Museu Arquidiocesano de
Arte Sacra de Campinas
Breve histórico
O Museu Arquidiocesano de Arte Sacra de Campinas, fundado em 07 de março de 1964 pelo
terceiro Bispo e primeiro Arcebispo de Campinas, Dom Paulo de Tarso Campos1, tem por objetivos:
“organizar e manter um museu histórico e de arte sacra; promover conferências e cursos de
museologia, de divulgação de fatos, acontecimentos e de arte sacra; organizar e manter um serviço de
documentação e arquivo da Arquidiocese de Campinas; promover periodicamente exposição e mostrar
de documentos históricos e de arte sacra; elaborar o inventário artístico da Arquidiocese, defendendo
seu patrimônio histórico, ou melhor, patrimônio artístico, velando pela sua conservação e recolhendo
ao museu as peças de maior valor que não estejam habitualmente entregues ao culto”2.
A primeira diretoria do Museu Arquidiocesano de Campinas foi composta pelos seguintes
membros: Dom Paulo de Tarso Campos (Presidente); Mons. Dr. Emílio José Salim (Vice-Presidente Magnífico Reitor da Universidade Católica de Campinas); Cônego Haroldo Niero (1o Secretário); Celso
Ferraz de Camargo (2 o Secretário); Theodoro de Souza Campos Júnior (Tesoureiro); Celso Maria de
Mello Pupo (Diretor). Aos 30 de abril de 1965, foi definitivamente aprovado o estatuto do Museu3.
Cumpre ressaltar as motivações que levaram o primeiro Arcebispo de Campinas a fundar um
museu de Arte Sacra. A Sagrada Congregação para o Clero emitiu uma circular aos presidentes das
Conferências Episcopais em data de 11 de abril de 1963, alertando para os cuidados que os bispos
deveriam ter pelo patrimônio histórico-artístico da Igreja Católica. O Conselho Federal de Cultura, por
sua vez, enviara uma carta à Presidência da CNBB manifestando sua preocupação pelas frequentes
dilapidações que vinham sofrendo as igrejas Católicas no Brasil com seus respectivos bens artísticos.
Os apelos pelo cuidado com os bens patrimoniais artísticos da Igreja Católica por parte da Santa Sé e
de esferas do governo local, somados à vasta cultura e zelo artístico de Dom Paulo culminaram com a
gênese da ideia de se fundar um museu para a Arquidiocese de Campinas.
Desse modo, o primeiro conjunto de peças destinado a constituir o acervo de arte sacra do
Museu Arquidiocesano foi reunido por iniciativa do próprio Dom Paulo de Tarso Campos. O Arcebispo
solicitou a diversas paróquias, especialmente as mais antigas, a doação de obras sacras de valor
histórico e artístico para que fosse organizado um museu arquidiocesano. Além disso, fez doação de
outras peças de sua coleção pessoal para a constituição de um acervo inicial, que foi posteriormente
enriquecido com sucessivas doações. O primeiro edifício a sediar tal coleção de peças sacras
localizava-se na Av. Aquidabã, 734, e contava com amplo espaço e diversas salas distribuídas em dois
andares. O responsável inicial pela gestão do Museu foi o respeitado historiador Celso Maria de Mello
Pupo, autor de importantes obras que marcam a historiografia de Campinas4. Dito historiador
conseguiu organizar o museu e inventariar as obras então reunidas. Embora, ao longo de cinquenta
anos de existência do Museu Arquidiocesano, diversos inventários tenham sido produzidos, o de Celso
Pupo continua sendo o mais completo ainda hoje para o conhecimento do acervo artístico da
entidade. Em seu registro constam exaradas 573 peças.
Algum tempo depois, o acervo do Museu Arquidiocesano foi transferido para uma nova sede, na
Rua Emílio Ribas, 1082, no bairro Cambuí. Acometido por problemas de saúde, Celso de Mello Pupo foi
1
Dom Paulo de Tarso Campos (1895-1968) foi transferido da Diocese de Santos para Campinas aos 17 de dezembro de 1941.
Tomou posse da Diocese em 1o de março de 1942. Tornou-se arcebispo em 1958 quando Campinas foi elevada a
Arquidiocese. Governou de 1941 a 1968.
2
CF.: Diário Oficial do Estado de São Paulo, a. LXXV, n. 107, (11/6/1965), 94. CF. também: Estatuto do Museu Arquidiocesano
de Campinas, art. 2o. Noticias fundamentais para um histórico do Museu Arquidiocesano de Campinas podem ser obtidas
pelos diversos documentos relativos à referida instituição.
3
O Estatuto do Museu Arquidiocesano de Campinas sofreu modificações parciais. Em sessão Extraordinária do Museu,
ocorrida as 14 de maio de 1987, houve alterações na redação do artigo 3o e no parágrafo 2o do artigo 4o. em 2010 uma nova
redação adequou o estatuto às disposições da Lei Federal no 11.904/09 e no Código Civil de 2002.
4
Celso Maria de Mello Pupo (1899-2003), além de escrever inúmeros artigos em jornais e revistas, deixou obras
historiográficas importantes para Campinas: C. M. de M. PUPO, Campinas, seu berço e juventude, Campinas, Publicações da
Academia Campinense de Letras n. 20, 1969; C. M. de M. PUPO, Campinas, município no Império, São Paulo, Imprensa Oficial
do Estado de São Paulo, 1983.
substituído na diretoria do Museu, pro tempore. Aos 07 de maio de 1996, Dom Gilberto Pereira Lopes
nomeou como Diretor, o Monsenhor Fernando de Godoy Moreira e como Vice-Presidente, o Prof.
Gilberto Moraes Selber. No mesmo ano de 1996 o museu foi novamente transferido. As peças foram
provisoriamente guardadas em três salas da Catedral Metropolitana, com autorização do então pároco,
Mons. Valdomiro Caran. Ali o acervo permaneceu fechado e as atividades da diretoria foram
praticamente inexistentes. No ano de 1998, a diretoria passou ao Cônego José Antônio de Moraes Bush
que, por sua vez, pediu a colaboração do professor Antônio Euler Lopes Camargo. Contido, somente
durante o paroquiato do Cônego Álvaro Augusto Ambiel, a partir de 1999, a entidade começou, pouco
a pouco, a renascer das cinzas. O pároco da Catedral, eleito Vice-Presidente da entidade, solicitou à
sra. Maria Thereza Brasil Sanford que liderasse, na condição de Diretora. Os trabalhos foram
retomados e o acervo foi reaberto à visitação do público em data de 16 de julho de 2001, por ocasião
do 14o Congresso Eucarístico Nacional, ocorrido em Campinas.
Com um plano musológico bastante simples, o acervo encontrava-se distribuído em quatro
ambientes temáticos organizados no andar superior esquerdo da Catedral Metropolitana de Campinas.
No mezanino da escada encontrava-se a chamada sala dos bispos, com peças pertencentes aos
prelados campineiros como: brasões, vestes litúrgicas, retratos, etc. A primeira sala (sala dos santos)
reunia as imagens sacras dos primeiros santos das devoções católicas. A segunda sala (sala de Jesus
Cristo) conservava as imagens do Senhor, especialmente as que fazem referencia às cenas da paixão,
crucifixos, imagens e outros objetos utilizados na Semana Santa. Por fim, a terceira sala (sala de
Maria, Mãe de Jesus), expondo imagens de Nossa Senhora, em seus diversos títulos, com destaque
para as de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade e da Catedral de Campinas.
A partir de 2004 o Museu novamente passou por períodos de inatividade. Nos últimos anos contou
com a orientação do Arquiteto Ricardo Leite, responsável pelas obras de restauro da Catedral
Metropolitana de Campinas.
Quando de sua posse como Arcebispo Metropolitano, em 2012, Dom Airton José dos Santos
manifestou interesse e preocupação com o Museu Arquidiocesano de Campinas. Em dezembro de 2012
o Arcebispo começou a dar orientações concretas para o museu, insistindo na importância de se
adequar, o quando estabelecido no estatuto, às normas da Santa Sé para os museus eclesiásticos e ao
acordo Brasil-Santa Sé (2009) no que se refere à conservação dos Bens Culturais da Igreja. Realizou-se
a eleição do Conselho Técnico, aos 26 de dezembro de 2012. O mesmo está atualmente em exercício e
tem como Vice-Presidente o pároco da Catedral Metropolitana de Campinas, Cônego Álvaro Augusto
Ambiel.
Neste ano de 2014, em que o Museu Arquidiocesano de Campinas completa o cinquentenario de
sua fundação, após ter passado por não poucas intenpéries como momentos de inatividade, descaso,
perda de peças e falta de investimento, o Arcebispo - Presidente nato da etidade - comunicou a
decisão de transferir o Museu de Arte Sacra da Arquidiocese e da Irmandade do Santíssimo Sacramento
para o antigo Palácio Episcopal de Campinas, no bairro Nova Campinas. Dom Airton acena para a
necessidade de espaço físico maior e mais adequado que abrigue e valorize o rico acervo, bem como
para melhores condições de acessibilidade por parte do público, dentro de um projeto que visa
também fazer daquele mesmo edifício um centro de memórias da presença da Igreja em Campinas.
Com a assessoria da Vice-Reitoria acadêmica da Pontifícia Universidade Católica de Campinas e da
Faculdade de História (Museu Universitário), estão em andamento os estudos pra a transferência das
obras para a elaboração de um novo plano museológico adequado à futura nova sede.
Campinas, 22 de novembro de 2014
Monsenhor Rafael Capelato
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Histórico do Museu de Arte Sacra