Aplicação de um Modelo Híbrido para Predição do Tempo de Vida de Baterias Utilizadas em Dispositivos Móveis Kelly Pereira Duarte Dissertação de Mestrado submetida ao Programa de Pós-Graduação em Modelagem Matemática da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul - Unijuí - como parte dos requisitos necessários para a obtenção do Grau de Mestre em Modelagem Matemática. Airam Teresa Zago Romcy Sausen, Dsc. Orientador(a) Paulo Sérgio Sausen, Dsc. Co-Orientador Ijuí, RS, Brasil c Kelly Pereira Duarte, Abril, 2014 Aplicação de um Modelo Híbrido para Predição do Tempo de Vida de Baterias Utilizadas em Dispositivos Móveis Kelly Pereira Duarte Dissertação de Mestrado apresentada em Abril, 2014 Airam Teresa Zago Romcy Sausen, Dsc. Orientador(a) Paulo Sérgio Sausen, Dsc. Co-Orientador Adriana Soares Pereira, Dsc. Componente da Banca Rafael Z. Frantz , PhD. Componente da Banca Ijuí, RS, Brasil, Abril, 2014 ii Agradecimentos Dedico esta alegria à Deus, que me trouxe muita luz e paz para alcançar meu objetivo. A minha avó Erondina, a mais corajosa, forte e el. Aos demais familiares pelo incentivo, compreensão e carinho. Não posso esquecer das famílias que me adotaram durante este tempo, agora eu tenho um lar em cada lugar! Aos meus amigos, que mesmo distantes enquanto corpo, estiveram presentes em meu coração. Dedico especialmente a Vanessa, você foi colega, amiga e irmã. Aos meus orientadores, Airam e Paulo, obrigada pela dedicação, sobretudo pela construção de conhecimento juntos, também pela paciência e amizade. Eu gosto e admiro demais vocês. Aos meus colegas de turma, pessoas maravilhosas que levarei comigo. À Geni por toda a ajuda, mais ainda pelo aconchego das tardes de domingo! À UNIJUÍ e ao GAIC, pela infra-estrutura e pelos professores que sempre estiveram à disposição. Ao CNPq pela bolsa de estudo e apoio nanceiro recebido. i Resumo Com o passar dos anos, a sociedade está cada vez mais dependente das diferentes tecnologias disponíveis no mercado. Não é possível pensar outra forma de concluir as atividades no trabalho, ou no lazer, sem utilizar dispositivos móveis, tais como, telefones celulares, notebooks, tablets, iPhones, iPads, entre outros aparelhos sosticados, a par- tir dos quais é possível executar diversas tarefas. O uso destes dispositivos móveis está relacionado ao tempo de vida da bateria, que no projeto de dispositivos móveis é considerado uma das características mais importantes, pois informa a quantidade de tempo que o dispositivo permanecerá operacional sem a necessidade de ligá-lo a uma fonte de alimentação externa. Neste contexto, para os projetistas de baterias, é importante possuir uma maneira precisa de determinar este tempo de vida. Uma das formas é através do uso de modelos matemáticos que simulam o processo de descarga de energia dos aparelhos portáteis. Entre os modelos mais referenciados na literatura técnica, destacam-se os modelos eletroquímicos, os modelos de circuitos elétricos, os modelos estocásticos, os modelos analíticos, os modelos via Identicação de Sistemas, e os modelos híbridos. Esta última categoria de modelos possui a vantagem de unir os benefícios de dois ou mais tipos de modelos. Recentemente, foi desenvolvido um modelo híbrido através da união de um modelo elétrico e um modelo analítico. para Predizer Runtime O modelo elétrico é conhecido como o modelo e Características V-I de uma bateria, este foi escolhido por ser capaz de capturar as características dinâmicas da bateria e a resposta da tensão de forma acurada. No entanto, este modelo elétrico não pode capturar os efeitos não lineares da bateria. Para isto, foi escolhido o modelo analítico Kinetic Battery Model (KiBaM), este modelo pode capturar os efeitos não lineares e predizer o estado de carga da bateria com acurácia. Portanto, neste trabalho é realizado o estudo e aplicação deste modelo híbrido, desenvolvido a partir da união entre um modelo elétrico e um modelo analítico, para predição do tempo de vida de baterias utilizadas em dispositivos móveis, considerando dados experimentais de uma bateria, do tipo Lithium Íon, modelo BL-5F, utilizada em telefones celulares da marca Nokia. computacional MatLab/Simulink, O modelo híbrido é implementado na ferramenta os resultados calculados pelo modelo são comparados com os dados experimentais, obtidos de uma plataforma de testes. Por m, o modelo híbrido é comparado com modelo de Rakhmatov e Vrudhula, que é o modelo analítico de melhor acurácia da literatura para predição do tempo de vida de baterias utilizadas em dispositivos móveis. A partir dos resultados das simulações é encontrado que o modelo híbrido apresenta boa acurácia com erro médio igual a 3, 91%. Palavras-chave: Modelagem Matemática, Modelo Híbrido de Baterias, Tempo de Vida de Baterias. ii Abstract Through the years, society is increasingly dependent of the dierent technologies available in the market. You can not think another way to perform the activities in the work or leisure, without using mobile devices, such as mobile phones, notebooks, tablets, iPhones, iPads, and other devices sophisticated from which you can perform various tasks. The use of mobile devices is associated the battery lifetime, which in design of the mobile devices is considered one of most important features, because reports the time amount that the device will remain operational without the need connecting it to an external power supply. In this context, for the batteries designer, it is important to have an accurate way to determine this lifetime. One way is through the use of mathematical models, which simulate the energy discharge process of mobile devices. Among the models most referenced in the literature technique, there are electrochemical models, electrical circuits models, stochastic models, analytical models, System Identication models, and hybrid models. The latter models category has the advantage uniting the benets of two or more models types. Recently, a hybrid model was developed by connecting an electrical model and an analytical model. The electrical model is known as the model for Predicting Runtime and VI characteristics of a battery, it was chosen because is able to capture the battery dynamic characteristics and the response of the voltage accurately. However, this electrical model can not capture the battery nonlinear eects. For this, the analytical model Kinetic Battery Model (KiBaM) is chosen, this model can capture the nonlinear eects and predicting the battery charge state with accuracy. Therefore, in this work is done the study and application of this hybrid model, developed from the union of an electrical model and an analytical model for predicting the batteries lifetime used in mobile devices, considering experimental data from a battery of the type Lithium Ion, model BL-5F, used in cell phones Nokia. The hybrid model is implemented in computational tool Matlab/Simulink, the results calculated by the model are compared with the experimental data obtained from a test platform. Finally, the hybrid model is compared with the Rakhmatov and Vrudhula model, which is the most accurate analytical model of literature to predict the lifetime of batteries used on mobile devices. From the simulations results is found that the hybrid model has good accuracy with an average error equal to 3, 91%. Keywords: Mathematical Modeling, Hybrid Battery Model, Battery Lifetime. iii Lista de Símbolos i(t) k - corrente de descarga constante - razão de uxo de carga entre as fontes de carga do modelo analítico Cinético k0 - constante relacionada com a taxa de vazão de uxo de carga entre as fontes de carga do modelo analítico Cinético h1 - altura da fonte de carga disponível do modelo analítico Cinético h2 - altura da fonte de carga limitada do modelo analítico Cinético y0 - quantidade total de carga y1 - quantidade de carga da fonte disponível y2 - quantidade de carga da fonte limitada c - fração da capacidade total disponível da bateria y1 (0) - quantidade de carga disponível em y2 (0) - quantidade de carga limitada em t=0 t=0 α - parâmetro que representa a capacidade da bateria no modelo analítico de RakhmatovVrudhula β - parâmetro que representa a não-linearidade da bateria no modelo analítico de Rakhmatov-Vrudhula iv C(x, t) - função concentração de espécies eletroativas do modelo analítico de RakhmatovVrudhula L - tempo de vida da bateria w - comprimento do eletrólito da bateria C - capacidade nominal da bateria C0 I - capacidade da bateria no início da operação do modelo analítico Linear - corrente constante de descarga td - tempo de duração da corrente de descarga do modelo analítico Linear e do modelo Modelo Híbrido para descargas variáveis no tempo tr - tempo de descanço da corrente de descarga do modelo Modelo Híbrido para des- cargas variáveis no tempo a - parâmetro relacionado ao tipo de bateria da Lei de Peukert b - parâmetro relacionado ao tipo de bateria da Lei de Peukert RV - Modelo de Difusão de Rakmatov e Vrudhula J(x, t) D v - uxo de espécies eletroativas - constante de difusão - número de elétrons envolvidos na reação eletroquímica F - constante de Faraday A - área da superfície do eletrodo ρ(t) - fração de decaimento da concentração de espécies elétroativas v N +1 - estados da Cadeia de Markov N - número de unidades de carga disponíveis a1 - probabilidade de uma unidade de carga ser consumida a0 - probabilidade de recuperação de uma unidade de carga T - número de unidades de carga M - número de unidades de carga f - função do número de unidades de carga que foram consumidas qi - probabilidade de i unidades de carga serem solicitadas pj (f ) - probabilidade de recuperação de unidades de carga rj (f ) - probabilidade de permanecer no mesmo estado G - ganho obtido por uma descarga pulsante em relação a uma descarga constante m - número médio de pacotes transmitidos DC - corrente contínua AC - corrente alternada RC - rede resistiva capacitiva MH - Modelo Híbrido Rself −discharge - resistência de auto-descarga SOC - estado de carga Cmax - capacidade máxima da bateria vi Cavailable - capacidade disponível da bateria Cunavailable VOC - capacidade indisponível da bateria - tensão de circuito aberto Rseries - resistência em série Vtransient - tensão transiente Rtransient - resistência transiente Ctransient - capacitância transiente Rtransient_S - resistência transiente de curta duração Rtransient_L - resistência transiente de longa duração Ctransient_S - capacitância transiente de curta duração Ctransient_L - capacitância transiente de longa duração vii Lista de Tabelas 4.1 Dados utilizados para estimação dos parâmetros dos modelos. . . . . . . . 38 4.2 Dados utilizados para validação do modelo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 4.3 Parâmetros da parte elétrica do modelo [1]. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 4.4 Validação do modelo híbrido. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 5.1 Parâmetros do modelo RV. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 5.2 Validação do Modelo de Difusão de Rakmatov e Vrudhula. . . . . . . . . . 49 5.3 Comparação entre o modelo híbrido e o modelo RV. . . . . . . . . . . . . . 50 1 Lista de Figuras 2.1 Esquema de célula eletroquímica [2]. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 2.2 Ilustração do efeito de recuperação [3]. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 2.3 Ilustração dos estados de operação da bateria [4]. 2.4 Densidade de energia e ano de implantação comercial das tecnologias de . . . . . . . . . . . . . . bateria [5]. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.5 12 13 Modelo de bateria básico, utilizando uma cadeia de Markov por Chiaserini e Rao [3, 5]. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Runtime 2.6 Modelo para Predizer e Características V-I de uma bateria [6]. . . 2.7 Modelo KiBaM - Distribuição em duas fontes [5]. 3.1 Proposta do modelo híbrido [1]. 16 19 . . . . . . . . . . . . . . 24 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 3.2 Diagrama de blocos do modelo híbrido. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 4.1 Ilustração da plataforma de testes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 4.2 Plataforma de testes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 4.3 Extração do parâmentro 4.4 Descarga com uma corrente constante de 0, 05 A. . . . . . . . . . . . . . . 41 4.5 Descarga com uma corrente constante de 0, 25 A. . . . . . . . . . . . . . . 42 4.6 Descarga com uma corrente constante de 0, 45 A. . . . . . . . . . . . . . . 42 4.7 Descarga com uma corrente constante de 0, 65 A. . . . . . . . . . . . . . . 43 4.8 Descarga com uma corrente constante de 0, 85 A. . . . . . . . . . . . . . . 43 4.9 Descarga com uma corrente constante de 0, 95 A. . . . . . . . . . . . . . . 44 c. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 39 Sumário 1 Apresentação da Dissertação 4 1.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 1.2 Motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 1.3 Objetivos 7 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.3.1 Objetivo Geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 1.3.2 Objetivos Especícos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 1.4 Contribuições . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 1.5 Estrutura do Documento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 2 Revisão Bibliográca 9 2.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 2.2 Baterias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 Características e Efeitos Não Lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 2.3 Tipos de Baterias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 2.4 Modelos de Baterias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 2.4.1 Modelos Estocásticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 2.4.2 Modelos Eletroquímicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 2.4.3 Modelos de Circuitos Elétricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 2.4.4 Modelos Analíticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 2.4.5 Modelos via Identicação de Sistemas . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 2.2.1 2.5 Resumo do Capítulo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 O Modelo Híbrido de Bateria 27 28 3.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 3.2 O Modelo Híbrido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 3.3 Equações do Modelo Híbrido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 3.4 Diagrama de Blocos do Modelo no Matlab/Simulink . . . . . . . . . . . . . 32 3.5 Resumo do Capítulo 33 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 Sumário 3 4 Resultados da Simulação do Modelo Híbrido de Baterias 34 4.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 4.2 Descrição da Plataforma de Testes 34 4.3 Obtenção dos Dados na Plataforma de Testes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 4.3.1 Metodologia para a Coleta de Dados 4.3.2 Apresentação dos Dados 4.4 Estimação dos Parâmetros do Modelo Híbrido . . . . . . . . . . . . . . . . 38 4.5 Validação do Modelo Híbrido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 4.6 Resumo do Capítulo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 5 Análise Comparativa entre o Modelo Híbrido e o Modelo RV 46 5.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 5.2 Modelo RV . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 5.3 Validação do Modelo RV . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 5.4 Análise Comparativa entre os Modelos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50 5.5 Resumo do Capítulo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50 6 Conclusões e Trabalhos Futuros Referências Bibliográcas A Publicações Relacionadas a Dissertação 52 54 57 A.1 Resumos Publicados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 A.2 Artigo Submetido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 Capítulo 1 Apresentação da Dissertação 1.1 Introdução A facilidade e a mobilidade que o uso dos dispositivos móveis agrega, fazem deles acessórios indispensáveis ao cotidiano. Considerando as expectativas de desempenho, o usuário busca ter um aparelho que possa realizar o maior número de funções ao mesmo tempo, tais como, navegar na internet, trocar mensagens de texto e escutar música. Destaca-se que também existe uma exigência rigorosa em termos de limitação de tamanho e peso do aparelho, assim como na duração de tempo da sua bateria. O funcionamento destes dispositivos está relacionado diretamente com o tempo de vida da bateria que o alimenta, podendo este tempo ser maior ou menor, dependendo do modo que o dispositivo é utilizado. As baterias suportam uma capacidade de energia nita, necessitando a cada intervalo de tempo, uma nova recarga de energia [7]. Desta forma, é importante buscar métodos que possam prever o tempo de vida das baterias que alimentam dispositivos móveis. Na literatura técnica a predição do tempo de vida de baterias pode ser realizada através de experimentos físicos, o que em algumas situações torna-se inviável devido ao custo, implementação e gerenciamento. Outra forma de realizar esta predição é através do uso de modelos matemáticos, os quais capturam as características reais das baterias e podem ser utilizados para prever o comportamento da mesma, sob diversas condições de carga e descarga. Nos últimos anos, diferentes modelos matemáticos de baterias têm sido desenvolvidos, dentre eles podem ser citados: os modelos eletroquímicos [3, 8], os modelos de circuitos elétricos [6, 9], os modelos estocásticos [3, 10], os modelos analíticos [3, 5, 11], os modelos via teoria de Identicação de Sistemas [12] e os modelos híbridos [1]. Cada modelo tem suas especicidades e um nível de conabilidade, geralmente na literatura técnica um modelo considerado acurado é aquele que possui a capacidade de capturar os efeitos não lineares que ocorrem na bateria durante um processo de descarga, assim como, descreve 4 Capítulo 1. Apresentação da Dissertação 5 com precisão dados obtidos de um processo de descarga real ou experimental. Os modelos analíticos são modelos onde as principais características da bateria são modeladas considerando os fenômenos físicos que ocorrem durante um processo de descarga utilizando um conjunto pequeno de equações. Estes modelos podem rastrear o estado de carga (SOC ) e o tempo de vida da bateria com eciência, sobre diferentes pers de descarga. A maioria dos modelos analíticos podem capturar os efeitos não lineares que ocorrem em um processo real de descarga, por isto, são considerandos pela literatura técnica modelos de boa precisão [5, 11]. Todavia, estes modelos não podem prever o comportamento dinâmico da bateria e as características de tensão [1]. Os modelos de circuitos elétricos usam circuitos elétricos equivalentes para capturar as características V-I (i.e., tensão e corrente) e o comportamento transiente da bateria utilizando combinações de componentes como, capacitores, indutores e resistores. Desta forma, estes modelos permitem obter o decaimento da tensão, fornecendo o tempo de vida da bateria sobre qualquer perl de descarga [6, 9]. Por outro lado, tais modelos não capturam as características não lineares que ocorrem durante o descarregamento da bateria. Dentre as categorias de modelos citadas, modelos analíticos e modelos de circuitos elétricos, observa-se que ambos apresentam vantagens em ser utilizados e limitações. Tendo isto como base, a união de diferentes modelos poderia trazer múltiplas vantagens. A partir disto, podem ser desenvolvidos modelos híbridos, os quais podem unir as vantagens de dois ou mais tipos de modelos. Recentemente, foi desenvolvido um modelo híbrido através da conexão de um modelo elétrico e um modelo analítico [1]. O modelo elétrico em questão é conhecido como modelo para Predizer Runtime e Características V-I de uma bateria, este modelo foi escolhido por ser capaz de capturar as características dinâmicas da bateria e a resposta da tensão de forma acurada. No entanto, este modelo elétrico não pode captar os efeitos não lineares da bateria. tico Kinetic Battery Model predizer o SOC Para isto, foi escolhido o modelo analí- (KiBaM), este modelo pode capturar os efeitos não lineares e da bateria com acurácia. Portanto, neste trabalho é realizado o estudo e aplicação de um modelo híbrido, capaz de capturar com precisão as características dinâmicas e o comportamento não linear da bateria para diferentes pers de correntes de descarga. Em um segundo momento, é realizada a implementação desde modelo na ferramenta computacional MatLab. A m de validar o modelo em questão, os resultados simulados computacionalmente são comparados com os dados reais extraídos de uma plataforma de teste, a qual foi desenvolvida pelo Grupo de Automação Industrial e Controle (GAIC) da UNIJUÍ, no Laboratório de Sensores e Instrumentação (LSI). As baterias utilizadas nos testes são do tipo Lithium-Ion (Li-Ion), da marca Nokia, modelo BL-5F, presentes em celulares Nokia modelo N95. Em Capítulo 1. Apresentação da Dissertação 6 seguida, para avaliar a precisão do modelo, uma análise comparativa é realizada, entre o modelo híbrido aplicado e o modelo analítico considerado pela literatura técnica um modelo acurado, denominado modelo de difusão de Rakmatov e Vrudhula (i.e., modelo RV). O restante deste capítulo está organizado como segue. Na Seção 1.2 é apresentada a motivação. Na Seção 1.3 são apresentados os objetivos geral e especícos. Na Seção 1.4 são apresentadas as contribuições. Na Seção 1.5 é apresentada a organização deste documento. 1.2 Motivação O número e a variedade de dispositivos eletrônicos portáteis tem aumentado signicativamente nos últimos anos. Telefones celulares, notebooks, câmeras digitais, GPS, estão entre os aparelhos mais utilizados, tanto por pessoas, quanto por empresas, para as mais variadas funções, tais como, reuniões, acesso à internet, troca de mensagens, pesquisa, acesso à música, lmes, vídeos, entre outras. Eles propiciam mobilidade e praticidade na execução de tarefas do dia-a-dia. Considerando a mobilidade, os aparelhos portáteis não possuem qualquer tipo de conexão com uma rede elétrica, desta forma as baterias são fontes de alimentação próprias e individuais, que têm a função de realizar o suprimento de energia ao dispositivo. Sendo assim, a utilização destes dispositivos está condicionada ao tempo de vida das baterias que os alimentam. Observa-se que na literatura técnica de predição do tempo de vida de baterias pode ser feita através de experimentos físicos, ou através do uso de modelos matemáticos, que capturam as características não lineares das baterias e podem ser utilizados para prever o comportamento da mesma, sob diversas condições de carga e descarga. Por esta razão, esta pesquisa tem como motivação contribuir, através do uso da modelagem matemática, com os projetistas de baterias e aparelhos portáteis, na busca pelo melhoramento em termos de eciência energética das baterias, a m de que os dispositivos móveis suportem um longo período de tempo sem a necessidade de recarga. Na literatura técnica existem diferentes modelos matemáticos que realizam esta predição com acurácia. Neste contexto, neste trabalho é aplicado um modelo híbrido, para descrever o processo de descarregamento de uma bateria, em seguida é avaliado se o mesmo representa com acúracia o seu tempo de vida, sob diferentes pers de carga e descarga. Capítulo 1. Apresentação da Dissertação 1.3 7 Ob jetivos Nesta seção são apresentados os objetivos deste trabalho. Para facilitar a compreensão os objetivos foram divididos em Objetivo Geral e Objetivos Especícos, os quais são destacados a seguir. 1.3.1 Objetivo Geral Este trabalho tem por Objetivo Geral o estudo e aplicação de um modelo matemático híbrido para a predição do tempo de vida de baterias utilizadas em dispositivos móveis. 1.3.2 Objetivos Especícos A m de alcançar o Objetivo Geral, alguns Objetivos Especícos são apontados: • Realizar uma revisão bibliográca das características e propriedades das baterias e dos diferentes modelos matemáticos encontrados na literatura que descrevem a descarga de uma bateria, e consequentemente realizam a predição do seu tempo de vida; • Estudar os modelos híbridos de baterias presentes na literatura técnica; • Escolher entre os modelos híbridos estudados, um que seja adequado e prático para a predição do tempo de vida de baterias utilizadas em dispositivos móveis; • Obter a partir de uma plataforma de teste, um conjunto de dados experimentais de um processo de descarga de uma bateria; MatLab ; • Implementar o modelo híbrido, utilizando a ferramenta computacional • Realizar a validação do modelo híbrido, comparando os resultados simulados a partir do modelo com os dados obtidos a partir de uma plataforma de teste; • 1.4 Comparar os resultados encontrados a partir do modelo híbrido com o modelo RV. Contribuições Nesta dissertação são introduzidas contribuições para a realização da predição do tempo de vida de dispositivos móveis que são alimentados por baterias. Estas contribuições são apresentadas a seguir: Capítulo 1. Apresentação da Dissertação 8 1. Estudo e aplicação de um modelo híbrido para predição do tempo de vida de baterias considerando dados reais de um processo de descarregamento de baterias, obtido a partir de uma plataforma de testes. 2. Comparação dos resultados simulados a partir do modelo híbrido com os resultados coletados a partir de uma plataforma de testes, considerando um amplo conjunto de pers de descargas. 3. Comparação dos resultados simulados a partir do modelo híbrido com os resultados simulados a partir do modelo RV. 1.5 Estrutura do Documento Este trabalho está organizado com a seguinte estrutura: No Capítulo 2 é apresentada a revisão bibliográca sobre o estado da arte de baterias utilizadas em dispositivos móveis. São abordadas as principais propriedades e caracte- rísticas não lineares de uma bateria, os tipos de baterias, assim como alguns modelos matemáticos que simulam o processo de descarga de baterias encontrados na literatura, buscando obter uma visão geral sobre o contexto no qual este trabalho está inserido. No Capítulo 3 é apresentado o modelo híbrido de bateria, aplicado neste trabalho de pesquisa, assim como as suas características e conjunto de equações. No nal deste capítulo é apresentado o diagrama de blocos deste modelo, desenvolvido no MatLab/Simulink, utilizado para simulação e validação do modelo. No Capítulo 4 é apresentada a plataforma de testes, assim como a metodologia empregada durante os ensaios experimentais para a obtenção dos dados a partir do descarregamento de baterias. A partir da obtenção dos dados é realizada a estimação dos parâmetros do modelo híbrido aplicado nesta pesquisa. Finalizando este capítulo, é realizada a validação do modelo híbrido, a partir da comparação dos resultados simulados pelo modelo com os dados experimentais extraídos da plataforma de testes. No Capítulo 5 é realizada uma análise comparativa entre, os dados experimentais obtidos da plataforma de testes, o modelo híbrido aplicado nesta pesquisa, e o modelo RV. Por m, no Capítulo 6 são apresentadas as conclusões desta pesquisa e as possibilidades de trabalhos futuros. Capítulo 2 Revisão Bibliográca 2.1 Introdução Neste capítulo é apresentada uma revisão bibliográca do estado da arte sobre baterias utilizadas em dispositivos móveis assim como, algumas propriedades e características não lineares sobre os aspectos físicos da bateria. Em seguida são abordados os principais tipos de baterias que estão disponíveis no mercado. Por m, são apresentados os principais modelos matemáticos utilizados para a predição do tempo de vida de baterias usadas em dispositivos portáteis. Este capítulo está organizado como segue. Na Seção 2.2 são descritas as principais propriedades e características físicas das baterias. Na Seção 2.3 são apresentados os principais tipos de baterias. Na Seção 2.4 são expostos os principais modelos de baterias referenciados na literatura técnica. Na Seção 2.5 é apresentado um resumo do capítulo. 2.2 Baterias Nesta seção são apresentadas informações referentes a baterias, suas propriedades e principais características não lineares presentes durante um processo de descarga. Uma bateria é um conjunto de células eletroquímicas dispostas em série, em paralelo, ou através de uma combinação de ambas, a qual é capaz de armazenar a energia liberada por uma reação química e então entregá-la na forma de energia elétrica [13] quando estão no processo de descarga. Ao contrário, quando estão em processo de carga, convertem energia elétrica em energia química [14]. As baterias eletroquímicas são a tecnologia de armazenamento de energia elétrica mais antiga e ainda hoje a mais utilizada. Durante um processo de descarga, uma reação de oxidação ocorre no ânodo, nesta reação um redutor doa K elétrons os quais são liberados no circuito. Por outro lado, no cátodo, ocorre uma reação de redução, sendo aceitos 9 K elétrons por um oxidante [3]. Capítulo 2. Revisão Bibliográca 10 Na Fig. 2.1 é apresentado um desenho esquemático de uma bateria, onde a bateria é 1 positivo (cátodo) e um eletrodo negativo (ânodo) que são 2 eletrólito , no qual o transporte de carga se realiza por meio de íons constituída por um eletrodo separados por um [4]. Figura 2.1: Esquema de célula eletroquímica [2]. ( R1 → O1 + me− , no ânodo O2 + ne− → R2 . no cátodo (2.1) As reações eletroquímicas na bateria produzem duas importantes propriedades: a Voltagem (expressa em volts "V ") e a Capacidade (expressa em Ampère-Hora "Ah") o produto destas duas quantidades é a medida de energia armazenada na bateria. Con- siderando uma bateria ideal, a voltagem é constante durante a descarga e, uma queda repentina a zero ocorre quando ela ca descarregada, neste caso, a capacidade ideal é constante para todo o processo de descarga e toda a energia armazenada é utilizada [3]. Entretanto, em uma situação real, existem efeitos que fazem parte do processo de descarga que devem ser considerados para a realização da modelagem matemática da predição do tempo de vida de baterias. Estes efeitos não lineares, denominados efeito de recuperação e efeito da taxa de capacidade são descritos detalhadamente a seguir. 2.2.1 Características e Efeitos Não Lineares A seguir são descritas duas características das baterias: o tempo de vida e o nível de cuto. E após, são apresentados dois efeitos não linerares que inuenciam na duração do 1 Condutor 2 Condutor metálico por onde uma corrente elétrica entra ou sai de um sistema [4] de eletricidade, sólido ou líquido Capítulo 2. Revisão Bibliográca 11 tempo de vida e na quantidade de energia que pode ser entregue pela bateria: o efeito de recuperação e o efeito da taxa de capacidade. Nível de Cuto Os dispositivos móveis estão limitados a um tempo de vida, que é por denição o tempo que a bateria demora para atingir um determinado estado mínimo de carga, que é conhecido como nível de cuto. Quando a bateria atinge o nível de cuto as reações eletroquímicas, que são responsáveis pelo fornecimento de energia ao sistema, cessam, e consequentemente, a bateria é considerada descarregada [5]. Tempo de Vida O tempo de vida da bateria, é denido como o tempo que a bateria demora para atingir o nível de estado mínimo de carga, ou seja, o nível de cuto. Efeito de Recuperação O efeito de recuperação ocorre em períodos de relaxação da bateria, ou seja em momentos onde há pouca ou nenhuma energia sendo drenada, então a descarga de energia é reduzida signicativamente, possibilitando a reorganização dos elétrons ainda disponíveis. Desta forma, a capacidade da bateria é aumentada fornecendo um pouco mais energia ao dispositivo, antes de alcançar o nível de cuto. Este efeito é mais perceptível quando são aplicadas descargas variáveis no tempo. A Fig. 2.2 apresenta o efeito de recuperação. Figura 2.2: Ilustração do efeito de recuperação [3]. Capítulo 2. Revisão Bibliográca 12 Figura 2.3: Ilustração dos estados de operação da bateria [4]. Na Fig. 2.3 é apresentado uma ilustração dos estados de operação da bateria, à direita observa-se as espécies eletroativas e à esquerda está o eletrodo da bateria. Considerando que os processos nos eletrodos são iguais, na Fig. 2.3 (A) é apresentada a bateria completamente carregada, verica-se que a concentração de espécies eletroativas é constante durante todo o comprimento w do eletrólito. Durante o processo de descarga, as reações eletroquímicas reduzem as espécies eletroativas próximas ao eletrodo (Fig. 2.3 (B)). Na Fig. 2.3 (C), a bateria passa por um momento de relaxação, possibilitando a reorganização dos elétrons, reequilibrando o sistema, neste momento ocorre o efeito de recuperação da bateria, aumentando a concentração de espécies eletroativas nas proximidades do eletrodo até o gradiente de concentração car nulo, assim a capacidade efetiva da bateria também é aumentada (Fig. 2.3 (D)). Ressalta-se que esta quantidade de espécies eletroativas será, sempre, menor que a concentração inicial. mite inferior de carga (nível de cuto ), Entretanto, quando a bateria atinge um li- as reações eletroquímicas cessam, e a bateria é considerada descarregada (Fig. 2.3 (E)). Efeito da Taxa de Capacidade O efeito da taxa de capacidade depende da capacidade atual da bateria e da intensidade da corrente de descarga. Em um período de descarga com correntes altas, a capacidade Capítulo 2. Revisão Bibliográca 13 é baixa, pois não há tempo para que ocorra a reorganização das espécies eletroativas no eletrólito e a bateria sofra o efeito de recuperação, assim menos carga é utilizada pelo sistema. Por outro lado, quando a corrente de descarga é alternada, a capacidade da bateria é aumentada, os elétrons se reorganizam no eletrólito aumentando a capacidade efetiva da bateria pois, na troca de uma corrente alta para uma corrente baixa, ou mesmo quando não há corrente de descarga sendo aplicada, ocorre o efeito de recuperação [3]. 2.3 Tipos de Baterias Nesta seção são abordados os mais recentes e os principais tipos de baterias utilizadas em dispositivos móveis. Na Fig. 2.4 é apresentado um gráco com a densidade de energia e o ano da implantação comercial das principais tecnologias de baterias [5]. A seguir algumas tecnologias de baterias são apresentadas. Figura 2.4: Densidade de energia e ano de implantação comercial das tecnologias de bateria [5]. Bateria Ácida Existem três tipos de baterias ácidas: baterias uidas, baterias gel e baterias Glass Mat Absorved (i.e., AGM). As baterias ácidas uidas são o tipo mais comum dentro das baterias ácidas e as mais utilizadas. Neste tipo de baterias o líquido eletrolítico move-se livremente nos compartimentos das células, podendo o utilizador adicionar água destilada. Já as baterias de gel contêm um aditivo de sílica que envolve o eletrólito. No gel, que envolve o eletrólito, formam-se micro fendas que permitem as reações e recombinações entre a placa positiva e a placa negativa, a tensão de carga, neste tipo de baterias, é mais baixa que nos outros tipos de baterias ácidas. As baterias AGM, são as últimas baterias desenvolvidas considerando a evolução das baterias ácidas. Em vez de usarem gel, as Capítulo 2. Revisão Bibliográca 14 AGM usam bra de vidro para envolver o eletrólito, o que contribui para que sejam as mais resistentes a impactos [14]. Bateria de Níquel-Cádmio As baterias de Níquel-Cádmio (Ni-Cd) têm sido utilizadas por várias décadas para fornecer energia aos dispositivos portáteis. Uma das suas vantagens é o baixo custo, além das altas taxas de descarga. Apesar disto, ela vem perdendo espaço nos últimos anos, principalmente, devido à baixa densidade de energia e também a toxicidade [5]. Bateria Alcalina Recarregável As baterias alcalinas recarregáveis têm sido utilizadas por muitos anos. Esta tecnologia foi desenvolvida para ser uma alternativa de baixo custo onde a densidade de energia e o ciclo de vida são comprometidos. A densidade de energia inicial de uma bateria alcalina recarregável é superior a de uma bateria de Ni-Cd, entretanto, após redução de 50% nesta densidade, e após 50 10 ciclos, há uma ciclos, observa-se uma redução de 75% [5]. Bateria de Níquel Metal-Hidreto As baterias de Níquel Metal-Hidreto (Ni-MH) têm sido comumente utilizadas nos últimos anos para alimentação de notebooks, possuindo aproximadamente duas vezes a densidade de energia de uma bateria de Ni-Cd. Por outro lado, observa-se que possuem um ciclo de vida curto, são mais caras, e inecientes para altas taxas de descarga [5]. Bateria de Lithium-Ion As baterias de Lithium-Ion (Li-Ion) são as mais usadas atualmente em dispositivos móveis, devido ao longo tempo de vida que proporcionam à bateria. As baterias de Li-Ion armazenam o dobro de energia em relação as baterias de Ni-MH. Apesar da densidade energética ser muito maior, a densidade do material é baixa, é por este motivo que elas podem ser utilizadas em dispositivos portáteis, pois, ocupam pouco espaço e armazenam muita energia. A principal vantagem na utilização das baterias de Li-Ion é que elas não sofrem com o efeito memória, ou seja, não viciam. Por outro lado, elas podem ser perigosas, podendo até explodir quando utilizadas indevidamente [5]. Bateria de Lithium-Ion Polímero As baterias de Lithium-Ion Polímero (Li-Po) são uma tecnologia de baterias ultranas (espessura inferior a 1 mm). Espera-se com esta tecnologia atender a próxima geração de computadores e dispositivos portáteis. Excepcionalmente, são esperadas melhorias Capítulo 2. Revisão Bibliográca 15 na densidade de energia em relação às baterias de Li-Ion, bem como na segurança. No entanto, sua fabricação é cara e ela possui problemas no gerenciamento térmico interno [5]. Bateria de Chumbo Ácido As baterias de Chumbo Ácido são compostas por um conjunto de placas de chumbo e placas de dióxido de chumbo, mergulhadas em uma solução de ácido sulfúrico e água. Elas são usadas há mais de 150 anos e apesar dos renamentos, continuam sendo utilizadas sem muitas modicações até os dias de hoje. O uso comum é em carros e outros veículos. As baterias de chumbo ácido não são o tipo mais eciente de bateria, em termos de relação peso/energia, mas em compensação é uma tecnologia barata, já que o processo de fabricação é simples e a maior parte da matéria prima é obtida através da reciclagem de baterias usadas. Outro ponto positivo é que elas são bastante duráveis e não possuem efeito memória, resistindo a um número muito grande de ciclos de carga e descarga [15]. Na próxima seção são apresentados os principais modelos matemáticos de baterias existentes na literatura para a predição do seu tempo de vida. 2.4 Modelos de Baterias Nesta seção é apresentada uma revisão bibliográca dos principais modelos matemáticos encontrados na literatura técnica que simulam o processo de descarga e portanto tem a função de realizar a predição do tempo de vida de baterias recarregáveis, que alimentam dispositivos móveis. 2.4.1 Modelos Estocásticos Os modelos estocásticos descrevem a bateria em um nível mais elevado de abstração. A descarga e o efeito de recuperação são descritos como processos estocásticos. Um modelo estocástico, em geral, representa a bateria por um número nito de unidades de carga, e o comportamento de descarga é modelado usando um processo estocástico transiente no tempo discreto. A medida que o processo evolui ao longo do tempo (o qual é dividido em uma sequência de intervalos iguais), o estado da bateria é controlado pelo número de unidades de carga restantes. Em cada intervalo de tempo, a corrente média de descarga é medida e usada para determinar o número de unidades de carga consumidas. Se esta média não é zero, o número de unidades drenadas é obtido de uma tabela de pesquisa que contém dados das taxas de capacidades. No entanto, se o intervalo não sofreu descarga, então a bateria recupera um certo número de unidades de carga. O número exato de unidades Capítulo 2. Revisão Bibliográca 16 recuperadas é modelado utilizando uma função exponencial decrescente de densidade de probabilidade, a qual está baseada no estado de carga da bateria e nos coecientes, que dependem da bateria utilizada, bem como das características de descarga. Durante o tempo de descarga, a bateria passa de um estado de carga completa, a um estado onde o nível de cuto é atingido, ou estado onde a capacidade teórica é exaurida [16]. Os modelos estocásticos dividem-se entre os modelos de Chiasserini e Rao e o modelo KiBaM Modicado, os quais são brevemente descritos a seguir. Os primeiros modelos estocásticos de baterias foram desenvolvidos por [10], utilizando cadeias de Markov, onde são descritos dois modelos de bateria para um dispositivo portátil de comunicação. No primeiro modelo de Chiasserini e Rao, a bateria é descrita por uma cadeia de Markov no tempo discreto com N + 1 estados, numerados de 0 a N (Figura 2.5). O número do estado corresponde ao número de unidades de carga disponível na bateria. Uma unidade de carga corresponde a quantidade de energia requerida para transmitir um pacote simples. N é o número de unidades de carga diretamente disponível com base no uso contínuo. Neste modelo, a cada passo de tempo uma unidade é consumida com probabilidade ou recuperada com probabilidade difusão chega a O número T 0 a0 = 1 − q . a1 = q A bateria é considerada vazia quando a ou quando um número máximo T de unidades de carga for consumido. de unidades de carga é igual a capacidade nominal da bateria (T > N ). Figura 2.5: Modelo de bateria básico, utilizando uma cadeia de Markov por Chiaserini e Rao [3, 5]. O segundo modelo de Chiasserini e Rao, é uma versão estendida do primeiro. vamente, tem-se uma cadeia de Markov no tempo discreto com N +1 No- estados. Porém, neste segundo modelo, mais de uma unidade de carga pode ser consumida em um passo do tempo, com um máximo de M unidades de carga (M ≤ N ). Desta forma, um maior consumo de energia pode ser modelado. Outro aspecto relevante é que há uma probabilidade diferente de zero de permanecer no mesmo estado. O que signica que nenhum consumo ou recuperação acontece durante um passo de tempo. A m de melhorar o segundo modelo, a probabilidade de recuperação foi feita dependente do estado. Quanto menos unidades de carga estão disponíveis, menor será a probabilidade de recuperar uma unidade de carga. O número fase (f ) é uma função do número de unidades de carga consumidas. Quanto mais unidades de carga são consumi- Capítulo 2. Revisão Bibliográca 17 das, maior o número fase, diminuindo a probabilidade de recuperação. Com probabilidade qi , i unidades de carga são requisitadas em um intervalo de tempo. Durante períodos oci- osos, a bateria pode recuperar unidades de carga com probabilidade pj (f ), ou permanecer no mesmo estado com probabilidade rj (f ). A recuperação é então denida por pj (f ) = q0 e(N −j)gN −gC(f ) , onde: gN e gC(f ) (2.2) dependem do comportamento de recuperação da bateria. Pode-se modelar diferentes cargas congurando apropriadamente as probabilidades de transição. Entretanto, não se pode controlar a ordem com que as transições são tomadas. Portanto, é impossível para o modelo xar padrões de carga e calcular seu impacto no tempo de vida da bateria. A principal propriedade investigada por Chiasserini e Rao [3, 5] é o ganho (G) obtido por uma descarga pulsante em relação a uma descarga constante. Este ganho é denido como G= onde: m N (2.3) m é o número médio de pacotes transmitidos, então G é calculado como uma função do número médio de pacotes que chegam em um dado intervalo de tempo para de 3 a 50. N variando O ganho aumenta quando a carga é reduzida, devido a maior probabilidade de recuperar. O modelo nal é utilizado para modelar uma bateria de Li-Ion, na qual para aproximadamente 6 2 × 10 e de Markov com aproximadamente 3 N é congurado fases são utilizadas, o que resulta em uma cadeia 6 × 106 estados. O modelo é analisado por cálculos numéricos, e os resultados são comparados com o modelo eletroquímico de [17]. Em ambos os modelos, o ganho obtido de descargas pulsadas comparado a descargas constantes é calculado para diferentes correntes de descarga. Os ganhos aumentam para taxas de descarga menores e densidades de correntes altas. O último é principalmente devido ao fato que as densidades de corrente estão próximas aos limites especícos da bateria. Quando a densidade de corrente está acima deste limite, a capacidade da bateria decai rapidamente e, portanto, o ganho obtido por descargas pulsantes aumenta. Os modelos estocásticos possuem em seus resultados um desvio máximo em torno de 4% quando comparado ao modelo eletroquímico que é considerado pela literatura um tipo de modelo acurado, com um desvio médio de 1%. Estes resultados demonstram que o modelo estocástico possui boa acurácia na descrição do comportamento de bateria sobre descargas pulsantes. Capítulo 2. Revisão Bibliográca 18 Chiasserini e Rao [8, 17, 18] também propuseram um modelo estocástico de bateria com base no Modelo Analítico Cinético de Manwell e McGowan [18], o modelo KiBaM. Este novo modelo foi proposto em 2005, é utilizado para modelar baterias de Ni-MH, ao invés de baterias de chumbo-ácido, para o qual o modelo KiBaM foi originalmente proposto. Para modelar bateria de Ni-MH, o modelo sofreu algumas alterações. No termo correspondente ao uxo de carga da fonte de carga limitada para a fonte de carga disponível foi adicionado um fator h2 extra. Deixando a recuperação mais lenta quando menos carga estiver a esquerda da bateria. Também foi adicionado a possibilidade de não ocorrer recuperação durante períodos ociosos. O comportamento da bateria é representado por uma cadeia de Markov no tempo discreto transiente. Os estados da cadeia de Markov são marcados com três parâmetros (i, j, t). e j são os níveis discretizados da carga disponível e da carga limitada respectivamente, e t é o tempo de corrente ociosa, este é o número de passos no Os parâmetros i tempo tomado desde a última vez que a corrente foi drenada da bateria. No modelo de bateria de Ni-MH a carga limitada e disponível são discretizadas em 27 × 107 e 45 × 107 unidades de carga respectivamente. O que resulta em uma cadeia de Markov muito grande para ser calculada como um todo. Deste modo, nenhuma solução analítica, para o modelo, pode ser denida. Para obter o tempo de vida da bateria vários processos de descarga da bateria são simulados com o modelo. As simulações mostram que os modelos estocásticos são bastante acurados, especialmente o modelo KiBaM Modicado, uma vez que foi encontrado um erro máximo de 2, 65% nas simulações [3, 5]. 2.4.2 Modelos Eletroquímicos Os modelos eletroquímicos são baseados nos processos químicos que ocorrem no interior da bateria, são considerados modelos acurados. Por outro lado, observa-se que precisam de uma descrição detalhada das características da bateria, deixando-os altamente complexos e difíceis de implementar, uma vez que dependem de um grande número de parâmetros. Um dos modelos eletroquímicos mais acurado da literatura foi desenvolvido por Doyle, Fuller e Newmann [5], sendo composto por um sistema de seis EDPs, não lineares e acopladas. O programa computacional Fortran Dualfoil, disponível gratuitamente para download na internet, foi construído a partir da implementação deste modelo eletroquímico. Este programa calcula a mudança das propriedades da bateria ao longo do tempo para um perl de descarga denido pelo usuário. ajustar aproximadamente 50 No entanto, para utilizá-lo, o usuário precisa parâmetros referentes a bateria, neste caso é necessário ter um conhecimento detalhado da bateria que pretende-se modelar. Em compensação o pro- Capítulo 2. Revisão Bibliográca 19 grama possui um alto nível de exatidão, sendo frequentemente utilizado para comparação com outros modelos, em substituição a utilização de dados experimentais [3, 5]. 2.4.3 Modelos de Circuitos Elétricos Modelos de circuitos elétricos descrevem a bateria na forma de circuito utilizando a combinação de componentes elétricos como fontes, resistores, capacitores e indutores. Sua simulação é de fácil compreensão, realizada em simuladores de circuito. Eles têm sido utilizados para analisar diferentes tipos de baterias. Em [5] é descrito um circuito PSpice desenvolvido por Hageman [3] que utilizou o mesmo para simular baterias de Ni-Cd, chumbo ácido e alcalinas. Conforme [6], existem muitos modelos elétricos de baterias, que suportam baterias desde chumbo ácido até Li-Po. Os modelos de circuitos elétricos, possuem a mesma estrutura para representar diferentes tipos de baterias, onde: • Um capacitor representa a capacidade da bateria; • Uma taxa de descarga normalizadora determina a perda da capacidade em altas correntes de descarga; • Um circuito é utilizado para descarregar a capacidade da bateria; • Uma tabela de pesquisa compara a tensão • Um resistor representa a resistência da bateria. versus estado da carga; A seguir são descritos alguns modelos de circuitos elétricos encontrados na literatura, como por exemplo, o modelo para Predizer e o modelo Runtime e Características V-I de uma bateria Battery. Figura 2.6: Modelo para Predizer Runtime e Características V-I de uma bateria [6]. Um modelo de alta acurácia encontrado na literatura técnica é conhecido como modelo para Predizer Runtime e Características V-I de uma bateria, é um modelo de bateria Capítulo 2. Revisão Bibliográca 20 abrangente, intuitivo e de alta precisão, que combina as capacidades transientes dos modelos baseados em Thevenin, as características de corrente alternada (AC) dos modelos baseados em Impedância, e a informação de tempo de vida dos modelos baseados em Runtime [6]. No modelo elétrico apresentado na Fig. 2.6, o capacitor de corrente controlada modelam a capacidade, o SOC , Ccapacity e a fonte e o tempo de vida da bateria. A rede capacitiva resistiva (RC) simula a resposta transiente. A tensão gerada pela fonte controlada é usada para relacionar o SOC com a tensão de circuito aberto V OC . Este modelo pode capturar as características dinâmicas do circuito da bateria, como a tensão de circuito aberto, tensão terminal, resposta transiente e a auto-descarga [1]. A tensão deste modelo (i.e., V oc, Vcell ) pode ser determinada pela tensão de circuito aberto pela queda de tensão devido à impedância interna (i.e., resistência interna) pela corrente de descaga icell , Zeq e assim a tensão resultante é dada pela equação Vcell = V oc − icell .Zeq . Apesar do modelo para Predizer Runtime (2.4) e Características V-I de uma bateria apre- sentar uma boa acurácia o seu processo de extração de parâmetros não é prático. Em [6], para utilizar este modelo na predição do tempo de vida de uma bateria de Li-Po, modelo PL-383562, foi necessária a realização de quarenta testes experimentais, sendo utilizadas quatro correntes de descarga pulsantes (i.e., 80 mA, 160 mA, 320 mA e 640 mA). Para cada uma destas correntes de descarga pulsantes foram realizados dez testes, obtendo-se então, dez curvas reais de descarga para cada corrente. Logo em seguida, para as dez curvas reais de descarga obtidas para cada uma das correntes consideradas, foi escolhida a curva média de descarga, a partir da qual foram medidos os valores dos parâmetros _ _ _ (VOC , Rseries , Rtransient S , Rtransiente L , Ctransient S e Ctransiente_L ) em diferentes pontos de SOC . Com o objetivo de encontrar um modelo elétrico, na qual a extração dos parâmetros fosse prática e de fácil implementação, em [9] é apresentado a aplicação do modelo elétrico Battery, que está presente na ferramenta computacional MatLab/Simulink, que simula a descarga dos mais populares tipos de baterias recarregáveis. Este modelo foi escolhido pelo autor por ser de fácil implementação, no que se refere a extração de seus parâmetros de conguração, principalmente, porque em alguns casos, a fase de testes experiemtais para a extração dos parâmetros pode ser ignorada. Além disto, o modelo considera parte dos efeitos não lineares que ocorrem em um processo de descarga de uma bateria. Todas as simulações computacionais com o emprego do modelo elétrico no Battery foram realizadas Simulink, a partir de um circuito implementado na forma de diagrama de blocos. Primeiramente em [9] o modelo Battery foi simulado considerando os dados e parâ- Capítulo 2. Revisão Bibliográca 21 mentros de uma bateria Li-Ion modelo BL-5F, presente em celulares Nokia modelo N 95. A partir das simulações do modelo, foi realizada uma comparação entre os resultados simulados e os resultados obtidos a partir de uma plataforma de teste, que foi desenvolvida pelo Grupo de Automação Industrial e Controle (GAIC) da UNIJUÍ, no Laboratório de Sensores e Instrumentação (LSI). Desta forma, o modelo Battery foi validado, obtendo um erro inferior a 5% em relação aos dados experimentais [9]. Na sequência deste trabalho, uma nova fase de simulações foi realizada, desta vez utilizando uma bateria Li-Po, modelo PL-383562 para a comparação entre o modelo e o modelo para Predizer Runtime Battery e Características V-I de uma bateria. Considerando pers de descargas idênticos, foi vericado que apesar dos parâmetros do modelo elétrico Battery terem sido obtidos diretamente do datasheet da bateria a ser simulada, ou seja, não foi necessária a realização de nenhum teste experiemental, o modelo Battery apresen- tou resultados satisfatórios. As diferenças, entre os modelos, para o tempo de vida foram de 0, 139% para descargas constantes e 1, 283% para descargas variáveis. satisfatórios apresentados pelo modelo elétrico Battery, Estes resultados sem que tenha sido necessária a realização de testes experimentais com a bateria simulada, representam uma grande vantagem do modelo na questão de otimização de tempo, que é tão desejada nos dias atuais nas mais diversas áreas da engenharia [9]. 2.4.4 Modelos Analíticos Os modelos analíticos, assim como os estocásticos, descrevem a bateria de uma maneira abstrata, onde suas principais características são modeladas utilizando um conjunto pequeno de equações, tornando-os de implementação mais simples quando comparados aos modelos eletroquímicos e elétricos. São modelos que podem ser utilizados para simular o descarregamento de baterias com cargas constantes ou variáveis no tempo, assim como podem capturar os efeitos não lineares tais como o efeito da taxa de capacidade e efeito de recuperação, que ocorrem um um processo de descarga. Os modelos analíticos aqui abordados são o Linear [3, 5, 18], a Lei de Peukert [3, 5, 11] e o modelo RV [5, 11]. Modelo Linear O modelo Linear é considerado um modelo simples para predição do tempo de vida de baterias. Neste modelo a bateria é tratada como um recipiente linear de corrente. Deste modo, pode-se calcular a capacidade (C ) restante de uma bateria a partir da equação 0 C = C − Itd , (2.5) Capítulo 2. Revisão Bibliográca onde: e td C 0 é a capacidade inicial, I 22 é a corrente de descarga constante durante a operação, é o tempo de duração. Assim, a capacidade remanescente será calculada sempre que a taxa de descarga mudar [4]. Lei de Peukert A Lei de Peukert é um modelo simples de predição do tempo de vida de baterias, que descreve parte das suas propriedades não lineares. Ou seja, ela captura apenas a relação não linear entre o tempo de vida da bateria e a taxa de descarga, não modelando o efeito de recuperação. Pela Lei de Peukert, o tempo de vida (L) de uma bateria, pode ser aproximado por L= onde: I é a corrente de descarga, bateria, e 1, 2 e b (2.6) a e b são parâmetros que precisam ser estimados a partir a de dados experimentais. Idealmente ser igual a 1. a , Ib Entretando, na prática pode ser igual a capacidade da bateria, e a b pode possui um valor próximo ao da capacidade da é um número superior a 1. Para a maioria das baterias, b possui valores entre 1, 7. Os resultados obtidos utilizando a Lei de Peukert para predição do tempo de vida de baterias são considerados bons para descargas constantes. No entanto, para descargas variáveis o modelo apresenta resultados menos satisfatórios [19]. Modelo de Difusão de Rakhmatov e Vrudhula O modelo RV, descreve a evolução da concentração de espécies eletroativas no eletrólito da bateria submetida a uma determinada corrente de descarga [11, 18]. Este modelo é descrito pelas leis de Fick através de um sistema de EDPs com condições de contorno de segunda espécie, e possui dois parâmetros que precisam ser estimados, o senta a capacidade da bateria, e o β, que repre- que representa uma não linearidade da bateria. A concentração de espécies eletroativas no tempo C(x, t). α, t e na distância x ∈ [0, w] é denotada por Se a bateria está completamente carregada a concentração inicial (i.e., condição inicial) de espécies eletroativas é constante em todo o comprimento w do eletrólito Considerando os modelos analíticos, em [11] Rakhmatov e Vrudhula comparam o seu modelo com o o simulador Dualfoil, e com uma versão estendida da Lei de Peukert, na qual é utilizado correntes de descargas variáveis. no simulador Dualfoil Os resultados das simulações obtidos são usados como valores de referência. Para 10 pers de cargas constantes, o modelo RV prediz o tempo de vida com um erro médio de máximo de 6% 3%, quando comparado com os resultados obtidos a partir do e um erro Dualfoil [?]. Capítulo 2. Revisão Bibliográca 23 Por outro lado, a Lei de Peukert apresentou um erro médio de 43%. 14% e um erro máximo de A Lei de Peukert tem sido utilizada de forma satisfatória para correntes de descargas baixas, mas os erros aumentam signicativamente para correntes de descargas altas. Para descargas variáveis e interrompidas, o modelo RV apresenta os melhores resultados, ou seja, um erro máximo de 2, 7% e um erro médio abaixo de 1%. Neste cenário, a Lei de Peukert não apresenta bons resultados, principalmente por não considerar um efeito não-linear importante na bateria, que é o efeito de recuperação [5, 11]. Em [5], foi realizado um estudo comparativo envolvendo modelos analíticos para a predição do tempo de vida de baterias utilizando correntes de descargas constantes, os modelos utilizados foram: o modelo Linear, a Lei de Peukert e o modelo RV. Da mesma forma, em [19], foram comparados os mesmos modelos, todavia, foram utilizadas, além de um novo conjunto de correntes de descargas constante um conjunto de descargas variáveis. Nos dois trabalhos, para a estimação dos parâmetros dos modelos e validação, foram utilizados dados reais obtidos a partir de uma plataforma de teste utilizando baterias de Li-Ion, de celulares Nokia, modelo BL − 5F . Como resultados, em [5] o modelo Linear, utilizando correntes de descargas constantes, apresentou um erro médio de apresentou um erro médio de médio de 30, 76% 22, 06%, 17, 42% da mesma forma, em [19], o modelo Linear para correntes de descargas constante e um erro para correntes de descargas variáveis. Destaca-se que estes erros eram esperados, pois este modelo não captura os efeitos não lineares da bateria. A Lei de Peukert, para correntes de descargas constantes, apresentou um erro médio de 1, 96% em [5] e um erro médio de 7, 10% em [19]. Já para correntes de descargas variáveis, em [19], a Lei de Peukert apresentou um erro médio de 7, 93%, sendo assim este modelo é mais preciso que o modelo Linear para predizer o tempo de vida de baterias. Destaca-se que este modelo captura uma característica não-linear que é o efeito da taxa de capacidade. O modelo RV em ambos os trabalhos foi o modelo que obteve, em comparação com os demais, os menores erros médios, ou seja os melhores resultados. Este fato ocorreu porque este modelo captura os dois efeitos não lineares que ocorrem na bateria durante o processo de descarga, que são o efeito da taxa de capacidade e o efeito de recuperação. Em [5], o modelo RV apresentou para correntes de descargas constantes um erro médio de 1, 05%, e já em [19] obteve um erro médio de 6, 53% 5, 71% para correntes de descargas contantes para correntes de descargas variáveis. No Capítulo 5, este modelo analítico é apresentado de forma mais detalhada, uma vez que um dos objetivos deste trabalho é realizar a comparação dos resultados simulados pelo modelo híbrido com os resultados simulados pelo modelo RV. Capítulo 2. Revisão Bibliográca 24 Kinetic Battery Model O modelo analítico Kinetic Battery Model (KiBaM) desenvolvido por Manwell e Mc- Gowan [20], pode ser utilizado para calcular o tempo de vida de baterias. Nele a carga da bateria é distribuída sobre duas fontes: a fonte de carga disponível e a fonte de carga limitada (i.e., indisponível). Na Fig. 2.7 é apresentada uma representação do modelo KiBaM. Figura 2.7: Modelo KiBaM - Distribuição em duas fontes [5]. Nas fontes, uma fração c (0 < c < 1) de carga disponível, e uma fração 1−c da capacidade total C é distribuída na fonte na fonte de carga limitada. disponível fornece elétrons diretamente à corrente I, A fonte de carga enquanto a fonte de carga limitada disponibiliza elétrons somente para a fonte de carga disponível. A taxa na qual a carga uí entre as duas fontes depende do valor de onde h1 k e da diferença entre as alturas y1 (t) c y2 (t) h2 = 1−c y1 (t) h1 e e h2 , representa o SOC da bateria. As alturas das duas fontes são dadas por h1 = onde: h1 e y2 (t) h2 (2.7) (2.8) são as alturas da fonte de carga disponível e limitada, respectivamente, são as quantidades de carga em cada fonte. A variação de carga em ambas as fontes é dada pelo sistema de Equações Diferenciais Ordinárias (EDOs) abaixo, onde i(t) é a corrente de descarga. ( dy1 dt dy2 dt = −i(t) + k(h2 − h1 ), = −k(h2 − h1 ). Com condições iniciais dadas por (2.9) Capítulo 2. Revisão Bibliográca onde: y1 (0) vamente, C e y2 (0) 25 y1 (0) = cC, (2.10) y2 (0) = (1 − c)C (2.11) são as quantidades de carga disponível e limitada em t = 0, respecti- é a capacidade total da bateria. A bateria é considerada descarregada quando não há mais carga na fonte de carga disponível. Quando uma corrente de descarga é aplicada na bateria, a carga disponível reduz, e a diferença de altura entre as fontes aumenta. Quando a corrente é removida, um uxo de carga, da fonte de carga limitada, para a fonte de carga disponível ocorre, até que h1 e h2 quem novamente iguais, assim, durante períodos de inatividade, uma maior quantidade de carga torna-se disponível e a bateria alcançará um tempo de vida maior do que quando uma corrente de descarga é aplicada continuamente. Desta maneira, o efeito de recuperação é levado em conta neste modelo. A taxa de capacidade efetiva também é considerada, pois para correntes de descarga altas, a carga disponível será drenada mais rápido, e haverá menos tempo para a carga limitada uir em direção a carga disponível. Com isso, mais carga cará na fonte de carga limitada, sem ser utilizada, e a capacidade efetiva da bateria é reduzida. O modelo KiBaM, em [20], foi solucionado usando transformadas de Laplace, para o caso de correntes de descarga constantes (i.e., i(t) = I ), 0 (y0 k0 c−I)(1−e−k t ) k0 −k0 t 0 y1 (t) = y1 (0)e−k t + 0 y2 (t) = y2 (0)e−k t + y0 (1 − c)(1 − e ) 2 (t) δ(t) = h2 − h1 = y1−c − onde: t δ(t) é o tempo de vida da bateria e obtendo-se 0 Ic(k0 t−1+e−k t ) , k0 0t 0 −k ) − I(1−c)(k t−1+e , k0 y1 (t) c − (2.12) é a diferença de altura entre as duas fontes. Neste modelo y0 = y1 (0) + y2 (0), e k0 = A descarga está completa quando k . c(1 − c) y1 (t) Consequentemente, a carga indisponível u(t) torna-se zero indicando zero para o (2.13) (2.14) SOC . pode ser expressa por u(t) = (1 − c)δ(t). (2.15) Capítulo 2. Revisão Bibliográca 26 O modelo KiBaM foi desenvolvido para modelar baterias de chumbo-ácido, utilizadas sobretudo em veículos elétricos [20]. As equações deste modelo são utilizadas no próximo capítulo a m de compor o modelo híbrido que é objeto de estudo deste trabalho de pesquisa. 2.4.5 Modelos via Identicação de Sistemas A Identicação de Sistemas é uma técnica alternativa usada na literatura para a modelagem matemática de sistemas dinâmicos. Considerando a abordagem da Identicação de Sistemas é possível obter um modelo matemático que explique a relação de causa (entrada) e efeito (saída) de um conjunto de dados sem relacioná-lo com as leis físicas envolvidas no processo, apenas utiliza-se dados observados do sistema, e/ou algum conhecimento prévio desejado [21]. Nesta técnica há duas maneiras para a construção de modelos matemáticos, a primeira forma é a modelagem caixa-preta, na qual não se tem conhecimento prévio do sistema a ser modelado, neste caso apenas os dados de entrada e saída do processo são usados durante a identicação, observa-se que não existe nenhuma relação entre a estrutura matemática usada com a física do processo. A outra forma é a modelagem caixa-cinza, na qual se tem algum conhecimento prévio do sistema a ser modelado, o tipo de informação auxiliar e a forma com que se utiliza esta informação depende do modelo que se está trabalhando, esta informação não se encontra no conjunto de dados utilizados durante a identicação, ou seja, esta categoria de modelos pode ser colocada entre a modelagem pela física do processo e a identicação caixa-preta [21]. Em [12] é realizada a modelagem matemática da predição do tempo de vida de baterias utilizando as estruturas de modelos paramétricos lineares tais como, AutoRegressivo com entradas eXternas (ARX), AutoRegressivo com MédiA movél e entradas eXternas (ARMAX), Erro de Saída (ES), e Box Jenkins (BJ) da teoria de Identicação de Sistemas. Todos os modelos foram implementados na ferramenta computacional MatLab, a escolha por este software deve-se ao fato do seu conjunto de ferramentas/bibliotecas destinada exclusivamente ao trabalho com Identicação de Sistemas (i.e., pacote Ident ). Para esta modelagem matemática [12] utilizou-se dados reais de um processo de descarga, obtidos a partir de uma plataforma de testes, considerando uma bateria de Li-Ion modelo BL-5F. Os modelos ARX, ARMAX, ES e BJ foram validados, e o modelo que obteve melhor acurácia, para a predição do tempo de vida de baterias, foi o modelo ARX em tempo discreto, com erro médio de 3, 39%, quando comparado com os demais modelos simulados e com os dados provenientes da plataforma de testes. Objetivando a obtenção de um modelo de mais fácil manipulação e mais realista, que permitisse encontrar o tempo de vida de baterias para diferentes pers de descarga, foi Capítulo 2. Revisão Bibliográca 27 realizada a conversão do modelo ARX em tempo discreto, para tempo contínuo, utilizando dois discretizadores, o ZOH e o Tustin. Por m, foi realizada a comparação dos modelos ARX em tempo discreto, e em tempo contínuo, com o modelo RV, que é o modelo analítico de melhor acurácia encontrado na literatura. A partir dos resultados das simulações apresentadas em [12] foi possível vericar que o modelo ARX em tempo contínuo apresentou um erro médio de 5, 68% 7, 39%, o modelo RV apresentou um erro médio de e o modelo ARX em tempo discreto apresentou um erro médio de 3, 39%, quando comparados com os dados obtidos da plataforma de testes, concluindo que o modelo ARX em tempo discreto possui os melhores resultados. 2.5 Resumo do Capítulo Primeiramente uma revisão bibliográca referente a baterias utilizadas em dispositivos móveis, suas propriedades e características presentes no processo de descarregamento são apresentadas. Logo em seguida são abordados os principais modelos matemáticos de baterias, referenciados na literatura técnica, tais como, os modelos estocásticos, os modelos eletroquímicos, os modelos de circuitos elétricos, os modelos analíticos e os modelos via teoria de Identicação de Sistemas, com suas características e especicidades [5, 6, 9, 11, 12, 19]. No próximo capítulo é apresentado o modelo híbrido de bateria aplicado neste trabalho para a predição do tempo de vida de baterias utilizadas em dispositivos móveis, que é desenvolvido através da união de um modelo elétrico e um modelo analítico [1]. O modelo elétrico em questão é conhecido como modelo para Predizer V-I de uma bateria, e o modelo analítico é o modelo KiBaM. Runtime e Características Capítulo 3 O Modelo Híbrido de Bateria 3.1 Introdução Neste capítulo é apresentado o modelo híbrido que é aplicado neste trabalho para a predição do tempo de vida de baterias utilizadas em dispositivos móveis. Este modelo é obtido a partir da união de dois modelos, o modelo analítico KiBaM e o modelo elétrico para Predizer Runtime e Características V-I de uma bateria. Para esta união, são utiliza- das equações derivadas de ambos os modelos, por exemplo, do modelo KiBaM, é utilizada a equação de carga indisponível, que está contida na equação que modela o SOC da ba- teria; e do modelo elétrico, são utilizadas as equações que fornecem a resposta da tensão do circuito da bateria. Este modelo pode prever o tempo de vida de várias tecnologias de baterias tais como: baterias de Chumbo-Ácido, Li-Ion, NiMH, Li-Po e Níquel-Cádmio. O restante deste capítulo está organizado como segue. Na Seção 3.2 é realizada uma descrição do modelo híbrido. híbrido. Na Seção 3.4 é apresentado o diagrama de blocos do modelo híbrido no tlab/Simulink. 3.2 Na Seção 3.3 são apresentadas as equações do modelo Ma- Na Seção 3.5 é apresentado um resumo do capítulo. O Modelo Híbrido Atualmente, uma variedade de modelos de baterias têm sido desenvolvidos para capturar o desempenho da bateria para diversos ns. Geralmente, esses modelos podem ser classicados em cinco categorias: modelos eletroquímicos, modelos analíticos, modelos elétricos, modelos estocásticos e modelos via Identicação de Sistemas. Recentemente, foi desenvolvida uma nova categoria de modelos, denominada modelos híbridos, os quais podem unir as vantagens de dois ou mais tipos de modelos. Neste trabalho é aplicado um modelo híbrido obtido através da conexão de um modelo elétrico com um modelo analítico. O modelo elétrico em questão é conhecido como modelo 28 Capítulo 3. O Modelo Híbrido de Bateria para Predizer Runtime 29 e Características V-I de uma bateria, o qual foi descrito na Seção 2.4 do Capítulo 2, este modelo foi escolhido por capturar as características dinâmicas do circuito da bateria, como a tensão de circuito aberto, tensão terminal, resposta transiente. No entanto, este modelo elétrico não pode capturar os efeitos não lineares, tais como o efeito de recuperação e o efeito da taxa de capacidade, os quais ocorrem durante o processo de descarga da bateria. Um modelo que considera estes efeitos é o modelo KiBaM, descrito na Seção 2.4 do Capítulo 2, desta forma, a união destes dois modelos, possibilita obter um novo modelo, capaz de capturar os efeitos não lineares e ao mesmo tempo as características dinâmicas do circuito da bateria. O novo modelo híbrido estende o modelo elétrico ilustrado na Fig. 2.6, substituindo o seu lado esquerdo, por equações baseadas no modelo KiBaM conforme pode ser observado na Fig. 3.1. A seguir são apresentadas as equações do modelo híbrido. Figura 3.1: Proposta do modelo híbrido [1]. 3.3 Equações do Modelo Híbrido Nesta seção são apresentadas as equações do modelo híbrido, aplicado neste trabalho para a predição do tempo de vida de baterias usadas em dispositivos móveis. Considerando um período total de t0 < t < tr , no período de descarregada com uma corrente constante período, ou seja, td < t < tr , com t0 < t < td icell = I > 0, icell = 0. (com td < tr ) e então repousa no restante do Logo, o modelo híbrido proposto é resultado pelo conjunto de equações a seguir, no qual o SOC(t) é dado por Cavailable (t) Cmax Z 1 [ icell (t)dt + Cunavailable (t)] SOC(t) = SOC(t) = SOCinitial − onde: Cavailable (t) bateria, Cmax a bateria é Cmax é a capacidade disponível da bateria, é a capacidade nominal da bateria, SOC(t) SOCinitial é o (3.1) (3.2) é o estado de carga da SOC estimado antes de Capítulo 3. O Modelo Híbrido de Bateria t0 , icell (t) é a corrente de descarga, e 30 Cunavailable (t) é a capacidade indisponível da bateria. A capacidade disponível da bateria Cavailable (t) é determinada por Cavailable (t) = Cinitial − i(t) − Cunavailable(t) , onde: Cinitial corrente icell é a capacidade inicial da bateria, durante o período de descarga, i(t) (3.3) é a carga dissipada para carregar a Cunavailable (t) é a capacidade indisponível da bateria. A carga dissipada é dada por Z i(t) = A capacidade indisponível u(t) icell (t)dt. Cunavailable (t), (3.4) na equação (3.2), é determinada pela função da carga indisponível, proveniente do modelo KiBaM, equação (2.15), ou seja, Cunavailable (t) = u(t). Uma expressão simplicada para u(t) (3.5) pode ser obtida a partir da equação (2.12), tornando-se u(t) = onde: 0 0 I 1−e−k (t−t0 ) k0 (1 − c)[δ(t0 )e−k (t−t0 )+ c (1 − c)δ(td )e −k0 (t−td ) , ], t0 < t < t d , (3.6) td < t < tr . c é uma fração da capacidade total da bateria C , δ(t0 ) é a diferença de altura entre as duas fontes no início da descarga do modelo KiBaM, com a taxa de difusão de energia entre as fontes, δ(td ) k0 é a diferença de altura entre as duas fontes no tempo nal de descarga do modelo KiBaM, é o tempo inicial, td é o tempo nal da descarga, e tr é uma constante relacionada I é a corrente de descarga, t0 é o tempo que resta para terminar o período. Durante a descarga, no intervalo de tempo t0 < t < td , u(t) aumenta, o que representa o efeito da taxa de capacidade. Durante o restante do tempo td < t < tr , u(t) diminui, porque a carga da fonte limitada ui para a fonte de carga disponível, fazendo com que mais carga se torne disponível para o sistema, isto representa o efeito de recuperação. Com base nas equações (3.5) e (3.6), a capacidade perdida Cunavailable (t) pode ser expressa por ( Cunavailable (t) = onde: Cunavailable (t0 ) 0 Cunavailable (t0 )e−k (t−t0 ) + (1 − c) Ic 1−e Cunavailable (td )e −k0 (t−td ) , −k0 (t−t0 ) k0 ], t0 < t < t d td < t < tr , é a capacidade indisponível da bateria no início da descarga, (3.7) k0 é Capítulo 3. O Modelo Híbrido de Bateria 31 a constante relacionada com a taxa de difusão de energia entre as fontes, é a capacidade indisponível da bateria no nal do tempo de descarga, descarga, c é uma fração da capacidade total tempo nal da descarga, e C t0 da bateria, I Cunavailable (td ) é a corrente de é o tempo inicial, td é o tr < td . A tensão do modelo é representada por Vcell (t) = Voc [SOC(t)] − icell (t).Rseries [SOC(t)] − Vtransient (t) onde: Vcell (t) é a tensão nal, é a resistência em série e V oc[SOC(t)] é a tensão de circuito aberto, Vtransient (t) é a tensão transiente. (3.8) Rseries [SOC(t)] Os elementos da equação (3.8) são determinados pelas equações Voc [SOC(t)] = a0 ea1 SOC(t) + a2 + a3 SOC(t) − a4 SOC(t)2 + a5 SOC(t)3 onde: Rseries [SOC(t)] = b0 e−b1SOC + b2 + b3 SOC − b4 SOC 2 + b5 SOC 3 (3.10) Vtransient (t) = VtransientS (t) + VtransientL (t) (3.11) VtransientS (t) VtransientL (t) é a tensão transiente de curta duração dada pela equação (3.12) e é a tensão transiente de longa duração dada pela equação (3.13) VtransientS (t) = − (t−t0 ) RtransientS .icell (t)[1 − e τS ], onde: (3.9) RtransientS d) VtransientS (td ).e− (t−t , τS é a resistência transiente de curta duração, t0 < t < t d (3.12) td < t < tr VtransientS (td ) é a tensão tran- siente de curta duração no tempo nal de descarga, t0 é o tempo inicial, td é o tempo nal da descarga, tr é o tempo que resta para terminar o período, τL = RtransientL .CtransientL , CtransientS CtransientL é a capacitância transiente de curta duração e é a capacitância transiente de longa duração. ( VtransientL (t) = onde: τS = RtransientS .CtransientS , RtransientL 0) RtransientL .icell (t)[1 − e− (t−t ], τL d) VtransientL (td ).e− (t−t , τL é a resistência transiente de longa duração, t0 < t < td td < t < t r . (3.13) VtransientL (td ) é a tensão tran- siente de longa duração no tempo nal de descarga, t0 é o tempo inicial, td é o tempo nal da descarga, tr é o tempo que resta para terminar o período, τL = RtransientL .CtransientL , CtransientS τS = RtransientS .CtransientS , é a capacitância transiente de curta duração e Capítulo 3. O Modelo Híbrido de Bateria CtransientL 32 é a capacitância transiente de longa duração. Os parâmetros que modelam a tensão transiente são funções de SOC dados por RtransientS (SOC) = c0 e−c1SOC + c2 C −d1SOC + d2 transientS (SOC) = d0 e RtransientL (SOC) = e0 e−e1SOC + e2 CtransientL (SOC) = f0 e−f 1SOC + f2 onde: RtransientS (SOC) é a resistência transiente de curta duração, capacitância transiente de curta duração, longa duração e CtransientL (SOC) RtransientL (SOC) (3.14) CtransientS (SOC) é a é a resistência transiente de é capacitância transiente de longa duração. Conforme [1], esses parâmetros são aproximadamente constantes quando o vado (20-100%) e muda exponencialmente quando o SOC SOC é ele- varia abaixo de um determinado valor (20-0%) devido a reações eletroquímicas no interior da bateria. A seguir é apresentada a implementação destas equações no blocos no 3.4 MatLab a partir da utilização de diagramas de Simulink. Diagrama de Blocos do Modelo no Matlab/Simulink Nesta seção é apresentado o diagrama de blocos do modelo híbrido implementado na ferramenta computacional MatLab/Simulink. A partir do uso deste diagrama, pode- se realizar simulações computacionais para obter o tempo de vida de diferentes tipos de baterias recarregáveis, tais como, baterias de Chumbo-Ácido, Li-Ion, NiMH, Li-Po e Níquel-Cádmio. Figura 3.2: Diagrama de blocos do modelo híbrido. Observa-se que todos os componentes do circuito do modelo são encontrados no Si- Capítulo 3. O Modelo Híbrido de Bateria 33 mulink, na biblioteca Simscape, no toolbox SimPower Systems. padrões deste Utilizando as ferramentas toolbox verica-se que as equações do modelo estão dentro dos subsystems. Além disto, para a equação (3.7) da carga indisponível e para a equação (3.8) que fornece a tensão do modelo, as variáveis, como por exemplo, a corrente, o tempo e o precisam ser acopladas aos SOC subsystems, pois elas fazem parte do modelo sendo necessário que estejam presentes, para realizar a simulação. Na Fig. 3.2, pode-se perceber os dois subsystems e as entradas das demais variáveis. As constantes do modelo são digitadas em um editor de texto do MatLab, as mesmas devem ser carregadas antes de iniciar a simulação. 3.5 Resumo do Capítulo Este trabalho tem como foco o estudo da predição do tempo de vida de baterias, utilizadas em dispositivos móveis, através da aplicação de um modelo híbrido, o qual reune as características de um modelo analítico e um modelo elétrico, i.e., modelo KiBaM e modelo para Predizer Runtime e Características V-I de uma bateria, respectivamente. Desta forma, o modelo híbrido é um modelo que considera os efeitos não lineares e a variação do SOC da bateria, e ao mesmo tempo captura as características elétricas e dinâmicas do circuito da bateria, tais como o decaimento da tensão. O modelo híbrido aplicado neste trabalho realiza a predição do tempo de vida de baterias utilizando correntes de descarga variáveis ou constantes no tempo. Sua implementação computacional, para a realização de simulações, é feita na ferramenta computacional MatLab/Simulink, através de diagrama de blocos. Na visualização deste diagrama pode-se observar onde encontram-se a equação da carga indisponível proveniente do modelo analítico, a qual é utilizada no cálculo do SOC SOC , equação (3.7), e onde ocorre a ligação do com as equações que fornecem a saída da tensão do modelo híbrido, equação (3.8). No próximo capítulo são apresentados os resultados obtidos a partir da simulação com o modelo híbrido de baterias. Capítulo 4 Resultados da Simulação do Modelo Híbrido de Baterias 4.1 Introdução Neste capítulo inicialmente são apresentadas: uma descrição da plataforma de testes, utilizada para a coleta dos dados experimentais; a metodologia adotada para a coleta de dados; e os dados obtidos nos processos de descarga das baterias. Em um segundo momento a partir dos resultados alcançados com os experimentos, considerando baterias de Li-Ion, os dados obtidos são utilizados para a estimação dos parâmetros do modelo híbrido, assim como para a sua simulação e validação. O restante deste capítulo está organizado como segue. Na Seção 4.2 é realizada uma descrição da plataforma de teste. Na Seção 4.3 é apresentada a metodologia para a obtenção dos dados experimentais, assim como dois conjuntos de dados, o primeiro para a estimação dos parâmetros do modelo, e o segundo para validação do modelo. Na Seção 4.4 é apresentada a metodologia utilizada para a estimação dos parâmetros do modelo híbrido. Na Seção 4.5 é apresentada a validação do modelo híbrido. Na seção 4.6 é apresentado um resumo do capítulo. 4.2 Descrição da Plataforma de Testes Nesta seção é apresentada a plataforma de testes utilizada neste trabalho para a realização dos ensaios experimentais [22]. A mesma funciona de forma autônoma e exível, podendo ser usada tanto para carregar, quanto para descarregar as baterias, sendo assim após a bateria estar carregada, aplica-se na mesma um perl de descarga constante, e o descarregamento é efetuado até a bateria atingir o nível de cuto, o qual é conseguido quando a bateria alcança a tensão mínima para manter o sistema operacional. Esta pla- 34 Capítulo 4. Resultados da Simulação do Modelo Híbrido de Baterias 35 taforma de testes foi desenvolvida no laboratório do Grupo de Automação Industrial e Controle (GAIC) da UNIJUÍ, sendo constituída de três partes: (i) sistema de controle ( software ), (ii) hardware e (iii) bateria, conforme apresentado na Fig. 4.1. Figura 4.1: O hardware Ilustração da plataforma de testes. realiza a comunicação com o computador e a administração dos módulos software, desenvolvido em C++, possui uma interface intuitiva para a informação dos parâmetros da bateria, o mesmo envia ao hardware as congurações do tipo de descarga o qual a bateria deve ser submetida. A seguir o hardware e o software são descritos mais detalhadamente. O hardware é composto por três placas eletrônicas, sendo que o principal componente de sensoriamento e controle de descarga. O presente em uma delas é um microcontrolador, que possui a função de efetuar a aquisição de três grandezas: temperatura, tensão e corrente. O microcontrolador, através de um algoritmo de controle Proporcional Integral (PI) faz o controle da corrente de descarga a qual é submetida a bateria, mais detalhes sobre o funcionamento desta plataforma podem ser obtidos em [22]. O software torna possível a obtenção dos resultados gerados pelos testes. Após o software Além do software possuir preenchimento de dados (i.e., parâmetros e tipo de descarga) na interface, o administra o controle da descarga a que a bateria é submetida. recursos de proteção da bateria, no caso de problemas no sistema, ele possibilita também salvar as imagens dos grácos em bitmap e os relatórios em formato texto. Destaca-se que durante um experimento, no caso de falhas na comunicação serial entre o hardware software, ou quando a curva de tensão da bateria simulada pela plataforma atinge o nível de cuto congurado no software, a plataforma pára de operar imediatamente. Na e o Figura 4.2 é apresentada uma foto da plataforma de testes. 4.3 Obtenção dos Dados na Plataforma de Testes Nesta seção é apresentada a metodologia adotada para a obtenção de dois conjuntos de dados experimentais usados neste trabalho. O primeiro conjunto de dados é usado para Capítulo 4. Resultados da Simulação do Modelo Híbrido de Baterias 36 Figura 4.2: Plataforma de testes. a estimação dos parâmetros do modelo, e o segundo conjunto de dados para a validação do modelo. 4.3.1 Metodologia para a Coleta de Dados A metodologia utilizada para a realização dos ensaios experimentais é de adotar um padrão único em todos os experimentos, objetivando reduzir qualquer alteração no resultado nal dos testes em decorrência das variações dos parâmetros nas simulações. Em um primeiro momento, as baterias são submetidas a um carregamento, com o objetivo de obter carga completa em todas as baterias, para assim iniciar os testes de descarga. O processo de carga inicia-se com a conexão da bateria a uma fonte de carregamento externa, até atingir o seu valor máximo de carga, que neste caso é quando a mesma atinge a tensão no valor de 4, 20 volts. A metodologia utilizada para o carregamento é 20 % da capacidade nominal da 0, 19 A. Em seguida, é efetuada a aplicar uma carga lenta e constante, correspondendo a bateria [23], sendo assim, a corrente aplicada é de desconexão da bateria da fonte de carga e então, posteriormente, conectada à plataforma para iniciar o processo de descarga. Para a realização dos testes são denidos alguns pers de descarga com intervalos de 0, 05 A entre um e outro, a m de compreender os diferentes níveis de descarga. A denição destes pers segue a mesma metodologia adotada por Rakhmatov e Vrudhula [11], que utilizam um conjunto de descargas constantes com correntes baixas, médias e altas. Nos experimentos realizados para este trabalho foram adquiridas de Li-Ion, modelo 4 baterias novas BL-5F, fabricadas pela Nokia e utilizadas nos aparelhos celulares Nokia N95. A interface de gerenciamento da plataforma é bastante simples, permitindo uma rápida conguração para realização das descargas. A plataforma permite que sejam realizadas Capítulo 4. Resultados da Simulação do Modelo Híbrido de Baterias 37 até quatro descargas simultâneas, armazenando as informações para cada descarga em arquivos separados, facilitando a consulta dos dados no software Excel. A coleta de dados a partir da plataforma é descrita a seguir. Utilizando quatro baterias completamente carregadas (i.e., com uma voltagem de realizados para e 0, 95A. 19 4, 2 volts), os experimentos são pers de descargas constantes, com correntes que variam entre 0, 05A Para cada perl de descarga os ensaios experimentais são repetidos oito vezes objetivando a obtenção de uma amostragem estatística satisfatória para o tempo de vida da bateria. A seguir os dados experimentais são apresentados. 4.3.2 Apresentação dos Dados Inicialmente são apresentados os dados utilizados para a estimação dos parâmetros dos modelos. Os pers de correntes constantes estão apresentadas no vetor Iest , medidas em ampère (A). É possível notar que a distribuição dos valores ocorre de forma a possuir pers de descargas baixas, médias e altas, dentro dos limites mínimo e máximo oferecido pela bateria utilizada. Iest = h 0, 1 0, 2 0, 3 0, 4 0, 5 0, 6 0, 7 0, 8 0, 9 i . (4.1) software, foram denidos os seguintes parâmetros da bateria: (i) tipo de bateria: Li-Ion; (ii) tensão nominal: 3, 7 volts ; (iii) capacidade nominal: 0, 95 ampère-hora (Ah) ; (iv) corrente de descarga conforme vetor Iest ; (v) tensão de cuto : 3, 10 volts. O tempo de duração do processo de descarga é o tempo em que a bateria demora até atingir a tensão de cuto, denida em 3, 10 volts, que é a tensão limite que Para a conguração do o dispositivo Nokia N95 consegue manter-se operacional. Assim, após cada descarga, a bateria foi submetida novamente a um carregamento, sendo adotada a mesma metodologia descrita anteriormente, como forma de garantir que a bateria possua sua carga completa no início de cada ensaio experimental. Deste modo, foram realizados os testes para as correntes de descarga apresentadas no vetor Iest , com quatro baterias simultaneamente, sendo que para cada corrente foram realizados dois testes para o tempo de vida (T Vei , em segundos, com 1 ≤ i ≤ 8), com o objetivo de obter um número signicativo de amostras, para então ser calculado o tempo de vida médio T Vem para cada corrente de descarga considerada. Uma relação completa, contendo as correntes de descarga e seus respectivos tempos de vida, obtidos a partir dos experimentos, juntamente com a média destes tempos, são apresentados na Tabela 4.1. A aquisição dos dados utilizados na validação do modelo segue a mesma metodologia utilizada anteriormente, os pers de descarga selecionados para a corrente de descarga Capítulo 4. Resultados da Simulação do Modelo Híbrido de Baterias 38 Tabela 4.1: Dados utilizados para estimação dos parâmetros dos modelos. Descarga T Ve1 T Ve2 T Ve3 T Ve4 T Ve5 T Ve6 T Ve7 T Ve8 T Vem 0,1 35779,2 36033,6 34474,8 35350,2 35952 36205,2 35972,4 36006,6 35722 0,2 18549,6 18916,8 17169,6 17537,4 17491,2 17598,6 17899,8 17701,8 17858 0,3 11855,4 12076,2 10981,8 11790,6 12012 11539,8 11299,8 11472,6 11629 0,4 9369,6 8892 8413,2 8643 8733,6 8850,6 8489,4 8551,8 8743 0,5 7515,6 7321,2 7205,4 7053,6 7108,2 6906,6 6784,8 7027,8 7115 0,6 5669,4 5841,6 5478,6 6080,4 5760,6 5599,8 5523,6 5785,2 5717 0,7 5002,2 4937,4 4398 4893,6 4881.6 4753.8 4218.6 4835.4 4740 0,8 4380 4228,2 3910,8 4285,2 4294,2 4090,2 3573,6 4212 4122 0,9 3842.4 3727.2 3480 3687 3868.8 3566.4 3138.6 3683.4 3624 são h Ival = 0, 05 0, 15 0, 25 0, 35 0, 45 0, 55 0, 65 0, 75 0, 85 0, 95 i . (4.2) Na Tabela 4.2 é apresentada uma relação completa, contendo as correntes de descarga Ival em A e seus respectivos tempos de vida em s, obtidos a partir dos experimentos, juntamente com a média destes tempos. Descarga 0,05 0,15 0,25 0,35 0,45 0,55 0,65 0,75 0,85 0,95 4.4 Tabela 4.2: Dados utilizados para validação do modelo. T Ve1 T Ve2 T Ve3 T Ve4 T Ve5 T Ve6 T Ve7 T Ve8 T Vem 71419,8 72004,2 71067 70808,4 71476,2 69846,6 69435,6 69978,6 70755 23654,4 23673 23718,6 23849,4 24022,8 23548,8 23791,2 23911,8 23771 14471,4 14821,2 13456,2 14471,4 14370 14229 13591,8 13594,8 14126 10411,2 10348,2 10105,8 10150,2 10220,4 10210,2 9748,8 9858 10132 7930,2 7830,6 7861,2 7818,6 7930,2 7696,2 7534,2 7748,4 7794 6441 6543,6 5775 6303,6 6429,6 6272,4 5959,2 6241,2 6246 5419,2 5358,6 5112,6 5364 5409,6 5233,8 4935,6 5299,8 5267 4747,2 4642,8 4386 4581 4466,4 4450,2 4155 4582,2 4501 4214,4 4024,2 3874,2 3930,6 4037,4 3841,8 3268,8 3924 3889 3600 3548,4 3127,8 3496,8 3567 3426,6 2964,6 3496,2 3403 Estimação dos Parâmetros do Modelo Híbrido Nesta seção é apresentada a metodologia adotada para a estimação dos parâmetros do modelo híbrido, composto de uma parte elétrica e de uma parte analítica. Mesmo estas partes estando interligadas, cada uma delas está claramente fragmentada nas equações que modelam o problema. Sendo assim, há parâmetros independentes da parte elétrica, na parte analítica, tais como c e k0, os quais em conjunto com as equações do modelo, modelam o estado de carga da bateria (SOC ), que é indispensável para calcular a tensão que resulta da parte elétrica do modelo híbrido. A seguir são apresentados os procedimentos para estimar os parâmetros c e k 0 , e após são apresentados os parâmetros da parte elétrica [1]. O procedimento para estimar o parâmetro c (i.e., fração da capacidade total C na fonte de carga disponível) é baseado na determinação da condição inicial da fonte de carga disponível y1 (0), assim como da capacidade total máxima disponível y0 , considerando Capítulo 4. Resultados da Simulação do Modelo Híbrido de Baterias 39 dados experimentais obtidos da plataforma de testes, pois c = y1 (0)/y0 . (4.3) Inicialmente, utilizando os dados da Tabela 4.1, é gerado o gráco no sentado na Fig. Excel, apre- 4.3, na qual é possível criar um ajuste de curvas, os quais possuem coordenadas de corrente I em Ampère, e capacidade C em mAh. O ajuste utilizado foi o ajuste de potência, pois este descreve satisfatoriamente o processo de descarregamento de uma bateria. Figura 4.3: Extração do parâmentro Para determinar y1 (0) c. observa-se para que valor de capacidade a curva tende na Fig. 4.3, a medida que a corrente de descarga aumenta, pois y1 (0) é a capacidade de carga na fonte 1, e esta possui um valor máximo, que não sofrerá mudanças sob correntes de descargas muito altas. Para encontrar y0 , que é a capacidade total máxima disponível é necessário observar o valor da capacidade para uma corrente de descarga muito pequena, pois neste momento como a corrente drenada da bateria é pequena, toda a capacidade armazenada pode ser considerada a capacidade total máxima disponível. Para determinar y1 (0) foi denido como valor de capacidade de carga na fonte 1, considerando descargas muito altas, o valor de determinar 900 mAh, então y1 (0) = 3240 As. Para y0 foi denido como valor de capacidade total máxima disponível, considerando uma corrente de descarga muito pequena, o valor de 983 mAh, Portanto, conforme equação (4.3) tem-se para o parâmetro c então y0 = 3538 As. um valor estimado de c= 0, 9158. O parâmetro k0 é uma constante relacionada com a taxa de vazão de corrente da fonte Capítulo 4. Resultados da Simulação do Modelo Híbrido de Baterias 40 de carga limitada, para a fonte de carga disponível, e é encontrado a partir da equação (3.7), assim como de dados experimentais obtidos da plataforma de testes. Considerando os parâmetros: I = 0, 7A c conhecido, Cunavailable (t0 ) = 0 e um tempo de vida experimental equação (3.7), apenas k 0 em t0 = 0, uma corrente experimental T Vem = 4740s obtidos da plataforma, na é desconhecido. Após a substituição destes valores na equação (3.7), tem-se uma equação transcendente a partir da qual é necessário encontrar a raiz, que é k0. Esta equação é dada por 0 e−4740k + 4630, 3k 0 − 1. O método utilizado para obter o valor de valor de k0 0, 3 A T Vem = 11629s, 0, 5 A e encontrado é 0, 0002. k0 (4.4) é o Método de Newton, de modo que o Destaca-se que utilizando outros dados, por exemplo, e T Vem = 7115s, obteve-se equações transcendentes semelhantes a equação (4.4), porém com diferentes valores para os coecientes de Vericou-se que aplicando o mesmo método para o cálculo da raiz k0, k0. ou seja, o Método de Newton, considerando as diferentes dados experimentais, encontrou-se o mesmo valor de k 0 = 0, 0002. Os parâmetros referentes à parte elétrica do modelo são obtidos de [1], e descritos na Tabela 4.3. Tabela 4.3: Parâmetros da parte elétrica do modelo [1]. a0 -0.852 b0 0.1463 c0 0.1063 e0 0.0712 a1 63.867 b1 30.27 c1 62.49 e1 61.4 a2 3.6297 b2 0.1037 c2 0.0437 e2 0.0288 a3 0.559 b3 0.0584 d0 -200 f0 -3083 a4 0.51 b4 0.17473 d1 -138 f1 180 a5 0.508 b5 0.1288 d2 300 f2 5088 4.5 Validação do Modelo Híbrido Nesta seção são apresentados os resultados encontrados para a validação do modelo híbrido, que ocorre a partir do procedimento descrito a seguir: (i) os parâmetros do modelo híbrido c e k0 são estimados a partir de dados experimentais, conforme descrito na Seção 4.3; (ii) o modelo híbrido é simulado no MatLab/Simulink considerando os parâmetros estimados, os dados da Tabela 4.3, a capacidade nominal da bateria em de descarga I em A; As, e uma corrente (iii) os grácos que representam o SOC da bateria e o decaímento da tensão são gerados, assim como é calculado o tempo de vida da bateria para a corrente considerada; (iv) por m este tempo de vida simulado pelo modelo (T Vcmh ) é comparado com o tempo de vida experimental (T Vem ) em s considerando os dados para validação apresentados na Tabela 4.2. Na Tabela 4.4 são apresentados os resultados encontrados Capítulo 4. Resultados da Simulação do Modelo Híbrido de Baterias 41 para a validação do modelo híbrido, assim com o erro médio obtido, igual a 3, 91%, entre os tempos de vida experimentais e simulados. Tabela 4.4: Validação do modelo híbrido. T Vem T Vcmh Erro Descarga 0,05 0,15 0,25 0,35 0,45 0,55 0,65 0,75 0,85 0,95 70755 23771 14126 10132 7794 6246 5257 4501 3889 3403 69090 22650 13420 9489 7326 5960 5020 4335 3814 3404 2,35% 4,72% 5,00% 6,35% 6,00% 4,58% 4,51% 3,69% 1,93% 0,03% Erro médio 3,91% Nas guras a seguir são apresentados os resultados das simulações considerando diferentes níveis de descarga, ou seja, descargas constantes, com correntes baixas, médias e altas. Para todas as simulações são utilizados c = 0, 9158, k 0 = 0, 0002, Tabela 4.3 e a capacidade nominal para a bateria de Li-Ion os dados da Cmax = 0, 95 Ah. Na Figura 4.4 é apresentado o gráco que mostra o decaimento da tensão da bateria até o nível de cuto ser alcançado, para uma corrente de descarga constante e baixa, igual a O tempo de vida simulado pelo modelo híbrido é de 69090 segundos. 0, 05 A. Com este resul- tado vericou-se uma boa acurácia do modelo, obtendo-se um erro em relação aos dados experimentais de 2, 35%. Figura 4.4: Descarga com uma corrente constante de 0, 05 A. Na Figura 4.5 é apresentado o gráco que mostra o decaimento da tensão da bateria, até o nível de A. cuto ser atingido, para uma corrente de descarga constante igual a O tempo de vida simulado pelo modelo híbrido é de 13420 segundos. 0, 25 Com este resultado vericou-se uma boa acurácia do modelo, obtendo-se um erro em relação aos dados experimentais igual a 5%. Capítulo 4. Resultados da Simulação do Modelo Híbrido de Baterias Figura 4.5: Descarga com uma corrente constante de 42 0, 25 A. Na Figura 4.6 é apresentado o gráco que mostra o decaimento da tensão da bateria cuto até o nível de A. ser atingido, para uma corrente de descarga constante igual a O tempo de vida simulado pelo modelo híbrido é de 7326 0, 45 segundos. Com este resul- tado vericou-se uma boa acurácia do modelo, obtendo-se um erro em relação aos dados experimentais igual a 6%. Figura 4.6: Descarga com uma corrente constante de 0, 45 A. Na Figura 4.7 é apresentado o gráco que mostra o decaimento da tensão da bateria até o nível de 0, 65 A. cuto ser alcançado, para uma corrente de descarga constante igual a O tempo de vida simulado pelo modelo híbrido é de 5020 segundos. Com este resultado vericou-se uma boa acurácia do modelo, obtendo-se um erro em relação aos dados experimentais igual a 4, 51%. Na Figura 4.8 é apresentado o gráco que mostra o decaimento da tensão da bateria até o nível de cuto ser alcançado, para uma corrente de descarga constante igual a Capítulo 4. Resultados da Simulação do Modelo Híbrido de Baterias Figura 4.7: Descarga com uma corrente constante de 0, 85 A. O tempo de vida simulado pelo modelo híbrido é de 43 0, 65 A. 3814 segundos. Com este resultado vericou-se uma boa acurácia do modelo, obtendo-se um erro em relação aos dados experimentais igual a 1, 93%. Figura 4.8: Descarga com uma corrente constante de 0, 85 A. Na Figura 4.9 é apresentado o gráco que mostra o decaimento da tensão da bateria até o nível de 0, 95 A. cuto ser alcançado, para uma corrente de descarga constante igual a O tempo de vida simulado pelo modelo híbrido é de 3404 segundos. Com este resultado vericou-se uma boa acurácia do modelo, obtendo-se um erro em relação aos dados experimentais igual a 0, 03%. Analisando os erros encontrados nesta comparação, verica-se que o erro diminui a medida que a corrente de descarga aumenta, a partir de correntes médias, ou seja, correntes com valores superior a 0, 55 A, por exemplo, 0, 65 A, 0, 75 A, 0, 85 A e 0, 95 A, com Capítulo 4. Resultados da Simulação do Modelo Híbrido de Baterias Figura 4.9: Descarga com uma corrente constante de erros iguais a 4, 51%, 3, 69%, 1, 93% e 0, 03%, 44 0, 95 A. respectivamente. O erro médio encontrado com os valores de tempo de vida simulados pelo modelo híbrido é considerado dentro do erro máximo que um modelo acurado deve apresentar (i.e., 5%) [24], sendo ele 3, 91%, um valor satisfatório. No capítulo seguinte é realizada a análise comparativa entre os resultados obtidos pelo modelo híbrido com os resultados simulados pelo modelo RV, o qual é considerado pela literatura técnica um modelo analítico acurado. 4.6 Resumo do Capítulo Para a aplicação do modelo híbrido, primeiramente neste capítulo é apresentada a descrição da plataforma de testes desenvolvida pelo GAIC, a qual é utilizada para a obtenção dos dados experimentais utilizados neste trabalho. A coleta de dados tem como objetivos: (i) a estimação dos parâmetros dos modelos; (ii) a validação dos modelos simulados computacionalmente. 4 Para os experimentos realizados neste trabalho foram adquiridas baterias novas do tipo Li-Ion, modelo BL-5F, fabricadas pela aparelhos celulares Nokia e utilizadas nos Nokia N 95. Em um segundo momento é apresentada a metodologia para a coleta de dados da plataforma que ocorre da seguinte forma: realiza-se o carregamento da bateria, iniciando com a sua conexão a uma fonte de carregamento externa, até atingir a tensão máxima de 4, 2 volts. Em seguida, é efetuada a desconexão da bateria da fonte de carga e então a mesma é conectada à plataforma para iniciar o processo de descarga. Os experimentos são realizados para 19 pers de descargas constantes, com correntes que variam entre 0, 05 A Capítulo 4. Resultados da Simulação do Modelo Híbrido de Baterias e 0, 95 A. 45 Para cada perl de descarga os ensaios experimentais são repetidos duas vezes objetivando a obtenção de uma amostragem estatística satisfatória para o tempo de vida da bateria. Com a obtenção dos dados experimentais dois conjuntos são apresentados, um para a estimação dos parâmetros dos modelos e o outro para a validação dos modelos, ambos contemplando pers de descargas baixas, médias e altas, dentro dos limites mínimo e máximo oferecido pela bateria utilizada. Com o mesmo intervalo entre um perl e outro (i.e., A, 0, 1 A), o primeiro conjunto (Iest ) abrangeu valores de correntes entre e o segundo conjunto (Ival ) contemplou valores entre 0, 05 A e 0, 1 A e 0, 9 0, 95 A. Em um terceiro momento a estimação dos parâmetros do modelo híbrido é apresentada Os parâmetros da parte analítica do modelo híbrido, c e k0 são estimados por meio de resultados experimentais, dados da Tabela 4.1, referentes aos resultados obtidos pelas correntes de descargas do conjunto (Iest ). o parâmetro c O primeiro parâmetro a ser determinado é (i.e., fração da capacidade total C na fonte de carga disponível) o qual depende da determinação de duas condições iniciais (i.e., da capacidade da fonte de carga disponível y1 (0) e da capacidade total máxima disponível y0 ). A partir de uma análise gráca do problema encontrou-se que c = 0, 9158 Após é determinado o parâmetro k0 (i.e., constante relacionada com a taxa de vazão de corrente da fonte de carga limitada, para a fonte de carga disponível), o qual é encontrado a partir de uma equação cujo resultado depende dos dados experimentais obtidos da plataforma de testes, neste caso também são utilizados os dados da Tabela 4.1, é encontrado que k 0 = 0, 0002. Os parâmetros referentes à parte elétrica do modelo são obtidos de [1], e descritos na Tabela 4.3. Após a determinação dos parâmetros o modelo híbrido, o mesmo é implementado e simulado no MatLab/Simulink considerando os parâmetros estimados, os dados da Tabela 4.1, a capacidade nominal da bateria em As, e uma corrente de descarga I em A. Os re- sultados obtidos nas simulações para o tempo de vida de baterias (T Vcmh ) são comparados com o tempo de vida experimental (T Vem ) em s, considerando os dados para a validação dos modelos presentes na Tabela 4.2. Por m, são apresentados os resultados encontrados para a validação do modelo híbrido, o qual obteve um erro médio de gerados pela saída da tensão do modelo híbrido, a partir do 3, 91%. Os grácos MatLab, são observados para variados pers de descarga aplicadas ao modelo. No próximo capítulo é apresentada um análise comparativa entre o modelo híbrido e o modelo RV, que é um modelo analítico de boa acurácia da literatura. Capítulo 5 Análise Comparativa entre o Modelo Híbrido e o Modelo RV 5.1 Introdução Neste capítulo é realizada uma análise comparativa entre, os dados experimentais obtidos da plataforma de testes, o modelo híbrido aplicado nesta pesquisa, e o modelo RV considerado na literatura o modelo analítico de melhor acurácia para predição do tempo de vida de baterias utilizadas em dispositivos móveis. O restante deste capítulo está organizado como segue. Na Seção 5.2 são apresentadas as equações do modelo RV. Na Seção 5.3 é apresentada a validação do modelo RV em relação aos dados experimentais. Na Seção 5.4 é realizada a comparação entre o modelo híbrido e o modelo RV e na Seção 5.5 é apresentado um resumo do capítulo. 5.2 Modelo RV Em Rakhmatov e Vrudhula [11, 18] é desenvolvido um modelo matemático físico que descreve a evolução da concentração de espécies eletroativas no eletrólito e tem a função de realizar a predição do tempo de vida de baterias submetidas a uma determinada corrente de descarga. distância Neste modelo, a concentração de espécies eletroativas no tempo x ∈ [0, w] é representada por C(x, t). t e na A evolução da concentração é descrita pela lei de Fick dada por ( −J(x, t) = D ∂C(x,t) , ∂x ∂C(x,t) ∂t onde: = D ∂C(x,t) , ∂x (5.1) J(x, t) é o uxo de espécies eletroativas em função do tempo t, e em função de uma distância x do eletrodo, e D é a constante de difusão. 46 Capítulo 5. Análise Comparativa entre o Modelo Híbrido e o Modelo RV 47 Quando a bateria está completamente carregada a concentração inicial de espécies eletroativas é constante por todo o comprimento w do eletrólito, logo a condição inicial é dada por C(x, 0) = C ∗ . A bateria é considerada descarregada quando cuto (i.e., eletrodo 3, 1V ). (x = 0) C(0, t) atinge um valor inferior ao nível de De acordo com a Lei de Faraday o uxo de espécies na superfície do é proporcional à corrente i(t) uxo na outra extremidade da região de difusão (i.e., corrente de descarga aplicada), e o (x = w) é zero. Com essas considerações, obtém-se as seguintes condições de fronteira D ∂C(x,t) |x=0 = ∂x i(t) , vF A (5.2) D ∂C(x,t) |x=w = 0, ∂x onde: A é a área da superfície do eletrodo, F é a constante de Faraday, e v é o número de elétrons envolvido na reação eletroquímica, na superfície do eletrodo. É possível obter uma solução analítica para o conjunto de EDPs apresentado na equação (5.1), utilizando a condição inicial, as condições de contorno, e aplicando as denições de transformadas de Laplace e transformada de Laplace Inversa, sendo encontrado, 1 √ C(0, t) = C − vF A πD ∗ Z t 0 dividindo a equação (5.3) pela condição inicial ρ(t) = 1 − ∞ w 2 n2 i(τ ) X − D(t−τ ) dτ , √ e t − τ n=−∞ C∗ (5.3) e considerando C(0, t) , C∗ a fração de decaimento da concentração de espécies eletroativas na fronteira x = 0, a equação (5.3) torna-se 1 √ ρ(t) = vF A πDC ∗ Z 0 t ∞ X w 2 n2 i(τ ) √ [1 + 2 e− D(t−τ ) ]dt. t−τ n=1 Considerando w β=√ D o parâmetro que está relacionado ao comportamento não linear da bateria, e √ α = vF A πDC ∗ ρ(L) (5.4) Capítulo 5. Análise Comparativa entre o Modelo Híbrido e o Modelo RV o parâmetro que está relacionado com a capacidade da bateria. Sendo 48 t=L o tempo de vida da bateria, a partir da equação (5.4) obtém-se a expressão geral Z α= 0 L ∞ Z L X β 2 n2 i(τ ) i(τ ) √ √ dt + 2 .e− (L−τ ) dt, L−τ L−τ n=1 0 que relaciona o tempo de vida parâmetros α e β L da bateria, para um perl de descarga (5.5) i(t), onde os necessitam ser estimados. A partir do modelo RV é possível calcular o tempo de vida de uma bateria usando correntes de descargas constantes ou variáveis. Considerando uma corrente de descarga constante i(τ ) = I , na equação (5.5), então após a resolução das integrais, obtém-se a seguinte equação √ P −β 2 n2 L α = 2I L 1 + 2 ∞ − n=1 e que relaciona o tempo de vida L −β 2 n2 πeq L π−1+ 1+ πL β 2 n2 . (5.6) da bateria, para um perl de descarga constante. A seguir considera-se um perl de descarga variável no tempo, aproximada por uma carga constante por partes, chamada de função escada de i(t) = n X n degraus [5], dada por Ik−1 [U (t − tk−1 ) − U (t − tk )], (5.7) k=1 onde: Ik é a carga constante e U (t) é uma função degrau dada por ( U (t) = 1 se t ≥ 0, 0 se t < 0. (5.8) Substituindo a equação (5.7) na equação (5.5), obtém-se α= n X Z 2 2 tk Ik−1 [ tk−1 k=1 β n ∞ Z tk X dτ e− L−τ √ √ +2 dτ ]. L−τ L − τ t k−1 n=1 (5.9) Por m, resolvendo as integrais da equação (5.9) encontra-se a relação entre o tempo de vida L de uma bateria para um perl de descarga variável, dada por α= n X k=1 onde: 2Ik−1 A(L, tk , tk−1 , β), Capítulo 5. Análise Comparativa entre o Modelo Híbrido e o Modelo RV a(L, tk , tk−1 , β) = p 10 X L − tk−1 [1 + 2 2 β m − L−t (e 2 k−1 m=1 − β 2 m2 πe L−tk−1 q − )] − L−tk−1 π − 1 + 1 + π β 2 m2 10 2 m2 X p − βL−t k − L − tk [1 + 2 (e m=1 5.3 49 2 m − βL−t 2 πe q )]. k π − 1 + 1 + π βL−t 2 m2 k (5.10) Validação do Modelo RV Nesta seção é apresentada a validação do modelo RV implementado na ferramenta computacional MatLab. Para este procedimento são necessários dois conjuntos de dados, que neste trabalho de pesquisa consiste no descarregamento da bateria. O primeiro conjunto de dados é usado para a estimação dos parâmetros do modelo α e β, neste caso são utilizados os dados apresentados na Tabela 4.1 do Capítulo 4; e o segundo conjunto de dados é usado para a validação do modelo, neste caso são utilizados os dados apresentados na Tabela 4.2, também presente no Capítulo 4. Destaca-se que os parâmetros α e β são estimados utilizando o método dos Mínimos Quadrados [19] em batelada. Na Tabela 5.1 são apresentados os resultados obtidos a partir desta estimação. Tabela 5.1: Parâmetros do modelo RV. Parâmetro Valor alfa (α) 21568 beta (β) 5,1423 Após os cálculos dos parâmetros α e β, é utilizada a equação (5.6), com as correntes de descargas apresentados na Tabela 4.2 para o cálculo do tempo de vida da bateria (i.e., T Vcrv ), e por m estes resultados calculados são comparados com os resultados experimentais obtidos da plataforma de testes (i.e, T Vem ). Tabela 5.2: Validação do Modelo de Difusão de Rakmatov e Vrudhula. T Vem T Vcrv Descarga(mA) 0,05 0,15 0,25 0,35 0,45 0,55 0,65 0,75 0,85 0,95 70755 74420 23771 24287 14126 14360 10132 10106 7794 7747 6246 6240 5257 5200 4501 4440 3889 3853 3403 3394 Erro Médio Erro 5,18% 2,17% 1,65% 0,26% 0,60% 0,09% 1,08% 1,35% 0,92% 0,27% 1,36% Na Tabela 5.2 são apresentados os resultados obtidos a partir da validação do modelo RV. Pode-se observar que o erro diminui a medida que a corrente de descarga aumenta. Para o perl 0, 05 A, que é a menor corrente de descarga, é encontrada a maior diferença Capítulo 5. Análise Comparativa entre o Modelo Híbrido e o Modelo RV entre os tempos de vida, ou seja, 5, 18%, já para o perl 0, 65 A, 50 que corresponde a uma corrente de descarga intermediária a diferença entre os tempos é de aproximadamente 1%. Considerando uma corrente de descarga alta 0, 26%. 0, 95 A a diferença entre os tempos é de Estas diferenças estão relacionadas aos efeitos não lineares que ocorrem durante uma corrente de descarga, que atuam com maior frequência em correntes de descargas baixas. Neste cenário de simulação o modelo RV obteve um erro médio de 1, 36%. Este resultado vem a conrmar, novamente, que o modelo RV é um modelo analítico de alta acurácia da literatura. 5.4 Análise Comparativa entre os Modelos Nesta seção é realizada uma análise comparativa entre os modelos de baterias simulados e validados neste trabalho, o modelo híbrido, cujos resultados são apresentados na Seção 4.5 do Capítulo 4 e o modelo RV, apresentado na seção anterior. Os resultados obtidos a partir desta comparação são apresentados a seguir. Tabela 5.3: Comparação entre o modelo híbrido e o modelo RV. T Vem T Vcmh T Vcrv Descarga(A) 0,05 70755 0,15 23771 0,25 14126 0,35 10132 0,45 7794 0,55 6246 0,65 5257 0,75 4501 0,85 3889 0,95 3403 Erro Médio: 69090 22650 13420 9489 7326 5960 5020 4335 3814 3404 Erro 2,35% 4,72% 5,00% 6,35% 6,00% 4,58% 4,51% 3,69% 1,93% 0,03% 3,91% 74420 24287 14360 10106 7747 6240 5200 4440 3853 3394 Erro 5,18% 2,17% 1,65% 0,26% 0,60% 0,09% 1,08% 1,35% 0,92% 0,27% 1,36% Na Tabela 5.3 observa-se que o modelo híbrido apresentou um erro médio de 3, 91% em relação aos dados experimentias, quando comparado com o modelo RV que obteve um erro médio de 1, 36%. Concluí-se que o modelo híbrido, que une as vantagens de um modelo analítico e de um modelo elétrico, quando comparado com um modelo de alta acurácia, i.e., o modelo RV, obteve resultados satisfatórios para a predição do tempo de vida de baterias, pois seu erro médio é de valor de de boa precisão, pois é inferior a 5.5 3, 91% 5% que é considerado pela literatura um [6]. Resumo do Capítulo Este capítulo é destinado à realização de uma análise comparativa entre, os dados experimentais obtidos da plataforma de testes, o modelo híbrido, e o modelo RV. Para isto, em um primeiro momento, são apresentadas as equações do modelo RV, considerado pela literatura técnica um modelo de boa acurácia para a predição do tempo de vida de Capítulo 5. Análise Comparativa entre o Modelo Híbrido e o Modelo RV 51 baterias utilizadas em dispositivos móveis, que captura os efeitos não lineares que ocorrem durante um processo de descarga, tais como, o efeito da taxa de capacidade e o efeito de recuperação. Este modelo é um modelo matemático físico do processo, descrito pelas leis de Fick através de um sistema de EDPs, com condições de contorno de segunda espécie, e possui dois parâmetros empíricos que precisam ser estimados, a partir de dados coletados de uma plataforma de testes, o α, que representa a capacidade da bateria, e o β, que representa uma não linearidade da bateria. Em um segundo momento é apresentada a validação do modelo RV implementado na ferramenta computacional MatLab. parâmetros empíricos do modelo RV 4.1 do Capítulo 4. α Esta validação ocorreu a partir da estimação dos e β, utilizando os dados apresentados na Tabela Sendo assim, o modelo é simulado e comparado com os resultados experimentais apresentados na Tabela 4.2, também presente no do Capítulo 4. resultado das simulações o modelo RV obteve um erro médio de Como 1, 36%. A partir disto, é realizada a comparação entre os modelos de baterias simulados e validados neste trabalho, o modelo híbrido, cujos resultados são apresentados na Seção 4.5 do Capítulo 4 e o modelo RV. Para cada uma das correntes do conjunto Ival é apre- sentado o valor do erro simulado para ambos os modelos. Analisando de uma forma geral observa-se que o modelo híbrido apresentou um erro médio de 3, 91% em relação aos da- dos experimentias, quando comparado com o modelo RV que obteve um erro médio de 1, 36%. Entretanto, o modelo híbrido, que une as vantagens de um modelo analítico e de um modelo elétrico, quando comparado com um modelo de alta acurácia, i.e., o modelo RV, obteve resultados satisfatórios para a predição do tempo de vida de baterias, pois seu erro médio é de inferior a 5% 3, 91% que é considerado pela literatura um valor de boa precisão, pois é [6]. A seguir são apresentadas as conclusões deste trabalho, bem como as possibilidades de trabalhos futuros. Capítulo 6 Conclusões e Trabalhos Futuros Dispositivos móveis estão presentes em praticamente todas as atividades da sociedade, seja no lazer ou no trabalho, eles permitem a comunicação entre as pessoas, o acesso a dados em qualquer momento e lugar, o uso de aplicativos para música, lmes, o acesso à internet, entre muitas outras atividades. O uso de tecnologias portáteis, capazes de receber e transmitir informações tem aumentado consideravelmente, especialmente durante as últimas décadas. O funcionamento de um dispositivo móvel depende sobretudo do tempo de vida de sua bateria. A importância do estudo em relação a como determinar de forma precisa este tempo de funcionamento, se torna indispensável para quem desenvolve baterias recarregáveis. Uma das maneiras de predizer o tempo de vida de baterias é através do uso de experimentos reais, outra forma é utilizando modelos matemáticos que simulam o processo de descarga. Entre os modelos referenciados na literatura técnica, há os modelos eletroquímicos, os modelos de circuitos elétricos, os modelos estocásticos, os modelos analíticos, os modelos via teoria de Identicação de Sistemas, e os modelos híbridos. Neste trabalho foi estudado e aplicado um modelo híbrido, que simula a descarga para diferentes tipos de baterias recarregáveis tais como: baterias de Chumbo-Ácido, Li-Ion, NiMH, Li-Po e Níquel-Cádmio. A escolha deste modelo se deve ao fato de que o mesmo possui as características e as vantagens de dois modelos, um modelo elétrico denominado modelo Predizer Runtime e Características V-I de uma bateria, e um modelo analítico, denominado modelo KiBaM. Desta forma, este modelo híbrido pode capturar as características dinâmicas da bateria, a resposta da tensão de forma acurada e predizer o SOC , assim como capturar os efeitos não lineares que ocorrem em um processo de descarga. As simulações computacionais e validação do modelo híbrido foram realizadas na ferramenta computacional MatLab/Simulink, considerando dados obtidos a partir de uma plataforma de testes, para uma bateria de Li-Ion, modelo BL-5F, utilizada em telefones da marca Nokia modelo N 95. 52 Capítulo 6. Conclusões e Trabalhos Futuros 53 Inicialmente os resultados das simulações do modelo híbrido foram comparados com um conjunto de dados experimentais obtidos a partir da plataforma de teste, neste caso, vericou-se que o modelo híbrido obteve uma boa acurácia, apresentando um erro médio igual a 3, 91%. Em seguida foi realizada outra análise comparativa entre os resultados simulados pelo modelo híbrido e os resultados simulados pelo modelo RV, que é modelo analítico de alta acurácia da literatura técnica, o que pode ser comprovado com o erro médio encontrado de 1, 36%. Conclui-se que o modelo híbrido quando comparado com um modelo de alta acurácia (i.e., o modelo RV) obteve resultados satisfatórios para a predição do tempo de vida de baterias, pois o erro médio encontrado é de literatura um valor de boa precisão, pois é inferior a 3, 91% considerado pela 5%. Como trabalhos futuros, sugere-se estender este estudo de forma a abranger outras tecnologias de bateria, já que o modelo híbrido pode simular a descarga de cinco tipos de baterias. Como exemplo, seria possível realizar os testes e as simulações com baterias de Li-Po. Uma outra possibilidade seria desenvolver um novo modelo híbrido, considerando outros modelos da literatura.. Referências Bibliográcas [1] T. Kim, A hybrid battery model capable of capturing dynamic circuit characteristics an nonlinear capacity eects, Muly 2012. [2] "Pilhas de Corrosão Eletroquímica", Disponível emhttp://www.engenhariax.com/2012/04/pilhas-de-corrosao-eletroquimica.html, 2013. [3] M. R. Jongerden and B. Haverkort, Battery modeling, Thecnical Report in Faculty Electrical Engineering, Janeiro 2008. [4] P. S. Sausen, Gerenciamento integrado de energia e controle de topologia em redes de sensores sem o, Doutorado, Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande-PB, Julho 2008. [5] K. K. Schneider, Modelos analíticos na predição do tempo de vida de baterias utilizadas em dispositivos móveis, Mestrado, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, Ijui-RS, Março 2011. [6] M. Chen and G. Rincón-Mora, Accurate electrical battery model capable of predicting runtime and i-v performance, IEEE Transactions on Energy Conversion, vol. 21, no. 2, pp. 504511, June 2006. [7] D. Rakhmatov and S. Vrudhula, Energy management for battery-powered embedded systems, ACM Transactions on Embedded Computing Systems, vol. 2, no. 3, pp. 277324, August 2003. [8] M. Doyle, T. F. Fuller, and J. Newman, Modeling of galvanostatic charge and discharge of the lithium, polymer, insertion cell, Journal of the Electrochemical Society, vol. 140, no. 6, pp. 15261533, 1993. [9] P. S. S. e. A. S. C. M. D. Porciuncula, A. Oliveira, Avaliação de modelos elétricos na estimação do tempo de vida de baterias, (CBA), pp. 48384845, Setembro 2012. 54 XIX Congresso Brasileiro de Automática REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 55 Proceedings of the 5th International Conference on Mobile Computing and Networking, [10] C. Chiasserini and R. Rao, Pulsed battery discharge in communication devices, pp. 8895, 1999. [11] D. Rakhmatov and S. Vrudhula, An analytical high-level battery model for use in National Science Foundation's State/Industry/University Cooperative Research Centers (NSFS/IUCRC) Center for Low Power Electronics (CLPE), pp. 16, 2001. energy management of portable electronic systems, [12] L. C. Romio, Modelagem matemática do tempo de vida de baterias utilizando a teoria de identicação de sistemas, Mestrado, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, Ijui-RS, Março 2013. [13] S. B. Chiquero, Eléctroposicion y cacarterización de láminas de cu2o. aplicación como electrodos de baterías de ión-litio, Junho 2007. [14] C. S. e J. Murta, Baterias, Instituto Superior Politécnico de Viseu, Escola Superior de Tecnologia. [15] "Baterias e transmissão de energia sem os", Disponível em http://www.hardware.com.br/tutoriais/baterias/pagina3.html, 2013. [16] S. D. K. Lahiri, A. Raghunathan and D. Panigrahi, Battery-driven system design: A new frontier in low power design, Proc. Intl. Conf. on VLSI Design/ASP-DAC, pp. 261267, January 2002. [17] Simulation and optimization of the dual lithium ion insertion cell, Journal of the Electrochemical Society, vol. 141, no. 1, pp. 110, 1994. [18] M. R. Jongerden and B. Haverkort, Which battery model to use? Imperial College London, pp. 7688, 2008. [19] A. Oliveira, Análise comparativa de metodologias de estimação de parâmetros aplicada a modelos analíticos utilizados na predição do tempo de vida de uma bateria, Mestrado, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, IjuiRS, Março 2012. [20] J. F. Manwell and J. G. McGowan, Lead acid battery storage model for hybrid energy systems, Solar Energy, vol. 50, no. 5, pp. 399405, 1993. Introdução à identicação de sistemas: técnicas lineares e não lineares aplicadas a sistemas reais, second edition ed. Editora UFMG, 2004. [21] L. A. Aguirre, REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 56 [22] M. d. C. A. S. e. L. M. L. F. Sauthier, P. S. Sausen, Aperfeiçoamento de uma plataforma para avaliação de modelos matemáticos aplicados a predição do tempo de vida de baterias, Seminário de Eletrônica de Potência e Controle, 2013. [23] D. Linden and T. B. Reddy, Handbook of Bateries, third edition ed. Handbooks, 1995. [24] M. Triola, Introdução à estatística, Ed. LTC, 1999. McGraw-Hill Apêndice A Publicações Relacionadas a Dissertação A seguir serão descritas algumas publicações realizadas durante esta pesquisa. A.1 Resumos Publicados K. P. Duarte, M. V. Machado, I. Kuhn, A. T. Sausen, P. S. Sausen. Estado da Arte de Modelos Matemáticos que Predizem o Tempo de Vida de Baterias. XVII Jornada de Pesquisa da UNIJUÍ - IJUÍ (RS). Outubro, 2012. K. P. Duarte, A. T. Sausen, P. S. Sausen. Novas Tendências em Modelos Matemáticos na Predição do Tempo de Vida de Baterias Utilizadas em Dispositivos Móveis. XVIII Jornada de Pesquisa da UNIJUÍ - IJUÍ (RS). Setembro, 2013. A.2 Artigo Submetido K. P. Duarte, A. T. Sausen, P. S. Sausen. Aplicação de um Modelo Híbrido para Predição do Tempo de Vida de Baterias Utilizadas em Dispositivos Móveis. TEMA: Tendências em Matemática Aplicada e Computacional. 57 Revista