DIDÁTICA DO ENSINO DE LINGUA PORTUGUESA LETRAS|223 LETRAS|224 DIDÁTICA DO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA REGINA CELI MENDES PEREIRA Carosalunos, Esta disciplina vai tratar de questões mais diretamente ligadas à prática docente. A esta altura do curso,emquevocêsjáentraramemcontatocomdiferentesáreasdeestudosdalínguaportuguesa,tornaͲse necessário refletir e receber um direcionamento sobre como trabalhar a mobilização dos saberes teóricos visandoàtransposiçãodidáticadessessaberes. Farei,inicialmente,umabreveretrospectivahistóricadadidáticanocenáriopedagógico,situandoo campodealcancedessadisciplinaesuasimplicaçõesnoprocessodeensinoͲaprendizagem. Emseguida,focalizoosdiferentesparadigmasdeensinoͲaprendizagemesuarelaçãoespecíficacom oensinodelínguaportuguesa,focodenossasreflexões.Nessemomento,serãoretomadasalgumasnoçõesjá discutidasemoutrasdisciplinas,sóque,agora,maisdirecionadasàpráticadocente.TalenfoquenosconduziͲ rá,necessariamente,aconsideraroespaçodasaladeaulaeasimplicaçõesdopapeldoprofessoredosalunos nesseambientedeaprendizagem.Serãoabordados,portanto,osdesafiosenecessidadesqueestãoassociaͲ dosàcomplexidadedoagirdoprofessoràfrentedeumeventotãoimportantecomoaconduçãodeumaaula, emespecial,adelínguaportuguesa. Uma das grandes dificuldades da formação inicial, e também da continuada, reside no tratamento dadoàtransposiçãodidáticademodoafornecerascondiçõesparaumaefetivaarticulaçãoentreteoriaepráͲ tica.Nessesentido,procuroforneceraosalunosparâmetrosdeatuação,usandocomorecursoaelaboração desequênciasdidáticasvoltadasparaoensinodaleitura,daescritaedaanáliselinguística. Concluireinossasreflexões,apresentandoapropostaintegradoradosprojetosinterdisciplinarescoͲ moformadeabordarosconteúdosprevistosnocurrículonumaperspectivadeletramento,queextrapoleo carátertransmissivoemecânicodaspráticaspedagógicastradicionais. Dessaforma,esperocontarcomoenvolvimentoecontribuiçãodetodosnosentidodeconstruirmos caminhosealternativasparaanossapráticadocente. LETRAS|225 UNIDADE I BREVÍSSIMO HISTÓRICO DA DIDÁTICA Aolongodenossaexistência,temosacessoadiferentescontextosformaiseinformaisdeeducação. Vivemos em sociedade, e desde o início da civilização, ensinamos uns aos outros, aprendemos uns com os outros,numatrocaextremamenteprodutivaparaodesenvolvimentodacoletividadeetambémdenossaindiͲ vidualidade. Os processos educativos se desenvolvem em duas direções: em uma perspectiva mais ampla, temosadimensãosocialquecaracterizaatransmissãodesaberes,conhecimentos,normas,costumes,valores repassadosdegeraçãoageração,responsáveispelaconstruçãosócioͲhistóricadasdiferentessociedades;na perspectivaindividual,oprocessoeducativosecaracterizapelodesenvolvimentoetransformaçãodascapaciͲ dadescognitivasecomportamentaisdoserhumano.Nasduasperspectivas,porém,ofatorsocialestápresenͲ teporquetambémastransformaçõesindividuaissãoacionadaspelatrocaepelainteraçãosocial. Dopontodevistadaeducaçãoformal,aescolaseapresentacomooespaçolegítimoquevaiproporͲ cionar a construção de conhecimentos e promover o desenvolvimento e a formação dos indivíduos. Nesse contextoeducacional,asrelaçõesdeensinoeaprendizagempassamasersistematizadase,nessascondições, requeremumaabordagemfilosóficaecientífica. SegundoReginaHaydt(2006,p.13), Apedagogiaéoestudosistemáticodaeducação.Éareflexãosobreasdoutrinaseossistemas deeducação.ADidáticaéumaseçãoouramoespecíficodePedagogiaeserefereaosconteͲ údosdoensinoeaosprocessosprópriosparaoconhecimento.EnquantoaPedagogiapode serconceituadacomoaciênciaeaartedaeducação,aDidáticaédefinidacomoaciênciaea artedoensino. ObservemqueessadefiniçãoapresentaumadiferençaentrePedagogiaeDidática:aprimeiraconsiͲ deradacomoartedaeducaçãoeasegunda,comoartedoensino.Oquediferencia,então,aeducaçãodoenͲ sino?Emoutraspalavras,entendeͲseaPedagogiacomoumaáreamaisamplaquecontempla,inclusive,conͲ textos não institucionais de educação, relacionados às condições de formação das pessoas (cf. BRONCKART, 2008).ADidática,poroutrolado,comorepresentativado processoformal deeducação,refereͲseàs condiͲ çõesdetransmissãodosconhecimentos. Nadimensãodoespaçoescolar,emqueoensinoformalseinstitucionaliza,opapeldoprofessorgaͲ nhouumdestaquefundamentaldevidoàfunçãoqueeleexercenessecontexto.Éimportanteesclarecerquea práticadoprofessoremsaladeaulaserespaldaemconcepçõesteóricasdeensinoͲaprendizageme,nonosso caso, também de língua e de linguagem. Na verdade, toda e qualquer prática docente é reveladorade uma determinada opção teóricoͲmetodológica. Ou seja, o como ensinar, o como fazer é sempre antecedido por LETRAS|226 umareflexãoteóricamaiscomplexaquejustificaefundamentaastomadasdedecisãodoprofessor.Poressa razão,fazͲsenecessárioconhecerosmodelosteóricosdeensinoͲaprendizagemparaquepossamosidentificar emnossapráticapedagógicanossasfiliaçõesteóricas. DeacordocomReginaHaydt(op.cit.,p.14),podeͲsedizerque“desdeaantiguidadeatéoiníciodo século XIX predominou nas práticas escolares uma aprendizagem do tipo passivo e receptivo. Nesse tipo de aprendizagem,acompreensãodesempenhavaumpapelmuitoreduzido”.Emlinhasgerais,essaconcepção, naépocadefendidaporAristóteles,defendiaqueoserhumanopodiasermodeladodeacordocomasinforͲ maçõeseosconhecimentosassimilados.Aindanaantiguidadeclássica,outrofilósofo,Sócrates,posicionouͲse contra o princípio de que o conhecimento é algo transmitido, defendendo que o ser humano, quando bem orientadoeestimulado,descobrequetrazconsigoumconhecimentointeriorqueohabilitaacompreendero mundoqueocerca. Séculosmaistarde,outrograndeteóricodaeducaçãoJoãoAmosComenius(1592Ͳ1670),deixouͲnos como legado sua obra Didática Magna (1632), revolucionária para a época e que exerceu grande influência sobreapráticadocente.SegundoHaydt(2006,p.17),osprocedimentosaseremadotadospeloprofessorna visãodeComeniussão: 1. Apresentaroobjetoouideiadiretamente,fazendodemonstração,poisoalunoaprendeatravésdossentidos, principalmentevendoetocando. 2. Mostrarautilidadeespecíficadoconhecimentotransmitidoeasuaaplicaçãonavidadiária. 3. Fazerreferênciaànaturezaeorigemdosfenômenosestudados,istoé,àssuascausas. 4. Explicarprimeiramenteosprincípiosgeraisesódepoisosdetalhes. 5. Passarparaoassuntooutópicoseguintedoconteúdoapenasquandooalunotivercompreendidooanterior. Maismodernamente,nocenáriobrasileiro,ograndeeducadorPauloFreire(1921Ͳ1997),reconheciͲ do mundialmente, notabilizouͲse pela valiosa contribuição aos estudos em alfabetização aolançar uma proͲ posta que contrariava a abordagem tradicional da cartilha, que veio a ser reconhecida como método Paulo Freire.Aáreadeatuação/influênciadoeducadorextrapola,noentanto,oslimitesdoprocessoinicialdeaquiͲ siçãodaescritaepassaaterrepercussãonaspráticaseducativasemsuadimensãofilosófica,políticaehistóriͲ ca.SegundoPauloFreire,todoatodeeducaçãoéumatopolítico,oquejustificaoseuinteressenaeducaçãoe conscientizaçãodejovenseadultosoperários,caracterizandoummovimentoconhecidocomoPedagogiada Libertação. QuandofazemosumaretrospectivadosmodelosdeensinoͲaprendizagemdesenvolvidosnosséculos passados,constatamosqueosparadigmascientíficosefilosóficosexerceramgrandeinfluênciaemváriasáreas deproduçãodeconhecimento,aexemplodaPsicologia,Pedagogia,Linguísticaeque,inevitavelmente,passaͲ ramainterferirnasrelaçõesentreprofessorealunoeacondicionarapráticadocente. Podemos,então,destacartrêsgrandesparadigmasdeensinoͲaprendizagem,algunsdosquaisseoriͲ ginaramnaantiguidadeclássica,massedesenvolveramaolongodoséculopassado,estendendoseusreflexos LETRAS|227 atéosdiasatuais.Sãoeles:oBehaviorismo,oConstrutivismoeoSociointeracionismo,osquaisserãoabordaͲ dos de forma abreviada mais adiante. Esses paradigmas foram decorrência de reflexões desenvolvidas nos domínioscomunsdosquestionamentosemFilosofiaePsicologia,mastambém,posteriormente,naLinguistiͲ ca,que,emmeadosdoséculopassado,acabaradesefirmarcomociência. LETRAS|228 UNIDADE II PARADIGMAS DE ENSINO-APRENDIZAGEM Behaviorismo BurrhusFredericSkinner Behavior é uma palavra inglesa que significa comportamento. Esse vocábulo foi incorporado pela língua portuguesa por meio do sufixo ismo. OBehaviorismopodesermelhorcompreendidocomoumaanáliseexperimentaldocomportamento humano,naqualsecontrolamosefeitosdocondicionamentonasaçõesereaçõesdosindivíduos.Osteóricos mais representativos dessa corrente da Psicologia foram os norteͲamericanos John Broadus Watson (1878Ͳ 1958)eBurrhusFredericSkinner(1904Ͳ1990),ambosnorteͲamericanos.UmadasprincipaistesesdoscomporͲ tamentalistasrefereͲseaocondicionamentoqueoestímuloexercenocomportamentodoindivíduo,projetanͲ do uma determinada reação/resposta. Ao ser deslocada dos laboratórios de Psicologia, já no período pósͲ guerras(1945/1960),essaperspectivateveumaforteacolhidanocontextoeducacionaldeumasociedadeque setornavamaisemaisindustrializada,namedidaemqueseapresentavacomofortealiadanamoldagemde indivíduos que fossem úteis para as demandas de uma nova forma de organização social. Segundo Silva (2005), as técnicas de ensino programado e de modificação de comportamento foram as maiores contribuiͲ çõesdeSkinner. Assim,essacorrenteinfluencioudiretamenteocontextoeducacionaleaspráticaspedagógicasdeͲ senvolvidasnaqueleperíodoenosanosqueosucederam.Emdeterminadasrealidades,inclusive,essasinfluͲ ênciasaindapermanecematuaisedirecionamapráticademuitoseducadores.UmexemplodissosãoasativiͲ dadesmecânicas,repetitivas,quevisamaoalcancedeobjetivosdeensinoͲaprendizagemcombasenatransͲ missãodeconteúdospréͲfixados:memorizaçãodedatas,definições,terminologias,conceitos,fórmulasetc. LETRAS|229 AlgunsprincípiosdoBehaviorismomaisdiretamenterelacionadosaoambienteescolar: 1.Definiçãorígidadepapéis:oprofessorensinaeosalunosaprendem. 2.Asaulassãoessencialmenteexpositivas. 3.Aposiçãodosalunosemrelaçãoàconstruçãodeconhecimentosédepassividade.OprofessoréquemdefiͲ neosresultadosesperados. Construtivismo Jean Piaget Contrariamente ao Behaviorismo, o Construtivismo defende que o conhecimento, como o próprio nomeindica,éconstruídoenãoapenasreproduzido.Nessaperspectiva,cujorepresentante,porexcelência,é obiólogosuíçoJeanPiaget(1896Ͳ1980),acriança,emseuprocessodedesenvolvimento,vaiconstruindoseus própriosesquemasdeaprendizagempormeiodeumprocessoativodeassimilação,acomodaçãoeadaptação darealidade. OConstrutivismoapresentaͲsecomoumateoriadodesenvolvimentocognitivodoserhumanoque procura explicar como evoluem os processos mentais que vão caracterizar a evolução do pensamento e do raciocíniológico.Opensamentopassaporquatrofases(sensórioͲmotor;préͲoperatório;operárioͲconcretoe operatórioͲformal)atéchegaraoseuestágioplenodematuração.Emsuaorigem,essateorianãofoiconcebiͲ dacomoummétodoeducativo,nemtampoucoaepistemologiapiagetianafoioriginalmenteidentificadapor construtivismo.Foisóposteriormente,queumadiscípuladePiaget,apsicólogaargentinaEmíliaFerreiro,relaͲ cionou esses princípios teóricos aos estudos desenvolvidos com crianças em fase inicial de apropriação da leituraedaescrita,apartirdaí,apropostaconstrutivistadeensinoͲaprendizagemfoisepopularizando,mas tambémnãopretendiaseridentificadacomoummétodo.Noentanto,contribuiuparaaformulaçãodeproͲ postasparaaalfabetização. AlgunsprincípiosdoConstrutivismomaisdiretamenterelacionadosaoambienteescolar: 1.alunonocentrodoprocessoeducativo; 2.Aautonomiadoaprendiz; 3.Oconhecimentonãoestápronto,maséconstruídonainteraçãoentreosujeitoͲaprendizeoobjetodocoͲ nhecimento; 4.Oprofessornãoétransmissivoerespeitaasfasesdedesenvolvimentodoaluno. LETRAS|230 Sociointeracionismo Lev S. Vygotsky Osociointeracionismo,assimcomoosdoisparadigmasanteriormenteapresentados,nãoseconstitui comoumametodologia,esimcomoumateoriaexplicativadodesenvolvimentocognitivodoserhumano.Um deseusmaisexpressivosidealizadoresfoiobieloͲrussoLevS.Vygotsky(1896Ͳ1934)que,aolongodesuacurta existência,morreuaos38anosdeidade,desenvolveuumacarreirabrilhante:professordeliteratura,filólogo, advogado,psicólogoemédico.Apesardesuaextensaproduçãoacadêmica,assuasideiassópassaramater ampladivulgaçãoaquinoBrasilapartirdadécadadeoitenta. VygotskyfoicontemporâneodePiagete,apesardereconheceragrandecontribuiçãopiagetianaaos estudossobreodesenvolvimento cognitivodas crianças,discordavadobiólogosuíçoemalgunsaspectos.A principaldiscordânciaresidianoenfoquedadoaocaráterbiológicododesenvolvimento,oqual,segundoVyͲ gotsky, negligenciava a importância fundamental do componente sócioͲhistórico no processo de desenvolviͲ mento cognitivo do indivíduo. Para Vygostsky, qualquer abordagem psicológica que considerasse aspectos mentaisebiológicos,semlevaremcontaofatorsocialqueéresponsávelpeloprocessodeinternalizaçãodas representações do mundo (linguagem, valores, normas), tornaͲse reducionista uma vez que não contempla todososaspectosconstitutivosdaformaçãohumana.OdesenvolvimentocognitivodoserhumanonãoédeͲ correnteapenasdamaturaçãodeseusestágiosdeinteligência,independentementedocontextoedasrelaͲ çõespartilhadascomoutrosindivíduos.Nesseprocesso,aalteridadeéconstitutivadoindividual. Outropontodediscordânciateóricaentreosdoisautores,queestámaisrelacionadoàsquestõesde caráterpedagógico,refereͲseàsimplicaçõesdaaprendizagemnodesenvolvimentodacriança.ParaVygotsky, oaprendizadoseantecipaaodesenvolvimento,enquantoqueparaPiaget,énecessárioqueacriançaatinjaos níveis previstos de desenvolvimento (estágios), a fim de que ela consiga ativar os respectivos esquemas de aprendizagem. ÉnessepontoquetemosacessoaumadasmaissignificativascontribuiçõesdeVygotskyparaaárea educacional:anoçãodezonadedesenvolvimentoproximal(ZDP).Vygotsky(1984/1930)defendeaexistência de dois níveis de desenvolvimento: o real e o potencial. O primeiro (NDR) é indicativo das atividades que a LETRAS|231 criança pode realizar sozinha, sem a ajuda de um par mais experiente. TemͲse, nesse caso, uma visão retrospectivadodesenvolvimentoemtornodeumaprendizadojáadquirido. Oníveldedesenvolvimentopotencial(NDP),porsuavez,correspondeàqueleemqueacriançasó realizadeterminadaatividadecomaajudadeumparmaisexperiente,oqueparaoautorémaisindicativodo seudesenvolvimentomentaldoqueodesenvolvimentoreal,jáqueéconsideradoprospectivamente,ouseja, voltado para o que ele pode vir a realizar. E finalmente, a distância que separa esses dois níveis de desenvolvimento é chamada de zona de desenvolvimento proximal. O aprendizado, portanto, é responsávelporativaraZDP. De forma similar, em crianças normais, o aprendizado orientado para os níveis de desenvolvimentoquejáforamadquiridoséineficazdopontodevistadodesenvolvimentoglobalda criança.Elenãosedirigeparaumnovoestágiodoprocessodedesenvolvimento,mas,aoinvésdisso, vaiareboquedesseprocesso.Assim,anoçãodezonadedesenvolvimentoproximalcapacitaͲnosa propor uma nova fórmula, a de que o bom aprendizado é somente aquele que se adianta ao desenvolvimento(VYGOTSKY,1984/1930,p.116Ͳ117). A figura, apresentada a seguir, é uma tentativa de expor visualmente o processo de deslocamentoentreoníveldedesenvolvimentorealeopotencial • Resolução de problemas sem ajuda de outro ZDP • Resolução de problemas com a ajuda de outro. • Indicativo do verdadeiro potencial do aluno NDReal NDPotencial Níveis de desenvolvimento cognitivo Figura 1 Essas noções ganham um destaque especial nas práticas pedagógicas por duas razões: a primeira, por enfatizar que o conhecimento é construído nas interações sociais; a segunda, por salientar o papel do professor como mediador nesse processo de construção. Tais concepções, desde que sejam efetivamente assimiladas,passamainterferirdiretamentenaaçãodocente,nomodocomoeleconduzirásuasatividades de ensino em sala de aula, ou seja, em sua didática. Os professores que adotam uma perspectiva LETRAS|232 sociointeracionistadeensinoͲaprendizagemprocuramatuarsemprenaZDPdoaluno,namedidaemque,ao oferecerͲlhesatividadesdesafiadoras,proporcionamtambémascondiçõesparaquepossaminteragircomos outros–colegaseprofessores–naconstruçãodoconhecimento. Algunstrabalhosmaisrecentes(cf.GÓES,2001;ROJO,2001)têmquestionadooestatutodeharmoͲ niaatribuídoàZDPnateoriavygotskiana.Paraessescríticos,oconflitoestápresentenasaladeaulaenãofoi previstonemelaboradoporVygotsky.SabemosqueasrelaçõesentreprofessorͲalunosãogeralmenteconfliͲ tantes,assimcomoosãoquaisquerrelaçõeshumanas.Oconflitoéconstitutivodanaturezadoserhumano, por essa razão não acreditamos que ele não tenha sido previsto por Vygotsky. A sua proposta aponta mais paraareflexãosobreaimportânciadamediaçãohumananofavorecimentodoaprendizado,ouseja,daneͲ cessidadedeoprofessordesenvolverestratégiasinterativasqueproporcionemcondiçõesefetivasdeconstruͲ çãodeconhecimento,aindaquenãosejamnecessariamenteharmônicas. Góes(2001,p.86Ͳ87),aoinvestigaradinâmicadeinteraçõesnaconstruçãodoconhecimentorealiͲ zadasemumasaladeauladapréͲescola,constatouque: [...]anoçãodeajudadooutrotemaforçadeilustraçãoeéumareferênciageneralizadaà mediação social, enquanto a idéia central seria a de uma necessária participação, de qualquernatureza,dooutro,nasexperiênciasdeaprendizagemenodesenvolvimentodo indivíduo.Dessemodo,aproposiçãodedesenvolvimentoproximalpodeservista,sobretudo, comotendoumvalorheurísticoparaainvestigaçãodosprocessoshumanos,noesforçode entendermosaconstituiçãorecíprocadosprocessosindividuaisesociaise,especificamente, deavançarmosnaanálisesobreosmodospelosquaisosconhecimentossãoconstruídos. Assim, o conceito será menos útil se for tomado como estritamente ligado à prescrição de umaprototípicamediaçãodooutrooudeumamediaçãoharmoniosacomumcaráter pedagógicohomogêneo. Góesaindaacrescentaquetodaadinamicidadeenvolvidanaaçãodooutro,voltadadiretaouindireͲ tamenteparaodesenvolvimentodacriança,aindaqueimpliquetensão,oposição,negação,contradição,não deixadeserumaajuda. Algunsprincípiosdosociointeracionismomaisdiretamenterelacionadosaoambienteescolar: 1. 2. 3. 4. 5. AinteraçãoprofessorͲalunocomoprincípiodoprocessoeducativo. Importânciadostrabalhosemgrupo. Opapeldoprofessorcomomediador. Arejeiçãoaoaspectoda“prontidão”paraaaprendizagem. Aênfasenaabordageminterdisciplinar. A breve apresentação desses paradigmas procurou evidenciar como as concepções teóricas interferem em nossaprática.Daíaimportânciadeumaformaçãosólidadoprofessorparaqueelepossaescolhereavaliar LETRAS|233 bem os procedimentos a serem adotados em sala de aula. Retomaremos alguns aspectos centrais das três abordagensdeensinoͲaprendizagemexpostosnatabela11. TABELA 1 ASPECTOS Ensino Behaviorismo É a criação de situações, nas quais a repetição é essencial para que haja maior memorização dos conteúdos. Construtivismo É a criação de situações, através das quais, o aluno interagindo com o ambiente desenvolve suas estruturas e constrói o seu conhecimento. Aprendizagem É a mudança de comportamento resultante de treinos. Papel do professor Exerce o papel de centralizador e detentor do conhecimento. Papel do aluno Atividade didática É o de receptor, moldado a desempenhar comportamento desejado pelo professor. É realizada através da seleção de conteúdos a serem ensinados partindo do mais simples para o mais complexo. É o desenvolvimento da inteligência através da interação entre o sujeito, o ambiente e o objeto do conhecimento. Possibilitador de situações em que o aluno faça as suas descobertas e construa o seu conhecimento. Em contato com o ambiente, o aluno se torna um construtor do seu conhecimento. Clima na sala de aula Aluno passivo recebendo informações do professor. É interativo, no qual o professor conduz o aluno à descoberta do conhecimento. Avaliação É feita através de testes, nos quais o professor vai priorizar a quantidade de conteúdos memorizados. Será feita através da observação individual, ou seja, quando o aluno passa de um estado menor de conhecimento para um maior. Realiza-se através de planos de estudos que aperfeiçoem e desenvolvam as habilidades cognitivas, ou seja, levem o aluno a resolver problemas. Sociointeracionismo É a promoção de situações que possibilitem ao aluno transformar os conhecimentos dos quais ele se apropriou através de suas interações com o meio histórico e cultural. É a apropriação e transformação de conhecimento historicamente construídos e organizados culturalmente. Facilitador das interações entre o aluno e o objeto do conhecimento. Transformador dos conhecimentos que ele se apropriou através das suas interações com o meio social. Parte do conhecimento prévio do aluno, daí permite avançar, ampliar e reestruturar esse conhecimento. Promoção de situações que incentivem à curiosidade e à troca de informações e permitam acesso à fontes de conhecimento. É de interação, no qual o professor é mediador entre aluno e o objeto do conhecimento. Será feita através da observação dos grupos de alunos, como eles se relacionam com os diversos objetos de conhecimento; suas descobertas, dúvidas e dificuldades, a fim de ver se o aluno já interiorizou e transformou os conhecimentos adquiridos. 1 EstatabelafoiadaptadadeummaterialdidáticoelaboradoporMarianneCarvalhoBezerraCavalcante(UFPB)edistribuídocomos alunos. LETRAS|234 UNIDADE III OS PARADIGMAS DE ENSINO-APRENDIZAGEM E SUA RELAÇÃO COM AS ABORDAGENS DE ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA Emalgumasdasdisciplinasdenossocurso,vocêsjátiveramaoportunidadederefletirsobrequesͲ tõesvoltadasparaoensinodelínguaportuguesa.JátiveramconhecimentosobreosdocumentosinstitucioͲ nais,aexemplodosParâmetrosCurricularesNacionais(PCN)edoavançoqueelesrepresentaramparaarealiͲ dadeescolar.Nãofaremosumareleituradotexto,masapartirdeagora,buscareirelacionaressasquestões didáticoͲpedagógicascomaspectosespecíficosdoensinoͲaprendizagemdelínguaportuguesa. Depois das reflexões em torno desses paradigmas, podemos associar a eles as respectivas abordaͲ gensdeensinodelíngua.Oprimeirodeles,obehaviorista,estábemassociadoaoensinotradicionaldelíngua, baseadoessencialmentenoestudodeconceitos,terminologias,memorizaçãoderegrasdeacentuação,conjuͲ gaçãoverbal,ênfaseemanálisesintáticaeoutrosconhecimentosdeestruturadalíngua.Nãoqueremosdizer queessesconhecimentossejamdesnecessários,oquesetornaproblemáticoéprivilegiarsóeles.NesseconͲ texto,aspráticasdeleituraedeproduçãodetextos,queseapresentamcomoosusoslegítimosdalinguagem, perdemsuasignificação,umavezqueotratamentodidáticodispensadoaelasé,decertaforma,incompatível comoensinotransmissivoecomumaavaliaçãoqueconsiderecapacidadescomomemorização,identificação eclassificaçãodeitensgramaticais. Atítulodeexemplificação,apresentoosdadosdeumapesquisarealizadaporMariaHelenadeMouͲ raNeves(1990,p.12Ͳ14),emqueelaregistraasáreasdoprogramadeLínguaPortuguesamaistrabalhadas, porordemdefrequência.Vejamnatabela2comoosmaiorespercentuaisseconcentramnoensinodeclasses depalavrasenosconteúdosdesintaxeemorfologia.Conformeindiqueianteriormente,aspráticasdeleitura edeproduçãodetextosapresentambaixospercentuaisdeocorrência. Observemqueessesdadossãorelativosaoiníciodadécadadenoventa,momentobemanteriorà publicaçãodosPCN(1997),entreofinaldadécadadeoitentaeiníciodadécadadenoventa,masemquejá estavam em pleno desenvolvimento reflexões e discussões sobre a necessidade de mudanças no ensino de língua portuguesa. Contribuíram com essas discussões ilustres linguistas, dos quais citaremos apenas alguns nomescomoCarlosFranchi,VanderleiGeraldi,SírioPossenti,MariaHelenadeMouraNeves,IngedoreKoch, AngelaKleiman,dentremuitosoutrosquecompõemumanumerosalista.Maisadiante,vamosenfatizarcomo essasdiscussõessematerializaramcomapublicaçãodosPCNearepercussãodissoparaaspráticasdeensinoͲ aprendizagemdelínguaportuguesa. LETRAS|235 TABELA 2 Contteúdo program mático Classess de palavra as Sintaxee Morfologia Semântica Acentuação Silabaçção Texto Redaçã ão Fonéticca e Fonolog gia Ortogrrafia Estilísticca Níveis de linguageem Versificcação Frrequência 3 39,71% 35,85 % 10,93 % 3 3,37 % 2 2,41 % 2 2,25 % 1 1,44 % 1 1,44 % 0 0,96 % 0 0,80 % 0 0,32 % 0 0,32 % 0 0,16 % O segundopaaradigma,occonstrutivistta,teveumaaacolhidabeemsignificattivanassérie esiniciais,prinͲ cipalmentequandorelaacionadoàalfabetização.Essaperspe ectivasecon ntrapôsdirettamenteaoe ensinodaesscriͲ tabaseado nosmétodo ostradicionaaisdascartilhas,cujofun ndamentoeraasilabaçãão,queiniciavapelosaggruͲ plesseguido osdoscomplexos,oquecontrariavaosfundamen ntosdeumaaabordagem mda pamentosssilábicossimp psicogenéticadaescritaa.Nessaáreeaespecífica,,osprofesso oresalfabetiizadorespasssaramaenttendercomo ose desenvolviaanacriançao oprocessod deapropriaçããodaescritaaeessacompreensãoaju udoubastantenacondução eplanejameentodasativvidadesdeeensino.Essassinfluências,namedidaeemqueproccuravamexp plicarosproccesͲ sos mentaiss de aprend dizagem nos alunos, tam mbém influenciaram as abordagens cognitivistas de ensino de leituraedee escritaem níveismais avançados. Jánoquesserefereao ensinodelííngua, emumaperspecttiva maisgeral, entendemossqueoconsstrutivismoeexerceusuaiinfluênciaum mavezque, porprivilegiaraautonom mia do educand do, favoreceeu a orientaçção de ativid dades de linguagem quee proporcion nassem a refflexão sobree os usosdalínggua. O terceiroparradigma,ossociointeraciionismo,tevve umarepeercussãonotávelsobreaaconcepção de língua/lingu uagemporqu ueveioacom mpanhadopo orreflexões teóricaseepistemológiccasquepuse eramemxeq que algunsdos fundamento oscognitivisttassobrean naturezada linguagem. AscontribuiiçõesdeVyggotsky,VolocchiͲ nov e Mikh hail Bakhtin deram d um novo n direcionamento ao os estudos lin ngüísticos. ÉÉ possível dizzer que os três t autorescom mpartilhamo osmesmosp pressupostossepistemoló ógicosquenorteiam,porumlado,u umateoria do desenvolvim mentoe,porroutro,umaaabordagem mdiscursivaadalinguaggem,emam mbasasquaisopapeldeͲ sempenhad dopelo“outtro”ganhaumadimensãoexplicattivaeconstittutiva. Vocêsjáestudaramsob V breasinfluêênciasdogeerativismon nos e estudosling guísticos.Estamosnosreferindoaessesprinccípios. LETRAS|23 36 ndênciaestru uturalistadeconsideraro otextocomo o TaantoVolochinovquantoBakhtinrejeitavamaten entidadeau utônoma,cujjosignificado opudesseseerestabelecidoindepend dentementedocontexto o.Houveumaa claraevoluççãonosentid doatribuídoaosigno,qu uepassaase erconsiderad dopelosauto orescomoessencialmente socialeelem mentomediiadordetod darelaçãossocial,exercendoumpapeldecisivonaformaçããosócioͲ políticaenossistemasideológicos.Essaorientaçãoficabemevidenciad daquandoV Volochinov(1 1988/1977, p.95)afirmaaque: Narealidad de,nãosãopalavrasoque epronunciamosouescutamos,masverrdadesoumeentiͲ ras,coisas boasoumás,importantessoutriviais,aagradáveisou udesagradáve eisetc.Apalaavra estásemprecarregadad deumconteúd dooudeumssentidoideoló ógicoouviven ncial. No oçõespouco odiscutidaseesistematizaadasatéentãão,comooccaráterdialó ógicodalingguagem,osconͲ ceitosdeen nunciadoeeenunciaçãoeeoestatuto odosgênero osdodiscurrsoganharam mumlugard dedestaqueena teoriabakhtiniana.Areeflexãosobreealínguapaassaaocupaarocampod dodiscurson nocontexto sócioͲhistórico. Oenunciado(enãoafrraseenquanttosequênciaagramaticalformal,absttrataedesco ontextualizad da)passaa ser ndivíduossittuadosemcontextosso ociͲ aunidadecconcretaereealdaprópriaatividadeccomunicativaaentreosin aissemprereais.ParaB Bakhtin(199 99/1979,p.10 09) averdadeirrasubstância dalínguanãoéconstituíd daporumsisstemaabstratodeformas linͲ güísticas neem pela enun nciação mono ológica e isolaada, nem pelo ato psicofissiológico de sua s produção,m maspelofen nômenosociaaldainteração overbal,realizadaatravés daenunciaçção oudasenunciações.Ain nteraçãoverbaalconstituiasssimarealidad defundamen ntaldalíngua. Agoraaé com m vocêê Ago ora é com você: v Vocêss já estudaram a teoriaa dos gênerros textuais//discursivoss em m disciplinass anteriores. Talvez seja bom rever alguns con nceitos. Neessaperspecctiva,segund doBronckartt(1999),asfraseseosm morfemassão oapenasreco ortesabstrattos doconstruttoqueéalíngua;ostexxtose/oudisscursostornaamͲseasúnicasmanifesstaçõesempiricamenteo obͲ serváveisdaasaçõesdelinguagemh humana.Éneessecontextoqueasdiscciplinaslingu uísticasquettomamotexxto comoobjettodeestudo opassamassedestacarccomorepressentativasdeeumnovoeenfoquedeinvestigação da linguagem. Esssamudançaadeenfoqueeexigequessejadadoum mnovodireccionamento aoensinodelínguaportuͲ guesaoquee,obviamen nte,vaidemaandarumtratamentodiidáticodifereenciado.Ap publicaçãodosPCN,entãão, sinalizaparaaessanecesssidadedem mudançaeseapresentaccomoumgraandedesafioparaoprofe essor. LLETRAS|237 Agoraaé com m vocêê Vo ocêsjátiverramacessoaosParâme etrosCurriccularesNaciionaisnadiisciplina EstágioSuperrvisionadoI.Lembram mdecomoo otratamento odispensad doàleitura,, produçãodetextoseanááliselinguíssticarepreseentaumam mudançanaprática do ocente? Re etomemaleeituradosP PCN! No os dias atuaais, decorrido os quase do oze anos de sua publicaçção, a nossaa compreenssão é a de que q aindaexisteeumalacunaemrelação oàapreensããodosfundamentospreesentesnesssedocumenttoporparteede umagrandeemaioriado osprofissionaaisdasescolasbrasileiraas,vistoquenemtodos osprofessoresencontraamͲ se aptos a implementtar atividadees que resp paldem tais orientações teóricoͲmeetodológicas.. Ainda hojee é possívelencontrarproffessoresqueeseguemas mesmasprááticastradicionaisdeen nsinodelíngguaportugueesa, enfatizando oaquelesco onteúdosgraamaticaisapo ontadosporrMariaHelenadeMourraNeves(revvertabela2).É necessárioq queoscurso osdeformaççãoinicialeccontinuadap proporcionem matividadessdeaprendizagemvoltadas para os pró óprios professores, fazendo com qu ue haja uma junção perffeita entre tteoria e práttica, realizan ndo assimuma eficientetraansposiçãod didáticados princípiosre elativosaoeensinodeLín nguaPortugguesapresen ntes nosPCN. No o que se reefere à leitura e produçção de texto os, temos jáá uma vastaa contribuiçãão em nível de pesquisas e de publicações sobrre o tema,, abordando o metodologias de en nsinoͲaprendizagem desssas competênciias. No entaanto, constittuiͲse ainda um grande e desafio o tratamento dispensado o ao ensino de conteúdosggramaticais, umavezqu ueamaiorp partedasativvidadesdeseenvolvidaseemsaladeaulasobreessses conteúdos consiste em m um enfoqu ue predomin nantemente metalinguísstico, o que está em de esacordo com m a propostasu ugeridanosP PCN. Agoraaé com m vocêê Con nsultemabib bliografiadasdisciplinasLe eituraeProduçãodeTexttosIeIIe EstáágioSupervissionadoI. Os enfoquees meta e epilinguistic e co da análise da línguua É convenientee rever algu uns conceito os sobre ass diferenças entre os eenfoques me etalinguístico o e epilinguisticco no ensino o de língua portuguesa.. A respeito o do tema, Luís Carlos TTravaglia (19 996) contrib buiu didaticamen nteparaadeelimitaçãodessasinstânciasdeanálise,asquaissserãoretomadasaseguiir: LETRAS|23 38 Atividadeslinguísticass:Sãoaquelassqueousuáriiofazaobusccarestabeleceerumainteraççãocomunicativa po ormeiodalínguaequelheepermiteirco onstruindoosseutextodem modoadequadoàsituação o,aosseusobjjetiͲ vo oscomunicacionais,aodeseenvolvimento odotópicodisscursivo. Esssas atividad des não são desenvolvid das necessarriamente no o espaço esccolar. Todos os falantes da língua,nas maisdiversaassituações dequepartticipamaolo ongodavidaa,jáasexercitam,emm maioroumenor intensidadee, conscientee ou inconsccientementee. Cabe à esscola, promo over a diverrsidade de tais t práticas de formaapro oporcionaraosalunoso conhecimen ntodasdiferentesmodalidadesdeusodalínguaeaadequação àssituaçõesscomunicatiivas. Atividadesmetalinguíísticas:Sãoaq quelasemque eseusaalíngguaparaanallisaraprópriaalíngua,construͲ ind doentãooqu uesechama demetalinguagem,istoé, umconjuntodeelemento oslinguísticos próprioseap proͲ prriadosparaseefalarsobreaalíngua.Nessecasoalíngu uasetornao conteúdo,o assunto,otema,otópico disͲ cu ursivodasituaaçãodeinteração. SUGESTÃO ODELEITURA A: Indico,com moaprofund damento,alleituradolivvroGramáticaeInteração o,deLuís CarlosTravvaglia,publiccadopelaed ditoraCortezz,em1996. uísticas, con nsideradas aqui a em seu u sentido mais m amplo, as Diiferentemente das atividades lingu atividadesm metalinguístiicastêmsido opredominaantementedesenvolvidasnaescola.Osdadosap presentadospor MariaHelenadeMouraNeves(revvertabela2))confirmamisso,nãoprecisamos,n noentanto, ficarrestrito osa nal.Exposiçãodeconteúd dos eles,umavezquesãorepresentativvosdeumattendênciaregistradaemnívelnacion gramaticaissqueconsideeremclassificaçãoedefiniçãodecon nceitos;assim mcomoasaatividadesde efixaçãodessses conteúdosq queserespaaldemnaideentificaçãod declassesde epalavrase funçõessinttáticas,sãoe exemplosdeesse enfoquedeeanálise.Meesmoqueseejareconheccidaaimporttânciaeaneecessidaded deconhecer eestudareesse nível de invvestigação da d linguagem m, não se pode p priorizááͲlo sob pen na de prejud dicar os dem mais. A análise metalinguíssticadeveserencaradaccomoummeeioparaatin ngircompetêênciasecapaacidadesdellinguagemm mais amplas, e não como um fim em m si mesma. O ensino de gramática em umaa perspectivva normativaa e transmissivatemcaractterizadoessaaperspectivaadeanálise. Reevejamagoraaoquedizem mosPCN(19 997,p.90)aesserespeitto: Apropriedaadequealingguagemtem depoderrefeerirͲseasimeesmaéoque etornapossívvela análiseda línguaeoquedefineum vocabuláriop próprio,uma metalinguage em.Emrelaçããoa essatermin nologiacaractterística,épre ecisoconsiderrarque,embo orasejapeculiiarasituaçõessde análiselinguística(emqu ueinevitavelm mentesefalasobrelíngua),,nãosedevesobrecarregaros alunoscom mumpalavreaadosemfunçãão,justificado oexclusivamen ntepelatradiçãodeensinááͲlo. Ocritériod doquedevesserounãoen nsinadoémuitosimples:aapenasosterm mosquetenh ham LLETRAS|239 utilidade para abordar os conteúdos e facilitar a comunicação nas atividades de reflexão sobrealínguaexcluindoͲsetudooquefordesnecessárioecostumaconfundirosalunos. AtividadesEpilinguisticas:Sãoaquelasquesuspendemodesenvolvimentodotópicodiscursivo(oudotemaou doassunto),para,nocursodainteraçãocomunicativa,tratardosprópriosrecursoslinguísticosqueestãosendo utilizados,oudeaspectosdainteração. Temos, nessa situação, a efetiva reflexão sobre os usos da linguagem, que pode e deve ser proporcionadapelaescolaeintermediadapeloprofessorafimdeque,gradativamente,vádesenvolvendoa autonomia de seus alunos no que tange à adequação da linguagem. Obviamente, estas atividades não vão prescindir dos conhecimentos metalinguísticos, mas tampouco vão se subjugar a eles. A título de exemplificação,tomemosumasituaçãodeproduçãodetextos,momentoprivilegiadoparaoalunoexercitar seus conhecimentos epilinguísticos, uma vez que é na dinâmica da textualização que os fundamentos de gramática se justificam. Assim, se no processo de elaboração, o aluno utiliza algum verbo que não está adequado ao seu contexto semânticoͲpragmático; nesse caso, não é suficiente recorrer apenas ao conhecimentodesuascategoriasdetempo,modo,voz,predicaçãoparafazêͲlocompreenderainadequação. TornaͲsenecessáriaaintervençãodoprofessor,quelançarámãodeestratégiasdeensinoqueproporcionem uma reflexão sobre os efeitos de sentido provocados pelo uso daquele verbo naquele contexto e quais as opçõesparaadequáͲloàsituaçãocomunicativa. O fragmento abaixo, retirado do livro Gramática Reflexiva de Cereja e Magalhães (1999, p.167), exemplifica o que acabei de comentar sobre os diferentes efeitos de sentido que os verbos assumem nas interaçõesverbais.Umaexposiçãometalinguísticadessesenunciadoslevariaemcontaapenasosparadigmas formais de conjugação do imperfeito do subjuntivo, tendo em vista uma orientação mais ampla de que o modosubjuntivoéempregadoemsituaçõesemque“ofatoéconsideradoincerto,duvidosoouimpossívelde realizar”(BECHARA,1999,p.280). Leia agora, os dois textos seguintes e responda as questões propostas: 1) Num domingo de sol, à tarde, uma turma de meninos e meninas conversa animadamente na praça, sem decidir o que fazer. De repente, um deles diz: - E se fôssemos passear de bicicleta ou nadar no clube? 2) Pai e filho discutiam sobre um problema qualquer. O filho, teimoso, falava sem parar. O pai já muito bravo e cheio, diz: - E se você fechasse a boca e fosse para o seu quarto? a) Qual é a intenção do falante em cada uma das frases interrogativas nesses contextos? b) Substituindo o imperfeito do subjuntivo por outro tempo verbal, transforme as frases interrogativas dos dois textos em outras de sentido equivalente. LETRAS|240 A atividade epilinguísticca, da form ma como esstá encamin nhada no liivro, permitte ao aluno o a A identificação,reflexãoeeelaboração odeformasalternativassdeenunciaadosadequaadosàinteraaçãoverbal. Ele quenofluxodessastrocascomunicaativas,existeaformulaçããodeumcon nvite/sugesttãonotexto 1e perceberáq umarepreeensão/ordem mnotexto2. A articulaçção entre paaradigmas de ensino e atividades de linguaagem Teentareiilustrraraarticulaçãoentreossparadigmassdeensino,eemsentidoaamplo,easaabordagensd de ensinolíngu ua,emumníívelmaisesp pecífico.VejaaͲseocasod deumadefiniçãodeadvéérbioretiradadagramátiica deEvanildo oBechara(19 999,p.287): É a expressão modificad dora que porr si só denota uma circun nstância (de lugar, de tem mpo, modo,intensidade,cond dição,etc)edesempenhan naoraçãoafu unçãodeadjun ntoadverbial[...] O advérbio o é constituíído por palavvra de naturreza nominal ou pronominal e se reffere geralmenteeaoverbo,ou uainda,dentrodeumgruponominalu unitário,aum madjetivoea um advérbio(ccomointensificador),ouau umadeclaraçããointeira[...].. or tenha ap presentado essa e definição em sala, ilustrado com exemp plos Diigamos que o professo referentesaacadacircun nstância(mo odo,tempo, lugar,intensidade,dúvida,condição oetc);osalu unosanotam mos exemplos,cconferemad definiçãonagramáticao ounoLDe,emseguida,o oprofessorssolicitaquee elesrespond dam uma atividaade solicitad da. A atividade abaixo fo oi retirada da d Gramáticaa da Língua Portuguesa, de Pasquale e Ulisses(200 00,p.274) Agoraaé com m vocêê Apo onteosadvérb bioselocuçõeesadverbiaispresentesnotrechoabaixo oe classsifiqueͲos: “No odiaseguintealmoçamosn numrestauran nteetomamo ostrêsgarrafaasdevinho tintto;depois,numbarfiqueiaaalisarternam menteasuam mãofina,deveeiasazuis.” (RubemBraga) Oparadigmad deensinoͲap prendizagem madotadope eloprofessorrencaixaͲsen nomodelotransmissivo,,de cunho behaaviorista, on nde o aluno recebe os conheciment c tos de forma passiva e precisa dem monstrar o que q aprendeu no n exercício de avaliação o solicitado. Caso apresente uma boa margem de acerto, os o objetivos de ensinoͲapreendizagem do d professorr terão sido o atingidos. Observe que, do ponto o de vista da d atividade de linguagemd descritanesssasituação,ttrataͲseexclusivamentedoenfoquemetalinguísttico. No oentanto,reecuperoumaatividadeq queconstan nolivrodeC CerejaeMaggalhães(1999,p.171,17 72), que solicitaa a transposição da lingu uagem visuaal para a verrbal, tendo como referêência o quad dro de Franççois LLETRAS|24 41 Millet, proporcionando, adequadamente, uma reflexão epilinguística, uma vez que eles terão de acionar outras capacidades (não só as de identificação e classificação) no momento de responder o que lhes é solicitado.Oprofessorpode,inclusive,apartirdessasugestão,ampliaraatividade,solicitandoaproduçãode um pequeno texto descritivo, onde o aluno terá a oportunidade de exercitar as condições de textualização típicasadessatipologiatextual. Figura 2 - O Ângelus (1858-9) Transpondo a linguagem visual para a verbal, complete o texto seguinte de acordo com as indicações entre parênteses e com os elementos do quadro levantados anteriormente. Um homem e uma mulher estavam trabalhando (lugar). (tempo), eles pararam o trabalho (causa): curvaramse compungidos e (modo) fizeram uma prece, provavelmente uma ave-maria. (lugar) se viam sinais da cidade, da civilização. Entretanto, (lugar) apenas se viam os rústicos objetos de trabalho: o cesto, o forcado e o carrinho. TemͲse, nesse caso, do ponto de vista do modelo de ensino adotado, uma maior participação do aluno no processo de aprendizagem. O professor fornece as condições para o aluno construir sua representação do que assimilou sobre os usos e funções do advérbio, em contato com o objeto do conhecimento,caracterizandoumanítidaaproximaçãocomoparadigmaconstrutivista. PodeͲse proporcionar ao aluno, outra forma de exploração desse conteúdo, em que o professor, lançando mão de estratégias interacionais, conduziria os alunos, coletivamente, a identificar as diferentes possibilidades dos usos do advérbio no enunciado e suas implicações pragmáticoͲdiscursivas. No exemplo abaixo,osalunosperceberiamqueoadvérbiopodeserelacionartambémcomonome,alémdoverboedo advérbio, e que o uso do termo é enunciativamente orientado, de acordo com os sentidos que se deseja LETRAS|242 imprimiraotexto,proporcionando,dessaforma,umareflexãomaisprodutivasobrequestõesgramaticais.O advérbiovaisendodeslocado,emfunçãodoquesequerenfatizar.VêͲse,entãoque,nessecaso,oselementos quecondicionamousoeaposiçãodoadvérbioestãoforadoenunciado2. ProvavelmenteoJoãodoouosjornaisparaabiblioteca(nãoaMaria) OJoãoprovavelmentedoouosjornaisparaabiblioteca(nãovendeu) OJoãodoouprovavelmenteosjornaisparaabiblioteca(nãoasrevistas) OJoãodoouosjornaisprovavelmenteparaabiblioteca(nãoparaobar) OquepretendimostraréqueexisteumaarticulaçãoentreosparadigmasdeensinoͲaprendizagem adotados e as concepções de língua, linguagem e gramática nas quais o professor fundamenta sua prática docente. Por outro lado, sem ser contraditória, reconheço que há determinados conteúdos que requerem umaabordagemde ensinomaistransmissiva.Nãosepodetambémacreditarquetudopodeseraprendido naturalmente,semquesejaoferecidaaoalunoumasistematizaçãodeensino.ProvadissoéatradicionalpeͲ dagogiadatemática,emqueseacreditaqueparaoalunoproduzirumtexto,bastalheapresentarumtemae deixáͲloexercersuacriatividadedeescritor,comoseoalunojádetivessetodososconhecimentosnecessários àescrituradeumtexto.Esseaspecto,inclusive,nãorestritoapenasaatividadesdeproduçãodetextos,foi apontadocomoumarestriçãoaoparadigmaconstrutivistadeensinoͲaprendizagem,porpermitirumrelativo apagamentodopapeldoprofessornoprocessodeconstruçãodoconhecimentoaseroferecidoaoaluno.A esserespeito,PauloCoimbraGuedes(2007,p.19)avaliaque As pedagogias permissivas de base psicologizantes, queproliferaram concomitantemente à massificação, fundamentaram ideologicamente essa desalunização, transformando indivíͲ duosemabstratosfeixesdecaracterísticasrelativasàfaixaetária,classesocial,perfilpsicoͲ lógico,capacidadederealizartaloutaloperaçãomentaletc.[...]. Nãosepodeperderdevista,aindasegundoGuedes,queoprofessorseviuenvolvidomuitorapidaͲ menteporsistemasdeavaliaçãocomosquaiselenãoestavafamiliarizado,nemtampoucotinhatempodese aprofundarneles.Emminhaavaliação,perceboque,decertaforma,sãoimpostosaoprofessordeterminados paradigmasdeensinoͲaprendizagemdesacompanhadosdeumafundamentaçãoteóricoͲepistemológica,cujo desconhecimentotemfavorecidodeterminadosequívocosdeordemdidáticoͲpedagógica.IssopodeserepeͲ tirtambémemumaabordagemsociointeracionista,namedidaemquenãosejadevidamentecompreendida. RoxaneRojo,emumrelatosobresuaparticipaçãoemumcursodeformaçãodeprofessoresrealizadoemSão Paulo,noperíodocompreendidoentre1999e2001,comprofessoresdediferentesdisciplinas,constatouque: 2 EssesexemplosforamretiradosdolivroManualdeSintaxedeautoriadeCarlosMioto,MariaCristinaFigueiredoSilvaeRuthElisabeͲ thVasconcellosLopes(2000). LETRAS|243 Oquemaissurpreende,noplanejamentoelaborado,éavisívelausênciadeensino;ahiperͲ valorizaçãodaalimentaçãotemática;acrençadequeadiscussãooraldatemáticapodeser responsável por bons textos; e o “passe de mágica” existente entre estas providências e a produçãodeartigosdeopinião,alémdapobrezadomaterialdidáticooferecido(ROJO,2008, p.330). Aspalavrasdaautoraratificamoquetenhodefendidonestaseção.Asistematizaçãodeatividades deensinonãodeveserentendidacomoperdae/oucoerçãodaautonomiareflexivadoaluno.Épormeioda sistematização dessas atividades, as quais requerem planejamento criterioso, que o professor alcança seus objetivosdeaprendizagem. LETRAS|244 UNIDADE IV A ATUAÇÃO DOCENTE EM SALA DE AULA: O SABER TEÓRICO E A TRANSPOSIÇÃO DIDÁTICA A sala de aula constituiͲse em um locus de atuação extremamente complexo. Existe nela uma tal diversidade de fatores (internos e externos, cognitivos e afetivos, humanos e materiais) a interferir em sua prática, que exigem do professor uma constante reflexão acerca de sua prática pedagógica, para que seja avaliadasuaadequaçãoaosobjetivosdeensinoͲaprendizagem porelepretendidos.Aesserespeito,retomo aquiaspalavrasdeMagalhãeseLiberali(2004,p.93). Nocontextodeformaçãodeeducadores,segundoNewmaneHolzman(2002),podemosconͲ siderarquecadaaçãodosparticipantespoderáservistacomoumabaseparaasaçõesfutuͲ ras.Noentanto,seessasaçõessãorotinizadaseautomatizadas(nãorefletidas),oseducadoͲ res perdem a chance de percebêͲlas. Passam a agir em função do fim imediato – ensinar o conteúdodeterminado–,perdendoaoportunidadedereverseuquerersobreaaçãodeenͲ sinarͲaprender. Sua açãopassa a compor um quadro dealienaçãoquetira dela opoder de transformar a prática. O agir será mais uma ação para um fim. Não mais atuará como um meiodepropiciarmudançashistóricasnosignificadodeensinarͲaprender.Assim,asformas deagirnocontextoescolarseperpetuamsemtransformação,poisosagentesestãoalienados deações,impedidosdereconstruíremͲseinternamenteedetransformaremexternamente. Aavaliaçãodasautorasexpõedemodocontundentearesponsabilidadedoprofessorporsuaprática emsaladeaula.Oagirdoprofessornãopodesebasear,digamos,nadidáticadoimproviso:todaaçãopedaͲ gógicademandaumareflexãoprévianosentidodepavimentaressamesmaação.Infelizmente,nemsempre aspráticaseducativas,emgeral,têmsepautadonessaordemlógica.Arotinaestafantedavidadoprofessoro temafastadotantodeseupapeldeestudiosoedepesquisador,quantodeumaaçãoplanejadora,aquientenͲ didaemsua acepçãodidáticoͲpedagógicamaisampla.Issolevaaosentidoderotinizaçãoemecanização,a queasautorassereferemacima,equeéincompatívelcomaaçãoeducativa.Elassugeremquetaispráticas devemseracompanhadasdeeventuaisquestionamentosqueproporcionemaoprofessormanterͲsesempre conscientedesuasações.Nessesentido,questõescomo: 1Ͳ 2Ͳ 3Ͳ 4Ͳ 5Ͳ 6Ͳ Oquefaço? Qualafundamentaçãoteóricaparaaminhaação? Comometorneiassim? Queroserassim? Oquesignificaserassim? Comopossoagirdeformadiferente? LETRAS|245 Ap pontamparaaduasdireçõ ões:umaqu ueimplicaa dimensãocrríticoͲreflexivvadoagirdo ocente,em seu caráter teóricoͲpedagógico; outra que se relacciona diretamente com o planejamento de suaas ações. Neesse obrançainstitucionalaq queoprofesssor casoespecíífico,oplaneejamentodeeveserentendidonãocomoumaco deveatender,namaiorriadasvezess,burocraticaamente.Osm momentosd deplanejameentoreprese entamumaeetaͲ paprimordiialqueanteccedeaentradadoprofesssoremsaladeaula. Isssonãosignifficadizerquetodasasaçõessãopre evistasedeterminadas,aatéporqueh hásempreo oluͲ garparaoiinesperadoeemsaladeaulaoque,decertaform ma,deveser previstopelloprofessor..Mas,paraq que issoocorra,,eledevesaberoquefaaz,conhecer osprincípio osteóricosemquesebaaseiamessas ações,identtifiͲ carasrazõeesqueolevaaramaassumirumadetterminadaopçãoe,aoreefletirsobreeela,analisarseelaaind daé convenienteeaomomentosócioͲhisstóricoemq queseinsere e,comarealidadeeducaacional,com marealidadeede seusalunoss,enfimcomtudoecomtodosqueo ocercam. E aísim,dianttedasrespo ostas,casosejanecessárrio,assumir osriscos,deesafiosecon nquistasqueeas podempropiiciar. mudançasp O que significca ser um prrofessor (a) de d língua po ortuguesa naa sociedade atual? Que concepções de língua/lingu uagemfundaamentamam minhapráticaa?Comosed deuessaformaçãoteórica?Quaiste eóricosservirram de embasam mento para essa formaçção? O que aprendi efettivamente co om eles? Essa formação o atende às miͲ nhas expectativas como o professor (a) de língua portuguessa? Estou satisfeito (a) ccom o desen nvolvimento de minhaprátiica?Jámequestioneiseosalunosesstãosatisfeittoscomela??Hácondiçõ õesdemudarraminhaprrátiͲ ca? Asdiferrentescon ncepçõesdelíngua//linguagem mdiscutid dasem outrasdisciplinassestãoclaarasparavvocês?Caasonãoesstejam,é máͲlasparraquevoccêspossam mrespond deressas importaanteretom perguntas. bservemqueetodasessasquestõesssópodemse errespondidaaspeloprofeessor,daíae explicaçãop para Ob seu lugar privilegiado p n relaçõess de ensinoͲaaprendizagem, mas quee por outro lado, não o colocam co nas omo personagem múniconocenárioescolar,umavezqueasuaattuaçãoseintterrelacionacomadeou utrosatoresem cena:diretaamentecomosalunose,,indiretamen nte,comosdemaissetoresdacomunidadeescolar. Esssesquestion namentosseervemcomopontodepaartidaparao osaspectosm maisrelacion nadoscomocaͲ ráter organizacional dee uma aula. A A partir daqui, quero discutir sobre alguns ponttos que são necessárioss ao ormaldeelab boraçãodeu umaaula,em mparticular,aauladelín nguaportugu uesa. processofo LETRAS|24 46 O processo didático de elaboração de uma aula: entre os conhecimentos teóricos e operacionais. Vou iniciar esta seção fazendo uma analogia com outras situações de atividade humana. O engeͲ nheirocivil,aoserencarregadodeconstruirumacasa,porexemplo,precisadesenvolverumplanodeaçãono qual possa mobilizar todos os saberes teóricos e práticos necessários à execução da obra. O mesmo ocorre comqualqueroutraatividadehumana,independentementedocarátercientíficocomqueserevesteaativiͲ dade.Atémesmoapreparaçãodeumbolorequerumplanejamentoinicial.Oquerdizer,então,dapreparaͲ çãodeumaaula?Façamosumarelaçãodossaberesecompetênciasnecessáriosaoprofissionaldaeducação noexercíciodadocência,sim,porquesomosoudevemosser,antesdetudo,profissionais,mesmoqueosenso comumadvogueemfavordeumairrestritavocaçãoparaapráticapedagógica.ÉcertoqueainclinaçãovocaͲ cionaltemoseupesonaescolhadequalquerprofissão,aafinidadepessoalcomaáreadeatuaçãoegostardo quesefazsãoelementosdecisivosparaobomdesempenhodenossasfunções,masécertotambémqueasͲ sociadaàvocação,impõeͲseaexigênciadeumaboaformaçãodocente.Poressarazão,sãonecessários: 1. ConhecimentoteóricodoobjetodeensinoͲaprendizagem.Arespeitodisso,ébomdeixarclaroquetodoprofesͲ sordelínguaportuguesadeve,necessariamente,serproficienteemleituraeescrita,saberler/interpretardifeͲ rentestextos,identificarossentidosimplícitosnosenunciados,saberavaliarcriticamenteanaturezadeumadaͲ daobra,discutirsobreumtextoacadêmico,enfim,exercerosseusdiferentespapéisdeleitor.Omesmodeve serditoemrelaçãoàspráticasdeescrita.Nãopodemosconceberalguémqueestejaàfrentedeorientar,desenͲ volvereanalisaraproduçãodetextosdealunosenãodomineaspráticassociaisdeescrita. 2. Conhecimentodidáticoqueimplicaodomíniodeumametodologiaqueopermitadesenvolvereficientemente suasatividadesdeensino. 3. Odesenvolvimentodemetodologiasrequerplanejamentosistemático,decorrentedosconteúdostrabalhados, dosobjetivoselencadosedoconhecimentodascapacidadesdeaprendizagemdosalunos. 4. Sistematizaçãodasatividadesdeplanejamento:planodecurso,planodeaula,elaboraçãodeprojetosnasquais apesquisaocupaumlugarcentral. 5. Definiçãodecritériosdeavaliaçãotendoemvistaosdiferentesconteúdosdoprograma. 6. Diversificaçãodeatividadeseprocedimentos,emconformidadecomasdiferentescompetênciaseconteúdos explorados. 7. Conhecimentodadinâmicadasrelaçõesinterpessoaispresentesemsaladeaula. ObservemqueamaiorpartedosrequisitoscitadosacimaestárelacionadaaodomíniodeconheciͲ mentosteóricosouaodesenvolvimentodeatividadescujaviabilidadeédecorrentedosaberteórico.ChegaͲse àconclusão,portanto,dequeteoriaͲpráticaéumbinômioindissociável,quesesobrepõemequeseinfluenciͲ ammutuamente:umanãoprescindedaoutra. Do ponto de vista operacional, é aconselhável que o professor, na execução da aula, proporcione condições para que os alunos participem, façam perguntas, exponham seus conhecimentos prévios, contesͲ LETRAS|247 tem,enfim,deacordocomaperspectivadequeoconhecimentovaisendoconstruídonainteraçãoprofessorͲ alunos.Outroaspectoaserdestacadodizrespeitoàdiversidadedasatividadesdeensino.Sabemosdagrande variedadedeconteúdosemlínguaportuguesaaseremensinados,portanto,hápossibilidadesdeexploráͲlos dediferentesmaneiras,tendoemvistaaespecificidadedecadaconteúdo:aexposiçãoclássica,aexposição dialogada,ostrabalhosemgrupos,apesquisaindividual,adramatização,osjogosetc. Emrelaçãoaosrequisitosnecessáriosaumaboaexposição,Mattos,citadoporHaydt(2006,p.155) indicaasseguintescondições: a) b) c) d) e) f) g) Perfeitodomínioesegurançadoconhecimentoqueéobjetodaexposição; Exatidãoeobjetividadedosdadosapresentados; Discriminaçãoclaraentreoqueéessencialoubásicoeoqueéacidentalousecundário; Organicidade,ouseja,boaconcatenaçãodaspartesesubordinaçãodositensdecadaparte; Correção,clarezaesobriedadedoestiloempregado; Linguagemclara,corretaeexpressiva; Conclusões,aplicaçõesouarrematedefinido. O plano da execução de uma aula: entre os saberes teóricos e a transposição didática Osencaminhamentosapontadosacimadizemrespeitoaquestõesde caráter operacional, osquais estão relacionados, obviamente, com aspectos teóricos também. O grande desafio agora é saber mobilizar essesconhecimentosdeformaapromoveratransposiçãodidáticadosconteúdosdelínguaportuguesa.Aesse respeito,Rojo(2000,p.28)retomaotextointrodutóriodosPCNondesãoapresentadosquatroníveisdeconͲ cretização dos princípios norteadores da proposta apresentada no documento, os quais a autora renomeia comoprincípiosdetransposiçãodidáticadosparâmetros: 1. Aconstruçãodialogadadosparâmetroscomoutrasesferasdeaçõesdepolíticaeducacional“aformaçãoiͲ nicialecontinuadadeprofessores,aanálisedelivroseoutrosmateriaisdidáticos,comotambémaavaliação nacional”(SEF,1998,p.51). 2. OdiálogoqueoPCNpodeestabelecercomoutrasesferaseducativas(estaduaisemunicipais)nocotejoenͲ trepropostasedocumentosjáexistentes. 3. Oterceiroequartoníveisdeconcretização,segundoRojo,“dizemrespeitoàelaboraçãodoprojetoeducaͲ tivodecadaescolaeàrealizaçãodocurrículoemsaladeaula”(p.29)evaienvolveraanálise,elaboraçãoeutiͲ lizaçãoadequadadosmateriaisdidáticos. Esses níveis de concretização evidenciam, antes de qualquer coisa, a necessidade do investimento constanteemformaçãodocente,umavezqueessaéumadascondiçõesparaapromoçãodetransformação naspráticaseducativas.Apartirdaí,vãosendoacionadasumaatuaçãomaiscríticadoprofessornamedidaem queeledeveestaratentoàspolíticaspúblicaseaosdocumentosinstitucionaisqueregulamaorganizaçãodos LETRAS|248 ntemente,a suaimplementaçãoemsaladeaulaa,viabilizadaaporumaattuaçãoativano currículosee,consequen projetoedu ucativodecaadaescola. A essesquatro o,acrescento oaindamaissumnívelqu ueestárelaccionadomaissdiretamentteàcapacidaade doprofesso ordemobilizzartodososconhecimen ntosadquirid doseàauton nomiaempo oderlançarm mãodeles,adeͲ quadamentte,nocompaartilhamento odessessaberescomosalunosemssaladeaula..Procuremo osentenderiisso melhor. Ao olongodocurso,vocêsjjátiveramco ontatocomd diversasabo ordagensteó óricas(estrutturalista,gerratiͲ vistaefunccionalista)vin nculadasàs áreasdeinvvestigaçãodaalinguagem,,comofono ologia,morfo ologiaesintaaxe. Também pu uderam conhecer os fundamentos da linguísticca sobre con ncepções dee linguagem,, de gramática, relaçãooralidadeeescrrita,gênerosstextuais/disscursivos,pe erspectivasd deleituraed deproduçãodetextos,anáͲ lisede materiaisdidáticcos,dentre outros.Além mdisso,pud deram observvarquealgu umasdasteo oriasdiscutidas dasnosPCN,servindoco omobaseteó óricoͲmetodológicadasp práticasdeeensinodelíngguaportuguesa sãoabordad aseremdessenvolvidaseemsaladeaaula. Co om base nessses conhecimentos, voccê, professor em formaçção inicial, vvai desenvolvver sua prática. Entãopergu untamos:deequeforma essesaporteesvãoinstru umentalizar aelaboração odesuaaula?Jáépossíível paravocêd desenvolverssuapráticaeemconsonân nciacomessesprincípioss?Comosed daráatransp posiçãodidáttica nesseconteexto? Vocêjáente V endeu,defatto,oquesign nificatransposiçãodidática? Iremos discutir d sobrre esse conceeito nos fóruns. Naatentativad deexemplificcarplanosdetransposiçãodidática, vamospartiirparauma atividadeprrátiͲ ca.Apresen ntareiumtexxtoeasquesstõessugerid dasparaexplloráͲlo3. 3 Otextoeaaatividadeforam mretiradosdoliivroMuitoalém mdagramática a,deIrandéAn ntunes,publicad doem2007,pe elaeditoraParááboͲ la. LLETRAS|24 49 Texto1: Comunhão(MiltonNascim mentoeFernaandoBrant,Ânima,Ariola,1982) Euqueropazz,eunãoquerroguerra Querofarturra,eunãoqueerofome Querojustiçaa,eunãoqueroódio Queroacasaadeumbomttijolo Queroaruadegenteboa Queroachuvvanaminharroça Queroosoln naminhacabeeça Queroavidaa,nãoquerom mortenão. Atividadesuggeridaparaossalunos: 1.Quantosvversoseestroffe(s)temesseepoema? 2.Escrevaosssubstantivossabstratosdoterceiroedo oúltimoverso. 3.Destaque todosossub bstantivosexisstentesnotexxtoeescrevaͲosaoladod decadaverso.LembreͲse dequeosub bstantivoéum mapalavraqueedánomeao osseres,açõess,sentimentos,qualidade,sensações. 4.MarqueXnaalternativaacorreta.Apalavraroçaé:: comum()co omposto()prrimitivo()derrivado 5.Responda: a.Quesubstantivocompo ostopodemossformarcomo osubstantivochuva? b.Apresenteeumsubstanttivoderivadoparaapalavraachuva. 6.Produzaduasfrasesqueecontenhamsubstantivoscoletivos.Griifeoscoletivo osutilizados. 7.CombasenodebatetraavadosobreaaguerraentreeEstadosUnid doseIraqueeenessetexto,escrevaum textocomotítuloabaixo.Escrevaàvon ntade. Nãoàguerraa. Assreflexõesd desenvolvidasatéagorajjápermitem mquevocêsffaçamumaaanálisedessaaatividade. CoͲ moencaminhamentod desuaanálisse,considereeosseguinte esquestionaamentos:TraataͲsedeum maatividadeede interpretaçããodetexto oudereflexxãogramatical?Quaisco oncepçõesdeelinguagem,,degramáticaedeensinoͲ aprendizageemdelínguaaportuguesaamostramͲseenfatizadaasnela?Naaapresentação odoconteúd do,estãosen ndo considerado ososníveis deanálisem metalinguísticoeepilingguístico?Taisspráticasap presentamͲse eemconforrmiͲ dadecomaasorientaçõeeseprincípio ossugeridosnosPCN? SUGESTÃOD S DELEITURA: Depoisdefa D zersuapróp priaanálise,iindicoaleitu uradocapítu ulo11do livroMuitoa l alémdagram mática,deIrandéAntunees(2007),pááginas125 a132. a LETRAS|25 50 mlinhasgerais,vemosq queoprofesssorescolhe umtextoe queapartirdessetextovaiavaliarros Em conhecimen ntos dos alu unos sobre um u conteúdo o de morfolo ogia, classificcação dos su ubstantivos, anteriormente trabalhado em sala. Caaso você discorde da naatureza das atividades, a q quais sugestões você ap presenta parra a apresentaçããodessecon nteúdo.Quallseria,emsu uaopinião,u umtratamen ntodidáticoͲp pedagógicoaalternativo? Observeabaixocomopodeserreprresentada,em mtermosde eexposiçãod deplano,aaauladesseprrofessor: CONTEÚD DO Morfologia o do Classificação substantivo OBJETIVO OS: GERAL E ESPECÍFICO Gerral: Con nhecer os difeerentes tipo os de substanttivo. Específicos: Iden ntificar os sub bstantivos; Classificar os sub bstantivos; Elab borar frases com c diferenttes tipos de su ubstantivo. METODOLOGIAA/RECURSOS . Aula expossitiva . Quadro de e giz e texto. AVVALIAÇÃO DURAAÇÃO 50 m Identificação o em um texto o dos tipos de subsstantivos; Elaboração d de frases com m exemplo doss tipos de sub bstantivos É nesseponto oquepodem mosavaliarco omoseefetivaatranspo osiçãodidáticaviabilizadaporcadap proͲ fessor.Tend doemvistao osconhecim mentosteóriccoseoperacionaisdiscuttidosanterio ormente,quaaisassugestões quevocêaccrescentaaeesseplanodeeaula?Osco onhecimento osadquirido ossobreconccepçõesdele eitura,deesscriͲ ta e da anáálise linguística vão pavimentar as suas s opções didáticoͲped dagógicas. P Passemos, en ntão, para uma u atividadebemprática. Combasen nessemodelo odeplanod deaulapadrrão,escolha umconteúd dogramaticaale organizeum maproposta aserexecuttadaporvoccêemsalade eaula.Naellaboraçãodo oplano,reve ejaoquedisscuͲ timossobreeatividades metaeepilinguísticas;n nosexercício ossugeridos naavaliação o,recorraao osdoisníveissde atividade.P Pesquiseeprrocureenriqu uecersuaau ula. Agoraaé com m vocêê LeembremͲsedequevocêsjjáanalisaram malgumasativvidadesdolivvrodidáticon nadisciplina EsstágioSupervvisionadoI.A Agora,tendocomopontodepartidaassdiscussõesjjárealizadas, vo ocêsmesmossvãoelaborarasquestõessqueservirão ocomoparâm metrodeavaaliação. CONTEÚD DO OBJETIVO OS: GERAL E ESPEECÍFICO METODOLOG GIA/RECURSOS AVVALIAÇÃO LLETRAS|251 DURAÇÇÃO UNIDADE V O PROCESSO DE DIDATIZAÇÃO DA LEITURA, DA ESCRITA E DA ANÁLISE LINGUÍSTICA Anossareflexãoagoraseráconduzidapelacontribuiçãoteóricadeumgrupodepesquisadoresque iniciouseusestudosepesquisasemGenebraequefoiconsolidandoessatendênciadeinvestigaçãoteóricoͲ metodológica hoje reconhecida como Interacionismo Sociodiscursivo. Seus representantes mais expressivos sãoJeanͲPaulBronckart,BernardSchneuwlyeJoaquinDolz,masogrupotemcontadocomacolaboraçãode inúmerospesquisadoresaquinoBrasiletambémemoutrospaíses. Entre os pesquisadores brasileiros destacamͲse Anna Rachel Machado, Roxane Rojo, Maria de Lourdes Meirelles Matencio, Glaís Sales Cordeiro, por desenvolverem pesquisas mais alinhadas com essa perspectiva teórica e pela grande contribuição que têm prestado na tradução para o português das obras dessesautores. O grupo tem dedicado uma atenção especial ao processo de didatização de língua materna. As pesquisas desenvolvidas para o ensino de francês como língua materna, na Suiça francófona, foram bem acolhidasaquinoBrasilepassaramaserusadascomoreferênciaparaasnossaspráticasdidáticoͲpedagógicas. A proposta de elaboração de sequências didáticas (SD) voltadas para o trabalho com os gêneros orais e escritosnaescolateveumagranderepercussãonanossarealidadeporduasrazões:emprimeirolugar,porter conseguido posicionar os gêneros textuais como elemento norteador das práticas de linguagem em sua dimensãolinguística,cognitivaesociodiscursiva;emsegundolugar,porterfirmadoanaturezaprocessualdas atividadesdeelaboraçãodetextosoraiseescritos.Éprecisamentenosdomíniosdasatividadesdeleituraede produção de textos em que os alunos serão mais cobrados a corresponder aos objetivos de aprendizagem previstosparaosdiferentesciclos.RetomooesquemadaSDafimdeproporcionarumamaiorvisualização. Lembrando a definição de sequência didática: “um conjunto de atividades escolares organizadas, de maneira sistemática, em torno de um gênero textual oral ou escrito” (SCHNEUWLY e DOLZ, p.79). Apresentaçãoda situação PRODUÇÃO INICIAL Módulo Módulo Módulo 1 2 n PRODUÇÃO FINAL Figura 3: ESQUEMA DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA (SCHNEUWLY E DOLZ, 2004, p. 98). LETRAS|252 D (p. 108, 109) defen ndem que a elaboração do procedim mento se guia por escolhas Scchneuwly e Dolz pedagógicas,psicológicaselinguísticasesuasprincipaisfinaalidadesvisadas,asquaissserãodescrritasaseguirr: 1) Escolhas peedagógicas • Incluipossib bilidadedeavaliaçãoformaativa; • InsereͲseem mumprojetoquemotivao osalunosaesccreveroutom marapalavra. • Proporcionaadiversidadedeatividadesedeexercício os,atendendo oàsexigênciaasdediferenciiaçãodoensin no. Agoraé com você Façaum mapesquisassobreoqued diferenciaaavaliaçãoform mativadasom mativa. 2) Escolhas pssicológicas • Aatividadedeproduçãodetextosétrabalhadaemtodasuacom mplexidade; • Oprocedimentoproporccionaaoaluno oumaconsciênciamaisam mpladeseuccomportamen ntodelinguaggem emtodosossníveis; • Atransform maçãonomod dodefalared deescreveré épossívelporrquediferenteesinstrumenttosdelinguaggem sãopropostosaosalunoss. 3) Escolhas lingüísticas • Aatividadedelinguagem mproduztexto osediscursos;; • Alinguagem mnãoéabordadacomoobjjetoúnico,maasalgoqueseeadaptaàssittuaçõesdecomunicação; • Oobjetodoprocedimenttosãoosgêneerostextuais. 4) Finalidadees Gerais • Prepararosalunosparad dominarsualíínguanassituaçõesmaisdiiversasdavidaacotidiana; • Desenvolverrnoalunoum marelaçãocon nscienteevolu untáriacomsseucomportam mentodelingguagem; • Construirno osalunosumaarepresentaçããodaatividad dedeescritaeedefalaemsituaçõescomplexas. A proposta daa SD, portan nto, apresen ntaͲse como um eficientte recurso m metodológico o no ensino da leitura e daa escrita, ao mesmo tem mpo em quee situa o lugar da análise linguística no contexto das ações de linguagem desenvolvidas pelos alu unos no pro ocesso de elaboração e t textual. Paraa os autore es, as questões relativasàssintaxedafrrase,àmorffologiaverbaaleàortogrrafianãoesttãodiretameenteintegrad dasàexecuçção das sequên ncias, no enttanto, à medida que o professor te em acesso aos a textos d dos alunos, ele e certamente identificará osproblemasdeordem mlinguística egramaticaal,osquaism merecerãoumtratamentodiferenciaado LLETRAS|253 deensino.ComoasSDforamconcebidasespecificamenteparaotrabalhodeelaboraçãodegênerosoraise escritos,essasquestõestornamͲsemaisparticularizadas,umavezquenãoexistemproblemasdesintaxeou demorfologia,porexemplo,quesejamexclusivosdeumdeterminadogênero,masquesetornamevidentes emqualquerproduçãodetexto. Acredito, no entanto, que em algumas situações seja possível inserir atividades de ensino de gramática nos módulos previstos em uma SD. Reformulo o exemplo apresentado por Schneuwly e Dolz (p. 115),parailustrarqueumainadequaçãonousodeformasverbais,aocorrênciadopresentedoindicativono lugar do pretérito perfeito e imperfeito constatadas durante na elaboração de textos narrativos (lendas, fábulas, contos de fadas) possibilitaria ao professor um trabalho produtivo sobre os tempos verbais. Reconheço,contudo,queesseaindaéumdesafioaserenfrentadopelosprofessores:ainserçãodasreflexões de cunho gramatical nos módulos da SD, de forma a contribuir para o ensino produtivo e realmente contextualizadodagramática.Poroutrolado,osproblemasdeortografiapodemserfacilmenteinseridosnos módulosdasSD,umavezqueseuplanodeexecuçãoprevêseçõesderevisãoedereescrita. Trago como exemplo um modelo de SD4 que apresenta em seus módulos sugestões de como lidar comdesviosortográficos. Apresentaçãodasituação: 1. Discussãosobreogênero‘ReceitaCulinária’,suafuncionalidadeeinterlocutoresprevistos; 2. Apresentaçãodedoismodelosdogênero; 3. Reflexão,discussãoeexposiçãodasprincipaiscaracterísticasdogênero; 4. Esclarecimentosobreatarefaaserrealizada:elaborarumareceitaculinária. Produçãoinicial: Chocolate que pode servi em casa Ingredientes 1 lata de leite comdençado 3 colheres de chocolate em por 1 colher de margarina Modo de fazer Primeiro leve o leite comdemçado au fogo. E depois bote 1 colher de margarina e mexa com uma colher de pal. Bote o chocolate e mexa por 4 ou 5 minutos e bote no prato e deche isfriar guado isfriar pase a mão na mantega e pegui um pouco de chocolate e faça uma bola. E bote nua tijela e siva em casa ou nua festa e mele no açucar. 4 EstemodelodeSDfoielaboradoporMoniqueCésar,alunadocursodeLetrasdaUFPB,quandoministreiadisciplinaLeituraeProduͲ çãodeTextosII,noperíodo2007.1. LETRAS|254 Módulo 1: Nesse módulo foram trabalhados problemas relacionados à estrutura do gênero • Necessidadedeordenaçãodasetapasdepreparo–“EbotenuatijelaesivaemcasaounuafestaemelenoaçuͲ car.” • Promoverareflexãodosalunossobreaimportânciadalinearidadeesequênciadotexto. • Nessecaso,osalunospoderãofragmentarareceita,cortandoemisturandoasfrasesdemodoaperceberainaͲ dequaçãodasetapasprocedimentais. • Importânciadostermos–“1Colherdemargarina”;“paseamãonamantega.” Módulo II: Nesse módulo foram abordados problemas relacionados à ortografia. • Ressaltar a importância da pontuação para a construção do sentido do texto – “bote no prato e deche isfriar guadoisfriarpasseamãonamantega(...)” • “Oi,mãe,tudobom?”;“Oi,mãe,tudobom!”.Inicialmente,oprofessorleráostextoscomadevidaentonação. Logodepois,osalunosdescreverãoousimularãoassituaçõesemqueessesenunciadospodemocorrer. • Fornecerumtextosempontuaçãoparaserlido. • Essamedidatemoobjetivodemostrarquenaescrita,ossinaisdepontuaçãoreproduzemaspausaseentonaͲ çãodafala. Módulo III: Neste módulo foram trabalhadas questões referentes à influência da oralidade na escrita. • “Primeiroleveoleitecomdemçadoaufogo.” • Mostraraoalunoquenalínguaportuguesaexistemsonsquesãografadosdediferentesmaneiras. • Solicitaraoalunoatranscriçãodepalavras–atéaquelasqueeletemconhecimentodagrafia–daformaqueele ouve. • Emumsegundomomento,seráfornecidoumdicionárioondeosalunosprocurarãoaspalavrastranscritas. • Comadificuldadeparaencontrar‘comdemçado’,‘au’,‘isfriar’,‘pal’,ficaráexemplificadoquenemtudoseescreͲ vecomoseouve. Condições para Produção Final: • Diantedotrabalhadoemsaladeaula,osalunos,emúltimaetapa,trocariamostextoseefetuariamasalteraͲ çõesnecessáriascomaajudadoprofessoredeumdicionário,elaborandootextofinal. • Asreceitasdetodososalunosserãopublicadasemumarevistaculináriacriadapelaturma. Não foram registrados, do ponto de vista da estrutura composicional do gênero receita, grandes problemasnotextoinicialdessealunodo6ºanodoensinofundamental.Nogeral,sãoasinadequaçõesde ortografiaquesefazemmaispresentesnotextodoaluno,muitasdasquaisserãoresolvidasnaelaboraçãodo LETRAS|255 texto final. Fica evidente que a elaaboração das SD não po ode ser defin nida a priorii, mas que é é resultante da dosproblemasapresentaadospelosaalunos.Assim m,édefundaamentalimp portânciaqueeo identificaçãoeanálised onar as dificuldades enccontradas e os o possíveis encaminham mentos paraa solucionáͲlas. professorsaiba equacio Schneuwly e Dolz cham mam a atençção para o fato f de que,, durante a elaboração e experimen ntação das SD, S dos,adequarraescolhad dos devemser analisadasascapacidadeesedificuldadesindividuaisdosalunosenvolvid e ações se gêneros a essas capacidades, e atté mesmo simplificar a complexidade das tareefas. Todas essas olvimento dee um trabalho colaborativo com oss alunos, de modo que eles consigaam voltam paraa o desenvo progredirnasatividadessdesenvolvidas,sejameelasdeleituraa,escritaoudereflexãolinguística.P Portodasesssas o de SD que e possa ser aplicado in ndistintamen nte por muittos razões não é possível pensar em um modelo professoress. LLembreͲsse Deacordocom maclassificaçãodeB Bakhtin(19 979): oggêneroseo organizaem mtornodeeseuconteeúdo teemático,co onstruçãocomposicionaleestilo. O texto,portaanto,possibiilitaamaterrializaçãodaaçãodelinguagememsuaforma maisplena. SeͲ gundoSchn neuwlyeDollz(2004,p.74),todaaçãodelinguaggemimplica diversascap pacidadesdapartedosu ujeiͲ to:adaptarͲͲseàscaractterísticasdocontextoed doreferente e(capacidadeesdeação),mobilizarmodelosdiscu ursiͲ vos(capacid dadesdiscurrsivas)edom minarasopeeraçõespsico olinguísticas easunidadeslinguísticaas(capacidades linguísticoͲd discursivas). Oaprendizssódesenvolvveráestascaapacidades, seoprofesssorimplemen ntaremsalaade aulaumtrabalhoqueco ontempleossusosreaisd dalinguagem m,eemumasituaçãodeaprendizage emqueenvo olva essascomp petências,au utilizaçãodeediversosgêênerostextuaiséimpresscindível.Ah hipótesedossautoresaciima citadoséqu ueéatravés dosgênerossqueasprátticasdelingu uagemmateerializamͲse nasatividad desdosapren ndiͲ zes(p.74). É importante relembrar e e enfatizar que a propossta de SD ap presentada p pelos autores não pode ser confundida com aquelee planejameento geral, antecipadamente previstto pelo professor para o o trabalho com c gêneros.Naaelaboração odaSD,oplaanejamentovaisendoeffetuadoporeetapas:iniciaalmentevolttadoparaoq que vaiserapreesentadoaossalunosnaaapresentação oinicial,que e,porsuavezz,servirácom moparâmetrodeproduçção paraotexto oinicial;nossegundomo omento,depo oisdeavaliadaaproduçãoinicial,é queserádessenvolvidau uma nova etapa de planejam mento voltaada para o desenvolvime d ento dos mó ódulos, tend do em vista as dificuldades encontradas AsssociadaàprropostadaSSD,osautoreesenfatizamanoçãodeprogressãoq queseapressentacomou um importante instrumentto para as práticas peedagógicas de ensino de língua, referente ao a tratamen nto LETRAS|25 56 oeaosconteeúdosprevisstosparaosciclos.SchneeuwlyeDolzz(2004)afirm mamqueain nda dispensadoaocurrículo – um currícu ulo que apreesente uma divisão dos conteúdos de não existe – para a exxpressão oral e escrita – o das princiipais aprend dizagens. Essse currículo deveria conter em sua formação,, a ensino e uma previsão q se apressenta como uma organiização temporal para se e alcançar um ma preocupaçãão com a “progressão” que boa aprend dizagem. Porr essa razão, devido à grande g diverrsidade dos gêneros exisstentes na sociedade, s eles sugerema propostado oagrupamen ntodosgêneerosquese baseianasccapacidades delinguage emdominanttes (narrar, relatar, argum mentar, expo or e descrevver). A orgaanização progressiva do os conteúdo os curricularres propõeͲseaaresolverprroblemasem mdoisníveisdeaprendizaagem:ointracicloseinteerciclos.Oprimeiroenfo oca as dificuldades/capacidades dos alunos apreseentadas no momento m daa produção/rrealização de determinaada tarefa,quan ndo,graduallmente,oprofessorvaicconseguindo promovern noalunoastransformaçõ õesnecessárrias paraalcançarseusobjettivosdeensiinoͲaprendizzagem. SUGESTÃOD S DELEITURA: ropostadeSSchneuwlyeDolz(2004,p.60Ͳ61)no Consulteap C ocapítulo2, dolivroGêne d erosOraiseEscritosnaEEscola. osegundoníível,têmͲseascondiçõessparaqueo osmesmosco onteúdossejjamtrabalhaadosdeform ma No continuada e espiralad da, sob as quais q os alunos passam a desenvollver sua cap pacidade de produção em e mplexidade. Assim,osm mesmosgêne erospodemsserdesenvolvidosemdiferentesnívveis diferentesggrausdecom de aprofundamento, ao longo doss ciclos pelo os quais o aluno a deve passar, levandoͲo a sup perar possívveis petências no o manuseio de determin nados gênerros textuais. Não se traata, dificuldadess, ou a aprimorar comp obviamentee, de uma reepetição meecânica, que não propon nha desafioss para o aluno, mas de oferecerͲlhee a possibilidad dedeconsideeraraelaborraçãodaquelegênero,le evandoemco ontaoutrosparâmetrosdeprodução o. Exxemplifico com a seguin nte situação:: um texto de d opinião, elaborado e po or um aluno o do 6º ano do ensinofund damental,nããovaisepau utarnosmesmoscritériosdeelaborraçãoedeaanálisecom osquaisvai se depararquaandodaelab boraçãodom mesmogêneeroaocursaro9ºano.A Asituaçãodeeaprendizaggem,tendoeem vistaoníveldedesenvo olvimentodo oaluno,écompletamenttediferente. Osentidodap progressãon naaprendizagemdosgên nerosébemdiferentedaaobservadanotratamen nto dos conteú údos gramatticais. Na prrimeira, obseervaͲse, de fato, uma possibilidade p e de aprofu undamento em e relaçãoaod domíniodo conteúdo/objetodecon nhecimentottantonaabrrangênciado omesmociclo(intraciclo os), umavezqu ueodesenvo olvimentodaaSDpermiteaevoluçãogradativadaashabilidadeesdeleituraedeproduçção de textos do aluno; quanto q na perspectiva interciclos, por permittir condiçõees de aprimoramento das d LLETRAS|257 capacidadesadquiridas.Nasegundasituaçãoháumaorganizaçãodeconteúdosquesebaseianagradaçãodo maissimplesparaomaiscomplexo,contrariando,decertaforma,ofluxodaspráticasdelinguagem. A disposição dos conteúdos gramaticais segue uma ordem rígida nos livros didáticos e nos programas curriculares: fonologia, morfologia, sintaxe, articulados com questões de semântica e de ortografia. Na morfologia, são apresentados primeiro os substantivos, artigos, adjetivos, pronomes, verbos, advérbios, conjunções etc.; na sintaxe, primeiro os termos da oração, depois os períodos coordenados, seguidospelosperíodossubordinados,enfim,comosenoprocessodeelaboraçãodetextos,mesmonafase inicialdeaprendizagem,oaluno/aprendiznãosedeparassecomtodasessascategoriaseprocessosdeuma só vez. O que acontece então é que, como essas noções são desarticuladas das práticas de linguagem efetivas, da materialidade do texto oral e escrito, os conteúdos gramaticais perdem sua funcionalidade, quando,naverdade,sãotãonecessáriosaoprocessodetextualização. Vamos agora praticar um pouco a elaboração de módulos que focalizem aspectos relacionados à estrutura do gênero, mas também questões de cunho gramatical. Trago um texto, em sua primeira versão, elaboradoporumalunodo7ºano,depoisdereceberumaorientaçãosobreogêneroartigodeopinião.Na etapa de apresentação e conhecimento sobre o gênero a ser produzido, ele teve acesso a exemplares de artigodeopiniãopublicadosemrevistas,comparoucomeditoriaiseconstatouqueatemáticanormalmente era construída a partir de algum acontecimento ou problemática que estivesse em evidência. Na época, a mídia estava dando ampla cobertura e divulgando diariamente informações sobre o assassinato de uma criança de 5 anos de idade, ocorrido em São Paulo. O aluno não foi solicitado a reescrever o texto, certamente,setivessereescrito,algunsdosproblemasidentificadosjáteriamsidoresolvidos,principalmente osrelacionadosàortografia. Mal sem fim (M. R. 7º ano) A violência acontece em todos os lugares como rua, trânsito e até mesmo dentro de casa no caso da menina Isabella Nardoni de 5 anos de idade morta pelo próprio pai (Alexandre Nardoni) ninguém sabe quem a matou mas quem matou vai pagar muito caro. Minha opinião é quem esteja neste crime que pague com a sua própria vida como acontece nos Estados Unidos mas não so neste crime so que em outros como o do Boing da Gol e outros como de Castelo Branco na paraíba eu sempre fico chocado. O Brasil é um país tão bonito e cheio de mulheres e com essa violência ninguém mais vai querer morar aqui. Assim o brasil não vai para frente e sim mas vezes pra trás. Foram mais de 28 mil mortos por ano em 2007, são mais 228 mil mortos so no Brasil. Isso é uma vergonha sinceramente. LETRAS|258 Módulo 1: Neesse módulo poderão ser foccalizadas quesstões referentees ao conteúdoo temático. 1. 2. 3. Quaalotemacenttraldotexto? Hám manutençãoeeaprofundam mentodotópicco? Háiinformaçõesssuficientesparaoleitorsab berdetalhessobreosaconttecimentosab bordados? Módulo 2: Neesse módulo poderão ser foccalizados aspeectos referentes aos elementos de textualizzação. 1. 2. Oussodoselemen ntosdeconexxão/coesãoevvidenciaasrellaçõesdesenttidoentreosenunciadosdotexto? Oseelementoscon nseguemestaabelecerasartticulaçõesenttreassequênciasdotexto?? No oplanejameentodomód dulo2,obserrveque,dep pendendodo o conteúdo gramaticalccorrespondente aobimestreeemquesejjacoletadoo otexto,podehaverumaacoincidênciaentrecon nteúdoprevisstoeaquestão de ordem linguística a ser abordad da no módullo. Nesse caso, a reflexãão sobre o u uso dos pron nomes relativos comoumdoselemento osfundamen ntaisnaconsstruçãodate extualização éextremam mentepertine ente.Omessmo ocorreria see estivessem m na pauta programáticca as conjunções coordeenativas e su ubordinativaas. Na verdaade, essas reflexxões sobre o o uso e funçção das categorias gramaticais serão o necessárias em qualqu uer situação de elaboração textual porque são elas as responsáveis pelo processo dee estruturaçãão linguísticoͲdiscursiva do texto.Acresscentoaessareflexãoa avaliaçãoqu ueIrandéAn ntunesfaza respeitoda compreensããodagramáttica comoconju untoderegraasqueespeccificamofuncionamentodeumalínggua: Quando algguém é capaz de falar um ma língua é então e capaz d de usar, apro opriadamente, as regras (fon nológicas, mo orfológicas, sin ntáticas e semânticas) deessa língua (além, é claro, de outrasden naturezapraggmática)naprroduçãodeteextosinterpreetáveiserelevvantes.Apren nder umalínguaé,portanto,adquirir,entrreoutrascoisaas,oconhecim mentodasreggrasdeformaação dosenunciadosdessalín ngua.Querdiizer,nãoexisttefalantesem mconhecimen ntodegramática (ANTUNES,2006,p.85Ͳ8 86). Agoraaé com m vocêê LeiaaocapítuloEExplorandoaGramática,p páginas85a105,dolivroAulade porrtuguês:enco ontroeinteraação,deIrand déAntunes. Naa verdade, isso caracterriza o que entendemos por análise linguística, que, sem de esconsiderarr as regrasecattegoriasgram maticais,jáq quesãoinereentesaofunccionamentodalíngua,asssumeumacconotaçãom mais amplaque oensinode gramática.R RatificoaavaaliaçãodeJo oãoVanderleeiGeraldiarrespeitodeq queadiferença entre análisse linguísticaa e ensino de d gramáticaa não pode se s restringir apenas a uma questão o terminológica, masimplicaamudançadeatitudedapartedopro ofessor. LLETRAS|259 Ousodaexxpressão‘análiselinguísticaa’nãosedeveeaomerogosstopornovasterminologias.A análiselingguísticainclui tantootrabaalhosobreas questõestrad dicionaisdeggramáticaquaanto questões amplas a prop pósito do textto, entre as quais q vale a p pena citar: coe esão e coerên ncia o texto; adequação do texto aos objjetivos pretendidos; análiise dos recurrsos internas do expressivossutilizados(m metáforas,me etonímias,parráfrases,citaçções,dicursos diretoeindirreto etc.); organização e inclusão de in nformações etc. e Essencialmente, a prática de anáálise linguística não poderá limitarͲse à higienização o do texto d do aluno em m seus aspecctos os,limitandoͲsea‘correçõees’.TrataͲsed detrabalharco omoalunooseu gramaticaisseortográfico textopara queeleatinjaaseusobjetivo osjuntoaosleitoresaquesedestina(G GERALDI,1977 7,p. 74). M MárciaMendo onça(2006, p.214)ilusttraadiferen nçaentreas duasperspeectivasporm meiodetabeelas quevãodesstacarqueaaabordagem mdeensinod delínguainterferenaseestratégiase nashabilidaadesesperad das. Dastabelassapresentadaspelaauto ora,destacoaaquefocalizzacomoobjeetodeensino oasoraçõesscoordenadaase subordinadas. ENSINO DE GRAMÁTICA Objeto de ensino Orações coordenadass subordinada as e Estratéégia de ensin no Expossição de peeríodos para identificaçã ão e classifficação dos teermos Habiliidade esperada Identifficar e classificar as oraçções e os p períodos AnáliseLingguística Objeto de ensino Operadores argumentativvos; organização o estrutural da as sentenças Estratéégia de ensino o Leitura a e comparaçção de textos. Exercíccio de reescrita de textos e de trecho os de textos. Habilidade esperad da Perceb ber as várrias formas de estrutu urar períod dos por meio dos operado ores. Saber escolher, enttre as diversa as opções, a que melho or atende à prretensão de sentido s Ob bserve atentamente essas tabelas e veja com mo o segund do enfoque permite a ampliação das habilidadesprevistaspaaraosalunos.Alémdisso o,percebeͲssequeapersspectivadeaanáliselinguísticarealizaaͲse legitimamentenoproceessodeelaboraçãodeteextos,lugar privilegiado pararefletirrsobreofun ncionamento oda língua.Aop professorcab be,então,aju ustarͲseaum mapráticaco ondizenteco omessanovaarealidade. Agoraaé com m vocêê ProcureseleembrardasaaulasdePortu uguêsqueab bordaramosp períodoscom mpostos porcoorden naçãoesuborrdinação.Quaaislembrançaseimpressõ õesvocêguarda dessasaulass?Qualfoiottratamentod didáticodesseesconteúdoss?Osprofesso ores normalmentterecorriamaqualperspeectiva? LETRAS|26 60 UNIDADE VI A IMPORTÂNCIA DOS PROJETOS INTERDISCIPLINARES DepoisderevistaeaprofundadaapropostadaSDeseusefeitosnasistematizaçãodasatividadesde leituraedeescrita,partiremosparaumareflexãosobreumadimensãomaiordaspráticasdocentes.OsdocuͲ mentosoficiaisapontamparaanecessidadedequenoensinodelínguaportuguesasejamabordadosostemas transversais(Ética,PluralidadeCultural,MeioAmbiente,SaúdeeOrientaçãoSexual),umavezque portrataremdequestõessociais,pertencemàdimensãodoespaçopúblicoe,portanto,neͲ cessitam de participação efetiva e responsável dos cidadãos na sua gestão, manutenção e transformação.Todoselesdemandamtantoacapacidadedeanálisecríticaereflexãosobre valoreseconcepçõesquantoacapacidadedeparticipação(PCN,1997,p.45Ͳ46). AsaulasdelínguaportuguesaapresentamͲsecomoumespaçoprivilegiadoparaodesenvolvimento de tais práticas devido ao “fato de a língua ser um veículo de representações, concepções e valores socioculturais e o seu caráter de instrumento de intervenção social” (PCN, 1997, p. 45). Para estar em conformidade com essas demandas, não podemos considerar as aulas de língua portuguesa em uma perspectiva tradicional, nos moldes do que já foi exposto aqui anteriormente. Entendo que, nesse caso, as atividadesdeensinoͲaprendizagemdelínguadevemestaralinhadascomoqueSchneuwlyeDolzdefinempor práticas de linguagem as quais implicam dimensões sociais, cognitivas e linguísticas do funcionamento da linguagemnumasituaçãodecomunicaçãoparticular.Assim,paraosautores,oestudodo“funcionamentoda linguagemcomopráticassociaissignifica,então,analisarasdiferenciaçõesevariações,emfunçãodesistemas decategorizaçõessociaisàdisposiçãodossujeitosobservados”(SCHNEUWLYeDOLZ,2004,p.73). Diantedessequadro,apontoaexecuçãodeprojetostemáticoscomoumadasalternativasdidáticoͲ pedagógicas a que o professor pode recorrer. A elaboração e planejamento de projetos de cunho interdisciplinar envolvem tanto os professores como os alunos no desenvolvimento de práticas sociais de linguagem que extrapolam os limites do que seja ensinar e aprender porque todos estão envolvidos no processodeconstruçãoedeelaboraçãodeumobjetoúnico. Para Angela Kleiman, os projetos se inserem nas práticas de letramento gerais, tais como todas as outrasaçõesquedesenvolvemosnasociedade,permeadaspelaleituraepelaescrita.Aautora(2000,p.238) defineespecificamenteosprojetosdeletramentocomo Umapráticasocialemqueaescritaéutilizadaparaatingiroutrofim,quevaialémdamera aprendizagem da escrita (os aspectos formais apenas), transformando objetivos circulares LETRAS|261 como“escreverparaaprenderaescrever”e“lerparaaprenderaler”emlereescreverpara compreender e aprender aquilo que for relevante para o desenvolvimento e realização do projeto. Diriaqueesseéocontextomaislegítimodeinserçãoeestudodosgênerostextuais/discursivospara asaladeaulaporque,emconcordânciacomaavaliaçãodeKleiman(2006,p.33),“acreditamosqueéaprática social que viabiliza a exploração do gênero, e não o contrário”. Ainda a esse respeito, acrescento o entendimentodeBazerman(2007)sobreosgêneros,osquais,segundooautor,ajudamaintroduzirosalunos emnovosterritóriosdiscursivos,umpoucomaisalémdoslimitesdeseuhabitatlinguísticoatual.Reforço,no entanto, que essa ampliação exige que os alunos sejam inseridos, de fato, nas práticas de letramento características às situações comunicativas nas quais estarão inseridos. Daí, esse acesso se tornará mais justificadoporqueviráacompanhadoporpráticasefetivasverbaisenãoverbais,oraiseescritas,voltadaspara oprofessor,alunos,professoresdeoutrasdisciplinase,emalgunscasos,envolverátambémoutrossetoresda comunidadeescolar. Oprimeirodesafioaserenfrentadonoplanejamentoeelaboraçãodeprojetosresidenofatodeque, na avaliação de Oliveira (2008, p.111), por se tratar de uma prática nova para uma grande parcela de professores,essaaçãovemacompanhada,geralmente,desentimentosdeinsegurança,medoeansiedade.As etapasdeplanejamento,elaboraçãoeexecuçãodeumprojeto,assimcomoacontececomoutraspráticasde letramento, serão viabilizadas por ações de leitura e de escrita, essas últimas vão exigir uma certa familiaridadecomaestruturadeumgênerocomoqualnemtodosestãodevidamentefamiliarizados.Quero lembrarqueoprocessodedesenvolvimentodeprojetosincorporatambémemsuasaçõespedagógicasaSD, considerada como uma das etapas de seu plano de execução, assim como o são as demais ações de planejamento Em sua concepção, como todo projeto, vai requerer um planejamento. Nessa etapa inicial, a elaboração de um projeto temático precisa delimitar o que fazer, apontar os objetivos, indicar como fazer, determinarosparticipantesenvolvidos,apontarosrecursosdisponíveisenecessários,estabelecerasaçõesde cadaparticipante,enfim,requertodoumtrabalhodeplanejamentoantesmesmodecomeçaroprocessode textualizaçãopropriamentedito.Afinal,oprofessorprecisaorganizartodasessasideiaseaçõesemformade texto,mesmoquesejaumtextoinicialesujeitoamuitasreformulações. Apresentarei agora uma experiência bem sucedida na realização de um projeto didático desenvolvido por uma professora5 de uma escola pública com sua turma de 6º ano. A ideia inicial para sua execuçãopartiudeumapropostadeproduçãodetextoqueconstavanolivrodidáticoadotadopelaescola. Nelehaviaasugestãodotrabalhocomogêneronotíciaparaaquelebimestre.Noplanejamentodidáticoque antecedeuaapresentaçãoeexploraçãodogênero,aprofessorafoisedandocontadanecessidadedeabordar 5 As atividades foram planejadas e coordenadas pela professora Lourdinha Barbosa, do Centro Estadual Experimental de EnsinoͲ aprendizagemSesquicentenário,localizadoemJoãoPessoaduranteosegundosemestrede2005. LETRAS|262 o gênero em uma perspectiva mais ampla, que caracteriza efetivamente uma situação de prática social de linguagem.Paraisso,oalunoteriadeserinseridonocontextodeletramentotípicodascondiçõesdeprodução dogêneronotícia,oqueimplicariaocontatoemanuseiocomosuportejornal. De acordo com Dolz, Noverraz e Schneuwly (2001), a primeira dimensão de um trabalho com os gênerosconsistenaapresentaçãodeumprojetocoletivodeproduçãodeumgênerooralouescrito,apartir da qual os alunos compreendam a situação de comunicação em que devem agir. Outros aspectos nesta apresentação devem também ser contemplados, como: Que gênero será abordado? A quem se dirige a produção?Queformaassumiráaprodução?Quemparticiparádaprodução? Atéesseponto,aprofessorajáhaviadefinido:(1)oquefazer;(2)osobjetivosiniciaispretendidos; (3)ocomofazere(4)osparticipantesenvolvidos.Foientãosolicitadoaosalunos,emumprimeiromomento, queassistissemaostelejornaislocaisenacionaiseanotassemasnotíciasquemaislhechamassematenção; emseguida,aprofessorapediuqueelestrouxessemexemplaresdetrêsjornaislocaisparaasaladeaula,afim dequepudessemobservarcomoseapresentaanotícianojornalimpressoe,posteriormente,refletircoma professoraedemaiscolegassobreassemelhançasediferençasentreamídiaescritaeaeletrônica. Àmedidaqueosalunosiamsendoenvolvidospelaatividade,surgiuainiciativa,colaborativamente construídacomosalunos,deelaboraroprópriojornaldasala,tendoemvistaumeventoculturalqueocorre anualmente na escola, momento em que os alunos expõem os trabalhos mais relevantes desenvolvidos no ano.Apartirdaí,aprofessoradecidiuelegercomometadobimestreaelaboraçãodeumpequenojornalaser divulgadonoevento.Observemque,aolongodoprocessodeplanejamento,houveumredirecionamentodo objetivodefinido,levandoareestruturaroprojetoinicial. Descreverei,aseguir,sistematicamente,todasasetapasdotrabalhorealizado: 1Ͳ Osalunosassistemaostelejornaislocaisenacionais,emdiferentesemissorasdetelevisão,etomamnotasobre adiversidadedenotíciasquesãotransmitidas,destacandotambémasquemaislheinteressaram. 2Ͳ Sãoapresentadosemsaladeaulatrêsjornaislocais:ONorte,CorreiodaParaíbaeJornaldaParaíba.Osalunos manuseiamelêemparcialmenteosjornaisparatomaremconhecimentodascaracterísticasdosuporteeobserͲ varadiversidadedegênerosetemasquenelescirculam. 3Ͳ Érealizadootrabalhodeleituradostextosqueaparecemnaprimeirapáginadojornal,bemcomoaexploração e reflexão da função dos mesmos: cabeçalho, manchete, lead (lide), chamada e legenda dos fatos. Nesse moͲ mento,aprofessoraexpõeascaracterísticasdecadagênero,caracterizandoefetivasaçõesdeensino. 4Ͳ Professoraealunosdiscutemsobreosdiferentesenfoquesquesãodadosaomesmoacontecimento,tendoem vistaosdiferentesjornais.Nessaatividadedeleitura,osalunosforamestimuladospelaprofessoraaidentificar ossubentendidoseasmarcasdesubjetividadepresentesnogêneroedequeformaissointerferenacompreenͲ sãodosfatos.Observemqueessaéumaatividadedeleituraextremamenteprodutivaedegrandecomplexidade paraalunosde6ºano,masseforbemconduzidapeloprofessor,serábastantesignificativaparaodesenvolviͲ mentodacapacidadeleitoradosalunos. 5Ͳ AlunoseprofessoradecidemelaborarumjornaledivulgáͲlonaMostraCulturalaserrealizadanaescola. LETRAS|263 6Ͳ Discussãoedefiniçãodapauta:Osalunossereúnememgruposparadecidirquaistextosseriamnoticiadospelo jornal,buscam mais informações para a elaboração dasnotícias.Até esse momento, à exceçãodas anotações feitasduranteaexibiçãodostelejornais,osalunosaindanãohaviamproduzidonenhumexemplardogêneronoͲ tícia,masjáhaviamadquiridoumbomconhecimentosobreaestruturatemáticaeorganizacionaldogênero. 7Ͳ Osgruposcomeçamaelaborarostextosquevãocomporcadajornal.Alémdanotícia,sãoelaboradosoutros gêneros.Éelaboradaaprimeiraversãodojornal. 8Ͳ Releituraindividualecoletivadostextoselaborados.Surgemasprimeirasmodificações:nemtodosostextosesͲ tãoadequadosànaturezadosuporte;nemtodasasnotíciassãorelevantes;necessidadederedistribuiçãodas notíciasemvirtudedasdiferentestemáticas:esporte,educação,generalidadesetc. 9Ͳ EmvirtudedaproximidadedascomemoraçõesdoaniversáriodacidadedeJoãoPessoa,osalunosdecideminͲ cluiralgumtextoinformativosobreacidade,chamandoaatençãoparaosseusquatrocentosanosdeexistência. ApresentaͲse,então,umaexcelenteoportunidadeparaotrabalhointerdisciplinar,umavezqueosalunospasͲ samabuscarsubsídioparaaelaboraçãodostextosnaauladehistória. 10Ͳ Devidoànecessidadesurgidanacomposiçãodosoutrosgênerosqueseriamcontempladosnojornal,aprofessoͲ ratrazexemplaresdossuplementosinfantisanexadosaalgunsjornaisaosdomingosparaqueosalunostomem conhecimentodesuascaracterísticas.Osalunosinseremaseçãodepassatempo,curiosidadeseanedotas. 11Ͳ Éelaboradaasegundaversãodojornal. 12Ͳ Nessaépoca,segundosemestrede2005,estavaemplenadiscussãooreferendopopularsobrealegalizaçãodo comérciodearmasdefogo.Houvedebatesnaescolasobreotemaecomoosalunosestavamtendoacessoaos textosjornalísticos,nosquaisoassuntoestavasendoamplamenteabordado,decidiraminserirnojornalumartiͲ godeopiniãosobreotema. 13Ͳ Ocorre,então,umnovodirecionamentonasatividadesdoprojetomotivadoporumanecessidaderealdasituaͲ çãodeprodução:aelaboraçãodeumartigodeopinião.Aprofessoralevaparasalaalgunsexemplaresdogênero afimdequeosalunospossamconhecererefletirsobreafunçãosócioͲcomunicativa,estiloeestruturacomposiͲ cionaldessegênerotextual. 14Ͳ Elaboraçãoereescritadosartigosdeopinião.Oprocessodereescritaobedeceaoplanejamentoeexecuçãode umaSD. 15Ͳ Escolhadosalunos,porgrupo,domelhorartigodeopiniãoparacomporcadajornal. 16Ͳ Elaboraçãodaediçãofinaldecadajornal. 17Ͳ OsalunosdivulgamedistribuemosjornaisaosvisitantesdaMostraCultural. É possível observar que, nas atividades desenvolvidas pela professora, existe tanto a preocupação com o contato anterior com o gênero a ser trabalhado, de modo a fornecer ao aluno o conhecimento do gênero e a familiarização com sua estrutura; como a preocupação de inserir o aluno em práticas sociais de linguagem. Tendo essas práticas como ponto de partida, os alunos recorrem aos textos de referência (os diversos gêneros com os quais vão entrar em contato), em um fluxo ativo de leitura e de escrita, caracterizandoprocessoseminterface. LETRAS|264 Observem qu ue as atividaades acima descritas d con ntemplam taanto a dimeensão do enssino quanto da O aprendizageem.Estaúltima,doponttodevistam macro,vaisedesenvolven ndonosalunospormeiodaspráticassde letramentoproporcionaadasporleiturasdiversass,escutaeanálisedetexxtos,discussããoereflexão osobreosfaatos da vida em sociedade, na seleção dos temas mais m relevan ntes a serem m abordados no jornal da escola, enfim todoumpro ocessodeap prendizadossobreoqualoprofessornãoexerceu umcontroleefetivo. Momeentodereco ordação:Ao olongodesuavidadeeestudante,vocêteveaaoportunidaade deeparticipardaelaboraççãoeexecuçãodeumprojetotem mático/interrdisciplinar desenvo olvidonaesccola?Vamo ossocializaressaexperiêncianofó órum. confirma algumas das vantagens d A exposição dessa experiência e da pedagogia de projettos apontadasp porGandin((2002)6: a) possibilitaoestudodetemasvvitais,deinterressedosalun nosedacomu unidade; b) perm miteerequerraparticipaçããodetodos,d demodoqueo oalunonãofiicaapenasnaposturapassivade“receber” conteúdos; c) abreeperspectivassparaaconsttruçãodoconhecimentoapartirdequesstõesconcretaas; d) opo ortunizaaexpeeriênciadavivvênciacríticaecriativa; e) ajud daoeducandoadesenvolvvercapacidad desamplas,co omoaobservvação,areflexxão,acomparação,asoluçção dep problemas,accriação; f) criaumclimapro opícioàcomunicação,àcoo operação,àso olidariedadeeeàparticipaçãão. O trabalho dee análise dass práticas dee linguagem orientado pela p professo ora foi bastaante produtivvo, porque os alunos a tiveraam a oportu unidade de avaliar a quaiss temas estaariam mais aadequados ao a contexto de circulação do d jornal a ser s produzido por eles. A A temática geral g da “Fo olha Sesqui” organizouͲse em torno de assuntos liggados à histó ória, educaçção, esportess, lazer, conhecimentos gerais e atu ualidades. Além do espaaço reservadoààsnotícias,o osalunosinccluíramaseççãodecuriosidades,poeema,sugestããodeleituraa,programaçção de cinemass, passatempo e tabela do resultado dos jogo os do campeonato brassileiro de fu utebol. Em um u primeiromo omentodap produção,o grupohaviainseridoum maseçãodep piadaseadivvinhações,m masfoiretiraada naprimeirarevisãoporqueosprópriosalunosp perceberamquenãoestaavacondizen ntecoma“linha”dojorn nal. A escolha dos temas e dos gêneeros que iriaam compor o jornal nãão recebeu a interferência direta da professora, mas foi posssível perceb ber que o cu uidado dos alunos a com a seleção teemática foi decorrente d d dos bonstextossselecionado osporelaeq queserviram mdebaseparaasprimeirrasproduçõeesescritas. Esssa capacidade de reflexxão é extrem mamente significativa um ma vez que rrevela o níve el deavaliaçção críticadosaalunosemto ornodequeestõestãosu utiscomoesssa.Nãobasttavaelaboraarumjornal,,aseleçãod dos 6 Asvantagenss,talcomoseaapresentamaqu ui,foramretiraadasdocapítulo o“Oprojetodid dático:formad dearticulaçãoe entreleitura,litteraͲ turaprodução odetextoeanááliselinguística”elaboradopo orLíviaSuassum ma,IranFerreirradeMeloeW WanderleiEliasC Coelhoepubliccado nolivroPortugguêsnoensino omédioeform maçãodoprofesssor.SãoPaulo:Parábola,200 06,p.227Ͳ244. LLETRAS|26 65 temasegên nerosdeveriiaobedecer acritériosd deexcelênciaa,coerência epertinência,quelevasssememcon nta fatorespraggmáticoscomo:localon ndecirculariaaoexemplaar,aquemsedestinava,eporquem mestavasen ndo avaliado.Oobjetivodo ogrupoeraeelaborarum mjornaleduccativo,quesservissecom mofontede conhecimento, informação,entretenim mentoelazerr. Seelecioneioexemplarde umdosgrup posparamostrarocuidaadoearespo onsabilidade edosalunos na elaboraçãodojornal. Figura 4: Folha Sesqui O processoinicialdeleituraereflexão odesenvolvidopelaproffessora,confformejámencionamos, foi n direcionaamento das escolhas efetuadas e pelos alunos, ratificando o a importâância de um ma essencial no orientação criteriosa do d professorr no momen nto em que e desenvolvee as atividaades de produção textu ual. Qualquer produção p texxtual a ser desenvolvida d a em sala de aula devee ser fruto d de um trabaalho realmen nte colaborativo oentreprofessorealuno.Aproduçããodetexton nãopodeserrvistacomoumtrabalho osolitário,cu ujo LETRAS|26 66 sucessoouinsucessorecainecessariamentesobreoaluno.Dizendodeoutraforma,oalunonãotemcomo sercobradoemcompetênciasparaasquaisnãofoiorientadoadesenvolver. Jádopontodevistadasatividadesdeensino,emumnívelmaisespecífico,aprofessoraencaminhou o trabalho com as SD, focalizando nos módulos as dificuldades encontradas pelos alunos na elaboração dos textos. Segundo Bronckart (1999), o trabalho com as SD, por focalizarem as propriedades discursivas, pragmáticaselinguísticasdotexto,atendeatrêsobjetivosdeensino. a) afocalizaçãonasatividadesdiscursivaseemtodososaspectosrelacionadosàescolha,adequaçãoeadaptação dogêneroemumdeterminadocontextocomunicativo. b) omanuseiocomassequênciastípicasaogêneroconsiderado. c) o domínio dos mecanismos lingüísticos relacionados à escolha eprodução deum gênero em um dado evento discursivo. Todos essesprocedimentos de exploração, antecipação e análise, focalizados no primeiro objetivo deensino,representambemasprimeirasetapasderealizaçãodeumaproduçãodetexto,correspondenteà apresentaçãodasituaçãoemumaSD.Assim,suautilizaçãopermitequeoprofessorprepareoaluno,deforͲ magradualeprogressivaparaodesenvolvimentodeumaatividadeque,aoseutérmino,temgrandeprobabiͲ lidadedeêxito. Osdemaisobjetivosforamatendidosàmedidaqueosalunoselaboravamostextoseaprofessora constatavaasdificuldadeseinadequaçõesdosrecursoslinguísticosediscursivos.Ouseja,quandoaintervenͲ çãopedagógicadoprofessorsetornamaissistematizada,dadasasnecessidadesdeaprendizagemdosalunos. A título de encaminhamento... Chegamosaofimdenossasreflexões,mascomindicaçãodequeonossotrabalhoestáapenascoͲ meçando.Esperoterdeixadoclaroqueoprocessodeformaçãodoprofessorécontínuo,queestamossempre em busca de novos textos, novas teorias, enfim, novos conhecimentos que nos permitam construir novas práticas.Edigomais,mesmoqueessaconstruçãodeconhecimentossejasemprepermeadapelapresençado outro(professor,colega,autor,alunoedemaisintegrantesdacomunidadeescolar),nãopodemosnuncaabrir mãodenossaautonomiaconstrutivaecriativa. Omesmopodeserditoemrelaçãoàexecuçãodeprojetostemáticos:ostemasnormalmente,não estãopredefinidos,massãoconstruídosemparceriacomosalunos,afinal,elessãoatoresfundamentaisno processo.Namaioriadasvezes,nãoadiantacopiar/adotarumapropostadeprojetoquefoibemsucedidaem uma escola, seguir uma determinada SD que foi pensada em outra dinâmica de ensinoͲaprendizagem. Em algunscasos,aexperiênciapodeserfrustrante. LETRAS|267 Digo isso porque me lembro de uma experiência bem sucedida de projeto temático desenvolvida poroutraprofessora7,aindanamesmaescolacitadaaqui,quepartiudeumtema,aparentementebanale, inicialmente,depoucaabrangência,masquefoiganhandoumadimensãoessencialmenteinterdisciplinar:o beijo.AsorientaçõesdaprofessoraeoenvolvimentodosalunosforamdecisivosparaoqueoprojetoextraͲ polasseoslimitesdaauladeportuguêsesuaabordagemnãoserestringisseapenasadeterminadosgêneros. Osalunosabordaramotemanaperspectivaartística,literária,científicaehistórica,nãoprevistasinicialmente pelaprofessora,masquerecebeutodooseuapoiobemcomoodosprofessoresdasdemaisdisciplinas.As situaçõesdeensinoͲaprendizagemforamdidaticamentetãoprodutivasqueoprojetofoipremiadopelasecreͲ tariadeeducaçãodoEstadodaParaíba. Oprojetofoidivulgadoemalgunseventosnacidadeeemumadessasocasiões,aprofessoraouviu deumacolegadeprofissãoaconfissãodequeiriadesenvolveromesmoprojetoemsuasturmas.CertamenͲ te,elanãodevetertidoqualquerintençãonegativaaodizerisso,apenasquisexpressarasuaaprovaçãodianͲ tedaprofessoraresponsávelpeloprojetoesuavontadededesenvolverumtrabalhoigualmentebemsucediͲ do.Oproblemaéquecadaprofessor,juntamentecomseusalunos,deveencontrarseuspróprioscaminhos, identificar sua problemática, tendo em vista suas especificidades e realidade. Não há uma indicação sobre qualéomelhortema,amelhorproposta:arealizaçãodeumaeleiçãonaescola,aorganizaçãodeumconcurͲ sodepoesia,umacampanhapelanãoviolêncianacomunidadeescolaretc.Aprincípio,qualquertema,desde quesejabemaceitoeseidentifiquecomaturma,podegerarbonsresultados. Cabeanós,professores(tãosomente!!??),estarmossempreatentosàsboasoportunidadesdeaͲ prendizagem que surgem no diaͲaͲdia de nossas práticas escolares, permitirͲnos ouvir os alunos, aprender comelesecomarealidadequenoscerca.Nãopodemosterreceiodepartilhardúvidaseexperiênciascom nossos colegas, afinal, aprendemos na interação com os outros, e nesse compartilhamento, quando descoͲ brirmosqueumadeterminadaatividadepodeservirdemodeloparaasnossasprópriaspráticas,nãopercaͲ mosdevistanossosensocríticodeadaptaçãoetransformaçãoparaquepossamosexercitarnossaautonomia ecapacidadecríticaereflexivanecessáriasaoexercíciodadocência. 7 Oprojetofoicoordenadopelaprofessorado8ºanodoensinofundamental,BernadetePalhano,em2007econtoucomaparticipaͲ çãodosprofessoresdeArtes,Matemática,CiênciaseHistóriadoCentroExperimentaldeEnsinoͲaprendizagemSesquicentenário. LETRAS|268 Referências ANTUNES,Irandé.AuladePortuguês:encontro&interação.SãoPaulo:Parábola,2007. ________________.Muitoalémdagramática:porumensinodelínguassempedrasnocaminho.SãoPaulo:Parábola, 2007. BAZERMAN,Charles.Escrita,GêneroeInteraçãoSocial.(Org.)HOFFNAGEL,Judith;DIONÍSIO,Angela.SãoPaulo:Cortez. BRASIL.SEF.ParâmetrosCurricularesNacionais:primeiroesegundociclosdoensinofundamental:LínguaPortuguesa. Brasília,MEC/SEF,1997. BECHARA,Evanildo.ModernaGramáticaPortuguesa.RiodeJaneiro:Lucerna,1999. BRONCKART,JeanͲPaul.Atividadesdelinguagem,textosediscursos.SãoPaulo:Educ,1999. ____________________ . O agir nos discursos: das concepções teóricas às concepções dos trabalhadores. São Paulo: MercadodeLetras,2008. CEREJA,WilliamRoberto;MAGALHÃES,TherezaCochar.GramáticaReflexiva.SãoPaulo:Atual,1999. 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