XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 Potencial empreendedor dos alunos do ensino médio em escolas públicas e privadas de Maceió Cristina Espinheira Costa Pereira (FEAC) [email protected] Antonio Calros Silva Costa (FEAC) [email protected] Resumo Empreender tem sido alvo de vasta pesquisa nas perspectivas econômica, comportamental e administrativa. Na busca por instrumentos válidos para a realidade brasileira, conduzimos um estudo com base no Coeficiente de Capacidade Empreendedora (CCE). O instrumento foi aplicado a 564 jovens do ensino médio de escolas públicas e privadas de Maceió, buscando avaliar se esses jovens possuem perfil empreendedor e a relação desse perfil com sexo, idade, grau de escolaridade dos pais e dependência administrativa das escolas, classificadas como públicas e privadas. Através da analise dos resultados, essa pesquisa levantou fortes evidências de que não há relação entre o perfil empreendedor e origem social dos jovens, considerando o tipo de escola freqüentada. Além disso, também não existem evidências de relação entre o referido perfil e o sexo dos entrevistados, bem como idade e grau de escolaridade dos pais em contraposição aos princípios do empreendedorismo ditados por Dolabela (2003). Palavras-chave: Empreendedorismo; Ensino Médio; Capacidade Empreendedora. 1. Introdução 1.1. A importância do assunto Diante da presente velocidade das mudanças que tem alterado o modo de agir e de pensar da sociedade em nível global, vivemos uma nova revolução, vivemos um novo paradigma na educação que impõe necessidades e competências até então impensadas. Preparar futuros empreendedores seria uma das saídas para o iminente fato que é o fim do emprego estável. Esta mudança em relação ao emprego não está acontecendo apenas no Brasil, trata-se de um fenômeno global que está assustando a todos. As mudanças tornam-se cada vez mais rápidas e as ofertas de emprego mais escassas. Não podemos negar que uma educação voltada para a formação de empreendedores resultará em cidadãos com maiores chances de serem bem sucedidos no mercado de trabalho. De acordo com a UNESCO (2004), empreendedorismo, empregabilidade e competitividade são palavras muitas vezes usadas em excesso, em caráter excessivamente administrativo, e com pouco nexo com a finalidade primordial da escola que vem a ser educar e formar cidadãos cônscios de seus deveres e funções na sociedade. De um outro ângulo Dolabela (2003), nos diz que a educação empreendedora deve começar na mais tenra idade porque diz respeito à cultura, que tem o poder de induzir ou inibir a capacidade empreendedora. No decorrer de décadas a escola se viu resumida a apenas repassar a informação. O professor colocado em nível de superioridade dava a sensação de que os alunos não passavam de receptores passivos de uma mensagem. Não havia uma interação expressiva entre estes personagens, não havia uma dinâmica que refletisse as mudanças tão freqüentes da vida real. Este trabalho traz consigo uma reflexão sobre a educação recebida nas escolas e a formação ENEGEP 2006 ABEPRO 1 XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 de futuros empreendedores. Busca expor uma relação entre o perfil empreendedor e a escola como forma de avaliar se este perfil está se desenvolvendo ou se retraindo. Na diferença entre escola pública e privada, insere-se a questão da origem social, do nível de renda. 1.2. O problema Podemos observar que a educação na área de empreendedorismo cresce rapidamente em faculdades e universidades. Muitas universidades oferecem pelo menos um curso de empreendedorismo em nível de graduação ou pós-graduação, e algumas têm uma pequena ou grande concentração na área (HISRICH & PETERS, 2004, p.39). No entanto, este empenho em desenvolver o potencial empreendedor não é tão frisado em relação ao ensino médio. Qual é o potencial empreendedor dos alunos do ensino médio em escolas públicas e privadas de Maceió? Há diferenças significativas entre o potencial dos alunos de escolas públicas e privadas? 1.3. Objetivos O objetivo geral é avaliar o potencial empreendedor dos alunos do ensino médio em escolas públicas e privadas de Maceió. Os específicos são: - Avaliar a sensibilidade do instrumento na medida do potencial empreendedor. - Mapear a influencia da origem social na determinação do potencial empreendedor. 2. Revisão Da Literatura 2.1. Histórico Apesar de ser um assunto da moda, de grande interesse científico e econômico atual, pesquisas indicam que as raízes de sua origem estão no século XVI, provavelmente na França e conforme afirma Tonelli citado em Friedlander: O termo empreendedorismo teve sua origem na França e quer dizer aquele que assume riscos e começa algo novo. Surgiu no início do século XVI designando os homens envolvidos na coordenação de operações militares. Mais tarde, por volta de 1700, o termo começou a ser utilizado naquele país para as pessoas que se associavam com proprietários de terras e trabalhadores assalariados. Contudo, este termo era também usado nessa época para denominar outros aventureiros tais como construtores de pontes, empreiteiros de estradas ou arquitetos, enfim, pessoa que criava e conduzia projetos e empreendimentos (FRIEDLANDER, 2005, p.50). Contudo, a expressão empreendedorismo é um neologismo derivado da livre tradução da palavra entrepreneurship, utilizada para designar os estudos relativos ao empreendedor, seu perfil e suas origens. A expressão “entrepreneurship” da língua inglesa que, por sua vez, é computada a partir da palavra francesa “entreprenuer” e do sufixo inglês “ship”, que indica posição, grau, relação, estado, qualidade, habilidade e/ou perícia. 2.2. Conceitos e definições de empreendedorismo Por terem sido propostas por pesquisadores que utilizam os princípios de suas próprias áreas de interesse, existem inúmeras definições para o termo empreendedorismo. Contudo, duas correntes se sobressaem contendo elementos comuns à maioria delas. São os economistas, pioneiros neste assunto, que associam empreendedorismo à inovação, e os comportamentalistas, que enfatizam aspectos atitudinais como a criatividade e a intuição. Dessa forma, é fundamental não se limitar a uma abordagem unidimensional. ENEGEP 2006 ABEPRO 2 XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 Para melhor compreender a evolução do conceito do empreendedorismo, buscaram-se as bases no inicio do Século XVIII, quando surgiu a escola do “pensamento econômico”. Nessa época havia a noção de que o empreendedor era o proprietário capitalista, um fornecedor de capital e, ao mesmo tempo, um administrador que se interpõe entre o trabalhador e o consumidor, era alguém que visava somente produzir dinheiro. Na segunda metade do Século XVIII, o economista Cantillon foi o primeiro a definir as funções do empreendedor. Ele tinha uma noção de empreendedor que se assemelha às de muitos autores contemporâneos. O termo se referia a pessoas que compravam matéria prima e as vendiam a terceiros depois de processa-las. Eram pessoas que identificavam uma oportunidade de negócios e que além de lidar com a inovação também investia seu próprio recurso, correndo riscos. Jean-Baptiste Say (1806) foi mais além e considerou o crescimento econômico como resultado da criação de novos empreendimentos. Autor da Lei de Mercados ou Lei de Say, escreveu o livro “Tratado de Economia Política” no qual define o empreendedor como o responsável por reunir todos os fatores de produção e descobrir no valor dos produtos a reorganização de todo capital que ele emprega. No entanto, foi Schumpeter que em 1934, com a publicação da obra “Teoria do Desenvolvimento Econômico” deu projeção ao tema, associando o empreendedorismo à inovação e apontando-o como o elemento que explica o desenvolvimento econômico. A partir desta visão, outros autores perceberam a necessidade de inovação e também fazem essa associação. Para o autor, o empreendedor está engajado num processo de “destruição criativa”, que significa romper com velhos hábitos e criar novas respostas para as carências e desejos do mercado. Segundo Leite (2002), trata-se de um processo orgânico de permanente mutação industrial que revoluciona a estrutura econômica de dentro para fora, constantemente destruindo a velha e criando uma nova estrutura. 2.3. Características do empreendedor Durante vinte anos, até a década de 80, os comportamentalistas, dentre eles David McClelland, dominaram o campo do empreendedorismo, e nesta época procuraram definir o que eram os empreendedores e quais eram suas características. Houve várias pesquisas, porém seus resultados se mostraram bastante contraditórios. Até hoje não foi possível estabelecer cientificamente um perfil psicológico do empreendedor devido às inúmeras variáveis que ocorrem em sua formação como o nível de educação, a religião, a cultura familiar, o tempo de permanência no mercado, sua experiência de trabalho, a região de origem. Diante do exposto, uma pergunta torna-se inevitável: como e para que pesquisar o perfil empreendedor se não há concordância entre os pesquisadores, nem mesmo em relação à definição do que seja um empreendedor? Dolabela (2000) nos fornece uma brilhante resposta a esta questão, quando nos diz que se ainda não podemos predizer o sucesso de uma pessoa, é possível no entanto apresentar-lhe as características mais comumente encontradas nos empreendedores de sucesso, para que possa desenvolve-las e incorpora-las ao seu próprio repertório vivencial. Os empreendedores são pessoas ou equipes de pessoas com características especiais, que são visionárias, que questionam, que ousam, que querem algo diferente, que fazem acontecer, ou seja, que empreendem. Os empreendedores são pessoas diferenciadas, que possuem uma motivação singular, gostam do que fazem, não se contentam em ser mais um na multidão, ENEGEP 2006 ABEPRO 3 XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 querem ser reconhecidas e admiradas, referenciadas e imitadas, querem deixar um legado (DORNELAS, 2003). 3. Metodologia 3.1. Área de estudo O estudo foi realizado em escolas púbicas e privadas da cidade de Maceió, Alagoas. 3.2. População A população é composta por estudantes do ensino médio em escolas públicas e privadas da cidade de Maceió. Segundo os resultados do Censo Escolar, disponibilizados pelo INEP, existiam em Maceió 44.226 alunos matriculados em 2005, dentre os quais, 9.319 estavam matriculados em escolas privadas e 34.907 em escolas públicas – 33.864 em estaduais e 1.043 em federais. Para essa população foi definido um tamanho da amostra considerando uma margem de erro de 5% (cinco por cento) e um nível de confiança de 95% (noventa e cinco por cento). 3.3. Amostra Formaram o estudo 584 alunos da rede pública de ensino e da rede privada distribuídos equitativamente. Todos cursando o nível médio cidade de Maceió. A seleção da amostra foi por acessibilidade. 3.4. Instrumento O instrumento utilizado nesta pesquisa foi um questionário elaborado com a escala Likert, composto por 40 afirmações que descrevem situações em que os entrevistados precisaram indicar qual a intensidade de concordância atribuíam a si mesmo em relação a cada item. O Coeficiente de Capacidade Empreendedora (CCE) é um instrumento para detecção de capacidade empreendedora validado pelos procedimentos convencionais de Estatística Paramétrica. Dos 40 itens, 15 referem-se a características empreendedoras, 15 a antiempreendedoras e 10 a indiferenciadas. Utilizamos a mediana como ponto de corte. Desse modo, são considerados empreendedores os que apresentam elevado score de itens empreendedores e baixo nos antiempreendedores. Em situação inversa classificamos como antiempreendedores. No caso de surgirem baixos scores para empreendedores e antiempreendedores, inserimos os sujeitos no grupo dos indiferenciados. 3.5. Processo de levantamento dos dados Houve inicialmente uma vasta pesquisa em fontes secundárias. Por sua vez, os dados primários foram obtidos através da utilização do método survey de pesquisa, onde um questionário foi aplicado a 564 alunos do ensino médio em escolas de Maceió. Trata-se de um estudo transversal múltiplo - a coleta de informações da amostra foi realizada somente uma vez. 3.6. Processo de tratamento dos dados De posse dos dados, o processamento dos mesmos foi realizado com softwares estatísticos apropriados – Excel e SPSS (Statistical Package for the Social Sciences), pacote estatístico voltado às ciências sociais, de caráter cientifico. Além das estatísticas descritivas, testes de hipóteses sobre diferenças de proporção foram executados para avaliar se as mesmas são significativas quanto ao alunado ser proveniente do sistema público e privado. ENEGEP 2006 ABEPRO 4 XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 4. Resultados Dentre os alunos que constituíram este estudo, buscou-se um equilíbrio entre o número de entrevistados do sexo feminino e masculino, porém como as entrevistas foram por acessibilidade há uma pequena diferença entre os sexos, a maior para o segundo, ou seja, 48% são do sexo feminino e 52% do sexo masculino. feminino 23% masculino 19% 32% 44% 38% 43% ANTI - EMPREENDEDOR EMPREENDEDOR INDIFERENCIADO 0% 20% 40% 60% 80% 100% Figura 1: Representação do sexo dos entrevistados por perfil A figura 1 traz a representação do sexo dos entrevistados por perfil, onde podemos destacar que 38% dos entrevistados do sexo masculino são empreendedores contra 32% do sexo feminino, porém o cálculo do qui-quadrado nos mostra que a associação não é estatisticamente significativa ao nível de 0,05. Ou seja, não há relação direta entre sexo e perfil empreendedor nos entrevistados. Formaram o estudo alunos com idade acima de 16 anos. Na figura 2, podemos observar que na rede pública encontramos alunos com mais de 21 anos, o que não acontece na privada e que a predominância tanto na rede pública quanto na privada é por alunos entre 16 e 17 anos, conseqüentemente, a maioria, 38% do total de entrevistados, estuda em escola particular e tem de 16 a 17 anos. 38% 40% 30% 20% 16-17 18-19 23% 17% 20-21 22-23 11% 10% 4% 1% mais de 23 4% 0% 0% 0% 0% Pública Particular Figura 2: Representação de idade por dependência administrativa 50% ANTIEMPREENDEDOR EMPREENDEDOR 40% 30% 20% 10% INDIFERENCIADO 0% 16-17 18-19 20-21 22-23 mais de 23 Figura 3: Distribuição do perfil por idade ENEGEP 2006 ABEPRO 5 XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 Visualizamos na figura 3 a distribuição do perfil dos entrevistados em relação à idade. Observamos que o perfil antiempreendedor diminui enquanto o perfil empreendedor e o perfil indiferenciado aumentam. Poderíamos concluir que à medida que o aluno se torna mais velho vai deixando de ser antiempreendedor e cresce o número de indiferenciados, que seria o estágio entre o ser antiempreendedor e o empreendedor. Porém, o teste do qui-quadrado aceita a hipótese nula, comprovando que não há associação estatisticamente significativa entre o perfil empreendedor e a idade dos alunos do ensino médio em Maceió. Podemos verificar também que de 20 a 21 anos é o momento em que o perfil empreendedor atinge o ponto máximo, com 43%. Podemos recorrer a Maslow para quem a necessidade de segurança acirra-se no momento da vida em que se percebe a necessidade garantir a sobrevivência com autonomia e independência dos pais. Poderíamos supor que o grau de escolaridade dos pais influenciaria o perfil empreendedor desses estudantes, porém os resultados representados nos gráficos abaixo mostram que não há grande diferença entre a distribuição de todos os entrevistados na pesquisa em relação aos que se classificaram como empreendedores. O cálculo do qui-quadrado confirma que não há associação entre o grau de escolaridade dos pais e o perfil empreendedor dos entrevistados. 1% 11 % 1% 1 grau incompleto, analfabeto 1 grau completo 15% 7% 42 % 4% 2 grau incompleto 37% 11% 2 grau completo 3% 3 grau incompleto 3% 32 % 2% 3 grau completo 31% pos-graduacao Figura 4: Respectivamente grau de escolaridade dos pais de todos os alunos e grau de escolaridade dos pais de alunos com perfil empreendedor O mesmo acontece em relação ao grau de escolaridade da mãe, conforme podemos observar nos gráficos que seguem, fato confirmado pelo cálculo do qui-quadrado, que apresentou valor inferior ao valor crítico. Por esta razão não podemos rejeitar a hipótese nula de não haver associação entre o perfil empreendedor desses alunos e o grau de escolaridade da mãe. 0% 10% 8% 1% 9% 7% 4% 43% 4% 41% 1 grau incompleto, analfabeto 1 grau completo 2 grau incompleto 2 grau completo 3 grau incompleto 31% 5% 31% 6% 3 grau completo pos-graduacao ENEGEP 2006 ABEPRO 6 XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 Figura 5: Respectivamente grau de escolaridade das mães de todos os alunos e grau de escolaridade das mães de alunos com perfil empreendedor Na figura 5 podemos perceber claramente as diferenças entre a distribuição do perfil dos alunos do ensino médio da cidade de Maceió em relação à dependência administrativa. Particulares e Públicas 21% Apenas Públicas INDIFERENCIADO 40% 39% 21% 0% 10% 20% 47% 31% 22% Apenas Particulares 44% 35% EMPREENDEDOR ANTI-EMPREENDEDOR 30% 40% 50% Figura 6: Distribuição do perfil por dependência administrativa Tanto nas escolas públicas quanto nas escolas privadas há uma maioria no perfil indiferenciado demonstrando que nesta fase da vida a maioria dos entrevistados não é um antiempreendedor mas também não é considerado um empreendedor. Em segundo lugar, encontramos o perfil empreendedor, que nas escolas públicas representa 31% e nas privadas 39%. O perfil antiempreendedor, com as menores porcentagens esteve com 22% nas escolas públicas e 21% nas privadas, mantendo-se quase constante. Com relação ao perfil empreendedor, há uma observação a fazer. Este é dos perfis o que teve maior variação entre escolas públicas e privadas. Porém, usando a estatística do qui-quadrado para testar a significância da associação observada na tabulação cruzada, constata-se que essa associação não é significativa, logo, não podemos afirmar que os alunos das escolas privadas possuem maior propensão ao empreendedorismo que os alunos da rede pública de ensino. Dessa forma, podemos dizer que não importa se estamos falando em estudante de escola privada ou pública, rico ou pobre, o perfil empreendedor se manifesta nesses jovens mais que o perfil antiempreendedor e não é a dependência administrativa da escola em que estuda que irá determinar isso. 5. Conclusão O presente trabalho atingiu o objetivo a que se propôs, avaliou o potencial empreendedor de alunos do ensino médio em escolas públicas e privadas de Maceió sob perspectivas de sexo, idade, grau de escolaridade dos pais e dependência administrativa das escolas classificadas como públicas e privadas. Os resultados foram claros e mostram que a relação entre o sexo dos alunos e o perfil empreendedor não apresentou diferença estatisticamente significativa. Apesar de haver uma suave predominância do sexo masculino (38%) em relação ao feminino (32%) ficou evidente que as mulheres são tão empreendedoras quanto os homens e não se contentam em ser mais um na multidão. Assim como o sexo não influencia o perfil empreendedor dos entrevistados, não há relação significativa entre perfil empreendedor e idade dos entrevistados, o que vêm de encontro à afirmação de Dolabela (2003) quando nos diz que todos nascemos empreendedores e que, se deixamos de sê-lo mais tarde, isso se deve à exposição de valores antiempreendedores na educação, nas relações sociais, no ‘figurino cultural’ conservador a que somos submetidos. ENEGEP 2006 ABEPRO 7 XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 Outro ponto estudado foi a influência do grau de escolaridade dos pais e mães no perfil empreendedor desses alunos. Constatou-se que essa associação não é verdadeira. Em nosso estudo, o grau de escolaridade dos pais não representou um fator determinante da personalidade empreendedora desses jovens. Chegamos ao desenlace desse estudo, onde vislumbramos a influência do sistema educacional no desenvolvimento de habilidades empreendedoras. Nesta última análise, observamos que a dependência administrativa não influencia significativamente na formação do perfil empreendedor desses alunos de ensino médio da cidade de Maceió. O empreendedorismo deveria fazer parte do conteúdo curricular das escolas, sejam elas públicas sejam privadas, como conseqüência, seriam formados jovens com perfil empreendedor para entrar com maior segurança no mundo dos negócios. Por sua vez, aqueles com perfil antiempreendedor e indiferenciado teriam maior consciência do que é trabalhar orientado por resultados e enfrentar riscos. 6. Referências DOLABELA, Fernando. Oficina do empreendedor. São Paulo: Cultura Editores Associados, 2000. __________________. Pedagogia Empreendedora. São Paulo: Cultura, 2003. DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorísmo corporativo: como ser empreendedor, inovar e se diferenciar em organizações estabelecidas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. FRIEDLANDER, Gilda Maria Souza. Metodologia de ensino-aprendizagem visando o comportamento empreendedor. Florianópoles, 2004. Disponível em: <http://> Acessado em 05 de agosto de 2005. HISRICH, Robert D.; PETERS, Mivhael P.. Empreendedorismo. 5 ed. Porto Alegre: Bookman, 2004. INEP. Censo Escolar 2005. Disponível em: < http://www.inep.gov.br/basica/censo/Escolar/resultados.htm > Acessado em: 29 de março de 2005. LEITE, Emanuel Ferreira. O fenômeno do Empreendedorismo. 3. ed. 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