PROCESSO SELETIVO SIMPLIFICADO – EDITAL 002/2013
Prova para o cargo 301
Professor Educação Básica -PEB II (Educação Infantil e Séries Iniciais)
ORIENTAÇÕES IMPORTANTES
01 - Este caderno contém 30 (trinta) questões de múltipla escolha, sendo 15 (quinze) de
Legislação Educacional, 10 (dez) de Língua Portuguesa e 05 (cinco) de Conhecimentos
Pedagógicos.
02 - Verifique se o caderno contém falhas: folhas em branco, má impressão, páginas trocadas,
numeração errada, etc. Encontrando falhas, levante a mão. O Fiscal o atenderá e trocará o seu
caderno.
03 - Cada questão tem 4 (quatro) alternativas (A - B - C - D). Apenas uma resposta é correta.
Não marque mais de uma resposta para a mesma questão, nem deixe nenhuma delas sem
resposta. Se isso acontecer, a questão será anulada.
04 - Para marcar as respostas, use preferencialmente caneta esferográfica com tinta azul ou
preta. NÃO utilize caneta com tinta vermelha. Assinale a resposta que julgar correta,
preenchendo toda a área da bolinha.
05 - Tenha cuidado na marcação da Folha de Respostas, pois ela não será substituída em
hipótese alguma.
06 - Confira e assine a Folha de Respostas, antes de entregá-la ao Fiscal. NA FALTA DA
ASSINATURA, A SUA PROVA SERÁ ANULADA.
07 - Não se esqueça de assinar a Lista de Presença.
08 - O tempo de duração da Prova Objetiva será de no máximo 3 (três) horas e abrange a
assinatura da Folha de Respostas e a transcrição das respostas do Caderno de Questões da
Prova Objetiva para Folha de Respostas.
09 - O candidato só poderá se ausentar do recinto das provas após uma hora, contada a partir
do seu efetivo início.
DURAÇÃO DESTA PROVA: TRÊS HORAS
NOME LEGÍVEL: ______________________________________________________________
CPF: _____________________________ Assinatura: ________________________________
NUMERO DE INSCRIÇÃO: ______________________
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LEGISLAÇÃO EDUCACIONAL
1- A Constituição Federal dispõe que a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios organizarão, em regime de colaboração, seus sistemas de ensino. A
propósito dessa disposição, colocam-se os seguintes itens:
I - Os Municípios atuarão, prioritariamente, no ensino fundamental e no médio.
II – Os Estados e o Distrito Federal atuarão, prioritariamente, no ensino fundamental e médio.
III – Os Estados e os Municípios atuarão, prioritariamente, na educação infantil.
IV – Na organização dos sistemas de ensino, Estados e Municípios definirão normas de
colaboração de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório.
Estão corretos apenas os itens:
(A) I, II, III
(B) I, III, IV
(C) I, II, III, IV
(D) II, IV
2- Com base no que dispõe a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN),
Lei n.º 9.394/1996, sobre avaliação, currículo e planejamento educacional, marque a
alternativa correta.
(A) A classificação do aluno em qualquer série ou etapa do ensino fundamental deve ser
precedida da aplicação de testes de avaliação a respeito dos conteúdos programáticos da série
ou etapa imediatamente anterior.
(B) A gestão democrática, modelo de gestão adotado pela escola pública, fundamenta-se na
participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e
na participação de outros atores da comunidade escolar, tais como pais e alunos, em
conselhos escolares ou equivalentes.
(C) Previsto na parte diversificada do currículo, o ensino de ao menos uma língua estrangeira
moderna é facultativo no ensino fundamental.
(D) Aos estabelecimentos de ensino fundamental que já utilizam a progressão regular por série
proíbe-se a adoção, no ensino fundamental, do regime de progressão continuada.
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3- A Constituição Federal de 1988 (CF) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (LDBEN), Lei n.º 9.394/1996 compõem a base legal da educação no Brasil. Em
relação a esses instrumentos legais e seus dispositivos, marque a alternativa correta.
(A) A CF, em cujo texto estão reunidos as normas superiores do ordenamento jurídico do
Estado Nacional, constitui fundamento da LDBEN e das demais leis do país e suas respectivas
normatizações.
(B) A LDBEN disciplina as orientações específicas para a educação brasileira, facultando aos
estados, ao Distrito Federal e aos municípios a livre regulação da educação em seus âmbitos
de abrangência.
(C) Para viabilizar o processo de integração, a CF limita a possibilidade de as comunidades
indígenas utilizarem suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem no ensino.
Além disso, a lei educacional desobriga o estudo da história e cultura indígena nas escolas de
ensino fundamental e médio.
(D) O ensino fundamental é a única etapa da educação básica que tem caráter obrigatório e
gratuito, garantido pelo poder público, na CF, a todas as crianças entre os sete e os quatorze
anos de idade, bem como àqueles que não tiveram acesso a esse ensino na idade própria.
4- Sobre os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN’s, marque a alternativa incorreta:
(A) São elaborados pelo MEC e colocados à disposição das escolas, visando à melhoria da
educação, em todo o país.
(B) É uma proposta governamental que impõe um modelo curricular único.
(C) Sugere a adequação do currículo escolar à realidade educacional e a peculiaridade da
clientela que atende.
(D) Os temas transversais dos PCN’s tratam da interdisciplinaridade, como proposta de
estabelecer comunicações entre as disciplinas escolares.
5- Os temas transversais relacionados nos Parâmetros Curriculares Nacionais, PCN’s,
referem-se a, EXCETO:
(A) Questões que interferem na vida dos alunos e com as quais se veem confrontados no seu
dia a dia.
(B) São um conjunto de temas que aparecem transversalizados nas áreas definidas.
(C) Constituem novas áreas para trabalhar com os alunos.
(D) Meio ambiente, saúde e ética são temas transversais.
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6- Ao prescrever que “A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando,
assegurar-lhe formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecerlhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores”, a Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional – LDBEN refere-se ao aluno:
(A) Da educação infantil e das séries iniciais do ensino fundamental.
(B) De qualquer etapa e modalidade do nível contemplado na lei.
(C) De curso de suplência, desde que esteja em idade de desenvolvimento.
(D) Do ensino fundamental e do ensino Médio, desde que seja no ensino regular.
7- O Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei nº 8.069/1990 ao tratar do direito à
educação, à cultura, ao esporte, ao lazer prevê que os dirigentes de estabelecimentos de
ensino fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de, EXCETO:
(A) reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos escolares.
(B) elevados níveis de repetência.
(C) maus-tratos envolvendo seus alunos.
(D) oferta de ensino noturno escolar.
8- A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva tem
como objetivo o acesso, a participação e a aprendizagem dos alunos com deficiência,
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas escolas
regulares, orientando os sistemas de ensino para promover respostas às necessidades
educacionais especiais, garantindo, EXCETO:
(A) Transversalidade da educação especial somente a partir do Ensino Fundamental;
(B) Atendimento educacional especializado e articulação intersetorial na implementação das
políticas públicas.
(C) Continuidade da escolarização nos níveis mais elevados do ensino.
(D) Acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes,
na comunicação e informação.
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9- A Lei 11.645 de 2008, que altera a Lei 9.394/1996 – Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade
da temática “História e Cultura Afro-brasileira e Indígena”, dispõe que:
(A) Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados,
torna-se facultativo o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena.
(B) O conteúdo programático dessa temática não poderá incluir todos os aspectos da história e
da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos
étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos
indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da
sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política,
pertinentes à história do Brasil.
(C) Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas
brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de
educação artística, literatura e história brasileiras.
(D) Na oferta de educação básica para a população rural, os sistemas de ensino promoverão
as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região.
10- Consoante as Diretrizes da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da
Educação Inclusiva, marque a alternativa incorreta:
(A) A educação especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e
modalidades, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os recursos e
serviços e orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem nas turmas
comuns do ensino regular.
(B) O atendimento educacional especializado, ao longo de todo o processo de escolarização,
não precisa estar articulado com a proposta pedagógica comum.
(C) O atendimento educacional especializado tem como função identificar, elaborar e organizar
recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação
dos alunos, considerando suas necessidades específicas.
(D) Em todas as etapas e modalidades da educação básica, o atendimento educacional
especializado é organizado para apoiar o desenvolvimento dos alunos, constituindo oferta
obrigatória dos sistemas de ensino.
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11- Para cumprir o mínimo estabelecido para a jornada diária escolar do aluno no ensino
fundamental, nos termos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº
9.394/1996, o horário do professor em sala de aula deverá ser de:
(A) duzentas horas de trabalho efetivo.
(B) oitocentas horas de trabalho efetivo.
(C) quatro horas de trabalho efetivo.
(D) quatro horas e meia de trabalho efetivo.
12- A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/1996 estabelece
incumbências aos professores, entre as quais se encontram:
I- elaborar textos didáticos que devem substituir os livros didáticos.
II- participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao
desenvolvimento profissional.
III- zelar pela aprendizagem do aluno.
IV- estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento.
Estão corretas apenas as afirmativas:
(A) II, III e IV.
(B) I e II.
(C) I, II e IV.
(D) III e IV.
13- Preencha as lacunas abaixo e, em seguida, assinale a alternativa correta.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/1996, prevê que o controle de
frequência fica a cargo da escola, conforme o disposto no seu regimento e nas normas do
respectivo sistema de ensino, exigida a frequência ____________________________ de
___________________________________________ do total de horas letivas para aprovação.
(A) mínima / 75% (setenta e cinco por cento).
(B) obrigatória / 80% (oitenta por cento).
(C) máxima / 50% (cinquenta por cento).
(D) facultativa / 75% (setenta e cinco por cento).
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14- Entender as causas do sucesso ou do fracasso dos alunos tem sido uma
preocupação recorrente de professores e educadores em geral. As características
culturais dos alunos vêm a ser um fator geralmente apontado como determinante para a
aprendizagem de crianças, adolescentes ou jovens.
Considerando as teorias educacionais contemporâneas, qual, dentre as afirmativas
abaixo relacionadas, NÃO justifica essa situação?
(A) As perspectivas de sucesso na vida escolar tendem a acompanhar as variações quanto à
posse de capital cultural por parte dos alunos.
(B) As possibilidades de sucesso escolar são maiores para alunos que possuem capital cultural
idêntico ou similar ao de seus professores.
(C) Os alunos das classes populares, devido às suas características culturais, enfrentam
maiores discriminações dificultando alcançar o sucesso escolar.
(D) Os alunos de segmentos sociais em situação de desvantagem e possuidores de menor
capital cultural estão fadados ao fracasso na escola.
15- A avaliação tem sido um tema constante nos debates sobre educação, em especial
sobre sucesso e fracasso escolar. Nesse sentido, as mudanças na legislação brasileira
sobre educação vêm refletindo esses debates, como demonstra a determinação sobre
avaliação estabelecida na Lei de Diretrizes e Bases, Lei Federal nº 9.394, de 20 de
dezembro de 1996. Essa Lei indica ter a avaliação do rendimento escolar:
(A) caráter classificatório, objetivando apontar os alunos que estejam mais propensos ao
fracasso escolar.
(B) propriedade formativa, possibilitando que os alunos se apropriem dos valores normativos
implícitos à avaliação.
(C) foco nas necessidades econômicas e sociais dos alunos, visando à sua futura inserção no
mundo do trabalho.
(D) prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos, visando à percepção contínua
do desempenho dos alunos.
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LÍNGUA PORTUGUESA
A CASA – A ESCOLA
Rubem Alves
Uma professora me escreveu pedindo-me que eu lhe desse algumas dicas sobre como
despertar o interesse dos seus alunos sobre a sua matéria. Sua pergunta brotava do seu sofrimento.
Preparava suas aulas como havia aprendido nas aulas de didática – mas a sua aula não era capaz de
seduzir a imaginação dos seus alunos. Numa situação como essas o mais fácil e o mais comum é
culpar os alunos: eles são indisciplinados, não querem aprender, são psicologicamente (Linha 5)
incapazes de concentrar a atenção. Essa professora não culpava os alunos. Culpava a si mesma. Devia
haver algo de errado em suas aulas para que os alunos não prestassem atenção.
Uma aula é como comida. O professor é o cozinheiro. O aluno é quem vai comer. Se a criança
se recusa a comer pode haver duas explicações. Primeira: a criança está doente. A doença lhe tira a
fome. Quando se obriga a criança a comer quando ela está sem fome, há sempre o (Linha 10)
perigo de que ela vomite o que comeu e acabe por odiar o ato de comer. É assim que muitas crianças
acabam por odiar as escolas. O vômito está para o ato de comer como o esquecimento está para o ato
de aprender. Esquecimento é uma recusa inteligente da inteligência. Segunda: a comida não é a
comida que a criança deseja comer: nabo ralado, jiló cozido, salada de espinafre… O corpo é um sábio.
Etimologicamente a palavra sábio quer dizer “eu degusto”. O corpo não é um porco que (Linha 15)
come tudo o que jogam para ele, como se tudo fosse igual. Ele opera com um delicado senso de
discriminação. Algumas coisas ele deseja. Prova. Se são gostosas, ele come com prazer e quer repetir.
Outras não lhe agradam, e ele recusa. Aí eu pergunto: “O que se deve fazer para que as crianças
tenham vontade de tomar sorvete?” Pergunta boba. Nunca vi criança que não estivesse com vontade de
tomar sorvete. Mas eu não conheço nenhuma mágica que seja capaz de fazer com que uma (Linha 20)
criança seja motivada a comer salada de jiló com nabo. Nabo e jiló não provocam a sua fome.
As crianças têm, naturalmente, um interesse enorme pelo mundo. Os olhinhos delas ficam
deslumbrados com tudo o que veem. Devoram tudo. Lembro-me da minha neta de um ano, agachada
no gramado encharcado, encantada com uma minhoca que se mexia. Que coisa fascinante é uma
minhoca aos olhos de uma criança que a veem pela primeira vez! Tudo é motivo de espanto. (Linha 25)
Nunca estiveram no mundo. Tudo é novidade, surpresa, provocação à curiosidade.
Visitando uma reserva florestal no Espírito Santo a bióloga encarregada de educação ambiental
me contou que era um prazer trabalhar com as crianças. Não era necessário nenhum artifício de
motivação. As crianças queriam comer tudo o que viam. Tudo provocava a fome dos seus olhos:
insetos, pássaros, ninhos, cogumelos, cascas de árvores, folhas, bichos, pedras. [...] (Linha 30)
Para mim esse é um princípio fundamental da aprendizagem: a fome de aprender acontece na
fronteira entre o corpo e o ambiente. As crianças não se interessam por montanhas, lagos e florestas
porque estão longe dos seus braços. Mas têm prazer em subir em árvores, apanhar frutas, descobrir
ninhos, brincar nos remansos, pescar. As crianças se interessam por objetos com os quais os seus
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corpos podem estar em contato, que podem ser manipulados. Elas não têm (Linha 35)
um interesse natural por operações matemáticas abstratas. Mas se estão vendendo pipas na feira, elas
se interessam logo por somar e diminuir para contabilizar preços e trocos. E que dizer da forma como
elas aprendem a falar, coisa mais assombrosa não existe! Elas não aprendem a falar abstratamente.
Aprendem os nomes dos objetos e das pessoas ao seu redor, os verbos que indicam as atividades que
fazem. Quando a criança diz “mamãe” ela está chamando para si um objeto querido. A (Linha 40)
princípio, toda palavra é uma invocação.
Aí elas vão para as escolas. Aí a aprendizagem sai da vida e passa para os programas.
Programas são séries de conhecimentos organizados abstratamente numa ordem lógica. Mas a ordem
dos programas, por terem sido preparados abstratamente, não segue a ordem da vida. Aparece então o
descompasso. O que elas têm de aprender não é aquilo que o corpo delas quer aprender, (Linha 45)
pela simples razão de que a vida não segue programas. Aí surge a pergunta: como motivá-las a comer
nabo e jiló? Vocês podem imaginar como é que se ensinaria uma criança a falar, seguindo-se um
programa? Ela não aprenderia nunca. [...]
Sonho com uma escola que tenha a casa de morada da criança como seu laboratório. A casa é
o seu espaço imediato. Ela está cheia de objetos e ações interessantes. Pensar a casa é (Linha 50)
pensar o mundo onde a vida de todo dia está acontecendo. Numa casa não poderia haver um currículo
pronto porque a vida é imprevisível: não segue uma ordem lógica. Os saberes prontos ficariam
guardados num lugar, como as ferramentas ficam guardadas numa caixa. As ferramentas são tiradas da
caixa quando elas são necessárias para resolver problemas. Assim são os saberes: ferramentas.
Ninguém aprende ferramenta para aprender ferramenta. (Linha 55)
O sentido da ferramenta é o seu uso na prática. O sentido de um saber é o seu uso na prática.
Se não pode ser usado não tem sentido. Deve ser jogado fora. E por falar nisso, a palavra “dígrafo” que
todas as crianças têm de aprender, serve para que? Assim são os nossos programas, cheios de
“dígrafos” sem sentido… Por isso as crianças não aprendem.
(Ruben Alves, A casa – A escola in “Por uma educação romântica”, Campinas, SP. Editora
Papirus, 2002)
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De acordo com o texto acima, responda as questões 16 a 22. Marque apenas uma
alternativa. Para facilitar as linhas do texto estão numeradas de cinco em cinco.
16 - De acordo com o autor:
(A) A didática é desnecessária, pois o aluno aprende e se interessa por todos os conteúdos,
seja ele qual for e qualquer que seja a forma de apresentação.
(B) Os programas são necessários e indispensáveis ao processo de aprendizagem, pois “são
séries de conhecimentos organizados abstratamente numa ordem lógica”, e deles depende o
próprio ensino.
(C) O fracasso escolar muitas vezes advém do fato das crianças não conseguirem vislumbrar o
uso prático dos saberes desenvolvidos nas escolas.
(D) Não é necessário nenhum artifício de motivação para que ocorra o aprendizado, pois as
crianças apreendem os conteúdos escolares naturalmente.
17- Para o autor o princípio fundamental da aprendizagem está:
(A) na necessidade de um artifício de motivação.
(B) na motivação pelo espanto.
(C) nos Programas constituídos por séries de conhecimentos organizados abstratamente em
ordem lógica.
(D) na fronteira entre o corpo e o espaço, pois as crianças se interessam por objetos com os
quais os seus corpos podem estar em contato.
18- Segundo o texto, a alternativa que melhor explica o fato de uma criança recusar-se
interessar pelas aulas é:
(A) A criança é obrigada a aprender algo que não deseja.
(B) Crianças são, naturalmente, interessadas pelo mundo.
(C) Tudo é novidade, surpresa e provocação à curiosidade da criança.
(D) Crianças operam com um delicado senso de discriminação.
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19- O texto é predominantemente:
(A) Narrativo, já que revela os fatos que aconteceram em determinado tempo e lugar, com o
envolvimento de personagens e de um narrador.
(B) Dissertativo, pois analisa, explica, interpreta e também avalia determinado dado,
acontecimento ou fato. Traz uma reflexão, com opiniões sobre os fatos e postura crítica e
impessoal em relação ao que se discute.
(C) Argumentativo, pois defende uma ideia, opinião ou ponto de vista, uma tese, procurando
(por todos os meios) fazer com que o ouvinte/leitor aceite-a, creia nela.
(D) Instrucional, pois há indicação específica e detalhada de como realizar uma ação, está
predizendo acontecimentos e comportamentos.
20- Marque a única sequência em que todas as palavras estão grafadas corretamente
(A) seduzir, indisciplinados, fascinante.
(B) discriminação, conscentrar, invocação.
(C) enxarcado, etimologicamente, abstratamente.
(D) assombrosa, desconparso, remansos.
21- Assinale a alternativa em que a expressão tem o mesmo sentido do trecho: “Sua
pergunta brotava do seu sofrimento”.
(A) Sua pergunta satisfazia seu sofrimento.
(B) Seu questionamento era resultado do seu sofrimento.
(C) Seu questionamento desaparecia em seu sofrimento.
(D) Sumia seu sofrimento na pergunta.
22- No texto, na linha 63, “nisso” refere-se ao:
(A) estudo do Dígrafo.
(B) uso prático que é feito daquilo que se aprende.
(C) ensino do uso de ferramentas nos programas educacionais.
(D) baixos índices do Brasil nas avaliações educacionais.
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23- De acordo com o Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa, de 1990, atualmente em
vigor, marque a alternativa que apresenta o grupo de palavras que foram modificadas em
relação a acentuação:
(A) Idéia, corticóide, espermatozoide, alcatéia, gênese.
(B) Crêem, vêem, leem, adenoide, crochê.
(C) Espermatozóide, ovoide, crôsta, pêra, arsênio.
(D) Assembleia, ideia, desiquilíbrio, lambisgoia, daltônico.
24- Fez-se corretamente a divisão silábica da palavra, obedecendo-se, dessa forma, às
normas da língua escrita em
(A) tecnologia (te-cno-lo-gi-a).
(B) subliminar (sub-li-mi-nar).
(C) constrói (cons-tró-i).
(D) ideia (i-de-i-a)
25- Em qual das frases abaixo o pronome “NADA” tem significado diferente das demais:
(A) Nada vai trazer ele de volta.
(B) E você não vai fazer nada?
(C) Eu lhe disse que não tinha nada naquela gaveta.
(D) Ela não fez nada, por que está sendo acusada?
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CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS
26- Leia o texto a seguir.
Duas meninas, da mesma turma, saíram muito entusiasmadas da aula, conversavam sobre o
que estavam aprendendo e foram questionadas por colegas de outra turma sobre o motivo de
tanto entusiasmo. Eles queriam saber como eram as aulas dessa tal professora Luiza que era
muito elogiada pelos alunos. As duas foram logo contando: “A aula dela é muito gostosa
porque todo mundo tem o mesmo direito de participar e falar, dar opiniões; não fica assim, de
deixar os alunos meio isolados, pelo contrário”.
E a outra menina complementa: “E na hora de explicar ela explica de um jeito que não tem jeito
de não entender. Quando ela está explicando, ela está conversando com os alunos e ela pede
muito a opinião da classe inteira. É um jeito muito fácil de aprender”.
O encontro cotidiano entre professores e alunos em sala de aula envolve um conjunto de
fatores necessários para facilitar a aprendizagem. No caso da professora Luiza, as
alunas colocam em destaque a sua habilidade em:
(A) estabelecer os vínculos entre os novos conteúdos e os conhecimentos prévios e determinar
o que deve constituir o ponto de partida das aulas.
(B) promover o trabalho independente por meio de situações em que possam se atualizar e
utilizar autonomamente os conhecimentos construídos.
(C) gerar um ambiente em que seja possível que os estudantes se abram, façam perguntas, e
aproveitar, quando possível, as contribuições dos alunos.
(D) contar com as contribuições e os conhecimentos dos alunos, estabelecer um ambiente
favorável, além de criar uma rede comunicativa na aula.
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27- Com relação ao processo de alfabetização é correto afirmar:
(A) A criança tem que ter uma boa coordenação motora fina para iniciar o processo de
aquisição de leitura.
(B) Uma criança que escreve “cunzinha” no lugar de “cozinha”, “paiaço” no lugar de “palhaço” e
“pobrema’ no lugar de “problema” deve aprender, primeiramente a falar de forma correta para,
depois, ser iniciada no processo de alfabetização.
(C) os altos índices de analfabetismo no Brasil devem ter causa na dificuldade dos brasileiros
falarem um português correto.
(D) No início do processo de aquisição da escrita, a criança é influenciada pelos sons de sua
fala.
28- Leia o texto abaixo, produzido por uma criança, de seis anos, que está em fase de
aquisição de escrita e está regularmente matriculada em uma escola de ensino
fundamental. Em seguida, é apresentado o texto corrigido, para que você tenha noção
clara do que a criança desejou escrever.
Texto escrito pela criança:
A xuxa ela aprezenta o progama que é muito inprotamte para ela a xuxa é muito lida o papai
xama ela de lourinha mais ela e muito cininsiha. A xuxa é de mais. Eu quiria emcontrar
comella.
Texto corrigido:
A Xuxa, ela apresenta o programa que é muito importante para ela. A Xuxa é muito linda. O
papai chama ela de lourinha, mas ela é muito simplesinha. A Xuxa é demais. Eu queria
encontrar com ela.
A partir da leitura do texto da criança, é CORRETO afirmar que:
(A) o texto apresenta erros impróprios para a fase de aquisição de escrita.
(B) os erros apresentados pela criança são decorrentes de uma fala precária.
(C) a criança escreve “xuxa” e “xama” com “x” inicial porque tanto a letra “x” de “Xuxa”, quanto
o dígrafo “ch” de “chama” representam o mesmo som.
(D) todos os erros apresentados no texto da criança são reflexos de uma pedagogia de
alfabetização ineficaz.
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Analise a escrita para responder às questões de números 29 e 30.
(http://lereescrever.fde.sp.gov.br, acesso em 07.06.2012)
29- Analisando a escrita, é correto afirmar que a criança:
(A) segmenta adequadamente as palavras.
(B) escreve ortograficamente.
(C) domina a escrita alfabética.
(D) reconhece os dígrafos da língua.
30- O texto reproduzido pela criança pertence ao gênero:
(A) cordel, cuja esfera social de circulação é a escolar.
(B) música, cuja esfera social de circulação é a artística.
(C) parlenda, cuja esfera social de circulação é a cotidiana.
(D) trava-língua, cuja esfera social de circulação é a escolar.
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CADERNO DE PROVA CARGO 301