Governo da República de Moçambique Governo da República do Zimbabwe Agência Sueca para o Desenvolvimento Internacional (ASDI) DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GESTÃO INTEGRADA DE RECURSOS HÍDRICOS DA BACIA DO RIO PUNGOÉ RELATÓRIO DA MONOGRAFIA ANEXO VIII ESTUDO SECTORIAL: NECESSIDADES DE ÁGUA PARA IRRIGAÇÃO E FLORESTAS RELATÓRIO FINAL Abril 2004 SWECO & Associates Cliente: Governo da República de Moçambique Governo da República do Zimbabwe Agência Sueca para o Desenvolvimento Internacional (ASDI) Projecto: DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA PARA A GESTÃO INTEGRADA DOS RECURSOS HÍDRICOS DA BACIA DO RIO PUNGOÉ Titulo do relatório: Relatório da Monografia Subtítulo: Anexo VIII Estudo Sectorial: Necessidades de água para irrigação e florestas Fase do relatório: Definitivo N. Projecto da SWECO: 1150447 Data: Abril 2004 Equipa de Projecto: SWECO International AB, Suécia (líder) ICWS, Holanda OPTO International AB, Suécia SMHI, Suécia NCG AB, Suécia CONSULTEC Lda, Moçambique IMPACTO Lda, Moçambique Universidade Católica de Moçambique Interconsult Zimbabwe (Pvt) Ltd, Zimbabwe Aprovado por: Lennart Lundberg, Director do Projecto SWECO INTERNATIONAL AB P:/1113/1116/1150447000 Pungue IWRM Strategy - Sida/Original/Monograph Report/Annex VIII/Portuguese/Annex VIII.doc DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas O Projecto Pungoé O Desenvolvimento da Estratégia Conjunta para a Gestão Integrada dos Recursos Hídricos (GIRH) da Bacia do Rio Pungoé, mais conhecido por Projecto Pungoé, é um esforço de cooperação entre os Governos de Mocambique e Zimbabwe para criar um quadro de gestão equilibrada e sustentável e de desenvolvimento e conservação dos recursos hídricos na bacia do rio Pungoé, com o objectivo de aumentar os benefícios sociais e económicos para as populações que vivem ao longo da bacia. Um dos elementos chave para o desenvolvimento desta estratégia pelo Projecto está associado à capacitação institucional para a sua implementação e actualização, que permita facilitar uma efectiva gestão participativa envolvendo tanto as autoridades como os stakeholders. O rio Pungoé é um curso de água partilhado pelos dois países. O Projecto Pungoé é financiado pela Agência Sueca para o Desenvolvimento Internacional (ASDI) através de um acordo com Zimbabwe e Moçambique. O Projecto está a ser implementado sob os auspícios do Departamento de Desenvolvimento de Águas (DWD), do Ministério dos Recursos Rurais, Desenvolvimento de Água e Irrigação (MRRWD&I) no Zimbabwe e da Direcção Nacional de Água (DNA) e do Ministério das Obras Publicas e Habitação em Mocambique, como representantes dos dois governos. As agências de implementação do projecto são o Zimbabwe National Water Authority (ZINWA) através do Save Catchment Manager’s Office (ZINWA Save) no Zimbabwe e a Administração Regional de Águas do Centro (ARACentro), em Moçambique. O Projecto Pungoé teve o seu início em Fevereiro de 2002 e será implementado nas quatro fases seguintes: Fase 0 – Fase Inicial Fase 1 – Fase da Monografia Fase 2 – Fase de Desenvolvimento de Cenários Fase 3 – Fase da Estratégia Conjunta para a GIRH A Fase da Monografia Durante a Fase da Monografia, o Consultor em conjunto com as Agências Implementadoras em Moçambique e Zimbabwe redobraram os seus esforços para aumentarem o conhecimento de base necessário para o desenvolvimento dos recursos hídricos da bacia, através de vários estudos sectoriais. Estes estudos descrevem a situação actual da bacia no que se Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag i SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas refere aos recursos hídricos, ambiente e poluição, procura de água, infraestruturas e socio-economia. Também se efectuaram actividades para avaliar e reforçar as capacidades legais e institucionais das agencias de implementação. Estas actividades estão ainda a decorrer no Projecto e incluem entre outras, o desenvolvimento, aquisição de tecnologia e treino no uso do GIS e a utilização de ferramentas de modelação hidrológica. Divulgação de informação acerca do Projecto, bem como a realização de consultas com os grupos de Stakeholders da bacia de forma a aumentar o seu conhecimento do Projecto e facilitar a participação dos Stakeholders na GIRH da bacia do rio Pungoé. Lista de Documentos O Relatório da Monografia inclui os seguintes documentos: Relatório Principal Anexo I Estudo Sectorial: Recursos Hídricos Superficiais Anexo II Estudo Sectorial: Redes Hidrometeorológicas Anexo III Estudo Sectorial: Qualidade dos Dados Hidrológicos e Modelação Anexo IV Estudo Sectorial: Recursos Hídricos Subterrâneos Anexo V Estudo Sectorial: Barragens e outras Obras Hidráulicas Anexo VI Estudo Sectorial: Qualidade da Água e Transporte de Sedimentos Anexo VII Estudo Sectorial: Necessidades de Água para Abastecimento e Saneamento Anexo VIII Estudo Sectorial: Necessidades de Água para Irrigação e Floresta Anexo IX Estudo Sectorial: Pesca Anexo X Estudo Sectorial: Fauna, Áreas de Conservação e Turismo Anexo XI Estudo Sectorial: Infra-estruturas Anexo XII Estudo Sectorial: Socio-economia Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag ii SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas ÍNDICE 1 Sumário Executivo 1 2 2.1 2.2 2.3 Introdução Aspectos gerais Descrição das tarefas e TdRs Metodologia 5 6 7 8 3 3.1 3.2 3.3 3.4 Descrição da bacia Hidrologia Clima Solos Uso da Terra 9 10 10 11 14 4 4.1 4.2 4.3 4.4 4.5 4.6 4.6.1 4.6.2 4.6.3 4.6.4 4.6.5 4.6.6 4.6.7 4.6.8 4.7 4.8 Sector de Florestas Introdução Enquadramento Moçambique: Provincia de Manica Moçambique: Província de Sofala Zimbabwe Resultados de Moçambique Plantações Savana Mangais Floresta arbustiva Matagal Floresta com árvores Floresta de terras baixas Floresta de terras altas Resultados do Zimbabwe Moçambique: desenvolvimento do sector florestal 15 16 16 16 17 17 20 20 21 21 21 21 22 22 22 22 23 5 5.1 5.2 5.3 5.4 5.4.1 5.4.2 5.4.3 5.4.4 5.4.5 Sector de Pecuária Introdução Enquadramento Metodologia Resultados e Discussão Gado bovino Pequenos ruminantes Suinos Aves domésticas Projecção do gado para 2025 24 25 25 25 27 28 29 29 29 29 6 6.1 6.2 Sector da Agricultura e Irrigação Moçambique Zimbabwe 32 33 37 7 Necessidades de Água 40 Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag iii SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 7.1 7.1.1 7.1.2 7.1.3 7.2 7.2.1 7.2.2 7.2.3 7.3 Metodologia para calcular as necessidades de água Sector de florestas Sector de pecuária Sector agrícola Necessidades actuais de água Sector de florestas Sector da pecuária Sector agrícola Necessidades futuras de água 41 42 45 45 52 52 52 53 59 8 Conclusões 61 9 Referências 64 APÊNDICE 1 Número total de cabeças de gado nas Províncias de Manica e Sofala APÊNDICE 2 Distribuição de gado por distrito de 1995 a 2000 APÊNDICE 3 Gado na bacia do Rio Pungoé APÊNDICE 4 Necessidades brutas de irrigação (expressas em m3/mês e em l/s) para a infraestrutura de irrigação usada e equipada para os diferentes distritos na bacia do Pungoé e para diferentes probabilidades de precipitação (80%, 50% e 20%) APÊNDICE 5 Necessidades brutas de irrigação em m3/mês com três probabilidades diferentes (80%, 50% e 20%) para diferentes meses na bacia do Pungoé APÊNDICE 6 Licenças de abstracção de água para a bacia do Pungoé no Zimbabwe Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag iv SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 1 Sumário Executivo Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 1 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Este relatório aborda as necessidades de água para o sector agrícola e florestal na bacia do rio Pungué referente ao período histórico do sector antes de 1975 e à situação presente. Desenvolvimentos futuros até 2025 serão abordados com mais detalhe durante a Fase dois do Projecto. A bacia do Pungué localiza-se entre a bacia do Rio Zambeze ao Norte e a bacia do Búzi ao Sul. A maior parte da bacia cobrindo uma área de aproximadamente 31 150 km² localiza-se na parte central de Moçambique, com uma pequena parte caindo no Zimbabwe. O Rio Pungué tem a sua origem nas montanhas do Inyangani no Zimbabwe a oeste de Manica a mais de 1000 m de altitude. Drena em direcção a este para o Oceano Índico, atravessando uma distância de aproximadamente 395 km, dos quais 50 km são no Zimbabwe e cerca de 5 km servem de limite natural (fronteira) entre os dois paises. A média da precipitação anual na bacia varia com a altitude, e anda à volta dos 1 114 mm, ocorrendo porém precipitações anuais entre os 1 500 e 1 700 mm nas regiões mais elevadas da bacia. A norte e sul da bacia, ocorrem precipitações mais baixas entre os 600 e 800 mm. A época chuvosa geralmente começa em Outubro e termina por volta de Março. O mês mais chuvoso, dependendo da região em questão, pode ocorrer em Janeiro ou Fevereiro. A época seca vai de Maio a Setembro, com os meses mais secos em Junho ou Julho. A bacia do Pungué é na sua maioria coberta por vegetação natural compreendendo pradarias, mangais, matagais, pradarias arborizadas e florestas de terras baixas, nas quais ocorrem alguns programas de conservação. Na bacia do Pungué existem três tipos principais de áreas de conservação: 1. Áreas de Conservação que incluem parques nacionais cobrindo uma área total de 1 248 728 ha em Moçambique e de 8 874 ha no Zimbabwe; 2. Áreas de reserva para a fauna bravia (Coutadas), cobrindo uma área de 593 193 ha, onde é permitida a caça controlada com base em leis de conservação da fauna; e 3. Concessões florestais cobrindo uma área de 85 002 ha, onde é permitido o corte de árvores nativas, mas obedecendo a um plano de gestão para manter a floresta natural e produtiva. As áreas de conservação acima mencionadas não têm impactos negativos sobre os recursos hídricos da bacia. Pelo contrário, elas asseguram um ciclo hidrológico balanceado que garante o fluxo de água de boa qualidade para a preservação dos sistemas ecológicos naturais na bacia em direcção à costa. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 2 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Há outras actividades económicas que resultam em consumo directo ou indirecto dos recursos hídricos disponíveis, nomeadamente: 1. Plantações de árvores exóticas em Moçambique, cobrindo uma área de aproximadamente 2 496 ha perto da cidade de Gôndola no Distrito de Gôndola, Província de Manica. Está estimada uma utilização indirecta de água na ordem de cerca de 7.5 a 10 milhões de m3 por ano; 2. Plantações de árvores exóticas no Zimbabwe, cobrindo uma área de aproximadamente 5 254 ha, resultando numa diminuição nos recursos hídricos disponíveis de 15,8 a 21 milhões m3 por ano; 3. O sector pecuário em Moçambique que atingiu uma população máxima em 1975 com 45 190 cabeças de gado bovino, 46 194 pequenos ruminantes e 19 559 porcos, resultando num consumo estimado de água na ordem de 0.70 M m3 por ano. Em 2000 a população animal decresceu para 23 513 cabeças de gado bovino, 45 769 pequenos ruminantes, 11 990 porcos, and 507 523 galinhas, resultando num consumo estimado de água na ordem de 0.44 M m3; 4. A agricultura irrigada em Moçambique com uma área total de 8 798 ha está actualmente equipada com infra-estruturas de rega, estando a ser irrigadas presentemente cerca de 8 310 ha. A maior porção da terra presentemente irrigada, com uma área total de 8 133 ha pertence à açucareira de Mafambisse no distrito de Dondo, Província da Beira. O sector de irrigação consome anualmente cerca de 189,5 M m3 de água nos anos secos e de cerca de 83,95 M m3 nos anos húmidos. A média anual de consumo para o sector de irrigação é de aproximadamente 122,15 M m3 por ano; 5. A agricultura irrigada no Zimbabwe com uma área estimada de 2 120 ha resulta num extracção máxima de água de aproximadamente 37.8 M m3. As tendências correntes de desenvolvimento em Moçambique apontam para um crescimento futuro em todos os três sectores. Para o sector pecuário espera-se um aumento do consumo para valores na ordem dos 6 M m3 por ano no ano de 2025. Nesta fase é difícil estimar as necessidades de água futuras para o sector agrícola e florestal. Existe porém um potencial de desenvolvimento para agricultura irrigada de 244 000 ha. Assumindo uma utilização total deste potencial, ele traduz-se num consumo de água de aproximadamente 3 400 M m3 por ano. Adoptando uma tendência similar para o sector florestal com um desenvolvimento potencial de aproximadamente 200 000 ha, ele traduz-se numa procura adicional de 800 x M m3 por ano. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 3 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Os cenários de crescimento dão uma procura total anual estimada para o ano de 2025 da ordem dos 4 200 x M m3 por ano, o que é um pouco superior aos recursos hídricos disponíveis na bacia que são estimados em cerca de 4 195 M m3 por ano. No entanto, esta situação não é verdadeiramente crítica porque as estimativas de necessidades correspondem ao desenvolvimento total do potencial existente e não aos desenvolvimentos efectivamente propostos. Os cenários de desenvolvimento futuro até o ano 2025 serão analisados com mais pormenor na fase seguinte do estudo. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 4 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 2 Introdução Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 5 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 2.1 Aspectos gerais Este relatório foca a necessidades de água para os sectores florestal e agrícola de irrigação na Bacia do Rio Pungué. No caso de Moçambique, a maioria dos estudos para estes sectores é baseada nas fronteiras administrativas, desde o país inteiro até à província e o distrito. A bacia do Pungué em Moçambique ocupa as duas províncias de Manica e Sofala, com um total de onze distritos. Estes são Manica, Baru, Gôndola, e Macossa na Província de Manica e, Búzi, Nhamatanda, Gorongosa, Dondo, Muanza, Maringwe e Cheringoma na Província de Sofala. Consequentemente, foram necessárias certas assunções e extrapolações de forma a se chegar a uma estimativa consolidada das necessidades de água para a bacia. No caso do Zimbabwe, as necessidades de água foram estimadas com base nas áreas de reflorestadas e com base nas autorizações de abstracção de água. Este capítulo do relatório apresenta uma descrição das tarefas e termos de referência do estudo e descreve a metodologia geral seguida no estudo. O segundo capítulo dá uma descrição geral da bacia do Pungué em relação à área, fisiografia e geologia, clima e hidrologia, assim como os solos maioritários e os padrões correntes de uso de terra. Depois desta descrição geral, os três capítulos seguintes dão uma descrição mais detalhada dos sectores florestal, pecuário e agrícola. No sector da agricultura irrigada, devido à sua importância e peso em termos de consumo de água, inclui-se uma descrição detalhada da agricultura irrigada na bacia do Rio Pungué. O capítulo seis apresenta a metodologia aplicada para o cálculo dos consumos de água e estima o consumo de água para os três sectores (florestal, pecuário e agrícola) nos anos 1975 e 2002, incluindo uma previsão para o ano 2025. O último capitulo do relatório, capítulo sete, resume os dados de consumo de água para toda a bacia e apresenta as principais conclusões e recomendações do estudo. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 6 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 2.2 Descrição das tarefas e TdRs Os objectivos para a componente do sector de florestas e agricultura são: • recolha da informação existente sobre o consumo actual de água e desenvolvimentos futuros para florestas, agricultura e irrigação na bacia do Pungué; • condução de estudos de campo para completar informação de gabinete onde fosse necessário; • processamento desta informação para servir de input para modelação e desenvolvimento de cenários. O objectivo principal é de traduzir os desenvolvimentos actuais e futuros nos três sectores (florestas, agricultura e pecuária) em valores de necessidades de água tanto como consumo de água dos rios ou de água subterrânea como de alteração do balanço hídrico e consequentemente dos caudais fluviais na bacia do Rio Pungué. Em Moçambique, os anos de 1975 e 2002 são pontos de referências chaves pois o ano 1975 representa o pico da agricultura irrigada, enquanto que o ano de 2002 representa a situação corrente. Para o Zimbabwe devido a uma história diferente o ponto de referência é o ano 2002 quando se atingiu o pico da agricultura irrigada. Para ambos os países, pede-se também as projecções para o ano 2025, em intervalos de 5 anos, das necessidades de água para os três sectores. O estudo apresenta os seguintes resultados: • inventário do estado presente do sector do irrigação e o plano de desenvolvimento futuro, e áreas potenciais de rega, a sua localização e as correspondentes necessidades de água; • Projecção das necessidades de água para irrigação em intervalos de 5 em 5 anos, com indicação dos pontos de extracção dentro da bacia; • inventario de áreas reflorestadas na bacia, dos desenvolvimentos futuros planeados, e as correspondentes necessidades de água expressas em intervalos de 5 anos, com indicação dos pontos de extracção dentro da bacia. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 7 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 2.3 Metodologia Devido à extensão da área de projecto, foi decidido começar por um estudo de gabinete para identificar e colher toda a informação existente e relevante para descrever e caracterizar os desenvolvimentos actuais e potenciais nos três sectores (florestas, pecuária e agricultura), os padrões de uso da terra e intensidade na área de estudo. Para o caso particular do sector agrícola, dada a sua importância e peso em termos de uso da água, foram feitos levantamentos intensivos de campo e visitas a diversas áreas agrícolas durante o mês de Novembro de 2002, com realce para as áreas cultivadas ao longo do vale do rio principal e nas planícies de inundação, cujos resultados foram integrados e considerados na análise. Imagens de satélite Landsat TM e mapas de uso/cobertura de terra (CENACARTA, 1998; DNFFB, 1995; INIA, 1986) e base de dados associados foram revistos, incluindo mapas publicados na escala de 1:250 000 topográficos (DINAGECA), de solo, do uso da terra e mapas do potencial agroecológico disponíveis da área de estudo (COBA & PROFABRIL, 1974, 1973; GEOTÉCNICA, 1981, 1980; Fernandes, 1968 and 1967; INIA, 2000, 1995 and 1980; CENACARTA, 1998 and DNFFB, 1995). A base de dados associada foi também extensivamente utilizada. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 8 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 3 Descrição da bacia Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 9 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 3.1 Hidrologia A bacia do rio Pungué em Moçambique ocupa a parte central da Província de Sofala e parte norte e central da Província de Manica em Moçambique, cobrindo uma área total de 31 150 km2. Uma pequena porção, com uma área total de 1 463 km2, cai na parte nordeste da Província de Manicaland no Zimbabué. O rio Pungué, com um escoamento médio anual de 4 195 M m3, tem um comprimento total de 395 km a partir da sua nascente até ao Oceano Índico onde desagua. Cerca de 50 km do seu comprimento encontram-se dentro do Zimbabué, com cerca de 5 km compartilhada na fronteira comum com Moçambique. Os principais tributários do rio Pungué em Moçambique são os rios Messambedze, Nhyazonia, Txatora, Vanduzi e o Urema-MucumbedzeNhondugue no lado esquerdo e os rios Honde, Mavuzi, Mucumbedze, Marionda, Mezingadze, Messatua, Metuchira e Muda no lado direito. No Zimbabué, os principais tributários são os rios Honde e Nyamakwara no lado direito e os rios Ruera, Nyawamba, Nyamkombe, Nyamawanga e Nyazengu no lado esquerdo. Ele nasce na cadeia montanhosa de Inyangani no Zimbabué a oeste de Manica, a uma altitude de mais de 1000 m, e drena ao longo de um comprimento total de 395 km na direcção Este a partir da sua nascente até ao Oceano Índico onde desagua. 3.2 Clima A parte norte e oriental da bacia indo até ao sopé da Montanha de Gorongosa, contornando o sistema e para jusante no vale do Pungoé até à confluência com o Mavuzi, e a região delimitada ao norte pelo rio Nyazonia, apresentam um clima que pode ser descrito de acordo com a classificação de Köppen como de savana tropical chuvoso. No resto da bacia, a qual é dominada por terrenos montanhosos e áreas elevadas, o clima é temperado húmido. A chuva na bacia varia com altitude, com uma média anual aproximada de 1 114 mm. A precipitação mais alta anda entre os 1 500 mm e 1 700 mm/ano nas regiões elevadas de Catandica, Pungoé Fronteira e Serra da Gorongosa. Valores mais baixos, correspondendo a áreas mais secas, ocorrem na parte norte da bacia, incluindo Guro, Macossa, Piro e Zongorgue, e nas regiões mais a sul de Urema, Chitengo, Pungwe, Lamego e Nhamatanda até Mandine e Guara-Guara, onde a precipitação varia entre 600 e 800 mm/ano. Situada na região de chuva de Verão, a época chuvosa geralmente vai de Outubro a Março. Os meses mais chuvosos, dependendo da localização, são Janeiro ou Fevereiro. A época seca vai de Maio a Setembro, com os meses mais secos em Setembro ou Outubro. As áreas mais quentes em Moçambique situam-se à volta de Nhamatanda e Bué-Maria, e o local mais frio é a Serra da Gorongosa. Os meses mais Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 10 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas quentes são Janeiro e Fevereiro com temperaturas entre os 17ºC e os 28ºC respectivamente, enquanto que os meses mais frios são Junho e Julho com as temperaturas entre os 11ºC e 21ºC respectivamente. Humidade relativa média do ar ronda os 63% em Chitengo, 69% em Catandica e os 76% na Beira. A evapotranspiração potencial anual média varia entre os 1 300 mm em algumas áreas montanhosas para cerca de 1 600 mm nas áreas costeiras e terras mais baixas. 3.3 Solos Os solos que ocorrem na bacia (ver a Figura 1) ou parte deles foram descritos por vários autores usando diferentes escalas de mapeamento e sistemas de classificação muito embora o estudo feito por COBA e PROFABRIL (1974; 1973) cubra sistematicamente toda a bacia com o mesmo nível de detalhe. Outros estudos relevantes dos solos e seus recursos incluem os feitos por Fernandes (1968 e 1967) e pela Geotécnica (1981 e 1980) de algumas partes seleccionadas da bacia, referindo-se maioritariamente à parte baixa do Pungué. De acordo com estes estudos existe uma correlação entre os tipos de solo, a geologia e o relevo da região. Os solos têm sido descritos por Ferro e Bouman (1987) como sendo parte da bacia sedimentar de Moçambique ao norte do Save. Geomorfológicamente, elas dividem-se nas planícies do Sena, no planalto de Cheringoma entre os vales do Zambeze e do Pungué, com a parte norte da bacia dominada por Urema Graben, em continuação do sistema da cadeia leste Africana. A Geologia é dominada por arenito continentais arkosico do Sena do período do Cretácico e por arenitos continentais de Mazamba do Mioceno, enquanto que nos vales do Pungué e dos principais tributários se encontram depósitos aluviais e Graben de Urema bem desenvolvidos. Praias antigas formam um sistema paralelo de cumes baixo arenosos na zona litoral pantanosa. O complexo de base domina a parte ocidental da bacia. A área consiste em montanhas, planaltos médios e altos e uma faixa oriental de terras baixas. As terras altas são caracterizadas por formas de terras erodidas desnudadas. Os solos aluviais associados com planícies de inundação cobrem vastas áreas ao longo do rio Pungué e nos vales dos seus tributários. O mapa indica os grupos de solos dominantes que ocorrem nas planícies de inundação em que se desenvolveram em depósitos aluviais associados, assim como os solos desenvolvidos nas formações do PreCambrico do Complexo Base do cinturão Metamórfico de Moçambique dominado por Complexo Gneisse de Granito Migmatito. O mapa também indica a localização dos regadios. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 11 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Figura 1 Mapa de Solos da bacia do Pungué e localização dos regadios. O maior depósito contínuo aluvial ocorre no Baixo Pungué, a sul de BuéMaria e no Alto Muda. Eles cobrem uma extensiva planície de inundação que é periodicamente alagada no distritos de Nhamatanda e do Dondo, estendendo-se para a costa perto da cidade da Beira. O vale de Urema é dominado por depósitos aluviais que estão também sujeitos a alagamento periódicos. Cerca de 50% da bacia é dominada por solos de textura grosseira e pouco profundos, os quais são comuns nas colinas elevadas onduladas, que se desenvolveram sobre o complexo gneisse granítico, enquanto que 15% dos solos da área de estudo são classificados com base no grau de pedregosidade, maioritariamente em associação com a fase Lítica. Os cumes Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 12 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas massivos de montanhas baixas com inclinações longas e constantes relacionadas com as formações anteriores são caracterizadas pela ocorrência de solos de argila vermelha e castanha fortemente metamorfizadas, e na sua maioria bem drenados. Sopés severamente dissecados e íngremes, com inclinações curtas e os vales em forma de V são dominados por solos residuais indiferenciados (solos de declive, superficiais) e por litossolos excessivamente drenados. A maioria dos solos a jusante da zona proposta para a barragem de BuéMaria foram formados com base em depósitos lacustres, aluviais e estuarinos. Os solos lacustres e estuarinos apresentam níveis de sodicidade e salinidade tais que requereriam a sua recuperação para a promoção de uma agricultura irrigada sustentável. As áreas baixas tais como região pantanosas de extensão variável localmente atravessadas por pequenos riachos são caracterizadas por solos aluviais jovens, solos aluviais negros e solos orgânicos hidromórficos. A drenagem varia de pobre a muito pobre com a ocorrência de inundações depois de chuvas pesadas. Os solos aluviais mais recentes, que se sobrepõem aos sedimentos estuarinos, são nãosalinos e não-sódicos excepto onde eles são muito pouco profundos. Solos com maior potencial para a agricultura irrigada são aqueles formados em depósitos aluviais tais como os solos que ocorrem nas planícies aluviais, e nos terraços dos rios. As áreas mais elevadas, planas ou levemente onduladas, apresentam solos aluviares jovens, solos aluviares argilosos negros antigos bem drenados e mal drenados que são temporariamente alagados na época húmida, e com água salobra ao longo da costa. Tais áreas com solos desenvolvidos em depósitos aluviais ao longo de ambos lados do rio Pungué e nos vales dos rios tributários, são localmente interrompidos por plataformas de Mananga e Pós-mananga. As planícies arenosas pouco profundas (camada de areia) são compostas por areias grosseiras ou finas dependente das camadas inferiores do Mananga ou Pósmananga. Desenvolve-se um horizonte argilíco, nátrico ou câmbico no material Mananga abaixo da areia superficial. Geralmente seus subsolos são salinos ou sódicos. Os solos Mananga são altamente erodíveis e as camadas inferiores com uma textura areno argilo limosa são facilmente compactáveis quando húmidos tornando-se um problema para a drenagem. Também é comum na área de estudo e muito associado às planícies de inundação, aos terraços e às pequenas planícies planas ou levemente onduladas desenvolvidas em depósitos aluviais recentes, encontrarem-se solos arenosos, contendo areias profundas excessivamente drenadas amareladas, avermelhadas, esbranquiçadas e hidromórficas, as quais são dependentes principalmente na posição que ocupam no terreno. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 13 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 3.4 Uso da Terra As actividades económicas que ocorrem na bacia do Pungué são na sua maioria baseadas na agricultura em sequeiro de subsistência, na agricultura irrigada de culturas de rendimento, na produção de lenha e carvão, na produção pecuária comercial e, em menor escala, na utilização de fauna, na protecção e conservação de recursos naturais, na pesca e, no uso dos recursos naturais para fins domésticos e para fins comerciais. Com a excepção das grandes plantações comerciais de chá e de florestas exóticas no Zimbabué, a maioria da população na bacia depende da agricultura de subsistência para a sua sobrevivência. As povoações estão concentradas ao longo dos vales dos rios e nas planícies de inundação, assim como nas proximidades de infra-estruturas existentes. Povoados densos são geralmente encontrados em áreas com solos aptos para a agricultura, assim como nas zonas servidas por estradas, com abastecimento de água e outras infra-estruturas públicas tais como escolas e centros de saúde. A ocupação da terra tem sido influenciada em grande medida pela provisão de infra-estruturas. Em seguida indicam-se as infraestruturas principais existentes que influenciam a localização das povoações na bacia: I. O sistema das linhas-férreas compreendendo a secção da Beira ao Dondo (a secção do Dondo a Inhaminga foi destruída), a secção do Dondo ao Malawi e, a secção da Beira a Bulawayo, e II. A estrada Beira-Chimoio-Manica-Machipanda, a estrada ChimoioCatandica (até Tete), e a estrada Inchope-Gorongosa-Caia. Todas as estradas estão ou em boas condições ou em processo de reabilitação Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 14 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 4 Sector de Florestas Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 15 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 4.1 Introdução O presente estudo incluiu uma revisão da informação relevante sobre a cobertura florestal na bacia do rio Pungoé. A cobertura florestal influência grandemente os caudais devido a factores relacionados com a intercepção das chuvas, à evapotranspiração, à infiltração e à percolação. Os caudais podem ser considerado como o produto residual do ciclo hidrológico, o qual é influenciado pelo clima, ocupação da terra e pelo solo. De acordo com Hibbert (1967), a quantidade de água gerada pela componente florestal depende do tipo de espécies na bacia. No geral as florestas artificiais tais como plantações de pinheiros e de eucaliptos tendem a reduzir o escoamento superficial devido ao aumento significativo na interpretação da chuva e na evapotranspiração. Este estudo descreve as áreas florestais da bacia, tomando em consideração a distribuição da cobertura florestal por espécies nativas e exóticas. No caso de Moçambique as principais fontes de informação foram a literatura existente, as imagens de satélite (Cenacarta, 1998) e, entrevistas feitas as especialistas da área. No caso do Zimbabué a informação foi obtida a partir das companhias florestais a operarem na área e, complementadas pelo conhecimento pessoal dos consultores da distribuição de vegetação na bacia. 4.2 Enquadramento A bacia do rio Pungoé cobre uma área total de cerca de 31 150 km2, com um escoamento anual médio de 4 195 M m3. Esta bacia hidrográfica inclui áreas em Moçambique e no Zimbabwe. Em Moçambique a bacia localiza-se na zona centro e ocupa parte das províncias de Manica e Sofala totalizando 29 687 km2. Os usos comuns da terra na bacia são florestas, agricultura, pastos e zonas urbanizadas. Com 2 454 949 ha de florestas em Moçambique, a bacia representa perto de 3.1% do total da área de florestas em Moçambique. 4.3 Moçambique: Provincia de Manica A Província de Manica tem uma área total de cerca de 61 661 km2, aproximadamente 15 580 km2 dos quais são cobertos por florestas nativas, correspondendo a 25% da área total da Província. Desta área, 680 km2 constituem florestas de terras altas com vários graus de densidade arbóreas. Os restantes 14 900 km2 são florestas de terras baixas. Muitas destas áreas, especialmente nas terras baixas contém o Miombo onde as espécies Brachystegia e Julbernardia globiflora são prevalentes. Em zonas de alta altitude, também ocorre o Miombo, com diferentes características devido à elevada humidade e baixas temperaturas. Estas são usualmente designadas Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 16 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas como florestas verde afro-montana onde prevalecem espécies arbóreas de alto porte. A Província de Manica tem a maior área de plantações exóticas em Moçambique, cobrindo 50% da área total. Estas áreas estão principalmente localizadas nos distritos a Sul da Província. Em 1975 estas plantações cobriam uma área total de 11 km2 com pinheiros e eucaliptos como as principais espécies. Por volta de 1986, depois da Independência, a cobertura aumentou para aproximadamente 23 km2 sendo 20 km2 com pinheiros (P. Patula, P. Taeda, P. Elliote e P.kesiya) e a área restante coberta por Eucaliptos saligna. Dados recentes apontam para uma redução para uma área total de cerca de 11 km2, constituída principalmente por diferentes espécies de Pinheiros e de Eucaliptos, e com uma pequena área de espécies nativas (Eureka, 2001). 4.4 Moçambique: Província de Sofala A Província de Sofala tem uma área total de 68 018 km2, dos quais aproximadamente 17 706 km2 (26%) é coberta por floresta nativa. A vegetação é uma mistura de floresta de Miombo dominada por espécie Brachystegia e Julbernaria globiflora. Aproximadamente 200 km2 desta área são florestas de terras altas, e 17 506 km2 são florestas de terras baixas com diversos graus de densidade de vegetação. Em 1986, as plantações de árvores exóticas cobriam aproximadamente 2 km2 com diferentes espécies de Eucaliptos. Estudos recentes indicam que as áreas plantadas e as espécies permanecem as mesmas, mas sem um maneio florestal. 4.5 Zimbabwe No Zimbabué, até recentemente, todos os aspectos de políticas, controle e de desenvolvimento florestais eram asseguradas pela Comissão Florestal, um grupo para estatal ligado ao Ministério do Ambiente e Turismo via o seu Secretário Permanente. A Comissão Florestal tinha à sua responsabilidade a produção de madeira (na maioria espécies exóticas tais como pinheiro e eucalipto e, em menor grau, espécies nativas), nas zonas demarcadas florestais e, em simultâneo, nas explorações privadas de madeira. Tinha também sob sua responsabilidade a investigação florestal e a produção e melhoramento de sementes. Em 2002 iniciou-se um novo arranjo organizacional da Comissão Florestal a qual foi reinstituída sob emenda do Acto Florestal (Cap. 19.05 emendado em Maio de 1999). Este novo arranjo legitima a comercialização de madeira nas zonas pertencentes ao Estado, constituindo um primeiro passo na direcção da privatização, através da formação da Companhia Florestal dirigida por uma entidade autónoma. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 17 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas A Comissão Florestal, recentemente constituída, é encabeçada por um Director Geral responsável por toda as actividades e políticas florestais. As suas funções estão agora divididas em dois departamentos, uma relacionada com a investigação e a formação florestal e outra relacionada com a extensão e recursos nativos. O Director Geral é assistido por dois Directores Adjuntos responsáveis por cada um dos departamentos. Os dois departamento da Comissão Florestal estão localizadas em Harare, sendo operados, controlados e financiados da mesma forma que qualquer outro ramo de serviços civis, estando no entanto autorizados a receber doações para financiamento das suas actividades. O primeiro departamento é responsável pelas seguintes áreas: • Pesquisa Florestal • Melhoramento e venda de sementes; • Formação no Colégio Florestal do Zimbabué e no Centro de Treino da Indústria Florestal em Mutare de florestais, de operadores de serração e de corte de Madeira. O segundo departamento é responsável por: • Extensão Florestal para os produtores privados (principalmente nas terras Comunais e de Restabelecimento para os produtores de pequena escala). • Exploração e uso das árvores nativas. Existem sete extensionistas florestais provinciais para a supervisão das actividades de campo das funções acima descritas. Algumas das florestas nativas do Zimbabué estão protegidas por ocorrerem em Zonas Florestais Protegidas ou em Reservas Florestais. As florestas decíduas com as áreas de produção madeireiras encontram-se localizadas na sua maioria em Matabeleland, enquanto que as florestas permanentemente verdes, tal como Monte Selinda (floresta Chirinda nas plantações florestais de Gungunyana) e Banti, se encontram localizadas na Província de Manicaland. Outras zonas de florestas nativas ocorrem nos Parques Nacionais tais como Rhodes Nyanga e Chimanimani. As florestas nativas nessas zonas estão legalmente protegidas estando proibido o seu acesso para queimadas ou cortes. Actualmente o controle feito não é adequado. A Secção da Comissão Florestal que anteriormente se encarregava do maneio e exploração das florestas comerciais e nativas em terra estatal agora Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 18 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas conhecida como a Companhia Florestal do Zimbabué (CFZ) ira-se tornar numa organização comercial autónoma privada auto sustentável mais, actualmente ainda pertence na sua totalidade ao Governo, permanecendo ainda dentro do Ministério do Ambiente e Turismo. A CFZ é encabeçada por um Director baseado em Mutare e tem um Conselho de Directores que são indigitados pelo Ministro. Na privatização, será possível incluir parceiros técnicos que contribuam com especialistas, experiência e, recursos financeiros. Parece ainda não haver nenhuma decisão sobre a utilização e distribuição dos lucros gerados pela CFZ provenientes das plantações e do corte de madeiras nativas nas florestas das zonas estatais. Porém esta será uma decisão da responsabilidade do Conselho de Directores. Actualmente os lucros depois da dedução dos custos operacionais estão a ser usados para o pagamento dos custos de capital de uma grande serralharia nova e, para a reposição de vários recursos. A Companhia Florestal de Stapleford perto de Penhalonga é a propriedade principal da Comissão Florestal dentro da Bacia do Pungué no Zimbabué. Esta foi uma propriedade privada que foi comprada pela Comissão Florestal há muitos anos atrás, tendo promovido a plantação de Pinheiros (Pinus Patula) no planalto, a plantação de outros pinheiros (Pinus Taeda) na secção subtropical do vale de Nyamkwarara. Foram também feitas tentativas sem resultados satisfatórios para a plantação do teak Burmês. A estação de investigação de John Meikle esta localizada no limite do vale Nyamkwarara, servindo como um centro de produção e multiplicação de sementes da Comissão. A maior parte da companhia florestal do Erin no Distrito de Nyanga, que faz oficialmente parte do Parque Nacional de Rhodes Nyanga, está alugada à Comissão Florestal do Zimbabué para produção de madeira por um periodo indefinido e a um valor de aluguer muito simbólico. A parte 6 do Acto Florestal capítulo 19.05 dá provimento para o controle de qualquer corte indesejável de árvores nativas em terra comunal ou privada pelos auspícios das autoridades locais mais apropriadas (Comités nas Áreas de Conservação Intensiva e, Conselhos Rurais Distritais). O papel regulador para a protecção de espécies nativas importantes cai no âmbito do Departamento de Recursos Naturais, que neste momento se encontra de braço amarrados pela falta de pessoal e fundos e, pelas circunstâncias políticas actuais. Nenhum ramo da Comissão Florestal tem autoridade para regular a protecção de árvores que se encontram nas Terras Florestais ou Reservas Florestais, não obstante o facto do sector de extensão ter um mandato para educar as populações rurais para o uso, conservação e reposição das árvores locais. Tem havido no entanto nas zonas de reassentamento e em várias outras áreas um corte indesejável de árvores para venda como lenha, assim como a Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 19 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas venda ilegal pelo Chefe Tangwena dos “direitos de cultivo” nas Florestas sempre verdes que se estendem pela Reserva Botânica de Gleaneagle, o parque Nacional, e as plantações de chá na zona de Aberfoyle, adjacentes à Bacia do Pungué. Esta floresta constituiu no passado um local muito popular para os observadores de aves e os eco turistas mas, como ainda não foi tomada qualquer acção pelas autoridades para se parar com esta prática, há já uma porção considerável que já foi desmatada. Muitas das florestas riverinas que se encontram nas terras comunais ao longo do Pungué e dos outros rio, tem sido na década passadas desmatadas e convertidas em campos de milho apesar da existência de leis e regulamentos que proíbem esta prática. 4.6 Resultados de Moçambique A bacia do Pungoé cobre uma área total de 31 150 km2, dos quais 29 687 km2 (95% da bacia) em Moçambique e 5% no Zimbabwe. Na Bacia do Pungué em Moçambique, cobrindo uma área total de 2 454 949 ha que corresponde a 82.9% da área total da Bacia, existem oito tipos principais de cobertura florestal (Tabela 1). Tabela 1 Distribuição dos Recursos Florestais na Bacia do Pungué em Moçambique. Cobertura florestal Plantações Savana Mangais Floresta arbustiva Matagal (alto, médio e baixo) Savana com árvores Floresta de terras baixas (fechada, média, aberta) Floresta de terras altas Total área em ha área em % 2 496 210 721 2 943 157 093 374 439 907 327 0.1 8.6 0.1 6.4 15.3 37.0 784 350 15 580 2 454 949 31.9 0.6 100.0 Fonte: Resultado do estudo (2003) 4.6.1 Plantações Mais de 80% das plantações florestais em Moçambique estão localizadas nas províncias de Maputo, Manica e Niassa. As plantações na Bacia do rio Pungué incluem espécies de crescimento rápido de Eucaliptos e Pinheiro (Casuarina equisetifolia; Leucaena leucocephala; Cupressus lusitanica), espécies de Acácia (Tectona grandis), e algumas espécies nativas distribuídas em áreas relativamente pequenas no distrito de Gôndola na Província de Manica. Estas Plantações são usadas para madeira, lenha e material de construção. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 20 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas A área total ocupada por este tipo de floresta na bacia do Pungoé é de cerca de 2 496 ha correspondendo apenas a 0.1% da área total da bacia. A maioria das plantações na província de Manica localiza-se na bacia do rio Buzi. Este é o único tiopo de florestas que neste relatório se considera que têm um impacto considerável nos recursos hídricos dado a sua capacidade de reduzir o escoamento efectivo. Os outros tipos são ou tipos naturais de cobertura vegetal ou, se alterados pela intervenção humana, as mudanças observadas não têm implicações em termos dos recursos hídricos disponíveis. 4.6.2 Savana A este grupo pertence a cobertura vegetal do tipo edáfico das gramíneas que são inundadas sazonalmente e, um segundo tipo que é influenciada pelo corte das árvores para a prática de agricultura em sequeiro, para pastagens ou para lenha. A área total é de aproximadamente 210 721 ha, equivalente a 71% da área total da bacia. Este tipo de vegetação não é considerado no cálculo das necessidades de água uma vez que não apresenta alterações significativas do balanço hídrico. 4.6.3 Mangais Foram identificados os seguintes tipos de mangais: Mangal fechado, com uma densidade de cobertura superior a 40%; e Mangal disperso, com uma densidade de cobertura entre os 10% e os 40%. Os Mangais ocupam 2 943 ha correspondendo a 0.1% da bacia e incluem as espécies Avicennia marina, Rhizophora mucronata, Bruguiera cylindrical, Sonneratia alba, Heritiera littoralis e Lumnitzera racemoza. Os mangais também não são considerados no cálculo das necessidades de água ou avaliação da mudança de balanço hídrico. 4.6.4 Floresta arbustiva Os arbustos são distinguidos pela altura do tronco principal de madeira, o qual está compreendido entre os 3 m e os 50 cm. A floresta arbustiva dá geralmente uma cobertura muito densa. Elas ocupam uma área total de 157 093 ha ou 5.3% da área da bacia. Pelas mesmas razões anteriores, elas não foram consideradas nos cálculos das necessidades de água ou avaliação de mudanças de balanço hídrico. 4.6.5 Matagal Este tipo de vegetação compreende as floresta meio altas a baixas. A altura varia entre os três e os sete metros de altura. A distribuição de espécies é uma função do tipo de solo, clima, assim como intervenção humana. A área total cobre aproximadamente 374 439 ha ou 12.6% da área da bacia. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 21 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Este tipo de vegetação também não foi considerado no cálculo das necessidades de água ou na avaliação das mudanças do balanço hídrico. 4.6.6 Floresta com árvores Esta cobertura vegetal consiste numa camada de gramíneas dominantes e uma componente arbórea. Cobrem uma área de aproximadamente 907 327 ha ou 30.7% da área da bacia. As principais espécies são Combretum imberbe, Acacia nigrescens, Acacia tortillus, Sclerocarya caffra, e Hyphaene crinata. Este tipo de vegetação não é considerado nos cálculos das necessidades de água ou avaliação de mudanças de balanço. 4.6.7 Floresta de terras baixas Florestas de terras baixas correspondem uma grande variedade de classes de vegetação que incluem florestas de Miombo e de Mopane, florestas riverinas e florestas arbustivas. A composição de espécies é dominada pela Brachystegia e/ou pela Julbernardia. A área total coberta é de aproximadamente 784 350 ha ou 26.5% da área da bacia. Este tipo de vegetação não é considerado nos cálculos das necessidades de água ou avaliação de mudanças de balanço. 4.6.8 Floresta de terras altas Este grupo consiste de vegetação sempre verde que ocorre nas áreas montanhosa da bacia. O cultivo ocorre no sopé da montanha onde o solo é fértil e rico e a humidade é alta. A área total coberta é de aproximadamente 15 580 ha, ou 0.6% da área da bacia. Este grupo de vegetação também não é considerado no cálculo das necessidades de água. 4.7 Resultados do Zimbabwe Para o Zimbabwe, tem-se na bacia do Pungoé a seguinte distribuição de cobertura florestal: Area (ha) Erin Harrisville Lambton Stapleford Maswera Selbourne, Inyawari, Mutarazi Total Total 1 177 675 1 382 1 641 18 290 3 582 26 747 Plantado 971 34 1 166 1 143 1 940 - - Conservação 79 - 122 465 6 338 1 870 8 874 Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 22 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 4.8 Moçambique: desenvolvimento do sector florestal A combinação de fogos florestais (naturais e ateados por pessoas), prática da agricultura itinerante e o corte de árvores para lenha e carvão constituem as causa principais para a rápida diminuição das florestas em Moçambique. Anualmente em Moçambique são perdidos aproximadamente 150 000 ha de florestas somente devido às práticas da agricultura itinerante. A danificação das florestas causadas por incêndios é generalizada, ameaçando a regeneração de espécies florestais valiosas (Eureka Lda., 2001). Aproximadamente 4.3% de terras florestais em Moçambique foram desflorestadas num período de 18 anos, o que equivale a uma taxa de deflorestamento de 0.2% ao ano (Eureka Lda., 2001) A província de Maputo apresenta a maior taxa de deflorestamento com 19.9% da área desmatada no mesmo período. A província de Gaza apresenta a taxa mais baixa de deflorestamento com 0.9% da área total desflorestada no mesmo período. Nos mangais, a deflorestamento é estimada em 0.2% no mesmo período de 18 anos (Saket, 1194). Presentemente não existem dados sobre as taxas de deflorestamento causadas por cada uma das praticas acima mencionadas, embora a taxa de 4.3% inclua desflorestamento por agricultura itinerante, corte para lenha e carvão e degradação por frequentes queimadas. Também não existe um programa definido para reposição das florestas através de plantação de árvores. É no entanto provável um aumento das áreas plantadas resultante do aumento da procura de madeira de pinho serrada no mercado Internacional (Eureka Lda., 2001). Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 23 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 5 Sector de Pecuária Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 24 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 5.1 Introdução O presente estudo incluiu uma revisão da informação relevante sobre gado e fauna bravia na bacia do rio Pungoé, que é parte das províncias de Manica e Sofala em Moçambique. O estudo foi feito para projectar os números de gado e fauna bravia para 2025 com base na informação existente para esta área, Relativamente ao Zimbabwe, não há actualmente informação disponível. As projecções dos números do gado basearam-se na taxa anual média do crescimento nos 5 anos de 1995 a 2000. A taxa de crescimento calculada para este período foi então usada para projectar para o ano 2025. Parte da análise e das projecções obtidas neste estudo não são exaustivos devido à falta de informação detalhada na área. No entanto, estes números podem ser usados para estimar o consumo de água para este sector. Para a parte da bacia no Zimbabué, os mamíferos são raros na área, encontrando-se somente alguns “blue duiker”, “bushbuck”, macacos Samanga e Vervet e grupos de macaco cão. Por esta razão não se incluiu o Zimbabué no cálculo da fauna bravia. É comum haver a caça com armadilhas, redes ou cães é comum e, uma grande percentagem da população usa fisgas por hábito. 5.2 Enquadramento A bacia do rio Pungoé localiza-se na zona centro de Moçambique e ocupa toda ou parte dos distritos de Báruè, Gondola, Macossa e Manica na província de Manica e de Nhamatanda, Dondo, Gorongosa, Muanza, Búzi, Cheringoma and Maringué na província de Sofala (Loureiro, 1974). Em termos de produção de gado é importante salientar a produção de gado bovino, pequenos ruminantes e suinos. A população do gado bovino na Bacia do Pungué em Moçambique corresponde a 31.3% da população total nas províncias de Manica e Sofala, e 4.5% do total ao nível nacional em 2000. Os pequenos ruminantes correspondiam no ano de 2000, a 21.4% da população nas duas províncias e a 5.4% do global nacional. A população suína na bacia é respectivamente de 24.4% nas duas províncias e de 6.4% do país no seu todo. É importante referir que o sector familiar joga um papel principal na produção de gado. Mais de 75% da população pecuária é pertença do sector familiar. 5.3 Metodologia A informação obtida sobre gado foi processada e analisada de acordo com os seguintes procedimentos: Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 25 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas • Colheita de informação sobre a população pecuária nas províncias de Manica e Sofala, que existe no período de 1971 a 2000 (apêndice 1); • Colheita de informação sobre a populaçao pecuária de distritos relevantes de Manica e Sofala na bacia do Pungoé. Esta informação apenas existe de 1995 a 2000 (apêndice 2); • Estimativa da percentagem da área ocupada pelos distritos na baica do rio Pungoé (apêndice 2); • Distribuição do número total de gado por distrito para o período de 1995 a 2000 de acordo com a percentagem da área relativa ocupada por cada distrito na bacia do Pungoé. Com os resultados obtidos, foi estimada a contribuição da bacia do Pungoé em percentagem de cada tipo de gado (apêndice 2); • Com base na percentagem de gado na bacia do rio Pungoé, o número total de gado foi então estimado para cada província para o período de 1971 a 1973 e de 1980 a 1994 (apêndice 3); • Projecção da populaçáo pecuária na bacia do Pungoé para os anos 1974 e 1975 com base na taxa anual média de crescimento em cada província (apêndice 3); • A taxa annual média de crescimento foi calculada usando a seguinte equação: i=n onde: Ef Eo −1 i – taxa annual média de crescimento Eo – efectivo inicial de gado Ef – efectivo final de gado n – número total de anos considerado no período (Fonte: Ministério da Agricultura/FAO, 1985) • A população pecuária total na bacia do Pungoé foi calculada como a soma das contribuições parciais das províncias de Manica e Sofala na bacia (Tabela 2); • A população total de fauna bravia não foi estimada devido à qualidade e disponibilidade de dados para a bacia do Pungoé. Apenas pudemos obter dados para o Parque Nacional da Gorongosa que foram incluidos no presente relatório (ver Tabela 4). Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 26 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 5.4 Resultados e Discussão Os números do gado na bacia do Pungoé foram estimados com base nas contribuições parciais de cada província, de acordo com a percentagem dada no apêndice 2. O resultado deste cálculdo para toda a bacia está sintetizado na Tabela 2, que dá a evolução da população de 1971 ao 2000 para gado bovino, pequenos ruminantes e suinos, e aves domésticas entre 1990 e 2000. A discussão destes resultados considera quatro períodos de desenvolvimento da produção pecuária na bacia do Pungoé. O primeiro período é antes de 1975, o segundo de 1975 a 1982, o terceiro de 1983 a 1992, e o quarto de 1993 até o presente. Tabela 2 Ano 1971 1972 1973 1974 1975 (*) 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 Estimativa de gado para a bacia do rio Pungoé. Gado bovino 34 353 36 420 39 343 42 821 45 190 28 767 27 397 25 155 16 557 14 083 14 825 15 600 12 552 15 345 14 211 17 895 16 445 12 792 13 588 14 778 13 379 16 003 16 799 19 202 20 944 23 513 pequenos ruminantes 29 593 35 197 35 323 40 239 46 194 20 189 19 833 15 808 14 057 13 864 13 961 14 181 6 937 7 627 6 988 6 482 8 099 6 936 14 096 16 397 29 020 20 671 17 820 20 481 21 143 45 769 suino aves domésticas ** 7 326 9 831 12 008 15 405 19 559 12 548 10 992 9 246 8 626 10 974 8 836 6 697 8 182 6 251 5 596 8 139 8 256 5 274 7 626 9 053 12 706 16 084 9 887 11 211 11 206 11 990 Fonte: Resultados do estudo e Relatórios Anuais do MADER (*) – Projectado dos resultados de 1971 a 1973 (**) – Número total para as províncias de Manica e Sofala Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 27 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe 37 227 45 348 31 437 62 709 124 394 193 931 199 511 122 971 290 242 35 188 507 523 DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Antes de 1975 (data da independência de Moçambique) existiu um aumento acentuado da população de animais domésticos, atingindo o pico em 1975. No período de 1975 a 1982, a população pecuária manteve uma certa estabilidade, seguida por uma queda abrupta entre 1983 e 1992 resultante da guerra civil (MADER/DINAP, 1994). Após o fim da Guerra civil, desde 1993 até ao presente, observou um crescimento constante do efectivo pecuário. 5.4.1 Gado bovino Os Bovinos são as espécies mais importantes da produção animal em Moçambique. Durante o primeiro período de 1971 a 1974, a sua população cresceu numa média anual de 4%, aumentando de 34 353 em 1971, para 41 402 animais em 1974. A zona a sul do rio Save continha 72% do gado (MADER/DINAP, 1994) em Moçambique. O sector familiar era o sector dominante nos bovinos. Em 1974 o papel do sector comercial na produção de gado aumentou, contando com 48% da população total de bovinos na zona sul e de cerca de 64% do total da população do gado no país. Em 1972 foram introduzidos subsídios para promover a produção de bovinos (MADER/DINAP, 1994). O período de 1975 a 1982 observou um decréscimo no número de cabeças que baixou de 45 190 para 25 115, devido ao êxodo massivo dos agricultores Portugueses após a Independência, associado à mudança de administração e à ausência de um corpo central de coordenação. A situação foi agravada com o início da Guerra civil. A produção de gado no período de 1983 a 1992 atingiu o seu ponto mais baixo com o número de cabeças a caírem de 16 557 para 12 792. As razões para a queda incluem (MADER/DINAP, 1994): • A seca prolongada entre 1982 a 1984; • O efeito directo e indirecto da Guerra civil; • Roubo de gado acompanhado por matança indiscriminada; • Movimento de gado para os países vizinhos através da emigração das comunidades fronteiriças; • Fraca assistência veterinária devido ao difícil acesso às áreas de produção e falta de insumos; • Movimento do gado das suas áreas de produção principais para locais seguros, resultando numa população excessiva, no sobre pastoreio e erosão e a consequente baixa da produtividade. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 28 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas O período de 1992 a 2000 é caracterizado pela recuperação na produção de gado com uma taxa de crescimento anual de 10%, resultante do fim da guerra civil e a subsequente introdução de várias iniciativas de desenvolvimento. 5.4.2 Pequenos ruminantes Os pequenos ruminantes são criados principalmente para consumo e venda no mercado local, normalmente fora dos canais de controlo institucional. No período de 1975 a 1992 a sua população diminuiu drasticamente de 44 671 para 4 094 (9%) devido principalmente à guerra civil, para além duma metodologia deficiente de contagem e dificuldade de acesso às zonas de maior concentração de animais. Por volta de 2000, o efectivo nacional aumentou em 1 017% para 45 769 cabeças. 5.4.3 Suinos A população de suínos em Moçambique apresenta flutuações ao longo dos anos. A escassez de grãos e sementes oleaginosas em 1982 resultou na escassez de alimento para os animais e a consequente redução do stock. A situação piorou durante a guerra civil, resultando numa crescente falta de rações e contínuo decréscimo do número de suinos na bacia do Pungoé. Isto explica a taxa de crescimento negativa (-13%) de 1982 a 1992. 5.4.4 Aves domésticas Os dados disponíveis na produção de aves domésticas nas Províncias de Manica e Sofala só cobrem os anos de 1990 a 2000. Para se estimar a população de aves na bacia do Pungué, adoptou-se a seguinte relação: PB ⋅ PMS (M + S ) onde: (2) PB = área total da bacia do rio Pungué (M+S) = Área total da Província de Manica e Sofala, e; PMS = é o numero total de aves nas duas províncias. 5.4.5 Projecção do gado para 2025 A projecção da população animal até ao ano 2025 é indicada na Tabela 3. A taxa de crescimento para cada espécie de animal é baseada na média do crescimento observado no período de 1995 a 2000. Na província de Manica as taxas de crescimento são de 11% para os bovinos, 9% para os pequenos ruminantes, 26% para os suínos e 37% para aves. No caso de Sofala Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 29 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas usaram-se as taxas de crescimento de 17%, 10%, 3% e de 43% para respectivamente os bovinos, pequenos ruminantes, suínos e aves. Estas taxas de crescimento são no entanto muito influenciadas pelo baixo nível na situação actual, por isso tomou-se uma taxa de crescimento constante de 10% para todas as categorias, excepto para aves em que se usou 15%. As projecções para 2025 foram feitas a partir do ano 2000 em vez de 1975 porque senão ter-se-ia taxas de crescimento negativas uma vez que o efectivo de 1975 era superior ao de 2000. Com base nos valores para o ano 2000, os números projectados para o ano 2025 para ambas as províncias são 254 374 para gado bovino, 95 881 para pequenos ruminantes, 162 240 para suinos e 16 707 126 para aves. No entanto, o número total de aves projectado para o ano 2025 refere-se ao total para as províncias de Manica e Sofala como se mencionou anteriormente. Tabela 3 Ano 2000 2005 2010 2015 2020 2025 Estimativas de gado para o ano 2025. Números de Gado bovino 23 513 37868 60896 98073 157947 254374 pequenos ruminantes 45 769 73711 118712 191186 307905 495881 suino 11 990 19310 31099 50085 80662 162240 aves* 507 523 1020810 2053213 4129746 8306394 16707126 (Fonte: Resultados do estudo) (*) – As projecções referem-se ao total para as duas províncias A projecçáo para a fauna bravia não foi feita neste estudo devido à irregularidade na distribuição das espécies e falta de informaçao sobre a evolução dos animais ao longo dos anos. A informação disponível, aqui apresentada na Tabela 4, corresponde aos anos 1972, 2000 e 2001 no Parque Nacional da Gorongosa, onde decorrem esforços para repopular com as principais espécies de fauna bravia com números semelhantes aos existentes em 1975. Outras áreas na bacia onde a fauna bravia era importante eram as coutadas, cobrindo uma área total de 593 193 ha. As coutadas são reservas para fauna bravia onde é permitida a caça embora limitada por leis de conservação bastante restrititvas. Na bacia do Pungoé, inclui-se a Coutada 9 com uma área de 263 253.7 ha, a Coutada 13 com uma área de 306 613.2 ha e algumas áreas com programas de repovoamento de animais selvagens cobrindo uma área total de 23 326.2 ha. Estas áreas não foram incluídas na análise do consumo de água devido à Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 30 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas falta de dados fiáveis e por ter pouco peso no consumo total de água da bacia. Tabela 4 Fauna Bravia no Parque Nacional de Gorongosa. Especies Bufalo Gnu Hipopotamo Zebra Elefante Zibelina Veado do Cabo Antílope africano Porco do mato Bushbuck Duicker Impala Kudu Leão Nyala Oribi Reedbuck Javali Waterbuck Crocodilo 1972 2000 2001 13 295 6 427 3 483 3 331 2 542 483 0 0 60 11 163 40 15 2 44 5 111 102 344 13 11 126 11 5 35 218 13 53 51 0 134 113 246 251 393 - 42 145 23 38 40 6 157 106 332 499 465 - - (-) - sem informação Fonte: GERFA/2001 e Direcção Provincial dos Serviços de Pecuária/1972 Dos números apresentados na Tabela 4 é difícil estimar a variação real ao longo dos anos, ou fazer uma projecção para o futuro. Por isso, recomendase a colheita de dados adicionais relativos aos anos mais recentes para se conseguir uma projecção razoável para 2025. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 31 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 6 Sector da Agricultura e Irrigação Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 32 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 6.1 Moçambique A produção agrícola na área engloba dois sectores principais: o tradicional sector agrícola em pequena escala (agricultura de subsistência – culturas alimentares e produção comercial de pequena escala - hortícolas, associados à produção agrícola de subsistência) e o sector comercial (tipo de plantação – plantações de açúcar, pomares de árvores de fruto, arroz, hortícolas e gado). A produção de culturas em sequeiro domina os actuais sistemas agrícolas. Em geral, apenas os agricultores comerciais estão em posição de utilizar irrigação suplementar cultivos alimentares e pomares apesar dos pequenos agricultores se estarem a tornar mais activos e envolvidos no desenvolvimento de sistemas de irrigação em pequena escala utilizando as condições naturais prevalecentes nas montanhas e terrenos montanhosos, especialmente em partes da bacia que se encontram em quase todos os distritos da provincia de Manica e especialmente na provincia de Sofala, por exemplo no distrito da Gorongosa. O uso da terra actual ou os padrões actuais de uso da terra são muito influenciados por condições agro-ecológicas e pela distribuição dos recursos naturais nas zonas da bacia hidrográfica. As estimativas dos anos 70 indicam que a área total com o sistema de produção em sequeiro compreendia 71 000 ha. O milho e o sorgo são as culturas principais e dominantes produzidas na bacia apesar do cultivo do arroz estar a aproximar-se do grau de importância do milho e do sorgo apenas no vale do Baixo Pungoé. A rotação de culturas é muito importante, sendo as mais comuns milho+sorgo, milho+milho miúdo+feijão, milho+milho miúdo, milho+milho miúdo+sorgo ou feijão. As árvores de fruto estão presentes em todo o sítio e fazem parte dos sistemas agrícolas dos agricultores em pequena escala. No passado, e levando em consideração toda a área da bacia hidrográfica, foram reportadas 182 quintas comerciais em operação correspondendo a 154 095 ha da terra arável. Gondola, Vanduzi e Chimoio corresponderam a 56 204 ha de terra áravel enquanto que nos distritos de Báruè e Macossa a área cultivada era de 6 955 ha. No lado de Sofala, distritos de Gorongosa e Dondo, as áreas cultivadas foram de 8 212 ha e 82 724 ha respectivamente. Do total de terra arável, verificou-se que apenas 10% (16 036 ha) estava a ser utilizada efectivamente para o cultivo. No entanto, do total da área cultivada sob o sector comercial, apenas 4 378 ha foram considerados como utilizáveis para a produção irrigada de colheitas no passado (finais dos anos 60), em que as plantações de cana de açúcar sob irrigação correspondia a 4 047 ha (Açucareira de Moçambique – Mafambisse). Outras culturas irrigadas na altura incluiam o milho, o tabaco, o girassol e a batata irlandesa. Os pomares de citrinos e a banana eram consideradas as árvores de fruto irrigadas mais importantes. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 33 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas A área total cultivada na época de 2002/2003 (estimativas da FDHA, 2002 em prep.), levando em consideração apenas a agricultura de irrigação ao longo da bacia (valores para as províncias de Sofala e Manica) é de 8 306 ha ou aproximadamente 95% do total de terra arável já equipada, com 8 141.5 ha das instalações concentradas na província de Sofala. A terra arável actual equipada para a agricultura irrigada em ambas as províncias corresponde a cerca de 8 758 ha. As Tabelas 5 e 6 apresentam estimativas das áreas para cada uma das províncias abrangida pela bacia do rio Pungoé e também pelo distrito administrativo correspondente. A maior parte da área equipada e irrigada na província de Manica está actualmente a ser utilizada para a produção de cana de açúcar, ou seja, 8 093 ha da terra equipada existente é utilizada para a produção de cana de açúcar, pertencendo as plantações à Açucareira de Moçambique, Mafambisse. Tabela 5 Estimativas(1) da terra áravel irrigada na bacia do rio Pungoé e distrito correspondente (província de Sofala). Área irrigada (ha) Rio/afluente Distrito Equipada Actualmente em uso Nhauiriuri/Nhauranga 7.0 7.0 Muera 10.0 1.0 Gorongosa Murrombodzi 5.0 5.0 Nhandjudji 3.0 3.0 Nhabirira/Chitunga 20.0 0.0 Canhaímbo 69.3 4.3 Dondo Mauaua 39.0 2.0 Pungue 8 188.0 8 093.0 Muda 9.5 5.7 Chiziva 7.0 7.0 Nhamatanda Pungwe 8.0 3.5 Metuchira 2.5 0.5 Haruma 2.5 2.5 Pungwe Zonas Verdes – Beira 1.0 0.0 Toda a bacia Todos os distritos 8 373.3 8 133.0 (1) – as estimativas para a agricultura irrigada não levam em consideração o cultivo de terras húmidas. As áreas abrangidas pelo levantamento referem-se à terra irrigada com sistemas de irrigação convencionais, por exemplo, sulco/superfície, aspersor, canhão de água, pivô, etc. A bacia hidrográfica atravessa verões quentes e invernos médios secos. A precipitação está principalmente concentrada no periodo chuvoso entre Outubro e Março. A região é geralmente caracterizada por um clima predominante sub-húmido. A precipitação varia de cerca de 1 400 mm/ano ao longo da costa e 900 mm/ano mais no interior, e nas terras montanhosas de 1 200 a 1 500 mm, a menos de 700 mm/ano nas Planícies de Sena. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 34 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas A terra actualmente preparada para a agriculutura de irrigação é derivada de estudos e avaliações anteriores (FDHA, 2003; Mihajlovich and Gomes, 1986; COBA & PROFABRIL, 1973). As Tabelas 5 e 6 apresentam as áreas de terra áravel irrigada para a bacia do rio Pungoé e distritos correspondentes que se verificam na bacia para as províncias de Sofala e Manica respectivamente. Considerando os valores apresentados nas Tabelas 5 e 6, o uso de água actual para a agricultura irrigada na bacia é mínimo, e as actividades agrícolas estão a ser implementadas com intensidade limitada na maior parte da zona da bacia. Os estudos realizados em relação ao desenvolvimento agrícola do vale do Pungoé e planos relacionados estimam que a área total de 244 000 ha a ser utilizada para irrigação durante os anos 70, estava localizada principalmente ao longo da parte inferior do Rio Pungoé. Tabela 6 Estimativas(1) de terra áravel irrigada para a bacia do rio Pungoé e distrito correspondente (Província de Manica). Terra irrigada (ha) Rio/afluente Nhamatokwe n.a (2) n.a (2) n.a (2) n.a (2) Mombedzi Kanhungwe e Nhamburo Nhacangara I Nhacangara II Nhamateronje Nharissecha Tuarangwa Nhamucuti Nhambulo Nhamudzarara Nhamonda Nhandzarwe Nhamaguswa Nhandwe Nhamizinga Pande(i)ra Nhantzoda Distrito Gondola Báruè Macossa Equipada (ha) Actualmente em uso (ha) 12.0 2.0 4.0 20.0 15.0 70.0 110.0 1.0 (projecto) 40.0 5.0 1.0 15.0 0.5 50.0 4.0 7.0 1.5 4.0 2.0 1.5 10.0 10.0 6.0 2.0 2.0 3.0 2.0 4.0 110.0 1.0 0.0 5.0 1.0 1.0 0.5 6.0 4.0 7.0 1.5 4.0 2.0 1.5 0.5 0.5 Todos os 397.5 176.5 distritos (1) – as estimativas para a agricultura de irrigação não levam em consideração o cultivo de terras húmidas. As areas abrangidas pelo levantamento referem-se a terra irrigada com sistemas de irrigação convencionais, por exemplo,´sulco/superfície, aspersor, canhão de água, pivôt, etc. (2) – não foi possivel registar o nome de rios ou respectivos afluentes durante o levantamento de campo Toda a bacia Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 35 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Para este fim, o Vale do Pungoé pode ser diferenciado em três grandes regiões ou secções, o Alto Pungoé, o Médio Pungoé e o Baixo Pungoé respectivamente. O Alto Pungoé engloba as partes noroeste da bacia hidrográfica, que inclui o vale Nhandungue na fronteira norte da bacia, os vales Nhacangara e Messambedze na zona de Catandica e o vale Mavuzi na região sul. A região é dominada por um maciço montanhoso de colinas altas com uma série de interflúvios largos convexos separados por uma densa rede de drenagem. A região do Médio Pungoé engloba os planaltos de Gondola, Macossa, Chimoio e Gorongosa e também partes do sistema do Alto Muda. Esta região é composta por uma série de colinas arredondadas e colinas com frequentes declives inclinados de vales e rios encaixados. Os vales dos afluentes são estreitos com lados irregulares. Ao longo destes vales ocorrem solos hidromórficos com alúvio variável. Como já foi mencionado anteriormente, o Baixo Pungoé foi a região seleccionada como prioritária para o planeamento do desenvolvimento agrícola tanto em áreas existentes como em terras adicionais. A região do Pungoé Inferior compreende Bué-Maria, Metuchira, Muda, Mecubedze, e Dondo, onde estão localizadas grandes plantações de cana de açucar da Açucareira de Mafambisse. A região é constituída por uma grande planície de cheias onde se distinguem diferentes sub-unidades com base nos processos de deposição que ocorrem. O rio drena para o estuário sujeito a marés próximo da Beira. A maior parte da terra irrigada na região do Alto Pungoé está atribuída a pequenos agricultores, co-operativas de agricultores e associações de agricultores. Estes agricultores têm, actualmente, a capacidade de cultivar áreas muito pequenas com condições de irrigação normalmente inferiores a 5 ha. A agricultura comercial está limitada a menos de cinco agricultores, dos quais apenas dois têm quintas com mais de 50 ha, com 110 e 60 ha respectivamente. A irrigação em pequena escala é normalmente praticada durante a época seca uma vez que as condições de precipitação são adequadas para a produção de colheitas durante a época chuvosa. No entanto, é possível utilizar irrigação suplementar quando occorrem periodos secos ou com pouca chuva. Os sistemas de irrigação em pequena escala são baseados em técnicas de recolha de água. É comum nesta região, em que a precipitação acima de 1 000 mm/ano, declives topográficos acentuados e condições do solo com baixas taxas de infitração e solos pedregosos promovem o escoamento, permitindo o armazenamento de água em pequenas barragens e reservatórios. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 36 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Foram inventariadas cerca de 300 pequenas barragens no país em finais da década de 70, muitas das quais localizadas na Província de Manica. Estas eram utilizadas principalmente para o gado e irrigação em pequena escala durante a época seca. Devido à guerra e ao abandono destas áreas, a maioria destas pequenas barragens ficou danificada e fora de serviço. A maioria das pequenas áreas irrigadas é dominada pela irrigação de sulcos/inundação. Muitos dos sistemas ulitizam barragens simples em terra ou betão, que são construídas ao longo do rio para armazenamento de água. A água alimenta canais por gravidade ou com bombas a diesel. Na irrigação de hortícolas, batatas, milho e tabaco, a distribuicao da água baseia-se simplesmente em canais de nível ou ao longo da pendente e pequenas bacias de sulcos alinhadas em paralelo às curvas de nível. Diques que circundam estas bacias são quebrados em intervalos regulares para permitir a inundação das micro bacias. Cerca de 7 000 ha de terra são irrigados através de sistemas de irrigação com aspersores (irrigação convencional com aspersor), na produção de cana de açucar. 6.2 Zimbabwe Desde o final da Segunda Guerra Mundial, quando foram construídas as primeiras estradas na parte norte do Vale do Pungoe via Odzani e a estrada aberta anteriormente para o vale Honde adjacente, tornou-se evidente a caracteristica agrícola única (no contexto do Zimbabwe) desta terra baixa subtropical de elevada precipitação. Até à data, estas áreas tinham permanecido quase intocadas, pertencendo principalmente a companhias baseadas em Londres. Um empresário Irlândes, o Sr. Brian Igoe, decidiu tentar plantar chá num destes blocos de terra e abriu a original Plantação de Chá de Aberfoyle no que é agora a Companhia de Chá das Eastern Highlands. Subsequentemente, vendeu-a e abriu uma nova Plantação de Chá Aberfoyle ao lado. O exito da plantação de chá permitiu a construção de melhores pontes e estradas incluindo a estrada alcatroada até à escarpa de Manga e ao longo da base oeste da colina de Mandeya (o local dos píncaros de granito) de Ruda para norte. Muitas outras estradas se seguiram à medida que surgiu a necessidade de abrir caminho para outras partes do vale e ajudar ao desenvolvimento do seu pleno potencial. O pessoal da agrilctura verificou desde cedo que todos os esforços deveriam ser feitos para persuadir os agricultores indígenas a trocar a produção das suas pobres colheitas de susbsitência para as colheitas cash de valor crescente que não seriam produzidas noutras partes do país. O rendimento destas permitiria-lhes comprar o grão proveniente de áreas mais adequadas à produção de milho e outros cereais. A política, desconfiança e intimidação atrasaram gravemente a introdução das primeiras culturas que o pessoal do Ministério da Agricultura estava a tentar Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 37 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas promover. Um moinho de demonstração para a produção de açucar mascavado bruto foi queimado, e os poucos indivíduos que haviam começado a plantar chá e café tiveram de remover as plantas dos seus campos. Até essa altura, os cultivadores dos vales haviam utilizado técnicas tradicionais de cortar e queimar, e após duas ou três épocas deslocavam-se. Era realizado, por família, uma média de um hectare de cultivo à enxada para uma colheita fraca de milho míudo (Eleusine coracana) e de milho com muitas doenças. As demonstrações de boas técnicas agrícolas, em conjunto com a extensão agrícola e a introdução de Clubes de Poupanças, levou aos poucos a práticas agrícolas melhoradas. O facto da população estar confinada no vale em Aldeias Protegidas durante a guerra de libertação permitiu que todos os agricultores fossem alcançados e aprendessem melhores métodos agrícolas. Nos locais de demonstração, o uso correcto da lavra, uso de fertilizantes, boas sementes e outras práticas agrícolas sãs deram origem a aumentos substanciais na produção de milho. Foram introduzidas com sucesso novas colheitas como o algodão e tabaco burley, mas a última não se produz mais (desapareceu também das áreas agrícolas comerciais). A produção de amendoim também era popular mas foi também foi substituída pelo milho, e também quase não se encontra milho miúdo hoje em dia. O milho é agora produzido em cerca de 90% de toda a terra áravel, mas as bananas são a maior colheita de exportação para as cidades, e a cana de açucar para mascar luta por espaço em áreas húmidas. É produzida uma quantidade limitada de coco para consumo doméstico. As mangas também são outra grande cultura, e a maioria das casas tem algumas árvores de papaia. Existe um bom potencial para citrinos assistida pela irrigação na planície de Hauna. Crescem goiabas excelentes livremente entre Hauna e o rio Ruda, e não estão ainda sujeitas às moscas da fruta. Ao longo da saliência sob o topo da escarpa de Manga, o café está finalmente a tornar-se comum. Uma anterior parcela de demonstração (posterior a 1960) havia provado que o clima e solos eram ideias para o café Arabica. O chá tornou-se agora uma grande história de sucesso a norte do rio Pungoé, mas as pressões políticas haviam impedido que isto se desenvolvesse por muitos anos (ver o relatório de Sociologia para detalhes). Os primeiros quatro agricultores foram Apostólicos que utilizaram a sua fé para desafiar os chefes políticos e tribais que estavam a tentar suprimir as novas tecnologias. Foi produzida uma quantidade limitada de arroz, por algum tempo, nas planícies de inundação do Ruda e do Pungoe, mas este agora deu lugar ao popular milho para consumo doméstico e venda local. Foram realizadas tentativas de várias especiarias tropicais desde 1955-60 a sul do Rio Pungoe em Chuwira, mas apesar do terreno ali não ser adequado, ficou claro que a pimenta poderia ser produzida com sucesso se fossem seleccionados os locais mais adequados. O cardamono também mostrou Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 38 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas poder ter sucesso, e agora é produzida em pequena escala em Aberfoyle. O gengibre e o açafrão da Índia foram outras especiarias potencialmente adequadas para a área se produzidas correctamente. Todo este trabalho terminou devido à insegurança política na altura. Na parte do Highveld dentro da bacia próximo de Odzani, foram produzidos uma variedade de frutos (principalmente maças, pêssegos e ameixas) em pequenas parcelas isoladas de âmbito comercial. Com o êxodo de todos os anteriores donos brancos, os novos donos mudaram para a produção de milho. Alguns dos agricultores de Tsonzo Purchase perto de Watsomba estão agora a produzir boas colheitas de batata para além do sempre presente milho. As tentativas por parte de produtores isolados de plantar maçãs em pequenas parcelas perto das Cataratas de Mtarazi foram impedidas pelo denso crescimento de líquenes nos caules e ramos devido às constantes neblinas. Actualmente, existe uma área total de 1770 ha de plantações de chá e 350 ha de plantações de café. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 39 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 7 Necessidades de Água Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 40 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Este capítulo calcula os consumos de água dos três diferentes sectores. Pretende quantificar os impactos nos recursos hídricos disponíveis resultante duma actividade humana particular num dos sectores. Este decréscimo na quantidade disponível de água pode resultar da abstracção física de água duma fonte como um rio, lago ou aquífero como é o caso da agricultura irrigada e do gado, ou da alteração duma das componentes do balanço hídricos na região resultando indirectamente na diminuição dos recursos hídricos disponíveis como é o caso das plantações de florestas. Explica-se também as diversas metodologias usadas para o cálculo das abstracções de água para os três diferentes sectores. A metodologia adoptada baseia-se nas recomendações da FAO e incorpora o conhecimento local sempre que possível. 7.1 Metodologia para calcular as necessidades de água O balanço hídrico numa região pode ser apresentado esquematicamente como na Figura 2. A precipitação vem da atmosfera na região. Parte da chuva é imediatamente interceptada pela vegetação e mais tarde libertada para a atmosfera como evapotranspiração. Outra parte infiltra-se no solo e outra parte escoa na superfície juntando-se aos rios ou lagos. A quantidade que se infiltra no solo é utilizada pela vegetação e libertada para a atmosfera como evapotranspiração, uma parte é armazenada no solo e outra parte junta-se às águas subterrâneas que mais tarde desagua nos rios ou lagos. Qualquer intervenção humana tem um impacto no balanço hídrico da região afectada, resultando na alteração de uma ou mais das diferentes componentes do balanço hídrico e consequentemente nos recursos hídricos disponíveis nos locais a jusante. EVAPORATION FROM THE SEA EVAPORATION FROM THE LAND EVAPOTRANSPIRATION FROM THE CROPS AND SOILS FF NO RU WATER ABSTRACTION WATER ABSTRACTION INTERCEPTION INFILTRATION GROUNDWATER FLOW The Hydrological Cycle – water in its perpetual movement Figura 2 Ciclo hidrológico para os sectores de florestas, agricultura e pecuária. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 41 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Será utilizada uma metodologia diferente para cada sector. Para os sectores de florestas e de agricultura, a abstracção de água depende dos tipos de árvores plantadas ou no tipo de culturas produzidas bem como na área abrangida. Para a pecuária, a abstracção de água depende do número total de animais. Para os casos em que as condições iniciais são mantidas ou nao são suficientemente alteradas (em termos dos diferentes componentes do balanço hídrico), como no caso de florestas naturais, matagais e savanas e agricultura de sequeiro, não se efectua a computação das abstracções de água ou de uso da água. 7.1.1 Sector de florestas A computação das necessidades de água para o sector de florestas difere do sector de agricultura. Uma vez que não há irrigação no sector de florestas, não se realiza a computação das necessidades de água per se, apenas se introduz no escoamento superficial o efeito de alterar a cobertura natural. Para o sector de florestas, assume-se que o balanço hídrico apenas é alterado no caso de plantações de espécies exóticas. Todos os outros casos são considerados vegetação natural sem qualquer alteração significativa do balanço hídrico. A metodologia utilizada foi desenvolvida na África do Sul com base numa série de experiências que tiveram início em 1935. O efeito da plantação de espécies exóticas nas necessidades de água superficiais numa bacia pode ser estimado com base no gráfico apresentado a seguir (Figura 3). Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 42 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Figura 3 Relação entre a precipitação anual média, o escoamento anual médio e a redução prevista no escoamento resultante da florestação duma savana na bacia hidrográfica. De acordo com o gráfico, a redução prevista no escoamento anual médio expresso em mm/ano em relação às plantações exóticas depende da precipitação anual média na região, no tipo de gestão florestal (árvores maduras versus rotação de 40 anos), e da área em consideração. No exemplo dado na figura, preve-se um decréscimo no escoamento da área arborizada na ordem dos 300 mm/ano para uma plantação madura numa região com uma precipitação média de 1 400 mm/ano que é uma precipitação média anual semelhante à da localização das plantações exóticas na Província de Manica. Multiplicando o decréscimo previsto no escoamento pela area total arborizada obter-se-á o volume de decréscimo esperado no escoamento annual do rio. Este método foi adoptado para o presente estudo uma vez que é um método refinado desenvolvido em condições que são razoavelmente semelhantes às condições na bacia do Pungoé onde se encontram as plantações exóticas. A semelhança não é apenas em relação às espécies plantadas mas também em termos de clima, quantidade e padrão da precipitação bem como a topografia. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 43 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Pode também ser utilizado um método mais refinado desenvolvido recentemente para os casos em que estão disponíveis informações mais detalhadas relacionadas com a gestão das plantações. Este método calcula a redução prevista no escoamento total annual do rio, e também o decréscimo esperado nos caudais esperados observados no(s) rio(s). As computações são realizadas com base nos gráficos apresentados na figura a seguir (Figura 4). Figura 4 Curvas de generalização para prever a redução percentual nos caudais (anuais) totais e caudais baixos em função da idade após a arborização a 100% com pinheiros e eucaliptos (segundo Scott and Smith, 1997). O cálculo depende do tipo de plantações (Eucalipto versus Pinheiros), no número de anos após a arborização, e da área afectada. Neste caso, a redução do caudal resultante das plantações exóticas é expresso como uma percentagem do caudal anual total ou do caudal baixo e leva em consideração não apenas as espécies e área envolvida mas também as práticas de gestão utilizadas na área, especificamente o número de anos após a arborização ou o número de anos antes de um abate total. Este método não foi utilizado neste relatório uma vez que são necessárias informações mais detalhadas sobre as espécies e a gestão da floresta. Este método é aqui referido porque pode ser utilizado ao discutir os vários cenários de desenvolvimento na bacia. Métodos mais sofisticados como modelos de balanço hídrico estão também disponíveis mas o seu uso não é justificável para o presente estudo uma vez que neste se considera o efeito global das plantações na bacia. Além disso, as areas com plantações de árvores exóticas não são suficientemente grandes para justificar um método mais refinado. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 44 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 7.1.2 Sector de pecuária Para o gado, as necessidades de água diárias utilizadas neste estudo são: Espécie Litros de água por cabeça Bovinos Pequenos ruminantes Porcos Aves 35.0 4.0 5.0 0.3 Fonte: adaptado de Agricultural Compendium, 1981. As necessidades de água totais anuais para uma espécie são obtidas através do produto da população pelo consumo diário de água para essa espécie específica, vezes 365 que corresponde ao número total de dias num ano. 7.1.3 Sector agrícola No caso do sector agrícola, distinguem-se duas situações diferentes. A primeira para o caso da agricultura de sequeiro, pressupõe que esta é realizada de tal forma que não existem alterações significativas na quantidade de água utilizada pelas culturas, a quantidade que acresce às águas subterrâneas e a quantidade que chega aos rios através do escoamento superficial em comparação com a vegetação natural para a região. Uma vez que não existem alterações significativas nas entradas e saídas do balanço hídrico, a demanda de água para a agricultura de sequeiro não é calculada e é tratada da mesma forma que a vegetação natural. Isto não é necessariamente verdadeiro especialmente nos casos em que existe uma grande diferença entre a vegetação natural e a agricultura como no caso de modificar áreas de floresta para agricultura e nos casos de agricultura de sequeiro com tecnologias avançadas em que estão a ser utilizadas práticas para conservação da água do solo. Apesar desta diferença, não levamos em consideração neste estudo porque se sentiu que esta diferença não é significativa nesta fase do desenvolvimento agrícola. Para o Segundo caso, o caso da agricultura irrigada, os cálculos para a demanda de água são realizadas com base nos métodos internacionais adoptados da FAO que são descritos em detalhe em FAO 1997 e FAO 1998. Com base nessa metodologia, as necessidades brutas de água para irrigação em mm/mês (Girrj,i) para um mês específico i e uma cultura específica j são calculados mensalmente utilizando a seguinte equação: Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 45 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Girrj ,i = em que: (Kc j ,i ⋅ EToi ) ⋅ n'i − Pe j ,i (1 − Lrj ) ⋅ eff j – refere-se a uma cultura específica; i – refere-se a um mês específico (de 1 a 12) do período de crescimento de uma cultura específica j; Kcj,i – é o coeficiente médio da cultura para a cultura j, no mês i; EToi – refere-se à evapotranspiração media de referência da cultura para um mês específico i expresso em mm/d; ni – o número total de dias num mês específico i; Pej,i – é a precipitação efectiva para uma cultura específica j, num mês específico i, expresso em mm/mês; Lrj – é a necessidade de lavagem para uma cultura específica j, e eff – é a eficáica da irrigação. A necessidade de lavagem (Lr) representa a quantidade extra de água necessária para manter os sais na solução do solo a um nível que não afecte o desenvolvimento da cultura. É calculado com base na seguinte equação (a primeira equação para irrigação de superfície ou com aspersor e a segunda para rega gota-a-gota ou de alta frequência): Lr = em que: Ec w 5 ⋅ Ece − Ec w Lr = , ou Ec w 2 ⋅ MaxEce Ecw – refere-se à condutividade eléctrica da água para irrigação; Ece – refere-se à condutividade eléctrica da solução do extracto do solo recomendada para a cultura em consideração; MaxEce – refere-se à condutividade eléctrica máxima da solução do extracto do solo recomendada para a cultura em consideração; Os valores de Ece e MaxEce para as diferentes culturas utilizados neste relatório são apresentados na tabela a seguir (Tabela 7). Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 46 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Tabela 7 Condutividade eléctrica (Ece) e condutividade eléctrica máxima (MaxEce) da solução do extracto do solo recomendada para diversas culturas. Culturas Ece em dS/m MaxEce em dS/m Hortícolas Caa de açucar Citrinos Bananas Pastos Cereais Arroz Algodão 1.2 1.7 1.7 1.2 1.5 1.7 3.0 7.7 7.4 19.0 8.0 n.a. 18.0 10.0 11.0 27.0 Fonte: FAO irrigation and drainage paper 24, 1977 Para o arroz, devido à sua especificidade (está inundado durante a maior parte do período de crescimento), a necessidade bruta mensal de irrigação (Girrrrice,i) expresso em mm/mês leva também em consideração a taxa de percolação do solo (Gi), e é calculado com base na seguinte equação: Girrrice,i = em que: (Kc rice , i ⋅ EToi + Gi ) ⋅ n'i − Perice,i (1 − Lrrice ) ⋅ eff Kcrice,i – é o coeficiente médio da cultura para o arroz durante o mês i; Gi – refere-se à taxa de percolação media do campo de arroz durante o mês i expresso em mm/dia, e Perice,i – é a precipitação efectiva para o arroz num mês específico i, expresso em mm/mês. A necessidade média global de irrigação do campo (FGirri) para um mês específico e um campo específico, expresso em m3/mês é dado por: FGirri = ∑ (Girr j ,i ⋅ A j ,i ⋅ 10 ) m j =1 em que: m – o número total de culturas em consideração no campo num mês específico i; Aj,i – é a area abrangida por uma cultura específica j, num mês específico i, expresso em ha, e 10 – é o factor para converter a unidade de volume computada em m3. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 47 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas A necessidade média global de irrigação do campo (FGirr*i) para um mês específico, expresso num caudal diário em m3/s é dado por: ∑ (Girr m FGirri = * em que: j =1 j ,i ⋅ Aj ,i ⋅ 10) ni ⋅ 86400 10 – é o factor para converter a unidade de volume computada em m3; ni – é o número de dias num mês específico i; 86400 – é o factor para converter m3 por dia em m3 por segundo. A necessidade média global de irrigação do campo (FGirryear) para o ano, expressa em m3/ano é dada por: 12 FGirryear = ∑ FGirri i em que: i – é o número do mês (de 1 a 12). A evapotranspiração da cultura de referência (ETo) expressa o poder evaporante da atmosfera e está apenas dependente de factores climáticos. Introduziram-se os valores médios mensais com base na equação de Penman-Montheith que depende dos valores médios mensais da radiação solar, temperatura, humidade relativa, insolação e vento na região em consideração. Utilizamos os valores ETo de seis estações (Beira, Chimoio, Catandica, Nhamatanda, Inhaminga e Mopeia), conforme apresentado na Tabela 8. Estes variam de um valor mínimo de 2.44 mm/d durante o mês de Junho em Catandica a um valor máximo de 6.02 mm/d para o mês de Outubro em Mopeia. Mopeia está fora da bacia mas é utilizada para extrapolações em áreas próximas da bacia do Pungoé. Todas as outras estações estão localizadas dentro da bacia do Pungoé. Para obter a evapotranspiração potencial para uma cultura específica, é necessário multiplicar ETo pelo coeficiente da cultura (Kc) que está dependente da fase de desenvolvimento e densidade da cultura. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 48 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Tabela 8 Valores médios mensais da evapotranspiração de referência (ETo) em mm/d para seis estações diferentes (Beira, Chimoio, Catandica, Nhamatanda, Inhaminga e Mopeia). ETo (mm/dia) para seis estações Mês Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Beira Chimoio Catandica Nhamatanda Inhaminga Mopeia 5.43 5.27 4.77 4.17 3.32 2.78 2.79 3.44 4.26 4.97 5.19 5.28 4.72 4.51 4.21 3.66 3.05 2.67 2.75 3.55 4.49 5.23 4.72 4.51 3.90 3.81 3.89 3.37 2.80 2.44 2.62 3.34 4.18 4.95 4.36 4.00 5.31 5.02 4.77 4.16 3.59 3.10 3.05 3.98 4.96 5.79 5.58 4.97 5.30 5.12 4.53 4.06 3.52 3.10 3.39 4.09 5.03 5.90 5.75 5.25 5.15 4.93 4.47 4.01 3.12 2.75 2.86 3.74 4.90 6.02 5.93 5.22 Para calcular o valor ETo para cada distrito, utilizou-se o valor correspondente da Tabela 8 no caso de haver uma estação representativa no distrito ou, para os casos em que não havia estação representativa, utilizouse uma média pesada de diferentes estações como apresentado na Tabela 9. Tabela 9 Estações utilizadas para calcular os valores ETo para os diferentes distritos. Provincia Sofala Manica Distrito Estações usadas para calcular ETo Gorongosa Dondo Nhamatanda Beira Macossa Báruè Gondola Nhamatanda, Inhaminga e Catandica Beira e Nhamatanda Nhamatanda Beira Catandica e Mopeia Catandica Chimoio Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 49 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas A precipitação mensal efectiva, segundo a metodologia da FAO, é calculada com base nas seguintes equações: Pe = 0.80 ⋅ P − 24.0 para P > 70, ou Pe = 0.60 ⋅ P − 10.0 para 70 > P > 16.7, ou Pe = 0.0 para P < 16.7 em que: Pe – é a precipitação mensal efectiva expressa em mm/mês, e P – é a precipitação mensal com uma probabilidade de 75% de ser excedida. O cálculo das necessidades de irrigação foi realizado para três cenários diferentes utilizando a precipitação com uma probabilidade de ser excedida de 80% (ano seco), 50% (ano médio) e 20% (ano húmido). No âmbito do planeamento da irrigação, deve-se utilizar o caso de 80%, dando um período de retorno para o esquema de irrigação de 5 anos. Os padrões da precipitação apresentam uma grande variação na região, desde um valor médio anual de 1 588 mm na Beira na costa a um valor médio anual de 613 mm em Urema. Para levar em consideração estas variações na quantidade total de precipitação, os cálculos foram realizados com base nos distritos. Incluiram-se quatro distritos na província de Sofala (Gorongosa, Dondo, Nhamatanda e Beira) e três distritos na província de Manica (Macossa, Báruè e Gondola). Estes correspondem aos distritos com desenvolvimentos presentes e/ou passados em agricultura irrigada ou plantações de florestas exóticas. Para cada distrito, utilizou-se uma média pesada dos valores da precipitação de diferentes locais na região. Todas as 29 estações que têm valores de precipitação mensais para 10 anos ou mais foram utilizadas. Para cada uma destas estações de precipitação utilizadas neste relatório, introduziu-se a precipitação média mensal, o desvio padrão, as chuvas máximas e mínimas observadas e a média. Com base no valor médio e no desvio padrão e assumindo uma distribuição normal de valores de precipitação mensais para anos diferentes, introduziram-se os valores da precipitação com uma probabilidade de serem excedidos de 80%, representando um ano seco, de 50% representando um ano médio e de 20%, representando um ano húmido. Os valores de precipitação utilizados para os diferentes distritos são apresentados na tabela seguinte (Tabela 10). Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 50 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Tabela 10 Sumário das precipitações na bacia do Pungoé SUMÁRIO DAS PRECIPITAÇÕES NA BACIA DO PUNGUÉ Estação Gorongosa rainfall stations: 169, 205, 365 e 373 Dondo rainfall stations: 95, 96 e 215 Nhamatanda rainfall stations: 88, 90, 94, 99, 101, 169, 365, 373 e 896 Beira rainfall stations: 58 e 769 Macossa rainfall stations: 205 Báruè rainfall stations: 350, 372, 374, 375, 376, 498, 536, 659, 862 e 908 Gondola rainfall stations: 97, 106, 385 e 806 n mean sdv max min med n mean sdv max min med n mean sdv max min med n mean sdv max min med n mean sdv max min med n mean sdv max min med n mean sdv max min med OUT 19 22.2 24.2 92.0 0.0 15.1 18 25.8 27.7 90.3 0.0 17.0 21 31.2 36.5 131.3 0.0 18.6 21 14.5 15.8 53.0 0.0 8.3 19 19.1 21.7 77.0 0.0 16.0 22 35.0 32.1 126.3 2.6 26.1 21 43.7 34.9 144.8 6.0 32.8 NOV 20 83.7 57.2 223.3 1.3 78.1 19 99.3 52.6 210.7 25.0 90.8 21 85.2 56.9 221.8 7.4 75.9 20 116.1 63.2 279.0 31.5 108.3 20 126.8 75.4 270.0 0.0 137.5 22 112.9 75.1 284.8 16.3 98.4 22 115.4 65.8 250.8 32.3 97.0 DEZ 21 155.8 110.8 489.5 26.5 140.5 18 227.4 159.5 678.3 43.3 199.5 21 171.2 111.3 461.3 22.1 155.2 20 240.1 158.2 694.5 69.5 182.3 19 174.2 94.8 438.0 71.0 154.0 22 223.9 139.7 567.9 49.8 200.4 22 215.5 140.0 565.8 51.5 168.0 JAN 21 164.7 109.3 437.0 37.8 141.9 20 227.8 118.9 456.3 42.7 237.7 22 178.8 107.8 436.2 30.6 161.0 21 270.4 141.6 681.0 81.0 253.8 19 216.2 115.4 423.0 69.0 184.0 22 262.4 148.3 568.9 39.0 260.0 23 221.4 136.5 522.5 38.5 207.9 FEV 20 161.6 105.8 418.0 37.8 129.4 20 286.4 208.2 777.7 46.0 227.0 22 187.6 139.4 553.1 30.7 156.5 22 315.0 218.1 769.0 42.0 241.3 19 169.5 80.9 360.0 71.0 132.0 22 213.0 133.0 539.4 41.0 185.4 23 234.7 154.8 573.3 32.0 204.8 MAR 20 97.5 66.1 239.0 16.0 83.1 19 202.3 143.9 481.0 32.0 150.7 22 116.4 85.2 344.7 17.0 93.8 22 240.4 152.9 551.5 53.0 212.5 17 101.4 66.5 262.0 27.0 95.0 22 153.5 124.1 470.0 12.9 112.0 22 140.2 110.2 410.8 12.0 100.6 ABR 19 42.9 32.3 113.3 4.0 34.4 19 87.1 66.9 238.7 2.3 74.3 21 48.8 34.6 126.2 3.3 46.4 21 126.6 76.6 278.5 16.0 109.3 18 43.2 42.0 135.0 0.0 28.5 22 77.7 64.5 265.2 2.3 67.2 22 54.3 39.6 139.5 3.3 44.3 MAI 20 21.0 21.9 87.0 0.0 14.5 19 29.1 37.0 141.3 0.0 19.0 21 20.5 23.8 90.7 0.0 12.6 21 64.4 50.1 210.5 6.5 51.0 17 22.5 19.5 70.0 0.0 18.0 22 25.5 28.7 109.4 0.1 16.6 20 24.5 23.0 89.8 0.3 20.4 JUN 20 17.4 15.2 53.8 0.0 16.0 19 31.6 29.1 94.7 0.0 29.2 21 18.9 20.0 76.1 0.0 14.5 21 44.7 40.6 134.0 0.0 34.0 17 17.7 12.8 41.0 0.0 16.0 22 17.3 18.5 69.0 0.0 11.5 20 23.9 27.0 96.5 0.0 12.6 JUL 20 9.8 9.9 33.0 0.0 6.1 20 20.3 26.0 92.0 0.0 10.3 21 10.4 13.3 46.2 0.0 4.4 20 39.2 35.4 137.5 0.0 29.5 18 9.7 11.2 32.0 0.0 5.5 22 8.2 8.4 29.4 0.0 6.4 21 18.8 23.0 80.0 0.0 10.3 AGO 20 18.5 28.8 110.0 0.0 8.0 19 26.7 32.9 104.0 0.0 12.8 21 21.0 30.5 112.8 0.1 9.1 21 37.3 37.1 130.0 0.0 24.3 18 11.5 17.3 69.0 0.0 2.5 22 11.7 14.8 57.7 0.0 7.4 21 22.3 24.7 82.5 0.0 17.5 SET 19 10.9 17.4 69.0 0.0 3.0 19 15.5 24.3 92.3 0.0 5.3 21 12.3 25.2 107.1 0.0 2.8 21 25.6 30.3 113.0 0.0 16.0 17 12.8 19.4 62.0 0.0 0.0 22 12.1 18.9 67.8 0.0 3.0 20 20.6 27.7 97.0 0.0 7.8 Para os coeficientes de cultura (Kc), seguiu-se basicamente a metodologia FAO (FAO, 1977), e algum conhecimento local sobre as culturas utilizadas. Foram utilizados os seguintes valores médios mensais do coeficiente da cultura (Tabela 11): Tabela 11 Coeficientes de cultura médios mensais (Kc) utilizados no estudo. Cultura Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Hortícolas Cana de açucar Citrinos 0.80 0.80 0.80 0.80 0.80 0.80 0.80 0.80 0.80 0.80 0.80 0.80 1.25 1.25 1.25 1.25 1.25 1.25 1.13 0.88 0.40 0.54 0.83 1.11 0.70 0.70 0.69 0.68 0.66 0.65 0.65 0.65 0.65 0.66 0.68 0.69 Bananas 1.05 1.15 1.20 1.20 1.20 1.20 1.20 1.10 1.00 1.00 1.00 1.00 Pastos 0.90 0.90 0.90 0.90 0.90 0.90 0.90 0.90 0.90 0.90 0.90 0.90 Grãos 1.00 0.00 0.00 0.55 0.79 1.17 1.20 0.90 0.00 0.53 0.94 1.20 Arroz 1.19 1.20 1.05 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 1.00 1.08 Algodão 1.20 1.18 0.95 0.25 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.50 0.71 1.11 Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 51 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 7.2 Necessidades actuais de água As necessidades de irrigação são apresentados numa base mensal para os três sectores (floresta, pecuária e agricultura irrigada) e para dois períodos diferentes: o ano de 1975 que foi o ano da independência de Moçambique e o ano 2000 representando a situação actual. A informação está agrupada por distritos (distritos da Gorongosa, Dondo, Nhamatanda e Beira na província de Sofala e distritos de Macossa, Báruè e Gondola na província de Manica). Para o sector de irrigação, os valores são apresentados com três probabilidades diferentes. Os de 80% representando a abstracção de água prevista num ano seco, 50% representando a abstracção de água prevista num ano médio e 20% no caso de um ano húmido. Para o Zimbabwe as necessidades de água são apresentados para a situação actual para os três sectores e são baseadas principalmente nas licenças de água atribuídas. 7.2.1 Sector de florestas Conforme descrito acima, existem apenas 2 496 ha de plantações exóticas na bacia do rio Pungoé, todas localizadas no distrito de Gondola na Província de Manica. Os outro tipos de cobertura de florestas não têm qualquer impacto nos caudais dos rios e, por essa razão, não são aqui mencionados. Para uma precipitação anual na ordem dos 1 400 mm (que é a precipitação media anual para a região onde se encontram as plantações exóticas) e uma rotação de quarenta anos, prevê-se um decréscimo anual no escoamento na ordem dos 300 mm (ver gráfico apresentado na figura 3). Se não houver rotação, preve-se um decréscimo até 400 mm. Para a área em consideração (2 496 ha), isto representa um decréscimo no caudal anual do rio na ordem de 7 488 000 a 9 984 000 m3/ano. No caso do Zimbabwe existe um total de 5 254 ha de plantações exóticas resultando num decréscimo no caudal anual do rio na ordem de 15 762 000 a 21 016 000 m3/ano. 7.2.2 Sector da pecuária Para este sector a abstracção de água é muito menos importante uma vez que os volumes de água envolvidos são muito mais baixos. Uma vez que a maioria das informações existentes é apresentada e agrupada por província, é difícil estimar a população de gado com base no distrito. Por esta razão trabalhou-se numa base provincial. O número de animais existente e consumo de água correspondente são apresentados na tabela a seguir (Tabela 12). Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 52 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Tabela 12 População animal e respectivo consumo de água para a bacia do Pungoé nos anos de 1975 e 2000. Ano 1975 2000 Ano 1975 2000 Numero de cabeças de gado Província de Manica Província de Sofala Bovinos 26 631 17 842 pequenos ruminantes 21 762 11 119 porcos 5 834 1 976 aves 8 521 bovinos 18 559 5 671 pequenos ruminantes 24 432 34 650 porcos aves 13 725 10 014 499 002 Consumo de água por categoria em m3/ano Província de Manica Província de Sofala bovinos 340 211 227 932 pequenos ruminantes 31 773 16 234 porcos 10 647 3 606 aves 933 bovinos 237 091 72 447 pequenos ruminantes 35 671 50 589 porcos aves 25 048 18 276 O volume total de abstracção de água para a bacia do rio Pungoé em 1975 foi na ordem dos 680 400 m3/ano e para o ano 2000 na ordem dos 444 700 m3 ano. 7.2.3 Sector agrícola Neste sector apenas mencionamos a agricultura irrigada. Nesta fase, considera-se que a agricultura de sequeiro praticada pela maioria dos agricultores, em comparação com a cobertura natural da terra antes da agricultura de sequeiro, não influencia ou altera significativamente as diferentes componentes do balanço hídrico que poderiam alterar o volume total de recarga dos rios e das águas subterrâneas, resultando numa alteração significativa no caudal total ou no caudal de base do Pungoé. Preve-se que os desenvolvimentos futuros na agricultura de sequeiro alterem esta situação, especialmente quando no futuro forem implementadas e aplicadas pelos agricultores técnicas mais eficazes de cultura e conservação de água e quando o sector agrícola comercial tecnicamente mais desenvolvido desempenhar um papel mais importante. Os valores do passado estimam que para toda a área da bacia hidrográfica em Moçambique, um total de 71 000 ha com agricultura de sequeiro para o sector agrícola em pequena escala e 154 000 ha com agricultura de sequeiro para a agricultura comercial mais desenvolvida tecnicamente. No caso da agricultura irrigada, cobrindo uma area total de 8 758 ha, a água é tomada dos rios ou de pequenas barragens em que o escoamento da chuva na época húmida é armazenado para ser utilizado durante a época seca. Os principais tipos de irrigação são irrigação por sulcos e irrigação por aspersão. A eficiência da irrigação está na ordem de 50% para a irrigação de superfície e 70% para a irrigação por aspersão. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 53 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe 54 641 DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Para o objectivo deste estudo, utilizou-se uma eficiência de irrigação constante de 70%, seguindo a mesma abordagem utilizada em estudos anteriores (JIBS, 2000). É de notar que neste estudo isto é apenas uma convenção utilizada. Os valores reais da eficiência de irrigação estão, em especial em relação à irrigação superficial, muito abaixo dos 70% e mesmo abaixo dos 50% devido às condições deterioradas na maioria dos esquemas de irrigação actuais. A excepção é o caso das plantações de cana de açucar em que a maior parte da irrigação é feita por irrigação com aspersão (7 000 ha) e apenas uma pequena parte por irrigação por sulcos (1 093 ha). A área irrigada para os diferentes tipos de cultura é apresentada na Tabela 13. As áreas apresentadas aqui são ligeiramente maiores que as referidas nas tabelas 5 e 6 uma vez que uma parcela de terra pode ser utilizada para duas ou mais culturas num ano como no caso dos cereais, hortícolas e arroz. No caso da bacia do Pungoé, devido à predominância da cana de açucar (92.5% da área), existe um factor de cobertura da colheita para a terra irrigada de apenas 1.0. Com base nestas areas e padrões de cultivo e seguindo a metodologia apresentada anteriorimente, as necessidades de irrigação para as três probabilidades consideradas (80%, 50% e 20%) são apresentadas no Apêndice 4. Como anteriormente explicado, os dados são apresentados com base no distrito e numa base mensal. As necessidades brutas de irrigação expressas em volume por mês por distrito no caso de terra com infraestrutura de irigação (equipada), conforme é apresentado na Tabela 13, varia para a província de Sofala de um valor mínimo de 304.9 m3/mês em Fevereiro para uma área de 1.0 ha na Beira, a um máximo de 19 160 555.1 m3/mês em Outubro para uma área de 8 096.3 ha no distrito de Dondo. Para a provincia de Manica, as necessidades de irrigação variam de um valor mínimo de 6 783.3 m3/mês em Fevereiro para uma área de 20.0 ha no distrito de Macossa a um máximo de 403 100.0 m3/mês no mês de Outubro para uma área de 243.4 ha no distrito de Báruè. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 54 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Tabela 13 Province Áreas com irrigação por grupo de cultura e por distrito no Pungoé. Distrcit Gorongosa Dondo Sofala Nhamatanda Beira Macossa Manica Báruè Gondola Crop Vegetables Grains Banana Rice Sugar cane Vegetables Grains Banana Rice Sugar cane Vegetables Grains Banana Rice Sugar cane Vegetables Grains Banana Rice Sugar cane Vegetables Grains Banana Rice Sugar cane Vegetables Grains Banana Rice Sugar cane Vegetables Grains Banana Rice Sugar cane Area (ha) equipped used 38.25 9.25 8.25 8.25 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 107.13 0.46 0.33 0.33 22.96 1.46 80.00 0.00 8 112.50 8 094.00 27.00 16.75 2.50 2.50 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.50 0.00 0.50 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 10.00 0.50 10.00 0.50 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 122.83 73.83 117.67 68.67 0.17 0.17 2.75 2.75 0.00 0.00 109.50 23.50 23.50 5.50 2.00 2.00 0.00 0.00 0.00 0.00 Total Area in the basin (ha) Total area per district (ha) equipped used 46.50 17.50 8 322.92 8 096.25 29.50 19.25 1.00 0.00 20.00 1.00 135.00 8 798.33 31.00 8 310.42 A Tabela 14 fornece, para os diferentes distritos e para áreas equipadas, as necessidades brutas de irrigação (mm/d) para meses diferentes com uma probabilidade de 80%. Estes mudam em Sofala, de um mínimo de 0.98 mm/d em Fevereiro no distrito de Gorongosa para um máximo de 7.48 mm/d em Outubro no distrito de Nhamatanda. Para a provincia de Manica, estes variam de um valor mínimo de 0.82 mm/d em Fevereiro no distrito de Báruè a um máximo de 6.55 mm/d em Outubro no distrito de Gondola. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 55 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Tabela 14 Necessidades brutas de irrigação em mm/d com a probabilidade de 80%, para diferentes meses do ano e diferentes distritos no Pungoé. Gross irrigation requirements (mm/d) for the Pungwe Basin 8.0 6.0 4.0 2.0 0.0 Oct Nov Dec Jan Feb Mar Apr Mai Jun Jul Aug Sep Gorongosa 6.91 6.28 5.32 4.83 3.10 4.15 4.68 4.36 5.16 4.33 5.13 5.01 Dondo 4.61 5.66 6.37 6.58 5.82 7.29 7.43 6.74 7.21 5.13 5.09 2.85 Nhamatanda 7.48 6.60 4.82 4.70 3.94 4.99 5.11 4.76 5.37 4.21 5.34 5.86 Beira 5.40 5.63 5.29 2.82 0.98 1.42 3.01 4.11 5.57 4.51 4.74 2.75 Macossa 5.96 5.55 4.74 2.85 1.09 2.32 3.93 3.82 5.20 4.43 4.88 2.93 Báruè 5.34 4.92 3.25 1.19 0.82 2.17 3.36 3.58 4.82 4.17 4.55 2.73 Gondola 6.55 4.85 3.59 3.26 1.87 3.85 4.33 4.05 4.81 3.96 4.82 4.81 As Figuras 5 e 6 fornecem as necessidades brutas de irrigação em m3/mês para as províncias de Sofala e Manica na bacia do Pungoé com infraestrutura de irrigação. Estes valores resumem as necessidades de irrigação para a bacia do Pungoé. A provincia de Manica tem em comparação um desenvolvimento muito baixo em agricultura irrigada com uma área total de 398.4 ha com infraestrutura de irigação, dando uma necessidade bruta de irrigação para o ano inteiro de 5 505 265.3 m3 com uma probabilidade de 80%, de 3 794 783.1 m3 com uma probabilidade de 50% e de 2 890 886.5 m3 com uma probabilidade de 20%. A provincia de Sofala tem um desenvolvimento muito maior em agricultura irrigada com uma area total de 8 399.9 ha (96.3% com cana de açucar da “Açucareira de Moçambique”) com infraestrutura de irrigação, dando uma necessidade bruta de irrigação para o ano inteiro de 184 029 424.2 m3 com uma probabilidade de 80%, de 118 339 972.1 m3 com uma probabilidade de 50% e de 81 041 050.2 m3 com uma probabilidade de 20%. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 56 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 3 3 Irrigation Requirement (m /month) for Manica (equipped for irrigation) Irrigation Requirements (m /month) for Sofala (equipped for irrigation) 24 000 000 800 000 20 000 000 600 000 16 000 000 12 000 000 400 000 8 000 000 200 000 4 000 000 0 Oct Nov Dec Jan Feb Mar Apr Mai Jun Jul Aug Sep 80 % - Se 12 063 14 745 16 564 17 078 15 103 18 912 19 275 17 488 18 732 13 340 13 249 7 475 50 % - Se 11 343 10 439 2 414 20 % - Se 9 500 5 732 161.3 6 507 0.0 0.0 0.0 Figura 5 6 161 14 409 16 510 17 559 13 056 12 461 7 475 6 8 523 14 061 15 636 11 346 10 277 5 956 0 Nov Dec Feb Mar Apr Mai Jun Jul Aug Sep 80 % - Me Oct 714 608 424 243 147 339 459 463 597 508 575 425 50 % - Me 634 314 16 Jan 17.7 398.3 42 276 430 585 505 567 420 20 % - Me 527 25 0.0 0.0 0.0 310.1 96 345 516 478 520 379 Necessidades brutas de irrigação em m3/mês com três probabilidades diferentes (80%, 50% e 20%) para meses diferentes. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 57 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Irrigation Requirements (m3/month) for Manica (irrigation schemes in use) Irrigation Requirements(m3/month) for Sofala (irrigation schemes in use) 400 000 20 000 000 16 000 000 300 000 12 000 000 200 000 8 000 000 100 000 4 000 000 0 0 Oct Nov Dec Jan Feb Mar Apr Mai Jun Jul Aug Sep 80 % - Su 11 647 14 193 16 110 16 669 14 733 18 446 18 956 17 194 18 416 13 092 12 947 7 136 80 % - Mu 305 271 183 87 58 139 194 201 263 226 252 171 50 % - Su 10 943 10 027 2 345 50 % - Mu 271 139 2 17.7 398.3 11 105 186 260 225 250 170 20 % - Mu 224 11 0.0 0.0 0.0 0.0 20 145 230 218 232 155 20 % - Su Oct 9 143 Nov 5 473 Dec Jan Feb 6 393 0.0 0.0 0.0 161.3 Figura 6 Mar Apr Mai Jun Jul Aug Sep 6 040 14 192 16 237 17 266 12 813 12 174 7 136 1 8 426 13 841 15 384 11 137 10 040 5 650 Necessidades brutas de irrigação em m3/mês com três probabilidades diferentes (80%, 50% e 20%) para diferentes meses nas províncias de Sofala e Manica (área agrícola actualmente irrigada). No caso da área irrigada actualmente utilizada (fig. 6.5), apresenta tendências semelhantes com a provincia de Manica com um desenvolvimento mais baixo, com uma area total de 177.4 ha actualmente irrigada, dando uma necessidade bruta de irrigação para o ano inteiro de 2 355 339.7 m3 com uma probabilidade de 80%, de 1 624 575.3 m3 com uma probabilidade de 50% e de 1 239 077.3 m3 com uma probabilidade de 20%. A provincia de Sofala apresenta um maior desenvolvimento sendo a area irigada em uso um total de 8 133.0 ha (99.5% com cana de açucar da “Açucareira de Moçambique”), dando uma necessidade bruta de irrigação para o ano inteiro de 179 545 740.3 m3 com uma probabilidade de 80%, de 115 570 989.3 m3 com uma probabilidade de 50% e de 79 100 393.1 m3 com uma probabilidade de 20%. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 58 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Globalmente para a bacia do Pungoé em Moçambique, as necessidades brutas de irrigação para o ano são, conforme apresentado no apêndice 5, no caso de 8 798.33 ha de terra com infraestrutura de irrigação, de 189 534 689.4 m3 com uma probabilidade de 80%, de 122 134 755.2 m3 com uma probabilidade de 50% e de 83 931 936.7 m3 com uma probabilidade de 20%. No caso de 8 310.42 ha de terra irrigada actualmente em uso, fornece para o ano inteiro um total de 181 901 080.0 m3 com uma probabilidade de 80%, de 117 195 564.6 m3 com uma probabilidade de 50% e de 80 339 470.4 m3 com uma probabilidade de 20%. Para o caso do Zimbabwe, inferindo das licenças de água, conforme apresentado no apêndice 6, o volume total de água extraída é de 37 809 985.44 m3 de água por ano dando uma área irrigada estimada em 1 700 a 2 800 ha. A area irrigada actualmente está na ordem dos 2 120 ha para plantaçoes de café e de chá. 7.3 Necessidades futuras de água Para o sector da pecuária, com base nos valores para o ano 2000 e extrapolando os valores do gado para o ano de 2025, os números projectados para o ano de 2025 para ambas as províncias são de 254 374 para o gado bovino, 95 881 para pequenos ruminantes, 162 240 para suínos e 16 707 126 para aves. Este aumento na população animal corresponde a um aumento na abastracção de água de 444 657 m3 em 2000 para um valor previsto de 5 523 486 m3 em 2025. Existe um grande potencial para o desenvolvimento do sector irrigado e do sector de florestas em Moçambique. É nesta altura dificil estimar o crescimento anual ou crescimento em periodos de cinco anos para os sectores agrícola e de florestas. Em termos de potencial, existe um potencial total estimado de 244 000 ha de solos agrícolas aptos para a agricultura irrigada. Se toda esta área fosse utilizada, resultaria numa abstracção anual média na ordem dos 3 400 M m3. De forma semelhante, assumindo um desenvolvimento na ordem dos 200 000 ha para o sector de florestas, isto resultaria numa tomada anual indirecta na ordem dos 800 M m3. Naturalmente, estes são valores que não serão atingidos em 2025. Estes apenas fornecem uma ordem de magnitude para o uso pleno do potencial total disponível tanto para o sector agrícola como para o sector florestal na bacia do Pungoé. Os valores a serem utilizados para os diferentes cenários de desenvolvimento serão apresentados e discutidos na fase seguinte do presente estudo. A quantidade total para os três sectores daria um valor na ordem de 4 200 M m3, o que é ligeiramente superior a toda a água disponível na bacia hidrográfica que se estima na ordem dos 4 195 M m3 por ano. No entanto, esta situação não é realmente critica uma vez que as estimativas correspondem ao desenvolvimento pleno do potencial existente e não aos Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 59 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas desenvolvimentos efectivos propostos. Os futuros cenários de desenvolvimento até ao ano de 2025 serão abordados em mais detalhe na fase seguinte deste estudo. Para o Zimbabwe não existem planos actuais para expandir nenhum dos sectores e consequentemente, as necessidades de água actuais para os sectores agrícola e de florestas serão mantidos na mesma ordem de magnitude que os valores actuais. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 60 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 8 Conclusões Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 61 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas A bacia do Pungoé é na maior parte coberta por vegetação natural (savana, mangal, pastagens, matas, savana arborizada e floresta baixa) onde têm lugar algumas iniciativas de desenvolvimento de conservação. Há três tipos principais de desenvolvimentos de conservação do solo em Moçambique: 1. Áreas de conservação onde se incluem os parques nacionais, cobrindo uma área de 1 284 728.2 ha; 2. “Coutadas”, cobrindo uma área de 593 193.1 ha. Estas são áreas de reserva para fauna bravia onde a prática de caça é permitida nos limites de leis de conservação bastante restritivos, e 3. Concessões florestais, cobrindo uma área de 85 002 ha, onde o corte de espécies nativas é permitido mas restringido por um plano de maneio para manter a floresta natural e produtiva. Estas áreas não têm efeitos ou impactos negativos na disponibilidade de recursos hídricos da região. Pelo contrário, elas garantem que as características do ciclo hidrológico na região são mantidas em equilíbrio, mantendo o fluxo de caudal e garantindo uma série de sistemas ecológicos naturais na bacia e na costa. Há outras actividades económicas que resultam em abstracções directas ou indirectas dos recursos hídricos disponíveis. Estas incluem: 1. Plantações de árvores exóticas em Moçambique, cobrindo uma área de 2 496 ha perto da vila de Gondola no distrito de Gondola, provincia de Manica, que resulta numa abstracção indirecta de água na ordem de magnitude de 7.5 a 10.0 M m3 por ano; 2. Plantações de árvores exóticas no Zimbabwe, cobrindo uma área de 5 254 ha, resultando num decréscimo do caudal anual do rio na ordem de 15.8 a 21.0 M m3 por ano; 3. O sector pecuário em Moçambique atingindo uma população máxima em 1975 com 45 190 bovinos, 46 194 pequenos ruminantes, e 19 559 porcos, resultando num consumo de água estimado em cerca de 0.70 M m3 por ano. Em 2000 a população animal tinha decrescido para 23 513 bovinos, 45 769 pequenos ruminantes, 11 990 porcos, e 507 523 aves, resultando num consumo de água da ordem de 0.44 M m3; 4. A agricultura irrigada em Moçambique com uma área de 8 798 ha com infraestruturas de irrigação dos quais 8 310 ha são actualmente irrigados. A maior parte da área (8 133 ha) pertence à empresa açucareira de Mafambisse no distrito do Dondo, província de Sofala. O sector de irrigação responde por uma abstracção anual de água que Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 62 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas varia de 189.5 M m3 nos anos mais secos a 83.9 M m3 nos anos mais húmidos. A abstracção média de água para o sector de irrigação é de cerca de 122.1 M m3 por ano; 5. A agricultura irrigado no Zimbabwe com uma área de 2 120 ha com infraestruturas de irrigação corresponde a uma abstracção máxima anual de água de cerca de 37.8 M m3. Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 63 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 9 Referências Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 64 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Allen, R.G., L.S. Pereira, D. Raes, and M. Smith, (1998). Crop evapotranspiration: Guidcelines for computing crop water requirements. Irrigation and Drainage Paper 56, FAO, Rome, Italy.300 p. Austral Consultoria e Projectos, Lda and Louis Berger International, INC, (1994). Mozambique Livestock Sub-Sector Study. National Directorate of Livestock. Ministry of Agriculture; Barradas, L., (1962). Esboço Agrológico do Sul de Moçambique. 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Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Pag 68 (68) SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe bovinos SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe Abril 2004 RELATÓRIO FINAL 11 277 12 366 15 226 17 724 20 629 36 535 29 293 23 787 21 143 28 093 20 185 12 276 18 942 16 899 9 688 4 300 4 734 3 831 5 424 2 383 38 124 56 705 32 291 34 783 36 033 43 111 30 117 31 117 27 187 35 724 116 740 193 931 199 511 120 547 285 473 32 425 499 002 Aves APÊNDICE 1 Número total de cabeças de gado nas Províncias de Manica e Sofala 42 214 64 802 58 153 73 015 86 030 60 337 59 732 50 941 46 572 46 014 41 413 37 272 9 683 11 702 9 317 14 521 14 521 5 597 30 352 42 465 70 541 89 977 105 310 150 218 148 621 152 770 porcos pequenos ruminantes aves pequenos ruminantes porcos Província de Sofala Província de Manica Número total de cabeças de gado nas Províncias de Manica e Sofala bovinos Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas 1971 60 269 70 307 11 277 60 269 1972 63 894 68 579 12 366 63 894 1973 69 023 75 917 15 226 69 023 1974 73 868 79 046 17 722 73 867 1975 79 054 82 300 20 631 79 056 1980 46 391 15 455 7 533 56 364 1981 42 607 14 709 8 845 55 959 1982 33 458 8 292 8 147 59 568 1983 31 065 6 061 8 470 26 128 1984 27 877 5 893 9 785 20 124 1985 30 122 11 009 9 895 20 060 1986 32 436 16 122 10 003 20 038 1987 19 901 16 699 8 954 25 087 1988 32 401 17 274 4 832 18 997 1989 31 357 17 274 4 832 15 637 1990 31 394 9 962 4 300 7 110 31 394 1991 28 851 16 181 4 734 14 231 28 851 1992 22 442 9 862 3 831 4 250 22 442 1993 23 839 22 928 5 424 26 985 23 839 1994 25 926 19 295 2 383 7 654 25 926 1995 29 382 21 152 1 855 12 866 1996 39 397 20 815 1 476 11 702 1997 41 117 34 851 3 034 2 424 12 630 1998 47 087 42 433 4 956 4 769 14 307 1999 51 581 43 674 3 907 2 763 15 284 2000 58 059 61 406 5 974 8 521 17 099 Fonte: Direcção Nacional de Pecuária/DINAP – Relatórios Anuais de 1996, 97,98,99 e 2000 (-) – sem informação (*) – cabras e ovelhas (**) – gansos e perus Ano Apêndice 1 DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas APÊNDICE 2 Distribuição de gado por distrito de 1995 a 2000 Distribuição de gado por distrito de 1995 a 2000 Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Apêndice 2 DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ 20 311 21 532 23 261 24 889 26 631 15 634 14 359 11 275 10 469 9 395 10 151 10 931 6 707 10 919 10 567 10 580 9 723 7 563 8 034 8 737 10 756 13 277 13 856 15 868 17 383 17 842 bovinos SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe bovinos 18 280 17 831 19 738 20 725 21 762 4 018 3 824 2 156 1 576 1 532 2 862 4 192 4 342 4 491 4 491 2 590 4 207 2 588 5 961 5 017 7 181 5 474 9 166 11 159 11 486 11 119 3 744 4 106 5 055 5 636 5 834 2 501 2 937 2 705 2 812 3 249 3 285 3 321 2 973 1 604 2 932 1 428 1 572 1 272 1 801 791 617 490 1 007 1 645 1 297 1 976 7 110 14 231 4 250 26 985 7 654 2 424 4 769 2 763 8 521 14 043 14 887 16 082 17 932 18 559 13 133 13 038 13 879 6 088 4 689 4 674 4 669 5 845 4 426 3 643 7 315 6 722 5 229 5 554 6 041 2 623 2 727 2 943 3 334 3 561 5 671 3 582 5 726 6 953 9 769 13 725 10 047 8 056 6 541 5 814 7 726 5 551 3 376 5 209 4 647 2 664 6 711 6 684 4 002 5 826 8 262 12 089 15 594 8 880 9 565 9 909 10 014 30 117 31 117 27 187 35 724 116 740 193 931 199 511 120 547 285 473 32 425 499 002 Aves APÊNDICE 3 Gado na bacia do Rio Pungoé 11 313 17 367 15 585 19 514 24 432 16 170 16 008 13 652 12 481 12 332 11 099 9 989 2 595 3 136 2 497 3 892 3 892 4 348 8 134 11 381 21 839 15 197 8 654 9 322 9 657 34 650 porcos pequenos ruminantes aves Província de Sofala pequenos ruminantes porcos Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Província de Manica Gado na bacia do Rio Pungoé Abril 2004 RELATÓRIO FINAL 1971 1972 1973 1974 1975 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 Ano Apêndice 3 DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Relatório da Monografia SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe APÊNDICE 4 Necessidades brutas de irrigação (expressas em m3/mês e em l/s) para a infraestrutura de irrigação usada e equipada para os diferentes distritos na bacia do Pungoé e para diferentes probabilidades de precipitação (80%, 50% e 20%) Necessidades brutas de irrigação (expressas em m3/mês e em l/s) para a infraestrutura de irrigação usada e equipada para os diferentes distritos na bacia do Pungoé e para diferentes probabilidades de precipitação (80%, 50% e 20%) Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Apêndice 4 DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas Relatório da Monografia SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe APÊNDICE 5 Necessidades brutas de irrigação em m3/mês com três probabilidades diferentes (80%, 50% e 20%) para diferentes meses na bacia do Pungoé Necessidades brutas de irrigação em m3/mês com três probabilidades diferentes (80%, 50% e 20%) para diferentes meses na bacia do Pungoé Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Apêndice 5 DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ SWECO, ICWS, OPTO, SMHI, NCG, CONSULTEC, IMPACTO, UCM, Interconsult Zimbabwe Relatório da Monografia Anexo VIII – Necessidades de água para irrigação e florestas APÊNDICE 6 Licenças de abstracção de água para a bacia do Pungoé no Zimbabwe Licenças de abstracção de água para a bacia do Pungoé no Zimbabwe Abril 2004 RELATÓRIO FINAL Apêndice 6 DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA CONJUNTA DE GIRH PARA A BACIA DO RIO PUNGUÉ