GalileuGalilei Joana China nº14 Joana Correia nº15 João Piteira nº16 “O Pai da Ciência Moderna” Professora Manuela Teixeira Físico-Química Introdução Galileu Galilei foi uma figura essencial no desenvolvimento da atitude científica perante a vida, concebendo novos modos de pensar e investigar. Os seus trabalhos e observações permitiram o avanço da Física, da Astronomia e da Ciência, abrindo um longo caminho que tem sido percorrido incessantemente desde então. Galileu introduziu o método científico moderno, combinando as experiências com medições cuidadosas, registos e cálculos, foi também o primeiro a mostrar que as leis naturais estão escritas na linguagem matemática. O seu nome é constantemente associado ao conflito entre a Ciência e Igreja, isto é, a disputa entre a razão e a ciência sobre a fé. Devido ao seu papel fulcral na mudança do mundo e na revolução científica, a História reconhece-o como o pai da Ciência Moderna. Entrevista Bom dia, hoje temos o prazer de contar connosco, para uma entrevista exclusiva, um físico, astrónomo e matemático que revolucionou o conhecimento científico da sua época, abrindo portas para novas descobertas. Os seus trabalhos demonstraram tal importância, que lhe proporcionaram mesmo o título de “Pai da Ciência Moderna”. É isso mesmo, temos a honra de conversar com o próprio Galileu Galilei. Galileu - Muito obrigado pelas palavras amáveis, o prazer é todo o meu, até porque já algum tempo que não falo com ninguém. Esta entrevista foi preparada com o objectivo de conhecer melhor a sua vida e especialmente os seus trabalhos, já que representaram um marco para a nossa sociedade. Podemos começar pelo início, quando nasceu? Galileu - Eu nasci em 15 de Fevereiro de 1564 em Pisa, Itália, com o nome de Galileo di Vincenzo Bonaiuti de' Galilei. Pode falar um pouco da sua família e da sua infância em Itália? Galileu - A minha família era bastante modesta, vivi com o meu pai, Vincenzo Galilei e a minha mãe Giulia Ammannati. Tive seis irmãos mais novos, mas três deles morreram na infância. Desde cedo que manifestei aptidões para a matemática e para a mecânica, e penso que herdei o espírito rebelde e desafiador da minha mãe, assim como a minha intolerância à estupidez. E em relação à sua educação, sei que tivemos perto de perder um cientista e ganhar um monge, é verdade? Galileu - Realmente, estive muito perto de seguir a vida de monge. Quanto tinha 11 anos fui enviado para um mosteiro jesuíta, a verdade é que a vida calma, solitária e simples no mosteiro começou a agradar-me, decidi tornar-me monge. Mas, quando o meu pai soube, retirou-me imediatamente do mosteiro. Não era bem o que o meu pai queria para mim. Parece que o seu pai teve uma grande influência nas suas decisões de vida, foi por isso que escolheu ir estudar medicina? Galileu - É um facto que entrei em Medicina seguindo a vontade do meu pai, e a realidade é que nunca liguei muito às aulas de Medicina, ligava sim às aulas de Matemática e Mecânica. Eu percebia que o meu pai queria o melhor para mim, mas arranjei coragem e convenci-o a aceitar que aquela não era a minha vocação. Foi nessa altura que o fez a primeira das suas notáveis observações, diz a lenda que com apenas 17 anos o senhor compreendeu o movimento do pêndulo simples, ao observar a oscilação de um candeeiro. É verdade? Galileu - Com certeza que sim. Desde cedo que percebi que tinha uma visão diferente das coisas à minha volta, eu observava e estudava tudo. Foi assim que em 1581, durante uma cerimónia religiosa na catedral de Pisa, observei um candeeiro a oscilar e descobri que a duração de cada oscilação não dependia da sua amplitude. Tivesse 6, 4 ou 1 grau a duração de cada oscilação demorava o mesmo tempo, este fenómeno ficou conhecido como isocronismo do pêndulo. Essa duração dependia apenas do comprimento do pêndulo. Esse conhecimento permitiu a fabricação de novos relógios, e mesmo de aparelhos de medição do ritmo cardíaco. Em 1589 conseguiu um lugar como professor de Matemática e Astronomia na Universidade de Pisa, que descobertas fez nessa altura? Galileu - Se bem me lembro, acho que foi por volta dessa altura que inventei a balança hidrostática, que permitiu determinar a densidade de sólidos e líquidos e fiz um estudo sobre o centro de gravidade dos corpos sólidos, que apresentei num tratado. Sei que em 1591, passou por muitas dificuldades devido à morte do seu pai, mas ao mesmo tempo esse acontecimento provocou uma viragem importante na sua vida. Galileu - Sendo o filho mais velho, quando o meu pai morreu tive que sustentar a minha família e ganhei novas responsabilidades, apesar de tudo penso que esse acontecimento permitiu-me ganhar forças para contornar outros obstáculos da minha vida. Acabei por me mudar para Pádua onde fui encontrar um trabalho que permitia ajudar a minha família, Pádua era uma cidade muito liberal e recebia de braços abertos novas ideias, o que para mim era extraordinário. Foi durante esse tempo que fiz estudos sobre a resistência de materiais, observando ossos de animais. A relação que propus entre peso e o tamanho dos ossos, permitiu-me aplicar essa descoberta aos cálculos de estruturas metálicas, máquinas e edifícios. Mas para além das descobertas, que são sempre o centro da sua vida, a sua mudança para Pádua teve outras repercussões. Foi em Pádua que começou a viver com Marina Gamba, que tinha conhecido numa das suas viagens a Veneza, estou correcta? Galileu – Sim, é verdade. Tive um relacionamento com Marina durante catorze anos. Mas nunca casámos porque eu tinha medo de não a poder sustentar como ela merecia, o facto é que nunca vivemos juntos. Tivemos três filhos, duas meninas, Lívia e Virgínia e o meu único varão, Vincenzo. Chegámos agora a um momento importante da sua vida, a altura em que começou a estudar o movimento dos corpos em queda livre. Foi em 1604, que segundo se diz o senhor subiu ao topo da Torre de Pisa para realizar uma das experiências mais marcantes da ciência. O que pode dizer-nos sobre esta matéria? Galileu – Bem essa foi com certeza uma das experiências mais divertidas da minha vida. Sim, foi na Torre de Pisa que mostrei que duas bolas de metal, uma dez vezes mais pesada que a outra, quando largadas ao mesmo tempo e à mesma altura, chegam ao chão em simultâneo. Já existiam teorias sobre a queda de corpos, uma das mais conhecidas era a de Aristóteles, que afirmava que a bola mais pesada chegaria dez vezes mais depressa ao chão se fosse dez vezes mais pesada do que a outra bola. A verdade é que quando não se considerava a resistência do ar, as bolas chegavam ao chão ao mesmo tempo. Não há dúvida que o senhor foi um génio, também sei que com essa experiencia conseguiu chegar a outra conclusão muito interessante acerca da velocidade terminal. Galileu – Sim, de facto verifiquei que quando a pedra cai, a resistência do ar aumenta com a velocidade. Sabemos que a velocidade da pedra cresce durante a queda, se a queda for muito longa, a resistência acabará por igualar o peso da pedra, passando o seu movimento a ser uniforme e rectilíneo, com velocidade constante (a velocidade terminal) O que me intriga é como é que o senhor conseguia medir intervalos de tempo tão curtos se na sua altura não existiam cronómetros e os relógios não eram muito precisos? Galileu – Há uma razão para me chamarem engenhoso, não é verdade. Pois, sem cronómetros tive que pensar noutros métodos que pudessem fazer o mesmo. Como o movimento de queda livre era muito rápido, precisei de obter um movimento do mesmo tipo, mas mais lento e mais fácil de investigar. Decidi assim usar um plano inclinado, com pouca inclinação na horizontal, largava a bola do topo do plano e marcava as sucessivas posições da bola ao longo do tempo. A determinação do tempo foi feita contando as oscilações de um pêndulo, um objecto que me era bem conhecido. Deixe-me ver, o senhor no estudo do movimento de queda de corpos utilizou planos inclinados, então foi aí que começou a estudar um fenómeno que mais tarde Newton denominou como sendo o princípio inércia? Galileu – Sinceramente não tive o prazer de conhecer esse senhor, sinceramente nem sei o que quer dizer com inércia. O que eu lhe posso dizer é que, tem razão, pois foi nessa altura que comecei a observar um facto interessante: quanto menos inclinado era o plano em relação à horizontal, mais lentamente a velocidade crescia (menor era aceleração). Então deduzi, que se o plano inclinado curvasse na parte mais baixa, passando a ser horizontal, e se não houvesse nenhuma força a retardar o movimento, a velocidade da esfera não aumentaria, nem diminuiria. Manteria sempre a sua velocidade. Exactamente. Isso que o senhor acabou de descrever, é o que se encontra enunciado na 1ª Lei de Newton (Princípio da Inércia). Mas deixemos isso de lado, a verdade é que o senhor nunca parou, outra grande contribuição sua aconteceu em 1606, quando inventou o termoscópio. Galileu – Bem o meu termoscópio foi construído com base num conhecimento antigo que diz que o ar dilata quando aquece, o termoscópio era um termómetro primitivo. Apesar de só dar indicações aproximadas foi um verdadeiro progresso para a minha época e era formado por um balão de vidro com um gargalo em forma de tubo estreito. O balão estava virado com o tubo para baixo sobre um recipiente cheio de água, assim o nível da água dentro do tubo ficava a uma certa altura. O que acontecia era que quando o ar dentro do balão aquecia, esse ar expandia-se e o nível de água do tubo descia. Se o ar arrefecesse acontecia o oposto. Para finalizar ainda consegui fazer uma escala graduada Muito bem. Já há pouco verificámos que o senhor com a sua teoria sobre a queda livre foi contra a ideia estipulada por Aristóteles, mas não foi só nisso que discordou de Aristóteles, pois não? Galileu - Está a falar do movimento dos projécteis? Exactamente, o seu trabalho sobre o movimento dos projécteis também foi revolucionário para a sua época. Galileu – Pois antes de eu apresentar o meu estudo dos projécteis, Aristóteles e outros pensavam que um projéctil ao ser lançado horizontalmente iria descrever uma trajectória rectilínea e horizontal até ao projéctil parar, e daí em diante ele cairia na vertical. Na minha opinião isto era um disparate, o que eu observei foi que aquando de um lançamento horizontal, os projécteis têm um movimento composto: movimento uniforme e rectilíneo na horizontal e movimento de queda livre na vertical, já que é sujeito à gravidade na vertical. Para além disso, a trajectória descrita tinha a forma de parábola (espécie de curva) Falando um pouco mais da sua época, no seu tempo na Astronomia ensinava-se a teoria geocêntrica, era defendida por Aristóteles e apoiada por Ptolomeu, assim como pela Igreja. Como o próprio nome indica, esta considerava que a Terra (“Geo”) estava imóvel no centro do Universo. Segundo esta concepção, todos os astros giravam em torno da Terra. Esta era uma teoria amplamente defendida pela Igreja, por estar de acordo com a Bíblia, era a palavra de Deus. Mas surgiu um senhor, Copérnico, que defendia uma outra teoria já existente, quer-nos fazer o favor de a explicar? Galileu – Claro, bem como disse a teoria geocêntrica era a única hipótese aceite para descrever o Universo. O que não disse foi que quem ousasse questionar o geocentrismo, punha-se em risco de sofrer terríveis perseguições da Inquisição (tribunal eclesiástico). A teoria heliocêntrica defendida por Copérnico admitia que a Terra e os outros planetas giravam em torno do Sol, mas não existiam provas concretas para a suportar na altura. E foi aí que o senhor teve uma importância crucial, pois foi através dos seus desenvolvimentos no telescópio, que foi possível encontrar provas que suportavam a teoria heliocêntrica. Como iniciou o seu trabalho com o telescópio? Galileu – Muitas pessoas pensam que eu inventei o telescópio, mas não, o que eu fiz foi melhorá-lo profundamente. Quando tive notícia da existência de um aparelho capaz de ampliar imagens muito distantes, apliquei-me e investiguei modos de construir um instrumento similar. Os telescópios que criei tinham uma capacidade de ampliação nunca antes vista, esta criação deu-me fama e permitiu-me desistir do meu trabalho de professor e ir para Florença. Então, foi em Florença que fez as suas notáveis observações do Espaço. Em que consistiram? Galileu – O que vi no telescópio deslumbrou-me e fez me acreditar na teoria heliocêntrica. Na noite de 7 de Janeiro de 1610, comecei a observar o planeta Júpiter e reparei que havia três astros à sua volta, que acompanhavam o planeta. Não demorou muito a perceber que estes eram afinal pequenas luas. Esta descoberta veio mostrar que há mais do que um centro de movimento no Universo, não só a Terra pode ter astros à sua volta. Quando observei Vénus, verifiquei que este mostra um ciclo completo de fases (como as da Lua), isto só aconteceria se Vénus brilhasse com luz reflectida do Sol (como a Terra e Lua). Isto só seria possível se tanto a Terra como Vénus girassem em torno do Sol. Sendo assim, verificava-se que as justificações da teoria geocêntrica estavam erradas, isto é que se a Terra se movesse deixaria as pessoas, animais e objectos para trás. A Terra movia-se de facto. O que fez no seguimento das observações? Galileu – Após as minhas observações, publiquei o livro “O Mensageiro Sideral” em que as dava a conhecer ao público. Este livro teve um grande sucesso, e prossegui com as observações do Espaço, desta vez observei o Sol, mas tive muitos cuidados para não ferir a vista. Reparei que o Sol não era imaculado e tinha diversas manchas (manchas solares). Então e os seus problemas com a Igreja quando começaram? Galileu – Esses começaram quando publiquei o meu livro “Histórias e Demonstrações Referentes às Manchas Solares e seus Fenómenos”, onde apoiei o sistema heliocêntrico. Logo de seguida fui chamado a Roma, por ordem do Papa, aí fui severamente avisado de que se continuasse a defender essa teoria seria acusado de heresia e condenado, como é óbvio aceitei essas condições. Em 1624 falei com o Papa sobre a minha intenção de escrever um livro que apresentasse a teoria heliocêntrica e a teoria geocêntrica, comparando-os. O Papa assegurou-me de que eu podia escrever esse livro desde que não afirmasse a teoria heliocêntrica como um facto que traduzia a realidade. Foi portanto nessa altura que publicou “Diálogo sobre os dois Principais Sistemas Mundo” Galileu – Sim, publiquei esse livro sob a forma de um diálogo imaginário entre três personagens (Simplicio, Salviati e Sagredo), tentei desta forma evitar intervir directamente. Eu pensava que com o cuidado que tive a Igreja não implicaria, mas estava tão errado. O Papa, com quem eu tinha uma relação amigável, virou-se contra mim, considerando que eu tinha desobedecido ao compromisso. Fui julgado em Roma, fui longamente interrogado, ameaçado de tortura e condenado a prisão perpétua. É verdade a velha lenda que diz que ao sair do tribunal murmurou “Eppur si muove!”, isto é, “E no entanto (a Terra) se move”. Galileu – Posso dizer que sim, é um facto que eu sempre fui muito conflituoso e desafiador. Como foram os seus anos após a condenação? Galileu – A minha pena foi alterada passados alguns anos e passei a prisão domiciliária, onde pude continuar a escrever.Escrevi o meu último livro “Discursos e Demonstrações sobre duas Novas Ciências” onde compilei os meus trabalhos de quatro décadas. Vivi o resto dos meus dias em Florença e, devido a uma infecção fiquei cego dos dois olhos ficando condenado à escuridão. Em 8 de Janeiro de 1642, faleci devido a uma febre dolorosa. Já que tenho a oportunidade de estar a falar com o senhor, aproveito para lhe revelar alguns acontecimentos relacionados consigo, após o seu falecimento. Devo dizer-lhe que com o seu nome já foram criados, por exemplo, uma sonda espacial e uma rede de satélites. A Inquisição foi abolida em 1820, o “Dialogo sobre os dois Principais Sistemas do Mundo” foi retirado dos livres proibidos pelo Vaticano em 1835, em 1992 a Igreja admite formalmente que os seus pontos de vista estavam correctos e em 2008 colocaram uma estátua sua no Vaticano. Galileu – Impressionante como tudo muda, um dia vilão no seguinte herói Mas para sempre uma mente brilhante. Conclusão Galileu foi mais do que uma mente brilhante, foi um homem brilhante. Durante a sua vida conseguiu atingir o que muitos homens nem ousam sonhar, conseguiu ver fenómenos que ninguém via e enfrentou adversários imponentes. Toda esta sua força e vontade devem-se, sobretudo, à sua curiosidade, teimosia e à sua vontade natural de observar e questionar tudo o que o rodeava. Foi um homem activo na sua época, ainda que com pouca liberdade, conseguiu demonstrar as suas teorias e ideias revolucionárias. A verdade é que a sua grande sabedoria, curiosidade e coragem permitiu que hoje tenhamos conhecimentos acerca do Universo e do Homem que possivelmente nunca saberíamos. O seu legado é, e será, intemporal, a importância das suas contribuições para o mundo da ciência são inquestionáveis e o seu papel impulsionador da Ciência nunca será esquecido. Aliás, não fosse ele o “Pai da Ciência Moderna”. Bibliografia Livro: Almeida, Guilherme “Chamo-me Galileu Galilei”. Lisboa. Didáctica Editora (2008). 1ª Edição. Internet: Rodrigues, Nuno. “A Vida de Galileu Galilei”.http://galileuosite.blogspot.com/2007_09_01_archive.html. Acedido em 28 de Janeiro de 2010. H2G2. “Galileo – Father of Modern Science”. http://www.bbc.co.uk/dna/h2g2/A60734955. Acedido em 28 de Janeiro de 2010- Bechara, Maria José e Marques, Gil da Costa. “Galileu e o Nascimento da Ciência Moderna”. http://efisica.if.usp.br/mecanica/curioso/historia/galileu/. Acedido em 29 de Janeiro de 2010. Wikipedia. “Galileu Galilei”. http://pt.wikipedia.org/wiki/Galileu_Galilei. Acedido em 28 de Janeiro de 2010.