Ano 2 - Número 24 - Distribuição gratuita - JULHO 2004 Justiça deixa comércio trabalhar Uma decisão histórica da Justiça permite que os comerciantes de Londrina abram suas lojas aos sábados e domingos. Liminar con- cedida pelo juiz substituto da 5a Vara Cível de Londrina, Álvaro Rodrigues Júnior, autoriza a abertura dos estabelecimentos comer- ciais nos finais de semana. Medida impede a Prefeitura de multar empresas por esse motivo. É uma importante vitória da ACIL, dos comerciantes e dos consumidores londrinenses. Páginas 2, 3 e 4 Flats, um bom negócio ou ilusão? Cidade volta a ser fashion em setembro Páginas 12 e 13 Páginas 17 e 18 Páginas 20 e 21 Bomboró, saudoso artista do ritmo Página 23 Fotos: Josoé de Carvalho Viação Garcia, 70 anos de Londrina Oito nomes e um destino Quem ocupará a cadeira da foto a partir de janeiro de 2005? A pergunta começou a ser feita; Londrina tem até a data das eleições para dar uma resposta nas urnas. Oito políticos estão na luta pelo cargo de prefeito: Alex Canziani (PTB), Antonio Belinati (PSL), Elza Correia (PMDB), Félix Ribeiro (PMN), Homero Barbosa Neto (PDT), Luiz Carlos Hauly (PSDB), Naudemar Nascimento (PV) e Nedson Micheleti (PT). Neste número do Jornal da ACIL, você saberá o que os candidatos têm a dizer sobre o desenvolvimento econômico do Município – e notará que, muitas vezes, eles se especializam na arte de falar as mesmas coisas. Páginas 5 a 10 A polêmica da cota racial na UEL Páginas 14 e 15 JORNAL DA ACIL/Julho 2004 2 EDITORIAL Jogos de palavras É impressionante como algumas pessoas tendem a fugir dos assuntos importantes, protelar decisões, desviar o foco dos verdadeiros problemas. Veja-se o caso do horário do comércio em Londrina. Há muito tempo, as pessoas que de fato têm a capacidade de decidir e chegar a uma solução se perdem em meiaspalavras e combinações de frases vazias, numa incessante fuga das responsabilidades. Londrina sofre com essa indecisão crônica, essa incapacidade de agir na hora certa, essa falta de coragem, essa intenção de agradar a todas partes – o que acaba prejudicando a maioria. O mal da protelação acaba tornando Londrina uma cidade antiquada, diferente daquilo que sempre nos caracterizou através da história – o arrojo, o atrevimento, a pujança. Com a polêmica em torno do horário do comércio, perdemos tempo e energia com algo que poderia ser resolvido de imediato. Algo que está ao alcance de um único poder – a Prefeitura. E a atitude que defendemos é simples: modernizar o Código de Posturas do Município, com base nas exigências do progresso e do desenvolvimento de nossa economia. O quadro, porém, vem sendo desolador: não apenas a Prefeitura deixa de tomar essa atitude, como os atuais candidatos à sucessão se mostram desinformados e omissos, vendo a fumaça, e não o fogo. Mas agora, finalmente, alguém com poder de decisão abriu os olhos para a realidade. Com a liminar o juiz substituto Álvaro Rodrigues Júnior, os comerciantes de Londrina finalmente podem chegar ao século XXI, livres para abrir as portas nos finais de semana, se assim o desejarem. É uma medida histórica, um divisor de águas, um exemplo para os políticos que se omitem diante de uma questão decisiva para a economia da Cidade. Ao contrário do que se divulga, a ACIL nunca pregou a obrigatoriedade da abertura do comércio aos sábados, domingos e feriados. Simplesmente, defendemos que cada empresário decida qual o melhor dia e horário para trabalhar, sem necessidade de pedir autorização aos poderes constituídos. Sem meias-palavras, é por isso que lutamos: pela liberdade de trabalhar. José Augusto Rapcham FUNDADA EM 5 DE JUNHO DE 1937 RUA MINAS GERAIS, 297, 1º ANDAR, ED. PALÁCIO DO COMÉRCIO. LONDRINA – PR CEP 86010-905 TELEFONE (43) 3374-3000 FAX (43) 3374-3060 E-MAIL [email protected]. Presidente DAVID DEQUÊCH NETO Vice-Presidente CARLOS FERNANDO NONINO Diretor-Secretário MARCELO MASSAYUKI CASSA Segundo Diretor-Secretário BRASÍLIO ARMANDO FONSECA Diretor Tesoureiro RUBENS BENEDITO AUGUSTO Segundo Diretor Tesoureiro FRANCISCO HENRIQUE FRANCOVIG Diretor Comercial YUKIO AGITA n o v o s ASSOCIADOS Razão Social ....................................................................................................................................................................... Nome Fantasia Ademilson Rufino - Me ................................................................................................................ A.R. Dist. De Livros E Mat. Pedagógicos Alves E Silveira Com. De Confecçoes Ltda ................................................................................................................................. Via Rosa Associação Dos Permissionários Do Mercado Shangri-Lá .............................. Associação Dos Permissionários Do Mercado Shangri-Lá Brasil Metais - Com. E Distrib. De Met. San. Ltda .................................................................................................................. Brasil Metais Brasil Suprimentos De Informática Ltda ................................................................................................................................... Brasil Supri Casa & Objeto Com. De Mat. Acab. Ltda ................................................................................................................................ Casa Objeto Cia Nacional De Call Center ................................................................................................................................................................. Ask Clamilde Moda Intima Ltda .................................................................................................................................... Por Debaixo Dos Panos Confecções Ranatelo Ltda ................................................................................................................................................. Novidade Moda De Marchi E Miazzo Ltda ......................................................................................................................................................... Cristal E Cia Empresa Brasileira De Correios E Telégrafos ............................................................................................................................... Correios Farmácia Senador Ltda ................................................................................................................................................. Farmácia Senador Ind. Com. De Confecções Emidio Ltda ......................................................................................................................................... Kid Baby Ipsteria Confecções Ltda ............................................................................................................................................. Ipsteria Confecções Karen Andressa Brasil Rodrigues ....................................................................................... Lima Londrina Comércio De Cosméticos - Me Maria Silvia Ferreira - Confecçoes - Me .................................................................................................. Maria Silvia Ferreira Confecçoes Marili Antonia Wasman Innocência ............................................................................................................................... Karisma Presentes Maritacas Materias P/ Construçoes Ltda ...................................................................................................................... Depósito Maritacas Net Ponto Comércio De Celulares Ltda ...................................................................................................................................... Net Ponto O.S. Maia E Cia Ltda ................................................................................................................................................................... Mg Ferret Pc On Line Informatica Ltda .................................................................................................................................... Pc On Line Informatica Quadra Construtora Ltda ............................................................................................................................................. Quadra Construtora R. Canassa E Cia Ltda ...................................................................................................................................................... Portobello Shop Rivarolo Calçados E Confecções Ltda .................................................................................................................................... Bless Shoes Sueli Augusta Guimaraes Silveira Confecções .................................................................................................................... Biquinis E Cia Sumiya Assessoria E Recursos Humanos S/C Ltda ............................................................................................. International Assessoria Wembleydon - Reformas E Pinturas Ltda .............................................................................................................................. Wembleydon Ypyrunga Com. De Derivados De Petroleo Ltda .......................................................................................................... Auto Posto Quebec Segundo Diretor Comercial FRANCISCO ONTIVERO Diretor Industrial JOSÉ AUGUSTO RAPCHAM Segundo Diretor Industrial NIVALDO BENVENHO Diretor de Serviços ROSANA ANDRADE Segundo Diretor de Serviços BRUNO VERONESI Conselho da Mulher Empresária MARCIA IVALE Conselho Deliberativo GEORGE HIRAIWA, NESTOR DIAS CORREIA, LEONARDO MAKOTO YOSHII, MAURÍCIO GONÇALVES GARCIA CID, CARLOS ALBERTO DE SOUZA FARIAS, RAFAEL DE GIOVANI NETTO, CRISTIANE YURI TOMA Conselho Fiscal Titulares - H ELENIDA TAUFIK TAUIL DA COSTA BRANCO, L UIZ CARLOS ADATI, ADEMAR VEDOATO Suplentes - MARLENE REGINA MARCHIORI, ELIAS FERREIRA, MARCELO PAGANUCCI ONTIVERO O “Jornal da ACILé uma publicação da Associação Comercial e Industrial de Londrina. Distribuição gratuita. Correspondências para o “Jornal da ACIL”, incluindo reclamações e sugestões de reportagens, devem ser enviadas à sede da Associação ou pelo e-mail [email protected]. Coordenação e edição Roberto Francisco Edição Paulo Briguet Fotografia Josoé de Carvalho Colaboradores Célia Polesel Fábio Cavazzoti José Antonio Pedriali Katia Baggio Márcio Leijoto Raquel de Carvalho Widson Schwartz Revisão de textos Célia Polesel Diagramação e tratamento de imagens Alessandro Camargo Impressão Jornal de Londrina Tiragem 11.000 exemplares JORNAL DA ACIL/Julho 2004 3 HORÁRIO DO COMÉRCIO Decisão histórica Liminar concede aos comerciantes o direito de escolher livremente o horário de funcionamento das lojas Raquel de Carvalho Especial para o Jornal de ACIL O comércio de Londrina vive uma situação histórica no mês de julho com a abertura das lojas aos sábados à tarde e domingos. A flexibilização do horário foi possível graças à liminar do juiz substituto Álvaro Rodrigues Júnior, da 5ª Vara Cível de Londrina, após um mandado de segurança coletivo da ACIL. A medida beneficia os 1.400 associados da entidade, dos quais cerca de mil se dedicam ao comércio varejista. A decisão autoriza os comerciantes a abrirem suas lojas aos sábados à tarde e domingos e feriados das 10 às 20 horas; também impede a Prefeitura de notificar as empresas com base na limitação imposta pelo Código de Posturas. Na prática, os empresários poderão abrir as lojas no horário que considerarem mais apropriado nos finais de semana. Para o presidente da ACIL, José Augusto Rapcham, a liminar cria uma situação muito próxima ao ideal para o comércio, que é a liberdade para os comerciantes decidirem o horário de funcionamento de suas lojas. “Nunca brigamos pela abertura das lojas aos sábados, mas sim pelo direito de o comerciante decidir o melhor horário para o funcionamento do seu comércio”, diz Rapcham. A ACIL foi porta-voz de uma parcela representativa dos seus associados, muitos dos quais lojistas do Centro, que reivindicavam o direito de abrir as portas nos sábados à tarde e domingos e feriados, como ocorre com shoppings, hipermercados e redes. A entidade argumenta que o consumo é maior nos horários alternativos, porque no horário normal as pessoas estão trabalhando. “Consumo hoje significa lazer para a maioria das pessoas, por isso a dilatação dos horários se faz necessária”, afirma o presidente da ACIL. Outro forte argumento citado por Rapcham é que a fiscalização não ocorre de maneira semelhante no Centro e nos bairros. “A Prefeitura se mostra incompetente para fiscalizar. Embora comerciantes da periferia e do Centro abram suas lojas em horários diferentes do previsto no Código de Posturas, apenas os lojistas do Centro têm sido autuados e multados”, critica. Para a entidade, a postura da Prefeitura de Londrina vai na contramão de uma tendência nacional. Segundo Rapcham, nas grandes cidades o comércio funciona aos sábados à tarde, domingos e feriados e em outras os lojistas também se mobilizam para garantir esse direito. A grande reivindicação da ACIL é que o Código de Posturas de Londrina se atualize. “O Código de Posturas está restringindo o funcionamento do livre comércio, quando deveria somente regulamentá-lo”, diz Rapcham. O presidente da ACIL argumenta que o Código não atende aos anseios dos comerciantes e da população e ainda afronta a lei federal 10.101/ 00, que em seu artigo 6º autoriza expressamente o trabalho do comércio em geral aos domingos. O mandado de segurança impetrado pela ACIL também usa como argumento o princípio da isonomia, uma vez que no município se faculta a apenas um grupo determinado de empresas a abertura aos sábados à tarde e domingos. Rapcham lembra que os comerciantes londrinenses também têm a seu favor uma decisão favorável de segunda instância a um recurso de um lojista. Há também a jurisprudência de uma decisão já transitada em julgado do município de Gravataí (RS). A Prefeitura deverá recorrer e tentar cassar a liminar. No entanto, para o presidente Cenas lamentáveis: duas semanas antes da decisão do juiz Álvaro Rodrigues Júnior, fiscais da Prefeitura multam comerciantes da Rua Sergipe. Lojistas são obrigados a fechar as portas; consumidores são impedidos de comprar. A ACIL espera que isso nunca mais aconteça da ACIL, caso o Município tenha êxito a entidade continuará buscando no campo jurídico medidas que garantam a seus associados o direito de decidir o melhor horário de funcionamento de suas lojas nos finais de semana. JORNAL DA ACIL/Julho 2004 4 Uma polêmica que envolve toda a Cidade A polêmica sobre o horário do comércio de Londrina há muitos meses ocupa páginas de jornais, noticiários de rádio e TV e debates em rodas de conversas e entre as partes envolvidas. Nesse processo, comerciantes foram multados, sindicatos patronais e de empregados não chegaram a um entendimento e a população londrinense foi privada do benefício de comprar nas lojas do Centro da Cidade nos fins de semana. Na defesa dos interesses dos seus associados e do desenvolvimento econômico de Londrina, a ACIL promoveu o debate da questão, visando estender aos lojistas do Centro os mesmos direitos dos empresários dos shoppings, hipermercados e grandes redes. Para a diretoria da ACIL, está claro que a diferença de tratamento entre empresas do mesmo ramo causa prejuízos àqueles que são proibidos de trabalhar aos sábados à tarde, domingos e feriados. Também há o entendimento que o empregado do comércio deve ter os seus direitos respeitados conforme determina a Consolidação das Leis do Trabalho. Na tentativa de solucionar a questão de maneira adequada, a diretoria da ACIL foi acusada de promover a desobediência civil e ainda de desconhecer a Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre patrões e empregados. Porém, para a diretoria da entidade, se uma lei é injusta, é preciso lutar contra ela de maneira pacífica, sem armas, o que desde o início foi a meta da ACIL. De um lado, a falta de consenso entre patrões e empregados e de outro o posicionamento da Prefeitura de Londrina, que se ampara no Código de Posturas para proibir o funcionamento das lojas e autuar os comerciantes. A ACIL defende que o Município atualize o Código de Posturas, seguindo a tendência registrada em outros municípios brasilei- ros. O secretário de Fazenda de Londrina Wilson Sella afirma que o prefeito só vai enviar mensagem à Câmara de Vereadores pedindo revisão do Código quando houver consenso entre os sindicatos dos trabalhadores e dos patrões. O presidente da ACIL discorda da postura do prefeito. Segundo Rapcham, o horário de funcionamento do comércio não pode estar vinculado a negociações entre patrões e empregados. “Não é justo que isso restrinja o horário. Cada segmento sabe o melhor horário que lhe convém.” Com o impasse nas negociações, a Prefeitura passou a autuar os lojistas que abriram as portas no sábado à tarde. No primeiro sábado de julho, fiscais da Secretaria da Fazenda autuaram 37 estabelecimentos; no sábado seguinte foram 40 autuações. A ação dos fiscais foi resultado de denúncia do sindicato dos comerciários. O presidente do sindicato dos empregados, José Lima do Nascimento, alega que não há qualquer recompensa para o funcionário. “Ele trabalha mais, mas não tem nenhum ganho, como o pagamento de horas extras”, diz. Nesse período algumas lojas funcionaram amparadas em liminares. Com o impasse nas negociações, a ACIL ainda no mês de março decidiu agir no plano jurídico, impetrando ações para questionar o horário do comércio e para exigir o ressarcimento dos prejuízos dos comerciantes. O mandado de segurança coletivo que resultou na liminar faz parte da estratégia da entidade. “Essa decisão também alivia o Poder Judiciário, porque a ação diz respeito a mil comerciantes; o juiz não terá que se pronunciar em centenas de ações individuais”, diz Rapcham. (R. C.) P A I N E L J U R Í D I C O Ed Nogueira de Azevedo Junior Especial para o Jornal da ACIL Para trabalhar no fim de semana Lei trabalhista deve ser observada pelas empresas que decidirem manter as portas abertas nos sábados à tarde e domingos até 20h A ACIL obteve uma grande vitória ao conquistar na Justiça uma decisão liminar que permite aos comerciantes que sejam seus associados abrirem as portas de seus estabelecimentos aos sábados até às 18 horas e aos domingos e feriados, das 10 às 20 horas. Isto não significa que não se deve observar nenhuma norma. Caso o trabalho aos sábados à tarde represente uma prorrogação ao horário normal de trabalho do empregado, deve-se observar algumas normas previstas na CLT e na Constituição, tais como: 1) o horário normal de trabalho é, no máximo, de 8 horas por dia e de 44 horas por semana; 2) este horário, via de regra, deve ser fixado de segunda-feira a sábado, destinando o domingo, preferencialmente, como dia de repouso; 3) é permitida a realização de, no máximo, duas horas extras por dia, através de acordo direto entre patrão e empregado. Mais de duas horas extras por dia somente em casos excepcionais e com comunicação ao Ministério do Trabalho; 4) o valor das horas extras é 50% superior ao valor da hora normal e sobre elas, se habitualmente prestadas, incide o repouso (ou descanso) semanal remunerado. A soma destas duas parcelas são base de cálculo para as demais parcelas devidas em razão do contrato de trabalho, tais como férias, 13º salário, FGTS, INSS, entre outras; 5) atualmente, não é permitida qualquer forma de compensação. É proibida a quitação das horas extras através de compensação com outro dia, da mesma semana ou fora dela; 6) empregados menores (de 14 a 18 anos) inclusive aprendizes - não podem fazer horas ex- tras; 7) empregados maiores contratados por tempo parcial não podem fazer horas extras; 8) se o empregado foi inicialmente contratado para trabalhar 8 horas por dia, de segunda a sexta-feira e 4 horas aos sábados, ele poderá trabalhar 6 horas no sábado (4 normais e 2 extras); 9) se o empregado foi inicialmente contratado para trabalhar 7 horas e 20 minutos por dia, de segunda-feira a sábado, ele poderá trabalhar 9 horas e 20 minutos no sábado (7 horas e 20 minutos normais e 2 extras); 10) para jornada normal de 6 horas ou mais, os intervalos para repouso ou alimentação devem ser de no mínimo uma e no máximo duas horas; 11) para o empregado que foi inicialmente contratado para trabalhar 8 horas por dia, de segunda a sexta-feira e 4 horas aos sábados, antes do início do trabalho extra no sábado deverá ser concedido um intervalo de 15 minutos; 12) em geral, os intervalos para repouso ou alimentação devem ser concedidos após 4 horas de trabalho; 13) é possível estabelecer como horário normal de trabalho o sábado à tarde, tornando desnecessário o pagamento de horas extras pelo trabalho neste período; 14) todo horário de trabalho e de descanso deve ser anotado em cartão, livro ou folha-ponto assinada pelo empregado; 15) as multas pelo descumprimento das disposições da CLT que tratam de horário vão, em geral, de 37,8285 a 3.782,8472 Ufirs, sendo o valor atual a Ufir de R$ 1,0641. Ed Nogueira de Azevedo Junior é advogado em Londrina e consultor jurídico trabalhista da ACIL 5 JORNAL DA ACIL/Julho 2004 ESPECIAL / ELEIÇÕES A decisão começa agora Oito candidatos, um só cargo. A administração pública de Londrina mais uma vez será escolhida pelo voto popular. Em meio aos clichês, promessas e slogans da campanha, o Jornal da ACIL fez uma radiografia das eleições 2004 para que você possa fazer a escolha certa, conforme a sua consciência. Para isso, fomos em busca de algumas respostas. O Em 2000, havia 299.309 eleitores aptos a votar em Londrina que cada candidato representa para o futuro de Londrina? Quais as propostas efetivas para o desenvolvimento do Município? Quem são os candidatos a vice-prefeito? O que os políticos têm a dizer sobre uma questão essencial como o horário do comércio? Nas próximas páginas, você vai saber mais – para decidir melhor. JORNAL DA ACIL/Julho 2004 6 ESPECIAL / ELEIÇÕES Com a palavra, os candidatos Prefeituráveis falam sobre suas propostas para a área econômica do Município. Mas, em linhas gerais, os discursos são parecidos Alex Canziani (PTB) Márcio Leijoto Especial para o Jornal da ACIL Os candidatos a prefeito de Londrina dizem estar finalizando o plano de governo para a área econômica – o que deve acontecer antes do início dos programas eleitorais de televisão e rádio. Em entrevista ao Jornal da ACIL, eles adiantaram, em linhas gerais, o que pretendem fazer caso assumam o governo. Por enquanto, as propostas estão parecidas. “Atração de indústrias de fora”, “apoio a micro e pequena empresa local”, “revitalização do Centro”, “criação do porto seco”, “instalação do ILS no aeroporto”, “apoio a todos os eventos culturais, sociais e econômicos que acontecem na Cidade”, “forta- Elza Correia (PMDB) lecimento da vocação de Londrina como pólo regional”, etc. Todos garantem saber o que fazer, como fazer e que serão eleitos para fazer. Estamos em período de campanha, quando as fórmulas mágicas aparecem e o eleitor encontra dificuldades para enxergar o que é sério no meio de tanto projeto. Os candidatos ainda se aquecem na arte do convencimento. Uns pedem para ‘colar’ antes da entrevista. Outros ‘colam’ sem pedir. Uns fazem propostas, outros criticam, e há os que dizem que vão resolver a situação. Na maioria das entrevistas era possível ouvir que o candidato “tem canais com o governo estadual e federal”, bom relacionamento com a “sociedade civil organizada”, um passado de luta pela Cidade e uma identificação forte com Londrina. Renda e emprego, como sempre, devem ocupar lugar de destaque entre as promessas dos candidatos. Os dois viriam com a atração das empresas de fora, com o fortalecimento das microempresas – “as principais empregadoras da Cidade”, e incentivo ao cooperativismo, às ONGs e ao artesanato. Um dos candidatos disse ser necessário visualizar o potencial de “cada bairro de Londrina” e outro sugeriu a criação de conjuntos de sobrados em partes estratégicas da Cidade, nos quais as famílias poderiam montar microempresas no térreo. “Geração de emprego é a prioridade. A partir daí, outras questões podem ser amenizadas, como a segurança. A pessoa se valoriza através de emprego.” O fato de que sete dos oito candidatos ocupam ou ocuparam cargos públicos faz com que usem essa experiência como exemplo de que farão “algo por Londrina”. Houve quem declarasse ter a “experiência consagrada” para justificar sua escolha como prefeito. Recursos? Esse não é problema. “Existem recursos. Houve vezes que Londrina teve de devolver dinheiro por falta de projetos.” “Eu tenho dito que o que não falta no mundo é dinheiro. Quando você tem projetos, boas idéias e canais para viabilizá-las, as coisas acontecem.” “Hoje existem nos bancos R$ 1 bilhão esperando por projetos para serem investidos. Esse dinheiro ou estar parado ou está sendo investido fora.” O candidato do PTB, o deputado federal Alex Canziani, disse que sua equipe está trabalhando num projeto para o desenvolvimento da Cidade há cerca de um ano e que deve Antonio Belinati (PSL) ficar pronto até o final do mês. “O projeto se chama ‘Londrina para Cima’. Esse é o clima que a Cidade espera. O mais importante que um governo pode fazer é gerar oportunidades para o cidadão. Através da geração de renda e de empregos, nós podemos melhorar. Nós teremos menos violência e mais qualidade de vida.” O deputado adiantou que um dos projetos de seu programa visa preparar Londrina para os próximos 30 anos. “Você é do tamanho de seu sonho. Nós temos um projeto que se chama Londrina 100. O que Londrina quer ser daqui a 100 anos? O que é preciso fazer para alcançar estes objetivos? Hoje qualquer empresário faz planejamento es- tratégico de sua empresa, mas Londrina não tem um planejamento estratégico dela. Nós vamos pensar nisso.” A equipe técnica do ex-prefeito Antonio Belinati, candidato pelo PSL, está, segundo o próprio, nos ajustes finais do seu programa de desenvolvimento. “É hora de darmos uma solução para os próximos 20, 30 anos. Nossa equipe tem só de dar um arremate na parte técnica.” Belinati é um dos que mais usam o passado em cargos públicos para justificar sua candidatura. “Eu conheço um prefeito que revitalizou o Centro da Cidade. Ele se chama Antonio Belinati”, disse so Félix Ribeiro (PMN) JORNAL DA ACIL/Julho 2004 Homero Barbosa Neto (PDT) bre si mesmo. Ele afirmou ter como uma das prioridades o apoio a todos os eventos e propostas que atraiam as pessoas de fora, principalmente as indústrias, como forma de fazer entrar dinheiro na Cidade. “Temos de buscar tudo, se você fortalece o festival de música, o festival de teatro, e vários outros eventos, até o próprio turismo, você pode fazer com que pessoas não só daqui da região, mas do restante do País venham gastar no nosso comércio.” A deputada estadual Elza Correia, que está no pleito pelo PMDB, também finaliza suas propostas na área econômica. “Temos um grupo temático com pessoas ligadas a esta área discutindo conosco para finalizarmos as propostas. Queremos uma proposta enxuta, que possa ser executada. Não vamos vender ilusões, prometer o impossível.” De acordo com Elza, “o prefeito não tem de ser o messias”. “Tem de ser capacitado para aglutinar as forças pensantes e produtivas da Cidade, e tem gente muito boa para impulsionar Londrina.” A candidata é uma das que levantou durante a entrevista a necessidade de Londrina “agregar valor” ao que produz e que uma das prioridades está nas pequenas e médias empresas locais. “Nós precisamos agregar valor ao que produzimos, como a soja. A Cidade ainda não tem essa mentalidade de agregar valor. Se produzimos soja, por que temos de comprar farelo e óleo de Naudemar Nascimento (PV) 7 esta visão que pretendemos implementar.” A municipalização da segurança pública vai ser o nervo central da proposta do candidato do PMN, o vereador Félix Ribeiro, para o desenvolvimento de Londrina. Para ele, só com a Cidade menos violenta é que os investimentos externos “voltarão” e o dinheiro circulará. “Um dos pontos que pretendemos priorizar é uma ação imediata na questão da segurança. Muito embora seja um fato constitucional que a segurança é um dever do Estado, é uma obrigação do prefeito oferecer uma melhor condição de vida para o cidadão. Também é importante a atração de recursos externos através do convite às grandes empresas. Mas para que se sintam interessadas em vir para Londrina, elas têm de observar uma Cidade em que o povo se sinta bem, não uma Cidade em que se fala em violência, em drogas. A auto-esti- soja? Por que não desenvolveverno sua experiência política. mos aqui mesmo, se temos vo“Quando fui prefeito de Cambé, cação para industrialização?” peguei um pequeno município Outro candidato que falou e instalei 112 indústrias nosobre a agregação de valor aos vas, recuperando 42 indústriprodutos, como a soja, foi o canas locais”, exemplificou. didato do PDT, o deputado estaO prefeito Neddual Homero Barbosa Neto. Ele, son Micheleti (PT), candidato a assim como outros, lembrou que reeleição, é o único com o disLondrina tem diversos centros de curso da continuidade. “Não pesquisas, tanto na área agrícoestou prometendo nada, já esla, como tecnológica, tou trabalhando. E que podem ajudar no já foram dados pasNA BOCA DE TODOS desenvolvimento e sos significativos aperfeiçoamento dos nisso (que estou “nossos produtos”. propondo). PrimeiPropostas que os candidatos nunca “Nós temos seis uniro, projetamos o fudeixam de fazer versidades, a Adetec, turo, que rumo de incubadoras, coopedesenvolvimento Atração de indústrias rativas, a Embrapa, o que vamos dar à Iapar. É essencial as Cidade. Agora preApoio a eventos parcerias dela com o cisamos consolidar poder público e as emtudo isso.” Parcerias com as empresas presas para o desenMicheleti disse que volvimento da Cidano primeiro manGeração de empregos de. (A agregação de dato viu propostas Apoio à microempresa valor ao produto loque deram certo cal) traz mais divisas como “os incentiLondrina como pólo regional ao município. A Prevos às indústrias de feitura depende do Londrina que queSegurança nas ruas pagamento de imposriam ampliar sua tos para dar mais produção” e as qualidade de vida obras de infra-esma do lon- trutura que “dão mais qualidapara a população.” drinense está em baixa e preciBarbosa Neto é dos que alede à Cidade”. “Viabilizamos o samos mudar isso se quisergam que seu grupo político nuncomércio em Londrina nos proca teve a chance de mostrar seu mos uma Londrina desenvolvi- blemas mais diretos que eles modelo de administração para a da.“ enfrentaram, principalmente O deputado federal Luiz no Centro da Cidade. O Centro Cidade. “Acho que nós somos a alternativa, a mudança com res- Carlos Hauly, que tenta a eleição estava praticamente todo ocupelo PSDB, disse que, se eleito, ponsabilidade e a corrente que pado pelos camelôs, hoje o pretende fazer um balanço do ainda não teve a oportunidade camelódromo é um modelo. de administrar Londrina com setor industrial. “Neste balanço Agora precisamos reformar o vamos detectar todas as entradas de bens, mercadorias e serviços que Londrina compra de fora e tudo que Londrina exporta. Ao fazermos esse balanço, vamos detectar quais são as necessidades que poderiam ser sanadas aqui mesmo em Londrina, para dar uma auto-suficiência à Cidade. E nesse sentido acho que poderemos ter surpresas agradáveis, que empresas instaladas aqui poderiam ampliar seus negócios.” Hauly também falou em trocar impostos por vagas de empregos e foi um dos que deram como garantia de um bom go- Luiz Carlos Hauly (PSDB) Centro.” O candidato do PV, Naudemar Nascimento, pretende associar sua campanha ao que ele chama de “cultura da paz”. “A cultura da paz é uma forma de você pensar a vida, encaminhar soluções em situações conflitantes, como esta que envolve o horário do comércio. Usando alguns princípios fundamentais, como o respeito, o diálogo, a cooperação, a integração, buscamos a harmonia da sociedade. Esse é um ponto importante, no qual vamos discutir a questão da paz social, da paz ambiental e individual. Nós vamos trabalhar muito esclarecendo isso tudo no nosso programa de televisão e rádio para que a população possa perceber a importância dela.” Nascimento disse que ainda não há um programa fechado na área econômica, mas afirmou que a prioridade de um possível governo PV seria o incentivo à pequena empresa. “Só temos mais delineado o projeto que visa promover o negócio do artesanato em Londrina. Vai contemplar principalmente aquele empresa familiar, de fundo de quintal e que nós sabemos que hoje é uma grande geradora de renda.” Nedson Micheleti (PT) 8 JORNAL DA ACIL/Julho 2004 COMÉRCIO A hora do debate Candidatos falam sobre a proposta de flexibilizar o horário de abertura das lojas em Londrina Márcio Leijoto Especial para o Jornal da ACIL A pergunta aos candidatos a prefeito é obrigatória: “Você é favorável ou contrário à flexibilização do horário do comércio?” Dos oito candidatos, quatro responderam. A outra metade tergiversou. Favoráveis todos são, mas “a uma negociação ampla envolvendo todos os setores e a sociedade” para resolver a polêmica. O imbróglio é antigo, mas entrou numa nova fase a partir de 1o de maio, quando venceu a Convenção Coletiva de Trabalho entre o Sindicato do Comércio Varejista (Sincoval) e o dos Comerciários. Na convenção, havia um acordo permitindo a abertura das lojas no primeiro sábado do mês após o quinto dia útil e em algumas datas próximas a feriados nos quais haja o movimento intenso no comércio. Sem a prorrogação da convenção, a ACIL começou a incentivar comerciantes a abrirem todos sábados à tarde, por acreditar que representantes de um segmento não podem ditar as regras de todo o comércio. O Código de Posturas do Município proíbe a abertura das lojas nas noites, durante a semana, após as 13 horas de sábado e nos domingos. Até agora, empresários, trabalhadores e o poder público não chegaram a um consenso. O prefeito Nedson Micheleti (PT) afirmou ser “absolutamente contrário” à flexibilização total do horário, como propõe a ACIL, mas simpático a uma mudança parcial, “desde que haja um consenso entre o Sincoval e o sindicato dos comerciários”. “Não acredito que a flexibilização total solucione o problema do comércio”, disse. O vereador Félix Ribeiro (PMN) disse ser favorável à abertura do comércio nos dois primeiros sábados do mês. Mas ressaltou que “é necessário dizer que se deve preservar e proteger os direitos do trabalhador”. “Não deve haver pressões, coações, ameaças. Qualquer proposta só vai dar certo se ambos os lados ganharem. Antes, nós pretendemos promover um amplo debate entre os comerciantes, os comerciários, os sindicatos, o poder público, as associações e os munícipes, estes os maiores interessados. O que for melhor para a maioria, nós devemos implementar”, disse. A deputada estadual Elza Correia (PMDB) disse acreditar que a flexibilização é possível, mas “desde que esteja absolutamente atrelada aos direitos dos trabalhadores”. “Esta é a questão. Hoje a maioria dos comerciários são mulheres que têm dupla jornada. Se ela não for estimulada, não tem sentido. Hoje nós vemos um pouco de exploração, há trabalhadores reclamando e nós sabemos que alguns empresários não respeitam os direitos dos empregados”, disse. Outro que opinou sobre o assunto foi o ilustrador Naudemar Nascimento (PV). “Particularmente sou favorável a uma flexibilização, mas não podemos deixar de lado a idéia da negociação. Mas nós ainda estamos fazendo uma leitura da situação. Em se considerando a cultura de paz, que tem por princípio a negociação, sentaremos com os representantes da classe patronal, dos trabalhadores, e encaminharemos da melhor forma possível”, disse. Os outros candidatos não responderam à questão, mas disseram todos que buscarão um entendimento rápido para a ques- tão ouvindo todas as partes envolvidas. O deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) foi o mais curto em sua resposta: “Essa posição (ser favorável ou contra a fleixibilização) vai ter de ser resolvida num acordo entre empregados e empregadores.” O outro deputado federal que disputa a Prefeitura neste ano, Alex Canziani (PTB), disse que é favorável “a uma grande discussão que teremos (caso vença a eleição) com os segmentos”. “Acho que nós devemos ouvir os comerciários, os comerciantes, a própria comunidade que mora em volta do comércio. Como prefeito, serei um mediador deste processo. É complexo, é difícil, mas quando você tem determinação e boa vontade, você pode chegar a um denominador”, disse. O deputado estadual Homero Barbosa Neto (PDT) também disser ser favorável “à modernidade” e ao papel de mediador de um prefeito. “Esta discussão precisa ser ampla e envolver a sociedade. A solução deve ser curta, rápida. Se eu for eleito, nos dois primeiros meses esta questão estará resolvida. Não é a minha vontade que vai prevalecer, eu serei um mediador”, disse. O ex-prefeito Antonio Casemiro Belinati (PSL) é outro que diz ser favorável a uma “ampla discussão” e que “nos 13 anos” em que ocupou o cargo de prefeito não houve conflitos por causa do tema. “Para chegarmos a uma posição é preciso ouvir a opinião do empregado, do empresário e a gente sentando, dialogando, não vai ser difícil entrar num acordo. Sempre trabalhei com um clima de harmonia com todos eles”, disse. Belinati comentou que quando José Richa foi prefeito, o comércio chegou a funcionar à noite, mas a medida não durou muito tempo. QUEM SÃO ELES Nome: Alex Canziani (PTB) Vice: Maria Inez D. de Oliveira (PTB) Nome: Antonio Casemiro Belinati (PSL) Vice: Carlos Bordin (PP) Nome: Elza Correia (PMDB) Vice: Leonilson Jaqueta (PMDB) Nome: Félix Ribeiro (PMN) Vice: Álvaro Brochado (PMN) É a primeira vez que o deputado federal Alex Canziani (PTB), 40 anos, disputa as eleições para prefeito. Mas ele pretende expor seu currículo político para mostrar que não é nenhum iniciante. Ele já foi duas vezes vereador, presidente da Câmara Municipal, presidente da Associação dos Vereadores do Médio Paranapanema, vice-prefeito na terceira gestão de Antonio Belinati, secretário estadual de Emprego, e, atualmente, cumpre seu segundo mandato na Câmara Federal. Nascido em Londrina, Canziani é formado em Direito na Universidade Estadual de Londrina (UEL), casado e pai de dois filhos. O radialista Antonio Casemiro Belinati, 60 anos, tenta ser prefeito pela quarta vez, ou como ele diz: ‘tetraprefeito’. Belinati ocupou cargos políticos durante 28 dos últimos 35 anos. Já foi vereador, deputado estadual e deputado federal. Em 2000, no último ano de seu terceiro mandato como prefeito, foi cassado pelos vereadores sob a acusação de ter feito propaganda pessoal e gastos abusivos na inauguração do PAI. Nessa época, começou a responder na Justiça denúncias feitas pelo Ministério Público de diversas fraudes em licitações públicas. Famoso pelo estilo populista, o candidato é casado com a exgovernadora Emília Belinati (PFL) e pai do exdeputado estadual Antônio Carlos Belinati. A deputada estadual Elza Correia, 56 anos, ocupa cargos públicos desde 1993. Primeiro participando da administração municipal de Luiz Eduardo Cheida (PMDB), que na época era prefeito da Cidade pelo PT, depois sendo eleita por duas vezes como vereadora de Londrina. Desde 2003, ocupa uma vaga na Assembléia Legislativa. É a primeira vez que disputa a eleição para prefeitura. Apesar de ter o apoio do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), seu partido não se coligou com nenhum outro. Separada e mãe de dois filhos, Elza sempre foi militante das causas femininas. Criou a Coordenadoria Especial da Mulher, hoje Secretaria. O primeiro cargo público que o dentista Félix Ribeiro, 53 anos, ocupou foi o de vereador nesta legislatura que acaba em 2004. Mesmo assim, resolveu sair neste ano como candidato a prefeito. Ele argumenta que o fato de ser novo na política, assim como todos os membros do seu partido, o PMN, o credencia como candidato sem ligações com todas as mazelas dos partidos tradicionais. Nascido em Colina (SP), Ribeiro veio para Londrina junto com a família quando tinha um ano de idade; aqui se casou e teve três filhos. Já disputou duas eleições para vereador: derrotado em 1996 e vitorioso em 2000. Nome: Homero Barbosa Neto (PDT) Vice: Francisco Galli (PPS) Nome: Luiz Carlos Hauly (PSDB) Vice: Éder Pimenta (PSB) Nome: Naudemar Nascimento (PV) Vice: Lázaro Gorini (PV) Nome: Nedson Micheleti (PT) Vice: Luiz Fernando Pinto Dias (PT) A primeira eleição que o jornalista Homero Barbosa Neto, 37 anos, disputou foi para prefeito, em 2000. Surpreendeu o meio político ao ficar em segundo lugar. Dois anos depois se tornou o deputado estadual mais votado da história de Londrina, com mais de 120 mil votos, se tornando um dos principais nomes do partido na região. Atualmente, ele também preside o diretório municipal do PDT. Natural de Santa Rita do Passo Quatro (SP), Barbosa Neto chegou a Londrina na segunda metade dos anos 80 para cursar Jornalismo na Universidade Estadual de Londrina (UEL). O deputado é casado e pai de três filhos. O deputado federal Luiz Carlos Hauly ocupou pela primeira vez um cargo público em 1972, quando se elegeu vereador de Cambé. Dez anos depois, foi eleito prefeito da cidade. Em Londrina, esta é a terceira vez que entra no pleito para prefeito. Em 1996, Hauly disputou o segundo turno com Antonio Belinati, que buscava seu terceiro mandato. Perdeu por 11 mil votos de diferença. Em 2000, Hauly foi surpreendido com o terceiro lugar, sendo que já dava como certa sua passagem para o segundo turno. Hauly está atualmente no seu quarto mandato seguido como deputado federal. O ilustrador Naudemar Nascimento, 47 anos, disputa pela primeira vez um cargo executivo. Natural de Pitangueiras (PR), ele se mudou para Londrina em 1976, onde trabalha na área de design gráfico. Foi candidato derrotado a vereador em 2000 e a deputado federal em 2002. Nascimento é solteiro e tem uma filha, que vive no Rio de Janeiro. O candidato do PT, Nedson Micheleti, é o único que não faz críticas à atual administração. Ele é o atual prefeito. E Nedson, 46 anos, tenta se tornar o primeiro a ser reeleito na história da Cidade. Ele usa a sua gestão como vitrine da campanha. Nedson foi presidente da Cohab de Londrina entre 93 e 94, e deputado federal entre 95 e 98. No seu último ano de mandato na Câmara Federal, tentou o Senado, mas perdeu. Dois anos depois foi eleito prefeito de Londrina, tendo começado a disputa como último colocado nas pesquisas eleitorais. Nedson, que é natural de Rolândia, é casado, pai de dois filhos e funcionário da Caixa Econômica Federal há 19 anos. JORNAL DA ACIL/Julho 2004 9 ESPECIAL / ELEIÇÕES Coadjuvantes do poder Eleições vão escolher o futuro prefeito. Mas é sempre bom lembrar que o vice vem junto Márcio Leijoto Especial para o Jornal da ACIL Vice é igual a sogra. Não escolhemos. Ele vem junto. Mesmo assim, é sempre bom conhecê-los, principalmente porque, em Londrina, os três últimos que ocuparam o cargo se desentenderam com os respectivos prefeitos, os dois últimos se afastando da administração. Além disso, há o caso dos expresidentes brasileiros José Sarney (1985-90) e Itamar Franco (199294), que eram vices: o primeiro entrou por causa da morte de Tancredo Neves (1910-1985) e o segundo, por causa da cassação de Fernando Collor (1991-1992). Nos dois casos, a história foi bem diferente do que se previa: o coadjuvante virou protagonista. Negociações de bastidores, convites formais e informais feitos para todos os lados, boatos e surpresas dominaram o cenário político londrinense até o dia 30 de junho, prazo final para que as chapas fossem inscritas. A maioria dos vices foi definida na última hora, e, mesmo após o fim do prazo, um deles já foi trocado e outro corre risco de sair da disputa. A maior surpresa neste ano ficou por conta da desistência do “vice dos sonhos”, o apresentador Carlos Camargo (PSDC), que foi cortejado por quatro partidos neste ano, mas preferiu continuar com seus programas na televisão e no rádio. A intensificação das conversas entre os partidos, a frustração de coligações não concretizadas, entre outros fatores, fizeram com que cinco das oito candidaturas disputassem as eleições com chapa “pura”. O administrador de empresas Luiz Fernando Pinto Dias (PT), 42 anos, foi indicado pelo partido como vice de Nedson Micheleti (PT) no dia 9 de julho, após a desistência do fisioterapeuta Edson Kishima (PHS). Kishima desistiu da candidatura porque seu partido está dividido entre o apoio ao PT e ao PMN, que também lançou candidato a prefeito, o vereador Félix Ribeiro. A briga interna chegou à Justiça. Dias, que estava na disputa por uma vaga na Câmara de Vereadores, disse que não existe o risco de ele sair da chapa. O administrador também disse que existe entre ele e o prefeito uma afinidade de “mais de 20 anos de amizade e de militância política”. Para ele, o papel de vice é de “abrir espaço para Maria Inez Domingues de Oliveira (PTB) Carlos Bordin (PP) os avanços propostos pelo prefeito”. “O vice deve somar, participando desde as discussões na equipe até no diálogo com a população.” Dias já foi diretor da Codel, na gestão do Nedson, e secretário municipal e diretor de autarquia na administração de Luiz Eduardo Cheida (1993-96). Na chapa de Félix Ribeiro, do PMN, o vice é Álvaro Brochado, 64 anos, docente de Economia e Administração da Universidade Estadual de Londrina (UEL), também do PMN. O partido pretendia lançar como vice alguém do PHS. Brochado não quis comentar os motivos de sua indicação, mas afirmou que existe uma afinidade sua com as propostas do vereador, “que são as do PMN”. “Nós somos um partido pequeno, novo, não temos os vícios dos partidos tradicionais”, disse Brochado. O professor disse, se Ribeiro for eleito, não pretende ocupar nenhum cargo. “O vice deve atuar no meiode-campo, para tornar o gabinete do prefeito mais acessível à população. Não tenho vaidades políticas”, disse o candidato. A socióloga e líder comunitária Maria Inez Gomes Domingues de Oliveira (PTB), 45 anos, é a vice na chapa de Francisco Galli (PPS) Leonilson Jaqueta (PMDB) Alex Canziani (PTB). O partido foi um dos que convidaram Camargo para compor chapa majoritária, além de manter negociações com o PSB. Maria Inez era outra que pretendia disputar uma vaga para vereador. Apesar de dizer que “nunca” pensou em ser vice, a socióloga afirmou que está preparada assumir o cargo, caso o deputado vença o pleito. “Pelo meu passado, acho que ajudaria primeiro na área da ação social.” Maria Inez comentou que o partido chegou ao seu nome através de pesquisas qualitativas. Ela disse se identificar bastante com as posições de Canziani. “Temos jeitos parecidos.” A socióloga participa há mais de 25 anos de movimentos sociais em Londrina. O PMDB também cortejou Carlos Camargo e tentou uma aliança com o PPS, entre outros partidos. Sem sucesso, acabou indicando para ser vice de Elza Correia o nome do vereador Leonílson Jaqueta, 49 anos, do mesmo partido. Jaqueta disse que pretendia disputar a reeleição, mas acabou aceitando o convite por ter sido feito “pela direção do partido, pelo governador, e pela própria Elza”. Ele afirma sempre ter sido muito Éder Pimenta (PSB) Álvaro Brochado (PMN) próximo a Elza, principalmente quando ambos eram vereadores, entre 2001 e 2002. “Eu conheço suas propostas e seu trabalho há muito tempo. Sei de sua seriedade.” Para o vereador, o vice tem um papel “importante, não só de substituir o prefeito na sua ausência”. “Ele deve abrir canais de diálogo entre a Prefeitura e a população.” O quinto partido a lançar chapa pura nesta eleição foi o PV. Naudemar Nascimento terá como candidato a vice Lázaro Gorini, presidente do partido. “Eu não queria disputar uma vaga no Legislativo, nem sair como prefeito, mas queria estar bem próximo da campanha para ajudar o partido, para não expor só uma pessoa.” Gorini disse que vai ajudar a pôr em prática o plano de governo se Nascimento vencer a eleição. “As pessoas dizem que vice não serve nem para ser nome de rua, mas não é bem assim. Ele tem um papel importante.” As três chapas que lançam vices de partidos diferentes apresentaram coligações bem diferentes das de 2000. O PP indicou o professor Carlos Bordin para ser vice de Antonio Belinati (PSL), repetindo a parceira de anos anteriores entre Belinati e o líder do PP em Luiz Fernando Pinto Dias (PT) Lázaro Gorini (PV) Londrina, deputado federal José Janene. Na última eleição, o PP apoiou o candidato Homero Barbosa Neto (PDT). ”Nós recebemos convites de outras siglas, sondamos as propostas, mas as que mais coincidiram com as nossas foram a do Belinati. No meu caso específico, houve uma identificação principalmente com as da área de educação”, disse Bordin, que acredita poder ajudar Belinati, se eleitos, na Secretaria de Educação. Se não conta com o apoio do PP, Barbosa Neto ganhou como aliado o PPS, que indicou como vice do candidato, o ex-presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP) e empresário Francisco Galli. Em 2000, o PPS fazia parte da chapa que elegeu Nedson Micheleti, com o vice Luiz Carlos Bracarense. Neste ano, o partido pensou em lançar candidatura própria, mas alegando falta de recursos, sondou uma coligação com o PMDB ou com o PDT. “O nosso partido tem uma identificação anterior a esta coligação. Têm a mesma plataforma, praticamente a mesma linha política. Fomos convidados por outros partidos, mas a coligação com o PDT foi natural”, disse Galli, que afirmou não pretender ser uma espécie de “Rainha Elizabeth”, caso Barbosa Neto seja eleito. “O vice não é enfeite, ele tem uma função importante que é ajudar o prefeito na articulação com a sociedade.” A outra formação de chapa que também surpreendeu foi a do candidato do PSDB, Luiz Carlos Hauly. O vice, Éder Pimenta, é do PSB, partido que sempre teve aliados de Belinati. O próprio Pimenta já ocupou cargo comissionado na Prefeitura durante o último mandato de Belinati. Funcionário público, Pimenta se diz um “servidor” do Município. “Eu ocupei cargos em duas administrações. Só na última que não. Mas sempre estive à disposição”, disse. Essa disposição o candidato pretende levar para a vice-prefeitura se Hauly for eleito. “Nós estamos defendendo o interesse de Londrina.” JORNAL DA ACIL/Julho 2004 10 ESPECIAL / ELEIÇÕES Mais candidatos, menos surpresas Londrina tem oito candidatos a prefeito neste ano. É mais do que o pleito de 2000 (quando cinco concorreram) e o dobro de 1996 (quatro). Mas por que tantos na disputa? Para o professor e chefe do departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina, Hermann Iark Oberdiek, 56 anos, haveria dois motivos para explicar esse quadro. “Uma das explicações é que há alguns candidatos que querem aparecer no mapa para crescerem seus nomes em outras oportunidades. Outra explicação é para marcar posição numa negociação no segundo turno: o volume de votos que ele tiver no primeiro turno terá certo peso no segundo.” O número poderia ter sido maior se dois pré-candidatos não tivessem desistido na última semana de inscrição das chapas. Foram homologadas as candidaturas a prefeito de Alex Canziani (PTB), Antonio Casemiro Belinati (PSL), Elza Correia (PMDB), Félix Ribeiro (PMN), Homero Barbosa Neto (PDT), Luiz Carlos Hauly (PSDB), Naudemar Nascimento (PV) e Nedson Micheleti (PT). “Parece que estamos vivendo em Londrina uma situação igual a todo o Brasil. Todas as grandes cidades estão apresentando um número alto de candidatos”, comentou o professor. 2000. O quadro já está Muitas das alianças meio definido. Quatro formadas para a chapa ou cinco candidatos têm majoritária são contraboas chances de irem ditórias com o passado para o segundo turno.” dos próprios partidos. O fato de a maioria dos Aliados tradicionais em candidatos já serem conível nacional ou em nhecidos da população eleições passadas rivaé outro ponto que impelizam na disputa deste diria o surgimento de ano. “As alianças paresurpresas. cem muito esdrúxulas. Outra mudança em Você tem partidos que relação ao último pleito no Brasil inteiro tem é o “diferencial Belinati”. uma aliança e aqui faEm 2000, ele ocupava o O sociólogo Hermann zem outras. Acho que cargo de prefeito e fora Oberdiek diz que eleição em (isso é motivado) por cassado meses antes da Londrina não terá grandes questões locais, pela adeleição sob a acusação surpresas neste ano ministração do atual de corrupção. Hoje o exprefeito, mágoas e inteprefeito é candidato. “Toresses”, disse Oberdiek. dos os candidatos devem jogar forte conO professor diz que ainda é muito tra o Belinati. Se ele sair da jogada, como cedo para enxergar favoritos, mas não estão tentando fazer ao ameaçar impugacredita que vá acontecer o mesmo fenônar sua candidatura, são mais de 30% de meno de 2000, quando o vencedor foi o votos a serem distribuídos entre os outros candidato que aparecia na última colocandidatos. (A cassação de Belinati) pecação nas pesquisas. “Esse fenômeno (o sou na eleição de Nedson em 2000 e o último chegar em primeiro) não vai aconcombate à corrupção foi o grande mote tecer de novo. Há um ou outro candidato das eleições daquele ano. Mas neste ano com possibilidade de crescimento, mas não consegui detectar algo assim. Hoje não vai haver outra surpresa como em está mais diluído. Pode haver uma tenta- tiva de federalização, mas isso não deve pegar em nível de município. Na confrontação local, o que pesa é o que aconteceu nos bairros, isso aí que vai definir.” Oberdiek acredita que o eleitorado está mais maduro e menos fisiologista. “Não sei se pega (discurso de candidato populista). Pode pegar entre os fisiologistas. A população simples, que não tem condições de vida e precisa resolver as coisas imediatas da vida, quer seus problemas resolvidos de forma imediata e neste sentido, nada pejorativo, ela é fisiologista. Mas alguns fatos novos, como as bolsas que o poder público vem dando, as políticas para a periferia, de repente, podem sanar essa vontade fisiologista.” O professor também acha que a interferência do governo estadual e federal não vai mudar muito o quadro eleitoral em Londrina. “Durante as eleições, isso não deve influenciar muito. Pode ser que devido a estes quase dois anos sem muitos resultados (visíveis) após as eleições (de 2002), pode acontecer de os candidatos apoiados pelos dois governos perderem alguns votos.” (M. J.) 11 JORNAL DA ACIL/Julho 2004 TRANSPORTE COLETIVO À espera do subsídio Diretor do Metrolon afirma que população desconhece a realidade do serviço e sugere revisão da gratuidade e da taxa de gerenciamento paga à CMTU Katia Baggio Especial para o jornal da ACIL A divergência entre a planilha de custos da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e a apresentada pelos promotores públicos Miguel Jorge Sogaiar e Eduardo Matni gerou um processo judicial que está em andamento. A planilha serve como base para a fixação da tarifa do transporte coletivo, estabelecida em R$ 1,60 desde primeiro de junho de 2003. Uma terceira planilha, solicitada pela Justiça, tem prazo de até seis meses para ficar pronta e deve funcionar como elemento comparativo entre os dois primeiros estudos. Pelos números da planilha da Promotoria Pública, a tarifa não poderia passar de R$ 1,24, uma diferença de 30% em relação à elaborada pela CMTU. Depois do assunto ferver na imprensa e entre a população, as empresas optaram por não se manifestar, alegando que o assunto está sub judice. Esse foi, inclusive, o mesmo argumento da diretora-presidente da CMTU, Rosimeire Suzuki Lima, através da assessoria de imprensa da Prefeitura. Rosimeire também não compareceu a uma reunião no dia 15 do mês passado, quando foi convidada a participar de um encontro com entidades de classe e os promotores públicos que solicitaram a elaboração da planilha paralela. No dia seguinte a ACIL enviou correspondência para a Companhia, solicitando o agendamento de outro encontro sobre o tema, mas até o fechamento dessa edição não obteve resposta. Gildalmo Mendonça, diretor da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) e diretor secretário do Sindicato das Empresas e Transporte Coletivo Municipal de Passageiros e de Características de Metropolitano de Londrina (Metrolon), afirma que a maioria da população e até mesmo as pessoas interessadas na questão dos transportes coletivos desconhece a realidade do serviço em Londrina e no Brasil. Ele prefere não comentar as questões levantadas pela Promotoria Pública. “Vamos falar sobre o ônus da maioria das tarifas de transporte coletivo no Brasil: o setor apresenta Gildalmo Mendonça: se o custo das passagens gratuitas e meias passagens não fosse repassado aos pagantes, a tarifa em Londrina seria de R$ 1,32 excesso de gratuidade e de custos. Além disso, sabemos que o governo federal tem projetos para baratear o sistema de transporte coletivo, oferecendo subsídio para as gratuidades concedidas e para o combustível consumido pelo setor, mas até agora nada saiu do papel”, diz. O diretor também observa que, mesmo com projetos nesse sentido, a Petrobras aumentou o valor do diesel. “O combustível é um dos itens que encarecem o serviço”, destaca. Ele ressalta que a concessão de gratuidade é outro ponto que precisa ser rediscutido. “Quem assume o ônus das passagens gratuitas é o usuário pagante, quando elas poderiam ser subsidiadas, assim como as meias passagens dos estudantes.” Mendonça acrescenta que se o custo das passagens gratuitas e meias passagens não fosse repassado para os pagantes, o valor da tarifa hoje seria de R$ 1,32 em Londrina. “Estamos buscando sensibilizar o governo federal nesse sentido, no que lhe é de competência, mas o custo também é composto de itens da esfera municipal, como ISS e a taxa de gerenciamento paga à CMTU, que poderiam ser revistos pela Prefeitura”. “O que falta no Brasil é uma política de melhoria do transporte coletivo e tenho preocupação com o setor, especialmente porque a população está procurando seus próprios meios de transporte, já que o transporte público está ficando cada vez mais caro e moroso”, diz Mendonça. Ele explica que entre as causas da morosidade estão as distâncias percorridas, pois a cada novo bairro determinada linha precisa alterar o roteiro até que haja fluxo de passageiros que justifique uma linha específica. Outro problema seria a falta de prioridade para o transporte coletivo no trânsito. “A velocidade média de circulação dos coletivos em Londrina, hoje, é de 22 km/h, considerada boa em relação a outras cidades, mas para quem fica nos pontos de espera ou está dentro do coletivo pode significar demora, atraso, porque os coletivos disputam espaço com a frota total de veículos, que está cada vez maior.” O diretor diz que existem estudos da empresa no sentido de manter as ruas do Centro, que são pequenas, cerca de uma ou duas horas, nos horários de pico, exclusivas para ônibus para agilizar o transporte da população. “Medidas como essa também representam economia de combustível e podem permitir uma redução do número de ônibus em circulação, pois seria mais curto “R$ 1,60 é um preço alto para o usuário de Londrina, mas o poder público em todos os níveis precisa se preocupar mais com o assunto” o tempo da viagem. Menos ônibus circulando significa economia e agilidade, mas é preciso que a CMTU adote a idéia.” Os salários dos motoristas e cobradores de Londrina também pesam no preço da tarifa. “Os motoristas recebem R$ 1.016,00 mensais, o terceiro maior salário do setor no País, e cobradores recebem R$ 629,00, que é o maior da categoria no Brasil; e esses são valores sem o reajuste que está sendo negociado”, informa o diretor do Metrolon. Ele acrescenta que são salários mais altos do que os de funcionários de empresas de transporte rodoviário e até de alguns professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), com pós-graduação. Mesmo sem querer discutir os valores da planilha apresentada pelos promotores públicos, Gildalmo Mendonça afirma que as tarifas, em todo o Brasil, estão acima das condições econômicas do usuário. “R$ 1,60 é um preço alto para o usuário de Londrina, mas o poder público em todos os níveis precisa se preocupar mais com o assunto. Com o apoio do subsídio as empresas terão mais condições de repassar o benefício para as tarifas.” 12 JORNAL DA ACIL/Julho 2004 HOTELARIA Hóspedes da incerteza Investimento em flats e hotéis-condomínio pode render menos que o esperado Fábio Cavazotti Especial para o Jornal da ACIL O surgimento dos flats e hotéis-condomínio nos anos 90 constituiu uma oportunidade atraente para os investidores tradicionais em imóveis, mas, em diversos casos, a operação acabou se transformando em dor de cabeça e frustração. Esta modalidade de empreendimento foi apresentada desde o início aos investidores individuais como uma boa alternativa de aplicação em ativos imobiliários com a vantagem de não estar sujeita aos incômodos da lei do inquilinato. Na maioria dos casos, os empreedimentos são “cobertos” por grandes operadoras internacionais da hotelaria, como os grupos Accor, Atlântica Hotels e Blue Tree, entre outros. O capital aportado pelos investidores financia a construção dos hotéis e os transforma em sócios destes grupos. As operadoras, que geralmente se comprometem a não sair do negócio por certo período, administram os empreendimentos e repartem os lucros com os investidores. Até aí, tudo muito claro, apenas com uma leve diferença entre as duas modalidades da operação; o primeiro conceito é o de flat, em que os proprietários têm o direito de não participar do pool das operadoras, com possibilidade de ocupar ou alugar suas unidades; e há também os hotéis-condomínio, em que 100% dos quartos são administrados pelas companhias hoteleiras em forma de pool. Em tese, em ambos os casos o investidor pode facilmente se desfazer de sua parte, colocando as cotas à venda no mercado imobiliário. A expectativa de retorno “vendida” pelas incorporadoras ao longo dos anos girou entre 0,8 a 1,25% ao mês, mas isso nunca constou dos contratos – foi sempre um argumento usado nas negociações boca a boca. Nos Mauro Takeda: “Estou decepcionado; esperava que rendesse R$ 1,2 mil, mas não tem passado de R$ 200,00” Diógenes Brandalize, investidor e engenheiro da Construtora Dinardi: “Estou satisfeito com o empreendimento” casos em que a promessa foi cumprida, chegou a significar cerca de 25% a mais que os aluguéis tradicionais, segundo as operadoras. Até o boom que atingiu o setor nas grandes cidades no fim dos anos 90, o retorno para os investidores foi satisfatório, mas hoje em dia, após uma crise que atingiu a hotelaria (leia mais ao lado), a maioria dos proprietários está insatisfeita, conforme apontam três grandes imobiliaristas da Cidade ouvidos pelo Jornal da ACIL, sob condição de anonimato. “O pessoal está descontente, isso já pareceu um bom negócio, mas hoje o rendimento é muito pequeno”, afirmou o proprietário de uma das maiores imobiliárias de Londrina. “Na hora de vender, eles apresentam diversas projeções falando em retorno de Proprietários de flats criaram entidade para defender seus interesses mais de 1% ao mês, mas na prática dificilmente isto acontece”, confirma outro imobiliarista. O Jornal da ACIL saiu a campo e ouviu diversos investidores de flats e hotéis, em Londrina e outras cidades, para verificar o índice de satisfação com estas operações. Em vez de R$ 1.000,00, apenas R$100,00 – “Me senti roubado, foi uma frustração muito grande”, resume o advogado Marcelo Diniz, investidor do Hotel Comfort Suítes em Londrina. O empreendimento, localizado ao lado do Shopping Catuaí, na Zona Sul, tem dado um retorno de R$ 100,00 por mês em 2004. O investimento inicial, entre R$ 100 mil e R$ 110 mil, foi diluído em parcelas mensais ao longo de dois anos, período em que o hotel foi construído. O advogado alega que foi “aventada” a perspectiva de retorno entre 0,8 a 1% ao mês. “Na pior das hipóteses, em 2004, deveria estar rendendo R$ 1.000,00 por mês, mas de janeiro a maio recebi, ao todo, R$ 500,00”, lamenta o investidor, cuja quota está em nome de empresa familiar Santa Catarina Agropecuária Ltda. Marcelo Diniz afirma que venderia sua parte imediatamente se “tivesse comprador”. “Mas hoje, acho que seria difícil encontrar interessados”, completa o advogado. Prejuízo em SP – O mé ACIL/Abril2004 JORNAL DA ACIL/Julho 2004 dico londrinense Mauro Takeda, da Ultramed, também se diz decepcionado com o investimento de R$ 120 mil em um flat do grupo Accor próximo ao Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo. “A propaganda induzia a lucro seguro, perspectiva de 1% de retorno ao mês, tudo com a garantia de uma grande operadora internacional”, explicou o médico sobre o sentimento que o levou a entrar no negócio. “Hoje estou muito decepcionado, esperava que rendesse R$ 1.200,00 por mês, mas não tem passado de R$ 200,00”, lamenta. Takeda conta que a administradora tem alegado baixa taxa de ocupação para justificar o retorno. “Eles dizem que a ocupação está em 50%, e que investirão mais em marketing daqui para frente.” Questionado pela reportagem, o médico mostrou-se descrente de que o retorno chegue perto do prometido. Se a taxa de ocupação dobrasse, o rendimento alcançaria R$ 400, “ainda longe do esperado”, nas palavras do médico. Takeda afirma que vai manter o investimento porque o va- 14 13 O INVESTIMENTO DE DINIZ O investimento de Diniz Valor da cota ............................................. cerca de R$ 110 mil Retorno mensal sugerido ........................ de R$ 800 a R$ 1.000 Retorno médio 2004 .................................................... R$ 100,00 * Valores informados pelo advogado Marcelo Diniz referentes à cota comprada no Comfort Suítes lor de venda está muito baixo hoje, mas dá uma conselho para possíveis investidores neste ramo: “Hoje, eu só entraria no negócio se a garantia do retorno estivesse no contrato”. “Estou satisfeito, não tem outro jeito...!” – É com estas palavras que o representante comercial Serafim Maranhi define o investimento em 3 apartamentos do Hotel Bristol, no Centro de Londrina. O empreendimento, que funciona em sistema de flat, foi iniciado há 17 anos, e é o mais antigo da Cidade. Cada cota vale hoje entre R$ 50 mil e R$ 55 mil, cerca de R$ 15 a R$ 20 mil abaixo do que há alguns anos, de acordo com dois dos imobiliaristas ouvidos pelo Jornal da ACIL. O rendimento de cada apartamento alcança, em media, R$ 350,00, segundo o representante comercial. “Eu esperava um retorno maior, porque amigos me disseram na época que empreendimentos semelhantes em são Paulo eram muito bons”, conta Maranhi. Por outro lado, o investidor cita os benefícios do setor: “Não dá trabalho e é Crescimento dos flats agravou crise hoteleira A taxa de ocupação no setor hoteleiro nos maiores centros do País entrou em rota decrescente a partir dos anos 2000/2001. Segundo avaliações de operadores e especialistas do setor, a retração da economia mundial foi um dos algozes do período, mas os donos de hotéis, de A a Z, capitaneados pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih), atribuem importância fundamental nessa derrocada ao aumento desenfreado da oferta de flats. O número de quartos disponíveis na cidade de São Paulo, por exemplo, dobrou entre os anos de 99 e 2001, atingindo a expressiva cifra de 30 mil, de acordo com dados da Abih. De lá para cá a oferta praticamente duplicou outra vez: em 2004 está passando de 50 mil unidades. Ainda segundo a Abih, uma cidade como Nova Iorque, que recebe 37 milhões de turista ao ano, oferece cerca de 70 mil quartos em hotéis e similares. A demanda instalada em São Paulo atende a, no máximo, 7 milhões de turistas anualmente. Nesse contexto de concorrência quase predatória, as grandes redes internacionais levam vantagem sobre hoteleiros tradicionais, em função do suporte financeiro. Para o consumidor resta uma diminuição gradativa de serviços e comodidades comuns nos hotéis à moda antiga, e cada dia mais raros nas unidades padroniza- das das grandes redes. Um expressivo porta voz desta análise é o empresário Henry Maksoud, dono do Hotel Maksoud Plaza de São Paulo, referência entre as empresas 5 estrelas do ramo no País durante décadas. Em entrevista à “Folha de São Paulo” em fevereiro, afirmou: “A indústria hoteleira está destroçada”. A taxa média de ocupação dos 416 quartos e suítes do Maksoud Plaza, que já foi de 65%, hoje não chega a 40%. Segundo dados da Associação Brasileira de Proprietários de Flats (Apflats) o auge da construção de flats e hotéis-condomínio aconteceu na segunda metade dos anos 90. Entre 1996 até 2000 foram lançados 106 prédios de flats na cidade de São Paulo. Em 2001, esse número baixou para apenas 4. Ainda segundo a Apflats, a crise hoteleira se concentrou principalmente nas cidades brasileiras de médio e grande porte. A Apflats foi criada em São Paulo, em março de 2002, em conseqüência da insatisfação de dois investidores, o advogado Renê Maluhy Jr., e o consultor em administração de empresas, Antonio Carlos Teixeira da Silva. A entidade possui endereço na Internet (www.apflats.com.br) e pressiona o Congresso Nacional pela aprovação de legislação específica de proteção ao direitos dos proprietários de flats. (F. C.) um investimento garantido, com liquidez”. Também em decorrência da facilidade ele prefere manter seus apartamentos no pool administrado pela operadora a fazer a locação diretamente com particulares. Diversificar é preciso – O engenheiro Diógenes Brandalize, da BCD Construtora e Incorporadora Ltda, foi o único investidor consultado que se mostrou realmente satisfeito com o investimento. Brandalize é proprietário de um apartamento do Bristol em Londrina. Questionado sobre a reclamação de colegas, ele foi enfático: “Isso não existe, você tem que diversificar os investimentos. Não pode pôr tudo numa coisa só”. “O empreendimento tem grandes vantagens, não há gasto com manutenção nem relação com inquilinos, e posso me desfazer dele com facilidade”, afirmou o engenheiro. Brandalize acredita que um dos fatores que contribuem para este sucesso foi o modelo de gestão da operadora. “Ela é parceira nossa, reparte os riscos. Se eles ganham mais, todos recebem mais, se ganham menos, é para todos também”, explica o investidor. Proprietário da unidade há 17 anos, ele explica que a primeira operadora hoteleira deu muitos problemas aos investidores, e por isso o rendimento foi menor no início. “Mas trocamos a empresa e melhorou bastante. Estou satisfeito com o empreendimento”, garante Brandalize. Comfort Londrina nega prejuízos O Hotel Comfort Suítes, localizado ao lado do Catuaí Shoping Center, é o mais novo empreendimento da Cidade na modalidade flat e, de acordo com a gerente-geral, Karen Stank, passou a dar lucro aos investidores a partir do 7º mês de funcionamento. “Eles estão satisfeitos, para esta categoria de empreendimento sete meses é um prazo curto”, afirmou Stank. A gerente-geral alegou sigilo contratual, no entanto, para não divulgar valores quanto à taxa de retorno. O Comfort LonKaren Stank: “Eles drina foi inaugurado em 4 de (investidores) estão maio de 2003; tem 56 investisatisfeitos” dores e 123 apartamentos de 33 metros quadrados. O custo total do empreendimento ficou em torno de R$ 12,4 milhões, o que representa aproximadamente R$ 100 mil reais por unidade. Karen Stank reconhece que há “certo número” de empreendimentos no País que não têm “rendido o esperado”, mas principalmente em cidades maiores. “O grupo Atlântica, por exemplo, tem assumido a administração de unidades cujos proprietários estavam insatisfeitos com os antigos administradores”, afirma a gerente. A gerente-geral do Comfort garante que as prestações de contas aos investidores são feitas mensalmente. O gerente-geral do Hotel Bristol, Ivair Sabadin, foi procurado pelo Jornal da ACIL em cinco oportunidades, mas não retornou as ligações. (F. C.) JORNAL DA ACIL/Julho 2004 14 15 UNIVERSIDADE A cota em questão Proposta passa por discussão na UEL Proposta da UEL de criar cotas para estudantes negros levanta polêmica sobre o preconceito racial na escola e na sociedade Célia Polesel Especial para o Jornal da ACIL Reservar 40% das vagas do vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL) para estudantes de escolas públicas e metade dessas vagas (20%) para negros que estudaram em escola pública. Essa é a discussão que vem sendo feita pela comunidade londrinense e principalmente a universitária. As cotas para escola pública são vistas como uma necessidade por praticamente todos, mas as cotas para negros causam muita polêmica. As cotas para negros são uma forma de igualar as chances ou somente preconceito? A discussão divide opiniões. A socióloga Maria Nilza da Silva diz que a reserva de cotas dá a possibilidade de sonhar, de vislumbrar a chance de cursar uma universidade pública. “A sociedade tem dificuldade de encarar a discriminação racial, e por isso é difícil admitir que há desigualdade nas oportunidades.” Maria Nilza pesquisa a condição do negro há mais de dez anos e afirma que a cor da pele determina o local que a pessoa ocupa na sociedade. “Todo mundo acha normal uma negra em- Maria Nilza: “Todo mundo acha normal uma negra empregada doméstica, mas professora universitária é uma surpresa” pregada doméstica, mas professora universitária é uma surpresa”, conta. A professora já passou por situações de preconceito. Em fevereiro, por exemplo, foi convidada a participar de um evento na Câmara de Vereadores de Londrina onde falou sobre sua pesquisa sobre a mulher negra em São Paulo. Depois que Maria Nilza terminou sua fala, uma das mulheres que estavam no debate disse a ela: “Você é negra, mas é muito educada, fala direitinho.” Maria Nilza conta que a pessoa que lhe disse isso sequer cogitou que aquela frase era preconceituosa, disse acreditando ser um elogio. “O preconceito é inconsciente na maioria das vezes, por isso as pessoas acham que no Brasil ele não existe.” Para a socióloga, é preciso mudar valores que a sociedade adotou – e isso leva tempo. “A discussão sobre as cotas é um grande avanço para que a sociedade brasileira reconheça que o racismo é um problema social que precisa ser resolvido.” Segundo Maria Nilza, se naturalizou a questão do negro ser inferior e o próprio negro encara como natural a posição que ocupa na sociedade. “A sociedade brasileira precisa entender que amenizando as desigualdades haverá uma melhora para todos.” O cabeleireiro Marcos Ferreira acredita que a reserva de cotas é somente outra forma de preconceito. “É dizer que o negro não tem condições de con- O rapaz acabou optando pelo curso e, para garantir que não continuassem o namoro escondidos, a mãe veio morar com ele. Marcos conta que não sentiu o preconceito de forma tão direta, mas percebe que o olhar e a maneira de tratar o negro são diferentes principalmente nos shoppings e restaurantes. Ele conta que antes de trabalhar no salão tinha uma empresa de montagem e manutenção de móveis e muitas vezes teve que entrar pelo elevador de serviço dos prédios, mas preferiu encarar como um fato normal, já que estava trabalhando. era negra e burra. “A menina desmaiou e não conseguiu terminar o curso. O professor foi afastado; não foi ele quem ministrou a disciplina para mim.” Para Maria Nilza e Miriam, o fato de a discussão de cotas ter começado já é um grande avanço para que a sociedade comece a admitir que existe o preconceito racial e possa iniciar a mudança de valores, que leva tempo, mas se faz necessária para uma melhora na desigualdade e conseqüentemente na vida de todos. Marcos Ferreira diz que a reserva de cotas é outra forma de preconceito: “É dizer que o negro não tem condições de concorrer em igualdade com o branco” correr em igualdade com o branco.” Para ele o que é necessário é a melhora no ensino no público, que daria conhecimento suficiente para todos concorrerem ao vestibular. Marcos tem dois irmãos com curso superior, mas estudaram em faculdades particulares, no interior de São Paulo. Ele conta que tentou o vestibular na UEL quatro vezes – duas para Direito, duas para Economia –, mas não entrou. “Não passei porque não me esforcei.” Marcos estudou tanto em escola pública quanto em particular. Maria Nilza defende que apenas o esforço pessoal não resolve e aponta que levantamentos feitos pela própria UEL demonstram isso. Nos cursos com concorrência menor que cinco candidatos por vaga os estudantes das escolas públicas são maioria; entre cinco e dez há variações dependendo do curso; e nos de concorrência maior que dez a predominância é dos que estudaram em escola particular. Quando a análise é feita em relação à presença de negros nos cursos fica demonstrado que são minoria em todos os cursos. “O vestibular exclui, principalmen- te nos cursos mais concorridos”, enfatiza. Para ela, a reserva de cotas não exclui a discussão sobre a melhora no ensino público, aliás a reforça. “Somente vão conseguir vaga os melhores da escola pública. Para negros no curso de Medicina, por exemplo, serão 16 vagas e virão negros de todo o Brasil concorrer a essas vagas; somente os melhores entrarão”, explica. Como conseqüência haverá uma cobrança para que a escola pública prepare melhor os alunos. A professora Miriam Henriques Augusto sempre estudou em escola pública e é formada em Letras pela UEL. Para, ela antes de se fazer a reserva de cotas é preciso que se estude a história do negro nas escolas. “Quem não conhece a sua história vai se negar. O negro precisa resgatar a sua auto-estima, saber que sua etnia já teve reis, terras e valorizar sua cultura e beleza.” Miriam diz que talvez as cotas sirvam para obrigar a sociedade a encarar o preconceito que existe. “Talvez sirva para o Brasil mostrar sua verdadeira cara.” O preconceito já foi sentido tanto por Maria Nilza quanto por Marcos e Miriam. A professora conta que namorava um rapaz branco antes dos dois passarem no vestibular da UEL. O rapaz passou em Medicina e a mãe o obrigou a escolher entre o curso e a namorada negra, que não era aceita pela família. Uma forma de igualar chances ou somente preconceito? As opiniões se dividem Para Miriam Augusto, as cotas podem servir para obrigar a sociedade a encarar o preconceito que realmente existe Maria Nilza explica que estudos demonstram que nas escolas – públicas e particulares – é onde há as discriminações que causam os piores traumas. “Como o preconceito se naturalizou, as pessoas precisam enfrentá-lo todos os dias. Os próprios professores acham que algumas escolas não são lugar para o negro, e por isso já vêm predispostos a vê-los como burros, preguiçosos e indisciplinados.” Miriam conta que na UEL um professor de latim chamou uma aluna negra ao quadro para resolver um exercício, como a aluna não conseguiu, ele disse que além de ser mulher e feia, A proposta de criação de cotas para estudantes de escolas públicas e negros na UEL deverá ser levada ao Conselho Universitário até o final deste mês, depois de ser debatida em todos os centros de estudos e também no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. O tema já foi debatido em uma audiência pública na Câmara de Londrina no mês passado. O professor Jairo Queiroz Pacheco, pró-reitor de Graduação, explica que as cotas para escola pública são praticamente uma unanimidade dentro da UEL, já as cotas para negros suscitam maiores dúvidas. “O importante disso é que a questão racial começa a ser discutida na sociedade”, avalia. Para ele diante das informações sobre o sistema é fácil convencer os contrários e fazêlos entender os motivos para a reserva. A proposta apresentada pela reitoria para início das discussões tem quatro pontos centrais: a reserva de 40% das vagas para alunos de escolas públicas; a metade dessas vagas (20%) para alunos negros; a exigência de que o aluno tenha cursado o ensino médio integralmente na escola pública e manutenção do sistema por dez anos. Segundo Pacheco, algumas mudanças já foram propostas como a ampliação do número de anos cursados em escola pública – além dos três anos de ensino médio seria preciso ter cursado também de 5ª a 8ª séries. Outra questão é quanto ao tempo. Alguns defendem um tempo inferior aos dez anos e a implantação gradual das cotas. Para Pacheco, é necessário que algumas turmas se formem pelo novo sistema para que se possa avaliá-lo. A nota de corte (nota mínima para que o aluno não seja eliminado) deve ser aumentada. “A tendência é se definir uma nota de corte mais alta do que a praticada hoje”, explica. “Com isso haverá uma seleção maior dos alunos, não se justificando a preocupação de queda na qualidade dos alunos formados na instituição.” Pacheco informa que até o dia 19 deste mês todas as alterações terão que ser enviadas à Reitoria que irá sistematizálas e levá-las à votação pelo Conselho Universitário. Para o pró-reitor, a sociedade já começou a ganhar com o debate, que levantou questões importantes como a qualidade do ensino público, o preconceito racial, o papel da universidade e a relação dela com a sociedade. A proposta dever ser votada até o final do mês e ser colocada em prática no vestibular de janeiro de 2005. (C.P.) 16 JORNAL DA ACIL/Julho 2004 EXCELÊNCIA GRÁFICA Showcase dá prêmio à Midiograf Publicação do Londrina Convention vence na categoria Livro Institucional A Midiograf, de Londrina, foi a vencedora do Prêmio de Excelência Gráfica Oscar Schrappe Sobrinho, na categoria Livro Institucional, com o Showcase Londrina & Região, publicação elaborada pelo Londrina Convention & Visitors Bureau, entidade vinculada à ACIL. A gráfica, que é filiada ao Convention e à ACIL, concorreu com em outras cinco categorias. Mais 17 gráficas foram premiadas, todas de Curitiba. Foi a primeira participação da empresa de Londrina no prêmio, que está em sua segunda edição e é organizado pela Abigraf do Paraná, através do Sigep - Sindicato das Indústrias Gráficas do Paraná. O Prêmio de Excelência Gráfica Oscar Schrappe Sobrinho tem o objetivo de estimular a qualidade gráfica no Paraná, incentivando a prática criativa e as inovações tecnológicas das empresas do Estado. O Showcase Londrina & Região é um guia de apresentação da Cidade e do Norte do Paraná a investidores e realizadores de eventos de todo o Brasil. A publicação teve como editor o jornalista Roberto Francisco, também responsável pelo Jornal da ACIL. A programação visual da revista é assinada por Alessandro Camargo e Roberto Francisco. O prêmio foi entregue no dia 27 de junho a Onildo Benvenho, representante da Midiograf na premiação, em Curitiba. Falta de estrutura prejudica exportação por Paranaguá O governo federal está se fartando com o crescimento das exportações brasileiras nos últimos três anos. Os sucessivos superávits comerciais são a alegria da equipe econômica e um reforço estratégico para a política de estabilidade da moeda. Mas nem tudo são comemorações nesse cenário. Para os exportadores, esse crescimento gerou um problema que não estava no roteiro, embora fosse previsível: falta estrutura nos portos brasileiros. O sistema logístico dos portos do País está estrangulado e Paranaguá é um dos principais exemplos.”Paranaguá tem desprestígio e risco maior que os outros portos devido aos problemas operacionais, de dragagem, cais sem condições, problemas sanitários e operação lenta”, criticou recentemente Nilson Hanke Camargo, assessor econômico da Federação da Agricultura do Paraná. O exportador também enfrenta a falta de contêineres, espaço nos navios e freqüência de navios. Com a demanda em alta e a estrutura sem expansão, o resultado não poderia ser outro: preços maiores. O frete marítimo subiu entre 30% e 35% este ano. O frete da soja subiu 20% em 2004, admite o diretor administrativo do Porto de Paranaguá, Mario Marcondes Lobo Filho. A espera por um contêiner pode levar até 30 dias e, mesmo conseguindo o equipamento e concordando em pagar o frete marítimo caro, o exportador enfrenta ainda a falta de navios para operar a carga. Outro fator agravante para os exportadores é o custo diário dos navios que aguardam para receber as cargas, que no ano passado ficava entre US$ 8 mil e US$ 10 mil e este ano chega a US$ 60 mil em Paranaguá. Uma das explicações para esse aumento do custo cobrado pelas empresas de navegação é o crescimento da demanda por frete marítimo na Ásia, puxado principalmente pela expansão econômica da China. Os problemas de estrutura aeroportuária foram um dos pontos levantados pelo documento elaborado durante o II Caminho do Exportador, evento promovido em Londrina no dia 20 de maio pelas entidades e empresas que integram o grupo de fomento ao comércio internacional. A chamada “Carta de Londrina” critica o excesso de burocracia e impostos e as dificuldades e altos custos nos portos brasileiros. JORNAL DA ACIL/Julho 2004 17 MODA DA CASA Quando setembro chegar Estação Fashion Londrina será realizado mais cedo e será maior este ano; tema serão as cores e os personagens de Londrina O Estação Fashion Londrina, evento lançado ano passado com a proposta de servir como vitrine do potencial da indústria da moda em Londrina, chega a sua segunda edição este ano com novidades importantes. O evento está maior. Ele terá duração de três dias, maior investimento dos parceiros, uma estratégia de comunicação focada na imprensa especializada, mais marcas participantes e, como conseqüência, maior número de compradores, explica Vanessa Wander, diretora da Fashion House, empresa responsável pela organização do Estação Fashion Londrina. Para tanto, a presença da imprensa especializada é fundamental. A previsão é que venham a Londrina durante o evento pelo menos 30 jornalistas ligados aos maiores veículos especializados em moda do País, número JORNAL DA ACIL/Julho 2004 18 bem maior do que na primeira edição. Outra novidade importante é a data. A primeira edição foi realizada em novembro. Esta será em setembro – nos dias 8, 9 e 10 –, período mais adequado ao lançamento das novas coleções de alto verão. Essa mudança encaixa o Estação Fashion Londrina no calendário de eventos que lançam moda e o torna mais atraente aos veículos de comunicação especializados do setor. E como no mundo fashion é importante “acontecer”, a alteração de data passa a ser estratégica. A idéia dos realizadores é tornar o evento maior em tamanho e repercussão, o que dará maior visibilidade à moda produzida no Norte do Estado. A presidente do Conselho da Mulher Empresária da ACIL, Helenida Taufik Tauil da Costa Branco, afirma que o evento pretende transformar Londrina na primeira estação do roteiro da moda no Paraná. “As coleções das indústrias da região têm assinatura de estilistas, profissionais que estão se reciclando o tempo todo, no País e no exterior”, acrescenta. A produção de Londrina e da região, amparada pela presença de faculdades de estilismo, tem qualidade e identidade própria, o que credencia a Cidade como um centro criador de moda. A edição deste ano terá como tema “Cores e Nomes”. “A proposta é resgatar a história da Cidade mostrando suas cores; as cores que vestem Londrina na arquitetura, na moda e na ciência, relacionando-as com nomes e estilos”, explica Vanessa. Frente a frente – A Rodada de Negócios este ano será organizada pelo Sebrae-PR, ABIT, Vestpar e Apex. Na rodada internacional, serão 15 compradores patrocinados pelo evento que irão negociar com empresas selecionadas e preparadas pelos organizadores. A iniciativa de realizar o Estação Fashion Londrina em 2003 foi da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), através do Conselho da Mulher Empresária, que teve parceria da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Sebrae, Senai, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Sindicato das Indústrias do Vestuário no Paraná (Sivepar) e Sindicato Intermunicipal no Estado do Paraná (Vestpar). JORNAL DA ACIL/Julho 2004 19 NOVOS CONCEITOS Opção racional Escritórios virtuais são alternativa para quem quer reduzir custos e garantir maior praticidade na rotina de trabalho Katia Baggio Especial para o Jornal da ACIL As luzes estão apagadas? Os equipamentos estão desligados? E os impostos, será que consigo pagar? Essas são apenas algumas preocupações de quem tem uma empresa. A estrutura física e os tributos ocupam boa parte dos custos e do tempo do profissional. Mas muitos têm a possibilidade de agilizar seus negócios, transferindo suas atividades para um escritório virtual. A proposta surgiu na Europa do pósguerra, quando os países entraram em fase de reconstrução, inclusive da economia, e passaram a compartilhar espaços e logística como forma de racionalização e redução de custos. Os americanos adotaram e adaptaram a idéia e a difundiram pelo resto do mundo. O Brasil desenvolveu o primeiro escritório virtual há pouco mais de 10 anos. Hoje, mais de 200 estão espalhados pelas capitais e grandes cidades do País. Mas, afinal, o que é um escritório virtual? “Aqui, colocamos à disposição do profissional toda a estrutura física e administrativa de que ele precisa para desempenhar sua atividade, como salas equipadas para reuniões, treinamentos ou atendimentos individuais, secretária que desempenha as atividades normais da função, serviço de atendimento telefônico, correio, fax, Internet e até cafezinho”, relaciona a diretora de marketing da Associação Nacional dos Centros de Negócios e Escritórios Virtuais, Leslie Adriano. Há nove anos, ela montou o primeiro escritório virtual de Londrina, o Domicilli. Leslie destaca que, com o escritório virtual, o profissional pode dedicar mais tempo para o principal objetivo de sua atividade: o cliente. “Além disso, ele fica livre da maioria dos tributos e encargos que uma empresa física gera.” Compartilhar espaços pode ser considerado complicado para quem não conhece o funcionamento do escritório virtual, mas quem oferece o serviço garante que a agenda de “Reduzi meus custos em 92%”, diz o psicólogo Sérgio Augusto de Oliveira Leslie Adriano, diretora do Domicilli: “Profissional fica com mais tempo para se dedicar ao cliente” uso das salas e dos serviços evita qualquer inconveniente. O sistema é favorável principalmente para profissionais liberais, representantes e consultores – e pode servir como incubadora para novas atividades. “Temos casos de empresas que nasceram no escritório virtual e conforme deram certo migraram para estruturas independente”, diz Leslie. Londrina tem apenas um escritório virtual, implantado em 1995, pioneiro no Paraná e praticamente no Brasil, segundo a diretora de marketing da Associação. “Nos instalamos aqui, quando o primeiro escritório de São Paulo também estava sendo estruturado.” A maioria da clientela é cíclica, pois a estrutura também é útil para executivos que viajam com freqüência, mas ficam em contato permanente com a sede da empresa. Porém, muitos clientes do escritório londrinense usam o espaço desde que foi inaugurado. O psicólogo Sérgio Augusto de Oliveira é um dos primeiros clientes em Londrina. “Eu buscava a redução de custos quando conheci o escritório virtual. Passei a atender meus clientes aqui e em pouco tempo reduzi meus custos em 92% com relação ao antigo consultório. Tenho tudo o que preciso, até água e cafezinho, além de estar em contato com outras pessoas, o que é bastante positivo”, relata Oliveira. O escritório oferece pacotes com opções de serviços e custos – por hora ou mensais. O uso do endereço, mais recepção de clientes, documentos e atendimento telefônico custa R$ 94 mensais, por exemplo. Se o cliente preferir atendimento telefônico personalizado, com número exclusivo, são mais R$ 40. Jaqueline Luz, publicitária, utiliza o escritório virtual há três meses: “Mais agilidade e praticidade para trabalhar” Para a publicitária Jaqueline Luz, redução de custo também foi o principal motivo que a conquistou para o escritório virtual. “Estou aqui há apenas dois meses e os gastos caíram de R$ 2 mil por mês no antigo local para R$ 800 aqui. Eu também ganhei agilidade e praticidade para trabalhar.” A profissional optou pela locação de uma sala no período da manhã, diariamente, e diz que tem dado certo. Serviços de atendimento telefônico e outros estão incluídos no valor que ela paga ao escritório. Leslie Adriano informa que o número de escritórios virtuais aumenta de 10% a 15% ao ano, no Brasil, o que ainda é pouco, mas explica que o segmento tem o difícil desafio de mudar conceitos. “O empresário brasileiro ainda não desvinculou empresa de espaço físico, e a resistência ainda é grande para esse outro formato empresarial. Mesmo quando inauguramos o escritório, em 95, já tínhamos Internet disponível, mas os clientes tinham receio de se transferir para cá. Alguns queriam locar uma sala exclusiva e levar a chave; precisamos mostrar que, se ele não usava o espaço o dia todo, não era necessário gastar para mantê-lo fechado. Assim, fomos apresentando formas racionais de utilização de salas, equipamentos e mão-de-obra; hoje, quem utiliza o escritório virtual fica satisfeito.” A locação de uma sala, por uma hora, pode custar menos de R$ 8 por mês. Tudo depende da necessidade do usuário. A idéia de trabalhar em um local totalmente flexível e garantir custos baixos é a base para a adoção do escritório virtual. Leslie comenta: “O profissional só precisa lembrar que deve oferecer qualidade no seu serviço e não uma sala imensa, com uma mesa cara. Trabalhamos pela mudança de paradigmas”. Atividade cresce no País, mas ainda há resistências entre os empresários JORNAL DA ACIL/Julho 2004 20 VIAÇÃO GARCIA Nesta longa estrada da vida A história de uma das empresas mais tradicionais de Londrina – mais antiga, até, que o próprio Município José Antonio Pedriali Especial para o Jornal da ACIL No princípio era o verbo, e o verbo era sofrer. Os 25 quilômetros que separam o Rio Tibagi de Londrina exigiam todo um dia para serem percorridos em meio à picada, com subidas e descidas sem fim, que rasgava a densa floresta típica do Norte do Paraná. Era 1934. Levas e levas de colonos e aventureiros de São Paulo, Minas Gerais e do mundo todo chegavam ao Norte do Paraná, que começava a ser colonizado, em busca da prosperidade que não haviam encontrado em outras regiões. O mundo civilizado terminava em Jataizinho, e daí para o sertão promissor era necessário cruzar o sempre turbulento Tibagi em balsas precárias e chegar a Londrina, até então o único centro urbano de toda uma vasta região, para se instalar ou tomar como ponto de partida para novas conquistas. Do rio a Londrina, havia a picada. Havia a lama, a poeira, os mosquitos, e um único meio de locomoção: um caminhão Ford 1933, adaptado para o transporte de passageiros. Este caminhão adaptado, uma autêntica jardineira que seria carinhosamente batizada de “Catita”, foi o embrião de uma empresa de transporte de passageiros, e mais tarde também de cargas, que está hoje entre as 10 maiores do Brasil, com uma frota de 450 ônibus. A Viação Garcia Ltda., com sede em Londrina, completa sete décadas de existência. Tem a mesma idade que a Cidade que a hospeda, mas se a contagem for levada ao pé da letra, Empresa surgiu formalmente em 15 de janeiro de 1934, como Heim & Garcia a empresa é mais antiga que Londrina, que fará 70 anos em dezembro. A Garcia surgiu formalmente em 15 de janeiro de 1934 com o nome de Companhia Rodoviária Heim & Garcia. A Companhia de Terras Norte do Paraná, de capital inglês e responsável pela colonização da região – processo que teve início em 1929 – transferiu a tarefa de transporte dos colonos que adquiriam seus lotes ao mecânico Mathias Heim, que, para viabilizar o negócio, associou-se Celso Garcia Cid. No início, Celso era o motorista e Mathias, o mecânico. Três anos depois a sociedade se desfez. Mathias não se adaptou aos rigores da região. Celso, então, procurou novo sócio, encontrando no também espanhol José Garcia Villar o companheiro ideal. A nova sociedade, formalizada em 1938, quando a empresa já contava com uma frota de oito ônibus, deu origem a uma nova denominação – a Empreza Rodoviá- ria Garcia & Garcia –, que viria a ser definitivamente substituída, na década de 1950, por Viação Garcia Ltda. O crescimento vertiginoso do Norte do Paraná, que teve o café como mola propulsora, contribuiu para a expansão da empresa, mas até a década de 1960 o verbo sofrer ainda seria conjugado. As estradas continuavam precárias enquanto mais e mais cidades eram abertas em meio ao sertão – e seus moradores precisavam de transporte; precisavam, portanto, da Viação Garcia. Novos e resistentes ônibus foram incorporados, rodoviárias eram construídas pela própria empresa, já que os municípios, ainda incipientes, não dispunham de recursos, e até estradas a Garcia abriu para chegar aos novos centros urbanos. Que, em muitos casos, se limitavam a uma clareira na mata, com uma ou poucas ruas. Um dos momentos mais críticos da empresa foi na década de 1940, quando a Se- hoje principalmente para linhas de longa distância, a Garcia contou em sua frota com o GMC, nas décadas de 40 e 50, ônibus com capacidade para 35 passageiros que inaugurou a era dos “carros de frengunda Guerra Mundial estava te reta” utilizados até hoje. A no auge.década Imigrantes de 60alemães, foi marcada peitalianoslos e japoneses, que enFenemê, que transportagrossavam vamo37contingente passageiros,de e, nas décolonos cadas do Norte do Paraná, seguintes, a primazia foi eram reprimidos pelaUm polícia dos Scanias. deles, o modo presidente GetúlioéVargas, e como delo B-111, conservado a Viaçãouma Garcia, como aster derelíquia por transpormais empresas do Brasil, so- II dutado o papa João Paulo fria com arante escassez gasolina suadapassagem pelo e do diesel, então severamente Paraná. racionados. OA “Double Garcia não es- introDecker”, moreceu.duzido Doze na ônibus GMC, década de 90, reúne conhecidos “Pavão”, umpor conjunto de foram inovações que adaptados para ter comoacomrevolucionaram segurança e bustível o conforto gasogênio, prodosgás passageiros. São duzido pela queima do carvão. ônibus de dois andares, com Além desala sujo altamente de eentretenimento, polpoluentetronas – sem de falar no desacouro, cabine exclugradávelsiva apelo paraestético pequenoque número impunha nos ônibus –, o gasogênio movia os veículos lentamente. O percurso Londrina-Paranavaí, de pouco mais de 200 quilômetros, por exemplo, exigia 16 horas para ser vencido. Da “Catita” aos requintados “Double Decker”, utilizados Durante a Segunda Guerra Mundial, doze ônibus eram movidos a gasogênio JORNAL DA ACIL/Julho 2004 de passageiros na versão leito, sistema de ar frio e quente uniforme, videocâmera para manobras e o Control Laser, radar que detecta a aproximação de obstáculos. A “Catita” e o “Pavão” não foram as únicas adaptações que a Garcia promoveu em seus veículos. A empresa desenvolveu em seus laboratórios o terceiro eixo para ônibus com suspensão a ar, inovação que pôs em prática a partir da década de 70 em seus modelos Scania. A empresa foi a primeira no Brasil a utilizar os biarticulados e também a pioneira na aquisição do Trinox, da Scania, com carroceria em aço inoxidável. A partir da década de 80, a empresa popularizou o “Top Bus”, sobre chassis Scania e Volvo, aumentando o conforto dos passageiros com a sofisticação do acabamento interno dos ônibus, que passaram a ser equipados com poltronas mais reclináveis e amplas, e oferecendo melhor atendimento proporcionado pelo serviço de café, refrigerantes e lanches. Tudo isso sem praticamente alterar o preço da passagem em relação aos 21 ônibus convencionais. Dos pioneiros Celso Garcia Cid e José Garcia Villar, três gerações se sucederam no comando da empresa, hoje sob a responsabilidade de José Paulo Garcia Pedriali e Gustavo Garcia Cid, netos dos fundadores. A empresa tem atualmente 2 mil funcionários e transporta 1 milhão de passageiros por mês entre as 160 cidades que serve no Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Sua frota percorre mensalmente 3,5 milhões de quilômetros. A empresa tem participação acionária em outras duas de transporte de passageiros – Ouro Branco e Princesa do Ivaí, com aproximadamente 100 ônibus – e numa de turismo, a Garcia Tur. Durante três anos consecutivos, a partir de 2001, a Garcia conquistou o troféu “Top of Mind Paraná”, concedido pela revista Amanhã e Instituto Bonilha, de Curitiba. O gerente-geral José Paulo aponta a modernidade, a conservação da frota e o preparo dos funcionários como algumas das principais conquistas da empresa. Há 25 anos, a Garcia vem submetendo seus funcionários a cursos periódicos. Os motoristas, por exem- plo, têm 60 horas de treinamento antes de iniciar o trabalho na empresa, treinamento que aborda desde princípios de direção defensiva a mecânica e técnicas de primeiros socorros. A H24, subsidiária da Garcia no transporte de cargas, é a concretização de uma idéia ambiciosa: entregar em 24 horas, no máximo, encomendas recolhidas no local indicado pelo cliente em qualquer cidade atendida pela empresa. Cem cami- Hoje a Garcia transporta 1 milhão de passageiros por mês nhões compõem a frota da H24, rodando 5 milhões de quilômetros por mês. No princípio era a Catita. Em 70 anos da estrada, a Viação Garcia aliou tradição e modernidade – sempre conjugando o verbo transportar. JORNAL DA ACIL/Julho 2004 22 VAREJO Comércio não pode recusar cheque de contas novas Lei sancionada pelo governador Roberto Requião em junho proíbe as empresas de exigir tempo mínimo de abertura de contas correntes. Comerciantes devem buscar ferramentas para se proteger Os comerciantes do Paraná agora são proibidos, por uma lei estadual, de recusar cheques mesmo que sejam de contas abertas a menos de um ano. A triagem no recebimento dos cheques é uma medida de proteção que as empresas vêm adotando diante da grande incidência de cheques devolvidos por falta de fundos dessas contas. Cerca de 80% dos cheques sem fundos recebidos pelo comércio de Londrina são de contas com menos de um ano de abertura. Agora, a Lei 14.430, sancionada pelo governador Roberto Requião no dia 7 de junho, veda aos estabelecimentos comerciais a exigência de tempo míni- mo de abertura de contas correntes para o recebimento dos cheques. E impõe sanções para o descumprimento. O comerciante que desobedecer a lei estará sujeito, progressivamente, a advertência, multa no valor de dez salários mínimos e de 20 salários em caso de reincidência e ainda suspensão das atividades. Na prática, as empresas terão duas opções: suspender totalmente o recebimento ou passar a aceitar todos os cheques, independente da “idade” das contas. Para os comerciantes, a primeira opção é de alto risco, já que o cheque é um meio de pagamento fortíssimo, que deve ainda ser usado por muito anos, mesmo com o crescimento dos cartões de crédito. Por outro lado, a lei estadual cria um sério problema para os varejistas. A aceitação irrestrita de cheques aumenta em muito o risco da inadimplência, que significa um prejuízo violento com probabilidade praticamente zero de recuperação. Um prejuízo que nem o governo do Estado nem a União aceitariam assumir. Uma das ferramentas das empresas para reduzir esses riscos são os serviços de proteção ao crédito, como SCPC e o Protecheque, ambos oferecidos pela ACIL. No Protecheque, por exemplo, a empresa é informada se o cheque é roubado, sustado ou foi devolvido por falta de fundos. No SCPC, o empresário pode saber se o dono da conta está com o crédito suspenso no comércio. O SCPC permite também saber quantos estabelecimentos comerciais consultaram informações sobre o dono do cheque nos últimos dias. Esse serviço, chamado “Passagem” ou “Consultas”, ajuda a identificar possíveis golpistas que estejam agindo na Cidade. OPINIÃO Emerson C. Lemes Especial para o Jornal da ACIL Dois Quintos dos Infernos Durante o século XVIII, o Brasil-colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Este tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso País, e correspondia a 20% dessa produção. Esta taxação altíssima, absurda, era chamada de “O Quinto”. Este imposto incidia, principalmente, sobre nossa produção de ouro. O Quinto era tão odiado pelas pessoas que foi apelidado de “O Quinto dos Infernos”, dado ao seu custo altíssimo. Aprendemos no ensino fundamental, nas aulas de História do Brasil, que Portugal quis, em determinado momento, cobrar os “quintos” atrasados de uma única vez – no episódio conhecido como “A Derrama”. Isto revoltou a população, gerando o movimento conhecido como “Inconfidência Mineira”, que teve seu ponto culminante no enforcamento do líder Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Apesar dos livros escolares ainda nos apresentarem um Tiradentes-herói, hoje se sabe que ele foi um dos grandes contrabandistas de ouro deste país. Mas, o curioso é que ele contrabandeava justamente para fugir dos altos tributos impostos pela coroa portuguesa! Afinal, quem agüenta um imposto de 20% do PIB? Esta história me faz pensar no presente. De acordo com o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), a carga tributária brasileira deverá chegar ao final deste ano em 38% do PIB. Praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção. Calculase que nossa capacidade tributária é de 24% do PIB; ou seja, estamos arcando com um peso muito maior do que suportamos carregar. Segundo o economista Emerson Kapaz, do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial, por não agüentar uma taxa tributária tão alta, o empresário brasileiro está partindo cada vez mais para a informalidade, para uma situação de desobediência civil. “O governo aumentou os impostos de novo? Não tem problema, eu não vou pagar.” Esta é a reação de muitos empresários, hoje. Nada diferente do que faziam o alferes Tiradentes e seus companheiros, quando contraban-deavam o produto do País para fugir do Quinto dos Infernos. A diferença entre os dias de Tiradentes e nossos dias é que naquele tempo uma voz ergueu-se, e lutou pelo fim do imposto absurdo, sendo levado à morte por este ideal. Hoje, a carga triutária é o dobro daquela da época da Inconfidência Mineira, ou seja, pagamos hoje Dois Quintos dos Infernos. Só precisamos encontrar um novo Tiradentes... Emerson Costa Lemes é contador com especialização (em andamento) em Direito do Trabalho e Previdenciário e analista de regras de negócios do Sistema WINNER de Folha de Pagamento JORNAL DA ACIL/Julho 2004 23 CRÔNICA Widson Schwartz Especial para o Jornal da ACIL Bomboró, a sonoridade que se foi O Bar do Jaime, “túnel do tempo” de três décadas, mantém freqüentadores de origem com memória firme. “E o Bomboró, que fim levou? Lembra-se de ter escrito na Folha a respeito dele?” Não se tem notícia de Bomboró, que já estava “madurão” ao contar histórias em 1980. Algumas aparentemente incríveis. “Bororó?” “Não. Bomboró, mesmo.” Rejeitava a glória de ser confundido com Bororó, o autor dos sambas-choro “Da Cor do Pecado” e “Curare”, até porque o seu apelido tinha história consistente. Expedito Henrique Alcântara, o Bomboró, trazia a memória impregnada de recordações do moleque cambiteiro no Ceará; do baterista que conheceu Noel Rosa e acompanhou Orlando Silva. Esse mesmo, “o cantor das multidões”. Depois, a orquestra do Circo Garcia e a Casa da Diana, em Londrina. “Eu era cambiteiro, você sabe o que é isso?” Cambito: uma forquilha enorme, sem o cabo. Presas à cangalha do burro, duas de cada lado, suportam quantidades de ramas de cana, levadas para alimentar o gado. Órfão de pai e mãe, aos oito anos Expedito trabalhava na fazenda do coronel doutor Phelemon Telles, no Cariri. Punha as ramas nos cambitos. Depois, a casa do tio Raimundo, no Crato. Sapateiro sapateador e baterista era tio Raimundo, “um malandrão”. Com ele, o sobrinho aprende a fazer sapatos a ponto, caprichados. E, aprendiz de baterista, passa a afinar os instrumentos do grupo de escoteiros. “O tambor, eu afinava em ré; o bombo em dó, e acabaram me chamando de Bomboró.” Naquele tempo alistar-se na Marinha aos 15 anos “era a grande malandragem, né!”. Disciplinadamente, o marinheiro Bomboró amplia o conhecimento musical, aprende a ler na pauta. Quando dá baixa, no Rio de Janeiro, conhece um “sujeito murchinho de rosto”, chamado Noel Rosa, em Vila Isabel, e também o flautista Benedito Lacerda, personalidades da década de 1930. Oportunidade, mesmo, só em São Paulo, no dancing “Caçamba”, na Praça da República. Havia lá um quarteto de saxofones e um sexteto de pistons, no estilo das jazz-bands norte-americanas. Aos olhos dos incrédulos que ou- Expedito Henrique Alcântara foi cambiteiro no Ceará, baterista que conheceu Noel Rosa, acompanhou Orlando Silva, tocou na Boate Diana e virou picareta de carros em Londrina vem a história, Bomboró solfeja “In The Mood”, marca o compasso com um pé e mexe os punhos, como se estivesse na bateria. E passa a relembrar excursões com outros instrumentistas, uma para quebrar a monotonia de um acampamento de garimpeiros em Poxoréu (MT). Música, enquanto prostitutas invadem as barracas, cobrando dois mil réis por michê. Já em Araçatuba (SP), convidaram-no para acompanhar Orlando Silva em uma excursão, juntamente com o pianista Neco e o baixista Gaetta, contratados em São Paulo. Conhecia muito bem o repertório de Orlando, por isso o procuravam. Mas a excursão virou caso de polícia, encerrada repentinamente em Caxias do Sul (RS). Orlando tinha contrato com a Rádio Nacional, que lhe concedera “licença por motivo de saúde”, não para que fizesse aquela excursão, patrocinada por “Fadurini” e “Urodonol”. E até a polícia foi acionada para notificá-lo. “Essa história de Orlando ninguém conhece”, intervém um incrédulo. Bomboró retruca: só não mostra fotografias porque está incompatibilizado com a família, que não lhe entrega o álbum. “O Bomboró tocou comigo em Araçatuba, era bom de ritmo o danado”, recordaria o maestro Gervásio Nunes. Por caminhos diferentes, Gervásio e Bomboró chegaram a Londrina, um para formar orquestra no Grêmio, outro para tocar bateria na Boate Diana, na década de 50. Bomboró havia passado oito anos na orquestra do Circo Garcia. “Que vida. Ternos sob medida e muito dinheiro nos bolsos.” Nos anos 60, o iê-iê-iê e a jovem guarda ofuscam as orquestras. Uma guitarra, um baixo e uma bateria fazem um barulhão danado, a baixo custo. E, com o declínio do café, desarticula-se a famosa zona do meretrício, que desaparecerá. Bomboró nem sequer havia pensado em ser baterista de rock; junto com o amigo Régis, virou negociante de carros, compravam aqui e revendiam em Santa Catarina. Nos anos 80, Bomboró resumia a sua história: “De cambiteiro a picareta de carro”. Widson Schwartz é jornalista em Londrina JORNAL DA ACIL/Julho 2004 24 Estrutura e qualidade de serviços Diretor da Vertical Eventos e Comunicação, José Maranho faz visita de inspeção a Londrina e dá dicas sobre como a Cidade pode atrair mais eventos A visita do empresário e jornalista José Antonio Maranho, diretor da Vertical Eventos e Comunicação, a Londrina, há cerca de duas semanas, serviu para reforçar alguns pontos que o Londrina Convention & Visitors Bureau vem alertando há tempos. O principal deles é a falta de uma estrutura adequada para sediar convenções com até 1.500 pessoas num só espaço e salas para atividades simultâneas. Maranho veio a Londrina para uma visita de inspeção, atendendo convite do Convention. Ele conheceu os equipamentos da Cidade e da região. O empresário considerou boa a estrutura e a localização do CEEL - Centro de Exposições e Eventos de Londrina, adequadas, segundo ele, para sediar feiras e exposições. Mas para receber convenções, o local precisaria receber adequações. A sugestão de Maranho é que se construa uma ala nova junto às estruturas já existentes e que seja específica para convenções. Isso inclui um auditório de grande porte e um conjunto de salas de diversos tamanhos, com equipamentos de apoio. Outro ponto importante são os serviços. A experiência do empresário em Londrina comprova os problemas que ainda precisam ser sanados. Com o aeroporto fechado por conta do mau tempo, o avião em que ele vinha pousou em Maringá. De lá, precisou vir de ônibus, em pé, até Londrina. Ao chegar à Cidade, às 2 horas da madrugada, foi deixado no aeroporto e não no hotel, como preten- Pacote atrai turista para fim de semana dia. No aeroporto, precisou esperar, porque havia poucos taxistas no local. Quando conseguiu um carro, teve a bagagem literalmente jogada no banco de trás. O taxista então saiu em disparada, atravessou sinais fechados e, ao ser questionado sobre o motivo da pressa, justificou que queria chegar rápido de volta ao aeroporto, para fazer mais viagens. Deixado pelo taxista apressado no hotel, Maranho encontrou a recepção vazia e precisou chamar funcionário para ser atendido. Na avaliação da diretora executiva do Convention, Maitê Uhlmann, a questão da qualidade dos serviços é vital para Londrina na luta para atrair eventos. As estruturas são importantes e devem ser supridas, como o caso de um centro de convenções de grande porte. “Mas pouco adiantará construirmos esses espaços se não tivermos a consciência de que a qualidade dos serviços é a grande marca de uma cidade”, diz. “Não dá para entrar no jogo se o básico não acontecer, como a instalação do ILS e a adequação do número de taxistas no aeroporto de Londrina”, acrescenta Maitê. Pesquisa - Consulta de opinião junto aos associados revelou que o Convention tem aprovação de 81% dos seus filiados. “Foi muito importante conhecer a opinião e a avaliação que os associados fazem do Convention, já que pudemos verificar ponto a ponto onde estão nossas falhas e onde precisamos melhorar; para isso a participação dos nossos filiados foi fundamental”, afirma Maitê Uhlmamm. A pesquisa mostrou que os associados apontaram as rodadas de negócios, os orçamentos e as reuniões de planejamento como os maiores benefícios gerados pelo Convention. O Hotel Sumatra montou um pacote criativo voltado aos turistas que pretendem passar o final de semana em Londrina e para as agências de turismo, que passam a contar com um produto novo para oferecer a seus clientes. O “Final de Semana Festivo” é um pacote que inclui hospedagem, com jantar dançante e jantar opcional no Buffet Estação. O Hotel está oferecendo duas formas de pacote. No primeiro, com diária de sábado a domingo em apartamento casal (suíte superior), incluindo o jantar opcional e o jantar dançante, o custo é de R$ 124,00 por casal. No segundo, com duas diárias de sexta a domingo, o valor é de R$ 213,00. A atração musical do pacote este trimestre é “Tigrão e Trio”, que segundo o hotel é considerado um dos melhores grupos de MPB e samba do Sul do País. A coordenadora de eventos do Sumatra, Tania Mara Lopes de Oliveira, ressalta que o pacote é atraente porque oferece, na verdade, um fim final de semana na Cidade, com hospedagem em hotel 4 estrelas, lazer artístico, gastronômico e oportunidade de compras no comércio de Londrina. FIQ 2004 terá feira virtual A quarta edição da FIQ - Feira Internacional da Qualidade em Máquinas, Matérias-Primas e Acessórios para a Indústria Moveleira, que será realizada de 2 a 6 de agosto no Expoara, em Arapongas, promete movimentar o setor moveleiro do País e agitar o trade turístico do Norte e Noroeste do Estado. A FIQ e a Movelpar, também realizada no Expoara, são os dois maiores movimentadores da estrutura hoteleira da região, por serem os principais eventos de negócios do eixo Londrina-Maringá. A feira deste ano terá um recurso tecnológico adicional. Todos os espaços da FIQ estarão também na Internet. “Construímos o Expoara em três dimensões. Os visitantes poderão caminhar pelos corredores e visualizar produtos, especificações e informações sobre a empresa expositora. O layout será o mesmo da FIQ, mudando apenas o formato dos estandes”, afirma Marcos Buratto, gerente de marketing do Portal Moveleiro, parceiro da Expoara na iniciativa. A idéia é potencializar os negócios iniciados durante a feira. Os empresários do setor moveleiro poderão visitar a FIQ virtual por seis meses. Esse novo recurso ajuda também na comercialização no mercado internacional. A FIQ é a única feira de fornecedores da indústria moveleira totalmente dirigida ao setor a ser realizada neste ano no Brasil. A perspectiva dos organizadores é receber 35 mil pessoas ligadas ao segmento do Brasil, América do Sul, México, Canadá e de países da Europa. Na sua quarta edição, a FIQ terá 250 expositores. A perspectiva é que a feira realize negócios em torno de R$ 320 milhões. JORNAL DA ACIL/Julho 2004 25 P A I N E L E C O N Ô M I C O José Pio Martins Especial para o Jornal da ACIL Perigos de uma boa intenção Pessoas notórias vêm pedindo que o governo aumente os gastos. Isso significa aumentar o déficit nominal. Em 2004, os juros da dívida pública podem passar de R$ 140 bilhões, enquanto o superávit primário não passará de R$ 70 bilhões. Na sua coluna da revista VEJA de 06/06/2004, o professor Stephen Kanitz disse que, sendo a taxa de juros de 16% e a inflação prevista de 15%, na prática o governo não tem juro real algum a pagar. Este raciocínio contém um equívoco. Kanitz teria razão se a inflação chegasse aos 15%, se o aumento no valor nominal do produto total do País (PIB) fosse também de 15% e se o aumento da arrecadação tributária do governo subisse na mesma proporção. Como a arrecadação de tributos deve subir uns 7%, que é a inflação geral, não se pode usar um índice isolado de 15% como sendo mera correção monetária da dívida e concluir que o juro real é praticamente zero. Dizendo de outra forma, temos muitos índices de inflação e o índice que vale para “deduzir” da taxa de juros nominal paga pelo governo, a fim de achar a taxa real, é aquele índice que faz a arrecadação crescer, ou seja, os tais 7% ao ano. Os juros nominais sobre a dívi- da governamental devem chegar a R$ 140 bilhões; uns R$ 60 bilhões referem-se à inflação do ano, portanto, há uma despesa com juros reais de R$ 80 bilhões. Em artigo assinado, um importante líder empresarial pedia três coisas: a) redução da taxa de juros; b) redução da carga tributária; c) aumento dos gastos do governo. É impossível. A taxa de juros não é uma variável controlável por decreto do rei. Ela reflete a saúde financeira do governo e a confiança no País, e a melhor forma de baixá-la é diminuindo o endividamento estatal, o que só pode ser conseguido por duas vias: a) vender ativos para cancelar passivos (privatização); b) obter superávits primários para resgatar a dívida vincenda. Gastar mais e reduzir simultaneamente a carga tributária significa aumentar a dívida, que acaba provocando elevação da taxa de juros, exatamente o oposto do que se quer. Considerando que o desembolso do governo com os juros é maior do que o superávit primário, o saldo final das contas públicas é um déficit preocupante. Se o governo devesse metade do que Ao contrário do que pregam alguns, o superávit primário não é exigência maldosa do FMI; é uma necessidade para solucionar a crise fiscal deve, talvez ele pudesse pagar 4% de juros reais ao ano (taxa de juros menos taxa de inflação) e não 10% como paga. Muitos argumentam que há países onde o governo, como percentual do Produto Interno Bruto, deve muito mais do que o governo do Brasil e nem por isso a taxa de juros é alta. Há uma armadilha nesse raciocínio. A questão não é apenas o tamanho da dívida. Nos países desenvolvidos o governo emite títulos com prazos longuíssimos, não existe inflação, há um histórico de confiança e a sociedade se dispõe a emprestar para o governo com taxa de juros baixíssima, próxima de zero por cento. O aumento do gasto público vem sendo defendido como necessário para promover o crescimento econômico. Também isso não é uma verdade absoluta. O governo até poderia sair por aí fazendo um amontoado de obras. Porém, como a última linha do fluxo de caixa do setor público brasileiro (Municípios, Estados e União) é um déficit em torno de 5% de toda a produção nacional, muito cedo teria de vir um arrocho recessivo; exatamente o contrário do tão desejado “crescimento sustentado”. No primeiro manda- to, o governo Fernando Henrique fez exatamente o que se vem pregando: aumentou a carga tributária, gastou demais e acabou com o superávit primário. O resultado é conhecido: a dívida foi nas alturas, a taxa de juros subiu, chegou a hora de pagar a conta e adeus crescimento econômico. Ainda que haja outros fatores inibidores do crescimento, na sua base está a crise fiscal do Estado, que é um drama antigo e crônico. Vivemos uma situação complexa: carga tributária altíssima, taxa de juros elevada, pequeno volume de crédito ao setor produtivo, insuficiente investimento em educação, e tudo isso tem ligação com a elevada dívida pública. Ao contrário do que pregam alguns, o superávit primário não é exigência maldosa do FMI; é uma necessidade para solucionar a crise fiscal. O governo vem sendo pressionado para gastar mais. Isso é compreensível, pois não há esporte mais gostoso do que gastar o dinheiro dos outros. Antes, porém, seria necessário reduzir a dívida, alongar os prazos e diminuir a taxa de juros. Consertar as finanças do Estado é doloroso e governante algum gosta de se dedicar a tal tarefa, sobretudo porque a colheita geralmente é deixada aos sucessores, restando ao “cirurgião” apenas a impopularidade dos sacrifícios. Infelizmente, não se inventou ainda o milagre de juntar déficit público, alto endividamento, juro baixo, crescimento econômico e pleno emprego. Karl Marx chamava os economistas de “sicofantas do capital”. O Brasil inventou os “amigos do déficit”, de cuja boa intenção não duvido. Entretanto, propor mais gasto público no atual quadro das finanças governamentais é uma idéia perigosa. Nenhum país cresceu de forma consistente sem resolver a crise fiscal do Estado. Não há saída fácil. JORNAL DA ACIL/Julho 2004 26 ESPAÇO APP LONDRINA Compromisso com a história APP faz parceria para apoiar Museu Histórico de Londrina A APP Londrina acaba de “adotar” o Museu Histórico de Londrina, através de parceria firmada com a SAM – Sociedade Amigos do Museu. Para isso, foi montado um grupo de voluntários, formado por Carlos Galli (Forti Propaganda), Amarildo Lopes (Rádio CBN), JB Faria (Rádio Paiquerê), Valduir Pagani (Engenho Propaganda), Rosana Modelli (Unimed), Wagner Rodrigues (A3 Propaganda), Maria Aparecida Miranda (Editora Branco e Preto) e Rosana Andrade (LPR), que está colaborando na elaboração de projetos de comunicação e marketing para a entidade. O Museu Histórico de Londrina – que funciona na antiga estação ferroviária, no Centro da Cidade – é um órgão vinculado à Universidade Estadual de Londrina, de onde recebe recursos para sua manutenção. A SAM é uma entidade civil, sem fins lucrativos, formada apenas por voluntários, com o objetivo de auxiliar na manutenção do museu, bem como apoiar suas atividades e promoções. A atual presidente da SAM é a empresária Maria Lopes Kireff. Com a parceria, a APP passará a trabalhar, através do grupo de voluntários e de empresas filiadas, na divulgação dos eventos realizados no museu, na tarefa de tornar o Museu Histórico parte do cotidiano do londrinense, transformando-o – por exemplo – numa opção de lazer, e em projetos para captação de recursos para a SAM. Um planejamento estratégico para as ações da entidade também está previsto. O trabalho iniciou-se com a definição de uma agência de propaganda que passa a atender a SAM – e em conseqüência, o museu. A empresa voluntária foi a Forti, do publicitário Carlos Galli. Para Maria Lopes Kireff, a parceria entre as duas entidades se enquadra entre os objetivos da própria Sociedade Amigos do Museu – entre eles, a contribuição para a divulgação da imagem e das atividades do Museu Histórico e a angariação de apoios – em recursos ou serviços – de empresas e outras instituições. Segundo ela, a idéia de formalizar uma parceria com a APP surgiu de uma conversa com o empresário Amarildo Lopes, da Rádio CBN de Londrina, e a musicista Hylea Ferraz (que compõem a equipe de voluntários da SAM): “Após essa conversa inicial, evoluímos para uma reunião com diretores da APP e isso resultou na formação desse novo grupo de apoio”. A parceria ainda está no início, mas a expectativa de que atinja bons resultados é grande. Segundo Maria Lopes, a maior dificuldade que a SAM enfrenta é a captação de recursos junto à comunidade para o financiamento das campanhas e ALGUNS PROJETOS JÁ DESENVOLVIDOS PELA SAM JUNTO AO MUSEU HISTÓRICO DE LONDRINA: 70. Reforma e revitalização do prédio do museu Instalação do sistema de ar condicionado nas salas de exposições temporárias e permanente Projeto e ampliação da rede elétrica do museu Instalação do sistema de som ambiente nas salas de exposições temporárias Restauração e reorganização do acervo Organização do acervo fotográfico da evolução urbana de Londrina – décadas de 30, 40, 50, 60 e Exposição comemorativa dos 70 anos de Londrina – “O povo que fez e faz Londrina” Organização – a pedido da Secretaria Municipal de Cultura – do concurso de criação da marca oficial dos 70 anos de Londrina Festa do Pioneiro Projeto “Tem criança no Museu” Leilão História do Nelore, que arrecadou recursos para o museu Organização da festa de abertura da exposição comemorativa dos 70 anos de Londrina – que contou com a contratação de 150 atores da Escola Municipal de Teatro ações necessárias para o museu. Ela acredita que o apoio institucional do grupo formado por voluntários da APP irá ajudar nessa tarefa. “A captação de recursos não tem sido fácil, pois muitas das empresas e empresários que são abordados não conhecem o trabalho da SAM, e isso gera inevitáveis constrangimentos. Temos consciência, também, que muitas dessas abordagens são feitas muitas vezes de forma pouco profissional.” Ela cita como exemplo desses projetos que não alcançaram o êxito desejado a campanha “O Museu é 10”, lançada para estimular a colaboração ao museu através de autorizações para doação de R$ 10 na conta telefônica. “Nossa meta era alcançar 1.000 colaboradores mensais, mas conseguimos apenas 70”, lamenta, relacionando esse resultado também ao pouco conhecimento que a própria Cidade tem do museu. Os planos para o futuro, mesmo com essas dificuldades, são ambiciosos. “Temos projetos importantes para a frente e contamos com essa e outras parcerias para conseguir viabilizá-los”, diz a empresária. Ela cita quatro projetos fundamentais, sobre os quais a SAM pretende se debruçar nos próximos meses: “O primeiro deles é a restauração de uma locomotiva, um tender e dois vagões que compõem o acervo do museu e hoje se encontram no campus da UEL. Um especialista nesse trabalho já foi trazido pela própria SAM, para uma avaliação inicial, e o orçamento obtido para a reforma é de R$ 64 mil”. Outro projeto é construir uma cobertura para abrigar essa composição, para que a restauração não se perca. Esse projeto, no entanto, deverá ser harmonioso com a arquitetura do prédio do museu. Os planos futuros incluem outro empreendimento que envolve ampliação física do museu – o que é normalmente muito custoso: a construção de um anexo, que prevê um depósito para peças do acervo não expostas (hoje armazenadas no campus da UEL), um auditório, salas para funcionamento de oficinas de restauração e depósito para arquivos de documentos históricos e materiais de pesquisa. Por fim, o mais ambicioso dos planos, pois não envolve apenas recursos financeiros, mas sim uma mudança de comportamento da própria comunidade: transformar a cafeteria do museu num “point” freqüentado pelos londrinenses. “Vamos chegar lá”, diz Maria Lopes Kireeff, confiante, desafiando as dificuldades e apostando no trabalho. Espaço APP-Londrina é uma publicação da Associação dos Profissionais de Propaganda – Capítulo Londrina em parceria com a Associação Comercial e Industrial de Londrina. Sede: Rua Minas Gerais, 297, 2 o andar – Edifício Palácio do Comércio – Tel.: (43) 3329-5999. Endereço eletrônico: [email protected] Texto e edição: Claudia Romariz - CR Comunicação Editoração eletrônica: Jornal da ACIL APP-Londrina Presidente: Rafael Lamastra Jr. Vice-presidente: JB Faria Diretor financeiro: Nivaldo Benvenho Diretora secretária: Rosana Modelli Kuhnlein Diretores e membros do Conselho de Administração: Antonio Carlos Macarini, Carlos Roberto Cunha, Cláudia Romariz, Francisco Senra Neto, Maria Aparecida Miranda, Nilton Tanabe, Renato Bastos Junior, Rosana Andrade, Valduir Pagani e Wagner Rodrigues Conselho Fiscal: Alexandre Pankoski, Carlos Umberto Forti Galli, José Jarbas Gomes da Silva, Luiz Felipe Moreira de Souza, Milton Fabrício Pereira e Victor Gouveia JORNAL DA ACIL/Julho 2004 27 MARKETING O papel das pessoas Palestra do consultor Lievore motiva empresários O consultor de marketing J. A. Lievore ministrou no último dia 6 de julho a palestra “A gestão das competências e o papel das pessoas na empresa que aprende”. Ao todo, 134 pessoas participaram da atividade no Auditório da ACIL, e 31 empresas estiveram representadas. Em 90 minutos de atividade, Lievore abordou noções como ambiente empresarial; desafios que estimulam a equipe; expansão de capacidades pessoais; automotivação; empregabilidade; e atendimento ao cliente. O palestrante é especialista em marketing, qualidade pessoal e gestão de pessoas; foi executivo das empresas Alpargatas, Topper, Grendene, Seagran do Brasil e Grupo Saccheli; atuou como consultor das marcas Havaianas, Foster, Xuxa. Alpargatas, Encerados Locomotiva, Topper US Top, Almadén e Forestier. Na avaliação final da palestra, 99% dos participantes disseram que suas expectativas foram atendidas; 97% consideraram o conteúdo aplicável nas empresas que representam. Dia do Amigo O dia 20 de julho, que este ano cai numa terça-feira, jamais será como outro qualquer. Ele será sempre o dia dedicado a alguém muito especial, o amigo. A iniciativa é do Conselho da Mulher Empresária da ACIL, que vem articulando uma campanha para fixar o Dia Internacional do Amigo, data comemorada no mundo inteiro. “Nossa idéia é que Londrina adote 20 de julho como uma data marcada pelo carinho e atenção à figura do amigo”, afirma a presidente do Conselho, Helenida Taufik Tauil Costa Branco. “Dê um sorriso, um abraço, um beijo, mande um fax, um e-mail, um telegrama ou um cartão, dê um telefonema, mande um torpedo, flores, saia para jantar, combine um almoço ou um happy hour, dê desconto, prepare uma bela mesa, organize uma churrascada, uma pizzada, cervejada, compre uma lembrança”, sugere o material distribuído pelo Conselho. O homenageado pelo Conselho este ano é o decorador Sérgio Figueiredo, pela grande participação dele em ações de caráter comunitário. A homenagem será feita com jantar no Empório Guimarães, no próprio dia 20. A entidade beneficiada será o Grupo de Apoio PróVida da Santa Casa de Londrina. 28 JORNAL DA ACIL/Julho 2004