DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO SESSÃO: 208.2.54.O DATA: 02/08/12 TURNO: Vespertino TIPO DA SESSÃO: Ordinária - CD LOCAL: Plenário Principal - CD INÍCIO: 14h TÉRMINO: 17h38min DISCURSOS RETIRADOS PELO ORADOR PARA REVISÃO Hora Fase 16:18 CP Orador PAES LANDIM Incluídos os seguintes discursos: da Deputada Janete Rocha Pietá proferido na Sessão Ordinária da Câmara dos Deputados nº 84, realizada em 17 de abril de 2012; da Deputada Janete Rocha Pietá proferido na Sessão Ordinária da Câmara dos Deputados nº 85, realizada em 18 de abril de 2012; do Deputado Daniel Almeida proferido na Sessão Extraordinária da Câmara dos Deputados nº 96, realizada em 25 de abril de 2012; três da Deputada Janete Rocha Pietá proferidos na Sessão Ordinária da Câmara dos Deputados nº 103, realizada em 2 de maio de 2012. Ata da 208ª Sessão, da 2ª Sessão Legislativa Ordinária, da 54ª Legislatura, em 2 de agosto de 2012 Presidência dos Srs.: Inocêncio Oliveira, 3º Secretário. Amauri Teixeira, Vanderlei Siraque, Roberto de Lucena, § 2º do artigo 18 do Regimento Interno. ÀS 14 HORAS COMPARECEM À CASA OS SRS.: Marco Maia Rose de Freitas Eduardo da Fonte Eduardo Gomes Jorge Tadeu Mudalen Inocêncio Oliveira Júlio Delgado Geraldo Resende Manato Carlos Eduardo Cadoca Sérgio Moraes CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 I - ABERTURA DA SESSÃO O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - A lista de presença registra na Casa o comparecimento de 104 Senhoras Deputadas e Senhores Deputados. Está aberta a sessão. Sob a proteção de Deus e em nome do povo brasileiro iniciamos nossos trabalhos. O Sr. Secretário procederá à leitura da ata da sessão anterior. II - LEITURA DA ATA O SR. AMAURI TEIXEIRA, servindo como 2º Secretário, procede à leitura da ata da sessão antecedente, a qual é, sem observações, aprovada. III - EXPEDIENTE 3 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Passa-se ao IV - PEQUENO EXPEDIENTE Conforme resolução da Mesa, a primeira meia hora é destinada aos pronunciamentos dados como lidos ou pronunciamentos de 1 minuto. Concedo a palavra ao ilustre Deputado Amauri Teixeira, do PT da Bahia. 4 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. AMAURI TEIXEIRA (PT-BA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero manifestar meu voto de pesar, minha solidariedade à família e aos amigos pelo falecimento, nesta noite, do colega de trabalho Rodrigo Thompson, amigo e companheiro de luta, grande líder dos analistas da Receita Federal, ex-Presidente do Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil — SINDIRECEITA. Grande companheiro, grande quadro da Receita Federal do Brasil, colega admirado, colega querido por todos e que deixa uma grande lacuna, Sr. Presidente, inclusive aqui nesta Casa. [CD1] Rodrigo era contumaz frequentador desta Casa. Ele foi Diretor de Assuntos Parlamentares, tinha trânsito aqui e respeitabilidade de todos os Parlamentares da Câmara. Por isso, quero deixar aqui meu pesar, minha tristeza, minha solidariedade à família do Rodrigo e aos seus amigos. Quero lamentar essa perda de todos nós. A sociedade brasileira perde um grande lutador por um regime democrático e mais justo. A Receita Federal perde um grande quadro, e os colegas de Rodrigo, todos servidores público, perdem também. Os servidores públicos, em greve neste momento, perdem um grande líder e aliado. Minha solidariedade e meu pesar à família e aos amigos de Rodrigo Thompson, que faleceu hoje à meia noite. 5 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. DIMAS RAMALHO (Bloco/PPS-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, quero registrar, com muita satisfação, que Araraquara foi escolhida como uma das subsedes da Copa do Mundo, evento que será realizado nos próximos anos. Araraquara, Sr. Presidente, V.Exa. conhece, tem hoje como Prefeito o Deputado Federal Marcelo Barbieri, e nós conseguimos, nesse Município, unificar os esforços. Essa luta é fruto da união do Prefeito Marcelo Barbieri, dos Deputados Edinho Silva, Roberto Massafera, dos Vereadores e da sociedade. E vai ser fundamental, porque lá vamos fazer investimentos. O comércio vai receber investimento, e, sobretudo, nós vamos, como agentes públicos daquela cidade e daquela região do Estado de São Paulo, colaborar para que possamos manter, cada vez mais, o nível de progresso, de geração de emprego e, sobretudo, de melhoramento da qualidade de vida da cidade de Araraquara. Deixo um agradecimento ao Governador Geraldo Alckmin, à Presidenta Dilma Rousseff, a todos os Vereadores, Deputados, porque, quando o bem público está em jogo, quando o interesse maior está em jogo, com certeza, ganha a população e ganha o povo brasileiro. Obrigado, Sr. Presidente. 6 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. NELSON MARQUEZELLI (PTB-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, trazemos, mais uma vez, a esta Casa a necessidade de fazermos uma reforma política. Os Deputados Federais estão sentindo na pele essa necessidade. Vejam bem, se tivéssemos a coincidência de mandato, esta Casa não estaria paralisada. Nós temos, de 2 em 2 anos, paralisação dos trabalhos legislativos, porque temos uma legislação eleitoral burra, anacrônica e prejudicial ao País. Mais de uma vez uso esta tribuna para dizer que é necessária a coincidência eleitoral no País. O Brasil necessita disso. Não se admite mais de 2 em 2 anos eleições gerais no País. Antigamente se fazia porque a dificuldade na apuração era muito grande, agora não. Com o advento da Internet, da eletrônica, do processo de apuração rápido, eficiente, confiável, temos condições de fazer eleições no mesmo dia de Vereador a Presidente da República. O resultado eleitoral é muito melhor para o País, porque a tendência eleitoral do País será a mesma e terá resultado de trabalho muito melhor para todos nós. Por isso, Sr. Presidente, venho mais uma vez à tribuna fazer um apelo aos meus colegas Parlamentares: precisamos fazer a reforma política, a começar pela coincidência nas eleições, com ampliação de 5 a 6 anos, e acabar, definitivamente, com reeleição. Reeleição é uma covardia eleitoral no País, porque quem está na máquina leva milhões de vantagens a mais do que aqueles que estão fora dela. Por isso, mais uma vez, Sr. Presidente, venho a esta tribuna apelar e implorar para os Deputados Federais do País no sentido de que está na hora de acabarmos com este vexame que estamos vendo hoje no Brasil. Eleições municipais descasadas entre Estados e União só provocam rupturas políticas uma atrás da outra e são altamente prejudiciais econômica e culturalmente ao povo brasileiro. Muito obrigado, Sr. Presidente. 7 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. JOÃO CALDAS (PEN-AL. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, venho à tribuna para dizer que protocolizei o Projeto de Lei nº 4.242, que altera a Lei nº 11.518, de 5 de setembro de 2007. Essa lei é a chamada Lei Ciro Gomes e Alfredo Nascimento. O Presidente Lula, para agradar Ciro Gomes, criou a Secretaria dos Portos, e deu a ele os mares; e, para agradar Alfredo Nascimento, deu a Alfredo os rios. Então, a gestão das áreas lacustres, fluviais e mares no Brasil está separada. É inaceitável que nós tenhamos dois Ministérios tomando conta da mesma coisa. Essa lei visa colocar toda a política e estratégia dos portos e seus técnicos no Ministério dos Portos. A Presidente Dilma precisa resolver essa distorção, essa dicotomia, essa coisa inaceitável. Isso atrasa o Brasil. Os rios e os mares não são nem de um nem de outro partido. Pertencem ao País. A Presidente precisa enviar uma medida provisória concentrando toda política dos portos na Secretaria dos Portos, que tem status de Ministério. Essa lei visa simplesmente dar o ordenamento jurídico, técnico, administrativo, produtivo, para que os técnicos, a engenharia, o pensamento, a logística, as discussões girem em torno de um só Ministério, um só órgão. Para concluir, Sr. Presidente, gostaria muito que a Presidente Dilma enviasse uma medida provisória para talhar essa lei, porque ela vai demorar. E, enquanto demora, cresce o Custo Brasil. A gestão de portos marítimos, portos fluviais e áreas lacustres em dois Ministérios é inaceitável. Portanto, essa nossa proposta visa corrigir essa distorção, que é inaceitável. 8 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Vamos colocar tudo o que é porto na Secretaria dos Portos, para que o Brasil tenha uma política de desenvolvimento, uma política de cabotagem, uma política de estratégia, para diminuir custos e para que o Brasil tenha eficiência nas suas exportações, na sua importação, na sua logística de escoamento de safra, de recepção e de exportação. Muito obrigado, Sr. Presidente. 9 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. ROBERTO DE LUCENA (Bloco/PV-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Ribeirão Preto, tão bem representada nesta Casa pelo ilustre e competente Deputado Duarte Nogueira, do PSDB, é uma das mais importantes e mais estratégicas cidades do Estado de São Paulo, do Brasil. Trata-se de uma cidade polo, carro-chefe de uma rica e linda região, de muitas tradições, de pujança e de um povo extraordinário. Nessa última terça-feira, eu tive, Deputado Amauri Teixeira, a oportunidade de passar por Ribeirão Preto e de, juntamente com o Pastor Roberto Carlos, receber as lideranças locais da Igreja O Brasil para Cristo. Nesta ocasião, também recebi a Prefeita Municipal Dárcy Vera. Quero aqui, Presidente, fazer o registro do grande trabalho que a Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto tem desenvolvido na melhoria da infraestrutura urbana, especialmente na construção de soluções para um problema antigo, que há muito afligia a população daquela cidade. Trata-se das terríveis e dramáticas enchentes, que a cada ano impunham perdas e sofrimentos ao povo. A solução dada aos problemas das enchentes em Ribeirão Preto pode e deve servir de modelo para os Municípios paulistas e do restante do Brasil que enfrentam a mesma situação. Parabéns à Prefeita Dárcy Vera. Muito obrigado, Sr. Presidente. Um abraço ao povo da nossa querida Ribeirão Preto, cidade do interior de São Paulo. Muito obrigado. Era o que tinha a dizer. 10 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 - Passamos agora aos pronunciamentos de 5 minutos. Passo a Presidência ao ilustre Deputado Amauri Teixeira, para que eu possa ocupar a tribuna durante 5 minutos. O Sr. Inocêncio Oliveira, 3º Secretário, deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Amauri Teixeira, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. 11 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Com a palavra o Deputado Inocêncio Oliveira, iniciando os pronunciamentos de 5 minutos no Pequeno Expediente. O SR. INOCÊNCIO OLIVEIRA (Bloco/PR-PE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Congresso Nacional recentemente deu mais uma importante contribuição à Nação ao aprovar a legislação contra o crime de lavagem de dinheiro. O texto, sancionado no último dia 9 de julho, permite que se configure como crime de lavagem a dissimulação ou ocultação da origem de recursos provenientes de qualquer crime ou contravenção penal, como, por exemplo, o jogo do bicho e a exploração de máquinas caça-níqueis. A nova lei amplia o rol de pessoas obrigadas a enviar informações sobre operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras — COAF e alcança, por exemplo, doleiros, pessoas que negociam direitos de atletas ou comercializam artigos de luxo, entre outras atividades. A lei também eleva o limite da multa a ser aplicada a quem descumprir essa obrigação: de 200 mil reais passa a poder alcançar a casa dos 20 milhões de reais. Essa lei é muito importante porque é por meio da lavagem de dinheiro que as organizações criminosas atribuem aparência lícita aos recursos obtidos por meio da prática de crimes diversos. Portanto, caros colegas, a Lei nº 12.683, de 2012, aumenta a eficiência do Estado e será mais uma importante ferramenta para o combate ao crime organizado em nosso País. Outra novidade trazida pela nova legislação é a alienação antecipada dos bens apreendidos durante as investigações do crime de lavagem de dinheiro. Assim, antes da decisão final da Justiça sobre o caso, o juiz poderá determinar a venda do bem e o valor obtido será depositado em conta judicial. Ao final d o processo, se o 12 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 réu for absolvido, o montante corrigido será devolvido e, em caso de condenação, o valor será transferido ao poder público. A medida evita a depreciação do patrimônio e o gasto do Estado com a manutenção dos bens em depósitos. Trata-se também de um avanço por ampliar os casos que poderão ser investigados com base na nova lei. Antes, apenas oito crimes, entre os quais tráfico de drogas e armas, contrabando, terrorismo, extorsão mediante sequestro, crimes contra a administração pública e o sistema financeiro, podiam ser considerados antecedentes do crime de lavagem. Ao incluir a contravenção penal nesse rol, a vida dos criminosos vai ficar mais difícil no Brasil, felizmente. Destaco também o fato de a Justiça, a partir de agora, poder determinar a apreensão de bens registrados em nome de laranjas, que são pessoas usadas por criminosos na tentativa de não aparentar vínculos com os recursos obtidos ilicitamente. Antes a lei previa apenas a apreensão de bens e valores que estivessem em nome do acusado de lavagem de dinheiro, por isso muitos criminosos recorriam à figura do laranja. A alienação dos bens também poderá ser feita de forma mais rápida pelo juiz, evitando que eles percam valor ao longo do tempo por deterioração. Basta uma liminar ou cautelar do juiz do caso. E, caso haja absolvição, os bens voltam para o réu. A chamada “delação premiada”, já prevista na legislação anterior, poderá agora ser feita a qualquer tempo, ou seja, mesmo depois da condenação, por aqueles que quiserem colaborar com as investigações a fim de se beneficiar com a redução da pena. Como se vê, é uma lei mais rígida contra os crimes de lavagem de dinheiro e que vai permitir o desmonte de organizações criminosas ao possibilitar ações da 13 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 polícia e da Justiça em várias frentes. É mais um passo acertado do nosso País rumo à segurança pública e ao combate ao crime organizado. Muito obrigado. Era o que eu tinha a dizer. 14 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. VICENTINHO (PT-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no curso de Direito que fiz em São Bernardo do Campo, uma das coisas mais estimulantes era o que diziam os meus professores, sobretudo o Prof. Tabajara Novazzi, um grande professor de Direito Penal. Ele, e também outros professores, diziam que o grande jurista é aquele que inventa e enfrenta as teses mais difíceis na caminhada de construção de um novo Brasil, de uma nova história e de uma nova consolidação do Direito no País. Eu quero saudar as juristas e os juristas bacharéis em Direito. No último exame da Ordem, 90% dos que lutaram durante 5 anos na faculdade foram excluídos, muitos deles donas de casa, pais de família que se dedicam, que pagam suas faculdades, e não conseguem o direito de exercer a função para a qual estudaram durante 5 anos. Não vejo isso para jornalista. Aliás, até tiraram o certificado para jornalista. Não vejo isso para os médicos, que fazem, sim, uma residência. Não vejo isso em nenhuma outra profissão e já sei que em Portugal, que era um dos poucos países em que ainda existia o exame da Ordem, isso acabou. Por que estou dizendo isso? Porque apoio, Sr. Presidente, a proposta que está para ser votada neste momento na Comissão de Constituição e Justiça, de autoria do Deputado Eduardo Cunha, que desobriga os bacharéis dessa necessidade, compreendendo eu — e todos nós — que quem determina a qualidade do ensino, quem orienta e quem outorga o direito de exercer a função é o Ministério da Educação. É o Ministério que fiscaliza, é o Ministério que dá o certificado e por esse motivo eu não posso, em que pese meu respeito pela Ordem dos Advogados do Brasil, que, aliás, já me concedeu até honrarias, como o prêmio Franz de Castro, que é um grande prêmio lá no Estado de São Paulo, concordar com isso, porque se 15 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 trata de milhões de pessoas, meu nobre Deputado Amauri Teixeira. Quanto é que não custa isso para esses jovens e idosos estudantes que querem ter o direito de exercer o Direito, mas, infelizmente, têm que passar por esse crivo? Muito dinheiro está em jogo. Por que o exame não é de graça ou por que os jovens, os recém-formados, na hora de estudar, não passam um período fazendo uma “residência”, entre aspas, nos tribunais deste País? Iríamos aliviar — e muito — a quantidade de processos que demoram 8, 10, 12, 15 e 18 anos e iríamos prestar um serviço ao País, porque o que faz um bom advogado não é o exame da Ordem. O que faz um bom advogado é a faculdade que ele fez e o esforço que ele fará como um operador do Direito neste País. Se ele for mau advogado, como há o mau engenheiro, como há o mau médico, como há o mau profissional, ele será excluído pela sociedade, mas não por um mecanismo que eu não consigo compreender. Novamente repito, eu convivo com milhares de pais de família, milhares de operários que da fábrica vão para a universidade, estudam à noite até 10 ou 11 horas da noite, no outro dia, acordam às 5 horas da manhã, pagam suas mensalidades, estudam com todo o afinco. Quando chega a essa hora do exame, ele está excluído e não exerce o direito de ser operador do Direito. Isso é muito sério, Sr. Presidente. A OAB precisa repensar seu papel, porque não é ela que tem o direito de impedir que alguém exerça a função. Então, para que existe o Ministério da Educação? Por essa razão, eu estou pedindo aos bacharéis em Direito que, neste momento em que o projeto tramita na Comissão de Constituição e Justiça, dialoguem de maneira democrática com nossos Deputados que compõem a CCJ, 16 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 que conversem com o Ricardo Berzoini, que é o Presidente da Comissão, uma pessoa aberta, democrática e capaz de discutir isso com todos os Deputados. Eu quero inclusive, Sr. Presidente, lamentar as denúncias cotidianas que ocorrem nesses exames a cada dia. E para comprovar, Sr. Presidente, que não existe a necessidade do exame da Ordem, o Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Dr. Ophir, extraordinário advogado, não fez exame da Ordem. Não é impressionante uma história dessas? Por isso, senhores, eu queria muito me manifestar desta forma: mantenho e vou manter sempre o meu respeito à nossa gloriosa OAB, pela sua luta em defesa da democracia no Brasil, pela sua luta pelo impeachment do Collor de Mello, pela sua luta pelos direitos humanos. Para mim, estudar durante 5 anos, dedicar-se, fazer teste de conclusão de curso, fazer estágio é um direito daqueles que ali se manifestaram. Parabenizo a liderança no País inteiro e várias organizações pelo gesto corajoso, jurista, em defesa do direito, simplesmente, de exercer a função daquilo para o qual aquele operário, aquele pai de família, aquele estudante, aquela estudante se prepararam. Sou favorável ao fim desse exame. Sou favorável à melhor qualificação profissional, mas, na minha opinião, quem deve dizer se a pessoa deve exercer essa função não é a OAB, mas, como diz para todas as profissões, é o Ministério da Educação e Cultura, que tem seus critérios baseados em padrões internacionais e coloca neste momento sua credibilidade em questionamento diante dessa exigência que tem excluído 90% de quem faz o concurso. Obrigado, Sr. Presidente. 17 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Durante o discurso do Sr. Vicentinho, o Sr. Amauri Teixeira, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Inocêncio Oliveira, 3º Secretário. 18 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Jesus Rodrigues, do PT do Piauí. S.Exa. dispõe de 5 minutos na tribuna. O SR. JESUS RODRIGUES (PT-PI. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente Inocêncio Oliveira, Srs. Deputados, eu quero falar para todos que nos ouvem pela TV Câmara e pela Rádio Câmara que estamos vendo pela imprensa uma cobertura daquilo que chamam de maior escândalo político ocorrido em nossa República. A imprensa — a imprensa ligada principalmente aos setores mais conservadores — tem dado uma cobertura ampla. Parece até novela, todo dia um capítulo, todo dia uma pessoa tem levantada sua vida política, sua vida profissional como membro de um grupo que fez política dentro deste Congresso à custa de negociações financeiras para votação. Em 2005, eu era militante do Partido dos Trabalhadores. Tive inclusive a honra de ser tesoureiro da campanha do nosso Governador eleito à época, Wellington Dias, e também de ter atuado em quase todas as campanhas como tesoureiro do Partido dos Trabalhadores no meu Estado, o Piauí. Hoje, como Deputado Federal, tenho a mais absoluta certeza — e eu quero dizer isso para todos os nossos ouvintes e para os Deputados —, não acredito, de maneira nenhuma, que é possível que algum Deputado desta Casa venda seu voto contra ou a favor do Governo por qualquer tostão que seja, por qualquer milhão que seja. Essa história de que o dinheiro usado no “valerioduto” ou no esquema de corrupção, como eles gostam de dizer, vinha para esta Casa para adquirir apoio ao Governo do Presidente Lula é de novela, é um drama que tentam vender para a população. E conseguiram, de certa forma, satanizar algumas pessoas como sendo 19 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 as piores figuras deste País. Conseguiram colocar numa situação muito complicada pessoas como o nosso companheiro José Dirceu, um lutador pela democracia neste País; o companheiro Genoíno, também um grande lutador pela democracia neste País, e, claro, a figura chave nessa história, o nosso companheiro Delúbio Soares. Quero dizer que tenho todos esses cidadãos como pessoas de bem, cidadãos dignos e honrados, como diz um companheiro nosso do PT do Piauí, o Sr. Souza. Temos que trabalhar a questão da reforma política. Os recursos de campanha e a forma como se faz política neste País estão erradas. De maneira nenhuma, quero deixar claro aqui, acredito que qualquer valor compre aqui um Deputado para votar contra ou a favor do Governo. Mas qualquer tostão ou qualquer milhão é útil, é necessário, é indispensável para uma campanha política. Não se faz campanha política em nenhum lugar sem dinheiro. É preciso dinheiro para cartaz, para gasolina, para refeição, para viagem, enfim, é preciso dinheiro para se movimentar, para alugar um comitê. Temos defendido de maneira clara neste Congresso que a reforma política é necessária e que nós precisamos tornar os recursos de campanha estrita e exclusivamente públicos e erradicar de vez o financiamento privado das campanhas, coisas que ocorrem em outros países. Mas, pela nossa conjuntura, o ideal é que nós tivéssemos financiamento exclusivo de campanhas, financiamento mesmo com o dinheiro da União, colocado a serviço da Justiça Eleitoral, e que a Justiça Eleitoral pudesse então destinar os santinhos para os candidatos, destinar recursos para os partidos, para que pudessem então fazer a sua campanha eleitoral e não precisassem de recursos de campanha doados por pessoas físicas ou por pessoas jurídicas. 20 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Esse recurso, sim, que foi colocado e que é o que está em questão não veio para comprar posições de Deputados, como bem disse a imprensa a largos ventos. Veio, sim, para financiar campanhas e, da forma como se faz, sem o financiamento público, fica muito difícil. Quero dizer que tenho esses companheiros, como tantos outros do PT, o Sr. Delúbio Soares, José Dirceu e José Genoíno, como pessoas dignas e honradas, de larga atuação política. Venho aqui em defesa de todos eles e para manifestar a minha posição, igual a de tantos outros que aqui não cabe ou não é necessário listar. 21 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - V.Exa., nobre Deputada Perpétua Almeida, quer 1 ou 2 minutos na tribuna? (Pausa.) Um minuto, prorrogável por mais 1 minuto? V.Exa. está inscrita no período das Breves Comunicações, por 3 minutos. A SRA. PERPÉTUA ALMEIDA - Se V.Exa. me conceder 1 minuto para fazer um registro, depois eu falarei por 3 minutos. Só para que seja dado como lido o discurso que fiz cobrando, mais uma vez, da Superintendência. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - V.Exa. está com labirintite. Vou conceder a palavra a V.Exa. A SRA. PERPÉTUA ALMEIDA - Muito obrigada. Daqui a pouco eu vou me consultar com o médico para tentar resolver essa situação da labirintite. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Tem V.Exa. a palavra. A SRA. PERPÉTUA ALMEIDA (PCdoB-AC. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, peço a V.Exa. que considere como lido e mande registrar nos Anais desta Casa o nosso pronunciamento acerca da necessidade da Superintendência no Acre. As nossas estradas federais não têm Polícia Rodoviária Federal porque nós não temos lá Superintendência com servidores e equipamentos necessários para fazer cobertura naquelas estradas. Então, o nosso pronunciamento é, mais uma vez, para cobrar do Ministério da Justiça a instalação da Superintendência da Polícia Rodoviária Federal no Acre. Muito obrigada. 22 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELA ORADORA Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, o crescimento econômico nacional, além do incentivo à compra de bens e consumo, tem alterado significativamente o quotidiano da vida das pessoas. Esse é um fato histórico, que merece ser comemorado com altivez. Mas deve, de forma obrigatória e ampla, ter o acompanhamento das instituições públicas para garantir a segurança e o bem-estar social de todos os cidadãos brasileiros. Refiro-me aqui, Sr. Presidente, à necessidade de melhor aparelhamento e estruturação de uma das instituições que hoje tem o amplo respeito da população brasileira. Digo hoje pois, para chegar a este patamar, a Polícia Rodoviária Federal precisou ajustar seu quadro pessoal, capacitar mais e melhor seus servidores e, quando necessário, cortou na própria carne para garantir a honradez da corporação. Digo isto, Sras. e Srs. Deputados, porque as estradas que cortam este País precisam de maior segurança e acompanhamento das já citadas autoridades policiais. Faz-se necessário a continuidade de melhor aparelhamento, o aumento do efetivo e aperfeiçoamento das condições de trabalho dos milhares de policiais rodoviários federais que dedicam sua vida para preservar a vida de outros milhares e milhares de brasileiros. Neste caso específico, Sr. Presidente, quero ater-me à realidade da PRF no meu Estado, o Acre. Infelizmente o Acre continua sendo o único Estado da Federação que não possui uma Superintendência da Polícia Rodoviária Federal. Atualmente, todo o Estado do Acre é no quadro organizacional da 5ª Delegacia da 21ª 23 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Superintendência, com sede em Porto Velho. As outras quatro delegacias estão no interior de Rondônia, ou seja, os Municípios de Porto Velho/RO (1ª Delegacia), JiParaná/RO (2ª Delegacia), Ariquemes/RO (3ª Delegacia) e Vilhena/RO (4ª Delegacia) recebem tratamento igual ao dado em todo o Estado do Acre, como se também fôssemos um Município de Rondônia. O efetivo disponível é de 32 policiais rodoviários federais, sendo sete para realizar as atividades administrativas essenciais, e os demais foram distribuídos em equipes. Importante considerar que mensalmente existem policiais de férias, de licença médica, atendendo convocação para operações em outros Estados, de forma que diariamente dispomos de mais do que três policiais para atendimento de todas as ocorrências em todo o Estado do Acre, parte de Rondônia (até a Balsa do Rio Madeira) e parte do Amazonas (até Boca do Acre/AM). Dispomos de cinco viaturas operacionais caracterizadas para os serviços operacionais e duas viaturas descaracterizadas, para serviços administrativos e de representação. A malha viária atual, sob responsabilidade da delegacia da PRF no Estado do Acre, é de aproximadamente 1.500 quilômetros de rodovias asfaltadas. Na BR-364, o trecho entre a Balsa do Rio Madeira e Cruzeiro do Sul, e na BR -317 o trecho entre Boca do Acre e Assis Brasil. Esse quadro, Sras. e Srs. Deputados, é assustador quando percebemos o desenvolvimento econômico acreano e pelo fato de constituir-se o meu Estado o único acesso aos países andinos e consequentemente da escoação de produtos pela malha rodoviária até os portos do Oceano Pacífico. 24 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Nesta leitura, registramos que a frota de veículos do Estado do Acre, que em 2002 era de aproximadamente 50 mil veículos, hoje é de 180 mil veículos (mais que o triplo). O efetivo da PRF, que em 2002 era de 42 policiais, hoje é de 32 policiais. Em todo o Estado do Acre existem apenas dois postos de fiscalização: um em Rio Branco/AC, a cerca de 10 quilômetros do centro da cidade, onde está lotado o efetivo operacional disponível (em média três policiais por plantão), que atende todas as ocorrências no perímetro urbano de Rio Branco (maioria das ocorrências) e também os demais trechos das BR-364 e 317. O outro posto é na entrada de Xapuri/AC, fronteira com a Bolívia e o Peru, mas não dispomos de efetivo para manter policiais de plantão diário, sendo atendido através de ronda ou quando do atendimento de acidentes. Em 2011, houve o acréscimo do trecho entre Sena Madureira e Cruzeiro do Sul, com ocorrência de muitos acidentes que não foram atendidos pela PRF por falta de estrutura material e de efetivo. Existe também o trecho da Rodovia Interoceânica, através da BR-317, também sem condições de fiscalização pelos motivos acima elencados. Mesmo com todas as dificuldades, em 2011 foram fiscalizados 23 mil veículos e 30 mil pessoas pela Polícia Rodoviária Federal no Estado do Acre, resultando na apreensão de cinco armas de fogo e 71 munições, apreendidos 52 quilômetros de cocaína, recuperados nove veículos roubados, apreendidos 27.900 pacotes de cigarros contrabandeados, 491 mil itens de contrabando apreendidos, 13 pessoas foram presas com mandado de prisão em aberto, 28 pessoas foram presas por embriaguês, 109 pessoas por outros flagrantes, entre muitas atividades, como 25 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 multas por infrações de trânsito, auxílio a usuários, retirada de animais da pista, operações conjuntas com outros órgãos, etc. Sras. e Srs. Deputados, atualmente o Projeto de Reestruturação do Departamento de Polícia Rodoviária não deu celeridade à instalação da necessária Superintendência no Estado do Acre. Nesse sentido, estou aqui apresentando indicação ao Ministro da Justiça, ao qual o órgão é subordinado, bem como ao Diretor Geral da Polícia Rodoviária Federal, para que seja instalada com a máxima urgência possível a Superintendência no Estado do Acre, bem como a implementação de delegacias nas cidades de Cruzeiro do Sul e Brasileia. 26 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra, pela ordem, ao ilustre Deputado Roberto de Lucena, do PV de São Paulo. S.Exa. dispõe de 5 minutos na tribuna. O SR. ROBERTO DE LUCENA (Bloco/PV-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, hoje tem início o desfecho do julgamento do que, se não foi uma das maiores crises políticas da história brasileira, sem dúvida foi um dos seus capítulos mais sombrios. Essa crise produziu um inquérito de 77 volumes e de mais de 13 mil páginas. São cerca de 600 testemunhas. Refiro-me, Sr. Presidente, à crise do mensalão, que assim foi denominada, pela primeira vez, por periódico de grande circulação nacional, em 6 de junho de 2005, a Folha de S.Paulo. Nesse que será um dos julgamentos mais longos de sua história, o Supremo Tribunal Federal fará analise do caso que envolve 38 réus acusados de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, peculato e formação de quadrilha. Mais do que o julgamento dos réus, é o julgamento da política brasileira. E não se trata de um julgamento político, mas do julgamento da política. O que está no banco dos réus, ilustre Deputado Amauri Teixeira, não são apenas indivíduos, mas, a partir desse caso, a maneira inaceitavelmente equivocada de construir processos políticos neste País. Sr. Presidente, por meio de uma rápida pesquisa na Internet, podemos encontrar, infelizmente, uma lista de grandes casos de corrupção, em que são enumerados, com detalhes, mais de 60 escândalos políticos no Brasil, da década de 70 até hoje. 27 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O Brasil, a República, a democracia não suportam mais, em nenhum sentido, a continuidade desse ciclo do mal, onde “vale tudo” e “de tudo” para a conquista ou a manutenção de um projeto de poder. Não é possível que não tenhamos tirado uma lição desses acontecimentos. Manifesto aqui a minha confiança na autonomia, na independência e na competência do Judiciário brasileiro. As instituições sérias deste País, Sr. Presidente, não se devem curvar a qualquer poder ou agente político comprometido com a corrupção. A mobilização da sociedade em torno daquilo que é lícito, ético, de forma crítica em relação ao que ocorre no poder político, na esfera pública, na área privada, no dia a dia de cada um de nós, impõe a diminuição da corrupção. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, sem qualquer falso moralismo, até porque tenho muita dificuldade em alinhar-me com o tom daqueles que se propõem a ser paladinos da ética e da moralidade, digo que não podemos afiançar um modelo de fazer política que se alimenta da corrupção. Não podemos dar espaço para a apropriação privada daquilo que é público. Não julgo. Não condeno. Essa competência não é minha, não é nossa. Essa competência é dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. No entanto, negar que algo estranho e errado aconteceu em todo esse imbróglio parece-me um erro ainda pior e maior. Os fatos trazidos à tona, devidamente esclarecidos, certamente avaliados, serão, neste momento, julgados na apropriada esfera de competência. Espero, Sr. Presidente, que o desfecho desse episódio culmine com o fortalecimento da democracia, do Estado e de suas instituições, da sociedade e de suas representações. 28 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Que o Brasil seja definitivamente passado a limpo, que cada cidadão deste País se orgulhe de ser brasileiro e que a justiça seja feita! Que Deus abençoe o Brasil! Era o que eu tinha a dizer, Sr. Presidente. Muito obrigado. 29 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Líder Rubens Bueno, para uma Comunicação de Liderança, pelo Bloco PV/PPS. S.Exa. dispõe de 3 minutos na tribuna. O SR. RUBENS BUENO (Bloco/PPS-PR. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, venho à tribuna para fazer uma reclamação que mostra a gravidade do tema. Não só de ameaças vive o Parlamento. Por ser um Poder desarmado, tem aqui o espaço para o debate, o debate de ideias, a colocação de posições, a defesa de projetos, daquilo que acontece no cotidiano, da conjuntura política. A ameaça estampada pela Folha de S.Paulo recentemente diz que o Presidente da Casa não ia permitir que se instigasse aqui a discussão do processo do mensalão, A, B ou C, utilizando palavras desse tipo. Depois enviou um desmentido, mas o desmentido parece que ficou apenas como um desmentido sem nenhuma razão de ser. Prevaleceu a ameaça. Se já tem toda uma discussão para estabelecer a mordaça na impressa livre do País, agora ela se concretiza. Ontem nós 63 Parlamentares falaram neste plenário sobre diversos assuntos, e 11 deles falaram sobre o mensalão. Líderes ocuparam a tribuna, no horário de Liderança, e trouxeram um grande debate, sempre colocando o tema de que foi processado, a Polícia Federal investigou, o Supremo Tribunal Federal aceitou a denúncia do Ministério Público Federal, do Procurador-Geral da República, e, ao aceitar, o Plenário acordou em abrir o processo e tornar réus aqueles envolvidos no mensalão. Sr. Presidente, trago a V.Exa. esta reclamação para mostrar que o Jornal da Câmara de hoje não traz uma linha sequer sobre o debate ontem no plenário sobre 30 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 a questão do mensalão. Todas as páginas estão aqui e não há uma linha sequer sobre o mensalão. A mordaça está clara e impera na Casa. O Jornal da Câmara, que é o documento escrito, está aqui para provar. Pior, Deputado Amauri Teixeira, o Jornal do Senado traz em manchete o debate do mensalão lá no Senado, e a Câmara dos Deputados quer apagar aqui o que se falou, o que se debateu, a defesa de um lado e de outro, as ideias colocadas, sempre deixando que o Supremo Tribunal Federal tenha o papel final de fazer das instituições, sobretudo do Poder Judiciário, esta presença da maior importância no julgamento histórico deste momento. Sr. Presidente, o art. 17, do Regimento Interno, elenca uma série de atribuições ao Presidente. O item V fala das publicações e da divulgação, que é uma atribuição do Presidente da Casa. Determinar e não permitir publicação que fira o decoro são atribuições também do Presidente. Fala sobretudo algo da mais importância, que é determinar a publicação ou não de toda matéria referente à Câmara. É importante destacar que o Jornal da Câmara tem como função principal — e isso está aí nas atribuições do Jornal da Câmara — a seguinte: “O Jornal da Câmara noticia os debates e as votações realizadas no Plenário Ulysses Guimarães”. Está claro, Sr. Presidente, que a censura imposta à Casa de fato aconteceu, e nós não podemos, como Democratas, como aqueles que querem, cada vez mais, avançar na democracia, proibir que este fato seja trazido à Casa. Muito obrigado. 31 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Continuando o período do Pequeno Expediente, concedo a palavra ao ilustre Deputado Eleuses Paiva. Em seguida, ao Deputado Amauri Teixeira. V.Exa. dispõe de 5 minutos da tribuna. O SR. ELEUSES PAIVA (PSD-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, telespectadores e ouvintes dos meios de comunicação da Câmara dos Deputados, ocupo esta tribuna no dia de hoje para, conjuntamente com outros Parlamentares que já a ocuparam, falar que a quase totalidade dos corações e mentes se voltam, a partir de hoje, para um dos momentos mais tensos e decisivos da nossa história. A abertura, pelo Supremo Tribunal Federal, do julgamento da Ação Penal nº 470, mais conhecida como o processo do mensalão, coloca a Nação em uma encruzilhada grave. O resultado desse julgamento poderá acender a esperança de um futuro de grandeza deste povo, mas, por outro lado, poderá nos afundar no pessimismo, prostrados diante da impunidade. Não queremos este País, de tão promissor futuro, comandado por acordos subterrâneos e obscuros. Não queremos e não aceitaremos coligações político-partidárias sustentadas por dinheiro sujo que brota do ventre prostituído dos famosos e famigerados caixas dois. A Nação tem consciência de que não cabe aos julgadores identificar se os 38 réus desse processo eram da base do Governo ou da Oposição; se eram Deputados ou se eram Ministros ou Senadores, dirigentes partidários ou banqueiros. 32 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Não pedimos aqui punição; pedimos justiça, pedimos que não haja impunidade. E, se por acaso, existirem culpados, que essa punição seja exemplar. Aos julgadores, entendemos, o que importa unicamente é definir se eles burlaram ou não a lei, se cometeram crimes ou não, se trocaram a honradez das relações políticas pela desmoralização do Parlamento e dos partidos. E, por fim, ao julgador importa dosar, com rigor, exemplar pena que deve ser atribuída aos culpados. Nós não podemos aceitar que penas para pequenas impunidades sejam criadas para algum tipo de acordo, até porque não entendo que o Plenário do Supremo Tribunal Federal se curvará a esse tipo de atitude. A história da humanidade é pródiga em exemplos de povos que sucumbiram simplesmente porque foram negligentes com os seus princípios éticos e morais e, principalmente, de justiça. Sucumbiram como Nação e como Estado. A nossa expectativa é de que os respeitados Ministros do Supremo Tribunal Federal estudem com rigor a denúncia da Procuradoria-Geral da República, e blindado das pressões palacianas ou partidárias, e apliquem o rigor da lei a cada réu que considerado e de fato for culpado. Só assim a sociedade deste País estará em paz e continuará a educar seus filhos para um futuro de confiança, confiança na lisura de todas as instâncias. E, com certeza, acredito que a partir do dia de hoje teremos início a uma mudança de postura político-partidária neste País. É a grande chance que este Parlamento e a classe política deste País têm de resgatar a credibilidade dos entes públicos, resgatar a credibilidade deste Parlamento, de seus atores, a credibilidade perante a sociedade deste País. Não venho aqui pedir punição para nenhum dos 38 membros, até porque não sou Ministro do Supremo, não atuo no Judiciário. Mas venho pedir que, se culpado 33 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 forem, que recebam penas exemplares, para que a sociedade deste País saiba que não existe impunidade em qualquer instância, muito menos dependendo de cargos de poder ou não, de condições econômicas ou não daqueles que julgados forem. Não tenho nenhuma visão político-partidária sem nenhum grau de constrangimento a nenhum partido político, porque eu acredito que esse julgamento transcende os partidos políticos, um julgamento que todos nós e o País espera, e, com certeza será um passo decisivo para uma grande transformação. Muito obrigado, Sr. Presidente, muito obrigado, Sras. e Srs. Deputados. 34 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra, pela ordem, ao ilustre Deputado Amauri Teixeira, do PT da Bahia. S.Exa. dispõe de 5 minutos na tribuna. O SR. AMAURI TEIXEIRA (PT-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, primeiro, quero afirmar minha crença na postura democrática do Presidente desta Casa. Não é verdade que S.Exa. esteja impondo censura. Ontem fui convidado para participar de um debate sobre o mensalão, ao meio-dia, na TV Câmara. Houve o debate. Agora, ser ele divulgado ou não pelo Jornal da Câmara... Eu já fiz diversos pronunciamentos, inclusive no Grande Expediente, que não foram publicados no Jornal da Câmara. Não há espaço! Ontem foi um dia cheio, eu me pronunciei, falei sobre outras matérias, matérias que considero relevantes, mas o pronunciamento não foi divulgado pelo programa A Voz do Brasil, e eu pedi que fosse. O debate aqui ontem, residualmente, foi sobre esse assunto. O Presidente Marco Maia tem tido uma postura democrática, uma postura aberta, bem como toda a Mesa. Sr. Presidente, V.Exa., o Presidente Marco Maia, a Presidenta Rose de Freitas têm tido postura democrática, coordenando iguais. Estamos aqui entre iguais, e a Mesa coordena o processo. A Mesa tem feito isso de forma sistemática e tem garantido o Regimento e o espaço de todos. Às vezes, até abusam. Os Líderes têm abusado nesse processo. Nós precisamos mudar o Regimento para garantir a voz dos que estão em plenário, para garantir a voz dos que aqui chegam mais cedo, dos que se inscrevem com antecedência. É verdade que, às vezes, os Líderes chegam e usam o 35 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Regimento Interno em detrimento daqueles que se esforçam para estar aqui mais cedo e fazer uso da palavra. Eu quero reafirmar minha crença e minha confiança na postura democrática, aberta, transparente do Presidente Marco Maia, de toda a Mesa, inclusive de V.Exa., Sr. Presidente, que tem primado em garantir a palavra a todos os Parlamentares desta Casa. Ninguém pode negar isso. Apenas um episódio, relacionado ao Jornal da Câmara, não serve como exemplo. O programa A Voz do Brasil está sendo atacado. Certas pessoas — algumas delas, inclusive, defendem a livre imprensa — querem acabar com esse programa, que é a maior expressão da democracia neste País, programa que garante que todos nós falemos, independentemente de qualquer coisa. A imprensa desta Casa, o Jornal da Câmara, a TV Câmara, e A Voz do Brasil têm assegurado a pluralidade. Não reclamo quando não saio na mídia. Há dias em que não tenho o pronunciamento publicado no Jornal da Câmara, e sou um dos Deputados mais presentes, se não for o mais presente. Não há espaço para que todos os Parlamentares tenham seus pronunciamentos publicados todos os dias. Usar o fato de eventualmente matéria não ter sido divulgada para dizer que há censura, para mim, é querer forçar a barra. Respeito o Deputado Rubens Bueno, gosto de S.Exa., que é um Deputado sério, mas, nesse caso, acho que ele está forçando a barra. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero registrar que apresentei hoje proposta de emenda à Constituição, a PEC 203/12, que tem como objetivo isentar de tributos a propriedade quilombola, seja rural, seja urbana. 36 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Existem diversas isenções de ITR, inclusive para a pequena gleba rural. Sendo assim, não é justo cobrar tributos relativos à propriedade quilombola, até porque ela não é individual. A Constituição ofereceu solução muito interessante no que se refere às terras indígenas: elas pertencem à União, mas o usufruto é das comunidades indígenas. São isentas essas terras porque são de propriedade da União, e a União tem isenção. No caso dos quilombolas, não. Eles têm a propriedade coletiva da terra. Portanto, não há identificação de sujeito passivo. Não há como identificar, Deputado Siraque, em relação ao ITR, o sujeito passivo da propriedade quilombola. Não há como identificar, relativamente ao IPTU, o sujeito passivo da comunidade quilombola, já que a propriedade não é de uma pessoa, é de uma coletividade. Apresentamos essa PEC, portanto, a Proposta de Emenda à Constituição nº 203, para tornar isentas de ITR ou de IPTU as propriedades das comunidades quilombolas deste País, em atendimento, inclusive, a princípios constitucionais. A Constituição diz que quem não tem capacidade contributiva não paga tributo, e nós sabemos da carência, dos parcos recursos financeiros e econômicos dessas comunidades. O poder público tem que ajudar no sentido de garantir dignidade aos quilombolas, de melhorar sua qualidade de vida, seu bem-estar. Cobrar tributo de quilombola é ir no caminho inverso. Talvez tivéssemos que instituir para os quilombolas o Imposto de Renda negativo, tão bem defendido pelo Senador Eduardo Suplicy, e não cobrar deles ITR ou IPTU. Espero, portanto, que esta Casa vote e aprove essa PEC, para que possamos corrigir mais uma injustiça neste País. Muito obrigado, Sr. Presidente. 37 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra, pela ordem, ao ilustre Deputado João Caldas, do Partido Ecológico Nacional de Alagoas. S.Exa. dispõe de 5 minutos na tribuna. O SR. JOÃO CALDAS (PEN-AL. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, hoje faz 22 dias que a bancada federal e o Governador de Alagoas tiveram audiência com a Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e com o Presidente do IBAMA. Ficou acordado, ficou acertado que o IBAMA e o Ministério do Meio Ambiente fariam um trabalho exaustivo, um trabalho específico, com uma equipe específica, para dar seguimento à licença do IBAMA relativa à construção de estaleiro, à instalação da indústria naval no Estado de Alagoas. A indústria naval está sendo esperada por todos os alagoanos, por todos os Municípios, por todas as classes. Alagoas precisa de emprego, de oportunidades. Não vamos discutir aqui o que já falamos, desta tribuna, em outras ocasiões, sobre o tratamento desigual que é dado, em que há dois pesos e duas medidas. Em alguns Estados, o IBAMA não tem competência e delega poderes, a exemplo do Espírito Santo, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Maranhão, Bahia, sem falar do Rio de Janeiro, sem falar de São Paulo. Nós já dissemos que não somos contra o desenvolvimento de nenhum Estado da Federação, mas queremos que haja equilíbrio, isonomia, equidade, oportunidades. Não é justo que o Governo Federal invista bilhões em um Estado e deixe o Estado vizinho à mercê do trabalho, da monocultura da cana-de-açúcar, da falta de oportunidades. Faltam 8 dias para que o IBAMA se pronuncie. O Governo de Alagoas e o povo alagoano estão esperando por essa boa notícia. 38 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Mais uma vez, apelamos para o bom senso do Governo Federal, das entidades federativas deste País, para que encontremos a saída. O estaleiro EISA já fez o contraditório, Sr. Presidente, em relação ao parecer do IBAMA. Lá, onde estão dizendo que há uma restinga, só existe lixo, miséria. Para ser sincero e para corroborar com a verdade, nunca o IBAMA passou por lá. Nunca! Então, é de se estranhar que se diga que aquilo agora pode ser uma reserva. Setenta hectares que podem ser replantados, podem ser deslocados, remanejados, dentro das técnicas agronômicas de que dispomos hoje, dentro do manejo de plantas, dentro de toda a engenharia que temos hoje, de genética e de cultivo. Não é possível que não tenhamos competência para equacionar essa problemática. O que vemos em outros Estados é a devastação. Inclusive, dinamitaram arrecifes, fizeram crateras enormes, causaram danos ambientais irreparáveis. Em Alagoas, foi atingida a esperança do povo alagoano. A indústria naval gerará milhares e milhares de empregos para uma gente que precisa de oportunidades. E serão milhões em impostos. Muitas pessoas já estudaram e se prepararam para trabalhar na indústria naval, fizeram cursos, gastaram os parcos recursos de suas famílias, de seus pais, em busca de empregos. Escolas se abriram, escolas técnicas foram planejadas para esse setor. Menciono as escolas de Coruripe, Penedo, São Miguel dos Campos, as CEFETs, todas preparadas e voltadas para o advento do estaleiro. E vem a frustração, infelizmente. Os empresários não vão esperar a boa vontade, não vão esperar que questões e decisões políticas atrapalhem o capital, atrapalhem a produtividade. O empresário se muda, vai embora, vai para outro canto. O empresário quer gerar emprego, quer gerar riqueza, mas ele visa o lucro. A iniciativa privada paga os seus 39 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 impostos, contribui com a sociedade por meio da geração de empregos, mas ela quer lucros. Quando há prejuízo, o empresário foge para um local que lhe oferece mais condições. Faço um apelo então, Sr. Presidente, ao Governo Federal, à Ministra, que nos recebeu tão bem, ao Presidente do IBAMA, para que o bom senso prevaleça. Mas quero, ainda, deixar um recado: a bancada de Alagoas não vai recuar nesse caso. Vamos exaurir todas as possibilidades, fazer todo o diálogo, vamos encontrar esse caminho. A bancada não arredará o pé, não aceita veto, não admite dois pesos e duas medidas. Estamos prontos para enfrentar essa luta, que é suprapartidária, não tem cor, não tem credo, é uma luta de todos os alagoanos, principalmente dos mais necessitados, dos que querem oportunidades, dos que estão preparando-se nas escolas técnicas, nas universidades, com o objetivo de trabalhar, ter emprego digno, emprego de qualidade. Muito obrigado, Sr. Presidente. 40 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Vanderlei Siraque, do PT de São Paulo. S.Exa. dispõe de 5 minutos na tribuna. O SR. VANDERLEI SIRAQUE (PT-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, cidadãs e cidadãos brasileiros, começou, no Supremo Tribunal Federal, o julgamento relativo a uma das maiores calúnias e difamações que o Brasil já viu em sua história, Deputado Amauri Teixeira. Lamentavelmente, vi alguns Ministros do Supremo e o Procurador-Geral da República dizerem que vão julgar um crime não tipificado. Estudei em faculdade de Direito, e não vi no Código Penal, não vi na Constituição, não vi em nenhuma legislação penal tipificação com o nome de mensalão. Não vi isso em nenhum lugar. Eu não estou duvidando da isenção dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. Aliás, fiz minha dissertação de mestrado tomando como base artigo de autoria do Presidente Carlos Ayres Britto, que foi publicado na Revista de Direito Administrativo. Tratava o artigo sobre a diferença entre participação popular e controle social do Estado. Mas a questão é que boa parte da imprensa nacional e alguns Deputados — ouvi ontem alguns discursos, mas não tive a oportunidade de falar — desejam substituir o papel dos juízes, dos magistrados, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. O que estão fazendo com o Ministro Toffoli? Por que não falam do Ministro Gilmar Mendes, das relações que sempre teve com o ex-Senador, ex-Ministro, ex-candidato à Presidência da República José Serra? Não falam da mesma forma. O Ministro teve a coragem de se reunir com Lula, numa conversa privada, e sair contando a conversa, de forma inclusive caluniosa. 41 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Talvez a imprensa deseje que Ministros se aposentem. Qual seria o voto do Ministro Peluso? Qual seria o voto do Ministro Gilmar Mendes? Qual seria o voto do Ministro Toffoli? Eles querem decidir. Eu vi algumas reportagens sobre compra de votos. Falar de compra de votos é acusar a Câmara dos Deputados, não os 38 réus. Se alguém comprou voto nesta Casa — eu não estava aqui na Legislatura passada —, foi porque alguém vendeu voto. Se alguém vendeu voto, deveria haver a lista. Se alguém compra, deve haver o objeto da compra, deve haver a lista de quem vendeu. Qual é a lista que o Procurador-Geral da República tem, no caso de quem vendeu os votos? Para acusar alguém de compra, deve ter a lista de quem vendeu. Se alguém vendeu, estão sendo acusados os 513 Deputados da Legislatura passada. Os Senadores estão sendo acusados. Onde está a lista? Onde está o objeto do suposto crime do tal do mensalão, essa criação que fizeram, essa calúnia, essa difamação que fizeram de forma fascista, de forma nazista? Hitler já dizia, Sr. Presidente, que uma mentira dita muitas vezes pode se transformar em verdade. Fizeram essa transformação, subiram numa torre e espalharam as penas de um travesseiro, e agora estão pedindo que os réus recolham as penas. Para setores da imprensa, só há um resultado nesse julgamento: condenação. Os réus não podem ser absolvidos. Acreditamos na isenção do Supremo Tribunal Federal, sim. Ouvi muita gente dizer, inclusive o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, que eles devem ser julgados de forma republicana. É isto o que nós queremos, que sejam julgados de forma republicana. E julgar de forma republicana significa dizer que a lei é igual para todos, inclusive quanto ao direito de defesa. 42 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 No caso do então Senador Demóstenes, o Procurador-Geral da República — desculpe-me — só entrou com a ação depois que houve o noticiário. Demorou mais de 3 anos. Agora, quando são Deputados ou ex-Deputados do PT, ele foi muito rápido, inclusive acusando nosso companheiro José Dirceu de chefe de quadrilha. Qual é a quadrilha? Qual é o crime? Quem foi comprado por José Dirceu nesta Casa na legislatura passada? Não existe lista nesse sentido. Quem deveria ser declarado suspeito é o Procurador-Geral da República. A CPMI, Sr. Presidente, devia ter a coragem de convocá-lo, porque ele, sim, colocou-se acima da lei, da Constituição. Disse que não pode ser convocado. Na República, todos podem. Tem que ser julgado o que está nos autos, não o que está nos noticiários, nas páginas dos jornais. Para encerrar, Sr. Presidente, digo que esperamos, sim, isenção do Supremo, e esperamos que os 11 Ministros possam votar. Não se pode declarar que o Ministro Toffoli é suspeito e que o outro não é. Obrigado, Sr. Presidente. 43 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra, pela ordem, à ilustre Deputada Perpétua Almeida. S.Exa. dispõe de 3 minutos na tribuna. A SRA. PERPÉTUA ALMEIDA (PCdoB-AC. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, colegas que nos assistem pela TV Câmara, na verdade, hoje, dividimos a audiência da TV Câmara com uma audiência maior hoje em nosso País. Refiro-me à audiência da TV Justiça, que, neste momento, trata de um assunto que tomou conta da mídia nacional, o julgamento referente ao que se passou a chamar de mensalão. Se é verdade o que a Presidenta Dilma disse — é uma dor pela qual muitos terão que passar —, é melhor que façamos isso agora, para que possamos virar essa página da história brasileira, da história da política brasileira. Mas, Sr. Presidente, ocupei a tribuna, com o pouco espaço de tempo de que disponho, para, primeiro, lamentar a falta de acordo no Parlamento brasileiro. Após o retorno dos trabalhos, não conseguimos acordo para votar absolutamente nada, e não é por falta do que votar, porque, nesta Casa, há propostas e projetos importantes. Estou aqui ansiosa, aguardando a medida provisória da Presidenta Dilma que faz todo um realinhamento e uma rediscussão acerca dos descontos nas contas de energia elétrica em nosso País. No Acre, por exemplo, colegas Parlamentares, temos realizado, junto com o movimento social, várias campanhas para redução do ICMS. Agora a Presidenta Dilma vem fazendo um apelo. Primeiro, ela vai fazer isso com a COFINS, assim como estabelecerá outros descontos que poderão ser implementados na área da indústria, mas ela chama a atenção dos Estados brasileiros que podem e devem garantir a redução do ICMS na conta de energia. A 44 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Presidenta Dilma até reafirma que o ICMS é um dos tributos mais caros no caso da conta de energia elétrica. Sr. Presidente, no meu Estado, infelizmente, as empresas concessionárias de energia elétrica têm feito uma total vergonha do trabalho do Governo Federal, logo um Governo que tem, como menina dos seus olhos, um dos projetos mais lindos, o Luz para Todos, que chega a cada cantinho do nosso Brasil, leva energia para todos no campo. Já nas cidades, as empresas prestadoras do serviço de energia elétrica são uma vergonha. Eu vi vários empresários do Acre, pequenos produtores derramarem leite, jogarem os produtos estragados em frente às empresas de energia elétrica do Estado, porque elas não prestam um serviço adequado no Estado, em nossa cidade. Agora quero fazer um apelo não só ao Governador do meu Estado, o Acre, mas aos Governadores de todos os Estados do Brasil: escutem o conselho da Presidenta Dilma e reduzam a taxa de ICMS que incide na tarifa de energia elétrica em nosso País. É inadmissível que as pessoas comuns tenham que pagar de imposto muito mais do que o que elas consomem de energia. Portanto, todo o apoio à decisão da Presidenta Dilma! Vamos, no Brasil inteiro, todos os Governadores, reduzir a taxa de ICMS incidente na tarifa de energia elétrica em nossos Estados, em nosso País! Muito obrigada, Sr. Presidente. 45 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Durante o discurso da Sra. Perpétua Almeida, o Sr. Inocêncio Oliveira, 3º Secretário, deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Amauri Teixeira, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. 46 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Nós vamos garantir a palavra aos Líderes, evidentemente, e ao Deputado José Stédile. Depois entraremos no Grande Expediente. 47 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Vicente Selistre, para uma Comunicação de Liderança, pelo PSB. S.Exa. dispõe de 4 minutos. O SR. VICENTE SELISTRE (PSB-RS. Como Líder. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, demais Deputados aqui presentes, Deputadas, companheiro Deputado José Stédile, do Partido Socialista, saúdo a todos. Utilizamos o tempo da Liderança do Partido Socialista para registrar alguns tópicos importantes. Primeiramente, dizemos que, em Campo Bom, no Rio Grande do Sul, na região calçadista do Vale do Sinos, foi inaugurada, nessa segunda-feira — tivemos a satisfação de ser convidados para assistir ao evento —, a sede nacional da Arezzo. É uma importante indústria de calçados no Brasil e no mundo, que gera, em Campo Bom e na região, mais de mil empregos, e são milhares de empregos pelo Brasil afora. Suas unidades fabricam calçados de valor agregado. Essa importante indústria brasileira gera milhares de empregos igualmente por intermédio das indústrias que também fabricam produtos dessa marca. Exporta para o mundo inteiro. Essa marca brasileira, que inclui a Alexandre Birman e outras marcas, é respeitada. Saudamos então, na pessoa do seu Presidente e do seu Vice-Presidente, Anderson Birman e Alexandre Birman, essa iniciativa, que mostra a pujança do setor produtivo, mostra a pujança e a importância do setor de calçados no Estado do Rio Grande do Sul. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, dizemos também, com muita satisfação, que estivemos ontem, em carro de som, com os trabalhadores técnico- 48 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 administrativos, os lutadores da FASUBRA, para que haja negociação e encaminhamento de propostas dos técnicos administrativos das universidades brasileiras. Ontem também estivemos, comandados pelo Presidente da Comissão de Trabalho, da qual faço parte, o companheiro Deputado Sebastião Bala Rocha, em audiência com a Ministra Miriam Belchior, juntos com aproximadamente 20 companheiros Deputados. E hoje, pelo telefone, recebemos um retorno: fomos informados de que, na segunda-feira, o Ministério, por intermédio do Secretário de Relações de Trabalho no Serviço Público, Sérgio Mendonça, estará fazendo essa negociação com a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras — FASUBRA. Então, saudamos isso. Entendemos que já está mais do que na hora de que tenhamos uma mesa de negociação que encaminhe, que agilize, que respeite também a reivindicação desses trabalhadores, para que haja uma solução. Não adianta encaminhar os docentes para o retorno ao trabalho e continuarem os técnicos administrativos em greve. Esperamos que haja uma solução, o mais breve possível, quanto a essa preocupação do povo brasileiro, em especial dos estudantes, dos jovens e das famílias brasileiras, sobre a greve nas universidades federais do nosso País. Por fim, registramos a ocorrência de importante audiência pública, de debate com os companheiros marítimos e fluviários sobre a proteção do seu trabalho, para que não sejam tomadas medidas que flexibilizem, que tornem precário o trabalho dos marítimos do Brasil, causando-lhes desemprego. 49 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Saudamos, portanto, a audiência a que estiveram presentes o SINDMAR, a CONTTMAF e diversos marítimos e fluviários do Rio Grande do Sul. Estiveram presentes para proteger o estratégico setor da marinha mercante, das navegações no Brasil e a importante categoria dos marítimos do nosso País. Em nome da Liderança do PSB, agradecemos. Eram essas as minhas palavras, Deputado Amauri Teixeira, Presidente da Mesa. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Parabéns pelo pronunciamento. 50 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Concedo a palavra ao Deputado Sebastião Bala Rocha, para uma Comunicação de Liderança, pelo PDT. S.Exa. tem 3 minutos. O SR. SEBASTIÃO BALA ROCHA (PDT-AP. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, primeiro, quero me congratular com o orador que me antecedeu, o colega Deputado da Comissão de Trabalho, em razão do sucesso de ontem da nossa audiência pública, no sentido de se viabilizar a retomada das negociações com os técnicos administrativos das universidades brasileiras. Acredito que o trabalho feito pelos Parlamentares da Comissão de Trabalho e da Comissão de Educação, presidida pelo Deputado Newton Lima, de fato surtiu efeito. Esperamos agora que os desdobramentos sejam positivos, para encontrarmos uma solução que rapidamente ponha fim tanto à greve dos docentes quanto à dos próprios técnicos administrativos. Foi uma boa reunião, embora ainda estejamos na expectativa de que os resultados sejam positivos. Segundo, Sr. Presidente, quero agradecer ao Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, por ter contribuído, junto com a Secretaria de Relações Institucionais, para a liberação de importante emenda para o Amapá, no valor de aproximadamente 8 milhões de reais. É uma emenda de bancada, mas foi de minha iniciativa. Trata da aquisição de equipamentos para novos hospitais, novas áreas, novos departamentos hospitalares nos Municípios de Santana e Laranjal do Jari, no Estado do Amapá. Há ainda emenda de aproximadamente 1,6 milhão de reais para Oiapoque, que vai ganhar também nova área de saúde, que precisa funcionar. Não basta 51 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 construir. Construir é a parte mais fácil. Depois vem a responsabilidade. É sempre mais difícil equipar a unidade e colocá-la em funcionamento. Parabéns ao Ministro Padilha e à Presidente Dilma. O Amapá agradece por termos conseguido esses recursos. Ainda com relação ao Ministro Padilha, quero me congratular com S.Exa. e parabenizá-lo pelo convênio feito entre o Ministério da Saúde e o Facebook, em que, por meio de nova ferramenta, podemos nos declarar doadores de órgão. Eu quero ser doador de órgão. Não fiz essa declaração ainda, mas vou aproveitar essa ferramenta lançada pelo Ministro Padilha para poder também favorecer, através das redes sociais, a doação de órgãos. Presidente Amauri, a Câmara dos Deputados, por intermédio de sua mídia interna, como o Jornal da Câmara, poderia incentivar a doação de órgãos no Brasil. Isso é muito importante, pode salvar vidas. Como médico, defendo muito a doação de órgãos. Por isso sou também doador de órgãos. Declaro-me, agora, nesta tribuna, doador de órgãos. Vou acionar essa nova ferramenta. Por último, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ainda sobre greves, elas não ocorrem só nas universidades. As greves estão, de fato, alcançando vários órgãos. Hoje tive importante reunião na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público com representantes dos sindicatos das agências reguladoras, praticamente todas em greve, a ANVISA, a ANATEL. Em vários outros órgãos houve a incorporação das gratificações nos subsídios. As agências ainda não alcançaram essa possibilidade junto, por exemplo, com o INSS. Grande parte do salário é pago por meio de gratificações, o que 52 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 prejudica o trabalhador, principalmente quando vai aposentar-se. O servidor faz o pagamento com base no total de sua remuneração, mas, quando vai aposentar-se, recebe a aposentadoria — no caso da família, a pensão — com base no subsídio. É muito importante que o Ministério do Planejamento também olhe com carinho para essa situação. Devemos realizar audiência pública na Comissão de Trabalho para tratar, inclusive, de um decreto da Presidente Dilma que manda substituir trabalhadores em greve, o que vai contra a lei. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Deputado Sebastião Bala Rocha, parabenizo V.Exa. O Ministro Padilha é dinâmico, tem modernizado a gestão. É importante a doação de órgãos. Sou doador de medula, tenho carteirinha, estou inscrito como doador voluntário de medula óssea, no Instituto Nacional do Câncer. Fui Subsecretário de Saúde e sei da importância da doação de órgãos. Fui um dos primeiros estudantes da Bahia, ainda secundarista, a aderir à campanha do Hospital Espanhol para doação de córneas. É um ato inteligente, além de solidário e importante. Todos nós, algum dia, poderemos precisar de um órgão para que a nossa vida prossiga. Parabenizo V.Exa. pela lembrança e declaro que também vou aderir a essa campanha por meio do Facebook. 53 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Concedo a palavra ao último orador inscrito no Pequeno Expediente, o Deputado José Stédile, do PSB do Rio Grande do Sul. O SR. JOSÉ STÉDILE (PSB-RS. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero saudar mais uma vez, de forma carinhosa, o novo integrante desta Casa, o Deputado Vicente Selistre, importante Deputado do Rio Grande do Sul. Saúdo também a presença, no Congresso Nacional, de representantes da cidade de Espumoso, Rio Grande do Sul: Albino dos Santos, Secretário de Administração, e Gerson Cecchele, engenheiro civil. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, faço referência ao importante ato que a nossa Presidente tomou com relação a desconto no Imposto de Renda dos trabalhadores quando receberem participação nos lucros das empresas. Como todos sabem, a participação nos lucros era bitributada. As empresas pagavam o Imposto de Renda, por meio do pagamento da participação, e os trabalhadores, da mesma forma, eram descontados. Por isso é importante o ato da Presidência da República que desonera o pagamento de Imposto de Renda pelos trabalhadores que receberem participação nos lucros até o valor de 6 mil reais. Espero que esse valor se amplie nas próximas medidas, porque, como disse, ele já é tributado por ocasião do seu pagamento pelas empresas. Quero também registrar que assinei o requerimento relativo à CPI da telefonia no Brasil, da qual faço questão de participar com muito afinco. A telefonia no Brasil é a mais cara do mundo. É muito importante a ação que o Governo realizou e está 54 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 realizando para regulamentar e cobrar a atuação das empresas em todos os Estados brasileiros. Pelo fim do abuso que está sendo cometido contra o povo e pelo respeito ao povo brasileiro, espero que a CPI da Telefonia tenha sucesso, avance. Que a telefonia, de fato, cobre preços justos e que a comunidade possa realmente ter o seu celular, ter acesso ao telefone de forma mais barata. Sr. Presidente, já declarei que acho lamentável que, numa quinta-feira, 250, 300 Deputados estejam aqui para votar, para debater, quando o Brasil precisa de nós, e nada está sendo votado, por falta de acordo entre alguns partidos. Na verdade, não é acordo, é chantagem, em minha opinião. Alguns partidos que se dizem contra as emendas parlamentares ficam denunciando que o Governo usa essas emendas para atrair os partidos, os Parlamentares. O que acho estranho é que, ao mesmo tempo em que eles são contra, eles boicotam a votação, por não ter sido liberada a emenda parlamentar. Se é contra, não boicote! Eu também acho que o Brasil precisa rever a questão das emendas parlamentares. Mas não podemos ter duas posições. O Deputado não vem votar, o partido boicota as votações porque não foi liberada a emenda parlamentar, em relação à qual ele é contra. É um absurdo isso. O Brasil precisa saber da chantagem que estamos vivendo aqui. A maior parte dos Deputados quer estar aqui presente, quer votar, quer aprovar as medidas provisórias importantes, como essa que trata da seca no Nordeste. Quase todos os Estados do Brasil estão com algum problema, e nós não votamos. É um desrespeito ao povo brasileiro. 55 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Por isso, fica registrada a minha indignação, como Deputado de primeiro mandato. Espero que, nas próximas sessões, haja o acordo, a participação e não haja mais chantagem nesta Casa. Um grande abraço, Presidente Amauri. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Eu sou candidato a Prefeito de Jacobina, Deputado José Stédile, e estou aqui. Vim porque acho importante a MP 565, que suspende a execução das dívidas de produtores rurais da Bahia, do Nordeste; a MP 569, que abre crédito de mais de 600 milhões de reais para os Estados e Municípios atingidos pela seca. Nós viemos para votar, e nos deparamos com essa situação lamentável, de chantagem. Não podemos trocar o interesse de toda a população brasileira pelo nosso interesse. V.Exa. tem inteira razão! Espero que, na próxima semana, possamos votar. Estão aí servidores do DNOCS, que tiveram a gratificação cortada. Estão esperançosos DE que votemos também a MP 565. Não conseguimos dar conta dessa medida provisória desde antes do recesso! 56 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Passa-se ao V - GRANDE EXPEDIENTE Concedo a palavra ao Sr. Deputado Valry Morais, do PRP do Pará. S.Exa. disporá de 25 minutos. O segundo inscrito no Grande Expediente é o Deputado Josué Bengtson, do PTB do Pará. Portanto, dois oradores do Pará. Cada um terá 25 minutos. 57 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. VALRY MORAIS (Bloco/PRP-PA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, imprensa que nos assiste, espectadores da TV Câmara, quero, neste momento especial da minha vida, invocar um dos mais puros sentimentos humanos: a gratidão. Quero agradecer ao grande Deputado Zenaldo Coutinho e ao meu caro amigo, o Governador do Pará, Simão Jatene, a oportunidade a mim concedida. Tenho a honra e agradeço a oportunidade de representar o povo brasileiro, principalmente o meu Estado, a nossa querida Belém do Pará, e a minha região, região nordeste do Pará, Capanema, onde fui Vereador por cinco mandatos, e fui Secretário de Saúde daquele Município, tendo recebido o Prêmio Amigo da Saúde do Ministério da Saúde. Quero agradecer ao nosso Líder do PRP, Deputado Jânio Natal, e agradecer ainda ao nosso Presidente nacional, Ovasco Resende, sua luta para alavancar o PRP em todo o território nacional, e ao meu amigo Jorge Resende, Presidente regional em meu Estado. Hoje é uma honra, um dever, um compromisso muito grande representar todo o Estado do Pará. Os eleitores sempre são vistos como mercadorias que vencem no dia após a eleição, mas eu tentarei honrar cada um que me confiou o seu voto, e sinto-me orgulhoso, neste momento, de ter um pedacinho deles comigo, de cada jovem, cada doméstica, cada empresário, cada comerciante, de amigos e amigas que eu tenho em meu Estado, principalmente da região nordeste do Pará, que abrange os Municípios de Capanema, Peixe Boi, Primavera, Pirabas, Quatipuru, Timboteua, Salinas, Traquateua, Santa Maria, Bonito, Santa Luzia, Santarém Novo, Ourém, Capitão Poço, Bragança, Cachoeira do Piriá, Augusto Correia e Viseu. 58 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Estou assumindo uma cadeira de Deputado para honrar o PRP e tentar fazer crescer o partido no nosso Estado. Agora somos dois, eu e Jânio Natal, do Estado da Bahia. Vamos, juntos, lutar pelo que o povo quer e pelo nosso partido. Sr. Presidente, o Parlamento é um dos maiores pilares da democracia do nosso País. Sinto-me honrado por representar o meu Estado neste Parlamento. Sempre fiz política por convicção e devoção à causa pública. As minhas credenciais estão marcadas pela defesa da honra e dos bons costumes, pela luta contra a desigualdade social e por cidadania, buscando que o cidadão brasileiro sempre tenha dignidade. Sr. Presidente, o Pará é um Estado com características continentais. É o segundo maior Estado em área territorial. Enfatizo que hoje o Pará é um dos maiores exportadores de minério, com uma participação significativa no PIB brasileiro. Somos um grande exportador de pecuária e temos a maior reserva de minério do mundo. Por sermos um Estado exportador de minério, com a Lei Kandir, sofremos perdas significativas em nossos investimentos. Registro a luta dos Senadores Flexa Ribeiro e Mário Couto em defesa do nosso Estado. Friso ainda, Sr. Presidente, que temos duas hidrelétricas, a de Tucuruí e a de Belo Monte, que ainda está em construção e será a maior do Brasil. Sr. Presidente, destaco aqui a saúde pública do nosso País. O Brasil tem muitos desafios, e precisamos avançar para diminuir as desigualdades sociais. Nosso sistema público de saúde está uma calamidade. Nossos meios de comunicação registram diariamente o desrespeito e o descaso com nossos irmãos brasileiros, que morrem por falta de atendimento, deixando sequelas irreparáveis em 59 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 seus familiares. Isso sem falar na corrupção, que está impregnada em quase todos os prestadores. Foi publicado na imprensa, em março deste ano, um estudo do Sistema Único de Saúde — SUS feito pelo Governo, que aponta os principais da saúde pública do nosso País. O índice de desempenho do SUS mostrou que o maior problema no País é o acesso da população a todo tipo de serviço. Os pacientes têm dificuldades de conseguir atendimento, principalmente em hospitais. E para os procedimentos mais complexos, numa escala de zero a 10, a nota nacional foi de 5,4. Cerca de 27% da população vivem em cidades, grandes ou pequenas, com notas abaixo de 5. Na comparação entre os Estados, o primeiro lugar ficou com Santa Catarina, com 6,2. A pior avaliação é do Estado do Pará. É triste este relato. É triste saber que o Brasil é uma potência e ainda vive esse caos na saúde pública. As políticas públicas de saúde precisam urgentemente ser revitalizadas, com mais investimentos, para garantir o mínimo de atendimento aos usuários do SUS. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na educação nos últimos anos tivemos avanços consideráveis, mas, para sermos um país que avança para o desenvolvimento, precisamos ter a educação como meta de crescimento, precisamos conscientizar-nos de que educação não é despesa, e sim investimento. Nossas universidades já estão em greve há 2 meses. Isso é um desrespeito para com a educação do nosso País. Não temos mão de obra qualificada para atender ao mercado de trabalho. Em meu Estado o caso é mais grave: temos implantadas apenas cinco escolas profissionalizantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e 60 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Tecnologia. Isso não é suficiente. É um número bastante reduzido para atender às necessidades regionais. Registro aqui que o povo paraense sofre diariamente por não ter oportunidade, Sr. Presidente, de qualificação da mão de obra, gerando-se assim um índice considerável de desemprego. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE, 48% da população paraense vivem com uma renda per capita abaixo do salário-mínimo, gerando-se assim em meu Estado uma desigualdade social muito grande. Srs. Deputados, recentemente o Grupo Votorantim, no seu plano de expansão industrial, contemplou uma cidade do nordeste do Pará, o Município de Primavera, com uma indústria de cimento com perspectiva de produção de 50 mil sacos/dia. Mesmo com essa oferta de emprego gerada nesse empreendimento, apenas 20% da mão de obra beneficiaram-se em nosso Estado. Esse número devese à falta de mão de obra qualificada. Isso deve acontecer em todas as cidades do Norte e do Nordeste. Temos de avançar urgentemente, construindo mais escolas profissionalizantes em nosso País, gerando assim mais oportunidade para a nossa gente, para o nosso povo. Que o Ministério da Educação, em caráter de urgência, viabilize a Universidade Federal do Nordeste do Pará, para atender a uma população de aproximadamente 2 milhões de habitantes. Isso seria vital para o desenvolvimento do nosso Estado. Sr. Presidente, relato que foi publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, na pesquisa Mapa da Violência 2012, que o Brasil é o quarto país do mundo com maior taxa de homicídios de crianças e adolescentes. A insegurança está 61 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 generalizada em nosso País. Perdemos o direito de ir e vir, assegurado na nossa Carta Magna, a Constituição brasileira. Nossas famílias vivem presas em suas próprias casas. Temos de, com urgência, rever o Estatuto da Criança e do Adolescente — ECA, porque os nossos jovens delinquentes e irresponsáveis acham-se no direito de matar por terem a certeza de estarem blindados pela lei que os protege. Temos de reavaliar e revitalizar as nossas Polícias Civil e Militar. Que os nossos policiais sejam bem remunerados. Assim estarão mais estimulados e, sem dúvida, nós cidadãos brasileiros teremos mais segurança. Que todos nós possamos avaliar com carinho a PEC 300. Sr. Presidente, o sistema penitenciário está falido, em pleno século XXI. O crime organizado planeja e comanda suas ações de dentro das penitenciárias, das cadeias públicas. E, para a nossa tristeza, há uma verdadeira farra: usam telefones, fazem festas, tudo amplamente divulgado nos meios de comunicação. Todos os dias, jovens, mulheres e homens de bem são assassinados por marginais em nossas vias públicas. A corrupção está impregnada em nosso País. São, todos os dias, divulgadas pela imprensa escrita e falada denúncias e mais denúncias. Dinheiro público é desviado, licitações são manipuladas nas Prefeituras de todo o País. É uma verdadeira vergonha, Sr. Presidente! Quero finalizar o meu discurso agradecendo aos meus amigos e amigas de Capanema a receptividade da minha volta a minha terra querida, onde me receberam de braços abertos e fizeram uma grande carreata na cidade, uma grande 62 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 festa. Agradeço aos jovens, aos papais, às mamães, a todos aqueles que, direta ou indiretamente, receberam-me com tanto carinho. Quero registrar Sr. Presidente, os 40 anos de atividades da Escola Dom João VI, cumprimentando em especial os alunos e professores daquela instituição. Cumprimento ainda o professor da banda de música, da fanfarra, Sr. José Nazaré, que há 16 anos voluntariamente eleva a cultura da nossa gente. Parabenizo a Faculdade Pan-Americana, a primeira implantada em nosso Município, seu Reitor, o Bispo D. Milany, e sua família, a Profa. Cleodimar e seus filhos Tarcisio Milany e Leonel Milany, e todos os professores e alunos daquela instituição. Sr. Presidente, pela geração de emprego e renda em minha comunidade quero parabenizar o empresário Carlito, pela inauguração de sua empresa no gênero de atacado, que hoje atende aproximadamente 1 milhão de habitantes. Também quero parabenizar o empresário Sr. Bila, do Posto Guajaré, os irmãos maçons da Loja Leão 20 e os guardas de Nossa Senhora de minha cidade. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero registrar nos Anais desta Casa que o nosso Governador Simão Jatene não tem medido esforços para alavancar nosso Estado, ajustando as despesas públicas, aumentando as receitas, investindo no crescimento e na melhora da condição de vida do nosso povo, o povo paraense, implantando hospitais regionais, construindo novas escolas, novas penitenciárias, reformando as estradas em todo o Estado, fazendo ainda parcerias com todos os Municípios e celebrando convênios, em busca do seu maior projeto, que não tem placa: resgatar a autoestima do povo paraense. 63 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Em especial, agradeço aos meus pais, à minha esposa Suenir Morais, à minha filha Vanessa, ao meu filho Vinícius, in memoriam, às minhas irmãs, a Vereadora Valmicélia, Maria José e Das Dores, e aos meus irmãos Claudionor, Mauradi, José Maria, Laércio, José Arnaldo e, in memoriam, ao meu irmão Carlos Morais. Concluo dizendo que o problema do Brasil é cultural. Acredito que um povo com cultura, com conhecimento, tem liberdade e saberá escolher e separar o joio do trigo. E que as pessoas não tentem generalizar, achando que todo político é corrupto, porque existem pessoas sérias também no meio, pessoas compromissadas, que dão exemplo de vida e que amam o Brasil. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputado, a vida pública não tira nem coloca personalidade em ninguém; ela revela o caráter do ser humano. Muito obrigado, meu Deus. 64 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Continuando o Grande Expediente... O SR. ROBERTO FREIRE - Sr. Presidente, peço a palavra para uma reclamação. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ROBERTO FREIRE (Bloco/PPS-SP. Reclamação. Sem revisão do orador.) - Hoje pela manhã, lendo o Jornal da Câmara, que é o órgão oficial da Casa e que trata do nosso dia a dia, não encontrei nenhuma linha sobre um assunto que gerou polêmica no plenário desta Casa, com a participação do Líder do PT, o maior partido com assento aqui nesta Câmara dos Deputados, o Deputado Jilmar Tatto. Os Líderes da Oposição trataram do tema que hoje mobiliza a sociedade brasileira e que tem repercussões inclusive na imprensa internacional, que é o julgamento do mensalão, ou, como o chama o STF, Processo Ação Criminal nº 470. Pois bem, 11 Parlamentares... O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Conclua, porque nós estamos no Grande Expediente. O SR. ROBERTO FREIRE - Sim, mas não estou vendo ninguém que não possa... O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Mas nós estamos no Grande Expediente. Há um... O SR. ROBERTO FREIRE - ...que não possa esperar um pouco, porque é um assunto muito grave. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Isso. V.Exa. conclua, porque nós estamos no Grande Expediente, e não há intervalo. 65 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. ROBERTO FREIRE - Mas ele tem de ouvir, a não ser que ele seja favorável à censura que foi feita, ao abuso que foi cometido, porque eu estava fazendo uma reclamação... O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Não, V.Exa. ficou pedindo tempo no Grande Expediente, Deputado Roberto Freire. O SR. ROBERTO FREIRE - É claro! Ele podia aguardar! O SR. VANDERLEI SIRAQUE - Sr. Presidente, tenho uma reclamação também, aqui. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Vamos para o Regimento. Nós estamos no Grande Expediente. Eu concedi a palavra para uma reclamação ao Deputado Roberto Freire. O SR. ROBERTO FREIRE - Vão também aqui querer censurar-me na reclamação que estou fazendo da baixa cobertura que foi feita no jornal? É o PT que quer censurar aqui! O PT que censurou a Câmara! O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Só um momento! O SR. VANDERLEI SIRAQUE - O Deputado Roberto Freire acha que está acima da lei. Está errado, Presidente! O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Vamos assegurar ao Deputado Roberto Freire que ele conclua a reclamação. O SR. VANDERLEI SIRAQUE - E acima do Regimento! O SR. ROBERTO FREIRE - V.Exa. sempre, nesta Casa... O SR. VANDERLEI SIRAQUE - Roberto Freire quer é estar acima do Regimento, Presidente! O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Só um momento. Vamos permitir... 66 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. ROBERTO FREIRE - A Casa precisa respeitar. Não é V.Exa., é a Presidência! O SR. VANDERLEI SIRAQUE - Acima do Regimento! O SR. ROBERTO FREIRE - V.Exa. não poderia! O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Eu vou assegurar, o Deputado Roberto Freire está fazendo uma reclamação e nós vamos assegurar... O SR. VANDERLEI SIRAQUE - Sr. Presidente, o Deputado Roberto Freire acha que está acima do Regimento. Aqui ninguém está acima do Regimento, não! O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Eu estou pedindo a ele que conclua. O Deputado Roberto Freire está com a palavra. Ele vai concluir a reclamação. O SR. VANDERLEI SIRAQUE - É 1 minuto, Presidente! É 1 minuto! O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Ele vai concluir a reclamação dele. Só um momento. O SR. VANDERLEI SIRAQUE - Como Vice-Líder do PT em plenário, não admito esse tipo de... O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Siraque, vamos permitir... O SR. VANDERLEI SIRAQUE - O Deputado Roberto Freire acha que manda aqui. Aqui ele tem de obedecer ao Regimento. Tem de obedecer ao Regimento! O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Siraque, eu peço, por favor... Tudo bem, Roberto Freire vai concluir a reclamação dele e nós vamos continuar o Grande Expediente. O SR. VANDERLEI SIRAQUE - Tem de reclamar lá com a Presidência! O SR. ROBERTO FREIRE - Não, aqui! Reclamo aqui, de público, e V.Exa. não vai... 67 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. VANDERLEI SIRAQUE - Tem de se inscrever! Não venha aqui querer... Aqui não é província, não! Aqui é a Câmara dos Deputados. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Deputado Siraque, o art. 96 garante ao Deputado Roberto Freire fazer a reclamação. Estou pedindo a ele que conclua, porque estamos no Grande Expediente, e vou assegurar que ele conclua. O SR. ROBERTO FREIRE - Sr. Presidente, reclamação é um direito do Parlamentar. Ele não está entendendo. Está querendo impedir, como o Jornal da Câmara impediu, numa censura abusiva e absurda do que aconteceu no plenário desta Casa ontem. O Presidente Marco Maia tinha anunciado pela imprensa que não ia permitir manifestação sobre o mensalão, porque poderia politizar. Alertado de que não poderia fazer isso com os Parlamentares, ele disse que não ia tocar nisso. É evidente que não impediu que falássemos, como V.Exa. está garantindo esse nosso direito, mas no Jornal da Câmara ele permitiu que a censura se instalasse. A reclamação é essa. Estou aguardando explicações do Presidente, Sr. Marco Maia, por esse abuso inconstitucional de censurar o Plenário da Casa. Esta é a reclamação. 68 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. VANDERLEI SIRAQUE - Pela ordem, Sr. Presidente, para uma reclamação também. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Vamos continuar o Grande Expediente. Eu peço a todos calma. Vamos continuar o Grande Expediente. O SR. VANDERLEI SIRAQUE - Ué, se o Deputado Roberto Freire fez uma reclamação, também posso! O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Se V.Exa. for fazer uma reclamação, nós permitiremos. O SR. VANDERLEI SIRAQUE - Mas esse não é o jornal de vocês, esse é o Jornal da Câmara. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - O art. 96 permite a reclamação, desde que V.Exa. faça uma reclamação. O SR. VANDERLEI SIRAQUE - Eu quero fazer uma reclamação também! Ele quer que a Câmara escreva o que ele deseja! Aqui não há esse negócio! Essa aqui não é a imprensa de vocês, burguesa, não! O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Vamos assegurar o Grande Expediente. Depois do Grande Expediente voltaremos a este debate, concedendo a palavra a todos. 69 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Concedo a palavra ao Deputado Josué Bengtson, do PTB do Pará. S.Exa. dispõe de 25 minutos. O SR. JOSUÉ BENGTSON (PTB-PA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, senhoras e senhores que nos assistem pela TV Câmara, pela Rádio Câmara, pela Rádio Liberdade, de Belém do Pará, e todos quantos nos acompanham em todo o Brasil, é com alegria que estamos mais uma vez nesta tribuna para discutir com o povo brasileiro temas importantes. Quando fui eleito pela primeira vez em 1998, ao chegar nesta Casa, todas às vezes que eu ia ao Ministério eu fazia questão de dizer: “Eu sou pastor, estou Deputado”. E começo nesta tarde fazendo a mesma afirmação. O ser Deputado é um momento; é uma honra representar os cento e doze mil e tantos eleitores do Pará que nos mandaram para esta Casa. Mas o mandato termina, o mandato passa e as nossas atividades continuam. Comecei na Igreja do Evangelho Quadrangular, como obreiro credenciado em 1961. E, ao longo de todos esses anos — mais de 50 anos —, nós temos trabalhado no Brasil inteiro. Eu quero prestar uma homenagem a alguns companheiros que começaram conosco aos 17 anos, como evangelistas, a exemplo do Pastor Cavalcanti, de São Paulo; do Pastor Mário de Oliveira, Presidente Nacional da nossa igreja; do Mauro Damásio, um irmão que temos também lá em São Paulo. Quero falar um pouquinho, Sr. Presidente, sobre o Censo IBGE 2010, que pesquisou todos os ângulos da população brasileira: economia, saúde, longevidade, analfabetismo, morte violenta, morte de crianças etc.. Mas, dentre tantos assuntos, tratou da religiosidade do povo brasileira. 70 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 E a Igreja do Evangelho Quadrangular, que comemorou nesta Casa no mês de novembro seu aniversário de 60 anos, na maior sessão solene que a Câmara já assistiu, está como a segunda igreja evangélica que mais cresceu no Brasil na década, com um acréscimo de 38%, apenas ultrapassado pela grande Igreja Assembleia de Deus, que cresceu 44% na década. Parabenizamos o nosso presidente e o Conselho Nacional pelo trabalho que a Igreja Quadrangular realiza no Brasil. Mas quero falar agora um pouquinho do meu Pará, da Igreja que fundamos naquele Estado há 39 anos, praticamente. Eu deixei a Bahia e fui ao Pará para iniciar a primeira Congregação Quadrangular, em Belém. Agora, em novembro, vamos completar 39 anos. E os resultados, Sr. Presidente, são alvissareiros. Nós estamos hoje com quase 2.200 Igrejas Quadrangulares, no Estado do Pará. O censo do IBGE traz um dado muito importante para nós paraenses — porque eu me considero como tal, sou cidadão daquele Estado: a Igreja Quadrangular no Pará cresceu, na década, 147%. Enquanto o nosso crescimento nacional foi de 38%, e enquanto o crescimento da maior denominação brasileira em âmbito nacional foi de 44%, no Pará, nós crescemos 147%, sendo hoje quase 300 mil quadrangulares em nosso Estado. É uma responsabilidade, um privilégio; ou privilégio e responsabilidade. Nós queremos parabenizar nossa equipe de trabalho: o nosso Deputado Martinho Carmona, vice-presidente do nosso Conselho Estadual, e os demais líderes do conselho: Pastor Pedro Tavares; Pastor Valmir Vasconcelos; Valdenito Gomes; Pastor Dourivaldo, de Altamira; o Maurício, de Marabá, que compõem o nosso conselho administrativo; Pastor Paulo Queiroz, Vereador em Belém; Pastora Ray 71 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Tavares, Vereadora mais votada, Presidente da Câmara dos Vereadores de Ananindeua. É um time, é uma equipe, são mais de 3 mil pastores que têm um só coração, um só objetivo. Não existe nenhuma disputa, todos torcem por todos. E por isso esse resultado. Mas, Sr. Presidente, por falar em igreja, a missão da igreja, seja Quadrangular, Católica, Evangélica, é disseminar o bem, é disseminar a paz, é ensinar o bom caminho para aqueles que precisam. E eu, no último pronunciamento que fiz nesta Casa, há alguns meses, fiz um mea-culpa. Disse que nós, igreja, nós, líderes religiosos, juntamente com as autoridades, em algum momento estamos falhando, principalmente quando tratamos com as crianças do Brasil. Eu me recordo que, em 1969, eu estava na Bahia, começando uma Igreja Quadrangular, em Feira de Santana, e havia uma grande expectativa no Brasil de o grande craque, o maior de todos da história do mundo, o Pelé, marcar o milésimo gol. Ele jogou em Salvador naquela semana e não fez o gol, por pouco. Aí, no Rio de Janeiro, num lance de pênalti contra o Vasco da Gama — o goleiro era Andrade, um dos maiores goleiros da época —, o Pelé conseguiu fazer o milésimo gol. Por que estou mencionando isso? Porque naquele momento histórico houve uma invasão no campo e, diante da imprensa do mundo todo, ele fez um desabafo. Ele disse uma palavra que, na época, foi tida como se fosse uma demagogia do rei do futebol. Ele, chorando, disse: “Olhem, lembrem-se das crianças do Brasil, das crianças abandonadas”. Meus amigos, estamos vivendo hoje um desafio que a Nação brasileira tem que enfrentar de peito aberto. Nunca a violência no nosso País chegou a este patamar. Eu estava fazendo uma pregação, no mês de julho passado, para 10 mil 72 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 jovens em Belém, num congresso estadual da nossa juventude, coordenado pelo Pastor Paulo Bengtson, que é Presidente da Juventude de nosso Estado, Coordenador Estadual, e naquela reunião eu fiz uma pergunta cuja resposta me assuntou. Havia 10 mil jovens no ginásio, e eu perguntei: “Quantos de vocês aqui já foram assaltados alguma vez?” Sr. Presidente, mais de 70%. Creio que isso não é privilégio ou demérito do Pará, isso ocorre no Brasil inteiro. As pessoas têm medo de sair à noite. As pessoas têm medo de frequentar restaurantes, por causa dos arrastões. Pois bem, repito: se nós não cuidarmos das crianças hoje, esses meninos de 10, 11, 12 anos que estão na rua serão os próximos delinquentes a ocuparem as cadeias de Belém do Pará e do Brasil. A partir daí, eu quero falar um pouquinho sobre exatamente o trabalho que estamos fazendo na Pastoral Carcerária no Pará. Confesso aos senhores: as vezes que eu tenho ido lá pregar para aqueles jovens é impossível conter a emoção de observar, atrás das grades, verdadeiras jaulas, verdadeiros depósitos humanos, jovens de 18 a 22 anos. Raramente se encontra um com idade maior do que essa. E vamos lá conversar com cada um, que tem a sua história. Eu, há até pouco tempo, olhava para esse setor da sociedade como um setor praticamente irremediavelmente perdido. Mas, à proporção que fazemos esse trabalho, vamos adquirindo outra visão. Esse trabalho procura trazer de volta para a sociedade aqueles que, em razão muitas vezes das circunstâncias, chegam até ali. Quais são essas circunstâncias? Aquele menino de 10, 12 anos de idade, às vezes sem ter o que fazer, sem ter, na cidade em que mora, no bairro em que mora, uma 73 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 quadra, uma piscina para praticar esporte, sem ter uma escola de melhor qualidade, acaba optando pela rua. O que eu estou dizendo aqui é o que acontece: o discipulado do traficante, o discipulado do bandido que se aproxima da criança e começa a dar 10 reais, 20 reais para aquela criança ir fazer a entrega de um pacotinho em tal endereço, e muitas vezes nem aquele menino sabe o que tem dentro daquele pacote. Mas, de repente, ele ganhou 10 reais. O círculo vai acontecendo e, de repente, aquele menino já é um traficante aos 14 anos, aos 15 anos, e quando chega à adolescência é preso. Sr. Presidente, quero fazer aqui um desabafo: não está sendo cumprida a legislação brasileira; não se está obedecendo à Constituição Federal. É inconcebível que se pegue um menino, um jovem, até jovem infrator, com 18 anos, que pela primeira vez foi apanhado pela polícia — isso quando ele consegue escapar de ser morto, como vimos nesta semana aqueles jovens que foram presos e por pouco não morreram numa simulação de troca de tiros com a polícia — e se coloque esse jovem junto com outros criminosos. O jovem preso pela primeira vez ele não poderia ser conduzido a um presídio ou um centro de triagem onde já existem os profissionais do crime. A Constituição veda isso: colocar o primário junto com presos antigos. Mas a lei não está sendo cumprida. Então, o jovem infrator, muitas vezes de vítima joguete das circunstâncias, chega àquele centro de triagem e começa a encontrar ali dentro até um apoio que ele nunca teve da família, daqueles “cadeeiros” antigos — expressão que eles usam — aqueles que já cumpriram penas em tantos e tantos lugares. E esse antigo começa, de alguma maneira, a ter com aquele jovem infrator um poder de 74 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 persuasão, e o jovem, em vez de estar na prisão para ser ressocializado, está na faculdade do crime. Outro detalhe é o endividamento lá na prisão. Pouca gente sabe disso. Quando é preso alguém, os que estão do lado de fora da prisão ajudam a bancar o advogado, ajudam a família com cesta básica, e depois que aquele jovem paga sua pena social de 3 anos ou de um ano e meio, sai numa condicional, e às vezes não é a família que o está esperando lá fora, mas sim quem pagou a conta: o traficante, o assaltante que entrega nas mãos dele a droga para ele começar a vender a partir dali, para pagar o que estava devendo. É o assaltante que lhe dá uma arma e diz: “Vai lá pagar o que tu me deves”. Sr. Presidente, o trabalho que o Pastor Valber Duarte realiza, em Belém, junto a uma equipe muito abençoada e tantos outros pastores; o trabalho que a Dra. Zilda Mutran, Juíza e Pastora da nossa igreja no Pará, juntamente com outras pastoras, vem realizando nas prisões masculinas e femininas, é algo extraordinariamente animador. Primeiro, porque, estão eles fazendo um trabalho evangelístico — porque, no meu conceito, um homem sem Deus, um homem sem fé, uma pessoa sem fé, uma pessoa sem esperança está para o que der e vier na vida, ao passo que “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria”, diz a Bíblia. Portanto, aquele trabalho de evangelismo que hoje está sendo realizado em vários presídios do Pará teve um começo. Tudo tem um começo. Tudo tem um começo. O 100% Liberdade foi um projeto que começou no presídio da Marambaia, com o Valber Duarte e o Capitão Ciro Sirotheau, um trabalho experimental, com jovens infratores, que separava os que eram detidos pela primeira vez dos presos 75 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 antigos. A partir daí, o trabalho foi crescendo, e, dos 100 prisioneiros daquela unidade, 80 tomaram a decisão de mudar de vida, e mudaram de vida. Muitos já estão fora das grades. O nosso trabalho é encaminhá-los a um emprego. Na igreja em que sou pastor, em Belém, nós temos uma meia dúzia de pessoas jovens, que saíram da prisão e que estão lá empregados, com carteira assinada. Então nós passamos a observar que o que faltava àquele jovem era oportunidade. Oportunidade que ele não teve em casa, porque sua família carregava o nome família, mas, na verdade, era apenas um ajuntamento de pessoas. Tudo começa em casa, tudo começa na família. Salomão, o maior sábio do mundo, já dizia: “Ensina a criança, o menino, a menina, no caminho que deve andar e quando for grande não se desviará dele”. Meus amigos, eu estou contemplando os resultados de pessoas transformadas. Inclusive nós temos hoje egressos das prisões de Belém que já estão fazendo curso bíblico e teológico para voltar às cadeias, não como presidiários, mas para levar o Evangelho da graça, o Evangelho que transforma. O apóstolo São Paulo dizia: “Não me envergonho do Evangelho de Cristo, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”. Eu disse há pouco: é hora de a Nação brasileira, de peito aberto, enfrentar esse desafio. De que maneira? Correndo atrás do prejuízo que já estamos tendo, de vermos uma juventude apodrecendo atrás das grades sem nenhuma perspectiva de vida. Eu fiz questão de anotar aqui um detalhe: criou-se, no Brasil, a Comissão da Verdade, que nós aplaudimos, para analisar os problemas de torturas do período da 76 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 ditadura. Todos os dias, em todos os lugares do Brasil, nas cadeias, nos presídios, a tortura continua acontecendo. Pessoas que são presas são torturadas para confessar aquilo que fizeram e até o que não fizeram. Então, gostaria que a nossa Comissão da Verdade estivesse com seu foco no passado, mas também do presente. A tortura continua acontecendo. Nós assistimos aos policiais atirarem em alguém dominado. Quer tortura pior do que essa, Srs. Deputados? Então, é tempo de nós observamos isso. Qual a minha sugestão? Nós estamos trabalhando no nosso Estado. O menino de 8 anos de hoje terá 18 anos daqui a 10 anos. Se nós não blindarmos as nossas crianças hoje com boa escola, com quadras, com tudo aquilo que é necessário para levar essa criança, principalmente a carente, a criança pobre, a ter uma esperança na vida, daqui a 10 anos nós teremos uma população carcerária muito maior do que temos hoje. Há esperança? Eu tenho, eu acredito. Eu estou levantando uma bandeira no Estado do Pará de cuidarmos das crianças. Criança amada, bem cuidada, não é criança de rua. Quando você vê, em todas as cidades, nos sinaleiros, seja na capital seja no interior, meninos e meninas de rua, aquelas crianças nasceram em algum lugar, mas faltou, ao longo da sua infância, o amor, a família, a paternidade, a maternidade e, por que não dizer, a creche, o Estado, que esteve ausente. Agora, eu creio que quando pessoas de bem se unem em prol de um objetivo, nós somos vitoriosos. O trabalho do Criança Esperança começou há alguns anos, e quanta criança carente hoje estão fazendo faculdades, porque tiveram a oportunidade. Nós não podemos cobrar de alguém que não teve oportunidade. Eu considero muitos dos 77 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 jovens que hoje estão na delinquência produto da sociedade errada que nós estamos criando. Portanto, ao invés de cobrarmos simplesmente, vamos dar-lhes uma oportunidade. O Sr. Edinho Araújo V.Exa. me concede um aparte, nobre Deputado? O SR. JOSUÉ BENGTSON - Pois não. Ouço, com alegria, o meu querido irmão. O Sr. Edinho Araújo - Quero saudar V.Exa. pelo brilhante pronunciamento que faz na Câmara dos Deputados nesta oportunidade, abordando temas da maior importância, não só do seu Estado, mas de todo o nosso País. V.Exa. fala sobre evangelização, sobre a criança. Reflito com V.Exa. que o que fizermos às crianças hoje, elas farão amanhã a toda a sociedade. Portanto, educar a criança. Criança com tempo integral na escola. Esse é o caminho para uma sociedade mais justa, para uma criança mais feliz no futuro. Quero cumprimentá-lo pela sua história de vida, pela profissão de fé que faz neste momento desta tribuna, confessando a sua vocação de pastor, mesmo estando Deputado na Câmara dos Deputados do nosso País. É um orgulho compartilhar com V.Exa., como já o fizemos na década de 90, nos reencontramos aqui, nesta oportunidade, preocupados sempre com a educação da criança e com uma sociedade mais justa e mais fraterna. Parabéns, Deputado Josué. O SR. JOSUÉ BENGTSON - Agradeço, Deputado. O seu aparte será incorporado ao nosso pronunciamento. Ouço, com alegria, o Deputado Valry, lá do nosso Pará. O Sr. Valry Morais - Queria neste momento parabenizar o Deputado Josué Bengtson, um homem de Deus, um servo do Senhor, que evangeliza tão bem o 78 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 nosso Estado, em busca da diminuição da desigualdade social, na maior instituição, a família. Nesse sentido, é um homem que honra o nosso Estado e defende a nossa bandeira. Sem dúvida nenhuma, a evangelização abre portas para o céu e traz o homem do submundo ao mundo civilizado. Não tenho dúvida que o seu papel, como homem público do meu Estado, é relevante, e que nas credenciais desta Casa está registrada a sua luta em defesa do cidadão brasileiro, especialmente do povo do Pará. Parabenizo-o por esse seu ato, por esse seu discurso. O SR. JOSUÉ BENGTSON - Agradeço, Deputado. Sr. Presidente, eu encerro, mas peço que me dê só mais 1 minuto para as alegações finais, para as conclusões. Quero agradecer à equipe que eu mencionei de companheiros do Pará; àqueles que não foram mencionados, porque nós temos lá na nossa equipe de trabalho além e 3 mil pastores, 14 mil grupos, cada um composto de quatro pessoas, o que já perfaz quase 60 mil evangelizadores, visitadores, gente que quer ver o Brasil melhorar. Portanto, é esse grupo que, devagar, está fazendo as coisas melhorarem em nosso Estado. Porque eu creio que cada pessoa que nós conseguimos alcançar será um a mais no grupo do bem, e um a menos para criar problemas. Um abraço ao povo brasileiro. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Fantástico, programa da Rede Globo de Televisão, exibiu no último dia 22 uma reportagem com denúncias sobre as precárias condições dos centros de internações para jovens infratores, no Brasil. 79 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 A equipe da emissora visitou unidades no Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Sergipe, Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde encontrou situações degradantes em todos os estabelecimentos. De acordo com a matéria, as instituições descumprem as leis vigentes e, em vez de proteger, recuperar e ressocializar, conforme descreve o Estatuto da Criança e do Adolescente, contribuem para tornar mais difícil o retorno desses infratores ao convívio social. Acompanhados de promotores de justiça, os repórteres identificaram problemas comuns nas unidades visitadas: casos de privação de liberdade, superlotação, falta de higiene, maus-tratos e até tortura. Panorama que toma grandes proporções ao constatarmos os números apresentados pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos — segundo o órgão, dos 58 mil adolescentes que cumprem medidas socioeducativa no País, 18 mil estão internados em unidades impróprias. Diante do quadro de caos e violência contra os direitos desses adolescentes, é esperado que a reintegração obtenha um resultado inverso. Jovens que cometeram pequenos delitos e que deveriam ocupar dormitórios individuais, compartilham pequenas celas com até sete internos. Em muitos casos, esses novos colegas foram retirados da sociedade por cometerem crimes graves como tráfico de drogas, homicídio qualificado e latrocínio. O descumprimento das leis, a morosidade na apuração dos casos e a ausência do Estado nesses locais transformam institutos de ressocialização em verdadeiras escolas de crimes, em flagrante descumprimento ao art. 110 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei Nº 8.069, de 13 de julho de 80 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 1990), que diz: “Nenhum adolescente será privado de sua liberdade sem o devido processo legal”. A situação vivenciada pelos menores é tão degradante que as paredes do Centro Socioeducativo II, de Porto Velho, registram o desabafo “só a morte pode me libertar e Deus”, escrito por um jovem em uma das celas precárias. O panorama sombrio, agressivo e desestruturador é repetido nos presídios brasileiros. Assim como nas unidades de internação, a população carcerária presa por pequenos delitos é demasiada, fruto do texto desatualizado do nosso Código Penal — dos 514 mil presos no Brasil, 34 mil estão privados da liberdade por furtos simples. O Código Penal brasileiro tem mais de 70 anos, foi assinado por Getúlio Vargas em 1940. Desde então muita coisa mudou e o texto precisa ser atualizado. A Câmara dos Deputados enviou ao Senado Federal um projeto de revisão elaborado por esta Casa e uma das propostas apresentadas prevê a redução de pena para quem cometer furtos simples. Hoje, um delito enquadrado dessa maneira pega de 1 a 4 anos de prisão. De acordo com a redação submetida aos Senadores, o indivíduo que praticar um furto simples poderá ser punido com pena de 6 meses a 2 anos. Com a redução da pena, o réu poderá responder ao processo em liberdade, desafogando um pouco as nossas carceragens. É uma forma de evitar o contato de presos primários com condenados mais perigosos e, consequentemente, o ingresso de novatos na pós-graduação da criminalidade. É uma preocupação pertinente, uma vez que é público e notório a cooptação dos mais fracos por lideranças nas cadeias. Para os mais influenciáveis, 81 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 no momento de desamparo, em que domina a percepção de falência do sistema penitenciário, as organizações criminosas representam uma maneira de obter segurança, respeito e assistência dentro e fora das prisões. A promoção de uma suposta solidariedade entre os apenados gera uma aparente sensação de inclusão. É neste exato instante que o preso comum começa a se endividar atrás das grades, seja para o consumo de drogas ou benefícios dentro da cadeia, seja para prestar assistência a familiares no mundo externo. No entanto, boa parte desse endividamento e a consequente relação de dependência poderiam ser evitados. É o que mostra o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito do Sistema Carcerário, apresentado em 2009. O Relator, deputado Domingos Dutra, fez uma radiografia fiel das nossas unidades prisionais. Especialistas ouvidos pela CPI garantem que “20% a 25% da população carcerária do Brasil poderiam cumprir pena em liberdade, prestando serviços à comunidade”. Para ilustrar a vantagem da pena alternativa, o relatório traz um levantamento do custo do preso ao Estado de São Paulo: segundo o estudo, o condenado em uma penitenciária custa ao Estado R$775 por mês e aqueles que prestam serviços à comunidade somente R$26. O relatório de Dutra destaca, em seguida, que o presidiário brasileiro é o mais caro da América Latina, custando 670 dólares, em média, contra 299 dólares, na Costa Rica, e 284 dólares na Argentina. Além de ser mais barato, substituir a pena de prisão é mais eficiente e socialmente útil. O Relator destaca que mais de 80% não trabalham e, em 80% dos estabelecimentos penais, faltam oportunidades de estudos. Ainda no Estado de São Paulo, a CPI verificou que a reincidência média do sistema penitenciário é de quase 82 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 50%, enquanto o número entre os que cumprem penas alternativas não ultrapassa 2%. Ociosa e sem qualificação, a superpopulação carcerária se vê mais uma vez punida pela sociedade, em outro claro exemplo de violações dos seus direitos previstos em lei. É bom lembrar que as sentenças são proferidas no intuito de “prevenir o crime e orientar o retorno à convivência em sociedade”, conforme define o art. 10 da Lei de Execução Penal, a LEP (Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984). No Estado do Pará, a situação não difere do panorama nacional. No ano passado, o Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça registrou o encarceramento de 12.205 pessoas em 6.351 vagas espalhadas por 30 estabelecimentos penais, o que representa um déficit de 5.854 vagas. Desses 12 mil presos em meu Estado, ao final do ano passado, 574 eram analfabetos, 383 alfabetizados e 6.897 cursaram parte do ensino fundamental. Destaco esses dados referentes à educação porque o art. 11, inciso IV, da LEP prevê a assistência educacional. É dever do Estado brasileiro oferecer a instrução escolar e a formação profissional do preso e do internado em determinadas condições, sendo que o ensino de 1º grau é obrigatório. Em 2011, 7.854 detentos deveriam ter cursado o ensino fundamental dentro das unidades prisionais paraenses. Mas o que de fato aconteceu do outro lado das cadeias, no nosso Estado, foi muito diferente: somente 204 encarcerados foram atendidos com alguma atividade educacional equivalente ao ensino fundamental. Diante desse enorme déficit absoluto, de 7.650 detentos, eu pergunto aos nobres pares: esse nosso sistema quer regenerar alguém para o convívio social? 83 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O Brasil gasta quase 10% do PIB no combate à criminalidade — algo em torno de R$200 bilhões, segundo dados, de 2006, do Banco Interamericano. E gasta mal, porque os resultados estão aí para qualquer um ver. Nosso País tranca juntos presos por furtos simples com traficantes, assassinos e líderes de organizações criminosas. Nossas instituições para recuperar jovens infratores são verdadeiras escolas de crimes, e as prisões, onde nossa sociedade se livra dos marginais adultos, as universidades da contravenção. Pois bem, ao sair dessas instituições, após cumprir sua pena, o agora ex-presidiário volta com a dívida quitada com a sociedade. Entretanto, neste retorno, ele começa a pagar outro tipo de conta. Vejam quanta ironia! A pessoa comete um crime, vai para a prisão. Lá, na maioria dos casos, é somente assistida e amparada por outros detentos, que oferecem auxílio dentro e fora dos muros da cadeia. Em vez de estudar e se qualificar para a vida pós-prisão, por conta desse acolhimento que lhe garante proteções interna e externa, aprende a cometer crimes. E quando cumpre a pena, é hora de pagar a dívida adquirida atrás das grades. Além da educação, o art. 11 da Lei de Execução Penal também deveria assegurar aos que cumprem pena de detenção assistência material como alimentação, vestuário e instalações higiênicas; assistência à saúde, com atendimento médico, farmacêutico e odontológico; jurídica, para que presos e internados sem recursos financeiros constituam advogados; social, e quando necessário, esse amparo deve ser estendido às famílias do preso, do internado e da vítima; e religiosa. Isso mesmo, a LEP, tão elogiada por juristas, também prevê assistência religiosa à população carcerária brasileira. Segundo o art. 24, “a assistência religiosa, com liberdade de culto, será prestada aos presos e aos 84 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 internados, permitindo-se-lhes a participação nos serviços organizados no estabelecimento penal, bem como a posse de livros de instrução religiosa”. No Estado do Pará, a Igreja do Evangelho Quadrangular tem prestado um serviço exemplar à sociedade com o programa 100% Liberdade. Um projeto iniciado em 2010, na Central de Triagem de Marambaia, que contou com o auxílio do então diretor da unidade, Ciro Sirotheau, que abriu as portas para a Quadrangular resgatar, através da evangelização, 80% dos 100 presos da unidade. Ao acreditar na assistência religiosa, o capitão da PM Sirotheau ajudou não só os presos, mas também suas famílias, a deixarem a dolorosa experiência do cárcere sem dívidas e sem depender da perversa assistência de criminosos. Naquele ano, a IEQ foi parte de um trabalho importante de triagem na cadeia. Os presos que ingressavam em Marambaia pela primeira vez não eram colocados juntos com os detentos mais perigosos ou que tinham cometido crimes graves. Ressalto que a triagem pode parecer uma medida simples, e não é feita na maioria das prisões, mas é extremamente eficiente para melhorar a convivência entre os encarcerados. Além disso, a triagem facilita a administração das unidades prisionais, evitando o contato de presos circunstanciais e primários com os pós-graduados no crime. Hoje, a semente plantada pela IEQ e por Sirotheau em Marambaia rende frutos. Em quase 3 anos, a Quandrangular batizou 420 detentos, em 14 cerimônias realizadas — a mais recente ocorrida no último dia 27, quando 38 pessoas foram batizadas no Centro de Recuperação de Castanhal. Quero louvar o programa 100% Liberdade, coordenado pelo Pastor Valber Duarte, que atualmente presta auxílio a mais de 3 mil pessoas por semana, em sete 85 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 unidades prisionais paraenses. O projeto desenvolvido pela IEQ dentro e fora das casas de detenção, por meio das redes de células que não poupam esforços no apoio aos familiares dos presos, é respeitado pelas autoridades locais, pelos próprios detentos e pela sociedade do meu Estado, provando que o trabalho constitucional de Evangelização é transformador. Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente. Agradeço a oportunidade e solicito a divulgação deste pronunciamento nos órgãos de comunicação da Casa e no programa A Voz do Brasil. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Parabéns, Deputado Josué Bengtson pelo seu pronunciamento. É na primeira infância que é formada a pessoa. Por isso a Presidenta Dilma tem investido muito em creche e em pré-escola. Mas não adianta também os Municípios construírem só quadras, é preciso haver programas que eduquem essas crianças nessas quadras, nessas creches. Como V.Exa. mesmo disse, a construção só não é suficiente. 86 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Antes de passar a palavra ao próximo orador, registro que o Brasil mantém intercâmbio com diversos países para mostrar como funciona o nosso Parlamento, que serve de exemplo para o mundo, inclusive no que diz respeito à sua transparência, à sua dinâmica. Estão aqui presentes Celina e Rita, servidoras do Parlamento do Timor-Leste. Temos uma identidade muito forte com o Timor, país de língua portuguesa, de colonização portuguesa. Aliás, recentemente, a Deputada Janete Rocha Pietá foi ao Timor-Leste para acompanhar, em nome do nosso Parlamento, as eleições naquele país. 87 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 VI - ORDEM DO DIA (Debates e trabalho de Comissões) 88 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Vai-se passar ao horário de VII - COMUNICAÇÕES PARLAMENTARES Tem a palavra o Deputado Paes Landim, pelo PTB. S.Exa. fará também uma Comunicação de Liderança. Dessa maneira, dispõe de 6 minutos. 89 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PAES LANDIM (PTB-PI e como Líder. Sem revisão do orador.) - DISCURSO DO SR. DEPUTADO PAES LANDIM QUE, ENTREGUE AO ORADOR PARA REVISÃO, SERÁ POSTERIORMENTE PUBLICADO. (Discurso a ser publicado na Sessão nº 212, de 08/08/12.) 90 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Para uma Comunicação de Liderança, tem a palavra o nobre Deputado Edinho Araújo, pelo PMDB. V.Exa. tem 9 minutos. Depois vai falar Vanderlei Siraque, pelo PT. O SR. EDINHO ARAÚJO (PMDB-SP. Como Líder. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na retomada dos trabalhos deste segundo semestre, eu ocupo esta tribuna para alguns registros que considero de muita importância. Em primeiro lugar, registro o início das obras da nova alça de acesso à Av. Alberto Andaló, na Rodovia Washington Luís, no perímetro urbano de São José do Rio Preto, no noroeste de São Paulo. Essa avenida é um dos principais acessos à cidade, e havia congestionamentos e grave risco de acidentes no local. Essa foi uma das muitas reivindicações que levamos ao Governador Geraldo Alckmin, a quem cumprimentamos pelo início das obras de segurança. Há novas demandas rodoviárias que estamos encaminhando ao Governo de São Paulo. Solicitamos, por meio de ofício ao Governador, a recuperação total do trecho da Rodovia Norival Pereira de Matos, a SP-413, também conhecida como Rodovia Volta Grande, que liga os Municípios de Miguelópolis, em São Paulo, e Uberaba, em Minas Gerais. No trecho, de 27 quilômetros, a rodovia e o acostamento estão intransitáveis. A única alternativa para ir de Miguelópolis, São Paulo, até Uberaba, Minas Gerais, é seguir pela Via Anhanguera e posteriormente pela BR050, aumentando o percurso entre as duas cidades cerca de 35 quilômetros. Solicitamos ao Governador a máxima urgência possível na licitação dessa obra, pois se trata de uma rodovia muito utilizada para a ligação entre os Estados de São Paulo e Minas Gerais. 91 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Outro registro, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é o de que fui indicado pelo meu partido, o PMDB, como membro titular da Comissão Especial sobre Normas Gerais de Contratos de Seguro Privado. A Comissão foi reinstalada na quarta-feira, ontem, e tem a participação de outros quatro Parlamentares da nossa bancada. Caberá à Comissão analisar o Projeto de Lei nº 3.555, de 2004, do exDeputado e atual Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, do PT de São Paulo, para atualizar as normas sobre seguros e reuni-las em uma lei específica, como ocorre na maioria dos países. Com as novas regras, a expectativa é estimular a expansão do setor, que responde atualmente por 3,5% do Produto Interno Bruto, o nosso PIB. A média mundial é de 6%, mas pode chegar a 30% em alguns países. O projeto vinha sendo analisado por Comissão Especial, em 2010, que não concluiu seu trabalho antes do fim da Legislatura passada, em 31 de janeiro de 2011. E, por não ter sido votado a tempo na Comissão, o projeto foi arquivado e desarquivado depois, a pedido do Deputado Moreira Mendes, do PSD de Rondônia. Trata-se de assunto da maior relevância, sobre o qual vamos debruçar-nos nos próximos dias. O terceiro registro, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é sobre um dos temas mais polêmicos que nos esperam neste segundo semestre legislativo. Tratase da Medida Provisória nº 571/12, que foi editada pela Presidente da República para suprir lacunas deixadas pelos vetos a artigos do Código Florestal e da qual fui escolhido Relator revisor aqui na Câmara dos Deputados. A Comissão Especial que analisa a medida provisória terá a missão de votar 343 destaques para votação em separado, que deverão depois ser analisados pela 92 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Câmara dos Deputados e pelo Senado antes da perda da validade dessa medida provisória, em 8 de outubro. De minha parte, reitero a disposição para o diálogo, e acredito num entendimento que nos permita conciliar a produção do agronegócio com a proteção ambiental. Quero registrar também que participei da abertura, Sr. Presidente, no dia de ontem, da exposição fotográfica Força Aérea Brasileira: presente na vida dos brasileiros, no hall da Taquigrafia, Anexo II da Câmara dos Deputados. A exposição foi aberta pelo nosso Presidente Marco Maia e pelo Comandante da Aeronáutica, o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito. São 32 painéis que abordam temas como o preparo e o emprego dos meios aéreos da Força Aérea, que garantem uma ampla atuação dos mais diversos tipos de missões, desde a ajuda humanitária após catástrofes naturais até a interceptação de aeronaves ilícitas na região de fronteira, entre outras atividades. A exposição pode ser visitada até o dia 9 de agosto, das 9 horas às 18 horas, no hall da Taquigrafia, Anexo II desta Casa. Portanto, registro aqui os nossos cumprimentos ao Comandante da Aeronáutica e ao Centro de Comunicação Social da Aeronáutica pela iniciativa. Por último, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, trago um assunto da maior gravidade, que aflige todo o interior de São Paulo e também — por que não dizer? — outras regiões do País: a crise da citricultura, a maior que esse setor já enfrentou nas últimas décadas, que pode causar prejuízos superiores a R$ 1,2 bilhão e desempregar mais de 50 mil pessoas. A laranja apodrece nos pomares sem que as indústrias de suco sequer tenham aberto um preço de referência para a caixa da 93 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 fruta. A safra paulista, de cerca de 80 milhões de caixas, pode perder-se, o que causaria uma quebradeira geral entre os produtores. Como membro do Comitê Estratégico do Agronegócio, levei ao Ministério da Agricultura o pedido de análise urgente da crise na citricultura. O Conselho Monetário Nacional colocou na pauta dos debates um voto sobre a fixação do preço mínimo para a caixa de laranja, mas a votação, que aconteceria na última quintafeira, acabou adiada, e até este momento há uma indefinição sobre quando a proposta será analisada. Hoje de manhã recebi uma mensagem que sintetiza a gravidade da situação. Um produtor de laranja de Catanduva, no Noroeste de São Paulo, mandou-me uma mensagem que é um pedido de socorro. Relata na mensagem que ele está há 25 anos no setor, sempre viveu da produção de laranja, e hoje não tem recursos sequer para pagar seus empregados, enquanto vê a fruta apodrecendo no pomar. Faço novamente um apelo aos Ministérios envolvidos nessa questão para que apreciem com urgência a fixação de um preço mínimo para a laranja, como forma de salvar temporariamente a citricultura, enquanto outras medidas de médio prazo e duradouras não venham a ser tomadas. Portanto, Sr. Presidente, são esses os registros que faço nesta oportunidade, agradecendo a V.Exa. a tolerância. Muito obrigado. 94 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Ainda para uma Comunicação de Liderança, concedo a palavra ao Deputado Vanderlei Siraque, pelo PT. V.Exa. tem 10 minutos. Logo após vai falar o Deputado Ronaldo Caiado, pelo DEM. O SR. VANDERLEI SIRAQUE (PT-SP. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, eu vou dividir meu tempo para falar sobre dois temas. O primeiro deles é referente à necessidade de o País agilizar a construção de novas refinarias de petróleo no País. Os Governos anteriores, nos últimos anos, não construíram refinarias. No Governo Lula tivemos a refinaria do Rio de Janeiro, o COMPERJ, que é um complexo muito mais amplo do que uma refinaria, um complexo químico e petroquímico e refinaria, e também a Abreu e Lima, em Pernambuco, além de projetos para construção no Estado do Maranhão e em Alagoas, entre outros Estados, que nós achamos de fundamental importância, até tendo em vista que a frota nacional de veículos automotores aumentou e não aumentou a necessária destilação de petróleo. Inclusive o Brasil consumiu mais de 800 mil barris/dia de diesel no primeiro semestre deste ano; aliás, foram 870 mil barris/dia de diesel, que é derivado de petróleo, e importou 181 mil barris/dia de óleo diesel. E também, no caso do combustível gasolina, foram consumidos 510 mil barris/dia de gasolina e importados 13% desse total. Então, nós achamos que é urgente a construção das novas refinarias, como foi anunciado pela Presidenta Dilma e também pela Presidenta da PETROBRAS, Graça Foster. Outra questão importante também é a agilização da construção das usinas hidrelétricas, em especial as que estão sendo construídas no Norte do Brasil: Belo Monte, no Pará, e a Usina de Jirau, no Estado de Rondônia, no Rio Madeira, e outras pequenas usinas, para que se possa substituir a queima de óleo diesel pela 95 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 energia hidrelétrica, até porque ambientalmente é muito mais correto. Então, nós que somos da Frente Parlamentar em Defesa da Competitividade da Cadeia Produtiva do Setor Químico, Petroquímico e Plástico do Brasil entendemos que é importante, até porque nós temos o petróleo do pré-sal; em vez de nós sermos um grande exportador de petróleo, nós temos de ser um grande produtor de derivados de petróleo em nosso País, até para atender a nossa demanda interna, e também para que a PETROBRAS não tenha necessidade de recorrer ao mercado internacional, que tem produtos muito mais caros do que em nosso País. Então, essa é uma questão. Um segundo ponto, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados: estava havendo agora há pouco uma reclamação de S.Exa. o nobre Deputado Roberto Freire. Eu entendo que o Deputado Roberto Freire — aliás eu não sabia, Sr. Presidente, que ele era tão nervoso; ele já está há algum tempo aqui, é um grande Deputado, e eu cheguei aqui no ano passado, não é? —, parece-me, quis colocar-se acima dos Deputados que chegaram agora. Eu entendo que aqui não há diferença entre Deputados. Aqui todos os Deputados têm de respeitar a Constituição do País e o Regimento Interno. Eu entendo que o Deputado do PPS é até um Deputado que faz a quinta coluna do tucanato; eu nunca o ouvi reclamar das privatizações, da “privataria tucana”, por exemplo. Então, eu achei que S.Exa. foi injusto com o Presidente Marco Maia, desta Casa. Há alguns Deputados que estão muito acostumados com a imprensa lá fora, com a revista Veja, por exemplo, que apontou o Senador Demóstenes Torres há algum tempo como um verdadeiro santo. Lembra, Deputado? Era um santo! Era o que falava de mensalão, achincalhava outros Deputados, achincalhava o Partido dos 96 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Trabalhadores, achincalhava o Governo Lula, achincalhava os Senadores que eram da base governista, e depois descobriu-se que ele era um dos maiores corruptos do Brasil, junto com Carlinhos Cachoeira, e inclusive alguns setores que gostam de acusar Deputados do PT, o Governo do PT, deixaram engavetadas por muito tempo denúncias contra o Senador Demóstenes Torres, lamentavelmente; aliás, a CPI precisa apurar essa questão, porque no Brasil, que é um país republicano, ninguém está acima da Constituição, ninguém está acima da lei. Nós estamos num país republicano, e por aí há pessoas que se colocam de fora: eu posso ser convocado, o outro não pode; eu posso ser acusado, o outro não pode ser acusado. Então, nós entendemos que tudo deve ser apurado, sim, mas para todos os brasileiros, para todas as brasileiras, independentemente de ser membro do PT ou do PSDB. Agora, aqui na Câmara dos Deputados felizmente temos uma imprensa democrática. Aqui um fala e o outro rebate, e ao vivo. Às vezes é reprisado. Então, nós temos aqui a TV Câmara, nós temos a Internet, nós temos a Rádio Câmara, nós temos A Voz do Brasil, e nós temos o Jornal da Câmara e também o Jornal do Senado. E há Deputados que parecem querer impor seus discursos, que só saiam os deles, mas aqui, não; aqui, o processo é democrático, é muito democrático, como eu tenho observado. Eu estou há pouco tempo aqui na Câmara dos Deputados e tenho visto que o Presidente é democrático. Aqui o Presidente não impõe nada. É diferente de alguns editores de revistas e jornais, como é o caso da editoria da revista Veja. E todo o mundo sabe o que fizeram no Brasil, o que fizeram e continuam fazendo no Brasil. E o Jornal da Câmara é democrático. Então, o Deputado Roberto Freire não tem razão. Foi injusto com o Presidente Marco Maia. E, na verdade, se tenho alguma reclamação a fazer é com relação a essa injustiça. 97 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Agora, o que vi também na imprensa foi o quanto pressionaram o Ministro, professor e jurista Enrique Ricardo Lewandowski. Queriam porque queriam que ele decidisse no tempo deles, não no tempo em que o Supremo toma as suas decisões. Então, pressionaram e pressionaram o Ministro Ricardo Lewandowski, e agora, inclusive, o Brasil inteiro está assistindo às discussões no Supremo Tribunal Federal sobre o processo em andamento. Outra pressão que existe é em relação ao Ministro Toffoli. Aliás, daqui a pouco vão querer declarar também suspeito o Ministro Ricardo Lewandowski, porque ele foi professor do Ministro Toffoli; talvez por isso eles também não o queiram. E também querem que Peluso não se aposente — é um grande Ministro também —, eu não sei por quê. Não sei por quê. Será que eles sabem o voto de Toffoli, o voto de Lewandowski, o voto de Peluso? Querem inclusive que ele, caso se aposente, deixe o voto antes. É como se na semana que vem, se eu não pudesse vir à Câmara, deixasse o meu voto aqui sobre a medida provisória. Não é dessa maneira! Eu acho que o Supremo não pode votar sob pressão. Aliás, em véspera de eleição, do meu ponto de vista, não deveria ser votado nada, nem favorável nem contrário, até porque já são 7 anos, e toda véspera de eleição levanta-se essa calúnia, essa difamação, essa injúria sobre mensalão. Não existe, não existe essa tipificação penal! E mais: é uma acusação contra o Senado e contra a Câmara dos Deputados, porque falam que havia compra de votos. Bom, se houve compra de voto, alguém vendeu o voto, e quem acusa tem de mostrar a lista de quem vendeu voto. Qual é a lista? Eu até hoje não vi a lista da Procuradoria Geral da República de quem vendeu o voto. Estão dizendo, ficam dizendo que Zé Dirceu é chefe de quadrilha, quer dizer, sem provas, sem que ele tenha sido 98 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 condenado; então, quem vendeu o voto nesta Casa nas Legislaturas passadas? Porque se há comprador há vendedor; se há corruptor há gente corrompida, e até hoje não apareceu. Então, nós ficamos imaginando. Aqui está parecendo o Paraguai, não é? Parece que não querem que ninguém se defenda. Quem é do PT não pode ter direito de defesa. Hoje eu li um artigo de um juiz federal dizendo que é preciso investigar os advogados que defendem pessoas acusadas de corrupção, de crime de colarinho branco. Quer dizer, daqui a pouco vão começar a investigar advogado porque defende Zé Dirceu, porque defende Genoíno, porque defende pessoas que são filiadas ao PT. Então, eu acho que nós precisamos ir mais devagar. Acho que todo o mundo tem direito à crítica, acho que o Parlamentar deve ter direito à crítica, direito de defesa, mas aqui a tribuna é livre. Agora, alguns setores da imprensa estampam todo dia acusações: é chefe de quadrilha, é difamação, é injúria, é isso e aquilo, e a defesa não pode existir. Então, são lamentáveis algumas posições que nós vemos por aí. E não há democracia sem liberdade de imprensa; agora, liberdade de imprensa não é liberdade do dono de imprensa. Liberdade de imprensa é quando o acusado tem o direito também de se defender na própria imprensa, no mesmo dia e na mesma página. Obrigado, Sr. Presidente. 99 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Concedo a palavra ao Deputado Ronaldo Caiado, para uma Comunicação de Liderança pelo DEM. V.Exa. tem 3 minutos. O SR. RONALDO CAIADO (DEM-GO. Como Líder. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, o Brasil hoje assiste, sim, ao julgamento do mensalão. Essa é a verdade, nua e crua. Não adianta alguns Parlamentares da base do Governo, especificamente do PT, quererem minimizar o que foi, sem dúvida alguma, o maior escândalo da história política deste País, o maior desvio de dinheiro público, dos cofres públicos, para realizar a pretensão de um Governo de fazer valer a sua vontade no Congresso Nacional. Calculam alguns que foram R$ 140 milhões; outros dizem que essa soma é muito superior a esse número que acabo de citar. O Parlamentar que me antecedeu, Sr. Presidente, fez referência ao ex-Senador Demóstenes Torres, do Democratas, mas o Democratas agiu. O Democratas cortou na carne. Ele não faz mais parte do partido. Todos os outros denunciados do PT estão, todos, bem acolhidos dentro do partido, resguardados e protegidos, com denúncias que não foram feitas pela Oposição; quem falou em chefe de quadrilha foi o Procurador-Geral da República. Quem elencou todos os crimes praticados de corrupção, desvio de dinheiro público, formação de quadrilha, não foi a Oposição; foram exatamente os Ministros do Supremo Tribunal Federal, que estão julgando neste momento aquilo que a sociedade brasileira deseja ver às claras, com transparência. A lei tem de ser aplicada a todos, independentemente do grau de influência ou do poder aquisitivo. Esse julgamento do mensalão é um divisor de águas. Ele vai mostrar para os brasileiros se o Brasil é um país que hoje se equipara às grandes 100 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 democracias, às democracias consolidadas do mundo, onde a lei prevalece para todos, ou é um país que caminha para um modelo venezuelano, onde a vontade do Governo prevalece sobre as normas legais. Isso é o que se espera neste momento, e tem sido essa, sem dúvida alguma, a postura do Supremo Tribunal, com total independência, para poder julgar o maior escândalo da história politica deste País. E eu tenho a consciência tranquila de que todos nós brasileiros vamos assistir a uma grande mudança no estilo político depois desse julgamento no Supremo Tribunal Federal, momento em que os brasileiros vão analisar, também com mais profundidade, com mais critério, em quem depositar o voto nas próximas eleições. E antes de terminar, Sr. Presidente — e gostaria que V.Exa. me concedesse apenas mais 1 minuto —, quero dizer que a nossa indignação, nós Parlamentares de Oposição, por aquilo que hoje não foi publicado no Jornal da Câmara, é porque essa matéria é momentosa. Ela é atual, ela é relevante. Ela foi aqui trazida por vários Parlamentares que tiveram essa oportunidade, como eu, Líder do Democratas, fiz referência, no meu tempo de Líder, exatamente à importância do julgamento do mensalão, e no entanto nenhuma palavra foi transcrita no Jornal da Câmara. Ninguém quer impor o que se deve publicar. O que nós estamos dizendo é que não podem excluir o que foi dito. É diferente! Diferente! Não podem pautar o que querem; eles têm de pautar o que existiu. O Jornal da Câmara tem de funcionar como se fosse uma ata de uma sessão ocorrida na Câmara dos Deputados, onde todas as matérias deverão ser relatadas e, aí sim, noticiadas. E, terminando, quero dizer a V.Exa. que é exatamente isto que nós desejamos e que nós solicitamos da Direção da Mesa da Câmara dos Deputados: 101 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 imparcialidade. Que seja dada a importância, de acordo com os debates que foram feitos aqui e nas Comissões temáticas da Casa, e não de acordo com aquilo que alguém, por questões ideológicas, partidárias, seleciona como sendo importante ou passível de ser descartado. Eu termino dizendo que hoje o Brasil que trabalha e produz, o Brasil que acredita na democracia acompanha o julgamento do mensalão. As sentenças serão proferidas de acordo com aquilo que os Ministros tiverem de dados nos autos, com a independência do Supremo Tribunal Federal, sem ingerência de quem quer seja. 102 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Concedo a palavra ao Sr. Deputado Dimas Ramalho, pelo Bloco Parlamentar PV/PPS. S.Exa. dispõe de 10 minutos. O SR. DIMAS RAMALHO (Bloco/PPS-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estava nesta Câmara dos Deputados, quando surgiu o chamado “escândalo do mensalão”. Evidentemente, esse foi um acontecimento que não engrandeceu, digamos assim, este Parlamento, porque é exatamente o tipo de situação para a qual não viemos a esta Casa. Não viemos para fazer CP nem para julgar os pares, mas para construir, fazer projetos de lei, aprofundar cada vez mais as igualdades sociais no nosso País. Mas aconteceu. Infelizmente, aconteceu. Na época, Sr. Presidente, eu era Líder do PPS — Partido Popular Socialista nesta Casa. Apoiamos a CPMI, votamos as regulamentações impostas pelo Regimento Interno. Foi uma CPMI presidida com muita firmeza pelo Senador Delcídio e que teve como Relator o Deputado Osmar Serraglio, do Paraná, que produziu um bom relatório, um relatório que espelhou realmente os acontecimentos daqueles momentos tão tumultuados e difíceis que enfrentamos nesta Casa. Hoje, passados 7 anos, estamos chegando ao julgamento no Supremo. Quero dizer, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados — Deputados Edinho Araújo e Eleuses Paiva, da grande São José do Rio Preto —, que é fundamental que, passado esse tempo todo, o Congresso continue seu trabalho, que as instituições sejam fortes, que o Supremo possa julgar de acordo com os autos. É evidente que entendo que há provas suficientes, mas respeitarei a decisão do Supremo Tribunal Federal, porque votamos aqui que o Supremo possa ter sua independência. 103 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Aqui, já votamos e já fizemos julgamento político das pessoas envolvidas no chamado escândalo do mensalão. Agora é hora de o Supremo Tribunal Federal julgar de acordo com as leis, um julgamento mais técnico, um julgamento baseado na culpabilidade dos réus denunciados pelo Procurador-Geral da República. É evidente que há um debate permanente sobre quem é culpado e quem é inocente, sobre se deve ou não transferir o foro de determinados réus. Esse é o debate neste momento no Supremo Tribunal Federal. Apesar dessa quadra difícil que enfrentamos, não tenho dúvida de que a Câmara saiu mais fortalecida, até porque é a mais democrática que temos no nosso País. Nós representamos não apenas os Estados, mas também o povo, a população, diferentemente do Senado. O trabalho que fizemos aqui foi livre, com o Congresso aberto, com a imprensa democrática livre. Hoje nós vivemos uma democracia e queremos que continue assim. É muito importante esse julgamento no Supremo Tribunal Federal. É importante que a população, os Deputados, Senadores, Prefeitos, Vereadores e a sociedade brasileira acompanhem esse julgamento, que é didático, é um julgamento daquilo que nós nunca mais queremos ver no nosso País. Há argumentos de todos os lados, mas o argumento fundamental é aquele que não se pode brincar com o dinheiro público, que não se pode levar ao descrédito as instituições democráticas do nosso País. É por isso que eu respeito, confio na decisão do Supremo Tribunal Federal, mesmo que ele venha decidir amanhã, ou daqui a um tempo, de maneira contrária 104 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 ao que penso e defendo. Respeitarei, porque ele faz isso de acordo com as leis que votamos nesta Casa e juramos defender. Para quem está chegando agora no nosso País, para quem está se abrindo para a democracia, nós vivemos, Srs. Deputados e Sras. Deputadas, numa primavera democrática: imprensa livre, sindicato livre, as Casas legislativas funcionando, o respeito a todas as instituições brasileiras. Isso é um ganho insofismável. Nunca podemos brincar com a conquista dessa democracia. Como se constrói uma democracia, como se enfrenta um problema, como foi o do Collor, o do Mensalão? Enfrenta com mais democracia, com mais liberdade de imprensa, com mais liberdade de cátedra, com mais liberdade democrática, com mais liberdade sindical. Enfrenta-se a crise democrática radicalizando a democracia. É assim que pensamos, é assim que quero fazer minhas defesas neste País, neste Parlamento, que está aberto permanentemente. Se sempre houve crises, nós saímos da crise pela democracia. Portanto, atenção Brasil: acompanhe o julgamento do mensalão; tire as próprias conclusões. Devemos respeitar as decisões do Supremo, as regras democráticas e, sobretudo, temos de entender de uma vez por todas que é preciso mudanças profundas na relação político-eleitoral do nosso País, com financiamento público, com voto em lista, se for o caso, modificando o sistema de financiamento brasileiro, a fim de que possamos viver em uma democracia real e efetiva e todos terem acesso aos cargos majoritários, políticos, proporcionais. Essa é a grande lição que tiramos desse julgamento que começa hoje do chamado “esquema do mensalão”. 105 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Desta Câmara dos Deputados, nós só podemos continuar brigando, lutando, para afirmar a transparência e a democracia. Votamos a Lei de Acesso à Informação, votamos leis importantes que socializam e publicizam as informações desta Câmara dos Deputados. Não há um brasileiro que não conheça como nós, Deputados, gastamos as nossas receitas, quanto nós ganhamos, para onde é que viajamos. Nós aqui estamos dando esse exemplo, é importante que se diga. E por darmos esse exemplo nós também, quando é preciso, cortamos na própria carne. É esse o grande exemplo: democracia forte, Parlamento livre, Judiciário independente e um Brasil cada vez melhor. Obrigado, Sr. Presidente. 106 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Vou passar a presidência dos trabalhos ao Deputado Vanderlei Siraque, pois ocuparei a tribuna para fazer uma breve comunicação. O Sr. Amauri Teixeira, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Vanderlei Siraque, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. 107 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Vanderlei Siraque) - Concedo a palavra ao Deputado Amauri Teixeira, do PT da Bahia. S.Exa. dispõe de 3 minutos. O SR. AMAURI TEIXEIRA (PT-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, com relação ao episódio que está sendo julgado hoje pelo Supremo Tribunal Federal eu só lembro a frase que o meu pai sempre me dizia: “não se fala de corda na casa de enforcado”. Há muitos aqui falando, principalmente no PSDB e no DEM, sobre o mensalão. Não há só um mensalão neste País para ser julgado. Existe o mensalão do tucano mineiro, que originou todos eles, e há o mensalão do Distrito Federal, que é do DEM. Há poucos Parlamentares neste Congresso Nacional com capacidade de discutir, de enfrentar esse assunto com isenção, moral e ética. Nós não temos nenhum temor no julgamento. É como o Deputado Eleuses Paiva disse: queremos que se faça justiça e não linchamento público. Se alguém tem culpa, tem que ser condenado. É assim que a democracia amadurece. Se não tem culpa, também não pode ser condenado apenas para que se derrote um projeto político — aquele socialmente mais importante para este País, que tirou 40 milhões da miséria. Mas quero, Sr. Presidente, antes de mais nada, parabenizar o Secretário de Saúde da Bahia, Jorge Solla, que está levando para o Estado 200 milhões de reais do Banco Mundial, a fim de construir mais dois hospitais na Grande Salvador. Um no litoral norte, onde há um índice de acidente muito grande. As pessoas, ao trilharem por lá, muitas vezes, ficam sem possibilidade de assistência. Outro para atender a 108 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 população de Candeias e daquela região. Além disso, o Secretário Solla vai construir uma maternidade em Lauro de Freitas. Com isso, praticamente, fechamos as demandas da Grande Salvador, que ainda tem carência. Esperamos que o próximo Prefeito de Salvador construa um hospital de trauma, pois é a única Capital do Brasil que não tem esse tipo de hospital. Registro também, Sr. Presidente, que a Ministra Izabella Teixeira anunciou, hoje, a redução do desmatamento na Amazônia — um monitoramento muito eficiente que está sendo feito pelo Ministério do Meio Ambiente com o INPE. Nós temos em torno de 45 cidades sendo monitoradas, que são as principais desmatadoras. Então, quero deixar registrado esse fato positivo para que sirva de exemplo a todos nós, inclusive para enfrentarmos a questão do desmatamento no Código Florestal. As regras do Código Florestal aumentaram, mas, do ponto de vista dos Governos Lula e Dilma, nós temos diminuído o desmatamento. Quero também deixar registrado que completa 6 anos, no dia 7 de agosto, a Lei Maria da Penha. Talvez seja uma lei do ponto de vista do enfrentamento das nossas diferenças, inclusive da violência contra as mulheres da nossa sociedade. A Lei Maria da Penha tem contribuído muito, mas não é apenas a lei que vai reverter isso. Temos reclamado uma Delegacia da Mulher em Jacobina, votamos uma emenda para construir Centros de Referência, inclusive em Jacobina. Então, não basta a lei, é preciso que seja garantida a sua execução, é preciso aumentar o número de Delegacia da Mulher, é preciso aumentar o número de Centro de Referência da Mulher. É preciso, efetivamente, colocar na prática a Lei Maria da Penha. 109 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Muito obrigado, Sr. Presidente. PRONUNCIAMENTOS ENCAMINHADOS PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ocupo esta tribuna, mais uma vez, para elogiar o nosso Governo e o trabalho do Secretário de Saúde da Bahia, o companheiro Jorge Solla. Gostaria de deixar registrado e pedir ampla divulgação nos meios de comunicação desta Casa de artigo do blog Bahia Notícias em que o Secretário anunciou a obtenção, no BID, do montante de 200 milhões de dólares para melhorar a oferta dos serviços em saúde para o nosso Estado. É o seguinte: “Solla anuncia construção de hospitais e US$ 200 mi do BID, por Bárbara Souza. Em entrevista ao programa Acorda pra Vida, da RedeTudo FM 102,5, na manhã desta quinta-feira (2), o secretário estadual da Saúde, Jorge Solla, anunciou que o governo da Bahia obteve junto ao BID recursos ‘de 200 milhões de dólares para investimento, nos próximos quatro anos, na rede de saúde da Região Metropolitana de Salvador’. O titular da Sesab declarou também que a meta é ampliar para 35% a cobertura do PSF na RMS, com a elevação do número de postos de saúde e a construção de dois novos hospitais, um na BR-324, que atenderá à população Candeias e adjacências, e outro no Litoral Norte. ‘Além disso, já conseguimos recursos para construir uma maternidade em Lauro de Freitas’, disse 110 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Solla. Neste caso, explicou, os recursos serão do Ministério de Saúde. Indagado sobre a proposta de candidatos a prefeito da capital baiana de criar um hospital municipal em Salvador, Solla admitiu que ainda há um déficit de leitos na capital baiana e afirmou que qualquer proposta voltada para ampliar a oferta de vagas é ‘bem-vinda’, desde que seja planejada para se integrar à estrutura disponível na rede estadual de saúde. ‘Nós dobramos o número de UTIs, dobramos os CAPs e o governador Wagner investiu mais de R$ 560 milhões em obras e equipamentos’, declarou o secretário, ao tempo que ressaltou a criação de 600 postos de saúde e 1,2 mil leitos pelo governo.” Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ocupo esta tribuna para dar como lida uma informação do Ministério do Meio Ambiente que diz respeito à queda do desmatamento na Amazônia Legal: “Meio Ambiente divulga resultado do monitoramento da Amazônia nesta 5ª feira e Izabella Teixeira antecipa queda no desmatamento. O governo federal divulga, nesta quinta-feira (2), as taxas de desmatamento da Amazônia Legal, medidas pelo Sistema de Monitoramento em Tempo Real (Deter) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nos meses de abril, maio, junho. ‘Os números são otimistas’, adiantou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, na terça-feira (31) na abertura do VIII seminário Técnico 111 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Cientifico dos Dados do Desmatamento na Amazônia, em Brasília. A expectativa da ministra é dar sequência às ações para redução do desmatamento na Amazônia brasileira, que atingiram esse ano os menores níveis da história. Essa sucessão de bons resultados depende, segundo Izabella, da cooperação entre os principais segmentos envolvidos no processo. ‘Existem várias questões ambientais que precisam ser alinhadas no caminho de gestão estratégica’, avalia Izabella Teixeira. ‘O governo, a comunidade científica e a própria sociedade têm de atuar de maneira conjunta.’ Para ela, é necessário inovar para enfrentar os novos desafios, como a mudança do perfil do desmatamento, agora espalhado cada vez mais em áreas menores. A ideia é integrar o sistema de informações e as ações de órgãos que monitoram o bioma. Na nova fase, o programa passa a reforçar as ações de recuperação das áreas degradadas e zoneamento econômico ecológico associadas às de fiscalização e controle do desmatamento, responsáveis pela queda nas taxas de desmatamento. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Inpe, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Empresa Brasileira de 112 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Pesquisa Agropecuária (Embrapa) panorama dos sobre dados áreas traçaram um degradadas, assentamentos e produção rural. Izabella destacou a importância do investimento de R$100 milhões em pesquisas voltadas para o desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal. O secretário de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, informou que os recursos serão aplicados no apoio a iniciativas em sete grandes eixos, em especial os científicos e tecnológicos. Fonte: Ministério do Meio Ambiente” Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna para lembrar que no próximo dia 7 de agosto a Lei nº 11.340, de 2006, mais conhecida com a Lei Maria da Penha, completa 6 anos. Essa lei foi um avanço muito importante na garantia dos direitos das mulheres brasileiras, mas acredito que muito ainda precisa ser feito para melhorar a vida das mulheres brasileiras. É inegável que essa lei representa um dos mais importantes instrumentos do enfrentamento à violência doméstica e familiar e da defesa dos direitos das mulheres e do Brasil. Apesar de sua aplicação e implementação ainda não serem plenamente satisfatórias, uma vez que sua eficácia depende de vários fatores, como a aplicação de recursos para instrumentos que protejam a vida e os direitos das mulheres em 113 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 situação de violência doméstica, essa lei é um avanço concreto. Mas precisamos garantir a sua inclusão no ciclo orçamentário. É preciso também frisar o importante papel que as ONGs, as associações, os conselhos e os diversos movimentos sociais desempenham perante os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para a sua plena implementação. Existem 29 proposições legislativas tramitando hoje no Congresso Nacional. Alguns Parlamentares afirmam que é preciso melhorar a lei, mas não basta mudar a legislação. O fundamental e necessário é entender a lei e garantir os meios para tornar eficaz sua aplicação. É preciso que essas proposições sejam analisadas de forma minuciosa, pois se pode verificar o grau de desconhecimento sobre o texto da Lei Maria da Penha. Algumas dessas propostas querem ampliar o entendimento sobre a violência doméstica, para enfraquecer as iniciativas de combate à violência contra a mulher. A Lei Maria da Penha cria “mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher”. Há a cultura patriarcal e o machismo aos quais as mulheres brasileiras sempre foram submetidas que se arrasta em nossa sociedade até os dias de hoje. Não são poucos os casos de violência, inclusive com várias vítimas fatais. Existem propostas sugerindo o aumento de pena dos agressores, contudo tal iniciativa se afasta do espírito da Lei Maria da Penha, pois não são penas mais altas que garantiriam a redução dos crimes de violência doméstica. 114 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Por isso, precisamos continuar trabalhando para que avanços sejam efetivados na implementação da Lei Maria da Penha e seguir com o importante trabalho articulado com os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Devemos garantir o diálogo com os movimentos feminista e de mulheres e com a população em geral, para que suas necessidades reais e cotidianas no enfrentamento a todas as formas de violência contra as mulheres... Muito obrigado. 115 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Vanderlei Siraque) - Com a palavra pela ordem o Sr. Deputado Edinho Araújo, por 3 minutos. O SR. EDINHO ARAÚJO (PMDB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, há pouco ocupei a tribuna para fazer alguns registros, entre eles a questão da citricultura, da crise que São Paulo vive, tendo em vista a grande oferta que se dá hoje com relação à laranja, os bloqueios e as restrições internacionais, especialmente dos Estados Unidos, com relação à exportação, e a falta de oferta que se dá no mercado interno. Depois que deixei esta tribuna, falei com o Ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro. Cobrava uma providência do Conselho Monetário Nacional. Esse Conselho acaba de ter uma reunião, há 1 hora, na qual esse assunto foi colocado a pedido do Ministério da Agricultura, com a sensibilidade da Presidente Dilma Rousseff. Não tenho ainda as informações detalhadas, mas fui informado pelo Ministro e pelo Secretário-Executivo, José Carlos Vaz, de que o Conselho Monetário tomou algumas providências que aliviam a crise que o setor está vivendo de forma muito intensa — sobretudo o Estado de São Paulo onde a produção representa mais de 80% da produção nacional — no tocante à prorrogação das dívidas de 2012, à questão do custeio. O Conselho, sensível, tomou outras providências, tendo em vista essa ponderação do Ministro, que com certeza é o que pensa a Presidente Dilma. Portanto, quero dar essa notícia. Não tenho ainda todos os detalhes, todas as informações, mas chega-me, neste momento, pelo telefonema do Ministro Mendes Ribeiro, que o Conselho Monetário Nacional está tomando algumas providências que vão amenizar a crise que vive o setor. 116 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 São essas as informações. Tão logo eu tenha os detalhes, voltarei a esta tribuna. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - É importante, Deputado Edinho Araújo, porque, na Bahia, nós temos um setor menor do que São Paulo, mas muito afetado por esta crise, não só de citricultores. A fruticultura como um todo também está sofrendo com um endividamento muito grande. Esperamos que essas medidas venham beneficiar os demais Estados, não apenas São Paulo, que é justo que seja beneficiado. Durante o discurso do Sr. Edinho Araújo, o Sr. Vanderlei Siraque, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Amauri Teixeira, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. 117 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Concedo a palavra pela ordem ao Sr. Deputado Eleuses Paiva, do PSD de São Paulo. S.Exa. dispõe de 3 minutos. O SR. ELEUSES PAIVA (PSD-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, expectadores e ouvintes dos meios de comunicação da Câmara, ocupo a tribuna hoje para falar de um assunto muito importante para o setor de saúde e para a sociedade brasileira. Trata-se de algo que me preocupa bastante — sei do interesse de V.Exa. pela área de saúde —, que é a liberação de medicamentos para a venda sem prescrição médica, fora do balcão das drogarias e farmácias. Registro minha surpresa com a decisão da ANVISA em liberar a venda de medicamentos sem prescrição médica por meio da Resolução da Diretoria Colegiada nº 41, de 2012, no dia 26 de julho, invalidando — pasmem, Sras. e Srs. Deputados! — uma resolução da própria ANVISA, a RDC 44, de 2009, que restringia a venda de medicamentos dentro dos balcões. Sabemos que o Sr. Ministro foi comunicado e consultado. É lamentável, mas S.Exa. concordou com a liberação. Entendo a pressão que recebe de empresários, da IP Marca, o que até posso entender. Existem lobbies, que também têm vontade, mas acredito no homem público e na importância de uma agência para justamente superar esses problemas. Os Conselhos Federais de Farmácia e Medicina classificaram essa decisão da ANVISA absurda, retrógrada e incorreta. Na condição de médico, acredito que disponibilizar qualquer medicamento ao alcance livre da população é perigoso, além de ser um incentivo à automedicação. Creio ainda que essa decisão causou indignação aos conselheiros porque não 118 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 respeita, com certeza, a opinião pública e, sobretudo, a opinião daqueles que trabalham no setor. Os Conselhos afirmam que mais de 70% das manifestações colhidas por meio de consulta pública foram contrárias à liberação da venda dos remédios sem receitas, fora do balcão da farmácia. A ANVISA — não entendemos —, contrariando a resolução anterior que proibia essa venda, informou que a maioria das contribuições apontava por reverter a proibição. Uma dualidade que deve ser melhor esclarecida. A minha posição, que converge com a dos conselhos e a dos profissionais de saúde, manter-se-á firme na luta pela saúde pública, pois entendo que dispor livremente os medicamentos para compras em gôndolas e prateleiras de qualquer estabelecimento estimula a automedicação, o uso indiscriminado de remédio, que provoca sérias sequelas à saúde das pessoas, onera o Sistema Único de Saúde, aumenta o nível de intoxicações medicamentosas — isso é comprovado —, constrói a cultura de medicamentos que podem ser utilizados sem receitas, cerceia o direito do farmacêutico em exercer as suas funções. Essa decisão da ANVISA diverge das políticas de saúde e desconsidera a manifestação dos profissionais especializados para lidar com o assunto de forma segura e séria. Por isso, reitero a minha preocupação, inclusive não só da minha parte, mas também da parte do Senador Paulo Davim, que levou a preocupação ao Senado Federal. 119 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Informo, ainda, Sr. Presidente, que solicitei audiência pública na Comissão de Seguridade Social para que o assunto seja discutido entre as autoridades e a sociedade como um todo. Para terminar, Sr. Presidente, gostaria de saudar o nosso colega Deputado do Estado de São Paulo, promotor, Dimas Ramalho, figura que enobrece a classe política deste País. O Deputado Dimas, muito bem escolhido pela Assembleia Legislativa, com o apoio do Governador do Estado de São Paulo, retira-se dos quadros desta Casa para uma função importante: Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Deputado Dimas, nós, nesta Casa, sentiremos, com certeza, a sua ausência nos quadros do que nós temos de melhor nesta Casa. Eu gostaria, em nome do PSD e no dos Deputados desta Casa, de falar da saudade que sentiremos da sua companhia nesta Casa, da sua maneira forte, ética, de tratar com a coisa pública. Eu, em nome do meu partido, desejo a V.Exa. êxito no cargo que vai ocupar no Tribunal, tão importante para nós. Tenho certeza de que sua atuação lá será tão brilhante como foi aqui. Portanto, ouso falar em nome da bancada dos Deputados do Estado de São Paulo, desejando a V.Exa. um grande mandato à frente do Tribunal. Lastimamos perder a companhia de V.Exa. nesta Casa. Um grande abraço, Deputado Dimas! Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Nós nos somamos ao Deputado Eleuses na manifestação em relação a Dimas Ramalho. Estamos perdendo um 120 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 grande Deputado, mas o Tribunal está ganhando um grande conselheiro. S.Exa. não terá mandato lá, teria mandato aqui. Lá, S.Exa. será vitalício. Temos certeza de que cumprirá bem esse papel. Durante o discurso do Sr. Eleuses Paiva, assumem sucessivamente a Presidência os Srs. Roberto de Lucena, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, e Amauri Teixeira, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. 121 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Concedo a palavra ao nobre Deputado Antonio Carlos Mendes Thame, do PSDB, para uma Comunicação de Liderança, pela Minoria. S.Exa. dispõe de 6 minutos. O SR. ANTONIO CARLOS MENDES THAME (PSDB-SP. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sras. e Srs. Deputados, estamos vivendo um momento histórico. Nós podemos, a partir de hoje, graças à atuação de 11 Ministros do Supremo Tribunal Federal, iniciar nova fase no País. Na realidade, não é uma mudança, alguma coisa que muda na legislação ou na aplicação das leis, mas é a percepção de toda a sociedade que pode mudar em função do tão aguardado julgamento do mensalão. Mensalão que foi o maior escândalo de corrupção na vida nacional, nos últimos anos, e que se constitui hoje num verdadeiro paradoxo. Se por um lado constituiu-se num mal gigantesco para todo o País, por outro lado pode reverter-se com a ação da Justiça em algo absolutamente inigualável, que superará definitivamente a partir de agora uma fase em que se acreditava na impunidade de outra em que a moralidade e a ética podem ser características fundamentais da sociedade brasileira. Todo este processo vem à tona, ganha corpo e chega a termo no Supremo Tribunal Federal. Iniciou-se graças ao papel da mídia, da revista Veja, que denunciou o recebimento de propina por um servidor dos Correios e pela instauração de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito — CPMI que apurou no Parlamento a prática do mensalão exercida a Deputados que eram comprados e que atuavam aqui como zumbis, votando em cruz, seguindo as normas do Governo Federal, sem ter direito a analisar cada um dos processos, cada um dos projetos, porque já tinham vendido o seu voto. 122 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Se todas essas denúncias da Procuradoria-Geral da República são hoje consistentes, elas se baseiam no relatório, preparado pelo Deputado Osmar Serraglio, aprovado pela grande maioria dos membros da CPMI, da Situação e da Oposição, num belíssimo trabalho, caracterizando, já naquela época, a quebra de um dos mitos que, até hoje, nos perturbam muito. Mitos ligados à falta de seriedade neste País. Qual mito? O mito de que toda CPMI acabe em pizza. Essa não acabou em pizza, mas num relatório substancial que se transforma nesse processo, nessa Ação Penal nº 470, cujo julgamento final é iniciado hoje pelo Supremo. É importante lembrar, além disso, que há outros mitos que podem vir a ser quebrados. Um deles é o mito da impunidade dos poderosos no País. O julgamento a que estamos assistindo pode redundar no fim desse mito, se nós tivermos aquilo que toda a população espera e que não nos cabe aqui prejulgar, preanunciar a nossa opinião a respeito do que deve o Judiciário decidir. O Judiciário é soberano e é nele que nós depositamos a nossa confiança. O nosso papel aqui é de investigar, fazer parte da CPMI, investigar o Executivo, dar a nossa contribuição, mas a palavra final que vai condenar ou inocentar cada um dos envolvidos é do Judiciário. É importante lembrar que o julgamento que hoje se inicia no Supremo é a consequência de um trabalho muito bem realizado não apenas pela CPMI, mas também pelas denúncias da Procuradoria-Geral da República, tendo sempre como norte regras definidas pela Constituição Federal. A partir do momento em que esse caso do mensalão passa a ser julgado no Poder Judiciário, nós passamos a ter a função de esperar, de vigiar — não de julgar, 123 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 mas de vigiar — e de aguardar que essas normas constitucionais e esses direitos sejam legalmente garantidos. Aliás, nenhuma democracia séria se estabelece e consolida-se sem um Poder Judiciário atuante, forte e independente. Não basta que tenhamos leis que valham para todos. É preciso que essas leis sejam cumpridas, exigidas, aplicadas. Essa é a função do Judiciário, para que a lei valha para todos e não apenas para os mais humildes, para aqueles, independente do status que ocupam na sociedade, que tenham de ficar submetidos ao império da lei, do Estado de Direito, não sejam pessoas privilegiadas acima da lei e para que todos respeitem a lei. É isso o que nós esperamos. É nisso que confiamos. É isso que estamos aguardando ansiosamente, acompanhando esse julgamento no Supremo Tribunal Federal. Muito obrigado, Sr. Presidente. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a história do Brasil pode estar começando a ser reescrita a partir de hoje. Este privilégio está nas mãos dos 11 Ministros do Supremo Tribunal Federal, mas todo o País vive um momento único de fortalecimento da democracia, das suas instituições, da independência dos Poderes e do revigoramento dos valores e princípios do Estado Democrático de Direito. Todo este processo vem à tona, ganha corpo e chega a termo no STF, graças ao papel da mídia, que denunciou o recebimento de propina por um servidor dos Correios, pela instauração de uma CPMI, que apurou no Parlamento a prática do mensalão do Executivo Federal em troca de apoio político e serviu como substrato 124 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 de todo a denúncia da Procuradoria-Geral da República. Quebrou dois mitos: de que tudo acaba em pizza e que no Brasil os poderosos não são julgados com o rigor da lei. É importante lembrar que o julgamento iniciado pelo STF hoje é uma consequência benigna do excelente trabalho realizado pela CPI do Mensalão e, em seguida, pelas denúncias da Procuradoria-Geral da República, sempre tendo como norte as regras definidas pela Constituição Federal. Agora o caso mensalão passa a ser julgado pelo Poder Judiciário, foro onde no mundo civilizado tem a função de vigiar, julgar e guardar as normas constitucionais e os direitos legalmente garantidos. Esse papel superior, por extensão blinda, naturalmente, a ação judicial de qualquer viés politico ou partidário. Enfim, o Judiciário julga os fatos tão somente. Ao Poder Judiciário cabe salvaguardar o fiel cumprimento da Constituição Federal e a solução dos conflitos coletivos e, principalmente, pôr em prática os preceitos que garantem os direitos fundamentais do cidadão assegurados pela lei constitucional. Com a Constituição Federal de 1988, o Poder Judiciário torna-se protagonista na proteção de direitos que passaram a ser garantidos positivamente. O STF ganha a delegação de garantir e proteger a Constituição e seu cumprimento em favor dos direitos individuais e do Estado Democrático de Direito. E é nesse contexto que o Supremo tem decidido questões fundamentais para a vida do cidadão brasileiro como foi no caso do julgamento das pesquisas com células-tronco embrionárias, do nepotismo, da Lei de Imprensa, da demarcação de terras indígenas, entre outros. Então, cada vez mais, o Judiciário contribui para o aprimoramento do processo democrático e civilizatório da sociedade brasileira. 125 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 No julgamento do mensalão, por exemplo, a Suprema Corte cumpre o seu papel constitucional e de balizamento de uma ordem moral que o País anseia com ardor. Doutrinadores renomados sustentam que o controle judicial mostra-se como um instrumento imprescindível e eficiente para o aperfeiçoamento da democracia. Pois é a própria Constituição que, ao estabelecer as regras democráticas, confere aos magistrados o direito e o dever de proteger o fiel cumprimento da Constituição. Sendo a Constituição Federal a manifestação da vontade da maioria, premissa maior de toda democracia, manifestada legitimamente nas regras insculpidas na Constituição e leis infraconstitucionais é assegurada pelo Poder Judiciário. O Poder Judiciário é e sempre foi o guardião das leis vigentes em um Estado Democrático de Direito, e fazê-las ter efetividade, mesmo que numa atuação contra majoritária ou em detrimento dos outros Poderes, não enfraquece a ideia de democracia, mas, ao contrário, a legitima. 126 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Concedo a palavra, pela ordem, ao Deputado Vanderlei Siraque. O SR. VANDERLEI SIRAQUE (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ouvi os Deputados tucanos falarem desse tema de conteúdo jurídico indeterminado. Mensalão é conteúdo jurídico indeterminado. É assim como falar da privatização tucana que, do ponto de vista jurídico, tem conteúdo indeterminado. O Supremo Tribunal Federal e todo o Judiciário vão julgar de acordo com as regras da nossa Constituição e com as normas jurídicas, por meio de fatos determinados. Eu não estava aqui na Legislatura passada, pois só comecei no ano passado. E tenho ouvido sistematicamente alguns Deputados falaram de compra de votos. Acho que compete a esses Deputados apresentarem a lista de quem vendeu os votos. Preciso saber quem são, até para não passar perto de quem vende voto. Se tem comprador de voto é porque tem vendedor de voto. Por exemplo, se alguém compra um litro de leite, alguém vendeu um litro de leite; se alguém compra um pacote de arroz, alguém vendeu um pacote de arroz. Eu ouço muito falarem que existe essa tal de compra de votos, mas até agora eu não vi a lista de quem vendeu voto. E se alguém vendeu voto, deveria ter sido cassado; tem que ser incriminado, tem que ser condenado. Eu, até agora, só ouvi falar que houve pessoas que compraram voto. Isso tudo é muito ruim. Vejo setores da imprensa como a revista Veja, por exemplo. Quem é a Veja? A Veja defendia Carlos Cachoeira até esse dias. 127 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Publicava matérias a favor do Cachoeira e matérias negativas contra o Partido dos Trabalhadores, contra outros Deputados, contra Prefeitos, contra Parlamentares. Eu sou um dos maiores defensores da liberdade de imprensa, porque não há democracia sem liberdade de imprensa, e não há liberdade de imprensa sem que a imprensa coloque as duas versões, tanto de quem acusa quanto de quem é acusado. E deveria ser colocado na mesma página e no mesmo dia. A mesma coisa deveria ocorrer nos meios de comunicação como a televisão: se deu 5 minutos para o Procurador-Geral da República acusar pessoas do PT, teria que dar 5 minutos para as pessoas se defenderem no mesmo horário, no Jornal Nacional, e não de forma esparsa. Da mesma forma, a imprensa escrita: na mesma página deveria escrever sobre o acusado e o acusador. Isso é liberdade de imprensa. Liberdade de imprensa não é liberdade de opinião do dono do jornal, não é a opinião do dono do jornal. Liberdade de imprensa é quando você ouve as pessoas que são acusadas, ouve os acusadores, ouve as opiniões de forma democrática de toda a sociedade. Na verdade, o que a imprensa tenta fazer é formar opinião. E opinião contra o Governo do PT. Na época, inclusive, o que se desejava era um golpe de Estado contra o Governo Lula, que foi um dos melhores Presidentes que este País já teve, por causa do preconceito, porque eles não o admitiam. Ganhar a eleição, podia, mas governar, não. E hoje o Brasil está aí. O Lula foi reeleito depois das acusações, a Dilma foi eleita, e o Brasil caminha no rumo certo, mesmo que a privataria tucana não deseje e não goste. E nós esperamos que o Supremo Tribunal Federal, que tem grandes Ministros — o Ministro Toffoli, o Ricardo Lewandowski, o Carlos Ayres Britto, todos os 11 Ministros — julgue de forma isenta, de acordo com a nossa Constituição, de acordo 128 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 com a nossa legislação e de forma técnica, de acordo com aquilo que está nos autos. Que julgue os fatos, e os fatos têm que ser comprovados por quem fez a acusação, e dentro dos autos. Não é ficar formando opinião pública, não. Obrigado, Sr. Presidente. 129 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Concedo a palavra pela ordem ao Deputado Roberto de Lucena, do PV de São Paulo. S.Exa. dispõe de 3 minutos. O SR. ROBERTO DE LUCENA (Bloco/PV-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, quero fazer apenas dois registros. No primeiro deles, quero fazer um lamento. Quero lamentar que tenhamos assistido, Deputado Vanderlei Siraque, nestes dias, o ingresso da Venezuela no MERCOSUL. Quero lamentar, porque o Brasil — respeito todas as posições divergentes, todos os pontos de vista — foi definitivo para que isso ocorresse. E acontece exatamente no momento em que não temos na discussão a presença de um membro do PARLASUL, que é o Paraguai. Anteontem, o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, subiu a rampa do Palácio do Planalto e entrou pela porta da frente. Mas a Venezuela entrou pelas portas do fundo no MERCOSUL. Não aplaudo, lamento o que aconteceu, a maneira como as coisas foram conduzidas. Ao mesmo tempo, temos que aplaudir aquilo que está dando certo, aquilo que está acontecendo da melhor maneira no Brasil. Nessa direção, Presidente, ilustre Deputado Amauri Teixeira, preciso aqui aplaudir e reconhecer o trabalho magnífico que está sendo feito pelo Ministro Marcelo Crivella à frente do Ministério da Pesca. Está acontecendo uma verdadeira revolução. Ontem, foi assinado um acordo entre o Ministério da Pesca e a Confederação Nacional dos Pescadores do Brasil, no qual será feito um recadastramento nacional dos pescadores. Isso possibilitará que seja feita a carteira do pescador, o que vai permitir, Deputado Siraque, que os benefícios sociais sejam direcionados exatamente para ele, a fim de que se evitem algumas situações de exceção que têm ocorrido, infelizmente. 130 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Eu quero parabenizar o Ministro Marcelo Crivella, quero aplaudir o Ministério da Pesca, entendendo inclusive que outras instituições haverão, nos próximos dias, de assinar com o Ministério da Pesca um acordo semelhante, como deverá ocorrer com a Federação dos Pescadores do Maranhão, com a própria União Geral dos Trabalhadores e outras instituições que representam as colônias de pescadores em todo o Brasil. Então, deixo aqui, Sr. Presidente, primeiro o meu lamento com relação ao ingresso da Venezuela no MERCOSUL, e, segundo, o meu aplauso, o meu reconhecimento ao grande trabalho desse grande brasileiro, Ministro Marcelo Crivella, à frente do Ministério da Pesca. Era o que tinha a dizer. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Quero saudar os nossos visitantes da Universidade Católica de Brasília, do curso de Relações Internacionais, e dizerlhes que hoje estamos realizando uma sessão de debates, chamada assim quando não há deliberações. Deputado Roberto de Lucena, nós estamos pedindo ao Ministro da Pesca — nós temos trabalhado muito com ele — que envie técnicos a Jacobina para fazer uma visita à Lagoa Antonio Sobrinho, exatamente para lá começar o recadastramento dos pescadores. O SR. ROBERTO DE LUCENA - Eu quero ir a Jacobina com eles. O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Isso. V.Exa. vai a Jacobina com eles. 131 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Também estamos pedindo a visita dos técnicos ao Ministério da Pesca para discutir a criação de uma reserva extrativista em Maraú, na Bahia, um dos lugares mais lindos do Brasil. 132 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 PRONUNCIAMENTOS ENCAMINHADOS À MESA PARA PUBLICAÇÃO A SRA. PERPÉTUA ALMEIDA (PCdoB-AC. Pronuncia o seguinte discurso.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, falo desta tribuna sobre missão oficial que cumpri, em nome desta Casa, nas eleições parlamentares no Timor-Leste. A exemplo do Brasil, o Timor-Leste foi uma colônia de exploração portuguesa. Lá como cá foi estabelecido um comércio predatório: explorar sem replantio. Aqui, o pau-brasil; no Timor-Leste, o sândalo. Culturalmente oprimidos e dominados pelos portugueses, ambos herdamos o catolicismo e a língua portuguesa, falada atualmente por não mais que 25% da população. Muito mais timorenses podiam falar o português, mas durante a ocupação indonésia o português foi banido dos espaços públicos, das escolas e dos meios de comunicação. O povo alegre e amante da liberdade, o timorense guarda outras semelhanças com o brasileiro: o gosto musical, que inclui, principalmente, dupla sertaneja e música brega e a insurgência contra os regimes totalitários. Tropical como o Brasil, o Timor tem praia e até uma estátua parecida com o Cristo Redentor, chamada Cristo Rei, também edificada no alto de um morro, de frente para o mar. É comum ouvir dos timorenses: “Venham morar aqui, venham nos ajudar a construir nosso país. Aqui é um pedacinho do Brasil, do Rio de Janeiro. Olha aí o nosso Cristo Rei”. Nas ruas simples e pobres da Capital, Dili, como tantas cidades espalhadas pelo Brasil, Sr. Presidente, casas gradeadas, outras tantas com paredes de lona e 133 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 ou folhas de zinco. A insegurança é constante dos lugares muito pobres ou com uma grande desigualdade social. Isso demonstra, senhoras e senhores, a forte ligação que os timorenses têm conosco, pois procuram, pelas características geográficas, se aproximar de nós, na busca de desenvolvimento econômico e social à altura do nosso tempo. Foi essa a sensação que me restou, juntamente com a acolhida calorosa, ao desembarcar, em missão oficial, para acompanhar as eleições parlamentares de 7 de julho de 2012, representando o Brasil, com a deputada Janete Pietá, e com representantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa — CPLP que atuaram como observadores internacionais. Reforçamos com essa missão os laços com o Timor-Leste e marcamos nossa presença de maneira definitiva junto com da CPLP. Divididos em 8 equipes, estivemos presentes em 17 subdistritos e observamos 74 centros de votação, que correspondiam a 132 Estações de Voto, para garantir a livre manifestação da população timorense em consonância com os princípios democráticos internacionais. Saímos da lá satisfeitos, Sr. Presidente, pela maturidade política demonstrada pelas diferentes forças partidárias e ainda pelo elevado número de mulheres e jovens timorenses envolvidos no processo que, com diversas organizações da sociedade civil e observadores internos, auxiliaram os 140 mil eleitores inscritos, com destaque especial para o profissionalismo da Polícia Nacional do Timor Leste — PNTL. Nosso trabalho foi reconhecido pelas autoridades timorenses e destacado nos encontros oficiais, tanto pelos integrantes do Governo como pelos membros de 134 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 instituições de supervisão e administração eleitoral e líderes dos partidos políticos. Os timorenses, que ainda votam em cédulas de papel e em lista partidária, com apuração manual, manifestaram interesse em adquirir as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil. O resultado eleitoral deu vitória ao partido do atual Primeiro-Ministro Xanana Gusmão, que lutou pela independência e foi o primeiro Presidente da República. Em segundo lugar, ficou o partido de José Ramos Horta, ex-Presidente da República e vencedor do Prêmio Nobel da Paz. Juntos, esses 2 partidos totalizaram dois terços dos votos, assegurando a continuidade na linha dos líderes da independência. Embora a maturidade política do Timor-Leste não seja novidade para a CPLP, que acompanha todas as eleições no país desde 1999, foi uma surpresa para mim que o conhecia pouco, além do clichê de país mais jovem e o único país de língua portuguesa no extremo da Ásia, a contradição de possuir um subsolo rico em petróleo e ser considerada uma das nações mais pobres do mundo. E essas insuficientes informações, Sr. Presidente, que quantificam o grau de desenvolvimento de um povo exclusivamente por seu poder aquisitivo, não levam em consideração o arcabouço ético e a determinação de lutar sempre, como é característica do povo timorense. Esse país com uma população de apenas 1 milhão e 100 mil habitantes (inferior à população da maioria das Capitais brasileiras), que conseguiu reduzir a pobreza e crescer em média 10% nos últimos anos, tem o povo como seu maior capital. E é ele que reage mais uma vez contra a tentativa da Austrália de transformar o inglês na língua oficial junto com o tétum, excluindo de vez o português. 135 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Encarar o Timor-Leste foi como olhar para o Brasil a partir de outra perspectiva, a do sucesso dos nossos programas sociais e educacionais, apesar das nossas diferenças de tamanho. O Timor, menor que o estado de Sergipe, tem 46% de sua população adulta analfabeta. No enfrentamento desse desafio, Sr. Presidente, o Timor assemelha-se ao Brasil pós-ditadura, como uma sociedade que tenta se erguer econômica, social e politicamente. A ansiedade deles por desenvolvimento para melhorar as condições gerais da população é tocante, porque mostra a resistência ímpar de um povo massacrado física e culturalmente pela ditadura da Indonésia. E é nesse aspecto que a área de relações exteriores exerce um papel fundamental, que vai além da mera solidariedade, embora não haja nenhum demérito nisso. Afinal, o Timor- Leste tem apoiado o Brasil em pleitos internacionais, como a conquista de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU e na eleição vitoriosa do DiretorGeral da ONU para a agricultura e a alimentação, a FAO. Senhoras e senhores, nossa presença no Timor-Leste também não é nova. O diplomata Sérgio Vieira de Mello, morto em um atentado em Bagdá em 2003, administrou o Timor durante a transição para a independência. O Embaixador do Brasil no Timor, Edson Monteiro, é um homem dedicado à causa de aproximar mais o Brasil daquele país. E acredito que agora o Brasil tem a grande oportunidade de tornar mais marcante sua presença nas questões internacionais, principalmente as que dizem respeito à paz e às voltadas para a reconstrução, como é o caso do Haiti. Sr. Presidente, mesmo o Timor-Leste não sendo um mercado aberto para os produtos brasileiros, existe um grande potencial para os 2 países. Nesse sentido, lembro que tramita no Parlamento brasileiro projeto de lei, de iniciativa do ex- 136 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Deputado Haroldo Lima, que estabelece o Programa Nacional de Solidariedade e Apoio ao Timor-Leste — PRONATIL, o qual pode vir a ser um poderoso veículo de conjugação de esforços da sociedade civil, gerenciado pela Agência Brasileira de Cooperação Técnica e coordenado pelo Ministério das Relações Exteriores. Podemos intensificar os programas de cooperação técnica e institucional entre o Brasil e o Timor-Leste, com benefícios para os 2 países, uma vez que profissionais da área jurídica já atuam no Timor, auxiliando na constituição do Ministério Público. Assim como a bela parceria da Câmara dos Deputados, que já tem vários timorenses em treinamento para atuar no Parlamento daquele país. Com a independência, senhoras e senhores, o Timor-Leste está se tornando um enorme canteiro de obras. Uma infinidade de pequenas empresas se estabelece no país, como locadoras de veículos, supermercados, casas de eletroeletrônicos, hotéis e restaurantes, além de profissionais liberais e prestadores de serviços. Esse é um ambiente propício para a troca de experiências em várias áreas, como saúde, com sua vasta gama de necessidades, principalmente no setor de epidemiologia, e educação, com a possibilidade de implantação de cursos de alfabetização e profissionalizantes por meio de módulos, a exemplo do que foi feito no Acre, graças à parceria com a TV Futura. Sr. Presidente, em outras palavras, um campo fértil para o treinamento dos profissionais brasileiros, uma vez que a falta de quadros técnicos é um dos grandes problemas no Timor. Sair da minha zona de conforto e enfrentar 25 horas de voo, 44 horas entre aeroportos e aeronaves para chegar ao Timor Leste, obrigou-me a explorar muito mais que novos horizontes: visualizei oportunidades e me apaixonei por 137 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 possibilidades. Além de me encantar com gentileza dos timorenses, fiz um resgate histórico. Afinal, não é todo dia que uma Deputada comunista pode chegar a um lugar onde o comunismo foi reprimido a custa de vidas humanas, onde até a língua portuguesa foi banida para evitar reações dos comunistas, e ajudar a garantir o Estado Democrático de Direito. O mundo dá voltas. Viva o Timor! E viva a bela luta de resistências de seu povo! 138 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. COSTA FERREIRA (PSC-MA. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, desenvolvo uma luta intensa e sem trégua em favor da duplicação da BR-135, estrada que liga São Luís ao interior do Maranhão. A duplicação da BR-135, orçada anteriormente em R$250 milhões, já ultrapassou o cronograma estabelecido para sua primeira fase. Com a autorização de prosseguimento do processo licitatório, reacendeu-se a esperança de que a obra correria celeremente. Entretanto, novo imbróglio volta a ameaçar de paralisação o processo. A disputa judicial entre a empresa Equipav Engenharia Ltda., afastada do processo por não satisfazer no item qualidade técnica, com o Consórcio Serveng/Aterpa. A proposta da empresa rejeitada pela Comissão Permanente de Licitação da Superintendência Regional do DNIT surpreendeu ao apresentar um preço menor. Com base em liminar, a Equipav Engenharia Ltda. deu seu lance em R$345.252.591,47 contra os R$345.252.591,47 apresentados pelo Consórcio Serveng/Aterpa. Se faltar habilidade, esse processo se arrastará até o novo período de chuva, o que inviabilizará por mais um ano a duplicação da BR. Por isso, espero que o Dr. Sylvio Cardoso Júnior, Presidente da Comissão Permanente de Licitação, promova todo empenho possível para resolver a situação. Por outro lado, apelo para o Ministro Paulo Sérgio Passos, dos Transportes, no sentido de que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes — DNIT cumpra rigorosamente o programa de execução das obras apresentado em reunião, à qual estive presente, realizada no palácio do Governo do Maranhão no fim do ano passado. 139 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 A BR-135, Sr. Presidente, é única via terrestre de ligação entre a Capital, São Luís, e o interior do Estado do Maranhão. Embora tenha grande significado para a economia maranhense, é uma via estreita, de intenso fluxo de veículos de passeio, caminhões, ônibus e vans, o que submete os motoristas a uma fila indiana interminável. A pressionar pela readequação da BR-135 estão megaprojetos, como as bases de extração de petróleo e gás e a instalação da refinaria de petróleo Premium I. Esses empreendimentos agregarão dezenas de outras empresas de pequeno, médio e grande porte, resultando num fluxo e refluxo de veículos incomparavelmente maior. Sem estrutura para abrigar o crescimento, os prejuízos serão inestimáveis. É fundamental que as autoridades competentes entendam essa realidade. A duplicação da BR-135 precisa ser iniciada imediatamente. Muito obrigado. 140 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 VIII - ENCERRAMENTO O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Nada mais havendo a tratar, vou encerrar a sessão. 141 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Encerro a sessão, antes convocando para amanhã, sexta-feira, dia 3 de agosto, às 9 horas, sessão ordinária de debates. 142 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 (Encerra-se a sessão às 17 horas e 38 minutos.) DISCURSO PROFERIDO PELA SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ NO PERÍODO DESTINADO AO PEQUENO EXPEDIENTE DA SESSÃO ORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 84, REALIZADA EM 17 DE ABRIL DE 2012 — RETIRADO PELA ORADORA PARA REVISÃO: A SRA. JANETE ROCHA PIETÁ (PT-SP. Sem revisão da oradora.) - Em primeiro lugar, quero reafirmar, Deputado Claudio Cajado, que o PT não vai retirar o nome da CPMI. Nós queremos passar a limpo todo o ocorrido. Em segundo lugar, quero conclamar as Deputadas e os Deputados para darem solidariedade aos quilombolas e aos povos indígenas que hoje estão em Brasília para acompanhar, amanhã, no Supremo Tribunal Federal, o julgamento da ADIN 3.239, de 2004. Quero manifestar o meu apoio ao Decreto nº 4.887, de 2003, e ao indeferimento da ADIN nº 3.239, do Democratas, que quer impossibilitar aos que lutaram por essa terra, os indígenas, e aos que conquistaram a liberdade, os quilombolas, o direito às suas terras. Concluo dizendo, Sr. Presidente, que a nossa Casa tem que orientar melhor os seus funcionários, principalmente os seguranças, porque em março mulheres foram agredidas e hoje alguns quilombolas foram agredidos verbalmente. Vou entrar com um ofício à Presidência solicitando apuração do fato e punição rigorosa do funcionário. O SR. PRESIDENTE (Jorge Tadeu Mudalen) - Encaminhe o ofício, que será entregue à Mesa. 143 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 A SRA. JANETE ROCHA PIETÁ - Já está encaminhado à Mesa. O SR. PRESIDENTE (Jorge Tadeu Mudalen) - Obrigado, Deputada. OFÍCIO A QUE SE REFERE A ORADORA 144 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 (INSERIR DOCUMENTO DETAQ Nº 1, DE PÁG.1#) 145 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 DISCURSO PROFERIDO PELA SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ NO PERÍODO DESTINADO AO PEQUENO EXPEDIENTE DA SESSÃO ORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 85, REALIZADA EM 18 DE ABRIL DE 2012 — RETIRADO PELA ORADORA PARA REVISÃO: A SRA. JANETE ROCHA PIETÁ (PT-SP. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, parabenizo a Ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, que tomou posse hoje como a primeira Presidenta do Tribunal Superior Eleitoral. É uma mulher de extrema sensibilidade e serenidade, a quem desejamos excelente empenho. Como membro da Comissão de Relações Exteriores, gostaria de parabenizar a República do Zimbábue, que hoje completa 32 anos. Nos 30 segundos que me restam, gostaria de falar de mais dois assuntos. Considero que ontem o Congresso Nacional protagonizou importante ação para o fortalecimento da democracia com a instalação da CPMI. Julgo que temos que esclarecer as relações obscuras do contraventor Carlinhos Cachoeira. Finalizo fazendo um convite a todos: hoje o Supremo Tribunal Federal julgará a ADIN contra o Decreto nº 4.887/2003. (O microfone é desligado.) PRONUNCIAMENTOS ENCAMINHADOS PELA ORADORA Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, parabenizo a República do Zimbábue pelos seus 32 anos de independência. Desejo ao povo zimbabuense êxito, força para crescer e prosperar. 146 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Nesta data, motivo de comemoração e alegria, quero dizer que nós brasileiros/as temos muita simpatia pelos povos africanos, devemos cada vez mais estreitar nossas relações de cooperação e amizade. Dessa forma, coloco-me à disposição para fazer do Zimbábue um país de referência na nação africana e na diáspora. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ontem, o Congresso Nacional protagonizou uma ação importante para o fortalecimento da democracia brasileira: a instalação da Comissão Parlamentar Mista destinada a investigar as relações obscuras do contraventor Carlinhos Cachoeira com os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de segmentos empresarias, inclusive da mídia. A transparência dos investimentos dos recursos públicos é um dever do Estado e um direito do cidadão. Dessa forma, não podemos admitir a existência de um estado paralelo; cabe somente ao Estado definir a destinação dos recursos públicos. A criação dessa CPMI mista vem nesta direção, de moralizar os espaços constituídos para garantir a governabilidade do País. O Executivo, o Legislativo e o Judiciário devem ser preservados, imaculados de qualquer vestígio do crime organizado ou ação particular de contravenção. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, será julgada hoje, quarta-feira, 18 de abril, às 14 horas, no Supremo Tribunal Federal — STF, a Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADI contra o Decreto nº 4.887/2003, que regulamenta o 147 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos. Pedimos que o STF julgue em favor das comunidades quilombolas. Trata-se de uma população que, após a abolição da escravatura, ficou à mercê, jogada à própria sorte. O Estado brasileiro não reconheceu que a população negra foi quem construiu este País com as próprias mãos durante 350 anos, foi quem colocou o alimento na mesa de todos, fez crescer a economia deste País. Em troca disso não recebeu nada, e o Decreto nº 4.887/2003 trouxe esse reconhecimento. Por essa razão, no dia de hoje, devemos reafirmá-lo. DISCURSO PROFERIDO PELO SR. DEPUTADO DANIEL ALMEIDA NO PERÍODO DESTINADO ÀS BREVES COMUNICAÇÕES DA SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 96, REALIZADA EM 25 DE ABRIL DE 2012 — RETIRADO PELO ORADOR PARA REVISÃO: O SR. DANIEL ALMEIDA (Bloco/PCdoB-BA. Sem revisão do orador.) - Sra. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a votação do Código Florestal será um momento elevado em relação ao debate e à deliberação desta Casa. A bancada do PCdoB acompanha esse debate. E um dos seus membros, o Deputado Aldo Rebelo, que agora está na condição de Ministro do Governo Dilma, deu uma extraordinária contribuição: ouviu o povo brasileiro, ouviu segmentos interessados e produziu um relatório. Esse relatório foi ao Senado Federal, e lá se fez um amplo debate, estabelecendo-se o entendimento para algumas modificações que foram produzidas no Senado Federal. 148 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 A bancada do PCdoB votará na tarde de hoje tendo como referência o relatório que veio do Senado, debatendo naturalmente os destaques. Para concluir, Sra. Presidenta — e peço mais 30 segundos, se possível —, faço registro referente ao Dia do Contabilista, que se comemora em 25 de abril, categoria tão importante para o Brasil, para as boas práticas na administração pública e privada. Mais de 500 mil contabilistas comemoram hoje o seu dia. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje, 25 de abril, celebra-se o Dia do Contabilista do Brasil. Eu quero aproveitar a data para me congratular com os mais de 500 mil contabilistas existentes no País, que prestam extraordinários serviços à sociedade brasileira, seja como planejadores tributários, analistas financeiros, auditores profissional de contabilidade e contadores de custo. O Dia do Contabilista foi oficialmente instituído pela Lei Estadual nº 1.989, em 23 de maio de 1979. O criador do Dia do Contabilista, João de Lyra Tavares, nasceu em 23 de novembro de 1871, na cidade de Goiana/PE, e faleceu em 30 de dezembro de 1930. João de Lyra Tavares atuou na política, foi historiador e economista, autor de obras didáticas e estudioso de geografia. Em 1914, a convite do então Ministro Rivadávia Corrêa, esteve, pela primeira vez, na cidade do Rio de Janeiro, na época capital da República, onde tomou parte da Comissão escolhida para estudar a reorganização da Contabilidade do Tesouro Nacional. No ano seguinte, João de Lyra Tavares foi eleito Senador pelo Rio Grande do Norte, cargo que ocupou até o fim de sua vida. No Senado, foi membro eminente da 149 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Comissão de Finanças e sempre ressaltou os benefícios que a sociedade brasileira teria com o reconhecimento de uma classe de contadores públicos. Congratulo-me também com as entidades representativas dos contabilistas, os Conselhos de Contabilidade, a Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (FENACON), que hoje congrega 36 sindicatos estaduais, e o Sindicato das Empresas Contábeis e de Serviços (SESCAP Bahia), que congrega, na Bahia, mais de 40 mil profissionais, cerca de 6 mil empresas e escritórios. Acompanhamos o trabalho de resultados dessas duas instituições e verificamos que, com ações estrategicamente definidas, elas vêm se consolidando como legítimas representantes do setor de serviços, destacando-se na luta contra o excesso de burocracia e o aumento da carga tributária. Dentre as tantas ações e lutas de sucesso, podemos destacar as extraordinárias contribuições que esses profissionais deram para a implantação do Programa do Empreendedor Individual, para o projeto da Lei Geral das Pequenas e Médias Empresas e para a instituição do SIMPLES Nacional, dentre outras ações. Por conta dos relevantes serviços prestados, há poucas semanas, o SESCAP Bahia recebeu do SEBRAE Bahia, em Salvador, troféu pela consultoria e pelo esforço voluntário empreendidos por dez empresas contábeis associadas ao SESCAP Bahia, na Feira do Empreendedor do SEBRAE. Receberam a mesma homenagem o Sindiconta e o CRC. Quero, portanto, cumprimentar todos os profissionais de contabilidade e reafirmar o meu compromisso em continuar essa parceria em defesa dos contabilistas e de medidas tributárias e fiscais mais justas. Era o que tinha dizer. 150 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 DISCURSO PROFERIDO PELA SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ NO PERÍODO DESTINADO AO PEQUENO EXPEDIENTE DA SESSÃO ORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 103, REALIZADA EM 2 DE MAIO DE 2012 — RETIRADO PELA ORADORA PARA REVISÃO: A SRA. JANETE ROCHA PIETÁ (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Deputadas, Deputados, em primeiro lugar, 1º de maio é dia de luta e luto. Queremos nos solidarizar com os trabalhadores da Europa, que passam hoje por um momento de dificuldade, principalmente as trabalhadoras e os trabalhadores gregos, que enfrentam corajosamente as medidas recessivas por que passa o seu País. Em segundo lugar, na minha cidade, Guarulhos, conseguimos fazer dois atos unificando todas as centrais sindicais — no Taboão, onde a predominância era a juventude, e no Pimentas. Parabenizo os metalúrgicos de Guarulhos na pessoa do seu Presidente, que completou 49 anos. Muito obrigada. DISCURSO PROFERIDO PELA SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ NO PERÍODO DESTINADO AO PEQUENO EXPEDIENTE DA SESSÃO ORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 103, REALIZADA EM 2 DE MAIO DE 2012 — RETIRADO PELA ORADORA PARA REVISÃO: A SRA. JANETE ROCHA PIETÁ (PT-SP. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em primeiro lugar, quero registrar e refletir sobre 151 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 o ocorrido em Brasília contra a trabalhadora, bilheteira de cinema, em um dos shoppings desta cidade, Marina Serafim dos Reis. Marina, minha solidariedade. Racismo é crime. É crime, e não podemos nos silenciar. Portanto, gostaria de dizer ao médico psicanalista que nem Freud explica o comportamento dele, porque é puro racismo. Ele disse que ela deveria estar na África cuidando de orangotangos em vez de estar vendendo bilhetes. Ora, brasileiras e brasileiros, vamos nos manifestar contra isso. Primeiro, esse senhor, psicanalista e palestrante, não deve saber que o Brasil é o País com a segunda maior população negra do mundo. Racismo é crime, e não é a primeira vez que ele tem essas atitudes. Portanto, eu gostaria de solicitar à OAB que acompanhe esse caso e que esse senhor seja criminalizado, porque não há mais condições de dizer que houve um mal-entendido. Não há mal-entendido, isso é simplesmente racismo. Eu gostaria também de dizer da minha preocupação com a pichação, ocorrida na Universidade Federal de Minas Gerais, logo depois que o Supremo aprovou a questão das cotas, que diz o seguinte: “A UFMG vai ficar preta”. Não dá mais para que aceitemos essa situação. Racismo é crime. Temos que discutir a importância do negro. A Lei nº 10.639, de 2003, sancionada pelo Presidente Lula logo quando tomou posse, estabelece que os currículos das escolas têm que incluir a temática da cultura afro-brasileira. Estamos às vésperas dos 124 anos do fim da dita escravidão, mas o dia em que o Supremo estabeleceu o acesso à universidade a todos os afrodescendentes é 152 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 que começamos a construir liberdade e cidadania. Não existe liberdade e cidadania sem educação, sem cultura. Nos minutos que me restam, eu gostaria de felicitar a cidade de Presidente Alves, onde fui agraciada com o título de Cidadã Alvense. Agradeço o reconhecimento à Prefeita, Profa. Sandra de Andrade; ao Vereador Cristiano dos Santos, que tomou a iniciativa; aos demais Vereadores; aos representantes das cidades de Cafelândia, Pirajuí, Pongaí e Guaricanga que estavam presentes. Presidente Alves é uma cidade pequena. Tenho trabalhado, como Deputada, para que possamos repassar verbas para as pequenas cidades, porque elas merecem. Quase sempre uma pequena emenda consegue transformar a realidade de uma região. Para finalizar, Sr. Presidente, eu quero mandar um abraço a todas as trabalhadoras do Brasil, principalmente as domésticas, que comemoraram seu dia em 27 de abril. Inclusive eu estive em Bragança Paulista, na UNEAFRO, onde dei a aula inaugural. Refletimos sobre a questão de cotas, sobre a importância de um ensino libertador, como bem fala o nosso querido Paulo Freire, que deixou bem claro: só há cidadania com educação de qualidade. Eu espero que os brasileiros e as brasileiras continuem protestando contra o racismo e contra qualquer tipo de intolerância. Muito obrigada, Sr. Presidente. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELA ORADORA Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em primeiro lugar, quero registrar nessa tribuna o meu repúdio pela discriminação racial praticada por um médico 153 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 psicanalista contra a funcionária de um cinema aqui em Brasília, a bilheteira Marina Serafim dos Reis. O crime aconteceu neste final de semana prolongado. O médico Heverton Octacílio de Campos Menezes deveria saber que a Constituição Federal traz em seu artigo 5º que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, portanto todas e todos, cidadãs e cidadãos, devem ser respeitados. A falta de respeito dele não foi apenas contra a funcionária afrodescendente do shopping, mas contra todas e todos que se encontravam na fila do cinema, pois ele tentou levar vantagem ao furar a fila da bilheteria. Ele poderia ao menos ter tido coragem de enfrentar as consequências de seus atos, pois as câmeras do shopping registraram sua fuga, assim que percebeu que a segurança havia sido acionada. Em pleno século XXI, às vésperas dos 124 anos do fim da escravidão e a poucos dias de o Supremo Tribunal Federal ter decido, por unanimidade, pela constitucionalidade da reserva de vagas em universidades públicas com base no sistema de cotas raciais, o Brasil precisa acabar com esses atos de discriminação. E por falar na decisão unânime do STJ em favor das cotas raciais, quero destacar nesta tribuna que o dia 26 de abril, para mim, vai ficar na história, pois na mesma data recebi o título de Cidadã Alvense, concedido pelo Vereador Cristiano dos Santos, da cidade de Presidente Alves, na região de Bauru. Agradeço a todas e todos Vereadores e à população pelo reconhecimento. Quero agradecer também à Prefeita, Profa. Sandra de Andrade, pelo acolhimento e aos representantes das cidades de Cafelândia, Pirajuí, Pongaí e Guaricanga. Quero saudar ainda todas e todos os trabalhadores pelo Dia Internacional dos Trabalhadores, além das trabalhadoras domésticas, maior categoria de trabalhadoras do Brasil, que no dia 27 de abril refletiram sobre sua situação no 154 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 mercado de trabalho. Desejo a todas que a luta pela igualdade de direitos seja vitoriosa e que seus direitos trabalhistas sejam igualados aos dos demais trabalhadores urbanos e rurais. Por último, quero saudar a União Brasileira de Mulheres — UBM, que no último fim de semana promoveu o seminário Saúde da Mulher Negra em Guarulhos, com o objetivo de debater o combate à discriminação e à exclusão da mulher negra no acesso ao atendimento a saúde. Saúdo também a coordenação da UNEAFRO Brasil, da cidade de Bragança Paulista, que reuniu mais de 700 estudantes dos cursinhos pré-vestibulares comunitários para assistir à Aula Pública Inaugural. O encontro refletiu sobre a educação, o racismo e o preconceito no Estado de São Paulo. DISCURSO PROFERIDO PELA SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ NO PERÍODO DESTINADO AO GRANDE EXPEDIENTE DA SESSÃO ORDINÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 103, REALIZADA EM 2 DE MAIO DE 2012 — RETIRADO PELA ORADORA PARA REVISÃO: A SRA. JANETE ROCHA PIETÁ (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Srs. Deputados e Sras. Deputadas, em primeiro lugar, no meu pronunciamento anterior, saudei os trabalhadores e as trabalhadoras; agora, quero ressaltar que esta Casa aprovou o Estatuto dos Motoristas, regulamentando a profissão. No sábado passado haveria um evento, mas foi transferido por causa de chuva. Faremos uma saudação especial aos motoristas, aos trocadores e às trocadoras. Essa é a profissão de pessoas abnegadas e muito merece o nosso respeito. 155 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 208.2.54.O Data: 02/08/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Em segundo lugar, quero saudar também a União Brasileira de Mulheres, que, no sábado passado, em Guarulhos, realizou um evento para discutir a saúde da mulher negra, para debater o combate à discriminação da mulher negra e a sua exclusão ao acesso do atendimento à saúde. Sr. Presidente, gostaria de informar a todos que nos assistem e que nos ouvem — peço ampla divulgação — que amanhã a nossa querida Presidenta Dilma Rousseff, que já deixou bem claro que quer reduzir drasticamente os juros, reunirse-á com representantes de todas as centrais sindicais para discutir o fim do fator previdenciário. A nossa Presidenta é uma mulher de coragem. Quero saudá-la e dizer a S.Exa. que a classe trabalhadora, que constrói o Brasil, merece, no fim da vida, ao se aposentar, o respeito devido. Neste momento estou indo ao Ministério da Educação discutir uma questão muito importante para os alunos da UNEAFRO e EDUCAFRO: apostila e material gratuito para os estudantes se prepararem para os vestibulares. Saúdo os líderes da UNEAFRO e informo que levarei ao Ministro Aloizio Mercadante as suas reivindicações, bem como a solicitação de uma audiência, o mais rápido possível, para tratar desse tema que considero de extrema relevância. Parabéns às trabalhadoras e aos trabalhadores. Muito obrigada. 156