HUMANIDADES MUSEUS Aarte ao alcance das mãos bição. Além das réplicas, a equipe composta de artistas plásticos, desigAção do MAC permite ners, restauradores, conservadores que deficientes visuais do museu, educadores e professores - se concentra em elaborar o matepossam ter acesso ao rial didático de apoio, como catálogos em braile e kits de orientação. "A acervo com explicações maior preocupação é que seja uma visita interativa, na qual tudo pode ser tocado", afirma Arnanda. Para isso, são explorados, além m deficiente visual passeando das artes plásticas, recursos como a pelos corredores de um mudramatização, poesia, jogos, música seu pode parecer uma cena estrae até mesmo a prática em ateliês. Na nha. Mas, ao menos no Museu de Revelações - Chamadas O Toque Reexposição A Poética das Formas, por Arte Contemporânea da Universivelador, as exposições são planejadas exemplo, atualmente no MAC, fodade de São Paulo (MAC/USP), isso para ficar cerca de dois anos em exiram feitas réplicas de é, agora, um fato basseis esculturas com catante comum. racterísticas abstratas, Criado há cerca de de celebrados artistas dez anos, o projeto Muplásticos como Hidekaseu e Público Especial zu Hirano, Karl Harfaz exposições que pertung, Laci Freund, Nimitem a fruição da arte colas Vlavianos, Rubem por portadores das mais Valentin e Walter Linck. diversas deficiências, fí"Quando começasicas e mentais. A iniciamos, precisávamos ficar tiva recebeu uma bolsa correndo atrás das escode auxílio à pesquisa da las e instituições, que FAPESP, em 1997. A dinão acreditavam que retora da divisão de museu fosse lugar para educação do MAC no portadores de deficiênperíodo de 1994 a 1998, cias" conta Amanda. Dilma de Melo Silva, "Além disso, os profesconta que, quando se sores temiam que seus lida com o público esalunos pudessem dar pecial, a palavra-chave trabalho", continua. Dez é "multissensorial". "O anos depois, há uma pnmetro passo para se grande procura e algurealizar uma dessas exmas escolas agendam posições é escolher, densuas visitas com um ano tro do acervo do museu, de antecedência. temas que possam ser Longe de se dar por interessantes de se dessatisfeita, entretanto, a tacar", explica Dilma. equipe do MAC contiCom o tema escolhinuou a encarar desafios. do, é necessário pensar Um deles foi adaptar como as obras podem Deficiente visual toca escultura: uma maneira diferente de"ver" U 74 • MAIODE2001 • PESQUISA FAPESP ser adaptadas. Como as regras do museu não permitem contato manual com pinturas e esculturas originais, são feitas réplicas em materiais resistentes a meses e meses de toques. ''A única forma de portadores de deficiências visuais congênitas ou adquiridas, por exemplo, perceberem o museu é tocando", explica a educadora Arnanda Fonseca Tojal, que coordena as exposições e os programas educativos do projeto. dez anos de exposições no MAC, Amanda, que defendeu em 1999 sua tese de mestrado O Museu de Arte e o Público Especial, tem experiência de sobra no assunto. Em um curso que ministra para professores, a educadora ressalta a diferença entre ensinar arte e artesanato. "Existem dois caminhos para a prática artística", ensina. ''As instituições geralmente usam o artesanato, mas isso não é ensino da arte." A experiência artística, segundo ela, é relacionada ao conhecimento da arte, criatividade e individualidade. As exposições têm custos considerados altos pelo museu - cerca de R$ 40 mil cada uma. Talvez por isso ainda sejam iniciativas quase exclusivas do MAC. "Há algum tempo, os museus afirmavam não ter condições de pagar esse tipo de projeto", conta Amanda. "Mas já começam a ver a importância de serem abertos para todos, até como forma de divulgar seu trabalho." Ela ressalta iniciativas do Museu de Arte Moderna de São Paulo Deficiente visual e Dilma com escultura: obras com relevos e sulcos são essenciais para experiência (Masp) e do Sesc de São Luís do Maranhão. Além disso, a educadora foi consulperceptíveis apenas se passando a Anita Malfatti. "Ele me perguntou se tora do trabalho voltado ao público mão", explica. havia um jeito de uma pessoa que especial da Mostra do RedescobriA educadora ressalta a importânnão enxerga conseguir perceber o mento, que recebeu cerca de 5 mil cia de compreender as característitrabalho da pintora': conta Amanda. deficientes. Apesar das críticas, vindas de alcas de cada deficiência, para montar A partir de junho, a equipe de guns artistas que reclamavam da uma exposição que atenda a todos. Amanda estará começando a prepaEla conta que, muitas vezes, existem rar a próxima empreitada dentro do O PROJETO pessoas com diferentes graus de demuseu: um percurso no MAC, utilificiência em um mesmo grupo. "Por Museu e a Pessoa Deficiente zando o acervo disponível. O públimais que a gente converse antes com co especial será acompanhado por o professor, para conhecer a turma, um "carrinho multissensorial", em Linha regular de auxílio à pesquisa às vezes algumas pessoas têm difique estará o material de apoio relaculdade de interagir, o que torna cionado às obras selecionadas. As cada visita única", afirma. Por isso, DILMA DE MELO SILVA - Museu de Arte visitas ocorrem às terças-feiras e as visitas nunca duram menos de Contemporânea da USP podem ser agendadas pelos telefoduas horas e são sempre feitas com INVESTIMENTO nes (Oxx11) 3818-3327 e (Oxx11) grupos pequenos, compostos de, no R$ 38.050,00 3818-3559. • máximo, 20 pessoas. pinturas para os deficientes, como na exposição Retratos e Auto-Retratos, que trabalhou com quadros do acervo. "A idéia é fazer a criança pensar na sua própria identidade", conta Dilma. Amanda lembra que, no início, trabalhava somente com esculturas, pois não acreditava que obras bidimensionais pudessem produzir bons resultados com deficientes. Mas foi justamente um cego que lançou a idéia, após ter lido, em braile, sobre o modernismo brasileiro e se interessado principalmente pelo trabalho de "perda da aura das obras" - pois muitas reproduções não continham todos os detalhes das telas originais -, o resultado foi considerado positivo pela equipe. "Os deficientes começaram a aprender a 'ver' a obra de arte da sua forma, principalmente pelas mãos, no caso dos cegos", festeja Amanda. "Mas as reproduções, com relevos e sulcos, são essenciais, porque a maioria das telas de nosso acervo é composta por pinturas a óleo e mesmo que o toque fosse permitido, não seriam Arte e artesanato - Após oToque Revelador : a poet PESQUISA FAPESP • MAIO DE 2001 7S