ALINHAMENTO
Introdução
Leitura: Avondano e Scarlatti – a importação dos músicos italianos
para a corte portuguesa
Sonatas de Domenico Scarlatti: Essercizi per Clavicembalo
Leitura: Scarlatti, pai e filho
Alessandro Scarlatti: Cantata para soprano e cravo
obligato – Largo/Andante
Leitura: Scarlatti e Carlos Seixas – o encontro
Carlos Seixas: Andante em Sol Maior
Leitura: Scarlatti e a serenata composta aquando do nascimento
da princesa Mariana
Domenico Scarlatti: Aria de Contesa delle Stagioni
Leitura: A troca das princesas
Domenico Scarlatti: Sonata K 60 – Allegro em Sol menor
Leitura: Chegada dos príncipes e encontro com Farinelli
G. F. Haendel – Tornami a vheggiar (da ópera Alcina)
Leitura: a loucura de Filipe V e a vinda de Farinelli a Espanha
G. F. Haendel Lascia ch’io pianga (da ópera Rinaldo)
Leitura: O testamento da rainha
Orlanda Velez Isidro soprano
Nuno Moura declamação
Joana Bagulho cravo e direção
A TROCA DAS PRINCESAS
A história da troca das princesas, ou o duplo casamento da
Infanta D. Maria Bárbara de Portugal e da Infanta D. Mariana
Vitória de Espanha, para além de constituir um acordo que pretendia garantir a paz definitiva entre os dois reinos, foi também
uma história musical.
Em 1724 era anunciado em Lisboa o casamento de Maria
Bárbara, filha de D. João V, com o príncipe herdeiro de Espanha,
Fernando, filho de D. Filipe V. O casamento iria ter lugar em 1729,
ano em que os noivos teriam 19 e 16 anos respetivamente. Por
essa altura foi também acordado o casamento do príncipe herdeiro de Portugal, José, com a infanta espanhola Mariana Vitória,
devendo as noivas ser trocadas na fronteira. Em janeiro de 1729
partiram de Lisboa e de Madrid os cortejos que levaram as princesas e as suas comitivas até ao rio Caia onde atravessariam a
fronteira no dia 19 de fevereiro. A cerimónia foi deslumbrante
Retrato de D. Bárbara de Bragança | Louis-Michel Van Loo (1707-1771)
França, c. 1750, óleo sobre tela, 103 x 83 cm
Patrimonio Nacional, Palacio Real de Madrid | © Patrimonio Nacional
e aparatosa – só a comitiva da princesa D. Maria Bárbara era
composta de vários coches encomendados propositadamente
para a cerimónia, acompanhados de um total de cento e oitenta
e cinco carroças e seis mil soldados. Foi mandada construir uma
ponte, um palácio em madeira, para a travessia do rio Caia e para
a cerimónia da troca.
No séquito de Maria Bárbara seguia também o compositor
italiano Domenico Scarlatti. À semelhança do violinista Pietro
Giorgio Avondano, pai do compositor português Pedro António
Avondano, Scarlatti havia sido contratado em Itália para prestar
serviços na corte de D. João V. Scarlatti foi mestre da capela real
portuguesa e era simultaneamente responsável pela educação
musical dos príncipes, tendo instruído a Infanta Maria Bárbara
na arte de tocar o cravo e de compor. O organista e compositor
português Carlos Seixas chegara a Lisboa na mesma altura que
Scarlatti e integrava também a capela real, sendo o seu vice-mestre. Os relatos da admiração mútua e amizade entre Scarlatti
e Seixas mencionadas em biografias do século XVIII da autoria de
José Mazza nunca puderam ser verificados através de fontes da
época que terão sido destruídas no terramoto de 1755. Mesmo a
passagem de Scarlatti por Lisboa, apesar de documentada, encontra-se envolta em mistério, pois as suas principais fontes são os
relatórios da nunciatura de Lisboa à Santa Sé que mencionam as
obras de um tal «abade escarlate». Esses relatos mencionam uma
faceta de Scarlatti até há pouco tempo desconhecida: a de cantor
virtuosístico.
Scarlatti compôs a música da cerimónia da troca das princesas,
e acompanhou D. Maria Bárbara até Madrid, tendo permanecido
na corte espanhola até à sua morte em 1757. Acompanhava a
princesa, mais tarde rainha D. Maria Bárbara, em todas as viagens
e funções. D. Maria Bárbara acumulou nos vários palácios de
Espanha uma coleção de instrumentos considerável que deixou
ao cantor italiano Farinelli, também músico na corte espanhola
desde 1737. Farinelli havia sido convidado pela rainha, Isabel
de Farnésio, que esperava encontrar na música um alívio para
a depressão do marido, D. Filipe V, pai de D. Fernando. Farinelli
terminou a sua carreira de cantor e permaneceu na corte espanhola até 1759. Ali foi responsável pela organização dos espetáculos musicais da corte, tendo introduzido o gosto pela ópera em
Madrid quando convidou uma companhia italiana para ali atuar.
Além disso cantava todas as noites para o rei D. Filipe V. Quando
D. Fernando subiu ao trono Farinelli permaneceu ao serviço da
corte dos reis que eram ambos melómanos e músicos.
Neste concerto serão tocadas obras e lidos textos e histórias
que ilustram o mundo musical de D. Maria Bárbara. As obras
de Pedro António Avondano e Domenico Scarlatti ilustram o
mundo musical da princesa enquanto viveu na corte portuguesa,
enquanto as árias de Haendel nos abrem as portas para aquilo
que terá sido o seu universo musical na corte espanhola após a
chegada de Farinelli, uma vez que estas integravam o repertório
do cantor.
Vera Herold (a partir das notas e pesquisas de Joana Bagulho)
Orlanda Velez Isidro nasceu em Évora, onde iniciou os estudos
de violino e piano aos sete anos, tendo terminado o curso geral
do Conservatório nestes dois instrumentos. Iniciou os estudos de
canto aos 19 anos com Maria Repas Gonçalves. É também licenciada em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa.
Em 1997 foi para a Holanda, onde concluiu em junho de 2000 a
licenciatura em Canto pelo Conservatório Real de Haia.
Residiu na Holanda até 2011, e continua a ser soprano residente
do Coro de Câmara da Holanda, no Coro e Orquestra da Sociedade
Bach da Holanda e no Radiokoor; faz parte de grupos de câmara
como o Quinteto Kassiopeia, um grupo vocal para repertório
madrigalista renascentista e barroco com seis volumes gravados
da integral de Gesualdo.
Como solista e música de câmara apresentou-se com a orquestra Divino Sospiro dirigido por Enrico Onofri, nos festivais de
Ambronay, 2005, Nantes, 2006, e na Festa da Música, em Lisboa,
2006. Cantou com Flores da Música e Concert de l’Ouest, dirigidos
por João Paulo Janeiro, em vários festivais de música antiga em
Portugal, e gravou o Te Deum de Francisco António Almeida. Com
o Ludovice Ensemble, dirigido por Miguel Jalôto, em vários festivais, nomeadamente nos Dias da Música no CCB-Lisboa.
Apresentou-se a solo sob a direção de maestros como Frans
Brüggen, William Christie – tendo participado no primeiro Jardin
des Voix, uma academia para jovens solistas – Ton Koopman,
Eudardo Lopez Banzo, Frederik Malmberg, Enrico Onofri e
Gabriel Garrido, entre outros, participando em projetos com
obras de J.S. e C.P.E. Bach, Buxtehude, Cahrpentier, Mouliné e
Mendelssohn, que resultaram em registos de CD ou DVD. Gravou
ainda duetos de Mazzochi com a cantora Jill Feldman.
Joana Bagulho nasce em Lisboa em 1968. Estuda piano na
Academia de Amadores de Música de Lisboa e no Conservatório
Nacional na classe dos professores Miguel Henriques e Tânea
Achot. Inicia os estudos de cravo em 1994 na classe da Professora
Cremilde Rosado Fernandes tendo completado a licenciatura na
Escola Superior de Música de Lisboa. Conclui em 2006 o mestrado em Performance na Universidade de Aveiro tendo como
professor de cravo Jacques Ogg, trabalhando paralelamente com
Elisabeth Joyé, em Paris.
Frequenta diversos cursos de aperfeiçoamento nomeadamente com os cravistas Ketil Hausgand, Jacques Ogg e Rinaldo
Alessandrini e Kenneth Weiss entre outros. Frequenta também
regularmente aulas com Elisabeh Joyé. Participa em espetáculos de teatro com o Teatro da Graça, o Teatro Aberto, o Grupo
Teatro O Bando, assim como em A colher de pauta - Centro de Arte
Moderna (1998) e Centro Cultural de Belém (1999) e em Orfeu e
Foto: Mariana Veloso
Euridice - Teatro da Trindade, Guimarães (2008, 2009). Concebe
os espetáculos No tempo em que os instrumentos falavam e O som
dos sentimentos juntamente com o ator Fernando Pedro Oliveira e
a flautista Joana Amorim. Com estes projetos tem realizado espetáculos por todo o país. Tem realizado recitais a solo e concertos
de música de câmara tanto na área da Música Antiga como na da
Música Contemporânea, nomeadamente na temporada de cravo
em Óbidos, Festival de Outono em Aveiro, Festival de Música de
Câmara de Almada, Festival de Leiria entre outros. Desenvolve
um programa de transcrições de música de Carlos Paredes para
cravo que resulta na gravação e edição do CD Acção. Também com
este projeto tem realizado diversos recitais a solo em Portugal
e no estrangeiro, nomeadamente em Itália no Festival Cantar
Lontano. É professora assistente da Escola Superior de Música
de Lisboa desde 1999 onde leciona harmonização ao piano, baixo
continuo e acompanhamento.
Nuno Moura, poeta e recitador errante, tem oito livros publicados. Foi professor de natação, publicitário, empregado de bar,
leitor de jornais (clipping), livreiro, editor da Mariposa Azual e
escreveu a peça MISS YA (em redor de Constança Capdeville)
levada a cena no CCB em fevereiro de 2014. Agora é editor da
Mia Soave e da Douda Correria, organiza eventos de música e
poesia, faz parte dos coletivos O COPO, Ventilan e Mau Sangue,
leva os filhos e a namorada ao parque.
Livros: Não Saia Nem Entre Após Aviso de Fecho de Portas (Signo,
1993) | Soluções do Problema Anterior (&etc, 1996) | Nova Asmática
Portuguesa (Mariposa Azual, 1998) | Os Livros De (Mariposa Azual,
2000) | Calendário das Dificuldades Diárias (&etc, 2002) | Prémio
Nacional de Poesia (Mia Soave, 2012) | Drunk Walker (Milena
Olissipo, 2012) | Canto Nono (Douda Correria, 2013) | Letras para
Dance Music (Douda Correria, 2014) | Carimbos & Tatuagens, Lda.
(DSO, 2014)
PRÓXIMO CONCERTO
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1 DE FEVEREIRO
PAISAGENS AMERICANAS
West Side Story de Leonard Bernstein e outras obras do imaginário
americano de Richard Roblee e George Gershwin.
Portuguese Brass Quintet
Jorge Almeida trompete
António Quítalo trompete
Paulo Guerreiro trompa
Jarrett Butler trombone
Ilídio Massacote tuba
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Programação e Coordenação: Vera Herold
Em colaboração com o Serviço de Música
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Informações
Desligue o alarme do seu relógio ou telemóvel antes do início dos concertos.
Em caso de atraso, só poderá tomar o seu lugar após a conclusão de cada uma
das obras em programa.
A qualidade dos concertos pode ser grandemente prejudicada por ruídos
que perturbem a concentração dos músicos e afetem a audição musical.
Programa e elencos sujeitos a alteração sem aviso prévio.
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Imagem de capa:
JAMES WARD (1769 – 1859)
Retrato de Georgina Musgrave
Inglaterra, 1797
Óleo sobre tela
86,3 x 68,5 cm
Inv. 310
Foto: Catarina Gomes Ferreira
2015 © Fundação Calouste Gulbenkian
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aquando - Fundação Calouste Gulbenkian