Governo da República de Moçambique
Governo da República do Zimbabwe
Agência Sueca para o Desenvolvimento Internacional (ASDI)
DESENVOLVIMENTO
DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GESTÃO
INTEGRADA DE RECURSOS HÍDRICOS
DA BACIA DO RIO PUNGOÉ
RELATÓRIO DA MONOGRAFIA
ANEXO VIII
ESTUDO SECTORIAL:
NECESSIDADES DE ÁGUA
PARA IRRIGAÇÃO E
FLORESTAS
RELATÓRIO FINAL
Abril 2004
SWECO & Associates
Cliente:
Governo da República de Moçambique
Governo da República do Zimbabwe
Agência Sueca para o Desenvolvimento
Internacional (ASDI)
Projecto:
DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA
CONJUNTA PARA A GESTÃO INTEGRADA DOS
RECURSOS HÍDRICOS DA BACIA DO RIO
PUNGOÉ
Titulo do relatório:
Relatório da Monografia
Subtítulo:
Anexo VIII
Estudo Sectorial:
Necessidades de água para irrigação e florestas
Fase do relatório:
Definitivo
N. Projecto da SWECO: 1150447
Data:
Abril 2004
Equipa de Projecto:
SWECO International AB, Suécia (líder)
ICWS, Holanda
OPTO International AB, Suécia
SMHI, Suécia
NCG AB, Suécia
CONSULTEC Lda, Moçambique
IMPACTO Lda, Moçambique
Universidade Católica de Moçambique
Interconsult Zimbabwe (Pvt) Ltd, Zimbabwe
Aprovado por:
Lennart Lundberg, Director do Projecto
SWECO INTERNATIONAL AB
P:/1113/1116/1150447000 Pungue IWRM Strategy - Sida/Original/Monograph Report/Annex VIII/Portuguese/Annex VIII.doc
DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA
A BACIA DO RIO PUNGUÉ
Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
O Projecto Pungoé
O Desenvolvimento da Estratégia Conjunta para a Gestão Integrada dos
Recursos Hídricos (GIRH) da Bacia do Rio Pungoé, mais conhecido por
Projecto Pungoé, é um esforço de cooperação entre os Governos de
Mocambique e Zimbabwe para criar um quadro de gestão equilibrada e
sustentável e de desenvolvimento e conservação dos recursos hídricos na
bacia do rio Pungoé, com o objectivo de aumentar os benefícios sociais e
económicos para as populações que vivem ao longo da bacia. Um dos
elementos chave para o desenvolvimento desta estratégia pelo Projecto está
associado à capacitação institucional para a sua implementação e
actualização, que permita facilitar uma efectiva gestão participativa
envolvendo tanto as autoridades como os stakeholders. O rio Pungoé é um
curso de água partilhado pelos dois países.
O Projecto Pungoé é financiado pela Agência Sueca para o Desenvolvimento
Internacional (ASDI) através de um acordo com Zimbabwe e Moçambique.
O Projecto está a ser implementado sob os auspícios do Departamento de
Desenvolvimento de Águas (DWD), do Ministério dos Recursos Rurais,
Desenvolvimento de Água e Irrigação (MRRWD&I) no Zimbabwe e da
Direcção Nacional de Água (DNA) e do Ministério das Obras Publicas e
Habitação em Mocambique, como representantes dos dois governos. As
agências de implementação do projecto são o Zimbabwe National Water
Authority (ZINWA) através do Save Catchment Manager’s Office (ZINWA
Save) no Zimbabwe e a Administração Regional de Águas do Centro (ARACentro), em Moçambique.
O Projecto Pungoé teve o seu início em Fevereiro de 2002 e será
implementado nas quatro fases seguintes:
Fase 0 – Fase Inicial
Fase 1 – Fase da Monografia
Fase 2 – Fase de Desenvolvimento de Cenários
Fase 3 – Fase da Estratégia Conjunta para a GIRH
A Fase da Monografia
Durante a Fase da Monografia, o Consultor em conjunto com as Agências
Implementadoras em Moçambique e Zimbabwe redobraram os seus esforços
para aumentarem o conhecimento de base necessário para o
desenvolvimento dos recursos hídricos da bacia, através de vários estudos
sectoriais. Estes estudos descrevem a situação actual da bacia no que se
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CONSULTEC, IMPACTO, UCM,
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A BACIA DO RIO PUNGUÉ
Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
refere aos recursos hídricos, ambiente e poluição, procura de água, infraestruturas e socio-economia.
Também se efectuaram actividades para avaliar e reforçar as capacidades
legais e institucionais das agencias de implementação. Estas actividades
estão ainda a decorrer no Projecto e incluem entre outras, o desenvolvimento,
aquisição de tecnologia e treino no uso do GIS e a utilização de ferramentas
de modelação hidrológica.
Divulgação de informação acerca do Projecto, bem como a realização de
consultas com os grupos de Stakeholders da bacia de forma a aumentar o
seu conhecimento do Projecto e facilitar a participação dos Stakeholders na
GIRH da bacia do rio Pungoé.
Lista de Documentos
O Relatório da Monografia inclui os seguintes documentos:
Relatório Principal
Anexo I
Estudo Sectorial:
Recursos Hídricos Superficiais
Anexo II
Estudo Sectorial:
Redes Hidrometeorológicas
Anexo III
Estudo Sectorial:
Qualidade dos Dados Hidrológicos e
Modelação
Anexo IV
Estudo Sectorial:
Recursos Hídricos Subterrâneos
Anexo V
Estudo Sectorial:
Barragens e outras Obras Hidráulicas
Anexo VI
Estudo Sectorial:
Qualidade da Água e Transporte de
Sedimentos
Anexo VII Estudo Sectorial:
Necessidades de Água para
Abastecimento e Saneamento
Anexo VIII Estudo Sectorial:
Necessidades de Água para Irrigação e
Floresta
Anexo IX
Estudo Sectorial:
Pesca
Anexo X
Estudo Sectorial:
Fauna, Áreas de Conservação e Turismo
Anexo XI
Estudo Sectorial:
Infra-estruturas
Anexo XII Estudo Sectorial:
Socio-economia
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Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
ÍNDICE
1
Sumário Executivo
1
2
2.1
2.2
2.3
Introdução
Aspectos gerais
Descrição das tarefas e TdRs
Metodologia
5
6
7
8
3
3.1
3.2
3.3
3.4
Descrição da bacia
Hidrologia
Clima
Solos
Uso da Terra
9
10
10
11
14
4
4.1
4.2
4.3
4.4
4.5
4.6
4.6.1
4.6.2
4.6.3
4.6.4
4.6.5
4.6.6
4.6.7
4.6.8
4.7
4.8
Sector de Florestas
Introdução
Enquadramento
Moçambique: Provincia de Manica
Moçambique: Província de Sofala
Zimbabwe
Resultados de Moçambique
Plantações
Savana
Mangais
Floresta arbustiva
Matagal
Floresta com árvores
Floresta de terras baixas
Floresta de terras altas
Resultados do Zimbabwe
Moçambique: desenvolvimento do sector florestal
15
16
16
16
17
17
20
20
21
21
21
21
22
22
22
22
23
5
5.1
5.2
5.3
5.4
5.4.1
5.4.2
5.4.3
5.4.4
5.4.5
Sector de Pecuária
Introdução
Enquadramento
Metodologia
Resultados e Discussão
Gado bovino
Pequenos ruminantes
Suinos
Aves domésticas
Projecção do gado para 2025
24
25
25
25
27
28
29
29
29
29
6
6.1
6.2
Sector da Agricultura e Irrigação
Moçambique
Zimbabwe
32
33
37
7
Necessidades de Água
40
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A BACIA DO RIO PUNGUÉ
Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
7.1
7.1.1
7.1.2
7.1.3
7.2
7.2.1
7.2.2
7.2.3
7.3
Metodologia para calcular as necessidades de água
Sector de florestas
Sector de pecuária
Sector agrícola
Necessidades actuais de água
Sector de florestas
Sector da pecuária
Sector agrícola
Necessidades futuras de água
41
42
45
45
52
52
52
53
59
8
Conclusões
61
9
Referências
64
APÊNDICE 1
Número total de cabeças de gado nas Províncias de
Manica e Sofala
APÊNDICE 2
Distribuição de gado por distrito de 1995 a 2000
APÊNDICE 3
Gado na bacia do Rio Pungoé
APÊNDICE 4
Necessidades brutas de irrigação (expressas em
m3/mês e em l/s) para a infraestrutura de irrigação
usada e equipada para os diferentes distritos na bacia
do Pungoé e para diferentes probabilidades de
precipitação (80%, 50% e 20%)
APÊNDICE 5
Necessidades brutas de irrigação em m3/mês com três
probabilidades diferentes (80%, 50% e 20%) para
diferentes meses na bacia do Pungoé
APÊNDICE 6
Licenças de abstracção de água para a bacia do
Pungoé no Zimbabwe
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
1
Sumário Executivo
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Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Este relatório aborda as necessidades de água para o sector agrícola e
florestal na bacia do rio Pungué referente ao período histórico do sector antes
de 1975 e à situação presente. Desenvolvimentos futuros até 2025 serão
abordados com mais detalhe durante a Fase dois do Projecto.
A bacia do Pungué localiza-se entre a bacia do Rio Zambeze ao Norte e a
bacia do Búzi ao Sul. A maior parte da bacia cobrindo uma área de
aproximadamente 31 150 km² localiza-se na parte central de Moçambique,
com uma pequena parte caindo no Zimbabwe. O Rio Pungué tem a sua
origem nas montanhas do Inyangani no Zimbabwe a oeste de Manica a mais
de 1000 m de altitude. Drena em direcção a este para o Oceano Índico,
atravessando uma distância de aproximadamente 395 km, dos quais 50 km
são no Zimbabwe e cerca de 5 km servem de limite natural (fronteira) entre os
dois paises.
A média da precipitação anual na bacia varia com a altitude, e anda à volta
dos 1 114 mm, ocorrendo porém precipitações anuais entre os 1 500 e 1 700
mm nas regiões mais elevadas da bacia. A norte e sul da bacia, ocorrem
precipitações mais baixas entre os 600 e 800 mm. A época chuvosa
geralmente começa em Outubro e termina por volta de Março. O mês mais
chuvoso, dependendo da região em questão, pode ocorrer em Janeiro ou
Fevereiro. A época seca vai de Maio a Setembro, com os meses mais secos
em Junho ou Julho.
A bacia do Pungué é na sua maioria coberta por vegetação natural
compreendendo pradarias, mangais, matagais, pradarias arborizadas e
florestas de terras baixas, nas quais ocorrem alguns programas de
conservação. Na bacia do Pungué existem três tipos principais de áreas de
conservação:
1.
Áreas de Conservação que incluem parques nacionais cobrindo uma
área total de 1 248 728 ha em Moçambique e de 8 874 ha no Zimbabwe;
2.
Áreas de reserva para a fauna bravia (Coutadas), cobrindo uma área de
593 193 ha, onde é permitida a caça controlada com base em leis de
conservação da fauna; e
3.
Concessões florestais cobrindo uma área de 85 002 ha, onde é permitido
o corte de árvores nativas, mas obedecendo a um plano de gestão para
manter a floresta natural e produtiva.
As áreas de conservação acima mencionadas não têm impactos negativos
sobre os recursos hídricos da bacia. Pelo contrário, elas asseguram um ciclo
hidrológico balanceado que garante o fluxo de água de boa qualidade para a
preservação dos sistemas ecológicos naturais na bacia em direcção à costa.
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Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Há outras actividades económicas que resultam em consumo directo ou
indirecto dos recursos hídricos disponíveis, nomeadamente:
1.
Plantações de árvores exóticas em Moçambique, cobrindo uma área de
aproximadamente 2 496 ha perto da cidade de Gôndola no Distrito de
Gôndola, Província de Manica. Está estimada uma utilização indirecta de
água na ordem de cerca de 7.5 a 10 milhões de m3 por ano;
2.
Plantações de árvores exóticas no Zimbabwe, cobrindo uma área de
aproximadamente 5 254 ha, resultando numa diminuição nos recursos
hídricos disponíveis de 15,8 a 21 milhões m3 por ano;
3.
O sector pecuário em Moçambique que atingiu uma população máxima
em 1975 com 45 190 cabeças de gado bovino, 46 194 pequenos
ruminantes e 19 559 porcos, resultando num consumo estimado de água
na ordem de 0.70 M m3 por ano. Em 2000 a população animal decresceu
para 23 513 cabeças de gado bovino, 45 769 pequenos ruminantes, 11
990 porcos, and 507 523 galinhas, resultando num consumo estimado de
água na ordem de 0.44 M m3;
4.
A agricultura irrigada em Moçambique com uma área total de 8 798 ha
está actualmente equipada com infra-estruturas de rega, estando a ser
irrigadas presentemente cerca de 8 310 ha. A maior porção da terra
presentemente irrigada, com uma área total de 8 133 ha pertence à
açucareira de Mafambisse no distrito de Dondo, Província da Beira. O
sector de irrigação consome anualmente cerca de 189,5 M m3 de água
nos anos secos e de cerca de 83,95 M m3 nos anos húmidos. A média
anual de consumo para o sector de irrigação é de aproximadamente
122,15 M m3 por ano;
5.
A agricultura irrigada no Zimbabwe com uma área estimada de 2 120 ha
resulta num extracção máxima de água de aproximadamente 37.8 M m3.
As tendências correntes de desenvolvimento em Moçambique apontam para
um crescimento futuro em todos os três sectores. Para o sector pecuário
espera-se um aumento do consumo para valores na ordem dos 6 M m3 por
ano no ano de 2025.
Nesta fase é difícil estimar as necessidades de água futuras para o sector
agrícola e florestal. Existe porém um potencial de desenvolvimento para
agricultura irrigada de 244 000 ha. Assumindo uma utilização total deste
potencial, ele traduz-se num consumo de água de aproximadamente 3 400 M
m3 por ano. Adoptando uma tendência similar para o sector florestal com um
desenvolvimento potencial de aproximadamente 200 000 ha, ele traduz-se
numa procura adicional de 800 x M m3 por ano.
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Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Os cenários de crescimento dão uma procura total anual estimada para o ano
de 2025 da ordem dos 4 200 x M m3 por ano, o que é um pouco superior aos
recursos hídricos disponíveis na bacia que são estimados em cerca de 4 195
M m3 por ano. No entanto, esta situação não é verdadeiramente crítica porque
as estimativas de necessidades correspondem ao desenvolvimento total do
potencial existente e não aos desenvolvimentos efectivamente propostos. Os
cenários de desenvolvimento futuro até o ano 2025 serão analisados com
mais pormenor na fase seguinte do estudo.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
2
Introdução
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Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
2.1
Aspectos gerais
Este relatório foca a necessidades de água para os sectores florestal e
agrícola de irrigação na Bacia do Rio Pungué. No caso de Moçambique, a
maioria dos estudos para estes sectores é baseada nas fronteiras
administrativas, desde o país inteiro até à província e o distrito. A bacia do
Pungué em Moçambique ocupa as duas províncias de Manica e Sofala, com
um total de onze distritos. Estes são Manica, Baru, Gôndola, e Macossa na
Província de Manica e, Búzi, Nhamatanda, Gorongosa, Dondo, Muanza,
Maringwe e Cheringoma na Província de Sofala. Consequentemente, foram
necessárias certas assunções e extrapolações de forma a se chegar a uma
estimativa consolidada das necessidades de água para a bacia. No caso do
Zimbabwe, as necessidades de água foram estimadas com base nas áreas
de reflorestadas e com base nas autorizações de abstracção de água.
Este capítulo do relatório apresenta uma descrição das tarefas e termos de
referência do estudo e descreve a metodologia geral seguida no estudo. O
segundo capítulo dá uma descrição geral da bacia do Pungué em relação à
área, fisiografia e geologia, clima e hidrologia, assim como os solos
maioritários e os padrões correntes de uso de terra.
Depois desta descrição geral, os três capítulos seguintes dão uma descrição
mais detalhada dos sectores florestal, pecuário e agrícola. No sector da
agricultura irrigada, devido à sua importância e peso em termos de consumo
de água, inclui-se uma descrição detalhada da agricultura irrigada na bacia do
Rio Pungué.
O capítulo seis apresenta a metodologia aplicada para o cálculo dos
consumos de água e estima o consumo de água para os três sectores
(florestal, pecuário e agrícola) nos anos 1975 e 2002, incluindo uma previsão
para o ano 2025.
O último capitulo do relatório, capítulo sete, resume os dados de consumo de
água para toda a bacia e apresenta as principais conclusões e
recomendações do estudo.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
2.2
Descrição das tarefas e TdRs
Os objectivos para a componente do sector de florestas e agricultura são:
•
recolha da informação existente sobre o consumo actual de água e
desenvolvimentos futuros para florestas, agricultura e irrigação na bacia
do Pungué;
•
condução de estudos de campo para completar informação de gabinete
onde fosse necessário;
•
processamento desta informação para servir de input para modelação e
desenvolvimento de cenários.
O objectivo principal é de traduzir os desenvolvimentos actuais e futuros nos
três sectores (florestas, agricultura e pecuária) em valores de necessidades
de água tanto como consumo de água dos rios ou de água subterrânea como
de alteração do balanço hídrico e consequentemente dos caudais fluviais na
bacia do Rio Pungué. Em Moçambique, os anos de 1975 e 2002 são pontos
de referências chaves pois o ano 1975 representa o pico da agricultura
irrigada, enquanto que o ano de 2002 representa a situação corrente. Para o
Zimbabwe devido a uma história diferente o ponto de referência é o ano 2002
quando se atingiu o pico da agricultura irrigada.
Para ambos os países, pede-se também as projecções para o ano 2025, em
intervalos de 5 anos, das necessidades de água para os três sectores.
O estudo apresenta os seguintes resultados:
•
inventário do estado presente do sector do irrigação e o plano de
desenvolvimento futuro, e áreas potenciais de rega, a sua localização e
as correspondentes necessidades de água;
•
Projecção das necessidades de água para irrigação em intervalos de 5
em 5 anos, com indicação dos pontos de extracção dentro da bacia;
•
inventario de áreas reflorestadas na bacia, dos desenvolvimentos futuros
planeados, e as correspondentes necessidades de água expressas em
intervalos de 5 anos, com indicação dos pontos de extracção dentro da
bacia.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
2.3
Metodologia
Devido à extensão da área de projecto, foi decidido começar por um estudo
de gabinete para identificar e colher toda a informação existente e relevante
para descrever e caracterizar os desenvolvimentos actuais e potenciais nos
três sectores (florestas, pecuária e agricultura), os padrões de uso da terra e
intensidade na área de estudo.
Para o caso particular do sector agrícola, dada a sua importância e peso em
termos de uso da água, foram feitos levantamentos intensivos de campo e
visitas a diversas áreas agrícolas durante o mês de Novembro de 2002, com
realce para as áreas cultivadas ao longo do vale do rio principal e nas
planícies de inundação, cujos resultados foram integrados e considerados na
análise.
Imagens de satélite Landsat TM e mapas de uso/cobertura de terra
(CENACARTA, 1998; DNFFB, 1995; INIA, 1986) e base de dados associados
foram revistos, incluindo mapas publicados na escala de 1:250 000
topográficos (DINAGECA), de solo, do uso da terra e mapas do potencial
agroecológico disponíveis da área de estudo (COBA & PROFABRIL, 1974,
1973; GEOTÉCNICA, 1981, 1980; Fernandes, 1968 and 1967; INIA, 2000,
1995 and 1980; CENACARTA, 1998 and DNFFB, 1995). A base de dados
associada foi também extensivamente utilizada.
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Descrição da bacia
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
3.1
Hidrologia
A bacia do rio Pungué em Moçambique ocupa a parte central da Província de
Sofala e parte norte e central da Província de Manica em Moçambique,
cobrindo uma área total de 31 150 km2. Uma pequena porção, com uma área
total de 1 463 km2, cai na parte nordeste da Província de Manicaland no
Zimbabué. O rio Pungué, com um escoamento médio anual de 4 195 M m3,
tem um comprimento total de 395 km a partir da sua nascente até ao Oceano
Índico onde desagua. Cerca de 50 km do seu comprimento encontram-se
dentro do Zimbabué, com cerca de 5 km compartilhada na fronteira comum
com Moçambique.
Os principais tributários do rio Pungué em Moçambique são os rios
Messambedze, Nhyazonia, Txatora, Vanduzi e o Urema-MucumbedzeNhondugue no lado esquerdo e os rios Honde, Mavuzi, Mucumbedze,
Marionda, Mezingadze, Messatua, Metuchira e Muda no lado direito. No
Zimbabué, os principais tributários são os rios Honde e Nyamakwara no lado
direito e os rios Ruera, Nyawamba, Nyamkombe, Nyamawanga e Nyazengu
no lado esquerdo. Ele nasce na cadeia montanhosa de Inyangani no
Zimbabué a oeste de Manica, a uma altitude de mais de 1000 m, e drena ao
longo de um comprimento total de 395 km na direcção Este a partir da sua
nascente até ao Oceano Índico onde desagua.
3.2
Clima
A parte norte e oriental da bacia indo até ao sopé da Montanha de
Gorongosa, contornando o sistema e para jusante no vale do Pungoé até à
confluência com o Mavuzi, e a região delimitada ao norte pelo rio Nyazonia,
apresentam um clima que pode ser descrito de acordo com a classificação de
Köppen como de savana tropical chuvoso. No resto da bacia, a qual é
dominada por terrenos montanhosos e áreas elevadas, o clima é temperado
húmido.
A chuva na bacia varia com altitude, com uma média anual aproximada de
1 114 mm. A precipitação mais alta anda entre os 1 500 mm e 1 700 mm/ano
nas regiões elevadas de Catandica, Pungoé Fronteira e Serra da Gorongosa.
Valores mais baixos, correspondendo a áreas mais secas, ocorrem na parte
norte da bacia, incluindo Guro, Macossa, Piro e Zongorgue, e nas regiões
mais a sul de Urema, Chitengo, Pungwe, Lamego e Nhamatanda até Mandine
e Guara-Guara, onde a precipitação varia entre 600 e 800 mm/ano. Situada
na região de chuva de Verão, a época chuvosa geralmente vai de Outubro a
Março. Os meses mais chuvosos, dependendo da localização, são Janeiro ou
Fevereiro. A época seca vai de Maio a Setembro, com os meses mais secos
em Setembro ou Outubro.
As áreas mais quentes em Moçambique situam-se à volta de Nhamatanda e
Bué-Maria, e o local mais frio é a Serra da Gorongosa. Os meses mais
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Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
quentes são Janeiro e Fevereiro com temperaturas entre os 17ºC e os 28ºC
respectivamente, enquanto que os meses mais frios são Junho e Julho com
as temperaturas entre os 11ºC e 21ºC respectivamente.
Humidade relativa média do ar ronda os 63% em Chitengo, 69% em
Catandica e os 76% na Beira. A evapotranspiração potencial anual média
varia entre os 1 300 mm em algumas áreas montanhosas para cerca de 1 600
mm nas áreas costeiras e terras mais baixas.
3.3
Solos
Os solos que ocorrem na bacia (ver a Figura 1) ou parte deles foram descritos
por vários autores usando diferentes escalas de mapeamento e sistemas de
classificação muito embora o estudo feito por COBA e PROFABRIL (1974;
1973) cubra sistematicamente toda a bacia com o mesmo nível de detalhe.
Outros estudos relevantes dos solos e seus recursos incluem os feitos por
Fernandes (1968 e 1967) e pela Geotécnica (1981 e 1980) de algumas partes
seleccionadas da bacia, referindo-se maioritariamente à parte baixa do
Pungué.
De acordo com estes estudos existe uma correlação entre os tipos de solo, a
geologia e o relevo da região. Os solos têm sido descritos por Ferro e
Bouman (1987) como sendo parte da bacia sedimentar de Moçambique ao
norte do Save. Geomorfológicamente, elas dividem-se nas planícies do Sena,
no planalto de Cheringoma entre os vales do Zambeze e do Pungué, com a
parte norte da bacia dominada por Urema Graben, em continuação do
sistema da cadeia leste Africana. A Geologia é dominada por arenito
continentais arkosico do Sena do período do Cretácico e por arenitos
continentais de Mazamba do Mioceno, enquanto que nos vales do Pungué e
dos principais tributários se encontram depósitos aluviais e Graben de Urema
bem desenvolvidos. Praias antigas formam um sistema paralelo de cumes
baixo arenosos na zona litoral pantanosa. O complexo de base domina a
parte ocidental da bacia. A área consiste em montanhas, planaltos médios e
altos e uma faixa oriental de terras baixas. As terras altas são caracterizadas
por formas de terras erodidas desnudadas. Os solos aluviais associados com
planícies de inundação cobrem vastas áreas ao longo do rio Pungué e nos
vales dos seus tributários.
O mapa indica os grupos de solos dominantes que ocorrem nas planícies de
inundação em que se desenvolveram em depósitos aluviais associados,
assim como os solos desenvolvidos nas formações do PreCambrico do
Complexo Base do cinturão Metamórfico de Moçambique dominado por
Complexo Gneisse de Granito Migmatito. O mapa também indica a
localização dos regadios.
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DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA
A BACIA DO RIO PUNGUÉ
Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Figura 1
Mapa de Solos da bacia do Pungué e localização dos regadios.
O maior depósito contínuo aluvial ocorre no Baixo Pungué, a sul de BuéMaria e no Alto Muda. Eles cobrem uma extensiva planície de inundação que
é periodicamente alagada no distritos de Nhamatanda e do Dondo,
estendendo-se para a costa perto da cidade da Beira. O vale de Urema é
dominado por depósitos aluviais que estão também sujeitos a alagamento
periódicos.
Cerca de 50% da bacia é dominada por solos de textura grosseira e pouco
profundos, os quais são comuns nas colinas elevadas onduladas, que se
desenvolveram sobre o complexo gneisse granítico, enquanto que 15% dos
solos da área de estudo são classificados com base no grau de
pedregosidade, maioritariamente em associação com a fase Lítica. Os cumes
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DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA
A BACIA DO RIO PUNGUÉ
Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
massivos de montanhas baixas com inclinações longas e constantes
relacionadas com as formações anteriores são caracterizadas pela ocorrência
de solos de argila vermelha e castanha fortemente metamorfizadas, e na sua
maioria bem drenados. Sopés severamente dissecados e íngremes, com
inclinações curtas e os vales em forma de V são dominados por solos
residuais indiferenciados (solos de declive, superficiais) e por litossolos
excessivamente drenados.
A maioria dos solos a jusante da zona proposta para a barragem de BuéMaria foram formados com base em depósitos lacustres, aluviais e
estuarinos. Os solos lacustres e estuarinos apresentam níveis de sodicidade
e salinidade tais que requereriam a sua recuperação para a promoção de
uma agricultura irrigada sustentável. As áreas baixas tais como região
pantanosas de extensão variável localmente atravessadas por pequenos
riachos são caracterizadas por solos aluviais jovens, solos aluviais negros e
solos orgânicos hidromórficos. A drenagem varia de pobre a muito pobre com
a ocorrência de inundações depois de chuvas pesadas. Os solos aluviais
mais recentes, que se sobrepõem aos sedimentos estuarinos, são nãosalinos e não-sódicos excepto onde eles são muito pouco profundos. Solos
com maior potencial para a agricultura irrigada são aqueles formados em
depósitos aluviais tais como os solos que ocorrem nas planícies aluviais, e
nos terraços dos rios. As áreas mais elevadas, planas ou levemente
onduladas, apresentam solos aluviares jovens, solos aluviares argilosos
negros antigos bem drenados e mal drenados que são temporariamente
alagados na época húmida, e com água salobra ao longo da costa.
Tais áreas com solos desenvolvidos em depósitos aluviais ao longo de ambos
lados do rio Pungué e nos vales dos rios tributários, são localmente
interrompidos por plataformas de Mananga e Pós-mananga. As planícies
arenosas pouco profundas (camada de areia) são compostas por areias
grosseiras ou finas dependente das camadas inferiores do Mananga ou Pósmananga. Desenvolve-se um horizonte argilíco, nátrico ou câmbico no
material Mananga abaixo da areia superficial. Geralmente seus subsolos são
salinos ou sódicos. Os solos Mananga são altamente erodíveis e as camadas
inferiores com uma textura areno argilo limosa são facilmente compactáveis
quando húmidos tornando-se um problema para a drenagem.
Também é comum na área de estudo e muito associado às planícies de
inundação, aos terraços e às pequenas planícies planas ou levemente
onduladas desenvolvidas em depósitos aluviais recentes, encontrarem-se
solos arenosos, contendo areias profundas excessivamente drenadas
amareladas, avermelhadas, esbranquiçadas e hidromórficas, as quais são
dependentes principalmente na posição que ocupam no terreno.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
3.4
Uso da Terra
As actividades económicas que ocorrem na bacia do Pungué são na sua
maioria baseadas na agricultura em sequeiro de subsistência, na agricultura
irrigada de culturas de rendimento, na produção de lenha e carvão, na
produção pecuária comercial e, em menor escala, na utilização de fauna, na
protecção e conservação de recursos naturais, na pesca e, no uso dos
recursos naturais para fins domésticos e para fins comerciais. Com a
excepção das grandes plantações comerciais de chá e de florestas exóticas
no Zimbabué, a maioria da população na bacia depende da agricultura de
subsistência para a sua sobrevivência.
As povoações estão concentradas ao longo dos vales dos rios e nas planícies
de inundação, assim como nas proximidades de infra-estruturas existentes.
Povoados densos são geralmente encontrados em áreas com solos aptos
para a agricultura, assim como nas zonas servidas por estradas, com
abastecimento de água e outras infra-estruturas públicas tais como escolas e
centros de saúde. A ocupação da terra tem sido influenciada em grande
medida pela provisão de infra-estruturas. Em seguida indicam-se as infraestruturas principais existentes que influenciam a localização das povoações
na bacia:
I.
O sistema das linhas-férreas compreendendo a secção da Beira ao
Dondo (a secção do Dondo a Inhaminga foi destruída), a secção do
Dondo ao Malawi e, a secção da Beira a Bulawayo, e
II.
A estrada Beira-Chimoio-Manica-Machipanda, a estrada ChimoioCatandica (até Tete), e a estrada Inchope-Gorongosa-Caia. Todas as
estradas estão ou em boas condições ou em processo de reabilitação
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
4
Sector de Florestas
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
4.1
Introdução
O presente estudo incluiu uma revisão da informação relevante sobre a
cobertura florestal na bacia do rio Pungoé. A cobertura florestal influência
grandemente os caudais devido a factores relacionados com a intercepção
das chuvas, à evapotranspiração, à infiltração e à percolação. Os caudais
podem ser considerado como o produto residual do ciclo hidrológico, o qual é
influenciado pelo clima, ocupação da terra e pelo solo.
De acordo com Hibbert (1967), a quantidade de água gerada pela
componente florestal depende do tipo de espécies na bacia. No geral as
florestas artificiais tais como plantações de pinheiros e de eucaliptos tendem
a reduzir o escoamento superficial devido ao aumento significativo na
interpretação da chuva e na evapotranspiração.
Este estudo descreve as áreas florestais da bacia, tomando em consideração
a distribuição da cobertura florestal por espécies nativas e exóticas.
No caso de Moçambique as principais fontes de informação foram a literatura
existente, as imagens de satélite (Cenacarta, 1998) e, entrevistas feitas as
especialistas da área. No caso do Zimbabué a informação foi obtida a partir
das companhias florestais a operarem na área e, complementadas pelo
conhecimento pessoal dos consultores da distribuição de vegetação na bacia.
4.2
Enquadramento
A bacia do rio Pungoé cobre uma área total de cerca de 31 150 km2, com um
escoamento anual médio de 4 195 M m3. Esta bacia hidrográfica inclui áreas
em Moçambique e no Zimbabwe. Em Moçambique a bacia localiza-se na
zona centro e ocupa parte das províncias de Manica e Sofala totalizando
29 687 km2.
Os usos comuns da terra na bacia são florestas, agricultura, pastos e zonas
urbanizadas. Com 2 454 949 ha de florestas em Moçambique, a bacia
representa perto de 3.1% do total da área de florestas em Moçambique.
4.3
Moçambique: Provincia de Manica
A Província de Manica tem uma área total de cerca de 61 661 km2,
aproximadamente 15 580 km2 dos quais são cobertos por florestas nativas,
correspondendo a 25% da área total da Província. Desta área, 680 km2
constituem florestas de terras altas com vários graus de densidade arbóreas.
Os restantes 14 900 km2 são florestas de terras baixas. Muitas destas áreas,
especialmente nas terras baixas contém o Miombo onde as espécies
Brachystegia e Julbernardia globiflora são prevalentes. Em zonas de alta
altitude, também ocorre o Miombo, com diferentes características devido à
elevada humidade e baixas temperaturas. Estas são usualmente designadas
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
como florestas verde afro-montana onde prevalecem espécies arbóreas de
alto porte.
A Província de Manica tem a maior área de plantações exóticas em
Moçambique, cobrindo 50% da área total. Estas áreas estão principalmente
localizadas nos distritos a Sul da Província. Em 1975 estas plantações
cobriam uma área total de 11 km2 com pinheiros e eucaliptos como as
principais espécies. Por volta de 1986, depois da Independência, a cobertura
aumentou para aproximadamente 23 km2 sendo 20 km2 com pinheiros (P.
Patula, P. Taeda, P. Elliote e P.kesiya) e a área restante coberta por
Eucaliptos saligna. Dados recentes apontam para uma redução para uma
área total de cerca de 11 km2, constituída principalmente por diferentes
espécies de Pinheiros e de Eucaliptos, e com uma pequena área de espécies
nativas (Eureka, 2001).
4.4
Moçambique: Província de Sofala
A Província de Sofala tem uma área total de 68 018 km2, dos quais
aproximadamente 17 706 km2 (26%) é coberta por floresta nativa. A
vegetação é uma mistura de floresta de Miombo dominada por espécie
Brachystegia e Julbernaria globiflora. Aproximadamente 200 km2 desta área
são florestas de terras altas, e 17 506 km2 são florestas de terras baixas com
diversos graus de densidade de vegetação. Em 1986, as plantações de
árvores exóticas cobriam aproximadamente 2 km2 com diferentes espécies de
Eucaliptos. Estudos recentes indicam que as áreas plantadas e as espécies
permanecem as mesmas, mas sem um maneio florestal.
4.5
Zimbabwe
No Zimbabué, até recentemente, todos os aspectos de políticas, controle e de
desenvolvimento florestais eram asseguradas pela Comissão Florestal, um
grupo para estatal ligado ao Ministério do Ambiente e Turismo via o seu
Secretário Permanente. A Comissão Florestal tinha à sua responsabilidade a
produção de madeira (na maioria espécies exóticas tais como pinheiro e
eucalipto e, em menor grau, espécies nativas), nas zonas demarcadas
florestais e, em simultâneo, nas explorações privadas de madeira. Tinha
também sob sua responsabilidade a investigação florestal e a produção e
melhoramento de sementes.
Em 2002 iniciou-se um novo arranjo organizacional da Comissão Florestal a
qual foi reinstituída sob emenda do Acto Florestal (Cap. 19.05 emendado em
Maio de 1999). Este novo arranjo legitima a comercialização de madeira nas
zonas pertencentes ao Estado, constituindo um primeiro passo na direcção da
privatização, através da formação da Companhia Florestal dirigida por uma
entidade autónoma.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
A Comissão Florestal, recentemente constituída, é encabeçada por um
Director Geral responsável por toda as actividades e políticas florestais. As
suas funções estão agora divididas em dois departamentos, uma relacionada
com a investigação e a formação florestal e outra relacionada com a extensão
e recursos nativos. O Director Geral é assistido por dois Directores Adjuntos
responsáveis por cada um dos departamentos.
Os dois departamento da Comissão Florestal estão localizadas em Harare,
sendo operados, controlados e financiados da mesma forma que qualquer
outro ramo de serviços civis, estando no entanto autorizados a receber
doações para financiamento das suas actividades.
O primeiro departamento é responsável pelas seguintes áreas:
•
Pesquisa Florestal
•
Melhoramento e venda de sementes;
•
Formação no Colégio Florestal do Zimbabué e no Centro de Treino da
Indústria Florestal em Mutare de florestais, de operadores de serração e
de corte de Madeira.
O segundo departamento é responsável por:
•
Extensão Florestal para os produtores privados (principalmente nas
terras Comunais e de Restabelecimento para os produtores de pequena
escala).
•
Exploração e uso das árvores nativas.
Existem sete extensionistas florestais provinciais para a supervisão das
actividades de campo das funções acima descritas.
Algumas das florestas nativas do Zimbabué estão protegidas por ocorrerem
em Zonas Florestais Protegidas ou em Reservas Florestais. As florestas
decíduas com as áreas de produção madeireiras encontram-se localizadas na
sua maioria em Matabeleland, enquanto que as florestas permanentemente
verdes, tal como Monte Selinda (floresta Chirinda nas plantações florestais de
Gungunyana) e Banti, se encontram localizadas na Província de Manicaland.
Outras zonas de florestas nativas ocorrem nos Parques Nacionais tais como
Rhodes Nyanga e Chimanimani. As florestas nativas nessas zonas estão
legalmente protegidas estando proibido o seu acesso para queimadas ou
cortes. Actualmente o controle feito não é adequado.
A Secção da Comissão Florestal que anteriormente se encarregava do
maneio e exploração das florestas comerciais e nativas em terra estatal agora
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DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA
A BACIA DO RIO PUNGUÉ
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
conhecida como a Companhia Florestal do Zimbabué (CFZ) ira-se tornar
numa organização comercial autónoma privada auto sustentável mais,
actualmente ainda pertence na sua totalidade ao Governo, permanecendo
ainda dentro do Ministério do Ambiente e Turismo. A CFZ é encabeçada por
um Director baseado em Mutare e tem um Conselho de Directores que são
indigitados pelo Ministro. Na privatização, será possível incluir parceiros
técnicos que contribuam com especialistas, experiência e, recursos
financeiros. Parece ainda não haver nenhuma decisão sobre a utilização e
distribuição dos lucros gerados pela CFZ provenientes das plantações e do
corte de madeiras nativas nas florestas das zonas estatais. Porém esta será
uma decisão da responsabilidade do Conselho de Directores. Actualmente os
lucros depois da dedução dos custos operacionais estão a ser usados para o
pagamento dos custos de capital de uma grande serralharia nova e, para a
reposição de vários recursos.
A Companhia Florestal de Stapleford perto de Penhalonga é a propriedade
principal da Comissão Florestal dentro da Bacia do Pungué no Zimbabué.
Esta foi uma propriedade privada que foi comprada pela Comissão Florestal
há muitos anos atrás, tendo promovido a plantação de Pinheiros (Pinus
Patula) no planalto, a plantação de outros pinheiros (Pinus Taeda) na secção
subtropical do vale de Nyamkwarara. Foram também feitas tentativas sem
resultados satisfatórios para a plantação do teak Burmês. A estação de
investigação de John Meikle esta localizada no limite do vale Nyamkwarara,
servindo como um centro de produção e multiplicação de sementes da
Comissão.
A maior parte da companhia florestal do Erin no Distrito de Nyanga, que faz
oficialmente parte do Parque Nacional de Rhodes Nyanga, está alugada à
Comissão Florestal do Zimbabué para produção de madeira por um periodo
indefinido e a um valor de aluguer muito simbólico.
A parte 6 do Acto Florestal capítulo 19.05 dá provimento para o controle de
qualquer corte indesejável de árvores nativas em terra comunal ou privada
pelos auspícios das autoridades locais mais apropriadas (Comités nas Áreas
de Conservação Intensiva e, Conselhos Rurais Distritais). O papel regulador
para a protecção de espécies nativas importantes cai no âmbito do
Departamento de Recursos Naturais, que neste momento se encontra de
braço amarrados pela falta de pessoal e fundos e, pelas circunstâncias
políticas actuais.
Nenhum ramo da Comissão Florestal tem autoridade para regular a protecção
de árvores que se encontram nas Terras Florestais ou Reservas Florestais,
não obstante o facto do sector de extensão ter um mandato para educar as
populações rurais para o uso, conservação e reposição das árvores locais.
Tem havido no entanto nas zonas de reassentamento e em várias outras
áreas um corte indesejável de árvores para venda como lenha, assim como a
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
venda ilegal pelo Chefe Tangwena dos “direitos de cultivo” nas Florestas
sempre verdes que se estendem pela Reserva Botânica de Gleaneagle, o
parque Nacional, e as plantações de chá na zona de Aberfoyle, adjacentes à
Bacia do Pungué. Esta floresta constituiu no passado um local muito popular
para os observadores de aves e os eco turistas mas, como ainda não foi
tomada qualquer acção pelas autoridades para se parar com esta prática, há
já uma porção considerável que já foi desmatada. Muitas das florestas
riverinas que se encontram nas terras comunais ao longo do Pungué e dos
outros rio, tem sido na década passadas desmatadas e convertidas em
campos de milho apesar da existência de leis e regulamentos que proíbem
esta prática.
4.6
Resultados de Moçambique
A bacia do Pungoé cobre uma área total de 31 150 km2, dos quais 29 687 km2
(95% da bacia) em Moçambique e 5% no Zimbabwe. Na Bacia do Pungué em
Moçambique, cobrindo uma área total de 2 454 949 ha que corresponde a
82.9% da área total da Bacia, existem oito tipos principais de cobertura
florestal (Tabela 1).
Tabela 1
Distribuição dos Recursos Florestais na Bacia do Pungué em Moçambique.
Cobertura florestal
Plantações
Savana
Mangais
Floresta arbustiva
Matagal (alto, médio e baixo)
Savana com árvores
Floresta de terras baixas (fechada, média,
aberta)
Floresta de terras altas
Total
área em ha
área em %
2 496
210 721
2 943
157 093
374 439
907 327
0.1
8.6
0.1
6.4
15.3
37.0
784 350
15 580
2 454 949
31.9
0.6
100.0
Fonte: Resultado do estudo (2003)
4.6.1 Plantações
Mais de 80% das plantações florestais em Moçambique estão localizadas nas
províncias de Maputo, Manica e Niassa. As plantações na Bacia do rio
Pungué incluem espécies de crescimento rápido de Eucaliptos e Pinheiro
(Casuarina equisetifolia; Leucaena leucocephala; Cupressus lusitanica),
espécies de Acácia (Tectona grandis), e algumas espécies nativas
distribuídas em áreas relativamente pequenas no distrito de Gôndola na
Província de Manica. Estas Plantações são usadas para madeira, lenha e
material de construção.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
A área total ocupada por este tipo de floresta na bacia do Pungoé é de cerca
de 2 496 ha correspondendo apenas a 0.1% da área total da bacia. A maioria
das plantações na província de Manica localiza-se na bacia do rio Buzi. Este
é o único tiopo de florestas que neste relatório se considera que têm um
impacto considerável nos recursos hídricos dado a sua capacidade de reduzir
o escoamento efectivo. Os outros tipos são ou tipos naturais de cobertura
vegetal ou, se alterados pela intervenção humana, as mudanças observadas
não têm implicações em termos dos recursos hídricos disponíveis.
4.6.2 Savana
A este grupo pertence a cobertura vegetal do tipo edáfico das gramíneas que
são inundadas sazonalmente e, um segundo tipo que é influenciada pelo
corte das árvores para a prática de agricultura em sequeiro, para pastagens
ou para lenha. A área total é de aproximadamente 210 721 ha, equivalente a
71% da área total da bacia.
Este tipo de vegetação não é considerado no cálculo das necessidades de
água uma vez que não apresenta alterações significativas do balanço hídrico.
4.6.3 Mangais
Foram identificados os seguintes tipos de mangais: Mangal fechado, com
uma densidade de cobertura superior a 40%; e Mangal disperso, com uma
densidade de cobertura entre os 10% e os 40%. Os Mangais ocupam 2 943
ha correspondendo a 0.1% da bacia e incluem as espécies Avicennia marina,
Rhizophora mucronata, Bruguiera cylindrical, Sonneratia alba, Heritiera
littoralis e Lumnitzera racemoza.
Os mangais também não são considerados no cálculo das necessidades de
água ou avaliação da mudança de balanço hídrico.
4.6.4 Floresta arbustiva
Os arbustos são distinguidos pela altura do tronco principal de madeira, o
qual está compreendido entre os 3 m e os 50 cm. A floresta arbustiva dá
geralmente uma cobertura muito densa. Elas ocupam uma área total de
157 093 ha ou 5.3% da área da bacia.
Pelas mesmas razões anteriores, elas não foram consideradas nos cálculos
das necessidades de água ou avaliação de mudanças de balanço hídrico.
4.6.5 Matagal
Este tipo de vegetação compreende as floresta meio altas a baixas. A altura
varia entre os três e os sete metros de altura. A distribuição de espécies é
uma função do tipo de solo, clima, assim como intervenção humana. A área
total cobre aproximadamente 374 439 ha ou 12.6% da área da bacia.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Este tipo de vegetação também não foi considerado no cálculo das
necessidades de água ou na avaliação das mudanças do balanço hídrico.
4.6.6 Floresta com árvores
Esta cobertura vegetal consiste numa camada de gramíneas dominantes e
uma componente arbórea. Cobrem uma área de aproximadamente 907 327
ha ou 30.7% da área da bacia. As principais espécies são Combretum
imberbe, Acacia nigrescens, Acacia tortillus, Sclerocarya caffra, e Hyphaene
crinata.
Este tipo de vegetação não é considerado nos cálculos das necessidades de
água ou avaliação de mudanças de balanço.
4.6.7 Floresta de terras baixas
Florestas de terras baixas correspondem uma grande variedade de classes
de vegetação que incluem florestas de Miombo e de Mopane, florestas
riverinas e florestas arbustivas. A composição de espécies é dominada pela
Brachystegia e/ou pela Julbernardia. A área total coberta é de
aproximadamente 784 350 ha ou 26.5% da área da bacia.
Este tipo de vegetação não é considerado nos cálculos das necessidades de
água ou avaliação de mudanças de balanço.
4.6.8 Floresta de terras altas
Este grupo consiste de vegetação sempre verde que ocorre nas áreas
montanhosa da bacia. O cultivo ocorre no sopé da montanha onde o solo é
fértil e rico e a humidade é alta. A área total coberta é de aproximadamente
15 580 ha, ou 0.6% da área da bacia.
Este grupo de vegetação também não é considerado no cálculo das
necessidades de água.
4.7
Resultados do Zimbabwe
Para o Zimbabwe, tem-se na bacia do Pungoé a seguinte distribuição de
cobertura florestal:
Area (ha)
Erin
Harrisville
Lambton
Stapleford
Maswera
Selbourne,
Inyawari,
Mutarazi
Total
Total
1 177
675
1 382
1 641
18 290
3 582
26 747
Plantado
971
34
1 166
1 143
1 940
-
-
Conservação
79
-
122
465
6 338
1 870
8 874
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
4.8
Moçambique: desenvolvimento do sector florestal
A combinação de fogos florestais (naturais e ateados por pessoas), prática da
agricultura itinerante e o corte de árvores para lenha e carvão constituem as
causa principais para a rápida diminuição das florestas em Moçambique.
Anualmente em Moçambique são perdidos aproximadamente 150 000 ha de
florestas somente devido às práticas da agricultura itinerante. A danificação
das florestas causadas por incêndios é generalizada, ameaçando a
regeneração de espécies florestais valiosas (Eureka Lda., 2001).
Aproximadamente 4.3% de terras florestais em Moçambique foram
desflorestadas num período de 18 anos, o que equivale a uma taxa de
deflorestamento de 0.2% ao ano (Eureka Lda., 2001) A província de Maputo
apresenta a maior taxa de deflorestamento com 19.9% da área desmatada no
mesmo período. A província de Gaza apresenta a taxa mais baixa de
deflorestamento com 0.9% da área total desflorestada no mesmo período.
Nos mangais, a deflorestamento é estimada em 0.2% no mesmo período de
18 anos (Saket, 1194).
Presentemente não existem dados sobre as taxas de deflorestamento
causadas por cada uma das praticas acima mencionadas, embora a taxa de
4.3% inclua desflorestamento por agricultura itinerante, corte para lenha e
carvão e degradação por frequentes queimadas.
Também não existe um programa definido para reposição das florestas
através de plantação de árvores. É no entanto provável um aumento das
áreas plantadas resultante do aumento da procura de madeira de pinho
serrada no mercado Internacional (Eureka Lda., 2001).
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
5
Sector de Pecuária
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
5.1
Introdução
O presente estudo incluiu uma revisão da informação relevante sobre gado e
fauna bravia na bacia do rio Pungoé, que é parte das províncias de Manica e
Sofala em Moçambique. O estudo foi feito para projectar os números de gado
e fauna bravia para 2025 com base na informação existente para esta área,
Relativamente ao Zimbabwe, não há actualmente informação disponível.
As projecções dos números do gado basearam-se na taxa anual média do
crescimento nos 5 anos de 1995 a 2000. A taxa de crescimento calculada
para este período foi então usada para projectar para o ano 2025.
Parte da análise e das projecções obtidas neste estudo não são exaustivos
devido à falta de informação detalhada na área. No entanto, estes números
podem ser usados para estimar o consumo de água para este sector.
Para a parte da bacia no Zimbabué, os mamíferos são raros na área,
encontrando-se somente alguns “blue duiker”, “bushbuck”, macacos Samanga
e Vervet e grupos de macaco cão. Por esta razão não se incluiu o Zimbabué
no cálculo da fauna bravia. É comum haver a caça com armadilhas, redes ou
cães é comum e, uma grande percentagem da população usa fisgas por
hábito.
5.2
Enquadramento
A bacia do rio Pungoé localiza-se na zona centro de Moçambique e ocupa
toda ou parte dos distritos de Báruè, Gondola, Macossa e Manica na
província de Manica e de Nhamatanda, Dondo, Gorongosa, Muanza, Búzi,
Cheringoma and Maringué na província de Sofala (Loureiro, 1974).
Em termos de produção de gado é importante salientar a produção de gado
bovino, pequenos ruminantes e suinos. A população do gado bovino na Bacia
do Pungué em Moçambique corresponde a 31.3% da população total nas
províncias de Manica e Sofala, e 4.5% do total ao nível nacional em 2000.
Os pequenos ruminantes correspondiam no ano de 2000, a 21.4% da
população nas duas províncias e a 5.4% do global nacional. A população
suína na bacia é respectivamente de 24.4% nas duas províncias e de 6.4%
do país no seu todo.
É importante referir que o sector familiar joga um papel principal na produção
de gado. Mais de 75% da população pecuária é pertença do sector familiar.
5.3
Metodologia
A informação obtida sobre gado foi processada e analisada de acordo com os
seguintes procedimentos:
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
•
Colheita de informação sobre a população pecuária nas províncias de
Manica e Sofala, que existe no período de 1971 a 2000 (apêndice 1);
•
Colheita de informação sobre a populaçao pecuária de distritos
relevantes de Manica e Sofala na bacia do Pungoé. Esta informação
apenas existe de 1995 a 2000 (apêndice 2);
•
Estimativa da percentagem da área ocupada pelos distritos na baica do
rio Pungoé (apêndice 2);
•
Distribuição do número total de gado por distrito para o período de 1995
a 2000 de acordo com a percentagem da área relativa ocupada por cada
distrito na bacia do Pungoé. Com os resultados obtidos, foi estimada a
contribuição da bacia do Pungoé em percentagem de cada tipo de gado
(apêndice 2);
•
Com base na percentagem de gado na bacia do rio Pungoé, o número
total de gado foi então estimado para cada província para o período de
1971 a 1973 e de 1980 a 1994 (apêndice 3);
•
Projecção da populaçáo pecuária na bacia do Pungoé para os anos 1974
e 1975 com base na taxa anual média de crescimento em cada província
(apêndice 3);
•
A taxa annual média de crescimento foi calculada usando a seguinte
equação:
i=n
onde:
Ef
Eo
−1
i – taxa annual média de crescimento
Eo – efectivo inicial de gado
Ef – efectivo final de gado
n – número total de anos considerado no período
(Fonte: Ministério da Agricultura/FAO, 1985)
•
A população pecuária total na bacia do Pungoé foi calculada como a
soma das contribuições parciais das províncias de Manica e Sofala na
bacia (Tabela 2);
•
A população total de fauna bravia não foi estimada devido à qualidade e
disponibilidade de dados para a bacia do Pungoé. Apenas pudemos
obter dados para o Parque Nacional da Gorongosa que foram incluidos
no presente relatório (ver Tabela 4).
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
5.4
Resultados e Discussão
Os números do gado na bacia do Pungoé foram estimados com base nas
contribuições parciais de cada província, de acordo com a percentagem dada
no apêndice 2. O resultado deste cálculdo para toda a bacia está sintetizado
na Tabela 2, que dá a evolução da população de 1971 ao 2000 para gado
bovino, pequenos ruminantes e suinos, e aves domésticas entre 1990 e 2000.
A discussão destes resultados considera quatro períodos de desenvolvimento
da produção pecuária na bacia do Pungoé. O primeiro período é antes de
1975, o segundo de 1975 a 1982, o terceiro de 1983 a 1992, e o quarto de
1993 até o presente.
Tabela 2
Ano
1971
1972
1973
1974
1975 (*)
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
Estimativa de gado para a bacia do rio Pungoé.
Gado
bovino
34 353
36 420
39 343
42 821
45 190
28 767
27 397
25 155
16 557
14 083
14 825
15 600
12 552
15 345
14 211
17 895
16 445
12 792
13 588
14 778
13 379
16 003
16 799
19 202
20 944
23 513
pequenos
ruminantes
29 593
35 197
35 323
40 239
46 194
20 189
19 833
15 808
14 057
13 864
13 961
14 181
6 937
7 627
6 988
6 482
8 099
6 936
14 096
16 397
29 020
20 671
17 820
20 481
21 143
45 769
suino
aves
domésticas **
7 326
9 831
12 008
15 405
19 559
12 548
10 992
9 246
8 626
10 974
8 836
6 697
8 182
6 251
5 596
8 139
8 256
5 274
7 626
9 053
12 706
16 084
9 887
11 211
11 206
11 990
Fonte: Resultados do estudo e Relatórios Anuais do MADER
(*) – Projectado dos resultados de 1971 a 1973
(**) – Número total para as províncias de Manica e Sofala
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37 227
45 348
31 437
62 709
124 394
193 931
199 511
122 971
290 242
35 188
507 523
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Antes de 1975 (data da independência de Moçambique) existiu um aumento
acentuado da população de animais domésticos, atingindo o pico em 1975.
No período de 1975 a 1982, a população pecuária manteve uma certa
estabilidade, seguida por uma queda abrupta entre 1983 e 1992 resultante da
guerra civil (MADER/DINAP, 1994). Após o fim da Guerra civil, desde 1993
até ao presente, observou um crescimento constante do efectivo pecuário.
5.4.1 Gado bovino
Os Bovinos são as espécies mais importantes da produção animal em
Moçambique. Durante o primeiro período de 1971 a 1974, a sua população
cresceu numa média anual de 4%, aumentando de 34 353 em 1971, para 41
402 animais em 1974. A zona a sul do rio Save continha 72% do gado
(MADER/DINAP, 1994) em Moçambique. O sector familiar era o sector
dominante nos bovinos. Em 1974 o papel do sector comercial na produção de
gado aumentou, contando com 48% da população total de bovinos na zona
sul e de cerca de 64% do total da população do gado no país. Em 1972 foram
introduzidos subsídios para promover a produção de bovinos
(MADER/DINAP, 1994).
O período de 1975 a 1982 observou um decréscimo no número de cabeças
que baixou de 45 190 para 25 115, devido ao êxodo massivo dos agricultores
Portugueses após a Independência, associado à mudança de administração e
à ausência de um corpo central de coordenação. A situação foi agravada com
o início da Guerra civil.
A produção de gado no período de 1983 a 1992 atingiu o seu ponto mais
baixo com o número de cabeças a caírem de 16 557 para 12 792. As razões
para a queda incluem (MADER/DINAP, 1994):
•
A seca prolongada entre 1982 a 1984;
•
O efeito directo e indirecto da Guerra civil;
•
Roubo de gado acompanhado por matança indiscriminada;
•
Movimento de gado para os países vizinhos através da emigração das
comunidades fronteiriças;
•
Fraca assistência veterinária devido ao difícil acesso às áreas de
produção e falta de insumos;
•
Movimento do gado das suas áreas de produção principais para locais
seguros, resultando numa população excessiva, no sobre pastoreio e
erosão e a consequente baixa da produtividade.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
O período de 1992 a 2000 é caracterizado pela recuperação na produção de
gado com uma taxa de crescimento anual de 10%, resultante do fim da guerra
civil e a subsequente introdução de várias iniciativas de desenvolvimento.
5.4.2 Pequenos ruminantes
Os pequenos ruminantes são criados principalmente para consumo e venda
no mercado local, normalmente fora dos canais de controlo institucional.
No período de 1975 a 1992 a sua população diminuiu drasticamente de
44 671 para 4 094 (9%) devido principalmente à guerra civil, para além duma
metodologia deficiente de contagem e dificuldade de acesso às zonas de
maior concentração de animais.
Por volta de 2000, o efectivo nacional aumentou em 1 017% para 45 769
cabeças.
5.4.3 Suinos
A população de suínos em Moçambique apresenta flutuações ao longo dos
anos.
A escassez de grãos e sementes oleaginosas em 1982 resultou na escassez
de alimento para os animais e a consequente redução do stock. A situação
piorou durante a guerra civil, resultando numa crescente falta de rações e
contínuo decréscimo do número de suinos na bacia do Pungoé. Isto explica a
taxa de crescimento negativa (-13%) de 1982 a 1992.
5.4.4 Aves domésticas
Os dados disponíveis na produção de aves domésticas nas Províncias de
Manica e Sofala só cobrem os anos de 1990 a 2000. Para se estimar a
população de aves na bacia do Pungué, adoptou-se a seguinte relação:
PB
⋅ PMS
(M + S )
onde:
(2)
PB = área total da bacia do rio Pungué
(M+S) = Área total da Província de Manica e Sofala, e;
PMS = é o numero total de aves nas duas províncias.
5.4.5 Projecção do gado para 2025
A projecção da população animal até ao ano 2025 é indicada na Tabela 3. A
taxa de crescimento para cada espécie de animal é baseada na média do
crescimento observado no período de 1995 a 2000. Na província de Manica
as taxas de crescimento são de 11% para os bovinos, 9% para os pequenos
ruminantes, 26% para os suínos e 37% para aves. No caso de Sofala
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
usaram-se as taxas de crescimento de 17%, 10%, 3% e de 43% para
respectivamente os bovinos, pequenos ruminantes, suínos e aves. Estas
taxas de crescimento são no entanto muito influenciadas pelo baixo nível na
situação actual, por isso tomou-se uma taxa de crescimento constante de
10% para todas as categorias, excepto para aves em que se usou 15%. As
projecções para 2025 foram feitas a partir do ano 2000 em vez de 1975
porque senão ter-se-ia taxas de crescimento negativas uma vez que o
efectivo de 1975 era superior ao de 2000.
Com base nos valores para o ano 2000, os números projectados para o ano
2025 para ambas as províncias são 254 374 para gado bovino, 95 881 para
pequenos ruminantes, 162 240 para suinos e 16 707 126 para aves. No
entanto, o número total de aves projectado para o ano 2025 refere-se ao total
para as províncias de Manica e Sofala como se mencionou anteriormente.
Tabela 3
Ano
2000
2005
2010
2015
2020
2025
Estimativas de gado para o ano 2025.
Números de Gado
bovino
23 513
37868
60896
98073
157947
254374
pequenos
ruminantes
45 769
73711
118712
191186
307905
495881
suino
11 990
19310
31099
50085
80662
162240
aves*
507 523
1020810
2053213
4129746
8306394
16707126
(Fonte: Resultados do estudo)
(*) – As projecções referem-se ao total para as duas províncias
A projecçáo para a fauna bravia não foi feita neste estudo devido à
irregularidade na distribuição das espécies e falta de informaçao sobre a
evolução dos animais ao longo dos anos. A informação disponível, aqui
apresentada na Tabela 4, corresponde aos anos 1972, 2000 e 2001 no
Parque Nacional da Gorongosa, onde decorrem esforços para repopular com
as principais espécies de fauna bravia com números semelhantes aos
existentes em 1975.
Outras áreas na bacia onde a fauna bravia era importante eram as coutadas,
cobrindo uma área total de 593 193 ha. As coutadas são reservas para fauna
bravia onde é permitida a caça embora limitada por leis de conservação
bastante restrititvas.
Na bacia do Pungoé, inclui-se a Coutada 9 com uma área de 263 253.7 ha, a
Coutada 13 com uma área de 306 613.2 ha e algumas áreas com programas
de repovoamento de animais selvagens cobrindo uma área total de 23 326.2
ha. Estas áreas não foram incluídas na análise do consumo de água devido à
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falta de dados fiáveis e por ter pouco peso no consumo total de água da
bacia.
Tabela 4
Fauna Bravia no Parque Nacional de Gorongosa.
Especies
Bufalo
Gnu
Hipopotamo
Zebra
Elefante
Zibelina
Veado do
Cabo
Antílope
africano
Porco do mato
Bushbuck
Duicker
Impala
Kudu
Leão
Nyala
Oribi
Reedbuck
Javali
Waterbuck
Crocodilo
1972
2000
2001
13 295
6 427
3 483
3 331
2 542
483
0
0
60
11
163
40
15
2
44
5
111
102
344
13
11
126
11
5
35
218
13
53
51
0
134
113
246
251
393
-
42
145
23
38
40
6
157
106
332
499
465
-
-
(-) - sem informação
Fonte: GERFA/2001 e Direcção Provincial dos Serviços de Pecuária/1972
Dos números apresentados na Tabela 4 é difícil estimar a variação real ao
longo dos anos, ou fazer uma projecção para o futuro. Por isso, recomendase a colheita de dados adicionais relativos aos anos mais recentes para se
conseguir uma projecção razoável para 2025.
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Sector da Agricultura e Irrigação
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
6.1
Moçambique
A produção agrícola na área engloba dois sectores principais: o tradicional
sector agrícola em pequena escala (agricultura de subsistência – culturas
alimentares e produção comercial de pequena escala - hortícolas, associados
à produção agrícola de subsistência) e o sector comercial (tipo de plantação –
plantações de açúcar, pomares de árvores de fruto, arroz, hortícolas e gado).
A produção de culturas em sequeiro domina os actuais sistemas agrícolas.
Em geral, apenas os agricultores comerciais estão em posição de utilizar
irrigação suplementar cultivos alimentares e pomares apesar dos pequenos
agricultores se estarem a tornar mais activos e envolvidos no
desenvolvimento de sistemas de irrigação em pequena escala utilizando as
condições naturais prevalecentes nas montanhas e terrenos montanhosos,
especialmente em partes da bacia que se encontram em quase todos os
distritos da provincia de Manica e especialmente na provincia de Sofala, por
exemplo no distrito da Gorongosa.
O uso da terra actual ou os padrões actuais de uso da terra são muito
influenciados por condições agro-ecológicas e pela distribuição dos recursos
naturais nas zonas da bacia hidrográfica. As estimativas dos anos 70 indicam
que a área total com o sistema de produção em sequeiro compreendia 71 000
ha. O milho e o sorgo são as culturas principais e dominantes produzidas na
bacia apesar do cultivo do arroz estar a aproximar-se do grau de importância
do milho e do sorgo apenas no vale do Baixo Pungoé. A rotação de culturas é
muito importante, sendo as mais comuns milho+sorgo, milho+milho
miúdo+feijão, milho+milho miúdo, milho+milho miúdo+sorgo ou feijão. As
árvores de fruto estão presentes em todo o sítio e fazem parte dos sistemas
agrícolas dos agricultores em pequena escala.
No passado, e levando em consideração toda a área da bacia hidrográfica,
foram reportadas 182 quintas comerciais em operação correspondendo a
154 095 ha da terra arável. Gondola, Vanduzi e Chimoio corresponderam a
56 204 ha de terra áravel enquanto que nos distritos de Báruè e Macossa a
área cultivada era de 6 955 ha. No lado de Sofala, distritos de Gorongosa e
Dondo, as áreas cultivadas foram de 8 212 ha e 82 724 ha respectivamente.
Do total de terra arável, verificou-se que apenas 10% (16 036 ha) estava a ser
utilizada efectivamente para o cultivo.
No entanto, do total da área cultivada sob o sector comercial, apenas
4 378 ha foram considerados como utilizáveis para a produção irrigada de
colheitas no passado (finais dos anos 60), em que as plantações de cana de
açúcar sob irrigação correspondia a 4 047 ha (Açucareira de Moçambique –
Mafambisse). Outras culturas irrigadas na altura incluiam o milho, o tabaco, o
girassol e a batata irlandesa. Os pomares de citrinos e a banana eram
consideradas as árvores de fruto irrigadas mais importantes.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
A área total cultivada na época de 2002/2003 (estimativas da FDHA, 2002 em prep.), levando em consideração apenas a agricultura de irrigação ao
longo da bacia (valores para as províncias de Sofala e Manica) é de 8 306 ha
ou aproximadamente 95% do total de terra arável já equipada, com
8 141.5 ha das instalações concentradas na província de Sofala.
A terra arável actual equipada para a agricultura irrigada em ambas as
províncias corresponde a cerca de 8 758 ha. As Tabelas 5 e 6 apresentam
estimativas das áreas para cada uma das províncias abrangida pela bacia do
rio Pungoé e também pelo distrito administrativo correspondente. A maior
parte da área equipada e irrigada na província de Manica está actualmente a
ser utilizada para a produção de cana de açúcar, ou seja, 8 093 ha da terra
equipada existente é utilizada para a produção de cana de açúcar,
pertencendo as plantações à Açucareira de Moçambique, Mafambisse.
Tabela 5
Estimativas(1) da terra áravel irrigada na bacia do rio Pungoé e distrito
correspondente (província de Sofala).
Área irrigada (ha)
Rio/afluente
Distrito
Equipada
Actualmente
em uso
Nhauiriuri/Nhauranga
7.0
7.0
Muera
10.0
1.0
Gorongosa
Murrombodzi
5.0
5.0
Nhandjudji
3.0
3.0
Nhabirira/Chitunga
20.0
0.0
Canhaímbo
69.3
4.3
Dondo
Mauaua
39.0
2.0
Pungue
8 188.0
8 093.0
Muda
9.5
5.7
Chiziva
7.0
7.0
Nhamatanda
Pungwe
8.0
3.5
Metuchira
2.5
0.5
Haruma
2.5
2.5
Pungwe
Zonas Verdes – Beira
1.0
0.0
Toda a bacia
Todos os distritos
8 373.3
8 133.0
(1) – as estimativas para a agricultura irrigada não levam em consideração o cultivo de terras
húmidas.
As áreas abrangidas pelo levantamento referem-se à terra irrigada com sistemas de irrigação
convencionais, por exemplo, sulco/superfície, aspersor, canhão de água, pivô, etc.
A bacia hidrográfica atravessa verões quentes e invernos médios secos. A
precipitação está principalmente concentrada no periodo chuvoso entre
Outubro e Março. A região é geralmente caracterizada por um clima
predominante sub-húmido. A precipitação varia de cerca de 1 400 mm/ano ao
longo da costa e 900 mm/ano mais no interior, e nas terras montanhosas de
1 200 a 1 500 mm, a menos de 700 mm/ano nas Planícies de Sena.
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Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
A terra actualmente preparada para a agriculutura de irrigação é derivada de
estudos e avaliações anteriores (FDHA, 2003; Mihajlovich and Gomes, 1986;
COBA & PROFABRIL, 1973). As Tabelas 5 e 6 apresentam as áreas de terra
áravel irrigada para a bacia do rio Pungoé e distritos correspondentes que se
verificam na bacia para as províncias de Sofala e Manica respectivamente.
Considerando os valores apresentados nas Tabelas 5 e 6, o uso de água
actual para a agricultura irrigada na bacia é mínimo, e as actividades
agrícolas estão a ser implementadas com intensidade limitada na maior parte
da zona da bacia. Os estudos realizados em relação ao desenvolvimento
agrícola do vale do Pungoé e planos relacionados estimam que a área total
de 244 000 ha a ser utilizada para irrigação durante os anos 70, estava
localizada principalmente ao longo da parte inferior do Rio Pungoé.
Tabela 6
Estimativas(1) de terra áravel irrigada para a bacia do rio Pungoé e distrito
correspondente (Província de Manica).
Terra irrigada (ha)
Rio/afluente
Nhamatokwe
n.a (2)
n.a (2)
n.a (2)
n.a (2)
Mombedzi
Kanhungwe e Nhamburo
Nhacangara I
Nhacangara II
Nhamateronje
Nharissecha
Tuarangwa
Nhamucuti
Nhambulo
Nhamudzarara
Nhamonda
Nhandzarwe
Nhamaguswa
Nhandwe
Nhamizinga
Pande(i)ra
Nhantzoda
Distrito
Gondola
Báruè
Macossa
Equipada (ha)
Actualmente em
uso (ha)
12.0
2.0
4.0
20.0
15.0
70.0
110.0
1.0
(projecto) 40.0
5.0
1.0
15.0
0.5
50.0
4.0
7.0
1.5
4.0
2.0
1.5
10.0
10.0
6.0
2.0
2.0
3.0
2.0
4.0
110.0
1.0
0.0
5.0
1.0
1.0
0.5
6.0
4.0
7.0
1.5
4.0
2.0
1.5
0.5
0.5
Todos os
397.5
176.5
distritos
(1)
– as estimativas para a agricultura de irrigação não levam em consideração o cultivo de
terras húmidas. As areas abrangidas pelo levantamento referem-se a terra irrigada com
sistemas de irrigação convencionais, por exemplo,´sulco/superfície, aspersor, canhão de água,
pivôt, etc.
(2)
– não foi possivel registar o nome de rios ou respectivos afluentes durante o levantamento
de campo
Toda a bacia
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Para este fim, o Vale do Pungoé pode ser diferenciado em três grandes
regiões ou secções, o Alto Pungoé, o Médio Pungoé e o Baixo Pungoé
respectivamente. O Alto Pungoé engloba as partes noroeste da bacia
hidrográfica, que inclui o vale Nhandungue na fronteira norte da bacia, os
vales Nhacangara e Messambedze na zona de Catandica e o vale Mavuzi na
região sul. A região é dominada por um maciço montanhoso de colinas altas
com uma série de interflúvios largos convexos separados por uma densa rede
de drenagem.
A região do Médio Pungoé engloba os planaltos de Gondola, Macossa,
Chimoio e Gorongosa e também partes do sistema do Alto Muda. Esta região
é composta por uma série de colinas arredondadas e colinas com frequentes
declives inclinados de vales e rios encaixados. Os vales dos afluentes são
estreitos com lados irregulares. Ao longo destes vales ocorrem solos
hidromórficos com alúvio variável.
Como já foi mencionado anteriormente, o Baixo Pungoé foi a região
seleccionada como prioritária para o planeamento do desenvolvimento
agrícola tanto em áreas existentes como em terras adicionais. A região do
Pungoé Inferior compreende Bué-Maria, Metuchira, Muda, Mecubedze, e
Dondo, onde estão localizadas grandes plantações de cana de açucar da
Açucareira de Mafambisse. A região é constituída por uma grande planície de
cheias onde se distinguem diferentes sub-unidades com base nos processos
de deposição que ocorrem. O rio drena para o estuário sujeito a marés
próximo da Beira.
A maior parte da terra irrigada na região do Alto Pungoé está atribuída a
pequenos agricultores, co-operativas de agricultores e associações de
agricultores. Estes agricultores têm, actualmente, a capacidade de cultivar
áreas muito pequenas com condições de irrigação normalmente inferiores a 5
ha. A agricultura comercial está limitada a menos de cinco agricultores, dos
quais apenas dois têm quintas com mais de 50 ha, com 110 e 60 ha
respectivamente.
A irrigação em pequena escala é normalmente praticada durante a época
seca uma vez que as condições de precipitação são adequadas para a
produção de colheitas durante a época chuvosa. No entanto, é possível
utilizar irrigação suplementar quando occorrem periodos secos ou com pouca
chuva. Os sistemas de irrigação em pequena escala são baseados em
técnicas de recolha de água. É comum nesta região, em que a precipitação
acima de 1 000 mm/ano, declives topográficos acentuados e condições do
solo com baixas taxas de infitração e solos pedregosos promovem o
escoamento, permitindo o armazenamento de água em pequenas barragens
e reservatórios.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Foram inventariadas cerca de 300 pequenas barragens no país em finais da
década de 70, muitas das quais localizadas na Província de Manica. Estas
eram utilizadas principalmente para o gado e irrigação em pequena escala
durante a época seca. Devido à guerra e ao abandono destas áreas, a
maioria destas pequenas barragens ficou danificada e fora de serviço.
A maioria das pequenas áreas irrigadas é dominada pela irrigação de
sulcos/inundação. Muitos dos sistemas ulitizam barragens simples em terra
ou betão, que são construídas ao longo do rio para armazenamento de água.
A água alimenta canais por gravidade ou com bombas a diesel. Na irrigação
de hortícolas, batatas, milho e tabaco, a distribuicao da água baseia-se
simplesmente em canais de nível ou ao longo da pendente e pequenas
bacias de sulcos alinhadas em paralelo às curvas de nível. Diques que
circundam estas bacias são quebrados em intervalos regulares para permitir a
inundação das micro bacias.
Cerca de 7 000 ha de terra são irrigados através de sistemas de irrigação
com aspersores (irrigação convencional com aspersor), na produção de cana
de açucar.
6.2
Zimbabwe
Desde o final da Segunda Guerra Mundial, quando foram construídas as
primeiras estradas na parte norte do Vale do Pungoe via Odzani e a estrada
aberta anteriormente para o vale Honde adjacente, tornou-se evidente a
caracteristica agrícola única (no contexto do Zimbabwe) desta terra baixa
subtropical de elevada precipitação. Até à data, estas áreas tinham
permanecido quase intocadas, pertencendo principalmente a companhias
baseadas em Londres. Um empresário Irlândes, o Sr. Brian Igoe, decidiu
tentar plantar chá num destes blocos de terra e abriu a original Plantação de
Chá de Aberfoyle no que é agora a Companhia de Chá das Eastern
Highlands. Subsequentemente, vendeu-a e abriu uma nova Plantação de Chá
Aberfoyle ao lado. O exito da plantação de chá permitiu a construção de
melhores pontes e estradas incluindo a estrada alcatroada até à escarpa de
Manga e ao longo da base oeste da colina de Mandeya (o local dos píncaros
de granito) de Ruda para norte. Muitas outras estradas se seguiram à medida
que surgiu a necessidade de abrir caminho para outras partes do vale e
ajudar ao desenvolvimento do seu pleno potencial.
O pessoal da agrilctura verificou desde cedo que todos os esforços deveriam
ser feitos para persuadir os agricultores indígenas a trocar a produção das
suas pobres colheitas de susbsitência para as colheitas cash de valor
crescente que não seriam produzidas noutras partes do país. O rendimento
destas permitiria-lhes comprar o grão proveniente de áreas mais adequadas à
produção de milho e outros cereais.
A política, desconfiança e intimidação atrasaram gravemente a introdução das
primeiras culturas que o pessoal do Ministério da Agricultura estava a tentar
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
promover. Um moinho de demonstração para a produção de açucar
mascavado bruto foi queimado, e os poucos indivíduos que haviam começado
a plantar chá e café tiveram de remover as plantas dos seus campos.
Até essa altura, os cultivadores dos vales haviam utilizado técnicas
tradicionais de cortar e queimar, e após duas ou três épocas deslocavam-se.
Era realizado, por família, uma média de um hectare de cultivo à enxada para
uma colheita fraca de milho míudo (Eleusine coracana) e de milho com muitas
doenças.
As demonstrações de boas técnicas agrícolas, em conjunto com a extensão
agrícola e a introdução de Clubes de Poupanças, levou aos poucos a práticas
agrícolas melhoradas. O facto da população estar confinada no vale em
Aldeias Protegidas durante a guerra de libertação permitiu que todos os
agricultores fossem alcançados e aprendessem melhores métodos agrícolas.
Nos locais de demonstração, o uso correcto da lavra, uso de fertilizantes,
boas sementes e outras práticas agrícolas sãs deram origem a aumentos
substanciais na produção de milho. Foram introduzidas com sucesso novas
colheitas como o algodão e tabaco burley, mas a última não se produz mais
(desapareceu também das áreas agrícolas comerciais). A produção de
amendoim também era popular mas foi também foi substituída pelo milho, e
também quase não se encontra milho miúdo hoje em dia. O milho é agora
produzido em cerca de 90% de toda a terra áravel, mas as bananas são a
maior colheita de exportação para as cidades, e a cana de açucar para
mascar luta por espaço em áreas húmidas. É produzida uma quantidade
limitada de coco para consumo doméstico.
As mangas também são outra grande cultura, e a maioria das casas tem
algumas árvores de papaia. Existe um bom potencial para citrinos assistida
pela irrigação na planície de Hauna. Crescem goiabas excelentes livremente
entre Hauna e o rio Ruda, e não estão ainda sujeitas às moscas da fruta.
Ao longo da saliência sob o topo da escarpa de Manga, o café está finalmente
a tornar-se comum. Uma anterior parcela de demonstração (posterior a 1960)
havia provado que o clima e solos eram ideias para o café Arabica.
O chá tornou-se agora uma grande história de sucesso a norte do rio Pungoé,
mas as pressões políticas haviam impedido que isto se desenvolvesse por
muitos anos (ver o relatório de Sociologia para detalhes). Os primeiros quatro
agricultores foram Apostólicos que utilizaram a sua fé para desafiar os chefes
políticos e tribais que estavam a tentar suprimir as novas tecnologias.
Foi produzida uma quantidade limitada de arroz, por algum tempo, nas
planícies de inundação do Ruda e do Pungoe, mas este agora deu lugar ao
popular milho para consumo doméstico e venda local.
Foram realizadas tentativas de várias especiarias tropicais desde 1955-60 a
sul do Rio Pungoe em Chuwira, mas apesar do terreno ali não ser adequado,
ficou claro que a pimenta poderia ser produzida com sucesso se fossem
seleccionados os locais mais adequados. O cardamono também mostrou
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
poder ter sucesso, e agora é produzida em pequena escala em Aberfoyle. O
gengibre e o açafrão da Índia foram outras especiarias potencialmente
adequadas para a área se produzidas correctamente. Todo este trabalho
terminou devido à insegurança política na altura.
Na parte do Highveld dentro da bacia próximo de Odzani, foram produzidos
uma variedade de frutos (principalmente maças, pêssegos e ameixas) em
pequenas parcelas isoladas de âmbito comercial. Com o êxodo de todos os
anteriores donos brancos, os novos donos mudaram para a produção de
milho. Alguns dos agricultores de Tsonzo Purchase perto de Watsomba estão
agora a produzir boas colheitas de batata para além do sempre presente
milho.
As tentativas por parte de produtores isolados de plantar maçãs em pequenas
parcelas perto das Cataratas de Mtarazi foram impedidas pelo denso
crescimento de líquenes nos caules e ramos devido às constantes neblinas.
Actualmente, existe uma área total de 1770 ha de plantações de chá e 350 ha
de plantações de café.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
7
Necessidades de Água
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Este capítulo calcula os consumos de água dos três diferentes sectores.
Pretende quantificar os impactos nos recursos hídricos disponíveis resultante
duma actividade humana particular num dos sectores. Este decréscimo na
quantidade disponível de água pode resultar da abstracção física de água
duma fonte como um rio, lago ou aquífero como é o caso da agricultura
irrigada e do gado, ou da alteração duma das componentes do balanço
hídricos na região resultando indirectamente na diminuição dos recursos
hídricos disponíveis como é o caso das plantações de florestas.
Explica-se também as diversas metodologias usadas para o cálculo das
abstracções de água para os três diferentes sectores. A metodologia
adoptada baseia-se nas recomendações da FAO e incorpora o conhecimento
local sempre que possível.
7.1
Metodologia para calcular as necessidades de água
O balanço hídrico numa região pode ser apresentado esquematicamente
como na Figura 2. A precipitação vem da atmosfera na região. Parte da chuva
é imediatamente interceptada pela vegetação e mais tarde libertada para a
atmosfera como evapotranspiração. Outra parte infiltra-se no solo e outra
parte escoa na superfície juntando-se aos rios ou lagos. A quantidade que se
infiltra no solo é utilizada pela vegetação e libertada para a atmosfera como
evapotranspiração, uma parte é armazenada no solo e outra parte junta-se às
águas subterrâneas que mais tarde desagua nos rios ou lagos. Qualquer
intervenção humana tem um impacto no balanço hídrico da região afectada,
resultando na alteração de uma ou mais das diferentes componentes do
balanço hídrico e consequentemente nos recursos hídricos disponíveis nos
locais a jusante.
EVAPORATION
FROM THE SEA
EVAPORATION
FROM THE LAND
EVAPOTRANSPIRATION
FROM THE CROPS
AND SOILS
FF
NO
RU
WATER
ABSTRACTION
WATER
ABSTRACTION
INTERCEPTION
INFILTRATION
GROUNDWATER FLOW
The Hydrological Cycle – water in its perpetual movement
Figura 2
Ciclo hidrológico para os sectores de florestas, agricultura e pecuária.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Será utilizada uma metodologia diferente para cada sector. Para os sectores
de florestas e de agricultura, a abstracção de água depende dos tipos de
árvores plantadas ou no tipo de culturas produzidas bem como na área
abrangida. Para a pecuária, a abstracção de água depende do número total
de animais. Para os casos em que as condições iniciais são mantidas ou nao
são suficientemente alteradas (em termos dos diferentes componentes do
balanço hídrico), como no caso de florestas naturais, matagais e savanas e
agricultura de sequeiro, não se efectua a computação das abstracções de
água ou de uso da água.
7.1.1 Sector de florestas
A computação das necessidades de água para o sector de florestas difere do
sector de agricultura. Uma vez que não há irrigação no sector de florestas,
não se realiza a computação das necessidades de água per se, apenas se
introduz no escoamento superficial o efeito de alterar a cobertura natural.
Para o sector de florestas, assume-se que o balanço hídrico apenas é
alterado no caso de plantações de espécies exóticas. Todos os outros casos
são considerados vegetação natural sem qualquer alteração significativa do
balanço hídrico.
A metodologia utilizada foi desenvolvida na África do Sul com base numa
série de experiências que tiveram início em 1935. O efeito da plantação de
espécies exóticas nas necessidades de água superficiais numa bacia pode
ser estimado com base no gráfico apresentado a seguir (Figura 3).
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Figura 3
Relação entre a precipitação anual média, o escoamento anual médio e a
redução prevista no escoamento resultante da florestação duma savana na
bacia hidrográfica.
De acordo com o gráfico, a redução prevista no escoamento anual médio
expresso em mm/ano em relação às plantações exóticas depende da
precipitação anual média na região, no tipo de gestão florestal (árvores
maduras versus rotação de 40 anos), e da área em consideração. No
exemplo dado na figura, preve-se um decréscimo no escoamento da área
arborizada na ordem dos 300 mm/ano para uma plantação madura numa
região com uma precipitação média de 1 400 mm/ano que é uma precipitação
média anual semelhante à da localização das plantações exóticas na
Província de Manica. Multiplicando o decréscimo previsto no escoamento pela
area total arborizada obter-se-á o volume de decréscimo esperado no
escoamento annual do rio.
Este método foi adoptado para o presente estudo uma vez que é um método
refinado desenvolvido em condições que são razoavelmente semelhantes às
condições na bacia do Pungoé onde se encontram as plantações exóticas. A
semelhança não é apenas em relação às espécies plantadas mas também
em termos de clima, quantidade e padrão da precipitação bem como a
topografia.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Pode também ser utilizado um método mais refinado desenvolvido
recentemente para os casos em que estão disponíveis informações mais
detalhadas relacionadas com a gestão das plantações. Este método calcula a
redução prevista no escoamento total annual do rio, e também o decréscimo
esperado nos caudais esperados observados no(s) rio(s). As computações
são realizadas com base nos gráficos apresentados na figura a seguir (Figura
4).
Figura 4
Curvas de generalização para prever a redução percentual nos caudais (anuais)
totais e caudais baixos em função da idade após a arborização a 100% com
pinheiros e eucaliptos (segundo Scott and Smith, 1997).
O cálculo depende do tipo de plantações (Eucalipto versus Pinheiros), no
número de anos após a arborização, e da área afectada. Neste caso, a
redução do caudal resultante das plantações exóticas é expresso como uma
percentagem do caudal anual total ou do caudal baixo e leva em
consideração não apenas as espécies e área envolvida mas também as
práticas de gestão utilizadas na área, especificamente o número de anos
após a arborização ou o número de anos antes de um abate total. Este
método não foi utilizado neste relatório uma vez que são necessárias
informações mais detalhadas sobre as espécies e a gestão da floresta. Este
método é aqui referido porque pode ser utilizado ao discutir os vários cenários
de desenvolvimento na bacia.
Métodos mais sofisticados como modelos de balanço hídrico estão também
disponíveis mas o seu uso não é justificável para o presente estudo uma vez
que neste se considera o efeito global das plantações na bacia. Além disso,
as areas com plantações de árvores exóticas não são suficientemente
grandes para justificar um método mais refinado.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
7.1.2 Sector de pecuária
Para o gado, as necessidades de água diárias utilizadas neste estudo são:
Espécie
Litros de água por cabeça
Bovinos
Pequenos ruminantes
Porcos
Aves
35.0
4.0
5.0
0.3
Fonte: adaptado de Agricultural Compendium, 1981.
As necessidades de água totais anuais para uma espécie são obtidas através
do produto da população pelo consumo diário de água para essa espécie
específica, vezes 365 que corresponde ao número total de dias num ano.
7.1.3 Sector agrícola
No caso do sector agrícola, distinguem-se duas situações diferentes. A
primeira para o caso da agricultura de sequeiro, pressupõe que esta é
realizada de tal forma que não existem alterações significativas na quantidade
de água utilizada pelas culturas, a quantidade que acresce às águas
subterrâneas e a quantidade que chega aos rios através do escoamento
superficial em comparação com a vegetação natural para a região. Uma vez
que não existem alterações significativas nas entradas e saídas do balanço
hídrico, a demanda de água para a agricultura de sequeiro não é calculada e
é tratada da mesma forma que a vegetação natural. Isto não é
necessariamente verdadeiro especialmente nos casos em que existe uma
grande diferença entre a vegetação natural e a agricultura como no caso de
modificar áreas de floresta para agricultura e nos casos de agricultura de
sequeiro com tecnologias avançadas em que estão a ser utilizadas práticas
para conservação da água do solo. Apesar desta diferença, não levamos em
consideração neste estudo porque se sentiu que esta diferença não é
significativa nesta fase do desenvolvimento agrícola.
Para o Segundo caso, o caso da agricultura irrigada, os cálculos para a
demanda de água são realizadas com base nos métodos internacionais
adoptados da FAO que são descritos em detalhe em FAO 1997 e FAO 1998.
Com base nessa metodologia, as necessidades brutas de água para irrigação
em mm/mês (Girrj,i) para um mês específico i e uma cultura específica j são
calculados mensalmente utilizando a seguinte equação:
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Girrj ,i =
em que:
(Kc
j ,i
⋅ EToi ) ⋅ n'i − Pe j ,i
(1 − Lrj ) ⋅ eff
j – refere-se a uma cultura específica;
i – refere-se a um mês específico (de 1 a 12) do período de
crescimento de uma cultura específica j;
Kcj,i – é o coeficiente médio da cultura para a cultura j, no mês i;
EToi – refere-se à evapotranspiração media de referência da
cultura para um mês específico i expresso em mm/d;
ni – o número total de dias num mês específico i;
Pej,i – é a precipitação efectiva para uma cultura específica j, num
mês específico i, expresso em mm/mês;
Lrj – é a necessidade de lavagem para uma cultura específica j, e
eff – é a eficáica da irrigação.
A necessidade de lavagem (Lr) representa a quantidade extra de água
necessária para manter os sais na solução do solo a um nível que não afecte
o desenvolvimento da cultura. É calculado com base na seguinte equação (a
primeira equação para irrigação de superfície ou com aspersor e a segunda
para rega gota-a-gota ou de alta frequência):
Lr =
em que:
Ec w
5 ⋅ Ece − Ec w
Lr =
, ou
Ec w
2 ⋅ MaxEce
Ecw – refere-se à condutividade eléctrica da água para irrigação;
Ece – refere-se à condutividade eléctrica da solução do extracto do
solo recomendada para a cultura em consideração;
MaxEce – refere-se à condutividade eléctrica máxima da solução
do extracto do solo recomendada para a cultura em consideração;
Os valores de Ece e MaxEce para as diferentes culturas utilizados neste
relatório são apresentados na tabela a seguir (Tabela 7).
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Tabela 7
Condutividade eléctrica (Ece) e condutividade eléctrica máxima (MaxEce) da
solução do extracto do solo recomendada para diversas culturas.
Culturas
Ece em dS/m
MaxEce em dS/m
Hortícolas
Caa de açucar
Citrinos
Bananas
Pastos
Cereais
Arroz
Algodão
1.2
1.7
1.7
1.2
1.5
1.7
3.0
7.7
7.4
19.0
8.0
n.a.
18.0
10.0
11.0
27.0
Fonte: FAO irrigation and drainage paper 24, 1977
Para o arroz, devido à sua especificidade (está inundado durante a maior
parte do período de crescimento), a necessidade bruta mensal de irrigação
(Girrrrice,i) expresso em mm/mês leva também em consideração a taxa de
percolação do solo (Gi), e é calculado com base na seguinte equação:
Girrrice,i =
em que:
(Kc
rice , i
⋅ EToi + Gi ) ⋅ n'i − Perice,i
(1 − Lrrice ) ⋅ eff
Kcrice,i – é o coeficiente médio da cultura para o arroz durante o
mês i;
Gi – refere-se à taxa de percolação media do campo de arroz
durante o mês i expresso em mm/dia, e
Perice,i – é a precipitação efectiva para o arroz num mês específico
i, expresso em mm/mês.
A necessidade média global de irrigação do campo (FGirri) para um mês
específico e um campo específico, expresso em m3/mês é dado por:
FGirri = ∑ (Girr j ,i ⋅ A j ,i ⋅ 10 )
m
j =1
em que:
m – o número total de culturas em consideração no campo num
mês específico i;
Aj,i – é a area abrangida por uma cultura específica j, num mês
específico i, expresso em ha, e
10 – é o factor para converter a unidade de volume computada em
m3.
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A BACIA DO RIO PUNGUÉ
Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
A necessidade média global de irrigação do campo (FGirr*i) para um mês
específico, expresso num caudal diário em m3/s é dado por:
∑ (Girr
m
FGirri =
*
em que:
j =1
j ,i
⋅ Aj ,i ⋅ 10)
ni ⋅ 86400
10 – é o factor para converter a unidade de volume computada em
m3;
ni – é o número de dias num mês específico i;
86400 – é o factor para converter m3 por dia em m3 por segundo.
A necessidade média global de irrigação do campo (FGirryear) para o ano,
expressa em m3/ano é dada por:
12
FGirryear = ∑ FGirri
i
em que:
i – é o número do mês (de 1 a 12).
A evapotranspiração da cultura de referência (ETo) expressa o poder
evaporante da atmosfera e está apenas dependente de factores climáticos.
Introduziram-se os valores médios mensais com base na equação de
Penman-Montheith que depende dos valores médios mensais da radiação
solar, temperatura, humidade relativa, insolação e vento na região em
consideração.
Utilizamos os valores ETo de seis estações (Beira, Chimoio, Catandica,
Nhamatanda, Inhaminga e Mopeia), conforme apresentado na Tabela 8.
Estes variam de um valor mínimo de 2.44 mm/d durante o mês de Junho em
Catandica a um valor máximo de 6.02 mm/d para o mês de Outubro em
Mopeia. Mopeia está fora da bacia mas é utilizada para extrapolações em
áreas próximas da bacia do Pungoé. Todas as outras estações estão
localizadas dentro da bacia do Pungoé. Para obter a evapotranspiração
potencial para uma cultura específica, é necessário multiplicar ETo pelo
coeficiente da cultura (Kc) que está dependente da fase de desenvolvimento
e densidade da cultura.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Tabela 8
Valores médios mensais da evapotranspiração de referência (ETo) em mm/d
para seis estações diferentes (Beira, Chimoio, Catandica, Nhamatanda,
Inhaminga e Mopeia).
ETo (mm/dia) para seis estações
Mês
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Beira
Chimoio
Catandica
Nhamatanda
Inhaminga
Mopeia
5.43
5.27
4.77
4.17
3.32
2.78
2.79
3.44
4.26
4.97
5.19
5.28
4.72
4.51
4.21
3.66
3.05
2.67
2.75
3.55
4.49
5.23
4.72
4.51
3.90
3.81
3.89
3.37
2.80
2.44
2.62
3.34
4.18
4.95
4.36
4.00
5.31
5.02
4.77
4.16
3.59
3.10
3.05
3.98
4.96
5.79
5.58
4.97
5.30
5.12
4.53
4.06
3.52
3.10
3.39
4.09
5.03
5.90
5.75
5.25
5.15
4.93
4.47
4.01
3.12
2.75
2.86
3.74
4.90
6.02
5.93
5.22
Para calcular o valor ETo para cada distrito, utilizou-se o valor
correspondente da Tabela 8 no caso de haver uma estação representativa no
distrito ou, para os casos em que não havia estação representativa, utilizouse uma média pesada de diferentes estações como apresentado na Tabela 9.
Tabela 9
Estações utilizadas para calcular os valores ETo para os diferentes distritos.
Provincia
Sofala
Manica
Distrito
Estações usadas para calcular ETo
Gorongosa
Dondo
Nhamatanda
Beira
Macossa
Báruè
Gondola
Nhamatanda, Inhaminga e Catandica
Beira e Nhamatanda
Nhamatanda
Beira
Catandica e Mopeia
Catandica
Chimoio
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
A precipitação mensal efectiva, segundo a metodologia da FAO, é calculada
com base nas seguintes equações:
Pe = 0.80 ⋅ P − 24.0 para P > 70, ou
Pe = 0.60 ⋅ P − 10.0 para 70 > P > 16.7, ou
Pe = 0.0 para P < 16.7
em que:
Pe – é a precipitação mensal efectiva expressa em mm/mês, e
P – é a precipitação mensal com uma probabilidade de 75% de ser
excedida.
O cálculo das necessidades de irrigação foi realizado para três cenários
diferentes utilizando a precipitação com uma probabilidade de ser excedida
de 80% (ano seco), 50% (ano médio) e 20% (ano húmido). No âmbito do
planeamento da irrigação, deve-se utilizar o caso de 80%, dando um período
de retorno para o esquema de irrigação de 5 anos.
Os padrões da precipitação apresentam uma grande variação na região,
desde um valor médio anual de 1 588 mm na Beira na costa a um valor médio
anual de 613 mm em Urema. Para levar em consideração estas variações na
quantidade total de precipitação, os cálculos foram realizados com base nos
distritos. Incluiram-se quatro distritos na província de Sofala (Gorongosa,
Dondo, Nhamatanda e Beira) e três distritos na província de Manica
(Macossa, Báruè e Gondola). Estes correspondem aos distritos com
desenvolvimentos presentes e/ou passados em agricultura irrigada ou
plantações de florestas exóticas.
Para cada distrito, utilizou-se uma média pesada dos valores da precipitação
de diferentes locais na região. Todas as 29 estações que têm valores de
precipitação mensais para 10 anos ou mais foram utilizadas. Para cada uma
destas estações de precipitação utilizadas neste relatório, introduziu-se a
precipitação média mensal, o desvio padrão, as chuvas máximas e mínimas
observadas e a média. Com base no valor médio e no desvio padrão e
assumindo uma distribuição normal de valores de precipitação mensais para
anos diferentes, introduziram-se os valores da precipitação com uma
probabilidade de serem excedidos de 80%, representando um ano seco, de
50% representando um ano médio e de 20%, representando um ano húmido.
Os valores de precipitação utilizados para os diferentes distritos são
apresentados na tabela seguinte (Tabela 10).
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Tabela 10
Sumário das precipitações na bacia do Pungoé
SUMÁRIO DAS PRECIPITAÇÕES NA BACIA DO PUNGUÉ
Estação
Gorongosa
rainfall stations:
169, 205,
365 e 373
Dondo
rainfall stations:
95, 96 e 215
Nhamatanda
rainfall stations:
88, 90, 94, 99,
101, 169, 365,
373 e 896
Beira
rainfall stations:
58 e 769
Macossa
rainfall stations:
205
Báruè
rainfall stations:
350, 372, 374,
375, 376, 498,
536, 659, 862 e
908
Gondola
rainfall stations:
97, 106, 385 e
806
n
mean
sdv
max
min
med
n
mean
sdv
max
min
med
n
mean
sdv
max
min
med
n
mean
sdv
max
min
med
n
mean
sdv
max
min
med
n
mean
sdv
max
min
med
n
mean
sdv
max
min
med
OUT
19
22.2
24.2
92.0
0.0
15.1
18
25.8
27.7
90.3
0.0
17.0
21
31.2
36.5
131.3
0.0
18.6
21
14.5
15.8
53.0
0.0
8.3
19
19.1
21.7
77.0
0.0
16.0
22
35.0
32.1
126.3
2.6
26.1
21
43.7
34.9
144.8
6.0
32.8
NOV
20
83.7
57.2
223.3
1.3
78.1
19
99.3
52.6
210.7
25.0
90.8
21
85.2
56.9
221.8
7.4
75.9
20
116.1
63.2
279.0
31.5
108.3
20
126.8
75.4
270.0
0.0
137.5
22
112.9
75.1
284.8
16.3
98.4
22
115.4
65.8
250.8
32.3
97.0
DEZ
21
155.8
110.8
489.5
26.5
140.5
18
227.4
159.5
678.3
43.3
199.5
21
171.2
111.3
461.3
22.1
155.2
20
240.1
158.2
694.5
69.5
182.3
19
174.2
94.8
438.0
71.0
154.0
22
223.9
139.7
567.9
49.8
200.4
22
215.5
140.0
565.8
51.5
168.0
JAN
21
164.7
109.3
437.0
37.8
141.9
20
227.8
118.9
456.3
42.7
237.7
22
178.8
107.8
436.2
30.6
161.0
21
270.4
141.6
681.0
81.0
253.8
19
216.2
115.4
423.0
69.0
184.0
22
262.4
148.3
568.9
39.0
260.0
23
221.4
136.5
522.5
38.5
207.9
FEV
20
161.6
105.8
418.0
37.8
129.4
20
286.4
208.2
777.7
46.0
227.0
22
187.6
139.4
553.1
30.7
156.5
22
315.0
218.1
769.0
42.0
241.3
19
169.5
80.9
360.0
71.0
132.0
22
213.0
133.0
539.4
41.0
185.4
23
234.7
154.8
573.3
32.0
204.8
MAR
20
97.5
66.1
239.0
16.0
83.1
19
202.3
143.9
481.0
32.0
150.7
22
116.4
85.2
344.7
17.0
93.8
22
240.4
152.9
551.5
53.0
212.5
17
101.4
66.5
262.0
27.0
95.0
22
153.5
124.1
470.0
12.9
112.0
22
140.2
110.2
410.8
12.0
100.6
ABR
19
42.9
32.3
113.3
4.0
34.4
19
87.1
66.9
238.7
2.3
74.3
21
48.8
34.6
126.2
3.3
46.4
21
126.6
76.6
278.5
16.0
109.3
18
43.2
42.0
135.0
0.0
28.5
22
77.7
64.5
265.2
2.3
67.2
22
54.3
39.6
139.5
3.3
44.3
MAI
20
21.0
21.9
87.0
0.0
14.5
19
29.1
37.0
141.3
0.0
19.0
21
20.5
23.8
90.7
0.0
12.6
21
64.4
50.1
210.5
6.5
51.0
17
22.5
19.5
70.0
0.0
18.0
22
25.5
28.7
109.4
0.1
16.6
20
24.5
23.0
89.8
0.3
20.4
JUN
20
17.4
15.2
53.8
0.0
16.0
19
31.6
29.1
94.7
0.0
29.2
21
18.9
20.0
76.1
0.0
14.5
21
44.7
40.6
134.0
0.0
34.0
17
17.7
12.8
41.0
0.0
16.0
22
17.3
18.5
69.0
0.0
11.5
20
23.9
27.0
96.5
0.0
12.6
JUL
20
9.8
9.9
33.0
0.0
6.1
20
20.3
26.0
92.0
0.0
10.3
21
10.4
13.3
46.2
0.0
4.4
20
39.2
35.4
137.5
0.0
29.5
18
9.7
11.2
32.0
0.0
5.5
22
8.2
8.4
29.4
0.0
6.4
21
18.8
23.0
80.0
0.0
10.3
AGO
20
18.5
28.8
110.0
0.0
8.0
19
26.7
32.9
104.0
0.0
12.8
21
21.0
30.5
112.8
0.1
9.1
21
37.3
37.1
130.0
0.0
24.3
18
11.5
17.3
69.0
0.0
2.5
22
11.7
14.8
57.7
0.0
7.4
21
22.3
24.7
82.5
0.0
17.5
SET
19
10.9
17.4
69.0
0.0
3.0
19
15.5
24.3
92.3
0.0
5.3
21
12.3
25.2
107.1
0.0
2.8
21
25.6
30.3
113.0
0.0
16.0
17
12.8
19.4
62.0
0.0
0.0
22
12.1
18.9
67.8
0.0
3.0
20
20.6
27.7
97.0
0.0
7.8
Para os coeficientes de cultura (Kc), seguiu-se basicamente a metodologia
FAO (FAO, 1977), e algum conhecimento local sobre as culturas utilizadas.
Foram utilizados os seguintes valores médios mensais do coeficiente da
cultura (Tabela 11):
Tabela 11
Coeficientes de cultura médios mensais (Kc) utilizados no estudo.
Cultura
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Hortícolas
Cana de
açucar
Citrinos
0.80
0.80
0.80
0.80
0.80
0.80
0.80
0.80
0.80
0.80
0.80
0.80
1.25
1.25
1.25
1.25
1.25
1.25
1.13
0.88
0.40
0.54
0.83
1.11
0.70
0.70
0.69
0.68
0.66
0.65
0.65
0.65
0.65
0.66
0.68
0.69
Bananas
1.05
1.15
1.20
1.20
1.20
1.20
1.20
1.10
1.00
1.00
1.00
1.00
Pastos
0.90
0.90
0.90
0.90
0.90
0.90
0.90
0.90
0.90
0.90
0.90
0.90
Grãos
1.00
0.00
0.00
0.55
0.79
1.17
1.20
0.90
0.00
0.53
0.94
1.20
Arroz
1.19
1.20
1.05
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
1.00
1.08
Algodão
1.20
1.18
0.95
0.25
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
0.50
0.71
1.11
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DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA
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Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
7.2
Necessidades actuais de água
As necessidades de irrigação são apresentados numa base mensal para os
três sectores (floresta, pecuária e agricultura irrigada) e para dois períodos
diferentes: o ano de 1975 que foi o ano da independência de Moçambique e o
ano 2000 representando a situação actual.
A informação está agrupada por distritos (distritos da Gorongosa, Dondo,
Nhamatanda e Beira na província de Sofala e distritos de Macossa, Báruè e
Gondola na província de Manica). Para o sector de irrigação, os valores são
apresentados com três probabilidades diferentes. Os de 80% representando a
abstracção de água prevista num ano seco, 50% representando a abstracção
de água prevista num ano médio e 20% no caso de um ano húmido.
Para o Zimbabwe as necessidades de água são apresentados para a
situação actual para os três sectores e são baseadas principalmente nas
licenças de água atribuídas.
7.2.1 Sector de florestas
Conforme descrito acima, existem apenas 2 496 ha de plantações exóticas na
bacia do rio Pungoé, todas localizadas no distrito de Gondola na Província de
Manica. Os outro tipos de cobertura de florestas não têm qualquer impacto
nos caudais dos rios e, por essa razão, não são aqui mencionados.
Para uma precipitação anual na ordem dos 1 400 mm (que é a precipitação
media anual para a região onde se encontram as plantações exóticas) e uma
rotação de quarenta anos, prevê-se um decréscimo anual no escoamento na
ordem dos 300 mm (ver gráfico apresentado na figura 3). Se não houver
rotação, preve-se um decréscimo até 400 mm. Para a área em consideração
(2 496 ha), isto representa um decréscimo no caudal anual do rio na ordem
de 7 488 000 a 9 984 000 m3/ano.
No caso do Zimbabwe existe um total de 5 254 ha de plantações exóticas
resultando num decréscimo no caudal anual do rio na ordem de 15 762 000 a
21 016 000 m3/ano.
7.2.2 Sector da pecuária
Para este sector a abstracção de água é muito menos importante uma vez
que os volumes de água envolvidos são muito mais baixos. Uma vez que a
maioria das informações existentes é apresentada e agrupada por província,
é difícil estimar a população de gado com base no distrito. Por esta razão
trabalhou-se numa base provincial.
O número de animais existente e consumo de água correspondente são
apresentados na tabela a seguir (Tabela 12).
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Tabela 12
População animal e respectivo consumo de água para a bacia do Pungoé nos
anos de 1975 e 2000.
Ano
1975
2000
Ano
1975
2000
Numero de cabeças de gado
Província de Manica
Província de Sofala
Bovinos
26 631
17 842
pequenos
ruminantes
21 762
11 119
porcos
5 834
1 976
aves
8 521
bovinos
18 559
5 671
pequenos
ruminantes
24 432
34 650
porcos
aves
13 725
10 014
499 002
Consumo de água por categoria em m3/ano
Província de Manica
Província de Sofala
bovinos
340 211
227 932
pequenos
ruminantes
31 773
16 234
porcos
10 647
3 606
aves
933
bovinos
237 091
72 447
pequenos
ruminantes
35 671
50 589
porcos
aves
25 048
18 276
O volume total de abstracção de água para a bacia do rio Pungoé em 1975 foi
na ordem dos 680 400 m3/ano e para o ano 2000 na ordem dos 444 700 m3
ano.
7.2.3 Sector agrícola
Neste sector apenas mencionamos a agricultura irrigada. Nesta fase,
considera-se que a agricultura de sequeiro praticada pela maioria dos
agricultores, em comparação com a cobertura natural da terra antes da
agricultura de sequeiro, não influencia ou altera significativamente as
diferentes componentes do balanço hídrico que poderiam alterar o volume
total de recarga dos rios e das águas subterrâneas, resultando numa
alteração significativa no caudal total ou no caudal de base do Pungoé.
Preve-se que os desenvolvimentos futuros na agricultura de sequeiro alterem
esta situação, especialmente quando no futuro forem implementadas e
aplicadas pelos agricultores técnicas mais eficazes de cultura e conservação
de água e quando o sector agrícola comercial tecnicamente mais
desenvolvido desempenhar um papel mais importante. Os valores do
passado estimam que para toda a área da bacia hidrográfica em
Moçambique, um total de 71 000 ha com agricultura de sequeiro para o sector
agrícola em pequena escala e 154 000 ha com agricultura de sequeiro para a
agricultura comercial mais desenvolvida tecnicamente.
No caso da agricultura irrigada, cobrindo uma area total de 8 758 ha, a água é
tomada dos rios ou de pequenas barragens em que o escoamento da chuva
na época húmida é armazenado para ser utilizado durante a época seca. Os
principais tipos de irrigação são irrigação por sulcos e irrigação por aspersão.
A eficiência da irrigação está na ordem de 50% para a irrigação de superfície
e 70% para a irrigação por aspersão.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Para o objectivo deste estudo, utilizou-se uma eficiência de irrigação
constante de 70%, seguindo a mesma abordagem utilizada em estudos
anteriores (JIBS, 2000). É de notar que neste estudo isto é apenas uma
convenção utilizada. Os valores reais da eficiência de irrigação estão, em
especial em relação à irrigação superficial, muito abaixo dos 70% e mesmo
abaixo dos 50% devido às condições deterioradas na maioria dos esquemas
de irrigação actuais. A excepção é o caso das plantações de cana de açucar
em que a maior parte da irrigação é feita por irrigação com aspersão (7 000
ha) e apenas uma pequena parte por irrigação por sulcos (1 093 ha).
A área irrigada para os diferentes tipos de cultura é apresentada na Tabela
13. As áreas apresentadas aqui são ligeiramente maiores que as referidas
nas tabelas 5 e 6 uma vez que uma parcela de terra pode ser utilizada para
duas ou mais culturas num ano como no caso dos cereais, hortícolas e arroz.
No caso da bacia do Pungoé, devido à predominância da cana de açucar
(92.5% da área), existe um factor de cobertura da colheita para a terra
irrigada de apenas 1.0.
Com base nestas areas e padrões de cultivo e seguindo a metodologia
apresentada anteriorimente, as necessidades de irrigação para as três
probabilidades consideradas (80%, 50% e 20%) são apresentadas no
Apêndice 4. Como anteriormente explicado, os dados são apresentados com
base no distrito e numa base mensal.
As necessidades brutas de irrigação expressas em volume por mês por
distrito no caso de terra com infraestrutura de irigação (equipada), conforme é
apresentado na Tabela 13, varia para a província de Sofala de um valor
mínimo de 304.9 m3/mês em Fevereiro para uma área de 1.0 ha na Beira, a
um máximo de 19 160 555.1 m3/mês em Outubro para uma área de 8 096.3
ha no distrito de Dondo. Para a provincia de Manica, as necessidades de
irrigação variam de um valor mínimo de 6 783.3 m3/mês em Fevereiro para
uma área de 20.0 ha no distrito de Macossa a um máximo de 403 100.0
m3/mês no mês de Outubro para uma área de 243.4 ha no distrito de Báruè.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Tabela 13
Province
Áreas com irrigação por grupo de cultura e por distrito no Pungoé.
Distrcit
Gorongosa
Dondo
Sofala
Nhamatanda
Beira
Macossa
Manica
Báruè
Gondola
Crop
Vegetables
Grains
Banana
Rice
Sugar cane
Vegetables
Grains
Banana
Rice
Sugar cane
Vegetables
Grains
Banana
Rice
Sugar cane
Vegetables
Grains
Banana
Rice
Sugar cane
Vegetables
Grains
Banana
Rice
Sugar cane
Vegetables
Grains
Banana
Rice
Sugar cane
Vegetables
Grains
Banana
Rice
Sugar cane
Area (ha)
equipped
used
38.25
9.25
8.25
8.25
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
107.13
0.46
0.33
0.33
22.96
1.46
80.00
0.00
8 112.50
8 094.00
27.00
16.75
2.50
2.50
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
0.50
0.00
0.50
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
10.00
0.50
10.00
0.50
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
122.83
73.83
117.67
68.67
0.17
0.17
2.75
2.75
0.00
0.00
109.50
23.50
23.50
5.50
2.00
2.00
0.00
0.00
0.00
0.00
Total Area in the basin (ha)
Total area per district (ha)
equipped
used
46.50
17.50
8 322.92
8 096.25
29.50
19.25
1.00
0.00
20.00
1.00
135.00
8 798.33
31.00
8 310.42
A Tabela 14 fornece, para os diferentes distritos e para áreas equipadas, as
necessidades brutas de irrigação (mm/d) para meses diferentes com uma
probabilidade de 80%. Estes mudam em Sofala, de um mínimo de 0.98 mm/d
em Fevereiro no distrito de Gorongosa para um máximo de 7.48 mm/d em
Outubro no distrito de Nhamatanda. Para a provincia de Manica, estes variam
de um valor mínimo de 0.82 mm/d em Fevereiro no distrito de Báruè a um
máximo de 6.55 mm/d em Outubro no distrito de Gondola.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Tabela 14
Necessidades brutas de irrigação em mm/d com a probabilidade de 80%, para
diferentes meses do ano e diferentes distritos no Pungoé.
Gross irrigation requirements (mm/d) for the Pungwe Basin
8.0
6.0
4.0
2.0
0.0
Oct
Nov
Dec
Jan
Feb
Mar
Apr
Mai
Jun
Jul
Aug
Sep
Gorongosa
6.91
6.28
5.32
4.83
3.10
4.15
4.68
4.36
5.16
4.33
5.13
5.01
Dondo
4.61
5.66
6.37
6.58
5.82
7.29
7.43
6.74
7.21
5.13
5.09
2.85
Nhamatanda
7.48
6.60
4.82
4.70
3.94
4.99
5.11
4.76
5.37
4.21
5.34
5.86
Beira
5.40
5.63
5.29
2.82
0.98
1.42
3.01
4.11
5.57
4.51
4.74
2.75
Macossa
5.96
5.55
4.74
2.85
1.09
2.32
3.93
3.82
5.20
4.43
4.88
2.93
Báruè
5.34
4.92
3.25
1.19
0.82
2.17
3.36
3.58
4.82
4.17
4.55
2.73
Gondola
6.55
4.85
3.59
3.26
1.87
3.85
4.33
4.05
4.81
3.96
4.82
4.81
As Figuras 5 e 6 fornecem as necessidades brutas de irrigação em m3/mês
para as províncias de Sofala e Manica na bacia do Pungoé com infraestrutura
de irrigação. Estes valores resumem as necessidades de irrigação para a
bacia do Pungoé. A provincia de Manica tem em comparação um
desenvolvimento muito baixo em agricultura irrigada com uma área total de
398.4 ha com infraestrutura de irigação, dando uma necessidade bruta de
irrigação para o ano inteiro de 5 505 265.3 m3 com uma probabilidade de
80%, de 3 794 783.1 m3 com uma probabilidade de 50% e de 2 890 886.5 m3
com uma probabilidade de 20%. A provincia de Sofala tem um
desenvolvimento muito maior em agricultura irrigada com uma area total de
8 399.9 ha (96.3% com cana de açucar da “Açucareira de Moçambique”) com
infraestrutura de irrigação, dando uma necessidade bruta de irrigação para o
ano inteiro de 184 029 424.2 m3 com uma probabilidade de 80%, de
118 339 972.1 m3 com uma probabilidade de 50% e de 81 041 050.2 m3 com
uma probabilidade de 20%.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
3
3
Irrigation Requirement (m /month) for Manica
(equipped for irrigation)
Irrigation Requirements (m /month) for Sofala
(equipped for irrigation)
24 000 000
800 000
20 000 000
600 000
16 000 000
12 000 000
400 000
8 000 000
200 000
4 000 000
0
Oct
Nov
Dec
Jan
Feb
Mar
Apr
Mai
Jun
Jul
Aug
Sep
80 % - Se 12 063 14 745 16 564 17 078 15 103 18 912 19 275 17 488 18 732 13 340 13 249 7 475
50 % - Se 11 343 10 439 2 414
20 % - Se
9 500
5 732
161.3
6 507
0.0
0.0
0.0
Figura 5
6 161 14 409 16 510 17 559 13 056 12 461 7 475
6
8 523 14 061 15 636 11 346 10 277 5 956
0
Nov
Dec
Feb
Mar
Apr
Mai
Jun
Jul
Aug
Sep
80 % - Me
Oct
714
608
424
243
147
339
459
463
597
508
575
425
50 % - Me
634
314
16
Jan
17.7
398.3
42
276
430
585
505
567
420
20 % - Me
527
25
0.0
0.0
0.0
310.1
96
345
516
478
520
379
Necessidades brutas de irrigação em m3/mês com três probabilidades diferentes
(80%, 50% e 20%) para meses diferentes.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Irrigation Requirements (m3/month) for Manica
(irrigation schemes in use)
Irrigation Requirements(m3/month) for Sofala
(irrigation schemes in use)
400 000
20 000 000
16 000 000
300 000
12 000 000
200 000
8 000 000
100 000
4 000 000
0
0
Oct
Nov
Dec
Jan
Feb
Mar
Apr
Mai
Jun
Jul
Aug
Sep
80 % - Su 11 647 14 193 16 110 16 669 14 733 18 446 18 956 17 194 18 416 13 092 12 947 7 136
80 % - Mu
305
271
183
87
58
139
194
201
263
226
252
171
50 % - Su 10 943 10 027 2 345
50 % - Mu
271
139
2
17.7
398.3
11
105
186
260
225
250
170
20 % - Mu
224
11
0.0
0.0
0.0
0.0
20
145
230
218
232
155
20 % - Su
Oct
9 143
Nov
5 473
Dec
Jan
Feb
6 393
0.0
0.0
0.0
161.3
Figura 6
Mar
Apr
Mai
Jun
Jul
Aug
Sep
6 040 14 192 16 237 17 266 12 813 12 174 7 136
1
8 426 13 841 15 384 11 137 10 040 5 650
Necessidades brutas de irrigação em m3/mês com três probabilidades diferentes
(80%, 50% e 20%) para diferentes meses nas províncias de Sofala e Manica
(área agrícola actualmente irrigada).
No caso da área irrigada actualmente utilizada (fig. 6.5), apresenta tendências
semelhantes com a provincia de Manica com um desenvolvimento mais
baixo, com uma area total de 177.4 ha actualmente irrigada, dando uma
necessidade bruta de irrigação para o ano inteiro de 2 355 339.7 m3 com uma
probabilidade de 80%, de 1 624 575.3 m3 com uma probabilidade de 50% e
de 1 239 077.3 m3 com uma probabilidade de 20%. A provincia de Sofala
apresenta um maior desenvolvimento sendo a area irigada em uso um total
de 8 133.0 ha (99.5% com cana de açucar da “Açucareira de Moçambique”),
dando uma necessidade bruta de irrigação para o ano inteiro de
179 545 740.3 m3 com uma probabilidade de 80%, de 115 570 989.3 m3 com
uma probabilidade de 50% e de 79 100 393.1 m3 com uma probabilidade de
20%.
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Globalmente para a bacia do Pungoé em Moçambique, as necessidades
brutas de irrigação para o ano são, conforme apresentado no apêndice 5, no
caso de 8 798.33 ha de terra com infraestrutura de irrigação, de
189 534 689.4 m3 com uma probabilidade de 80%, de 122 134 755.2 m3 com
uma probabilidade de 50% e de 83 931 936.7 m3 com uma probabilidade de
20%. No caso de 8 310.42 ha de terra irrigada actualmente em uso, fornece
para o ano inteiro um total de 181 901 080.0 m3 com uma probabilidade de
80%, de 117 195 564.6 m3 com uma probabilidade de 50% e de 80 339 470.4
m3 com uma probabilidade de 20%.
Para o caso do Zimbabwe, inferindo das licenças de água, conforme
apresentado no apêndice 6, o volume total de água extraída é de
37 809 985.44 m3 de água por ano dando uma área irrigada estimada em
1 700 a 2 800 ha. A area irrigada actualmente está na ordem dos 2 120 ha
para plantaçoes de café e de chá.
7.3
Necessidades futuras de água
Para o sector da pecuária, com base nos valores para o ano 2000 e
extrapolando os valores do gado para o ano de 2025, os números projectados
para o ano de 2025 para ambas as províncias são de 254 374 para o gado
bovino, 95 881 para pequenos ruminantes, 162 240 para suínos e 16 707 126
para aves. Este aumento na população animal corresponde a um aumento na
abastracção de água de 444 657 m3 em 2000 para um valor previsto de 5 523
486 m3 em 2025.
Existe um grande potencial para o desenvolvimento do sector irrigado e do
sector de florestas em Moçambique. É nesta altura dificil estimar o
crescimento anual ou crescimento em periodos de cinco anos para os
sectores agrícola e de florestas. Em termos de potencial, existe um potencial
total estimado de 244 000 ha de solos agrícolas aptos para a agricultura
irrigada. Se toda esta área fosse utilizada, resultaria numa abstracção anual
média na ordem dos 3 400 M m3. De forma semelhante, assumindo um
desenvolvimento na ordem dos 200 000 ha para o sector de florestas, isto
resultaria numa tomada anual indirecta na ordem dos 800 M m3.
Naturalmente, estes são valores que não serão atingidos em 2025. Estes
apenas fornecem uma ordem de magnitude para o uso pleno do potencial
total disponível tanto para o sector agrícola como para o sector florestal na
bacia do Pungoé. Os valores a serem utilizados para os diferentes cenários
de desenvolvimento serão apresentados e discutidos na fase seguinte do
presente estudo.
A quantidade total para os três sectores daria um valor na ordem de 4 200 M
m3, o que é ligeiramente superior a toda a água disponível na bacia
hidrográfica que se estima na ordem dos 4 195 M m3 por ano. No entanto,
esta situação não é realmente critica uma vez que as estimativas
correspondem ao desenvolvimento pleno do potencial existente e não aos
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
desenvolvimentos efectivos propostos. Os futuros cenários de
desenvolvimento até ao ano de 2025 serão abordados em mais detalhe na
fase seguinte deste estudo.
Para o Zimbabwe não existem planos actuais para expandir nenhum dos
sectores e consequentemente, as necessidades de água actuais para os
sectores agrícola e de florestas serão mantidos na mesma ordem de
magnitude que os valores actuais.
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8
Conclusões
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
A bacia do Pungoé é na maior parte coberta por vegetação natural (savana,
mangal, pastagens, matas, savana arborizada e floresta baixa) onde têm
lugar algumas iniciativas de desenvolvimento de conservação. Há três tipos
principais de desenvolvimentos de conservação do solo em Moçambique:
1.
Áreas de conservação onde se incluem os parques nacionais, cobrindo
uma área de 1 284 728.2 ha;
2.
“Coutadas”, cobrindo uma área de 593 193.1 ha. Estas são áreas de
reserva para fauna bravia onde a prática de caça é permitida nos limites
de leis de conservação bastante restritivos, e
3.
Concessões florestais, cobrindo uma área de 85 002 ha, onde o corte de
espécies nativas é permitido mas restringido por um plano de maneio
para manter a floresta natural e produtiva.
Estas áreas não têm efeitos ou impactos negativos na disponibilidade de
recursos hídricos da região. Pelo contrário, elas garantem que as
características do ciclo hidrológico na região são mantidas em equilíbrio,
mantendo o fluxo de caudal e garantindo uma série de sistemas ecológicos
naturais na bacia e na costa.
Há outras actividades económicas que resultam em abstracções directas ou
indirectas dos recursos hídricos disponíveis. Estas incluem:
1.
Plantações de árvores exóticas em Moçambique, cobrindo uma área de
2 496 ha perto da vila de Gondola no distrito de Gondola, provincia de
Manica, que resulta numa abstracção indirecta de água na ordem de
magnitude de 7.5 a 10.0 M m3 por ano;
2.
Plantações de árvores exóticas no Zimbabwe, cobrindo uma área de
5 254 ha, resultando num decréscimo do caudal anual do rio na ordem
de 15.8 a 21.0 M m3 por ano;
3.
O sector pecuário em Moçambique atingindo uma população máxima em
1975 com 45 190 bovinos, 46 194 pequenos ruminantes, e 19 559
porcos, resultando num consumo de água estimado em cerca de 0.70 M
m3 por ano. Em 2000 a população animal tinha decrescido para 23 513
bovinos, 45 769 pequenos ruminantes, 11 990 porcos, e 507 523 aves,
resultando num consumo de água da ordem de 0.44 M m3;
4.
A agricultura irrigada em Moçambique com uma área de 8 798 ha com
infraestruturas de irrigação dos quais 8 310 ha são actualmente
irrigados. A maior parte da área (8 133 ha) pertence à empresa
açucareira de Mafambisse no distrito do Dondo, província de Sofala. O
sector de irrigação responde por uma abstracção anual de água que
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DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA
A BACIA DO RIO PUNGUÉ
Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
varia de 189.5 M m3 nos anos mais secos a 83.9 M m3 nos anos mais
húmidos. A abstracção média de água para o sector de irrigação é de
cerca de 122.1 M m3 por ano;
5.
A agricultura irrigado no Zimbabwe com uma área de 2 120 ha com
infraestruturas de irrigação corresponde a uma abstracção máxima anual
de água de cerca de 37.8 M m3.
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DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA
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Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
9
Referências
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Interconsult Zimbabwe
DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA
A BACIA DO RIO PUNGUÉ
Relatório da Monografia
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Agricultura e Pescas;
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DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA
A BACIA DO RIO PUNGUÉ
Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
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Agricultura e Pescas;
Direcção Nacional de Pecuária, (1996) Relatório Anual. Ministério da
Agricultura e Pescas;
Direcção Nacional de Pecuária, (1997) Relatório Anual. Ministério da
Agricultura e Pescas;
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DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA
A BACIA DO RIO PUNGUÉ
Relatório da Monografia
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DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA
A BACIA DO RIO PUNGUÉ
Relatório da Monografia
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CONSULTEC, IMPACTO, UCM,
Interconsult Zimbabwe
bovinos
SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG,
CONSULTEC, IMPACTO, UCM,
Interconsult Zimbabwe
Abril 2004 RELATÓRIO FINAL
11 277
12 366
15 226
17 724
20 629
36 535
29 293
23 787
21 143
28 093
20 185
12 276
18 942
16 899
9 688
4 300
4 734
3 831
5 424
2 383
38 124
56 705
32 291
34 783
36 033
43 111
30 117
31 117
27 187
35 724
116 740
193 931
199 511
120 547
285 473
32 425
499 002
Aves
APÊNDICE 1
Número total de cabeças de gado nas Províncias de Manica e Sofala
42 214
64 802
58 153
73 015
86 030
60 337
59 732
50 941
46 572
46 014
41 413
37 272
9 683
11 702
9 317
14 521
14 521
5 597
30 352
42 465
70 541
89 977
105 310
150 218
148 621
152 770
porcos
pequenos
ruminantes
aves
pequenos
ruminantes
porcos
Província de Sofala
Província de Manica
Número total de cabeças de gado nas Províncias de Manica e Sofala
bovinos
Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
1971
60 269
70 307
11 277
60 269
1972
63 894
68 579
12 366
63 894
1973
69 023
75 917
15 226
69 023
1974
73 868
79 046
17 722
73 867
1975
79 054
82 300
20 631
79 056
1980
46 391
15 455
7 533
56 364
1981
42 607
14 709
8 845
55 959
1982
33 458
8 292
8 147
59 568
1983
31 065
6 061
8 470
26 128
1984
27 877
5 893
9 785
20 124
1985
30 122
11 009
9 895
20 060
1986
32 436
16 122
10 003
20 038
1987
19 901
16 699
8 954
25 087
1988
32 401
17 274
4 832
18 997
1989
31 357
17 274
4 832
15 637
1990
31 394
9 962
4 300
7 110
31 394
1991
28 851
16 181
4 734
14 231
28 851
1992
22 442
9 862
3 831
4 250
22 442
1993
23 839
22 928
5 424
26 985
23 839
1994
25 926
19 295
2 383
7 654
25 926
1995
29 382
21 152
1 855
12 866
1996
39 397
20 815
1 476
11 702
1997
41 117
34 851
3 034
2 424
12 630
1998
47 087
42 433
4 956
4 769
14 307
1999
51 581
43 674
3 907
2 763
15 284
2000
58 059
61 406
5 974
8 521
17 099
Fonte: Direcção Nacional de Pecuária/DINAP – Relatórios Anuais de 1996, 97,98,99 e 2000
(-) – sem informação
(*) – cabras e ovelhas
(**) – gansos e perus
Ano
Apêndice 1
DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ
SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG,
CONSULTEC, IMPACTO, UCM,
Interconsult Zimbabwe
Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
APÊNDICE 2
Distribuição de gado por distrito de 1995 a 2000
Distribuição de gado por distrito de 1995 a 2000
Abril 2004 RELATÓRIO FINAL
Apêndice 2
DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ
20 311
21 532
23 261
24 889
26 631
15 634
14 359
11 275
10 469
9 395
10 151
10 931
6 707
10 919
10 567
10 580
9 723
7 563
8 034
8 737
10 756
13 277
13 856
15 868
17 383
17 842
bovinos
SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG,
CONSULTEC, IMPACTO, UCM,
Interconsult Zimbabwe
bovinos
18 280
17 831
19 738
20 725
21 762
4 018
3 824
2 156
1 576
1 532
2 862
4 192
4 342
4 491
4 491
2 590
4 207
2 588
5 961
5 017
7 181
5 474
9 166
11 159
11 486
11 119
3 744
4 106
5 055
5 636
5 834
2 501
2 937
2 705
2 812
3 249
3 285
3 321
2 973
1 604
2 932
1 428
1 572
1 272
1 801
791
617
490
1 007
1 645
1 297
1 976
7 110
14 231
4 250
26 985
7 654
2 424
4 769
2 763
8 521
14 043
14 887
16 082
17 932
18 559
13 133
13 038
13 879
6 088
4 689
4 674
4 669
5 845
4 426
3 643
7 315
6 722
5 229
5 554
6 041
2 623
2 727
2 943
3 334
3 561
5 671
3 582
5 726
6 953
9 769
13 725
10 047
8 056
6 541
5 814
7 726
5 551
3 376
5 209
4 647
2 664
6 711
6 684
4 002
5 826
8 262
12 089
15 594
8 880
9 565
9 909
10 014
30 117
31 117
27 187
35 724
116 740
193 931
199 511
120 547
285 473
32 425
499 002
Aves
APÊNDICE 3
Gado na bacia do Rio Pungoé
11 313
17 367
15 585
19 514
24 432
16 170
16 008
13 652
12 481
12 332
11 099
9 989
2 595
3 136
2 497
3 892
3 892
4 348
8 134
11 381
21 839
15 197
8 654
9 322
9 657
34 650
porcos
pequenos
ruminantes
aves
Província de Sofala
pequenos
ruminantes
porcos
Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Província de Manica
Gado na bacia do Rio Pungoé
Abril 2004 RELATÓRIO FINAL
1971
1972
1973
1974
1975
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
Ano
Apêndice 3
DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Relatório da Monografia
SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG,
CONSULTEC, IMPACTO, UCM,
Interconsult Zimbabwe
APÊNDICE 4
Necessidades brutas de irrigação (expressas em m3/mês e em l/s) para a infraestrutura de
irrigação usada e equipada para os diferentes distritos na bacia do Pungoé e para
diferentes probabilidades de precipitação (80%, 50% e 20%)
Necessidades brutas de irrigação (expressas em m3/mês e em l/s) para a infraestrutura de irrigação usada e
equipada para os diferentes distritos na bacia do Pungoé e para diferentes probabilidades de precipitação
(80%, 50% e 20%)
Abril 2004 RELATÓRIO FINAL
Apêndice 4
DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
Relatório da Monografia
SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG,
CONSULTEC, IMPACTO, UCM,
Interconsult Zimbabwe
APÊNDICE 5
Necessidades brutas de irrigação em m3/mês com três probabilidades diferentes
(80%, 50% e 20%) para diferentes meses na bacia do Pungoé
Necessidades brutas de irrigação em m3/mês com três probabilidades diferentes (80%, 50% e 20%) para
diferentes meses na bacia do Pungoé
Abril 2004 RELATÓRIO FINAL
Apêndice 5
DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ
SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG,
CONSULTEC, IMPACTO, UCM,
Interconsult Zimbabwe
Relatório da Monografia
Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas
APÊNDICE 6
Licenças de abstracção de água para a bacia do Pungoé no Zimbabwe
Licenças de abstracção de água para a bacia do Pungoé no Zimbabwe
Abril 2004 RELATÓRIO FINAL
Apêndice 6
DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ
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necessidades de água para irrigação e florestas