Resíduos Sólidos
109
1. INTRODUÇÃO
Our dilemma is that we hate change and love it at the same time;
what we really want is for things to remain the same but get better.
Anônimo
Há nos países em desenvolvimento em que predominam extensas áreas a fantasia do
direito à ocupação destas áreas com resíduos dispostos de forma em geral inadequada, com a
consideração que esta é a forma mais econômica. É obviamente uma forma irresponsável de
tratar o meio ambiente e as sociedades futuras que herdarão bombas químicas que poluem o ar, o
solo e as águas e que certamente exigirão investimentos de alta monta para recuperaçäo das
áreas. Mas pior do que isto há de forma geral uma visão distorcida dos resíduos, vistos por
alguns como um problema, um tema que deve ser varrido das cidades, com um serviço de coletas
por vezes até razoável, mas com um tratamento e disposição na maioria dos casos inaceitável,
mesmo considerando os custos finais por tonelada para cada cidade. Em verdade, conforme já
percebido e adotado nos países desenvolvidos, o resíduo sólido que é uma riqueza que pode e
deve ser considerada na economia de cada cidade, de cada sociedade.
Historicamente, desde que os seres humanos começaram a se agrupar e viver em cidades
sempre existiu a produção de resíduos os quais eram essencialmente compostos por matéria
orgânica. O assunto dos cuidados com os resíduos já foi abordado em escritos hebreus há mais
de cinco mil anos atrás. Assim, colocar fora das aldeias os resíduos, cobri-los ou enterrá-los é
usual desde o início do hábito dos seres humanos de conviver em grupo. A disposição
desordenada e sem controle dos resíduos contribuiu de forma marcante para o desenvolvimento
das grandes epidemias européias da Idade Média. Para debelá-las desenvolveram-se nesta época
os primeiros projetos de saneamento básico nas grandes cidades como Paris, Bruxelas, etc, bem
como o hábito de dispor de forma mais ordenada e cuidada os resíduos sólidos fora das
chamadas áreas urbanas.
A caracterização contínua dos resíduos sólidos é um dos passos mais importantes em
qualquer administração pública que queira buscar uma solução ambiental adequada. Com o
rápido crescimento da população mundial, especialmente nos países subdesenvolvidas,
estatísticas nos dão conta que em 2050 poderão chegar até 12,5 bilhões de habitantes no planeta.
Os dados referentes à população mundial são sempre aproximados, pois até mesmo as grandes
instituições internacionais, como a Organização das Nações Unidas e o Banco Mundial,
enfrentam dificuldades para divulgá-los com precisão. Analisando a marcha do crescimento
populacional, podem-se distinguir duas fases sendo uma de crescimento lento até o século XVII,
em função da inexistência de condições sanitárias adequadas, guerras, epidemias onde a taxa de
mortalidade era elevada; e outra de crescimento rápido compreendendo principlamente num
período mais modesto; os séculos XVII e XIX e, acentuadamente, na segunda metade do séc.
XX, em função dos avanços científicos e das melhorias das condições sanitárias. Nesse período,
o mundo deparou-se com um vertiginoso crescimento populacional. As migrações são
estimuladas por fatores de repulsão nos lugares de origem: pressão demográfica, dificuldades
para encontrar trabalho nas grandes cidades superpovoadas e inficiência dos sistemas agrícolas.
Até pouco tempo atrás, existiam diversos fatores de atração nos países desenvolvidos, como a
necessidade de mão-de-obra, salários relativamente elevados r infra-estrutura social. A maior
parte das migrações tem origem socioeconômica e é resultado da busca por melhores condições
de vida. Por outro lado, o fluxo migratório em direção aos centros urbanos, principalmente neste
século, vem se intensificando de forma marcante, fazendo com que, atualmente, a população
urbana mundial, exceto na África e Ásia, apresente percentuais médios de 75%, portanto, três
vezes superiores ao da população rural. Este fluxo migratório vem acarretando um elevado
crescimento demográfico nas regiões metropolitanas, sobretudo nas grandes cidades dos países
em desenvolvimento.
Com o crescimento populacional das sociedades de consumo, conseqüentemente, vem
aumentando a produção de resíduos. Por outro lado, a concentração da população em torno dos
centros urbanos, cujos espaços disponíveis cada vez mais se escasseiam, faz com que o manuseio
Resíduos Sólidos
110
e, principalmente, a disposição final destes resíduos se torne um problema de difícil solução.
Ainda mais se levarmos em conta o fato de que muitos dos componentes, como, por exemplo, os
plásticos e metais, apresentam tempos de degradação elevados de até cerca de 500 anos. Deve
ser ainda destacado que a evolução da ciência e da tecnologia vem trazendo, também, alterações
na composição destes resíduos, com a introdução de componentes como pilhas, baterias,
lâmpadas fluorescentes, produtos químicos em geral etc, contendo elementos altamente nocivos
à saúde. Em conseqüência os riscos de poluição do solo, das águas de superfície e subterrâneas e
do ar estão cada vez mais presentes, o que vem gerando a deterioração do meio-ambiente, com
implicações na qualidade de vida das populações.
Especificamente no caso do Brasil, de acordo com a última Pesquisa Nacional de
Saneamento Básico, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, editada
em 2000, são geradas, diariamente, cerca de 228.413 t de lixo, sendo 125.281 t de lixo
domiciliar, grande parte do qual não é sequer coletado, sendo lançado, principalmente pelas
populações de mais baixa renda, em encostas, cursos d’água, terrenos baldios etc. Do total
coletado, 21,16% é depositado nos chamados “lixões”, que se caracterizam pela simples
descarga sobre o solo, sem quaisquer medidas de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública,
37,03% depositado em aterros controlados, nos quais o único tipo de tratamento consiste,
geralmente, na cobertura diária dos resíduos com material inerte, o que, por si só, não é
suficiente para a completa proteção do meio-ambiente.
Desse total 36,18% depositado em aterros sanitários dotados de impermeabilização de
base, sistemas de tratamento de chorume e dispersão dos gases e confinamento dos resíduos
sólidos pela cobertura diária com material inerte e 1% que recebe algum tipo de tratamento
(reciclagem, compostagem, ou incineração). Infelizmente, nem todos os aterros denominados
sanitários possuem um adequado sistema de monitoramento, que possa garantir o controle de
eventuais formações de pluma de contaminação no subsolo, movimentos perigosos do maciço ou
formação de regiões de chorume ou gás presos no maciço.
Conforme observado por XAVIER DE BRITO (1999), a legislação americana proíbe que
pessoas não vinculadas à limpeza urbana examinem o lixo das residências. Como será visto mais
adiante, um exame acurado do lixo gerado em uma residência conduz à identificação quase
completa do “status” dos seus moradores e de suas condições sócio-econômicas, através do
conhecimento de seus hábitos, do tipo de alimentação preferido, dos supermercados utilizados,
dos bancos usados nas transações comerciais, das lojas onde fazem as compras, das doenças dos
moradores, podendo chegar até a auxiliar no conhecimento do comportamento sexual dos
moradores (sic modificado). De acordo com o observado no início deste texto, quando se projeta
um sistema de limpeza urbana, com muito mais razão, é de fundamental importância o
conhecimento dos resíduos sólidos domésticos, não só com vistas ao conhecimento dos
habitantes da cidade ou região, mas também de uma forma mais objetiva, com o intuito de se
dimensionar adequadamente cada um dos sub-sistemas a serem implementados. De fato, as
características dos resíduos sólidos a serem coletados e, eventualmente destinados a diferentes
formas de tratamento, interferem diretamente em cada um dos serviços de limpeza urbana, desde
a estruturação do órgão responsável pelos serviços, até a destinação final dos resíduos, passando
pela tarifação, manuseio, acondicionamento, estocagem, coleta, transporte e tratamento. A
Tabela 1, a seguir, dá uma idéia da influência das características do lixo nos diversos serviços de
limpeza.
Resíduos Sólidos
111
TABELA 1 - Influência das características do lixo nos serviços de limpeza
CARACTERÍSTICAS
DESCRIÇÄO
IMPORTÂNCIA
Geração Per Capita
Quantidade de lixo gerado por
habitantes num período de tempo
específico.
Composição
Gravimétrica
Percentagens das várias fraçöes
do lixo como papel, plástico,
metal, vidro, etc.
Percentagens
das
Composição Geométrica dimensöes e formas do lixo
várias
Características
físicas
dos
resíduos
e
do
lixiviado
produzidos.
Relaçäo entre o peso e o volume,
Peso
Específico
calculado para as diversas fases
Aparente
de gerenciamento do lixo.
Forma e procedimento de
compactaçäo empregado após a
Grau de Compactação
disposiçäo dos resíduos.
Composição Química
Importante para todo o sistema de gestão de
resíduos sólidos, com influência direta no
planejamento. Fundamental no dimensionamento
de veículos e instalações. Elemento básico para a
determinação da taxa de coleta e destinação dos
resíduos sólidos.
Indica a possibilidade de aproveitamento das
frações recicláveis e da matéria orgânica. Quando
realizada por regiões da cidade, pode influenciar no
cálculo da tarifa de coleta e destinação final.
Indica as características de tamanho e forma dos
resíduos, o que pode ser importante para a escolha
de equipamento para minimização dos resíduos,
para o pré-tratamento dos resíduos, e para
disposição final.
Ajuda a indicar a forma mais adequada de
destinação final e tratamento do chorume.
Fundamental para o correto dimensionamento da
frota de coleta.
Muito importante para o dimensionamento de
veículos coletores, caçambas compactadoras,
disposição no aterro e estudo de vida útil do aterro.
Tem influência direta sobre a velocidade de
decomposição da matéria orgânica no processo de
compostagem. Influencia diretamente o poder
Quantidade de água contida na
calorífico e o peso específico aparente do lixo,
Teor de Umidade
massa de lixo.
sendo seu conhecimento extremamente importante
para projetos de incineração. Diretamente
relacionado com a produção de chorume.
Indica a possibilidade de aproveitamento do lixo
Teor
de
Matéria Percentual de matéria orgânica para a produção de composto orgânico, sendo
presente na massa de lixo.
também importante para a disposição em aterro ou
Orgânica
incineração.
Quantidade de calor gerada pela
combustão de 1 kg de lixo misto Influencia o dimensionamento das instalações de
Poder Calorífico
(e não somente dos materiais incineração e a adequação de seu uso.
facilmente combustíveis)
Definição de forma mais adequada de tratamento,
Em geral säo analisados o N, P, em especial para a compostagem, e disposição final.
K, S, C, relaçäo C/N, pH e Vários outros elementos que atuam como inibidores
Composiçäo química
metais pesados.
ou catalisadores nos diversos tipos de tratamento
também podem ser analisados,
Indica
os
percentuais
de Indica o estágio de degradação química biológica
Composição
química
diferentes elementos presentes na do lixo o que pode ser extremamente útil no caso de
dos gases, quantidade e massa de lixo
processos especiais de pré-tratamento.
qualidade
Auxilia na análise de diferentes processos de
Indica a temperatura na massa
tratamento dos resíduos, indicando se o sistema tem
em diferentes momentos de
Temperatura
boa aeração o que pode ser relevante em certos
degradação
casos aeróbios.
FONTE: XAVIER DE BRITO, 1999 e IPT-CENPRE, 2000 modificados.
2. FORMAS USUAIS DE TRATAMENTO E DESTINAÇÃO FINAL DE RSU
Resíduos Sólidos
112
Conforme já observado na introdução, o lixo é o produto do descarte efetuado pelo cidadão,
individualmente, ou por organizações, como escritórios, lojas comerciais, supermercados, indústrias,
hospitais e casas de saúde, navios, aviões, etc. Estas diferentes formas de disposição podem se
apresentar na forma de papéis velhos, restos de comida, equipamentos como geladeiras, televisões,
automóveis etc, já sem condições de recuperação, os quais são desmontados e se transformam em
pedaços de metais plásticos e borracha, roupas velhas descartadas, entulho da construção civil, restos
das indústrias, material hospitalar etc, até o lixo atômico. Os danos causados à sociedade pela
disposição inadequada dos restos, que na Idade Média incluíam inclusive as fezes humanas e
animais, são historicamente conhecidos através das diversas epidemias que aconteceram neste
período na Europa. A compreensão dos vetores que se propagavam através de ratos, moscas e baratas
permitiu a adoção de medidas saneadoras para que o lixo fosse coletado nas residências, impedindose com isto que o mesmo fosse simplesmente disposto nas ruas e terrenos baldios.
Numa época mais moderna, em especial após a Segunda Grande Guerra Mundial, dado o
crescimento demográfico, soluções ambientais começaram a ser adotadas, em especial pelos países
industrializados, tendo em vista a conscientização dos danos ambientais que aterros de lixo,
popularmente conhecidos como lixões ou vazadouros, causavam em todo o seu entorno. Assim, em
especial na Europa Central, devido à carência de espaço existente e a utilização de água subterrânea
que ali é feita, medidas de melhoria das condições de disposição nos aterros começaram a ser
impostas e tomadas, sendo que novas alternativas de diminuição da quantidade de lixo começaram a
ser pesquisadas e implantadas.
Assim, mais recentemente, utiliza-se o conceito dos três R (repensar, reduzir e reutilizar) para
se estabelecer uma política adequada num município que pretenda um Sistema de Gestão Integrada
para os resíduos produzidos na cidade. O Repensar significa reestudar a questão como um todo, o
Reutilizar significa que tudo o que puder ser reutilizado deverá ser reaproveitado, e o Reciclar,
compreende a reutilização dos resíduos orgânicos, plásticos, metais, vidros, borracha etc. Assim, com
estes dois últimos aspectos, diminui-se a necessidade de retirada de matéria prima de fontes naturais.
Uma preocupação que deve ser considerada é a de dar um efetivo Valor para o produto lixo, o qual
pode ser reaproveitado como material energético através de sua queima ou adubo para a agricultura.
Dentro desta evolução, não apenas houve melhoras nas formas de disposição em aterros, mas
conforme já dito, novas alternativas foram criadas para o tratamento dos resíduos, a saber:
- Incineração;
- Compostagem;
- Reciclagem;
- Pré-tratamento Mecânico Biológico na Inertizaçäo;
- Disposição final: Aterro Sanitário.
A) Incineração
• Combustão (ou Pirólise) do lixo a altas temperaturas (800 - 1000°C), em câmaras amplas
para mistura e queima dos materiais. Liberação dos gases à baixa velocidade, para permitir a
deposição de particulados.
• A temperatura dos gases deve ser rebaixada até 250°C, o que permite recuperar o calor em
caldeiras e gerar energia a partir do vapor.
• A geração de cinzas é de 5 a 15% da massa original de lixo.
MENEZES (1999) apresenta a evolução dos processos de incineração dos resíduos sólidos,
conforme exposto a seguir:
1ª Geração - 1950 -1965
Tinha a função única de incinerar, Gases eram descarregados diretamente na atmosfera, no
máximo existia uma torre de água de refrigeração sobre a câmara de combustão.
Concentração de poeira: 1000mg/Nm3. Sistemas modernos atuais: 3 mg/Nm3
LOUSANNE 1959, BERNA (1954), BRUXELAS (1957).
Resíduos Sólidos
113
2ª Geração - 1965 - 1975
Primeiras proteções do Meio Ambiente: primeiros filtros > 100mg/Nm3; primeiros interesses
em recuperação de calor; primeiras plantas de grande capacidade; aparecimento da Babcock com
sistema de grelhas rolantes.
3ª Geração - 1975 - 1990
Aumento da performance energética e normas do MA; público mais atento aos problemas de
poluição; introdução de lavagem de gases/reduzir emissões de gases ácidos; neutralização de HCl, S,
Ox, HF e metais pesados; caldeiras muito melhoradas; melhoria da combustão dos orgânicos;
automação centralizada; centros de tratamento com cogeração de energia.
4ª Geração - 1990 - atual
Pressão dos movimentos “verdes”; tratamento de gases tendendo à emissão zero; remoção de
outros poluentes com Nox e dioxinas; tecnologias avançadas de tratamento; produção de resíduos
finais inertes que podem ser reciclados ou dispostos sem nenhum problema.
Algumas bibliografias complementares sobre o assunto citadas por MENEZES (1999) são:
BRETZS, Elizabeth(Ed.). Energy from wastes. (1990), BRUNNER, Calvin R. Handbook of Incineration Systems.
New York: McGraw, CHIRICO, Vincent Di, Municipal Waste Treatments Plants, Swiss Re,insurance Company,
Eng. Department, 1996, COLLINS. Steve(Ed.). Mass-burn plant solves Long Island Community’s waste-disposal,
GIBBS, David R., Hepp, Mark P..(1990), HICKMAN, H. Lanier; Reimers, Eric GINTERNATIONAL Directory of
Solid Waste Management: the ISWA Yearbook 1993/4, Copenhagen, 1994. INTERNATIONAL Directory of Solid
Waste Management: the ISWA Yearbook 1993/94. Copenhagen, ISWA, 1994.IPT, Instituto de Pesquisas
Tecnológicas do Estados de São Paulo, Lixo Municipal: Manual de Gerenciamento Integrado, 2000. KNOWLES,
Mike. ”Energy from Waste Plants for the 1990s”. Waste Management. Jan., 1993. Pp.23-26., MENEZES, M. A, A.
(1983), PENNER, S.S. et al. (1988), PORTEOUS, A.(1992), REASON, J. (1986) e SERRA, N, (1992).
B) Compostagem (vide também capítulo sobre o assunto neste livro)
Bio - estabilização da matéria orgânica para uso agrícola. Os processos podem ser acelerados
com o apoio de operações mecânicas (trituração, aeração forçada, reviramento das pilhas de
composto), em usinas de compostagem. O rejeito da compostagem varia de 40 a 60% do volume
original, conforme a tecnologia. Apenas cerca de 5% do total pode ser separado manualmente para
reciclagem.
A compostagem é o processo de decomposição ou degradação de materiais orgânicos, de
natureza animal e vegetal, pela ação de microrganismos. O processo é totalmente natural, não sendo
necessária a adição de qualquer componente físico, químico ou biológico. A compostagem pode ser
aeróbia ou anaeróbia.
a) Anaeróbio
A degradação ocorre através da ação de microrganismos sem a presença de oxigênio. O
processo ocorre à baixa temperatura, sendo mais lento para bio-estabilização com exalação de fortes
odores. Este procedimento é empregado para tratamento de estações de lodo de esgoto e para
produção de gás metano.
b) Aeróbio
A degradação se desenvolve na presença de microrganismos que se adaptam a ambientes com
a presença de oxigênio. Neste caso, há um aumento da temperatura da massa orgânica bem acima da
temperatura ambiente, sendo a decomposição mais rápida. A desvantagem, neste caso, é a
obrigatoriedade de se controlar, durante o processo, parâmetros como aeração, temperatura e
umidade.
O produto final do processo de compostagem aeróbio de resíduos orgânicos é um material
rico em húmus e em nutrientes minerais, que podem ser utilizados na agricultura como fertilizantes
orgânicos.
Húmus é a matéria orgânica homogênea, totalmente bio - estabilizada, de cor escura e rica em
partículas coloidais que, de forma geral, quando aplicada ao solo, melhora suas características físicas.
O processo de compostagem aeróbia pode ser dividido em duas fases:
Resíduos Sólidos
114
A primeira fase, conhecida como ”bio - estabilização”, compreende a redução da temperatura
da massa orgânica que, após atingir temperaturas de até 65 °C, volta à temperatura ambiente. Quando
a relação carbono/nitrogênio da massa está em torno de 18/1, o produto pode ser usado na agricultura
sem causar qualquer problema à vegetação. Considera-se que esta fase tem uma duração de
aproximadamente 45 dias em sistemas de compostagem acelerada e 60 dias para sistemas de
compostagem natural.
A fase de ”maturação”, que é a segunda fase, demora mais 30 dias e é encerrada quando a
relação carbono/nitrogênio do composto orgânico se reduz para 10/1, quando a atividade
microbiológica é encerrada, ocorrendo a humificação e a mineralização da matéria orgânica.
Tendo em vista o tempo exigido para que ocorra a maturação do composto, o processo nas
usinas de compostagem de lixo domiciliar é encerrado na fase de bio - estabilização.
A compostagem é influenciada pelos microrganismos, pela temperatura, pela granulometria,
pela umidade, pela aeração, pela relação C/N e pelo pH.
C) Reciclagem
Termo genérico que designa a recuperação de materiais presentes no lixo para sua
reutilização ou reciclagem, como matéria-prima secundária (ou sucata), para a fabricação de produtos
reciclados.
A reciclagem consiste na separação de materiais existentes nos Resíduos Sólidos Urbanos
(papéis, plásticos, vidros e metais) e que poderão, através de beneficiamento, retornar à indústria
como matéria prima. A reciclagem traz como vantagens a preservação de recursos naturais,
economia de energia, redução da quantidade de lixo a ser disposto em aterros sanitários, além da
geração de empregos e serviços de forma geral.
A coleta seletiva (GRIMBERG, E. & BLAUTH, P., 1998, CALDERONI, 1997 e READ, A.,
1999) pode ser realizada porta a porta, com locais de disposição/coleta distribuídos pela cidade e
coleta na forma de usinas, além do serviço quase imprescindível dos catadores, bastante disseminado
em nosso país. No sistema porta a porta ou com locais de disposição espalhados pela cidade, os
materiais são separados na fonte geradora pela população e coletados de forma diferenciada, o que,
segundo alguns técnicos, encarece o processo que tem como principal vantagem à qualidade
(limpeza) dos recicláveis. O custo operacional em curto prazo pode ser elevado, mas os ganhos
ambientais e de economia em longo prazo, evitando custos de recuperação de áreas são enormes.
As instalações, denominadas Usinas, compreendem a separação do lixo domiciliar através de
equipamentos ou de catação manual. Infelizmente, nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, já
foram projetadas e construídas diversas Usinas, mas praticamente nenhuma delas apresentou um
rendimento positivo em seu funcionamento, sendo que a maioria delas foi posteriormente fechada
(LUA, D. 1999).
D) Pré-Tratamento Mecânico Biológico
O pré-tratamento mecânico biológico foi desenvolvido inicialmente na cidade de Schwäbisch
Hall, na Alemanha, em uma investigação desenvolvida pela Universidade Técnica de Braunschweig.
O procedimento se disseminou de forma razoável na Europa, em especial na própria Alemanha e
Áustria. O processo é bastante simples e compreende um pré-tratamento mecânico, em que peças de
grandes dimensões e características especiais, como baterias de carros e caminhões são retiradas da
massa, sendo o restante triturado em equipamentos especiais e em seguida homogeneizado. Este
material homogeneizado é disposto em leiras de, aproximadamente, 2 a 3 metros de altura, com um
sistema de ventilação que garante um sistema aeróbico. Dependendo do processo adotado, a pilha
pode ou não ser revirada. O processo de biodegradação do lixo pode levar de 4 a 9 meses,
aproximadamente.
As vantagens do processo compreendem: a redução do volume de lixo a ser disposta no
aterro sanitário de disposição final, a possibilidade de usar o resíduo resultado da bio-degradação
para produção de energia através da incineração, a diminuição da produção de chorume, além da
inertização dos resíduos. Por fim, há uma total redução na produção de vetores e presença de aves,
Resíduos Sólidos
115
como urubus, no local de disposição, bem como a eliminação de cheiros desagradáveis (MÜNNICH,
K.E OUTROS, 2001 e MAHLER, CF, 2002).
E) Disposição Final: Aterro Sanitário
a) Aterro Sanitário e Aterro Controlado
Segundo a ASCE (American Society of Civil Engineers) aterro sanitário é uma técnica para
disposição de lixo no solo, sem causar prejuízo ao meio ambiente e sem causar moléstia ou perigo
para a saúde e segurança pública. Esta técnica se utiliza dos princípios de engenharia para confinar o
lixo na menor área possível, reduzindo o seu volume ao mínimo praticável, e para cobrir o lixo
assim depositado com uma capa de terra com a freqüência necessária, pelo menos ao fim de cada
jornada (HADDAD, 1999).
Aterro Controlado é uma variante que entre outros aspectos dispensa o uso permanente de
máquina, por isto tem a mesma definição do AS.
Estas definições são aceitas pela ABNT, valendo observar que no Aterro Sanitário, há um
monitoramento do aterro e de seu entorno das condições ambientais e geotécnicas, para garantir a
observância de não perturbação do meio ambiente e permitir imediatas providências quando alguma
alteração ambiental for observada.
A assim denominada célula consiste na porção de lixo recebida em uma jornada (podendo ser
em menor período, quando a quantidade for muito grande), disposta em camadas compactadas em
rampa, envolta por uma capa de terra também compactada. Conforme descrito por HADDAD (1999),
a célula é construída ao encontro de uma barreira de contenção, que pode ser uma elevação
preexistente, berma ou parte já aterrada; o lixo é descarregado ao pé da célula (frente de trabalho),
empurrado pela lâmina frontal de um trator de esteiras (ou compactador de rolos especiais), e
esmagado pelas esteiras (ou rolos compactadores); a quantidade de lixo empurrada é suficiente para
estender-se, em uma camada de 30 a 50 cm, até o topo da frente de trabalho; a camada é estendida na
declividade 1V:3H, que proporciona ótima compactação pela máquina e boa drenagem superficial,
minimizando a infiltração de água de chuva; o trator sobe e desce de 3 a 5 vezes sobre o lixo
disposto, de modo a compactar a camada em toda a sua superfície; ao fim da jornada (ou da célula
pré-dimensionada), faz-se a cobertura de toda a superfície do lixo com terra, estendendo-se e
compactando a terra (como foi feito com o lixo) de modo a não se ver lixo; a capa de terra é da
ordem de 15cm; a terra pode estar estocada sobre uma porção adjacente do aterro já construído. O
plano superior do aterro é revestido com uma sobrecapa de 15cm, recebendo uma segunda sobrecapa,
de pelo menos 30cm, se for à superfície final do aterro, e é nivelado para drenagem, com declividade
de 2% ou maior. As células se sucedem "horizontalmente", apoiando-se cada uma nas anteriores,
formando um "nível de aterro", sendo que o aterro pode se elevar em dois ou mais níveis, segundo o
projeto e com a mesma metodologia. A superfície final recebe uma segunda sobrecapa de
acabamento, perfazendo pelo menos 60cm sobre o lixo, cuidadosamente nivelada e drenada; o
acabamento se completa com revestimento vegetal de raízes espalhadas e que se aprofundem sem
ultrapassar a cobertura de terra.
À frente da célula deve ser suficiente apenas para movimentação segura das máquinas e
veículos; a altura deve estar entre 3 e 6 metros, no máximo, de acordo com a quantidade de lixo; o
avanço é calculado em função do volume diário, do comprimento da frente e da altura; todas as
dimensões são então revisadas, considerando-se a estabilidade do aterro e economia de terra. É
importante observar a crescente necessidade de economia do material de empréstimo, usado para
cobertura das células intermediárias, uma vez que a retirada de material de empréstimo certamente
causa danos ambientais no local onde o material é retirado. O volume de material de cobertura pode
representar 20 % do volume total do aterro, volume esse significativo.
A máquina "convencional" empregada no Brasil é o trator de esteiras com lâmina frontal,
indicadas para manusear pequenas ou grandes quantidades de lixo; máquinas especiais, constituídas
de 2 ou mais rolos compactadores (providos de lâminas ou pinos, para cortar e pressionar o lixo), são
indicadas para grandes quantidades de lixo. Na Alemanha, para compactação, freqüentemente
utilizam-se equipamentos bem mais pesados, os quais conseguem densidades ou pesos específicos
até 25% maiores, o que representa um ganho de espaço significativo no aterro. Pás carregadoras e/ou
Resíduos Sólidos
116
escavo-carregadoras são utilizadas para movimentar/raspar a terra. Escavadoras são utilizadas para
abrir e manter drenos pluviais. Bombas auto-aspirantes e/ou submersíveis, geradores de eletricidade,
motoniveladoras, são equipamentos complementares freqüentemente utilizados.
3. MONITORAMENTO
Considerando-se os aspectos hidrogeológicos e geotécnicos, os aterros sanitários devem ser
monitorados no que se refere a:
- aspectos meteorológicos (chuvas, velocidade e direção do vento, período de insolação, evapotranspiração e temperatura ambiente);
- aspectos geotécnicos (movimentos horizontais e verticais em diferentes pontos do aterro e
piezometria);
- aspectos hidrológicos (quantidade e características do chorume produzido, e características da
água do lençol subterrâneo a montante e jusante do aterro);
- aspectos físico-químicos: pressão de gás e temperatura no interior do aterro.
Evidentemente, alguns aspectos da relação acima são prioritários. De qualquer forma, é
importante enfatizar que este conjunto de dados auxiliará a correta avaliação do balanço hídrico num
aterro. Observa-se, também, que um modelo corretamente calibrado pode ser usado para prever as
vazões de chorume provenientes de um aterro sanitário.
O estudo dos modelos de balanço hídrico é importante não somente para a compreensão da
dinâmica das condições do tempo, envolvendo meteorologia, água, solo e vegetação, como também
para fornecer parâmetros para estudos quantitativos de fertilizantes, efeitos dos pesticidas e o
potencial de poluição do aterro sanitário. O controle do balanço hídrico é também relevante para
projetos de recuperação da área de antigos aterros fechados, em especial quando se deseja fazer uma
revegetação do local.
4. PADRÃO DE GESTÃO AMBIENTAL ATUAL DOS ATERROS SANITÁRIOS
À exceção de casos isolados como do Aterro Sanitário Norte de Porto Alegre e de Caxias do
Sul, no Rio Grande do Sul, do Aterro Sanitário de Joinville em Santa Catarina, dos Aterros Sanitários
Bandeirantes e do Sitio São João em São Paulo, do Aterro Sanitário de Camaçari na Bahia e de
Muribeca em Recife/Pernambuco e Macaé e Adrianópolis no Estado do Rio de Janeiro, não se
conhece na atualidade nenhum outro vazadouro que tenha um programa regular de acompanhamento
das condições específicas do aterro, da área do entorno e dos diversos fatores que podem agredir o
meio ambiente.
Mesmo ainda nos aterros supra citados, em alguns casos, o acompanhamento não tem
regularidade, e se restringe fortemente à definição de indicadores associados ao comportamento
geomecânico do maciço, visando avaliar a segurança operacional do mesmo, (como no caso dos
aterros de São Paulo); a avaliação da qualidade dos efluentes do aterro (chorume), e da qualidade das
águas subterrâneas vizinhas, visando investigar a ocorrência ou não de contaminação das águas subsuperficiais.
No que tange ao ar as ações são mais esparsas e isoladas, observando-se apenas alguns
registros em poucos aterros, meramente para verificação de concentração de metano, e assim mesmo
junto aos drenos de gás, como se observou em alguns aterros de São Paulo (Vila Albertina (6,5m³/t. x
ano). Bandeirantes e São João), em Recife (Muribeca), em Porto Alegre, e no Rio de Janeiro
(Gramacho) e Adrianópolis em Nova Iguaçu.
Não existe regularidade e nem padronização nas ações de fiscalização por parte dos órgãos
ambientais competentes em cada Estado. Outrossim, face à própria reestruturação pela qual vieram e
vêm passando tais organismos nos últimos tempos, não há como exercer de forma plena tal ação
fiscalizatória regular.
Assim sendo, verifica-se na prática, que tais ações se dão em função de denúncias da
população atingida, ou decorrentes de solicitações específicas do empreendedor, privado ou não,
visando a ampliação e/ou alteração das diretrizes inicialmente definidas para implantação do Aterro
Sanitário.
Resíduos Sólidos
117
A inexistência de uma Unidade de Gestão Ambiental, especificamente voltada ao assunto, faz
também com que vez ou outra, verifiquem-se situações antagônicas quanto à competência, quer para
licenciar quer para fiscalizar, a exemplo do que se observa em ações promovidas por órgãos da
administração federal, no âmbito de assuntos de restrita competência legal e técnica do estado.
Acrescenta-se ainda aos fatos acima, a ausência de uma Unidade Gestora que permita de
forma adequada resolver as questões de relações institucionais entre os diversos órgãos/empresas
envolvidos, nos distintos níveis, bem como com a comunidade, de forma a bem administrar os
conflitos entre:
Æ
Operador
Administrador Municipal
Æ
Fiscalização/Gerenciador
Operador
Æ
Administrador Municipal
Órgão de Controle Ambiental
Æ
Administrador Municipal
Órgão de Plan. Urbano/ Metropolitano
Æ
População (Sociedade/Comunidade
Órgão de Planejamento
Organizada)
Urbano/Administração
Municipal
Æ
Órgão de Plan.
Órgão de Controle Ambiental
Urbano/Metropolitano
Æ
Orgão de Plan.
Agências de Financiamento
Urbano/Metropolitano
Finalmente, deve-se assinalar que não existem atualmente padrões ambientais globais para
cada sítio a serem atendidos, existem sim, padrões isolados, tais como para qualidade da água,
categorias/classe dos cursos de água superficiais, e padrões de qualidade do ar. No entanto, o padrão
ambiental deve procurar nortear as restrições e avaliação frente às condições locais onde se implanta
o empreendimento, e de forma compatível com o padrão/exigências ambientais e de qualidade de
vida da população local. Assim, apesar de poder se estabelecer diretrizes/políticas de gestão, deve-se
ter em conta sempre que as mesmas deverão ser suficientemente flexíveis para serem ajustadas a
cada região, uma vez que o padrão ambiental varia de uma para outra.
Conclui-se, portanto, que, sem uma Unidade de Gestão, e a definição, mesmo que preliminar
de um padrão ambiental regional a ser atendida, a ação sobre os aterros sanitários fica restritas ao
âmbito do próprio aterro e, de forma geral, para apenas documentar o mínimo necessário e/ou
responder quando assim for acionado por um órgão fiscalizador de qualquer natureza, sem que no
entanto, mesmo neste caso, a ação fiscalizadora tenha claro, ou esclareça os objetivos a serem
atendidos, decorrentes das solicitações apresentadas na ação fiscalizatória.
O monitoramento de um Aterro Sanitário visa coletar dados que permitem avaliar a sua
influência sobre o meio ambiente. Os efluentes gasosos e líquidos formados são lançados para fora
do depósito de resíduos e o monitoramento avaliará as conseqüências destes sobre o meio.
O monitoramento envolve métodos com e sem amostragem. Nos métodos com amostragem,
as análises serão feitas em laboratório com as amostras coletadas no campo.
Publicações referentes ao assunto podem ser encontradas em MAHLER E OLIVEIRA, 1997,
OLIVEIRA E MAHLER, 1997, MAHLER E OLIVEIRA, 1998, IPT-CENPRE, 2000 e
TSCHOGANOPOULOS E OUTROS, 1997.
5. CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
Existem diversas maneiras de classificar os resíduos sólidos, sendo as mais comumente
utilizadas classificadas conforme o risco ambiental de contaminação do meio, a origem e a natureza
física.
A) Quanto aos Riscos Potenciais de Contaminação do Meio Ambiente
Segundo a NBR 10004, os resíduos sólidos podem ser classificados em:
Classe I - Perigosos: compreende os resíduos sólidos que, em função de suas características
de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade, podem apresentar risco
à saúde ou ao meio ambiente, provocando ou contribuindo para um aumento de mortalidade ou
Resíduos Sólidos
118
incidência de doenças e podendo, ainda, apresentar efeitos adversos ao meio ambiente, quando
manuseados ou dispostos de forma inadequada.
Classe II A- Não Inertes: são os resíduos que podem apresentar características de
combustibilidade, solubilidade ou biodegradabilidade, com possibilidade de acarretar riscos à saúde
ou ao meio ambiente, sendo portanto aqueles resíduos que não se enquadram nem na Classe I
(perigosos) ou na Classe II B(inertes).
Classe II B - Inertes: são aqueles que, por suas características intrínsecas, não oferecem
riscos à saúde e que, quando submetidos ao teste de solubilidade (proposta de norma 1:63.02-003 –
Solubilização de resíduos sólidos – Métodos de ensaio), não tiverem nenhum de seus constituintes
solubilizados, em concentrações superiores aos padrões de potabilidade.
B) Quanto à Origem
A origem é um dos principais elementos para uma boa caracterização dos resíduos sólidos.
Segundo a mesma, os resíduos podem ser agrupados em quatro classes:
I) Lixo Doméstico ou Residencial1
Composto pelos resíduos gerados nas atividades diárias em casas, apartamentos, condomínios
e moradias de qualquer natureza.
II) Lixo Comercial1
É o lixo produzido em estabelecimentos comerciais, cujas características dependem da
atividade ali desenvolvida.
III) Lixo Público1
São os resíduos da varrição, capina, raspagem, poda de árvores e outros serviços,
provenientes dos logradouros públicos, bem como móveis velhos, restos de cerâmica, entulhos de
obras2 e outros materiais inservíveis deixados pela população, indevidamente, nas ruas, ou retirados
das residências através de serviço de remoção especial.
IV) Lixo de Fontes Especiais
Considerado como o lixo que, em função de determinadas características peculiares que
apresenta, passa a merecer cuidados especiais em seu manuseio, acondicionamento, estocagem,
transporte ou disposição final.
Dentro desta categoria merecem destaque os seguintes tipos de resíduos:
* Lixo Industrial, que é os resíduos originados nas atividades dos diversos ramos da indústria.
A composição destes resíduos é extremamente variável, em função da atividade industrial exercida e,
na maioria das vezes, se enquadra na Classe I.
* Resíduos de Serviços de Saúde (mais conhecidos como Lixo Hospitalar), que são os resíduos
gerados em estabelecimentos destinados à prestação de assistência sanitária à população. São os
resíduos provenientes de atividades médicas, paramédicas, farmacêuticas, odontológicas e afins,
realizadas em hospitais, clínicas, casas de saúde, prontos-socorros, ambulatórios, postos de saúde,
laboratórios, farmácias, drogarias, consultórios, clínicas veterinárias e congêneres. Este tipo de
resíduo possui classificação própria (NBR 12808).
* Resíduos Radioativos, que são os resíduos que contém metais radioativos como o césio, lítio
e urânio. No Brasil, o manuseio, coleta, transporte e destinação destes resíduos está normatizada pelo
CNEN (Conselho Nacional de Energia Nuclear).
* Resíduos Agrícolas, também conhecidos como Resíduos Agrotóxicos, que são os resíduos
sólidos provenientes de atividades agrícolas e pecuárias, como embalagens de adubos, restos de
defensivos agrícolas, pesticidas, rações, esterco animal e restos de colheita.
* Lixo de Portos, Aeroportos e Terminais Rodoviários, constituído pelos resíduos sépticos, ou
potencialmente sépticos, trazidos aos terminais de portos, aeroportos e rodoviários. Basicamente
originam-se de materiais de asseio pessoal e restos de alimentação que podem veicular doenças de
outras cidades, estados e países.
Observações:
1) Nas atividades de limpeza urbana, os tipos doméstico e comercial constituem o chamado
lixo domiciliar, que junto com o lixo público, representa a maior parcela dos resíduos sólidos
produzidos nas cidades. É muito comum se encontrar o enquadramento do lixo domiciliar na Classe
Resíduos Sólidos
119
III (resíduos inertes), entretanto, o correto enquadramento deste tipo de resíduo seria na Classe II A
(resíduos não inertes), face às características poluidoras do chorume e de outros materiais que se
acham dispersos no meio da massa do lixo domiciliar, como lítio e cádmio (pilhas e baterias), tintas e
solventes (restos de material de pintura), inseticidas e pesticidas (produtos para jardinagem e para
proteção de animais), frascos de aerossóis e lâmpadas fluorescentes.
2) Na maioria das cidades de grande porte, como quase todas as capitais, a quantidade de
entulho de obras é tão grande que estes resíduos são tratados em separado. O entulho pode ser
definido como os resíduos provenientes das atividades de construção civil, como escavações,
construções e demolições. Estes resíduos normalmente se enquadram na Classe II B- resíduos
inertes, existindo o entulho “sujo” (misturado) e o entulho “limpo” (só resto de obra civil, sem
metais, madeiras e outros materiais). A Resolução CONAMA nº 307 classifica os resíduos da
contrução civil (RCC) popularmente denomidado de entulho em quatro grupos a saber: classe A,B,C
e D sendo resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados; resíduos reclicáveis,como
papel/papelão,vidro; materiais ainda sem reutilização apropriada, ex gesso; resíduos perigosos, como
solventes respectivamente.
C) Quanto à Natureza Física
Extremamente importante quando a prefeitura procura implantar ou manter um programa de
reciclagem ou coleta seletiva. Segundo esta classificação, os resíduos podem ser:
• Resíduo Úmido ou Lixo Orgânico, constituído pela matéria orgânica presente no lixo,
como restos de comida, folhas de árvores e outros.
• Resíduo Seco ou Lixo Inorgânico, representado pela fração dos demais componentes do
lixo, normalmente constituída de materiais recicláveis e rejeitos inertes.
Os resíduos secos compreendem:
• Vidros;
• Metais;
• Plásticos “mole e duro”;
• Papéis;
• Papelão;
• Material de Construção;
• Madeiras;
• Panos;
• Outros.
Resíduos Sólidos
120
6. RESPONSÁVEIS PELA GESTÃO DOS RESÍDUOS
Segundo a Constituição Federal, o município tem a competência legal para organizar,
administrar e prestar os serviços públicos de interesse local. Assim, as Prefeituras Municipais têm a
responsabilidade de efetuar a limpeza das vias e logradouros públicos, assim como realizar a coleta e
destinação dos resíduos domésticos e de outros resíduos. Contudo, a própria legislação federal, e em
alguns casos a legislação estadual, prevê situações em que a responsabilidade pela destinação final
dos resíduos fica a cargo do gerador. Para os casos omissos, o município pode criar legislação
específica, definindo a responsabilidade pela gestão dos resíduos gerados.
A Tabela 2, a seguir, procura dar uma idéia das situações mais comuns encontradas nos
diversos municípios brasileiros. Observe-se que, para efeito de responsabilidade e gestão de resíduos
sólidos, a classificação normalmente utilizada é quanto à origem do resíduo.
TABELA 2 - Órgãos responsáveis pela gestão dos resíduos sólidos.
TIPO DE RESÍDUO
Doméstico
Comercial - Pequeno Gerador1
GESTOR
RESPONSÁVEL
Prefeitura Municipal
Prefeitura Municipal
ÓRGÃO FISCALIZADOR
Controle Ambiental do Estado
Controle Ambiental do Estado
Prefeitura, com ação supletiva do
Comercial - Grande Gerador1
Gerador
Controle Ambiental do Estado
Público
Prefeitura Municipal
Controle Ambiental do Estado
Industrial
Gerador
Controle Ambiental do Estado
Serviços de Saúde
Gerador1
Controle Ambiental do Estado
CNEN, com ação complementar do
Radioativos
Gerador
Controle Ambiental do Estado
IBAMA, com ação complementar do
Agrícolas
Gerador
Controle Ambiental do Estado
Governo Federal, com ação supletiva
do Controle Ambiental do Estado e da
Portos e Aeroportos
Gerador
Prefeitura
Prefeitura, com ação supletiva do
2
Entulho - Pequeno Gerador
Prefeitura Municipal
Controle Ambiental do Estado
Entulho - Grande Gerador2
Gerador
Controle Ambiental do Estado
FONTE: apud XAVIER DE BRITO, 1999 e IPT-CENPRE, 2000
3
7. CARACTERÍSTICAS DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
As características dos resíduos sólidos variam para cada cidade, para cada bairro até, em
função de diversos fatores, como o porte, a atividade dominante (industrial, comercial e turística), os
hábitos da população (principalmente quanto à alimentação e forma de se vestir), ao clima e ao nível
educacional.
Além disto, a sociedade está sempre se transformando. Dentro de uma mesma comunidade,
as características vão se modificando com o decorrer dos anos, tornando necessários programas de
caracterização periódicos, de preferência ao longo do ano, em função do número de habitantes da
1
A maioria das cidades que possui um Regulamento de Limpeza Urbana define como Pequeno Gerador de Resíduos Comerciais,
os estabelecimentos que geram um volume máximo que varia de 100 a 250 litros (ou de 20 a 50 kg) por dia de coleta.
2
As Prefeituras, de forma geral, se responsabilizam pela coleta e destinação de pequenas quantidades de entulho, quase sempre
em quantidades que não ultrapassem 50 kg.
3
Como grande parte dos hospitais e casas de saúde não sabe (ou não se importa) em gerir adequadamente seus resíduos, é
comum a Prefeitura Municipal assumir esta responsabilidade, algumas vezes cobrando pelos serviços prestados.
Resíduos Sólidos
121
cidade, visando a atualização destes dados e a adaptação do sistema de gerenciamento dos resíduos
sólidos a estas transformações. Três excelentes exemplos desta transformação constante são: a
informática, a indústria de alimentos e a indústria de roupas.
As características dos resíduos podem ser reunidas em três grupos, a saber: características
físicas, químicas e biológicas.
Destes três grupos, aquele que mais interfere no dimensionamento do Sistema de Coleta e da
disposição, considerando eventualmente a existência de um programa de coleta seletiva e reciclagem,
é o das características físicas, por influenciar visceralmente todos os aspectos da gestão dos resíduos
sólidos.
Características Físicas
Os aspectos a serem considerados neste caso são:
• Geração Per Capita: item que relaciona a quantidade de resíduos urbanos, gerada
diariamente, e o número de habitantes de determinada região. Pode-se considerar valores na faixa de
0,5 a 0,8 kg/habitante/dia como variação média para o Brasil, o que não é válido para todo o país,
conforme será visto mais adiante. É a característica que mais varia com o crescimento das cidades e
que varia dentro de cada cidade grande. No Rio e em São Paulo, o per capita de lixo pode ser
considerado na faixa de 1,0 kg/hab.dia, enquanto Tóquio e Nova Iorque estão na faixa de 2,0
kg/hab.dia. Na Alemanha este valor está por volta de 1,6 kg/hab.dia e na Suíça chega a quase 1,7.
Enquanto isso, na Grécia, o valor é menor do que 1,0 kg/hab.dia, conforme pode ser visto na tabela
abaixo:
TABELA 2 -. Lixo europeu
PRODUÇÃO ANUAL DE RESÍDUOS POR HABITANTE NOS PAÍSES
EUROPEUS, em kg/ano
QUEM PRODUZ MAIS
QUEM PRODUZ MENOS
Suiços
600
Checos
310
Franceses
590
Poloneses
320
Noruegueses
590
Gregos
340
Islandeses
570
Portugueses
350
Holandeses
570
Espanhóis
370
FONTE: VEJA, 1999
Resíduos Sólidos
122
Um cuidado que se deve ter sempre é atentar com o que se está correlacionando à produção
per capita: se somente com o lixo domiciliar (doméstico + comercial), ou com os resíduos urbanos de
forma geral (domiciliar + público + entulho, podendo até incluir os resíduos de serviços de saúde),
que é a forma preferida por diversos técnicos.
• Composição Gravimétrica: representa o percentual de cada componente em relação ao peso
total da amostra de lixo analisada. Os componentes mais utilizados na determinação da composição
gravimétrica dos resíduos sólidos urbanos são os apresentados na Tabela 3. Entretanto, é comum
fazer-se uso de uma determinação simplificada, contando somente com alguns poucos componentes,
como: papel/papelão; plásticos; vidro; metais; matéria orgânica e outros. Este tipo de composição
simplificada, embora possa ser usada no dimensionamento de uma usina de compostagem e de outras
unidades de um sistema de limpeza urbana, não se presta, por exemplo, a um estudo de reciclagem
ou de coleta seletiva, já que o mercado de plásticos rígidos é bem diferente do mercado de plásticos
maleáveis, assim como os mercados de ferrosos e não ferrosos. Da mesma forma, este tipo de
composição gravimétrica não se presta ao dimensionamento de unidades de aproveitamento de pneus
e elastômeros em geral. Vale observar que, na Alemanha, os vidros são ainda separados de acordo
com sua coloração.
TABELA 3 - Relação de componentes mais comuns da composição gravimétrica.
Papel e Papelão
Madeira
Plástico Rígido
Borracha
Plástico Maleável
Couro
Metal Ferroso
Pano/Trapos
Metal Não Ferroso
Ossos
Vidro
Cerâmica
Matéria Orgânica
Agregado Fino
• Peso Específico Aparente: peso dos resíduos, função do volume por eles ocupados,
expresso em kg/m3. Sua determinação é fundamental para o dimensionamento de equipamentos e
instalações, bem como a previsão da vida útil do aterro.
• Teor de Umidade: medido em porcentagem em peso, esta característica tem influência
decisiva, principalmente nos processos de tratamento e, destinação do lixo e em especial, na
produçäo de chorume. Varia muito em função das estações do ano e da incidência de chuvas.
• Grau de Compactação ou Compressividade: indica a redução de volume que uma massa de
lixo pode sofrer, quando submetida a uma pressão determinada e é utilizada para o dimensionamento
de equipamentos compactadores. O grau de compactação do lixo pode chegar a 1:3 e 1:4 para uma
pressão equivalente a 4 kg/cm2.
Características Químicas
• Poder Calorífico: indica a capacidade potencial de um material desprender determinada
quantidade de calor, quando submetido à queima, sendo extremamente importante nos processos de
tratamento térmico dos resíduos.
• Potencial Hidrogeniônico (pH): indica o teor de acidez ou alcalinidade dos resíduos.
• Composição Química: consistem na determinação dos teores de cinzas, matéria orgânica,
carbono, nitrogênio, potássio, cálcio, fósforo, resíduo mineral total, resíduo mineral solúvel e
gorduras: importante conhecer, principalmente quando se estudam os processos de tratamento
aplicáveis ao lixo.
• Relação Carbono/Nitrogênio: indica o grau de decomposição da matéria orgânica do lixo
nos processos de tratamento/disposição final.
Características Biológicas
É a pesquisa da população microbiana e dos agentes patogênicos presentes nos resíduos
sólidos.
Resíduos Sólidos
123
As características biológicas dos resíduos sólidos urbanos, ao lado das suas características
químicas, permitem que sejam selecionados os métodos de tratamento e disposição mais adequados.
O conhecimento das características biológicas dos resíduos tem sido muito utilizado no
desenvolvimento de inibidores de cheiro e de retardadores/aceleradores da decomposição da matéria
orgânica, normalmente aplicados no interior de veículos de coleta, para evitar ou minimizar
problemas com a população ao longo do itinerário dos veículos.
Da mesma forma, estão em desenvolvimento processos de destinação final e de recuperação
de áreas degradadas, com base nas características biológicas dos resíduos. (vide LIMA, 1990).
Processos Expeditos de Determinação das Principais Características Físicas
Dos grupos de características apresentados, o mais importante é o das características físicas,
uma vez que, sem o seu conhecimento, é praticamente impossível se efetuar a gestão adequada dos
serviços de limpeza urbana.
Além disto, não são todas as Prefeituras que podem dispor de laboratórios (ou de verbas para
contratar laboratórios particulares) para a determinação das características químicas ou biológicas
dos resíduos, enquanto as características físicas podem ser facilmente determinadas através de
processos expeditos de campo, com o auxílio apenas de latões de 200 litros, de uma balança, de uma
estufa e do ferramental básico utilizado na limpeza urbana.
8. FATORES QUE INFLUENCIAM AS CARACTERÍSTICAS DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
É preciso tomar cuidado com os valores que traduzem as características dos resíduos,
principalmente no que concerne às características físicas, pois os mesmos são muito influenciados
por fatores sazonais, que podem levar o projetista a conclusões equivocadas quanto à real
contribuição de um determinado parâmetro no total do lixo gerado na cidade. É fácil imaginar que,
em época de chuvas fortes, o teor de umidade no lixo tenda a crescer, ou que haja um aumento do
percentual de latinhas de cerveja no carnaval, garrafas de vinho no inverno, fraldas descartáveis em
regiões com muitos recém - nascidos ou asilos de pessoas idosas ou, ainda, que no outono cresça o
número de folhas a serem recolhidas. Em resumo:
A escolha das épocas certas para a realização das coletas e a sua repetitividade ao longo dos
anos são fatores que dão confiança e reprodutibilidade aos dados obtidos.
Os principais fatores que exercem forte influência sobre as características dos resíduos estão
listados na Tabela 4, a seguir.
TABELA 4 - Fatores que influenciam as características dos resíduos
FATORES
INFLUÊNCIA
1 - Climáticos
Aumento do teor de umidade
Chuvas
Aumento de garrafas pelo consumo de bebidas alcoólicas
Inverno
quentes (vinho etc)
Outono
Aumento do teor de folhas
Aumento do teor de embalagens de bebidas (latas, vidros e
Verão
plásticos rígidos).
Aumento do teor de embalagens de bebidas (latas, vidros e
2 - Épocas Especiais
plásticos rígidos)
Carnaval
Aumento de embalagens (papel/papelão e plásticos maleáveis
Natal / Ano Novo / Páscoa
e metais) aumento de matéria orgânica
Aumento de embalagens (flores, papel/papelão e plásticos
Dia das Mães, dos Pais, das Crianças
maleáveis e metais).
Esvaziamento de áreas da cidade em locais não turísticos.
Férias Escolares
Aumento populacional em locais turísticos.
Quanto maior a população urbana e maior o poder aquisitivo,
3 - Demográficos
maior a geração per capitã.
População urbana
4 - Sócio-Econômicos
Quanto maior o nível cultural, maior a incidência de
Resíduos Sólidos
124
materiais recicláveis (papéis etc) e menor a incidência de
matéria orgânica.
Quanto maior o nível educacional, menor a incidência de
Nível Educacional
matéria orgânica.
Quanto maior o poder aquisitivo, maior a incidência de
Poder Aquisitivo
materiais recicláveis e menor a incidência de matéria
orgânica.
Maior consumo de supérfluos perto do recebimento do
Poder Aquisitivo (no mês)
salário (fim e início do mês)
Poder Aquisitivo (na semana)
Maior consumo de supérfluos no fim de semana
Lançamento de Novos Produtos
Aumento de embalagens
Clinícas Geriátricas
Fraldas Descartáveis
Promoções de Lojas Comerciais
Aumento de embalagens
Redução de materiais não biodegradáveis e aumento de
Campanhas Ambientais
materiais biodegradáveis
FONTE: apud XAVIER DE BRITO, 1999 modificada.
Nível Cultural
No texto a seguir, alguns destes fatores serão analisados em maior profundidade, com relação
à sua influência sobre as características físicas dos resíduos sólidos, dada a importância destas.
A) ASPECTOS QUANTITATIVOS
A quantidade de lixo gerada em uma cidade varia da seguinte forma: com a variação da
geração per capita, com alterações do contingente populacional, bem como do poder aquisitivo da
população, sendo que estas últimas exercem influência sobre a primeira.
a) Faixas de Variação do Per Capita
A taxa de geração de lixo per capita varia diretamente com a população urbana de uma
cidade. Tem - se observado, de forma geral, que com o desenvolvimento das cidades, melhoram as
condições sócio-econômicas da população, que passa a consumir mais e, conseqüentemente, a gerar
mais lixo.
Em um projeto de coleta, tratamento e disposição de resíduos é importante que se tenha este
fato em mente porque, no Brasil, devido à falta de informações sobre resíduos sólidos, comumente os
técnicos extrapolam dados de uma cidade para projetar o sistema de limpeza de outra, o que pode ser
absolutamente incorreto e inadequado.
Assim, a geração per capita de uma cidade de pequeno porte no interior do centro-sul do
Brasil, certamente será maior que o per capita de uma cidade de mesmo tamanho na região do
polígono das secas.
Analogamente, o per capita de uma cidade de grande porte da região norte-paranaense não
será muito menor que o per capita de Curitiba.
De acordo com XAVIER DE BRITO (1999), para efeito prático, este conceito de variação do
per capita com a população urbana pode ser mantido, considerando-se as faixas de geração per capita
fornecidas na Tabela 5. Vale observar, contudo, que é sempre melhor um acompanhamento com
caracterização dos resíduos sólidos produzidos na cidade em estudo, para que projetos adequados
sejam desenvolvidos.
TABELA – Faixas mais utilizadas da geração total per capita
Tamanho da Cidade
População Urbana
(habitantes)
Pequena
Até 30.000
Média
De 30.000 a 500.000
Grande
De 500.000 a 3.000.000
Megalópole
Acima de 3.000.000
FONTE: XAVIER DE BRITO, 1999 modificado.
Geração Per Capitã
(kg/hab.dia)
0,50
De 0,50 a 0,80
De 0,80 a 1,00
De 1,00 a 1,30
Resíduos Sólidos
125
O Gráfico 1, a seguir, apresenta a variação das quantidades de resíduos sólidos geradas no
município do Rio de Janeiro, de 1993 a 2004 . Observe-se neste gráfico que nem todo o acréscimo de
lixo coletado na passagem de 1995 para 1996 se deve exclusivamente à variação do per capita, mas
sim a um misto de variação do per capita e aumento de eficiência do sistema de coleta.
tonelada
3.400.000
3.000.000
2.600.000
2.200.000
1.800.000
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
FONTE: COMLURB, 2004.
Gráfico 1 - Evolução da Quantidade de Resíduos Sólidos Gerada na Cidade do RJ.
Sazonalidade
A sazonalidade da geração de resíduos sólidos não está restrita somente à variação do
contingente populacional, em função do afluxo de turistas em fins de semana, feriados prolongados e
períodos de férias escolares, ou do esvaziamento de determinadas regiões, por ocasião dos citados
períodos. Ela ocorre em qualquer tipo de cidade (não só as turísticas) ao longo dos dias da semana e
ao longo das semanas no mês, por força de hábitos da população local.
t
8.500
8.281,37 t
8.200
8.682 t
7.900
7.600
7.380,62 t
7.300
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
FONTE: COMLURB, 2004.
Gráfico 2 – Média de tonelada por dia do lixo municipal do RJ 1993 a 2004.
a) Sazonalidade Não Turística
Como já se mencionou anteriormente, há uma forte tendência no mundo ocidental a se
consumir mais nos fins de semana, com o conseqüente aumento da geração de lixo.
Por isto, a determinação do per capita de resíduos sólidos jamais poderá ser feita numa
segunda - feira, pois, além do incremento na geração de resíduos, a maioria dos serviços de limpeza
urbana não opera no domingo, acarretando um acúmulo de lixo a ser coletado na segunda - feira.
Resíduos Sólidos
126
Caso isto ocorra, todo o sistema projetado estará superdimensionado, a quantidade de
veículos será maior que a necessária, haverá mão de obra ociosa e as instalações de tratamento e
destinação final terão dimensões acima das necessidades, causando um duplo prejuízo à Prefeitura
contratante, pois além das perdas no investimento inicial, o custo operacional deste sistema será mais
caro.
Com muito mais razão, vale a recomendação de jamais se efetuar o cálculo ou a
determinação de qualquer característica física dos resíduos urbanos, no primeiro dia após fins de
semana prolongados.
Da mesma forma XAVIER DE BRITO, em 1999, recomenda que a determinação do per
capita seja feita entre os dias 10 e 20 do mês, uma vez que, o período de 25 a 10 do mês seguinte,
reflete a época de recebimento salarial, ocasião em que há um maior consumo por parte da população
e, consequentemente, uma maior geração de lixo. O período de 20 a 25 do mês espelha o período em
que parte da população está sem dinheiro, provocando um decréscimo no consumo e na geração de
lixo.
O Gráfico 3 apresenta a curva típica da geração de lixo ao longo do mês, mostrando a
oscilação da geração per capita.
Percentual
Médio de Lixo
140
120
100
80
60
40
1
3
5
7
9
11
13
15
17
19
21
23
25
27
29
Dias do Mês
FONTE: apud XAVIER DE BRITO, 1999.
GRÁFICO 3 - Variação Mensal da Geração de Resíduos Sólidos
No caso do Rio de Janeiro, dados da COMLURB indicam que a região da orla marítima
chega a gerar o dobro da quantidade média mensal mas, se comparada à quantidade total de lixo
gerado no município, este acréscimo não chega a 3%.
Conforme bem observado por XAVIER DE BRITO (1999) o aumento da geração de lixo não
é diretamente proporcional à geração per capita da população residente, pois os turistas, além de
terem um poder aquisitivo maior que o desta população, estão em período de férias, com espírito
propício a consumir. Assim, se o per capita médio da população residente é de 500g/hab.dia, o per
capita da população flutuante é de, no mínimo, 1 kg/hab.dia.
Apresenta-se a seguir resultados de caracterização de resíduos sólidos obtidos em São Paulo.
Componentes
Composição Porcentagem Média em Peso
Alto Pinheiros
Butantã
Lapa
Marsilack
Vidro
2,40
1,10
2,40
0,70
Metal
1,90
3,80
1,50
2,20
Plástico
22,10
21,30
16,80
20,70
Resíduos Sólidos
127
Papel
27,20
21,20
12,20
10,30
Mat.Org.
43,20
49,00
61,80
63,90
Mat.Inerte
0,00
0,00
2,00
0,00
Outros
3,20
3,60
3,30
2,20
FONTE: ORTH E MOTTA,1998
QUADRO 1 – Composição por área diferenciada em São Paulo.
Composição percentagem Média em Peso
Componentes
Centro Leblon Tijuca
Méier
Penha
Pavuna
Barra
Bangu
Campo
Grande
Sta
Cruz
Vidro
2,88
3,60
4,50
3,13
4,50
1,66
4,95
2,43
2,30
2,37
Metal
1,94
1,31
2,16
1,20
2,14
1,77
1,87
1,52
1,55
1,73
Plástico
20,82
18,91
18,33
14,18
16,22
15,67
16,79
13,60
14,09
14,73
Papel/Papelão
17,76
13,52
15,98
11,59
14,74
10,63
17,11
10,05
9,81
7,91
Mat. Org.
51,50
57,61
54,37
63,08
51,85
62,64
47,44
60,29
63,31
59,71
Outros
5,10
5,05
4,66
6,82
10,55
7,63
11,84
12,11
8,94
13,55
FONTE: COMLURB - 2004
QUADRO 2 – Composição por área diferenciada no Rio de Janeiro.
A quantidade de matéria orgânica aumentou consideravelmente em alguns bairros devido ao início do
serviço de coleta seletiva. Quanto maior o poder aquisitivo, maior a incidência de materiais recicláveis e menor a
incidência de matéria orgânica. O bairro da Tijuca está apresentando uma percentagem de matéria orgânica inferior
ao Leblon, mas é sabido que este tem um poder aquisitivo superior ao primeiro. Esse fato é explicado porque o
bairro do Leblon iniciou o serviço de coleta seletiva no início de 2003 enquanto a Tijuca no final de 2004.
Resíduos Sólidos
128
Projeção das Quantidades de Lixo Geradas
XAVIER DE BRITO (1999) observa que, para se efetuar uma projeção correta da quantidade
de resíduos sólidos gerados numa cidade, é necessário que se projete, simultaneamente, a população
e o per capita.
Nas cidades turísticas, é importante também se efetuarem as projeções de população residente
e flutuante, isoladamente, projetando-se, também separadamente, os respectivos per capita.
Como no Brasil os dados sobre resíduos sólidos são escassos e, muitas vezes, de baixa
confiabilidade, o procedimento usualmente adotado para a projeção do per capita é o de se efetuar a
projeção populacional, verificar a faixa do per capita na qual ela se encaixa e interpolar os novos
valores do per capita de acordo os limites fornecidos na Tabela 5. O exemplo a seguir, proposto por
XAVIER DE BRITO (1999), esclarece os procedimentos a serem adotados.
Suponha-se que se quer projetar um sistema de limpeza urbana para uma cidade não turística,
com uma população atual de 30.000 habitantes, que cresce a uma taxa de 3% ao ano, na qual foi
medida uma geração per capita de 580 g/hab.dia.
Adotando-se um horizonte de 20 anos para a projeção, os valores de população serão os
fornecidos pela Tabela 6.
Resíduos Sólidos
129
TABELA 6 - Projeção populacional
ANO
POPULAÇÃO (hab)
2005
30.000
2006
30.900
2007
31.827
2008
32.782
2009
33.765
2010
34.778
2011
35.821
2012
36.896
2013
38.003
2014
39.143
2015
40.317
2016
41.527
2017
42.773
2018
44.056
2019
45.378
2020
46.739
2021
48.141
2022
49.585
2023
51.073
2024
52.605
2025
54.183
FONTE: apud XAVIER DE BRITO, 1999 modificada.
De acordo com a Tabela 5, quando a cidade atingir os 54.000 habitantes, seu per capita
deverá ser da ordem de 600 g/hab.dia. Assim, em termos práticos, pode-se dizer que a cidade
evoluirá na geração per capita de acordo com os valores da Tabela 7.
TABELA 7 - Evolução do per capita
PERÍODO
PER CAPITA
(g/hab.dia)
2005 a 2011
580
2012 a 2018
590
2019 a 2025
600
FONTE: apud XAVIER DE BRITO, 1999.
Desta forma, a projeção da quantidade de RS gerada na cidade será a fornecida na Tabela 8.
Resíduos Sólidos
130
TABELA 8 - Projeção da quantidade de lixo gerada.
PER CAPITA
ANO
POPULAÇÃO (hab)
(kg/hab.dia)
2005
30.000
0,58
2006
30.900
0,58
2007
31.827
0,58
2008
32.782
0,58
2009
33.765
0,58
2010
34.778
0,58
2011
35.821
0,58
2012
36.896
0,59
2013
38.003
0,59
2014
39.143
0,59
2015
40.317
0,59
2016
41.527
0,59
2017
42.773
0,59
2018
44.056
0,59
2019
45.378
0,60
2020
46.739
0,60
2021
48.141
0,60
2022
49.585
0,60
2023
51.073
0,60
2024
52.605
0,60
2025
54.183
0,60
FONTE: apud XAVIER DE BRITO, 1999.
QUANTIDADE DE
LIXO (t)
17,4
17,9
18,5
19,0
19,6
20,2
20,8
21,8
22,4
23,1
23,8
24,5
25,2
26,0
27,2
28,0
28,9
29,8
30,6
31,6
32,5
B - ASPECTOS QUALITATIVOS
Variações da Composição Gravimétrica
Os fatores que influenciam a alteração da composição gravimétrica dos resíduos sólidos
urbanos são: os hábitos populacionais (cultura), o “status” sócio-econômico da população e o avanço
da tecnologia de materiais.
Estes fatores, associados a campanhas de conscientização ambiental contra materiais não
degradáveis, são os que determinam a composição gravimétrica de cada país, de cada região e de
cada cidade.
No Gráfico 4 pode-se ver a grande variação que se tem na composição gravimétrica, de país
para país.
60.00
40.00
30.00
20.00
10.00
Medelin
USA
Italy
São Paulo
West Europe
Others
Food
Glass
Plastic
Wood
0.00
Paper
PERCENTAGE
50.00
Resíduos Sólidos
131
Gráfico 4 Comparação na produção de resíduos em diversos países (MAHLER E
OLIVEIRA, 1998)
Variações do Peso Específico Aparente
As variações do peso específico aparente dos resíduos sólidos ocorrem em função de
inúmeros fatores. Este texto limitar-se-á a apresentar apenas os principais fatores, que são: o poder
aquisitivo da população e o avanço tecnológico, que induzem a variações no consumo e trazem
consigo o emprego de novos materiais e equipamentos.
Com o aumento do poder aquisitivo, a população tende a consumir uma maior quantidade de
supérfluos, acarretando um acréscimo significativo de componentes leves do lixo, como papel,
papelão e plásticos, ao mesmo tempo em que diminui sua geração de lixo úmido (matéria orgânica).
A Tabela 9 a seguir, dão uma idéia da variação do peso específico com o poder aquisitivo da
população de alguns bairros do Rio de Janeiro, lembrando que a população da Zona Sul do Rio, de
uma forma geral, tem um poder aquisitivo maior que das demais regiões da cidade. Vale ainda
observar, confrontando os valores de peso específico com a presença de matéria orgânica nos bairros
de população de maior poder aquisitivo com população de menor poder aquisitivo, que a presença
deste material, associada ao maior teor de umidade do lixo dos bairros de menor poder aquisitivo
(ver item seguinte), conduzem a um peso específico maior do lixo.
Resíduos Sólidos
132
TABELA 9 - Variação do peso específicoem função do poder aquisitivo da população
PESO ESPECÍFICO
BAIRRO
APARENTE (kg/m3)
Centro
133,55
Leblon
157,15
Tijuca
147,35
Méier
162,70
Penha
176,99
Pavuna
175,11
Barra
142,98
Bangu
159,64
C. Grande
152,93
Sta. Cruz
145,82
FONTE: COMLURB,2004.
A explicação da variação do peso específico vale a mesma para a análise gravimétrica. No
ano de 2005 os valores devem representar melhor a realidade visto que o serviço de coleta seletiva já
atinge praticamente toda a cidade.
Variação do Teor de Umidade
O teor de umidade dos resíduos sólidos varia significativamente de acordo com a localização
geográfica da cidade e com a estação do ano. Assim, o lixo de cidades como Brasília, apresentam
teor de umidade bastante baixo, enquanto em Poços de Caldas, o teor de umidade do lixo ultrapassa
os 70%.
No Rio de Janeiro, este valor se situa na casa dos 65%, podendo-se adotar como média
brasileira o valor de 60%.
Como se mencionou anteriormente, a grande importância do teor de umidade reside no
dimensionamento de unidades de compostagem, uma vez que este parâmetro interfere de forma
direta na velocidade de decomposição do lixo.
Se não houver água em quantidade suficiente, a massa de lixo a compostar tenderá a secar,
reduzindo a velocidade de decomposição e aumentando o tempo de compostagem.
Se o teor de umidade for muito alto, odores desagradáveis serão produzidos, além de poder
ocorrer uma percolação de nutrientes do composto pela elevada concentração de água. Nesta
situação, a compostagem também ocorrerá lentamente. Do Manual de Gerenciamento Integrado do
Lixo do IPT, pode-se observar que o teor de umidade ideal para uma compostagem aeróbia está na
faixa de 40 a 60%, no máximo.
Variação do Peso Específico
Para o desenvolvimento de um bom projeto de aterro sanitário é importante o
conhecimento de alguns parâmetros geotécnicos, tais como o peso específico, a permeabilidade a
capacidade de campo, o teor de umidade, coesão, ângulo de atrito etc. Contudo, sabe-se que, em
se tratando de resíduos sólidos das cidades brasileiras, tais parâmetros ainda são escassos e de
representatividade ainda questionável. Para os resíduos dispostos em aterros, o fator tempo é
extremamente relevante, bem como as características iniciais dos resíduos dispostos, tendo em
vista a degradação da matéria orgânica e dos outros materiais presentes no maciço, o que implica
na variação ao longo do tempo das suas propriedades mecânicas. Visando estudar inicialmente o
efeito da coleta seletiva e da idade de disposição no peso especifico estudaram-se amostras
coletadas no Aterro Sanitário de Santo André, em São Paulo, onde também se fizeram ensaios de
cava in situ. Nesta cidade é praticada a coleta seletiva de resíduos. Acredita-se que esta prática
influencia, conforme onservado anteriormente, diversos aspectos geomecanicos na disposição
final dos resíduos em particular, o peso específico, já que os materiais recicláveis selecionados e
segregados antes da deposição no aterro, tais como garrafas plásticas, vidros, metais, dificultam a
compactação e exigem um longo tempo para a sua degradação. Utilizou-se na determinação do
Resíduos Sólidos
133
peso específico um equipamento similar a um Permeâmetro, denominado Percâmetro (Carvalho,
2002), com características especiais que permitem a coleta de amostras indeformadas dos
resíduos no campo e, posteriormente, determinar os seus pesos específicos. Com a finalidade de
aumentar a confiabilidade dos resultados, foram feitos ensaios com a abertura de valas que
permitiram a determinação de valores de pesos específicos em algumas das bermas do aterro
(Silveira, 2004), onde também foram realizados ensaios com o percâmetro. Aproveitando-se das
características do aterro em questão, foi possível se determinar as idades das bermas e,
conseqüentemente, do lixo depositado. Por fim, foram tabulados os valores dos pesos específicos
encontrados, confrontados com o tempo de disposição dos resíduos e com a implantação da
coleta seletiva, com a finalidade de se verificar a relação existente entre eles.
Apresentam-se a seguir valores de peso especíco obtidos a partir da literatura mundial
(Mahler e outros, 2004):
Tabela 10 - Valores de pesos específicos encontrados na literatura (Mahler e outros, 2004)
AUTOR/ANO
Peso específico
KN/M3
OBSERVAÇÕES
Sowers (1968)
Sowers (1973)
8-12
1,2-3
6
1,5-2
3,5-6
1,16
7,0-13,1
11,0-14,5
10,0
7,5-8,5
5,5-7,1
6,3
4,6-17,3
2,8-3,1
4,7-6,3
10,0
7- 14
10
Compactados
antes da compactação
após compactação
sem compactação
fraca compactação
sem compactação
Compactados
compactados
Após compactação
Pré-carregado
antes da decomposição
origem industrial e doméstica
misturado
municipal sem compactação
municipal moderadamente compactado
compactado
Rao (1974)
Bratley et al. (1976)
Cartier e Baldit (1983)
Oliden (1987)
Oweiss e Khera (1990)
Oweiss e Khera (1990)
Arroyo et al. (1990)
Landva e Clark (1990)
Van Impe (l 993-l 994)
resíduos sólidos municipais
densificados
máxima densidade seca (w=31%)
saturação completa (w=70%)
com volume de ar nulo (w=31%)
9,3
8
12
Gabr e Valero(1995)
Fonte: adaptado de Olalla, C. (1993).
A tabela a seguir apresenta os resultados obtidos no Aterro Santo André:
CAMADA
IDADE
(meses)
DATA
60
25/10/00
1
13/03/03
2
3
4
58
04/11/00
56
11/11/00
54
16/12/00
γt (kN/m3)
γt (kN/m3)
PERCÂMETRO
CAVA
COLETA SELETIVA
% / ANO
---
16,18
---
---
11,64
11,13
---
14,79
---
---
11,27
---
---
8,67
---
---
Resíduos Sólidos
5
6
9
13
134
52
06/01/01
50
20/01/01
44
20/01/01
24
24/02/01
03/1999
14
16
17
18
25/01/01
6
26/02/01
12
19/03/03
6
14/03/03
18
10,31
---
---
11,55
---
---
10,29
---
---
7,84
---
---
---
7,88
---
8,02
---
11,79
---
100 / 2000
10,37
19,94*
100 / 2000
11,09
10,09
100 / 2000
INÍCIO/ 1998
* Este valor causa dúvida, pois é muito alto para as condições locais dos resíduos.
Comparando-se os valores das camadas 14 até a 01, vê-se nitidamente o aumento do peso
específico com a idade dos resíduos de 8 para 16 kN/m³. Com relação às camadas 16, 17 e 18, onde a
coleta seletiva é de 100%, nota-se uma certa regularidade nos valores dos pesos específicos em torno
de um valor médio igual a 11,00 kN/m³. Pode-se observar que nas camadas com até 24 meses antes da
coleta seletiva (13 e 14) e após a coleta seletiva (16, 17 e 18) tem-se, respectivamente, os seguintes
valores médios: 8 kNm³ e 11 kNm³.
Em função dos ensaios realizados e dos resultados obtidos, ficou evidente a evolução do
peso específico com o tempo com uma variação no seu aumento de, aproximadamente, 8 para 16
kN/m³, uma variação de 100% num período de 60 meses, não deixando dúvidas quanto à
influência da idade dos resíduos no aumento do peso específico. Com a ampliação da coleta
seletiva em Santo André para 100% da cidade, iniciada no final de abril de 2000,
concomitantemente com a execução da camada 16 e considerando-se os resultados obtidos,
constata-se que houve um aumento real no valor do peso específico dos resíduos depositados a
partir da implantação da coleta seletiva. Comparando-se os valores médios obtidos nos ensaios
entre as camadas anteriores e posteriores à coleta seletiva tem-se um aumento percentual em
torno de 35% no peso específico. A partir do observado constatou-se que tanto com relação à
idade dos resíduos, quanto com relação à coleta seletiva, há uma clara influência de ambas na
evolução do aumento do peso específico dos resíduos sólidos municipais.
OBSERVAÇÕES FINAIS
Alguns aspectos que não foram abordados neste texto são, por exemplo, a questão da escolha
da área (MAHLER e COSTA LEITE, 1998), estabilidade (MAHLER E NETTO, 1999), vegetação
(MATTA E ANDRADE E MAHLER, 2000), coleta (FERNANDES DE ALMEIDA, 1999) e análise
de custos (BAGBY, 1999). A questão do lixo tem sido discutida e abordada de forma crescente na
sociedade brasileira e mundial. A disposiçäo final em aterros sanitários, tema considerado como a
solução final há alguns anos atrás, é nos países desenvolvidos como a Alemanha visto como assunto
encerrado sendo que a partir do ano de 2005 os aterros terão que ser aterros de inertes e não
sanitários, uma vez que só poderão ser dispostos materiais devidamente inertizados, seja por um
tratamento térmico ou um pré-tratamento mecânico biológico.
Agradecimentos
À doutoranda enga. Natalia Peçanha Caninas pela revisão e melhoria de algumas tabelas no
texto.
Resíduos Sólidos
135
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BAGBY, J. (1999). City of Seattle: Past, Present and Future and the role of full cost accounting in
Solid Waste Management, Seatle Public Utilities, Private Communication.
BRETZS, Elizabeth (Ed.). Energy from wastes. Power. V.34, n.3,p.S1-S10, Mar 1990.
BRUNNER, Calvin R. Handbook of Incineration Systems. New York: McGraw
CALDERONI, S. (1998). Os bilhões perdidos no lixo, EPUSP.
CARVALHO, A. R. (2002). Percametro: um novo equipamento para medição de paametros
geotécnicos em resíduos sólidos. Desenvolvimento e aplicação no Aterro Sanitário de
Santo André / São Paulo. Tese de Mestrado, Universidade Federal de Viçosa.
CHIRICO, Vincent Di, Municipal Waste Treatments Plants, Swiss Reinsurance Company, Eng.
Department, 1996.
COLLINS. Steve(Ed.).Mass-burn plant solves Long Island Community’s waste-disposal
COMLURB,(2004) Relatório da Diretoria Técnica Industrial, dez.
COMLURB, (2004) Caracterização do Lixo Urbano.
DA MATTA E ANDRADE, J.C. & MAHLER, C.F. (2000). Vegetação em aterros de resíduos
sólidos urbanos: estudo de caso no Brasil. IV Seminario Nacional de Resíduos Sólidos, Recife,
Novembro.
DA MATTA E ANDRADE, J. C., MAHLER, C.F. e Oliveira, J. (2002). Soil Phytoremediation. 4
ICEG, (International Congress of Geo-environmental Geotechnical Engineering), Rio de
Janeiro
DANIEL, D.E. & KOERNER, R.M. (1995). Waste Containment Facilities, ASCE.
DAVIS, M.L. e CORNWELL, D.A. (1991). Introduction to Environmeal Engineering, McGraw-Hill
International Editions.
DE LAMARE Neto, A. (1999). Caracterização Gravimétrica dos Resíduos Sólidos Urbanos.
Monografia para Exame de Qualificação para Candidatura ao Doutorado, COPPE/UFRJ.
FARIA, F. Avaliaçäo de aterros do Estado do Rio de Janeiro. Tese de Mestrado, COPPE/UFRJ.
2002.
FERNANDES de Almeida, T.P. Equipamentos utilizados nos Sub-sistemas de Gestão de RSU.
Indicadores Operacionais. Curso Análise de Projeto para Gestäo Integrada de Resíduos
Sólidos Urbanos (1999) oferecido pela ABES à Caixa Econômica Federal. 1999.
GIBBS, David R., Hepp, Mark P. Mass-burn plant achieves high availability, low emissions. Power,
Abr. 1990.
GRIMBERG, E. & Blauth, P. (1998). Coleta Seletiva Reciclando Materiais, Reciclando Valores,
Editora Polis Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais.
Resíduos Sólidos
136
HICKMAN, H. Lanier & REIMERS, Eric G. Unit Pricing for Muncipal Solid Waste Management
Services. International Directory of Solid Waste Management: the ISWA Yearbook 1993/4,
Copenhagen, 1994.
HADDAD, J. F. (1999). Projetos de Aterros Sanitários de Resíduos Sólidos Urbanos e Especiais.
Indicadores Operacionais. – palestra apresentada no curso Análise de Projeto para Gestäo
Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos (1999) oferecidos pela ABES a Caixa Econômica
Federal.
INTERNATIONAL Directory of Solid Waste Management: the ISWA Yearbook 1993/94.
Copenhagen, ISWA, 1994.
IPT - CEMPRE, Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, Lixo Municipal:
Manual de Gerenciamento Integrado, 2000.
JARAMILLO, J. (1991). Residuos Solidos Municipales. Programa de Saúde Ambiental, 1991.
KIEHL, Edmar José (1998) Manual de Compostagem – Maturação e Qualidade do Composto.
KNOWLES, Mike. Energy from Waste Plants for the 1990s. Waste Management. Jan., 1993. Pp.2326.
KOMPAC Engenharia, Coletânea de documentos sobre incineração.
LIMA, L.M.Q. (1991), Tratamento de Lixo. Ed. Hemus.
MAHLER, C.F. & OLIVEIRA, F. J. de, SíTIO SÃO JOÃO, (1997) A monitoring proposal for
environmental landfill managment, Symposium of Recent Developments in Soil Mechanics,
COPPE/UFRJ, junho de 1997.
MAHLER, C.F. & ITURRI, E.A.Z. (1998). Solid Waste Landfill Studied by Means of the Finite
Element Method, 4º Simpósio Internacional de Geotecnia Ambiental, Boston, EUA.
MAHLER, C.F., BURIN, E. & OLIVEIRA, F.J.P. de.
Reflections on the Stability of a
Municipal Sanitary Landfill, 3º Congresso Internacional de Geotecnia Ambiental, Lisboa,
Portugal. 1998.
MAHLER, C.F. & Iturri, E.A.Z. The Finite Element Method applied to the study of solid waste
landfills, 3º Congresso Internacional de Geotecnia Ambiental, Lisboa, Portugal. 1998.
MAHLER, C.F., Matta & ANDRADE, J.C. e MIANA DE FARIA, S. (1998). Vegetation in solid
waste landfills, 3º Congresso Internacional de Geotecnia Ambiental, Lisboa, Portugal.
MAHLER, C.F. e COSTA LEITE, L.E.H.B. Metodologia de seleção de áreas para implantação de
aterros sanitários, Revista Engenharia Sanitária e Ambiental. 1998.
MAHLER, C.F. e OLIVEIRA, F. J. de. An Environmental Monitoring Proposal for Landfill
Management, ICEM2, Wollongong, Austrália, 02/, Vol.2, pp. 765-776. 1998.
MAHLER, C.F. Methodology for Selection of Areas for Landfills, SARDINIA’99, Seventh
International Waste Management and Landfill Symposium, Sardinia, Italia. 1999.
MAHLER, C.F: Tratamento e Disposiçäo de lixo urbano doméstico, Revista do CREA do RJ, No. 33,
January/February, 2001, pp. 11-13.
Resíduos Sólidos
137
MAHLER, C.F. & AGUIAR, A. B. Determinação da permeabilidade in - situ em aterros de resíduos
sólidos. 21o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, João Pessoa, Paraíba
(submetido e aceito para publicação). 2001.
MAHLER, C.F. & DANTAS, K.M.C. Implantação de um sistema de gestão ambiental em uma
empresa de co-processamento de resíduos industriais em fornos de cimento – estudo de caso na
Tecnocol Comércio e Serviços Ltda. 21o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e
Ambiental, João Pessoa, Paraíba (submetido e aceito para publicação) 2001.
MAHLER; C.F. Relatório sobre o processo de pré-tratamento mecânico biológico, Fundaçäo
COPPETEC, 2002.
MAHLER; C.F., CARVALHO, A.R.; SILVEIRA, A.M. de M. (2002) Influence of the age and
recycling program in Waste Specific Weight. 7th International Symposium on
Environmental Geotechnology and Global Sustainable Development Helsinki and Espoo,
Finland, 8 to 10, June, 2004
MENEZES, Marco Antônio A., A incineração em unidade de pequeno porte Simpósio Paranaense
sobre Destinação Final de Resíduos Sólidos Urbanos, Curitiba, PR, 1983.
MENEZES, R. Projetos de Tratamento por Destruição Térmica (Incineração) de Resíduos Sólidos
Urbanos e Especiais. Indicadores Operacionais – curso Análise de Projeto para Gestäo
Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos (1999) oferecido pela ABES à Caixa Econômica
Federal. 1999.
MÜNNICH, K., MAHLER, CF and
MAAK, D.
MECHANICAL BIOLOGICAL
PRETREATMENT OF RESIDUAL WASTE IN BRAZIL, °, International Conference on
Waste Management, Sardinia, 2001, Italy.
OLIVEIRA, F. J. de e Mahler, C.F., SITIO SÃO JOÃO, A monitoring proposal for environmental
landfill managment, Sardinia’97. 1997.
PENNER, S.S. et al. Waste Incineration and Energy Recovery. Energy, Vol. 13, Nº12, 1988. Pp.845851.
PEREIRA Neto, José Tinoco (1993) Tratamento de Resíduos Sólidos por Compostagem Compêndio de publicações.
PORTEOUS, Andrew. Prospects for Municipal solid Waste Incineration. Wastes Management
Proceedings, October 1992. Pp.21-27.
READ, A. A new role for recycling officers in the uk social marketing, awareness raising and
overcoming barriers to public participation, sardinia’99. 1999.
REASON, John. Next step for waste-to-energy: better availability, efficiency. Power. V.30,n.7,p.1724,Jul 1986.
SCHUELER, A.S. e MAHLER, C.F. (2002). Compost originated from domestic waste. 4. ICEG
(Internacional Congress of Geo-Environmental Geotechnical Engineering), Rio de Janeiro,
Brasil.
SILVEIRA, A.M.M. da (2004) Estudo sobre o peso específico de resíduos sólidos urbanos.
M.Sc. COPPE/UFRJ. Brasil. (in Portuguese)
Resíduos Sólidos
138
TCHOBANOGLOUS,G., Theisen H. e Vigil . (1993) Gestion Integral de Residuos Sólidos. McGraw
Hill, 1993.
XAVIER de Brito, J.C. Peculiaridades dos Resíduos Sólidos Urbanos e Especiais – curso Análise de
Projeto para Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos oferecido pela ABES à Caixa
Econômica Federal. 1999.
Download

Há nos países em desenvolvimento em que predominam extensas