ESTUDO ESTATÍSTICO DO MANEJO DE RESÍDUOS SÓLIDOS NO
RIO GRANDE DO SUL E O REFLEXO NA SOCIEDADE
Sergio Murilo Pereira Gil
Professor da Universidade Luterana do Brasil - ULBRA
Br 116, 5724
Telefone: (051) 491-2706
CEP 92500-000 – Guaíba - RS - Brasil
e-mail: [email protected]
RESUMO
Segundo a Organização Mundial de Saúde, saneamento consiste no controle de todos os
fatores do meio físico onde o homem habita, que exercem ou podem exercer efeitos
prejudiciais ao seu bem-estar físico, mental ou social.
Neste contexto, a preocupação com o tratamento e o destino final de resíduos sólidos
urbanos é crescente, em uma sociedade em que a população aumenta diariamente.
Todos esses fatores, agregados à falta de disponibilidade de áreas próximas aos centros
urbanos para implantação de aterros sanitários, colocam o lixo como um dos principais
problemas ambientais da sociedade do século XXI.
O presente estudo objetiva realizar um estudo estatístico da disposição de resíduos
sólidos no Rio Grande do Sul e o reflexo na sociedade, a partir da análise dos resultados
obtidos na Pesquisa Nacional de Saneamento Básico – PNSB / 2000 (IBGE) e no Censo
Demográfico de 2000.
ABSTRACT
According to the World Organization of Health, sanitation consists of the factors control
the physical environment where the man inhabits, which can provide harmful effects to the
physical, mental or social characteristics of the human being.
In this context, the concern with the treatment and final destination of urban solid
residues is increasing, in a society in which the population grows daily.
All those factors, added to the lack of available areas close of the urban centers for
sanitary embankments implantation, put the organic solid waste as one of the main
environmental problems of the society of the XXI century.
The present study aims to accomplish a statistical study of the disposition of the solid
residues generated in Rio Grande do Sul, and, the reflex in the society is presented, based on
the results obtained by the Pesquisa Nacional de Saneamento Básico - PNSB / 2000 (IBGE)
and by the Censo Demográfico of 2000.
1. Entidades prestadoras dos serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo.
De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico – PNSB (IBGE, 2002), a
prestação dos serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo no Estado do Rio Grande do Sul
não ocorre na totalidade dos seus municípios. Verifica-se que em 8 dos 467 municípios esse
serviço não é oferecido (Tabela 1). Os municípios que não apresentam serviço são: Arroio
Grande, Centenário, Cerrito, Herval, Monte Alegre dos Campos, Muitos Capões, Novo
Cabrais e Ponte Preta. Pode-se observar que na Região Sul, além desses, só mais dois
municípios de Santa Catarina não oferecem tais serviços. No Brasil esse número constitui-se
em 32 municípios, representando 0,58% do total.
T abela 1 - M unicípios, total e com serviços de lim peza urbana e/ou coleta de lixo, por situação das entidades prestadoras dos serviços,
segundo as G randes Regiões, Unidades da Federação, Regiões M etropolitanas e M unicípios das Capitais - 2000
G randes Regiões,
Unidades da Federação,
Regiões M etropolitanas
e
M unicípios das Capitais
M unicípios com serv iços de lim peza urbana e/ou coleta de lixo
S ituação das entidades prestadoras dos serv iços
Total
de
m unicípios
Brasil
Sul
Paraná
5 475
4 822
73
580
1 149
881
4
264
399
399
358
-
41
1
1
-
-
1
293
291
232
1
58
1
1
-
1
-
467
459
291
3
165
P orto A legre
Região M etropolitana de P orto Alegre
A P refeitura
e outra (s) entidades
são prestadoras
do (s) serv iço (s)
1 159
Florianópolis
Rio G rande do Sul
O utra (s) entidade (s)
é (são) responsáv el (eis)
totalm ente pelo (s)
serv iço (s)
5 507
Curitiba
Santa Catarina
A P refeitura
é a única
ex ecutora
dos serv iços
Total
1
1
-
-
1
28
28
6
-
22
Fonte: IBG E , Diretoria de P esquisas, Departam ento de População e Indicadores Sociais, Pesquisa Nacional de Saneam ento B ásico 2000.
Dos 459 municípios gaúchos com o serviço de limpeza urbana e/ou coleta de lixo, em
apenas 0,7% do total a prefeitura não é a entidade responsável. Em 291 municípios, o que
corresponde a 63,4%, a prefeitura é a única a executá-lo. Nos demais 35,9% a prefeitura tem
envolvimento juntamente com outras prestadoras. Tal fato se deve provavelmente à
terceirização dos serviços de limpeza municipal, que é muito comum atualmente, pois a
prefeitura continua com a responsabilidade pelos serviços, porém contrata empresas para
execução da limpeza urbana e/ou coleta de lixo.
A Tabela 2 apresenta os gastos com o serviço de limpeza e/ou coleta de lixo. Pode-se
constatar que 91% dos municípios gaúchos destinam 5% do orçamento a esses serviços, o que
não difere do Brasil e da Região Sul. Em Porto Alegre as despesas variam entre 5% e 10%,
sendo que em toda Região Sul apenas dois municípios destinam mais de 20% de seu
orçamento, sendo um deles localizado na Região Metropolitana de Porto Alegre e o outro
município no Estado de Santa Catarina.
T a b e la 2 - M u n ic íp io s c o m s e rv iç o s d e lim p e z a u rb a n a e /o u c o le ta d e lix o ,
p o r p e rc e n tu a l d o o rç a m e n to m u n ic ip a l d e s tin a d o a o s s e rv iç o s d e lim p e z a u rb a n a e /o u c o le ta d e lix o ,
s e g u n d o a s G ra n d e s R e g iõ e s , U n id a d e s d a F e d e ra ç ã o , R e g iõ e s M e tro p o lita n a s e M u n ic íp io s d a s C a p ita is - 2 0 0 0
G ra n d e s R e g iõ e s ,
U n id a d e s d a F e d e ra ç ã o ,
R e g iõ e s M e tro p o lita n a s
e
M u n ic íp io s d a s C a p ita is
B ra s il
Sul
P a ra n á
C u ritib a
S a n ta C a ta rin a
F lo ria n ó p o lis
R io G ra n d e d o S u l
P o rto A le g re
R e g iã o M e tro p o lita n a d e P o rto A le g re
M u n ic íp io s c o m s e rv iç o s d e lim p e z a u rb a n a e /o u c o le ta d e lix o
P e rc e n tu a l d o o rç a m e n to m u n ic ip a l d e s tin a d o
a o s s e rv iç o s d e lim p e z a u rb a n a e /o u c o le ta d e lix o (% )
T o ta l
M a is d e
5 a 10
A té 5
M a is d e
10 a 15
M a is d e
15 a 20
M a is d e
20
S em
d e c la ra ç ã o
5 475
4 338
872
123
33
31
78
1 149
1 013
97
11
7
2
19
399
342
47
6
3
-
1
1
-
-
-
-
-
1
291
253
23
2
1
1
11
1
-
-
1
-
-
-
459
418
27
3
3
1
7
1
-
1
-
-
-
-
28
20
4
1
1
1
1
F o n t e : IB G E , D ir e t o r ia d e P e s q u is a s , D e p a r t a m e n t o d e P o p u la ç ã o e In d ic a d o r e s S o c ia is , P e s q u is a N a c io n a l d e S a n e a m e n t o B á s ic o 2 0 0 0 .
2. Caracterização do lixo doméstico
No que diz respeito à característica dos resíduos sólidos no Brasil pode-se ressaltar o
grande potencial de reciclagem dos mesmos através do aproveitamento da matéria orgânica.
Em Porto Alegre, o teor de matéria orgânica constitui-se em aproximadamente 52%.
Percentual este passível de compostagem. Entretanto, observa-se a necessidade do aumento
deste teor, através da diminuição do teor de materiais inertes junto com a matéria orgânica
destinada a compostagem.
O grande problema das chamadas “Usinas de Reciclagem de Lixo” é a triagem dos
materiais na esteira ou local de separação dos resíduos recicláveis secos e rejeitos.
Normalmente ocorre apenas a separação dos materiais recicláveis secos, (papel/papelão,
vidro, plástico, metal e outros). Os rejeitos (plásticos não recicláveis, madeiras, isopor e
outros) encaminhados ao pátio de compostagem, prejudicam a operação no pátio de
compostagem e a qualidade final do composto produzido.
A qualidade do composto orgânico produzido é obtida em função de três fatores
básicos: a característica da matéria prima; o tipo de sistema; e a eficiência do controle
operacional (DMLU, 1997). Os usos mais comuns do composto orgânico contemplam: hortas;
hortos e viveiros; agricultura, em geral, e fruticultura; floricultura; programas de paisagismo,
parques, jardins, play-grounds; programas de reflorestamentos; controle de erosão;
recuperação de áreas degradadas; recuperação vegetal de solos exauridos; controle de doenças
e pragas agrícolas; cobertura e vegetação de aterros e; produção de fertilizantes
organominerais.
A caracterização dos resíduos sólidos domiciliares de Porto Alegre realizada em 1997
pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana - DMLU (Gráfico 1) demonstrou que é
superior a 50% o teor de matéria orgânica nos resíduos sólidos domiciliares, os quais
apresentam potencial para compostagem.
Embora a coleta seletiva esteja implantada há mais de dez anos no município de Porto
Alegre, há um percentual expressivo de materiais não orgânicos misturados à matéria-prima
potencial. Este resultado pode ser explicado pelo fato da elevada produção e consumo de
embalagens descartáveis nos últimos anos, principalmente das indústrias alimentícias, como
vidros, plásticos, papéis e embalagens mistas, totalizando em torno de 30%.
Existe ainda o problema da separação do lixo na fonte, pois não existe a cultura na
população em fazê-lo, essa simples iniciativa irá facilitar as operações das usinas de triagem e
compostagem.
Gráfico 1 - Caracterização dos Resíduos Sólidos Domiciliares no
Município de Porto Alegre - 1997
Matéria Orgânica
Papel
Rejeito
Tipo de Resíduo
Plático Filme
Plástico Rígido
Papelão
Trapo / Couro / Louça / Madeira
Metal Ferroso
Vidro
Tetrapak
Madeira
Alumínio
Louça
Outros Metais
Borracha
0,00%
Fonte: : Departamento Municipal de Limpeza Urbana - DMLU
10,00%
20,00%
30,00%
Percentual
40,00%
50,00%
60,00%
3. Destinação do lixo doméstico
Os resultados apresentados nesse estudo são informações referentes aos domicílios
particulares permanentes apurados no Censo demográfico de 2000 no Estado do Rio Grande
do Sul (IBGE, 2001).
A Tabela 3 mostra que o destino do lixo depende significativamente da situação do
domicílio, urbana ou rural. Constata-se que na zona urbana 97% do lixo é coletado, porém na
zona rural apenas 21% é coletado. A parcela dos domicílios que queimam o lixo na própria
propriedade é de 10% e quase 2% do lixo é jogado em terreno baldio ou logradouro. Embora
a parcela dos domicílios que jogam lixo em rio, lago ou mar seja pequena, 0,1%, tal
percentual corresponde a um número de 3.180 domicílios.
Uma vez que a coleta domiciliar na zona rural é limitada, apenas 21% dos domicílios
tem o lixo coletado, em conseqüência à destinação dada ao lixo, é extremamente
diversificada, e nem sempre a mais adequada. Observa-se que, dos domicílios que queimam o
lixo na própria propriedade, 87% estão na zona rural, do total dos moradores que enterram os
resíduos na propriedade, 90% dos domicílios dos também estão localizados na zona rural, dos
moradores dos domicílios que jogam o lixo em terreno baldio ou logradouro 83% deles são da
zona rural e do total de domicílios que descartam em rio, lago ou mar 44% são rurais.
O Rio Grande do Sul é um Estado bem urbanizado, 82% da população vive em áreas
urbanas. Entretanto os 18% da população das áreas rurais, quase dois milhões pessoas é muito
carente quanto o serviço público de coleta de lixo, pois este serviço é essencial para uma boa
qualidade de vida.
Um dos problemas mais graves é o lixo jogado de forma indiscriminada em rios, lagos
ou mares. Proporcionalmente este volume é bem maior nos centros urbanos, 56% do total do
lixo que tem esse destino. Geralmente essa destinação é dada pela população que vive a
margem dos rios e lagos que tem nível deficiente de instrução e renda. Alternativa viável
consiste em identificar onde estão localizadas essas moradias, a partir dos resultados do Censo
2000 por setor censitário, e procurar alternativas tais como: veicular informação sobre os
problemas causados por esta destinação, colocação de caçambas, aumentar a freqüência de
coleta de lixo nessas áreas, entre outras.
Tabela 3 - Domicílios particulares permanentes e moradores em domicílios particulares permanentes,
por situação do domicílio, segundo o destino do lixo - Rio Grande do Sul - 2000
Características
do
domicílio
Domicílios particulares permanentes
Total
Total........................................................... 3 042 039
Destino do lixo
Coletado............................................................ 2 558 120
Por serviço de limpeza................................... 2 504 745
Em caçamba de serviço de limpeza...............
53 375
Queimado (na propriedade)............................... 322 374
Enterrado (na propriedade)................................
84 734
Jogado em terreno baldio ou logradouro............
49 001
Jogado em rio, lago ou mar...............................
3 180
Outro destino.....................................................
24 630
Situação do domicílio
Urbana
Rural
2 512 558
529 481
2 447 710
2 405 432
42 278
41 926
8 783
8 334
1 784
4 021
110 410
99 313
11 097
280 448
75 951
40 667
1 396
20 609
Moradores em domicílios particulares
permanentes
Situação do domicílio
Total
Urbana
Rural
10 114 118
8 260 996
1 853 122
8 418 722
8 243 689
175 033
1 137 724
290 679
170 471
11 470
85 052
8 037 452
7 899 932
137 520
145 976
27 616
29 941
6 700
13 311
381 270
343 757
37 513
991 748
263 063
140 530
4 770
71 741
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000.
O Gráfico 2 apresenta uma visão geral da destinação do lixo doméstico no Rio Grande
do Sul. Pode-se observar que o principal destino é a coleta por serviço de limpeza, porém uma
parcela bem significativa da população ainda utiliza a queima ou enterra o seu lixo.
Gráfico 2 - Domicílios particulares permanentes e moradores em domicílios particulares
permanentes, por situação do domicílio, segundo o destino do lixo - Rio Grande do Sul - 2000
Destino do lixo
Coletado por serviço de limpeza
Queimado (na propriedade)
Enterrado (na propriedade)
Coletado em caçamba de serviço de limpeza
Jogado em terreno baldio ou logradouro
Outro destino
Jogado em rio, lago ou mar
-
500 000
1 000 000
1 500 000
2 000 000
2 500 000
3 000 000
Domicílios
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000
4. A disposição dos resíduos sólidos
A destinação final do lixo coletado é um grande indicador social, principalmente no que
se refere à saúde pública. Nesse contexto, constata-se que, no Brasil, 72% do lixo coletado
nos 8.381 distritos é depositado em vazadouros a céu aberto, constituindo os lixões. Na
Região Sul esse percentual chega a 49% dos distritos, o que representa uma parcela menor
quando comparada com a nacional (Tabela 4).
T ab ela 4 - D istrito s co m serviços d e lim p eza u rb an a e/o u co leta d e lixo , p or un id ad es de destin ação fin al d o lixo coletad o ,
segu n d o as G ran d es R egiõ es, U n id ades d a F ed eração, Reg iõ es M etro po litan as e M u nicípio s d as C ap itais - 2000
G randes Regiões,
U nidades da F ederação,
R egiões M etropolitanas
e
M unicípios das C apitais
B rasil
Su l
Paraná
C uritiba
Santa C atarina
F lorianópolis
Rio G rande do S ul
Porto Alegre
R egião M etropolitana de P orto A legre
G randes Regiões,
U nidades da F ederação,
R egiões M etropolitanas
e
M unicípios das C apitais
B rasil
Su l
Paraná
C uritiba
Santa C atarina
F lorianópolis
Rio G rande do S ul
Porto Alegre
R egião M etropolitana de P orto A legre
D istritos com serv iços de lim peza urbana e/ou coleta de lix o
U nidades de destinação final do lixo coletado
Vazadouro
a céu aberto
(lix ão)
T otal
8 381
1 746
619
1
376
12
751
1
57
Vazadouro
em áreas
alagadas
5 993
848
402
199
247
6
Aterro
controlado
63
11
4
2
5
-
A terro
sanitário
1 868
738
210
130
398
40
1 452
478
134
1
107
23
237
3
38
D istritos com serv iços de lim peza urbana e/ou coleta de lix o
U nidades de destinação final do lixo coletado
Aterro
de
resíduos
especiais
U sina
de
com postagem
810
219
142
1
26
51
1
12
260
117
12
19
86
6
U sina
de
reciclagem
Incineração
596
351
43
52
7
256
1
30
325
101
4
1
29
68
10
Fonte: IBG E, D iretoria de P esquisas, D epartam ento de População e Indicadores Sociais, P esquisa Nacional de Saneam ento Básico 2000.
Nota: Um m esm o m unicípio pode apresentar m ais de um a unidade de destinação final do lixo coletado.
O Paraná, que abrange 619 distritos com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo,
dispõe os resíduos de 402 distritos em lixões, o que representa 65%, já santa Catarina esse
percentual cai para 53% e no Rio Grande do Sul reduz mais ainda ficando em 33%.
O alto volume de lixo disposto em lixões, provavelmente, deve-se ao fato, de ser o meio
menos dispendioso de disposição.
Analisando a situação do Rio Grande do Sul pode-se constatar que, dos distritos
brasileiros que depositam resíduos em aterros controlados, 21% são gaúchos, a participação
nos aterros sanitários fica em 16%, em usinas de compostagem alcança 33% e, para usinas de
reciclagem, 43%.
O Rio Grande do Sul tem tradição nacional como produtor de grãos, sua agricultura tem
grande importância para economia do Estado. Entretanto pode-se observar que quase 1/3 das
usinas de compostagem estão instaladas no Estado, o que mostra a grande influencia para
atividade primária.
A destinação final dos resíduos nos distritos gaúchos pode ser melhor representada no
Gráfico 3, onde a grande maioria dos resíduos são encaminhados para aterros controlados,
sendo a segunda opção para usinas de reciclagem e em terceira opção a disposição em lixões.
Gráfico 3 - Distritos com serviços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo, por unidades de
destinação final do lixo coletado,Rio Grande do Sul - 2000
Unidades de
destinação
Aterro controlado
Usina de reciclagem
Vazadouro a céu aberto (lixão)
Aterro sanitário
Usina de compostagem
Incineração
Aterro de resíduos especiais
Vazadouro em áreas alagadas
0
50
100
150
200
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional de Saneamento Básico
250
300
350
400
Distritos
5. A coleta seletiva e o reaproveitamento dos resíduos sólidos
A coleta seletiva no Brasil ainda é pouco representativa, em virtude de ocorrer em
apenas 8% dos municípios, com serviço de limpeza urbana e/ou coleta de lixo. Para a Região
Sul o percentual quase triplica, alcançando aproximadamente 24%. Dos três Estados do Sul
do Brasil, o Rio Grande do Sul é o que apresenta maior porcentagem de municípios com
coleta seletiva, 30%.
Uma das formas de reaproveitamento do lixo ocorre através do trabalho realizado pelos
catadores. Na maioria das vezes essa consiste em sua única fonte de renda, consistindo em um
problema social relevante a parcela da população que vive do lixo.
A Tabela 5 mostra que em 28% dos municípios brasileiros existem catadores nas
unidades de destino final do lixo. Na Região Sul esse percentual alcança mais de 35%, sendo
o Paraná lidera com quase 50%. No Rio Grande do Sul em 25% dos municípios possuem
catadores.
Tabela 5 - Municípios com serviços de limpeza urbana e/ou
coleta de lixo, por existência de catadores nas unidades de destino final do lixo,
segundo as Grandes Regiões, Unidades da Federação, Regiões Metropolitanas e Municípios das Capitais - 2000
Grandes Regiões,
Unidades da Federação,
Regiões Metropolitanas
e
Municípios das Capitais
Brasil
Sul
Paraná
Curitiba
Santa Catarina
Florianópolis
Rio Grande do Sul
Porto Alegre
Região Metropolitana de Porto Alegre
Municípios com serv iços de limpeza urbana e/ou coleta de lixo
Existência de catadores nas unidades de destino
final do lixo
Total
Existem
5 475
1 149
399
1
291
1
459
1
28
Não existem
1 548
405
199
92
114
13
Sem
declaração
3 900
737
200
1
197
1
340
1
15
27
7
2
5
-
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de População e Indicadores Sociais, Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2000.
As condições dos catadores de lixo que trabalham nas unidades de destino final do lixo
nem sempre são as mais favoráveis. Quando os mesmos estão organizados em cooperativas
ou associações, pode-se observar que a exposição ao lixo é um pouco menor, pois trabalham
com luvas, botas e outros equipamentos de proteção, que tornam o trabalho um pouco menos
insalubre. No que diz respeito aos jovens, o número de crianças com idade inferior a 14 anos
atuando como catadores de lixo é ainda significativa, pois no Brasil é de 22% (Tabela 6). Na
Região Sul os índices alcançam 20%, sendo que nos três Estados, Santa Catarina é o Estado
em que mais foi constatada a presença de menores de 14 anos como catadores, não só em
números absolutos como também percentualmente, chega a 25%.
Tabela 6 - Catadores de lixo nas unidades de destino final do lixo, por grupos de idade,
segundo as Grandes Regiões, Unidades da Federação, Regiões Metropolitanas e Municípios das Capitais - 2000
Grandes Regiões,
Unidades da Federação,
Regiões Metropolitanas
e
Municípios das Capitais
Brasil
Sul
Paraná
Curitiba
Santa Catarina
Florianópolis
Rio Grande do Sul
Porto Alegre
Região Metropolitana de Porto Alegre
Catadores de lixo nas unidades de destino final do lixo
Grupos de idade
Total
(1)
Até 14 anos
24 340
4 221
1 957
897
1 367
477
Mais de 14 anos
5 393
845
404
223
218
33
18 843
3 374
1 551
674
1 149
444
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de População e Indicadores Sociais, Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2000.
(1) Inclusive os catadores cuja entidade não declarou o número de catadores por grupos de idade.
No Estado do Rio Grande do Sul, embora apresente o menor percentual de crianças
nesse trabalho (16%), torna-se fundamental oferecer alternativas de trabalho a essa parcela de
crianças que atuam como catadores e programas sociais que oportunizassem, além do estudo,
o aprendizado de uma profissão.
6. Conclusões
O estudo realizado permitiu obter as seguintes conclusões:
a) Constata-se que no Rio Grande do Sul nem todos os municípios possuem coleta de lixo
(não há coleta em oito municípios), onde 91% dos municípios destinam até 5% do
orçamento municipal ao serviço de limpeza urbana e/ou coleta de lixo. A maior dificuldade
na prestação dos serviços está na área rural dos municípios, onde apenas 21% dos
domicílios têm o lixo coletado. Tal fato deve-se provavelmente ao custo do serviço em
função da baixa densidade populacional.
b) A produção do lixo doméstico está diretamente relacionada ao crescimento
populacional. O Rio Grande do Sul Apresenta uma das menores taxas geométricas de
crescimento anual. Verifica-se que em 483.919 domicílios no Rio Grande do Sul não
destinam adequadamente o lixo doméstico, o que corresponde a 15,9% dos domicílios
gaúchos. Tal fato deve-se à deficiência da coleta nas áreas rurais dos municípios.
c) A caracterização do lixo coletado em Porto Alegre (DMLU, 1997) mostrou que o
mesmo tem grande potencial de reciclagem, pois aproximadamente 52% consiste em
matéria orgânica, passível de compostagem, há outros resíduos como papel, papelão,
plástico e vidro, que juntos são 29%, também passíveis de reaproveitamento.
d) O Rio Grande do Sul apresenta coleta seletiva em 30% dos municípios, porém a
quantidade coletada nas residências é pouco expressiva (0,7 kg/dia). As pesquisas
revelaram que a coleta seletiva precisa ser mais bem trabalhada e a população mais
conscientizada. A destinação do material recolhido com a coleta seletiva é, na maioria dos
municípios, encaminhada para comercialização gerando receita.
e) É comum a existência, nos vazadouros de lixo e até mesmo nas ruas, todo um
contingente de pessoas que buscam na separação e comercialização de materiais
recicláveis uma alternativa para o seu sustento e de sua família. É possível, entretanto,
manter esta atividade econômica, mas em adequadas condições de trabalho. É o caso das
unidades de beneficiamento de lixo e dos programas de coleta seletiva. Em 24,8% das
unidades de destino final do lixo, no Rio Grande do Sul, existem catadores de lixo.
Observa-se como fator preocupante a existência de crianças com menos de 14 anos
trabalhando nessa atividade. No Rio Grande do Sul dos 1.367 catadores, 218 são crianças
(15,9%).
7. Bibliografia
DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE LIMPEZA URBANA – DMLU. Segregação na
Origem: Uma Solução para a qualificação do Composto Produzido em Unidade de
Triagem e Compostagem de Resíduos Sólidos, Porto Alegre: DMLU, 1997.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA - IBGE. Pesquisa
Nacional de Saneamento Básico 2000. Rio de Janeiro: IBGE, 2002.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA - IBGE. Censo
Demográfico 2000: resultado do universo relativo às características da população e dos
domicílios. Rio de Janeiro: IBGE, 2001.
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Sergio Murilo Pereira Gil