LITERATURA INFANTIL : UMA EXPERIÊNCIA DE FORMAÇÃO DE LEITOR
E INCLUSÃO.
LUISA MARIA DELGADO DE CARVALHO (ONG- ASSOCIACAO CRECHE VIVA . UERJ).
Resumo
Este trabalho apresenta um estudo sobre o Projeto de Literatura Infantil,
desenvolvido a partir do no ano de 2008, na “ Banca de Estudo Aurélio Menino”, no
Centro Comunitário “Maria Maria“, situada na Favela–Bairro Rocinha, Rio de
Janeiro. O primeiro livro escolhido para iniciar o projeto foi “Um Garoto Chamado
Norbeto”, do autor Gabriel, o Pensador. O livro foi escolhido porque nos dava
possibilidade de trabalhar e explorar temas como: nomes, registro, identidade,
relação familiar e a questão da diferença, que são temas necessários para
educação/cultura dentro daquele contexto (Freire,Paulo1997). O resultado deste
trabalho mostrou–nos o despertar das crianças para a busca de novos materiais de
leitura e alunos, mais desinibidos e falantes, com maior facilidade na interpretação
de textos. A partir desse projeto, os alunos passaram a ter maior interesse por
diversos tipos de leitura. A “Banca de Estudo“, coordenada pela ONG Creche Viva,
iniciada desde 2007, atende crianças de 5 a 10 anos, que frequentam a escola
pública em meio período. Além de proporcionar o acompanhamento das atividades
escolares específicas, a entidade vem proporcionando às crianças a possibilidade de
desenvolver várias linguagens educacionais como arte, música e literatura.
Palavras-chave:
Literatura Infantil, Formacao do leitor , inclusao.
Introdução
Este trabalho apresenta um estudo sobre o Projeto de Literatura Infantil desenvolvido
no ano de 2008, na “ Banca de Estudo Aurélio Menino” no Grupo Comunitário Maria Maria
situada na Favela-Bairro Rocinha/ Rio de Janeiro.
A “Banca de Estudo Aurélio Menino”, iniciada em 2006, Coordenada pela ONG/
CRECHE VIVA foi montada numa pequena sala do Grupo Comunitário Maria Maria na
Favela Bairro Rocinha - RJ. Atende 28 crianças na faixa de 5 a 10 anos que estudam em
meio período em escolas publicas (manhã e tarde). É importante ressaltar que a Banca de
Estudo foi criada a partir da solicitação das mães que matriculam seus filhos nas escolas
públicas no entorno da Comunidade Favela–Bairro Rocinha, apenas meio período, o que os
leva a ficarem soltos pelas vielas e a mercê do trafico durante a maior parte do dia.
Além de ter um acompanhamento das atividades escolares específicas com professor
em tempo integral, a Banca de Estudo, vem proporcionando às crianças a possibilidade de
desenvolver várias linguagens educacionais como: arte, música, dança e literatura.
Ao iniciar o trabalho junto à essas
crianças observamos que quase todas
apresentavam grande dificuldade de ler, escrever e compreensão de texto. É preciso apontar
que algumas crianças já estavam no 7º e 8º período da Educação Básica.
Organizando o Espaço...
Apesar de a sala ser pequena teve-se uma preocupação muito grande em montar um
pequeno espaço de Biblioteca composta por livros diversos, revistas e enciclopédias para que
as crianças tivessem oportunidade de escolher livros para ler, passar os olhos. A maioria dos
livros que fazem parte hoje do acervo da Banca foram recebidos através de doações.
No decorrer do primeiro ano da abertura da Banca de Estudo, fomos percebendo que
muitos alunos tinham muita dificuldade em se relacionar mais intensamente com livros, até
porque não tinham habito de leitura em casa. Alguns eram filhos de pais semi-analfabetos e até
mesmo analfabetos. Tínhamos, portanto, como meta prioritária, fazer com que as crianças
criassem o habito de leitura por prazer. Sabemos que nas escolas, nas salas de aula, a leitura
muitas vezes tem apenas a função pedagógica o que faz com que não desperte o interesse e
hábito pela leitura..
Para escritora de livros infantis, Ana Maria Machado, é importante que as crianças
criem o habito de leitura, o que deve ser compartilhado por todos: pais e professores. Para tal,
aponta para a importância do professor gostar de ler, ler e criar situações que leve-as a
curiosidade e imaginação. Ainda para reafirmar o quanto é importante ouvir, ler, contar historia,
a autora Fanny Abranovich (1997) diz que é “através duma historia que se podem descobrir
outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outra ética, outra ótica... É ficar
sabendo História, Geografia, Filosofia, Política, Sociologia, sem precisar saber o nome disso
tudo e muito menos achar que tem cara de aula... Porque, se tiver, deixa de ser literatura, deixa
de ser prazer e passa ser didática, que é outro departamento ( não tão preocupado em abrir as
portas para a compreensão do mundo)”.(p.17)
Um Garoto Chamado Rorbeto
Em 2008, percebemos a necessidade de desenvolver com as crianças atividades de
leitura, escrita e interpretação texto de forma mais sistemática, em decorrência da dificuldade
que a grande maioria tinha em escrever, ler e compreender o que lia. Criamos então, o primeiro
Projeto de Literatura Infantil com a apresentação do livro “Um Garoto chamado Rorbeto”.
O livro conta de um jeito gostoso a história de Rorbeto, que tem o nome
registrado errado por um engano do pai e suas conseqüências na sua vida escolar. A
história tem originalidade e um ritmo quase musical, que leva a leitura de uma página
à outra de maneira automática.
É importante destacar que esse livro foi escolhido porque nos dava possibilidade de
desenvolver atividades de leitura, escrita e interpretação texto de forma mais sistemática. Ao
longo do projeto a equipe coordenadora da ONG Associação Creche Viva se preocupou em
garantir que todas as atividades propostas fizessem parte da realidade das crianças. Para
que isto acontecesse, a participação do Professor Paulo Vitor foi fundamental. Ele nos deu o
retorno constante do que já havia sido feito, o que funcionou, o que não funcionou, e o que
poderia ser melhorado. Assim, aos poucos, fomos fazendo as adaptações necessárias, e
construindo atividades específicas para o grupo.
“A história de Rorbeto foi um sucesso, pois trabalhamos bastante interpretação de texto e a
importância de nossa identidade. Trabalhamos bastante, também, a nossa criatividade na hora
de imaginar como e’/era a casa de Rorbeto.”, comentou o professor Paulo Vitor, ao final do
projeto.
O professor foi o agente direto, ou melhor, executou todas as atividades com as
crianças. Mas, fora das aulas, recebeu toda a orientação pedagógica necessária do profissional
responsável pelo projeto.
A turma aceitou bem o projeto apesar de ser uma proposta nova. Então, através dele
estudou-se ortografia, rima, encontro vocálico e consonantal, verbos, recorte e colagem,
desenhos e contagem de números e outras coisas mais. Conversou-se sobre o preconceito,
das diferenças e das crianças especiais com deficiência física e mental e ainda foi discutido a
importância da organização e capricho na escrita.
O projeto ajudou, principalmente, na parte de interpretação de texto e de imagens, pois
as perguntas propostas não tinham respostas na história, todas eram reflexivas, o que fez com
que a turma toda pensasse bastante. Durante a realização do Projeto, uma das atividades
considerada muito produtiva segundo relato do professor, foi a dramatização da historia, onde
foi construído um cineminha de caixa de papelão grande e cada aluno ilustrou as cenas que
mais lhe chamou atenção.
Para finalizar o projeto, toda a turma foi assistir à peça “O garoto chamado Rorberto” no
teatro da Oi Futuro. Após a encenação houve uma breve discussão com o autor – Gabriel “O
Pensador” o que revelou o quanto estes alunos tinham apreendido de todas às atividades
propostas.
O resultado deste trabalho nos mostrou o despertar das crianças para buscar novos
materiais de leitura, bem como alunos, mais desinibidos e falantes e com mais facilidade de
interpretação do texto literário e, conseqüentemente, do mundo que os rodeia.
A ONG Associação Creche Viva considera de suma importância a aquisição de
conhecimento aliada, ainda, à ampliação de horizontes culturais e lingüísticos que
experiências como esta podem proporcionar. Ao aliar educação e cultura – Projeto
Literário Infantil e Teatro – estamos contribuindo para a inclusão social e construção
de um olhar crítico em relação à história individual e coletiva de cada criança.
Bibliografia:
Soares, Magda.
Português: uma proposta para o letramento: ensino
fundamental / Magda Soares – São Paulo: Moderna, 1999.
ZILBERMAN, Regina. A Literatura Infantil na Escola. São Paulo: Global,
1985
Abranovich
, Fanny .Literatura Infantil, Gostosuras e bobices. Editora
Scipione,1997
Projeto do livro “Um Garoto
Rorbeto”, autor: Gabriel O Pensador
chamado
O Projeto do Livro “Um Garoto chamado Rorbeto” foi divido em cinco partes. A primeira parte
foi sobre Nomes. A segunda parte foi Trabalho sobre Família/Lar/Amigos/Brincadeiras. A
terceira parte foi trabalhar a linguagem, a quarta parte foi explorar o livro. Para finalizar o
Projeto as crianças foram assistir ao espetáculo teatral “Um Garoto chamado Rorbeto”.
1ª Parte - Trabalho sobre NOMES:
•Ler todo o livro para a turma.
•Em seguida, ler novamente as páginas 4, 5, 6, 7, 8 e 9 ou apenas relembrar seus
conteúdos em uma conversa coletiva, para que sejam trabalhados durante as
próximas aulas.
• Cada aluno deve pesquisar, em casa, a origem de seu nome. Conversar com sua
família e descobrir porque recebeu esse nome.
•Relembrar história do livro
•Decorar a capa do caderno de projeto (desenhos, figuras, frases...)
•Responder no caderno de projeto às seguintes perguntas:
1) Quais os nomes dos seus colegas de turma? Como cada nome foi escolhido?
R: Pessoal
2) Por que os nomes são uma herança? E por que essa herança nem sempre é
bem-vinda?
R: Porque recebemos os nomes dos outros, não são escolhidos por nós. Pode não
ser bem-vindo porque podemos não gostar do nome que nos deram.
3) Seu nome é uma herança bem-vinda? Por quê?
R: Pessoal
4) Que outro nome eu gostaria de ter e por quê?
R: Pessoal
5) Quais dos nomes dos quadros abaixo vocês consideram: Históricos? Esdrúxulos
(esquisitos)? Poéticos? Comuns?
R: Pessoal
• Responder no caderno de projeto às seguintes perguntas:
6) De onde vem o nome da nossa escola?
7) Escreva abaixo outros nomes, como por exemplo: de rua, país...
8) Por que não podemos escolher nosso próprio nome?
R: Porque quando uma criança nasce, os pais têm que registrar no cartório. Para
ela existir como cidadã, como moradora oficial da cidade, do país, do mundo.
9) Procure no dicionário o significado das seguintes palavras e escreva-os abaixo:
10) O cidadão tem deveres e direitos. Discuta com seus colegas e faça uma lista de
exemplos desses deveres e direitos.
11) Para a próxima aula traga uma cópia da sua certidão de nascimento, e se
possível de outros documentos, para depois fazer uma análise e comparação.
• Responder no caderno de projeto às seguintes perguntas:
12) Qual o primeiro documento que nós temos?
13) Quais de vocês têm outros documentos além da certidão de nascimento? Que
documentos são e para que eles servem?
14) Agora analise a certidão de nascimento que recebeu, respondendo as seguintes
questões:
a)
b)
De quem é esta certidão?
Procure o nome do pai e da mãe da criança, na certidão, e diga: Que
sobrenome da criança vem do pai dela? E que sobrenome vem da mãe dela?
c) Qual o dia do aniversário dela?
d) O registro no cartório foi feito quantos dias depois que a criança nasceu?
15) Há muitas crianças que não são registradas quando nascem, por quê?
16) Pense na situação dessas Crianças e responda: Que problemas elas terão na
vida, por não ter uma certidão de nascimento?
• Depois de todo esse trabalho, é importante ver/mostrar outros documentos,
explorá-los e compará-los. Pensar para que eles servem, que informações têm...
2ª Parte - Trabalho sobre Família/Lar/Amigos/Brincadeiras:
•Ler novamente as páginas 10, 11, 12, 13, 14 e 15 ou apenas relembrá-las em
uma conversa coletiva, para que sejam trabalhadas durante as próximas aulas.
• Responder no caderno de projeto às seguintes perguntas:
1) Como você acha que a mãe de Rorbeto estava se sentindo no dia em que ele
nasceu? Por quê?
2) A partir do que leu, como acha que era a relação de Rorbeto com sua família?
3) Procure no livro a parte em que o autor descreve com detalhes o lugar onde
Rorbeto mora e desenhe-o.
4) Agora faça a descrição do local onde você mora e desenhe-o
5) De que brincadeiras você acha que Rorbeto brinca?
• Discutir com a turma os conceitos de: adjetivos e antônimos
• Responder no caderno de projeto às seguintes perguntas:
6) Veja os adjetivos que estão no livro para:
a) Pai de Rorbeto:
Velhinho
b) Rorbeto:
Atrapalhado, pequeno, sério e nervoso
c) Vila onde Rorbeto morava:
Pequena
d) Mão esquerda de Rorbeto:
Perfeita
e) Letra que Rorbeto fez com a mão direita: Linda, certinha e bonita
f) Mão direita de Rorbeto:
Esquisita e esperta
- Pense em novos adjetivos para eles. Adjetivos que combinam com as
características dessas personagens, coisas, desses locais etc.
- Agora pense em alguns adjetivos para si e para seus colegas.
7) Agora reescreva as frases retiradas do texto, substituindo as palavras
sublinhadas por seus antônimos (faça as alterações necessárias na frase para que
esta fique bem escrita)
“A vila era bem pequena, na beira de um velho rio.”
R: “A vila era bem grande, na beira de um novo rio.”
“De dia se abria a janela, pra acender a luz do sol.”
R: “De dia se fechava a janela, pra apagar a luz do sol.”
“O banho era de água fria.”
R: “O banho era de água quente.”
“De noite acendiam-se as velas, e acabava o futebol.”
R: “De noite acendiam-se as velas, e começava o futebol.”
8) Converse com sua turma e depois explique com suas palavras o que o autor
quer dizer com as seguintes frases:
a) “E todos os moradores se tratavam como irmãos.”
b) “Viviam todos como se fossem pais do Rorbeto. Para todos, ele era um novo
sobrinho, para alguns, um neto.
3ª Parte - Trabalho sobre DIFERENÇA:
•Ler novamente o livro, da página 16 a 51, para que sejam trabalhadas durante as
próximas aulas.
1) Ler e interpretar as seguintes frases:
“Cada um é de um jeito e somos todos perfeitos.”
“Rorbeto fez a letra mais linda, mas não foi porque ele tem seis dedos. A
professora explicou que aquilo era só um detalhe, e que para escrever como ele,
certinho, o capricho é o que vale.”
- Discutir com a turma e pensar em algo que acha que marca a diferença em você
e em seus colegas – pode ser uma diferença física, de personalidade etc. Depois
deve ser feito um registro do que foi discutido, ou no mural, ou no caderno.
2) Procure no dicionário o significado da palavra CALIGRAFIA
3) Agora escolha um trecho do livro e reescreva-o com muito capricho, no caderno
de projeto.
4ª Parte – Explorar o Livro :
• Capa – Que informações têm? Quem é o Autor? E o ilustrador? Qual é a editora?
O que faz uma editora?
• Contracapa – O que foi escrito pelo autor de livros infantis, Ziraldo? Conhecem o
Ziraldo?
• Tipo de Papel – Reciclado
• O que mais podem observar? Descobrir?
• Falar sobre o estilo do autor –
1) Você pode notar que o autor se preocupou em usar palavras que rimam, ou
melhor, palavras terminam com mesmo som.
Procure no livro e liste abaixo pares de palavras que rimam e, depois, tente pensar
em outros pares...
rescer/escrever
Caneta/letra
Parar/lugar
Analfabeto/Rorbeto
Correndo/lendo
Ler/ser
Atenção/ coração
• Falar sobre o autor e o ilustrador (nas últimas páginas do livro têm um pequeno
texto sobre eles).
• Ouvir o CD do Gabriel O Pensador e explorar algumas de suas músicas.
5ª Parte – Explorar outra forma de linguagem:
FINALIZAÇÃO DO PROJETO:
• Assistir o espetáculo teatral: “Um garoto chamado Rorbeto”
Quando Gabriel O Pensador escreveu o livro infantil Um Garoto Chamado
Rorbeto, não imaginava que a repercussão seria tão grande. Mas a história do
menino que superou suas diferenças – além do nome registrado errado pelo
pai, ele tem seis dedos na mão direita – conquistou o Prêmio Jabuti em 2006 e
rendeu ao autor dezenas de convites para palestras. Não demorou muito para
que o ator e diretor de TV Marcos Paulo, ex-padrasto de Gabriel, apresentasse
o escritor à diretora Sura Berditchevsky, tendo em vista – quem sabe? – uma
adaptação teatral. Assim nasceu o espetáculo homônimo do livro. No palco,
João Pedro Zappa encarna o personagem-título, ao lado de Waleska Arêas e
Cícero Raul, que representam a Mãe e o Pai, em um cenário inspirado na arte
popular. Apesar de não ser um musical, tem canções do próprio escritor, de
seu irmão Tiago Mocotó e de André Gomes.
Literatura Infantil: uma experiência de formação de leitores e
inclusão
Luisa Maria Delgado de Carvalho ( ONG Creche Viva / UERJ).
Introdução
Este trabalho apresenta um estudo sobre o Projeto de Literatura Infantil desenvolvido no
ano de 2008, na “ Banca de Estudo Aurélio Menino” no Grupo Comunitário Maria Maria
situada na Favela-Bairro Rocinha/ Rio de Janeiro.
A “Banca de Estudo Aurélio Menino”,
iniciada em 2006, Coordenada pela ONG/
CRECHE VIVA foi montada numa pequena sala do Grupo Comunitário Maria Maria na Favela
Bairro Rocinha - RJ. Atende 28 crianças na faixa de 5 a 10 anos que estudam em meio
período em escolas publicas (manhã e tarde). É importante ressaltar que a Banca de Estudo
foi criada a partir da solicitação das mães que matriculam seus filhos nas escolas públicas no
entorno da Comunidade Favela–Bairro Rocinha, apenas meio período, o que os leva a ficarem
soltos pelas vielas e a mercê do trafico durante a maior parte do dia.
Além de ter um acompanhamento das atividades escolares específicas com professor
em tempo integral, a Banca de Estudo,
vem proporcionando às crianças a possibilidade de
desenvolver várias linguagens educacionais como: arte, música, dança e literatura.
Ao iniciar o trabalho junto à essas crianças observamos que quase todas apresentavam
grande dificuldade de ler, escrever e compreensão de texto. E’ preciso apontar que algumas
crianças já estavam no 7º e 8º período da Educação Básica.
Organizando o Espaço...
Apesar de a sala ser pequena teve-se uma preocupação muito grande em montar um
pequeno espaço de Biblioteca composta por livros diversos, revistas, enciclopédias, para que
as crianças tivessem oportunidade de escolher livros para ler, passar os olhos. A maioria dos
livros que fazem parte hoje do acervo da Banca foram recebidos através de doações,
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No decorrer do primeiro ano da abertura da Banca de Estudo, fomos percebendo que
muitos alunos tinham muita dificuldade em se relacionar mais intensamente com livros, até
porque não tinham habito de leitura em casa. Alguns eram filhos de pais semi-analfabetos e
até mesmo analfabetos. Tínhamos, portanto, como meta prioritária, fazer com que as crianças
criassem o habito de leitura por prazer. Sabemos que nas escolas, nas salas de aula, a leitura
muitas vezes tem apenas a função pedagógica o que faz com que não desperte o interesse e
hábito pela leitura..
Para escritora de livros infantis, Ana Maria Machado, é importante que as crianças criem
o habito de leitura, o que deve ser compartilhado por todos: pais e professores. Para tal, aponta
para a importância de o professor gostar de ler, ler e criar situações que leve-as a curiosidade
e imaginação. Ainda para reafirmar o quanto é importante ouvir, ler, contar historia, a autora
Fanny Abranovich ( 1997) diz que é “através duma historia que se podem descobrir outros
lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outra ética, outra ótica... E’ ficar sabendo
História, Geografia, Filosofia, Política, Sociologia, sem precisar saber o nome disso tudo e
muito menos achar que tem cara de aula... Porque, se tiver, deixa de ser literatura, deixa de ser
prazer e passa ser didática, que é outro departamento ( não tão preocupado em abrir as portas
para a compreensão do mundo)”.(p.17)
Um Garoto Chamado Rorbeto
Em 2008, percebemos a necessidade de desenvolver com as crianças atividades de
leitura, escrita e interpretação texto de forma mais sistemática, em decorrência da dificuldade
que a grande maioria tinha em escrever , ler e compreender o que lia. Criamos então, o
primeiro Projeto de Literatura Infantil com a apresentação do
livro “Um Garoto chamado
Rorbeto”.
O livro conta de um jeito gostoso a história de Rorbeto, que tem o nome registrado
errado por um engano do pai e suas conseqüências na sua vida escolar. A história tem
originalidade e um ritmo quase musical, que leva a leitura de uma página à outra de maneira
automática.
E’ importante destacar que esse livro foi escolhido porque nos dava possibilidade de
desenvolver atividades de leitura, escrita e interpretação texto de forma mais sistemática. Ao
longo do projeto a equipe coordenadora da ONG Associação Creche Viva se preocupou em
2
garantir que todas as atividades propostas fizessem parte da realidade das crianças. Para isto
acontecesse, a participação do Professor Paulo Vitor foi fundamental. Ele nos deu o retorno
constante do que já havia sido feito, o que funcionou, o que não funcionou, e o que poderia ser
melhorado. Assim, aos poucos, fomos fazendo as adaptações necessárias, e construindo
atividades específicas para o grupo.
“A história de Rorbeto foi um sucesso, pois trabalhamos bastante interpretação de texto e a
importância de nossa identidade. Trabalhamos bastante, também, a nossa criatividade na hora
de imaginar como e’/era a casa de Rorbeto.”, comentou o professor Paulo Vitor, ao final do
projeto.
O professor foi o agente direto, ou melhor, executou todas as atividades com as
crianças. Mas, fora das aulas, recebeu toda a orientação pedagógica necessária do profissional
responsável pelo projeto.
A turma aceitou bem o projeto apesar de ser uma proposta nova. Então, através dele
estudou-se ortografia, rima, encontro vocálico e consonantal, verbos, recorte e colagem,
desenhos e contagem de números e outras coisas mais. Conversou-se sobre o preconceito,
das diferenças e das crianças especiais com deficiência física e mental e ainda foi discutido a
importância da organização e capricho na escrita.
O projeto ajudou, principalmente, na parte de interpretação de texto e de imagens, pois
as perguntas propostas não tinham respostas na história, todas eram reflexivas, o que fez com
que a turma toda pensasse bastante. Durante a realização do Projeto, uma das atividades
considerada muito produtiva segundo relato do professor , Fo ia dramatização da historia, onde
foi construído um cineminha de caixa de papelão grande e cada aluno ilustrou cenas que mais
lhe chamou atenção.
Para finalizar o projeto, toda a turma foi assistir à peça “O garoto chamado Rorberto” no
teatro da Oi Futuro. Após a encenação houve uma breve discussão com o autor – Gabriel “O
Pensador” o que revelou o quanto estes alunos tinham apreendido de todas às atividades
propostas.
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O resultado deste trabalho nos mostrou o despertar das crianças para buscar novos
materiais de leitura, bem como alunos, mais desinibidos e falantes e com mais facilidade de
interpretação do texto literário e, conseqüentemente, do mundo que os rodeia.
A ONG Associação Creche Viva considera de suma importância a aquisição de
conhecimento aliada, ainda, à ampliação de horizontes culturais e lingüísticos que experiências
como esta podem proporcionar. Ao aliar educação e cultura – Projeto Literário Infantil e Teatro
– estamos contribuindo para a inclusão social e construção de um olhar crítico em relação à
história individual e coletiva de cada criança.
Bibliografia:
Soares, Magda.
Português: uma proposta para o letramento: ensino fundamental /
Magda Soares – São Paulo: Moderna, 1999.
ZILBERMAN, Regina. A Literatura Infantil na Escola. São Paulo: Global, 1985
Abranovich , Fanny .Literatura Infantil, Gostosuras e bobices. Editora Scipione,1997
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Projeto do livro “Um Garoto chamado Rorbeto”, autor: Gabriel O
Pensador
O Projeto do Livro “Um Garoto chamado Rorbeto” foi divido em cinco partes. A primeira parte
foi sobre Nomes. A segunda parte foi Trabalho sobre Família/Lar/Amigos/Brincadeiras. A
terceira parte foi trabalhar a linguagem, a quarta parte explorar o livro. Para finalizar o Projeto
as crianças foram assistir ao espetáculo teatral “Um Garoto chamado Rorbeto”.
1ª Parte - Trabalho sobre NOMES:
•Ler todo o livro para a turma.
•Em seguida, ler novamente as páginas 4, 5, 6, 7, 8 e 9 ou apenas relembrar seus conteúdos em uma
conversa coletiva, para que sejam trabalhados durante as próximas aulas.
• Cada aluno deve pesquisar, em casa, a origem de seu nome. Conversar com sua família e descobrir
porque recebeu esse nome.
•Relembrar história do livro
•Decorar a capa do caderno de projeto (desenhos, figuras, frases...)
•Responder no caderno de projeto às seguintes perguntas:
1) Quais os nomes dos seus colegas de turma? Como cada nome foi escolhido?
R: Pessoal
2) Por que os nomes são uma herança? E por que essa herança nem sempre é bem-vinda?
R: Porque recebemos os nomes dos outros, não são escolhidos por nós. Pode não ser bem-vindo porque
podemos não gostar do nome que nos deram.
3) Seu nome é uma herança bem-vinda? Por quê?
R: Pessoal
4) Que outro nome eu gostaria de ter e por quê?
R: Pessoal
5) Quais dos nomes dos quadros abaixo vocês consideram: Históricos? Esdrúxulos (esquisitos)?
Poéticos? Comuns?
R: Pessoal
5
• Responder no caderno de projeto às seguintes perguntas:
6) De onde vem o nome da nossa escola?
7) Escreva abaixo outros nomes, como por exemplo: de rua, país...
8) Por que não podemos escolher nosso próprio nome?
R: Porque quando uma criança nasce, os pais têm que registrar no cartório. Para ela existir como cidadã,
como moradora oficial da cidade, do país, do mundo.
9) Procure no dicionário o significado das seguintes palavras e escreva-os abaixo:
10) O cidadão tem deveres e direitos. Discuta com seus colegas e faça uma lista de exemplos desses
deveres e direitos.
11) Para a próxima aula traga uma cópia da sua certidão de nascimento, e se possível de outros
documentos, para depois fazer uma análise e comparação.
• Responder no caderno de projeto às seguintes perguntas:
12) Qual o primeiro documento que nós temos?
13) Quais de vocês têm outros documentos além da certidão de nascimento? Que documentos são e
para que eles servem?
14) Agora analise a certidão de nascimento que recebeu, respondendo as seguintes questões:
a) De quem é esta certidão?
b) Procure o nome do pai e da mãe da criança, na certidão, e diga: Que sobrenome da criança vem
do pai dela? E que sobrenome vem da mãe dela?
c) Qual o dia do aniversário dela?
d) O registro no cartório foi feito quantos dias depois que a criança nasceu?
15) Há muitas crianças que não são registradas quando nascem, por quê?
16) Pense na situação dessas Crianças e responda: Que problemas elas terão na vida, por não ter uma
certidão de nascimento?
• Depois de todo esse trabalho, é importante ver/mostrar outros documentos, explorá-los e comparálos. Pensar para que eles servem, que informações têm...
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2ª Parte - Trabalho sobre Família/Lar/Amigos/Brincadeiras:
•Ler novamente as páginas 10, 11, 12, 13, 14 e 15 ou apenas relembrá-las em uma conversa coletiva,
para que sejam trabalhadas durante as próximas aulas.
• Responder no caderno de projeto às seguintes perguntas:
1) Como você acha que a mãe de Rorbeto estava se sentindo no dia em que ele nasceu? Por quê?
2) A partir do que leu, como acha que era a relação de Rorbeto com sua família?
3) Procure no livro a parte em que o autor descreve com detalhes o lugar onde Rorbeto mora e
desenhe-o.
4) Agora faça a descrição do local onde você mora e desenhe-o
5) De que brincadeiras você acha que Rorbeto brinca?
• Discutir com a turma os conceitos de: adjetivos e antônimos
• Responder no caderno de projeto às seguintes perguntas:
6) Veja os adjetivos que estão no livro para:
a) Pai de Rorbeto:
Velhinho
b) Rorbeto:
Atrapalhado, pequeno, sério e nervoso
c) Vila onde Rorbeto morava:
d) Mão esquerda de Rorbeto:
Pequena
Perfeita
e) Letra que Rorbeto fez com a mão direita: Linda, certinha e bonita
f) Mão direita de Rorbeto:
Esquisita e esperta
- Pense em novos adjetivos para eles. Adjetivos que combinam com as características dessas
personagens, coisas, desses locais etc.
- Agora pense em alguns adjetivos para si e para seus colegas.
7) Agora reescreva as frases retiradas do texto, substituindo as palavras sublinhadas por seus antônimos
(faça as alterações necessárias na frase para que esta fique bem escrita)
“A vila era bem pequena, na beira de um velho rio.”
R: “A vila era bem grande, na beira de um novo rio.”
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“De dia se abria a janela, pra acender a luz do sol.”
R: “De dia se fechava a janela, pra apagar a luz do sol.”
“O banho era de água fria.”
R: “O banho era de água quente.”
“De noite acendiam-se as velas, e acabava o futebol.”
R: “De noite acendiam-se as velas, e começava o futebol.”
8) Converse com sua turma e depois explique com suas palavras o que o autor quer dizer com as
seguintes frases:
a) “E todos os moradores se tratavam como irmãos.”
b) “Viviam todos como se fossem pais do Rorbeto. Para todos, ele era um novo sobrinho, para alguns,
um neto.
3ª Parte - Trabalho sobre DIFERENÇA:
•Ler novamente o livro, da página 16 a 51, para que sejam trabalhadas durante as próximas aulas.
1) Ler e interpretar as seguintes frases:
“Cada um é de um jeito e somos todos perfeitos.”
“Rorbeto fez a letra mais linda, mas não foi porque ele tem seis dedos. A professora explicou que aquilo
era só um detalhe, e que para escrever como ele, certinho, o capricho é o que vale.”
- Discutir com a turma e pensar em algo que acha que marca a diferença em você e em seus colegas –
pode ser uma diferença física, de personalidade etc. Depois deve ser feito um registro do que foi
discutido, ou no mural, ou no caderno.
2) Procure no dicionário o significado da palavra CALIGRAFIA
3) Agora escolha um trecho do livro e reescreva-o com muito capricho, no caderno de projeto.
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4ª Parte – Explorar o Livro :
• Capa – Que informações têm? Quem é o Autor? E o ilustrador? Qual é a editora? O que faz uma
editora?
• Contracapa – O que foi escrito pelo autor de livros infantis, Ziraldo? Conhecem o Ziraldo?
• Tipo de Papel – Reciclado
• O que mais podem observar? Descobrir?
• Falar sobre o estilo do autor –
1) Você pode notar que o autor se preocupou em usar palavras que rimam, ou melhor, palavras
terminam com mesmo som.
Procure no livro e liste abaixo pares de palavras que rimam e, depois, tente pensar em outros pares...
rescer/escrever
Caneta/letra
Parar/lugar
Analfabeto/Rorbeto
Correndo/lendo
Ler/ser
Atenção/ coração
• Falar sobre o autor e o ilustrador (nas últimas páginas do livro têm um pequeno texto sobre eles).
• Ouvir o CD do Gabriel O Pensador e explorar algumas das músicas que têm neste.
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5ª Parte – Explorar outra forma de linguagem:
FINALIZAÇÃO DO PROJETO:
• Assistir o espetáculo teatral: “Um garoto chamado Rorbeto”
Quando Gabriel O Pensador escreveu o livro infantil Um Garoto Chamado Rorbeto, não
imaginava que a repercussão seria tão grande. Mas a história do menino que superou
suas diferenças – além do nome registrado errado pelo pai, ele tem seis dedos na mão
direita – conquistou o Prêmio Jabuti em 2006 e rendeu ao autor dezenas de convites
para palestras. Não demorou muito para que o ator e diretor de TV Marcos Paulo, expadrasto de Gabriel, apresentasse o escritor à diretora Sura Berditchevsky, tendo em
vista – quem sabe? – uma adaptação teatral. Assim nasceu o espetáculo homônimo do
livro. No palco, João Pedro Zappa encarna o personagem-título, ao lado de Waleska
Arêas e Cícero Raul, que representam a Mãe e o Pai, em um cenário inspirado na arte
popular. Apesar de não ser um musical, tem canções do próprio escritor, de seu irmão
Tiago Mocotó e de André Gomes.
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literatura infantil - Associação de Leitura do Brasil