ESTÁGIO DE LÍNGUA PORTUGUESA: NOVAS EXPERIÊNCIAS E PERSPECTIVAS AO ENSINO, VARIAÇÕES DE SENTIDOS E CONCLUSÕES Humberto Soares da Silva Lima (UFAL) [email protected] Ubiratan Sá Cavalcante Filho (UFAL) [email protected] RESUMO A partir das novas experiências e dos momentos vivenciados nas disciplinas: Estágio de Língua Portuguesa I, II, III e IV, curso de Letras - Ufal, vivenciamos um momento impar em sala de aula, no que diz respeito às aulas ministradas de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira: em regências, observações, interfaces com outras áreas, sobretudo, inúmeros planos de aulas que foram realizados. Serviram de suporte teóricometodológico para pesquisa alguns estudiosos da área, a saber: Antunes (2005), Koch (2002), Marcuschi (1983), as Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (2006), enfatizando o uso do texto em sala de aula, bem como as metodologias pertinentes - na conduta e procedimentos no universo da sala de aula. As regências e as observações nas disciplinas dos estágios foram realizadas numa escola particular da cidade de Maceió, de Fevereiro de 2008 a Abril de 2010, voltando-se, por conseguinte, numa perspectiva de que está centrada no texto e principalmente nas condições de produções. Os estágios tiveram várias resultados e frutos, pois voltamos com a noção de que se deve cada vez mais aplicar novas experiências e maneiras de atrair o alunado ao universo do texto. Dessa forma, esta pesquisa pretende contribuir com as pesquisas que giram em torno do ensino e metodologias variadas. Portanto, o objetivo do trabalho é mostrar as experiências e novas perspectivas que se desenvolveram ao logo de quatro semestres, com o intuito de haver uma descrição e relação dos acontecimentos presenciados e ministrados em sala, relatando o desenvolvimento e a competência da importância dos estágios aos alunos da Licenciatura. PALAVRAS-CHAVE: Estágio, Língua Portuguesa, Literatura. INTRODUÇÃO Em se tratando das práticas pedagógicas, das metodologias aplicadas em sala de aula, do momento corpo-a-corpo com o texto, tudo levou-nos a descobrir e aplicar 2 novos conceitos através do suporte oferecido pelos Estágios Supervisionados 1, 2, 3 e, sobretudo, o 4. No que tange as propostas dos PCN‟s (2006, p. 72) em Língua Portuguesa e o ensino da Literatura, podemos compreender uma aplicação, em sala de aula, teórico-metodológica acerca de como se deve conduzir uma interação entre o que se deve ensinar e o texto, a saber: No Brasil, como se sabe, o processo de legitimação do que se deve e do que não se deve ler tem se realizado principalmente por meio de livros didáticos, pela via fragmentada dos estilos de época, os quais historicamente vêm reproduzindo não só autores e textos característicos dos diferentes momentos da história da Literatura brasileira e portuguesa, como os modos de ler a seleção. (BRASIL, 2006, p. 72) De acordo com as indicações e as metodologias encontradas nos PCN‟s há um referencial teórico que condiciona o profissional em sala de aula para uma adaptação com as condições que o cerca, ou seja, trazendo essa realidade para o campo da leitura ou com o ato de ler, podemos atribuir uma bipartição no momento da leitura, havendo duas vias desta: na primeira, o tratamento com a história daquilo que se lê será esgotado em pouca atenção, a segunda, porém, a de observar o texto em dinâmica interação com o seu leitor. Servindo-se, por conseguinte, como meros condutores da leitura, presos simplesmente ao livro didático, os alunos também detêm de um gosto pela leitura, uma vez que o livro não traz em suas páginas algo direcionado aos aprendizes, fazendo-os, muitas vezes, porém desinteressados pelo seu material primordial: o livro. Tanto na história da Literatura como nas aulas de Língua Portuguesa há uma atenção significativa para o ensino com a leitura, pois como bem reza os PCN‟s existe um ensino voltado para o ato de ler, o que falta, de fato, é a seleção desses textos, bem como os próprios textos serem indicados a uma faixa etária apropriada. A bipartição, de uma leitura singular, aqui defendida é pautada de várias maneiras e interesses diversos em sala de aula, como bem ressalta Antunes (2005) em seu livro “Lutar com palavras: coesão e coerência”, da editora Parábola, a qual defende a relação compreensiva sobre o momento de ler e compreender o que se lê, numa continuidade de interpretação e principalmente conhecimento do texto. Sem negar a importância dos textos que respondem a exigências das situações privadas de interlocução, em função dos compromissos de assegurar ao aluno o exercício pleno da cidadania, é preciso que as situações 3 escolares de ensino de Língua Portuguesa priorizem os textos que caracterizam os usos públicos da linguagem. (BRASIL, 1998, p. 24) De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa que enfatizam sobre a relevância da utilização do texto no ambiente da sala de aula, nas observações realizadas foi verificada a utilização de modelos prescritos nos PCN‟s, ou seja, utilizar o texto para compromissos de assegurar ao estudante o exercício pleno da cidadania, tendo em vista o contato necessário com texto é de fundamental importância. O que diz respeito à utilização do texto em sala de aula, o professor levou um texto para seus estudantes, enfatizando sobre a relação de preconceito e discriminação com os povos indígenas no processo de “descobrimento” do Brasil. O texto traz várias outras problemáticas tais como: a riqueza desse povo, a cultura médica, a língua, o meio e a contribuição deles para a vida urbana. A partir das questões de subordinação que os povos indígenas eram submetidos foram feitas várias ressignificações de acordo com o assunto gramatical: período composto por subordinação, proposto pelo programa de disciplina do colégio supervisionado. Tais ressignificações consistiram em comparar as funções e o sentido do termo „subordinado‟ ao texto utilizado sobre o que os indígenas sofreram na chegada dos portugueses ao Brasil. A discussão e produção textual foram geradas com a participação em particular de um estudante em sala de aula, vivenciando suas particularidades mais intimas e pessoais que dizem respeito à sua identidade indígena. Em meio à problemática levantada com o posicionamento do estudante, percebe-se um avanço nas discussões sobre o texto, uma vez que proporcionou um novo olhar para a produção de texto, consequentemente. A interação de se obter uma discussão e em seguida uma produção de texto é significativa, pois assim condiciona ao estudante uma autorreflexão e questionamentos para atividade árdua: a de escrever. Essa atividade é ainda vista nas aulas de LP como uma tarefa negativa e exaustiva, tendo como consequência a não aceitação do hábito de ler. Primeiramente, os estudantes produziram um texto acerca das discussões, como foi dito anteriormente, para se posicionarem sobre a questão do preconceito e discriminação dos povos indígenas, com o intuito de posteriormente ter-se uma reflexão 4 de ordem gramatical. O professor assim propôs uma escrita descontraída e motivada, embora sabendo da aversão dos seus estudantes à escrita. O trabalho com a escrita aqui, entendida por Antunes (2003), como uma interferência decisiva do sujeito aprendiz, na sua construção de hipóteses de representação gráfica da língua, uma prática que envolve recursos de ter o que dizer, como dizer e para quem dizer. Assim, logo se entende a escrita como uma fonte inesgotável de construção de ideias, quer seja por intermédio das ideias alheias, quer seja pela construção própria do estudante. Com as produções realizadas, agora com as nossas intervenções direta e indiretamente para com os estudantes, tivemos um contato mais consistente com os aprendizes daquela turma de 9º ano, isto é, ajudamo-nos na elaboração e na reflexão do assunto gramatical. Juntamente com a participação do professor, que nos concedeu a regência em momentos alternados na sua aula, fizemos uma intervenção significativa nas produções textuais, seguido de uma explicação acerca do período comporto por subordinação. Em seguida, através do esclarecimento do conteúdo proposto pelo programa da disciplina de LP, detivemo-nos, a partir de um dado momento na regência, num método tradicional, cuja relação de esclarecimento se dava através de regras, dicas, maneiras peculiares de identificação, até porque não podíamos fugir tanto das perspectivas que os estudantes almejavam a nosso respeito, como também não podíamos de deixar de lado a reflexão ao mesmo tempo com seus próprios textos. Em se tratando de texto, podemos recorrer a Pinheiro (2007) ao enfatizar sobre a importância da poesia em sala de aula, com o objetivo de se obter mais experiências na prática com o texto, tanto para professores quanto para estudantes, que diz a poesia é sempre “comunicação de alguma nova experiência” tem sabor especial. A experiência que o poeta nos comunica, dependendo do modo como é transmitida ou estudada, pode possibilitar (ou não) uma assimilação significativa pelo leitor. O modo como o poeta diz – e o que diz ou comunica – sua experiência, permite um encontro íntimo entre leitor-obra que aguçará as emoções e a sensibilidade do leitor. (p.22-23) grifo nosso Tendo como reflexão a intenção proposta por Pinheiro em seu livro Poesia na sala de aula, da editora Bagagem, relativamente acerca da poesia como objeto de estudo e riqueza para produções textuais nas aulas de LP, destinado ao ensino fundamental 5 podemos fazer uma analogia com a utilização do texto em sala de aula, referenciado anteriormente pelos PCN‟s. A assimilação significativa ao leitor defendida por Pinheiro é entendida em outras palavras como uma possibilidade de se obter significados múltiplos a partir de um texto, referenciando, portanto, a uma possível escrita posterior e consequentemente num diálogo contínuo com o autor, no caso da citação – um diálogo com o poeta. O texto em sala de aula pode ser essa transmissão de emoções e sentimentos entre autor/obra/leitor, como uma unidade de ressignificações na construção de sentido do texto. A poesia é sem dúvida esse caminho que nos possibilita um encontro fascinante do real e o imaginário, que une comunicação e, sobretudo, experiência ao sabor especial da leitura. No entanto, não deveria ser diferente com a aplicação de vários gêneros no âmbito das aulas de LP, a menos que não se tenha como objetivo de trabalhar a diversidade de gêneros dos quais temos contato em nosso cotidiano, o que se justifica um não conhecimento dos estudantes com a variedade dos gêneros. Colocamos, a partir de agora, como uma unidade de sentidos a citação de Pinheiro (2007) com a dos PCN‟s, a fim de esclarecer melhor a relação de importância que há na utilização do texto em sala de aula. Tanto uma proposta, quanto outra, está voltada para a construção de saberes e de ligamentos extrínsecos à leitura, isto é, saberes dos quais levam os estudantes a questionamentos, indagações, reflexões, posicionamentos acerca de uma dada ideia encontrada num texto. Ligamentos extrínsecos à leitura dizem respeito à apropriação do momento de ler, pois como sabemos os nossos estudantes, e até alguns professores que atuam, não têm sequer o hábito de ler, um momento destinado, exclusivamente - à leitura. E por fim, após as explicações quanto ao assunto gramatical daquele momento realizamos uma atividade que viabilizasse uma compreensão a partir das conclusões expostas em sala, problematizando as variadas questões que circundam os períodos compostos encontrados nos textos. É interessante enfocar que nesta perspectiva com a utilização das próprias produções dos alunos para uma reflexão gramatical, é muito mais acessível e perceptível sua relação de entendimento com o assunto. Então, as ideias mencionadas por Pinheiro são muito mais que positivas, pois em um primeiro momento deixa de lado a noção de não reconhecimento da variedade dos gêneros, para se adequar em um segundo momento na apropriação sobre e a partir do texto: encontro de emoções e experiências. 6 Para nós que estagiamos com a demanda que nos espera – turmas lotadas, precariedade no ensino – foi proveitosa no sentido de que saímos da escola com a sensação de atividade concluída, ou seja, demos a nossa contribuição na educação daqueles estudantes do 9º ano, sabe-se que “uma semente foi plantada e só resta ser a cada dia regada”. A semente que em outrora encontramos na poesia, porque nos condiciona ao real e imaginário num momento de êxtase, agora pode ser encontrada no universo nas aulas de LP, de modo a garantir um gosto absoluto à leitura e à escrita. De acordo com os dois segmentos importantíssimos nas aulas de LP – leitura e escrita - , sabemos que nada funciona se não houver um planejamento, a leitura e a escrita são objetos importantes na construção do planejamento, ou seja, todo planejamento é realizado com as condições de cada turma, a partir das possibilidades de trabalho que o profissional detém em mãos para fazer funcionar. Uma atividade de leitura centrada nas habilidades mecânicas de decodificação da escrita, sem dirigir, contudo, a aquisição de tais habilidades para dimensão da interação verbal (ANTUNES, 2003) é basicamente, em contra partida, essa relação com a escrita e a leitura que se encontra nas aulas de LP, pois como bem já sabemos as habilidades de comunicação e vozes que circundam o texto é simplesmente deixadas de lado, enfatizando uma leitura desvinculada dos usos sociais os estudantes. Conosco, não foi diferente, pensamos junto com o professor sobre como iríamos introduzir o assunto, as produções textuais, o exercício, o momento de leitura, o momento de discussão, os debates relativos aos gêneros textuais, e dentre outras condições para uma turma com 35 estudantes. Embora todo planejamento seja flexível, sabíamos que iríamos encontrar outras questões no caminho. Para ilustrar um pouco a questão do planejamento, leiamos a paródia abaixo da música Tocando em frente, de Almir Sater e Renato Teixeira, intitulada como Planejando sempre que diz assim... Planejando sempre Ando a planejar porque tentei à beça. Busco mais juízo porque improvisei demais. Hoje me sinto com sorte, aprendiz que sabe. Só levo a certeza de que eu pouco planejei, e eu já mudei. 7 Projetar os passos, o amanhã. Construir a escola que é cidadã. É preciso chão pra poder sonhar. É preciso mãos pra poder unir. É preciso luta pra conseguir. Penso que mudar a escola é semear sementes, encontrar pessoas convivendo sempre. Como o mestre Paulo Freire, educando a cidade, eu vou com a autonomia. E, com liberdade, eu vou, cidade eu sou. Projetar os passos, o amanhã. Construir a escola que é cidadã. É preciso chão pra poder sonhar. É preciso mãos pra poder unir. É preciso luta pra conseguir. Paulo Roberto Padilha, 2007 Portanto, o que podemos perceber na leitura da paródia, de Padilha (2007), é a significativa ordem de que todo planejamento para se obter resultados e possíveis condições satisfatórias é sempre pensado e projetado passo a passo. A todo o momento fazemos nossos planejamentos no cotidiano, seja para questões pessoais, seja para algo que nos leva a pensar em longo prazo, ou seja, sempre se planeja a todo o momento. Planejamento como tencionar, projetar, traçar, fazer planos, segundo Aurélio, diz respeito à adequação de recursos para uma finalidade. No caso da escola o ato de planejar é de ordem primordial, uma vez que regulamenta o norte que o profissional deve tomar em sala de aula. Havendo um planejamento, consequentemente há uma transformação. A TRANSFORMAÇÃO citada no título é de questão a ser ainda explorada, no desenvolvimento dos outros estágios que nos aguarda. De ante mão faz-se necessário 8 em poucas palavras remetermos a transformação que passamos através dos estágios e da questão do ato de planejar, como uma unidade importante. IDENTIFICAÇÃO DA ESCOLA A instituição que nos deu suporte foi o Colégio Fantástico pertencente à rede privada de ensino e situada no bairro do Benedito Bentes I, havendo os níveis de ensino infantil, fundamental e médio nos turnos manhã e tarde. O colégio, cujas instalações estão ligadas as distribuições das casas que lá se encontram, é a soma de quatro casas (lembrar que essas casas são do programa da Caixa Econômica – PAR), ao lado da escola ainda há um anexo, onde funcionam a creche e o maternalzinho. A instituição de ensino está dividida em dois pátios, uma direção, duas secretarias, uma sala de informática, um auditório, uma cozinha, seis banheiros, uma sala dos professores, uma cantina, uma coordenação, onze salas de aula, um espaço de recreação para as crianças, um almoxarifado, uma sala de emergência. Sendo que os espaços estão divididos em dois andares. Centrando-se às salas de aulas, aos momentos de contato direto com os alunos, observamos que a estrutura das salas proporciona uma relação mais interativa professor e aluno, uma vez que o ambiente é pequeno, tornando assim uma melhor atenção para a turma, bem como com a assiduidade dos demais. Organização do trabalho escolar O calendário escolar vai de 01/02/2010 a 21/12/2010. Todos os meses com aulas em dois sábados. Recesso escolar de 23/06/2010 a 04/07/2010. Os projetos da instituição são divididos em: Carnafantástico, Grandes Pensadores, Fantástico Entra em Campo, Aula de Anatomia (ICBS/UFAL), Sabadão dos Feras (3º ano), Alimentação Saudável, Recital, Jogos Internos e Show de Ciências. Pela manhã, funcionam o ensino médio (1ª “A” e “B”, 2º “A” e “B”, 3º “A” e “B”) e o ensino fundamental (7º “A”, 8º “A”, 9º “A”). Pela tarde, funcionam o ensino infantil (do maternalzinho-creche à alfabetização) e o ensino fundamental (6º “A” e “B”, 7º “B”, 8º ”B”, 9º “B”). RELATOS REFLEXIVOS E EXPERIÊNCIAS 9 Embora estando naquele momento, completamente, nervosos e apreensivos, o professor se fazia entender, aos alunos, que iríamos auxiliá-los no que diz respeito às suas dúvidas. No decorrer da aula, estávamos ansiosos para fazer uma interferência e ao mesmo tempo nos encontrávamos em puro nervosismo avassalador. Quanto às interferências, Elpídio, professor de Literatura Brasileira, já tinha nos dado o respaldo de que a qualquer momento poderíamos nos pronunciar para qualificar ainda mais a aula, bem como o próprio frisa ao dizer: ... caso eu tenha esquecido de alguma característica ou ponto principal, os estagiários podem me interferir... assim nos deixa mais ansiosos para suas aulas, comentamos entre nós ... Assim, seguia o percurso da aula do dia 12 de abril, naquela turma do 1º ano “A”, com um ar de descontração e suavidade. No entanto, esse ar não foi continuado nas aulas posteriores, visto que segundo o próprio professor da disciplina, a turma do 1º ano “A” é a melhor de se trabalhar, diferentemente das outras que nos aguardavam, exigindo mais do professor tanto na questão na disciplina e controle de sala, quanto na questão da assiduidade, pois se denominavam como turistas. Devido à observação e a regência realizada no dia 12 de abril, contamos com mais uma experiência e reflexão acerca do momento em sala de aula, tornando-se possível os textos lidos na graduação e também intervindo necessariamente nas questões de teoria, pois só o momento em sala de aula pode nos proporcionar uma postura como profissionais e possíveis entremeadores do texto e do assunto vivido. A nossa ansiedade não nos deixa ver a inquietação daquela turma que por algum motivo murmurava baixinho: ... você fez o resumo daquele autor que ele pediu? Puxa vida, de novo vou escutar um sermão, porque não fiz o exercício da aula passada... Enfim, a aula começa com um sermão, de fato como alguns previam, visto que não estavam tendo a devida responsabilidade com a disciplina e que, por conseguinte, a única maneira de fazê-los ler os textos, é cobrando-os nas avaliações. O assunto do 1º ano está atrelado às várias questões que giram em torno da poesia, o Barroco e as condições de semelhança e contrariedade de Gregório de Matos são assuntos que podem ser trabalhados de forma diferente da maneira tradicional, sugerimos a Elpídio que fizéssemos uma análise de canções dos compositores conhecidos, para que conheçam a 10 poética nessas canções. E por que não escutarmos – Como é grande o meu amor por você?, de Roberto Carlos. E assim se fez, Elpídio naquele mesmo instante pega as chaves do auditório onde se encontra os recursos audiovisuais e consegue no arquivo da escola a música conhecida. Diferentemente, da aula que poderia ter sido monótona e enfadonha em sala de aula, no auditório encontramos vários adoradores de canções que lhes despertam um interesse maior para tais visões e condições de interpretações. No dia 13 de abril, agora numa turma de 3º, tivemos um contato maior com questionamentos e decisões pontuadas, ou seja, o tratamento é diversificado com as turmas de 3º ano, pelo fato de prestarem vestibular e terem uma dedicação mais diferenciada com os estudos. Nessa turma, resolvemos junto com o professor questões 15 questões de vestibular que giravam em torno da Semana de Arte Moderna (1922), e mais precisamente com a geração de 30, a questão do regionalismo em foco. Logo em seguida, entramos numa turma de 2º ano com o intuito agora de ministrar a aula, pois o professor afirmara que poderíamos encabeçar aquela turma. Começamos a aula alternando entre nós, iniciamos com o título do novo conteúdo, Realismo/Naturalismo, mais precisamente no que concerne a contribuição de Machado de Assis à Literatura Nacional. E, por fim, mencionamos a revolução literária que uma de suas obras provocou em 1881, a saber, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, através da questão... Não sou um autor-defunto, mas sim um defunto-autor... As explicações se estenderam mais porque tentávamos buscar a realidade da obra para as vivências dos alunos, mediante as inúmeras perguntas e dúvidas, ocasionando-se numa construção de sentidos e possibilidades de encontro com as dimensões do texto. No dia 15 de abril, retomamos às turmas dos 1º anos, agora com um conhecimento panorâmico da turma, ditando, a pedido do professor, um questionário a respeito do Barroco e Gregório de Matos. Já com as turmas dos 3º anos, fizemos um trabalho de reconhecimento do texto de Terry Eagleton, “O que é Literatura?”, à proporção que líamos alguns trechos do texto fazíamos as considerações acerca das múltiplas variações que o termo LITERATURA engloba, sobretudo, na sua compreensão de mundo. 11 CONSIDERAÇÕES FINAIS A experiência, que os Estágios de Língua Portuguesa II, III e IV, nos proporcionou foi de tamanho significado, pois nos serviu como fruto de controle e contato integral com o aluno e mais ainda um conhecimento engrandecedor com o ambiente em sala de aula, partindo do pressuposto de que as várias contribuições serviram de suporte metodológico e teórico a nós acadêmicos do curso de Letras. Tomando como ponto de partida aquilo que defende as Orientações Curriculares Nacionais do Ensino Médio (2006, p. 53/54), podemos nos assegurar através de uma citação de Antonio Cândido... O ensino de Literatura (e das outras artes) visa, sobretudo, ao cumprimento do Inciso III dos objetivos estabelecidos para o ensino médio pela referida lei. Nesse sentido, consideramos pertinente citar as palavras de Antonio Cândido sobre a Literatura como fator indispensável de humanização: Entendo aqui por humanização [...] o processo que confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais, como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo, o afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso da beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor. A literatura desenvolve em nós a quota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante (CÂNDIDO, 1995, p. 249). (grifo nosso) Em suma, o ensino de Literatura envolve uma complexidade que está inerente à sociedade, a natureza, ao semelhante e as condições pertinentes ao ser humano. REFERÊNCIAS ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro & interação. São Paulo: Parábola, 2003 ______. Lutar com palavras: coesão e coerência. São Paulo: Parábola, 2005 BRASIL. Linguagens, códigos e suas tecnologias / Secretaria de Educação Básica. – Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2006. PINHEIRO, Hélder. Poesia na sala de aula. Campina Grande: Bagagem, 2007 Revista: Construir Notícias. 45, ano 08, marco/abril 2009 12