Ano 2 - Número 24 - Distribuição gratuita - JULHO 2004
Justiça deixa comércio trabalhar
Uma decisão histórica da Justiça permite que os comerciantes de
Londrina abram suas lojas aos
sábados e domingos. Liminar con-
cedida pelo juiz substituto da 5a
Vara Cível de Londrina, Álvaro
Rodrigues Júnior, autoriza a abertura dos estabelecimentos comer-
ciais nos finais de semana. Medida
impede a Prefeitura de multar empresas por esse motivo. É uma
importante vitória da ACIL, dos
comerciantes e dos consumidores
londrinenses.
Páginas 2, 3 e 4
Flats,
um bom
negócio
ou ilusão?
Cidade
volta a ser
fashion em
setembro
Páginas 12 e 13
Páginas 17 e 18
Páginas 20 e 21
Bomboró,
saudoso
artista
do ritmo
Página 23
Fotos: Josoé de Carvalho
Viação
Garcia,
70 anos de
Londrina
Oito
nomes
e um
destino
Quem ocupará a cadeira da foto a partir de janeiro de 2005? A pergunta
começou a ser feita; Londrina tem até a data das eleições para dar uma
resposta nas urnas. Oito políticos estão na luta pelo cargo de prefeito: Alex
Canziani (PTB), Antonio Belinati (PSL), Elza Correia (PMDB), Félix Ribeiro
(PMN), Homero Barbosa Neto (PDT), Luiz Carlos Hauly (PSDB), Naudemar
Nascimento (PV) e Nedson Micheleti (PT). Neste número do Jornal da ACIL,
você saberá o que os candidatos têm a dizer sobre o desenvolvimento
econômico do Município – e notará que, muitas vezes, eles se especializam
na arte de falar as mesmas coisas.
Páginas 5 a 10
A polêmica
da cota
racial
na UEL
Páginas 14 e 15
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
2
EDITORIAL
Jogos de palavras
É impressionante como algumas pessoas tendem a fugir
dos assuntos importantes, protelar decisões, desviar o foco
dos verdadeiros problemas.
Veja-se o caso do horário do comércio em Londrina. Há
muito tempo, as pessoas que de fato têm a capacidade de
decidir e chegar a uma solução se perdem em meiaspalavras e combinações de frases vazias, numa incessante
fuga das responsabilidades.
Londrina sofre com essa indecisão crônica, essa
incapacidade de agir na hora certa, essa falta de coragem,
essa intenção de agradar a todas partes – o que acaba
prejudicando a maioria.
O mal da protelação acaba tornando Londrina uma cidade
antiquada, diferente daquilo que sempre nos caracterizou
através da história – o arrojo, o atrevimento, a pujança.
Com a polêmica em torno do horário do comércio,
perdemos tempo e energia com algo que poderia ser
resolvido de imediato. Algo que está ao alcance de um
único poder – a Prefeitura. E a atitude que defendemos é
simples: modernizar o Código de Posturas do Município,
com base nas exigências do progresso e do
desenvolvimento de nossa economia.
O quadro, porém, vem sendo desolador: não apenas a
Prefeitura deixa de tomar essa atitude, como os atuais
candidatos à sucessão se mostram desinformados e
omissos, vendo a fumaça, e não o fogo.
Mas agora, finalmente, alguém com poder de decisão abriu
os olhos para a realidade. Com a liminar o juiz substituto
Álvaro Rodrigues Júnior, os comerciantes de Londrina
finalmente podem chegar ao século XXI, livres para abrir
as portas nos finais de semana, se assim o desejarem. É
uma medida histórica, um divisor de águas, um exemplo
para os políticos que se omitem diante de uma questão
decisiva para a economia da Cidade.
Ao contrário do que se divulga, a ACIL nunca pregou a
obrigatoriedade da abertura do comércio aos sábados,
domingos e feriados. Simplesmente, defendemos que cada
empresário decida qual o melhor dia e horário para
trabalhar, sem necessidade de pedir autorização aos
poderes constituídos. Sem meias-palavras, é por isso que
lutamos: pela liberdade de trabalhar.
José Augusto Rapcham
FUNDADA EM 5 DE JUNHO DE 1937
RUA MINAS GERAIS, 297, 1º ANDAR,
ED. PALÁCIO DO COMÉRCIO.
LONDRINA – PR CEP 86010-905
TELEFONE (43) 3374-3000
FAX (43) 3374-3060
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Presidente
DAVID DEQUÊCH NETO
Vice-Presidente
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Diretor-Secretário
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Segundo Diretor-Secretário
BRASÍLIO ARMANDO FONSECA
Diretor Tesoureiro
RUBENS BENEDITO AUGUSTO
Segundo Diretor Tesoureiro
FRANCISCO HENRIQUE FRANCOVIG
Diretor Comercial
YUKIO AGITA
n o v o s
ASSOCIADOS
Razão Social ....................................................................................................................................................................... Nome Fantasia
Ademilson Rufino - Me ................................................................................................................ A.R. Dist. De Livros E Mat. Pedagógicos
Alves E Silveira Com. De Confecçoes Ltda ................................................................................................................................. Via Rosa
Associação Dos Permissionários Do Mercado Shangri-Lá .............................. Associação Dos Permissionários Do Mercado Shangri-Lá
Brasil Metais - Com. E Distrib. De Met. San. Ltda .................................................................................................................. Brasil Metais
Brasil Suprimentos De Informática Ltda ................................................................................................................................... Brasil Supri
Casa & Objeto Com. De Mat. Acab. Ltda ................................................................................................................................ Casa Objeto
Cia Nacional De Call Center ................................................................................................................................................................. Ask
Clamilde Moda Intima Ltda .................................................................................................................................... Por Debaixo Dos Panos
Confecções Ranatelo Ltda ................................................................................................................................................. Novidade Moda
De Marchi E Miazzo Ltda ......................................................................................................................................................... Cristal E Cia
Empresa Brasileira De Correios E Telégrafos ............................................................................................................................... Correios
Farmácia Senador Ltda ................................................................................................................................................. Farmácia Senador
Ind. Com. De Confecções Emidio Ltda ......................................................................................................................................... Kid Baby
Ipsteria Confecções Ltda ............................................................................................................................................. Ipsteria Confecções
Karen Andressa Brasil Rodrigues ....................................................................................... Lima Londrina Comércio De Cosméticos - Me
Maria Silvia Ferreira - Confecçoes - Me .................................................................................................. Maria Silvia Ferreira Confecçoes
Marili Antonia Wasman Innocência ............................................................................................................................... Karisma Presentes
Maritacas Materias P/ Construçoes Ltda ...................................................................................................................... Depósito Maritacas
Net Ponto Comércio De Celulares Ltda ...................................................................................................................................... Net Ponto
O.S. Maia E Cia Ltda ................................................................................................................................................................... Mg Ferret
Pc On Line Informatica Ltda .................................................................................................................................... Pc On Line Informatica
Quadra Construtora Ltda ............................................................................................................................................. Quadra Construtora
R. Canassa E Cia Ltda ...................................................................................................................................................... Portobello Shop
Rivarolo Calçados E Confecções Ltda .................................................................................................................................... Bless Shoes
Sueli Augusta Guimaraes Silveira Confecções .................................................................................................................... Biquinis E Cia
Sumiya Assessoria E Recursos Humanos S/C Ltda ............................................................................................. International Assessoria
Wembleydon - Reformas E Pinturas Ltda .............................................................................................................................. Wembleydon
Ypyrunga Com. De Derivados De Petroleo Ltda .......................................................................................................... Auto Posto Quebec
Segundo Diretor Comercial
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Segundo Diretor Industrial
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Segundo Diretor de Serviços
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Conselho da Mulher Empresária
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Conselho Deliberativo
GEORGE HIRAIWA, NESTOR DIAS CORREIA,
LEONARDO MAKOTO YOSHII, MAURÍCIO
GONÇALVES GARCIA CID, CARLOS ALBERTO
DE SOUZA FARIAS, RAFAEL DE GIOVANI
NETTO, CRISTIANE YURI TOMA
Conselho Fiscal
Titulares - H ELENIDA TAUFIK TAUIL DA
COSTA BRANCO, L UIZ CARLOS ADATI,
ADEMAR VEDOATO
Suplentes - MARLENE REGINA
MARCHIORI, ELIAS FERREIRA, MARCELO
PAGANUCCI ONTIVERO
O “Jornal da ACILé uma publicação da Associação Comercial e Industrial de Londrina. Distribuição gratuita. Correspondências para o
“Jornal da ACIL”, incluindo reclamações e sugestões de reportagens,
devem ser enviadas à sede da Associação ou pelo e-mail
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Coordenação e edição
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Diagramação e
tratamento de imagens
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Impressão
Jornal de Londrina
Tiragem
11.000 exemplares
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
3
HORÁRIO DO COMÉRCIO
Decisão histórica
Liminar concede aos comerciantes o
direito de escolher livremente o horário
de funcionamento das lojas
Raquel de Carvalho
Especial para o Jornal de ACIL
O comércio de Londrina vive
uma situação histórica no mês de
julho com a abertura das lojas aos
sábados à tarde e domingos. A
flexibilização do horário foi possível graças à liminar do juiz substituto Álvaro Rodrigues Júnior,
da 5ª Vara Cível de Londrina, após
um mandado de segurança coletivo da ACIL. A medida beneficia os
1.400 associados da entidade, dos
quais cerca de mil se dedicam ao
comércio varejista.
A decisão autoriza os comerciantes a abrirem suas lojas aos
sábados à tarde e domingos e
feriados das 10 às 20 horas; também impede a Prefeitura de notificar as empresas com base na
limitação imposta pelo Código de
Posturas. Na prática, os empresários poderão abrir as lojas no horário que considerarem mais apropriado nos finais de semana.
Para o presidente da ACIL, José
Augusto Rapcham, a liminar cria
uma situação muito próxima ao
ideal para o comércio, que é a
liberdade para os comerciantes
decidirem o horário de funcionamento de suas lojas. “Nunca brigamos pela abertura das lojas aos
sábados, mas sim pelo direito de o
comerciante decidir o melhor horário para o funcionamento do
seu comércio”, diz Rapcham.
A ACIL foi porta-voz de uma
parcela representativa dos seus
associados, muitos dos quais lojistas do Centro, que reivindicavam o direito de abrir as portas
nos sábados à tarde e domingos e
feriados, como ocorre com
shoppings, hipermercados e redes. A entidade argumenta que o
consumo é maior nos horários
alternativos, porque no horário
normal as pessoas estão trabalhando. “Consumo hoje significa
lazer para a maioria das pessoas,
por isso a dilatação dos horários
se faz necessária”, afirma o presidente da ACIL.
Outro forte argumento citado
por Rapcham é que a fiscalização
não ocorre de maneira semelhante no Centro e nos bairros. “A
Prefeitura se mostra incompetente para fiscalizar. Embora comerciantes da periferia e do Centro
abram suas lojas em horários
diferentes do previsto no Código de Posturas, apenas os lojistas do Centro têm sido autuados e multados”, critica.
Para a entidade, a postura
da Prefeitura de Londrina vai
na contramão de uma tendência
nacional.
Segundo
Rapcham, nas grandes cidades o comércio funciona aos
sábados à tarde, domingos e
feriados e em outras os lojistas
também se mobilizam para
garantir esse direito.
A grande reivindicação da
ACIL é que o Código de Posturas de Londrina se atualize. “O
Código de Posturas está restringindo o funcionamento do
livre comércio, quando deveria
somente regulamentá-lo”, diz
Rapcham. O presidente da ACIL
argumenta que o Código não
atende aos anseios dos comerciantes e da população e ainda
afronta a lei federal 10.101/
00, que em seu artigo 6º autoriza expressamente o trabalho
do comércio em geral aos domingos. O mandado de segurança impetrado pela ACIL também usa como argumento o
princípio da isonomia, uma vez
que no município se faculta a
apenas um grupo determinado
de empresas a abertura aos
sábados à tarde e domingos.
Rapcham lembra que os
comerciantes londrinenses
também têm a seu favor uma
decisão favorável de segunda
instância a um recurso de
um lojista. Há também a jurisprudência de uma decisão
já transitada em julgado do
município de Gravataí (RS).
A Prefeitura deverá recorrer e tentar cassar a liminar.
No entanto, para o presidente
Cenas lamentáveis: duas semanas
antes da decisão do juiz Álvaro
Rodrigues Júnior, fiscais da Prefeitura
multam comerciantes da Rua Sergipe.
Lojistas são obrigados a fechar as
portas; consumidores são impedidos de
comprar. A ACIL espera que isso nunca
mais aconteça
da ACIL, caso o Município tenha êxito a entidade continuará buscando no campo jurídico medidas que garantam a
seus associados o direito de
decidir o melhor horário de funcionamento de suas lojas nos
finais de semana.
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
4
Uma polêmica que
envolve toda a Cidade
A polêmica sobre o horário do comércio de Londrina há muitos meses ocupa páginas de jornais, noticiários de rádio e TV e
debates em rodas de conversas e entre as partes
envolvidas. Nesse processo, comerciantes foram
multados, sindicatos patronais e de empregados não
chegaram a um entendimento e a população
londrinense foi privada do
benefício de comprar nas
lojas do Centro da Cidade
nos fins de semana.
Na defesa dos interesses dos seus associados e
do desenvolvimento econômico de Londrina, a ACIL
promoveu o debate da questão, visando estender aos
lojistas do Centro os mesmos direitos dos empresários
dos
shoppings,
hipermercados e grandes
redes. Para a diretoria da
ACIL, está claro que a diferença de tratamento entre
empresas do mesmo ramo
causa prejuízos àqueles
que são proibidos de trabalhar aos sábados à tarde,
domingos e feriados. Também há o entendimento que
o empregado do comércio
deve ter os seus direitos
respeitados conforme determina a Consolidação das
Leis do Trabalho.
Na tentativa de solucionar a questão de maneira
adequada, a diretoria da
ACIL foi acusada de promover a desobediência civil e
ainda de desconhecer a
Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre patrões
e empregados. Porém, para
a diretoria da entidade, se
uma lei é injusta, é preciso
lutar contra ela de maneira
pacífica, sem armas, o que
desde o início foi a meta da
ACIL.
De um lado, a falta de
consenso entre patrões e
empregados e de outro o
posicionamento da Prefeitura de Londrina, que se
ampara no Código de Posturas para proibir o funcionamento das lojas e autuar os comerciantes. A
ACIL defende que o Município atualize o Código de
Posturas, seguindo a tendência registrada em outros municípios brasilei-
ros.
O secretário de Fazenda de Londrina Wilson
Sella afirma que o prefeito
só vai enviar mensagem à
Câmara de Vereadores pedindo revisão do Código
quando houver consenso
entre os sindicatos dos trabalhadores e dos patrões.
O presidente da ACIL
discorda da postura do
prefeito.
Segundo
Rapcham, o horário de funcionamento do comércio
não pode estar vinculado
a negociações entre patrões e empregados. “Não
é justo que isso restrinja o
horário. Cada segmento
sabe o melhor horário que
lhe convém.”
Com o impasse nas negociações, a Prefeitura
passou a autuar os lojistas que abriram as portas
no sábado à tarde. No primeiro sábado de julho, fiscais da Secretaria da Fazenda autuaram 37 estabelecimentos; no sábado
seguinte foram 40 autuações. A ação dos fiscais foi
resultado de denúncia do
sindicato dos comerciários. O presidente do
sindicato dos empregados,
José Lima do Nascimento,
alega que não há qualquer
recompensa para o funcionário. “Ele trabalha mais,
mas não tem nenhum ganho, como o pagamento de
horas extras”, diz.
Nesse período algumas
lojas funcionaram amparadas em liminares. Com o
impasse nas negociações,
a ACIL ainda no mês de
março decidiu agir no plano jurídico, impetrando
ações para questionar o
horário do comércio e para
exigir o ressarcimento dos
prejuízos dos comerciantes. O mandado de segurança coletivo que resultou na liminar faz parte da
estratégia da entidade.
“Essa decisão também alivia o Poder Judiciário, porque a ação diz respeito a
mil comerciantes; o juiz
não terá que se pronunciar em centenas de ações
individuais”, diz Rapcham.
(R. C.)
P A I N E L
J U R Í D I C O
Ed Nogueira de Azevedo Junior
Especial para o Jornal da ACIL
Para trabalhar
no fim de semana
Lei trabalhista deve ser observada pelas empresas
que decidirem manter as portas abertas nos
sábados à tarde e domingos até 20h
A ACIL obteve uma grande vitória ao conquistar na Justiça uma decisão liminar que permite
aos comerciantes que sejam seus associados abrirem as portas de seus estabelecimentos aos sábados até às 18 horas e aos domingos e feriados, das
10 às 20 horas.
Isto não significa que não se deve observar
nenhuma norma. Caso o trabalho aos sábados à
tarde represente uma prorrogação ao horário normal de trabalho do empregado, deve-se observar
algumas normas previstas na CLT e na Constituição, tais como:
1) o horário normal de trabalho é, no máximo,
de 8 horas por dia e de 44 horas por semana;
2) este horário, via de regra, deve ser fixado de
segunda-feira a sábado, destinando o domingo,
preferencialmente, como dia de repouso;
3) é permitida a realização de, no máximo,
duas horas extras por dia, através de acordo
direto entre patrão e empregado. Mais de duas
horas extras por dia somente em casos excepcionais e com comunicação ao Ministério do Trabalho;
4) o valor das horas extras é 50% superior ao
valor da hora normal e sobre elas, se habitualmente prestadas, incide o repouso (ou descanso) semanal remunerado. A soma destas duas parcelas
são base de cálculo para as demais parcelas
devidas em razão do contrato de trabalho, tais
como férias, 13º salário, FGTS, INSS, entre outras;
5) atualmente, não é permitida qualquer forma
de compensação. É proibida a quitação das horas
extras através de compensação com outro dia, da
mesma semana ou fora dela;
6) empregados menores (de 14 a 18 anos) inclusive aprendizes - não podem fazer horas ex-
tras;
7) empregados maiores contratados por tempo
parcial não podem fazer horas extras;
8) se o empregado foi inicialmente contratado
para trabalhar 8 horas por dia, de segunda a
sexta-feira e 4 horas aos sábados, ele poderá
trabalhar 6 horas no sábado (4 normais e 2 extras);
9) se o empregado foi inicialmente contratado
para trabalhar 7 horas e 20 minutos por dia, de
segunda-feira a sábado, ele poderá trabalhar 9
horas e 20 minutos no sábado (7 horas e 20
minutos normais e 2 extras);
10) para jornada normal de 6 horas ou mais, os
intervalos para repouso ou alimentação devem ser
de no mínimo uma e no máximo duas horas;
11) para o empregado que foi inicialmente
contratado para trabalhar 8 horas por dia, de
segunda a sexta-feira e 4 horas aos sábados,
antes do início do trabalho extra no sábado deverá
ser concedido um intervalo de 15 minutos;
12) em geral, os intervalos para repouso ou
alimentação devem ser concedidos após 4 horas
de trabalho;
13) é possível estabelecer como horário normal
de trabalho o sábado à tarde, tornando desnecessário o pagamento de horas extras pelo trabalho
neste período;
14) todo horário de trabalho e de descanso
deve ser anotado em cartão, livro ou folha-ponto
assinada pelo empregado;
15) as multas pelo descumprimento das disposições da CLT que tratam de horário vão, em geral,
de 37,8285 a 3.782,8472 Ufirs, sendo o valor
atual a Ufir de R$ 1,0641.
Ed Nogueira de Azevedo Junior é advogado em
Londrina e consultor jurídico trabalhista da ACIL
5
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
ESPECIAL / ELEIÇÕES
A decisão começa agora
Oito candidatos, um só cargo. A administração pública de
Londrina mais uma vez será escolhida pelo voto popular. Em
meio aos clichês, promessas e slogans da campanha, o
Jornal da ACIL fez uma radiografia das eleições 2004 para
que você possa fazer a escolha certa, conforme a sua consciência. Para isso, fomos em busca de algumas respostas. O
Em 2000, havia
299.309
eleitores aptos a
votar em Londrina
que cada candidato representa para o futuro de Londrina?
Quais as propostas efetivas para o desenvolvimento do
Município? Quem são os candidatos a vice-prefeito? O que os
políticos têm a dizer sobre uma questão essencial como o
horário do comércio? Nas próximas páginas, você vai saber
mais – para decidir melhor.
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
6
ESPECIAL / ELEIÇÕES
Com a palavra,
os candidatos
Prefeituráveis falam sobre suas propostas para a área econômica
do Município. Mas, em linhas gerais, os discursos são parecidos
Alex
Canziani
(PTB)
Márcio Leijoto
Especial para o Jornal da ACIL
Os candidatos a prefeito de
Londrina dizem estar finalizando o plano de governo para a
área econômica – o que deve
acontecer antes do início dos
programas eleitorais de televisão e rádio. Em entrevista ao
Jornal da ACIL, eles adiantaram, em linhas gerais, o que
pretendem fazer caso assumam
o governo.
Por enquanto, as propostas
estão parecidas. “Atração de
indústrias de fora”, “apoio a
micro e pequena empresa local”, “revitalização do Centro”,
“criação do porto seco”, “instalação do ILS no aeroporto”,
“apoio a todos os eventos culturais, sociais e econômicos que
acontecem na Cidade”, “forta-
Elza
Correia
(PMDB)
lecimento da vocação de Londrina como pólo regional”, etc.
Todos garantem saber o
que fazer, como fazer e que
serão eleitos para fazer.
Estamos em período de campanha, quando as fórmulas
mágicas aparecem e o eleitor
encontra dificuldades para
enxergar o que é sério no meio
de tanto projeto.
Os candidatos ainda se
aquecem na arte do convencimento. Uns pedem para ‘colar’ antes da entrevista. Outros ‘colam’ sem pedir. Uns
fazem propostas, outros criticam, e há os que dizem que
vão resolver a situação.
Na maioria das entrevistas era possível ouvir que o
candidato “tem canais com o
governo estadual e federal”,
bom relacionamento com a
“sociedade civil organizada”,
um passado de luta pela Cidade e uma identificação forte
com Londrina.
Renda e emprego, como
sempre, devem ocupar lugar
de destaque entre as promessas dos candidatos. Os dois
viriam com a atração das empresas de fora, com o fortalecimento das microempresas –
“as principais empregadoras
da Cidade”, e incentivo ao
cooperativismo, às ONGs e ao
artesanato. Um dos candidatos disse ser necessário
visualizar o potencial de “cada
bairro de Londrina” e outro
sugeriu a criação de conjuntos de sobrados em partes estratégicas da Cidade, nos quais
as famílias poderiam montar
microempresas no térreo. “Geração de emprego é a prioridade. A partir daí, outras questões podem ser amenizadas,
como a segurança. A pessoa
se valoriza através de emprego.”
O fato de que sete dos oito
candidatos ocupam ou ocuparam cargos públicos faz com
que usem essa experiência
como exemplo de que farão
“algo por Londrina”. Houve
quem declarasse ter a “experiência consagrada” para justificar sua escolha como prefeito.
Recursos? Esse não é problema. “Existem recursos. Houve vezes que Londrina teve de
devolver dinheiro por falta de
projetos.” “Eu tenho dito que o
que não falta no mundo é dinheiro. Quando você tem projetos, boas idéias e canais para
viabilizá-las, as coisas acontecem.” “Hoje existem nos bancos R$ 1 bilhão esperando por
projetos para serem investidos.
Esse dinheiro ou estar parado
ou está sendo investido fora.”
O candidato do PTB, o deputado federal Alex Canziani,
disse que sua equipe está trabalhando num projeto para o
desenvolvimento da Cidade há
cerca de um ano e que deve
Antonio
Belinati
(PSL)
ficar pronto até o final do mês.
“O projeto se chama ‘Londrina para Cima’. Esse é o clima
que a Cidade espera. O mais
importante que um governo
pode fazer é gerar oportunidades para o cidadão. Através da geração de renda e de
empregos, nós podemos melhorar. Nós teremos menos
violência e mais qualidade de
vida.”
O deputado adiantou que
um dos projetos de seu programa visa preparar Londrina para os próximos 30 anos.
“Você é do tamanho de seu
sonho. Nós temos um projeto
que se chama Londrina 100.
O que Londrina quer ser daqui a 100 anos? O que é preciso fazer para alcançar estes
objetivos? Hoje qualquer empresário faz planejamento es-
tratégico de sua empresa, mas
Londrina não tem um planejamento estratégico dela. Nós
vamos pensar nisso.”
A equipe técnica do ex-prefeito Antonio Belinati, candidato pelo PSL, está, segundo o
próprio, nos ajustes finais do
seu programa de desenvolvimento. “É hora de darmos uma
solução para os próximos 20,
30 anos. Nossa equipe tem só
de dar um arremate na parte
técnica.”
Belinati é um dos que mais
usam o passado em cargos
públicos para justificar sua
candidatura. “Eu conheço um
prefeito que revitalizou o Centro da Cidade. Ele se chama
Antonio Belinati”, disse so
Félix
Ribeiro
(PMN)
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
Homero
Barbosa
Neto (PDT)
bre si mesmo. Ele afirmou ter
como uma das prioridades o apoio
a todos os eventos e propostas
que atraiam as pessoas de fora,
principalmente as indústrias,
como forma de fazer entrar dinheiro na Cidade. “Temos de buscar tudo, se você fortalece o festival de música, o festival de teatro,
e vários outros eventos, até o próprio turismo, você pode fazer com
que pessoas não só daqui da região, mas do restante do País venham gastar no nosso comércio.”
A deputada estadual Elza Correia, que está no pleito pelo PMDB,
também finaliza suas propostas
na área econômica. “Temos um
grupo temático com pessoas ligadas a esta área discutindo
conosco para finalizarmos as propostas. Queremos uma proposta
enxuta, que possa ser executada.
Não vamos vender ilusões, prometer o impossível.” De acordo
com Elza, “o prefeito não tem de
ser o messias”. “Tem de ser capacitado para aglutinar as forças
pensantes e produtivas da Cidade, e tem gente muito boa para
impulsionar Londrina.”
A candidata é uma das que
levantou durante a entrevista a
necessidade de Londrina “agregar valor” ao que produz e que
uma das prioridades está nas
pequenas e médias empresas locais. “Nós precisamos agregar valor ao que produzimos, como a
soja. A Cidade ainda não tem
essa mentalidade de agregar valor. Se produzimos soja, por que
temos de comprar farelo e óleo de
Naudemar
Nascimento
(PV)
7
esta visão que pretendemos
implementar.”
A municipalização da segurança pública vai ser o nervo
central da proposta do candidato do PMN, o vereador Félix
Ribeiro, para o desenvolvimento de Londrina. Para ele, só
com a Cidade menos violenta é
que os investimentos externos
“voltarão” e o dinheiro circulará. “Um dos pontos que pretendemos priorizar é uma ação
imediata na questão da segurança. Muito embora seja um
fato constitucional que a segurança é um dever do Estado, é
uma obrigação do prefeito oferecer uma melhor condição de
vida para o cidadão. Também é
importante a atração de recursos externos através do convite
às grandes empresas. Mas para
que se sintam interessadas em
vir para Londrina, elas têm de
observar uma Cidade em que o
povo se sinta bem, não uma
Cidade em que se fala em violência, em drogas. A auto-esti-
soja? Por que não desenvolveverno sua experiência política.
mos aqui mesmo, se temos vo“Quando fui prefeito de Cambé,
cação para industrialização?”
peguei um pequeno município
Outro candidato que falou
e instalei 112 indústrias nosobre a agregação de valor aos
vas, recuperando 42 indústriprodutos, como a soja, foi o canas locais”, exemplificou.
didato do PDT, o deputado estaO
prefeito
Neddual Homero Barbosa Neto. Ele,
son Micheleti (PT), candidato a
assim como outros, lembrou que
reeleição, é o único com o disLondrina tem diversos centros de
curso da continuidade. “Não
pesquisas, tanto na área agrícoestou prometendo nada, já esla, como tecnológica,
tou trabalhando. E
que podem ajudar no
já foram dados pasNA BOCA DE TODOS
desenvolvimento e
sos significativos
aperfeiçoamento dos
nisso (que estou
“nossos produtos”.
propondo). PrimeiPropostas que os candidatos nunca
“Nós temos seis uniro, projetamos o fudeixam de fazer
versidades, a Adetec,
turo, que rumo de
incubadoras, coopedesenvolvimento
Atração de indústrias
rativas, a Embrapa, o
que vamos dar à
Iapar. É essencial as
Cidade. Agora preApoio a eventos
parcerias dela com o
cisamos consolidar
poder público e as emtudo
isso.”
Parcerias com as empresas
presas para o desenMicheleti disse que
volvimento da Cidano primeiro manGeração de empregos
de. (A agregação de
dato viu propostas
Apoio à microempresa
valor ao produto loque deram certo
cal) traz mais divisas
como “os incentiLondrina como pólo regional
ao município. A Prevos às indústrias de
feitura depende do
Londrina que queSegurança nas ruas
pagamento de imposriam ampliar sua
tos para dar mais
produção” e as
qualidade de vida
obras de infra-esma
do
lon- trutura que “dão mais qualidapara a população.”
drinense está em baixa e preciBarbosa Neto é dos que alede à Cidade”. “Viabilizamos o
samos mudar isso se quisergam que seu grupo político nuncomércio em Londrina nos proca teve a chance de mostrar seu mos uma Londrina desenvolvi- blemas mais diretos que eles
modelo de administração para a da.“
enfrentaram, principalmente
O deputado federal Luiz no Centro da Cidade. O Centro
Cidade. “Acho que nós somos a
alternativa, a mudança com res- Carlos Hauly, que tenta a eleição estava praticamente todo ocupelo PSDB, disse que, se eleito,
ponsabilidade e a corrente que
pado pelos camelôs, hoje o
pretende fazer um balanço do
ainda não teve a oportunidade
camelódromo é um modelo.
de administrar Londrina com setor industrial. “Neste balanço Agora precisamos reformar o
vamos detectar todas as entradas de bens, mercadorias e serviços que Londrina compra de fora
e tudo que Londrina exporta. Ao
fazermos esse balanço, vamos
detectar quais são as necessidades que poderiam ser sanadas
aqui mesmo em Londrina, para
dar uma auto-suficiência à Cidade. E nesse sentido acho que
poderemos ter surpresas agradáveis, que empresas instaladas
aqui poderiam ampliar seus negócios.”
Hauly também falou em trocar impostos por vagas de empregos e foi um dos que deram
como garantia de um bom go-
Luiz
Carlos
Hauly
(PSDB)
Centro.”
O candidato do PV,
Naudemar Nascimento, pretende associar sua campanha ao
que ele chama de “cultura da
paz”. “A cultura da paz é uma
forma de você pensar a vida,
encaminhar soluções em situações conflitantes, como esta
que envolve o horário do comércio. Usando alguns princípios fundamentais, como o respeito, o diálogo, a cooperação,
a integração, buscamos a harmonia da sociedade. Esse é um
ponto importante, no qual vamos discutir a questão da paz
social, da paz ambiental e individual. Nós vamos trabalhar
muito esclarecendo isso tudo
no nosso programa de televisão e rádio para que a população possa perceber a importância dela.”
Nascimento disse que ainda
não há um programa fechado na
área econômica, mas afirmou
que a prioridade de um possível
governo PV seria o incentivo à
pequena empresa. “Só temos
mais delineado o projeto que
visa promover o negócio do artesanato em Londrina. Vai contemplar principalmente aquele
empresa familiar, de fundo de
quintal e que nós sabemos que
hoje é uma grande geradora de
renda.”
Nedson
Micheleti
(PT)
8
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
COMÉRCIO
A hora do debate
Candidatos falam sobre a proposta de flexibilizar o horário de abertura das lojas em
Londrina
Márcio Leijoto
Especial para o Jornal da ACIL
A pergunta aos candidatos a
prefeito é obrigatória: “Você é favorável ou contrário à flexibilização
do horário do comércio?” Dos oito
candidatos, quatro responderam.
A outra metade tergiversou. Favoráveis todos são, mas “a uma negociação ampla envolvendo todos os
setores e a sociedade” para resolver a polêmica.
O imbróglio é antigo, mas entrou numa nova fase a partir de 1o
de maio, quando venceu a Convenção Coletiva de Trabalho entre
o Sindicato do Comércio Varejista
(Sincoval) e o dos Comerciários. Na
convenção, havia um acordo permitindo a abertura das lojas no
primeiro sábado do mês após o
quinto dia útil e em algumas datas
próximas a feriados nos quais haja
o movimento intenso no comércio.
Sem a prorrogação da convenção,
a ACIL começou a incentivar comerciantes a abrirem todos sábados à tarde, por acreditar que representantes de um segmento não
podem ditar as regras de todo o
comércio. O Código de Posturas do
Município proíbe a abertura das
lojas nas noites, durante a semana, após as 13 horas de sábado e
nos domingos. Até agora, empresários, trabalhadores e o poder
público não chegaram a um consenso.
O prefeito Nedson Micheleti (PT)
afirmou ser “absolutamente contrário” à flexibilização total do horário, como propõe a ACIL, mas
simpático a uma mudança parcial, “desde que haja um consenso
entre o Sincoval e o sindicato dos
comerciários”. “Não acredito que a
flexibilização total solucione o problema do comércio”, disse.
O vereador Félix Ribeiro (PMN)
disse ser favorável à abertura do
comércio nos dois primeiros sábados do mês. Mas ressaltou que “é
necessário dizer que se deve preservar e proteger os direitos do
trabalhador”. “Não deve haver pressões, coações, ameaças. Qualquer
proposta só vai dar certo se ambos
os lados ganharem. Antes, nós
pretendemos promover um amplo
debate entre os comerciantes, os
comerciários, os sindicatos, o poder público, as associações e os
munícipes, estes os maiores interessados. O que for melhor para a
maioria,
nós
devemos
implementar”, disse.
A deputada estadual Elza Correia (PMDB) disse acreditar que a
flexibilização é possível, mas “desde que esteja absolutamente atrelada aos direitos dos trabalhadores”. “Esta é a questão. Hoje a
maioria dos comerciários são mulheres que têm dupla jornada. Se
ela não for estimulada, não tem
sentido. Hoje nós vemos um pouco
de exploração, há trabalhadores
reclamando e nós sabemos que
alguns empresários não respeitam
os direitos dos empregados”, disse.
Outro que opinou sobre o assunto foi o ilustrador Naudemar
Nascimento (PV). “Particularmente
sou favorável a uma flexibilização,
mas não podemos deixar de lado a
idéia da negociação. Mas nós ainda
estamos fazendo uma leitura da
situação. Em se considerando a
cultura de paz, que tem por princípio a negociação, sentaremos com
os representantes da classe patronal, dos trabalhadores, e encaminharemos da melhor forma possível”, disse.
Os outros candidatos não responderam à questão, mas disseram todos que buscarão um entendimento rápido para a ques-
tão ouvindo todas as partes envolvidas.
O deputado federal Luiz
Carlos Hauly (PSDB) foi o mais
curto em sua resposta: “Essa
posição (ser favorável ou contra
a fleixibilização) vai ter de ser
resolvida num acordo entre
empregados e empregadores.”
O outro deputado federal que
disputa a Prefeitura neste ano,
Alex Canziani (PTB), disse que é
favorável “a uma grande discussão que teremos (caso vença a
eleição) com os segmentos”.
“Acho que nós devemos ouvir os
comerciários, os comerciantes,
a própria comunidade que mora
em volta do comércio. Como prefeito, serei um mediador deste
processo. É complexo, é difícil,
mas quando você tem determinação e boa vontade, você pode
chegar a um denominador”, disse.
O deputado estadual
Homero Barbosa Neto (PDT)
também disser ser favorável “à
modernidade” e ao papel de mediador de um prefeito. “Esta
discussão precisa ser ampla e
envolver a sociedade. A solução
deve ser curta, rápida. Se eu for
eleito, nos dois primeiros meses
esta questão estará resolvida. Não
é a minha vontade que vai prevalecer, eu serei um mediador”, disse.
O ex-prefeito Antonio Casemiro
Belinati (PSL) é outro que diz ser
favorável a uma “ampla discussão”
e que “nos 13 anos” em que ocupou
o cargo de prefeito não houve conflitos por causa do tema. “Para
chegarmos a uma posição é preciso
ouvir a opinião do empregado, do
empresário e a gente sentando,
dialogando, não vai ser difícil entrar num acordo. Sempre trabalhei
com um clima de harmonia com
todos eles”, disse. Belinati comentou que quando José Richa foi prefeito, o comércio chegou a funcionar à noite, mas a medida não
durou muito tempo.
QUEM SÃO ELES
Nome: Alex Canziani (PTB)
Vice: Maria Inez D. de Oliveira (PTB)
Nome: Antonio Casemiro Belinati (PSL)
Vice: Carlos Bordin (PP)
Nome: Elza Correia (PMDB)
Vice: Leonilson Jaqueta (PMDB)
Nome: Félix Ribeiro (PMN)
Vice: Álvaro Brochado (PMN)
É a primeira vez que o deputado federal
Alex Canziani (PTB), 40 anos, disputa as
eleições para prefeito. Mas ele pretende
expor seu currículo político para mostrar
que não é nenhum iniciante. Ele já foi
duas vezes vereador, presidente da
Câmara Municipal, presidente da
Associação dos Vereadores do Médio
Paranapanema, vice-prefeito na terceira
gestão de Antonio Belinati, secretário
estadual de Emprego, e, atualmente,
cumpre seu segundo mandato na
Câmara Federal. Nascido em Londrina,
Canziani é formado em Direito na
Universidade Estadual de Londrina (UEL),
casado e pai de dois filhos.
O radialista Antonio Casemiro Belinati, 60 anos,
tenta ser prefeito pela quarta vez, ou como ele
diz: ‘tetraprefeito’. Belinati ocupou cargos
políticos durante 28 dos últimos 35 anos. Já foi
vereador, deputado estadual e deputado
federal. Em 2000, no último ano de seu terceiro
mandato como prefeito, foi cassado pelos
vereadores sob a acusação de ter feito
propaganda pessoal e gastos abusivos na
inauguração do PAI. Nessa época, começou a
responder na Justiça denúncias feitas pelo
Ministério Público de diversas fraudes em
licitações públicas. Famoso pelo estilo
populista, o candidato é casado com a exgovernadora Emília Belinati (PFL) e pai do exdeputado estadual Antônio Carlos Belinati.
A deputada estadual Elza Correia, 56 anos,
ocupa cargos públicos desde 1993. Primeiro
participando da administração municipal de
Luiz Eduardo Cheida (PMDB), que na época
era prefeito da Cidade pelo PT, depois sendo
eleita por duas vezes como vereadora de
Londrina. Desde 2003, ocupa uma vaga na
Assembléia Legislativa. É a primeira vez que
disputa a eleição para prefeitura. Apesar de
ter o apoio do governador do Paraná, Roberto
Requião (PMDB), seu partido não se coligou
com nenhum outro.
Separada e mãe de dois filhos, Elza sempre foi
militante das causas femininas. Criou a
Coordenadoria Especial da Mulher, hoje
Secretaria.
O primeiro cargo público que o dentista
Félix Ribeiro, 53 anos, ocupou foi o de
vereador nesta legislatura que acaba em
2004. Mesmo assim, resolveu sair neste
ano como candidato a prefeito. Ele
argumenta que o fato de ser novo na
política, assim como todos os membros
do seu partido, o PMN, o credencia
como candidato sem ligações com
todas as mazelas dos partidos
tradicionais. Nascido em Colina (SP),
Ribeiro veio para Londrina junto com a
família quando tinha um ano de idade;
aqui se casou e teve três filhos. Já
disputou duas eleições para vereador:
derrotado em 1996 e vitorioso em 2000.
Nome: Homero Barbosa Neto (PDT)
Vice: Francisco Galli (PPS)
Nome: Luiz Carlos Hauly (PSDB)
Vice: Éder Pimenta (PSB)
Nome: Naudemar Nascimento (PV)
Vice: Lázaro Gorini (PV)
Nome: Nedson Micheleti (PT)
Vice: Luiz Fernando Pinto Dias (PT)
A primeira eleição que o jornalista
Homero Barbosa Neto, 37 anos, disputou
foi para prefeito, em 2000. Surpreendeu o
meio político ao ficar em segundo lugar.
Dois anos depois se tornou o deputado
estadual mais votado da história de
Londrina, com mais de 120 mil votos, se
tornando um dos principais nomes do
partido na região. Atualmente, ele
também preside o diretório municipal do
PDT. Natural de Santa Rita do Passo
Quatro (SP), Barbosa Neto chegou a
Londrina na segunda metade dos anos
80 para cursar Jornalismo na
Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O deputado é casado e pai de três
filhos.
O deputado federal Luiz Carlos Hauly ocupou
pela primeira vez um cargo público em 1972,
quando se elegeu vereador de Cambé. Dez
anos depois, foi eleito prefeito da cidade. Em
Londrina, esta é a terceira vez que entra no
pleito para prefeito. Em 1996, Hauly disputou o
segundo turno com Antonio Belinati, que
buscava seu terceiro mandato. Perdeu por 11
mil votos de diferença. Em 2000, Hauly foi
surpreendido com o terceiro lugar, sendo que
já dava como certa sua passagem para o
segundo turno. Hauly está atualmente no seu
quarto mandato seguido como deputado
federal.
O ilustrador Naudemar Nascimento, 47
anos, disputa pela primeira vez um cargo
executivo. Natural de Pitangueiras (PR),
ele se mudou para Londrina em 1976,
onde trabalha na área de design gráfico.
Foi candidato derrotado a vereador em
2000 e a deputado federal em 2002.
Nascimento é solteiro e tem uma filha,
que vive no Rio de Janeiro.
O candidato do PT, Nedson Micheleti, é o
único que não faz críticas à atual
administração. Ele é o atual prefeito. E
Nedson, 46 anos, tenta se tornar o primeiro a
ser reeleito na história da Cidade. Ele usa a
sua gestão como vitrine da campanha.
Nedson foi presidente da Cohab de
Londrina entre 93 e 94, e deputado federal
entre 95 e 98. No seu último ano de
mandato na Câmara Federal, tentou o
Senado, mas perdeu. Dois anos depois foi
eleito prefeito de Londrina, tendo
começado a disputa como último
colocado nas pesquisas eleitorais. Nedson,
que é natural de Rolândia, é casado, pai de
dois filhos e funcionário da Caixa
Econômica Federal há 19 anos.
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
9
ESPECIAL / ELEIÇÕES
Coadjuvantes do poder
Eleições vão escolher o futuro prefeito. Mas é sempre bom lembrar que o vice vem junto
Márcio Leijoto
Especial para o Jornal da ACIL
Vice é igual a sogra. Não escolhemos. Ele vem junto. Mesmo assim, é sempre bom conhecê-los,
principalmente porque, em Londrina, os três últimos que ocuparam o
cargo se desentenderam com os
respectivos prefeitos, os dois últimos se afastando da administração. Além disso, há o caso dos expresidentes brasileiros José Sarney
(1985-90) e Itamar Franco (199294), que eram vices: o primeiro
entrou por causa da morte de
Tancredo Neves (1910-1985) e o
segundo, por causa da cassação de
Fernando Collor (1991-1992). Nos
dois casos, a história foi bem diferente do que se previa: o coadjuvante virou protagonista.
Negociações de bastidores, convites formais e informais feitos para
todos os lados, boatos e surpresas
dominaram o cenário político
londrinense até o dia 30 de junho,
prazo final para que as chapas
fossem inscritas. A maioria dos
vices foi definida na última hora, e,
mesmo após o fim do prazo, um
deles já foi trocado e outro corre
risco de sair da disputa.
A maior surpresa neste ano ficou por conta da desistência do
“vice dos sonhos”, o apresentador
Carlos Camargo (PSDC), que foi
cortejado por quatro partidos neste
ano, mas preferiu continuar com
seus programas na televisão e no
rádio.
A intensificação das conversas
entre os partidos, a frustração de
coligações não concretizadas, entre outros fatores, fizeram com que
cinco das oito candidaturas disputassem as eleições com chapa
“pura”.
O administrador de empresas
Luiz Fernando Pinto Dias (PT), 42
anos, foi indicado pelo partido como
vice de Nedson Micheleti (PT) no dia
9 de julho, após a desistência do
fisioterapeuta Edson Kishima
(PHS). Kishima desistiu da candidatura porque seu partido está dividido entre o apoio ao PT e ao PMN,
que também lançou candidato a
prefeito, o vereador Félix Ribeiro. A
briga interna chegou à Justiça.
Dias, que estava na disputa por
uma vaga na Câmara de Vereadores, disse que não existe o risco de
ele sair da chapa. O administrador
também disse que existe entre ele e
o prefeito uma afinidade de “mais
de 20 anos de amizade e de
militância política”. Para ele, o papel de vice é de “abrir espaço para
Maria Inez Domingues
de Oliveira (PTB)
Carlos Bordin
(PP)
os avanços propostos pelo prefeito”. “O vice deve somar, participando desde as discussões na
equipe até no diálogo com a população.” Dias já foi diretor da
Codel, na gestão do Nedson, e
secretário municipal e diretor de
autarquia na administração de
Luiz Eduardo Cheida (1993-96).
Na chapa de Félix Ribeiro,
do PMN, o vice é Álvaro Brochado, 64 anos, docente de
Economia e Administração da
Universidade Estadual de Londrina (UEL), também do PMN.
O partido pretendia lançar
como vice alguém do PHS. Brochado não quis comentar os
motivos de sua indicação, mas
afirmou que existe uma afinidade sua com as propostas do
vereador, “que são as do PMN”.
“Nós somos um partido pequeno, novo, não temos os vícios dos partidos tradicionais”,
disse Brochado. O professor
disse, se Ribeiro for eleito, não
pretende ocupar nenhum cargo. “O vice deve atuar no meiode-campo, para tornar o gabinete do prefeito mais acessível
à população. Não tenho vaidades políticas”, disse o candidato.
A socióloga e líder comunitária Maria Inez Gomes
Domingues de Oliveira (PTB),
45 anos, é a vice na chapa de
Francisco Galli
(PPS)
Leonilson Jaqueta
(PMDB)
Alex Canziani (PTB). O partido
foi um dos que convidaram
Camargo para compor chapa
majoritária, além de manter
negociações com o PSB. Maria
Inez era outra que pretendia
disputar uma vaga para vereador. Apesar de dizer que “nunca” pensou em ser vice, a socióloga afirmou que está preparada assumir o cargo, caso o
deputado vença o pleito. “Pelo
meu passado, acho que ajudaria primeiro na área da ação
social.” Maria Inez comentou
que o partido chegou ao seu
nome através de pesquisas
qualitativas. Ela disse se identificar bastante com as posições de Canziani. “Temos jeitos parecidos.” A socióloga participa há mais de 25 anos de
movimentos sociais em Londrina.
O PMDB também cortejou
Carlos Camargo e tentou uma
aliança com o PPS, entre outros
partidos. Sem sucesso, acabou
indicando para ser vice de Elza
Correia o nome do vereador
Leonílson Jaqueta, 49 anos, do
mesmo partido. Jaqueta disse
que pretendia disputar a reeleição, mas acabou aceitando o
convite por ter sido feito “pela
direção do partido, pelo governador, e pela própria Elza”. Ele
afirma sempre ter sido muito
Éder Pimenta
(PSB)
Álvaro Brochado
(PMN)
próximo a Elza, principalmente
quando ambos eram vereadores, entre 2001 e 2002. “Eu
conheço suas propostas e seu
trabalho há muito tempo. Sei de
sua seriedade.” Para o vereador,
o vice tem um papel “importante, não só de substituir o prefeito na sua ausência”. “Ele deve
abrir canais de diálogo entre a
Prefeitura e a população.”
O quinto partido a lançar
chapa pura nesta eleição foi o
PV. Naudemar Nascimento terá
como candidato a vice Lázaro
Gorini, presidente do partido.
“Eu não queria disputar uma
vaga no Legislativo, nem sair
como prefeito, mas queria estar
bem próximo da campanha para
ajudar o partido, para não expor
só uma pessoa.” Gorini disse
que vai ajudar a pôr em prática
o plano de governo se Nascimento vencer a eleição. “As pessoas dizem que vice não serve
nem para ser nome de rua, mas
não é bem assim. Ele tem um
papel importante.”
As três chapas que lançam
vices de partidos diferentes apresentaram coligações bem diferentes das de 2000.
O PP indicou o professor
Carlos Bordin para ser vice de
Antonio Belinati (PSL), repetindo a parceira de anos anteriores
entre Belinati e o líder do PP em
Luiz Fernando
Pinto Dias (PT)
Lázaro Gorini
(PV)
Londrina, deputado federal José
Janene. Na última eleição, o PP
apoiou o candidato Homero Barbosa Neto (PDT). ”Nós recebemos convites de outras siglas,
sondamos as propostas, mas
as que mais coincidiram com as
nossas foram a do Belinati. No
meu caso específico, houve uma
identificação principalmente
com as da área de educação”,
disse Bordin, que acredita poder ajudar Belinati, se eleitos,
na Secretaria de Educação.
Se não conta com o apoio do
PP, Barbosa Neto ganhou como
aliado o PPS, que indicou como
vice do candidato, o ex-presidente da Sociedade Rural do
Paraná (SRP) e empresário Francisco Galli. Em 2000, o PPS
fazia parte da chapa que elegeu
Nedson Micheleti, com o vice
Luiz Carlos Bracarense. Neste
ano, o partido pensou em lançar candidatura própria, mas
alegando falta de recursos, sondou uma coligação com o PMDB
ou com o PDT. “O nosso partido
tem uma identificação anterior
a esta coligação. Têm a mesma
plataforma, praticamente a
mesma linha política. Fomos
convidados por outros partidos,
mas a coligação com o PDT foi
natural”, disse Galli, que afirmou não pretender ser uma
espécie de “Rainha Elizabeth”,
caso Barbosa Neto seja eleito.
“O vice não é enfeite, ele tem
uma função importante que é
ajudar o prefeito na articulação
com a sociedade.”
A outra formação de chapa
que também surpreendeu foi a
do candidato do PSDB, Luiz
Carlos Hauly. O vice, Éder Pimenta, é do PSB, partido que
sempre teve aliados de Belinati.
O próprio Pimenta já ocupou
cargo comissionado na Prefeitura durante o último mandato de
Belinati. Funcionário público,
Pimenta se diz um “servidor” do
Município. “Eu ocupei cargos
em duas administrações. Só na
última que não. Mas sempre
estive à disposição”, disse. Essa
disposição o candidato pretende
levar para a vice-prefeitura se
Hauly for eleito. “Nós estamos
defendendo o interesse de Londrina.”
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
10
ESPECIAL / ELEIÇÕES
Mais candidatos, menos surpresas
Londrina tem oito candidatos a prefeito neste ano. É mais do que o pleito de
2000 (quando cinco concorreram) e o
dobro de 1996 (quatro). Mas por que
tantos na disputa? Para o professor e
chefe do departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina, Hermann Iark Oberdiek, 56 anos,
haveria dois motivos para explicar esse
quadro. “Uma das explicações é que há
alguns candidatos que querem aparecer
no mapa para crescerem seus nomes em
outras oportunidades. Outra explicação é
para marcar posição numa negociação no
segundo turno: o volume de votos que ele
tiver no primeiro turno terá certo peso no
segundo.”
O número poderia ter sido maior se
dois pré-candidatos não tivessem desistido na última semana de inscrição das
chapas. Foram homologadas as candidaturas a prefeito de Alex Canziani (PTB),
Antonio Casemiro Belinati (PSL), Elza
Correia (PMDB), Félix Ribeiro (PMN),
Homero Barbosa Neto (PDT), Luiz Carlos
Hauly (PSDB), Naudemar Nascimento
(PV) e Nedson Micheleti (PT). “Parece que
estamos vivendo em Londrina uma situação igual a todo o Brasil. Todas as
grandes cidades estão apresentando um
número alto de candidatos”, comentou o
professor.
2000. O quadro já está
Muitas das alianças
meio definido. Quatro
formadas para a chapa
ou cinco candidatos têm
majoritária são contraboas chances de irem
ditórias com o passado
para o segundo turno.”
dos próprios partidos.
O fato de a maioria dos
Aliados tradicionais em
candidatos já serem conível nacional ou em
nhecidos da população
eleições passadas rivaé outro ponto que impelizam na disputa deste
diria o surgimento de
ano. “As alianças paresurpresas.
cem muito esdrúxulas.
Outra mudança em
Você tem partidos que
relação ao último pleito
no Brasil inteiro tem
é o “diferencial Belinati”.
uma aliança e aqui faEm 2000, ele ocupava o
O sociólogo Hermann
zem outras. Acho que
cargo de prefeito e fora
Oberdiek diz que eleição em
(isso é motivado) por
cassado meses antes da
Londrina não terá grandes
questões locais, pela adeleição sob a acusação
surpresas neste ano
ministração do atual
de corrupção. Hoje o exprefeito, mágoas e inteprefeito é candidato. “Toresses”, disse Oberdiek.
dos os candidatos devem jogar forte conO professor diz que ainda é muito
tra o Belinati. Se ele sair da jogada, como
cedo para enxergar favoritos, mas não
estão tentando fazer ao ameaçar impugacredita que vá acontecer o mesmo fenônar sua candidatura, são mais de 30% de
meno de 2000, quando o vencedor foi o
votos a serem distribuídos entre os outros
candidato que aparecia na última colocandidatos. (A cassação de Belinati) pecação nas pesquisas. “Esse fenômeno (o
sou na eleição de Nedson em 2000 e o
último chegar em primeiro) não vai aconcombate à corrupção foi o grande mote
tecer de novo. Há um ou outro candidato
das eleições daquele ano. Mas neste ano
com possibilidade de crescimento, mas
não consegui detectar algo assim. Hoje
não vai haver outra surpresa como em
está mais diluído. Pode haver uma tenta-
tiva de federalização, mas isso não deve
pegar em nível de município. Na confrontação local, o que pesa é o que aconteceu
nos bairros, isso aí que vai definir.”
Oberdiek acredita que o eleitorado
está mais maduro e menos fisiologista.
“Não sei se pega (discurso de candidato
populista). Pode pegar entre os
fisiologistas. A população simples, que
não tem condições de vida e precisa
resolver as coisas imediatas da vida,
quer seus problemas resolvidos de forma
imediata e neste sentido, nada pejorativo, ela é fisiologista. Mas alguns fatos
novos, como as bolsas que o poder público vem dando, as políticas para a periferia, de repente, podem sanar essa vontade fisiologista.”
O professor também acha que a interferência do governo estadual e federal não
vai mudar muito o quadro eleitoral em
Londrina. “Durante as eleições, isso não
deve influenciar muito. Pode ser que devido a estes quase dois anos sem muitos
resultados (visíveis) após as eleições (de
2002), pode acontecer de os candidatos
apoiados pelos dois governos perderem
alguns votos.” (M. J.)
11
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
TRANSPORTE COLETIVO
À espera do subsídio
Diretor do Metrolon afirma que população desconhece a realidade do serviço
e sugere revisão da gratuidade e da taxa de gerenciamento paga à CMTU
Katia Baggio
Especial para o jornal da ACIL
A divergência entre a planilha de
custos da Companhia Municipal de
Trânsito e Urbanização (CMTU) e a
apresentada pelos promotores públicos Miguel Jorge Sogaiar e Eduardo Matni gerou um processo judicial que está em andamento. A planilha
serve como base para a fixação da
tarifa do transporte coletivo,
estabelecida em R$ 1,60 desde primeiro de junho de 2003. Uma terceira planilha, solicitada pela Justiça, tem prazo de até seis meses para
ficar pronta e deve funcionar como
elemento comparativo entre os dois
primeiros estudos.
Pelos números da planilha da
Promotoria Pública, a tarifa não
poderia passar de R$ 1,24, uma
diferença de 30% em relação à elaborada pela CMTU. Depois do assunto ferver na imprensa e entre a
população, as empresas optaram
por não se manifestar, alegando
que o assunto está sub judice. Esse
foi, inclusive, o mesmo argumento
da diretora-presidente da CMTU,
Rosimeire Suzuki Lima, através da
assessoria de imprensa da Prefeitura.
Rosimeire também não compareceu a uma reunião no dia 15 do
mês passado, quando foi convidada
a participar de um encontro com
entidades de classe e os promotores
públicos que solicitaram a elaboração da planilha paralela. No dia
seguinte a ACIL enviou correspondência para a Companhia, solicitando o agendamento de outro encontro sobre o tema, mas até o
fechamento dessa edição não obteve resposta.
Gildalmo Mendonça, diretor da
Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) e diretor secretário do
Sindicato das Empresas e Transporte Coletivo Municipal de Passageiros e de Características de Metropolitano de Londrina (Metrolon),
afirma que a maioria da população
e até mesmo as pessoas interessadas na questão dos transportes coletivos desconhece a realidade do
serviço em Londrina e no Brasil. Ele
prefere não comentar as questões
levantadas pela Promotoria Pública.
“Vamos falar sobre o ônus da
maioria das tarifas de transporte
coletivo no Brasil: o setor apresenta
Gildalmo Mendonça: se o
custo das passagens gratuitas
e meias passagens não fosse
repassado aos pagantes, a
tarifa em Londrina seria de R$
1,32
excesso de gratuidade e de custos. Além disso, sabemos que o
governo federal tem projetos para
baratear o sistema de transporte
coletivo, oferecendo subsídio para
as gratuidades concedidas e para
o combustível consumido pelo
setor, mas até agora nada saiu do
papel”, diz.
O diretor também observa
que, mesmo com projetos nesse
sentido, a Petrobras aumentou o
valor do diesel. “O combustível é
um dos itens que encarecem o
serviço”, destaca. Ele ressalta que
a concessão de gratuidade é outro ponto que precisa ser
rediscutido. “Quem assume o
ônus das passagens gratuitas é o
usuário pagante, quando elas
poderiam ser subsidiadas, assim
como as meias passagens dos
estudantes.”
Mendonça acrescenta que se
o custo das passagens gratuitas
e meias passagens não fosse repassado para os pagantes, o valor da tarifa hoje seria de R$ 1,32
em Londrina. “Estamos buscando sensibilizar o governo federal
nesse sentido, no que lhe é de
competência, mas o custo também é composto de itens da esfera municipal, como ISS e a taxa
de gerenciamento paga à CMTU,
que poderiam ser revistos pela
Prefeitura”.
“O que falta no Brasil é uma
política de melhoria do transporte coletivo e tenho preocupação
com o setor, especialmente porque a população está procurando seus próprios meios de transporte, já que o transporte público
está ficando cada vez mais caro e
moroso”, diz Mendonça. Ele explica que entre as causas da
morosidade estão as distâncias
percorridas, pois a cada novo
bairro determinada linha precisa
alterar o roteiro até que haja
fluxo de passageiros que justifique uma linha específica.
Outro problema seria a falta
de prioridade para o transporte
coletivo no trânsito. “A velocidade média de circulação dos coletivos em Londrina, hoje, é de 22
km/h, considerada boa em relação a outras cidades, mas para
quem fica nos pontos de espera
ou está dentro do coletivo pode
significar demora, atraso, porque os coletivos disputam espaço com a frota total de veículos,
que está cada vez maior.” O diretor diz que existem estudos da
empresa no sentido de manter as
ruas do Centro, que são pequenas, cerca de uma ou duas horas, nos horários de pico, exclusivas para ônibus para agilizar o
transporte da população. “Medidas como essa também representam economia de combustível e podem permitir uma redução do número de ônibus em
circulação, pois seria mais curto
“R$ 1,60 é um preço alto para o
usuário de Londrina, mas o poder público
em todos os níveis precisa se
preocupar mais com o assunto”
o tempo da viagem. Menos ônibus circulando significa economia e agilidade, mas é preciso
que a CMTU adote a idéia.”
Os salários dos motoristas e
cobradores de Londrina também
pesam no preço da tarifa. “Os
motoristas recebem R$ 1.016,00
mensais, o terceiro maior salário
do setor no País, e cobradores
recebem R$ 629,00, que é o maior da categoria no Brasil; e esses
são valores sem o reajuste que
está sendo negociado”, informa o
diretor do Metrolon. Ele acrescenta que são salários mais altos
do que os de funcionários de
empresas de transporte rodoviário e até de alguns professores da
Universidade Estadual de Londrina (UEL), com pós-graduação.
Mesmo sem querer discutir
os valores da planilha apresentada pelos promotores públicos,
Gildalmo Mendonça afirma que
as tarifas, em todo o Brasil, estão
acima das condições econômicas do usuário. “R$ 1,60 é um
preço alto para o usuário de Londrina, mas o poder público em
todos os níveis precisa se preocupar mais com o assunto. Com
o apoio do subsídio as empresas
terão mais condições de repassar o benefício para as tarifas.”
12
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
HOTELARIA
Hóspedes da incerteza
Investimento em flats e hotéis-condomínio pode render menos que o esperado
Fábio Cavazotti
Especial para o Jornal da ACIL
O surgimento dos flats e
hotéis-condomínio nos anos
90 constituiu uma oportunidade atraente para os investidores tradicionais em imóveis,
mas, em diversos casos, a
operação acabou se transformando em dor de cabeça e
frustração.
Esta modalidade de empreendimento foi apresentada desde o início aos investidores individuais como uma
boa alternativa de aplicação
em ativos imobiliários com a
vantagem de não estar sujeita
aos incômodos da lei do
inquilinato.
Na maioria dos casos, os
empreedimentos são “cobertos” por grandes operadoras
internacionais da hotelaria,
como os grupos Accor, Atlântica Hotels e Blue Tree, entre
outros. O capital aportado
pelos investidores financia a
construção dos hotéis e os
transforma em sócios destes
grupos. As operadoras, que
geralmente se comprometem
a não sair do negócio por certo período, administram os
empreendimentos e repartem
os lucros com os investidores.
Até aí, tudo muito claro,
apenas com uma leve diferença entre as duas modalidades
da operação; o primeiro conceito é o de flat, em que os
proprietários têm o direito de
não participar do pool das
operadoras, com possibilidade de ocupar ou alugar suas
unidades; e há também os
hotéis-condomínio, em que
100% dos quartos são administrados pelas companhias
hoteleiras em forma de pool.
Em tese, em ambos os casos o investidor pode facilmente se desfazer de sua parte, colocando as cotas à venda no mercado imobiliário.
A expectativa de retorno
“vendida”
pelas
incorporadoras ao longo dos
anos girou entre 0,8 a 1,25%
ao mês, mas isso nunca constou dos contratos – foi sempre
um argumento usado nas negociações boca a boca. Nos
Mauro Takeda: “Estou
decepcionado; esperava
que rendesse R$ 1,2 mil, mas
não tem passado de
R$ 200,00”
Diógenes
Brandalize,
investidor e
engenheiro da
Construtora
Dinardi: “Estou
satisfeito com o
empreendimento”
casos em que a promessa foi
cumprida, chegou a significar
cerca de 25% a mais que os
aluguéis tradicionais, segundo as operadoras.
Até o boom que atingiu o
setor nas grandes cidades no
fim dos anos 90, o retorno
para os investidores foi
satisfatório, mas hoje em dia,
após uma crise que atingiu a
hotelaria (leia mais ao lado), a
maioria dos proprietários está
insatisfeita, conforme apontam
três
grandes
imobiliaristas da Cidade ouvidos pelo Jornal da ACIL,
sob condição de anonimato.
“O pessoal está descontente,
isso já pareceu um bom negócio, mas hoje o rendimento é
muito pequeno”, afirmou o
proprietário de uma das maiores imobiliárias de Londrina. “Na hora de vender, eles
apresentam diversas projeções falando em retorno de
Proprietários de flats
criaram entidade para
defender seus interesses
mais de 1% ao mês, mas na
prática dificilmente isto acontece”,
confirma
outro
imobiliarista.
O Jornal da ACIL saiu a
campo e ouviu diversos investidores de flats e hotéis,
em Londrina e outras cidades, para verificar o índice de
satisfação com estas operações.
Em vez de R$ 1.000,00,
apenas R$100,00 – “Me senti
roubado, foi uma frustração
muito grande”, resume o advogado Marcelo Diniz, investidor do Hotel Comfort Suítes
em Londrina. O empreendimento, localizado ao lado do
Shopping Catuaí, na Zona Sul,
tem dado um retorno de R$
100,00 por mês em 2004. O
investimento inicial, entre R$
100 mil e R$ 110 mil, foi diluído em parcelas mensais ao
longo de dois anos, período
em que o hotel foi construído.
O advogado alega que foi
“aventada” a perspectiva de
retorno entre 0,8 a 1% ao
mês. “Na pior das hipóteses,
em 2004, deveria estar rendendo R$ 1.000,00 por mês,
mas de janeiro a maio recebi,
ao todo, R$ 500,00”, lamenta
o investidor, cuja quota está
em nome de empresa familiar
Santa Catarina Agropecuária
Ltda. Marcelo Diniz afirma que
venderia sua parte imediatamente se “tivesse comprador”.
“Mas hoje, acho que seria difícil encontrar interessados”,
completa o advogado.
Prejuízo em SP – O mé
ACIL/Abril2004
JORNAL DA ACIL/Julho
2004
dico londrinense Mauro
Takeda, da Ultramed, também
se diz decepcionado com o investimento de R$ 120 mil em
um flat do grupo Accor próximo
ao Aeroporto de Guarulhos, na
Grande São Paulo. “A propaganda induzia a lucro seguro, perspectiva de 1% de retorno ao mês,
tudo com a garantia de uma
grande operadora internacional”, explicou o médico sobre o
sentimento que o levou a entrar
no negócio. “Hoje estou muito
decepcionado, esperava que rendesse R$ 1.200,00 por mês, mas
não tem passado de R$ 200,00”,
lamenta. Takeda conta que a
administradora tem alegado baixa taxa de ocupação para justificar o retorno. “Eles dizem que
a ocupação está em 50%, e que
investirão mais em marketing
daqui para frente.” Questionado pela reportagem, o médico
mostrou-se descrente de que o
retorno chegue perto do prometido. Se a taxa de ocupação dobrasse, o rendimento alcançaria R$ 400, “ainda longe do esperado”, nas palavras do médico. Takeda afirma que vai manter o investimento porque o va-
14
13
O INVESTIMENTO DE DINIZ
O investimento de Diniz
Valor da cota ............................................. cerca de R$ 110 mil
Retorno mensal sugerido ........................ de R$ 800 a R$ 1.000
Retorno médio 2004 .................................................... R$ 100,00
* Valores informados pelo advogado Marcelo Diniz
referentes à cota comprada no Comfort Suítes
lor de venda está muito baixo
hoje, mas dá uma conselho
para possíveis investidores
neste ramo: “Hoje, eu só entraria no negócio se a garantia do retorno estivesse no
contrato”.
“Estou satisfeito, não
tem outro jeito...!” – É com
estas palavras que o representante comercial Serafim
Maranhi define o investimento em 3 apartamentos do Hotel Bristol, no Centro de Londrina. O empreendimento,
que funciona em sistema de
flat, foi iniciado há 17 anos, e
é o mais antigo da Cidade.
Cada cota vale hoje entre R$
50 mil e R$ 55 mil, cerca de
R$ 15 a R$ 20 mil abaixo do
que há alguns anos, de acordo com dois dos imobiliaristas
ouvidos pelo Jornal da ACIL.
O rendimento de cada apartamento alcança, em media,
R$ 350,00, segundo o representante comercial. “Eu esperava um retorno maior,
porque amigos me disseram
na época que empreendimentos semelhantes em são Paulo eram muito bons”, conta
Maranhi. Por outro lado, o
investidor cita os benefícios
do setor: “Não dá trabalho e é
Crescimento dos flats
agravou crise hoteleira
A taxa de ocupação no setor hoteleiro
nos maiores centros do País entrou em rota
decrescente a partir dos anos 2000/2001.
Segundo avaliações de operadores e especialistas do setor, a retração da economia
mundial foi um dos algozes do período, mas
os donos de hotéis, de A a Z, capitaneados
pela Associação Brasileira da Indústria de
Hotéis (Abih), atribuem importância fundamental nessa derrocada ao aumento desenfreado da oferta de flats.
O número de quartos disponíveis na
cidade de São Paulo, por exemplo, dobrou
entre os anos de 99 e 2001, atingindo a
expressiva cifra de 30 mil, de acordo com
dados da Abih.
De lá para cá a oferta praticamente duplicou outra vez: em 2004 está passando de
50 mil unidades. Ainda segundo a Abih,
uma cidade como Nova Iorque, que recebe
37 milhões de turista ao ano, oferece cerca
de 70 mil quartos em hotéis e similares. A
demanda instalada em São Paulo atende a,
no máximo, 7 milhões de turistas anualmente.
Nesse contexto de concorrência quase
predatória, as grandes redes internacionais levam vantagem sobre hoteleiros tradicionais, em função do suporte financeiro.
Para o consumidor resta uma diminuição gradativa de serviços e comodidades
comuns nos hotéis à moda antiga, e cada
dia mais raros nas unidades padroniza-
das das grandes redes.
Um expressivo porta voz desta análise é
o empresário Henry Maksoud, dono do
Hotel Maksoud Plaza de São Paulo, referência entre as empresas 5 estrelas do ramo no
País durante décadas. Em entrevista à “Folha de São Paulo” em fevereiro, afirmou: “A
indústria hoteleira está destroçada”. A taxa
média de ocupação dos 416 quartos e suítes do Maksoud Plaza, que já foi de 65%,
hoje não chega a 40%.
Segundo dados da Associação Brasileira de Proprietários de Flats (Apflats) o auge
da construção de flats e hotéis-condomínio
aconteceu na segunda metade dos anos 90.
Entre 1996 até 2000 foram lançados 106
prédios de flats na cidade de São Paulo. Em
2001, esse número baixou para apenas 4.
Ainda segundo a Apflats, a crise hoteleira
se concentrou principalmente nas cidades
brasileiras de médio e grande porte.
A Apflats foi criada em São Paulo, em
março de 2002, em conseqüência da insatisfação de dois investidores, o advogado
Renê Maluhy Jr., e o consultor em administração de empresas, Antonio Carlos Teixeira
da Silva.
A entidade possui endereço na Internet
(www.apflats.com.br) e pressiona o Congresso Nacional pela aprovação de legislação
específica de proteção ao direitos dos proprietários de flats. (F. C.)
um investimento garantido,
com liquidez”. Também em
decorrência da facilidade ele
prefere manter seus apartamentos no pool administrado pela operadora a fazer a
locação diretamente com particulares.
Diversificar é preciso –
O
engenheiro
Diógenes Brandalize, da BCD
Construtora e Incorporadora Ltda, foi o único investidor consultado que se
mostrou realmente satisfeito
com
o
investimento.
Brandalize é proprietário de
um apartamento do Bristol
em Londrina. Questionado sobre a reclamação de colegas,
ele foi enfático: “Isso não existe, você tem que diversificar os
investimentos. Não pode pôr
tudo numa coisa só”. “O empreendimento tem grandes
vantagens, não há gasto com
manutenção nem relação com
inquilinos, e posso me desfazer dele com facilidade”, afirmou o engenheiro. Brandalize
acredita que um dos fatores
que contribuem para este sucesso foi o modelo de gestão da
operadora. “Ela é parceira nossa, reparte os riscos. Se eles
ganham mais, todos recebem
mais, se ganham menos, é para
todos também”, explica o investidor. Proprietário da unidade há 17 anos, ele explica
que a primeira operadora hoteleira deu muitos problemas
aos investidores, e por isso o
rendimento foi menor no início. “Mas trocamos a empresa
e melhorou bastante. Estou
satisfeito com o empreendimento”, garante Brandalize.
Comfort Londrina
nega prejuízos
O Hotel Comfort Suítes, localizado ao lado do Catuaí
Shoping Center, é o mais novo
empreendimento da Cidade na
modalidade flat e, de acordo
com a gerente-geral, Karen
Stank, passou a dar lucro aos
investidores a partir do 7º mês
de funcionamento. “Eles estão
satisfeitos, para esta categoria
de empreendimento sete meses é um prazo curto”, afirmou
Stank.
A gerente-geral alegou sigilo contratual, no entanto, para
não divulgar valores quanto à
taxa de retorno. O Comfort LonKaren Stank: “Eles
drina foi inaugurado em 4 de
(investidores) estão
maio de 2003; tem 56 investisatisfeitos”
dores e 123 apartamentos de
33 metros quadrados. O custo
total do empreendimento ficou em torno de R$ 12,4 milhões, o que
representa aproximadamente R$ 100 mil reais por unidade.
Karen Stank reconhece que há “certo número” de empreendimentos no País que não têm “rendido o esperado”, mas principalmente em cidades maiores. “O grupo Atlântica, por exemplo, tem
assumido a administração de unidades cujos proprietários estavam insatisfeitos com os antigos administradores”, afirma a gerente.
A gerente-geral do Comfort garante que as prestações de contas
aos investidores são feitas mensalmente.
O gerente-geral do Hotel Bristol, Ivair Sabadin, foi procurado pelo Jornal da ACIL em cinco oportunidades, mas não
retornou as ligações. (F. C.)
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
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15
UNIVERSIDADE
A cota em questão
Proposta passa por
discussão na UEL
Proposta da UEL de criar cotas para estudantes negros levanta polêmica sobre o preconceito racial na escola e na sociedade
Célia Polesel
Especial para o Jornal da ACIL
Reservar 40% das vagas do
vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL) para
estudantes de escolas públicas
e metade dessas vagas (20%)
para negros que estudaram em
escola pública. Essa é a discussão que vem sendo feita pela
comunidade londrinense e principalmente a universitária. As
cotas para escola pública são
vistas como uma necessidade
por praticamente todos, mas as
cotas para negros causam muita
polêmica. As cotas para negros
são uma forma de igualar as
chances ou somente preconceito? A discussão divide opiniões.
A socióloga Maria Nilza da
Silva diz que a reserva de cotas
dá a possibilidade de sonhar, de
vislumbrar a chance de cursar
uma universidade pública. “A
sociedade tem dificuldade de
encarar a discriminação racial,
e por isso é difícil admitir que há
desigualdade nas oportunidades.”
Maria Nilza pesquisa a condição do negro há mais de dez
anos e afirma que a cor da pele
determina o local que a pessoa
ocupa na sociedade. “Todo mundo acha normal uma negra em-
Maria Nilza: “Todo
mundo acha
normal uma negra
empregada
doméstica, mas
professora
universitária é
uma surpresa”
pregada doméstica, mas professora universitária é uma surpresa”, conta. A professora já passou por situações de preconceito. Em fevereiro, por exemplo,
foi convidada a participar de um
evento na Câmara de Vereadores de Londrina onde falou sobre
sua pesquisa sobre a mulher
negra em São Paulo. Depois que
Maria Nilza terminou sua fala,
uma das mulheres que estavam
no debate disse a ela: “Você é
negra, mas é muito educada,
fala direitinho.” Maria Nilza conta que a pessoa que lhe disse
isso sequer cogitou que aquela
frase era preconceituosa, disse
acreditando ser um elogio. “O
preconceito é inconsciente na
maioria das vezes, por isso as
pessoas acham que no Brasil ele
não existe.”
Para a socióloga, é preciso
mudar valores que a sociedade
adotou – e isso leva tempo. “A
discussão sobre as cotas é um
grande avanço para que a sociedade brasileira reconheça que o
racismo é um problema social
que precisa ser resolvido.” Segundo Maria Nilza, se naturalizou a questão do negro ser inferior e o próprio negro encara
como natural a posição que ocupa na sociedade. “A sociedade
brasileira precisa entender que
amenizando as desigualdades
haverá uma melhora para todos.”
O cabeleireiro Marcos
Ferreira acredita que a reserva
de cotas é somente outra forma
de preconceito. “É dizer que o
negro não tem condições de con-
O rapaz acabou optando pelo
curso e, para garantir que não
continuassem o namoro escondidos, a mãe veio morar com
ele.
Marcos conta que não sentiu
o preconceito de forma tão direta, mas percebe que o olhar e a
maneira de tratar o negro são
diferentes principalmente nos
shoppings e restaurantes. Ele
conta que antes de trabalhar no
salão tinha uma empresa de
montagem e manutenção de
móveis e muitas vezes teve que
entrar pelo elevador de serviço
dos prédios, mas preferiu encarar como um fato normal, já que
estava trabalhando.
era negra e burra. “A menina
desmaiou e não conseguiu terminar o curso. O professor foi
afastado; não foi ele quem ministrou a disciplina para mim.”
Para Maria Nilza e Miriam, o
fato de a discussão de cotas ter
começado já é um grande avanço para que a sociedade comece
a admitir que existe o preconceito racial e possa iniciar a mudança de valores, que leva tempo, mas se faz necessária para
uma melhora na desigualdade e
conseqüentemente na vida de
todos.
Marcos Ferreira diz que a reserva de cotas é outra forma de preconceito: “É dizer
que o negro não tem condições de concorrer em igualdade com o branco”
correr em igualdade com o branco.” Para ele o que é necessário
é a melhora no ensino no público, que daria conhecimento suficiente para todos concorrerem
ao vestibular. Marcos tem dois
irmãos com curso superior, mas
estudaram em faculdades particulares, no interior de São Paulo. Ele conta que tentou o vestibular na UEL quatro vezes –
duas para Direito, duas para
Economia –, mas não entrou.
“Não passei porque não me esforcei.” Marcos estudou tanto
em escola pública quanto em
particular.
Maria Nilza defende que apenas o esforço pessoal não resolve e aponta que levantamentos
feitos pela própria UEL demonstram isso. Nos cursos com concorrência menor que cinco candidatos por vaga os estudantes
das escolas públicas são maioria; entre cinco e dez há variações dependendo do curso; e
nos de concorrência maior que
dez a predominância é dos que
estudaram em escola particular.
Quando a análise é feita em relação à presença de negros nos
cursos fica demonstrado que são
minoria em todos os cursos. “O
vestibular exclui, principalmen-
te nos cursos mais concorridos”,
enfatiza.
Para ela, a reserva de cotas
não exclui a discussão sobre a
melhora no ensino público, aliás
a reforça. “Somente vão conseguir vaga os melhores da escola
pública. Para negros no curso de
Medicina, por exemplo, serão 16
vagas e virão negros de todo o
Brasil concorrer a essas vagas;
somente os melhores entrarão”,
explica. Como conseqüência
haverá uma cobrança para que
a escola pública prepare melhor
os alunos.
A
professora
Miriam
Henriques Augusto sempre estudou em escola pública e é formada em Letras pela UEL. Para,
ela antes de se fazer a reserva de
cotas é preciso que se estude a
história do negro nas escolas.
“Quem não conhece a sua história vai se negar. O negro precisa
resgatar a sua auto-estima, saber que sua etnia já teve reis,
terras e valorizar sua cultura e
beleza.” Miriam diz que talvez as
cotas sirvam para obrigar a sociedade a encarar o preconceito
que existe. “Talvez sirva para o
Brasil mostrar sua verdadeira
cara.”
O preconceito já foi sentido
tanto por Maria Nilza quanto
por Marcos e Miriam. A professora conta que namorava um
rapaz branco antes dos dois
passarem no vestibular da UEL.
O rapaz passou em Medicina e a
mãe o obrigou a escolher entre
o curso e a namorada negra,
que não era aceita pela família.
Uma forma de igualar
chances ou somente
preconceito?
As opiniões se dividem
Para Miriam
Augusto, as cotas
podem
servir para
obrigar a
sociedade a
encarar
o preconceito
que realmente
existe
Maria Nilza explica que estudos demonstram que nas escolas – públicas e particulares –
é onde há as discriminações
que causam os piores traumas.
“Como o preconceito se naturalizou, as pessoas precisam
enfrentá-lo todos os dias. Os
próprios professores acham que
algumas escolas não são lugar
para o negro, e por isso já vêm
predispostos a vê-los como burros,
preguiçosos
e
indisciplinados.”
Miriam conta que na UEL
um professor de latim chamou
uma aluna negra ao quadro para
resolver um exercício, como a
aluna não conseguiu, ele disse
que além de ser mulher e feia,
A proposta de criação
de cotas para estudantes
de escolas públicas e negros na UEL deverá ser
levada ao Conselho Universitário até o final deste mês, depois de ser debatida em todos os centros de estudos e também no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. O tema já foi debatido em uma audiência pública na Câmara de Londrina no mês passado. O
professor Jairo Queiroz
Pacheco, pró-reitor de
Graduação, explica que
as cotas para escola pública são praticamente
uma unanimidade dentro da UEL, já as cotas
para negros suscitam
maiores dúvidas. “O importante disso é que a
questão racial começa a
ser discutida na sociedade”, avalia. Para ele diante das informações sobre
o sistema é fácil convencer os contrários e fazêlos entender os motivos
para a reserva.
A proposta apresentada pela reitoria para início das discussões tem
quatro pontos centrais: a
reserva de 40% das vagas para alunos de escolas públicas; a metade
dessas vagas (20%) para
alunos negros; a exigência de que o aluno tenha
cursado o ensino médio
integralmente na escola
pública e manutenção do
sistema por dez anos. Segundo Pacheco, algumas
mudanças já foram propostas como a ampliação
do número de anos cursados em escola pública
– além dos três anos de
ensino médio seria preciso ter cursado também
de 5ª a 8ª séries.
Outra questão é quanto ao tempo. Alguns defendem um tempo inferior aos dez anos e a implantação gradual das cotas. Para Pacheco, é necessário que algumas
turmas se formem pelo
novo sistema para que se
possa avaliá-lo. A nota
de corte (nota mínima
para que o aluno não seja
eliminado) deve ser aumentada. “A tendência é
se definir uma nota de
corte mais alta do que a
praticada hoje”, explica.
“Com isso haverá uma seleção maior dos alunos,
não se justificando a preocupação de queda na
qualidade dos alunos formados na instituição.”
Pacheco informa que
até o dia 19 deste mês
todas as alterações terão
que ser enviadas à Reitoria que irá sistematizálas e levá-las à votação
pelo Conselho Universitário. Para o pró-reitor, a
sociedade já começou a
ganhar com o debate, que
levantou questões importantes como a qualidade
do ensino público, o preconceito racial, o papel
da universidade e a relação dela com a sociedade. A proposta dever ser
votada até o final do mês
e ser colocada em prática
no vestibular de janeiro
de 2005. (C.P.)
16
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
EXCELÊNCIA GRÁFICA
Showcase dá
prêmio à Midiograf
Publicação do Londrina Convention vence
na categoria Livro Institucional
A Midiograf, de Londrina, foi a vencedora do Prêmio de Excelência Gráfica Oscar Schrappe Sobrinho, na categoria Livro Institucional, com o
Showcase Londrina & Região, publicação elaborada pelo Londrina
Convention & Visitors Bureau, entidade vinculada à ACIL. A gráfica, que é
filiada ao Convention e à ACIL, concorreu com em outras cinco categorias. Mais 17 gráficas foram premiadas,
todas de Curitiba.
Foi a primeira participação da empresa de Londrina no prêmio, que está
em sua segunda edição e é organizado
pela Abigraf do Paraná, através do
Sigep - Sindicato das Indústrias Gráficas do Paraná. O Prêmio de Excelência Gráfica Oscar Schrappe Sobrinho tem o objetivo
de estimular a qualidade gráfica no Paraná, incentivando a prática criativa e as
inovações tecnológicas das empresas do Estado.
O Showcase Londrina & Região é um guia de apresentação da Cidade e do Norte do
Paraná a investidores e realizadores de eventos de todo o Brasil. A publicação teve como
editor o jornalista Roberto Francisco, também responsável pelo Jornal da ACIL. A
programação visual da revista é assinada por Alessandro Camargo e Roberto Francisco.
O prêmio foi entregue no dia 27 de junho a Onildo Benvenho, representante da
Midiograf na premiação, em Curitiba.
Falta de estrutura prejudica
exportação por Paranaguá
O governo federal está se fartando com o crescimento das exportações brasileiras nos últimos três
anos. Os sucessivos superávits comerciais são a alegria da equipe
econômica e um reforço estratégico
para a política de estabilidade da
moeda. Mas nem tudo são comemorações nesse cenário. Para os exportadores, esse crescimento gerou
um problema que não estava no
roteiro, embora fosse previsível: falta estrutura nos portos brasileiros.
O sistema logístico dos portos do
País está estrangulado e Paranaguá
é
um
dos
principais
exemplos.”Paranaguá
tem
desprestígio e risco maior que os
outros portos devido aos problemas
operacionais, de dragagem, cais sem
condições, problemas sanitários e
operação lenta”, criticou recentemente Nilson Hanke Camargo, assessor
econômico da Federação da Agricultura do Paraná. O exportador também enfrenta a falta de contêineres,
espaço nos navios e freqüência de
navios.
Com a demanda em alta e a estrutura sem expansão, o resultado
não poderia ser outro: preços maiores. O frete marítimo subiu entre
30% e 35% este ano. O frete da soja
subiu 20% em 2004, admite o diretor
administrativo do Porto de
Paranaguá, Mario Marcondes Lobo
Filho. A espera por um contêiner
pode levar até 30 dias e, mesmo
conseguindo o equipamento e concordando em pagar o frete marítimo
caro, o exportador enfrenta ainda a
falta de navios para operar a carga.
Outro fator agravante para os
exportadores é o custo diário dos
navios que aguardam para receber
as cargas, que no ano passado ficava
entre US$ 8 mil e US$ 10 mil e este
ano chega a US$ 60 mil em
Paranaguá.
Uma das explicações para esse
aumento do custo cobrado pelas
empresas de navegação é o crescimento da demanda por frete marítimo na Ásia, puxado principalmente pela expansão econômica
da China.
Os problemas de estrutura
aeroportuária foram um dos pontos levantados pelo documento elaborado durante o II Caminho do
Exportador, evento promovido em
Londrina no dia 20 de maio pelas
entidades e empresas que integram
o grupo de fomento ao comércio
internacional. A chamada “Carta
de Londrina” critica o excesso de
burocracia e impostos e as dificuldades e altos custos nos portos
brasileiros.
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
17
MODA DA CASA
Quando setembro chegar
Estação Fashion Londrina será
realizado mais cedo e será
maior este ano; tema serão as cores
e os personagens de Londrina
O Estação Fashion
Londrina, evento lançado
ano passado com a
proposta de servir como
vitrine do potencial da
indústria da moda em
Londrina, chega a sua
segunda edição este ano
com novidades
importantes. O evento
está maior. Ele terá
duração de três dias,
maior investimento dos
parceiros, uma estratégia
de comunicação focada na
imprensa especializada,
mais marcas participantes
e, como conseqüência,
maior número de
compradores, explica
Vanessa Wander, diretora
da Fashion House,
empresa responsável pela
organização do Estação
Fashion Londrina.
Para tanto, a presença
da imprensa especializada
é fundamental. A previsão
é que venham a Londrina
durante o evento pelo
menos 30 jornalistas
ligados aos maiores
veículos especializados em
moda do País, número
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
18
bem maior do que na
primeira edição.
Outra novidade
importante é a data. A
primeira edição foi
realizada em novembro.
Esta será em setembro –
nos dias 8, 9 e 10 –,
período mais adequado ao
lançamento das novas
coleções de alto verão.
Essa mudança encaixa o
Estação Fashion Londrina
no calendário de eventos
que lançam moda e o
torna mais atraente aos
veículos de comunicação
especializados do setor. E
como no mundo fashion é
importante “acontecer”, a
alteração de data passa a
ser estratégica. A idéia dos
realizadores é tornar o
evento maior em tamanho
e repercussão, o que dará
maior visibilidade à moda
produzida no Norte do
Estado.
A presidente do
Conselho da Mulher
Empresária da ACIL,
Helenida Taufik Tauil da
Costa Branco, afirma que
o evento pretende
transformar Londrina na
primeira estação do
roteiro da moda no
Paraná. “As coleções das
indústrias da região têm
assinatura de estilistas,
profissionais que estão se
reciclando o tempo todo,
no País e no exterior”,
acrescenta. A produção de
Londrina e da região,
amparada pela presença
de faculdades de
estilismo, tem qualidade e
identidade própria, o que
credencia a Cidade como
um centro criador de
moda.
A edição deste ano terá
como tema “Cores e
Nomes”. “A proposta é
resgatar a história da
Cidade mostrando suas
cores; as cores que vestem
Londrina na arquitetura,
na moda e na ciência,
relacionando-as com
nomes e estilos”, explica
Vanessa.
Frente a frente – A
Rodada de Negócios este
ano será organizada pelo
Sebrae-PR, ABIT, Vestpar
e Apex. Na rodada
internacional, serão 15
compradores patrocinados
pelo evento que irão
negociar com empresas
selecionadas e preparadas
pelos organizadores.
A iniciativa de realizar
o Estação Fashion
Londrina em 2003 foi da
Associação Comercial e
Industrial de Londrina
(ACIL), através do
Conselho da Mulher
Empresária, que teve
parceria da Companhia de
Desenvolvimento de
Londrina (Codel), Sebrae,
Senai, Federação das
Indústrias do Estado do
Paraná (Fiep), Sindicato
das Indústrias do
Vestuário no Paraná
(Sivepar) e Sindicato
Intermunicipal no Estado
do Paraná (Vestpar).
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
19
NOVOS CONCEITOS
Opção racional
Escritórios virtuais são alternativa para quem quer reduzir
custos e garantir maior praticidade na rotina de trabalho
Katia Baggio
Especial para o Jornal da ACIL
As luzes estão apagadas?
Os equipamentos estão desligados?
E os impostos, será que consigo pagar?
Essas são apenas algumas preocupações de quem tem uma empresa. A estrutura física e os tributos ocupam boa parte
dos custos e do tempo do profissional.
Mas muitos têm a possibilidade de agilizar
seus negócios, transferindo suas atividades para um escritório virtual.
A proposta surgiu na Europa do pósguerra, quando os países entraram em
fase de reconstrução, inclusive da economia, e passaram a compartilhar espaços
e logística como forma de racionalização
e redução de custos. Os americanos adotaram e adaptaram a idéia e a difundiram
pelo resto do mundo. O Brasil desenvolveu o primeiro escritório virtual há pouco
mais de 10 anos. Hoje, mais de 200 estão
espalhados pelas capitais e grandes cidades do País.
Mas, afinal, o que é um escritório
virtual?
“Aqui, colocamos à disposição do profissional toda a estrutura física e administrativa de que ele precisa para desempenhar sua atividade, como salas equipadas para reuniões, treinamentos ou
atendimentos individuais, secretária que
desempenha as atividades normais da
função, serviço de atendimento telefônico, correio, fax, Internet e até cafezinho”,
relaciona a diretora de marketing da Associação Nacional dos Centros de Negócios e Escritórios Virtuais, Leslie Adriano.
Há nove anos, ela montou o primeiro
escritório virtual de Londrina, o Domicilli.
Leslie destaca que, com o escritório
virtual, o profissional pode dedicar mais
tempo para o principal objetivo de sua
atividade: o cliente. “Além disso, ele fica
livre da maioria dos tributos e encargos
que uma empresa física gera.” Compartilhar espaços pode ser considerado complicado para quem não conhece o funcionamento do escritório virtual, mas quem
oferece o serviço garante que a agenda de
“Reduzi meus
custos em 92%”,
diz o psicólogo
Sérgio Augusto
de Oliveira
Leslie Adriano, diretora do Domicilli: “Profissional
fica com mais tempo para se dedicar ao cliente”
uso das salas e dos serviços evita qualquer inconveniente. O sistema é favorável principalmente para profissionais liberais, representantes e consultores – e
pode servir como incubadora para novas
atividades. “Temos casos de empresas
que nasceram no escritório virtual e conforme deram certo migraram para estruturas independente”, diz Leslie.
Londrina tem apenas um escritório
virtual, implantado em 1995, pioneiro no
Paraná e praticamente no Brasil, segundo a diretora de marketing da Associação. “Nos instalamos aqui, quando o
primeiro escritório de São Paulo também
estava sendo estruturado.” A maioria da
clientela é cíclica, pois a estrutura também é útil para executivos que viajam
com freqüência, mas ficam em contato
permanente com a sede da empresa.
Porém, muitos clientes do escritório
londrinense usam o espaço desde que foi
inaugurado.
O psicólogo Sérgio Augusto de Oliveira é um dos primeiros clientes em Londrina. “Eu buscava a redução de custos
quando conheci o escritório virtual. Passei a atender meus clientes aqui e em
pouco tempo reduzi meus custos em 92%
com relação ao antigo consultório. Tenho
tudo o que preciso, até água e cafezinho,
além de estar em contato com outras
pessoas, o que é bastante positivo”, relata
Oliveira.
O escritório oferece pacotes com opções de serviços e custos – por hora ou
mensais. O uso do endereço, mais recepção de clientes, documentos e atendimento telefônico custa R$ 94 mensais,
por exemplo. Se o cliente preferir atendimento telefônico personalizado, com número exclusivo, são mais R$ 40.
Jaqueline Luz, publicitária, utiliza o escritório virtual há
três meses: “Mais agilidade e praticidade para trabalhar”
Para a publicitária Jaqueline Luz, redução de custo também foi o principal
motivo que a conquistou para o escritório
virtual. “Estou aqui há apenas dois meses e os gastos caíram de R$ 2 mil por mês
no antigo local para R$ 800 aqui. Eu
também ganhei agilidade e praticidade
para trabalhar.” A profissional optou pela
locação de uma sala no período da manhã, diariamente, e diz que tem dado
certo. Serviços de atendimento telefônico
e outros estão incluídos no valor que ela
paga ao escritório.
Leslie Adriano informa que o número
de escritórios virtuais aumenta de 10% a
15% ao ano, no Brasil, o que ainda é
pouco, mas explica que o segmento tem
o difícil desafio de mudar conceitos. “O
empresário brasileiro ainda não
desvinculou empresa de espaço físico, e
a resistência ainda é grande para esse
outro formato empresarial. Mesmo quando inauguramos o escritório, em 95, já
tínhamos Internet disponível, mas os
clientes tinham receio de se transferir
para cá. Alguns queriam locar uma sala
exclusiva e levar a chave; precisamos
mostrar que, se ele não usava o espaço o
dia todo, não era necessário gastar para
mantê-lo fechado. Assim, fomos apresentando formas racionais de utilização
de salas, equipamentos e mão-de-obra;
hoje, quem utiliza o escritório virtual fica
satisfeito.” A locação de uma sala, por
uma hora, pode custar menos de R$ 8 por
mês. Tudo depende da necessidade do
usuário.
A idéia de trabalhar em um local
totalmente flexível e garantir custos baixos é a base para a adoção do escritório
virtual. Leslie comenta: “O profissional só
precisa lembrar que deve oferecer qualidade no seu serviço e não uma sala
imensa, com uma mesa cara. Trabalhamos pela mudança de paradigmas”.
Atividade
cresce no País,
mas ainda há
resistências entre
os empresários
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
20
VIAÇÃO GARCIA
Nesta longa estrada da vida
A história de uma das
empresas mais
tradicionais de
Londrina – mais
antiga, até, que o
próprio Município
José Antonio Pedriali
Especial para o Jornal da ACIL
No princípio era o verbo, e o
verbo era sofrer. Os 25 quilômetros que separam o Rio
Tibagi de Londrina exigiam
todo um dia para serem percorridos em meio à picada, com
subidas e descidas sem fim,
que rasgava a densa floresta
típica do Norte do Paraná. Era
1934. Levas e levas de colonos
e aventureiros de São Paulo,
Minas Gerais e do mundo todo
chegavam ao Norte do Paraná,
que começava a ser colonizado, em busca da prosperidade
que não haviam encontrado
em outras regiões. O mundo
civilizado terminava em
Jataizinho, e daí para o sertão
promissor era necessário cruzar o sempre turbulento Tibagi
em balsas precárias e chegar a
Londrina, até então o único
centro urbano de toda uma
vasta região, para se instalar
ou tomar como ponto de partida para novas conquistas. Do
rio a Londrina, havia a picada.
Havia a lama, a poeira, os
mosquitos, e um único meio de
locomoção: um caminhão Ford
1933, adaptado para o transporte de passageiros.
Este caminhão adaptado,
uma autêntica jardineira que
seria carinhosamente batizada de “Catita”, foi o embrião de
uma empresa de transporte de
passageiros, e mais tarde também de cargas, que está hoje
entre as 10 maiores do Brasil,
com uma frota de 450 ônibus.
A Viação Garcia Ltda., com
sede em Londrina, completa
sete décadas de existência. Tem
a mesma idade que a Cidade
que a hospeda, mas se a contagem for levada ao pé da letra,
Empresa surgiu formalmente
em 15 de janeiro de 1934,
como Heim & Garcia
a empresa é mais antiga que
Londrina, que fará 70 anos em
dezembro.
A Garcia surgiu formalmente em 15 de janeiro de 1934
com o nome de Companhia
Rodoviária Heim & Garcia. A
Companhia de Terras Norte do
Paraná, de capital inglês e responsável pela colonização da
região – processo que teve início em 1929 – transferiu a tarefa de transporte dos colonos
que adquiriam seus lotes ao
mecânico Mathias Heim, que,
para viabilizar o negócio, associou-se Celso Garcia Cid. No
início, Celso era o motorista e
Mathias, o mecânico.
Três anos depois a sociedade se desfez. Mathias não se
adaptou aos rigores da região.
Celso, então, procurou novo
sócio, encontrando no também
espanhol José Garcia Villar o
companheiro ideal. A nova sociedade, formalizada em 1938,
quando a empresa já contava
com uma frota de oito ônibus,
deu origem a uma nova denominação – a Empreza Rodoviá-
ria Garcia & Garcia –, que viria
a ser definitivamente substituída, na década de 1950, por
Viação Garcia Ltda.
O crescimento vertiginoso
do Norte do Paraná, que teve o
café como mola propulsora,
contribuiu para a expansão da
empresa, mas até a década de
1960 o verbo sofrer ainda seria
conjugado. As estradas continuavam precárias enquanto
mais e mais cidades eram abertas em meio ao sertão – e seus
moradores precisavam de
transporte; precisavam, portanto, da Viação Garcia.
Novos e resistentes ônibus
foram incorporados, rodoviárias eram construídas pela própria empresa, já que os municípios, ainda incipientes, não
dispunham de recursos, e até
estradas a Garcia abriu para
chegar aos novos centros urbanos. Que, em muitos casos,
se limitavam a uma clareira na
mata, com uma ou poucas ruas.
Um dos momentos mais
críticos da empresa foi na década de 1940, quando a Se-
hoje principalmente para linhas de longa distância, a
Garcia contou em sua frota
com o GMC, nas décadas de 40
e 50, ônibus com capacidade
para 35 passageiros que inaugurou a era dos “carros de frengunda Guerra
Mundial
estava
te reta”
utilizados
até hoje. A
no auge.década
Imigrantes
de 60alemães,
foi marcada peitalianoslos
e japoneses,
que enFenemê, que
transportagrossavam
vamo37contingente
passageiros,de
e, nas décolonos cadas
do Norte
do Paraná,
seguintes,
a primazia foi
eram reprimidos
pelaUm
polícia
dos Scanias.
deles, o modo presidente
GetúlioéVargas,
e como
delo B-111,
conservado
a Viaçãouma
Garcia,
como
aster
derelíquia
por
transpormais empresas
do Brasil,
so- II dutado o papa
João Paulo
fria com arante
escassez
gasolina
suadapassagem
pelo
e do diesel,
então severamente
Paraná.
racionados. OA “Double
Garcia não
es- introDecker”,
moreceu.duzido
Doze na
ônibus
GMC,
década
de 90, reúne
conhecidos
“Pavão”,
umpor
conjunto
de foram
inovações que
adaptados
para ter comoacomrevolucionaram
segurança e
bustível o conforto
gasogênio,
prodosgás
passageiros.
São
duzido pela
queima
do carvão.
ônibus
de dois
andares, com
Além desala
sujo
altamente
de eentretenimento,
polpoluentetronas
– sem de
falar
no desacouro,
cabine exclugradávelsiva
apelo
paraestético
pequenoque
número
impunha nos ônibus –, o
gasogênio movia os veículos
lentamente. O percurso Londrina-Paranavaí, de pouco mais
de 200 quilômetros, por exemplo, exigia 16 horas para ser
vencido.
Da “Catita” aos requintados
“Double Decker”, utilizados
Durante a Segunda Guerra
Mundial, doze ônibus eram movidos
a gasogênio
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
de passageiros na versão
leito, sistema de ar frio e
quente uniforme, videocâmera para manobras e o
Control Laser, radar que detecta a aproximação de obstáculos.
A “Catita” e o “Pavão” não
foram as únicas adaptações
que a Garcia promoveu em
seus veículos. A empresa desenvolveu em seus laboratórios o terceiro eixo para ônibus com suspensão a ar, inovação que pôs em prática a
partir da década de 70 em
seus modelos Scania. A empresa foi a primeira no Brasil
a utilizar os biarticulados e também a pioneira
na aquisição do Trinox, da
Scania, com carroceria em
aço inoxidável. A partir da
década de 80, a empresa popularizou o “Top Bus”, sobre
chassis Scania e Volvo, aumentando o conforto dos
passageiros com a sofisticação do acabamento interno
dos ônibus, que passaram a
ser equipados com poltronas
mais reclináveis e amplas, e
oferecendo melhor atendimento proporcionado pelo
serviço de café, refrigerantes
e lanches. Tudo isso sem praticamente alterar o preço da
passagem em relação aos
21
ônibus convencionais.
Dos pioneiros Celso Garcia
Cid e José Garcia Villar, três
gerações se sucederam no comando da empresa, hoje sob a
responsabilidade de José Paulo Garcia Pedriali e Gustavo
Garcia Cid, netos dos fundadores. A empresa tem atualmente
2 mil funcionários e transporta
1 milhão de passageiros por
mês entre as 160 cidades que
serve no Paraná, São Paulo,
Mato Grosso do Sul, Minas
Gerais e Rio de Janeiro. Sua
frota percorre mensalmente 3,5
milhões de quilômetros.
A empresa tem participação
acionária em outras duas de
transporte de passageiros –
Ouro Branco e Princesa do Ivaí,
com aproximadamente 100 ônibus – e numa de turismo, a
Garcia Tur. Durante três anos
consecutivos, a partir de 2001,
a Garcia conquistou o troféu
“Top of Mind Paraná”, concedido pela revista Amanhã e Instituto Bonilha, de Curitiba.
O gerente-geral José Paulo
aponta a modernidade, a conservação da frota e o preparo
dos funcionários como algumas das principais conquistas
da empresa. Há 25 anos, a
Garcia vem submetendo seus
funcionários a cursos periódicos. Os motoristas, por exem-
plo, têm 60 horas de treinamento antes de iniciar o trabalho na empresa, treinamento
que aborda desde princípios de
direção defensiva a mecânica e
técnicas de primeiros socorros.
A H24, subsidiária da Garcia
no transporte de cargas, é a
concretização de uma idéia
ambiciosa: entregar em 24 horas, no máximo, encomendas
recolhidas no local indicado pelo
cliente em qualquer cidade atendida pela empresa. Cem cami-
Hoje a Garcia
transporta 1 milhão de
passageiros por mês
nhões compõem a frota da H24,
rodando 5 milhões de quilômetros por mês.
No princípio era a Catita.
Em 70 anos da estrada, a Viação Garcia aliou tradição e
modernidade – sempre conjugando o verbo transportar.
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
22
VAREJO
Comércio não pode recusar
cheque de contas novas
Lei sancionada pelo governador Roberto Requião em junho proíbe as
empresas de exigir tempo mínimo de abertura de contas correntes.
Comerciantes devem buscar ferramentas para se proteger
Os comerciantes do Paraná agora
são proibidos, por uma lei estadual, de
recusar cheques mesmo que sejam de
contas abertas a menos de um ano. A
triagem no recebimento dos cheques é
uma medida de proteção que as empresas vêm adotando diante da grande
incidência de cheques devolvidos por
falta de fundos dessas contas. Cerca de
80% dos cheques sem fundos recebidos
pelo comércio de Londrina são de contas com menos de um ano de abertura.
Agora, a Lei 14.430, sancionada pelo
governador Roberto Requião no dia 7
de junho, veda aos estabelecimentos
comerciais a exigência de tempo míni-
mo de abertura de contas correntes
para o recebimento dos cheques. E impõe sanções para o descumprimento. O
comerciante que desobedecer a lei estará sujeito, progressivamente, a advertência, multa no valor de dez salários
mínimos e de 20 salários em caso de
reincidência e ainda suspensão das atividades.
Na prática, as empresas terão duas
opções: suspender totalmente o recebimento ou passar a aceitar todos os
cheques, independente da “idade” das
contas. Para os comerciantes, a primeira opção é de alto risco, já que o cheque
é um meio de pagamento fortíssimo,
que deve ainda ser usado por muito
anos, mesmo com o crescimento dos
cartões de crédito.
Por outro lado, a lei estadual cria
um sério problema para os varejistas. A
aceitação irrestrita de cheques aumenta em muito o risco da inadimplência,
que significa um prejuízo violento com
probabilidade praticamente zero de recuperação. Um prejuízo que nem o governo do Estado nem a União aceitariam assumir.
Uma das ferramentas das empresas
para reduzir esses riscos são os serviços de proteção ao crédito, como SCPC
e o Protecheque, ambos oferecidos pela
ACIL. No Protecheque, por exemplo, a
empresa é informada se o cheque é
roubado, sustado ou foi devolvido por
falta de fundos. No SCPC, o empresário
pode saber se o dono da conta está com
o crédito suspenso no comércio. O SCPC
permite também saber quantos estabelecimentos comerciais consultaram informações sobre o dono do cheque nos
últimos dias. Esse serviço, chamado
“Passagem” ou “Consultas”, ajuda a
identificar possíveis golpistas que estejam agindo na Cidade.
OPINIÃO
Emerson C. Lemes
Especial para o Jornal da ACIL
Dois Quintos dos Infernos
Durante o século XVIII, o Brasil-colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Este tributo incidia sobre
tudo o que fosse produzido em
nosso País, e correspondia a 20%
dessa produção. Esta taxação
altíssima, absurda, era chamada de “O Quinto”. Este imposto
incidia, principalmente, sobre
nossa produção de ouro. O Quinto era tão odiado pelas pessoas
que foi apelidado de “O Quinto
dos Infernos”, dado ao seu custo
altíssimo. Aprendemos no ensino fundamental, nas aulas de
História do Brasil, que Portugal
quis, em determinado momento,
cobrar os “quintos” atrasados
de uma única vez – no episódio
conhecido como “A Derrama”.
Isto revoltou a população, gerando o movimento conhecido como
“Inconfidência Mineira”, que teve
seu ponto culminante no enforcamento do líder Joaquim José
da Silva Xavier, o Tiradentes.
Apesar dos livros escolares
ainda nos apresentarem um
Tiradentes-herói, hoje se sabe
que ele foi um dos grandes contrabandistas de ouro deste
país. Mas, o curioso é que ele
contrabandeava justamente
para fugir dos altos tributos
impostos pela coroa portuguesa! Afinal, quem agüenta um
imposto de 20% do PIB?
Esta história me faz pensar
no presente. De acordo com o
IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), a carga
tributária brasileira deverá chegar ao final deste ano em 38% do
PIB. Praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção. Calculase que nossa capacidade tributária é de 24% do PIB; ou seja,
estamos arcando com um peso
muito maior do que suportamos
carregar. Segundo o economista
Emerson Kapaz, do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial, por
não agüentar uma taxa tributária tão alta, o empresário brasileiro está partindo cada vez mais
para a informalidade, para uma
situação de desobediência civil.
“O governo aumentou os impostos de novo? Não tem problema,
eu não vou pagar.” Esta é a
reação de muitos empresários,
hoje.
Nada diferente do que faziam o alferes Tiradentes e seus
companheiros,
quando
contraban-deavam o produto do
País para fugir do Quinto dos
Infernos. A diferença entre os
dias de Tiradentes e nossos dias
é que naquele tempo uma voz
ergueu-se, e lutou pelo fim do
imposto absurdo, sendo levado
à morte por este ideal. Hoje, a
carga triutária é o dobro daquela
da época da Inconfidência Mineira, ou seja, pagamos hoje Dois
Quintos
dos
Infernos.
Só precisamos encontrar um
novo Tiradentes...
Emerson Costa Lemes é contador com especialização (em
andamento) em Direito do Trabalho e Previdenciário e analista de regras de negócios do
Sistema WINNER de Folha de
Pagamento
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
23
CRÔNICA
Widson Schwartz
Especial para o Jornal da ACIL
Bomboró, a sonoridade que se foi
O Bar do Jaime, “túnel do tempo”
de
três
décadas,
mantém
freqüentadores de origem com memória firme. “E o Bomboró, que fim levou? Lembra-se de ter escrito na Folha a respeito dele?”
Não se tem notícia de Bomboró,
que já estava “madurão” ao contar
histórias em 1980. Algumas aparentemente incríveis.
“Bororó?”
“Não. Bomboró, mesmo.” Rejeitava a glória de ser confundido com
Bororó, o autor dos sambas-choro
“Da Cor do Pecado” e “Curare”, até
porque o seu apelido tinha história
consistente.
Expedito Henrique Alcântara, o
Bomboró, trazia a memória impregnada de recordações do moleque
cambiteiro no Ceará; do baterista que
conheceu Noel Rosa e acompanhou
Orlando Silva. Esse mesmo, “o cantor
das multidões”. Depois, a orquestra
do Circo Garcia e a Casa da Diana,
em Londrina.
“Eu era cambiteiro, você sabe o
que é isso?”
Cambito: uma forquilha enorme,
sem o cabo. Presas à cangalha do
burro, duas de cada lado, suportam
quantidades de ramas de cana, levadas para alimentar o gado. Órfão de
pai e mãe, aos oito anos Expedito
trabalhava na fazenda do coronel
doutor Phelemon Telles, no Cariri.
Punha as ramas nos cambitos.
Depois, a casa do tio Raimundo,
no Crato. Sapateiro sapateador e baterista era tio Raimundo, “um
malandrão”. Com ele, o sobrinho
aprende a fazer sapatos a ponto,
caprichados. E, aprendiz de baterista, passa a afinar os instrumentos do
grupo de escoteiros.
“O tambor, eu afinava em ré; o
bombo em dó, e acabaram me chamando de Bomboró.”
Naquele tempo alistar-se na Marinha aos 15 anos “era a grande malandragem, né!”. Disciplinadamente,
o marinheiro Bomboró amplia o conhecimento musical, aprende a ler na
pauta. Quando dá baixa, no Rio de
Janeiro, conhece um “sujeito
murchinho de rosto”, chamado Noel
Rosa, em Vila Isabel, e também o
flautista Benedito Lacerda, personalidades da década de 1930.
Oportunidade, mesmo, só em São
Paulo, no dancing “Caçamba”, na Praça da República. Havia lá um quarteto de saxofones e um sexteto de
pistons, no estilo das jazz-bands norte-americanas.
Aos olhos dos incrédulos que ou-
Expedito Henrique Alcântara
foi cambiteiro no Ceará,
baterista que conheceu
Noel Rosa, acompanhou
Orlando Silva, tocou na
Boate Diana e virou picareta
de carros em Londrina
vem a história, Bomboró solfeja “In
The Mood”, marca o compasso com
um pé e mexe os punhos, como se
estivesse na bateria.
E passa a relembrar excursões
com outros instrumentistas, uma para
quebrar a monotonia de um acampamento de garimpeiros em Poxoréu
(MT). Música, enquanto prostitutas
invadem as barracas, cobrando dois
mil réis por michê.
Já em Araçatuba (SP), convidaram-no para acompanhar Orlando Silva em uma excursão, juntamente com
o pianista Neco e o baixista Gaetta,
contratados em São Paulo. Conhecia
muito bem o repertório de Orlando,
por isso o procuravam.
Mas a excursão virou caso de polícia, encerrada repentinamente em
Caxias do Sul (RS). Orlando tinha
contrato com a Rádio Nacional, que
lhe concedera “licença por motivo de
saúde”, não para que fizesse aquela
excursão, patrocinada por “Fadurini”
e “Urodonol”. E até a polícia foi acionada para notificá-lo.
“Essa história de Orlando ninguém
conhece”, intervém um incrédulo.
Bomboró retruca: só não mostra fotografias porque está incompatibilizado
com a família, que não lhe entrega o
álbum.
“O Bomboró tocou comigo em
Araçatuba, era bom de ritmo o danado”, recordaria o maestro Gervásio
Nunes. Por caminhos diferentes,
Gervásio e Bomboró chegaram a Londrina, um para formar orquestra no
Grêmio, outro para tocar bateria na
Boate Diana, na década de 50.
Bomboró havia passado oito anos na
orquestra do Circo Garcia. “Que vida.
Ternos sob medida e muito dinheiro
nos bolsos.”
Nos anos 60, o iê-iê-iê e a jovem
guarda ofuscam as orquestras. Uma
guitarra, um baixo e uma bateria fazem um barulhão danado, a baixo
custo.
E, com o declínio do café, desarticula-se a famosa zona do meretrício,
que desaparecerá.
Bomboró nem sequer havia pensado em ser baterista de rock; junto
com o amigo Régis, virou negociante
de carros, compravam aqui e revendiam em Santa Catarina.
Nos anos 80, Bomboró resumia a
sua história: “De cambiteiro a picareta de carro”.
Widson Schwartz é jornalista em Londrina
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
24
Estrutura e qualidade de serviços
Diretor da Vertical Eventos e Comunicação, José Maranho faz visita de inspeção
a Londrina e dá dicas sobre como a Cidade pode atrair mais eventos
A visita do empresário e jornalista José Antonio Maranho, diretor da
Vertical Eventos e Comunicação, a
Londrina, há cerca de duas semanas, serviu para reforçar alguns
pontos que o Londrina Convention
& Visitors Bureau vem alertando há
tempos. O principal deles é a falta de
uma estrutura adequada para sediar
convenções com até 1.500 pessoas
num só espaço e salas para atividades simultâneas.
Maranho veio a Londrina para
uma visita de inspeção, atendendo
convite do Convention. Ele conheceu os equipamentos da Cidade e da
região. O empresário considerou boa
a estrutura e a localização do CEEL
- Centro de Exposições e Eventos de
Londrina, adequadas, segundo ele,
para sediar feiras e exposições. Mas
para receber convenções, o local
precisaria receber adequações.
A sugestão de Maranho é que se
construa uma ala nova junto às
estruturas já existentes e que seja
específica para convenções. Isso inclui um auditório de grande porte e
um conjunto de salas de diversos
tamanhos, com equipamentos de
apoio.
Outro ponto importante são os
serviços. A experiência do empresário em Londrina comprova os problemas que ainda precisam ser sanados. Com o aeroporto fechado por
conta do mau tempo, o avião em que
ele vinha pousou em Maringá. De lá,
precisou vir de ônibus, em pé, até
Londrina.
Ao chegar à Cidade, às 2 horas
da madrugada, foi deixado no aeroporto e não no hotel, como preten-
Pacote atrai turista para fim de
semana
dia. No aeroporto, precisou esperar,
porque havia poucos taxistas no
local. Quando conseguiu um carro,
teve a bagagem literalmente jogada
no banco de trás.
O taxista então saiu em disparada, atravessou sinais fechados e, ao
ser questionado sobre o motivo da
pressa, justificou que queria chegar
rápido de volta ao aeroporto, para
fazer mais viagens. Deixado pelo
taxista apressado no hotel, Maranho
encontrou a recepção vazia e precisou chamar funcionário para ser
atendido.
Na avaliação da diretora executiva do Convention, Maitê Uhlmann,
a questão da qualidade dos serviços
é vital para Londrina na luta para
atrair eventos. As estruturas são
importantes e devem ser supridas,
como o caso de um centro de convenções de grande porte. “Mas pouco adiantará construirmos esses espaços se não tivermos a consciência
de que a qualidade dos serviços é a
grande marca de uma cidade”, diz.
“Não dá para entrar no jogo se o
básico não acontecer, como a instalação do ILS e a adequação do número de taxistas no aeroporto de
Londrina”, acrescenta Maitê.
Pesquisa - Consulta de opinião
junto aos associados revelou que o
Convention tem aprovação de 81%
dos seus filiados. “Foi muito importante conhecer a opinião e a avaliação que os associados fazem do
Convention, já que pudemos verificar ponto a ponto onde estão nossas
falhas e onde precisamos melhorar;
para isso a participação dos nossos
filiados foi fundamental”, afirma
Maitê Uhlmamm.
A pesquisa mostrou que os associados apontaram as rodadas de
negócios, os orçamentos e as reuniões de planejamento como os maiores benefícios gerados pelo
Convention.
O Hotel Sumatra montou um pacote criativo voltado aos turistas que pretendem passar o final de
semana em Londrina e para as agências de turismo,
que passam a contar com um produto novo para
oferecer a seus clientes. O “Final de Semana Festivo” é
um pacote que inclui hospedagem, com jantar dançante e jantar opcional no Buffet Estação. O Hotel está
oferecendo duas formas de pacote. No primeiro, com
diária de sábado a domingo em apartamento casal
(suíte superior), incluindo o jantar opcional e o jantar
dançante, o custo é de R$ 124,00 por casal. No
segundo, com duas diárias de sexta a domingo, o valor
é de R$ 213,00.
A atração musical do pacote este trimestre é “Tigrão
e Trio”, que segundo o hotel é considerado um dos
melhores grupos de MPB e samba do Sul do País. A
coordenadora de eventos do Sumatra, Tania Mara
Lopes de Oliveira, ressalta que o pacote é atraente
porque oferece, na verdade, um fim final de semana na
Cidade, com hospedagem em hotel 4 estrelas, lazer
artístico, gastronômico e oportunidade de compras no
comércio de Londrina.
FIQ 2004 terá feira virtual
A quarta edição da FIQ - Feira Internacional da
Qualidade em Máquinas, Matérias-Primas e Acessórios para a Indústria Moveleira, que será realizada de 2 a 6 de agosto no Expoara, em Arapongas,
promete movimentar o setor moveleiro do País e
agitar o trade turístico do Norte e Noroeste do
Estado. A FIQ e a Movelpar, também realizada no
Expoara, são os dois maiores movimentadores da
estrutura hoteleira da região, por serem os principais eventos de negócios do eixo Londrina-Maringá.
A feira deste ano terá um recurso tecnológico
adicional. Todos os espaços da FIQ estarão também na
Internet. “Construímos o Expoara em três dimensões.
Os visitantes poderão caminhar pelos corredores e
visualizar produtos, especificações e informações sobre a empresa expositora. O layout será o mesmo da
FIQ, mudando apenas o formato dos estandes”, afirma
Marcos Buratto, gerente de marketing do Portal
Moveleiro, parceiro da Expoara na iniciativa.
A idéia é potencializar os negócios iniciados durante a feira. Os empresários do setor moveleiro poderão
visitar a FIQ virtual por seis meses. Esse novo recurso
ajuda também na comercialização no mercado internacional.
A FIQ é a única feira de fornecedores da indústria
moveleira totalmente dirigida ao setor a ser realizada
neste ano no Brasil. A perspectiva dos organizadores é
receber 35 mil pessoas ligadas ao segmento do Brasil,
América do Sul, México, Canadá e de países da
Europa. Na sua quarta edição, a FIQ terá 250 expositores. A perspectiva é que a feira realize negócios em
torno de R$ 320 milhões.
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
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P A I N E L E C O N Ô M I C O
José Pio Martins
Especial para o Jornal da ACIL
Perigos de uma boa intenção
Pessoas notórias vêm pedindo que o governo aumente os gastos. Isso significa
aumentar o déficit nominal.
Em 2004, os juros da dívida
pública podem passar de R$
140 bilhões, enquanto o superávit primário não passará de R$ 70 bilhões.
Na sua coluna da revista
VEJA de 06/06/2004, o professor Stephen Kanitz disse
que, sendo a taxa de juros
de 16% e a inflação prevista
de 15%, na prática o governo não tem juro real algum a
pagar. Este raciocínio contém um equívoco. Kanitz teria razão se a inflação chegasse aos 15%, se o aumento no valor nominal do produto total do País (PIB) fosse também de 15% e se o
aumento da arrecadação tributária do governo subisse
na mesma proporção. Como
a arrecadação de tributos
deve subir uns 7%, que é a
inflação geral, não se pode
usar um índice isolado de
15% como sendo mera correção monetária da dívida e
concluir que o juro real é
praticamente zero.
Dizendo de outra forma,
temos muitos índices de inflação e o índice que vale
para “deduzir” da taxa de
juros nominal paga pelo governo, a fim de achar a taxa
real, é aquele índice que faz
a arrecadação crescer, ou
seja, os tais 7% ao ano. Os
juros nominais sobre a dívi-
da governamental devem
chegar a R$ 140 bilhões; uns
R$ 60 bilhões referem-se à
inflação do ano, portanto,
há uma despesa com juros
reais de R$ 80 bilhões.
Em artigo assinado, um
importante líder empresarial pedia três coisas: a) redução da taxa de juros; b) redução da carga tributária; c)
aumento dos gastos do governo. É impossível. A taxa
de juros não é uma variável
controlável por decreto do rei.
Ela reflete a saúde financeira do governo e a confiança
no País, e a melhor forma de
baixá-la é diminuindo o
endividamento estatal, o que
só pode ser conseguido por
duas vias: a) vender ativos
para cancelar passivos
(privatização); b) obter
superávits primários para
resgatar a dívida vincenda.
Gastar mais e reduzir simultaneamente a carga tributária significa aumentar a dívida, que acaba provocando
elevação da taxa de juros,
exatamente o oposto do que
se quer.
Considerando que o desembolso do governo com os
juros é maior do que o superávit primário, o saldo final
das contas públicas é um déficit preocupante. Se o governo devesse metade do que
Ao contrário do que pregam
alguns, o superávit primário
não é exigência maldosa
do FMI; é uma necessidade
para solucionar a crise fiscal
deve, talvez ele pudesse pagar 4% de juros reais ao ano
(taxa de juros menos taxa de
inflação) e não 10% como
paga. Muitos argumentam
que há países onde o governo, como percentual do Produto Interno Bruto, deve muito mais do que o governo do
Brasil e nem por isso a taxa
de juros é alta. Há uma armadilha nesse raciocínio. A
questão não é apenas o tamanho da dívida. Nos países desenvolvidos o governo
emite títulos com prazos
longuíssimos, não existe inflação, há um histórico de
confiança e a sociedade se
dispõe a emprestar para o
governo com taxa de juros
baixíssima, próxima de zero
por cento.
O aumento do gasto público vem sendo defendido
como necessário para promover o crescimento econômico. Também isso não é
uma verdade absoluta. O governo até poderia sair por aí
fazendo um amontoado de
obras. Porém, como a última
linha do fluxo de caixa do
setor público brasileiro (Municípios, Estados e União) é
um déficit em torno de 5% de
toda a produção nacional,
muito cedo teria de vir um
arrocho recessivo; exatamente o contrário do tão desejado “crescimento sustentado”. No primeiro manda-
to, o governo Fernando
Henrique fez exatamente o
que se vem pregando: aumentou a carga tributária,
gastou demais e acabou com
o superávit primário. O resultado é conhecido: a dívida foi nas alturas, a taxa de
juros subiu, chegou a hora
de pagar a conta e adeus
crescimento econômico.
Ainda que haja outros fatores inibidores do crescimento, na sua base está a
crise fiscal do Estado, que é
um drama antigo e crônico.
Vivemos uma situação complexa: carga tributária
altíssima, taxa de juros elevada, pequeno volume de
crédito ao setor produtivo,
insuficiente investimento em
educação, e tudo isso tem
ligação com a elevada dívida pública. Ao contrário do
que pregam alguns, o superávit primário não é exigência maldosa do FMI; é uma
necessidade para solucionar a crise fiscal.
O governo vem sendo pressionado para gastar mais.
Isso é compreensível, pois não
há esporte mais gostoso do
que gastar o dinheiro dos
outros. Antes, porém, seria
necessário reduzir a dívida,
alongar os prazos e diminuir
a taxa de juros. Consertar as
finanças do Estado é doloroso e governante algum gosta
de se dedicar a tal tarefa,
sobretudo porque a colheita
geralmente é deixada aos sucessores, restando ao “cirurgião” apenas a impopularidade dos sacrifícios.
Infelizmente, não se inventou ainda o milagre de juntar
déficit
público,
alto
endividamento, juro baixo,
crescimento econômico e pleno emprego. Karl Marx chamava os economistas de
“sicofantas do capital”. O Brasil inventou os “amigos do déficit”, de cuja boa intenção não
duvido. Entretanto, propor
mais gasto público no atual
quadro das finanças governamentais é uma idéia perigosa. Nenhum país cresceu
de forma consistente sem resolver a crise fiscal do Estado. Não há saída fácil.
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
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ESPAÇO APP LONDRINA
Compromisso com a história
APP faz parceria para apoiar Museu Histórico de Londrina
A APP Londrina acaba de “adotar” o Museu Histórico de Londrina, através de parceria firmada
com a SAM – Sociedade Amigos
do Museu.
Para isso, foi montado um
grupo de voluntários, formado
por Carlos Galli (Forti Propaganda), Amarildo Lopes (Rádio CBN),
JB Faria (Rádio Paiquerê), Valduir
Pagani (Engenho Propaganda),
Rosana Modelli (Unimed), Wagner
Rodrigues (A3 Propaganda), Maria Aparecida Miranda (Editora
Branco e Preto) e Rosana Andrade
(LPR), que está colaborando na
elaboração de projetos de comunicação e marketing para a entidade.
O Museu Histórico de Londrina – que funciona na antiga estação ferroviária, no Centro da Cidade – é um órgão vinculado à
Universidade Estadual de Londrina, de onde recebe recursos
para sua manutenção. A SAM é
uma entidade civil, sem fins lucrativos, formada apenas por voluntários, com o objetivo de auxiliar na manutenção do museu,
bem como apoiar suas atividades
e promoções. A atual presidente
da SAM é a empresária Maria
Lopes Kireff.
Com a parceria, a APP passará a trabalhar, através do grupo
de voluntários e de empresas
filiadas, na divulgação dos eventos realizados no museu, na tarefa de tornar o Museu Histórico
parte do cotidiano do londrinense,
transformando-o – por exemplo –
numa opção de lazer, e em projetos para captação de recursos
para a SAM. Um planejamento
estratégico para as ações da entidade também está previsto.
O trabalho iniciou-se com a
definição de uma agência de propaganda que passa a atender a
SAM – e em conseqüência, o
museu. A empresa voluntária foi
a Forti, do publicitário Carlos
Galli.
Para Maria Lopes Kireff, a
parceria entre as duas entidades
se enquadra entre os objetivos
da própria Sociedade Amigos do
Museu – entre eles, a contribuição para a divulgação da imagem
e das atividades do Museu Histórico e a angariação de apoios –
em recursos ou serviços – de
empresas e outras instituições.
Segundo ela, a idéia de formalizar uma parceria com a APP surgiu de uma conversa com o empresário Amarildo Lopes, da Rádio CBN de Londrina, e a
musicista Hylea Ferraz (que compõem a equipe de voluntários da
SAM): “Após essa conversa inicial, evoluímos para uma reunião
com diretores da APP e isso resultou na formação desse novo
grupo de apoio”. A parceria ainda
está no início, mas a expectativa
de que atinja bons resultados é
grande.
Segundo Maria Lopes, a maior dificuldade que a SAM enfrenta é a captação de recursos
junto à comunidade para o financiamento das campanhas e
ALGUNS PROJETOS JÁ DESENVOLVIDOS PELA
SAM JUNTO AO MUSEU HISTÓRICO DE LONDRINA:
70.
Reforma e revitalização do prédio do museu
Instalação do sistema de ar condicionado nas salas de exposições temporárias e permanente
Projeto e ampliação da rede elétrica do museu
Instalação do sistema de som ambiente nas salas de exposições temporárias
Restauração e reorganização do acervo
Organização do acervo fotográfico da evolução urbana de Londrina – décadas de 30, 40, 50, 60 e
Exposição comemorativa dos 70 anos de Londrina – “O povo que fez e faz Londrina”
Organização – a pedido da Secretaria Municipal de Cultura – do concurso de criação da marca
oficial
dos 70 anos de Londrina
Festa do Pioneiro
Projeto “Tem criança no Museu”
Leilão História do Nelore, que arrecadou recursos para o museu
Organização da festa de abertura da exposição comemorativa dos 70 anos de Londrina – que
contou
com a contratação de 150 atores da Escola Municipal de Teatro
ações necessárias para o museu.
Ela acredita que o apoio
institucional do grupo formado
por voluntários da APP irá ajudar
nessa tarefa. “A captação de recursos não tem sido fácil, pois
muitas das empresas e empresários que são abordados não conhecem o trabalho da SAM, e isso
gera inevitáveis constrangimentos. Temos consciência, também,
que muitas dessas abordagens
são feitas muitas vezes de forma
pouco profissional.”
Ela cita como exemplo desses
projetos que não alcançaram o
êxito desejado a campanha “O
Museu é 10”, lançada para estimular a colaboração ao museu
através de autorizações para doação de R$ 10 na conta telefônica. “Nossa meta era alcançar
1.000 colaboradores mensais,
mas conseguimos apenas 70”,
lamenta, relacionando esse resultado também ao pouco conhecimento que a própria Cidade
tem do museu.
Os planos para o futuro, mesmo com essas dificuldades, são
ambiciosos. “Temos projetos importantes para a frente e contamos com essa e outras parcerias
para conseguir viabilizá-los”, diz
a empresária. Ela cita quatro projetos fundamentais, sobre os
quais a SAM pretende se debruçar nos próximos meses: “O primeiro deles é a restauração de
uma locomotiva, um tender e dois
vagões que compõem o acervo do
museu e hoje se encontram no
campus da UEL. Um especialista
nesse trabalho já foi trazido pela
própria SAM, para uma avaliação inicial, e o orçamento obtido
para a reforma é de R$ 64 mil”.
Outro projeto é construir uma
cobertura para abrigar essa composição, para que a restauração
não se perca. Esse projeto, no
entanto, deverá ser harmonioso
com a arquitetura do prédio do
museu.
Os planos futuros incluem
outro empreendimento que envolve ampliação física do museu
– o que é normalmente muito
custoso: a construção de um
anexo, que prevê um depósito
para peças do acervo não expostas (hoje armazenadas no
campus da UEL), um auditório,
salas para funcionamento de oficinas de restauração e depósito
para arquivos de documentos
históricos e materiais de pesquisa.
Por fim, o mais ambicioso dos
planos, pois não envolve apenas
recursos financeiros, mas sim
uma mudança de comportamento da própria comunidade: transformar a cafeteria do museu num
“point” freqüentado pelos
londrinenses. “Vamos chegar lá”,
diz Maria Lopes Kireeff, confiante, desafiando as dificuldades e
apostando no trabalho.
Espaço APP-Londrina é uma publicação da Associação dos
Profissionais de Propaganda – Capítulo Londrina em parceria com a
Associação Comercial e Industrial de Londrina.
Sede: Rua Minas Gerais, 297, 2 o andar – Edifício Palácio do
Comércio –
Tel.: (43) 3329-5999.
Endereço eletrônico: [email protected]
Texto e edição: Claudia Romariz - CR Comunicação
Editoração eletrônica: Jornal da ACIL
APP-Londrina
Presidente: Rafael Lamastra Jr.
Vice-presidente: JB Faria
Diretor financeiro: Nivaldo Benvenho
Diretora secretária: Rosana Modelli Kuhnlein
Diretores e membros do Conselho de Administração:
Antonio Carlos Macarini, Carlos Roberto Cunha, Cláudia Romariz,
Francisco Senra Neto, Maria Aparecida Miranda, Nilton Tanabe,
Renato Bastos Junior, Rosana Andrade, Valduir Pagani e Wagner
Rodrigues
Conselho Fiscal:
Alexandre Pankoski, Carlos Umberto Forti Galli, José Jarbas Gomes
da Silva, Luiz Felipe Moreira de Souza, Milton Fabrício Pereira e
Victor Gouveia
JORNAL DA ACIL/Julho 2004
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MARKETING
O papel
das pessoas
Palestra do consultor Lievore motiva empresários
O consultor de marketing J. A. Lievore
ministrou no último dia 6 de julho a palestra “A gestão das competências e o papel
das pessoas na empresa que aprende”. Ao
todo, 134 pessoas participaram da atividade no Auditório da ACIL, e 31 empresas
estiveram representadas.
Em 90 minutos de atividade, Lievore
abordou noções como ambiente empresarial; desafios que estimulam a equipe; expansão de capacidades pessoais; automotivação;
empregabilidade; e atendimento ao cliente.
O palestrante é especialista em
marketing, qualidade pessoal e gestão de
pessoas; foi executivo das empresas
Alpargatas, Topper, Grendene, Seagran do
Brasil e Grupo Saccheli; atuou como consultor das marcas Havaianas, Foster, Xuxa. Alpargatas, Encerados Locomotiva, Topper US Top, Almadén e Forestier.
Na avaliação final da palestra, 99% dos participantes disseram que suas expectativas foram atendidas; 97%
consideraram o conteúdo aplicável nas empresas que representam.
Dia do Amigo
O dia 20 de julho, que este ano cai
numa terça-feira, jamais será como
outro qualquer. Ele será sempre o dia
dedicado a alguém muito especial, o
amigo. A iniciativa é do Conselho da
Mulher Empresária da ACIL, que vem
articulando uma campanha para fixar
o Dia Internacional do Amigo, data comemorada no mundo inteiro.
“Nossa idéia é que Londrina adote
20 de julho como uma data marcada
pelo carinho e atenção à figura do amigo”, afirma a presidente do Conselho,
Helenida Taufik Tauil Costa Branco.
“Dê um sorriso, um abraço, um beijo,
mande um fax, um e-mail, um telegrama ou um cartão, dê um telefonema,
mande um torpedo, flores, saia para
jantar, combine um almoço ou um
happy hour, dê desconto, prepare uma
bela mesa, organize uma churrascada,
uma pizzada, cervejada, compre uma
lembrança”, sugere o material distribuído pelo Conselho.
O homenageado pelo Conselho este
ano é o decorador Sérgio Figueiredo,
pela grande participação dele em ações
de caráter comunitário. A homenagem
será feita com jantar no Empório Guimarães, no próprio dia 20. A entidade
beneficiada será o Grupo de Apoio PróVida da Santa Casa de Londrina.
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