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Gestão
Comunicação
direcionada
Envelhecimentoaceleradodapopulaçãotrazdesafiosparaasaúde
queenvolvemaformadeacolheresecomunicarcomoidoso
Por Heloiza Camargo
O
Brasil está envelhecendo em ritmo acelerado.
Enquanto os avanços da medicina e a melhora da economia trazem mais expectativa
de vida para a população, a demanda por produtos
e serviços para o público acima dos 60 anos de
idade cresce em igual velocidade. Segundo dados
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Melh res Práticas
do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar
(IESS) divulgados em 2012, em 2010 o Brasil contava com 190,8 milhões de habitantes, dos quais
11% eram idosos. Para 2030, a estimativa é que o
total de idosos atinja 19% da população, ou seja,
40,5 milhões de pessoas terão 60 anos ou mais.
De acordo com o levantamento, isso terá
um impacto direto na saúde. A expectativa
é de que os gastos do Sistema Único de
Saúde (SUS) com assistência ambulatorial,
como consultas e exames diagnósticos, e
internação hospitalar possam atingir, em
2030, R$ 63,5 bilhões – o que representa
um salto de quase 149%, se comparado
aos R$ 25,5 bilhões gastos em 2010.
Nos hospitais, a necessidade de
adaptações é ainda mais premente, visto
que são os idosos os que estão mais sujeitos a internações longas. E um dos pontos
chaves é como acolher e se comunicar
com o paciente e o familiar idoso. “Muitas
vezes, o idoso não tem suas expectativas
atendidas, especialmente em atendimentos de emergência. E isso não tem a ver
apenas com a resolução do seu problema
de saúde. Ele, enquanto indivíduo, com
necessidades psicológicas, sociais e biológicas, não se sente satisfeito. O gestor de
saúde gasta muito e não satisfaz”, afirma
Irineu Massaia, professor da Faculdade de
Ciências Médicas da Santa Casa de São
Paulo e idealizador do Pronto-Socorro
Exclusivo para Idosos, que está em vias
de implantação no Hospital Estadual Vila
Alpina, localizado na capital paulista.
Na opinião de Massaia, a linguagem
hospitalar é, muitas vezes, agressiva para
o idoso. Isso tanto em termos estruturais e
arquitetônicos quanto visuais. “Há desde
os sinais sonoros que incomodam até
cores idênticas para corredores, portas e
ambientes diferentes, que confundem. Isso
tudo faz com que o idoso sinta o hospital
como um ambiente hostil. O quadro fica
pior quando não é lhe assegurado o direito
a acompanhante”, diz.
PRogRamação ViSual
O Hospital Pró-Cardíaco, no Rio
de Janeiro, já vivencia a realidade do
envelhecimento da população há alguns
anos. Segundo Evandro Tinoco Mesquita,
diretor clínico do hospital e professor
de Cardiologia da Universidade Federal
Fluminense (UFF), 60% dos pacientes têm
60 anos ou mais. Ele afirma ainda que, em
alguns momentos de 2012, quase 50%
Para 2030, a estimativa é que o total
de idosos atinja 19% da população,
ou seja, 40,5 milhões de pessoas terão
60 anos ou mais. Isso terá um impacto
direto na saúde
dos pacientes tinham 80 anos ou mais.
“Estamos localizados em Copacabana,
bairro brasileiro que concentra o maior
número de idosos do País, e somos especializados em tratamentos cardíacos, então
é natural que nosso foco seja o paciente
idoso”, completa.
Por conta desse cenário, o Pró-Cardíaco desenvolveu um núcleo de geriatria
cujo objetivo principal é promover uma
visão multidisciplinar. “O paciente idoso
é avaliado como um todo, e não apenas
naquele problema em específico que o
levou até o hospital. Temos profissionais
capacitados que identificam possíveis
deficiências auditivas e de deglutição,
por exemplo, para que possamos tomar
as medidas cabíveis”, explica Mesquita.
O núcleo é o responsável por ministrar
cursos de geriatria no hospital. Quando se
identifica que o paciente tem problemas
de deglutição, por exemplo, é feito um
acompanhamento com fonoaudiólogos.
O diretor explica que as alterações
na programação visual do hospital são necessárias para evitar o quadro de delirium,
que é o distúrbio psiquiátrico mais comum
em pacientes idosos. Massaia complementa: “Ter um ambiente totalmente branco,
que hoje é sinônimo de modernidade,
deixa o idoso confuso, já que ele não
consegue distinguir as portas das paredes,
por exemplo”. De acordo com Massaia, a
maioria dos hospitais brasileiros ainda não
se preparou para receber o paciente idoso.
“Não existe essa preocupação. Não existe
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“Há desde os sinais sonoros que
incomodam até cores idênticas
para corredores, portas e ambientes
diferentes, que confundem. Isso tudo faz
com que o idoso sinta o hospital como
um ambiente hostil”
cobrança da sociedade nem dos gestores
para isso”. Para ele, todas as dependências,
excetuando-se as salas de trauma, emergência e de parada cardiorrespiratória devem ter comunicação, pelo menos visual,
com o meio externo ou integradas – o que
favorece a orientação temporal e espacial
dos pacientes idosos. Além disso, os pisos
devem ser antiderrapantes, as paredes
devem ser em tom pastel com rodapés e
divisores de ambiente, saídas e entradas
em tons que permitam melhor visualização e orientação espacial. Os banheiros
também devem atender a ergonomia, acessibilidade e com campainha sinalizadora
de ajuda. “Eles precisam ser amplos para
acomodar o cuidador, o paciente e uma
cadeira de rodas, têm de possuir barras
laterais para apoio, comunicador com a
enfermagem, piso antiderrapante, iluminação adequada para o uso e iluminação
no piso, caso o idoso se levante a noite”,
completa o professor.
Alguns exemplos práticos do que
poderia ser feito são encontrados em
outros países. Nos Estados Unidos, o
Hospital Monte Sinai, localizado em
Nova York, dispõe de dispositivos de
amplificação de voz para o idoso. “Eles
também fornecem óculos e aparelhos
auditivos. Além disso, os alarmes são
visuais, e o idoso tem telas touch screen
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Melh res Práticas
para se comunicar com a enfermagem”,
conta o professor da Santa Casa. Massaia
explica que em Israel existe um hospital
que disponibiliza elevadores com letreiros maiores, ambientes que privilegiam
o contato com o meio externo – o que
favorece a orientação temporal e espacial
do idoso, já que ele consegue reconhecer quando é dia ou noite – e também a
possibilidade do paciente ficar com suas
próprias roupas e poder colocar objetos
pessoais de identificação no quarto, tais
como fotografias e objetos pessoais.
Com relação ao investimento inicial
necessário para adaptar um hospital às
particularidades do paciente e do acompanhante idoso, ele é maior quando comparado ao que seria preciso investir em
ambientes tradicionais. “Isso é explicado
pela necessidade de se mobilizar profissionais treinados, além do investimento em
ambientes amplos e ergonômicos”, afirma
Massaia. O retorno obtido é o aumento da
satisfação do cliente.
liNguagem aDeQuaDa
Outro ponto importante é quanto a linguagem adotada pela equipe no
trato com os pacientes que têm 60 anos
ou mais. “No geral, as equipes variam
entre os extremos. Ou infantilizam, usando expressões como ‘vôzinho’ ou usam
palavras que não são conhecidas pelos
idosos”, aponta Massaia. A linguagem
é um dos pontos fortes do serviço de
home care prestado pela empresa Pronep. “Entendemos que cuidar do idoso
é também fazer parte do mundo dele.
Sabemos o valor que a memória tem para
as pessoas mais velhas. Por isso usamos
expressões conhecidas por eles, ouvimos as histórias, lemos juntos”, afirma
Marcia Braz, gerente-geral de operações
da Pronep. A ideia é que o profissional entre no universo do idoso e não ao
contrário, por isso a importância de se
conhecer o perfil do paciente – tanto em
termos etários quanto de classe social –
para adaptar a linguagem e usar expressões que sejam do seu cotidiano. Márcia
acredita que nos hospitais, justamente por
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não se fazer distinção etária, fica mais
difícil o trato diferenciado para o idoso.
A gerente afirma que o familiar em
torno do idoso também é alvo de atenção.
“Não é difícil encontrar cuidadores que
também são idosos. Especialmente no
serviço de home care, que está muito
ligado a essa faixa etária da população”.
Ela conta que por meio de uma equipe
multiprofissional, a Pronep desenvolve
ações que orientam o ciclo de cuidados,
não somente visando as necessidades
do paciente, mas também as habilidades
e capacitações do idoso familiar que
cuida do outro. “O enfermeiro ensina
cuidados, a nutricionista orienta a dieta, o fisioterapeuta diz a melhor forma
de manipulação, o serviço social ajuda
a organizar os recursos disponíveis, a
farmacêutica orienta e reconcilia a lista
de medicamentos e o médico coordena
a terapêutica”, exemplifica.
Para Márcia, às vezes o cuidador
idoso é tão carente de atenção quanto o
idoso doente, portanto fazê-lo se sentir
amparado, acolhido, orientado e encaminhado é mandatório para que ele próprio
possa se manter saudável. O amparo
psicológico a esse cuidador também é
importante, pois, além do esforço físico
de cuidar do paciente, há o desgaste emocional. “Fortes sentimentos transitam por
seus pensamentos. É a possibilidade da
perda do outro, é a culpa por achar que
não consegue fazer mais do que já faz,
muitas vezes é o sentimento de abandono dos demais membros da família, são
as preocupações com a manutenção da
sua própria sobrevivência, enfim é muito
comum o idoso que cuida adoecer junto
com o idoso doente”, completa.
Para todos os profissionais ouvidos
pela reportagem, uma das chaves para a
maior satisfação do paciente idoso está no
treinamento qualificado dos profissionais
de saúde. “Um dos nossos pontos fortes é
a nossa equipe assistencial com formação
em geriatria. Isso facilita desde o diagnóstico até a implantação de ações que
visam um melhor atendimento”, completa
Mesquita, do Hospital Pró-Cardíaco. MP
“Ter um ambiente totalmente
branco, que hoje é sinônimo de
modernidade, deixa o idoso confuso,
já que ele não consegue distinguir as
portas das paredes, por exemplo”
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