UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE CURSO DE FISIOTERAPIA Maiara Serra Maia Mayra Silva Ferreira Nayana Mota Carvalho ANÁLISE DE FATORES DE RISCO PARA DORES OSTEOMIOARTICULARES EM TRABALHADORES DO SETOR DE LIMPEZA DA UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA: Uma correlação com a qualidade de vida. Belém-Pa 2009 2 UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE CURSO DE FISIOTERAPIA Maiara Serra Maia Mayra Silva Ferreira Nayana Mota Carvalho ANÁLISE DE FATORES DE RISCO PARA DORES OSTEOMIOARTICULARES EM TRABALHADORES DO SETOR DE LIMPEZA DA UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA: Uma correlação com a qualidade de vida. Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Fisioterapia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade da Amazônia para obtenção do grau de bacharel em Fisioterapia. Orientadora: Profª Tainá Alves Teixeira. Co-orientadora: Ft. Biatriz Araújo Cardoso. Belém-Pa 2009 3 Maia, Serra Maiara Ferreira, Silva Mayra Carvalho, Mota Nayana Análise de Fatores de Risco Para Dores Osteomioarticulares Em Trabalhadores do Setor de Limpeza da Universidade da Amazônia: Uma correlação com a qualidade de vida/ Maiara Serra Maia, Mayra Silva Ferreira, Nayana Mota Carvalho_ Belém, 2009. 71 f. Trabalho de Conclusão de Curso. (Graduação) - Universidade da Amazônia, 2009. Curso: Fisioterapia Orientadora: Profª. Tainá Alves Teixeira. . 4 Maiara Serra Maia Mayra Silva Ferreira Nayana Mota Carvalho ANÁLISE DE FATORES DE RISCO PARA DORES OSTEOMIOARTICULARES EM TRABALHADORES DO SETOR DE LIMPEZA DA UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA: Uma correlação com a qualidade de vida. Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Fisioterapia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade da Amazônia para obtenção do grau de bacharel em Fisioterapia. Orientadora: Profª Tainá Alves Teixeira. Coorientadora: Ft. Biatriz Araújo Cardoso. Banca Examinadora _____________________________________ Prof.ª Tainá Alves Teixeira Orientadora _____________________________________ Prof. Said Kalume Kalif _____________________________________ Prof.ª Daniela Teixeira Costa Apresentado em: / / Conceito: Belém-Pa 2009 5 DEDICATÓRIA Dedicamos à todos os que nos ajudaram, direta ou indiretamente, na realização deste trabalho. 6 AGRADECIMENTOS Agradecemos primeiramente à Deus, que nos inspira todos os dias a nos mantermos firmes e com a alma alegre diante das missões da vida. À nossos pais por todo amor incondicional nos auxiliando em busca de nossa evolução moral e espiritual. À nossos professores e colegas de turma, os primeiros pelo compromisso com nossa formação e o despertar do conhecimento, e aos segundos pelos momentos vividos que deixarão saudades. 7 RESUMO O trabalho de limpeza é exigente e intensivo. O profissional da limpeza desempenha atividades pertinentes ao asseio e conservação de pisos, paredes, esquadrias, mobiliários, equipamentos e outros tais tarefas exigem trabalho manual excessivo e com padrões físicos repetitivos, o que favorece o surgimento de distúrbios osteomioarticulares. O presente estudo busca analisar os fatores de risco para dores ostemioarticualres em trabalhadores do setor de limpeza e conservação da Universidade da Amazônia relacionando com a qualidade de vida. Através de uma amostra de 18 funcionários do sexo masculino, foram aplicados o Questionário de Hábitos do Trabalho e o SF-36, observou-se que a maioria dos participantes apresenta dor no tronco 55.6%, 27.8% apresenta dor no pescoço, 22.2% apresenta dor nos membros superiores, 16.7% apresenta dor nos membros inferiores, quando correlacionado os domínios da qualidade de vida e a intensidade da dor, o Domínio “Dor” é o único que apresenta associação significante, sendo a dor considerada de intensidade fraca. Conclui-se que são necessárias mudanças significativas no que diz respeito à organização do trabalho, para que se possa realizar as tarefas sem causar danos a saúde dos trabalhadores, sendo necessário considerar as especificidades de cada individuo. Sendo que algumas sugestões fazem-se necessárias, visando o bem estar dos trabalhadores. Palavras – chaves: Fatores de Risco, DORT’S, Qualidade de Vida. 8 ABSTRACT The work of cleaning and demanding and intensive. The professional cleaning performs activities related to the cleanliness and maintenance of floors, walls, window frames, furniture, equipment, these tasks require excessive manual labor and repetitive physical standards, which gives rise to musculoskeletal disorders. This study seeks to analyze the risk factors for pain ostemioarticualres sector workers in the cleaning and conservation of the Amazon University relating to the quality of life. Using a sample of 18 male employees, were applied Habits Questionnaire Labor and the SF-36, it was observed that most of the participants has pain in the trunk 55.6%, 27.8% presented pain in the neck, 22.2% presented pain upper limbs, 16.7% presented pain in the legs, when correlated domains of quality of life and pain intensity, Domain "Pain" is the only one with significant association, the pain is considered to be of low intensity. It is concluded that significant changes are needed with regard to the organization of work, so you can perform tasks without causing damage to the health of workers is necessary to consider the specifics of each individual. And some suggestions are necessary, seeking the welfare of workers. Keywords: Risk Factors, DORT'S, Quality of Life 9 LISTA DE ILUSTRAÇÃO FIGURA 1: Limpeza de Banheiro 35 FIGURA 2: Limpeza de Banheiro 35 FIGURA 3: Limpeza de Banheiro 35 FIGURA 4: Limpeza de Banheiro 35 FIGURA 5: Limpeza da Sala de aula 36 FIGURA 6: Limpeza do Gabinete 36 FIGURA 7: Limpeza do Gabinete 36 FIGURA 8: Limpeza do Gabinete 36 FIGURA 9: Recolhendo Lixo 37 FIGURA 10: Recolhendo Lixo 37 FIGURA 11: Limpeza do Quadro 37 FIGURA 12: Limpeza do Quadro 37 FIGURA 13: Limpeza do Vidro 38 FIGURA 14: Limpeza do Piso 38 FIGURA 15: Limpeza do Piso 38 FIGURA 16: Limpeza do Piso 38 FIGURA 17: Prevalência de algias conforme o local afetado 39 FIGURA 18: Ocorrência (absoluta) de Dor na Cervical e Outra ocupação 40 10 LISTA DE TABELAS TABELA 1: Descrição geral da amostra, segundo as características sócio-demográficas 34 TABELA 2: Descrição geral dos domínios SF-36 40 TABELA 3: Verificação da associação entre Dor na Cervical e Fatores de Risco 41 TABELA 4: Verificação da associação entre Dor no MMSS e Fatores de Risco 42 TABELA 5: Verificação da associação entre Dor no Tronco e Fatores de Risco 43 TABELA 6: Verificação da associação entre Dor no MMII e Fatores de Risco 44 TABELA 7: Associação entre Qualidade de vida e Dor na Cervical 45 TABELA 8: Associação entre Qualidade de vida e Dor no MMSS 46 TABELA 9: Associação entre Qualidade de vida e Dor no Tronco 47 TABELA 10: Associação entre Qualidade de vida e Dor no MMII 48 TABELA 11: Correlação entre os domínios da Qualidade e Vida e a Intensidade da dor 48 11 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CEP – Comitê de Ética em Pesquisa DECOM – Departamento de Conservação e Manutenção DORT – Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho EUA – Estados Unidos da América GHRI – General Health Rating Index INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social LER – Lesão por Esforço Repetitivo MHI – Mental Health Inventary MMII – Membros Inferiores MMSS – Membros Superiores OIT – Organização Internacional do Trabalho OMS – Organização Mundial de Saúde OMT – Organização Mundial do Trabalho PIB – Produto Interno Bruto TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 12 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 12 2. REFERENCIAL TEÓRICO 15 2.1 TRABALHADORES DE LIMPEZA E SEU COTIDIANO LABORAL 15 2.2 A IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE LABORAL PARA A SAÚDE 17 2.3 A PRESENÇA DE DORES OSTEOMIOARTICULARES INFLUENCIANDO NA SAÚDE DO TRABALHADOR 20 2.3.1 Postura: Os Efeitos Sofridos Pelo Corpo 22 2.4 A BUSCA DA QUALIDADE DE VIDA NO AMBIENTE DO TRABALHO 25 2.4.1. Questionário SF-36: um método avaliativo pra qualidade de vida 26 2.5 FISIOTERAPIA PREVENTIVA: O CAMINHO PARA O BEM ESTAR 29 3. METODOLOGIA 30 3.1 TIPO DE ESTUDO 30 3.2 LOCAL DO ESTUDO 30 3.3 AMOSTRA 30 3.4 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO 31 3.5 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO 31 3.6 COLETA DE DADOS 31 3.7 ANÁLISE DOS DADOS 32 3.8 RISCOS E BENEFÍCIOS 32 4. RESULTADOS 34 5. DISCUSSÃO 49 6. CONCLUSÃO 55 7. BIBLIOGRAFIA 56 8. APÊNDICE 63 9. ANEXO 71 13 1. INTRODUÇÃO No Brasil, o segmento de asseio e conservação emprega aproximadamente um milhão de trabalhadores, segundo o sindicato patronal da categoria. Registros oficiais – Relação Anual de Informações Sociais dão conta de que, no ano de 2000, aproximadamente 64.000 empresas terceirizavam mão-de-obra em limpeza, empregando em torno de 400.000 limpadores (MAÇÃIRA, 2004). De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nos últimos cinco anos o número de trabalhadores nos serviços de limpeza (baixa escolaridade), foi o que mais cresceu, saiu de 983.111 para 1.475.083. O trabalhador de limpeza, de acordo com Maçãira (2004, p. 19) “atua na remoção de poeira, lavagem, polimento, desinfecção e conservação de superfícies fixas como pisos, paredes e tetos, ou de móveis e equipamentos diversos. Utiliza grande variedade de produtos químicos e as tarefas podem ser realizadas com ferramentas manuais como vassoura, rodo, balde, pá, escova, esponja, pano, pulverizador ou com o auxílio de máquinas como aspirador de pó, varredeira, enceradeira, máquinas lavadora e extratora, entre outros”. É consenso na literatura especializada que a manutenção de uma má postura leva ao desequilíbrio postural. Sendo assim, os trabalhadores que realizam as suas atividades laborais, desenvolvendo posições não adequadas estarão expostos a inadequações na postura (DELIBERATO, 2002). O desequilíbrio postural associa-se às doenças osteomioarticulares que estão entre as três primeiras causas de incapacidade física, e potencialmente associada à piora da qualidade de vida e redução da produtividade (BOFF, 2002). A capacidade para o trabalho está diretamente relacionada com a possibilidade de realizar atividades que envolvam as aptidões físicas, mentais, funcionais e sociais (Organização Mundial da Saúde - OMS, 1993). Os trabalhadores do serviço de limpeza, durante a realização de suas atividades de trabalho, tendem a realizar flexão e rotação de tronco, agachamento, ortostatismo prolongado, além de realizarem transportes de cargas de maneira não adequada; deste modo, mantêm e repetem posturas inadequadas que geram desvios posturais. Tais desvios culminam com o aparecimento de disfunções na correta biomecânica corporal, e essas disfunções são 14 responsáveis pelo desenvolvimento de dores e patologias osteomioarticulares, segundo (RIBEIRO et al, 2006). As doenças ocupacionais tem sido preocupação de muitas empresas e também um grande desafio para os trabalhadores, profissionais da saúde e de recursos humanos. Isto devido ao bem estar físico e psicológico dos trabalhadores, refletirem no seu desempenho profissional e pessoal. Entre essas doenças, pode citar as Doenças Ocupacionais Relacionada ao Trabalho (DORT’S) a prevalência desses distúrbios vem crescendo de modo importante nos últimos anos, representando assim, o principal fator de agravo à saúde entre as doenças ocupacionais, sendo considerada a segunda causa de afastamento de trabalho no Brasil. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2000). Essas doenças podem estar relacionadas às condições de trabalho precárias, tais como tarefas repetitivas, esforço físico contínuo (CHILLIDA & COCCO, 2004). Tal profissional costuma lidar com situações insalubres em sua rotina, sem dispor de recursos específicos para o manuseio do lixo e adotando posturas inadequadas à realização de atividades laborais. O profissional da limpeza presta um serviço de suma relevância à comunidade acadêmica, uma vez que este é o responsável pelo ambiente limpo e agradável da universidade, assim, sem o seu trabalho, as dependências físicas certamente seriam sujas e com odor desagradável. Destinar atenção a este profissional é na verdade uma contribuição para todos que estudam e trabalham na universidade, pois o benefício que estes recebem é tão essencial quanto à boa saúde desse profissional. Visto que este profissional sofre influência das condições de trabalho, de saúde e estilo de vida, além do próprio envelhecimento biológico, resultando na diminuição dos movimentos das articulações, perda da força, resistência muscular e elasticidade dos tecidos, aumento das dores músculo-esquelética e diminuição das tomadas de decisões. À sociedade acadêmica, é fundamental conhecer a respeito de problemas ocupacionais que influenciam a vida de certos nichos profissionais, que podem ser beneficiados pela atuação da fisioterapia, bem como qualquer outra área da saúde, a qual pode por em prática os conhecimentos da prevenção e reabilitação de acordo com as especificidades de cada ser humano. É fundamental a percepção dos acadêmicos de como e o quanto eles podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida de um grupo de trabalhadores tão próximos, partindo de conhecimentos adquiridos na graduação. 15 O planejamento, organização e desenvolvimento de projetos no qual as ações executadas vêm de encontro às diretrizes curriculares dos cursos de saúde, enfatizam a necessidade da formação do profissional com visão crítica e reflexiva que seja capaz de desenvolver suas competências a partir da realidade em que está inserido. Assim, este trabalho justifica-se pela relevância tanto pela contribuição do trabalhador de limpeza para todos que estudam e trabalham na universidade, pois o benefício que estes recebem é tão essencial quanto à boa saúde desse profissional, bem como a sociedade acadêmica para conhecer a respeito de problemas ocupacionais que influenciam a vida de certos deste trabalhador e que podem ser beneficiados pela atuação da fisioterapia. Este trabalho visa analisar os fatores de risco para dores osteomioarticulares em trabalhadores do setor de limpeza e conservação da Universidade da Amazônia, relacionando com a qualidade de vida. 16 2. REFERENCIAL TEÓRICO CAPITULO I 2.1 TRABALHADORES DE LIMPEZA E SEU COTIDIANO LABORAL O trabalho de limpeza é exigente e intensivo. Assim, os trabalhadores de limpeza realizam em pouco tempo muitas tarefas que envolvem trabalho manual excessivo e que é considerado fisicamente pesado, segundo Rocha (2003). Em termos de definição, Laville (1977), ressalta que as características de limpeza dizem respeito ao asseio e conservação de pisos, paredes, esquadrias, mobiliários e equipamentos de saneamento, em favor da saúde dos usuários. Nesse sentido, o profissional de limpeza é conhecido mundialmente como uma ocupação de serviço básico. Esse trabalhador está inserido em muitos ambientes, como escolas, escritórios, hospitais. Nos ambientes de trabalho, o trabalhador de limpeza é essencial para a manutenção adequada dos ambientes, bem como para o controle da contaminação ambiental por agentes químicos e biológicos, exercendo um papel relevante na prevenção dos efeitos nocivos à saúde dos trabalhadores e usuários. Porém, a limpeza apresenta um aspecto ambíguo, uma vez que a adoção de posturas inadequadas nas diversas ações realizadas durante as tarefas também podem contribuir para o desenvolvimento de patologias. Dessa forma, pode-se compreender que os profissionais de limpeza estão diretamente envolvidos com os processos de manuseio, transporte e destinação dos resíduos, expondo-se a risco de acidentes de trabalho, ocasionados pela falta de capacitação e condições adequadas de trabalho (FERREIRA e ANJOS, 2001). Rocha (2003), apud Louhevara (2000) classificam o trabalho de limpeza como dinâmico e pesado, caracterizando-se assim, ainda hoje, por envolver uma grande demanda física. Logo, os profissionais de limpeza têm uma demanda laboral intensiva e ainda, além desta carga, utilizam para a realização das suas tarefas mais utensílios manuais (baldes, vassouras, panos, dentre outros). Além disso, pode-se identificar que o trabalho de limpeza exige movimentos repetitivos, força o que implica em posturas desfavoráveis. Portanto, os trabalhadores de limpeza apresentam um alto risco para desenvolver problemas de saúde, principalmente os relacionados ao sistema músculo-esquelético. 17 A limpeza é uma tarefa principalmente manual com muito pouca mecanização. Tratase de trabalho combinado, esforços musculares dinâmicos e estáticos e realizado com a utilização de vários equipamentos manuais (ROCHA, 2003). Para Ferrari et al. (2004), os trabalhadores realizam tarefas que envolvem trabalho manual e excessivo, como a limpeza de vidros, do chão, torção de panos, carregam baldes, atividades estas, que são realizadas repetidamente durante uma única jornada de trabalho e que são considerados fisicamente pesado. Em um estudo com os trabalhadores de limpeza realizado no Hospital do Reino Unido, foi identificada a alta prevalência de desconforto e dor músculo-esquelético, sendo que ficou evidenciado que a presença de ferramentas inadequadas, repetitividade de tarefas, posturas e a falta de organização do trabalho estavam associadas ao aumento dos problemas músculoesqueléticos (ROCHA, 2003). 18 CAPITULO II 2.2 A IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE LABORAL PARA A SAÚDE Segundo Figueiredo e Mont’Alvao (2005), a Ginástica Laboral teve origem no Japão, em 1928, sendo aplicada, diariamente em funcionários dos correios, visando à descontração e o cultivo da saúde. Após a Segunda Guerra Mundial, o hábito foi difundido por todo o Japão. Lima (2004) conceitua a Ginástica Laboral como “a prática de exercícios”, realizada coletivamente durante a jornada de trabalho, prescrita de acordo com a função exercida pelo trabalhador, tendo como finalidade a prevenção de doenças ocupacionais, promovendo o bemestar individual, por intermédio da consciência corporal: conhecer, respeitar, amar e estimular o seu próprio corpo. Segundo Martins et al. (2001), são exercícios efetuados no próprio local de trabalho, com sessões de cinco, dez ou quinze minutos, tendo como principais objetivos a prevenção das lesões por Esforço Repetitivo e os Distúrbios Osteomioarticulares Relacionados ao Trabalho LER/DORT e a diminuição do estresse, através dos exercícios de alongamento e de relaxamento. Para Barbosa (2002), os exercícios laborais buscam promover o relaxamento e o alongamento dos músculos mais solicitados na prática laboral, pois a prática de relaxamento atua no músculo, favorecendo uma maior irrigação sanguínea. Tem sido registrado por Targa apud Cañete (2001), que a finalidade da Ginástica Laboral Corretiva é estabelecer o antagonismo muscular, utilizando exercícios que visam fortalecer os músculos fracos e alongar os músculos encurtados, destinando-se ao indivíduo portador de deficiência morfológica, não patológica, sendo aplicada a um grupo reduzido de pessoas. Segundo Cooper (1983), são necessários alguns cuidados na prática laboral correta, como: uso de roupas leves, calçado adequado, uma boa ingestão de água para hidratar o corpo, piso que ofereça segurança para o indivíduo praticar os exercícios, não realizar atividade seguidas das refeições, respeitar os limites individuais e acompanhamento de profissional especializado. Os exercícios laborais devem ser realizados dentro da empresa, pois desta forma, há um controle maior no momento de se auferir resultados para que estes possam ser direcionados as necessidades dos funcionários, com conseqüente redução da perda de tempo ou desculpas pela falta de tempo. 19 A Ginástica Laboral proporciona benefícios, tanto para o trabalhador, quanto para a empresa. Além de prevenir as Lesões por Esforço Repetitivo / Doenças Ocupacionais Relacionada ao Trabalho (LER/DORT), ela tem apresentado resultados mais rápidos e diretos com a melhora do relacionamento interpessoal e o alívio das dores corporais (GUERRA, 1995; MENDES, 2000 apud OLIVEIRA, 2003). As condições gerais de vida, assim como as condições de trabalho, contribuem para tornar muitos trabalhadores de 40 a 50 anos inaptos a responder às exigências das tarefas que lhes são propostas (WISNER, 1994). Além do fator sedentarismo, a exposição às agressões, de diferentes origens e características, sofridas diariamente é outro fator que pode atuar de forma negativa na qualidade de vida das pessoas, muitas vezes sem perceber, para a execução de uma tarefa, em determinado posto de trabalho, o homem gera sobrecargas mecânicas em suas estruturas osteomioarticulares, principalmente, quando assume posturas ocupacionais ou funcionais inadequadas em função de postos de trabalho mal projetados. (KNOPLICH, 1996). A ergonomia tem encaminhando soluções eficazes na concepção e desenvolvimento de produtos, de interfaces e de sistemas de trabalho, atuando com ótimo resultado no diagnóstico e prevenção de acidentes e doenças, na reestruturação produtiva das empresas e em processos de transferência de tecnologia. (FOX & MATHEWS, 1999). Aspectos presentes na sociedade moderna como questões relacionadas às condições de trabalho, o mercado altamente competitivo, a ameaça iminente da perda de emprego e outras dificuldades do dia a dia, fazem os trabalhadores vivenciarem cada vez mais situações estressantes no ambiente de trabalho. Como o estresse tem várias causas e afeta diferentemente as pessoas, não é possível estabelecer uma forma única para preveni-lo ou combatê-lo. Existem diversas medidas que podem ser adotadas, tais como: o enriquecimento das tarefas, o redesenho do posto de trabalho, treinamento, à prática de ginástica laboral, etc. Uma determinada postura de trabalho mantida por tempo prolongado, pode levar a uma contínua tensão dos músculos mais solicitados e gerar distúrbios circulatórios e metabólicos, além de causar dor ou desconforto muscular. O serviço de alimentação institucional caracteriza-se por trabalho intensivo onde freqüentemente exige-se dos funcionários alta produtividade em tempo limitado, porém em condições inadequadas de trabalho, com problemas de ambiente, equipamentos e processos. Tais condições acabam levando à insatisfação, cansaço excessivo, queda de produtividade, problemas de saúde e acidentes de trabalho. (SANTANA, 1997). 20 O mais convincente dos argumentos, que se pode utilizar para demonstrar que a atividade física constitui um importante instrumento de promoção da saúde e da produtividade, é que vale a pena praticar exercícios físicos regularmente, em virtude dos benefícios comprovados cientificamente (POLETTO e AMARAL, 2004). A ginástica laboral (alongamentos) não é garantia do não-desenvolvimento do distúrbio, mas é um ponto de partida imprescindível para a prevenção (YENG, 2001). 21 CAPITULO III 2.3. A PRESENÇA DE DORES OSTEOMIOARTICULARES INFLUENCIANDO NA SAÚDE DO TRABALHADOR Com o advento da era industrial, teve início o processo de fabricação de produtos em massa e a crescente especialização dos operários no sentido de melhorar a qualidade, de aumentar a produção e de diminuir custos. Essa especialização levou os trabalhadores a executarem funções específicas nas empresas, com a realização de movimentos repetitivos, associados a um esforço excessivo, o que fez com que muitos indivíduos passassem a sentir dores, fazendo com que a incidência de patologias relacionadas ao trabalho aumentasse progressivamente. Historicamente, o primeiro relato a associar queixas dolorosas nos membros superiores a tipos de atividade de trabalho foi feito, provavelmente, por Ramazzini, em 1713. Apesar de esta primeira associação datar do século XVIII, só recentemente o assunto despertou interesse mundial (MARTINS et al., 2001). Deste modo, pode-se definir Doença Ocupacional como sendo toda moléstia diretamente relacionada à atividade desempenhada pelo trabalhador ou às condições de trabalho às quais ele está submetido. As mais comuns são as Lesões por Esforço Repetitivo (LER) ou Doenças Ocupacionais Relacionadas ao Trabalho (DORT), que englobam cerca de 30 doenças, entre elas a tendinite (inflamação de tendão) e a tenossinovite (inflamação da membrana que recobre os tendões). LER ou DORT são os nomes dados às afecções de músculos, tendões, sinóvias (revestimento das articulações), nervos, fáscias e ligamentos, isoladas ou combinadas, com ou sem degeneração de tecidos, as quais atingem principalmente os membros superiores, região escapular e pescoço (CODO, 1998). Outros autores relatam ainda que DORT’s sejam doenças ocupacionais relacionadas a lesões por traumas cumulativos. É o resultado de uma descompensação entre a capacidade de movimento da musculatura e a execução de movimento rápido e constante (OLIVEIRA, 2003). De acordo com Helfenstein (1998), a etiologia deste conjunto de afecções é complexa, pois abrange vários fatores multifatoriais. Entretanto a carga dinâmica, ou seja, o movimento repetitivo é geralmente solicitado aos músculos dos ombros, antebraço, punho e mãos para execução de tarefas. No entanto a carga estática, ou de contração isométrica mantida é 22 geralmente requerida aos músculos do pescoço e da cintura escapular, a fim de manter os membros superiores fixos em determinadas posições para executar as tarefas propostas. “Quanto mais repetitivo o movimento durante o desenvolvimento da atividade realizada pelo colaborador, maior será a probabilidade de aparecimento dos distúrbios, além do tempo, pois a quanto mais alta a freqüência, maior a possibilidade de aparecer distúrbios” (BARBOSA, 2002, p.95). A ocorrência das LER/DORT em grande número de pessoas, em diferentes países e em atividades consideradas leves, alterou o modo de pensar de que o trabalho pesado, envolvendo esforço físico, fosse mais desgastante que o trabalho leve, neste sentido os profissionais cujo foco de atenção é a saúde funcional especialmente na saúde do trabalhador, vem atuando na educação em saúde, reeducação, prevenção e modificação de hábitos com vistas a uma vida com mais qualidade. Segundo a Organização Mundial do Trabalho (OMT) os países arcam com custos médios equivalentes a 4% de seu Produto Interno Bruto (PIB) a cada ano, em decorrência de acidentes de trabalho, de tratamento de doenças, de lesões e de incapacidades relacionadas ao trabalho (ANDRADE, 2000). Há dados que comprova que aproximadamente, 75% a 90% dos custos médios nas empresas são devidos aos doentes com lombalgias crônicas, o que também poderá desencadear os DORT (KSAN, 2003). O ônus gerado ao governo, às indústrias e aos trabalhadores leva os meios médicos a realizar estudos e discussões que possam contribuir para uma melhor compreensão dessa patologia, já considerada como epidemia (FUNDACENTRO, 2009). Esses distúrbios são responsáveis pela maior parte dos afastamentos do trabalho e pelos custos com pagamentos de indenizações, tanto no Brasil como na maior parte dos países industrializados. Segundo o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) a LER é a segunda causa de afastamento no Brasil. A cada 100 trabalhadores na região Sudeste, por exemplo, um é portador de LER de acordo com a Organização Mundial Saúde - OMS, (1993). Baseado em resultados de estudos, é interessante notar que os fatores que contribuem para o surgimento das LER/DORT são: força, repetição, velocidade e movimentos como cálculos, digitação, escrita, atendimento ao telefone, entre outros (FORNASARI et al., 2000). Outro dado alarmante é que, aproximadamente, 75% a 90% dos custos médios nas empresas são devidos aos doentes com lombalgias crônicas, o que também poderá desencadear os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (KSAM, 2003). 23 O indivíduo treinado, fisicamente bem condicionado, que mantém posturas e movimentos corretos durante a jornada de trabalho, que inclui intervalos apropriados para descanso; terá maior probabilidade em desempenhar suas atividades no trabalho sem prejuízo da sua saúde. Também um ambiente de trabalho organizado terá sempre uma baixa incidência de enfermidades músculo-esqueléticas. Contribuindo na prevenção e na redução das LER /DORT, a fisioterapia preventiva visa à promoção da saúde e a melhoria das condições de trabalho, além de melhorar o relacionamento interpessoal, de reduzir os acidentes de trabalho e, conseqüentemente, de aumentar a produtividade, gerando um maior retorno financeiro para empresa. 2.3.1. Postura: Os efeitos sofridos pelo corpo Segundo Bricot (2004), Charles Bell já apresentava o problema que a posturologia tenta hoje resolver: como um homem consegue manter a postura em pé ou inclinada contra o vento que sopra sobre ele? É necessário que as forças gravitacionais passem através do centro dos eixos articulares, para que haja equilíbrio entre músculos, ligamentos e outras estruturas adjacentes à articulação. “A boa postura pode ser definida como a habilidade de manter o centro de massa corporal em relação com a base de sustentação, a fim de evitar quedas e permitir a execução correta dos movimentos” (JOÃO, 2007, p.214). Para Palmer & Eplek (2000, p. 45), “a postura correta consiste no alinhamento do corpo com eficiência biológica e biomecânica máximas, o que miniminiza os estresses e as sobrecargas infligidas ao sistema de apoio pelos efeitos da gravidade”. A boa postura pode ser definida como a habilidade de manter o centro de massa corporal em relação com a base de sustentação, a fim de evitar quedas e permitir a execução correta dos movimentos (WESTCOTT et al., 1997). A má postura pode ser causa de várias lesões. Cuidar da postura no trabalho, no lazer e em casa, fazer caminhada e alongamentos são atitudes que promovem a saúde e ajudam a combater as lesões posturais. Muitas pessoas são acometidas de dores no corpo, principalmente nas costas, e somente depois de algum tempo percebem que sua postura estava errada. A educação postural é algo que se deve buscar desde a infância, para evitar problemas na idade adulta. 24 É consenso na literatura especializada que a manutenção de uma má postura leva ao desequilíbrio postural. Sendo assim, os trabalhadores que realizam as suas atividades laborais desenvolvendo posições não adequadas estarão expostos a inadequações na postura. Então relacionando postura e saúde do trabalhador, torna-se evidente que diversas afecções ocupacionais podem surgir em decorrência destas inadequações. As posturas inadequadas impõem esforços adicionais desequilibrados e inesperados, podendo atingir a coluna vertebral e as extremidades superiores e inferiores. A disfunção postural pode ser causada pela adoção de maus hábitos posturais, como no posicionamento prolongado associado à ocupação ou ambiente de trabalho (RIBEIRO et al, 2006). Os comprometimentos comuns associados às disfunções posturais são: dor por sobrecarga biomecânica, comprometimento da mobilidade devido à restrição de músculos, articulações ou fáscia, comprometimento muscular associado à fraqueza, devido a más posturas sustentadas, controle postural insuficiente pelos músculos estabilizadores, senso sinestésico de postura alterado associado a maus hábitos posturais prolongados, falta do conhecimento do controle e da biomecânica vertebral saudável. (BARBOSA, 2002). As posturas inadequadas impõem esforços adicionais desequilibrados e inesperados, podendo atingir a coluna vertebral e as extremidades superiores e inferiores. A disfunção postural pode ser causada pela adoção de maus hábitos posturais, como no posicionamento prolongado associado à ocupação ou ambiente de trabalho (OLIVER, 1999). Para prevenir algias e obter uma postura correta é preciso praticar atividades físicas regularmente, corrigir sempre a própria postura nas atividades diárias domésticas e/ou profissionais, mantendo a coluna ereta. A avaliação postural envolve uma gama de fatores que a tornam complexa, como características físicas do ambiente em que se vive, questões sócio-cultural e emocional, sedentarismo, obesidade e outros. As práticas de atividades físicas também influenciam na postura que podem causar desequilíbrios, gerando alterações de força, flexibilidade, equilíbrio e coordenação motora, além de agir diretamente sobre o crescimento ósseo, de acordo com João (2007). Cada indivíduo está sujeito a sofrer as influências favoráveis ou negativas das atividades que realiza ao longo da vida, e que certamente causarão impacto sobre a sua postura. Para Kendal et al. (1995, p.84), “a concentração em um tipo de atividade proporciona um alto percentual para desequilíbrio muscular”, dessa forma, as atividades precisam ser consideradas de forma global para que se possa identificar quais os efeitos sobre 25 a postura do indivíduo. O autor acredita que “pode ser possível eliminar ou minimizar influências posturais desfavoráveis intrínsecas a atividades relacionadas com elas caso as implicações posturais sejam conhecidas e sejam feitos os ajustes sempre que seja prático”. É sabido que para a correção dos defeitos posturais é necessário aplicar medidas terapêuticas paralelas às orientações posturais, que visem os fundamentos de um bom alinhamento. 26 CAPITULO IV 2.4. A BUSCA DA QUALIDADE DE VIDA NO AMBIENTE DO TRABALHO De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), qualidade de vida é a “percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e do sistema de valores em que vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações” (FLECK, 2000, p. 34). Portanto, uma queda na qualidade de vida pode implicar em prejuízos na saúde e contribuir na instalação de níveis de incapacidade para a realização de atividades laborais, de lazer e sociais. (BUSS, 2000). Podemos notar que há relação intrínseca entre trabalho exercido e qualidade de vida do trabalhador. É relevante citar que as doenças ocupacionais aparecem como fator desencadeante para o declínio de uma série de fatores correlacionados, perpassando desde a produção diária em seu ambiente de trabalho até o próprio convívio em sociedade. A saúde do trabalhador é uma preocupação no mundo moderno, merecedora de diversos estudos na busca de desvendar seus segredos, melhorando a vida do trabalhador, sua produtividade e os resultados oferecidos pela sociedade. Para Ferreira (2000), como a evolução deste marco inicial do incentivo à promoção da saúde, multiplicaram-se estudos feitos nos mais variados países, que tinham por finalidade demonstrar, por exemplo, a importância sanitária da doação de medidas de controle da poluição ambiental e em locais de trabalho, da prevenção de acidentes em geral, vacinação, realização de exames de rastreamento de doenças, e, finalmente, o papel dos profissionais de saúde como agentes catalisadores da mudança do estilo de vida prejudiciais para a saúde de seus clientes. Para Limongi-França (2004), a base da discussão sobre o conceito de qualidade de vida encerra escolhas de bem-estar e percepção do que pode ser feito para atender às expectativas criadas tanto por gestores como por usuários de ações de qualidade de vida na empresa. A busca de melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores, não somente sua melhoria econômica implica em diversas transformações, uma das quais é a busca de novas formas de associação e organização. (SINGER, 2000). 27 Para Rodrigues (1996), uma melhor qualidade de vida no trabalho quer dizer não somente ter melhores condições materiais, mas também buscar melhores condições de ter maior autonomia, participação, condições para o auto desenvolvimento, enfim, ter condições de maior auto-realização. A preocupação com a Qualidade de Vida no Trabalho tem início a partir das convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em que os países membros adequaram a legislação em seus países para a melhoria do trabalho, principalmente no que concerne à saúde, higiene e segurança do trabalhador. Frank Pot em seu trabalho de pesquisa de (2003), apresenta a preocupação de vários países em equalizar os procedimentos de qualidade de vida dos trabalhadores, correlacionando a Qualidade de Vida no Trabalho com a produtividade, mostrando o quanto as empresas deixam de ganhar, quanto gastam e, além disso, o custo social da má gestão dos processos que afetam a saúde dos trabalhadores. É necessário o conhecimento básico sobre Saúde Ocupacional e seus particulares conhecimentos sobre a saúde do trabalhador, visto que um determinado grupo de doenças é característico das atividades de trabalho e precisam receber abordagens especiais para que possam ser tratadas adequadamente. As doenças específicas ligadas a cada atividade, não se limitam apenas as Doenças Ocupacionais Relacionadas ao Trabalho (DORT). Estreitar laços com médicos e enfermeiros, mas não se esquecer dos assistentes sociais e psicólogos, que, certamente, muito acrescentam ao nosso trabalho. 2.4.1.Questionário SF-36: um método avaliativo para qualidade de vida Santos (2006), apud Thompson (1996), referem que a avaliação da qualidade de vida através de questionários tem sido reconhecida como uma importante área do conhecimento científico no campo da saúde. Isto porque os conceitos de saúde e qualidade de vida se interpõem – considerados como satisfação e bem-estar nos âmbitos físico, psíquico, socioeconômico e cultural – e a prioridade nos tratamentos de quaisquer doenças ou síndromes tem sido cada vez mais, a busca pela saúde, em seu âmbito mais abrangente, e a melhora da qualidade de vida. Neste sentido o uso de questionários de qualidade de vida permite uma avaliação mais objetiva desta combinação de fatores subjetivos. Na prática 28 clínica, eles podem identificar os âmbitos mais influenciados por determinada síndrome e avaliar a efetividade de uma intervenção e da análise de custo-utilidade do tratamento. Estes instrumentos podem ser específicos ou genéricos. Os instrumentos específicos são capazes de avaliar de forma particular, determinados aspectos da qualidade de vida, próprios de uma população com uma determinada doença. Já os instrumentos genéricos foram desenvolvidos com o objetivo de estudar a qualidade de vida de indivíduos com qualquer patologia, ou mesmo de indivíduos saudáveis. Muito utilizado, o Medical Outcomes Study 36-item Short-Form Health Survey (SF36), é um instrumento de medida de qualidade de vida desenvolvido no final dos anos 80 nos Estados Unidos da America - EUA (VIACAVA, 2002). Este instrumento foi traduzido e validado no Brasil para avaliar a qualidade de vida em pacientes com artrite reumatóide e mostrou-se adequado às condições socioeconômicas e culturais da população brasileira, sendo de fácil e rápida administração. (CICONELLI, 1999). Martinez (2002), coloca que o SF-36 é um questionário genérico, com conceitos não específicos para uma determinada idade, doença ou grupo de tratamento e que permite comparações entre diferentes patologias e entre diferentes tratamentos. Considera a percepção dos indivíduos quanto ao seu próprio estado de saúde e qualidade de vida contemplado os aspectos mais representativos da saúde. É também de fácil administração e compreensão, do tipo auto-aplicável. O SF-36 foi criado a partir de uma revisão dos instrumentos ligados a qualidade de vida já existentes na literatura nos últimos 20 anos, Ciconelli (1997). O SF-36 é um inventário que avalia 8 aspectos distintos: 1. Capacidade Funcional (10 itens) os itens avaliam tanto a presença como a extensão das limitações impostas à capacidade física (em 3 níveis: muita, pouca ou sem limitação); 2. Aspectos físicos (4 itens); 3. Aspectos emocionais (3 itens); 4. Dor (2 itens) foram baseados numa questão do SF-20 sobre a intensidade da dor, acrescida de uma questão sobre a interferência da dor nas atividades da vida diária do paciente; 5. Estado Geral de Saúde (5 itens) derivados do questionário General Health Rating Index (GHRI); 6. Vitalidade (4itens) considera tanto o nível de energia, como o de fadiga e foram derivados do questionário de avaliação de Saúde Mental (Mental Health Inventory (MHI)); 7. Aspectos Sociais (2 itens) analisam a integração do indivíduo em atividades sociais; 8. Saúde Mental (5 itens). 29 Estes itens foram escolhidos porque resumem os 38 itens do questionário de avaliação de Saúde Mental (MHI-38). Procuram investigar as dimensões: ansiedade, depressão, alterações do comportamento ou descontrole emocional e bem estar psicológico. Os itens são avaliados, dando-se um resultado para cada questão, que são posteriormente transformados numa escala de 0 a 100, em que zero é considerado o pior e 100 o melhor estado (TEIXEIRA, 2002). 30 CAPITULO V 2.5. FISIOTERAPIA PREVENTIVA: O CAMINHO PARA O BEM ESTAR A fisioterapia preventiva preconiza a prevenção, promoção e recuperação da saúde das pessoas, de forma integral e contínua. “Quem trabalha com prevenção tem de se preparar para antecipação de um evento, pois que de outro modo o evento já virou doença”, afirma (BARBOSA, 2002, p. 112). Desse modo é possível aplicar até mesmo recursos curativos, porém com objetivos profiláticos, o que resulta em mudança na visão e atuação dos profissionais da saúde. O processo preventivo pode ser dividido em quatro etapas, como sugere Barbosa (2002): a) Conhecer os processos fisiopatológicos; b) Informar amplamente; c) Agir pró ativamente e d) Conscientizar. Seguindo essas etapas, assegura-se que o trabalho preventivo possui maior probabilidade de ser executado com eficiência e obter resultados satisfatórios. “Sendo o fisioterapeuta um profissional da área da saúde, além de capacitado, tem a responsabilidade de atuar como agente provedor de saúde, atuando diretamente nos três níveis de prevenção”, segundo Albiero et al. (2005, p.3). Esses níveis são: prevenção primária, secundária e terciária. A fisioterapia atua no nível terciário, realizando atendimentos domiciliares. O fisioterapeuta proporciona uma relação mais próxima entre paciente e terapeuta, além de permitir que o profissional conheça as condições em que vive o indivíduo, o que contribui para um atendimento mais personalizado. Tendo a oportunidade de reconhecer os sinais de uma patologia, o fisioterapeuta pode fazer uso de recursos fisioterápicos, ou não, reduzindo os fatores que potencializam os sintomas da doença. De acordo com Gimenes (2005, p. 9), “investir na saúde e na qualidade de vida do trabalhador preventivamente é mais vantajoso do que arcar com sua debilidade ocupacional, ou até sua demissão”. Em suma, a Fisioterapia preventiva é mais lucrativa tanto para o empregador que se conscientiza com a segurança do seu empregado, quanto para o segundo, que fica mais protegido de doenças osteomioarticulares pertinentes ao trabalho. 31 3. METODOLOGIA A pesquisa foi realizada a partir da aprovação da orientadora (APÊNDICE 1) e da coorientadora (APÊNDICE 2), do responsável pelo Departamento de Conservação e Manutenção (DECOM) da Universidade da Amazônia (APÊNDICE 3), do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), da Universidade da Amazônia pelo Protocolo N° 250702/09 e dos indivíduos pesquisados por meio do termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (APÊNDICE 4). 3.1 TIPO DE ESTUDO O tipo de estudo realizado é de caráter Analítico, descritivo, observacional e transversal. 3.2 LOCAL DO ESTUDO O presente estudo foi desenvolvido na Universidade da Amazônia localizada na Avenida Alcindo Cacela, nº 287 bairro do Umarizal, Av. Senador Lemos, nº 2809, bairro Telégrafo e Tv. Quintino bocaiúva, nº 1808, bairro Nazaré em Belém-Pará, no turno vespertino de junho a setembro de 2009, nos dias da semana de segunda a sexta-feira. 3.3 AMOSTRA O estudo foi realizado com um total de 18 trabalhadores do setor de limpeza do sexo masculino, com idades variadas de 27 a 60 anos. Participaram da pesquisa todos aqueles que se enquadraram nos critérios de inclusão. 32 3.4 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO Foram inclusos todos trabalhadores do setor de limpeza que são lotados no DECOM, com idade entre 27 a 60 anos, do sexo masculino que aceitaram participar do estudo, e que assinaram o TCLE (APÊNDICE 4). 3.5 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO Foram excluídos os trabalhadores do setor de limpeza que não estavam lotados no DECOM, que estavam fora da faixa etária da pesquisa, que apresentavam alterações psicológicas/ cognitivas, que não puderam responder o questionário e que não tinham assinado o TCLE (APÊNDICE 4). 3.6 COLETA DE DADOS Os trabalhadores do setor de limpeza participantes da pesquisa foram submetidos a dois questionários. O primeiro refere-se aos hábitos no trabalho, possui 31 perguntas fechadas. O questionário possui perguntas quanto a adoção de atitudes relacionadas à segurança do trabalho, satisfação do trabalhador, fatores ligados ao esforço físico, fatores relativos ao final do expediente, movimentos realizados durante um dia normal de trabalho. Tais perguntas relacionam-se com a rotina de trabalho, fatores que podem ou não influenciar para o desenvolvimento de dores osteomioarticulares (APÊNDICE 5). Já o segundo questionário relacionado com a qualidade de vida o SF-36 (CICONNELI, 2007) é um questionário multidimensional formado por 36 itens, englobados em 8 escalas ou componentes: Capacidade Funcional (10 itens), Aspectos Físicos (4 itens), Dor (2 itens), Estado Geral de Saúde (5 itens), Vitalidade (4 itens), Aspectos Sociais (2 itens), Aspectos Emocionais (3 itens), Saúde Mental (5 itens) e mais uma questão de avaliação comparativa entre as condições de saúde atual e de um ano atrás. Avalia tanto aspectos 33 negativos de saúde (doença ou enfermidade), como aspectos positivos (bem-estar). Cada componente varia de zero a 100, sendo zero o pior escore e, 100 o melhor (ANEXO 1). 3.7 ANÁLISE DOS DADOS Para a análise estatística foram utilizados métodos descritivos e inferenciais. Na análise descritiva foram determinadas principais medidas numéricas, a saber: Média, Mediana, Desvio-Padrão, Mínimo, Máximo para variáveis quantitativas. Quanto à análise inferencial foi aplicado o teste estatístico U de Mann-Whitney destinado a comparar a diferença entre as medianas de duas amostras cujos escores são a nível ordinal. Outro teste o de Exato de Fisher verificou-se a associação e o local de dor (Cervical, MMSS, Tronco e MMII), e o Fator de risco. O teste de correlação linear de Pearson foi aplicado com objetivo de verificar a associação entre duas variáveis quantitativas. Fica estabelecido o nível de significância alfa = 0,05 como padrão de decisão para rejeição da hipótese de nulidade. Foram indicadas com asterisco (*) as diferenças estatisticamente significativas. Todo o processamento estatístico foi realizado sob o suporte computacional do pacote bioestatístico BioEstat versão 5. 3.8 RISCOS E BENEFÍCIOS Durante a pesquisa, os trabalhadores de limpeza não foram expostos a nenhum tipo de risco, pois nenhuma conduta fisioterapêutica foi realizada, bem como as pesquisadoras também não estavam sujeitas a nenhum tipo de risco. Através dos questionários aplicados, foi possível trazer como beneficio aos trabalhadores de limpeza informações sobre possíveis dores ocupacionais causadas pelo seu trabalho, e assim mostrá-los como melhorar sua qualidade de vida para que não sejam prejudicados futuramente, o qual pode ser criado um projeto futuro. Enquanto para as pesquisadoras, o beneficio foi a ampliação de seus conhecimentos científicos. 34 De acordo com a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (2000), os resultados obtidos durante este estudo serão mantidos em sigilo, sendo divulgados apenas em publicações cientificas, sem mencionar os dados pessoais dos pesquisados. 35 4. RESULTADOS O Departamento de Conservação e Limpeza (DECOM) é composto por 18 funcionários do sexo masculino, sendo que estes ocupam o cargo de auxiliar de serviços gerais na Universidade da Amazônia (UNAMA). A variação da idade é de 27 anos a 60 anos, em relação ao estado civil, a maioria se diz solteiro (55.56%) e quanto ao grau de escolaridade, 9 (50%) possuem ensino médio completo. As características sócio-demográficas dos funcionários do DECOM da UNAMA pesquisados estão representadas na tabela1 abaixo. Tabela 1: Descrição geral da amostra, segundo as características sócio-demográficas. Características (n=18) Idade [min-máx], mediana [27-60], 36 Média ±dp 38.7± 9.8 Sexo n (%) Masculino 18 (100.0) Feminino 0 (0.0) Estado Civil: n (%) Casado 6 (33.33) Solteiro 10 (55.56) Viúvo 2 (11.11) p-valor 0.0695 Escolaridade n (%) Fundamental Incompleto 5 (27.78) Médio Completo 9 (50.00) Médio Incompleto 4 (22.22) p-valor 0.3114 Fonte: Protocolo da pesquisa. Teste Qui-Quadrado (para uma amostra) As principais atividades da limpeza são: limpeza janelas, porta, escadas; limpeza e enceramento dos pisos; limpeza de salas de aula, quadro negro, banheiros, gabinetes, auditórios e laboratórios; limpeza dos vidros e divisórias; limpeza e capinagem do estacionamento; recolher o lixo. Além do trabalho de limpeza e conservação, também é realizado o carregamento de materiais, equipamentos, móveis, quando solicitados pela instituição. 36 Algumas das principais atividades estão representadas nas figuras 1 a 16: Figura1: Limpeza do Banheiro Figura2: Limpeza do Banheiro Figura3: Limpeza Banheiro Figura4: Limpeza Banheiro 37 Figura5: Limpeza de sala aula Figura6: Limpeza Gabinete Figura7: Limpeza Gabinete Figura8: Limpeza Gabinete 38 Figura9: Recolhendo Lixo Figura10: Recolhendo Lixo Figura11: Limpeza Quadro Figura12: Limpeza Quadro 39 Figura13: Limpeza de vidro Figura14: Limpeza de piso Figura15: Limpeza de piso Figura16: Limpeza de piso A figura 17 refere-se à prevalência de algias conforme o local afetado, a maioria dos participantes da pesquisa, no total de 10 (55.6%) referiu algias no Tronco como a principal moléstia, 27.8% apresentaram algias na Cervical, 22.2% apresentaram algias nos Membros Superiores (MMSS), 16.7% apresentaram algias nos Membros Inferiores (MMII). 40 Figura 17: Prevalência de algias conforme o local afetado. Prevalência (%) 60 50 40 30 20 10 0 Cervical MMSS Tronco MMII Local da dor Fonte: Protocolo da pesquisa. As medias de Qualidade de Vida obtida com a aplicação do SF-36 em 18 entrevistados estão apresentadas na tabela 2. Foram observados escorres médio, em geral, acima de 50 para a maioria dos domínios. Considerando-se que o escore em cada domínio pode variar de zero a 100, os resultados demonstram valores médios elevados na grande maioria dos domínios analisados. Os Aspectos Emocionais apresentou a maior pontuação e estado geral de saúde a menor pontuação. Ao realizar-se a avaliação da qualidade de vida na amostra geral (n=18), o protocolo SF-36 apresenta os resultados divididos em domínios, visto que a qualidade de vida é um conceito multifatorial. Os domínios do SF-36 apresentaram os seguintes resultados: O domínio Limitação por Aspectos Emocionais apresentou a maior média (76±31.9), em segundo lugar o domínio Limitação por Aspectos Físicos (75±22.7), o domínio Capacidade Funcional apresentou a terceira maior pontuação (74±21.4). Os outros domínios apresentaram valores médios considerados baixos: o domínio Dor (31±14.1), o domínio Vitalidade (49±16.9), o domínio Aspectos Sociais (46±10.5), e o domínio Saúde Mental (54 ±14.2). Entretanto, o domínio Estado Geral da Saúde (30±9.9) foi o domínio com menor pontuação média. 41 Tabela 2: Descrição geral dos domínios SF-36. Min-Máx Capacidade Funcional 25-100 Limitação Aspectos Físicos 25-100 Dor 10-60 Estado Geral Saúde 15-50 Vitalidade 5-70 Aspectos Sociais 13-63 Limitação Aspectos Emocionais 0-100 Saúde Mental 24-76 Fonte: Protocolo da pesquisa. Mediana 80 75 30 30 53 50 100 56 P25-P75 56-90 56-100 20-38 21-39 40-60 41-50 67-100 49-60 Média ±dp 74 ±21.4 75 ±22.7 31 ±14.1 30 ±9.9 49 ±16.9 46 ±10.5 76 ±31.9 54 ±14.2 Dentre todas as associações de Dor na Cervical e Fatores de Risco, observou-se que somente o fator “Outra ocupação” (Figura 18) apresentou associação significativa (pvalor=0.0474*). Observou-se que a “Dor na cervical” era presente em 80% dos trabalhadores que declararam ter “Outra ocupação”, entretanto, nos trabalhadores sem “Outra ocupação” apenas 23.1% apresentavam Dor no Cervical. Para medir a força dessa associação foi calculado o Odds Ratio (OR=13.33) o qual indica que o risco de Dor na Cervical é 13 vezes maior nos trabalhadores que possuem outro emprego. Figura 18:Ocorrência (absoluta) de Dor na Cervical e Outra ocupação, (n=18). Dor na cervical Fonte: Protocolo da pesquisa. Quanto as outras associações não verificou-se uma associação significativa entre fator de risco e dor na cervical, visto que o p-valor > 0.05 (Tabela 3). Entretanto, foi observado que 100% dos entrevistados usam Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs), mas apenas 67% 42 (12 trabalhadores) referem terem sido treinados para realizar o trabalho. Que o esforço físico intenso ocorre em 100% dos trabalhadores que apresentam dor na cervical e essa percentagem cai para 69.2% nos trabalhadores que não apresentam dor na cervical. Que para 80% dos trabalhadores que apresentam outros tipos de algia, a dor ocorre no final do expediente, e essa percentagem cai para 61.5% nos trabalhadores que não apresentam a dor, especificamente, na cervical. Não há discordâncias significativas sobre o motivo da dor. Foi observado que os movimentos de correr e pular são realizados por 100% dos trabalhadores entrevistados. Tabela 3: Verificação da Associação entre Dor na Cervical e Fatores de Risco (n=18). Presente (n=5) Sim % Ausente (n=13) Sim % p-valor Adoção de atitudes relacionadas à segurança do trabalho Treinamento para o trabalho Orientação riscos Acesso a EPI Usa EPI Satisfação do trabalhador Trabalha Satisfeito Hora Extra Outra Ocupação Intervalos Fatores ligados ao esforço físico Esforço físico intenso Atividade exige postura adequada Alongamento Musculação Padrão repetitivo Cansado no final do expediente Fatores relativos ao final do expediente Dores no final do expediente Dor atrapalha trabalho Faz algo para passar dor Motivo da dor esforço excessivo Motivo da dor ritmo do trabalho Motivo da dor relacionada ao processo trabalho Motivo da dor descuido Motivo da dor falta treinamento Movimentos realizados durante um dia normal de trabalho Movimento agachar-se Movimento correr Movimento pular Movimento varrer Movimento carregar peso Movimento subir descer escada Fonte: Protocolo da pesquisa. *Teste Exato de Fisher. 4 4 5 5 80 80 100 100 8 10 11 13 61.5 76.9 84.6 100 0.6148 0.9998 0.9998 0.9998 5 4 4 5 100 80 80 100 10 9 3 12 76.9 69.2 23.1 92.3 0.6148 0.9998 0.0474* 0.9998 5 4 3 1 4 4 100 80 60 20 80 80 9 11 4 4 12 11 69.2 84.6 30.8 30.8 92.3 84.6 0.2778 0.9877 0.326 0.9998 0.4902 0.9877 4 2 3 2 2 0 0 2 80 40 60 40 40 0 0 40 8 3 9 6 3 3 2 2 61.5 23.1 69.2 46.2 23.1 23.1 15.4 0 0.6148 0.5826 0.9993 0.9998 0.5826 0.5221 0.9998 0.5327 3 5 5 2 4 3 60 100 100 40 80 60 6 13 13 6 7 8 46.2 100 100 46.2 53.8 61.5 0.6471 0.9998 0.9998 0.9998 0.5956 0.9975 43 Para avaliar associação entre dor no MMSS e fator de risco (Tabela 4) foi aplicado o Teste Exato de Fisher o qual não encontrou associação estatisticamente significante, visto que para cada fator de risco o resultado do p-valor >0.05, considerado não significativo. Tabela 4: Verificação da Associação entre Dor no MMSS e Fatores de risco (n=18). Presente (n=4) Sim % Ausente (n=14) Sim % p-valor Adoção de atitudes relacionadas à segurança do trabalho Treinamento trabalho Orientação riscos Acesso a EPI Usa EPI Satisfação do trabalhador Trabalha Satisfeito Hora Extra Outra Ocupação Intervalos Fatores ligados ao esforço físico Esforço físico intenso Atividade exige postura adequada Alongamento Musculação Padrão repetitivo Cansado no final do expediente Fatores ligados ao final do expediente Dor no final do expediente Dor atrapalha trabalho Faz algo para passar dor Motivo da dor esforço excessivo Motivo da dor ritmo do trabalho Motivo da dor relacionado ao processo do trabalho Motivo da dor descuido Motivo da dor falta treinamento Movimentos realizados durante um dia normal de trabalho Movimento agachar-se Movimento correr Movimento pular Movimento varrer Movimento carregar peso Movimento subir descer escada Fonte: protocolo da pesquisa. 3 3 4 4 75 75 100 100 9 11 12 14 64.3 78.6 85.7 100 0.9998 0.9814 0.9998 0.9998 4 2 0 4 100 50 0 100 11 11 7 13 78.6 78.6 50 92.9 0.5539 0.5327 0.1193 0.9998 3 4 2 2 4 4 75 100 50 50 100 100 11 11 5 3 12 11 78.6 78.6 35.7 21.4 85.7 78.6 0.9814 0.5539 0.9998 0.5327 0.9998 0.5539 4 0 4 3 1 1 1 0 100 100 0 100 75 25 25 25 11 5 8 5 4 2 1 4 79 57.1 35.7 57.1 35.7 28.6 14.3 7.1 0.3421 0.2778 0.2451 0.2745 0.9998 0.9951 0.4052 0.5242 1 4 4 1 4 2 25 100 100 25 100 50 8 14 14 7 7 9 57.1 100 100 50 50 64.3 0.3294 0.9998 0.9998 0.5882 0.1193 0.9998 44 A avaliação estatística para testar a existência de associação entre dor no tronco e fatores de risco (Tabela 5) foi realizada através do Teste Exato de Fisher. Em todos os fatores avaliados o teste de hipóteses evoluiu para um p-valor >0.05, o qual não é estatisticamente significante, portanto não há evidências suficientes para confirmar a associação entre os fatores avaliados e a dor no tronco. Tabela 5: Verificação da Associação entre Dor no Tronco e Fatores de risco (n=18). Presente (n=10) Sim % Adoção de atitudes relacionadas à segurança do trabalho Treinamento trabalho Orientação riscos Acesso a EPI Usa EPI Satisfação do trabalhador Trabalha Satisfeito Hora Extra Outra Ocupação Intervalos Fatores ligados ao esforço físico Esforço físico intenso Atividade exige postura adequada Alongamento Musculação Padrão repetitivo Cansado no final do expediente Fatores ligados ao final do expediente Movimento agachar-se Movimento correr Movimento pular Movimento varrer Movimento carregar peso Movimento subir descer escada Movimentos realizados durante um dia normal de trabalho Dores no final do expediente Dor atrapalha trabalho Faz algo para passar dor Motivo da dor esforço excessivo Motivo da dor ritmo do trabalho Motivo da dor relacionado ao processo do trabalho Motivo da dor descuido Motivo da dor falta treinamento Fonte: Protocolo da pesquisa Ausente (n=8) Sim % p-valor 6 8 9 10 60 80 90 100 6 6 7 8 75 75 87.5 100 0.638 0.9998 0.9998 0.9998 7 7 4 9 70 70 40 90 8 6 3 8 100 75 37.5 100 0.2157 0.9998 0.9998 0.9998 7 8 2 2 9 9 70 80 20 20 90 90 7 7 5 3 7 6 87.5 87.5 62.5 37.5 87.5 75 0.5882 0.9998 0.1448 0.6078 0.9998 0.5588 5 10 10 7 5 8 50 100 100 70 50 80 4 8 8 1 6 3 50 100 100 12.5 75 37.5 0.9998 0.9998 0.9998 0.5882 0.3665 0.1448 6 3 6 2 3 3 2 2 60 30 60 20 30 30 20 20 6 2 6 6 2 0 0 2 75 25 75 75 25 0 0 25 0.6382 0.9998 0.6381 0.0536 0.9998 0.2157 0.4771 0.9998 45 A avaliação quantitativa da associação entre dor no MMII e os Fatores de Riscos (Tabela 6), e o provável motivo da dor foi realizada pelo Teste Exato de Fisher, o qual avaliou a significância estatística entre a exposição aos fatores e a ocorrência desse tipo de algia. Os fatores não apresentaram evidências estatisticamente significante (p-valor >0.05) de associação com a dor no MMII. Tabela 6: Verificação da Associação entre Dor no MMII e Fatores de Riscos (n=18). Presente (n=3) Sim % Adoção de atitudes relacionadas à segurança do trabalho Treinamento trabalho Orientação riscos Acesso a EPI Usa EPI Satisfação do trabalhador Trabalha Satisfeito Hora Extra Outra Ocupação Intervalos Fatores ligados ao esforço físico Esforço físico intenso Atividade exige postura adequada Alongamento Musculação Padrão repetitivo Cansado no final do expediente Fatores ligados ao final do expediente Dores no final do expediente Dor atrapalha trabalho Faz algo para passar dor Motivo da dor esforço excessivo Motivo da dor ritmo do trabalho Motivo da dor relacionado ao processo do trabalho Motivo da dor descuido Motivo da dor falta treinamento Movimentos realizados durante um dia normal de trabalho Movimento agachar-se Movimento correr Movimento pular Movimento varrer Movimento carregar peso Movimento subir descer escada Fonte: protocolo da pesquisa. Ausente (n=15) Sim % p-valor 1 3 2 3 33.3 100 66.7 100 11 11 14 15 73.3 73.3 93.3 100 0.2451 0.5539 0.3137 0.9998 3 2 1 3 100 66.7 33.3 100 12 11 6 14 80 73.3 40 93.3 0.9998 0.9877 0.9998 0.9998 3 3 2 2 3 2 100 100 66.7 66.7 100 66.7 11 12 5 3 13 13 73.3 80 33.3 20 86.7 86.7 0.5539 0.9998 0.5282 0.1716 0.9998 0.4412 2 0 3 1 1 1 1 0 66.7 0 100 33.3 33.3 33.3 33.3 0 10 5 9 7 4 2 1 4 66.7 33.3 60 46.7 26.7 13.3 6.7 26.7 0.9755 0.5221 0.5147 0.9998 0.9877 0.4412 0.3137 0.5539 2 3 3 2 2 2 66.7 100 100 66.7 66.7 66.7 7 15 15 6 9 9 46.7 100 100 40 60 60 0.9998 0.9998 0.9998 0.5588 0.9998 0.9998 46 Na avaliação estatística da correspondência entre Qualidade de vida e Dor na Cervical (Tabela 7) foi realizada pela correlação linear de Pearson, conforme recomenda Ayres (2007, p.76). Os oito aspectos da qualidade de vida (SF-36) avaliados não apresentaram correspondência estatisticamente significante (p-valor > 0.05) com a dor na Cervical. Tabela 7: Associação entre Qualidade de vida e Dor na Cervical Dor Cervical Presente (n=5) Ausente (n=13) Capacidade Funcional 90 80 83 ±17.2 71 ±22.4 Limitações Aspectos Físicos 75 75 70 ±27.4 77 ±21.6 Dor 30 30 28 ±8.4 32 ±15.9 Estado Geral Saúde 20 30 23 ±7.6 33 ±9.5 Vitalidade 55 50 49 ±16.4 49 ±17.8 Aspectos Sociais 37.5 50 38 ±15.3 49 ±6.02 Limitações Aspectos Emocionais 100 66.7 93 ±14.9 69 ±34.6 Saúde Mental 52 56 54 ±14.9 54 ±14.6 Fonte: Protocolo da pesquisa. p-valor 0.3243 0.6934 0.6573 0.0611 0.8053 0.1039 0.2000 0.7674 A avaliação estatística da correspondência entre Qualidade de vida e Dor no MMSS (Tabela 8) foi realizada pela correlação linear de Pearson, conforme recomenda Ayres (2007, p.76). Dos oito aspectos da qualidade de vida (SF-36) um apresentou significância estatística, o domínio Limitações de Atividades Emocionais (p-valor=0.0093*), pois quando comparados os presentes e ausentes, observa-se que os ausentes apresentaram melhores escores do que os com dor presente, enquanto os demais não apresentaram correspondência estatisticamente significante (p-valor > 0.05) com a dor no MMSS. 47 Tabela 8: Associação entre Qualidade de vida e Dor no MMSS. Dor MMSS Presente (n=4) Ausente (n=14) Capacidade Funcional 60 87.5 61.3 ±14.4 78 ±22 Limitações Aspectos Físicos 50 75 62.5 ±25.0 79 ±22 Dor 30 30 35 ±10 30 ±15 Estado Geral Saúde 40 30 35 ±10 29 ±9.7 Vitalidade 45 52.5 40 ±28 52 ±13 Aspectos Sociais 50 50 47 ±6.3 46 ±11.6 Limitações Aspectos Emocionais 33.3 100 33 ±27 88 ±21.0 Saúde Mental 56 56 54 ±20.0 54 ±13.2 Fonte: Protocolo da pesquisa. p-valor 0.1371 0.2025 0.3956 0.1843 0.5240 0.9998 0.0093* 0.9577 A avaliação estatística da correspondência entre Qualidade de vida e Dor no tronco (Tabela 9) foi realizada pela correlação linear de Pearson. Dos oito aspectos da qualidade de vida (SF-36) um apresentou significância estatística, o domínio Aspectos Sociais (pvalor=0.0185*), pois quando comparados os presentes e ausentes, observa-se que os presentes apresentaram melhores escores do domínio Aspectos Sociais do que os ausentes. Assim esse domínio apresentou diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos, enquanto os demais domínios não apresentaram correspondência estatisticamente significante (p-valor > 0.05) com a dor no tronco. 48 Tabela 9: Associação entre Qualidade de Vida e Dor no Tronco. Tronco Presente (n=10) Ausente (n=8) Capacidade Funcional 83 70 76 ±23 73 ±20 Limitações Aspectos Físicos 75 75 75 ±26 75 ±19 Dor 30 30 32 ±17 30 ±11 Estado Geral Saúde 30 33 30 ±10 30 ±10 Vitalidade 53 45 53 ±9.0 45 ±24.0 Aspectos Sociais 50 38 51 ±4.0 39 ±12 Limitações Aspectos Emocionais 100 50 90 ±16 58 ±39 Saúde Mental 58 54 57 ±16 50 ±12 Fonte: Protocolo da pesquisa. p-valor 0.7558 0.8590 0.8242 0.8590 0.6569 0.0185* 0.0914 0.1551 A avaliação da associação entre Qualidade de Vida e Dor no MMII (Tabela 10) não foi possível a realização do teste estatístico de Mann-Whitney, devido à insuficiência de dados, o qual não se aplica em amostra com menos de quatro indivíduos, pois poucos casos (n=3) foram afirmativos de Dor no MMII. Entretanto destacaram-se as seguintes observações. O domínio Capacidade Funcional apresentou os maiores escores medianos, e o domínio Estado Geral de Saúde os piores escores. 49 Tabela 10: Associação entre Qualidade de vida e Dor no MMII. Dor MMII Presente (n=3) Ausente (n=15) Capacidade Funcional 90 80 87 ±6.0 72 ±23 Limitações Aspectos Físicos 50 75 50 ±25 80 ±19.0 Dor 30 30 27 ±6.0 32 ±15 Estado Geral Saúde 25 30 25 ±5.0 31 ±10 Vitalidade 60 50 62 ±8 47 ±17 Aspectos Sociais 50 50 46 ±7 46 ±11 Limitações Aspectos Emocionais 67 100 67 ±33 78 ±33 Saúde Mental 76 56 71 ±9 50 ±13 Fonte: Protocolo da pesquisa. A avaliação da correspondência linear entre a intensidade da dor, medida pela escala visual analógica de dor e os oito domínios da qualidade de vida (SF-36) (Tabela 11) foi avaliada pela correlação linear de Pearson. Entre todos os avaliados somente o domínio “Dor” apresentou associação estatisticamente significante (p-valor = 0.0088*), portanto, nos outros domínios não se observou associação significativa com a dor (p-valor >0.05). Tabela 11: Correlação entre os domínios da Qualidade de Vida e a Intensidade da dor. Coeficiente de Domínios p-valor Associação com a Dor Correlação Capacidade Funcional -0.0624 0.8056 Inexistente Limitações Aspectos Físicos -0.0392 0.8773 Inexistente Dor 0.5972 0.0088* Fraca, mas existente Estado Geral Saúde -0.1264 0.6173 Inexistente Vitalidade -0.1314 0.6031 Inexistente Aspectos Sociais 0.2963 0.2303 Inexistente Limitações Aspectos Emocionais 0.3031 0.2214 Inexistente Saúde Mental 0.1068 0.6731 Inexistente Fonte: Protocolo da pesquisa. 50 5. DISCUSSÃO A presente discussão pretende enfatizar os aspectos mais importantes encontrados nesse estudo, visando contribuir para prevenção dos fatores de risco existentes no processo de trabalho de limpeza. Tendo em vista que as atividades de trabalho na maioria das vezes predispõem sobrecarga na atuação profissional do indivíduo, seja por cargas de peso excessivo a estrutura corporal, bem como, a sobrecarga de executar uma tarefa e manter-se por muito tempo na mesma postura com repetidos movimentos Lesões por esforço repetitivo/ Doenças osteomioarticulares relacionadas ao trabalho (LER/DORT), estudos relatam problemas álgicos à postura corporal inadequada nas atividades de vida diária (KNOPPLICH, 1996). Através do questionário de desconforto/dor Rocha (2003), em sua pesquisa pode identificar que os funcionários do setor de limpeza apresentam desconforto e dor nos membros superiores (ombros, cotovelo, punhos), dor no tronco (costas inferior), dor na cervical, dor nos membros inferiores (pernas e pés). Estudos similares realizado com trabalhadores de limpeza de escolas e hospitais no Reino Unido através do Robens Centre for Heath Ergonomics, os resultados obtidos identificaram a alta prevalência de desconforto e dor de natureza musculoesquelética. As principais áreas afetadas são: cotovelo, joelho, punho e mão direita, costas, pescoço e ombro direito. As ferramentas inadequadas, repetitividade de tarefas, posturas e a organização do trabalho foram associadas com o aumento dos problemas de riscos musculoesquelético (WOODS, BUCKLE, 2000 apud ROCHA, 2003). Corroborando com Martarello e Bennatii (2009), que em seu estudo 37% dos trabalhadores de higiene e limpeza apresentaram dor na região do pescoço e membros inferiores. Segundo resultados de sua pesquisa Cabeça (2009), constatou que as queixas persistentes foram mais freqüentes na região cervical, mão e dedos e ombro. Os resultados do presente estudo mostraram resultados satisfatórios para pesquisa, porém, estatisticamente não houve significância, visto que para cada fator de risco o resultado do p-valor >0.05, em razão de a amostra ser pequena, visto que a quantidade de trabalhadores do sexo masculino lotados no Departamento de Conservação e Limpeza (DECOM) não é representativa. Entretanto foi possível extrair considerações relevantes a respeito das 51 influências que esses profissionais recebem em sua constituição física e emocional em função do trabalho executado. Pelo questionário de hábitos no trabalho demonstrou que mais da metade dos trabalhadores do setor de limpeza indicou o tronco como o segmento corporal mais atingido pelos sintomas osteomusculares. Ainda que não tenha sido significativa a verificação da associação entre fatores de risco e algias, esse fato não pode ser ignorado, uma vez que os trabalhadores de limpeza costumam relatar queixas nas costas atribuídas à limpeza de janela (postura) e manuseios de saco de lixo, afirmam (LINDEM & GUIMARÃES, 2001). Sendo assim, o trabalho contínuo e repetitivo gera ao longo do tempo desequilíbrios biomecânicos. Corroborando com Settimi e Silvestre (1995), os autores entendem que o processo inflamatório atinge os grupos musculares mais solicitados, além de posturas viciosas do tronco, e da impossibilidade da alternância de postura no decorrer do trabalho e a própria organização do mesmo. A prevalência de postura inadequada mantida por longo tempo, durante a jornada de trabalho é fator que predispõem quadros de dor e desconforto ocorrendo injúrias e impossibilitando muitas vezes a atuação efetiva do trabalhador. Muitos estudos têm sido realizados para evidenciar os múltiplos fatores de risco, como causa importante de desordens musculoesqueléticas relativas ao trabalho (MARRAS, 2000 apud FERRARI, 2004). Deste modo Woods et al.(1999), compreende que devido a variedade de tarefas empreendidas, realizando postura incômoda, força e insuficiência de repouso, os funcionários da limpeza são mais suscetíveis as lesões músculo - esqueléticas. Compreendemos que o trabalhador fadiga e lesiona seu tronco devido ao trabalho estático ou com movimentos que se repetem, não havendo tempo para se recuperar após uma contração, deixando-os vulneráveis as DORT’S. Também, não se podem ignorar os empregos anteriores, nos quais dos 8 (oito) funcionários que estão há menos de um ano trabalhando no DECOM, 7 (sete) relataram que anteriormente trabalhavam em serviços como pedreiro, setor de limpeza hospitalar, carregador de madeira e cozinheiro. Tarefas consideradas pesadas, repetitivas, e muitas vezes com uso de equipamentos e imobiliários inadequados as especificidades da estrutura física de cada indivíduo. Embora este estudo não tenha como objetivo investigar o passado em outros empregos, o estilo de vida adotado por cada um e a condição Sócio-econômica, é essencial ressaltar que quanto mais baixo o nível de escolaridade, maior a probabilidade de conquistar empregos que exijam mais força braçal, do que intelectual, assim como menor a renda per 52 capta, pressupondo que tais indivíduos recebam um salário vil, e, portanto com poucas condições de buscar tratamentos para seus problemas de saúde, bem como adotar medidas como comprar um bom colchão, trocá-lo no período adequado, deitar e levantar corretamente da cama. Para verificar as diferenças entre os trabalhadores estudados, foram avaliadas as médias dos domínios do SF-36 de acordo com a presença ou ausência de sintomas osteomusculares encontrados no questionário de hábitos no trabalho. Quando avaliada a associação entre Domínio e Dor no tronco os Aspectos Sociais do trabalhador mostraram-se prejudicados em função da dor. Esta correlação nos mostra que estes indivíduos deixam de freqüentar eventos sociais como: sair com a família, com os amigos e outros, devido à dor que o desestimula a sociabilidade, além de presumível que possa ser uma atitude que vise se preservar para atividade laboral. Tal situação pode pressupor que este trabalhador tenha um comprometimento na qualidade do sono, conseqüentemente no humor e nas relações afetivas. Quando se refere à dor na cervical verificou-se que a prevalência foi de 27.8%. Dentre todas as verificações das associações de dor na cervical e fatores de risco, observou-se uma associação significativa (p-valor=0.0474*) entre Outra ocupação e Dor na cervical mostrando que a dor influencia os indivíduos com outras ocupações. Acredita-se, que aqueles trabalhadores que apontaram como fator de risco para dor na cervical seja o fato de possuir outra ocupação, como pedreiro, eletricista, borracheiro, vigia entre outros relatados em conversas informais, seja diariamente ou nos fins de semana, pressupõe-se que tal indivíduo possui uma carga de tensão emocional maior, visto que a jornada de trabalho é dupla, a preocupação em se manter no emprego, além de concluir, que este trabalhador, muito provavelmente possui outra ocupação para completar a renda mensal, a qual sustenta a família. Portanto, além da má postura, a dor na cervical também pode ter um fundo emocional motivador – o estresse. Por apresentar grande mobilidade em relação ao restante da coluna, a região cervical está mais sujeita a dor e contraturas musculares e episódios de alta tensão psicológica. Os músculos localizados atrás, na cervical têm de estar sempre tensos para suportar a parte de cima do corpo. Mas, quando eles trabalham além da conta, sofrendo contrações constantes de fundo nervoso, a dor é inevitável. Inclusive, pode ser irradiado para os ombros ou ainda resultar em dor de cabeça. 53 O indivíduo que passa a semana se dividindo em duas atividades, em sua maioria de execução desgastante, com posturas repetitivas e com o pensamento em chegar ao final do mês com a renda necessária para quitar dívidas e assegurar o alimento da família, é um ser tenso, cansado, cujo emocional torna o sistema orgânico vulnerável as dores na cervical. Infelizmente, nem sempre o trabalhador recebe uma remuneração satisfatória para ter saúde em todos os aspectos da vida. Por isso, muitos recorrem à hora extra e outras ocupações como forma de suprir as necessidades de suas famílias, em detrimento da saúde física e emocional. Quando avaliado a associação entre Domínio e Dor na cervical não mostrou diferença estatisticamente significativa. Quando se refere a dor no MMSS verificou-se que a prevalência foi de 22.2%. Na associação entre dor no MMSS e fatores de risco, observou-se uma associação não significativa (p-valor >0.05). Devido a extrema mobilidade dos membros superiores, é que acaba por gerar lesões principalmente nas articulações do ombro, cotovelo e punho, como mostra nos estudos de Moreira (2002), que em sua pesquisa com funcionários de um laboratório, observou que 60% de sua mostra relata dores no ombro. O referido autor explica que devido aos vícios posturais, a maioria inclina o tronco para frente, para alcançar objetos de trabalho que muitas vezes são pesados e acabam por lesioná-las. Em decorrência desse fato, a associação da qualidade de vida e dor nos membros superiores dos entrevistados teve relevância estatística (p-valor<0.05). No domínio Limitações de atividades emocionais, quando comparados os presentes e ausentes, mostram que a dor pode ser um aspecto limitante para o individuo, seja no convívio social quanto no familiar, por exemplo. Para Sanches e Boemer (2002), a dor é uma forma de limitação de possibilidades ou de transformações da existência. Ela significa um agravo à existência, porque não é somente o corpo físico que se encontra doente, mas a vida em suas várias dimensões, como a sua relação consigo mesma, família, trabalho, lazer. A dor em si pode trazer complicações tanto no trabalho quanto na via pessoal do indivíduo, pois ela pode causar transformações na existência do mesmo, alterando seu convívio no meio. A dor nos MMII esteve presente em 16,7% dos pesquisados. Apesar da não significância estatística (p-valor > 0.05) pode-se perceber que as dores ao final do expediente fazem-se presente, e que apesar de não atrapalhar o trabalho executado, ela é um fator que, em longo prazo, pode gerar diminuição das potencialidades, como encontrado nos estudos de 54 Martarello e Benatti (2009), onde afirmam que os Distúrbios osteomusculares causados pelo desgaste comprometem a potencialidade de saúde dos trabalhadores. É comum a presença de dor nos membros inferiores devido a uma jornada de trabalho que exige algumas horas de caminhada e sustentação na postura ortostática. Em seus estudos, SANTOS(1995) observou que as regiões de maior incidência de dor nos membros inferiores foram tornozelos, pé e joelho. Em um trabalho realizado com profissionais do setor de enfermagem franceses e belgas, foi relatado que caminhavam cerca de 4 a 7 km por dia na unidade (ESTRYNBEHAR, 1996). Da mesma forma, os participantes do presente estudo realizam longas caminhadas durante sua jornada de trabalho, visto que as dependências dos campus da Universidade da Amazônia analisados, são amplos e comportam várias salas. Outro fato a ser notado é que os avaliados apontaram como movimento de correr e pular como os mais executados, porém, acredita-se que os pesquisados não compreenderam o teor da pergunta, uma vez que, em suas atividades laborais aparentemente não realizam tais movimentos. Na associação entre Dor no MMII e Qualidade de Vida não houve significância estatística. Porém o Estado Geral de Saúde em três pesquisados mostrou-se precário, no qual apresentou mediana 25. Para a maioria dos domínios tanto do questionário de hábitos de trabalho, quanto do SF-36, não foi significativo, pois o p-valor >0.05 não é considerado significativo. Sabe-se que o trabalho de limpeza exige grande esforço corporal, o que implicaria em um bom preparo físico, boa alimentação e orientações posturais para melhor executar a atividade laboral. Mesmo participando de treinamento, ao assumir a função e anualmente, foi possível perceber que não há orientações posturais corretas no trabalho, no intuito de prevenir lesões, segundo informações colidas por meio de questionário e conversa informal. Portanto, não se pode descartar nenhum dos domínios da pesquisa, visto que cada um pode contribuir para o surgimento de doenças músculos – esqueléticas em menor ou maior grau variando de individuo para individuo. Na avaliação dos resultados obtidos através do Questionário SF-36, aplicado nos trabalhadores de limpeza, foram observados escores médio, em geral, acima de 50 para a maioria dos domínios. Considerando-se que o escore em cada domínio pode variar de zero a 100, os resultados demonstram valores médios elevados na grande maioria dos domínios analisados. Os Aspectos Emocionais apresentou a maior pontuação e Estado Geral de saúde, Vitalidade e Dor, as menores pontuações. 55 Em um trabalho realizado por Martarello e Bennatii (2009) em relação à qualidade de vida relacionada à saúde dos trabalhadores de higiene e limpeza, os resultados do estudo mostram valores médios elevados (acima de 70) para a maioria dos domínios analisados do SF-36. O domínio Capacidade Funcional, que avalia a presença e extensão de restrições relacionadas à capacidade física dos indivíduos, apresentou a maior pontuação entre os grupos. As menores pontuações obtidas do SF-36 foram: os domínios Estado Geral de Saúde, Vitalidade e Dor. No presente estudo quando correlacionado os domínios da qualidade de vida (SF-36) e a intensidade da dor, mostrou-se que o Domínio “Dor” foi o único que apresentou associação significante, considerando a intensidade da dor fraca. A dor presente nos trabalhadores de limpeza ainda que considerada fraca está presente no cotidiano dos mesmos, conforme os resultados obtidos. Tal resultado conduz à conclusão de que a dor fraca não inviabiliza a atividade laboral e nem os Aspectos Sociais, atividades físicas, atividades emocionais, saúde mental, vitalidade, capacidade funcional, estado geral de saúde, porém a tendência, com o passar do tempo, caso essas dores não sejam tratadas de modo adequado, que incluem não só tratamento médico, mas também mudanças ergonômicas, orientações e treinamento no ambiente de trabalho, a dor passará aumentar progressivamente, o que provavelmente influenciará no futuro nas atividades descritas acima. Quando vista de forma mais focalizada, a correlação entre qualidade de vida e dor revela a preocupação com a capacidade de viver sem doenças ou de superar as dificuldades dos estados ou condições de morbidade. Neste sentido a Fisioterapia preventiva aplicada em conjunto com outros setores da saúde, pode reverter o quadro, que hoje apresenta dor leve, regredindo-o. Deste modo, preserva-se o sistema musculoesquelético do individuo, para que este obtenha qualidade de vida, tanto em seu trabalho, como na vida pessoal, uma vez que, a dor é um fator desestimulante e limitante quando em estágio avançado. Sendo assim, algumas sugestões fazem-se necessárias, visando o bem estar dos trabalhadores: implantar um programa de reeducação postural para que os trabalhadores saibam utilizar seus equipamentos e evitar os vícios de postura; realizar rodízios das tarefas, para evitar a repetitividade; redefinir as funções realizadas especificamente pelos profissionais da limpeza; aumentar o quadro de funcionários, para diminuir a sobrecarga de trabalho; implantar programa de valorização do trabalho da limpeza, visto que é uma função tão essencial, porém passa despercebida pela sociedade acadêmica. 56 6. CONCLUSÃO O estudo identificou que a maioria dos entrevistados sente dor fraca, porém não inviabiliza o trabalho e não influencia na sua qualidade de vida. Verificou-se que esses trabalhadores possuem consciência que há um grande desgaste físico para execução de suas atividades, e que tal situação pode predispor ao surgimento de dores e lesões músculo – esquelética. Portanto, o uso de força excessiva, posturas inadequadas e repetitividade de movimentos, são fatores de que podem se associar a curto e longo prazo à piora da qualidade de vida e redução da produtividade. Diante disso, são necessárias mudanças significativas no que diz respeito à organização do trabalho, para que se possa realizar as tarefas sem causar danos à saúde dos trabalhadores, sendo necessário considerar as especificidades de cada individuo. 57 7. BIBLIOGRAFIA ALBIERO, José Francisco; BISS, Paula; BORGES, Maria Fernanda; DECKER, Daiane; LAUER, Michele; PFAU, Leonardo; SCHLUTER, Ketlyn. A utilização freqüente de ansiolíticos e antidepressivos no PSF Frei João Maria-Blumenau/SC: O combate pela fisioterapia preventiva. Revista de fisioterapia da FURB. Blumenau, v. 2, n.1, p. 3-4, jul, 2005. ANDRADE, Mônica. LER: uma visão da doença. Revista Fenacon, 2000, p.54-17. ANJOS, Luiz; FERREIRA, João; DAMIÃO, Jorginete. 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APÊNDICE APÊNDICE 1 : ACEITE DO ORIENTADOR UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE - CCBS CURSO DE FISIOTERAPIA Eu, TAINÁ ALVES TEIXEIRA aceito orientar o trabalho intitulado “ANÁLISE DE FATORES DE RISCO TRABALHADORES DO PARA SETOR DORES DE OSTEOMIOARTICULARES LIMPEZA NA UNIVERSIDADE EM DA AMAZÔNIA: UMA CORRELAÇÃO COM A QUALIDADE DE VIDA” de autoria dos alunos Maiara Serra Maia (061.190.096-5), Mayra Silva Ferreira (061.190.609-9) e Nayana Mota Carvalho (061.190.093-4) declarando ter total conhecimento das normas de realização de Trabalhos Científicos vigentes, segundo o Manual de Orientação de Trabalhos Científicos do Curso de Fisioterapia da UNAMA para 2009, estando inclusive ciente da necessidade de minha participação na banca examinadora por ocasião da defesa do trabalho. Declaro ainda ter conhecimento do conteúdo do anteprojeto ora entregue para o qual dou meu aceite pela rubrica das páginas. Belém - Pará, 25 de Fevereiro de 2009. ______________________________________________________ TAINÁ ALVES TEIXEIRA 65 APÊNDICE 2 : ACEITE DO CO-ORIENTADOR UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE - CCBS CURSO DE FISIOTERAPIA Eu, BIATRIZ ARAÚJO CARDOSO aceito co-orientar o trabalho intitulado “ANÁLISE DE FATORES DE RISCO PARA DORES OSTEOMIOARTICULARES EM TRABALHADORES DO SETOR DE LIMPEZA NA UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA: UMA CORRELAÇÃO COM A QUALIDADE DE VIDA” de autoria dos alunos Maiara Serra Maia (061.190.096-5), Mayra Silva Ferreira (061.190.609-9) e Nayana Mota Carvalho (061.190.093-4) declarando ter total conhecimento das normas de realização de Trabalhos Científicos vigentes, segundo o Manual de Orientação de Trabalhos Científicos do Curso de Fisioterapia da UNAMA para 2009, estando inclusive ciente da necessidade de minha participação na banca examinadora por ocasião da defesa do trabalho. Declaro ainda ter conhecimento do conteúdo do anteprojeto ora entregue para o qual dou meu aceite pela rubrica das páginas. Belém - Pará, 25de Fevereiro de 2009. ______________________________________________________ BIATRIZ ARAÚJO CARDOSO 66 APÊNDICE 3: OFICIO DE PERMISSÃO DE ACESSO AO DECOM UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE - CCBS CURSO DE FISIOTERAPIA Belém, 25 de março de 2009. Ao Departamento de Conservação e Manutenção da Universidade da Amazônia Solicitamos a permissão para o acesso nas dependências do DECOM para realizarmos pesquisa intitulada “ANÁLISE DE FATORES DE RISCO PARA DORES OSTEOMIOARTICULARES EM TRABALHADORES DO SETOR DE LIMPEZA NA UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA: UMA CORRELAÇÃO COM A QUALIDADE DE VIDA” das alunas do 7° semestre da Universidade da Amazônia, Maiara Serra Maia, Mayra Silva Ferreira e Nayana Mota Carvalho, trabalhadores da limpeza com o intuito de auferir informações para a realização do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Estando também ciente e concordando com a publicação dos resultados encontrados no trabalho de conclusão de curso. Atenciosamente, ___________________________ JOSÉ ANTÔNIO LIMA 67 APÊNDICE 4: TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO ANÁLISE DE FATORES DE RISCO PARA DORES OSTEOMIOARTICULARES TRABALHADORES DO SETOR DE LIMPEZA NA UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA: UMA CORRELAÇÃO COM A QUALIDADE DE VIDA. Você está sendo convidado a participar do projeto de pesquisa acima citado. O documento abaixo contém todas as informações necessárias sobre a pesquisa que estamos fazendo. Sua colaboração neste estudo será de muita importância para nós, mas se desistir a qualquer momento, isso não causará nenhum prejuízo a você. Eu, ___________________________, residente e domiciliado na ______________________, portador da Cédula de identidade, RG ____________ , e inscrito no CPF_________________ nascido (a) em _____ / _____ /_______ , abaixo assinado (a), concordo de livre e espontânea vontade em participar como voluntário (a) do estudo “ANÁLISE DE FATORES DE RISCO PARA DORES OSTEOMIOARTICULARES EM TRABALHADORES DO SETOR DE LIMPEZA NA UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA: UMA CORRELAÇÃO COM A QUALIDADE DE VIDA”. Estou ciente que: I) Essa pesquisa terá como objetivo analisar os fatores de risco para dores osteomioarticulares em trabalhadores do setor de limpeza da Universidade da Amazônia e relacionar com a qualidade de vida. II) Os dados serão coletados no Departamento de Conservação e Limpeza da Universidade da Amazônia através de questionários, o primeiro possui perguntas relacionadas com a rotina de trabalho, fatores que podem ou não influenciar para o desenvolvimento de dores osteomioarticulares. Já o segundo questionário relacionado com a qualidade de vida o SF-36 é um questionário multidimensional formado por 36 itens. III) Não sou obrigado a responder as perguntas realizadas no questionário de avaliação; IV) A participação neste projeto não tem objetivo de me submeter a um tratamento, bem como não me causará nenhum gasto com relação aos procedimentos médico-clínicoterapêutico efetuados com o estudo; 68 V) Tenho a liberdade de desistir ou de interromper a colaboração neste estudo no momento em que desejar, sem necessidade de qualquer explicação; VI) A desistência não causará nenhum prejuízo à minha saúde ou bem estar físico. Não virá interferir no atendimento ou tratamento médico; VII) A minha participação neste projeto contribuirá para acrescentar à literatura dados referentes ao tema, direcionando as ações voltadas para a promoção da saúde e não causará nenhum risco; VIII) Não receberei remuneração e nenhum tipo de recompensa nesta pesquisa, sendo minha participação voluntária; IX) Os resultados obtidos durante este ensaio serão mantidos em sigilo; X) Concordo que os resultados sejam divulgados em publicações científicas, desde que meus dados pessoais não sejam mencionados; XI) Caso eu desejar, poderei pessoalmente tomar conhecimento dos resultados parciais e finais desta pesquisa. ( ) Desejo conhecer os resultados desta pesquisa. ( ) Não desejo conhecer os resultados desta pesquisa. Belém, de de 2009. Declaro que obtive todas as informações necessárias, bem como todos os eventuais esclarecimentos quanto às dúvidas por mim apresentadas. ......................................................................... Assinatura do participante Testemunha 1 : _______________________________________________ Nome / RG / Telefone Testemunha 2 : ___________________________________________________ Nome / RG / Telefone Responsável pelo Projeto: Tainá Alves Teixeira (pesquisador responsável) Telefone para contato: 91-81434837 69 APÊNDICE 5 : QUESTIONÁRIO DE HÁBITOS NO TRABALHO QUESTIONARIO DE HÁBITOS NO TRABALHO 1) Nome: 2) Idade: 3) Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino 4) Estado civil: ( ) Solteiro(a) ( ) Casado(a) ( ) Viúvo(a) 5) Nível de escolaridade: ( ) Sem escolaridade ( ) Ensino fundamental incompleto ( ) Ensino fundamental completo ( ) Ensino médio incompleto ( ) Ensino médio completo ( ) Ensino superior 6) Recebeu algum tipo de treinamento para realização do trabalho? ( ) Sim ( ) Não 7) Recebeu algum tipo de orientação referente aos riscos ocasionados pelo seu trabalho? ( ) Sim ( ) Não 8) Você possui acesso ao equipamento de proteção individual (EPI) completo? ( ) Sim ( ) Não 9) Você faz uso do equipamento de proteção individual completo? ( ) Sim ( ) Não 10) Qual o tempo de trabalho na instituição? ( ) 1 ano ou menos ( ) 1 a 2 anos ( ) 2 a 3 anos ( ) 3 anos ou mais 11) Em relação ao seu trabalho, você se considera: ( ) Satisfeito ( ) Insatisfeito 70 12) Você faz hora extra? Sim ( ) 13) Você tem outra ocupação? Não( ) Sim ( ) Não ( ) 14) Há intervalos durante o turno de trabalho? Sim ( ) Não ( ) 15) Durante a execução de seu serviço faz esforço físico intenso? 16) Realiza atividade que exige postura física inadequada? Sim ( ) Sim ( ) 17) Você se alonga diariamente antes de iniciar seu trabalho? Não ( ) Não ( ) Sim ( ) Não ( ) 18) Você realiza algum tipo exercício de fortalecimento (musculação)? Sim ( ) Sim ( ) Não ( ) 19) A direção de seus movimentos diários segue um padrão repetitivo? Não ( ) 20) Sente-se cansado ao final do expediente? Sim ( ) 21) Sente dores durante ou ao final do expediente? Não ( ) Sim ( ) Não ( ) 22) Qual parte do corpo é acometida por dor? (escolher uma ou mais alternativas) ( ) pescoço ( ) membros superiores ( ) tronco ( ) membros inferiores 23) Classifique sua dor? FONTE: Carvalho; Kowacs (2006). 24) A dor atrapalha o seu trabalho? Sim ( ) 25) Faz alguma coisa para passar a dor? Não ( ) Sim ( ) Não ( ) 26) No que atribui o motivo das dores no seu trabalho? (escolher uma ou mais alternativas). ( ) esforço excessivo ( ) ritmo do trabalho ( ) relacionado ao processo do trabalho ( ) descuido ( ) falta de treinamento 27) Quais os movimentos mais realizados durante suas atividades de trabalho? (Escolha uma ou mais alternativas) 71 ( ) Agachar-se ( ) Correr ( ) Pular ( ) Varrer ( ) Carregar peso ( ) Subir e descer escadas 28) Pela empresa empregadora, você possui acesso a: ( ) Assistência médica integral ( ) Exames de saúde periódicos ( ) Palestras sobre a saúde do trabalhador ( ) Vacinação contra doenças infecto- contagiosas 29) Já fez algum tratamento? Sim ( ) Não ( ) 30) Faz o uso de algum remédio para diminuir a dor? 31) Você dorme bem? Sim ( ) Não ( ) Sim ( ) Não ( ) 72 9. ANEXO ANEXO 1: Questionário de Qualidade de Vida SF-36 Versão Brasileira do Questionário de Qualidade de Vida -SF-36 1- Em geral você diria que sua saúde é: Excelente (1); Muito Boa (2); Boa (3); Ruim (4); Muito Ruim (5) 2- Comparada há um ano atrás, como você se classificaria sua saúde em geral, agora? Muito Melhor (1); Um Pouco Melhor (2); Quase a Mesma(3); Pior(4); Muito Pior(5) Um Pouco 3- Os seguintes itens são sobre atividades que você poderia fazer atualmente durante um dia comum. Devido à sua saúde, você teria dificuldade para fazer estas atividades? Neste caso, quando? Sim, dificulta muito. Sim, dificulta Não, não dificulta um pouco de modo algum a) Atividades Rigorosas, que exigem muito esforço, tais como: correr, levantar objetos pesados, participar em esportes árduos. 1 2 3 b) Atividades moderadas, tais como: mover uma mesa, passar aspirador de pó, jogar bola varrer a casa. 1 2 3 c) Levantar ou carregar mantimentos 1 2 3 d) Subir vários lances de escada 1 2 3 e) Subir um lance de escada 1 2 3 f) Curvar-se, ajoelhar-se ou dobrar-se 1 2 3 g) Andar mais de 1 quilômetro 1 2 3 h) Andar vários quarteirões 1 2 3 i) Andar um quarteirão 1 2 3 j) Tomar banho ou vestir-se 1 2 3 Atividades 73 4- Durante as últimas 4 semanas, você teve algum dos seguintes problemas com seu trabalho ou com alguma atividade regular, como conseqüência de sua saúde física? Sim Não a) Você diminui a quantidade de tempo que se dedicava ao seu trabalho ou a outras atividades? 1 2 b) Realizou menos tarefas do que você gostaria? 1 2 c) Esteve limitado no seu tipo de trabalho ou a outras atividades. 1 2 d) Teve dificuldade de fazer seu trabalho ou outras atividades (p. ex. necessitou de um esforço extra). 1 2 5- Durante as últimas 4 semanas, você teve algum dos seguintes problemas com seu trabalho ou outra atividade regular diária, como conseqüência de algum problema emocional (como se sentir deprimido ou ansioso)? Sim Não a) Você diminui a quantidade de tempo que se dedicava ao seu trabalho ou a outras atividades? 1 2 b) Realizou menos tarefas do que você gostaria? 1 2 c) Não realizou ou fez qualquer das atividades com tanto cuidado como 1 2 geralmente faz. 6- Durante as últimas 4 semanas, de que maneira sua saúde física ou problemas emocionais interferiram nas suas atividades sociais normais, em relação à família, amigos ou em grupo? De forma nenhuma 1 Ligeiramente 2 Moderadamente Bastante 3 4 Extremamente 5 7- Quanta dor no corpo você teve durante as últimas 4 semanas? Nenhuma Muito leve Leve Moderada Grave Muito grave 1 2 3 4 5 6 7- Durante as últimas 4 semanas, quanto a dor interferiu com seu trabalho normal (incluindo o trabalho dentro de casa)? 74 De maneira alguma 1 Um pouco Moderadamente 2 3 Bastante 4 Extremamente 5 8- Estas questões são sobre como você se sente e como tudo tem acontecido com você durante as últimas 4 semanas. Para cada questão, por favor, dê uma resposta que mais se aproxime de maneira como você se sente, em relação às últimas 4 semanas. Todo Tempo A maior parte do tempo Uma boa parte do tempo Uma pequena parte do tempo Nunca Alguma parte do tempo a) Quanto tempo você tem se sentindo cheio de vigor, de vontade, de força? 1 2 3 4 5 6 b) Quanto tempo você tem se sentido uma pessoa muito nervosa? 1 2 3 4 5 6 c) Quanto tempo você tem se sentido tão deprimido que nada pode animá-lo? 1 2 3 4 5 6 d) Quanto tempo você tem se sentido calmo ou tranqüilo? 1 2 3 4 5 6 e) Quanto tempo você tem se sentido com muita energia? 1 2 3 4 5 6 f) Quanto tempo você tem se sentido desanimado ou abatido? 1 2 3 4 5 6 g) Quanto tempo você tem se sentido esgotado? 1 2 3 4 5 6 h) Quanto tempo você tem se sentido uma pessoa feliz? 1 2 3 4 5 6 i) Quanto tempo você tem se sentido cansado? 1 2 3 4 5 6 9- Durante as últimas 4 semanas, quanto de seu tempo a sua saúde física ou problemas emocionais interferiram com as suas atividades sociais (como visitar amigos, parentes, etc)? 75 Todo Tempo A maior parte do tempo Alguma parte do tempo Uma pequena parte do tempo Nenhuma parte do tempo 1 2 3 4 5 11- O quanto verdadeiro ou falso é cada uma das afirmações para você? A maioria Definitivamente verdadeiro a) Eu costumo obedecer um pouco mais facilmente que as outras pessoas. das vezes verdadeir o Não sei A maioria das vezes Definitiv a- falso mente falso 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 c) Eu acho que a minha saúde vai piorar. 1 2 3 4 5 d) Minha saúde é excelente. 1 2 3 4 5 b) Eu sou tão saudável quanto qualquer pessoa que eu conheço