a
cultura, buscando atingir excelência em ensino superior a distância.
-Visão
Ser reconhecido como referência em educação a distância,
contribuindo para o desenvolvimento social e econômico da região
formando profissionais competentes e de reconhecida qualificação.
Focando sempre na missão e visão do polo há maior
seriedade e um alvo a ser seguido. Trabalhar em equipe no Polo
exige paciência, diálogo constante, planejamento e organização.
Preocupa-se em registrar e divulgar a história do Polo de
Seberi, para isso, a cada ano é realizado um plano de gestão com os
objetivos e metas a serem cumpridas naquele ano, há muito
16
Ana Lucia Rodrigues Guterra é coordenadora do Polo de Apoio Presencial
da Universidade Aberta do Brasil de Seberi-RS, nomeada pelo MEC, desde sua
implantação em 2007.
17
Elaborar a missão e a visão do Polo partiu de um desafio feito pelo
Professor Marcos Dalmau professor do Curso de Administração da Universidade
Federal de Santa Catarina-UFSC que questionou no II Encontro Integrador entre os
Cursos da UAB de Seberi, realizado em 29 de outubro de 2008, qual era nossa
missão e visão. A partir daí a equipe se reúne e começa a elaborar, mas esquece-se
de registrar em ata. A primeira vez que é publicada a missão e a visão do polo no
jornal “O Alto Uruguai” foi em 29 de novembro de 2008, conforme Portfólio de
divulgação do Polo-2006/2008 página 107. Com isso conclui-se que esta elaboração
se deu no prazo de um mês.
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
114
cuidado com registros de visitas, de eventos e reuniões, de
fotografias, é feito um portfólio de divulgação de notícias do polo
que saem no jornal.
Trabalhar dentro da perspectiva da necessidade de criação de
uma boa equipe é fundamental para que se consigam atingir os
resultados esperados, é imprescindível, já que bons resultados
dificilmente nascem de ações individuais. É dado valor importante
ao bom ambiente de trabalho no polo enfatizando sempre o
trabalho de equipe.
No polo a equipe é valorizada e é bem aceita a criatividade.
Trabalho de equipe traz ótimos resultados. Quando a coordenadora
trabalha com a equipe enfatiza: a paciência, para que os membros
procurem expor os seus pontos de vista com moderação e procura
ouvir o que todos têm a dizer, é importante aceitar as ideias dos
outros algo que às vezes fica difícil, mas é importante saber
reconhecer que a idéia de um colega pode ser melhor do que a sua.
Afinal de contas, mais importante do que o orgulho é o
objetivo comum que o grupo pretende alcançar. Às vezes surgem
conflitos entre os colegas de grupo, é muito importante não deixar
que isso interfira no trabalho em equipe. Ao trabalhar em
equipe,
é
importante
dividir
tarefas.
Compartilhar
responsabilidades e informação é fundamental. A equipe precisa
trabalhar em harmonia, sintonia e parceria.
Quando várias pessoas trabalham em conjunto, é natural que
surja uma tendência para se dispersarem e divergirem; o
planejamento e a organização são ferramentas importantes para
que o trabalho em equipe seja eficaz. É importante fazer o balanço
entre as metas a que o grupo se propôs e o que conseguiu alcançar
no tempo previsto. Combinar ações, fazer parceria, ser cooperativo,
o trabalho de equipe é uma oportunidade de conviver mais perto
dos colegas, e também de aprender com eles.
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
115
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Educação a Distância (EAD) no Brasil veio para ficar. A EAD é
um poderoso instrumento de inclusão para quem mora distante da
sede das instituições de ensino, proporciona inclusão digital, além
de capacitar quem continua estudando e que tenha muitos
compromissos na vida moderna e não pode frequentar um curso
presencial.
Através deste trabalho constatou-se que os programas
federais de gestão pública beneficiam o cidadão quando fazem um
trabalho de excelência que é percebido pelo mesmo, para que isso
aconteça deve-se ter conhecimento dos princípios Constitucionais
da Administração Pública.
A gestão pública aplicada à EAD é aquela que trabalha de
forma eficaz numa gestão participativa com visão de futuro e busca
pela excelência auxilia o gestor na coordenação dos recursos
humanos, tecnológicos e didáticos em comum acordo com as
universidades atuantes no Polo e a UAB/MEC.
Ao utilizar no ambiente do Polo de Seberi as ferramentas
Empowerment e Gestão de Processos, constatou-se que dar
autonomia e dividir responsabilidades à equipe estimulou a
cooperação, o planejamento entre os membros e auxiliou na
resolução de conflitos que aparecem no cotidiano. Para que isso se
efetivasse foram necessárias reuniões de equipe constantes e
interação diária com os membros, sem a aplicação destas
ferramentas não haveria comprometimento com o polo local.
Gestão é assunto fundamental e a base da gestão são as
pessoas. Por isso, saber gestar o polo de educação a distância vai
possibilitar exercer melhores práticas no dia a dia utilizando melhor
os recursos físicos e humanos. Hoje, como coordenadora, caminho
para uma melhor preparação para enfrentar os desafios que se
apresentam no espaço do Polo de Seberi.
Enfatizo a importância do desenvolvimento de pessoas
através de formação e capacitação contínua. Auxiliar no
desenvolvimento de habilidades e competências resulta num
diferencial competitivo. As pessoas que atuam no polo EAD são
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
116
parceiras comprometidas quando são conscientes de sua função e
tem conhecimento da importância do trabalho que desenvolvem.
Ser coordenador de polo é uma função que exige preparo e
formação contínua e, nestes quatro anos de experiência, concluí
que as formações dadas pelas universidades bem como pela CAPES
foram essenciais para que eu exercesse a função da melhor forma e
o curso de Especialização em Gestão de Polos deveria, a meu ver,
ser uma capacitação obrigatória aos coordenadores e tutores de
todo o Brasil pela formação importante que proporcionou.
Enfim, o Polo de Apoio Presencial da Universidade Aberta do
Brasil de Seberi tem uma equipe de trabalho unida e consciente de
sua missão e visão elaborada por todos. Com isso, o trabalho tem
um foco e um alvo a ser alcançado. Como coordenadora tenho
procurado me dedicar para que a consolidação da EAD no interior
do país aconteça com qualidade e da forma como foi proposta pelo
Ministério de Educação.
Portanto, a gestão pública é aquela que trabalha com
agilidade e inovação, valorizando as pessoas numa gestão
participativa focando nos resultados e assim obtendo um
aprendizado organizacional onde a gestão é baseada em processos
e informações buscando sempre uma visão de futuro com
excelência dirigida ao cidadão.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, M. E. B. Educação a Distância na Internet: abordagens e
contribuições dos ambientes digitais de aprendizagem. Educação e
Pesquisa, São Paulo, v. 29, n. 2, p. 327-340, 2003.
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Acesso em: fev. 2011.
_____. Resolução nº 26, de 5 de junho de 2009. Estabelece orientações e
diretrizes para o pagamento de bolsas de estudo e de pesquisa a
participantes da preparação e execução dos cursos dos programas de
formação superior, inicial e continuada no âmbito do Sistema
Universidade Aberta do Brasil (UAB), vinculado à Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a serem pagas
pelo FNDE a partir do exercício de 2009. Disponível em:
<http://www.uab.capes.gov.br/index.php?option=com_content&view=arti
cle&id=71:resolucao-cdfnde-no-26-de-5-de-junho-de2009&catid=15:resolucoes&Itemid=47>. Acesso em: fev. 2011.
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Sobre
a
UAB:
O
que
é.
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NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Criação de Conhecimento na empresa: como as
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
119
A LEGISLAÇÃO E O PAPEL DO GESTOR DE POLOS
AUTORA:
Andréia Inês Hanel
PROFESSOR ORIENTADOR:
José Eduardo Nunes de Vargas
RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo pesquisar e apresentar
as leis federais e municipais de Tapejara RS que criaram e
mantém o Polo UAB de Tapejara RS, verificando sua
abrangência e possíveis lacunas. Além disso, pretende
apontar as características que um gestor deve apresentar a
fim de garantir o funcionamento e a ampliação desse espaço
de ensino-aprendizagem à distância e presencial. Destaca-se
que o gestor de Polo tem uma importância de extrema
relevância para o funcionamento dos Polos de Apoio
Presencial, sendo este o responsável pela divulgação do
mesmo, a fim de que haja candidatos aos concursos
vestibulares, bem como a elaboração de projetos junto as
Instituições de Ensino Superior (IES) para a conquista dos
cursos de Graduação, Pós-graduação e Extensão, além é
claro do funcionamento coerente a fim de que esse espaço
obtenha a credibilidade junto a comunidade em que atua.
Para que essa credibilidade seja alcançada cabe ao gestor de
Polo, coordenar uma equipe de tutores e funcionários
(secretárias, vigilantes, bibliotecários, auxiliar de serviços
gerais, técnicos de informática) e a manutenção do espaço
físico do Polo, com Internet de qualidade, computadores,
câmeras e aparelhos de vídeo e webconferência em perfeitas
condições de uso e qualidade. Diante desse rol de
incumbências mostra-se a relevância do conhecimento por
parte do gestor de Polos, da legislação que financia a
Universidade Aberta do Brasil – UAB. A pesquisa será
desenvolvida por meio de pesquisa virtual a leis e decretos
federais e por meio de pesquisa bibliográfica os dados
referentes as características do gestor de Polos.
Palavras-chave: Leis federais; Leis municipais; Papel do
gestor; Atribuições do gestor.
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O presente trabalho tem como objetivo pesquisar e
apresentar as leis federais e municipais de Tapejara RS que criaram
e mantém o Polo UAB de Tapejara RS, verificando sua abrangência e
possíveis lacunas, mais especificamente a UAB (Universidade Aberta
do Brasil). Além de verificar se estas se complementam ou
prejudicam a gestão neste Polo de Apoio Presencial UAB,
denominado Núcleo Tecnológico Educacional de Tapejara - Polo
UAB de Tapejara RS, em relação à manutenção e o desenvolvimento
da EAD-UAB neste município e na região.
Assim, estaremos abordando as leis que criaram e mantém,
via financiamento, a EAD no Brasil, num primeiro momento, e no
município de Tapejara RS, num segundo momento. Alertamos, no
entanto, que nossa pesquisa não pretende esgotar o assunto, visto
sua amplitude, por isso não estaremos abordando todas as leis,
decretos, pareceres e resoluções que abordam o assunto da UAB,
nos limitando a tratar daqueles que referem diretamente o assunto
que nos propomos a estudar.
Tal pesquisa justifica-se, uma vez que, a existência ou a
ausência de determinadas leis, podem impedir ou acelerar o
desenvolvimento do Polo UAB de Tapejara RS, independentemente
dos gestores municipais. Dessa forma, tem-se como objetivo:
Identificar as leis federais e municipais que criam e regulam a UAB
nessas esferas e, com isso, verificar a contrapartida federal na
manutenção da UAB no Polo de Tapejara RS e a contrapartida
municipal, assegurada em lei, na manutenção do Polo UAB de
Tapejara RS.
Temos, também, o interesse em buscar, bibliograficamente,
num terceiro momento, algumas características indispensáveis para
aquele que assumir a função de coordenador do Polo UAB Tapejara
RS, a fim de assegurar o funcionamento e o desenvolvimento do
mesmo. Esse item nos parece de extrema pertinência, uma vez que
o gestor do Polo é o responsável direto pela sua ampliação, pela sua
credibilidade junto a comunidade, aos estudantes, as IES
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
121
(Instituições de Ensino Superior) e, também, pelo futuro da UABEAD, como estaremos abordando em espaço próprio.
Encerramos nossa pesquisa, apontando a relação de
proximidade entre os três itens apresentados e as contribuições
dessa pesquisa para o meio político e científico interessado.
1. LEGISLAÇÃO FEDERAL E A EAD
Iniciamos nossos estudos pela Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDB) 9394/96 em seu artigo 80, que juntamente
com o Decreto 5.622 de 19 de dezembro de 2005, publica a criação,
o funcionamento e o desenvolvimento da EAD no Brasil
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
122
Art. 80. O Poder Público incentivará o
desenvolvimento e a veiculação de programas
de ensino a distância, em todos os níveis e
modalidades de ensino, e de educação
continuada.
§ 1º A educação a distância, organizada com
abertura e regime especiais, será oferecida
por instituições especificamente credenciadas
pela União.
§ 2º A União regulamentará os requisitos para
a realização de exames e registro de diploma
relativos a cursos de educação a distância.
§ 3º As normas para produção, controle e
avaliação de programas de educação a
distância e a autorização para sua
implementação, caberão aos respectivos
sistemas de ensino, podendo haver
cooperação e integração entre os diferentes
sistemas.
§ 4º A educação a distância gozará de
tratamento diferenciado, que incluirá:
I - custos de transmissão reduzidos em canais
comerciais de radiodifusão sonora e de sons e
imagens;
II - concessão de canais com finalidades
exclusivamente educativas;
III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para
o Poder Público, pelos concessionários de
canais comerciais. (BRASIL. Lei nº 9.394, de
20 de dezembro de 1996)
Diante da autorização dos cursos a distância pela LDB
passamos a refletir sobre as formas de financiamento da mesma,
mais especificamente do Sistema UAB. De encontro a
Resolução/FNDE/CD n° 044, de 29 de dezembro de 2006, em seu
artigo 4° são definidos como agentes do Sistema UAB
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
123
I
a
Fundação
Coordenação
de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES/MEC), gestora do Sistema UAB, com o
apoio da Secretaria de Educação a Distância
(SEED) e em colaboração com a Secretaria de
Educação Básica (SEB), a Secretaria de
Educação Superior (SESu), a Secretaria de
Educação Profissional e Tecnológica (SETEC),
a Secretaria de Educação Continuada,
Alfabetização e Diversidade (SECAD) e a
Secretaria de Educação Especial (SEESP) do
Ministério da Educação, articuladoras do
Sistema;
II - o Fundo Nacional de Desenvolvimento da
Educação (FNDE), órgão responsável pelo
pagamento de bolsas no âmbito do Sistema;
III - as instituições públicas de ensino superior
(IPES) vinculadas ao Sistema UAB,
responsáveis pela oferta de cursos e
programas de educação superior a distância;
e IV - Estados e Municípios, responsáveis pela
implantação de pólos de apoio presencial do
Sistema UAB.
II - do Fundo Nacional de Desenvolvimento
da Educação (FNDE/MEC):
a) elaborar, em comum acordo com a
CAPES/MEC, atos normativos relativos à
concessão e pagamento de bolsas de estudo e
pesquisa no âmbito do Sistema UAB;
b) providenciar a abertura, no Banco do
Brasil S/A, em agência indicada pelo bolsista,
da conta-benefício específica para cada um
dos beneficiários cujos cadastros pessoais lhe
sejam encaminhados pela CAPES/MEC por
intermédio do SGB;
c) efetivar o pagamento mensal das bolsas de
estudo e pesquisa no âmbito do Sistema UAB,
depois de atendidas, pela CAPES/MEC, as
obrigações estabelecidas nesta Resolução;
d) monitorar o pagamento de bolsas junto ao
Banco do Brasil S/A;
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
124
e) suspender o pagamento das bolsas sempre
que ocorrerem situações que motivem ou
justifiquem a medida, inclusive por solicitação
da CAPES/MEC;
f) prestar informações à CAPES/MEC sempre
que solicitadas;
g) divulgar informações sobre o pagamento
das bolsas no endereço www.fnde.gov.br; e
h) notificar o bolsista em caso de restituição
de valores recebidos indevidamente. (BRASIL.
Resolução/FNDE/CD n° 044)
Percebe-se até o momento que o governo federal destina a
CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior) e ao FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da
Educação) uma parte das funções para o funcionamento do Polo,
mas que já determina aquela que cabe aos Estados e municípios
parceiros do programa UAB, a implantação dos Polos de Apoio
Presencial - UAB. Ainda nesta resolução, em seu artigo 7°, há a
referência ao pagamento das bolsas aos tutores, coordenadores de
Polo e professores pesquisadores, que assim está descrito:
Art. 7º As bolsas de estudo e pesquisa de que
trata essa Resolução serão concedidas aos
participantes de projetos de cursos superiores
a distância para a formação inicial e
continuada no âmbito do Sistema UAB.
§ 1º As bolsas serão concedidas pela
CAPES/MEC e pagas pelo FNDE/MEC
diretamente aos beneficiários, por meio de
crédito em conta-benefício aberta em agência
do Banco do Brasil S/A, indicada
especificamente para esse fim e mediante a
assinatura, pelo bolsista, de Termo de
Compromisso (Anexo II) em que constem,
dentre outros: (BRASIL. Resolução/FNDE/CD
n°44)
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
125
Celso Costa18 – Diretor de Educação a Distância (UAB – Capes
– MEC) - a CAPES, por sua vez, descreve como ocorre o
financiamento integral de custeio e capital para as instituições
integrantes da UAB, por meio de:
 Bolsas e custeio para a produção e reprodução de
materiais didáticos;
 Bolsas para professores e tutores à distância;
 Recursos para a infra-estrutura dos núcleos de EAD e
das salas de coordenação e tutoria nas instituições;
 Recursos para a implementação dos cursos.
Nos Polos presenciais a CAPES é responsável pelo
financiamento integral de:
 Bolsa para coordenador do Polo e tutores presenciais,
 Além do fornecimento de 50 computadores para o 1°
laboratório e conexão para internet.
Por outro lado, a CAPES em parceria com os municípios e
estados deverá financiar:
 Laboratórios pedagógicos;
 Acervo para as bibliotecas;
 Expansão e reforma da infra-estrutura.
Percebe-se que há uma divisão de atribuições e despesas
para que a UAB possa efetivar-se nos Polos de Apoio Presencial. O
artigo 6 do decreto 5800 de 8/6/2006 assegura que
18
Informações retiradas de um resumo de uma palestra proferida na ocasião
da Capacitação de Tutores promovida pela UFSC e IFSC em fev/2011.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
126
As despesas do Sistema UAB correrão à conta
das dotações orçamentárias anualmente
consignadas ao Ministério da Educação e ao
Fundo Nacional de Desenvolvimento da
Educação - FNDE, devendo o Poder Executivo
compatibilizar a seleção de cursos e
programas de educação superior com as
dotações
orçamentárias
existentes,
observados os limites de movimentação e
empenho e de pagamento da programação
orçamentária e financeira.(BRASIL. Decreto
5800 de 8/6/2006)
Assim, evidencia-se a responsabilidade do MEC (Ministério da
Educação e Cultura) em anualmente, rever as dotações
orçamentárias para o financiamento do Sistema UAB, mas há o
alerta de que a expansão desta está diretamente ligada à existência
de orçamento público disponível.
Por sua vez, o Decreto 5.622 de 19 de dezembro de 2005
estabelece as normas de funcionamento para as Instituições de
Ensino Superior se adaptar para a oferta de Educação à Distância no
Brasil, em todos os níveis. Conforme a Resolução CD/FNDE nº 24
de 04 de junho de 2008, fica estabelecida a destinação de recursos
como apoio financeiro as IPES em seu artigo 3º, parágrafo único:
Serão
assistidas
financeiramente
as
instituições de ensino federais, mediante
descentralização de crédito orçamentário,
conforme previsto na Resolução CD/FNDE nº
19, de 13 de maio de 2005 e no Decreto nº
6.170, de 25 de julho de 2007, e as instituições
públicas de ensino superior estaduais ou
municipais, mediante celebração de convênio.
(BRASIL. Resolução CD/FNDE nº 24 de 04 de
junho de 2008)
As Instituições municipais deverão elaborar um projeto
especificando as infraestruturas que estarão disponíveis, tais como:
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
127
biblioteca, sala de videoconferência, laboratório, enfim tudo aquilo
que já sabemos e que é fundamental para o funcionamento de um
curso EAD, esse projeto deverá ser aprovado pela CAPES com apoio
do MEC e da SEED (Secretaria de Estado da Educação Secretaria de
Estado da Educação). O FNDE é o órgão responsável em repassar e
fiscalizar os recursos as IPES (Instituição Pública de Ensino Superior),
após seus projetos serem aprovados.
Sabendo não ter esgotado o assunto, mas certos de ter
oferecido um panorama da criação e manutenção da EAD-UAB no
cenário nacional, passamos agora a apresentar a legislação
referente a EAD-UAB no município de Tapejara RS.
2. LEGISLAÇÃO MUNICIPAL E A EAD
Nesse momento, estaremos colocando a lei municipal que
criou e mantém a EAD no município de Tapejara RS. Abaixo, segue
fragmentos da19 Lei nº 3.006/2007 que dispõe sobre a criação do
Núcleo de Tecnologia Educacional de Tapejara RS.
Inicialmente, percebe-se que a Lei N° 3.006/07 em seu artigo
1º estabelece a criação e destinação do espaço físico, denominado
Núcleo Tecnológico de Tapejara para o desenvolvimento das
atividades da UAB. Também, oficializa que o mesmo estará
subordinado a Secretaria de Educação deste município.
19
ÍNDICE
A Lei nº 3006/2007 será disponibilizada na íntegra na seção Anexos.
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
128
Art. 1° - Fica criado na estrutura
organizacional municipal, o Núcleo de
Tecnologia
Educacional
de
Tapejara,
subordinado à Secretaria Municipal de
Educação, Desporto e Cultura, como órgão
Administrativo e de Gestão do Pólo
Educacional de Ensino Superior à Distância
do Município.
Parágrafo
único
As
atividades
administrativas e de gestão do Núcleo de
Tecnologia Educacional de Tapejara, serão
coordenadas e desenvolvidas de acordo com
as normas do Programa Universidade Aberta
do Brasil do Ministério da Educação.
(TAPEJARA. Lei 3.006/07)
Os artigos 2 (dois), 3 (três), 4 (quatro) e 5 (cinco) referem a
manutenção financeira do espaço, e respectivas alterações, com a
destinação de verbas, via LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) a
fim de assegurar o funcionamento do mesmo.
Já os artigos 6 (seis) e 7 (sete) representam a forma padrão da
apresentação de uma lei. E, nos cabe nesse momento, ressaltar que
não tivemos acesso a nenhum outro documento que refira a criação
ou ao financiamento da EAD-UAB no município e, antecipadamente,
pedimos desculpas caso exista algum outro documento ao qual não
tivemos acesso.
Exposta a legislação que criou e mantém a EAD-UAB nos
níveis acima referidos, passamos a apresentar algumas
considerações acerca daquele que é responsável pelo espaço físico
do Polo, bem como seu funcionamento e prosperidade.
3. O GESTOR DE POLOS: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Nesse momento, faremos uma abordagem do papel do gestor
de Polos, frente sua atuação profissional. Passamos a algumas
considerações iniciais nos apropriando das idéias de Lacombe
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
129
(2005). Inicialmente, tomamos o Polo como uma organização, já
que o autor define organização de seguinte forma
(...) um grupo de pessoas que se constitui de
forma organizada para atingir objetivos
comuns. Para que exista uma organização é
preciso que existam objetivos comuns, divisão
de trabalho, fonte de autoridade e relações
entre as pessoas20. (2005, p.8)
Dessa forma, mostra a necessidade de o gestor de Polos,
frente à organização que coordena, deixar claro quais são os
objetivos de estar nas funções existentes dentro desse espaço e
mais, saber qual é a função de um Polo de Apoio Presencial UAB.
Por outro lado, cabe ao gestor definir as tarefas de cada um de seus
membros, a fim de que cada função tenha um referido colaborador
como responsável. Quanto aos colaboradores, Lacombe faz a
seguinte afirmativa
Selecionar, formar, integrar e aperfeiçoar um
grupo de pessoas para trabalhar numa
empresa como uma verdadeira equipe, com
objetivos definidos, fazendo com que cada
membro conheça seu papel, coopere com os
demais e “vista a camisa” para produzir
resultados é a responsabilidade mais
importante dos administradores. O trabalho
de formar, integrar, conduzir e aperfeiçoar
uma equipe pode levar vários anos e não há
seguro contra a perda desse importante
ativo21. (2005, p. 14)
Assim, o gestor de Polos terá o trabalho incansável de
organizar sua equipe, uma vez que essa, constantemente está em
processo de mudanças, visto que alguns colaboradores saem, e
20
21
ÍNDICE
Grifo do autor.
Grifo do autor.
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
130
outros passam a fazer parte desse grupo. E, pensando nos
colaboradores do Polo como um grupo, Lacombe define o mesmo
da seguinte forma “Grupo é qualquer conjunto de pessoas com um
objetivo comum”(2005, p.18) mas para que os colaboradores do
Polo possam ser um grupo ou uma equipe o gestor do Polo precisa
ter algumas atitudes voltadas para que essas pessoas trabalhem em
prol desse objetivo comum. Lacombe cita algumas qualidades do
administrador que cabem ao gestor de Polos
O administrador deve ter grande habilidade
para lidar com as pessoas. Robert L. Katz,
num artigo na Harvard Business Review22,
sintetizou as habilidades necessárias ao
administrador. Ele pressupôs que o
administrador seja alguém que dirige as
atividades de outras pessoas e assume a
responsabilidade de atingir determinados
objetivos por meio da soma de esforços.
Segundo essa definição, uma administração
bem-sucedida parece apoiar-se em três
habilitações básicas, que chamaremos técnica,
humana e conceitual. (2005, p. 124)
Parafraseando Lacombe, a habilidade técnica implica a
compreensão e o domínio de um determinado tipo de atividade
envolvendo, dessa maneira, conhecimento especializado. A
habilidade técnica é alcançada por meio da experiência, da
educação e do treinamento profissional. Já a habilidade humana,
segundo o autor, “é a capacidade de trabalhar com eficácia como
membro de um grupo e de conseguir esforços cooperativos nesse
grupo na direção dos objetivos estabelecidos.” (2005, p. 125). Por
sua vez, a habilidade conceitual, implica na visão sistêmica ou
holística. Implica saber conviver, compreender e lidar com situações
22
ÍNDICE
Grifo do autor.
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
131
complexas, o que requer maturidade, experiência e capacidade de
analisar pessoas e situações.
Para atingir a colaboração desse grupo que coordena, cabe ao
administrador ou gestor de Polos administrar a motivação do grupo.
Gil diz que “a motivação, por sua vez, é a chave do
comprometimento.” (2009, p. 201) e complementa que “motivação
é a força que estimula as pessoas a agir” (2009, p. 202). Nesse
sentido, Lacombe cita os estudos de Frederick Herzberg, segundo o
qual existem dois tipos de fatores que motivam os colaboradores de
um grupo.
1.
Os fatores relacionados aos aspectos
pessoais de realização profissional e ao
conteúdo do trabalho, como gosto pelo
trabalho, aumento de conhecimentos,
responsabilidade,
reconhecimento
pelos
resultados, relação pessoal e profissional, que
ele considera como os fatores motivacionais
propriamente ditos e que são intrínsecos ou
inerentes à pessoa.
2.
Os fatores externos que dizem respeito
ao ambiente de trabalho, como tipo de
supervisão, conforto, salário, benefícios, status
e segurança, que ele chamou de fatores
higiênicos. (2005, p. 136-137)
Gil refere que “a motivação é consequência de necessidades
não satisfeitas. Essas necessidades são intrínsecas as pessoas. Não
podem, portanto, os gerentes colocar necessidades nas pessoas.”
(2009, p.202). Reforçando a ideia de Lacombe que lembra que “os
fatores motivadores são internos às pessoas: a motivação está
dentro de cada um.” (2005, p. 137). No entanto, Lacombe sugere
que uma das formas de motivar um grupo é aplicar a teoria do
empowerment e explica
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
132
(...) empowerment não é dar poder às pessoas,
mas permitir que façam uso do poder,
conhecimentos e habilidades que já possuem.
Para isto, é necessário que os gerentes criem
condições favoráveis à aprendizagem, ação e
decisão para que as pessoas possam fazer uso
da autonomia, iniciativa e responsabilidade e
a organização deve proporcionar um
ambiente de apoio, voltado para a
responsabilidade e o desenvolvimento
contínuo, deixando de lado a velha
mentalidade de comandar e controlar. (2005,
p. 141)
E Lacombe reforça essa ideia “Uma das formas de motivar é
dar autonomia: valorizar a independência dos funcionários, fazendo
com que cada um se sinta “dono” daquilo que lhe cabe.” (2005, p.
143.)
Outra característica apontada como necessária para estar a
frente de um grupo é a necessidade de que o gestor seja um líder.
Segundo Lacombe “Etimologicamente, liderar significa conduzir.
Líder é o que conduz o grupo” (2005, p. 202). Por outro lado,
Lacombe previne que há muitas especulações acerca do seja um
líder, por isso afirma que não pretende adotar a definição mais
correta, mas que percebe que “líderes são agentes de mudanças e
devem ser capazes de inspirar coragem a seus seguidores” (2005,p.
203). E ressalta que há quatro responsabilidades básicas dos
líderes:
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
133
1.
O líder deve ter desenvolvido uma
imagem mental de um estado futuro possível e
desejável da organização23. Um líder bemsucedido é o que vê um outro quadro ainda
não atualizado, que vê hoje coisas que ainda
não estão lá, mas estarão no futuro. Ele faz as
pessoas a sua volta entenderem que não é seu
objetivo que tem de ser realizado, mas o
objetivo do grupo, um propósito comum,
nascido do desejo de todos. (...)
2.
O líder deve comunicar a nova visão.
(...) Uma característica importante de um bom
líder é saber comunicar. Ele deve conseguir
passar a mensagem para todos, para que eles
entendam qual é o propósito comum que tem
de ser alcançado e para que se movimentem
para isso. (...)
3.
O líder precisa criar confiança por
meio do posicionamento. O líder deve mostrar
coerência, energia, honestidade e coragem. As
pessoas confiam em líderes assim. (...)
4.
Líderes são aprendizes perpétuos. A
aprendizagem é o combustível essencial para
o líder. O aprendizado constante é a fonte de
energia que mantém a liderança acesa, que
faz surgir o entendimento, novas idéias e
desafios. Além de si próprio, o líder estimula
também os seguidores a aprenderem. (2005,
p. 205-206)
Todas essas responsabilidades estão diretamente implicadas
com outro ponto que merece atenção de um gestor. A importância
da comunicação. Segundo Lacombe “a maioria de nossas ações com
os outros e vice-versa são atos comunicativos, sejam eles verbais ou
não” (2005, p. 239) e continua
23
ÍNDICE
Grifo do autor.
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
134
(...) a comunicação é uma mensagem que
envolve a transmissão de conteúdos
emocionais ou intelectuais; na maioria dos
casos, ambos estão presentes. A comunicação
envolve um fluxo de mão dupla, com um
emissor e um receptor, em que o recebe a
informação responde a ela de alguma forma,
de imediato ou após certo tempo. ( 2005, p.
239)
Diante disso, Lacombe ressalta que “boa parte de nossos
problemas resulta de comunicação inadequada, inoportunas ou
falhas”. (2005, p.239). Ainda quanto a isso, ressalta as
características da boa comunicação que segundo este
Uma boa comunicação começa pela
capacidade de ouvir, de compreender o que o
outro deseja comunicar, de saber interpretar
o que ele deseja. É também saber se calar no
momento certo e estar disponível para escutar
o interlocutor, dando-lhe toda a atenção.
(2005, p. 251-252)
E resume as principais características de uma boa
comunicação da seguinte maneira:
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
135
1. Objetividade
a. Conhecimento do interlocutor (público
alvo).
b. Compreensão do interlocutor (saber
ouvir).
2.
a.
b.
c.
d.
Linguagem adequada
Clareza e simplicidade.
Preferência pela voz ativa.
Correção.
Concisão.
3. Fidelidade ao pensamento original
a. Tradução do pensamento nas palavras
certas.
b. Eliminação da filtragem (garantia de que
o pensamento original chegou com precisão
ao interlocutor e foi por ele captado). ( 2005,
p. 252)
Poderíamos escrever páginas e páginas sobre cada um dos
pontos expostos anteriormente, no entanto, ressaltamos que ao
gestor cabem muitas funções como coordenar uma equipe e
administrar um espaço físico destinado ao ensino e a pesquisa, além
da organização e motivação de seu grupo, até a chamada habilidade
técnica, que envolve o conhecimento de toda legislação descrita até
o momento acerca da legalização e do financiamento da UAB e,
mais especificamente, do seu Polo de Apoio Presencial, foco
principal desse artigo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A UAB é a oportunidade da população do interior cursar o
ensino superior numa IES pública e gratuita. Quanto a legislação de
financiamento, percebe-se que mesmo a EAD sendo assegurada em
lei, muito podemos perder caso as pessoas que estejam a frente das
Secretarias de Educação em todas as esferas não tiverem a intenção
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
136
de “manter viva a UAB”. Isso porque como referimos no artigo 6 do
decreto 5800 de 8/6/2006 a ampliação da oferta de vagas na UAB
fica condicionada a existência de recursos orçamentários e
financeiros. O que nos deixa aflitos diante da possibilidade de,
estando a frente da administração federal, alguém cujo interesse
não esteja na continuidade da UAB, mostrar que não há recursos
orçamentários para o investimento nessa área, o que iria,
progressivamente, extinguir essa modalidade de ensino, pública e
gratuita.
Outro ponto que nos faz refletir é o fato de que as IES
precisam cadastrar-se junto ao MEC para oferecerem cursos nessa
modalidade. Logo, caso não haja interesse em ampliar a oferta
dessa modalidade, simplesmente é só não cadastrar-se para isso.
Nesse mesmo sentido, os municípios e estados que não mais
desejarem ofertar esse ensino, podem cortar as verbas e se retirar
do Programa. Até os gestores de Polo, caso não desejarem ampliar a
oferta de vagas no seu Polo, podem deixar o tempo passar e se
eximir da atribuição de elaborar projetos e requerer cursos. Logo,
mesmo que o MEC, por meio do FNDE e da CAPES deva assegurar o
financiamento da UAB no Brasil, sem a parceria dos municípios e
estados, isso se torna muito difícil.
Quanto à legislação municipal, percebe-se a necessidade da
criação de leis mais claras, pois na única lei que nos foi entregue, há
apenas a referência da criação do Polo para as atividades da UAB e a
subordinação do mesmo a Secretaria de Educação do município.
Também há referência quanto aos valores destinados ao Polo e a
justificativa de destinação, mas faltam referências aos processos de
seleção do coordenador do Polo UAB – Tapejara, por exemplo. Da
mesma forma, que não há legalmente, orientações quanto a
destinação de recursos humanos (bibliotecário, secretária, técnico
de informática...) para a atuação nesse espaço. Bem como, não há
referências a metas de ampliação, se é que isso seria objeto de
consulta de uma lei.
Quanto ao gestor de Polos, percebemos que o mesmo deve
possuir, e no caso de não tê-las, desenvolver, uma série de
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
137
características e conhecimentos para poder desenvolver com
sucesso o processo de gestão num espaço de educação. Destaca-se,
dentre tudo o que foi abordado, como indispensável a um gestor, a
habilidade técnica e a capacidade de comunicação. A primeira, por
que compreende, também, tudo que foi abordado acerca da
questão do financiamento e da criação da UAB. A segunda, porque é
por meio da comunicação que acontecem todas as relações no Polo,
sejam presenciais ou a distância, e com todos os membros que o
constituem. Também, é por meio da comunicação, que o gestor
argumentará a ausência de certas leis e/ou recursos no espaço que
coordena. Encerramos nossas reflexões com as palavras do grande
poeta português Fernando Pessoa “Outros haverão de ter/ O que
houvermos de perder./ Outros poderão achar/ O que, no nosso
encontrar, / Foi achado, ou não achado,/ Segundo o destino dado.”
(fonte) Dessa forma, outras pesquisas poderão apontar rumos que
por hora, não nos ocorre, devido o caminho percorrido.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
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ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
141
ANEXOS
Anexo 1 - Lei nº 3.006/07
Lei N° 3.006/07, EM 17 DE ABRIL DE 2007
Dispõe sobre a criação do Núcleo de Tecnologia Educacional
de Tapejara, autoriza alteração na LDO e a abertura de crédito
adicional especial ao orçamento vigente e dá outras providências.
JULIANO GIRARDI, Prefeito Municipal de Tapejara, Estado do
Rio Grande do Sul,
FAÇO SABER, que o Poder Legislativo aprovou e eu em
cumprimento ao disposto no art. 65, inciso V, da Lei Orgânica do
Município, sanciono e promulgo a seguinte Lei:
Art. 1° - Fica criado na estrutura organizacional municipal, o
Núcleo de Tecnologia Educacional de Tapejara, subordinado à
Secretaria Municipal de Educação, Desporto e Cultura, como órgão
Administrativo e de Gestão do Pólo Educacional de Ensino Superior
à Distância do Município.
Parágrafo único - As atividades administrativas e de gestão do
Núcleo de Tecnologia Educacional de Tapejara, serão coordenadas e
desenvolvidas de acordo com as normas do Programa Universidade
Aberta do Brasil do Ministério da Educação.
Art. 2° - Fica alterada a Lei n° 2.846, de 21 de setembro de
2005 - Plano Plurianual de Investimentos, com a inclusão da
seguinte ação:
Código da Ação Descrição da Ação
14.04
Estruturação e Manutenção do Pólo Educacional de
Ensino Superior - Núcleo de Tecnologia Educacional de Tapejara
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
142
ObjetivosAtendimento educacional de estudantes de nível
superior, vinculados a UAB - Pólo de Tapejara
Meta/Unidade/Quantitativos
Valor Global R$
Estudantes -
50.000.00
Art. 3° - Fica alterada a Lei n° 2.968, de 07 de novembro de
2006 - Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2007, com a inclusão da
seguinte ação:
Código da Ação Descrição da Ação
14.04
Estruturação e Manutenção do Pólo Educacional de
Ensino Superior - Núcleo de Tecnologia Educacional de Tapejara
ObjetivosAtendimento educacional de estudantes de nível
superior vinculados a UAB - Pólo de Tapejara
Meta/Unidade/Quantitativos
Valor Global R$
Estudantes -
50.000.00
Art. 4° - Fica o Poder Executivo Municipal autorizado a abrir
um Crédito Adicional Especial no montante de R$ 15.000.00 (quinze
mil reais) no Orçamento vigente como segue:
06-SECRETARIA MUNICIPAL EDUCAÇÃO E CULTURA
04-ENSINO SUPERIOR
12 364 0103 1.179 - Instalação e Manutenção Pólo Ensino
Superior
3390.30.00.00 - Material de Consumo
3390.14.00.00 - Diárias - Pessoal Civil
3390.39.00.00 - Outros Serviços Terceiros PJ
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
R$ 9.500,00
R$ 1.000.00
R$ 2.000.00
143
3390.36.00.00 - Outros Serviços P Física
R$ 1.000.00
3390.11.00.00 - Vencimentos e Vantagens Fixas R$ 1.000.00
3390.13.00.00 - Obrigações Patronais
R$ 500.00
Art. 5° - A cobertura para os créditos a que se refere o artigo
3° se dará mediante a seguinte redução orçamentária:
0604.4490.51.000000-1167
Universitário R$ 15.000.00
-
Instalação
do
Centro
Art. 6° - Caberá ao Poder Executivo Municipal regulamentar
por ato próprio. no que couber, a presente Lei.
Art. 7° - Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação.
GABINETE DO PREFEITO MUNICIPAL.
Tapejara, 17 de abril de 2007.
Juliano Girardi
Prefeito Municipal
REGISTRE-SE E PUBLIQUE-SE
EM 17.04.07
Eugenio Post
Secretário Municipal Interino de
Administração e Planejamento
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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GESTÃO DE POLOS: ORGANIZAÇÃO E INFRAESTRUTURA DE
POLO DE APOIO PRESENCIAL X TIC’S
AUTORA:
Sara Raquel Levy De Oliveira
PROFESSORA ORIENTADORA:
Kelin Valeirão
RESUMO
O presente trabalho propõe um relato de experiência, numa
abordagem qualitativa, que tem como objetivo fazer um
levantamento das tecnologias de informação e comunicação
(TIC’s) utilizadas no Polo de Apoio Presencial de Três
Passos, na modalidade de Educação a Distância (EaD),
verificando as condições oferecidas pelo Polo para o uso
dessas tecnologias, ou seja, a sua infraestrutura e
organização. Os desafios, oportunidades e obstáculos
encontrados desde a implantação até o presente momento. O
gerenciamento do Polo, visando garantir serviços adequados
para que as atividades desenvolvam com excelência,
expandindo e interiorizando as Universidades Federais,
oferecendo ensino superior a toda população, oportunizando
estudo e qualificação profissional.
Palavras- chaves: Gestão de Polo; infraestrutura; EaD; TIC’s
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
A educação com o passar dos anos evoluiu muito em nosso
país, primeiramente se usava giz, quadro negro, cadernos, livros,
canetas, como ferramentas de ensino, limitando-se a um espaço
entre quatro paredes. Hoje podemos dizer que não existem mais
limitações. O aluno e o professor podem estar separados espacial
e/ou temporalmente, e também podem usar como principal
ferramenta de ensino, o computador, a internet, projetores,
multimídia, pen drives.
Essa trajetória evoluiu naturalmente,
desenvolvendo em nosso país um novo território educacional, o
espaço virtual de aprendizagem, impulsionando as tecnologias de
informação e comunicação. Estamos falando da EaD,
educação/ensino a distância, que segundo o Decreto-Lei nº 2.494,
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145
de 10/02/1998, é considerada “uma forma de ensino que possibilita
a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos
sistematicamente organizados(...)”.Essa modalidade de ensino
ganha força quando é aceita a concepção das TIC’s, atuando como
meio interativo tornando-se fator chave da EaD. E para que haja
uma expansão e consolidação da EaD, surgiu o Sistema
Universidade Aberta do Brasil que foi instituído pelo Decreto 5.800,
de 8 de junho de 2006, para “o desenvolvimento da modalidade de
educação a distância, com finalidade de expandir e interiorizar a
oferta de cursos e de programas de educação superior no País”.
Na regulamentação da EaD encontra-se a menção ao polo de
apoio presencial no Decreto 3 5.622, de 2005. Nele o polo
presencial é definido como “a unidade operacional para o
desenvolvimento descentralizado de atividades pedagógicas e
administrativas relativas aos cursos e programas ofertados a
distância” conforme dispõe o art. 12, X, c, do citado decreto. A
partir do decreto os polos presenciais de apoio à EAD são
considerados condicionantes obrigatórias para se ofertar e executar
a Educação Superior a Distancia no Brasil.
O Polo de Apoio Presencial do sistema Universidade Aberta
do Brasil (UAB) é considerado um elemento fundamental na
estrutura de EaD, é uma extensão operacional da Instituição de
Ensino Superior, é onde acontecem os encontros presenciais, o
acompanhamento e orientação para os estudos, as práticas
laboratoriais e as avaliações presenciais. Visando assegurar o
desenvolvimento dos cursos a distância e oferecer condições,
serviços adequados, estes devem ter excelência em seus projetos e
gerenciamento. Na função de administrador de cada Polo surgem os
coordenadores, responsáveis pela gestão do local.
Segundo Moran (2007, p.15):
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
146
(...) nosso desafio maior é caminhar para um
ensino e educação de qualidade, que integre
todas as dimensões do ser humano. Para isso
precisamos de pessoas que façam em si
mesmas essa integração do sensorial, do
intelectual, do emocional, do ético e do
tecnológico, que transitem de forma fácil
entre o pessoal e o social, que expressem nas
suas palavras e ações que estão sempre
evoluindo, mudando, avançando.
A EaD, surge da necessidade de levarmos o ensino a lugares
diferentes, sem barreiras de tempo e espaço, pressupondo que a
prática de ensino seja de qualidade, exigindo atualizações
constantes na infra-estrutura e em tecnologias de apoio,
interagindo professores, tutores e alunos. A EaD foi revigorada com
o uso dos computadores e da internet, fazendo parte das atividades
pedagógicas.
Essas novas tecnologias de informação e comunicação estão
nos apoiando a dinamizar as formas de ensino, mudando esse
processo de ensino-aprendizagem. As instituições educacionais
estão buscando a adequação, implantando essa nova cultura, na
tentativa de responder aos novos desafios, abrindo caminhos, para
levar a educação a todos. Diante desses desafios, torna-se
necessário gerenciar de forma profissional e com qualidade,
buscando o aprimoramento das atividades, a integração entre
docentes e discentes, estimulando a busca por novos
conhecimentos.
O POLO DE APOIO PRESENCIAL
O Polo Universitário Federal de Três Passos está situado na
Rua Cipriano Barata, nº 239, no bairro Érico Veríssimo, no município
de Três Passos, estado do Rio Grande do Sul. Sua Mantenedora é a
Prefeitura Municipal de Três Passos, situada na Av. Santos Dumont,
nº 75. Responsável pela infraestrutura do Polo UAB, mobilizando
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147
recursos humanos, materiais e financeiros que garantirá
sustentabilidade administrativa do Polo, proporcionando uma
educação de qualidade, juntamente com a Secretária Municipal de
Educação e Cultura, responsável pela modulação da equipe de
funcionários e acompanhamento do desenvolvimento dos cursos
ofertados no Polo.
O Polo Universitário Federal de Três Passos institucionalizouse e está consolidando-se em nosso município e região, buscando
excelência nas suas atribuições e competências, de acordo com a
legislação vigente. Assim sendo, o Polo pode e deve propiciar uma
presença física, o encontro social e também uma expansão do
projeto pedagógico do curso a distância, através da comunidade de
aprendizagem. Ele pode resgatar o convívio social da escola
tradicional só que agora orientado pelas possibilidades das TIC’s,
recebendo e facilitando o aprendizado de bons conteúdos,
permitindo ao aluno-participante poder praticar a autonomia com
orientação tutorial.
No ano de 2006, foi aprovado o Projeto de implantação no
Município, do Polo de Apoio Presencial da UAB iniciou-se as
tratativas e a adequação da infraestrutura em anexo a Escola
Municipal de Ensino Fundamental 25 de Julho.
O Polo foi instalado oficialmente em junho de 2007, em
solenidade, com a presença de Professores da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (UFRGS), e o curso de Graduação Tecnológica
– Planejamento e Gestão para o Desenvolvimento Rural, pela
UFRGS, teve sua aula inaugural em 19 de outubro de 2007, sendo
este o primeiro curso oferecido.
No ano de 2008 iniciaram os cursos de Licenciatura em
Pedagogia e Letras-Português, ambos pela Universidade Federal de
Santa Maria (UFSM). Já no 2º semestre de 2009, iniciou-se a
parceria com a Universidade Federal de Pelotas, através do Curso de
Especialização em Gestão de Polos e, neste curso, inscreveram-se
todos os profissionais que já atuavam no Polo.
Em 17 de junho de 2009, foi aprovado pela Câmara de
Vereadores a Lei nº 4245/09 – Lei de criação e sustentabilidade do
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148
Polo Universitário Federal de Três Passos e no dia 8 de Junho de
2010 a Lei nº 4376/10 - Lei de criação do Conselho do Polo
Universitário Federal de Três Passos.
Em 25 de fevereiro de 2010, o Polo foi transferido para o
atual endereço, sendo o prédio próprio e exclusivo, recebendo em 5
de março de 2010 a vistoria do Ministério da Educação e Cultura
(MEC) que através da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior (CAPES) é responsável pela articulação e gestão do
sistema UAB/CAPES/MEC e a autorização para instalação, em 25 de
março. Os atos inaugurais das atuais dependências, ocorreu em 9 de
abril de 2010, com representantes das universidades parceiras:
UFPel, UFRGS, UFSM, autoridades locais e regionais, professores,
tutores, acadêmicos, bem como a comunidade três-passense e
regional.
A mudança de endereço foi altamente positiva, com clima
universitário de fato, resultando numa maior e constante presença
dos acadêmicos, uma maior liberdade no uso das instalações, antes
restrita, bem como uma motivação diferenciada nos trabalhos do
Polo.
A atual infra-estrutura já não atende as demandas do Polo e
em novembro de 2009, pois já havia o planejamento da aquisição
do prédio para janeiro de 2010, a Administração Municipal enviou a
UAB, o projeto de ampliação do prédio, contemplando assim: maior
número de salas de aula, laboratórios pedagógicos, biblioteca com
espaço adequado, auditório e tem buscado diuturnamente a
aprovação e a liberação de verbas, junto ao governo federal para a
efetivação do Projeto.
O Polo Universitário Federal de Três Passos, situado no
município de Três Passos, população estimada de 23.911
habitantes, com um área territorial de 268,40 Km², altitude igual a
451m, a uma distância de Porto Alegre (Capital) de 512KM, com as
vias de acesso pela Rodovia BR 468 e RS 346, Capital da Região
Celeiro, emancipado em 28 de dezembro de 1944. Cidade localizada
na região noroeste, micro-região Celeiro do Estado do RS. O
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
149
município pertence ao COREDE CELEIRO24 e do TERRITÓRIO DA
CIDADANIA NOROESTE COLONIAL, em ambos os colegiados, o Polo
tem representatividade, com membros titulares e suplentes.
O município é essencialmente agrícola, com pequenas
propriedades rurais onde se desenvolvem a criação de suínos,
bovinocultura leiteira, produção de milho, soja, trigo e agricultura
de subsistência. A economia do município perpassa também, pelas
atividades de comércio, indústria e serviços, destacando-se: as
empresas de vestuário, Frigorífico Sadia bem como, Polo Regional
de Educação. As características básicas do município se aplicam aos
demais municípios da região, inerentes a sua população qual
descende, basicamente das etnias alemã, italiana, polonesa,
indígena e negra.
O município localiza-se distante dos grandes centros
universitários e o Polo vem para promover a formação e o
aperfeiçoamento de pessoal necessário ao desenvolvimento
socioeconômico e cultural de nossa região contribuindo assim para
a descentralização e interiorização do ensino superior gratuito e de
qualidade oferecidos pelas Universidades Federais de todo o Brasil
através da UAB.
O Polo atende em sua maioria alunos oriundos das regiões
Noroeste e Missões do estado do Rio Grande do Sul, como também
alunos do estado vizinho, Santa Catarina, provenientes, em sua
grande maioria, de escola pública, na faixa etária entre 20 e 60
anos, em sua maioria do sexo feminino, com situação sócioeconômica média baixa, que buscam qualificação e
aperfeiçoamento profissional, realização pessoal e estabilidade
financeira. Uma pequena porcentagem já possui outra graduação. A
grande maioria está realizando o sonho de estudar numa
Universidade Federal, outrora tão distante, que atualmente faz
parte da cultural local e regional.
No ano de 2010 foi desenvolvido um questionário com os
alunos do Polo, com o intuito de coletar dados para a elaboração do
24
COREDE CELEIRO – Conselho Regional de Desenvolvimento da Região
Celeiro
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
150
Plano de Gestão e melhorias do Polo, através do questionário
concluiu-se que o nível de dificuldade e exigência dos cursos
oferecidos é alta, superior a dos cursos presenciais, pois na
modalidade EaD os estudos requerem maior disciplina, mais
pesquisa, dedicação determinação e empenho próprio. Nos relatos
as dificuldades apontadas pelos alunos perpassam desde o acesso
as TIC`s, sobrecarga, pois conciliam família, trabalho e estudo,
excesso de textos e atividades, demora na resposta de tutores,
professores, maior interação entre alunos/tutores/professores, não
terem o hábito de leitura e escrita, de reunirem-se em grupos de
estudos, o sentir-se sozinho, dificuldade de conciliar e organizar o
tempo e o espaço, o não acesso regular ao ambiente virtual de
aprendizagem, propiciando o acúmulo de tarefas e a não
pontualidade e assiduidade na postagem das tarefas, são as
principais causas da evasão.
Outrossim, antes de conhecer os cursos EaD, oferecidos pela
Universidades Federais, a maioria dos alunos não acreditavam que
ensino a distância pudesse ter qualidade ou que a formação fosse
integral. Isso foi desmistificado pelo trabalho sério e o nível de
exigência das Universidades fazendo a diferença, tornando-se
parâmetro e referência nesta modalidade de ensino.
As relações de trabalhos acontecem de forma profissional,
participativa, cooperativa, colaborativa e harmônica, onde todos os
sujeitos envolvidos se empenham na construção desse projeto de
educação a distância, primordial para o desenvolvimento regional.
Nestas relações, destaca-se a parceria com a Administração
Municipal sempre presente e atuante com ênfase para o trabalho
do Secretário Municipal de Educação e Cultura que é membro
atuante da equipe do Polo, o trabalho do Conselho do Polo e a
participação efetiva dos Acadêmicos, através do Diretório Central
dos Estudantes do Polo, que articulam-se de forma ímpar e
maravilhosa, apoiando e protagonizando atividades, visando a
busca da excelência acadêmica em todas as dimensões.
Nas relações perpassam discussões, conflitos, com o objetivo
em desvendar as propostas e perceptivas de aprendizagem tanto
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
151
dos tutores, gestores e alunos elevando assim a qualidade das
relações e do aprendizado, numa perspectiva totalitária, pois sendo
este projeto, relativamente recente, muito se está construindo no
coletivo, sempre procurando avaliar o trabalho desenvolvido,
primando pela participação efetiva de todos os envolvidos.
Quanto à organização temporal foi organizado de forma
participativa, de acordo com o cronograma, sendo o mesmo
direcionado para que a comunidade e principalmente o aluno
recebam atendimento integral sempre que assim necessitar, tanto
dos tutores presenciais como do suporte.
A equipe do Polo, formada por profissionais, especializados
na sua área de atuação, buscam o aprimoramento de sua atuação,
através de formação constante, bem como tem demonstrado união,
compromisso e engajamento, auxiliando nas diferentes atividades,
mas sente-se a necessidade de que o quadro de pessoal técnicoadministrativo seja completo e atenda em todos os horários de
funcionamento do Polo, principalmente a secretaria no turno da
noite, turno com maior fluxo de acadêmicos e comunidade em geral
e auxiliar de biblioteca aos sábados, o horário dos demais
profissionais têm-se demonstrado a contento.
As atividades didático-administrativas são realizadas pela
Equipe do Polo sob a orientação dos Coordenadores: UAB, do curso,
do Polo, professores, de acordo com a legislação vigente, a função,
a organização interna e sendo observadas as ações e metas
propostas. Já o espaço físico do Polo está organizado de forma a
atender as atividades dos cursos, se necessário temos a parceria
com o Instituto Estadual de Educação Érico Veríssimo e dos Lions
Club Centro e Tucumã, ambas as instituições localizadas ao lado do
Polo.
O Polo está instalado em um prédio próprio e exclusivo,
visando atender os cursos de formação inicial e continuada do
Sistema UAB/CAPES/MEC, oferecendo: sala de coordenação;
secretaria; sala do suporte técnico em Informática do Polo;
biblioteca; sala de tutores/professores/reuniões com banheiro, em
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
152
anexo; laboratórios de informática; saleta para o DCE do Polo; 3
salas de aula; banheiros feminino e masculino.
Os Cursos de Graduação, Especialização, Extensão e
Aperfeiçoamento, que venham ao encontro das necessidades de
profissionais do município e região na modalidade EAD e que estão
acontecendo no Polo Universitário de Três Passos são: Curso de
Bacharelado em Administração Pública, UFSM; Curso de
Licenciatura em Letras - Português, UFSM; Curso de Licenciatura em
Física, UFSM; Curso de Licenciatura em Educação Especial, UFSM;
Curso de Licenciatura em Pedagogia, UFSM; Curso de Licenciatura
em Matemática, UFPel; Curso de Licenciatura em Educação do
Campo, UFPel; Curso de Licenciatura em Espanhol, UFPel; Curso de
Graduação Tecnológica de Planejamento e Gestão para o
Desenvolvimento Rural, UFRGS; Especialização em Gestão em
Saúde, UFRGS; Especialização Gestão Pública, UFRGS; Especialização
Gestão Pública Municipal, UFRGS; Especialização em Gestão de
Polos em EaD, UFPel; Especialização Gestão Educacional, pela UFSM
(Início no 2º semestre de 2011).
Quanto aos Recursos Tecnológicos, o Polo possui 02
laboratórios de informática, Labinfo01 com 36 computadores, nos
quais 34 tem o processador Celeron E1500 2.20 Ghz25, e 1Gb26
RAM27, e outros 02 Computadores tem o processador Pentium
Dual-Core E5200 2.50 Ghz, e 2GbRAM, com o Sistema Operacional
Linux Educacional 3.0. Labinfo02 com 50 computadores, dos quais
20 computadores possui processador Intel 1.2 Ghz, 256Mb RAM,
Sistema Operacional Windows XP PRO e 30 Computadores
processador Celeron D325 3.0 Ghz, 512Mb28 RAM, Sistema
Operacional: Linux Educacional 3.0. Todos os computadores estão
25
Ghz é igual a um bilhão de ciclos por segundos, a velocidade do
processador é medida em Ghz.
26
GB é uma unidade de medida de informações que equivale um 1 000 000
000 bytes(representa um caractere, letra, número ou sinal gráfico).
27
RAM memória de acesso aleatório, é um tipo de memória que permite a
leitura e escrita.
28
Mb corresponde a uma unidade de medida igual a 1 000 000 de
bytes(informações).
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
153
interligados através de cabeamento estruturado, podendo ser
compartilhado as informações e periféricos como a impressora.
A internet é via rádio dedicada, com uma velocidade de 2Mb
de download29 e upload30. O acesso está disponível através dos
computadores e também por meio da rede sem fio, wireless.
Hoje contamos com caixas fixas de som disponíveis em cada
sala de aula, inclusive nos laboratórios de informática, que são
utilizadas para apresentações de trabalhos web conferências e
outras atividades pertinentes ao Pólo.
Os projetores multimídia também estão disponíveis no Polo,
para serem usados como ferramentas de apoio, como por exemplo,
nas aulas presencias, nos grupos de estudo, nas web conferências,
reuniões. Considero que é uma ferramenta muito importante, pois
está substituindo o quadro negro, então faz-se necessário estar
disponível em todas as salas de aula, pré-fixadas, inclusive
laboratório de informática.
O Polo de Três Passos está adquirindo novos computadores
para a secretária, coordenação, sala de web conferência, notebook
e também impressora e projetores multimídia, para tentar sanar as
dificuldades vindas da crescente demanda. Essas tecnologias que na
verdade não conseguimos acompanhar, é muito rápida a
obsolescência de hardware e software, precisaria de muito
investimento financeiro em pouco tempo, para mantermos
atualizados.
Considerando a crescente demanda, e o alto tráfego de
dados, seria necessário adquirirmos também um computador
servidor, para fazer o gerenciamento e mantermos a segurança de
dados e estabilidade dos laboratórios e demais equipamentos do
Polo. Também deveríamos no mínimo trocar os 20 computadores
que estão no laboratório 02, pois encontram-se defasados, isto é,
obsoletos. Em relação aos 36 computadores do laboratório 01, seria
29
Download(descarregar,baixar) é a transferência de dados de um
computador remoto para um computador local.
30
Upload(carregar) é o contrário de download, é a transferência de dados de
um computador local para um computador ou para um servidor.
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154
ideal transferi-los para uma sala maior para podermos distribuí-los
melhor, pois encontram-se muito juntos, ou então transformá-los
em 2 laboratórios menores. Eis a questão: como? Se não temos
mais espaço físico disponível. Essa é uma das dificuldades que
estamos enfrentando. Seria também ideal se pudéssemos montar
outro laboratório com computadores novos, com qualidade e
desempenho melhorado, para atender a toda demanda e
mantermo-nos atualizados. Para a biblioteca do Polo, está sendo
providenciada a instalação de computadores para que os alunos
possam utilizá-los para estudo e pesquisa. A sala de web
conferencia também está recebendo equipamento novo de acordo
com as exigências, melhorando assim o atendimento e a demanda
dos trabalhos que estão sendo realizados.
Sem dúvida as TIC’s são de extrema importância, sem elas
não seria possível contemplar com a EaD, estão diretamente
ligados. Nosso maior desafio é podermos oferecer adequadamente
a infraestrutura e organizar de maneira que possamos atender a
todos que trabalham no Polo e principalmente a todos que
procuram o Polo para qualificar-se através da EaD. Cabe ao gestor
do polo, acompanhar e coordenar as atividades docentes, discentes
e administrativas, assegurando a todos o uso dos recursos
tecnológicos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Atualmente, a educação a distância possibilita a inserção do
aluno como sujeito de seu processo de aprendizagem, com a
vantagem de que ele também descobre formas de tornar-se sujeito
ativo da pesquisa e do compartilhar conteúdos.
A utilização das TIC’s na EaD, traz novas possibilidades de
comunicação e informação, orientando para o uso de uma nova
proposta de ensino/aprendizagem, ajudando a nós construirmos um
processo pedagógico, desenvolvendo novas práticas para o Polo de
Apoio Presencial. Portanto o estudo da gestão dessas tecnologias
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
155
dentro dos pólos faz-se necessário, para que consigamos
disponibilizar adequadamente a todos envolvidos no sistema.
Interessante seria se pudéssemos investir mais com recursos
tecnológicos em nossos Polos para disponibilizar serviços de
excelência no ensino. Estamos pobres em TI (Tecnologias de
Informação). Os Polos deveriam estar muito bem equipados com
laboratórios de apoio, que tivessem computadores, notebooks,
servidores, impressoras, projetores multimídia, equipamentos de
som e imagem, com alta performance, sempre atualizados, sem
falar na internet que deve ter uma velocidade muito boa, que
garanta o acesso qualificado, pois é o meio de comunicação mais
importante para a EaD.
Hoje o Polo Universitário de Três Passos está consolidado em
nosso município, trazendo grandes oportunidades, mas não
podemos deixar de comentar que enfrentamos desafios,
dificuldades quanto à falta de conhecimento do sistema, das novas
tecnologias, da falta de infraestrutura e principalmente pela falta de
recurso financeiros, e continuamos a enfrentar no dia a dia, uma vez
que somos pioneiros e protagonistas nessa história. O caminho
ainda é longo, mas está sendo de grande valia, são experiências
únicas que vivemos, estamos contribuindo para que o ensino
superior possa chegar a todos, abrindo novos caminhos, novas
possibilidades de crescimento pessoal e profissional.
O Projeto UAB possibilita várias e amplas contribuições sócioeconômicas e culturais, entre outras, a democratização do acesso
ao Ensino Superior, principalmente aqueles que por razões diversas,
não puderam freqüentar um curso presencial numa universidade
pública, pois sabe-se que, devido a fatores muitas vezes alheios a
vontade do ser humano o ingresso e/ou a conclusão de um curso
superior pode ficar adiada e o sonho cada vez mais distante. E neste
contexto, o ensino a distância por meio do Polo UAB – Polo
Universitário Federal de Três Passos proporciona aos cidadãos a
possibilidade de alcançar este objetivo, sendo uma das políticas de
desenvolvimento de Três Passos e região.
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
156
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOTURA DO CARMO, J. G. Novas tecnologias na educação. Disponível em:
<http://www.educacaoliteratura.com.br/index%202.htm>. Acesso em:
mar. 2011.
MORAN, J. M. Comunicação pessoal, educação e tecnologias. Disponível
em: <http://www.eca.usp.br/prof/moran/textos.htm>. Acesso em: mar.
2011.
OTONI MEIRELES RIBEIRO, L.; TIMM, M. I.; ZARO, M. A. Gestão de Ead: A
importância da visão sistêmica e da estruturação dos Eads para escolha
de
modelos
adequados.
Disponível
em:
<http://www.cinted.ufrgs.br/ciclo9/artigos>. Acesso em: mar. 2011.
SILVA, M. F. S.; AZEVEDO, H. H. D. O Gestor no Sistema Universidade
Aberto do Brasil: para dar sequência ao debate. Apostila do curso de
Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2010.
SILVA, E. R. G. et al. Gestão de polo de apoio presencial no sistema
Universidade Aberta do Brasil: construindo referenciais de qualidade.
Disponível em: <http://seer.ufrgs.br/renote/article/view/18086>. Acesso
em: mar. 2011.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
MOORE, M. G.; KEARSLEY, G. Educação a distância: uma visão integrada.
São Paulo: Thomson Learning, 2007.
MORAN, J. M. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Disponível em:
<http://books.google.com.br/books>. Acesso em: jun. 2011.
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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IMPLANTAÇÃO DO POLO UNIVERSITÁRIO DE APOIO
PRESENCIAL DE SÃO JOSÉ DO NORTE:
UMA FORMA DE DEMOCRATIZAR O ACESSO
AO ENSINO SUPERIOR
AUTORA:
Marta Martins de Farias Ramos
PROFESSORA ORIENTADORA:
Lia Cristiane Lima Hallwass
RESUMO
A educação a distância (EaD) toma proporções significativas
no contexto da educação brasileira. Em meio a este
panorama propaga-se a implantação de pólos universitários
de apoio presencial em municípios distantes de instituições
públicas de ensino superior. Objetivando investigar este
assunto, o presente trabalho trata da implantação do Polo de
Apoio Presencial de São José do Norte como forma de
democratizar o acesso ao ensino superior, através do
Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB), tendo como
parceiras, do município, a Universidade Federal do Rio
Grande (FURG) e a Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)
que oferecem cursos de graduação, pós-graduação e
aperfeiçoamento, na modalidade da EaD, privilegiando os
cursos na área da educação, em conformidade com as
regulamentações do Ministério da Educação (MEC). Está
sustentado na leitura de documentos cedidos pelos órgãos
responsáveis e em entrevistas com os agentes municipais e
com os alunos de Licenciatura em Matemática - UFPEL,
envolvidos neste processo. Além disso, utilizam-se, também,
contribuições escritas da autora Belloni (1999), Secretaria de
Educação a Distância (SEED - MEC) (2006), Moran (2000) e
Mendes (2009). Pretende-se, por meio desta pesquisa,
contribuir com aqueles que se interessam pelo assunto
fornecendo informações relativas à implantação do polo,
através do relato de experiência vivida pelos dirigentes
municipais durante o processo de implantação do Polo de
Apoio Presencial de São José do Norte e dos benefícios
oriundos deste empreendimento.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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Palavras-chave: educação a distância; polo de apoio
presencial; São José do Norte; democratização do ensino
superior.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Embora existam muitos estudos sobre educação a distância
(EaD), no Brasil, e suas múltiplas faces, percebe-se uma carência no
que se refere ao estudo da implantação de polos universitários que
oferecem o ensino superior aos municípios interioranos, através do
Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB)31. Convém ressaltar a
importância da UAB para o desenvolvimento e constante expansão
da educação na modalidade de EaD. Assim, a UAB para Mota (2006,
p. 21) é “[...] mais que um programa governamental, configura-se
como programa de nação, ao proporcionar educação superior para
todos, com qualidade e democracia [...]”.
Consciente da importância de um polo universitário para o
município de São José do Norte32, o governo local adere a esse
programa com o intuito de implantar um polo universitário de apoio
presencial em São José do Norte, assumindo o compromisso de
oferecer infraestrutura e recursos humanos para o desenvolvimento
das atividades universitárias. Apostando neste empreendimento, os
31
O Programa UAB foi criado pelo Ministério da Educação no ano de 2005,
no âmbito do Fórum das Estatais pela Educação, com foco nas Políticas e na Gestão
da Educação Superior. Trata-se de uma política pública de articulação entre a
Secretaria de Educação a Distância - SEED/MEC e a Diretoria de Educação a
Distância - DED/CAPES com vistas à expansão da educação superior, no âmbito do
Plano de Desenvolvimento da Educação. Disponível em
http://uab.capes.gov.br/index.php. Acesso em 19 de setembro de 2011.
32
O município de São José do Norte está localizado cerca de 370
quilômetros da Capital do Estado e faz parte de uma Península situada entre o
Oceano Atlântico e a Laguna dos Patos. De acordo com dados do Instituto Brasileiro
Geográfico e Estatístico (IBGE), do último Censo realizado em 2010, possui uma
população estimada em 25 mil habitantes. Sua economia está apoiada na agricultura
produzindo cebola, arroz e as florestas de pinus, além da pesca e da captura do
camarão, crustáceo em abundância neste município. Disponível em
http:///www.saojosedonorte.rs.gov.br/. Acesso em: 19 de setembro de 2011,
10h30min.
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
159
dirigentes municipais enfrentam obstáculos financeiros devido à
falta de verbas próprias, destinadas ao polo universitário, para
cumprir com o compromisso assumido, pois acreditam nas
oportunidades advindas desta implantação.
Dessa forma, este estudo objetiva compartilhar a experiência
vivida, no município, com os indivíduos envolvidos e relatar o
processo de implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial
de São José do Norte como forma de democratizar o acesso ao
Ensino Superior à comunidade nortense. No desenvolvimento deste
trabalho, foram utilizadas, como referencial teórico, as obras dos
autores Belloni (1999), Moran (2000), SEED–MEC (2006) e Mendes
(2009). Para isso, foram adotados instrumentos que integraram
análise textual de livros e leitura dos documentos firmados entre o
município, as Instituições de Ensino Superior (IES) e o MEC, além de
entrevista com as representantes municipais Maria das Graças
Saraiva33, Secretária Municipal da Fazenda, Edna Mara de Mattos
Tarouco34, Secretária Municipal de Educação e Cultura, na época da
implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José
do Norte, com os alunos do curso de graduação em Matemática
pelo PROLIC35 II (Pró - Licenciatura), em fase de conclusão do curso.
33
Maria das Graças Saraiva é graduada em Ciências Contábeis e especialista
em Violência doméstica contra crianças e adolescentes pela Universidade de São
Paulo (USP) professora do curso Técnico em Contabilidade no Instituto Estadual de
Educação São José – São José do Norte. Secretária da Fazenda da Prefeitura
Municipal de São José do Norte, cargo de confiança do Prefeito do referido
município.
34
Edna Mara de Mattos Tarouco é professora da rede estadual de ensino na
cidade de São José do Norte, graduada em Letras-Português/Francês, pela
Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e especialista em Violência Doméstica
contra crianças e adolescentes pela Universidade de São Paulo (USP). Exerceu o
cargo de Secretária Municipal de Educação e Cultura na época da implantação do
Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte, cargo de confiança do
Prefeito do referido município.
35
PROLIC – É um Programa de formação inicial para professores do Ensino
Fundamental e Médio, o qual se insere no esforço pela melhoria da qualidade do
ensino na Educação Básica, realizado pelo Governo Federal com a coordenação das
Secretarias de Educação Básica (SEB) e Educação a Distância (SEED). O público
alvo são os professores em exercício na rede pública de ensino, há, pelo menos, um
ano e sem habilitação legal exigida na área em que atuam.
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
160
Devido à relevância do assunto deste trabalho, julgou-se
necessário entrevistar, também, a ex-coordenadora Lucinara Dutra
Miranda Moraes36 que iniciou as atividades no polo e permaneceu
no cargo, aproximadamente, dois anos e a atual coordenadora Rita
Perez Germano37.
Para a entrevista com as secretárias, foi utilizado um
questionário, anexo a este Artigo, contendo quinze perguntas
relacionadas ao processo de implantação do polo universitário com
o intuito de respaldar as afirmações aqui apresentadas. As
secretárias foram entrevistadas em dia, horário e local diferentes, e
as perguntas foram feitas de acordo com a ordem numérica de cada
uma, gravadas em áudio e após, transcritas pela autora deste
trabalho.
Já para os alunos da graduação em Matemática, foi utilizado
um questionário, por escrito, contendo seis perguntas relativas à
implantação do polo, seus benefícios para a comunidade e
adaptação ao desenvolvimento do curso, levando em conta a
estrutura do polo. Este questionário foi respondido, por eles, em
forma de tópicos o que lhes pareceu mais sucinto e apropriado e
encontra-se anexo a este artigo.
Para as coordenadoras foram feitos cinco questionamentos,
também por escrito, a respeito da estrutura física do polo
universitário, desde o início de seu funcionamento até os dias
atuais. Tais questionamentos encontram-se, igualmente, anexo a
este estudo.
36
Lucinara Dutra Miranda Moraes é professora da rede estadual de ensino,
habilitada em Licenciatura em Física pela FURG, especialista em Violência
Doméstica Contra Crianças e Adolescentes pela Universidade de São Paulo – USP e
especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação (TICEDU)
– FURG. Atuou como coordenadora do Polo Universitário de Apoio Presencial de
São José do Norte.
37
Rita Perez Germano é professora da rede municipal de ensino, graduada
em Letras pela FURG e especialista em Leitura e produção textual pela
Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Atua como coordenadora do Polo
Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
161
1. ALGUMAS PECULIARIDADES DE SÃO JOSÉ DO NORTE
É importante lembrar que o intuito deste estudo é relatar a
implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José
do Norte, através da UAB, tendo por foco o acesso, como forma de
democratizar o ensino superior, pela comunidade local, aos cursos
de graduação, especialização e aperfeiçoamento na cidade de São
José do Norte. Portanto, considera-se relevante apresentar alguns
aspectos do referido município.
Tal município está localizado cerca de 370 quilômetros da
Capital do Estado e faz parte de uma Península situada entre o
Oceano Atlântico e a Laguna dos Patos. Por isso, cultiva o slogan
“São José do Norte: cidade onde as águas se encontram”. Conforme
dados do Instituto Brasileiro Geográfico e Estatístico (IBGE) do
último Censo realizado em 2010, possui uma população estimada
em 25 mil habitantes. Sua economia está apoiada na agricultura
produzindo cebola, arroz e as florestas de pinus, além da pesca da
anchova, tainha, entre outros pescados, e da captura do camarão,
crustáceo em abundância neste município.
Sua arquitetura é privilegiada por prédios históricos,
localizados na área central da cidade, que representam o período
colonial português. Em quase sua totalidade, as residências
construídas, nesta área, são ligadas por paredes germinadas,
característica marcante desse período.
São José do Norte, também conhecida pelo nome de Mui
Heroica Villa38, possui uma natureza privilegiada, contando com
muitos atrativos, como a Praia do Mar Grosso, a Barra do Estreito, a
Praia do Barranco, a Laguna dos Patos e um Patrimônio Histórico,
que testemunha o quanto a comunidade é digna em sua trajetória
38
O município de São José do Norte foi palco de um importante combate da
Revolução Farroupilha, por isso recebeu o título de Mui Heroica Villa, através do
Decreto Imperial de 25 de outubro de 1841. Em 31 de março de 1938 a Vila de São
José do Norte foi elevada à categoria de cidade. Disponível em
http:///www.saojosedonorte.rs.gov.br/. Acesso em: 25 de maio de 2011.
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
162
de batalhas políticas e sociais, como se pode confirmar através do
site oficial do município39:
A cidade possui um centro histórico com
traçado orgânico composto por ruas e
quarteirões irregulares, as casas térreas e
sobrados remanescentes da época colonial
que guardam características da habitação
urbana tradicional e uma praça central onde
no entorno se encontram várias edificações de
significado valor histórico e arquitetônico. A
cidade guarda importante parte da história
do Rio Grande do Sul. Foi palco de um
importante
combate
da
Revolução
Farroupilha e devido a esse episódio recebeu o
título de Mui Heróica Villa, por meio do
Decreto Imperial de 25 de outubro de 1841.
Não obstante às belezas naturais e arquitetônicas, este
município enfrenta problemas estruturais, tais como a economia
deficitária, alto grau de analfabetismo e carência de bons projetos
políticos que visem realmente o bem estar da população.
Segundo Mendes40:
39
Disponível em http:///www.saojosedonorte.rs.gov.br/. Acesso em: 25 de
maio de 2011.
40
Michele Mendes Gautério nasceu em São José do Norte, completou o
Ensino Fundamental e Médio, nesta cidade, mas por falta de oferta de ensino
superior, deslocava-se, diariamente, durante quatro anos, até a cidade de Rio Grande
para concluir o grau superior. É especialista em Tecnologia da Comunicação e
Informação na Educação (TICDU) pela Universidade Federal de Rio Grande –
FURG, onde desenvolveu pesquisa sobre os caminhos percorridos pela comunidade
nortense, desde a formação histórica do município até o início da implantação do
Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
163
São José do Norte, com baixo nível sócioeconômico e cultural, possui expressivo índice
de analfabetismo, pois sua política, durante
muito tempo não atribuiu à educação as
prioridades necessárias para possibilitar
condições objetivas de superar dificuldades e
conseguir êxito. (2009, s/p)
Além disso, esta natureza, que tanto embeleza e engrandece
a comunidade nortense torna-se, também, um obstáculo a ser
superado para a aquisição do ensino superior, pois é necessário
realizar a travessia pela Laguna dos Patos41, que desemboca no
Oceano Atlântico, até a cidade de Rio Grande, utilizando, como
meio de transporte aquaviário, lanchas de passageiros, algumas
delas, em condições precárias de utilização, com horários reduzidos
durante o turno da noite. As condições climáticas interferem na
travessia de tal forma que, dependendo dos ventos fortes típicos da
região, impedem a comunidade de atravessar a Laguna.
Mendes afirma:
41
A Laguna dos Patos, a maior laguna do Brasil e a segunda da América
Latina, situa-se no estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Mede 265 quilômetros de
comprimento e uma superfície de 10 144 km², estendendo-se na direção NorteNordeste-Sul-Sudoeste, paralelamente ao Oceano Atlântico. Faz divisa entre os
municípios de São José do Norte e Rio Grande, compreendendo 8 km,
aproximadamente, de distância entre os dois municípios. Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lagoa dos Patos.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
164
[...] a inserção do Polo Universitário no
município de São José do Norte,uma parceria
entre Prefeitura Municipal, ministério da
Educação (MEC) e Universidade Federal do
Rio Grande (FURG), baseado no ensino à [sic]
distância, está possibilitando a inclusão, por
meio da oferta de oportunidade de educação
de qualidade, há um grande número de
pessoas que estavam impossibilitadas de
freqüentar [sic] ambientes presenciais, seja
pela dificuldade de locomoção ou por
indisponibilidade de tempo, não dispunham de
condições adequadas para isso. (2009).
Considerando os problemas supracitados de locomoção,
pode-se levar em conta que a implantação do polo universitário em
São José do Norte possibilitou a democratização do acesso a esse
grau de ensino.
Mesmo nosso município vivenciando este momento de
democratização do acesso ao ensino superior, observa-se que, por
diferentes motivos, nem todos aproveitam esta oportunidade.
Como exemplo, pode-se citar que dos sete alunos inscritos no Curso
de pós-graduação em Gestão de Polos ofertado pela UFPEL, apenas
um aluno concluiu tal curso tendo como requisito parcial para sua
conclusão o presente artigo.
2. A EDUCAÇÃO E SUAS MUDANÇAS: IMPLANTAÇÃO DO
POLO UNIVERSITÁRIO DE APOIO PRESENCIAL DE SÃO JOSÉ DO
NORTE E AS NOVAS POSSIBILIDADES DE INGRESSO NO MERCADO
DE TRABALHO.
A educação, como um todo, exerce papel fundamental no
desenvolvimento intelectual, social e cultural do indivíduo. Já é
possível reconhecer a importância de incorporar, cada vez mais, a
aprendizagem formal, através das contribuições advindas das
mudanças significativas no atual panorama da educação brasileira.
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
165
Aproveitando tais mudanças e fazendo uso das novas ofertas
de ensino, o estudante busca profissionalização, requisito
primordial que possibilita seu ingresso no disputado mercado de
trabalho. Conforme Belloni:
A universalização da educação básica,
conquista das sociedades mais ricas no século
XX, e a formação inicial para o exercício de
uma determinada profissão não serão mais
suficientes para atender às exigências do
mercado de trabalho da sociedade futura: a
educação ao longo da vida, isto é, a formação
profissional atualizada, diversificada e
acessível a todos será não apenas um direito
de todos e, portanto, dever do estado, mas
constituirá provavelmente o melhor senão o
único meio de evitar a desqualificação da
força de trabalho e a exclusão social de
grandes parcelas da população, consistindo
num importante fator de estabilidade social.
(1999, p. 101)
Aliado a isso, é discutido, também, o avanço tecnológico e os
inúmeros benefícios que este oferece à educação como um todo,
especialmente à EaD que somente encontra sua eficácia através da
utilização dos recursos possibilitados pelo uso das tecnologias de
informação e comunicação na educação (TICs). Estas, por sua vez,
ampliaram as oportunidades de estudo para aqueles que, até então,
buscavam qualificação e formação, principalmente em nível
superior, acelerando o processo de aprendizagem e tornando mais
eficazes os sistemas de ensino.
Conforme a SEED-MEC:
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
166
A modalidade de EaD tem por sustentáculo as
tecnologias de informação e comunicação, o
que também poderá permitir espaço de
formação
acadêmica
atualizada,
privilegiando a construção autônoma e crítica
do conhecimento, com a utilização de
variadas tecnologias: impressos, vídeos,
multimídias, Internet, fóruns virtuais e
videoconferências. (2006, p.21)
Acompanhando esse avanço tecnológico, expandido pela EaD,
com um olhar no futuro crescimento de São José do Norte e na
possível ampliação da oferta de empregos neste município, o
governo local considera que a implantação do polo universitário
possibilitará aos futuros formandos, o ingresso no mercado de
trabalho local. Indagada sobre o assunto Maria das Graças Saraiva42
faz a seguinte consideração: “Visando o crescimento do município e
o consequente aumento da oferta de empregos, haverá
necessidade de profissionais qualificados para suprir o mercado de
trabalho, sendo assim, os formandos do Polo Universitário têm
grandes chances de serem absorvidos.”.
Para corroborar com a Secretária da Fazenda43, Edna Mara de
Mattos Tarouco44 afirma que “[...] o município está em fase de
desenvolvimento, com perspectiva de instalação de empresas de
grande porte”.
As palavras das secretárias, citadas acima, estão baseadas na
expectativa da instalação de um estaleiro promovido pela empresa
42
Op.cit.
Op.cit.
44
Conforme reportagem extraída do Portal Marítimo (Canal de comunicação
on-line): “Em reunião [...] com representantes do governo gaúcho e da Fundação
Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM), Henrique Luiz Roessler o estaleiro EBR
começou a tratar do processo de licenciamento de instalação da empresa em São
José do Norte, no Sul do Rio Grande do Sul. A empresa pretende erguer um estaleiro
a partir de um investimento de R$ 672 milhões, dentro de um compromisso de
parceria entre o setor público e a iniciativa privada.”
43
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
167
Estaleiros do Brasil S.A. (EBR)45 15 em São José do Norte, que
possibilitará a oferta de empregos para a comunidade local, que
está em busca de qualificação e aperfeiçoamento. Por esse motivo,
Maria das Graças Saraiva46 aborda: “A comunidade teve acesso ao
ensino superior a distância, dando início à democratização e
universalização ao acesso junto ao ensino público no município,
possibilitando ainda o aperfeiçoamento intelectual e profissional,
imprescindíveis para a noção crítica da realidade e a inserção no tão
disputado mercado de trabalho.”
Pela carência de empregos, uma boa parte da população
nortense, deslocar-se até Rio Grande, por meio do transporte
aquaviário, para trabalhar, uma vez que há pouca oferta de
emprego em seu município de origem.
3. A IMPLANTAÇÃO DO POLO UNIVERSITÁRIO DE APOIO
PRESENCIAL DE SÃO JOSÉ DO NORTE - UMA ETAPA VENCIDA.
Tratando deste tema, serão apresentados registros da
implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José
do Norte, bem como as mudanças ocorridas desde sua implantação
que teve como primeiro ato a adesão do município ao Programa
UAB em 2005, por meio de um projeto elaborado pela Secretaria
Municipal de Educação e Cultura (SMEC) de São José do Norte e
encaminhado à FURG. Ao ser perguntada como foi ofertada a
implantação do polo universitário em São José do Norte Maria das
Graças Saraiva47 afirma que “A adesão ao Programa Universidade
Aberta do Brasil (UAB) foi encaminhada no dia 29 de novembro de
2005, através de ofício da lavra do prefeito Dr. Vicente Ferrari ao
Magnífico Reitor da
Universidade Federal do Rio Grande, professor Dr. João Carlos
Cousin. Após foi elaborado pela Secretaria Municipal de Educação e
Cultura (SMEC) o projeto visando à criação do Polo Municipal de
45
Op.cit.
Op.cit.
47
Op.cit.
46
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
168
Apoio Presencial e Ensino Superior [sic] à [sic] distância, objetivando
oferecer os cursos de Pedagogia e Administração de Empresas,
tendo como contrapartida do município a infraestrutura física, a
logística de funcionamento e a descrição dos recursos humanos.”
Após o encaminhamento do projeto à FURG, o município de
São José do Norte atende ao chamamento do MEC feito através do
Edital nº 1 de 16 de ezembro de 2005, trazendo aos munícipes a
oferta do ensino superior, na modalidade a distância, pondo em
prática os avanços na área educacional.
Conforme o Edital:
Edital nº 1, de 16 de dezembro de 2005,
chamada pública para seleção de polos
municipais de apoio presencial e de cursos
superiores de Instituições Federais de Ensino
Superior na modalidade de Educação a
Distância para o “Sistema Universidade
Aberta do Brasil – UAB”.
De acordo com o MEC para selecionar os polos foram criados
critérios, através do Programa UAB que prega o seguinte:
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
169
A análise e seleção dos polos serão realizadas
conforme os seguintes critérios: adequação e
conformidade do projeto com os cursos
superiores a carência de oferta de ensino
superior público na região de abrangência do
polo, a demanda local ou regional por ensino
superior público, conforme o quantitativo de
concluintes e egressos do ensino médio e da
educação de jovens e adultos, a pertinência
dos cursos demandados e a capacidade de
oferta por instituições federais de ensino na
região. Serão considerados para efeito de
seleção do polo, especialmente, a análise da
infra-estrutura [sic] física do polo proposto e
recursos humanos disponíveis. (SEED-MEC
2006, p. 25)
Atendendo a estes critérios o governo municipal implanta nas
dependências da Escola Municipal João de Deus Collares o polo
universitário que recebe o nome de Polo Universitário de São José
do Norte, através do convênio celebrado entre a UFPEL e a
Prefeitura Municipal de São José do Norte com a oferta do curso de
Graduação em Licenciatura em Matemática a Distância
oportunizando a qualificação profissional para professores em
exercício nas redes públicas de ensino.
A referida escola foi escolhida por oferecer espaço físico
apropriado às exigências do MEC. De acordo com Edna Mara de
Mattos Tarouco48 em resposta à pergunta referente à escolha da
escola “Escolhemos a Escola Municipal João de Deus Collares, pois
era a única escola que se adequava às exigências do MEC, em
relação ao espaço físico”.
Conforme palavras da ex-coordenadora do polo Lucinara D.
M. Moraes em relação ao espaço físico: “Quando comecei no Polo
Universitário [sic] como coordenadora, não havia, ainda, o espaço
físico estruturado para que as atividades fossem ali desenvolvidas.
Embora já existisse o local, o mesmo estava sendo equipado e
48
ÍNDICE
Op.cit.
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
170
instalado de acordo com as exigências do MEC e as recomendações
técnicas dos eletricistas e dos técnicos em instalação da prefeitura.
O polo dispunha de um laboratório de informática com trinta
computadores, uma sala para os tutores, sanitários e uma sala para
a coordenação que servia, também, de secretaria do polo. O
anfiteatro era usado pelo Polo e pela escola onde o mesmo estava
localizado.”
Como se pode perceber, na fala supracitada, o polo
universitário, deu início de forma bastante precária, pois abrigava os
cursos de graduação em Administração de Empresas e Licenciatura
em Pedagogia ambos pela FURG, além do curso de Licenciatura em
Matemática ofertado pela UFPEL.
A coordenadora Rita Germano aborda o mesmo assunto da
seguinte forma: “Quando assumi o polo tinha dois laboratórios de
informática e uma sala de reuniões e recepção. Logo depois, fomos
para um espaço onde temos: sala de multimeios, duas salas de aula,
biblioteca, cozinha, sala de tutores, dois banheiros, sala de
coordenação e um laboratório.”
Depreende-se dessa colocação que o polo universitário
evoluiu, mas não de maneira que possa oferecer aos alunos
condições singulares no desenvolvimento de suas atividades, pois
hoje, abarca os cursos de Licenciatura em Educação no Campo com
42 alunos frequentes, Gestão de Polos apenas 01 aluno,
Licenciatura em Matemática 07 alunos ofertados pela UFPEL.
Licenciatura em Pedagogia com 38 alunos frequentes,
Administração de Empresas com 15 alunos em fase final do curso e
mais cinco cursos de pós-graduação em: Educação em Direitos
Humanos com 22 alunos, Tecnologia da Informação e Comunicação
na Educação com 25 alunos Educação de Jovens e Adultos com 22
alunos, Educação Ambiental com 30 alunos e Aplicações para Web
com 25 alunos totalizando 227 alunos.
Aproveitando, ainda, a colaboração da atual coordenadora se
faz importante esclarecer que o Polo Universitário de Apoio
Presencial de São José do Norte, como é nomeado pela atual
gestão, não há Decreto-Lei que legalize esta instituição de ensino:
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
171
“O polo não é legalizado. Houve uma reunião para que isso
acontecesse, mas as estratégias não saíram do papel por parte da
administração pública.”
Como se pode perceber, o governo municipal não oferece ao
polo a devida importância que merece, uma vez que este ainda não
possui logomarca, tampouco placa de identificação o que se pode
confirmar através das palavras da ex- coordenadora: “Na época em
que atuava como coordenadora o polo não dispunha nem de
logomarca, nem de placa de identificação embora houvesse o
pedido das Instituições de Ensino Superior (IFES) para que os
mesmos fossem providenciados.
A maioria das solicitações esbarrava na inexistência de uma
verba própria para o custeio das necessidades do polo, o que
sempre foi obstáculo para a realização de muitas solicitações feitas
pelo MEC e pelas IFES.”
Ainda em relação a esse assunto, a atual coordenadora, diz:
“Há um banner identificando o polo, mas ainda estamos em busca
de placas com uma logomarca própria do polo para que as pessoas
possam identificá-lo quando chegam na Hidroviária49 e na BR 1050.”
Para legitimar as falas, acima, Maria das Graças Saraiva51, em
entrevista para este trabalho, fala que “O primeiro obstáculo foi o
financeiro devido a todas as despesas serem custeadas com verba
do município. Logo após, disponibilidade de pessoal e local para
instalação do polo”. Corroborando com esta fala Edna Mara
Tarouco, aborda que: “A inexistência de uma dotação orçamentária
específica para o polo constituiu-se num grande obstáculo para a
implantação do polo, tendo em vista que a verba do Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de
Valorização do Magistério (FUNDEF) destinava-se, exclusivamente
para o Ensino Fundamental.”.
49
A Hidroviária de São José do Norte é o local onde atracam as lanchas que
fazem a travessia lacustre de passageiros entre o referido município e o município de
Rio Grande.
50
BR 101 é a única via terrestre de acesso ao município
51
Op.cit.
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
172
Após expor as falas das gestoras municipais é possível notar
que elas abordam o assunto sobre a implantação do polo
universitário salientando a falta de verba municipal própria desta
instituição de ensino superior, para custear as despesas com o
desenvolvimento de suas atividades dando-lhe o suporte técnico
necessário. A ocorrência desses fatos sugere que é preciso um
maior esforço por parte do Executivo Municipal para que possa
cumprir com o que foi acordado entre esta esfera governamental, o
MEC e as IFES.
Até aqui foram apresentados os pareceres das representantes
municipais da Secretaria de Educação e da Secretaria da Fazenda,
além dos pareceres da ex e da atual coordenadora relativos à
implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José
do Norte como forma de acesso ao ensino superior. Considera-se,
também, de muito valor apresentar os pareceres dos alunos de
Licenciatura em Matemática pela UFPEL todos professores atuantes
na rede municipal e estadual de ensino, no município do polo.
Dos sete alunos do curso, quatro colaboraram com a escrita
deste artigo respondendo a algumas perguntas relativas à
implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José
do Norte como forma de acesso ao ensino superior. Com o objetivo
de preservar suas identidades, utilizaremos as formas Aluno A,
Aluno B, Aluno C e Aluno D. Seguem as respostas conforme exposto
por eles:
Aluno A: “Resgatar e acelerar o tempo, pois eu nunca tinha
tido oportunidade de me qualificar”; “Progresso na educação;
Realização do meu sonho de ter um curso superior. Mesmo
enfrentando dificuldades em relação à tecnologia, pois os
computadores do polo estão ultrapassados escolheria um curso a
distância, porque é muito bom.”
Aluno B – “Ampliar meus horizontes e consolidar meus ideais,
crescimento intelectual, representa a ampliação do ensino superior,
adquirir habilidades por meio da tecnologia, internet não só para
lazer, mas, também, para aprender. Escolheria um curso a distância,
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
173
com todos os problemas na parte física do polo, vale a pena, porque
não tenho tempo para me deslocar até Rio Grande.”
Aluno C: “Comodidade e facilidade de ter um polo de ensino
superior gratuito e a distância perto da minha casa”. O polo
começou com apenas três salas e um multimídia, assistíamos às
webs no laboratório de informática utilizado pelos alunos do CAIC,
muitas vezes, junto com os tutores de outra instituição.
Aluno D: “O polo representou um acesso mais igual ao ensino
superior, é claro que enfrentamos dificuldades, a internet caía, as
webs eram ruins, mas fomos nos acostumando. Hoje temos um
espaço um pouco maior, um laboratório só do polo, mas os
computadores não têm suporte para comportar as webs.”
De acordo com as palavras dos alunos entrevistados, em
resposta ao questionário anexo a este trabalho, pode-se
depreender o quanto a implantação deste polo contribuiu para o
acesso à formação e qualificação desses sujeitos.
Por tudo apresentado, neste estudo, acredita-se que a EaD,
difundida por meio da implantação de polos de apoio presencial,
passou a ser relevante para os alunos inseridos nesta modalidade
de ensino, no que se refere a sua formação e qualificação
profissional desmistificando o discurso, muitas vezes, implícito de
que os cursos em EaD são de fácil conclusão, e de pouco crédito no
mercado de trabalho. Tais alunos mostram-se conscientes da
importância de assimilar o uso adequado das tecnologias da
informação e comunicação na educação, mesmo de forma precária,
seja em sua vida diária, estudantil ou profissional.
Para confirmar o exposto Edna Mara de Mattos Tarouco52
afirma que o pólo trouxe: “Oportunidade de qualificação dos
professores da rede municipal de ensino e acho que oportunizou,
também, um maior número de jovens estudantes, em nível
superior, facilitando o acesso sem a necessidade de se deslocarem
até Rio Grande e outros municípios.”
Sem dúvida, a implantação do Polo Universitário de Apoio
Presencial de São José do Norte contribuiu para o acesso à
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Op.cit.
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
174
educação superior àqueles moradores em cidades interioranas, com
peculiaridades singulares como as de São José do Norte, que por
algum motivo encontravam-se impedidos de qualificação. Partindo
dessas considerações, é possível dimensionar o que representou a
implantação do polo universitário em São José do Norte.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho procurou relatar a implantação do Polo
Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte como forma
de democratizar o acesso ao ensino superior. No decorrer deste
estudo, enfrentou-se certa dificuldade em respaldar a escrita devido
à escassez de material escrito relacionado a tal implantação. Assim,
tomou-se como base as falas das secretárias municipais envolvidas
no processo de implantação do polo universitário, a fala da excoordenadora do polo e da atual, além das falas dos alunos da
Licenciatura em Matemática que contribuíram, gentilmente, para a
realização desta pesquisa.
Dessa forma, após análise das falas dos agentes supracitados,
conclui-se que os dirigentes municipais enfrentaram obstáculos
relacionados à infraestrutura e a investimentos em recursos
materiais e financeiros bem como disponibilidade de funcionários
durante o processo de implantação do Polo Universitário de Apoio
Presencial de São José do Norte.
É possível concluir, também, que a implantação do polo
universitário oportunizou uma forma de democratizar o acesso ao
ensino superior na modalidade a distância, possibilitando uma
grande progressão na área educacional e profissional para a
comunidade nortense.
Os entrevistados deixaram claro que ainda há problemas na
estrutura física do polo e que o mesmo não possui um documento
que o torne legal perante a lei.Há apenas dois documentos que o
legalizam: um Acordo de Cooperação e um convênio assinados
entre o município de São José do Norte, o MEC e as Instituições que
oferecem cursos de Ensino Superior, na modalidade a distância.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
175
Mesmo estando em plena atividade, há pelo menos quatro
anos, o pólo universitário ainda não possui uma logomarca, nem
placa de identificação o que deixa tal instituição no anonimato.
Pode-se concluir, então, que o Executivo Municipal, não está
tratando o Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do
Norte com a seriedade que merece, visto seu valor representativo
para a comunidade nortense.
Embora haja tais problemas relacionados à estrutura e
anonimato do pólo universitário, alguns dos entrevistados
demonstraram grandes expectativas de que os futuros formandos
serão absorvidos pelo mercado de trabalho local, pois acreditam no
crescimento futuro do município e que a implantação deste
empreendimento veio para democratizar o acesso ao ensino
superior.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BELLONI, M. L. Educação a Distância. Campinas: Autores Associados, 1999.
BRASIL. Desafios da Educação a Distância na Formação de Professores.
Brasília: MEC, 2006.
FERREIRA, L. S. Manual do Trabalho Científico: diretrizes, normas e
orientações para elaboração do trabalho de conclusão do curso Gestão
de Polos. Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da
UAB/UFPel, Pelotas, 2010.
SCAVAZZA, C. Gêneros discursivos emergentes: o fórum na educação a
distância. Dissertação (Mestrado em Linguística Aplicada) – Universidade
de Taubaté. Taubaté, 2010.
MENDES, M. G. Polo Universitário: Uma nova perspectiva na educação de
São José do Norte. Monografia (Especialização em Tecnologias da
Informação e Comunicação na Educação) – Universidade Federal do Rio
Grande. Rio Grande, 2009.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
176
MORAN, J. M.; MASETTO, M. T.; BEHRENS, M. A. (Orgs.). Novas tecnologias
e mediação pedagógica. Campinas: Papirus, 2000.
SÃO JOSÉ DO NORTE. História do Município. Disponível
<http:///www.saojosedonorte.rs.gov.br/>. Acesso em: mai. 2011.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
em:
177
ANEXOS
ANEXO I: QUESTIONÁRIO
Este questionário serve de base para a uma entrevista, parte
do Trabalho de Conclusão do Curso de Pós-Graduação em Gestão
de Polos, ofertado pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão de
Polos (PPGP), através da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)
que tem por título: “Implantação do Polo Universitário de Apoio
Presencial de São José do Norte: uma forma de democratizar o
acesso ao ensino superior”, sob a responsabilidade da aluna, do
curso supracitado, Marta Martins de Farias Ramos. As informações,
obtidas mediante esta entrevista, serão unicamente utilizadas para
esta finalidade.
Nome: Edna Mara de Mattos Tarouco
Instituição: Secretária Municipal de Educação e Cultura do
Município de São José do Norte, na época da implantação
do polo.
1. Como foi ofertada a implantação de um polo universitário
em São José do Norte? “Através do Projeto UAB, 1º Edital que fez
um chamamento aos municípios em parceria com as universidades
próximas a este município, a FURG e a UFPEL.”
2. Quais foram as primeiras mobilizações em prol desta
implantação? “Reuniões com a Pró Reitoria de Graduação e com o
Reitor da FURG e, logo em seguida, foi assinado o convênio com a
UFPEL.”
3. Qual foi a primeira escolha antes da Escola Municipal de
Ensino Fundamental João de Deus Collares (CAIC) como sede do
polo? “Em princípio pensamos na Escola Soares de Paiva, porque
está localizada no centro da cidade facilitando o acesso da
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
178
comunidade, mas por questões de espaço não foi possível implantar
o polo nesta escola.”
4. Por que foi escolhida esta escola para abrigar a sede do
polo levando em conta a dificuldade de acesso pela
comunidade? “Escolhemos a Escola Municipal João de Deus
Collares, pois era a única escola que se adequava às exigências do
MEC, em relação ao espaço físico”.
5. O Governo Municipal pensou, em algum momento, em
construir um prédio próprio como sede do polo? “Não, por falta de
condições financeiras do município que se preocupou apenas em se
adequar às exigências do MEC.”
6. Qual a sua participação, oficial ou não, no processo de
implantação do polo? “Participei da elaboração do projeto, de
reuniões com as Instituições de Ensino FURG e UFPEL, busquei os
recursos para adequar o polo às exigências do MEC e das
universidades.”
7. Quantos funcionários da Prefeitura são cedidos para o polo
universitário e quais foram os critérios para a escolha destes
funcionários? “Dois funcionários: uma secretária e uma servente,
além de um estagiário que dava o suporte técnico e um componente
da guarda municipal. Os critérios para a escolha destes funcionários
foram baseados nas exigências do MEC e de acordo com os recursos
humanos da prefeitura disponíveis naquele momento.”
8. Qual é a sua participação, hoje, nas questões relativas ao
polo? “Nenhuma. Apenas como cidadã nortense fico na expectativa
de que as pessoas que hoje estão na administração municipal dêem
continuidade ao projeto que é de grande importância para a
comunidade deste município no setor educacional.”
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
179
9. Quais foram os maiores obstáculos enfrentados durante a
implantação deste empreendimento? “A inexistência de uma
dotação orçamentária específica para o polo constituiu-se num
grande obstáculo para a implantação do polo, tendo em vista que a
verba do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino
Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF) destinavase, exclusivamente para o Ensino Fundamental.”
10. As autoridades
implicações? “Sim.”
envolvidas
estavam
cientes
das
11. Quais as oportunidades geradas para a comunidade local
desde a implantação? “Oportunidade de qualificação dos
professores da rede municipal de ensino e acho que oportunizou,
também, um maior número de jovens estudantes, em nível superior,
facilitando o acesso sem a necessidade de se deslocarem até Rio
Grande e outros municípios.”
12. Há alguma consideração por parte da senhora como
representante do órgão municipal que deseja fazer? “Acredito que a
implantação deste polo tenha sido um grande marco para a
educação no município.”
13. Na visão da senhora, em relação à função que exerceu
dentro da secretaria, houve alguma mudança no Município de São
José do Norte, com a implantação do polo, que a senhora gostaria
de salientar (boa ou ruim)? “Sim, à medida que estamos
qualificando professores estamos oportunizando uma melhoria na
qualidade do ensino ofertado em nossas escolas.”
14. A senhora acredita que os futuros formandos serão
absorvidos pelo mercado de trabalho de São José do Norte? “Sim,
pois o município está em fase de desenvolvimento, com perspectiva
de instalação de empresas de grande porte.”
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
180
15. Qual o documento existente que legaliza a implantação
do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte? “Há
apenas um Acordo de Cooperação Técnica entre a FURG, o
município de São José do Norte e o MEC e um Convênio para a
execução do curso de graduação em Matemática para professores
das redes públicas de ensino, celebrado entre o município, o MEC e
a UFPEL.”
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
181
ANEXO II: QUESTIONÁRIO
Este questionário serve de base para a uma entrevista, parte
do Trabalho de Conclusão do Curso de Pós-Graduação em Gestão
de Polos, ofertado pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão de
Polos (PPGP), através da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)
que tem por título: “Implantação do Polo Universitário de Apoio
Presencial de São José do Norte: uma forma de democratizar o
acesso ao ensino superior”, sob a responsabilidade da aluna, do
curso supracitado, Marta Martins de Farias Ramos. As informações,
obtidas mediante esta entrevista, serão unicamente utilizadas para
esta finalidade.
Nome: Maria das Graças Saraiva
Instituição: Secretária Municipal da Fazenda do Município
de São José do Norte.
1. Como foi ofertada a implantação de um Polo Universitário
em São José do Norte? “A adesão ao Programa Universidade Aberta
do Brasil (UAB) foi encaminhada no dia 29 de novembro de 2005,
através de ofício da lavra do prefeito Dr. Vicente Ferrari ao
Magnífico Reitor da Universidade Federal do Rio Grande, professor
Dr. João Carlos Cousin. Após foi elaborado pela Secretaria Municipal
de Educação e Cultura (SMEC) o projeto visando à criação do Polo
Municipal de Apoio Presencial e Ensino Superior [sic] à [sic]
distância, objetivando oferecer os cursos de Pedagogia e
Administração de Empresas, tendo como contrapartida do município
a infraestrutura física, a logística de funcionamento e a descrição
dos recursos humanos.”
2. Quais foram as primeiras mobilizações em prol desta
implantação? “Primeiramente foi escolhido local com capacidade
para abrigar o polo universitário, logo após, disponibilizada verba
para o investimento e por fim assinado convênio entre as
instituições e a prefeitura.”
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3. Qual foi a primeira escolha antes da Escola Municipal de
Ensino Fundamental João de Deus Collares (CAIC) como sede do
polo? “A primeira escolha foi a Escola Municipal de Ensino
Fundamental João de Deus Collares (CAIC), que possuía espaço físico
disponível para suprir as necessidades de implantação do polo,
Visando o aumento do programa e a necessidade de um número
maior de salas é a única escola que apresenta tais condições.”
4. Por que foi escolhida esta escola para abrigar a sede do
polo levando em conta a dificuldade de acesso pela comunidade?
“Foi escolhida a referida escola pelo fato de ser a única com
condições de abrigar o polo, levando-se em conta a previsão de
crescimento do programa.”
5. O Governo Municipal pensou, em algum momento, em
construir um prédio próprio como sede do polo? “Até o presente
momento o município não possui receita suficiente para realizar um
investimento deste porte.”
6. Qual a sua participação, oficial ou não, no processo de
implantação do polo? “Participei diretamente nas tratativas da
implantação.”
7. Quantos funcionários da Prefeitura são cedidos para o polo
universitário e quais foram os critérios para a escolha destes
funcionários? “Foram cedidos quatro servidores públicos: secretária,
bibliotecária, agente da guarda municipal e higienizadora.”
8. Qual é a sua participação, hoje, nas questões relativas ao
polo? “Atuo, indiretamente, nas questões de repasse de verba à
Secretaria de Educação do Município que dá suporte técnico e
infraestrutura ao polo.”
9. Quais foram os maiores obstáculos enfrentados durante a
implantação deste empreendimento? “O primeiro obstáculo foi o
financeiro devido a todas as despesas serem custeadas com verba
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
183
do município. Logo após, disponibilidade de pessoal e local para
instalação do polo”
10. As autoridades envolvidas estavam cientes das
implicações? “Com certeza, sem a manifestação das autoridades a
implantação do polo não seria possível.”
11. Quais as oportunidades geradas para a comunidade local
desde a implantação? “A comunidade teve acesso ao ensino
superior a distância, dando início à democratização e
universalização ao acesso junto ao ensino público no município,
possibilitando ainda o aperfeiçoamento intelectual e profissional,
imprescindíveis para a noção crítica da realidade e a inserção no tão
disputado mercado de trabalho.”
12. Há alguma consideração por parte da senhora como
representante do órgão municipal que deseja fazer? “Fico muito
satisfeita com essa inovação trazida ao município, possibilitando a
esta comunidade a chance de aperfeiçoamento intelectual com
acesso ao ensino público superior. Com a exigência cada vez maior
de profissionais especializados, o polo universitário traz aos
munícipes esta oportunidade.”
13. Na visão da senhora, em relação à função que exerce
dentro da secretaria, houve alguma mudança no município de São
José do Norte, com a implantação do polo, que a senhora gostaria
de salientar (boa ou ruim)? “Houve a facilitação do acesso da
comunidade nortense ao ensino superior, eis que o município não
dispunha de tal oportunidade.”
14. A senhora acredita que os futuros formandos serão
absorvidos pelo mercado de trabalho de São José do Norte?
“Visando o crescimento do município e o conseqüente aumento da
oferta de empregos, haverá necessidade de profissionais
qualificados para suprir o mercado de trabalho, sendo assim, os
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
184
formandos do Polo Universitário têm grandes chances de serem
absorvidos.”
15. Qual o documento existente que legaliza a implantação
do Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte? “O
polo universitário foi implantado através de convênio realizado
entre este município, Fundação Universidade Federal do Rio Grande
e Universidade Federal de Pelotas.”
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185
ANEXO
ESCLARECIDO
III:
TERMO
DE
CONSENTIMENTO
LIVRE
E
Eu, Edna Mara de Mattos Tarouco, consinto formalmente em
participar como entrevistada no Artigo Implantação do Polo
Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte: uma forma
de democratizar o acesso ao ensino superior da aluna Marta
Martins de Farias Ramos, do Programa de Pós-Graduação em
Gestão de Polos (PPGP), da Universidade Federal de Pelotas
(UFPEL). Declaro haver recebido uma explicação clara e completa
sobre a presente pesquisa que visa identificar os obstáculos e as
oportunidades advindas da implantação do Polo Universitário de
Apoio Presencial de São José do Norte.
Estou ciente de que as informações coletadas na entrevista,
feita comigo, serão utilizadas unicamente para aprofundamento de
conhecimentos na área educacional e concordo ceder informações
relativas ao assunto do Artigo à aluna Marta Martins de Farias
Ramos.
Submeto-me de livre e espontânea vontade, sabendo que:
a) a entrevista não representa riscos a minha saúde moral e
ética ou de minha família, nem qualquer desconforto ou dano;
b) minha participação será voluntária. Concordando ou
recusando em participar, não obterei vantagens e não serei
prejudicada. Não haverá ônus financeiro para qualquer uma das
partes.
___________________________
Edna Mara de Mattos Tarouco
São José do Norte, 15 de maio de 2011.
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
186
ANEXO
ESCLARECIDO
IV:
TERMO
DE
CONSENTIMENTO
LIVRE
E
Eu, Maria das Graças Saraiva, consinto formalmente em
participar como entrevistada no Artigo Implantação do Polo
Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte: uma forma
de democratizar o acesso ao ensino superior, da aluna Marta
Martins de Farias Ramos, do Programa de Pós-Graduação em
Gestão de Polos (PPGP), da Universidade Federal de Pelotas
(UFPEL). Declaro haver recebido uma explicação clara e completa
sobre a presente pesquisa que visa identificar os obstáculos e as
oportunidades advindas da implantação do Polo Universitário de
Apoio Presencial de São José do Norte.
Estou ciente de que as informações coletadas na entrevista,
feita comigo, serão utilizadas unicamente para aprofundamento de
conhecimentos na área educacional e concordo ceder informações
relativas ao assunto do Artigo à aluna Marta Martins de Farias
Ramos.
Submeto-me de livre e espontânea vontade, sabendo que:
a) a entrevista não representa riscos a minha saúde moral e
ética ou de minha família, nem qualquer desconforto ou dano;
b) minha participação será voluntária. Concordando ou
recusando em participar, não obterei vantagens e não serei
prejudicada. Não haverá ônus financeiro para qualquer uma das
partes.
________________________________
Maria das Graças Saraiva
São José do Norte, 28 de junho de 2011
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
187
ANEXO V: QUESTIONÁRIO III
Este questionário serve de base para a uma entrevista, parte
do Trabalho de Conclusão do Curso de Pós-Graduação em Gestão
de Polos, ofertado pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão de
Polos (PPGP), através da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)
que tem por título: “Implantação do Polo Universitário de Apoio
Presencial de São José do Norte: uma forma de democratizar o
acesso ao ensino superior”, sob a responsabilidade da aluna, do
curso supracitado, Marta Martins de Farias Ramos. As informações,
obtidas mediante esta entrevista, serão unicamente utilizadas para
esta finalidade.
Entrevistados: alunos do Curso de Licenciatura em
Matemática - PROLIC II - UFPEL.
Questões:
1) O que levou você a escolher/fazer um curso na modalidade
a distância?
__________________________________________________
2) O que representou a implantação do Polo Universitário de
Apoio Presencial de São José do Norte, para a comunidade local, na
sua visão de cidadão (ã) nortense?
__________________________________________________
3) Quais são suas perspectivas em relação ao curso, no que se
refere a sua área pessoal e profissional?
______________________________________________
4) Se você fosse escolher, hoje, um curso de graduação ou
pós-graduação presencial ou a distância o que você escolheria?
______________________________________________
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
188
5) Como estava estruturado o Polo Universitário de Apoio
Presencial de São José do Norte no início das atividades do seu
curso?
______________________________________________
6) Houve alguma mudança desde o início da implantação do
Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte até a
presente data?
______________________________________________
Observação: Os alunos responderam em forma de tópicos.
Respostas:
Aluno A: “Resgatar e acelerar o tempo, pois eu nunca tinha
tido oportunidade de me qualificar”; “Progresso na educação;
Realização do meu sonho de ter um curso superior. Mesmo
enfrentando dificuldades em relação à tecnologia, pois os
computadores do polo estão ultrapassados escolheria um curso a
distância, porque é muito bom”.
Aluno B – “Ampliar meus horizontes e consolidar meus ideais,
crescimento intelectual, representa a ampliação do ensino superior,
adquirir habilidades por meio da tecnologia, internet não só para
lazer, mas, também, para aprender. Escolheria um curso a distância,
com todos os problemas na parte física do polo, vale a pena, porque
não tenho tempo para me deslocar até Rio Grande.”
Aluno C: “Comodidade e facilidade de ter um polo de ensino
superior gratuito e a distância perto da minha casa”. O polo
começou com apenas três salas e um multimídia, assistíamos às
WEBs no laboratório de informática utilizado pelos alunos do CAIC,
muitas vezes, junto com os tutores de outra instituição.
Aluno D: “O polo representou um acesso mais igual ao ensino
superior, é claro que enfrentamos dificuldades, a internet caía, as
webs eram ruins, mas fomos nos costumando. Hoje temos um
espaço um pouco maior, um laboratório só do polo, mas os
computadores não têm suporte para comportar as webs.”
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189
ANEXO
ESCLARECIDO
VI:
TERMO
DE
CONSENTIMENTO
LIVRE
E
Eu, Lucinara Dutra Miranda Moraes, consinto formalmente
em participar como entrevistada no Artigo Implantação do Polo
Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte: uma forma
de democratizar o acesso ao ensino superior, da aluna Marta
Martins de Farias Ramos, do Programa de Pós-Graduação em
Gestão de Polos (PPGP), da Universidade Federal de Pelotas
(UFPEL). Declaro haver recebido uma explicação clara e completa
sobre a presente pesquisa que visa identificar a democratização do
acesso ao ensino superior advinda da implantação do Polo
Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte.
Estou ciente de que as informações coletadas na entrevista,
feita comigo, serão utilizadas unicamente para aprofundamento de
conhecimentos na área educacional e concordo ceder informações
relativas ao assunto do Artigo à aluna Marta Martins de Farias
Ramos.
Submeto-me de livre e espontânea vontade, sabendo que:
c) a entrevista não representa riscos a minha saúde moral e
ética ou de minha família, nem qualquer desconforto ou dano;
d) minha participação será voluntária. Concordando ou
recusando em participar, não obterei vantagens e não serei
prejudicada. Não haverá ônus financeiro para qualquer uma das
partes.
________________________________
Lucinara Dutra Miranda Moraes
São José do Norte, 28 de setembro de 2011
ÍNDICE
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190
ANEXO VII:
ESCLARECIDO
TERMO
DE
CONSENTIMENTO
LIVRE
E
Eu, Rita Perez Germano consinto formalmente em participar
como entrevistada no Artigo Implantação do Polo Universitário de
Apoio Presencial de São José do Norte: uma forma de democratizar
o acesso ao ensino superior, da aluna Marta Martins de Farias
Ramos, do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Polos (PPGP),
da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Declaro haver recebido
uma explicação clara e completa sobre a presente pesquisa que visa
identificar a democratização do acesso ao ensino superior advinda
da implantação do Polo Universitário de Apoio Presencial de São
José do Norte.
Estou ciente de que as informações coletadas na entrevista,
feita comigo, serão utilizadas unicamente para aprofundamento de
conhecimentos na área educacional e concordo ceder informações
relativas ao assunto do Artigo à aluna Marta Martins de Farias
Ramos.
Submeto-me de livre e espontânea vontade, sabendo que:
e) a entrevista não representa riscos a minha saúde moral e
ética ou de minha família, nem qualquer desconforto ou dano;
f) minha participação será voluntária. Concordando ou
recusando em participar, não obterei vantagens e não serei
prejudicada. Não haverá ônus financeiro para qualquer uma das
partes.
________________________________
Rita Perez Germano
São José do Norte, 25 setembro de 2011.
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191
ANEXO VIII: QUESTIONÁRIO IV
Este questionário serve de base para a uma entrevista, parte
do Trabalho de Conclusão do Curso de Pós-Graduação em Gestão
de Polos, ofertado pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão de
Polos (PPGP), através da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)
que tem por título: “Implantação do Polo Universitário de Apoio
Presencial de São José do Norte: uma forma de democratizar o
acesso ao ensino superior”, sob a responsabilidade da aluna, do
curso supracitado, Marta Martins de Farias Ramos. As informações,
obtidas mediante esta entrevista, serão unicamente utilizadas para
esta finalidade.
Entrevistada:
Lucinara
Dutra
Miranda
Moraes,
Coordenadora que deu início às atividades do Polo Universitário
de Apoio Presencial de São José do Norte, não exercendo tal
função, atualmente.
1) Ao assumir a função de Coordenadora, como o Polo
Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte estava
estruturado fisicamente ? O Polo tinha dois laboratórios de
informática e uma sala de recepção e reuniões.
2) Durante a gestão senhora, houve alguma mudança na
parte física desta Instituição? Sim, fomos para um espaço onde
temos: sala de multimeios, duas salas de aula, biblioteca, cozinha,
sala de tutores, dois banheiros, sala de coordenação e laboratório.
3) Qual o nome dado ao Polo Universitário de Apoio
Presencial de São José do Norte, inicialmente? Polo Universitário de
São José do Norte.
4) Existe um Decreto-Lei que legaliza o Polo Universitário de
Apoio Presencial de São José do Norte? Não, o Polo não é
legalizado. Houve uma reunião para que isso acontecesse, mas as
estratégias não saíram do papel por parte da administração pública.
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
192
5) Como é identificado O Polo Universitário de Apoio
Presencial de São José do Norte? Há um logo? Uma placa de
identificação? Há um banner identificando, mas ainda estamos em
busca de placas na Hidroviária, indicando o caminho e na BR101
também indicando o caminho.
ÍNDICE
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193
ANEXO IX: QUESTIONÁRIO VII
Este questionário serve de base para a uma entrevista, parte
do Trabalho de Conclusão do Curso de Pós-Graduação em Gestão
de Polos, ofertado pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão de
Polos (PPGP), através da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)
que tem por título: “Implantação do Polo Universitário de Apoio
Presencial de São José do Norte: uma forma de democratizar o
acesso ao ensino superior”, sob a responsabilidade da aluna, do
curso supracitado, Marta Martins de Farias Ramos. As informações,
obtidas mediante esta entrevista, serão unicamente utilizadas para
esta finalidade.
Entrevistada: Rita Perez Germano, atual Coordenadora do
Polo Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte.
1) Ao assumir a função de Coordenadora do Polo
Universitário de Apoio Presencial de São José do Norte, como este
estava estruturado fisicamente ? Quando comecei no polo
universitário como coordenadora, não havia, ainda, o espaço físico
estruturado para que as atividades fossem ali desenvolvidas.
Embora já existisse o local o mesmo estava sendo equipado e
instalado de acordo com as exigências do MEC e as recomendações
técnicas dos eletricistas e dos técnicos em instalação da prefeitura.
No começo o polo dispunha de um laboratório de informática com
30 computadores, uma sala para os tutores, sanitários e uma sala
para a coordenação onde também ficava a secretaria do polo. O
anfiteatro era usado pelo polo e pela escola onde o mesmo estava
localizado.
2) Durante a sua gestão houve alguma mudança na parte
física desta Instituição? Sim. O Polo Universitário passou a dispor de
mais um laboratório de informática e uma biblioteca.
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
194
3) Qual o nome dado ao Polo Universitário de Apoio
Presencial de São José do Norte , inicialmente? Polo Universitário de
São José do Norte.
4) Existe um Decreto-Lei que legaliza o Polo Universitário de
Apoio Presencial de São José do Norte? De acordo com as
Secretárias Municipais de Educação, na época da implantação do
Polo, asseguravam que o mesmo existia, embora ele nunca tenha
sido enviado a polo universitário.
5) Como é identificado O Polo Universitário de Apoio
Presencial de São José do Norte? Há um logo?Uma placa de
identificação? Na época em que atuava como coordenadora o polo
não dispunha nem de logomarca, nem de placa de identificação
embora houvesse o pedido das IFES para que os mesmos fossem
providenciados. A maioria das solicitações esbarrava na inexistência
de uma verba própria para o custeio das necessidades do polo o que
sempre foi obstáculo para a realização de muitas solicitações feitas
pelo MEC e pelas IFES
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
195
GESTOR DEMOCRÁTICO
OU ADMINISTRADOR BUROCRÁTICO?
AUTOR:
Evanir Junqueira da Costa
PROFESSORA ORIENTADORA:
Luciane Senna Ferreira
RESUMO
O presente artigo será desenvolvido baseado no tema Gestor
x Administrador, na educação a distância. Relata as
concepções de gestão democrática, perpassa pelos diversos
tipos de gestão: do conhecimento, de competências e de
pessoas, baseado em diversos autores disponibilizados
durante o curso de gestão de polos entre outros, procurou-se
fazer uma ligação entre a gestão democrática, o que ela
preceitua e a atuação dos diversos atores que fazem parte do
polo de apoio presencial, em particular aos trabalhadores da
área administrativa. Um dos grandes desafios da sociedade
do conhecimento é a formação de líderes para a gestão de
pessoas. Os líderes devem ter a capacidade de criar, motivar,
manter o trabalho em equipe, visando sempre aos objetivos
almejados de uma organização. A busca constante por
processo de gestão de pessoas faz parte da organização que
visa cada vez mais à satisfação de seus funcionários para
que, motivados, executem suas tarefas com eficiência e
eficácia. Será feita uma pesquisa hipotético-dedutiva, onde o
objetivo principal será conhecer o perfil dos trabalhadores que
atuam nos polos de apoio presencial em Ead e ainda verificar
se o polo está de acordo com o mínimo exigido para seu
funcionamento em conformidade com a legislação em vigor.
Os talentos humanos são extremamente importantes e
possuem um valor estratégico, pois são detentores do
conhecimento, mas como manter esses talentos em uma
instituição onde o coordenador não possui autonomia para a
escolha da formação de sua equipe, nem recebe do
mantenedor o pessoal qualificado para preencher o quadro de
funcionários do qual é necessário para o funcionamento
adequado do polo?
Palavras chave: educação a distância; gestão democrática;
colaborador; capital intelectual.
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CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Durante o curso de Gestão de Polos, foram apresentados
muitos assuntos interessantes sobre educação à distância, formas
de gestão, políticas públicas, financiamento da educação etc. Dentre
eles, buscou-se escolher a linha de pesquisa: Gestão de Polos: tipos
de gestão, e como tema: Gestor de polos: gestor x administrador.
O gestor de polos, como no atual modelo que o governo
pretende alcançar, deve ser um gestor democrático e, como tal,
exercer suas atribuições de acordo com o que este modelo
preceitua. Porém, é preciso analisar como se dá a formação da
equipe desse gestor, de acordo com a CAPES/MEC, todos os polos
devem ter uma estrutura mínima para funcionamento, estrutura
física e de recursos humanos.
Está claro que quem deve manter os recursos humanos de
apoio administrativo é o mantenedor, no entanto não se tem
notícias como são escolhidos esses colaboradores que farão parte
do time do gestor. São profissionais qualificados para o exercício do
cargo? O gestor tem participação na seleção dessas pessoas?
Com a crescente expansão da modalidade da educação à
distância, fatores como qualidade de ensino e gestão de talentos
humanos são aspectos primordiais ao exercício da gestão
democrática.
O Polo de apoio presencial é uma extensão de uma
Instituição de Ensino Superior – IES. Sendo assim, o atendimento
deve ser em nível de excelência, tanto para os acadêmicos, quanto
para o público em geral, pois, uma organização que tenha sucesso
em seus serviços deve contar com um capital intelectual treinado,
qualificado, atualizado e motivado ao seu sucesso, buscando
empenho nos resultados positivos e no alcance dos objetivos gerais
e específicos da organização.
Os coordenadores e tutores recebem, constantemente,
formação continuada, o perfil de cada um para ingresso é
estabelecido pelo CAPES/MEC com muitas exigências e atribuições.
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Essa pesquisa é relevante para apurar o perfil dos colaboradores
que atuam nos polos que atendem a modalidade EaD.
A partir dessas indagações com as quais esse trabalho foi
construído, pretende-se verificar as respostas a essas perguntas no
decorrer da aplicação de questionários aos profissionais que fazem
parte da área administrativa dos polos de apoio presencial.
O método de abordagem a ser utilizado na pesquisa será,
predominantemente, o hipotético-dedutivo, isto é, partindo de uma
hipótese de trabalho, cuja validade será testada, a partir da análise
do questionário, confirmando-a ou refutando-a. Foi escolhido, como
instrumento a ser adotado, um questionário aplicável aos
profissionais que trabalham nos polos de apoio presencial na área
administrativa: secretaria, técnico de informática, auxiliar de
biblioteca e outros. A princípio, pretende-se contemplar todos os
polos participantes do curso de Gestão de Polos. As formas
escolhidas para enviar o questionário foram: Plataforma AVA –
Ambiente Virtual de Aprendizagem-Fórum de discussão e via e-mail.
O objetivo principal desta pesquisa é conhecer o perfil dos
colaboradores que desempenham suas funções nos polos
Sabe-se que os colaboradores da área administrativa que
fazem parte dos polos de apoio presencial são cedidos pelos
mantenedores. Provavelmente, não há uma preocupação com o
desempenho e com a qualidade desses profissionais, pois, a escolha
dos mesmos pode se dar por motivos políticos, por pedidos de
favores ou, até mesmo, por não estarem adequados em
determinada instituição e, não tendo outra colocação para oferecer,
enviam para o polo. Por conta disso, os profissionais podem chegar
ao polo sem a formação mínima para o exercício do cargo para o
qual foram designados, como, por exemplo: secretária e técnico de
informática.
O coordenador de polos, por sua vez, recebe esses
colaboradores para fazer parte de sua equipe de trabalho e suprir as
necessidades referentes aos recursos humanos que são exigidos
pelo CAPES/MEC, para que o polo possa funcionar de acordo com a
legislação em vigor. No entanto, não se sabe se eles irão
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desempenhar suas atribuições de acordo com a qualidade e
especificidade que a função exige, haja vista não estarem
capacitados, quando de seu ingresso. Pressupõe-se que o gestor
não participe da seleção desses profissionais, nem que seja feita
uma entrevista e uma avaliação de seu perfil.
Diante dessas suposições, os polos podem não estar
adequados no quesito recursos humanos (área administrativa),
conforme preceitua a CAPES/MEC, para o desenvolvimento e
prestação de serviços aos acadêmicos, aos discentes e comunidade
em geral, pois, se falta mão de obra qualificada, logo, não é
oferecida excelência no atendimento e ao que se propõe um polo
de apoio presencial. A gestão de um polo fica comprometida no que
se refere aos recursos humanos.
O tempo para realização desta pesquisa obedeceu aos prazos
estipulados pela ementa da disciplina do curso de Gestão de Polos.
Os principais autores que embasaram este artigo foram: Lima
(2007), Ribeiro, Luciano e Iriondo, Walter (2010), Dutra (2001) e
Nonaka e Takeushi (1997). Assim, serão discutidos alguns de seus
conceitos referentes à gestão democrática, gestão de pessoas e
excelência em Gestão Pública. No capítulo Gestor Democrático ou
administrador burocrático, a seguir, será demonstrado o perfil dos
trabalhadores dos polos de apoio presencial e, finalmente, a
apresentação das considerações finais.
1.
GESTOR
BUROCRÁTICO?
DEMOCRÁTICO
OU
ADMINISTRADOR
Atualmente, pode-se perceber o quanto é importante para a
qualidade do ensino à distância a escolha de seus recursos
humanos. Os órgãos públicos estão empenhados em melhorar a
gestão pública no Brasil. Há um grande esforço do governo federal
denominado “GESPÚBLICA” que visa a melhorar gestão pública, em
busca da excelência. Os princípios fundamentais desse modelo da
Excelência em Gestão Pública são: planejamento estratégico,
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liderança, conhecimento, melhoria dos processos, desenvolvimento
e Gestão de Pessoas, comunidades e cidadãos.
Os fundamentos da gestão pública de
excelência são valores essenciais que
caracterizam e definem a gestão pública
como gestão de excelência. Não são leis,
normas ou técnicas, são valores que precisam
ser paulatinamente internalizados até se
tornarem definidores da gestão de uma
organização pública (LIMA, 2007, p. 8).
As pessoas são a base da gestão, não importando se é privada
ou pública, e no caso da Gestão Pública, os servidores e
colaboradores são as partes principais no processo. É preciso, pois,
valorizar essas pessoas, a fim de obter melhores resultados desse
modelo de gestão.
Segundo os autores Ribeiro e Iriondo (2010, não paginado),
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200
O papel do Gestor de Polo é garantir que os
processos administrativos e acadêmicos,
assim como as suas relações, funcionem em
total sinergia. [...] sem o correto alinhamento
entre as necessidades acadêmicas e o suporte
da parte administrativa, os cursos ofertados
enfrentarão dificuldades de execução, mas,
como a contratação de um profissional
pedagógico não é obrigatória, o Gestor
precisa assumir também o acompanhamento
do curso. Isto exige um papel acadêmico do
Gestor, ou seja, o Gestor do Polo não pode se
afastar dos processos de ensino aprendizagem
que ocorrem nos polos, concentrando o
esforço e atuação apenas em questões
administrativas. No que diz respeito à gestão
dos Recursos Humanos, essa atividade há
alguns anos voltou-se para questões
estratégicas, onde a preocupação maior
passou a ser o desenvolvimento de
competências, reconhecendo as pessoas como
fundamentais nos processos e garantindo a
excelência.
Os talentos humanos de uma organização possuem um valor
estratégico, por serem detentoras do conhecimento vital para o
sucesso dos processos. A permanência das mesmas está associada
às condições de trabalho, é preciso reconhecer a necessidade de
desenvolvimento e desafios a serem propostos a cada colaborador.
O conceito de gestão do conhecimento parte do princípio de
que todo o conhecimento existente na organização, na cabeça das
pessoas, nas veias dos processos e no coração dos setores, pertence
também à organização. Logo, todos os colaboradores que
contribuem para esse sistema podem usufruir de todo
conhecimento presente na organização
Conforme ressalta Dutra (2001, p. 113):
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201
[...] é a possibilidade na atualidade dos
gestores utilizarem da modalidade de EAD,
para ampliar a formação, estimulando o
desenvolvimento
de
competências,
e
reconhecendo
esta
modalidade
como
ferramenta na formação contínua, pois
“estamos perante uma nova realidade em que
mais do que nunca, se recoloca a necessidade
de integrarmos os universos educacionais e
tecnológicos”.
Nota-se que o desenvolvimento de competências também faz
parte desse novo modelo de gestão, e o coordenador de polos deve
estar atento a todas essas informações para poder gerir de forma
condizente na busca da qualidade dos serviços de seus
colaboradores.
A gestão democrática deve ser seguida pelo coordenador de
polo para poder desenvolver suas atribuições, conforme determina
a legislação em vigor. Os funcionários são cedidos pelo mantenedor
para atender e dar suporte ao pólo, dentre eles: secretária, auxiliar
de biblioteca, técnico de informática, serventes, vigilantes.
Com base nesses dados há que se questionar de que forma se
dá a escolha para esses cargos, quais os requisitos são levados em
consideração, quando o mantenedor coloca esse pessoal para
trabalhar nos polos. O coordenador tem o poder de escolher, fazer
uma entrevista, um teste de aptidão para saber se esse funcionário
está habilitado a desempenhar sua função? Qual o grau de
instrução exigida para esses funcionários? De que forma a
democracia será exercida pelo coordenador se este não tem
autonomia mínima que é a formação da sua equipe de trabalho?
Qual é o perfil dos colaboradores de um polo?
Para Nonaka e Takeushi (1997), a Gestão do Conhecimento se
dá no processo de criação do conhecimento, pois existe uma
interação entre os meios externo e interno, onde o conhecimento
externo acumulado é compartilhado dentro da organização e
integrado aos seus ativos intangíveis. A partir daí o conhecimento
acumulado é utilizado para o desenvolvimento de serviços,
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202
tecnologias e produtos, que serão absorvidos pelo mercado. Assim
esse processo tem como alicerce os métodos de conversão do
conhecimento tácito e explícito, e cria, a partir desses métodos,
uma interação contínua entre eles, que é chamada de espiral do
conhecimento.
Após esta explanação sobre os tipos de Gestão, pode-se
perceber que não é tarefa simples para o gestor democrático fazer
uso desses modelos de gestão, ainda mais em se tratando de esfera
pública.
2. ANÁLISE DE DADOS
A análise e interpretação dos dados apresentam as seguintes
finalidades: estabelecer uma compreensão dos dados coletados,
confirmar ou não os pressupostos da pesquisa, como também
ampliar o conhecimento sobre o assunto pesquisado. Neste sentido,
apropriando-se dos dados coletados, desenvolver algumas reflexões
acerca dos temas propostos expressados nesta parte do trabalho.
Para ilustrar, é interessante observar o quadro a seguir:
Recursos humanos
Coordenador de Polo: responsável pela parte administrativa e
pela gestão acadêmica
Tutor Presencial
Técnico de laboratório pedagógico, quando for o caso
Técnico em Informática
Bibliotecária
Auxiliar para Secretaria
Note-se que esse é o mínimo que um polo precisa em termos
de recursos humanos; destes, a UAB oferece bolsas aos
coordenadores e aos tutores, aos demais a mantenedora é a
responsável pela remuneração.
Segundo a pesquisa, a maioria dos trabalhadores que estão
atuando no polo são professoras do ensino fundamental e séries
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iniciais, sendo que a instituição de origem dos mesmos é a
prefeitura, através da secretaria de educação. As funções para as
quais foram designadas são: secretária, auxiliar de biblioteca,
assessora administrativa, auxiliar de biblioteca, técnico de
informática, responsável técnico e orientadora pedagógica. Vale
destacar que para o cargo de secretária algumas estão acumulando
a função de auxiliar de biblioteca e, ainda, os cargos de assessora
administrativa e orientadora pedagógica não fazem parte da
exigência mínima necessária ao funcionamento dos polos.
A carga horária cumprida no polo é a mesma de origem:
sessenta por cento estão disponíveis quarenta horas semanais,
destes aparecem uma jornada suplementar de vinte horas (cargo
em comissão) dos quarenta por cento restantes, vinte por cento
Funcionário público
Concursado
não
30%
sim
70%
com vinte horas e vinte e cinco horas respectivamente.
Figura 01 – Elaborada pela autora baseada nos dados da pesquisa
Conforme representado no gráfico, setenta por cento são
funcionários públicos concursados, os trinta por cento restantes são
cargos de confiança ou cargo em comissão.
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Quanto à escolaridade, setenta por cento possuem graduação
concluída, vinte por cento cursando, dez por cento nenhuma
graduação e pós-graduação quarenta por cento concluíram e vinte
por cento estão cursando.
Sobre a forma de ingresso no polo nota-se que não há essa
preocupação por parte do mantenedor com a qualificação dos
colaboradores que serão ofertados ao polo, pois, oitenta por cento
não participaram de qualquer seleção, vinte por cento disseram ter
passado uma seleção.
Outro ponto a ser destacado é referente à participação de
entrevista quando de seu ingresso no polo, conforme se observa no
gráfico abaixo:
Entrevista com a coordenadora
do Polo
Sim
30%
Não
70%
Figura 02 – Elaborada pela autora baseada nos dados da pesquisa
Um aspecto relevante para a qualidade no desempenho das
funções, questionada na questão em que se pergunta se houve
algum tipo de teste para comprovar o desempenho na função,
oitenta por cento responderam que não e apenas vinte por cento
afirmaram que sim. Porém, pode-se constatar que, de acordo com
as respostas, colocou-se que o teste era análise de currículo e
experiência comprovada em carteira de trabalho. Sabe-se, no
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205
entanto, que esses procedimentos não configuram testes, apenas
demonstra que o mantenedor não está preocupado se o
profissional está apto ou não e, sim, que está cumprindo com uma
obrigação de conceder um funcionário para o polo. Quanto ao
desempenho do mesmo, fica a cargo do gestor, pois é ele quem terá
que dar conta das diversas atividades desenvolvidas a seu comando.
A capacitação foi outro ponto a ser analisado e o resultado
está ilustrado no gráfico a seguir:
Receberam capacitação
Sim
20%
Não
80%
Figura 03 – Elaborada pela autora baseada nos dados da pesquisa
Oitenta por cento não receberam nenhum tipo de
capacitação, vinte por cento afirmaram ter recebido capacitação
para auxiliar de biblioteca, ministrada pela UFRGS - Universidade
Federal do Rio Grande do Sul.
Importante destacar que, referente às atribuições
desempenhadas, a maioria descreveu suas tarefas de acordo com o
fazer de cada um dos cargos.
Um ponto bem significativo foi a questão do responsável pela
carga horária desses trabalhadores, já que, apesar de atuarem
diretamente no polo, sessenta por cento disseram ser a prefeitura a
responsável pela sua carga horária, apenas quarenta por cento, a
coordenadora do polo.
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206
As atribuições do coordenador do polo estão muito claras
para os profissionais que atuam no polo, cem por cento conseguem
vislumbrar toda a gama de atividades que estão sob a
responsabilidade do gestor, exemplificando:
• acompanhar e coordenar as atividades docentes, discentes
e administrativas do polo;
• garantir às atividades da UAB a prioridade de uso da
infraestrutura do polo;
• participar das atividades de capacitação e atualização;
• elaborar e encaminhar à UAB/DED/CAPES, relatório
semestral das atividades no polo, ou quando solicitado;
• elaborar e encaminhar à coordenação do curso, relatório de
frequência e desempenho dos tutores e técnicos atuantes no polo;
• acompanhar as atividades de ensino, presenciais e a
distância;
• acompanhar e gerenciar o recebimento de materiais no
polo, e a entrega dos materiais didáticos aos alunos;
• zelar pela a infraestrutura do polo;
• relatar problemas enfrentados pelos alunos ao coordenador
do curso;
•articular, junto às IPES presentes no polo de apoio
presencial, a distribuição e o uso das instalações do polo para a
realização das atividades dos diversos cursos;
• organizar, junto com as IPES presentes no polo, calendário
acadêmico e administrativo que regulamente as atividades dos
alunos no polo;
• articular-se com o mantenedor do polo com o objetivo de
prover as necessidades materiais, de pessoal e de ampliação do
polo;
• receber e prestar informações aos avaliadores externos do
MEC.
Foi considerada democrática a atuação do coordenador do
polo.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com a crescente expansão da modalidade da educação a
distância, fatores como qualidade de ensino e gestão de talentos
humanos são aspectos primordiais ao exercício da gestão
democrática.
O Polo de apoio presencial é uma extensão de uma
Instituição de Ensino Superior – IES. Sendo assim, o atendimento
deve ser em nível de excelência, tanto para os acadêmicos, quanto
para o público em geral, pois, uma organização que tenha sucesso
em seus serviços deve contar com um capital intelectual treinado,
qualificado, atualizado e motivado ao seu sucesso, buscando
empenho nos resultados positivos e no alcance dos objetivos gerais
e específicos da organização.
Os coordenadores e tutores recebem, constantemente,
formação continuada. O perfil de cada um, para ingresso, é
estabelecido pelo CAPES/MEC com muitas exigências e atribuições.
Através da pesquisa realizada, foi apurado o perfil dos
colaboradores que atuam nos polos que atendem a modalidade
EaD. A partir da análise dos resultados pode-se constatar que os
pesquisados foram contratados através das prefeituras, sendo a
maioria concursada, alguns são cargos em comissão. A
coordenadora dos polos não participa do processo de escolha das
pessoas que farão parte da sua equipe, não são realizados testes
para comprovação de desempenho. A maioria são graduados e/ou
pós-graduados, outros cursando alguma especialização. Cumprem
carga horária que varia entre 40h à 20h no polo. O controle de
horário é de responsabilidade das prefeituras, a minoria diz ser de
responsabilidade da coordenadora do polo.
Quanto às atribuições da coordenação, grande parte está
ciente dos trabalhos pertinentes à gestora. Afirmam ainda que
consideram democrática, participativa e dialogada as ações
desenvolvidas pela coordenadora do polo.
Percebe-se a dificuldade que os polos enfrentam quanto ao
quesito de recursos humanos. Poucas secretárias e técnicos de
informática retornaram os questionários. Conclui-se, assim, que ou
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os polos não possuem esses profissionais, ou algum outro motivo os
levaram a não responder.
A relevância dessa pesquisa é poder vislumbrar se os polos
estão adequados aos padrões mínimos exigidos pelo MEC/CAPES,
para seu funcionamento, bem como se os profissionais estão
atendendo a demanda que o polo necessita para realizar um
trabalho de qualidade, participativo e democrático.
Quando alguém entra numa instituição o diploma sem dúvida
possui seu valor, porém, a partir do momento que passa a fazer
parte dela ela exigirá do profissional algo mais como: postura,
valores, coletividade, ética, liderar suas emoções, capacidade de
sonhar e, sobretudo, estar em sintonia com o objetivo final com os
valores da mesma, ou ainda, procurar se adequar ao perfil
profissional.
Acredita-se que não dá mais para imaginar o ser humano
como um predador, lutando sozinho, olhando apenas para si
mesmo, com certa dose de egoísmo. Tem a necessidade de
repensar as atitudes. Ninguém é feliz sozinho, o sucesso não ocorre
por acaso, sempre se traz alguém junto. É como a carreira
profissional, para crescer precisa levar em consideração o outro.
Está na hora de reeducar as atitudes, educar para a sensibilidade.
Uma educação que mostre que, além de nós existe o outro com
quem se aprende a ser o que é!
Como resultado apresenta-se o cenário atual quanto aos
trabalhadores da área administrativa dos polos de apoio presencial,
deixando como margem de pesquisa as opções de novas
investigações nos sistemas de recursos humanos na educação a
distância.
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REFERÊNCIAS
BRASIL. Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização –
Documento de referência 1. Brasília: MP, 2009.
DAVENPORT, T. H. Reengenharia de processos: como inovar na empresa
através da tecnologia da informação. Rio de Janeiro: Campus, 1994.
DUTRA, J. S (Org.). Gestão por competências: um modelo avançado para o
gerenciamento de pessoas. São Paulo: Gente, 2001.
LIMA, P. D. B. Excelência em Gestão Pública: a trajetória e a estratégia
do Gespública. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2007.
MINAYO, M, C. S. et al. Pesquisa social: teoria método e criatividade.
Petrópolis: Vozes, 1994.
PAULA, A. P. P. Por uma Nova Gestão Pública: limites e potencialidades
da experiência contemporânea. Rio de Janeiro: FGV, 2005.
RIBEIRO, L.; IRIONDO, W. Introdução a Gestão Pública – Unidade I.
Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel,
Pelotas, 2010.
TERRA, J. C. Gestão do conhecimento: o grande desafio empresarial. São
Paulo: Negócio, 2001.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
FERREIRA, L. S. Metodologia do Trabalho Científico e Produção textual.
Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel,
Pelotas, 2011.
FERREIRA, L. S.; FERREIRA, M. P. Metodologia do Trabalho Científico e
Produção textual: buscando qualificar a escrita textual. Apostila do curso
de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2011.
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ANEXOS
ANEXO 1: QUESTIONÁRIO APLICADO
QUESTIONÁRIO
01)Nome: _______________________________________
02)Função de origem_______________________________
03)Instituição de origem:____________________________
04)Nome do Polo:_______________________Função que exerce no
pólo:________________________________________
05)Carga horária total ______________________________
06)Carga horária no pólo;____
07)Funcionário público? ( ) sim ( ) não
Concursado? ( ) sim ( ) não
Contratado? ( )sim ( ) não
Cargo de confiança? ( ) sim ( ) não
Outros Quais? ______________________________________
08)Escolaridade:
Ensino médio: ( ) Curso técnico: ( ) Qual? _____________
Graduação ( ) Cursando( ) Concluída ( ) Qual?_________
Pós-Graduação: ( ) Especialização ( )
Cursando ( )
Concluída ( ) Qual? ___________________
Cursando ( )
Concluída ( ) Qual?___________________
Cursando ( )
Concluída ( ) Qual? ___________________
Mestrado ( ) Cursando ( ) Concluído ( ) Qual? _______
Doutorado ( ) Cursando ( ) Concluído ( ) Qual?_______
09)Foi realizada algum tipo de seleção para ingresso no pólo? ( )
sim ( ) não
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211
10)De que forma se deu seu ingresso no pólo?___________
11)Houve algum tipo de entrevista com a coordenadora do pólo
para seu ingresso? ( ) sim ( ) não
12) Houve algum tipo de teste para comprovar seu desempenho na
função? ( ) sim ( ) não
13) Recebeu curso de capacitação para o exercício da função?
( ) sim ( ) Não
Qual?_________________________________
Que instituição ministrou?_________________
Carga horária: __________________________
14) Descreva suas atribuições no pólo:__________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
__________________________________________________
15) Quem é o responsável pelo controle de sua carga
horária?_____________________________________________
16)
Descreva
as
atribuições
do
coordenador
do
polo?_______________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
__________________________________________________
17)Você considera a atuação do coordenador democrática, ou seja,
existe um trabalho participativo e dialogado? ( ) sim ( ) não
Explique:________________________________________________
__________________________________________________
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ANEXO 2: Tabulação dos dados
Tabela de Resultados
Função de Origem
Aux.adminsitrativa
Professoras
Técnico de informática
Professora assistente de Informática
Professora séries iniciais
Qtd.
1
6
1
1
1
%
10%
60%
10%
10%
10%
Instituição de Origem
Prefeitura
SMED
Qtd.
7
3
%
70%
30%
Função que exerce no polo:
Secretária e auxiliar de biblioteca
Secretária
Assessora administrativa
Auxiliar de biblioteca
Técnico de informática
Orientadora pedagógica
Responsavél técnico
Qtd.
2
3
1
1
1
1
1
%
20%
30%
10%
10%
10%
10%
10%
40h
20h
25h
20h
60
20
10
10
Carga horária total
6
2
1
1
6
2
1
1
ÍNDICE
Carga horária no polo
40h
20h
22h
20h + 20h jornada suplementar
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
60%
20%
10%
10%
213
Funcionário Público
Concursado
Não concursado
Cargo de confiança
Cargo em comissão
5
3
1
1
50%
30%
10%
10%
7
2
1
4
2
70%
20%
10%
40%
20%
Seleção para ingresso no polo
2
8
20%
80%
Escolaridade
graduação
Cursando graduação
Magistério
Pós graduação
Cursando pós graduação
Sim
Não
Como se deu o ingresso no polo
A pedido da coordenação
3
Cedida pela Smed
1
Troca de setor
1
Enviada pela prefeitura
5
Sim
Não
30%
10%
10%
50%
Entrevista com a coordenadora do polo
3
7
30%
70%
Realizado teste para ingresso
Sim
Não
Sim
Não
ÍNDICE
2
8
Realizado algum tipo de capacitação - Qual
2 – Capacitação para Auxiliar de Biblioteca pela UFRGS
8
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
20%
80%
20%
80%
214
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NA ATUALIDADE: CONTRIBUIÇÕES
DO SISTEMA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL PARA O
ACESSO À EDUCAÇÃO SUPERIOR
AUTORA:
Rosemary Rickes Leitzke
PROFESSORA ORIENTADORA:
Maria de Fátima Santos da Silva
RESUMO
O presente artigo abordará a relevância e abrangência da
Educação a Distância (EaD), em localidades distantes,
através do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), na
modalidade de Ensino de Distância em nosso país. No
sentido de aprofundar o conhecimento sobre a EaD, proponho
este estudo, no qual será resgatada a sua história, merecendo
destaque o Sistema Universidade Aberta do Brasil quanto às
suas contribuições para o acesso da população à Educação
Superior.O Sistema UAB tem como prioridade oferecer cursos
superiores para capacitação de professores, gestores e
trabalhadores em educação básica dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, bem como cursos na área da
formação continuada.Para atingir este objetivo a UAB realiza
articulação entre instituições públicas de ensino superior, com
a finalidade de expandir e interiorizar os cursos superiores na
modalidade
EaD em diferentes, estados e municípios
brasileiros. Essa modalidade de ensino vem se ampliar devido
às inovações de novas tecnologias de informação e
comunicação possibilitando assim a população ter acesso a
educação. A EaD caracteriza-se pela separação espaçotemporal entre professor e aluno.O referido trabalho utilizouse de uma pesquisa bibliográfica a qual visa contribuir para o
processo de qualificação e solidificação do Sistema
Universidade Aberta do Brasil, discutindo seus principais
aspectos e desafios.
Palavras-chave: educação a distância, UAB, contribuições na
atualidade.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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À GUISA DE INTRODUÇÃO: BREVES APONTAMENTOS
ACERCA DA HISTÓRIA DA EAD
O Brasil recupera sua história em relação à EaD, conquistando
adeptos e ampliando oportunidades para o povo brasileiro. A
primeira década do século XXI torna-se marcante para o projeto
democrático da vida brasileira, quando acontece a implantação da
Universidade Aberta do Brasil, que promove, acompanha e avalia as
propostas da Educação a Distância, tornando intensas as
oportunidades educativas por meio da modalidade à distância. Uma
das razões que facilitou a ampliação dessa modalidade educativa a
EaD, no processo de ensino e aprendizagem, foi o avanço
tecnológico que possibilitou o uso de diversos recursos e
ferramentas de informação e comunicação entre professores e
alunos.
Outra razão da ampliação da EaD está associada à
flexibilidade de horários para as pessoas que não dispõem de tempo
integral para cursar aulas presenciais. Devido às dimensões
territoriais do Brasil e o grande numero de pessoas a serem
educadas, para que essa modalidade chegasse a localidades
distantes, foram implantados pólos, que nada mais são do que
ramificações das universidades apoiadas pelas políticas públicas
para educação, contando com a colaboração dos estados e
municípios.
O Brasil é um país de grande extensão territorial, no qual
existem lugares distantes e de difícil acesso à formação da
população em nível superior. No sentido de reverter essa situação,
o Brasil, a partir da década de 1990, implementa a modalidade de
Educação a Distância, multiplicando práticas educativas e espaços.
Legitima essa modalidade, promovendo inúmeros projetos, criando
a Secretaria de Educação a Distância, que passa a fazer parte da
estrutura do Ministério da Educação. São resgatadas experiências
bem sucedidas que ocorrem no País, como o surgimento da
radiodifusão e televisão. Uma nova ação impõe-se no cenário
educacional brasileiro.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
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A Educação a Distância no Brasil teve início em 1904, com o
desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação,
especialmente com o ensino por correspondência. Podemos
apontar como sua primeira geração da EaD, os materiais que eram
impressos e encaminhados pelo correio. A Segunda geração já
apresentou o acréscimo de novas mídias como o rádio, a televisão,
as fitas de áudio e vídeo, e o telefone. A terceira geração introduziu
a utilização de redes de computadores, caracterizando a educação a
distância online. No período de 1995 com a expansão e
desenvolvimento da internet e de novas tecnologias, surge no Brasil
às universidades virtuais de ensino superior (IES) em dezembro de
1996 oficializou-se a Educação a Distância com validade para todos
os níveis de ensino. A EaD caracteriza-se como um instrumento rico
e poderoso para a educação. Com a explosão das novas tecnologias
oportuniza-se uma maior interação entre alunos e professores,
possibilitando a combinação da flexibilidade da interação entre as
pessoas, independente do tempo e espaço.
A educação a distância é uma modalidade, importante e
interessante de interação. Para defini-la melhor, tomo por base a
contribuição de Moran, quando afirma que a:
A educação a distância é o processo de ensinoaprendizagem, mediado por tecnologias, onde
professores e alunos estão separados espacial
e/ou temporalmente. É ensino/aprendizagem
onde professores e alunos não estão
normalmente juntos, fisicamente, mas podem
estar conectados, interligados por tecnologias,
principalmente as telemáticas, como a
Internet. Mas também podem ser utilizados o
correio, o rádio, a televisão, o vídeo, o CDROM, o telefone, o fax e tecnologias
semelhantes (MORAN, 2009, p.17).
Ainda para Moran, a forma de ensinar e aprender, presencial
e virtualmente, em razão das mudanças que vêm ocorrendo na
sociedade e no mundo do trabalho, necessita ser reinventada, pois
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
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os modelos tradicionais são cada vez mais inadequados a essa nova
realidade. O autor acrescenta, também, que o presencial se
virtualiza e a distância se presencializa:
Os encontros em um mesmo espaço físico se
combinam com os encontros virtuais, à
distância, através da Internet. E a educação a
distância cada vez aproxima mais as pessoas,
pelas conexões on-line, em tempo real, que
permite que professores e alunos falem entre
si e possam formar pequenas comunidades de
aprendizagem (MORAN, 2009, p. 17).
Isso traz uma série de desafios para o professor, bem como
para os alunos, afinal, temos uma tradição escolar marcada pela
oralidade, pelo contato físico, o que não é possível em muitos
momentos na educação a distância, fazemos uso de outras
ferramentas e recursos. Essas novas ferramentas utilizadas em EaD,
fazem com que o professor necessite de qualificação constante, pois
a cada dia surgem novos recursos, e não só o educador precisa
adaptar-se a eles mas o aluno também. O aluno mais do que nunca
precisa gerenciar de forma eficaz seu tempo de estudo, pois uma
das principais características do aluno em EaD é a autonomia.
Muitos alunos de EaD já estão inserido no mercado de trabalho, e
com pouco tempo para freqüentar aulas presenciais da educação
tradicional, procuram nessa nova modalidade de educação a
praticidade e flexibilidade de se qualificar para o mercado exigente
e muito competitivo.
Essa inovação da educação na forma de aprender, conta com
uma troca conjunta de conhecimento entre professor e aluno na
construção do conhecimento. De acordo com Behrens,
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218
Num mundo globalizado, que derruba
barreira de tempo e espaço, o acesso à
tecnologia exige atitude crítica e inovadora,
possibilitando o relacionamento coma
sociedade como um todo. O desafio passa por
criar e permitir uma nova ação docente na
qual professor e alunos participam de um
processo conjunto para aprender, de forma
criativa, dinâmica e encorajadora, e que
tenha como essência o diálogo e a descoberta
(2000, p. 78).
O professor de EaD sabe que o alunos dessa modalidade são
autônomos e para que haja interesse e encorajar essa
aprendizagem o professor deve utilizar diversos recursos e material
didáticos que propicie a
curiosidade e a criatividade da
aprendizagem do aluno. Mas, para que esse processo de
aprendizagem se legitime, o material didático tem que
proporcionar estimulo e influenciar o aluno a pesquisar e participar
do ambiente virtual. Apesar da distância entre aluno e professor
estabelece-se um diálogo de confiança entre ambos, através do
ambiente virtual de aprendizagem (AVA) na plataforma Moodle,
destaca-se o fórum, as tarefas e o Chat (bate papo). O fórum
permite que tanto o professor quanto os alunos realizem as tarefas
postadas e assim, todos são envolvidos em torno do assunto
proposto.
1. POLÍTICAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: A
CRIAÇÃO DO SISTEMA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
No Brasil, a modalidade de educação a distância nos moldes
como se apresenta hoje, foi amparada nas bases legais pela LDB Lei
nº 9394, de 20 de dezembro de 1996, mais especificamente no
Artigo 80, onde diz que o Poder Público incentivará o
desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância.
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219
O Artigo 80 da LDB estabeleceu que a educação a distância,
será oferecida por Instituições credenciadas pela União, a qual
regulamenta os requisitos para elaboração de exames e diplomas.
Com relação às normas de produção, controle e avaliação desses
programas, os sistemas de ensino poderão contribuir com materiais
próprios para uma integração entre os sistemas.
"Art. 80. O Poder Público incentivará o
desenvolvimento e a veiculação de programas
de ensino a distância, em todos os níveis e
modalidades de ensino, e de educação
continuada.§ 1° A educação a distância,
organizada com abertura e regime especiais,
será
oferecida
por
instituições,
especificamente credenciadas pela União.§ 2°
A União regulamentará os requisitos para a
realização de exames e registro de diploma
relativos a cursos de educação a distância.§ 3°
As normas para produção, controle e
avaliação de programas de educação a
distância e a autorização para sua
implementação caberão aos respectivos
sistemas de ensino, podendo haver
cooperação e integração entre os diferentes
sistemas.§ 4° A educação a distância gozará
de tratamento diferenciado que incluirá:I custos de transmissão reduzidos em canais
comerciais de radiodifusão sonora e de sons e
imagens;II - concessão de canais com
finalidades exclusivamente educativas;III reserva de tempo mínimo, sem anus para o
Poder Público, pelos concessionários de canais
comerciais. "53
O Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro 2005, que
regulamenta a educação a distância no Brasil, caracteriza a
modalidade de educação a distância como espaço educacional no
53
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qual a mediação didático–pedagógica nos processos de ensino e
aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de
informação e comunicação, com estudantes e professores
desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos
diversos.
O Projeto Universidade Aberta do Brasil – UAB – foi criado
pelo Ministério da Educação, em 2005, para a articulação e
integração de um sistema nacional de educação superior a
distância, em caráter experimental, formado por instituições
públicas, as quais levarão ensino superior público de qualidade aos
municípios brasileiros das mais diferentes localidades. Podemos
salientar que a UAB, enquanto política publica educacional surgiu
basicamente para suprir a carência de vagas no ensino superior,
promovendo a democratização ao acesso a educação, mas o que se
destaca nesse trabalho é a interiorização da educação superior
através de parcerias firmadas entre governo federal e universidades
públicas para atuarem em regiões estratégicas, ou seja, distante dos
grandes pólos educacionais.
2. OS POLOS DE APOIO PRESENCIAIS DA UAB
Para funcionar como um elo entre universidades, governo
federal e a esfera municipal, conforme disposto no Decreto n°
5800/06 foram implantados polos de apoio presenciais como
unidades operacionais dos cursos e programas ofertados a distância
do sistema UAB. Quanto a estrutura de um polo de apoio
presencial, foram delegadas ações para nortear os seus
mantenedores, Estados e/ou Municípios, o de organizar e oferecer
recursos de investimentos que deverão ser feitos na adequação de
um prédio público, para que nele possa ser estalado um polo de
apoio presencial da UAB. Fica também a critério, e por
responsabilidade dos mantenedores a contratação do pessoal para
as atividades desenvolvidas no pólo. Os polos deveram oferecer
uma infra-estrutura física, tecnológica e pedagógica para que os
alunos possam acompanhar os cursos a distância. Os alunos nos
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221
polos de apoio presenciais podem contar com acompanhamento e
orientação para estudos. Os objetivos dos polos de apoio são de
oferecer um espaço físico de estudo aos alunos de cada região,
mantendo as instalações físicas necessárias para atender os
mesmos em questões tecnológicas, laboratorial, administrativas e
contar com um acervo bibliográfico.
Alem da infra-estrutura física o polo presencial, segundo a
CAPES tem que oferecer recursos humanos mínimos para um bom
andamento entre eles: coordenador de Pólo que é responsável pela
parte administrativa e pela gestão acadêmica, tutor presencial,
técnico de laboratório pedagógico, técnico de informática,
bibliotecária e auxiliar para secretaria.
No gráfico abaixo temos como perceber a abrangência total
de polos em todo território brasileiro conforme dado coletado na
pagina da CAPES54. O numero total é de 584 pólos, divididos em
regiões conforme ilustração gráfica.
Total de Polos UAB no Brasil
1º Norte
46 83
2º Nordeste
108
3º Sudeste
192
155
4º Sul
5º Centro-Oeste
Gráfico 1: Demonstrativo do número total de Pólos do sistema UAB no
Brasil.
Divisão e numero de pólos distribuídos nas regiões do Brasil
pela UAB:
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Conforme observamos no gráfico a região onde possui o
maior número de polos é o nordeste devido à grande falta de
qualificação dos jovens e adultos. A EaD vem ajudar a reverter o
quadro histórico da região que sempre teve um nível alto de
estudantes sem qualificação. E através das novas políticas públicas
de interiorização e expansão da educação. O governo junto com
estados e municípios, desenvolvem programas sociais visando
atingir e melhorar a distribuição de benefícios a população.
Região
1º Região Norte
2º Região Nordeste
3º Região Sudeste
4º Região Sul
5º Região Centro-Oeste
Número de Polos
83 polos
192 polos
155 polos
108 polos
46 polos
Tabela 1: Tabela representativa do gráfico I
Os cursos oferecidos pela Universidade Aberta do Brasil em
EaD são em torno de 933, divididos em Bacharelados,
Especialização,
Licenciatura,
Aperfeiçoamento,
Extensão,
Tecnólogo, Formação Pedagógica e Seqüencial, conforme dados
coletados na pagina da CAPES55, e ilustrado no gráfico abaixo.
Total de Cursos Oferecidos pela
UAB no Brasil
116 93
1º Região Norte
165
342
2º Região Nordeste
217
Gráfico 2: Demonstrativo do número total
de cursos do sistema UAB no Brasil.
55
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Regiões que ofertam os cursos da EaD/UAB citados abaixo:
Região
Total de Cursos
1º Região Norte
93 cursos
2º Região Nordeste
342 cursos
3º Região Sudeste
217 cursos
4º Região Sul
165 cursos
5º Região Centro-Oeste
116 cursos
Tabela 2: Tabela representativa do gráfico II.
Quando pensamos a distribuição desses cursos no cenário
nacional, podemos perceber que a grande maioria são ofertados na
região nordeste, a qual historicamente tem dificuldades para o
acesso ao ensino superior, pois devido a vários fatores, mas um
desses é a grande evasão escolar geralmente causada pela falta de
condições econômicas da família de manter os filhos na escola, já
que o trabalho dos filhos garantiria a sobrevivência familiar. A
população da região nordeste viu na EaD uma oportunidade de
quebrar paradigmas e evoluir sua historia na educação de
qualidade para todos, pois os alunos de educação a distância têm
idades e qualificações diferentes, a maioria é adulta e trabalha e a
educação acaba sendo a atividade secundária. Mesmo não sendo a
prioridade do momento, mas tendo a disponibilidade e a facilidade
de ter os conteúdos 24horas por dia, nos 7 dias da semana em casa
ou em um pólo de apoio estão buscando se qualificar para o
mercado de trabalho visando melhorar sua classe econômica.
Ressaltei a região nordeste como exemplo, pois sempre foi
considerada uma região pobre em vários aspectos no cenário
nacional. Mas o crescimento da EaD tem sido observado em todos
os estados brasileiros, e vem estimulando a diminuição da grande
desigualdade social existente, visto que oferece acesso a educação
às pessoas com diversos tipos de dificuldades para se deslocar aos
grandes centros. O Estado, por meio de leis, garante aos cidadãos
essa ascensão facilitando a expansão da EaD em todo o Brasil.
Através dos avançados tecnológicos de informação esta modalidade
de ensino acaba e aproxima o aluno do professor através dos
encontros virtuais, a distância pela internet.
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224
Número de Instituições ligadas a Educação a distância pela
UAB:
Instituições ligadas a UAB
15
1º IFES
2º Univers idades
77
Gráfico 3: Demonstrativo do número total de
Instituições ligadas a UAB no Brasil.
Para ressaltar o crescimento da EaD, e conforme as
56
informações obtidas na página da CAPES-UAB , e representadas
nos gráficos acima podemos constatar um avanço em todo
território brasileiro em oportunizar educação a população menos
favorecida do nosso País.
Atualmente no Brasil contamos com 584 pólos de apoio a
Educação a Distância na modalidade de Universidade Aberta no
Brasil. Esses pólos estão distribuídos em varias cidades do norte ao
sul do Brasil oferecendo oportunidades de educação superior para
grande parte da população. Os dados coletados são os seguintes.
As instituições públicas de ensino superior integradas no
sistema UAB na modalidade EaD, atualmente esta em torno de 92
sendo 15 IFES e 77 universidades, conforme pagina da CAPES, todos
tem como objetivo um publico alvo para o desenvolvimento dos
municípios e estados. A Portaria n° 873, de 7 de abril de 2006,
autorizou a oferta de cursos superiores a distância nas Instituições
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Federais de Ensino Superior fomentados pelo MEC. O sistema UAB
tem como objetivo a expansão e o acesso à educação superior
pública, entre as mais diferentes regiões do País, com isso
proporcionará a redução da desigualdade de oferta de ensino
superior. O Ministério da Educação através da Portaria n° 873
resolve.
“Art. 1o. Autorizar, em caráter experimental,
com base no art. 81 da Lei n. 9.394, de 20 de
dezembro de 1996, a oferta de cursos
superiores a distância nas Instituições
Federais de Ensino Superior, no âmbito dos
programas de indução da oferta pública de
cursos superiores a distância fomentados pelo
MEC.Parágrafo
Único.
A
autorização
experimental definida no caput não substitui
o ato de credenciamento definitivo para a
oferta de cursos superiores a distância, e tem
prazo de vigência de 2 (dois) anos. Art. 2o. As
Instituições Federais de Ensino Superior que
até a data desta Portaria não protocolizaram
processo de credenciamento para oferta de
cursos superiores a distância junto ao MEC,
deverão fazê-lo, no prazo de 90 (noventa)
dias,no Sistema SAPIEnS, e estarão
submetidas aos procedimentos definidos pela
Secretaria de Educação Superior.
As Instituições Federais credenciadas para ofertar cursos a
distância no sistema UAB, deverão expedir os diplomas e
certificados de cursos a distância, e terão validade nacional e
respeitarão a duração mínima definida nas Diretrizes Curriculares
Nacionais de cada área.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No Brasil a Educação nunca foi difundida como se vê
atualmente, onde o Estado junto com o governo desenvolve
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226
programas sociais visando melhorar a distribuição de benefícios
para a população. No Brasil, hoje a educação mesmo que de forma
desigual é ofertada a todos, podendo trazer mudanças para a
população em vários aspectos, mas principalmente cultural e social.
A aposta do governo federal tem sido investir em um sistema
descentralizado, onde todos têm papel central e os estados e os
municípios atuam de forma intensa para o sucesso do programa,
assim como as Universidades e o MEC, por meio da CAPES.
Podemos dizer que a introdução do Sistema Universidade
Aberta do Brasil tem um papel central nas transformações que se
processam na forma como está colocado o ensino a distância em
nosso país, o que só é possível em função do desenvolvimento
tecnológico que cria as condições para que processos de
aprendizagem aconteçam.
Observa-se que há um aumento muito grande no número de
pessoas que estão participando da educação a distância, isso irá
trazer em longo prazo uma série de alterações, melhoria das
condições de vida. A EaD teve um crescimento em todas as
regiões de norte a sul do Brasil. Principalmente as regiões que,
historicamente, apresentam maiores desafios no que tange ao
acesso ao ensino •superior estão tendo melhorias com as mudanças
que estão acontecendo nos últimos tempos na educação ofertada
na modalidade a EaD.
E os avanços tecnológicos que a cada dia surgem vêem cada
vez mais contribuir com a educação superior no país, com a
qualidade de materiais e ferramentas para cursos de educação a
distância. A EaD Apesar de trazer mudanças na relação que
estabelecemos com o conhecimento (distância espacial) vem
superando isso no campo das metodologias e propostas que
engrendra. Mesmo virtualmente existe cumplicidade entre o
professor e o aluno e um estímulo à pesquisa e à evolução do
conhecimento humano.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
227
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
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2011.
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QUALIDADE NA GESTÃO DE PÓLOS E O DESENVOLVIMENTO
DE PESSOAS NA FRONTEIRA OESTE RIO GRANDE DO SUL
AUTORA:
Dionara Teresinha da Rosa Aragon
PROFESSORA ORIENTADORA:
Maria Raquel Rodrigues Vieira
RESUMO
A partir de uma linha de tempo que retrata a presença dos
cursos de nível superior-modalidade Educação à Distânciaoferecidos pelo Governo Federal, Universidade Aberta do
Brasil (UAB), Ministério da Educação (MEC) em parceria com
o Governo Municipal de Santana do Livramento, dos estudos
desenvolvidos no curso de Especialização em gestão de
Polos - promovido pela Universidade Aberta do Brasil e
Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)-e das evidências e
motivos que foram descritos e analisados na pesquisa
desenvolvida durante este estudo. Apresentar-se-á neste
artigo a importância do polo no desenvolvimento de pessoas,
no contexto da atual realidade municipal de Santana do
Livramento. Assim como os possíveis ganhos intelectuais,
pessoais, profissionais e econômicos que o mesmo vem
proporcionando ou poderá proporcionar aos discentes que
frequentam o polo EAD/UAB e consequentemente, ao
município de Santana do Livramento. Estas unidades
analíticas serão interceptadas e inter-relacionadas com a
gestão do polo, interface à qualidade e o processo estratégico
que vem sendo utilizado pela mesma e pela administração
pública municipal. Nesta investigação, busca-se “garimpar” as
seguintes hipóteses de pesquisa: “o polo EAD/UAB: vem
oferecendo crescimento pessoal e intelectual à sociedade
santanense”; “vem contribuindo com a formação e o
desenvolvimento de pessoas e, consequentemente, com o
desenvolvimento econômico do município”; “representa um
espaço de renovação e possibilidades na formação intelectual
de pessoas na Fronteira Oeste”; “houve avanços em relação à
gestão desenvolvida no polo Ead de Santana do Livramento,
possibilitando através desse, parcerias com outras
instituições”. Este trabalho tem como objetivo central
compreender o processo de crescimento pessoal, intelectual e
o desenvolvimento de pessoas no município de Santana do
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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Livramento, assim como suas relações com a qualidade e as
estratégias de gestão do polo EAD/UAB, a administração
pública e as parcerias firmadas, em especial com a
Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA).
Palavras-chave: qualidade em gestão; gestão de polos;
desenvolvimento de pessoas
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Para compreender melhor o contexto desta investigação,
apresentar-se-á uma linha de tempo referente ao polo de ensino
superior a distância de Santana do Livramento e a presença dos
cursos superiores da educação a distância, os quais constituem um
marco no desenvolvimento de pessoas na fronteira oeste do Rio
Grande do Sul .
No ano de 1995, o Governo Municipal de Santana do
Livramento empenhou-se em acolher os projetos oferecidos pelo
Governo Federal, relacionados à democratização do Ensino
Superior, modalidade à distância, a fim de celebrar a parceria e unir
esforços para implementar neste município opções de formação e
qualificação, ofertando à comunidade santanense cursos de
Graduação e Pós-Graduação gratuitos, com qualidade e excelência,
características das Universidades Federais. Na época, foi
reconhecida a necessidade da oferta de Ensino Superior Público
uma vez que além da formação de mão-de-obra qualificada também
se constituiria num elemento dinamizador da economia da região,
“uma das saídas para o desenvolvimento do município é investir e
incentivar a qualidade de ensino” admitiu o Prefeito Wainer
Machado.
Em concordância com esses projetos, a presença da
Universidade Aberta do Brasil(UAB), passa a garantir a construção
de uma proposta que, nas palavras do ministro Fernando Haddad,
citado por Segenreich (2009, p.215) empenha esforços para atuar
“[..] em estreita colaboração entre as três esferas de governo, as
instituições de educação superior e a sociedade civil”, constituindo
um marco que representa “um divisor de águas no tocante à
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
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231
solução definitiva do problema da carência de professores na
educação básica, bem como da democratização do acesso dos
jovens à educaçãosuperior pública, gratuita e de qualidade.”
(Haddad, 2006, p.8 apud Segenreich, 2009, p. 215). Enquanto
objetivo geral, a UAB surgiu para contemplar a democratização e
expansão do Ensino Superior. Também, para reconhecer que a
“educação a distância não se resume a uma estratégia de
mercantilização e privatização do ensino e que precisa ser
pesquisada intensamente em termos de sua utilização como política
de Estado e em termos das novas questões de ordem institucional e
pedagógica que suscita”. (Segenreich, 2009).
Nesse processo e ainda considerada como uma rede
experiemental, a UAB chega aos maisdiversos recantos no Brasil,
dentre eles, Santana do Livramento/RS, lócus desta investigação.
O município de Sant’Ana do Livramento localiza-se na
fronteira oeste do Rio Grande do Sul, limita-se com a República
Oriental do Uruguai e forma uma área lindeira com a cidade de
Rivera. A cidade que nasceu em meio às guerrilhas e disputa pela
conquista do próprio território mantém um convívio harmonioso de
mais de 187 anos que confere ás duas cidades um intenso
intercâmbio social, cultural e econômico valendo-lhes o título de
‟Fronteira da Paz‟‟.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
232
Figura 01: Localização do Município
O histórico da “Fronteira da paz” carrega oscilações entre
períodos de grande prosperidade e decadência econômica. Motivo
que contribui para o agravo da falta de empregos, a repulsão dos
jovens para outras localidades mais desenvolvidas e a baixa oferta
de formação para os profissionais. Tais fatos compuseram a
emergência de um plano de desenvolvimento que priorizou a
educação como uma alavanca para formar e qualificar a população,
em especial, os professores que atuam nas escolas santanenses,
provendo a Formação Superior Pública na área pedagógica. Esta
inquietude se transformou durante o ano de 2005, nos projetos
anteriormente descritos, que atualmente comtemplam a presença
do Polo de Ensino Superior de Santana do Livramento EAD/UAB. O
mesmo atualmente dispõe de 26 cursos desde o ensino técnico à
pós-graduação, totalizando aproximadamente 863 discentes, 22
tutores, além de uma equipe de funcionários cedidos pelo
município que zelam pelos serviços de secretaria, biblioteca, apoio
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
233
técnico nos laboratórios de informática, coordenação do polo e
apoio de serviços gerais nas atividades desenvolvidas no mesmo.
Neste espaço acadêmico, percebe-se a inclusão de um
expressivo número de santanenses nos referidos cursos, o que
significa desenvolvimento de pessoas no solo da Fronteira Oeste.
Nesse sentido, as características culturais, sociais e econômicas
possivelmente estão se modificando a partir do acesso ao
conhecimento que se dá pela frequência nos cursos oferecidos
pelas Universidades Públicas Federais, onde vale destacar a
gratuidade e a qualidade dos mesmos.
Tais características ocupam uma relevante posição no que
tange às políticas públicas e a “promoção da educação de qualidade
para todos como um fator de inclusão social e desenvolvimento
humano e produtivo, bem como o fortalecimento das atividades
econômicas nas zonas de fronteira”.(SEM, 2006-2010)
Essas possibilidades que atualmente estão ao alcance da
comunidade Santanense vêm aliadas à qualidade da gestão do polo,
sendo essa a essência que mantém e garante a continuidade dos
projetos ofertados pelo Governo Federal.
“Toda a comunidade sabe que existe um pólo
de ensino à distância, mas precisa saber que
ele é eficiente e relevante como centro
educacional na formação de novos
profissionais. A divulgação dos resultados
positivos e a noção dos negativos podem
demonstrar a coerência e a seriedade das
ações do grupo e mais uma vez o responsável
é o gestor. A opinião social deve ser
considerada quando de sua prática gestora,
no sentido do caráter público que tal
consideração representa, ligando-se ao debate
de opiniões.” (Vargas, J. e Lima, R. S.,2011)
Para tratar do desenvolvimento de pessoas, da gestão de
pólos e da administração pública no contexto atual, pretende-se
neste artigo, compreender as peculiaridades que vêm permeando a
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
234
caminhada de desenvolvimento pessoal e intelectual da parcela
social que frequenta esse espaço de apoio presencial de Educação
Superior à Distância, em Santana do Livramento. Para isso, fez-se
uma pesquisa amparada em referenciais teóricos contemporâneos
que tratam desta temática, uma análise documental a partir do
Plano de Gestão do Polo, do documento oficial que integra o Polo à
Universidade Federal do Pampa(UNIPAMPA), além de entrevistas
com os estudantes, funcionários e gestores municipais. Para as
entrevistas, organizou-se um questionário com levantamento de
dados escritos, possibilitando uma análise qualitativa dos mesmos.
A partir das evidências e motivos que foram descritos e
analisados na pesquisa desenvolvida, apresentar-se-á neste artigo a
importância do polo no para o desenvolvimento de pessoas, no
contexto da atual realidade municipal, assim como os possíveis
ganhos intelectuais, pessoais, profissionais e econômicos que o
mesmo vem proporcionando ou poderá proporcionar aos discentes
que frequentam o polo EAD/UAB e consequentemente, ao
município de Santana do Livramento. Estas unidades analíticas
serão interceptadas e inter-relacionadas com a gestão do polo,
interface à qualidade e o processo estratégico que vem sendo
utilizado pela administração pública municipal.
O trabalho foi embasado a partir dos referenciais estudados
no curso de Especialização em Gestão de Polos encontrados no site
oficial do curso, mantido pela equipe da UFPEL; Plano de Gestão do
PóloEad/UAB(2010) de Santana do Livramento (2010); Plano de
desenvolvimento do município de Santana do Livramento; Plano de
ação do setor educacional do MERCOSUL, 2006-2010; Documento
firmado no convênio entre o Pólo EAD/UAB, UNIPAMPA(2010/2011)
e o Governo Municipal de Santana do Livramento.
Pretende-se, a partir das leituras desenvolvidas no curso de
Especialização em gestão de Polos, da análise de documentos e dos
escritos apresentados nos questionários, investigar e apontar
caminhos referentes à seguinte questão de estudo: Quais os ganhos
pessoais, intelectuais e econômicos que o Polo EAD/UAB de
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
235
Santana do Livramento vem oferecendo para formação e
desenvolvimento de pessoas na Fronteira Oeste?
Para dar sequência a esta etapa, apresentar-se-á os dados, a
análise dos documentos e os possíveis ganhos e impactos que foram
descobertos nesta investigação.
Acredito que a pesquisa realizada, ocupa um papel
importante ao divulgar resultados e construir uma “arena” de
discussões e debates em torno das opiniões do grupo pesquisado57.
Tais resultados poderão apontar caminhos significativos, além
de contribuírem no avanço da educação, em especial a que vem se
desenvolvendo no referido polo.
1. GANHOS INTELECTUAIS, PESSOAIS, PROFISSIONAIS E
ECONÔMICOS: DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS E A QUALIDADE
DE GESTÃO DE POLOS.
1.1 Os Ganhos Intelectuais: a formação e o desenvolvimento de
pessoas no solo da fronteira oeste do Rio Grande do Sul.
Ao descrever a relação entre os cursos de graduação e de
pós-graduação e os ganhos intelectuais que os mesmos lhes
oferecem, os discentes mostraram a satisfação com esta nova
possibilidade, que lhes permite estudar em Universidades Federais
na própria cidade.
Nos excertos abaixo, é possível vislumbrar as realizações
orientadas pelos ganhos intelectuais:
57
Os entrevistados receberão o tratamento por E1, E2, E3 e assim por
diante, como legenda da palavra Entrevistado1, Entrevistado2,etc. Os gestores serão
tratados por G1, G2,etc.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
236
“O desenvolvimento intelectual é o bem maior
que temos e ainda mais na minha profissão, é
um ganho extraordinário porque permite que
através das leituras se possa descobrir uma
não, mas várias informações que auxiliam na
caminhada profissional. “ (E1)
“Determinadas disciplina estão colaborando e
muito , pois os conteúdos são colocados de
forma clara, com exemplos pertinentes e
avaliação ao final do curso também, ou seja ,
há coerência em tudo.”(E2)
“Acredito que os ganhos intelectuais são
inúmeros, principalmente por se tratar de
uma modalidade à distância, a qual exige
certa disciplina, autonomia e incansável
pesquisa.”(E3)
“Tem sido muito proveitoso, tanto pela
renovação que o ato de estudar nos
proporciona quanto também pela diversidade
de
professores/tutores,
instituições
acadêmicas envolvidas, técnicas e recursos
educacionais oferecidas nesta modalidade de
estudo.”(E4)
“Gosto da possibilidade de estar fazendo uma
formação na qual posso; emitir minha
opinião, administrar meu tempo de estudo de
acordo com os horários que tenho, apreender
e desaprender na tentativa de melhorar
minhas práticas educativas, e assim contribuir
com um grãozinho de areia para a construção
de uma educação brasileira de qualidade,
onde meus alunos tenham também
conhecimento, podendo compreender e até
mesmo agir na construção da sociedade ao
qual estão inseridos”(E5)
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
237
Os escritos acima são de professores em formação
continuada, os quais vivenciam na modalidade de ensino a distância
as experiências de novas formas de pensar a educação, ressignificar
suas práticas pedagógicas e adquirir disciplina e autonomia durante
a formação inicial e/ou continuada. Alguns desses professores já
têm licenciatura curta e hoje, estão conquistando um grande sonho
de cursar a licenciatura plena.
No sentido da qualidade da gestão do polo, a qual ampara e
dá suporte a esses ganhos, vale destacar que a coordenação junto
com a equipe de tutores empenha-se em um trabalho colaborativo
que tem como principal objetivo honrar com o que estabelece o
Plano Nacional de Extensão, que visa ao processo educativo,
cultural e científico, que articula o Ensino e a Pesquisa de forma
indissociável e viabiliza a relação transformadora entre a
Universidade e a sociedade.
Em concordância com a afirmação acima, apresenta-se os
cursos de extensão, mini-cursos, oficinas, seminários e jornadas
pedagógicas que vêm sendo organizadas e oferecidas não somente
aos estudantes, acadêmicos, discentes matriculados no Polo
EAD/UAB, mas aos graduandos de outras Universidades e à
comunidade santanense de uma forma geral.
Enquanto extensão, foram oferecidos nos últimos anos os
cursos de Pró-letramento do Programa de Formação Continuada de
Professores das Series Iniciais/Disciplina de Matemática. O mesmo
foi desenvolvido durante o ano de 2009, no Polo Municipal de Apoio
Presencial da UAB/REGESD- EaD, em Livramento, promovido pelo
Ministério da Educação, Universidade do vale dos Sinos(UNISINOS)
e Secretaria Municipal de Educação de Santana do Livramento.
Em 2010, visando uma Ação de Extensão Universitária, foi
estabelecida a parceria entre o polo e os seguintes professores
formadores: Prof. Fabio Linck, Especialista em Mídias, Didática e
Matemática, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a
Profª. Dra. Sandra Vielmo, coordenadora da REGESD e da
Matemática pela Universidade Federal de Santa Maria. Também,
eu, Profª Dionara Aragón, Mestre em Educação e especialista em
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
238
Tecnologias da Informação e Comunicação aplicadas à Educação,
tive a oportunidade de colaborar como professora participante da
equipe executora do curso de extensão. Em conjunto, organizou-se
este projeto que foi cadastrado e promovido pela Universidade
Federal de Santa Maria e executado no Pólo de Ensino Superior a
Distância de Livramento.
O presente trabalho recebeu o seguinte título: “A Musica e a
Matemática na Escola” e envolveu atividades com o uso de
aplicativos computacionais de domínio público no ensino de
matemática. A ação foi composta pela elaboração, execução e
implementação de oficinas, totalizando 40 horas oferecidas aos
professores/cursistas de Licenciatura Plena em Matemática, tendo
como tema gerador o ensino das frações e das funções
trigonométricas, assuntos do ensino fundamental e médio, e a
relação destes com a música.
No período atual está sendo organizada a II Jornada
Acadêmica Integrada do Polo em parceria com o Núcleo de Estudos
Fronteiriços, organizado pelos tutores e a gestão. Este evento,
composto por 40 horas, visa difundir o conhecimento acadêmico em
diferentes áreas, assim como incentivar a participação dos discentes
em trabalhos de nível superior.
Para organizar tais eventos, a gestão do polo EAD/UAB de
Santana do Livramento vem servindo-se de estratégias e do plano
de gestão, os quais orientam essas iniciativas e garantem o trabalho
em equipe no âmbito acadêmico e social.
Uma das estratégias utilizadas pela gestão do polo com a
equipe de tutores, fruto da formação oferecida pelo curso de
Especialização em Gestão de Polos é a delegação de poder,
compreendida pelo conceito apresentado por (Rodrigues, C.H.R. e
Santos, C. A. S.,2001, p.237), o “empowerment” ou
“empoderamento”, que significa “ uma abordagem de projeto de
trabalho que objetiva a delegação de poder de decisão, autonomia
e participação dos funcionários na administração das empresas.”
Enquanto vantagens para a gestão de polos percebe-se a
importância da aplicação deste conceito, pois nesse sentido o
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
239
empoderamento trata da delegação de poderes que, amparada na
confiança, no trabalho colaborativo, envolve cada profissional que
atua no polo a partir do compromisso de desenvolver determinadas
tarefas. Para isso, o gestor precisa organizar o projeto de trabalho
do polo a partir de “um conjunto de procedimentos que buscam a
interação e o envolvimento das pessoas com o trabalho e que as
impulsionam a tomar iniciativas e a interferir com ações no
processo produtivo (Herrenkohl, Judson&Heffner, 1999, P. 375
Apud Rodrigues, C. H. R. e Santos, C. A. S. , 2001, p.237) . Com isso,
conseguir-se-á o comprometimento dos funcionários, um melhor
desempenho na contribuição de cada um e da organização como
um todo. É nesse foco que está inserida a equipe que coordena as
atividades desenvolvidas no polo acadêmico de Santana do
Livramento. Outras vantagens apontadas pelos autores são: “o nível
de responsabilidade, o trabalho em equipe, a tomada de ações de
risco e a valorização dos funcionários pelos clientes”. Ou seja,
“clientes valorizam os funcionários que são orientados para clientes
e que se sentem responsáveis por eles” (Herrenkohl,
Judson&Heffner, 1999, p. 375-376).
Nesse sentido, a equipe vem se desenvolvendo
constantemente em meio a essa estratégia de gestão, mantendo
enquanto ação para o alcance dos objetivos, a ação conjunta e
integrada, onde se torna primordial reunir esforços em prol de um
trabalho técnico e colaborativo, composto por muita comunicação e
ética, sendo este essencial para continuar garantindo a conquista
das metas que um dia foram alicerçadas junto ao Ministério da
Educação, os Governos Estaduais e Municipais, a Universidade
Aberta do Brasil e as demais Universidades Federais que compõem
essa rede de ensino.
1.2 Os Ganhos Pessoais e Profissionais: auto-realização e
ressignificação das práticas laborais.
Com relação aos ganhos pessoais e profissionais, entende-se
que estes contemplam as promoções nos trabalhos, o
reconhecimento de novas atividades desenvolvidas nas instituições,
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
240
as quais os alunos/profissionais em formação passaram a
implementar em seus ambientes de trabalho. Isso se deve à
qualificação e à ressignificação das práticas laborais a partir da
apropriação de novos conhecimentos adquiridos através do estudo,
da pesquisa e da extensão.
Portanto, apresentam-se alguns escritos que apontam para
este foco:
“O curso de graduação proporciona uma
maior integração com o meu estudo e
profissão, qualificando-me de maneira a
oportunizar
melhores
atividades
profissionais.”(E1)
“Acredito que a tendência, em termos
profissionais é somente de avanço, pois a cada
dia que passa a competitividade é maior, e o
mercado mais exigente. Como até o momento
não concluí o curso de graduação, acredito
que os ganhos pessoais são maiores que os
profissionais,pelo menos por enquanto.”(E2)
“Ao longo da trajetória do nosso curso,
percebo um crescimento tanto pessoal quanto
do grupo de colegas, pois mesmo participando
de um curso de licenciatura à distância,
também enriquecemos nossas práticas com
encontros para grupo de estudos e trocas de
experiências.”(E3)
“Também ressalto que desenvolvemos uma
grande autonomia na busca do conhecimento
bem como curiosidades e interesses por outras
formas de aprender, visto que nos
comunicamos e “conectamos” com diversas
comunidades acadêmicas.”(E10)
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
241
“Afirmo que estas experiências de estudo
servem para melhorar minha qualificação
enquanto professor. Há ganhos pedagógicos,
pois aplicamos os novos conhecimentos em
sala de aula, como melhoria na
aprendizagem.”(E18)
“Na medida do aperfeiçoamento profissional e
intelectual o mesmo abrirá novos horizontes
profissionais”. (E3)
Consolidam-se as narrativas anteriormente apresentadas com
as palavras do secretário de desenvolvimento econômico e social do
município, ao afirmar que:
“Os ganhos obtidos pelo conhecimento
advindo dos cursos oferecidos pelo Polo de
Sant’ Ana do Livramento já apresentam
resultados práticos, principalmente no
aperfeiçoamento e formação de educadores
da rede municipal, o que, certamente, é um
potencializador para uma educação de
melhor qualidade direta na escola. Assim
como, no leque de ofertas de cursos com
enfoque técnico tanto para o setor primário
como o de tecnologia. Permite o acesso e já
apresenta
também
bons
resultados,
estimulando uma nova visão empreendedora
para pequenas agroindústrias e interesse de
grupos de pesquisa e desenvolvimento de
projetos, através de jovens que até então
estavam
impedidos
do
acesso
ao
conhecimento, literalmente pela distância dos
centros universitários dessas áreas.”(G1)
A formação é o investimento na construção de outras
maneiras de pensar e de vislumbrar as novas possibilidades que
poderão surgir no município. Entende-se que ao estar preparado e
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
242
qualificado, o profissional poderá acolher com êxito as
oportunidades, transformando a realidade e contribuindo
eficientemente na sociedade a qual atua.
1.3 Os Ganhos e Possíveis Impactos Econômicos: desenvolvimento
de pessoas e do município.
A meta de contribuir para o desenvolvimento de Santana do
Livramento a partir da educação e disseminação do conhecimento
foi alicerçada não somente pela Universidade Aberta do Brasil
(UAB), mas pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) e o
Governo Municipal de Santana do Livramento.
Ao estabelecer parcerias e alavancar um trabalho
comprometido com a sociedade santanense, as instâncias
destacadas acima visam à ampliação do Ensino Superior no solo da
Fronteira Oeste, a minimização do processo de estagnação
econômica da região, a viabilização do desenvolvimento através da
educação e a incorporação definitiva do município no mapa do
desenvolvimento do Rio Grande do Sul.
Os excertos abaixo expressam um “recorte” da atual
realidade, permeada por boas expectativas, perspectivas de
crescimento e desenvolvimento financeiro pelo aumento da
capitalização e do orçamento das pessoas, e, consequentemente,
maiores possibilidades de contribuições no município.
“No meu caso vou usar minha formação
também para trocar de classe na carreira o
que
implica
aumento
no
salário,
consequentemente minha qualidade devida
irá melhorar e as condições de consumo
também.”(E1)
“Com certeza uma melhor qualificação gera
sem dúvida um melhor retorno financeiro,
tendo a possibilidade de aumentar a carga
horária de trabalho, participar de concursos
públicos, fazer investimentos, etc.”(E2)
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
243
Particularmente, sendo professora da rede
estadual de ensino, há aproximadamente 20
anos, já possuía curso de graduação de
licenciatura plena, porém fora de minha área
de atuação (a qual tenho curso de
licenciatura curta).(E3)
A formação de profissionais qualificados celebra o aumento
da autoestima dos estudantes de graduação e pós-graduação do
município de Santana do Livramento, tendo como possível resultado
o desenvolvimento de uma sociedade cultural e economicamente
independente.
O que antes se encontrava distante enquanto possibilidade,
hoje passa a ser uma realização que encadeia outros novos sonhos,
como o que está imerso na citação abaixo, por exemplo.
“O curso que estou fazendo, poderá
proporcionar a minha mudança de nível e
classe, o que consequentemente implica em
melhoria salarial, mas gostaria mesmo é que
viesse um mestrado na área da educação para
darmos continuidade aos estudos com essa
mesma qualidade.”(E12)
O almejado curso de mestrado não é uma realidade ofertada
no polo atualmente, esta ideia ainda está sendo gestada, mas vale
destacar a presença dos cursos de pós-graduação em nível de
especialização, extensão universitária e aprimoramento profissional,
os quais oferecem boas possibilidades de formação continuada.
Sabe-se que duas turmas do curso de Especialização em Tecnologias
Digitais na Educação(TIC) e uma turma de Especialização em
Educação Especial já encontram-se formadas e diplomadas pelo
Polo de Ensino Superior EAD/UAB/Livramento.
Constata-se também um expressivo número de pósgraduandos que estão recebendo qualificação e se especializando.
Atualmente, há uma nova turma de TIC, uma de Especialização em
Gestão em Saúde, uma de Especialização em Gestão Pública, uma
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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Especialização em Educação Ambiental, uma Especialização em
Gênero e Raças e duas turmas de Mídias na Educação. Este
movimento de formação já surte efeitos e impactos no município e
na valorização dos ganhos salariais dos profissionais.
Estar preparado para acolher um futuro melhor e com mais
oportunidades é uma das metas que já pode ser apresentada com
resultados positivos, o que reafirma a importância da educação
como um caminho a ser trilhado com prioridade. Alguns dados
foram narrados pelo secretário de desenvolvimento econômico do
município, os quais explicitam com mais detalhes essa caminhada.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
245
“Visualizarem, compreenderem e estarem
preparados para as novas e diferentes
oportunidades que se apresentam em um
município em crescimento econômico e
transformação, com novas e diversificadas
matrizes produtivas até então distantes ou até
mesmo desconhecidas para a nossa realidade:
energia eólica, cadeia produtiva do leite,
fruticultura,
monitoramento
ambiental,
turismo rural, ecoturismo, construção civil.
São
áreas
que
apresentam
novas
oportunidades, para tanto, precisam de
qualificação profissional e novas ideias que
agreguem valor, dinamizem processos e
tragam resultado. Isso só se consegue com
conhecimento e técnica. A formação através
dos cursos oferecidos pelo Polo desenvolve e
estimula através do conhecimento que cada
um, dentro da sua visão, capacidade e
aproveitamento,
possa
desenvolver
e
implantar ferramentas que resultem em
ganhos pessoais e profissionais. Um exemplo
prático é que nos últimos 12 meses
registramos cerca de 60 novas micros e
pequenas agroindústrias para a produção de
sucos, charque, linguiça, doces, conservas,
frutas processadas, vinho, embutidos...
algumas com projetos ou algum tipo de
inferência de alunos da UAB (agricultura
familiar) e UERGS.” (G1)
Como já foi destacado anteriormente, esses resultados são
frutos de um trabalho árduo, conjunto, estratégico e colaborativo.
Movido pela pesquisa, pela técnica e eficácia no atendimento que o
polo disponibiliza a cada nova turma egressa e à comunidade que
frequenta este espaço acadêmico.
As Universidades Federais tanto nos cursos á distância (UAB),
quanto nos cursos presenciais (UNIPAMPA), marcam a presença e
concretização de um antigo sonho da população e especialmente da
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
246
juventude, que, ávida de conhecimentos, encontra portas abertas
nesta região para sua formação, o que antes não era possível.
Durante muitas décadas, a juventude fronteiriça precisou sair de
suas cidades para encontrar oportunidades de qualificação em nível
superior e hoje, dispõe de uma educação gratuita com excelência no
serviço público que oferece.
Cabe neste momento, saber como as pessoas vêem e
descrevem a presença das Universidades Federais e do polo EAD em
Santana do Livramento:
“Como nunca em nossa cidade houve tanto
ganho como agora. São vários cursos
oferecidos a todos os níveis sociais e a
economia da cidade também está sendo
aquecida pelas pessoas que vem morar aqui
para estudar.”(E1)
“De fato um GANHO, pois os futuros
estudantes poderão ficar em Santana do
Livramento , sem sair em busca de
universidades, economicamente favorecidos e
também tendo opções do que cursar. O polo é
nosso tesouro, pois nos acolhe, nos oferece
outras
possibilidades
de
estudo
e
qualificação”.(E2)
“Acredito que a presença das Universidades
Federais e do Polo de Educação Superior à
Distância em nossa cidade trouxe crescimento
para o município e para a região em todos os
sentidos. Estudantes que muitas vezes
precisavam deslocar-se para outras regiões do
Estado, hoje tem a oportunidade de realizar
sua formação profissional, junto de seus
familiares, evitando despesas.,além de
estudantes de outras regiões, até mesmo do
País, se instalarem aqui para realizar seus
estudos, gerando receitas ao município de
uma forma ou de outra.”(E10)
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
247
“Como um grande passo que Livramento deu
em prol da valorização educacional, ainda
hoje comentava quantas pessoas estão se
beneficiando, inclusive eu, que não tiveram
oportunidade de concluir, o que era bastante
oneroso, e hoje estão aí estudando. Enquanto
professora, acordei para o estudo e para o
aperfeiçoamento”.(E6)
“Penso que esta seja uma das boas notícias
que tem acontecido em minha cidade nestes
últimos anos. Além de qualificar e
instrumentalizar toda uma comunidade
acadêmica, penso que as universidades
trazem ganhos à população local, não
somente enriquecendo com os projetos que as
envolvem como também como acesso à
educação pública e de qualidade à qual reflete
em todo um contexto cultural nesta
comunidade.”(E3)
Após conhecer as diferentes formas de pensar a respeito da
presença das Universidades Federais e especialmente do Polo
EAD/UAB, apresentadas nas entrevistas, considera-se importante
entender alguns contextos que participam desta caminhada e hoje,
estão intimamente interligados com a realidade do Polo. São eles: o
Núcleo de Estudos Fronteiriços (UFPEL) e a Universidade Federal do
Pampa (UNIPAMPA). O primeiro, por apoiar atividades de ensino,
pesquisa e extensão das Universidades Federais Brasileiras e com
isso estar disponível aos projetos desenvolvidos no Polo de Santana
do Livramento. Com relação à UNIPAMPA, torna-se fundamental
apresentar nesta pesquisa a parceria recém firmada com a
Prefeitura de Santana do Livramento para o funcionamento do Polo
Municipal do Sistema da Universidade Aberta do Brasil em
Educação a Distância (EAD/UAB). Tal convênio traz promessas de
mais desenvolvimento, a partir da execução conjunta de tarefas, da
colaboração temporária de pessoal e do compartilhamento no uso
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
248
de equipamentos e instalações, ou prestação de serviços técnicos
de uma das partes à outra.
Conforme os termos do acordo, isso irá oportunizar a troca de
experiências e a realização de trabalhos colaborativos entre os
dirigentes, professores, técnico-administrativos e estudantes,
acadêmicos da UNIPAMPA e do Polo EAD/UAB de Santana do
Livramento, instalado em dependências da Universidade. Segundo a
reitora da UNIPAMPA Maria Beatriz Luce: “É excelente porque
vamos potencializar o investimento do município em benefício da
UAB e da UNIPAMPA”.
Essa integração só vem a acrescentar benefícios, o que amplia
mais ainda as possibilidades de desenvolvimento intelectual,
econômico e profissional.
Um evento importante que marcou o início dessa integração
foi o “ I Seminário de Educação Empreendedora”, realizado no mês
de maio de 2011. O mesmo contemplou objetivos importantes para
o município de Santana do Livramento, dentre eles capacitar os
professores da educação básica para que a o empreendedorismo
faça parte do ensino nas escolas.
A iniciativa é do plano de ação do Comitê Gestor do
Desenvolvimento de Sant‟ Ana do Livramento, a partir do
diagnóstico realizado em 2010 que apontou três itens a serem
trabalhados para fomentar o desenvolvimento do município. São
eles: Educação Empreendedora, Acesso a Mercados e Inovação e
Tecnologia.
O I Seminário de Educação Empreendedora preparou a
comunidade para no segundo semestre deste ano, dar continuidade
a um curso de extensão em Educação Empreendedora, coordenado
pela UNIPAMPA e certificação conjunta com o Comitê da Qualidade
(PGQP) e Sebrae. Este visa oferecer capacitação para os professores
de forma a incluir a disciplina de empreendedorismo no currículo
escolar da rede municipal de ensino.
Formar jovens empreendedores poderá incentivar ações
para, futuramente, fortalecer o desenvolvimento das Micro e
Pequenas Empresas em Santana do Livramento. Para a organização
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
249
do evento, foi firmada a parceria entre a Universidade Federal do
Pampa(UNIPAMPA), Universidade Aberta do Brasil(UAB),
Universidade Regional da Campanha(URCAMP), Universidade
Estadual do Rio Grande do Sul(UERGS), o Governo Municipal e o
SEBRAE. O trabalho realizado pelo Comitê Gestor de
Desenvolvimento do Município permite contribuir voluntariamente
e colaborar com trabalhos sociais na educação, além de estreitar os
laços e experienciar a partilha de conhecimentos entre professores
acadêmicos e gestores municipais que também atuam com o
mesmo propósito: contribuir com a comunidade local a partir da
disseminação do conhecimento.
Toda essa integração que conduz ao desenvolvimento de
pessoas está intimamente relacionada à qualidade de gestão do
polo, que ao ser descrita pela comunidade acadêmica, enfatiza e
confirma a eficiência do trabalho que vem sendo oferecido para a
população que se encontra em formação inicial e continuada.
Sem a intenção de esgotar essa investigação nem mesmo
encontrar respostas ou conclusões finais, pretende-se apresentar as
últimas narrativas dos participantes que nesta pesquisa tiveram a
oportunidade de traduzir sentimentos, relatar as diferentes faces
deste grande projeto educacional e mostrar um “recorte” dos
impactos intelectuais, pessoais, profissionais e econômicos já
constatados nestes últimos anos.
Os excertos finais apresentam uma avaliação da qualidade
de gestão do polo, feita pelos estudantes dos cursos técnicos,
acadêmicos de graduação e de pós-graduação e pelo secretario de
desenvolvimento econômico do município.
“Vejo todas as pessoas envolvidas para que
tudo de certo. Os tutores cumprem com o seu
papel, interagindo junto aos alunos e a
Coordenadora se doa diariamente em prol dos
cursos.”(E2)
“Todos estamos numa caminhada, onde se faz
o possível para atingir-se o melhor, contudo a
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
250
medida de um real amadurecimento e
conhecimento.”(E4)
“A qualidade na gestão do Polo é muito boa,
até porque se não a fosse não teríamos o
crescimento visível em termos de cursos de
graduação, pós graduação e técnico que se
observa atualmente. Penso que o Polo de
Santana do Livramento,iniciou uma árdua
caminhada, que ainda hoje continua, só que
agora a passos largos ,em busca de novos
horizontes em termos de qualificação
profissional
e
intelectual
para
os
santanenses.(E1)
“Como estudamos em uma universidade
pública, em que se sustenta com verbas
federais, e sendo nosso país de dimensões
continentais, às vezes existe certo tempo para
os repasses acontecerem, o que na minha
visão não prejudicou a qualidade de nossos
estudos, pois os professores/tutores são
altamente habilitados eatenciosos, o que nos
motiva apesar das diversidades que possam
ocorrer ao longo do nosso curso de
graduação.”(E9)
“Vejo uma grande atenção e compreensão por
parte de toda a coordenação, dos tutores e
funcionários para que a universidade ofereça
aos seus alunos educação de qualidade.”(E7)
“Vejo todas as pessoas envolvidas para que
tudo de certo. Os tutores cumprem com o seu
papel, interagindo junto aos alunos. A
coordenadora se doa diariamente em prol dos
cursos, articula novos empreendimentos para
atender as demandas do município, o que
amplia cada vez mais as chances de formação
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
251
em todos os níveis (técnico, graduação,
extensão e pós graduação).”(E3)
“Muito boa. Primeiramente pelo dinamismo e
busca de novos cursos que integrada com que
trabalham, inicialmente com a Prefeitura,
mais recentemente com a UNIPAMPA,
aumentando o poder em rede de atender e
formar melhor.”(G1)
A partir dos excertos acima, visualiza-se um “recorte” de
opiniões e pareceres que avaliam a qualidade de gestão do pólo de
Educação a Distância de Santana do Livramento. Estes
transparecem os resultados de alguns anos de empenho,
planejamento e ação efetiva em torno das metas alicerçadas entre o
Governo Federal, o Governo Municipal e as Universidades Federais.
Sabe-se que este processo é constante e árduo em determinadas
etapas, porém, sob o alicerce da qualidade de gestão, do trabalho
em equipe realizado pela coordenadora do pólo, tutores,
funcionários e gestores municipais envolvidos, passa-se a
concretizar o plano de ação com excelência e qualidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
À guisa de conclusão, confirma-se algumas hipótese traçadas
no projeto desta pesquisa, são elas: “o polo EAD/UAB: vem
oferecendo crescimento pessoal e intelectual à sociedade
santanense‟; “vem contribuindo com a formação e o
desenvolvimento de pessoas e, consequentemente, com o
desenvolvimento econômico do município”; representa um espaço
de renovação e possibilidades na formação intelectual de pessoas
na Fronteira Oeste”; “houve avanços em relação à gestão
desenvolvida no pólo Ead de Santana do Livramento, possibilitando
através desse, parcerias com outras instituições”.
Entende-se que este levantamento e analise de dados é uma
fração inicial enquanto contribuição com a pesquisa e extensão
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
252
acadêmica, um retrato da realidade e dos projetos que atualmente
estão sendo desenvolvidos pelo Polo de Educação Superior a
Distância, a UNIPAMPA e o Governo Municipal de Santana do
Livramento, em consonância com o projeto maior proposto pela
Universidade Aberta do Brasil(UAB) Governo Federal, Universidades
Federais e Ministério da Educação.
Espera-se com esse passo inicial, incentivar outros projetos
neste mesmo foco, elaborar outros materiais que complementem e
avancem nas investigações a partir da pesquisa acadêmica a fim de
contribuir no processo de desenvolvimento de pessoas na Fronteira
Oeste e no aprimoramento constante da Gestão de Polos.
Considera-se relevante organizar materiais atualizados
relacionados a este tema, para publicar e divulgar informações a
partir dos dados coletados, especialmente entre a população local e
regional, pois algumas pessoas ainda desconhecem sobre as
possibilidades oferecidas pelo Polo EAD/UAB de Santana do
Livramento.
Almeja-se, a partir da pesquisa: “Qualidade na gestão de
Polos e o Desenvolvimento de Pessoas na Fronteira Oeste” oferecer
o produto deste trabalho à comunidade acadêmica e à
administração pública, para que seja vislumbrado, mesmo que
provisoriamente, o processo de desenvolvimento de pessoas no
município e as suas relações com as Universidade Aberta do Brasil,
com a Gestão e Equipe do Polo EAD/UAB, a UNIPAMPA e o Governo
Municipal que hoje unem esforços para melhorar as condições de
vida dos cidadãos e oferecer à sociedade um serviço público com
excelência.
REFERÊNCIAS
FERREIRA, L. S. Metodologia do Trabalho Científico e Produção textual.
Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel,
Pelotas, 2011.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
253
FREITAS, D. N. T. A gestão educacional na interseção das políticas federal e
municipal. Rev. Fac. Educ., vol. 24, n. 2, São Paulo, Jul/dez. 1998.
Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: mai. 2011.
IRIONDO, W.; RIBEIRO, L. Conhecimento como ferramenta da gestão
pública (continuação) – Unidade III. Apostila do curso de Especialização
em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2011.
_____. Introdução a criação do conhecimento – Unidade II. Apostila do
curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2011.
_____. Introdução a gestão publica – Unidade I. Apostila do curso de
Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2011.
RODRIGUES, C. H. R. e SANTOS, C. A. S. Empowement: ciclo de
implementação, dimensões e tipologia. Gestão & Produção, v. 8, n. 3, p.
237-249, dez. 2001.
SANTANA DO LIVRAMENTO. Documento firmado no convênio entre o
Polo EAD/UAB, UNIPAMPA e o Governo Municipal. Santana do
Livramento, fev. 2011.
SANTANA DO LIVRAMENTO. Plano de desenvolvimento do município
(2010/2011). Santana do Livramento, 2011.
SANTANA DO LIVRAMENTO. Plano de Gestão do PóloEad/UAB
(2010/2011). Biblioteca do polo EAD/UAB. Santana do Livramento, 2011.
SEGENREICH, S. C. D. ProUni e UAB como estratégias de EAD na expansão
do Ensino Superior, Pro-Posições, Campinas, vol. 20, n. 2, p. 205-222,
mai./ago.
2009.
Disponível
em:
<http://moodle.ufpel.edu.br/file.php/197/pdf/ProUni_e_UAB_como_estra
tegias_de_EAD.pdf>. Acesso em: mi. 2011.
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
254
GESTÃO DE EXCELÊNCIA NO CONTEXTO
DA GESTÃO DE POLOS UAB:
FUNDAMENTOS E TECNOLOGIAS
AUTORA:
Eliane Reinehr Xavier
PROFESSORA ORIENTADORA:
Maria Teresa Duarte Nogueira
RESUMO
A Educação a Distância consolida-se no cenário nacional,
como política de expansão e descentralização do ensino
superior. Através da implantação do Sistema Universidade
Aberta do Brasil, o Ministério da Educação em parceria com
as Instituições Públicas de Ensino Superior e Institutos
Federais, articulado com os governos estaduais e municipais
têm levado o ensino superior a locais geograficamente
distantes das universidades. A implantação de um Polo de
Apoio Presencial UAB nessas localidades, com a oferta de
diferentes cursos de graduação de renomadas Instituições
Públicas de Ensino Superior, representa o acesso ao ensino
superior de qualidade. O Polo UAB é a estrutura do Sistema
responsável por executar as funções didáticas e
administrativas referentes aos cursos ofertados. A
implantação do polo nos municípios deve se orientar na
proposta de estrutura mínima necessária para um bom
desenvolvimento dessas funções. O polo deve proporcionar
condições favoráveis à aprendizagem com a qualidade que se
espera do ensino superior à distância. Nesse aspecto, o
gestor de polo é o responsável por conduzir os procedimentos
de modo a atender as necessidades das Instituições de
Ensino Superior, instâncias públicas, colaboradores, alunos e
a comunidade em geral. Portanto, as diferentes situações
enfrentadas pelo gestor requerem além de competência,
habilidades para práticas que promovam a eficiência e a
eficácia de sua gestão. Este estudo teve como objetivo,
analisar como os fundamentos e tecnologias da Gestão
Pública preconizada atualmente podem contribuir para
qualificar a Gestão de Polos; identificar quais são os principais
fundamentos e a aplicabilidade destes no contexto da Gestão
de Polos UAB.
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
255
Palavras-chave: educação a distância; gestor de polo;
tecnologias.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
A educação superior no País, sobretudo na última década,
vem assumindo um papel de destaque nas discussões em relação à
elaboração e ao cumprimento de políticas públicas que venham
atender a demanda e aos anseios da sociedade. O processo de
formulação das políticas públicas para a educação têm se orientado
nos objetivos, normas e diretrizes definidas na constituição, que
estabelece a educação como um direito de todos e a sua promoção
e incentivo uma responsabilidade do Estado, conforme o Artigo 205
da Constituição Federal de 1988: “A educação, direito de todos e
dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a
colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da
pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação
para o trabalho” (BRASIL, 1988). A garantia a educação como um
direito se fundamenta na herança de uma cultura educacional
elitista e excludente, refletida nas desigualdades sociais do País. O
acesso à educação superior representa então, para uma expressiva
parcela da população, a perspectiva de inclusão e ascensão social
através de melhores condições de emprego e renda.
Com a intenção de descentralizar a oferta e democratizar o
acesso ao ensino superior, o Governo Federal têm implementado
políticas públicas priorizando a Educação à Distância (EaD). O
Decreto nº 5.622 de 19 de dezembro de 2005, caracterizou a
educação à distância como modalidade educacional, organizada
segundo metodologia, gestão e avaliação peculiares. O Ministério
da Educação e Cultura (MEC), através do Decreto 5.800 de 08 de
junho de 2006, instituiu o Sistema Universidade Aberta do Brasil
(UAB). O programa executado em regime de cooperação técnica
entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES), as Instituições Públicas de Ensino Superior (IPES) e
Institutos Federais (IFET) em parceria com os governos estaduais e
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
256
municipais, têm a finalidade de ofertar prioritariamente cursos de
licenciatura e de formação inicial e continuada a professores da
educação básica e proporcionar também cursos superiores e
profissionalizantes de ensino médio que venham a atender a
demanda dos municípios. Em relação à organização do Sistema
UAB, compete a CAPES o financiamento, coordenação e fiscalização
do Sistema; as IPES a oferta de cursos e a sua gestão; e ao Governo
Estadual e Municipal a implantação e manutenção de Polos de
Apoio Presencial. A estrutura de integração e apoio ao estudante do
Sistema UAB conta com Polos de Apoio Presencial nos municípios,
coordenadores, tutores presenciais nos Polos e a distância nas IPES.
Essa estrutura e organização visam adequar o Sistema UAB aos
Referenciais de Qualidade estipulados pelo MEC para a EaD.
O Polo de Apoio Presencial do Sistema UAB, conforme
Decreto nº 5.800/2006, é a unidade operacional para o
desenvolvimento descentralizado de atividades pedagógicas e
administrativas relativas aos cursos e programas ofertados; o
mesmo Decreto regulamenta que estes deverão dispor de
infraestrutura, recursos humanos e tecnológicos adequados às fases
presenciais dos cursos e programas. O polo é unidade importante
do Sistema, onde ocorre a interação entre professores, tutores e
estudantes possibilitando a troca de informações e a construção do
conhecimento individual e coletivo. O polo deve então,
proporcionar condições favoráveis a aprendizagem estimulando a
criatividade e o conhecimento colaborativo.
Nesse contexto, o gestor de polo desempenha múltiplas e
complexas funções: institucionais, organizacionais e pedagógicas.
Estas atribuições para serem desenvolvidas com eficiência e
qualidade exigem conhecimentos, habilidades e competências
específicas.
A partir destas considerações delimita-se o problema de
pesquisa que originou este estudo: “Como os fundamentos e
tecnologias da Gestão Pública podem ser utilizados para qualificar a
Gestão de Polos?”
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
257
O Polo de Apoio Presencial para a EaD como espaço
educacional recente no cenário da educação superior nacional,
configura-se um campo de atuação pioneiro para o gestor. Há ainda,
necessidade de um referencial teórico e técnico que de suporte e
qualifique o seu desempenho institucional. O polo é um espaço
educacional, e deve ser reconhecido como tal. Portanto, deve
proporcionar condições favoráveis à aprendizagem com a qualidade
que se espera do ensino superior à distância. Nesse sentido, faz-se
necessário otimizar a utilização dos recursos humanos, materiais,
tecnológicos e financeiros disponíveis. Justificando-se assim, a
relevância deste estudo para a Gestão de Polos.
A Gestão Pública atual tem buscado qualidade e excelência
utilizando para esse fim ferramentas (fundamentos e tecnologias)
de gestão. Esse novo paradigma está focado na desburocratização,
na descentralização, na flexibilização e na inovação dos processos.
Um exemplo a ser considerado é o “Gespública”, modelo de
excelência em Gestão Pública, e referência para as organizações do
setor público brasileiro. A pesquisa teve como hipótese comprovar a
eficiência dessas ferramentas para a Gestão de Polos UAB.
O objetivo geral deste estudo foi analisar como os
fundamentos e tecnologias da Gestão Pública preconizados
atualmente podem contribuir para qualificar a Gestão de Polos.
Nesse sentido, buscou-se especificamente: analisar a estrutura e
organização do polo no Sistema UAB e a função do gestor nesse
contexto; identificar os principais fundamentos e tecnologias
aplicados atualmente na Gestão Pública e verificar a aplicabilidade
destes na Gestão de Polos, visando qualificar os procedimentos.
Para atingir os objetivos propostos, foi realizada pesquisa
bibliográfica exploratória, utilizando o método de análise das teorias
apresentadas pelos diferentes autores em livros e artigos relevantes
ao estudo. Foi realizado também, levantamento empírico de dados,
com enfoque qualitativo, através de observação e discussão com os
diversos profissionais, que atuam no Polo de Apoio Presencial UAB.
Este último, com o objetivo de confrontar a teoria com a
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
258
experiência prática, foi realizado no Polo Extremo Meridional,
localizado no município de Santa Vitória do Palmar, RS.
A partir destas considerações iniciais, este trabalho está
estruturado em três seções. As duas primeiras seções apresentam a
pesquisa bibliográfica realizada. A seção um descreve a estrutura e
organização do Polo no Sistema UAB e o papel do gestor de polo; a
seção dois apresenta os principais fundamentos e tecnologias da
gestão pública de excelência. A seção três descreve o estudo
realizado em relação às práticas de gestão no polo analisado,
verificando nesse contexto, a aplicabilidade dessas ferramentas
(fundamentos e tecnologias). As considerações finais neste estudo
analisam o resultado do estudo desenvolvido e a relevância deste
para a Gestão de Polos.
1. ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DO POLO NO SISTEMA UAB
1.1 O Sistema Universidade Aberta do Brasil
O Sistema Universidade Aberta do Brasil - UAB teve como
origem, o plano de expansão da educação superior articulado entre
a Secretaria de Educação a Distância - SEED/MEC e a Diretoria de
Educação a Distância - DED/CAPES, no âmbito do Plano Nacional de
Desenvolvimento da Educação - PDE.
De acordo com o site UAB/CAPES, o Sistema sustenta-se em
cinco eixos fundamentais:
- Expansão pública da educação superior, considerando os
processos de democratização e acesso;
- Aperfeiçoamento dos processos de gestão das instituições
de ensino superior, possibilitando sua expansão em consonância
com as propostas educacionais dos estados e municípios;
- Avaliação da educação superior à distância tendo por base
os processos de flexibilização e regulação implantados pelo MEC;
- Estímulo à investigação em educação superior à distância no
País;
- Financiamento dos processos de implantação, execução e
formação de recursos humanos em educação superior à distância.
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
259
Para tanto, o Sistema UAB articulado com as Instituições de
Ensino Superior e em parceria com os governos estaduais e
municipais, têm a finalidade de atender as demandas locais por
educação superior através da implantação de polos de apoio
presencial nos municípios.
A figura 1 apresenta o modelo de funcionamento do Sistema
UAB:
Figura 1 - Fonte: VII ESUD 2010.
O credenciamento das instituições para a oferta de cursos de
ensino superior em EaD passa pela etapa de registro do processo no
MEC, onde é feita a primeira análise na SEED, a seguir é realizada a
avaliação da instituição e dos polos de apoio presencial pelo INEP.
Com base no relatório dos avaliadores e em outros elementos, a
SEED encaminha um parecer ao Conselho Nacional de Educação CNE, onde é feito o julgamento do pedido de credenciamento,
seguindo o parecer da SEED. A avaliação da instituição e dos polos,
têm como base os referências de qualidade estipulados pelo MEC
para a EaD.
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
260
Estes referenciais visam coibir a oferta indiscriminada de
cursos superior nessa modalidade; por isso, abrangem aspectos
pedagógicos, de recursos humanos e de infraestrutura que devem
estar contemplados no Projeto Político Pedagógico através dos
seguintes tópicos: concepção de educação e currículo no processo
de ensino e aprendizagem; sistemas de Comunicação; material
didático; avaliação; equipe multidisciplinar; infraestrutura de apoio;
Gestão Acadêmico-Administrativa e sustentabilidade financeira.
Os projetos para seleção dos primeiros cursos ofertados no
Sistema UAB foram apresentados exclusivamente por instituições
federais de ensino superior, e por estados e municípios as
propostas para polos de apoio presencial, conforme edital UAB1
publicado em 2005. O edital UAB2, publicado em 2006, permitiu a
participação de projetos de todas as instituições públicas
interessadas em ofertar cursos de ensino superior nessa
modalidade.
Segundo dados do MEC, atualmente estão credenciadas 92
instituições. Destas, 49 são Universidades Federais, 27 são
Universidades Estaduais e 16 Institutos Federais. Sendo 589 os polos
em funcionamento em 2010. Essas instituições oferecem cursos em
vários níveis de formação: bacharelados, licenciaturas, tecnólogos e
especializações. O número de alunos atendidos pelo Sistema UAB
em 2010 foi de 116.781 em formação inicial e 67.863 em formação
continuada (VII ESUD, 2010).
A figura 2 apresenta a distribuição destes alunos por
modalidade:
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
261
Figura 2 - Fonte: VII ESUD 2010
O fomento às atividades realizadas pelas instituições do
Sistema UAB recebem apoio da CAPES para as seguintes atividades:
- Produção e distribuição do material didático impresso
utilizado nos cursos;
- Aquisição de livros para compor as bibliotecas;
- Utilização de tecnologias de Informação e Comunicação para
interação entre os professores, tutores e estudantes;
- Aquisição de laboratórios pedagógicos;
- Infraestrutura dos núcleos de educação a distância nas IPES
participantes;
- Capacitação dos profissionais envolvidos;
- Acompanhamento dos polos de apoio presencial;
- Encontros presenciais para o desenvolvimento da EAD.
A concessão de bolsas de ensino e pesquisa dos profissionais
que atuam na UAB compete a CAPES e ao Fundo Nacional de
Desenvolvimento da Educação (FNDE), conforme Lei nº
11.947/2009. A Resolução nº49, de 10 de setembro de 2009 do
FNDE estabelece a participação das instituições no financiamento,
especialmente do material didático e da formação dos profissionais
envolvidos no processo. Sua fundamentação traz bem especificada
a importância da modalidade de ensino à distância, como parte do
Plano de Desenvolvimento da Educação.
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
262
1.2 O Polo de Apoio Presencial UAB
Na organização do Sistema UAB, o polo é a estrutura para a
execução descentralizada das funções didático-administrativas dos
cursos ofertados. É o local onde ocorre os encontros presenciais, as
avaliações, as práticas de laboratório, os estudos na biblioteca, a
orientação dos tutores, etc. Como espaço educacional, deve
proporcionar condições favoráveis à aprendizagem, estimulando a
criatividade e o conhecimento colaborativo (RIBEIRO e IRIONDO,
2010). No polo também, são realizados os procedimentos
institucionais e burocráticos necessários a operacionalização desse
espaço educacional. De acordo com site UAB/CAPES, a implantação
do polo nos municípios deve se orientar na proposta de estrutura
mínima necessária (dependências físicas, mobiliário, equipamentos,
recursos tecnológicos, recursos humanos), para um bom
desenvolvimento dessas atividades.
Em relação às dependências físicas do polo, a estrutura
mínima prevê que este disponha de sala para secretaria acadêmica,
sala de coordenação de polo, sala de tutores presenciais, sala de
professores, sala de aula presencial, laboratório de informática,
biblioteca e, se necessário, laboratório para cursos específicos
(biologia, matemática, física, química). O quantitativo de
equipamentos e mobiliários deve ser suficiente para atender a
demanda dos cursos.
Quanto aos recursos humanos, o modelo proposto conta com
o coordenador de polo, responsável pela parte administrativa e pela
gestão acadêmica, tutor presencial, técnico de laboratório
pedagógico (quando necessário), técnico em informática,
bibliotecária, e auxiliar para secretaria. Cabe ao mantenedor,
município e/ou estado organizar, prover e manter essa estrutura de
acordo com as orientações do Sistema UAB. O mantenedor é o
responsável também, pela contratação dos funcionários necessários
ao funcionamento do polo, com exceção do coordenador e dos
tutores que recebem bolsas pagas pelo FNDE. Neste aspecto,
ALMEIDA (2010), destaca a importância de institucionalizar
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
263
legalmente o polo no município ou estado, garantindo através de
regulamentação específica a sua sustentabilidade financeira.
Com o objetivo de auxiliar, orientar e dar suporte aos polos,
as avaliações in loco realizadas pelo Sistema, analisam a
infraestrutura e a parte pedagógica dos cursos. Estas avaliações,
bem como as avaliações externas aos polos realizadas pela
SEED/MEC e pelo INEP, visam à estruturação e o fortalecimento da
educação à distância.
A implantação de um Polo UAB no município representa o
acesso a diferentes cursos de graduação, oferecido por qualificadas
Instituições Públicas de Ensino Superior. Esse referencial de
qualidade deve ser mantido nos procedimentos pedagógicos e
administrativos que caracterizam a função do gestor de polo.
1.3 O Gestor de Polos UAB
As atividades pedagógicas e administrativas no Polo UAB são
coordenadas por um professor da rede pública selecionado para tal
função. Esse professor deve ser graduado e ter experiência em
magistério na educação básica ou superior.
Segundo o site UAB/CAPES, as atribuições do coordenador
são as seguintes:
- Acompanhar as atividades docentes, discentes e
administrativas do polo;
- Garantir às atividades da UAB a prioridade de uso da
infraestrutura do polo de apoio presencial;
- Elaborar e encaminhar à DED/CAPES relatório semestral das
atividades realizadas no polo, ou quando solicitado;
- Elaborar e encaminhar à coordenação do curso relatório de
frequência e desempenho dos tutores e técnicos atuantes no polo;
- Acompanhar as atividades de ensino, presenciais e a
distância;
- Acompanhar e gerenciar o recebimento de materiais no
polo e a entrega dos materiais didáticos aos alunos;
- Zelar pela a infraestrutura do polo;
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
264
- Relatar problemas enfrentados pelos alunos ao coordenador
do curso;
- Articular, junto às IPES presentes no polo de apoio
presencial, a distribuição e o uso das instalações do polo para a
realização das atividades dos diversos cursos;
- Organizar, junto com as IPES presentes no polo, calendário
acadêmico e administrativo que regulamente as atividades dos
alunos naquelas instalações;
- Articular-se com o mantenedor do polo com o objetivo de
prover as necessidades materiais, de pessoal e de ampliação do
polo;
- Receber e prestar informações aos avaliadores externos do
MEC.
Esta
relação de atribuições do coordenador apresenta
procedimentos organizacionais da rotina do polo, bem como
procedimentos burocráticos importantes para a articulação deste
com as IPES, com o MEC e com o mantenedor.
As atribuições do gestor de polo, além das questões
institucionais e burocráticas inerentes a função, abrangem também
a função social de interação do polo com a comunidade. Isso inclui
buscar junto à comunidade parcerias para implementar projetos
que atendam o anseio e a demanda local, visando o
desenvolvimento sociocultural e econômico da região.
Para realizar essas atividades, o coordenador deve contar
com uma equipe de profissionais experientes e capacitados que
promovam a sua gestão.
A palavra “gestão” é definida de modo sintético como: ato de
gerir, gerência, administração. RUMBLE a define como sendo:
[...]
um
processo
que
permite
o
desenvolvimento de atividades com eficiência
e eficácia, a tomada de decisões com respeito
às ações que se fizeram necessárias, a escolha
e verificação da melhor forma de executá-las
(2003 apud ALMEIDA, 2010, p. 7).
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
265
No polo, o gestor é o responsável por conduzir essas
atividades de modo a atender as necessidades das Instituições de
Ensino Superior, instâncias públicas, colaboradores, alunos e a
comunidade em geral. Ele tem como desafio a construção de um
espaço de trabalho coletivo e colaborativo cujo planejamento leve
em consideração as expectativas de todos os envolvidos. Segundo
PENTERICH:
[...] suas práticas de gestão poderão contribuir
para o sucesso ou fracasso dos objetivos
propostos pelo Sistema UAB, já que a ele cabe
o desafio de mediar os enfrentamentos
produzidos pela dinâmica de cada Instituição
de Ensino Superior parceira e que ocorrem
das diferentes concepções pedagógicas e dos
diversos cursos oferecidos no polo (2009, p.
189).
Nesse aspecto, “é imprescindível que o gestor conheça
formas de melhorar a qualidade do que é realizado sob sua gestão”
(RIBEIRO e IRIONDO, 2010). Segundo Maria Teixeira (Centro de
Apoio para a Educação a Distância em São Francisco de Paula - RS),
citada em PENTERICH, a Gestão de Polos:
[...] envolve enfrentamentos específicos que
requerem: boa comunicação escrita e oral,
capacidade para relacionar-se, dinamismo,
disposição para o aprendizado contínuo,
flexibilidade, organização, habilidades para
administrar conflitos, habilidade para
trabalhar em equipe, liderança, planejamento,
tolerância, análise crítica, compromisso com
os resultados, coordenação de grupo,
interlocução entre os agentes do processo,
atenção ao desempenho da equipe de apoio e
constante capacitação em especial na gestão
de pessoas (2009, p. 192).
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
266
Estes requisitos indispensáveis ao gestor de polos podem ser
potencializados através da aplicação dos fundamentos e tecnologias
de gestão. Na próxima seção deste estudo, buscou-se identificar os
principais fundamentos e tecnologias utilizados na gestão pública
atual e que tem como objetivo, qualificar os serviços oferecidos aos
cidadãos.
2. GESTÃO PÚBLICA: FUNDAMENTOS E TECNOLOGIAS
O desafio da administração pública tem sido promover
eficiência e eficácia administrativa, frente aos interesses e
demandas sociais. Conforme Bresser Pereira, “a função de uma
administração pública eficiente passa a ter valor estratégico, ao
reduzir a lacuna que separa a demanda social e a satisfação dessa
demanda” (1998, p. 24).
Nesse sentido, a gestão pública atual tem buscado qualidade
e excelência utilizando para esse fim fundamentos e tecnologias de
gestão. Para RIBEIRO e IRIONDO (2010), “as tecnologias de gestão
permitem obter melhores resultados independentemente de a
organização ser privada ou pública”.
Esse novo paradigma de gestão está focado na
desburocratização, na descentralização, na flexibilização e na
inovação dos processos, beneficiando assim o cidadão. Um exemplo
considerado neste estudo é o “Gespública”, modelo de excelência
em Gestão Pública, e referência para as organizações do setor
público brasileiro. O Programa criado pelo Governo Federal,
conforme Decreto nº 5.378/2005 (BRASIL ,2009), apresenta como
componentes básicos:
● Planejamento Estratégico
● Liderança
● Conhecimento
● Melhoria de Processos
● Desenvolvimento e Gestão de Pessoas
● Comunidades e Cidadãos
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
267
A inter-relação entre esses componentes orientam
sistematicamente as ações de planejamento, organização,
execução, controle e avaliação dos resultados pelas organizações,
potencializando assim a gestão de excelência.
Esse modelo de gestão é orientado para o cidadão e regido
pelos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência.
O Documento Referência (BRASIL, 2009) do programa
apresenta os seguintes fundamentos da gestão de excelência:
● Pensamento sistêmico: entendimento das relações de
interdependência entre os diversos componentes de uma
organização, bem como entre a organização e o ambiente externo.
● Aprendizado organizacional: busca contínua e alcance de
novos patamares de conhecimento, individuais e coletivos, por meio
da percepção, reflexão, avaliação e compartilhamento de
informações e experiências.
● Cultura da inovação: promoção de um ambiente favorável à
criatividade, à experimentação e à implementação de novas ideias
que possam gerar um diferencial para a atuação da organização.
● Liderança e constância de propósitos: a liderança é o
elemento promotor da gestão, responsável pela orientação,
estímulo e comprometimento para o alcance dos resultados
organizacionais.
● Orientação por processos e informações: compreensão e
segmentação do conjunto das atividades e processos da
organização que agreguem valor às partes interessadas; tendo
como base para a tomada de decisões e a execução de ações a
análise de desempenho.
● Visão de futuro: indica o rumo da organização. Relaciona-se
à capacidade de estabelecer um estado futuro desejado que dê
coerência ao processo decisório e que permita à organização
antecipar-se às necessidades e expectativas da sociedade.
● Geração de valor: alcance de resultados consistentes,
assegurando o aumento de valor tangível e intangível de forma
sustentada para todas as partes interessadas.
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
268
● Comprometimento com as pessoas: melhoria da qualidade
nas relações de trabalho, para que as pessoas se realizem tanto
profissionalmente quanto na vida pessoal.
● Foco no cidadão e na sociedade: direcionamento das ações
públicas para atender, de forma regular e contínua, as necessidades
dos cidadãos e da sociedade, na condição de sujeitos de direitos e
como beneficiários dos serviços públicos e destinatários da ação
decorrente do poder de Estado exercido pelas organizações
públicas.
● Desenvolvimento de parcerias: desenvolvimento de
atividades junto de outras organizações com objetivos específicos
comuns, buscando o pleno uso das suas competências
complementares para o desenvolvimento de sinergias, expressas
em trabalhos de cooperação e coesão.
● Responsabilidade social: atuação voltada para assegurar às
pessoas a condição de cidadania com garantia de acesso aos bens e
serviços essenciais e, ao mesmo tempo, tendo como princípios
gerenciais a preservação da biodiversidade e dos ecossistemas
naturais.
● Controle social: atuação que se define pela indução da
participação das partes interessadas no planejamento,
acompanhamento e avaliação das atividades da Administração
Pública e na execução das políticas e dos programas públicos.
● Gestão participativa: estilo de gestão que determina uma
atitude gerencial da alta administração que busque o máximo de
cooperação das pessoas, reconhecendo a capacidade e o potencial
diferenciado de cada um e harmonizando os interesses individuais e
coletivos, a fim de conseguir a sinergia das equipes de trabalho.
Para LIMA os fundamentos da gestão pública de excelência:
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
269
[...] são valores essenciais que caracterizam e
definem a gestão pública como gestão de
excelência. Não são leis, normas ou técnicas,
são valores que precisam ser paulatinamente
internalizados até se tornarem definidores da
gestão de uma organização pública (2003
apud RIBEIRO E IRIONDO, 2010, p.3).
Nesse sentido, a liderança na organização é fundamental para
envolver as pessoas e disseminar esses valores.
O planejamento estratégico como ferramenta de gestão,
permite orientar os processos para os propósitos da organização
pública atual, a eficiência e a eficácia de sua gestão. Os processos
representam o modo como vai ser executado esse planejamento. As
ações que transformam objetivos e metas em resultados. A
execução desses processos envolve pessoas; estas devem estar
envolvidas com os propósitos da organização. Portanto, é
necessário que as pessoas sejam valorizadas pela organização.
Segundo CHIAVENATO:
[...] as pessoas devem ser visualizadas como
parceiras da organização. Como tais, elas são
fornecedoras de conhecimento, habilidades,
competências e, sobretudo, o mais importante
aporte para as organizações: a inteligência
que proporciona decisões racionais e que
imprime significado e rumo aos objetivos
globais. Nesse sentido, as pessoas constituem
parte integrante do capital intelectual da
organização (2008, p. 10).
A Gestão de Pessoas, busca reconhecer e desenvolver
competências individuais e organizacionais através da capacitação e
da valorização pessoal e profissional. Nesse aspecto, é importante
criar oportunidades de aprendizagem e dar autonomia para o
desempenho das pessoas na organização. O empowerment,
tecnologia de gestão que consiste na descentralização do poder,
vem sendo utilizado nos processos de gestão para delegar
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270
autonomia e responsabilidade às pessoas na tomada de decisões e
ações, possibilitando assim, o crescimento destas dentro da
organização. (RODRIGUES & SANTOS, 2001).
A gestão do conhecimento compreende sinteticamente, a
produção, organização, compartilhamento e aplicação do
conhecimento no contexto organizacional. É, portanto um
componente facilitador na tomada de decisão no processo de
gestão.
[...] com oferta adequada de informação e
pessoas com capacidade para compreendê-las
e interpretá-las de acordo com seus
construtos cognitivos e emocionais, poder-se-á
iniciar um círculo virtuoso de aprendizado
nas organizações para aprimoramento dos
processos de decisão (CAPUANO, 2008, p.32).
A Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) tem se
mostrado eficiente para a gestão pública. É uma ferramenta de
gestão usada para disseminar o conhecimento dentro da
organização, bem como para efetivar a transparência das ações
governamentais para a sociedade.
Os fundamentos e tecnologias apresentados neste estudo
têm como objetivo melhorar a gestão pública buscando a
excelência. A aplicabilidade destes no contexto da gestão de polos
UAB verifica-se na próxima seção deste estudo.
3. GESTÃO DE EXCELÊNCIA NO CONTEXTO DA GESTÃO DE
POLOS UAB
No contexto da gestão de Polos UAB verificou-se a
aplicabilidade dos fundamentos e tecnologias de gestão em relação
a três componentes do referencial de qualidade do MEC: gestão
acadêmico-administrativa, infraestrutura de apoio e avaliação.
Os fundamentos e tecnologias de gestão possibilitam ao
gestor orientar os processos acadêmicos e administrativos de modo
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
271
que estes funcionem em total sinergia. Com atividades executadas
por profissionais proativos, corresponsáveis e comprometidos com
a satisfação do “cliente”, o aluno, e com a qualidade do “serviço
oferecido”, a educação. Para que isso ocorra, o gestor deve prover
um ambiente profícuo à atividade educativa e administrativa dos
diversos profissionais, descentralizando a ação e a comunicação
entre estes e os demais segmentos que compõem a UAB. Deve
também, definir os objetivos e responsabilidades, dando assim
autonomia à execução das atividades, bem como prover a difusão
de informações mantendo a equipe atualizada com as questões
relevantes do polo e de interesse de todos. Suas ações devem se
orientar nos cinco componentes básicos da gestão de excelência:
planejar, organizar, executar, controlar e avaliar o resultado.
A construção do conhecimento nas organizações é um
processo que envolve investimento nas habilidades e competências
individuais bem como em estratégias de interação entre os
envolvidos no processo, com retorno em longo prazo. A experiência
e o conhecimento tácito que os profissionais adquirem atuando nos
polos constituem o histórico de projetos e informações necessários
para a gestão do conhecimento se efetivar. Por esse motivo, a
rotatividade dos profissionais nos polos (coordenadores e tutores)
provocada pela regulamentação que limita o período de concessão
das bolsas (Lei nº 11.273/2006), não favorece a gestão do
conhecimento nos polos UAB.
O levantamento empírico de dados deste estudo foi realizado
no Polo Extremo Meridional, localizado no município de Santa
Vitória do Palmar; cidade que possui aproximadamente 33.000
habitantes e se localiza no interior do Rio Grande do Sul. Para a
implantação deste polo foi necessário um investimento inicial
superior a R$ 500.000,00 por parte da Prefeitura Municipal. Estes
recursos foram destinados a infraestrutura, contratação de pessoal
e outros investimentos necessários para o seu funcionamento. O
polo iniciou suas atividades no ano de 2007 com duas Instituições
de Ensino, FURG e IF-SUL, que ofereciam três cursos de graduação e
duas especializações, em 2008 com a UFPEL passou a oferecer mais
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
272
dois cursos de graduação. Atualmente o polo oferece cinco cursos
de graduação e sete especializações, com um total de 243 alunos. A
prioridade é oferecer cursos de licenciatura e de formação inicial e
continuada a professores da educação básica e proporcionar
também cursos superiores e profissionalizantes de ensino médio
que venham a atender a demanda do município.
Em relação à sustentabilidade financeira do polo, as despesas
de manutenção diária são custeadas pela Prefeitura Municipal,
através da Secretaria de Educação; das verbas destinadas à
educação no município 2% são investidos na educação superior,
onde se enquadra o Polo Extremo Meridional. É necessário
administrar esses recursos, de modo que as necessidades mais
urgentes sejam priorizadas e os demais investimentos sejam
planejados. Algumas alternativas administrativas são muito
utilizadas no Polo Extremo Meridional, visando não onerar a
prefeitura, é o caso de situações onde um bem ou serviço será
utilizado por um período de tempo curto, neste caso, procura-se
pedir emprestado um equipamento ou alguma mão de obra para
outra secretaria ou para outra Instituição Pública. A solução dos
problemas, não seria possível, se não existisse uma relação de
confiança entre o gestor e o mantenedor do polo, bem como entre
o gestor e a equipe que atua no polo.
Verificou-se que no Polo Extremo Meridional a prioridade
maior é atender as necessidades do aluno, disponibilizando aos
alunos laboratórios com microcomputadores e internet de
qualidade, pois é essencial para o desenvolvimento das atividades
acadêmicas nessa modalidade de ensino. Assim, os investimentos
são feitos primeiramente na questão de manter uma internet de
qualidade, um técnico de informática permanentemente no polo e
material de multimídia e microcomputadores em perfeito estado
para o bom funcionamento dos cursos. A relação é cordial e
harmoniosa entre funcionários, tutores, alunos e coordenação.
Embora não haja um modelo padronizado de gestão participativa,
todos os agentes colaboram com sugestões e críticas, sendo sempre
ouvidos e atendidos na medida do possível.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
273
A avaliação in loco no Polo Extremo Meridional foi realizada
pelo MEC em junho 2010. Segundo a avaliação, o polo está muito
bem localizado e com infraetrutura excelente. Os alunos percebem
a oportunidade de acesso aos cursos superiores e a prefeitura
municipal esta engajada no processo de democratização do ensino.
A tutoria presencial e a localização do polo são os pontos altos para
os alunos. Gostam muito do atendimento dos tutores e do trabalho
de coordenação. O polo foi considerado excelente, recebendo a
nota máxima na avaliação.
A estrutura física do polo é suficiente para atender com
qualidade os cursos ofertados atualmente. Porém, para atender a
crescente demanda pretende-se expandir a oferta de cursos, surge
à necessidade de ampliar as instalações e adquirir novos recursos
materiais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo comum a todas as organizações públicas é
promover uma gestão eficiente e eficaz que atenda efetivamente as
necessidades dos cidadãos. Nesse aspecto, os fundamentos e
tecnologias de gestão têm contribuído para atingir esses objetivos,
pois contribuem para a desburocratização, flexibilização e inovação
dos processos, beneficiando assim o cidadão.
No contexto da gestão de polos do Sistema UAB, os
fundamentos e tecnologias de gestão possibilitam melhorar os
procedimentos pedagógicos e administrativos do polo, atendendo
assim os Referenciais de Qualidade estipulados pelo MEC para a
educação à distância. Nesse sentido, cabe ao gestor desenvolver nas
rotinas do polo ferramentas de gestão que orientam os processos
de planejamento, organização, execução, controle e avaliação dos
resultados; bem como disseminar os fundamentos da gestão de
excelência.
A gestão de excelência envolve a participação e o
comprometimento de todos com os propósitos da organização.
Portanto, todos devem estar envolvidos com a qualidade da
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
274
educação oferecida e comprometidos com a satisfação dos alunos e
da comunidade com o Polo UAB.
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Escola aos alunos da educação básica; altera as Leis nos 10.880, de 9 de
junho de 2004, 11.273, de 6 de fevereiro de 2006, 11.507, de 20 de julho
de 2007; revoga dispositivos da Medida Provisória no 2.178-36, de 24 de
agosto de 2001, e a Lei no 8.913, de 12 de julho de 1994; e dá outras
providências.
Disponível
em:
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
276
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Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel,
Pelotas, 2011.
_____. Introdução a criação do conhecimento – Unidade II. Apostila do
curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2011.
_____. Conhecimento como ferramenta da gestão pública (continuação)
– Unidade III. Apostila do curso de Especialização em Gestão de Polos da
UAB/UFPel, Pelotas, 2011.
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Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2011.
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ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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A FORMAÇÃO DE UMA EQUIPE COGESTORA EM POLOS DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
AUTORA:
Simone Gadret Bório
PROFESSORA ORIENTADORA:
Marisa de Mello Luvielmo
RESUMO
Este artigo foi elaborado a partir do tema Gestão Democrática
e Participativa e a Gestão de Polos, visando defender a
formação de uma equipe cogestora, que envolva todos os
atores de um polo, como ferramenta essencial para o bem
gerir da instituição. Propõe-se responder ao seguinte
questionamento: de que forma o gestor de polos pode
proporcionar e/ou garantir uma gestão democrática e
participativa enquanto as funções de tutoria presencial são tão
instáveis? A análise dessa problemática é de extrema
relevância, visto a importância de se dar continuidade ao
trabalho coletivo entre todos os atores de um polo de
educação à distância. Igualmente vem ao encontro da
necessidade do gestor de polos em EAD poder dividir a vasta
gama de atribuições que recaem sobre ele, de forma a
democratizar e agilizar mais o processo administrativo,
pedagógico e acadêmico. A proposta consiste justamente em
buscar alternativas que influenciem na construção social do
polo, otimizando seus tempos e espaços, além de
proporcionar maior visibilidade positiva do mesmo. A melhoria
da gestão pública e a formação e qualificação docente são
aqui apresentadas como estratégias para atingir os principais
objetivos da UAB. Para tanto, faz-se necessária à união de
ideias e ideais entre os educadores e demais atores que
atuam no ambiente do polo em EAD, tanto no campo virtual e,
principalmente, no campo presencial. Defendemos a
formação de uma equipe cogestora que servirá de esteio,
garantindo a execução de um planejamento democrático das
ações do polo em médio prazo. De forma que, participando
desde o momento em que este plano foi idealizado e gerado,
torna-se parte dele. É essa equipe cogestora que auxiliará o
gestor a exercer suas funções com tranquilidade e
transparência, aproximando-o da realidade de cada uma da
IES, de cada curso de graduação, especialização ou
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
278
aperfeiçoamento. Transformando o polo em um ambiente
democrático e acolhedor a todos os atores que dele
participam direta e ou indiretamente.
Palavras-chave: equipe cogestora; tutor presencial; gestor de
Polos.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Este artigo foi elaborado visando defender a formação de
uma equipe cogestora como ferramenta para o bem gerir da
instituição. Na visão dessa autora, a equipe cogestora é formada
pelos funcionários, tutores presenciais, coordenador e
representantes dos alunos das diversas universidades que
freqüentam o polo.
A intenção de formular este trabalho é garantir a todos uma
educação de qualidade, na busca de um “polo ideal” para todos,
bem como a possibilidade de superação dos limites enfrentados
pelo coordenador dessa instituição, aqui denominado gestor de
polos em EAD. Quando se menciona o “pólo ideal”, almeja-se que
este seja um ambiente que apresente um conjunto de condições
favoráveis ao seu bom funcionamento, sejam elas de ordem
material, administrativa ou de pessoal. Especificamente, nossa
preocupação neste trabalho refere-se às limitações encontradas em
relação ao setor de recursos humanos, visto ser justamente aí que
acontecem os grandes entraves a atuação do gestor. Acredita-se ser
possível alcançar a construção desse pólo ideal, já que se tem a
maioria das necessidades atendidas. Este artigo objetiva justamente
apontar a formação da equipe cogestora como uma ferramenta
capaz de forjar que este pólo almejado seja real.
A proposta consiste justamente em buscar alternativas que
influenciem na construção social do polo, otimizando seus tempos e
espaços, além de proporcionar maior visibilidade positiva do
mesmo. Isso fundamentado na idéia da formação da equipe
cogestora, que aliada à atuação e coordenação do gestor, vem
possibilitar uma caminhada mais tranquila para atingir os objetivos
da UAB.
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
279
A melhoria da gestão pública e a formação e qualificação
docente são aqui apresentadas como estratégias para atingir os
principais objetivos da UAB.
Para tanto, faz-se necessária a união de idéias e ideais entre
os educadores e demais atores que atuam no ambiente do polo em
EAD, tanto no campo virtual e, principalmente, no campo
presencial.
Segundo Gandin:
(...) não basta que os professores,
isoladamente ou mesmo em conjunto, definam
“como” e “com que” vão “passar” um conteúdo
preestabelecido, dando, assim, um carácter de
só administração ao trabalho escolar; é
necessário que se organizem para definir que
resultados pretendem buscar, não apenas em
relação a seus alunos, mas no que diz respeito
às realidades sociais, e, que, a partir disto
realizem uma avaliação circunstanciada de
sua
prática
e
proponham
práticas
alternativas para ter influência na construção
social. (2005, p.88)
Concisamente,
propõe-se
responder
ao
seguinte
questionamento: como o gestor de polos pode proporcionar e/ou
garantir uma gestão de polos democrática e participativa enquanto
as funções de tutoria presencial são de contrato temporário, o qual
não cobre, necessariamente, o período de duração de um curso de
graduação?
A investigação do problema dessa pesquisa justifica-se frente
à realidade enfrentada pelos tutores que desejam mais do que
exercer suas funções, mas engajarem-se efetivamente no cotidiano
do polo, por meio da proposta de formação de uma equipe
cogestora. Contudo, se vêem, a qualquer momento, desligados de
suas funções, por inúmeros motivos alheios aos interesses da
coordenação do polo, dos alunos e da própria tutoria presencial.
Igualmente vem ao encontro da necessidade do gestor de polos em
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
280
EAD poder dividir a vasta gama de atribuições que recaem apenas
sobre ele, de forma a democratizar e agilizar mais o processo
administrativo, pedagógico e acadêmico.
A análise dessa problemática é de extrema relevância, visto a
importância de se dar continuidade ao trabalho coletivo entre todos
os atores de um polo de educação à distância.
Especificamente, esse trabalho objetiva apontar limites e
possibilidades em relação à contratação/permanência da tutoria
presencial, delimitando sua linha de atuação junto à coordenação
do polo; contribuir para que haja um avanço na atuação destes
profissionais para além do contato presencial/virtual com os alunos;
sinalizar para a possibilidade de um comprometimento maior com a
UAB como um todo, visando à melhoria e qualificação dessa nova
modalidade de ensino.
A metodologia utilizada neste artigo foi a pesquisa
bibliográfica de obras de gestão empresarial e educacional, na
intenção de propor uma nova idéia de gestão educacional voltada
para administração de polos de educação a distância do sistema
UAB.
Muitos são os autores que embasam e sustentam as idéias
aqui defendidas: Moacir Gadotti; Herrenkohl, R.C.; Judson, G.T. &
Heffner, J.A; Le Boterff; Randolph; Luiz Carlos Pereira; Cláudia
Rodrigues; Fernando Santos; Clóvis Santos; Heriana Santos;
Fernando Vieira; Nonaka & Takeuchi; Danilo Gandin, Maria João
Santos, Eva Oliveira. No desenvolvimento dos pressupostos aqui
defendidos, muitas citações e pensamentos destes fundamentaram
o pensamento dessa autora.
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
281
1. A FORMAÇÃO DE UMA EQUIPE COGESTORA
1.2 Gestão privada X Gestão pública
A informação é critério fundamental na gestão de todo tipo
de organização, pois agrega agilidade e confiança ao trabalho do
gestor, tanto no campo privado como no público.
Os processos de organização da informação utilizados nos
ambientes de gestão privada devem, certamente, ser utilizados
pelos gestores públicos, nas mais diversas áreas de atuação
municipal, estadual ou federal, nos setores educacionais,
assistenciais, de saúde, etc.
Uma nova postura em relação à gestão pública se faz
necessária, a partir do conhecimento e aplicação da TIC’s
(Tecnologias da Informação e da Comunicação). Todavia, isso não
pode acontecer com a simples transposição dos métodos e normas
utilizados no setor privado para o setor público, mas sim por meio
de adaptações e/ou aproveitamento de forma crítica dessa
experiência, servindo de base para inovação no campo das políticas
públicas, visando maior eficiência e qualidade nos serviços
prestados.
Cabe salientar a importância da implementação, qualificação
e execução de políticas públicas que sustentem e incentivem a
oferta do ensino superior à distância no sistema UAB.
Um dos pontos principais a mudar na gestão de políticas
públicas nesse âmbito educacional, a exemplo da privada, consiste
na desburocratização dos processos. Segundo o economista Luiz
Carlos Bresser Pereira (1998; p. 08): “a nova administração pública
se diferencia da administração pública burocrática, pois segue os
princípios do gerencialismo”.
Santos e Vieira (2008) explicam que o gerencialismo foi
ideologicamente articulado por diversos agentes do mundo do
management. No entanto, não descartam as recomendações deles.
Segundo os autores, apesar das diferenças entre a gestão do setor
público e a do setor privado, as estratégias e visões privadas podem
ser aplicadas e adaptadas ao setor público. O sistema do
management diferencia-se do gerencialismo por meio da
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
282
administração estratégica, financeira, de qualidade, gerenciamento
de pessoal e aplicação de tecnologias, que funcionam da mesma
forma no setor público.
Utilizando as citações acima e remetendo-as ao contexto da
Educação a Distância, mais especificamente à gestão pública,
considera-se que o gestor ou coordenador de Polos não tem
condições de atender satisfatoriamente tudo que surge,
cotidianamente, na tarefa de administrar esse tipo de instituição;
pelo contrário, precisa encontrar nos seus principais colaboradores tutores presenciais - apoio na busca de soluções para os inúmeros
problemas surgidos e para executar sempre que preciso novas
estratégias.
Partindo desse pressuposto, ratifica-se que as estratégias
utilizadas pelos sistemas privados de gestão têm muito a contribuir,
não somente para o campo da educação, mas para as
especificidades da EAD.
Entre as estratégias acima citadas, destacam-se: a
necessidade da desburocratização e/ou agilidade dos processos; o
gerenciamento de pessoal e o bom e qualificado uso das
informações.
A reflexão centrará principalmente, a partir de agora, a
respeito do uso das informações e gerenciamento de recursos
humanos, na possibilidade de formação de uma equipe cogestora
em Polo de EAD.
1.3 O qualificado uso de informações em um polo de EAD
O primeiro ponto a ser abordado – o uso de informações – no
ambiente de um Polo em EAD, nos leva ao estudo da criação do
conhecimento, suscitada pelos estudos de Nonaka e Takeuchi.
Segundo esses autores, para se entender a criação de qualquer tipo
de conhecimento faz-se necessário distinguir dado, informação e
conhecimento.
A respeito da definição de dado concluímos que é algo claro,
posto, perceptível, enquanto que a informação vai além do que
está posto, fica no campo do que ainda precisa ser buscado, ser
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
283
descoberto, embora elucide dúvidas e acrescente idéias a um fato.
Já o conhecimento se dá quando o dado aumenta sua proporção
através dos insumos buscados, tornando-se uma informação que
passa a ser assimilada, que pode ser aplicada, que após ser
descoberta (dado), também pode ter seu sentido "destruído" e
"reconstruído", de forma a atribuí-lo sentido, significado e utilidade.
A tudo isso se denomina de conhecimento.
Nonaka e Takeuchi dividem o conhecimento em tácito e
explícito. Basicamente apresentam que o conhecimento explícito é
como a própria palavra revela, algo claro, de fácil entendimento ou
(re) conhecimento; já o conhecimento tácito ou implícito é aquele
que necessita de mais dedicação para ser explicado, pois é bastante
subjetivo e pessoal de cada indivíduo. Justamente por ser baseado
nas experiências e leituras de mundo de cada pessoa é tão "maior"
(em termos de que é difícil não só de explicar como de mensurar)
que o explícito, visto este último pertencer ao entendimento
de muitas pessoas ao mesmo tempo, podendo fazer parte de um
senso comum.
Bastante pertinente parece remeter as reflexões à questão
das dimensões da criação do conhecimento. Normalmente, a
preocupação centra-se apenas na propagação do conhecimento
adquirido, mas não com o fato de quando alguém o sistematizou a
ponto de torná-lo um conhecimento. É preciso incentivar o
conhecimento individual para que se crie, em uma organização, um
conhecimento ampliado a todos.
Assim de fato acontece no contexto do Polo e em sua gestão.
No início de qualquer tipo de atividade em EAD, todos os envolvidos
têm a impressão de que nada sabem e pouco têm a contribuir, visto
estarem mensurando apenas o que está explícito. A partir dos
primeiros contatos, percebe-se que todos têm a contribuir com os
conhecimentos já construídos/adquiridos, formando-se novos
conhecimentos, agregados aos conhecimentos tácitos dos colegas,
alunos e gestores.
Essa reflexão sobre a conversão do conhecimento
organizacional conduz o fio do raciocínio até a idéia aqui defendida
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284
de que não somente o gestor, mas todos os frequentadores do polo
socializam, combinam, internalizam e externalizam seus
conhecimentos,
de
forma
interativa
e
colaborativa,
concomitantemente.
O gestor de polos não só pode como tem o dever de
estimular a todos para que se utilizem desse ambiente, virtual e
presencial, para a formação do conhecimento por meio de suas (re)
elaborações constantes a respeito dos mais diversos tipos de
informação recebidos, transmitidos, trocados e construídos.
Para que haja essa troca e conversão de conhecimentos entre
todos os que frequentam ambientes de EAD, a função do gestor de
polos extrapola o acima explicitado, indo muito além de ser um
facilitador/promotor/estimulador da criação e propagação do
conhecimento acadêmico.
Afirma-se que para tal, é preciso que o gestor seja capaz de
gerir todos os processos surgidos no ambiente que administra. Para
assessorá-lo adequadamente é que defendemos a idéia da equipe
cogestora, a qual depende, basicamente, do gerenciamento dos
recursos humanos que atuam no polo.
1.4 O gerenciamento de recursos humanos
Abordaremos desse ponto em diante, o gerenciamento de
recursos humanos a partir da visão de uma gestão de processos na
Gestão Pública.
Os principais atores, nesse caso, são os usuários e
colaboradores do polo, cabendo ao gestor estar sempre atento não
somente às questões administrativas e acadêmicas da instituição,
bem como ao seu papel de facilitador/estimulador de
conhecimentos e, mais além, de valorizador e incentivador da
equipe cogestora de seu polo, incluindo aí seus alunos.
Rodrigues e Santos afirmam que o gestor de polos acertará a
medida de valorização de sua equipe quando for capaz de estipular
conjuntamente com ela as metas a serem atingidas, dando-lhes
autonomia suficiente para o desenvolvimento de suas competências
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285
individuais, para que haja um alinhamento em busca da realização
da missão da instituição:
À medida que você como Gestor do Polo
consegue uma maior participação dos
colaboradores via empoderamento, os
resultados serão positivos e a sinergia entre
eles acontecerá normalmente (RODRIGUES E
SANTOS, 2001, p.237)
A gestão de conhecimento, dentro da idéia de gestão dos
processos adjacentes ao ambiente de um polo em EAD, deve ser
vista como uma estratégia para promover o desenvolvimento da
competência da organização, de forma a valorizar e estimular o
desenvolvimento das competências individuais que perpassam por
esse ambiente. Fundamenta-se aqui o princípio de que o gestor
apto a desenvolver e promover as competências individuais de sua
equipe de trabalho – equipe cogestora – estará cercado de boas
idéias e de colaboradores reais, valorizados em suas iniciativas e
participativos por voluntariado e espontaneidade e não por
obrigação ou mero compromisso profissional. O integrante de uma
equipe que é tolhido, que reprime suas sugestões - pois dele é
esperado e estimulado que cumpra apenas com o que lhe cabe - é
um colaborador insatisfeito e “obrigado”; jamais age voluntária,
espontânea e animadamente em prol da instituição. Defende seu
pólo, defende suas atribuições, constitui-se enquanto percebe-se
constituinte ativo e não passivo das necessidades de seu ambiente
profissional.
Santos defende a gestão de pessoas, conforme acreditamos,
ao propor uma equipe cogestora:
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286
Tendo em conta que quase todo o
conhecimento reside nas pessoas ou ainda que
a sua potenciação delas depende, urge gerir
as
pessoas em conformidade com este
pressuposto. Esta constatação, por si só
evidente, pressupõe uma reorganização no
modo de gestão das pessoas. Implica pensar
as pessoas como geradoras de conhecimento,
com potencialidades e competências que
devem ser direccionadas e colectivamente
organizadas. Conduzir as pessoas a realizar
o seu potencial significa saber gerir os
recursos
humanos
com
inteligência,
sensibilidade e flexibilidade e requer a
atribuição de uma maior liberdade e
responsabilidade na gestão das pessoas.
(SANTOS, 2004, p.5)
Muitos apontamentos de Santos, na citação acima, vêm ao
encontro de nossos anseios, entre eles, destaca-se a necessidade do
gestor disponibilizar de inteligência, sensibilidade e flexibilidade
para formar e manter atuante uma equipe cogestora, aproveitando
e potencializando o conhecimento que cada um traz, na mesma
direção: otimizar o ambiente virtual e presencial, tranformando-o
num local de produção de saberes por excelência.
Torna-se imprescindível ao bom gestor, além das qualidades
já elencadas, primeiramente “empoderar-se” delas e saber utilizálas e usufruí-las; além disso, ter a capacidade em “empoderar” os
diversos atores de sua equipe, 'cogestionando' o polo.
O fundamento da Gestão de Recursos Humanos como fator
imprescindível em uma visão moderna de gestão não é novo e
advém do estudo de modelos de Gestão de Empresas. Há muito que
estudiosos da Gestão de Negócios defendem pressupostos como
empowerment e gestão de recursos humanos como ferramentas
indispensáveis nessa linha.
Entre várias definições de empowerment estudadas,
descobriu-se que o mesmo consiste numa forma de
“empoderamento” de todos os colaboradores envolvidos com a
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287
empresa e seu sucesso, de modo que possam colocar suas
habilidades e competências a serviço do bem da instituição e, logo,
do bem comum a todos que dela participam.
De acordo com Randolph (1995, p. 20) “Empowerment é o
reconhecimento e liberação dentro da organização do poder que as
pessoas já possuem na riqueza de seus conhecimentos úteis e na
motivação interna”.
Aqui se fundamenta nosso pensamento inicial, pois há, em
cada função de tutoria exercida na educação a distância, um nível
de “poder” a ser exercido, o qual esbarra em alguns entraves, sendo
o maior deles a instabilidade, a qual não permite uma continuidade
no trabalho desenvolvido.
Na mesma linha do autor supracitado, há ainda a idéia de que
cada pessoa envolvida direta ou indiretamente no bom andamento
da empresa pode e deve ajudar na tomada de decisões que visam à
sua melhoria e/ou solução de problemas.
Empowerment é um conjunto de procedimentos que buscam
a interação e o envolvimento das pessoas com o trabalho e que as
impulsionam a tomar iniciativas e a interferir com ações no
processo produtivo (HERRENKOHL, JUDSON & HEFFNER, 1999).
Em educação à distância, fala-se muito em autonomia do
aluno, mas pouco se pensa ou proporciona em termos de
autonomia aos profissionais que exercem função de tutoria no polo.
Referimo-nos aqui, particularmente, às funções inerentes aos
profissionais que atuam na tutoria presencial. No contexto de um
pólo de EAD, o tutor presencial é considerado o “braço direito” do
gestor de polos, sendo fundamental sua atuação na formação de
uma equipe cogestora. Essa afirmação justifica-se frente ao fato de
que ao gestor de pólos torna-se bastante complexa a tarefa de
gerenciar os aspectos pedagógicos e acadêmicos de cada curso e
em cada uma das universidades que atende. Cabe então ao tutor
presencial ser este elo entre as IES, suas exigências, as necessidades
administrativas, materiais, acadêmicas e pedagógicas dos alunos – é
este profissional que interage diretamente com o alunado, com os
professores pesquisadores e tutores a distância – e o gestor, para
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que este possa agilizar, em menor tempo e mais eficientemente, as
providências necessárias. Além disso, não raras vezes é também o
tutor presencial requisitado a resolver assuntos acadêmicos,
referentes às matrículas, atestados médicos, licenças etc., assuntos estes que extrapolam igualmente ao controle do gestor,
visto cada universidade ter uma forma de procedimento e um tipo
de exigência em relação a cada caso.
1.5 O papel da tutoria presencial
Segundo o manual de tutoria do MEC/CAPES, a tutoria
presencial representa o acompanhamento direto e sistemático com
os alunos nos Polos, durante o período do curso. Suas principais
atividades consistem em:
- Atender os estudantes no polo, especialmente no
desenvolvimento das atividades acadêmicas, fomentando o hábito
da pesquisa, esclarecendo dúvidas em relação a conteúdos
específicos, notadamente quanto ao uso das tecnologias de
comunicação e informação disponíveis;
- Auxiliar nos momentos presenciais obrigatórios, tais como
avaliações, aulas práticas em laboratórios e apresentação de
trabalhos, atividades coletivas ou individuais, dentre outras;
- O tutor presencial deve ser capacitado para lidar com as
especificidades da educação a distância em sintonia com o projeto
pedagógico do curso, do material didático e do conteúdo específico
das disciplinas;
- Deve manter-se em comunicação permanente com os
tutores a distância, com os docentes e com a equipe pedagógica do
curso;
- Orientar e acompanhar o acesso e o cumprimento das
atividades do aluno no ambiente de aprendizagem;
- Dominar as ferramentas do Moodle e as demais ferramentas
utilizadas no desenvolvimento do curso;
- Acessar o curso e as disciplinas no Moodle frequentemente;
- Acompanhar o cronograma das disciplinas e do Curso;
- Contactar os alunos indicados pelo tutor a distância;
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- Demonstrar cordialidade e empatia no tratamento aos
alunos;
- Acompanhar os alunos estimulando e motivando a
permanência deles no curso;
- Aplicar e acompanhar atividades nos encontros presenciais
agendados, registrando a presença;
- Selecionar e preparar os recursos didáticos e equipamentos
necessários ao encontro presencial;
- Desenvolver estratégias e técnicas de estudos e
aprendizagem visando fortalecer a autonomia do aluno;
- Conhecer o PPP do curso;
- Participar dos fóruns de tutores nas disciplinas no ambiente
Moodle;
- Participar do curso de formação continuada programado
pela Coordenação;
- Acompanhar o trabalho dos alunos, orientando, dirimindo
dúvidas, favorecendo a discussão.
É facilmente perceptível que as atribuições da tutoria
presencial são de extrema relevância para a manutenção do curso,
além de serem ao mesmo tempo amplas e específicas. A referência
às funções de maior amplitude demonstra as dificuldades que a
instabilidade desses profissionais causa à gestão de polos como um
todo, visto que, muitas vezes, há a troca de tutores ou a rescisão
contratual antes da conclusão do curso. Haja vista que os contratos
para graduação são de dois anos e o curso dura quatro anos.
Contudo, se houvesse ao menos a garantia da permanência dessa
tutoria por dois anos, salvo em casos que haja comprovação de
incompetência ou negligência, já seria uma maneira não só de
formar uma equipe cogestora, mas de poder planejar sua atuação
em médio prazo. Isso certamente traria um grande apoio ao
trabalho do gestor, além de gerar maior comprometimento e
satisfação entre todos os envolvidos com o sucesso da EAD no polo,
especialmente àqueles que lidam diretamente com o aluno e com o
gestor: os tutores presenciais.
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290
1.6 O papel do gestor/coordenador de polos em EAD
Para não desviar a atenção ao aspecto central desse artigo, a
formação da equipe cogestora de um polo, não se pode deixar de
mencionar e analisar as funções inerentes ao gestor de polos, ou
coordenador, como efetivamente é chamado.
São atribuições do coordenador/gestor de polos, segundo o
MEC/CAPES:
- Coordenar, planejar, fiscalizar e acompanhar o desempenho
dos Polos, conforme os padrões de qualidade estabelecidos pelo
IFPR e a legislação nacional da Educação a Distância.
- Contribuir com as atividades docentes, discentes e
administrativas do Polo de Apoio Presencial;
- Interagir com tutores presenciais e a distância, alunos e
coordenadores de cursos.
- Participar das atividades de capacitação e atualização;
- Elaborar e encaminhar à coordenação do curso relatórios
das atividades, desempenho e frequência dos tutores do polo,
quando solicitado;
- Fazer cumprir as decisões da coordenação do Curso e da
Direção Geral do EAD;
- Acompanhar as atividades de ensino e a participação dos
alunos e dos tutores presenciais durante as web conferências e
tutorias à distância;
- Acompanhar e gerenciar o recebimento de materiais
didáticos no polo e sua entrega aos alunos;
- Preparar e acompanhar a execução dos processos
avaliativos, tanto na aplicação das provas como no
encaminhamento das mesmas para;
- Acompanhar, juntamente com os tutores presenciais, a
prática profissional dos alunos, assim como todas as atividades
decorrentes e necessárias para sua execução, tais como a emissão
de pareceres, declarações, visitas, entre outras, conforme o
regulamento estabelecido para o exercício da mesma;
- Zelar pela infraestrutura do polo de apoio presencial;
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291
- Diagnosticar e relatar problemas enfrentados pelos alunos e
tutores presenciais às coordenações de curso;
- Organizar, junto com o mantenedor do polo, o calendário
acadêmico e administrativo que regulamenta as atividades dos
alunos no polo;
- Articular-se com o mantenedor do polo com o objetivo de
prover as necessidades materiais, de pessoal e de ampliação do
polo;
- Receber e prestar informações aos avaliadores do MEC.
Como se pode observar, as responsabilidades do gestor são
muitas e, sem o auxílio de toda equipe envolvida no polo, o mesmo
não teria condições de administrar tudo isso com vários cursos em
funcionamento, como acontece normalmente. Daí, a nossa
insistência para que haja a possibilidade da formação de uma
equipe que apóie e planeje conjuntamente, de forma a dividir as
responsabilidades e interagir com todos os frequentadores do polo,
visando sempre a melhoria e manutenção da qualidade dos serviços
oferecidos.
De acordo com SANTOS:
O desafio é considerar a criatividade como
parte integrante e
estratégica da
filosofia da própria empresa. Para isso tornase necessário identificar os factores que
bloqueiam este acto criativo. Geralmente
estão relacionados com o excesso de rotina,
com tarefas rigidamente estruturadas, com
isolamentos interdepartamentais, falhas de
comunicação, processos burocráticos e
procedimentos demasiado rígidos. (SANTOS
2004.p.142).
Destaca-se aqui a falta de flexibilidade oriunda da rigidez de
horários e do excesso de trabalho a que se submetem os
integrantes das equipes cogestoras. Especial referência aos gestores
de Polos e tutores presenciais que, em sua maioria, dedicam 20
horas semanais ao trabalho, estando mais 20 ou 40 horas atuando
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292
em outras instituições de ensino. Inevitavelmente, essas rotinas
pesadas acarretam o cansaço coletivo, a falta de tempo para
reuniões e tomadas de decisões, prejudicando a idéia de uma
equipe cogestora integralmente comprometida com o processo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
É fato que o gestor de polos tem uma gama de atribuições
pré-determinadas que o envolvem quase em tempo integral,
especialmente as de cunho burocrático e as que se referem à
estrutura e ao funcionamento dos equipamentos. Frente a isso, o
gestor que se preocupa em exercer uma gestão democrática e
participativa deverá ser capaz de articular sua equipe de
colaboradores, especialmente no tocante aos tutores presenciais,
para que o auxiliem na resolução de problemas pedagógicos e
acadêmicos que surgem a todo o momento em uma instituição tão
ampla de ensino superior. Neste sentido, Santos afirma que:
E, na escola, é o gestor quem deveria criar
clima de aconchego, amizade, amor pelo
estudo, incentivo à renovação, à mudança, à
experimentação de novas práticas e métodos.
Como fazer isso se ele está atolado em papéis,
sem preparação teórica e prática para gerir
uma escola com tantos problemas e
carências? Ser gestor escolar, hoje, é um
desafio para gigantes, uma tarefa para
educadores compromissados, uma função
humana gratificante, mas terrível e difícil,
dadas as condições em que ocorre seu
exercício. (SANTOS, 2004, p.237)
Para tanto, é preciso que haja coesão e autonomia de ambas
as partes, gestor e sua equipe, exercendo assim o empowerment da
gestão administrativa a serviço da gestão educacional.
Quanto à autonomia imbricada no processo de gestão
democrática e participativa da educação, Ferreira afirma que:
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293
Não há autonomia da escola sem o
reconhecimento da autonomia dos indivíduos
que a compõem. Ela é, portanto, o resultado
da ação completa dos indivíduos que a
constituem, no uso de suas margens na
autonomia relativa. Não existe uma
autonomia da escola em abstrato, fora da
ação autônoma organizada de seus menbros.
(FERREIRA, 2001, p. 48)
Segundo Le Boterf (2003), o que importa nesse processo não
é a simples soma de competências individuais, mas a qualidade
dessas articulações.
Mais uma vez aqui surge o indiscutível e imprescindível papel
de facilitador do fluxo de conhecimento do gestor de Polos, visando
à articulação e manutenção em atividade positiva de sua equipe
cogestora. Conhecer a realidade de cada colaborador, valorizar suas
potencialidades, estimular sua autonomia, criatividade e dedicação
são algumas das muitas competências que desafiam o gestor,
precisando ele (re) conhecer em si próprio tais qualidades, para ser
capaz de observá-las e valorizá-las na sua equipe.
Cabe ainda refletir sobre o papel do gestor escolar, o qual não
difere do papel do gestor de polos de educação a distância, visto
seus compromissos de lutar e manter o ambiente favorável a uma
educação de qualidade, tanto presencial quanto a distância.
Ao papel do gestor, Oliveira diz:
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O gestor escolar é um dos componentes
importantes no contexto escolar democrático
e participativo, pois articula toda gerência
escolar
para que produza propostas
concretas, e interfere positivamente ou
negativamente
no
funcionamento
administrativo
e
pedagógico,
no
desenvolvimento e progresso, sucesso ou
fracasso da organização que dirige.
(OLIVEIRA, 2010. p.105)
Ainda apropriando-nos de teorias da gestão empresarial,
aponta-se a idéia da urgência de compor uma equipe cogestora nos
polos de educação a distância, como forma de auxiliar e contribuir
com o cumprimento de enorme gama de atribuições que pesa sobre
o coordenador de polo, citando Stewart (1999): “Mais importante
que ter uma estrutura e uma cadeia de comando claramente
definida é ter uma inteligência partilhada, ancorada em fortes redes
relacionais.”
Transpondo este ideal empresarial ao mundo da educação,
Gadotti (2000) comenta que a gestão escolar democrática significa
um processo que rege o funcionamento da escola, compreendendo
a tomada de decisões conjuntas, baseadas nos direitos e deveres de
todos os envolvidos na escola.
Acredita-se que a gestão democrática participativa
proporciona idealizar a gestão de polos na perspectiva de promover
a democracia, a qualidade do ensino, a descentralização do poder
administrativo e o desenvolvimento humano coletivo por meio da
composição de uma equipe cogestora.
Contudo, não podemos deixar de lado a falta de influência do
gestor de polos para a montagem dessa equipe, pois a ele não
compete a seleção da tutoria. Isso acarreta, em primeiro lugar, a
empatia ou não entre a maioria das pessoas envolvidas, bem como
a disponibilidade dos tutores, já que muitos vêm de outros
municípios, limitando bastante seu tempo de ação. Não se pode
deixar de lado, igualmente, a questão da instabilidade do contrato,
em se tratando de cursos de graduação. Salienta-se que nos cursos
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295
de especialização lato sensu, extensão e/ou aperfeiçoamento, o
problema já é bem menor ou quase inexistente, já que são cursos
ofertados com menor duração. Sugere-se uma seleção mais acurada
dos profissionais que atuarão na tutoria presencial, talvez por meio
de concurso para contrato temporário, de forma que, ao mesmo
tempo, haja maior estabilidade do contratado e maior segurança
por parte de quem contrata, em relação às competências e
habilidades dos candidatos.
Permanece, então, o impasse primordial: como envolver a
equipe, “empoderá-la”, num curso a longo prazo, quando só é
possível idealizar e realizar projetos de curtíssimo prazo? Como
pode o gestor de polos dar continuidade a um projeto já em
desenvolvimento, quando pode, a qualquer instante, diminuírem ou
mudarem os membros de sua equipe?
Apesar dessa realidade, ainda assim pode-se ver a crescente
qualidade dos cursos oferecidos em EAD, muitas vezes devida aos
esforços de toda equipe, bem orientada pelo seu coordenador de
Polo.
Esse artigo vem mostrar que, apesar da extensa literatura a
respeito de gestão, no âmbito geral e educacional, ainda há um
longo caminho a percorrer para que a oferta de educação pública a
distância possa, efetivamente, ocorrer com o mínimo de segurança
em busca da qualidade almejada e possível.
Com este trabalho, concluímos que o papel do gestor de
Polos para promover e manter uma equipe cogestora que o auxilie
efetivamente a exercer sua função em uma Gestão Pública
contextualizada em EAD é de fundamental relevância. É essa equipe
cogestora que servirá de esteio, garantindo a execução de um
planejamento democrático das ações do polo em médio prazo, de
forma que, participando desde o momento em que este plano foi
idealizado e gerado, torna-se parte dele. É essa equipe cogestora
que auxiliará o gestor a exercer suas funções com tranquilidade e
transparência, aproximando-o da realidade de cada uma da IES, de
cada curso de graduação, especialização ou aperfeiçoamento,
transformando o polo em um ambiente democrático e acolhedor a
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
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296
todos os atores que dele participam direta e ou indiretamente. É
essa equipe cogestora que “vestirá a camiseta” do polo exercendo,
por meio das diversas atuações individuais inerentes a cada função,
com a doação da melhor parte de si própria, o direito de
desenvolver suas competências, colocando-as a serviço, em prol do
bem comum da instituição. É essa equipe cogestora que vibrará
junto com o gestor a cada conclusão de curso, a cada evento bem
sucedido, a cada passo dado em direção ao reconhecimento da
comunidade. Enfim, é essa equipe cogestora que, aproveitando e
potencializando o conhecimento que cada um traz, saberá usá-la,
orientada e estimulada pelo seu gestor, na mesma direção:
otimizando o ambiente virtual e presencial, transformando-o num
local de produção de saberes por excelência.
O gestor sozinho não pode realizar milagre, nem exigir mais
do que fazem e apresentam seus tutores e funcionários, que
exercem tantas outras atividades paralelas. Contudo, pode oferecer
sua própria sensibilidade, criatividade, dedicação e empenho na
valorização da equipe que tem, aceitando o desafio de desafiá-la a
promover uma educação superior pública de qualidade, à revelia de
tantos obstáculos que se contrapõem cotidianamente.
Apesar dos enfrentamentos apresentados nesse artigo,
pretende-se deixar claro que existem muitas possibilidades para o
bom desenvolvimento de cursos superiores com excelência no
contexto da EAD. Dependendo, sim, dos gestores, de suas equipes e
de um maior entrosamento com as IES, que, por sua vez, não raras
vezes fazem exigências muito além do que é possível realizar em
Polos de municípios pequenos. Faz-se necessária não somente essa
interação entre polo-IES-município, como também o mesmo nível
de exigência a todas as partes.
Com este artigo, pretendeu-se elencar os enfrentamentos
que se apresentam aos gestores de polos, mais especificamente nos
campos das relações interpessoais e da troca de informações.
Também se almejou apresentar algumas possibilidades para
superação dos referidos enfrentamentos, através da formação de
uma equipe cogestora de polos em EAD.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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REDES SOCIAIS EM EDUCAÇÃO:
POSSIBILIDADES NA GESTÃO DE POLOS A DISTÂNCIA
AUTORA:
Lisiane Borges
PROFESSORA ORIENTADORA:
Milena Silvester Quadros
RESUMO
Este artigo tem por objetivo construir um debate conceitual
que possa ser útil para a aproximação dos acadêmicos e da
comunidade com o Polo de Apoio Presencial de Camargo/RS.
Neste estudo, procurou-se entender a gestão de polos e a
importância do gestor neste processo através de uma revisão
literária sobre o tema. Explica-se a diferença de administrador
e gestor, onde este se preocupa também com sua função
social, não apenas questões administrativas. A gestão
democrática e participativa é apresentada como a ideal no
Polo de Apoio Presencial de Camargo/RS da Universidade
Aberta do Brasil – UAB, pois se baseia no princípio da
autonomia, onde todos tem sua parcela de comprometimento
e possibilidade de participação nas decisões. Dentro da
gestão
democrática,
destaca-se
que
o
processo
comunicacional do Polo que deve ser de qualidade para o
sucesso do ensino aprendizagem proposto por esta
instituição. A educação a distância não pode ser uma
educação solitária, simplesmente por existir distância física do
aluno com a Universidade. O Polo de Apoio Presencial tem
este papel de suprir ausência da Universidade para o aluno e,
se a comunicação entre eles falhar, não estará executando
bem seu papel de mediador. Assim, apresentam-se algumas
redes sociais como canais de comunicação para o uso no
Polo, ferramentas de grande conhecimento entre a sociedade
contemporânea que possui inúmeras vantagens, como a
interação, a flexibilidade, economia e agilidade de propagação
da informação.
Palavras-chave: Gestão de Pólos; redes sociais; educação a
distância.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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CONSIDERAÇÕES INICIAIS
A educação a distância, se por um lado democratiza a
educação, facilitando o acesso de tantos que se encontram
geograficamente distantes dos centros educacionais ou que, por
motivos diversos, estão impossibilitados de frequentar um curso
presencial, por outro enfrenta o problema de superar a distância do
aluno com as IFES e com o próprio Polo de Apoio Presencial (PAP),
uma vez que este é o mediador entre aluno e a Instituição de Ensino
que oferta o curso.
Leda Maria R. Fiorentini defende que:
[...] superar a distância ou superar as
limitações que ela impõe são condições
necessárias ao sucesso de qualquer processo
ou sistema educativo; o que exige alterações
no esquema comunicacional decorrentes das
limitações (e às vezes da ausência) impostas à
contigüidade espacial. (2009, p.146).
O gestor de Polos, neste contexto, tem papel fundamental
para encurtar distâncias e aproximar colaboradores e alunos ao
Polo, pois é de sua competência, não só as questões
administrativas, mas, também, e principalmente, a função social.
Em se tratando de gestão, Moran, Masetto e Beherens explicam
que a tendência é caminhar para novas formas de gestão, que
sejam menos centralizadas, isto é, mais flexíveis, integradas:
“Haverá maior participação dos professores, alunos, pais, da
comunidade na organização, no gerenciamento, nas atividades, nos
rumos de cada instituição escolar” (2000, p.55).
Partindo desta realidade, surge esse artigo que tem como
objetivo trazer à discussão um novo paradigma que é a gestão de
polos, pois se trata de uma nova forma de gestão. Assim, realiza-se
um debate conceitual que possa ser útil para a aproximação dos
acadêmicos e da comunidade com o PAP de Camargo/RS. Acreditase que um processo de comunicação bem executado é fundamental
para o sucesso da educação a distância. Também a questão da
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comunicação está diretamente ligada à participação, colaboração e
cooperação, o que vem de encontro aos princípios da gestão
democrática e participativa, que deve predominar em uma
instituição como o PAP. Como objetivos específicos, este estudo
pretende identificar possíveis canais de comunicação para a
divulgação dos assuntos pertinentes ao Polo e, também, debater
sobre o uso de redes sociais como facilitadores no processo de
mediação entre aluno/comunidade e PAP.
Desta forma, o artigo se inicia expondo a questão do gestor
de polos como novo paradigma, onde se estabelece seu conceito,
que diferencia-se de um mero administrador.
Posteriormente, discute-se a gestão democrática e
participativa e seus efeitos na educação a distância e no PAP, na
qual a tecnologia e a internet tem papeis fundamentais . Após, é
caracterizado o PAP de Camargo/RS, suas necessidades em
decorrência da expansão dos cursos e aumento significativo de
usuários. Verifica-se que a questão da comunicação fica prejudicada
e propõe-se a utilização de redes sociais, tendo em vista suas
vantagens e possibilidades de alcance, para melhorar este processo
tão importante para o Polo. Sendo assim, algumas estatísticas são
apresentadas, a fim de justificar o uso de redes sociais.
Finalmente, são apresentadas as redes sociais mais populares
no Brasil, perfil de usuários e outras informações pertinentes.
Destas, destaca-se a criação de um blog para o PAP de Camargo,
apresentando seus principais recursos e utilização no Polo.
1. GESTOR DE POLOS: UM NOVO PARADIGMA
O termo gestor de Polo, usado para designar a função de
Coordenador do Polo, fundamenta-se no fato de que o Polo de
Apoio Presencial – instituição pública – necessita de uma pessoa
que não se limite a administrá-lo com, apenas, atribuições
burocráticas, é preciso outras atribuições que vão além. Segundo
Libaneo, Oliveira e Toschi, a gestão:
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refere-se a todas as atividades de
coordenação e de acompanhamento do
trabalho das pessoas, envolvendo o
cumprimento das atribuições de cada
membro da equipe, a realização do trabalho
em equipe, a manutenção do clima de
trabalho, a avaliação de desempenho” (2008,
p.349).
Francisca R. G. Paris58 explica as diferenças entre um
administrador e um gestor: o primeiro, tem como competência
estabelecer metas e alcançá-las, muitas vezes, negligenciando o
trabalho pedagógico e o acompanhamento de recursos humanos,
uma vez que realizar os múltiplos ofícios administrativos está em
primeiro plano; e este último, é capaz de compreender e participar
da instituição, vislumbrar e projetar ações para resultados futuros,
mas sempre envolvendo todos os sujeitos da instituição. A autora
menciona que o gestor não abre mão de administrar, mas,
possuindo a capacidade de envolvimento com seus colaboradores,
consegue resultados coletivos.
Silva (2009 apud VARGAS; LIMA, 2011) delineia o perfil deste
gestor, onde o mesmo deve se pautar pelo diálogo, respeito às
opiniões de seus pares e “deve estar alicerçado na aglutinação e na
motivação a partir de seu espírito de liderança respeitando a
democracia e a participação” (VARGAS; LIMA, 2011, p.9).
A função social, defendida pelos autores supracitados, como
a opinião social, a divulgação de resultados positivos e, ainda, a
noção dos negativos são responsabilidades do gestor,
demonstrando a coerência e seriedade de um grupo onde há uma
gestão participativa.
De acordo com Aires e Lopes,
58
Disponível em:
<http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=1898>. Acesso em 28
abr. 2011
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os requisitos da educação a distância focada
em processos interativos e participativos [...]
têm se refletido, também, na definição de
opções de organização e gestão de sistemas de
educação a distância ajustadas a essas
perspectivas
pedagógicas
da
oferta
educacional. Tais opções de gestão [...]
emandam adotar um modelo de base
democrática, compartilhada e co-ordenada
(2009, p.243).
A seguir, será tratado este tema, pois se acredita que um PAP
(polo de apoio presencial) deve seguir estes preceitos para garantir
o caráter público e de qualidade.
1.1 Gestão Democrática e Participativa
O conceito de participação, segundo Libâneo, Oliveira e
Toschi (2008) está fundamentado no princípio da autonomia.
“Como a autonomia opõe-se às formas autoritárias de tomada de
decisão, sua realização concreta nas instituições dá-se pela
participação na livre escolha dos objetivos e processos de trabalho e
na construção conjunta do ambiente de trabalho” (p.329).
No que tange a educação a distância, Aires e Lopes (2009)
defendem que:
a perspectiva emergente da educação a
distância supõe um modelo substanciado na
gestão democrática, propiciando o diálogo, a
participação, a troca de experiências e de
saberes,
de
modo
a
favorecer
o
desenvolvimento
da
aprendizagem
colaborativa e da construção coletiva do
conhecimento (2009, p.255)
No Polo de Apoio Presencial a gestão democrática abre
espaço para a participação de profissionais, como gestor, secretária,
tutores presenciais, entre outros; para os alunos (usuários), razão
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da existência do Polo; e, também, para a comunidade regional, os
tornando co-responsáveis pelo êxito do Polo.
Segundo Teperino “para tentar garantir à qualidade de um
curso a distância, é necessário atenção especial ao processo de
comunicação, seja entre professores e alunos, entre os próprios
alunos ou, ainda, entre estes e a equipe de gestão” (2006, p.91).
A internet é uma tecnologia totalmente disponível e muito
útil para auxiliar na gestão democrática, pois favorece a
comunicação e a interação59 entre os sujeitos, mesmo que estes
possam estar geograficamente distantes. De acordo com Aires e
Lopes esta ação comunicativa tem como vantagem “[...] sobretudo,
a manutenção de uma clara relação interativa e dialógica entre os
atores envolvidos” (2009, p.260).
Para contextualizar o assunto, a seguir será apresentado o
Polo de Apoio Presencial de Camargo, suas dificuldades e desafios
para que se possa entender o que será discutido e proposto nos
capítulos a seguir.
2. O POLO DE APOIO PRESENCIAL DE CAMARGO/RS
O PAP da Universidade Aberta do Brasil no município de
Camargo/RS iniciou suas atividades no ano de 2007, com três cursos
a distância, um pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(Tecnólogo em Planejamento e Gestão para o Desenvolvimento
Rural – PLAGEDER) e dois pela Universidade Federal de Pelotas
(Licenciatura em Pedagogia – LPD e Licenciatura em Matemática –
CLMD), com cinqüenta alunos cada turma.
A partir de 2010 o Polo desenvolveu bastante suas atividades
e a expectativa é de que só tenha a aumentar, sendo que
atualmente conta com:
59
Interatividade diz respeito às novas tecnologias que tendem “a contemplar
as disposições da nova recepção. Elas permitem a participação, a intervenção, a
bidirecionalidade e a multiplicidade de conexões. Elas ampliam a sensorialidade e
rompem com a linearidade e com a separação emissão/recepção” (SILVA, 2002,
p.13).
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
Duas turmas de PLAGEDER 2007 e 2010 pela Universidade
Federal do Rio Grande do Sul;
 Duas turmas de CLMD 2007 e 2010 pela Universidade
Federal de Pelotas;
 Duas turmas de LPD 2007 e 2010 pela Universidade Federal
de Pelotas;
 Uma turma de Espanhol 2010 pela Universidade Federal de
Pelotas;
 Uma turma de Educação do Campo 2010 pela Universidade
Federal de Pelotas;
 Uma turma de Especialização em Gestão de Polos a
Distância 2009 pela Universidade Federal de Pelotas;
 Uma turma de Especialização em Mídias na Educação 2011
pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense;
 Uma turma de Extensão em Mediadores de Leitura na
Bibliodiversidade 2011 pela Universidade Federal do Rio
Grande do Sul;
 Uma turma de Aperfeiçoamento em Educação para as
Relações Étnico-Raciais 2011 pela Universidade Federal de
Pelotas.
De fato, foi um grande avanço para o Polo que demandou
maiores investimentos no mesmo, como ampliação da estrutura
física. No início de 2010 foi cedido pela Prefeitura Municipal de
Camargo espaço exclusivo para o Polo – antes o espaço era
compartilhado com a Escola Estadual Pandiá Calógeras – mas, no
início de 2011 ampliou-se ainda mais, disponibilizando nova sala de
tutores (uma vez que o número deles aumentou significativamente)
e uma sala de aula.
O processo de comunicação do Polo com alunos e com a
comunidade regional se dá, basicamente, através de e-mail e
telefone. Para a divulgação de processo seletivo, há uma lista de
contatos em um livro no Polo, no qual são anotados telefone e email dos interessados nos cursos. Muitas vezes ocorre de, passado
um certo tempo depois do primeiro contato, o número de telefone
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da pessoa mudou ou o e-mail não está mais sendo utilizado,
prejudicando a divulgação dos cursos aos interessados.
Também há uma rádio local onde em período de processo
seletivo os mesmos são divulgados. Porém, a rádio comunitária não
tem poder de alcance nas mais variadas cidades da região, tendo
audiência basicamente em Camargo.
Desta forma, verificou-se durante este tempo que os
processos seletivos bem como outras atividades do Polo que
merecem destaques não são efetivamente divulgados, pois não são
raros os comentários de interessados que só não se inscreveram por
não estarem informados desta possibilidade.
Quanto à comunicação com os alunos, esta também não é
efetiva, uma vez que os alunos pouco vêm ao Polo de Apoio
Presencial – em alguns cursos eles tem a obrigatoriedade de aulas
presenciais uma vez por semana, em outros não há esta
obrigatoriedade. Entende-se que isto beneficia os estudantes que
podem acompanhar as aulas, bem como manter comunicação com
professores no ambiente confortável de seus lares. Entretanto, a
questão da aproximação e comunicação entre colegas e para com o
Polo de Apoio Presencial fica prejudicada.
Sendo assim, preocupou-se em pesquisar meios de, se não
solucionar por completo o problema de comunicação no Polo, pelo
menos melhorar este processo tão importante para o
desenvolvimento do mesmo.
3. REDES SOCIAIS: POSSIBILIDADES
DEMOCRÁTICA NO PAP DE CAMARGO/RS
DE
GESTÃO
A
comunicação
contemporânea
trouxe
grandes
transformações na estrutura comunicacional e trouxe consigo novos
conceitos e significações. Destes conceitos, pode-se destacar a
cibercultura, “conjunto imbricado de técnicas, práticas, atitudes,
modos de pensamento e valores” (SILVA, 2006, p.11) e ciberespaço
caracterizado como “novo espaço de comunicação, de
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sociabilidade, de organização, de informação, de conhecimento e de
educação” (ibidem).
De acordo com Silva “cada vez se produz mais informações
online socialmente partilhada, é cada vez maior o número de
pessoas cujo trabalho é informar online, cada vez mais pessoas
dependem da informação online para trabalhar e viver” (2006,
p.11).
O Polo de Apoio Presencial não pode ser uma instituição
alienada aos avanços tecnológicos, porque isso é impedir a própria
evolução da educação. A sociedade como umtodo vive o momento
do que Silva (2002) chama de configuração das comunicações
humanas em toda sua amplitude e nesta sociedade se incluem os
alunos do Polo, os tutores, professores e a comunidade em geral.
Desta forma, entende-se que para superar distâncias e facilitar a
comunicação dialógica é válido fazer uso de recursos tecnológicos
que permitam tais desafios, como é o caso das redes sociais.
Uma rede social é definida como “um conjunto de dois
elementos: atores (pessoas, instituições ou grupos; os nós da rede)
e suas conexões (interações ou laços sociais)” (WASSERMAN e
FAUST, 1994; DEGENNE e FORSE, 1999 apud RECUERO, 2009, p.24).
É característica das redes sociais a facilidade na comunicação,
devido principalmente ao seucaráter ágil, econômico e interativo
para realizar as trocas de informação.
A interatividade, inclusive, é a principal característica que faz
as redes sociais terem um caráter democrático e participativo,
questões de estudo para a gestão do PAP de Camargo.
Na interatividade da comunicação, os indivíduos passam de
mero expectador passivo para agente ativo, isto é, mantém uma
relação de troca de informações, participando e cooperando com os
assuntos importantes do Polo.
O processo de comunicação numa instituição como o Polo
que tem como objetivo representar a universidade que está
distante, deve ser eficiente para evitar que os alunos se sintam
isolados, por isso é importante que o Polo ofereça diversos canais
de comunicação, não somente os tradicionais telefone e e-mail.
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Considerando que a Internet hoje é uma realidade crescentes nas
mais distintas populações e que igualmente cresce o uso de redes
sociais (veja no item a seguir), acredita-se que seu uso para melhor
a comunicação entre Polo e alunos e comunidade, seja um meio
eficaz para melhorar este processo.
3.1 Estatísticas
Com intuito de fundamentar a posição favorável sobre o uso
de redes sociais em educação, apresenta-se a seguir alguns dados
resultantes de pesquisas, realizada nos últimos anos que vem de
encontro a este assunto.
Quanto ao acesso à internet, estima-se que 24 milhões de
brasileiros tiveram acesso em seus lares em Julho de 2008 e que a
média de conexão dos brasileiros seja de 24 horas e 54 minutos por
internauta durante o mesmo período (ABREU e TELES, 2009).
No que diz respeitos às redes sociais, mais de 80% dos
internautas tem perfis em alguma rede social (MANSUR; FERRARI;
GUIMARÃES, 2010) e, se tratando de universitários, nos Estados
Unidos 90% deles participam de redes sociais (SANTANA, 2007).
No Brasil, os internautas passam, em média, cinco horas por
mês em redes sociais, contra duas horas da média mundial (ABREU
e TELES, 2009), isto é, um número bem expressivo. Outro dado
interessante, que vem da Insights Consulting é que uma em cada
sete pessoas no planeta freqüenta as redes sociais da internet
(MANSUR; FERRARI; GUIMARÃES, 2010).
A média de amigos virtuais no mundo é de 195 pessoas por
usuário, no Brasil é de 365, o que faz do Brasil o país mais sociável
do mundo (MANSUR; FERRARI; GUIMARÃES, 2010).
Ainda a mesma pesquisa estimou que 72% do total de
usuários do Orkut e 76% do total de usuários do Messenger são
brasileiros (MANSUR; FERRARI; GUIMARÃES, 2010).
E por fim de acordo com a pesquisadora Raquel Recuero, uma
informação muito importante: “a participação em redes sociais é
igual em todas as classes sociais. Jovens das classes C e D usam lan
houses para entrar no Orkut da sua turma ou do seu bairro. Seu
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primeiro contato com a internet hoje é pelas redes sociais”
(MANSUR; FERRARI; GUIMARÃES, 2010, p.88).
3.2 Redes sociais mais populares: possibilidades de utilização no
PAP de Camargo
A seguir será apresentado o ranking das redes sociais no
Brasil, dados de uma pesquisa realizada pelo Ibope NetRatings,
publicada na Revista Época (MANSUR; FERRARI; GUIMARÃES, 2010)
onde estabelece o número de usuários que cada rede possui, entre
outras informações. Também será indicada a audiência destas
redes, através do site Alexa.com que atualiza diariamente
informações dos sites mais acessados.
3.2.1 Primeiro Lugar
É um comunicador instantâneo da Microsoft que, segundo o
Ibope NetRatings, no Brasil, “reina absoluto”, crescendo ao mesmo
passo que a internet. Ficou em primeiro lugar, tendo 27,4 milhões
de adeptos no Brasil e foi percebido ser mais usado por jovens e
adolescentes, de qualquer sexo e classe social, inclusive no trabalho
(MANSUR; FERRARI; GUIMARÃES, 2010).
No Alexa.com não há como analisar o comunicador
Messenger, uma vez que para acessar o comunicador, não há
necessidade de acessar o site e, sim, o programa instalado na
máquina do usuário. O site do Windows Live aparece em 7º no
ranking, mas neste site é possível acessar vários serviços da
Microsoft e não é o método mais usado para o acesso ao
comunicador instantâneo.
O PAP possui endereço de MSN60 por conseqüência de ter
endereço eletrônico do provedor Hotmail, mas o MSN não é tão
60
Usa-se comumente a expressão MSN para designar o Messenger, mas na
verdade a sigla significa Microsoft Service Network que “é um departamento da
Microsoft (a mesma que criou o Windows) para serviços da Internet”. Fonte:
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utilizado. Seria interessante esta prática, com contatos de alunos,
com profissionais da IPE que oferece o curso, entre outros. A
comunicação é instantânea e sem custos. Também é possível
divulgar pequenas notícias no espaço reservado para frase pessoal.
3.2.2 Segundo lugar
É um site de relacionamentos, onde se pode ter uma rede de
amigos e compartilhar gostos e pensamentos através das
comunidades. Segundo o Ibope NetRatings, tem 26 milhões de
usuários no Brasil, assim como o Messenger, continua em ascensão
e é mais utilizado entre jovens e adolescentes, de qualquer sexo e
classe social (MANSUR; FERRARI;GUIMARÃES, 2010).
Segundo o Alexa.com, a popularidade do Orkut não é tão alta,
pois está na 11º posição no que tange ao número de acessos.
Seu uso no PAP em Camargo seria interessante para que os
alunos e tutores criassem comunidades sobre suas turmas:
comunidade da turma de Pedagogia, comunidade da turma de
Matemática, do Plageder, e assim por diante. Assim, surgem duas
possibilidades: existência de diálogo, socialização dos membros da
comunidade/turma com tópicos de discussões relativos ao curso e
divulgação de suas atividades e do curso para uma infinidade de
pessoas, nas mais diferentes cidades, através da rede.
Entretanto, o site do Orkut atualmente está bloqueado para
acesso. O bloqueio veio da parte da Prefeitura Municipal –
mantenedora do Polo e a internet está ao seu encargo. A Prefeitura
bloqueou o acesso para seus funcionários, mas como o Polo recebe
o mesmo sinal, acabou sendo atingido pelo bloqueio. Entende-se a
preocupação da Prefeitura em pensar na produtividade de seus
<http://conectawebjrl.blogspot.com/2011/03/significado-das-palavras-google-emsn.html>..Acesso em 04 maio 2010.
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colaboradores, pois muitas vezes as redes sociais causam dispersões
no trabalho, mas ao mesmo tempo, não se pode negar que para o
PAP seria uma grande ajuda na divulgação de seu trabalho pelo seu
poder de abrangência.
3.2.3 Terceiro lugar:
O Youtube é um site de hospedagem de vídeos. Mais da
metade dos vídeos vistos na internet é deste site. É mais acessado
por jovens e adolescentes e tem um crescimento maior que a
própria internet. De acordo com a NetRatings, são 20 milhões de
usuários brasileiros que correspondem a 60% do total de usuários.
Estima-se que 75% dos jovens online acessaram o Youtube pelo
menos uma vez no último mês (MANSUR; FERRARI;GUIMARÃES,
2010).
Quanto à audiência, o Youtube também garantiu o 3º lugar
no ranking do Alexa.com. O Youtube também teria espaço no PAP,
pois poderia ser um canal de divulgação de atividades, quando
postados vídeos na rede. Outra função é que muito material
interessante pode ser obtido através dele para ser usado em sala de
aula ou em apresentações.
O site Youtube também esteve bloqueado para acesso com o
sinal da internet da Prefeitura, porém, a partir da necessidade de
alguns cursos do Polo em Camargo, os quais necessitavam o uso de
várias tecnologias como vídeos, foi preciso liberar o acesso.
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3.2.4 Quarto lugar:
O Twitter é uma ferramenta de troca de mensagens curtas
(140 caracteres cada mensagem), que pode ser usado para
substituir o SMS do celular. Dados do Ibope NetRatings dão conta
de que os brasileiros são 27% do total de usuários, contabilizando
9,8 milhões de pessoas. É utilizado pelos mais diferentes perfis:
jovens, executivos, pessoas da área de comunicação e marketing.
Quanto a sua audiência, o Alexa.com aponta o Twitter em 14ª
posição. Na verdade não faz muito tempo que o Twitter ganhou
popularidade no Brasil, portanto, é uma ferramenta relativamente
nova, mas em expansão.
Diferentemente de outras redes, o site do Twitter não está
bloqueado para acesso dos funcionários da Prefeitura, isso dá a
entender que não seja uma ferramenta habitualmente usada por
este grupo.
Ainda assim, no PAP o Twitter funcionaria como um canal de
divulgação de notícias do Polo, onde rapidamente os “seguidores”
teriam acesso a informações como por exemplo editais de seleção
para alunos e tutores, calendário acadêmico dos cursos, avisos
gerais, entre outros.
3.2.5 Quinto lugar:
Site de relacionamentos como o Orkut, o Facebook é
considerada a maior rede social do mundo. Dados do Ibope
NetRatings, são 9,6 milhões de usuários brasileiros, com um perfil
um pouco diferenciado, são jovens de classes mais altas, com curso
superior. O Facebook também é uma rede em grande ascensão, no
Brasil em um ano dobrou de tamanho (MANSUR; FERRARI;
GUIMARÃES, 2010).
O Alexa.com apresenta o Facebook, porém, com maior
audiência que o Orkut, ocupando o 4º lugar no número de acessos.
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Da mesma forma que o Orkut, o site do Facebook foi
bloqueado pela Prefeitura. Marco Silva é contra esta atitude, onde
um espaço educacional possua mais proibições que possibilidades:
Qual é a mensagem que o aluno entende de
tudo isso? Que as tecnologias vieram para
dar-lhes mais espaços de criação? Ou vemos
uma mera extensão dos mecanismos
tradicionais de vigilância e punição da escola?
E, afinal, há estudos que falam dos benefícios
pedagógicos de filtrar a rede [...]? (2006,
p.27).
A utilização do Facebook no Polo seria válida pelas suas
características de socialização e, também, por ser uma rede
promissora, já que sua audiência atualmente é alta e aumentando
significativamente seus usuários. Desta forma, criar um perfil do
PAP de Camargo e estar conectados diretamente aos usuários e
comunidade, atualizando as postagens seria de grande ajuda na
divulgação do Polo.
3.3 Blog: um canal de comunicação interativa no PAP
Outra alternativa, seguindo a linha das redes sociais, é o blog.
De acordo com Silva (2006), são interfaces digitais socializadas ao
mundo e funcionam da seguinte maneira
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314
Através dos blogs os sujeitos podem editar e
atualizar
mensagens
no
formato
hipertextual61. Além de disponibilizar textos,
imagens, sons a qualquer tempo e espaço é
possível interagir com outros sujeitos, pois o
formato blog permite que outros usuários
possam intervir no conteúdo veiculado pelo
autor do blog, que se pluraliza, compondo
assim uma comunidade virtual (p.230).
Pode-se dizer que, com estas características, o blog é um
recurso interessante para utilização no PAP de Camargo, pela fácil
atualização, pelo atrativo que exercem sob os jovens e,
principalmente, pela participação de terceiros, o que caracteriza o
caráter democrático desta ferramenta, e também do tipo de gestão
que se entende como a que deve ser implantada no Polo: a gestão
democrática e participativa.
Neste sentido, as possibilidades de recursos do blog são
inúmeras para o Polo de Camargo: divulgação de edital de seleção
(alunos e tutores), abrangendo um grande número de pessoas
interessadas, isto é, só não ficará sabendo da disponibilidade de
inscrição, quem não acessar o blog. Para os alunos, o calendário
acadêmico também será divulgado, de acordo com cada curso. É
possível realizar uma pesquisa no blog, através do elemento
“enquete”, onde os usuários do Polo e comunidade poderão
participar com sua opinião.
Se uma mensagem postada não ficou clara e objetiva para
quem ler e surgir comentários de dúvidas, esta mensagem
prontamente poderá ser editada.
A organização do blog é fundamental para os
assuntos não ficarem aglomerados.
61
Recurso que permite uma “leitura (exploração ou navegação) não-linear
baseada em indexações, conexões entre idéias e conceitos articulados por meio de
links (nós e ligações). Dessa forma, ao clicar sobre uma palavra,imagem, frase ou
outro objeto definido como nó de um hipertexto, encontra-se uma nova situação, um
novo evento ou outros textos relacionados” (SILVA, 2006, p.207).
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Sugere-se que sejam criadas categorias de acordo com os
cursos, assim, quem está interessado em um determinado curso,
clica naquela categoria para acessar as informações que procura.
A criação do blog também é um diferencial, uma vez que não
é preciso ter conhecimentos aprofundados sobre tecnologia e
construção de sites, nem é preciso arcar com despesas financeiras
de servidor, para hospedar o endereço da página.
É possível obter informação de onde vêm os acessos ao blog,
através de um recurso adicionado à página que permite este
rastreamento. Podem-se saber quantos usuários estão on-line, o
total de visitantes do blog e de qual país, estado e cidade vem este
acesso.
A divulgação do blog poderá ser feita através de e-mail. Na
assinatura pessoal dos colaboradores do Polo (gestor, secretária,
tutores) é possível escrever o nome de quem está assinando o email e abaixo informações do Polo como número de telefone, email, MSN e endereço da página do Polo, ou seja, do blog. Assim,
para cada e-mail enviado, sempre aparecerá esta assinatura abaixo
da mensagem, onde quem for ler poderá se interessar em visitar a
página. Sabendo da existência deste canal de informações,
certamente voltará a consultar periodicamente.
Pelo exposto acima, pode-se considerar que o blog, entre
outras redes sociais, é um ótimo canal de comunicação entre Polo e
usuários e que seus recursos muito contribuem para a gestão
democrática e participativa no Polo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A internet, tendo em vista o exposto, favorece a
comunicação, bem como a construção colaborativa. No Polo de
Apoio Presencial, cria possibilidades de comunicação entre as
universidades, Polo e estudantes e é uma ferramenta a serviço do
gestor de polos, a qual permite criar um ambiente de trabalho com
base na gestão democrática e participativa.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
316
Neste sentido, o gestor de polos precisa estar mais próximo
da comunidade escolar do Polo, conhecê-los bem porque se
trabalha em função deles, socializar-se e manter uma comunicação
afetiva e ativa com esta comunidade.
O gestor, portanto, de que necessita o Polo é muito bem
explicado por Paris: “precisamos de gestores imbuídos de realizar o
sonho possível: a construção de uma escola ‘instituinte’, mais
próxima da vida e do tempo presente, que incorpore como autores
os sujeitos que a fazem acontecer”62
Assim, neste artigo, procurou-se criar possibilidades de
comunicação, fundamentados no princípio da democracia, para
aprimorar o processo comunicacional que se dá no Polo para com a
comunidade escolar (tutores, alunos e comunidade). Apresentaramse, então, redes sociais que poderiam ser aliadas na busca deste
aprimoramento.
A partir dos estudos acerca das possíveis redes sociais que o
Polo poderia fazer uso, percebeu-se que a proposta é válida, uma
vez que independe de gastos, a comunicação é instantânea e, ainda,
possibilita a interação entre os envolvidos. Desta forma, acredita-se
que os objetivos propostos para este estudo foram atingidos.
Espera-se que este estudo possibilite executar ações no PAP
de Camargo/RS que visem aprimorar o processo de comunicação no
mesmo, utilizando as redes sociais como mediadoras.
REFERÊNCIAS
ABREU, M. R.; TELES, L. F. Tecnologias Interativas na Aprendizagem em
redes sociais on-line, na ciberarte, na cidadania. In: Educação Superior a
Distância, Brasília: UnB, 2009.
62
Disponível em:
<http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=1898>. Acesso em 28
abr. 2011.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
317
AIRES, C. J.; LOPES, R. G. F. Gestão na educação a distância. In: Educação
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Brasília: UnB, 2009.
LIBÂNEO, J. C.; OLIVEIRA, J. F.; TOSCHI, M. S. Educação Escolar: políticas,
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MORAN, J. M.; MASETTO, M. T.; BEHERENS, M. A. Novas tecnologias e
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PARIS, F. R. G. Gerência escolar: diretor, administrador ou gestor?.
Disponível
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<http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=1898>.
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RECUERO, R. Redes Sociais na Internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.
SANTANA, C. L. Redes Sociais na Internet: potencializando interações
sociais.
Hipertextus,
v.
1,
2007.
Disponível
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<http://www.hipertextus.net/volume1/ensaio-05-camila.pdf.>. Acesso em:
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SILVA, M. Sala de aula interativa. 3 ed. Rio de Janeiro: Quartet, 2002.
_____ (Org.). Educação online: teorias, práticas, legislação e formação
corporativa. 2 ed. São Paulo: Loyola, 2006.
TEPERINO, A. S. et al. Educação a distância em organizações públicas:
mesa redonda de pesquisa-ação. Brasília: ENAP, 2006.
VARGAS, J. E. N.; LIMA, R. S. Função Social do Gestor de Polos. Apostila do
curso de Especialização em Gestão de Polos da UAB/UFPel, Pelotas, 2010.
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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POLO UAB: CONCEPÇÕES, COMPETÊNCIAS E AÇÕES PARA
UMA GESTÃO DE QUALIDADE
AUTORA:
Sandra Máxima Santos dos Santos
PROFESSORA ORIENTADORA:
Rosimeire Simões de Lima
RESUMO
Este artigo constitui uma análise das competências de gestão,
explicitando concepções, responsabilidades e ações
pertinentes a cada segmento envolvido nas parcerias em prol
da organização e construção da identidade físico-estrutural de
um polo de apoio presencial dentro do Sistema Universidade
Aberta do Brasil – UAB.
São diversos os fatores,
comentários, experiências e apontamentos apresentados com
a finalidade de prestar maior clareza sobre as várias funções
do mantenedor, do gestor e das demais instituições parceiras
da UAB. Todas as decisões devem convergir em ações que
atendam o que preconiza o Ministério da Educação em prol
de uma gestão democrática e participativa, atingindo os
objetivos propostos pelo sistema, ou seja, assegurar o êxito
dos cursos na modalidade a distância em todo o território
nacional. O presente artigo constitui-se, basicamente, no
resultado de um trabalho de pesquisa bibliográfica e do relato
de uma experiência, este como uma ilustração à análise e
informações inseridas ao longo do texto. O propósito da
escrita apresenta-se com os seguintes objetivos específicos:
analisar a questão social do programa UAB, preconizando o
respeito aos critérios pré-estabelecidos pelo Ministério da
Educação com vistas ao atendimento das demandas; apontar
os papéis de cada protagonista e/ou coadjuvante dentro da
implantação e da gestão democrática de um polo educacional;
descrever competências de cada segmento envolvido nas
parcerias; apresentar a trajetória de um polo de apoio
presencial EaD /UAB que, apesar das inúmeras dificuldades,
conseguiu instalar-se numa pequena comunidade, cumprindo
com o seu papel social e cultural. Com isso, pontua-se
questões relacionadas ao possível crescimento intelectual de
cidades interioranas do país, através da implantação e boa
gestão de polos de apoio presencial.
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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Palavras-chaves: competências; gestão; polo; educação a
distância.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Drucker (1998) nos diz que toda a informação que provoca a
mudança no indivíduo é conhecimento. Para Nonaka e Takeuchi
(1997), o conhecimento apresenta-se como “a crença verdadeira
justificada”. Analisando-se esses pensamentos acerca do
conhecimento, entende-se que ele é intrínseco ao indivíduo; a
informação resulta em um aspecto do conhecimento capaz de
transformar o pensamento de uma ou mais pessoas.
O acentuado e rápido crescimento da economia mundial,
paralelamente ao avanço tecnológico e a automação das empresas,
exigiu várias transformações no mundo do trabalho e, como não
poderia deixar de ser, na educação.
Nesta última década, mudanças significativas na área do
ensino estão ocorrendo em muitos municípios brasileiros. A
modalidade a distância vem sendo reintroduzida no cenário
educacional de pequenas cidades, fazendo com que um novo
modelo venha estabelecer novas relações e desafios sociais. A
educação começa a ter expressivo valor na vida dos indivíduos; é a
sociedade da informação estabelecida em rede, que privilegia o
conhecimento e não apenas a sociedade centrada no trabalho,
como acontecia no passado.
Diante do cenário que ora temos, urge uma educação
permanente, que possibilite aos indivíduos a continuidade dos
estudos e o acesso à informação constante como forma de
melhorar a qualidade de vida, quer de ordem pessoal, quer
profissional... Através do nível de conhecimento demonstrado pela
população reconhece-se o desenvolvimento econômico e social de
uma nação. Necessita-se capacitar os indivíduos a fim de
oportunizar a ascensão de um país mais justo e em igualdade de
condições para todos. Porém, precisa-se que tenhamos clareza de
objetivos, levando em conta que tipo de inclusão educacional
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
320
necessitamos e que tipo de políticas públicas deverão ser
consideradas e levadas adiante, de forma a privilegiar a expansão
qualificada do ensino que propicie a formação de um cidadão capaz
de refletir criticamente o presente e que, ao mesmo tempo, tenha
sensibilidade suficiente para comprometer-se com a transformação
social que tanto se quer.
Políticas Públicas superficiais que dão apenas
um retoque mais renovado à cara da
educação no país já não resolve. De agora em
diante, uma transformação profunda pede a
implantação de políticas de educação
coerentes com a transformação de toda a
sociedade (Pretto, 2001).
Viemos de uma sociedade repleta de diferenças e
desigualdades sociais, porém, através do uso das ferramentas
tecnológicas, vislumbramos uma oportunidade do acesso à
educação através do encurtamento das distâncias, possibilitando a
qualificação dos cidadãos antes excluídos e com grandes
dificuldades em todos os sentidos. Hoje, essa parcela da população
tem a oportunidade de ser parte integrante de uma sociedade mais
igual, mais justa. Eis que um novo conceito de conhecimento surge
através da apropriação das mídias e Tics, agregando contribuições
significativas no contínuo aprimoramento do processo educacional
do país.
Numa sociedade em mudança acelerada, além
da competência intelectual, do saber
específico, é importante termos muitas
pessoas que nos sinalizem com possibilidades
concretas de compreensão do mundo, de
aprendizagem experimentada de novos
caminhos, de testemunhos vivos -embora
imperfeitos das nossas imensas possibilidades
de crescimento em todos os campos.(MORAN,
2007.).
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
321
Ao longo dos anos, muitas foram as propostas em prol da
capacitação de jovens e adultos brasileiros, colocando-os como
cidadãos capazes e inseridos em ambientes sociais, culturais e de
trabalho, independentemente de sua condição sociocultural.
Dentro desta linha de raciocínio, e da concepção de que o
ensino a distância continua sendo uma estratégia na área da
educação, explica-se a grande aceitação do programa Universidade
Aberta do Brasil - uma política pública séria que, ampliada e
reformulada, pode ser uma solução social bastante significativa para
o futuro (muito próximo) da nação brasileira.
Pensar que a esperança sozinha transforma o
mundo e atuar movido por ta ingenuidade é
um modo excelente de tombar na
desesperança, no pessimismo, no fatalismo.
Mas, prescindir da esperança na luta para
melhorar o mundo, como se a luta se pudesse
reduzir a atos calculados apenas, à pura
cientificidade, é frívola ilusão. Prescindir da
esperança que se funda também na verdade
como na qualidade ética da luta é negar a ela
um dos seus suportes fundamentais. O
essencial como digo mais adiante no corpo
desta Pedagogia da esperança, é que ela,
enquanto necessidade ontológica, precisa de
ancorarse na prática. Enquanto necessidade
ontológica a
esperança
precisa da
prática.(FREIRE, Paulo. Pedagogia da
Esperança, Paz e Terra, 1992).
Com a elaboração deste artigo, busca-se abordar e explicitar
concepções, competências e ações dos envolvidos nas parcerias
para a organização de um polo de apoio presencial dentro do
Sistema UAB, como forma de assegurar o êxito das atividades dos
cursos da modalidade a distância. Faz-se necessário apresentar os
diversos fatores estruturais e de organização pertinentes a cada um
dos responsáveis pelo funcionamento eficaz do polo. É necessário
esclarecer a seguinte questão: “Que competências correspondem
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
322
ao MEC, às instituições de ensino superior parceiras, ao mantenedor
e ao coordenador para que o polo venha a cumprir com o seu papel
na comunidade e/ou região onde está inserido?”
Uma maior aproximação da realidade é favorecida através da
apresentação do relato de experiência narrado na próxima seção,
descortinando a realidade vivida dentro de uma pequena
comunidade do interior brasileiro, preconizando a qualidade da
modalidade EaD de acordo com as diretrizes apontadas pelo
Ministério da Educação em prol de uma gestão democrática e
participativa que atinja os objetivos propostos pelo Sistema UAB.
Este texto foi produzido e resultante do manuseio de várias
fontes de informação como livros, artigos e materiais
disponibilizados pela internet. Desde as informações colhidas na
página virtual do MEC, passeando muitas vezes pelos pensamentos
de DUBEUX, KENSKI, SARAIVA, HADDAD, MOTTA, CHAVES, e outros
tantos, buscou-se colher informações e opiniões a respeito do tema
em questão, registrando aspectos já publicados, associando-os e
comparando-os à realidade. É parte integrante do presente texto,
um relato de experiência, fazendo uma análise descritiva, crítica e
reflexiva acerca da problemática apresentada inicialmente. Através
desta produção escrita de forma lógica, ordenada e conclusiva, o
presente artigo é o resultado final de mais uma etapa de
aprendizagem, através da aquisição de novos saberes e trocas de
conhecimento acerca da gestão de um polo de apoio presencial da
modalidade a distância, dentro do sistema Universidade Aberta do
Brasil – UAB.
1. O COMEÇO DE UM SONHO - UMA EXPERIÊNCIA VIVIDA
A Universidade Aberta do Brasil surgiu na minha vida, assim
como na minha comunidade, Quaraí/RS63, muito de repente... sem
nunca dantes ter pensado em tamanha realização pessoal. Um dia,
63
Cidade do interior do Rio Grande do Sul, distante 600 da Capital, Porto
Alegre; 3.148 km²; 136 anos de existência; 23.021 habitantes; Bioma Pampa - Censo
2010, in http://www.ibge.gov.br
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
323
lá no ano de 2006, batem à porta de casa... era o Secretário de
Educação Municipal. A visita tinha o objetivo de convidar-me a
participar de um processo seletivo para a função de coordenadora
de um polo EAD que estava sendo implantado na cidade. Após os
esclarecimentos iniciais apresentados por ele, fui logo agradecendo
o convite, dizendo que não estaria à altura de tamanha
responsabilidade. Mas, com muita perspicácia, ele conseguiu me
convencer a participar de uma reunião com o Prefeito.
[...] Durante a semana que antecedeu a reunião com o
prefeito, procurando saber o que era um Polo de apoio presencial,
descobri que os municípios, com a ajuda da União, eram
responsáveis pela estrutura física desse local bem como de sua
manutenção.
Após a leitura de vários artigos sobre a EaD notei também
que as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), buscavam se
estabelecer nas comunidades mais longínquas com grandes
carências, sendo portanto, um solo fértil para implantar o programa
do governo federal que visava levar o Ensino Superior com
qualidade às regiões menos desenvolvidas do país.
No dia e hora marcados, lá estava eu em reunião com o
Exmo. Sr. Prefeito e o Sr. Secretário de Educação do município.
Iniciada a reunião, aos poucos, fomos tomando conhecimento
sobre as leis e decretos norteadores do Sistema UAB com a
finalidade de dar início aos trabalhos de implantação do Polo de
Apoio Presencial de nossa cidade.
Nessa ocasião, ficamos sabendo um pouco mais sobre o que
se tratava; o MEC já lançara o primeiro edital, convidando os
gestores municipais a cadastrarem seus municípios e enviarem seus
projetos de criação e implantação dos polos de apoio presencial. O
governo municipal, incentivado pelos vereadores do Partido dos
Trabalhadores, seus aliados políticos, já aceitara a proposta e
acabara de receber o convite para a assinatura da parceria com o
Ministério da Educação que criava o Polo de Apoio Presencial para
EaD do município.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
324
O polo seria como “um braço operacional” das IFES, onde
deveriam acontecer algumas das atividades acadêmicas presenciais;
seria necessária a escolha de uma professora para coordenar todo o
processo. O Secretário explica que deveriam preparar seus
currículos para serem enviados ao MEC. Confidenciei com ele que
eu precisaria estudar muito acerca da EaD, pois eu, uma professora
com experiência de 30 (trinta) anos com ensino presencial, jamais
havia imaginado que algum dia poderia vir a me envolver com esta
renovada forma de ensino-aprendizagem. Três meses após esta
reunião, para minha surpresa, recebi em minha residência a
informação de que meu currículo havia sido selecionado e que
passaria a coordenar o Polo de Apoio Presencial para EaD do
município.
Para o início, o projeto do município foi implementado
utilizando o mesmo espaço físico de uma escola onde um
laboratório de informática já estava montado e teriam que ocupar
as mesmas dependências administrativas do educandário que era
de ensino fundamental. Mas isso, naquele momento, não era
problema, diante da grandiosidade e da natureza do projeto que ali
viria a ser implantado.
Mais do que nunca, pus-me a buscar informações sobre a
modalidade a distância. Como sempre fora uma pessoa que pensava
à frente, à medida que lia, mais me embrenhava no mundo
fantástico do conhecimento sobre EaD. Moore e Moran foram os
autores que mais me chamaram a atenção pela forma clara,
objetiva e integrada com que colocavam as vantagens do ensino; os
livros haviam-me sido entregues no I Encontro de Coordenadores
de Polo realizado em Brasília.
2. CONHECENDO O PROGRAMA UAB
Ah... Brasília! Quanta felicidade em poder conhecer!!
Confesso que nunca havia viajado assim tão longe e, naquele
momento da vida, surgia a oportunidade de conhecer a capital
brasileira, participando do I Seminário de Coordenadores de Polos
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
325
de Apoio Presencial do Sistema Universidade Aberta do Brasil.
Algumas das maiores autoridades da educação brasileira da época
estavam presentes, a saber: o Ministro da Educação, Sr. Fernando
Hadad; Sr. Secretário da SEED, Sr. Ronaldo Mota; Presidente da
CAPES, Sr. Jorge Guimarães; Diretor do DEPEAD, Sr. Hélio Chaves. O
objetivo do encontro fora promover o desenvolvimento do ensino a
distância e presencial. Através de metodologias educacionais
inovadoras. Na ocasião, várias novidades e um leque de
informações e orientações foram apresentadas aos coordenadores;
papel articulador do coordenador de polo, a forma de trabalho, de
organização dos espaços físicos nos municípios, as parcerias a serem
conquistadas, os cursos, ações futuras, enfim...muitas
responsabilidades e quase tudo a ser feito... Mas o que mais me
empolgava era ganhar a possibilidade de poder, de certa forma,
auxiliar àquelas pessoas que não tinham condições financeiras para
ingressar em uma universidade. Entendi que, a partir do
desenvolvimento daquela política pública, poderiam fazer isso sem
precisar deixar sua cidade, sua família, seu emprego. Naquele
momento, percebi estar engajada em um projeto de cunho social
disponibilizado à sociedade brasileira com o firme propósito de abrir
as portas das universidades federais, oferecendo ensino público,
gratuito e de qualidade a todos. De acordo com a proposta, ao invés
de criar novas instituições de ensino superior, o MEC investiria no
potencial das já existentes que organizariam seus projetos levando
os cursos de nível superior aos pequenos municípios que ainda não
tinham acesso, utilizando o poder das novas tecnologias de
informação (Tics). Mesmo com todo encantamento, as inúmeras
noites de insônia fizeram-me pensar e refletir, ao mesmo tempo em
que tentava afastar o medo de não conseguir trabalhar e
desempenhar a função à altura do compromisso assumido, afinal,
tudo era novo para todos; não se tinha muita clareza sobre o que se
tratava; era preciso estudar, ler, trocar ideias... Várias reuniões se
sucederam e contatos foram mantidos, até o município receber a
visita dos professores da primeira universidade federal que viria a
ser parceira, através do Sistema Universidade Aberta do Brasil ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
326
UAB. Quanta ansiedade... Era uma tarde escaldante de janeiro
quando entraram na Prefeitura do pequeno município, dois
professores vindos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul –
UFRGS64. Ao se apresentarem, disseram ao Sr.Prefeito: “- Vimos
colocar a UFRGS no cenário da educação da cidade dos senhores e
esta,no caminho de desenvolvimento nacional”.
Seria possível? ! ? Num lampejo de ideias positivas e
otimistas, eu tinha quase certeza de que sim, porém ainda sentia
algum receio devido a má qualidade de determinados cursos na
modalidade EaD que circulavam pelas redondezas. Comecei a
refletir de que ali estaria o maior desafio: mostrar à comunidade
que o Sistema UAB trabalharia com instituições públicas sérias que
prezavam pela qualidade de seus cursos e não seria diferente
utilizando-se da modalidade a distância.
Ao final da reunião, todos se mostravam bastantes animados
diante da perspectiva de dar início aos trabalhos para oferecer o
primeiro curso de nível superior: uma graduação tecnológica em
Planejamento e Gestão para o Desenvolvimento Rural –
PLAGEDER65.
Já em casa, reunida a família, passei a relatar o que estava
acontecendo; todos ouviram bem atentos, mas meu filho não
conseguiu segurar a indagação: urso superior gratuito, mãe? Sem
pagar nada mesmo?!?
O desafio estava lançado: era preciso chamar a comunidade e
mostrar que os cursos através da modalidade, e mesmo sendo
gratuitos, eram de qualidade.
Dei início ao meu trabalho solicitando a ajuda dos jornais da
cidade – Folha de Quaraí e Noticia66 - e da rádio local, Salamanca
FM67, que, gratuitamente, Aceitaram a proposta de divulgar as
64
Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS - Instituição
Federal de Ensino Superior
65
PLAGEDER –Planejamento e Gestão para o Desenvolvimento Rural Curso de graduação tecnológica ofertado pela UFRGS através do sistema UAB
66
Empresas Jornalísticas locais de Quaraí/RS
67
Rádio de Frequência Modulada atuante no município de Quaraí/RS há 18
anos.
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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matérias e notícias sobre o sistema UAB na cidade. Minha família e
um grupo de alunos da escola estadual onde lecionava se ofereceu
para ajudar a distribuir os panfletos, divulgando as inscrições para o
primeiro processo seletivo a ser realizado.
“Mas é gratuito mesmo, professora?” – perguntava um exaluno. “Será que é bom?” – perguntava outro.... “Sei como são
esses cursos a distância: a moça põe um CD lá e o pessoal vai
escutando e anotando; depois é só responder o, questionário....”,
dizia outro. “ - Gratuito! Eu, hein... qualidade... te devo!!!!”. E assim
ia escutando aqui e ali, enquanto sempre inventava algo novo para
chamar a atenção das pessoas: visitava escolas, creches, sindicatos
e outras tantas instituições onde sabia que encontraria jovens e
adultos que necessitam e poderiam dar continuidade aos seus
estudos;n nessas andanças, nem o 5º RCMec , Quinto Regimento
Mecanizado, da cidade deixou de ser visitado.
Sempre em contato direto com a instituição parceira e
sempre atenta e participando dos encontros regionais e seminários
da UAB, aos poucos, tudo foi ficando mais claro e o conhecimento
sobre a modalidade foi sendo articulado às tarefas diárias de gestão
pedagógica e administrativa do Polo, fazendo com que a pareceria
fosse realmente consolidada no município. Muitas reuniões com o
mantenedor foram por mim solicitadas em busca de definições,
respostas e solução para as dificuldades encontradas.
Foram vários os momentos de espera, de indecisão, de
angústia... Instantes de solidão, já que, até então, ainda estava e
andava sozinha à frente do grande projeto.
Foi assim, a partir de novembro de 2006, realizando um
trabalho de formiguinha, indo de instituição a instituição
apresentando a proposta da UAB com uma nova roupagem de
EAD...As pessoas escutavam-me, ao mesmo tempo em que me
dirigiam um olhar desconfiado... Foi como se fosse uma gestação
sozinha, pois não contava ainda com nenhum recurso humano,
secretária, técnicos, tutores... apenas a minha esperança, baseada
em muita leitura e acompanhamento de toda a movimentação do
MEC para que o projeto desse certo.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
328
Finalmente, em meados de 2007, é chegada a hora de formar
uma equipe de trabalho: uma secretária e um técnico em
informática foram contratados pelo mantenedor para auxiliar na
gestão do polo. A Universidade também recolheu currículos a fim de
selecionar os tutores presenciais que seriam os responsáveis pelo
atendimento dos acadêmicos presencialmente no polo. A equipe do
Polo fora instituída, o trabalho melhor organizado e eu, cada vez
mais satisfeita, e feliz da vida! Era a equipe gestora tomando
forma!!!! Empolgação total!! Encontrei mais gente que se propôs a
caminhar junto, acreditando e mostrando que tudo daria certo,
aliado, é claro, com o suporte dado, então, pela primeira instituição
parceira, de incontestável importância.
Tudo era registrado, inclusive com fotografias (a essa altura,
um álbum começava a nascer...) desde a colocação da placa com a
identificação do polo até a foto do primeiro candidato a fazer sua
inscrição para o vestibular estreante, afinal, era um acontecimento
e tanto para aqueles que aceitaram o chamamento e buscavam
uma oportunidade de continuar os estudos. Tudo foi sendo
preparado para o início dos trabalhos com os acadêmicos. Em 23 de
setembro de 2007, o Polo foi apresentado oficialmente à
comunidade; vivenciávamos uma nova realidade na área da
educação da cidade e de suas cercanias.
3. A EXPECTATIVA DIANTE DA CHEGADA DE NOVOS CURSOS
Neste cenário de evolução na modalidade EAD, com a oferta
de novos cursos por outras instituições federais, surgia, então, uma
nova oportunidade de ampliar os conhecimentos na área da EaD: o
curso de Especialização em Gestão de Polos. Foi uma proposta da
Universidade Federal de Pelotas68 feita para a coordenação do polo
e tutores presenciais; era a grande oportunidade de qualificação
68
Universidade Federal atuante na cidade de Pelotas, Estado do Rio Grande
do Sul – instituição idealizadora do curso de Gestão de Polos direcionado aos
Coordenadores de Polos e Tutores Presenciais atuantes nos polos de apoio presencial
que detém cursos ofertados pela referida instituição pública.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
329
para aquele grupo iniciante no trabalho. A UFPel, sendo pioneira
com aquele tipo de especialização, e já considerada grande parceira
do Polo e do município, oferecia uma chance àquela equipe para
ampliar os conhecimentos sobre o universo que envolve a Gestão
de um Polo de Apoio Presencial e o Ensino a Distância.
Este foi apenas o início de uma história de conquista da então
coordenadora do Polo de Apoio Presencial UAB de Quarai/RS,
Professora Sandra Máxima dos Santos69 que, junto a um grupo de
pessoas, acreditou no alvitre para trazer o desenvolvimento futuro
da cidade, através da melhoria da educação começando pela
oportunidade de acesso ao ensino superior; uma proposta de
educação sem fronteias, onde tantos, homens e mulheres
corajosos, constroem sua história...”
Bem sabemos que a história é verídica...; o desafio lançado;
os preconceitos que enfrentei, e enfrentamos, por aqui, foram
muitos, mas por acreditar no Projeto UAB e que era possível fazer
educação com qualidade também através da modalidade a distância
é que vencemos... Sim, considero-nos vencedores, pois para quem
iniciou com 50 (cinquenta) alunos, hoje beirando os 500
(quinhentos) efetivamente matriculados, é uma vitória inegável...
Problemas?!? Quantos!!! Vitórias?!? Muitas!!!
Quando se consegue apoio de um grupo que, na sua maioria,
se doa, se compromete, é responsável e consegue enxergar o lado
social disso tudo, a tarefa do gestor é bem mais leve e "os
outros"...bem, são "os outros"...e podemos até entendê-los e
desculpá-los, pois falavam coisas indevidas por não conhecerem a
proposta, ou por compará-la com os demais cursos a distância de
má qualidade que por aqui havia e conheciam como única
referência.
Isso posto, atrevo-me a dizer, não desfazendo dos demais
integrantes de equipe, que o papel do Tutor Presencial é
fundamental nessa caminhada, pois, dependendo da leitura que faz
69
Professora da Rede Estadual de Ensino do RS, atual Coordenadora do
Polo de Apoio Presencial para EaD de Quaraí e Discente do curso de Gestão de
Polos/EaD/UFPEL/UAB.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
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e do comprometimento que possui, consegue mostrar aos alunos a
grandiosidade da oportunidade oferecida. O trabalho efetivo
desempenhado pelo grupo de tutores é de fundamental
importância, pois participa ativamente da proposta pedagógica,
contribuindo significativamente para o bom desenvolvimento do
processo ensinar-aprender.
Cabe ao gestor, acolher a todos que vêm com este propósito
e não apenas com uma nova oportunidade de renda... E é muito
fácil fazer a leitura e esse discernimento no dia a dia em atividade
com o grupo; a partir desse resultado, cabe ao gestor traçar novas
estratégias de ação para que os poucos que ainda não conseguiram
visualizar a oportunidade de concretização de sonhos participem
mais, estudem mais, a fim de perceber a magnitude do processo.
Os momentos de estudo e formação, tanto no Polo, quanto
nas instituições, são de fundamental importância para o bom
andamento e otimização de resultados.
4. UAB – UMA POLÍTICA PÚBLICA PARA O NÍVEL SUPERIOR
A partir do ano de 2005, formar, informar, atualizar, e
especializar de forma gratuita e com qualidade através do uso das
tecnologias de informação e conhecimento, passou a ser tarefa
relevante dentro da organização das políticas públicas do Estado
Brasileiro. Essa estratégia veio contrapor à proliferação da expansão
da EAD na rede privada, cujos conceitos eram duvidosos e muito
criticados, embora as ofertas tivessem a intenção de atender o que
estabelecia o art. 80 da Lei 9.394, que estabeleceu a nova Lei de
Diretrizes e Bases (LDBEN), aprovada em 1996.
A partir de então, Educação a Distância, sabiamente e
estrategicamente colocada à disposição de todos os brasileiros,
reveste-se de um diferencial para a construção de um cenário
moderno de comunicação digital, de ensino e de aprendizagem.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
331
A educação a distância (EaD), no ensino de
graduação, surge da necessidade de levar a
educação a lugares remotos sem as
tradicionais barreiras de tempo e espaço. Sem
esta modalidade de ensino talvez nunca se
chegasse a atingir uma série de pessoas
ávidas por conhecimento. Apesar de seu
surgimento remontar aos antigos gregos, só
se consolidou como uma prática de ensino
sistematizada no século XIX, e apenas no
século seguinte chegou ao Brasil (SARAIVA,
1996).
Conforme atestam Moreira e Kramer (2007, p. 1046), a
promoção de uma educação de qualidade depende de mudanças
profundas na sociedade, nos sistemas educacionais e na escola.
Nesses dois últimos, exigem-se: condições adequadas ao trabalho
pedagógico; conhecimentos e habilidades relevantes estratégias e
tecnologias que favoreçam o ensinar e o aprender; procedimentos
de avaliação que subsidiem o planejamento e o aperfeiçoamento
das atividades pedagógicas; formas democráticas de gestão das
instituições educacionais; colaboração de diferentes indivíduos,
grupos e demais segmentos; diálogo com experiências não formais
de educação; docentes bem formados que reconheçam o potencial
do aluno e que concebam a educação como um direito e um bem
social. Feito o registro, exemplifica-se como uma política pública na
área educacional mais próxima de nós, a recém instituída
Universidade Aberta do Brasil (UAB) que, utilizando a modalidade a
distância, vem oferecendo mais uma possibilidade de ensino
superior público, gratuito e de qualidade, aos nossos jovens e
adultos.
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332
O Sistema UAB foi criado pelo Ministério da
Educação no ano de 2005, em parceria com a
ANDIFES e Empresas Estatais, no âmbito do
Fórum das Estatais pela Educação com foco
nas Políticas e a Gestão da Educação uperior.
Trata-se de uma política pública de
articulação entre a Secretaria de Educação a
Distância - SEED/MEC e a Diretoria de
Educação a Distância - DED/CAPES com
vistas à expansão da educação superior, no
âmbito do Plano de Desenvolvimento da
Educação - PDE (Página do MEC).
De acordo com Mota e Chaves Filho (2006), o Sistema UAB
pode ser entendido como sendo mais que um programa
governamental, pois se configura como programa de nação, porque
proporciona educação superior para todos assegurando a qualidade
e a democracia. Na visão dos autores, trata-se de um objetivo
permanente para construir um projeto nacional sustentável e
inclusivo.Com a finalidade de gerenciar essa política educacional foi
criada Secretaria de Educação a Distância (Seed) - (DUBEUX et al.,
2008). Além disso, existe o trabalho articulado com as Instituições
Federais de Ensino superior (IFES) do país que gerenciam as ações
pedagógicas relacionadas aos cursos a serem oferecidos aos
municípios parceiros do sistema UAB. Por sua vez, os referidos
municípios devem planejar as atividades acadêmicas através da
implantação dos Polos de Apoio Presencial.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
333
Os polos de apoio presencial são as unidades
operacionais para o desenvolvimento
descentralizado de atividades pedagógicas e
administrativas relativas aos cursos e
programas ofertados a distância pelas
instituições públicas de ensino superior no
âmbito do Sistema UAB. Mantidos por
Municípios ou Governos de Estado, os polos
oferecem a infraestrutura física, tecnológica e
pedagógica para que os alunos possam
acompanhar os cursos a distância (Polo
UAB/CAPES).
Destarte, o aluno não está sozinho, distante de tudo e de
todos, pois através dos profissionais que executam e acompanham
todo o processo, desde a universidade até o polo de apoio
presencial a que pertence, recebe toda a orientação necessária
proporcionando-lhe condições de desenvolver ao máximo suas
potencialidades. Esse programa visa atender uma parcela da
população que, até então, sendo excluída da educação tradicional
por vários fatores que vão desde a falta de condições econômicas,
falta de tempo, dificuldade de deslocamento e de acesso à internet.
Nesse caso, a EAD vem facilitar e justificar o uso da metodologia
como instrumento de formação de cidadãos aptos ao
desenvolvimento de suas habilidades e capacidades. (Ghedine,Testa
e Freitas – 2006). É, portanto, uma oportunidade de aprendizado
que chegou para permitir o acesso de muitos brasileiros ao mundo
da informação até então distante e, quiçá, impossível. Compreendese, assim, a urgência em estabelecer estratégias de gerenciamento
organizacional que venham fazer parte definitiva da agenda de
todos os partícipes do processo educacional do polo, não
esquecendo que todas as ações devem iniciar e terminar do aluno.
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
334
5. NESTE CENÁRIO, O QUE É DE COMPETÊNCIA DAS IFES
PARCEIRAS?
A partir do Edital 1/2005 – MEC/SEED/UAB -, são lançados
referenciais organizacionais que deveriam ser seguidos pelas
instituições de ensino superior integradas ao sistema nacional de
expansão do ensino superior, utilizando a modalidade a distância.
Estabelecidas as parcerias, sempre atendendo as exigências do
MEC, este, após uma rígida triagem, determina competências para
as instituições e quais cursos deverão ser de sua responsabilidade,
atendendo determinado município através dos polos de apoio
presencial.
Após a realização desse entrelaçamento de competências e
atribuições, a Diretoria da CAPES, incita a participação das IFES na
oferta de cursos no âmbito da UAB para a realização de: distribuição
do material didático impresso, aquisição de livros para as
bibliotecas, uso das tecnologias de Informação e Comunicação (Tics)
para interação entre os professores, tutores e estudantes, aquisição
de laboratórios pedagógicos, infraestrutura dos núcleos de
educação a distância nas instituições parceiras, capacitação dos
profissionais envolvidos, acompanhamento dos polos de apoio
presencial e encontros presenciais para o desenvolvimento da
EaD70.
Desde aquele ano, até o presente momento, muitas
mudanças e articulações ocorreram nas universidades federais de
todo o país, principalmente em suas estruturas didáticopedagógicas, inovando em especificidade de novos cursos,
ampliando áreas de atuação, inovando seu fazer administrativopedagógico e desenvolvendo pesquisas e implementando trabalhos
de extensão.
Entretanto, percebe-se que ainda há muito por fazer e
necessidades gerenciais e administrativas precisam ser repensadas
dentro das unidades de ensino superior, haja vista o aumento
70
Extraído da página do MEC , na Internet (www.mec.gov.br/seed), em
17.04.2011
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
335
considerável da demanda nestes seis anos de caminhada. Os
administradores dos Centros de Processamento de Dados dessas
unidades, por mais contraditório que possa parecer, apresentam
vários pontos difusos que necessitam encontrar alternativas de
solução para evitar os freqüentes períodos de inoperância.
Diante do considerável número de acesso pelas centenas de
estudantes conectados desde suas residências, lan house ou polos
de apoio presencial, urge um reforço operacional nesses sistemas.
6. ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DE UM POLO UAB
O Polo de apoio presencial é considerado um dos
sustentáculos do sistema Universidade Aberta do Brasil, estruturado
pelo mantenedor, ou seja, o estado ou o município parceiro no
referido projeto. Esse engajamento é que oportuniza a
descentralização do ensino superior público, gratuito e de qualidade
que passou a ser oferecido em todas as regiões do país, atingindo,
principalmente, aos indivíduos que não possuem nenhum tipo de
formação acadêmica.
Porém, mesmo diante de tantas dificuldades encontradas
pelos polos de apoio presencial, acredita-se que os mantenedores,
na sua maioria, estejam atentos para que o ensino superior, público,
gratuito e de qualidade fixe raízes sólidas nos diversos pequenos
municípios espalhados pelo país. Neste momento, a leitura que se
faz é que o poder do uso da tecnologia está sendo visto como um
acontecimento revolucionário para a melhoria da educação do país
e do mundo:
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
336
As mudanças contemporâneas, provenientes
do uso da internet e das redes de
aprendizagem, transformam a relação com o
saber. Assim, a dinâmica e a infinita
capacidade de estruturação das redes
colocam todos os participantes de um
momento
educacional
em
conexão,
aprendendo juntos, discutindo em igualdade
de condições, e isso é revolucionário (KENSKI,
2007).
Segundo o Ministério da Educação, o polo de apoio presencial
é considerado “o braço operacional” que dá amparo ao processo de
formação dos educandos das instituições de ensino superior
parceiras de suas cidades ou mais próximas deles. É nesse espaço
físico que o aluno pode encontrar os colegas para estudar,
participar dos momentos presenciais, experimentar atividades
virtuais, laboratoriais e de estágio, bem como as demais tarefas
exigidas pelos seus professores e/ou tutores (a distância ou
presenciais).
Organizar o projeto de implantação do polo, manter a
infraestrutura de forma adequada, contratar, liderar e fiscalizar
funcionários e prestadores de serviço, agilizar e gerenciar a
organicidade funcional dentro do polo e estabelecer prioridades;
são muitos os papéis e atribuições necessárias para ser e estar
inserido no sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB.
É comum encontrar municípios, principalmente os menores e
mais distantes
 dos grandes centros, enfrentando situações difíceis e
complexas no cumprimento os acordos firmados.
Verifica-se, e é recorrente, a fragilidade da
infraestrutura de muitos polos de apoio presencial,
assim como de recursos humanos necessários para
um atendimento eficaz, embora o mantenedor
trabalhe para conseguir cumprir com o estabelecido.
Não constitui tarefa simples o enfrentamento de
discussões acerca da gestão física, humana e
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
337




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financeira dos polos da forma como o Ministério da
Educação preconiza. A organização de um polo
universitário do Sistema UAB deve ocorrer seguindo
orientações determinadas pelo Ministério da
Educação. É dever de todos os segmentos parceiros,
respeitando especificidades e as atribuições de cada
um, priorizar as necessidades relacionadas às
questões de infraestrutura e administrativo
pedagógicas; urge a definição e a clareza desses
papéis para que o polo venha a exercer a sua real
função. Por que razão é importante bem estruturar,
organizar e dirigir de forma eficaz os polos de apoio
presencial dentro do sistema Universidade Aberta do
Brasil? Podem-se elencar alguns motivos, a saber:
desenvolver entre todos os envolvidos um maior
interesse pela organização estratégica do polo:
Mostrar a todos os envolvidos o quanto é importante
e ecessário poder contar com um polo de apoio
presencial no município;
estimular o espírito de união e cooperação a fim de
enfrentar e solucionar problemas de percurso:
conhecer, e dar a conhecer, os pontos favoráveis e a
melhorar dentro da instituição colaboram para um
melhor
entrosamento,
envolvimento
e
comprometimento de todos os segmentos e
parceiros;
permitir uma visão sobre o trabalho ali efetivado: é
importante que cada um dos integrantes ligados ao
polo tenha clareza sobre a importância do trabalho
desenvolvido naquele espaço de ensino superior para
que possa ter uma ideia exata sobre a qualidade do
seu comprometimento com a instituição como um
todo;
priorizar necessidades e oferecer atendimento de
qualidade: elaborar
um plano de gestão,
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
338


priorizando as necessidades de forma a contemplar
todas as áreas afins, canalizando esforços para o
cumprimento de metas estabelecidas previamente,
de forma a personalizar o atendimento prestado;
contribuir para a motivação geral dos integrantes do
quadro de pessoal, já que permite a conscientização
individual: é muito mais fácil para uma equipe bem
motivada trabalhar a favor da conscientização geral;
canalizar esforços no alcance dos objetivos individuais
e coletivos: uma gestão de qualidade somente terá
sucesso, individual e coletivamente, se todos
caminharem em busca de um bem comum.
7. O PAPEL DO MANTENEDOR DE POLO NO SISTEMA UAB
Recapitulando o que antes já foi exposto, para fins de
implantação de um pólo de apoio presencial, o mantenedor é
responsável pela infraestrutura física, logística e tecnológica, bem
como a contratação de alguns dos recursos humanos para a área
administrativa e de informática, dentre outros. O Ministério da
Educação ficou com a responsabilidade pela doação de livros, de
computadores, disponibilização da Banda Larga no Polo, além do
pagamento da Coordenadora e Tutores.
Como esse sistema veio, principalmente, para sanar
dificuldades na área do ensino de pequenos municípios do nosso
país, muitos obstáculos existem e, aos poucos, vão sendo sanados e
as necessidades que se apresentam são supridas, na medida do
possível, com recursos próprios dos municípios, sempre precedidas
de tomadas de preços, licitações ou pregão eletrônico, o que,
muitas vezes, torna-se um entrave ao bom andamento dos
trabalhos, devido à demora com os trâmites burocráticos.
Muitos mantenedores aderiram ao sistema UAB, implantando
seus ambientes acadêmicos compartilhando espaço com outras
escolas, geralmente, da rede municipal. Porém, com a rápida
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
339
expansão da demanda, alguns já optaram pela construção de local
próprio.
O mantenedor ideal é aquele que trabalha atendendo as mais
diversas exigências do sistema UAB: investe no polo de apoio
presencial, provendo recursos humanos qualificados para trabalhar;
assegura a infraestrutura adequada; busca parcerias, através do
regime de colaboração; estabelece alianças políticas que favoreçam
o programa e às ações propostas de modo a superar desafios no
que refere à modalidade EaD, garantindo o direito à educação aos
seus munícipes e a sustentabilidade ao projeto em seu município.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após todas as idas e vindas entre leituras, análise de
vivências, assim como dos pensamentos das várias discussões sobre
o tema, chega-se à conclusão de que o importante é “fazer
acontecer”... A partir da abertura de oportunidades apresentadas
pela atual legislação, precisa-se ser corajoso o suficiente para ousar
e criar mecanismos que sustentem as ideias e ações daqueles que
verdadeiramente querem mudar o cenário da desigualdade social e
cultural outrora instalado em nosso país. É preciso “estrategiar” de
forma a estabelecer metas e prazos para o alcance dos objetivos
traçados no coletivo e pelo coletivo. Solidariedade, justiça,
responsabilidade social, respeito, autonomia e independência
humana é a cara da gestão democrática e participativa que busca a
construção da real qualidade social. O fazer plural e ético é o
caminho onde se faz presente o compromisso com o
desenvolvimento humano, assegurando o alcance dos objetivos e
metas resultantes das parcerias, garantindo o sucesso da
instituição. Nesse mesmo caminho, também devem estar os
espaços para leitura, atividades integradoras, reflexão e troca de
saberes; estes, importantíssimos, quando há, realmente, o interesse
em salvaguardar os polos de apoio presencial e dar continuidade à
proposta da Universidade Aberta do Brasil, cujos atores ainda têm,
e terão muita história para contar e mostrar. E ainda, para que o
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
340
país consiga atingir um nível eficaz de desenvolvimento econômico,
social e cultural, é preciso que, além do cumprimento das ações
governamentais e institucionais, a sociedade participe dessa busca
de um padrão de educação com qualidade o que, certamente,
garantirá um futuro também com qualidade. A população precisa se
conscientizar acerca dessa inclusão e socialização entre os
indivíduos, extinguindo barreiras físicas, psicológicas, sociais e
morais, caso contrário, o Sistema UAB não passará de uma opção
encontrada por poucos apenas para conseguir uma certificação e
uma qualificação profissional.Respaldado pelo Mantenedor, pelas
IES e pelos demais integrantes da Equipe de Recursos Humanos do
Polo, é tarefa do gestor de um polo de apoio presencial articular ali
desenvolvido que se marca a presença das instituições parceiras
junto à comunidade e região. Um polo de apoio presencial deve ser
sim, um espaço onde a confiabilidade, a credibilidade e a segurança
embalem todas as relações administrativo, pedagógicas e sócioculturais na comunidade e/ou região onde está inserido.
Por fim, espera-se que, mesmo com as dificuldades elencadas
e outras tantas, os responsáveis pela condução do Sistema UAB,
desde o MEC, CAPES, IFES, mantenedores e coordenadores de polo
procurem fazer o máximo para que o Ensino superior, Público,
Gratuito e de Qualidade tenha vindo para ficar, mormente, nas
pequenas cidades espalhadas pela esta gigante nação, fortalecendo
a premissa de que a educação com excelência é um direito de
todos.
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ensino. Brasília: MED, 1992.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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ANEXOS
FOTOS
1 - RESPONSÁVEIS PELO INÍCIO DE TUDO
2 - REUNIÃO COM 1ª IFES
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3 - A DIVULGAÇÃO- Um trabalho de “formiguinha”
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4 - 1ª EQUIPE DE TRABALHO
5 - 1ª INSCRIÇÃO PARA O 1º VESTIBULAR
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6- A ALEGRIA PELO INÍCIO DAS AULAS
7- LOGO DO POLO – Produção do Tutor Presencial Émerson Evandro
Moraes
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SOBRE OS AUTORES
Diana Lurdes Muraro Vendruscollo
Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de
Pelotas (UFPEL/UAB); Especialista em Tecnologias da Informação e
Comunicação (TIC’s) pela Universidade Federal de Santa Maria
(UFSM); Especialista em Gestão Educacional (IESD). Atualmente
atua como coordenadora do Polo de Apoio Presencial de
Sobradinho, RS. Professora da Escola Municipal de Ensino
Fundamental Espírito Santo, Sobradinho, RS.
Clair Batista da Silva
Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de
Pelotas (UFPEL/UAB); Especialista em Tecnologias de Informação e
Comunicação (TIC’s) pela Universidade Federal de Santa Maria
(UFSM); Graduada em Pedagogia – Séries Iniciais pela (UNISC).
Atualmente é Tutora Presencial do curso de Pedagogia no polo
presencial de Sobradinho, RS, pela Universidade Federal de Santa
Maria (UFSM).
Ana Paula Bortolotto Ceolin
Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de
Pelotas (UFPEL/UAB); Graduada em Letras pela Universidade
Federal de Santa Maria (UFSM). Atualmente é Tutora Presencial do
Curso de Formação de Professores de Espanhol como Língua
Estrangeira pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL/UAB).
Vera Lúcia Vargas de Souza Kelling
Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de
Pelotas (UFPEL/UAB); Especialização em Gestão do Trabalho
Pedagógico pela Faculdade Internacional de Curitiba (FACINTER).
Professora de Língua Portuguesa da Escola Municipal Acácio
Antônio Vieira, Restinga Seca, RS.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
348
Ana Lucia Rodrigues Guterra
Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de
Pelotas (UFPEL/UAB); Especialista em Língua Portuguesa e
Especialista em Literatura pela mesma Universidade; Graduada em
Letras, Licenciatura de 1º e 2º Grau pela Universidade Regional
Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI). Atualmente é
Coordenadora do Polo de Apoio Presencial da Universidade Aberta
do Brasil (UAB) de Seberi, RS, que tem como Universidades
parceiras a Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS).
Andréia Inês Hanel
Mestre em Letras/Estudos Linguísticos pela Universidade de
Passo Fundo (UPF); Especialista em Estudos Linguísticos do Texto
pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS);
Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de
Pelotas (UFPEL/UAB); Graduada em Letras pela Universidade de
Passo Fundo (UPF). Professora da Escola Municipal de Ensino
Fundamental Giocondo Canali, Tapejara, RS.
Sara Raquel Levy De Oliveira
Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de
Pelotas (UFPEL); Especialista em Ecologia Urbana pela Universidade
Católica de Pelotas (UCPEL); Bacharel em Licenciatura Plena em
Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL).
Atua como tutora presencial do curso de Pedagogia pela
Universidade Federal do Rio Grande (FURG) no polo de Santa Vitória
do Palmar, RS. Professora de Ciências e Biologia na rede municipal.
Marta Martins de Farias Ramos
Licenciada em Filosofia pela UFPel. Especialista em Filosofia
Moral e Política e Mestre em Educação na instituição supracitada.
Participa do Grupo de Pesquisa FEPráxiS - Filosofia, Educação e
Práxis Social, buscando a vinculação entre a Educação e a Filosofia.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
349
Dentre os conceitos trabalhados evidenciam-se: poder, sujeito e
governamentalidade. É professora da rede municipal de Pelotas,
professora pesquisadora do curso de Pedagogia da UAB/UFPel e
professora substituta da FaE/UFPel.
Evanir Junqueira da Costa
Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de
Pelotas (UFPEL/UAB); Especialista em Administração Escolar e
Orientação Educacional pela Faculdade São Francisco de Barreiras
(FASB); Especialista em Administração e Formação em Recursos
Humanos pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA); Graduada
em: Letras – Língua Portuguesa e Literatura Brasileira pela
Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). Atua como tutora
presencial do Curso de Espanhol (UFPEL) e Secretária Escolar na
rede do Município de Sapucaia do Sul, RS.
Rosemary Rickes Leitzke
Especialista em Gestão de Polos em EAD pela Universidade
Federal de Pelotas (UFPEL/UAB); Formada em Secretariado
Organizacional Trilingue pela Universidade Católica de Pelotas
(UCPel); Atua como secretária do curso de Especialização em Gestão
de Polós (UFPEL/UAB) e secretária do curso de Especialização em
Mídias na Educação (UFPEL/UAB).
Dionara Teresinha da Rosa Aragon
Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS); Especialista em Gestão de Polos pela
Universidade Federal de Pelotas (UFPEL/UAB); Especialista em
Tecnologias da Informação e Comunicação aplicadas a Educação
pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); Graduada em
Matemática/Licenciatura pela Universidade Federal do Rio Grande
do Sul (UFRGS). Professor da Universidade Federal do Pampa
(UNIPAMPA) Ensino de Matemática.
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
350
Eliane Reinehr Xavier
Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de
Pelotas (UFPEL/UAB); Especialista em Matemática para Ensino
Fundamental e Médio pela Fundação Universidade Federal de Rio
Grande (FURG); Graduada em Matemática pela Universidade
Católica de Pelotas (UCPEL). Tutora Presencial do curso de
Licenciatura em Matemática a distância da Universidade Federal de
Pelotas (UFPEL). Atua como professora na rede estadual e municipal
do município de Santa Vitória do Palmar, RS.
Simone Gadret Bório
Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de
Pelotas (UFPEL/UAB); Especialista em Pedagogia Escolar pela
Faculdade Internacional de Curitiba (FACINTER). Tutora presencial
do curso de Formação de Professores em Língua Espanhola da
Universidade Federal de Pelotas. Atua como professora na rede
estadual de ensino do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.
Lisiane Borges
Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de
Pelotas (UFPEL/UAB); Tecnóloga em Análise e Desenvolvimento de
Sistemas pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Atua como
secretária do Polo de Apoio Presencial (UAB) do município de
Camargo, RS.
Sandra Máxima Santos dos Santos
Especialista em Gestão de Polos pela Universidade Federal de
Pelotas (UFPEL/UAB); Especialista em Metodologia do Ensino da
Língua Portuguesa (Fundação Educacional de Alegrete); Graduada
em Letras - Português/Inglês pela Fundação Educacional de
Alegrete, RS. Coordenadora do Polo de Apoio Presencial (EAD/UAB),
Quaraí, RS. Professora da Rede Estadual de Ensino do RS.
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
351
SOBRE OS ORIENTADORES
Belkis Souza Bandeira
Mestra em Educação
http://lattes.cnpq.br/0910318995270819
Lia Cristiane Lima Halwass
Mestra em Educação
http://lattes.cnpq.br/9494749129911078
Dirlei de Azambuja Pereira
Mestre em Educação
http://lattes.cnpq.br/7579469475921540
Luciane Senna Ferreira
Mestra em Letras
http://lattes.cnpq.br/3099753008499677
Francisco dos Santos Kieling
Mestrado em Sociologia
http://lattes.cnpq.br/0438177015374989
Maria de Fátima Santos da Silva
Mestra em Educação Ambiental
http://lattes.cnpq.br/6401504068462017
Heloisa Helena Duval de Azevedo
Doutora em Filosofia
http://lattes.cnpq.br/6562983888169274
Maria Raquel Rodrigues Vieira
Mestra em Educação
http://lattes.cnpq.br/6513690316550729
Jezuína Kohls Schwanz
Mestra em Memória Social e Patrimônio Cultura l
http://lattes.cnpq.br/1569292319760293
Maria Teresa Duarte Nogueira
Mestra em Saúde Pública
http://lattes.cnpq.br/8903575054501901
José Eduardo Nunes de Vargas
Mestre em Educação Física
http://lattes.cnpq.br/6684834596247406
Marisa de Mello Luvielmo
Mestre em Educação Ambiental
http://lattes.cnpq.br/6163045086413108
Kelin Valeirão
Mestra em Educação
http://lattes.cnpq.br/7568906437198533
Milena Silvester Quadros
Mestra em Sociologia
http://lattes.cnpq.br/4823926483856600
Rosimeire Simões de Lima
Mestra em Educação
http://lattes.cnpq.br/6200048980619133
§
ÍNDICE
Educação a Distância e seus Espaços de Formação:
artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
352
GESTÃO DE POLOS
Equipe Docente
Adriana Duarte Leon
Adriane Rodrigues Corrêa
Aline Elias Lamas
Aline Machado Dorneles
Aline Quiroga Neves
Ana Cristina Medina Pinto
Ana Maria Simões Netto Costa
Ana Paula Alba Wildt
Cauê Lima Canabarro
Cíntia Centeno Moreira
Clara Irene Veiga Barbosa
Eliana Póvoas Pereira Estrela Brito
Érica Insaurriaga Megiato
Francine Pinto da Silva Joseph
Giana Lange do Amaral
Heloisa Helena Duval de Azevedo
Jane Mara Bohn Gass
Jezuína Kohls Schwanz
Joice Rejane Pardo Maurell
José Eduardo Nunes de Vargas
Joseph Handerson
Leonardo Prado Kantorski
Ligia Dalchiavon
Losane Hartwig Schwartz
Luana de Gusmão Silveira
Luciane Senna Ferreira
Luciano Maciel Ribeiro
Márcio Porciúncula Ferreira
Maria de Fátima Santos da Silva
Maria Raquel Rodrigues Vieira
Maria Teresa Duarte Nogueira
Marisa de Mello Luvielmo
Marta Solange Streicher Janelli da
Silva
Milena Silvester Quadros
Patrícia Daniela Maciel
Rogério Ramos Weymar
Rogério Sarmento Burkert
Rosimeire Simões de Lima
Sástria de Paula Rodrigues
Sérgio Ronaldo Pinho Júnior
Tiago Venzke
Walter Ruben Iriondo Otero
Equipe técnica
Cíntia Pereira
Cláudio Luiz Di Muro
Diórgenes Yuri da Rosa
Gustavo Alves Andrade
Jerônimo Medina Madruga
Marlei Maria Tedesco Radin
Pedro Conrad Júnior
Rafael Fagundes Cavalheiro
Rafael Pinto Garcia
Rodrigo Padilha Silveira
Rodrigo Pizarro dos Santos
Rosemary Rickes Leitzke
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artigos do curso de Especialização em Gestão de Polos
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Educação a Distância e seus Espaços de Formação v.2