Clipping Nacional
de
Educação
Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2015
Capitare Assessoria de Imprensa
SHN Qd2Edifício Executive Office Tower Sala 1326 Telefones:
(61) 3547-3060 (61) 3522-6090 www.capitare.com.br
O GLOBO
23/02/15
SOCIEDADE
País de estudantes on-line
Economizando tempo. Após ter um filho, Monica complementou
as aulas na faculdade de Administração com cursos on-line em casa,
e acabou estudando vários outros assuntos
RAPHAEL KAPA raphael.
kapa@ oglobo.com. br
Cursos via rede atraem
centenas de milhares de
brasileiros e abrem debate sobre
a prática
Especialista em Educação
Básica pela UFF “Quando
surgiram, as aulas on-line eram
consideradas uma revolução, mas
hoje se sabe que é uma onda que
precisa ser adaptada. Nada
substituiu o professor, mas muitas
coisas podem ajudá-lo” Joana
Sampaio
Quando
a
estudante
universitária Monica Aragão, de
28 anos, teve um filho, ficou cada
vez mais difícil conciliar as aulas
com a maternidade. Os atrasos se
tornaram constantes e o tempo para
estudar não poderia ser mais o
determinado pela faculdade. Foi
neste momento que a moradora de
Marechal Hermes, zona Norte do
Rio, começou a utilizar sites de
cursos on-line e passou a assistir
aulas com professores das mais
diferentes instituições, desde a
Universidade de São Paulo (USP)
até a americana Harvard.
— Sempre fui contra
disciplinas online porque acho
fundamental a presença do
professor, mas passei a ver que é
algo que complementa. Com as
limitações de horário que tenho
desde que virei mãe, eu agora
posso ver a aula, parar e voltar
quantas vezes eu quiser até
entender a matéria — afirma
Monica, que começou utilizando as
plataformas para eliminar horas
obrigatórias na faculdade de
Administração, que frequenta, mas,
por ter gostado da experiência,
acabou fazendo outros cursos. —
Já fiz “Gestão de Recursos
Humanos”, “Nova reforma
ortográfica”, “Liderança e
coaching” e “Inglês”.
Em meio ao debate sobre a
validade destas novas plataformas
de ensino, os cursos on-line
tiveram uma expansão no mercado
brasileiro, chamando a atenção das
principais empresas do setor. O
Coursera, principal página de
aulas pela web no mundo, já conta
com mais de 400 mil usuários
brasileiros, o que fez com que o
país passasse o Reino Unido no
número de inscritos no site. O
Brasil fica em quarto lugar na lista,
somente atrás de China, Estados
Unidos e Índia. A grande presença
nacional num site que não tem
aulas em Português levou a página
a investir mais em traduções. Além
disso, o grupo passou a fazer
23/02/15
parceria com a USP e a Unicamp
para criar cursos voltados a
professores brasileiros, que devem
entrar no ar nos próximos meses.
— Cerca de 50% dos
brasileiros que fazem o Coursera
querem ganhar novas habilidades
para suas carreiras — afirma
Daphne Koller, presidente da
empresa. — De fato, os brasileiros
são três vezes mais propensos que
os chineses e duas vezes mais que
os americanos a conseguir as
certificações emitidas pelo site,
para mostrar publicamente o ganho
que obtiveram.
PLATAFORMA NACIONAL
EM ALTA - O crescimento não é
pontual. Na plataforma Novo Ed,
que reúne aulas da universidade
americana de Stanford, o público
brasileiro ocupa o terceiro lugar.
Já no site Udacity, que reúne aulas
de diversas faculdades dos Estados
Unidos, os brasileiros disputam,
mensalmente, a colocação entre os
três principais países que usam a
plataforma.
— O Brasil é um mercado
estratégico para nós. Estamos
concentrados em melhorar e
expandir nossos esforços para
atender os alunos brasileiros —
afirmou a consultora da Udacity,
Shernaz Daver.
Em meio à concorrência de sites
do exterior, foi um site brasileiro
que teve o maior crescimento nos
últimos anos. O Veduca começou,
em 2012, com cursos estrangeiros
e atingiu 50 mil estudantes naquele
ano. Dois anos depois, o grupo
passou a fazer parcerias com
diferentes instituições brasileiras,
com o Google e com a Bovespa
para empreender os mais variados
tipo de curso. O resultado: 650 mil
usuários em dezembro passado —
um deles justamente Monica.
Carlos Souza, diretor executivo do
grupo, afirma que o motivo que a
fez procurar o site é o principal
entre os brasileiros:
— Num levantamento que
fizemos, vimos que as pessoas nos
procuram, primeiro, porque é de
graça — explica Souza. — Em
segundo lugar, elas querem fazer o
curso no seu próprio ritmo e, em
terceiro, consideram a qualidade
do material. O fato de ser gratuito
atrai muito e, no fim, as pessoas
acabam querendo pagar pelo
certificado.
Um outro aspecto dos cursos
pela internet é que eles não são
utilizados somente de forma
individual. Muitos já foram
incorporados dentro da realidade
das escolas como forma de
complementar a educação.
— Pesquisas já mostram que a
maneira mais efetiva de ensino é
combinar o presencial e o on- line.
O aproveitamento é bem maior
com o uso otimizado do tempo de
estudo — afirma Souza.
Foi desta forma que o colégio
D’Incao, em São Paulo, passou a
utilizar o iTunesU, aplicativo de
educação da Apple, em suas aulas.
Os diretores da instituição
enfatizam, no entanto, que a
tecnologia surge como um
instrumento para o professor e que
nunca irá substituí-lo.
— A plataforma apoia o aluno
sem retirar a presença do
professor. É impossível garantir a
qualidade de um curso sem a
mediação. A sala de aula é o
ambiente em que se garante o
efetivo desenvolvimento do aluno
e do conteúdo, e a tecnologia é uma
ferramenta que torna este local
mais atrativo e interativo — afirma
o diretor Pedro D’Incao.
NECESSIDADE
DE
ADAPTAÇÃO - Porém, enquanto
o Brasil vive um crescimento
destes cursos, os Estados Unidos
passam a rever a metodologia. John
Henessy, presidente de Stanford e
um dos mais conhecidos
pesquisadores sobre o assunto,
critica as plataformas por não
serem atrativas o suficiente. Em
estudo veiculado no ano passado,
o professor afirma que menos da
metade dos alunos que se
inscrevem no curso terminam de
assistir à primeira aula.
— Quando surgiram em 2011,
os cursos on-line eram vistos como
verdadeira revolução no ensino.
Hoje,
já
conseguimos
compreender que se trata de uma
onda que tem que ser adaptada.
Nada substituiu o professor, mas
muitas coisas podem ajudá-lo. As
chances de um aluno se interessar
por uma aula on-line são muito
maiores se ele tem uma empatia por
aquele tema de alguma forma
presencial — afirma Joana
Sampaio, especialista em
Educação
Básica
pela
Universidade Federal Fluminense
(UFF).
O GLOBO
23/02/15
SOCIEDADE
ANTÔNIO GOIS
O que pode dar certo
Livro de pesquisadores
americanos identifica
experiências
bem-sucedidas no ensino de
alunos de baixa renda
Lançado no ano passado nos
Estados Unidos, o livro “Restoring
Opportunity”, dos professores
Greg Duncan (Universidade da
California) e Richard Murnane
(Harvard), traz boas e más notícias
para quem acredita que a escola é
capaz de reduzir desigualdades e
garantir ensino de alta qualidade
para os alunos mais pobres. A boa
é que essa é uma missão possível,
como demonstram iniciativas
bemsucedidas que passaram por
rigorosas avaliações. A má é que
não é uma tarefa simples e, para
dar conta dela, não há bala de
prata.
Sempre baseados num enorme
arsenal de pesquisas acadêmicas,
os autores primeiro demonstram
como a pobreza e o crescimento
da desigualdade estão ameaçando
o sonho americano de mobilidade
social. Famílias mais ricas, cujas
crianças já entram na pré-escola
com um vocabulário muito mais
amplo que o das demais, estão
investindo cada vez mais na
educação de seus filhos, desde a
educação infantil até o ensino
superior. Enquanto isso, os mais
pobres estudam em escolas de pior
qualidade, exatamente como
ocorre no Brasil.
Duncan e Murnane apresentam
então três projetos com ótimos
resultados e destacam duas
características comuns a todos. A
primeira é a existência de uma forte
estrutura de apoio à escola e,
principalmente, aos professores,
para que possam desenvolver um
currículo de alto padrão, com
elevadas expectativas acadêmicas
para todos os estudantes. A
segunda é a avaliação (não apenas
por testes padronizados) e
monitoramento constante desse
trabalho, de modo a garantir que
os resultados estejam sendo
alcançados, detectar problemas, e
corrigir rumos. Para os autores,
essas duas dimensões são
essenciais. Avaliar e cobrar
resultados das escolas sem que elas
tenham apoio para promover as
mudanças é tão ineficiente quanto
oferecer ajuda sem monitorar se o
projeto está sendo de fato bem
executado.
Na educação infantil, o projeto
destacado foi implementado em
pré-escolas na cidade de Boston,
onde a secretaria de educação
estabeleceu um currículo de alto
padrão, elevou significativamente
os salários dos professores dos
primeiros anos para atrair bons
profissionais, e ofereceu a eles
apoio e acompanhamento intensivo
do trabalho em sala de aula. No
ensino fundamental, o livro retrata
uma rede de escolas privadas que,
mantida com dinheiro público,
atende alunos de baixa renda em
Chicago. Aqui também o destaque
é para a forte estrutura de apoio
criada para orientar diretores e
professores a desenvolverem seu
projeto pedagógico. Já no ensino
médio, os autores contam a história
de escolas públicas de Nova York
que receberam apoio de empresas
e organizações educacionais
contratadas pela prefeitura para
dar suporte a esses colégios.
Ao final, Duncan e Murnane se
deparam com um dilema. Por um
lado, lembram que há ampla
evidência de que simplesmente
gastar mais dinheiro na educação
não garante melhoria da qualidade
do ensino. Por outro, reconhecem
que os projetos destacados no livro
demandaram significativos
recursos adicionais. Diante disso,
concluem: “É errado dizer que
dinheiro não importa. Ele pode
fazer a diferença, mas somente se
usado efetivamente para melhorar
a qualidade da instrução e
enriquecer as experiências de
aprendizado das crianças de baixa
renda”.
NA WEB
http://goo.gl/kf0kvu Veja, em
inglês, vídeos sobre os três
projetos retratados no livro
FOLHA DE SÃO PAULO
23/02/15
TENDÊNCIAS & DEBATES
Da retórica aos resultados
MARIA ALICE SETUBAL
O século 21 exige que o Brasil
prepare seus estudantes para
participar de uma sociedade
complexa. É isso o que esperamos
deste governo
No momento em que um novo
ano letivo se inicia, com um novo
ministro afirmando que a
prioridade de sua gestão será a
qualidade da educação no Brasil,
é fundamental que a sociedade
brasileira tenha maior clareza de
que um sistema educacional de
qualidade exige muito mais do que
os resultados do Ideb (Índice de
Desenvolvimento da Educação
Básica) podem mostrar.
Estudos apontam como
componentes que contribuem para
a qualidade da educação a
formação e qualificação dos
professores, gestão por resultados
com metas e expectativas de
aprendizagem, currículo e material
didático
diversificado,
acompanhamento personalizado
dos estudantes, uso de novas
tecnologias e a participação dos
pais.
No entanto, são as diferentes
combinações dessas dimensões e,
sobretudo, o modo de implementá-
las, que faz com que algumas redes
alcancem qualidade e outras não.
A complexidade da questão
educacional pode ser evidenciada
pela dificuldade de encontrar
parâmetros comuns entre os dez
países mais bem colocados nas
avaliações do Pisa (Programa
Internacional de Avaliação de
Estudantes), para além da
prioridade da educação e da
valorização dos professores.
No Brasil, passamos a atribuir,
a comparar e a classificar a
qualidade das redes de ensino e
das escolas brasileiras a partir dos
resultados do Ideb. Apesar do
avanço do índice, ele é um
indicador composto pelas notas de
língua portuguesa e matemática da
Prova Brasil e pelas taxas de
aprovação, reprovação e abandono
escolar do 5º e 9º anos do ensino
fundamental e do 3º ano do ensino
médio.
Ou seja, não estamos medindo
condições vitais para a qualidade
da educação como as diferenças na
infraestrutura física das escolas,
sua localização e tamanho, a
qualificação dos docentes e
diretores, além do currículo e da
ausência de avaliação das demais
disciplinas e séries. Isso sem
mencionar o clima escolar e a
capacidade da escola em preparar
seus alunos.
É, portanto, reducionista
comparar o Ideb de um município
com menos de dez escolas com os
resultados dos sistemas de ensino
de grandes cidades e metrópoles,
com diversidade e complexidade
maiores.
Ou, então, colocar no topo do
ranking redes que alcançam
melhores
resultados
em
decorrência de processos de
seleção, que acirram as
desigualdades ao excluir parcelas
mais vulneráveis da população.
A qualidade tem que estar
estreitamente relacionada com
equidade. O Brasil precisa
alcançar um nível básico de
qualidade da educação para todas
as crianças e jovens.
As diversidades regional,
cultural e educacional de um país
com as dimensões brasileiras
inviabilizam políticas únicas e
rígidas para realidades tão
distintas.
23/02/15
Se a prioridade é o ensino
médio, é preciso ter um olhar
sistêmico para levarmos em conta
a qualidade dos ciclos anteriores
e as diferentes necessidades e
potencialidades de cada rede de
ensino.
Não bastam políticas genéricas.
Temos que analisar todos os
aspectos que envolvem a
educação. O mundo globalizado e
o século 21 exigem que o Brasil
prepare seus estudantes para
participar de uma sociedade
complexa e sustentável, baseada
em valores como inovação,
criatividade, autoria e trabalho
colaborativo. É isso o que
esperamos deste novo governo.
MARIA ALICE SETUBAL, a
Neca, doutora em psicologia da
educação pela PUC-SP, é
presidente dos conselhos do Centro
de Estudos e Pesquisas em
Educação, Cultura e Ação
Comunitária (Cenpec) e da
Fundação Tide Setubal. Foi
assessora de Marina Silva,
candidata à Presidência da
República pelo PSB na eleição de
2014
FOLHA DE SÃO PAULO
23/02/15
COTIDIANO
País tem ao menos 41 mil
cursos de especialização e MBA abertos
Levantamento foi feito com
base em novo cadastro obrigatório
criado pelo Ministério da
Educação
Maioria dos cursos lato sensu
é presencial e SP é o Estado com
mais opções; cadastro é para
'melhoria da oferta'
FLÁVIA FOREQUE
NATÁLIA CANCIAN
DE BRASÍLIA
O Brasil possui uma oferta de
ao menos 41.070 cursos de
especializações e MBAs, de
acordo com dados que fazem parte
de uma radiografia inédita sobre
a pós-graduação lato sensu em
instituições privadas e federais do
país.
Até então, não havia dados
disponíveis sobre essa etapa de
ensino, com foco no mercado
profissional. Isso porque a criação
desses cursos não depende de
autorização do governo federal -diferentemente dos cursos stricto
sensu.
Mas, diante da forte expansão,
o Ministério da Educação criou um
cadastro obrigatório para essas
escolas.
de Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Os dados, preliminares, foram
compilados pela Folha a partir
desse levantamento. As instituições
têm até o fim deste mês para
cadastrar informações sobre os
cursos em funcionamento.
A partir de março, cursos não
inscritos serão considerados
irregulares, conforme prevê uma
norma do MEC publicada na
semana passada.
Até aqui, os dados apontam que
a oferta de especializações
corresponde ao menos ao dobro de
cursos de graduação disponíveis
nas instituições particulares e
universidades federais do país -são 27.167, de acordo com dados
de 2013, os mais recentes
disponíveis.
PRESENCIAIS
A maioria desses cursos, 92%
do total, ocorre por meio de aulas
presenciais. O restante funciona a
distância, modalidade até então
apontada como principal aposta
para esta etapa de ensino.
São Paulo é o Estado com a
maior oferta de cursos --7.803 ao
todo. Em seguida, estão os Estados
Questionado pela reportagem, o
MEC informou que a finalidade do
cadastro é mapear os cursos "na
perspectiva da melhoria da oferta".
"O cadastro é uma ferramenta
operacional. O que pode mudar a
qualidade é a regulação", afirma
Erasto Fortes, presidente de uma
comissão do Conselho Nacional
de Educação que discute regras
mais rígidas para esse tipo de
curso.
A expectativa é que o texto seja
votado ainda no primeiro semestre
deste ano.
O objetivo é dar ao estudante,
que chega a desembolsar cerca de
R$ 30 mil por um curso, maior
garantia sobre a qualidade das
aulas.
"Num mundo com tecnologias,
modificações e informações que se
multiplicam a cada dia, é
necessário se atualizar sempre.
Esses cursos estão aumentando
porque há demanda", afirma Ivete
Palange, consultora da Abed
(Associação Brasileira de
Educação a Distância).
FOLHA DE SÃO PAULO
23/02/15
COTIDIANO
Federais têm 5% dos
cursos de especialização
DE BRASÍLIA
Consideradas de maior
qualidade, as universidades
federais respondem por apenas 5%
da oferta de cursos de
especialização já cadastrados no
MEC.
São 1.896 cursos disponíveis,
concentrados principalmente nas
áreas de saúde, educação e
ciências sociais. Ao todo, as 63
federais oferecem ao menos
183.156 vagas. Seus cursos
tiveram, pelos dados preliminares,
159.776 egressos.
oferta de cursos, com 204
cadastrados até agora. A Unifesp
aparece em seguida, com 199.
Ao mesmo tempo em que há um
aumento na demanda por estes
cursos, representantes de
universidades ainda não veem na
especialização uma fonte
expressiva de recursos.
Se comparado ao total da
amostra, o percentual de cursos a
distância é maior nas federais:
19%.
"Não são como cursos de
graduação, em que todo ano entra
uma nova turma. E, em geral,
quando são cursos pagos, os
docentes são remunerados, e é
para onde vai a maior quantidade
de recursos", diz Targino de
Araújo Filho, presidente da
Andifes (associação de reitores
das universidades federais).
A região com maior número de
vagas nas federais é o Sudeste,
seguido por Sul e Nordeste. A
UFRJ (Universidade Federal do
Rio de Janeiro) informou a maior
Para ele, esses cursos podem
repercutir também no ensino da
graduação, pois o professor se
aproxima das exigências do
mercado.
O ESTADO DE S. PAULO 23/02/15
METRÓPOLE
O ESTADO DE S. PAULO 23/02/15
METRÓPOLE
CORREIO BRAZILIENSE
23/02/15
CIDADES
EDUCAÇÃO »
Ano letivo começa com alerta de greve
Luiza, mãe de Gustavo, aluno do 5º ano: "Causa uma
insegurança. É muito desagradável não poder se planejar"
Professores da rede pública de
ensino, que deveriam estar em sala
de aula a partir de hoje, como
previa o já atrasado calendário
escolar, participam de assembleia
de manhã para decidir sobre a
proposta do GDF de parcelamento
dos benefícios atrasados
» MATHEUS TEIXEIRA
» KELLY ALMEIDA
Marcado para hoje, com duas
semanas de atraso em relação ao
primeiro calendário letivo
anunciado, o início das aulas na
rede pública de ensino segue
incerto. O impasse entre o Governo
do Distrito Federal e os
professores deve tumultuar as
atividades escolares dos 460 mil
estudantes. A começar por esta
segunda-feira, quando os alunos
podem até comparecer ao colégio,
mas não terão professor em sala.
O Sinpro-DF, sindicato dos
docentes, convocou uma
assembleia para as 10h, a fim de
decidir se aceita a proposta do
GDF de parcelamento dos
benefícios atrasados ou se declara
greve. A tendência, até a noite de
ontem, era de paralisação, como
forma de pressionar o Palácio do
Buriti a atender a categoria. Ou,
pelo menos, deliberar um
indicativo de greve e marcar um
segundo encontro.
A dívida do Estado com os
professores é de R$ 120 milhões,
entre 13º salário para os nascidos
em dezembro (uma parcela do
benefício é paga no mês do
aniversário do servidor) e rescisão
contratual de 6 mil temporários. O
imbróglio começou no fim do ano
passado (veja Linha do tempo). O
ex-governador Agnelo Queiroz
(PT) não pagou os benefícios e
deixou o débito para o sucessor,
Rodrigo Rollemberg (PSB). O
Sinpro-DF exige o quitamento à
vista da dívida. O socialista, no
entanto, assumiu o Executivo local
garantindo ter um deficit de R$ 3,5
bilhões no caixa. Por isso, alega,
não tem dinheiro para saldar os
atrasos de uma só vez.
O sindicato se mostra
insatisfeito com a solução
encontrada pelo GDF e acompanha
de perto as finanças do Palácio do
Buriti. “Tem recursos entrando,
recolhimento de impostos
funcionando
normalmente.
Queremos uma data certa para a
quitação da dívida, não o
parcelamento”, afirma Washington
Dourado, um dos diretores do
Sinpro-DF. Segundo ele, o
sindicato está aberto ao diálogo,
mas, diante de respostas que não
agradem à categoria, o caminho
mais provável será o da
paralisação. “Não tendo solução,
vamos definir a linha de
enfrentamento. Tudo pode
acontecer, inclusive a greve.”
23/02/15
Nos bastidores, outros
integrantes do sindicato admitem
que o mais provável é pressionar
o GDF por meio de uma greve
total, caso o governo continue
insistindo no parcelamento. A
proposta, contudo, não é declarar
uma paralisação por tempo
indeterminado. Mas, sim, atrasar
um pouco mais o início do ano
letivo para continuar a negociação.
Rosilene Corrêa, outra diretora da
entidade, diz que a reunião da
categoria hoje de manhã será
fundamental para os rumos da
educação no DF: “Nossa instância
máxima é a assembleia. E ela é
democrática. Acataremos o que a
maioria decidir. Não temos como
adivinhar qual será o resultado”,
ressalta.
Antecipação de receita
O secretário de Educação, Julio
Gregório, afirma ser impossível
alterar o cronograma de pagamento
dos atrasados. “Esse calendário foi
feito observando o fluxo de caixa
do GDF, caso consigamos
antecipar um volume de recurso
que não estamos esperando.
Faremos o adiantamento, mas não
temos como garantir”, explica.
Sobre a assembleia de hoje, ele
afirma confiar no “bom senso” dos
docentes. “Com certeza, eles estão
acompanhando a grave situação
financeira que vivemos e
entenderão nossos motivos para os
atrasos.”
Gregório lembra da tentativa de
Antecipação
de
Receita
Orçamentária (ARO) de R$ 400
milhões como saída para resolver
o problema. A ideia foi sugerida
pelo Sinpro-DF. O GDF cedeu ao
pedido para tentar acalmar os
docentes. O projeto da ARO
passou pela Câmara Legislativa
semana passada, mas precisa do
aval da Secretaria do Tesouro
Nacional e de intermédio do Banco
Central. Uma definição, porém, só
deve ocorrer em abril, mais de um
mês após o começo das atividades
escolares.
O negócio é oneroso para o
GDF, pois é um empréstimo. Caso
se concretize, o Executivo local
terá R$ 400 milhões de imediato
no caixa. Os juros nesse tipo de
negociação, no entanto, não passam
de 15%. Assim, o Palácio do Buriti
conseguiria a verba, mas teria de
pagar ao credor, até o fim do ano,
R$ 460 milhões — deixando R$
60 milhões pelo caminho. “Só
teremos como pagar à vista se a
ARO se viabilizar”, reforça
Gregório.
casa com o filho. “Agradeço por
ter essa vantagem. Mas conheço
muitas mães que, em tempo de
greve, não têm onde deixar a
criança. Imagina o desespero?
Tudo isso por falta de
responsabilidade do Estado.
Entendo a posição dos
professores, que estão com
pagamentos atrasados do governo
anterior. Mas quem sofre é a
população”, ressalta.
Desde o início do ano, ela vem
tendo dores de cabeça por conta
do calendário escolar. Todos os
anos, a família viaja em junho.
Desta vez, devido às alterações
anunciadas em janeiro, teve de
mudar os planos. “Sempre me
ausento do trabalho no mesmo
período, mas esse ano tive de
mudar”, lamenta a mãe.
Linha do tempo
2014
Apreensão dos pais
Enquanto governo e professores
não se entendem, quem sofre são
os alunos e as suas famílias. A
corretora de seguros Luiza
Cardoso, 43 anos, mãe de
Gustavo, aluno do 5º ano da Escola
Classe 403 Norte, critica o fato de
até agora não saber como será a
rotina da família nesta semana.
“Causa uma insegurança. É muito
desagradável não poder se
planejar”, reclama.
Ela conta que tem um local fixo
de trabalho, mas também pode
despachar da residência em que
mora. Por isso, quando há
paralisação, consegue ficar em
22 de dezembro
Pelo menos 300 professores e
funcionários de empresas
terceirizadas do DF fecham as seis
faixas do Eixo Monumental. Os
professores alegam erro no
depósito do 13º salário para quem
fez aniversário até setembro e
pedem a correção e o pagamento
integral.
26 de dezembro
Com pagamentos atrasados, os
professores da rede pública
passam a tarde reunidos com o
então secretário de Administração
Pública, Wilmar Lacerda, para
cobrar os benefícios atrasados.
23/02/15
2015
7 de janeiro
Em mais uma manifestação em
frente ao Palácio do Buriti,
professores
ouvem
de
representantes do governo que não
há dinheiro em caixa para arcar
com os atrasados.
8 de janeiro
Em meio à crise financeira, o
GDF adia o início do ano letivo
para 23 de fevereiro — as aulas
seriam retomadas em 9 de
fevereiro. O calendário é alterado
em razão das condições das escolas
da rede pública. Apesar do
adiamento, o secretário de
Educação admite que 148 unidades
de ensino, do total de 657, não
passaram por reformas.
19 de janeiro
Em reunião no Palácio do
Buriti,
professores
e
representantes do GDF não entram
em acordo. Os profissionais da
Educação rejeitam o parcelamento
dos benefícios atrasados, entre
eles 13º salário e abono de férias.
20 de janeiro
Em mais uma reunião entre
governo e professores, o chefe da
Casa Civil, Hélio Doyle, anuncia
o envio do projeto para
Antecipação
de
Receita
Orçamentária (ARO) à Câmara
Legislativa, para tentar quitar os
débitos.
23/02/15
23/02/15
JORNAL DE BRASÍLIA
23/02/15
CIDADES
JORNAL ALÔ BRASÍLIA-DF 23/02/15
BRASÍLIA
GDF acredita em acordo com Simpro-DF
23/02/15
Valor Econômico
23/02/15
EMPRESAS
Englishtown triplica receita no país em 3 anos
Por Marília de Camargo Cesar
| De São Paulo
Claudio Belli / ValorAndré
Marques, da Englishtown: meta de
faturar R$ 300 milhões em 2017
"Eu não era bom na escola.
Então, eu achava que nenhuma
empresa iria me contratar. Também
não sou muito habilidoso. A única
opção que eu tinha era abrir minha
própria companhia."
A modesta declaração,
encontrada no Youtube, é do
bilionário sueco Bertil Hult, de 74
anos, disléxico, cuja "falta de
habilidade" o levou a construir a
maior fortuna de seu país
justamente no ramo da educação.
A revista "Forbes" o posiciona
como o 311º bilionário do mundo,
com patrimônio líquido estimado
em US$ 5 bilhões. O grupo que
fundou, EF Education First, de
escolas de idiomas e viagens de
intercâmbio, completa neste mês
50 anos, e cresce rapidamente no
Brasil, onde é conhecido pela rede
de escolas de inglês on-line
Englishtown.
Líder global no ensino de
idiomas a distância, um mercado
em que concorre com 22
participantes, entre os quais os
maiores são Rosetta Stone, Open
English e English Up, a
Englishtown chegou ao país em
2011, e desde então já triplicou sua
receita para R$ 150 milhões. Em
2014, a alta foi de 40% sobre
2013.
Marques estima que os cursos
de idiomas movimentem R$ 3
bilhões por ano no Brasil, enquanto
as plataformas específicas para
internet ainda girem um valor
relativo pequeno, que ele estima
em R$ 300 milhões ao ano.
A escola conta hoje com uma
"sala de aula" digital de 130 mil
alunos, de 2 mil cidades
brasileiras. O Sudeste concentra
63% dos estudantes, e a região Sul
foi onde as vendas de licenças da
sua plataforma de ensino mais
cresceram em 2014, segundo
André Marques, diretor-geral da
empresa. O Nordeste tem 12% e é
o segunda maior mercado da
empresa no país.
Para cumprir a meta de avançar
20% nas vendas em 2015, a
Englishtown investe pesadamente
em marketing on-line e em
comerciais de televisão - tem uma
divertida campanha denominada
"gringofobia" no ar, da agência
Jotacom. O investimento em
marketing equivale a 18% a 20%
das receitas, segundo Marques, e
cresce 25% ao ano, em média.
"O Sudeste é nosso grande
mercado, por conta da
concentração da população e das
maiores
exigências
na
recolocação. Mas Porto Alegre e
Florianópolis crescem muito
também", afirma.
No primeiro bimestre deste ano,
o aumento de receita é de "apenas"
20% sobre igual período do ano
passado. "Quando se vem num
ritmo de 40%, cair para 20% deixa
a gente triste", brinca.
A metodologia de ensino e a
flexibilidade são vistas como um
dos trunfos da escola para ganhar
adeptos. Ao contrário dos cursos
presenciais, o aluno on-line não
está preso a um horário de aulas, e
pode fazer e alterar sua agenda de
acordo com a necessidade. Se não
gostar do professor, também pode
simplesmente trocar por outro, com
um sotaque mais agradável ou
conveniente. A Englishtown conta
com um corpo de 14 mil
professores de diversas partes do
globo, em especial dos EUA,
Reino Unido, Austrália e África do
Sul.
23/02/15
Os cursos têm 16 níveis de
dificuldade, e preparam para os
exames de proficiência como
Toeic e Toefl. O preço da licença
de um curso de 12 meses varia de
R$ 2,4 mil a R$ 4 mil, mas há os
mais rápidos e baratos. A empresa
tem investido em programas mais
acessíveis para a classe média,
com objetivo de baixar o tíquete
médio. Hoje, o valor médio vai de
R$ 1,5 mil a R$ 2 mil e o objetivo
é chegar a R$ 1 mil por ano até
2017. Até lá, a escola espera ter
conquistado no Brasil 300 mil
alunos e R$ 300 milhões de
faturamento.
Como parte da estratégia de
reforço da marca, a empresa
venceu uma concorrência para ser
o fornecedor oficial dos Jogos
Olímpicos e Paralímpicos do Rio
de Janeiro em 2016. Com isso,
assume a tarefa de treinar
gratuitamente, por meio de sua
plataforma on-line, 1 milhão de
pessoas, entre voluntários, atletas
e profissionais dos comitês
organizador, além de alunos de
escolas públicas do Rio, até a
época dos jogos.
Valor Econômico
23/02/15
CARREIRA
Novo diretor assume comando da
escola de administração da FGV
Por Stela Campos | De São
Paulo
Ex-executivo, professor e
pesquisador, Luiz Artur Ledur
Brito terá dois grandes desafios ao
assumir oficialmente na quartafeira a direção da Escola de
Administração de Empresas de
São Paulo da Fundação Getulio
Vargas (Eaesp-FGV): melhorar a
conexão da instituição com a
comunidade executiva e aumentar
sua presença internacional.
Tais tarefas se tornam ainda
mais complexas em um ano que já
vem se mostrando difícil. Para
Brito, contudo, cumprir metas e
superar adversidades sempre fez
parte da carreira. Uma de suas
batalhas mais duras foi para
chegar ao novo cargo - ele bateu
40 candidatos entre reitores,
docentes e executivos do país e do
exterior.
O processo de seleção durou
quase seis meses e assim como
aconteceu com a antecessora
Maria Tereza Fleury - que agora
passa a ocupar uma diretoria da
FGV para o Estado de São Paulo
- envolveu um comitê, agora
presidido por ela. Além disso,
houve a participação de uma
consultoria externa e anúncios da
vaga até em revistas internacionais
como a "The Economist".
Os interessados tiveram que
apresentar um plano de negócios
para a escola para os próximos
anos. "Existe uma grande diferença
entre planejar e conseguir
executar", disse Brito ao Valor, em
sua primeira entrevista como
comandante da Eaesp.
Lidar com competidores
diversos é uma experiência bem
parecida com outras que enfrentou
durante os 25 anos em que atuou
no mundo corporativo. Brito, que
é formado em engenharia química
pela Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, iniciou a carreira
em uma área técnica da antiga
Santista, depois Bunge, onde se
tornou diretor aos 31 anos de
idade.
Também trabalhou na Dixie
Toga, uma das maiores fabricantes
de embalagens da América Latina.
Como executivo, morou na
Tailândia, onde nasceu a primeira
filha (ele tem quatro filhos) e
também na Inglaterra. Aos 45 anos,
sentiu que apenas os desafios do
mundo dos negócios não o
satisfaziam plenamente. "Queria
outro tipo de vivência, que me
provocasse intelectualmente",
conta. Decidiu, então, realizar um
doutorado na Eaesp, inspirado
pela mulher, que havia seguido a
carreira acadêmica.
"Fui ingênuo ao achar que seria
possível conciliar o doutorado e a
vida executiva", afirma. Foi assim
que decidiu dar uma guinada na
profissão. Optou pelo mundo
acadêmico e mergulhou fundo na
pesquisa científica publicando
dezenas de artigos, papers e
capítulos em livros. Também foi
convidado a lecionar na Eaesp.
"Não foi fácil começar em uma
área nova em um estágio já
avançado da vida. Tive que fugir,
inclusive, do assédio dos
headhunters, que queriam me trazer
de volta para o mundo
empresarial", diz.
Toda a experiência adquirida
nos dois lados da mesa, segundo
ele, contou pontos na sua escolha
para a direção da escola. "Essa
ligação com os executivos e o fato
de gostar de implementar
estratégias e saber decidir
rapidamente ajudaram muito", diz.
Em sua percepção, a escola
enfraqueceu seus laços com o
mundo corporativo nas últimas
décadas e agora é hora de ela se
reposionar.
Uma de suas medidas para
trazer os assuntos do dia a dia
empresarial para dentro das salas
de aula será atrair mais executivos
para atuarem como mestres. A
escola tem atualmente 100
professores com dedicação
exclusiva e 130 com atuação
parcial. O diretor pretende lançar,
até o fim do ano, novos mestrados
profissionais, com conteúdo
voltado
justamente
para
23/02/15
profissionais do mercado.
"Queremos aproveitar a expertise
que temos em nossos centros de
excelência para desenvolver esses
novos cursos", diz.
Até o momento, a escola
oferece
três
mestrados
profissionais - um voltado para o
gestor em estágio avançado da
carreira, um de gestão
internacional para jovens recémformados e outro na área de gestão
de políticas públicas. Já para 2016
o plano é lançar um doutorado
profissional. Ao contrário dos
mestrados profissionais, Brito diz
que ele ainda não é regulamentado
no Brasil, mas já é uma tendência
nas grandes escolas de negócios
internacionais. Voltado para um
grupo seleto de executivos - com
apenas dez alunos por turma - e
com uma agenda mais flexível de
horários, ele se diferencia do
doutorado acadêmico por abordar
temas mais ligados ao mundo dos
negócios.
Entre os planos de médio prazo
para a escola está o de investir na
internacionalização, atraindo
professores e alunos de outros
países. Brito diz que a Eaesp tem
potencial para ganhar o mesmo
destaque que algumas escolas
espanholas como o IE Business
School e Iese, ou outras francesas
como a HEC, figurando entre as
grandes escolas de negócios do
mundo. "Já conseguimos as
maiores
acreditações
internacionais, precisamos tirar
vantagem disso". AACSB, dos
Estados Unidos, EFMD, da
Europa, e Amba, da Inglaterra, são
algumas delas.
O carro-chefe da Eaesp
atualmente ainda é o tradicional
curso de graduação em
administração no qual ingressam
cerca de 500 alunos por ano e que
atrai milhares de candidatos por
vaga. No total, circulam pela
escola 2030 estudantes de
graduação e 1360 de pósgraduação,
incluindo
os
doutorandos e mestrandos.
Brito reconhece que ganhar
espaço entre os grandes players
globais não será fácil, ainda mais
com
tantas
adversidades
econômicas pelo caminho. Mas
para ele, que aos 60 anos de idade
encontra disposição para pedalar
mais de 1.100 km pelos Alpes na
Europa, com perseverança e treino
nada parece impossível.
25/02/15
BRASIL CONFIDENCIAL
Eumano Silva
Pressão sobre Cid
O ministro da Educação, Cid Gomes,
assumiu o cargo sem apoio político até
mesmo do próprio partido, o PROS.
Agora, deputados querem levá-lo à
Comissão de Educação para prestar
esclarecimentos sobre cortes de verbas
em sua pasta. Parlamentares do PROS
engrossam a pressão.
Outras frentes de ataque
No Senado, o oposicionista Cássio
Cunha (PSDB-PB) apresentou
requerimento pedindo esclarecimentos a
Cid Gomes sobre problemas com o
acesso ao Fundo de Financiamento
Estudantil (Fies). Senadores do PMDB
também querem colocar Cid em uma
comissão temática para pressioná-lo.
25/02/15
Brasil
Bis indesejado
O MEC precisa dar transparência ao
Pronatec, programa que oferece cursos
gratuitos de capacitação profissional. O
ministério paga às escolas privadas,
públicas e instituições do Sistema S
(Senac, Senai, Senar e Senat) por
matricula e não por aluno treinado. Em
caso de alta evasão, como se suspeita,
centenas de milhões de reais podem ter
ido para o ralo, num escândalo parecido
com o que ocorreu nos Ministério do
Trabalho, Turismo e Esporte, quando
quase meio bilhão foi transferido para
ONGs, muitas ainda enroladas na
prestação de contas à CGU. Outro
problema do Pronatec é não atender
alunos efetivamente carentes, de baixa
qualificação - os que mais precisam de
apoio.
RICARDO BOECHAT
25/02/15
ENTREVISTA
Carlos Vital Tavares Corrêa Lima
"20% das escolas de medicina
do País deveriam ser fechadas"
operadoras e não é pago com o mínimo
de dignidade"
O presidente do Conselho
Federal de Medicina critica a
qualidade dos cursos brasileiros
e afirma que estudantes sem
avaliação adequada colocam em
risco a vida dos pacientes
Fabíola Perez
OPINIÃO
O CFM é contra o "Mais Médicos"
por considerar que não é possível atestar
a qualidade do profissional estrangeiro
O último exame para a
obtenção do registro médico do
Conselho Regional de Medicina
de São Paulo (Cremesp) reprovou
55% dos candidatos. Os estudantes
erraram
diagnósticos
considerados simples, como
pneumonia. O presidente do
Conselho Federal de Medicina,
Carlos Vital Tavares Corrêa Lima,
atribui esse resultado ruim à má
qualidade dos cursos, agravada
pela abertura acelerada de novas
escolas médicas no País nos
últimos anos.
"Escolas médicas estão sendo
autorizadas a abrir de forma
desordenada. O Brasil tem mais
cursos do que a China e os EUA"
“São instituições sem a
qualificação necessária para o
ensino médico”, diz ele. “Um
estudante que não é avaliado
minimamente coloca em risco a
vida dos pacientes.” O Brasil
possui hoje 247 instituições
públicas e privadas, que oferecem
anualmente 22 mil vagas, número
superior ao de países como China
e Estados Unidos. Para Lima, os
estudantes deveriam ser avaliados
ao longo do curso, de dois em dois
anos. Nesse sentido, o CFM criou,
em parceria com a Associação
Brasileira de Educação Médica
(Abem), uma espécie de selo de
qualidade para as escolas bem
avaliadas pelas entidades.
"No Brasil, no setor privado, o
trabalho de parto não é coberto pelas
ISTOÉ - A que atribui o fato
de 55% dos estudantes não terem
acertado o mínimo exigido pelo
exame do Cremesp?
CARLOS VITAL TAVARES
CORRÊA LIMA - Esses exames
refletem a abertura de escolas sem
qualificação. A consequência disso
é um profissional que sai sem os
requisitos básicos para uma
profissão que lida com valores
absolutos de saúde. Isso precisa
ser entendido dentro de uma
perspectiva de qualificação do
ensino. O exame não é obrigatório
para a inscrição do médico no
Conselho Regional, mas o
resultado deixa claro que há
deficiências no ensino de muitas
escolas. O índice de reprovação
exacerbado está relacionado à
qualidade do ensino ofertado.
ISTOÉ - Alguns estudantes
erraram questões básicas, como
diagnóstico de pneumonia em
bebês. Um paciente atendido por
um médico com essa formação
corre riscos?
CARLOS VITAL TAVARES
CORRÊA LIMA - Patologias como
essas precisam ter diagnósticos.
Há casos complexos nos quais é
possível aceitar uma dificuldade
diagnóstica. Mas isso não é a regra
geral. A regra é que um quadro
25/02/15
pode e deve ser diagnosticado por
um médico com relativa facilidade.
Um estudante que não é avaliado
minimamente e pratica a medicina
está colocando em risco a vida dos
pacientes.
ISTOÉ - Como diminuir os
índices de reprovação no exame,
que desde 2007 estão acima dos
40%?
CARLOS VITAL TAVARES
CORRÊA LIMA É necessário investimento na
qualidade do ensino e controle das
escolas médicas. A lei do “Mais
Médicos” prevê avaliação dos
estudantes do segundo, do quarto
e do sexto anos. Além do progresso
do aluno, analisa-se a qualidade da
instituição. Se os estudantes não
têm resultados positivos, a escola
deveria sofrer sanções e as vagas
deveriam ser reduzidas. Mas para
melhorar a formação precisamos
ter professores com capacidade
pedagógica, com cursos de
mestrado e doutorado, e
infraestrutura. As escolas precisam
ter campo de prática suficiente
com hospitais próprios ou
conveniados. Mas as escolas
médicas estão sendo autorizadas a
abrir de forma desordenada, sem
a segurança necessária para o seu
funcionamento. Hoje, o Brasil tem
mais cursos do que a China e os
EUA. São oferecidas 21.816 vagas
por ano para novos estudantes no
Brasil. Nos EUA, são 17.364
vagas.
ISTOÉ - Por que as
instituições particulares, que
cobram mensalidades elevadas,
apresentam índice ainda maior
de reprovação, de 65%?
CARLOS VITAL TAVARES
CORRÊA LIMA - Ao contrário das
escolas públicas, mais antigas e
com um corpo docente articulado,
as privadas são mais recentes. De
2010 a 2014, 36 cursos privados
foram autorizados a abrir. Há um
objetivo de lucro em detrimento do
ensino. Estamos lutando contra a
abertura das escolas por não terem
condições básicas de ensino. É
preciso corrigir as distorções que
existem antes de lançar novos
cursos.
ISTOÉ - Mas a demanda é
grande, tanto que mais de quatro
mil brasileiros foram para outros
países estudar medicina.
CARLOS VITAL TAVARES
CORRÊA LIMA - Por um lado, o
preço das mensalidades não é
acessível a grande parte dos
jovens. Existem cursos de péssima
qualidade, com mensalidade de R$
6 mil. Por outro, quem não
consegue entrar em instituições
públicas vai para cursos fora do
País, que são verdadeiras
arapucas. Nas escolas de
fronteiras, os estudantes
brasileiros também têm um ensino
de péssima qualidade, muito pior
do que as particulares daqui. São
instituições destinadas a fazer
comércio. Temos visto um
aumento de escolas médicas para
satisfazer o mercado, porque são
cursos lucrativos.
ISTOÉ - E nas escolas
públicas, o que precisa ser feito
para melhorar a qualidade do
ensino?
CARLOS VITAL TAVARES
CORRÊA LIMA - Elas precisam
de mais investimentos. Os
hospitais universitários precisam
ser mais bem equipados. Agora foi
criada uma empresa pública para
cuidar desses hospitais, que
estavam abandonados. Não se
pode simplesmente transformá-los
em hospitais de assistência. É
preciso valorizar os corpos
docentes, que são muito mal pagos.
Não pode haver a preocupação
com a assistência em detrimento
do ensino que o hospital oferta.
ISTOÉ - O número de escolas
de medicina com avaliação
insuficiente pelo MEC também
cresceu. Quais são as
deficiências dessas instituições?
CARLOS VITAL TAVARES
CORRÊA LIMA - As escolas são
autorizadas a funcionar com
pendências que não são resolvidas.
Os cursos são criados mesmo sem
hospital conveniado, insumos e
materiais de laboratório. O MEC
tem que visitar essas escolas, mas
muitas vezes os primeiros cursos
terminam, o aluno recebe o
diploma e a avaliação não é feita.
Há uma liberalidade indevida.
Espera-se que as escolas cumpram
as solicitações exigidas, mas
muitas deixam de cumprir e não há
novas exigências. E não ouvimos
falar em escolas fechadas por
deficiência de ensino. Cerca de
20% das escolas de medicina no
País deveriam ser fechadas. As
correções são sempre postergadas.
ISTOÉ - Especialidades como
oncologia e cardiologia têm alta
procura, ao contrário de
carreiras como pediatria e
25/02/15
medicina da família. Como
despertar o interesse por elas?
CARLOS VITAL TAVARES
CORRÊA LIMA - Isso passa por
uma valorização dessas áreas. É
preciso oferecer ao médico
condições de trabalho e carreiras
de Estado, como existe no meio
jurídico. Essa tendência existe pela
desvalorização das áreas básicas,
que são esquecidas pelo governo.
Há muitos profissionais que
gostam de trabalhar na clínica
médica, mas as áreas de maior
complexidade remuneram melhor
e oferecem melhores perspectivas
socioeconômicas. O caminho seria
a abertura de concursos públicos
e valorização profissional.
Enxergar as condições de trabalho
é fundamental para entender a falta
de interesse dos médicos pela
carreira pública no Brasil.
ISTOÉ - No início, o CFM era
contrário ao programa “Mais
Médicos”, como o avalia agora?
CARLOS VITAL TAVARES
CORRÊA LIMA - O programa
trouxe médicos estrangeiros sem a
revalidação dos diplomas e ao
mesmo tempo não se fez nenhum
investimento mais eficaz na saúde.
Foi deixado de fora um plano de
carreira para os médicos e não se
investiu em condições adequadas
de trabalho para os profissionais
nacionais.
Temos
uma
preocupação com a qualidade
desses médicos que vêm de cursos
com uma carga extremamente
reduzida, muito aquém do
necessário. Um paciente que não
tem nenhum médico naturalmente
se sente mais acolhido com alguém
dando atenção. Mas os indicadores
de saúde é que vão dizer se isso
trouxe algum resultado.
ISTOÉ - Mas uma pesquisa
da Universidade Federal de
Minas Gerais mostrou que 95%
da população está satisfeita com
o “Mais Médicos”. O sr. não
acha que ele ajudou a melhorar
o acesso à saúde?
CARLOS VITAL TAVARES
CORRÊA LIMA - A população
certamente não aprovaria menos
médicos. Há uma satisfação por ter
alguém por perto para dar atenção.
Ao mesmo tempo nos preocupamos
porque o programa perpetua
problemas que poderiam ser
resolvidos de forma planejada,
com investimento de médio e longo
prazos. Não se corrigem distorções
na saúde com medidas heroicas.
ISTOÉ - Recentemente o
governo criou medidas para
estimular o parto normal. Qual
é a posição do CFM sobre isso?
CARLOS VITAL TAVARES
CORRÊA LIMA - A taxa de
cesáreas recomendada pela OMS
é de 15% . Mas pouquíssimas
nações atingem essa porcentagem.
Em países como a França, há
número suficiente de médicos,
obstetras e enfermeiras para
atender à demanda que chega aos
hospitais. No Brasil, no setor
privado, o trabalho de parto não é
coberto pelas operadoras e não é
pago com o mínimo de dignidade.
O CFM possui uma resolução que
obriga toda maternidade a ter uma
equipe de médicos de plantão para
o atendimento do parto. Se a
gestante quer fazer o parto com o
profissional que fez o pré-natal, ela
deve
estabelecer
isso
contratualmente com ele. Hoje, o
maior
ressarcimento
das
operadoras de saúde ao SUS é com
o parto porque não há
credenciamento de leitos nas
maternidades particulares. Os
hospitais particulares não se
interessam em aumentar as vagas
nas maternidades – há um déficit
de mais três mil leitos.
ISTOÉ - O Brasil vai
conseguir reduzir o número de
cesarianas?
CARLOS VITAL TAVARES
CORRÊA LIMA - Ter uma equipe
médica em número suficiente é
fundamental. Há uma demanda
imensa de gestantes para
pouquíssimos profissionais de
plantão. Um médico atende hoje
entre 10 e 15 gestantes ao mesmo
tempo. Por isso, a evolução dos
trabalhos de parto não é
acompanhada da forma adequada.
ISTOÉ - Mas as propostas
esbarram na disponibilidade dos
médicos para realizar partos
longos. Os médicos também têm
culpa pelo número de cesáreas?
CARLOS VITAL TAVARES
CORRÊA LIMA - A causa é
multifatorial. Pode existir um
profissional que queria fazer o
parto de forma intempestiva, que
queria evitar um tempo maior.
Outro ponto fundamental é que
existe preconceito das gestantes
com o parto normal pela questão
da dor, do trauma. Elas preferem
fazer a cesárea.
ISTOÉ - Maternidades estão
sendo fechadas por não gerarem
lucro. Como fica a função social
dos hospitais?
CARLOS VITAL TAVARES
25/02/15
CORRÊA LIMA É a mesma situação das escolas
privadas. Muitas são boas, mas
muitas não têm condições de ensino
e estão gerando lucro. O hospital
é uma entidade de função pública,
mas precisa dar remuneração. O
que não pode ocorrer é a geração
de lucro em detrimento das funções
públicas. Não posso crucificar os
empresários dos hospitais dizendo
que são irresponsáveis, porque
eles atuam dentro de uma lógica
de mercado. Às vezes os hospitais
têm prejuízos insustentáveis.
Trata-se de um contexto de gestão
que o hospital tem que equacionar.
A Agência Nacional de Saúde
precisa disciplinar esse processo.
ISTOÉ - O número de leitos
do SUS vem caindo. O governo
deveria repensar o modelo de
financiamento?
CARLOS VITAL TAVARES
CORRÊA LIMA - De 2010 a 2014,
o SUS perdeu 13 mil leitos. Os
sistemas que se propõem a serem
únicos no mundo têm pelo menos
70% do gasto sanitário total
bancado pelo Estado. No Brasil,
esse valor é de 45,7%. Na França,
esse percentual é de 76,8%. Há que
se ter mais investimento no SUS.
Mas, antes disso, queremos que o
recurso disponível seja bem gasto.
Nos últimos dez anos, tivemos R$
112 bilhões disponíveis e não
utilizados. Esse valor é maior do
que o orçamento de um ano do
SUS. É necessário competência
administrativa e acabar com a
corrupção. Também precisamos ter
10% da receita bruta da União para
a saúde, mas hoje isso me parece
impossível.
25/02/15
MATÉRIA DA CAPA
Cadê a "Pátria Educadora"?
Primeiros atos do governo
Dilma mostram que o discurso
da posse, que elegeu a
educação como prioridade, está
muito longe da realidade. Do
ensino básico ao superior, o
setor está em crise e as medidas
tomadas pelo governo
prejudicam ainda mais o
estudante
Camila
Brandalise
([email protected])
"Só a educação liberta um povo
e lhe abre as portas de um futuro
próspero”, cravou Dilma Rousseff
em seu discurso de posse, em 1º
de janeiro. A presidente justificou
a alcunha de “pátria educadora”
dada ao País nesse dia ao afirmar
que “democratizar o conhecimento
significa universalizar o acesso a
um ensino de qualidade em todos
os níveis, da creche à pósgraduação”. Palavras de impacto
e com o aval de todos os
brasileiros. Afinal, quem ousaria
dizer que essa não é uma das áreas
mais importantes para o
desenvolvimento econômico e
social de um povo? Mas medidas
tomadas pelo governo mostram
que ele está seguindo na direção
oposta das palavras que abriram
o segundo mandato da presidente
eleita. Da educação básica ao
ensino superior, sem distinção,
todos os níveis apresentam graves
problemas. Recentes mudanças no
Programa de Financiamento
Estudantil (Fies), por exemplo,
podem deixar alunos fora do
ensino superior. O corte
orçamentário fará com que sejam
subtraídos cerca de R$ 7 bilhões
dos gastos do Ministério da
Educação neste ano, o maior
bloqueio entre todas as pastas.
Além disso, estudos mostram que
a educação básica, que deveria dar
sinais de avanço, apresenta
desaceleração nos níveis de
aprendizado. Levando-se em conta
que não se passaram nem dois
meses do início de 2015, é
impossível não fazer a pergunta:
onde está a pátria educadora?
O caso mais emblemático é o
do Fies., programa pelo qual o
governo banca a mensalidade dos
estudantes. A dívida é paga após a
formatura com juros camaradas.
No final de 2014, o governo
estabeleceu algumas mudanças,
entre elas a de que só seriam
mantidas no programa as
instituições de ensino superior que
tivessem teto de reajuste da
mensalidade até 4,5%. Depois de
negociações com entidades do
setor e reclamações de alunos, a
taxa subiu para 6,4%, o índice da
inflação. Ainda assim, muitos
estudantes correm o risco de
deixar seus cursos porque suas
universidades tiveram aumento
maior do que esse percentual.
Segundo a Associação Brasileira
de Mantenedoras do Ensino
Superior (ABMES), apenas 280
mil do 1,9 milhão de contratos
haviam sido renovados até a sextafeira 13. Procurado, o Ministério
da Educação não explicou por que
o percentual foi estabelecido,
mesmo com a reclamação das
universidades sobre a liberdade de
mercado para que cada uma possa
estipular o reajuste necessário.
Para o professor de políticas
públicas Fernando Schuler, do
Insper, o fato de o programa ser
do governo lhe dá o direito de
colocar essa regra, mas não de uma
hora para outra, como foi feito. “O
planejamento financeiro das
instituições é fechado com muita
25/02/15
antecedência. Educação não é
resolvida a curto prazo”, diz.
“Além disso, o argumento para
chegar a esse número é de que ele
corresponde à inflação. Mas na
precificação do ensino superior há
inúmeras variáveis, como reajuste
de salário dos professores, que
não segue a mesma lógica.”
No topo dos mais prejudicados
es tão os alunos. Ao mesmo tempo
que é preciso reconhecer o grande
feito do programa em ampliar o
acesso ao ensino superior e
aumentar sobremaneira o número
de brasileiros em universidades,
uma mudança como essa deverá
prejudicar milhares de estudantes,
muitos deles no meio de seus
cursos. É o caso de Dayanne
Torquato Lourenço, 28 anos, aluna
do nono período de psicologia da
Universidade Anhembi Morumbi,
em São Paulo. Sua mensalidade
subiu de R$ 1.155,49 para R$
1.265,26, ou seja, cerca de 9,5%.
E, ao tentar fazer o aditamento,
como é chamada a renovação do
contrato, a página da internet
mostra um erro. “Meu Fies é
integral, se não fizer esse
procedimento, fico inadimplente e
não consigo providenciar os
contratos de estágio, necessários
para a conclusão do curso”, diz.
Até resolver o entrave, Dayanne,
assim como outros colegas, está
frequentando a graduação
normalmente para não ser
prejudicada. “Meu problema é
com o MEC”, diz. Procurada, a
Anhembi Morumbi afirma que,
apesar das novas regras definidas
pelo governo, “está trabalhando
para garantir que todos os
estudantes já beneficiados pelo
programa tenham suas matrículas
renovadas para este semestre”.
Somente de 2012 para 2013, o
número total de matriculados pelo
Fies em instituições particulares
aumentou 100% – de 11% para
21%, segundo dados de 2013 da
consultoria Hoper Educação. Até
2010, quando as regras do
programa mudaram e os
financiamentos dispararam, o
índice de inadimplência nas
escolas particulares era de 9,58%,
tendo caído para 8,46% um ano
depois.
Há
um
grande
envolvimento das instituições de
ensino com o Fies. Muitas podem
perder alunos e ter prejuízos
econômicos com as mudanças. “Há
muitas universidades com um
número alto de usuários do
financiamento, mais de 80%”,
afirma Romário Davel, consultor
da Hoper. A perspectiva do
diretor-executivo da ABMES,
Sólon Caldas, é de que as
faculdades vão se adequar a essa
taxa. “A concepção do programa é
muito focada na inclusão social e
as escolas estão comprometidas
com isso”, diz. Quem atrapalha é
o governo. Também aluna de
psicologia, Ohara de Souza Coca,
25 anos, cursa o quinto e último
ano na Faculdade São Judas, em
São Paulo, e passa pela aflição de
não saber se vai conseguir concluir
a faculdade, já que sua
mensalidade passou por um
reajuste de 8%. “A falta de
informações tem causado grande
preocupação. Enquanto isso não
for resolvido, há o medo de que
tenha de deixar os estudos a
qualquer momento”, diz. “Não
escolhi o Fies por ser cômodo, mas
por ser a grande possibilidade de
conseguir estudar.”
Outra polêmica diz respeito à
exigência de 450 pontos no Exame
Nacional do Ensino Médio (Enem)
e nota maior do que zero na
redação para o aluno poder usufruir
do Fies, mudanças impostas
também no final de 2014 pelo
governo. Embora seja um ponto
importante a ser discutido, uma vez
que o estudante precisa estar
minimamente
apto
para
acompanhar as aulas no ensino
superior, por outro lado a
25/02/15
educação básica no País
ainda precisa melhorar
muito para possibilitar que
um aluno da rede pública
chegue a uma pontuação
dessas, considerada baixa,
inclusive. Com esse
requisito, o jovem que não
teve acesso a uma boa
formação estaria, mais uma
vez, enfrentando dificuldade
para ter acesso à educação.
Recente estudo divulgado
pelo movimento Todos Pela
Educação com base nos
dados da Prova Brasil de
2013 mostra que o
desempenho dos estudantes
não tem avançado. Apenas
10,8% dos municípios
brasileiros atingiram a meta
de aprendizado adequado
para matemática no nono
ano, enquanto em 2011 esse
índice era de 28,3%. Em
língua portuguesa, também
para o nono ano, as cidades que
atingiram o objetivo representam
29,6%, contra 55% em 2011. O
estudo também apresenta queda se
levadas em conta as disciplinas no
quinto ano (leia na pág. 36). “A
cada período, as metas aumentam,
porque a intenção é que em 2022
pelo menos 70% das crianças
tenham aprendizado adequado”,
afirma Alejandra Meraz Velasco,
coordenadora-geral do Todos Pela
Educação. Em vez de aumentar, o
percentual caiu. O Brasil avançou
muito na inclusão e nos anos
iniciais há uma evolução. Mas
para os finais, próximos ao ensino
médio, que tem grande evasão de
alunos, é preciso pensar em novas
políticas públicas.” Essa mesma
análise pode ser feita a partir dos
dados
do
Índice
de
Desenvolvimento da Educação
Básica (Ideb) de 2013, divulgados
em setembro de 2014. Dos 5.369
municípios com índice da rede
pública calculado, apenas 39,6%
alcançaram a meta de 2013 para
os alunos do sexto ao nono ano.
Foi a primeira vez desde 2007 que
o objetivo para esse nível não foi
alcançado.
A situação se torna ainda mais
preocupante em época de arrocho
econômico e com corte no
Ministério da Educação que chega
a R$ 7 bilhões para este ano, como
anunciado em janeiro. Na opinião
do senador Cristovam Buarque
(PDT/DF), o bloqueio de verbas
vai na contramão de um verdadeiro
projeto
de
crescimento
educacional para o País, que já
deveria estar em prática. “O Brasil
deveria gastar R$ 9,5 mil por ano
por aluno. Hoje esse valor é de R$
3 mil a R$ 4 mil”, diz. Ou seja, o
que precisava dobrar vai diminuir.
“Ao longo do tempo, é preciso
aumentar
os
recursos
gradativamente, subir o salário dos
professores, reconstruir escolas e
garantir educação integral. É um
processo que duraria entre 20 e 25
anos, mas que não se vê qualquer
esforço para ser aplicado de
verdade”, afirma o senador. Para
Daniel Cara, coordenador-geral da
Campanha Nacional pelo Direito
à Educação, o corte traz o prejuízo
de não alimentar o sistema
educacional com os recursos que
eram comumente utilizados. “Não
ampliar
melhorias
em
infraestrutura e até em transporte,
que é o que pode acontecer, acaba
fazendo com que o rendimento do
aluno caia. E esse tempo não pode
ser recuperado depois”, diz. Cara
salienta que projetos estruturais
25/02/15
podem ser bastante afetados pela
medida. “A maior preocupação
deveria recair para programas
básicos, como o Proinfância, de
assistência financeira a creches e
pré-escolas”, afirma. “Projetos de
reconstrução de escolas não têm a
atenção que deveriam receber”,
afirma.
Apesar de a educação básica
precisar, sim, entrar nessa pauta,
o que ainda deve dominar as
discussões, por enquanto, são os
carros-chefes da campanha
eleitoral. Além do Fies, o Programa
Nacional de Acesso ao Ensino
Técnico e Emprego (Pronatec)
também tem sido alvo de
reclamações por parte de
instituições de ensino (leia na pag.
37). O governo deixou de repassar
verbas de financiamento dos
cursos desde outubro, enquanto a
então candidata à reeleição Dilma
Rousseff citava orgulhosa o
programa em seus discursos a todo
momento e por qualquer motivo.
O MEC informou na quinta-feira
19 que liberou R$ 119 milhões
para regularizar o fluxo referente
às mensalidades de 2014 para
instituições privadas. Disse, ainda,
que o pagamento de cada parcela
pode ser feito em até 45 dias após
o vencimento do mês de referência
– há parcelas, porém, que teriam
ultrapassado esse prazo.
Universidades públicas também
devem sofrer com a diminuição de
repasses, segundo especialistas.
“Não há a menor dúvida de que a
crise vá impactar negativamente o
ensino superior, que é uma área
dispendiosa para o governo”,
afirma o professor Renato Hyuda
de Luna Pedrosa, coordenador do
laboratório de estudos em
educação
superior
da
Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp). Para
algumas, o corte nos repasses já é
uma realidade. Na Universidade de
Brasília (UnB), por exemplo, dos
R$ 11 milhões que deveria receber
este ano, foram transferidos R$ 7
milhões, cerca de 30% a menos. A
instituição, no entanto, afirma que
ainda assim conseguiu manter as
contas em dia. Devem ser adiadas
melhorias em infraestrutura,
contratação de novos professores,
propostas de qualificação,
aberturas de novos cursos e linhas
de pesquisas. “O maior prejuízo é
a perda da expectativa em relação
ao
acesso
à
educação,
principalmente a superior. Uma das
boas coisas que aconteceram no
Brasil foi esse sonho concretizado
de se
conseguir um diploma”, afirma o
senador Cristovam Buarque. “A
cada ano ficava mais fácil entrar
na universidade. Em 2015, parece
que vai acontecer o contrário.”
Que o diga a caloura do curso de
enfermagem da Pontifícia
Universidade Católica de
Campinas (SP) Bruna Santoni
Silva, 21 anos. Dependente do Fies
para começar o curso, ela pode não
conseguir validar o contrato com
o programa, que abre para novos
alunos no dia 23, porque sua
faculdade teve reajuste de 9%.
“Falei com a universidade, mas
eles não têm nenhuma posição
sobre o assunto. Só me resta
esperar, sabendo que meus estudos
e meu futuro profissional estão em
jogo. Aliás, não só o meu, mas de
milhões de estudantes de nosso
país.” Cadê a pátria educadora?˚
25/02/15
Fotos: Montagem sobre foto, Rafael Hupsel;
WASHINGTON ALVES/ESTADãO
CONTEÚDO,Pedro Ladeira/Folhapress; Elza
Fiúza/Agência Brasil; Wellington Cerqueira/Ag.
Istoé
O GLOBO
22/02/15
O PAÍS
Refugiados poderão se inscrever no Mais Médicos
MARIANA
SANCHES
[email protected]
Governo muda regras do
programa para aproveitar mão de
obra, absorvida por outras áreas
ou desempregada
A vida de K., 45 anos, foi
convertida a uma gestão de
privações. Ele, a mulher e os dois
filhos moram, de favor, em uma
casa abandonada na Região
Serrana do Rio de Janeiro. Há oito
meses, K. empreendeu uma fuga
cinematográfica da Síria, em
guerra, até o Brasil. Para trás,
além de dois irmãos, ficaram a
casa espaçosa da família, os
planos anuais de viagem de férias
à Europa e a bem-sucedida
carreira de K.
— Me arruma alguma coisa que
eu possa fazer para ser útil —
costuma pedir, em árabe, ao irmão
George, que cresceu no Brasil. K.
é médico, mas passa os dias
ajudando a carregar material de
construção no comércio do irmão.
O destino de K., no entanto,
pode estar prestes a mudar. O
governo federal acaba de alterar
as regras do programa Mais
Médicos para permitir que
refugiados possam se inscrever e
concorrer aos postos de trabalho
em todo o Brasil, cujo salário
chega a R$10,5 mil.
Em termos práticos, essa é a
única chance de K. e outros
médicos refugiados voltarem a
exercer a profissão. Se fosse tentar
revalidar o diploma, o que não é
necessário para o programa, o
processo levaria cerca de cinco
anos. E poderia não dar certo. De
acordo com o Ministério da Justiça,
90% dos refugiados no país não
conseguem fazer valer o diploma
por aqui.
— Muitos possuem alto nível
de escolaridade e experiência de
trabalho em áreas de alta
qualificação, mas dificilmente
conseguem emprego na mesma
área justamente pelo problema da
documentação — afirma Luiz
Godinho, oficial de informação do
Alto Comissariado das Nações
Unidas para Refugiados.
A sensação de inutilidade
somada à dificuldade em
reconstruir a vida têm deixado K.
deprimido — sentimentos que ele
divide com pelo menos outros 15
médicos refugiados no país, entre
sírios,
paquistaneses,
colombianos, congoleses e
afegãos. Todos eles já haviam
questionado o programa Mais
Médicos administrativamente e
judicialmente. Sem opção,
passavam os dias trabalhando em
confecções, na construção civil ou,
pior, desempregados.
— É lamentável porque na
nossa cidade há muita falta de
médicos em hospitais públicos e
nós temos um médico experiente
subutilizado em casa — diz
George, irmão de K., que preferiu
não ter o nome divulgado nem o
município onde mora por medo de
ser localizado por integrantes do
Estado Islâmico. K. é cristão e exfuncionário do governo sírio. Antes
de chegar ao Brasil, testemunhou
pessoas com seu perfil serem
crucificadas pelos jihadistas.
SÍRIOS FORMAM
O MAIOR GRUPO
A mudança de regras para que
o Brasil possa absorver a mão de
obra internacional tornouse
urgente, já que o país tem sido
constantemente procurado por
refugiados. Entre 2012 e 2014, o
número de pessoas que receberam
refúgio no país quadruplicou: são
mais de oito mil. E a nacionalidade
de quem chega mudou: se antes, a
maioria era de africanos, hoje, os
sírios são o maior grupo, com mais
da metade dos refúgios concedidos
no Brasil.
— O Estado Islâmico tem
forçado muita gente qualificada ao
desterro. Ainda não sabemos
quantos deles são médicos. Nunca
houve muita preocupação em
conhecer a formação. Até hoje elas
sempre estiveram fadadas a um
destino de trabalho braçal —
explica João Amorim, professor de
Direito Internacional da Unifesp.
O GLOBO
22/02/15
O PAÍS
Conselho de Medicina quer impedir
judicialmente mudança de regras
Ministério da Saúde diz que
comitê vai avaliar caso a caso
Para garantir a inscrição dos
refugiados no Mais Médicos, duas
regras tiveram que ser alteradas.
A primeira era a que só seriam
aceitos
pelo
programa
profissionais de países que
possuíssem mais de 1,8 médico a
cada mil habitantes. A regra existia
para garantir que o Brasil não
aprofundasse a escassez de
profissionais de saúde em nações
onde já há falta deles.
Refugiada. A colombiana
Lorena Guzmán: vai se inscrever
no Mais Médicos
— É claro que o Afeganistão,
a Colômbia e a Síria não atendem
a esse critério, mas o Brasil não
está “roubando” médicos de
ninguém porque esses profissionais
não podiam exercer sua profissão
ali, estavam em risco de vida —
explica o coordenador para
assuntos de refugiados do
Ministério da Justiça, Virginius
Franca.
A segunda mudança foi na
flexibilização da burocracia.
Documentos quase banais para a
maior parte dos candidatos, como
diploma e atestado criminal, eram
inacessíveis a refugiados.
A médica colombiana Lorena
Gúzman, de 41 anos, sabe a
diferença que a mudança pode
trazer. Mestre em Gestão Pública,
ela denunciou contaminação por
metais em um município
colombiano. Passou a ser
perseguida. Até o ônibus escolar
de seu filho teve que ser escoltado
antes que ela resolvesse deixar o
país. Refugiada há mais de um ano
no Brasil, Lorena tentou se
inscrever no Mais Médicos no ano
passado e acabou recusada:
— As pessoas mal entendem o
que é ser refugiado, tenho que
andar com a lei embaixo do braço.
Dependo da Igreja de Santana do
Livramento (RS) para sobreviver.
Vivo de doações, moro de favor.
O futuro me parecia uma
possibilidade fechada. Agora tenho
esperanças de poder servir como
médica no país que me acolheu —
afirma Lorena.
A flexibilização da burocracia
gerou nova rodada de críticas ao
programa por parte do Conselho
Federal de Medicina (CFM).
Segundo o presidente do órgão,
Carlos Vidal, é impossível garantir
que a população não estará em
risco ao ser atendida por
profissionais do Mais Médicos:
— Continuamos defendendo
que os estrangeiros, refugiados ou
não, sejam submetidos ao
Revalida, o teste para verificar
suas habilidades. O programa não
pede testes, o que é um equívoco.
O CFM estuda entrar com ação
judicial para impedir que
refugiados
possam
ser
incorporados pelo programa.
Procurado pelo GLOBO, o
Ministério da Saúde afirmou que
um comitê especial avaliará a
inscrição deles caso a caso.
— Esses estrangeiros apenas
terão mais chances de provar sua
qualificação. Não existe risco de
um refugiado que não seja médico
conseguir se fazer passar por
médico — garantiu Hêider Pinto,
secretário de Gestão de Trabalho
e Educação do Ministério da
Saúde.
O GLOBO
22/02/15
O PAÍS
Cid Gomes é pivô de crise no PROS,
a 5ª legenda que integra
JÚNIA GAMA E CHICO DE
GOIS [email protected]
Ministro tenta controlar
partido, e já há quem peça seu
afastamento
Menos de dois anos após
deixar o PSB, por divergências
públicas com a cúpula da legenda,
o ministro da Educação, Cid
Gomes, já é novamente pivô de
uma crise partidária que ameaça
sua permanência, assim como a de
seu irmão, o ex-ministro Ciro
Gomes, na quinta sigla à qual se
filiou, o PROS. A conflagração
entre a cúpula do partido e o
ministro é pelo controle da
legenda.
Com a autoridade e a caneta de
ministro, Cid Gomes tem investido
em políticos do PROS para criar
um comando paralelo. Emplacou
o novo líder na Câmara, Domingos
Neto (CE), e, segundo seus
adversários, tem minado a
liderança do presidente da
legenda, Eurípedes Junior. O exlíder do PROS na Câmara,
Givaldo Carimbão (AL), já
defende que os irmãos Gomes
deixem o partido.
— Cid tomou o partido
politicamente e agora quer tomar
também juridicamente. Tentei abrir
os olhos do Eurípedes. Desde o
começo, disse que ele não sabia o
tamanho do problema que estava
arrumando quando convidou os
Gomes. Agora, ou eles saem, ou é
melhor entregar logo o PROS para
eles — diz o deputado.
Discórdia. Cid Gomes é
acusado de montar um comando
paralelo no PROS
O GLOBO
22/02/15
O PAÍS
Presidente do partido ocupou
Executiva com parentes
Cid defende que sigla se
profissionalize para ter peso no
cenário nacional
O presidente do PROS, o exvereador Eurípedes Junior,
preencheu com seus parentes, a
maioria sem experiência política,
a maior parte das vagas na
Executiva do partido. Sua mãe,
Maria Aparecida dos Santos, é a
primeira-secretária nacional. A
única experiência que teve na
política foi a de coletar assinaturas
para a criação do partido. O irmão
de Eurípedes, Fabrício George
Gomes dos Santos, ocupa a
primeira
vice-presidência
nacional e há outros sete
integrantes da Executiva com
sobrenome “dos Santos”.
O ministro Cid Gomes, segundo
relatam integrantes da legenda,
critica o que considera uma
estrutura amadora e destaca que o
partido já reduziu quase pela
metade sua bancada na Câmara,
passando de 20 para 11 deputados.
Ele defende que a legenda se
“profissionalize” se quiser
despontar como um partido de
algum peso no cenário nacional. O
ministro também prega a fusão do
PROS com outras siglas, o que tem
gerado irritação na cúpula do
partido.
EURÍPEDES ESTARIA
“ABALADO”
Aliados
de
Eurípedes
interpretam as críticas de Cid como
um ataque ao fato de a família do
presidente do PROS estar em peso
na Executiva.
— Essa estrutura que está na
Executiva é a mesma que criou o
partido. Para coletar assinatura e
criar o partido a família do
Eurípedes servia, e agora para
estar na Executiva não presta? —
questiona o deputado Givaldo
Carimbão, que diz que Eurípedes
estaria “muito abalado” com as
investidas.
Os primeiros sinais do
estremecimento na relação
ocorreram quando Cid começou a
ser sondado para ser ministro.
Reservadamente, integrantes do
PROS trabalhavam para que
outros nomes ocupassem cargos no
governo Dilma Rousseff. Quando
a presidente confirmou a escolha
de Cid, as divergências se tornaram
ainda mais claras, com nota
assinada por Eurípedes e
Carimbão afirmando que Cid
Gomes não representava o PROS
no governo Dilma.
Apesar dos conflitos, aliados
do ministro da Educação dizem que
ele não pretende se envolver nas
questões burocráticas do PROS. É
o que garante o líder da bancada,
Domingos Neto (CE), cujo pai,
Domingos Filho, foi vice de Cid
Gomes quando este era
governador. Embora não admita
que haja na legenda uma ala ligada
aos irmãos Gomes e outra ao
presidente Eurípedes Júnior, o
líder, que está em seu segundo
mandato e tem apenas 26 anos,
disse que quer construir a unidade
do partido.
— Vamos estreitar a relação
com o partido e ser um instrumento
de aproximação para que o partido
sinta-se um corpo só, não do Cid
ou da Executiva — afirmou.
FOLHA DE SÃO PAULO
22/02/15
ELIO GASPARI
A receita para quebrar o Brasil
Dois exemplos do que se faz,
sem muito barulho, para destruir
as contas públicas, arruinando o
país
Em novembro a doutora Dilma
sancionou
um
projeto
refinanciando as dívidas de
Estados e municípios. Coisa de R$
500 bilhões, que deveriam ser
pagos até 2039. Governadores e
prefeitos que herdaram o espeto
mexeram-se para mudar as
condições de pagamento. No
carro-chefe ficou o comissário de
São Paulo Fernando Haddad.
Argumentava que a cidade tinha
perdido a capacidade de
investimento. Mudando-se o
sistema, sua dívida cairia de R$
62 bilhões para R$ 36 bilhões.
Como dinheiro não nasce em
árvore, a Viúva perderá receita.
Neste ano, seria uma mixórdia,
apenas R$ 1 bilhão. Quem pagou
tudo direitinho ferrou-se.
Esse assunto não tinha
personagens satanizáveis nem
podia ser tratado como um
escândalo. Teve até o apoio do
PSDB. Virou uma coisa boa.
Quatro anos antes, o mesmo
Fernando Haddad estava no
ministério da Educação e mudou
as regras do Fundo de
Financiamento ao Estudante do
Ensino Superior, o Fies. Vivendo
na ponta que distribui dinheiro,
baixou os juros para 3,4% ao ano,
ampliou os prazos de pagamento
para três vezes o tempo de duração
do curso e relaxou as exigências
para os fiadores. Criou-se a fiança
solidária, bastando juntar três
colegas da faculdade. De onde
sairá o dinheiro emprestado a
juros subsidiados e em condições
imprevisíveis de retorno? Um
palpite: da bolsa da Viúva.
Aquilo que poderia ser uma boa
iniciativa virou uma estatização do
risco do financiamento das
universidades privadas. Esse tipo
de crédito é socialmente
necessário, desde que seja
matematicamente sustentável.
Faculdades estimularam seus
alunos a migrar para o Fies e, com
isso, o número de bolsistas passou
de 150 mil em 2010 para 4,4
milhões
em
2014.
Os
financiamentos pularam de R$ 1,1
bilhão para R$ 13,4 bilhões. Há
faculdades onde os alunos que
pagam as mensalidades tornaramse uma raridade. Formaram-se
conglomerados universitários,
com ações na Bolsa. O repórter
José Roberto Toledo mostrou que,
entre 2012 e novembro de 2014,
enquanto o Ibovespa caiu 18%, as
ações do grupo Kroton, com um
milhão da alunos, valorizaram-se
em 500%. (Em 2014 o grupo
recebeu R$ 2 bilhões do Fies, cifra
inédita até para a Odebrecht.)
O ministro Cid Gomes quis
colocar método na maluquice,
exigindo padrões de desempenho
acadêmico às escolas, notas
melhores dos alunos para o acesso
ao programa e associou parte do
desembolso à formatura do jovem.
Prenunciou-se uma ªcatástrofeº.
Ou, nas palavras de Gabriel Mario
Rodrigues, presidente da guilda da
escolas privadas, ªo governo fez
uma cagadaº, ªo ministro não é do
ramoº e ªfala demaisº. Com toda
razão, ele diz que ªnão podemos
confiar no governoº. Nem eles nem
a torcida do Flamengo. Com a
ajuda de parlamentares e de ªgente
trabalhando nas altas esferasº (em
quem confiam), as empresas se
articulam para desossar as
medidas.
Ganha um fim de semana na
Guiné Equatorial quem acredita
que esses financiamentos dados
com critérios frouxos e fianças
capengas fecharão a conta na bolsa
da Viúva. Vem por aí outro rombo.
Como aconteceu com a dívida dos
Estados e municípios, certamente
será renegociado, noutros
governos. É assim que se quebra
um país.
FOLHA DE SÃO PAULO
22/02/15
COTIDIANO
Juíza manda tirar ciclovia
da frente de escola em SP
Faixa traz riscos aos alunos,
diz magistrada
LEANDRO MACHADO
DE SÃO PAULO
A Justiça mandou a Prefeitura
de São Paulo retirar uma ciclovia
que fica em frente ao colégio
particular Madre Cabrini, na Vila
Mariana, zona sul da cidade.
A liminar foi publicada na
quarta-feira (18). Em nota, a
gestão do prefeito Fernando
Haddad (PT) informou que irá
recorrer da decisão.
A juíza Simone Viegas de
Moraes afirma que a faixa
reservada aos ciclistas causa
riscos aos alunos que trafegam
pela rua da escola.
Na decisão, a magistrada diz
que "faltou planejamento da gestão
municipal para implantação da
ciclofaixas".
Ela diz que a rua do colégio é
"curta e estreita" --cerca de 700
metros-- e que há grande tráfego
de vans escolares e pedestres.
"Causa espécie a colocação de
ciclofaixa no local, eis que patente
o perigo de dano irreparável em
relação a potencial situação de
risco à criança e aos adolescentes
que frequentam o colégio", anota.
Na tarde deste sábado (21) a
Folha não encontrou nenhum
responsável pelo colégio Madre
Cabrini.
Ao implantar a ciclovia na rua,
em novembro, a prefeitura pintou
também uma faixa azul, para
embarque e desembarque dos
alunos. Revoltados, pais e
funcionários da escola fizeram um
abaixo-assinado contra a faixa.
O ESTADO DE S. PAULO 22/02/15
NOTAS & INFORMAÇÕES
A novela do Fies
Um dos programas mais conhecidos do governo, o
Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), converteu-se
em problema financeiro e político. Os gastos cresceram
muito nos últimos quatro anos e as autoridades
econômicas, obrigadas a equilibrar as contas do governo,
tiveram de rever o programa, o que gerou críticas das
universidades privadas.
melhorar a qualidade do ensino. "Ao longo de sua história,
o Brasil deu poucas oportunidades para estudantes
pobres e carentes cursarem uma universidade. Agora a
gente quer regularizar o fluxo de repasses, pautando a
qualidade como princípio fundamental. Estamos
financiando oportunidades, não dando dinheiro sem
critérios", disse o ministro Cid Gomes.
O problema financeiro está no desenho institucional
do Fies, que concede empréstimos para que os
estudantes das universidades particulares possam pagar
as mensalidades. O dinheiro é repassado automaticamente
às instituições, sem exigência de avalista dos financiados,
sem critérios claros para a concessão de empréstimos e
sem fiscalização do desempenho escolar dos
beneficiados. O excesso de liberalidade e a falta de
controle levaram a uma explosão de pedidos de
financiamento, o que estimulou as instituições privadas
de ensino superior a abrir o capital para obter na Bolsa
de Valores os recursos necessários para se expandir.
Cerca de 70% dos alunos das universidades particulares
são financiados pelo Fies.
Ele também afirmou que, por causa do alto custo
dos empréstimos para os cofres públicos, o governo
tinha o direito de impor os níveis de reajuste das
mensalidades. Anunciou que a política de financiamento
estudantil se privilegiaria os "cursos estratégicos para o
Brasil". E manifestou a disposição de centralizar a
concessão de bolsas, obrigando as universidades
particulares a cadastrar suas vagas numa plataforma
digital, com base na qual o MEC - e não as instituições
de ensino - selecionariam os alunos.
Em dezembro, um mês após a reeleição da presidente
Dilma Rousseff, o governo mudou abruptamente as
regras do Fies, exigindo dos estudantes um mínimo de
450 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio como
condição para a obtenção de financiamento. Foi aí que
começou o problema político. Além de proibir a
renovação dos contratos cuja mensalidade tinha sido
reajustada acima de 4,5%, menos do que a inflação de
2014, as autoridades educacionais fecharam o acesso
ao site do Fies para os quase 2 milhões de alunos que
dependem de financiamento para continuar estudando.
Nos primeiros 40 dias de 2015, apenas 280 mil estudantes
conseguiram renovar os contratos.
Com quedas expressivas de suas ações, as
universidades privadas reclamaram das alterações no
fluxo de repasses do Fies e criticaram a introdução de
novas regras a dois meses do início das aulas. Em
resposta, as autoridades educacionais ameaçaram ampliar
a intervenção governamental no setor, sob o pretexto de
A restrição ao repasse da inflação no valor das
mensalidades criou mais problemas para os estudantes e
para as universidades. Para não perder o financiamento,
as escolas reduziram o reajuste para 4,5%, mas enviaram
boletos com aumento de 7% para os universitários que
não precisam do Fies, o que abriu caminho para uma
enxurrada de ações judiciais. Alegando que contrataram
professores e programaram despesas antes da mudança
das regras do Fies e que não era justo terem de arcar
com os prejuízos daí decorrentes, as universidades
privadas recorreram aos tribunais e ameaçaram adiar o
início das aulas.
Com medo da judicialização do ensino superior
privado, da oposição do movimento estudantil e do
comprometimento do calendário escolar de 2015, o
governo recuou. Aceitou um reajuste das mensalidades
em 6,5%. Adiou a entrada em vigor da exigência de
pontuação mínima. Reabriu o site do Fies e voltou a
aceitar novos alunos. Por fim, anunciou que os novos
contratos de financiamento estudantil poderão ser
firmados até o dia 30 de abril.
É assim que o ensino superior vem sendo gerido na
Pátria educadora.
O ESTADO DE S. PAULO 22/02/15
ECONOMIA
Entrevista / Joaquim Levy
'A diminuição de subsídios não
vai fazer o País parar', diz Levy
Ministro diz que a economia
brasileira ‘vai entrar no eixo,
mesmo que no curto prazo isso
pareça difícil’
comecem a ser tomadas logo.
Temos de sinalizar mudanças
rapidamente, para dar tempo de
reverter, ainda este ano, a
tendência de estagnação”, afirma.
Adriana Fernandes
BRASÍLIA - O ministro da
Fazenda, Joaquim Levy, já iniciou
sua cruzada para ver aprovado
pelo Congresso Nacional o plano
que representa uma guinada na
política fiscal, com corte de
subsídios, redução de incentivos
e recalibragem de benefícios
previdenciários e trabalhistas. A
forma que escolheu para
convencer parlamentares e a
população em geral é a mais direta
possível: garantir a retomada do
emprego e evitar a tendência atual
de estagnação. “O Congresso votar
as medidas fiscais é importante
para que decisões que vão levar
ao crescimento do emprego
Em entrevista por e-mail ao
Broadcast, serviço em tempo real
da Agência Estado, Levy acena
com o aprimoramento das
medidas. Diminuir subsídios e
incentivos, garante, não vai fazer
o Brasil parar. Levy diz que o
governo tem meios, sim, de cumprir
a meta fiscal deste ano. E defende
abertamente ajustes e governança
“amarrada” no Fies e Pronatec,
programas de incentivo à educação
que envolvem “bilhões” de reais.
“A economia vai entrar no eixo,
mesmo que no curto prazo pareça
difícil”, prevê.
A meta fiscal de 1,2% do PIB
está ameaçada?
Não vejo ameaça. Em 2014, o
emprego desacelerou fortemente.
Ficou claro que insistir nas
políticas anticíclicas não estava
dando certo. A incerteza fiscal
começou a minar a vontade de
investir e isso tinha de mudar.
Estamos respondendo a essa
realidade. A discussão no
Congresso e na sociedade sobre
qualquer medida legislativa é
natural, e, em princípio, positiva.
É da essência da democracia. A
população tem entendido a
necessidade fiscal das medidas e
como elas fortalecem a capacidade
do Estado de implementar suas
políticas sociais, reduzindo
distorções e excessos da lei.
O sr. vai entregar a meta
prometida?
Não tenho dúvidas sobre isso.
A presidente Dilma vem mostrando
22/02/15
total comprometimento com o
superávit de 1,2% do PIB para
este ano. Há meios para chegarmos
lá, sim.
A eleição do presidente da
Câmara, Eduardo Cunha,
aumenta a incerteza sobre a
aprovação das medidas de
ajuste?
O presidente Cunha é um
parlamentar bastante experiente.
Na posição em que se encontra,
pensa, principalmente, na
estabilidade e na capacidade do
País de crescer. Tenho convicção
de que ele e o presidente do
Senado, Renan Calheiros,
conduzirão a votação das MPs de
forma a permitir a livre
manifestação de eventuais
preocupações do Congresso e a
avaliação de possibilidades de
aprimoramento dessas medidas.
Há bastante entendimento de que
são medidas indispensáveis para
o Brasil voltar a crescer. Até agora
não criamos novos impostos ou
algo inusitado, simplesmente
estamos normalizando coisas que
haviam sido afrouxadas na
perspectiva anticíclica. E
anticíclico é temporário.
Por que o sr. não vai entrar
na linha de frente das
negociações?
Não é exato que eu não vá
participar. Governo é assim: você
reparte tarefas para dar conta de
tudo. É muito bom quando se
decidiu ter ministros experientes
como o da Previdência Social e do
Planejamento explicando ao
público por que os ajustes nas
regras das pensões nos aproximam
de legislações que valem na maior
parte dos países. Muitas pessoas
têm dado apoio a essas propostas
de mudanças, que protegem os
direitos do trabalhador.
Que tipo de ajuste se faz com
uma economia que não cresce?
É importante a economia voltar
a crescer. E, para isso, as pessoas
têm de saber o que propomos e se
isso é sustentável. A diminuição de
subsídios e incentivos fiscais não
vai fazer o País parar. Dada a
arrecadação atual e o resultado
primário de 2014, levar os gastos
discricionários aos níveis de 2013,
que foi um ano até certo ponto
expansionista, pode ser um
caminho bastante seguro. A gente
não está vivendo uma crise em que
a economia só possa sobreviver
com doses crescentes de amparo.
Ficar na cama, debaixo do
cobertor, pode ser bom. Mas,
quando o despertador toca, a gente
salta para ir trabalhar e ganhar a
vida. É assim com as pessoas e os
países que são vencedores.
Então, precisa do “espírito
animal” dos empresários?
A muito repetida frase do
(economista John Maynard)
Keynes tinha a ver com o otimismo
que ele considerava inato aos
empresários. Empreendedor tem
de ser otimista, não é? Mas, apesar
do contraste que ele fez entre a
espontaneidade e a matemática
financeira, ninguém rasga dinheiro.
Assim, só vai haver retomada
quando os empreendedores
sentirem alguma segurança, a
começar pela fiscal. Por isso, o
Congresso votar as medidas fiscais
é tão importante, para que as
decisões que vão levar ao
crescimento do emprego comecem
22/02/15
a ser tomadas logo. As estatísticas
mostram que só foram criados 150
mil empregos formais no ano
passado. Portanto, temos de
sinalizar mudanças rapidamente,
para dar tempo de reverter, ainda
este ano, essa tendência de
estagnação.
O governo vai cortar
programas sociais? Fies e
Pronatec (programas de
financiamento estudantil) serão
atingidos?
O ministro Cid Gomes é
exemplo de alguém que entende
profundamente da educação e está
fazendo ajustes que vão melhorar
e dar sustentabilidade a programas
chaves para o Brasil. Aumentar o
número de universitários é muito
bom e tende a ajudar a aumentar o
PIB potencial do País. Mas, na
medida em que envolve o governo,
emitir bilhões de reais em dívida
pública, para pagar mensalidades
em faculdades particulares, é
óbvio que a governança desse
programa tem de ser muito bem
amarrada. Senão, serão grandes
decepções mais para a frente. Dos
estudantes, do contribuinte e do
investidor. No Pronatec, também
tem de focar na qualidade dos
resultados e na governança.
Especialmente quando a economia
vai passar por uma reengenharia,
devido à reversão dos preços das
matérias-primas. Nesse ambiente,
a disponibilidade de mão de obra,
com mais qualificação e muita
motivação, vai ser o caminho para
crescermos.
um aumento de preços pontual se
transforme em inflação, no sentido
de um processo de realimentação
de preços. E a política monetária
tem de continuar a agir para
dissipar aquele impacto inicial,
evitando efeitos secundários sobre
a inflação. A política monetária
tem de ficar vigilante para as
expectativas se manterem
ancoradas.
Mas vai ter saco de maldades?
Não é o nosso espírito. O que
temos feito é, na verdade, do bem.
Quase sempre reduz disparidades
entre pessoas e empresas ou
setores, e é feito para colocar o
Brasil de volta na rota do
crescimento.
O realismo tarifário fazer
estourar o teto da meta
inflacionária não é um grande
problema?
O realismo tarifário é essencial
para dar segurança à economia. Em
um primeiro momento, isso tem
impacto nos preços, mas o efeito
final na inflação depende da
disciplina fiscal e da vigilância do
Banco Central. Política fiscal não
expansionista ajuda a evitar que
Qual a solução para o balanço
da Petrobrás?
A Petrobrás já está dando a
virada que todos queremos ver
acontecer. O impasse contábil será
vencido a tempo, com serenidade
e muita transparência. Junto com
a companhia, a auditoria
independente vai achar a forma
correta e aceita pelos reguladores
do mercado para registrar o que
for adequado. Com isso, as coisas
boas da empresa voltarão a ser
valorizadas, especialmente porque
há um grande compromisso de
reforçar os processos de gestão.
Esse processo já começou no
âmbito de produção e vai se
ampliar para outras áreas. A
produção de petróleo e gás, que
vinha caindo nos últimos anos,
22/02/15
começou a crescer em 2014
principalmente devido ao pré-sal.
A gente não deve ser ufanista, mas
de vez em quando vale a pena dizer
“O Brasil pode!”. Ou, para não
maltratar o vernáculo, “a gente
consegue fazer bem!”
por prioridade melhorar a nota da
dívida pública. Ter a ambição de
chegar à nota A. Não há motivos
para rebaixamentos.
As agências de rating virão ao
Brasil e encontrarão indicadores
muito ruins, o caso Petrobrás e
o risco de racionamento. O que
o sr. vai dizer?
Pode parecer abstrato, mas para
quem está na linha de frente não
escapou que a curva de juros
mudou de inclinação nos últimos
três meses. A ponta longa, que é a
importante para o investidor, caiu.
Esse é um exemplo de como
expectativas afetam preços e
comportamentos. Se a gente
entregar o que está se propondo,
tenho certeza de que a ponta longa
pode continuar com inclinação
favorável, mesmo com a curva
americana subindo. E aí vamos ter
crédito de longo prazo de verdade.
Vamos ter uma economia mais
livre e robusta. Não vai ser
presente do céu, mas, na medida
em que avançarmos, que o
equilíbrio fiscal melhorar, isso vai
chegar às pessoas na rua e, antes
disso, aos empresários.
Você descreveu uma fotografia
não muito bonita: há indicadores
que se deterioraram, inclusive o
déficit externo. Mas a economia
vai entrar no eixo, mesmo que no
curto prazo pareça difícil. O País
mostrou isso outras vezes, quando
havia desconfiança. A trajetória da
dívida tem de ser de redução, até
porque nossos competidores têm
uma relação dívida/PIB mais baixa
do que a nossa, e não estamos
desejosos de entrar para o clube
das grandes economias com
redução de nota de risco. Tenho
dito, e não vejo por que pensar
diferente, que o Brasil tem de ter
Essas questões não estão
longe do dia a dia das pessoas?
CORREIO BRAZILIENSE
22/02/15
EDITORIAL
A questão das cotas
As cotas nas universidades públicas têm suscitado
debates desde a implantação em 2001. Uma das
críticas se centrou na destinação. Em vez de
privilegiar os negros, a reserva de vagas deveria ser
mais abrangente. Deveria ser social, não racial.
Indiretamente, os afrodescendentes seriam
contemplados já que compõem a parcela mais pobre
da população.
Pioneiras, a Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (Uerj) e a Universidade de Brasília (UnB)
saíram na frente. A UnB destinou 20% dos assentos a
negros, pardos e índios durante 10 anos. Avaliado no
ano passado, o percentual baixou para 5% por causa
da cota social introduzida pela Lei nº12.711, de 2012:
de 2016 a 2023, pelo menos 50% das vagas têm
destino carimbado.
Uma das marcas do Brasil é a de país injusto.
Iniciativa como a de abrir as portas de universidades
públicas para jovens impossibilitados de transpô-las
até então significa inestimável avanço. São as
instituições mantidas pelo Estado que oferecem a
melhor qualidade de ensino — essencial para o acesso
efetivo ao conhecimento e, com ele, aos degraus que
permitem a ascensão social.
A lei acerta ao fixar prazo para a vigência da
exceção. É importante que o regime extraordinário
seja transitório. Mais: que seja desnecessário. Urge,
para tanto, cuidar dos níveis fundamental e médio. A
excelência das instituições de ensino superior têm
muito a ver com o recrutamento. Calouros preparados,
ávidos por avanços que lhes garantam lugar na elite
nacional e internacional, fazem a diferença na
formação superior.
Quanto maior a exigência do estudante, mais
desafiada se sente a escola a dispor de respostas aptas
a satisfazê-lo. Uma vaga na Universidade de Shangai,
por exemplo, é disputada por 800 candidatos. A
qualidade dos selecionados pressupõe professores
aptos a lhes dar respostas à altura da curiosidade que
os mobiliza. Não por acaso, a maior universidade
chinesa ocupa o topo no ranking das melhores do
mundo.
No discurso de posse, Dilma Rousseff anunciou
que o slogan do segundo mandato seria “Pátria
Educadora”. As palavras vieram ao encontro das
urgências nacionais. Mas impõem-se ações efetivas
para passar do discurso à prática. O desafio é
hercúleo. Instalações adequadas, material didático de
qualidade, uso eficaz das novas tecnologias põem à
prova a determinação da presidente.
Acima deles, o maior — a existência de recursos
humanos aptos a levar avante o projeto. Negligência
de décadas afugentou os talentos do magistério e
fechou faculdades destinadas a formar professores.
Mestres, vale lembrar, não se compram em
supermercado.
CORREIO BRAZILIENSE
22/02/15
Educação
A possibilidade de paralisação
dos professores no primeiro dia
de aula do ano letivo é muitíssimo
preocupante. O que 460 mil
crianças e adolescentes podem
esperar do “Brasil, Pátria
Educadora”? Os indicadores do
setor estão aquém do patamar
satisfatório, distante do desejável
e nem tão cedo alcançarão o nível
ideal. A educação como
prioridade foi ponto comum nos
discursos de posse do governador
eleito Rodrigo Rollemberg e da
presidente Dilma Rousseff,
reconduzida ao cargo. E agora, a
prioridade
virou
tema
secundário? Falta dinheiro para
pagar os professores, resultado
do desgoverno ex-ocupante do
Palácio do Buriti. A justificativa
é entendida por todos. Em 50 dias
de gestão, Rollemberg não
conseguiu sair do cipoal de
encrencas recebido de legado. Os
professores, por sua vez, não têm
responsabilidade pelo drama
financeiro do GDF. Exigem, com
todo direito, o que lhes é devido.
Mas, como bem destaca o
editorial do Correio (19/2), é
preciso que o bom senso
prevaleça nas negociações entre
governo e professores. Crianças
e adolescentes não merecem ser
punidos.
Paula Vicente, Lago Sul
SR. REDATOR
CORREIO BRAZILIENSE
22/02/15
CIDADES
EDUCAÇÃO »
Início das aulas ainda sob impasse
Assembleia dos professores
ocorrerá amanhã, na Praça do
Buriti: a categoria vai avaliar
proposta do governo
No calendário do ano letivo do
Distrito Federal está previsto para
amanhã o início das aulas na rede
pública de ensino. Mas os
estudantes não precisarão ir ao
colégio, pois boa parte dos
docentes não estará presente. Em
vez das salas, os professores
estarão na praça em frente ao
Palácio do Buriti. Osindicato da
categoria (Sinpro-DF), marcou
assembleia para decidir se aceita
a proposta do governo de
pagamento parcelado dos
benefícios atrasados ou se cruza
os braços em protesto.
A diretora do Sinpro, Rosilene
Corrêa, afirma ser impossível
prever se os estudos realmente
começarão nesta semana. “A
assembleia é nossa instância
máxima. E ela é democrática.
Acataremos o que a maioria
decidir”, explica. Pela importância
do encontro, todos os docentes
estão convocados: “Amanhã
(hoje), não terá aula e, na terçafeira, dependerá do resultado da
votação feita entre os colegas de
profissão”, diz.
O governador Rodrigo
Rollemberg (PSB) visitou, ontem,
a Escola Classe 6, no Cruzeiro
Novo, e falou sobre a indefinição
acerca das atividades escolares.
Otimista, ele está confiante de que
a assembleia da categoria não
decidirá pela paralissação.
“Entendemos que, durante a
semana, teremos a normalidade do
comparecimento dos alunos nos
colégios e temos confiança nos
professores e no início tranquilo
do ano letivo”, declarou.
Entre benefícios, como abono
de férias, 13º para os nascidos em
dezembro (uma parcela do
benefício é paga no mês do
aniversário do servidor) e rescisão
contratual de 6 mil professores
temporários, o GDF deve R$ 120
milhões à categoria. A proposta
governista é pagar em parcelas até
junho o débito. Os docentes já
deixaram claro que são contrários
à pretensão do Executivo. Eles
querem receber o valor à vista ou,
pelo menos, adiantar o calendário
para que não se arraste até o meio
do ano.
Com o objetivo de conseguir
quitar a dívida de uma só vez, o
Palácio do Buriti recorreu à
Antecipação
de
Receita
Orçamentária (ARO) de R$ 400
milhões. Apesar de ter passado
pela Câmara Legislativa, a ARO
precisa de autorização da
Secretaria do Tesouro Nacional
(STN) e do intermédio do Banco
Central. Esse processo deve se
resolver somente em abril, um mês
depois do início das aulas.
Enquanto isso, o GDF se mostra
irredutível em relação ao
calendário de pagamento que
propôs. Amanhã, a categoria
decide se compreende a situação
do governo ou se bate o pé e recusa
a proposta. (MT)
O GLOBO
21/02/15
OPINIÃO
CRISTOVAM BUARQUE
Pedagogia da catástrofe
Parecemos estar num tempo
em que argumentos não têm papel
pedagógico
Chama-se “pedagogia da
catástrofe” o conjunto de lições
tiradas de tragédias geralmente
anunciadas e desprezadas. A
população de São Paulo está
passando por um aprendizado
desse tipo. Depois de anos
desperdiçando água e sujando rios,
investindo em asfalto e estádios,
em vez de reservatórios, sem
incluir nas escolas o respeito à
água e demais preocupações
ambientais, a população começou
a conservar água.
A pedagogia da catástrofe
funcionou para o povo, mas os
governos, aparentemente, não
aprenderam e continuam resistindo
a fazer as necessárias políticas de
investimento e de educação, e a
população segue de olhos
fechados para outros problemas.
Estamos
esperando
a
destruição da Petrobras para só
então aprendermos o risco do
aparelhamento do Estado e da
corrupção ligada ao financiamento
de campanha por empreiteiras. Por
anos, o governo federal caminhou
a passos firmes na direção da atual
crise fiscal e a estagnação
econômica. Muitos alertamos para
os riscos da baixa poupança, do
excesso de gastos, da preferência
pelo consumo, da falta de base
educacional, mas o governo
preferiu caminhar até o ponto da
pedagogia da catástrofe. Para
conseguir a reeleição, o governo
federal prometeu o que não ia
cumprir, sem considerar as
consequências da desconfiança
criada pelo divórcio entre o
discurso do marqueteiro na
campanha e a fala dos ministros
depois da posse.
Tudo indica que precisaremos
da catástrofe de um engarrafamento
absoluto para percebermos o erro
da opção da indústria e do
transporte com base no automóvel
privado; e de uma guerra civil em
todas as ruas das cidades para
admitirmos a violência que criamos
com
um
modelo
de
desenvolvimento centrado no
crescimento
econômico,
concentrando a renda, relegando a
busca de educação da cidadania e
a construção de harmonia social.
A crise ecológica talvez só seja
enfrentada quando o aquecimento
global já tiver provocado todos os
desastres planetários que se
avizinham, mas que população e
líderes se negam a ver.
Aparentemente estamos em um
tempo em que argumentos não têm
papel pedagógico; só as
catástrofes convencem. O mundo
parece ter apenas duas cores e estar
parado no tempo; as análises que
procuram mostrar as diferentes
nuances dos problemas e prever
suas consequências são recusadas.
Há uma clara preferência pelas
ilusões instantâneas no lugar da
realidade em movimento, até que
a pedagogia da catástrofe desperte
a consciência, corrigindo os erros
quando o preço já é muito alto.
É pouco provável que as
próximas eleições mostrem que o
povo aprendeu com seus erros
eleitorais e consequentes opções
de desenvolvimento, tanto quanto
a população de São Paulo
aprendeu com o desprezo pela
água. Mesmo assim, é preciso
insistir nos alertas, ainda que não
sejam ouvidos, porque não tentar
convencer seria uma catástrofe
pessoal.
Cristovam Buarque e senador
(PDT-DF)
FOLHA DE SÃO PAULO
21/02/15
EDITORIAL
Pátria enganadora
No primeiro dia do ano, em discurso de posse no
Congresso Nacional, a presidente reeleita Dilma
Rousseff (PT) anunciou que o lema de seu segundo
mandato seria "Brasil, Pátria Educadora".
técnicos gratuitos, instituições particulares viram aí
uma excelente oportunidade de aumentar clientela e
faturamento, a exemplo do que se deu no Fies.
Mais apropriado seria designar a frase como
slogan. Assim se explicitaria seu caráter
propagandístico, evidenciado por medidas que só em
2015 vieram a lume --primeiro com o Fies, depois
com o Pronatec.
Na campanha eleitoral, Dilma prometeu elevar de
8 milhões para 12 milhões os beneficiários do
Pronatec. Na surdina, seu governo interrompeu o
fluxo de pagamentos correspondentes às aulas dadas
em outubro por cerca de 500 instituições, como
revelou esta Folha.
O Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) custeia
estudos de graduação com empréstimos a juros
subsidiados de 3,4% ao ano. De 2010 a 2014, o
número de estudantes financiados foi de 76 mil para
700 mil, com desembolsos de mais de R$ 13 bilhões
no ano passado.
No mesmo dia, o Ministério da Educação anunciou
a liberação de R$ 119 milhões e a regularização dos
desembolsos de 2014 para instituições privadas.
Segundo o comunicado, elas respondem por 7% das
matrículas do Pronatec. Por esse serviço, já teriam
recebido R$ 640 milhões no ano passado.
No final de dezembro, o governo federal alterou
as regras para concessão dos financiamentos e mudou
a sistemática de pagamento das mensalidades às
instituições de ensino superior. Elas só receberão as
parcelas do segundo semestre deste ano em 2016, uma
manobra óbvia para postergar despesas.
Nada disso altera o fato de que, ao aplicar o
torniquete nas verbas educacionais, o governo Dilma
Rousseff contradiz as promessas grandiosas sobre
ensino e qualificação apresentadas na propaganda e
sugeridas na posse.
Na mesma época, o Planalto decidiu atrasar
também os gastos com outra peça de resistência na
propaganda de campanha, o Pronatec (Programa
Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego).
Como a iniciativa banca o oferecimento de cursos
Passou da hora de a presidente vir a público e
explicar a seus eleitores que não vale o que disse no
palanque. Vale, sim, o que se vê obrigada a fazer para
consertar o estrago nas contas públicas provocado
em seu primeiro mandato.
FOLHA DE SÃO PAULO
21/02/15
PODER
Crise no Paraná engrossa
oposição a governo tucano
Após medidas impopulares de
Richa, oito governistas declaram
independência
Governador aumentou impostos,
tentou mudar a previdência dos
servidores e atrasou o pagamento
das férias
ESTELITA HASS CARAZZAI
DE CURITIBA
Poucos meses após ser reeleito
no 1º turno e ser cotado como
presidenciável tucano, o governador
do Paraná, Beto Richa (PSDB), vive
uma crise política e de popularidade.
A oposição ao tucano na
Assembleia, que oficialmente é de
apenas seis parlamentares,
engrossou. Ao pequeno bloco agora
se somam pelo menos oito
deputados que se declaram
independentes --inclusive alguns que
integravam a base do governo--,
como membros do PPS e PSD.
O total ainda não chega perto
dos 38 deputados que apoiam Richa,
mas mostra sua fragilidade:
"Definitivamente, trincou o cristal",
diz o deputado Requião Filho
(PMDB), um dos opositores.
O pivô da crise é a grave situação
financeira do Estado.
Sem dinheiro nem para pagar a
folha, Richa, que na campanha dizia
que "o melhor estava por vir",
aumentou impostos, atrasou o
pagamento de férias e propôs, no
início do mês, alterar a previdência
dos servidores.
Insatisfeitos, milhares protestaram
contra o governador, chamando-o de
"almofadinha" e "caloteiro".
Professores estão em greve desde o
dia 9. Na semana passada, invadiram
a Assembleia e impediram a votação
de um novo pacote de cortes.
Pressionados, aliados do
governador agora fazem discursos
contrários a ele. "Já acreditei mais
nesse governo", diz Ney Leprevost
(PSD), que fez campanha para Richa
e hoje se diz independente.
Para ele, os deputados da base
foram colocados numa "saia justa"
pelo tucano, que prometeu que a
situação econômica seria melhor e,
depois, teve que admitir a crise.
"Ele propôs medidas impopulares
e delicadas. Cada um vai pesar o que
é mais importante e fazer o cálculo."
Para ele, alguns deputados podem
preferir "ter as portas escancaradas
nas secretarias".
Leonaldo Paranhos (PSC)afirma
que perdeu três indicações de cargos
no governo por seu voto contrário,
mas diz continuar na base. "Não é
porque sou da base que
necessariamente voto tudo a favor.
O governo errou, e não preciso nem
falar. Olha o que aconteceu",
referindo-se à invasão. "Ele [Richa]
sabe que vai pagar um preço por
isso."
A oposição surfa na onda:
deputados do PT são aplaudidos
entre manifestantes, enquanto
Requião Filho, filho do exgovernador e senador Roberto
Requião (PMDB), posa para selfies.
O líder do governo, Luiz Cláudio
Romanelli (PMDB), reconhece que
o momento é difícil: "Muita gente
votou contra por outras
insatisfações, por não estar
acomodada na base". Apesar disso,
Romanelli acha que Richa ainda tem
capacidade para reverter a situação:
"O que um governo que está em crise
pode oferecer? Só um cafezinho e
um tapinha nas costas".
Para ele, quem votou com o
governo foi motivado não por
ambições políticas, mas pelo
interesse do Estado, que precisa de
medidas duras.
FOLHA DE SÃO PAULO
21/02/15
MERCADO
Brincar de trabalhar
Multinacional mexicana
investe US$ 25 mi em parque em
SP que simula cidade em
miniatura em que crianças
ganham dinheiro fictício
MARIANA BARBOSA
DE SÃO PAULO
Uma nova multinacional
mexicana começa a emergir, em
um segmento dominado pelos
vizinhos ao Norte, de parques de
entretenimento.
Recém-aberto em São Paulo, no
shopping Eldorado, o KidZania é
uma cidade em miniatura em que
crianças de 4 a 14 anos trabalham
em troca de KidZos, para gastar
com comida, lazer ou tranqueiras.
As crianças depositam KidZos
no
Bradesco,
trabalham
enformando chocolate da
Kopenhagen e embalando sucos Su
Fresh. Pilotam avião em um
simulador da TAM, brincam de
repórter da Folha, de radialista da
CBN e até de missionário da
Unicef.
O caminhão de bombeiro é
patrocinado pela Porto Seguro, e
o transporte de valores é da
Prosegur. Há ainda médicos,
policiais, frentistas, carteiros,
artistas e jogadores de futebol, sem
patrocinadores, e também uma
universidade. Diplomados ganham
mais.
sua expansão internacional em
2006, com a inauguração em
Tóquio.
Juntos, os 18 parques KidZania
(incluindo três no México) já
receberam 40 milhões de
visitantes. No Brasil, a expectativa
é receber 400 mil neste primeiro
ano, para uma capacidade é de 800
mil.
As crianças podem gastar no
salão Risqué ou na barbearia
Bozzano, colorindo desenhos na
loja da Faber-Castell ou com pizza
e sanduíche que elas mesmas
fazem na Pizzaria 1900 e no Burger
King.
Instalado no local onde durante
17 anos funcionou o Parque da
Mônica, o KidZania abriga 50
atrações. Outras 20, como uma
livraria e um supermercado, sem
marcas, devem abrir as portas ao
longo dos próximos meses. Os
ingressos custam R$ 120 por uma
"jornada" de cinco horas. Pais
pagam R$ 50.
O Brasil é o 15º país a abrigar
o parque, fundado em 1999 na
Cidade do México e que começou
O parque deve abrir as portas
em mais cinco países neste ano,
incluindo Reino Unido, Rússia e
21/02/15
Qatar. China, Hong Kong e África
do Sul estão em negociação para
o ano que vem, revela seu
presidente, Xavier López Ancona,
50.
WALT DISNEY MEXICANO
Por vezes descrito como o Walt
Disney mexicano --talvez esteja
mais para Tio Patinhas, pois não
tem filhos, mas 16 sobrinhos que
costuma levar em viagens de
férias--, Ancona trabalhava como
executivo da GE quando pediu
período sabático para tocar um
projeto proposto por um amigo:
criar uma espécie de parquecreche em que os pais pudessem
deixar os filhos brincando de faz
de conta.
No fim dos anos 1990, com a
economia mexicana emergindo da
crise de 94, Ancona juntou dinheiro
com amigos e familiares e foi atrás
de patrocinadores. Após alguma
resistência, conseguiu atrair o
grupo Bimbo (gigante de pães do
México), a Coca-Cola, a American
Airlines e a Nestlé. Muitas marcas
vieram depois e hoje elas fazem
parte do modelo de negócio.
contra o parque.
A entidade considera que a
exposição de marcas fere
resoluções do Conanda (Conselho
Nacional dos Direitos da Criança
e do Adolescente).
"Uma coisa é preparar a criança
para o mundo adulto e do trabalho,
outra é relacionar as crianças com
as marcas que patrocinam o lugar",
diz Ana Cláudia Arruda Leite,
coordenadora do Alana.
"A publicidade tem que
conversar com o adulto, e não com
a criança."
EDUCAÇÃO
Ancona rebate críticas de que
o convívio com marcas pode ser
prejudicial para crianças,
ressaltando parcerias com escolas.
"Não é branding, é experiência
e educação", diz. "A Universidade
de Monterrey dá suporte com o
conteúdo e temos apostilas para as
escolas trabalharem antes e depois
das visitas. E reservamos 5% dos
bilhetes para crianças menos
privilegiadas."
CRÍTICAS
O Instituto Alana, entidade que
milita pela regulamentação da
publicidade infantil, estuda se
deve ou não entrar com uma ação
O empresário Emilio Medina,
responsável por trazer a franquia
para o Brasil, ressalta que as
marcas dão um caráter "mais
realista" ao parque e trazem um
conteúdo "difícil de replicar sem
a assessoria de empresas reais".
A TAM, presente logo na
entrada, onde a decoração imita
um check-in de aeroporto, diz ver
no patrocínio uma forma de
proporcionar benefícios para
clientes de seu programa de
fidelidade (os pais) e também de
associar a marca a uma experiência
de "qualidade mundial".
"É uma atividade lúdica e
educativa", afirma o diretor de
marketing da companhia, Eduardo
Costa.
De acordo com ele, a TAM
recebe muita visita de pais e
crianças que querem conhecer os
bastidores da aviação e estar no
parque é também uma forma de
atender a esse tipo de curiosidade.
O investimento no Brasil é de
US$ 25 milhões. Desse total,
explica Emilio Medina, 20% são
bancados por patrocínio, sem
renúncia fiscal.
Com as novas aberturas
previstas para os próximos dois
anos, Ancona espera ganhar porte
para conquistar a terra de Walt
Disney. Mas a comparação não
para nos parques. Entre os planos
futuros está levar o KidZania para
as telas do cinema.
CORREIO BRAZILIENSE
21/02/15
Arapucas/ Deputados do Pros aliados
do ministro da Educação, Cid Gomes, estão
irados. Acharam que a pasta era uma área
rica e, desde que Cid assumiu, só
apareceram problemas e armadilhas. As
dificuldades de inscrição no Fies, os
atrasos nos repasses do Pronatec e o
pagamento de bolsistas terminaram por
deixar o ex-governador do Ceará com fama
de incompetente quando, na verdade, é uma
herança que ele não tem a quem reclamar.
BRASÍLIA-DF
Denise Rhotenburg
CORREIO BRAZILIENSE
21/02/15
CIDADES
Retorno em meio a obras
A situação lastimável das
escolas públicas do DF motivou
o adiamento do início do ano
letivo, de 9 de fevereiro para esta
segunda-feira. Mas o atraso de 14
dias não foi suficiente para a
reforma de 148 unidades de ensino,
de um total de 657. “Foram feitos
muitos esforços para que
pudéssemos organizar as escolas
minimamente, mas elas não
ficaram no ponto ideal que
desejávamos”, admitiu o
secretário de Educação, Júlio
Gregório. Com isso, 33% dos
colégios vão começar as aulas
com a promessa de manutenção ao
longo do ano, de acordo com a
disponibilidade de recursos. O
Sindicato dos Professores
(Sinpro-DF) diz que é
“deplorável” a situação de
algumas instituições. Os
professores farão uma assembleia
na segunda. Se não houver acordo
com o GDF para o pagamento de
salários atrasados, a promessa é
de greve. Pelo menos 3,2 mil
temporários foram convocados
pela Secretaria de Educação.
Ao todo, 447 escolas
necessitam de reparos, segundo a
pasta. Pelo menos 300 deveriam
estar prontas. Mesmo com o atraso
das obras, o secretário garante que
172 foram recuperadas. “As
equipes estão trabalhando até nos
fins de semana. As escolas que não
foram recuperadas totalmente
terão condições mínimas de
receber alunos”, assegura
Gregório.
Fevereiro foi um mês de
escolas vazias e obras paradas. Na
maioria dos casos, não foram
grandes mudanças: troca de
telhados, conserto de fiação
elétrica e reparos hidráulicos
lideram a lista de serviços. A
pintura será a mesma do ano
passado, por falta de dinheiro. “Os
indicadores eram piores do que se
pensava”, justifica o secretário.
Entre as escolas com obras mais
amplas, estão o Centro
Educacional 7 de Ceilândia e a
Escola Café sem Troco, em São
Sebastião, que será ampliada. A
secretaria identificou que três
unidades terão que ser demolidas:
no Lago Norte, no Riacho Fundo e
no Paranoá. Essas reformas serão
feitas em parceria com a
Companhia Urbanizadora da Nova
Capital (Novacap). “Algumas
coisas são apenas paliativas nessas
obras. O governo tem que se
preocupar com paredes rachadas,
muros caindo e questões de
segurança”, contesta Washington
Dourado, diretor do Sinpro-DF.
Greve
O parcelamento de salários
atrasados não agradou aos
professores. A categoria realizará
uma assembleia na segunda-feira,
em frente ao Buriti, a fim de chegar
a um acordo com o governo. Os
professores exigem o pagamento
integral da dívida, que chega a R$
120 milhões. “Queremos que o
GDF quite esse débito
imediatamente. Se não houver
acordo, vamos iniciar o ano letivo
em greve” garante Washington.
A Secretaria de Educação
justifica que não há recursos para
sanar toda a despesa e que aguarda
a análise do Tesouro Nacional e
do Banco Central sobre a
Antecipação
de
Receita
Orçamentária (ARO). A medida já
foi aprovada pela Câmara
Legislativa. “Se depender do caixa
do GDF, não há pagamentos. A
alternativa foi parcelar. O governo
tem interesse em quitar e dar
normalidade a essa situação”,
afirma Gregório. Se a ARO passar
pelas duas instituições financeiras,
há a possibilidade de o governo
quitar todos os atrasados. “Se
conseguirmos esse dinheiro no
mercado financeiro, vamos efetuar
o pagamento integral”, garante o
secretário.
Para o início do ano letivo, a
secretaria contratou pelo menos
3,2 mil professores temporários
paras sanar vacâncias diversas. Ao
todo, a rede pública do DF tem 73
mil docentes, dos quais 20 mil
estão inativos. Segundo a pasta, o
reforço é para garantir
normalidade no retorno dos alunos.
“Esses professores já se
apresentaram à coordenação
regional de ensino, conheceram a
escola e a turma em que vão
trabalhar”, explica Gregório.
CORREIO BRAZILIENSE
21/02/15
CIDADES
Três perguntas para
Júlio Gregório, Secretário de
Educação do Distrito Federal
Há uma proposta para
melhorar o ensino médio no DF?
Desde o ano passado, estamos
trabalhando em uma proposta
pedagógica para o ensino médio,
dividida em regime semestral e
anual. O ensino médio precisa de
cuidados, nossa colocação
nacional no Ideb é muito ruim. O
indicador aponta que há
necessidade de investimentos no
campo pedagógico. Na verdade, o
Brasil precisa fazer alterações em
todos os sentidos. As pessoas
passam três anos estudando 14
matérias, algumas nunca vão usar
na vida. É preciso uma
reestruturação para respeitar as
aptidões dos alunos.
O senhor é a favor de 50%
vagas reservadas a alunos da
rede pública de ensino nas
universidades federais?
Sim. Considero a cota social
positiva, mais até do que a racial.
As universidade públicas são
públicas e devem dar sequência
aos estudos dos alunos que estão
nessa rede. Pesquisas apontam que
após o primeiro ou o segundo
semestre, no máximo, os estudantes
cotistas têm desempenho igual ao
dos alunos provenientes da rede
privada. O gargalo está no
vestibular, na forma de seleção.
Sistemas com informações
meramente decoradas beneficiam
alunos da rede privada, mas provas
como a do Enem começam a mudar
isso.
As cotas aumentarão a
diversidade na UnB?
Não sei se vai existir igualdade,
mas vai diminuir as desigualdades.
Aumentarão as chances dos alunos
da rede pública, pois somente
quem cursar os três anos do ensino
médio na rede pública poderá
concorrer. Não identificamos uma
migração do ensino privado para
o público.
CORREIO BRAZILIENSE
21/02/15
CIDADES
EDUCAÇÃO »
O impacto das cotas sociais
O aumento da dificuldade para
ingressar na Universidade de
Brasília tem levado alunos a
procurarem cursos preparatórios
e, assim, suprir deficiências da
rede pública. Reitor da UnB
aponta mudança do perfil dos
estudantes
MANOELAALCÂNTARA
AILIM CABRAL
Larissa dos Santos Sousa,
estudante da rede pública e
candidata a uma vaga na UnB
(Minervino Júnior/CB/D.A Press)
É justo fazer isso para dar
oportunidade igual para todos, mas
a solução verdadeira seria
melhorar o ensino público e a
condição socioeconômica das
pessoas%u201D Larissa dos
Santos Sousa, estudante da rede
pública e candidata a uma vaga na
UnB
O sistema de cotas para o
ingresso de alunos da rede pública
de ensino na Universidade de
Brasília (UnB), desde quando
passou a ser aplicado — em 2013
—, provoca polêmicas e dúvidas
sobre o funcionamento. Ele
começou de forma progressiva,
com 12,5 % das reservas. Este ano,
alcança 37,5% e, em 2016,
chegará a 50%. O impacto começa
a ser sentido, com o aumento da
dificuldade para o ingresso de
quem não está incluído em
nenhuma política afirmativa.
Resultou em mais inscrições nos
vestibulares de faculdades
privadas e ainda evidencia a
necessidade de melhorar a
qualidade do ensino médio
público na capital do país. Para
suprir as carências de conteúdo e
aumentar as chances, alunos
procuram cursos preparatórios,
que tiveram acréscimo de 15% a
20% nas matrículas.
quatro grupos diferentes:
candidatos com renda familiar
menor ou igual a 1,5 salário
mínimo per capita que se
consideram pretos, pardos ou
indígenas (PPI) e os que não se
enquadram nas questões raciais.
Candidatos com renda familiar
maior que 1,5 salário mínimo per
capita que se consideram PPI e
aqueles que não se autodeclaram
PPI (veja quadro).
Existem hoje três formas
principais de seleção para
ingressar em um curso de
graduação na UnB: o Sistema de
Seleção Unificada (Sisu), que usa
as notas do Enem na classificação
dos candidatos; o Programa de
Avaliação Seriada (PAS) e o
vestibular tradicional, que ocorre
somente no meio do ano. A partir
de 2016, 50% das vagas de todas
elas serão destinadas somente aos
estudantes que concluíram todo o
ensino médio em escolas da rede
pública de ensino, contemplados
pela Lei Nº 12.711, de 2012.
“Se pegarmos o exemplo
anterior das cotas, observaremos
que, no início, o desempenho deles
(cotistas) foi inferior, mas, ao
longo do tempo, melhorou. E
nossos egressos saíram da UnB
muito bem formados”
Ivan Camargo, reitor da UnB
O documento, popularmente
denominado de lei das cotas
sociais, divide os estudantes em
Além disso, são destinadas 5%
das oportunidades aos candidatos
que se consideram negros,
oriundos de qualquer rede de
ensino. No fim, serão 55% das
vagas para cotas (sociais e raciais)
e 45% para o sistema universal.
“Com as cotas raciais, uma
experiência de mais de 10 anos,
observamos que o perfil da UnB
mudou de fato. A diversidade
21/02/15
aumentou. Para as cotas sociais, é
preciso um pouco mais de tempo
para ver os resultados, mas tenho
esperança de que será positivo”,
afirma o reitor da UnB, Ivan
Camargo.
Uma alteração nítida após a
adoção do Sisu e das cotas foi o
aumento dos alunos da assistência
estudantil. Em 2013, eram 3.216.
No ano seguinte, passou para 4.132
assistidos, um acréscimo de quase
30%. “Se pegarmos o exemplo
anterior das cotas, observaremos
que, no início, o desempenho deles
foi inferior, mas, ao longo do
tempo, melhorou. E nossos
egressos saíram da UnB muito bem
formados”, completa o reitor. Para
manter a qualidade, ele pretende
aliar o corpo docente capacitado
com o acolhimento aos estudantes.
“Os alunos precisam de
referências. Eles terão todo o
apoio na UnB.”
buscado cursinhos preparatórios
nos contraturnos das escolas. O
diretor do Único, Robson Arrais,
afirma que o número de alunos
cresceu 15% nos últimos três anos.
“O aumento se dá devido à
competitividade, acirrada ainda
mais com a implantação dos
sistemas de cotas e do Sisu”,
acredita.
Para ele, os alunos de escolas
públicas passam a ter mais chances
com as vagas reservadas, mas isso
não é o suficiente para garantir a
aprovação. Na unidade do Único
de Taguatinga, 30% dos estudantes
são da rede pública. Arrais reforça
o foco na classe B, composta de
pais que poderiam pagar uma
escola particular mediana com
esforço, mas deixam os filhos na
rede pública e pagam por cursos
preparatórios. “Assim, eles têm
esse treinamento de qualidade para
o vestibular e a possibilidade de
usar o sistema de cotas.”
Reforço
A instituição das cotas na UnB
evidencia um problema antigo do
Distrito Federal: a má qualidade
do ensino médio. Último resultado
do Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (Ideb) traz a
capital brasileira na 12ª colocação
no ranking nacional, quando o
assunto é a última etapa da
educação básica. Para chegar mais
perto da aprovação, os pais têm
O CEO da Rede Educacional
Alub, Alexandre Crispi, também
acredita que as cotas sociais são
um dos fatores que provocaram a
procura
pelos
cursos
preparatórios. “Quem não tem
condição de pagar um colégio
particular opta pelo cursinho. É
mais em conta e ajuda a preparar
o aluno.” Em 2015, o Alub abriu
novas turmas e, somente no último
ano, teve um crescimento de quase
20% no número de estudantes.
Crispi, no entanto, não percebe
um movimento de migração das
escolas particulares. “A nota do
Enem de alunos da rede privada é
muito superior. O cursinho é uma
alternativa mais barata para os que
não têm muitas opções”, ressalta.
A estudante do colégio Paulo
Freire, na Asa Norte, Larissa dos
Santos Sousa, 16 anos, está no 3º
ano do ensino médio e faz um curso
preparatório. Ela estuda no
colégio público perto de casa e
acredita que o custo-benefício vale
a pena. “Tem muitas coisas que
ainda não estão ideais, mas é uma
escola boa. Para suprir as falhas,
optei pelo cursinho”, conta a
candidata a uma vaga no curso de
engenharia civil.
Ela acredita que as reservas
para alunos da rede pública são
uma solução temporária. “É justo
fazer isso para dar oportunidade
igual para todos, mas a solução
verdadeira seria melhorar o ensino
público
e
a
condição
socioeconômica das pessoas”,
completa. O pai de Larissa, Luís
Carlos Sousa, 58 anos, confia na
rede pública, embora ache
necessário o reforço. “Meus outros
dois filhos estudaram no Paulo
Freire e, com a ajuda do cursinho,
passaram na UnB.”
21/02/15
CORREIO BRAZILIENSE
21/02/15
CIDADES
FUNCIONALISMO »
Servidor ganha direito
a pagamento integral
» MATHEUS TEIXEIRA
O governo local iniciará a
próxima semana com mais um
problema para enfrentar. O
Tribunal de Justiça do Distrito
Federal e dos Territórios
(TJDFT) determinou, via liminar,
o pagamento integral do salário de
um auditor fiscal do GDF até o
quinto dia útil do mês. O caso abre
precedente e deve complicar a
vida do Palácio do Buriti, que, em
janeiro último, anunciou o
pagamento parcelado do
vencimento dos servidores que
recebem mais de R$ 9 mil mensais
(veja Arte).
O GDF ainda pode recorrer da
determinação, mas, enquanto isso,
ela está valendo. Como o
advogado do auditor, Ivan Morais,
entrou com mandado de segurança
contra o chefe do Executivo local
pela decisão, o caso é julgado pelo
Conselho Especial do TJDFT.
Ontem, o desembargador
presidente do colegiado, Mario
Machado, concedeu a liminar.
O magistrado ainda não
analisou, no entanto, o pedido de
punição caso a decisão seja
descumprida. O advogado sugere:
“Caso não ocorra o pagamento
como exigido, que se determine o
bloqueio de valores dos cofres
públicos e se institua multa diária,
como forma de garantir a
efetividade da decisão judicial”,
afirma. O cliente dele, que não
quis ter o nome divulgado, recebe
R$ 16 mil mensais e, nos moldes
propostos pelo GDF, teria todo o
salário na conta somente no 24º dia
do mês.
A Procuradoria-Geral do GDF
(PGDF) informou ontem, por meio
de nota, que ainda não havia sido
notificada sobre a liminar. “A
PGDF não foi intimada sobre a
decisão. Após ter conhecimento do
seu teor, informará se irá recorrer.”
JORNAL DE BRASÍLIA
21/02/15
DO ALTO DA TORRE
Eduardo Brito
Download

EDUCAÇÃO