Revista Eletrônica Novo Enfoque, ano 2013, v. 17, n. 17, p. 178 –183 LEVANTAMENTO DOS HÁBITOS DE HIGIENE E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ALUNOS DO ENSINO MÉDIO EM ESCOLAS DE REALENGO FERREIRA, Luana Jesus da Silva1 BIZARRO, Gabriel Henrique de Figueiredo1 COELHO, Rosalina Sueli2 Resumo Este trabalho teve como objetivo descrever a importância da abordagem dos temas transversais saúde e meio ambiente como conteúdos na de biologia no ensino médio. Este estudo foi realizado em cinco escolas em Realengo-RJ, aplicando-se questionários a 300 alunos do 1º e 2º ano do ensino médio. Caracterizou-se como razoável nível de conscientização dos alunos sobre esses assuntos. Os discentes demonstraram bom nível de higiene corporal e demonstraram interesse em relação a “aquecimento global”, ”reciclagem”, “sustentabilidade” e “doenças”. Palavras-chaves: Temas transversais. Biologia. Introdução Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como o estado de completo bem-estar físico, mental e social. A palavra higiene tem origem grega e significa “o que é saudável”. Para Peixoto (1926), “a higiene pode ser definida como a ‘nova medicina’”. Bons hábitos de higiene, além de promover a saúde, ajudam na prevenção de diversas doenças infectocontagiosas que já se tornaram problemas ambientais que provocam transtornos à saúde há séculos. Sendo assim, a educação ambiental vem tentando minimizar esses transtornos desenvolvendo nas pessoas conhecimentos, habilidades e atitudes voltados para a preservação do meio ambiente. Meio ambiente este em que não se engloba somente a natureza, e sim o ser humano e todo o meio em que vivemos e usufruímos. O Ministério da Educação criou os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) com o objetivo de auxiliar os educadores no cotidiano do seu trabalho a fim de desenvolver nos alunos o domínio dos conhecimentos que precisam para se tornarem cidadãos e manifestarem o seu papel na sociedade. A saúde e o meio ambiente constituem parte dos PCNs. Na escola, a sociedade entende por saúde em diferentes abordagens, como: ensinar a criança e o adolescente 1 Acadêmicos Voluntários PIBIC&T/UCB (Vigência: Out/2012 a Out/2013). Grupo de Pesquisa Popularização das geociências nas escolas de ensino básico. da Universidade Castelo Branco. Curso de Ciências Biológicas da Universidade Castelo Branco (UCB), Campus Realengo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 2 Orientador. Grupo de Pesquisa Mestre Rosalina Coelho. Curso de Ciências Biológicas da Universidade Castelo Branco (UCB), Campus Realengo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. sobre hábitos saudáveis de alimentação, higiene, prática de esportes, permitindo utilizá-los como preservação da saúde da sociedade. A consciência de que o futuro dos recursos naturais depende da humanidade também já chegou à escola, e por essa razão a temática meio ambiente foi incluída como tema transversal dos currículos escolares. Comprovando que maus hábitos de higiene consequentemente geram problemas ambientais prejudicando toda a população. O objetivo desse estudo foi realizar um levantamento sobre o nível de conscientização dos adolescentes em relação às práticas de higiene e preservação ambiental partindo do princípio que esses temas são abordados no decorrer da sua vida escolar. Procedimentos Metodológicos O presente estudo constitui-se de uma pesquisa literária e quantitativa realizada entre janeiro de 2013 e outubro de 2013, na qual se realizou uma consulta a livros da biblioteca da Universidade Castelo Branco (UCB), aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e artigos científicos selecionados através de busca no banco de dados do site de periódicos CAPES. A pesquisa dos artigos foi realizada em junho de 2013. Em seguida, foram aplicados questionários em cinco escolas em Realengo, Rio de Janeiro, onde 300 alunos do ensino médio foram entrevistados (82% do primeiro ano; 18% do segundo ano). Nas entrevistas haviam perguntas relacionadas à saúde com enfoque nas práticas de higiene e educação ambiental destacando as práticas sustentáveis realizadas pelos alunos. Análise de dados Em relação à higiene, a maioria dos alunos de ensino médio entrevistados utiliza para consumo água filtrada (98%). Não especificando o local de alimentação, a metade dos entrevistados consome verdura crua e a outra metade não consome. Os alunos relataram fazer uso de lavagem especial da verdura antes do consumo, como pode ser observado na Ilustração 1. 1% 5% Lavadas com água da bica 36% 31% Lavadas com água filtrada Lavadas com água, vinagre e água sanitária Não possuem tratamento Sem resposta 27% 179 Ilustração 1. Percentuais obtidos para a pergunta relacionada a cuidados prévios ao consumo de verduras. Relacionado à pergunta sobre a higienização das mãos antes do consumo de alimentos, a maioria disse que sim (57%), alguns disseram às vezes (36%) e poucos disseram não (7%). Sobre o hábito de lavar as mãos após uso do sanitário, 90% disseram que sim e o restante, não (2%) e às vezes (8%). A maioria (98%) respondeu que o lixo é recolhido. Em relação ao exame de fezes, 43% alegaram terem realizado há mais de 1 ano, 46% há 1 ano e 11% respondeu que nunca fez. Sobre a questão “Já teve verme?”, responderam: Não (26%), Sim (20%) e não sabe (54%). Observando a ilustração 2, vemos o relato dos alunos sobre por que devemos lavar frutas e verduras antes de comer. Ilustração 2. Percentuais obtidos sobre a questão de por que devemos lavar alimentos crus antes de comer. Sobre o motivo de bebermos água filtrada, 30% não responderam, 53% não sabe, 9% disse que para prevenção de doenças e 8% porque é livre de impurezas. Dentre esse total, alguns citaram algumas doenças que eles acreditam ser transmitidas pela ingestão de água contaminada: 180 14% disseram diarreia, 7% leptospirose, 8% vermes, 1% cólera, 4% hepatite. O restante das respostas não pode ser levado em consideração. Em relação a meio ambiente, 96% dos alunos dizem ser parte dele, além de se preocuparem com o ar que respiram (88%). Em sua maioria, os alunos se mostraram incomodados com aspectos relacionados ao meio ambiente (62%) e o principal incômodo foi a poluição (66%). Sobre o conhecimento do motivo da reciclagem, responderam sim 63% e não 34%. Dos que responderam positivamente, 43% disseram que é o reaproveitamento do lixo e 19%, redução dele. Tratando-se de saber o que é e acreditar em aquecimento global responderam que sim (55%), não (10%) e sei, mas não acredito (30%). Sobre os motivos para que ele ocorra, a maioria disse que por conta da poluição (42%). Dos alunos entrevistados, responderam que sim (46%), às vezes (41%) e não (13%) à questão sobre economia de água. Ao hábito de escovar os dentes com a torneira aberta disseram que não (53%), que sim (22%) e às vezes (25%). Na questão sobre de onde vem a energia que utiliza, a maioria (72%) alegou não saber e apenas 17% disse que a energia é proveniente das hidrelétricas. Os alunos responderam sobre o que entendem de sustentabilidade e sua ocorrência, bem como por que não se deve poluir o meio ambiente. Como observado nas ilustrações 3 e 4, respectivamente. 7% 4% 20% 4% 4% Não sei Sem resposta Para conscientizar a população 5% Porque é necessário 3% Para diminuir a poluição 3% Para beneficiar a população Economizar recursos Harmonização com o planeta 50% Preservar o meio ambiente Ilustração 3. Percentuais sobre o que entende de sustentabilidade e sua ocorrência. 181 Ilustração 4. Percentuais relacionados aos motivos pelos quais não se deve poluir o ambiente. Discussão de Resultados A maioria dos discentes entrevistados demonstrou precaução quando o assunto higiene foi exposto e pouco sobre questões ambientais, assim como Morgado (2012), que destacou que os jovens entrevistados possuem bons hábitos no que diz respeito a hábitos de higiene e de atividade física e sabem pouco sobre comportamentos de risco, alimentação, sexualidade, segurança e ambiente. Morgado (2012) verificou que a maioria apresenta um nível de higiene corporal cuidado, ou seja, se preocupam com a higienização assim como os jovens deste estudo tem um nível higiene corporal cuidado quando se diz respeito à higienização das mãos antes de se alimentar e após o uso de sanitários. O conhecimento de que o homem também faz parte do meio ambiente e de que somente a natureza é parte dos problemas ambientais foi encontrado no trabalho de Carvalheiro (2008). Carvalheiro (2008) expôs que dos 32 alunos entrevistados 26 afirmaram que a água potável é um recurso não renovável, enquanto seis alunos responderam que é um recurso renovável. Pode-se constatar que os educandos têm uma consciência ambiental em relação à 182 água e a sua importância para a humanidade. Enquanto os discentes entrevistados nesse trabalho, partindo do pressuposto de que sabem que a água é um recurso renovável, embora seja um bem limitado, um pouco mais da maioria se preocupa em economizar a água em um ato frequente do dia a dia que é escovar os dentes. Na questão que diz respeito ao motivo pelo qual não devemos poluir o meio ambiente, alguns discentes deste trabalho responderam que é para evitar enchentes, enquanto o trabalho de Carvalheiro (2008) mostrou preocupação com a problemática de jogar lixo nos rios, o que futuramente poderia ocasionar uma enchente. Considerações Finais Os hábitos de higiene e de práticas de preservação ambiental apresentados pelos alunos podem ter relação com a orientação que os mesmos receberam a respeito desses assuntos tanto em casa e principalmente na escola, sendo esta uma ferramenta de conhecimento pedagógico e social, visando não apenas à formação acadêmica dos discentes, mas à formação de cidadãos críticos em nível de saúde publica e ambiental. Referências BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Saúde. Brasília: MEC/SEF, 1998. PEIXOTO, Afrânio. Higiene. 4 ed. São Paulo: Francisco Alves, 1926. MORGADO, A. R. M. A Animação Socioeducativa e a promoção da Saúde: Investir na prevenção – Universidade do Minho. (Dissertação de mestrado), 2012. CARVALHEIRO, S. J. Consciência ambiental entre professores e alunos da escola estadual básica Dr. Paulo Devanier Lauda - Universidade Federal de Santa Maria (UFSM- RS). (Monografia de especialização). UFSM, Rio Grande do Sul, 2008. 183