Ensino de Enfermagem e Parcerias no
Sistema Único de Saúde
Nursing Education And Partnerships In The Brazilian Unified
Health System
Maria Jose Moraes AntunesI
palavras-chave: Sistema Único de Saúde; Educação em Saúde; Parcerias.
keywords: Unified Health System; Health Education; Partnership.
INTRODUÇÃO
No trato e mau trato da Mãe Terra, ao longo do corriqueiro e cotidiano viver da humanidade, novos caminhos por onde ir se foram construindo. Surgiam sempre
quando os existentes não atendiam mais às necessidades
ou eram de difícil acesso aos grupos humanos que deles
se utilizavam ao mesmo tempo e com diferentes motivações, buscando o mesmo norte.
Por força de obrigações, regulamentos ou por desejos pessoais, na busca de cumprir normas, superar dificuldades encontradas, chegar com mais segurança ou
com mais rapidez a algum lugar desejado, o impulso de
superação levava os responsáveis legais ou os mais corajosos destes grupos à busca e invento de novas trilhas,
pontes, viadutos e outras adaptações que garantissem a
chegada ao destino escolhido para o caminhar coletivo.
Decerto estes inventores oficiais ou criadores de novos
caminhos dependiam da autorização dos donos da terra
para por ali passar e da aceitação dos seus parceiros andarilhos para sedimentar sua proposta com roteiro ideal
da viagem.
Com o correr do tempo estes novos caminhos podiam virar atalhos, vielas, ruas ou grandes avenidas; ou
simplesmente desaparecer, por desnecessidade de uso,
com as primeiras chuvas da primavera. Outros destinos
tinham os velhos caminhos abandonados. Desapareciam na solidão do desuso e do tempo, para, mais tarde,
com o rodar da vida, serem resgatados, readequados e
reutilizados.
A duração dos novos dependia dos zelos e desvelos
de seus criadores ou utilizadores, que, agregados por
uma visão comum, colaboração multilateral e manutenção continua, mantinham-nos funcionando para que pudessem ser simultaneamente usados, a fim de atender as
necessidades e fazer chegar a bom termo as atividades
de todos os parceiros envolvidos.
Esta pequena história pode ser correlacionada com
a complexa construção, pelos gerentes de serviço e os
docentes da área, de trilhas, no interior do Sistema Único de Saúde, que garantam o trânsito, no mesmo espaço
e tempo, de gente cuidando dos que precisam de cuidados, de estudantes aprendendo “ao vivo” em gente
movida por múltiplas e prementes necessidades que por
ali transitam.
Cada qual com sua singularidade e necessidade, mas,
por variados motivos, caminhantes do mesmo caminho...
No processo regulatório da educação formal no setor
saúde, têm sido atribuídas aos docentes da área as responsabilidades de definir os caminhos para os campos
de estágio, além de buscar estabelecer pactos e relações
interinstitucionais que propiciem relevantes e oportunas
I Doutora em Enfermagem; Coordenadora do Curso de Enfermagem da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Betim, MG -
2005 -2008.
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vivências de aprendizagem aos estudantes no campo da
práxis.
Nestas relações interinstitucionais no campo da Atenção Básica em saúde, os conflitos começam a surgir
tão logo se iniciam as articulações de planejamento de
estágio.
Quase sempre, a definição do espaço e das ações
permitidas ao estudante tem sido decisão do gerente de
serviço, premido pela demanda sempre crescente. Já a
do tempo em que ele ali permanecerá, em aprendizado,
depende do projeto políticopedagógico e do calendário
escolar.
Não sem prejuízos relevantes para todos os caminhantes, especialmente com a quebra de processos
relacionais de vivência entre estudantes e pessoas cuidadas por eles, gerando aprendizados incompletos e
inconclusos.
O relato de experiências a seguir apresenta um trabalho conjunto de quatro anos, de busca coletiva dos caminhantes para superar esse e outros conflitos existentes
nas relações institucionais entre serviços de saúde, escolas de enfermagem e população atendida e organizada.
Tem por finalidade descrever algumas novas trilhas conquistadas no complexo mundo do setor de saúde pública, para onde confluem e onde se fundem e conflitam
interesses, desejos e muitas e sublimes histórias humanas. Trata-se da visão de uma das caminhantes, portanto
sujeita a parcialidade.
ANTECEDENTES DO PRÓ-SAÚDE I PUC
MINAS ENFERMAGEM BETIM
O Pró-Saúde I, fruto da parceria entre o Ministério da
Saúde, o Ministério da Educação e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)/Organização Mundial da
Saúde (OMS), que propunha financiar e apoiar, em licitação pública, o desenvolvimento de projetos em escolas
de graduação em medicina, enfermagem e odontologia,
integrados ao serviço público de saúde do SUS, capazes
de dar respostas às necessidades concretas da população
brasileira na formação de recursos humanos, na produção do conhecimento e na prestação de serviços.
Atendendo à convocatória Pública SGTES/MS nº
1/2005, a coordenação do curso, após articulação com
os serviços de saúde e instâncias de controle social do
SUS, da área de abrangência do Curso de Enfermagem
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da PUC Minas – núcleo Betim, elaborou, em novembro
de 2005 o seu projeto.
A proposta foi organizada em três partes: a primeira continha os princípios gerais do Projeto Político Pedagógico (PPP) do Curso de Enfermagem de Betim,
sua concepção, objetivos, marco conceitual, perfil do
egresso, competências e habilidades de referência do
curso, seguida de sínteses dos processos avaliativos anteriores do curso, demonstrando a aderência do PPP
aos princípios do Sistema Único de Saúde e a coincidência de seus referenciais aos eixos, vetores e estágio
propostos pelo Pró-Saúde. A segunda parte apresentava um breve diagnóstico das necessidades identificadas, por inquérito amostral, das demandas de educação
continuada para a implementação da Atenção Básica,
no município de Betim e região, extraídas do relatório
produzido pelo núcleo do Polo de Educação Permanente em Saúde, da microrregião de Betim, em 2004.
Por fim, na terceira e última parte, foram apresentadas as propostas de desenvolvimento do Pró-Saúde I,
desenvolvidas em cinco subprojetos, classificados por
eixos e vetores, conforme solicitado na proposta interministerial, ou considerados prioritários no avanço das
propostas sinalizadas pelo Pró-Saúde. Cada um visou
atender demandas especificas dos parceiros que caminhavam pela mesma estrada. Assim, por ocasião da
elaboração dos cinco subprojetos, foram estabelecidos
para cada um deles critérios de “resultados esperados
e critérios de avaliação”.
Em dezembro de 2005, o Diário Oficial da União divulga a listagem dos projetos e escolas selecionadas para
desenvolver o Pró-Saúde no Brasil e, entre eles, o do
Curso de Enfermagem da PUC Minas em Betim.
No ano de 2006, antecedendo o recebimento dos
recursos financeiros, a escolha de antigos caminhos e a
criação de novas trilhas que pudessem dar conta das experiências de aprendizado propostas no projeto foram
sendo construídas em diversos elos.
Estabeleceram-se articulações entre acadêmicos, docentes, coordenação do curso, gerentes e gestores de
saúde das unidades, secretarias e consórcio de saúde
da região em torno da implementação dos objetivos de
cada um dos cinco subprojetos. Foi solicitado ponto de
pauta especifico para a apresentação do Pró-Saúde I aos
conselheiros do Conselho Municipal de Saúde, que puderam apreciá-lo e aprová-lo.
Ensino de Enfermagem e Parcerias no Sistema Único de Saúde
Ainda em 2006, a escola recebeu a vista da comissão assessora do Ministério da Saúde, responsável pelo
acompanhamento do projeto, definindo-se os parceiros
de caminhada em várias reuniões e encaminhamentos.
Cada subprojeto foi desenvolvido por uma rede de responsáveis, formada de um docente do curso, um enfermeiro de serviço e um monitor acadêmico.
Todos, além de conselheiros municipais de saúde e representantes do consórcio de saúde pública existente na
região, compunham a estrutura da Comissão de Gestão
e Acompanhamento Local, responsável pelo desenvolvimento do projeto.
Em fevereiro de 2007, é assinada A Carta Acordo
entre a OPAS e a Sociedade Mineira de Cultura, gestora da PUC Minas, com o número AM/BRA/HRN403 – PG/0607 999 BRA/06/02935 4 GDS . BR LOA
/0600121.001. No entanto, o aviso da liberação do crédito financeiro só chegou ao conhecimento da coordenação em maio de 2007, quando se pôde concretizar,
otimizar o desenvolvimento dos cinco subprojetos.
Por terem origem na mesma instituição, o curso de
enfermagem da PUC Minas em Betim, e servir à mesma
clientela, acadêmicos e docentes do curso, profissionais
de saúde e o SUS da região, cada subprojeto tem interface com os demais, mas tem também especificidades
no seu conteúdo a serem descritas na sequência deste
relato. Descrevem-se as atividades realizadas, por subprojeto do Pró-Saúde I do Curso de Enfermagem da
PUC Minas em Betim, desde a criação da proposta até
2008, período em que a autora foi a responsável técnica
do projeto, segundo objetivos, atividades desenvolvidas
e resultados alcançados.
SUBPROJETO - LIÇÕES DE ENFERMAGEM
NO SUS
O foco deste subprojeto foi desenvolver propostas de
intervenção na rede Básica do SUS- estágio supervisionado de enfermagem na rede SUS, nos municípios do
Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paraopeba
(CISMEP), tendo Betim como sede e que aceitassem voluntariamente receber o projeto.
Os seis objetivos previstos foram: possibilitar aos alunos concluintes do curso de enfermagem articular os
conhecimentos teóricos-práticos, previstos nos Planos
de Ensino dos microcampos do sétimo, oitavo e nono
período, com a realidade da Atenção à Saúde no Sistema
Único de Saúde, SUS, em parceria com os enfermeiros
de serviço dos campos onde desenvolvem estágios curriculares, nos aspectos epidemiológicos, técnicos, humanísticos e sociais; integrar serviço-ensino, favorecendo a
troca de conhecimentos e permitindo ao Curso de Enfermagem da PUC Minas em Betim e aos Serviços de Enfermagem do SUS/ microrregional uma constante autoavaliação para adequar-se às transformações decorrentes
do avanço da ciência e incorporações tecnológicas, epidemiológicas; utilizar a metodologia científica, com enfoque na pesquisa social, para detectar, conhecer, resolver
situações e propor ações que necessitem de intervenção
de enfermagem; favorecer aos enfermeiros de serviço
a reaproximação com os instrumentos metodológicos
de compreensão, análise e intervenção no processo de
trabalho de enfermagem; produção de trabalhos científicos para publicação em periódicos semestrais “Lições da
Enfermagem no SUS”; criar espaço físico e infraestrutura
de suporte para constituição de Núcleo Permanente de
Pesquisa em Saúde e Enfermagem do CISMEP.
Na prática, as ações do subprojeto Lições de Enfermagem no SUS deram visibilidade e expandiram atividades curriculares que já eram desenvolvidas pelos concluintes do curso de enfermagem, nas Unidades Básicas
de Saúde do SUS local, em parceria com os enfermeiros
de serviço dos campos onde eram desenvolvidos os estágios curriculares.
Com aporte da infraestrutura necessária e aquisição de
livros, foram criados espaços para estudos e reflexões próximos ao local de trabalho dos profissionais do SUS. Foram
criados 3 centros de estudos e pesquisas descentralizados
para uso coletivo: um no hospital público regional, outro
na sede da secretaria municipal de Betim e o último na
Casa de Saúde Santa Isabel, antiga Colônia de atendimento
à hanseníase, hoje unidade de referência em reabilitação.
Na sequência publicou-se o livro: Lições de Enfermagem no SUS: a Vivência da Pesquisa no Curso de Enfermagem da PUC Minas em Betim, apresentando os melhores Trabalhos de Conclusão de Curso desenvolvidos
por acadêmicos com os enfermeiros da rede SUS, no
ano de 2005/2006.
Em foi testado o Curso Introdutório de Metodologia
de Trabalho e de Pesquisa em Enfermagem para a revisão dos marcos teóricos, conceituais e metodológicos
do trabalho em saúde e na Enfermagem, oportunos e
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equânimes, seguidos de normas e metodologia de pesquisas em seres humanos. O público- alvo foram 20
enfermeiros da rede municipal de saúde de Betim e 10
acadêmicos do 4º período do curso de Enfermagem da
PUC Minas em Betim. As atividades foram desenvolvidas em encontros presenciais e atividades extra-classe.
Como resultado, obteve-se a elaboração de dois projetos de pesquisa dos enfermeiros da rede municipal de
saúde de Betim e três dos acadêmicos de Enfermagem.
A partir da experiência adquirida com o projeto piloto, foram desenvolvidas as oficinas de Sistematização
da Assistência de Enfermagem e Pesquisas em Saúde no
SUS, em 2007.
Nestes cursos realizaram-se oficinas de capacitação,
envolvendo enfermeiros e profissionais de saúde da rede
SUS, da microrregião de Betim, estudantes e docentes
do Curso de Enfermagem da PUC Minas em Betim. Distribuiram-se a todos os participantes materiais didáticos
para melhoria e suporte ao aprendizado; produziram-se
textos de orientação das oficinas de trabalho e afins.
Estas atividades foram desenvolvidas no período de
agosto a outubro de 2007, para 14 grupos (com 37 participantes por grupo), com total de 518 participantes,
em 45 horas. Os módulos, com 8 horas cada, tiveram o
seguinte conteúdo:
• Módulo 1: Introdução ao SUS . Processo de Trabalho em Enfermagem, em Betim. Pesquisa no SUS:
Correntes de pensamento e investigação. Recursos virtuais. Prioridades e problemas de investigação no SUS e na Enfermagem.
• Módulo 2: SUS: Níveis de atenção em saúde, a
atenção básica, saúde da família e assistência de
enfermagem: avanços e desafios.
• Módulo 3: Planejamento de práticas investigativas
e pesquisa no SUS – Projeto de Pesquisa – Caminhos metodológicos. Sistematização da Assistência
de Enfermagem: Teorias de enfermagem. Processo de Enfermagem. Diagnósticos de Enfermagem.
• Módulo 4: Planejamento de investigação no SUS –
Projeto de Pesquisa – Caminhos metodológicos.
Semiologia e Semiotécnica. Exame Físico.
• Módulo 5: Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE): Registro eletrônico de enfermagem
CIPESC. Estratégias para o POSSE. Planejamento
de investigação no SUS. Escolha de caminhos, definição de grupos de pesquisa e tutoria.
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Participaram das oficinas 329 pessoas, entre acadêmicos dos últimos períodos do curso, enfermeiros e profissionais de serviço, auxiliares e técnicos de enfermagem,
médicos, odontólogos, psicólogos e assistentes sociais.
No entanto, o sexto módulo, previsto no projeto das
oficinas do Curso de Sistematização da Assistência de
Enfermagem e Pesquisas em Saúde no SUS, de tutoria à
distancia, para projetos da rede apresentados nos eixos
investigativos Gerência, Assistência e Educação, não foi
executado. Contribuiu para isto a demora da entidade
mantenedora em realizar a licitação solicitada pela coordenação técnica do projeto para contratação de empresa que executasse este trabalho, assim como também a
criação de software para registro da prática de enfermagem nos diversos níveis de atenção, do SUS da região,
só selecionada em Junho de 2008, época já próxima ao
encerramento do projeto.
Na ausência do suporte da informática, as orientações
aos projetos elaborados foram presenciais, mas dificultadas pela falta de tempo dos profissionais de serviço para
desenvolverem seus projetos de pesquisa, além de dificuldades na compatibilização das agendas dos docentes
orientadores e profissionais da rede, bem como da falta
de espaço nas instituições de serviço para as orientações
presenciais.
Para superar esta carência, realizaram-se encontros e
seminários presenciais, como as semanas integradas de
enfermagem, durante o mês de maio de 2008.
Merece registro o sucesso da IV Semana Integrada
de Enfermagem de Betim, que teve como tema central:
“Saúde e Cidadania: relações do Cuidar e do Poder”,
realizada no auditório do SESI Betim, de 12 a 16 de Maio
de 2008.
Planejada em rede, coordenada pelo Comitê Gestor
do Pró-Saúde e com o apoio de outras instituições de
ensino da região, inclusive outros cursos de Enfermagem, a programação foi desenvolvida em 40 horas de
atividades, concentradas no período de cinco dias, com
a participação de trabalhadores de enfermagem de toda
a região, em média 600 por dia.
Apresentaram-se além de palestras de convidados de
renome nacional, relatos de experiências de processos
de trabalho criativos e solidários surgidos no SUS local a
partir da implantação do Pró-Saúde I.
No entanto, os seminários descentralizados, previstos
no projeto, não foram executados como propostos, fora
Ensino de Enfermagem e Parcerias no Sistema Único de Saúde
do espaço do campus universitário. Contribuíram para
tanto alguns fatores como: a ausência de interlocutores
enfermeiros, referências técnicas de enfermagem nos
municípios da região do CISMEP ou com governabilidade para encaminhar propostas para o desenvolvimento
da enfermagem. O que se observa é que não existem
ainda, nestes municípios, políticas de gestão do trabalho
e da educação em saúde que deem conta de articular
projetos de educação continuada com a universidade,
mesmo que sem ônus financeiro par o SUS municipal.
Esta percepção foi confirmada no 1o semestre de 2008,
ano de eleições municipais, onde a possibilidade de
eventos externos às agendas municipais foi inviabilizada.
Além disso, mantiveram-se as dificuldades para a locomoção dos docentes e discentes com disponibilidade de
tempo para o deslocamento aos municípios, alguns distantes em torno de duas horas, como Piedade das Gerais. Não existem linhas regulares de ônibus de Betim
para estes municípios, é preciso ir a Belo Horizonte ou
se submeter a esperar em pontos de ônibus, às margens
da Fernão Dias, BR 381, com frequência irregular de horários de circulação dos coletivos.
Ou seja, para uma atividade de 4 horas no município,
gastava-se outras 4 horas na locomoção, com prejuízo
das horas de dedicação acadêmicas. Este problema poderia ter sido resolvido se autorizada fosse a compra de
um miniônibus para servir às atividades de integração do
Pro-Saúde I. Apesar desta dificuldade, foram realizados
5 seminários de integração ensino –serviço, emtorno do
desenvolvimento do SUS, organizados pelos alunos do
Gerência em saúde, no primeiro semestre de 2007, sempre aos sábados pela manhã, no auditório da PUC Minas
em Betim, para permitir a presença dos profissionais de
sade do SUS da região, com os temas: Direitos Sociais e
Organizações não governamentais: caminhos da cidadania; SUS, gestão, conselhos de saúde e comissões de regulação do sistema; SUS e a organização da Educação em
saúde como caminho para o autocuidado, autonomia e
cidadania; SUS: Gestão do Modelo assistencial de Vigilância à Saúde, intersetorialidade, integralidade e promoção
à saúde: experiências exitosas; SUS e a gestão do trabalho da enfermagem: tecnologias, limites, desafios.
Participaram como palestrantes representantes de
ONG´s como de moradores de rua, pastoral da saúde,
instituições públicas que desenvolvem programas de
promoção à saúde de adolescentes, como representan-
tes da Polícia Militar, secretarias de educação e bem estar social e conselheiros de saúde. Os seminários eram
concluídos com relatos de experiências exitosas no SUS,
relacionadas à promoção da saúde e intersetorialidade,
apresentadas por agentes de saúde e enfermeiros da
rede SUS.
Em 2007 foi cadastrado no CNPq o grupo de pesquisa Processos Heurísticos e Assistência em Saúde e Enfermagem (PHASE), sustentado nos pilares do Projeto
Pedagógico e do Projeto Pró-Saúde do Curso de Enfermagem da PUC Minas em Betim. O marco conceitual
definido para o grupo foi: A compreensão do homem
em sua integralidade e na dimensão da complexidade da
vida; entendimento do novo conceito de saúde e processo saúde-doença; princípios do SUS, o SUS como norteadores do novo modelo de produção de serviços de
saúde, baseado no perfil epidemiológico; a compreensão
do papel do enfermeiro no contexto de saúde do país e
do local, da produção de serviços e da reformulação do
modelo assistencial com compromisso e autonomia; a
prática da pesquisa em saúde.
Em 2008 o Grupo de Pesquisa PHASE desenvolveu três
seminários, a saber:
1º Seminário de Pesquisa do Grupo de Pesquisa PHASE:
Desafios e Possibilidades da Pesquisa em Enfermagem Relato de experiência dos acadêmicos de Enfermagem
da PUC Minas em Betim, realizado no dia 1º de abril de
2008 com 273 participantes;
2º Seminário de Pesquisa do Grupo de Pesquisa PHASE:
Desafios e Possibilidades da Pesquisa em Enfermagem Relato de experiência dos professores do Curso de Enfermagem da PUC Minas em Betim, realizado no dia 15 de
abril de 2008 com 87 participantes;
3º Seminário de Pesquisa do Grupo de Pesquisa PHASE
realizado durante a VI Semana de Enfermagem da PUC
Minas em Betim. Neste, chamou a atenção uma mesa
redonda de avaliação do Pró-Saúde I, composta por cinco enfermeiros das UBS’s, da rede básica do SUS Betim,
campos de estágio do curso, que relataram os avanços na
organização do trabalho da Enfermagem em seus locais
de trabalho. No entanto, consideraram como dificuldades para a sedimentação da pesquisa e estudos da prática efetiva de enfermagem no cotidiano dos serviços do
SUS: a falta de hábito das ações de pesquisa, as falhas
de comunicação com o nível central do SUS local, com a
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rede básica e com a academia – curso de enfermagem,
e à ausência de instrumentos de registros ágeis, como o
prontuário do usuário eletrônico.
Em síntese este subprojeto gerou, em 2008, a execução de 60 projetos de intervenção no campo de práticas articuladas e executados por acadêmicos, gerentes
das Unidades Básicas de Saúde, UBS´s, enfermeiros de
serviço e docentes do curso. Utilizando-se os critérios
de pertinência técnica e social, cumprimento de prazos
e rigor metodológico, selecionaram-se 12 destes projetos, publicadas no livro: Lições de Enfermagem no SUS:
a atividade extencionista do ró-Saúde I no Curso de enfermagem de Betim, ISBN 85-87579-19-5, com tiragem
de 1.000 exemplares, distribuídos sem ônus para toda a
rede do SUS.
Uma proposta importante, não inviabilizada por falta de recursos financeiros, surgiu de diversas reuniões
de integração interinstitucional entre docentes e coordenadores de projetos da atenção Básica do SUS Betim
e da FHEMIG, Casa de Saúde Santa Isabel. Trata-se do
Projeto de Mestrado Profissional em Saúde da Família.
Construído em parceria, nos seus marcos conceituais,
objetivos, estrutura e planos de ensino, aguarda no limbo decisão política para nascer e tomar vulto.
Concluindo, o desenvolvimento do subprojeto “Lições de Enfermagem no SUS” permitiu aos caminhantes
uma experiência ímpar, que tem permitido superação
dos limites acadêmicos e possibilitado a construção de
novas possibilidades de aprendizado e construção de conhecimento, tecida nos frágeis espaços da vida cotidiana,
onde a cidadania na saúde é construída e reconstruída a
cada dia...
SUBPROJETO - PLANEJAMENTO,
ORGANIZAÇÃO E SISTEMATIZAÇÃO DOS
SERVIÇOS (POSSE) E DA ASSISTÊNCIA DE
ENFERMAGEM NA REDE SUS BETIM
Este subprojeto, pensado pelos enfermeiros do Hospital Regional Público de Betim e redigido com o aporte
de docentes da área, tinha por objetivos ambiciosos: Implantar a Sistematização da Assistência de Enfermagem
(SAE) nos Serviços do SUS Betim, visando à qualidade e
oportunidade dos cuidados de enfermagem; oportunizar
que a IES e Serviços de saúde desenvolvam, contribuam
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com a sistematização da assistência à saúde com foco na
Atenção Básica, estratégia da Saúde da família e Saúde
Integral; congregar escolas de enfermagem (nível superior e médio da região) com os serviços do SUS Betim
nas áreas de Atenção Básica, Secundária e Terciária para
discutir a SAE em rede articulada e contínua; conhecer
e promover o intercâmbio entre os níveis de assistência de enfermagem para a rede SUS Betim e elaborar,
implantar, implementar e validar os protocolos clínicos
de cuidados de enfermagem na rede SUS, assegurando a
uniformidade da assistência prestada ao usuário do SUS
Betim através da prática assistencial pela rede SUS e o
saber metodológico assegurado pela IES; garantir eficácia do plano terapêutico do usuário integrando diversos
níveis de atenção à saúde; conhecer as particularidades
de cada nível de atenção de enfermagem e propiciar
acesso aos processos de educação continuada, presencial e à distância, para os profissionais de enfermagem
do SUS Betim.
No ano de 2006 foram feitas 12 reuniões temáticas
com os enfermeiros de serviços, com a coordenação
cumprindo estratégias comuns pactuadas. No início, as
principais dificuldades encontradas relacionaram-se à
presença assistemática dos docentes, discentes e dos
enfermeiros das unidades básicas de saúde, dadas as dificuldades de compatibilizar as agendas das reuniões com
os horários diversos de trabalho de cada segmento.
Avanços foram identificados na fala de avaliação de
alguns componentes como o retorno ao interesse em
estudar/atualizar-se, aproximação com profissionais da
mesma rede que não se conheciam, desmistificação da
Universidade como ambiente de difícil acesso no que
tange ao conhecimento e discussão de problemas pontuais, democratização do projeto com oportunização de
fala, idéias, sugestões do grupo participante e otimização
dos encontros finalizados em tempo programado pelo
grupo e com agendamento e planejamento prévio do
próximo.
Em 2007, a frequência às reuniões quinzenais do projeto se consolidaram, com a presença permanente de
30 enfermeiros representantes dos serviços de saúde,
ligados à coordenação central da secretaria, unidades
básicas de saúde, maternidades, serviços de urgência e
hospital, permitindo uma rica troca de experiências.
Do trabalho coletivo, novas trilhas surgiram. Dentre as principais, destacam-se a sensibilização sobre o
Ensino de Enfermagem e Parcerias no Sistema Único de Saúde
que era e a quem se destinava a SAE, a divulgação em
murais, cartazes, além de Matéria no Jornal “Saúde em
Movimento”. Elaboraram-se criativos triângulos com
informativos, em cartolina, sobre a SAE e o POSSE,
para serem afixados nos tetos das unidades de saúde,
divulgando o projeto. Nessas reuniões eram atualizados conhecimentos técnicos específicos demandados
pelo grupo mediante aulas e/ou estudos de textos que
permitissem um consenso acerca dos objetivos do
projeto.
Em 2008 foi pactuada a proposta de pesquisar e reunir os instrumentos de coleta de dados sobre a Saúde
da Mulher, da Criança e do Adolescente, construídos
pelos enfermeiros da Rede SUS, embasados na Teoria
de Wanda Horta, bem como definir as estratégias para
a implantação da SAE nos Serviços do SUS. Realizaram-se oficinas para preparar grupo de multiplicadores para
capacitar Enfermeiros da Prefeitura Municipal de Betim
para a implantação da SAE nas unidades de saúde, ao
mesmo tempo em que os Enfermeiros da rede concluíam os protocolos de atenção de Enfermagem para toda
a rede. Este projeto foi uma rica experiência para todos
os envolvidos. Sua concretude foi interrompida com a
troca de gestores municipais.
SUBPROJETO - LABORATÓRIO DE
EDUCAÇÃO EM SAÚDE (LES)
O Laboratório de Educação para Saúde: condução dos
Projetos Curriculares Interdisciplinares do curso de Graduação em Enfermagem da PUC Minas em Betim nasceu
da idéia de grupo de docentes de articular, através de
projetos curriculares interdisciplinares, o ensino, a extensão e a pesquisa com a educação para a promoção e
a prevenção da Saúde em tempo real, ou seja, envolver
os serviços de saúde na revisão, atualização e execução
dos princípios do Projeto Político Pedagógico do Curso,
com ênfase na Educação em Saúde.
Seus objetivos foram: contribuir para desenvolver os
projetos curriculares do curso de Enfermagem, que são
fundamentados no Projeto Político Pedagógico do Curso; estimular a capacidade de acadêmicos para resolver
problemas na realidade da área da saúde, na comunidade
da Região Metropolitana de Belo Horizonte, em especial,
Betim; criar possibilidades de aprendizagem inovadora
para os acadêmicos de Enfermagem no que diz respeito
à formação de competências e habilidades em manejar e
aplicar as informações sobre saúde, com a presença dos
profissionais de serviço, instrumentalizar teoricamente
os acadêmicos de Enfermagem sobre o sentido de educação para a saúde e desenvolver materiais educativos
voltados para as questões da saúde em Betim.
Destinou-se a toda a comunidade educativa da PUC
Minas, incluindo os serviços de Saúde referenciados ao
SUS e buscando atender demandas educativas diagnosticadas em diálogos com os profissionais que atuam e
compõem o Serviço de Saúde.
As primeiras reuniões com os enfermeiros do serviço trouxeram os problemas recorrentes nos serviços de
saúde e definiram os temas geradores do LES:
• As múltiplas realidades dos serviços de saúde: a falta de planejamento na Gerência do serviço.
• Resgate da Cidadania dos usuários dos serviços.
• Necessidade de abordagem do processo de Saúde
da Família e não só da doença da Família como
vem acontecendo.
• Necessidade de trabalho na área de Saúde Mental
e Psiquiatria: Grupo de Mães tristes, dependentes
de benzodiazepínicos/ alcoolismo.
• Necessidade de dar forma ao Programa de Prevenção ao Sedentarismo do Agita Betim em relação
ao processo de educar para a saúde corporal.
• Trabalho com adolescentes: educação para a saúde
nos centros de saúde, escolas e abrigos tutelares,
resgate da autoestima, Drogas - Aids e gravidez
precoce - e outras doenças sexualmente transmissíveis.( incidência de contaminação por HPV)
• Montagem de um mapa de risco da comunidade:
quem são os usuários de risco dos serviços de
saúde.
• Saúde da Criança: aspectos dos cuidados básicos:
questão nutricional.
• Saúde do Idoso: em todos os níveis e principalmente o respeito da comunidade em relação aos
idosos.
• A Enfermagem e os outros profissionais do serviço:
aspectos interpessoais, grupais, possíveis alianças.
• Repensar o Acolhimento nos serviços de Saúde.
• Implantação de Avaliação Epidemiológica dos Usuários de álcool e outras drogas.
Estes aspectos, atualizados com discussões acontecidas durante os Seminários desenvolvidos pelos subpro-
Caderno FNEPAS • Volume 1 • Dezembro 2011 | 15
Maria Jose Moraes Antunes
jetos POSSE e Lições de Enfermagem no SUS, realizados
com os profissionais de saúde, Rede SUS, permitiram estabelecer alguns fios condutores para a elaboração de
atividades integradas no Curso de Enfermagem, gerando
os seguintes temas:
1. Saúde e Sociedade: investigação e intervenção na
realidade da saúde local: no que tange à organização de uma Unidade Básica de Saúde;
2. Saúde da Criança e do Adolescente: aspectos ligados aos processos do desenvolvimento social
e histórico da infância e da adolescência até seus
agravos;
3. Saúde do Idoso: aspectos ligados ao envelhecimento nos níveis: social, biológico, cultural, psicológico concernentes aos cuidados de Enfermagem;
4. Saúde Mental: estudo dos diversos campos do
adoecimento e sofrimento psíquico dos usuários
da rede SUS.
Parte dos temas geradores sugeridos pelos enfermeiros foi sistematizada em estudos de casos e sua solução buscada em forma de trabalho interdisciplinar, do
primeiro ao oitavo período, quando os acadêmicos, em
grupos de seis, eram estimulados a resolvê-los, em níveis
crescentes de complexidade.
O resultado do trabalho desenvolvido por eles era
apresentado pelos grupos ao fim de cada semestre, em
grande plenária, com a presença de gerentes, enfermeiros de serviços e conselheiros de saúde, que contribuíam com sugestões e avaliação dos resultados.
Este caminho, apesar de sua simplicidade revelou-se
inovador pela sua capacidade de agregar as atividades
interdisciplinares e integradas com o currículo de Enfermagem, permitindo a efetivação de novas experiências
como aprender a dialogar com os serviços que organizam o trabalho na Saúde e na rede SUS.
Esse contato com a realidade da Saúde local pôde ser
traduzido na experiência da construção da comunicação/ informação em saúde que se desenvolveu a partir
da criação de painéis em Saúde Ambiental e Ecologia e
no desenho do próprio Corpo em Antropologia.
Como resultado, os trabalhos interdisciplinares no
Curso de Enfermagem avançaram na construção de jogos educativos sobre a promoção de Saúde como, por
exemplo, os que tratam da relação ao uso e abuso de
Drogas, e as Cirandas de Saúde Coletiva I, passando-se
pela confecção de jogos lúdicos com vistas à proteção da
16 | Caderno FNEPAS • Volume 1 • Dezembro 2011
vida, em Saúde Coletiva II, os estudos clínicos e estágios
extensionistas em Saúde Mental e Psiquiatria. Já na consolidação do aprendizado da Assistência de Enfermagem
obtiveram-se, junto aos Estudos Clínicos e às Práticas de
Enfermagem I e II, produções ligadas à Saúde da Mulher,
do Adulto e do Idoso.
Para efetivar o processo da interdisciplinaridade no
curso, estabeleceu-se, também, uma interface com outros subprojetos. Este subprojeto produziu também um
livro: Educar para a Saúde: experiências do Laboratório
de Educação para a Saúde do curso de Enfermagem da
PUC Minas em Betim - Pró-Saúde, relatando experiências realizadas de integração ensino-serviço de saúde.
SUBPROJETO ESPERANÇA
Este projeto teve por finalidade desenvolver ações de
Promoção à Saúde e qualidade de vida dos portadores
de sequelas físicas e emocionais da hanseníase e de seus
familiares, moradores da Colônia Santa Isabel, Bairro Citrolândia, Betim, Minas Gerais.
Seus objetivos foram: possibilitar aos alunos de graduação de enfermagem complementar a formação profissional, fazendo interagir os conhecimentos adquiridos
com a realidade da Atenção à Saúde no SUS, expressa
no cotidiano dos serviços básicos, nos aspectos epidemiológicos, técnicos (inclusive informática), políticos e
sociais; permitir aos alunos, em caráter permanente, sob
supervisão docente/assistencial, o exercício de técnicas
e processos pertinentes à sua profissionalização, favorecendo o desenvolvimento de aptidões; atender/minimizar necessidades e problemas de saúde, contribuindo para a mobilização social e a melhoria da qualidade
de vida da população adstrita à Colônia Santa Isabel, do
bairro Citrolândia.
A execução deste projeto foi dificultada por vários fatores: a demora da liberação do espaço físico prometido
pela FHEMIG, gestora do Sanatório Santa Isabel, lócus
das atividades previstas; o fim do Convênio entre a PUC
Minas e a SES MG para o desenvolvimento do Programa
de Integração Ensino Serviço (PISE) existente à época da
elaboração da proposta do Pró-Saúde. Apesar da PUC
Minas ter sido classificada na licitação pública, realizada
pelo Governo Estadual, para renovação da parceria, tal
não foi efetivado pela instituição pública. Com isso os
alunos não conseguiram manter as atividades extensio-
Ensino de Enfermagem e Parcerias no Sistema Único de Saúde
nistas, faltando recursos financeiros para as passagens de
ônibus e alimentação, já que a Colônia Santa Isabel fica
fora do perímetro urbano de Betim e a 60 minutos de
ônibus do centro de BH.
No entanto, parte dos objetivos do projeto foi desenvolvida no Lar das Meninas de Betim (LAMEB), e no
Abrigo Municipal do Juizado da Infância e Juventude de
Betim.
Nas duas instituições vizinhas e localizadas no bairro Niterói, acadêmicos de vários períodos conheceram
serviços onde são atendidas crianças e jovens em situação de risco social e com problemas de saúde, desenvolvendo competências, mobilizando conhecimentos, atitudes e habilidades para atuar no processo de organização
da assistência de enfermagem equânime e de qualidade
nestes serviços sociais, ainda não integrados na rede
SUS, mas onde a qualidade do cuidado tem fator determinante para a auto-estima e a para a vida das crianças e
jovens lá atendidas.
No segundo semestre de 2008 estreitou-se a parceria
com a LAMEB e o Conselho Tutelar, ao mesmo tempo
em que foi liberada a área física para a constituição do
Núcleo de Pesquisa em enfermagem e saúde do Pró-Saúde junto ao Núcleo de Estudos e Pesquisas (NEP) da
CSSI. Após a reforma foram entregues os equipamentos
e inaugurado o Núcleo de Pesquisa em Saúde e Enfermagem da Colônia Santa Isabel, retomando-se o cumprimento dos objetivos propostos pelo projeto Esperança
que passou a ter duas diferentes frentes.
A incorporação da antiga Colônia Santa Isabel como
campo de desenvolvimento do projeto foi limitada, se
comparada à proposta inicial. Ou seja, dos 42 monitores acadêmicos de enfermagem, que o projeto mantinha
na Colônia em 2006, somente um se manteve em atividades curriculares não obrigatórias, contribuindo com
o projeto de pesquisa – ação da FAPEMIG “Validação
de um instrumento de registro de atendimento para o
Modelo de Atenção Domiciliar/Internação Domiciliar na
Casa de Saúde Santa Isabel (CSSI)”.
O produto final deste projeto de pesquisa foi a criação
e validação do “Caderno de Cuidados Continuados”,
para registro das prescrições e evolução pelos profissionais de saúde.,instrumento leve e conciso que facilitou
a comunicação entre os membros da equipe multiprofissional, o cuidador e o paciente e o adequado fluxo de
informações, promovendo melhorias na reabilitação dos
pacientes atendidos em domicílio na CSSI, com foco na
integralidade da atenção. Em 2009, com a mudança política, após as eleições municipais, o LAMEB foi fechado
SUBPROJETO - VIVER SAÚDE NO MÉDIO
VALE DO PARAOPEBA
Este projeto, inteiramente elaborado por acadêmicos de Enfermagem, teve por finalidade propiciar aos
ingressantes do curso estágio de vivência nas realidades da Saúde dos municípios de pequeno porte da região do Médio Vale do Paraopeba em Minas Gerais, lócus do curso de enfermagem da PUC Minas em Betim.
Seus objetivos foram: instalar estágios obrigatórios e
não obrigatórios nos municípios que compõem o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paraopeba
(CISMEP), Estado de Minas Gerais; estimular a integração dos setores de estar social, saúde e educação
para o fortalecimento das instituições e estudantes,
fomentar a formação dos profissionais na consolidação
do SUS e ao mesmo tempo possibilitar a formação dos
diversos atores sociais que interagem com esse sistema de saúde dentro do Controle Social, Assistência e
Gestão.
Inovador, este projeto criou uma nova forma de
aprender e ensinar no curso de enfermagem de Betim.
Pensado por acadêmicos, coordenado por docente do
curso, possibilitou experiências de autonomia e compromisso aos acadêmicos com o envolvimento das suas
vidas acadêmicas.
Durante dois anos foi construído em um constante
movimento de concentração e dispersão, onde os acadêmicos ingressantes do curso de Enfermagem iam à
comunidade rural, conversavam com a sociedade organizada e com a população em geral, traziam para a escola
os principais problemas e desafios a serem superados,
relacionados à qualidade de vida. Em roda de conversa
decidiam o que estudar para aprofundar conhecimentos
e buscar experiências que dessem conta de alterar a realidade. Organizados, durante o período de férias voltavam à pasmaceira dos pequenos municípios, onde executavam, com a participação da população, as atividades
propostas, que eram novamente avaliadas.
Este subprojeto trouxe em si o fogo do ânimo que
transforma as coisas e as pessoas, define novos caminhos
e constrói novas verdades..
Caderno FNEPAS • Volume 1 • Dezembro 2011 | 17
Maria Jose Moraes Antunes
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As experiências vividas e os resultados obtidos no
Pró-Saúde I do Curso de Enfermagem de Betim, nos
anos de 2006 a 2008, foram inovadores nas suas formas
de ensinar e na recriação das políticas de integração com
a rede prestadora de serviços sociais, entre eles o da
saúde.
Considera-se que o seu desenvolvimento ampliou
parcerias, estimulou o reconhecimento comum das dificuldades a serem enfrentadas pelos diversos segmentos
envolvidos para dar respostas às necessidades concretas da população local, via serviços públicos de saúde do
SUS e outros serviços, provedores de cidadania. Ou seja,
construiu vivências de integralidade e interdisciplinaridade na formação de recursos humanos, na produção
do conhecimento e na prestação de serviços, finalidade
maior do Pró-Saúde.
Implicaram-se com os subprojetos pessoas especiais,
que colocaram seu ânimo, sua alegria e trabalho na troca de idéias e experiências, construindo resultados de
empoderamento e novos caminhos e momentos de
cidadania.
Porque cidadania é isso: longe de ser concreta é coisa
fugaz e fluida, portanto rara, se depender só da vontade
e da vaidade humana.
Cada subprojeto trouxe em si seus feitos, não feitos
e refeitos, misturados com as marcas de esperança e da
apropriação do bom poder. Todos tiveram seus propósitos definidos, e a institucionalização de cada um como
atividade pedagógica permanente é processo de construção, dependendo de novos coordenadores, gestores,
acadêmicos. Não teve fim e nem retorno. Sempre um
constante recomeço, em outros lugares e novas trilhas...
Para a autora deste trabalho, foi um raro momento
profissional e um privilégio ter feito parte de sua demarcação e construção. Conclui-se, resgatando um texto de
Rosenau3, sanitarista americano que escreveu no século
passado, que expressa a idéia de que o caminho, também no SUS, se faz ao caminhar e são infinitos e ínfimos
os caminhantes; não os são os seus desejos de alma para
um mundo mais sadio e justo.
Vislumbro uma época em que a sociedade produzirá o
suficiente para atender às necessidades de saúde individual e coletiva; em que cada membro da comunida-
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de contribuirá para isso na medida da sua capacidade e
conforme sua habilidade, como dever, jamais como dádiva. Vislumbro uma época em que não haverá sofrimento desnecessário, nem morte prematura; em que o bem
estar da população será, além de um direito legalmente assegurado, a nossa principal preocupação; em que
o sentimento da solidariedade substitua o do egoísmo.
Todas essas coisas serão alcançadas pelo direcionamento
da inteligência humana. Penso nelas, não com a esperança de beneficiar-me individualmente, mas com a alegria
de poder ajudar para que outros, depois de nós, possam
gozá-la plenamente. Acredito que, quando os jovens tem
visão, os sonhos dos velhos se tornam realidade. (p. 447)
REFERÊNCIAS
1. Brasil. Ministério da Saúde. Ministério da Educação. Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde Pró-Saúde.
Brasília, DF: MS; 2007.
2. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Curso de Enfermagem. Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde: PRÓ-SUS - Enfermagem Betim. Betim, MG: PUC
Minas; 2009 (Relatório Técnico. Prestação de Contas: Carta Acordo
n AM/BRA/HRN-403 –PG/0607 999 BRA/06/02935 4 GDS. BR LOA
/0600121.001).
3. Rosenau MJ. Preventive Medicine and Hygiene. 6th ed. New York:
Appleton-Century; 1935.
ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA
Maria Jose Moraes Antunes
Av. dos Bandeirantes, 1031 apto 301
Comiteco - Belo Horizonte
CEP. 30315-032 MG
E-mail: [email protected]
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