Resíduos Sólidos 109 1. INTRODUÇÃO Our dilemma is that we hate change and love it at the same time; what we really want is for things to remain the same but get better. Anônimo Há nos países em desenvolvimento em que predominam extensas áreas a fantasia do direito à ocupação destas áreas com resíduos dispostos de forma em geral inadequada, com a consideração que esta é a forma mais econômica. É obviamente uma forma irresponsável de tratar o meio ambiente e as sociedades futuras que herdarão bombas químicas que poluem o ar, o solo e as águas e que certamente exigirão investimentos de alta monta para recuperaçäo das áreas. Mas pior do que isto há de forma geral uma visão distorcida dos resíduos, vistos por alguns como um problema, um tema que deve ser varrido das cidades, com um serviço de coletas por vezes até razoável, mas com um tratamento e disposição na maioria dos casos inaceitável, mesmo considerando os custos finais por tonelada para cada cidade. Em verdade, conforme já percebido e adotado nos países desenvolvidos, o resíduo sólido que é uma riqueza que pode e deve ser considerada na economia de cada cidade, de cada sociedade. Historicamente, desde que os seres humanos começaram a se agrupar e viver em cidades sempre existiu a produção de resíduos os quais eram essencialmente compostos por matéria orgânica. O assunto dos cuidados com os resíduos já foi abordado em escritos hebreus há mais de cinco mil anos atrás. Assim, colocar fora das aldeias os resíduos, cobri-los ou enterrá-los é usual desde o início do hábito dos seres humanos de conviver em grupo. A disposição desordenada e sem controle dos resíduos contribuiu de forma marcante para o desenvolvimento das grandes epidemias européias da Idade Média. Para debelá-las desenvolveram-se nesta época os primeiros projetos de saneamento básico nas grandes cidades como Paris, Bruxelas, etc, bem como o hábito de dispor de forma mais ordenada e cuidada os resíduos sólidos fora das chamadas áreas urbanas. A caracterização contínua dos resíduos sólidos é um dos passos mais importantes em qualquer administração pública que queira buscar uma solução ambiental adequada. Com o rápido crescimento da população mundial, especialmente nos países subdesenvolvidas, estatísticas nos dão conta que em 2050 poderão chegar até 12,5 bilhões de habitantes no planeta. Os dados referentes à população mundial são sempre aproximados, pois até mesmo as grandes instituições internacionais, como a Organização das Nações Unidas e o Banco Mundial, enfrentam dificuldades para divulgá-los com precisão. Analisando a marcha do crescimento populacional, podem-se distinguir duas fases sendo uma de crescimento lento até o século XVII, em função da inexistência de condições sanitárias adequadas, guerras, epidemias onde a taxa de mortalidade era elevada; e outra de crescimento rápido compreendendo principlamente num período mais modesto; os séculos XVII e XIX e, acentuadamente, na segunda metade do séc. XX, em função dos avanços científicos e das melhorias das condições sanitárias. Nesse período, o mundo deparou-se com um vertiginoso crescimento populacional. As migrações são estimuladas por fatores de repulsão nos lugares de origem: pressão demográfica, dificuldades para encontrar trabalho nas grandes cidades superpovoadas e inficiência dos sistemas agrícolas. Até pouco tempo atrás, existiam diversos fatores de atração nos países desenvolvidos, como a necessidade de mão-de-obra, salários relativamente elevados r infra-estrutura social. A maior parte das migrações tem origem socioeconômica e é resultado da busca por melhores condições de vida. Por outro lado, o fluxo migratório em direção aos centros urbanos, principalmente neste século, vem se intensificando de forma marcante, fazendo com que, atualmente, a população urbana mundial, exceto na África e Ásia, apresente percentuais médios de 75%, portanto, três vezes superiores ao da população rural. Este fluxo migratório vem acarretando um elevado crescimento demográfico nas regiões metropolitanas, sobretudo nas grandes cidades dos países em desenvolvimento. Com o crescimento populacional das sociedades de consumo, conseqüentemente, vem aumentando a produção de resíduos. Por outro lado, a concentração da população em torno dos centros urbanos, cujos espaços disponíveis cada vez mais se escasseiam, faz com que o manuseio Resíduos Sólidos 110 e, principalmente, a disposição final destes resíduos se torne um problema de difícil solução. Ainda mais se levarmos em conta o fato de que muitos dos componentes, como, por exemplo, os plásticos e metais, apresentam tempos de degradação elevados de até cerca de 500 anos. Deve ser ainda destacado que a evolução da ciência e da tecnologia vem trazendo, também, alterações na composição destes resíduos, com a introdução de componentes como pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes, produtos químicos em geral etc, contendo elementos altamente nocivos à saúde. Em conseqüência os riscos de poluição do solo, das águas de superfície e subterrâneas e do ar estão cada vez mais presentes, o que vem gerando a deterioração do meio-ambiente, com implicações na qualidade de vida das populações. Especificamente no caso do Brasil, de acordo com a última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, editada em 2000, são geradas, diariamente, cerca de 228.413 t de lixo, sendo 125.281 t de lixo domiciliar, grande parte do qual não é sequer coletado, sendo lançado, principalmente pelas populações de mais baixa renda, em encostas, cursos d’água, terrenos baldios etc. Do total coletado, 21,16% é depositado nos chamados “lixões”, que se caracterizam pela simples descarga sobre o solo, sem quaisquer medidas de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública, 37,03% depositado em aterros controlados, nos quais o único tipo de tratamento consiste, geralmente, na cobertura diária dos resíduos com material inerte, o que, por si só, não é suficiente para a completa proteção do meio-ambiente. Desse total 36,18% depositado em aterros sanitários dotados de impermeabilização de base, sistemas de tratamento de chorume e dispersão dos gases e confinamento dos resíduos sólidos pela cobertura diária com material inerte e 1% que recebe algum tipo de tratamento (reciclagem, compostagem, ou incineração). Infelizmente, nem todos os aterros denominados sanitários possuem um adequado sistema de monitoramento, que possa garantir o controle de eventuais formações de pluma de contaminação no subsolo, movimentos perigosos do maciço ou formação de regiões de chorume ou gás presos no maciço. Conforme observado por XAVIER DE BRITO (1999), a legislação americana proíbe que pessoas não vinculadas à limpeza urbana examinem o lixo das residências. Como será visto mais adiante, um exame acurado do lixo gerado em uma residência conduz à identificação quase completa do “status” dos seus moradores e de suas condições sócio-econômicas, através do conhecimento de seus hábitos, do tipo de alimentação preferido, dos supermercados utilizados, dos bancos usados nas transações comerciais, das lojas onde fazem as compras, das doenças dos moradores, podendo chegar até a auxiliar no conhecimento do comportamento sexual dos moradores (sic modificado). De acordo com o observado no início deste texto, quando se projeta um sistema de limpeza urbana, com muito mais razão, é de fundamental importância o conhecimento dos resíduos sólidos domésticos, não só com vistas ao conhecimento dos habitantes da cidade ou região, mas também de uma forma mais objetiva, com o intuito de se dimensionar adequadamente cada um dos sub-sistemas a serem implementados. De fato, as características dos resíduos sólidos a serem coletados e, eventualmente destinados a diferentes formas de tratamento, interferem diretamente em cada um dos serviços de limpeza urbana, desde a estruturação do órgão responsável pelos serviços, até a destinação final dos resíduos, passando pela tarifação, manuseio, acondicionamento, estocagem, coleta, transporte e tratamento. A Tabela 1, a seguir, dá uma idéia da influência das características do lixo nos diversos serviços de limpeza. Resíduos Sólidos 111 TABELA 1 - Influência das características do lixo nos serviços de limpeza CARACTERÍSTICAS DESCRIÇÄO IMPORTÂNCIA Geração Per Capita Quantidade de lixo gerado por habitantes num período de tempo específico. Composição Gravimétrica Percentagens das várias fraçöes do lixo como papel, plástico, metal, vidro, etc. Percentagens das Composição Geométrica dimensöes e formas do lixo várias Características físicas dos resíduos e do lixiviado produzidos. Relaçäo entre o peso e o volume, Peso Específico calculado para as diversas fases Aparente de gerenciamento do lixo. Forma e procedimento de compactaçäo empregado após a Grau de Compactação disposiçäo dos resíduos. Composição Química Importante para todo o sistema de gestão de resíduos sólidos, com influência direta no planejamento. Fundamental no dimensionamento de veículos e instalações. Elemento básico para a determinação da taxa de coleta e destinação dos resíduos sólidos. Indica a possibilidade de aproveitamento das frações recicláveis e da matéria orgânica. Quando realizada por regiões da cidade, pode influenciar no cálculo da tarifa de coleta e destinação final. Indica as características de tamanho e forma dos resíduos, o que pode ser importante para a escolha de equipamento para minimização dos resíduos, para o pré-tratamento dos resíduos, e para disposição final. Ajuda a indicar a forma mais adequada de destinação final e tratamento do chorume. Fundamental para o correto dimensionamento da frota de coleta. Muito importante para o dimensionamento de veículos coletores, caçambas compactadoras, disposição no aterro e estudo de vida útil do aterro. Tem influência direta sobre a velocidade de decomposição da matéria orgânica no processo de compostagem. Influencia diretamente o poder Quantidade de água contida na calorífico e o peso específico aparente do lixo, Teor de Umidade massa de lixo. sendo seu conhecimento extremamente importante para projetos de incineração. Diretamente relacionado com a produção de chorume. Indica a possibilidade de aproveitamento do lixo Teor de Matéria Percentual de matéria orgânica para a produção de composto orgânico, sendo presente na massa de lixo. também importante para a disposição em aterro ou Orgânica incineração. Quantidade de calor gerada pela combustão de 1 kg de lixo misto Influencia o dimensionamento das instalações de Poder Calorífico (e não somente dos materiais incineração e a adequação de seu uso. facilmente combustíveis) Definição de forma mais adequada de tratamento, Em geral säo analisados o N, P, em especial para a compostagem, e disposição final. K, S, C, relaçäo C/N, pH e Vários outros elementos que atuam como inibidores Composiçäo química metais pesados. ou catalisadores nos diversos tipos de tratamento também podem ser analisados, Indica os percentuais de Indica o estágio de degradação química biológica Composição química diferentes elementos presentes na do lixo o que pode ser extremamente útil no caso de dos gases, quantidade e massa de lixo processos especiais de pré-tratamento. qualidade Auxilia na análise de diferentes processos de Indica a temperatura na massa tratamento dos resíduos, indicando se o sistema tem em diferentes momentos de Temperatura boa aeração o que pode ser relevante em certos degradação casos aeróbios. FONTE: XAVIER DE BRITO, 1999 e IPT-CENPRE, 2000 modificados. 2. FORMAS USUAIS DE TRATAMENTO E DESTINAÇÃO FINAL DE RSU Resíduos Sólidos 112 Conforme já observado na introdução, o lixo é o produto do descarte efetuado pelo cidadão, individualmente, ou por organizações, como escritórios, lojas comerciais, supermercados, indústrias, hospitais e casas de saúde, navios, aviões, etc. Estas diferentes formas de disposição podem se apresentar na forma de papéis velhos, restos de comida, equipamentos como geladeiras, televisões, automóveis etc, já sem condições de recuperação, os quais são desmontados e se transformam em pedaços de metais plásticos e borracha, roupas velhas descartadas, entulho da construção civil, restos das indústrias, material hospitalar etc, até o lixo atômico. Os danos causados à sociedade pela disposição inadequada dos restos, que na Idade Média incluíam inclusive as fezes humanas e animais, são historicamente conhecidos através das diversas epidemias que aconteceram neste período na Europa. A compreensão dos vetores que se propagavam através de ratos, moscas e baratas permitiu a adoção de medidas saneadoras para que o lixo fosse coletado nas residências, impedindose com isto que o mesmo fosse simplesmente disposto nas ruas e terrenos baldios. Numa época mais moderna, em especial após a Segunda Grande Guerra Mundial, dado o crescimento demográfico, soluções ambientais começaram a ser adotadas, em especial pelos países industrializados, tendo em vista a conscientização dos danos ambientais que aterros de lixo, popularmente conhecidos como lixões ou vazadouros, causavam em todo o seu entorno. Assim, em especial na Europa Central, devido à carência de espaço existente e a utilização de água subterrânea que ali é feita, medidas de melhoria das condições de disposição nos aterros começaram a ser impostas e tomadas, sendo que novas alternativas de diminuição da quantidade de lixo começaram a ser pesquisadas e implantadas. Assim, mais recentemente, utiliza-se o conceito dos três R (repensar, reduzir e reutilizar) para se estabelecer uma política adequada num município que pretenda um Sistema de Gestão Integrada para os resíduos produzidos na cidade. O Repensar significa reestudar a questão como um todo, o Reutilizar significa que tudo o que puder ser reutilizado deverá ser reaproveitado, e o Reciclar, compreende a reutilização dos resíduos orgânicos, plásticos, metais, vidros, borracha etc. Assim, com estes dois últimos aspectos, diminui-se a necessidade de retirada de matéria prima de fontes naturais. Uma preocupação que deve ser considerada é a de dar um efetivo Valor para o produto lixo, o qual pode ser reaproveitado como material energético através de sua queima ou adubo para a agricultura. Dentro desta evolução, não apenas houve melhoras nas formas de disposição em aterros, mas conforme já dito, novas alternativas foram criadas para o tratamento dos resíduos, a saber: - Incineração; - Compostagem; - Reciclagem; - Pré-tratamento Mecânico Biológico na Inertizaçäo; - Disposição final: Aterro Sanitário. A) Incineração • Combustão (ou Pirólise) do lixo a altas temperaturas (800 - 1000°C), em câmaras amplas para mistura e queima dos materiais. Liberação dos gases à baixa velocidade, para permitir a deposição de particulados. • A temperatura dos gases deve ser rebaixada até 250°C, o que permite recuperar o calor em caldeiras e gerar energia a partir do vapor. • A geração de cinzas é de 5 a 15% da massa original de lixo. MENEZES (1999) apresenta a evolução dos processos de incineração dos resíduos sólidos, conforme exposto a seguir: 1ª Geração - 1950 -1965 Tinha a função única de incinerar, Gases eram descarregados diretamente na atmosfera, no máximo existia uma torre de água de refrigeração sobre a câmara de combustão. Concentração de poeira: 1000mg/Nm3. Sistemas modernos atuais: 3 mg/Nm3 LOUSANNE 1959, BERNA (1954), BRUXELAS (1957). Resíduos Sólidos 113 2ª Geração - 1965 - 1975 Primeiras proteções do Meio Ambiente: primeiros filtros > 100mg/Nm3; primeiros interesses em recuperação de calor; primeiras plantas de grande capacidade; aparecimento da Babcock com sistema de grelhas rolantes. 3ª Geração - 1975 - 1990 Aumento da performance energética e normas do MA; público mais atento aos problemas de poluição; introdução de lavagem de gases/reduzir emissões de gases ácidos; neutralização de HCl, S, Ox, HF e metais pesados; caldeiras muito melhoradas; melhoria da combustão dos orgânicos; automação centralizada; centros de tratamento com cogeração de energia. 4ª Geração - 1990 - atual Pressão dos movimentos “verdes”; tratamento de gases tendendo à emissão zero; remoção de outros poluentes com Nox e dioxinas; tecnologias avançadas de tratamento; produção de resíduos finais inertes que podem ser reciclados ou dispostos sem nenhum problema. Algumas bibliografias complementares sobre o assunto citadas por MENEZES (1999) são: BRETZS, Elizabeth(Ed.). Energy from wastes. (1990), BRUNNER, Calvin R. Handbook of Incineration Systems. New York: McGraw, CHIRICO, Vincent Di, Municipal Waste Treatments Plants, Swiss Re,insurance Company, Eng. Department, 1996, COLLINS. Steve(Ed.). Mass-burn plant solves Long Island Community’s waste-disposal, GIBBS, David R., Hepp, Mark P..(1990), HICKMAN, H. Lanier; Reimers, Eric GINTERNATIONAL Directory of Solid Waste Management: the ISWA Yearbook 1993/4, Copenhagen, 1994. INTERNATIONAL Directory of Solid Waste Management: the ISWA Yearbook 1993/94. Copenhagen, ISWA, 1994.IPT, Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estados de São Paulo, Lixo Municipal: Manual de Gerenciamento Integrado, 2000. KNOWLES, Mike. ”Energy from Waste Plants for the 1990s”. Waste Management. Jan., 1993. Pp.23-26., MENEZES, M. A, A. (1983), PENNER, S.S. et al. (1988), PORTEOUS, A.(1992), REASON, J. (1986) e SERRA, N, (1992). B) Compostagem (vide também capítulo sobre o assunto neste livro) Bio - estabilização da matéria orgânica para uso agrícola. Os processos podem ser acelerados com o apoio de operações mecânicas (trituração, aeração forçada, reviramento das pilhas de composto), em usinas de compostagem. O rejeito da compostagem varia de 40 a 60% do volume original, conforme a tecnologia. Apenas cerca de 5% do total pode ser separado manualmente para reciclagem. A compostagem é o processo de decomposição ou degradação de materiais orgânicos, de natureza animal e vegetal, pela ação de microrganismos. O processo é totalmente natural, não sendo necessária a adição de qualquer componente físico, químico ou biológico. A compostagem pode ser aeróbia ou anaeróbia. a) Anaeróbio A degradação ocorre através da ação de microrganismos sem a presença de oxigênio. O processo ocorre à baixa temperatura, sendo mais lento para bio-estabilização com exalação de fortes odores. Este procedimento é empregado para tratamento de estações de lodo de esgoto e para produção de gás metano. b) Aeróbio A degradação se desenvolve na presença de microrganismos que se adaptam a ambientes com a presença de oxigênio. Neste caso, há um aumento da temperatura da massa orgânica bem acima da temperatura ambiente, sendo a decomposição mais rápida. A desvantagem, neste caso, é a obrigatoriedade de se controlar, durante o processo, parâmetros como aeração, temperatura e umidade. O produto final do processo de compostagem aeróbio de resíduos orgânicos é um material rico em húmus e em nutrientes minerais, que podem ser utilizados na agricultura como fertilizantes orgânicos. Húmus é a matéria orgânica homogênea, totalmente bio - estabilizada, de cor escura e rica em partículas coloidais que, de forma geral, quando aplicada ao solo, melhora suas características físicas. O processo de compostagem aeróbia pode ser dividido em duas fases: Resíduos Sólidos 114 A primeira fase, conhecida como ”bio - estabilização”, compreende a redução da temperatura da massa orgânica que, após atingir temperaturas de até 65 °C, volta à temperatura ambiente. Quando a relação carbono/nitrogênio da massa está em torno de 18/1, o produto pode ser usado na agricultura sem causar qualquer problema à vegetação. Considera-se que esta fase tem uma duração de aproximadamente 45 dias em sistemas de compostagem acelerada e 60 dias para sistemas de compostagem natural. A fase de ”maturação”, que é a segunda fase, demora mais 30 dias e é encerrada quando a relação carbono/nitrogênio do composto orgânico se reduz para 10/1, quando a atividade microbiológica é encerrada, ocorrendo a humificação e a mineralização da matéria orgânica. Tendo em vista o tempo exigido para que ocorra a maturação do composto, o processo nas usinas de compostagem de lixo domiciliar é encerrado na fase de bio - estabilização. A compostagem é influenciada pelos microrganismos, pela temperatura, pela granulometria, pela umidade, pela aeração, pela relação C/N e pelo pH. C) Reciclagem Termo genérico que designa a recuperação de materiais presentes no lixo para sua reutilização ou reciclagem, como matéria-prima secundária (ou sucata), para a fabricação de produtos reciclados. A reciclagem consiste na separação de materiais existentes nos Resíduos Sólidos Urbanos (papéis, plásticos, vidros e metais) e que poderão, através de beneficiamento, retornar à indústria como matéria prima. A reciclagem traz como vantagens a preservação de recursos naturais, economia de energia, redução da quantidade de lixo a ser disposto em aterros sanitários, além da geração de empregos e serviços de forma geral. A coleta seletiva (GRIMBERG, E. & BLAUTH, P., 1998, CALDERONI, 1997 e READ, A., 1999) pode ser realizada porta a porta, com locais de disposição/coleta distribuídos pela cidade e coleta na forma de usinas, além do serviço quase imprescindível dos catadores, bastante disseminado em nosso país. No sistema porta a porta ou com locais de disposição espalhados pela cidade, os materiais são separados na fonte geradora pela população e coletados de forma diferenciada, o que, segundo alguns técnicos, encarece o processo que tem como principal vantagem à qualidade (limpeza) dos recicláveis. O custo operacional em curto prazo pode ser elevado, mas os ganhos ambientais e de economia em longo prazo, evitando custos de recuperação de áreas são enormes. As instalações, denominadas Usinas, compreendem a separação do lixo domiciliar através de equipamentos ou de catação manual. Infelizmente, nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, já foram projetadas e construídas diversas Usinas, mas praticamente nenhuma delas apresentou um rendimento positivo em seu funcionamento, sendo que a maioria delas foi posteriormente fechada (LUA, D. 1999). D) Pré-Tratamento Mecânico Biológico O pré-tratamento mecânico biológico foi desenvolvido inicialmente na cidade de Schwäbisch Hall, na Alemanha, em uma investigação desenvolvida pela Universidade Técnica de Braunschweig. O procedimento se disseminou de forma razoável na Europa, em especial na própria Alemanha e Áustria. O processo é bastante simples e compreende um pré-tratamento mecânico, em que peças de grandes dimensões e características especiais, como baterias de carros e caminhões são retiradas da massa, sendo o restante triturado em equipamentos especiais e em seguida homogeneizado. Este material homogeneizado é disposto em leiras de, aproximadamente, 2 a 3 metros de altura, com um sistema de ventilação que garante um sistema aeróbico. Dependendo do processo adotado, a pilha pode ou não ser revirada. O processo de biodegradação do lixo pode levar de 4 a 9 meses, aproximadamente. As vantagens do processo compreendem: a redução do volume de lixo a ser disposta no aterro sanitário de disposição final, a possibilidade de usar o resíduo resultado da bio-degradação para produção de energia através da incineração, a diminuição da produção de chorume, além da inertização dos resíduos. Por fim, há uma total redução na produção de vetores e presença de aves, Resíduos Sólidos 115 como urubus, no local de disposição, bem como a eliminação de cheiros desagradáveis (MÜNNICH, K.E OUTROS, 2001 e MAHLER, CF, 2002). E) Disposição Final: Aterro Sanitário a) Aterro Sanitário e Aterro Controlado Segundo a ASCE (American Society of Civil Engineers) aterro sanitário é uma técnica para disposição de lixo no solo, sem causar prejuízo ao meio ambiente e sem causar moléstia ou perigo para a saúde e segurança pública. Esta técnica se utiliza dos princípios de engenharia para confinar o lixo na menor área possível, reduzindo o seu volume ao mínimo praticável, e para cobrir o lixo assim depositado com uma capa de terra com a freqüência necessária, pelo menos ao fim de cada jornada (HADDAD, 1999). Aterro Controlado é uma variante que entre outros aspectos dispensa o uso permanente de máquina, por isto tem a mesma definição do AS. Estas definições são aceitas pela ABNT, valendo observar que no Aterro Sanitário, há um monitoramento do aterro e de seu entorno das condições ambientais e geotécnicas, para garantir a observância de não perturbação do meio ambiente e permitir imediatas providências quando alguma alteração ambiental for observada. A assim denominada célula consiste na porção de lixo recebida em uma jornada (podendo ser em menor período, quando a quantidade for muito grande), disposta em camadas compactadas em rampa, envolta por uma capa de terra também compactada. Conforme descrito por HADDAD (1999), a célula é construída ao encontro de uma barreira de contenção, que pode ser uma elevação preexistente, berma ou parte já aterrada; o lixo é descarregado ao pé da célula (frente de trabalho), empurrado pela lâmina frontal de um trator de esteiras (ou compactador de rolos especiais), e esmagado pelas esteiras (ou rolos compactadores); a quantidade de lixo empurrada é suficiente para estender-se, em uma camada de 30 a 50 cm, até o topo da frente de trabalho; a camada é estendida na declividade 1V:3H, que proporciona ótima compactação pela máquina e boa drenagem superficial, minimizando a infiltração de água de chuva; o trator sobe e desce de 3 a 5 vezes sobre o lixo disposto, de modo a compactar a camada em toda a sua superfície; ao fim da jornada (ou da célula pré-dimensionada), faz-se a cobertura de toda a superfície do lixo com terra, estendendo-se e compactando a terra (como foi feito com o lixo) de modo a não se ver lixo; a capa de terra é da ordem de 15cm; a terra pode estar estocada sobre uma porção adjacente do aterro já construído. O plano superior do aterro é revestido com uma sobrecapa de 15cm, recebendo uma segunda sobrecapa, de pelo menos 30cm, se for à superfície final do aterro, e é nivelado para drenagem, com declividade de 2% ou maior. As células se sucedem "horizontalmente", apoiando-se cada uma nas anteriores, formando um "nível de aterro", sendo que o aterro pode se elevar em dois ou mais níveis, segundo o projeto e com a mesma metodologia. A superfície final recebe uma segunda sobrecapa de acabamento, perfazendo pelo menos 60cm sobre o lixo, cuidadosamente nivelada e drenada; o acabamento se completa com revestimento vegetal de raízes espalhadas e que se aprofundem sem ultrapassar a cobertura de terra. À frente da célula deve ser suficiente apenas para movimentação segura das máquinas e veículos; a altura deve estar entre 3 e 6 metros, no máximo, de acordo com a quantidade de lixo; o avanço é calculado em função do volume diário, do comprimento da frente e da altura; todas as dimensões são então revisadas, considerando-se a estabilidade do aterro e economia de terra. É importante observar a crescente necessidade de economia do material de empréstimo, usado para cobertura das células intermediárias, uma vez que a retirada de material de empréstimo certamente causa danos ambientais no local onde o material é retirado. O volume de material de cobertura pode representar 20 % do volume total do aterro, volume esse significativo. A máquina "convencional" empregada no Brasil é o trator de esteiras com lâmina frontal, indicadas para manusear pequenas ou grandes quantidades de lixo; máquinas especiais, constituídas de 2 ou mais rolos compactadores (providos de lâminas ou pinos, para cortar e pressionar o lixo), são indicadas para grandes quantidades de lixo. Na Alemanha, para compactação, freqüentemente utilizam-se equipamentos bem mais pesados, os quais conseguem densidades ou pesos específicos até 25% maiores, o que representa um ganho de espaço significativo no aterro. Pás carregadoras e/ou Resíduos Sólidos 116 escavo-carregadoras são utilizadas para movimentar/raspar a terra. Escavadoras são utilizadas para abrir e manter drenos pluviais. Bombas auto-aspirantes e/ou submersíveis, geradores de eletricidade, motoniveladoras, são equipamentos complementares freqüentemente utilizados. 3. MONITORAMENTO Considerando-se os aspectos hidrogeológicos e geotécnicos, os aterros sanitários devem ser monitorados no que se refere a: - aspectos meteorológicos (chuvas, velocidade e direção do vento, período de insolação, evapotranspiração e temperatura ambiente); - aspectos geotécnicos (movimentos horizontais e verticais em diferentes pontos do aterro e piezometria); - aspectos hidrológicos (quantidade e características do chorume produzido, e características da água do lençol subterrâneo a montante e jusante do aterro); - aspectos físico-químicos: pressão de gás e temperatura no interior do aterro. Evidentemente, alguns aspectos da relação acima são prioritários. De qualquer forma, é importante enfatizar que este conjunto de dados auxiliará a correta avaliação do balanço hídrico num aterro. Observa-se, também, que um modelo corretamente calibrado pode ser usado para prever as vazões de chorume provenientes de um aterro sanitário. O estudo dos modelos de balanço hídrico é importante não somente para a compreensão da dinâmica das condições do tempo, envolvendo meteorologia, água, solo e vegetação, como também para fornecer parâmetros para estudos quantitativos de fertilizantes, efeitos dos pesticidas e o potencial de poluição do aterro sanitário. O controle do balanço hídrico é também relevante para projetos de recuperação da área de antigos aterros fechados, em especial quando se deseja fazer uma revegetação do local. 4. PADRÃO DE GESTÃO AMBIENTAL ATUAL DOS ATERROS SANITÁRIOS À exceção de casos isolados como do Aterro Sanitário Norte de Porto Alegre e de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, do Aterro Sanitário de Joinville em Santa Catarina, dos Aterros Sanitários Bandeirantes e do Sitio São João em São Paulo, do Aterro Sanitário de Camaçari na Bahia e de Muribeca em Recife/Pernambuco e Macaé e Adrianópolis no Estado do Rio de Janeiro, não se conhece na atualidade nenhum outro vazadouro que tenha um programa regular de acompanhamento das condições específicas do aterro, da área do entorno e dos diversos fatores que podem agredir o meio ambiente. Mesmo ainda nos aterros supra citados, em alguns casos, o acompanhamento não tem regularidade, e se restringe fortemente à definição de indicadores associados ao comportamento geomecânico do maciço, visando avaliar a segurança operacional do mesmo, (como no caso dos aterros de São Paulo); a avaliação da qualidade dos efluentes do aterro (chorume), e da qualidade das águas subterrâneas vizinhas, visando investigar a ocorrência ou não de contaminação das águas subsuperficiais. No que tange ao ar as ações são mais esparsas e isoladas, observando-se apenas alguns registros em poucos aterros, meramente para verificação de concentração de metano, e assim mesmo junto aos drenos de gás, como se observou em alguns aterros de São Paulo (Vila Albertina (6,5m³/t. x ano). Bandeirantes e São João), em Recife (Muribeca), em Porto Alegre, e no Rio de Janeiro (Gramacho) e Adrianópolis em Nova Iguaçu. Não existe regularidade e nem padronização nas ações de fiscalização por parte dos órgãos ambientais competentes em cada Estado. Outrossim, face à própria reestruturação pela qual vieram e vêm passando tais organismos nos últimos tempos, não há como exercer de forma plena tal ação fiscalizatória regular. Assim sendo, verifica-se na prática, que tais ações se dão em função de denúncias da população atingida, ou decorrentes de solicitações específicas do empreendedor, privado ou não, visando a ampliação e/ou alteração das diretrizes inicialmente definidas para implantação do Aterro Sanitário. Resíduos Sólidos 117 A inexistência de uma Unidade de Gestão Ambiental, especificamente voltada ao assunto, faz também com que vez ou outra, verifiquem-se situações antagônicas quanto à competência, quer para licenciar quer para fiscalizar, a exemplo do que se observa em ações promovidas por órgãos da administração federal, no âmbito de assuntos de restrita competência legal e técnica do estado. Acrescenta-se ainda aos fatos acima, a ausência de uma Unidade Gestora que permita de forma adequada resolver as questões de relações institucionais entre os diversos órgãos/empresas envolvidos, nos distintos níveis, bem como com a comunidade, de forma a bem administrar os conflitos entre: Æ Operador Administrador Municipal Æ Fiscalização/Gerenciador Operador Æ Administrador Municipal Órgão de Controle Ambiental Æ Administrador Municipal Órgão de Plan. Urbano/ Metropolitano Æ População (Sociedade/Comunidade Órgão de Planejamento Organizada) Urbano/Administração Municipal Æ Órgão de Plan. Órgão de Controle Ambiental Urbano/Metropolitano Æ Orgão de Plan. Agências de Financiamento Urbano/Metropolitano Finalmente, deve-se assinalar que não existem atualmente padrões ambientais globais para cada sítio a serem atendidos, existem sim, padrões isolados, tais como para qualidade da água, categorias/classe dos cursos de água superficiais, e padrões de qualidade do ar. No entanto, o padrão ambiental deve procurar nortear as restrições e avaliação frente às condições locais onde se implanta o empreendimento, e de forma compatível com o padrão/exigências ambientais e de qualidade de vida da população local. Assim, apesar de poder se estabelecer diretrizes/políticas de gestão, deve-se ter em conta sempre que as mesmas deverão ser suficientemente flexíveis para serem ajustadas a cada região, uma vez que o padrão ambiental varia de uma para outra. Conclui-se, portanto, que, sem uma Unidade de Gestão, e a definição, mesmo que preliminar de um padrão ambiental regional a ser atendida, a ação sobre os aterros sanitários fica restritas ao âmbito do próprio aterro e, de forma geral, para apenas documentar o mínimo necessário e/ou responder quando assim for acionado por um órgão fiscalizador de qualquer natureza, sem que no entanto, mesmo neste caso, a ação fiscalizadora tenha claro, ou esclareça os objetivos a serem atendidos, decorrentes das solicitações apresentadas na ação fiscalizatória. O monitoramento de um Aterro Sanitário visa coletar dados que permitem avaliar a sua influência sobre o meio ambiente. Os efluentes gasosos e líquidos formados são lançados para fora do depósito de resíduos e o monitoramento avaliará as conseqüências destes sobre o meio. O monitoramento envolve métodos com e sem amostragem. Nos métodos com amostragem, as análises serão feitas em laboratório com as amostras coletadas no campo. Publicações referentes ao assunto podem ser encontradas em MAHLER E OLIVEIRA, 1997, OLIVEIRA E MAHLER, 1997, MAHLER E OLIVEIRA, 1998, IPT-CENPRE, 2000 e TSCHOGANOPOULOS E OUTROS, 1997. 5. CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Existem diversas maneiras de classificar os resíduos sólidos, sendo as mais comumente utilizadas classificadas conforme o risco ambiental de contaminação do meio, a origem e a natureza física. A) Quanto aos Riscos Potenciais de Contaminação do Meio Ambiente Segundo a NBR 10004, os resíduos sólidos podem ser classificados em: Classe I - Perigosos: compreende os resíduos sólidos que, em função de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade, podem apresentar risco à saúde ou ao meio ambiente, provocando ou contribuindo para um aumento de mortalidade ou Resíduos Sólidos 118 incidência de doenças e podendo, ainda, apresentar efeitos adversos ao meio ambiente, quando manuseados ou dispostos de forma inadequada. Classe II A- Não Inertes: são os resíduos que podem apresentar características de combustibilidade, solubilidade ou biodegradabilidade, com possibilidade de acarretar riscos à saúde ou ao meio ambiente, sendo portanto aqueles resíduos que não se enquadram nem na Classe I (perigosos) ou na Classe II B(inertes). Classe II B - Inertes: são aqueles que, por suas características intrínsecas, não oferecem riscos à saúde e que, quando submetidos ao teste de solubilidade (proposta de norma 1:63.02-003 – Solubilização de resíduos sólidos – Métodos de ensaio), não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados, em concentrações superiores aos padrões de potabilidade. B) Quanto à Origem A origem é um dos principais elementos para uma boa caracterização dos resíduos sólidos. Segundo a mesma, os resíduos podem ser agrupados em quatro classes: I) Lixo Doméstico ou Residencial1 Composto pelos resíduos gerados nas atividades diárias em casas, apartamentos, condomínios e moradias de qualquer natureza. II) Lixo Comercial1 É o lixo produzido em estabelecimentos comerciais, cujas características dependem da atividade ali desenvolvida. III) Lixo Público1 São os resíduos da varrição, capina, raspagem, poda de árvores e outros serviços, provenientes dos logradouros públicos, bem como móveis velhos, restos de cerâmica, entulhos de obras2 e outros materiais inservíveis deixados pela população, indevidamente, nas ruas, ou retirados das residências através de serviço de remoção especial. IV) Lixo de Fontes Especiais Considerado como o lixo que, em função de determinadas características peculiares que apresenta, passa a merecer cuidados especiais em seu manuseio, acondicionamento, estocagem, transporte ou disposição final. Dentro desta categoria merecem destaque os seguintes tipos de resíduos: * Lixo Industrial, que é os resíduos originados nas atividades dos diversos ramos da indústria. A composição destes resíduos é extremamente variável, em função da atividade industrial exercida e, na maioria das vezes, se enquadra na Classe I. * Resíduos de Serviços de Saúde (mais conhecidos como Lixo Hospitalar), que são os resíduos gerados em estabelecimentos destinados à prestação de assistência sanitária à população. São os resíduos provenientes de atividades médicas, paramédicas, farmacêuticas, odontológicas e afins, realizadas em hospitais, clínicas, casas de saúde, prontos-socorros, ambulatórios, postos de saúde, laboratórios, farmácias, drogarias, consultórios, clínicas veterinárias e congêneres. Este tipo de resíduo possui classificação própria (NBR 12808). * Resíduos Radioativos, que são os resíduos que contém metais radioativos como o césio, lítio e urânio. No Brasil, o manuseio, coleta, transporte e destinação destes resíduos está normatizada pelo CNEN (Conselho Nacional de Energia Nuclear). * Resíduos Agrícolas, também conhecidos como Resíduos Agrotóxicos, que são os resíduos sólidos provenientes de atividades agrícolas e pecuárias, como embalagens de adubos, restos de defensivos agrícolas, pesticidas, rações, esterco animal e restos de colheita. * Lixo de Portos, Aeroportos e Terminais Rodoviários, constituído pelos resíduos sépticos, ou potencialmente sépticos, trazidos aos terminais de portos, aeroportos e rodoviários. Basicamente originam-se de materiais de asseio pessoal e restos de alimentação que podem veicular doenças de outras cidades, estados e países. Observações: 1) Nas atividades de limpeza urbana, os tipos doméstico e comercial constituem o chamado lixo domiciliar, que junto com o lixo público, representa a maior parcela dos resíduos sólidos produzidos nas cidades. É muito comum se encontrar o enquadramento do lixo domiciliar na Classe Resíduos Sólidos 119 III (resíduos inertes), entretanto, o correto enquadramento deste tipo de resíduo seria na Classe II A (resíduos não inertes), face às características poluidoras do chorume e de outros materiais que se acham dispersos no meio da massa do lixo domiciliar, como lítio e cádmio (pilhas e baterias), tintas e solventes (restos de material de pintura), inseticidas e pesticidas (produtos para jardinagem e para proteção de animais), frascos de aerossóis e lâmpadas fluorescentes. 2) Na maioria das cidades de grande porte, como quase todas as capitais, a quantidade de entulho de obras é tão grande que estes resíduos são tratados em separado. O entulho pode ser definido como os resíduos provenientes das atividades de construção civil, como escavações, construções e demolições. Estes resíduos normalmente se enquadram na Classe II B- resíduos inertes, existindo o entulho “sujo” (misturado) e o entulho “limpo” (só resto de obra civil, sem metais, madeiras e outros materiais). A Resolução CONAMA nº 307 classifica os resíduos da contrução civil (RCC) popularmente denomidado de entulho em quatro grupos a saber: classe A,B,C e D sendo resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados; resíduos reclicáveis,como papel/papelão,vidro; materiais ainda sem reutilização apropriada, ex gesso; resíduos perigosos, como solventes respectivamente. C) Quanto à Natureza Física Extremamente importante quando a prefeitura procura implantar ou manter um programa de reciclagem ou coleta seletiva. Segundo esta classificação, os resíduos podem ser: • Resíduo Úmido ou Lixo Orgânico, constituído pela matéria orgânica presente no lixo, como restos de comida, folhas de árvores e outros. • Resíduo Seco ou Lixo Inorgânico, representado pela fração dos demais componentes do lixo, normalmente constituída de materiais recicláveis e rejeitos inertes. Os resíduos secos compreendem: • Vidros; • Metais; • Plásticos “mole e duro”; • Papéis; • Papelão; • Material de Construção; • Madeiras; • Panos; • Outros. Resíduos Sólidos 120 6. RESPONSÁVEIS PELA GESTÃO DOS RESÍDUOS Segundo a Constituição Federal, o município tem a competência legal para organizar, administrar e prestar os serviços públicos de interesse local. Assim, as Prefeituras Municipais têm a responsabilidade de efetuar a limpeza das vias e logradouros públicos, assim como realizar a coleta e destinação dos resíduos domésticos e de outros resíduos. Contudo, a própria legislação federal, e em alguns casos a legislação estadual, prevê situações em que a responsabilidade pela destinação final dos resíduos fica a cargo do gerador. Para os casos omissos, o município pode criar legislação específica, definindo a responsabilidade pela gestão dos resíduos gerados. A Tabela 2, a seguir, procura dar uma idéia das situações mais comuns encontradas nos diversos municípios brasileiros. Observe-se que, para efeito de responsabilidade e gestão de resíduos sólidos, a classificação normalmente utilizada é quanto à origem do resíduo. TABELA 2 - Órgãos responsáveis pela gestão dos resíduos sólidos. TIPO DE RESÍDUO Doméstico Comercial - Pequeno Gerador1 GESTOR RESPONSÁVEL Prefeitura Municipal Prefeitura Municipal ÓRGÃO FISCALIZADOR Controle Ambiental do Estado Controle Ambiental do Estado Prefeitura, com ação supletiva do Comercial - Grande Gerador1 Gerador Controle Ambiental do Estado Público Prefeitura Municipal Controle Ambiental do Estado Industrial Gerador Controle Ambiental do Estado Serviços de Saúde Gerador1 Controle Ambiental do Estado CNEN, com ação complementar do Radioativos Gerador Controle Ambiental do Estado IBAMA, com ação complementar do Agrícolas Gerador Controle Ambiental do Estado Governo Federal, com ação supletiva do Controle Ambiental do Estado e da Portos e Aeroportos Gerador Prefeitura Prefeitura, com ação supletiva do 2 Entulho - Pequeno Gerador Prefeitura Municipal Controle Ambiental do Estado Entulho - Grande Gerador2 Gerador Controle Ambiental do Estado FONTE: apud XAVIER DE BRITO, 1999 e IPT-CENPRE, 2000 3 7. CARACTERÍSTICAS DOS RESÍDUOS SÓLIDOS As características dos resíduos sólidos variam para cada cidade, para cada bairro até, em função de diversos fatores, como o porte, a atividade dominante (industrial, comercial e turística), os hábitos da população (principalmente quanto à alimentação e forma de se vestir), ao clima e ao nível educacional. Além disto, a sociedade está sempre se transformando. Dentro de uma mesma comunidade, as características vão se modificando com o decorrer dos anos, tornando necessários programas de caracterização periódicos, de preferência ao longo do ano, em função do número de habitantes da 1 A maioria das cidades que possui um Regulamento de Limpeza Urbana define como Pequeno Gerador de Resíduos Comerciais, os estabelecimentos que geram um volume máximo que varia de 100 a 250 litros (ou de 20 a 50 kg) por dia de coleta. 2 As Prefeituras, de forma geral, se responsabilizam pela coleta e destinação de pequenas quantidades de entulho, quase sempre em quantidades que não ultrapassem 50 kg. 3 Como grande parte dos hospitais e casas de saúde não sabe (ou não se importa) em gerir adequadamente seus resíduos, é comum a Prefeitura Municipal assumir esta responsabilidade, algumas vezes cobrando pelos serviços prestados. Resíduos Sólidos 121 cidade, visando a atualização destes dados e a adaptação do sistema de gerenciamento dos resíduos sólidos a estas transformações. Três excelentes exemplos desta transformação constante são: a informática, a indústria de alimentos e a indústria de roupas. As características dos resíduos podem ser reunidas em três grupos, a saber: características físicas, químicas e biológicas. Destes três grupos, aquele que mais interfere no dimensionamento do Sistema de Coleta e da disposição, considerando eventualmente a existência de um programa de coleta seletiva e reciclagem, é o das características físicas, por influenciar visceralmente todos os aspectos da gestão dos resíduos sólidos. Características Físicas Os aspectos a serem considerados neste caso são: • Geração Per Capita: item que relaciona a quantidade de resíduos urbanos, gerada diariamente, e o número de habitantes de determinada região. Pode-se considerar valores na faixa de 0,5 a 0,8 kg/habitante/dia como variação média para o Brasil, o que não é válido para todo o país, conforme será visto mais adiante. É a característica que mais varia com o crescimento das cidades e que varia dentro de cada cidade grande. No Rio e em São Paulo, o per capita de lixo pode ser considerado na faixa de 1,0 kg/hab.dia, enquanto Tóquio e Nova Iorque estão na faixa de 2,0 kg/hab.dia. Na Alemanha este valor está por volta de 1,6 kg/hab.dia e na Suíça chega a quase 1,7. Enquanto isso, na Grécia, o valor é menor do que 1,0 kg/hab.dia, conforme pode ser visto na tabela abaixo: TABELA 2 -. Lixo europeu PRODUÇÃO ANUAL DE RESÍDUOS POR HABITANTE NOS PAÍSES EUROPEUS, em kg/ano QUEM PRODUZ MAIS QUEM PRODUZ MENOS Suiços 600 Checos 310 Franceses 590 Poloneses 320 Noruegueses 590 Gregos 340 Islandeses 570 Portugueses 350 Holandeses 570 Espanhóis 370 FONTE: VEJA, 1999 Resíduos Sólidos 122 Um cuidado que se deve ter sempre é atentar com o que se está correlacionando à produção per capita: se somente com o lixo domiciliar (doméstico + comercial), ou com os resíduos urbanos de forma geral (domiciliar + público + entulho, podendo até incluir os resíduos de serviços de saúde), que é a forma preferida por diversos técnicos. • Composição Gravimétrica: representa o percentual de cada componente em relação ao peso total da amostra de lixo analisada. Os componentes mais utilizados na determinação da composição gravimétrica dos resíduos sólidos urbanos são os apresentados na Tabela 3. Entretanto, é comum fazer-se uso de uma determinação simplificada, contando somente com alguns poucos componentes, como: papel/papelão; plásticos; vidro; metais; matéria orgânica e outros. Este tipo de composição simplificada, embora possa ser usada no dimensionamento de uma usina de compostagem e de outras unidades de um sistema de limpeza urbana, não se presta, por exemplo, a um estudo de reciclagem ou de coleta seletiva, já que o mercado de plásticos rígidos é bem diferente do mercado de plásticos maleáveis, assim como os mercados de ferrosos e não ferrosos. Da mesma forma, este tipo de composição gravimétrica não se presta ao dimensionamento de unidades de aproveitamento de pneus e elastômeros em geral. Vale observar que, na Alemanha, os vidros são ainda separados de acordo com sua coloração. TABELA 3 - Relação de componentes mais comuns da composição gravimétrica. Papel e Papelão Madeira Plástico Rígido Borracha Plástico Maleável Couro Metal Ferroso Pano/Trapos Metal Não Ferroso Ossos Vidro Cerâmica Matéria Orgânica Agregado Fino • Peso Específico Aparente: peso dos resíduos, função do volume por eles ocupados, expresso em kg/m3. Sua determinação é fundamental para o dimensionamento de equipamentos e instalações, bem como a previsão da vida útil do aterro. • Teor de Umidade: medido em porcentagem em peso, esta característica tem influência decisiva, principalmente nos processos de tratamento e, destinação do lixo e em especial, na produçäo de chorume. Varia muito em função das estações do ano e da incidência de chuvas. • Grau de Compactação ou Compressividade: indica a redução de volume que uma massa de lixo pode sofrer, quando submetida a uma pressão determinada e é utilizada para o dimensionamento de equipamentos compactadores. O grau de compactação do lixo pode chegar a 1:3 e 1:4 para uma pressão equivalente a 4 kg/cm2. Características Químicas • Poder Calorífico: indica a capacidade potencial de um material desprender determinada quantidade de calor, quando submetido à queima, sendo extremamente importante nos processos de tratamento térmico dos resíduos. • Potencial Hidrogeniônico (pH): indica o teor de acidez ou alcalinidade dos resíduos. • Composição Química: consistem na determinação dos teores de cinzas, matéria orgânica, carbono, nitrogênio, potássio, cálcio, fósforo, resíduo mineral total, resíduo mineral solúvel e gorduras: importante conhecer, principalmente quando se estudam os processos de tratamento aplicáveis ao lixo. • Relação Carbono/Nitrogênio: indica o grau de decomposição da matéria orgânica do lixo nos processos de tratamento/disposição final. Características Biológicas É a pesquisa da população microbiana e dos agentes patogênicos presentes nos resíduos sólidos. Resíduos Sólidos 123 As características biológicas dos resíduos sólidos urbanos, ao lado das suas características químicas, permitem que sejam selecionados os métodos de tratamento e disposição mais adequados. O conhecimento das características biológicas dos resíduos tem sido muito utilizado no desenvolvimento de inibidores de cheiro e de retardadores/aceleradores da decomposição da matéria orgânica, normalmente aplicados no interior de veículos de coleta, para evitar ou minimizar problemas com a população ao longo do itinerário dos veículos. Da mesma forma, estão em desenvolvimento processos de destinação final e de recuperação de áreas degradadas, com base nas características biológicas dos resíduos. (vide LIMA, 1990). Processos Expeditos de Determinação das Principais Características Físicas Dos grupos de características apresentados, o mais importante é o das características físicas, uma vez que, sem o seu conhecimento, é praticamente impossível se efetuar a gestão adequada dos serviços de limpeza urbana. Além disto, não são todas as Prefeituras que podem dispor de laboratórios (ou de verbas para contratar laboratórios particulares) para a determinação das características químicas ou biológicas dos resíduos, enquanto as características físicas podem ser facilmente determinadas através de processos expeditos de campo, com o auxílio apenas de latões de 200 litros, de uma balança, de uma estufa e do ferramental básico utilizado na limpeza urbana. 8. FATORES QUE INFLUENCIAM AS CARACTERÍSTICAS DOS RESÍDUOS SÓLIDOS É preciso tomar cuidado com os valores que traduzem as características dos resíduos, principalmente no que concerne às características físicas, pois os mesmos são muito influenciados por fatores sazonais, que podem levar o projetista a conclusões equivocadas quanto à real contribuição de um determinado parâmetro no total do lixo gerado na cidade. É fácil imaginar que, em época de chuvas fortes, o teor de umidade no lixo tenda a crescer, ou que haja um aumento do percentual de latinhas de cerveja no carnaval, garrafas de vinho no inverno, fraldas descartáveis em regiões com muitos recém - nascidos ou asilos de pessoas idosas ou, ainda, que no outono cresça o número de folhas a serem recolhidas. Em resumo: A escolha das épocas certas para a realização das coletas e a sua repetitividade ao longo dos anos são fatores que dão confiança e reprodutibilidade aos dados obtidos. Os principais fatores que exercem forte influência sobre as características dos resíduos estão listados na Tabela 4, a seguir. TABELA 4 - Fatores que influenciam as características dos resíduos FATORES INFLUÊNCIA 1 - Climáticos Aumento do teor de umidade Chuvas Aumento de garrafas pelo consumo de bebidas alcoólicas Inverno quentes (vinho etc) Outono Aumento do teor de folhas Aumento do teor de embalagens de bebidas (latas, vidros e Verão plásticos rígidos). Aumento do teor de embalagens de bebidas (latas, vidros e 2 - Épocas Especiais plásticos rígidos) Carnaval Aumento de embalagens (papel/papelão e plásticos maleáveis Natal / Ano Novo / Páscoa e metais) aumento de matéria orgânica Aumento de embalagens (flores, papel/papelão e plásticos Dia das Mães, dos Pais, das Crianças maleáveis e metais). Esvaziamento de áreas da cidade em locais não turísticos. Férias Escolares Aumento populacional em locais turísticos. Quanto maior a população urbana e maior o poder aquisitivo, 3 - Demográficos maior a geração per capitã. População urbana 4 - Sócio-Econômicos Quanto maior o nível cultural, maior a incidência de Resíduos Sólidos 124 materiais recicláveis (papéis etc) e menor a incidência de matéria orgânica. Quanto maior o nível educacional, menor a incidência de Nível Educacional matéria orgânica. Quanto maior o poder aquisitivo, maior a incidência de Poder Aquisitivo materiais recicláveis e menor a incidência de matéria orgânica. Maior consumo de supérfluos perto do recebimento do Poder Aquisitivo (no mês) salário (fim e início do mês) Poder Aquisitivo (na semana) Maior consumo de supérfluos no fim de semana Lançamento de Novos Produtos Aumento de embalagens Clinícas Geriátricas Fraldas Descartáveis Promoções de Lojas Comerciais Aumento de embalagens Redução de materiais não biodegradáveis e aumento de Campanhas Ambientais materiais biodegradáveis FONTE: apud XAVIER DE BRITO, 1999 modificada. Nível Cultural No texto a seguir, alguns destes fatores serão analisados em maior profundidade, com relação à sua influência sobre as características físicas dos resíduos sólidos, dada a importância destas. A) ASPECTOS QUANTITATIVOS A quantidade de lixo gerada em uma cidade varia da seguinte forma: com a variação da geração per capita, com alterações do contingente populacional, bem como do poder aquisitivo da população, sendo que estas últimas exercem influência sobre a primeira. a) Faixas de Variação do Per Capita A taxa de geração de lixo per capita varia diretamente com a população urbana de uma cidade. Tem - se observado, de forma geral, que com o desenvolvimento das cidades, melhoram as condições sócio-econômicas da população, que passa a consumir mais e, conseqüentemente, a gerar mais lixo. Em um projeto de coleta, tratamento e disposição de resíduos é importante que se tenha este fato em mente porque, no Brasil, devido à falta de informações sobre resíduos sólidos, comumente os técnicos extrapolam dados de uma cidade para projetar o sistema de limpeza de outra, o que pode ser absolutamente incorreto e inadequado. Assim, a geração per capita de uma cidade de pequeno porte no interior do centro-sul do Brasil, certamente será maior que o per capita de uma cidade de mesmo tamanho na região do polígono das secas. Analogamente, o per capita de uma cidade de grande porte da região norte-paranaense não será muito menor que o per capita de Curitiba. De acordo com XAVIER DE BRITO (1999), para efeito prático, este conceito de variação do per capita com a população urbana pode ser mantido, considerando-se as faixas de geração per capita fornecidas na Tabela 5. Vale observar, contudo, que é sempre melhor um acompanhamento com caracterização dos resíduos sólidos produzidos na cidade em estudo, para que projetos adequados sejam desenvolvidos. TABELA – Faixas mais utilizadas da geração total per capita Tamanho da Cidade População Urbana (habitantes) Pequena Até 30.000 Média De 30.000 a 500.000 Grande De 500.000 a 3.000.000 Megalópole Acima de 3.000.000 FONTE: XAVIER DE BRITO, 1999 modificado. Geração Per Capitã (kg/hab.dia) 0,50 De 0,50 a 0,80 De 0,80 a 1,00 De 1,00 a 1,30 Resíduos Sólidos 125 O Gráfico 1, a seguir, apresenta a variação das quantidades de resíduos sólidos geradas no município do Rio de Janeiro, de 1993 a 2004 . Observe-se neste gráfico que nem todo o acréscimo de lixo coletado na passagem de 1995 para 1996 se deve exclusivamente à variação do per capita, mas sim a um misto de variação do per capita e aumento de eficiência do sistema de coleta. tonelada 3.400.000 3.000.000 2.600.000 2.200.000 1.800.000 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 FONTE: COMLURB, 2004. Gráfico 1 - Evolução da Quantidade de Resíduos Sólidos Gerada na Cidade do RJ. Sazonalidade A sazonalidade da geração de resíduos sólidos não está restrita somente à variação do contingente populacional, em função do afluxo de turistas em fins de semana, feriados prolongados e períodos de férias escolares, ou do esvaziamento de determinadas regiões, por ocasião dos citados períodos. Ela ocorre em qualquer tipo de cidade (não só as turísticas) ao longo dos dias da semana e ao longo das semanas no mês, por força de hábitos da população local. t 8.500 8.281,37 t 8.200 8.682 t 7.900 7.600 7.380,62 t 7.300 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez FONTE: COMLURB, 2004. Gráfico 2 – Média de tonelada por dia do lixo municipal do RJ 1993 a 2004. a) Sazonalidade Não Turística Como já se mencionou anteriormente, há uma forte tendência no mundo ocidental a se consumir mais nos fins de semana, com o conseqüente aumento da geração de lixo. Por isto, a determinação do per capita de resíduos sólidos jamais poderá ser feita numa segunda - feira, pois, além do incremento na geração de resíduos, a maioria dos serviços de limpeza urbana não opera no domingo, acarretando um acúmulo de lixo a ser coletado na segunda - feira. Resíduos Sólidos 126 Caso isto ocorra, todo o sistema projetado estará superdimensionado, a quantidade de veículos será maior que a necessária, haverá mão de obra ociosa e as instalações de tratamento e destinação final terão dimensões acima das necessidades, causando um duplo prejuízo à Prefeitura contratante, pois além das perdas no investimento inicial, o custo operacional deste sistema será mais caro. Com muito mais razão, vale a recomendação de jamais se efetuar o cálculo ou a determinação de qualquer característica física dos resíduos urbanos, no primeiro dia após fins de semana prolongados. Da mesma forma XAVIER DE BRITO, em 1999, recomenda que a determinação do per capita seja feita entre os dias 10 e 20 do mês, uma vez que, o período de 25 a 10 do mês seguinte, reflete a época de recebimento salarial, ocasião em que há um maior consumo por parte da população e, consequentemente, uma maior geração de lixo. O período de 20 a 25 do mês espelha o período em que parte da população está sem dinheiro, provocando um decréscimo no consumo e na geração de lixo. O Gráfico 3 apresenta a curva típica da geração de lixo ao longo do mês, mostrando a oscilação da geração per capita. Percentual Médio de Lixo 140 120 100 80 60 40 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 Dias do Mês FONTE: apud XAVIER DE BRITO, 1999. GRÁFICO 3 - Variação Mensal da Geração de Resíduos Sólidos No caso do Rio de Janeiro, dados da COMLURB indicam que a região da orla marítima chega a gerar o dobro da quantidade média mensal mas, se comparada à quantidade total de lixo gerado no município, este acréscimo não chega a 3%. Conforme bem observado por XAVIER DE BRITO (1999) o aumento da geração de lixo não é diretamente proporcional à geração per capita da população residente, pois os turistas, além de terem um poder aquisitivo maior que o desta população, estão em período de férias, com espírito propício a consumir. Assim, se o per capita médio da população residente é de 500g/hab.dia, o per capita da população flutuante é de, no mínimo, 1 kg/hab.dia. Apresenta-se a seguir resultados de caracterização de resíduos sólidos obtidos em São Paulo. Componentes Composição Porcentagem Média em Peso Alto Pinheiros Butantã Lapa Marsilack Vidro 2,40 1,10 2,40 0,70 Metal 1,90 3,80 1,50 2,20 Plástico 22,10 21,30 16,80 20,70 Resíduos Sólidos 127 Papel 27,20 21,20 12,20 10,30 Mat.Org. 43,20 49,00 61,80 63,90 Mat.Inerte 0,00 0,00 2,00 0,00 Outros 3,20 3,60 3,30 2,20 FONTE: ORTH E MOTTA,1998 QUADRO 1 – Composição por área diferenciada em São Paulo. Composição percentagem Média em Peso Componentes Centro Leblon Tijuca Méier Penha Pavuna Barra Bangu Campo Grande Sta Cruz Vidro 2,88 3,60 4,50 3,13 4,50 1,66 4,95 2,43 2,30 2,37 Metal 1,94 1,31 2,16 1,20 2,14 1,77 1,87 1,52 1,55 1,73 Plástico 20,82 18,91 18,33 14,18 16,22 15,67 16,79 13,60 14,09 14,73 Papel/Papelão 17,76 13,52 15,98 11,59 14,74 10,63 17,11 10,05 9,81 7,91 Mat. Org. 51,50 57,61 54,37 63,08 51,85 62,64 47,44 60,29 63,31 59,71 Outros 5,10 5,05 4,66 6,82 10,55 7,63 11,84 12,11 8,94 13,55 FONTE: COMLURB - 2004 QUADRO 2 – Composição por área diferenciada no Rio de Janeiro. A quantidade de matéria orgânica aumentou consideravelmente em alguns bairros devido ao início do serviço de coleta seletiva. Quanto maior o poder aquisitivo, maior a incidência de materiais recicláveis e menor a incidência de matéria orgânica. O bairro da Tijuca está apresentando uma percentagem de matéria orgânica inferior ao Leblon, mas é sabido que este tem um poder aquisitivo superior ao primeiro. Esse fato é explicado porque o bairro do Leblon iniciou o serviço de coleta seletiva no início de 2003 enquanto a Tijuca no final de 2004. Resíduos Sólidos 128 Projeção das Quantidades de Lixo Geradas XAVIER DE BRITO (1999) observa que, para se efetuar uma projeção correta da quantidade de resíduos sólidos gerados numa cidade, é necessário que se projete, simultaneamente, a população e o per capita. Nas cidades turísticas, é importante também se efetuarem as projeções de população residente e flutuante, isoladamente, projetando-se, também separadamente, os respectivos per capita. Como no Brasil os dados sobre resíduos sólidos são escassos e, muitas vezes, de baixa confiabilidade, o procedimento usualmente adotado para a projeção do per capita é o de se efetuar a projeção populacional, verificar a faixa do per capita na qual ela se encaixa e interpolar os novos valores do per capita de acordo os limites fornecidos na Tabela 5. O exemplo a seguir, proposto por XAVIER DE BRITO (1999), esclarece os procedimentos a serem adotados. Suponha-se que se quer projetar um sistema de limpeza urbana para uma cidade não turística, com uma população atual de 30.000 habitantes, que cresce a uma taxa de 3% ao ano, na qual foi medida uma geração per capita de 580 g/hab.dia. Adotando-se um horizonte de 20 anos para a projeção, os valores de população serão os fornecidos pela Tabela 6. Resíduos Sólidos 129 TABELA 6 - Projeção populacional ANO POPULAÇÃO (hab) 2005 30.000 2006 30.900 2007 31.827 2008 32.782 2009 33.765 2010 34.778 2011 35.821 2012 36.896 2013 38.003 2014 39.143 2015 40.317 2016 41.527 2017 42.773 2018 44.056 2019 45.378 2020 46.739 2021 48.141 2022 49.585 2023 51.073 2024 52.605 2025 54.183 FONTE: apud XAVIER DE BRITO, 1999 modificada. De acordo com a Tabela 5, quando a cidade atingir os 54.000 habitantes, seu per capita deverá ser da ordem de 600 g/hab.dia. Assim, em termos práticos, pode-se dizer que a cidade evoluirá na geração per capita de acordo com os valores da Tabela 7. TABELA 7 - Evolução do per capita PERÍODO PER CAPITA (g/hab.dia) 2005 a 2011 580 2012 a 2018 590 2019 a 2025 600 FONTE: apud XAVIER DE BRITO, 1999. Desta forma, a projeção da quantidade de RS gerada na cidade será a fornecida na Tabela 8. Resíduos Sólidos 130 TABELA 8 - Projeção da quantidade de lixo gerada. PER CAPITA ANO POPULAÇÃO (hab) (kg/hab.dia) 2005 30.000 0,58 2006 30.900 0,58 2007 31.827 0,58 2008 32.782 0,58 2009 33.765 0,58 2010 34.778 0,58 2011 35.821 0,58 2012 36.896 0,59 2013 38.003 0,59 2014 39.143 0,59 2015 40.317 0,59 2016 41.527 0,59 2017 42.773 0,59 2018 44.056 0,59 2019 45.378 0,60 2020 46.739 0,60 2021 48.141 0,60 2022 49.585 0,60 2023 51.073 0,60 2024 52.605 0,60 2025 54.183 0,60 FONTE: apud XAVIER DE BRITO, 1999. QUANTIDADE DE LIXO (t) 17,4 17,9 18,5 19,0 19,6 20,2 20,8 21,8 22,4 23,1 23,8 24,5 25,2 26,0 27,2 28,0 28,9 29,8 30,6 31,6 32,5 B - ASPECTOS QUALITATIVOS Variações da Composição Gravimétrica Os fatores que influenciam a alteração da composição gravimétrica dos resíduos sólidos urbanos são: os hábitos populacionais (cultura), o “status” sócio-econômico da população e o avanço da tecnologia de materiais. Estes fatores, associados a campanhas de conscientização ambiental contra materiais não degradáveis, são os que determinam a composição gravimétrica de cada país, de cada região e de cada cidade. No Gráfico 4 pode-se ver a grande variação que se tem na composição gravimétrica, de país para país. 60.00 40.00 30.00 20.00 10.00 Medelin USA Italy São Paulo West Europe Others Food Glass Plastic Wood 0.00 Paper PERCENTAGE 50.00 Resíduos Sólidos 131 Gráfico 4 Comparação na produção de resíduos em diversos países (MAHLER E OLIVEIRA, 1998) Variações do Peso Específico Aparente As variações do peso específico aparente dos resíduos sólidos ocorrem em função de inúmeros fatores. Este texto limitar-se-á a apresentar apenas os principais fatores, que são: o poder aquisitivo da população e o avanço tecnológico, que induzem a variações no consumo e trazem consigo o emprego de novos materiais e equipamentos. Com o aumento do poder aquisitivo, a população tende a consumir uma maior quantidade de supérfluos, acarretando um acréscimo significativo de componentes leves do lixo, como papel, papelão e plásticos, ao mesmo tempo em que diminui sua geração de lixo úmido (matéria orgânica). A Tabela 9 a seguir, dão uma idéia da variação do peso específico com o poder aquisitivo da população de alguns bairros do Rio de Janeiro, lembrando que a população da Zona Sul do Rio, de uma forma geral, tem um poder aquisitivo maior que das demais regiões da cidade. Vale ainda observar, confrontando os valores de peso específico com a presença de matéria orgânica nos bairros de população de maior poder aquisitivo com população de menor poder aquisitivo, que a presença deste material, associada ao maior teor de umidade do lixo dos bairros de menor poder aquisitivo (ver item seguinte), conduzem a um peso específico maior do lixo. Resíduos Sólidos 132 TABELA 9 - Variação do peso específicoem função do poder aquisitivo da população PESO ESPECÍFICO BAIRRO APARENTE (kg/m3) Centro 133,55 Leblon 157,15 Tijuca 147,35 Méier 162,70 Penha 176,99 Pavuna 175,11 Barra 142,98 Bangu 159,64 C. Grande 152,93 Sta. Cruz 145,82 FONTE: COMLURB,2004. A explicação da variação do peso específico vale a mesma para a análise gravimétrica. No ano de 2005 os valores devem representar melhor a realidade visto que o serviço de coleta seletiva já atinge praticamente toda a cidade. Variação do Teor de Umidade O teor de umidade dos resíduos sólidos varia significativamente de acordo com a localização geográfica da cidade e com a estação do ano. Assim, o lixo de cidades como Brasília, apresentam teor de umidade bastante baixo, enquanto em Poços de Caldas, o teor de umidade do lixo ultrapassa os 70%. No Rio de Janeiro, este valor se situa na casa dos 65%, podendo-se adotar como média brasileira o valor de 60%. Como se mencionou anteriormente, a grande importância do teor de umidade reside no dimensionamento de unidades de compostagem, uma vez que este parâmetro interfere de forma direta na velocidade de decomposição do lixo. Se não houver água em quantidade suficiente, a massa de lixo a compostar tenderá a secar, reduzindo a velocidade de decomposição e aumentando o tempo de compostagem. Se o teor de umidade for muito alto, odores desagradáveis serão produzidos, além de poder ocorrer uma percolação de nutrientes do composto pela elevada concentração de água. Nesta situação, a compostagem também ocorrerá lentamente. Do Manual de Gerenciamento Integrado do Lixo do IPT, pode-se observar que o teor de umidade ideal para uma compostagem aeróbia está na faixa de 40 a 60%, no máximo. Variação do Peso Específico Para o desenvolvimento de um bom projeto de aterro sanitário é importante o conhecimento de alguns parâmetros geotécnicos, tais como o peso específico, a permeabilidade a capacidade de campo, o teor de umidade, coesão, ângulo de atrito etc. Contudo, sabe-se que, em se tratando de resíduos sólidos das cidades brasileiras, tais parâmetros ainda são escassos e de representatividade ainda questionável. Para os resíduos dispostos em aterros, o fator tempo é extremamente relevante, bem como as características iniciais dos resíduos dispostos, tendo em vista a degradação da matéria orgânica e dos outros materiais presentes no maciço, o que implica na variação ao longo do tempo das suas propriedades mecânicas. Visando estudar inicialmente o efeito da coleta seletiva e da idade de disposição no peso especifico estudaram-se amostras coletadas no Aterro Sanitário de Santo André, em São Paulo, onde também se fizeram ensaios de cava in situ. Nesta cidade é praticada a coleta seletiva de resíduos. Acredita-se que esta prática influencia, conforme onservado anteriormente, diversos aspectos geomecanicos na disposição final dos resíduos em particular, o peso específico, já que os materiais recicláveis selecionados e segregados antes da deposição no aterro, tais como garrafas plásticas, vidros, metais, dificultam a compactação e exigem um longo tempo para a sua degradação. Utilizou-se na determinação do Resíduos Sólidos 133 peso específico um equipamento similar a um Permeâmetro, denominado Percâmetro (Carvalho, 2002), com características especiais que permitem a coleta de amostras indeformadas dos resíduos no campo e, posteriormente, determinar os seus pesos específicos. Com a finalidade de aumentar a confiabilidade dos resultados, foram feitos ensaios com a abertura de valas que permitiram a determinação de valores de pesos específicos em algumas das bermas do aterro (Silveira, 2004), onde também foram realizados ensaios com o percâmetro. Aproveitando-se das características do aterro em questão, foi possível se determinar as idades das bermas e, conseqüentemente, do lixo depositado. Por fim, foram tabulados os valores dos pesos específicos encontrados, confrontados com o tempo de disposição dos resíduos e com a implantação da coleta seletiva, com a finalidade de se verificar a relação existente entre eles. Apresentam-se a seguir valores de peso especíco obtidos a partir da literatura mundial (Mahler e outros, 2004): Tabela 10 - Valores de pesos específicos encontrados na literatura (Mahler e outros, 2004) AUTOR/ANO Peso específico KN/M3 OBSERVAÇÕES Sowers (1968) Sowers (1973) 8-12 1,2-3 6 1,5-2 3,5-6 1,16 7,0-13,1 11,0-14,5 10,0 7,5-8,5 5,5-7,1 6,3 4,6-17,3 2,8-3,1 4,7-6,3 10,0 7- 14 10 Compactados antes da compactação após compactação sem compactação fraca compactação sem compactação Compactados compactados Após compactação Pré-carregado antes da decomposição origem industrial e doméstica misturado municipal sem compactação municipal moderadamente compactado compactado Rao (1974) Bratley et al. (1976) Cartier e Baldit (1983) Oliden (1987) Oweiss e Khera (1990) Oweiss e Khera (1990) Arroyo et al. (1990) Landva e Clark (1990) Van Impe (l 993-l 994) resíduos sólidos municipais densificados máxima densidade seca (w=31%) saturação completa (w=70%) com volume de ar nulo (w=31%) 9,3 8 12 Gabr e Valero(1995) Fonte: adaptado de Olalla, C. (1993). A tabela a seguir apresenta os resultados obtidos no Aterro Santo André: CAMADA IDADE (meses) DATA 60 25/10/00 1 13/03/03 2 3 4 58 04/11/00 56 11/11/00 54 16/12/00 γt (kN/m3) γt (kN/m3) PERCÂMETRO CAVA COLETA SELETIVA % / ANO --- 16,18 --- --- 11,64 11,13 --- 14,79 --- --- 11,27 --- --- 8,67 --- --- Resíduos Sólidos 5 6 9 13 134 52 06/01/01 50 20/01/01 44 20/01/01 24 24/02/01 03/1999 14 16 17 18 25/01/01 6 26/02/01 12 19/03/03 6 14/03/03 18 10,31 --- --- 11,55 --- --- 10,29 --- --- 7,84 --- --- --- 7,88 --- 8,02 --- 11,79 --- 100 / 2000 10,37 19,94* 100 / 2000 11,09 10,09 100 / 2000 INÍCIO/ 1998 * Este valor causa dúvida, pois é muito alto para as condições locais dos resíduos. Comparando-se os valores das camadas 14 até a 01, vê-se nitidamente o aumento do peso específico com a idade dos resíduos de 8 para 16 kN/m³. Com relação às camadas 16, 17 e 18, onde a coleta seletiva é de 100%, nota-se uma certa regularidade nos valores dos pesos específicos em torno de um valor médio igual a 11,00 kN/m³. Pode-se observar que nas camadas com até 24 meses antes da coleta seletiva (13 e 14) e após a coleta seletiva (16, 17 e 18) tem-se, respectivamente, os seguintes valores médios: 8 kNm³ e 11 kNm³. Em função dos ensaios realizados e dos resultados obtidos, ficou evidente a evolução do peso específico com o tempo com uma variação no seu aumento de, aproximadamente, 8 para 16 kN/m³, uma variação de 100% num período de 60 meses, não deixando dúvidas quanto à influência da idade dos resíduos no aumento do peso específico. Com a ampliação da coleta seletiva em Santo André para 100% da cidade, iniciada no final de abril de 2000, concomitantemente com a execução da camada 16 e considerando-se os resultados obtidos, constata-se que houve um aumento real no valor do peso específico dos resíduos depositados a partir da implantação da coleta seletiva. Comparando-se os valores médios obtidos nos ensaios entre as camadas anteriores e posteriores à coleta seletiva tem-se um aumento percentual em torno de 35% no peso específico. A partir do observado constatou-se que tanto com relação à idade dos resíduos, quanto com relação à coleta seletiva, há uma clara influência de ambas na evolução do aumento do peso específico dos resíduos sólidos municipais. OBSERVAÇÕES FINAIS Alguns aspectos que não foram abordados neste texto são, por exemplo, a questão da escolha da área (MAHLER e COSTA LEITE, 1998), estabilidade (MAHLER E NETTO, 1999), vegetação (MATTA E ANDRADE E MAHLER, 2000), coleta (FERNANDES DE ALMEIDA, 1999) e análise de custos (BAGBY, 1999). A questão do lixo tem sido discutida e abordada de forma crescente na sociedade brasileira e mundial. A disposiçäo final em aterros sanitários, tema considerado como a solução final há alguns anos atrás, é nos países desenvolvidos como a Alemanha visto como assunto encerrado sendo que a partir do ano de 2005 os aterros terão que ser aterros de inertes e não sanitários, uma vez que só poderão ser dispostos materiais devidamente inertizados, seja por um tratamento térmico ou um pré-tratamento mecânico biológico. Agradecimentos À doutoranda enga. Natalia Peçanha Caninas pela revisão e melhoria de algumas tabelas no texto. Resíduos Sólidos 135 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BAGBY, J. (1999). 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