29 de Dezembro de 2002
O Banco Central do Brasil revisou suas projeções para as necessidades e fontes de
financiamento externas brasileiras em 2002 e 2003 (Tabela 1 e Gráfico 1). A projeção da
necessidade bruta de financiamento externo, definida como a soma dos déficits em contacorrente e as amortizações de médio e longo prazos, diminuiu significativamente de US$58,4
bilhões em 2001 para US$38,4 bilhões em 2002. Uma redução em maiores proporções é
projetada para 2003, quando a necessidade bruta deve atingir US$34,1 bilhões. A principal razão
para tal revisão foi o comportamento mais favorável do resultado das transações correntes e a
recente redução das taxas de rolagem da dívida externa, o que levou à diminuição do estoque da
dívida e à correspondente redução no pagamento de juros. Estima-se que o déficit em contacorrente como porcentagem do PIB decline para 1,66% em 2003 frente a resultados de 1,80% em
2002 e 4,55% em 2001. O financiamento para o déficit em conta-corrente continuará sendo
proveniente de fluxos de investimentos estrangeiros diretos em contraposição a capitais voláteis
de curto-prazo, tendência que começou com a flutuação da taxa de câmbio em 1999 e que tem
permanecido. Em 2003, pela primeira vez desde o início da série completa do Balanço de
Pagamentos (1995), o fluxo de investimentos estrangeiros diretos será duas vezes maior do que o
déficit em conta-corrente.
Gráfico 1
Necessidade Bruta de Financiamento Externo
(US$ bilhões)
80
70,8
70
63,2
60
56,6
56,1
58,4
50
40
38,4
35,7
34,1
30
20
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
* 2002 e 2003 são previsões
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Tabela 1
Necessidade de Financiamento Bruto e Fontes de Financiamento
US$ milhões
2001
NECESSIDADE DE FINANCIAMENTO EXTERNO
CONTA CORRENTE
Balança Comercial
2002
2003
-58.365
-38.365
-34.130
-23.213
-8.355
-6.557
2.642
12.500
Exportação
58.223
60.163
65.000
Importação
-55.581
-47.663
-50.000
Serviços e renda
-27.493
-23.259
-23.557
Juros
-14.877
-13.257
-13.147
Crédito
2.744
2.100
2.000
Débito
-17.621
-15.356
-15.147
-5.000
Lucros e dividendos
15.000
-4.961
-5.200
Crédito
265
600
350
Débito
-5.226
-5.800
-5.350
Viagens
-1.468
-418
-611
Outros
-6.186
-4.384
-4.799
Transferências unilaterais
1.638
2.404
2.000
-35.151
-30.010
-27.573
Bonds, notes e commercial papers emitidos no exterior
-19.008
-11.547
-9.357
Pagos
-15.457
-9.198
-9.357
Dos quais débitos nacionalizados (Bradies)
-3.263
-306
-
Refinanciados
-2.150
-30
-
Conversões de IED
-1.401
-2.319
-
AMORTIZAÇÃOES DE MÉDIO E LONGO PRAZO
Créditos comerciais
Empréstimos
Dos quais conversões
-2.813
-2.280
-3.060
-13.331
-16.183
-15.157
-
2001
FONTES DE FINANCIAMENTO
CONTA DE CAPITAL
INVESTIMENTO ESTRANGEIRO DIRETO
Capital próprio (líquido)
Empréstimos intercompanhia (líquido)
INVESTIMENTO EM CARTEIRA
-89
2002
58.365
-36
-
2003
38.365
445
34.130
-
22.457
16.000
16.000
18.765
16.415
16.000
3.692
-415
-
2.235
1.061
1.845
34.626
18.720
21.910
17.049
6.371
6.358
Novas entradas
14.899
6.341
6.358
Refinanciados
2.150
30
Crédito comercial
3.294
1.493
2.550
14.283
10.855
13.002
DESEMBOLSOS DE MÉDIO E LONGO PRAZO
Bonds, notes e commercial papers
Empréstimos
INVESTIMENTOS BRASILEIROS NO EXTERIOR
Depósitos bancários
Outros ativos
EMPRÉSTIMOS À AUTORIDADE MONETÁRIA
FINANCIAMENTO DE CURTO PRAZO
-
-4.557
-5.400
-3.867
3.855
-2.424
-9.255
-4.569
-690
6.521
11.416
-11.055
-3.552
500
-3.307
-325
11.924
Conta corrente/PIB (%)
-4,55
-1,80
-1,66
IED/PIB (%)
4,40
3,44
4,05
MUDANÇAS EM RESERVAS
306
-6.993
Informações adicionais
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CONTA-CORRENTE
A redução na necessidade bruta de financiamento externo continua seguindo a tendência que teve
início depois da adoção do regime de câmbio flutuante, com reduzidos déficits em conta-corrente
(de US$33,45 bilhões em 1998 para US$24,64 bilhões em 2000 e US$23,2 bilhões em 2001)
obtidos principalmente devido aos melhores resultados da balança comercial (de déficits de US$6,6
bilhões em 1998 e US$0,7 bilhão em 2000 para um superávit de US$2,6 bilhões em 2001) (Gráfico
2), e com a redução nas amortizações.
Gráfico 2
Balança Comercial Anual
(US$ bilhões)
Balança Comercial
A expectativa com relação à balança comercial é que se atinja um superávit de US$12,5 bilhões em
2002, como resultado de um aumento de 3,3% nas exportações e uma redução de 14,2% nas
importações. Para 2003, a expectativa é que o superávit na balança comercial atinja US$ 15 bilhões,
consistente com um aumento de 8,0% nas exportações e de 4,9% nas importações. Projeta-se
melhora na balança comercial com base numa recuperação nos termos de troca (Gráfico 3), na
retomada de exportações para importantes parceiros do Mercosul, e num cenário global mais
favorável. Os últimos resultados da balança comercial mostram que a projeção para 2003 é bastante
conservadora, já que os superávits comerciais mensais dessazonalizados mais recentes têm sido
consistentes com um superávit comercial anual de US$ 24 bilhões.
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Gráfico 3
Termos de Troca (Média de 1996=100)
110
105
100
95
90
90,2
85
jun/02
dez/01
jun/01
dez/00
jun/00
dez/99
jun/99
dez/98
jun/98
dez/97
jun/97
dez/96
jun/96
dez/95
jun/95
dez/94
jun/94
80
No período de janeiro a novembro deste ano, o saldo da balança comercial brasileira alcançou
US$11,3 bilhões, mais devido a uma redução nas importações (-16,2%) do que a um aumento nas
exportações (+2,3%). As exportações poderiam ter crescido mais se não fosse pela redução nas
exportações de bens manufaturados (-2,4%). A principal razão deste comportamento foi a forte
redução nas exportações para os parceiros do Mercosul (-51,9% no período de jan-out de 2001 a
jan-out de 2002). Na realidade, a proporção das exportações para o Mercosul no total das
exportações brasileiras caiu de 11,3% em 2001 para 5,4% em 2002 (Tabela 2). Os mercados
alternativos que absorveram a lacuna causada pela redução nas vendas para o Mercosul foram
principalmente a Ásia (+US$1,5 bilhões) e os Estados Unidos (+924 milhões) em termos absolutos.
As importações brasileiras são compostas principalmente por matérias-primas (50%) e bens de
capital (25%). Esses segmentos também apresentaram as maiores reduções nos primeiros dez meses
de 2002, juntamente com importações de automóveis (-51%, mas representando apenas 2% do total
das importações). A redução nas importações de matérias-primas é resultado de um menor
crescimento da atividade doméstica e da taxa de câmbio depreciada. As importações dos bens de
capital, por sua vez, foram atingidas pela redução do investimento dentro do país. Na realidade, a
absorção doméstica de bens de capital, um importante componente da formação bruta de capital
fixo, reduziu-se aproximadamente 4% até setembro de 2002.
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Tabela 2
Comércio Brasileiro
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Serviços e Rendas
Projeta-se que o déficit na conta de serviços e rendas caia de US$27,5 bilhões em 2001 para
US$23,3 bilhões em 2002. Esta redução é resultado de menores juros pagos sobre a dívida externa
(-US$1,6 bilhão) e o menor déficit decorrente de viagens internacionais (-US$1 bilhão). O primeiro
foi impactado pela diminuição nas taxas de rolagem da dívida com vencimento em 2002, o que
resultou em declínio no estoque da dívida externa (Tabela 3). O último foi mais afetado pela
depreciação da taxa de câmbio.
Tabela 3
Taxas de Rolagem
2001
Total
Notes e commercial
paper ¹
Empréstimos
2002
Jan
98%
76%
Fev
19%
Mar
91%
Abr
80%
Mai
56%
Jun
26%
Jul
39%
Ago
43%
Set
44%
Out
31%
Nov
40%
Dez
40%
Ano
33%
82%
136%
22%
65%
51%
55%
14%
14%
34%
22%
7%
18%
30% 29,4%
138%
18%
13%
120%
147%
62%
58%
58%
86%
80%
81%
78%
60% 62,6%
¹ Exclui projeções put/call
Total
Notes e commercial
paper ¹
Empréstimos
2003
1º Trim 2º Trim 1º Sem 3º Trim 4º Trim 2º Sem
48%
72%
60%
73%
81%
77%
Ano
70%
15%
35%
27%
50%
66%
59%
51%
60%
90%
75%
100%
117%
107%
90%
¹ Exclui projeções put/call
A projeção para 2003 é de que o déficit na conta de serviços e rendas aumente pouco para US$23,5
bilhões.
Transferências Unilaterais
A expectativa é de que a conta Transferências Unilaterais tenha um aumento de superávit de US$
800 milhões em 2002, e um declínio de US$400 milhões em 2003. Esta conta normalmente
apresenta superávits, e não tem variado muito desde 1995.
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AMORTIZAÇÕES DE MÉDIO E LONGO PRAZOS
Em 2002 projeta-se uma redução na amortização total da dívida de médio e longo prazos para
US$30 bilhões. A forte redução em relação aos níveis de 2001 foi provocada por fatores isolados
que ocorreram em 2001, incluindo principalmente a troca dos títulos da dívida soberana BR04, que
aumentou as amortizações de 2001 em US$ 2,5 bilhões, e a transferência feita pelo Banco do Brasil
de US$3,1 bilhões de ativos no exterior, que representaram amortizações não agendadas assumidas
pelo governo. Em 2002 espera-se uma mudança parcial na composição das amortizações de médio e
longo prazos. Enquanto espera-se uma queda de US$ 6,3 bilhões no pagamento de títulos emitidos
no exterior, estima-se um aumento de US$2,8 bilhões no pagamento de empréstimos. Os
lançamentos de títulos no exterior eram mais freqüentes sob o regime de câmbio anterior. Com a
flutuação da moeda e, por conseqüência, uma maior incerteza em relação ao nível futuro da taxa de
câmbio, os novos lançamentos diminuíram, levando à redução dos fluxos de amortizações
relacionados aos títulos. Os empréstimos, entretanto, sofreram menos esse impacto, mais
provavelmente devido aos reduzidos custos operacionais associados a essas transações, já que são
normalmente realizadas diretamente entre cliente e credor e as condições financeiras do tomador
podem ser avaliadas com maior precisão.
Para 2003, projeta-se uma redução mais forte (-US$ 2,4 bilhões) nas amortizações da dívida de
médio e longo prazos em função de pagamentos menores de empréstimos (-US$1,0 bilhão). O
cronograma de amortizações mensais de médio e longo prazos em 2003 está detalhado no Gráfico
4. O cronograma de amortizações foi calculado baseado no estoque da dívida de setembro de 2002,
nos fluxos de desembolsos ocorridos até dezembro de 2002. Nenhuma troca de título da dívida foi
considerada nas projeções para 2003.
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Gráfico 4
Calendário de Amortização
Amortização do Principal (US$ milhões)
2002:
3000
2500
2000
1500
1000
500
0
Jan
2003:
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
De z
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
3000
2500
2000
1500
1000
500
0
Jan
Fev
Mar
Setor Público Não-Financeiro
Setor Público Financeiro e Setor Privado
Pagamentos de Juros (US$ milhões)
2002:
1400
1200
1000
800
600
400
200
0
2003:
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
1400
1200
1000
800
600
400
200
0
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FONTES DE FINANCIAMENTO
CONTA DE CAPITAL
A conta de capital nunca desempenhou um papel importante nas fontes de financiamento do
Balanço de Pagamentos. Neste item estão incluídas as marcas registradas e as patentes. Para 2003
projeta-se um saldo nulo.
INVESTIMENTO ESTRANGEIRO DIRETO
Projeta-se que os investimentos estrangeiros diretos, líquidos de reinvestimentos e amortizações de
empréstimos intercompanhia, alcancem US$16 bilhões em 2002, projeção que requer um fluxo de
US$1 bilhão em dezembro, dados os fluxos líquidos preliminares de US$15,06 bilhões no ano até
novembro. Do total de US$ 16 bilhões esperados para 2002, o principal componente são as entradas
para participação no capital de empresas. Entretanto, as conversões da dívida em investimento
estrangeiro direto desempenharam um importante papel neste ano, e irão provavelmente ser
responsáveis por mais de 40% do total dos investimentos estrangeiros diretos em 2002. As
conversões totais de dívida em investimento estrangeiro direto nos últimos 12 meses até outubro
alcançaram os níveis mais altos desde o início da série (1978), sinalizando confiança no cenário de
médio e longo prazos do país (Gráfico 5). O aumento nas conversões poderia também estar
sinalizando que a atual taxa de câmbio pode estar sendo considerada depreciada em termos reais,
criando uma oportunidade de adquirir participação no capital. As privatizações feitas com
empréstimos intercompanhia não deverão desempenhar um papel tão importante em 2002 como
desempenharam em 2001. Para 2003, espera-se que o fluxo de investimento estrangeiro direto
permaneça em US$ 16 bilhões, assumindo a ausência de entradas líquidas de empréstimos
intercompanhia e de privatizações. Como proporção do PIB, o investimento estrangeiro direto
totalizará 3,44% em 2002 e 4,05% em 2003. O Brasil continuará a financiar o déficit em contacorrente com capital produtivo e de longo-prazo. Para 2003 o investimento estrangeiro direto
somará quase o dobro do déficit em conta-corrente (Gráfico 6).
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Gráfico 5
Conversões da Dívida em Investimento Estrangeiro Direto
10
8
6
4
2
nov/02
jul/02
mar/02
nov/01
jul/01
mar/01
jul/00
nov/00
mar/00
nov/99
jul/99
mar/99
jul/98
nov/98
mar/98
nov/97
jul/97
mar/97
nov/96
jul/96
mar/96
0
Gráfico 6
Investimento Estrangeiro Direto X Resultado em Conta-Corrente
40
35
30
25
18,72
20
15
10
9,27
5
IED
nov/02
jul/02
mar/02
nov/01
jul/01
mar/01
jul/00
nov/00
mar/00
nov/99
jul/99
mar/99
nov/98
jul/98
mar/98
nov/97
jul/97
mar/97
nov/96
jul/96
mar/96
0
Conta Corrente
De janeiro a novembro de 2002, as entradas líquidas de investimento estrangeiro direto para a
aquisição de participações societárias foram ainda maiores do que em 2001 (US$15,5 bilhões em
relação a US$15,0 bilhões em 2001), contrastando com a forte pressão sobre a dívida externa
brasileira. A grande redução nas entradas autônomas de capitais (-US$4,8 bilhões) e nas
privatizações (-US$800 milhões) foi mais do que compensada pela conversão da dívida em
investimento estrangeiro direto (+US$5,2 bilhões, dos quais aproximadamente metade refere-se a
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antigos empréstimos intercompanhia convertidos em participação societária). As entradas de
empréstimos intercompanhia, por outro lado, reduziram-se em aproximadamente US$ 1,4 bilhão.
Com a amortização desses tipos de empréstimos aumentando em US$ 2,7 bilhões este ano, essas
operações geraram saídas líquidas de US$415 milhões em 2002 frente a entradas líquidas de
US$3,7 bilhões no mesmo período de 2001.
INVESTIMENTO EM PORTFOLIO
O investimento em portfolio em 2002 e 2003 continuará a ser baixo (US$ 1 bilhão e US$ 1,8 bilhão,
respectivamente). Com uma taxa de câmbio flutuante e taxas de juros mais baixas, o interesse em
investimentos em carteira reduz-se. Além disso, o investimento em ações (que não representa
controle da companhia, do contrário seria classificado como investimento estrangeiro direto)
provavelmente foi afetado pela alta volatilidade nos mercados domésticos de capitais, bem como
pela reduzida liquidez nos mercados domésticos.
DESEMBOLSOS DE MÉDIO E LONGO PRAZOS
Em 2002, os desembolsos da dívida externa foram prejudicados pela crescente aversão
internacional ao risco, levando a baixas taxas de rolagem, principalmente na segunda metade do
ano. Para 2003, projeta-se um total de US$21,9 bilhões em desembolsos de médio e longo prazos
baseados nos pressupostos de rolagem de 51% para notes e commercial papers e 90% para
empréstimos bancários. Para o crédito comercial, o pressuposto é de que 10% das importações
mensais sejam financiadas através deste tipo de empréstimo. Essa hipótese é baseada em dados
históricos.
INVESTIMENTOS BRASILEIROS NO EXTERIOR
Os investimentos brasileiros no exterior devem alcançar US$5,4 bilhões em 2002 e US$7,0 bilhões
em 2003, comparados a US$4,6 bilhões em 2001. Em 2002, esse item foi impactado em grande
parte por volumosas saídas internacionais de moeda doméstica (CC5) (-US$2,7 em 2001 e -US$7,5
em 2002), particularmente por depósitos de pessoas jurídicas (Tabela 4: os dados nessa tabela são
diferentes dos US$2,7 e 7,5 mencionados anteriormente pelo fato de se referirem a câmbio
contratado, que não representa necessariamente fluxo efetivo de dinheiro). Além desses fluxos em
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moeda doméstica, esse item inclui a variação da posição comprada dos bancos no mercado de
câmbio (+US$3,9 bilhões em 2002 e -US$2,4 bilhões em 2003). Esse item não deve ser
considerado como posição líquida dos bancos em moeda estrangeira, já que se refere somente à
variação dos ativos dos bancos vinculados ao câmbio.
Tabela 4
Fluxos da CC5 (Baseados no Câmbio Contratado)
US$ milhões
2002
Jan-Ago Set
Out
Nov
Jan-Nov
Operações com bancos no exterior ¹ (CC5)
5.464
1.386
1.725
158
8.733
Depósitos no exterior
3.071
531
1.543
324
5.469
Pessoa Jurídica
2.056
493
1.490
251
4.290
Pessoa Física
1.015
38
53
73
1.179
Outras operações
2.393
855
182
-166
3.264
Investimentos diretos brasileiros
1.031
206
26
51
1.314
660
171
236
-132
935
Empréstimos brasileiros a não residentes
Outros
702
478
-80
-85
1.015
¹ Compra/venda de moeda estrangeira e ouro em troca de moeda doméstica. Contratos de câmbio.
Em 2001, a manutenção das posições compradas pelas instituições financeiras no mercado de
câmbio foi a contraparte dos superávits globais no Balanço de Pagamentos e nas intervenções do
Banco Central no mercado de câmbio. Em 2002, as instituições financeiras devem continuar com o
movimento de reversão de suas posições compradas líquidas para posições vendidas líquidas em
torno dos níveis históricos de equilíbrio (US$2 a 3 bilhões) (Tabela 5). Para 2003, elas devem
manter suas posições vendidas líquidas. Caso as instituições financeiras reduzam suas posições
vendidas líquidas em 2003, deve ocorrer um ajuste nas projeções para o Balanço de Pagamentos via
um maior financiamento de curto prazo.
Tabela 5
Contratos de Câmbio em 2002 (US$ milhões)
Período
Operações com clientes no Brasil
Comercial
Exportações
Financeiro
Importações
Saldo
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Jan-Nov
4.513
3.817
4.381
4.924
5.042
6.118
6.027
5.126
5.416
5.309
4.797
55.470
4.200
3.290
3.428
3.380
3.229
2.817
3.105
3.471
2.658
3.405
3.229
36.213
(a)
313
527
953
1.544
1.813
3.301
2.922
1.655
2.759
1.904
1.568
19.258
Memo:
2001 Jan-Nov
52.341
43.757
8.584
2002
Compras
Saldo
Vendas
Saldo
5.240
4.222
8.669
6.511
4.781
5.838
6.108
5.307
5.154
5.235
4.459
61.524
5.893
6.395
8.129
7.633
7.291
9.995
9.090
7.091
7.540
8.157
6.363
83.578
(b)
-652
-2.173
540
-1.122
-2.510
-4.157
-2.983
-1.785
-2.386
-2.922
-1.905
-22.054
75.252
81.931
-6.679
c=a+b
-339
-1.646
1.493
422
-697
-856
-61
-130
372
-1.018
-337
-2.796
1.905
Operações
com bancos
no exterior
(líquido)¹
(d)
Saldo
-402
-218
-344
-396
-616
-605
-1.249
-1.633
-1.386
-1.725
-158
-8.733
e=c+d
-741
-1.864
1.148
26
-1.313
-1.461
-1.309
-1.763
-1.014
-2.743
-495
-11.529
-4.753
-2.849
¹ Compra/venda de moeda estrangeira e ouro em troca de moeda doméstica.
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do Brasil. Questões e comentários para [email protected]
FINANCIAMENTO DE CURTO PRAZO
Os financiamentos de curto prazo em 2002 devem apresentar saída de US$3,6 bilhões em
comparação à entrada de US$306 milhões em 2001. Em 2003, a previsão é de uma entrada de
US$500 milhões, seguindo o comportamento histórico. Esse item inclui títulos de renda fixa de
curto prazo negociados interna e externamente, empréstimos de curto-prazo, crédito de comércio de
curto-prazo, derivativos financeiros, depósitos de não-residentes, erros e omissões, e outros
passivos.
VARIAÇÃO NAS RESERVAS INTERNACIONAIS E EMPRÉSTIMOS À AUTORIDADE
MONETÁRIA
O item empréstimos à autoridade monetária em 2002 inclui os US$16 bilhões em desembolsos
feitos pelo FMI e os US$4,6 bilhões amortizados ao Fundo, resultando em uma fonte de
financiamento líquido de US$11,4 bilhões, o que em 2001 representava US$6,5 bilhões. Para 2003,
a projeção contempla amortizações que totalizam US$11,1 bilhões. Finalmente, sob todos os
pressupostos mencionados acima, as reservas internacionais no Banco Central devem cair US$325
milhões em 2002 e US$11,9 bilhões em 2003, alcançando uma posição bruta de US$37 bilhões em
2002 e US$25,1 bilhões em 2003. A posição líquida, que em termos aproximados exclui os
financiamentos do FMI, atingiria US$14,2 bilhões em 2002 e US$13,8 bilhões em 2003, ambos
acima do piso definido no acordo com o FMI (US$5 bilhões).
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July 4th, 2001 - Banco Central do Brasil