Financeiro
A revista do crédito
ano 7 nº 56 jan-fev/2009
TIRAGEM DESTA EDIÇÃO: 20.000 EXEMPLARES
©iStockPhoto.com/mecaleha/montagem EDF
Em debate, o crédito nos
países iberoamericanos
Os impactos da crise econômica
mundial na América Latina,
na Espanha e em Portugal são
destaque nas apresentações do
XX Congresso Fibafin
Economia internacional
De George Bush a Barack Obama
FGC
A importância do Fundo no
fomento às operações de crédito
Editorial:
Gerenciar riscos
cada vez mais
e melhor
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Financeiro
A revista do crédito
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Conselho Editorial: Adalberto Savioli, Prof. Istvan Kasznar,
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Editorial: Tamer Comunicação Empresarial; Jornalista
Responsável: Eliana Nigro (MTB 15.005); Editoração e
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Divulgação
Diretoria
Adalberto Savioli, Presidente da Acrefi
Diante do cenário macroeconômico mundial, com tantas incertezas, queda
de confiança das pessoas, redução da produção, maior volatilidade e, consequentemente, mais desemprego, o nível de inadimplência vai subir.
Para minimizar esses efeitos indesejáveis, é preciso gerenciar a sinistralidade cada vez melhor, buscando uma análise minuciosa de todas as informações do cliente: financeiras, patrimoniais, suas garantias e sua idoneidade, não
se esquecendo de reavaliar todas as ferramentas de recuperação de crédito.
É hora de saber negociar, entender melhor o devedor, suas possibilidades, e
buscar a melhor solução da pendência. Saber ceder para receber... Ou seja, em
tempos de crise, precisamos reavaliar os conceitos de todo o ciclo de crédito.
É justamente nesse ponto que reside o cerne da grande questão: qual seria
a melhor calibragem do risco de crédito para manter os negócios andando sem
perigo de uma alavancagem ameaçadora?
Precisamos desenvolver o cadastro positivo no País, tirar os temores que
ainda envolvem o compartilhamento de dados, buscar, de fato, a qualidade
da carteira, o direcionamento correto do crédito, a equalização de forma mais
acertada do risco x retorno, aumentar a automatização das decisões de crédito
e melhorar a produtividade.
De uma coisa temos ainda mais certeza: o crédito desenvolve a economia e
a faz rodar, gerando riquezas e desenvolvimento. Portanto, vamos em frente;
afinal, temos um papel importante e decisivo na continuidade do crescimento
de nosso país!
Nesta edição:
4 Evento Acrefi
Congresso Fibafin: a característica e a
qualidade do crédito na América Latina
10 Análise internacional
A política econômica de George Bush a
Barack Obama: transformações e
mudanças profundas à vista
15 Artigo
Retrospectiva sem perspectivas II
16 Tendência
O varejo em 2009
19 Mercado de crédito
FGC ajuda instituições a fomentar
operações de crédito
20 Novo cenário
Aquisições em época de crise
22 Artigo
O que esperar do investimento em 2009
24 Artigo
A exigência de registro do contrato de
alienação fiduciária de veículos nos
Cartórios de Títulos e Documentos
26 Projeções
A crise econômica e as operações
de crédito
28 Banco de dados
Evento Acrefi:
Congresso Fibafin:
a característica e a
qualidade do crédito
na América Latina
Com a deflagração da crise econômica
mundial, a discussão sobre a importância do
crédito se torna cada vez mais imprescindível.
Para isso, a Associação Nacional das
Instituições de Crédito, Financiamento e
Investimento (Acrefi) realizou, em novembro
último, o XX Congresso Fibafin, da Federación
Iberoamericana de Asociaciones Financieras
Para abrir as discussões sobre “Crédito ao Consumidor: Perspectivas de Médio e Longo Prazos”, o presidente
da Fibafin, Érico Sodré Quirino Ferreira, ressaltou a importância da entidade, que congrega todas as associações de
crédito da América Latina, de Portugal e da Espanha.
“Com essa reunião, podemos comparar como funcionam as economias desses países e trocar experiências com a única intenção de fortalecer e melhorar a
performance de todas as instituições”, comentou ele.
Adalberto Savioli, presidente da Acrefi, deu as boasvindas a todos os participantes e fez uma breve apresentação, iniciando com um relato sobre a economia
mundial. Para ele, o G20 já esperava uma crise mais
direta e acredita que as ações de todos os governos realizadas até a data não irão resolver de vez o problema.
“Para o Brasil, o lado bom da história é bastante relevante. Tivemos em 2008 o investment grade, que garante
ao País um bom status. Além disso, o País descobriu
grande reserva de petróleo e mantém alta reserva cambial. Temos, ainda, mais de R$ 170 bilhões em compulsório para serem utilizados em linhas de financiamento,
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FINANCEIROACREFI
Fotos: Andréa Felizolla
alavancagem baixa e alto nível de provisionamento de
crédito”, esclareceu Savioli.
Em suas previsões iniciais, Savioli salientou que o
Brasil cresce mais do que a média mundial em 2009,
tendo a inflação dentro dos controles do governo e
uma taxa de desemprego que poderá chegar a 10,9%
no final do ano. Segundo dados apresentados, essa
taxa caiu de 12% em 2007 para 8% em 2008.
A inadimplência subirá, mesmo que preocupe
alguns, mas ainda em patamares controláveis, girando
em torno de 8,4% para pessoa física. “Temos várias
oportunidades com a crise. Uma delas é a implantação
do cadastro positivo, que vai alavancar maior desenvolvimento do crédito no País, pois terá maior qualidade
do crédito com maior nível de checagem, prazos e
taxas diferenciadas”, disse Savioli.
Falando de crédito no Brasil, Francisco Valim, presidente da Serasa, mostrou que, em 2006, existia um
baixo estresse financeiro, elevando-se um pouco em
2007. Já para 2008, o estresse cresceu bastante e irá
continuar neste ano.
“As economias dos países desenvolvidos estavam
mais aquecidas, por isso poderão sofrer moderadamente com a crise. Porém, vários fatores dificultarão o
crédito mundial, como a diminuição das exportações
e importações. Para o Brasil, a redução dos contratos
internacionais afeta muito, pois estão baseados nas
commodities. O governo atua na melhoria desse ponto
crítico do comércio exterior para preservar a liquidez,
aliviando o empoçamento de crédito”, comentou Valim.
O executivo demonstrou o crescimento do crédito no
País nos últimos anos. Em 2000, a relação crédito/PIB era
de apenas 27,7%, tendo ultrapassado os 41% em 2008. A
média de crescimento do crédito foi de 25%, e a inadimplência está estabilizada, não tendo picos ou alarme.
1
2
1| Érico Ferreira, presidente da
Fibafin 2| Adalberto Savioli,
presidente da Acrefi 3| Francisco
Valim, presidente da
Serasa Experian
“Para 2009, teremos uma situação de crescimento menor,
com oferta reduzida de crédito e mais controle na concessão. Mesmo assim, teremos um ano relativamente parecido
com o anterior. Vale lembrar que as instituições estão com
disponibilidade financeira bem reduzida”, disse Valim.
Para ele, também é de extrema importância a implantação das informações positivas na concessão do crédito. A
palavra de ordem, para o presidente da Serasa, é compartilhamento de informações. Quanto mais informação se tem
dos clientes, melhor qualidade terá o crédito, tanto para
este cliente quanto para as instituições financeiras.
No exterior
A Asociación Nacional de Entidades Financieras Especializadas en Micro Finanzas (Asofin), da Bolívia, atua em
todo o país com o intuito de diminuir a pobreza. Atende
cerca de 19% da população economicamente ativa (PEA)
em depósitos e possui uma carteira de 7,5% da PEA.
“Uma das principais dimensões da pobreza é a falta de
renda, e a preocupação geral é com emprego sustentável e
de qualidade. Para diminuir essa defasagem, é preciso investimento em setores intensivos de mão-de-obra”, esclareceu
o engenheiro Herbert Müller, representante da Asofin.
Para ele, os pobres não têm
acesso ao sistema, e as entidades
devem oferecer mecanismos para
que essa camada da população
tenha crédito e emprego. Os mentores dessa ação serão tanto o governo quanto a iniciativa privada.
É preciso intervir no mercado
financeiro para assegurar a disponibilidade de recursos para que os
segmentos da população de excluídos tenham as seguintes características: grande escala, permanên3
cia, eficácia e eficiência.
“Na Bolívia, o setor de microcrédito existe há mais de 20 anos
e é crescente há 10, com a carteira
evoluindo de US$ 203 milhões em
1999 para mais de US$ 1,2 bilhão em
2008. Os bancos tiveram uma curva
descendente entre 1999 e 2006,
quando começaram a ter uma leve
elevação nas suas carteiras. A associação cresce forte desde 1999 e hoje
tem escala e permanência de longo
prazo”, afirmou Müller.
Pelos dados da entidade, o desenvolvimento se deu em função da eficiência com a queda
das taxas de administração, que resultou em queda dos
juros, hoje os mais baixos da América Latina. A qualidade
da carteira aumentou e a inadimplência ficou em 1%, para
devedores acima de 90 dias.
Joaquim Vial, representante da Asociación Nacional de
Establecimientos Financieros de Crédito (Asnef), da Espanha, comentou que aquele era um momento difícil de falar
de mercado econômico, em função da abrangência da crise
mundial e, principalmente, do mercado de crédito.
“O que nos chamou a atenção foi o forte crescimento
do crédito ao consumidor em todos os países. Isso veio
como resposta ao crescimento do mercado financeiro, e
os números falam sozinhos, com aumento do crédito na
ordem de dois dígitos entre 2005 e 2007. Nos países do
Mediterrâneo, o crescimento chegou ao triplo da média
mundial”, esclareceu Vial.
Porém, para ele, essa é uma expansão global e, portanto, terá uma queda também global. Mas traz vários
fundamentos que explicam a forte aceleração do crédito:
renda, riqueza, condições financeiras, confiança do consumidor, expansão econômica, inflação de ativos, inovações
econômicas e alta taxa de crescimento.
FINANCEIROACREFI
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Evento Acrefi:
Na Bolívia, o setor de microcrédito
evoluiu de US$ 203 milhões em 1999
para mais de US$ 1,2 bi em 2008
Após setembro de 2007, essa situação começou a se
inverter. Os fundamentos são outros e as razões para a
queda são simples: aumento do risco após um período de
forte aceleração; menor crescimento econômico; incertezas do impacto da crise sobre o Produto Interno Bruto (PIB);
e endividamento elevado das famílias.
“Na Espanha, o crédito experimentou uma evolução
mais dinâmica do que nos outros países da zona do euro.
Em contrapartida, sentiu uma queda maior em função das
dúvidas quanto ao futuro e da capacidade de pagamento
das famílias”, comentou ele.
Para o executivo, a Espanha teve grande desenvolvimento do crédito em função dos planos de financiamentos
de longo prazo. Estes foram motivados pelo aumento da
renda per capita, pela alta propensão de crédito ao consumo e pelo fato de a dívida das famílias ainda não ser alta
em relação à sua riqueza.
“Teremos fortes ajustes de agora em diante e o que vai
determinar é a renda da família, a queda do preço dos ativos e
o desemprego no país. O crédito será afetado nesse período e
toda a economia espanhola será, também, afetada. Acredito
que a recessão irá passar lentamente e o retorno do crédito ao
consumidor será bastante vagaroso”, finalizou Vial.
Augusto Magliano, representante da Asociación de la Banca
Especializada (ABE), da Argentina, concordou com os palestrantes anteriores e falou que era muito difícil fazer qualquer
comentário e previsões sobre o que vira.
“Acredito que o primeiro impacto será uma concentração brutal no crédito, tanto nos países emergentes
quanto nos desenvolvidos. O impacto será maior ainda
sobre a bancarização, principalmente na América Latina,
onde é muito baixa ou medíocre”, salientou Magliano.
Segundo ele, na Argentina, os números são mais baixos
do que a média da América Latina. Cerca de 11% das empresas e mais de 36% das famílias não têm conta em banco.
Mas esse número começou a ser modificado com a política
de bancarização, em que foram abertas mais sucursais (a
partir de 2006), houve promoção ao crédito para pequenas
e médias empresas (PMEs) e ao microcrédito e forte modernização dos meios de pagamento (2007).
“Além desses aspectos, foram criados uma nova classe
de instituição financeira e um novo meio de pagamento
semelhante ao cheque, uma conta de base transacional
de utilização maciça e existe, ainda, um projeto de regu-
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FINANCEIROACREFI
lamentação sobre terceirização [outsourcing] de serviços
financeiros. Isso incrementa o interesse pela utilização de
instituições bancárias”, analisou.
Mas a principal motivação para essa utilização, segundo
o executivo, é o desenvolvimento da capilaridade bancária, que, na Argentina, é bem inferior a do Brasil: os bancos
ainda não têm interesse nas chamadas contas básicas (semelhante ao Caixa Fácil no Brasil), por não terem muita rentabilidade e por exigirem muita capilaridade.
“A Argentina pode e deve aproveitar as experiências
existentes em outros países, com um custo bem menor, até
em função das dimensões do país”, disse Magliano.
Para finalizar o primeiro dia de trabalhos do Congresso,
Carlos Pöllhuber, da Equifax, falou da “Evolução das Ferramentas de Crédito e Cobrança para o Consumidor”, que
passa pelo conhecimento estratégico da qualidade do crédito e do birô de informações.
“Hoje, podemos dizer que o ciclo de negócios passa por
quatro etapas fundamentais: prospecção, com dados baseados em informações demográficas que podem fazer crescer
o negócio; concessão, baseada em informações cadastrais
e restritivas; gestão, limitada pelo pouco conhecimento do
comportamento do cliente; e cobrança, baseada em escores de propensão e de alto custo”, afirmou Carlos Pöllhuber.
Para ele, é fundamental a implantação de informações
positivas para a indústria do crédito. Com ela, será possível
a segmentação do mercado por meio do conhecimento
comportamental do usuário do crédito, podendo-se tratar
consumidores diferentes de forma semelhante.
“Existe muita oportunidade com a implantação de dados
positivos e demográficos, como ofertas orientadas ao perfil
e potencial de risco de cada cliente; modelos de propensão
à compra que podem estimular ativação; limites adequados
à capacidade de pagamento; prevenção a fraudes; gerenciamento de limites; fidelização/retenção; segmentação/priorização; entre outras”, comentou Pöllhuber.
Mas, para que isso possa acontecer, os desafios também
são enormes. Iniciando pela regulamentação da utilização
das informações positivas; adaptação das ferramentas para
tratamento de novas variáveis; uso das novas variáveis nas
políticas e estratégias existentes; adaptação das plataformas de crédito para a utilização dessas variáveis; uso de
modelos analíticos com as novas variáveis; aplicação de
novos modelos analíticos; adaptação das plataformas existentes para incorporar as novas estratégias.
Para falar dos “Desafios para Expansão do Crédito”,
Renato Martins Oliva, presidente da Associação Brasileira dos
Bancos (ABBC), traçou as principais dificuldades para tal.
Uma delas, talvez a principal, é a dimensão territorial do
País. Isso gera baixa densidade demográfica, comparada
1
2
1| Herbert Müller, representante
da Asofin 2| Joaquim Vial,
representante da Asnef 3| Augusto
Magliano, representante da ABE
4| Carlos Pöllhuber, da Equifax
5| Renato Martins Oliva, presidente
da ABBC
5
com outros países – a Alemanha tem 231 pessoas por quilômetro quadrado, enquanto no Brasil são 22 pessoas por
quilômetro quadrado.
“Essa é, acredito, a maior dificuldade e o maior desafio
para os bancos ampliarem a sua área de atuação e as carteiras
de crédito. Hoje, temos no País mais de 1.600 municípios sem
agência bancária ou posto de atendimento”, alertou Oliva.
Segundo ele, ainda existe uma grande demanda não
atendida pelos serviços financeiros: 57% dos residentes
urbanos maiores de 18 anos não possuem conta bancária
(dados do Banco Mundial, 2002);
dois terços desse público demonstram interesse em ter uma conta
em banco; 67% dos aposentados e
pensionistas do INSS não possuem
conta-corrente bancária; 31% dos
mesmos aposentados e pensionistas residem em zona rural; e 25
milhões de famílias não têm conta
em banco e estão concentradas nas
periferias das grandes cidades.
“Isso pode ser reflexo das reformas estruturais não realizadas, como
3
o fato de 40% do PIB brasileiro concentrar-se nas mãos do Estado; não
há um eficiente gerenciamento de
‘escassez’ com corte de despesas de
custeio e aumento da capacidade
de investimentos; o sistema trabalhista desestimula a produção e não
incentiva o emprego formal; a carga
tributária sobre a sociedade, além de
ser alta, tem baixa performance na
distribuição da renda; e, por fim, o PIB
brasileiro cresceu bem menos do que
o de outras economias emergentes
4
nos últimos 25 anos”, comentou.
Com o passar dos anos, o tomador de crédito brasileiro passou a
ter um perfil comportamental com
as seguintes características: grande
racionalidade na tomada de decisão;
forte impessoalidade em relação ao
empréstimo; uso do recurso tomado
para atendimento de necessidades
efetivas; pesquisa da melhor alternativa, mesmo sem ter conhecimento
específico; baixo endividamento e
comprometimento da renda com
empréstimos financeiros.
Mas as mudanças vieram mesmo assim e o crédito ao consumidor cresceu mais de 25% ao ano nos últimos três anos.
Uma das modalidades que auxiliaram esse crescimento foi o
crédito consignado, implantado por lei em 2003 e com forte
atuação a partir do ano seguinte. “Trouxe uma forte tendência na tomada de crédito, com juros mais baixos, baixa burocracia, prazos médios e atendeu uma fatia de público com
poucas opções. Primeiro foi o funcionalismo público e depois
os demais assalariados, que, mesmo com ganhos pequenos,
puderam concorrer ao crédito”, salientou.
FINANCEIROACREFI
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Evento Acrefi:
1
Para ele, outro fator que alavancou o crédito e o atendimento bancário no País foi a criação dos correspondentes bancários, também ponto
importante para o crescimento do
consignado. Em 2008, as operações
de crédito consignado com correspondentes chegaram a 35 milhões.
“Somos adolescentes quando
se fala de crédito no mundo todo.”
Assim, Paulo Isola, diretor gerente
do Bradesco, iniciou sua apresentação no Congresso.
3
Segundo seus dados, a partir do
início da década de 1990, o brasileiro
começou a vislumbrar o potencial
crescimento do crédito e da economia no País. O Brasil tinha, até
2005, 4 bilhões de cheques emitidos,
na sua grande maioria, pré-datados.
Porém, para Isola, não devemos
esperar um crescimento grande
em crédito ao consumidor nos
próximos anos. A manutenção das
taxas de crescimento será vista com
muita ressalva. Boa parte do crescimento foi obtida pela carteira de
pessoa jurídica, e a carteira de pessoa física vem perdendo
espaço na participação do estoque de crédito no País.
“Um dos principais impulsos para o crescimento do
crédito no Brasil foi a ampliação do emprego formal e da
renda do trabalhador. Os estoques de crédito bateram
todos os recordes, chegaram a R$ 1,14 trilhão e a relação
com o PIB, em 41,4%. Os cenários futuros são diferentes
daqueles vistos até aqui”, salientou Isola.
Para ele, apesar de a inflação estar dando o ar da graça,
está controlada e não apresenta forte pressão. Porém, haverá
redução na oferta e nos prazos para a concessão do crédito,
além de um custo de captação maior. A queda na taxas de
juros poderá ser uma questão fundamental para a manutenção da oferta de crédito, não igual à oferta anterior à crise.
“Uma das maiores preocupações é com a taxa de
emprego. Enquanto se mantiverem, podemos ver uma economia estabilizada. Porém, já há uma alta no desemprego em
função da crise. Se esta for a tendência, a oferta será menor,
as exigências maiores e podem fazer crescer a inadimplência,
mas em patamares administráveis”, finalizou Paulo Isola.
Do Paraguai, veio Carlos Rivarola, representante da
Asociación de Entidades Financieras del Paraguay (Adefi),
que demonstrou o crescimento do microcrédito no país.
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FINANCEIROACREFI
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1| Paulo Isola, diretor gerente
do Bradesco 2|Carlos Rivarola,
representante da Adefi 3| Istvan
Kasznar, economista-chefe
da Acrefi
“Esse tipo de crédito no Paraguai é muito importante para
o desenvolvimento, principalmente, das atividades primárias,
que são realizadas por pequenas propriedades em sua maioria. A balança comercial do país é deficitária desde 2000 e a
participação das exportações é significativa”, comentou.
A exportação de carne representa 16%; a de farinhas,
mais 9%; e os cereais, 8%. O crescimento do microcrédito
para o setor agrícola foi de 14% no país. O número de clientes também cresceu (30%).
“O que ajudou o crédito no país foi o grande crescimento das instituições bancárias, cerca de 45%, e de mais
11% de instituições financeiras”, esclareceu Rivarola.
Para o executivo, os bancos paraguaios estão ganhando
em solidez e em capilaridade, o que oferece maior poder de
crescimento, mesmo em épocas de crise mundial.
Para finalizar os trabalhos do XX Congresso Fibafin, Istvan
Kasznar, economista-chefe da Acrefi, apresentou um estudo
realizado pela entidade sobre a inadimplência no Brasil.
Segundo ele, pode-se perceber que o mercado de crédito é fortemente direcionado pelas demandas e situações
orçamentárias do Estado, que, mediante o giro da dívida pública, atrai para si e força a vinda das poupanças. O crédito que
sobra, livre, torna-se caro, com taxas de juros reais elevadas,
Congresso mobilizou setor de crédito
que contraem a demanda por crédito. Resultam, então, uma
proporção relativamente pequena de créditos livres ao setor
privado/PIB e relativamente elevada de créditos direcionados
mediante aplicação em títulos públicos/PIB.
“Em que pese a retomada da inflação em fins de 2007 e
seu combate mediante a elevação das taxas de juros e controles monetários com aumento da base monetária no período 2003/2007, configura-se nitidamente uma nova fase,
de retomada e crescimento do volume de crédito concedido
à livre iniciativa no País. A expansão de crédito saltou de
24,61% em 2003 para a relação ESF/PIB de 36,59% no ano de
2007 (41,4% em 2008). Expandir o crédito pessoal e livre é necessário, saudável e alavanca o bem-estar da nação, contudo,
possui seus limites e sutilezas, vinculadas à capacidade de
pagamento dos devedores e à formação de sua renda para
sustentar e quitar dívidas”, comentou o economista.
Para ele, a crise norte-americana de 2007 em diante, culminando na parada literal do mercado de crédito em setembro de 2008, em função dos abusos cometidos na expansão
do crédito imobiliário, da geração de hipotecas podres subprime, evidencia que existe um limite para a oferta de créditos e, quando ele é ultrapassado, põe em crise até mesmo o
mais poderoso sistema econômico.
Antes que ocorram abusos no mercado de crédito brasileiro, satisfeito e mais ou menos estressado de 2004 em
diante, é importante que medidas de autorregulação do
mercado se implantem severa e disciplinadamente, para
evitarem-se inadimplementos e falências futuras, cujo desfecho aumenta custos e desgastes e pode pôr em risco o
crescimento e o desenvolvimento de longo prazo.
“Nesse sentido, enfatiza-se que mais vale aumentar a
Toda expansão possui seus limites e mais vale o
crescimento seguro e regular do que o explosivo de
fôlego curto, seguido de operações de rescaldo às
pessoas físicas e empresas e de socorros bancários
qualidade e a quantidade das medidas de precaução e prudência do que criar, após a devastação gerada por grandes
crises econômicas e recessões, medidas curativas de efeitos
duvidosos”, alertou Kasznar.
Conclusões estratégicas
Para o economista, as conclusões estratégicas são que as
crises bancárias no mundo foram precedidas por uma oferta
de crédito expansiva, real e agressiva. Uma rápida e continuada deterioração do ambiente macroeconômico, sem a adoção de medidas firmes e vigorosas, aprofunda as crises e aumenta as perdas da sociedade e do sistema bancário. Porém,
a inadimplência está e estará em patamares totalmente
administráveis tanto quanto a economia for administrada.
“No Brasil, de 2005 em diante, experimentam-se, com
uma certa sensação de satisfação, a expansão vigorosa do
crédito ao consumidor e a capacidade de o Estado sustentar com empréstimos a retomada maior do crescimento do
PIB. Contudo, toda expansão possui seus limites e mais vale
o crescimento seguro e regular do que o crescimento explosivo e de fôlego curto, seguido de operações de rescaldo às
pessoas físicas e empresas e de socorros bancários, que em
sua dimensão fiscal, mediante impostos, acabam saindo dos
bolsos do contribuinte”, finalizou Istvan Kasznar. |
FINANCEIROACREFI
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Análise internacional:
O ano de 2009 se caracteriza por se iniciar com ventos
de esperança e fé na pessoa do novo presidente dos Estados
Unidos da América, Barack Hussein Obama.
Após tomar posse numa série de festejos monumentais,
para o qual 4 milhões de norte-americanos foram convidados e compareceram, cabe a Obama, o primeiro presidente
negro dos EUA, país que mais uma vez derruba um complexo tabu, desta vez associado à forte discriminação racial
que por séculos e até bem o início dos anos 1960 assolou a
América, resolver, no rescaldo das cinzas do governo Bush,
um novo momentum para a economia e sociedade mais
poderosa do mundo.
A herança e o desafio que se apresentam ao Partido Democrata, recém-empossado no poder, são, como tudo o que diz
respeito à América, líder mundial, monumentais. Afinal de
contas, estão em jogo a hegemonia americana no mundo;
o aprumo da economia e sua
moralização enquanto liberal, mas capaz de sujeitar-se a
regras e regulamentações que
não repitam e descambem
em especulações, selvagerias
e quebras empresariais e da
pessoa física incontornáveis;
a emissão de sinais inequívocos que reconduzam à credibilidade nas instituições; a
volta do equilíbrio das contas
públicas, abaladas por déficits sucessivos; a definição do
que fazer com as guerras no
Iraque e no Afeganistão; e a
capacidade de aumentar investimentos para progredir com ciência e tecnologia e gerar
ganhos de produtividade de alcance global.
O novo governo não começa com uma tábula rasa,
posto que a riqueza que molda a sociedade americana
permanece bem firme, apesar dos abalos. Contudo, a ignição democrática de governança pública precisará retomar
as macrodimensões que movem a causa, o interesse e a
qualidade de vida da nação, vista como referência mundial
de progresso e desenvolvimento, especialmente aos olhos
do ocidente.
Essas macrodimensões se centram nas variáveis política,
econômica, jurídica, tecnológica e internacional.
Procuraremos a seguir tratar desses assuntos, com vista
a compreender o que poderá trazer e gerar a crise profunda
do modelo de produção norte-americano.
A política
econômica de
George Bush a
Barack Obama:
transformações
e mudanças
profundas à vista
Jan/2009
10
FINANCEIROACREFI
Istvan Kasznar, Ph.D.
economista-chefe da Acrefi
[email protected]
O governo de George Bush
A reação dos mercados financeiros veio na forma de “criativas e
amigas formas de se financiar o consumo doméstico”, de tal forma
que, se no início dos anos 1990 cada família americana devia em
média US$ 60 mil, em 2008 esse valor saltara para o dobro, ou US$
120.540. Isto é, para cooptar a população, deu-se prosseguimento
a uma equivocada farra de crédito; fez-se vista grossa ante o que
os bancos emitiam como papéis; aceitou-se pagar e financiar, por
meio de agências imobiliárias e títulos públicos como as fannie
maes e ginnie maes, a casa própria da população mais carente, em
prol do interesse social, acreditando-se que o assunto estouraria
bem mais adiante, por volta do ano 2011; e enfraqueceram-se a fiscalização e a controladoria pública nos mercados.
A emergência e a disseminação de uma vasta engrenagem
dolosa, fomentada por créditos podres e por fundos sem lastro, dos
quais o melhor exemplo é dado pelo “gestor” Madoff, no epicentro
do capitalismo e do liberalismo mundial, geraram uma destruição
avassaladora de imagem do capitalismo financeiro e dos mecanismos de se deixarem as economias livres, nas mãos invisíveis fornecidas pelos encontros entre a oferta e a demanda.
A imagem do capitalismo à moda americana sofreu uma chamuscada global. E adquirir uma má imagem custa caro: ninguém
se esquece dela tão cedo; investir para recuperar a imagem custa
caro e demora muito; e é dada munição aos críticos do status quo,
para que se aprofundem
urgentes mudanças.
Eric Draper/White House
Pete Souza/White House
Em janeiro do ano 2001, quando George W. Bush assumiu
a presidência dos Estados Unidos da América, a sociedade norte-americana estava profundamente dividida. Republicanos e
democratas haviam praticamente empatado nas eleições presidenciais, o vice-presidente Albert Gore, candidato democrata,
festejava discretamente seus resultados eleitorais e dava como
certa sua eleição na Flórida, onde o irmão de George, Jeff Bush,
atuava como governador.
A demora em sair os resultados eleitorais em dezembro de
2000 criou um triste clima de suspeitas. E quando George Bush
assumiu, não houve festa maior, popular, nas ruas, o que, em geral,
é um sinal de aceitação com aclamação de um novo presidente.
Simples, sintomática e gravissimamente, a escolha presidencial
recaiu e sucedeu por conta da existência de uma maioria de juízes
republicanos que assegurou a sua conquista na Corte Suprema.
Essa situação fazia prever um governo complicado. O Partido
Democrata poderia fazer questionamentos acerca da legitimidade
das eleições e do processo de ascensão ao poder máximo nos EUA.
Assunto interno ao mundo, todavia, sobrou a sensação de
que, do ponto de vista político, as instituições eleitorais e seus
regulamentos estavam defasados e necessitavam de reformas.
Estas não seriam realizadas nem ocorreriam quatro anos depois,
quando o presidente George Bush, clamando questões de segurança nacional e a favor da luta contra o terrorismo, que atacou
Nova York com o fatídico setembro de 2001, foi reempossado,
ante a surpresa mundial.
Rápido em criar guerras, o presidente Bush mergulhou os Estados Unidos na guerra do Afeganistão, um produtor de
ópio em terras montanhosas, altas e inóspitas. E, a
seguir, apesar dos apelos contrários de inúmeros
de seus colaboradores, abriu fogo contra o Iraque, em nome da democracia.
Como essas guerras durarão mais este
ano, o legado republicano inclui o envolvimento em guerras improdutivas, custosas
porque também longínquas, que geram déficits públicos mensais de US$ 10 bilhões. E o
tempo mostrou que não havia perigos de ordem
nuclear e de bombas devastadoras no Iraque.
Sem maior respaldo para cobrar disciplina
da sociedade, o governo americano
fez vista grossa para o crescente
consumo, financiado por juros de
curto e longo prazo em queda, a
ponto de a taxa de juros de títulos
públicos mergulhar para 2% anuBush deixa o governo economicamente endividado e com Obama espera-se o início de uma nova era
ais, quando deveria ser de 3,6% ou
mais, para manter alguma disciplina
nas contas públicas.
FINANCEIROACREFI
11
Análise internacional:
Neste quadro, herdado pelo novo presidente, Obama, a
assunção da governança se involucra num conjunto de realidades prévias rapidamente mutantes, que fazem patinar as análises
e os diagnósticos e podem, por erros, levar a situações complexas,
porque imprevisíveis.
As incertezas e os medos se repetem. E com eles, no dia-a-dia,
as autoridades recuperam velhos métodos para sair de crises, além
de repetirem as doses de remédios à exaustão, não necessariamente obtendo os resultados que estimavam receber.
Bill Clinton, durante seu governo, entre 1993 e 2001, repassou a Bush um superávit fiscal estimado em US$ 4,3 trilhões.
Em 2009, a herança deficitária alcançou US$ 6,2 para um
mesmo período de oito anos.
Bush deixa o governo economicamente lascado, fissurado,
endividado e a sociedade, sedada à base de uma oxigenação artificial com a injeção de pacotaços de centenas de bilhões de dólares
em recursos públicos. Estes, em última instância, são o dinheiro
do contribuinte, aquele que, em curto e médio prazo, pagará caro
pelas disfunções governamentais vividas entre 2001 e 2008.
Não que o problema do endividamento das famílias americanas fosse novo. Mas viver eternamente do crédito alheio, em longo
prazo, é inviável. Caberá à sociedade americana reconfortar-se com
a ideia de que sua afluência tem limites, também dados pela limitação dos créditos e empréstimos ao consumidor.
Esses fatos, em conjunto, estimulam a ideia de que o presidente Obama precisará e haverá de fazer firmes, profundas e
ousadas mudanças na economia e na sociedade norte-americana. É também aí que remanesce a esperança num governo que
abra as portas da modernidade e aprume a sociedade para os
novos rumos magnos evolutivos do século 21.
Governo Obama, um depositário de
esperanças e renovações
Espera-se o início de uma nova era, mediante as políticas
públicas múltiplas a serem adotadas pelo presidente Barack
Obama e o Partido Democrata, que eleito com 53% das cadeiras
no Congresso, pode tomar decisões prementes com diminuta,
mas confortável, folga.
E as necessidades de atacar e resolver em vários flancos são
bem claras.
No campo econômico, entre novembro e dezembro, os EUA
perderam 1,1 milhão de empregos formais. Os créditos desapareceram, seja para as corporações gigantescas, seja para os micro e
pequenos empresários, seja para as pessoas físicas e famílias. Sobra
apenas crédito em escala paquidérmica para as empresas que se
confessam em crise, ilíquidas e prontas a demitir ou fechar as portas.
O problema é que a lista de pedintes não para de crescer. Alguns
parecem viciados na demanda e obtenção de ajuda e voltam a repetir a dose, num sinal indefectível de dependência e de incapacidade
de resolver seus próprios problemas.
12
FINANCEIROACREFI
E o arrefecimento da demanda cria um círculo não virtuoso, que
aprofunda ainda mais a crise.
Enquanto anuncia-se que o novo governo terá US$ 1,14 trilhão
à sua disposição para gastar e investir no processo de saneamento
econômico, o cidadão comum descobre que as verbas não são para
resgatar e salvar o maior criador e mantenedor de empregos, que
são os micro e pequenos empresários. As verbas se dirigem à antiquada e envelhecida indústria automobilística norte-americana e
aos bancos, entre outros, que alegam limpar de títulos podres as
suas carteiras combalidas de ativos.
Nesse sentido, dói aos americanos ver a sua indústria modelo,
a automobilística, que gerou e mudou o seu way of life por todo o
século 20, quebrar e falir irremediavelmente. Mas, se as mudanças
nesse setor aconteceram, como no Japão, com carros econômicos e
que fazem 21 km por litro de gasolina; e no Brasil, onde os carros flex
e os movidos a álcool são um sucesso; nos EUA, continuam-se produzindo carros enormes que consomem o petróleo que os EUA não
possuem e vão buscar na marra no Oriente Médio, como no Iraque.
Os bancos norte-americanos deixam todos os clientes atônitos, no mínimo, ao não apresentar, entre junho e dezembro, um
comportamento “normal”. Bom e importante exemplo é dado por
bancos americanos – um quer comprar o outro e, no final, estende a
mão para pedir do Fed, o Banco Central dos EUA, US$ 18 bilhões. Isto
é, à primeira vista parece sadio e forte, porque acena com a vontade
de compra de outro banco. No momento seguinte, confessa não
ter caixa. Da mesma forma, o símbolo maior do banking americano,
na figura do Bank of America, solicitar auxílio significa que nenhum
banco está imune ou longe da crise e o mercado interbancário está
minado por uma crise de confiança monumental.
Em quem acreditar? Quem possui uma carteira ilesa, limpa e
operacional? Quem consegue ser saneado de vez, a ponto de não
recorrer, e passa a puxar outras empresas bancárias ao crédito interbancário sadio? Por ora, ninguém sabe. E, por essas razões e questões, caberá ao governo Obama reaver, reconstituir e reconquistar a
confiança abalada nas instituições, nos órgãos públicos, nos bancos,
nas indústrias e nas famílias em geral.
O pacote que o presidente recebe ao inaugurar sua administração, de US$ 825 bilhões, é monumental e é por dois anos. Mas será
que recupera o projeto americano com presteza?
Essa forma de agir, a de dar liquidez ao sistema a todo custo,
merece ser questionada e abordada em detalhe maior, o que se
fará na seção seguinte.
Lorde Keynes e a armadilha da liquidez
A dinheirama que se coloca à disposição da nova administração
apresenta cifras estonteantes. À primeira vista, deve resolver os problemas de liquidez imediata.
Mas será que resolve o cerne do problema macroeconômico
atual, que passa pela delicada questão da credibilidade nas instituições e nos seus recentes gestores? Acredite-se que não, até
porque alguém, grupos e lobbies mobilizaram a sociedade na
direção do endividamento; da invenção de papéis sem lastro;
no processo de liberar créditos amigavelmente, sem olhar seriamente os cadastros negativos e positivos e a capacidade de pagamento; da mudança de aplicações, forçando-se a pessoa física a
sair dos papéis pré-fixados, para os pós-fixados; e afins.
Aos investidores internacionais, os bancos americanos e
europeus ofereciam títulos e ações profusamente, entre os anos
1990 e 2008, assim como fundos de investimento. Mas estranhamente, após a oferta, frequentemente se eximiam de recomendar certos fundos, alegando dúvidas quanto à sua segurança.
Com isso, eles mesmos minaram a credibilidade sobre os papéis
que dispunham aos aplicadores.
Então, as soluções que virão precisarão de um pluralismo em
finanças, de um holismo, que até dezembro de 2008 não se constatavam no mundo.
Que os burocratas no setor público possuem a fama de ser
capazes de gastar o dinheiro público numa velocidade de bólidos, isso é consensual. Que o grau de sensibilidade em relação a
esses gastos é baixo, isso também faz parte das avaliações sobre
tecnocratas nos EUA, afinal de contas, é dinheiro da viúva e não
sai do seu próprio bolso. Mas, então, o comprometimento com a
alocação mais séria e produtiva desses recursos pode ser submetida a dúvidas, isso é uma certeza.
O ato de gastar suficientemente rápido em projetos de alto
retorno socioeconômico e com grande produtividade do capital
será um grande desafio para o novo governo.
O plano de recuperação econômica deverá ser especialmente
sensível à capacidade de gerar, manter e aumentar o nível de
empregos. E, sabidamente, a recuperação de carteiras podres
em bancos não gera grande massa de empregos, nem moverá a
massa salarial na direção do consumo.
A liberação de grandes somas de dinheiro público necessitará levar em conta o fato de que não é fácil gastar bem, objetivamente e com racionalidade. Projetos que oferecem empregos
podem ser apresentados, mas a sua elaboração, implantação e
resultante real podem levar muitos anos para aparecer.
Esse é o caso dos projetos de água e de abastecimento; remodelação de barragens e áreas que precisam de diques para a contenção de águas pluviais, fluviais e as geradas por inundações; a
reconstrução de redes elétricas; a remodelação do setor da saúde; e
investimentos em computação para a educação infantil.
Esses projetos lembram ligeiramente alguns promovidos
por Franklin Delano Roosevelt, o mítico estadista norte-americano que, entre 1933 e 1945, definiu e reestruturou a economia
americana moderna, mergulhada em 1929 no avassalador crack
da Bolsa de Nova York.
Diversos analistas insistem em comparar os tempos e os
desafios atuais que o presidente Obama enfrentará, dado o rigor
da crise atual, àqueles de Roosevelt.
O governo Bush deixa a sociedade sedada à base
de uma oxigenação artificial com a injeção de
pacotaços de centenas de bilhões de dólares em
recursos públicos
Nada mais equivocado. Os tempos são outros, bem diferentes e
mais complexos para a América de hoje.
Após o que seria um erro de interpretação de política monetária
por fazer, em 1929-30, segundo os economistas Milton Friedman e
Anna Schwarc, que se debruçaram nos anos 1940-70 sobre os dados
do Fed, e que levou à não-injeção e emissão monetária naqueles
fatídicos anos, o que levou a taxa de desemprego nos EUA a 33%,
convencionou-se afirmar que crises depressivas precisam de maciça
injeção e emissão monetária para serem resolvidas.
Lorde Keynes, genial economista inglês, acentuou a importância da presença do Estado quando os mecanismos do livre
mercado não funcionam e receitava o aumento do gasto público,
logo a intervenção do Estado.
Não importava, dizia ele, que um trabalhador desempregado
fizesse em buraco, enquanto o seguinte, atrás dele e outros tantos formando fila, fosse o preenchendo. O importante era assegurar empregos, que implicariam pagamentos de gastos salariais
e estes, como renda, implicariam a elevação do consumo, o que
aqueceria a demanda por bens e serviços, a indústria, logo a economia como um todo.
Numa noite fria, no meio do salão de um hotel americano,
enquanto debatia políticas de aquecimento econômico junto a
Dexter White, secretário de Finanças dos EUA, Keynes derrubou
toalha, pratos, garfos e facas no chão. Apontou para o garçom,
diante dos demais comensais, e disse: “Vejam, para este, agora,
garanti o emprego.”
E, na política monetária, poderia suceder uma armadilha tal, na
visão acertada dele, que as taxas de juros, de tão baixas, não atrairiam as aplicações dos investidores. Eles ficariam à espera de um
momento melhor para aplicar seus capitais, se a economia deflacionasse ou permanecesse no sentido da deflação.
Portanto, pode haver semelhanças, mas o momento é outro.
Franklin Delano Roosevelt concebeu e aplicou o New Deal,
que teve no fundo três edições e cujas edição e implantação não
foram nada pacíficas. Tribunais tentavam anular as ações do presidente. Ele teve de lutar com o Poder Judiciário frontalmente e,
após numerosas pressões, conseguiu fazer acordos que aposentaram e substituíram vários juízes.
No New Deal, investiu-se numa autêntica remodelação da América que gerou mais de 8 milhões de empregos. O Tennessee Valley
Administration, que produziu barragens e energia elétrica, foi um
dos programas mais emblemáticos daquela época. Ele não se repetirá nem terá paralelo em nossa era. Houve investimentos em estraFINANCEIROACREFI
13
Análise internacional:
das, reflorestamento, diques e ferrovias. Ainda assim, em 1937, a
indústria sofreu novo baque e sua produção levou a nova recessão.
Os EUA saíram da crise e da depressão dos anos 1930 de vez
quando o esforço de provimento de materiais para o combate
na Segunda Guerra Mundial se fez sentir. Enquanto numerosos homens iam à guerra e enfrentavam o nazismo no front, as
mulheres ocupavam os postos de trabalho e produziam as balas
de canhão. As taxas de desemprego caíram também por causa
dessa tipologia de mobilização.
No momento atual, espera-se que se defina uma retirada
total, ou parcial, ao longo de alguns anos, das tropas existentes no
Iraque, um contingente de aproximadamente 140 mil soldados,
que já sofreram baixas de 4 mil. Com isso, o déficit público mensal cairia, o que daria maior valor à moeda americana e liberaria
recursos para esforços de construção doméstica.
Sair da guerra sem manchar a imagem de liderança e de capacidade de combate será outra questão delicada a decidir. Seus
custos não se farão sentir imediatamente. A retirada faz economias no curto prazo. Se bem feita, aumenta economias e eficiências de longo prazo. Se mal feita, atiça e aumenta a coragem dos
inimigos, do terrorismo internacional, e isso pode ter seus custos
para o esquema militar dos EUA.
Para o Congresso dos EUA, o desafio está lançado. E lhe será difícil identificar projetos que gerem fluxos e retornos líquidos positivos
de caixa no longo prazo, que são objeto de financiamento e aplicação imediata no curto prazo – anos 2009-10, e que gastam corretamente o dinheiro em questão de meses.
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Brasil, tão
valorizado e bem recebido pela população brasileira, é um bom
referencial para esse caso. Em 2008, apenas 15% das aplicações
orçadas pelo PAC foram realmente executadas.
Medidas previsíveis
Por uma questão de bom senso, várias medidas ganham a simpatia dos especialistas, por fazerem sentido e serem racionais.
Independentemente da força da crise, para resolver seus problemas internos e dar bases para a formação de uma nova tranqui-
lidade à ordem mundial, as autoridades focalizarão sobre a manutenção de liquidez financeira, para que haja solvência no sistema;
apresentarão mais e claras regras aos mercados financeiros, para
operar-se com menos especulação e criatividade que desemboque
em perdas irrecuperáveis aos aplicadores; incentivarão a liberação
de crédito até certos limites, para que não ocorram mais sobreendividamentos; reforçarão os estímulos fiscais, com o corte das alíquotas de imposto, os subsídios seletivos ao consumo da população
de renda baixa e a liberação de coupons para aumentar o consumo
sobre uma renda maior; e reestruturarão o mercado hipotecário.
Ajudar a indústria automobilística, pelo seu porte, importância,
geração de empregos e resultados de exportação, permanecerá
como atividade de Estado.
Contudo, é de se esperar que as autoridades peçam contrapartidas e resultados a cada liberação adicional de recursos. Isso significa
que a tecnologia e a ciência, nos EUA, serão instigadas e convidadas
a apontar, descobrir e adotar inovações, que deverão ser redutoras
e eficientes em custos.
Dados os montantes envolvidos nas operações de salvação e
modernização, aplica-se o antigo aviso econômico: quanto maiores
forem a quantidade e o valor dos estímulos financeiros, sua qualidade poderá cair inevitavelmente. Será, então, preciso ser seletivo
para que as escolhas públicas confirmem o que as economias liberais disseminaram e provaram na teoria: que a produtividade marginal do capital nas mãos do setor privado é maior do que a produtividade marginal do capital nas mãos do setor público.
De capital importância será reconquistar a confiança das pessoas
e dos empresários na solvência e na rentabilidade dos títulos e dos
fundos que circularão no mercado. Igualmente, tão importante será
determinar quem tem credenciais para administrar fundos, carteiras
de empréstimos e recursos financeiros no ramo da habitação.
Grande parte do mundo simpatiza com Barack Obama, o
homem que estampa no rosto que veio para mudar. Seus 100
primeiros dias serão essenciais para mostrar com qual vigor
e acuidade quererá realmente marcar seu nome na história
mundial; e como será o legado americano neste fim de década,
para todo o século 21. |
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Artigo:
Retrospectiva sem
perspectivas II
Jan/2009
Divulgação
Os dados preliminares permitem fazer uma avaliação do
desempenho do varejo em 2008, que pode ser dividido em
duas fases distintas: de janeiro a setembro, e de outubro a
dezembro, sendo que, mesmo no último trimestre, o comportamento do mercado não foi uniforme. Tomando-se as
consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC),
da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), como um indicador do movimento do varejo em 2008, observa-se um crescimento de 8,3% no período janeiro/setembro, sobre igual
período de 2007, o qual desacelerou para 4,5% em outubro,
1,4 % em novembro, e foi próximo de zero em dezembro.
Se analisarmos os fatores que propiciaram o forte crescimento das vendas do varejo a partir de 2006, pode-se destacar: ampla disponibilidade de crédito, juros menores, embora
ainda elevados, e prazos mais longos de financiamento de
um lado. De outro, aumento do emprego e da renda. Combinou-se queda acentuada no valor das prestações do crediário, mais acentuada em relação a produtos importados
devido ao câmbio, com aumento da massa salarial e melhora
mais forte dos rendimentos das classes de menor renda.
Incorporou-se ao mercado de crédito e de consumo de bens
de maior valor uma imensa legião de novos consumidores.
Foram consultados, nos últimos três anos no SCPC da ACSP,
mais de 20 milhões de CPFs que nunca haviam sido consultados anteriormente. Ao mesmo tempo em que uma nova
massa de consumidores adentrava ao mercado,
beneficiada pela significativa queda do valor das
prestações, as camadas que anteriormente já
tinham acesso ao crédito passaram a um estágio
superior de consumo, o que explica o grande aumento das vendas de veículos, motos e eletrônicos de maior preço.
Esse cenário começou a mudar em outubro
em decorrência da crise internacional, pela paralisação do crédito externo e retração dos financiamentos domésticos, situação que o Banco Central
procurou neutralizar com a redução de depósitos
compulsórios, mas ainda sem sucesso para fazer
irrigar todos os segmentos da economia, além de
que as taxas de juros subiram significativamente
e os prazos encurtaram.
É elevado o grau de incerteza em relação à crise
externa, sua profundidade e desdobramentos e,
sobretudo, seus reflexos sobre o mercado brasileiro, bem como quanto à eficácia das medidas já
adotadas, ou que ainda serão baixadas pelo Banco
Central e pelo governo. Parece claro, no entanto,
que o crédito não terá a mesma taxa de expansão
observada até setembro e que os juros serão mais
elevados e os prazos de financiamentos, mais curtos, tendo
em vista a maior incerteza e aversão ao risco que vêm predominando no mercado financeiro doméstico.
A manutenção do emprego é o grande desafio para
determinar o desempenho da economia em 2009, pois um
aumento do desemprego não apenas afetará o crescimento
como pode desencadear um forte aumento da inadimplência dos consumidores, com impacto sobre a solvência
das empresas.
Outra grande incógnita se refere à evolução da taxa cambial, cuja volatilidade gera insegurança muito grande para
investimentos e, mesmo, para a indústria e o comércio, que
não têm parâmetros para a negociação de preços dos produtos ou componentes importados. Manter o atual patamar da
taxa cambial deverá implicar aumento de preços de muitos
produtos. Quanto à estratégia do governo, de aumentar seus
gastos, sejam de custeio ou investimentos, para procurar
manter o crescimento da economia, esbarra na situação das
contas externas que vêm se deteriorando. Seria necessário
cortar despesas de custeio para aumentar os investimentos
e o consumo privado sem pressionar o câmbio, cuja desvalorização terá impacto negativo na inflação, levando o Bacen a
elevar a taxa de juros.
Com tantas dúvidas, fica difícil apresentar perspectivas
para a economia e para o varejo em 2009, podendo-se, no
entanto, considerar que será
um ano de maiores dificuldades para empresas e cidadãos e, também, para as
finanças dos governos. O
mercado, no entanto, continuará a existir e a oferecer
desafios e oportunidades. |
Marcel Domingos Solimeo,
economista-chefe e
superintendente da
Associação Comercial de
São Paulo
FINANCEIROACREFI
15
Tendência:
A economia brasileira terminou 2008 com uma desaceleração importante na indústria e com uma sinalização de desaceleração também no setor varejista, com situações diferentes,
dependendo do segmento de atuação, pelas características
distintas de cada um.
Assim, diferentemente dos últimos anos, nos quais o varejo
cresceu em média 8,8% ao ano, o dinamismo desse setor já está
sendo afetado e, por consequência, o seu nível de investimento.
Fatores que contribuíram para o resultado do setor estão se revertendo – elevação da massa salarial, melhoria na quantidade e qualidade do emprego e expansão do crédito. Para termos uma ideia
do tamanho dessa reversão, tomemos os dados de crédito consignado para aposentados do INSS do mês de novembro: foram
realizadas 16.365 operações de empréstimos com garantia de
desconto em folha de pagamento, o que representou uma queda
de 72,9% em relação às operações
do mês de outubro. Além da maior
restrição na concessão de novos
créditos, os chamados “novos”
consumidores, responsáveis por
boa parte do crescimento de vendas dos últimos anos, terão dificuldades em quitar os seus débitos e, portanto, renovar/ampliar o
seu crédito, e os consumidores das classes mais altas estão sendo
afetados pela perda do emprego (Gráfico 1), reduzindo, assim, o
potencial de consumo na maioria dos segmentos.
O primeiro indicador da desaceleração do setor aparece
nos dados preliminares das vendas de Natal. Tanto nas lojas
mais populares quanto nos shoppings mais caros, o valor das
compras teve redução entre 5% e 15%, com aumento dos pagamentos à vista, que passaram de uma participação de 30% para
34% do total das vendas, e com ampliação dos descontos nos
preços das mercadorias por parte das lojas. Esse último indicador foi resultado de uma pesquisa realizada pela Federação
do Comércio de São Paulo (Fecomércio) nos dias que antecederam o Natal e já aparece no número de consultas (Gráfico
2). O cartão de crédito ainda foi o meio de pagamento mais
utilizado, mas houve uma queda na sua participação nas vendas totais. Em 2007, ele respondeu por 62% das vendas e, neste
ano, sua participação foi de 59%. Na avaliação da Fecomércio,
esse comportamento do consumidor, de pagar um percentual
maior à vista, deve continuar no primeiro trimestre do ano,
pois o próprio comércio está fomentando o pagamento à vista
com a concessão de descontos. Essa indução está sendo usada
como mecanismo para aumentar a posição de caixa das lojas e
equacionar possíveis problemas de liquidez pela restrição do
crédito e do forte aumento nas taxas de juros com a ampliação
dos spreads pelos bancos. Avaliações qualitativas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), da Serasa e da Associação
Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) indicam que houve
O Varejo em 2009
Jan/2009
16
FINANCEIROACREFI
Tereza Maria Fernandez Dias da Silva,
diretora da MB Associados
1
Geração de empregos – número de pessoas
Quanto maiores o preço do bem e
a necessidade de crédito para sua
comercialização, mais o segmento vai
desacelerar; o de automóveis deve
apresentar um dos piores resultados,
seguido por móveis, eletrodomésticos
e eletroeletrônicos
282.841
61.401
-40.821
-299.918
-352.093
-286.719 -317.493 -319.414
-654.946
dez/03
dez/04
dez/05
dez/06
dez/07
set/08
out/08
nov/08
dez/08
Fonte: Caged. Elaboração: MB Associados.
e a restrição direta na sua concessão, inclusive pelo receio da
inadimplência (no conceito líquido, ou seja, carnês cancelados
menos novos atrasos), que já encerrou o ano com os piores indicadores desde 2003 (Gráfico 3). A possibilidade de que esse número atinja os dois dígitos em maio deste ano é grande.
Assim, na nossa visão, quanto maiores o preço do bem e
a necessidade de crédito para a sua comercialização, mais o
segmento vai desacelerar. Isso significa que o segmento de
automóveis deve apresentar um dos piores resultados do
varejo (as vendas nas concessionárias já caíram em média 25%
nos últimos três meses do ano passado), seguido por móveis,
eletrodomésticos e eletroeletrônicos, com setores como vestuário, calçados e alimentação apresentando desempenhos mais
positivos neste primeiro momento.
Alguns setores têm performance melhor do que outros,
mesmo no segmento de menor valor agregado.
Um setor que se destacou no fim de ano passado e tem
uma expectativa ainda muito positiva no início deste ano é o de
higiene e beleza. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias
de Higiene Pessoal (ABIHPEC), os meses de outubro e novembro
um crescimento de vendas no período do Natal, quando comparado com o ano passado, mas mostram temor para com o
volume de estoques com o qual as lojas encerraram o ano.
O fraco resultado do Natal e a expectativa de desaceleração
nas vendas no início do ano se confirmaram com a antecipação
das liquidações, algumas das quais ocorreram no próprio dia
24 de dezembro. A partir do dia 26, as liquidações se ampliaram, com descontos que variavam entre 30% e 70% sobre o
preço de etiqueta. Essas liquidações se concentraram nos itens
de maior valor, como eletrônicos e eletrodomésticos, mas as
revendas de vestuário também anunciaram liquidações importantes. A intensidade e a duração dessas liquidações servirão
como indicador do nível de estoque do comércio e da velocidade de encomendas do varejo para a indústria. O temor é de
que alguns segmentos tenham dificuldades de acabar com os
estoques nos meses de janeiro e fevereiro.
Contribuem para consolidar esse cenário de desaceleração
nas vendas do comércio as demissões anunciadas desde o fim
do ano passado e a redução do crédito com a elevação dos juros,
diminuição de prazo, exigência de um percentual de entrada
Consultas ao SPC
2
O fraco resultado do Natal e a
expectativa de desaceleração
nas vendas no início do ano se
confirmaram com a antecipação
das liquidações, que se ampliaram,
com descontos entre 30% e 70%
21.8
Cresc. em rel. ao mesmo período do ano anterior (em %)
17.4
8.1
6.2
6.4
16.5
8.1
9.6
7.4
-1.7
-8.7
Fev/08 Mar/08 Abr/08 Mai/08 Jun/08 Jul/08 Ago/08 Set/08 Out/08 Nov/08 Dez/08
Fonte: ACSP. Elaboração: MB Associados
FINANCEIROACREFI
17
Tendência:
apresentaram crescimento de 17%, com o ano
de 2008 fechando 10,4% (em faturamento)
acima do resultado de 2007 (Gráfico 4). Entre os
segmentos do setor, o de maior crescimento é
o de perfumaria, com aumento de 17% no faturamento, seguido de higiene pessoal, com
alta prevista de 13%. A ABIHPEC está otimista
também em relação ao primeiro trimestre do
ano pela mudança de hábito dos consumidores que ocorre no verão, por causa do calor.
Itens como sabonete, xampu, pasta de dente,
desodorante, perfume, entre outros, fazem
com que as empresas aproveitem para investir
em lançamento de produtos. Tem ajudado no
crescimento do setor a ampliação do público
masculino no consumo desses itens, inclusive
de cosméticos. Com essas mudanças, o Brasil
já se tornou o segundo mercado mundial de
produtos de beleza, ficando atrás apenas dos
Estados Unidos. Assim, empresas como O Boticário, Natura e Avon estão, a princípio, mantendo seus investimentos.
4
3
Taxa líquida de inadimplência
20.0%
15.0%
10.0%
5.0%
3.6%
0.0%
-0.6%
-1.8%
-3.4%
-1.9%
-5.0%
Dez/98 Dez/99 Dez/00 Dez/01 Dez/02 Dez/03 Dez/04 Dez/05 Dez/06 Dez/07 Dez/08
Fonte: ACSP. Elaboração: MB Associados
Vendas do setor de higiene e beleza em R$ bilhões (Abihpec)
25,0
21,5
19,5
20,0
17,6
15,4
15,0
13,5
11,5
10,0
5,0
0,0
2003
18
FINANCEIROACREFI
2004
2005
2006
2007
2008
Outros segmentos, por conta da mudança de hábitos do consumidor, ganharam
espaço relativo.
O segmento de e-commerce continua a
crescer forte. O faturamento do setor em 2008
atingiu R$ 8,2 bilhões, o que representa crescimento de 30% em relação a 2007 e 86,7%
em relação a 2006; e as expectativas para
2009 são de crescimento de pelo menos 20%,
superando os R$ 10 bilhões de faturamento.
O baixo grau de penetração do comércio eletrônico nas vendas do varejo (menos do que
5%) justifica esse otimismo do setor.
Em relação aos investimentos mais gerais
do setor de varejo, os números ainda não são
claros, mas com certeza irão desacelerar. Operações de aquisições e fusões poderão ocorrer de forma mais intensa por parte daqueles
que possuem um fluxo de caixa mais robusto.
O Magazine Luiza volta a conversar com a
rede varejista Lojas Maia, do Nordeste, para a
aquisição do seu controle, por exemplo. |
Mercado de crédito:
FGC ajuda instituições
a fomentar operações
de crédito
O Fundo Garantidor de Créditos
(FGC), empresa integrante da rede de
proteção do Sistema Financeiro Nacional
(SFN), ao longo de sua história, tornou-se
um importante instrumento nas liquidações de bancos. Quando do case Banco
Santos, o Banco Central entendeu que o
FGC poderia ser uma boa ferramenta de
ajuda, comprando até 20% de seu patrimônio em direitos creditórios caso houvesse uma corrida de saques.
Como isso não ocorreu, apenas um banco se valeu da nova regra
àquela época. Com a crise de liquidez internacional iniciada em 2008,
a norma passou a ser efetivamente utilizada: foram usados dessa
forma R$ 4 bilhões entre setembro e dezembro do ano passado.
Segundo Antônio Carlos Bueno de Camargo Silva, diretor-executivo do FGC, para garantir recursos para essa operação, os grandes
bancos adiantaram 60 parcelas mensais (R$ 5,3 bilhões). Esse valor se
somou a 20% do patrimônio do fundo (quase R$ 4 bilhões). O estatuto do FGC foi alterado, e esse percentual de 20% cresceu para 50%
(cerca de R$ 9 bilhões).
Assim, em janeiro de 2009, o FGC iniciou um novo programa, com
R$ 9 bilhões para ajudar os bancos que precisam de funding para
novas operações de crédito.
São duas as formas de atuação: ou o Fundo compra letras de
câmbio/CDB de operações desses bancos ocorridas nos últimos 30
dias ou faz com seus recebíveis desse período um FIDC.
Além disso, existe a possibilidade, para instituições sem recursos para abrir novas operações, de fazer um adiantamento para
Antônio Carlos Bueno de Camargo
funding (até 50% do Patrimônio Líquido ajustado por Basileia) em
Silva, diretor-executivo do FGC
tranches de 10% cada uma, de acordo com a capacidade de produção de cada banco (para que haja uma nova etapa, é preciso ter a
carteira performada em até 30 dias).
De 9 a 28 de janeiro deste ano, o FGC liberou limites para 18 instituições, das quais
13 já os utilizavam nesse período. O valor total chegava a R$ 300 milhões, devendo bater
os R$ 3 bilhões no final de março, segundo Camargo Silva. Para ele, “muitas instituições
ainda estão testando o sistema, com valores pequenos ‘para deixar os canais abertos’. Há
também instituições que desalavancaram seus ativos, restringindo operações de crédito
e suspendendo seus negócios, o que as deixou com caixa muito significativo. Ninguém
sabe quanto a crise econômica global vai durar, por isso, todos aumentaram a cautela”. |
FINANCEIROACREFI
19
Novo cenário:
Aquisições em
época de crise
Os fundos de private equity têm sido os compradores
profissionais de empresas. Selecionar bons ativos, comprar
bem, gerar valor e vender caro e no momento certo são os
objetivos desses gestores.
Em 2007, devido a um contexto mundial de grande
liquidez proporcionado pelo crédito barato e pelo excesso
de alavancagem, convivemos com o sonho do IPO na mente
de muitos empresários e com os valores das empresas nas
nuvens. Em 2008, os movimentos de compras privadas
realizados pelos fundos de private equity foram baseados
em preços altos, pois os empresários que venderam ou
capitalizaram suas empresas geralmente exigiram preços
próximos àqueles que seriam obtidos em um IPO. Para as
empresas que já estavam com gestão profissionalizada e
governança corporativa implantadas, a bolsa passou a ser
um caminho mais interessante, pelo menos no curto prazo
e também para aqueles empresários que pretendiam realizar boa parte do seu investimento na abertura de capital.
Em 2008, com uma reversão no cenário econômico
mundial, proporcionada pela grande fuga de capital das
bolsas mundiais, as portas do mercado de capitais se
fecharam, os preços dos ativos começaram a cair e o valuation das novatas na bolsa despencou. Foi nesse momento
que os fundos de private equity começaram a “nadar de
braçada”, fazendo vários investimentos e aquisições por
preços atraentes. Por isso, 2008 foi o ano do private equity e,
certamente, continuaremos vivendo essa fase de força da
ponta compradora durante 2009. Estima-se que 20% das
transações de fusões e aquisições em 2008 ocorreram com
o chamado capital empreendedor.
Nos últimos 12 meses, por coincidência ou não, três das
cinco transações que assessoramos foram realizadas com
fundos: MT Alimentos Naturais, adquirida por Investidores
de um Fundo; Santal Máquinas e Equipamentos recebeu
investimentos da BRZ Investimentos; Grupo Quero-Quero
vendeu controle acionário para a Advent International; e
SFIL, que foi vendida para a AGCO. A quinta transação foi
uma compra de participação acionária feita pela família
Rotta na Granja Real.
Entretanto, com o derretimento do valor de mercado
de muitas novatas na bolsa, muito mais pela falta de liqui-
20
FINANCEIROACREFI
Jan/2009
dez do que pela deterioração dos fundamentos – incluindo
empresas sólidas e geradoras de caixa –, várias empresas
passaram a valer o quanto possuíam no caixa ou menos
do que o seu valor patrimonial, ou até menos do que uma
vez o Ebitda anual. Esse choque fez com que todos os empresários apertassem os cintos para atravessar a turbulência e, consequentemente, planos de investimentos mais
ousados, incluindo aquisições de outros players, fossem
parar na geladeira. Alguns conselheiros e presidentes dessas empresas, quando na posição de compra, se perguntavam: “como posso comprar uma empresa por três a cinco
vezes o Ebitda, se eu valho muito menos do que isso?” Em
alguns casos, um movimento de recompra de ações seria
mais lucrativo se não implicasse uma redução significativa
da liquidez das ações ou um free float abaixo de 25% – no
caso, um problema para as companhias listadas no Novo
Mercado, que estão sujeitas a esse pré-requisito.
Ao contrário do que se pode imaginar, com o derretimento dos preços das ações, os fundos de private equity
não farão tantas aquisições por preços baixos. A razão é
simples: os empreendedores em situação financeira confortável podem esperar que os preços voltem a subir e não
precisam vender ou capitalizar suas empresas por múltiplos muito baixos ou simplesmente pelo valor patrimonial.
O campo de batalha está desenhado: de um lado, estão
os fundos de private equity, ávidos por boas compras; do
outro, empresários necessitando de capital para não interromper seus planos de expansão. A luta tem como objetivo encontrar um ponto de equilíbrio entre o preço que o
investidor gostaria de pagar, considerando os parâmetros
de valuation atuais, e o preço que o empresário julga que
a sua companhia vale, independentemente da crise atual.
Sejam para as empresas sejam para os fundos, seguem
algumas dicas que poderão fazer o mercado de compras
de empresas esquentar:
1 Seja seletivo nas aquisições, mas lembre-se: o mundo
não parou e nem vai acabar.
2 Avalie as empresas-alvo com base no fluxo de caixa e
não se importe tanto com os múltiplos e com os preços
atuais. Calcule um custo de capital realista. Em mercados
instáveis, os fundamentos valem mais.
3 Identifique modelos de negócios que sejam verdadeiras
teses de investimento. A capitalização das empresas por fundos, em vez de uma venda, pode reduzir o impasse do preço
da empresa e resolver problemas de caixa e a necessidade
de investimentos.
4 Seja criativo na estrutura de definição de valor, com cláusulas de earn-out (valor adicional a ser pago dependendo da
performance da empresa) ou com aquisição de parcelas do
capital das empresas em etapas, conforme a necessidade de
caixa destas. Se necessário, compre partes do capital das empresas e tenha opções de compras das parcelas remanescentes
num futuro predefinido.
5 Saiba o que fazer se os planos não derem certo. Ou seja,
ter um plano B é fundamental. Quanto maior a instabilidade
econômica, mais importante é ter uma estratégia robusta, que
dará relativamente certo em qualquer cenário de probabilidade razoável. Como esse tipo de estratégia raramente é otimizado para qualquer dos cenários, é importante dotá-la de
elementos de flexibilidade que permitam adaptar facilmente o
rumo quando a situação econômica se definir.
6 Não ponha de lado a estratégia por temores irracionais, mas
também compare qual pode ser o retorno financeiro de investimentos oportunistas. Em outras palavras: “compro empresas
de capital fechado com preços mais razoáveis do que os de
bolsa ou invisto em pechinchas da bolsa?”
O discurso de alguns fundos, no sentido de que somente
vão investir em empresas com base em seus valores patrimoniais ou em um múltiplo muito baixo de Ebitda, pode ser verdadeiro se existirem muitas opções de empresas à venda ou
de ações de companhias de capital aberto. Entretanto, se os
fundos forem obrigados a investir em companhias de capital
fechado, como é a maioria dos casos, estes não têm por que
olhar apenas para os preços das companhias de capital aberto,
até porque esse parâmetro de preço para os fundos será importante apenas no momento da saída e não no da entrada. O
mercado é outro! Ressalte-se que, se os fundos não investirem,
ficarão com os recursos parados no banco.
Os fundos de private equity astutos saberão identificar boas
1
oportunidades e não deixarão de fazer negócios porque os
preços das companhias de capital aberto estão baixos. Por isso,
ganhará força uma nova modalidade de aquisição: companhias
de capital aberto serão compradas ou investidas por fundos.
As empresas, especialmente as de capital fechado, que
querem obter preços aceitáveis neste momento deverão se
preparar e se apresentar aos fundos e compradores estratégicos de uma maneira mais apropriada, ou seja:
1 Auditoria e governança corporativa diferenciada são
fundamentais.
2 Manter a continuidade da gestão após a aquisição pode
ser imprescindível quando o investidor é de fora do setor, mas
pode ser pouco desejável para o vendedor que quer se ver livre
da empresa.
3 Entregar aos compradores e investidores, em um momento
avançado das negociações, a tese de investimento, isto é, um
projeto que justifique o investimento, descrevendo com clareza o plano de negócios (o que será feito com os recursos
aportados, como será feito o investimento, quais os resultados esperados, riscos contemplados, forma de saída futura
do investidor etc.). O valor futuro para o investidor é uma promessa, uma expectativa baseada na tese, que, se posta em prática, deverá gerar um retorno extraordinariamente alto.
4 Quanto mais a empresa se mostrar diferenciada e com
potencial para ser uma plataforma – a base de crescimento do
investidor no setor para realizar outros investimentos e aquisições –, melhores serão as chances de sucesso na obtenção
de capital e de bons valores na negociação, mesmo em momentos de crise.
Comprar e vender empresas não é uma tarefa fácil. Em épocas de crise, menos ainda. Dessa forma, a criatividade será fundamental a partir de agora. Os fundos que não forem imediatistas
farão ótimas aquisições. Empresários que criarem plataformas
e que vislumbrarem teses de investimento também. Valuations
realistas, planos de negócios consistentes e bem apresentados
podem ser fundamentais para a realização de transações. Crises
financeiras sempre geraram excelentes oportunidades. |
(Revista Capital Aberto, dezembro de 2008)
2
3
1| Rodrigo Pasin, da Value Consultoria;
2| Roy Martelanc, da FEA-USP e FIA; e
3| Yves Jadoul, da Value Consultoria
FINANCEIROACREFI
21
Artigo:
O que esperar do
investimento em 2009
Jan/2009
Bráulio Borges, economista-chefe da LCA
Dentre os componentes do Produto Interno Bruto (PIB) sob
a ótica da demanda, certamente aquele cuja evolução mais
se destacou nos últimos anos foi o investimento (ou a Formação Bruta de Capital Fixo – a FBCF). O crescimento acumulado
entre 2004 e 2008 deve ter alcançado expressivos 61,5% (ou
10,1% ao ano, em média) ante 26,4% (ou 4,8% a.a.) do PIB como
um todo (já considerando as estimativas da LCA de altas de
5,5% do PIB e de 14,7% da FBCF em 2008). A última vez em que
se havia observado um ciclo de investimentos na economia
brasileira semelhante ao de 2004-2008, tanto em termos de
duração como em intensidade, foi em 1973-1977, período em
que a expansão da FBCF alcançou 59,1% (ou 9,7% a.a.), sob a
égide do segundo Plano Nacional de Desenvolvimento (o 2º
PND, entre 1974 e 1979).
Assim, como resultado da forte dinâmica das inversões nos
últimos anos, a taxa de investimento – isto é, a razão entre a
FBCF e o PIB – mostrou sensível elevação, passando de 14,9%
no quarto trimestre de 2003 para 20,4% do PIB no terceiro trimestre de 2008. Foi a maior leitura já registrada na nova série
das contas nacionais trimestrais, iniciada em 1995. Na prática,
esse acréscimo de 5,5 pontos percentuais na taxa de investimento implicou uma expansão substancial da capacidade de
crescimento não-inflacionário da economia brasileira: nossas
estimativas apontam que o ritmo de expansão do PIB potencial
passou de cerca de 3% em 2003 para quase 5% em 2008 (Gráfico 1). Ou seja, hoje o País já está preparado para crescer em
torno de 5% ao ano de maneira sustentável, sem gerar desequilíbrios inflacionários e/ou de balanço de pagamentos. Para
que isso se mantenha no médio e longo prazos, é necessário,
pelo menos, manter a taxa de investimento estabilizada no
nível que já foi alcançado.
Mas, como é amplamente sabido pelo leitor, a conjuntura
macroeconômica internacional que ajudou a construir esse
quadro bastante favorável para o investimento produtivo no
Brasil sofreu uma forte inflexão a partir de meados de setembro do ano passado, quando a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers gerou um efeito cascata fortemente
desestabilizador sobre o sistema financeiro mundial que, por
sua vez, dilapidou a confiança tanto de empresários como
de consumidores e jogou o mundo desenvolvido (particularmente os EUA, a maior economia do mundo) na mais profunda
22
FINANCEIROACREFI
recessão observada em muitas décadas. Apesar dos incríveis
e inéditos esforços das autoridades econômicas mundo afora
para estancar o sangramento, uma recuperação mais consistente deverá ficar somente para a segunda metade de 2009,
em uma visão mais otimista, ou apenas no final de 2010, numa
avaliação mais pessimista.
Nesse contexto e reconhecendo que o investimento é
o componente mais volátil do PIB, o que se pode esperar do
desempenho da Formação Bruta de Capital Fixo no Brasil em
2009? A dispersão de projeções é bastante elevada, indo desde
expectativas de queda de quase 9% até mesmo a altas superiores a 10%, segundo o levantamento Latin American Consensus
Forecasts (edição de dezembro). A mediana das projeções é de
uma alta de 2,4%, desempenho substancialmente mais fraco
do que os 14,7% estimados pela LCA para a expansão da FBCF
no ano passado. Nossa expectativa para 2009 – alta de 3,7% –
é um pouco mais otimista do que a mediana dos analistas do
mercado, mas um pouco mais pessimista do que a projeção
apresentada pelo Banco Central (Bacen) – expansão de 4,4% –
no último Relatório de Inflação (de dezembro).
Com o intuito de prover alguma luz a esse respeito, é sempre interessante recorrer, na medida do possível, ao acompanhamento de indicadores antecedentes. Nesse sentido, a
confiança dos empresários sinaliza claramente para uma forte
freada da FBCF no primeiro semestre de 2009 (Gráfico 2).
Não obstante, outro indicador antecedente – as aprovações de projetos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES), isto é, projetos que já foram aprovados e que aguardam apenas o desembolso dos recursos pelo
banco – aponta para um quadro oposto, sinalizando um ano
de 2009 tão bom para o investimento como foi 2008 (Gráfico
3). Obviamente, as decisões de investimento que estão por trás
dessas aprovações refletem perspectivas formadas pelas empresas antes de a crise tomar as dimensões que tomou no fim
de 2008. Muitas empresas certamente deverão postergar os
cronogramas de investimento e algumas até mesmo cancelar
as inversões anteriormente planejadas. Mas parece ser pouco
provável que o “colchão” de aprovações feitas pelo BNDES ao
longo de 2008 não gere algum efeito importante de sustentação do investimento neste ano de 2009.
O que podemos concluir a partir desses dois indicadores?
1
Crescimento potencial do PIB
6,0
Como aconteceu em 2006, 2007
e 2008, a evolução da FBCF pode
surpreender favoravelmente muitos
analistas, aumentando ainda
mais a capacidade de crescimento
não-inflacionário.
Var. % anual. Estimativas: LCA.
5,0
5,0
4,4
3,8
4,0
3,3
3,3
3,0
2,9
3,0
3,2
2,6
2,1
2,0
1,9
2,2
2,2
2,3
1,0
0,0
1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008
Confiança dos empresários vs FBCF
2
20
125
FBCF, v ar. % em 4 trimestres (eixo esq.)
ICI, índice 'adiantado' em 2 trimestres (eixo dir.)
15
120
115
110
10
105
5
100
95
0
90
85
-5
80
75
4T96
2T97
4T97
2T98
4T98
2T99
4T99
2T00
4T00
2T01
4T01
2T02
4T02
2T03
4T03
2T04
4T04
2T05
4T05
2T06
4T06
2T07
4T07
2T08
4T08
2T09
-10
Fontes: FGV e IBGE. Elaboração: LCA
3
Aprovações de projetos pelo BNDES vs FBCF
140
120
Aprov ações pelo BNDES 'adiantadas' em 1 ano, em
R$ bilhões constantes de nov /08 (eixo esq.)
126,1
FBCF, v ar. % anual (eixo dir.)
16
14
108,5
12
100
84,6
10
80
60
8
64,2
59,2
6
49,5
40
4
20
2
2004
2005
2006
Fontes: BNDES, FGV e IBGE. Elaboração: LCA
2007
2008
2009
Uma avaliação possível é que, de fato, no
curto prazo (isto é, no primeiro trimestre
e mesmo ainda no segundo trimestre de
2009), o investimento deverá fraquejar de
maneira relevante. Isso, aliás, já deve ter
ocorrido no quarto trimestre de 2008: nossa
estimativa aponta que, naquele período, a
FBCF deve ter recuado 6,5% sobre o terceiro
trimestre, em bases dessazonalizadas – a
maior queda desde o segundo trimestre de
2003, quebrando uma sequência de nove
trimestres consecutivos de expansão marginal (de 4% por trimestre, em média).
Mas a recuperação do investimento pode
ser mais rápida e intensa do que muitos analistas esperam, já que: i) como destacamos,
ele é o componente mais volátil do PIB; assim,
da mesma maneira que ele costuma cair mais
rápido, sua retomada também é mais expressiva; e ii) a taxa de juros básica fixada pelo
Bacen deverá ter queda significativa já no primeiro semestre de 2009 (de cerca de 2 pontos percentuais, podendo ser ainda maior),
contribuindo, dentre outras coisas, para um
restabelecimento da confiança empresarial
com relação à situação prospectiva dos seus
negócios. Assim, tal como aconteceu em
2006, em 2007 e em 2008, a evolução da FBCF
em 2009 pode surpreender favoravelmente
muitos analistas, aumentando ainda mais a
capacidade de crescimento não-inflacionário
de nossa economia. |
FINANCEIROACREFI
23
Artigo:
A exigência de registro do contrato de
alienação fiduciária de veículos nos
Cartórios de Títulos e Documentos
Os sortilégios e a controvertida mística do clérigo russo
Rasputin, se convertidos para as letras jurídicas, certamente criariam um mosaico de passes de ilusionismo retórico, malabarismos literários, circunlóquios e piruetas verbais que favoreceriam a interpretação equivocada que atualmente tem corrompido a essência da norma contida no
§1º do art. 1.361 do Código Civil. Ao prever que a propriedade fiduciária constitui-se com o registro do contrato no
Registro de Títulos e Documentos do domicílio do devedor
ou, em se tratando de veículos, na repartição competente
para o licenciamento, o normativo referido evidenciou que
o registro haverá de ser realizado num ou noutro e não
num e noutro órgão, ressaltando a aplicação do disjuntivo
e não do conectivo, lógica esta que fora reiterada expressamente pelo art. 27 da recém-aprovada Lei 11.795/2008 –
Lei de Consórcios, cujo termo inicial de vigência será 6 de
fevereiro de 2009.
Em outras palavras, o registro dos contratos de alienação em garantia de veículos na repartição competente para
o licenciamento torna despiciendo qualquer outro registro.
Todavia, embora simples a interpretação da norma, é certo
que a hipertrofia do mercado brasileiro de automotores
robustece a tentativa de subverter a essência da lei, uma
vez que mais de dois terços do total de veículos emplacados este ano foram adquiridos mediante financiamento,
via de regra, garantido pelo negócio fiduciário acessório
que teve como objeto, por meio de condição resolutiva, a
transitória alienação do próprio veículo pelo consumidor
adquirente – devedor fiduciante – à instituição que financiou sua aquisição – credora fiduciária – até quitação das
prestações e consequente liquidação do contrato.
Sob o argumento de que a disjunção, que enaltece a
necessidade de registro do contrato de alienação fiduciária de veículos apenas na repartição competente para o
licenciamento, decorre de singelo erro de redação do §1º
do art. 1.361 do Código Civil (que utilizou “ou” e não “e”
como ensejado pelos que esposam este entendimento),
expedem-se aqui e acolá normativos em que se entrevê
a arbitrariedade das próprias razões de seus conceptores,
24
FINANCEIROACREFI
Jan/2009
que passam ao largo da complexidade do processo legislativo que culminou com a promulgação do monumento
que é o Código Civil brasileiro e, talvez em razão disso,
enveredem caminhos transversos para retocar o que entendem corrompido.
Vale ressaltar que, esposando o mesmo propósito de
corrigir a redação do §1º do art. 1.361 do Código Civil,
foram apresentados, pelo à época deputado Ricardo Fiúza,
os Projetos de Lei 6.960/2002 e 7.312/2002, que, tendo
recebido parecer desfavorável do então deputado Luiz
Antonio Fleury Filho, foram arquivados. Afora os referidos, há outros inspirados pela mesma ordem de idéias, tal
qual o Projeto 3.351/2004 e o 309/2007, que, à míngua de
uma engenharia argumentativa mais bem sedimentada,
seguem reproduzindo o notadamente combalido mantra
do erro de redação.
Sem olvidar a inteligência e a interpretação sistêmica a
que se submete o art. 236 da Constituição Federal, ao conjugar o texto do §1º do art. 1.361 do Código Civil com as disposições dos arts. 127 a 131 da Lei de Registros Públicos (Lei
6.015/73), que versam especificamente sobre as atribuições
do Registro de Títulos e Documentos, conclui-se que o
Código Civil, ao estabelecer no ano de 2002 que é bastante
o registro do contrato de alienação fiduciária de veículos
na repartição competente para o licenciamento, revogou
tacitamente a previsão contrária que, em vigor desde 1973,
disciplinou o regime dos serviços concernentes aos registros públicos. Na mesma linha de entendimento, o Superior
Tribunal Federal (STF), na decisão unânime proferida na
ADI nº 2.150-8, considerou constitucional o registro da alienação fiduciária de veículos diretamente nas repartições
de trânsito, dispensada a atuação dos cartórios.
Integrando o arcabouço interpretativo que destoa
totalmente do que está previsto de forma expressa no
Código Civil, tem-se também a alegação de que o registro
do contrato de alienação fiduciária de veículos nos Cartórios de Títulos e Documentos tem o condão de reduzir o
potencial de fraudes na expedição do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículos (CRLV), uma vez que tais
A maioria dos que esposavam a tese da
obrigatoriedade dos registros dos contratos
em cartório sucumbiu diante de decisões
judiciais que retiraram a eficácia dos
normativos expedidos
inconsistências são atribuídas à falta de estrutura dos Detrans
para prestar tal serviço e dar publicidade ao ato. Sobre a
suposta segurança dos procedimentos de registro, vale trazer à lembrança o voto proferido pelo ministro do Superior
Tribunal de Justiça, Athos Gusmão Carneiro, no julgamento
do Recurso Especial nº 1.774-0/SP, que concluiu que “(...) a
publicidade que o Registro de Títulos e Documentos proporciona não supera os limites da ficção, pela quase impossibilidade total que terceiros têm na consulta a esses registros,
para verificar a situação do bem (...)”.
Suplantando os erros dessa dinâmica, a maioria dos que
esposavam a tese da obrigatoriedade dos registros dos contratos em cartório sucumbiu diante de decisões judiciais que
retiraram, liminarmente ou no mérito, a eficácia dos normativos expedidos em desconformidade com o que preceitua o
§1º do art. 1.361 do Código Civil.
Atualmente, como expressão natural da racionalidade
que inspira o contínuo aprimoramento da interpretação das
normas, é de concluir-se que a atecnia da exigência do duplo
registro continuará sendo paulatinamente apagada e, certamente, a última sonata dos poucos que ainda insistem nessa
ilegalidade está num porvir muito próximo, como ocorre na
clássica Sinfonia dos Adeuses, de Haydn, em que cada músico,
quando termina sua partitura, apaga a vela que ilumina seu
atril e simplesmente vai embora.
N .da R. Em 2 de novembro passado, foi aprovado no
Congresso Nacional o texto da Medida Provisória 442, a
ser convertida em lei, a qual incluiu disposição expressa
que afasta a necessidade de registro cartorário os contratos com garantia de alienação fiduciária, como segue:
(...) “Art. 6º Em operação de arrendamento mercantil ou
qualquer outra modalidade de crédito ou financiamento a
anotação da alienação fiduciária de veículo automotor no
certificado de registro a que se refere a Lei nº 9.503, de 23 de
setembro de 1997, produz plenos efeitos probatórios contra
terceiros, dispensado qualquer outro registro público.
§ 1º Consideram-se nulos quaisquer convênios celebrados entre entidades de títulos e registros públicos e as repartições de trânsito competentes para o licenciamento de veículos, bem como portarias e outros atos normativos por elas
editados, que disponham de modo contrário ao disposto no
caput deste artigo.
§ 2º O descumprimento do disposto neste artigo sujeita
as entidades e as pessoas de que tratam, respectivamente, as
Leis nºs 6.015, de 31 de dezembro de 1973, e 8.935, de 18 de
novembro de 1994, ao disposto no art. 56 e seguintes da Lei nº
8.078, de 11 de setembro de 1990, e às penalidades previstas
no art. 32 da Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994.” (...) |
Foi aprovado no Congresso Nacional o texto
da Medida Provisória 442, a qual incluiu
disposição expressa que afasta a necessidade
de registro cartorário
Glauber Moreno Talavera, professor das
Faculdades Metropolitanas Unidas
FINANCEIROACREFI
25
Projeções:
O ano de 2009 se inicia marcado por incertezas referentes ao
real impacto da crise financeira mundial na economia brasileira.
Por toda parte está explícito o receio de que nossa economia, que
se mostrou forte e madura nos últimos anos, sofra demasiadamente com os reflexos da crise que assola as principais economias
do mundo. Leiam-se Estados Unidos, França, Alemanha, Reino
Unido, Japão, entre outros.
Uma possível retração do crédito, e o que isso significaria para
nossa economia, é uma das principais preocupações no momento,
que é justificada pelo importante papel que sua expansão exerceu no
crescimento da economia brasileira nos últimos anos1. Essa expansão
é evidente. O crédito pessoal cresceu 42% tanto em 2004 quanto em
2005, 22% em 2006 e 24% em 2007, o que representa um crescimento
de 230% em apenas quatro anos. A expansão do crédito destinado à
aquisição de bens também chama a atenção: 21% em 2004, 28% em
2005, 17% em 2006 e 21% em 2007. No total
agregado dos quatro anos, crescimento de
161%. Esse forte crescimento foi responsável por impulsionar a demanda interna.
Em 2008, a venda de veículos atingiu sua
maior marca histórica anual, apresentando
crescimento de 14% em relação a 2007. O
comércio varejista vem crescendo desde
2003, e o ano de 2008 já apresentou média
mensal de vendas superior à de 2007, apesar de os dados de dezembro não estarem
ainda disponíveis.
Sendo assim, existe o receio de que os
efeitos da crise financeira mundial sejam capazes de atingir a economia brasileira, e a concessão de crédito sofra consequências negativas no curto prazo, prejudicando o desempenho econômico de
nosso País. A desaceleração do crédito se justificaria por uma maior
precaução dos principais agentes do sistema financeiro nacional na
concessão de crédito e por um aumento da aversão ao risco, ocasionado pelas incertezas relacionadas à própria crise econômica.
A concessão de crédito já apresenta, desde outubro, tímida retração em seu crescimento. Ao analisar os dados referentes ao mês de
novembro, alguns pontos chamam a atenção, entre eles os valores
referentes à aquisição de bens, que apresentou variação negativa de
1,3 ponto percentual em relação a outubro, completando o quarto
mês consecutivo de retração. Já os valores destinados à aquisição
de veículos devem apresentar redução em 2008, quando comparado com os valores referentes ao ano de 2007, segundo dados que
devem ser divulgados brevemente. Caso isso se concretize, será fato
inédito nesta década. Em 2007, o crescimento dessa categoria de
crédito foi de 26%.
Apesar do impacto da crise financeira mundial na concessão de
crédito no Brasil, alguns pontos referentes ao nosso sistema financeiro
e ao crescimento do crédito nos últimos anos merecem destaque.
Primeiramente, nossas instituições financeiras trabalham com
A crise
econômica e
as operações
de crédito
Jan/2009
26
FINANCEIROACREFI
Alberto Borges Matias, presidente
do Inepad
Colaborou para o desenvolvimento
deste artigo Guilherme Ralisch,
analista financeiro do Inepad
CHINELATO NETO, Armando, D.Sc., Universidade Federal de Viçosa, dezembro
de 2007. Relações entre crédito e crescimento econômico no Brasil, 2000 a 2006.
níveis de alavancagem financeira considerados baixos.
1 Evolução do crédito
Estudo realizado pela Serasa apontou que os grandes bancos brasileiros apresentam, em média, níveis de operações
Inepad & BC
R$ milhões
de crédito 3,2 vezes maior do que seus respectivos patri120.000
mônios líquidos. Nos considerados bancos médios, essa
100.000
taxa é de 2,8 vezes. Por sua vez, os famosos bancos ame80.000
ricanos Merrill Lynch, Lehman Brothers e Goldman Sachs
60.000
apresentavam taxas de alavancagem financeira entre 24 e
40.000
31 vezes seu patrimônio líquido.
20.000
0
Outro fator de extrema importância é o modo como o
5
5
6
6
7
5
7
8
6
8
8
r/0 jul/0 ov/0 ar/0 jul/0 ov/0 ar/0 jul/0 v/07 ar/0 jul/0 ov/0
crédito cresceu em nosso País nos últimos anos. Esse cresn
n
n
ma
m
m
no m
cimento, evidenciado no início do texto, se deu de forma
Leasing
Crédito consignado
consciente e segura, como uma das formas de impulsionar
a economia de nosso País. O controle inflacionário exerceu
A principal vantagem do crédito consignado em folha de pagapapel fundamental nesse sentido, ao criar condições para que a
mento é seu custo, muito menor do que o oferecido por outras
concessão de crédito fosse capaz de apresentar uma expansão
formas de crédito destinado a pessoas físicas. No mês de nosustentável. Interessante notar que essa expansão do crédito
vembro, o crédito consignado teve custo médio em torno de
não esteve relacionada a um relaxamento dos critérios utilizados
50% mais barato do que as outras formas de crédito pessoal.
em sua concessão, fato que pode ser comprovado pelos níveis
A elevação das taxas de juros, natural em um momento de inssaudáveis de inadimplência e insolvência verificados no período,
tabilidade econômica e de receio das agências concessoras de
conforme dados do Banco Central (Bacen).
crédito, abre espaço para que o crédito consignado em folha de
A expansão da base de crédito também está relacionada
pagamento mantenha seu ritmo de crescimento.
ao fato de que, nos últimos anos, o mercado passou a explorar
Apesar do grande aumento presenciado nos últimos anos,
novas categorias de financiamento, com destaque especial para
a concessão de crédito no Brasil ainda pode ser considerada
o leasing e para o crédito consignado. Ambas apresentaram elebaixa, se comparada com valores de outros países. Em novado crescimento nos últimos anos. O leasing cresceu mais de
vembro de 2008, o saldo total de crédito atingiu 41% do Produto
600% nos últimos cinco anos, conforme explicitado por Rafael
Interno Bruto (PIB) brasileiro, registrando seu maior valor históCardoso na última edição desta revista (ed. 55). Até outubro, o
rico. Países desenvolvidos, tais como Estados Unidos, Japão e
saldo Valor Presente em Carteira apresentava crescimento de
Reino Unido, apresentam taxas acima de 100%, inclusive países
62% em 2008. Vale destacar também a grande utilização do
emergentes, como México e Chile, apresentam índices maiores
leasing na aquisição de veículos, sendo que, atualmente, este já
do que o do Brasil. Esses números mostram que a concessão de
representa 40% de todo financiamento utilizado para compra
crédito em nosso País ainda encontra muito espaço para crescide veículos. O crescimento do crédito consignado em folha de
mento, o que deve ser verificado nos próximos anos.
pagamento também é expressivo nos últimos anos: 77% em
É natural e compreensível que o crédito sofra consequências
2004, 71% em 2005, 45% em 2006 e 30% em 2007, atingindo
negativas no curto prazo, causadas principalmente pela insta567% de crescimento de janeiro de 2004 a dezembro de 2007.
bilidade financeira que abala as principais economias mundiais.
Apesar disso, a expectativa para 2009 ainda é positiva: os índices
de inflação estão sob controle, já que, segundo o Banco Cen2 Relação Crédito/PIB
tral, a expectativa do mercado é de que o Índice de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA) feche 2009 em torno de 5% (a meta
Inepad & BC
R$ bilhões
estipulada pelo Bacen é de 4,5%), a taxa básica de juros deve
1.400
45.00
permanecer no mesmo patamar durante o ano que se inicia
1.200
40.00
1.000
35.00
e as políticas governamentais devem favorecer a concessão
800
30.00
de crédito, visto o impacto recente que este exerceu sobre o
600
35.00
crescimento econômico brasileiro. Não podemos nos esque400
30.00
200
15.00
cer de que os números mostram que o recente crescimento
0
10.00
do crédito aconteceu de forma natural e sustentável, criando
4
6
8
4
6
8
/05
/07
r/0
r/0
r/0
v/0
v/0
v/0
jul
jul
no
no
no
ma
ma
ma
condições para que sua expansão continue, mesmo que em
proporções mais modestas, durante o ano de 2009. |
Saldo de Crédito
Saldo de Crédito/PIB
FINANCEIROACREFI
27
Banco de dados: por Inepad
Taxas Médias : Geral
DATA
Aplicações % a.a.
Var. p.p.
Captações % a.a.
Var. p.p.
Spread % p.p.
Var. p.p.
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
33,8
37,3
37,4
37,6
37,4
37,6
38,0
39,4
40,1
40,4
43,0
44,0
43,2
-0,9
3,5
0,1
0,2
-0,2
0,2
0,4
1,4
0,7
0,3
2,6
1,0
-0,8
11,5
11,6
11,4
12,2
12,4
13,1
13,5
13,8
13,9
14,0
14,5
13,9
12,6
0,3
0,1
-0,2
0,8
0,2
0,7
0,4
0,3
0,1
0,1
0,5
-0,6
-1,3
22,3
25,7
26,0
25,4
25,0
24,5
24,5
25,6
26,2
26,4
28,5
30,1
30,6
-1,2
3,4
0,3
-0,6
-0,4
-0,5
0,0
1,1
0,6
0,2
2,1
1,6
0,5
Variação Dez-Dez
9,4
1,1
8,3
>> Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
Taxas Médias : Pessoa Física
DATA
Aplicações % a.a.
Var. p.p.
Captações % a.a.
Var. p.p.
Spread % p.p.
Var. p.p.
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
43,9
48,8
49,0
47,8
47,7
47,4
49,1
51,4
52,1
53,1
54,8
58,2
58,0
-0,9
4,9
0,2
-1,2
-0,1
-0,3
1,7
2,3
0,7
1,0
1,7
3,4
-0,2
12,0
12,2
12,1
12,5
13,1
13,9
14,4
14,8
14,5
14,5
15,1
15,1
12,9
0,5
0,2
-0,1
0,4
0,6
0,8
0,5
0,4
-0,3
0,0
0,6
0,0
-2,2
31,9
36,6
36,9
35,3
34,6
33,5
34,7
36,6
37,6
38,6
39,7
43,1
45,1
-1,4
4,7
0,3
-1,6
-0,7
-1,1
1,2
1,9
1,0
1,0
1,1
3,4
2,0
Variação Dez-Dez
14,1
0,9
13,2
>> Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
Taxas Médias : Pessoa Jurídica
DATA
Aplicações % a.a.
Var. p.p.
Captações % a.a.
Var. p.p.
Spread % p.p.
Var. p.p.
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
22,9
24,7
24,8
26,5
26,3
26,9
26,6
27,5
28,3
28,3
31,8
31,3
30,7
-0,9
4,9
0,2
-1,2
-0,1
-0,3
1,7
2,3
0,7
1,0
1,7
3,4
-0,2
11,0
11,0
10,7
11,8
11,9
12,4
12,7
13,0
13,4
13,6
14,1
13,0
12,4
0,0
0,0
-0,3
1,1
0,1
0,5
0,3
0,3
0,4
0,2
0,5
-1,1
-0,6
11,9
13,7
14,1
14,7
14,4
14,5
13,9
14,5
14,9
14,7
17,7
18,3
18,3
-0,4
1,8
0,4
0,6
-0,3
0,1
-0,6
0,6
0,4
-0,2
3,0
0,6
0,0
Variação Dez-Dez
7,8
>> Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
28
FINANCEIROACREFI
1,4
6,4
Spread Financeiro
Crédito Pessoa Física
50,0
Volum e
R$ Milhões
45,0
130.000
40,0
120.000
35,0
Taxa de
Juros
62,00
60,00
58,00
56,00
54,00
52,00
50,00
48,00
46,00
44,00
110.000
A plic ação
Capt ação
V o l ume
dez/08
out/08
nov/08
set/08
ago/08
jul/08
jun/08
mai/08
abr/08
fev/08
dez/07
dez/08
nov/08
out/08
set/08
ago/08
jul/08
jun/08
mai/08
60.000
abr/08
10,0
mar/08
70.000
fev/08
80.000
15,0
jan/08
90.000
20,0
dez/07
25,0
mar/08
100.000
SPREAD
FINANCEIRO
jan/08
30,0
T ax a d e J ur o s
>> Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
Volume de Operações de Crédito : Pessoa Física - Prefixados - Recursos Livres (R$ Milhões)
MÊS / ANO
CHEQUE
ESPECIAL
VARIAÇÃO
EM %
CRÉDITO
PESSOAL
VARIAÇÃO
EM %
FINANCIAMENTO
IMOBILIÁRIO
VARIAÇÃO
EM %
CARTÃO DE
CRÉDITO
VARIAÇÃO
EM %
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
12.937
14.061
14.786
15.059
15.469
15.521
15.659
15.457
15.400
15.803
17.081
16.640
16.006
-10,2%
8,7%
5,2%
1,8%
2,7%
0,3%
0,9%
-1,3%
-0,4%
2,6%
8,1%
-2,6%
-3,8%
99.884
102.317
106.702
108.860
111.616
114.176
115.214
117.157
118.782
120.697
123.849
124.689
124.179
0,1%
2,4%
4,3%
2,0%
2,5%
2,3%
0,9%
1,7%
1,4%
1,6%
2,6%
0,7%
-0,4%
349
361
378
393
422
440
466
482
508
540
575
597
619
5,7%
3,5%
4,6%
3,9%
7,4%
4,3%
5,8%
3,4%
5,3%
6,5%
6,4%
3,7%
3,8%
17.275
17.844
18.533
18.910
19.566
19.930
20.245
20.442
20.807
21.161
21.842
22.723
23.031
-1,9%
3,3%
3,9%
2,0%
3,5%
1,9%
1,6%
1,0%
1,8%
1,7%
3,2%
4,0%
1,4%
>> Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
Volume de Operações de Crédito : Pessoa Física
Prefixados/continuação - Recursos Livres (R$ Milhões)
AQUISIÇÃO
MÊS / ANO
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
VEÍCULOS
VARIAÇÃO
EM %
OUTROS
VARIAÇÃO
EM %
TOTAL
VARIAÇÃO
EM %
OUTROS
VARIAÇÃO
EM %
TOTAL
VARIAÇÃO
EM %
81.479
82.712
83.246
83.657
83.850
84.108
83.917
83.930
83.553
83.334
82.250
80.963
81.374
2,4%
1,5%
0,6%
0,5%
0,2%
0,3%
-0,2%
0,0%
-0,4%
-0,3%
-1,3%
-1,6%
0,5%
12.447
12.789
12.055
11.956
11.860
11.903
11.808
12.078
12.114
11.697
11.674
11.778
11.536
4,2%
2,7%
-5,7%
-0,8%
-0,8%
0,4%
-0,8%
2,3%
0,3%
-3,4%
-0,2%
0,9%
-2,1%
93.926
95.501
95.301
95.612
95.711
96.010
95.725
96.008
95.667
95.031
93.923
92.741
92.910
2,7%
1,7%
-0,2%
0,3%
0,1%
0,3%
-0,3%
0,3%
-0,4%
-0,7%
-1,2%
-1,3%
0,2%
11.890
12.272
9.946
9.931
10.377
10.761
10.634
11.009
11.483
11.501
9.716
9.685
9.325
-0,7%
3,2%
-19,0%
-0,1%
4,5%
3,7%
-1,2%
3,5%
4,3%
0,2%
-15,5%
-0,3%
-3,7%
236.261
242.356
245.646
248.765
253.161
256.839
257.943
260.554
262.646
264.732
266.987
267.075
266.071
0,3%
2,6%
1,4%
1,3%
1,8%
1,5%
0,4%
1,0%
0,8%
0,8%
0,9%
0,0%
-0,4%
>> Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
FINANCEIROACREFI
29
Banco de dados: por Inepad
Volume de Operações de Crédito : Crédito Consignado (R$ Milhões)
MÊS / ANO
CRÉDITO
PESSOAL*
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
Var. Dez-Dez
112.467
115.125
119.866
122.525
125.498
128.352
129.763
132.555
134.796
137.337
140.935
141.431
142.815
26,98%
CONSIGNADO
% Consignado***
Públicos
Privados
Total
Amostra**
56.179
57.123
58.449
59.444
60.791
62.136
62.635
63.713
64.655
65.615
67.255
67.533
68.277
21,53%
8.506
8.752
8.995
9.215
9.489
9.778
9.950
10.210
10.216
10.493
10.722
10.580
10.510
23,55%
64.686
65.875
67.444
68.660
70.280
71.914
72.585
73.924
74.870
76.108
77.977
78.113
78.786
21,80%
43.655
44.063
44.788
45.686
46.691
47.637
48.202
48.975
49.313
49.900
52.833
53.018
53.630
22,85%
57,5%
57,2%
56,3%
56,0%
56,0%
56,0%
55,9%
55,8%
55,5%
55,4%
55,3%
55,2%
55,2%
-4,08%
Concentração
Taxa de Juros %aa
do Consignado
Estimativa INEPAD Consignado
Pessoal
Diferença
67,5%
66,9%
66,4%
66,5%
66,4%
66,2%
66,4%
66,3%
65,9%
65,6%
67,8%
67,9%
68,1%
0,86%
28,1%
29,4%
28,8%
26,9%
26,9%
27,5%
27,7%
28,4%
28,5%
28,8%
29,8%
30,8%
30,8%
9,73%
45,8%
53,1%
52,6%
50,5%
50,6%
48,4%
51,4%
53,6%
54,5%
56,3%
57,4%
59,9%
60,4%
31,88%
17,7%
23,7%
23,8%
23,6%
23,7%
20,9%
23,7%
25,2%
26,0%
27,5%
27,6%
29,1%
29,6%
67,00%
>> Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
* Inclui empréstimos realizados pelas cooperativas de crédito. ** Pesquisa com treze das maiores instituições que operam com crédito pessoal. *** Total consignado sobre o total de crédito pessoal.
Inadimplência - Operações Prefixadas : Crédito Pessoal (R$ Milhões)
Mês/Ano
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
Saldo
sem atraso
Com atraso
de 15 a 30 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Com atraso
de 31 a 90 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Com atraso
maior que
90 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Saldo total
CarteiraBrasil
Variação
em %
90.711.792
92.449.829
96.761.783
98.527.512
101.022.018
103.022.153
104.407.365
105.881.336
107.489.859
109.166.762
111.466.272
112.385.950
111.884.147
1.656.724
2.125.426
1.952.962
2.156.672
2.244.679
2.368.574
2.228.419
2.389.760
2.215.523
2.461.087
2.673.171
2.396.607
2.449.654
1,66%
2,08%
1,83%
1,98%
2,01%
2,07%
1,93%
2,04%
1,87%
2,04%
2,16%
1,92%
1,97%
2.237.911
2.262.051
2.465.458
2.639.208
2.621.165
2.771.174
2.739.895
2.749.838
2.751.547
2.742.288
2.959.498
3.053.531
2.891.711
2,24%
2,21%
2,31%
2,42%
2,35%
2,43%
2,38%
2,35%
2,32%
2,27%
2,39%
2,45%
2,33%
5.277.475
5.479.643
5.522.235
5.536.722
5.727.793
6.013.821
5.838.192
6.135.827
6.325.442
6.326.601
6.750.383
6.852.858
6.953.487
5,28%
5,36%
5,18%
5,09%
5,13%
5,27%
5,07%
5,24%
5,33%
5,24%
5,45%
5,50%
5,60%
99.883.902
102.316.949
106.702.438
108.860.114
111.615.655
114.175.722
115.213.871
117.156.761
118.782.371
120.696.738
123.849.324
124.688.946
124.178.999
0,14%
2,44%
4,29%
2,02%
2,53%
2,29%
0,91%
1,69%
1,39%
1,61%
2,61%
0,68%
-0,41%
>> Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
Inadimplência - Operações Prefixadas : Aquisição de Bens - Veículos (R$ Milhões)
Mês/Ano
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
Saldo
Com atraso
sem atraso
de 15 a 30 dias
73.543.216
74.637.113
74.828.727
74.416.737
74.691.316
74.661.062
74.772.743
74.773.820
74.389.665
73.980.851
72.414.704
71.107.762
71.085.680
2.637.569
2.654.164
2.624.845
3.001.601
2.842.291
2.984.575
2.834.145
2.910.234
2.882.830
2.971.301
3.125.408
3.002.651
3.149.819
>> Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
30
FINANCEIROACREFI
% sobre
Saldo da
Carteira
Com atraso
de 31 a 90 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Com atraso
maior que
90 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Saldo total
CarteiraBrasil
Variação
em %
3,24%
3,21%
3,15%
3,59%
3,39%
3,55%
3,38%
3,47%
3,45%
3,57%
3,80%
3,71%
3,87%
2.844.229
2.871.003
3.115.683
3.468.378
3.416.415
3.371.102
3.309.526
3.156.526
3.133.013
3.238.198
3.438.662
3.512.422
3.633.051
3,49%
3,47%
3,74%
4,15%
4,07%
4,01%
3,94%
3,76%
3,75%
3,89%
4,18%
4,34%
4,46%
2.454.295
2.549.765
2.676.428
2.770.135
2.900.394
3.091.054
3.000.720
3.089.297
3.147.053
3.143.326
3.270.962
3.340.120
3.505.640
3,01%
3,08%
3,22%
3,31%
3,46%
3,68%
3,58%
3,68%
3,77%
3,77%
3,98%
4,13%
4,31%
81.479.309
82.712.045
83.245.683
83.656.851
83.850.416
84.107.793
83.917.134
83.929.877
83.552.561
83.333.676
82.249.736
80.962.955
81.374.190
2,44%
1,51%
0,65%
0,49%
0,23%
0,31%
-0,23%
0,02%
-0,45%
-0,26%
-1,30%
-1,56%
0,51%
Inadimplência - Operações Prefixadas : Aquisição de Bens - Outros (R$ Milhões)
Mês/Ano
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
Saldo
sem atraso
Com atraso
de 15 a 30 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Com atraso
de 31 a 90 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Com atraso
maior que
90 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Saldo total
CarteiraBrasil
Variação
em %
9.841.313
10.000.239
9.328.599
9.161.157
9.028.439
9.073.687
8.943.932
9.232.647
9.275.580
9.047.148
9.004.619
8.853.254
8.839.433
507.676
598.271
557.024
621.470
591.210
570.362
555.532
558.922
549.895
509.192
533.636
544.633
505.310
4,08%
4,68%
4,62%
5,20%
4,98%
4,79%
4,70%
4,63%
4,54%
4,35%
4,57%
4,62%
4,38%
561.225
598.402
656.068
736.038
713.810
683.873
672.979
629.815
617.148
573.053
602.198
650.115
584.973
4,51%
4,68%
5,44%
6,16%
6,02%
5,75%
5,70%
5,21%
5,09%
4,90%
5,16%
5,52%
5,07%
1.536.891
1.591.703
1.513.406
1.436.965
1.526.906
1.574.622
1.635.845
1.656.346
1.671.757
1.567.610
1.533.207
1.730.475
1.606.344
12,35%
12,45%
12,55%
12,02%
12,87%
13,23%
13,85%
13,71%
13,80%
13,40%
13,13%
14,69%
13,92%
12.447.105
12.788.615
12.055.097
11.955.630
11.860.365
11.902.544
11.808.288
12.077.730
12.114.380
11.697.003
11.673.660
11.778.477
11.536.059
4,21%
2,74%
-5,74%
-0,83%
-0,80%
0,36%
-0,79%
2,28%
0,30%
-3,45%
-0,20%
0,90%
-2,06%
>> Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
Inadimplência - Aquisição de Veículos - Prefixado
Dezembro/2008 (em R$ mil)
Inadimplência - Crédito Pessoal - Prefixado
Dezembro/2008 (em R$ mil)
20%
Atraso de mais
de 90 dias
6.852.487
Atraso de
15 a 30 dias
2.449.654
Atraso de
31 a 90 dias
3.505.640
56%
24%
19%
Inadimplência - Outras Operações - Prefixado
Dezembro/2008 (em R$ mil)
Atraso de
15 a 30 dias
505.310
Atraso de
15 a 30 dias
372.950
13%
Atraso de mais
de 90 dias
1.934.716
59%
22%
Atraso de mais
de 90 dias
3.633.051
35%
Inadimplência - Aquisição Outros Bens - Prefixado
Dezembro/2008 (em R$ mil)
Atraso de mais
de 90 dias
1.606.344
31%
34%
Atraso de
31 a 90 dias
2.891.711
Atraso de
15 a 30 dias
3.149.819
Atraso de
31 a 90 dias
584.973
22%
65%
Atraso de
31 a 90 dias
641.555
Inadimplência - Operações Prefixadas : Outras Operações (R$ Milhões)
Mês/Ano
Saldo
sem atraso
Com atraso
de 15 a 30 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Com atraso
de 31 a 90 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Com atraso
maior que
90 dias
% sobre
Saldo da
Carteira
Saldo total
CarteiraBrasil
Variação
em %
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
9.094.393
9.317.503
6.977.999
7.135.770
7.413.392
7.639.437
7.979.469
8.197.258
8.545.006
8.771.558
7.527.394
7.461.438
6.376.062
346.857
419.500
390.555
393.928
419.332
396.545
364.998
404.991
419.976
417.343
279.382
260.843
372.950
2,92%
3,42%
3,93%
3,97%
4,04%
3,68%
3,43%
3,68%
3,66%
3,63%
2,88%
2,69%
4,00%
745.291
736.306
738.217
781.798
768.969
771.992
749.909
705.316
719.670
743.294
503.254
512.044
641.555
6,27%
6,00%
7,42%
7,87%
7,41%
7,17%
7,05%
6,41%
6,27%
6,46%
5,18%
5,29%
6,88%
1.703.226
1.799.061
1.838.773
1.619.166
1.775.117
1.953.249
1.539.449
1.701.217
1.797.996
1.568.322
1.406.062
1.450.644
1.934.716
14,33%
14,66%
18,49%
16,30%
17,11%
18,15%
14,48%
15,45%
15,66%
13,64%
14,47%
14,98%
20,75%
11.889.767
12.272.370
9.945.544
9.930.662
10.376.810
10.761.223
10.633.825
11.008.782
11.482.648
11.500.517
9.716.092
9.684.968
9.325.283
-0,75%
3,22%
-18,96%
-0,15%
4,49%
3,70%
-1,18%
3,53%
4,30%
0,16%
-15,52%
-0,32%
-3,71%
>> Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
FINANCEIROACREFI
31
Banco de dados: por Inepad
Taxa de desemprego (%)
Brasil
>> Fonte: IBGE/INEPAD
SP
dez/08
nov/08
out/08
set/08
jul/08
ago/08
1,00
0,80
0,60
0,40
0,20
0,00
-0,20
-0,40
-0,60
-0,80
-1,00
jun/08
-0,80
0,60
0,70
0,10
0,00
-0,80
-0,40
0,10
-0,30
0,00
-0,30
0,50
-1,10
mai/08
8,00
8,60
9,30
9,40
9,40
8,60
8,20
8,30
8,00
8,00
7,70
8,20
7,10
Variação (p.p.)
12,0
11,5
11,0
10,5
10,0
9,5
9,0
8,5
8,0
7,5
7,0
abr/08
-0,80
0,60
0,70
-0,10
-0,10
-0,60
-0,10
0,30
-0,50
0,00
-0,10
0,10
-0,80
Taxa (%)
Var. p.p.
mar/08
7,40
8,00
8,70
8,60
8,50
7,90
7,80
8,10
7,60
7,60
7,50
7,60
6,80
SP
fev/08
Var. p.p.
jan/08
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
Brasil
dez/07
DATA
Var. p.p. - Brasil
>> Fonte: IBGE/INEPAD
Rendimento Médio Real
Habitualmente Recebido (R$)
2,5%
1.500
1.450
1.400
1.350
1.300
1.250
1.200
1.150
1.100
1.050
1.000
950
900
850
800
750
700
2,0%
1,5%
1,0%
0,5%
0,0%
-0,5%
-1,0%
>> Fonte: IBGE/INEPAD
SP
dez/08
nov/08
out/08
set/08
jul/08
jun/08
Brasil
ago/08
-1,5%
mai/08
2,9%
0,7%
0,9%
-1,9%
-0,2%
-1,1%
-0,7%
-0,4%
1,9%
1,1%
-2,1%
2,3%
1,1%
abr/08
Var. %
1.397,84
1.407,02
1.420,32
1.392,64
1.389,96
1.375,26
1.366,15
1.360,17
1.385,55
1.401,08
1.371,59
1.403,52
1.419,50
mar/08
SP
0,9%
0,0%
1,1%
-0,6%
1,0%
-1,0%
-0,3%
0,1%
2,1%
0,9%
-1,3%
0,9%
0,5%
fev/08
Var. %
jan/08
Brasil
1.240,40
1.240,44
1.253,72
1.246,81
1.259,55
1.247,57
1.244,17
1.245,59
1.271,54
1.283,27
1.267,10
1.278,26
1.284,90
dez/07
DATA
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
Var. % - Brasil
>> Fonte: IBGE/INEPAD
Comércio Varejista : Volume de Vendas
5,1%
>> Fonte: IBGE/INEPAD
32
FINANCEIROACREFI
5,8%
-20,2%
Índice
Geral
Hipermercados
e Supermercados
nov/08
out/08
set/08
-3,3%
-4,1%
-3,3%
-4,8%
12,8%
5,8%
-4,0%
5,6%
5,7%
-8,7%
10,8%
-16,0%
-16,8%
ago/08
177,36
170,06
164,53
156,62
176,60
186,77
179,22
189,31
200,01
182,63
202,27
169,93
141,45
jul/08
0,4%
28,0%
-22,8%
-4,2%
14,6%
-9,2%
5,5%
-6,8%
3,9%
4,7%
-4,8%
6,3%
-0,7%
jun/08
127,35
162,97
125,74
120,44
137,98
125,34
132,27
123,32
128,07
134,08
127,63
135,73
134,75
mai/08
2,1%
35,3%
-27,4%
-7,4%
13,0%
-4,6%
9,3%
-6,8%
3,3%
2,8%
-2,9%
4,6%
-2,3%
210,00
200,00
190,00
180,00
170,00
160,00
150,00
140,00
130,00
120,00
110,00
100,00
90,00
80,00
abr/08
138,31
187,17
135,83
125,72
142,04
135,47
148,06
137,92
142,50
146,54
142,24
148,79
145,42
Veículos,Motos,
Var. %
Partes e Peças
mar/08
Var. %
fev/08
Hipermercados e
Supermercados
jan/08
Var. %
dez/07
nov/07
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
Variação
Nov-Nov
Índice
Geral
nov/07
Data
Veículos, Motos,
Partes e Peças
Previsões Econômicas
Ano de 2008
Previsão 02/01/2009
4 semanas antes
1 semana antes
Previsão 06/02/2009
Ano de 2008
Previsão 02/01/2009
4 semanas antes
1 semana antes
Previsão 06/02/2009
PIB Total % a.a.
PIB Agropecuário % a.a.
PIB Indústria % a.a.
PIB Serviço % a.a.
Produção Industrial % a.a.
2,24
2,08
1,85
1,76
2,58
2,23
1,74
1,69
2,14
1,88
1,12
1,10
2,50
2,35
2,13
2,11
2,34
1,89
1,15
1,10
Selic
Taxa anual
IGP-DI
% a.a.
IPCA
% a.a.
Taxa de Câmbio
R$/US$
Saldo Comercial
US$ bilhões
12,08
11,68
10,94
10,80
4,77
4,92
4,41
5,17
4,91
4,88
4,70
4,81
2,27
2,28
2,28
2,29
14,29
14,94
14,53
14,05
>> Fonte: BC-Focus/INEPAD
Atividade Econômica
DATA
Taxa da Utilização da
Capacidade Instalada
Var. p.p.
DATA
Índice de Produção Física
Média Móvel Trimestral
Var. %
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
81,30
81,64
81,80
82,60
82,90
82,8
83,30
83,50
83,70
84,60
84,60
82,30
78,50
-3,00
0,34
0,16
0,80
0,30
-0,10
0,50
0,20
0,20
0,90
0,00
-2,30
-3,80
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
125,33
125,60
125,93
126,58
126,61
126,43
127,25
128,40
129,45
130,00
128,98
126,33
118,00
0,62%
0,22%
0,26%
0,52%
0,02%
-0,14%
0,65%
0,90%
0,82%
0,42%
-0,78%
-2,05%
-6,59%
Variação Dez-Dez
-3,44%
Variação Dez-Dez
>> Fonte: CNI/INEPAD
-5,85%
>> Fonte: IBGE/INEPAD
Produção (Índice) X Capacidade (%)
Capacidade
(%)
Produção
(Índice)
85,0
130
84,0
128
126
124
83,0
122
120
82,0
118
81,0
116
114
112
110
80,0
>> Fonte: INEPAD
Taxa da Utilização
da Capacidade Instalada
dez/08
nov/08
out/08
set/08
ago/08
jul/08
jun/08
mai/08
abr/08
mar/08
fev/08
jan/08
dez/07
79,0
Índice de Produção Física
Média Móvel Trimestral
FINANCEIROACREFI
33
Banco de dados: por Inepad
Indústria Automobilística - Automóveis de Passageiros, Mistos, Veículos Comerciais Leves e Pesados
Produção (em unidades)
jan/09
dez/08
jan/09
nov/08
dez/08
Produção
nov/08
-26,6%
dez/08
Variação Jan-Jan
320.000
300.000
280.000
260.000
240.000
220.000
200.000
180.000
160.000
140.000
120.000
100.000
out/08
14,9%
-0,7%
12,3%
6,2%
-3,5%
4,8%
4,6%
-1,9%
-3,7%
-1,1%
-34,4%
-47,6%
82,4%
set/08
32.928
-1.801
31.027
17.625
-10.667
13.900
13.993
-6.149
-11.408
-3.349
-102.082
-92.736
84.071
ago/08
248.558
242.124
262.842
278.459
291.120
298.073
303.815
311.063
309.875
302.906
263.960
197.904
160.989
jul/08
253.700
251.899
282.926
300.551
289.884
303.784
317.777
311.628
300.220
296.871
194.789
102.053
186.124
jun/08
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
jan/09
mai/08
Var. Mensal (%)
abr/08
Var. Mensal
mar/08
Média Trim.
fev/08
Produção
jan/08
Data
Média Trim.
>> Fonte: Anfavea/INEPAD
Vendas Internas no Atacado
de Nacionais (em unidades)
Data
Vendas
Média Trim.
Variação
Variação(%)
300.000
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
207.322
214.213
217.073
248.964
267.405
261.486
279.382
287.604
281.839
270.660
233.420
150.227
150.686
234.252
221.382
212.869
226.750
244.481
259.285
269.424
276.157
282.942
280.034
261.973
218.102
178.111
-35.290
6.891
2.860
31.891
18.441
-5.919
17.896
8.222
-5.765
-11.179
-37.240
-83.193
459
-14,5%
3,3%
1,3%
14,7%
7,4%
-2,2%
6,8%
2,9%
-2,0%
-4,0%
-13,8%
-35,6%
0,3%
280.000
Variação Dez-Dez
260.000
240.000
220.000
200.000
180.000
160.000
Vendas
-27,3%
out/08
set/08
ago/08
jul/08
jun/08
mai/08
abr/08
mar/08
fev/08
jan/08
dez/07
140.000
Média Trim.
>> Fonte: Anfavea/INEPAD
Exportação Total (em unidades)
Variação Jan-Jan
>> Fonte: Anfavea/INEPAD
34
FINANCEIROACREFI
-58,1%
60.000
55.000
50.000
45.000
40.000
35.000
30.000
Exportações
nov/08
out/08
set/08
ago/08
jul/08
25.000
20.000
jun/08
-3,7%
3,5%
15,5%
1,3%
-15,5%
20,3%
-5,1%
1,3%
-8,1%
12,6%
-25,5%
-11,3%
-48,1%
mai/08
-2.046
1.884
8.646
844
-10.146
11.195
-3.401
797
-5.190
7.399
-16.831
-5.576
-20.980
70.000
65.000
abr/08
56.517
55.269
58.097
61.888
61.670
62.301
61.517
64.380
61.782
62.784
57.910
52.908
38.445
Variação(%)
mar/08
53.959
55.843
64.489
65.333
55.187
66.382
62.981
63.778
58.588
65.987
49.156
43.580
22.600
Variação
fev/08
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
jan/09
Exportações Média Trim.
jan/08
Data
Média trim.
Indústria Automobilística
Licenciamento de Automóveis Nacionais e Importados (em unidades)
Data
Vendas
1000cc
% no Total
1000cc a 2000cc
% no total
>2000cc
% no total
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
192.436
169.530
158.688
182.356
205.460
191.262
200.697
224.772
188.082
208.162
181.029
132.370
150.401
98.920
86.754
83.942
94.966
104.461
97.103
103.398
115.919
97.884
106.283
85.522
61.155
71.711
51,4%
51,2%
52,9%
52,1%
50,8%
50,8%
51,5%
51,6%
52,0%
51,1%
47,2%
46,2%
47,7%
90.728
80.554
72.870
84.998
97.585
91.071
94.071
105.607
87.229
98.835
92.792
69.170
76.200
47,1%
47,5%
45,9%
46,6%
47,5%
47,6%
46,9%
47,0%
46,4%
47,5%
51,3%
52,3%
50,7%
2.788
2.222
1.876
2.392
3.414
3.088
3.228
3.246
2.969
3.044
2.715
2.045
2.490
1,4%
1,3%
1,2%
1,3%
1,7%
1,6%
1,6%
1,4%
1,6%
1,5%
1,5%
1,5%
1,7%
>> Fonte: Anfavea/INEPAD
Licenciamento por Categoria - Automóveis
120.000
110.000
100.000
90.000
80.000
70.000
60.000
50.000
40.000
30.000
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
1000cc
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
+1000cc a 2000cc
Taxas de Juros Prefixados : Pessoa Física (R$ milhões)
Crédito Pessoal
SALDO TOTAL
Aquisição de Bens - Veículos
TAXAS DE JUROS
SALDO TOTAL
% Variação % Variação
MÊS/ANO R$ milhões
a.m. p.p a.a. p.p
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
99.884
102.317
106.702
108.860
111.616
114.176
115.214
117.157
118.782
120.697
123.849
124.689
124.179
3,19
3,61
3,58
3,47
3,47
3,34
3,52
3,64
3,69
3,79
3,85
3,99
4,02
-0,06
0,42
-0,03
-0,12
0,01
-0,13
0,17
0,12
0,05
0,10
0,06
0,14
0,03
45,80
53,10
52,60
50,50
50,60
48,40
51,40
53,60
54,50
56,30
57,40
59,90
60,40
-1,00
7,30
-0,50
-2,10
0,10
-2,20
3,00
2,20
0,90
1,80
1,10
2,50
0,50
R$ milhões
81.479
82.712
83.246
83.657
83.850
84.108
83.917
83.930
83.553
83.334
82.250
80.963
81.374
TAXAS DE JUROS
% Variação %
a.m.
p.p
a.a.
2,13
2,29
2,29
2,22
2,20
2,25
2,28
2,43
2,43
2,41
2,48
2,70
2,63
0,02
0,16
0,00
-0,08
-0,02
0,05
0,03
0,15
-0,01
-0,02
0,07
0,22
-0,07
28,76
31,22
31,24
30,08
29,81
30,61
31,09
33,46
33,34
33,05
34,15
37,71
36,51
Aquisição de Bens - Outros
SALDO TOTAL
Variação
p.p
R$ milhões
0,23
2,46
0,02
-1,16
-0,27
0,80
0,48
2,37
-0,12
-0,29
1,10
3,56
-1,20
12.447
12.789
12.055
11.956
11.860
11.903
11.808
12.078
12.114
11.697
11.674
11.778
11.536
TAXAS DE JUROS
% Variação
a.m.
p.p
3,80
3,79
3,76
3,85
3,80
3,89
3,81
3,88
3,95
3,94
4,05
4,38
4,71
0,12
-0,01
-0,03
0,09
-0,06
0,09
-0,08
0,07
0,07
0,00
0,11
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>> Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD
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Em debate, o crédito nos países iberoamericanos